100% acharam este documento útil (1 voto)
991 visualizações160 páginas

Modelos, Maquetes e Protótipos PDF

Este documento discute modelos, maquetes e protótipos como ferramentas essenciais para designers. Ele explica que modelos são representações conceituais iniciais, maquetes são representações físicas de tamanho reduzido e protótipos são versões experimentais em escala real ou próxima. O documento ressalta a importância dessas ferramentas para comunicar ideias, testar funcionalidade e receber feedback antes da produção final.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
100% acharam este documento útil (1 voto)
991 visualizações160 páginas

Modelos, Maquetes e Protótipos PDF

Este documento discute modelos, maquetes e protótipos como ferramentas essenciais para designers. Ele explica que modelos são representações conceituais iniciais, maquetes são representações físicas de tamanho reduzido e protótipos são versões experimentais em escala real ou próxima. O documento ressalta a importância dessas ferramentas para comunicar ideias, testar funcionalidade e receber feedback antes da produção final.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

NEAD
Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4
Jd. Aclimação - Cep 87050-900 Maringá - Paraná
www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360

C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância;


BENEDETT, Jociane Karise.
Modelos, Maquetes e Protótipos. Jociane Karise Benedett .
Maringá - PR.: Unicesumar, 2018.
160 p.
“Graduação em Design - EaD”.
1. Modelos 2. Maquetes 3. Protótipos EaD. I. Título.
ISBN 978-85-459-1235-4 CDD - 22ª Ed. 741
CIP - NBR 12899 - AACR/2
Impresso por:

DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor
Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin, Presidente da Mantenedora Cláudio
Ferdinandi.

NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA


Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon, Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia
Coelho, Diretoria de Permanência Leonardo Spaine, Diretoria de Design Educacional Débora Leite, Head de Produção
de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho, Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima,
Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia, Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey, Gerência
de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira, Gerência de Curadoria Carolina Abdalla Normann de Freitas,
Supervisão de Produção de Conteúdo Nádila Toledo.
Coordenador(a) de Conteúdo Larissa Siqueira Camargo, Projeto Gráico José Jhonny Coelho, Editoração
Robson Yuiti Saito, Designer Educacional Kaio Vinícius Gomes, Lilian Vespa, Revisão Textual Ariane
Andrade Fabreti, Cintia Prezoto Ferreira, Ilustração Bruno Cesar Pardinho Figueiredo, Fotos Shutterstock.

2
Wilson Matos da Silva
Reitor da Unicesumar

Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10
com princípios éticos e proissionalismo, não maiores grupos educacionais do Brasil.
somente para oferecer uma educação de qualidade, A rapidez do mundo moderno exige dos educadores
mas, acima de tudo, para gerar uma conversão soluções inteligentes para as necessidades de todos.
integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo- Para continuar relevante, a instituição de educação
nos em 4 pilares: intelectual, proissional, emocional precisa ter pelo menos três virtudes: inovação,
e espiritual. coragem e compromisso com a qualidade. Por
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia,
graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor
estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro do ensino presencial e a distância.
campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é
e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, promover a educação de qualidade nas diferentes áreas
com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. do conhecimento, formando proissionais cidadãos
Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais que contribuam para o desenvolvimento de uma
de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos sociedade justa e solidária.
pelo MEC como uma instituição de excelência, com Vamos juntos!
boas-vindas

Willian V. K. de Matos Silva


Pró-Reitor da Unicesumar EaD

Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à A apropriação dessa nova forma de conhecer


Comunidade do Conhecimento. transformou-se hoje em um dos principais fatores de
Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar agregação de valor, de superação das desigualdades,
tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores propagação de trabalho qualiicado e de bem-estar.
e pela nossa sociedade. Porém, é importante Logo, como agente social, convido você a saber cada
destacar aqui que não estamos falando mais daquele vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a
conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas tecnologia que temos e que está disponível.
de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg
atemporal, global, democratizado, transformado pelas modiicou toda uma cultura e forma de conhecer,
tecnologias digitais e virtuais. as tecnologias atuais e suas novas ferramentas,
De fato, as tecnologias de informação e comunicação equipamentos e aplicações estão mudando a nossa
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o
informações, da educação por meio da conectividade conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância
via internet, do acesso wireless em diferentes lugares (EAD), signiica possibilitar o contato com ambientes
e da mobilidade dos celulares. cativantes, ricos em informações e interatividade. É
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram um processo desaiador, que ao mesmo tempo abrirá
a informação e a produção do conhecimento, que não as portas para melhores oportunidades. Como já disse
reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em Sócrates, “a vida sem desaios não vale a pena ser vivida”.
segundos. É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer.
boas-vindas

Janes Fidélis Tomelin


Diretoria Executiva de Ensino

Kátia Solange Coelho


Diretoria Operacional de Ensino

Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja,
iniciando um processo de transformação, pois quando estes materiais têm como principal objetivo “provocar
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta
proissional, nos transformamos e, consequentemente, forma possibilita o desenvolvimento da autonomia
transformamos também a sociedade na qual estamos em busca dos conhecimentos necessários para a sua
inseridos. De que forma o fazemos? Criando formação pessoal e proissional.
oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento
de alcançar um nível de desenvolvimento compatível e construção do conhecimento deve ser apenas
com os desaios que surgem no mundo contemporâneo. geográica. Utilize os diversos recursos pedagógicos
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita.
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos
se educam juntos, na transformação do mundo”. fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe
Os materiais produzidos oferecem linguagem das discussões. Além disso, lembre-se que existe
dialógica e encontram-se integrados à proposta uma equipe de professores e tutores que se encontra
pedagógica, contribuindo no processo educacional, disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em
complementando sua formação profissional, seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe
desenvolvendo competências e habilidades, e trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória
aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, acadêmica.
apresentação do material

Modelos, Maquetes e Protótipos


Jociane Karise Benedett

Bem-vindo(a), caro(a) aluno(a), ao estudo de Modelos, Maquetes e Protótipos.


Dentro desta disciplina entenderemos o papel deste ferramental dentro do desen-
volvimento de projetos e do mercado proissional.

Nossa disciplina está voltada para a sua experiência prática. Pensando nisso, busca-
mos sintetizar todos os conteúdos necessários para que, ao inal da disciplina, você
esteja apto(a) a usufruir dos seus novos conhecimentos na produção de modelos,
maquetes e protótipos, e que o(a) auxiliem no desenvolvimento de novos produtos.

Para entendermos melhor o assunto, o nosso conteúdo foi dividido em cinco


unidades. Na primeira Unidade, vamos deinir e conceituar o que é a representa-
ção tridimensional e entender as suas diferentes denominações, nomenclaturas e
tipologias que compõem o nome da disciplina, modelos, maquetes e protótipos.
Aprenderemos o porquê dessas variações, quando e como utilizá-las e em quais
etapas do desenvolvimento projetual se dará essa utilização.

Na Unidade II do nosso material, descobriremos qual a importância e a utilida-


de da representação tridimensional dentro do desenvolvimento de projetos de
design, aprofundando os nossos conhecimentos ao sintetizar a aplicabilidade da
representação tridimensional e ao destacar os seus aspectos relevantes. Além disso,
buscaremos conhecer um pouco da história da representação tridimensional, como
ela tornou-se tão representativa nos dias de hoje e quais são as suas perspectivas
futuras com o avanço tecnológico que se impõe.

Na Unidade III, aprenderemos como se fazem as representações tridimensionais


e com quais materiais, técnicas e sistemas, para que você possa ter repertório
quando for produzi-las, tanto em meio físico como digital. A Unidade IV foi feita
justamente pensando nesta possibilidade: de que você produza os seus próprios
modelos, maquetes e protótipos, além de dicas de como dimensioná-los, planii-
cá-los e fotografá-los.
E por im, na Unidade V, fechamos a nossa temática com estudos de caso e pesquisas em que os modelos, ma-
quetes e protótipos foram utilizados no desenvolvimento de projetos. Assim, você poderá ter a dimensão prática
dessa metodologia de representação de ideias.

Além dos designers, seja de produto, gráico ou interiores, também utilizam a representação tridimensional
(digital ou física) arquitetos, proissionais do marketing, da publicidade e propaganda, da engenharia e outros.
Conforme você verá ao longo deste material, as utilidades da representação são muitas e te ajudarão a desenvol-
ver-se proissionalmente, aumentando o seu repertório e melhorando a sua percepção estética e dimensional.

Fique atento(a)! As informações parecem simples, mas lhe darão suporte para o entendimento de complexos
sistemas formais e espaciais, e também serão muito eicazes no aperfeiçoamento do seu processo de projeto.
Vamos começar? Bons estudos!
INTRODUÇÃO

B
em-vindo(a), aluno(a)! Esta Unidade dará início ao desenvol-
vimento da nossa disciplina Modelos, Maquetes e Protótipos.
Nela, você terá todo o referencial teórico necessário para o en-
tendimento da representação tridimensional. Buscaremos en-
tender o que é a representação dentro do design, quais são os seus aspec-
tos conceituais, quais as suas variações e por que existe a diferenciação
entre modelos, maquetes e protótipos. Estas são dúvidas que você pode
ter agora, mas que já saberá responder caso seja questionado(a).
Atualmente, a competitividade do mercado torna imprescindível a
rapidez no desenvolvimento de novos produtos. Isto faz com que as eta-
pas a serem cumpridas dentro do processo de desenvolvimento projetual
sejam harmônicas, desde a concepção da ideia até a sua execução, e que as
necessidades dos clientes e as alterações consequentes delas sejam rapida-
mente resolvidas, e também que todo o ferramental disponível por meio
das novas tecnologias seja sabiamente utilizado. Neste sentido, a elabo-
ração de modelos, maquetes e protótipos vem agregando valor, estando
presentes em diversos ramos do design, da arquitetura e da engenharia há
milhares de anos, como grandes auxiliares na criação, na exploração de
ideias, no desenvolvimento e na apresentação de projetos.
Nosso objetivo, nesta unidade, é discutir o papel da representação tri-
dimensional dentro do processo de projeto e, consequentemente, na sua
carreira como designer, entendendo o porquê das diferentes terminolo-
gias e quando fazer uso de cada uma delas, sempre trazendo informações
atuais e úteis ao seu dia a dia.
Como você verá a seguir, modelos, maquetes, mock-up e protótipos vão
conformar-se nos diferentes tópicos desta unidade, nos quais explicaremos
as especiicidades de cada um, caracterizando-os de acordo com as suas se-
melhanças, divergências e aplicabilidade no processo de projeto do design.
Bons estudos!
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

A grande variação que se denota na utilização


de modelos pelos designers, em comparação com
outros proissionais, está no uso dos modelos em es-
cala real dentro da simulação formal e funcional. Os
modelos também variam as suas terminologias em
maquetes, mock-ups e protótipos. Dentro do Design
de Produto, o “modelo”, assim denominado, é uma
representação volumétrica generalizada (PEREIRA,
2015). A seguir, descreveremos em mais detalhes al-
guns tipos de modelos.

Modelos de apresentação

Os modelos de apresentação servem como forma de


comunicação da proposta inal de um projeto entre
Figura 1 - Exemplo de maquete de apresentação, muito utilizada por
o projetista e o cliente. Podem ser utilizados para fo- construtoras e imobiliárias
tografar e servir como ferramenta de marketing em
eventos, feiras e exposições, e procura aproximar-se, Modelos conceitos ou volumétricos
o mais ielmente possível, em acabamento e superfí-
cie do objeto inal (PEREIRA, 2015). Segundo Volpato, Ferreira e Santos (2007 apud PE-
Esse tipo de modelo geralmente requer maior REIRA, 2015, p. 52), os modelos volumétricos, ou
habilidade, maior custo e uma escolha própria de conceituais, podem ser deinidos como um “rascu-
materiais para confecção, o que faz com que, nes- nho tridimensional”, interpretações dos desenhos.
ta fase, muitos proissionais recorram a técnicos e a São modelos para avaliações preliminares morfo-
ateliês especialistas na sua fabricação. Geralmente, lógicas e/ou semânticas, feitos nas fases iniciais de
esse modelo não faz parte do desenvolvimento do projeto. Ainda não têm dimensões fechadas ou res-
processo de projeto, icando apenas como um recur- trições de técnica construtiva ou material. São rea-
so de sedução para clientes quando o projeto já está lizados em qualquer material, geralmente de baixo
inalizado, não existindo, desta forma, a possibili- custo, com cores neutras (bege, branco ou cinza),
dade de testes ou de modiicações nesses modelos para delineamento de linhas e sombras, confecção
(FRANCISCO, 2013). simples e de fácil manuseio, que permitem rápidas

20
DESIGN

alterações (ready-mades, objetos disponíveis como Modelo reverso


papel, argila, isopor), sem relação com o produto
inal, pois são desenvolvidos a partir de esboços ou O modelo reverso é o utilizado para projetar, ou
estudos formais básicos. seja, produzir um modelo físico ou mesmo digital.
Neles não existe a preocupação com a funcionali- Ele é fatiado em camadas inas e usado como refe-
dade ou estética, nem com o detalhamento ou a estru- rencial para os cortes do desenho técnico. Essas fa-
tura, somente com proporções. Os modelos volumétri- tias podem ser reconstituídas depois de pequenas
cos servem como uma primeira tentativa de dedução correções nas curvas e nas linhas, alterando a super-
de formas e de sua visualização no espaço, uma pri- fície do modelo que, depois de revisado, pode ser
meira estruturação de ideias, como um estudo de di- novamente fatiado para realização do desenho inal.
ferentes aspectos do projeto, de análise de viabilidade, Ou podemos dizer que trata-se do modelo feito em
de técnica, de ergonomia e comunicação da ideia. São retrospectiva, para mostrar os conceitos básicos do
realizados no início do desenvolvimento do projeto, na projeto após a sua inalização (FRANCISCO, 2013).
fase conceitual, e visam a facilitar o entendimento ge-
ral da problemática e deinir as premissas principais do
produto, ou seja, gestar os primeiros conceitos.
São vantajosos à medida que permitem uma
execução rápida e com custos reduzidos. No entan-
to, a sua desvantagem está na pouca ou nenhuma
idelidade aos detalhes. É interessante que se façam
várias tentativas de modelos volumétricos para que
as alternativas sejam exploradas e o modelo otimiza-
do (MILLS, 2007).

Figura 2 - Exemplos de Modelos volumétricos Figura 3 - Exemplo de projeto bidimensional feito por meio do modelo
Fonte: Mafra (2016, on-line)2. tridimensional

21
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

24
DESIGN

Podem ser feitos em diversos materiais, geral- O mock-up pode classiicar-se em sot model (ou dirty
mente os mesmos usados em modelos volumétricos, mock-up, dirty prototype, quick mock-up ou mock-up
não muito elaborados e diferentes do especiicado simples), em que avalia-se os aspectos conceituais vo-
para o produto inal, ixando-se ou no aspecto apa- lumétricos e ergonômicos, de forma simples e rápida,
rente, dimensional e ergonômico, ou fornecendo com materiais e objetos que estejam à mão: papel, ita
parte apenas do entendimento funcional (PEREI- adesiva, cola, madeira e caneta, para “dar forma” a
RA, 2015). São muito utilizados em processos de uma ideia. E hard model (ou mock-up melhorado, ou
marketing, psicologia, engenharia e design. proissional), cujo modelo é mais iel ao produto i-
Especiicamente no design de produto, ao tratar- nal, com cores, peças e encaixes o mais próximos pos-
-se de um modelo que tem propósito apenas formal síveis do real em uma análise estética bem apurada,
e dimensional, em escala natural (1:1), que ultrapas- como diferenciação simples. Pode-se dizer que, para a
sa o estudo da volumetria, ou seja, quando já é vali- confecção do mock-up melhorado, você compra o ma-
dada a usabilidade do produto e tem como im tes- terial para confeccioná-lo. No Brasil, o mock-up tem
tes ergonômicos, que possibilitem a reavaliação do recebido a denominação vernacular aportuguesada
produto, nomeia-se mock-up (SILVA; HEIDRICH; “porcótipo”, um neologismo referindo-se a protótipos
JÚNIOR, 2002 apud PEREIRA, 2015). “malfeitos”, termo criado pela empresa Questto|Nó
Ele oferece o benefício de veriicar o posiciona- como uma brincadeira (MAFRA, 2016, on-line)2.
mento do objeto em relação ao ambiente onde será
aplicado, por meio da interação em tamanho real e da
percepção de aspectos cognitivos. Geralmente, é feito
nas etapas do meio e inais do desenvolvimento do
produto, mas, mesmo quando é feito no início, ainda
na fase conceitual, o mock-up já permite avaliar o pro-
duto inal sem custos elevados (como seria no caso de
um modelo de apresentação) e constatar a sua viabi-
lidade de execução. São bastante utilizados para de-
monstração, ensino e promoção em feiras, estandes,
shows, congressos e exposições (PEREIRA, 2015).

ATENÇÃO

No desenvolvimento de produtos, um erro


de projeto pode ser fatal e dispender muito
dinheiro. Por isto, é melhor errar em um mock-
-up do que no objeto inal! É bem mais barato!

Fonte: a autora.
Figura 4 - Exemplo de “porcótipo” x objeto real
Fonte: Mafra (2016, on-line)2.

27
considerações inais

C
hegamos ao inal dos nossos estudos! Nesta primeira Unidade, pudemos ter
a noção do que é a representação tridimensional quando se trata do design.
Vimos que existem diversas classiicações e nomenclaturas que, por sua
vez, respondem a diferentes áreas e etapas de desenvolvimento de proje-
tos. Podemos partir de um simples modelo nas fases iniciais do projeto (concepção
conceitual), com materiais corriqueiros e facilmente disponíveis, até a conigurações
mais elaboradas nas fases inais do desenvolvimento, e em escala real, com o mesmo
material em que será desenvolvido o produto, com as mesmas funcionalidade e aca-
bamento, de forma bem detalhada e assemelhando-se muito ao produto inal.
Aprendemos que as representações são utilizadas com diversas inalidades, res-
pondem a diversas questões e dão suporte aos designers, desde auxílio a deinições
de requisitos, compatibilização da ideia com o conceito, exploração de opções, teste
de viabilidade técnica, testes e avaliações de usuários etc. Cada inalidade determina
a tipologia de representação a ser utilizada. As menos iéis têm vantagens por se-
rem simples, baratas, rápidas e fáceis de fazer e de modiicar, sendo lexíveis, dando
suporte e encorajamento à exploração de ideias e de alternativas, pois nunca são
produzidas para serem permanentes, mas para serem modiicadas. Já os mais iéis
são vantajosos pela interação direta que proporcionam entre equipe de designers e
usuários, por possibilitarem testes de funcionalidade e de usabilidade e por represen-
tarem esteticamente os padrões pretendidos.
Espero, portanto, que tenha icado clara a ideia de que a representação tridimen-
sional vem como recurso do designer na projeção e que ela é imprescindível no de-
senvolvimento de projetos. Vamos dar continuidade nos nossos estudos, deinindo a
importância desse ferramental e reiterando os aspectos em que ele é funcional.

