GUIA DE AVALIAÇÃO
AUDITIVA INFANTIL
INOAUDIO
INOAUDIO – INTENSIVO
ONLINE DE AUDIOLOGIA
O INOAUDIO é o Intensivo Online de Audiologia e
teve início no começo de 2020, logo com a
pandemia. O intuito do projeto sempre foi trazer
informações de qualidade e promover discussões
atualizadas sobre temas de Audiologia que geram
dúvidas em muitos alunos e profissionais!
O INOAUDIO sempre foi 100% online, para que
assim fonoaudiólogos do Brasil – e do mundo -
possam participar junto com a gente!
A partir das nossas lives com convidados no
Instagram e dos webinars gravados nasceram dois
cursos: “Avaliação audiológica: a audição da
criança” e “Avaliação audiológica: a audição do
adulto” em que abordamos desde a anamnese até
exames básicos e avançados na Audiologia,
sempre de forma objetiva, clara e baseada em
evidências.
Nosso foco é que nossos alunos entendam
e realizem todo o processo de avaliação e
diagnóstico audiológico sempre baseados
no raciocínio clínico audiológico, pois é ele
que vai nortear todo o entendimento dos
exames e condutas do caso.
E agora, convidamos você para
participar de mais um
EVENTO INOAUDIO!
INOAUDIO TOUR: decole no raciocínio
clínico audiológico!
Carimbe o seu passaporte no evento e
venha fazer um tour pela Audiologia com a
gente. Teremos lives, webinars, novidades
e professores convidados. Tudo online e
gratuito!
Nos acompanhe no Instagram:
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Direitos autorais:
Este ebook foi organizado por Natália Fernandes
Estima, fonoaudióloga, CRFa 7-10067.
É vedado a comercialização ou a cópia deste e-
book protegido por Direitos Autorais.
Realizar o diagnóstico audiológico infantil é
algo sério e que exige grande habilidade dos
profissionais que vão avaliar a criança.
Tanto o profissional que vai fazer a avaliação
comportamental, como o profissional que
vai realizar os exames objetivos e
eletrofisiológicos precisam estar
familiarizados com as técnicas necessárias
para conseguir resultados os mais
fidedignos possíveis.
Na prática clínica nos deparamos com
crianças de diferentes idades: de
recém-nascidos a bebês e crianças
maiores.
Por isso, precisamos estar preparados
com boas ferramentas para avaliarmos
a audição dessas crianças!
Inoaudio
O princípio que rege qualquer diagnóstico
audiológico infantil é o
PRINCÍPIO DO CROSS-CHECK.
Você conhece esse princípio?
Para Hall (2016), nenhum resultado de teste
auditivo deve ser aceito e usado no diagnóstico
de perda auditiva até que seja confirmado ou
verificado por um ou mais medidas.
Por isso, ao realizarmos o diagnóstico
audiológico, precisamos da combinação de
exames, que vão depender da idade da criança,
queixa principal e histórico audiológico.
Vou te mostrar alguns exemplos de
cross-check:
Criança de 4 anos com atraso na fala:
audiometria lúdica + imitanciometria
(timpanometria e reflexos acústicos
contralaterais).
Bebê de 8 meses de idade que falhou no teste
da orelhinha e que os pais só conseguiram fazer
nova avaliação aos 8 meses, sem risco para
deficiência auditiva: audiometria de reforço
visual, imitanciometria, emissões otoacústicas
e PEATE-click.
Bebê de 3 meses de idade que falhou no teste
da orelhinha, sem risco para deficiência
auditiva: PEATE frequência específica,
emissões otoacústicas, imitanciometria e
avaliação do comportamento auditivo.
É IMPORTANTE salientar que não existe
uma regra ou um padrão de cross-check
para todas as crianças. A escolha dos
exames a serem feitos vai VARIAR
conforme o caso. Por isso você precisa
conhecer e dominar os princípios e técnicas
de cada exame para saber INTERPRETAR e
CONDUZIR melhor os casos no seu
consultório.
Neste guia vou te mostrar os exames que
podem te ajudar no diagnóstico
audiológico das crianças:
Audiometria comportamental lúdica
por via aérea e via óssea
Audiometria comportamental com
reforço visual por via aérea e via
óssea
Avaliação do comportamento
auditivo
Emissões otoacústicas transientes e
produto de distorção
Timpanometria com sonda de
226Hz e 1000Hz
Pesquisa dos reflexos acústicos
PEATE- protocolo neurológico por
via aérea e via óssea
PEATE- frequência específica por
via aérea e via óssea
PEAEE- potencial evocado auditivo
de estado estável por via aérea e via
óssea
UFA! Bastante coisa, não é
mesmo?
Mas nós vamos te ajudar:
Você precisa ter em mente como
funciona a via auditiva para conseguir
solicitar, realizar e interpretar cada
exame que descrevi anteriormente.
Cada um vai avaliar uma parte da via
auditiva, sendo que o exame mais
completo é a nossa querida
AUDIOMETRIA TONAL, que pode sim ser
realizada em crianças!
A audiometria tonal pode ser feita por via
aérea e por via óssea em crianças a partir
dos 6 meses de idade, sendo considerado o
exame padrão ouro (JCIH, 2019) para o
diagnóstico audiológico de crianças a partir
dessa idade.
