E Recebereis Poder (1999)
Ellen G. White
1955
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Ellen G. White (1827-1915) é considerada como a autora Americana mais
traduzida, tendo sido as suas publicações traduzidas para mais de 160 línguas.
Escreveu mais de 100.000 páginas numa vasta variedade de tópicos práticos e
espirituais. Guiada pelo Espírito Santo, exaltou Jesus e guiou-se pelas Escrituras
como base da fé.
Uma Breve Biografia de Ellen G. White
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enquanto lê.
i
ii
Janeiro — A vinda do Espírito Santo
A promessa do Espírito, 1 de Janeiro
E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja
para sempre convosco. João 14:16.
Quando Cristo fez a Seus discípulos a promessa do Espírito, estava Ele Se
aproximando do fim de Seu ministério terrestre. Estava à sombra da cruz, com plena
consciência do peso da culpa que havia de repousar sobre Ele como o portador do
pecado. Antes de Se oferecer como a vítima sacrifical, instruiu Seus discípulos com
respeito a um muito essencial e completo dom que ia conceder a Seus seguidores
— o dom que haveria de pôr-lhes ao alcance os ilimitados recursos de Sua graça.
“Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco
para sempre; o Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não
O vê, nem O conhece: mas vós O conheceis, porque habita convosco, e estará em
vós.” João 14:16, 17. O Salvador estava apontando para o futuro, ao tempo em que
o Espírito Santo deveria vir para fazer uma poderosa obra como Seu representante.
O mal que se vinha acumulando por séculos, devia ser resistido pelo divino poder
do Espírito Santo. ...
A promessa do Espírito Santo não é limitada a algum século ou raça. Cristo
declarou que a divina influência do Espírito deveria estar com Seus seguidores
até o fim. Desde o dia do Pentecoste até ao presente, o Confortador tem sido
enviado a todos os que se rendem inteiramente ao Senhor e a Seu serviço. A
todos os que aceitam a Cristo como Salvador pessoal, o Espírito Santo vem como
consolador, santificador, guia e testemunha. Quanto mais intimamente os crentes
andam com Deus, tanto mais clara e poderosamente testificam do amor do Redentor
e da Sua graça salvadora. Os homens e mulheres que através dos longos séculos
de perseguição e prova desfrutaram, em larga escala, a presença do Espírito em
sua vida, permaneceram como sinais e maravilhas no mundo. Revelaram, diante
dos anjos e dos homens, o transformador poder do amor que redime. — Atos dos
[9] Apóstolos, 47-49.
4
O Consolador, 2 de Fevereiro
Quando vier, porém, o Espírito da verdade, Ele vos guiará a toda a verdade;
porque não falará por Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos
anunciará as coisas que hão de vir. João 16:13.
Como poderemos subsistir no dia da prova se não compreendemos as palavras de
Cristo? Ele disse: “Isto vos tenho dito, estando ainda convosco; mas o Consolador,
o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em Meu nome, esse vos ensinará todas as
coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.” João 14:25, 26. É o Espírito
Santo que nos fará lembrar das palavras de Cristo. O assunto sobre o qual Cristo
resolveu demorar-Se na Sua última palestra a Seus discípulos foi o da função do
Espírito Santo. Ele desvendou-lhes uma vasta porção da verdade. Deviam receber
Suas palavras pela fé, e o Consolador, o Espírito Santo, faria com que se lembrassem
de tudo.
A consolação que Cristo deu nessa promessa consistia no fato de que a influência
divina estaria com os Seus seguidores até ao fim. Mas essa promessa não é aceita e
acatada pelas pessoas hoje em dia, não sendo, portanto, acalentada por elas, e o seu
cumprimento não é visto na experiência da igreja. A promessa do dom do Espírito
de Deus é deixada de lado, como uma questão pouco considerada pela igreja. Ela
não é inculcada na mente das pessoas, e o resultado é o que é de esperar — aridez,
trevas, decadência e morte espirituais. Assuntos de menor importância ocupam a
atenção, e o poder divino que é necessário ao desenvolvimento e prosperidade da
igreja e que, se fosse possuído, traria após si todas as outras bênçãos, esse falta,
embora nos seja oferecido em infinita plenitude. Enquanto a igreja se contentar
com pequenas coisas, estará inapta a receber as grandes coisas de Deus. Mas, por
que não temos fome e sede do dom do Espírito Santo, já que é o meio pelo qual o
coração poderá manter-se puro? O desígnio do Senhor é que o poder divino coopere
com o esforço humano.
