0% acharam este documento útil (0 voto)
119 visualizações11 páginas

Caso Sobre o Trabalho Com Uma Criança Na Educação Infantil: Inclusão E Autismo: Relato de

Este documento descreve um estudo de caso sobre a inclusão de uma criança autista na educação infantil. O artigo relata as atividades realizadas pela profissional de apoio e o impacto no desenvolvimento da criança. Observou-se que, por meio de práticas pedagógicas diferenciadas, o aluno apresentou maior socialização, autonomia e progresso na aprendizagem. O acompanhamento diário mostrou a importância de um profissional de apoio preparado para facilitar a aprendizagem de crianças autistas.

Enviado por

Joao Filho Sax
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
119 visualizações11 páginas

Caso Sobre o Trabalho Com Uma Criança Na Educação Infantil: Inclusão E Autismo: Relato de

Este documento descreve um estudo de caso sobre a inclusão de uma criança autista na educação infantil. O artigo relata as atividades realizadas pela profissional de apoio e o impacto no desenvolvimento da criança. Observou-se que, por meio de práticas pedagógicas diferenciadas, o aluno apresentou maior socialização, autonomia e progresso na aprendizagem. O acompanhamento diário mostrou a importância de um profissional de apoio preparado para facilitar a aprendizagem de crianças autistas.

Enviado por

Joao Filho Sax
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

View metadata, citation and similar papers at core.ac.

uk brought to you by CORE


provided by Revista Psicologia e Saúde em Debate

Psicologia e Saúde em Debate


Relato de Experiência ISSN (eletrônico) 2446-922X

INCLUSÃO E AUTISMO: relato de


caso sobre o trabalho com uma
criança na educação infantil
DOI: 10.22289/2446-922X.V5N2A9

Maira Cristina Souza Teixeira1


Danielle Ribeiro Ganda

RESUMO

A inclusão de crianças com necessidades educativas especiais - NEE, ou seja, que possuem
deficiências físicas, intelectuais e transtornos de aprendizagem, dentro da escola regular é um
direito assegurado por lei. A estas crianças, deve-se fornecer um ambiente e materiais
adequados às suas necessidades, assim como ter a presença de um profissional apoio que visa
acompanhá-los em sala de aula durante a realização das atividades pedagógicas. Dentre os
distúrbios que mais cresceram nas últimas décadas, destaca-se o Transtorno do Espectro Autista
- TEA, definido como um transtorno global do desenvolvimento cujos sintomas característicos
são: atraso na linguagem, dificuldade de interação social, comportamentos estereotípicos, alta
sensibilidade, seletividade, entre outros. O presente artigo tem o objetivo de apresentar um relato
de caso sobre a inserção de uma criança com Transtorno do Espetro Autista no 1º e 2º período
da Educação Infantil. O estudo visa também apresentar as atividades realizadas pela
profissional-apoio e o impacto no desenvolvimento da criança autista. Observou-se que, por meio
de práticas pedagógicas diferenciadas, o aluno apresentou maior socialização, mais autonomia
e progresso em sua aprendizagem. O acompanhamento diário ao aluno revela o quanto é
necessário um profissional apoio preparado, que busque alternativas criativas, lúdicas e
adaptadas para facilitar a aprendizagem das crianças com TEA.

Palavras-chave: Inclusão; Práticas pedagógicas; Transtorno do Espectro Autista.

ABSTRACT

The inclusion of children with special educational needs, such as those with physical disabilities,
intellectual disabilities and learning disabilities, within the regular school is a right guaranteed by
law. These children should be provided with an environment and materials appropriate to their
needs, as well as the presence of a professional support that aims to accompany them in the
classroom during the pedagogical activities. Among the fastest growing disorders in recent
decades, Autistic Spectrum Disorder (ASD) stands out, defined as a global developmental
disorder whose characteristic symptoms are: language delay, difficulty in social interaction,
stereotypic behaviors, high sensitivity, selectivity, among others. This paper aims to present a
case report about the insertion of a child with Autistic Spectrum Disorder in the 1st and 2nd period
of Early Childhood Education. The study also aims to present the activities performed by the

1Endereço eletrônico de contato: [email protected]


Recebido em 23/11/2019. Aprovado pelo conselho editorial para publicação em 10/12/2019.

Rev. Psicol Saúde e Debate. Dez., 2019:5(2):125-135.