32
atividades de estudo

1. Considere este caso hipotético: já deinimos a ideia do projeto a partir do


brieing e dos requisitos do cliente, temos uma forma preliminar e buscamos,
agora, entender se essa forma adequa-se de maneira ergonômica às neces-
sidades do cliente. Em relação ao tipo de representação tridimensional que
deveria ser feito, assinale a alternativa correta.
a) Modelo volumétrico.
b) Um protótipo.
c) Um mock-up melhorado.
d) Uma maquete de apresentação.
e) Um modelo de concepção.

2. Segundo Wong (2010 apud PEREIRA; DOMENEGUINI, 2015), a representação


tridimensional é aquela que pode ser vista de diferentes ângulos, a diferentes
distâncias, a qual podemos nos aproximar e nos distanciar, ou seja, apresenta
forma, volume e superfície e tem como objetivo comunicar conceitos, ideias,
valores e intenções de projeto para os envolvidos dos quais depende a sua
concretização. Seguindo esta ideia, analise as assertivas a seguir.
I. Toda representação digital não é considerada tridimensional porque a forma
não é tangível.
II. Os protótipos devem ser especiicamente condizentes com o produto inal,
não podendo variar, principalmente no quesito material.
III. Os modelos de apresentação devem representar conceitualmente a ideia do
objeto a ser produzido, e servem para seduzir clientes.
IV. Os mock ups também são conhecidos, na versão brasileira, como “porcótipos”,
referindo-se a protótipos malfeitos.
É correto o que se airma em:
a) I e II, apenas.
b) III e IV, apenas.
c) I, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.

3. Dentro do processo de concepção do projeto, diversos são os envolvidos e


diversas são as tipologias de representação que podemos fazer uso. Sabendo
disso, assinale verdadeiro (V) ou falso (F).
( ) Podemos dizer que mock-up e maquete são as mesmas coisas, sendo
maquete a tradução de mock-up.

33
atividades de estudo

( ) Stakeholders são os materiais utilizados na fabricação de protótipos.


( ) Os modelos podem ter diferentes nomes e classiicações de acordo com
a sua execução, utilização e construção.
( ) Os modelos não se diferenciam em nomes e classiicações. As classiica-
ções para a sua execução, utilização e construção são indiferentes.
A sequência correta para a resposta da questão é:
a) V, V, F, F.
b) F, F, V, F.
c) V, F, V, F.
d) F, F, F, V.
e) V, V, V, V.

4. Deina as diferentes caracterizações que classiicam um protótipo em evoluti-


vo e descartável.
5. A construção de protótipo é importante para o desenvolvimento do produto,
mas podem tomar tempo. Muitos designers, como Phillipe Starck ou Norman
Foster, têm o hábito de construir diversos modelos ao longo do desenvolvi-
mento do projeto e os consideram essenciais. Neste contexto, avalie as air-
mativas a seguir.
I. Os modelos devem ser construídos com material igual ao do objeto real porque
destinam-se a estudos formais e, assim, devem reproduzir aspectos funcionais.
II. Os protótipos são representações mais desenvolvidas, confeccionadas com o
material previsto para o produto inal. Desempenham as funções reais e pos-
suem, usualmente, as dimensões do projeto inal.
III. Os mock-ups são as formas de representação menos iéis ao objeto original,
pois não executam as mesmas funções, são construídos na escala real e com
os materiais diferentes ao produto inal.
IV. Os modelos devem ser construídos com material igual ao do objeto real por-
que destinam-se ao mercado consumidor.

É correto o que se airma em:


a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) I, III e IV, apenas
d) II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.

34
referências

AZUMA, M. H. et al. O Modelo Tridimensional Físico como Instrumento de Simulação na Habitação Social.
Gestão e Tecnologia de Projetos, São Paulo, v. 10, n. 2, p. 7-19, jul./dez. 2015. Disponível em: <http://www.
revistas.usp.br/gestaodeprojetos/article/view/101782/105961>. Acesso em: 4 maio 2018.
CARVALHO, J. G. G.; CAMEIRA, R. F. O Desenvolvimento de Protótipos nas Indústrias: Uma Visão Geral e
Perspectivas Futuras. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO - ENEGEP, 2016,
36, João Pessoa. Anais… João Pessoa: ENEGEP, 2016.
CHING, F. K. Dicionário Visual de Arquitetura. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
FERREIRA, A. M. R. D. F. G.; SANTOS, V. A. M. O Espaço Inter-Relacional dos Modelos e dos Protótipos no
Processo Criativo em Design. e-Revista LOGO, Florianópolis, v. 5, n. 1, p. 1-22, 2016. Disponível em: <http://
incubadora.periodicos.ufsc.br/index.php/eRevistaLOGO/article/view/3929/4517>. Acesso em: 4 maio 2018.
FLORIO, W.; TAGLIARI, A. Fabricação digital de maquetes físicas: tangibilidade no processo de projeto em
Arquitetura. Revista Exacta, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 125-136, 2011. Disponível em: <http://www4.uninove.br/
ojs/index.php/exacta/article/view/2420/1920>. Acesso em: 4 maio 2018.
FRANCISCO, R. D. Automatização Digital na Produção de Maquetes. 2013. 182 f. Dissertação (Mestrado
em Arquitetura) - Instituto Técnico de Lisboa, Lisboa, 2013. Disponível em: <https://fenix.tecnico.ulisboa.pt/
downloadFile/395145544905/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20-%20Ricardo%20David%20Francisco.pdf>.
Acesso em: 4 maio 2018.
GRIMM, V. et al. Pattern-Oriented Modeling of Agent-Based Complex Systems: Lessons from Ecology.
Science Mag, v. 310, n. 5750, p. 987-991, nov. 2005
HIROTA, E. H.; OLIVEIRA, P. R. Customização em Massa: Prototipagem e Elaboração de Protótipo em
Pequena Escala. In: ENCONTRO ANUAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UEL, 2014, 23, Londrina.
Anais… Londrina: UEL, 2014.
KAMINSKI, P. C.; OLIVEIRA, J. H. S. A. A Prototipagem Rápida Inserida nas Diferentes Fases de um Proje-
to como Instrumento de Inovação. In: CONGRESSO NACIONAL DE ENGENHARIA MECÂNICA - CO-
NEM, 2000, 1, Natal. Anais… Natal: CONEM, 2000. p. 1-8.
MILLS, C. B. Projetando com Maquetes. Porto Alegre: Bookman, 2007.

37
referências

PÁDUA, C. A. P. Universidade Federal de Minas Gerais. Departamento de Ciência da Computação. Syner-


gia/Gestus - Engenharia de Sotware e Sistemas. Prototipação - Engenharia de Usabilidade. Belo Horizonte:
UFMG, 2012.
PEREIRA, C. K.; DOMENEGUINI, J. P. A Transformação da Superfície Tridimensional Aplicada a um Pro-
jeto de Design de Moda. In: SEMANA DE EXTENSÃO, PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO – SEPesq, 2015,
11, Porto Alegre. Anais… Porto Alegre: Unirriter, 2015.
PEREIRA, D. D. O uso da modelagem aplicada à ergonomia no desenvolvimento de produtos. 2015. 177 f.
Dissertação (Mestrado em Design) - Programa de Pós-Graduação em Design, Arquitetura, Artes e Comu-
nicação, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Bauru, 2015. Disponível em: <https://repo-
sitorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/132512/000853590.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 4
maio 2018.
ROEMER, T. A.; AHMADI, R. Models for Concurrent Product and Process Design: Production, Manufac-
turing and Logistics. European Journal of Operational Research, London, v. 203, n. 3. p. 601-603, jun. 2009.
ROSSI, F. L. et al. Inluência da Prototipagem Rápida nas Dimensões do Impacto em Inovação e Valor Agre-
gado ao Processo de Desenvolvimento de Novos Produtos: um Estudo na Região. In: CONGRESSO BRASI-
LEIRO DE ENGENHARIA DE FABRICAÇÃO, 2011, 6, Caxias do Sul. Anais… Caxias do Sul: 2011.
SILVA, G. C.; KAMISNKI, P. C. Integração da prototipagem física no processo de desenvolvimento de produ-
tos automotivos. Revista Tecnologia, Fortaleza, v. 32, n. 1, p. 105-115, jun. 2011.

Referências on-Line

1
Em: <https://www.dicio.com.br/modelo/>. Acesso em: 4 maio 2018.
2
Em: <http://odesigndeproduto.blogspot.com.br/2016/01/bravo.html>. Acesso em: 4 maio 2018.
3
Em: <https://design.com.br/mockup-x-prototipo-x-modelo-volumetrico/>. Acesso em: 4 maio 2018.
4
Em: <https://www.dezeen.com/2014/11/13/design-education-tragic-says-jonathan-ive-apple/>. Acesso
em: 4 maio 2018.

38
gabarito

1. A.
2. D.
3. B.
4. Evolutivo: que se desenvolve ao longo do tempo, sendo recriado e otimizado.
Descartável: que é inutilizado depois que são feitas alterações ou que é utili-
zado como modelo para outro protótipo.
5. B.

39
INTRODUÇÃO

M
ais uma vez, seja bem-vindo, aluno(a), a nossa Unidade
II. Aqui, buscaremos entender qual a importância da re-
presentação tridimensional em suas diferentes tipologias,
modelos, maquetes e protótipos, dentro do processo de
design. Descreveremos qual a funcionalidade da representação tridimen-
sional, as suas vantagens e desvantagens, limitações e aplicabilidade. Isto
é, buscaremos entender para que serve, por que e no quê a representação
tridimensional será útil a nós, se ela for integrada ao processo de desen-
volvimento projetual.
Historicamente, os vestígios da produção de modelos tridimensio-
nais surgem em tempos remotos, anteriores a era de Cristo. Por meio da
análise histórica dos primeiros vestígios, poderemos perceber os aspec-
tos que tornaram a prática tão importante no decorrer evolutivo.
Decidir utilizar a representação tridimensional como um método pro-
jetual, ou mesmo como forma de comunicação, de interação com usuários
e de análise formal ou ergonômica, é uma escolha sua. O que buscamos
aqui é salientar os aspectos positivos oferecidos por esta prática. Porém,
destacaremos o fato de que, ao nos propormos a utilizar essa ferramenta,
devemos ter em mente que ela exige dedicação, tempo e trabalho duro.
Veremos que as maquetes, os modelos e os protótipos, além de an-
teciparem e simularem realidades, são objetos físicos ou digitais traba-
lhosos, os quais envolvem conceitos técnico-operativos e estéticos, além
de atenderem, simultaneamente, às inúmeras funcionalidades que nos
poderão ser úteis.
Fique atento(a) ao conteúdo da unidade, será imprescindível quando
somada às próximas unidades para a deinição da sua intenção em utili-
zar-se da técnica para representar as suas ideias. Isto lhe dará a dimensão
da importância e dos aspectos que envolvem a prática da representação
tridimensional enquanto metodologia de projeto.
DESIGN

No ensino do design, da arquitetura, da enge- O papel do modelo como protótipo, na relação


nharia e de outras proissões, as maquetes são fun- de simulação e análise da funcionalidade, atua como
damentais como método didático de ensino e de importante ferramenta na busca de novas soluções,
aprendizagem. Elas permitem que os alunos isolem de alterações cíclicas, de mudanças funcionais, geo-
conceitos a ser analisados e exercitem a abstração métricas, dimensionais estéticas e formais, indepen-
destes de forma tridimensional, permitindo dentemente da função a que o objeto se prende, seja
uma ediicação ou um website, ou mesmo um obje-
a materialização do conhecimento pessoal to simples, como uma bolsa, uma caneca, ou o que
como resultado do processo de maturação do
quer que estejamos projetando.
conhecimento formativo, baseado no lado ope-
racional e no saber relexivo ou analítico ligado Muitos denotam a distância entre o objeto e o
à interpretação dos fenômenos (FERREIRA; observador como a desvantagem do meio digital. O
SANTOS, 2015, p. 5). meio analógico não tem essa distância por causa de
seu aspecto tátil, responsável por uma projeção men-
A modelagem, ou prototipagem, traz consigo gran- tal ao sentir a presença física do objeto, uma facilita-
des vantagens, claro que, especiicamente, algumas dora da representação simbólica, o que, segundo al-
técnicas podem ser mais interessantes do que ou- guns autores, favorece soluções e amplia a capacidade
tras, dependendo do objetivo, da inalidade e das mental por meio da construção do conhecimento
restrições. A principal característica vantajosa dos empírico experimental sensitivo, diferentemente da
modelos físicos é a analogia. Parecer com o objeto abstração digital (AZUMA et al., 2015).
real, possuir esta relação de correspondência, seja Hoje, existe o adicional de a representação tridi-
por meio de sua materialidade ou por sua dinâmica mensional ser totalmente acessível economicamente.
de visualização, estreita a conexão com a represen- Mesmo os sistemas digitais, os sotwares e os har-
tação, mesmo que em escala reduzida. Essa redução dwares, os materiais e as tecnologias de prototipagem
permite a manipulação e a observação do conjunto, rápida, já estão disponíveis a um preço conveniente.
o que melhora a perspectiva do todo, principalmen- Os modelos digitais e as tecnologias de prototipagem
te em situações as quais o objeto não permite (por rápida mudaram a dinâmica da representação padrão
exemplo, um objeto arquitetônico). Neste sentido, e possibilitaram a representação de formas livres e
ele torna-se um instrumento didático, facilitador da complexas, afastando as ideias normativas, rígidas e
compreensão de informações cognitivas e, muitas repetitivas (FERREIRA; SANTOS, 2015).
vezes, de difícil descrição. O que podemos dizer é que ambos, modelos di-
Ao mesmo tempo, a redução da escala de repre- gitais e analógicos, traduzem-se em uma linguagem
sentação traz consigo a desvantagem da deformação acessível e, por meio da expressão material, geram
dimensional e perceptiva, decorrente da perda de in- trocas em um ciclo contínuo de interação de ide-
formações do objeto real e da necessidade de abstra- ários imateriais e de materialização (FERREIRA;
ção por parte dos observadores (AZUMA et al., 2015). SANTOS, 2015).

45
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

Logo, nas etapas de projeto preliminar, em que há são e textura. Na fase de testes, os protótipos, por
mais informações e detalhes estruturados, deve-se exemplo, já têm embutidos aspectos funcionais e são
fazer o uso dos modelos analíticos. Estes servirão de usados justamente para a veriicação do atendimen-
referência para a tomada de decisão em diferentes to de funções e requisitos.
aspectos de acordo com o necessário no momen- Na igura a seguir, podemos ver a relação entre
to, sejam aspectos funcionais, comportamentais ou tipologia de representação tridimensional e as eta-
mesmo estruturais, e os traduzirá em forma, dimen- pas de desenvolvimento do produto.

Figura 2 - Fases e etapas PDP e a utilização da representação tridimensional


Fonte: Volpato et al. (2007 apud SILVA; KAMINSKI, 2011).

Baseados no modelo metodológico de Rozenfeld et al. (2006), Silva e Kaminski


(2011) sugerem a associação dos modelos de representação tridimensional associa-
dos às fases de projeto, conforme sugere a igura a seguir.

50
DESIGN

Figura 3 - Modelo PDP sugerido por Silva e Kaminiski (2011)


Fonte: Silva e Kaminski (2011).

Esta integração entre a modelagem e as metodolo- de dos projetos (PEREIRA, 2015). Além de propor-
gias de design incentivam a prática e revelam a sua cionar a integração holística do projeto, permitindo
importância ao corroborarem o desenvolvimento de análises quanto à forma, à usabilidade, à ergonomia
objetos sempre melhor confeccionados, que permi- e à estética, buscando atender a todos os requisitos
tam alterações constantes e atendam a complexida- embutidos na projeção de novos produtos.

REFLITA

“[...] não se pode criar uma saída verdadeiramente nova a partir do desenho por si só, já que ele é em si
um processo, que envolve apenas transformar uma imagem abstrata em uma igura ou forma concreta”.

(Toshiharu Taura e Yukari Nagai)

51
DESIGN

A MODELAGEM, A MAQUETARIA E A PRO- tes oferecidas como oferendas aos deuses na China
TOTIPAGEM NA HISTÓRIA e o estudo de reprodução para grande escala, como
nos navios feitos por vikings.
Podemos dizer que os primeiros usos da represen-
tação tridimensional eram para servir como base à
execução de peças escultóricas e obras arquitetôni-
cas. Contudo, antes disso, já se sugeria que pinturas
rupestres haviam sido executadas a partir de mode-
los feitos em argila em alto relevo, e somente depois
eram levadas às cavernas para serem reproduzidas,
como mostram as iguras encontradas de animais
esculpidas em bronze (Figura 4) (IKEDA, 2004, on- Figura 5 - Oferenda chinesa (séc. I - II a.C.)
-line2; PEREIRA, 2015). Fonte: Francisco (2013).

Na Grécia Antiga, os modelos e as maquetes eram


utilizados para representar o eido-poiéo e a sua capa-
cidade imaginativa (eido: forma exterior perceptível
pelos sentidos; poiéo: articulação do universo abstrato
da imaginação e o mundo físico da construção) (IKE-
DA, 2004, on-line)2.

Figura 4 - Figura em bronze


Fonte: Lommel (1966 apud IKEDA, 2004, on-line)2.

Essa prática de reprodução em menor escala tam-


bém estava ligada à produção de oferendas relacio- Figura 6 - Modelo grego (2.000 - 1.700 a.C.)
nadas às deidades, tais quais os registros de maque- Fonte: Rozerstraten (2003).

53
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

Os egípcios faziam modelos de objetos e de utensí- a escolha dos materiais, das cores e das texturas. No
lios para depositar nos túmulos e serem utilizados período barroco, passou-se a considerar as maquetes
postumamente pelos faraós. Os romanos utiliza- e os modelos como auxiliares no processo de visua-
vam maquetes como oferendas a imperadores para lização e de comunicação, tornando os desenhos bi-
dar-lhes as suas máquinas de guerra, e também as dimensionais parte apenas do processo investigativo
utilizavam para a confecção de aquedutos que, neste (FRANCISCO, 2013).
caso, eram protótipos empregados em cálculos. Sinteticamente, podemos dizer que o uso da
representação tridimensional trouxe contribuições
sensíveis no modo de expressão e no entendimento
da relação espacial.

