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Design de Mobiliario PDF

Este documento fornece uma introdução sobre design de mobiliário e é dividido em três partes principais: 1) Apresenta os professores responsáveis pelo curso de design de mobiliário; 2) Discorre brevemente sobre a importância do design no desenvolvimento de móveis funcionais e esteticamente agradáveis; 3) Destaca a relevância do curso para a formação profissional dos estudantes e seu preparo para o mercado de trabalho.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Design de Mobiliario PDF

Este documento fornece uma introdução sobre design de mobiliário e é dividido em três partes principais: 1) Apresenta os professores responsáveis pelo curso de design de mobiliário; 2) Discorre brevemente sobre a importância do design no desenvolvimento de móveis funcionais e esteticamente agradáveis; 3) Destaca a relevância do curso para a formação profissional dos estudantes e seu preparo para o mercado de trabalho.
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DESIGN

DE MOBILIÁRIO

PROFESSORES
Esp. Ivã Vinagre de Lima
Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc
DESIGN DE MOBILIÁRIO

NEAD
Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4
Jd. Aclimação - Cep 87050-900 Maringá - Paraná
www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360

C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância;


LIMA, Ivã Vinagre de; SOCOLOVITHC, Thiara L. S. Stivari.
Design de Mobiliário. Ivã Vinagre de Lima; Thiara L. S. Stivari Socolovithc.
Maringá - PR.:Unicesumar, 2018. Reimpressão 2020
234 p.
“Graduação em Design - EaD”.
1. Design . 2. Mobiliário . 3. EaD. I. Título.
ISBN 978-85-459-1139-5
CDD - 22ª Ed. 745.2
CIP - NBR 12899 - AACR/2

DIREÇÃO UNICESUMAR

Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de Administração
Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de EAD Willian Victor Kendrick de Matos Silva, Presidente
da Mantenedora Cláudio Ferdinandi.

NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Diretoria Executiva de Ensino Janes Fidélis Tomelin Diretoria Operacional de Ensino Kátia Coelho,
Direção de Operações Chrystiano Mincoff, Direção de Polos Próprios James Prestes, Direção de
Desenvolvimento Dayane Almeida, Direção de Relacionamento Alessandra Baron, Head de Produção
de Conteúdos Celso L. Filho, Gerência de Produção de Conteúdo Diogo R. Garcia, Gerência de
Projetos Especiais Daniel F. Hey, Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila de Almeida
Toledo, Supervisão Operacional de Ensino Luiz Arthur Sanglard, Coordenador(a) de Conteúdo
Larissa Camargo, Projeto Gráfico José Jhonny Coelho, Editoração Arthur Cantareli Silva, Designer
Educacional Agnaldo Ventura, Revisão Textual Ariane Andrade Fabreti e Cíntia Prezoto Ferreira,
Ilustração Marta Kakitani, Fotos Shutterstock.

2
Wilson Matos da Silva
Reitor da Unicesumar

Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos
com princípios éticos e profissionalismo, não somente entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil.
para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima A rapidez do mundo moderno exige dos educadores
de tudo, para gerar uma conversão integral das soluções inteligentes para as necessidades de todos.
pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em 4 pilares: Para continuar relevante, a instituição de educação
intelectual, profissional, emocional e espiritual. precisa ter pelo menos três virtudes: inovação,
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de coragem e compromisso com a qualidade. Por
graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia,
estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor
campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e do ensino presencial e a distância.
Londrina) e em mais de 500 polos de educação a distância Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é
espalhados por todos os estados do Brasil e, também, promover a educação de qualidade nas diferentes áreas
no exterior, com dezenas de cursos de graduação e do conhecimento, formando profissionais cidadãos
pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros que contribuam para o desenvolvimento de uma
e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. sociedade justa e solidária.
Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de Vamos juntos!
boas-vindas

Willian V. K. de Matos Silva


Pró-Reitor da Unicesumar EaD

Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à A apropriação dessa nova forma de conhecer


Comunidade do Conhecimento. transformou-se hoje em um dos principais fatores de
Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar agregação de valor, de superação das desigualdades,
tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores propagação de trabalho qualificado e de bem-estar.
e pela nossa sociedade. Porém, é importante Logo, como agente social, convido você a saber cada
destacar aqui que não estamos falando mais daquele vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a
conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas tecnologia que temos e que está disponível.
de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg
atemporal, global, democratizado, transformado pelas modificou toda uma cultura e forma de conhecer,
tecnologias digitais e virtuais. as tecnologias atuais e suas novas ferramentas,
De fato, as tecnologias de informação e comunicação equipamentos e aplicações estão mudando a nossa
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o
informações, da educação por meio da conectividade conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância
via internet, do acesso wireless em diferentes lugares (EAD), significa possibilitar o contato com ambientes
e da mobilidade dos celulares. cativantes, ricos em informações e interatividade. É
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá
a informação e a produção do conhecimento, que não as portas para melhores oportunidades. Como já disse
reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”.
segundos. É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer.
boas-vindas

Kátia Solange Coelho


Janes Fidélis Tomelin Diretoria de Graduação
Pró-Reitor de Ensino de EAD
e Pós-graduação

Débora do Nascimento Leite Leonardo Spaine


Diretoria de Design Educacional Diretoria de Permanência

Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja,
iniciando um processo de transformação, pois quando estes materiais têm como principal objetivo “provocar
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta
profissional, nos transformamos e, consequentemente, forma possibilita o desenvolvimento da autonomia
transformamos também a sociedade na qual estamos em busca dos conhecimentos necessários para a sua
inseridos. De que forma o fazemos? Criando formação pessoal e profissional.
oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento
de alcançar um nível de desenvolvimento compatível e construção do conhecimento deve ser apenas
com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita.
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos
se educam juntos, na transformação do mundo”. fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe
Os materiais produzidos oferecem linguagem das discussões. Além disso, lembre-se que existe
dialógica e encontram-se integrados à proposta uma equipe de professores e tutores que se encontra
pedagógica, contribuindo no processo educacional, disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em
complementando sua formação profissional, seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe
desenvolvendo competências e habilidades, e trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória
aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, acadêmica.
autores

Esp. Ivã Vinagre de Lima


Especialista em Arte-Educação pelo Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão (IBPEX/2007).
Graduado em Engenharia Civil pelo Centro Universitário Cesumar (Unicesumar/2015). Tecnólogo em
Construção Civil (Modalidade - Edifícios) pela Universidade Estadual de Maringá (UEM/2014). Licenciado
em Artes Plásticas pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR/2007). Tecnólogo em
Design de Móveis pela UTFPR (2007). Tecnólogo em Design de interiores pelo Centro Universitário
Campos de Andrade (Uniandrade/2006). Tecnólogo em Móveis (Modalidade - Projeto de Móveis) pela
UTFPR (2006). Atualmente é professor de ensino técnico e tecnológico do Instituto Federal de Edu-
cação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFPR) no campus Umuarama-PR. Tem experiência nas áreas
de Arte-Educação, Construção Civil, Desenho Industrial, Design de Móveis e Design de Interiores.
Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional, pesquisas e publicações, acesse
seu currículo disponível no seguinte endereço:
<http://lattes.cnpq.br/0694192193036096>.

Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc


Mestranda em Comunicação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL/2017) com pesquisa
na área de imagens e linguagens: o design da cidade. Especialista em História da Arte pelo Centro
Universitário Claretiano (CEUCLAR/2016). Graduada em Tecnologia em Design de Interiores pelo
Unicesumar (2015). Graduada em Comunicação Social com Habilitação em Publicidade e Propagan-
da (2005). Atualmente é professora de Conforto Ambiental e Computação Gráfica no Unicesumar
(2018). Professora do curso de aperfeiçoamento em Light Design na Unifamma (2016 e 2018). Atua
como designer de móveis desde 2006 e como designer de interiores desde 2013. Foi presidente
do Grupo de Ensinos Avançados em Design GEAD (2013-2014). Professora de História da Arte e do
Mobiliário para o curso de Design de Interiores EAD do Unicesumar (2016). Palestrante em diversos
eventos sobre projeto de Mobiliário. Ganhadora do prêmio profissional do futuro da Mostra Casa.
com (2013). Desenvolve pesquisas em design, semiótica da cultura e antropologia do consumo.
Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional, pesquisas e publicações, acesse
seu currículo disponível no seguinte endereço:
<http://lattes.cnpq.br/1339772020198604>.
apresentação do material

DESIGN DE MOBILIÁRIO
Ivã Vinagre de Lima e Thiara L. S. Stivari Socolovithc.

Olá, futuro(a) designer. Seja bem-vindo(a) ao livro da disciplina Design de Mobili-


ário. Neste livro, você terá contato com informações importantes para a elaboração
de projetos de mobiliários.
O design de móveis envolve criatividade, conhecimento técnico e planejamento
para a execução de um produto coerente e inovador. Em um mercado em constante
mudança, as espacialidades e as funções dos ambientes vêm se transformando,
exigindo que os objetos que dão vida a esses espaços tornem-se mais funcionais,
simbólicos e eficientes.
O usuário deve ser o foco do projeto de móveis e, para isto, além do conhecimento
das especificidades técnicas, tendo como prerrogativa básica o conforto e a ergo-
nomia das peças, propõe-se também o estudo de aspectos subjetivos relativos ao
consumidor. Estas análises auxiliam a compreender o contexto histórico, cultural
e econômico em que os produtos serão inseridos, ou seja, quais são as necessida-
des e os valores compartilhados por uma sociedade em um momento específico.
Além destas relações, é importante que o designer atente-se à sustentabilidade,
um processo que envolve toda a cadeia produtiva e de consumo dos produtos,
compreendendo que o profissional é parte integrante desta comunidade e que
deve buscar soluções ecologicamente adequadas.
Desta maneira, este livro busca dar ferramentas para a compreensão sobre as
características dos produtos existentes no mercado moveleiro atual, os seus pro-
cessos produtivos e componentes, conferindo as maneiras de expressão projetual
e a metodologia para o desenvolvimento criativo de um mobiliário.
Para inseri-lo(a) nesse tema, na Unidade I, você conhecerá a diferença entre os tipos
de mobiliários, as suas características e especificidades, as classificações em relação
aos tipos de sistema de produção e a sua relação com a composição dos ambientes.
Na Unidade II, analisaremos as diferenças entre função, técnica e sentido do design
móveis, compreenderemos como funciona a estrutura de uma indústria e os processos
gerenciais que auxiliam na otimização da produção moveleira. E, por fim, conhe-
ceremos a composição base dos móveis, seus principais componentes e conjuntos.
Na Unidade III, discutiremos diversos processos produtivos para que você possa
compreender as dinâmicas que envolvem qualquer projeto de mobiliário. Obser-
vando que, como designers de produto, é fundamental entender de que maneira são
processados os materiais na indústria (ou na fabricação de pequeno e médio porte)
para que se chegue a um design com capacidade para ser produzido comercialmente.
Na Unidade IV, estudaremos a composição dos mobiliários, as características dos
elementos de base, suas estruturas, materiais, peças de montagem e componentes
acessórios, compreendendo como estas escolhas podem alterar a função da peça,
sua aparência e seus significados.
Na Unidade V, observaremos os modelos de representações gráficas e de repre-
sentações físicas, as suas especificidades, vantagens e limitações, para que você
possa escolher a melhor opção que, por sua vez, ilustre determinado parâmetro do
projeto de design, elucidando quaisquer dúvidas e evitando problemas de execução.
Como material extra, disponibilizamos o desenvolvimento da metodologia de
design aplicada a projetos de móveis, conferindo, primeiramente, um panorama de
possíveis demandas, as etapas criativas e as técnicas para a entrega de um projeto
completo para a fabricação.
Desejamos que, ao final do livro e de toda a disciplina, você sinta-se preparado(a)
para atuar com projetos de móveis, reconhecendo, neste conteúdo, uma introdu-
ção à prática profissional e compreendendo ainda mais como o conhecimento
acadêmico pode incrementar a sua atuação em design de produto.

Ótimos estudos!
sum ário

UNIDADE IV
COMPOSIÇÃO DO MOBILIÁRIO
122 Componentes de Base
133 Componentes de Montagem
UNIDADE I
142 Componentes de Acessórios
CLASSIFICAÇÕES DO MOBILIÁRIO
153 Referências
14 Classificações do Mobiliário
153 Gabarito
16 Classificação do Mobiliário Quanto aos
Modelos de Configurações.
UNIDADE V
22 Classificações do Mobiliário Quanto aos
Sistemas de Produção MODELOS DE REPRESENTAÇÃO EM PROJETOS
DE MOBILIÁRIO
35 Classificações do Mobiliário Quanto aos
Sistemas de Montagens 158 Modelos de Representações em Projetos de
Mobiliários
47 Referências
161 Representações Gráficas em Projetos de
48 Gabarito Mobiliários
169 Representações Físicas em Projetos de Mo-
UNIDADE II biliários
ESTRUTURA DA INDÚSTRIA E DO MOBILIÁRIO
176 Gerações de Alternativas em Projetos de
54 O Designer e a Indústria Mobiliários
56 Função, Técnica e Sentido 185 Referências
60 Fabricação Artesanal, Fabricação Sob Medida 186 Gabarito
e Fabricação Seriada
63 Estrutura e Gestão Industrial UNIDADE VI
MATERIAL EXTRA
67 Composição Geral do Mobiliário
192 Uma Demanda Inicial
81 Referências
195 Fase de Preparação: Análise do Problema
82 Gabarito
204 Fase de Geração de Ideias: Alternativas do
Problema
UNIDADE III
207 Fase de Seleção de Ideias: Avaliação das
PROCESSOS PRODUTIVOS
Alternativas de Design
88 Produzindo com Madeira Natural
212 Fase de Realização: Proposta Definida da
98 Produzindo com Painéis de Madeira Solução de Design
103 Produzindo com Metal na Movelaria 223 Documentação do Projeto de Design
106 Produzindo com Materiais Sintéticos 231 Referências
116 Referências 232 Gabarito
116 Gabarito 234 Conclusão Geral
CLASSIFICAÇÕES DO
MOBILIÁRIO

Professor Esp. Ivã Vinagre de Lima

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta
unidade:
• Classificações do mobiliário
• Classificações do mobiliário quanto aos modelos de
configurações
• Classificações do mobiliário quanto aos sistemas de
produção
• Classificações do mobiliário quanto aos sistemas de
montagens

Objetivos de Aprendizagem
• Conhecer as diferenças entre os tipos de mobiliários.
• Entender as características do mobiliário.
• Classificação do mobiliário quanto aos modelos de
sistemas de produção.
• Apresentar a relação do mobiliário com projetos de
interiores e projeto de produto.
unidade

I
INTRODUÇÃO

O
lá caro(a) aluno(a)! Seja bem-vindo(a) à primeira Unidade
do nosso livro Design de Mobiliário. Após você ter estudado
os componentes das disciplinas dos módulos um, dois, três e
quatro, os conhecimentos desses componentes curriculares
ajudarão no decorrer do processo de desenvolvimento das criações e do
planejamento em relação à concepção dos projetos de mobiliários.
Estudaremos, nesta unidade, as classificações do mobiliário e as suas
respectivas diferenças, apresentando conceitos e modelos ilustrados para
a melhor compreensão dos elementos que serão importantes para os pro-
jetos de mobiliário, abordados em uma sequência de quatro tópicos.
No primeiro tópico, conheceremos as classificações dos modelos de
configurações do mobiliário, em que veremos informações importantes
sobre mobiliários unitários, mobiliários de conjuntos, mobiliários com-
poníveis, mobiliários modulados e conceituais, encontrados comercial-
mente no segmento do mercado moveleiro.
Serão apresentados conceitos básicos, citações e algumas curiosida-
des que servirão como apoio para as próximas unidades desse livro. No
segundo tópico, estudaremos a classificação dos modelos de sistemas de
produção moveleira. Serão apresentados mobiliários de produção sob
medida, mobiliários de produção artesanal, mobiliários de produção se-
riada, mobiliários de produção de desvio de função e os de produção di-
gital, apresentando alguns exemplos de modelos de representação gráfica
que são utilizados por alguns profissionais da área de design de produto.
No terceiro tópico, veremos a classificação dos modelos de sistemas
de montagens de mobiliários, que serão: mobiliário montado e mobili-
ário desmontável. Assim, apresentando algumas dicas relacionadas ao
volume do mobiliário e que devem ser levadas em consideração na hora
de projetá-lo.
DESIGN DE MOBILIÁRIO

Classificações
do Mobiliário
O mobiliário é um artefato muito importante em vando em consideração os diferenciados estilos de
projetos de interiores e exteriores, especialmente no vida de diversos públicos que esses produtos po-
planejamento preliminar da distribuição e da circu- derão atender, atingir e atuar dentro dos diversos
lação do espaço residencial, comercial, institucional segmentos econômicos e mercadológicos.
ou urbano, e após a definição do layout no ambiente. No design de mobiliário, as pesquisas de mercado
Para Gomes (2015, p. 120), móveis ou mobiliá- e de comportamento dos públicos que serão atendi-
rio são definidos como um conjunto de objetos que dos ajudam no conhecimento e no entendimento dos
servem para facilitar os usos e as atividades em uma desejos dos usuários e, com isto, é possível transfor-
casa, em um escritório ou em outros ambientes. mar as necessidades observadas em uma nova opor-
Um dos atributos principais do design de mo- tunidade para o desenvolvimento de novos produtos.
biliário é atender às necessidades do espaço e dos Para Gurgel (2004), a importância do design na
variados usuários que terão acesso aos produtos, atualidade torna-se evidente quando percebemos que
aliando a estética com a função do produto, le- o design aplicado a qualquer elemento afeta não so-

14
DESIGN

mente os objetos que interagem com ele e as pessoas isto, o espaço residencial precisa readequar-se a
que o utilizam, mas afeta também o meio ambiente. essa nova realidade.
As exigências em relação a produtos de quali- Dentro deste contexto, inovar é um dos quesitos
dade, com um bom design e custo merecido, são mais importantes no segmento de produção move-
desejos não apenas do consumidor final, e sim de leira, destacando-se a necessidade de voltar todos os
empresas fornecedoras, do comércio varejista e, até processos de desenvolvimento e de produção para
mesmo, de empresas do exterior que desejam ad- a sustentabilidade, preocupando-se com a vida útil
quirir os nossos produtos. Porém, muitas vezes, há do produto e com o planejamento do pós-consumo,
diversas empresas concorrentes que estão preocupa- pois esse entendimento poderá agregar resultados
das apenas em produzir mais, esquecendo a quali- positivos para o usuário.
dade final do produto, e também não se preocupan- Nesta unidade, vamos apresentar as classifica-
do com os consumidores finais. ções do mobiliário com os seus modelos, as suas
O entendimento dos possíveis espaços que os mo- respectivas definições, características e exemplos
biliários serão organizados, juntamente com a ergono- por meio de imagens e conceitos para melhor en-
mia e as suas respectivas especificidades, são critérios tendimento e compreensão. A classificação pode ser
importantes para o desenvolvimento de projetos de dividida da seguinte forma.
mobiliários, pois não há como projetar um espaço sem • Modelos de configurações.
conhecer o mobiliário, e nem projetar um mobiliário • Modelos de sistemas de produção.
sem conhecer as reais necessidades do espaço, pois • Modelos de sistemas de montagens.
ambos (espaço x mobiliário) dependem um do outro.
Neste sentido, Rangel (2007, p. 5) afirma: “as
cidades se agigantam, os preços dos terrenos tam-
bém e, como consequência, os imó-
veis diminuem”. Com

15
DESIGN DE MOBILIÁRIO

Classificação do Mobiliário Quanto


aos Modelos de Configurações
Neste tópico, conheceremos os conceitos e exemplos quais serão destinados os mobiliários, assim como
relacionados aos diferentes modelos de configurações aos possíveis clientes diretos e indiretos, e também
para o segmento moveleiro, pois, para o designer de devem manter-se atentos às estratégias de vendas
produto, eles facilitam bastante o projeto de diversos dos produtos, incluindo as suas respectivas opções
tipos de artefatos para esse nicho de mercado, sendo de direcionamento, que determinadas empresas, por
que é por meio desse conhecimento que se determina sua vez, desejam atingir.
o direcionamento do foco do produto a ser projetado. No processo projetual de produtos moveleiros,
Na etapa projetual de móveis, os profissionais de os designers precisam acompanhar as tendências
design devem ficar atentos em relação aos possíveis de design, os desejos ou as necessidades dos usuá-
usuários dos produtos, aos possíveis espaços aos rios ou dos possíveis clientes. Estes serão os novos

16
DESIGN

consumidores dos mobiliários que poderão, de peças de mobiliários. Por exemplo, para determina-
maneiras satisfatórias, serem atendidos dentro do das mesas de centro, cadeiras de escritório, roupei-
segmento destinado ao setor moveleiro e, assim, os ros, poltronas e sofás-camas, não é possível o usu-
produtos podem ser projetados com design atraen- ário comprar mais de uma peça e colocá-las lado
te, inovador, de forte apelo estético e funcionalidade, a lado ou uma sobre a outra, e configurar em uma
e que atendam aos requisitos específicos para as suas composição com aparência de um único móvel.
destinações de diferentes formas de usos. Geralmente, o mobiliário unitário não possui mais
Os modelos de configurações para o mobiliário de uma opção em catálogos, como acontece na confi-
podem ser divididos da seguinte maneira: guração de mobiliário de conjunto, e sim, apenas a peça
• mobiliário unitário; unitária faz parte dessa configuração de mobiliário, po-
• mobiliário de conjunto; dendo atender aos diferentes estilos e necessidades.
• mobiliário componível;
• mobiliário modulado;
• mobiliário conceitual.

REFLITA

Os móveis de casa ou dos ambientes de tra-


balho materializaram a maneira de viver, as
condições sociais e, inclusive, os hábitos de
uma determinada época.

(Ricardo Dal Piva)

MOBILIÁRIO UNITÁRIO
Figura 1 - Mon Chaise
Também conhecido como mobiliário avulso, é um mo- Fonte: acervo pessoal - Sérgio Gomes (2015).

delo de mobiliário que apresenta uma configuração es-


trutural e formal única, sem possibilidades de amplia- MOBILIÁRIO DE CONJUNTO
ções do produto com outros. Diferente do que acontece
com os mobiliários componíveis ou modulados. É um modelo mobiliário que apresenta uma con-
Geralmente, são comercializados como peças figuração estrutural e formal com mais de uma
avulsas, com opções de tamanhos e cores diferentes. opção de peças e tamanhos, podendo ser com-
Quando colocados no ambiente, junto a outras pe- pradas em conjunto e, em alguns casos, adqui-
ças, podem fazer uma composição positiva e criativa. ridas como peças separadas para compor um
Essa classificação de mobiliário é muito comum ambiente juntamente com outras, parecendo um
em móveis estofados (sofás), em camas box e outras mobiliário unitário.

17
DESIGN DE MOBILIÁRIO

Popularmente, em folhetos e propagandas co- coleção com variados tipos de produtos e com uma
merciais, são chamados de “móveis de jogo” ou “mo- determinada quantidade de peças que podem ser ad-
biliário de linha”, por exemplo: jogo de sala, jogo ou quiridas separadamente (avulsas), conforme a neces-
conjunto de sofá, jogo de cozinha, jogo de jantar, sidade do cliente e com possibilidades de usos que
jogo ou conjunto de quarto etc. podem ser variadas para diferentes tipos de espaços.

É também comum a possibilidade de modelos de No caso do mobiliário de conjunto para uso resi-
móveis nessa configuração, para dormitórios ou dencial, é comum ter opções, no mercado movelei-
para outros ambientes, unirem-se com peças avul- ro, de uma coleção de móveis com o mesmo concei-
sas e, assim, remeterem à aparência de mobiliário to estético e formal, com opções para salas, copas,
componível (tema do tópico a seguir). Por exemplo: quartos etc., seguindo a mesma identidade na apa-
comprar um roupeiro de duas portas, e outro de três rência dos desenhos de seus produtos.
portas, e que, juntos, compõem um roupeiro com
aparência de cinco portas, conferindo breve seme-
REFLITA
lhança com um mobiliário de sistema componível.
Outra opção para esse modelo de configuração,
muito comum no ramo moveleiro de mobiliários O mobiliário para interiores residenciais deve
servir para um ampla variedade de atividades:
residenciais, urbanos, corporativos (escritórios) e desde as interações sociais dos hóspedes,
institucionais (mobiliários escolares e médico-hos- mais exuberantes, até a inércia de um indiví-
pitalares etc.) são os mobiliários com maior opção duo que está dormindo, sempre respeitando
as preferências de cada cliente.
de produtos na mesma linha ou coleção.
Neste último caso, em seus catálogos de produtos, (Sam Booth e Drew Plunkett).

é oferecida uma sequência de opções em forma de

18
DESIGN

MOBILIÁRIO COMPONÍVEL Este modelo de configuração é muito comum em


móveis estofados, roupeiros, armários de cozinha,
Esta classificação de mobiliário é relativamente mais móveis corporativos etc., ou seja, em móveis em que
simplificada, possui um número menor de módulos, há opções de peças avulsas e que podem ser adquiri-
além de peças com dimensões padronizadas para das de maneira que seja unida uma peça com a ou-
ampliar a composição do mobiliário no ambiente tra, dando a aparência de um único mobiliário.
desejado e a ampliação do sistema. É um sistema
cuja principal finalidade é usar, da melhor manei-
ra possível e conforme a necessidade de utilização,
cada metragem do cômodo que está sendo mobilia-
do e ocupado pelo espaço.
São concebidos por meio de peças pré-dimen-
sionadas, pré-configuradas e pré-fabricadas, algu-
mas com opções de aquisições futuras para a am-
pliação do sistema, oferecendo ao espaço diversas
possibilidades de composição.
O mercado moveleiro oferece, em catálogo de
produtos individualizados, opções alternativas com
aparência de mobiliário de configuração unitária
e com medidas únicas. Porém, com possibilidades
pré-determinadas de união com peças que, mesmo
iguais, podem ser postas lado a lado ou empilhadas, Também há outra alternativa, com diferentes opções
formando um único móvel. de medidas e peças: posicionar os móveis juntando
os módulos lado a lado ou empilhados, formando
um único móvel. A união de ambos não oferece a
possibilidade de fechamento de vãos livres (superio-
res, inferiores e laterais), como acontece no sistema
modulado, que veremos a seguir.
O mobiliário componível não necessita de ven-
dedores e montadores treinados para a realização
das vendas, pois muitas das opções desses produtos,
muito encontrados em lojas do segmento moveleiro
(lojas físicas e virtuais), podem ser montadas e ins-
taladas pelo próprio comprador. Algumas empresas
dispõem de softwares que apresentam todas as peças
com as suas respectivas medidas para realizarem si-
mulações de vendas junto ao cliente.

19
DESIGN DE MOBILIÁRIO

surgiram apresentando uma diversidade de


MOBILIÁRIO MODULADO composições que se adaptam a cada espaço da
casa e à necessidade de cada consumidor.
Essa configuração de mobiliário é chamada comer-
cialmente de mobiliário planejado. Possui um núme- Os mobiliários modulados são concebidos por meio
ro maior de módulos e peças com dimensões padro- de módulos pré-dimensionados, pré-configurados
nizadas para ampliar a composição do mobiliário e a e pré-fabricados, que se encaixam entre si, alguns
ampliação do sistema no espaço desejado. Por ser um com opções de aquisições futuras para a ampliação
sistema de produção seriado, costuma-se realizar, no do sistema, como também acontece no sistema de
detalhamento técnico, o desenho peça por peça. mobiliário componível. São comercializados em lo-
Existem possibilidades pré-determinadas de jas especializadas que necessitam de projetistas, ven-
união com peças iguais ou diferentes, lado a lado ou dedores e montadores treinados e qualificados.
empilhadas, permitindo grandes possibilidades de Por ser um sistema complexo, necessita, para as
montagem para a ampliação do sistema modulado, gerações de alternativas e de desenvolvimento do
formando um único móvel. projeto, a utilização de softwares específicos para a
São mais sofisticadas no acabamento final em execução do projeto do sistema no ambiente e para
relação ao mobiliário componível, otimizam os a apresentação final ao cliente, como uma boa estra-
espaços com módulos adequados às dimensões tégia de negociação do produto.
apropriadas de cada cômodo e permitem o me-
lhor aproveitamento necessário para os ambientes
de casas e apartamentos.
O mobiliário modulado permite o fechamento
total das sobras de espaço entre o mobiliário e os
vãos (superiores, inferiores e laterais) com peças de
acabamento (vistas de complementação ou réguas
de acabamento), que dão uma aparência de mobiliá-
rio embutido, como acontece na maioria dos proje-
tos de móveis sob medida.
É um sistema cuja principal finalidade é usar, da
melhor maneira possível e conforme a necessidade
de uso do cliente, cada metragem disponível do cô-
modo que está sendo mobiliado e ocupado pelo es- Antes de iniciar o projeto para venda, o projetista
paço. Para Vesterlon (2007, p. 113): deve tirar as medidas dos ambientes, não esque-
cendo os elementos principais, como: pontos elé-
[...] a redução do tamanho das residências obri- tricos e hidráulicos, pé direito, aberturas de por-
gou o mercado a oferecer produtos que possam
tas ou janelas, vigas, pilares e outros detalhes que
se ajustar aos novos espaços disponíveis, espe-
cialmente nos apartamentos. Os modulados possam interferir no bom resultado do projeto na
organização espacial do ambiente.

20
DESIGN

[...] no design conceitual, os designers exploram


MOBILIÁRIO CONCEITUAL as potencialidades reflexivas e dialéticas do pro-
cesso de criação de design, abrindo espaço para
O mobiliário de design conceitual é uma configura- pensar e discutir os assuntos mais diversos. Os
ção de mobiliário concebida, na maioria das vezes, designers que escolhem tal abordagem se ex-
pressam por meio de maquetes, artefatos úni-
de forma crítica e radical. Geralmente, tem a função
cos, pequenas produções ou auto-produções,
de expressar questionamentos, discussões polêmicas ou seja, formas que ficam longe da produção em
e, até mesmo, gerar tendências para a criação e a ins- série e não cabem em lógicas comerciais. Trata-
piração de novos produtos. -se de profissionais que usam suas competências
para tratar de questões que transpõem os limi-
Este tipo de mobiliário, em algumas situações,
tes disciplinares, para formular testes a respeito
tem uma função mais decorativa do que utilitária, e expô-las publicamente.
pois muitos produtos tornam-se peças artísticas.
Os princípios de ergonomia são desprezados na
concepção da ideia e acabam não se tornando cri-
tério para o processo de criação e de materializa-
ção de alguns produtos.
Existem, também, produtos com essa configura-
ção que seguem critérios de ergonomia no desenvol-
vimento de suas peças. A forma é o requisito princi-
pal para esse tipo de mobiliário.
A proposta do design conceitual é muito utiliza-
da no ramo do vestuário, principalmente em desfiles
de moda e nas artes visuais, gerando várias discus-
sões e interpretações sobre as propostas apresenta-
das. Muitos produtos conceituais são expostos em
mostras e concursos, podendo ser produzidos e co-
mercializados por empresas do ramo de design.
Franzatto (2011, p. 15) apresenta a seguinte defi-
Figura 2 - A cadeira de plástico bolha dos Irmãos Campana
nição para design conceitual: Fonte: Lojas Rhel (2011, on-line)1.

21
DESIGN DE MOBILIÁRIO

Classificações do Mobiliário
Quanto aos Sistemas de Produção

• mobiliário de produção com desvio de função;


Neste tópico, conheceremos os conceitos e exemplos
• mobiliário de produção digital.
dos modelos de sistemas de produção moveleira im-
portantes para esse segmento, abordando os seguintes
tipos de mobiliários relacionados às suas formas de MOBILIÁRIO DE PRODUÇÃO SOB MEDIDA
execução do produto final. Os modelos de sistemas
de produção podem ser divididos da seguinte forma: Móvel desenvolvido e executado para determinado
• mobiliário de produção sob medida; cliente, que deseja um móvel com foco em uma ne-
• mobiliário de produção artesanal; cessidade desejada ou em alguma outra especificida-
• mobiliário de produção seriada; de. O marceneiro é um dos profissionais principais

22
DESIGN

em todas as etapas de produção, entrega e monta- dida, inicia-se com todas as informações levantadas
gem do mobiliário no espaço do cliente atendido. junto ao cliente em forma de entrevista, incluindo as
As marcenarias que fazem esse tipo de mobili- suas exigências, para, assim, estabelecer-se as necessi-
ário produzem, na maioria das vezes, móveis retilí- dades dos usuários e do espaço que será ocupado pelo
neos (lisos e com linhas retas), sendo a matéria-pri- mobiliário. Lembrando que o resultado do produto
ma principal as chapas de MDF (Medium Density final a ser desenvolvido deverá atender a todas as ne-
Fiberboard), MDP (Medium Density Particleboard) cessidades específicas de uso e estilo de um cliente.
e o compensado. Dal Piva (2006, p. 15) apresenta a Para dar início ao projeto de mobiliário sob me-
seguinte definição para mobiliário sob medida: dida, é necessário o primeiro contato com o cliente
(entrevista) e uma visita no espaço onde será exe-
[...] produto projetado e fabricado para um cliente cutado o mobiliário para ser realizado o levanta-
específico, pois esse tipo de fabricação exige mui-
mento de todos os dados e, desta forma, ter como
ta atenção do projetista ou marceneiro durante a
tomada de medidas na casa do cliente, pois qual- base principal as medidas exatas dos ambientes no
quer erro de dimensões compromete a margem imóvel que será ocupado pelos mobiliários e os seus
de lucro prevista agregada ao produto executado. respectivos artefatos.
Depois de todas as informações, inicia-se as ano-
tações de todas as medidas da planta baixa observadas
no espaço, como: altura do pé direito, distância entre
as paredes e a posição de elementos que estão fixos
(portas, janelas, ventilação, pontos elétricos e hidráuli-
cos, ponto de gás, ângulos especiais e outros elementos
importantes para não atrapalhar o projeto das peças).
Assim, dá-se início aos primeiros croquis como
forma de geração de alternativas que mais se encai-
xam e enquadram-se para uma boa organização es-
pacial no ambiente que será utilizado pelo cliente.
Nessa etapa de geração de ideias, a aplicação dos
conhecimentos de ergonomia é um elemento de ex-
trema importância para um bom resultado do projeto.
Muitas marcenarias também investem em pro-
A metodologia para o desenvolvimento do mobili- fissionais projetistas, encarregados de fazer os proje-
ário sob medida muito se assemelha ao processo de tos com softwares específicos de desenhos 2D e 3D.
ferramentas e de ações adotado para a elaboração de O objetivo é vender o projeto aos clientes e apresen-
projeto de interiores, diferenciando-se um pouco do tar as primeiras gerações de alternativas para obter
processo realizado em um projeto de produto seriado. a aprovação e, em seguida, fazer as negociações para
No caso do desenvolvimento do mobiliário sob me- as vendas dos projetos.

23
DESIGN DE MOBILIÁRIO

No detalhamento de móveis sob medida, não


se exige o desenho individual de todas as partes
(componentes ou peças), com os detalhes técnicos
de furações e junções dos dispositivos de montagem
ou fixação que formam o mobiliário, como aconte-
ce nos projetos de mobiliários de produção seriada.
Somente é feito um projeto do conjunto com execu-
ção e montagem realizadas por um marceneiro que
produz o mobiliário.

Figura 3 - Ambientação da cozinha para apresentação ao cliente


Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).

Devido à grande concorrência das empresas, um boa


estratégia usada por muitas marcenarias para buscar
novos clientes é a contratação de projetistas vende-
dores. Eles vão até as obras de edificações oferecer
os seus serviços em projetos de móveis sob medida.
Essa estratégia favorece bastante as marcenarias,
pois se o cliente demonstrar interesse pelos serviços,
os projetos podem prever alguns detalhes durante a
construção que facilitarão a instalação do mobiliário
no ambiente, evitando algumas incomodações futu-
ras para a instalação dos móveis.
O registro fotográfico das obras também facilita
a instalação dos móveis, prevendo perfurações nas
Figura 4 - Indicação de pontos elétricos e hidráulicos na obra antes e
paredes em pontos que passam tubos hidráulicos e após a instalação e a montagem dos mobiliários
conduítes elétricos. Fonte: o autor.

24
DESIGN

Figura 5 - Ambientação em 3D com as cotas das medidas que serão utilizadas para a produção na marcenaria
Fonte: Acervo Pessoal - Clélio Zeithammer (2016).

25
DESIGN DE MOBILIÁRIO

Os desenhos do mobiliário sob medida geral- Para o projeto de mobiliário sob medida, a unidade
mente são apresentados depois da aprovação do métrica utilizada comercialmente nos desenhos é cen-
cliente e mostram as vistas do mobiliário, com ele- tímetro (cm) ou metros (m), diferente do mobiliário
vação, cotas necessárias para um bom entendimento seriado, cuja unidade utilizada é o milímetro (mm).
do marceneiro, especificação dos materiais, ferra- As unidades de medida centímetro (cm) ou me-
gens e componentes necessários para a produção, tro (m) são muito utilizadas para melhor entendi-
desenho da projeção do móvel em planta baixa, de- mento dos marceneiros e vendedores. Entretanto, a
senhos com detalhes de construção em corte parcial, unidade indicada é o milímetro (mm), pois as cha-

Figura 6 - Gerações de alternativas com três opções de uma cozinha para apresentação ao cliente
Fonte: Acervo Pessoal - Arno Hoffmann Junior (2017).

desenhos da perspectiva do móvel individual e da pas de madeira, os dispositivos de montagem e ou-


perspectiva do móvel no ambiente. tros componentes apresentam, em seus manuais de
Após as gerações de ideias, apresenta-se ao instruções e de uso, as unidades em milímetro (mm).
cliente amostras digitais com a ambientação em Para o projeto definitivo, aconselha-se fazer as
3D para melhor entendimento de como ficará o vistas (elevações) superior, frontal e lateral com
espaço com o mobiliário, indicando algumas pos- uma perspectiva do mobiliário no ambiente para
sibilidades para verificar a aceitação e, com isto, a melhor entendimento e compreensão da alternati-
finalização do orçamento. va escolhida pelo cliente.

26
DESIGN

Para detalhamentos das vistas, aconselha-se men-


Figura 7- Vista (elevação) superior, lateral e frontal da cionar todas as cotas importantes, as linhas de cha-
cozinha com as medidas mensuradas no ambiente e am-
madas para alguns detalhes e as especificações de
bientação em 3D da cozinha após a aceitação do cliente
Fonte: o autor. materiais que serão utilizados no projeto.

27
DESIGN DE MOBILIÁRIO

Mesmo a produção desse tipo de mobiliário sendo MOBILIÁRIO DE PRODUÇÃO ARTESANAL


quase artesanal, pois a construção das peças são foca-
das em encomendas/clientes específicos, a qualidade Este tipo de mobiliário é uma possibilidade distinta de
do resultado final do produto parece-se um pouco inserção dos produtos no mercado moveleiro. A sua
com os mobiliários de produção em série. A entrega, produção difere-se um pouco dos produtos produzi-
a execução e a montagem geralmente são realizadas dos em fábricas de móveis, sob larga escala de produ-
pelo marceneiro ou pela equipe da marcenaria. ção. São mobiliários desenvolvidos em processos ar-
tesanais e com diversos materiais, tais como: madeira,
SAIBA MAIS
bambu, tecidos, fibras naturais e sintéticas etc.
Produto que, muitas vezes, acaba adquirindo
O sistema exige, para cada móvel sob me- maior valor agregado dentro do segmento movelei-
dida, uma negociação inicial, uma visita na
ro, sendo um bom instrumento de estratégia de de-
casa do cliente para dimensionar o móvel,
a elaboração do projeto, a apresentação e o senvolvimento de artefatos que, por sua vez, podem
acompanhamento da produção até a entrega destacar-se com a produção de peças exclusivas e de
final do produto.
design autoral. O profissional que atua nesse segmen-
Fonte: Dal Piva (2006). to é um artesão, pois produz itens de variadas formas
e modelos com caráter funcional ou decorativo.

28
DESIGN

Alguns desses mobiliários de produção artesanal são O artesanato apresenta-se como um valioso pro-
desenvolvidos propositalmente com uma aparência cesso de produção de móveis com fibras naturais e
rústica, e outros são produzidos com a característica sintéticas, uma opção a mais para o mobiliário de
de um mobiliário de bom acabamento, sendo diferen- produção artesanal, oferecendo, em seus processos,
tes daqueles de produção em série. Alguns deles são variadas padronagens de trançados e amarrações,
produzidos em uma determinada quantidade para que são produzidos por meio de vários tipos de fi-
as vendas em lojas nas próprias marcenarias e, em bras, exigindo habilidades com um bom resultado
outras vezes, são produzidos sob encomenda, como nos acabamentos, sendo estes os que revestem os
acontece com mobiliários de madeira de demolição. mobiliários para áreas internas e externas, destina-
Existem produtos que são de produção exclusi- dos para diversos tipos de ambientes.
va, com entalhes e torneamento de peças em madei- É importante destacar que, neste processo, ocor-
ra que exigem a atenção e a presença de um marce- rem situações em que determinada linha de um pro-
neiro com perfil de artesão, cuja maior preocupação duto de produção em série possui uma parte de sua
seja os detalhes exclusivos para cada peça. fabricação em um setor de produção industrial da

Na produção artesanal, há marcenarias ou ateliês fábrica, e outra parte, que envolve acabamentos arte-
que atuam exclusivamente com trabalhos que envol- sanais, é desenvolvida em um setor anexo à fábrica.
vem a restauração de mobiliários. Neste contexto, os Nesta mesma empresa, são contratados profissio-
trabalhos de restauração de mobiliário também são nais artesãos para a realização de outra etapa de pro-
uma das alternativas dentro do segmento movelei- dução artesanal, seguindo um padrão de produção e
ro e que, por sua vez, exigem uma atenção especial de qualidade na finalização. Tendo, com isto, um pro-
dentro da produção artesanal, pois, em algumas si- duto de produção mista, em que uma parte é seriada,
tuações, é necessária a confecção de uma nova peça e a outra com um detalhe ou acabamento artesanais.
ou de componentes para a substituição de outras Alguns mobiliários exigem detalhes em seus
peças danificadas ou deterioradas por insetos (peças processos de acabamentos, como no caso do revesti-
perfuradas por cupins). mento de um móvel fabricado em série, com estru-

29
DESIGN DE MOBILIÁRIO

tura em metal, madeira, materiais mistos ou


não, e com revestimento em toda a parte ou
apenas em algum detalhe importante, que
é revestido com tecidos, fibras naturais
ou sintéticas, madeira, bambu ou
outros materiais que necessitam
de um processo artesanal para
a finalização do produto.
Esse processo pode ser
feito por meio de encomen-
das de terceirização de servi-
ços, ou seja, que não seja feito
na própria fábrica e que pode
ser realizado em residências de ar-
tesãos, em cooperativas e em em-
presas de pequeno e médio portes.
Há, também, produtos produzi-
dos em áreas de regiões rurais, indíge-
nas, litorâneas, entre outras, podendo
ser de uma produção independente
para vendas diretas ou indiretas.
Na fabricação de móveis estofa-
dos, é comum que as estruturas dos
móveis sejam feitas de maneira seria-
da, e que a parte da costura dos teci-
dos necessite de costureiros para fazer
a parte dos tecidos e dos demais reves-
timentos dos móveis (base, assento,
braço, encosto e parte traseira). Eles
também podem ser terceirizados ou
feitos em um setor à parte da fábrica.

30
DESIGN

MOBILIÁRIO DE PRODUÇÃO SERIADA

Mobiliário com produção em série e em volume in-


dustrial, normalmente não é concedido ou produ-
zido para um cliente específico, como acontece no
mobiliário sob medida ou em alguns mobiliários de
produção artesanal.
Por isto, em projetos de mobiliários seriados,
aconselha-se a utilização de um bom processo me-
todológico e uma boa pesquisa de mercado para o
projeto do produto. Esse tipo de produção deve atin-
gir uma grande quantidade de usuários, diferente-
mente do mobiliário sob medida, que atinge apenas
um cliente específico. A produção é realizada em pe-
ças isoladas, com a preocupação da racionalização
dessas peças, para se ter o melhor aproveitamento
dos materiais na fabricação.
Geralmente, a produção é realizada em fábricas
de pequeno, médio e grande porte. A escolha e a
configuração da embalagem têm muita importância
na qualidade e na valorização do produto, pois ela
o protege de estragos ou danos e facilita o armaze-
namento, o transporte e o recebimento do produto
na residência do cliente. O desenho do manual de
montagem não deve ser esquecido: ele deve conter
ilustrações e especificações para a montagem e a
desmontagem do móvel.
Nos detalhamentos técnicos, a unidade de medi-
da usual é o milímetro (mm). É feito o desenho do
conjunto e de peça por peça de cada parte do mo-
biliário projetado, com todas as cotas das furações
e marcações necessárias. Este detalhamento serve
como uma documentação técnica do produto, faci-
litando o processo de fabricação e as possíveis re-
gulagens dos maquinários, assim como o fluxo de Figura 8 - Desenhos das peças da estrutura do assento e encosto do sofá
produção na indústria moveleira. Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).

