Empoderamento Feminino em Boane: Desenvolvimento Local
Empoderamento Feminino em Boane: Desenvolvimento Local
distrito de Boane
INTRODUCAO
O desenvolvimento enfrenta hoje muito desafios ligados, especialmente, a gestão sustentável dos
recursos de modo a proporcionar níveis cada vez melhores de vida as gerações presentes sem
prejudicar as gerações futuras. Porém, muitas necessidades ainda estão por satisfazer no
presente, pois segundo Sharp (2010), ao olharmos para 60 anos atrás de actividades de
desenvolvimento, podemos observar que grande número de iniciativas de criação de condições
humanas tem reprovado. Muitos dos problemas que procuraram resolver perpetuam-se até aos
nossos dias (por exemplo o fosso entre os pobres e ricos) e vêm agregando a novos problemas,
como é o caso, a título de exemplo, da destruição dos recursos naturais não renováveis.
Os movimentos feministas iniciados nos anos 60, independentemente das suas quatro abordagens
– liberal, socialista-marxista, cultural e radical – tem um tronco comum a o facto de buscarem
denunciar e explicar a discriminação que as mulheres sofrem, e de que forma o movimento actua
para melhorar essa situação (Magestte, Melo e Ckagnazaroff, 2008). Para Jucely (2011), nos
últimos anos é notável o aumento dos movimentos feministas e os resultados positivos
alcançados pela sua luta, deste a sua participação nas decisões políticas até o seu envolvimento
em programa de desenvolvimento, o que assegura ao seu direito à cidadania e o seu papel na
transformação social, assim como os homens.
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Género e desenvolvimento comunitário ─ empoderamento e contribuição da mulher para desenvolvimento local no
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Porém, foi preciso um longo processo histórico de lutas e conquistas paulatinas para que a
mulher pudesse ser assumida como actor social, não só com direito a participação, mas também
– ou principalmente – com garantia da sua participação efectiva na vida de toda a sociedade. Se,
segundo Mesquita, 2005 citado por Jucely, 2011), da Revolução Francesa em 1789 permitiu o
surgimento de ideias determinantes para o busca do equilíbrio na relação entre homem e
mulheres, só a partir de 1970 é que é que começou-se a organizar encontros nos quais definiram-
se actividades concretas que visavam colocar termo na discriminação da mulher, enquadrando-a
no plano de desenvolvimento.
A busca pelas condições de igualdade entre homens e mulheres foi, sempre, o fundamento da
luta feminina contra um sistema que conservava, de modo implícito, formas de organização
política baseadas no modelo masculino. A este respeito afirma-se que “Somente após as
conquistas dos direitos civis, nos anos 30, as condições de igualdade das mulheres foram
legalizadas. Mas percebeu-se que apenas referendar esse tópico em lei não bastava, não seria
suficiente para modificações na estrutura social sendo necessário um trabalho mais profundo
para que transformações fossem realmente incorporadas à sociedade.” (Jucely, 2011, p. 147)
Com efeito a inclusão da mulher no processo de desenvolvimento já não era somente uma
questão de aspiração feminina, mas passou a ser também uma questão legal, o que tornou
importante a criação de abordagens que permitissem orientar e explicar a real posição que a
mulher ocupa dentro desse processo, visto que, o direito positivo (o que está definido por lei)
nem sempre esta em concordância com o direito vivo (as formas como as pessoas realizam os
seus negócios no seu quotidiano). A abordagem do género pode não ter surgido em função deste
imperativo, porém, não se podemos objectar que teve um papel determinante na inclusão da
mulher ao nível das políticas públicas no geral e de desenvolvimento em particular.