125
Psicologia e Saúde em Debate
ISSN (eletrônico) 2446-922X
support professional and the impact on the development of autistic children. It was observed that,
through different pedagogical practices, the student presented greater socialization, more
autonomy and progress in their learning. The daily monitoring of the student reveals how much is
necessary a prepared professional support that seeks creative, playful and adapted alternatives
to facilitate the learning of children with ASD.

Keywords: Inclusion; Pedagogical practices; Autistic Spectrum Disorder.

1 INTRODUÇÃO
O autismo é um transtorno global do desenvolvimento que aparece nos três primeiros
anos de vida, há alterações na região cortical no cérebro (parte externa) responsável pela fala,
pela sociabilidade, conhecido também como TEA - Transtorno do Espectro Autista, tendo
diferentes graus de intensidade: leve, moderado e severo (APA, 2002). Deve-se ressaltar que
toda criança que apresenta característica autista apresenta características diversas, pois existe
uma grande diferença de um autista para o outro.
Os estudos mostram que o autismo é maior no sexo masculino e não tem cura e sim
tratamentos. As observações dos pais em relação ao comportamento são fundamentais para o
diagnóstico, quando elas apresentam tais dificuldades verbais e não verbais, não brinca de faz
de conta, os interesses são restritos, apresenta dificuldade nas interações sociais e não
estabelece contato visual (KLIN, 2006). Ainda não se sabe exatamente qual é a origem do
autismo, mais algumas possíveis causas são a genética e questões ambientais (Mendes, 2015).
Para a criança que tem autismo (TEA) é fundamental o convívio social, dando ênfase no
meio escolar. A escola regular ou até mesmo escola de educação especial pode proporcionar a
estes alunos a conviver com outras crianças da mesma idade, constituindo-se num espaço de
aprendizagem, sendo satisfatórios os ganhos de desenvolvimento que a criança com TEA
quando incluída no ensino comum (Sousa e col., 2015).
Quando se fala em incluir crianças com necessidades especiais é importante que haja a
inserção. Tratando-se de educação no ensino regular a escola tem que estar preparada para os
receberem na parte física/estrutural e pedagógica. De fato os professores manifestam a
preocupação de como lidar caso tenha um aluno autista em sua classe, necessitam de mais
orientações sobre o assunto, pois, por fatores pessoais sentem ansiedade e às vezes medo
frente à sintomatologia mais do que as crianças em si (Locatelli & Santos, 2016; Surian, 2010).
Tendo em vista esse ponto, deve-se ter um profissional apoio que acompanhe esse aluno em
sala de aula.
Conforme elencado no art. 3º da Lei nº 12.764/2012, o profissional apoio é responsável
pelas necessidades em sala de aula, adaptação de material e interação social. O fator principal
é fazer com que todos que se encontram na classe participando, aprendendo, de maneira que

Rev. Psicol Saúde e Debate. Dez., 2019:5(2):125-135.