31
DESIGN DE MOBILIÁRIO

MOBILIÁRIO DE PRODUÇÃO DE DESVIO Existem situações em que esses produtos são con-
DE FUNÇÃO cebidos simplesmente como um improviso devido
a uma necessidade emergencial ou, então, são pro-
Consiste na produção e criação de artefatos com foco jetados e produzidos intencionalmente como um
na ressignificação dos objetos, podendo ser de produ- produto alternativo.
ção simplesmente artesanal. Geralmente, consiste em A concepção do mobiliário de desvio de função
agregar funções secundárias aos artefatos que pos- pode dar-se pelo simples fato de misturar materiais
suem empregos primários preestabelecidos, não se e por um improviso da junção deles para materia-
limitando apenas ao desenvolvimento de mobiliário, lizar o produto, ou pela idealização de um projeto
mas sim expandindo para as outras ideias de produtos. detalhado, seguindo uma metodologia com uma se-
quência de processos criativos que, por sua vez, são
utilizados no design de produtos.

De acordo com Burdek (2006), os objetos e produtos Figura 9 - Poltrona com pallet descartado
são utilizados em novas situações de vida com novos Fonte: o autor.

significados de forma tão evidente que os designers


não poderiam supor que isso fosse possível. Isto é, a SAIBA MAIS
não intenção domina a intenção.
Apesar de, no princípio, o design de produto
SAIBA MAIS ser uma atividade ligada à produção industrial,
existem cada vez mais exemplos de produtos
projetados por designers, os quais melhor ca-
O reuso previne que materiais existentes se- racterizam um artefato improvisado.
jam descartados em aterros e poupa energia Trata-se de uma iniciativa construtiva, pois
e água incorporadas que teriam sido necessá- muitos designers estão se preocupando com
rias para produzir materiais de substituição. questões de desenvolvimento sustentável, e
Na prática, a reutilização é, em geral, inerente não apenas se adequando aos novos padrões
à redução, já que utilizar materiais existentes do mercado. Estes designers estão propondo
pode reduzir a necessidade de novos materiais. verdadeiras atitudes neste sentido.

Fonte: Moxon (2012, p. 95). Fonte: Boufleur (2006, p. 105).

32
DESIGN

MOBILIÁRIO DE PRODUÇÃO DIGITAL

Mobiliário que faz parte do movimento maker, com


design aberto e democrático, pois apresenta sistema
diferenciado de fabricação com impressão 3D, corte
a laser e CNC. A máquina de CNC facilita bastante
a viabilidade, a agilidade e a qualidade de variados
projetos que exigem alta precisão nos detalhes que
requerem e nos cortes que exigem encaixes. O aca-
bamento feito na CNC diferencia-se bastante em
relação à perfeição dos resultados, se estes forem
comparados com os produtos feitos com máquinas
e ferramentas padrão de várias marcenarias.

33
DESIGN DE MOBILIÁRIO

Umas das grandes desvantagens é a falta de con-


trole em relação à apropriação comercial dos pro-
jetos de variados produtos e, com isto, a tendência
de produção digital faz com que os designs aber-
tos de artefatos possam ser usados livremente,
compartilhados, copiados e, até mesmo, modifica-
dos em alguns detalhes.
Alguns projetos apresentam informações, espe-
cificações, recomendações e instruções importantes
para a concepção e configuração dos artefatos. Me-
gido (2016, p. 131) apresenta a seguinte definição
para o movimento maker.

Os projetos de diversos produtos apresentam arqui- O movimento maker é uma extensão tecnoló-
gica da cultura do “Faça você” (Do It Yourself
vos disponíveis para download gratuito e que podem
- DIY, no original em inglês), que estimula as
ser baixados livremente pelo sistema opensource ou pessoas comuns a construírem, a modificarem
pelo acesso ao site Britânico OpenDesk. Esses arqui- os próprios objetos com as próprias mãos. Isso
vos, muitas vezes, podem ser baixados, acessados e gera uma mudança na forma de pensar de mui-
replicados por vários países. ta gente, trazendo os processos industriais para
bem próximo de meros mortais como você e
eu. Práticas de impressão 3D e 4D, cortadores
a laser, robótica, arduino (prototipagem ele-
trônica livre), entre outras, incentivam uma
SAIBA MAIS
abordagem criativa, interativa e proativa de
aprendizagem em jovens e crianças, gerando
um modelo mental de resolução de problemas
Visualize o projeto e os detalhes da montagem
do cotidiano. É o famoso “pôr a mão na mas-
da cadeira Valoví (STUDIO DLUX, [2018], on-li-
ne)2, composta por 20 peças de madeira que se sa”. Algumas escolas particulares de São Paulo
encaixam sem nenhum tipo de prego, parafuso já estão montando laboratórios equipados com
ou cola. Para saber mais, acesse: <http://www. essa tecnologia, e a prefeitura da cidade tam-
studiodlux.com.br/portfolio/valovi/>. bém disponibiliza, de forma gratuita, o acesso a
FabLabs espalhados pela cidade para que qual-
Fonte: o autor.
quer pessoa possa prototipar seu projeto e sair
de lá com a peça na mão.

34
DESIGN

Classificações do Mobiliário
Quanto aos Sistemas de Montagens
Neste tópico, estudaremos os padrões de modelos de MOBILIÁRIO MONTADO
montagens de mobiliário mais usuais no mercado
moveleiro e veremos os seguintes modelos de mon- Mobiliário de pequena ou média dimensão, que é
tagem de mobiliário: montado nas próprias indústrias. É entregue mon-
• mobiliário montado; tado para o consumidor ou para os locais de comer-
• mobiliário desmontável. cialização. Na maioria das vezes, não necessita de

35
DESIGN DE MOBILIÁRIO

um manual de montagem, e sim de um manual de muito comum em mobiliários estofados (sofás) que
instruções de usos e advertências. apresentam dimensões incompatíveis com as aber-
No momento de incluir esses mobiliários no pro- turas de portas e janelas, dificultando a entrada do
jeto, é muito importante avaliar e prever o volume e produto no ambiente que, em algumas situações, é
a massa para não haver dificuldades na logística do situado em prédios. Uma das alternativas que gera
produto e na entrada e saída em aberturas (portas transtornos e custos é o içamento do mobiliário por
e janelas) em situações de entregas do produto na meio de cordas e cabos.
residência e, também, no caso de mudanças. A maioria dos móveis estofados de dois, três ou
Há produtos montados que apresentam dificul- mais lugares, e que são muito encontrados no mer-
dades no transporte e na entrega do produto em cado, possuem muitas dificuldades de entrada nas
determinados ambientes. Este tipo de transtorno é residências, principalmente em apartamentos. A difi-
culdade já começa nas entradas das escadas ou eleva-
dores. O mesmo caso ocorre com algumas camas box.

REFLITA

Na concepção do produto, o designer deve


levar em conta as características ergonômicas
como verdadeira ferramenta de projeto.

(Rafael Vesterlon)

Figura 10 - Mobiliário sendo içado do alto de um prédio residencial


Fonte: Portal Click Negócios([2018], on-line)3.

36
DESIGN

MOBILIÁRIO DESMONTÁVEL Para o projeto da embalagem do produto, é neces-


sário ter todas as dimensões do volume de todos os
Mobiliário concebido com suas partes, peças ou elementos que fazem parte do produto e, em segui-
componentes para serem montados após a aquisi- da, aconselha-se fazer uma simulação do layout des-
ção e, desta forma, para a utilização no ambiente tes para se ter ideia de qual será o volume da emba-
em que será acomodado. Na maioria das vezes, há lagem. Tendo todos esses dados, inicia-se o desenho
a necessidade de um montador com experiência na da embalagem planificada.
montagem e instalação do móvel no espaço deseja-
do. Geralmente, esse mobiliário possui dispositivos
de junções e de ferragens para facilitar as montagens
e desmontagens dos componentes e do conjunto
como um todo.

O mobiliário desmontável deve ser acompanhado


sempre de um bom manual de montagens que apre-
senta, primeiramente, um desenho esquemático mos-
trando, passo a passo, todas as etapas desse processo.
A embalagem também é um dos elementos im-
Figura 11- Desenho de embalagem
portantes para o mobiliário desmontável. Ela facilita Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).
na logística do produto, pois tem a função de orga-
nizar as peças que compõem o mobiliário e os seus Alguns mobiliários são desmontáveis com sistemas
respectivos dispositivos de montagens e junções mistos de montagens, possuindo encaixes entre algu-
caso seja necessário, e deve ser sempre acompanha- mas peças, mas, ao mesmo tempo, necessitam de dis-
do com um manual de montagem e com um manual positivo de montagens para a junção dos componentes,
de instruções de uso do produto. pois a sua montagem dá-se apenas por encaixes e por
alguns mecanismos de junções. Outros são desmontá-

37
DESIGN DE MOBILIÁRIO

Figura 12 - Arara Sagui


Fonte: Passaretti e Bisterzo (MONO DESIGN, [2018], on-line)4.

veis e não necessitam de nenhum dispositivo de alinha-


mento, pois a sua montagem dá-se apenas por encaixes.
Outro modelo muito conhecido de mobiliário
desmontável é aquele com o sistema Do it yourself
(Faça você mesmo), idealizado para que o cliente/
usuário seja o próprio montador. Esse sistema apre-
senta pouca complexidade na montagem graças aos
seus processos simplificados, não necessitando de
ferramentas profissionais.
Na maioria dos produtos com este conceito, os fa-
bricantes entregam junto com o produto um manual
de instruções de fácil entendimento, um kit de dispo-
sitivos de montagens e ferragens, além de ferramen-
tas básicas para montagens de baixa complexidade.

38
DESIGN

Figura 13 - Parte do manual de montagem de um móvel aparador


Fonte: acervo pessoal - Elias Soares (2014).

Tal mobiliário apresenta muita facilidade nas eta-


pas de montagem para os clientes que compram os
produtos na própria loja ou pela Internet. Assim, o
cliente é o próprio montador do produto.
Esse tipo de produto deve ser idealizado de manei-
ra que o sistema seja de fácil entendimento para a sua
respectiva montagem, podendo ser inteiro desmonta-
do e, em seguida, a sua montagem pode ser feita sim-
plesmente por encaixes ou por dispositivos que juntam
componentes, sem mecanismos de fixação. Ambos os
modelos devem ser de fácil montagem, entendimento
e compreensão dos passos e das sequências.

39
considerações finais

Caro(a) aluno(a), nesta unidade aprendemos conceitos importantes relacionados ao


design de mobiliário, e percebemos que conhecer os tipos dos variados modelos de
classificações facilita muito para o designer de produto no momento de adquirir um
bom repertório e dar início às etapas importantes para o desenvolvimento de todo o
processo que envolve o projeto de produto moveleiro.
Verificamos, também, que o conhecimento sobre as especificidades do produto
facilita bastante para chegar a um objetivo no processo projetual, juntamente com
boa metodologia de projeto dentro de um processo criativo e produtivo, facilitando,
assim, o desenvolvimento da geração de ideias, oferecendo variadas alternativas para
a concepção de um projeto de mobiliário bem elaborado.
Neste sentido, um móvel projetado para ser inserido em um ambiente pode ser
a solução para um determinado problema, desejo ou necessidade de variados tipos
de usuários, levando em consideração alguns parâmetros de adequação de uso e as
compatibilidades com as medidas necessárias dos espaços e que, por sua vez, serão
estabelecidas para o uso e a aquisição.
A pesquisa, no entanto, é uma ferramenta muito importante para a compreensão
do designer de produto sobre a sua área, pois sempre é necessário que o profissional
esteja atualizado sobre as novidades que envolvem o segmento moveleiro e também
sobre as novas tendências, as normas vigentes, os novos materiais e processos da
fabricação, assim como as variadas opções de dispositivos de montagem, os tipos
de acabamentos, os mecanismos e acessórios. E, o mais importante, atualizado em
relação às novas necessidades de diversos tipos de usuários.
Com isto, percebemos a grande relação dessa unidade com o design de produto,
assim como a relação destes com as variadas interfaces em que o mobiliário está
presente, pois não há como projetarmos um mobiliário sem conhecermos o contexto
em que ele será inserido, pensando em uma boa conformidade espacial e em bene-
fícios para os usuários.

40
atividades de estudo

1. Os mobiliários apresentam classificações que conceituam algumas especifi-


cidades individuais que, por sua vez, diferenciam um do outro. Quanto aos
modelos de configuração, assinale a alternativa correta que indica os mobi-
liários pertencentes a esse modelo.
a. Mobiliário montado, mobiliário desmontável, mobiliário de desvio de função,
mobiliado seriado e Do it yourself.
b. Mobiliário sob medida, mobiliário seriado e Do it yourself.
c. Mobiliário unitário, mobiliário seriado e mobiliário sob medida.
d. Mobiliário componível, mobiliário sob medida, mobiliário unitário e mobiliário
seriado.
e. Mobiliário unitário, mobiliário de conjunto, mobiliário componível, mobiliário
modulado e mobiliário conceitual.

2. O mobiliário de produção em série é destinado a atender às necessidades


de usuários, por isto ele difere-se no processo de detalhamento técnico das
peças e no processo projetual. Para o mobiliário seriado, como é o processo
que envolve a sua produção? Explique.
3. O projeto de mobiliário sob medida, ou sob encomenda, apresenta uma dife-
rença em relação aos demais móveis de produção seriada, pois é projetado
para as necessidades de uma cliente específico. Diante disto, como se inicia o
projeto do mobiliário sob medida? Explique.
4. O mobiliário modulado é muito confundido com os mobiliários componíveis,
principalmente em algumas propagandas relacionadas ao segmento movelei-
ro. Com isto, os itens que podem caracterizar-se e relacionar-se com o mobi-
liário modulado são:
I. Por ser um mobiliário de produção seriada, é necessário, no detalhamento
técnico do produto, o desenho de peça por peça.
II. Comercialmente, nas lojas especializadas em vendas desse modelo de confi-
guração, ele é chamado de mobiliário unitário.
III. Em lojas especializadas, não se necessita de vendedores e montadores treina-
dos para apresentar as alternativas aos clientes.

41
atividades de estudo

IV. Na montagem do móvel no ambiente, são oferecidas réguas de acabamento,


que permitem o fechamento total de sobras de espaços entre o mobiliário e
os vãos.
Podemos afirmar que:
a. Somente as afirmativas I e III estão corretas.
b. Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.
c. Somente as afirmativas II e III estão corretas.
d. Somente as afirmativas II e IV estão corretas.
e. Somente as afirmativas I e IV estão corretas.

5. Dentro dos diferentes modelos de classificações do mobiliário, analise as se-


guintes definições que têm relação com as respectivas classificações:
I - Mobiliário desmontável: o modelo de mobiliário que é conhecido por seu
sistema de montagem prático, denominado Do it yourself, apresenta pou-
ca complexidade no sistema de montagem graças aos seus processos
simplificados, não necessitando de ferramentas profissionais.
II - Mobiliário unitário: apresenta uma configuração estrutural e formal única,
sem possibilidades de ampliações do produto com outros mobiliários, e
pode ser combinado e misturado no ambiente com outros mobiliários.
III - Mobiliário de conjunto: popularmente, em folhetos e comerciais de vários
estabelecimentos que vendem tais mobiliários, estes são chamados de
“móveis de jogo”.
IV - Mobiliário componível: consiste na produção e na criação de artefatos
com foco na ressignificação dos objetos, podendo ser, simplesmente, de
produção artesanal.
Podemos afirmar que:
a. Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.
b. Somente as afirmativas II e III estão corretas.
c. Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
d. Somente a afirmativa III está correta.
e. Todas as afirmativas estão corretas.

42
LEITURA
COMPLEMENTAR

Já ouviu falar de design aberto? Studio dLux: da garagem de casa para o


mundo
Novas alianças entre designers, produtores e usuários devem ser criadas. A tecnolo-
gia fornecerá ferramentas ilimitadas para que essa participação deixe de ser um mito.
Essas ideias sintetizam o pensamento do designer austro-americano Victor Papanek,
autor de Design para um mundo real: Ecologia Humana e Mudança Social (1971) e Móveis
Nômades (1973). Suas obras anteciparam conceitos como open design, participação, ino-
vação aberta, incubação, entre outros termos que hoje são uma realidade. Um exemplo
disso tudo colocado em prática como modelo de negócio está em operação há dois
anos: é o Studio dLux, fundado pelo jovem arquiteto paulistano Denis Fuzii, de 26 anos.
Formado na faculdade de Belas Artes, ele, assim como muitos profissionais de sua área,
bebeu muito desta fonte. Da inspiração, criou um escritório de arquitetura e design que
elabora e executa projetos digitalmente, e disponibiliza gratuitamente parte de suas
criações para download em uma plataforma open source. Tudo isto da garagem de
casa, onde hoje divide o espaço com mais dois arquitetos e duas estagiárias.

Quando o insight vem do cotidiano de trabalho


Tudo começou com uma encomenda bastante específica. Uma cliente o havia contrata-
do para criar a iluminação de um salão de festas e, além disso, pediu ao arquiteto “uma
cadeira desmontável e de fácil armazenamento”. Denis, que se diz um apaixonado por
mobiliário, foi além da simples entrega. Afinal, cadeiras assim já existem. Mas ele co-
locou a mão na massa e pesquisou incontáveis formas de produzir a tal cadeira, que
acabou batizada de Kuka. Neste processo de concepção, criação e desenvolvimento
de produto, ele descobriu o mundo novo da fabricação digital, possível graças a uma
máquina chamada CNC, uma fresadora que corta chapas a partir de um arquivo digital.
Com a cliente satisfeita e o projeto entregue, Denis começou a divulgar a cadeira nas
mídias sociais, o que chamou a atenção de uma amiga de faculdade, Beatriz Guedes,
26 anos, hoje uma das parceiras do Studio. Bia encantou-se com a cadeira e queria ter

43
LEITURA
COMPLEMENTAR

uma Kuka pra chamar de sua, mas havia um detalhe: ela estava em Barcelona, na Espa-
nha, onde cursava uma especialização. Foi neste momento que Denis teve um insight:
por que não (re)produzir a cadeira em outros lugares do mundo? Tratou de encontrar
um produtor local que tivesse uma CNC, e o pedido da amiga tornou-se realidade.
Este episódio foi o divisor de águas para Denis, que decidiu enviar o arquivo do seu pro-
jeto para a FabLabs (laboratórios de inovação para a criação de protótipos) do mundo
todo. Sua cadeira, a primeira de uma série que viria posteriormente, chamou a aten-
ção de Nikolas Ierodiaconou, ganhador do Ted City Prize pelo projeto WikiHouse, de
fabricação open source. Nick é também um dos fundadores da OpenDesk, hoje a maior
plataforma de mobiliários para produção local open source.
Denis conta que apostou nesse caminho para divulgar o trabalho, um caminho que não
requer investimento em marketing, mas que pressupõe uma visão avançada do que é
propriedade. Nem todo mundo entendeu.
“Meus amigos e minha família acharam que eu estava louco. Eles não conseguiam en-
tender os motivos pelos quais eu liberaria gratuitamente um projeto ao qual me dedi-
quei três meses para realizar”, declara Denis.
Naquele momento, em outubro de 2013, a OpenDesk estava ainda em fase de incu-
bação e Denis foi convidado a participar da elaboração da plataforma. A missão dele
era encontrar uma forma de minimizar erros na hora de montar os móveis projetados
pelos designers. Isto porque a espessura dos materiais pode variar de país para país, o
que pode comprometer a entrega final. “Hoje, a plataforma oferece um descritivo para
os makers (produtores locais) para que eles saibam como proceder caso a espessura da
chapa seja diferente daquela descrita no projeto original”, diz ele.
Em dois meses na plataforma, as duas cadeiras de sua autoria, Kuka e Valoví, tiveram
5 mil downloads e foram produzidas em mais de 100 países. Há seis meses, Denis tor-
nou-se representante da OpenDesk no Brasil. Ele, afinal, estava certo: em pouco tempo,
viu seu trabalho ganhar escala mundial.

44
LEITURA
COMPLEMENTAR

Uma dessas cadeiras, a Valoví, foi exposta no Salão de Milão de Móveis em maio deste
ano. Ela é composta por 20 peças de madeira que se encaixam na montagem, feita sem
nenhum tipo de prego, parafuso ou cola. No Salão, foi a única peça assinada por um
designer estrangeiro a ser produzida localmente. “A nossa profissão ainda está muito
atrasada no que se refere à cadeia de produção”, afirma Denis. Ele fala mais sobre a
filosofia que abraçou.
“Design aberto é transferência de conhecimento. É empoderar o outro ao liberar seu
potencial criativo, permitindo que as pessoas possam usar e adaptar esse conhecimen-
to da melhor forma às suas necessidades”.
O arquiteto é um entusiasta do conceito e fez dele o seu modelo de negócio a partir da
oportunidade que se abriu com a OpenDesk. Com o propósito de conectar designers,
produtores locais e clientes, a plataforma elimina intermediários e os custos de expor-
tação e importação, minimizando também os custos de logística e de distribuição, o
que é bom para o bolso de todos os envolvidos e para o meio ambiente.
Eis a equação: os arquivos da cadeira Valoví, por exemplo, estão disponíveis para
download gratuito sob a licença Creative Commons. Mas ela é vendida no site e
pode ser adquirida, montada ou desmontada por R$ 379,00. Do preço final, 12% vai
para a OpenDesk, 8% para o designer, e o restante vai para o maker, um produtor
selecionado pela plataforma.

Fonte: Dalmolin (2015, on-line)5.

45
material complementar

Indicação para Ler

Como criar Uma Cadeira


Design Museum
Editora: Gutenberg Autentica
Sinopse: Como Criar uma Cadeira traz informações sobre o tema, buscando fo-
car os princípios e os processos da criação, desde as propriedades simbólicas e
funcionais da cadeira até o domínio dos materiais e das técnicas de produção em
massa. Em um estudo de caso, Konstantin Grcic faz um relato sobre a concepção
e o desenvolvimento de uma de suas cadeiras e procura revelar o que é preciso
para criar com sucesso.

Indicação para Assistir

Objectified
2009
Sinopse: neste documentário, um grupo de designers industriais reflete sobre a
relação entre a criatividade e os objetos ostensivamente comerciais que produ-
zem. Gary Hustwit (Helvetica) dirige esta exploração fascinante da encruzilhada
entre o design funcional e a arte.

Indicação para Acessar

A cooperativa Revale produz mobiliários sustentáveis com pallets, que, geralmente, são descartados, mas
que ganham outros significados após serem transformados em variados tipos de mobiliários. Este vídeo
contextualiza com exemplos o mobiliário de produção de desvio de função, assunto abordado nesta Uni-
dade. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=kWH7tS65C1Q>. Acesso em: 8 mar. 2018.

46
referências

BOOTH, S.; PLUNKETT D. Trad. Alexandre Salvaterra. Mobiliário para o design de interiores. São Paulo:
Gustavo Gili, 2015.
BOUFLEUR, R. N. A Questão da Gambiarra: formas alternativas de desenvolver artefatos e suas relações
com o design de produtos. 2006. 153 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.
BURDEK, B. E. História, Teoria e Prática do Design de Produtos. São Paulo: Edgar Blücher, 2006.
DAL PIVA, R. Processo de fabricação dos móveis sob medida. Porto Alegre: SENAI/RS, 2006.
FRANZATTO, C. O Processo de criação no design conceitual. Explorando o potencial reflexivo e dialético do
projeto. Tessituras & Criação, São Paulo, n. 1, maio 2011. Disponível em: <https://revistas.pucsp.br/index.
php/tessituras/article/view/5612/3967>. Acesso em: 8 mar. 2018.
GURGEL, M. Projetando espaços: guia de arquitetura de interiores para áreas residenciais. São Paulo: Senac/
SP, 2004.
GOMES, L. C. G. Fundamento de Design. Curitiba: Editora do Livro Técnico, 2015.
MEGIDO, V. F. (org.). A Revolução do Design: Conexões para o Século XXI. São Paulo: Gente, 2016.
MOXON, S. Sustentabilidade no design de interiores. Barcelona: Gustavo Gili, 2012.
RANGEL, R. Pequenos espaços: truques para ampliar 22 apartamentos de 25 a 75 m². Casa & Jardim. Rio de
Janeiro: Globo, n. 631, ago. 2007.
VESTERLON, M. Desenho de Móveis. Bento Gonçalves: SENAI/CETEMO, 2007.

Referências on-line
1
Em: <http://misturinhasdarhel.blogspot.com.br/2011/11/radarexposicao-anticorpos-fernando.html>.
Acesso em: 8 mar. 2018.
2
Em: <http://www.studiodlux.com.br/portfolio/valovi/>. Acesso em: 8 mar. 2018.
3
Em: <https://www.portalclicknegocios.com.br/empresa/transvandinho>. Acesso em: 8 mar. 2018.
4
Em: <www.monodesign.com.br>. Acesso em: 8 mar. 2018.
5
Em: <http://projetodraft.com/ja-ouviu-falar-de-design-aberto-studio-dlux-da-garagem-de-casa-para-o-mun-
do/>. Acesso em: 8 mar. 2018.

47
gabarito

1. E.
2. Mobiliário produzido em série com produção em volume industrial, normal-
mente, não é concedido ou produzido para um cliente específico, como acon-
tece no mobiliário sob medida.
Por isto, em projetos de mobiliários seriados, aconselha-se a utilização de um
bom processo metodológico e uma boa pesquisa de mercado, sendo que esse
tipo de produção deve atingir a uma grande quantidade de usuários, diferen-
temente do mobiliário sob medida, que atinge apenas um cliente específico.
A produção é realizada em peças isoladas, com a preocupação da racionali-
zação das peças, para se ter o melhor aproveitamento dos materiais na fabri-
cação. Geralmente, a produção é realizada em fábricas de pequeno, médio e
grande porte.
A escolha e a configuração da embalagem têm muita importância na qualidade
e na valorização do produto, pois ela o protege de avarias e facilita o armaze-
namento, o transporte e o recebimento do produto na residência do cliente.
Nos desenhos técnicos, a unidade de medida usual é o milímetro (mm). É feito
o desenho do conjunto, como acontece nos projetos de móveis sob medida e,
no detalhamento técnico, é feito o desenho peça por peça, com todas as cotas
das furações e marcações. Este detalhamento serve como uma documentação
técnica do produto e facilita bastante na fabricação e em possíveis regulagens
de maquinários, assim como no fluxo de produção do “chão de fábrica”.
3. Para dar início ao projeto de mobiliário sob medida, é necessário o primeiro con-
tato com o cliente e com o espaço para ser realizado o levantamento de todos os
dados e, desta forma, ter como base principal as medidas exatas dos ambientes
no imóvel que será ocupado pelos mobiliários e os seus respectivos artefatos.
Depois de todas as informações, inicia-se as anotações de todas as medidas
da planta baixa observadas no espaço, como: altura do pé direito, distância
entre as paredes e a posição de elementos que estão fixos (portas, janelas,
ventilação, pontos elétricos e hidráulicos, ponto de gás, ângulos especiais e
outros elementos importantes para não atrapalhar o projeto das peças).
4. E.
5. A.

48
UNIDADE
II
ESTRUTURA DA INDÚSTRIA
E DO MOBILIÁRIO

Professora Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta
unidade:
• O designer e a indústria
• Função, técnica e sentido
• Fabricação artesanal, fabricação sob medida e fabricação seriada
• Estrutura e gestão industrial
• Composição geral do mobiliário

Objetivos de Aprendizagem
• Observar a ligação entre o designer e a indústria.
• Analisar as diferenças entre função, técnica e sentidos do design.
• Conhecer as diferenças entre os tipos de empresa de móveis.
• Compreender a estrutura e as ferramentas de gestão de uma
indústria.
• Conhecer o modelo construtivo base dos mobiliários.
INTRODUÇÃO

N
este capítulo, conheceremos as rotinas dentro de uma in-
dústria de móveis, a sua organização e característica estru-
tural. Bem como lembraremos da importância de um tra-
balho em conjunto que una a técnica, a forma estética e as
funções que o design projeta-se a desempenhar.
Primeiramente, vamos estudar de que maneira o design estabelece-
-se como profissão em vista da demanda industrial causada pela evolu-
ção e pela autonomia dos processos da produção seriada.
Compreenderemos a importância do designer como participante dos
processos produtivos, atuando como um link entre a empresa e o seu
cliente, por meio da criação de produtos que possam ser comercializados.
Traremos uma nova ótica sobre a forma e a função dos objetos, des-
tacando os valores da forma, além de focar na fabricabilidade, ou seja,
na capacidade de fabricação como um dos preceitos a serem seguidos
pelo designer.
Conheceremos, então, as rotinas e a organização de uma empresa, as
características de fabricação de cada tipo de empresa de móveis atual, e
também aprender como elas estruturam-se.
Observaremos as novas formas de gestão industrial, citando o mo-
delo lean de produção enxuta, analisando as suas ferramentas e a sua
metodologia como bons exemplos a serem aplicados.
Ao final, para compreendermos qual é a característica básica dos pro-
dutos que estamos desenvolvendo, faremos a introdução aos elementos
constitutivos dos mobiliários em geral, em uma abordagem detalhada
das estruturas, nomenclaturas e particularidades das peças de movelaria.
Nos capítulos seguintes, conheceremos em detalhes os processos
produtivos dos móveis, os seus materiais e componentes de montagem,
finalizando com o estudo das representações gráficas e físicas que o de-
signer deve dominar.


O Designer e
a Indústria

54
DESIGN

Compreender a dinâmica industrial é componente voltada a atender às necessidades de detalhamento


fundamental para um designer de produtos, tendo em relação ao desenho e à especificação técnica dos
em vista que este profissional normalmente traba- produtos da época. Ocorreu que, com as revoluções
lha dentro do departamento de pesquisa/desenvol- industriais, o processo de fabricação passou a ser
vimento de uma indústria, auxiliando na criação, seriado, ou seja, a peça começou a ser dividida em
na pesquisa e na descrição técnica dos produtos partes e produzida por profissionais diferentes. Ao
para aquela empresa, como também no âmbito do final, ela era montada por outra equipe.
empreendedorismo, desenvolvendo o seu próprio O processo seriado está muito propenso a erros
design, com controle total ou parcial da produção por que, ao contrário do sistema artesanal, em que
(muitas vezes, até artesanal). o fabricante conhece toda a peça e percebe os seus
Neste sentido, é fundamental que o profissio- encaixes e ajustes, no processo seriado, o operário só
nal conheça as estruturas de uma empresa, os seus conhece o seu próprio trabalho, e se este estiver mal
processos produtivos, as suas possibilidades e limi- especificado, ou se os procedimentos estiverem mal
tações, além das rotinas de um chão de fábrica para definidos, a peça final apresentará defeitos, ocasio-
compreender como uma peça pode ser fabricada. nando a perda de material e de tempo de produção,
Para isto, vamos voltar um pouco na história do ou até causar danos físicos e/ou materiais aos consu-
design e lembrar do termo “desenhista industrial”. midores finais.
Tal termo evoca a função primária do designer, Para isto, foi necessário que um profissional sur-
gisse dentro das fábricas: o desenhista industrial.
Ele é o responsável pela concepção da peça, pela
sua subdivisão dentro dos processos industriais e
pela descrição técnica dos detalhamentos dessa peça
para cada setor produtivo. Isto é, ele é o profissional
que domina todo o artefato. Um elemento centrali-
zador que sabe como esse artefato será recomposto
no final do processo industrial.
Cada projeto exige um roteiro de produção es-
pecífico, e o designer deve conhecer as possibilida-
des de uma empresa em termos de matéria-prima,
Figura 1- Fábrica
maquinário e força de trabalho antes da concepção
Fonte: History Crunch ([2018], on-line)1. de um produto para essa indústria.

55


Função, Técnica
e Sentido
Bürdek (2010), ao analisar a produção industrial, forma torna-se o resultado ou a resolução de concei-
propõe uma reformulação da ideia de “a forma se- tos, custo e processos de fabricação.
gue a função”, muito defendida pela Bauhaus. Para Não podemos, contudo, esquecer que o design é
ele, esse conceito poderia ser reformulado como “a uma excelente estratégia mercadológica para a em-
forma é a resolução da função”. O autor observa que presa, e o projeto deve ser uma síntese da função
a função tem dois componentes principais: (1) de- (demanda inicial), da fabricabilidade (técnica) e da
mandas de especificação e desempenho, incluindo a estética (significados).
usabilidade (exemplo: uma cadeira tem a função de Primeiramente, por que chamamos, aqui, a fun-
promover assento para as pessoas, com alto desem- ção de demanda inicial? Porque ela surge do estudo
penho de conforto, ergonomia e durabilidade, sendo de mercado, observando as necessidades e os desa-
de fácil utilização), e (2) custos e “fabricabilidade” fios que o ser humano, ou um nicho da população,
(capacidade ou método de ser fabricado). Isto é, a desejam superar. Nesse estudo, surgem demandas de

56
DESIGN

produtos, ou melhor, de soluções que ajudem a sanar objeto. Por exemplo: uma cadeira foi pensada, pro-
estes problemas, aí temos um escopo de projeto. Isto jetada e executada com a função de assento, mas, na
é, como designers de objetos ou soluções, chegamos prática, ela pode tornar-se apenas um cabide.
a uma gama de funções que queremos oferecer ao Rafael Cardoso (2012) também salienta este as-
mercado. O designer estruturará, então, de que ma- pecto: se a função determinasse a forma, teríamos um
neira ele atingirá este objetivo. A função será o foco, modelo único e ótimo de objetos (a cadeira ideal teria
mas nunca o resultado único do produto em si. um único design), contudo, na prática, não é assim.
Vamos compreender melhor esta questão am-
pliando a atuação do designer, expressa por David O estatuto de um artefato não pode ser consi-
derado algo rígido, fixo. Potencialidades de re-
Pye em seu livro The Nature and Aesthetics of Design
presentação latejam em qualquer manifestação
(1968). O autor questiona o lema difundido pelo formal que, invariavelmente sujeita a inúmeros
modernismo, “a forma segue a função”, pois, para tipos de leitura e significação, perspectiva-se e
ele, aquilo que o designer pode determinar tem me- subjetiva-se ao projetar-se no contínuo movi-
nos a ver em como a peça será utilizada (sua fun- mento histórico e social. Ao existirem em con-
textos humanos, artefato e forma revelam, no
ção), mas o profissional pode determinar como ela
contato com o olhar, uma dinamicidade intrín-
será apresentada e qual o seu conteúdo formal (defi- seca. Abordar as nuanças e variações empíricas
nição de formas, texturas), pois “a ‘finalidade’ do ob- da formação do signo é ir além dos silogismos
jeto é concebida pela mente humana, os ‘resultados’ “forma-função”, é raciocinar acerca do pensa-
mento criativo (CESTARI, 2013, p. 223).
existem nas coisas” (DORMER, 1990, p. 143).

A forma dos objetos está ligada a um contexto his-


tórico e sociocultural de troca de símbolos, valores,
significados e sentidos. Cabe ao designer compreen-
der estas relações na hora de fazer as suas escolhas de
materiais e de desenho, procurando normatizar o uso
(deixar clara a demanda inicial), mas também criar
uma experiência com o produto para além da função.
David Pye (1968 apud DORMER, 1990) frisa, in-
clusive, a diferença entre a qualidade e a propriedade
dos materiais, sendo as propriedades características
físicas, mecânicas, técnicas imutáveis e que fazem
O que este autor quer dizer é que, por exemplo, a parte do material em si. E as qualidades dos mate-
função de “lugar para sentar” está pouco ligada com riais, que são aspectos subjetivos, sensoriais, que são
a forma “cadeira”. O designer pode tentar projetar projetados pelo ser humano, ou seja, que se encon-
“um modelo ótimo”, “funcional” e ergonômico, “a tram na mente (DORMER, 1990). Exemplo: uma su-
melhor forma de sentar”, entretanto, é o consumidor, perfície em madeira natural, com os veios aparentes,
na sua experiência, que vai dar a função para aquele promove uma sensação de aconchego, de calor.

57


O que isto quer dizer? Que o designer precisa Quais as condições de trabalho em que os insu-
pensar na função, mas é muito importante pensar mos são produzidos? Quais produtos químicos
em como ou de qual maneira ele apresentará esta serão envolvidos no processo produtivo? Qual
solução, e nisto são incluídas as escolhas estéticas de será a quantidade de resíduos gerada? Qual será
forma, cor e textura, e também quais sentimentos a destinação desses resíduos e como é feito o seu
podem ser provocados por esse produto. A maneira descarte ou reuso? O produto, uma vez “obsoleto”
de chegar a essa solução está na escolha dos mate- (destituído de sua função), tem qual descarte? É
riais e dos processos produtivos necessários para re- um produto reciclável ou perecível? Pode causar
velar a estética desejada. danos ao meio ambiente?
Essas perguntas devem ser pensadas pelo de-
UM PROCESSO SUSTENTÁVEL signer porque, além de ser uma questão ética, cada
vez mais o mercado tem preocupado-se com a des-
O que podemos concluir é que um projeto de de- tinação desses resíduos, e novas leis são implemen-
sign consiste em um pensamento complexo, desde tadas para diminuírem os impactos ambientais cau-
a escolha de materiais que tenham características sados pela ação humana.
físico/químicas e acabamentos estéticos, até a for- Enfim, um mobiliário com bom design contem-
ma de fabricação que auxilie a atingir as especifica- pla uma necessidade real que deseja solucionar (fun-
ções do projeto e os seus significados semânticos. ção/funções), um processo de produção otimizado
Vamos ressaltar que, como o designer está inse- (fabricabilidade) e uma forma estética com impacto
rido em uma cadeia mercadológica, as suas escolhas sensorial (identidade) que faz esse mobiliário desta-
podem auxiliar a reduzir os custos e a otimizar re- car-se dos demais artefatos do mercado. Todas essas
sultados, sem esquecer de sua responsabilidade eco- características devem visar à lucratividade do negó-
lógico-social. cio e à sustentabilidade ambiental.
Cardoso (2012) deixa claro que o ciclo de vida
de um produto não consiste somente em: concepção
→ planejamento → projeto → manufatura → dis- REFLITA
tribuição → venda → uso → descarte. Isto é, cabe
ao designer pensar nos processos de pré-fabricação
Qual é o ciclo de vida do mobiliário que você
e nos possíveis impactos da pós-vida dos produtos está projetando? Ele cria soluções para me-
que perderam a sua função primária. lhorar a vida do ser humano atualmente? Ele
O designer deve fazer perguntas, como: de é sustentável?

qual maneira é feita a extração da matéria-prima?

58
DESIGN

59


Fabricação Artesanal, Fabricação


Sob Medida e Fabricação Seriada
O design de mobiliário perpassa o estudo das possi- FABRICAÇÃO ARTESANAL
bilidades de produção de uma empresa. Dentro do
escopo do projeto, além da seleção de materiais e de Na fabricação artesanal, o valor está na exclusivida-
componentes, são analisadas as potencialidades e as de. Cada móvel é feito para um projeto único, adap-
limitações da indústria para a confecção das peças. tado às necessidades de um cliente em específico.
É importante pensar que, diferente de outros Neste caso, o marceneiro (ou uma pequena equipe)
mercados, a atividade de fabricação de móveis não atua normalmente. Desde a concepção do projeto
está restrita à produção em série, tendo em vista que até a entrega do mobiliário, esse profissional domi-
móveis artesanais, ou móveis sob medida, ainda são na a técnica como um todo e tem a possibilidade de
muito valorizados no mercado em geral. inovar a cada peça criada. Entretanto, a sua capaci-

60
DESIGN

mação dos caixotes, entre outros, foram normatizados


para aumentar a capacidade produtiva das empresas,
melhorar a qualidade das peças e reduzir custos, per-
mitindo maior competitividade no mercado.
É importante empregar um novo termo para este
tipo de empresa, que chamaremos de fabricação sob
medida otimizada, no sentido de que o produto
oferecido não mudou, mas o processo de fabricação
foi repensado e melhorado.
Esse tipo de empresa já conta com um designer,
que pensará no produto e na descrição técnica das
dade produtiva é muito baixa, possui um limite de peças, que possui maior subdivisão das funções no
maquinário e não tem padrões de qualidade bem chão de fábrica e começa a estabelecer limites no pro-
definidos (como a cada peça ele pode experimentar jeto, já considerando a produtividade e a redução do
algo novo, isto impossibilita a análise que é feita pela desperdício de material. Alguns padrões de qualidade
experiência da padronização). ficam claramente definidos, como a montagem dos
caixotes, os tipos de ferragens etc., mas ainda abre-se
FABRICAÇÃO SOB MEDIDA OTIMIZADA espaço para acabamentos que são artesanais e peças
únicas (exemplo: tampos arredondados, acabamentos
A fabricação sob medida passou por uma transforma- exclusivos, encaixes e recortes feitos na obra).
ção nas últimas décadas. Com a introdução de softwa-
res e maquinários a preços mais acessíveis, muitas mi- FABRICAÇÃO SERIADA
cros e pequenas empresas passaram a adotar métodos
de fabricação de grandes indústrias para fazer móveis A fabricação seriada é caracterizada pela predeter-
sob medida. Isto é, ainda são projetos exclusivos e sob minação das peças. Isto pede que o design seja defi-
demanda, contudo, procedimentos, acabamentos, for- nido por uma intensa pesquisa de mercado, pela de-

61


terminação de um nicho que se deseja atingir, pelas duzida pela empresa Republic of Fritz Hansen. Ela é,
linhas de produtos que serão oferecidas, os materiais, até hoje, apreciada e vista como fonte de inspiração
os melhores fornecedores, as ferragens, quantas pe- para muitos designers.
ças serão produzidas, estocagem, distribuição, estra- Como observamos, o design pode transmitir
tégias de comunicação e tudo que possa ser pensado estética e funcionalidade diferenciadas que, por sua
com antecedência e influenciar na produção. vez, podem ditar uma nova moda ou até transfor-
Uma empresa de móveis seriados possui menor mar o próprio mercado. A fabricação seriada, aliada
capacidade de inovação, mas, em uma pesquisa mais a isto, pode oferecer produtos mais competitivos,
criteriosa, quando se pensa em criar uma nova linha com maiores velocidade de entrega e distribuição.
de produtos, muitos aspectos são considerados, in-
clusive controles de qualidade claros, pois passam
SAIBA MAIS
por testes e avaliações de desempenho.
Os produtos são pensados de maneira seriada, ou
seja, grupos de peças que podem ser utilizadas em mais A cadeira Egg (1958) foi desenhada por Arne
de um tipo de móvel, medidas de corte que diminuam Jacobsen para o Hotel Radisson SAS de Cope-
nhagen, Dinamarca, e produzida pela Republic
o desperdício de material, fornecedores que tenham of Fritz Hansen. O que chama a atenção nes-
capacidade produtiva e qualidade para entregar dentro sa cadeira é que desenharam, na época, um
das necessidades da indústria, entre outros aspectos. sofá Egg, porém, a produção desse sofá foi
cancelada pouco depois por motivos de falhas
Como podemos observar, o tempo de fabricação é mui- projetuais. Ele não era feito com uma única
to valioso neste modelo, pois o foco é a produtividade. peça de couro e as costuras nas emendas
Este processo parece limitador, contudo, um bom ficavam visíveis, quebrando a estética que
caracteriza a peça.
design pode tornar-se ícone de uma cultura ou ser o
registro de um período. Um exemplo é a cadeira Egg, Fonte: adaptado de Radisson Blu ([2018], on-line)2.

de 1958, criada pelo designer Arne Jacobsen e pro-

62
DESIGN

Estrutura e
Gestão Industrial
Existem diversas possibilidades de gestão e de or- visualização do todo. Dois modelos muito comuns
ganização de uma empresa, e compreender como são o organograma e o fluxograma.
se estrutura uma indústria para a qual prestamos o
nosso trabalho é de extrema valia, pois proporciona ORGANOGRAMA
identificar quais as possibilidades e limitações, pre-
ver possíveis gargalos de produção, além de contri- O organograma é um gráfico da estrutura hierárqui-
buir com soluções para diminuí-los. ca de uma organização, ele aponta quais são os co-
Para compreender como se organiza e como laboradores e como se relacionam. O modelo tradi-
funcionam os processos numa empresa, normal- cional, como veremos a seguir, tende a uma divisão
mente utiliza-se esquemas gráficos que auxiliam na por complexidade e por nível de responsabilidade

63


do colaborador. Existem vários outros modelos de ma vai passar até transformar-se em um produto
organogramas (circulares, por funções etc.), no en- final. Cada departamento pode criar o seu próprio
tanto, cabe aqui compreender simplesmente como fluxograma de ação. No exemplo a seguir, conside-
uma indústria subdivide-se e algumas possibilida- ramos um modelo simples de fluxograma de uma
des de organização da empresa. empresa de móveis.
Na maioria das pequenas e médias empresas, Observe, na Figura 3, a divisão dos setores da
essa subdivisão é reduzida, sendo os profissionais re- produção: os losangos em amarelo identificam roti-
sponsáveis por mais de uma função. Observe que no nas de decisão, no caso do acabamento, fica claro

Organograma industrial

Administração
Presidente

Diretor Diretor Diretor de


Administrativo Comercial Produção

Gerente de Gerente de Gerente de Gerente de Gerente de Gerente de Gerente de Gerente de


Contratos Financeiro e RH Marketing Vendas Operações P&D Produção CPC Logística

Auxiliar de Auxiliar Auxiliar de Consultor Auxiliar de Designer Auxiliar de Auxiliar de


Contratos Financeiro Marketing de Vendas SAC de Produto Produção Compras

Serviço Auxiliar de Auxiliar de Auxiliar de


Caixa
Técnico Projeto Montagem Almoxarifado

Aux. Controle Auxiliar de


de Qualidade Expedição

Figura 2 - Organograma industrial


Fonte: a autora.

departamento de pesquisa e desenvolvimento é que que as peças podem seguir destinos diferentes na
se encontra o designer. O produto será criado neste produção, no caso das peças que estão prontas no
ambiente de conceito, de projeto técnico, de prototi- acabamento (como caixotes simples), elas podem ir
pagem e de teste de controle de qualidade. direto para a pré-montagem, enquanto outras (ca-
deira, porta pintada) ainda passarão por sub-rotinas
FLUXOGRAMA no setor de pintura ou estofamento.
O gráfico serve, então, de referencial para o ger-
O fluxograma é uma representação gráfica dos pro- ente de produção controlar a ordem dessa produção, o
cessos de uma empresa, ele auxilia na visualização disparo de peças e em qual estágio estão os produtos,
das rotinas e dos caminhos por onde a matéria-pri- para não perder produtividade e prazos de entrega.