De acordo com Amorim (2011, p. 7), género pode ser definido como um conceito que refere-se
ao “conjunto ao conjunto de relações, atributos, papéis, crenças e atitudes que definem o que
significa ser homem ou ser mulher. Na maioria das sociedades, as relações de género são
desiguais. Os desequilíbrios de género se reflectem nas leis, políticas e práticas sociais, assim
como nas identidades, atitudes e comportamentos das pessoas. As desigualdades de género
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tendem a aprofundar outras desigualdades sociais e a discriminação de classe, raça, casta, idade,
orientação sexual, etnia, deficiência, língua ou religião, dentre outras.”
Esta concepção de género apresenta algumas dimensões destes conceitos relevantes de serem
apontadas para o propósito deste trabalho. Em primeiro lugar há que destacar a superar do
reducionismo sexista a partir do qual concebe-se o homem e mulher com base me diferenças de
sexo. Com efeito, ao recorrer-se a este conceito está a assumir que as relações entre homens e
mulheres dão-se em termos culturais e sociais com base nas quais estruturam-se os papéis, os
comportamentos e representações que definem um ao outro. Bourdieu (2001) definiu a questão
do género com base nas representações sociais impostas dentro dos diferentes campos, entre eles
políticos e cultural. Neste sentido. Nas políticas de desenvolvimento baseadas no género os
factores de ordem cultural e social ocupam um lugar central.
Em segundo refere ao facto do conceito de género reflectir nas leis e políticas práticas sociais.
Com efeito o uso do género tem um triplo papel. De um lado procura denunciar a submissão
cultural e social, as desigualdades sociais entre homens e mulher e do outro lado serve de
orientação para a elaboração de políticas, leis e programas virados para a promoção da igualdade
de género. É neste sentido que partilhamos da ideia segundo a qual “a inclusão da mulher como
sujeito diferenciado das políticas públicas é o único caminho possível para o alcance mínimo de
equidade social, nas sociedades contemporâneas” (Feghali, 2000citado em Amorim, 2011, p. 7).
Do outro lado, ainda, serve de base para que as diferentes ciências (históricas e sociais) possam
resgatar as contribuições que a mulher vem tendo na sociedade e demonstra o papel que pode
desempenar no desenvolvimento social, político e económicos, reclamando-se a uma igualdade
de género. Em síntese, o conceito de género é a base para compreensão e orientação para a busca
da igualdade de género dentro das sociedades.
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significa levar as pessoas que estão fora do processo de tomada de decisão nele.
Isto coloca uma forte ênfase na participação nas estruturas políticas e na tomada de
decisão formal e, na esfera económica, na capacidade de obter um rendimento que
permita a participação na tomada de decisões económicas. Os indivíduos são
capacitados quando são capazes de maximizar as oportunidades disponíveis para
eles sem restrições.(Rahaman, 2013, p. 9).
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sob esta perspectiva o empoderamento não só busca incluir pessoas que encontram excluídas
para o centro de tomada de decisão, como também tem como objectivo tornar estas pessoas suas
os centro da condução e implementação de todos os programas e políticas em causa. De acordo
com Rawland (Rahaman, 2013), o empoderamento poder ser realizado em três plano, que são o
pessoal relacional e colectivo. Veja-se o que está reflectido em cada plano: a) Pessoal:
desenvolver um senso de auto-confiança e capacidade individual e desfazer os defeitos da
opressão internalizada; b) Racional: desenvolver a capacidade de negociar e influenciar a
natureza de um relacionamento e as decisões tomadas dentro dele e; c) Coletivo: Isso inclui o
envolvimento em estruturas políticas, mas também pode cobrir a ação coletiva baseada em
cooperação, em vez de competição. (p. 10)
Ao observamos para o três planos descritos anteriormente encontramos elementos que justificam
o facto de o empoderamento ser uma abordagem importante na inclusão e integração efectiva da
mulher no desenvolvimento e na crianças de condições para uma igualdade de género. Os
conceitos de participação, tomada de decisão, autonomia, habilidade e oportunidades sintetizam
as medidas definidas com vista a promoção da mulher e da igualdade de género. Seja por isso
que as abordagens de género recorrem a perspectiva do empoderamento para conceber as suas
propostas. O Banco Mundian (2012) defende que as dotações, capacidade de decidir e
oportunidades das mulheres moldam e redireccionam o processo de desenvolvimento nas
sociedades contemporâneas.