O SEU PAPEL HOJE

Já superamos a ideia de que a representação bidimen-


sional emite e transfere todo o conjunto complexo de
ideias de um designer ao comunicar o seu projeto.
Com o advento das inúmeras ferramentas virtuais e
de realidade aumentada, isto ica ainda mais claro.
Hoje, portanto, a revalorização da representação tri-
dimensional é tão pertinente quanto a recorrência da
Figura 7 - Modelo egípcio
Fonte: Rozestraten (2003). utilização dos meios digitais no processo de projeto.
A exploração de novas técnicas de mecanização
Tempos depois, com o aumento da complexidade dos processos de construção de modelos, maquetes e
dos sistemas construtivos, os construtores começa- protótipos, como veremos na unidade a seguir, per-
ram a utilizar de maquetes para realizar pequenos mite aumentar a complexidade da forma a ser repre-
protótipos de peças que seriam construídas nos tem- sentada e possibilita maior agilidade nesse processo.
plos. No período gótico, já se utilizavam maquetes Além de propor um novo desaio: o de manter a inte-
como forma de expressar e comunicar a ideia de gralidade da percepção de conjunto, ou seja, do obje-
projetos a clientes e estimar o custo das obras. to como um todo.
Na Idade Média, as maquetes eram executadas Em resumo, os modelos assumem, hoje, dois
como experimentos estruturais e, muitas vezes, elas papéis fundamentais, o primeiro dentro do aspecto
reproduziam elementos construtivos em escala para operativo: transmitir a essência, demonstrar que a
testes. Alguns telhados, por exemplo, eram feitos solução escolhida é a mais adequada, ou seja, sinteti-
para a análise da luminosidade. zar; o segundo, dentro do aspecto formal: represen-
Posteriormente, com a inserção da preocupa- tar a estética aliada à funcionalidade, assumir uma
ção quanto a aspectos formais e estéticos, o uso dos autonomia formal já não mais como representação,
modelos foi considerado para avaliar aspectos como mas como objeto que permite novas percepções e

54
considerações inais

C
hegamos ao inal de mais uma unidade, aluno(a)! Espero que, somadas as
informações que tivemos até aqui, você já tenha preenchido uma grande
parte da lacuna despertada pelo campo da representação tridimensional e
a confecção de modelos, maquetes e protótipos.
Vimos as tipologias de representação, as suas diferenças e semelhanças, onde e
quando elas podem e devem ser utilizadas. Falamos sobre todos os aspectos que en-
volvem a sua utilização, as suas vantagens e desvantagens dentro de cada fase criativa
e comunicativa do design.
Enim, aprendemos a respeitar o seu uso como um ferramental importantíssimo
dentro da nossa proissão e de várias outras, como foi destacado. No entanto, esse
entendimento e aprendizado seriam frágeis sem que localizássemos de forma crítica
a inserção da prática da representação tridimensional na História.
Vimos o avançar signiicativo da cultura técnica em termos de instrumentação
e criatividade desde os tempos mais remotos. Agora, com esses conhecimentos em
mente, podemos dizer que entendemos a prática da representação tridimensional
como ela é hoje. Ao analisarmos o passado, vimos como a prática sedimentou-se e
nos trouxe até o presente. Com a evolução técnica digital que presenciamos hoje,
podemos perspectivar os avanços futuros possíveis a partir da inserção de novas
técnicas, como a realidade aumentada e a valorização da prática na exploração de
ideias, por exemplo.
Agora estamos prontos para avançar nos nossos estudos! Tendo como base todos
os aspectos conceituais e teóricos que aprendemos até aqui, poderemos entender
outros aspectos da prática da representação tridimensional que ainda estamos por
descobrir. Ainda icou alguma dúvida? Reveja a unidade, releia e faça os exercícios,
isto o(a) ajudará a ixar as novas informações apreendidas e seguir em frente com o
conteúdo.

56
atividades de estudo

1. O processo de projeto do design deve acompanhar as mudanças culturais e


tecnológicas e, por isto, deve ser lexível e atualizado constantemente. Sobre a
evolução dos processos de maquetaria e de prototipagem ao longo do tempo,
leia as assertivas a seguir.
I. Os egípcios utilizavam a representação tridimensional para fazer objetos e co-
locá-los em seus túmulos.
II. Os romanos usavam protótipos de aquedutos para realizarem cálculos e
construírem esses aquedutos.
III. Os góticos utilizavam maquetes para mostrar o projeto aos clientes e calcular
custos.
IV. Os góticos utilizavam maquetes para ter uma previsão de qual época do ano
era ideal para começar construções.

É correto o que se airma em:


a) III e IV, apenas.
b) I e II, apenas.
c) I e III, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III, apenas.

2. Os modelos auxiliam na criação de uma linguagem única e acessível de ex-


pressão da realidade, sejam físicos ou virtuais, tornam-se a materialização da
comunicação de ideias. Além de uma ferramenta de comunicação, a repre-
sentação tridimensional também tem outra deinição a ser considerada. Em
relação a essa deinição, leia as assertivas a seguir.
I. Uma ferramenta didática.
II. Uma forma de simulação e ferramenta de análises e testes.

57
atividades de estudo

III. Uma parte imprescindível no desenvolvimento de projetos.


IV. Uma forma pouco utilizada de representar os projetos e que serve mais para
vender a proposta inal.
V. Uma etapa do desenvolvimento do projeto.

É correto o que se airma em:


a) I e II, apenas.
b) II e III, apenas.
c) I, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III, IV e V.

3. Vimos que o ciclo de vida curto dos produtos, com a diversidade do mercado
atual, tem diminuído, presumindo-se que um produto novo seja levado aos
consumidores a um prazo muito menor. Em relação à média de tempo para o
desenvolvimento de um produto hoje, assinale a alternativa correta.
a) De um a seis meses.
b) De seis meses a cinco anos.
c) De três meses a dois anos.
d) De três a cinco anos.
e) De seis meses a dois anos.

4. Qual é a função da modelagem e da prototipagem nas etapas iniciais de de-


senvolvimento do projeto?
5. Quais são os dois papéis fundamentais da representação tridimensional hoje?

58
referências

AZUMA, M. H. et al. O Modelo Tridimensional Físico como Instrumento de Simulação na Habitação So-
cial. Gestão e Tecnologia de Projetos, São Paulo, v. 10, n. 2, p. 7-19, jul./dez. 2015. Disponível em: <http://
www.revistas.usp.br/gestaodeprojetos/article/view/101782/105961>. Acesso em: 7 maio 2018.
BERTHO, B. C.; CELANI, G. A Prototipagem Rápida no Processo de Produção de Maquetes de Arquite-
tura. Curitiba: Graphica, 2007.
FERREIRA, A. M. R. D. F. G.; SANTOS, V. A. M. O Espaço Inter-Relacional dos Modelos e dos Protótipos
no Processo Criativo em Design. e-Revista LOGO, Florianópolis, v. 5, n. 1, p. 1-22, 2016. Disponível em:
<http://incubadora.periodicos.ufsc.br/index.php/eRevistaLOGO/article/view/3929/4517>. Acesso em: 7
maio 2018.
FRANCISCO, R. D. Automatização Digital na Produção de Maquetes. 2013. 182 f. Dissertação (Mestrado
em Arquitetura) - Instituto Técnico de Lisboa, Lisboa, 2013. Disponível em: <https://fenix.tecnico.ulisboa.
pt/downloadFile/395145544905/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20-%20Ricardo%20David%20Francisco.
pdf>. Acesso em: 7 maio 2018.
MILLS, C. B. Projetando com Maquetes. Porto Alegre: Bookman, 2007.
PEREIRA, D. D. O uso da modelagem aplicada à ergonomia no desenvolvimento de produtos. 2015. 177 f.
Dissertação (Mestrado em Design) - Programa de Pós-Graduação em Design, Arquitetura, Artes e Comu-
nicação, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Bauru, 2015. Disponível em: <https://repo-
sitorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/132512/000853590.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 7
maio 2018.
ROZENFELD, H.; FORCELLINI, F. A.; AMARAL, D. C.; TOLEDO, J. C.; SILVA, S. L.; ALLIPRANDINI, D.
H.; SCALICE, R. K. Gestão de desenvolvimento de produtos. Uma referência para melhoria do processo.
São Paulo: Saraiva, 2006.
ROZESTRATEN, A. S. Estudo sobre a História dos Modelos Arquitetônicos na Antigüidade: origens e
características das primeiras maquetes de arquiteto. 2003. 299 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e
Urbanismo) - Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.

63
referências

SILVA, G. C.; KAMISNKI, P. C. Integração da prototipagem física no processo de desenvolvimento de pro-


dutos automotivos. Revista Tecnologia, Fortaleza, v. 32, n. 1, p. 105-115, jun. 2011.
ZHANG, W.; LIN, H.; ZHANG, W. From Virtuality to Reality: Individualized Freeform Model Design and
Rapid Manufacturing. Human Factors and Ergonomics in Manufacturing. Wiley Periodicals, v. 15, n. 4, p.
445-459, 2005.

Referências on-Line

1 Em: <http://odesigndeproduto.blogspot.com.br/2016/01/bravo.html>. Acesso em: 7 maio 2018.


2 Em: <http://sqmaquetes.com.br/historia.htm>. Acesso em: 7 maio 2018.
3 Em: <https://www.dezeen.com/2016/10/21/g-shock-watch-inventor-casio-kikuo-ibe-design-indestructi-
ble-prototypes-interview/>. Acesso em: 7 maio 2018.

64
gabarito

1. E.
2. D.
3. C.
4. Nas etapas iniciais, ou seja, na fase de concepção, os modelos volumétricos e
conceituais auxiliam na comunicação entre equipe, usuário e desenvolvedo-
res. Neles, estuda-se a volumetria, a forma e a relação de ergonomia.
5. O primeiro dentro do aspecto operativo: transmitir a essência, demonstrar
que a solução escolhida é a solução mais adequada, ou seja, sintetizar; o
segundo dentro do aspecto formal: representar a estética aliada a funcionali-
dade, assumir uma autonomia formal já não mais como representação, mas
como objeto que permite novas percepções e perspectivas.

65
INTRODUÇÃO

O
lá, seja bem-vindo(a)! Em nossa Unidade III, descreveremos
o “como fazer” da representação tridimensional. Buscaremos
caracterizar diversos elementos da linguagem visual tridi-
mensional e ajudar você a entender como a cor, a textura, a
estrutura e a forma dão-se por meio de diferentes técnicas, processos e
materiais que podem ser utilizados na confecção de modelos, maquetes
e protótipos, exempliicando sempre de forma ilustrativa para que você
tenha um bom entendimento e possa avançar nos seus estudos.
Desde tempos remotos, produzem-se maquetes e protótipos físicos
por meio de técnicas convencionais de modelagem manual, esculturas,
carpintaria e maquetismo. No entanto, as novas tecnologias abriram ca-
minho para o desenvolvimento de modelos de alta complexidade, não
apenas descritivos e conceituais, mas funcionais, com alto rigor dimen-
sional e mecânico, produzidos de forma rápida por meio de sotwares e
de maquinário especíico.
A partir daqui, daremos a você um apanhado geral para que conheça
quão variados são os processos de desenvolvimento da representação tridi-
mensional, desde os tradicionais aos novos e, assim, busque aprofundar-se
na técnica que mais lhe interessar e for conveniente a determinado projeto.
Dizemos isto porque, como vimos na Unidade I, cada projeto, de acordo
com a sua inalidade, o seu prazo e orçamento, além da habilidade e da
destreza do projetista, deine o tipo de modelo a ser confeccionado, e isso
determinará o material e a técnica a serem utilizados.
Começaremos aprendendo como dar início ao trabalho de representa-
ção, seja ele manual ou digital, sempre lembrando que uma boa organiza-
ção facilita o trabalho, reduz custos e tempo. Logo, conheceremos algumas
técnicas manuais de modelagem física e alguns sotwares de modelagem
virtual, em seguida, materiais que podem ser úteis no desenvolvimento da
representação física. Vamos, então?
DESIGN

Olá, aluno(a)! Sempre antes de dar início a um tra- 1. Tempo disponível para a execução: se o tem-
po for curto, nada muito complexo poderá
balho, seja manual ou digital, é necessário que nos
ser feito, o que provavelmente determinará o
organizemos, arrumemos um espaço adequado para material utilizado, a escala e a técnica.
trabalharmos, separemos os materiais necessários e 2. Custo envolvido: o orçamento determinará o
façamos a distribuição do nosso tempo, para que, material ou mesmo o sotware a ser adquiri-
assim, o trabalho lua e possamos cumprir os nos- do para a elaboração do modelo. Por exem-
plo, somados o tempo hábil e o orçamento
sos objetivos. Neste primeiro tópico da Unidade III, generoso, é possível desenvolver um mock-up
descreveremos rapidamente os procedimentos or- melhorado ou um protótipo simples, se o
ganizacionais que devemos executar para dar início projeto já estiver mais evoluído.
aos trabalhos de representação tridimensional. 3. Escala do projeto: a deinição da escala de-
terminará todo o trabalho, talvez seja uma
das mais, senão a mais importante decisão
SAIBA MAIS a ser tomada para dar início à execução do
modelo. A escala é determinada pelo nível de
detalhamento em que o projeto encontra-se,
Os modelos e maquetes não precisam ser, ne- pelo espaço em que o modelo será exposto
cessariamente, uma reprodução idedigna do e no tempo disponível para a sua execução.
desenho do projeto. Neles, pode-se explorar Lembre-se: quanto menor a dimensão do
diferentes soluções, por isto, não se prenda! modelo, mais meticuloso será o trabalho.
Seja criativo(a)! Isto fará com que o trabalho 4. Ferramental disponível: neste quesito, in-
seja menos moroso e mais produtivo. cluem-se equipamentos e espaço. Quando
se trata de uma representação física, existem
Fonte: a autora. sempre as questões de transporte, armaze-
nagem, ferramentas e locação do material e,
muitas vezes, no decorrer do desenvolvimen-
to do projeto, o modelo não pode ser movido,
Como já estudamos, o modelo 3D dá “vida” ao de- isto inclui a exclusividade do espaço.
senho bidimensional e ajuda o projetista a analisar 5. Habilidade do modelador e da equipe: pro-
cure utilizar técnicas as quais você esteja
dimensões, cores, possíveis texturas, formas e ergo- confortável aos procedimentos ou procure
nomia, pode ser confeccionado com materiais sim- alguém que tenha as habilidades necessárias
ples ou soisticados, por meio de técnicas simples ou para auxiliá-lo(a), como ateliês e proissio-
nais especializados.
complexas, podendo ser conceituais ou funcionais,
6. Nível de acabamento: o nível de detalhe de-
mas sempre buscando a qualidade de cada etapa de termina o nível de acabamento da superfície
projeto. Seja qual for a etapa que estiver dentro do do modelo. O nível do acabamento pode de-
processo de desenvolvimento, a produção do mode- terminar o trabalho e o tempo despendidos
no modelo, além do rigor técnico exigido.
lo tridimensional tem as suas especiicidades e traz
7. Desenvolvimento formal: a fase em que o
consigo uma série de requisitos que devem ser de-
projeto encontra-se determina tanto a escala
inidos para dar início à sua confecção. Portanto, é quanto os níveis de detalhe e de acabamento
necessário levar em conta os seguintes fatores: exigidos.

71
DESIGN

Somados todos os aspectos referidos, você poderá deinir e executar o seu modelo,
maquete ou protótipo. No quadro a seguir, você tem um resumo do que falamos até
aqui.

Maquete/Modelos Maquete/Modelo de Maquete/Modelo de


Conceituais Trabalho Apresentação
Durável, resistente, estável e
Acessível, fácil e rápido de ma- No caso de modelos físicos,
transportável.
nipular e modelar. Isto também materiais fáceis de manipu-
No caso de modelos virtuais,
Material remete ao desenvolvimento de lar e com durabilidade maior
softwares que possibilitam
modelos virtuais: softwares com que a dos modelos concei-
renderização e acabamentos
interface simples e fácil. tuais.
próximos ao reais.
Adequados ao material a ser
Ferramen- Simples, de fácil manipulação e De simples a elaborados,
utilizado. Geralmente são mais
tas e Ma- com disponibilidade próxima ao dependendo da prática e da
elaborados, necessitam de
quinários local de trabalho. habilidade do projetista.
prática e habilidade.

Mesa de trabalho conectada Convém ser uma mesa de tra-


Mesa de desenho e trabalho
Local de às ferramentas e adequada balho alocada em sala especíi-
onde possa realizar a montagem
Trabalho a elas e às suas exigências ca devido ao tempo de execu-
simpliicada do modelo.
de corte, colagem etc. ção e à utilização do espaço.

– Tomadas elétricas junto às mesas de trabalho, baterias e coolers extras em caso de modela-
Elemen- gem digital.
tos que – EPIs (Equipamentos Individuais de Proteção e Segurança) necessários para a utilização de
podem ser maquinário.
necessá- – Elementos de primeiros socorros para caso de corte ou ferimento.
rios – Proximidade com água corrente para a higiene do material e das mãos e manutenção do mo-
delo limpo.

Quadro 1 - Resumo dos determinantes organizacionais para a produção de modelos, maquetes e protótipos
Fonte: adaptado de Knoll e Hechinger (2001).

REFLITA

Organiza-se! Planeje todo o processo de execução da maquete antes de começar, inclusive, monte um
cronograma. Isto facilitará a entrega do projeto no prazo e evitará o gasto desnecessário de tempo.

73
DESIGN

parte do executor, podendo ser realizada para diver-


sos propósitos e em diversos materiais, como argila,
papel, madeira e metal (SILVA; KAMINSKI, 2011).
Alguns autores airmam que as vantagens da
modelagem física em termos cognitivos são mui-
to superiores à modelagem virtual. Segundo eles, a
compreensão física das geometrias tridimensionais
por meios analógicos, como sentir, tocar e observar
as formas por meio dos materiais, estimula os senti-
dos, a criatividade e a percepção; enquanto que por
meios digitais, o objeto torna-se apenas uma codi-
icação geométrica sem os parâmetros reais de per-
cepção, impedindo a avaliação que poderia ser feita
pela manipulação direta (PEREIRA, 2015).
Caro(a) aluno(a), buscaremos conhecer algumas
dessas técnicas e desses processos construtivos usa- Figura 1 - Exemplo de modelagem manual com clay

dos para materializar isicamente as representações


tridimensionais, e estudar quais possuem uma baixa Maquetismo
ou alta exigência tecnológica, e quais materiais ade-
quam-se a estes sistemas construtivos na elaboração O maquetismo trata-se da confecção de maquetes,
de modelos, maquetes e protótipos, por meio de sua ou seja, de modelos reduzidos ou em escala que au-
transformação, conformação, união, recorte etc. xiliam o projetista no desenvolvimento do projeto
ao analisar e simular situações as quais o projeto será
Modelagem manual submetido, a apresentar as ideias a leigos, entre ou-
tros. Geralmente, o maquetismo é associado a pro-
Convencionalmente, a modelagem física é conside- jetos de arquitetura, urbanismo e engenharia, sendo
rada manual por tradicionalmente não fazer uso de que, no design de produto, os mock-ups e os protóti-
maquinário automatizado e ser recorrente. No en- pos são mais reconhecidos. O maquetismo executa-
tanto, a modelagem manual em especíico é realiza- -se a partir de diversas técnicas, como a planiicação,
da a partir da manipulação de materiais maleáveis, o empilhamento, a extrusão, a subtração etc.
como plastilina, papel machê, argila, massa epóxi,
clay, massa de modelar, sabão, espuma loral, con- REFLITA
creto, madeira, cerâmica plástica (imo) etc., que vão
Faça maquetes sempre! Não precisa ser muito
moldando-se ao contato e ganhando a forma deseja- trabalhosa, e sim, facilitar o seu entendimento
da por meio da escultura e do desbaste, geralmente e ajudá-lo(a) a visualizar o seu projeto. A prá-
de forma lenta e sutil, principalmente quando a geo- tica o(a) ajudará a desenvolver habilidades.
metria do projeto é complexa.