64
DESIGN

Fluxograma Indústria de Móveis

Pesquisa de Projeto Compra de


Demanda de Design Corte Borda
Mercado Matéria-Prima

Estocagem
Usinagem Acabamento Pré-montagem Embalagem
Entrega

Componentes
Pintura Estofamento
Extras

Figura 3 - Fluxograma de uma indústria de móveis


Fonte: a autora.

Uma vez compreendidos os diferentes tipos de in-


dústria moveleira, como se organizam e as suas
rotinas, vamos entender as especifi- CLIENTE
cidades de alguns materiais em seu
processo produtivo.
MELHOR QUALIDADE - MENOR CUSTO- MENOR PRAZO
JUST-IN-TIME AUTONOMAÇÃO
PRODUÇÃO ENXUTA (LEAN)
Fluxo conectado Qualidade na
ao cliente Fonte
Lean manufacturing, ou Toyota Produc-
tion System (TPS), é um sistema de ges- Entregar o que o
tão desenvolvido pela empresa Toyota, cliente pediu, na Parar e notificar
quantidade e os problemas.
no Japão, na metade do século XX, com
momento certo.
o objetivo de melhorar os processos
produtivos e organizacionais da em- ESTABILIDADE E PADRONIZAÇÃO
presa, evitando desperdícios em to-
Produção nivelada, processos disponíveis e gerenciamento visual
dos os setores.
Dentre os aspectos do programa, Figura 4 - Produção enxuta
serão apresentados aqueles que mais se destacam. Fonte: CRW Consultoria ([2018], on-line)3.

65


Produção just-in-time

A produção just-in-time consiste em uma produção


puxada, ou seja, os produtos são feitos seguindo um
ritmo de produção necessário para atender à deman-
da dos clientes com o mínimo de estoque possível
em toda a cadeia produtiva em um fluxo contínuo de
trabalho, evitando desperdício de tempo em servi-
ços desnecessários. Este tipo de política empresarial
Figura 5 - Exemplo de Poka Yoke
evita os desperdícios que podem ocorrer no trânsito Fonte: a autora.
de produtos e informações dentro da empresa, na su-
perprodução e na degradação de produtos prontos. Estabilidade e padronização (kaizen)

O modelo jidoka (autonomação) São processos, assim como uma filosofia de melho-
rias contínuas e, por isto, estão na base do edifício
O modelo jidoka busca eliminar fontes de erros e do TPS. As atividades procuram gerar envolvimento
defeitos nos produtos ou na produção. É um pro- de todos na empresa, com discussões e trabalhos em
cesso que fornece condições para os operadores equipe e implementação do programa 5s, além de
de máquinas interromperem o fluxo caso haja treinamentos e da conscientização do pessoal quan-
uma anormalidade e eliminarem a fonte de erro to à filosofia da qualidade (MOURA et al., 2012).
de maneira mais autônoma.
É a criação de dispositivos à prova de erro, o SAIBA MAIS

Poka Yoke (Poka = erro; Yoke = prova), que torna


claros os processos e montagens. Isto liberou os O Sistema 5S é uma metodologia que visa criar
funcionários para ações criativas, que agregam uma cultura de organização, comprometimen-
to e engajamento da equipe. Os 5Ss se referem
valor, muito mais do que o simples monitora-
a: Senso de Utilização, Senso de Arrumação,
mento de maquinário. Senso de Limpeza, Senso de Saúde e Senso de
Observe, neste exemplo de peça Poka Yoke, Autodisciplina. Saiba mais sobre esse tema na
leitura complementar desta Unidade.
como a segunda peça tem os encaixes feitos de tama-
nho diferente. Desta forma, só existe uma maneira Fonte: a autora.

de encaixar as peças: a maneira correta.

66
DESIGN

Composição Geral
do Mobiliário
Para compreender o funcionamento de uma empre- conhecidas, ou inovando a partir do questionamen-
sa de móveis, precisamos, além de compreender a es- to daquilo que se tem atualmente, propondo materi-
trutura administrativa, entender a composição geral ais, usos e processos produtivos na criação de novos
do mobiliário. Este conhecimento ajudará a assimilar produtos ou tecnologias.
os processos produtivos dessas peças e a identificar Um exemplo interessante é o casal Charles e Ray
as oportunidades de inovação no design de móveis. Eames, que continuamente inovou nas formas de
Vamos conhecer os componentes gerais dos uso do compensado e trabalhou junto à indústria
móveis e entender como eles relacionam-se. Esta abor- para o desenvolvimento de novas metodologias e
dagem tem em vista as questões especificamente técni- técnicas para, desta forma, alcançar o desempenho
cas que fazem parte de qualquer projeto de design. e a estética almejada em seus projetos.
A partir desse conhecimento, o pensamento cri- Para Löbach (2000), o processo de design consiste
ativo e a inovação podem desenvolver-se, seja sob em um processo criativo, como também um processo
a forma de escolhas e de configurações novas para de solução de problemas. Para o autor, no desenvolvi-
os componentes existentes, criando peças que são mento do produto, existe uma série de análises que
diferenciadas, sem descartar as técnicas produtivas devem ser feitas (LÖBACH, 2000, p. 142):

67


• análise da relação social (homem-produto); Com base na análise estrutural de um produto,


• análise da relação com o ambiente (produto- pode ser decidido se o número de peças pode-
ambiente); rá ser reduzido, se peças podem ser juntadas e
racionalizadas – em suma, como o avanço da
• desenvolvimento histórico; tecnologia pode melhorar um produto (LÖBA-
• análise do mercado; CH, 2000, p. 147).
• análise da função (funções práticas);
• análise estrutural (estrutura de construção);
A análise de configuração estuda a “aparência es-
• análise da configuração (funções estéticas);
tética dos produtos existentes, com a finalidade
• análise dos materiais e processos de fabricação;
de se extrair elementos aproveitáveis a uma nova
• patentes, legislação e normas;
configuração” (LÖBACH, 2000, p. 147). A análise
• análise de sistema de produtos (produto-pro-
da configuração estética pode servir como instru-
duto);
mento de elaboração de formas, texturas e cores
• distribuição, montagem, serviço a clientes,
manutenção; para o novo produto, dentro de um contexto com-
• descrição das características do novo produto; posto pelos materiais e processos de fabricação
• exigências para um novo produto. passíveis de serem empregados.
Os elementos e a forma, como são arranjados,
Todos estes aspectos agem em conjunto, contudo, podem variar imensamente e, por isto, é impor-
destacamos as três análises que têm influência direta tante que conheçamos algumas nomenclaturas e
pela relação de escolhas da forma, dos materiais e dos funções que fazem parte da composição geral dos
componentes que serão utilizados na fabricação. São móveis. Analisaremos vários tipos de componentes
elas: a análise das funções a serem desempenhadas, a de base, componentes de montagem e componentes
estrutura e a configuração estética final da peça. acessórios que, juntos, darão a forma ao design.
A análise da função “compreende a forma de tra-
balhar de um produto, baseada em leis físicas ou quími- ESTRUTURA DE CAIXAS
cas que se fazem presentes durante o processo de uso
de suas funções práticas” (LÖBACH, 2000, p. 146). Essa Uma das configurações mais simples e versáteis de um
análise esclarece os objetivos e as funções que os produ- móvel é a caixa (nicho, módulo, montante ou caixote).
tos ou elementos complexos devem desempenhar. Ela pode ser utilizada de diversas maneiras e para uma
A análise estrutural, por sua vez, tem o objetivo grande variedade de funções. É composta, basicamen-
de deixar transparente a estrutura do produto em te, por lateral, base, topo (ou sarrafos) e fundo. Obser-
toda a sua complexidade. ve algumas destas estruturas nos módulos a seguir.

68
DESIGN

Figura 6 - Balcão
Fonte: a autora.

• Laterais: função de estrutura e fechamento qualquer peça que se deseje fechar todo o
lateral, determina a altura e a profundidade topo do nicho.
da peça. Por ser um material estrutural, a sua • Sarrafos: peças de travamento superior e tra-
espessura precisa suportar o peso a que se seiro do nicho, usados no topo de balcão, na
destina. No caso de móveis residenciais, é co- horizontal ou na vertical, para o travamento
mum o uso para todo o módulo de painéis de da frente e parada das portas e, no fundo, para
15-25 mm de espessura, entretanto, móveis a estabilidade do nicho, podendo ser instalado
populares podem ser feitos com materiais por trás do painel de fundo. É utilizado quan-
mais finos (12 mm). do se coloca um tampo externo (do mesmo
• Base: função de estrutura dos nichos respon- material ou não), como tampo de pia de grani-
sáveis pelo fechamento da base, determina a to, ou tampo de mesa que passe dos módulos.
largura e a profundidade da peça. • Fundo: painel de cobrimento do fundo do
• Topo: é uma peça na mesma medida que a nicho, pode ser encaixado por meio de canal
base, tem a função de fechamento total do rebaixado, pregado ou parafusado ao nicho.
topo do nicho, usado em armários altos, ar- Normalmente, em material mais fino, pois
mários superiores/aéreos, guarda-roupas e não tem função de estrutura.

69


bradiças, basculantes ou kits de porta de cor-


As demais peças que compõem os módulos, basica-
rer. Para cada um destes, é necessária uma usi-
mente, são estas a seguir. nagem própria dos equipamentos. Na etiqueta
• Prateleiras: peças móveis ou fixas, com a da peça, indica-se o lado da porta, direito ou
função de divisão interna do nicho. A prate- esquerdo, para saber o lado de fazer o rebaixo
leira móvel pode ser regulada internamente, para o caneco da dobradiça, por exemplo.
é componível, ou seja, pode se acrescer ou • Frentes de gaveta: têm também a função de
diminuir a quantidade facilmente, pois não fechamento frontal, entretanto, não costu-
interfere na estrutura do módulo. A pratelei- mam ter furação prévia (somente para o pu-
ra fixa pode ser utilizada como base para um xador), pois são instaladas parafusadas na
maleiro, por exemplo, e ajudar na divisão dos contra-frente que faz parte da caixa da gaveta.
fundos em um armário alto. Geralmente, tem
• Caixas de gaveta: são compostas por duas
medida menor que a base na profundidade,
laterais que determinam a profundidade e
mas a mesma medida na largura, pois vai de
a altura da gaveta; uma contra-frente direta-
lateral a lateral do móvel. Nichos internos po-
mente atrás da frente; e uma traseira na posi-
dem ser feitos utilizando prateleiras e laterais
ção oposta da contra-frente e que estrutura a
menores em uma infinidade de composições.
largura da gaveta; um fundo de gaveta, que é a
• Portas: têm a função de fechamento frontal base interna da gaveta, feita em material mais
dos módulos, podem ser instaladas com do- fino e com encaixes de fundo normal.

Figura 7 - Gaveteiro 1, gaveteiro com quatro gavetas do balcão


Fonte: a autora.

70
DESIGN

tanciamento e de elevação dos móveis em re-


DEMAIS COMPONENTES
lação ao chão. Os pés podem ser feitos com
uma incrível variedade de materiais, normal-
Além dos caixotes, temos elementos diversos que mente em estrutura leve e com pouco mate-
fazem parte da maioria dos móveis, como apresen- rial, utilizando o equilíbrio e a estabilidade da
tados a seguir. forma para elevar as peças.
• Tampo: é um painel na horizontal que co- • Painel de travamento: tem a função de unir
bre todos os nichos, unindo a modulação e estruturar duas laterais, ou pés de mesa, ou
de modo uniforme. Pode ou não passar da uma estrutura que não tenha base e topo de
largura e da profundidade dos módulos. Por travamento (ou sarrafos). Ele evita o abau-
exemplo, em uma pia, é comum que o tampo lamento do tampo e da abertura dos pés. É
passe, no mínimo, 3 cm dos nichos (espaço parafusado às laterais/pés, por isto, se a pres-
chamado de pingadeira), para que a água não são superior for muito forte, os parafusos nas
escorra ou caia diretamente sobre o móvel. pontas podem não aguentar a tração e cede-
• O tampo pode ser feito de diversos materiais rem. O painel deve ter altura suficiente para
e não precisa ser da mesma espessura que os criar dois pontos de fixação resistentes, em
módulos. Para móveis de escritório, é comum média, no caso de mesas de escritório, entre
que o tampo passe alguns milímetros à frente 30 e 40 cm, mas pode variar conforme o tipo
das portas. Quando o pé da mesa é feito em de móvel e o peso do tampo. Diferentemente
painel de madeira, ele pode ser instalado na do fundo, o painel de travamento é uma peça
extremidade do tampo (formando um dese- estrutural, assim, a sua espessura é de 15 ou
nho em U ou L perfeito). 18 mm, podendo ser encontrado em chapa de
metal, desde que a estabilidade seja mantida.
Outra opções são pequenos recuos dos pés
em 1-5 cm, que é a configuração tradicional, • Painel decorativo: é composto pelo uso da
ou podem ser maiores, como no caso de me- chapa na vertical, com o padrão do veio da
sas de reunião (mínimo de 35 cm em relação madeira em ambas as direções. Tem grande
a cada extremidade da mesa). Essas configu- função estética e decorativa e, ainda assim,
rações alterarão a medida do painel de trava- serve de apoio ou suporte para outros objetos
mento, por isto, é imprescindível que sejam ou estruturas. Um painel para TV tem a fun-
pensadas de antemão. ção de simular a estrutura da parede e supor-
tar a TV suspensa, os nichos ou as prateleiras.
Para ter um tampo mais espesso, é muito co-
Em um balcão de atendimento, ele tem a fun-
mum o engrossamento da peça por meio da
ção de fechamento decorativo ou estrutural
duplagem do painel (colagem e prensagem
para que as pessoas não vejam a estrutura in-
de duas chapas de igual medida, formando
terna do móvel.
uma nova espessura), ou o encabeçamento,
em que são coladas e parafusadas as faixas • Tamponamento: acabamento utilizado, prin-
de madeira com a espessura desejada nas ex- cipalmente, na movelaria de alto padrão, ou
tremidades do tampo, formando um quadro. em móveis sob medida, cujos módulos são pa-
Depois de engrossado, é colada a fita de bor- dronizados em painel branco internamente e,
da com a nova espessura. por fora dos nichos, é colocado um outro pai-
nel de madeira com padrão decorativo (15-25
• Pés: estruturas para sustentação de mesas,
mm), como uma capa que reveste os módulos.
cadeiras, armários etc. Têm a função de dis-

71


Desta maneira, as portas ficam aparentemente sustentação e pela estabilidade, pois são a es-
embutidas, oferecendo um acabamento plano trutura primordial do móvel. Para estofados,
e refinado. O tamponamento é uma solução é o mesmo princípio.
que otimizou a produção, pois toda a mo- • Coluna: é um mecanismo composto por um
dulação é feita de um único tipo de madeira pistão a gás ou mecânico, que é responsável
(nichos internos todos brancos), e somente a pela altura do assento. Esta coluna é encapa-
aparência é diferenciada, como: portas, frentes da por um kit telescópico em polipropileno.
e tamponamentos. Podem ser aplicados so- • Flange: é o mecanismo feito em aço que une
mente nas laterais ou envelopar o móvel como o pistão ao assento. Esse mecanismo varia
um todo, dependendo do projeto. conforme o movimento desejado e possui,
• Rodapé: tem a função de sustentação ou de no mínimo, a regulagem de altura do assento,
acabamento linear abaixo da base do móvel. O porém, pode ter múltiplas regulagens.
rodapé facilita a abertura de portas e gavetas • Sefir e canopla: é o conjunto de ligação entre as-
para que não risquem ou não tenham dificul- sento e encosto que une a flange ao encosto da
dade para abrir por causa de algum desnível do cadeira. É formado por um tubo de aço em for-
piso, dos tapetes ou de outros objetos. O roda- mato L e, por meio da canopla, ajusta-se a altura
pé protege o móvel de danos, como: batida de da cadeira. A união do assento com o encosto
vassoura, umidade, entrada de sujeira, entre também pode ser feita por peça fixa, com uma
outros. Para armários com portas de correr sus- chapa grossa de aço em formato L, de maneira
pensas, a altura do rodapé é determinada pelo que a altura do encosto não seja mais regulável.
espaço mínimo exigido pelo kit de portas.
• Assento: é o conjunto de peças que com-
• Roda teto: é um acabamento estético para ar- preende uma chapa de base (geralmente de
mários embutidos e que fecha o vão entre os compensado moldado ao desenho do assen-
módulos e o teto. É utilizado porque, como a to), podendo conter molas ou percintas (fitas
maioria dos ambientes apresenta algum desní- elásticas de sustentação do assento), sobre-
vel, a estrutura do armário não deve ser feita na postas por um estofamento com espumas e
medida final do pé-direito. tecido. O assento tem a função de promover
conforto para a pessoa na posição sentada e
deve ser pensado de modo que seja voltado
COMPONENTES DE CADEIRAS
à ergonomia, ao tempo do uso e ao nível de
• Bases: são os elementos de estrutura e fi- conforto que deve promover. A escolha da
xação do assento e do encosto de cadeiras, forma e das camadas de material varia con-
poltronas e estofados. Podem ser fixas (bases forme a necessidade específica.
em aço tubular ou madeira); móveis, em for- • Encosto: é formado pelo conjunto de peças com
mato de estrela (com rodízios de silicone ou a função de apoiar as costas do usuário na posi-
polipropileno); componíveis, tipo longarina ção sentada. Pode ser fabricado da mesma ma-
(uma base de aço fixa para vários assentos); neira que o assento, mas, por não ser uma peça
empilháveis (com pés que se encaixam com de sustentação, a espuma pode ser mais macia
facilidade), entre outros aspectos. De mate- (densidade menor). Para escritórios, é interes-
riais variados, devem ser analisados princi- sante notar as cadeiras com apoio lombar, que
palmente pela resistência à deformação, pela ajudam a diminuir o esforço da coluna nesta re-
gião, oferecendo mais descanso ao usuário.

72
DESIGN

• Braço: são as superfícies de apoio para os


braços da pessoa na posição sentada. Podem
ser feitos no mesmo material da base, esto-
fados ou em materiais diversos, com ou sem
regulagem.

Encosto

União em L
ou Sefir c/
Canopla
Braço Assento

Flange

Coluna a gás

Base Estrela

Finalizando esta unidade, pudemos observar que a


composição geral dos mobiliários é bem variada, Rodízio
porém, as estruturas repetem-se, o que facilita o
entendimento da função de cada peça para o desig-
ner, de modo que, usando a criatividade, é possível,
a partir de poucos elementos, criar uma infinidade
de produtos extremamente originais.

73
considerações finais

Caro(a) aluno(a), concluindo esta unidade, aprendemos sobre o trabalho do desig-


ner em parceria com a indústria, pois, um projeto, para ser executado e ter sucesso,
precisa adequar o seu modelo às características da indústria, ou ambos buscarem
novas técnicas ou metodologias para inovar no mercado cada vez mais competitivo.
Nos questionamos a respeito da tríade do produto: forma, função e fabricabili-
dade, colocando em evidência que, para se ter um bom design, é necessário que o
objeto responda a uma demanda real percebida (funções), tenha uma estética clara e
significativa, e que seja passível de fabricação, com otimização de custos, geração de
valor e sustentabilidade.
Aprendemos como se estrutura uma indústria de móveis e os papéis de seus cola-
boradores, além de técnicas de como otimizar a organização e as rotinas de trabalho,
de que maneira pequenas alterações no fluxo da produção (produção puxada) ou
inovações nos produtos (modelo Poka Yoke) podem gerar grandes resultados.
Conhecemos, também, algumas terminologias que são muito usuais e de extre-
ma relevância para conceituar e apresentar os componentes e as partes de mobiliá-
rios encontrados em variados nichos que atendem o setor de produção moveleira.
Esta unidade, portanto, tem uma grande importância para os conhecimentos
já adquiridos na unidade anterior, contribuindo, com isto, com o desenvolvimento
projetual de novos e inovadores produtos do segmento moveleiro, seguindo uma
metodologia específica que conduz toda a trajetória do projeto para um desenvolvi-
mento mais coerente, verificando a viabilidade de materiais e processos de fabricação
para que o produto consiga adquirir a sua forma, função e dimensão adequadas e
desejadas para as reais necessidades de variados usuários, garantindo, com isso, a
qualidade final do projeto do produto.

74
atividades de estudo

1. Os modelos de gestão e de tamanho das empresas de móveis impactam di-


retamente nos processos de design e na forma de fabricação das peças. Ao
longo da história, conferimos que existem diversas características que dife-
renciam as produções artesanais, sob medida e em série. A respeito da fabri-
cação seriada, é correto afirmar que:
a. Sempre foi o processo mais seguro contra erros.
b. Não precisa de um projeto específico, pois os produtos nunca mudam.
c. O operador conhece todo o processo da peça, podendo apontar os defeitos
rapidamente.
d. Precisa de um detalhamento claro das peças e das rotinas de fabricação para
evitar erros.
e. Possibilita a mudança contínua dos produtos, pois são produzidos sob medi-
da.

2. Nesta unidade, conhecemos uma nova perspectiva a respeito das relações en-
tre forma e função no design, incluindo um terceiro ponto, a fabricabilidade. A
respeito desses três aspectos, que devem ser cuidadosamente observados
pelo designer, é correto afirmar que:
a. O processo produtivo não interfere na estética da peça, pois ela é resultado
do projeto de design.
b. A função determina a forma das peças, por isto, o designer deve projetar con-
forme o modelo ideal de produto para aquela função.
c. Um bom design é aquele que atende a uma demanda real, com estética e
identidade, que seja passível de fabricação, sendo lucrativo e sustentável.
d. O designer deve concentrar-se na especificação dos projetos, cabendo à in-
dústria preocupar-se com a origem dos materiais e o destino dos produtos.
e. O designer consegue determinar todos os usos de seu produto, pois define
claramente, por meio da forma, qual a sua função e o que ele deve desempe-
nhar.

75
atividades de estudo

3. As empresas de móveis diferenciam-se sob aspectos como: tipo de produ-


to, características de produção e tamanho da indústria. Conhecendo a forma
como essas empresas organizam-se, é correto afirmar que:
I. O organograma e o fluxograma funcionam como representações visuais das
hierarquias de trabalho e das rotinas de produção, respectivamente.
II. O sistema de produção enxuta só é possível em grandes empresas, pois ga-
rante o volume e o estoque de mercadorias.
III. A produção sob medida otimizada visa à padronização e à intercambialidade
das peças, melhorando os processos produtivos e diminuindo desperdícios.
IV. O modelo Poka Yoke propõe dispositivos no design das peças, dispositivos es-
ses que tornam claras as montagens, buscando diminuir os erros.

Podemos afirmar que:


a. Somente as alternativas I e IV estão corretas.
b. Somente as alternativas II e III estão corretas.
c. Somente a alternativa III está correta.
d. Somente as alternativas I, III e IV estão corretas.
e. Nenhuma das alternativas está correta.

4. Löbach (2000) propõe que, na busca pela solução dos problemas de design,
uma das etapas consiste, entre outros aspectos, na análise das funções, das
estruturas e das configurações dos produtos. Com base no que estudamos,
relacione essas análises à importância de se entender os componentes do
mobiliário.
5. Das estruturas de um mobiliário, a caixa é o modelo mais simples, resistente e
versátil. A respeito desta estrutura, comente sobre os seus elementos cons-
trutivos: lateral, base, topo, sarrafos e fundo, destacando as suas funções.

76
LEITURA
COMPLEMENTAR

CONCEITOS DO 5S

O 5S tem como intuito promover no local de trabalho a organização, disciplina e limpeza,


tornando um ambiente de trabalho agradável, seguro e produtivo. O método desperta a
importância do trabalho em equipe, gerando pessoas motivadas, contribuindo com ideias
novas e renovadoras, reduzindo custos, melhorando a qualidade e evitando o desperdício.
Capaz de modificar o humor, o ambiente de trabalho, a maneira de conduzir as atividades
rotineiras e as atitudes (SILVA, 1994).
Como uma grande parte dos gestores não consegue enxergar a abrangência do programa
5S, em muitas ocasiões, a implantação dessa metodologia é vista como uma grande “faxina”,
permitindo a perda do que é considerado de mais valioso: mudança de valores. Para que
essa mudança aconteça, é importante que todos participem e tenham disponibilidade para
mudar. Segundo Falconi (2004), o programa 5S não é somente um evento episódico de lim-
peza, mas uma nova maneira de conduzir a empresa com ganhos efetivos de produtividade.
O nome 5S vem de cinco palavras japonesas iniciadas com a letra “S”, tomando como alternati-
va, em português, a utilização do termo “Senso”, são eles: Senso de Utilização ou Descarte; Sen-
so de Arrumação; Senso de Limpeza; Senso de Saúde ou de Higiene; Senso de Autodisciplina.
a) Senso de Utilização (Seiri): consiste em distinguir itens necessários e desnecessários
com base no grau de necessidade, que determina onde o item deverá ser guardado ou des-
cartado. Itens utilizados com distância maior que seis meses são considerados de uso raro
e podem ser descartados. Já os utilizados entre dois e seis meses são tidos como ocasio-
nais, e a probabilidade de descarte é alta. Enquanto os utilizados frequentemente podem
ser divididos em uso horário até diário ou semanal, e são indispensáveis.
b) Senso de Arrumação (Seiton): consiste em definir a forma e identificação da armazena-
gem, bem como a quantidade e a distância do ponto de uso. Fatores como frequência de uso,
tamanho, peso e custo do item influenciam nessa definição. Segundo Habuet al (1992), o sen-
so de arrumação é fazer com que as coisas necessárias sejam utilizadas com rapidez e segu-

77
LEITURA
COMPLEMENTAR

rança a qualquer momento. Significa estabelecer um padrão ou arranjo das partes, seguindo
algum princípio ou método racional. Popularmente, seria “cada coisa no seu devido lugar”.
c) Senso de Limpeza (Seiso): significa muito mais do que melhorar o aspecto visual de um
equipamento ou ambiente. Significa preservar as funções do equipamento e eliminar riscos
de acidente ou de perda da qualidade. Eliminação das fontes de contaminação, utilização
de cores claras e harmoniosas e o revezamento nas tarefas de limpeza, contribuem para
a motivação e a manutenção deste senso. Segundo Osadaet al (1998), a sistematização da
limpeza pode se dividir em três partes: 1. Nível macro, que é a limpeza de todas as áreas; 2.
Nível individual, que seria a limpeza de áreas específicas; e 3. Nível micro, limpar as partes
dos equipamentos específicos.
d) Senso de Saúde e de Higiene (Seiketsu): segundo Badke (2004), o Senso de Saúde signi-
fica criar condições favoráveis à saúde física e mental, garantir um ambiente não agressivo
e livre de agentes poluentes, manter boas condições sanitárias nas áreas comuns (banhei-
ros, cozinha, restaurante etc.), zelar pela higiene pessoal e cuidar para que as informações
e comunicados sejam claros, de fácil leitura e compreensão. Além da ênfase ao cuidado
e ao asseio com uniformes, com ferramentas e com os objetos e utensílios utilizados no
setor de trabalho ser o ponto marcante desse senso. Temos como exemplos: uso de EPI -
Equipamento de Proteção Individual; sinalização de lugares perigosos com placas; ter bom
relacionamento dentro da equipe; ler e respeitar as recomendações de segurança para uso
dos equipamentos; adotar e facilitar as práticas de higiene pessoal.
e) Senso de Autodisciplina (Shitsuke): esse conceito prega a educação e a obediência às
regras de trabalho, principalmente no que se refere à organização e segurança. É uma mu-
dança de conduta que assegura a manutenção dos demais sensos, já implantados.

78
LEITURA
COMPLEMENTAR

Benefícios do programa

Uma das metas do programa é mudar a maneira de pensar das pessoas na direção de um
melhor comportamento, de comprometimento não somente com o seu trabalho, mas ado-
tar mudanças para a vida. Não deve ser um acontecimento episódico, deve se tornar uma
nova maneira para a contribuição de benefícios para a organização, como maior produtivi-
dade devido à redução de tempo despendido na busca por objetos, redução de despesas,
sendo que os materiais serão melhor aproveitados, diminuição de acidentes de trabalho e
colaboradores mais satisfeitos também são propósitos essenciais do programa 5S.
Segundo Martins et al. (2007), dos benefícios alcançados com o programa 5S, em geral,
destacam-se:
• minimização de quantidade de materiais, mobiliário e equipamentos em desuso
nas áreas de trabalho;
• maior disponibilidade de espaço e melhor distribuição ambiental;
• redução de desperdício;
• economia de tempo;
• redução de acidentes;
• reaproveitamento de materiais;
• incentivo ao trabalho em equipe;
• melhoria da qualidade do ambiente de trabalho;
• melhoria da organização e da limpeza do ambiente de trabalho.

Fonte: Oliveira et al. (2015).

79
material complementar

Indicação para Ler

Design para um Mundo Complexo


Rafael Cardoso
Editora: Cosac Naify
Sinopse: Nesse livro, Rafael Cardoso centra nos dilemas da contemporaneidade,
atualizando a discussão sobre o papel do designer na sociedade e questiona as
noções básicas do design como forma e função, demonstrando as relações entre
significado, ciclo de vida e a mutabilidade do artefato.
Comentário: Esse livro é fundamental para o designer atual, uma leitura fácil e
apaixonante que questiona a atividade do designer e as propriedades do artefato
em um mundo contemporâneo complexo.

Indicação para Assistir

2001 - Uma Odisséia no Espaço


1968
Sinopse: Esse filme mostra uma realidade utópica desde a “Aurora do Homem” (a
pré-história). Um misterioso monolito negro parece emitir sinais de outra civiliza-
ção, interferindo no nosso planeta. Quatro milhões de anos depois, no século XXI,
uma equipe de astronautas liderados pelo experiente David Bowman (Keir Dullea)
e Frank Poole (Gary Lockwood), é enviada à Júpiter para investigar o enigmático
monolito na nave Discovery, totalmente controlada pelo computador HAL 9000.
Entretanto, no meio da viagem, HAL entra em pane e tenta assumir o controle da
nave, eliminando os tripulantes um a um.
Comentário: Esse filme retrata como era pensada a sociedade do futuro nos anos
60. É interessante observar como os cenários e os mobiliários do filme refletem a
ideia futurista de uma sociedade avançada.

Indicação para Acessar

Jader Almeida - Designer


Nesse vídeo, você pode acompanhar Jader Almeida, um dos grandes designers de mobiliário no Brasil
hoje, e o seu cuidado com o desenvolvimento dos produtos, além da técnica e do simbolismo empre-
gados. O designer fala sobre a importância do design brasileiro no cenário mundial e também sobre as
suas inspirações. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=uNnDtN17Oog>.

80
referências

BÜRDEK, B. E. História, Teoria e Prática do Design de Produtos. 2. ed. São Paulo:


Blucher, 2010.
CARDOSO, R. Design para um mundo complexo. São Paulo: Cosac Naify, 2012.
CESTARI, G. Das faces complexas e provocativas do projeto, da expressão disto e
que chamamos de mundo. Revista Discursos Fotográficos, Londrina, v. 9, n. 15, p.
221-227, jul./dez. 2013.
DORMER, P. Os significados do design moderno: a caminho do século XXI. Porto:
Bloco Gráfico Ltda., 1990.
LÖBACH, B. Design industrial: bases para a configuração dos produtos industriais.
São Paulo: Edgard Blücher, 2000.
MOURA, J. D. M. et al. Qualidade e processo produtivo da madeira para utilização
em mobiliário. Londrina: UEL, 2012.
OLIVEIRA, R. S. S. et al. Proposta de aplicação da metodologia 5s: um estudo de caso
em uma empresa de manutenção de motocicletas no Cariri paraibano. In: ENEGEP -
ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO - PERSPECTIVAS
GLOBAIS PARA A ENGENHARIA DE PRODUÇÃO. 35, 2015, Fortaleza. Anais…
Fortaleza: ENEGEP, 2015. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/
TN_STP_207_232_28477.pdf>. Acesso em: 9 mar. 2018.
PYE, D. The Nature and Aesthetics of Design Cambridge: Cambridge University
Press, 1968.

REFERÊNCIAS ON-LINE
1
Em:<https://www.historycrunch.com/working-conditions-in-the-industrial-revo-
lution.html>. Acesso em: 9 mar. 2018.
2
Em: <http://blog.radissonblu.com/the-birth-of-the-egg/>. Acesso em: 9 mar. 2018.
Em: <http://www.crwconsultoria.com.br/sistema-toyota-producao>. Acesso em: 9
3

mar. 2018.

81
gabarito

1. D.
2. C.
3. D.
4. Os componentes dos mobiliários permitem uma gama incrível de configura-
ções estéticas e estruturais que podem ser combinadas para satisfazer os ob-
jetivos, sejam visuais (semântico-estéticos) ou funcionais (pragmáticos), por
isto, é fundamental que conheçamos as qualidades físicas e as funções que
cada peça pode desempenhar para que, em um conjunto estrutural comple-
xo, possam dar forma ao design.
5. Laterais: função de estrutura e fechamento lateral, determina a altura e a pro-
fundidade da peça. Por ser um material estrutural, a sua espessura precisa
suportar o peso a que se destina. No caso de móveis residenciais, é comum
o uso para todo o módulo de painéis de 15-25 mm de espessura, entretanto,
móveis populares podem ser feitos com materiais mais finos (12 mm). Topo: é
uma peça na mesma medida que a base, tem a função de fechamento total do
topo do nicho, usado em armários altos, armários superiores/aéreos, guarda-
-roupas e qualquer peça que se deseje fechar todo o topo do nicho. Sarrafos:
peças de travamento superior e traseiro do nicho, usados no topo de balcão,
na horizontal ou na vertical, para o travamento da frente e parada das portas
e, no fundo, para a estabilidade do nicho, podendo ser instalado por trás do
painel de fundo. É utilizado quando se coloca um tampo externo (do mesmo
material ou não), como tampo de pia de granito, ou tampo de mesa que passe
dos módulos.

82
UNIDADE
III
PROCESSOS PRODUTIVOS

Professora Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• Produzindo com madeira natural
• Produzindo com painéis de madeira
• Produzindo com metal na movelaria
• Produzindo com materiais sintéticos

Objetivos de Aprendizagem
• Compreender processos produtivos de móveis de madeira natural.
• Compreender técnicas de produção e processos produtivos de
móveis de painéis de madeira pré-composta.
• Compreender processos produtivos de peças de aço para
movelaria.
• Compreender processos produtivos para materiais sintéticos.
unidade

III
INTRODUÇÃO

O
lá, caro(a) aluno(a)! Começamos a terceira Unidade do livro da dis-
ciplina de design de produtos. Nesta unidade, temos como objetivo
principal compreender a complexidade e a importância dos proces-
sos produtivos nas soluções de design para um novo produto.
Desde os anos 90 que as empresas brasileiras têm percebido a importân-
cia de aliar o design à engenharia de produtos. Estes dois componentes são
fundamentais para criar um diferencial competitivo. As empresas têm, então,
investido não somente apoiadas no custo, mas também na qualidade, na ma-
nufaturabilidade e na atratividade ao consumidor
O designer deve considerar que as principais ligações entre materiais e
forma surgem a partir de limitações que as matérias-primas possam suportar
(ASHBY; JOHNSON, 2011). Respeitando essas características, cada material
exige uma forma de manipulação específica para ser transformado em uma
peça de design. Por isto, é tão importante compreender as técnicas preexisten-
tes e os processos de produção que foram desenvolvidos para a marcenaria e
que podem, de uma forma ou de outra, determinar o design de um mobiliário.
Primeiramente, vamos conhecer o processo produtivo da madeira. Visar
a cada parte da transformação desta matéria-prima, desde a extração na na-
tureza, o processo de corte e secagem das toras, assim como os processos dos
mobiliários que utilizam a madeira natural para confecção das peças. Na se-
quência, veremos os produtos compostos, como painéis de MDF, MDP e com-
pensado. Acompanharemos o processamento desses materiais na fábrica, al-
guns sistemas de cortes e especificidades que otimizam a produção moveleira.
Por fim, vamos explorar diversos processos produtivos de mate-
riais, como o aço, a fibra de vidro e o plástico para o ramo moveleiro.
Estas abordagens são feitas para que o projeto de design possa ser o
mais assertivo e inovador possível.


Produzindo com
Madeira Natural
A madeira natural já foi a base primordial do mobi- A indústria moveleira depende do corte de árvores
liário em geral. Esta produção dependia de uma ex- de médio porte para a obtenção de tábuas com lar-
ploração da floresta nativa ou plantada. Entretanto, guras maiores, com estabilidade vertical e a mínima
com o avanço das lâminas de compensado e do aço quantidade de nós e de manchas nos veios da peça.
no início do século XX, vimos uma transformação Existem vários tipos de madeiras para funções
da indústria moveleira e, por fim, as chapas de MDP distintas na movelaria. Uma das mais comuns é a
e de MDF sedimentaram a forma como utilizamos a madeira pinus. Segundo Moura et al. (2012), o Pinus
madeira na maioria dos móveis atualmente. Taeda (Pinus Elliotti) vem sendo plantado há mais de

88
DESIGN

um século no Brasil, e seu principal uso é como fon- CLASSIFICAÇÃO DAS TORAS
te para as indústrias de madeira serrada e laminada,
chapas e resina. Mesmo para o seu uso contempo- A classificação das toras é feita conforme o diâmetro
râneo, ainda é necessário um cuidadoso estudo no médio da peça. A árvore é dividida em três partes: o
corte da tora para se obter pranchas mais largas ou diâmetro da ponta fina (mais próximo aos galhos), o
maiores, conforme a possibilidade do material. diâmetro médio (a média entre o diâmetro da ponta
grossa e da ponta fina) e o diâmetro da ponta grossa
SAIBA MAIS (mais próximo da base da tora). A tabela a seguir
demonstra a classificação e os destinos para as dife-
Você conhece o Selo FSC? rentes dimensões de toras.
O FSC, Forest Stewardship Council (Conselho
de Manejo Florestal), é uma certificação de um
órgão independente que fiscaliza as condições
de plantio e de manejo das florestas, além CORTE
da sua cadeia de custódia, como serrarias,
fabricantes ou designers (MOURA et al., 2012). Ao chegar à indústria, os caminhões com a madeira
Isto é, este selo garante que o manejo da flo-
resta está sendo feito de maneira sustentável, são pesados (na entrada e na saída) para o controle
com trabalhadores em ambientes seguros e da matéria-prima. Na sequência, as toras são empi-
dignos. Exigem um alto controle e rastreabi- lhadas e aguardam o desdobro.
lidade das peças, garantindo a manutenção
da floresta e a origem dos materiais. O desdobro consiste na retirada das camadas
externas da tora em madeira serrada, com o proces-
Fonte: adaptado de Moura et al. (2012).
samento de toras elípticas ou circulares para peça
retangular. As peças passam por um conjunto de

CLASSIFICAÇÃO DE TORAS
CLASSE DIAMÉTRICA (cm) DESTINAÇÃO

3a8 Energia (biomassa).

8 a 18 Celulose/Particulados (MDF/MDP).

Madeira serrada linha estreita: para embalagens, móveis ou lamina-


18 a 25
ção.

Serraria linha média: para embalagens, móveis, molduras, construção


25 a 35
civil e forte laminação.

35 a 45 Serraria linha larga: para construção civil, molduras e embalagens.

45 acima Construção civil e lâminas faqueadas.

Quadro 1 - Classificação de toras


Fonte: Moura et al. (2012, p. 27).

89


máquinas que farão o corte da madeira em tábuas e, normalmente, não ser aparente, ele é indicado para
e pranchas com bitolas (espessuras) diferentes con- interior de estofados, para embalagens, entre outros.
forme a necessidade. A madeira serrada é distribu-
ída em grades e pronta para a secagem. Os resíduos SECAGEM
gerados são picados em cavacos para o abastecimen-
to de caldeiras ou separadas para a venda em outro Após o corte das peças, a madeira “verde” é submeti-
segmento industrial. da à secagem para a redução de seiva e água no mio-
lo das chapas. A secagem é um dos processos mais
TIPOS DE CORTE importantes do tratamento da madeira natural e as
suas principais vantagens são:
O corte radial é mais indicado para o uso em que a es-
tética, a resistência e a largura da madeira são impor- [...] redução da alteração das dimensões das
peças serradas; redução da umidade inicial da
tantes, como peças de madeira aparente com design de
madeira; redução dos custos de transporte; re-
alto padrão etc. O corte tangencial é mais indicado para dução do ataque de fungos manchadores e apo-
economia de custo e agilidade. Por ser mais em conta drecedores; melhoria na eficiência de tratamen-

TIPOS DE CORTE LONGITUDINAL


TANGENCIAL RADIAL
É o corte feito longitudinalmente, perpendicular aos É o corte feito longitudinalmente e paralelo aos raios
raios medulares. medulares.
Aplicado para todas as toras e de qualquer diâmetro. Aplicado para toras com diâmetros superiores a 50 cm.
Mais fácil de obter. Mais difícil de obter.
Maior rendimento de madeira serrada por Menor rendimento de madeira serrada por hora-máqui-
hora-máquina ou hora-homem. na ou hora-homem.
Superfícies apresentando desenhos parabólicos, Permite aproveitar as qualidades estéticas de madeiras
angulares ou elípticos. que possuem raios lenhosos largos ou grã-espiraladas.
Peças menos resistentes estruturalmente. Peças mais resistentes estruturalmente.
Contração menor na espessura. Contração maior na espessura.
Contração no sentido do comprimento é maior. Menor contração na largura.
Em madeira suscetíveis ao colapso, este apresenta-se Em espécies propensas ao colapso, este é mais frequen-
em menor proporção em superfícies tangenciais. te e mais marcante em peças radiais.
Maior encanoamento. Menor encanoamento.
Menos estáveis durante a secagem. Mais estáveis durante a secagem.
Permitem a passagem de líquidos. Não permitem a passagem de líquidos.
Menor valor comercial. Maior valor comercial.

Quadro 2 - Tipos de corte longitudinal


Fonte: Moura et al. (2012, p. 29).

90
DESIGN

tos com produtos de proteção ou acabamento • Classe nº 2: para o uso de aplicações em edi-
superficial, melhoria na aderência em produtos ficações em geral e que requer valores mode-
colados; melhoria na fixação em juntas prega- rados de resistência e rigidez.
das ou parafusadas; melhoria nas propriedades
• Classe nº 3: recomendada para edificações
de isolamento térmico acústico e de eletricida-
que permitem valores baixos para proprieda-
de (MOURA et al., 2012, p. 37).
des de resistência e rigidez, e cuja aparência
não é um fator importante (o caso de emba-
Esse processo pode ser feito ao ar livre, o que deman- lagens e de camas de pallets).
da mais mão de obra, espaço físico e tempo, ou em A seguir, trazemos uma lista desenvolvida por Mou-
estufas com o controle exato de umidade e de tem- ra et al. (2012) sobre os aspectos que são considera-
peratura para cada tipo de madeira, o que exige uma dos para a classificação do pinus e que podem servir
estrutura industrial mais avançada, porém, a veloci- de exemplo para outros tipos de madeira, ou defei-
dade e o volume de produção são muito maiores. tos ou condições limites admissíveis.
É no processo de secagem que aparecem os prin- • Encurvamento: curvatura da peça ao longo
cipais defeitos das peças de madeira, podendo ser do comprimento, com curvatura no plano
provocados pela qualidade do material, assim como maior da face.
pelo próprio processo de secagem. Segundo Burger • Encurvamento complexo: encurvamento da
peça com curvaturas para lados contrários.
e Ritcher (1991), dentre esses defeitos, um muito co-
• Torcimento: uma extremidade da peça gira
mum é o empeno, que se caracteriza pelas curvatu-
para o lado contrário ao da outra extremidade.
ras da madeira em relação ao seu plano original.
• Arqueamento: curvatura da peça ao longo do
comprimento, com a curvatura no plano me-
Classificação da madeira nor da face.
• Encanoamento: curvatura da peça ao longo
Uma vez secas, as peças são selecionadas individu- da largura.
almente e analisadas pela classificação visual e não • Esmoado: quina da peça de madeira danifica-
destrutiva da madeira. Essa classificação divide a da por qualquer motivo.
peça em quatro grupos de qualidade, separando • Rachaduras: aberturas lineares na peça. Po-
pela quantidade aceitável de defeitos na peça. Estas dem ser somente superficiais ou podem atra-
características, além de alterarem a estética da peça, vessar a espessura da peça.
vão exigir tratamentos diferentes dentro da produ- • Bolsa de resina: buracos na madeira preen-
chidos por resina.
ção para o seu aproveitamento. Dependendo do ní-
• Furos de insetos: furos na madeira causados
vel de defeitos, a peça é classificada como apresenta-
por insetos. Podem ser ativos, ou seja, ainda
do a seguir.
estão ocorrendo atividades desses insetos no
• Classe Estrutural Especial EE (classe estru- buraco; ou inativos, ou seja, inseto abando-
tural especial) e Classe nº 1: para o uso que nado ou morto.
requer resistência e rigidez, assim como boa
• Galeria: escavação (caminhos/túneis na ma-
aparência.
deira) feita por insetos.

