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Apostila 5

1) O documento discute sistemas de comunicação sem fio e redes móveis. 2) Apresenta as gerações de telefonia celular desde 1G até 5G, descrevendo suas tecnologias e evoluções. 3) Discutem conceitos como celular, roaming, handover e arquiteturas de redes móveis como GSM, UMTS, LTE e 5G.
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Apostila 5

1) O documento discute sistemas de comunicação sem fio e redes móveis. 2) Apresenta as gerações de telefonia celular desde 1G até 5G, descrevendo suas tecnologias e evoluções. 3) Discutem conceitos como celular, roaming, handover e arquiteturas de redes móveis como GSM, UMTS, LTE e 5G.
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Módulo 6 - Sistemas de Comunicação sem Fio - Redes Móveis

Telecomunicações
Conceitos e Tecnologias

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Todos os direitos reservados
Fundação Instituto Nacional de Telecomunicações – Finatel
Telecomunicações
Conceitos e Tecnologias

Equipe Multidisciplinar

Prof. MSc. Carlos Augusto Rocha Douglas Rosa


Pró-diretor de Desenvolvimento de Webmaster e Suporte Técnico
Tecnologias e Inovação
Isis Brandão
Prof. MSc. André Luís da Rocha Abbade Designer Gráfico e Diagramadora
Gerente da Educação Continuada
Juliano Inácio
Profª. Rosimara Salgado Produtor de Vídeos
Coordenadora NEaD e Designer Instrucional
Prof. José Renato Silva
Engª. Carolina Dionísio Leão Revisor Gramatical
Coautora
Vanessa Cândido Moreira
Eng. Daniel Bustamante da Rosa Secretária
Autor e Tutor

2019
Lista de Ilustrações

Figura 1 – Convergência da rede móvel......................................................................................................11


Figura 2 – Voz e mobilidade.........................................................................................................................11
Figura 3 – SMS.............................................................................................................................................12
Figura 4 - MMS.............................................................................................................................................12
Figura 5 – Rede Móvel simplificada.............................................................................................................13
Figura 6 – Estrutura básica do Sistema Celular............................................................................................14
Figura 7 – Conceito da criação de células dentro de uma região de cobertura.........................................15
Figura 8 – Evolução dos Sistemas Celulares...............................................................................................17
Figura 9 – Dimensões do SIM card..............................................................................................................19
Figura 10 – Intensidade do sinal da operadora...........................................................................................22
Figura 11 – Processo de handover..............................................................................................................23
Figura 12 – Exemplo de roaming.................................................................................................................23
Figura 13 – SID (System Identification)........................................................................................................24
Figura 14 – Padrões de primeira geração de telefonia móvel celular.........................................................26
Figura 15 – FDMA e TDMA no D-AMPS.......................................................................................................28
Figura 16 – D-AMPS – Alocação usuários. [3].............................................................................................29
Figura 17 – Arquitetura GSM........................................................................................................................30
Figura 18 – FDMA e TDMA no GSM.............................................................................................................32
Figura 19 – GSM – Alocação de usuários. ..................................................................................................32
Figura 20 – Sinal por espalhamento espectral x Sinal faixa estreita............................................................34
Figura 21 – Alocação de usuários no IS-95 (CDMA)...................................................................................35
Figura 22 – Arquitetura GPRS......................................................................................................................37
Figura 23 – Modem 3G................................................................................................................................44
Figura 24 – Trabalho conjunto dos órgãos 3GPP e 3GPP2 para compatibilidade do LTE.........................48
Figura 25 – Formação do Resource Block do LTE......................................................................................49
Figura 26 – Sistema MIMO 2x2....................................................................................................................50
Figura 27 – Arquitetura LTE-SAE...................................................................................................................52
Figura 28 – Evolução do 3G até o LTE Advanced........................................................................................53
Figura 29 – Requisitos para o 5G segundo ITU-R.......................................................................................56
Lista de Tabelas

Tabela 1 – Comparativo entre as tecnologias GSM, GPRS e EDGE............................................................39


Tabela 2 – Evolução das tecnologias 2G e 3G para CDMA........................................................................42
Tabela 3 – Evolução das tecnologias 2G e 3G para os padrões 3GPP.......................................................45

Lista de Gráficos

Gráfico 1 – Taxas de Transmissão no LTE....................................................................................................51


Lista de Siglas e Abreviações

16-QAM – 16-ary Quadrature Amplitude Modulation M2M - Machine to Machine


1G - Primeira Geração de Telefonia Móvel Celular MIMO – Multiple Input Multiple Output
2G - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular MME – Mobility Management Entity
3G - Terceira Geração de Telefonia Móvel Celular mMTC - Massive Machine-Type Communications
3GPP – 3 Generation Partnership Project
rd
MSC – Mobile Switching Center
4G - Quarta Geração de Telefonia Móvel Celular NMT – Nordic Mobile Telecommunications System
5G - Quinta Geração de Telefonia Móvel Celular NTT – Nippon Telephone & Telegraph
64-QAM – 64-ary Quadrature Amplitude Modulation OFDM – Orthogonal Frequency Division Multiplexing
AMPS – Advanced Mobile Phone System OFDMA – Orthogonal Frequency Division Multiple Access
ANATEL – Agência Nacional de Telecomunicações PCRF – Policy and Charging Resource Function
AUC – Authentication Center PDC – Personal Digital Cellular
BSS – Base Station System P-GW – Packet Data Network Gateway
CDMA – Code Division Multiple Access PSTN – Public Switched Telephone Network
D2D - Device to Device QPSK – Quadrature Phase Shift Keying
D-AMPS – Digital Advance Mobile Phone System RF – Radio Frequência
E2E - End to End SAE – System Architecture Evolution
EDGE – Enhanced Data Rates for GSM Evolution SC-FDMA – Single Carrier FDMA
EIR – Equipment Identity Register SGSN – Serving GPRS Support Node
EM – Estação Móvel S-GW – Serving Gateway
eNB – Evolved NodeB SID – System Identification
ERB – Estação Rádio Base TACS – Total Access Communication System
E-UTRAN – Evolved UMTS Terrestrial Radio Access TDMA – Time Division Multiple Access
EV-DO – Evolution Data Only uMTC - Ultra-reliable Machine Type Communications
EV-DV – Evolution Data and Voice UMTS – Universal Mobile Telecommunications System
FDMA – Frequency Division Multiple Access V2X - Vehicle-to-X
FIFA – Fédération Internationale de Football Association VLR – Visitor Location Register
GGSN – Gateway GPRS Support Node VoIP – Voice Over Internet Protocol
GMSK – Gaussian Minimum Shift Keying W-CDMA – Wideband Code Division Multiple Access
GPRS – General Packet Radio Service xMBB - Extreme Mobile Broad Band
GSM – Global System for Mobile Communication
HLR – Home Location Register
HSDPA – High Speed Downlink Packet Access
HSPA – High Speed Packet Access
HSPA+ – High Speed Packet Access Plus
HSS – Home Subscriber Server
HSUPA – High Speed Uplink Packet Access
IMEI – International Mobile Equipment Identity
IMTS – Improved Mobile Telephone System
IoT - Internet of Things
IP – Internet Protocol
ITU – International TelecommunicationUnion
ITU-R - International Telecommunication Union - Radiocommunication
LTE – Long Term Evolution
Sumário

Vídeo 1 - Boas Vindas!..................................................................................................................................9


Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular.....................................................................................10
1.1 SMS..............................................................................................................................................12
1.2 MMS..............................................................................................................................................12
1.3 Dados móveis...............................................................................................................................13
1.4 Princípios da telefonia celular: topologia simplificada da rede...................................................13
1.5 Tecnologias e frequências de sistemas móveis usadas no Brasil..............................................15
1.6 Evolução dos sistemas celulares.................................................................................................16
Vídeo 2 - Funcionamento de uma Rede Móvel...........................................................................................18
1.7 Função do SIM card.....................................................................................................................19
1.8 Procedimento de identificação do usuário na rede:....................................................................19
1.9 O que acontece quando o aparelho móvel é ligado?.................................................................20
1.10 Procedimento de estabelecimento de uma chamada:.............................................................20
Vídeo 3 - Estabelecendo uma chamada.....................................................................................................21
1.11 O que é cobertura de sinal e como posso saber se ela está boa ou não?..............................22
1.12 Como o sistema móvel faz para que as chamadas não caiam?...............................................22
1.13 Como é feita uma chamada quando o assinante está em roaming?.......................................23
Capítulo 2 - Primeira Geração de Telefonia Móvel Celular.........................................................................25
Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular........................................................................27
3.1 D-AMPS (Digital Advanced Mobile Phone System).....................................................................28
3.2 GSM (Global System for Mobile Communication)......................................................................30
3.3 IS-95 (CDMA)................................................................................................................................34
3.4 GPRS e EDGE para GSM.............................................................................................................36
3.4.1 GPRS (General Packet Radio Service)............................................................................36
3.4.2 EDGE (Enhanced Data Rates for GSM Evolution)..........................................................38
Capítulo 4 - Terceira Geração de Telefonia Móvel Celular..........................................................................41
4.1 CDMA2000....................................................................................................................................42
4.2 W-CDMA (UMTS)..........................................................................................................................43
4.3 HSPA/HSPA+...............................................................................................................................43
4.3.1 HSPA (High Speed Packet Access).................................................................................44
4.3.2 HSPA + (High Speed Packet Access Plus).....................................................................45
Capítulo 5 - Quarta Geração de Telefonia Móvel Celular............................................................................47
5.1 Especificação 3GPP LTE/SAE......................................................................................................48
5.2 Benefícios do LTE.........................................................................................................................48
5.3 Características de Operação........................................................................................................49
5.4 Arquitetura LTE-SAE.....................................................................................................................52
Capítulo 6 – Quinta Geração de Telefonia Móvel Celular...........................................................................54
6.1 – A evolução do sistema móvel...................................................................................................54
6.2 – Cenários e requisitos do 5G......................................................................................................55
Capítulo 7 - Considerações Finais .............................................................................................................59
Vídeo 4 - Revisão.........................................................................................................................................60
Quiz..............................................................................................................................................................61
Gabarito - Quiz.............................................................................................................................................63
Boas-vindas!
Prezado(a) Aluno(a),

Desde que Guglielmo Marconi demonstrou a capacidade da comunicação


do rádio, os sistemas de telecomunicações sem fio vêm evoluindo
constantemente. A necessidade da mobilidade na comunicação é notória.
As pessoas querem falar ao telefone celular enquanto andam pelas ruas, ou
enquanto estão no parque, no shopping, no ônibus ou no carro. Nos bares e
restaurantes, clientes acessam a Internet através de seus dispositivos móveis.
Muitos se comunicam com parentes e amigos distantes através de chats, vídeo
chamadas e sem a necessidade de estarem conectados a um terminal fixo.
Dados recentes da ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações)
confirmam um total de mais de 265 milhões de aparelhos celulares só no Brasil.
E este número com certeza aumentará substancialmente nos próximos anos.
Este módulo tratará dos conceitos da Telefonia Móvel Celular, assim como das
principais tecnologias envolvidas neste sistema. Será feita uma abordagem
geral desde as primeiras gerações de telefonia celular até a quarta, o 4G, foco
atual das operadoras de telecomunicações na instalação de redes por todo
o país. Serão mencionados os tipos de redes móveis que compõem estas
gerações e tecnologias para a mobilidade em telecomunicações.

Assista a seguir ao vídeo de boas-vindas que preparamos para você.

Bons estudos!
Vídeo 1 - Boas Vindas!
Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular

Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular

A rede para comunicações celulares foi inicialmente proposta pelos Labora-


tórios da Bell, nos Estados Unidos, em 1947. Entretanto, os experimentos só
começaram em 1978. Apesar do lançamento em 1979, em Chicago, o sistema
só começou a ser instalado completamente na América em 1984. Basicamente,
o sistema celular foi projetado para estabelecer comunicação de voz entre duas
estações móveis (aparelhos celulares) ou entre uma estação móvel e outra fixa
(aparelhos telefônicos convencionais fixos). No entanto, a convergência das
redes de telecomunicações não limita mais o sistema celular apenas às cha-
madas de voz. Atualmente, o sistema proporciona serviços variados, como por
exemplo, multimídia e dados em geral. A Figura 1 demonstra a convergência
da rede móvel:

Glossário

Multimídia: serviço ou combinação de


serviços que oferecem som, imagem,
vídeo, animação, textos, etc.

