Apostila 5
Apostila 5
Telecomunicações
Conceitos e Tecnologias
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Fundação Instituto Nacional de Telecomunicações – Finatel
Telecomunicações
Conceitos e Tecnologias
Equipe Multidisciplinar
2019
Lista de Ilustrações
Lista de Gráficos
Bons estudos!
Vídeo 1 - Boas Vindas!
Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular
Glossário
Anotações
Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular 11
Anotações
12 Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular
1.1 SMS
Figura 3 – SMS
1.2 MMS
Figura 4 - MMS
Anotações
Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular 13
O serviço que mais cresce atualmente em uma rede ou tablet, que oferecem variados tipos de servi-
móvel é o acesso a dados. Esse é um dos grandes ços e entretenimento como, por exemplo: internet
motivos das operadoras estarem ampliando suas banking, acesso às redes sociais (Facebook, Insta-
redes, pois a demanda é cada vez maior. O uso gran, Whatsapp, Twitter, Snapchat, Linkedin, etc.),
da internet móvel permite que se acessem inúme- jogos on-line, download de vídeos, etc.
ros sites e aplicativos através de um smartphone
O usuário está habituado com o aparelho celular na trás de tudo isso é bastante abstrata. Para se familia-
sua mão e não faz ideia da complexidade dos equi- rizar com o sistema, é importante primeiro relacionar
pamentos que o rodeia. Talvez a torre, que é bastante os equipamentos, suas funções com seu lugar na
visível também chame atenção, mas a tecnologia por rede. A Figura 5 faz essa relação:
A torre, a antena e
mais alguns Controladora
equipamentos ligados gerencia uma ou
a ela são chamados mais ERBs.
de site ou Estação
Rádio Base (ERB).
CONTROLADORA
O aparelho celular é
chamado de
Estação Móvel (EM)
REDE CORE Glossário
Tablet: dispositivo
As controladoras são eletrônico, móvel e
gerenciadas pela central pessoal, utilizado
chamada Rede Core. na maioria das
Toda inteligência da vezes para acesso
rede está aqui. a documentos,
utilização de
serviços multimídia
Figura 5 – Rede Móvel simplificada e acesso à internet.
Anotações
14 Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular
Agora, de uma maneira mais técnica, um sis- • Estação Móvel (EM): a Estação Móvel é o
tema celular é composto pelas Estações Móveis, aparelho celular em si. Contém internamen-
pela Rede de Acesso e pela rede Core. A Rede de te um transceptor, uma antena, circuitos de
Acesso é formada pela Estação Rádio Base (ERB) controle e o SIM card, que será descrito pos-
e por uma controladora que faz a gerência da ERB. teriormente, ainda neste módulo;
Já na Rede Core, encontram-se os elementos res- • Estação Rádio Base (ERB): consiste de
ponsáveis por gerenciar as chamadas, o acesso a transmissores, receptores, guias de onda,
dados, assim como controlar os perfis e gerar a ta- antenas e todo o conjunto que trata simulta-
rifação dos usuários. E é a partir da rede Core que neamente das comunicações duplex;
também se faz a conexão com a telefonia fixa, a
rede pública de telefonia comutada (PSTN – Public Controladora: gerencia as ERBs. Recebe
Switched Telephone Network) conforme Figura 6: suas solicitações e as repassa à rede Core. Tam-
bém pode ser chamada de BSC – Base Station
Controller ou RNC – Radio Network Controller;
Rede de Acesso
Controladora • Rede Core: tem como elemento princi-
BSC ou RNC Rede Core pal a MSC – Mobile Switching Center que
MSC coordena as atividades de todas as ERBs
a ela conectadas e conecta todas as es-
ERB tações móveis à PSTN. Uma MSC típica
pode tratar de 100 mil usuários de celular
PSTN e de 5 mil conversas simultâneas), além de
acomodar todas as funções de cobrança e
manutenção do sistema. Além da MSC, a
rede Core é composta de bancos de da-
EM dos que gerenciam os usuários, além de
dois elementos (SGSN - Serving GPRS Su-
pport Node e GGSN - Gateway GPRS Sup-
Telefone Fixo port Node) que trabalham com o acesso do
Figura 6 – Estrutura básica do Sistema Celular. usuário à internet.
Glossário
Anotações
Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular 15
Nos primeiros sistemas de telefonia móvel, conse- extensa, grande parte dos usuários ficava pratica-
guia-se uma grande área de cobertura usando-se mente sem nenhuma recepção de sinal.
um único transmissor de alta potência com uma Para resolver tal problema, a ideia foi em di-
antena montada em uma torre alta. Porém, este minuir drasticamente a área de cobertura e aumen-
tipo de estrutura não permitia uma boa qualidade tar a quantidade de transmissores. Desta forma,
de sinal para os usuários que estavam mais dis- criou-se o conceito de célula que consiste na subs-
tantes das estações rádio base, devido à falta de tituição de um único transmissor de alta potência
controle de potência. O controle de potência faz numa grande área por vários transmissores de
com que haja uma coerência na potência transmi- baixa potência com áreas de cobertura menores.
tida para que todos os usuários que estejam den- Assim, menos usuários ficam alocados por célula,
tro da área de cobertura possam receber um limiar permitindo dessa forma uma melhor distribuição
mínimo de qualidade de sinal. Com a falta deste do sinal. A Figura 7 ilustra essa transição:
controle e pelo fato da área de cobertura ser muito
Através de técnicas de multiplexação de usuários por célula, sem que uma célula interfira
canais e reúso de frequências, o sistema celu- na outra adjacente.
lar alcança uma alta capacidade de alocação de
Anotações
16 Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular
SAIBA MAIS!
REÚSO DE FREQUÊNCIA
O reúso de frequência se refere a uma faixa especifica que constitui um canal de comunicação dentro do espectro eletro-
magnético. Portanto, quando se fala em reúso de frequência, significa reutilizar um canal de frequência.
O reúso de frequências permite que se use a mesma faixa em diferentes áreas de cobertura, ou seja, é possível reuti-
lizar o canal quando se está em áreas diferentes. Por exemplo, uma área de cobertura qualquer pode ser coberta por
uma faixa de frequência f1, uma segunda área pode ser coberta por uma faixa de frequência f2, uma terceira área,
por uma faixa de frequência f3 e assim por diante. Outra determinada área pode ser, novamente, coberta pela faixa
de frequência f1, desde que não seja vizinha da primeira, ou seja, desde que as áreas com reúso de frequências não
sejam adjacentes. Cada operadora pode trabalhar com as formas de reúso
que forem mais convenientes para o tamanho da rede. Uma forma de reúso B
ideal seria a de 7 frequências, como mostrada na Figura: B G C
O GSM faz uso da técnica de reúso de frequência. Já o 3G, uma tecnologia G C A
mais recente, utiliza apenas um canal de frequência. Porém, com técnicas A F D
de codificação para reutilizar o canal, obtendo assim, o mesmo resultado. F D E
As células com a mesma letra (A, B, C, D, E , F e G na Figura), podem usar o E B
mesmo conjunto de frequências. E são chamadas de células de reutilização. G C
O conjunto de células que utilizam todos os canais disponíveis (células A A
a G para fator de reutilização 7) é denominado de cluster. F D
Portanto, dentro de um cluster não existe reutilização de frequências. E
Desde o surgimento da tecnologia para a telefonia AMPS (Advanced Mobile Phone System). Posterior-
móvel celular até os dias atuais, muitos padrões e mente, surgiram os sistemas digitais, dando início
sistemas foram desenvolvidos. Existem diferenças à segunda geração. Alguns sistemas de segunda
entre estes muitos sistemas, cada qual com suas geração se mostraram tão eficientes, que são utiliza-
características específicas, tornando-os não compa- dos até hoje, como o GSM (Global System for Mobile
tíveis uns com os outros em alguns casos. Communications). Novas técnicas de transmissão
Os sistemas celulares estão hoje na sua quarta digital foram desenvolvidas, e então surgiram os
geração. É comum utilizar os termos de 1G, 2G, 3G e sistemas 3G. Atualmente, o sistema mais avança-
4G para a primeira, segunda, terceira e quarta gerações do é o LTE (Long Term Evolution) que contempla a
respectivamente. No Brasil, as operadoras de telefonia quarta geração de telefonia móvel celular.