126
Psicologia e Saúde em Debate
ISSN (eletrônico) 2446-922X
aquilo tenha sentido para criança que recebe a mediação do profissional apoio. Independente da
dificuldade que ela tenha, é fazer que o aluno se contextualize dentro da realidade, idade,
ambiente, sendo primordial que esse profissional ajude na autonomia desta criança (BRASIL,
2015; Mendes, 2015).
No que se refere ensino aprendizagem os educadores logo tem que se preocupar como
será transmitido o conhecimento para seus alunos para que haja uma aprendizagem significativa
que tenha de fato sentido aquilo que esta aprendendo. Desse modo, as práticas pedagógicas e
a metodologia fazem toda a diferença. Com as crianças com TEA deve-se ter essa mesma
preocupação, de maneira que para sejam práticas eficazes os professores devem ter o
conhecimento de métodos para alunos autistas (Mendes, 2015).
O professor regente e o profissional apoio devem conhecer bem os gostos e interesses
da criança, buscar formas que ele irá compreender melhor, lembrando que seu aluno pode ter
grau leve, moderado ou severo. Por isso devem manter sempre o contato visual, estimular a
comunicação com linguagem simples e clara, e mediar brincadeira entre o aluno autista com os
demais alunos. Para isso pode usufruir de recursos como computadores, músicas, livros, jogos
pedagógicos, esses recursos facilitam a aprendizagem (Cipriano & Almeida, 2016).
Um dos métodos mais utilizados que vão ajudar na aprendizagem de uma criança com
TEA são, Análise Aplicada do Comportamento (ABA), a qual se utiliza da avaliação
comportamental para ajudar, não só no comportamento, mas, para estabelecer a base que
aprendizagem acontece. Outro é o método TEACCH que se utiliza de figuras e desenhos para
tornar a aprendizagem mais acessível, com isso desenvolve a independência do autista, mesmo
que necessite do auxílio do professor a criança tem que ser autônoma e com autistas não é
diferente (Ibraim, 2013; Locatelli & Santos, 2016).
A Lei Brasileira de Inclusão no art.28 nº 13.146/2015 diz que os professores junto com a
equipe pedagógica da escola e os demais profissionais que acompanham o aluno (psicólogo,
terapeuta ocupacional, psicopedagogo, fonoaudiólogo) devem traçar um Planejamento Individual
(BRASIL, 2015). Desse modo, deve-se ter um currículo adaptado, tomando o cuidado da questão
inclusão Importante que a educadora ou a profissional apoio estimule o aluno a realizar as
mesmas atividades que os seus colegas, pois, assim possibilitará a troca de informações com
os demais de sua classe. Caso o aluno não acompanha de fato a turma e não consegue realizar
as mesmas atividades ai sim será a necessidade de adaptar (Sousa e col., 2015).
O objetivo geral da pesquisa foi fazer o relato de caso de inserção de um aluno com
Transtorno do Espectro Autista (TEA) na Educação Infantil. Mais especificamente: relatar o
processo de inclusão de um aluno com Transtorno do Espetro Autista no 1º e 2º período da
Educação Infantil; fazer um levantamento teórico das práticas pedagógicas a serem realizadas

Rev. Psicol Saúde e Debate. Dez., 2019:5(2):125-135.


127
Psicologia e Saúde em Debate
ISSN (eletrônico) 2446-922X
com criança diagnosticada com Transtorno do Espetro Autista (TEA); apresentar as atividades
de desenvolvidas pela profissional-apoio durante o período de um ano e meio de trabalho.
Este trabalho foi feito para que os profissionais da Educação tenham conhecimento do
Transtorno do Espectro Autista (TEA), incluindo suas características e diferentes níveis. Tem a
função de conscientizar os leitores que quanto mais cedo o diagnóstico e uma intervenção
adequada, melhor é o desenvolvimento da criança com (TEA), e demonstrar que todas são
capazes de aprender, desde que bem estimulados, acompanhadas nos âmbitos pedagógico e
emocional.
Deste modo, é necessário que haja um trabalho interprofissional (interdisciplinar)
envolvendo pedagogos, profissionais apoio, neurologista, terapeuta ocupacional e entre outros
para obter um resultado efetivo. Uma ênfase é saber que houve um aumento do número de
crianças diagnosticadas com TEA, e com isso há a inclusão das crianças na Educação Infantil e
Básica. Além disso, é de grande importância que todos saibam sobre o assunto a ser
desenvolvido através de um relato de experiência positiva realizado com um aluno com
Transtorno do Espetro Autista - nível 1.
Diante do exposto, o presente trabalho guiou-se pela seguinte questão: Quais são as
práticas pedagógicas mais adequadas para a inclusão do aluno com (TEA) na Educação Infantil?
Tendo como base a literatura sobre o tema e a experiência prática afirma-se que há atividades
pedagógicas que favorecem a inclusão e o processo de desenvolvimento e aprendizagem de
crianças com (TEA). Acredita-se também que profissionais-apoio necessitam ter preparo técnico
para intervir de maneira a favorecer a autonomia e a socialização das crianças.

2 METODOLOGIA

Para esse fim, foi feito um relato de caso de um aluno, com o nome fictício de Eduardo,
que já se encontra diagnosticado com Autismo - nível 1. O acompanhamento do aluno ocorreu
entre 2017 e 2018, período esse que tinha de 4 a 5 anos de idade. A mãe da criança autorizou
a escrita do relato de caso, mediante a assinatura de um Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido. Foi garantido que os dados pessoais do aluno e de sua família seriam mantidos em
total sigilo, de tal modo que os nomes descritos no trabalho são fictícios.
Este relato faz parte da produção resultante do Projeto de Pesquisa “Relatos de casos e
relatos de experiência: a prática desenvolvida no CEPPACE do DPGPSI/FPM. Submetido a
apreciação ética do Comitê de Ética e Pesquisa com seres humanos da Faculdade Patos de
Minas - FPM, CAEE: 92972318.0.0000.8078, tendo como instituição proponente a Associação
Educacional de Patos de Minas, mantenedora da Faculdade Patos de Minas, sob parecer de
aprovação número: 2.758.999, de 06 de julho de 2018.

