Modelos, Maquetes e Protótipos PDF
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DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor
Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin, Presidente da Mantenedora Cláudio
Ferdinandi.
2
Wilson Matos da Silva
Reitor da Unicesumar
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10
com princípios éticos e proissionalismo, não maiores grupos educacionais do Brasil.
somente para oferecer uma educação de qualidade, A rapidez do mundo moderno exige dos educadores
mas, acima de tudo, para gerar uma conversão soluções inteligentes para as necessidades de todos.
integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo- Para continuar relevante, a instituição de educação
nos em 4 pilares: intelectual, proissional, emocional precisa ter pelo menos três virtudes: inovação,
e espiritual. coragem e compromisso com a qualidade. Por
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia,
graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor
estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro do ensino presencial e a distância.
campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é
e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, promover a educação de qualidade nas diferentes áreas
com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. do conhecimento, formando proissionais cidadãos
Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais que contribuam para o desenvolvimento de uma
de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos sociedade justa e solidária.
pelo MEC como uma instituição de excelência, com Vamos juntos!
boas-vindas
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja,
iniciando um processo de transformação, pois quando estes materiais têm como principal objetivo “provocar
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta
proissional, nos transformamos e, consequentemente, forma possibilita o desenvolvimento da autonomia
transformamos também a sociedade na qual estamos em busca dos conhecimentos necessários para a sua
inseridos. De que forma o fazemos? Criando formação pessoal e proissional.
oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento
de alcançar um nível de desenvolvimento compatível e construção do conhecimento deve ser apenas
com os desaios que surgem no mundo contemporâneo. geográica. Utilize os diversos recursos pedagógicos
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita.
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos
se educam juntos, na transformação do mundo”. fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe
Os materiais produzidos oferecem linguagem das discussões. Além disso, lembre-se que existe
dialógica e encontram-se integrados à proposta uma equipe de professores e tutores que se encontra
pedagógica, contribuindo no processo educacional, disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em
complementando sua formação profissional, seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe
desenvolvendo competências e habilidades, e trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória
aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, acadêmica.
apresentação do material
Nossa disciplina está voltada para a sua experiência prática. Pensando nisso, busca-
mos sintetizar todos os conteúdos necessários para que, ao inal da disciplina, você
esteja apto(a) a usufruir dos seus novos conhecimentos na produção de modelos,
maquetes e protótipos, e que o(a) auxiliem no desenvolvimento de novos produtos.
Além dos designers, seja de produto, gráico ou interiores, também utilizam a representação tridimensional
(digital ou física) arquitetos, proissionais do marketing, da publicidade e propaganda, da engenharia e outros.
Conforme você verá ao longo deste material, as utilidades da representação são muitas e te ajudarão a desenvol-
ver-se proissionalmente, aumentando o seu repertório e melhorando a sua percepção estética e dimensional.
Fique atento(a)! As informações parecem simples, mas lhe darão suporte para o entendimento de complexos
sistemas formais e espaciais, e também serão muito eicazes no aperfeiçoamento do seu processo de projeto.
Vamos começar? Bons estudos!
INTRODUÇÃO
B
em-vindo(a), aluno(a)! Esta Unidade dará início ao desenvol-
vimento da nossa disciplina Modelos, Maquetes e Protótipos.
Nela, você terá todo o referencial teórico necessário para o en-
tendimento da representação tridimensional. Buscaremos en-
tender o que é a representação dentro do design, quais são os seus aspec-
tos conceituais, quais as suas variações e por que existe a diferenciação
entre modelos, maquetes e protótipos. Estas são dúvidas que você pode
ter agora, mas que já saberá responder caso seja questionado(a).
Atualmente, a competitividade do mercado torna imprescindível a
rapidez no desenvolvimento de novos produtos. Isto faz com que as eta-
pas a serem cumpridas dentro do processo de desenvolvimento projetual
sejam harmônicas, desde a concepção da ideia até a sua execução, e que as
necessidades dos clientes e as alterações consequentes delas sejam rapida-
mente resolvidas, e também que todo o ferramental disponível por meio
das novas tecnologias seja sabiamente utilizado. Neste sentido, a elabo-
ração de modelos, maquetes e protótipos vem agregando valor, estando
presentes em diversos ramos do design, da arquitetura e da engenharia há
milhares de anos, como grandes auxiliares na criação, na exploração de
ideias, no desenvolvimento e na apresentação de projetos.
Nosso objetivo, nesta unidade, é discutir o papel da representação tri-
dimensional dentro do processo de projeto e, consequentemente, na sua
carreira como designer, entendendo o porquê das diferentes terminolo-
gias e quando fazer uso de cada uma delas, sempre trazendo informações
atuais e úteis ao seu dia a dia.
Como você verá a seguir, modelos, maquetes, mock-up e protótipos vão
conformar-se nos diferentes tópicos desta unidade, nos quais explicaremos
as especiicidades de cada um, caracterizando-os de acordo com as suas se-
melhanças, divergências e aplicabilidade no processo de projeto do design.
Bons estudos!
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
Modelos de apresentação
20
DESIGN
Figura 2 - Exemplos de Modelos volumétricos Figura 3 - Exemplo de projeto bidimensional feito por meio do modelo
Fonte: Mafra (2016, on-line)2. tridimensional
21
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
24
DESIGN
Podem ser feitos em diversos materiais, geral- O mock-up pode classiicar-se em sot model (ou dirty
mente os mesmos usados em modelos volumétricos, mock-up, dirty prototype, quick mock-up ou mock-up
não muito elaborados e diferentes do especiicado simples), em que avalia-se os aspectos conceituais vo-
para o produto inal, ixando-se ou no aspecto apa- lumétricos e ergonômicos, de forma simples e rápida,
rente, dimensional e ergonômico, ou fornecendo com materiais e objetos que estejam à mão: papel, ita
parte apenas do entendimento funcional (PEREI- adesiva, cola, madeira e caneta, para “dar forma” a
RA, 2015). São muito utilizados em processos de uma ideia. E hard model (ou mock-up melhorado, ou
marketing, psicologia, engenharia e design. proissional), cujo modelo é mais iel ao produto i-
Especiicamente no design de produto, ao tratar- nal, com cores, peças e encaixes o mais próximos pos-
-se de um modelo que tem propósito apenas formal síveis do real em uma análise estética bem apurada,
e dimensional, em escala natural (1:1), que ultrapas- como diferenciação simples. Pode-se dizer que, para a
sa o estudo da volumetria, ou seja, quando já é vali- confecção do mock-up melhorado, você compra o ma-
dada a usabilidade do produto e tem como im tes- terial para confeccioná-lo. No Brasil, o mock-up tem
tes ergonômicos, que possibilitem a reavaliação do recebido a denominação vernacular aportuguesada
produto, nomeia-se mock-up (SILVA; HEIDRICH; “porcótipo”, um neologismo referindo-se a protótipos
JÚNIOR, 2002 apud PEREIRA, 2015). “malfeitos”, termo criado pela empresa Questto|Nó
Ele oferece o benefício de veriicar o posiciona- como uma brincadeira (MAFRA, 2016, on-line)2.
mento do objeto em relação ao ambiente onde será
aplicado, por meio da interação em tamanho real e da
percepção de aspectos cognitivos. Geralmente, é feito
nas etapas do meio e inais do desenvolvimento do
produto, mas, mesmo quando é feito no início, ainda
na fase conceitual, o mock-up já permite avaliar o pro-
duto inal sem custos elevados (como seria no caso de
um modelo de apresentação) e constatar a sua viabi-
lidade de execução. São bastante utilizados para de-
monstração, ensino e promoção em feiras, estandes,
shows, congressos e exposições (PEREIRA, 2015).
ATENÇÃO
Fonte: a autora.
Figura 4 - Exemplo de “porcótipo” x objeto real
Fonte: Mafra (2016, on-line)2.
27
considerações inais
C
hegamos ao inal dos nossos estudos! Nesta primeira Unidade, pudemos ter
a noção do que é a representação tridimensional quando se trata do design.
Vimos que existem diversas classiicações e nomenclaturas que, por sua
vez, respondem a diferentes áreas e etapas de desenvolvimento de proje-
tos. Podemos partir de um simples modelo nas fases iniciais do projeto (concepção
conceitual), com materiais corriqueiros e facilmente disponíveis, até a conigurações
mais elaboradas nas fases inais do desenvolvimento, e em escala real, com o mesmo
material em que será desenvolvido o produto, com as mesmas funcionalidade e aca-
bamento, de forma bem detalhada e assemelhando-se muito ao produto inal.