Anotações
Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular 11

O celular surgiu devido à necessidade de se


comunicar e de se movimentar. Isto é, as pessoas
já tinham o telefone fixo instalado em casa. Este
Vídeos serviço era – e ainda é – um serviço de grande
Documentos
de texto
Web apelo comercial. A ideia de ter um telefone junto
ao usuário, onde quer que ele esteja, atraiu mui-
tos investidores e pesquisadores. A corrida era em
busca de um telefone que pudesse estar onde o
seu dono estivesse e não o contrário. Desta forma,
Músicas
Fotos
a telefonia celular surgiu com o intuito de apenas
ser um telefone portátil. Transmitir voz entre dois
aparelhos móveis, dois celulares.
O serviço de voz foi o combustível para a cria-
Jogos Voz
ção da telefonia móvel. Hoje, com os smartphones no
E-mails mercado, a voz passou a ser apenas um dos inúme-
ros serviços oferecidos pelo sistema. A Figura 2 ilustra
Figura 1 – Convergência da rede móvel a possibilidade de voz e mobilidade de um celular:

Figura 2 – Voz e mobilidade

Anotações
12 Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular

1.1 SMS

O SMS (Short Message Service – Serviço de Men-


sagens Curtas) é um serviço disponível dentro da
rede de telefonia móvel que permite o envio de
mensagens curtas de texto entre os equipamen-
tos. Estas mensagens possuem um tamanho má-
ximo de 160 caracteres. Porém, dependendo do
aparelho, a mensagem não fica limitada em 160
caracteres, mas, a partir do 161º caractere, será
tarifado um segundo SMS de acordo com o plano
contratado do usuário, conforme ilustra a Figura 3.

Figura 3 – SMS

1.2 MMS

O MMS (Multimedia Message Service – Serviço de


Mensagens Multimídia) é uma tecnologia que permi-
te ao usuário enviar e receber mensagens multimí-
dias. O MMS é uma evolução do SMS que implicou
numa evolução da rede celular tradicional. Com o
MMS, os usuários poderão enviar e receber mensa-
gens não mais limitadas aos 160 caracteres do SMS,
bem como poderão enriquecê-las com recursos au-
diovisuais, como imagens, sons e gráficos. Ainda, os
usuários poderão encaminhá-las via e-mail, se assim
quiser. A Figura 4 ilustra uma MMS.
Em virtude do crescimento de uso de aplica-
tivos de mensagens OTT (Over The Top) como o
Whatsapp ou o Messenger, a utilização do SMS e
MMS tem caído significativamente.

Figura 4 - MMS

Anotações
Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular 13

1.3 Dados móveis

O serviço que mais cresce atualmente em uma rede ou tablet, que oferecem variados tipos de servi-
móvel é o acesso a dados. Esse é um dos grandes ços e entretenimento como, por exemplo: internet
motivos das operadoras estarem ampliando suas banking, acesso às redes sociais (Facebook, Insta-
redes, pois a demanda é cada vez maior. O uso gran, Whatsapp, Twitter, Snapchat, Linkedin, etc.),
da internet móvel permite que se acessem inúme- jogos on-line, download de vídeos, etc.
ros sites e aplicativos através de um smartphone

1.4 Princípios da telefonia celular: topologia simplificada da rede

O usuário está habituado com o aparelho celular na trás de tudo isso é bastante abstrata. Para se familia-
sua mão e não faz ideia da complexidade dos equi- rizar com o sistema, é importante primeiro relacionar
pamentos que o rodeia. Talvez a torre, que é bastante os equipamentos, suas funções com seu lugar na
visível também chame atenção, mas a tecnologia por rede. A Figura 5 faz essa relação:

A torre, a antena e
mais alguns Controladora
equipamentos ligados gerencia uma ou
a ela são chamados mais ERBs.
de site ou Estação
Rádio Base (ERB).

CONTROLADORA

O aparelho celular é
chamado de
Estação Móvel (EM)
REDE CORE Glossário

Tablet: dispositivo
As controladoras são eletrônico, móvel e
gerenciadas pela central pessoal, utilizado
chamada Rede Core. na maioria das
Toda inteligência da vezes para acesso
rede está aqui. a documentos,
utilização de
serviços multimídia
Figura 5 – Rede Móvel simplificada e acesso à internet.

Anotações
14 Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular

Agora, de uma maneira mais técnica, um sis- • Estação Móvel (EM): a Estação Móvel é o
tema celular é composto pelas Estações Móveis, aparelho celular em si. Contém internamen-
pela Rede de Acesso e pela rede Core. A Rede de te um transceptor, uma antena, circuitos de
Acesso é formada pela Estação Rádio Base (ERB) controle e o SIM card, que será descrito pos-
e por uma controladora que faz a gerência da ERB. teriormente, ainda neste módulo;
Já na Rede Core, encontram-se os elementos res- • Estação Rádio Base (ERB): consiste de
ponsáveis por gerenciar as chamadas, o acesso a transmissores, receptores, guias de onda,
dados, assim como controlar os perfis e gerar a ta- antenas e todo o conjunto que trata simulta-
rifação dos usuários. E é a partir da rede Core que neamente das comunicações duplex;
também se faz a conexão com a telefonia fixa, a
rede pública de telefonia comutada (PSTN – Public Controladora: gerencia as ERBs. Recebe
Switched Telephone Network) conforme Figura 6: suas solicitações e as repassa à rede Core. Tam-
bém pode ser chamada de BSC – Base Station
Controller ou RNC – Radio Network Controller;
Rede de Acesso
Controladora • Rede Core: tem como elemento princi-
BSC ou RNC Rede Core pal a MSC – Mobile Switching Center que
MSC coordena as atividades de todas as ERBs
a ela conectadas e conecta todas as es-
ERB tações móveis à PSTN. Uma MSC típica
pode tratar de 100 mil usuários de celular
PSTN e de 5 mil conversas simultâneas), além de
acomodar todas as funções de cobrança e
manutenção do sistema. Além da MSC, a
rede Core é composta de bancos de da-
EM dos que gerenciam os usuários, além de
dois elementos (SGSN - Serving GPRS Su-
pport Node e GGSN - Gateway GPRS Sup-
Telefone Fixo port Node) que trabalham com o acesso do
Figura 6 – Estrutura básica do Sistema Celular. usuário à internet.

Glossário

Gateway: equipamento destinado


para interligar redes.

Anotações
Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular 15

1.5 Tecnologias e frequências de sistemas móveis usadas no Brasil

Nos primeiros sistemas de telefonia móvel, conse- extensa, grande parte dos usuários ficava pratica-
guia-se uma grande área de cobertura usando-se mente sem nenhuma recepção de sinal.
um único transmissor de alta potência com uma Para resolver tal problema, a ideia foi em di-
antena montada em uma torre alta. Porém, este minuir drasticamente a área de cobertura e aumen-
tipo de estrutura não permitia uma boa qualidade tar a quantidade de transmissores. Desta forma,
de sinal para os usuários que estavam mais dis- criou-se o conceito de célula que consiste na subs-
tantes das estações rádio base, devido à falta de tituição de um único transmissor de alta potência
controle de potência. O controle de potência faz numa grande área por vários transmissores de
com que haja uma coerência na potência transmi- baixa potência com áreas de cobertura menores.
tida para que todos os usuários que estejam den- Assim, menos usuários ficam alocados por célula,
tro da área de cobertura possam receber um limiar permitindo dessa forma uma melhor distribuição
mínimo de qualidade de sinal. Com a falta deste do sinal. A Figura 7 ilustra essa transição:
controle e pelo fato da área de cobertura ser muito

Um único transmissor Vários transmissores


(Célula)

Figura 7 – Conceito da criação de células dentro de uma região de cobertura.

Através de técnicas de multiplexação de usuários por célula, sem que uma célula interfira
canais e reúso de frequências, o sistema celu- na outra adjacente.
lar alcança uma alta capacidade de alocação de

Anotações
16 Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular

SAIBA MAIS!
REÚSO DE FREQUÊNCIA

O reúso de frequência se refere a uma faixa especifica que constitui um canal de comunicação dentro do espectro eletro-
magnético. Portanto, quando se fala em reúso de frequência, significa reutilizar um canal de frequência.
O reúso de frequências permite que se use a mesma faixa em diferentes áreas de cobertura, ou seja, é possível reuti-
lizar o canal quando se está em áreas diferentes. Por exemplo, uma área de cobertura qualquer pode ser coberta por
uma faixa de frequência f1, uma segunda área pode ser coberta por uma faixa de frequência f2, uma terceira área,
por uma faixa de frequência f3 e assim por diante. Outra determinada área pode ser, novamente, coberta pela faixa
de frequência f1, desde que não seja vizinha da primeira, ou seja, desde que as áreas com reúso de frequências não
sejam adjacentes. Cada operadora pode trabalhar com as formas de reúso
que forem mais convenientes para o tamanho da rede. Uma forma de reúso B
ideal seria a de 7 frequências, como mostrada na Figura: B G C
O GSM faz uso da técnica de reúso de frequência. Já o 3G, uma tecnologia G C A
mais recente, utiliza apenas um canal de frequência. Porém, com técnicas A F D
de codificação para reutilizar o canal, obtendo assim, o mesmo resultado. F D E
As células com a mesma letra (A, B, C, D, E , F e G na Figura), podem usar o E B
mesmo conjunto de frequências. E são chamadas de células de reutilização. G C
O conjunto de células que utilizam todos os canais disponíveis (células A A
a G para fator de reutilização 7) é denominado de cluster. F D
Portanto, dentro de um cluster não existe reutilização de frequências. E

Figura - Reúso de frequências

1.6 Evolução dos sistemas celulares

Desde o surgimento da tecnologia para a telefonia AMPS (Advanced Mobile Phone System). Posterior-
móvel celular até os dias atuais, muitos padrões e mente, surgiram os sistemas digitais, dando início
sistemas foram desenvolvidos. Existem diferenças à segunda geração. Alguns sistemas de segunda
entre estes muitos sistemas, cada qual com suas geração se mostraram tão eficientes, que são utiliza-
características específicas, tornando-os não compa- dos até hoje, como o GSM (Global System for Mobile
tíveis uns com os outros em alguns casos. Communications). Novas técnicas de transmissão
Os sistemas celulares estão hoje na sua quarta digital foram desenvolvidas, e então surgiram os
geração. É comum utilizar os termos de 1G, 2G, 3G e sistemas 3G. Atualmente, o sistema mais avança-
4G para a primeira, segunda, terceira e quarta gerações do é o LTE (Long Term Evolution) que contempla a
respectivamente. No Brasil, as operadoras de telefonia quarta geração de telefonia móvel celular.
celular estão se mobilizando para implantar suas redes Entretando, a evolução já está prevista a par-
4G para atender a demanda por banda larga móvel. tir de 2020 com a quinta geração de comunicações
Os primeiros sistemas de telefonia móvel ce- móveis, trazendo muitas novidades.
lular eram todos analógicos. O primeiro a surgir foi o

Anotações
Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular 17

Segundo o relatório chamado Virtual Net- armazenamento de bit por memória. O fenômeno
work Index da CISCO, serão mais de 5,2 bilhões das redes sociais e mudanças comportamentais
de usuários móveis e mais de 11 bilhões de dis- colocaram o usuário comum na condição de gera-
positivos móveis conectados a rede a partir de dor de tráfego e não apenas consumidor. O tráfego
2019. Estima-se que o tráfego médio por disposi- nas redes wireless cresce exponencialmente e há
tivo móvel será de 2,8 Gbytes por mês, contra 359 demandas crescentes por taxas de transmissão
Mbytes em 2014. Tudo isto está sendo impulsiona- cada vez mais elevadas. Internet of Things (IoT),
do com a evolução tecnológica da capacidade de Internet of Everything (IoE) e Machine-to-Machine
processamento, da capacidade de armazenamen- (M2M) prometem aumentar de maneira imaginável
to das memórias, da resolução das câmeras e o número de dispositivos conectados.
telas de celulares, da geração de fotos e vídeos A Figura 8 mostra a evolução dos sistemas
e principalmente com a redução do custo de celulares e os respectivos principais padrões:

1G 2G 2,5G 3G 3,5G 4G
AMPS GSM GPRS UMTS HSPA
EDGE (WCDMA) HSPA+

D-AMPS
TACS IS-136
(TDMA)
LTE
NMT PDC

NTT IS-95A IS-95B CDMA 1XEV-DO


(CDMA) (CDMA) 2000 1XEV-DV

Figura 8 – Evolução dos Sistemas Celulares.

É importante relatar que quando surgiu a pri- uma banda larga móvel. Para que uma conexão de
meira geração, o sistema era voltado apenas para dados seja estabelecida utilizando as tecnologias
a utilização de voz. O sistema GSM (2G) é uma 3G e 4G, um endereço IP (Internet Protocol – Ende-
excelente tecnologia para esse serviço, tanto que reço de Protocolo de internet), ou, simplesmente
nos sistemas 3G e o 4G, no Brasil, o tratamento IP, é solicitado. O IP é um número que identifica
para a chamada utiliza o GSM. o dispositivo móvel do usuário na rede. Após ser
Os serviços de dados só começaram a ser identificado, o usuário poderá navegar na internet,
oferecidos após as tecnologias digitais 2G e 3G, baixar e-mails, enviar fotos, etc..
que hoje são cada vez mais demandados. O sis- O Vídeo 2 explica, de uma maneira bem sim-
tema LTE (4G) pode oferecer uma alta taxa de ve- ples, o funcionamento de uma rede móvel com
locidade para dados, atendendo a demanda por suas várias funcionalidades.