75
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

Construção de moldes

Os moldes são realizados para auxiliar de forma in-


direta ou direta na produção do modelo e permitir,
se necessário, a sua reprodução. Os moldes variam
de acordo com o material de que são feitos, o que
também determina a sua validade e possibilidade de
reutilização. Rosochowiski e Matuszak (2000 apud
SILVA; KAMINSKI, 2011) classiicam os tipos de
moldes conforme a igura a seguir. Eles podem ser
de silicone, gesso ou madeira quando se destinam a
solidiicar um material líquido de resina, cera, po-
liestireno, PVC etc.
O uso de moldes permite também a confecção de
peças ocas no sistema de rotomoldagem e são muito
usados por dentistas, por exemplo, e na cozinha (PE-
Figura 2 - Exemplo de maquete urbano-arquitetônica REIRA, 2015), como veremos nas Figuras 4 e 5.

Figura 3 - Classiicação dos tipos de moldes


Fonte: Silva e Kaminski (2011).

76
DESIGN

auxiliado por computador), CAE (Computer Aided


Engineering) e CAM (Computer Aided Manufactu-
ring) para a produção de modelos físicos, utilizan-
do-se de maquinários e tecnologias especíicas.
A inserção no mercado dessa tecnologia tem
causado impacto dentro do processo de projeto e na
execução inal dos produtos, a prototipagem rápida
é, hoje, uma das tecnologias mais recentes e inovado-
ras na representação tridimensional física. Ela per-
mite a produção de designes diferenciados, únicos,
ergonomicamente adaptados, com menores custos
Figura 4 - Modelo de molde de silicone utilizado por dentistas de produção e menos riscos associados às falhas.
Isto acontece porque ela permite simultaneamente
desenvolver o produto, acompanhar a sua evolução,
adaptar a novos requisitos e solucionar falhas, adap-
tando-se a novos conceitos, como o de lean thinking,
além de ter se mostrado muito eiciente no quesito
apresentação de produtos (CELANI et al., 2008).
Os primeiros sistemas de prototipagem rápida,
como são conhecidos hoje, surgiram na década de
80 e, em 1996, eles já geravam lucros com menos de
5 mil equipamentos instalados no mundo. Estados
Unidos, Japão e Europa já fazem uso recorrente da
técnica, inclusive em empresas privadas. No Brasil, o
mercado ainda é pequeno, porém, vem aumentando
devido a mudanças de paradigmas que traz consigo
tanto na produção de desenhos como de modelos,
ferramentas e protótipos para novos produtos, e
vem tornando-se essencial às empresas que preten-
Figura 5 - Modelo de molde utilizado em cozinhas dem manter-se competitivas no mercado, sendo uti-
lizada nos ramos da engenharia mecânica, desenho
Prototipagem rápida industrial e odontologia (KAMINSKI; OLIVEIRA,
2000; ROSSI et al., 2011; BERTHO; CELANI, 2007).
A prototipagem rápida (Rapid Prototyping - RP) A importância da prototipagem rápida vem cres-
trata-se da tecnologia que utiliza modelos geomé- cendo como ferramenta inovadora porque reduz
tricos digitais, geralmente desenvolvidos a partir custos, aumenta a qualidade dos produtos e permite
de sistemas CAD (Computer Aided Design, projeto uma alavancagem no uso da prototipagem ao longo

77
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

do processo de desenvolvimento de produtos. Por A prototipagem rápida pode ser efetuada por
ser inserida recentemente no mercado, a RP ainda meio de diferentes processos, que podem ser subtra-
tem muito a desenvolver e, atualmente, investe-se em tivos ou aditivos. Cada técnica apresenta diferentes
pesquisas que busquem acelerar a produção a partir características que alteram aspectos, como acaba-
dessa tecnologia, que melhorem a interface dos sof- mento, detalhes, cores, resistência, custo e precisão
twares, desenvolvam novos materiais que aproximem e possuem certas vantagens e desvantagens, as quais
os modelos às cópias mais iéis possíveis dos produtos buscaremos entender um pouco mais (CELANI et al.,
a ser em desenvolvidos com precisão dimensional, es- 2008; ROSSI et al., 2011; BERTHO; CELANI, 2007).
tética e funcional e deem novas aplicações à técnica
(KAMINSKI; OLIVEIRA, 2000; PEREIRA, 2015). Prototipagem subtrativa
Arquitetos como Frank Ghery e Norman Foster
fazem uso da prototipagem rápida, e sem ela as suas As técnicas de prototipagem rápida subtrativas re-
obras diicilmente seriam concebidas, entendidas e, metem à subtração ou ao esculpir de materiais
talvez, construídas (BERTHO; CELANI, 2007). brutos em blocos, como metal, madeira, acrílico e
A prototipagem rápida traz consigo inúmeras outros, por meio de ferramentas, como fresadoras,
vantagens se comparada às técnicas tradicionais, também chamadas de CNC. As ferramentas CNC
como: a reprodução ilimitada; a alta precisão nos são classiicadas de acordo com os eixos de movi-
detalhes; a reprodução de curvas planas e de formas mento e seguem o desenho e as instruções deinidos
complexas; o melhor acabamento inal; a rapidez por sotwares digitais (FRANCISCO, 2013).
na execução de modelos, maquetes e protótipos, o
que facilita no decorrer do processo de projeto; não CNC
necessita de conhecimento técnico especíico e, as-
sim, permite maior integração entre equipe de pro- O Controle Numérico Computadorizado (CNC) ba-
jeto, produção e vendas, indo de encontro ao lean seia-se em equipamentos controlados por computa-
thinking, reduzindo custo de mão de obra especia- dores, tais como cortadoras a laser, tornos, fresadoras
lizada, no caso, modeladores; agiliza o contato do e demais soluções de materialização digital de super-
usuário inal com o protótipo, sendo mais rápida a fícies por meio de remoção de material, ou seja, é um
análise de requisitos e aumentando a coniabilidade método subtrativo no qual um bloco, que pode ser de
no processo; reduz riscos, principalmente de proje- alumínio, aço, madeira, polímeros, acrílicos, fórmicas,
tos associados às tecnologias de alto custo, evitando resinas, ligas metálicas, poliuretano (PU) ou diversos
falhas e desperdício a partir da percepção de defeitos outros materiais, é desgastado pela ação de uma fresa,
desde o início do projeto; a diminuição do número por exemplo, controlada numericamente por um apli-
de espirais no ciclo de projeto; a maior tangibilida- cativo de computador com sotwares vetoriais, cujo
de entre o modelo e o objeto a ser executado (BER- objetivo é reproduzir, sobre a superfície, o modelo 2D
THO; CELANI, 2007; PEREIRA, 2015). ou 3D gerado por meio de um caminho de corte.

78
DESIGN

As fresadoras executam um processo de fresamento Prototipagem aditiva


a partir de cabeçotes, que giram e deslocam-se em
até seis direções e permitem cortar de forma precisa A técnica de prototipagem rápida aditiva consiste
e bem-acabada, arredondar, desgastar, furar, escul- na deposição, em camadas, de materiais líquidos ou
pir e gravar superfícies planas, controlando altura e em pó, como resina, gesso ou plástico, que remetem
acabamento de cada vetor, aproveitando da melhor à seção transversal até que adquiram a forma tridi-
forma possível o bloco como um todo para evitar mensional (ver igura a seguir). O objeto produzido
desperdícios de material, independentemente do dependerá do material, variando em função do aca-
desenho ou do material (AZUMA et al., 2015; PE- bamento, do custo e das propriedades físicas, como
REIRA, 2015; PEREIRA; DOMENEGUINI, 2015). peso e resistência. Essa técnica é recomendada para
A modelagem com CNC é relativamente mais formas complexas e permite a fabricação de peças
rápida e gera peças de boa qualidade a um preço ocas, pode ser aplicada por meio de diversos méto-
inferior às outras técnicas de Prototipagem Rápida, dos: a estereolitograia (SLA), a sinterização seletiva
como SLA, SLS e FDM. No entanto, a CNC possui a laser (SLS), a fusion deposition modeler (FDM), a
limitações, como no caso de peças ocas ou de ângu- impressão a jato de tinta (IJP) e a impressão 3D a pó
los extremos (PEREIRA, 2015). (FRANCISCO, 2013; LEITE et al., 2011).

79
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

Sequência De Procedimentos Da Prototipagem Rápida Aditiva

Modelo Cad 3D

Geração das Camadas

Processamento das
Camadas

Camadas Empilhadas

Figura 6 - Sequência de procedimentos da prototipagem rápida aditiva


Fonte: Leite et al. (2011).

80
DESIGN

Estereolitograia (SLA - Stereolithography Apparatus) Manufatura de objetos em lâminas (LOM)

A estereolitograia constrói modelos a partir de po- LOM (Laminated Object Manufacturing) é uma tec-
límeros líquidos sensíveis à luz, que se solidiicam nologia que produz sólidos a partir de material lami-
quando expostos à radiação ultravioleta (UV). O nado, como camadas de papel e material adesivo que,
equipamento que realiza esse processo possui uma juntos, são aquecidos e comprimidos por um rolo, e
plataforma coberta com uma resina fotossensível, cortados por um laser guiado digitalmente (ver igura
que se polimeriza em contato com o feixe de luz, ou a seguir) (KAMINSKI; OLIVEIRA, 2000).
seja, seca nas áreas iluminadas a laser; estas áreas são
precisamente determinadas por meio de um conjun-
to de lentes e espelhos, que desenham a seção a ser
iluminada. Dentro dessa plataforma, existe um ele-
vador que se posiciona logo abaixo à camada de re-
sina, especiicando a espessura do modelo e gerando
o seu corte transversal (ver Figura 9).
Essa tecnologia é pioneira no desenvolvimento da
prototipagem rápida, foi patenteada em 1986 e pos-
sui muitos adeptos no mundo. É muito utilizada na
execução de modelos conceituais e estéticos, na pa- Figura 8 - Esquema de um objeto formado a partir do LOM
dronagem para fundição, na execução de moldes de Fonte: Kaminski e Oliveira (2000).

silicone e de ferramental de plástico, e em modelos de


prova para túnel de vento. Agora, ela é utilizada para Impressão tridimensional com pó (3D print)
criar modelos funcionais de altas precisão geométrica
e qualidade de superfície em materiais, como polies- A impressão 3D também atende a tecnologia de su-
tireno (PS), polipropileno (PP) e policarbonato (PC) perposição de material. Desenvolve-se o modelo de
(PEREIRA, 2015; KAMINSKI; OLIVEIRA, 2000). modo semelhante a uma impressora a jato de tinta,
em que camadas são depositadas até a forma comple-
ta, ou seja, os equipamentos são compostos por uma
plataforma preenchida com pó, e sobre ela, cabeçotes
de impressão vão “imprimindo” por meio da deposi-
ção de um material aglutinante de pouca viscosidade.
Conforme depositam as camadas, a plataforma baixa
ligeiramente e o processo repete-se, como em uma
impressora. No inal, a máquina libera um jato de ar
que, por sua vez, libera o pó em excesso. O objeto é
Figura 7 - Esquema de formação de peça estereolitografada
endurecido com cianoacrilato e, por último, é aplica-
Fonte: Kaminski e Oliveira (2000). do um material iniltrante, como cera ou resina epóxi.

81
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

Extremidade
Nesse processo, o pó pode ser composto de Filamento
de extrusão
materiais poliméricos, metálicos e/ou cerâmicos, de material
a quente
colorido ou texturizado com a utilização das cores
básicas de uma impressora (magenta, ciano, preto e
amarelo). Hoje, existem no mercado diversos equi-
pamentos que se utilizam dessa tecnologia e aceitam
Nova
arquivos em STL, VRML, 3DS e PLY. A impressão
camada
3D tornou-se muito popular por ser considerada
uma das tecnologias mais rápidas (cerca de duas
polegadas por hora), com menor custo, fácil ma-
nipulação e manuseio, as suas limitações ainda en- Figura 9 - Esquema do processo FDM
contram-se nas dimensões, que ainda são reduzidas Fonte: Kaminski e Oliveira (2000).

(PEREIRA, 2015; BERTHO; CELANI, 2007).


O FDM oferece uma alta resistência e também é mui-
Modelagem por deposição de material fundido (Fu- to utilizado na confecção de protótipos funcionais,
sed Deposition Modeling) possibilita a construção de peças sólidas ou vazadas,
e devido a seu bom acabamento, é muito usado na
A tecnologia FDM (Fused Deposition Modeling) rea- confecção de moldes de fundição e em testes de túnel
liza a modelagem por meio da deposição de camadas de vento. O tempo de modelagem varia conforme as
super inas de resina e de material termoplástico se- espessuras das camadas modeladas, quanto mais ina,
milíquido, como o ABS (acrylonitrile-butadiene-styre- mais deinida a superfície e maior o tempo de mode-
ne), os elastômeros, o nylon e a cera aquecida e extru- lagem (KAMINSKI; OLIVEIRA, 2000).
sada (conhecido no processo como molde perdido),
a exemplo de outras tecnologias aditivas de prototi- Sinterização Seletiva a Laser
pagem rápida. Neste equipamento, um bico extrusor
move-se depositando o material sobre uma base com A tecnologia SSL (Selective Laser Sintering, ou Sinte-
temperatura mais baixa que a resina. Esta endurece rização Seletiva por Laser) utiliza-se de um feixe de
formando a camada, o movimento repete-se, e a cada laser para fundir o pó, que pode ser nylon, elastô-
camada formada, a base desloca-se para baixo, e as- meros, metal ou outro, e por meio do calor, formar
sim sucessivamente até o inal do processo (ver igu- um modelo sólido (ver igura a seguir). Essa tecno-
ra a seguir). Para sustentar o modelo, é realizado um logia é muito utilizada na indústria automobilística
molde de suporte, descartado posteriormente. (fabricação de peças para o interior de automóveis),

82
DESIGN

o ambiente virtual tem a singular característi-


em ferramentas e padrões para fundição, além de ca de possuir todas as propriedades do mundo
protótipos funcionais para a veriicação de projeto real, exceto no que diz respeito à propriedade
(KAMINSKI; OLIVEIRA, 2000). fundamental: falta-lhe presença física, não tem
qualquer existência material, palpável.
Camada Raio
Rolo
de pó Laser Dentro desta dicotomia, percebe-se que a fusão dos
dois contextos, virtual e físico, torna-se perfeita para
a tarefa do designer de criar objetivamente, de repre-
Cartucho
sentar o imaginado e dar-lhe forma, complementan-
de pó
do-se de forma efetiva no desenvolvimento de pro-
dutos mais coerentes (FERREIRA; SANTOS, 2015;
PEREIRA, 2015).
Objeto em A modelagem virtual permite um controle rápido
formação e preciso das formas, proporções, dimensões, deta-
Figura 10 - Formação do objeto por SSL
lhes e texturas do objeto a partir de sua simulação e
Fonte: Kaminski e Oliveira (2000). da sua exploração plástica tridimensional, além de fa-
cilitar a tarefa de interpretar imagens bidimensionais
TÉCNICAS DE MODELAGEM VIRTUAL (PEREIRA, 2015).
A partir daqui, descreveremos alguns sotwares
A modelagem virtual tornou-se hoje recorrente, e utilizados no desenvolvimento de modelos virtuais,
também é considerada uma ferramenta essencial no e mais adiante, falaremos sobre como a realidade
desenvolvimento do projeto, e não apenas uma ferra- aumenta uma nova perspectiva entre o meio físico
menta de simulação e de prototipagem. Existe ainda e virtual.
receio em relação às diferenças perceptivas entre o am-
biente simulado digital e o ambiente real, o que leva a Sotwares
questionamentos sobre os efeitos dessa integração em
nossa capacidade perceptiva e criativa. Para alguns au- Os sotwares de modelagem 3D funcionam de acor-
tores, as relações físicas com os elementos formais são do com as tecnologias de prototipagem diferentes,
mais eicazes que as virtuais, trazendo mais benefícios. alguns são baseados na modelagem por faces poli-
A manipulação do ferramental virtual, porém, gonais, como o SketchUp, o 3D Studio Max e o Blen-
não deixa de ser uma vantagem, apesar do que diz der, e outros na tecnologia Nurbs, como o Rhinoce-
Manzini (1993, p. 28 apud PEREIRA, 2015) ros, o Alias, o Maya e o Modo.

83
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

Google SketchUp especialização para o manuseio e a interpretação.


Além de modelar objetos, o sotware auxilia na con-
O programa Sketchup foi, inicialmente, desenvol- fecção de animações realísticas, reforçando ainda
vido para a criação de modelos virtuais que auxi- mais a ampla utilização e a interface com diferentes
liassem a inserção de objetos 3D na interface com plataformas informáticas, e também entre diferentes
a plataforma Google Earth. Devido à ampla utili- proissionais, como arquitetos, designers, modistas,
zação, principalmente por arquitetos e designers, cineastas, arte-inalizadores etc.
as versões foram aprimoradas e, na atualidade, o
programa compreende uma plataforma comumente Modo
utilizada, devido ao seu fácil manuseio. Apesar de
não possuir, em sua essência, a inalização por meio O Modo é um programa lexível que permite criar,
de renderização, ele permite que os modelos criados animar e renderizar fotorrealisticamente dentro da
a partir dele migrem em diferentes plataformas de mesma interface e que oferece a possibilidade de
renderização, fotorrealismo e arte-inalização. modelagem, escultura e texturização em diversos
formatos, incluindo o intercâmbio bidirecional de
Rhinoceros e Maya dados de forma simples e consistente, permitindo
a exploração de ferramentas simples que lhe darão
O Rhinoceros, conhecido como Rhino, é um sotware suporte às tarefas complexas, oferecendo um luxo
baseado na tecnologia Nurbs, que nasceu como um de trabalho interativo e rápido.
plug-in do AutoCad e, posteriormente, tornou-se um
aplicativo independente, muito usado por designers, Realidade aumentada
arquitetos e engenheiros mecânicos por sua grande
diversidade de ferramentas e de operações, além da A tecnologia de realidade aumentada, termo que se
conexão com outros sotwares, permitindo conver- refere à combinação em tempo real do meio físico
sões de formatos, e a possibilidade de exploração de com o virtual por meio de informações interativas
formas luidas, com um custo-benefício interessante desenvolvidas pelo computador, já é aplicada dentro
do ponto de vista da aquisição, da manutenção e da do design com recorrência dentro de diversos ra-
interface de fácil assimilação (MILLS, 2007). mos, como produtos, moda, educação, engenharia e
arquitetura (FERNANDES; SÁNCHEZ, 2008).
3D Studio Max A realidade aumentada insere o usuário dentro
de um ambiente sintetizado virtualmente e combina-
O 3D Studio Max é um programa de modelagem -o com o ambiente real, sobrepondo objetos e sons,
com interface entre outros sotwares, amplamente complementado a realidade, adicionando ou escon-
utilizado na criação de modelos por diferentes pro- dendo elementos, o que, em um cenário ideal, pode
issionais, além de permitir a renderização e o fotor- chegar a confundir um com o outro. Sinteticamente,
realismo. Por ser um dos sotwares mais completos podemos dizer que a realidade aumentada é um mis-
da categoria, exige do proissional uma determinada to entre ambientes virtuais, também sintetizados por

84
DESIGN

computador, e ambientes reais (ver igura a seguir). SAIBA MAIS

Os modelos físicos e virtuais são a materializa-


ção do conhecimento pessoal, resultado de um
processo de projeto que conecta a relexão e a
análise às técnicas operacionais, na tentativa de
representação dos fenômenos atuais.