Aprendemos que as representações são utilizadas com diversas inalidades, res-
pondem a diversas questões e dão suporte aos designers, desde auxílio a deinições
de requisitos, compatibilização da ideia com o conceito, exploração de opções, teste
de viabilidade técnica, testes e avaliações de usuários etc. Cada inalidade determina
a tipologia de representação a ser utilizada. As menos iéis têm vantagens por se-
rem simples, baratas, rápidas e fáceis de fazer e de modiicar, sendo lexíveis, dando
suporte e encorajamento à exploração de ideias e de alternativas, pois nunca são
produzidas para serem permanentes, mas para serem modiicadas. Já os mais iéis
são vantajosos pela interação direta que proporcionam entre equipe de designers e
usuários, por possibilitarem testes de funcionalidade e de usabilidade e por represen-
tarem esteticamente os padrões pretendidos.
Espero, portanto, que tenha icado clara a ideia de que a representação tridimen-
sional vem como recurso do designer na projeção e que ela é imprescindível no de-
senvolvimento de projetos. Vamos dar continuidade nos nossos estudos, deinindo a
importância desse ferramental e reiterando os aspectos em que ele é funcional.
32
atividades de estudo
33
atividades de estudo
34
referências
AZUMA, M. H. et al. O Modelo Tridimensional Físico como Instrumento de Simulação na Habitação Social.
Gestão e Tecnologia de Projetos, São Paulo, v. 10, n. 2, p. 7-19, jul./dez. 2015. Disponível em: <http://www.
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Perspectivas Futuras. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO - ENEGEP, 2016,
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incubadora.periodicos.ufsc.br/index.php/eRevistaLOGO/article/view/3929/4517>. Acesso em: 4 maio 2018.
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Arquitetura. Revista Exacta, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 125-136, 2011. Disponível em: <http://www4.uninove.br/
ojs/index.php/exacta/article/view/2420/1920>. Acesso em: 4 maio 2018.
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em Arquitetura) - Instituto Técnico de Lisboa, Lisboa, 2013. Disponível em: <https://fenix.tecnico.ulisboa.pt/
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GRIMM, V. et al. Pattern-Oriented Modeling of Agent-Based Complex Systems: Lessons from Ecology.
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37
referências
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3
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4
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em: 4 maio 2018.
38
gabarito
1. A.
2. D.
3. B.
4. Evolutivo: que se desenvolve ao longo do tempo, sendo recriado e otimizado.
Descartável: que é inutilizado depois que são feitas alterações ou que é utili-
zado como modelo para outro protótipo.
5. B.
39
INTRODUÇÃO
M
ais uma vez, seja bem-vindo, aluno(a), a nossa Unidade
II. Aqui, buscaremos entender qual a importância da re-
presentação tridimensional em suas diferentes tipologias,
modelos, maquetes e protótipos, dentro do processo de
design. Descreveremos qual a funcionalidade da representação tridimen-
sional, as suas vantagens e desvantagens, limitações e aplicabilidade. Isto
é, buscaremos entender para que serve, por que e no quê a representação
tridimensional será útil a nós, se ela for integrada ao processo de desen-
volvimento projetual.
Historicamente, os vestígios da produção de modelos tridimensio-
nais surgem em tempos remotos, anteriores a era de Cristo. Por meio da
análise histórica dos primeiros vestígios, poderemos perceber os aspec-
tos que tornaram a prática tão importante no decorrer evolutivo.
Decidir utilizar a representação tridimensional como um método pro-
jetual, ou mesmo como forma de comunicação, de interação com usuários
e de análise formal ou ergonômica, é uma escolha sua. O que buscamos
aqui é salientar os aspectos positivos oferecidos por esta prática. Porém,
destacaremos o fato de que, ao nos propormos a utilizar essa ferramenta,
devemos ter em mente que ela exige dedicação, tempo e trabalho duro.
Veremos que as maquetes, os modelos e os protótipos, além de an-
teciparem e simularem realidades, são objetos físicos ou digitais traba-
lhosos, os quais envolvem conceitos técnico-operativos e estéticos, além
de atenderem, simultaneamente, às inúmeras funcionalidades que nos
poderão ser úteis.
Fique atento(a) ao conteúdo da unidade, será imprescindível quando
somada às próximas unidades para a deinição da sua intenção em utili-
zar-se da técnica para representar as suas ideias. Isto lhe dará a dimensão
da importância e dos aspectos que envolvem a prática da representação
tridimensional enquanto metodologia de projeto.
DESIGN
45
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
Logo, nas etapas de projeto preliminar, em que há são e textura. Na fase de testes, os protótipos, por
mais informações e detalhes estruturados, deve-se exemplo, já têm embutidos aspectos funcionais e são
fazer o uso dos modelos analíticos. Estes servirão de usados justamente para a veriicação do atendimen-
referência para a tomada de decisão em diferentes to de funções e requisitos.
aspectos de acordo com o necessário no momen- Na igura a seguir, podemos ver a relação entre
to, sejam aspectos funcionais, comportamentais ou tipologia de representação tridimensional e as eta-
mesmo estruturais, e os traduzirá em forma, dimen- pas de desenvolvimento do produto.
50
DESIGN
Esta integração entre a modelagem e as metodolo- de dos projetos (PEREIRA, 2015). Além de propor-
gias de design incentivam a prática e revelam a sua cionar a integração holística do projeto, permitindo
importância ao corroborarem o desenvolvimento de análises quanto à forma, à usabilidade, à ergonomia
objetos sempre melhor confeccionados, que permi- e à estética, buscando atender a todos os requisitos
tam alterações constantes e atendam a complexida- embutidos na projeção de novos produtos.
REFLITA
“[...] não se pode criar uma saída verdadeiramente nova a partir do desenho por si só, já que ele é em si
um processo, que envolve apenas transformar uma imagem abstrata em uma igura ou forma concreta”.
51
DESIGN
A MODELAGEM, A MAQUETARIA E A PRO- tes oferecidas como oferendas aos deuses na China
TOTIPAGEM NA HISTÓRIA e o estudo de reprodução para grande escala, como
nos navios feitos por vikings.
Podemos dizer que os primeiros usos da represen-
tação tridimensional eram para servir como base à
execução de peças escultóricas e obras arquitetôni-
cas. Contudo, antes disso, já se sugeria que pinturas
rupestres haviam sido executadas a partir de mode-
los feitos em argila em alto relevo, e somente depois
eram levadas às cavernas para serem reproduzidas,
como mostram as iguras encontradas de animais
esculpidas em bronze (Figura 4) (IKEDA, 2004, on- Figura 5 - Oferenda chinesa (séc. I - II a.C.)
-line2; PEREIRA, 2015). Fonte: Francisco (2013).
53
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
Os egípcios faziam modelos de objetos e de utensí- a escolha dos materiais, das cores e das texturas. No
lios para depositar nos túmulos e serem utilizados período barroco, passou-se a considerar as maquetes
postumamente pelos faraós. Os romanos utiliza- e os modelos como auxiliares no processo de visua-
vam maquetes como oferendas a imperadores para lização e de comunicação, tornando os desenhos bi-
dar-lhes as suas máquinas de guerra, e também as dimensionais parte apenas do processo investigativo
utilizavam para a confecção de aquedutos que, neste (FRANCISCO, 2013).
caso, eram protótipos empregados em cálculos. Sinteticamente, podemos dizer que o uso da
representação tridimensional trouxe contribuições
sensíveis no modo de expressão e no entendimento
da relação espacial.
54
considerações inais
C
hegamos ao inal de mais uma unidade, aluno(a)! Espero que, somadas as
informações que tivemos até aqui, você já tenha preenchido uma grande
parte da lacuna despertada pelo campo da representação tridimensional e
a confecção de modelos, maquetes e protótipos.
Vimos as tipologias de representação, as suas diferenças e semelhanças, onde e
quando elas podem e devem ser utilizadas. Falamos sobre todos os aspectos que en-
volvem a sua utilização, as suas vantagens e desvantagens dentro de cada fase criativa
e comunicativa do design.
Enim, aprendemos a respeitar o seu uso como um ferramental importantíssimo
dentro da nossa proissão e de várias outras, como foi destacado. No entanto, esse
entendimento e aprendizado seriam frágeis sem que localizássemos de forma crítica
a inserção da prática da representação tridimensional na História.