Anotações
Vídeo 2 - Funcionamento de uma Rede Móvel
Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular 19

1.7 Função do SIM card

O SIM (Subscriber Identity Module – Módulo de Iden- O SIM card deve ser inserido no aparelho
tificação do Assinante) fornece uma identificação ao do usuário para que possa ser utilizado com os
equipamento móvel. Sem o SIM, o aparelho móvel seus propósitos de rotina. Sua função básica é
fica inoperante (exceto para chamadas de emer- identificar o assinante para a rede.
gências). O SIM card possui um processador e um Como a velocidade de transmissão das re-
chip de memória permanentemente instalados em des aumenta com a evolução das tecnologias,
um cartão de plástico. Originalmente, os SIM cards o SIM card é substituído pelo USIM (Universal
tinham dimensões de 85 x 54 mm. Com a tecnologia Subscriber Identity Mobile) a partir da terceira
smart card e a redução de tamanho dos aparelhos, geração. O USIM foi projetado para prover fun-
hoje ele está em 25 x 15 mm. Atualmente, também ções como escolha de idioma, preferências para
são utilizados os micro SIM que apresentam dimen- roaming, segurança e autenticação.
sões de 15 x 12 mm e os nano SIM, com 12,3 x 8,8 Para proteger o SIM card de um uso impró-
mm. A Figura 9 mostra essa evolução. prio, um recurso de segurança foi inserido em
seu processo de ativação. Antes de usar o apa-
15mm
relho móvel, os usuários precisam oferecer um
Número de Identificação Pessoal (PIN – Personal
12mm Identification Number) de quatro dígitos. O PIN
8,8mm é armazenado no cartão. Se um PIN for inserido
25mm

erroneamente três vezes seguidas, o cartão fica


15mm

bloqueado e só poderá ser desbloqueado com


12,3mm

uma Chave de Desbloqueio do PIN, o PUK (PIN


Regular SIM Micro SIM Nano SIM Unlock Key). Esta chave possui oito dígitos, que
também são armazenados no cartão.
Figura 9 – Dimensões do SIM card.

1.8 Procedimento de identificação do usuário na rede:

O usuário precisa se identificar na rede para que algumas chaves de criptografia que possuem a fina-
ela o reconheça como sendo legítimo e permita lidade de checar se o usuário é ele mesmo, não um
seu acesso aos serviços disponíveis. clone. Recebendo estas chaves da rede, o aparelho
Para se registrar pela primeira vez, o aparelho móvel realiza alguns cálculos internos e responde
móvel envia sua identidade permanente chamada para a rede com outra chave de segurança. Estas
IMSI (International Mobile Subscriber Identity) que chaves são comparadas e, caso sejam iguais, a assi-
fica armazenada no SIM ou no USIM. Recebendo natura é validada e o processo requisitado será pas-
esta identidade, a rede gera e envia para o móvel sado adiante. Caso contrário, o acesso será negado.

Anotações
20 Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular

Estas chaves são geradas pelo elemento de de dados existe sempre em conjunto com a MSC.
rede chamado AuC (Authentication Center). O AuC Sua função é armazenar informações de um usuá-
é um centro de autenticação que na maioria das rio que esteja em uma rede visitante.
vezes é alocado em conjunto com o HLR (Home A última base de dados existente é chamada
Location Register). EIR (Equipment Identity Register) que armazena a
O HLR é uma base de dados que armazena identidade do equipamento móvel que é chamada
as informações dos assinantes, ou seja, o perfil do de IMEI (International Mobile Equipment Identity).
usuário, sua identidade, seu tipo de plano, sua lo- Todas estas bases de dados encontram-se
calização, etc. na rede Core.
Outra base de dados importante é chama-
da de VLR (Visitor Location Register). Esta base

1.9 O que acontece quando o aparelho móvel é ligado?

Quando o telefone celular é ligado, o aparelho pro- número de telefone do celular mais o número do car-
cura a rede que está registrada no cartão SIM. Quan- tão SIM (que é único no mundo), a identificação e
do a rede é encontrada, o sistema procura e define o login são feitos através do chip e não do aparelho,
a localização do cliente automaticamente. Com o como acontece em outras tecnologias.

1.10 Procedimento de estabelecimento de uma chamada:

Ao tentar realizar uma chamada, o usuário já es- chamada estiver disponível, uma conexão primária
tando registrado na rede, vai enviar os dígitos do é estabelecida. Neste momento, um canal de voz é
usuário chamado para a ERB que, de maneira alocado para o usuário e finalmente, estabelece-se a
transparente, fará com que esta informação passe conexão para a comunicação entre as partes.
pela controladora e chegue até a MSC. O Vídeo 3 ilustra, passo a passo, os proce-
Caso seja uma ligação entre estações móveis, dimentos de uma chamada entre um aparelho da
a MSC enviará os dígitos para as controladoras que rede móvel e um telefone fixo.
estão abaixo dela, e consequentemente, as contro-
ladoras enviarão para as ERBs que estão conecta-
Glossário
das a elas. Este é o processo de busca do usuário
chamado, mais conhecido como processo de pa- Canal: espaço, ou parcela, finita do espectro. Os
ging. No caso de uma chamada para uma estação canais são utilizados para alocar serviços e usuários.
fixa, a MSC envia os dados para a central telefôni- IMEI: Identificação Internacional do Equipamento
Móvel. Ou seja, é o número de identificação única e
ca da PSTN. Em qualquer um dos casos, se a parte global para o equipamento móvel.

Anotações
Vídeo 3 - Estabelecendo uma chamada
22 Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular

1.11 O que é cobertura de sinal e como posso saber se ela está boa ou não?

A cobertura de sinal é o nome que se dá à área Porém, o usuário não consegue realizar nenhum tipo
que está recebendo o sinal da(s) antena(s) que se de serviço como, por exemplo, acesso à Internet ou
encontra(m) na torre, chamadas de antenas trans- uma chamada de voz. Isso ocorre quando a rede
missoras do sinal. As antenas dos aparelhos celu- está congestionada, ou seja, as antenas conseguem
lares são as antenas que fazem a recepção deste transmitir o sinal, mas como há muitos usuários co-
sinal, chamadas de antenas receptoras. Se há si- nectados à mesma torre, este sinal é dividido entre
nal para o aparelho, há cobertura de sinal. todos, fazendo com que o mínimo de sinal seja en-
Se o celular está distante da torre de trans- viado ao usuário, o que muitas vezes não é o sufi-
missão e/ou existem obstáculos como prédios ou ciente para a realização dos serviços desejados. A
até mesmo fenômenos naturais como chuva ou Figura 10 ilustra essa condição:
neve entre a torre e o aparelho celular, a emissão
do sinal transmitido pode ser prejudicada. Para o
usuário, isso significa que ele está perdendo o si-
nal ou que está fora da área de cobertura. Para sa-
ber se isto está ocorrendo, é possível acompanhar
pela tela do aparelho a intensidade do sinal vindo
da operadora. Para os smartphones, também exis-
tem aplicativos que medem a intensidade do sinal
que chega ao aparelho. O nível mínimo de sinal
aceitável para o usuário varia de operadora para
operadora, porém em média seria de -110 dBm.
Outro cenário possível de ser observado é
quando o aparelho indica que há recepção de sinal. Figura 10 – Intensidade do sinal da operadora.

1.12 Como o sistema móvel faz para que as chamadas não caiam?

Em uma determinada situação, durante a conver- o aparelho celular, ou EM. Então, a MSC aloca a
sação, na qual o usuário está em movimento, a estação móvel em um novo canal, transportan-
estação móvel pode sair do raio de cobertura da do a chamada. Esse processo é denominado de
célula e entrar na cobertura de outra. Neste pro- handover.
cesso, à medida que a EM se afasta de sua célula, Há três tipos de handover: Hard Handover,
a intensidade do sinal diminui. A MSC, por sua vez, Soft Handover e o Inter-RAT-Handover, (RAT – Ra-
monitora o nível do sinal em intervalos de poucos dio Access Technology – Tecnologia de Acesso via
segundos e, ao verificar uma baixa intensidade, ela Rádio) sendo transparente, ou não, ao usuário. O
procura uma nova célula capaz de melhor alocar hard handover causa interrupção da conexão. Ou

Anotações
Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular 23

seja, a chamada cai. Isto acontece porque a es-


tação móvel comunica-se apenas com uma ERB.
Quando a EM se desloca para outra célula, a co-
municação precisa ser desfeita para que se possa
estabelecer comunicação com a nova célula. Em
um soft handover, as estações móveis podem se
comunicar com mais de uma ERB. Isto resulta em
um processo de transição de célula sem a necessi-
dade de encerrar a conexão. Já o Inter-RAT Hando-
ver ocorre quando um usuário muda de uma rede
HANDOVER
2G para uma rede 3G, ou vice-versa. A Figura 11
representa um cenário em que acontece o proces-
so de handover: Figura 11 – Processo de handover.

1.13 Como é feita uma chamada quando o assinante está em roaming?

Todos os sistemas celulares oferecem o serviço de MSC, está em uma MSC visitada e a estação móvel
roaming, que permite que assinantes operem em passa a ser uma EM visitante. As chamadas efetua-
áreas diferentes daquela na qual o serviço é assina- das por esta EM visitante, agora são comutadas e ro-
do. Quando uma estação móvel entra em uma cida- teadas pela MSC visitada. A Figura 12 ilustra a ideia
de ou área geográfica que não é de controle de sua do serviço de roaming:

Operadora

Operadora
Operadora

Operadora

Operadora

Operadora

Operadora
Operadora

Operadora

Figura 12 – Exemplo de roaming.

Anotações
24 Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular

Como pode ser observado na Figura 12, em terminal for compatível com as característi-
qualquer lugar do Brasil ou do mundo que tenha cas técnicas da operadora visitada e existir
uma cobertura compatível, o usuário estará co- um acordo de roaming desta com a opera-
nectado podendo receber e realizar chamadas ou dora do assinante.
navegar na internet, desde que o aparelho esteja
habilitado para o serviço. Para acontecer o Roaming, é preciso o des-
Atualmente, podem acontecer dois tipos locamento entre áreas distintas. Cada área é dife-
de roaming: renciada por um número chamado de SID (Sys-
tem Identification), ou seja, cada região ou cidade
• Roaming na operadora do assinante: acon- possui um SID diferente e é controlada por apenas
tece quando o usuário se move para fora de uma MSC. Para melhor compreender esse funcio-
sua área de mobilidade, mas dentro da área namento, cada DDD do Brasil representa um SID.
de cobertura de sua operadora; O 11, por exemplo, é o SID da região da grande
• Roaming com outra operadora: nesta situa- São Paulo. O 35, do Sul de Minas, o 19, da região
ção, o usuário se move para a área de cober- de Campinas e assim por diante. A Figura 13 apre-
tura de outra operadora (operadora visitada). senta essas características:
Neste caso, o roaming só será possível se o

MSC MSC

ROAMING

ROAMING

SID=11 SID=19

Figura 13 – SID (System Identification)

Além do SID, que identifica as áreas geográ- a operadora da cobertura. O MNC é fundamen-
ficas de cobertura, ainda existe o MNC (Mobile Ne- tal para o bom funcionamento do roaming entre
twork Code - Código de Rede Móvel) que identifica operadoras.

Anotações
Capítulo 2 - Primeira Geração de Telefonia Móvel Celular

A primeira geração de telefonia móvel celular foi projetada para a comunicação


analógica de voz. Após alguns sistemas de rádiotelefones móveis implantados
nos Estados Unidos para comunicação militar, marítima e posteriormente para
táxis e carros de polícia, surgiu na década de 1960 o IMTS (Improved Mobile
Telephone System). Porém, ele não caracterizava um sistema baseado em cé-
lulas. Este sistema fazia uso de 23 canais espalhados dentro da banda de 150
a 450 MHz. Devido ao pequeno número de canais, muitas vezes os usuários
tinham de esperar muito tempo antes de conseguirem uma possível conexão.
Além disso, devido à alta potência do transmissor, os sistemas adjacentes ti-
nham de estar a diversos quilômetros de distância uns dos outros para evitar
interferência. Surgiu então, para mudar isso, o AMPS.
O AMPS foi criado pelo Bell Labs e instalado nos Estados Unidos em
1982. Um sistema totalmente analógico que opera na frequência de 800
MHz e foi largamente utilizado na América do Norte, América do Sul, Austrá-
lia e Nova Zelândia.

Anotações
26 Capítulo 2 - Primeira Geração de Telefonia Móvel Celular

Outras tecnologias surgiram. Podemos citar


o TACS (Total Access Communication System), o
NMT (Nordic Mobile Telecommunications System)
e o NTT (Nippon Telephone & Telegraph) como
sendo as que mais se destacaram juntamente
com o AMPS. Ao contrário da segunda geração,
na primeira geração nenhuma tecnologia se tor-
nou dominante. A Figura 14 mostra os padrões
comercialmente lançados para a primeira geração
de telefonia móvel celular.

1G AMPS TACS NMT NTT

Figura 14 – Padrões de primeira geração de telefonia móvel celular.