De acordo com Narciso e Henriques (2008, p. 2-3), nos PVD’s a introdução da perspectiva de
género nas estratégias de desenvolvimento rural torna-se um imperativo, pois constitui uma
obrigação dos Estados signatários da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação Contra as Mulheres (CEDAW) e da Plataforma de Acção de Pequim; 2) as
mulheres contribuírem de forma efectiva para a economia e desenvolvimento das zonas rurais; 3)
os impactos positivos ou negativos do desenvolvimento se reflictam com equidade entre homens
e mulheres; 4) as mulheres são um dos veículos mais efectivos e seguros para a erradicação da
pobreza e para prevenir a sua perpetuação inter-geracional; e 5) possibilita promover a igualdade
de género e o empoderamento das mulheres.
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O deslocamento – redeslocamento seria o conceito apropriado para deixar claro que data desde o
período pós independência a tomada do distrito como pólo de desenvolvimento. Apenas sofreu
algum enfraquecimento ao longo da evolução das políticas de desenvolvimento em Moçambique
- do desenvolvimento para o distrito num contexto de busca da igualdade de género faz com que
a inclusão da mulher seja bastante discutida ao nível dos distritos. São vários os estudos
(exemplo de Narciso e Henriques, 2008; Cruz e Silva, 2011; Cumbe, Lucas e Matsinhe, 2009;
Tvedten et al, 2010; Majune et al, 2010, só para citar alguns) que analisam/compreendem em
Moçambique o papel da mulher no desenvolvimento ao nível dos distritos.
Ainda que seja destaque na agenda política nacional a inclusão da mulher no processo de
desenvolvimento, o seu empoderamento e a criação de condições para que se possa falar de
igualdade de género, a realidade demonstra que ainda há muito para se fazer para que se possa
falar efectivamente da participação equitativa entre homem e mulher seja a nível internacional,
seja ao nível internacional.
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sínteses, ao nível mundial a mulher está em desvantagem na representação política nacional, nos
programas de desenvolvimento e no mercado de trabalho (57 contra 71 por cento).
Assim sendo, este estudo pretende reflectir sobre o fosso entre o que se define ao nível políticas
sobre a igualdade de género e o que realmente ocorre na prática, tendo como central o conceito
de empoderamento da mulher no desenvolvimento nos distrito, tendo como caso de estudo o
distrito de Baone. Pela exposição feita nas linhas anterior fica clara o reconhecimento de que a
situação actual da mulher está a quem das políticas e programas desenvolvimento distrital
pressupõe.
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“Embora a pobreza tenha registado uma redução de 26 por cento nos agregados familiares chefiados por homens
(passando de cerca de 70 por cento em 1996/97 para 52 por cento em 2002/03), foi apenas uma redução de 6 por
cento nos agregados familiares chefiados por mulheres (de cerca de 67 por cento para 63 por cento entre 1996/97 e
2002/03).” (Pobreza Infantil e Disparidades em Moçambique, 2010, p. 181),
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Nesta secção procuramos trazer obras, estudos e artigos que se mostraram relevantes para a
revisão bibliográfica e igualmente relevante para a construção do quadro teórico, assim como
para a definição dos conceitos-chave. Deste modo, trazemos alguns estudos desenvolvidos em
torno do desenvolvimento comunitário e empoderamento da mulher como forma de termos um
melhor enquadramento e da complexidade da realidade do nosso interesse.