Vimos o avançar signiicativo da cultura técnica em termos de instrumentação
e criatividade desde os tempos mais remotos. Agora, com esses conhecimentos em
mente, podemos dizer que entendemos a prática da representação tridimensional
como ela é hoje. Ao analisarmos o passado, vimos como a prática sedimentou-se e
nos trouxe até o presente. Com a evolução técnica digital que presenciamos hoje,
podemos perspectivar os avanços futuros possíveis a partir da inserção de novas
técnicas, como a realidade aumentada e a valorização da prática na exploração de
ideias, por exemplo.
Agora estamos prontos para avançar nos nossos estudos! Tendo como base todos
os aspectos conceituais e teóricos que aprendemos até aqui, poderemos entender
outros aspectos da prática da representação tridimensional que ainda estamos por
descobrir. Ainda icou alguma dúvida? Reveja a unidade, releia e faça os exercícios,
isto o(a) ajudará a ixar as novas informações apreendidas e seguir em frente com o
conteúdo.
56
atividades de estudo
57
atividades de estudo
3. Vimos que o ciclo de vida curto dos produtos, com a diversidade do mercado
atual, tem diminuído, presumindo-se que um produto novo seja levado aos
consumidores a um prazo muito menor. Em relação à média de tempo para o
desenvolvimento de um produto hoje, assinale a alternativa correta.
a) De um a seis meses.
b) De seis meses a cinco anos.
c) De três meses a dois anos.
d) De três a cinco anos.
e) De seis meses a dois anos.
58
referências
AZUMA, M. H. et al. O Modelo Tridimensional Físico como Instrumento de Simulação na Habitação So-
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FRANCISCO, R. D. Automatização Digital na Produção de Maquetes. 2013. 182 f. Dissertação (Mestrado
em Arquitetura) - Instituto Técnico de Lisboa, Lisboa, 2013. Disponível em: <https://fenix.tecnico.ulisboa.
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Urbanismo) - Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.
63
referências
Referências on-Line
64
gabarito
1. E.
2. D.
3. C.
4. Nas etapas iniciais, ou seja, na fase de concepção, os modelos volumétricos e
conceituais auxiliam na comunicação entre equipe, usuário e desenvolvedo-
res. Neles, estuda-se a volumetria, a forma e a relação de ergonomia.
5. O primeiro dentro do aspecto operativo: transmitir a essência, demonstrar
que a solução escolhida é a solução mais adequada, ou seja, sintetizar; o
segundo dentro do aspecto formal: representar a estética aliada a funcionali-
dade, assumir uma autonomia formal já não mais como representação, mas
como objeto que permite novas percepções e perspectivas.
65
INTRODUÇÃO
O
lá, seja bem-vindo(a)! Em nossa Unidade III, descreveremos
o “como fazer” da representação tridimensional. Buscaremos
caracterizar diversos elementos da linguagem visual tridi-
mensional e ajudar você a entender como a cor, a textura, a
estrutura e a forma dão-se por meio de diferentes técnicas, processos e
materiais que podem ser utilizados na confecção de modelos, maquetes
e protótipos, exempliicando sempre de forma ilustrativa para que você
tenha um bom entendimento e possa avançar nos seus estudos.
Desde tempos remotos, produzem-se maquetes e protótipos físicos
por meio de técnicas convencionais de modelagem manual, esculturas,
carpintaria e maquetismo. No entanto, as novas tecnologias abriram ca-
minho para o desenvolvimento de modelos de alta complexidade, não
apenas descritivos e conceituais, mas funcionais, com alto rigor dimen-
sional e mecânico, produzidos de forma rápida por meio de sotwares e
de maquinário especíico.
A partir daqui, daremos a você um apanhado geral para que conheça
quão variados são os processos de desenvolvimento da representação tridi-
mensional, desde os tradicionais aos novos e, assim, busque aprofundar-se
na técnica que mais lhe interessar e for conveniente a determinado projeto.
Dizemos isto porque, como vimos na Unidade I, cada projeto, de acordo
com a sua inalidade, o seu prazo e orçamento, além da habilidade e da
destreza do projetista, deine o tipo de modelo a ser confeccionado, e isso
determinará o material e a técnica a serem utilizados.
Começaremos aprendendo como dar início ao trabalho de representa-
ção, seja ele manual ou digital, sempre lembrando que uma boa organiza-
ção facilita o trabalho, reduz custos e tempo. Logo, conheceremos algumas
técnicas manuais de modelagem física e alguns sotwares de modelagem
virtual, em seguida, materiais que podem ser úteis no desenvolvimento da
representação física. Vamos, então?
DESIGN
Olá, aluno(a)! Sempre antes de dar início a um tra- 1. Tempo disponível para a execução: se o tem-
po for curto, nada muito complexo poderá
balho, seja manual ou digital, é necessário que nos
ser feito, o que provavelmente determinará o
organizemos, arrumemos um espaço adequado para material utilizado, a escala e a técnica.
trabalharmos, separemos os materiais necessários e 2. Custo envolvido: o orçamento determinará o
façamos a distribuição do nosso tempo, para que, material ou mesmo o sotware a ser adquiri-
assim, o trabalho lua e possamos cumprir os nos- do para a elaboração do modelo. Por exem-
plo, somados o tempo hábil e o orçamento
sos objetivos. Neste primeiro tópico da Unidade III, generoso, é possível desenvolver um mock-up
descreveremos rapidamente os procedimentos or- melhorado ou um protótipo simples, se o
ganizacionais que devemos executar para dar início projeto já estiver mais evoluído.
aos trabalhos de representação tridimensional. 3. Escala do projeto: a deinição da escala de-
terminará todo o trabalho, talvez seja uma
das mais, senão a mais importante decisão
SAIBA MAIS a ser tomada para dar início à execução do
modelo. A escala é determinada pelo nível de
detalhamento em que o projeto encontra-se,
Os modelos e maquetes não precisam ser, ne- pelo espaço em que o modelo será exposto
cessariamente, uma reprodução idedigna do e no tempo disponível para a sua execução.
desenho do projeto. Neles, pode-se explorar Lembre-se: quanto menor a dimensão do
diferentes soluções, por isto, não se prenda! modelo, mais meticuloso será o trabalho.
Seja criativo(a)! Isto fará com que o trabalho 4. Ferramental disponível: neste quesito, in-
seja menos moroso e mais produtivo. cluem-se equipamentos e espaço. Quando
se trata de uma representação física, existem
Fonte: a autora. sempre as questões de transporte, armaze-
nagem, ferramentas e locação do material e,
muitas vezes, no decorrer do desenvolvimen-
to do projeto, o modelo não pode ser movido,
Como já estudamos, o modelo 3D dá “vida” ao de- isto inclui a exclusividade do espaço.
senho bidimensional e ajuda o projetista a analisar 5. Habilidade do modelador e da equipe: pro-
cure utilizar técnicas as quais você esteja
dimensões, cores, possíveis texturas, formas e ergo- confortável aos procedimentos ou procure
nomia, pode ser confeccionado com materiais sim- alguém que tenha as habilidades necessárias
ples ou soisticados, por meio de técnicas simples ou para auxiliá-lo(a), como ateliês e proissio-
nais especializados.
complexas, podendo ser conceituais ou funcionais,
6. Nível de acabamento: o nível de detalhe de-
mas sempre buscando a qualidade de cada etapa de termina o nível de acabamento da superfície
projeto. Seja qual for a etapa que estiver dentro do do modelo. O nível do acabamento pode de-
processo de desenvolvimento, a produção do mode- terminar o trabalho e o tempo despendidos
no modelo, além do rigor técnico exigido.
lo tridimensional tem as suas especiicidades e traz
7. Desenvolvimento formal: a fase em que o
consigo uma série de requisitos que devem ser de-
projeto encontra-se determina tanto a escala
inidos para dar início à sua confecção. Portanto, é quanto os níveis de detalhe e de acabamento
necessário levar em conta os seguintes fatores: exigidos.
71
DESIGN
Somados todos os aspectos referidos, você poderá deinir e executar o seu modelo,
maquete ou protótipo. No quadro a seguir, você tem um resumo do que falamos até
aqui.
– Tomadas elétricas junto às mesas de trabalho, baterias e coolers extras em caso de modela-
Elemen- gem digital.
tos que – EPIs (Equipamentos Individuais de Proteção e Segurança) necessários para a utilização de
podem ser maquinário.
necessá- – Elementos de primeiros socorros para caso de corte ou ferimento.
rios – Proximidade com água corrente para a higiene do material e das mãos e manutenção do mo-
delo limpo.
