Aula 3 - Compostos Secundários - Alcaloides Metabolismo primário e secundário em plantas
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Principais grupos de compostos secundários Alcalóides - Breve histórico
1. Alcalóides. Joseph Pelletier (XIX): Merck (1848): isolou a papaverina
2. Flavonóides. isolou a emetina, pcio
3. Taninos. ativo da ipeca, com
4. Óleos Voláteis uso no tratamento de (antiespasmódica)
5. Resinas disenterias.
6. Glicosídeos cardiotônicos.
7. Glicosídeos saponínicos.
Landemburg (1881)→ isolou a Inúmeros vêm sendo descritos e
8. Glicosídeos antraquinônicos. escopolamina da uso introduzido na terapêutica.
9. Glicosídeos cumarínicos
Datura stramonium L. Ex: alcalóides
10. Glicosídeos cianogênicos
antitumorais
Catharanthus roseus
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Generalidades Nomenclatura
Palavra árabe alquali → denominação vulgar da planta da qual a soda foi Há várias formas de nomenclatura:
originalmente obtida.
a) Nome genérico da planta → atropina, nicotina, beladonina, cafeína, etc.
Conceito → compostos nitrogenados farmacologicamente ativos e
encontrados pçalmente nas angiospermas.
b) atividade fisiológica → morfina, emetina, etc.
Vasto grupo de metabólitos com grande diversidade estrutural → cerca
de 20% das substâncias naturais descritas. c) descobridor → Peletierina
Obs: Sufixo ‘INA’ → presença das aminas.
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Compostos Nitrogenados Via Biossintética simplificada de metabólitos em plantas
1. Protoalcalóides: aminas simples cujo átomo de nitrogênio não faz
parte do anel heterocíclico.
2. Pseudoalcalóides: compostos com e sem anéis heterocíclicos que não
são derivados de aminoácidos. Incluem os
Indólicos
alcalóides terpenóides e esteroidais.
Quinolínicos
3. Alcalóides verdadeiros: compostos cujo átomo de nitrogênio faz parte
do anel heterocíclico.
Pirrolidinicos
Pirrolizidinicos
Protoalcalóides Tropânicos
Isoquinolínicos Piperídinicos
BenziIisoquinolínicos Quinolizidinicos
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Alcalóides tropânicos Estrutura básica dos alcalóides tropânicos
- Destacam-se as solanáceas midriáticas (beladona, meimendro, - Fármacos com alcalóides tropânicos:
estramônio e trombeteira) e a coca, as quais apresentam alcalóides
verdadeiros, que exibem o núcleo do tropano (1), derivado do - atropina, hiosciamina (2)
aminoácido ornitina.
- escopolamina (3)
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Atividades dos alcalóides tropânicos Alcalóides indólicos
- cólicas em ureteres e provocadas por cálculos renais; - Maioria → derivados da triptamina e do monoterpeno secologanina.
- cólicas do trato gastrointestinal
- hipersecreção gástrica - Variedade destes compostos → grande e difícil de ser sintetizada: uso
- espasmos brônquicos ainda depende de extratos vegetais.
- anestésico local
- Uso como antídotos em envenenamento por inibidores da - Estricnina → isolada em 1818 (Peletier/Caventou).
colinesterase (inseticidas organofosforados e carbamatos).
- Emética
- Potencialmente tóxica: uso
controlado como anticonvulsivantes
e relaxantes muscular.
Strychnos nux vomica
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Atividades dos alcalóides indólicos Chá de Santo Daime (Ayahuasca)
- Vincristina e vinblastina → antineoplásicos. Termo ‘quíchua’ (origem inca) → bebida ritual produzida a partir da
- Ergotamina → enxaqueca decocção de duas plantas nativas da floresta amazônica:
- Iombina → atua na vasodilatação de vasos periféricos. Cipó Banisteriopsis caapi → inibem a MAO – Psychotria viridis
- reserpina → atuam no sist. cardiovascular (vasodilatação) → queda de (enzima monoamina oxidase), responsável (chacrona) rico em
pressão. por metabolizar monoaminas (noradrenalina, dimetiltriptamina.
- Ibogaína → uso na diminuição dos efeitos causados ela abstnência de dopamina e serotonina): [sináptica] destas
drogas. e condiciona maior excitação dos neurônios
que têm receptores para estes mediadores
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Alcaloides Pirrolizidínicos Espécies ricas em alcalóides pirrolizidínicos
- Derivados da pirrolizidina com toxicidade crônica ou fatal (depende da - Gêneros Senecio, Crotalaria, Heliotropium e Echium → principais
quantidade). espécies de plantas envolvidas na intoxicação espontânea por APs
em herbívoros e humanos.