Não olhamos de forma particular para cada estudo, uma vez que, o levantamento bibliográfico
realizado revela, de uma forma geral, a partilha de dois argumentos tanto ao nível da literatura
nacional (Cruz e Silva, 2011; Cumbe, Lucas e Matsinhe, 2009; Tvedten et al, 2010; Majune,
Mandimba, Mecanhelhas e Muembe, 2010; Osório & Silva, 2009; Casimiro e Souto, 2010),
como da internacional (Narciso e Henriques, 2008; Filho, Siqueira, Wanderley, Freitas e
Trancoso, 2011; Fazenda, s/d; Sardemberg, Cpibairde e Santana, 2008; Sharp, 2010).
Por sua vez, Cruz e Silva (2011), ao desenvolverem um estudo com tema Órgãos do poder local
e participação das mulheres em Moçambique: um estudo de caso na província de Manica, com
objectivo compreender a participação da mulher da mulher no processo de descentralização, que
possibilita a valorização das comunidades como focos de desenvolvimento, constataram que o
equilíbrio de género a nível da composição das instâncias de governação local se faz apenas do
ponto de vista formal, durante a fase de constituição dos órgãos de consulta, reproduzindo-se o
modelo masculino, que coloca as mulheres na condição de subalterna e limita na sua participação
no processo de desenvolvimento.
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Contudo, alguns entraves permanecem como problema para o empoderamento da mulher. A falta
de instituições bancárias, a prevalência dos interesses partidários, a falta de divulgação do
financiamento, o beneficiamento de agentes administrativos constituem grande problema para
que possa ter o efectivo a acesso aos recursos. (Casimiro e Souto, 2010). Assim, prevalece como
principal problema a autoridade a qual está sujeita a distribuição de recursos. De acordo com
estes autores, o facto de a mulher não participar da vida política faz com que esteja condena a
exclusão ou fraco acesso aos recursos, o que é agravado pela existência de um conjunto de regras
impostas na instituição familiar.
Ao nível de países, podemos observar que o fosso entre o ser e o dever ser também é
característico. Tomamos como exemplo, Timor-Leste onde constata-se que, não obstante a
existência do enquadramento jurídico da integração da mulher, o seu contributo para o
desenvolvimento do seu país ainda encontra-se bastante condicionado pela pelas desigualdade de
género presentes no direito consuetudinário, no qual destaca-se o acesso desigual aos recursos
naturais, com relevo para a terra (Narciso e Henriques, 2008). Na África do Sul a renda da qual
grande parte das mulheres é proveniente de fonte informais do que as formais, como é o caso
programas de financiamento. Embora se reconheça que muitas mulheres imigrantes
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Ainda assim, observamos neste estudo que, ainda que as mulheres venham sendo integradas,
importa sublinhar que esta integração é restrita, o que faz com que muitas mulheres se dediquem
ao trabalho informal e outro grupo de mulheres fique sem nenhuma fonte de renda. As
oportunidades de acesso a educação, acesso ao mercado do trabalho e aos outros recursos, as
mulheres continuam excluídas, encontrando-se em situações de precariedade.
Este estudo chega a um conclusão que podem sintetizar a tendência dos estudos sobre o
empoderamento e participação da mulher. Afirma que “enquanto, por um lado, parece haver
avanços no que toca ao exercício da sexualidade através das gerações, por outro lado, a situação
de desemprego acentua a dependência das mulheres mais jovens e, consequente, restringe a
conquista da sua autonomia (..). As mudanças observadas, portanto, se fazem ao lado das
permanências – ou até mesmo dos recuos -, o que torna difícil pensarmos o empoderamento
como processo crescente e e contínuo” (p.6)
Outros citados anteriormente, embora com suas óbvias particularidades, seguem o mesmo
sentido. Não podemos recusar que alguns avanços estão sendo dados em diferentes países para a
promoção da igualdade de género no que tange a participação da mulher e do homem no
processo de desenvolvimento de cada país. Leis foram aprovadas, políticas forma definidas e
programas estão sendo implementados. Ainda assim, importa-nos sublinhar que, por um lado, os
programas não abrangem todas as mulheres, por outro lado, as mulheres que estão sendo
beneficiárias enfrentam obstáculos quanto ao seu empoderamento.