Quadro 1 - Resumo dos determinantes organizacionais para a produção de modelos, maquetes e protótipos
Fonte: adaptado de Knoll e Hechinger (2001).
REFLITA
Organiza-se! Planeje todo o processo de execução da maquete antes de começar, inclusive, monte um
cronograma. Isto facilitará a entrega do projeto no prazo e evitará o gasto desnecessário de tempo.
73
DESIGN
75
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
Construção de moldes
76
DESIGN
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MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
do processo de desenvolvimento de produtos. Por A prototipagem rápida pode ser efetuada por
ser inserida recentemente no mercado, a RP ainda meio de diferentes processos, que podem ser subtra-
tem muito a desenvolver e, atualmente, investe-se em tivos ou aditivos. Cada técnica apresenta diferentes
pesquisas que busquem acelerar a produção a partir características que alteram aspectos, como acaba-
dessa tecnologia, que melhorem a interface dos sof- mento, detalhes, cores, resistência, custo e precisão
twares, desenvolvam novos materiais que aproximem e possuem certas vantagens e desvantagens, as quais
os modelos às cópias mais iéis possíveis dos produtos buscaremos entender um pouco mais (CELANI et al.,
a ser em desenvolvidos com precisão dimensional, es- 2008; ROSSI et al., 2011; BERTHO; CELANI, 2007).
tética e funcional e deem novas aplicações à técnica
(KAMINSKI; OLIVEIRA, 2000; PEREIRA, 2015). Prototipagem subtrativa
Arquitetos como Frank Ghery e Norman Foster
fazem uso da prototipagem rápida, e sem ela as suas As técnicas de prototipagem rápida subtrativas re-
obras diicilmente seriam concebidas, entendidas e, metem à subtração ou ao esculpir de materiais
talvez, construídas (BERTHO; CELANI, 2007). brutos em blocos, como metal, madeira, acrílico e
A prototipagem rápida traz consigo inúmeras outros, por meio de ferramentas, como fresadoras,
vantagens se comparada às técnicas tradicionais, também chamadas de CNC. As ferramentas CNC
como: a reprodução ilimitada; a alta precisão nos são classiicadas de acordo com os eixos de movi-
detalhes; a reprodução de curvas planas e de formas mento e seguem o desenho e as instruções deinidos
complexas; o melhor acabamento inal; a rapidez por sotwares digitais (FRANCISCO, 2013).
na execução de modelos, maquetes e protótipos, o
que facilita no decorrer do processo de projeto; não CNC
necessita de conhecimento técnico especíico e, as-
sim, permite maior integração entre equipe de pro- O Controle Numérico Computadorizado (CNC) ba-
jeto, produção e vendas, indo de encontro ao lean seia-se em equipamentos controlados por computa-
thinking, reduzindo custo de mão de obra especia- dores, tais como cortadoras a laser, tornos, fresadoras
lizada, no caso, modeladores; agiliza o contato do e demais soluções de materialização digital de super-
usuário inal com o protótipo, sendo mais rápida a fícies por meio de remoção de material, ou seja, é um
análise de requisitos e aumentando a coniabilidade método subtrativo no qual um bloco, que pode ser de
no processo; reduz riscos, principalmente de proje- alumínio, aço, madeira, polímeros, acrílicos, fórmicas,
tos associados às tecnologias de alto custo, evitando resinas, ligas metálicas, poliuretano (PU) ou diversos
falhas e desperdício a partir da percepção de defeitos outros materiais, é desgastado pela ação de uma fresa,
desde o início do projeto; a diminuição do número por exemplo, controlada numericamente por um apli-
de espirais no ciclo de projeto; a maior tangibilida- cativo de computador com sotwares vetoriais, cujo
de entre o modelo e o objeto a ser executado (BER- objetivo é reproduzir, sobre a superfície, o modelo 2D
THO; CELANI, 2007; PEREIRA, 2015). ou 3D gerado por meio de um caminho de corte.
78
DESIGN
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MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
Modelo Cad 3D
Processamento das
Camadas
Camadas Empilhadas
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DESIGN
A estereolitograia constrói modelos a partir de po- LOM (Laminated Object Manufacturing) é uma tec-
límeros líquidos sensíveis à luz, que se solidiicam nologia que produz sólidos a partir de material lami-
quando expostos à radiação ultravioleta (UV). O nado, como camadas de papel e material adesivo que,
equipamento que realiza esse processo possui uma juntos, são aquecidos e comprimidos por um rolo, e
plataforma coberta com uma resina fotossensível, cortados por um laser guiado digitalmente (ver igura
que se polimeriza em contato com o feixe de luz, ou a seguir) (KAMINSKI; OLIVEIRA, 2000).
seja, seca nas áreas iluminadas a laser; estas áreas são
precisamente determinadas por meio de um conjun-
to de lentes e espelhos, que desenham a seção a ser
iluminada. Dentro dessa plataforma, existe um ele-
vador que se posiciona logo abaixo à camada de re-
sina, especiicando a espessura do modelo e gerando
o seu corte transversal (ver Figura 9).
Essa tecnologia é pioneira no desenvolvimento da
prototipagem rápida, foi patenteada em 1986 e pos-
sui muitos adeptos no mundo. É muito utilizada na
execução de modelos conceituais e estéticos, na pa- Figura 8 - Esquema de um objeto formado a partir do LOM
dronagem para fundição, na execução de moldes de Fonte: Kaminski e Oliveira (2000).
81
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
Extremidade
Nesse processo, o pó pode ser composto de Filamento
de extrusão
materiais poliméricos, metálicos e/ou cerâmicos, de material
a quente
colorido ou texturizado com a utilização das cores
básicas de uma impressora (magenta, ciano, preto e
amarelo). Hoje, existem no mercado diversos equi-
pamentos que se utilizam dessa tecnologia e aceitam
Nova
arquivos em STL, VRML, 3DS e PLY. A impressão
camada
3D tornou-se muito popular por ser considerada
uma das tecnologias mais rápidas (cerca de duas
polegadas por hora), com menor custo, fácil ma-
nipulação e manuseio, as suas limitações ainda en- Figura 9 - Esquema do processo FDM
contram-se nas dimensões, que ainda são reduzidas Fonte: Kaminski e Oliveira (2000).
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DESIGN
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MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
84
DESIGN
Fonte: a autora.
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DESIGN
ARGILA E CLAY
MADEIRA
87
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
Há alguns anos, era comum usar o gesso para a pro- ESPUMAS DE POLIURETANO
totipagem, entretanto, por conta da chegada das
máquinas de RP, ele caiu em desuso. Hoje, o gesso é As espumas de poliuretano são frequentemente usadas
mais usado na confecção de moldes e peças. na confecção de modelos e de prototipagem por serem
Existem diferentes tipos de gesso que variam de fácil manejo e rápida absorção da forma tridimen-
conforme a sua resistência mecânica. O mais sional. Podem ser encontradas em bloco ou em com-
comum é o gesso Paris, não muito resistente, ponentes que, ao serem misturados, transformam-se.
porém, mais barato que o gesso-pedra e o ges- Podem ser manuseadas manualmente com ferramen-
so-troquel, que são, por sua vez, mais resisten- tas simples, como facas, serrotes, lixas, entre outras, ou
tes. Todos são vendidos em pó e, ao misturar-se utilizando CNCs e maquinário elétrico, como serras de
com a água, modiicam-se, por isso, é necessá- ita e lixadoras, que aportam maior precisão ao traba-
ria a atenção quanto a seu armazenamento, que lho e agilizam, por exemplo, quando injetadas dentro
deve evitar umidade, e de preferência, ser man- de um molde de silicone, de gesso ou outro, adquirindo
tido em recipientes plásticos ou à vácuo. Para o formato acabado, o qual, dependendo do im, pode
ganhar resistência, geralmente, utiliza-se uma ser pintado ou coberto por uma camada de poliéster,
trama para reforçar a estrutura da modelagem ganhando um aspecto de plástico quando seco, endu-
(PEREIRA, 2015). recido e lixado (PEREIRA, 2015).
88
DESIGN
PAPEL
POLIESTIRENO
89
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
REFLITA
Figura 20 - Objeto feito em poliestireno
Escolher os materiais exige muito cuidado. Eles
constituirão a identidade do seu projeto e serão
RESINA DE POLIURETANO a tradução dos seus pensamentos e da ideia
que você pretende transmitir.