Rev. Psicol Saúde e Debate. Dez., 2019:5(2):125-135.


128
Psicologia e Saúde em Debate
ISSN (eletrônico) 2446-922X
Os familiares são de classe média e estão presentes no desenvolvimento e
acompanhamento do aluno. Na escola, a criança recebe o acompanhamento do profissional-
apoio, pela prefeitura para o trabalho específico direcionado somente a este. Além do
atendimento recebido dentro da APAE por profissionais da área de psicologia e fonoaudiologia
e acompanhamento com neuropediatra em centro de saúde na cidade de Patos de Minas. O
trabalho também contará comum levantamento bibliográfico sobre o tema em livros, artigos e
sites especializados da área da Educação e da Psicologia.

3 RELATO DE CASO

O presente relato será realizado em primeira pessoa, segundo a experiência da 1ª autora


do artigo. Vou abordar a trajetória de um aluno que, com quatro anos de idade, recebeu o
diagnostico de Autismo (TEA) – Nível 1. Durante o trabalho fui estudante de pedagogia na
instituição FPM e profissional-apoio, contratada como estagiaria pela prefeitura de minha cidade,
Carmo do Paranaíba - MG.
Minha iniciação começou com a necessidade de um emprego, e queria muito conseguir
na área da educação em uma escola pública. A mãe de um aluno ao ter conhecimento que seu
filho de quatro anos tinha laudo de autismo, diagnosticado por um neuropediatra, revogou os
seus direitos, principalmente solicitando auxílio para o filho dentro da sala de aula. Depois da
procura daquela mãe na secretaria de educação da cidade fui chamada e destinada para auxiliar
o aluno em sua sala, quando me falaram que ele tinha autismo.
Durante uma semana pesquisei sobre o autismo, o que era, como trabalhar dentro da
sala e dentre outros, vi vídeos, li artigos de revistas que professores me indicavam. No dia 07 de
agosto de 2017 foi o dia do primeiro contato com o “meu aluno”, havendo a preocupação se ele
iria me aceitar ou não. Tendo como base os estudos e as pesquisas, soube me aproximar dele
de imediato. Quando cheguei à escola lá estava ele chorando no portão de entrada e a tia Berna,
que era a sua referência desde o inicio do ano. Então olhei para ele e disse “Oi!”. Ele parou de
chorar e encostou a sua mão em meu rosto e eu ainda não sabia que ele seria o “meu aluno”.
Fui bem acolhida pela equipe da escola. A diretora juntamente com a professora e a supervisora
me apresentaram para ele. Desde então, Eduardo começou a confiar em mim e me teve como
referência. Digo, quando há confiança e efetividade as coisas acontecem de maneira prazerosa.
O aluno não conseguia fazer fila na entrada, pois o barulho do sino o incomodava, não
entrava na sala e quando entrava ficava sentado no chão de baixo da mesa ou andando na sala
em círculos empurrando sua pasta de rodas. Fazia toda necessidades fisiológicas na roupa ou
no jardim da escola. No recreio ficava só dentro da sala e pouco comunicação visual e verbal. A
partir da 1º semana observei todos os comportamentos dele. Não me assustei, pois apesar de

Rev. Psicol Saúde e Debate. Dez., 2019:5(2):125-135.