É essencial que o cristão compreenda o significado da promessa do Espírito
Santo pouco antes da segunda vinda de nosso Senhor Jesus. Falai sobre ela, orai por
ela, pregai a seu respeito; pois o Senhor está mais disposto a conceder o Espírito
Santo do que os pais a dar boas dádivas a seus filhos. — The Review and Herald,
15 de Novembro de 1892. [10]
5
A natureza do Espírito: um mistério, 3 de Janeiro
O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê,
nem O conhece; vós O conheceis, porque Ele habita convosco e estará em
vós. João 14:17.
Não é essencial que sejamos capazes de definir exatamente o que seja o Espírito
Santo. Cristo nos diz que o Espírito é o Consolador, o “Espírito de verdade, que
procede do Pai”. João 15:26. Declara-se positivamente, a respeito do Espírito Santo,
que, em Sua obra de guiar os homens em toda a verdade “não falará de Si mesmo”.
João 16:13.
A natureza do Espírito Santo é um mistério. Os homens não a podem explicar,
porque o Senhor não lho revelou. Com fantasiosos pontos de vista, podem-se reunir
passagens da Escritura e dar-lhes um significado humano; mas a aceitação desses
pontos de vista não fortalecerá a igreja. Com relação a tais mistérios — demasiado
profundos para o entendimento humano — o silêncio é ouro.
A função do Espírito Santo é distintamente especificada nas palavras de Cristo:
“E, quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo.”
João 16:8. É o Espírito Santo que convence do pecado. Se o pecador atende à
vivificadora influência do Espírito, será levado ao arrependimento e despertado
para a importância de obedecer aos reclamos divinos.
Ao pecador arrependido, faminto e sedento de justiça, o Espírito Santo revela
o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. “Ele... há de receber do que é
Meu, e vo-lo há de anunciar”, disse Cristo. João 16:14. “Esse vos ensinará todas as
coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” João 14:26.
O Espírito é dado como agente de regeneração, para tornar eficaz a salvação
operada pela morte de nosso Redentor. O Espírito está constantemente buscando
atrair a atenção dos homens para a grande oferta feita na cruz do Calvário, a fim de
desvendar ao mundo o amor de Deus, e abrir às almas convictas as preciosidades
[11] das Escrituras. — Atos dos Apóstolos, 51, 52.
6
O Espírito Santo: uma testemunha, 4 de Janeiro
O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.
Romanos 8:16.
Se o Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus, qual é o
resultado? A alma que crê vem a estar em perfeita submissão à vontade de Deus.
A Majestade do Céu digna-Se a manter um santo e familiar relacionamento com
quem busca a Deus de todo o coração, e o filho de Deus, mediante a abundante
manifestação de Sua graça, é enternecido e levado a ter uma dependência como a
de uma criança. Desamparados e indignos como sois, deveis entregar-vos a Deus
de corpo e alma, com perfeita confiança em Seu poder e boa vontade para vos
abençoar. “A todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos
de Deus, a saber, aos que crêem no Seu nome.” João 1:12.
Não vos torneis buliçosamente ativos, mas sede zelosos na fé, com um só
objetivo: atrair almas a Jesus Cristo, o Redentor crucificado. Não é o sermão lógico,
o sermão para convencer o intelecto, que realizará essa obra. O coração tem de ser
persuadido, e derreter-se de ternura. A vontade deve submeter-se à vontade de Deus,
e todas as aspirações devem estar voltadas para o Céu. Precisais alimentar-vos com
a Palavra do Deus vivo. Ela deve ser introduzida na vida prática. Deve apossar-se
da pessoa toda e dirigi-la. ...
Quando Jesus é nossa perene confiança, nossa oferenda a Deus seremos nós
mesmos. Nossa confiança estará na justiça e intercessão de Cristo Jesus como nossa
única esperança. Não há confusão nem desconfiança, porque pela fé vemos a Jesus
ordenado por Deus para essa própria finalidade: fazer reconciliação pelos pecados
do mundo. Ele Se acha empenhado, por solene compromisso, a mediar em favor de
todos os que se achegam a Deus por Seu intermédio, e efetuar-lhes a salvação, se
tão-somente crerem. É-nos concedido o privilégio de achegar-nos confiantemente
ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro
em ocasião oportuna. — Manuscript Releases 14:276, 277. [12]
7
O representante de Cristo, 5 de Janeiro
Mas Eu vos digo a verdade: Convém-vos que Eu vá, porque, se Eu não for, o
Consolador não virá para vós outros; se, porém, Eu for, Eu vo-Lo enviarei.