Para fazer a audiometria temos duas
técnicas:
Audiometria reforço visual
Realizada a partir dos 6 meses de idade até
aproximadamente 2 anos de idade
Audiometria lúdica
Realizada a partir dos 2, 3 anos de idade, vai
depender de cada criança!
Em ambas as técnicas é importante
que:
Sejam avaliadas as orelhas direita e
esquerda, separadamente.
Sejam avaliadas as frequências de
500, 1000, 2000 e 4000Hz.
As emissões otoacústicas tem o objetivo de
avaliar a FUNÇÃO DAS CÉLULAS CILIADAS
EXTERNAS DA CÓCLEA e podem ser
realizadas em crianças de qualquer faixa
etária.
Podem ser realizadas as emissões
otoacústicas transientes e produto de
distorção.
E lembre-se: a avaliação pelas emissões
otoacústicas não é suficiente para determinar
os limiares auditivos e não deve ser utilizada
isoladamente para determinar a regulagem
de aparelhos auditivos (JHIC, 2019).
A timpanometria tem o objetivo de avaliar a
mobilidade do sistema tímpano-ossicular e,
de fato, é um dos exames mais realizados
durante o diagnóstico audiológico junto com a
audiometria!
A timpanometria deve ser feita com sonda de
1000Hz naqueles bebês de até 9 meses de
idade (JCIH, 2019) e com sonda de 226Hz para
os maiores. Além disso, a interpretação
cuidadosa de cada informação que a
timpanometria oferece faz parte da
interpretação correta do exame!
No exemplo abaixo vemos uma curva
timpanométrica do tipo A com sonda de
226Hz.
Referência: acervo próprio
O reflexo do músculo do estapédio (reflexo
acústico) é definido como uma contração
involuntária dos músculos da orelha média em
resposta a um estímulo sonoro e a sua pesquisa
pode ser efetuada de forma ipsilateral ou
contralateral à orelha avaliada (Amaral, 2008).
Quando avaliamos o reflexo acústico
contralateral estamos avaliando o arco reflexo, a
aferência (pelo VIII par craniano) e a aferência
(pelo VII par craniano).
Na foto abaixo temos o exemplo de um reflexo
acústico contralateral presente na frequência de
100Hz a 95dB.
Referência: acervo próprio
O PEATE é um exame que vai nos dizer
como está a integridade da via auditiva do
nosso paciente. Pode ser realizado desde
recém-nascido até crianças maiores.
No PEATE nós vamos em busca das ondas I,
III e V, bem como dos seus intervalos
interpicos I-III, III-V e I-V para assim
conhecer e analisar a via auditiva no nível
do tronco encefálico do nosso paciente.
Importante!!
O limiar do PEATE com estímulo click NÃO
DEVE ser utilizado para determinar o limiar
auditivo do paciente e principalmente para
a adaptação de aparelhos auditivos.
Exemplo do PEATE realizado em uma
criança:
Referência: acervo próprio
Para determinar o limiar auditivo estimado do
nosso paciente por teste eletrofisiológico nós
precisamos do PEATE-FE ou então do PEAEE.
Ambos os exames vão avaliar as frequências de
500, 1000, 2000 e 4000Hz, sendo que para
interpretarmos os resultados do PEATE-FE
dependemos exclusivamente do profissional
que está fazendo o exame, pois apesar de ser
um exame objetivo ele depende muito da
análise e do “olho” do profissional que faz o
exame.
Já o PEAEE possui uma análise automática das
respostas e não depende exclusivamente do
avaliador para realizar a marcação das
respostas.
Mas esses dois exames têm a mesma
indicação?
No geral o PEATE-FE é mais indicado
para avaliarmos os limiares auditivos
estimados de perdas auditivas até
cerca de 80dBNA. Isso porque o
equipamento tem um limite máximo
de intensidade e por isso não
conseguimos pesquisar intensidades
mais altas.
Já o PEAEE possui um limite maior de
intensidade e por isso é mais utilizado
para avaliarmos o resíduo auditivo
naqueles casos em que não temos
respostas com o PEATE-FE.
Independentemente do exame eletrofisiológico
a ser realizado garanta as condições IDEAIS em
que ele está sendo feito.
Uma das condições ideais imprescindíveis para a
realização desses exames eletrofisiológicos é
que a criança esteja DORMINDO durante TODO o
exame. Qualquer movimentação ocular pode
gerar artefatos e contaminar as respostas que
estamos procurando.
O exame em sono natural é recomendado pelo
JHIC (2019) para aquelas crianças que
conseguem dormir durante o exame ou então
sob sedação para aquelas que não dormem
durante o exame; jamais acordados!
Espero que este guia de avaliação infantil tenha te
ajudado a esclarecer dúvidas sobre o mundo da
Audiologia infantil e do diagnóstico audiológico!
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Referências bibliográficas:
Amaral IEBR, Carvallo RMM. Limiar e latência do
reflexo acústico sob efeito de estimulação
contralateral. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2008;13(1):1-
6.
Northern JL, Gabbard AS, Kinder DL. O Reflexo
Acústico. In: KATZ, J. Tratado de audiologia clínica. 3.
Ed. Manole; 1989. Cap. 24, 483-503.
American Academy of Audiology. Clinical Guidance
Document. Assessment of Hearing in Infants and
Young Children January 23, 2020.
JHIC. Year 2019 Position Statement: Principles and
Guidelines for Early. Hearing Detection and
Intervention [Link] Journal of Early Hearing
Detection and Intervention 2019; 4(2).