129
Psicologia e Saúde em Debate
ISSN (eletrônico) 2446-922X
tudo era uma criança calma e amorosa. Despertou em mim a vontade de ajudar de todas as
formas aquela criança. A mãe foi ate a escola para me conhecer, quando aproveitei a
oportunidade e perguntei coisas que poderiam facilitar o meu trabalho com ele. Ela foi prestativa
e ajudou no que foi possível. A professora regente me acolheu muito bem, apoiando e dando
sugestões em minhas decisões pedagógicas para com ele.
Comecei o ensinar desde a base de tudo, pois tinha quatro anos. No inicio dei prioridade
de organizar uma rotina e combinados de forma clara, objetiva, de modo que ele entendesse. A
mesa sempre ficava nos primeiros lugares com o nome e a foto dele. Apresentei para ele à mesa,
a cadeira e expliquei que aquele lugar era para ele, onde tinha todos os comandos impressos
em imagens para que ele compreendesse melhor. Depois com a autorização da professora
apresentei tudo o que tinha na escola. Por exemplo, fomos ao banheiro, expliquei o que tinha e
o que poderia fazer lá e sempre mostrando plaquinhas como referência e esse processo foram
feito em todas as partes da escola.
Após 15 dias ele começou a sentar e usar o banheiro. Fiquei feliz por esta conquista dele
e dei um prêmio de motivação. A partir disso o aluno passou a fazer fila, entrar na sala, sentar e
ir ao banheiro, processo que aconteceu gradativamente. Percebi que ele tinha hipersensibilidade
auditiva, o que é comum em crianças autistas. Devido a isso comecei a trabalhar os sentidos
com ele, dando ênfase maior na audição. Trabalhei o som dos animais, barulho do trânsito, o
som de ambientes calmos, usando a discriminação auditiva, mas sempre respeitando seu próprio
limite e o elogiando. Assim despertava o interesse quando fosse repetir essa atividade,
lembrando que se aprende por meio da repetição e com alunos autistas não é diferente.
Meu intuito junto com a professora e os era de que ele tivesse o interesse em aprender
no tempo dele, do mesmo jeito que os colegas mais com adaptações. Um olhar atento de um
professor pode mudar tudo não só com o aluno de inclusão, mas para com todos. E assim, depois
de um mês de adaptação, ensinando o básico no âmbito escolar com muito entusiasmo ele
estava desenvolvendo bem e se descobrindo. Ensinei-o a pegar no lápis depois de muitas
atividades de coordenação motora fina (rasgar papel, fazer bolinhas, fazer rabiscos com o giz de
cera, colocar canudinho cortado no barbante) dentre outras, e sempre sentava de frente a ele e
colocava objetos na frente do meu nariz assim conseguia que ele olhasse. Cada tentativa de
atividades que eu preparava de acordo com o planejamento da professora, ele sempre gostava,
o que foi gerando interesse em aprender e de uma maneira significativa.
Por minha fala ser objetiva o desenvolvimento da fala e a audição foi melhorando, até a
ecolalia melhorou. Ecolalia que é a repetição da fala palavras ou sons, movimentos repetitivos
aconteciam quando algo o incomodava (Mergl & Azoni, 2015). Eu então o tirava daquele lugar
que ele não estava se sentindo bem antes de alguma crise; pedia para que ele respirasse se
acalmasse; não o tocava, pois isso o deixava mais agitado e nervoso com a situação. No

Rev. Psicol Saúde e Debate. Dez., 2019:5(2):125-135.


130
Psicologia e Saúde em Debate
ISSN (eletrônico) 2446-922X
decorrer, o aluno demonstrou medo e fobia ao ver homens com chapéu, pois o medo real é do
barulho das maquinas. Até o barulho do besouro o incomoda e trazia medo, pois ele associava
os sons.
Continuando o ensino e aprendizagem quando eu e Eduardo fomos descobrindo um
universo divertido e mágico, fui ensinando as letras, os números, a escrever o nome próprio com
o método TEACH. Naquele momento o ensinar com materiais concretos fez toda a diferença.
Como ele é um menino esforçado e inteligente absorveu todo o conhecimento passado pela
professora regente e retransmitidos por mim. E assim fechamos o ano de 2017 felizes e
orgulhosos por sua evolução.
O ano de 2018 chegou e mais uma vez eu acompanhei o aluno Eduardo que então estava
com cinco anos. Neste ano teve a mudança de professora e foi pedido que eu acompanhasse
também seu primo que tem laudo de retardo mental moderado. Os cinco primeiros meses de
aula foram conturbados. Foi difícil adaptação para mim, pois cada um era diferente. Eu estava
sempre procurando meios e soluções para melhor ensiná-los, mas o Eduardo acabou sendo
prejudicado. Conforme descrito pelo médico neurologista, naqueles meses Eduardo regrediu não
no sentido da aprendizagem, mas no aspecto emocional que enfim refletiu na aprendizagem de
forma negativa. Ele começou a ficar mais disperso, mostrou maior desinteresse para fazer as
atividades e apresentou ansiedade.
Foi então que tive a preocupação de entender o que estava acontecendo, tomei iniciativa
fui a psicóloga a que o acompanha na APAE da cidade para contar o que estava acontecendo
em sala de aula, pedi sugestões para melhorar a forma de lidar com os dois alunos com
diferentes laudos, ressalvo que sou estudante e pesquisando sempre em busca de aprender
para ensinar melhor, foi muita luta e persistência. Comecei a mudar minha postura em sala antes
sentavam juntos, mas separei, pois cada um gastava um tempo diferente para fazer a atividade
proposta pela professora regente. Não tinha como ensinar duas crianças que exigem tamanha
atenção e cuidados particulares, pois cada aluno é um ser único. Para ajudar o Eduardo a
entender essas mudanças levei a caixa dos sentimentos e emoções assim ficaria mais fácil ele
se expressar. A caixa facilitou muito a forma de tratá-lo e ajudou a compreender as mudanças
de humor que tinha, criando uma conexão entre nós.
A pessoa com TEA, independente do grau, tem a capacidade de aprender, motivo pelo
qual sempre acreditei nos avanços do Eduardo. Quando há o diagnóstico precoce, a criança terá
um atendimento com vários profissionais que também o auxiliarão. Com estimulação e
acompanhamento adequados a criança se desenvolverá melhor e, principalmente se for de grau
leve, poderá alcançar maior autonomia e independência até mesmo na adolescência.
Conversei com a mãe de Eduardo e tive uma conversa sobre as coisas que ele gosta
quando está em casa e como gostava de interagir com outras crianças que fora do âmbito