João 16:7.
O Consolador é chamado “o Espírito da verdade”. Sua obra é definir e manter a
verdade. Ele primeiro habita no coração como o Espírito da verdade, tornando-Se
assim o Consolador. Há conforto e paz na verdade, mas nenhuma paz ou conforto
real se pode achar na falsidade. É por meio de falsas teorias e tradições que Satanás
adquire seu domínio sobre a mente. Ele deforma o caráter dirigindo os homens a
falsos padrões. O Espírito Santo fala à mente por meio das Escrituras e grava a
verdade no coração. Assim expõe o erro, expelindo-o da alma. É pelo Espírito da
verdade, atuando pela Palavra de Deus, que Cristo submete a Si Seu povo escolhido.
Descrevendo para Seus discípulos a obra oficial do Espírito Santo, Jesus procu-
rou inspirá-los com a alegria e a esperança que Lhe animavam o próprio coração.
Regozijava-Se pelas abundantes medidas que providenciara para auxílio de Sua
igreja. O Espírito Santo era o mais elevado dos dons que Ele podia solicitar do Pai
para exaltação de Seu povo. O Espírito ia ser dado como agente de regeneração,
sem o qual o sacrifício de Cristo de nenhum proveito teria sido. O poder do mal se
estivera fortalecendo por séculos, e espantosa era a submissão dos homens a esse
cativeiro satânico. Ao pecado só se poderia resistir e vencer por meio da poderosa
atuação da terceira pessoa da Divindade, a qual não viria com energia modificada,
mas na plenitude do divino poder. É o Espírito que torna eficaz o que foi realizado
pelo Redentor do mundo. É por meio do Espírito que o coração é purificado. Por
Ele, o crente torna-se participante da natureza divina. Cristo deu Seu Espírito como
um poder divino para vencer todas as tendências hereditárias e cultivadas para o
mal, e para gravar Seu próprio caráter em Sua igreja. — The Review and Herald,
[13] 19 de Novembro de 1908.
8
A pomba celestial, 6 de Janeiro
E João testemunhou, dizendo: Vi o Espírito descer do Céu como pomba e
pousar sobre Ele. João 1:32.
Cristo é nosso exemplo em todas as coisas. Em resposta à Sua oração ao Pai, o
Céu se abriu e o Espírito desceu como pomba e pousou sobre Ele. O Santo Espírito
de Deus comunica-Se com o homem e habita no coração dos obedientes e fiéis.
Luz e força virão aos que sinceramente as buscam a fim de terem sabedoria para
resistir a Satanás e para vencer em ocasiões de tentação. Devemos vencer assim
como Cristo venceu.
Jesus iniciou Sua missão pública com fervorosa oração, e Seu exemplo evidencia
o fato de que a oração é necessária para levar uma vida cristã bem-sucedida. Ele
estava constantemente em comunhão com o Pai, e Sua vida nos apresenta um
modelo perfeito que devemos imitar. Apreciava o privilégio da oração e Sua obra
manifestava os resultados da comunhão com Deus. Examinando o registro de Sua
vida, verificamos que em todas as ocasiões importantes Ele Se retirava a um bosque
ou à solidão das montanhas e oferecia fervorosa e perseverante oração a Deus.
Freqüentemente dedicava a noite inteira à oração pouco antes de ter de realizar
algum milagre muito importante. Durante esses períodos de oração noturnos, após
a labuta do dia, despedia compassivamente Seus discípulos, para que pudessem
retornar a seus lares, repousar e dormir, enquanto Ele, com forte clamor e lágrimas,
extravasava a alma em ferventes súplicas a Deus em favor da humanidade.
Jesus era preparado para o dever e fortalecido para a provação por meio da graça
de Deus que Lhe advinha em resposta à oração. Dependemos de Deus para levar
uma vida cristã bem-sucedida, e o exemplo de Cristo nos abre o caminho pelo qual
podemos ir ter a uma inesgotável fonte de energia, da qual possamos extrair graça e
poder para resistir ao inimigo e sair vitoriosos. Nas margens do Jordão, Cristo orou
como o Representante da humanidade, e o abrir do Céu e a voz de aprovação nos
asseguram que Deus aceita a humanidade pelos méritos de Seu Filho. — The Signs
of the Times, 24 de Julho de 1893. [14]
9
Invisível como o vento, 7 de Janeiro
O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem
para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito. João 3:8.
