ATIVIDADES ESCOLARES NÃO PRESENCIAIS – DATA : 06/07 a 20/07
PROFESSOR:NILTON BRUNO TOMELIN DISCIPLINA: BIOLOGIA
ALUNO:Pamela Carine da Silva TURMA:2º02 do EM
Atividade
Caríssimos! Espero que todos estejam bem! Nesta quinzena vamos tratar de um tema muito recorrente neste
tempos: o racismo! Por isso encaminho o texto abaixo, “Existem raças humanas?”, que pode ser encontrado
no site [Link] A atividade consiste na seguinte
sequência:
1. Leitura crítica do texto em que você grifará (sublinhará ou marcará) as partes que você considera
mais importantes e significativas dotexto segundo sua análise;
2. Escolha de 05 a 10 palavras ou expressões que você considera centrais no desenvolvimento do texto
e faça ummapa conceitual. Elabore sua resposta no espaço abaixo.
genéticas humanos diferenças
Existem raças humanas?
danos
biológico
Raças inferiores
3. Escreva um texto que tenha entre 10 e 20 linhas emitindo sua opinião a respeito do texto usando as
palavras que você escolheu na questão anterior. Se você devolver de forma on-line digite sua
resposta no espaço abaixo, onde estão as linhas.
_A muito tempo as pessoas se perguntam porque existem tantas pessoas tão diferentes umas das
outras, cientistas pesquisam sobre e se perguntam se essas diferenças são porque existem raças
[Link] afinal ,existem raças humanas? Geneticamente não existem, mas seria muito
prejudicial dizer que não até porque os danos causados no passado por pessoas prejudicam até hoje a
vida de milhares de pessoas apenas pela raça, por ter uma cor,cabelo e cultura diferente. Para essas
pessoas as outras raças são inferiores. Mas no fim todos nós viemos do mesmo lugar e vamos para o
[Link] as vidas importam de toda maneira não importa como você aparente, por dentro nos
temos os mesmos órgãos,todos nós pensamos,mesmo que diferente, então não adianta tratar os outros
mal por serem [Link] só deixa sua alma mais destruída e você só trará coisas ruins por onde
[Link] isso espalhe amor,e respeito.
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4. Terminada a atividade encaminhe este arquivo contendo as respostas e o texto abaixo, com os grifos
ao professor pelo Google Classroom ou impresso à escola (caso não tenha acesso à internet).
Existem raças humanas?
A variabilidade física de humanos salta aos olhos. Pessoas diferem umas das outras na estatura, no formato
do rosto, na cor da pele, na cor do cabelo, para citar apenas alguns traços. Parte dessa variação tem uma
distribuição geográfica marcante: a pele escura é mais comum entre Africanos, e inexistente entre os
Europeus (excetuando, é claro, aqueles que migraram recentemente). De modo similar, sabemos que a
estatura de populações varia muito. Homens bósnios são em média 16 cm mais altos do que os portugueses;
entre Africanos, sudaneses são em média 60 cm mais altos do que pigmeus. Há diferenças físicas visíveis
entre povos que moram em diferentes lugares.
Essa observação está por trás de uma prática antiga entre observadores da natureza, que é o de classificar os
humanos em raças. CarolusLinnaeus (1707-1778), um dos primeiros a propor uma classificação do universo
biológico, subdividiu a espécie humana em 4 grupos, com base em sua localização geográfica e cor de pele.
Classificações posteriores, como aquela feita pelo importante evolucionista e seguidor de Darwin, Ernst
Haeckel (1834-1919), colocavam os humanas de diferentes continentes como ramos distintos na árvore da
vida, que teriam evoluído separadamente, levando Haeckel a concluir que a humanidade era constituída por
diferentes espécies. Essa ideia foi influente, e muitos anos depois o antropólogo Carleton Coon (1904 –
1981) defendeu uma visão similar, segundo a qual os humanos em diferentes continentes representam o
resultado de mudanças evolutivas que aconteceram de modo independente, novamente endossando a ideia
de que raças humanas seriam profundamente diferentes.
