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Economia Processual

1) O documento discute o princípio da economia processual no Direito Processual Civil português. 2) Este princípio visa obter o máximo resultado processual com a menor economia de meios possível, decidindo sobre o maior número de pedidos num mesmo processo. 3) Isto inclui litisconsórcio inicial, coligação, cumulação de pedidos, reconvenção e ampliação do pedido ou causa de pedir.

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Economia Processual

1) O documento discute o princípio da economia processual no Direito Processual Civil português. 2) Este princípio visa obter o máximo resultado processual com a menor economia de meios possível, decidindo sobre o maior número de pedidos num mesmo processo. 3) Isto inclui litisconsórcio inicial, coligação, cumulação de pedidos, reconvenção e ampliação do pedido ou causa de pedir.

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Princípios gerais de Direito Processual Civil

Princípio da economia processual

Trabalho realizado por:


Márcia Filipa Ferreira Loureiro, nº 17135, 2.º Sol.
Susana Alexandra Marques Alves, nº 17349, 2.º Sol.
Índice:
1. Introdução; ................................................................................................................ 1

2. Acórdão TRL 17/06/2014.......................................................................................... 2

3. Princípio da economia processual - noção ................................................................. 3

3.1 - Economia de processos;.................................................................................... 3

3.1.1 – Litisconsórcio Inicial;............................................................................. 3

3.1.2 – Coligação; .............................................................................................. 4

3.1.3 – Cumulação de pedidos e pedido subsidiário............................................ 5

3.1.4 - Reconvenção .......................................................................................... 6

3.1.5 – Alteração e ampliação tanto do pedido como da causa de pedir .............. 7

3.1.6 – Incidentes de intervenção de terceiros .................................................... 7

3.2 - Economia de atos e formalidades;..................................................................... 8

4. Conclusão; ................................................................................................................ 9
1 - Introdução:

O Direito Processual Civil (DPC) é um ramo de direito público relativamente recente e que possui
na sua base um conjunto de normas e princípios que disciplinam o processo civil.

São exemplos de princípios gerais que orientam este ramo de direito: princípio do dispositivo,
princípio do contraditório, princípio do inquisitório, princípio da cooperação, princípio da economia
processual, entre outros.

Assim, no âmbito da unidade curricular de Direito Processual Civil I, pretende-se com a


elaboração deste trabalho a exploração e melhor compreensão de um desses princípios gerais. Tal
será realizado através do recurso a um acórdão previamente designado sendo que, no nosso caso, o
princípio que nos foi atribuído foi o da economia processual.

É de elevada importância referir o facto de que no ordenamento jurídico português vigora o


princípio do acesso ao Direito e à tutela jurisdicional efetiva previsto constitucionalmente no artigo
20.º da CRP, encontrando-se plasmado igualmente no artigo 2.º do CPC, cuja materialização se dá
essencialmente através da existência do direito de ação e do direito de defesa.

À luz deste princípio impõe-se que seja possibilitado a todos os cidadãos o recurso aos tribunais
para fazerem valer os seus direitos e interesses legalmente protegidos através de um processo
equitativo cujo fim último será a obtenção, dentro de um prazo razoável, de uma decisão judicial que
aprecie com força de caso julgado a pretensão deduzida em juízo e garanta a efetiva tutela e exercício
desses direitos e interesses.

O princípio geral de direito processual civil em estudo surge muito de acordo com este princípio
constitucional: uma economicidade de meios e formalidades que favoreça a celeridade e a justa
composição do litígio de maneira a que, no final, o juiz se encontre em condições de se pronunciar e
proferir uma decisão através da qual julgue o mérito da causa, devendo esta decisão ter lugar num
prazo razoável, podendo num mesmo processo resolver várias pretensões harmonizáveis.

Constitui um princípio que orienta os atos processuais numa tentativa de assegurar a tutela
jurisdicional dos direitos dos cidadãos, tendo em vista uma produção eficiente de resultados com o
mínimo de “esforço” necessário, ou seja, de forma a evitar perdas de tempo e dinheiro injustificadas
e a possibilitar o descongestionamento da “máquina judiciária”.