Rev. Psicol Saúde e Debate. Dez., 2019:5(2):125-135.


131
Psicologia e Saúde em Debate
ISSN (eletrônico) 2446-922X
escolar. Essa conversa foi de grande importância porque pude conhecê-lo ainda mais. Em 2018,
ele se mostrou mais desenvolvido, com um nível de aprendizagem para além da idade que se
encontrava. Ele aprendeu a identificar o alfabeto, a escrever aquilo que se pede, a reconhece os
números e as quantidades, além de ler as sílabas e as palavras sem pistas de imagem.
Por fim, passei a trabalhar com ele a coordenação motora fina, grossa e ampla,
lateralidade (rolar, correr, pular, esquerda, direita, firmeza na mão ao escrever) meio social
(sentar com os colegas no recreio, brincar e compartilhar brinquedos). Quando iniciei o trabalho
com o Eduardo em 2017 ela não tinha interesse social, como exemplo vontade de participar em
apresentações festivas e ou em atividades dentro de sala de aula. Ao final do trabalho ele tornou-
se um garoto sociável, que muito me alegra e orgulha. Ele lê livros para toda a turma, interage
quando a professora faz uma pergunta à ele e já sente bem em fazer apresentações festivas.

4 SUGESTÕES PARA PAIS E PROFESSORES

A partir da experiência que vivi e das ações que planejei a partir de meus conhecimentos
como estudante de pedagogia e profissional-apoio, descrevo a seguir algumas sugestões para
auxiliar as crianças autistas em casa ou na escola.
1. Quando a criança não demonstra interesse no conteúdo que está sendo se ensinado,
devem-se buscar saber quais são as suas preferências particulares. Procure saber do que a
criança gosta, pois isso lhe ajudará a criar atividades que lhe despertem a motivação.
2. A criança autista tem dificuldade em expressar seus sentimentos e entender as
expressões faciais dos adultos (ex: zangado, triste, feliz). É importante fazer plaquinhas das
expressões faciais, pois isso facilitará o entendimento da criança sobre como ela mesma e os
outros estão se sentindo. Com o tempo, progressivamente, ela poderá aprender a se expressar
melhor.
3. Quando a criança não consegue se expressar ou ser compreendida pelos outros,
aqueles que estiverem ao seu lado (pais, professores) devem ficar atentos, pois essa dificuldade
pode desencadear uma crise, que é diferente de birra. Há crianças autistas que não verbalizam
e não conseguem indicar (ex: apontar, buscar) o que desejam. Assim, geralmente expressam o
seu querer algo através do choro, do grito e dos movimentos bruscos de mãos e braços. O que
não significa que a criança seja mal educada. Nessa situação é essencial que se espere a criança
acalmar ou dê algo que ela goste para tirar o foco e diga “Eu entendo você. Está tudo bem!”.
4. Uma dica muito importante é o estabelecimento de uma rotina diária, que ajudará a
evitar crises e diminuirá a ansiedade da criança autista. Em casa deve ter uma rotina das
atividades que será realizada naquele dia ou semana, podendo-se utilizar de um calendário
colorido e interativo. Na escola deve-se fazer o mesmo. É necessário explicar, antecipar para a

Rev. Psicol Saúde e Debate. Dez., 2019:5(2):125-135.