celular estão se mobilizando para implantar suas redes Entretando, a evolução já está prevista a par-
4G para atender a demanda por banda larga móvel. tir de 2020 com a quinta geração de comunicações
Os primeiros sistemas de telefonia móvel ce- móveis, trazendo muitas novidades.
lular eram todos analógicos. O primeiro a surgir foi o
Anotações
Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular 17
Segundo o relatório chamado Virtual Net- armazenamento de bit por memória. O fenômeno
work Index da CISCO, serão mais de 5,2 bilhões das redes sociais e mudanças comportamentais
de usuários móveis e mais de 11 bilhões de dis- colocaram o usuário comum na condição de gera-
positivos móveis conectados a rede a partir de dor de tráfego e não apenas consumidor. O tráfego
2019. Estima-se que o tráfego médio por disposi- nas redes wireless cresce exponencialmente e há
tivo móvel será de 2,8 Gbytes por mês, contra 359 demandas crescentes por taxas de transmissão
Mbytes em 2014. Tudo isto está sendo impulsiona- cada vez mais elevadas. Internet of Things (IoT),
do com a evolução tecnológica da capacidade de Internet of Everything (IoE) e Machine-to-Machine
processamento, da capacidade de armazenamen- (M2M) prometem aumentar de maneira imaginável
to das memórias, da resolução das câmeras e o número de dispositivos conectados.
telas de celulares, da geração de fotos e vídeos A Figura 8 mostra a evolução dos sistemas
e principalmente com a redução do custo de celulares e os respectivos principais padrões:
1G 2G 2,5G 3G 3,5G 4G
AMPS GSM GPRS UMTS HSPA
EDGE (WCDMA) HSPA+
D-AMPS
TACS IS-136
(TDMA)
LTE
NMT PDC
É importante relatar que quando surgiu a pri- uma banda larga móvel. Para que uma conexão de
meira geração, o sistema era voltado apenas para dados seja estabelecida utilizando as tecnologias
a utilização de voz. O sistema GSM (2G) é uma 3G e 4G, um endereço IP (Internet Protocol – Ende-
excelente tecnologia para esse serviço, tanto que reço de Protocolo de internet), ou, simplesmente
nos sistemas 3G e o 4G, no Brasil, o tratamento IP, é solicitado. O IP é um número que identifica
para a chamada utiliza o GSM. o dispositivo móvel do usuário na rede. Após ser
Os serviços de dados só começaram a ser identificado, o usuário poderá navegar na internet,
oferecidos após as tecnologias digitais 2G e 3G, baixar e-mails, enviar fotos, etc..
que hoje são cada vez mais demandados. O sis- O Vídeo 2 explica, de uma maneira bem sim-
tema LTE (4G) pode oferecer uma alta taxa de ve- ples, o funcionamento de uma rede móvel com
locidade para dados, atendendo a demanda por suas várias funcionalidades.
Anotações
Vídeo 2 - Funcionamento de uma Rede Móvel
Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular 19
O SIM (Subscriber Identity Module – Módulo de Iden- O SIM card deve ser inserido no aparelho
tificação do Assinante) fornece uma identificação ao do usuário para que possa ser utilizado com os
equipamento móvel. Sem o SIM, o aparelho móvel seus propósitos de rotina. Sua função básica é
fica inoperante (exceto para chamadas de emer- identificar o assinante para a rede.
gências). O SIM card possui um processador e um Como a velocidade de transmissão das re-
chip de memória permanentemente instalados em des aumenta com a evolução das tecnologias,
um cartão de plástico. Originalmente, os SIM cards o SIM card é substituído pelo USIM (Universal
tinham dimensões de 85 x 54 mm. Com a tecnologia Subscriber Identity Mobile) a partir da terceira
smart card e a redução de tamanho dos aparelhos, geração. O USIM foi projetado para prover fun-
hoje ele está em 25 x 15 mm. Atualmente, também ções como escolha de idioma, preferências para
são utilizados os micro SIM que apresentam dimen- roaming, segurança e autenticação.
sões de 15 x 12 mm e os nano SIM, com 12,3 x 8,8 Para proteger o SIM card de um uso impró-
mm. A Figura 9 mostra essa evolução. prio, um recurso de segurança foi inserido em
seu processo de ativação. Antes de usar o apa-
15mm
relho móvel, os usuários precisam oferecer um
Número de Identificação Pessoal (PIN – Personal
12mm Identification Number) de quatro dígitos. O PIN
8,8mm é armazenado no cartão. Se um PIN for inserido
25mm
O usuário precisa se identificar na rede para que algumas chaves de criptografia que possuem a fina-
ela o reconheça como sendo legítimo e permita lidade de checar se o usuário é ele mesmo, não um
seu acesso aos serviços disponíveis. clone. Recebendo estas chaves da rede, o aparelho
Para se registrar pela primeira vez, o aparelho móvel realiza alguns cálculos internos e responde
móvel envia sua identidade permanente chamada para a rede com outra chave de segurança. Estas
IMSI (International Mobile Subscriber Identity) que chaves são comparadas e, caso sejam iguais, a assi-
fica armazenada no SIM ou no USIM. Recebendo natura é validada e o processo requisitado será pas-
esta identidade, a rede gera e envia para o móvel sado adiante. Caso contrário, o acesso será negado.
Anotações
20 Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular
Estas chaves são geradas pelo elemento de de dados existe sempre em conjunto com a MSC.
rede chamado AuC (Authentication Center). O AuC Sua função é armazenar informações de um usuá-
é um centro de autenticação que na maioria das rio que esteja em uma rede visitante.
vezes é alocado em conjunto com o HLR (Home A última base de dados existente é chamada
Location Register). EIR (Equipment Identity Register) que armazena a
O HLR é uma base de dados que armazena identidade do equipamento móvel que é chamada
as informações dos assinantes, ou seja, o perfil do de IMEI (International Mobile Equipment Identity).
usuário, sua identidade, seu tipo de plano, sua lo- Todas estas bases de dados encontram-se
calização, etc. na rede Core.
Outra base de dados importante é chama-
da de VLR (Visitor Location Register). Esta base
Quando o telefone celular é ligado, o aparelho pro- número de telefone do celular mais o número do car-
cura a rede que está registrada no cartão SIM. Quan- tão SIM (que é único no mundo), a identificação e
do a rede é encontrada, o sistema procura e define o login são feitos através do chip e não do aparelho,
a localização do cliente automaticamente. Com o como acontece em outras tecnologias.
Ao tentar realizar uma chamada, o usuário já es- chamada estiver disponível, uma conexão primária
tando registrado na rede, vai enviar os dígitos do é estabelecida. Neste momento, um canal de voz é
usuário chamado para a ERB que, de maneira alocado para o usuário e finalmente, estabelece-se a
transparente, fará com que esta informação passe conexão para a comunicação entre as partes.
pela controladora e chegue até a MSC. O Vídeo 3 ilustra, passo a passo, os proce-
Caso seja uma ligação entre estações móveis, dimentos de uma chamada entre um aparelho da
a MSC enviará os dígitos para as controladoras que rede móvel e um telefone fixo.
estão abaixo dela, e consequentemente, as contro-
ladoras enviarão para as ERBs que estão conecta-
Glossário
das a elas. Este é o processo de busca do usuário
chamado, mais conhecido como processo de pa- Canal: espaço, ou parcela, finita do espectro. Os
ging. No caso de uma chamada para uma estação canais são utilizados para alocar serviços e usuários.
fixa, a MSC envia os dados para a central telefôni- IMEI: Identificação Internacional do Equipamento
Móvel. Ou seja, é o número de identificação única e
ca da PSTN. Em qualquer um dos casos, se a parte global para o equipamento móvel.