1
2– Acórdão TRL 17/06/2014

O acórdão citado é relativo a uma ação de condenação que segue a forma de processo
comum, onde o autor pretende a condenação da ré no pagamento de despesas inerentes a
um imóvel adquirido em regime de compropriedade.

O aludido imóvel foi comprado por ambos enquanto solteiros e em partes iguais,
vindo os sujeitos num momento ulterior a contrair matrimónio e, posteriormente, a
oficializar-se o divórcio.

Neste seguimento, o autor pretende exigir judicialmente da ré o pagamento de metade


das despesas inerentes a esse imóvel comum, com base no artigo 1405.º CC e derivado
do facto de que, tal como se refere no citado acórdão, “As relações jurídicas que se
estabelecem entre comproprietários inerentes ao cumprimento dos encargos devidos
pela, ou por causa, da coisa comum, são de natureza meramente obrigacional, por
conseguinte se um deles cumpre na totalidade a obrigação comum, fica detentor de um
direito de crédito sobre o consorte na medida da contribuição deste, que pode exercer
em juízo através dos meios processuais comuns”.

Decorre da enunciação dos factos que a ré se apropriou de metade dos bens móveis
pertencentes à coisa comum sem autorização, já não os tendo na sua posse impedindo que
se faça a venda ou divisão dos mesmos. Para além de peticionar a metade do valor
referente ao imóvel comum (no qual se inclui a quota-parte do valor respeitante à
aquisição dos referidos móveis indevidamente apropriados), o autor pretendia que lhe
fosse igualmente reconhecido a existência de um direito de crédito sobre a ré alusivo ao
valor que lhe competia na sua quota-parte dos móveis.

A causa foi julgada parcialmente procedente em primeira instância, tendo sido


considerado no cômputo total de indemnização a pagar ao autor pela ré, metade do valor
respetivo à aquisição dos bens móveis entre outras despesas, não tendo sido procedente o
pedido do direito de crédito relativo à sua quota-parte no valor dos mesmos.

A decisão proferida não foi de acordo com os interesses nem do autor, nem da ré
tendo, portanto, ambos recorrido da mesma.

Na sua apelação o autor invoca, entre outros factos, a violação do princípio da


economia processual que se retira do artigo 6.º CPC, em consequência de não lhe ter sido
reconhecido o direito de crédito por ele peticionado. Considera que o mesmo seria

2
possível, em sede de economia processual, para que se evitasse propor uma ação em
separado com vista à obtenção do mesmo resultado pretendido. No entanto, o Tribunal da
Relação de Lisboa não lhe dá razão julgando a causa como improcedente nessa matéria.

Para melhor se compreender a questão levantada pelo autor no que concerne à


violação do princípio da economia processual, é crucial fazer-se uma sucinta e
esclarecedora abordagem aos principais traços e manifestações que caracterizam o
mesmo.

3 – Princípio da economia processual – Noção:

O princípio da economia processual é o principio à luz do qual se deve obter o


máximo resultado processual através da maior economia de meios possível, ou seja, tal
implica que em cada processo se decida o maior número de pretensões possível e que se
utilizem somente os atos e formalidades estritamente necessários para a justa composição
da lide.

Neste sentido, este princípio comporta duas dimensões distintas que devem ser tidas
em especial consideração: por um lado uma economia de processos e, por outro, uma
economia de atos e formalidades.

3.1 – Economia de Processos:

Esta dimensão traduz a ideia de que, tal como referido, se possa num mesmo processo
decidir-se sobre o maior número de pedidos possível. Possui várias manifestações de
relevante interesse jurídico que irão ser analisadas separadamente, tal como o
litisconsórcio inicial (artigos 32.º e ss. CPC), coligação (artigos 36.º e ss. CPC),
cumulação de pedidos e pedido subsidiário (artigos 554.º e 555.º CPC), reconvenção
(artigo 266.º e 583.º CPC), ampliação tanto do pedido como da causa de pedir (artigo
264.º e 265.º CPC) e os incidentes de intervenção de terceiros (artigo 311.º e ss. CPC).

3.1.1– Litisconsórcio Inicial:

O litisconsórcio consiste na existência de apenas uma única relação material


controvertida que possui uma pluralidade de partes, podendo este ser necessário ou
voluntário.