A resina de poliuretano é considerada o plástico da
engenharia, varia de acordo com as propriedades
do poliuretano fundido que, misturado a um rea-
gente, funde-se em um plástico. A resina apresenta
propriedades físicas ótimas, grande resistência físi-
ca e química, pode imitar a densidade e a aparência
de diferentes materiais, como vidro, pedra e metal.
É utilizada para a confecção de objetos decorati-
vos, ferramentas, modelos e protótipos (PEREIRA,
2015). Figura 22 - Resina de poliéster
90
DESIGN
SILICONE
91
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
A quantidade de cola utilizada também é relevante, veis em nosso cotidiano, mas que podem servir para
assim como a qualidade do produto. Uma quanti- algum objetivo, dependendo da escala e da tipologia
dade inferior ao necessário torna o trabalho frágil, da maquete. Esses materiais podem ser:
enquanto que uma quantidade superior deixa o mo- • palitos diversos: de sorvete, fósforo, churras-
delo ou a maquete sujo e com má aparência. Uma co, de dente e outros;
dica interessante para o manuseio da cola é colocar • embalagens: de plástico, de foams, de papel
a quantidade necessária em um recipiente, exceto as e outras;
colas que são de secagem rápida, e espalhá-la com • peças de bijuteria: correntes metálicas, brin-
cos, miçangas e outras;
um pincel ou um palito na peça a ser colada. Isto
• recipientes diversos: caixas de sapatos, de ali-
facilitará a limpeza, assim como a retirada dos ex-
mentos, potes plásticos e outros;
cessos sempre que necessário, evitando manchas ou
• papéis diversos: camurça, celofane, cartoli-
problemas com as peças por conta do acúmulo.
na, laminado, jornal, revista, sulite, pedra,
silhueta, de embrulho, coloridos, machê, pa-
IMPROVISANDO pelão enrugado, liso e ondulado;
• agulhas, alinetes, clipes de metal, grampea-
Além de todos os materiais e instrumentos citados dor;
anteriormente, existe uma classe de materiais muito • algodão, linhas e tecidos diversos;
úteis e pouco lembrados, são os materiais improvisa- • pedras diversas: seixos, britas e outras;
dos. Geralmente, são elementos que temos disponí- • tintas, vernizes, sprays.
94
considerações inais
C
hegamos ao inal de nossa terceira Unidade! Vimos, aqui, o quão variáveis
são as possibilidades técnicas e expressivas que podemos utilizar na pro-
dução de modelos, maquetes e protótipos, e que essas variações imprimem
signiicado e narrativas ao processo de representação do projeto elabora-
do por nós. Portanto, podemos entender que a técnica e os materiais utilizados na
confecção dos objetos comunicam, por meio de uma linguagem acessível, as nossas
ideias em suas relações espaciais, para uma fácil compreensão dos observadores.
Aprendemos que, deinidos os nossos objetivos para a elaboração da represen-
tação tridimensional do nosso projeto, torna-se mais fácil deinir os outros termos e
as propriedades que envolvem a sua execução, como dimensionamento, escala, ma-
teriais, custos, tempo, ferramentas, características e acabamentos, que resultarão em
modelos de melhor ou de pior qualidade.
No geral, três aspectos são imprescindíveis na execução das maquetes, modelos e
protótipos: tempo, habilidade e inalidade. A produção de modelos tridimensionais
trata-se, portanto, da somatória de procedimentos simples que resultam na comple-
xidade do objeto proposto. Uma interação entre técnicas, materiais e instrumentos, e
também a organização e a estruturação do processo mental que, por sua vez, deinem o
resultado. Essa organização mental é essencial para a consecução do objeto dentro dos
três aspectos citados e representa a deinição da escolha do porquê de uma opção den-
tre diversas outras possíveis, sejam elas de materiais, de técnicas ou de instrumentos.
Neste sentido, aprendemos com a Unidade III que o ato de produzir um modelo,
maquete ou protótipo já é, em si, um grande projeto, que deve ser racionalizado e
estruturado para, na prática, ser exitoso. Aprendemos que, para isso, não existem
regras ou roteiros que deinam uma ou outra técnica, um ou outro material, a tudo
cabe sempre o bom senso, mas esperamos que, tendo o conhecimento do todo, desde
as opções até os aspectos a serem considerados para deinição, estas escolhas tor-
nem-se, então, mais simples e ágeis.
95
atividades de estudo
96
atividades de estudo
Papel (2007), o arquiteto Paulo Mendes da Rocha fala: “é isso a tal maquetinha.
Não tem que aprender a fazer, você faz com o que está disponível, com duas
madeirinhas, um papelzinho. [...]”. O que ele quis dizer com isto? Assinale ver-
dadeiro (V) ou falso (F).
( ) Maquetes não são importantes e, por isto, não é necessário despender tem-
po ou dinheiro na escolha de materiais.
( ) As maquetes de estudo podem ser feitas com qualquer material que estiver
à mão e, ainda assim, esse material será muito útil no processo de desenvolvi-
mento de projeto.
( ) Rocha faz maquetes incríveis com materiais simples e sugere que não é
necessário aprender as técnicas ou distinguir materiais.
( ) Para um melhor resultado inal, as maquetes devem ser feitas exclusiva-
mente com papel.
97
atividades de estudo
98
referências
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Referência on-Line
1
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maio 2018.
104
gabarito
1. C.
2. B.
3. A.
4. D.
5. A realidade aumentada é um misto entre ambientes virtuais, também sin-
tetizados por computador, e ambientes reais.
105
INTRODUÇÃO
B
em-vindo(a), aluno(a), a nossa Unidade IV! Até aqui já descobri-
mos muito sobre a temática da nossa disciplina Modelos, Maque-
tes e Protótipos. Agora, o objetivo é dar a você dicas para quando
precisar executar o seu modelo, maquete ou protótipo.
A primeira dica é que você deve atentar-se quanto à relação de dimen-
sionamento e de escala na representação tridimensional. É um engano
pensar que, independentemente do tamanho, o desenvolvimento de cada
maquete ou modelo é igual. Mesmo uma maquete volumétrica, em que
apenas formas geométricas, volumes, curvas e linhas interessam, o seu ní-
vel de detalhe varia à medida que se amplia ou diminui a escala de execu-
ção. Como vimos na Unidade III, essa variação altera não só o produto
inal, como todo o planejamento e a organização para iniciar o trabalho.
A segunda dica da Unidade IV é quanto às diferentes técnicas de mo-
delagem que não vimos na Unidade III, mas que facilitam a execução
dos modelos e maquetes. Uma delas é a planiicação, e a outra a parame-
trização. A planiicação é um método muito antigo, que surge junto aos
estudos da geometria descritiva; enquanto a parametrização é um con-
ceito novo no mercado, que revê a ideia de modelagem a partir de traços,
como um desenho, e impõe a ideia de parâmetros e dados.
A terceira dica, que com certeza lhe será muito útil, é sobre como foto-
grafar os seus modelos, maquetes e protótipos. Hoje, com as mídias digitais
em alta, além de ser uma forma de documentação, a fotograia passou a ser
uma ferramenta de comunicação que poderá auxiliá-lo(a) na divulgação
do seu trabalho. Saber utilizá-la de forma otimizada será uma vantagem no
mercado proissional. Além disso, podemos dizer que, pela fotograia ser
interdisciplinar, estas informações adquiridas aqui poderão ser usadas em
diversas situações, porque estamos falando da fotograia de objetos.
Fique atento(a) às dicas e tenha em mente que elas serão úteis dentro
da sua prática proissional.
DESIGN
Na Figura 1, vemos um exemplo de escala pe- 0,5 m). Se izermos um protótipo em tamanho real, já
quena, cujos detalhes são perceptíveis. Na Figura 2, sabemos que não caberá na caixa, se izermos dez vezes
é mostrada uma escala territorial, maior em valor e menor, teremos uma caixa de tamanho desnecessário,
menor em detalhe. porque o produto será muito pequeno. É aí que come-
çamos a pensar qual é a melhor escala de reprodução.
É sempre preferível utilizar escalas convencionais
(por exemplo, 1:10, 1:100, 1:200, 1:500 e outras) para
facilitar a decodiicação intuitiva das medidas e a utili-
zação simples do escalímetro (CONSALEZ, 2001, p. 9).
O escalímetro é uma ferramenta de medição de escalas,
um prisma triangular que é formado por seis réguas
com diferentes escalas. No uso do escalímetro, deve-
mos sempre icar atentos para não nos confundirmos e
Figura 1 - Escala de detalhe
errarmos a escala, geralmente, cada uma delas é pinta-
Fonte: David Neat ([2018], on-line)1. da de uma cor, justamente para evitar esses equívocos.