Anotações
Vídeo 3 - Estabelecendo uma chamada
22 Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular
1.11 O que é cobertura de sinal e como posso saber se ela está boa ou não?
A cobertura de sinal é o nome que se dá à área Porém, o usuário não consegue realizar nenhum tipo
que está recebendo o sinal da(s) antena(s) que se de serviço como, por exemplo, acesso à Internet ou
encontra(m) na torre, chamadas de antenas trans- uma chamada de voz. Isso ocorre quando a rede
missoras do sinal. As antenas dos aparelhos celu- está congestionada, ou seja, as antenas conseguem
lares são as antenas que fazem a recepção deste transmitir o sinal, mas como há muitos usuários co-
sinal, chamadas de antenas receptoras. Se há si- nectados à mesma torre, este sinal é dividido entre
nal para o aparelho, há cobertura de sinal. todos, fazendo com que o mínimo de sinal seja en-
Se o celular está distante da torre de trans- viado ao usuário, o que muitas vezes não é o sufi-
missão e/ou existem obstáculos como prédios ou ciente para a realização dos serviços desejados. A
até mesmo fenômenos naturais como chuva ou Figura 10 ilustra essa condição:
neve entre a torre e o aparelho celular, a emissão
do sinal transmitido pode ser prejudicada. Para o
usuário, isso significa que ele está perdendo o si-
nal ou que está fora da área de cobertura. Para sa-
ber se isto está ocorrendo, é possível acompanhar
pela tela do aparelho a intensidade do sinal vindo
da operadora. Para os smartphones, também exis-
tem aplicativos que medem a intensidade do sinal
que chega ao aparelho. O nível mínimo de sinal
aceitável para o usuário varia de operadora para
operadora, porém em média seria de -110 dBm.
Outro cenário possível de ser observado é
quando o aparelho indica que há recepção de sinal. Figura 10 – Intensidade do sinal da operadora.
1.12 Como o sistema móvel faz para que as chamadas não caiam?
Em uma determinada situação, durante a conver- o aparelho celular, ou EM. Então, a MSC aloca a
sação, na qual o usuário está em movimento, a estação móvel em um novo canal, transportan-
estação móvel pode sair do raio de cobertura da do a chamada. Esse processo é denominado de
célula e entrar na cobertura de outra. Neste pro- handover.
cesso, à medida que a EM se afasta de sua célula, Há três tipos de handover: Hard Handover,
a intensidade do sinal diminui. A MSC, por sua vez, Soft Handover e o Inter-RAT-Handover, (RAT – Ra-
monitora o nível do sinal em intervalos de poucos dio Access Technology – Tecnologia de Acesso via
segundos e, ao verificar uma baixa intensidade, ela Rádio) sendo transparente, ou não, ao usuário. O
procura uma nova célula capaz de melhor alocar hard handover causa interrupção da conexão. Ou
Anotações
Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular 23
Todos os sistemas celulares oferecem o serviço de MSC, está em uma MSC visitada e a estação móvel
roaming, que permite que assinantes operem em passa a ser uma EM visitante. As chamadas efetua-
áreas diferentes daquela na qual o serviço é assina- das por esta EM visitante, agora são comutadas e ro-
do. Quando uma estação móvel entra em uma cida- teadas pela MSC visitada. A Figura 12 ilustra a ideia
de ou área geográfica que não é de controle de sua do serviço de roaming:
Operadora
Operadora
Operadora
Operadora
Operadora
Operadora
Operadora
Operadora
Operadora
Anotações
24 Capítulo 1 - O Sistema de Telefonia Móvel Celular
Como pode ser observado na Figura 12, em terminal for compatível com as característi-
qualquer lugar do Brasil ou do mundo que tenha cas técnicas da operadora visitada e existir
uma cobertura compatível, o usuário estará co- um acordo de roaming desta com a opera-
nectado podendo receber e realizar chamadas ou dora do assinante.
navegar na internet, desde que o aparelho esteja
habilitado para o serviço. Para acontecer o Roaming, é preciso o des-
Atualmente, podem acontecer dois tipos locamento entre áreas distintas. Cada área é dife-
de roaming: renciada por um número chamado de SID (Sys-
tem Identification), ou seja, cada região ou cidade
• Roaming na operadora do assinante: acon- possui um SID diferente e é controlada por apenas
tece quando o usuário se move para fora de uma MSC. Para melhor compreender esse funcio-
sua área de mobilidade, mas dentro da área namento, cada DDD do Brasil representa um SID.
de cobertura de sua operadora; O 11, por exemplo, é o SID da região da grande
• Roaming com outra operadora: nesta situa- São Paulo. O 35, do Sul de Minas, o 19, da região
ção, o usuário se move para a área de cober- de Campinas e assim por diante. A Figura 13 apre-
tura de outra operadora (operadora visitada). senta essas características:
Neste caso, o roaming só será possível se o
MSC MSC
ROAMING
ROAMING
SID=11 SID=19
Além do SID, que identifica as áreas geográ- a operadora da cobertura. O MNC é fundamen-
ficas de cobertura, ainda existe o MNC (Mobile Ne- tal para o bom funcionamento do roaming entre
twork Code - Código de Rede Móvel) que identifica operadoras.
Anotações
Capítulo 2 - Primeira Geração de Telefonia Móvel Celular
Anotações
26 Capítulo 2 - Primeira Geração de Telefonia Móvel Celular
Anotações
Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular
Anotações
28 Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular
O D-AMPS, também conhecido como IS-136, ou largura de faixa pode variar de acordo com a con-
TDMA, é o padrão americano para a segunda ge- cessão do espectro de cada país). Esta largura de
ração de telefonia celular. Surgiu da necessidade faixa é dividida em canais de 30 KHz, através da
de se obter um sistema mais eficiente e que ainda técnica de múltiplo acesso na frequência FDMA.
fosse compatível com o anterior AMPS analógico. Nestes canais de 30 KHz será alocado um quadro
Sendo assim, o D-AMPS opera na mesma faixa de (ou frame) formado por 6 time slots. A formação
frequência de 800 MHz do sistema anterior. Porém, deste quadro se dá através da técnica de múltiplo
também pode operar na faixa de 1900 MHz. acesso no tempo TDMA. A Figura 15 ilustra o con-
Assim como no AMPS, o D-AMPS com- ceito de múltiplo acesso na frequência e no tempo
partilha de uma largura de faixa de 25 MHz (esta do sistema D-AMPS:
Tme slots 1 2 3 4 5 6
Us
Us uá
uá rio
rio
Us
Potência uá
rio Potência
a
nci
Te
m quê
po Fre Te nci
a
m
po quê
Fre
FDMA TDMA
SAIBA
MAIS Glossário
FDMA, T
DMA Time slots: abertura
e CDMA de tempo finita dentro
do quadro em que se
Clique a
qui para insere uma informação.
fazer do
wnload.
Anotações
Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular 29
No quadro composto por 6 time slots, pode- usuários dentro do canal de 30 KHz. A Figura 16
se alocar até três usuários, pois cada usuário ocu- ilustra conceitualmente como é realizada a aloca-
pará um par de frequências. Modulando este sinal ção de usuários no sistema D-AMPS:
digital em QPSK, consegue-se alocar estes três
7,95 Kbps
FDMA
EM3
30 KHz
7,95 Kbps
EM2 832
QPSK
7,95 Kbps
831
EM1 QPSK
TDMA 1 2 3 1 2 3
48,6 Kbps
001
QPSK
25 MHz
Anotações
30 Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular
O D-AMPS ainda é muito utilizado nos Es- global do padrão europeu GSM, uma vez que,
tados Unidos. No Japão, ele foi utilizado em for- até mesmo dentro dos Estados Unidos, ele obte-
ma modificada e com outro nome. Esse padrão ve boa aceitação.
perdeu muito mercado devido à alta aceitação
O GSM é um padrão europeu que foi desenvolvido A arquitetura do GSM segue a estrutura bási-
para oferecer a tecnologia de segunda geração de ca dos sistemas celulares, oferecendo também as
telefonia móvel celular para toda a Europa. A ideia mesmas funcionalidades dos demais sistemas. A
foi unificar os países europeus em um único padrão, arquitetura de referência do sistema GSM é apre-
substituindo uma série de tecnologias de primeira ge- sentada na Figura 17. Posteriormente, segue uma
ração incompatíveis entre si. Atualmente, o GSM é o breve definição dos componentes que contem-
padrão de telefonia celular mais utilizado no mundo. plam a arquitetura:
A priori, o sistema foi desenvolvido para traba-
lhar na banda dos 900 MHz, no entanto, adequações
para as bandas de 1,8 GHz e 1,9 GHz foram realizadas.