Anotações
Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular

Os sistemas de segunda geração de telefonia móvel celular foram introduzidos


no início da década de 1990 e evoluíram a partir da primeira geração. Em um
processo de evolução analógico/digital, os sistemas 2G agora foram projetados
para trabalhar com voz digitalizada.
Diferentemente dos sistemas celulares de primeira geração, que faziam
uso da modulação analógica e apenas múltiplo acesso FDMA (Frequency Divi-
sion Multiple Access), os sistemas 2G utilizam modulações digitais e técnicas
de múltiplo acesso TDMA (Time Division Multiple Access) e CDMA (Code Divi-
sion Multiple Access).
Podem-se citar o D-AMPS (Digital Advanced Mobile Phone System), o
GSM (Global System for Mobile Communication), IS-95 (CDMA) e o PDC (Per-
sonal Digital Cellular) como sendo os mais notáveis padrões 2G. As principais
diferenças em relação à primeira geração estão na evolução analógico/digital,
nas novas aplicações possíveis graças ao aumento da taxa de bit e o aumento
da capacidade em função das técnicas de múltiplo acesso. Neste contexto, se-
rão abordados alguns dos principais padrões que foram e, ainda, são utilizados
para a segunda geração de sistema celular.

Anotações
28 Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular

3.1 D-AMPS (Digital Advanced Mobile Phone System)

O D-AMPS, também conhecido como IS-136, ou largura de faixa pode variar de acordo com a con-
TDMA, é o padrão americano para a segunda ge- cessão do espectro de cada país). Esta largura de
ração de telefonia celular. Surgiu da necessidade faixa é dividida em canais de 30 KHz, através da
de se obter um sistema mais eficiente e que ainda técnica de múltiplo acesso na frequência FDMA.
fosse compatível com o anterior AMPS analógico. Nestes canais de 30 KHz será alocado um quadro
Sendo assim, o D-AMPS opera na mesma faixa de (ou frame) formado por 6 time slots. A formação
frequência de 800 MHz do sistema anterior. Porém, deste quadro se dá através da técnica de múltiplo
também pode operar na faixa de 1900 MHz. acesso no tempo TDMA. A Figura 15 ilustra o con-
Assim como no AMPS, o D-AMPS com- ceito de múltiplo acesso na frequência e no tempo
partilha de uma largura de faixa de 25 MHz (esta do sistema D-AMPS:

D-AMPS - Múltiplo Acesso

Tme slots 1 2 3 4 5 6

Us
Us uá
uá rio
rio
Us
Potência uá
rio Potência

a
nci
Te
m quê
po Fre Te nci
a
m
po quê
Fre

FDMA TDMA

Figura 15 – FDMA e TDMA no D-AMPS.

SAIBA
MAIS Glossário
FDMA, T
DMA Time slots: abertura
e CDMA de tempo finita dentro
do quadro em que se
Clique a
qui para insere uma informação.
fazer do
wnload.

Anotações
Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular 29

No quadro composto por 6 time slots, pode- usuários dentro do canal de 30 KHz. A Figura 16
se alocar até três usuários, pois cada usuário ocu- ilustra conceitualmente como é realizada a aloca-
pará um par de frequências. Modulando este sinal ção de usuários no sistema D-AMPS:
digital em QPSK, consegue-se alocar estes três

D-AMPS - Alocação de usuários

7,95 Kbps

FDMA
EM3

30 KHz
7,95 Kbps

EM2 832
QPSK
7,95 Kbps

831
EM1 QPSK
TDMA 1 2 3 1 2 3
48,6 Kbps
001
QPSK
25 MHz

Figura 16 – D-AMPS – Alocação usuários. [3]

Pode-se perceber ainda na Figura 16, que


o sistema dispõe de 832 canais de voz. Cada ca-
SAIBA
nal de voz é digitalizado a uma taxa de 7,95 Kbps.
Após a formação do quadro, obtém-se uma taxa de
48,6 Kbps de dados digitais. Grande parte destes
MAIS
bits é para controle de erro e controle do sistema. QPSK
Este fluxo de bits é válido graças ao processo de
Clique a
conversão analógico/digital da voz que acontece qui para
fazer do
wnload.
ainda na estação móvel (aparelho celular).

Anotações
30 Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular

O D-AMPS ainda é muito utilizado nos Es- global do padrão europeu GSM, uma vez que,
tados Unidos. No Japão, ele foi utilizado em for- até mesmo dentro dos Estados Unidos, ele obte-
ma modificada e com outro nome. Esse padrão ve boa aceitação.
perdeu muito mercado devido à alta aceitação

3.2 GSM (Global System for Mobile Communication)

O GSM é um padrão europeu que foi desenvolvido A arquitetura do GSM segue a estrutura bási-
para oferecer a tecnologia de segunda geração de ca dos sistemas celulares, oferecendo também as
telefonia móvel celular para toda a Europa. A ideia mesmas funcionalidades dos demais sistemas. A
foi unificar os países europeus em um único padrão, arquitetura de referência do sistema GSM é apre-
substituindo uma série de tecnologias de primeira ge- sentada na Figura 17. Posteriormente, segue uma
ração incompatíveis entre si. Atualmente, o GSM é o breve definição dos componentes que contem-
padrão de telefonia celular mais utilizado no mundo. plam a arquitetura:
A priori, o sistema foi desenvolvido para traba-
lhar na banda dos 900 MHz, no entanto, adequações
para as bandas de 1,8 GHz e 1,9 GHz foram realizadas.

Outros MSCs

AUC EIR

HLR MSC PSTN

VLR

BSC BSC

ERB ERB EM ERB ERB

Figura 17 – Arquitetura GSM.

Anotações
Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular 31

• Estação Móvel (EM): a Estação Móvel é o • AUC (Authentication Center): o Centro de


terminal utilizado pelo assinante quando car- Autenticação trata da autenticação dos assi-
regado com um cartão inteligente. Este car- nantes que estão utilizando o sistema. Comu-
tão é conhecido como SIM Card (Subscriber nicando com a HLR, o AUC armazena uma
Indentity Module), ou Módulo de Identidade chave de identidade para cada assinante;
do Assinante. Sem a utilização do SIM Card, • EIR (Equipment Identity Register): o Re-
a estação móvel não poderá operar, pois não gistro de Identidade do Equipamento é a
estará associada a nenhum usuário; base de dados que armazena o IMEI (In-
• BSS (Base Station System): é parte do ternational Mobile Equipment Identity) das
sistema que se encarrega da comunicação estações móveis.
com as estações móveis em uma determina-
da área de cobertura. Constitui-se de várias Tratando agora da canalização do sistema
ERBs e um BSC (Base Station Controller), GSM, temos que assim como no D-AMPS (consi-
que controla as ERBs; derando uma largura de banda total de 25 MHz),
• MSC (Mobile Switching Center): o Centro o GSM compartilha de uma determinada largura
de Comutação Móvel é responsável por re- de banda em canais. O canal no GSM possui uma
alizar a comutação e sinalização das cha- largura de faixa de 200 KHz (contra 30 KHz do D-
madas, levando em conta a mobilidade dos AMPS). Verifica-se então, que com este aumento
assinantes, sejam esses locais ou visitantes; na largura do canal obtêm-se 124 canais de voz
para o sistema mediante acesso múltiplo na fre-
HLR (Home Location Register): o Registro quência (FDMA). Cada canal deste aloca, utilizan-
de Assinantes Locais é toda a base de dados que do TDMA, um quadro (ou frame) de 8 time slots,
contém as informações sobre os assinantes de um no qual cada slot alocará um usuário. A Figura 18
sistema celular; ilustra as etapas de múltiplo acesso na frequência
(FDMA) e no tempo (TDMA) do sistema GSM:
• VLR (Visitor Location Register): o Registro
de Assinantes Visitantes trata da base de da-
dos que contém informações sobre os assi-
nantes visitantes (em roaming), ou seja, que
não pertencem àquela MSC;

Anotações
32 Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular

GSM - Múltiplo Acesso

Tme slots 1 2 3 4 5 6 7 8

Us
Us uá
uá rio
rio
Us
Potência uá
rio

a
nci
Te
m quê
po Fre

FDMA TDMA

Figura 18 – FDMA e TDMA no GSM.

Posteriormente, por questões de imple- canal de 270,8 Kbps. Cada canal digital de 270,8
mentação do sistema, no GSM é necessário for- Kbps modula uma portadora mediante uma mo-
mar um “super quadro” composto por 26 frames. dulação GMSK (Gaussian Minimum Shift Keying).
Este super quadro, agora formado por 26 frames A Figura 19 mostra o processo de alocação de
de 8 time slots cada um, tem duração de 120 ms usuários no sistema GSM:
(mili segundos), resultando em uma taxa final do

GSM - Alocação de usuários

13 Kbps

FDMA
EM8

200 KHz
13 Kbps

EM7 124
GMSK
13 Kbps

123
EM1 GMSK

1 2 3 4 5 6 7 8

TDMA 001
GMSK
1 2 26
270,8 Kbps 25 MHz

Figura 19 – GSM – Alocação de usuários.

Anotações
Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular 33

Ainda na Figura 19, é importante notar a Torna-se claro aqui, que o sistema europeu
formação do quadro maior composto pelos 26 fra- superou o americano nos quesitos de capacidade
mes, sendo modulado para o canal de 200 KHz da (são 8 usuários por canal no GSM contra 3 no D-
banda de 25 MHz. A taxa de 270,8 Kpbs do canal AMPS) e qualidade na transmissão digital de voz.
é dividida entre os oito usuários, fornecendo então O resultado disso é o domínio da segunda geração
33,85 Kbps para cada usuário. Destes 33,85 Kbps, em grande parte do mundo. O GSM foi introduzido
grande parte dos bits é para controle de erros e no Brasil em 2002 e está em operação em quase
controle do sistema (como acontece no D-AMPS). todo o território nacional. Segundo dados recentes
Isto resulta finalmente em apenas 13 Kbps para a da ANATEL, só no Brasil, o número de aparelhos
utilização de voz. Ainda assim, esta taxa é maior celulares que utilizam a tecnologia GSM passam
que os 7,95 Kbps do D-AMPS, resultando em uma dos 178 milhões.
melhor qualidade de voz (ao custo de usar um ca-
nal com maior largura de banda).

SAIBA MAIS!
GMSK

A modulação GMSK (Gaussian Minimum Shift Keying - Chaveamento por


Deslocamento Mínimo Gaussiano ou Modulação estreita da faixa) é a técni-
ca que faz a inserção de dados na fase da portadora, permitindo o uso de
amplificadores mais simples, resultando em um sinal constante. Uma das
suas vantagens é ser imune a interferência.
A modulação MSK (Minimum Shift Keying) é um caso especial
da modulação FSK em que a frequência de uma portadora de ampli-
tude constante é comutada entre dois possíveis valores, minimamente
espaçados em frequência, tais que permitam a discriminação entre os
sinais. A fase é tal que a descontinuidade temporal entre dois símbolos
é minimizada, reduzindo o a largura do espectro. Um filtro Gaussiano
é aplicado, objetivando eficiência espectral (o filtro Gaussiano suaviza
adicionalmente a descontinuidade na transição entre os símbolos, redu-
zindo ainda mais a largura do espectro gerado)

Anotações
34 Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular

3.3 IS-95 (CDMA)

O padrão IS-95 também é conhecido como CDMA tempo, mas cada par de pessoas conversaria em
devido à sua técnica de múltiplo acesso, mas tam- um idioma diferente. O par que estivesse falando
bém é usado o nome da marca CdmaOne. Este em francês só reconheceria esse idioma, rejeitan-
sistema 2G é amplamente utilizado nos Estados do tudo que não fosse francês como ruído. Desse
Unidos, competindo fortemente com o D-AMPS. modo, a chave para o CDMA é a capacidade de
Os sistemas D-AMPS e GSM vistos anterior- extrair o sinal desejado e rejeitar todos os outros
mente faziam uso de FDMA e TDMA para dividir o como ruído aleatório.”
espectro em canais, e os canais em slots de tempo. O CDMA é uma tecnologia que utiliza a técni-
No padrão IS-95, a técnica de múltiplo acesso é o ca de espalhamento espectral como acesso, per-
CDMA (Code Division Multiple Access), ou seja, a mitindo o compartilhamento de uma mesma banda
alocação dos usuários é realizada por código. de frequências entre os usuários. O espalhamento
Para compreender a diferença entre esta espectral resulta literalmente no espalhamento do
técnica de múltiplo acesso no código, das de- sinal digital em uma determinada banda, transfor-
mais, é interessante acompanhar a analogia feita mando-o aparentemente em um ruído. Este sinal
por Tanenbaum: “Considere um saguão de um que agora é semelhante ao ruído possui um códi-
aeroporto com muitos pares de pessoas conver- go que é uma chave para o sinal de informação.
sando. Com o TDMA, todas as pessoas estariam Isso possibilita um aumento da capacidade no sis-
no meio do saguão, mas conversariam por turnos, tema celular, pois no CDMA é possível obter um
um par de pessoas de cada vez. Com o FDMA, padrão de reúso de 1, ou seja, é possível reutilizar
as pessoas formariam grupos bem separados, a mesma frequência de portadora em todas as cé-
cada grupo mantendo sua própria conversação lulas em função do acesso ao canal ser no código.
ao mesmo tempo, mas ainda independente dos A Figura 20 compara um sinal por espalhamento
outros grupos. Com o CDMA, todas as pessoas espectral com um sinal faixa estreita:
estariam no meio do saguão falando ao mesmo

DEP Sinal por


espalhamento
Sinal de
faixa estreita
espectral

Ruído

F[Hz]

Figura 20 – Sinal por espalhamento espectral x Sinal faixa estreita.