Fonte: a autora.

Figura 11 - Esquema ambiental da realidade mista


Hoje, essa tecnologia é muito utilizada no desen-
Fonte: a autora. volvimento dos ramos automobilístico e arquitetô-
nico. Sistemas disponíveis, como CAVEs, Spacede-
Como já foi dito anteriormente, dentro do design de sign, Augmented Foam, SmartSketches ou Projection
produtos, a representação tridimensional tem se tor- Walls, procuram inserir os usuários no âmbito dessa
nado cada vez mais importante. Tendo isto em men- nova tecnologia. Contudo, eles ainda apresentam al-
te, a realidade aumentada vem a ser mais uma técni- gumas restrições que impedem o seu uso de modo
ca disponível, com a vantagem de unir ao ambiente geral: uns não permitem a sobreposição de objetos
real o objeto modelado digitalmente, ou vice-versa. virtuais em ambientes reais, outros apresentam bugs
A realidade aumentada ainda permite toda a inte- técnicos, como a oclusão (quando um objeto virtual
ração que seria possível com modelos e maquetes sobrepõe-se indevidamente ao real). Porém, já faci-
físicos, a percepção da forma e a compreensão fun- litam interações, correções e mudanças nos modelos
cional, com a vantagem da estética visual do objeto em tempo real, cada um de uma forma (FERNAN-
acabado (FERNANDES; SÁNCHEZ, 2008). DES; SÁNCHEZ, 2008, p. 31).

85
DESIGN

ARGILA E CLAY

A argila é endurecida quando queimada, ou seja, ex-


posta a altas temperaturas, torna-se muito resistente.
No entanto, não é muito recomendada para prototi-
pagens que exijam um nível maior de detalhamento.
O clay é uma argila sintética a base de óleo. Am-
bos os materiais são muito maleáveis e possuem a
plasticidade, permitindo que sejam moldados e es-
culpidos tanto com as mãos como utilizando-se de
ferramentas próprias para o desenvolvimento de es-
culturas, tornando-se material essencial no processo
de modelação dentro do desenvolvimento do design Figura 13 - Estecas utilizadas para modelagem
em diversos ramos, como no artístico e no design de Fonte: Pereira (2015).

produtos. No setor automobilístico, o clay é utiliza-


do tanto como material inal quanto provisório da
prototipagem e da execução de moldes para fundi-
ção, digitalização e cozedura (PEREIRA, 2015).
O clay possui diversas variações de dureza, que
se alteram de acordo com a sua coloração, indo do
cinza claro, o mais macio, até o amarronzado, o mais
irme (ver Figura 14), podendo ser usinado e/ou fre-
sado. Para ser utilizado manualmente, é necessário
aquecer o clay por meio de estufas, fornos ou sopra-
dores térmicos. Figura 14 - Blocos de clay
Fonte: Pereira (2015).

MADEIRA

A madeira é um material muito versátil, que permi-


te a aplicação de diferentes técnicas e processos em
sua utilização: corte, colagem, furação, samblagem
(junção de peças de madeira), fresamento, encaixes,
torneamento, entre outros, por meio de diferentes
ferramentas, podendo ainda ser utilizada em suas
versões como MDF, MDP e compensados, além de
Figura 12 - Modelagem em argila troncos, tábuas, ripas e outros, assim como em pro-

87
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

cessos subtrativos, sendo talhada e esculpida manu-


almente com o auxílio de goivas, formões e serrotes
manuais, ou com o uso de CNCs (PEREIRA, 2015).

Figura 15 - Modelagem utilizando madeira

GESSO Figura 16 - Molde feito em gesso

Há alguns anos, era comum usar o gesso para a pro- ESPUMAS DE POLIURETANO
totipagem, entretanto, por conta da chegada das
máquinas de RP, ele caiu em desuso. Hoje, o gesso é As espumas de poliuretano são frequentemente usadas
mais usado na confecção de moldes e peças. na confecção de modelos e de prototipagem por serem
Existem diferentes tipos de gesso que variam de fácil manejo e rápida absorção da forma tridimen-
conforme a sua resistência mecânica. O mais sional. Podem ser encontradas em bloco ou em com-
comum é o gesso Paris, não muito resistente, ponentes que, ao serem misturados, transformam-se.
porém, mais barato que o gesso-pedra e o ges- Podem ser manuseadas manualmente com ferramen-
so-troquel, que são, por sua vez, mais resisten- tas simples, como facas, serrotes, lixas, entre outras, ou
tes. Todos são vendidos em pó e, ao misturar-se utilizando CNCs e maquinário elétrico, como serras de
com a água, modiicam-se, por isso, é necessá- ita e lixadoras, que aportam maior precisão ao traba-
ria a atenção quanto a seu armazenamento, que lho e agilizam, por exemplo, quando injetadas dentro
deve evitar umidade, e de preferência, ser man- de um molde de silicone, de gesso ou outro, adquirindo
tido em recipientes plásticos ou à vácuo. Para o formato acabado, o qual, dependendo do im, pode
ganhar resistência, geralmente, utiliza-se uma ser pintado ou coberto por uma camada de poliéster,
trama para reforçar a estrutura da modelagem ganhando um aspecto de plástico quando seco, endu-
(PEREIRA, 2015). recido e lixado (PEREIRA, 2015).

88
DESIGN

PAPEL

O papel é fácil de manipular, permite o seu manuseio


de inúmeras formas por meio de dobraduras, vincos,
empilhamento, encaixes, dobras etc. É econômico, pois
necessita de ferramentas simples para a manipulação,
como colas, tesouras e estiletes, podendo ser usinado
por máquinas de corte 2D. É possível fazer alterações
e correções de forma rápida, possui diferentes cores,
Figura 17 - Modelagem com espuma de poliuretano
texturas, dimensões, gramaturas e tipologias, desde o
Fonte: Pereira (2015). simples ofício, como as cartolinas, até altas gramaturas,
que permitem a sua utilização como material maciço
CERA ou simples, fornecendo uma gama de representação de
espessuras (PEREIRA, 2015). Cabe ressaltar que, assim
A cera é um material maleável de rápido manuseio como a argila, o papel não é recomendado para a con-
e essencialmente escultórico, utilizado há muito fecção de peças de alto grau de detalhamento.
tempo, principalmente na confecção de modelos de
joias por sua qualidade em relação a outros mate-
riais artesanais, e também por produtividade. Pode
ser manuseado quente, por meio de moldes, ou frio,
por meio de técnicas escultóricas, como talhamento,
cavação, torneamento etc., e ainda ser usinada por
equipamentos CNC. A frio, a cera permite trabalhar
com certa precisão, facilitando a realização de medi-
ções, marcações e recalques (PEREIRA, 2015).

Figura 19 - Modelo de papel


Fonte: Pereira (2015).

POLIESTIRENO

O poliestireno é um material termoplástico moldá-


vel quando aquecido, está presente na composição
de diversos componentes, embalagens e utensílios,
Figura 18 - Modelo feito com cera como copos descartáveis. Apresenta-se de duas for-

89
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

mas, como GPPS (General Purpose PolyStyrene),


cristal ou simplesmente OS. Conhecido em seu uso
geral, não possui uma forma, é transparente, frágil e
fácil de processar.
O poliestireno de alto impacto (PSAI), ou HIPS
(High-impact PolyStyrene), é um polímero com enxer-
to (grating) de borracha (polibutadieno), que torna-se
mais resistente, branco e dúctil. O poliestireno de uso
geral, geralmente, é utilizado na confecção de canetas,
caixas e CD’s, enquanto o de alto impacto é utilizado Figura 21 - Molde feito em resina de poliuretano
para a confecção de revestimentos internos de geladei- Fonte: Pereira (2015).

ras, aparelhos de TV e rádio etc. (PEREIRA, 2015).


RESINA DE POLIÉSTER

A resina de poliéster é muito comum na indústria


e facilmente encontrada. É utilizada na laminação
de ibras de vidro e na confecção de produtos como
caixas d’água, brinquedos, piscinas e peças maciças
foscas. Reforçada, a resina pode ser substituta de
materiais, como ferro, aço e concreto, devido às suas
propriedades físico-mecânicas (PEREIRA, 2015).

REFLITA
Figura 20 - Objeto feito em poliestireno
Escolher os materiais exige muito cuidado. Eles
constituirão a identidade do seu projeto e serão
RESINA DE POLIURETANO a tradução dos seus pensamentos e da ideia
que você pretende transmitir.
A resina de poliuretano é considerada o plástico da
engenharia, varia de acordo com as propriedades
do poliuretano fundido que, misturado a um rea-
gente, funde-se em um plástico. A resina apresenta
propriedades físicas ótimas, grande resistência físi-
ca e química, pode imitar a densidade e a aparência
de diferentes materiais, como vidro, pedra e metal.
É utilizada para a confecção de objetos decorati-
vos, ferramentas, modelos e protótipos (PEREIRA,
2015). Figura 22 - Resina de poliéster

90
DESIGN

MASSA PLÁSTICA mento de modelos e protótipos) como em altas tem-


peraturas. Pode ser encontrado em diversas cores
A massa plástica é um material reconhecidamente que, por sua vez, determinam o grau de resistência, e
resistente, composta por resina de poliéster, monô- também pode relacionar-se com diversos materiais,
mero de estireno e talco industrial, que necessita de como gesso, cera e metais. O silicone reproduz uma
um catalisador para secar. É muito empregada na ininidade de detalhes e, por isto, é muito utilizado
confecção de objetos em geral, na indústria automo- para a replicação de modelos. Por ser lexível e não
tiva e na fabricação de brinquedos no acabamento, necessitar de desmoldantes, é muito utilizado na fa-
por fornecer um bom enchimento, um lixamento e bricação de moldes. A sua grande desvantagem está
uma secagem rápida, além da correção de imperfei- no alto custo (PEREIRA, 2015).
ções. Quando o modelo é muito frágil, como papel,
precisa tornar-se durável. Adequa-se às superfícies METAL
plásticas, como as de madeira (PEREIRA, 2015).
O metal pode ter uma ininidade de utilidades na
produção de modelos, podendo ser empregado
em chapas, telas metálicas e redes. Porém, rara-
mente constrói-se um modelo utilizando somen-
te o metal, por conta do peso, da pouca maleabi-
lidade, do custo e da necessidade de ferramentas
especíicas. Geralmente, utilizam-se elementos
encontrados facilmente em ferragens.

Figura 23 - Massa plástica


Fonte: Pereira (2015).

SILICONE

O silicone é um material sintético leve, resistente e


durável, que se vulcaniza tanto em temperatura am-
biente (sendo a versão mais utilizada no desenvolvi- Figura 24 - Molde de silicone

91
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

A quantidade de cola utilizada também é relevante, veis em nosso cotidiano, mas que podem servir para
assim como a qualidade do produto. Uma quanti- algum objetivo, dependendo da escala e da tipologia
dade inferior ao necessário torna o trabalho frágil, da maquete. Esses materiais podem ser:
enquanto que uma quantidade superior deixa o mo- • palitos diversos: de sorvete, fósforo, churras-
delo ou a maquete sujo e com má aparência. Uma co, de dente e outros;
dica interessante para o manuseio da cola é colocar • embalagens: de plástico, de foams, de papel
a quantidade necessária em um recipiente, exceto as e outras;
colas que são de secagem rápida, e espalhá-la com • peças de bijuteria: correntes metálicas, brin-
cos, miçangas e outras;
um pincel ou um palito na peça a ser colada. Isto
• recipientes diversos: caixas de sapatos, de ali-
facilitará a limpeza, assim como a retirada dos ex-
mentos, potes plásticos e outros;
cessos sempre que necessário, evitando manchas ou
• papéis diversos: camurça, celofane, cartoli-
problemas com as peças por conta do acúmulo.
na, laminado, jornal, revista, sulite, pedra,
silhueta, de embrulho, coloridos, machê, pa-
IMPROVISANDO pelão enrugado, liso e ondulado;
• agulhas, alinetes, clipes de metal, grampea-
Além de todos os materiais e instrumentos citados dor;
anteriormente, existe uma classe de materiais muito • algodão, linhas e tecidos diversos;
úteis e pouco lembrados, são os materiais improvisa- • pedras diversas: seixos, britas e outras;
dos. Geralmente, são elementos que temos disponí- • tintas, vernizes, sprays.

94
considerações inais

C
hegamos ao inal de nossa terceira Unidade! Vimos, aqui, o quão variáveis
são as possibilidades técnicas e expressivas que podemos utilizar na pro-
dução de modelos, maquetes e protótipos, e que essas variações imprimem
signiicado e narrativas ao processo de representação do projeto elabora-
do por nós. Portanto, podemos entender que a técnica e os materiais utilizados na
confecção dos objetos comunicam, por meio de uma linguagem acessível, as nossas
ideias em suas relações espaciais, para uma fácil compreensão dos observadores.
Aprendemos que, deinidos os nossos objetivos para a elaboração da represen-
tação tridimensional do nosso projeto, torna-se mais fácil deinir os outros termos e
as propriedades que envolvem a sua execução, como dimensionamento, escala, ma-
teriais, custos, tempo, ferramentas, características e acabamentos, que resultarão em
modelos de melhor ou de pior qualidade.
No geral, três aspectos são imprescindíveis na execução das maquetes, modelos e
protótipos: tempo, habilidade e inalidade. A produção de modelos tridimensionais
trata-se, portanto, da somatória de procedimentos simples que resultam na comple-
xidade do objeto proposto. Uma interação entre técnicas, materiais e instrumentos, e
também a organização e a estruturação do processo mental que, por sua vez, deinem o
resultado. Essa organização mental é essencial para a consecução do objeto dentro dos
três aspectos citados e representa a deinição da escolha do porquê de uma opção den-
tre diversas outras possíveis, sejam elas de materiais, de técnicas ou de instrumentos.
Neste sentido, aprendemos com a Unidade III que o ato de produzir um modelo,
maquete ou protótipo já é, em si, um grande projeto, que deve ser racionalizado e
estruturado para, na prática, ser exitoso. Aprendemos que, para isso, não existem
regras ou roteiros que deinam uma ou outra técnica, um ou outro material, a tudo
cabe sempre o bom senso, mas esperamos que, tendo o conhecimento do todo, desde
as opções até os aspectos a serem considerados para deinição, estas escolhas tor-
nem-se, então, mais simples e ágeis.

95
atividades de estudo

1. Diversos são os materiais que podem ser utilizados para a prototipagem e a


confecção de modelos tridimensionais. Em relação aos materiais que não são
recomendados para modelos de alto grau de detalhamento, assinale a alter-
nativa correta.
a) Gesso e argila.
b) Resina e argila.
c) Argila e papel.
d) Resina de poliéster e papel.
e) Poliestireno e papel.

2. Diversos são os instrumentos de execução da representação tridimensional.


Considerando o seu uso e a sua aplicação, analise as airmativas a seguir.
I. As facas, réguas, estiletes e tesouras são instrumentos de corte, e para o tra-
balho em modelagem, é necessário ter em mãos uma gama de tipos e tama-
nhos.
II. O acabamento de um modelo exprime o rigor técnico empregado pelo exe-
cutor e, assim, confere ao modelo uma melhor apresentação de acordo com
o objetivo proposto.
III. Tintas, pedras, bijuterias e palitos também são exemplos de materiais conside-
rados alternativos na confecção de modelos.
IV. As colas e adesivos são essenciais na montagem de modelos feitos a partir de
diversas técnicas e conferem um acabamento reinado aos protótipos e aos
modelos tridimensionais.

É correto o que se airma em:


a) I e II, apenas.
b) II e III, apenas.
c) I, apenas.
d) II, III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.

3. Há diversos materiais que podem ser utilizados na confecção de maquetes e


modelos, e sabemos o importante papel que a deinição e a boa qualidade de
materiais tem em seu desenvolvimento. No entanto, em seu livro Maquetes de

96
atividades de estudo

Papel (2007), o arquiteto Paulo Mendes da Rocha fala: “é isso a tal maquetinha.
Não tem que aprender a fazer, você faz com o que está disponível, com duas
madeirinhas, um papelzinho. [...]”. O que ele quis dizer com isto? Assinale ver-
dadeiro (V) ou falso (F).
( ) Maquetes não são importantes e, por isto, não é necessário despender tem-
po ou dinheiro na escolha de materiais.
( ) As maquetes de estudo podem ser feitas com qualquer material que estiver
à mão e, ainda assim, esse material será muito útil no processo de desenvolvi-
mento de projeto.
( ) Rocha faz maquetes incríveis com materiais simples e sugere que não é
necessário aprender as técnicas ou distinguir materiais.
( ) Para um melhor resultado inal, as maquetes devem ser feitas exclusiva-
mente com papel.

A sequência correta para a resposta da questão é:


a) F, V, V, F.
b) F, F, V, V.
c) V, F, V, F.
d) F, F, F, F.
e) V, V, V, V.

4. Nas duas técnicas de confecção de modelos, considerando a modelagem ma-


nual e virtual, uma gama de representações podem ser apresentadas de acor-
do com a necessidade e o objetivo a que se propõe a apresentação. Desta
forma, considere as airmativas a seguir.
I. Maquetismo e realidade aumentada são tipos de técnica manual que podem
ser manuseadas com o auxílio das mãos e de instrumentos especíicos co-
mandados por computador.
II. As técnicas de prototipagem rápida subtrativas remetem à subtração ou ao
esculpir de materiais brutos, em blocos, como metal, madeira, acrílico e ou-
tros, por meio de ferramentas, como fresadoras, também chamadas de CNC.
III. O Modo permite criar, animar e renderizar fotorrealisticamente dentro da
mesma interface, com a possibilidade de modelagem, escultura e texturização
em diversos formatos.

97
atividades de estudo

IV. O 3D Studio Max é um programa de modelagem com interface entre outros


softwares, amplamente utilizado na criação de modelos por diferentes prois-
sionais, além de permitir a renderização e o fotorrealismo.

É correto o que se airma em:


a) I e II, apenas.
b) II e III, apenas.
c) I, apenas.
d) II, III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.

5. Ao observar a igura a seguir e baseando-se em nossos estudos na Unidade III,


redija o que você entende sobre realidade aumentada.