No litisconsórcio necessário (artigo 33.º CPC) existe uma pluralidade de partes


obrigatória, podendo esta ser:

3
▪ imposta por lei (litisconsórcio necessário legal) - como é exemplo o artigo 34.º
CPC onde se estabelece a necessidade de serem propostas contra ou por ambos os
cônjuges ações que impliquem perda ou oneração de bens que só por ambos podem
ser alienados ou direitos que só pelos dois podem ser exercidos, e ainda as ações
que versem sobre a casa de morada de família;

▪ resultante de negócio jurídico (litisconsórcio convencional);

▪ que provenha da própria natureza da relação jurídica, onde a pluralidade é


necessária para que se possa produzir o efeito útil normal da decisão (litisconsórcio
natural) - como é exemplo as ações especiais de divisão de coisa comum.

No caso de o litisconsórcio ser voluntário, a pluralidade das partes resulta da vontade


do interessado, ou seja, a relação material controvertida possui vários sujeitos do lado
ativo e/ou passivo, mas era exequível propor a ação sem que todos eles figurassem como
parte na causa. No entanto, se a ação for proposta por ou contra apenas um dos
interessados, a sua possível procedência ou improcedência implica que o tribunal conheça
apenas a “respetiva quota-parte do interesse ou da responsabilidade” 1.

3.1.2 – Coligação:

A coligação é, conjuntamente com o litisconsórcio, uma forma de pluralidade de


partes. Porém, esta distingue-se do último na medida em que na coligação, para além de
haver uma pluralidade de sujeitos, existe também uma pluralidade de relações materiais
controvertidas.

Em sede de economia processual pretende-se que um mesmo processo resolva o


maior número de pretensões possível, porém isso não pode acontecer sem ter atenção a
todos os fatores e interesses em jogo. Neste sentido, apesar da coligação ter um carácter
voluntário, este instituto processual possui dois tipos de requisitos que devem estar
preenchidos para que seja admitido: requisitos objetivos, que implicam um elemento de
conexão entre as várias pretensões, presentes no artigo 36. º CPC; e requisitos de cariz
processual, elencados no artigo 37. º CPC.

Assim, para que exista coligação é preciso que, nos termos do artigo 36. º CPC, exista
compatibilidade entre os vários pedidos (artigo 555 n. º 1 CPC) e que se verifique algum

1
Art.º 32 n.º 1 CPC.

4
dos elementos de conexão ai elencados: identidade da causa de pedir; relação de
prejudicialidade ou de dependência entre pedidos; dependência dos pedidos principais
por resultarem ou da apreciação dos mesmos factos, ou da interpretação e aplicação das
mesmas normas jurídicas, ou da interpretação e aplicação de cláusulas de contratos
perfeitamente análogas.

No âmbito dos requisitos processuais, tal como diz Paulo Pimenta, “tem de ser
satisfeito o requisito da identidade de forma do processo (aos vários pedidos formulados
deve corresponder a mesma forma) e o da identidade do juízo competente (o tribunal
deve ter competência internacional, material e hierárquica para apreciar os diferentes
pedidos).”2. No entanto, o legislador foi nesta questão um pouco flexível, dado que o
artigo 37 n. º 2 CPC admite a possibilidade de existir coligação mesmo nos casos em que
não se verifique a identidade de forma do processo, desde que a tramitação não seja
totalmente incompatível e se considere que existe um interesse manifestamente relevante
ou indispensável na apreciação conjunta dos pedidos. Por outro lado, admite-se ainda que
apesar de preenchidos os requisitos da coligação possa o juiz afastar a mesma através de
despacho fundamentado (artigo 37 n. º 4 CPC).

3.1.3 - Cumulação de pedidos e pedido subsidiário

A cumulação de pedidos nada mais é do que a faculdade atribuída ao autor de poder


deduzir, num só processo, vários pedidos contra o mesmo réu. É o que acontece
nomeadamente nas ações em que o autor pede a declaração do seu direito de propriedade
sobre uma determinada coisa e, simultaneamente, pede a entrega da mesma.

A sua admissibilidade depende não só da existência de compatibilidade dos pedidos


entre si, mas também da não verificação das circunstâncias que impedem a coligação, ou
seja, é necessário que se apurem pelo menos um dos elementos de conexão do artigo 36.º
já enunciados anteriormente. Não obstante, é igualmente indispensável que os vários
pedidos sigam a mesma forma de processo e que se respeite a competência absoluta do
tribunal. (Artigo 37.º CPC).