132
Psicologia e Saúde em Debate
ISSN (eletrônico) 2446-922X
criança o que vai acontecer e o que ela irá fazer, buscando-se sempre trabalhar com material
visual (colorido, cheio de figuras) que desperte o interesse e ajude-a a entender. Pode-se, por
exemplo, fazer o relógio da rotina com cores diferenciadas para cada período do dia.
5. A criança com TEA tem dificuldade em manter o olhar fixo na pessoa que está falando
com ela. Por isso, para desenvolver esta habilidade, é importante que se faça brincadeiras com
ela como, por exemplo: “Esconde – esconde”; “Cadê você? Achou você!”, “Bolha de sabão”,
“Pega a bola”, entre outras. Em casa ou na sala de aula os pais ou professores devem de frente
para a criança, pegar um brinquedo ou um lápis decorado que ela goste e contar três segundos
em direção aos olhos e então entregar para ela. Na medida em que ela for conseguindo fixar o
olhar por três segundo, vá mudando as estratégias. Pode-se então dizer a ela que se conseguir
te olhar por tantos segundos ela ganhará algo, dando assim um reforço positivo para cada
conquista.
6. Algumas crianças têm resistência à tocar certos materiais (ex: areia, tinta),
demonstrando muita sensibilidade à texturas diferentes. Assim, é importante trabalhar o lado
sensorial tátil do autista. Podem-se arrumar estratégias que auxilie esta criança como, por
exemplo, ir aos poucos, fazendo com ela toque nas partes menos sensíveis de seu corpo. Assim,
se ela é resistente em colocar a mão na tinta, utilize o pincel; Se ela não consegue por os pés
na areia tente colocar só as mãozinhas; e assim por diante, até que ela vá superando a sua
resistência.
7. Outro ponto fundamental é o de se trabalhar com o concreto e o lúdico com crianças
autistas. Elas demonstram maior compreensão do que lhes é ensinado e maior interesse, o que
leva à melhor aprendizagem e desempenho escolar mais eficaz. Por exemplo, ao se fazer uma
“Contação de história” é fundamental que não se faça apenas a leitura oral, mas também que se
utilizem fantoches, imagens, músicas etc.
8. É importante fazer um elogio diante de cada conquista da criança, pois isso lhe ajudará
a se sentir capaz, valorizada e com vontade de realizar a atividade novamente.
9. Ao realizar os deveres em casa ou atividades em sala, divida a tarefa em partes
menores, pois assim a criança não se cansará, conseguirá manter a atenção por mais tempo e
conseguirá realizar toda a atividade ou o dever.
10. Ao falar com a criança autista, use frases curtas e objetivas que sejam de fácil
entendimento. Exemplo: Ao invés de dizer, “Será que você poderia, por favor, pegar o lápis que
está em cima da mesa para mim?”, deve-se dizer: “Pegue o lápis em cima da mesa, por favor!”
11. Em sala de aula é importante ter brinquedos sensoriais e/ou pedagógicos, para que
quando a criança terminar a atividade proposta ele possa manusear o material dado sem
dispersar sua atenção. Comece permitindo que a criança brinque por cinco minutos entre uma
atividade pedagógica e outra e, aos poucos, vá diminuindo o tempo até que a criança entenda

Rev. Psicol Saúde e Debate. Dez., 2019:5(2):125-135.