91


• Medula: parte central do tronco, onde os teci-


especializada, que consegue perceber os detalhes de
dos de madeira são menos resistentes.
cada peça e aproveitar melhor o material para tirar o
• Fendilhado: conjunto de fendas e de arra-
nhões na peça. desenho projetado.
• Madeira ardida: um tipo de podridão.
• Grã-entrecruzada: quando a grã da madeira Corte
muda de direção ao longo da peça.
• Mancha azul: descoloração ou escurecimento O marceneiro escolhe o pranchão de madeira com
causados por mofo ou por substâncias químicas. comprimento, largura e espessura suficientes para a
• Nós: são as marcas de um galho que ficam na peça desejada. Ele segue um gabarito feito previa-
chapa de madeira, eles podem ser simples nós mente a partir do projeto de design, garantindo o
de espora (máximo 3 mm); nós de gravata, ou padrão das peças em série.
firmes, que, mesmo com a secagem da madei-
ra, não caem da peça (no corte, apenas será Serra Circular
mais difícil de cortar, mas não se desprendem
da chapa); nós soltos (na secagem, despren-
dem-se da chapa e terão que ser preenchidos
com massa ou batoques de madeira); nós va-
zados, que estão localizados na lateral da cha-
pa e fazem um buraco na peça (dependendo
do tamanho, este diâmetro do nó terá que ser
retirado por todo o comprimento da peça).

REFLITA

Tupia Manual
Peças do mesmo tipo podem ter grandes va-
riações físicas e mecânicas. É necessário fazer
a classificação visual das madeiras, separando
as peças por grupos de qualidades distintas,
facilitando o destino para usos específicos.

(Jorge Daniel de Melo Moura)

PROCESSO DA MADEIRA DENTRO DA IN-


DÚSTRIA MOVELEIRA

Uma vez selecionada, a madeira fica estocada na in- A prancha passa por máquinas de desempeno e de-
dústria, pronta para a sua utilização. A sua transfor- sengrosso, que consistem em procedimentos para
mação dentro da produção exige uma mão de obra estabilizar a espessura da madeira e aplainar a peça,

92
DESIGN

retirando qualquer curvatura ou desnível. Para cor- Torneamento e entalhe


tes retos, é comum utilizar serras circulares e, para
design angular, curvilíneos ou orgânicos, utiliza-se a O torno e o entalhe são ferramentas antigas da produ-
tupia, a serra de fita ou o corte automático em máqui- ção de móveis, mas que não perdem a sua importân-
nas CNCs (Comando Numérico Computadorizado). cia e seu charme. O torno consiste em uma máquina
que gira, em alta velocidade, uma peça de madeira
Plaina presa ao seu eixo central, com o uso de formões tipo
goiva - uma ferramenta com a ponta côncavo-conve-
Apesar do corte, alguns desenhos precisam de um xa de metal afiado, com o corte do lado côncavo, que
cuidado refinado. A plaina faz, então, a retirada se- consegue talhar os contornos das peças de madeira,
quencial de lascas da madeira para afinar um deta- metal ou pedra -; o marceneiro retira pouco a pou-
lhe ou suavizar a curvatura de um pé, por exemplo. co as lascas do material uniformemente. Deste modo
A plaina manual ou uma máquina copiadora con- ele consegue fazer cilindros perfeitos e desenhos ar-
seguem fazer este desbaste fino, pouco possível de redondados na extensão do comprimento da peça.
ser feito com as serras. Após este procedimento, é Máquinas copiadoras repetem o desenho a partir de
necessário o lixamento total da peça para obter o um gabarito ou de um modelo computacional, po-
acabamento macio e uniforme. dendo tornear várias peças ao mesmo tempo.

93


O entalhe consiste no uso de formões retos e goivas Dobra a vapor


que esculpem a madeira e criam desenhos diversos
com a possibilidade de detalhes milimétricos que, Caro(a) aluno(a), ao tratar sobre o processo de dobra
por sua vez, evidenciam o trabalho artesanal e dife- a vapor, precisamos lembrar de Michael Thonet. Um
renciam uma peça da outra. artesão alemão, nascido em 1796, e que revolucio-
nou o uso da madeira na movelaria. Thonet explorou
as complicadas propriedades técnicas do material e
as suas limitações de flexibilidade, desenvolvendo
uma nova forma de design que excedeu a novidade.
A técnica consiste em inserir varas ou tábuas de
madeira (Thonet preferia a faia) em um forno de
autoclave, que controla a pressão, o vapor e o calor
interno. Este processo torna flexível a resina ao re-
dor das fibras da madeira e, após saírem do forno,
as peças são envergadas conforme os moldes de aço
e sustentadas por presilhas, seguindo para a cura. A
resina endurece depois da secagem e consegue man-
Uma máquina CNC utiliza fresas, brocas ou laser que ter as fibras da madeira firmes e, assim, esta nova
conseguem fazer o corte e o entalhe de forma automá- peça não perde mais a forma. As principais vanta-
tica. Normalmente, essa máquina tem um limite mí- gens desse processo são:
nimo de 3 mm (dependendo da ferramenta), e tam- • a peça é própria para a produção em série, é
bém é uma excelente opção para desenhos orgânicos, pensada em partes individuais desmontáveis,
oferecendo a otimização de tempo, de volume de pro- além de adaptar-se ao padrão dos moldes;
• é extremamente resistente e estável;
dução e de padronização dos desenhos. No entanto,
• uma vez seca, a peça não perde mais o seu
ela não possui aquelas marcas naturais da evidência da
formato;
mão humana que dão valor a um produto artesanal.
• por sua flexibilidade, a técnica possibilita de-
senhos orgânicos belíssimos e muito do que
conhecemos da Art Nouveau foi resultado da
descoberta da dobra a vapor.

A empresa Thonet foi uma das maiores indústrias


de móveis durante a Revolução Industrial e continua
até hoje atuando em diversos países do globo. A ca-
deira modelo 214, lançada em 1859, ainda é vendida
e continua sendo um dos objetos de maior sucesso e
longevidade de vendas no ramo do design. A seguir
temos uma cadeira estilo Thonet.

94
DESIGN

Na sequência, é feito os lixamentos grosso e fino, e a


peça é separada para a montagem antes da pintura.

Pintura

O acabamento das peças de madeira natural, de


lâmina de madeira ou de madeira recomposta
(MDF cru ou compensado) é ponto fundamental
na qualidade final do produto, por isso, é necessá-
rio uma série de cuidados, muitas vezes manuais,
para garantir que a peça fique protegida das in-
tempéries do tempo, além de oferecer a ela uma
Figura 1 - Cadeira modelo 214
estética fina e de grande valor.
Fonte: Shutterstock

Pré-acabamento
SAIBA MAIS
Faz-se o desbaste, eliminando marcas deixadas
Conheça o processo de fabricação de uma pelas máquinas de corte ou os pequenos nós e de-
cadeira Thonet. No link do vídeo a seguir há feitos na madeira, desníveis, farpas, ondulações
vários processos que apresentamos nesta etc. Neste ponto, são passadas massas (coloridas
unidade. Observe o processo de dobra da ma-
deira que passou pelos fornos de autoclave, ou com tom acinzentado) para cobrir as imperfei-
pelos moldes e pelas prensas, a extrusão da ções e, depois, a peça é inteiramente lixada para
madeira, a pintura, entre outros processos. deixar a superfície lisa e homogênea.
Disponível em: < https://www.youtube.com/
watch?v= QovhXq9-MDU>.

Fonte: a autora.

Furação e preparo para montagem

Após as operações de corte, são feitas as furações


para cavilhas ou rebaixos para os encaixes entre pe-
ças. Os padrões dos furos e as profundidades devem
ser adequados para, juntamente com cola, travarem
as peças com pressão.

95


cor da madeira natural se sobressai, não tem


Acabamento de pintura cheiro, seca mais rápido e tem maior resistên-
cia à abrasão do que os produtos à base de
Na fase de acabamento, a peça deve estar total- solvente. Entretanto, os vernizes só possuem
mente pronta, ou seja, ela não vai passar por ne- acabamento fosco ou acetinado; para um
nhum outro processo a não ser o próprio acaba- acabamento de alto-brilho, é necessário o uso
mento. Primeiramente, será feita a cobertura da do verniz à base de solvente.
peça com a seladora, cuja função é fechar os poros • O tingimento consiste na alteração da cor da
madeira por meio de pigmentos que ainda
da madeira e proteger contra a umidade. Depois
conservam o aspecto dos veios naturais da
de lixado, isto facilita a aplicação dos demais pro-
peça. É muito utilizado para “enobrecer” ma-
dutos. Os acabamentos mais utilizados são cera, deiras claras mais comuns, as tingindo com
envernizamento, tingimento e laqueação. tons de nogueira, imbuia etc. O tingimento
• A cera de carnaúba, o mel de abelha ou a para- não tem brilho e nem protege a peça, neces-
fina promovem um aspecto natural. Podem im- sitando, posteriormente, de acabamento com
permeabilizar a peça, além de destacar os veios seladora, cera ou vernizes.
da madeira com aspecto fosco ou de semibrilho. • A laca, diferente dos demais acabamentos,
• Os vernizes são acabamentos feitos de resinas colore a superfície da peça, mudando total-
à base de solvente ou à base d’água e, quan- mente a sua aparência. É necessário o uso de
do aplicados à superfície, impregnam (ver- primer (uma forma de selador de fundo espe-
niz stain- polisten) ou formam uma película cífico para lacas) e a aplicação de camadas su-
(verniz marítimo) que protegem a madeira. cessivas de cor, intercaladas por lixamento da
Em termos de durabilidade, o verniz à base peça. Ela pode ter acabamento acetinado ou
d’água não amarela; na exposição à luz, a de alto-brilho, dependendo da especificação.

96
DESIGN

Para conhecer um pouco mais sobre os processos de Estofamento


pintura, convido você a conferir o vídeo presente no
QR Code a seguir, pois ele ilustra o passo a passo O estofamento é uma sub-rotina em uma empre-
de forma simples e clara. Lembrando que esse vídeo sa de móveis. No caso de cadeiras, os assentos e
tem o aspecto mais artesanal, então, em uma indús- os encostos são feitos, normalmente, em chapa de
tria, a pistola de pintura com ar pressurizado garante compensado, que é prensada em um molde para
maior rapidez e qualidade ao processo. curvar a peça e dar conforto ao usuário. Na fábri-
ca, eles são colados às espumas por meio da cola
de contato, e o tecido é grampeado à placa de ma-
deira ou é costurado manualmente, dependendo
do processo ou da qualidade que a empresa queira
Entenda como é feita uma dar. Neste ponto, as peças da estrutura já foram
pintura assistindo ao vídeo. processadas e acabadas na pintura, assim, já po-
Para acessar, use seu leitor dem ser unidas aos estofados preparados.
de QR Code.

Pré-montagem e embalagem

Finalizado o processo de produção, as


peças serão separadas em conjuntos de
módulos com os seus respectivos compo-
nentes de montagem. As embalagens, em
geral, consistem em proteger as pontas
das peças com cantoneiras de plástico ou
de papelão, envoltas em filme plástico ter-
mossensível ou em plástico-bolha e, por
fim, colocadas em caixas de papelão ou
em pallets, e reservadas para entrega.
Muitas empresas optam por oferecer o
mobiliário pré-montado para diminuir o
tempo de entrega do produto. O mais co-
mum é a pré-montagem de gaveteiros, pois
eles possuem muitas peças e requerem
mais tempo de fixação e de regulagens.

97


Produzindo com
Painéis de Madeira
Os painéis de madeira facilitaram o processo produ- bilidade, podendo ser cortadas ou usinadas para dar
tivo para a indústria moveleira. Diferentemente das estrutura ao mobiliário em geral.
peculiaridades individuais das peças de madeira na- As características das chapas, como: acabamen-
tural, eles garantem a padronização das chapas, a le- to, composição, espessura, largura e comprimento
veza e a estabilidade das peças produzidas em série. seguem padrões convencionados e variam conforme
Os painéis mais comuns hoje são: compensado, seu uso ou função.
MDF (Painel de Fibra de Média Densidade), MDP A transformação das chapas no processo pro-
(Painel de Partícula de Média Densidade) e OSB dutivo consiste, de forma geral, em corte, lamina-
(Painel de Tiras de Madeira Orientadas) que, por ção, bordeamento, usinagem, pintura (conforme o
sua vez, são chapas planas de média à excelente esta- caso), limpeza, pré-montagem e embalagem. Muitas

98
DESIGN

chapas, como MDF e MDP, vêm de fábrica com o O maquinário utilizado para o corte são as serras
acabamento final na superfície do painel, sem a ne- (de bancada ou de mão), seccionadoras semiauto-
cessidade de ser laminadas com melamina ou com máticas, ou de pinça, e centros de usinagem (CNC).
lâmina de madeira, saindo diretamente do corte As seccionadoras são as máquinas mais comuns na
para o bordeamento ou a usinagem. produção de móveis, realizam cortes lineares (retos)
e precisos com excelente acabamento. Serras manu-
O CORTE ais, tupias e CNCs permitem cortes mais orgânicos
ou angulares. No caso de corte em meia-esquadrias,
O corte consiste na secção dos painéis em peças em 45º graus. Algumas seccionadoras também têm
menores, seguindo as especificações do projeto de esta função, entretanto, não é o padrão.
design, que são, por sua vez, detalhadas em milíme- Vamos a um exemplo prático. Observe esta cozi-
tros. A maioria das máquinas cortam em uma linha nha modular apresentada na Figura 2.
reta que cruzam todo o painel.
Compreender isto é importan-
te, tendo em vista que, no pla-
nejamento, procura-se obter a
maior quantidade de peças com
o mínimo de desperdício possí-
vel. Este processo é conhecido
como otimização da chapa.
No departamento de P&D
(Pesquisa e Desenvolvimento),
desenvolve-se um desenho de
como a chapa deverá ser cor-
tada, além de uma listagem das
peças que sairão daquele plano
de corte. Em pequenas empre- Figura 2 - Projeto de cozinha modular
sas, este projeto pode ser feito manualmente, mas ele Fonte: a autora.

sempre está presente de alguma forma. Em empresas


de médio porte, já é comum o uso de sistemas auto- São dois módulos basculantes superiores, um armá-
matizados que “otimizam” a chapa e geram etiquetas rio de duas portas e um gaveteiro com quatro gave-
para identificar as peças. Em grandes empresas, o ma- tas. O corpo dos módulos foi projetado em MDF 15
quinário já lê o plano de corte conforme o designer mm branco, fundos em MDF 6 mm branco, portas
programou, cabendo ao operador somente abastecer a e frentes de gaveta em MDF 18 mm bege. Uma vez
máquina com a chapa especificada. definido o projeto, o departamento de P&D otimiza

99


o corte e envia as fichas técnicas para fabricação e Neste caso, o primeiro corte separou a chapa
almoxarifado (separação dos materiais). em três grandes blocos. Após este passo, o operador
O programa distribui cada peça nas chapas de pega somente o bloco número 1, vira a chapa a 90º
2,75 x 1,83m conforme a espessura, calculando o graus na bandeja da máquina para começar o cor-
mínimo de desperdício possível. A sobra de material te número 2 e 3 na sequência. Essas peças do bloco
será aproveitada em outros projetos ou separada para número 1 estão prontas, são etiquetadas e separadas
reciclagem. Deste corte é gerado uma listagem e eti- para a fase seguinte da produção. O mesmo acontece
quetas para identificação peça a peça, além de uma com os demais blocos.
lista de compras/separação de material. Vamos ver de Note que o plano teve um aproveitamento ex-
perto a sequência de corte do MDF branco de 15 mm. celente da chapa com uso de 92% do material. No
Observe que os cortes longitudinais ou trans- entanto, o número de cortes foi de 45. Quanto mais
versais são sempre contínuos. A peça é cortada de peças iguais, menor será a quantidade de processos
ponta a ponta, pois a serra corre por toda a exten- de corte, por isso, é comum otimizar vários projetos
são da chapa. Por isto, a sequência de processos é de uma única vez, assim, o tempo de produção e o
importante. desperdício serão menores.

Figura 3 - Plano de corte


Fonte: a autora.

100
DESIGN

Vale destacar que, em painéis madeirados, o sentido bordas. Este processo pode ser feito manualmente
do veio determina as linhas de corte para manter o ou com máquinas de bordeamento automático.
desenho no mesmo alinhamento do padrão de aca- Uma coladeira de borda traciona a peça presa a
bamento na hora da montagem. Acarretando, assim, roletes e, em seguida, cola, refila e limpa um lado
maior desperdício na chapa, porém, ganha-se na por vez. Essa coladeira é um maquinário que econo-
apresentação final do produto. miza muito tempo e mão de obra numa produção.
Manualmente, é necessário passar a cola de contato
SAIBA MAIS na fita e no painel, esperar secar, unir os dois, refilar
e limpar lado a lado.
A otimização de chapa é o estudo do corte
dos painéis por meio de softwares ou ma- USINAGEM
nualmente, para melhor aproveitamento do
material, reduzindo o desperdício e a quan-
tidade de processos de corte. O processo de usinagem consiste em fazer as fura-
ções para encaixe das cavilhas, minifix, rebaixos para
Fonte: a autora.
dobradiças, canais para encaixe de fundo, rebaixo de
puxadores e demais usinagens que sejam necessá-
rias. Os maquinários para este processo são tupias
LAMINAÇÃO manuais ou de bancada (uso de fresas e brocas), fu-
radeiras manuais, furadeiras múltiplas e CNCs.
Após o primeiro corte, se um painel não possui aca- As furadeiras múltiplas possuem cabeçotes com
bamento em melamina, nos casos do MDF cru, da vários mandris em que se encaixam brocas e fresas
chapa de compensado etc., é feita a prensagem, por conforme a necessidade. A sua configuração é base-
meio de cola à base d’água ou cola de contato, das ada no Sistema 32 mm, que permite séries de fura-
lâminas de madeira natural, das madeiras pré-com- ção de maneira padronizada.
postas ou das melaminas de alta pressão. Esse sistema é um padrão de furação desenvol-
Uma vez seca, a peça volta para um segundo cor- vido na Europa que estabelece uma distância de 32
te (ou refilamento) para retirar os excessos de lâmi- mm entre o centro de um furo e o próximo, ou seja,
na ou de melamina. os furos serão calculados em múltiplos de 32 mm
no eixo vertical ou horizontal da máquina. Assim,
BORDEAMENTO é possível colocar várias brocas ao mesmo tempo e
manter um padrão de furação da peça.
Os painéis de madeira recomposta ou de compensa- A maioria dos componentes de móveis seguem
do não possuem acabamento nas laterais da chapa; esse sistema. Os pontos de fixação de uma dobra-
uma vez cortada, ela mostra o miolo do material. diça estão a 32 mm um do outro, o mesmo ocorre
Para proteger a peça contra a água e dar o acaba- em corrediças. Em armários em série, é comum ob-
mento fino, é colada uma fita em PVC ou ABS nas servar esse padrão na lateral das peças, para que o

101


cliente possa alterar a altura das prateleiras como for sim como Thonet, eles desafiaram os limites do
conveniente a ele. Para isto, é feito uma sequência de material e aprimoraram a técnica de moldagem
furos longitudinalmente, e com suportes encaixados com chapas de compensado.
nos furos, é fácil fazer a alteração da altura da peça. Em seu trabalho para as cadeiras DCW e LCW,
Este sistema aumenta as possibilidades de con- eles conseguiram fazer assentos e encostos curvos,
figuração das peças, diminui os processos de fabri- assim como peças componíveis por meio da nova
cação e facilita a montagem, padronizando os ga- técnica. Esta consiste em lâminas de compensado
baritos e diminuindo a necessidade de mão de obra que são colocadas entrecruzadas com cola, sendo
especializada (VALE, 2011, on-line)1. a última camada revestida com uma lâmina de ma-
deira natural decorativa. O conjunto é prensado em
uma fôrma matriz de aço que sela as camadas em
uma unidade firme e estável no formato escolhido.
Após este passo, a peça é cortada automaticamente
em uma máquina CNC, recebendo o seu desenho
final. São feitos também os rebaixos para os amor-
tecedores de borracha e o engate dos parafusos, se-
guindo para a pintura e o estofamento posterior.
A técnica da moldagem do compensado permitiu
uma incrível variedade de modelos de cadeiras com as-
sentos mais anatômicos e confortáveis que mantinham
a estética da madeira sem perder a qualidade estru-
tural. Observe, a seguir, a beleza da poltrona CH101,
criada pelo designer dinamarquês Hans Wegner.

Após o corte, o bordeamento e a usinagem, a peça,


geralmente, está pronta para a pré-montagem ou a
embalagem. No caso de painéis pintados ou com lâ-
mina de madeira, o painel passará pelo processo de
acabamento fino da peça, discutido no tópico sobre
produção com madeira natural.

MOLDAGEM DO COMPENSADO

Em 1945, Charles e Ray Eames desenvolviam no-


vas aplicações para o painel de compensado. As-

102
DESIGN

Produzindo com
Metal na Movelaria
O metal ganhou espaço na movelaria a partir do fi- da forma limpa do aço tubular cromado para criar
nal do século XIX, como pudemos observar no es- desenhos minimalistas e funcionais, combinando as
tilo Art Nouveau, com o uso do ferro fundido em suas peças com vidro, couro e madeira.
cadeiras, mesas e na arquitetura em geral. Mas é na
escola da Bauhaus que vamos ver o aço tubular ga- CORTE
nhar destaque e ser a base do mobiliário moderno.
O aço tubular promovia mais leveza do que o O metal permite uma série de metodologias para a
aço fundido, além da estabilidade e da facilidade na obtenção de peças de movelaria, por ser resistente e,
produção em série. Gênios do design, como Marcel ao mesmo tempo, moldável, alterável em sua com-
Breuer, Mies Van der Rohe e Eileen Gray abusavam posição primária (combinação de ligas metálicas) e

103


• Curvamento: é composto por rolos ou por


dobrável, entre outras características. Ele é um exce-
uma matriz rotativa que submete o tubo a
lente componente para a fabricação de peças indus- uma flexão. Esta determina a sua curvatura,
triais. Vamos abordar aqui alguns dos vários proces- atingindo o raio desejado (é o processo res-
sos da indústria metalúrgica. ponsável pela curvatura dos pés das cadeiras
fixas de escritório, por exemplo).
Estamparia de corte
• Corte por pressão (prensa guilhotina ou pren-
sa hidráulica): deslocamento de cima para bai-
xo de um punção (faca) contra a chapa de metal
em formato retilíneo ou com uma forma espe-
cífica, que fura a chapa e retira o desenho.
• Corte mecânico (serra, torno, fresa, esme-
ril): cortam ou perfuram o metal pelo mo-
vimento da ferramenta (vertical, circular ou
horizontal) contra a peça. No caso do esme-
ril, é composto por discos de pó de minerais
duros que, por abrasão, cortam o metal.
• Corte térmico (laser, oxi-combustível e plas-
ma): devido ao calor da reação de gases ex-
postos a processos químicos, elétricos ou de
alta pressão, a sua energia cria um raio que
corta o metal com facilidade.
• Corte por erosão: corte por jato d’água que
parte o metal por meio do fluxo contínuo de
água com mineral abrasivo.

CONFORMAÇÃO MECÂNICA

Segundo Lima (2006), a conformação consiste em


deformar as chapas, tubos e fios de metal para a
fabricação de produtos diversos. Dentre esses pro-
cessos, estão a dobra, o curvamento, a fundição e a
extrusão, entre outros. Caro(a) aluno(a), vamos co-
nhecer alguns desses processos.
• Dobra: consiste na pressão de um punção so-
bre a placa de metal que, por sua vez, man-
tém-se apoiada em uma matriz tipo V que
não corta a peça, mas altera o ângulo de dire-
ção do metal.

104
DESIGN

• Fundição: consiste no derretimento do metal


PINTURA
colocado em uma matriz/molde que forma a
peça em um bloco único.
• Extrusão: é o processo de pressão aplicado a Por ser um material corrosivo, as peças de metal de-
um bloco sólido de metal, que é pressiona- vem ser recobertas com camadas protetoras, seja de
do contra um molde menor, e este, por ca- tinta, seja de outra liga de metal mais durável.
lor, adapta-se ao novo desenho, formando Para móveis, é comum utilizar a pintura eletrostá-
barras leves e de grandes comprimentos (é o tica a pó, em que a peça é presa por um carrinho ro-
processo utilizado para fazer as esquadrias de tativo suspenso em uma estufa, é pulverizada com um
portas de vidro e os puxadores de perfil de
pó de tinta que recebe uma carga elétrica na pistola e,
alumínio, por exemplo).
quando aspergido, atrai-se ao metal e funde-se com a
peça, passando, em seguida, por uma cura de secagem.
SOLDAGEM O banho de metal é feito na união de um metal
com a cobertura de outro por meio de um processo
A soldagem é o processo de união entre peças de me- de eletrodeposição. Este processo consiste em uma
tal. Buscando forte aderência mecânica dos materiais, sequência de limpezas e de purificação das peças de
neste processo, é utilizado calor ou pressão para a sol- metal, que são mergulhadas em um banho conten-
da. A soldagem MIG (Metal Inert Gas) consiste em do água e o metal a ser depositado, juntamente com
um arco elétrico aberto entre as faces dos metais e um aditivos. Um destes aditivos é o ácido bórico em cor-
arame que é alimentado continuamente, sendo prote- rente elétrica, que faz o metal contido na água aderir
gido por um gás inerte ou por uma mistura de gases. à peça. Após esse processo, a peça é novamente lava-
O filamento de metal une as peças, que depois devem da para a remoção de resíduos. Um dos banhos mais
ser lixadas para suavizar as emendas (PORTAL ME- comuns é o banho de cromo, que oferece o brilho
TÁLICA CONSTRUÇÃO CIVIL, [2018], on-line)2. espelhado prata aos móveis.

105


Produzindo com
Materiais Sintéticos
Os materiais sintéticos correspondem aos mate- leno, espuma de estofados, tecidos com fibra sinté-
riais desenvolvidos artificialmente pelo ser humano tica, além de mecanismos de estrutura, de fixação e
ou que não são extraídos diretamente da natureza. muito outros que contribuíram para a variedade de
Dentre eles, encontramos os plásticos, o vidro, o formas, cores e usos, entre outras vantagens.
nylon e muitos outros que são produzidos a partir
de materiais diversos, sejam eles naturais ou previa- FIBRA DE VIDRO
mente transformados pelo ser humano.
Para a indústria moveleira, os materiais sintéti- A fibra de vidro é um material resistente e altamente
cos ampliaram toda uma gama de produtos, como moldável, sendo base para as primeiras cadeiras-con-
assentos de cadeiras em fibra de vidro e polipropi- cha, entre outros modelos, antes da descoberta do

106
DESIGN

o bico da injeção é cortado e as rebarbas são limpas.


Enfim, a cadeira está pronta.

plástico injetado. Para fazer um assento, finíssimas


fibras de vidro com uma resina aderente são asper-
gidas sobre um molde. Limpa dos excessos, a peça
vai para uma prensa com o mesmo molde, e sobre a
camada superior é despejado o pigmento da cor do O processo mais custoso para este tipo de produ-
assento. Uma vez prensados, o “colchão” de fibras e o to é o desenvolvimento das matrizes. Entretanto, é
pigmento unem-se, formando uma camada superior um sistema seriado extremamente produtivo, e por
lisa, colorida e homogênea, que pode ser limpa das sua simplicidade de produção e leveza dos materiais,
rebarbas de fibra, finalizando, então, a peça. substituiu, pouco a pouco, as peças de fibra de vidro,
sendo largamente utilizado nos dias atuais para uma
infinidade de produtos.

OUTROS MATERIAIS

No ramo do design, é muito comum serem emprega-


dos materiais diversos para compor os mobiliários,
além dos abordados nesta unidade, podemos citar o
vidro, o couro, o tecido, o bambu, as pedras, entre ou-
tros. Cada um com a sua particularidade e o seu pro-
cesso produtivo específico. E como vimos, muito do
PLÁSTICO INJETADO que utilizamos atualmente foi fruto do árduo traba-
lho de designers e de industriais que desenvolveram,
As cadeiras monobloco são fabricadas a partir da em conjunto, novas técnicas, exploraram novos ma-
injeção de grânulos de polipropileno termoplástico teriais e ditaram os novos rumos do design como um
colorido, aquecidos a cerca de 220 ºC e que são in- todo. Convidamos você também, caro(a) aluno(a), a
troduzidos no molde que distribui o plástico no for- buscar novos horizontes com muita coragem e deter-
mato especificado. Ao sair da prensa ainda quente, minação para inovar em sua atividade profissional.

107
considerações finais

Caro(a) aluno(a), concluindo esta unidade, aprendemos sobre a importância dos


processos produtivos como ferramentas de design. O trabalho do designer sempre
esteve em parceira com a indústria, pois, um projeto, para ser executado e ter suces-
so, precisa adequar seu modelo às características da indústria, ou ambos precisam
buscar novas técnicas ou metodologias para inovar no mercado.
Compreendemos como funciona o processo produtivo da madeira, principal-
mente as questões levantadas a respeito da secagem, momento em que aparecem os
principais defeitos das peças.
Mais além, vimos os equipamentos e as possibilidades de transformação da ma-
deira que podem alterar os seus aspectos estéticos, como no caso de cortes, pinturas,
torneamentos e entalhes. Assim como podem transformar os seus aspectos estrutu-
rais, no caso da dobra a vapor e dos painéis de madeira recomposta.
Vimos os processos de otimização das chapas de madeira e, dependendo do ma-
quinário utilizado, a característica dos cortes. Este conteúdo demonstra a impor-
tância da especificação adequada das medidas das peças para que se tenha maior
aproveitamento dos materiais.
Conferimos várias sequências de atividades em uma empresa, o que nos possi-
bilitou estudar o planejamento estratégico de uma produção, ou seja, a gestão desse
design que estamos desenvolvendo. De modo que podemos analisar quais são as
demandas de recursos necessários, seja de matéria-prima e de maquinário, seja da
mão de obra interna ou terceirizada.
Conseguimos perceber a diferença de valor e de produtividade de produtos arte-
sanais somente por analisar o processo de fabricação e o cuidado que as peças exigem.
E, por fim, conhecemos um pouco mais sobre os diversos processos produtivos
da indústria moveleira, processos esses que esboçam as rotinas da transformação das
matérias-primas em produtos para venda, observando que o trabalho de desbravar
novas formas e usos dos materiais podem gerar produtos que revolucionam a cultura
material de nossa sociedade.

108
atividades de estudo

1. A madeira é um dos materiais mais utilizados na indústria moveleira. As suas


características estéticas, físicas e químicas permitem uma grande variedade de
aplicações, técnicas e usos. Sobre o processo produtivo da madeira, é correto
afirmar que:
a. A madeira pode ser classificada por espécies, mas dentro da mesma espécie
não existe diferenciação.
b. A secagem é uma das etapas importantes do processo produtivo da madeira
natural, nela aparecem os defeitos da madeira.
c. Os nós são marcas de cupins que aparecem na madeira após o período de
secagem.
d. As toras de madeira, depois de retiradas da natureza e cortadas em pran-
chões, já podem ser enviadas para a fabricação de móveis na indústria.
e. O empeno é caracterizado pela rachadura da madeira no sentido longitudinal
e deve ser eliminado na classificação.

2. A madeira natural permite inúmeras formas de uso e de aplicações na movela-


ria, para cada textura ou forma desejada é aplicado um processo de fabricação.
Em relação ao processos produtivos utilizando madeira natural, é correto afir-
mar que:
I. O torneamento é feito por uma prensa que dobra a vara de madeira do seu
plano original.
II. A dobra a vapor desfaz a fibra da madeira, diminuindo a sua resistência e du-
rabilidade, mas com ganho estético.
III. Para a pintura, as peças devem estar totalmente acabadas e passam pelo pro-
cesso de aplicação da seladora, pelo lixamento e acabamento.
IV. A dobra a vapor consiste em deixar flexíveis varas ou tábuas de madeira que
podem ser envergadas em moldes, ficando resistentes após a cura.

Assinale a alternativa correta:


a) Somente as afirmativas I e IV estão corretas.
b) Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
c) Somente a afirmativa III está correta.
d) Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas.
e) Nenhuma das afirmativas está correta.

109
atividades de estudo

3. Os painéis de madeira MDF, MDP ou compensado são uns dos materiais mais
utilizados na fabricação de móveis em série hoje. As suas características con-
quistaram o interesse dos fabricantes que, pouco a pouco, deixaram de utilizar a
madeira natural como componente principal do móvel. Comente sobre as van-
tagens do uso de painéis de madeira em relação à madeira natural.
4. Ao utilizarmos os painéis de madeira, o plano de corte é uma das principais eta-
pas do processo de fabricação. O correto planejamento economiza matéria-pri-
ma e mão de obra. Em relação às vantagens da otimização do corte dos painéis
de madeira, é correto afirmar que:
I. Garante maior aproveitamento da chapa, diminuindo desperdícios.
II. Permite o controle de qualidade em relação a fungos e cupins na peça.
III. O plano de corte otimizado promove listagem das peças, etiquetas de identifi-
cação, lista de compras e controle das sobras.
IV. A otimização visa a alterar o tamanho dos cortes para fazer com que todas as
peças caibam em uma única chapa.

Assinale a alternativa correta:


a. Somente as afirmativas II e IV estão corretas.
b. Somente as afirmativas I e III estão corretas.
c. Somente a afirmativa III está correta.
d. Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas.
e. Nenhuma das afirmativas está correta.

5. O movimento modernista, no início do século XX, sedimentou a utilização do


ferro no design de mobiliário, principalmente o aço tubular. Diversas ligas me-
tálicas, como o aço, o zinco, o zamac e o alumínio fazem parte dos materiais
cotidianos em uma movelaria. A respeito dos processos de transformação dos
metais, é correto afirmar que:
a. A extrusão é o processo de corte do metal por meio de uma guilhotina.
b. O corte por jato d’água é obtido pela oxidação e corrosão do metal exposto à
água.
c. O corte a laser ocorre quando o disco abrasivo desgasta o metal, fazendo
desenhos orgânicos.
d. A dobra é um dos processos de conformação que prensa a chapa de metal
contra uma matriz em V, sem cortá-la.
e. A pintura eletrostática é feita a partir de tinta à base de solvente que se adere
ao metal.

110
LEITURA
COMPLEMENTAR

Design de Superfície na Indústria Brasileira de Móveis


Planejados
De acordo com Löbach (2001), os produtos industriais podem ser agraciados com valo-
res estéticos, tornando-se portadores desses valores, e a aparência é a condição para
a formação desse valor, que não está no produto, e sim, na consciência individual ou
coletiva dos usuários. Invariavelmente, todos os produtos carregam esses valores. A
natureza da superfície dos produtos tem uma grande influência no seu efeito visual, e
de acordo com a escolha dos materiais, produz associações de ideias, como calor, frio,
limpeza, frescor etc., conforme as suas características e seu formato. Ainda que mais
complexo do que isto, a função estética dos produtos é um dos aspectos psicológicos
da percepção sensorial durante o seu uso [...].
O mobiliário planejado, assim como outros produtos influenciados pela moda, também
pode ser classificado pelos padrões ou motivos adotados em sua superfície, e que lhe
conferem uma tipologia, majoritariamente inspirada nas espécies de madeira, mas que
também podem se apropriar da imagem de pedras, tecidos, fantasias, miscelâneas,
unicolores etc. Esses padrões seguem uma hierarquia de acordo com a importância da
matéria-prima na estrutura do produto. O produto final resulta da junção de diferentes
matérias-primas e depende do trabalho de diversos fornecedores, conforme observa-
do em Krause (1997), Franco (2010) e Nossack (2014).
Embora o mobiliário não dependa exclusivamente da madeira para a sua execução, a
madeira apresenta-se de maneira natural e artificial, e as suas características atribuem
novos significados para os produtos. Para Baudrillard (1973), todos os processos orgâ-
nicos ou naturais encontraram seus equivalentes em função nas substâncias plásticas,
e a madeira, pedra ou metal cedem seu lugar ao concreto, à fórmica e ao poliestireno.
O autor entende que é importante perceber em que sentido as novas matérias-primas
modificaram o “sentido” dos materiais. Comparando a realidade da época com a inser-
ção no mercado dos materiais menos nobres, como o compensado naval e a teca de
reflorestamento, o autor conclui:

Nisto reside a diferença radical entre o “carvalho maciço” tradicional e a madeira


de teca: não é a origem, exotismo ou o preço que distinguem essencialmente esta
última, é o seu uso para fins de ambiência que faz com que não seja mais precisa-

111
LEITURA
COMPLEMENTAR

mente uma substância natural primária, densa e dotada de calor, mas antes um
simples signo cultural deste calor, e reintegrado na qualidade de signo, como tantas
outras “matérias” nobres, no sistema do interior moderno. Não mais madeira-ma-
téria, madeira-elemento. Não mais qualidade de presença, mas valor de ambiência
(BAUDRILLARD,1973, p. 46).

Para Manzini (1993), a madeira é como um material familiar, provido de uma identi-
dade reconhecível. Historicamente, a madeira faz parte da identidade do mobiliário e
são seus elementos visuais que compõem a aparência da superfície do móvel. O au-
tor reflete a respeito das superfícies aplicadas sobre substratos, como os tecidos para
estofados, os papéis de parede e as lâminas de madeira para móveis, que são algu-
mas das estratégias históricas de utilização de um material existente, para se tornar
a pele de um objeto, camuflando materiais menos nobres e atribuindo a eles as suas
próprias qualidades. As possibilidades evoluíram para soluções de alta complexida-
de funcional e esse enobrecimento também pode ser feito com papéis decorativos,
criando superfícies coloridas, lisas ou texturizadas, ou por laminados plásticos cujas
superfícies têm grande resistência mecânica, em qualquer padrão e cor
[...].

Considerações Finais
O apelo estético do design de superfície faz com que esta seja uma área de desenvolvi-
mento atraente e motivadora para a maioria dos designers de móveis que, porém, não
têm sido preparados e convocados para participar desse processo. O designer é atraído
com facilidade pela hibridação cultural, em um setor produtivo que, em um período re-
cente da história, passou a ser direcionado pela globalização, que é impulsionada pelas
grandes feiras internacionais de móveis e matérias-primas.

112
LEITURA
COMPLEMENTAR

Ainda que existam estudos sobre o segmento moveleiro que discutam a importação de
tendências e os efeitos da hibridação cultural, percebe-se uma falta de interação sobre
os processos e as interfaces que levam ao surgimento das matérias-primas utilizadas
pelas indústrias de móveis. A atuação dos designers no campo da superfície tende a ser
considerada somente a partir da procura e da especificação de materiais já existentes,
que são fornecidos para o mercado por empresas multinacionais lançadoras de ten-
dências, sem analisar as etapas que antecedem o seu desenvolvimento.
Atualmente existem diferenças tanto no desenvolvimento quanto na qualidade final do
design de superfície, que é produzido para atender às demandas do setor moveleiro.
De um lado estão empresas globais, que lançam novas tendências de mercado e forne-
cem o papel decorativo para acabamento dos PMR, do outro, as empresas de pequeno
e médio porte, que acompanham as tendências e complementam o desenvolvimento
dos móveis com componentes e outras partes que denotam carência de desenvolvi-
mento especializado no acabamento superficial.
Um mesmo conceito de desenho ou estilo de desenho é reproduzido por diversos for-
necedores em materiais e tecnologias diferentes, utilizando uma variedade muito gran-
de de resinas e pigmentos que resultam em propriedades como, por exemplo, brilho,
textura, resistência e temperatura que também são diferentes. Cabe aos designers das
indústrias de móveis planejados a configuração de seus produtos com a combinação
desses materiais, de acordo com seus interesses, fornecedores estratégicos, processos
e tecnologias disponíveis.

Fonte: Cecchetti e Razera (2018).

113
material complementar

Indicação para Ler

Introdução aos Materiais e Processos para Designers


Antônio Magalhães Lima
Editora: Ciência Moderna
Sinopse: Antônio Magalhães Lima aborda de forma simples e prática a síntese
sobre materiais e processos produtivos mais significativos para a indústria. O li-
vro é voltado para designers, estudantes e afins. Esse livro pode contribuir para
a especificação de materiais e os processos necessários para os seus projetos,
facilitando a ponte entre fornecedor, fabricantes e designers.

Indicação para Assistir

Série Black Mirror - 3ª temporada


2016
Sinopse: Black Mirror é uma série britânica com episódios individuais que retrata
o lado negro do futuro das tecnologias. Ela teve as suas duas primeiras tempo-
radas transmitidas no canal de televisão Channel 4, no Reino Unido. A partir da
terceira temporada, a série passou a ser transmitida pela Netflix.
Comentário: Nessa série, é possível observar como os mobiliários compõem com
o tom da intencionalidade de comunicação do episódio, as cores, as interfaces e a
estética sempre acompanham a mensagem que o roteiro deseja transmitir.

114
DESIGN

Indicação para Acessar

Processo produtivo de móveis sob medida:


Neste vídeo, você poderá observar quais são as rotinas em uma fábrica de móveis, desde o projeto de
design, até os maquinários de corte, bordeamento e furação.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=0fo6-2wW2Gc>.

Acompanhe com detalhes os processos de criação e fabricação das cadeiras Thonet:


Conferir como é feita a dobra por forno de autoclave, as formas, o estofamento, a pintura, entre outros
processos.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=eoy5QP3Jibg>.

Processo de prototipagem e de fabricação Charles e Ray Eames:


Neste vídeo, você pode acompanhar com detalhes os processos de criação, modelo, prototipagem e
fabricação das cadeiras de fibra de vidro Eames.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=PYptIkjS6zk>.

Processo de composição e de fabricação da poltrona Ottoman, de Charles e Ray


Eames:
Veja o corte das peças em compensado moldado em máquinas CNC, o cuidado com os acabamentos, e
com o estofamento e a preparação da poltrona.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=tbF8QYU4LSA&t=3s>.

Processo de composição e de fabricação da Cadeira LSW, de Charles e Ray Eames:


Mais um modelo que utiliza o compensado moldado. Acompanhe o processo produtivo desta cadeira
que revolucionou o mercado.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=r_EXZYqTe-Y>.

115
referências

ASHBY, M. F.; JOHNSON, K. Materiais e Design: Arte e Ciências da Seleção de Ma-


teriais do Design do Produto. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2011.
BURGER, L. M.; RITCHER, H. G. Anatomia da Madeira. São Paulo: Nobel, 1991.
CECCHETTI, F.; RAZERA, D. L. Design de Superfície na Indústria Brasileira de
Móveis Planejados. Revista ModaPalavra e-periódico, Florianópolis, v. 11, n. 21, p.
20-43, jan./jun. 2018. Disponível em: <http://www.revistas.udesc.br/index.php/mo-
dapalavra/article/view/10367/7183>. Acesso em: 04 maio 2018.
LIMA, M. A. M. Introdução aos Materiais e Processos para Designers. Rio de Janei-
ro: Ciência Moderna Ltda., 2006.
MOURA, J. D. M. et al. Qualidade e processo produtivo da madeira para utilização
em mobiliário. Londrina: EDUEL, 2012.
Referências On-Line
1
Em: <http://tecnicasdemarcenaria.blogspot.com.br/2011/12/o-onde-os-fabrican-
tes-de-moveis.html>. Acesso em: 9 mar. 2018.
2
Em: <http://wwwo.metalica.com.br/processos-de-soldagem>. Acesso em: 9 mar.
2018.

gabarito

1. B.
2. B.
3. Os painéis de madeira facilitaram o processo produtivo para a indústria mo-
veleira. Diferentemente das peculiaridades individuais das peças de madeira
natural, eles garantem padronização das chapas, leveza e estabilidade das
peças produzidas em série. As suas características, como acabamento, com-
posição, espessura, largura e comprimento seguem padrões convenciona-
dos e variam conforme o uso ou a função.
4. B.
5. D.