Outros MSCs
AUC EIR
VLR
BSC BSC
Anotações
Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular 31
Anotações
32 Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular
Tme slots 1 2 3 4 5 6 7 8
Us
Us uá
uá rio
rio
Us
Potência uá
rio
a
nci
Te
m quê
po Fre
FDMA TDMA
Posteriormente, por questões de imple- canal de 270,8 Kbps. Cada canal digital de 270,8
mentação do sistema, no GSM é necessário for- Kbps modula uma portadora mediante uma mo-
mar um “super quadro” composto por 26 frames. dulação GMSK (Gaussian Minimum Shift Keying).
Este super quadro, agora formado por 26 frames A Figura 19 mostra o processo de alocação de
de 8 time slots cada um, tem duração de 120 ms usuários no sistema GSM:
(mili segundos), resultando em uma taxa final do
13 Kbps
FDMA
EM8
200 KHz
13 Kbps
EM7 124
GMSK
13 Kbps
123
EM1 GMSK
1 2 3 4 5 6 7 8
TDMA 001
GMSK
1 2 26
270,8 Kbps 25 MHz
Anotações
Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular 33
Ainda na Figura 19, é importante notar a Torna-se claro aqui, que o sistema europeu
formação do quadro maior composto pelos 26 fra- superou o americano nos quesitos de capacidade
mes, sendo modulado para o canal de 200 KHz da (são 8 usuários por canal no GSM contra 3 no D-
banda de 25 MHz. A taxa de 270,8 Kpbs do canal AMPS) e qualidade na transmissão digital de voz.
é dividida entre os oito usuários, fornecendo então O resultado disso é o domínio da segunda geração
33,85 Kbps para cada usuário. Destes 33,85 Kbps, em grande parte do mundo. O GSM foi introduzido
grande parte dos bits é para controle de erros e no Brasil em 2002 e está em operação em quase
controle do sistema (como acontece no D-AMPS). todo o território nacional. Segundo dados recentes
Isto resulta finalmente em apenas 13 Kbps para a da ANATEL, só no Brasil, o número de aparelhos
utilização de voz. Ainda assim, esta taxa é maior celulares que utilizam a tecnologia GSM passam
que os 7,95 Kbps do D-AMPS, resultando em uma dos 178 milhões.
melhor qualidade de voz (ao custo de usar um ca-
nal com maior largura de banda).
SAIBA MAIS!
GMSK
Anotações
34 Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular
O padrão IS-95 também é conhecido como CDMA tempo, mas cada par de pessoas conversaria em
devido à sua técnica de múltiplo acesso, mas tam- um idioma diferente. O par que estivesse falando
bém é usado o nome da marca CdmaOne. Este em francês só reconheceria esse idioma, rejeitan-
sistema 2G é amplamente utilizado nos Estados do tudo que não fosse francês como ruído. Desse
Unidos, competindo fortemente com o D-AMPS. modo, a chave para o CDMA é a capacidade de
Os sistemas D-AMPS e GSM vistos anterior- extrair o sinal desejado e rejeitar todos os outros
mente faziam uso de FDMA e TDMA para dividir o como ruído aleatório.”
espectro em canais, e os canais em slots de tempo. O CDMA é uma tecnologia que utiliza a técni-
No padrão IS-95, a técnica de múltiplo acesso é o ca de espalhamento espectral como acesso, per-
CDMA (Code Division Multiple Access), ou seja, a mitindo o compartilhamento de uma mesma banda
alocação dos usuários é realizada por código. de frequências entre os usuários. O espalhamento
Para compreender a diferença entre esta espectral resulta literalmente no espalhamento do
técnica de múltiplo acesso no código, das de- sinal digital em uma determinada banda, transfor-
mais, é interessante acompanhar a analogia feita mando-o aparentemente em um ruído. Este sinal
por Tanenbaum: “Considere um saguão de um que agora é semelhante ao ruído possui um códi-
aeroporto com muitos pares de pessoas conver- go que é uma chave para o sinal de informação.
sando. Com o TDMA, todas as pessoas estariam Isso possibilita um aumento da capacidade no sis-
no meio do saguão, mas conversariam por turnos, tema celular, pois no CDMA é possível obter um
um par de pessoas de cada vez. Com o FDMA, padrão de reúso de 1, ou seja, é possível reutilizar
as pessoas formariam grupos bem separados, a mesma frequência de portadora em todas as cé-
cada grupo mantendo sua própria conversação lulas em função do acesso ao canal ser no código.
ao mesmo tempo, mas ainda independente dos A Figura 20 compara um sinal por espalhamento
outros grupos. Com o CDMA, todas as pessoas espectral com um sinal faixa estreita:
estariam no meio do saguão falando ao mesmo
Ruído
F[Hz]
Anotações
Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular 35
No IS-95, o canal possui uma largura de faixa largura de banda total de 25 MHz para que uma
de 1,25 MHz, que é muito mais largo se compara- operadora de telefonia celular opere com CDMA,
do aos 30 KHz do D-AMPS ou 200 KHz no GSM. obtêm-se 20 canais de RF para realizar o espalha-
Isto se dá pelo fato de ser necessário espalhar o mento do sinal codificado. A Figura 21 ilustra como
sinal dentro deste canal. Considerando então uma é realizada a alocação de usuários no CDMA:
Usuário N
Usuário 4
Usuário 3
Usuário 2
Usuário 1
F [MHz]
1,25
A capacidade de alocar usuários por ca- A arquitetura e estrutura básica do IS-95 ofe-
nal no CDMA pode variar, pois quanto mais recem as mesmas funcionalidades básicas que
usuários forem alocados no mesmo canal, mais um sistema celular convencional oferece. As fre-
esse sinal se aproximará do ruído, aumentan- quências de operação foram padronizadas para
do a interferência entre os canais que utilizam a utilização nos Estados Unidos, onde contemplam
mesma banda, até que não seja mais possível as faixas de 800 MHz, 1,8 GHz e 1,9 GHz. No Brasil
decodificar o sinal. tem sido utilizada a faixa de 800 MHz.
Anotações
36 Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular
A evolução dos padrões 2G para 3G surgiu da ne- Dois padrões foram então desenvolvidos
cessidade de atrelar o serviço de dados ao serviço como uma evolução para o serviço de voz digital
de voz na telefonia móvel. Este fato se deve aos pa- do GSM. Conseguiu-se aumentar a taxa de bits do
drões 2G terem sido desenvolvidos antes da massifi- sistema, podendo assim oferecer o serviço de da-
cação da Internet, ou seja, foram padrões pensados dos em cima da tecnologia GSM de segunda ge-
exclusivamente para o serviço de voz digital. ração. Estes padrões são o GPRS (General Packet
Em meio a esta transição de tecnologias, Radio Service) e o EDGE (Enhanced Data Rates for
surgiu então o projeto para desenvolver padrões GSM Evolution), e são também conhecidos como
que conseguissem oferecer serviços de dados tecnologias 2,5G devido ao fato de terem sido de-
para tecnologias 2G. Conforme desenvolvidas ori- senvolvidos na transição 2G para 3G.
ginalmente, as redes 2G só admitem taxa de da-
dos para um único usuário na ordem de 10 Kbps,
o que é muito lento para aplicações rápidas como
e-mail e navegação pela Internet.