As escalas chamadas territoriais, 1:1000, 1:2000
e 1:5000, são as que levam em consideração espa-
ços geográicos, ruas, terrenos, estradas e rios, muito
usadas em projetos arquitetônicos e estudos topo-
gráicos. Já as escalas arquitetônicas levam em con-
sideração as características dimensionais de um es-
paço ediicado. Enquanto as escalas de detalhe, 1:5,
1:10, 1:20, mais comuns aos designers, servem para
detalhar ambientes arquitetônicos e fachadas, repro-
duzir objetos e analisar em detalhes projetos de di-
Figura 2 - Escala geral territorial
mensões menores (CONSALEZ, 2001).
Fonte: Chicago Architecture Foundation ([2018], on-line)2.
CÁLCULO DE ESCALAS
111
DESIGN
115
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
116
DESIGN
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MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
SAIBA MAIS
118
DESIGN
119
DESIGN
mos que considerar, ainda, a escala de representação de luz, ou seja, quanto mais tempo aberto, mais luz e,
na hora de fotografar. Escalas maiores exigem foto- consequentemente, mais clara a foto (ou menos tem-
graias mais gerais, que capturam menos detalhes, po, mais escura a foto). Essa velocidade é medida em
enquanto escalas menores permitem fotos macro. frações de segundos (ver a Figura a seguir). Da aber-
Muitos aspectos estão envolvidos quando fala- tura do diafragma (f), que é o diâmetro de abertura
mos de fotograia: luz, sombra, cor, equipamento, da lente por onde a luz passará e que deine quanta
tempo e local são alguns deles. Resumindo, então, luz entrará até o sensor, e da sensibilidade à luz (ISO).
para tirarmos uma boa fotograia, temos que pensar: Quanto maior o ISO, mais sensível, e quanto mais
• Para qual objetivo estou fotografando? sensível, mais ruído perceptível na imagem.
• Para quem estou fotografando? Qual o públi-
co-alvo? GUIA DE VELOCIDADE DO OBTURADOR DA CÂMERA
• Em qual meio vou compartilhar a foto que
vou tirar? Digital? Físico? Redes sociais?
• Utilizarei luz natural, artiicial ou ambas?
• Onde vou tirar a foto, em qual cenário?
• Como vou tirar a foto? Em qual posição? De
qual ângulo?
EQUIPAMENTO
As câmeras dos smartphones já possuem excelência Figura 7 - Variação das velocidades do obturador em câme-
quando perto de algumas câmeras digitais antigas. ras proissionais e semi-proissionais
121
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
No caso das fotos dispostas sobre uma tenda com A coniguração do tamanho da imagem em rela-
fundo ininito e luz difusa, a velocidade do obturador ção à qualidade também é importante. Mesmo que a
deve ser 1/100 ou superior, e a abertura do diafragma fotograia for usada para publicação online, a maior
a partir de f7,1. Essas conigurações podem variar de qualidade possível é sempre melhor.
câmera para câmera, mas a ideia é impedir que a má-
quina superexponha a imagem ao captar muita luz, o ILUMINAÇÃO
que diminui a nitidez dessa imagem (ALVES, 2016,
on-line9; DALBELLO, 2015, on-line)10. Uma boa iluminação é essencial para uma boa foto.
Para fotografar modelos, maquetes ou protóti- Recomenda-se sempre estudar o objeto e as suas re-
pos muito pequenos, como os de joias, por exemplo, ações a diferentes níveis de iluminação e fotografá-
pode-se utilizar o mecanismo disponível em quase -lo exposto, como teste.
todos os tipos de câmeras: a função macro, geral- A luz natural, quando disponível, é uma óti-
mente representada por uma tulipa, estreita a pro- ma opção, principalmente se aliada à luz artiicial.
fundidade de campo e deine outra perspectiva. Quando utilizamos a luz natural, temos de lembrar
Se a sua habilidade for pouca, ou mesmo para que há sempre as condicionantes climáticas que po-
facilitar, é bom ter disponível um tripé para apoiar dem interferir e, assim, qualquer movimento pode
a câmera e ajustar a função timer, isto minimizará ser deinitivo. Um dia nublado e um dia ensolarado
a trepidação e maximizará a nitidez, evitando que serão contrastantes em uma imagem.
as fotos iquem tremidas, tortas ou borradas. Caso No caso da luz natural, devemos nos atentar não
você não possua um, pode apoiar a câmera ou smar- só para a quantidade de luz a que expomos o objeto,
tphone sobre uma superfície plana estável. como também para a uniformidade dela. Para efei-
122
DESIGN
tos mais homogêneos, com menos contrastes, o me- Evite o uso do lash da câmera. A luz artiicial é sem-
lhor período para fotografar é das 10h às 15h, pois a pre bem-vinda, porém, o uso do lash, por ser muito
luz é mais direta e dura, as sombras e as transições uniforme e sem mobilidade, tende a alterar a cor real
também. Caso queira contrastes, variação de lumi- dos objetos e dar à foto um ar muito amador e artii-
nosidade, sombras mais suaves e agradáveis, o im da cial por gerar relexos e manchas. Uma opção é o lash
tarde ou o início da manhã são as melhores opções, remoto, pois permite o direcionamento da luz (AL-
geralmente uma hora antes ou depois do pôr-do-sol, VES, 2016, on-line9; DALBELLO, 2015, on-line)10.
conhecida como golden hour (em português, hora
mágica), proporciona sombras e brilhos interessan-
tes. Janelas, varandas e sombras de árvores são bons
lugares para fotografar uma luz difusa, pois impedem
a entrada total da luz (DALBELLO, 2015, on-line)10.
123
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
CENÁRIO
124
DESIGN
Figura 11 - Variação de objeto conforme a cor do fundo Figura 12 - Fundo ininito improvisado com materiais do cotidiano
Fonte: Alves (2016, on-line)9. Fonte: Lopes (2013, on-line)14.
125
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
Uma dica muito recorrente na fotograia, em relação às cores. Essa diferença também pode ser notada en-
à composição, é a regra dos terços, deinida pela di- tre os visores e o computador, e entre o computador
visão da imagem em duas linhas horizontais e duas e a imagem publicada online. Por isso, evite coniar e
verticais. Entre os quatro pontos encontrados, é tomar decisões como apagar uma ou outra imagem,
onde o observador coloca a sua maior atenção. sem antes visualizá-las no computador, a tela maior
gera outra visual. É neste sentido que o tratamento
PÓS-PRODUÇÃO das imagens é tão importante, porém, evite exageros.
Ajustes eventuais quanto aos retoques simples, à
Na hora de fotografar os objetos produzidos por nitidez, luz e cores realçam a imagem, enquanto que
nós, sempre buscamos realçá-los, e o auxílio dos a utilização de muitos efeitos acaba por modiicar a
programas de edição, que conhecemos como pós- aparência do objeto, e o que era para ser uma refe-
-produção, podem ser muito úteis. rência de estilo, acaba tornando-se cafona. Portanto,
Uma dica para facilitar este processo de pós-pro- deixe isso para as fotos com os amigos e preira as fo-
dução é nunca coniar no visor externo das câmeras, tos simples e claras para os seus modelos, maquetes
pois, geralmente, elas não condizem muito com a re- e protótipos (ALVES, 2016, on-line9; DALBELLO,
alidade, principalmente em relação à luminosidade e 2015, on-line)10.
126
considerações inais
C
aro(a) aluno(a), chegamos ao inal de mais uma unidade! Gostou das dicas?
A ideia é que você, como designer, comece a desenvolver a sua percep-
ção estética, formal e espacial, fazendo uso da representação tridimensio-
nal e das suas habilidades psicomotoras no desenvolvimento de produtos.
Aplicando os conceitos teóricos dos processos, das técnicas de projeção e do desen-
volvimento de modelos, maquetes e protótipos, transmitidos nas unidades anterio-
res, e integrando-os com os de outras disciplinas. Assim, você irá conectá-los e isto
estimulará a qualidade dimensional e geométrica dos produtos e objetos desenvol-
vidos por você.
Muitos pensam que produzir elementos tridimensionais é algo massiicante, prá-
tico e que só agrega habilidades manuais. No entanto, a criatividade é estimulada e a
prática torna-se algo muito pessoal. Temos exemplos de grandes arquitetos e desig-
ners conhecidos por suas maquetes e modelos, como Frank Ghery, Gaúdi, Phillippe
Starck e outros.