116
UNIDADE
IV
COMPOSIÇÃO DO MOBILIÁRIO

Profa Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• Componentes de base
• Componentes de montagem
• Componentes de acessórios

Objetivos de Aprendizagem
• Compreender as características dos componentes de base da
movelaria.
• Aprender sobre os principais componentes de montagem.
• Assimilar os conhecimentos principais dos componentes de
acessórios.
unidade

IV
INTRODUÇÃO

C
aro(a) aluno(a), nesta unidade, daremos continuidade aos ele-
mentos constitutivos dos mobiliários em geral. Já conhecendo a
configuração geral de um móvel, separamos em três categorias
os principais componentes que constituem um mobiliário.
A primeira categoria chamaremos de componentes de base e cor-
respondem aos materiais para a formação do corpo ou da estrutura da
maioria dos móveis. Os componentes de base são painéis, bordas, lâmi-
nas, tubos de aço, esquadrias de alumínio e demais peças que são forma-
doras de caixas, prateleiras, pés de aço, entre outros.
Na segunda categoria, serão abordados os componentes de monta-
gem. Eles correspondem a toda gama de produtos que servem de cone-
xões entre as peças, firmamento das estruturas, fixação dos dispositivos
de abertura de portas, gavetas e basculantes, entre outros aspectos.
Em terceiro lugar, veremos os componentes acessórios que, por sua
vez, correspondem às peças avulsas, que não interferem nem diretamente
no corpo e nem na montagem do módulo, mas mudam relações de altu-
ra, de tipo de estrutura e furações que se façam necessárias.
Ao longo desta unidade, você observará uma série de exemplos de
como calcular os módulos ou as peças, dependendo do mecanismo. O
que queremos é que você tenha estes dados como guia para futuras apli-
cações. Na Unidade V, faremos passo a passo os exemplos práticos de
como eles são utilizados.
Convidamos você a, nesta leitura, desenvolver o olhar atento às com-
posições, encaixes, conexões, ferramentas e acessórios que fazem parte
dos móveis ao seu redor. Essa observação o(a) auxiliará a compreender
os assuntos desta unidade, assim como ela fará parte do seu dia a dia
como designer, por meio da descoberta de novas oportunidades de ino-
vação para os seus futuros projetos.


Componentes
de Base
Os componentes de base são os elementos primá- caixotes, portas e gavetas. Primeiramente, consi-
rios que definem a estrutura principal do móvel deremos as principais características do MDF, do
que desejamos projetar. Eles correspondem ao tipo MDP e do compensado. Todos eles são superfícies
de painel adequado para o corpo, as espessuras do retangulares, planas, lisas ou com microtexturas,
material, como será acabado etc. Esses componen- ou seja, é possível uma grande variedade de usos e
tes vão determinar toda a sequência de cálculos e a cortes desses materiais, desde que se respeite os seus
produção da peça. limites de comprimento, largura, espessura e resis-
tência. Vamos compreender alguns desses limites.
PAINÉIS • Em relação ao comprimento e à largura: se
projetarmos para além da medida do painel
A estrutura base de um móvel, atualmente, é defi- de MDF (exemplo: um balcão de 3 m; a cha-
pa tem 2,75 m de comprimento), teremos
nida pelos painéis utilizados para a composição de

122
DESIGN

que pensar, então, em sistemas de união que utilizar um divisor ou uma escora por baixo,
travem as peças com firmeza, assim como na para que a peça não ceda. É de praxe dividir o
maneira de tornar a emenda menos evidente módulo em tamanhos menores por meio de
(um detalhe com friso, uma pintura, a cola- uma chapa mais espessa ou mais resistente,
gem de lâmina etc.) ou alterar o desenho para como o compensado.
o tamanho limite da chapa e evitar totalmen-
te a emenda. Painéis de compensado
• Em relação à espessura: se o projeto for de
uma espessura maior do que a do painel de
Os painéis de compensado mais comuns são os de ma-
madeira, é necessário que se faça um “sandu-
deira pinus ou virola prensados com cola branca, mais
íche” com outras chapas, ou seja, dois painéis
externos inteiros (serão a aparência da peça), simples e pouco resistentes, ou com resina fenólica
mais um quadro interno de ripas. Todos se- (compensado naval WBP, water and boil proof), muito
rão unidos por colagem e prensa, formando resistente a água e a vapor. Os painéis de compensado,
uma nova peça mais espessa. normalmente, não têm acabamento em melamina na
superfície, tendo que ser aplicado posteriormente.
SAIBA MAIS As lâminas de madeira são prensadas entrecru-
zadas, ou seja, uma camada de lâmina é colocada no
sentido contrário a outra, e esse cruzamento estabi-
O Tamburato é uma outra técnica para au-
mentar a espessura de um painel, com ma- liza as peças longitudinalmente e lateralmente, for-
terial mais leve e econômico. mando uma chapa muito resistente.
“Tamburato é um painel estrutural composto,
Segundo Cunha (2001), uma importante carac-
produzido com camadas externas de partí-
culas finas de madeira prensada e miolo em terística dos compensados é a sua boa resistência ao
colméia de papel reciclado. arranque de parafusos, que, sendo muito superior
O resultado é um painel para fabricação de
aos aglomerados (MDP), o torna adequado aos usos
móveis que exigem espessuras grossas, le-
veza no peso e bom desempenho [...]. Tem com maior solicitação de esforços por tração.
visual robusto mas é leve, por ser formado por O compensado não vem de fábrica laminado na
duas chapas finas de HPP prensadas com um
aparência, ele deve ser recoberto por uma melamina
‘recheio’ de colméia de favos de papel (honey-
comb). Com ótima estabilidade, é ideal para de alta pressão, lâmina de madeira ou pintura. Cunha
a fabricação de prateleiras, estantes, home (2001) alerta que, quando o tampo da peça for reves-
theaters, móveis modulares e divisórias”.
tido, é fundamental que a face oposta receba alguma
Fonte: adaptado de MP Móveis (2010, on-line)1. vedação ou revestimento para evitar a incidência de
umidade sobre essa face, o que faria a peça empenar.

• Em relação à resistência: para cada tipo de


Características de mercado:
aplicação e uso, deve-se considerar a resistên-
cia do material e os apoios que são necessá- • os painéis de compensado variam de tamanho:
rios. Por exemplo, o limite de uma pratelei- 2,20 × 1,60 m = 3,52 m2; 2,44 × 1,22 = 2,97 m2; e
ra de MDF de 15 mm, fixada nas laterais do 2,50 ×1,60 m = 4,00 m2 .
móvel, é de 900 mm. Fora isto, é necessário

123


• Com espessuras:
As espessuras variam: 3; 5,5; 9; 12; 15; 18; 25
3; 4; 5; 6; 8; 10; 12; 15; 18; 20; 25 e 30 mm.
mm. Para aumentarmos a espessura de uma peça,
O compensado flexível é um outro tipo de painel que como um tampo de mesa, colamos sob o tampo ti-
tem a função contrária do regular. No momento da ras de chapa nas bordas do painel para que, visual-
prensa, as lâminas são colocadas na mesma direção, mente, ele pareça ser mais grosso, mas continua leve
assim, é possível curvar a peça no sentido do veio. Para como a chapa original. Outra maneira é a duplagem
fazer uma peça cilíndrica ou um balcão em curva, é de painel, em que colamos sob a peça uma chapa
necessário que a espessura e a flexibilidade do painel na mesma medida que o tampo. As bordas devem
sejam adequadas para não rachar. Neste caso, utiliza- seguir a espessura do tampo pronto.
mos compensado flexível de até 6 mm para ser enver-
gado com escoras por trás da peça e dar sustentação.

SAIBA MAIS

Existem duas formas de utilizar o compen-


sado em peças curvas. Para cadeiras, como
vimos o modelo LCW, dos Eames, é utilizado o
compensado entrecruzado, contudo, a pren-
sa é feita diretamente no molde matriz. Ele
forma uma peça extremamente resistente e
que pode ser utilizada como estrutura. Para
balcões e móveis em geral, é utilizado o painel
de compensado flexível, que vem pronto de
fábrica e não precisa de prensagem, porém,
possui baixa espessura, não sendo utilizado
como estrutura da peça.

Fonte: a autora.

Painéis de MDF e MDP O MDP, por seu custo inferior ao compensado e ao


MDF, é largamente “utilizado na indústria moveleira
Os painéis de MDF e MDP assemelham-se muito em painéis para tampos, superfícies verticais; corpos
em termos de estabilidade do painel e em padrões de armários, prateleiras e outras aplicações de baixa
disponíveis no mercado. A medida da chapa é, por solicitação mecânica” (CUNHA, 2001, p. 69). É sen-
convenção, de 2,75 x 1,83 m = 5,03 m2. Pode ser en- sível à umidade, devendo as duas faces do painel se-
tregue de fábrica revestida com folha de melamina rem recobertas com melamina de baixa pressão (BP)
de baixa pressão (BP), prensada ao painel ou sem ou de alta pressão, além de fita de borda em toda a
acabamento (cru). lateral (miolo aparente).

124
DESIGN

ficos, como diferencial de venda (produto premium)


ou para ambientes com problemas de umidade.
Os painéis de MDF e MDP padrão são sensí-
veis à umidade, entretanto, já existem painéis de
MDF com resinas especiais que têm boa resistên-
cia à umidade, com acabamento cru ou em mela-
mina BP na cor branca, e podem ser encomenda-
dos em qualquer padrão, desde que atendam ao
mínimo de quantidade de chapas para pedido e
são facilmente identificáveis pelo miolo colorido
em verde. Outro MDF, pouco utilizado na produ-
ção moveleira hoje, é aquele resistente ao calor e
identificado pelo miolo vermelho. Ele evita ou re-
O MDF ganhou espaço de mercado nos últimos 20 tarda a ação do fogo e, por isso, é indicado para
anos, sendo uma tecnologia mais nova em relação às lugares de grande circulação, como hotéis, sho-
outras. A sua principal propriedade é a uniformida- ppings e hospitais.
de do miolo, que:
Corte
[...] em função da pequena dimensão das fibras,
sua superfície é mais lisa do que a da maioria
Sendo a fase mais importante de todo mobiliário,
dos outros painéis utilizados na fabricação de
móveis, permitindo bom acabamento com pin- na listagem de corte, deve-se obedecer a relação do
tura, laminação por folhas de celulose ou lami- padrão do veio madeirado. Na melamina, geral-
nados de alta pressão (CUNHA, 2001, p. 71). mente, o desenho do veio está no sentido do com-
primento e do contraveio na largura. Esta ordena-
Por ser um painel liso, a sua textura não interfere ção determina a disposição das peças em relação ao
na pintura, não acrescenta sulcos nas lâminas de painel no momento do corte.
celulose e facilita a colagem e a prensa dos lami- Quando a intenção é criar uma sensação de altu-
nados de alta pressão. ra, as portas e gavetas são cortadas no sentido do veio,
A usinabilidade é outra característica do MDF, assim, as linhas da madeira alongam visualmente a
que, por possuir uma superfície lisa e homogênea, peça no sentido vertical. Este tipo de corte é indica-
é excelente para entalhes com brocas, acabamentos do para móveis com peças altas e larguras menores,
arredondados etc. como portas, laterais e painéis. As peças com com-
Na composição mista de móveis, é comum as primento maior que 1,80 m só podem ser cortadas
empresas, atualmente, utilizarem o MDP para a es- no sentido do veio. Observe como estão dispostos os
trutura de módulos, e o MDF, para portas e acaba- cortes das duas portas e das quatro gavetas a seguir
mentos. O compensado é utilizado em casos especí- e, posteriormente, aplicados no balcão da cozinha.

125


LARGURA 1,83m COMPRIMENTO 2,75m

Figura 1 - Material 1
Fonte: Shutterstock

Quando se intenta uma sensação de aconchego, COMPRIMENTO 2,75m


proximidade e alongamento do espaço longitu-
dinalmente, o corte das portas e gavetas é feito
na direção do contraveio. Este tipo de corte é in- LARGURA 1,83m
dicado para móveis com peças baixas e larguras
maiores, como gavetas largas, painéis de balcão e
portas basculantes. Observe a diferença de como
estão dispostos os cortes das duas portas e das
quatro gavetas a seguir e, posteriormente, aplica-
dos no balcão da cozinha.

BORDAS

Para a proteção do miolo dos painéis de madeira e


acabamento, são aplicadas fitas de borda na lateral
das peças. Estes materiais asseguram que o painel
não esteja exposto à umidade e escondem a aparên-
cia do interior da chapa.

Fitas de PVC

As fitas de borda em PVC são fitas termoplásticas,


formadas a partir do polímero Policloreto de Vinilo. Figura 2: Material 2
Fonte: Shutterstock

126
DESIGN

O PVC é um plástico denso, com elevada es-


tabilidade dimensional e excelente resistência
porém, mais leves e sem cloro em sua composição.
química ao impacto e à luz U.V. As fitas de Elas apresentam boa resistência mecânica, além de
borda em PVC destacam-se pelo facto de não serem 100% reciclável e biodegradável (PROADEC,
alimentarem a combustão (PROADEC, [2018], [2018], on-line)2.
on-line)2.
Em termos práticos, as fitas ABS têm menor va-
riedade de padrões no mercado, mas oferecem um
As fitas de pvc procuram seguir os padrões de me- acabamento mais suave do que o PVC em espessuras
lamina BP (baixa pressão) do mercado, seguindo, maiores de 2 ou 3 mm. Estão disponíveis em rolos
inclusive, a impressão da textura ou do brilho, para contínuos, com diferentes larguras e espessuras. As
que o acabamento da borda não se diferencie do pai- espessuras variam de 0,40 mm a 3 mm, as mais co-
nel. O padrão impresso nas fitas é pintado com tinta muns são peças de 2 e 3 mm.
U.V. e são isentas de compostos orgânicos voláteis. As larguras variam de 12 mm até 80 mm, sendo
Elas estão disponíveis em rolos contínuos, com dife- a mais comum de 22 mm para painéis de 15 e 18
rentes larguras e espessuras. mm, e 35 mm para painéis de 25 mm ou encabeça-
• As espessuras mais comuns são de 0,45 mm e dos (chapa dupla) de 30 mm.
1 mm, podendo chegar a 3 mm.
• As larguras variam de 13 mm até 275 mm, LÂMINAS
sendo as mais comuns de 19 ou 22 mm para
painéis de 15 e 18 mm, respectivamente.
As lâminas são chapas finas de material orgânico ou
O designer deve atentar-se para as espessuras das sintético, cuja função é recobrir as chapas de madei-
fitas, principalmente para os descontos de portas e ra, formando um acabamento decorativo com maior
acabamentos, em que a medida da fita deve ser cal- valor agregado. Abordaremos, a seguir, as lâminas
culada juntamente com a peça. Por exemplo, se uma de melamina de alta e de baixa pressão, além das lâ-
porta tiver 3 mm de desconto em relação ao nicho de minas de madeira natural.
cada lado da peça, ou seja, 3 mm na largura no lado
da dobradiça e 3 mm do lado do puxador/batente, Melamina de alta pressão
ela terá, na largura, a medida externa do nicho, me-
nos 6 mm de desconto. Entretanto, se a borda tiver Laminados melamínicos de alta pressão (LMAP)
2 mm de espessura, então o desconto deverá ser os 6 são chapas formadas por cinco ou mais camadas de
mm mais os 4 mm da borda nos dois lados, ou seja, papel Kraft, de cor marrom, impregnadas com re-
10 mm de desconto em relação ao nicho. sinas fenólicas. Revestidos por uma capa de papel
celulose pura com o desenho do padrão da chapa,
Fitas de ABS impregnada com resina melamínica e uma película
superficial overlay (FÓRMICA, [2018], on-line)3.
As fitas de borda em ABS são fitas termoplásticas, As camadas são levadas a uma prensa com tem-
formadas a partir do polímero Acrilonitrilo-Bu- peratura de 160 ºC. A prensa é composta por uma
tadieno-Estireno. São muito semelhantes ao PVC, chapa de inox que transfere, por meio de um dese-

127


nho espelhado, a textura almejada, o que determina Uma das desvantagens é que o LMAP pode apre-
se a chapa será brilhante, fosca ou uma textura espe- sentar um risco marrom na lateral do móvel, o que
cífica (CUNHA, 2001). ocorre devido à espessura da própria chapa de lami-
É um material extremamente resistente à abra- nado, e nem sempre essa borda consegue esconder.
são, à umidade e aos produtos de limpeza, além de O LMAP também demanda uma grande mão de
ter características higiênicas. O LMAP pode ser en- obra de fabricação, pois ele precisa ser cortado duas
contrado, também, no modelo post-forming, que, na vezes, colado, prensado e refilado, diferentemente de
composição das resinas, é modificado para aceitar a um painel com laminado BP, que somente é cortado
moldagem por calor em formas curvas. Muito utili- se passar aos demais processos produtivos.
zado para tampos e portas com as bordas arredon-
dadas, o que evita o desconforto dos cantos vivos. Melamina de baixa pressão
A medida convencional das chapas de lamina-
dos melamínicos de alta pressão é de 1,25 x 3,08m = O laminado melamínico de baixa pressão (BP) é
3,85 m2. A espessura das chapas standard são de 0,8 composto por uma ou mais folhas de papel de celu-
a 1,4 mm, entretanto é possível encontrar espessuras lose impregnadas com resina melamínica, e que são
especiais no mercado, com custo superior. prensadas ao painel de madeira (MDF ou MDP),
fundindo-se com o material. É um dos mais práti-
cos, baratos e comuns revestimentos de painel no
SAIBA MAIS
mercado atual. Ele possui uma grande variedade de
padronagens que simulam veios de madeira, pedras,
Observe que o tamanho da chapa de fórmica tecidos e cores sólidas, com texturas e acabamentos
(1,25 x 3,08 m) não acompanha o tamanho variados. Contudo, a sua resistência à abrasão é bem
dos painéis de MDF ou MDP (1,83 x 2,75 m),
o que diferencia no cálculo da otimização do inferior ao laminado de alta pressão.
corte. Isto é, não se pode utilizar o cálculo
da quantidade de MDF para determinar a Lâmina de madeira
quantidade de laminados melamínicos de
alta pressão. Quando for utilizar uma fórmica,
é necessário observar quais serão as faces As lâminas de madeira natural têm a função de eno-
recobertas do móvel e calcular com base na brecer a peça, e são formadas pelo faqueamento das
medida de 1,25 x 3,08m.
toras em centenas de lâminas que, por sua vez, são
Fonte: a autora. prensadas e novamente cortadas, resultando nos
desenhos padrão linheiro, com traços paralelos, ou
catedral, que forma um bico no veio (CALIMAN,
Essas chapas são muito conhecidas como fórmica, [2018], on-line)4.
mas este nome provém de uma grande empresa de A madeira pré-composta é obtida por meio da
produtos LMAP, e não do produto em si. Outras em- colagem de várias lâminas de madeira reflorestada,
presas, como Pertech, Madepar, entre outras, ofere- que podem ser tingidas para formar os blocos com a
cem o mesmo produto. padronização desejada de desenho e cores (SELEC-

128
DESIGN

Segundo Cunha (2001), a qualidade do móvel está


na espessura da chapa ou da parede do tubo que se
deseja utilizar. “A robustez é o resultado da combi-
nação do tipo de aço, da espessura de chapa, do for-
mato, das dimensões do perfil tubular e da confor-
mação da estrutura” (CUNHA, 2001, p. 72).

Equivalência de espessuras de chapas finas de aço


Espessura em mm Chapa número
2,65 12
1,90 14
TAS, [2018], on-line) . Assim, elas conseguem imi-
5
1,50 16
tar as madeiras nobres e até as rádicas. Este processo 1,25 18
permite uma melhor estabilização das cores e das 0,90 20
padronagens. As lâminas resultantes têm espessura
0,75 22
em torno de 0,5 mm e metragens variadas. Entre-
0,60 24
tanto, é sempre bom ter em mente que a madeira
natural altera a cor conforme o lote. Tabela 1- Tabela de equivalência para chapas de aço
Fonte: Cunha (2001, p. 73).

TUBOS E CHAPAS DE AÇO


Os tubos de aço podem ser encontrados em forma-
Os tubos de aço carbono são muito utilizados na fabri- tos redondos, ovais/oblongos, quadrados, retangu-
cação de mobiliário escolar, poltronas e móveis para lares etc., e utilizados das mais diversas maneiras.
escritório em geral. São compostos por ferro, carbono, A medida da bitola dos tubos redondos é calculada
manganês, fósforo e enxofre, o que garante maior re- em polegadas e, nas peças retangulares, é calculada
sistência mecânica e pouca flexibilidade (estabilidade), em milímetros. As barras têm, geralmente, 6 m de
ou conformação a frio (sobre pouca deformidade). comprimento, e a espessura das paredes dos tubos é
representada em milímetros. Para as chapas retas de
metal, utiliza-se a numeração da tabela.
Armários de aço para escritório são fabricados,
em geral, com diversos tubos e chapas de metal,
mas, normalmente, são comercializados informan-
do o número da chapa. Os mais simples em chapa
26, e os mais robustos em chapa 22, podendo variar
conforme os modelos.

129


SISTEMA DE PORTAS, ESQUADRIAS E do painel, os rodízios e os sistemas de freio ou de


PERFIS DE ALUMÍNIO amortecimento.

As esquadrias de alumínio oferecem uma vasta gama


de aplicação no design de móveis para a composição
de portas, gavetas e basculantes, trilhos e suportes
de portas deslizantes, além de puxadores embutidos
ou de sobrepor.
Por sua estabilidade e leveza, elas permitem que
as portas deslizem com facilidade e não emperrem
(como acontece com canaletas de madeira ou de
plástico). As esquadrias dão estrutura para os painéis
de madeira ou de vidro, o que facilita a instalação de
dobradiças e a proteção das peças em geral. São mui-
to resistentes à umidade e ao calor, entretanto, são
mais sensíveis a riscos que o aço, e podem apresentar
manchas se não forem anodizadas corretamente.

SAIBA MAIS

“A anodização é um processo eletroquímico


que promove uma formação de película na
superfície do alumínio, melhorando seu as-
pecto, garantindo uma vida útil prolongada
e tornando-o mais resistente à corrosão e a
riscos [...]. Em alguns casos, serve também
para coloração do material”.

Fonte: adaptado de Anotec ([2018], on-line)6.

Figura 3 - Kit de porta


Sistemas de portas Fonte: Rometal ([2018], on-line)7.

Os sistemas de portas constituem o conjunto de me- Porta de correr interna


canismos que promovem o deslizamento estável e
suave de portas de correr. Nele, estão os perfis-guia O sistema de portas internas é o modelo mais co-
para portas embutidas ou sobrepostas, assim como mum e barato no mercado. Nele, as portas deslizam
os kits de porta, que são os mecanismos de suporte apoiadas sobre um perfil embutido ou de sobrepor

130
DESIGN

na base do móvel. O peso fica, principalmente, so- 2-4 cm, para esconder o vão entre elas. É recomendado
bre os rodízios no perfil inferior, e o superior serve que a largura da porta seja igual ou maior a 1/3 da me-
somente de guia para o kit de topo. Nesse modelo, dida da altura, para maior estabilidade. Por exemplo:
os módulos internos, como gaveteiros e prateleiras, para uma porta de 2.400 mm de altura, é ideal, no mí-
devem ter um recuo de 6 a 8 cm da frente do móvel. nimo, 800 m de largura (ROMETAL, [2018], on-line)7.
Os perfis podem ser instalados tipo piso-teto,
desde que ambos estejam plenamente alinhados e Porta de correr externa
nivelados. Dependendo da movimentação, a porta
pode pular do trilho e, para isto, são utilizados kits O sistema de portas externas é o modelo mais sofisti-
com molas antidescarrilhamento, que adaptam a ro- cado, cujas portas deslizam por fora do montante com
dinha para permanecer na base. os rodízios projetados para dentro do trilho. As portas
A divisão das portas é feita pelo número de mó- cobrem os módulos do armário e podem dar a sensa-
dulos. Uma porta para cada, geralmente, e calculada ção de amplitude e leveza. O peso fica, principalmente,
uma sobreposição na largura das portas, em torno de nos rodízios apoiados no perfil do topo do armário, e o
perfil inferior serve somente como guia. Nesse mode-
lo, os módulos internos, como gaveteiros e prateleiras,
não precisam, necessariamente, do recuo interno.

Esquadrias para vidro e madeira

As esquadrias de alumínio servem de estrutura para


as portas de vidro ou de MDF. Forma-se um quadro
que envolve todo o vidro/MDF com cantos cortados
em 45°, com travamento por esquadretas parafusa-
das internamente (não usa solda para a união).

131


6 m, em diversas cores e modelos. As suas principais


vantagens são: a estabilidade, o corte sob medida,
conforme o tamanho da peça, e o design, que pode
embutir o puxador na porta, formando, assim, uma
linha reta e homogênea. O cálculo da quantidade
para puxador contínuo é a soma linear da largura
das portas ou das frentes de gavetas.
O puxador perfil de alumínio que fica no topo
da peça como uma linha contínua (seja armário in-
ferior ou superior), interfere diretamente no cálculo
da medida da porta/frente de gaveta. Observe nos
exemplos a seguir.
Se um puxador tiver 35 mm de altura e estiver
no topo da porta (modelo A), este valor terá que ser
diminuído da altura da porta ou de cada frente de
Perfil puxador gaveta, ou seja, se uma porta tiver 664 mm de altura
por 394 mm de largura, a medida para o plano de
O perfil puxador é uma alternativa para a abertu- corte será uma porta de 629 x 394 mm, pois a largu-
ra de portas. Ele é desenvolvido em alumínio e, da ra dela permanece a mesma.
mesma maneira que as esquadrias, fixa-se por cola- Se o puxador estiver na lateral da porta (modelo B),
gem, por encaixe ou por parafusos ao painel de ma- mantém-se a altura, mas a largura é alterada, ou seja,
deira. O puxador é comercializado em barras de 3 e no plano de corte será uma porta de 664 x 359 mm.

Figura 4 - Portas
Fonte: a autora.

132
DESIGN

Componentes
de Montagem
xação, como: pregos, parafusos, minifix ou ra-
Além dos materiais de base, como matéria-prima e fix e cavilhas, cantoneiras etc.;
acabamentos, para a formação dos módulos, portas • para os gaveteiros: corrediças;
e gaveteiros, são necessários uma série de compo- • para as portas: dobradiças;
nentes que funcionam como elos, articulação e fe- • para os basculantes: dobradiças e sistemas de
chamento fundamentais para a montagem das peças: elevação;
• para o travamento dos nichos e das caixas de • para as prateleiras internas: suportes de pra-
gaveta, serão necessários componentes de fi- teleiras.

133


montar as peças com facilidade. São produzidos em


vários formatos diferenciado na rosca, na cabeça, na
haste e no tipo de acionamento. Vamos conhecer al-
guns modelos mais utilizados.

Tipos de ponta

A ponta cônica é indicada para madeira, pois ela tem a


função de perfurar e criar rosca na madeira, facilitan-
do a função de broca. A ponta plana de rosca métri-
PREGOS ca, máquina, whitworth etc., é indicada para peças de
metal com rosca perfeita e para furos passantes (que
Os pregos são componentes de fixação com corpo de atravessam a peça de lado a lado), utilizando porcas e
metal cilíndrico e cabeça chata (em forma de prato), arruela na outra extremidade, ou para furos não pas-
ou em formato bola, mais conhecido como sem cabe- santes (a ponta do parafuso fica dentro do material),
ça. O prego possui o princípio de entrar na madeira com o uso de buchas de metal com rosca interna.
cortando os veios, empurrando as cerdas rompidas
para baixo e formando uma pressão que dificulta a re-
moção. Na movelaria, ele é indicado para fixar madei-
ra maciça, mas, por não possuir rosca de travamento,
não é indicado para MDF ou MDP. É interessante o
uso do prego sem cabeça, pois ele pode ser escondido
com uma pequena quantidade de massa de madeira.

PARAFUSOS
Plana Cônica
Os parafusos são componentes de união e travamen-
to não permanente, ou seja, é possível montar e des- Tipos de cabeça

Oval ou Chata ou Sextavada


Redonda Panela Oval ou Escareada Escareada Flangeada Sextavada c/ Arruela Cilíndrica
Abaulada Abaulada

134
DESIGN

Tipos de atarraxamento DISPOSITIVOS DE MONTAGEM

Os dispositivos de montagem minifix, rafix, FB/VB


etc., não possuem nome ou formato específicos, va-
riam conforme o fornecedor. Porém, são mecanis-
Fenda Philips Sextavado Sextavado mos desenvolvidos pela indústria moveleira para
interno ou
Alen facilitar a padronização e a montagem dos caixotes.
São utilizados principalmente em empresas de mó-
veis seriados, são rápidos de instalar e, por utiliza-
O mais utilizado para madeira e para painéis é o pa- rem peças de metal, a estabilidade das roscas e do
rafuso de ponta cônica, cabeça chata (ou escareada) travamento é maior, pois não há desgaste com mon-
de chave Philips, que desenha a rosca de fixação no tagens e desmontagens.
próprio material em que é preso.
CANTONEIRAS
Tamanhos e usos
São peças de metal ou de plástico com duas abas, for-
O cuidado com os parafusos deve respeitar onde eles mando um ângulo de 90º. Este esquadro tem a função
serão aplicados, para, desta forma, oferecer estrutura de fazer a união e a sustentação das peças por meio de
e não atravessar o painel. Para a estrutura de módu- parafusação interna. Podem ser utilizadas para unir
los em que o parafuso deve unir peças por fora, como o tampo às laterais, aos painéis ou aos pés de mesa e
a lateral e a base, é utilizado um parafuso grande o para a montagem de caixaria, como também para a
suficiente para passar pelo painel, tracionar e susten- sustentação dos armários suspensos (como o fundo
tar a outra peça. Exemplo: para travar uma lateral à não é estrutural, a cantoneira de metal promove resis-
base, utiliza-se um parafuso 4,0 x 45 mm (medida tência para sustentar o nicho). As cantoneiras podem
do diâmetro x comprimento). Ele cruza a lateral (15 ser cobertas por capinhas de plástico em cor seme-
mm) e fixa 30 mm de rosca no miolo da outra peça. lhante ao módulo, escondendo os parafusos.
Para corrediças, dobradiças e peças internas, são
utilizados parafusos menores, pois estes são apenas
para a fixação da peça no painel e devem ser me-
nores do que a espessura do painel. Exemplo: para
instalar uma corrediça, podemos utilizar o parafuso
cônico 3,5 x 14 mm cabeça chata Philips, pois ele dá
uma boa estrutura e não passa do painel lateral.
Para cada tipo de uso, deve ser estudado o tipo,
o modelo e o tamanho de parafuso mais indicado.

135


SUPORTE DE PRATELEIRAS Guia de madeira

O suporte de prateleiras, como o próprio nome diz, Em móveis antigos e em algumas peças de design
tem a função de sustentação ou travamento das pra- atuais, é muito comum encontrar gavetas sem cor-
teleiras. Há diversos modelos e os mais comuns são rediças ou com guias feitas da mesma madeira da
os de pinos e/ou parafusação. Observe que há mo- peça. Estas estruturas servem somente como um
delos que são de encaixe e exigem pré-furos (mo- apoio para a abertura, mas, normalmente, não tra-
delos 1-4) e os que são parafusados diretamente so- vam a gaveta e, se esta for puxada de forma errada
bre a lateral (modelos 5-7). Os modelos para vidro ou brusca, pode cair do nicho.
possuem apoios de silicone para evitar contato seco
com o metal (modelos 4 e 7).

Deve ter superfície de sustentação para a base da


caixa da gaveta, como chapa ou guia interna, para
a gaveta não cair para dentro do móvel. Por ser feita
Figura 5 - Modelos de suportes de prateleira
Fonte: FGV/TN ([2018], on-line)8. em madeira, com o passar do tempo, as peças po-
dem expandir e a gaveta começa a emperrar na es-
CORREDIÇAS trutura. A folga necessária entre nicho e corpo da
gaveta gira em torno de 5 mm. Os trilhos de metal
Corrediças são ferragens de sustentação e de estabi- substituíram este mecanismo com grande eficiência.
lidade das gavetas. Existem vários modelos de cor-
rediças, as mais comuns são as de apoio e os trilhos Corrediça de apoio
telescópicos. Cada tipo de corrediça altera a medida
de corte das caixas de gaveta, pois são elas que de- A corrediça de apoio é composta por uma guia de
terminam a distância exata do vão entre o corpo da metal pintada e fixada na lateral do nicho, e outra
gaveta e o módulo. fixada na base da lateral da gaveta, e que deslizam

136
DESIGN

sobre roldanas de poliacetal autolubrificadas, com Corrediça telescópica invisível


duplo travamento tanto para a abertura (evita que
a gaveta caia) quanto para o fechamento (mantém Este modelo é muito utilizado em móveis de alto
a gaveta fechada). Ela permite extração parcial, ou padrão, pois permite um acabamento mais refinado
seja, a abertura de ¾ da gaveta, e o restante do corpo da gaveta (o motivo é que a lateral da caixa torna-se
fica para dentro do móvel. Tem a capacidade média lisa). Normalmente, a corrediça possui amortecedor
de 15-25 kg de sustentação (FGV/TN, ([2018], on- de impacto e precisa somente de 10 mm de distan-
-line)8. A corrediça de apoio ocupa 26 mm do inte- ciamento entre corpo e nicho. Um ponto importante
rior do nicho, ou seja, a medida da caixa da gaveta é é que, nesse modelo, a contra-frente e a traseira são
igual a medida interna do nicho, menos 26 mm (13 15 mm menores do que as laterais da caixa, isto por-
mm em cada lateral). que o trilho é posicionado abaixo da gaveta.

Corrediça telescópica

É composta por três trilhos de aço relaminado e en-


caixados entre si com deslizamento sobre esferas de
aço. Este sistema permite a extração total da gaveta
com travamento no fim do trilho (para retirar a ga-
veta, é necessário destravar as alavancas na lateral).
Possui alta estabilidade, suportando entre 35 kg e
45 kg, podendo variar conforme o fornecedor, e há
modelos com amortecedor que evitam a batida da
gaveta. Este modelo também precisa de 26 mm de
distanciamento do corpo com o nicho.

137


Gaveta com lateral em aço DOBRADIÇAS

As gavetas com lateral de aço são modelos de alto As dobradiças são dispositivos para a sustentação,
padrão desenvolvidos para suporte de peso, desli- a abertura e o fechamento de portas e são ofereci-
zamento silencioso, amortecimento na abertura e das em diversos modelos. O tipo de dobradiça in-
fechamento. Não necessitam de laterais ou contra- fluencia diretamente na medida da porta, portanto,
-frente, pois as calhas de metal formam o corpo, e o é muito importante conhecer o mecanismo e a sua
mecanismo é fixado diretamente na frente da gaveta. finalidade prática e estética.
A traseira e o fundo da gaveta são de MDF de 15
mm, e que, além de maior resistência e estabilidade, Dobradiça comum ou borboleta
permite frentes maiores. A profundidade da gaveta
é limitada pela profundidade da corrediça, ou seja, É formada por duas chapas de metal unidas por um
esta será da mesma medida do kit, diferentemente eixo central, sendo muito utilizada em móveis an-
de outras gavetas, que podem ser um pouco maiores tigos, baús, portas e janelas da construção civil. O
do que a corrediça. No caso de gavetas metálicas, a mínimo necessário é de duas peças por porta, e a
sua estrutura/corpo já é pré-determinado pelo kit. capacidade de sustentação da dobradiça e o tama-
nho das portas vão ditar a quantidade necessária.
É um mecanismo de simples instalação, podendo
ser de sobrepor ou embutido à porta. É importante
notar que, mesmo quando a dobradiça é embutida,
o pino de eixo central fica aparente. No armário a
seguir (modelo 1), a dobradiça foi instalada de so-

Cada empresa fornece um guia de cálculo para o


corte da peça do fundo e da traseira da gaveta, com
seus descontos e particularidades. Os kits extras,
como divisores internos, extensores de altura e siste-
mas elétricos são opcionais que, por sua vez, podem
auxiliar na organização e na facilidade de uso para o Figura 6 - Dobradiça (modelo 1)
consumidor final. Fonte: Shutterstock

138
DESIGN

brepor e encontra-se totalmente exposta, fixada na Elas podem ser classificadas pelo diâmetro do caneco
lateral e na porta, e esta pode abrir até um ângulo de de 25 mm (menos resistentes) ou de 35 mm (mais ro-
180º. No segundo caso (modelo 2), a dobradiça está bustas), e também pelos ângulos de abertura, pelo tipo
embutida na porta. Podemos ver o pino-guia para de amortecimento e pelo desenho da dobradiça, que al-
fora, mas não vemos as placas de metal. O ângulo de tera a aparência externa da porta em relação ao módulo.
abertura é limitado pela espessura da porta quando
toca na lateral do móvel. Desenho da dobradiça

A respeito do desenho da do-


bradiça, ela é dividida em três ti-
pos: reta, curva e alta. Tipos que
definem o acabamento e o espa-
çamento entre módulo e portas,
ou seja, é a escolha do desenho da
dobradiça que vai definir a pos-
sibilidade de recobrimento da
Figura 7 - Dobradiça (modelo 2)
lateral pela porta.
Fonte: Shutterstock A dobradiça reta tem a fun-
ção de encobrir praticamente todo
Dobradiça de pressão o nicho e, para isto, necessita que o
móvel seja pensado em módulos (só
A dobradiça de pressão é composta pelo corpo fixa- um lado da lateral pode ter dobradi-
do por meio de parafusos e de encaixe do caneco em ça). A dobradiça curva, ao contrá-
um rebaixo na porta, assim como pelo calço de fixa- rio, cobre, em média, somente 60%
ção na lateral do móvel. Possuem um sistema de mo- da lateral e, por este motivo, pode
las que traciona e segura a porta fechada por pressão. dividir uma mesma lateral para a
instalação de duas portas opostas.
Ela não é indicada para a modu-
lação, por recobrir menos do que a
reta, deixando aparente uma parte
maior da borda das laterais. Recurso
que não é esteticamente bonito, mas,
na marcenaria sob medida, é comum
utilizá-lo, pois economiza uma lateral
no conjunto do balcão.
Figura 8 - Dobradiças
Fonte: adaptado de FGV/TN
([2018], on-line)8.

139


• Dobradiça para canto - Modelo utilizado em


A dobradiça super-alta, ou alta, é utilizada
conjunto com a dobradiça 175º para abrir si-
para embutir as portas dentro do nicho. Ela não multaneamente as duas portas.
recobre nenhuma parte da estrutura e precisa de
um pequeno suporte interno para apoiar no fe- Há uma série de outras dobradiças e combina-
chamento da porta. ções possíveis, é necessário observar os manuais do
fabricante para conferir qualquer variação que seja
pertinente, dependendo da dobradiça escolhida.

Número de dobradiças

A Figura a seguir mostra uma tabela que realiza a de-


terminação do número de dobradiças para cada porta,
com base na dimensão e no peso. Observe que o míni-
mo é de duas unidades, e quanto mais alta for a porta,
menor é o espaço entre as dobradiças. Esta classifica-
ção considera portas com até 60 cm de largura.
Figura 9 - Porta com dobradiça reta
Fonte: a autora.

Ângulo de abertura

Estes três modelos de dobradiça são encontrados em


diversas angulações, assim, um conjunto com módulos
retos e módulos de canto, ou angulares, poderão man-
ter o mesmo caráter de folgas e estilo das portas. Cada
angulação exige um kit de dobradiças diferentes. Al-
guns dos mais comuns são estes apresentados a seguir.
• 95º-110º - É o modelo mais comum, utilizado
para armários retos.
• Dobradiça 45º, 30º, 25º etc. - São utilizadas
para armários de canto em que a base e o sar-
rafo são cortados transversalmente e a porta
fica angulada em relação às laterais.
• Dobradiça 175º (ou robô) - É o modelo utili-
zado em armário de canto. Ela “joga” a porta
para além do batente, facilitando a visualiza-
ção do canto. Figura 10 - Tabela para dobradiça
Fonte: FGV/TN ([2018], on-line)8.

140
DESIGN

BASCULANTES

Sistemas basculantes são mecanismos de ele-


vação ou de rebatimento de portas, utilizados,
principalmente, em armários superiores/aé-
reos. Tais sistemas ajudam a criar móveis com
estética agradável no sentido horizontal, pois
permitem nichos longilíneos estáveis. O mais
comum é o sistema basculante por pistão a
gás (modelo 1), porém, existem diversos kits
com sistemas de dispositivos mais sofistica-
dos (modelos 2 e 3). Estes modelos são mais
resistentes e ideais para maiores larguras de Figura 11 - Sistema basculante por pistão a gás (modelo 1)
portas, permitem amortecimento de abertura Fonte: Shutterstock

e fechamento, assim como a parada da por-


ta em qualquer posição, além de ter modelos
eletrônicos com acionamento automático.

Figura 12 - Kit com sistema de eleva-


ção para portas duplas (modelo 2)
Fonte: Shutterstock

Figura 13 - Kit para sistema de elevação de porta 110º (modelo 3)


Fonte: FGV/TN ([2018], on-line)8.

141


Componentes
de Acessórios
Componentes de acessórios são toda a gama de PUXADORES
produtos que não correspondem à formação dos
caixotes e estruturas do mobiliário. Eles podem ser Os puxadores correspondem a mecanismos de garra
instalados e vendidos separadamente como peças para abertura e fechamento de portas, gavetas e bas-
avulsas. Na indústria, serão separados para embala- culantes. Existe uma imensa variedade de modelos,
gem junto com a mercadoria, não fazendo parte do tamanhos e usos. As linhas de puxadores com fixa-
processo de transformação da peça. ção por parafusos seguem o padrão 32 mm, ou seja,

142
DESIGN

o centro dos parafusos corresponde a uma razão en- delos com ou sem mecanismos de freio e, para cada
tre si, por exemplo: 32, 64; 96; 128; 160 etc. Quando tamanho, há um limite de peso suportável por roda.
especificamos um puxador deste tipo, a medida dada Uma peça ressecada ou com sobrepeso pode rachar.
é a distância entre furos e não a medida final da peça Normalmente, quanto mais alta a rodinha, mais for-
(normalmente, um pouco maior do que os furos). te torna-se o rodízio (dependendo do produto).

RODÍZIOS BASES E PÉS

Rodízios facilitam a mobilidade das peças e a fle- As bases e os pés auxiliam a levantar os módulos do
xibilidade dos mobiliários no espaço. Pode-se en- chão para facilitar a abertura de portas, além de evi-
contrar diversos modelos, com resistências e fun- tar danos no móvel e o contato com umidade. Po-
cionalidades diferentes. dem ser feitos em alvenaria (pelo pedreiro da obra),
em caixas de madeira (que devem ser incluídas nos
romaneios de produção) ou com peças avulsas de
polipropileno ou metal.

Sóculo

No Brasil, ainda é comum o uso de sóculos em cozi-


nhas, áreas de serviço e banheiros. O sóculo é uma
base de alvenaria que pode ser revestida em cerâmica
ou em granito para apoiar os balcões e eletrodomés-
ticos. Este tipo de base tem alta durabilidade, porém,
trava a distribuição dos módulos e dos eletros pela
Para cadeiras e móveis de escritório, os mais comuns cozinha. Caso o cliente queira trocar a disposição
são os rodízios de polipropileno com duas rodinhas. dos móveis, deverá quebrar o sóculo e, no local onde
A fixação é por um pino central que se encaixa na este foi retirado, colocar novo revestimento.
estrela da base da cadeira ou na base com quatro pa-
rafusos, no caso de móveis. É um modelo simples, Bases de madeira
barato e funcional, porém, dependendo do peso so-
bre as rodas, pode rachar ou quebrar. A base de madeira de compensado, ou MDF, é feita de
Para móveis em geral, os mais indicados são os um material barato ou com sobras de chapa. Permite
rodízios de silicone transparente ou fosco. Eles fa- alteração do desenho da cozinha, é estável, resistente
zem pouco ruído, são resistentes e têm movimenta- ao peso e consegue nivelar o móvel com sapatas regu-
ção suave. A fixação no móvel é por meio do pino, láveis. Pode ser feita a partir de um quadro com altura,
base giratória (com rolamentos) ou fixa (chapa reta), largura e profundidade e, se desejar, módulo a módulo,
presa à base do móvel por quatro parafusos. Há mo- ou para apoiar vários módulos de uma só vez.