Como dito anteriormente, a evolução das tecnologias serviços de voz (VoIP – Voz sobre IP) e dados de
2G para 2,5G veio da necessidade de atrelar o serviço terceira geração. Permite também que as opera-
de voz ao serviço de dados. A massificação da Inter- doras de sistemas móveis celulares implementem
net mudou o perfil dos usuários, trazendo a neces- a migração em direção à terceira geração, pois
sidade dos usuários estarem conectados à rede de o desenvolvimento e o teste de novos serviços e
dados constantemente. Para acompanhar e atender aplicações serão utilizados, futuramente, no de-
essa mudança surgiu o GPRS. Esta tecnologia imple- senvolvimento das redes 3G.
menta novos serviços e aplicações nas redes GSM. A implantação do GPRS em uma rede GSM
O serviço GPRS utiliza os recursos já exis- realiza pequenas modificações na arquitetura
tentes na rede GSM, porém acrescenta uma infra- apresentada pelo GSM. A Figura 22 ilustra a arqui-
estrutura para suportar a comunicação de dados tetura GPRS:
que posteriormente será usada na integração dos
Anotações
Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular 37
Outros MSCs
BSS
A atualização de softwares no sistema se faz classificar o modo no qual o aparelho pode operar,
necessário, assim como a inclusão de roteadores sendo este modo denominado multislot, ou seja,
e gateways na ERB, além de dois novos elementos o número de time slots simultâneos que um de-
na rede, que são o SGSN e o GGSN: terminado aparelho consegue operar. Isto define a
taxa teórica de bits que o GPRS consegue operar.
• SGSN (Serving GPRS Support Node): man- Quando todos os oito time slots de um canal GSM
tém a conexão lógica dos usuários móveis são dedicados ao GPRS, um usuário individual é
quando estes realizam handover; capaz de alcançar até 171,2 Kbps.
• GGSN (Gateway GPRS Support Node): per- A taxa final alcançada por um usuário depen-
mite a conexão com a Internet e outros tipos derá não só da classe multislot, mas também do
de redes que suportam serviços de dados. compartilhamento do canal com outros usuários
de classes iguais ou diferentes e do tipo de codifi-
Dispondo dessa arquitetura, o GPRS oferece cação de erro e controle do canal.
uma rede de pacotes nos mesmos canais e banda Uma aplicação muito usual do GPRS é nos
de 200 KHz do GSM, não necessitando então de terminais POS (Point of Sale) sem fio, ou seja, nas
uma nova atribuição no espectro eletromagnético. máquinas de pagamento a cartão de crédito ou
Isso proporciona o aumento na taxa de dados do débito. Esta aplicação se dá pelo fato de que em
GPRS em relação ao GSM, é o fato de teoricamen- uma transação de pagamento (débito ou crédito)
te um usuário poder usar até os oito time slots dis- não demanda uma elevada taxa para transmitir as
poníveis então para voz, para o serviço de dados. informações. No contexto final, o resultado de dis-
Uma nova estação móvel, ou seja, um novo ponibilizar ao usuário um serviço de acesso à rede
aparelho celular é requerido para suportar o servi- de dados constante foi alcançado, mesmo que
ço oferecido pelo GPRS. Estes aparelhos são clas- este serviço esteja limitado a algumas aplicações.
sificados por classes. Estas classes existem para
Anotações
38 Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular
A demanda por serviço de dados nos aparelhos 8-PSK. Esse esquema de modulação tem como prin-
celulares continuou crescendo. Sendo assim o cipal vantagem a melhoria da eficiência espectral,
EDGE se mostrou como uma evolução do padrão ou seja, há um ganho na taxa de transmissão.
GSM/GPRS rumo à terceira geração. Em algumas Com essa nova interface de rede e depen-
referências, alguns autores classificam o EDGE dendo dos esquemas de codificação de canal,
como uma tecnologia 2,75G. consegue-se na prática alcançar uma taxa máxi-
A arquitetura da rede não sofreu praticamen- ma em torno de 384 Kbps. Esta taxa é considerada
te nenhuma mudança durante a implementação do quando um único usuário estiver usando os oitos
EDGE frente ao GPRS. As mudanças estão por conta canais de rádio GSM. A Tabela 1 mostra as princi-
da interface aérea, que deve suportar agora um novo pais diferenças entre as tecnologias GSM, GPRS
esquema de modulação e de codificação de canal. e EDGE, evidenciando também as taxas máximas
Foi visto que no GSM e GPRS utiliza-se a modula- alcançadas pelos padrões:
ção GMSK. Já no EDGE, faz-se uso da modulação
SAIBA MAIS!
8PSK (0,1,0)
(0,1,1) (0,0,1)
Como visto anteriormente, o PSK é uma forma de modulação em
que a informação do sinal digital é embutida nos parâmetros de
fase da portadora. Neste sistema de modulação, quando há uma
(1,0,0) (0,0,0)
transição de um bit 0 para um bit 1 ou de um bit 1 para um bit 0,
a onda portadora sofre uma alteração de fase de 180 graus.
Com o aumento da quantidade de bits por símbolo, dispo-
nibilizada pela modulação 8PSK, foi possível colocar três vezes (1,0,1) (1,1,1)
mais informações no mesmo canal de rádio frequência usado (1,1,0)
pelo sistema, conforme ilustrado na Figura. Ou seja, para cada 3 bit/símbolo
três "timeslots" usados anteriormente, passou-se a compactar a
Figura – 8PSK
informação em apenas um "timeslot".
Glossário
Anotações
Capítulo 3 - Segunda Geração de Telefonia Móvel Celular 39
Voz/comutação de circuito
GSM 13 Kbps
Dados/comutação de circuito
Anotações
Clique aqui para acessar o Moodle, jogar e
testar seus conhecimentos no Campo Minado.
Capítulo 4 - Terceira Geração de Telefonia Móvel Celular
Anotações
42 Capítulo 4 - Terceira Geração de Telefonia Móvel Celular
4.1 CDMA2000
O CDMA2000 busca oferecer uma atualização de 1,25 MHz aos seus usuários de dados e
transparente e alta taxa de dados para os usuários admite mais de 2,4 Mbps de vazão de dados
da tecnologia CDMA 2G, utilizando o mesmo ca- instantâneos de alta velocidade por usuário,
nal de 1,25 MHz e mesma alocação no espectro. embora as taxas de dados reais do usuário
Logo, grandes alterações de hardware e de RF na normalmente sejam inferiores e altamente
rede não são necessárias. dependentes do número de usuários aloca-
O primeiro padrão para o CDMA2000 é cha- dos no canal;
mado CDMA 1x. Este nome é adotado pelo fato de • 1xEV-DV (1xEvolution Data and Voice): um
o sistema operar em um único canal de rádio de canal de 1,25 é compartilhado para dados e
1,25 MHz. O CDMA 1x teve sua evolução para o voz (Data and Voice – Dados e Voz). O CDMA
CDMA 1xEV (CDMA 1xEvolution) em duas etapas: 1xEV-DV aceita usuários de voz e dados e
consegue entregar uma taxa de dados de
• 1xEV-DO (1xEvolution Data Only): um canal até 144 Kbps.
de 1,25 MHz é dedicado apenas para dados
(Data Only – Apenas Dados). Sendo assim, o A Tabela 2 mostra a evolução das tecnologias
padrão CDMA2000 1xEV-DO dedica o canal CDMA da segunda e terceira geração:
Anotações
Capítulo 4 - Terceira Geração de Telefonia Móvel Celular 43
Percebe-se aqui a vantagem do 1xEV-DO espectro e mesmo canal para alocação em redes
para a disponibilização do serviço de dados ao CDMA 2G. O CDMA2000 cumpre o papel de uma
usuário alocando um único canal para transpor- tecnologia verdadeiramente 3G, proporcionando
tar pacotes IP. Tudo isso reaproveitando a infraes- alta velocidade e baixa latência, enriquecendo a
trutura da rede, operando na mesma parcela do experiência dos usuários.
A evolução natural dos padrões GSM, GPRS e EDGE técnicas FDMA e TDMA como múltiplo acesso.