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Género e desenvolvimento comunitário ─ empoderamento e contribuição da mulher para desenvolvimento local no
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O empoderamento é uma abordagem adoptada nas agendas nacionais de diferentes países que se
comprometem com a promoção da igualdade de género quanto a participação da mulher no
desenvolvimento do país. Moçambique não é excepção, sendo que o Governo definiu no Plano
Quinquenal para 2010-2014 que uma das suas prioridades era a inclusão da mulher, promovendo
a elevação do seu estatuto e a sua participação na vida política, económica e social do País,
lutando contra a sua discriminação; Reforçando as suas capacidades para o desenvolvimento do
empresariado e empreendedorismo feminino. A materialização destes pontos tem como foco
especial as mulheres chefes de agregados familiares.
O governo tem procurados alcançar estes objectivos por meio de acções concretas. Seja por isso
que podemos identificar diferentes estudos (Cruz e Silva, 2011; Cumbe, Lucas e Matsinhe, 2009;
Tvedten et al, 2010; Negrão, 2008, são alguns destes estudos) que refelctem sobre o alcance
destas acções. A abordagem do desenvolvimento centrada no distrito adoptada por Moçambique
(Castelo-Branco, 2008), faz do distrito e dos programas implementados a este nível espaços de
empoderamento da mulher nos três níveis apontados por Rawland (Rahaman, 2013): pessoal,
relacional e colectivo.
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acesso a recursos financeiros, materiais e naturais que lhes permitam desenvolver actividades
agro-pecuárias para a criação de recursos e desenvolvimento ao nível da comunidade. As
mulheres membro desta cooperativa tem direito ao acesso a bens e serviços que lhe possa
permitir produzir e comercializar produtos agrários, desenvolver actividade de exploração
conjunta da terra do regadio e do sistema de irrigação, criação de animais de pequena espécie,
exploração frutícola e aprovisionamento, podendo beneficiar-se de forma colectiva e individual.
Nesta ordem de ideias, este estudo, partindo do princípio da existência do desfazamento entre o
que pretende e o que alcança com o empoderamento da mulher, procuramos problematizar as
condições nas quais as mulheres membros da Cooperativa Vinte e Cinco de Setembro Umbeluze
participam do desenvolvimento comunitário por meios dos recursos aos quais têm acesso nesta
colectividade. Para o efeito levantamos a seguinte pergunta: de que forma Cooperativa Vinte e
Cinco de Setembro contribui para o empoderamento da mulher no distrito de Boane?
2.2. Hipótese
A hipótese de trabalho para esta tese é que apesar de enfrentar dificuldade ao longo da sua
existência, a Cooperativa Vinte e Cinco de Setembro Umbeluze vem contribuindo positivamente
para a construção da confiança pessoal e autonomia por parte da mulher, fazendo com que esta
contribua para o desenvolvimento comunitário por meio de iniciativas bem sucedidas ao nível da
economia formal e/ou informal.
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2.4. Justificativa
O outro motivo, é que as politicas nacionais tem assumido a promoção da participação igualitária
do género como a base para a sua concepção, pelo que o desenvolvimento assenta neste
principio. Contudo, a nível da literatura em torno destas politica denuncia-se o desfasamento
entre o que se define ao nível de politica e o que ocorre na realidade concreta. Neste sentido, o
desenvolvimento deste tema tem sua relevância no sentido de, por um lado retratar um realidade
especifica onde os programas de empoderamento da mulher tem sido desenvolvido, servindo de
base para a sua avaliação em termos de correspondência entre as expectativas dos diferentes
actores envolvido, por outro lado, não descarta a possibilidade dentro de fosso entre o que se
define e o que acontece haver meios desenvolvidos pelas próprias mulheres para que possam
tirar proveito desses programas, pois as mulheres são actoras e assim devem ser consideradas.