Anotações
Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular 35

No IS-95, o canal possui uma largura de faixa largura de banda total de 25 MHz para que uma
de 1,25 MHz, que é muito mais largo se compara- operadora de telefonia celular opere com CDMA,
do aos 30 KHz do D-AMPS ou 200 KHz no GSM. obtêm-se 20 canais de RF para realizar o espalha-
Isto se dá pelo fato de ser necessário espalhar o mento do sinal codificado. A Figura 21 ilustra como
sinal dentro deste canal. Considerando então uma é realizada a alocação de usuários no CDMA:

DEP IS-95 (CDMA) - Alocação de usuários

Usuário N

Usuário 4
Usuário 3
Usuário 2
Usuário 1

F [MHz]

1,25

Figura 21 – Alocação de usuários no IS-95 (CDMA).

A capacidade de alocar usuários por ca- A arquitetura e estrutura básica do IS-95 ofe-
nal no CDMA pode variar, pois quanto mais recem as mesmas funcionalidades básicas que
usuários forem alocados no mesmo canal, mais um sistema celular convencional oferece. As fre-
esse sinal se aproximará do ruído, aumentan- quências de operação foram padronizadas para
do a interferência entre os canais que utilizam a utilização nos Estados Unidos, onde contemplam
mesma banda, até que não seja mais possível as faixas de 800 MHz, 1,8 GHz e 1,9 GHz. No Brasil
decodificar o sinal. tem sido utilizada a faixa de 800 MHz.

Anotações
36 Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular

3.4 GPRS e EDGE para GSM

A evolução dos padrões 2G para 3G surgiu da ne- Dois padrões foram então desenvolvidos
cessidade de atrelar o serviço de dados ao serviço como uma evolução para o serviço de voz digital
de voz na telefonia móvel. Este fato se deve aos pa- do GSM. Conseguiu-se aumentar a taxa de bits do
drões 2G terem sido desenvolvidos antes da massifi- sistema, podendo assim oferecer o serviço de da-
cação da Internet, ou seja, foram padrões pensados dos em cima da tecnologia GSM de segunda ge-
exclusivamente para o serviço de voz digital. ração. Estes padrões são o GPRS (General Packet
Em meio a esta transição de tecnologias, Radio Service) e o EDGE (Enhanced Data Rates for
surgiu então o projeto para desenvolver padrões GSM Evolution), e são também conhecidos como
que conseguissem oferecer serviços de dados tecnologias 2,5G devido ao fato de terem sido de-
para tecnologias 2G. Conforme desenvolvidas ori- senvolvidos na transição 2G para 3G.
ginalmente, as redes 2G só admitem taxa de da-
dos para um único usuário na ordem de 10 Kbps,
o que é muito lento para aplicações rápidas como
e-mail e navegação pela Internet.

3.4.1 GPRS (General Packet Radio Service)

Como dito anteriormente, a evolução das tecnologias serviços de voz (VoIP – Voz sobre IP) e dados de
2G para 2,5G veio da necessidade de atrelar o serviço terceira geração. Permite também que as opera-
de voz ao serviço de dados. A massificação da Inter- doras de sistemas móveis celulares implementem
net mudou o perfil dos usuários, trazendo a neces- a migração em direção à terceira geração, pois
sidade dos usuários estarem conectados à rede de o desenvolvimento e o teste de novos serviços e
dados constantemente. Para acompanhar e atender aplicações serão utilizados, futuramente, no de-
essa mudança surgiu o GPRS. Esta tecnologia imple- senvolvimento das redes 3G.
menta novos serviços e aplicações nas redes GSM. A implantação do GPRS em uma rede GSM
O serviço GPRS utiliza os recursos já exis- realiza pequenas modificações na arquitetura
tentes na rede GSM, porém acrescenta uma infra- apresentada pelo GSM. A Figura 22 ilustra a arqui-
estrutura para suportar a comunicação de dados tetura GPRS:
que posteriormente será usada na integração dos

Anotações
Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular 37

Outros MSCs
BSS

BSC MSC PSTN

SGSN GGSN Internet


EM
ERB ERB
Outros redes
GPRS
Backbone

Figura 22 – Arquitetura GPRS.

A atualização de softwares no sistema se faz classificar o modo no qual o aparelho pode operar,
necessário, assim como a inclusão de roteadores sendo este modo denominado multislot, ou seja,
e gateways na ERB, além de dois novos elementos o número de time slots simultâneos que um de-
na rede, que são o SGSN e o GGSN: terminado aparelho consegue operar. Isto define a
taxa teórica de bits que o GPRS consegue operar.
• SGSN (Serving GPRS Support Node): man- Quando todos os oito time slots de um canal GSM
tém a conexão lógica dos usuários móveis são dedicados ao GPRS, um usuário individual é
quando estes realizam handover; capaz de alcançar até 171,2 Kbps.
• GGSN (Gateway GPRS Support Node): per- A taxa final alcançada por um usuário depen-
mite a conexão com a Internet e outros tipos derá não só da classe multislot, mas também do
de redes que suportam serviços de dados. compartilhamento do canal com outros usuários
de classes iguais ou diferentes e do tipo de codifi-
Dispondo dessa arquitetura, o GPRS oferece cação de erro e controle do canal.
uma rede de pacotes nos mesmos canais e banda Uma aplicação muito usual do GPRS é nos
de 200 KHz do GSM, não necessitando então de terminais POS (Point of Sale) sem fio, ou seja, nas
uma nova atribuição no espectro eletromagnético. máquinas de pagamento a cartão de crédito ou
Isso proporciona o aumento na taxa de dados do débito. Esta aplicação se dá pelo fato de que em
GPRS em relação ao GSM, é o fato de teoricamen- uma transação de pagamento (débito ou crédito)
te um usuário poder usar até os oito time slots dis- não demanda uma elevada taxa para transmitir as
poníveis então para voz, para o serviço de dados. informações. No contexto final, o resultado de dis-
Uma nova estação móvel, ou seja, um novo ponibilizar ao usuário um serviço de acesso à rede
aparelho celular é requerido para suportar o servi- de dados constante foi alcançado, mesmo que
ço oferecido pelo GPRS. Estes aparelhos são clas- este serviço esteja limitado a algumas aplicações.
sificados por classes. Estas classes existem para

Anotações
38 Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular

3.4.2 EDGE (Enhanced Data Rates for GSM Evolution)

A demanda por serviço de dados nos aparelhos 8-PSK. Esse esquema de modulação tem como prin-
celulares continuou crescendo. Sendo assim o cipal vantagem a melhoria da eficiência espectral,
EDGE se mostrou como uma evolução do padrão ou seja, há um ganho na taxa de transmissão.
GSM/GPRS rumo à terceira geração. Em algumas Com essa nova interface de rede e depen-
referências, alguns autores classificam o EDGE dendo dos esquemas de codificação de canal,
como uma tecnologia 2,75G. consegue-se na prática alcançar uma taxa máxi-
A arquitetura da rede não sofreu praticamen- ma em torno de 384 Kbps. Esta taxa é considerada
te nenhuma mudança durante a implementação do quando um único usuário estiver usando os oitos
EDGE frente ao GPRS. As mudanças estão por conta canais de rádio GSM. A Tabela 1 mostra as princi-
da interface aérea, que deve suportar agora um novo pais diferenças entre as tecnologias GSM, GPRS
esquema de modulação e de codificação de canal. e EDGE, evidenciando também as taxas máximas
Foi visto que no GSM e GPRS utiliza-se a modula- alcançadas pelos padrões:
ção GMSK. Já no EDGE, faz-se uso da modulação

SAIBA MAIS!
8PSK (0,1,0)

(0,1,1) (0,0,1)
Como visto anteriormente, o PSK é uma forma de modulação em
que a informação do sinal digital é embutida nos parâmetros de
fase da portadora. Neste sistema de modulação, quando há uma
(1,0,0) (0,0,0)
transição de um bit 0 para um bit 1 ou de um bit 1 para um bit 0,
a onda portadora sofre uma alteração de fase de 180 graus.
Com o aumento da quantidade de bits por símbolo, dispo-
nibilizada pela modulação 8PSK, foi possível colocar três vezes (1,0,1) (1,1,1)
mais informações no mesmo canal de rádio frequência usado (1,1,0)
pelo sistema, conforme ilustrado na Figura. Ou seja, para cada 3 bit/símbolo
três "timeslots" usados anteriormente, passou-se a compactar a
Figura – 8PSK
informação em apenas um "timeslot".

Glossário

Eficiência Espectral: quantidade de bits que


um sistema pode transferir no intervalo de 1
hertz. A eficiência espectral é dada em bits
por segundo por hertz bps/hertz.

Anotações
Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular 39

Tabela 1 – Comparativo entre as tecnologias GSM, GPRS e EDGE.

Tecnologia Serviço Taxa de transmissão máxima

Voz/comutação de circuito
GSM 13 Kbps
Dados/comutação de circuito

GPRS Dados/comutação de pacotes 170 Kbps

EDGE Dados/comutação de pacotes 384 Kbps

Assim como aconteceu no GPRS, novos


aparelhos são necessários para se utilizar o
serviço oferecido pelo EDGE. Porém, a faixa de
operação e a canalização são idênticas ao do
GSM/GPRS.
Fica aqui um evidente desafio para a terceira
geração: oferecer, além de voz digital, serviço de
dados em banda larga móvel.

Anotações
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testar seus conhecimentos no Campo Minado.
Capítulo 4 - Terceira Geração de Telefonia Móvel Celular

Quando surgiu a proposta para a terceira geração de telefonia móvel celular, a


ITU apresentou em 1992 um projeto denominado IMT-2000. Este projeto previa
que o sistema 3G deveria entrar em serviço no ano 2000, mas isso não aconte-
ceu. A primeira rede 3G comercial foi implantada no Japão em 2001.
Foi previsto também pelo IMT-2000 que seria desenvolvida uma única
tecnologia mundial que tornasse possível aos fabricantes construírem equipa-
mentos a serem utilizados em todo o mundo. Várias propostas foram feitas e,
após estudos e análises, restaram apenas duas, o W-CDMA (Wideband CDMA
– CDMA de Banda Larga) e o CDMA2000.
O W-CDMA é uma evolução para terceira geração do GSM, que deve ser
capaz de interoperar com redes GSM. Por sua vez, o CDMA2000 é uma evolu-
ção para o padrão IS-95 (CdmaOne), mas não foi criado para interoperar com
o padrão GSM.
Atualmente, as organizações de padrões ITU IMT-2000 estão distribuídas
em duas fundamentais organizações para padrões 3G de telefonia móvel celu-
lar: 3GPP (3rd Generation Partnership Project – Parceira de Projetos para Tercei-
ra Geração) e 3GPP2. O primeiro tem como base o W-CDMA para trabalhar a
compatibilidade com o GSM e IS-136 (D-AMPS). Por sua vez, o 3GPP2 trabalha
o padrão CDMA2000 com base na compatibilidade com o IS-95.

Anotações
42 Capítulo 4 - Terceira Geração de Telefonia Móvel Celular

A princípio, padrões 3G devem ser capazes


de oferecer acesso constante e de uma maneira
que não era possível antes. Boa experiência em
navegação à Internet, comunicação usando Voz
sobre IP (VoIP), chamadas ativadas por voz e uma
conexão onipresente são características da tercei-
ra geração. Para usufruir disto, é necessário que o
usuário disponha de um aparelho habilitado para
operar com as tecnologias de terceira geração.

4.1 CDMA2000

O CDMA2000 busca oferecer uma atualização de 1,25 MHz aos seus usuários de dados e
transparente e alta taxa de dados para os usuários admite mais de 2,4 Mbps de vazão de dados
da tecnologia CDMA 2G, utilizando o mesmo ca- instantâneos de alta velocidade por usuário,
nal de 1,25 MHz e mesma alocação no espectro. embora as taxas de dados reais do usuário
Logo, grandes alterações de hardware e de RF na normalmente sejam inferiores e altamente
rede não são necessárias. dependentes do número de usuários aloca-
O primeiro padrão para o CDMA2000 é cha- dos no canal;
mado CDMA 1x. Este nome é adotado pelo fato de • 1xEV-DV (1xEvolution Data and Voice): um
o sistema operar em um único canal de rádio de canal de 1,25 é compartilhado para dados e
1,25 MHz. O CDMA 1x teve sua evolução para o voz (Data and Voice – Dados e Voz). O CDMA
CDMA 1xEV (CDMA 1xEvolution) em duas etapas: 1xEV-DV aceita usuários de voz e dados e
consegue entregar uma taxa de dados de
• 1xEV-DO (1xEvolution Data Only): um canal até 144 Kbps.
de 1,25 MHz é dedicado apenas para dados
(Data Only – Apenas Dados). Sendo assim, o A Tabela 2 mostra a evolução das tecnologias
padrão CDMA2000 1xEV-DO dedica o canal CDMA da segunda e terceira geração:

Tabela 2 – Evolução das tecnologias 2G e 3G para CDMA.