é o W-CDMA, também conhecido como UMTS (Uni- O W-CDMA utiliza um canal de banda larga de 5
versal Mobile Telecommunications System – Sistema MHz, ou seja, 25 vezes maior do que no GSM. O
Móvel de Telecomunicações Universal). Desenvolvi- espalhamento espectral é realizado e o acesso é
do pelo órgão 3GPP, este padrão 3G foi projetado feito no código.
para trabalhar “sempre conectado” com base em O W-CDMA atende ao propósito inicial do
uma rede de pacotes, de modo que computadores e IMT-2000 de alcançar taxas na casa dos 2 Mbps.
dispositivos móveis em geral possam compartilhar a Na teoria, podem-se alcançar taxas de até 2,048
mesma rede sem fio e conectar-se à Internet a qual- Mbps por usuário. Isso é o suficiente para permitir
quer momento e em qualquer lugar. acesso a conteúdos multimídia, como stream de
A estrutura da rede e o formato de quadro áudio e de vídeo, por exemplo. Como o W-CDMA
em nível de bits do GSM são mantidos no W-CD- opera em um canal de 5 MHz, diferentemente do
MA. Como já foi visto, no padrão GSM, um canal GSM, GPRS e EDGE, uma atualização em nível de
tem largura de faixa de 200 KHz, fazendo uso das hardware de RF se faz necessário.
4.3 HSPA/HSPA+
Anotações
44 Capítulo 4 - Terceira Geração de Telefonia Móvel Celular
A tecnologia HSPA (High Speed Packet Access – Como o HSPA é uma evolução do W-CDMA,
Acesso de Pacotes em Alta Velocidade) é uma evolu- as operadoras não necessitam de uma nova atribui-
ção das redes 3G baseadas no padrão W-CDMA, que ção do espectro para operar. A largura de banda e o
provê um aumento da capacidade de transferência múltiplo acesso também são os mesmos utilizados
de dados a altas taxas de transmissão. Na prática, o anteriormente. O que justifica o aumento da taxa de
HSPA é implementado por um conjunto de protocolos transmissão no HSPA é o fato de existirem algumas
que melhoram o desempenho das redes W-CDMA. alterações na ordem das modulações digitais para
Esta evolução do W-CDMA proporcionou se conseguir uma melhor eficiência espectral. O con-
entre novidades, um novo canal para downlink trole de potência realizado na ERB compensa as va-
que melhora as aplicações para redes de pacotes, riações das condições de propagação do canal de
reduzindo significativamente a latência e possibi- downlink, realizando o conceito do enlace adaptati-
litando a transmissão de dados de até 14 Mbps. vo. Ou seja, o terminal móvel do usuário envia infor-
Este canal de downlink é chamado de HSDPA mações quanto às condições de propagações: caso
(High Speed Downlink Packet Access). este esteja com um nível degradado de sinal, a ERB
O canal de uplink também foi melhorado e adapta a melhor modulação para realizar a transmis-
aperfeiçoado, disponibilizando uma taxa maior e são a este usuário.
baixa latência. Mesmo que o maior tráfego seja
no sentido ERB – EM (Estação Rádio Base para
Glossário
Estação Móvel), existem aplicações que precisam
de qualidade no sentido EM – ERB, como envio
Downlink: comunicação e envio de informação no
de e-mails com grandes arquivos anexados, por sentido ERB – EM, ou seja, no sentido da estação
exemplo. Nesse sentido, o sistema elevou a taxa rádio base para a estação móvel.
de uplink para até 5,8 Mbps, e este canal é chama- Uplink: comunicação e envio de informação no
sentido EM – ERB, ou seja, no sentido da estação
do de HSUPA (High Speed Uplink Packet Access). móvel para a estação rádio base.
Anotações
Capítulo 4 - Terceira Geração de Telefonia Móvel Celular 45
A evolução do HSPA realmente ofereceu o salto Input – Multiple Output; Múltiplas Entradas – Múlti-
para a quarta geração de telefonia móvel celular. plas Saídas), ou seja, múltiplas antenas podem ser
O HSPA+ difere do padrão anterior no quesito utilizadas para combinar os sinais de transmissão
da ordem da modulação empregada e no siste- e recepção. Na prática utilizam-se duas antenas,
ma de transmissão. dobrando assim a taxa de pico de transmissão de
As modulações empregadas no HSPA são downink do HSPA.
QPSK e 16-QAM, que, conforme foi visto, operam O resultado da combinação do sistema
de forma adaptativa ao canal. O HSPA+ elevou a MIMO com uma modulação 64-QAM é o alcance
ordem da modulação para 64-QAM, aumentando de até 42 Mbps no downlink e 12 Mbps no uplink. A
assim a eficiência espectral. Tabela 3 mostra a evolução para os padrões 3GPP
Outra mudança significativa está na forma de até a terceira geração, evidenciando os valores
transmissão, o HSPA+ suporta o mecanismo de máximos alcançados no downlink.
múltipla entrada e múltipla saída MIMO (Multiple
Anotações
46 Capítulo 4 - Terceira Geração de Telefonia Móvel Celular
SAIBA MAIS!
QAM
16-QAM Q 64-QAM Q
+7 +7
+5
+3
+2.33
+1
-7 -2.33 +2.33 +7
I -7 -5 -3 -1 +1 +3 +5 +7
I
-1
-2.33
-3
-5
-7 -7
Anotações
Capítulo 5 - Quarta Geração de Telefonia Móvel Celular
Tornou-se notório, através do estudo da banda larga móvel, que a demanda por
mobilidade no acesso aos serviços na Internet, email, multimídia e outros mais,
não para de crescer.
Ao fim da terceira geração, já era possível usufruir das elevadas taxas de
transmissão com as evoluções do HSPA e HSPA+. No entanto, os órgãos com-
preendem a necessidade de melhorias significativas tanto na taxa de transmis-
são quanto na robustez da tecnologia, como a latência da rede, por exemplo, e
ainda a necessidade da implantação de uma arquitetura que seja simplificada e
preparada para facilitar as futuras instalações de gerações por vir.
A tecnologia para a quarta geração de telefonia móvel celular é o LTE
(Long Term Evolution). O LTE promove avanços nas redes 3G se utilizando de
vários elementos presentes na rede atual.
Anotações
48 Capítulo 5 - Quarta Geração de Telefonia Móvel Celular
O LTE foi especificado pelo 3GPP para compor a órgãos 3GPP e 3GPP2 em um trabalho conjunto
arquitetura SAE (System Architecture Evolution), a para otimizar a cooperação com as tecnologias
qual se baseia em uma arquitetura IP. Ou seja, a de terceira geração. Isso implica então que re-
rede deve suportar de maneira eficiente qualquer des operando tanto em padrões da família GSM
serviço baseado em IP. A arquitetura está baseada (GPRS, EDGE, W-CDMA, HSPA e HSPA+) quanto
na evolução do núcleo da rede GSM/W-CDMA. da família CDMA (CDMA2000 e 1xEV-DO) poderão
Com relação à compatibilidade com outros evoluir suas redes para o LTE (Figura 24):
padrões, o LTE foi especificado por ambos os
CDMA 1XEV-DO
3GPP2 2000 1XEV-DV
LTE
Figura 24 – Trabalho conjunto dos órgãos 3GPP e 3GPP2 para compatibilidade do LTE.
Anotações
Capítulo 5 - Quarta Geração de Telefonia Móvel Celular 49
da qualidade no serviço móvel mesmo quan- Além destas características vantajosas frente
do o usuário estiver utilizando a rede em al- às outras tecnologias, o LTE é capaz de oferecer
tas velocidades de deslocamento, podendo taxas de downlink superior a 100 Mbps. Atribuindo
chegar a 350 Km/h; esses benefícios ao serviço de telefonia móvel, em
• Variedade de terminais: assim como nas muitos casos a banda larga móvel pode competir
tecnologias 3G, o LTE abrange não só o apa- com a banda larga fixa em muitos quesitos, como
relho celular, mas outros dispositivos como por exemplo, preço, desempenho, segurança e
computadores (através de modems 4G), ta- ainda oferecendo mobilidade.
blets e qualquer outro dispositivo eletrônico
incorporado ao padrão LTE.