133
Psicologia e Saúde em Debate
ISSN (eletrônico) 2446-922X
que naquele período é hora de esperar para a próxima atividade em seu lugar, sem ansiedade
ou agitação em sala.
12. O desenvolvimento da autonomia é fundamental para a formação da autoestima.
Portanto, os pais podem estimular os filhos a ajudarem nas tarefas da casa. Na escola, a
professora pedir que os alunos a auxiliem sendo o ajudante do dia, pegando material, dando
algum recado etc. Deve-se ressaltar que ao pedir algo à uma criança autista use linguagem clara,
com frases curtas e objetivas, pedindo inicialmente algo simples de ser executado e aumentando
aos pouco a dificuldade, pois assim ele atingirá o objetivo.
13. Para se fazer a inclusão e não a exclusão dos alunos com TEA ou outra qualquer
outro transtorno ou síndrome, os professores devem apresentar a criança para os demais alunos
da sala, explicar o que ele tem e nomear duas crianças por dia para brincar com ele e ajudá-lo
na socialização. Deve-se tomar cuidado para que a outra criança não se sinta obrigada, mas sim
que sinta prazer e alegria em ajudar o colega com dificuldades. Deve-se também orientar que a
turma tenha paciência e faça silêncio nos momentos em que o colega autista estiver mais agitado
e que chame a professora caso perceba que ele está em crise ou em perigo.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Durante o trabalho de um ano e meio realizado por mim como profissional apoio foi
possível observar um considerável desenvolvimento do aluno autista. Por meio de práticas
pedagógicas diferenciadas, a criança tem apresentado uma maior socialização, mais autonomia
e progresso em sua aprendizagem. O acompanhamento diário ao aluno revelou o quanto é
necessário um profissional apoio preparado, que busque alternativas criativas, lúdicas e
adaptadas para facilitar a aprendizagem das crianças com o transtorno.
Além disso, observou-se a importância de se criar relações afetivamente significativas e
positivas com o aluno autista, uma vez que o profissional apoio é o seu mediador na escola
regular de ensino. Esse educador é responsável por transmitir o conhecimento de forma que o
aluno entenda, favorecendo a sua confiança, autonomia e interação social que são primordiais
para o seu desenvolvimento geral.
Por fim, deve-se destacar que cada criança autista é diferente e que, portanto, faz-se
necessário conhecer as suas particularidades, a sua personalidade, o que facilitará a
comunicação e o trabalho com os mesmos.

Rev. Psicol Saúde e Debate. Dez., 2019:5(2):125-135.


134
Psicologia e Saúde em Debate
ISSN (eletrônico) 2446-922X
6 REFERÊNCIAS

APA. American Psychiatric Association DSM-IV. (2002). Manual Diagnóstico e Estatístico de


Transtornos Mentais. Porto Alegre: ARTMED.
BRASIL. Ministério da Saúde. (2015). Linha de cuidado para a atenção às pessoas com
Transtornos do Espectro do Autismo e suas famílias na Rede de Atenção Psicossocial do
SUS. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas,
Brasília-DF.
Cipriano, M. S.; & Almeida, M. T. P. (2016). O brincar como intervenção no transtorno do espectro
do autismo. Extensão em Ação 2(11), 78-91.
Ibraim, L. F. (2013). Avaliação neuropsicológica para Síndrome de Asperger e Transtorno do
Espectro Autista de alto funcionamento. Em: W. C. Júnior (Org.). Síndrome de Asperger e
outros transtornos do espectro do autismo de alto funcionamento: da avaliação ao
tratamento. Belo Horizonte: Artesã, pp. 125-151.
Klin, A. (2006). Autismo e síndrome de Asperger: uma visão geral. Revista Brasileira de
Psiquiatria, 28(1), 3-11.
Locatelli, P. B.; & Santos, M. F. R. (2016). Autismo: propostas de intervenção. Revista
Transformar, 8, 203-220.
Mendes, M. A. S. (2015). A importância da ludicidade no desenvolvimento de crianças autistas.
Monografia, Especialização em Desenvolvimento Humano, Educação e Inclusão Escolar.
Universidade de Brasília – UNB, Brasília.
Mergl, M.; & Azoni, C. A. S. (2015). Tipo de ecolalia em crianças com transtorno do espectro
autista. Revista CEFAC, 17(6), 2072-2080.
Sousa, L. L. L.; Pinheiro, T. S.; Costa, H. M.; Moura, C. S.; & Vieira, M. D. S. (2015). Os desafios
da inclusão de alunos autistas nas escolas públicas da cidade de picos. Anais do Colóquio
Internacional. Educação, Cidadania e Exclusão: Didática e Avaliação. Rio de Janeiro.
Surian, L. (2010). Autismo: informações essenciais para familiares, educadores e profissionais
de saúde. São Paulo: Paulinas, 2010.

Rev. Psicol Saúde e Debate. Dez., 2019:5(2):125-135.


135

Você também pode gostar