Tecnologia Geração Taxa de transmissão máxima
IS-95 A/B (cdmaOne) 2G 14,4 Kbps
CDMA2000 3G 153 Kbps
CDMA 1xEV-DO 3G 2,4 Mbps

Anotações
Capítulo 4 - Terceira Geração de Telefonia Móvel Celular 43

Percebe-se aqui a vantagem do 1xEV-DO espectro e mesmo canal para alocação em redes
para a disponibilização do serviço de dados ao CDMA 2G. O CDMA2000 cumpre o papel de uma
usuário alocando um único canal para transpor- tecnologia verdadeiramente 3G, proporcionando
tar pacotes IP. Tudo isso reaproveitando a infraes- alta velocidade e baixa latência, enriquecendo a
trutura da rede, operando na mesma parcela do experiência dos usuários.

4.2 W-CDMA (UMTS)

A evolução natural dos padrões GSM, GPRS e EDGE técnicas FDMA e TDMA como múltiplo acesso.
é o W-CDMA, também conhecido como UMTS (Uni- O W-CDMA utiliza um canal de banda larga de 5
versal Mobile Telecommunications System – Sistema MHz, ou seja, 25 vezes maior do que no GSM. O
Móvel de Telecomunicações Universal). Desenvolvi- espalhamento espectral é realizado e o acesso é
do pelo órgão 3GPP, este padrão 3G foi projetado feito no código.
para trabalhar “sempre conectado” com base em O W-CDMA atende ao propósito inicial do
uma rede de pacotes, de modo que computadores e IMT-2000 de alcançar taxas na casa dos 2 Mbps.
dispositivos móveis em geral possam compartilhar a Na teoria, podem-se alcançar taxas de até 2,048
mesma rede sem fio e conectar-se à Internet a qual- Mbps por usuário. Isso é o suficiente para permitir
quer momento e em qualquer lugar. acesso a conteúdos multimídia, como stream de
A estrutura da rede e o formato de quadro áudio e de vídeo, por exemplo. Como o W-CDMA
em nível de bits do GSM são mantidos no W-CD- opera em um canal de 5 MHz, diferentemente do
MA. Como já foi visto, no padrão GSM, um canal GSM, GPRS e EDGE, uma atualização em nível de
tem largura de faixa de 200 KHz, fazendo uso das hardware de RF se faz necessário.

4.3 HSPA/HSPA+

Por volta do ano de 2007, o tráfego de dados exce-


deu o de voz nas redes 3G W-CDMA. A evolução
para o HSPA contribuiu para que se chegasse a
este marco. Isto também aconteceu devido ao fato
Glossário
das empresas desenvolverem modems 3G (Figura
23), possibilitando o acesso à banda larga móvel
Latência: intervalo de tempo entre o início da
de terceira geração em um dispositivo conectado transmissão da informação e o momento em
ao computador. que o destino de fato visualiza, ou utiliza, a
informação.
Stream: Fluxo ou seguimento.

Anotações
44 Capítulo 4 - Terceira Geração de Telefonia Móvel Celular

Como a necessidade para elevar a capa-


cidade de transferência de dados não para, a
organização 3GPP desenvolveu novas versões
para as especificações W-CDMA. Assim como
surgiram as tecnologias 2,5G na passagem da
segunda para a terceira geração, padrões evo-
lutivos de tecnologias 3G vieram como uma
solução 3,5G, enquanto a tecnologia de quarta
geração estava a caminho. O HSPA e o HSPA+
surgiram deste contexto.
Figura 23 – Modem 3G.

4.3.1 HSPA (High Speed Packet Access)

A tecnologia HSPA (High Speed Packet Access – Como o HSPA é uma evolução do W-CDMA,
Acesso de Pacotes em Alta Velocidade) é uma evolu- as operadoras não necessitam de uma nova atribui-
ção das redes 3G baseadas no padrão W-CDMA, que ção do espectro para operar. A largura de banda e o
provê um aumento da capacidade de transferência múltiplo acesso também são os mesmos utilizados
de dados a altas taxas de transmissão. Na prática, o anteriormente. O que justifica o aumento da taxa de
HSPA é implementado por um conjunto de protocolos transmissão no HSPA é o fato de existirem algumas
que melhoram o desempenho das redes W-CDMA. alterações na ordem das modulações digitais para
Esta evolução do W-CDMA proporcionou se conseguir uma melhor eficiência espectral. O con-
entre novidades, um novo canal para downlink trole de potência realizado na ERB compensa as va-
que melhora as aplicações para redes de pacotes, riações das condições de propagação do canal de
reduzindo significativamente a latência e possibi- downlink, realizando o conceito do enlace adaptati-
litando a transmissão de dados de até 14 Mbps. vo. Ou seja, o terminal móvel do usuário envia infor-
Este canal de downlink é chamado de HSDPA mações quanto às condições de propagações: caso
(High Speed Downlink Packet Access). este esteja com um nível degradado de sinal, a ERB
O canal de uplink também foi melhorado e adapta a melhor modulação para realizar a transmis-
aperfeiçoado, disponibilizando uma taxa maior e são a este usuário.
baixa latência. Mesmo que o maior tráfego seja
no sentido ERB – EM (Estação Rádio Base para
Glossário
Estação Móvel), existem aplicações que precisam
de qualidade no sentido EM – ERB, como envio
Downlink: comunicação e envio de informação no
de e-mails com grandes arquivos anexados, por sentido ERB – EM, ou seja, no sentido da estação
exemplo. Nesse sentido, o sistema elevou a taxa rádio base para a estação móvel.
de uplink para até 5,8 Mbps, e este canal é chama- Uplink: comunicação e envio de informação no
sentido EM – ERB, ou seja, no sentido da estação
do de HSUPA (High Speed Uplink Packet Access). móvel para a estação rádio base.

Anotações
Capítulo 4 - Terceira Geração de Telefonia Móvel Celular 45

4.3.2 HSPA + (High Speed Packet Access Plus)

A evolução do HSPA realmente ofereceu o salto Input – Multiple Output; Múltiplas Entradas – Múlti-
para a quarta geração de telefonia móvel celular. plas Saídas), ou seja, múltiplas antenas podem ser
O HSPA+ difere do padrão anterior no quesito utilizadas para combinar os sinais de transmissão
da ordem da modulação empregada e no siste- e recepção. Na prática utilizam-se duas antenas,
ma de transmissão. dobrando assim a taxa de pico de transmissão de
As modulações empregadas no HSPA são downink do HSPA.
QPSK e 16-QAM, que, conforme foi visto, operam O resultado da combinação do sistema
de forma adaptativa ao canal. O HSPA+ elevou a MIMO com uma modulação 64-QAM é o alcance
ordem da modulação para 64-QAM, aumentando de até 42 Mbps no downlink e 12 Mbps no uplink. A
assim a eficiência espectral. Tabela 3 mostra a evolução para os padrões 3GPP
Outra mudança significativa está na forma de até a terceira geração, evidenciando os valores
transmissão, o HSPA+ suporta o mecanismo de máximos alcançados no downlink.
múltipla entrada e múltipla saída MIMO (Multiple

Tabela 3 – Evolução das tecnologias 2G e 3G para os padrões 3GPP.


Taxa de transmissão máxima
Tecnologia Geração
(downlink)
GSM 2G 14 Kbps
GPRS 2,5G 170 Kbps
EDGE 2,5G 384 Kbps
WCDMA 3G 2 Mbps
HSPA 3,5G 14,4 Mbps
HSPA+ 3,5G 42 Mbps

O HSPA e o HSPA+ se tornaram as princi-


pais tecnologias de banda larga móvel implanta-
das em escala global e mostraram o caminho da
evolução para a quarta geração de telefonia móvel
celular (4G).

Anotações
46 Capítulo 4 - Terceira Geração de Telefonia Móvel Celular

SAIBA MAIS!
QAM

Na modulação QAM (Quadrature Amplitude Modulation), os símbolos são mapeados em


um diagrama de fase e quadratura, sendo que cada símbolo apresenta uma distância espe-
cífica da origem do diagrama que representa a sua amplitude, diferentemente da modula-
ção PSK, na qual todos os símbolos estão à igual distância da origem. Isto significa que as
informações são inseridas nos parâmetros de amplitude e quadratura da onda portadora.
No caso da modulação 16 QAM, a constelação apresenta 16 símbolos, sendo 4 em cada
quadrante do diagrama, o que significa que cada símbolo representa 4 bits. Podemos ter
também, por exemplo, o modo 64 QAM, cuja constelação apresenta 64 símbolos, cada um
deles representando 6 bits. A Figura apresenta as constelações geradas pelos dois modos
QAM mencionados:

16-QAM Q 64-QAM Q
+7 +7

+5

+3
+2.33

+1

-7 -2.33 +2.33 +7
I -7 -5 -3 -1 +1 +3 +5 +7
I
-1

-2.33

-3

-5

-7 -7

Figura – 16-QAM e 64-QAM

Anotações
Capítulo 5 - Quarta Geração de Telefonia Móvel Celular

Tornou-se notório, através do estudo da banda larga móvel, que a demanda por
mobilidade no acesso aos serviços na Internet, email, multimídia e outros mais,
não para de crescer.
Ao fim da terceira geração, já era possível usufruir das elevadas taxas de
transmissão com as evoluções do HSPA e HSPA+. No entanto, os órgãos com-
preendem a necessidade de melhorias significativas tanto na taxa de transmis-
são quanto na robustez da tecnologia, como a latência da rede, por exemplo, e
ainda a necessidade da implantação de uma arquitetura que seja simplificada e
preparada para facilitar as futuras instalações de gerações por vir.
A tecnologia para a quarta geração de telefonia móvel celular é o LTE
(Long Term Evolution). O LTE promove avanços nas redes 3G se utilizando de
vários elementos presentes na rede atual.

Anotações
48 Capítulo 5 - Quarta Geração de Telefonia Móvel Celular

5.1 Especificação 3GPP LTE/SAE

O LTE foi especificado pelo 3GPP para compor a órgãos 3GPP e 3GPP2 em um trabalho conjunto
arquitetura SAE (System Architecture Evolution), a para otimizar a cooperação com as tecnologias
qual se baseia em uma arquitetura IP. Ou seja, a de terceira geração. Isso implica então que re-
rede deve suportar de maneira eficiente qualquer des operando tanto em padrões da família GSM
serviço baseado em IP. A arquitetura está baseada (GPRS, EDGE, W-CDMA, HSPA e HSPA+) quanto
na evolução do núcleo da rede GSM/W-CDMA. da família CDMA (CDMA2000 e 1xEV-DO) poderão
Com relação à compatibilidade com outros evoluir suas redes para o LTE (Figura 24):
padrões, o LTE foi especificado por ambos os

CDMA 1XEV-DO
3GPP2 2000 1XEV-DV

LTE

3GPP GPRS EDGE WCDMA HSPA HSPA+

Figura 24 – Trabalho conjunto dos órgãos 3GPP e 3GPP2 para compatibilidade do LTE.

5.2 Benefícios do LTE

Dando continuidade a uma evolução paralela ao • Always-on: conectividade contínua, possibi-


trabalho de mobilidade realizado pelas tecnologias litando handover e roaming para redes mó-
3G, surgem então, a necessidade do aumento da veis de terceira geração;
velocidade para transferência de dados (em mui- • Simplicidade: implementação em paralelo
tos casos denominado throughput), além de outras com redes de transporte e núcleo baseado
necessidades. Estas necessidades podem ser de- em IP, simplificando então a construção, ma-
finidas como os benefícios da tecnologia LTE: nutenção e gerenciamento da rede. Possi-
bilita ainda uma simplicidade em termos de
• Baixa latência: através da arquitetura basea- implantação para a próxima geração;
da em serviços IP, a rede executa uma pilha de • Reutilização de infraestrutura: a implanta-
protocolos. Atrelada à alta eficiência espectral, ção da rede aproveita parte da rede legada
proporciona-se então um baixo tempo de latên- GSM/W-CDMA;
cia. A princípio o tempo de latência para o LTE • Robustez: além de oferecer elevada taxa de
foi especificado como sendo inferior a 10 ms; transmissão e baixa latência, o LTE dispõe

Anotações
Capítulo 5 - Quarta Geração de Telefonia Móvel Celular 49

da qualidade no serviço móvel mesmo quan- Além destas características vantajosas frente
do o usuário estiver utilizando a rede em al- às outras tecnologias, o LTE é capaz de oferecer
tas velocidades de deslocamento, podendo taxas de downlink superior a 100 Mbps. Atribuindo
chegar a 350 Km/h; esses benefícios ao serviço de telefonia móvel, em
• Variedade de terminais: assim como nas muitos casos a banda larga móvel pode competir
tecnologias 3G, o LTE abrange não só o apa- com a banda larga fixa em muitos quesitos, como
relho celular, mas outros dispositivos como por exemplo, preço, desempenho, segurança e
computadores (através de modems 4G), ta- ainda oferecendo mobilidade.
blets e qualquer outro dispositivo eletrônico
incorporado ao padrão LTE.