Soubemos o quanto é determinante para a produção da representação tridimen-
sional o seu dimensionamento, que isto altera não só o tamanho do objeto em si, mas
toda a organização que a prática envolve e inlui na qualidade do que é produzido.
Aprendemos que, além das técnicas já aprendidas na Unidade III, podemos utilizar
a planiicação, que facilita e simpliica a modelagem de formas complexas com o
auxílio de sotwares, mas que, ao mesmo tempo, requer um empenho no estudo de
cálculos e uma atenção à montagem e à parametrização, que, por sua vez, dá suporte
a um aspecto diferente da modelagem, o que inclui dados das propriedades carac-
terísticas dos modelos. Além disso, vimos que a fotograia é uma ótima aliada na
divulgação e na comunicação dos nossos projetos, além de conhecermos algumas
dicas que facilitam o nosso trabalho.
Agora que você já sabe como deinir a escala de representação, conhece as técni-
cas de planiicação e de parametrização, e possui algumas noções básicas de fotogra-
ia de objetos, pôr em prática o que aprendemos até aqui icou fácil, não é?
127 127
atividades de estudo
128
atividades de estudo
129
atividades de estudo
III. Quando o objeto a ser fotografado é muito branco, ele pode acabar desapare-
cendo no fundo, ao invés de realçá-lo, como era o objetivo.
IV. Para fotograias proissionais de objetos, sugere-se sempre o uso das tendas
de iluminação e de fundo, pois elas ajudam a difundir a luz que não rebate
diretamente no objeto e, assim, ele é realçado com o uso do fundo ininito.
130
referências
Referências On-Line
1
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8
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9
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mo-um-proissional/>. Acesso em: 9 maio 2018.
10
Em: <http://www.photopro.com.br/tutoriais-gratis/35-dicas-fotograia-iniciantes/>. Acesso em: 9 maio 2018.
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Em: <https://pt.wix.com/blog/2015/06/dicas-fotografar-seus-produtos/>. Acesso em: 9 maio 2018.
12
Em: <http://www.techtudo.com.br/artigos/noticia/2012/12/conira-como-fotografar-objetos-que-reletem-im-
provisando-equipamentos.html>. Acesso em: 9 maio 2018.
13
Em: <https://www.tecmundo.com.br/internet/10946-fotograia-o-que-e-tilt-shit.htm>. Acesso em: 9 maio 2018.
14
Em: <http://www.paisagemdejanela.com/2013/09/diy-fundo-ininito-fotograia-e-premio.html>. Acesso em: 9
maio 2018.
134
gabarito
1. B.
2. A.
3. E.
4. D.
5. Figura em três dimensões.
135
INTRODUÇÃO
ideias de formas complexas, o que acabou por deinir o material a ser utilizado, características exploradas
método do projeto, focando-se no desenvolvimento da pela modelagem digital, novamente no SolidWorks.
solução como um relexo da interação espacial. Depois de determinados os aspectos físicos, gerou-se,
Com o modelo tridimensional na mão, descre- novamente, o modelo analógico, a partir da tecnolo-
ve-se a necessidade sentida pelos alunos de explo- gia CNC, com contraplacado em MDF na escala 1:1.
rar mais aspectos formais, o que foi feito a partir Concluindo a análise deste caso, em que foram
da modelagem com o programa SolidWorks. Este utilizadas as metodologias de modelagem e prototi-
permite veriicar as angulações e a geometria com pagem, analógica e digital, e também rápida (CNC) e
maior precisão. manual (papel cartão), podemos conirmar os mesmos
Associados, o modelo analógico e o digital per- resultados que os autores. É perceptível a otimização
mitiram exprimir variáveis, deduzir soluções e ten- gerada pela utilização dos modelos no processo de
tativas de soluções por meio da constante evolução projeto ao permitirem a identiicação de limitações e
do fazer e refazer. Neste processo, deiniu-se uma a exploração de novas soluções, auxiliando, assim, na
determinante, a característica dobrável do produto. tomada de decisões. Percebe-se, então, que ambos os
Isto implicou na mudança de paradigma projetual métodos são imprescindíveis. A dimensão mutável que
por parte dos alunos, que, neste momento, volta- o meio digital proporciona acaba por suprimir aspec-
ram-se para um conjunto de problemas técnicos, tos funcionais-estruturais bastante relevantes, aspectos
formais e estruturais que instigaram a criatividade que se completam com a utilização das duas técnicas.
na busca de soluções na fase operacional do projeto,
tanto quanto na fase conceitual. REFLITA
A característica dobrável impôs a necessidade de
articulações o que, por sua vez, sugeria a possibilida- “A criatividade necessita de instrumentos que
promovam o diálogo, a criatividade é um pro-
de de redução do volume, ou seja, abriu espaço para
cesso que implica muito trabalho”.
diversos questionamentos, resolvidos com tentativa, (Ana Margarida Ribeiro Dias e Vasco Alexan-
erro e produção de diversos modelos. No meio digi- dre Milne dos Santos)
tal, foi modelado o projeto em AutoCad, e no campo
analógico, foram feitos modelos em escala 1:25 por
meio da tecnologia CNC, a partir dos desenhos di- É passível de percepção a evolução qualitativa fren-
gitais. O resultado mostrou que o modelo em CAD te ao espaço temporal entre um modelo e outro, o
apresentou-se como satisfatório quanto ao dimen- que favorece a ideia conceitual de representação
sionamento, porém, insatisfatório do ponto de vista tridimensional evolutiva como uma ferramenta de
funcional, pois não propiciou a mobilidade e a ixa- exploração criativa.
ção das articulações como o planejado. Caro(a) aluno(a), sugiro que você volte na Uni-
Todos esses processos resultaram em saltos cria- dade III e reveja o conteúdo sobre técnicas de proto-
tivos no decorrer do desenvolvimento do projeto. tipagem rápida e modelagem virtual. Isto facilitará
O último desses processos, depois de resolvidos o entendimento das técnicas utilizadas no estudo de
os aspectos funcionais, foi a deinição do peso e do caso 1 da Unidade V.
141
DESIGN
Como o objeto do desenvolvimento do projeto era Tendo essas informações em mente, as pesquisadoras
uma bolsa, as pesquisadoras utilizaram conceitos de iniciaram o processo de desenvolvimento do projeto,
tendência, exploraram pesquisas e relatórios dessas buscando conectar rusticidade e artesanalidade por
tendências para criar o conceito que, no caso, foi meio de volumetrias e texturas, visando a responder
a rusticidade brasileira (autenticidade, fauna, co- ao conceito deinido por elas para a coleção: os para-
res, simplicidade dos materiais etc.), o que também digmas do tempo, que remetem às paisagens campes-
ajudou na escolha da cartela de cores, como pode- tres e à ação do tempo sobre os materiais (como se vê
mos ver nos painéis elaborado pelas autoras (ver as referenciado na Figura 10 mais adiante).
iguras a seguir), sempre buscando autenticidade.
Em relação à textura e aos materiais, foi escolhido
o couro.
143
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
As pesquisadoras iniciaram com esboços inspirados testadas pelas autoras, com o uso de moldes, planii-
no moodboard, desses esboços surgiram as modula- cação e modelagem. Como o material escolhido por
ções, que, por sua vez, foram moldados em madei- elas foi o couro, ele ainda possibilitou a costura, o
ra para a análise tridimensional e, posteriormente, alto e o baixo relevos. Os testes realizados nos pri-
como base para a confecção de moldes. Neste mo- meiros protótipos e durante a confecção das peças
mento, já se vê a primeira interação do processo de resultaram em alterações formais, um aspecto mui-
projeto e a representação tridimensional com a ex- to comum na fase analítica de desenvolvimento do
perimentação de volumetrias. produto e na sua inter-relação com a produção de
modelos. Após as veriicações feitas a partir dos tes-
tes, são tomadas as decisões e deinidos os formatos
desejados.
144
DESIGN
Após todo esse processo e avaliado todo o estudo Tendo atendido ao objetivo das pesquisadoras de
até a sua consecução, as pesquisadoras julgaram ser testar técnicas de modelagem tridimensional que re-
viável a reprodução dos protótipos artesanais a par- sultam em objetos artesanalmente elaborados, mas
tir de técnicas mais “automatizadas”, pertinentes a que pudessem ser reproduzidos em maior escala, o
processos mais industriais, se levados em considera- estudo possibilitou, para nós, a análise processual, e
ção as deinições de processo produtivo adequado às também o entendimento da relevância da escolha da
técnicas, ao material, ao objetivo, ao custo e também técnica e do material adequado na deinição do pro-
o grau de desenvolvimento do projeto, cujas dimen- cesso de prototipagem necessário a nossos projetos
sões e formas já devem estar bem evoluídas. em especíico.