Δf = 15 kHz
One slot
(Tslot = 0.5 ms, 7 OFDM symbols)
Anotações
50 Capítulo 5 - Quarta Geração de Telefonia Móvel Celular
Conforme observado na Figura 25, o resour- Portanto, esta é a taxa teórica de downlink no
ce block é formado por 84 elementos de recurso LTE alcançada através da formação do resource
(resource element). Com todas essas informações, block, mediante a técnica OFDM. No uplink, é utili-
é possível realizar o cálculo teórico da taxa de bit no zada outra técnica para transmissão. Esta técnica é
downlink do LTE. O cálculo é apresentado abaixo: uma versão pré-codificada do OFDM, chamada SC-
FDMA (Single Carrier FDMA – FDMA de Portadora
→ 12(subportadoras)x7(símbolos OFDM) = 84 re- Única). Esse esquema de transmissão no uplink é
source elements mais viável pelo fato da estação móvel não precisar
→ Considerando uma modulação 64-QAM tem-se requerer amplificadores de potência que acabariam
que cada subportadora modulada carrega 6 bits. rapidamente com a bateria. É possível obter taxas de
Portanto: 84x6 = 504 bits bit na casa dos 40 Mbps no uplink do LTE.
→ Para calcular a taxa de bit, divide-se o número Outra característica de operação relevante
de bits pelo intervalo de tempo do resource block: no LTE é a utilização do sistema de múltiplas ante-
nas MIMO (Multiple Input – Multiple Output), assim
504 como o HSPA+ o faz. Um sistema MIMO é caracte-
= 1, 008Mbps
0,5 x10−3 rizado por utilizar múltiplas antenas no transmissor
e também no receptor com o objetivo de aumentar
→ Considerando uma largura de faixa total de 20 o desempenho de um sistema de transmissão di-
MHz para operar, pode-se obter até 100 resource gital, possibilitando elevada taxa de bit e cobertura
blocks neste canal. estendida. Também é conhecido como uma forma
→ Por fim, multiplica-se a taxa de bit pela quan- de implementação de técnicas de antenas inteli-
tidade de resource blocks que um usuário pode gentes (smart antenna).
receber, chegando à taxa de bit teórica final de do- O sistema MIMO no LTE pode ser implemen-
wnlink no LTE: tado em duas configurações, sendo 2x2 ou 4x4.
Isto quer dizer que em um sistema MIMO 2x2 faz
100x1,008Mbps = 100,8 Mbps uso de duas antenas na transmissão e duas na re-
cepção. A configuração 4x4 eleva ainda mais o de-
sempenho, porém, encarece o sistema. A Figura
26 ilustra um sistema MIMO 2x2:
MIMO 2x2
Radio 1 Radio 1
Imput Output
TX RX
Radio 2 Radio 2
Anotações
Capítulo 5 - Quarta Geração de Telefonia Móvel Celular 51
A taxa de bit, no downlink do LTE, calcula- alcançar taxas na ordem de 300 Mbps de down-
da algumas linhas atrás, desconsiderou a utiliza- link e 70 de uplink. O gráfico apresentado, na
ção do sistema MIMO. Considerando um sistema Gráfico 1, ilustra as taxas de bit alcançadas com
MIMO 2x2, esta taxa subiria para algo em torno a utilização MIMO na configuração 2x2 e na con-
de 150 Mbps no downlink e 50 no uplink. Fa- figuração 4x4, considerando ainda bandas de 5,
zendo uso de um sistema MIMO 4x4, é possível 10 e 20 MHz para operação:
Downlink
Uplink
350
300
Peak Data Rates [Mbps)
250
200
150
100
50
0
LTE 2x2 LTE 2x2 LTE 4x4
5+5 MHz 20+20 MHz 20+20 MHz
Estas taxas são alcançadas em canais de 20 disponibilizaram serviços 4G. Em um cenário fu-
MHz de largura de banda. Algumas operadoras, turo, após o Switch Off da televisão analógica, as
tanto em outros países quanto no Brasil, podem operadoras contam com a possibilidade de operar
começar a operação do LTE com canais de 5 MHz, também na faixa de 700 MHz.
passando para 10 MHz e por fim chegarem à lar-
gura de banda do canal de 20 MHz.
As frequências de operação designadas
Glossário
para o LTE e definidas pelo 3GPP incluem dez
diferentes faixas. No Brasil, a ANATEL destinou a
Switch Off: processo de desligar,
faixa de 2,5 GHz para operar, e esta faixa já vem descontinuar ou cessar um
sendo utilizada pelas primeiras operadoras que sistema.
Anotações
52 Capítulo 5 - Quarta Geração de Telefonia Móvel Celular
Conforme já dito anteriormente, o LTE foi especificado Na arquitetura LTE, a estação rádio base
pelo 3GPP em cima da arquitetura SAE, que se baseia (ERB) é agora chamada de eNodeB (eNB). Esta
em uma arquitetura orientada a serviços IP. Essa nova é conectada diretamente ao núcleo da rede atra-
arquitetura é projetada para otimizar o desempenho vés do gateway SAE (SAE-GW), reduzindo assim
da rede, reduzir custos e proporcionar o conceito de o número de nós envolvidos na rede. A Figura 27
redes convergentes para as futuras gerações. ilustra a arquitetura LTE-SAE.
E-UTRAN SAE
MME HSS
Internet
• E-UTRAN (Evolved UMTS Terrestrial Radio • S-GW (Serving Gateway): armazena e con-
Access): é composta de eNodeBs e esta- trola informações da EM no que diz respeito
ções móveis. Compõem a interface de rádio aos parâmetros de serviços IP. Realiza o ro-
do LTE especificada pelo 3GPP. Na E-UTRAN teamento dos pacotes de dados entre a rede
estão contidas as camadas físicas (PHY), de LTE e outras tecnologias 2G e 3G;
controle de acesso (MAC) e de controle de • P-GW (Packet Data Network Gateway): é
enlace de rádio (RLC); o roteador entre redes de pacotes externos,
• MME (Mobility Management Entity): ele- ou seja, realiza o controle de pacotes e aloca
mento de controle que realiza funções de endereços IP para uma EM fazendo com que
autenticação, gerenciamento de mobilidade este possa se comunicar com outros dispo-
e de usuário, segurança e autorização de ser- sitivos alocados em redes externas;
viços. O MME, interligado ao SAE-GW, realiza • HSS (Home Subscriber Server): contém o
a sinalização de controle para a compatibili- banco de dados de registros do usuário e
dade com os padrões 3GPP e 3GPP2; realiza as mesmas funções do HLR visto na
arquitetura GSM;
Anotações
Capítulo 5 - Quarta Geração de Telefonia Móvel Celular 53
• PCRF (Policy and Charging Resource Func- preparando para uma futura convergência de re-
tion): realiza funções de controle e política pro- des nas próximas gerações.
vendo QoS (Quality of Service) na rede. As especificações para uma evolução do
LTE, denominado LTE Advanced já começaram e
Analisando a arquitetura, atrelada aos seus testes de operação já foram até mesmo realizados.
avançados sistemas de transmissão digital e smart O órgão 3GPP considera o LTE Advanced uma tec-
antennas, pode-se evidenciar que o LTE atende nologia verdadeiramente 4G, pois neste padrão é
aos requisitos da quarta geração de telefonia mó- possível alcançar extraordinários 1Gbps em um
vel. Através desta tecnologia pode-se oferecer um ambiente móvel de telefonia celular. A Figura 28
serviço de banda larga móvel com elevado desem- ilustra a evolução das tecnologias para telefonia
penho, mediante altas taxas de bit tanto no down- móvel celular partindo do 3G até o LTE Advanced.
link quanto no uplink, oferecendo ainda uma baixa É questão de esperar para ver o que o futuro reser-
latência na rede. Tudo isso provendo ainda uma va para as próximas tecnologias do ambiente de
arquitetura que reduz a complexidade da rede, se mobilidade em telecomunicações.