Ouve-se o vento por entre os ramos das árvores, fazendo sussurrar as folhas e as
flores; é todavia invisível, e homem algum sabe de onde ele vem, nem para onde vai.
O mesmo se dá quanto à operação do Espírito Santo na alma. Como os movimentos
do vento, não pode ser explicada. Talvez uma pessoa não seja capaz de dizer o
tempo ou o lugar exatos de sua conversão, nem delinear todas as circunstâncias no
processo da mesma; isso, porém, não prova não estar ela convertida.
Mediante um agente tão invisível como o vento, está Cristo continuamente
operando no coração. Pouco a pouco, sem que o objeto dessa obra tenha talvez
consciência do fato, produzem-se impressões que tendem a atrair a alma para Cristo.
Estas se podem causar meditando nEle, lendo as Escrituras, ou ouvindo a palavra do
pregador. De repente, ao chegar o Espírito com mais direto apelo, a alma entrega-se
alegremente a Jesus. Isso é chamado por muitos uma conversão repentina; é, no
entanto, o resultado de longo processo de conquista efetuado pelo Espírito de Deus
— processo paciente e prolongado.
Se bem que o vento seja invisível, seus efeitos são vistos e sentidos. Assim a
obra do Espírito sobre a alma revelar-se-á em cada ato daquele que lhe experimentou
o poder salvador. Quando o Espírito de Deus toma posse do coração, transforma
a vida. Os pensamentos pecaminosos são afastados, renunciadas as más ações;
o amor, a humildade, a paz tomam o lugar da ira, da inveja e da contenda. A
alegria substitui a tristeza, e o semblante reflete a luz do Céu. Ninguém vê a mão
que suspende o fardo, nem a luz que desce das cortes celestiais. A bênção vem
quando, pela fé, a alma se entrega a Deus. Então, aquele poder que olho algum
pode discernir, cria um novo ser à imagem de Deus.
É impossível à mente finita compreender a obra da redenção. Seu mistério
excede ao conhecimento humano; todavia, aquele que passa da morte para a vida
percebe que é uma divina realidade. O começo da redenção, podemos conhecê-lo
aqui, mediante uma experiência pessoal. Seus resultados estendem-se através da
[15] eternidade. — O Desejado de Todas as Nações, 172, 173.
10
Azeite nas vasilhas, 8 de Janeiro
As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; no
entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas.
Mateus 25:3, 4.
Muitos aceitam a verdade prontamente, mas não a assimilam, e sua influência
não é duradoura. São semelhantes às virgens néscias, que não tinham azeite em
suas vasilhas com as lâmpadas. O azeite é um símbolo do Espírito Santo, que é
introduzido na alma pela fé em Jesus Cristo. Aqueles que examinam diligentemente
as Escrituras com muita oração, que confiam em Deus com firme fé, que obede-
cem aos Seus mandamentos, estarão entre os que são representados como virgens
prudentes. Os ensinamentos da Palavra de Deus não são Sim e Não, mas Sim e
Amém.
O preceito do evangelho é de grande alcance. O apóstolo declara: “Tudo o que
fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando
por Ele graças a Deus Pai.” Colossences 3:17. “Portanto, quer comais, quer bebais
ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” 1 Coríntios 10:31.
A piedade prática não será alcançada dando-se às grandiosas verdades da Bíblia um
espaço do lado de fora do coração. A religião da Bíblia precisa ser introduzida nas
grandes, bem como nas pequenas questões da vida. Ela precisa prover os poderosos
motivos e princípios que governem o caráter e o procedimento do cristão. ...
O azeite de que tanto necessitavam os que são representados como virgens
néscias não é algo a ser posto por fora. Eles precisam introduzir a verdade no
santuário da alma, para que purifique, aprimore e santifique. Não é de teoria que eles
precisam, e sim dos sagrados ensinamentos da Bíblia, que não são doutrinas incertas
e desconexas, mas verdades vivas, que envolvem interesses eternos centralizados
em Cristo. Nele se encontra o sistema completo da verdade divina. A salvação da
alma, pela fé em Cristo, é o fundamento e a coluna da verdade.