143


Em países da Europa e dos Estados Unidos, é muito Os pés de madeira são mais antigos. Feitos de ma-
comum utilizar este tipo de base, entretanto, no Bra- deira natural, são bem resistentes, porém, podem
sil, como existe uma cultura de lavar a cozinha, essas sofrer, ao longo dos anos, com a deformação por ex-
bases devem ser bem vedadas e protegidas com uma cesso de umidade.
peça de granito ou cerâmica na frente, além de bor-
das na base, para evitar a propagação da umidade Pés niveladores
que deteriora as peças.
Os pés niveladores são pinos de metal com base em
Pés polipropileno ou silicone, têm a função de sustentar
e nivelar os mobiliários, são embutidos na base ou
Os pés podem ser feitos em polipropileno, metal ou na lateral por meio da instalação de uma bucha com
madeira. Aqueles em polipropileno são mais simples e rosca contínua, além da possibilidade de serem re-
menos resistentes, mas possuem boa regulagem de al- gulados individualmente. Eles ajudam a compensar
tura e não sofrem qualquer alteração com a umidade. os desníveis de pisos e afastam a base do móvel do
Os pés de metal suportam boa quantidade de contato direto com o chão.
peso, permitem regulagem e têm boa aparência, não
precisando de revestimento para encobri-los. Exis-
tem em uma variedade de cores e modelos, sendo os
mais comuns aqueles no aço cromado, no alumínio
fosco e acetinado ou com pintura a pó. As peças são
resistentes, porém, podem sofrer oxidação e enfer-
rujar, dependendo do tipo de material utilizado e da Figura 14 - Pé nivelador
quantidade de umidade a que são expostos. Fonte: Shutterstock

144
DESIGN

FECHO-TOQUE E PULSADOR MAGNÉTICO Para finalizar, lembramos que as escolhas de um


projeto de design de produto são feitas em conjunto,
Pulsador magnético e fecho-toque são dispositivos ou seja, uma parceria entre o designer e o industrial.
para a abertura automática de portas e gavetas, com O foco é desenvolver um projeto que seja rentável,
sistema de molas internas que liberam a peça por sis- passível de ser produzido, com excelente usabilida-
tema mecânico ou magnético e que, por sua vez, man- de, segurança e ergonomia, para que, na interação
têm a peça fechada, dispensando o uso de puxadores. com o público, ele possa ser aceito, adquirido, bem
utilizado e cause uma boa repercussão.
PEÇAS AVULSAS Em um mundo competitivo como o atual, a ex-
periência do usuário é um dos quesitos que mais
Para cada ambiente, há uma centena de opções e está em voga. Um produto que não tenha uma per-
inovações que podem ser aplicadas aos mobiliários, formance adequada pode, além de ser descartado,
assim como aos mecanismos de suporte, divisores, causar grandes prejuízos ao empresário.
organizadores, aramados, sistemas elétricos, entre O design autoral também é um caminho interes-
outros. A cada dia, um novo acessório surge no mer- sante, a única diferença é que o designer e o indus-
cado, e para cada um existe uma especificidade que trial passam a ser a mesma pessoa, ou seja, a gestão
pode ser integrada ao projeto. Alguns exemplos são: do design e as decisões de criação e execução serão
• para os quartos: cabideiros, porta-bolsas, sapa- determinadas pelo projeto. Desta forma, o designer
teiras, divisores de gaveta, cabideiros reclináveis; deve encarar seu produto como um empresário: não
• para a área de serviço: tábuas de passar embuti- se trata de uma obra de arte, mas do desenvolvi-
das, porta-vassouras, porta-produtos de limpeza; mento de uma peça que possa ser comercializada no
• para a cozinha: divisores de talheres, porta- mercado. Com isto, percebemos a importância desta
-pratos, aramados, lixeiras, porta-temperos
unidade para conhecer as estruturas e os componen-
dispositivos para módulos de canto e mais
tes que poderão fazer parte de seus futuros projetos.
uma série de inovações.

145
considerações finais

Caro(a) aluno(a), chegamos ao fim de mais uma unidade, com o prazer de co-
nhecer uma série de elementos que compõem os mobiliários de nosso dia a dia.
Como observamos, há diversas formas de composição, estruturação, acabamen-
tos, dispositivos de montagem e peças acessórias que vão compor o processo de
decisão de um projeto de design. As escolhas do profissional devem compreender
a adaptação do projeto conceitual ao contexto produtivo, e este trabalho técnico
exige atenção, escolha criteriosa de materiais e prototipagem, além de testes de
desempenho e resistência para, enfim, chegar no produto final.
Em um certo momento, um dispositivo de montagem pode ser escolhido pela
agilidade que ele oferece à modulação seriada, mas, para peças únicas, talvez não
seja tão interessante. Usar um tipo de corrediça pode alterar o padrão do móvel,
agregar valor ou solucionar um custo apertado. Enfim, essas escolhas determinam o
tamanho das sub-peças e os processos produtivos, são elas que poderão determinar
a forma e o uso de um produto e, por isto, são tão importantes.
Os elementos técnicos de um projeto de móveis podem parecer limitadores,
porém, muitas soluções de design podem partir da redescoberta de uma técnica
esquecida que pode, por sua vez, voltar a ser aplicada na marcenaria moderna, ou
o uso de novos mecanismos de montagem que permitisse maiores vãos e aberturas,
ou uma nova tecnologia de transformação da própria matéria-prima. Portanto,
o designer deve pensar em novas soluções não só esteticamente, mas também na
estrutura dos produtos.
A cada ano, o mercado lança novos mecanismos e acessórios inovadores que
podem nos inspirar ou ser absorvidos em nossos projetos. Por isto, convidamos
você a participar de feiras, visitar apartamentos decorados e indústrias, sempre
observando os detalhes construtivos. Pensando nessa unidade apenas como um
guia, e não como um material a ser automaticamente decorado, você perceberá
que, na prática, cada projeto será uma oportunidade para inovar ou aprimorar
uma técnica e uma composição.

146
atividades de estudo

1. Diante das escolhas de um projeto de móveis, a seleção dos materiais estru-


turais é um dos primeiros passos da peça. Neste sentido, sobre a composição
das estruturas, leia as afirmativas a seguir.
I. O MDP é ideal para pinturas e formas sinuosas, pois é mais leve e de fácil
manutenção.
II. O compensado é formado por partículas de madeira aglutinadas.
III. A vantagem do compensado é a sua resistência à deformação por ter as suas
lâminas entrecruzadas, estabilizando, assim, nos dois sentidos do painel (lon-
gitudinal e lateralmente).
IV. O MDF é ideal para pinturas e formas sinuosas, pois apresenta um miolo uni-
forme.

Podemos afirmar que:


a. Somente as afirmativas I e II estão corretas.
b. Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
c. Somente a afirmativa IV está correta.
d. Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas.
e. Nenhuma das afirmativas está correta.

2. No interesse de manter as portas de um móvel fechadas, as dobradiças são


mecanismos que facilitam a sustentação e a estabilidade das peças. No mer-
cado, existe uma imensa variedade de dispositivos e, em relação a alguns de-
les que foram abordados nesta unidade, leia as afirmativas a seguir.
I. A dobradiça de pressão é o modelo mais antigo, e destaca-se por duas chapas
de metal presas à caixa e à porta com pino central.
II. A dobradiça curva super-alta/alta permite embutir a porta dentro do nicho.
III. A dobradiça de 45º é utilizada para cantos em que o nicho tenha um corte
transversal, formando um ângulo de 45º da porta em relação às laterais.
IV. A dobradiça borboleta ou comum sempre é instalada embutida nas portas
para ocultar o pino central.

Podemos afirmar que:


a. Somente as afirmativas I e II estão corretas.
b. Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
c. Somente a afirmativa III está correta.
d. Somente as afirmativas II e III estão corretas.
e. Nenhuma das afirmativas está correta.

147
atividades de estudo

3. Por mais técnica que seja a escolha dos componentes construtivos, a sua
função no móvel sempre desempenha um papel estético na peça. Em re-
lação aos aspectos visuais dos componentes, leia as afirmativas a seguir.
I. Uma porta de MDF com melamina decorativa de baixa pressão madeirada,
se for cortada no sentido do veio, promove o aspecto alongamento verti-
cal.
II. Porta de correr com sistema externo esconde os trilhos de alumínio em
que rodam os kits, aparentado que a porta flutua à frente do móvel.
III. Uma fita de borda ABS de 3 mm influencia na medida de uma porta ou da
frente de gaveta.
IV. O tipo de corrediça altera o mecanismo da gaveta, mas tem pouca influ-
ência no desenho da frente dessa gaveta, no entanto, o tipo de dobradiça
influencia tanto no desenho da porta quanto em sua função.

Podemos afirmar que:


a. Somente as afirmativas I e II estão corretas.
b. Somente as afirmativasIII e IV estão corretas.
c. Somente a afirmativa III está correta.
d. Somente as afirmativas II e III estão corretas.
e. Todas as afirmativas estão corretas.

4. Os rodízios facilitam muito o deslocamento do mobiliário de um lugar para


o outro, ajudando, principalmente, nas tarefas de limpeza dos ambientes,
evitando os riscos dos pisos devido ao atrito do mobiliário com a superfí-
cie, e também podem ser utilizados em mobiliários de ambientes residen-
ciais, comerciais e institucionais. Diante deste fato, comente sobre os
rodízios.
5. O domínio das técnicas de utilização dos softwares de representações tri-
dimensionais facilita muito para o design de produto colocar em prática
as suas ideias e ajuda o processo de criação. Porém, apenas este conhe-
cimento não é importante, mas também conhecer os variados processos
para a produção de artefatos ajuda e facilita o entendimento sobre a via-
bilidade de se colocar em prática a fabricação de um produto para ser
lançado no mercado. Com isto, alguns profissionais do design optam pela
produção limitada de produtos para perceberem a aceitação desses pro-
dutos em um determinado nicho de mercado. Diante deste fato, fale so-
bre o design autoral.

148
LEITURA
COMPLEMENTAR

Don Norman e seus princípios de design


São seis princípios de design que ajudam a entender por que alguns produtos satisfazem
os consumidores enquanto outros os deixam frustrados.
Don Norman é Design Thinker, Cientista Cognitivo e um dos maiores gurus do Design que
se tem notícia. Também é professor emérito de Ciência Cognitiva na Universidade da Cali-
fórnia, em San Diego, professor de Ciência Da Computação na Universidade Northwestern,
leciona na Universidade de Stanford e também é co-fundador do Nielsen Norman Group.
Foi Don Norman quem cunhou o termo User Experience, quando trabalhava na Apple no
início de 1990, e renomeou o seu cargo para “User Experience Architect Group”:
Em seu livro O Design do Dia-a-Dia, Don Norman nos presenteou com seis princípios de
design que ajudam a entender por que alguns produtos satisfazem os consumidores, en-
quanto outros os deixam completamente frustrados.
O autor também escreveu outros dez livros, entre eles Design Emocional: Por que Adoramos
(ou Detestamos) os Objetos do Dia a dia e O Design do Futuro.

Os seis princípios de design de Don Norman


Visibilidade
As funções mais visíveis são aquelas em que o usuário provavelmente será capaz de saber
o que fazer em seguida. Do contrário, quando as funções estão fora de vista, tornam-se
mais difíceis de encontrar e, consequentemente, de saber como usá-las.
Feedback
O feedback é o retorno de informação que mostra o efeito de uma ação realizada, permi-
tindo que a pessoa continue com a tarefa. Vários tipos de feedback estão disponíveis no
design de interação: áudio, tátil, visual ou a combinações destes. Sem um feedback sobre
a ação, os usuários podem desligar equipamentos em momentos indevidos ou repetir co-
mandos, executando a mesma tarefa mais de uma vez.
Restrições
A maneira mais segura de tornar algo fácil de usar, com poucos erros, é tornar impossível de
fazê-la de outro modo, restringindo a quantidade de escolhas. Quer impedir alguém de inserir
uma pilha ou um cartão de memória em sua câmera na posição errada, com a possibilidade de

149
LEITURA
COMPLEMENTAR

danificar o equipamento? Projete-os de tal modo que eles só se encaixem de uma forma, ou
faça-o de um jeito que encaixe perfeitamente, independente da forma que for inserido.
Mapeamento
Mapeamento é um termo técnico que significa o relacionamento entre duas coisas, neste
caso, entre os controles e seus movimentos, e os resultados dessa relação no mundo. Qua-
se todos os produtos precisam de algum tipo de mapeamento entre os seus controles e as
ações que eles executam, como, por exemplo, as setas para cima e para baixo usadas para
representar o movimento ascendente e descendente do cursor, respectivamente, em um
teclado de computador. Temos outro exemplo ao dirigir um carro, quando, para virar à di-
reita, giramos o volante no sentido dos ponteiros do relógio, de modo que a parte superior
também se mova para a direita.
Consistência
Isto se refere ao design de interfaces, em que precisamos ter operações similares com ele-
mentos similares para realizar tarefas semelhantes. Em particular, uma interface consisten-
te é aquela que segue esta regra, como o uso da mesma operação para selecionar todos os
objetos em qualquer circunstância, ou o uso de um botão sempre na mesma cor, formato
e posição para submeter um formulário, seja ele de contato, de cadastro ou de pesquisa.
Affordance
Affordance é um termo que não tem uma tradução literal para o português, mas se refere
ao atributo de um objeto que permite que as pessoas saibam como usá-lo, por tão óbvio
que é, ou pelo seu visual sugerir que é fisicamente possível. Um exemplo disso é o botão de
um mouse, que pela forma como ele é fisicamente restringido em seu escudo de plástico
em relação à posição do dedo do usuário, sugere e dá indícios de que esse usuário pode
pressioná-lo. Affordance é quando um objeto é perceptivelmente óbvio e fácil para uma
pessoa saber como interagir com ele.
“Eu inventei o termo porque pensei que a Interface Humana e a Usabilidade eram muito
estreitas. Eu queria abordar todos os aspectos da experiência de uma pessoa com um sis-
tema, incluindo design industrial, gráficos, a interface, a interação física e o manual. Desde
então, o termo se espalhou amplamente, tanto que está começando a perder o significado”
(Don Norman).
Saiba mais sobre Don Norman e sua obra em: http://www.jnd.org/

Fonte: Agini (2015, on-line)9.

150
material complementar

Indicação para Ler

O Sistema dos Objetos


Jean Baudrillard
Editora: Perspectiva
Sinopse: a obra apresenta um conjunto de reflexões sobre o caráter simbólico
dos objetos como sendo um nível que transcende ao funcional. A partir disso,
Baudrillard sugere que os objetos passam continuamente do enfoque funcional
para o simbólico dentro de um determinado sistema cultural. Afirma, ainda, que
os objetos possuem significados imanentes e que o próprio adjetivo “funcional”
não está ligado apenas à finalidade prática dos objetos, mas também à sua capa-
cidade de fazer parte de um jogo de relações.

Indicação para Assistir

Passageiros
2017
Sinopse: durante uma viagem de rotina no espaço, dois passageiros são desper-
tados 90 anos antes do tempo programado, por causa de um mal funcionamento
de suas cabines. Sozinhos, Jim (Chris Pratt) e Aurora (Jennifer Lawrence) começam
a estreitar o seu relacionamento. Entretanto, a paz é ameaçada quando eles des-
cobrem que a nave está correndo um sério risco e que eles são os únicos capazes
de salvar os mais de cinco mil colegas em sono profundo.
Comentário: a cenografia do filme, por mais futurista que seja, conta com espa-
ços diversos, que possuem design específico para cada função estética e sensorial.
Apresenta como a configuração dos móveis pode alterar totalmente a forma de
se comportar no ambiente (oficina, cafeteria comunitária etc.). Enfim, é um filme
sobre duas pessoas que se veem sozinhas em uma nave, mas o ambiente acaba
por se tornar a terceiro personagem.

151
material complementar

Indicação para Acessar

Blum - Age Suit


O vídeo mostra um exercício de experiência do usuário a partir das limitações de idade de uma pessoa.
Foi desenvolvido pela empresa Blum um traje que simula as dificuldades de uma pessoa idosa, como
perda de visão, sensibilidade nos dedos e peso no corpo. O usuário deve, com essa roupa, testar os mo-
delos de armários desenvolvidos e ver a sua adequação.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=DUC7TI4GiyI>.

Hafele Los Cabos | James Bond House


Neste vídeo, é possível ver uma série de inovações tecnológicas em acessórios para movelaria e como
seria uma casa do futuro, mas com as inovações que já são oferecidas hoje no mercado.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=j3XyT0bcDLA>.

Dobradiças e Seus Ângulos


Exposição das dobradiças: esse vídeo traz a demonstração de diversas dobradiças e as funções que elas
desempenham.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=XjkDyNC5fiA>.

Aplicação de Dispositivos De Montagem


Nesse vídeo, você vai conhecer diversos modelos de dispositivos de montagem (rafix e VB) e acompa-
nhar como são feitas as instalações nas peças, além das diferenças e as indicações para cada tipo de
mecanismo, compreendendo um pouco mais as suas aplicações.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ir7SDteqHCg>.

152
referências

CUNHA, J. R. A. C. Manual Prático do Mobiliário Escolar. São Paulo: ABIME, 2001.

Referências On-Line
1
Em: <http://www.mpmoveis.com.br/blog/o-que-e-tamburato.html>. Acesso em: 8 mar. 2018.
2
Em: <http://www.proadec.com.br/pt/catalogo/fitas-de-borda/>. Acesso em: 8 mar. 2018.
3
Em: <http://www.formica.com.br/pro_caracteristicas.htm>. Acesso em: 8 mar. 2018.
4
Em: <http://www.caliman-rj.com.br/laminados/pre-compostas>. Acesso em: 8 mar. 2018.
5
Em:<http://www.selectas.com.br/index.php/pt/produtos/laminas-faqueadas-pre-com-
postas>. Acesso em: 8 mar. 2018.
6
Em: <http://www.anotec.com.br/Anodizacao.asp>. Acesso em: 8 mar. 2018.
7
Em: <http://www.rometalcomponentes.com.br/>. Acesso em: 8 mar. 2018.
8
Em: <https://www.fgvtn.com.br/>. Acesso em: 8 mar. 2018.
9
Em:<https://uxdesign.blog.br/don-norman-e-seus-princ%C3%ADpios-de-design-
-fe063669184d>. Acesso em: 8 mar. 2018.

gabarito

1. B. suave. A fixação no móvel é por meio do pino,


2. D. base giratória (com rolamentos) ou fixa (chapa
3. E. reta), presa à base do móvel por quatro para-
4. Rodízios facilitam a mobilidade das peças e a fusos. Há modelos com ou sem mecanismos
flexibilidade dos mobiliários no espaço. Po- de freio e, para cada tamanho, há um limite
de-se encontrar diversos modelos, com resis- de peso suportável por roda. Uma peça resse-
tências e funcionalidades diferentes. Para ca- cada ou com sobrepeso pode rachar. Normal-
deiras e móveis de escritório, os mais comuns mente, quanto mais alta a rodinha, mais forte
são os rodízios de polipropileno com duas ro- torna-se o rodízio (dependendo do produto).
dinhas. A fixação é por um pino central que se 5. O design autoral também é um caminho inte-
encaixa na estrela da base da cadeira ou na ressante, a única diferença é que o designer e
base com quatro parafusos, no caso de mó- o industrial passam a ser a mesma pessoa, ou
veis. É um modelo simples, barato e funcional, seja, a gestão do design, as decisões de criação
porém, dependendo do peso sobre as rodas, e execução, serão determinadas pelo projeto.
pode rachar ou quebrar. Para móveis em ge- Desta forma, o designer deve encarar seu pro-
ral, os mais indicados são os rodízios de sili- duto como um empresário: não se trata de uma
cone transparente ou fosco. Eles fazem pouco obra de arte, mas do desenvolvimento de uma
ruído, são resistentes e têm movimentação peça que possa ser comercializada no mercado.

153
MODELOS DE REPRESENTAÇÃO
EM PROJETOS DE MOBILIÁRIO

Professor Esp. Ivã Vinagre de Lima

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta
unidade:
• Modelos de representações em projetos de mobiliários
• Representações gráficas em projetos de mobiliários
• Representações físicas em projetos de mobiliários
• Geração de alternativas em projetos de mobiliários

Objetivos de Aprendizagem
• Apresentar os tipos de representações em projetos de
mobiliários.
• Reconhecer as diferenças de representações em projetos
de mobiliários.
• Mostrar a importância das representações gráficas em
projetos de mobiliários.
• Mostrar a importância das representações físicas em
projetos de mobiliários.
unidade

V
INTRODUÇÃO

O
lá, caro(a) aluno(a)! Seja bem-vindo(a) à quinta Unidade do nosso livro
Design de Mobiliário. Após você ter estudado as classificações importantes
dos variados tipos e modelos de mobiliários também na produção move-
leira, em que foram apresentadas as suas respectivas definições e diferenças
comparativas, nesta unidade serão abordados alguns tipos de representações gráficas
e físicas mais importantes e utilizadas no desenvolvimento do processo criativo, na
concepção e na apresentação dos projetos de mobiliários.
Entenderemos que, para o processo do projeto de mobiliário, é necessária a repre-
sentação gráfica por meio de desenhos manuais com materiais específicos juntamente
com as normas técnicas, além da representação digital com softwares específicos para
desenhos em 2D e 3D, cujos objetivos são o melhor entendimento e a documentação
técnica do mobiliário.
Serão apresentadas, também, algumas técnicas variadas de representações físicas
(maquetes volumétricas de estudos, maquetes físicas, modelos, mock-ups e protóti-
pos), que podem agregar mais valor no resultado final dos projetos de mobiliários.
No primeiro tópico, conheceremos os tipos de representações gráficas bidimensionais
e tridimensionais mais comuns em diversos tipos de projetos de mobiliários. Veremos defi-
nições e exemplos ilustrados que são importantes para os variados tipos de representações
gráficas utilizadas na criação de projetos de móveis e no segmento de produção seriada.
No segundo tópico, estudaremos as representações físicas em projetos de mobiliá-
rios, e que ajudarão bastante na visão espacial e tridimensional em projetos de produ-
tos e ambientes, com seus respectivos mobiliários em escalas de redução (escalas 1:10
ou 1:5), e até mesmo em escalas de tamanhos reais (escala 1:1).
Por último, veremos as aplicabilidades dos meios de representações, que podem
ser usados e apresentados por meio de uma ferramenta criativa muito usual, além das
formas de fazer as gerações de alternativas que, por sua vez, facilitam no projeto de ge-
ração de ideias para o desenvolvimento de projetos de mobiliários, levando em consi-
deração requisitos necessários que se apresentam com as matrizes de seleção, os quais
facilitarão bastante na escolha certa da ideia desejada para projetar os mobiliários.
Bons estudos!


Modelos de Representações em
Projetos de Mobiliários

158
DESIGN

Em projetos de mobiliários, a concepção do pro- com a sua complexidade e acompanhado de algu-


duto, antes de ser levado para a produção, par- mas ferramentas de criatividade para aprimorar a
te de variadas etapas de criação, seguidas de um geração das ideias.
bom processo metodológico de design, de acordo

CROQUI MAQUETE VOLUMÉTRICA DE ESTUDOS MOCKUP

REPRESENTAÇÃO GRÁFICA 2D MAQUETE FÍSICA

REPRESENTAÇÃO GRÁFICA 3D PROTÓTIPO

Figura 1- Processos do desenvolvimento de um projeto de um mobiliário


Fonte: o autor.

159


Com essas informações em relação à geração de Para Hsuan-Na (2017), o projeto não se inicia
ideias aliadas à criatividade, Hsuan-Na (2017, p. na geração de ideias, mas sim na compreensão sobre
199) apresenta a seguinte definição para a impor- o problema e, para isto, uma boa pesquisa ou inves-
tância da metodologia: tigação é essencialmente importante, a fim de, por
meio dela, conhecer as reais necessidades.
[...] o trabalho do designer difere das atividades A partir disso, é feito um registro escrito e ima-
eminentemente intuitivas do artista. Difere do
gético com todos os dados para dar início às primei-
trabalho do cientista, que busca a certeza com-
provada das hipóteses e difere, em vários aspec- ras alternativas formais. Primeiramente, começa-se
tos, da tarefa do engenheiro, que procura a solu- por meio do desenho ou modelos volumétricos, em
ção tecnológica para os problemas. O designer que são configuradas as formas iniciais que darão as
depende da inspiração, da intuição e fundamen- soluções para o projeto do produto durante o desen-
talmente da criatividade. Ele deve apoiar-se na
volvimento projetual.
atividade de projetar, pois o designer também se
entende por projeto ou projeção, que significa Para Hsuan-Na (2017), o bom conceito é aquele
exatamente “atividade de projetar”. O projeto é que propõe, explica, justifica e convence. É aquele
necessário devido à complexa problemática do que se fundamenta em razões ou motivos teóricos
design, que interliga a arte, a ciência e a tecnolo-
ou não, justificáveis. É aquele que seja factível ou
gia. A arte diz respeito à expressão artística, da
estética e à comunicação visual. A ciência exige possível, e não uma proposta fantasiosa, no sentido
o pensar nos âmbitos das ciências humanas e de sua inaplicabilidade.
exatas. A tecnologia abrange o uso de instru-
mentos, máquinas, materiais e produção.
Os modelos de representações podem ser divididos
da seguinte maneira:
Com isto, na etapa conceitual do projeto, o designer • representações gráficas;
elenca todas as informações necessárias para o projeto • representações físicas.
do produto, que servirão como base para as primeiras
gerações de ideias formais do projeto de mobiliário.

160
DESIGN

Representações Gráficas em
Projetos de Mobiliários
Este tipo de representação pode ser apresentada por realizadas com softwares específicos de desenhos em
meio de desenhos bidimensionais e tridimensionais, 2D e 3D. Essas representações podem ser desenvol-
iniciando as primeiras ideias em desenhos manuais, vidas das seguintes formas:
com alguns instrumentos próprios, dando continui- • croqui;
dade e finalizando os conceitos com desenhos rea- • desenho técnico 2D;
lizados anteriormente por meio de representações • modelagem tridimensional 3D.
gráficas com o auxílio do computador e, por sua vez,

161


cidos na primeira etapa, a fim de se aproximar


gradualmente das opções de solução nos aspec-
tos estéticos-formais, estruturais e funcionais.
Evoluindo, os desenhos tornam-se cada vez mais
maduros no sentido de obtenção de soluções.

CROQUI

De acordo com Gomes (2015), um croqui é, por de-


finição, um desenho vago e inacabado. O fato de ser
um desenho rápido de se fazer é o que torna o croqui
uma boa ferramenta para descrever ideias. O autor
também afirma que “os croquis têm várias finalida-
des: registrar imagens, observar condições e situa- Para Gomes (2015), o ser humano sempre sentiu a ne-
ções existentes ou descobrir uma ideia ou um con- cessidade de representar concretamente as suas ideias
ceito de maneira analítica” (GOMES, 2015, p. 17). e, para isso, o desenho tem sido o seu principal aliado.
É importante o desenvolvimento dos primeiros
croquis, pois eles fazem parte do processo criativo O desenho à mão livre é um talento especial
para o designer, mas isso não significa que seja
para dar forma física ao mobiliário e ao ambiente
fundamental para todas as atividades dentro
que se deseja projetar. Para isto, é necessário gerar desse universo criador, como muitos acreditam
alternativas com mais de uma opção antes de colo- ser. Existem grandes designers que não possuem
car em prática a concepção do projeto. Hsuan-Na uma especial habilidade para o desenho, assim
(2017, p. 213) fala sobre as ideias que são represen- como é possível que um habilidoso desenhista
não tenha qualquer vocação para o design.
tadas graficamente.
A explicação para isso reside no fato de que,
para o design, o mais importante são os dese-
As primeiras ideias representadas graficamente, nhos mais objetivos e esquemáticos, e poucos
mesmo que sejam ainda primárias, devem levar os desenhos subjetivos e de interpretação (GO-
em consideração os critérios básicos estabele- MES, 2015, p. 17).

162
DESIGN

Diante disso, é notório que, mesmo com vários sof- Para Gomes (2015), o desenho técnico tem a sua
twares específicos de desenho e a tecnologia digital origem no desenho geométrico, pois foi por meio
apresentando-se como uma das ferramentas impor- deste que o desenho deixou de ser uma expressão
tantíssimas para o design, o croqui ainda é um proces- artística para ser exato.
so muito utilizado dentro da geração de ideias para o Os desenhos técnicos com especificações das me-
projeto de qualquer produto em qualquer segmento. didas (detalhamento técnico) têm uma fundamental
importância para um bom projeto, pois neles serão le-
DESENHO TÉCNICO 2D vadas em consideração todas as medidas necessárias
para a utilização e a acomodação de móveis, objetos e
Para dar início ao processo de fabricação do mo- outros equipamentos em geral, não se esquecendo as
biliário de produção seriada, ou de produção sob tarefas que serão utilizadas em cada ambiente.
medida, é necessário o desenho técnico do móvel. Com isto, a ergonomia tem um papel muito im-
Vesterlon (2007, p. 10) afirma que: portante nesta etapa projetual, pois, sem ela, ficará
visível que todo o trabalho foi desenvolvido sem
[...] para projetar um produto, são necessários pesquisa, no improviso e no “achismo”.
conhecimentos sobre desenho técnico. Ele é
Para dar início ao projeto do mobiliário, é im-
uma forma de expressão gráfica, que tem por fi-
nalidade a representação da forma, dimensão e portante conhecer os aspectos importantes que re-
posição de objetos de acordo com as diferentes gem o produto. Gomes (2015, p. 117) afirma que:
necessidades requeridas.
[...] a ergonomia deve estar em todo e
qualquer projeto de produto, pois este
A representação gráfica visual do desenho 3D im-
se relaciona direta e fisicamente com
pressiona no primeiro olhar. Ele apresenta uma boa o usuário. Trata-se da facilidade de
estética e, assim, é um bom artifício de estratégia uso e a perfeita adaptação entre o pro-
para vender o projeto. Entretanto, não é o suficiente duto e o usuário com base em dados
para a execução final do projeto, pois os desenhos antropométricos. O designer deve
conhecer bem os princípios
em 2D têm fundamental importância para a produ-
que regem a ergonomia
ção e a execução dos mobiliários. para que possa adotá-la
de modo inteligente.

Nos desenhos técnicos de mo-


biliário de produção seriada,
são representadas todas as
furações ou marcações (to-
das cotadas) para as junções
de peças e de compo-
Figura 2 - Desenho 2D de uma base de mesa desmontável
nentes que, por sua
Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017). vez, são necessárias

163


4 xф 8 15
para as montagens das partes e dos componentes que

9
estruturam o mobiliário.
65 32 256 32 65

4 xф8 15 65 32 256 32 65
9

6
6
20 25
10 10

DETALHE L
ESCALA 1:1 DETALHE A
ESCALA 2:3
6

10 10
Figura 5 - Detalhe da prateleira do móvel
Fonte: acervo pessoal - Clécio Zeithammer (2015).
DETALHE A
ESCALA 1:2

Figura 3 - Detalhamento técnico da parte superior de uma prateleira


Fonte: acervo pessoal - Clécio Zeithammer (2015).

450
65 320 65
2 x ф 15 15 35 ф 18 PA
21
25
570

2 xф
2 xф
9

65 32 256 32 65

Figura 4 - Detalhe da tampo prateleira do móvel Figura 6 - Desenho técnico de uma cadeira com es-
Fonte: acervo pessoal - Clécio Zeithammer (2015). trutura em metal, assento e encosto em madeira
Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).

164
DESIGN

SAIBA MAIS

Desenho técnico definitivo


É executado a partir da definição e aprova-
ção do protótipo. Nele, deverão ser apre-
sentadas, de forma clara, todas as medidas,
detalhes e informações para o processo de
fabricação. Normalmente, é desenvolvido
em folhas A4, seguindo as normas técnicas
de construção, em que são representadas
peça por peça do produto.
A partir desta etapa, os desenhos seguem
com destino à produção, onde será feito
o primeiro “lote piloto”, ou seja, o primei-
ro produto que serve para a conferência
de todas as informações fornecidas pelo
desenho técnico. Essa é uma etapa muito
importante para descobrir possíveis falhas
no projeto, na representação gráfica ou nas
Figura 7 - Desenhos da poltrona com pallet descartado etapas de montagem.
Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).
Fonte: Vesterlon (2007, p. 89).

Tais desenhos podem utilizar bonecos tridimensio-


nais para a simulação de cenas de uso, oferecendo a
ideia da figura humana no ambiente, apresentando as MODELAGEM TRIDIMENSIONAL 3D
ações de uso do produto, podendo ser em 2D e 3D.
Os desenhos feitos em modelagem tridimensional
(3D) ajudam na avaliação e na visualização inicial
do conceito, da estética e da forma do produto, as-
sim como na simulação e na organização espacial do
produto para ter uma ideia de como o mobiliário fi-
cará disposto no espaço e quais modificações serão
necessárias em algum detalhe desse mobiliário.
Essa modelagem tem grande aplicabilidade em
design de interiores, podendo também ser utilizada
por empresas de móveis que projetam mobiliários
componíveis, unitários, modulados e de conjunto.

Figura 8 - Simulação espacial em 2D com bonecos


tridimensionais dentro do ambiente
Fonte: acervo pessoal - Talles Mesquita (2017).

165


A apresentação do projeto do produto pode ser


feita de maneira bidimensional, juntamente com as
imagens do projeto tridimensional para se ter a ideia
da proporção do mobiliário ocupado dentro de de-
terminados ambientes.

Figura 10 - Simulação espacial em 3D com bone-


cos tridimensionais dentro do ambiente
Fonte: acervo pessoal - Talles Mesquita (2017).

Levando em consideração que a modelagem digital


ajuda e facilita a visualização espacial do projeto de
Figura 9 - Simulação espacial e das cores do
mobiliário componível no ambiente produto e as suas possibilidades de variadas confi-
Fonte: acervo pessoal - Talles Mesquita (2017).
gurações, Oliveira (2014, p. 153) afirma que:

É também comum a utilização de representações [...] o uso correto das ferramentas de navegação
2D e 3D ajuda a aumentar em muito a velocida-
do modelo em 3D, em que, virtualmente, testa-se as
de de desenho e modelagem, e deve ser prático
cores e as texturas em um menor espaço de tempo. em todos os momentos possíveis para que você
Após as correções e análises, o modelo pode ser uti- tenha condições de navegar em 3D da mesma
lizado na apresentação final do produto. forma e com a mesma agilidade que o faz em 2D.

166
DESIGN

Figura 11 - Simulações de possibilidades de usos com mesa componível de estudos e de refeições


Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).

Figura 12 - Mesa componível desmontável com Figura 13 - Desenho da Poltrona com pallet descartado
demonstração do sistema de montagem Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).
Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).

167


Figura 14 - Criado Falante


Fonte: Passaretti e Bisterzo (MONO DESIGN, [2018], on-line)1.

Em projetos de mobiliários seriados, não se deve Para o projeto da embalagem, são desenvol-
esquecer da embalagem do produto. Pois, em pro- vidas algumas simulações espaciais em 3D das
dutos desmontados, deve-se prever a organização peças e componentes do mobiliário dentro do vo-
espacial dos componentes e as suas respectivas pe- lume da que poderá ser ocupado, como foi apre-
ças dentro da embalagem. sentado na Unidade I.

Figura 15 - Mesa componível e cadeira desmontável com demonstra-


ção do sistema de montagem e de organização na embalagem
Fonte: o autor.

168
DESIGN

Representações Físicas em
Projetos de Mobiliários
Esse modelo de representação tem a função de trans- Com isto, é essencial produzir modelos físicos para
mitir e apresentar a ideia da forma do produto e de a representação e a apresentação de produtos e, as-
como ele pode comportar-se no ambiente. Pode ser sim, melhorar a visualização e o entendimento. As
representado de forma bidimensional, tridimensio- representações físicas podem ser demonstradas das
nal e mista (bidimensional e tridimensional). Para seguintes formas:
Munari (2008, p. 85): • maquete volumétrica de estudos;
• mock-up;
[...] os modelos têm várias funções. Podem • maquete física;
servir, por exemplo, para fazer demonstração • protótipo.
prática de testes de materiais ou para apresen-
tar um pormenor manuseável através do qual
se possa entender o funcionamento de uma do-
bradiça ou de um encaixe.

169


MAQUETE VOLUMÉTRICA DE ESTUDOS

É um tipo de modelo físico tridimensional que tem


fundamental importância no desenvolvimento das
possibilidades de experimentos e testes para a cons-
trução e a produção. Ele é desenvolvido em escalas de
redução, contendo as medidas reais do produto proje-
tado e que serão adotadas nas representações dos de-
senhos técnicos, desenvolvidos com diversos tipos de
materiais por meio da geração de formas do produto.
Estas são desenvolvidas por meio do conceito inicial e
concebidas nos primeiros esboços, para que se tenha
Figura 16 - Simulação de cenas de uso com maquete física e volumé-
uma ideia de qual será a melhor forma do produto. trica de estudos de mobiliário componível para sala de TV
Fonte: o autor.
Em muitas situações, essas técnicas também são
utilizadas nas apresentações formais em gerações de
alternativas, ajudando no entendimento dos aspec-
tos técnicos, estruturais, formais, funcionais e esté-
ticos, pois tais técnicas facilitam a visualização das
ideias antes da produção do protótipo.
Algumas simulações podem ser feitas com bo-
necos articuláveis de tamanhos diferentes e que
imitam algumas proporções humanas, facilitando a
verificação de alguns atributos eficazes na análise er-
gonômica. Nessas simulações, são apresentados ma-
nejos, alcances físicos e outros movimentos neces-
Figura 17 - Simulação com a maquete
sários que serão exigidos e atribuídos para o projeto volumétrica de mobiliário componível
Fonte: o autor.
do produto e, assim, há grande contribuição para o
resultado final do projeto.
Esse processo serve para modificar ou acrescen-
tar determinados detalhes que serão observados nas
simulações e análises, antecipando alguns problemas
futuros nas melhorias das pesquisas e que estarão
presentes na qualidade do resultado final do produto.
Nessa primeira fase de modelagem, a criatividade
pode ser desenvolvida na escolha final na representa-
ção da ideia das gerações de alternativas na matriz de
Figura 18 - Simulação com a maquete volumétrica de estudos
seleção (alternativa selecionada). Fonte: o autor.

170
DESIGN

MOCK-UP Esta simulação facilita bastante a compreensão


das formas e das funções do produto, como diz Co-
É um modelo físico de baixa fidelidade e complexi- elho (2008, p. 133):
dade, com funcionalidade limitada para determina-
dos testes de simulações de usabilidade. Aproxima- [...] o nível de detalhamento do mock-up varia em
função do tipo de avaliação planejada: estática
-se um pouco da realidade formal do produto, pois
ou dinâmica. A avaliação estática, conduzida por
não precisa reproduzir todas as funções. especialistas, se relaciona com os conceitos do
O mock-up serve como ponto de partida para o projeto; geralmente são utilizadas checklists. Já
refinamento da alternativa escolhida no projeto do as avaliações dinâmicas verificam a simulação de
produto. É parecido com a maquete volumétrica de uso, onde é verificado o passo-a-passo desempe-
nhado pelo usuário. Esses dois tipos de avaliação
estudos, diferenciando-se apenas na escala, pois, de
são complementares – as avaliações dinâmicas
acordo com Lima (2006, p. 29), ele é “modelo em geralmente revelam problemas que não podem
escala natural (1:1), com material diferente ao espe- ser identificadas pelas avaliações estáticas.
cificado no projeto, que apresenta as formas, dimen-
sões e detalhes necessários para as análises”. Em algumas simulações, o mock-up utiliza a figura
O mock-up ajuda na observação e identificação humana ou bonecos articulados com medidas an-
de problemas construtivos e de alguns possíveis tropométricas, com percentis diferenciados e com
mecanismos, melhorando os arranjos estruturais, extremos das medidas dos usuários, analisando qual
formais e dimensionais, e também na simulação de média adapta-se mais facilmente às variações das di-
cenas de uso. Ajuda a sugerir algumas alterações mensões dos usuários.
quando ocorre a interação em uso com outros pro- Esses bonecos articulados podem ser desenvol-
dutos na composição com o ambiente. vidos com materiais flexíveis para realizar alguns
A simulação pode ser feita para se ter uma ideia movimentos necessários em possíveis tarefas que
do possível arranjo para o transporte (logística) do serão utilizadas no produto, representando as me-
produto, no caso de mobiliários desmontáveis ou didas antropométricas para realizar registros foto-
com peças que podem ser fixadas separadamente. gráficos dos testes e das análises feitas na simulação
O mock-up físico pode ser utilizado para simu- de cenários de uso.
lações de usos com os variados e possíveis usuários, Vários elementos podem ser observados na simu-
de diferentes percentis, com possibilidades de confi- lação e na produção do mock-up, a fim de evitar e di-
gurações de usos com o produto. minuir algumas falhas nas dimensões dos produtos,
Dependendo da complexidade, quantidade e ta- falhas essas que se relacionam com alguns movimen-
manho do produto ou do sistema, alguns mock-ups tos de alcance, altura, postura incorreta e desconforto
podem ser feitos com representações bidimensionais, causado nas tarefas realizadas com o produto.
porém, com simulações pensadas em contextos tridi- Com essas informações observadas, é aconselhá-
mensionais, sendo feitos na vertical ou na horizontal, vel sugerir determinadas correções, sendo que algu-
com as suas representações no chão ou na parede. mas delas resultam em ajustes e em mudanças que

171


podem vir a serem feitos na maquete física e, poste- mos, equipamentos e mobiliários, sendo produzidas
riormente, no protótipo. Ou poderão ser realizadas e representadas em escalas de reduções variadas. De
novas análises com a produção de um novo mock-up acordo com Lima (2006, p. 29):
que, por sua vez, é ajustado e modificado para que se-
jam feitas as alterações necessárias, resolvendo deter- [...] a maquete física é um modelo em escala re-
duzida, feito com qualquer material. As técni-
minadas falhas ou problemas observados nas simula-
cas de desenvolvimento, são mistas, produzidos
ções de usabilidade e de estabilidade do produto. com diversos materiais, como por exemplo: pa-
O mock-up ajuda também em simulações de or- pel, madeira, acrílico, PVC, acetato, sucatas em
ganização espacial de produtos para facilitar a sua geral, entre outros diversos materiais.
respectiva logística, facilitando o armazenamen-
to com a possibilidade de encaixar mais produtos
nos espaços destinados à sua logística de transpor-
tes para a comercialização. Essa simulação é muito
útil para mobiliários seriados montados e seriados
desmontados, em situações de análise do volume de
ocupação no espaço, principalmente para móveis es-
tofados montados e desmontados.

SAIBA MAIS

O mock-up físico facilita o bom entendimen-


to da ideia real do produto que será proje-
tado, sendo confeccionado com materiais
variados e na escala 1:1, para servir como
experimento volumétrico.
Muitas vezes, por ser um modelo de estu-
dos, a qualidade no acabamento deixa a
desejar, causando espanto para algumas
pessoas que são convidadas para fazer al-
gumas simulações e experimentos de usos
e que não fazem parte do processo de de-
senvolvimento do projeto do produto.

Fonte: o autor.

Figura 19 - Simulação de cenas de usos com maquete física de mobiliário


MAQUETE FÍSICA Fonte: o autor.

Muito utilizada para a representação tridimensional Em muitas situações, as maquetes físicas possuem
de espaços, detalhes construtivos, objetos, paisagis- riquezas de detalhes que, em algumas fotografias

172
DESIGN

de simulação de organização espacial, confundem


no primeiro olhar, parecendo espaços e objetos de
escala real.

Figura 21- Simulações de cenas de usos em maquete física de mobiliário,


acompanhadas de um manequim articulável
Fonte: o autor.

SAIBA MAIS

Figura 20 - Simulação de cenas de usos com maquete física de mobiliário


Fonte: o autor.
As maquetes físicas ajudam na representa-
ção feita após a análise e a simulação de ce-
Caso seja necessário, utiliza-se manequins articulá- nas de usos com as maquetes volumétricas
veis para realizarem algumas cenas de usos ou apre- e com os mock-ups, apresentando a ideia da
maior parte dos detalhes importantes que
sentações de algumas tarefas que imitam variados serão desenvolvidos e utilizados no projeto.
tipos de usuários em determinados manejos, alcan- Em todas essas etapas, uma boa elaboração
ces físicos etc., podendo servir como base em simu- projetual não pode ser desenvolvida sem os
princípios norteadores da ergonomia, que
lações ergonômicas. fazem parte tanto de projetos de interiores
De acordo com Cavassani (2014), a maquete física quanto de projetos de mobiliários, pois o
nos cede a opção do palpável. Fora do mundo virtual, foco da concepção desses projetos deve
estar sempre centrado nos usuários.
ela nos permite ter em mãos um elemento, mesmo
que em miniatura, que é uma cópia muito próxima Fonte: o autor.

do que será executado em um futuro próximo.

173


PROTÓTIPO Na etapa da produção do protótipo piloto, são


observados todos os detalhes que serão realizados
De acordo com Lima (2006), é um modelo em escala em todas a sequências produtivas, para que, no final,
natural (1:1), com material igual ou semelhante ao o produto produzido não tenha falhas e nem origine
especificado no projeto. O protótipo é um modelo futuras reclamações por parte dos clientes e usuários.
produzido com os materiais especificados no proje-
to e destinado para testes e provas antes do procedi-
mento de fabricação em série.
Na análise de provas e testes, os projetistas ob-
servam a estética formal do produto e todos os de-
talhes dos processos produtivos, verificam se existe
alguma falha na usabilidade do produto, na mon-
tagem, no acabamento e no seu funcionamento e,
assim, liberar para a fabricação seriada ou apenas
para uma quantidade menor em forma de lote pi-
loto, para serem desenvolvidos a última análise e os
possíveis ajustes corretivos.
Em alguns casos, um protótipo é desenvolvido ape-
nas para a exposição e/ou o lançamento de produtos, para
verificar a sua viabilidade e também as reações de um de-
terminado público em relação à aceitação ou não de um
novo produto que poderá ser desenvolvido e produzido.
O desenvolvimento do primeiro protótipo ajuda
na redução de riscos ou de incertezas, facilitando o
entendimento de requisitos que fazem parte da se-
quência dos processos, e estes poderão ser utilizados
na fabricação do mobiliário.
Desta forma, o protótipo serve como base para
os referidos ajustes detectados, para as possíveis cor-
reções e especificações dos materiais, estabilidade/
resistência do produto, componentes, dispositivos
de montagens e processos tecnológicos que serão
utilizados na fabricação.
Figura 22 - Protótipo de móvel estofado, apresentando
algumas das possibilidades de composição
Fonte: o autor.