O processo de alocar humanos em grupos raciais se relaciona de modo estreito com visões socialmente
construídas sobre diferenças entre povos. Para Haeckel e outros contemporâneos, as raças diferiam em
atributos intelectuais, sustentando afirmações como as de que “Raças inferiores (como os Veddahs e Negros
australianos) eram psicologicamente mais próximas de mamíferos (macacos e cachorros) do que ao Europeu
Civilizado”, ou que apenas em arianos havia uma “simetria de todas as partes, (…), que denominamos a
essência da beleza humana perfeita”. A atribuição de valores e capacidades diferentes às raças era uma visão
que se inseria de modo poderoso no contexto social vigente, ajudando a sustentar perspectivas racistas,
justificando o tratamento desigual a diferentes povos.
A roupagem científica presente nos argumentos de Haeckel sobre raça tiveram impacto profundo,
sustentando o racismo científico. Como discute, por exemplo, o Evolucionista Stephen Jay Gould, essa visão
contribuiu de modo importante para o desenvolvimento de ideias nazistas na Alemanha do século 20.
Na nossa cultura a existência de raças humanas também se tornou arraigada, algo evidenciado nas categorias
raciais usadas pelo IBGE (pretos, pardos, brancos, amarelos, indígenas) e na formo como falamos de raça na
linguagem cotidiana. Há até estudos mostrando que categorias raciais permeiam livros didáticos. Concluo
então que a pergunta simples e desafiadora, que precisa ser abordada, é a seguinte: a ciência sustenta
classificações raciais para humanos?
Ainda que houvesse estudos morfológicos que identificassem diferenças entre grupos raciais, eles eram
frequentemente feitos sem rigor estatístico e com amostras populacionais limitadas. Faltava um estudo
rigoroso, capaz de testar a realidade biológica das raças humanas.
Esse estudo viria a ser feito em 1972 por Richard Lewontin, um evolucionista da Universidade de
Harvard. O estudo de Lewontin partia da definição de sete grupos raciais, bastante aceitos entre
antropólogos: Caucasianos, Negros Africanos, Mongolóides, Aborígenes do Sudeste Asiático, Ameríndios,
povos da Oceania, e Aborígenes Australianos. Lewontin se valeu de dados genéticos para indivíduos de cada
um desses grupos, e comparou as semelhanças genéticas entre indivíduos que pertenciam a uma mesma
raça com aquelas de indivíduos de raças diferentes. Repare que Lewontin não estava aceitando a premissa
de que “raças existem”. Sua pergunta era: para grupos raciais tradicionalmente aceitos, há apoio para sua
existência vinda de estudos genéticos?
A visão tradicional, segundo a qual raças humanas refletiam grupos profundamente diferentes do ponto de
vista biológico, previa que haveria muitas diferenças entre indivíduos de raças diferentes, e poucas entre
indivíduos que pertenciam a um mesmo grupo racial. Mas Lewontin encontrou algo muito diferente. Os seus
resultados mostraram que dois indivíduos alocados a uma mesma raça eram praticamente tão diferentes uns
dos outros quanto indivíduos de raças diferentes. Esse achado está apresentado esquematicamente na figura
abaixo.
Figura 1.
Dois esquemas sobre como a diversidade genética poderia estar distribuída. O comprimento das linhas
verticais é proporcional à quantidade de diferenças entre cada indivíduo, que é representado por um círculo.
O esquema da esquerda mostra o padrão segundo o qual indivíduos de uma mesma raça são semelhantes
entre si e muito diferentes daqueles de outras raças. O esquema da direita mostra um padrão em que todos os
indivíduos são muito diferentes uns dos outros, e há praticamente tanta diferenciação entre indivíduos de
raças diferentes quanto entre aqueles da mesma raça. O painel da direita representa o que os estudos de
Lewontin e outros encontraram.