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Neste capítulo, procuramos estabelecer a relação que existe entre a formulação do problema e o
enunciado da hipótese a partir da problemática do desenvolvimento comunitário, na perspectiva
da teoria do desenvolvimento endógeno que dá primazia aos recursos endógenos (físicos,
humanos e culturais) e ao poder local.
Neste trabalho, temos como fio condutor a teoria do desenvolvimento endógeno porque segundo
Sousa Filho (2000), defende o desenvolvimento por via do aproveitamento dos próprios recursos
(naturais, humanos e culturais) e potencialidades endógenas de um determinado território e a
promoção de iniciativas locais através da cooperação, do associativismo, e de parcerias e pactos
regionais. Esta teoria parte do pressuposto de que factores decisivos no processo de
desenvolvimento local são definidos no interior das regiões ou localidades e não de forma
exógena, daí que as comunidades, dotadas destes factores ou estrategicamente direccionadas para
desenvolve-los teriam as melhores condições de atingir um desenvolvimento acelerado e
equilibrado; o que permitirá a construção de capacidades, habilitações e aptidões locais e
superação da exclusão social, económica e política.
Outro pressuposto básico da teoria é o de dar maior relevância a sociedade civil na participação
do seu próprio desenvolvimento, e mais do que isso, na visão de Boisier (1997), a sociedade
civíl, e nela compreendida as formas locais de solidariedade, de integração social e cooperação,
pode ser considerada o agente principal da transformação sócio-económica a nível local pois
uma das chaves do desenvolvimento local reside na capacidade de cooperação dos seus actores.
Neste caminho, segundo Sousa Filho (2000), uma das maiores contribuições da teoria
endogenista é de procurar mostrar que os factores determinantes ao desenvolvimento regional
são aqueles existentes dentro da região, e não exteriores à ela como durante muito tempo foi
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Antes de definir os conceitos importa dizer que segundo Figueiredo (2004) um conceito é uma
categoria intelectual que permite com que os fenómenos se tornem compreensíveis. Desta forma
procuraremos definir os seguintes conceitos: género, empoderamento e desenvolvimento local.
3.1.1. Género
Quanto ao conceito de género, segundo Dos Muchangos e de Valles (1996, apud Albino, 1996),
o conceito de género não significa sexo (nem masculino nem feminino) não significa mulheres
ou questões de mulheres. Antes refere-se a relações sociais entre homens e mulheres; aos papéis
socialmente construidos desempenhados para atrair a atenção para a natureza social da divisão
do trabalho entre homens e mulheres. Os mesmos autores definem assuntos do género como
questões que restrindem ou facilitam o acesso dos homens ou muheres aos recursos e/ou
oportunidades para o auto-sustento.
Na perspectiva desta autora, o termo género representa um processo que procura explicar os
atributos específicos que cada cultura impõe ao ser masculino ou ser feminino, considerando-o
como uma construção social. Com base na colocação desta autora, este conceito é o adequado
para o nosso estudo, porque vai permitir-nos reconhecer que as relações entre mulheres e homens
podem variar dependendo do contexto. Assim, o conceito de género implica conhecer, saber
mais sobre as diferenças sexuais e seus significados.
Para definir esse conceito devemos afirmar que, o desenvolvimento local implica a articulação entre
diversos actores e esferas de poder, seja a sociedade civil, as organizações não governamentais, as
instituições privadas, políticas e o próprio governo.
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Concordando com esta posição, Buarque (1999) define desenvolvimento local como sendo um
processo endógeno registado em pequenas unidades territoriais e agrupamentos humanos capaz
de promover o dinamismo económico e a melhoria da qualidade de vida da população. Desta
forma, representa uma singular transformação nas bases económicas e na organização social em
nível local, resultante da mobilização das energias da sociedade explorando as suas capacidades
e potencialidades específicas. Para ser um processo consistente e sustentável o desenvolvimento
deve elevar as oportunidades sociais e a viabilidade e competitividade da economia local
aumentando a renda e as formas de riqueza ao mesmo tempo em que assegura a conservação dos
recursos naturais.