Os que exercem verdadeira fé em Cristo manifestam isso pela santidade de
caráter, pela obediência à lei de Deus. Percebem que a verdade, assim como é em
Jesus, atinge o Céu e abrange a eternidade. Compreendem que o caráter do cristão
deve representar o caráter de Cristo e estar cheio de graça e de verdade. É-lhes
comunicado o azeite da graça, que faz com que a luz permaneça acesa. O Espírito
Santo no coração do crente torna-o completo em Cristo. — The Review and Herald,
17 de Setembro de 1895. [16]
11
Constante fluxo de azeite, 9 de Janeiro
Tornando a falar-lhe, perguntei: Que são aqueles dois raminhos de oliveira
que estão junto aos dois tubos de ouro, que vertem de si azeite dourado? Ele
me respondeu: Não sabes que é isto? Eu disse: Não, meu senhor. Então, ele
disse: São os dois ungidos, que assistem junto ao Senhor de toda a Terra.
Zacarias 4:12-14.
A contínua comunicação do Espírito Santo à igreja é representada pelo profeta
Zacarias sob outra figura, que contém maravilhosa lição de encorajamento para
nós. O profeta declara: “Tornou o anjo que falava comigo e me despertou, como
a um homem que é despertado do seu sono, e me perguntou: Que vês? Respondi:
Olho, e eis um candelabro todo de ouro e um vaso de azeite em cima com as suas
sete lâmpadas e sete tubos, um para cada uma das lâmpadas que estão em cima do
candelabro. Junto a este, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e a outra à
sua esquerda.
“Então, perguntei ao anjo que falava comigo: Meu senhor, que é isto? ... Prosse-
guiu ele e me disse: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel: Não por força nem por
poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos. ... Tornando a falar-lhe,
perguntei: Que são aqueles dois raminhos de oliveira que estão junto aos dois tubos
de ouro, que vertem de si azeite dourado? ... Então, ele disse: São os dois ungidos,
que assistem junto ao Senhor de toda a Terra.” Zacarias 4:1-14.
Das duas oliveiras, o azeite dourado era conduzido através de tubos de ouro, para
o bojo do candelabro e daí para as lâmpadas de ouro que iluminavam o santuário.
Assim também, dos santos que permanecem na presença de Deus, Seu Espírito é
transmitido aos instrumentos humanos que se consagram ao Seu serviço. A missão
dos dois ungidos é comunicar luz e poder ao povo de Deus. É para receber bênçãos
para nós que eles estão na presença de Deus. Como as oliveiras esvaziam-se nos
tubos de ouro, assim procuram os mensageiros celestes comunicar tudo o que
recebem de Deus. Todo o tesouro celestial aguarda nosso pedido e recepção; e, ao
receber a bênção, devemos transmiti-la a outros. É assim que as lâmpadas sagradas
são abastecidas, e a igreja se torna portadora de luz no mundo. — The Review and
[17] Herald, 2 de Março de 1897.
12
Fermento em nosso coração, 10 de Janeiro
Disse mais: A que compararei o reino de Deus? É semelhante ao fermento
que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar
tudo levedado. Lucas 13:20, 21.
Esta parábola ilustra o poder penetrativo e assimilador do evangelho, que deve
moldar a igreja à semelhança divina, atuando nos corações dos membros individuais.
Assim como o fermento age na farinha, o Espírito Santo age no coração humano,
absorvendo todas as suas faculdades e aptidões, pondo alma, corpo e espírito em
harmonia com Cristo.
Na parábola, a mulher colocou o fermento na farinha. Ele era necessário para
suprir uma necessidade. Com isso, Deus queria ensinar-nos que, por si mesmo, o
homem não possui os atributos da salvação. Ele não pode transformar-se pelo uso
de sua vontade. A verdade tem de ser recebida no coração. Assim o fermento divino
realiza sua obra. Por seu poder transformador e vitalizante, produz uma mudança no
coração. São despertados novos pensamentos, novos sentimentos, novos propósitos.
A mente é transformada, as faculdades são postas em atividade. O homem não
é provido de novas faculdades, mas as faculdades que possui são santificadas. É
despertada a consciência que até então estava morta. Mas o homem não pode fazer
essa mudança por si mesmo. Ela só pode ser efetuada pelo Espírito Santo. Todos
os que querem ser salvos, quer sejam altos ou baixos, ricos ou pobres, precisam
submeter-se à atuação desse poder.