174
DESIGN

Após a fabricação do protótipo, podem ser de- Outra alternativa muito realizada e usual é a simu-
senvolvidas algumas simulações nas configurações lação de uso com os possíveis usuários do produto
formais do mobiliário para se ter uma ideia das di- e, desta forma, realizar uma simulação ergonômica
mensões e das possíveis composições que esse mobi- de uso com o mobiliário. Diante disso, Gomes Filho
liário ocupará em diferentes ambientes. (2003, p. 17) diz que:

[...] a ergonomia objetiva sempre a melhor ade-


quação ou adaptação possível do objeto aos seres
vivos em geral. Sobretudo no que diz respeito à
segurança, ao conforto e à eficácia de uso ou de
operacionalidade dos objetos, mais particular-
mente, nas atividades e tarefas humanas. Nes-
te contexto, compreende-se a palavra objeto num
sentido bem amplo e, portanto, significando pro-
dutos de uso em geral: máquinas, equipamentos,
ferramentas, postos de trabalhos, postos de ativi-
dades, ambientes, sistemas de comunicação e de
informações, e assim por diante.

Assim, na simulação de uso com o produto, é acon-


selhável que seja feita uma análise de testes com os
mais variados e possíveis usuários, inclusive com
animais, se for o caso.

175


Gerações de Alternativas em
Projetos de Mobiliários
É uma ferramenta de criatividade que, nas metodolo- métricos de forma livre. A mente do designer traba-
gias usuais, tem início após o levantamento completo lha sem restrições na utilização do processo criativo,
dos dados e das informações que norteiam o projeto. podendo gerar a maior quantidade possível de op-
Durante esta etapa do projeto, são desenvolvidos ções de alternativas e, assim, ter como base referen-
alguns desenhos manuais ou com softwares específi- cial todos os conceitos pesquisados e analisados.
cos, ou por meio de maquetes e modelos volumétricos De acordo com Platcheck (2012), a geração de
de estudos em escalas reais/de redução, com o objeti- alternativas é a concepção de ideias de configuração
vo de ilustrar e simular a geração de ideias e soluções. por meio do uso de representação bi e tridimensio-
Na primeira etapa da geração de alternativas, são nais (roughs, esboços, layout, rendering).
desenvolvidos desenhos, esboços ou modelos volu-

176
DESIGN

Nesta fase, é usual fazer uma


tabela, denominada matriz de
seleção, com ideias que podem
ser feitas de diversas maneiras:
desenhos manuais, desenhos
digitais com softwares espe-
cíficos, modelo volumétrico,
maquete, física, mock-up etc.
É gerada a maior quantida-
de possível de alternativas de
forma intuitiva, e por meio de
análise visual, experimentos
ou simulações formais, chegar
à melhor escolha de solução.
Figura 23 - Em software 3D, gerações de al-
Em seguida, as opções são observadas, analisa- ternativas de um banco em madeira
Fonte: acervo pessoal - Alan Aparecido An-
das e votadas com algum conceito ou nota, levando
dré de Azevedo (2014).
em consideração alguns parâmetros para a escolha
da melhor alternativa.

Figura 24 - Desenho manual de geração de alternativa de um móvel (aparador)


Fonte: acervo pessoal - Elias Soares (2013).

177


Caso haja uma grande quantidade de opções na ma-


triz de seleção, e não ocorrer dúvidas na escolha de
uma das opções, o ideal é fazer uma segunda ma-
triz de seleção com algumas alterações sugeridas, e
assim sucessivamente, até que se escolha a melhor
alternativa.

Requisitos a serem
atendidos

Aspectos estéticos A A A
Multifuncional N/A N/A N/A
Ergonomicamente correto A A A
Fácil produção A A A
Preço acessível A A A
Menos peso N/A A A
Fácil manuseio N/A A A
Características inovadoras N/A N/A N/A

Tabela 1 - Opções de alternativas organizadas em uma tabela de matriz de seleção


Fonte: o autor.

Essa tabela da matriz de seleção é um modelo que se


faz para chegar à alternativa escolhida do produto,
podendo ser apresentada com representações gráfi-
cas manuais ou digitais, e também com representa-
ções físicas (maquetes, modelos ou mock-ups).

178
considerações finais

Caro(a) aluno(a), finalizamos o nosso conteúdo da Unidade V construindo a per-


cepção das relações práticas entre as representações gráficas e físicas que são usadas
em alguns projetos de mobiliários, levando em consideração que essas duas formas
de representações (gráficas e físicas) comunicam-se, completam-se e interagem. Isto
porque, no bom resultado do protótipo de um projeto de mobiliário, muitas vezes,
deve-se passar por esses processos representativos para gerar as primeiras formas do
produto, o que pode servir, nesse resultado, para ilustrar o processo de desenvolvi-
mento projetual. Este, por sua vez, pode ser anexado na documentação técnica, a qual
apresenta todas as fases do projeto de desenvolvimento do produto.
Aprendemos a diferenciar os meios de representações gráficas que podem ser utili-
zados em projetos de mobiliários para variados tipos de ambientes e com diversas
finalidades de utilização.
A identificação de uma forma apropriada para um determinado projeto de mobiliário,
que é destinado a variados perfis de clientes, é um processo que, muitas vezes, não é fácil,
pois necessita de uma boa fase de pesquisa, levando em consideração todos os desejos
e necessidades dos usuários que são inseridos em variados públicos-alvos específicos.
Aprendemos, também, a importância da ferramenta criativa de geração de alternativas,
principalmente quando organizadas em uma tabela de matriz de seleção, recurso que
faz muita diferença na escolha de um determinado artefato.
Com isto, os meios de representação, juntamente com um bom processo metodológico
do design e conhecimentos básicos sobre ergonomia e materiais, facilitam bastante
todo o processo de criação e, consequentemente, contribuem efetivamente para um
bom resultado no design de produto, assim como em um projeto segmentado para
o setor moveleiro.

179
LEITURA
COMPLEMENTAR

Prototipagem rápida

A prototipagem rápida é um processo que produz peças camada por camada, diretamente
de um modelo gerado por um sistema de projeto auxiliado por computador (CAD). É um
método bastante peculiar, uma vez que ele agrega e une materiais, camada a camada, de
modo a construir o objeto desejado em plástico, madeira, cerâmica ou metais. Ele oferece
diversas vantagens em muitas aplicações quando comparado aos processos de fabricação
clássicos, baseados em remoção de material, tais como fresamento ou torneamento. Ao
contrário dos processos de usinagem, que retiram material (subtração) da peça bruta para
obter a peça desejada, os sistemas de prototipagem rápida geram a peça a partir da união
gradativa (adição) de líquidos, sólidos ou pós.
São vários os sistemas de prototipagem rápida usados na fabricação de modelos, mas to-
dos os existentes são constituídos por cinco etapas básicas:
1ª Criação de modelo CAD da peça projetada.
2ª Conversão do arquivo CAD em formato adequado.
3ª Fatiamento do arquivo em finas camadas.
4ª Construção real do modelo por meio de camadas sobrepostas (adição).
5ª Limpeza e acabamento do modelo.
Após exaustivo detalhamento das peças confeccionadas por meio de prototipagem rápida,
entra em cena o protótipo definitivo para a produção em série, realizado com materiais
definitivos e acabamentos que simulam ao máximo o produto final.
Devido às suas peculiaridades na produção, um protótipo pode custar 20 vezes o valor do
produto final produzido em série. Isso significa dizer, por exemplo, que o protótipo de um
produto que custe 1.000 reais pode chegar ao preço de 2.0000 reais e, mesmo assim, o pro-
cesso de prototipagem rápida é tão oneroso quanto os tradicionais, tais como usinagem.
A prototipagem é, portanto, um momento crucial no projeto, tanto no que diz respeito às
soluções buscadas como ao elevado custo exigido.
Por isso, sempre que possível, o protótipo deve ser substituído por esboços, desenhos de ilus-
trações, maquetes ou mock-ups. Os protótipos somente devem ser feitos em caso de extrema
necessidade e, ainda assim, com a complexidade mínima para encontrar soluções do projeto.

Fonte: Gomes (2015, p. 105-106).

180
atividades de estudo

1. No design de produto, especificamente em projetos de mobiliários, os meios


de representação física podem ser divididos em:
a. Maquete volumétrica de estudos, protótipo e croqui.
b. Maquete volumétrica de estudos, mock-up, maquete física e protótipo.
c. Sistema 32, mock-up, desenho técnico.
d. Maquete volumétrica, Sistema 32, desenho técnico.
e. Mock-up, Sistema 32, desenho técnico.

2. A geração de alternativas é uma ferramenta muito importante para a defini-


ção da escolha do produto que será desenvolvido para o projeto de mobiliá-
rio. Diante desta afirmação, fale sobre esta ferramenta.
3. O protótipo é praticamente o resultado de todo um processo no desenvolvi-
mento de um projeto de produto e, para se chegar até ele, muitas fases são
realizadas. Explique o que é e qual a função de um protótipo.
4. No design de produto, a representação gráfica tem um grande peso para que
o produto possa ser produzido. Sobre os itens relacionados com a representa-
ção gráfica em projetos de mobiliários, leia as afirmativas a seguir.
I. Em móveis seriados, usualmente é desenvolvido um manual de montagem.
II. Para a produção em série, são desenvolvidos desenhos peça por peça.
III. Utiliza-se softwares específicos de desenho 2D e 3D.
IV. É desenvolvida uma maquete volumétrica de papel e de outros materiais.

Podemos afirmar que:


a. Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.
b. Somente as afirmativasII e III estão corretas.
c. Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
d. Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas.
e. Nenhuma das afirmativas está correta.

181
atividades de estudo

5. Dentre os itens a serem verificados, no que diz respeito às representações


gráficas e físicas, leia as afirmativas a seguir.
I. O desenvolvimento do primeiro protótipo ajuda na redução de riscos ou de
incertezas, facilitando o entendimento de requisitos que fazem parte da sequ-
ência dos processos que, por sua vez, poderão ser utilizados na fabricação do
mobiliário.
II. A geração de alternativas é uma ferramenta de criatividade que, nas meto-
dologias usuais, tem início após o levantamento completo dos dados e das
informações que norteiam o projeto.
III. Na primeira etapa da geração de alternativas, são desenvolvidos desenhos,
esboços ou modelos volumétricos de forma livre, o entendimento das confi-
gurações e as junções das peças e componentes.
IV. Protótipo: modelo em escala natural (1:1), com material igual ou semelhante
ao especificado no projeto.

Podemos afirmar que:


a. Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.
b. Somente as afirmativas II e III estão corretas.
c. Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas.
d. Somente a afirmativa III está correta.
e. Todas as afirmativas estão corretas.

182
material complementar

Indicação para Ler

Técnicas de Representação
Lorraine Farrelly
Editora: Bookman
Sinopse: esse livro explora diversos conceitos e técnicas empregados para a re-
presentação em arquitetura, desde a maneira como os croquis são utilizados para
desenvolver as ideias de conceito, até desenhos do projeto executivo e maquetes
necessários para a construção de edificações. Técnicas de Representação cobre os
métodos de representação bi e tridimensional e demonstra a variedade de técni-
cas e instrumentos disponíveis, como os empregados para fazer croquis à mão
livre, desenhos e maquetes eletrônicas de última geração. Exemplos de arquitetos
e projetistas de prestígio do mundo inteiro, e também trabalhos mais experimen-
tais, feitos por estudantes de arquitetura, demonstram uma variedade de inter-
pretações, possibilidades e aplicações.

Indicação para Assistir

O Homem ao Lado
2009
Sinopse: filme argentino mais premiado de 2010, “O Homem ao Lado” tem como
protagonista Leonardo, um designer de produto bem-sucedido que mora na ma-
ravilhosa Casa Curutchet, projetada por Le Corbusier e localizada em La Plata, Ar-
gentina. É famosa por ser a única casa que o arquiteto projetou em toda a América
Latina. Tudo começa quando o seu vizinho faz um buraco na parede que dá para
o interior da sua casa.

183
material complementar

Indicação para Acessar

Reedição Cadeira 1001 - Móveis Cimo S/A


Esse vídeo mostra uma simulação em 3D de possibilidade de uma reedição da Cadeira 1001, produzida
pela antiga fábrica de móveis Cimo.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ySIrm9y5K0o>.

Documentário Carlos Motta: nas ondas da vida


esse vídeo é um documentário que mostra um pouco da vida, das experiências e dos trabalhos realiza-
dos pelo projetista de móveis Carlos Motta.
Disponível em: <https://vimeo.com/12566996>.

184
referências

CAVASSANI, G. Técnicas de Maquetaria. São Paulo: Érica, 2014.


COELHO, L. A. L. (org). Conceitos-chave em design. Rio de Janeiro: PUC-Rio/
Novas Ideias, 2008.
GOMES FILHO, J. Ergonomia do Objeto: sistema técnico de leitura ergonômica.
São Paulo: Escrituras, 2003.
GOMES, L. C. G. Fundamentos do Design. Curitiba: Editora do Livro Técnico,
2015.
HSUAN-NA, T. Design: Conceitos e Métodos. São Paulo: Blücher, 2017.
LIMA, M. A. M. Introdução aos Materiais para Designers. Rio de Janeiro: Ciência
Moderna Ltda., 2006.
MUNARI, B. Das Coisas Nascem Coisas. Trad. José Manuel de Vasconcelos. 2. ed.
São Paulo: Martins Fontes, 2008.
OLIVEIRA, A. Desenho computadorizado: técnicas para projetos arquitetônicos.
São Paulo: Érica, 2014.
PLATCHECK, E. R. Design industrial: metodologia de ecodesign para o desenvol-
vimento de produtos sustentáveis. São Paulo: Atlas, 2012.
VESTERLON, M. Desenho de Móveis. Bento Gonçalves: SENAI/CETEMO, 2007.

Referência On-Line
Em: <www.monodesign.com.br>. Acesso em: 10 mar. 2018.
1

185
gabarito

1. B.
2. É uma ferramenta de criatividade que, nas metodologias usuais, tem iní-
cio após o levantamento completo dos dados e das informações que nor-
teiam o projeto.
Durante esta etapa do projeto, são desenvolvidos alguns desenhos ma-
nuais ou com softwares específicos, ou por meio de maquetes e modelos
volumétricos de estudos em escalas reais/de redução, com o objetivo de
ilustrar e simular a geração de ideias e soluções.
Na primeira etapa da geração de alternativas, são desenvolvidos dese-
nhos, esboços ou modelos volumétricos de forma livre. A mente do desig-
ner trabalha sem restrições na utilização do processo criativo, podendo
gerar a maior quantidade possível de opções de alternativas e, assim, ter
como base referencial todos os conceitos pesquisados e analisados.
3. O protótipo é um modelo produzido com os materiais especificados no
projeto e destinado para testes e provas antes do procedimento de fabri-
cação em série.
Na análise de provas e testes, os projetistas observam a estética formal
do produto e todos os detalhes dos processos produtivos, verificam se
existe alguma falha na usabilidade do produto, na montagem, no acaba-
mento e no seu funcionamento e, assim, liberar para a fabricação seriada
ou apenas para uma quantidade menor em forma de lote piloto, para
serem desenvolvidos a última análise e os possíveis ajustes corretivos.
Em alguns casos, um protótipo é desenvolvido apenas para a exposição e/
ou o lançamento de produtos, para verificar a sua viabilidade e também
as reações de um determinado público em relação à aceitação ou não
de um novo produto que poderá ser desenvolvido e produzido. Após a
fabricação do protótipo, podem ser desenvolvidas algumas simulações
nas configurações formais do mobiliário para que se tenha uma ideia das
dimensões que ocupará em possíveis ambientes. Outra alternativa mui-
to realizada e usual é a simulação de uso com os possíveis usuários do
produto e, desta forma, realizar uma simulação ergonômica de uso com
o mobiliário.
4. B.
5. C.

186
UNIDADE
VI
MATERIAL EXTRA

Professor Esp. Ivã Vinagre de Lima


Professora Esp. Thiara L. S. Stivari Socolovithc

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta
unidade:
• Uma demanda inicial
• Fase da preparação: análise do problema
• Fase da geração de ideias: alternativas do problema
• Fase da seleção de ideias: avaliação das alternativas de design
• Fase de realização: proposta definida da solução de design
• Documentação do projeto de design

Objetivos de Aprendizagem
• Analisar os perfis de demanda do mercado.
• Compreender as fases de análise do problema.
• Compreender o processo de geração de ideias.
• Observar métodos de análise de ideias propostas.
• Preparar o projeto para implementação.
• Compreender a fase de documentação do projeto final.
unidade

VI
INTRODUÇÃO

C
aro(a) aluno(a), nesta unidade, acompanharemos a importância do designer na
criação e no desenvolvimento de soluções para problemas observados. Acom-
panharemos, de forma prática, o passo a passo das metodologias de design
aplicadas no desenvolvimento do projeto de móveis.
Propomos, por meio dos exemplos desenvolvidos, demonstrar como é importante
a visão crítica e analítica do designer sobre o seu próprio trabalho. O profissional deve
desenvolver um olhar criterioso sobre os seus projetos, pensando não só em solucionar
problemas, mas nos aspectos sociais, ou seja, como as pessoas vão utilizar os produtos,
qual a sua segurança ou o seu risco de acidentes, além da responsabilidade com o meio
ambiente e o ciclo de vida desses produtos.
Encararemos o design como fator criativo fundamental no processo de desenvolvi-
mentos de novos produtos, pois, como parte integrante do processo industrial, espera-se
dele a capacidade intelectual de reunir informações, analisá-las e propor inovações que
sirvam aos propósitos da empresa e que atendam bem ao mercado consumidor.
Conforme Löbach (2001) orientava, a criatividade do designer manifesta-se à medida
que ele reúne os seus conhecimentos técnicos e a sua experiência prévia às informações
e aos desafios que cada problema apresenta, estabelecendo novas perspectivas, abando-
nando a segurança do que é conhecido para, assim, propor um olhar crítico e criativo na
busca por novas respostas a antigos problemas.
Compreendemos que esse desafio é um trabalho em conjunto entre designers e em-
presários para criar soluções inovadoras. A partir de um problema ou de uma demanda
de mercado, podemos pensar em uma série de metodologias que nos auxiliem no cami-
nho para propor soluções pertinentes aos problemas apresentados. Dentre elas, estão as
propostas de Bernand Löbach (2001), Bruno Munari (2008), Mike Baxter (2011), entre
outros. Convidamos você a fazer a leitura das bibliografias referenciadas e conferir, tam-
bém, qual modelo adequa-se melhor ao seu perfil de trabalho


Uma Demanda
Inicial
Caro(a) aluno(a), a demanda por um novo projeto Em segundo lugar, uma demanda pode surgir de
de mobiliário pode surgir de diversas maneiras, para uma auditoria do produto existente, em que se ana-
isto, é necessário compreender as estratégias empre- lisam falhas e possíveis defeitos (não identificados
sariais para o desenvolvimento de novos produtos. previamente) ou problemas de custo de produção
Alguns dos aspectos que são considerados po- atuais, exigindo a revisão do produto.
dem ser, segundo Baxter (2011), a análise do ciclo Outra demanda pode surgir da análise do mer-
de vida dos produtos existentes, em que a empre- cado e da concorrência. Ao pesquisar sobre o mer-
sa observará em qual ponto de maturidade eles se cado consumidor, constatam-se carências ainda não
encontram e, desta forma, estar preparada para, no atendidas ou que podem ser melhor supridas, geran-
momento de declínio das vendas, ter um novo pro- do a oportunidade de inovação. Ao analisar os con-
duto a ser lançado e, assim, não perder mercado. correntes, a empresa pode observar de que maneira

192
DESIGN

eles conseguiram alcançar o sucesso ou onde fracas- substituição dos produtos, conforme eles vão ama-
saram. Estas análises antecipam possíveis ameaças durecendo e entrando em declínio e, muitas vezes, o
futuras e conferem em qual medida a concorrência produto não chega a “cair de moda”, mas, por conta
pode interferir no desempenho da própria empresa. do mercado, já é exigida a sua substituição. O mer-
Por fim, pode surgir uma demanda de design de cado de móveis, por ser um segmento de bens de
um projeto para o futuro. Um investimento sem re- média duração, possui uma rotatividade um pouco
torno imediato que, entretanto, pode tornar-se uma menor, porém, é também influenciado pelas tendên-
solução rentável em longo prazo (em termos de ima- cias de moda e pelas inovações.
gem da marca ou de lucro efetivo). Vamos conhecer Quando, em uma análise da concorrência, o pro-
mais detalhadamente, na sequência, essas demandas. duto encontra-se em desvantagem, por exemplo, a sua
estética tornou-se obsoleta ou está muito semelhante
DEMANDA POR RENOVAÇÃO DE LINHA ao que há no mercado, ou se a sua performance é pior
DE PRODUTOS do que a da concorrência, é comum que surja a de-
manda pela troca ou reestruturação dos produtos.
Essa demanda surge pela necessidade de inovação
estética/formal devido ao ciclo de vida dos produ-
tos, à atualização de produtos existentes, à renova-
ção por questões de moda e tendências (troca de
coleção, demanda sazonal etc.). O design do móvel
destina-se a propor novas configurações para o pro-
duto, porém, sem grandes alterações no processo
produtivo, o foco é a renovação estética das peças.

DEMANDA POR RENOVAÇÃO TÉCNICA

A proposta é apresentar uma nova forma de fabri-


cação para um produto já existente. O foco está na
melhoria de performance do produto, no estudo
de custos, na revisão dos materiais, na otimização
das peças, nos processos produtivos empregados,
entre outros. O designer pode atuar juntamente
Segundo Baxter (2000), os produtos devem ser subs- com o engenheiro de produção para, com peque-
tituídos por novos para manterem o poder compe- nos ajustes estéticos/formais, conseguir maiores
titivo da empresa. Mercados ligados à moda são um produtividade ou aproveitamento dos recursos fí-
exemplo do contínuo fluxo de criação, circulação e sicos e pessoais da empresa.

193


DEMANDAS PARA NECESSIDADES FUTURAS

Essas demandas surgem a partir da projeção ou da


antecipação de problemas sociais que possam vir a
existir. É o caso da projeção de produtos para uma
situação de calamidade, problemas de ordem ecoló-
gica com destino local ou global, ou projetos de de-
senvolvimento tecnológico para realidades futuras.
Designers, como Tim Brown (CEO da IDEO e
desenvolvedor da metodologia de Design Thinking)
DEMANDA DO MERCADO ATUAL ou empresários, como Elon Musk (proprietário da
Tesla e da Space X) tornaram-se referências ao pro-
A empresa percebe um problema ou uma necessi- por novas visões sobre os problemas do mundo e
dade que os consumidores possuem devido à inade- como o ser humano pode agir nele.
quação/obsolescência de produtos existentes ou um Este campo de atuação compreende não somen-
desejo latente que ainda não se manifestou, o qual te a inovação estética, mas a tecnológica, a funcional
possa ser atendido por um novo projeto de design. O e a própria concepção da função do design, por as-
caso das carroças é um exemplo clássico: observou- sim dizer, podendo oferecer inovações ao mercado
-se que as pessoas tinham necessidade/desejo de se de infinitas maneiras.
locomoverem mais rapidamente, e não de cavalos/ Em vista dessas demandas, o designer depara-
carroças mais velozes. Com a -se com uma série de proble-
definição clara do problema, as mas a ser resolvidos. E por esta
soluções puderam ser mais as- perspectiva que o processo
sertivas e inovadoras e, a partir criativo pode ser dividido em
daí, o automóvel tinha espaço quatro etapas:
para ser criado. Em tempos de • fase da preparação: aná-
constantes mudanças, é neces- lise do problema;
sário repensar o que está esta- • fase da geração de idéias:
belecido e propor novas ideias. geração de alternativas;
Para Baxter (2000, p. 122), • fase da seleção de ideias:
avaliação das alternati-
“o produto com uma especifi-
vas de design;
cação clara e precisa, antes de
• fase de realização: reali-
começar o desenvolvimento,
zação e revisão da solu-
tem três vezes mais chances de ção do problema.
sucesso do que aquele cujo de-
senvolvimento é iniciado sem
esse tipo de cuidado”.

194
DESIGN

Fase de Preparação:
Análise do Problema
Esta pode ser a primeira etapa do projeto, em que Carpes Junior (2014, p. 35) apresenta a seguinte
é realizado o levantamento dos dados necessários definição para o projeto informacional:
para a especificação do problema de projeto e os
requisitos e/ou restrições do produto que se dese- [...] a primeira fase do desenvolvimento de um
produto é o projeto informacional, também
ja projetar. Para Baxter (2000, p. 74), “a análise do
chamado de definição da tarefa ou planeja-
problema serve para conhecer as causas básicas do mento do produto. Para realizar essa etapa, é
problema e, assim, fixar as suas metas e fronteiras”.

195


preciso identificar e analisar as necessidades


do consumidor, descrever a ideia do produto e pretende projetar, a apresentação de uma nova pro-
determinar os requisitos e as especificações do posta para um novo e diferenciado produto, uma
projeto.Assim, no design de produto, o plane- boa justificativa que especifica a necessidade para
jamento é uma das etapas muito importantes um determinado segmento mercadológico que se
para um bom resultado final de um artefato,
pois é nele que podem ser definidas todas as fa-
deseja atingir e o foco sempre centrado no usuário.
ses que darão sequência para a organização do Com isto, o conhecimento do público-alvo ajuda na
desenvolvimento de um produto. detecção de novas oportunidades para um produto
ter boa aceitação dentro de um segmento do nicho
Segundo Merino (2016, p. 7), de mercado que se deseja atingir.
Hsuan-Na (2017, p. 45) apresenta a seguinte de-
[...] o Design é uma disciplina que tem por ob- finição sobre a importância do método no design
jetivo máximo promover o bem estar das pes-
de produto:
soas, a diferença está na maneira de como o de-
signer percebe as coisas e age sobre elas.
[...] toda atividade pensada e planejada, ou que
segue métodos, consiste em um processo. Desde
Baxter (2000, p. 122) apresenta a seguinte defini-
a confecção de um bolo até o planejamento do
ção para o planejamento do produto: produto que demanda tempo, espaço e méto-
dos, recursos, técnicas e materiais. No design de
[...] o planejamento do produto é uma das ativi- produtos, o grau de complexidade é tão grande
dades mais difíceis no desenvolvimento de no- que exige uma metodologia eficaz para orientar
vos produtos. Pode ser frustrante experimentar o designer a racionalizar toda a sequência do
a sensação de estar pulando no vazio, quando trabalho para conhecer um produto.
se procura especificar um produto, cujo desen-
volvimento ainda não foi iniciado. Desta forma, uma sequência metodológica ajuda
Muitos designers não suportam essa sensação bastante na organização das informações e no bom
de vazio e partem logo para elaborar alguns es-
resultado final de um projeto de produto.
boços e modelos. O planejamento do produto
exige, portanto, auto-disciplina. Você deve in-
sistir em cumprir bem essa tarefa, se desejar que ANÁLISE DA NECESSIDADE
o seu produto tenha uma boa chance de desen-
volvimento. Começar o desenvolvimento sem
Essa análise tem a função do entendimento e da
ter o planejamento bem feito é como sair por aí,
navegando às cegas, sem ter um destino certo. observação das necessidades dos consumidores
ou usuários de produtos ou serviços, e essa função
No planejamento para a concepção de um projeto pode ser aprofundada por meio de pesquisa de
de produto, deve estar inseridas a identificação de campo, questionários, entrevistas, enquetes etc.,
uma nova oportunidade para um determinado ni- em que podem ser percebidos e entendidos os de-
cho de mercado, a pesquisa e a análise dos produtos sejos, as necessidades e, até mesmo, os comporta-
concorrentes e similares dentro do segmento que se mentos dos usuários.

196
DESIGN

Figura 1 - Detalhe da tampo prateleira do móvel


Fonte: acervo pessoal - Clécio Zeithammer (2015).

A posição, a localização e o espaço ocupado do


Segundo Merino (2016, p. 7), “o design é uma discipli- objeto em relação ao usuário são determinantes
na que tem por objetivo máximo promover o bem-es- para uma boa interação no ambiente.
tar das pessoas, a diferença está na maneira de como o
designer percebe as coisas e age sobre elas”. Hsuan-Na Para avaliar um produto, é essencial que sejam ana-
(2017, p. 79) apresenta a seguinte definição sobre a re- lisadas as relações com o usuário sob diversas óticas.
lação e a adaptação do usuário com o objeto: Assim, faz-se necessária uma análise ergonômica
do objeto projetado, cujo objetivo é a detecção de
[...] na interação entre homem e o objeto, este aspectos positivos e negativos e o aprimoramento
deve se adaptar às necessidades e exigências do
da relação usuário x produto, aspecto que, por sua
primeiro. Mesmo assim, o homem usa o objeto
e tenta adaptá-lo à sua maneira, criando con- vez, visa a aumentar a qualidade do desempenho e
sequências às vezes prejudiciais à sua saúde. O do conforto dessa relação, tendo como finalidade a
usuário, muitas vezes, não assume posturas e obtenção de determinantes da situação de trabalho.
movimentos de modo ergonomicamente ade- Desta forma, é aconselhável uma análise das ta-
quado. No aspecto do uso, a ergonomia torna-
refas que são desempenhadas pelos usuários junta-
-se fundamental quando se trata do conforto
na sua utilização. O objeto, principalmente o mente com o mobiliário, em que podem ser obser-
mobiliário, quando é mal resolvido no aspecto vados e detectados todas as necessidades, benefícios
ergonômico e mal relacionado ao seu usuário, e malefícios que o mobiliário oferece ao usuário. De
pode trazer consequências desagradáveis não
acordo com Pazmino (2015, p. 124):
só no estado físico-fisiológico, mas também psi-
cológico e mental. Essa é uma importante con-
sideração que deve ser lembrada pelo designer. [...] a análise da tarefa permite observar a relação
Não só as formas e dimensões, mas os materiais do homem com determinado produto ou servi-
e cores exercem influências no conforto de uso. ço durante seu uso. Por meio dessa ferramenta,

197


podem ser observados os aspectos ergonômicos


e antropométricos de determinada atividade, fundamental importância para a compreensão das
destacando pontos positivos e negativos que reais necessidades desejadas.
possam melhorar a interface homem-produto. A pesquisa sobre os comportamentos dos con-
sumidores auxilia as descobertas dos desejos e dos
pensamentos e, assim, é possível observar uma nova
oportunidade para o mercado destinado a esse pú-
blico e, quem sabe, para um novo nicho de mercado.
Peruzzi (1998, p. 11) apresenta a seguinte definição
para o design:

[...] o design é um elemento fundamental para


agregar valor e criar identidade visual para
produtos, serviços e empresas, constituindo,
em última análise, a imagem das empresas no
mercado. Alguns aspectos incorporados pelo
design são inovação, confiabilidade, raciona-
lização, evolução tecnológica, padrão estético,
rápida percepção da função – uso de produtos,
adequação às características sócio-econômicas
e culturais do usuário.
ANÁLISE DO PÚBLICO-ALVO
Com isto, na análise do público-alvo, é necessário
No projeto de produto, o foco deve sempre estar o conhecimento das caraterísticas psicológicas, so-
centrado no usuário e, com isto, o conhecimento e ciais, econômicas e culturais. Estas características
a definição com mais propriedade sobre o perfil do auxiliam no entendimento para a melhor visualiza-
público-alvo que se deseja atingir com o projeto têm ção das necessidades dos possíveis usuários. Merino

198
DESIGN

[...] o briefing do processo projetual exige uma


(2016, p. 7) apresenta a seguinte definição sobre o análise prévia das características do público-al-
projeto centrado no usuário: vo: faixa etária; gênero; condições e expectati-
vas financeiras, culturais, estéticas e psicoló-
[...] pensar em projeto centrado no usuário gicas; características físicas e mentais; desejos;
é colocar o usuário no centro de cada fase do preferências; necessidades e exigências. Enfim,
desenvolvimento de um produto ou serviço. o projeto procura conceber e produzir um pro-
Esta abordagem requer a adoção de uma sé- duto para atender ao seu público-alvo. Os qua-
rie de cuidados que vão desde a interação com tro pilares do design têm exatamente a função
o produto/serviço às características e experi- de fazer o designer ter em mente esses fatores
ências do usuário por meio dessa interação O básicos que, ao serem destrinchados, cobrem as
desafio está não somente em levantar informa- considerações necessárias para tal fim.
ções, analisá-las e chegar à solução para proble-
mas existentes, mas sim, em testar, avaliar e va- Com essas informações, o projeto consegue ter
lidar produtos ou serviços planejados para um mais propriedade e bom desempenho, atendendo,
mundo real, para usuários reais. desta forma, o máximo possível das necessidades
dos usuários.
Assim, com o conhecimento dos possíveis usuários,
torna-se mais fácil direcionar o produto para ter um ANÁLISE DA RELAÇÃO SOCIAL
bom resultado, evitando, com isto, os “achismos”.
Esta análise tem grande importância no design de
produto, pois ela pode mostrar as características no
contexto que norteia o produto, contexto esse den-
tro de uma estrutura social, e também em sua fun-
ção simbólica, com o propósito de atingir e atender,
de forma abrangente, às necessidades de um deter-
minado nicho de mercado.
Para o sucesso e a boa aceitação do mobiliário, é
importante, além do estudo dos valores simbólicos
e comportamentais, uma pesquisa de tendências, a
fim de satisfazer as necessidades humanas para que,
assim, o produto consiga ter uma boa inserção em
seu lançamento.
Para Ono (2006, p. 38),

[...] o contexto social, cultural e econômico exer-


ce uma grande influência sobre os valores, pensa-
Hsuan-Na (2017, p. 88), por sua vez, apresenta a seguin-
mentos e ações dos indivíduos, e, extensivamen-
te definição sobre as características do público-alvo: te, sobre o julgamento e uso dos objetos pelos
mesmos, moldando os hábitos de consumo”.

199


ANÁLISE DA RELAÇÃO COM O juntamente com o mobiliário, possibilitando, assim,


AMBIENTE (PRODUTO-AMBIENTE) o melhor aproveitamento do espaço físico disponível.
O fato da metragem dos espaços ser cada vez mais
A concepção de desenvolvimento de um projeto de reduzida dificulta a sua relação com a disposição dos
produto com possibilidade de uso em um ambien- móveis e com outros produtos no interior dos am-
te (interno ou externo) envolve processos que nem bientes, os quais configuram-se como elementos de
sempre são ideais para a organização espacial destes extrema importância para a sua composição espa-
espaços. A problemática das configurações espaciais cial, evitando, assim, projetos de produtos mal di-
em alguns ambientes, principalmente em habita- mensionados, fornecendo insatisfação aos usuários.
ções, constitui um nicho em crescente ascensão no A ergonomia está relacionada à otimização do
mercado imobiliário brasileiro, o que contribui para espaço e à sua utilização a partir da observação e
a construção e a aquisição de moradias com cômo- análise das condições ideais, considerando a funcio-
dos cada vez menores. nalidade, a disposição de mobiliário e a circulação,
Com isto, a ergonomia faz parte de um requisi- aspectos que podem conferir ao usuário autonomia
to muito importante, pois é necessária a realização e orientação (VASCONCELOS, 2011).
de um estudo de diagnose ergonômica com muita Para avaliar um produto, é essencial que sejam
responsabilidade na etapa do desenvolvimento do analisadas as relações com o usuário sob diversas
produto, procurando trazer, como prioridade, a qua- óticas. Assim, faz-se necessária uma análise ergo-
lidade nos projetos para os usuários, demonstrando nômica do objeto projetado, que tem por objetivo a
a relação entre o design, a ergonomia e a construção detecção de aspectos positivos e negativos e o apri-
civil nos aspectos de dimensionamento dos espaços moramento da relação usuário x produto, visando

200
DESIGN

a aumentar, nessa relação, a qualidade do desempe-


nho e do conforto, tendo como finalidade a obten-
ção de determinantes da situação de trabalho.

A partir disto, deve-se projetar e planejar os mobiliá-


rios tendo, como foco principal, não só os ambientes
[...] é um exame dos aspectos culturais, sociais,
aos quais esses mobiliários destinam-se, mas também tecnológicos etc., observados quanto à evolução
os comportamentos e as necessidades dos usuários. de um produto. Ou seja, é um levantamento das
características do produto a ser desenvolvido ou
DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO da função a ser satisfeita, mostrando as mudan-
ças ao longo do tempo. Deve incluir uma análise
de tendências tanto comportamentais como so-
É uma etapa dentro do desenvolvimento do projeto ciais e tecnológicas. Estes dados podem ser uti-
de produto que tem uma grande relação com Histó- lizados para definir as características no projeto
ria, Sociologia e Antropologia, pois é feita uma análise e evitar reinvenções e plágios.
histórica de um determinado produto similar àquele
que se deseja projetar, verificando o caminho percor- ANÁLISE DE MERCADO
rido por ele ao longo de uma determinada época.
A análise pode ser apresentada por meio de uma Esta análise pode ser chamada, também, de análise
tabela cronológica e comparativa, ou simplesmente de concorrentes e similares ou de análise sincrônica.
por meio de imagens de produtos que marcaram De acordo com Pazmino (2015, p. 64):
uma determinada linha do tempo.
Pazmino (2015, p. 82) descreve a etapa do desen- [...] é uma ferramenta de análise que serve para
comparar os produtos em desenvolvimento
volvimento histórico do produto da seguinte maneira:

201


com produtos existentes ou concorrentes, base-


ando-se em variáveis mensuráveis, ou seja, que ANÁLISE DE MATERIAIS E PROCESSOS DE
podem ser medidas. Permite avaliar aspectos FABRICAÇÃO
qualitativos, quantitativos.
Conhecer os materiais e os processos é um dos re-
quisitos principais para o designer de produtos. O
contato com catálogos, as visitas em lojas de diver-
sos segmentos, além das visitas às feiras e exposições
que apresentam tendências (com as suas respectivas
aplicações), todos ajudam bastante no enriqueci-
mento do repertório visual e até despertam a cria-
tividade para novas possibilidades de usos em va-
riados projetos de mobiliários e de outros produtos.
Segundo Munari (2008, p. 98), “deve-se verificar
se o material utilizado é adequado ao objeto e suas
Para Baxter (2000, p. 116), funções, e se atende aos objetivos propostos”. Para
Paim e Scotton (2007, p. 7),
[...] a análise de concorrentes serve para mo-
nitorar as empresas e seus produtos. Procura
[...] a seleção do material adequado é essencial
determinar como elas conseguiram alcançar o
ao desenvolvimento do produto, para que o
sucesso e onde fracassam.
mesmo seja bem elaborado em todos os sen-
[...] para esta análise, prioriza-se uma boa ob-
servação quanto à adequação do mobiliário aos
requisitos e atributos ergonômicos, e também
quanto aos aspectos problemáticos observados
em uma pesquisa de campo.

202
DESIGN

tidos: qualidade, propriedade, custo, desem-


penho de sua função e aceitação pelo público
consumidor.

PATENTES, LEGISLAÇÃO E NORMAS

O projeto de mobiliário deve estar de acordo com


normas, conformidades e especificações vigentes,
frente à regulamentação que é exigida para o desen-
volvimento de qualquer produto.
Estas informações são de extrema importância
para dar continuidade ao projeto, a fim de fornecer
maior subsídio ao projeto de mobiliário de qualquer
categoria de produto, sendo necessário dar atenção
especial para uma pesquisa sobre legislações especí-
ficas e normas vigentes, referentes ao produto a ser
projetado. Peruzzi (1998, p. 37) diz que:
SAIBA MAIS

Caro(a) aluno(a), para o projeto de mobiliários,


[...] o respeito às normas técnicas no desenvol- existem algumas normas da ABNT (Associação
vimento de novos produtos é de vital impor- Brasileira de Normas Técnicas) sobre mobili-
tância para o designer, pois as normas foram ário.
elaboradas por comitês de profissionais que co- NBR 12666: Móveis - Terminologia
nhecem o assunto e têm como principal meta NBR 12743: Móveis - Classificação
o conforto e a segurança do consumidor final. NBR 13918: Móveis - Berços Infantis
NBR 13919: Móveis - Cadeiras Altas
NBR 14033 Móveis para Cozinha
Assim, o conhecimento das normas vigentes oferece NBR 13966: Móveis para Escritório - Mesas
NBR 14006 Móveis Escolares - Cadeiras e me-
ao projeto do produto um respaldo com mais pro- sas para conjunto aluno individual
priedade para um bom resultado, atendendo, assim,
Fonte: adaptado de ABNT ([2018], on-line)1.
às diversas exigências.
Outro aspecto importante, caso o produto seja
uma inovação no mercado, é a verificação junto ao
INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial)
e averiguar se existe algum registro referente à pa-
tentes e reinvenções, para evitar plágios de produtos
ou de sistemas já existentes.

203


Fase de Geração de Ideias:


Alternativas do Problema
Esta fase consiste na concepção das possíveis ideias Qualquer produto, ao ser projetado, deve ser
da configuração do produto e podem ser geradas e coerente em seu todo, ou seja, as questões fun-
estimuladas por meio de diversas ferramentas de cionais, ergonômicas, entre outras, devem estar
criatividade, que ajudam no desenvolvimento de uma condizentes com as questões de significação do
melhor solução para um bom design de produto. produto. Desta forma, para se pensar no estilo
Para o desenvolvimento desta etapa, são utiliza- do produto, são realizados painéis imagéticos, os
das ferramentas de suporte, como painéis semânticos, quais são confeccionados usando apenas imagens
painéis de desenvolvimento de princípios de soluções, e palavras com significativa representatividade do
conceituação, bem como desenhos e modelos de estu- conceito ao qual se referem.
do decorrentes do processo de geração de alternativa.

204
DESIGN

auxiliar o designer ou a equipe na geração de


CONCEITOS DO DESIGN alternativas.

A etapa do projeto conceitual é uma das mais im- Com base no painel visual do produto, busca-se
portantes, pois é nela que se iniciam os processos imagens de produtos que estejam de acordo com o
criativos. Neste momento, são desenvolvidas as al- espírito do projeto a ser criado. Os produtos podem
ternativas por meio de desenhos, esboços, rende- ser de diversos setores do mercado e devem explorar
rings, ilustrações e modelos físicos tridimensionais o estilo esperado no processo de desenvolvimento
para se chegar às possíveis soluções de projeto rela- ou, até mesmo, estilos que possam ser conectados
tivas à forma e à função do produto. para uma nova proposta. São analisadas e seleciona-
Busca-se a partir da pesquisa antes elaborada, das imagens de produtos que expressam um ou mais
os conceitos para a criação do painel de conceito ou dos diferentes conceitos propostos, com o objetivo
significado. O objetivo do painel de expressão do tanto de ilustrar como de ser mais uma ferramenta
produto, segundo Baxter (2000, p. 190), de auxílio à etapa criativa do projeto.
De acordo com Pazmino (2015, p. 172),
[...] é de esclarecer o estilo que deve ser buscado
na concepção do novo produto, ou seja, deve [...] é um painel de imagens que representam o
conter imagens relacionadas às emoções que significado do produto em diversos objetos. Ser-
o produto deve transmitir aos seus usuários. ve para auxiliar o designer ou a equipe na geração
Deste modo, o painel é constituído de imagens de alternativas a partir do levantamento de ele-
generalizadas que exprimem os conceitos. mentos estéticos, como cor, material, forma etc.

De acordo com Pazmino (2015, p. 166),

[...] é um painel de imagens que representam


o significado que o produto deverá passar ao
público-alvo no primeiro olhar. Servindo para

205


Esse painel serve como inspiração por meio de


imagens com conceitos (palavras-chave) que mo-
tivam o processo de criação do produto. Baxter
(2000, p. 174) apresenta a seguinte definição para
projeto conceitual:

[...] o projeto conceitual tem o objetivo de pro-


duzir princípios de projeto para o novo pro-
duto. Ele deve ser suficiente para satisfazer as
exigências do consumidor e diferenciar o novo
produto de outros produtos existentes no mer-
cado. Especificamente, o projeto conceitual deve
mostrar como o novo produto será feito para
atingir os benefícios básicos.
Portanto, para o projeto conceitual, é necessário
que o benefício básico esteja bem definido e que
se tenha uma boa compreensão das necessidades
do consumidor e dos produtos concorrentes.

Com isto, durante as etapas do projeto conceitual,


os conceitos apresentados nos painéis de imagens
devem exprimir as ideias, as sensações e as emoções
que o projeto deseja transmitir.