Dados
Voz
3G / WCDMA DL / UL: 384kbps
Downloads e Uploads
DL (HSDPA): 14.4Mbps
de Banda Larga HSPA
Voz UL (HSUPA): 5.72Mbps
Capacidade aumentada e
DL: 42Mbps
alta transferência de dados HSPA +
Voz UL: 1 1 Mbps
1990 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Anotações
Capítulo 6 – Quinta Geração de Telefonia Móvel Celular
Anotações
Capítulo 6 – Quinta Geração de Telefonia Móvel Celular 55
fundamentais para que a rede funcione como: au- necessidade de estudar formas de utilizar outras
mentar a capacidade da rede para suportar um faixas de frequência, bem como melhorar a efici-
maior número de dispositivos devido a IoT (Inter- ência espectral com modulações mais elevadas
net of Things), melhor cobertura, células menores, (256QAM, 512QAM, 1024QAM), a utilização do
redução da latência para aplicações em tempo MIMO massivo será imprescindível e a rede deverá
real, taxas constantes, independente da localiza- ser flexível para suportar novos serviços que surgi-
ção na rede, para que o usuário tenha uma expe- rão em decorrência dessa tecnologia.
riência uniforme, dentre outros. Haverá também a
Anotações
56 Capítulo 6 – Quinta Geração de Telefonia Móvel Celular
Existem várias formas de classificar os pos- entre elas ou até mesmo o máximo desempenho
síveis cenários do 5G, sendo as principais delas: de ambas.
por vazão, latência, número de dispositivos conec- Uma forma de representar os requisitos da
tados e economia de bateria. Vale ressaltar que a rede para o 5G, comparando com o atual sistema
maioria das aplicações não se restringe à apenas LTE, pode ser visualizada na Figura 29, mostrando
uma categoria, podendo ocupar um meio termo o ponto de vista da ITU-R.
20 100
IMT-2020
10
1
1x
350
10x 400
100x 500
Network Mobility
energy efficiency (km/h)
IMT-advanced
105 10
106 1
Anotações
Capítulo 6 – Quinta Geração de Telefonia Móvel Celular 57
Anotações
58 Capítulo 6 – Quinta Geração de Telefonia Móvel Celular
Conexões super confiáveis e em tempo real Esses critérios deverão oferecer a eficiência,
versatilidade e escalabilidade necessárias para
Este cenário se concentra em novas aplicações e que as tecnologias possam ser desenvolvidas a
casos de uso com requisitos muito rigorosos so- fim de atender o desempenho exigido.
bre latência e confiabilidade da rede. Aplicações O propósito do 5G é aperfeiçoar as tecnolo-
como teleproteção na rede para smart grid, comu- gias das gerações de comunicações móveis ante-
nicações de emergência, eficiência e segurança riores. A flexibilidade e a escalabilidade serão os
no trânsito, computação remota em tempo real ou pontos fundamentais para se colocar em prática
internet táctil, para dispositivos móveis, são ape- essa tecnologia. Será necessário satisfazer o cres-
nas alguns casos de testes os quais este cenário cimento acelerado do número de dispositivos mó-
representa. veis na rede, devido principalmente a IoT, e ainda
Atualmente, sempre que se ouve falar em melhorar a qualidade e a experiência de serviços
confiabilidade e baixa latência costuma-se vincular oferecidos aos usuários, oferecendo maior capaci-
o usuário final sendo o ser humano. Mas, para o dade, elevada taxa de transmissão, menor latên-
cenário futuro do 5G, onde existirão diversas apli- cia e ampla cobertura.
cações M2M (Machine to Machine) e D2D, espera-
se que essas aplicações exijam novas definições
de segurança e eficiência no tráfego, onde a latên-
cia E2E (End to End) deve tender a zero e o grau
de confiabilidade deve ser 99,999%.
Segundo pesquisas do METIS, a demanda
da rede para o 5G será a seguinte:
Anotações
Capítulo 7 - Considerações Finais
Foi possível evidenciar neste módulo a crescente requisitos demandados pelos usuários e ainda repre-
demanda por mobilidade nos serviços de telecomu- senta uma grande porcentagem da banda larga mó-
nicações. Desde o surgimento dos primeiros telefo- vel no Brasil. Porém, como foi dito neste curso, o ce-
nes sem fio, as pessoas conseguiram perceber os nário de telecomunicações se mostra extremamente
benefícios que a mobilidade podia oferecer. dinâmico, a assim será através de muitas tecnologias
Foram vistas as gerações da telefonia móvel que ainda estão por vir.
celular desde a primeira, implantada ainda de forma O Vídeo 4 apresenta um resumo básico de tudo
analógica, até a quarta, totalmente digital baseada o que foi visto durante este módulo de Telefonia Móvel.
em uma arquitetura IP. Foi possível acompanhar os Dentre os assuntos, estão os serviços disponíveis na
avanços dos padrões e suas tecnologias. No início, rede móvel; a topologia da rede móvel, cobertura do
o sistema celular foi claramente pensado apenas sinal e o SIM card; o que acontece quando um celular
para o serviço de voz, porém com a massificação é ligado; como o celular percebe a rede e faz uma cha-
da Internet, as vertentes das tecnologias mudaram mada; como o aparelho faz para que as chamadas não
o foco, atribuindo suas direções para o serviço de caiam; como é feita uma chamada quando o assinante
dados e voz digitais em banda larga móvel. está em roaming; o espectro de frequência utilizado no
Atualmente as Operadoras de Telecom (como Brasil e as tendências das novas tecnologias.
são conhecidas) estão implantando suas redes 4G
pelo país. O avanço nas tecnologias é tão rápido, que Glossário
enquanto operadoras estão consolidando suas redes
Operadoras de Telecom: empresas privadas que
3G, outras já começam a implantar a tecnologia LTE. oferecem o serviço de telefonia móvel celular.
O serviço de terceira geração consegue atender aos
Anotações
Vídeo 4 - Revisão
Quiz
Chegou a hora de fazer um pequeno teste para avaliar o
que você aprendeu. Responda as questões abaixo e confira
as respostas corretas no final do livro.
Este questionário não é avaliativo, mas sim para fixação do conteúdo.
a. GSM, W-CDMA e HSPA b. EDGE, W-CDMA, HSPA e HSPA+ c. W-CDMA, CDMA2000 e HSPA
4. As taxas máximas (taxa de pico) de transmissão no downlink alcançadas pelo HSPA e HSPA+ são
respectivamente:
5. Arquitetura baseada em uma rede IP na qual foi especificada para a quarta geração de telefonia móvel celular.
a. 1 ms b. 10 ms c. 50 ms
8. Sem a utilização de um sistema MIMO na transmissão, os valores máximos para as taxas de transmissão de
uplink e downlink no LTE são respectivamente:
10. Taxa de pico no downlink especificada pelo 3GPP alcançada pelo LTE Advanced.
Quiz
Questão Alternativa
1 c
2 b
3 a
4 a
5 a
6 b
7 b
8 a
9 c
10 a
Referências Bibliográficas
ALENCAR, Marcelo Sampaio de – Telefonia Celular Digital; 2ª Edição – São Paulo: Érica, 2004
RAPPAPORT, Theodore S. – Comunicações sem Fio: Princípios e Práticas; 2ª Edição – São Paulo: Pearson, 2009
SVERZUT, José Umberto – Redes GSM, GRPS, EDGE e UMTS – Evolução a Caminho da Quarta Geração;
3ª Edição – São Paulo: Érica, 2011
DIGITAL, Convergência. Tráfego de dados móveis aumentará sete vezes no Brasil até 2020. Disponível em:
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em: <[Link] Acesso em: 07 mar. 2016.
INTERNATIONAL TELECOMMUNICATION UNION - ITU (Swiss). IMT Vision – Framework and overall objec-
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related satellite services. Geneva, 2015. 21 p. (Recommendation ITU - R M . 2083 - 0). Disponível em: <http://
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