5.3 Características de Operação

As características de operação do LTE definitiva- multicarrier. No LTE, as subportadoras são distan-


mente vêm comprovar o porquê do aumento da ciadas em 15 KHz umas das outras. Estas subpor-
taxa de transmissão na rede. Para alcançar taxas tadoras podem ser moduladas individualmente de
acima de 100 Mbps, o LTE opera com a técnica maneira adaptativa utilizando modulações digitais
OFDM a fim de realizar a transmissão no downlink. QPSK, 16-QAM ou 64-QAM, formando assim sím-
Sendo assim, o acesso é realizado por OFDM, de- bolos OFDM.
nominado OFDMA (Orthogonal Frequency Division Os símbolos OFDM são agrupados em blo-
Multiple Access – Acesso por Múltipla Divisão Or- cos de recurso (resource block). Este bloco de
togonal na Frequência). recurso é formado por 7 símbolos OFDM em que
Conforme visto no módulo 5, o OFDM é uma cada símbolo carrega consigo 12 subportadoras.
técnica de transmissão onde a informação é dividi- O intervalo de formação de cada bloco de recurso
da em múltiplas subportadoras. Esta transmissão é de 0,5 ms. A Figura 25 ilustra a formação do re-
é conhecida como transmissão multiportadora ou source block:

Δf = 15 kHz

One resource block


(12 . 7 = 84 resource elements)

One slot
(Tslot = 0.5 ms, 7 OFDM symbols)

Figura 25 – Formação do Resource Block do LTE.

Anotações
50 Capítulo 5 - Quarta Geração de Telefonia Móvel Celular

Conforme observado na Figura 25, o resour- Portanto, esta é a taxa teórica de downlink no
ce block é formado por 84 elementos de recurso LTE alcançada através da formação do resource
(resource element). Com todas essas informações, block, mediante a técnica OFDM. No uplink, é utili-
é possível realizar o cálculo teórico da taxa de bit no zada outra técnica para transmissão. Esta técnica é
downlink do LTE. O cálculo é apresentado abaixo: uma versão pré-codificada do OFDM, chamada SC-
FDMA (Single Carrier FDMA – FDMA de Portadora
→ 12(subportadoras)x7(símbolos OFDM) = 84 re- Única). Esse esquema de transmissão no uplink é
source elements mais viável pelo fato da estação móvel não precisar
→ Considerando uma modulação 64-QAM tem-se requerer amplificadores de potência que acabariam
que cada subportadora modulada carrega 6 bits. rapidamente com a bateria. É possível obter taxas de
Portanto: 84x6 = 504 bits bit na casa dos 40 Mbps no uplink do LTE.
→ Para calcular a taxa de bit, divide-se o número Outra característica de operação relevante
de bits pelo intervalo de tempo do resource block: no LTE é a utilização do sistema de múltiplas ante-
nas MIMO (Multiple Input – Multiple Output), assim
504 como o HSPA+ o faz. Um sistema MIMO é caracte-
= 1, 008Mbps
0,5 x10−3 rizado por utilizar múltiplas antenas no transmissor
e também no receptor com o objetivo de aumentar
→ Considerando uma largura de faixa total de 20 o desempenho de um sistema de transmissão di-
MHz para operar, pode-se obter até 100 resource gital, possibilitando elevada taxa de bit e cobertura
blocks neste canal. estendida. Também é conhecido como uma forma
→ Por fim, multiplica-se a taxa de bit pela quan- de implementação de técnicas de antenas inteli-
tidade de resource blocks que um usuário pode gentes (smart antenna).
receber, chegando à taxa de bit teórica final de do- O sistema MIMO no LTE pode ser implemen-
wnlink no LTE: tado em duas configurações, sendo 2x2 ou 4x4.
Isto quer dizer que em um sistema MIMO 2x2 faz
100x1,008Mbps = 100,8 Mbps uso de duas antenas na transmissão e duas na re-
cepção. A configuração 4x4 eleva ainda mais o de-
sempenho, porém, encarece o sistema. A Figura
26 ilustra um sistema MIMO 2x2:

MIMO 2x2

Radio 1 Radio 1
Imput Output
TX RX
Radio 2 Radio 2

Figura 26 – Sistema MIMO 2x2.

Anotações
Capítulo 5 - Quarta Geração de Telefonia Móvel Celular 51

A taxa de bit, no downlink do LTE, calcula- alcançar taxas na ordem de 300 Mbps de down-
da algumas linhas atrás, desconsiderou a utiliza- link e 70 de uplink. O gráfico apresentado, na
ção do sistema MIMO. Considerando um sistema Gráfico 1, ilustra as taxas de bit alcançadas com
MIMO 2x2, esta taxa subiria para algo em torno a utilização MIMO na configuração 2x2 e na con-
de 150 Mbps no downlink e 50 no uplink. Fa- figuração 4x4, considerando ainda bandas de 5,
zendo uso de um sistema MIMO 4x4, é possível 10 e 20 MHz para operação:

Downlink
Uplink

350

300
Peak Data Rates [Mbps)

250

200

150

100

50

0
LTE 2x2 LTE 2x2 LTE 4x4
5+5 MHz 20+20 MHz 20+20 MHz

Gráfico 1 – Taxas de Transmissão no LTE.

Estas taxas são alcançadas em canais de 20 disponibilizaram serviços 4G. Em um cenário fu-
MHz de largura de banda. Algumas operadoras, turo, após o Switch Off da televisão analógica, as
tanto em outros países quanto no Brasil, podem operadoras contam com a possibilidade de operar
começar a operação do LTE com canais de 5 MHz, também na faixa de 700 MHz.
passando para 10 MHz e por fim chegarem à lar-
gura de banda do canal de 20 MHz.
As frequências de operação designadas
Glossário
para o LTE e definidas pelo 3GPP incluem dez
diferentes faixas. No Brasil, a ANATEL destinou a
Switch Off: processo de desligar,
faixa de 2,5 GHz para operar, e esta faixa já vem descontinuar ou cessar um
sendo utilizada pelas primeiras operadoras que sistema.

Anotações
52 Capítulo 5 - Quarta Geração de Telefonia Móvel Celular

5.4 Arquitetura LTE-SAE

Conforme já dito anteriormente, o LTE foi especificado Na arquitetura LTE, a estação rádio base
pelo 3GPP em cima da arquitetura SAE, que se baseia (ERB) é agora chamada de eNodeB (eNB). Esta
em uma arquitetura orientada a serviços IP. Essa nova é conectada diretamente ao núcleo da rede atra-
arquitetura é projetada para otimizar o desempenho vés do gateway SAE (SAE-GW), reduzindo assim
da rede, reduzir custos e proporcionar o conceito de o número de nós envolvidos na rede. A Figura 27
redes convergentes para as futuras gerações. ilustra a arquitetura LTE-SAE.

E-UTRAN SAE

MME HSS
Internet

eNB eNB S-GW P-GW


EM
PSTN
Núcleo
PCRF
de Rede

Figura 27 – Arquitetura LTE-SAE.

• E-UTRAN (Evolved UMTS Terrestrial Radio • S-GW (Serving Gateway): armazena e con-
Access): é composta de eNodeBs e esta- trola informações da EM no que diz respeito
ções móveis. Compõem a interface de rádio aos parâmetros de serviços IP. Realiza o ro-
do LTE especificada pelo 3GPP. Na E-UTRAN teamento dos pacotes de dados entre a rede
estão contidas as camadas físicas (PHY), de LTE e outras tecnologias 2G e 3G;
controle de acesso (MAC) e de controle de • P-GW (Packet Data Network Gateway): é
enlace de rádio (RLC); o roteador entre redes de pacotes externos,
• MME (Mobility Management Entity): ele- ou seja, realiza o controle de pacotes e aloca
mento de controle que realiza funções de endereços IP para uma EM fazendo com que
autenticação, gerenciamento de mobilidade este possa se comunicar com outros dispo-
e de usuário, segurança e autorização de ser- sitivos alocados em redes externas;
viços. O MME, interligado ao SAE-GW, realiza • HSS (Home Subscriber Server): contém o
a sinalização de controle para a compatibili- banco de dados de registros do usuário e
dade com os padrões 3GPP e 3GPP2; realiza as mesmas funções do HLR visto na
arquitetura GSM;

Anotações
Capítulo 5 - Quarta Geração de Telefonia Móvel Celular 53

• PCRF (Policy and Charging Resource Func- preparando para uma futura convergência de re-
tion): realiza funções de controle e política pro- des nas próximas gerações.
vendo QoS (Quality of Service) na rede. As especificações para uma evolução do
LTE, denominado LTE Advanced já começaram e
Analisando a arquitetura, atrelada aos seus testes de operação já foram até mesmo realizados.
avançados sistemas de transmissão digital e smart O órgão 3GPP considera o LTE Advanced uma tec-
antennas, pode-se evidenciar que o LTE atende nologia verdadeiramente 4G, pois neste padrão é
aos requisitos da quarta geração de telefonia mó- possível alcançar extraordinários 1Gbps em um
vel. Através desta tecnologia pode-se oferecer um ambiente móvel de telefonia celular. A Figura 28
serviço de banda larga móvel com elevado desem- ilustra a evolução das tecnologias para telefonia
penho, mediante altas taxas de bit tanto no down- móvel celular partindo do 3G até o LTE Advanced.
link quanto no uplink, oferecendo ainda uma baixa É questão de esperar para ver o que o futuro reser-
latência na rede. Tudo isso provendo ainda uma va para as próximas tecnologias do ambiente de
arquitetura que reduz a complexidade da rede, se mobilidade em telecomunicações.

Dados GSM 9,6kbps (SMS)


Voz GPRS/EDGE 160kbps a 473kbps

Dados
Voz
3G / WCDMA DL / UL: 384kbps

Downloads e Uploads
DL (HSDPA): 14.4Mbps
de Banda Larga HSPA
Voz UL (HSUPA): 5.72Mbps

Capacidade aumentada e
DL: 42Mbps
alta transferência de dados HSPA +
Voz UL: 1 1 Mbps

Rede de rádios desenvolvida para uma velocidade


DL: 172Mbps
ainda maior de transferência de dados 4G/LTE
Voz UL: 50Mbps

4G/LTE DL: 1GB


Advanced UL: 500Mbps

1990 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

Figura 28 – Evolução do 3G até o LTE Advanced.

Anotações
Capítulo 6 – Quinta Geração de Telefonia Móvel Celular

Capítulo 6 – Quinta Geração de Telefonia Móvel Celular

Apesar do 5G ainda estar em fase de desenvolvimento, ele nos promete trazer


inúmeros benefícios em meados de 2020, com uma taxa de transmissão mais
elevada, menor latência, maior capacidade, tudo isso para suportar o grande
crescimento de dispositivos móveis no mundo. Trata-se de uma tecnologia
completamente diferente das já existentes devido à variedade de cenários ao
qual se deve atender. Este módulo trata das tendências para o 5G, descrevendo
os principais cenários, bem como seus requisitos dependendo das necessida-
des dos serviços empregados.