ESBOÇO E IDEIAS DAS ALTERNATIVAS DE


SOLUÇÃO
Figura 2 - Geração de alternativas em 3D de uma mesa
Para Baxter (2000, p. 201), a primeira etapa da aná- para um projeto de mesa de refeições
Fonte: acervo pessoal - Jean Covaleski (2017).
lise das funções do produto é gerar uma lista dessas
funções sob o ponto de vista do consumidor, usando
a técnica do brainstorming. Após o desenvolvimento das gerações de ideias for-
Nessa etapa, são geradas as alternativas utilizan- mais do produto, inicia-se a organização das alternati-
do diversas ferramentas de criatividade no processo vas desenvolvidas para serem apresentadas em uma ta-
de criação, por meio de um simples rascunho ou de bela para a escolha ou a votação da melhor alternativa.
softwares gráficos específicos de desenho. Para selecionar o modelo que melhor cumpre os
É fundamental mesclar algumas ideias de outras so- requisitos de projeto, opta-se por uma matriz de sele-
luções para que o produto atenda aos requisitos da ma- ção. Neste momento, é avaliado cada modelo separa-
neira mais coerente possível. Esta parte é analisada na fase damente, fazendo apontamentos de aspectos positivos
do projeto preliminar, já prevendo possíveis alterações. e negativos, com a atribuição de conceitos ou notas.

206
DESIGN

Fase de Seleção de Ideias:


Avaliação das Alternativas de Design

Para selecionar a melhor alternativa, utiliza-se uma análises e verificações, das quais podem ser extraí-
matriz de seleção onde constam os requisitos de pro- das informações necessárias e relevantes ao proje-
jeto e, ao lado, uma tabela com conceitos ou notas to, escolhe-se a alternativa definitiva. A execução da
que definem se os requisitos são atendidos ou não matriz de seleção é uma forma eficiente de decisão.
pelas alternativas desenvolvidas durante o projeto. Segundo Löbach (2001), após o processo de cria-
A partir dessa matriz, o modelo que apresenta ção de alternativas e de esboços, ou modelos prelimi-
os requisitos de melhor forma é o escolhido, po- nares, é necessário levantar um quadro comparativo
rém, pode-se julgar que o projeto ainda necessite de para avaliar as soluções propostas. Baxter (2000, p. 64)
certas adaptações para o seu aprimoramento. Após apresenta a seguinte definição para a seleção de ideias:

207


[...] o procedimento mais importante no proje- aceitáveis [...], e provavelmente cada uma se
to de produtos é pensar em todas as possíveis mostrará mais ou menos satisfatória de várias
soluções e escolher a melhor delas. A finali- maneiras para clientes ou usuários diferentes
dade da geração de ideias é produzir todas as (LAWSON, 2011, p. 119).
possíveis soluções. A seleção tentará escolher a
melhor delas. Para isso, é necessário ter uma es-
pecificação do problema que orienta a escolha
Por esta razão, é importante que, nessa fase, o cliente
da melhor alternativa. Isso demonstra a impor- também participe. Isto é, neste momento, a equipe
tância da fase de preparação. Muita gente pensa de design apresentará as soluções criadas e, em par-
que a parte criativa do problema termina com a ceria com o cliente, ela conversará sobre os critérios
geração de ideias e que a sua seleção posterior é
de avaliação das soluções, estabelecer o que deve ser
uma simples tarefa rotineira.
Mas isso nem sempre é verdade, pois é neces- alterado e o que fica no projeto, quais peças serão
sário ser criativo também na seleção. É nesse mantidas e quais projetos devem ser arquivados, en-
estágio que as ideias podem ser expandidas, tre outros aspectos.
desenvolvidas e combinadas para se aproximar
No mundo da moda, é muito comum fazer o
cada vez mais da solução ideal.
que se chama de painel da coleção: neste quadro, são
Mais além, Bryan Lawson explica, no livro Como apresentados os modelos desenvolvidos. Além da
arquitetos e designers pensam (2011), que projetar gerência, a equipe de vendas e de produção auxilia a
envolve fazer escolhas, ou seja, por mais que tenha- decidir as peças que serão produzidas.
mos diversas soluções, dificilmente elas conseguirão
suprir todas as necessidades levan-
tadas no problema.

Quase invariavelmente, pro-


jetar envolve fazer conces-
sões. Às vezes, os objetivos
declarados podem estar em
conflito direto entre si, como
o caso dos motoristas que
exigem boa aceleração e bai-
xo consumo de combustível.
É raro que o projetista possa
simplesmente otimizar uma
exigência sem sofrer perdas
em outras. O modo como se
fazem concessões e acomo-
dações continua a ser uma
questão de discernimento
habilidoso. Portanto, não há
soluções ótimas para os pro-
blemas de projeto, mas sim,
toda uma série de soluções

208
DESIGN

Inovação/ Processo de
Produto/Critério Forma/Estética Custo Comercialização
Originalidade produção

Solução A

X X X X XXX

Solução B

XXX XX XX XXX XX

Solução C

XXX XXX XXX XXX XX

Quadro 1 - Quadro comarativo de soluções de design


Fonte: os autores.

O uso do quadro, um painel com post-it ou a amos- as hierarquias de importância de cada item. Vamos
tra dos protótipos e mock-ups lado a lado ajudam a nos aprofundar no exemplo dado e como pode ser
avaliar comparativamente as vantagens e as desvan- feita uma avaliação.
tagens de cada solução, inclusive, podem auxiliar a • Qualidades estéticas dos objetos: em que são
propor uma outra solução que acaba por ser o con- comparados entre si e em relação a outros no
densamento de características interessantes observa- mercado. É uma análise com aspecto subje-
tivo, mas que parte de um profundo conhe-
das nas várias soluções. Os itens do quadro podem
cimento do mercado consumidor ao qual o
ser definidos pela equipe de decisão e determinarão

209


produto destina-se. Por exemplo: um produto


com desenho conhecido ou muito próximo
aos modelos existentes tem baixo valor estéti-
co em um mercado consumidor que é voltado
à moda ou ao high tech, mas, para um mer-
cado tradicional, manter certas características
pode ser indicativo de identificação e de histó-
ria/narrativa entre o consumidor e o produto.
• Originalidade e inovação: é comparado ao
que, dentre as alternativas, propôs a melhor
inovação em termos tecnológicos, de per-
formance ou de usabilidade para o usuário.
A solução que mais atendeu às necessidades
que a pesquisa de mercado e a experiência de
apresentadas pelo problema, a que propôs so-
vendas da empresa, em seu relacionamento
luções inéditas etc.
com os clientes, analisam quais soluções têm
• Processo produtivo: leva-se em considera- a melhor capacidade de comercialização e
ção as necessidades de tecnologia, maquiná- quais demandarão um maior esforço de pro-
rio, força humana, tempo de produção etc. paganda para conseguir espaço no mercado.
Soluções inovadoras geralmente demandam
um processo produtivo diferenciado, a ne-
cessidade de novos maquinários ou, talvez, Por exemplo, existem produtos que devem ser reno-
novas etapas de produção, que devem ser vados sazonalmente, mas já fazem parte da identida-
avaliadas, inclusive, sob o aspecto da capaci- de da marca, são os carros-chefe da empresa, e existe
dade produtiva da empresa. uma tradição de consumo, ou seja, aqueles produtos
• Custo: considera como um todo o quan- que sempre vendem e que são mantidos na linha de
to essa solução custará à empresa em seu produção. Estes podem sofrer alterações ao longo
aspecto geral, em matérias-primas, mão
do tempo, mas o design muito inovador pode causar
de obra, maquinário, transporte, despesas
estranheza e, ao invés de atrair, pode repelir os con-
fabris, administrativas etc. Não é, muitas
vezes, uma área que o designer consegue sumidores tradicionais.
computar em sua totalidade, por isto, o Os designs modernos desenvolvidos no começo
apoio do departamento de produção e do do século XX, são exemplo de que é possível inovar,
administrativo é muito interessante, o de- no entanto, é necessário que se invista em estratégias
signer pode fazer uma pesquisa para conse- de vendas e de comunicação. No caso dos artistas
guir ponderar as suas soluções e prever os
e industriais do início do século XX, o seu sucesso
custos, porém, a empresa pode propor so-
comercial foi acompanhado pelo desenvolvimento
luções e mostrar caminhos ou negociações
que alteram muito esta conta. industrial e por uma profunda transformação so-
• Capacidade de comercialização: é avaliada cial, além da evolução da indústria cultural, com os
a força de aceitação e a vendabilidade da so- seus meios de comunicação massivos. Os projetos
lução no mercado (ninguém quer criar um modernistas eram divulgados em revistas de design
produto para morrer na prateleira), de modo (criadas para esta nova estética), documentários,

210
DESIGN

SAIBA MAIS

Convido você a pesquisar as exposições de


arte e decoração do final do século XIX e início
do século XX, e que serviram de divulgação
para diversos artistas, industriais e arquitetos.
A primeira, em 1851, a “Grande Exibição de
Trabalho das Indústrias de Todas as Nações”
ou “Grande Exibição”, muito conhecida por
seu palácio de cristal. A exposição de art déco
de 1925, em Paris, onde Le Corbusier participa
com seu “Pavilhão de Habitação”, um projeto
controverso para a época, e a Exposição de
Stuttgart em 1927 (Weissenhofsiedlung), orga-
nizada por Walter Gropius (Bauhaus), contou
com a participação de diversos arquitetos
(entre eles, Mies Van der Rohe e Le Corbusier)
que promoviam qual seria a estética nova
para esse mundo moderno.
programas de TV, exposições e mostras de decora-
Fonte: os autores.
ção e arquitetura, museus de arte etc. Isto é, foi ne-
cessário abrir caminho para esses produtos por meio
de estratégias de comunicação, mas, de fato, elas de-
• Qual importância tem esta nova solução para
ram certo. Os móveis desenvolvidos na Alemanha,
o usuário ou para a sociedade?
nos Estados Unidos etc. conseguiram tornar-se ex-
• Essa solução observou os princípios de usabi-
tremamente rentáveis e revolucionar o que temos lidade, ergonomia e funcionalidade?
atualmente em design e decoração. • Atingiu as expectativas estético-formais e de
A seguir, veremos uma maior quantidade de cri- inovação tecnológica desejadas?
térios comparativos e, assim, podemos perceber que • Essa solução pode ser fabricada ou ainda pre-
cada projeto exige o estudo e a escolha dos aspectos cisa de ajustes?
avaliativos, considerando a sua pertinência e o grau • Quais pontos precisam ser revistos, quais as
de importância para o problema. possíveis falhas desse produto e o que já está
aprovado?
ESCOLHA DA MELHOR SOLUÇÃO E IN- • Qual importância tem essa nova solução para
o êxito financeiro da empresa?
CORPORAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS
DO NOVO PRODUTO Feita uma síntese das análises, os projetos são en-
caminhados ou para re-projeto ou para a descrição
Além dos quadros comparativos, é importante que a técnica e, em seguida, ocorre a fase de concretiza-
equipe de decisão pergunte-se: ção do design.

211


Fase de Realização:
Proposta Definida da
Solução de Design
Esta é a última e crucial fase do design. Segundo otimizada. Os padrões de cortes ou encaixes, muitas
Löbach (2001, p. 155), “ela deve ser revista mais vezes, não aparecem no desenho, mas são soluções
uma vez, retocada e aperfeiçoada”. É o momento de que surgem a partir dos testes práticos ou da descri-
descrever criteriosamente o projeto, a fim de ele ser ção detalhada, e trazem novos problemas ou opor-
prototipado, testado e aprovado para a produção. tunidades para melhorar o desempenho do produto
Com a solução escolhida, o designer passa a separar e da sua produção.
cada parte do projeto, como deverá ser montado, os Pode, inclusive, ocorrer de o desenho inicial da
materiais, os quantitativos e processos de produção. peça ser alterado por uma questão estrutural práti-
O momento de análise, nessa fase, leva em con- ca. Por isto, é fundamental que haja uma interação
ta como as peças podem ser produzidas de forma entre o projeto conceitual e o projeto executivo.

212
DESIGN

PROJETO ESTRUTURAL OU PROJETO


DESCRITIVO

Essa fase determina a configuração do produto,


iniciando com os princípios de solução escolhidos,
configurados de forma a permitir a produção e o
funcionamento em conformidade com as especifi-
cações do projeto (CARPES JUNIOR, 2014).
Nessa fase, são realizados: descrições estrutu-
rais, lista de peças e desenhos técnicos, ilustrando
as principais possibilidades de cenas de usos com
o produto. No caso de design de mobiliários, são
realizadas algumas simulações de organizações es-
Na movelaria, acontece muito de um material não paciais com as possibilidades de arranjos físicos do
responder bem, na prática, ao que foi projetado, por produto em determinados espaços, incluindo as
mais que, em tese, o desenho estivesse perfeito. Mui- suas possibilidades de disposição e de modelagem
tos designers buscam na experimentação prática o em software 3D para testes.
caminho para a inspiração do projeto ou a solução
a partir do modelo. A experiência com os materiais, Exemplo prático: linha de móveis seriados
principalmente a madeira, pode alterar encaixes, cor-
tes ou, até mesmo, o desenho por completo, por isso, Neste exemplo, acompanharemos um projeto para
não há como escapar de um bom protótipo, de um uma indústria de móveis de cozinha modular que
teste de produto e de uma avaliação do objeto pronto. fornece para lojas de móveis regionais, ou seja, na
Então, a fase de descrição técnica ou de resolu- loja existe um projetista que vai fazer a composição
ção da solução não pode ser vista como um momen- dos móveis e os pedidos para a fábrica, dentro dos
to puramente técnico-descritivo, mas pode tornar- critérios e padrões que a indústria permite. Cabe ao
-se, em muitos casos, um momento criativo. designer da indústria fazer a definição de todos os
Essa etapa pode ser mais bem esclarecida e apre- componentes da modulação.
sentada como proposta definitiva desse documento. Esta programação deve ser clara em relação aos
Posteriormente ao da fase do projeto preliminar, materiais, às estruturas das peças, às suas possibili-
parte-se para o projeto detalhado, especificando to- dades e aos seus limites de fabricação. O designer, as-
dos os componentes do produto e os seus respec- sim, facilita a divisão de trabalho e a otimização das
tivos materiais e processos que serão utilizados. É peças, diminuindo o desperdício de tempo de serviço
necessária a descrição técnica (mesmo para a pro- e de material, melhorando o controle de estoque, o
dução do protótipo) e, finalmente, avaliado e defini- controle de custos (poder de negociação com forne-
do, o trabalho descritivo é atualizado para o modelo cedores) e a margem de vendas dos produtos, o que,
final aprovado. por fim, gera maior lucratividade para a empresa.

213


Definição dos padrões

O designer estipulará quais serão os limites de cores


e texturas, além de ferragens e acabamentos desta co-
leção e que serão oferecidos no mercado. Esta delimi-
tação facilita para a empresa e diminui o desperdício
de material, permite uma negociação melhor com os
fornecedores e aumenta a produtividade, diminuindo
custos. Para o cliente, é interessante, pois ele tem uma
variedade de escolha, por mais limitada que seja. O
designer deve avaliar quais são as quantidades ideais
• Cores e texturas: pode ser determinado, por
e as possíveis combinações entre os acabamentos.
exemplo, um número de cores lisas e ama-
Graficamente, é interessante fazer um quadro de deiradas para portas e frentes, além da cor
cores/texturas e, a seguir, um quadro de combina- padrão para estrutura, sempre buscando um
ções ótimas. Esse quadro auxilia os vendedores e os limite mínimo necessário de padronagens.
clientes no momento de decisão.

Tabela 1- Pré-definição de acabamentos/cores

Ébano Nature Nogueira Nature Ciliegio Nature Faia Nature

Preto Texturizado Grafite Texturizado Bege Texturizado Branco Texturizado

Fonte: os autores.

214
DESIGN

Tabela 2 - Dicas de composição

Preto e Nogueira Preto e Ciliegio

Grafite e Nogueira Grafite e Faia

Bege e Ébano Bege e Ciliegio

Branco e Ébano Branco e Faia

Fonte: os autores.

• Ferragens e acabamentos: delimita quais tipos


de ferragens (corrediças, dobradiças, bascu-
lantes, aramados etc. serão oferecidos, discri-
minando fornecedores e modelo dos produtos
e quais os tipo de puxadores e demais acaba-
mentos que possam ser compostos no móvel.

Composição da estrutura:

São as especificações das peças, moldes, gabaritos


ou estrutura das caixarias, além da especificação dos
dos materiais que serão utilizados no móvel.

215


SAIBA MAIS

Ao lançar uma nova linha de produtos, os ca-


tálogos, geralmente, apresentam o projeto em
situações de uso. A produção das fotografias
pode ser feita com o produto aplicado em uma
situação real (a foto no ambiente de um cliente
com o produto já instalado), em um estúdio
de fotografia industrial (estúdios maiores) com
controle de iluminação e câmeras, ou por meio
do projeto em 3D com renderização de ex-
trema qualidade e pós-produção, que simula
uma foto real. Quanto mais realista e bem
produzida for a foto, melhor ficará o catálogo.

Fonte: os autores.

No exemplo de uma cozinha seriada seria: DESENHOS TÉCNICOS E DESENHOS DE


• Estrutura dos módulos: em MDP 15 mm REPRESENTAÇÃO
Branco Tx, Fundos em MDF 6 mm Branco Tx.
• Estrutura de Frentes, Portas e Tamponamen- Neste ponto, é possível fazer a representação gráfica
tos: MDF 18 mm padrão via tabela de cores. em detalhes dos mobiliários. Como vimos no capí-
Configuração de limites mínimos e máximos: tulo IV, o projeto deve conter:
• Desenho técnico 2D: na escala adequada com
Essas definições auxiliam no corte de peças e na se- vistas/elevações frontais e laterais, vista supe-
riação do material, podem ser mais flexíveis ou mais rior ou inferior (conforme a necessidade),
além de cortes ou transparências para mos-
rígidos conforme a linha de produção da indústria.
trar detalhes internos nas peças. Apresentar
• Altura: Fixa - 700 mm
as cotas das medidas, parafusação, distancia-
• Profundidade: Mín 350 - Máx 650 mm (múl- mento de peças etc. Nominação das peças,
tiplos de 50 - 350, 400 ...650 mm). indicação das vistas e informação escrita de
• Largura balcão 1 porta: mín.350 - máx 600 detalhes importantes.
mm (múltiplo de 50 mm). • Desenho técnico em perspectiva: que auxilia
• Largura balcão 2 portas: mín.700-máx 1200 a ver a peça como um todo e em perspectiva
mm (múltipo de 50 mm). explodida, mostrando como as peças se encai-
• Largura gaveteiros: mín. 300 - máx 1200 mm xam. Esse modelo de perspectiva é uma exce-
(múltiplos de 100 mm). lente ferramenta e pode ser utilizada por mon-
tadores da empresa, assim como pelo próprio
E conforme a necessidade do projeto são especificadas cliente final em forma de um esquema de mon-
os demais parâmetros definidos para a modulação. tagem, como salienta Vesterlon (2007, p. 93):

216
DESIGN

[...] o esquema de montagem é a instrução que ambientada em um local de destino, ele faci-
acompanha o produto desmontado. É elabora- lita a visualização da escala da peça em rela-
do através. de uma perspectiva explodida, ou ção a outros elementos. Podendo ser feito em
seja, o móvel é desenhado com as peças separa- modelo computacional ou em projeto a mão.
das, onde será permitido visualizar a furação da
e a ferragem utilizada em sua montagem. Pode
ser apresentada em uma só vista ou em etapas,
PEÇA PILOTO, TESTES DE PROJETO E
conforme a necessidade. No esquema de mon- ANÁLISE DAS FALHAS
tagem deverá constar a relação de ferragens
que acompanha o produto, a relação de peças e A partir do projeto, é feito uma peça piloto, ou seja,
as informações complementares. Os desenhos
uma peça que está em escala real e com todos os ma-
podem ser feitos em perspectiva isométrica ou
com 2 pontos de fuga. teriais, estruturas e componentes do produto final
que será lançado no mercado. Na sequência, ela será
• Desenho de apresentação: modelo gráfico
submetida a diversos testes para detectar as falhas
em 3D da peça, com cores e de preferência
potenciais do produto, avaliando sua importância
relativa. Segundo Baxter (2011, p. 329):

[...] Essa análise considera separadamente os ti-


pos de falhas e seus efeitos sobre o consumidor.
Esse procedimento é conhecido como “método
de projeto certo da primeira vez” e procura an-
tecipar as falhas potenciais durante o projeto,
para eliminá-las antes que ela ocorram. Como
resultado dessa análise, obtém-se uma lista de
mudanças prioritárias, que devem ser introdu-
zidas no produto. Como consequência, o pro-

217


jeto do produto pode ser aperfeiçoado ou, em


caso contrário o projeto pode ser cancelado, se elas estabelecem as características mínimas dos pro-
forem constatadas falhas insolúveis no mesmo. dutos e estes devem ser testados e certificados por
órgãos credenciados ao INMETRO antes de entra-
rem no mercado.
Esse processo tende a ser demorado e é feito
por modelo de produto, por isso, o designer deve,
de antemão, estudar a legislação para esses objetos
e propor um design que já esteja de acordo com as
normas, para facilitar a certificação do cliente.

EMBALAGEM:

Os mobiliários serão testados em suas funções de


uso, em repetições de ciclos de uso, suporte de peso,
resistência à tração, abrasão, umidade ou outros tes-
tes que sejam necessários para identificar a quantida-
de de ocorrências das falhas, a gravidade e a detecção
da possibilidade de correção. Depois disto, é feito Para mobiliário em geral, a embalagem é um com-
uma análise em que se pode calcular o indicador de ponente fundamental para manter a integridade
risco do produto e, assim, elaborar uma lista de prio- do produto desde a produção até a entrega para o
ridades e recomendações de melhorias. cliente final. Como ressaltam Bombassaro e Costa
Alguns mobiliários, principalmente voltados (2008), diferentemente de outros produtos indus-
para o público infantil, possuem a obrigatoriedade triais, a função primordial da embalagem de móveis
de certificação do INMETRO para serem comercia- é a proteção do produto, pois ela geralmente não fica
lizados em território nacional. É o caso de berços, a vista para o cliente. Já em casos que a embalagem
cadeirinha de alimentação, cadeiras plásticas mono- fica exposta ao cliente, é mais comum que se invista
bloco, colchões e colchonetes, móveis escolares (ca- em marketing no ponto de venda, podendo atrair o
deiras e mesas para conjunto aluno individual) entre consumidor por suas qualidades estéticas. Mas de
outros. Essas diretrizes têm a função de normatizar e modo geral, seu foco é a logística da peça, sua segu-
atestar a segurança dos produtos oferecidos no país, rança, economia de espaço e funcionalidade.

218
DESIGN

Identificação dos produtos

As embalagens devem ter a clara especificação do


fornecedor, nome/modelo, cor, código da peça, Tipos de embalagem e acondicionamento
quantitativo, peso, tamanho/volume (AxLxP),
quantidade máxima de caixas para empilhamento Cada tipo de mobiliário exige uma embalagem es-
entre outras informações que ajudem na proteção pecífica. A peça pode ser somente envolvida em
da peça e na segurança do transporte. Outra forma plástico ou caixas de papelão, ou disposta em cai-
de identificação importante é o uso da simbologia xas especiais, como pallet de madeira com isopor
gráfica apropriada. A seguir, vemos alguns exemplos (indicados para transporte de longas distâncias e
de símbolos mais utilizados: para exportação).
Tabela 3 - Simbologia para embalagens

Produto frágil: Proteger da umidade:


indicado para peças como: indicado para mobiliá-
portas de vidro, pedras e rios de madeira e produ-
demais materiais que pos- tos com sensibilidade à
sam quebrar ou riscar com umidade.
facilidade.

Proteger do sol: Este lado para cima:


indicado para peças de ma- indicado para móveis
deira natural e pintura, pois que precisam ser man-
pode queimar a pintura e tidos em certa posição
alterar a coloração da peça. para não danificar.

Limite de empilhamento: Produto reciclável:


o número indica a quantida- se colocado separa-
de de caixas que podem ser damente dos demais
empilhadas sem danificar o símbolos, indica que a
produto. embalagem em si é de
material reciclável.

219


Para o acondicionamento nas embalagens, algumas sacola única para os quatro assentos e outra com de-
peças podem ser totalmente desmontáveis, dobráveis zesseis ponteiras de PVC pretas.
e embaladas em módulos únicos (uma caixa para Para módulos de cozinha, por exemplo, as cha-
cada módulo de cozinha, por exemplo), outras po- pas de MDF podem ser embaladas individualmente
dem ser embaladas em grupo (cadeiras empilháveis), em filme plástico ou bolha e, geralmente, possuem
mas, por fim, existem peças que são feitas por solda- cantoneiras de papelão ou de PVC nos cantos para
gem, costura, prensa, amarramentos ou são coladas evitar que as chapas lasquem com alguma batida ou
etc., formando blocos que não podem ser desmonta- manuseio. As ferragens e componentes avulsos são
dos por inteiro (cadeiras, sofás, pés de mesa de me- armazenados em sacolas separadas e, se possível, em
tal, entre outros). Essas peças exigirão um armazena- caixas, para evitar que o material seja riscado.

mento e uma manutenção mais cuidadosos, além de Embalagem para móveis de bricolagem
terem um valor cúbico maior, ou seja, ocupam mais
espaço em depósitos ou em módulos de transporte, o Em móveis estilo bricolagem ou faça-você-mesmo,
que, geralmente, influencia no preço dos fretes, mes- retomaremos o que foi abordado na Unidade I. As
mo com massa e volume pequenos. caixas devem conter todo o módulo que será monta-
No exemplo da banqueta mostrada na Figura, a do, com manual de montagem das peças em anexo de
peça pode ser separada entre assento, ponteiras de forma clara, visual e explicativa. Também é muito co-
PVC pretas e pés de metal soldados. Observe que mum, atualmente, que, além dos manuais, as empre-
não há parafusos, somente encaixes, a peça, então, sas produzam vídeos com a montagem passo a passo
forma blocos que não podem ser mais reduzidos. das peças, isto facilita o trabalho do cliente e diminui
Um modelo de embalagem pode ser uma cai- a sensação de incapacidade diante da complexidade
xa de papelão com grupo de quatro banquetas (se do móvel. É ideal que cada peça seja etiquetada con-
pensarmos no consumo com uma mesinha simples forme o manual, para que seja fácil a identificação na
de refeição): quatro pés empilhados com as pernas montagem. Caso seja necessário, podem ser forneci-
revestidas com filme plástico para evitar riscos, uma das ferramentas e gabaritos para a instalação (chaves

220
DESIGN

menos comuns para parafusos específicos etc.). Esses impregnante é um dos produtos que, além de repelir
gabaritos de instalação correspondem a folhas de pa- fungos e insetos, protege a madeira contra umidade
pel cartão com o desenho em escala real e os pontos e raios do sol. Ele é aplicado ainda na fabricação e
certos de parafusação nos módulos. deve ser reaplicado conforme o produto for perden-
do efeito. Peças já atingidas pelos insetos podem ser
CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO DOS tratadas com aplicação de inseticidas posteriormen-
MÓVEIS te, o que exige mão de obra especializada para a apli-
cação, pois os canais e furos provocados podem não
A conservação e manutenção dos produtos é um ter conserto com massa.
item que, muitas vezes, é pouco explorado pela bi-
bliografia, mas é fundamental para o designer de
mobiliário. Primeiramente, temos que levar em con-
sideração que os materiais-base dos mobiliários são
compostos orgânicos, os quais podem degradar-se
com o tempo.

Atualmente, a água é um dos maiores fatores de


deterioração dos móveis em geral. O estufamento
do miolo de uma peça de MDF ou de MDP, por
exemplo, ocorre por entrada de água na extremi-
dade do painel, principalmente se não houver fita
de borda. Para isto, já são desenvolvidos novos ti-
pos de painel com resina hidrófuga, ou seja, que
repele a água. Porém, o custo é muito superior ao
material tradicional.
As peças de aço, se não tratadas, também podem
oxidar com facilidade pela ação da água, e as fer-
Um dos problemas mais comuns de peças de madei- ragens, com o tempo, podem apresentar oxidação,
ra natural era a presença de cupins, que destruíam perda de força e de pressão ou deslizamento.
móveis inteiros de dentro para fora. Assim, foram A deformação por acúmulo de peso também
necessários vernizes que auxiliassem a proteger a pode ocorrer, principalmente em centro de prate-
madeira dos ataques desses insetos. O verniz stain leiras, onde pode apresentar abaulamento da peça.

221


Para evitar isto, é necessário calcular os vãos das Muitos desses problemas fogem do controle do
prateleiras sem apoio e fazer o teste de limite de designer, porém, ele pode ajudar a diminuir essas si-
peso, informando ao consumidor sobre ele. tuações, escolhendo materiais mais resistentes, pen-
Em armários utilizados para estocar produtos sando na atitude de uso dos futuros clientes.
químicos corrosivos, mesmo que as ferragens não Outra ação preventiva é um manual de conser-
sejam atingidas pelo líquido, a sua vida útil é alta- vação da peça acompanhar o manual de instalação.
mente comprometida pela presença do ácido no Este instrumento auxilia o cliente, assim como a
ar. Ferragens, como dobradiças e corrediças de aço empresa, que se protege das reclamações de defeitos
inox, disponíveis no mercado, ajudam muito na vida quando verificado que o problema foi causado por
útil desses mobiliários. mau uso do produto.

222
DESIGN

Documentação do
Projeto de Design
Com o projeto testado e aprovado, é importante que se distribuição e de acompanhamento do ciclo de vida
faça a documentação técnica do produto. Ela pode ser dos produtos que ela está lançando no mercado.
feita em formato de relatório e deve expor de forma Esperamos que esta unidade tenha ajudado você
ordenada todas as informações do projeto para que a compreender as rotinas de um projeto de mobiliá-
elas possam ser reproduzidas fielmente na produção. rio, as documentações necessárias e as responsabili-
A partir daí, cabe à empresa fazer o bom uso das dades que nós, profissionais, devemos ter em relação
recomendações e especificações que foram transmi- aos nossos clientes, aos seus consumidores e à nossa
tidas, fazendo a gestão de vendas, de produção, de sociedade em geral.

223
considerações finais

Caro(a) aluno(a), aprendemos, nesta unidade, que o projeto de design de móveis en-
volve diversos processos analíticos, criativos e técnicos, a fim de apresentar soluções
para problemas ou demandas sociais e econômicas percebidas. Neste sentido, a me-
todologia de projeto, aliada aos conhecimentos semânticos e técnicos desenvolvidos
nesta disciplina, pode contribuir para que se alcance uma solução coerente e inovadora.
Como vimos, o designer de móveis encontra, na pesquisa, as ferramentas para perce-
ber os problemas que os usuários enfrentam, as soluções presentes no mercado e as
oportunidades e limitações tecnológicas até aquele momento. Com isto, é possível ver
de forma clara quais as funções que o produto deverá desempenhar para solucionar,
pelo menos em parte, os problemas levantados.
Cabe ao designer, então, propor ao mercado algo novo na busca para satisfazer uma
necessidade latente da sociedade e melhorar as relações do ser humano com o mundo
ao seu redor, priorizando o desenvolvimento sustentável.
Lembremos, como exemplo, o design funcionando como solução para os novos de-
safios advindos da construção civil, devido à redução sistemática dos espaços. Fato
este que exigiu que novas disposições, configurações e multifuncionalidades dos
móveis fossem desenvolvidas. Assim, percebemos como a criatividade do designer é
de fundamental importância.
E para concretizar essas criações, foram necessários o desenvolvimento de muitos pro-
jetos artísticos (conceituais) e técnicos (operacionais), modelos e simulações, além de
protótipos, testes e reformulações que fazem parte de qualquer proposta de inovação.
Em resumo, o design de mobiliário deve ser desenvolvido por meio de pesquisa,
criatividade e precisão técnica, buscando sempre solucionar possíveis falhas, promo-
vendo uma experiência segura e agradável, de maneira prática (funcional) e simbólica
(emocional) para o seu usuário.

224
atividades de estudo

1. Para compreender o processo de design de mobiliário, é necessário compre-


ender algumas das condições em que surgem as demandas por inovação.
Nesta unidade, trabalhamos quatro demandas muito comuns no mercado
moveleiro. Em relação a essas demandas, é correto afirmar que:
a. Uma demanda por renovação de linha sazonal exige toda a transformação
dos processos formal e produtivo do mobiliário.
b. Uma demanda para necessidades futuras tem sempre como objetivo o resul-
tado imediato na imagem da empresa e na sua lucratividade.
c. Quando uma empresa faz o recall de produtos, é porque a sua estética ficou
ultrapassada e precisa ser renovada.
d. Ao analisar o mercado consumidor, é possível perceber demandas não aten-
didas ou oportunidades de melhorias em termos de design.
e. O ciclo de vida dos produtos não influencia as demandas de design, pois estas
são escolhas dos empresários.

2. Em um projeto de design, fazer as perguntas corretas pode determinar o su-


cesso ou a inadequação das soluções. Com base na fase de análise de solu-
ções, elabore um quadro comparativo com quatro critérios para a análise
das seguintes cadeiras destinadas a um restaurante de público classe AB, e
pontue sobre a importância de cada critério de avaliação escolhido.

Critérios/
Produtos

225
atividades de estudo

3. Para Baxter (2000, p. 201), “a primeira etapa da análise das funções do produto
é gerar uma lista de funções do produto, sob o ponto de vista do consumidor,
usando-se a técnica do brainstorming”. Com essa técnica, é possível fazer uma
matriz de seleção com diversas alternativas. Sobre geração de alternativas ou
de ideias, leia as afirmativas a seguir.
I. Na avaliação, é aconselhável fazer apontamentos apenas dos aspectos negativos.
II. Na seleção, é escolhida a melhor alternativa a partir de questionamentos ou
de uma matriz (quadro ou elemento para comparação) que baseia os critérios
avaliativos a partir das especificações ou dos problemas do projeto.
III. Após o modelo ser escolhido, o projeto pode necessitar de adaptações para o
seu aprimoramento, analisando-se possíveis falhas.
IV. A finalidade da geração de ideias é produzir todas as possíveis soluções para
chegar a um produto que resolva todos os problemas em um modelo único.

Podemos afirmar que:


a. Somente as afirmativas I e II estão corretas.
b. Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
c. Somente as afirmativas II e III estão corretas.
d. Somente as afirmativas I e IV estão corretas.
e. Todas as afirmativas estão corretas.

4. O esquema de montagem é a instrução que acompanha a embalagem de um


mobiliário desmontável. Sobre o manual de montagem, é correto afirmar:
a. Os desenhos podem ser feitos em perspectiva isométrica e em perspectiva
com pontos de fuga.
b. No esquema de montagem, não é necessário constar a relação de ferragens
ou de dispositivos de montagem que acompanham o produto.
c. O produto não pode ser representado por meio de um desenho em perspec-
tiva explodida, pois isto não demonstra o encaixe das peças.
d. O desenho em perspectiva não é uma ferramenta adequada, pois não auxilia
os montadores de empresas moveleiras.
e. O manual de montagem deve ser para uso exclusivo do montador habilitado
para o serviço. Nenhum manual de montagem deve ser desenvolvido para
que o próprio cliente final faça a montagem do mobiliário.

226
atividades de estudo

5. Em projetos de produtos, é muito importante o conhecimento sobre o que


já existe ou não existe no mercado em questão, evitando, assim, reinvenções.
Para isto, é aconselhável uma boa pesquisa de mercado. No design, essa pes-
quisa pode ser desenvolvida por meio de uma ferramenta conhecida como
análise de concorrentes e similares ou análise sincrônica. Comente sobre
essa análise.

227
LEITURA
COMPLEMENTAR

Mapa mental
O mapa mental é uma técnica gráfica que oferece uma chave universal para desblo-
quear o potencial do cérebro. É um diagrama usado para representar ideias, palavras
ou tarefas que se unem a um conceito central distribuído circularmente. Essa técnica
permite transformar longas e cansativas listas de informações em dados, por meio de
coloridos diagramas, fáceis de memorizar e perfeitamente ordenados, que funcionam
de forma natural, do mesmo modo que o cérebro humano.
A primeira regra para se fazer um mapa mental é o uso de uma ideia central e uma
imagem que ela se associa. Linhas devem sair a partir do núcleo central contendo uma
palavra-chave. A linha deve ser mais grossa, próxima à sua origem, e ir afinando no ex-
tremo oposto. Hierarquias, números, cores, símbolos e imagens devem colaborar para
manter o mapa claro.
A representação de informações de forma gráfica e não linear instiga o fluxo natural de
ideias, sem a preocupação rígida das anotações por meio de texto corrido. Este livre en-
cadeamento de informações facilita as conexões entre palavras, números, sequências,
imagens, símbolos, cores e ritmo visual.
Conforme lembra o criador dessa técnica, Tony Buzan, desde os seus primórdios, os
humanos pensam com imagens. Se a palavra morango for pronunciada, o que lhe vem
à mente? Não é a palavra em si, mas a imagem do próprio morango. O cérebro associa
ideias com imagens e cores, e lembra melhor dos conceitos quando estes elementos
são incorporados.
Trata-se de uma técnica bastante flexível e muito inspiradora quando realizada à mão
livre. Também é possível desenvolver um mapa mental com a ajuda de programas
próprios para esta finalidade, que facilitam as anotações e as adaptações necessárias.
Outras tecnologias atuais também proporcionam o uso deste método, criando associa-
ções com documentos e imagens, inclusive com a participação de diversos usuários.

228
LEITURA
COMPLEMENTAR

As cinco características principais dos mapas mentais são que:

• A ideia, o assunto ou o enfoque principal é simbolizado por meio de uma ima-


gem central.

• Os temas principais irradiam da imagem central como “bifurcações”.

• As bifurcações incluem uma imagem ou palavra-chave desenhada ou impressa


na linha que representa.

• Os temas de menor importância são representados como “ramos” da bifurcação.

• As bifurcações formam uma estrutura de nós conectados.

Para entender melhor como se elabora um mapa mental, imagine o mapa de uma cida-
de. O centro dessa cidade representa a ideia principal, as avenidas que levam ao centro
representam os pensamentos-chave do processo mental, as ruas menores representam
os pensamentos secundários etc.
As imagens ou formas especiais podem representar os monumentos ou ideias impor-
tantes.

Fonte: Gomes (2015, p. 151-152).

229
material complementar

Indicação para Ler

Mobiliário no Brasil: Origens da Produção e da Industrialização


Maria Angélica Santi
Editora: SENAC
Sinopse: Mobiliário no Brasil: Origens da Produção e da Industrialização é uma
narrativa prazerosa e enriquecedora sobre a história da produção e da indus-
trialização moveleira no país, reconstruída com base em entrevistas, análises de
documentos, catálogos, fotografias e, principalmente, em inúmeras peças de mo-
biliário. Maria Angélica Santi conduz o leitor pelos caminhos da técnica da mar-
cenaria, do fazer artesanal aos primórdios da produção mecanizada. Partindo da
apreciação técnica detalhada de peças individuais, a autora explora as conexões
entre o cenário atual industrial e o nosso passado colonial e artesanal.

Indicação para Assistir

Bauhaus: A Face do Século XX


1994
Sinopse: o documentário analisa como surgiu e evoluiu a escola de vanguarda
de artes e arquitetura Bauhaus, a partir de um ponto de vista artístico e histórico,
abordando várias figuras responsáveis ​​pela escola, incluindo Walter Gropius, Josef
Albers, Mies van der Rohe e Lásló Moholy-Nagy.

Indicação para Acessar

- Palestra de Rafael Cardoso para a Regional ABEDESIGN, de Minas Gerais. Nesse vídeo, o autor de De-
sign para um Mundo Complexo explica, com uma abordagem renovadora sobre o tema, qual o papel do
design no mundo atual.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=4iSUUH0F1Q4>.

- TED Talk de Don Norman, autor de livros como Design Emocional e Design do Dia a Dia, aborda aspec-
tos de beleza, alegria, prazer e emoção que devem envolver o design com foco no usuário.
Disponível em: <https://www.ted.com/talks/don_norman_on_design_and_emotion>.

230
referências

BAXTER, M. Projeto de Produto: guia prático para o design de novos produtos.


São Paulo: Edgard Blücher, 2000.
BOMBASSARO, L.; COSTA, M. A. Desenvolvimento de Embalagens para Mó-
veis. Porto Alegre: SENAI/RS, 2008 (coleção Moveleiras).
CARPES JUNIOR, W. P. Introdução ao projeto de produtos. Porto Alegre:
Bookman, 2014.
HSUAN-NA, T. Design: Conceitos e Métodos. São Paulo: Blücher, 2017.
LAWSON, B. Como arquitetos e designers pensam. São Paulo: Oficina de Tex-
tos, 2011.
LÖBACH, B. Design Industrial: Bases para a configuração dos produtos indus-
triais. São Paulo: Blücher, 2001.
MERINO, G. S. A. D. GODP - Guia de Orientação para Desenvolvimento de
Projetos: Uma Metodologia de Design Centrado no Usuário. Florianópolis:
NGD/UFSC, 2016.
MUNARI, B. Das Coisas Nascem Coisas. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
ONO, M. M. Design e Cultura: Sintonia Essencial. Curitiba: Aurora, 2006.
PAIM, N. S.; SCOTTON, T. Materiais para o setor moveleiro. Porto Alegre: Se-
nai/RS, 2007.
PAZMINO, A. V. Como se cria: 40 métodos para design de produtos. São Paulo:
Blücher, 2015.
PERUZZI, J. T. Manual sobre a importância do desenvolvimento de produtos.
Bento Gonçalves: SENAI/CETEMO/SEBRAE, 1998.
VASCONCELOS, C. Q. Análise da funcionalidade e de ergonomia em habita-
ções compactas. 2011. 196f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Ar-
quitetura e Urbanismo) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis,
2011.
VESTERLON, M. Desenho de Móveis. Bento Gonçalves: SENAI/CETEMO,
2007.

Referência On-Line
1
Em: <http://abnt.org.br>. Acesso em: 10 mar. 2018.

231
gabarito

1. D.
2. Exemplo de resposta para o exercício: para um restaurante, pode ser interes-
sante classificar as cadeiras por critérios como os relacionados a seguir.
• Ergonomia: quais modelos são mais confortáveis e adaptáveis ao uso por di-
versos tipos físicos de pessoas.
• Empilhável: um restaurante pode necessitar que os espaços sejam liberados
para limpeza constantemente, com mesas e cadeiras dobráveis ou empilhá-
veis, então, o critério de “empilhável” pode ser fundamental para este cliente.
• Durabilidade: a resistência e a durabilidade dos materiais são fundamentais
no caso de um restaurante, pois as cadeiras serão utilizadas constantemente,
limpas com produtos químicos regularmente, suportando diferentes cargas e
movimentações, então, quanto melhor a estabilidade das peças de união (pés
com assentos e assentos com encostos), além dos materiais utilizados, melhor
será a durabilidade da peça.
• Estética: para um restaurante popular, o preço dos mobiliário pode ser o prin-
cipal critério de seleção, entretanto, a estética das peças pode ser o diferencial
do ambiente, um objeto que conversa com a arquitetura e o clima proposto.
Assim, a escolha pela estética pode ser fundamental.

Critérios
/Produtos

Ergonomia XX XX XX
Empilhável XXX XXX -
Durabilidade XX XX X
Estética - XXX XXX

232
gabarito

3. C.
4. A.
5. De acordo com Pazmino (2015, p. 64), “é uma ferramenta de análise que
serve para comparar os produtos em desenvolvimento com produtos exis-
tentes ou concorrentes, baseando-se em variáveis mensuráveis, ou seja,
que podem ser medidas. Permite avaliar aspectos qualitativos, quantita-
tivos”. Para Baxter (2000, p. 116), “a análise de concorrentes serve para
monitorar as empresas e seus produtos. Procura determinar como elas
conseguiram alcançar o sucesso e onde fracassam. Para esta análise, prio-
riza-se uma boa observação quanto à adequação do mobiliário aos requi-
sitos e atributos ergonômicos, e também quanto aos aspectos problemáti-
cos observados em uma pesquisa de campo”.

233


conclusão geral

Caro(a) aluno(a), finalizamos mais um material do curso superior de Tecnologia


em Design de Produto na modalidade EAD do Centro Universitário Unicesumar.
Neste livro, estudamos um dos temas mais importantes dentro do projeto de produto,
que é o design de mobiliário, pois este é um dos artefatos mais significativos e que
sempre se apresenta com destaque em vários ambientes internos e externos, sejam
eles residenciais, institucionais, urbanos e de serviços.
Na história do design, o mobiliário sempre foi um dos elementos emblemáticos e
simbólicos que contam a história e apresentam uma diacronia da evolução tecnoló-
gica de cada época e, ao mesmo tempo, de um cultura, mostrando as influências que,
por fim, refletem-se no comportamento de uma determinada geração.
A função prática do mobiliário, quando um produto ou serviço deixa de ser útil
a cada dia, sempre modifica-se devido à obsolescência de diversos artefatos e ao au-
mento do consumo de acordo com o avanço tecnológico, mudando, com isso, as
formas, dimensões, funções e, até mesmo, apresentando-se com novas possibilidades
de usos e desusos para se adaptar às novas tendências.
Conhecemos, nesse livro, alguns conceitos, modelos de representações, classifi-
cações, tipos de materiais, dispositivos, componentes e processos produtivos, assim
como o resumo de uma sequência de métodos criativos que podem ser utilizados no
desenvolvimento de projetos de produtos para o segmento moveleiro.
Esperamos que as informações deste material ajudem você a visualizar um pro-
duto de produção moveleira de outra forma, com um olhar mais técnico, criativo e
focado em desenvolver produtos mais inovadores, pois o designer é um dos poucos
profissionais que trabalham com a percepção dos desejos, sonhos e necessidades de
variados tipos de usuários.

234

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