O autor poderá ainda deduzir um pedido subsidiário nos termos do artigo 554.º CPC,
ou seja, um pedido alternativo para que na eventualidade do seu pedido principal não
proceder, este seja tido em conta (554 n. º1 CPC).

2
Paulo Pimenta, “Processo Civil Declarativo”, 1ª Edição, 2014, página 84.

5
3.1.4 - Reconvenção:

O regime da reconvenção encontra-se expressamente previsto no artigo 266.º CPC


e, nos termos do n.º 1 do referido artigo, esta consiste num pedido formulado pelo réu
contra o autor.

Porém, para que seja aceitável existir reconvenção é imprescindível que se verifique
algum dos casos previstos no n.º2 do mesmo artigo dado que “A reconvenção, consistindo
num pedido deduzido em sentido inverso ao formulado pelo autor, constitui uma contra-
acção que se cruza com a proposta pelo autor (que, no seu âmbito, é réu, enquanto o réu
nela toma a posição de autor— respetivamente, reconvindo e reconvinte). Não sendo
razoável admiti-la independentemente de qualquer conexão com a ação inicial, o n.º 2
estabelece os fatores de conexão entre o objeto da ação e o da reconvenção que tomam
esta admissível.”3. Assim, é possível deduzir o pedido reconvencional quando:

a) o pedido efetuado pelo réu emerge do mesmo facto jurídico que serve de
fundamento à ação ou à defesa, como por exemplo nos casos em que é instaurada ação
onde se pretende a condenação do réu no pagamento do preço estipulado no contrato de
compra e venda, vindo o réu deduzir pedido reconvencional para que o autor seja
igualmente condenado a proceder à entrega da coisa;

b) o réu pretende tornar efetivo o direito a benfeitorias/despesas relativas à coisa cuja


entrega lhe é pedida, sendo exemplo disso o artigo 1273.º Código Civil;

c) o réu pretenda o reconhecimento da existência de um crédito, seja ele para obter a


compensação ou o pagamento do valor em que o mesmo excede o do autor;

d) o pedido do réu tende a obter, para seu benefício, o mesmo efeito jurídico que o
autor pretende alcançar, como acontece nas ações de reivindicação onde o réu pode, a
título de exemplo, deduzir pedido reconvencional com fundamento em usucapião.

Para além de ter de se verificar um destes elementos de conexão, é ainda necessário


que ao pedido do réu não corresponda uma forma de processo diferente da correspondente
ao pedido do autor.

3.1.5 - Ampliação e alteração tanto do pedido como da causa de pedir

3
José Lebre de Freitas e Isabel Alexandre, CPC Anotado, 4ªed., Vol. I, 2018, pág. 531

6
O CPC possibilita, nos seus artigos 264.º e 265.º, que na pendência de uma causa se
proceda a modificações ao pedido e à causa de pedir.

O pedido pode ser ampliado mediante acordo das partes (264.ºCPC) ou


unilateralmente se derivar do pedido primitivo. A sua alteração é permitida, podendo
traduzir-se na sua modificação ou transformação, quando em vez do pedido inicial se
deduz um outro que vai eliminar o primeiro.

Em relação à causa de pedir, também é exequível que esta se modifique por alteração
ou ampliação mediante acordo das partes e, nos casos em que isso não aconteça, quando
resulte de confissão por parte do réu aceite pelo autor (artigo 265 n. º 1 CPC).

Para finalizar, o CPC prevê que, tal como refere José Lebre de Freitas, “Em
conformidade com o princípio da economia processual, o pedido e a causa de pedir
passaram a poder ser modificados simultaneamente, por ampliação ou alteração – no
novo código, porém, com as enormes limitações referidas -, desde que tal não implique
convolação para relação jurídica diversa da controvertida (art. 265-6)”4.