98
referências

AZUMA, M. H. et al. O Modelo Tridimensional Físico como Instrumento de Simulação na Habitação So-
cial. Gestão e Tecnologia de Projetos, São Paulo, v. 10, n. 2, p. 7-19, jul./dez. 2015. Disponível em: <http://
www.revistas.usp.br/gestaodeprojetos/article/view/101782/105961>. Acesso em: 7 maio 2018.
BERTHO, B. C.; CELANI, G. A Prototipagem Rápida no Processo de Produção de Maquetes de Arquite-
tura. Curitiba: Graphica, 2007.
CELANI, G. et al. Técnicas de fabricação digital e prototipagem rápida para a confecção de modelos. In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO EM DESIGN, 2008, 8, São Paulo.
Anais… São Paulo: P&D, 2008.
FERNANDES, C. A.; SÁNCHEZ, J. Realidade Aumentada Aplicada ao Design. Holos, Natal, v. 1, a. 24, p.
28-47, 2008. Disponível em: <http://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/view/161/136>. Aces-
so em: 7 maio 2018.
FERREIRA, A. M. R. D. F. G.; SANTOS, V. A. M. O Espaço Inter-Relacional dos Modelos e dos Protótipos
no Processo Criativo em Design. e-Revista LOGO, Florianópolis, v. 5, n. 1, p. 1-22, 2016. Disponível em:
<http://incubadora.periodicos.ufsc.br/index.php/eRevistaLOGO/article/view/3929/4517>. Acesso em: 7
maio 2018.
FRANCISCO, R. D. Automatização Digital na Produção de Maquetes. 2013. 182 f. Dissertação (Mestrado
em Arquitetura) - Instituto Técnico de Lisboa, Lisboa, 2013. Disponível em: <https://fenix.tecnico.ulisboa.
pt/downloadFile/395145544905/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20-%20Ricardo%20David%20Francisco.
pdf>. Acesso em: 7 maio 2018.
KAMINSKI, P. C.; OLIVEIRA, J. H. S. A. A Prototipagem Rápida Inserida nas Diferentes Fases de um
Projeto como Instrumento de Inovação. In: CONGRESSO NACIONAL DE ENGENHARIA MECÂNICA -
CONEM, 2000, 1, Natal. Anais… Natal: CONEM, 2000. p. 1-8.
KNOLL, W.; HECHINGER, M. Maquetas de arquitectura: técnicas y construcción. México: Gustavo Gili,
2001.

103
referências

LEITE, W. O. et al. Prototipagem rápida por deposição de material fundido: Uma aplicação acadêmica. In:
ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO - ENEGEP, 2011, 31, Belo Horizonte.
Anais… Belo Horizonte: ENEGEP, 2011.
MILLS, C. B. Projetando com Maquetes. Porto Alegre: Bookman, 2007.
PEREIRA, C. K.; DOMENEGUINI, J. P. A Transformação da Superfície Tridimensional Aplicada a um Pro-
jeto de Design de Moda. In: SEMANA DE EXTENSÃO, PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO – SEPesq, 2015,
11, Porto Alegre. Anais… Porto Alegre: Unirriter, 2015.
PEREIRA, D. D. O uso da modelagem aplicada à ergonomia no desenvolvimento de produtos. 2015. 177 f.
Dissertação (Mestrado em Design) - Programa de Pós-Graduação em Design, Arquitetura, Artes e Comu-
nicação, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Bauru, 2015. Disponível em: <https://repo-
sitorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/132512/000853590.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 7
maio 2018.
ROSSI, F. L. et al. Inluência da prototipagem rápida nas dimensões do impacto em inovação e valor agre-
gado ao processo de desenvolvimento de novos produtos: um estudo na região. In: CONGRESSO BRA-
SILEIRO DE ENGENHARIA DE FABRICAÇÃO - COBEF, 2011, 6, Caxias do Sul. Anais... Caxias do Sul:
COBEF, 2011.
SILVA, G. C.; KAMINSKI, P. C. Integração da prototipagem física no processo de desenvolvimento de pro-
dutos automotivos. Revista Tecnologia, Fortaleza, v. 32, n. 1, p. 105-115, jun. 2011.

Referência on-Line

1
Em: <https://www.dezeen.com/2009/07/16/the-fetus-project-by-jorge-lopes-dos-santos/>. Acesso em: 7
maio 2018.

104
gabarito

1. C.
2. B.
3. A.
4. D.
5. A realidade aumentada é um misto entre ambientes virtuais, também sin-
tetizados por computador, e ambientes reais.

105
INTRODUÇÃO

B
em-vindo(a), aluno(a), a nossa Unidade IV! Até aqui já descobri-
mos muito sobre a temática da nossa disciplina Modelos, Maque-
tes e Protótipos. Agora, o objetivo é dar a você dicas para quando
precisar executar o seu modelo, maquete ou protótipo.
A primeira dica é que você deve atentar-se quanto à relação de dimen-
sionamento e de escala na representação tridimensional. É um engano
pensar que, independentemente do tamanho, o desenvolvimento de cada
maquete ou modelo é igual. Mesmo uma maquete volumétrica, em que
apenas formas geométricas, volumes, curvas e linhas interessam, o seu ní-
vel de detalhe varia à medida que se amplia ou diminui a escala de execu-
ção. Como vimos na Unidade III, essa variação altera não só o produto
inal, como todo o planejamento e a organização para iniciar o trabalho.
A segunda dica da Unidade IV é quanto às diferentes técnicas de mo-
delagem que não vimos na Unidade III, mas que facilitam a execução
dos modelos e maquetes. Uma delas é a planiicação, e a outra a parame-
trização. A planiicação é um método muito antigo, que surge junto aos
estudos da geometria descritiva; enquanto a parametrização é um con-
ceito novo no mercado, que revê a ideia de modelagem a partir de traços,
como um desenho, e impõe a ideia de parâmetros e dados.
A terceira dica, que com certeza lhe será muito útil, é sobre como foto-
grafar os seus modelos, maquetes e protótipos. Hoje, com as mídias digitais
em alta, além de ser uma forma de documentação, a fotograia passou a ser
uma ferramenta de comunicação que poderá auxiliá-lo(a) na divulgação
do seu trabalho. Saber utilizá-la de forma otimizada será uma vantagem no
mercado proissional. Além disso, podemos dizer que, pela fotograia ser
interdisciplinar, estas informações adquiridas aqui poderão ser usadas em
diversas situações, porque estamos falando da fotograia de objetos.
Fique atento(a) às dicas e tenha em mente que elas serão úteis dentro
da sua prática proissional.
DESIGN

Na Figura 1, vemos um exemplo de escala pe- 0,5 m). Se izermos um protótipo em tamanho real, já
quena, cujos detalhes são perceptíveis. Na Figura 2, sabemos que não caberá na caixa, se izermos dez vezes
é mostrada uma escala territorial, maior em valor e menor, teremos uma caixa de tamanho desnecessário,
menor em detalhe. porque o produto será muito pequeno. É aí que come-
çamos a pensar qual é a melhor escala de reprodução.
É sempre preferível utilizar escalas convencionais
(por exemplo, 1:10, 1:100, 1:200, 1:500 e outras) para
facilitar a decodiicação intuitiva das medidas e a utili-
zação simples do escalímetro (CONSALEZ, 2001, p. 9).
O escalímetro é uma ferramenta de medição de escalas,
um prisma triangular que é formado por seis réguas
com diferentes escalas. No uso do escalímetro, deve-
mos sempre icar atentos para não nos confundirmos e
Figura 1 - Escala de detalhe
errarmos a escala, geralmente, cada uma delas é pinta-
Fonte: David Neat ([2018], on-line)1. da de uma cor, justamente para evitar esses equívocos.
As escalas chamadas territoriais, 1:1000, 1:2000
e 1:5000, são as que levam em consideração espa-
ços geográicos, ruas, terrenos, estradas e rios, muito
usadas em projetos arquitetônicos e estudos topo-
gráicos. Já as escalas arquitetônicas levam em con-
sideração as características dimensionais de um es-
paço ediicado. Enquanto as escalas de detalhe, 1:5,
1:10, 1:20, mais comuns aos designers, servem para
detalhar ambientes arquitetônicos e fachadas, repro-
duzir objetos e analisar em detalhes projetos de di-
Figura 2 - Escala geral territorial
mensões menores (CONSALEZ, 2001).
Fonte: Chicago Architecture Foundation ([2018], on-line)2.

CÁLCULO DE ESCALAS

Quer entender melhor? Vou explicar com um exemplo,


o que acha? Temos um produto que, em seu tamanho
original, mede 2 m x 1 m x 1 m. Podemos reproduzir
o modelo desse produto cinco, dez, quinze, vinte vezes
maior ou menor que o original, porém, temos uma res-
trição: precisamos colocar o modelo 3D em uma caixa
com a metade do tamanho do produto (1 m x 0,5 m x Figura 3 - Escalímetro

111
DESIGN

PLANIFICAÇÃO Na elaboração de modelos, maquetes e protóti-


pos de alta complexidade, converte-se os elementos
Planiicação refere-se ao ato de planiicar, ou seja, tridimensionais em elementos bidimensionais sim-
tornar plano. No caso de um objeto tridimensional, ples. Neste caso, podemos dizer que a planiicação
a planiicação tratará de representar todas as formas compositiva é o redesenho dos planos dos compo-
que constituem a superfície do sólido em um con- nentes do modelo, esses planos são simpliicados de
junto de planos em duas dimensões, seguindo uma forma a facilitar a sua montagem, geralmente direto
sequência e interligando-os. no material em que será executado, de forma que
Desde o século XVIII, quando Gaspard Monge es- seja facilmente identiicado qual plano é qual na or-
tabeleceu os parâmetros da geometria descritiva, essa dem de montagem; posteriormente, estes cortados
técnica vem sendo utilizada para representar os espaços e unidos, estruturarão o objeto. Essa técnica, muito
tridimensionais. No princípio, a planiicação pretendia utilizada em arquitetura, agora é considerada um
substituir as maquetes e auxiliar nas projeções e nas me- pouco retrógrada por ser complexa e demorada.
dições, porém, a técnica hoje é utilizada para facilitar No caso de elementos curvos, a planiicação é
a construção de modelos 3D, sendo muito empregada feita por meio da triangulação, em que uma série de
em maquetes de elementos construtivos, em relevos e planos triangulares são gerados por interpolação de
objetos curvos. A técnica exige um estudo detalhado de pontos cotados, formando uma malha. Cada triângu-
todos os elementos a ser representados, as suas dimen- lo, regular ou de dimensões aleatórias, dependendo
sões e espessuras, ou seja, é como um quebra-cabeças da forma complexa, então é recortado, formando uma
tridimensional (FRANCISCO, 2013, p. 63). peça que, por sua vez, forma a maquete. Esse método
É extremamente fácil incorrer em erros no pro- requer uma lógica exata na hora da montagem.
cesso de planiicação, pois os cálculos são determi-
nantes, assim como o dimensionamento. Deve-se
ter atenção a todas as partes, que podem ser facil-
mente omitidas dependendo da complexidade do
sólido, além do cuidado com os encaixes, o que tor-
na a planiicação, muitas vezes, uma tarefa morosa.
É preciso ter sempre clara a imagem do modelo que
se quer produzir e de como montá-lo.
Na planiicação, a espessura do material que será
utilizado é determinante. Geralmente, nessa técnica,
são utilizados materiais de baixa espessura. Outro
aspecto determinante é a montagem das peças: o seu
encaixe deve ser correto para reproduzir o modelo
adequadamente. Figura 4 - Planiicação de uma triangulação

115
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

Hoje já existem sotwares que facilitam a planiicação


e viabilizam a produção de maquetes por meio desse
método. Um desses sotwares é o Pepakura Designer
3, de origem japonesa. Ele não foi criado com a inten-
ção de facilitar o desenvolvimento de modelos, por
isto, ele não considera a espessura do material, apenas
se este for papel, o que impede a correta montagem de
uma maquete em outro material. O Pepakura analisa
e agrupa as faces do modelo e, em seguida, planiica-
-as e as expõe em um só plano, como mostra a igura
a seguir. Para facilitar o entendimento, o programa
ainda disponibiliza a imagem do modelo produzido
com a triangulação demarcada e também traz outras
ferramentas que facilitam a montagem, como a nu-
Figura 5 - Triangulação feita no Pepakura Designer 3
meração de faces tanto no plano como no modelo Fonte: Pinimg ([2018], on-line)4.
(FRANCISCO, 2013).
O sotware Rhinoceros também possui uma função
que pode facilitar a planiicação. A função UnrollSrf
(ver Figura 6) determina as faces e as posiciona con-
forme um plano de montagem, porém, a ferramenta
também é limitada por não considerar a espessura
dos materiais a serem usados na execução do mode-
lo (FRANCISCO, 2013).
A união de sotwares de modelagem 3D, como
o Google SketchUp, em que você modela o sólido,
e o Pepakura, em que você planiica-o, pode gerar,
com rapidez e precisão, as maquetes e os modelos
planiicados.

116
DESIGN

Figura 6 - Planiicação realizada por meio da função UnrollSrf do Rhinoceros


Fonte: Indir (2013, on-line)5.

PARAMETRIZAÇÃO Trata-se conceitualmente de “uma tecnologia de


modelagem e um conjunto associado de processos
Epistemologicamente, a parametrização deriva de para produzir, comunicar e analisar modelos de cons-
parâmetros. Isto signiica que, neste ponto de vista, trução” (EASTMAN apud RIBEIRO, 2017, on-line)7,
ela refere-se à deinição de parâmetros especíicos ou seja, é uma técnica de prototipagem virtual basea-
ou relevantes para a caracterização de um objeto da em informações sobre as propriedades do modelo
geométrico. Prado (2014, on-line)6 exempliica o desenvolvido, e não apenas uma “cópia” do desenho
conceito explicando que se temos um objeto, por bidimensional. A parametrização busca modelar não
exemplo, uma esfera, e alteramos seu raio, mate- com linhas, como era feito no sistema CAD (Com-
rial e volume, ainda assim ela continua uma esfe- puter Aided Design), mas com sistemas complexos. O
ra. Neste caso, a parametrização seria a deinição foco passa a ser as informações e não o desenho em
de características que informam sobre o objeto em si. O sistema de parametrização não se resume a um
questão. tipo de sotware, mas a uma tipologia de modelagem.

117
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

A parametrização permite “encher” o modelo de


informações, não só visualmente, mas com informa-
ções sobre as suas características geométricas (área,
volume etc.) e físicas (peso, térmico, mecânico etc.)
(RIBEIRO, 2017, on-line)8. Hoje, a parametrização
é conhecida como a projeção da informação. Muito
utilizada nas áreas da arquitetura e engenharia, ela é
chamada de BIM (Building Information Modeling).
O uso da parametrização no desenvolvimento
de projetos tem possibilitado o aumento da asserti-
vidade e a redução de custos na execução do modelo
(RIBEIRO, 2017, on-line)8.

SAIBA MAIS

Hoje cerca de 80% das empresas de design,


arquitetura e engenharia de diversos países
já utilizam a tecnologia de parametrização
(BIM), enquanto no Brasil, este número não
chega a 30%.

Fonte: (RIBEIRO, 2017, on-line)8.

118
DESIGN

119
DESIGN

mos que considerar, ainda, a escala de representação de luz, ou seja, quanto mais tempo aberto, mais luz e,
na hora de fotografar. Escalas maiores exigem foto- consequentemente, mais clara a foto (ou menos tem-
graias mais gerais, que capturam menos detalhes, po, mais escura a foto). Essa velocidade é medida em
enquanto escalas menores permitem fotos macro. frações de segundos (ver a Figura a seguir). Da aber-
Muitos aspectos estão envolvidos quando fala- tura do diafragma (f), que é o diâmetro de abertura
mos de fotograia: luz, sombra, cor, equipamento, da lente por onde a luz passará e que deine quanta
tempo e local são alguns deles. Resumindo, então, luz entrará até o sensor, e da sensibilidade à luz (ISO).
para tirarmos uma boa fotograia, temos que pensar: Quanto maior o ISO, mais sensível, e quanto mais
• Para qual objetivo estou fotografando? sensível, mais ruído perceptível na imagem.
• Para quem estou fotografando? Qual o públi-
co-alvo? GUIA DE VELOCIDADE DO OBTURADOR DA CÂMERA
• Em qual meio vou compartilhar a foto que
vou tirar? Digital? Físico? Redes sociais?
• Utilizarei luz natural, artiicial ou ambas?
• Onde vou tirar a foto, em qual cenário?
• Como vou tirar a foto? Em qual posição? De
qual ângulo?

Caro(a) aluno(a), para ajudá-lo(a), vamos entender


um pouco como essa prática funciona, ou seja, va-
mos falar sobre alguns destes aspectos.

EQUIPAMENTO

As câmeras dos smartphones já possuem excelência Figura 7 - Variação das velocidades do obturador em câme-
quando perto de algumas câmeras digitais antigas. ras proissionais e semi-proissionais

Caso você não possa adquirir uma câmera proissio-


nal, a do smartphone pode ser tão útil quanto os recur- A abertura do diafragma incide na profundidade de
sos de pós-produção para chegar ao mesmo resultado. campo capturada com maior ou menor nitidez. Com
Caso você possua uma câmera proissional ou o diafragma mais fechado, aumenta-se os detalhes
semi-proissional, é sempre bom atentar-se para as captados com mais nitidez, e quanto mais aberto,
conigurações que alteram a fotometria (luz + me- ocorre o contrário. Nas câmeras, o diafragma é re-
tria), ou seja, a medição da luz ao fotografar. Essas presentado pelo f com um valor que é inversamente
conigurações são a velocidade do obturador, o tem- proporcional à abertura. Por exemplo, f1/16 é maior
po em que ele icará aberto para permitir a entrada que f/22, f/32 (ver Figura 8).

121
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

Figura 8 - Variação da profundidade de campo em relação à abertura do diafragma

No caso das fotos dispostas sobre uma tenda com A coniguração do tamanho da imagem em rela-
fundo ininito e luz difusa, a velocidade do obturador ção à qualidade também é importante. Mesmo que a
deve ser 1/100 ou superior, e a abertura do diafragma fotograia for usada para publicação online, a maior
a partir de f7,1. Essas conigurações podem variar de qualidade possível é sempre melhor.
câmera para câmera, mas a ideia é impedir que a má-
quina superexponha a imagem ao captar muita luz, o ILUMINAÇÃO
que diminui a nitidez dessa imagem (ALVES, 2016,
on-line9; DALBELLO, 2015, on-line)10. Uma boa iluminação é essencial para uma boa foto.
Para fotografar modelos, maquetes ou protóti- Recomenda-se sempre estudar o objeto e as suas re-
pos muito pequenos, como os de joias, por exemplo, ações a diferentes níveis de iluminação e fotografá-
pode-se utilizar o mecanismo disponível em quase -lo exposto, como teste.
todos os tipos de câmeras: a função macro, geral- A luz natural, quando disponível, é uma óti-
mente representada por uma tulipa, estreita a pro- ma opção, principalmente se aliada à luz artiicial.
fundidade de campo e deine outra perspectiva. Quando utilizamos a luz natural, temos de lembrar
Se a sua habilidade for pouca, ou mesmo para que há sempre as condicionantes climáticas que po-
facilitar, é bom ter disponível um tripé para apoiar dem interferir e, assim, qualquer movimento pode
a câmera e ajustar a função timer, isto minimizará ser deinitivo. Um dia nublado e um dia ensolarado
a trepidação e maximizará a nitidez, evitando que serão contrastantes em uma imagem.
as fotos iquem tremidas, tortas ou borradas. Caso No caso da luz natural, devemos nos atentar não
você não possua um, pode apoiar a câmera ou smar- só para a quantidade de luz a que expomos o objeto,
tphone sobre uma superfície plana estável. como também para a uniformidade dela. Para efei-

122
DESIGN

tos mais homogêneos, com menos contrastes, o me- Evite o uso do lash da câmera. A luz artiicial é sem-
lhor período para fotografar é das 10h às 15h, pois a pre bem-vinda, porém, o uso do lash, por ser muito
luz é mais direta e dura, as sombras e as transições uniforme e sem mobilidade, tende a alterar a cor real
também. Caso queira contrastes, variação de lumi- dos objetos e dar à foto um ar muito amador e artii-
nosidade, sombras mais suaves e agradáveis, o im da cial por gerar relexos e manchas. Uma opção é o lash
tarde ou o início da manhã são as melhores opções, remoto, pois permite o direcionamento da luz (AL-
geralmente uma hora antes ou depois do pôr-do-sol, VES, 2016, on-line9; DALBELLO, 2015, on-line)10.
conhecida como golden hour (em português, hora
mágica), proporciona sombras e brilhos interessan-
tes. Janelas, varandas e sombras de árvores são bons
lugares para fotografar uma luz difusa, pois impedem
a entrada total da luz (DALBELLO, 2015, on-line)10.