Segundo Milani (2005) desenvolvimento local pressupõe uma transformação consciente da realidade
local. Isto implica em uma preocupação não apenas com a geração presente, mas também com as
gerações futuras e é neste aspecto que o factor ambiental assume fundamental importância.
Portanto, os autores acima supracitados são quase unânimes em afirmar que o conceito está
relacionado unicamente com crescimento económico, mas também com a melhoria da qualidade de vida
das pessoas e com a conservação do meio ambiente. Estes três factores estão inter-relacionados e são
interdependentes.
Os conceitos trazidos pelos autores acima mencionados são adequados ao nosso estudo, na medida em
que vão permitir-nos perceber o envolvimento das mulhres membros da cooperativa vinte e cinco de
setembro no processo de desenvolvimento, nomeadamente através do diálogo e de prestação de serviços
voluntários na comunidade.
3.1.3. Empoderamento
Ao definir esse conceito deve se levar em consideração aos varios factores, como é o caso de
conquista de direitos, relação de poder, autonomia entre outros.
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A definição proposta por Romano (2002) é de que o empoderamento deve ser visto como sendo
um processo de conquista, uma luta pelos direitos e contra as desigualdades, que depende tanto
do ambiente quanto do indivíduo, ou seja, um constante exercício pela possibilidade de
conquistar direitos e cidadania e não o poder em si.
Para Amâncio (2006) o empoderamento realmente ocorre quando o indivíduo passa a ter
controle sobre a sua vida, quando a dependência em relação ao outro se enfraquece e quando a
sua competência para criar e produzir se tornam parte de sua vida. É quando o indivíduo deixa de
ser passivo para ser um ser ativo, atuante e conhecedor do seu potencial. Essa ideia se associa a
de Friedmann (1996) processo através do qual as pessoas, organizações e grupos tomam
consciência da forma como as relações de poder/subordinação operam nas suas vidas e
desenvolvem capacidades e confiança para as desafiarem e alcançarem a um maior nível de
controlo das suas vidas.
Portanto, ao olhar as definições propostas pelos autores acima ctitados são fundamentais para o
nosso estudo, na medida em que o empoderamento é visto como um processo pelo qual o
indivíduo, mediante a luta pela igualdade, conquista certos direitos os quais não lhe pertenciam,
como é o caso do direito à educação, saúde, condições dignas de trabalho, à liberdade de
expressão, respeito, são algumas capacidades alcançáveis que reinserem o ser humano à
sociedade.
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Tendo em conta o problema de pesquisa, os objetivos do estudo, bem como o quadro analítico
escolhido, a abordagem qualitativa é mais adequada para facilitar uma abordagem holística e
uma compreensão profunda das questões a analisar. Convém salientar que o paradigma
qualitativo postula uma concepção global fenomenológica, indutiva, estruturalista, subjectiva e
orientada para o processo (Carmo & Ferreira, 1998). O propósito da pesquisa é obter descrições
de “mundo vivido” dos sujeitos e permitir interpretações feitas da situação descrita (Mikkelsen
2005). Isto exige focalizar nas perspectivas e papéis percebidos e realidades das comunidades
locais.