3.1.6 – Incidentes de intervenção de terceiros

No direito processual civil português vigora o princípio da estabilidade da instância


à luz do qual esta se deve manter estável após a citação do réu. Porém, existem causas
que podem afetar esta estabilidade. É neste campo que surgem os incidentes processuais
que, segundo Salvador da Costa, são uma “ocorrência extraordinária, acidental,
estranha, surgida no desenvolvimento normal da relação jurídica processual”.5

Dentro dos incidentes da instância e, tendo em conta o princípio da economia


processual, sobressaem os incidentes de intervenção de terceiros que visam proporcionar
a entrada de sujeitos novos na ação para nela figurarem como partes. Esta intervenção
pode ser de três tipos distintos: intervenção principal, intervenção acessória e oposição.

Consoante a modalidade, diverge também a posição que esses sujeitos vão ocupar no
processo em causa.

4
José Lebre de Freitas, Introdução ao Processo Civil, 3ª Edição, 2013, página 212.

5
Salvador da Costa, “Os incidentes da instância”, 7.ª Edição, 2014, página 8

7
A intervenção principal, cujo regime se encontra nos artigos 311.º e ss., implica que
o terceiro assuma a posição de autor ou de réu juntamente com o autor/réu primitivo.

Já na intervenção acessória (artigos 321. º e ss.), tal como o nome indica, o terceiro
intervém na qualidade de parte acessória e irá auxiliar uma das partes no processo sem
que lhe seja permitido tomar posição contrária à adotada por essa mesma parte.

Por fim, a oposição (artigos 333. º e ss.) acarreta para o terceiro a assunção de uma
terceira posição no processo, ficando assim como parte principal, mas independente das
partes com as quais se constituiu inicialmente a ação. Este tipo de intervenção tem como
principal objetivo permitir que o terceiro faça valer um direito próprio.

Do ponto de vista da iniciativa, qualquer um dos incidentes de intervenção de


terceiros pode surgir por impulso do próprio terceiro, designando-se por intervenção ou
oposição espontânea, ou então por iniciativa de uma das partes primitivas da causa,
designando-se neste caso por intervenção ou oposição provocada.

2.2- Economia de atos e formalidades:

No domínio da segunda dimensão do princípio da economia processual o que está


em causa é a adequação da tramitação do processo às especificidades da causa, a proibição
da prática de atos inúteis e uma simplificação de todas as formalidades.

Encontra-se indubitavelmente relacionado com o princípio da adequação formal do


artigo 547.º CPC, aplicável aos institutos referidos anteriormente em que, não obstante à
incompatibilidade que existe por imposição legal quando estejam em causa formas de
processo divergentes, é ainda possível admitir-se cumulação de pedidos e coligação (por
exemplo), sempre que a tramitação não seja totalmente incompatível e quando haja
interesse manifestamente relevante ou indispensável na apreciação conjunta dos pedidos
para que seja viável uma justa composição do litígio, devendo o juiz autorizar as mesmas
e proceder à respetiva adequação formal.

Há igualmente uma proibição de prática de atos inúteis, ou seja, de atos que


apenas iriam complicar o processo, não permitindo que este corresse nos termos de
celeridade esperados (artigo 130.º CPC). O legislador fez corresponder à violação desta
interdição uma consequência especialmente gravosa: responsabilidade por litigância de
má fé (artigo 542 n. º2 alínea d).

8
Por fim, em sede de simplificação de formalidades é exigido que “sempre que lei
especial não determine as formalidades a praticar, deve ser a que, nos termos mais
simples, melhor corresponda ao fim que visam atingir (art. 131-1), sem prejuízo da
clareza do seu conteúdo e da garantia da sua genuinidade (art. 131, n. os 3 e 4)”6.

4 - Conclusão:

Ao analisar o presente acórdão torna-se evidente qual a questão levantada no


mesmo e a posição adotada pelo juiz da 1ª instância e, posteriormente, pelo Tribunal da
Relação de Lisboa.

O autor pretendia fazer uma cumulação de pedidos, juntando ao seu pedido


principal (ressarcimento de metade das despesas inerentes ao bem imóvel comum) um
outro pedido que corresponderia à divisão dos bens móveis comuns, mas sendo que esta
divisão já não era exequível em consequência da ré se ter apoderado dos mesmos e de já
não os ter na sua posse, peticionava o autor o valor correspondente à sua quota-parte (não
deixando por isso de se configurar numa ação de divisão de coisa comum).