6.1 – A evolução do sistema móvel

As comunicações móveis vêm crescendo vertiginosamente e os dados móveis


não tem ficado para trás. De acordo com uma pesquisa feita pelo site Conver-
gência Digital, está previsto que no Brasil o acesso a dados móveis cresça sete
vezes até o ano de 2020. Em decorrência disso, a evolução dos sistemas
móveis apresenta uma proposta mundial para 2020, a implantação da rede 5G.
Essa rede ainda está em processo de padronização, com alguns itens
ainda não definidos, ou seja, abertos a alterações. Porém, existem pontos

Anotações
Capítulo 6 – Quinta Geração de Telefonia Móvel Celular 55

fundamentais para que a rede funcione como: au- necessidade de estudar formas de utilizar outras
mentar a capacidade da rede para suportar um faixas de frequência, bem como melhorar a efici-
maior número de dispositivos devido a IoT (Inter- ência espectral com modulações mais elevadas
net of Things), melhor cobertura, células menores, (256QAM, 512QAM, 1024QAM), a utilização do
redução da latência para aplicações em tempo MIMO massivo será imprescindível e a rede deverá
real, taxas constantes, independente da localiza- ser flexível para suportar novos serviços que surgi-
ção na rede, para que o usuário tenha uma expe- rão em decorrência dessa tecnologia.
riência uniforme, dentre outros. Haverá também a

6.2 – Cenários e requisitos do 5G

O 5G deverá ser uma tecnologia completamente


diferente das existentes atualmente devido à di- • Extreme Mobile Broad Band (xMBB): oferece
versidade de cenários os quais deverá atender: taxas de transmissão de dados extremamen-
desde redes de sensores a transmissão de vídeos te elevadas e baixa latência nas comunica-
em alta definição em tempo real. Não se sabe ao ções para uma ampla área de cobertura. O
certo como deverá operar, mas é certo que será foco é melhorar a experiência do usuário e
desenvolvido através da integração de tecnologias fornecer uma comunicação confiável.
existentes com outras que ainda estão em estudo, • Massive Machine-Type Communications
atendendo todos os possíveis cenários conforme (mMTC): fornece conectividade sem fio para
suas necessidades. dezenas de milhares de dispositivos habili-
Diversas instituições, órgãos normativos e tados na rede. Conectividade escalável para
grandes empresas de tecnologia estão trabalhan- um crescente número de dispositivos, gran-
do em conjunto de uma forma ainda não vista na de área de cobertura e uma boa penetração
história das telecomunicações no sentido de aten- indoor são prioridades sobre as taxas de pico
der as exigências impostas pela variedade de ce- em comparação com xMBB. Possui foco em
nários, requisitos e aplicações. Esses requisitos cenários como IoT.
ainda não estão definidos na forma de padrões e • Ultra-reliable Machine Type Communications
cada uma dessas instituições apresenta pontos de (uMTC): fornece comunicação ultra confiável
vista um pouco diferentes sobre o que é realmente de baixa latência e / ou links resilientes para
necessário para que a rede funcione como o espe- serviços de rede com exigências extremas
rado. Isso faz com que cada uma delas siga uma sobre a disponibilidade, latência e confiabili-
linha de pesquisas que é de seu maior interesse, dade, por exemplo, podendo ser usada para
abrangendo assim todas as áreas a fim de conso- comunicação Vehicle-to-X (V2X) e aplicações
lidar um padrão global para o 5G. industriais.
Cada um dos serviços genéricos do 5G abor-
da um subconjunto diferente de requisitos e casos
de uso, e pode ser implementado por meio de di-
ferentes tecnologias de rádio frequência. Os servi-
ços genéricos são:

Anotações
56 Capítulo 6 – Quinta Geração de Telefonia Móvel Celular

Existem várias formas de classificar os pos- entre elas ou até mesmo o máximo desempenho
síveis cenários do 5G, sendo as principais delas: de ambas.
por vazão, latência, número de dispositivos conec- Uma forma de representar os requisitos da
tados e economia de bateria. Vale ressaltar que a rede para o 5G, comparando com o atual sistema
maioria das aplicações não se restringe à apenas LTE, pode ser visualizada na Figura 29, mostrando
uma categoria, podendo ocupar um meio termo o ponto de vista da ITU-R.

Enhancement of key capabilities fron IMT-Advanced to IMT-2020

Peak data rate User experienced


(Gbit/s) data rate (Mbit/s)

20 100

IMT-2020
10
1

Area traffic Spectrum


capacity efficiency
(Mbit/s/m²) 10 3x
1x
1
0.1

1x
350
10x 400
100x 500

Network Mobility
energy efficiency (km/h)
IMT-advanced
105 10

106 1

Connection density Latency


(devices/km) (ms)

Figura 29 – Requisitos para o 5G segundo ITU-R

O METIS, maior consórcio europeu na pes-


quisa rumo ao 5G, composto por diversas aca-
demias, fabricantes e operadores de telecomu-
nicações, especificou cinco principais cenários
e realizou alguns casos de testes sobre eles. Os
cenários são:

Anotações
Capítulo 6 – Quinta Geração de Telefonia Móvel Celular 57

Incrivelmente rápido rede massiva de sensores e atuadores, até uma


demanda de 900 GBytes/Km² em períodos de pico
Referente às altas taxas de dados para usuários em festivais.
de banda larga móvel, com boas experiências de
conectividades instantâneas a qualquer hora e em Comunicação onipresente das coisas
qualquer lugar, sem os atrasos comuns das redes
atuais. Este cenário visa a comunicação eficiente de um
A rede deverá ser capaz de suportar um flu- grande número de dispositivos diferentes entre si,
xo de dados de 1Gbps em 95% dos locais e de que estão operantes o tempo todo de forma ma-
5Gbps em 20% dos locais para atender, por exem- ciça. A maioria desses dispositivos será de baixa
plo, aplicações de realidade virtual em escritórios. complexidade, como sensoriamento e atuadores
Além disso, deverá suportar um volume de tráfego em residências ou plantações, mas também existi-
de 700Gbps/Km² (DL+UL) para lugares com alta rão dispositivos mais avançados, como aparelhos
densidade de transmissão de dados. industriais e médicos.
Independente do dispositivo, o desafio
Excelente serviço em multidão dessa rede é manter a conectividade gastando o
mínimo possível de potência, uma vez que a maio-
Os sistemas de comunicações móveis de hoje são ria deles depende da alimentação exclusivamente
projetados para atender, com uma largura de banda de baterias, que em alguns casos necessitam ter
razoável, usuários que não estejam em áreas ultra uma vida útil de anos.
densas. Entretanto, quando o número de dispositi- Como em cada sensor não há necessidade
vos conectados por área começa a aumentar, a ex- de altas taxas de transmissão de forma isolada, é
periência do usuário degrada significativamente. Um vantajoso para as redes de sensores operarem em
dos principais desafios do 5G será atender a essa frequências mais baixas, e como não requerem
demanda, uma vez que esse aumento no número de protocolos e técnicas de múltiplo acesso muito so-
dispositivos devido a IoT será enorme. A rede deverá fisticadas, o seu projeto é simplificado, melhoran-
atender também casos de grande concentração de do o alcance se comparado às frequências acima
pessoas, de forma que o usuário também tenha ex- de 6GHz propostas para o 5G.
periências razoáveis nesses casos.
O desafio técnico será fornecer uma alta va- Melhor experiência para o usuário
zão mesmo com a alta densidade de aparelhos
por área e manter uma relação custo benefício O foco desse cenário é que o usuário final, huma-
aceitável. Algumas soluções em pesquisa são o no ou máquina, estático ou em movimento tenham
aumento do número de estações rádio base, di- experiências similares, no que se diz respeito à co-
minuindo assim o raio da célula, e o escoamento nectividade confiável e altas taxas de dados.
de parte do tráfego através de comunicação D2D Para fornecer uma melhor experiência, a rede
(Device to Device). deve ser capaz de gerenciar de forma eficiente e
As exigências da rede em multidões variam rápida os requisitos de mobilidade, como a detec-
muito dependendo da aplicação aos quais devem ção das próximas células a se conectar, manter o
atender, variando desde taxas de 1Kbps, mas com perfeito funcionamento para velocidades relativas
cobertura de 99,99% da área para implantação de de 500Km/h, dentre outras funções.

Anotações
58 Capítulo 6 – Quinta Geração de Telefonia Móvel Celular

Conexões super confiáveis e em tempo real Esses critérios deverão oferecer a eficiência,
versatilidade e escalabilidade necessárias para
Este cenário se concentra em novas aplicações e que as tecnologias possam ser desenvolvidas a
casos de uso com requisitos muito rigorosos so- fim de atender o desempenho exigido.
bre latência e confiabilidade da rede. Aplicações O propósito do 5G é aperfeiçoar as tecnolo-
como teleproteção na rede para smart grid, comu- gias das gerações de comunicações móveis ante-
nicações de emergência, eficiência e segurança riores. A flexibilidade e a escalabilidade serão os
no trânsito, computação remota em tempo real ou pontos fundamentais para se colocar em prática
internet táctil, para dispositivos móveis, são ape- essa tecnologia. Será necessário satisfazer o cres-
nas alguns casos de testes os quais este cenário cimento acelerado do número de dispositivos mó-
representa. veis na rede, devido principalmente a IoT, e ainda
Atualmente, sempre que se ouve falar em melhorar a qualidade e a experiência de serviços
confiabilidade e baixa latência costuma-se vincular oferecidos aos usuários, oferecendo maior capaci-
o usuário final sendo o ser humano. Mas, para o dade, elevada taxa de transmissão, menor latên-
cenário futuro do 5G, onde existirão diversas apli- cia e ampla cobertura.
cações M2M (Machine to Machine) e D2D, espera-
se que essas aplicações exijam novas definições
de segurança e eficiência no tráfego, onde a latên-
cia E2E (End to End) deve tender a zero e o grau
de confiabilidade deve ser 99,999%.
Segundo pesquisas do METIS, a demanda
da rede para o 5G será a seguinte:

• Volume de dados móveis por área 1000x


maior;
• Taxa média por usuário de 10 a 100 vezes
maior;
• De 10 a 100 vezes mais dispositivos
conectados;
• Baterias com duração 10 vezes maior para
dispositivos de baixa potência;
• Latência na rede fim a fim 5 vezes menor.

Anotações
Capítulo 7 - Considerações Finais

Foi possível evidenciar neste módulo a crescente requisitos demandados pelos usuários e ainda repre-
demanda por mobilidade nos serviços de telecomu- senta uma grande porcentagem da banda larga mó-
nicações. Desde o surgimento dos primeiros telefo- vel no Brasil. Porém, como foi dito neste curso, o ce-
nes sem fio, as pessoas conseguiram perceber os nário de telecomunicações se mostra extremamente
benefícios que a mobilidade podia oferecer. dinâmico, a assim será através de muitas tecnologias
Foram vistas as gerações da telefonia móvel que ainda estão por vir.
celular desde a primeira, implantada ainda de forma O Vídeo 4 apresenta um resumo básico de tudo
analógica, até a quarta, totalmente digital baseada o que foi visto durante este módulo de Telefonia Móvel.
em uma arquitetura IP. Foi possível acompanhar os Dentre os assuntos, estão os serviços disponíveis na
avanços dos padrões e suas tecnologias. No início, rede móvel; a topologia da rede móvel, cobertura do
o sistema celular foi claramente pensado apenas sinal e o SIM card; o que acontece quando um celular
para o serviço de voz, porém com a massificação é ligado; como o celular percebe a rede e faz uma cha-
da Internet, as vertentes das tecnologias mudaram mada; como o aparelho faz para que as chamadas não
o foco, atribuindo suas direções para o serviço de caiam; como é feita uma chamada quando o assinante
dados e voz digitais em banda larga móvel. está em roaming; o espectro de frequência utilizado no
Atualmente as Operadoras de Telecom (como Brasil e as tendências das novas tecnologias.
são conhecidas) estão implantando suas redes 4G
pelo país. O avanço nas tecnologias é tão rápido, que Glossário
enquanto operadoras estão consolidando suas redes
Operadoras de Telecom: empresas privadas que
3G, outras já começam a implantar a tecnologia LTE. oferecem o serviço de telefonia móvel celular.
O serviço de terceira geração consegue atender aos

Anotações
Vídeo 4 - Revisão
Quiz
Chegou a hora de fazer um pequeno teste para avaliar o
que você aprendeu. Responda as questões abaixo e confira
as respostas corretas no final do livro.
Este questionário não é avaliativo, mas sim para fixação do conteúdo.

1. São tecnologias de terceira geração (3G) respectivamente:

a. GSM, W-CDMA e HSPA b. EDGE, W-CDMA, HSPA e HSPA+ c. W-CDMA, CDMA2000 e HSPA

2. Órgão padronizador que especificou o LTE para 4G:

a. IMT-2000 b. 3GPP c. ITU

3. Largura do canal no W-CDMA

a. 5 MHz b. 1,25 MHz c. 25 MHz

4. As taxas máximas (taxa de pico) de transmissão no downlink alcançadas pelo HSPA e HSPA+ são
respectivamente:

a. 14,4 e 42 Mbps b. 2 e 14,4 Mbps c. 42 e 100 Mbps

5. Arquitetura baseada em uma rede IP na qual foi especificada para a quarta geração de telefonia móvel celular.

a. SAE b. HSPA+ c. TCP/IP


6. Tempo máximo de latência na rede especificado para o LTE.

a. 1 ms b. 10 ms c. 50 ms

7. Técnica de múltiplo acesso empregada no LTE.

a. TDMA b. OFDMA c. CDMA

8. Sem a utilização de um sistema MIMO na transmissão, os valores máximos para as taxas de transmissão de
uplink e downlink no LTE são respectivamente:

a. 40 e 100 Mbps b. 50 e 150 Mbps c. 70 e 300 Mbps

9. Nome dado à interface de rádio no LTE.

a. eNB b. MME c. E-UTRAN

10. Taxa de pico no downlink especificada pelo 3GPP alcançada pelo LTE Advanced.

a. 1 Gbps b. 10 Gbps c. 500 Mbps


Gabarito - Quiz

Quiz
Questão Alternativa
1 c
2 b
3 a
4 a
5 a
6 b
7 b
8 a
9 c
10 a
Referências Bibliográficas

ALENCAR, Marcelo Sampaio de – Telefonia Celular Digital; 2ª Edição – São Paulo: Érica, 2004

ANATEL – (on-line) Disponível na internet. URL: [Link] 2013

FOROUZAN, Behrouz A. – Comunicação de Dados e Redes de Computadores; 4ª Edição – São Paulo:


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RAPPAPORT, Theodore S. – Comunicações sem Fio: Princípios e Práticas; 2ª Edição – São Paulo: Pearson, 2009

SVERZUT, José Umberto – Redes GSM, GRPS, EDGE e UMTS – Evolução a Caminho da Quarta Geração;
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TANEMBAUM, Andrew S. – Redes de Computadores; 4ª Edição – Rio de Janeiro: Elsevier, 2003

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