Figura 10 - Variação das sombras dura e suave


Fonte: WIX (2017, on-line)11.

A luz artiicial tende a ser mais proveitosa se utili-


zada de forma difusa. Quando utilizamos abajures,
lanternas ou lâmpadas de forma direta, isto pode
causar relexos ou mesmo “explodir” a imagem. O
termo “explodir”, neste caso, é utilizado como refe-
rência à imagem extremamente clara com o contras-
te de luz, causando um efeito ofuscante ao objeto que
buscamos realçar. Portanto, o uso de difusores pode
diminuir a intensidade dos contrastes e valorizar o
modelo. Na Figura 10, podemos ver a variação entre
um objeto exposto à luz direta x luz difusa. A sua
correta distribuição também pode variar conforme
a amplitude da fonte. Se a fonte de luz for menor
que o objeto exposto, a sombra produzida tende a
ser densa. E também a quantidade de fontes: apenas
Figura 9 - Exemplo comparativo dia nublado x dia ensolarado em ob-
uma única fonte gera uma sombra mais densa, duas
jetos relexivos delas, em lados opostos, a difundem.

123
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

REFLITA Em revistas, catálogos comerciais e sites, é co-


mum utilizar o objeto sobreposto a um fundo branco.
Uma ideia pode ser representada de diversas Geralmente, por ser neutro, ele destaca as cores dos
maneiras, sendo considerada a melhor aquela
que atenda aos aspectos que se deseja desta- materiais. No caso das maquetes e dos modelos, mui-
car no projeto. tas vezes feitos em tons neutros, como as maquetes
volumétricas (branco, cinza ou bege), isto pode não
ser o mais adequado. Quando o objeto a ser fotogra-
Uma forma de veriicar se a imagem tem a quanti- fado é muito branco, ele pode acabar desaparecendo
dade de luz adequada e corrigi-la, caso necessário, é no fundo ao invés de realçá-lo, como era o objetivo.
observar o histograma, um gráico que identiica se a Na igura a seguir, podemos ver a variação entre os
exposição dessa luz está correta e mede a luminosi- objetos expostos a diferentes cores de fundo (HAMA-
dade da imagem. Isto facilita ao fotografar, porque os GUCHI, 2012, on-line12; ALVES, 2016, on-line)9.
visores das câmeras geralmente não mostram a ima-
gem real. No visor, elas podem parecer corretas, mas
também podem apresentar excesso ou falta de luz.

CENÁRIO

A escolha do cenário é muito importante na foto-


graia de objetos. As cores do ambiente podem in-
luenciar perceptivelmente as cores do modelo e,
somadas a uma má iluminação, pode coincidir em
imagens aparentemente artiiciais (HAMAGUCHI,
2012, on-line)12.

124
DESIGN

Figura 11 - Variação de objeto conforme a cor do fundo Figura 12 - Fundo ininito improvisado com materiais do cotidiano
Fonte: Alves (2016, on-line)9. Fonte: Lopes (2013, on-line)14.

Para fotograias proissionais de objetos, sugere-se COMPOSIÇÃO


sempre o uso das tendas de iluminação e fundo. Elas
ajudam a difundir a luz e, desta forma, ela não rebate As diferentes posições em que fotografamos mos-
diretamente no objeto e o realça com o uso do fundo tram diferentes perspectivas do mesmo objeto. Va-
ininito. Esse fundo é um tecido ou um papel curvado riando o ângulo, podemos mostrar mais detalhes do
que esconde o horizonte e possibilita uma visão clara nosso modelo. De frente, de lado, de cima, de baixo,
do objeto. cada foto mostra um detalhe diferente, por isso, pro-
Caso você não seja um proissional, hoje já exis- cure as perspectivas mais incomuns que permitam a
tem à venda “estúdios” portáteis para fotos de ob- continuidade visual.
jetos, com luz embutida e fundos removíveis, ou, Varie o zoom, teste diversas opções e procure
então, você pode improvisar e criar o seu próprio mostrar pontos de vista exclusivos. Lembre-se que
“estúdio” com caixas de papelão, folhas de papel, te- tamanho, forma e qualidade devem ser precisos e a
cidos e lâmpadas comuns, o que resulta em imagens variação de ângulos deve permitir ver o objeto como
tão proissionais quanto. ele é, a menos que o objetivo seja outro, e a narrativa
Também existe a opção de um cenário mais am- a ser representada pela foto deva ser mais atrativa do
bientado, ou seja, que não foque apenas no modelo. que a real. No caso dos modelos, maquetes e protó-
Neste caso, as composições tendem a ser mais difí- tipos, é sempre bom atentar-se para o acabamento
ceis. Deve haver a preocupação com noções de es- dado; se for algo que desejamos disfarçar ou não va-
cala e foco. lorizar, este tipo de foto deve ser evitada.

125
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

Uma dica muito recorrente na fotograia, em relação às cores. Essa diferença também pode ser notada en-
à composição, é a regra dos terços, deinida pela di- tre os visores e o computador, e entre o computador
visão da imagem em duas linhas horizontais e duas e a imagem publicada online. Por isso, evite coniar e
verticais. Entre os quatro pontos encontrados, é tomar decisões como apagar uma ou outra imagem,
onde o observador coloca a sua maior atenção. sem antes visualizá-las no computador, a tela maior
gera outra visual. É neste sentido que o tratamento
PÓS-PRODUÇÃO das imagens é tão importante, porém, evite exageros.
Ajustes eventuais quanto aos retoques simples, à
Na hora de fotografar os objetos produzidos por nitidez, luz e cores realçam a imagem, enquanto que
nós, sempre buscamos realçá-los, e o auxílio dos a utilização de muitos efeitos acaba por modiicar a
programas de edição, que conhecemos como pós- aparência do objeto, e o que era para ser uma refe-
-produção, podem ser muito úteis. rência de estilo, acaba tornando-se cafona. Portanto,
Uma dica para facilitar este processo de pós-pro- deixe isso para as fotos com os amigos e preira as fo-
dução é nunca coniar no visor externo das câmeras, tos simples e claras para os seus modelos, maquetes
pois, geralmente, elas não condizem muito com a re- e protótipos (ALVES, 2016, on-line9; DALBELLO,
alidade, principalmente em relação à luminosidade e 2015, on-line)10.

126
considerações inais

C
aro(a) aluno(a), chegamos ao inal de mais uma unidade! Gostou das dicas?
A ideia é que você, como designer, comece a desenvolver a sua percep-
ção estética, formal e espacial, fazendo uso da representação tridimensio-
nal e das suas habilidades psicomotoras no desenvolvimento de produtos.
Aplicando os conceitos teóricos dos processos, das técnicas de projeção e do desen-
volvimento de modelos, maquetes e protótipos, transmitidos nas unidades anterio-
res, e integrando-os com os de outras disciplinas. Assim, você irá conectá-los e isto
estimulará a qualidade dimensional e geométrica dos produtos e objetos desenvol-
vidos por você.
Muitos pensam que produzir elementos tridimensionais é algo massiicante, prá-
tico e que só agrega habilidades manuais. No entanto, a criatividade é estimulada e a
prática torna-se algo muito pessoal. Temos exemplos de grandes arquitetos e desig-
ners conhecidos por suas maquetes e modelos, como Frank Ghery, Gaúdi, Phillippe
Starck e outros.
Soubemos o quanto é determinante para a produção da representação tridimen-
sional o seu dimensionamento, que isto altera não só o tamanho do objeto em si, mas
toda a organização que a prática envolve e inlui na qualidade do que é produzido.
Aprendemos que, além das técnicas já aprendidas na Unidade III, podemos utilizar
a planiicação, que facilita e simpliica a modelagem de formas complexas com o
auxílio de sotwares, mas que, ao mesmo tempo, requer um empenho no estudo de
cálculos e uma atenção à montagem e à parametrização, que, por sua vez, dá suporte
a um aspecto diferente da modelagem, o que inclui dados das propriedades carac-
terísticas dos modelos. Além disso, vimos que a fotograia é uma ótima aliada na
divulgação e na comunicação dos nossos projetos, além de conhecermos algumas
dicas que facilitam o nosso trabalho.
Agora que você já sabe como deinir a escala de representação, conhece as técni-
cas de planiicação e de parametrização, e possui algumas noções básicas de fotogra-
ia de objetos, pôr em prática o que aprendemos até aqui icou fácil, não é?

127 127
atividades de estudo

1. Podemos dizer que na relação de escala versus detalhe, a escala é inversa-


mente proporcional ao nível de detalhe, ou seja, quanto menor a escala (assi-
nale a alternativa correta):
a) Menor é o detalhe.
b) Maior é o detalhe.
c) É mais difícil reconhecer detalhes.
d) Menor é a precisão.
e) Maior é o tamanho.

2. A planiicação é uma técnica de modelagem que surge junto aos primeiros


estudos sobre geometria descritiva. Desta forma, leia as airmativas a seguir.
I. Desde o século XVIII, quando Gaspard Monge estabeleceu os parâmetros da
geometria descritiva, esta técnica é utilizada para representar os espaços tri-
dimensionais.
II. Na planiicação, a espessura do material que será utilizado é determinante.
III. Na elaboração de modelos, maquetes e protótipos de baixa complexidade,
converte-se os elementos tridimensionais em elementos bidimensionais sim-
ples.
IV. O Pepakura Designer é uma técnica milenar chinesa de planiicação.

É correto o que se airma em:


a) I e II, apenas.
b) II e III, apenas.
c) I, apenas.
d) II, III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.

128
atividades de estudo

3. A fotograia de modelos, maquetes e protótipos é muito comum como uma


ferramenta técnica de registro das melhores vistas, ângulos e perspectivas
que realcem o objeto 3D representado. Em relação à fotograia de modelos,
maquetes e protótipos, assinale verdadeiro (V) ou falso (F).
( ) A abertura do diafragma incide na profundidade de campo capturada
com maior ou menor nitidez.
( ) Na composição de fotograias, a luz natural, quando disponível, é uma
ótima opção, principalmente se aliada à luz artiicial.
( ) Para fotograias proissionais de objetos, sugere-se sempre o uso das
tendas de iluminação e de fundo, pois elas ajudam a difundir a luz que não
rebate diretamente no objeto e o realçam com o uso do fundo ininito.
( ) Na composição de fotograias, a luz natural é suiciente e nunca se deve
juntá-la à luz artiicial.
A sequência correta para a resposta da questão é:
a) F, V, F, F.
b) F, F, V, V.
c) V, F, V, F.
d) F, F, F, V.
e) V, V, V, F.

4. Ao longo desta unidade, vimos que a escolha do cenário é muito importante


na fotograia de objetos. Com base no que foi estudado em relação a este tipo
de fotograia, leia as airmativas a seguir.
I. A fotograia é uma técnica banal porque pode ser utilizada por proissionais de
diversas áreas e por amadores.
II. As cores do ambiente podem inluenciar perceptivelmente nas cores do mo-
delo.

129
atividades de estudo

III. Quando o objeto a ser fotografado é muito branco, ele pode acabar desapare-
cendo no fundo, ao invés de realçá-lo, como era o objetivo.
IV. Para fotograias proissionais de objetos, sugere-se sempre o uso das tendas
de iluminação e de fundo, pois elas ajudam a difundir a luz que não rebate
diretamente no objeto e, assim, ele é realçado com o uso do fundo ininito.

É correto o que se airma em:


a) I e II, apenas.
b) II e III, apenas.
c) I, apenas.
d) II, III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.

5. Considerando a planiicação uma técnica muito útil na construção de mode-


los, maquetes e protótipos, parta do modelo da igura a seguir, um dodecae-
dro de Kepler-Poinsot, e desenhe a planiicação ideal para reproduzi-lo.

130
referências

CONSALEZ, L. Maquetes: a representação do espaço no projeto arquitetônico. Barcelona: G. Gili, 2001.


FRANCISCO, R. D. Automatização Digital na Produção de Maquetes. 2013. 182 f. Dissertação (Mestrado
em Arquitetura) - Instituto Técnico de Lisboa, Lisboa, 2013. Disponível em: <https://fenix.tecnico.ulisboa.pt/
downloadFile/395145544905/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20-%20Ricardo%20David%20Francisco.pdf>.
Acesso em: 4 maio 2018.

Referências On-Line
1
Em: <https://davidneat.wordpress.com/methods/white-card-models-for-ilmtv-work/>. Acesso em: 9 maio 2018.
2
Em: <http://www.architecture.org/experience-caf/exhibitions/exhibit/chicago-model/>. Acesso em: 9 maio 2018.
3
Em: <http://acmestudio.com/>. Acesso em: 9 maio 2018.
4
Em: <https://i.pinimg.com/564x/05/b/fe/05bfe7588fd90de6cb8550b364cf2db.jpg>. Acesso em: 9 maio 2018.
5
Em: <http://www.indir.org/upload/rhino_3d_3.jpg>. Acesso em: 9 maio 2018.
6
Em: <https://inovacad.wordpress.com/2014/07/15/o-que-e-parametrizacao/>. Acesso em: 9 maio 2018.
7
Em: <https://www.360engenhariabrasil.com/single-post/o-que-e-BIM>. Acesso em: 9 maio 2018.
8
Em:<https://www.360engenhariabrasil.com/single-post/BIM-x-CAD-parametrizacao>. Acesso em: 9 maio 2018.
9
Em: <https://www.hometeka.com.br/aprenda/7-dicas-para-fotografar-seus-produtos-com-o-popup-studio-co-
mo-um-proissional/>. Acesso em: 9 maio 2018.
10
Em: <http://www.photopro.com.br/tutoriais-gratis/35-dicas-fotograia-iniciantes/>. Acesso em: 9 maio 2018.
11
Em: <https://pt.wix.com/blog/2015/06/dicas-fotografar-seus-produtos/>. Acesso em: 9 maio 2018.
12
Em: <http://www.techtudo.com.br/artigos/noticia/2012/12/conira-como-fotografar-objetos-que-reletem-im-
provisando-equipamentos.html>. Acesso em: 9 maio 2018.
13
Em: <https://www.tecmundo.com.br/internet/10946-fotograia-o-que-e-tilt-shit.htm>. Acesso em: 9 maio 2018.
14
Em: <http://www.paisagemdejanela.com/2013/09/diy-fundo-ininito-fotograia-e-premio.html>. Acesso em: 9
maio 2018.

134
gabarito

1. B.
2. A.
3. E.
4. D.
5. Figura em três dimensões.

135
INTRODUÇÃO

Caro(a) aluno(a), estamos chegando ao inal do nosso estudo. Muito foi


aprendido até aqui e agora é hora de vermos todos esses conceitos, técni-
cas e processos postos em prática.
De maneira geral, esta disciplina tende a ser muito prática. Por isto,
para que você tenha essa dimensão, buscaremos, por meio da análise
de estudos de caso, mostrar como a representação tridimensional teve
lugar no processo projetual dos pesquisadores citados. Estudos de caso,
segundo Yin (2001), são sempre úteis quando se busca exempliicar cir-
cunstâncias e responder questões de “como” e “porque” certo fenômeno
acontece. No nosso caso, então, o que buscamos entender é como se deu
a experimentação de diferentes pesquisadores dentro da prática da re-
presentação tridimensional, ou seja, como ela lhes foi útil.
As pesquisas escolhidas foram aquelas que, de algum modo, físico
ou digital, utilizaram-se de modelos, maquetes e protótipos em seu pro-
cesso de projeto e buscaram analisar de forma distanciada a evolução do
projeto e a sua relação com a construção dos modelos.
O nosso primeiro estudo de caso tem como objeto inal uma cadeira
de material reciclável. O projeto foi desenvolvido por alunos do IADE -
Lisboa e o texto analítico, redigido por Ferreira e Santos, publicado pela
revista eletrônica LOGO, em 2016. O segundo estudo de caso tem como
objeto inal uma coleção de bolsas femininas de mão, cujo projeto foi de-
senvolvido na pós-graduação em Design de Superfície da UNIRRITER de
Porto Alegre e descritos pelas responsáveis nos anais da XI SEPesq UNIR-
RITER, em 2015. Por im, o terceiro trata de obras arquitetônicas de res-
tauro, em que se desenvolveu a técnica de modelagem virtual. O trabalho
foi realizado por Luciano (2012) e publicado no XI Congreso Internacio-
nal de Rehabilitación del Patrimonio Arquitectónico y Ediicación.
A partir das experiências descritas, você poderá ter uma ideia da di-
mensão prática da elaboração de modelos, maquetes e protótipos.
DESIGN

ideias de formas complexas, o que acabou por deinir o material a ser utilizado, características exploradas
método do projeto, focando-se no desenvolvimento da pela modelagem digital, novamente no SolidWorks.
solução como um relexo da interação espacial. Depois de determinados os aspectos físicos, gerou-se,
Com o modelo tridimensional na mão, descre- novamente, o modelo analógico, a partir da tecnolo-
ve-se a necessidade sentida pelos alunos de explo- gia CNC, com contraplacado em MDF na escala 1:1.
rar mais aspectos formais, o que foi feito a partir Concluindo a análise deste caso, em que foram
da modelagem com o programa SolidWorks. Este utilizadas as metodologias de modelagem e prototi-
permite veriicar as angulações e a geometria com pagem, analógica e digital, e também rápida (CNC) e
maior precisão. manual (papel cartão), podemos conirmar os mesmos
Associados, o modelo analógico e o digital per- resultados que os autores. É perceptível a otimização
mitiram exprimir variáveis, deduzir soluções e ten- gerada pela utilização dos modelos no processo de
tativas de soluções por meio da constante evolução projeto ao permitirem a identiicação de limitações e
do fazer e refazer. Neste processo, deiniu-se uma a exploração de novas soluções, auxiliando, assim, na
determinante, a característica dobrável do produto. tomada de decisões. Percebe-se, então, que ambos os
Isto implicou na mudança de paradigma projetual métodos são imprescindíveis. A dimensão mutável que
por parte dos alunos, que, neste momento, volta- o meio digital proporciona acaba por suprimir aspec-
ram-se para um conjunto de problemas técnicos, tos funcionais-estruturais bastante relevantes, aspectos
formais e estruturais que instigaram a criatividade que se completam com a utilização das duas técnicas.
na busca de soluções na fase operacional do projeto,
tanto quanto na fase conceitual. REFLITA
A característica dobrável impôs a necessidade de
articulações o que, por sua vez, sugeria a possibilida- “A criatividade necessita de instrumentos que
promovam o diálogo, a criatividade é um pro-
de de redução do volume, ou seja, abriu espaço para
cesso que implica muito trabalho”.
diversos questionamentos, resolvidos com tentativa, (Ana Margarida Ribeiro Dias e Vasco Alexan-
erro e produção de diversos modelos. No meio digi- dre Milne dos Santos)
tal, foi modelado o projeto em AutoCad, e no campo
analógico, foram feitos modelos em escala 1:25 por
meio da tecnologia CNC, a partir dos desenhos di- É passível de percepção a evolução qualitativa fren-
gitais. O resultado mostrou que o modelo em CAD te ao espaço temporal entre um modelo e outro, o
apresentou-se como satisfatório quanto ao dimen- que favorece a ideia conceitual de representação
sionamento, porém, insatisfatório do ponto de vista tridimensional evolutiva como uma ferramenta de
funcional, pois não propiciou a mobilidade e a ixa- exploração criativa.
ção das articulações como o planejado. Caro(a) aluno(a), sugiro que você volte na Uni-
Todos esses processos resultaram em saltos cria- dade III e reveja o conteúdo sobre técnicas de proto-
tivos no decorrer do desenvolvimento do projeto. tipagem rápida e modelagem virtual. Isto facilitará
O último desses processos, depois de resolvidos o entendimento das técnicas utilizadas no estudo de
os aspectos funcionais, foi a deinição do peso e do caso 1 da Unidade V.