O método de procedimento que vai ser usado por nós neste trabalho será o monográfico. O
recurso a este método tem como base a ideia segundo a qual o universo simbólico dos membros
da associação vinte e cinco de setembro vivenciam e interpretam o seu quotidiano. Assim, ao
recorrermos a este método encontramos a possibilidade de fazer tanto uma descrição, como uma
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Este método parte do princípio de que um estudo de caso em profundidade pode ser considerado
representativo de outros casos similares. Estes casos podem ser indivíduos, instituições,
comunidades e grupos, Gil (2007). No entanto, neste trabalho não pretendemos realizar nenhuma
generalização, mas assumimos que os resultados aos quais chegaremos podem ser assumidos
como hipóteses representativas de casos de outras associações ou cooperativas, para além da
associação vinte e cinco de setembro em Boane que é o nosso campo de estudo.
Para realizamos a recolha dos dados tomamos como tecnicas: as entrevistas semi-estruturadas,
levantamento documental e observação directa. Com a técnica de entrevista semi-estruturada
será possível abordar a realidade sob a perspectiva ddo empoderamento e contribição da mulher
no desenvolvimento local. Quivy e Campenhoudt (1998) afirma que as entrevistas semi-
estruturadas são aquelas em que o pesquisador dispõe de uma gama de perguntas abertas e
algumas de carácter fechadas. Com esta técnica, permite-se dar a liberdade ao inquerido de
responder tudo o que estiver ao seu alcance, aproveitando-se também explorar outras dimensões
não previstas no desenho da pesquisa.
Com a técnica de levantamento documental, Quivy e Campenhoudt (1992), afirmam que, assim
como a bibliográfica, esta é uma técnica complementar usada para recolher informação junto de
arquivos ou documentos disponíveis numa instituição, empresa ou mesmo pessoa. Neste trabalho
adopta-se esta técnica para se procurar obter informação nos relatórios sobre empoderamento da
mulher no desenvolvimento local, principalmente pra o distirto de Boane.
Além das entrevistas e da análise documental, acredita-se imprescindível para a colecta de dados
a utilização da técnica de observação não participante ao quotidiano de trabalho das mulheres
estudadas e à sua participação nos eventos promovidos na e pela organização, com vistas a captar
aspectos das relações sociais que permeiam o seu dia-a-dia, os quais podem não ser evidenciados
mediante outras técnicas de colecta de dados. Segundo Alencar (1999), na observação não
participante apesar de o pesquisador estar presente no local onde o grupo observado desenvolve
as suas acções, ele não se faz passar por membro do grupo, ou seja, ele não desenvolve acções
que os membros do grupo desenvolvem.
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No que se refere ao nosso universo populacional, este será constituído por mulheres membros da
associação vinte e cinco de setembro. Quanto a “amostra”, assumimos como valida a chamada de
atenção de Guerra (2006), segundo a qual não é aconselhável falar em amostra em pesquisa
qualitativa, visto que, esta não busca representatividade, sempre que falarmos de amostra,
colocarmos a designação entre aspas. Contudo, recorremos a uma “amostra” por saturação, que
segundo a autora consiste na escolha de um local ou uma pessoa para fazer uma análise
intensiva.
Pela natureza do estudo que vai ser desenvolvido, o tamanho e limite da amostra vai depender da
procura de um compromisso entre os limites temporais que enquadram na recolha de dados e do
princípio da saturação empírica, como momento operacional em que as entrevistas e debates já
não nos traziam elementos e pontos de vistas novos que possam justificar a continuidade da
aplicação do instrumento de observação empírica (Poupart et al, 2008).
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distrito de Boane
Referências Bibliografica
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Género e desenvolvimento comunitário ─ empoderamento e contribuição da mulher para desenvolvimento local no
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mulher seja chefe quando existem homens: género e pobreza no sul de Moçambique, Maputo,
CIM.
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distrito de Boane
Anexo
1. Idade
2. Estado civil
3. Nivel de Escolaridade
4. Religião
5. Número de agregado familiar
4. Para você o que tem limitado ou dificultado a participação das mulheres na cooperativa?”
5. Porque você acha que tem limitado a participação das mulheres na cooperativa?”
6. O que você acha importante ser trabalhado para aumentar a participação das mulheres na
cooperativa?”
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