Lewontin quantificou essa observação da seguinte forma: do total da variabilidade genética que existe em
nossa espécie, 85% diz respeito a diferenças entre indivíduos de uma mesma raça, e apenas 15% do total da
variação resulta de diferenças entre raças humanas. Em outras palavras, indivíduos de raças distintas são
apenas sutilmente mais diferentes do que aqueles da mesma raça. A percepção de que cada raça era um
grupo homogêneo, e diferente das demais raças, caía por terra.
Lewontin não se esquivou de dar um contexto social e político ao seu achado, concluindo seu artigo com
palavras fortes:
Fica agora claro que nossa percepção de grandes diferenças entre raças humanas e subgrupos, em
comparação como a variação dentro desses grupos, é de fato uma percepção enviesada (…). A
classificação racial humana não possui valor social e é positivamente destrutiva para relações sociais e
humanas. Uma vez que agora vemos que essa classificação racial é também desprovida de significado
genético ou taxonômico, não há justificativa para sua continuidade”. (Lewontin, 1972)
O trabalho de Lewontin foi feito na alvorada da era de estudos genéticos e, posteriormente, o acesso a dados
se expandiu vastamente. Muitos outros estudos revisitaram a abordagem de Lewontin, inclusive trabalhos
feitos com dados numa escala inimaginável até recentemente, como através da análise de milhares de
indivíduos, com seus genomas completamente sequenciados. Essas novas análises dispunham de muito mais
dados do que Lewontin, mas chegaram exatamente à mesma conclusão: as diferenças genéticas entre as
raças humanas são muito pequenas, e a maior parte da variação genética em humanos não está entre grupos
raciais, mas sim dentro deles.
Esses resultados ficam ainda mais claros quando comparamos as diferenças genéticas entre as raças
humanas com aquelas observadas entre grupos de outras espécies de animais. Quando Alan Templeton fez
essa análise, ele observou que raças humanas são menos diferentes umas das outras do que raças de impalas,
carneiros, coiotes, elefantes, gazelas ou lobos. O que Templeton mostrava era que, do ponto de vista
genético, somos uma espécie menos subdividida do que a maior parte dos mamíferos estudados. Isso
representa um argumento adicional contra a atribuição de categorias raciais a humanos.
Tendo revisado um pouco da literatura a respeito de diferenças genéticas entre raças humanas, podemos
agora fazer uma ponte com a questão que é frequentemente apresentada a geneticistas: afinal de costas, raças
humanas existem?
A resposta básica é simples: do ponto de vista genético, raças definidas como grupos geneticamente
homogêneos e altamente diferenciados de outros grupos não existem. A variabilidade genética humana
simplesmente não é distribuída em escaninhos bem delimitados, como uma visão de raças implica.
Mas restam desafios na discussão sobre raças. Seria ingênuo negar a existência de raças cujos contornos
foram definidos socialmente. Em muitos países, o próprio esforço para reverter os prejuízos de muitos anos
de políticas racistas consiste em oferecer compensações aos indivíduos que se autoidentificam como
pertencendo a uma determinada raça. As políticas de ação afirmativa, quer concordemos com elas ou não,
são construídas para reverter uma longa história de diferenças nas oportunidades abertas a grupos
racialmente definidos. Negar a existência de raças nesse sentido – não biológico – seria prejudicial ao
próprio processo de reverter danos que se acumularam no passado. Biólogos podem refutar a existência
genética de raças estanques e diferenciadas, mas esta é apenas uma faceta da existência de raça em nossas
sociedades.
Diogo Meyer (USP)
PARA SABER MAIS
Lewontin, R. (1972). The ApportionmentofHumanDiversity. Evolutionary Biology, 672: 381–398
Templeton. (2010). Human Races : A Genetic and Evolutionary Perspective. American Anthropologist, 100:
632-650.