141
DESIGN

Figura 1 - Resultado inal do produto


Fonte: Pereira e Domeneguini (2015).

Como o objeto do desenvolvimento do projeto era Tendo essas informações em mente, as pesquisadoras
uma bolsa, as pesquisadoras utilizaram conceitos de iniciaram o processo de desenvolvimento do projeto,
tendência, exploraram pesquisas e relatórios dessas buscando conectar rusticidade e artesanalidade por
tendências para criar o conceito que, no caso, foi meio de volumetrias e texturas, visando a responder
a rusticidade brasileira (autenticidade, fauna, co- ao conceito deinido por elas para a coleção: os para-
res, simplicidade dos materiais etc.), o que também digmas do tempo, que remetem às paisagens campes-
ajudou na escolha da cartela de cores, como pode- tres e à ação do tempo sobre os materiais (como se vê
mos ver nos painéis elaborado pelas autoras (ver as referenciado na Figura 10 mais adiante).
iguras a seguir), sempre buscando autenticidade.
Em relação à textura e aos materiais, foi escolhido
o couro.

Figura 2 - Identiicação do conceito Figura 3 - Painel de inspiração e cartela de cores


Fonte: Pereira e Domeneguini (2015). Fonte: Pereira e Domeneguini (2015).

143
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

As pesquisadoras iniciaram com esboços inspirados testadas pelas autoras, com o uso de moldes, planii-
no moodboard, desses esboços surgiram as modula- cação e modelagem. Como o material escolhido por
ções, que, por sua vez, foram moldados em madei- elas foi o couro, ele ainda possibilitou a costura, o
ra para a análise tridimensional e, posteriormente, alto e o baixo relevos. Os testes realizados nos pri-
como base para a confecção de moldes. Neste mo- meiros protótipos e durante a confecção das peças
mento, já se vê a primeira interação do processo de resultaram em alterações formais, um aspecto mui-
projeto e a representação tridimensional com a ex- to comum na fase analítica de desenvolvimento do
perimentação de volumetrias. produto e na sua inter-relação com a produção de
modelos. Após as veriicações feitas a partir dos tes-
tes, são tomadas as decisões e deinidos os formatos
desejados.

Figura 5 - Ciclo de desenvolvimento do protótipo


Fonte: Pereira e Domeneguini (2015).

Com a premissa estabelecida de tentar produzir es-


ses protótipos em maior escala, após deinidos os
formatos ideais, novos protótipos foram feitos, ago-
ra, utilizando-se de técnicas de prototipagem rápida,
CNC e moldagem por compressão com diferentes
Figura 4 - Esboços e modulações iniciais
materiais: E.V.A., acetato e couro (ver Figura 6).
Fonte: Pereira e Domeneguini (2015). Deinido o couro como material e levando em
consideração os testes realizados, as pesquisadoras
Neste caso, também podemos nos inteirar sobre as deiniram a geometria inal dos modelos e reprodu-
diferentes técnicas de confecção e de conformação ziram o protótipo inal de apresentação (Figura 1).

144
DESIGN

Forma para conformação


Eva Acetato Couro

Frio Quente Frio Quente Quente


Figura 6 - Testes com diferentes técnicas de conformação do modelo
Fonte: Pereira e Domeneguini (2015).

Após todo esse processo e avaliado todo o estudo Tendo atendido ao objetivo das pesquisadoras de
até a sua consecução, as pesquisadoras julgaram ser testar técnicas de modelagem tridimensional que re-
viável a reprodução dos protótipos artesanais a par- sultam em objetos artesanalmente elaborados, mas
tir de técnicas mais “automatizadas”, pertinentes a que pudessem ser reproduzidos em maior escala, o
processos mais industriais, se levados em considera- estudo possibilitou, para nós, a análise processual, e
ção as deinições de processo produtivo adequado às também o entendimento da relevância da escolha da
técnicas, ao material, ao objetivo, ao custo e também técnica e do material adequado na deinição do pro-
o grau de desenvolvimento do projeto, cujas dimen- cesso de prototipagem necessário a nossos projetos
sões e formas já devem estar bem evoluídas. em especíico.

Material: Couro Material: Couro Material: Couro


Forro: Cetim Forro: Cetim Forro: Cetim
Aviamento: Zíper Aviamento: Zíper Aviamento: Zíper

Figura 7 - Representação técnica bidimensional do protótipo


Fonte: Pereira e Domeneguini (2015).

REFLITA

Atente-se aos aspectos interdisciplinares do conteúdo. Vimos um pouco sobre moda, restauro e meto-
dologias de projeto, conteúdos que poderão facilitar os seus trabalhos no futuro!

145
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

A casa de Dona Yayá foi modelada digitalmente com o reconhecimento do objeto, com estudos de estru-
o objetivo de esclarecer e tornar acessível ao público tura, revestimentos e ornamentos; na segunda, fo-
leigo aspectos ornamentais e técnicos da ediicação, ram feitos inventários dos materiais e dos elemen-
assim como auxiliar técnicos de preservação e de tos construtivos de cada fase da construção, além
restauro na reconstituição dessa ediicação dentro de decapagens das camadas de pintura, que foram
de suas diversas fases evolutivas. documentadas e analisadas em laboratório e, poste-
Neste sentido, a representação tridimensional riormente, subsidiaram a construção do modelo; na
apresenta-se como um meio de interação entre o terceira, sintetizou-se todos os dados, e com o auxí-
processo investigativo documental realizado por es- lio de sotwares, como AutoCad, CorelDraw e Adobe
pecialistas ao longo da década de 90, apresentados Photoshop, os dados foram homogeneizados; e na
de forma entendível pelos e para esses especialistas, quarta, a maquete eletrônica, com alta qualidade e
com plantas, ichas técnicas, inventários, ensaios e resolução gráica, foi desenvolvida com o auxílio de
fotos, e também com a fruição pública de leigos, fa- sotwares de modelagem de sólidos paramétricos,
zendo perceptível, de forma simples, as transforma- que representam a ediicação cuja reconstrução coe-
ções históricas ao longo do tempo. sa foi referenciada nos dados históricos e nas etapas
Para construção do modelo, o método consis- anteriores, as quais, na quinta e última etapa, conju-
tiu em cinco diferentes fases: na primeira foi feito gam todas as informações em uma única interface.

SAIBA MAIS

A modelagem virtual permite, em uma mesma interface, disponibilizar todos os dados disponíveis sobre
o objeto ao mesmo tempo e de forma sobreposta, tornando-se um aspecto atrativo na composição
histórica do restauro.

Fonte: a autora.

148
DESIGN

Figura 9 - Dados registrados e sondagens realizadas para a concepção do modelo


Fonte: Tirello (2008).

Fica claro, na igura a seguir, a utilidade da representação tridimensional


modelada digitalmente quando podemos comparar dois ciclos históricos
de forma luída, percorrendo os ambientes.

Figura 10 - Ambiente em duas fases decorativas diferentes. À esquerda, de 1888 a 1902, e à direita, de 1903 a 1919
Fonte: Tirello (2008).

Da mesma forma, esta utilidade é percebida na visualização clara dos


períodos construtivos representados nas fachadas (ver Figura 11) e na
exploração arqueológica da ediicação anterior com a elaboração de uma
segunda maquete eletrônica (ver Figura 12).

149
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS

Figura 11 - Maquete digital que apresenta as diferentes fases cronológicas da ediicação representada pela fachada
Fonte: Tirello (2008).

Figura 12 - Reconstrução arqueológica da ediicação anterior a 1888 e casa da Dona Yayá Fonte: Tirello (2008).

REFLITA

A modelagem digital tem uma série de fun-


cionalidades. Faça uso delas, explore, registre
e comunique-se! Escolha um software cuja
interface seja mais adequada a você, treine
e adquira habilidade.

150
O que você achou das experiências compartilhadas? Elas lhe foram úteis? Acredito
que elas tenham tirado algumas dúvidas que sempre permearão a produção de mo-
delos tridimensionais, como: em qual escala fazer, com quais materiais e com qual
técnica, sejam eles físicos ou digitais.
Nos estudos de caso, pudemos perceber todos os aspectos conceituais estudados
até aqui, e ver como muito da prática da modelagem e da prototipagem é realizada
por tentativa e erro, porque é isto que os modelos, maquetes e protótipos permitem.
isto é, erros sem grandes danos.
Imagine, por exemplo, que diferentemente do primeiro estudo de caso, em que o
modelo da chaise foi exaustivamente estudado e reproduzido em diversos tamanhos
e materiais, assim que o projeto estivesse pronto, fosse enviado para a produção? O
que aconteceria? E se os técnicos de restauração da casa de Dona Yayá escolhessem
apenas uma das ornamentações das diferentes etapas cronológicas para reconstruir o
edifício? Ou se as designers das bolsas não tivessem gostado da textura na composi-
ção das bolsas? Notou? A prática da modelagem e da prototipagem favorece, e muito,
o processo projetual. Permite a exploração de ideias, materiais e técnicas, além de
gerar diferentes objetos sem causar grandes prejuízos, possibilitando até mesmo a
criação de novos conceitos a partir dos novos aspectos levantados.
A representação tridimensional envolve diferentes campos do conhecimento,
técnicas e expressões formais que, em geral, buscam transmitir o entendimento das
características espaciais, físicas e estéticas de um objeto, ou seja, comunicar as in-
tenções de quem o projetou. Foi esta dimensão que quisemos transmitir ao mostrar
essas pesquisas para você: a dimensão prática. Quisemos ser úteis ao expressar ana-
logias e exemplos, facilitando, assim, o entendimento global da prática, incentivando
você, aluno(a), a fazer uso dela em seu desenvolvimento projetual.

151
atividades de estudo

2. Tendo em vista a complexidade histórico-cronológica de uma obra de restau-


ro, porque entre a modelagem física e a virtual, a virtual foi a escolhida na
representação do estudo de caso do restauro? Em relação à resposta desta
questão, assinale a alternativa correta.
a) Por ser mais barata e rápida.
b) Por permitir a visualização no mesmo modelo das diferentes fases construti-
vas por meio de conteúdos de dados sobrepostos.
c) Por ser dinâmica e permitir a visualização de diversas perspectivas.
d) Por não demarcar a cronologia no modelo, tendo todas as fases construtivas
demonstradas ao mesmo tempo.
e) Por representar a ornamentação em detalhe.

3. Visto que um projeto, desde a sua fase conceitual até a apresentação inal aos
clientes, permite a confecção de diversas tipologias de representação tridi-
mensional. Atente-se aos aspectos levados em conta nos três estudos de caso
apresentados anteriormente e leia as airmativas a seguir.
I. A modelagem virtual é sempre a melhor opção quando falamos em uma série
de aspectos sobrepostos. Como no caso do restauro, as etapas cronológicas
da ediicação permitem a sua visualização em um mesmo modelo.
II. A prototipagem rápida só é uma opção para quando o projeto encontra-se
inalizado, por exigir um detalhamento maior.
III. O uso de materiais inais no protótipo favorece a percepção de aspectos esté-
ticos, como textura e cor, porém, não é uma exigência.
IV. A prática da modelagem virtual é incompatível com a analógica, sempre deve-
mos escolher ou uma ou outra.

Está correto o que se airma em:


a) I e II, apenas.
b) I e III, apenas.
c) I, apenas.
d) II, III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.

4. Com base no segundo estudo de caso apresentado nesta unidade, analise as


alternativas a seguir e assinale verdadeiro (V) ou falso (F).
( ) A primeira modelagem é feita para estudar geometricamente os módulos
desenvolvidos nos esboços.

152
atividades de estudo

( ) As diferentes técnicas de conformação são testadas porque a ideia de rele-


vo projetada varia conforme o material e a técnica aplicados.
( ) As técnicas de prototipagem rápida CNC e a moldagem por compressão
foram utilizadas para testar a possibilidade de confecção dos protótipos em
maior escala.
( ) As diferentes técnicas de conformação são testadas porque a ideia de re-
levo projetada varia conforme o desejo do designer, independentemente do
material e da técnica aplicados.
A sequência correta para a resposta da questão é:
a) F, V, F, V.
b) F, F, V, F.
c) V, F, V, F.
d) F, F, F, V.
e) V, V, V, F.

5. Descreva os aspectos positivos da prototipagem digital e analógica dentro do


processo de projeto.
6. Observando a igura a seguir, caracterize os pontos negativos que inluenciam
a escolha da prototipagem digital frente à prototipagem física no estudo de
restauro e conservação.

Fonte: Nantes (2016, on-line)1.

153
material complementar

Indicação para Acessar

Neste link, é possível visualizar o resultado do trabalho do CPC em conjunto com uma série de pesquisa-
dores e estudantes da USP.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=5VP-430z62I>.

156
referências

BRANDI, C. Fundamentação Teórica do Restauro. Cartas do Restauro. Trad. de António Borja Araújo, 15
mar. 2003. Disponível em: <https://5cidade.iles.wordpress.com/2008/04/fundamentacao-teorica-do-restau-
ro.pdf>. Acesso em: 10 maio 2018.
FERREIRA, A. M. R. D. F. G.; SANTOS, V. A. M. O Espaço Inter-Relacional dos Modelos e dos Protótipos
no Processo Criativo em Design. e-Revista LOGO, Florianópolis, v. 5, n. 1, p. 1-22, 2016. Disponível em:
<http://incubadora.periodicos.ufsc.br/index.php/eRevistaLOGO/article/view/3929/4517>. Acesso em: 10
maio 2018.
LUCIANO, B. M. Maquete Física e Virtual Aplicada ao Projeto de Restauro. In: CONGRESO INTERNA-
CIONAL DE REHABILITACIÓN DEL PATRIMONIO ARQUITECTÓNICO Y EDIFICACIÓN, 2012, 11,
Cascais. Anais… Cascais: CICOP, 2012.
PEREIRA, C. K.; DOMENEGUINI, J. P. A Transformação da Superfície Tridimensional Aplicada a um Pro-
jeto de Design de Moda. In: SEMANA DE EXTENSÃO, PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO – SEPesq, 2015,
11, Porto Alegre. Anais… Porto Alegre: UNIRRITER, 2015. Disponível em: <https://www.uniritter.edu.br/
iles/sepesq/arquivos_trabalhos/3612/888/1022.pdf>. Acesso em: 10 maio 2018.
TIRELLO, R. A. Restauro Digital de Arquitetura Histórica de Cronologia Construtiva Complexa: A Casa de
Dona Yayá. In: SEMINÁRIO COMPUTAÇÃO GRÁFICA: PESQUISAS E PROJETOS RUMO À EDUCAÇÃO
PATRIMONIAL, 2008, 1, São Paulo. Anais… São Paulo: AHMWL/DPH/SMC/PMSP, 2008. Disponível em:
<http://www.arquiamigos.org.br/seminario3d/pdf/tirello-restauro_digital.pdf>. Acesso em: 10 maio 2018.
YIN, R. K. Estudo de Caso: Planejamento e Métodos. 2. ed. Trad. de Daniel Grassi. Porto Alegre: Bookman,
2001.

Referências On-Line
1
Em: <http://jessicamnantes.wixsite.com/portfolio/copia-faculdade-de-arquitetura>. Acesso em: 10 maio
2018.
2
Em: <http://www.lwtsistemas.com.br/evolucao-cinema-impressora-3d/>. Acesso em: 10 maio 2018.

157
gabarito

1. B.
2. B.
3. E.
4. Ambas as técnicas permitem a percepção tridimensional do objeto, proporcio-
nando a análise de dimensão e da forma, além de testes quanto à viabilidade,
à ergonomia, aos aspectos conceituais e físicos, e também a comunicação en-
tre o projetista e o usuário.
5. A maquete física, neste caso, não possibilita a visualização das diferentes eta-
pas cronológicas do processo construtivo da ediicação.

158
DESIGN

conclusão geral

Caro(a) aluno(a), chegamos ao inal do nosso conteúdo, forma holística a utilização da representação tridi-
o que achou? Que tal analisarmos o que aprendemos ao mensional como ferramenta de projeto.
longo das nossas cinco unidades? Assim, saberemos se Espero que ao longo deste conteúdo, você tenha
você conseguiu ixar todos os conceitos repassados. entendido que, dentro do processo de trabalho de
Na Unidade I, conhecemos o que é a represen- criação de novos produtos, a representação tridi-
tação tridimensional, analisamos diferentes denomi- mensional está sempre presente. Os textos que com-
nações, modelos, maquetes, mock-ups e protótipos, puseram este material tinham como objetivo mo-
distinguindo-os em suas semelhanças e divergências. bilizar você, aluno(a), como futuro proissional do
Na Unidade II, buscamos entender um pouco mais o design, no interesse de aspectos ligados à manipu-
porquê da relevância deste método dentro do desen- lação de materiais, aos processos de fabricação e de
volvimento de produtos, estudando a sua importância atendimento de requisitos dos usuários, mostrando
e a sua aplicabilidade. Utilizamos da análise histórica que tudo isso tem conexão com o desenvolvimento
para denotar estes aspectos. Logo, na Unidade III, de modelos, maquetes e protótipos.
partimos para um reconhecimento mais prático do Mostramos que eles podem servir como um sis-
tema, identiicando técnicas e materiais que podem tema experimental para a exploração de ideias, como
ser usados na construção física e digital da represen- uma amostra das características e das propriedades
tação tridimensional. Na Unidade IV, conhecemos do produto inal, como teste para a análise estética e
dicas que podem ser úteis na execução da represen- funcional, como forma de comunicação e apresenta-
tação tridimensional física. Por im, na Unidade V, ção da proposta inal, ou seja, tem inúmeras inali-
vimos todos esses conceitos anteriores aplicados em dades. Desejo que o estudo deste livro colabore com
estudos de caso que, por sua vez, exempliicaram de a sua formação, caro(a) aluno(a)!

159

Você também pode gostar