REFLITA
Atente-se aos aspectos interdisciplinares do conteúdo. Vimos um pouco sobre moda, restauro e meto-
dologias de projeto, conteúdos que poderão facilitar os seus trabalhos no futuro!
145
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
A casa de Dona Yayá foi modelada digitalmente com o reconhecimento do objeto, com estudos de estru-
o objetivo de esclarecer e tornar acessível ao público tura, revestimentos e ornamentos; na segunda, fo-
leigo aspectos ornamentais e técnicos da ediicação, ram feitos inventários dos materiais e dos elemen-
assim como auxiliar técnicos de preservação e de tos construtivos de cada fase da construção, além
restauro na reconstituição dessa ediicação dentro de decapagens das camadas de pintura, que foram
de suas diversas fases evolutivas. documentadas e analisadas em laboratório e, poste-
Neste sentido, a representação tridimensional riormente, subsidiaram a construção do modelo; na
apresenta-se como um meio de interação entre o terceira, sintetizou-se todos os dados, e com o auxí-
processo investigativo documental realizado por es- lio de sotwares, como AutoCad, CorelDraw e Adobe
pecialistas ao longo da década de 90, apresentados Photoshop, os dados foram homogeneizados; e na
de forma entendível pelos e para esses especialistas, quarta, a maquete eletrônica, com alta qualidade e
com plantas, ichas técnicas, inventários, ensaios e resolução gráica, foi desenvolvida com o auxílio de
fotos, e também com a fruição pública de leigos, fa- sotwares de modelagem de sólidos paramétricos,
zendo perceptível, de forma simples, as transforma- que representam a ediicação cuja reconstrução coe-
ções históricas ao longo do tempo. sa foi referenciada nos dados históricos e nas etapas
Para construção do modelo, o método consis- anteriores, as quais, na quinta e última etapa, conju-
tiu em cinco diferentes fases: na primeira foi feito gam todas as informações em uma única interface.
SAIBA MAIS
A modelagem virtual permite, em uma mesma interface, disponibilizar todos os dados disponíveis sobre
o objeto ao mesmo tempo e de forma sobreposta, tornando-se um aspecto atrativo na composição
histórica do restauro.
Fonte: a autora.
148
DESIGN
Figura 10 - Ambiente em duas fases decorativas diferentes. À esquerda, de 1888 a 1902, e à direita, de 1903 a 1919
Fonte: Tirello (2008).
149
MODELOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
Figura 11 - Maquete digital que apresenta as diferentes fases cronológicas da ediicação representada pela fachada
Fonte: Tirello (2008).
Figura 12 - Reconstrução arqueológica da ediicação anterior a 1888 e casa da Dona Yayá Fonte: Tirello (2008).
REFLITA
150
O que você achou das experiências compartilhadas? Elas lhe foram úteis? Acredito
que elas tenham tirado algumas dúvidas que sempre permearão a produção de mo-
delos tridimensionais, como: em qual escala fazer, com quais materiais e com qual
técnica, sejam eles físicos ou digitais.
Nos estudos de caso, pudemos perceber todos os aspectos conceituais estudados
até aqui, e ver como muito da prática da modelagem e da prototipagem é realizada
por tentativa e erro, porque é isto que os modelos, maquetes e protótipos permitem.
isto é, erros sem grandes danos.
Imagine, por exemplo, que diferentemente do primeiro estudo de caso, em que o
modelo da chaise foi exaustivamente estudado e reproduzido em diversos tamanhos
e materiais, assim que o projeto estivesse pronto, fosse enviado para a produção? O
que aconteceria? E se os técnicos de restauração da casa de Dona Yayá escolhessem
apenas uma das ornamentações das diferentes etapas cronológicas para reconstruir o
edifício? Ou se as designers das bolsas não tivessem gostado da textura na composi-
ção das bolsas? Notou? A prática da modelagem e da prototipagem favorece, e muito,
o processo projetual. Permite a exploração de ideias, materiais e técnicas, além de
gerar diferentes objetos sem causar grandes prejuízos, possibilitando até mesmo a
criação de novos conceitos a partir dos novos aspectos levantados.
A representação tridimensional envolve diferentes campos do conhecimento,
técnicas e expressões formais que, em geral, buscam transmitir o entendimento das
características espaciais, físicas e estéticas de um objeto, ou seja, comunicar as in-
tenções de quem o projetou. Foi esta dimensão que quisemos transmitir ao mostrar
essas pesquisas para você: a dimensão prática. Quisemos ser úteis ao expressar ana-
logias e exemplos, facilitando, assim, o entendimento global da prática, incentivando
você, aluno(a), a fazer uso dela em seu desenvolvimento projetual.
151
atividades de estudo
3. Visto que um projeto, desde a sua fase conceitual até a apresentação inal aos
clientes, permite a confecção de diversas tipologias de representação tridi-
mensional. Atente-se aos aspectos levados em conta nos três estudos de caso
apresentados anteriormente e leia as airmativas a seguir.
I. A modelagem virtual é sempre a melhor opção quando falamos em uma série
de aspectos sobrepostos. Como no caso do restauro, as etapas cronológicas
da ediicação permitem a sua visualização em um mesmo modelo.
II. A prototipagem rápida só é uma opção para quando o projeto encontra-se
inalizado, por exigir um detalhamento maior.
III. O uso de materiais inais no protótipo favorece a percepção de aspectos esté-
ticos, como textura e cor, porém, não é uma exigência.
IV. A prática da modelagem virtual é incompatível com a analógica, sempre deve-
mos escolher ou uma ou outra.
152
atividades de estudo
153
material complementar
Neste link, é possível visualizar o resultado do trabalho do CPC em conjunto com uma série de pesquisa-
dores e estudantes da USP.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=5VP-430z62I>.
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157
gabarito
1. B.
2. B.
3. E.
4. Ambas as técnicas permitem a percepção tridimensional do objeto, proporcio-
nando a análise de dimensão e da forma, além de testes quanto à viabilidade,
à ergonomia, aos aspectos conceituais e físicos, e também a comunicação en-
tre o projetista e o usuário.
5. A maquete física, neste caso, não possibilita a visualização das diferentes eta-
pas cronológicas do processo construtivo da ediicação.
158
DESIGN
conclusão geral
Caro(a) aluno(a), chegamos ao inal do nosso conteúdo, forma holística a utilização da representação tridi-
o que achou? Que tal analisarmos o que aprendemos ao mensional como ferramenta de projeto.
longo das nossas cinco unidades? Assim, saberemos se Espero que ao longo deste conteúdo, você tenha
você conseguiu ixar todos os conceitos repassados. entendido que, dentro do processo de trabalho de
Na Unidade I, conhecemos o que é a represen- criação de novos produtos, a representação tridi-
tação tridimensional, analisamos diferentes denomi- mensional está sempre presente. Os textos que com-
nações, modelos, maquetes, mock-ups e protótipos, puseram este material tinham como objetivo mo-
distinguindo-os em suas semelhanças e divergências. bilizar você, aluno(a), como futuro proissional do
Na Unidade II, buscamos entender um pouco mais o design, no interesse de aspectos ligados à manipu-
porquê da relevância deste método dentro do desen- lação de materiais, aos processos de fabricação e de
volvimento de produtos, estudando a sua importância atendimento de requisitos dos usuários, mostrando
e a sua aplicabilidade. Utilizamos da análise histórica que tudo isso tem conexão com o desenvolvimento
para denotar estes aspectos. Logo, na Unidade III, de modelos, maquetes e protótipos.
partimos para um reconhecimento mais prático do Mostramos que eles podem servir como um sis-
tema, identiicando técnicas e materiais que podem tema experimental para a exploração de ideias, como
ser usados na construção física e digital da represen- uma amostra das características e das propriedades
tação tridimensional. Na Unidade IV, conhecemos do produto inal, como teste para a análise estética e
dicas que podem ser úteis na execução da represen- funcional, como forma de comunicação e apresenta-
tação tridimensional física. Por im, na Unidade V, ção da proposta inal, ou seja, tem inúmeras inali-
vimos todos esses conceitos anteriores aplicados em dades. Desejo que o estudo deste livro colabore com
estudos de caso que, por sua vez, exempliicaram de a sua formação, caro(a) aluno(a)!
159