Esta verdade é apresentada nas palavras de Cristo a Nicodemos: “Em verdade,
em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de
Deus. ... O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.
Não te admires de Eu te dizer: Importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde
quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo
o que é nascido do Espírito.” João 3:3-8.
Quando nosso espírito é dirigido pelo Espírito de Deus, compreendemos a lição
ensinada pela parábola do fermento. Os que abrem o coração para receber a verdade
compreenderão que a Palavra de Deus é o grande instrumento na transformação do
caráter. — The Review and Herald, 25 de Julho de 1899. [18]
13
Água viva a ser partilhada, 11 de Janeiro
Aquele, porém, que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede; pelo
contrário, a água que Eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida
eterna. João 4:14.
Como o plano da redenção começa e finda com um dom, assim ele deve ser
levado adiante. O mesmo espírito de sacrifício que nos adquiriu a salvação habitará
no coração de todos quantos se tornarem participantes do dom celestial. Diz o
apóstolo Pedro: “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como
bons despenseiros da multiforme graça de Deus.” 1 Pedro 4:10. Disse Jesus a Seus
discípulos, quando os enviou: “De graça recebestes, de graça dai.” Mateus 10:8. Na
pessoa que se acha plenamente em harmonia com Cristo não pode haver nada de
egoísmo ou exclusivismo. O que bebe da água viva perceberá que ela é “nele uma
fonte a jorrar para a vida eterna”. João 4:14. O Espírito de Cristo é, dentro dele,
como uma nascente manando no deserto, fluindo para refrigerar a todos e tornando
os que se acham prestes a perecer ansiosos de beber da água da vida.
Foi o mesmo espírito de amor e abnegação que habitou em Cristo, que impeliu
o apóstolo Paulo a seus múltiplos labores. “Sou devedor”, ele diz, “tanto a gregos
como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes.” Romanos 1:14. “A mim, o
menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho
das insondáveis riquezas de Cristo.” Efésios 3:8.
Nosso Senhor pretendia que Sua igreja refletisse para o mundo a plenitude e
suficiência que nEle encontramos. Recebemos constantemente bênçãos de Deus, e
partilhando-as por nossa vez, representamos para o mundo o amor e a beneficência
de Cristo. Enquanto todo o Céu está em atividade, enviando mensageiros a todas as
partes da Terra, para levar avante a obra da redenção, a igreja do Deus vivo também
deve colaborar com Jesus Cristo. Somos membros de Seu corpo místico. Ele é
a cabeça, regendo todos os membros do corpo. O próprio Jesus, em Sua infinita
misericórdia, está trabalhando em corações humanos, efetuando transformações
espirituais tão surpreendentes que os anjos as contemplam com estupefação e
[19] alegria. — The Review and Herald, 24 de Dezembro de 1908.
14
Seiva vivificante, 12 de Janeiro
Aconteceu que, estando Apolo em Corinto, Paulo, tendo passado pelas
regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos,
perguntou-lhes: Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes?
Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o
Espírito Santo. Atos dos Apóstolos 19:1, 2.
Há muitos hoje em dia tão ignorantes da obra do Espírito Santo sobre o coração
quanto o eram os crentes de Éfeso; não há entretanto verdade mais claramente
ensinada na Palavra de Deus. Profetas e apóstolos têm-se demorado sobre este tema.
Cristo mesmo chama nossa atenção para o crescimento do mundo vegetal, como
uma ilustração da operação de Seu Espírito no suster a vida espiritual. A seiva
da vinha, subindo da raiz, é difundida para os ramos, promovendo o crescimento
e produzindo flores e frutos. Assim o poder vitalizante do Espírito Santo, que
emana do Salvador, permeia a alma, renova os motivos e afeições e leva os próprios
pensamentos à obediência da vontade de Deus, capacitando o que recebe a produzir
os preciosos frutos de obras santas.
O Autor desta vida espiritual é invisível, e o método exato pelo qual é esta
vida repartida e mantida está além da capacidade da filosofia humana explicar.
Todavia as operações do Espírito estão sempre em harmonia com a Palavra escrita.
Como sucede no mundo natural, assim também se dá no espiritual. A vida natural
é preservada a todo o momento pelo divino poder; todav