Ora, efetivamente o princípio da economia processual permite que seja possível


proceder-se a uma cumulação de pedidos nos termos do artigo 555.º CPC. Não obstante,
para que tal seja admissível é preciso que se encontrem preenchidos os pressupostos
impostos pelo n. º 1 do citado artigo: compatibilidade dos pedidos em causa e a não
verificação das circunstâncias que impedem a coligação.

Como referido anteriormente, a coligação tem o seu regime nos artigos 36. º e ss.,
constando do artigo 36. º e 37. º os seus requisitos de admissibilidade e, entre eles, exige-
se que os pedidos em causa digam ambos respeito a ações que seguem a mesma forma de
processo.

Não obstante a esta divergência, o juiz pode permitir a cumulação e a coligação,


desde que a tramitação do processo não seja totalmente incompatível e se se considerar
que “nela haja interesse relevante ou quando a apreciação conjunta das pretensões seja
indispensável para a justa composição do litígio.”7. No caso de o juiz permitir a
economia de processos apesar de os pedidos corresponderem a formas de processo
divergentes, deve o mesmo proceder à adequação formal da lide, em cumprimento do

6
José Lebre de Freitas, Introdução ao Processo Civil, 3ªEdição, 2013, página 223.
7
Artigo 37. º n. º 2 CPC.

9
disposto nos artigos 37 n. º 3 CPC e 547. º CPC, para que não se deixe de proporcionar
aos particulares um processo equitativo.

Tendo em conta o caso em apreço, artigo 1413. º do Código Civil determina que
a divisão de bens comuns pode ser feita quer por via extrajudicial, quer por via judicial.
No caso de as partes não conseguirem resolver o conflito de forma amigável e
necessitarem de socorrer-se dos tribunais para obterem essa divisão, a ação seguirá a
tramitação estabelecida na lei processual.

Sendo a ação de divisão de coisa comum uma ação expressamente regulada no


Livro V do CPC (denominado de “Dos processos especiais”) segue, pois, a forma de
processo especial. Verifica-se, portanto, uma incompatibilidade formal entre ambos os
pedidos na medida em que ao pedido inicial peticionado pelo autor corresponde a forma
de processo comum, enquanto que ao pedido que o mesmo pretende cumular na ação
corresponde uma forma de processo especial. Neste seguimento, encontra-se verificada
a falta de uma das condições exigida pelo artigo 37 º CPC para que seja possível existir
coligação e, consequentemente, encontra-se também interdita a possibilidade de se fazer
cumulação de pedidos, nos termos do artigo 555 n. º 1 CPC.

O princípio da economia processual, que pode ser incluso no artigo 6. º do CPC


invocado pelo autor, tem como finalidade última evitar que haja um elevado número de
pedidos a ser apreciados separadamente em juízo quando poderiam estar aglutinados no
mesmo processo, porém não é um princípio absoluto admitindo limitações para que não
se gere um caos processual.

Assim, este princípio não pode ser utilizado arbitrariamente e de forma a que se
violem normas vigentes, sejam elas de natureza processual ou substantiva. Deste modo,
a lei regula expressamente qual a tramitação a ser seguida para se proceder à divisão dos
bens móveis comuns e, como tal, têm de ser atendidas essas normas.

Concluindo, a improcedência da apelação feita pelo autor foi de acordo a tudo o


que acabou de ser exposto e, portanto, o resultado não poderia ter sido outro que não este
dado que não se encontravam cumpridas as exigências impostas por lei para se poder
proceder a uma cumulação de pedidos.

10
Bibliografia:

1 - Paulo Pimenta, Processo Civil Declarativo, 1ª edição, Edições Almedina, SA.


(2014)

2 - José Lebre de Freitas, Introdução ao Processo Civil, 3ª Edição, Coimbra Editora,


S.A. (2013)

3 - Fernando Pereira Rodrigues, O novo processo civil: Os princípios estruturantes,


Edições Almedina, SA. (2013)

4 - José Lebre de Freitas e Isabel Alexandre, CPC Anotado, 4ªedicao, Vol. I, (2018)

5 - Salvador da Costa (2014), Os incidentes da instância, 7.ª Edição, 2014

6 - Lei n. º 41/2013 de 26 de junho. (CPC)

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