- Hepatotoxidade→ crônica e por [ ], causando fibrose hepática, que
pode evoluir para cirrose. - Arnica silvestre, Senécio braziliensis, Elpatorium laevigatum,
Heliotropium indicum e Heliotropium transalpinum → utilizados na
- Pneumotóxico → edema pulmonar e derrames pleurais (fatal). forma de infusos para tratar úlcera, complicações renais ou para
combater doenças do aparelho respiratório.
- Leite de animais que ingerem plantas ricas em pirrolizidínicos → pode
estar contaminado - Ageratum conyzoides (popular mentrasto):
distúrbios estomacais; podem apresentar
- Mel de abelhas que polinizam plantas ricas em pirrolizidínicos → pode toxicidade.
estar contaminado https://core.ac.uk/download/pdf/230151599.pdf
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Atividades dos alcalóides pirrolizidínicos Alcalóides Esteroidais
- Atividade anti-ulcerogênica de alcalóides pirrolizidínicos obtidos a partir - São aqueles que – com o nome indica – possuem um anel esteroidal.
do extrato etanólico de Senecio brasiliensis: perspectivas de uma
nova terapêutica preventiva e curativa das úlceras gástricas e - Podem se apresentar como:
duodenais (tese de doutorado da UNICAMP).
a) Bases livres → alcaminas
b) Combinados com açúcares → glicoalcalóides
c) Esterificados → alcaminas + ácidos orgânicos
- Funções → contraceptivos orais e diuréticos.
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Espécies ricas em alcalóides esteroidais. Metilxantinas
- Espécies da família Solanaceae: - Encontrados particularmente no chá, café e cacau.
- Glicoalcaloides (glicona + aglicona) solanum 1 a 2% solasonina
(glucose + ramnose + galactose + solasodina) síntese parcial – - Solubilidade das metilxantinas → muito baixa, o que torna obrigatória
progesterona). para uso farmacológico a formação de complexos com outras
substâncias mais solúveis.
- Solanina → ocorre em tubérculos de batata e provoca síndrome
gastrointestinais; dependendo da --Mais conhecido desses complexos
concentração, pode levar à óbito. ocorre entre a teofilina e a
etilenodiamina, para que se
forme a aminofilina.
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Propriedades Efeitos
- Caráter anfótero (ácidos ou bases fracas) → exceto a cafeína (base - Podem causar:
forte). a) Insônia
b) tremores,
- São solúveis em água e pouco termolábeis. c) inquietude,
d) ansiedade,
- São diferenciadas em função da solubilidade, resistência à temperatura e) aumento de diurese.
e faixa de fusão.
- Efeitos colaterais adicionais → incluem perda de apetite, náusea,
e vômito.
teofilina
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Mecanismos de ação celular das metilxantinas Propriedades farmacológicas das Metilxantinas
- Inibição da fosfodiesterase → intracelular do AMP-c (adenosina Propriedades farmacológicas:
monofosfato cíclico: crucial na transdução de sinais em uma célula - é
um tipo de mensageiro secundário celular); 1. relaxar a musculatura lisa (notavelmente a brônquica);
2. estimular o sistema nervoso central → principal uso atual
- Interfere na concentração de cálcio intracelular (direto e indireto via 3. promove diurese.
hiperpolarização da membrana celular);
Efeitos colaterais:
- Desacoplamento do cálcio intracelular favorecendo elementos
contráteis musculares e antagonizando receptores de adenosina.
1. estímulo no SNC → arritmias cardíacas, distúrbios do sono, cefaléia,
ansiedade e tremores musculares.
- Por possuírem estreita faixa terapêutica, sua toxicidade é frequente com
o uso crônico e a monitorização torna-se essencial. 2. diurese → interação medicamentosa.
3. da densidade óssea → interfere na absorção de cálcio.
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O uso de infusões ricas em cafeína com analgésicos Uso como estimulante
- Cefaléia → provocada por vasodilatação (o vaso capilar se dilata,
ocupando mais espaço e pressionando os neurônios, que são muito
sensíveis).
- Cafeína é vasoconstritora (contrai os vasos, aliviando a pressão que
estão exercendo sobre os neurônios) → assim, um analgésico associado
à cafeína, além de atuar como simples analgésico, atua também no
mecanismo da dor, ficando com seu efeito potencializado.
- Cafeína → estimulante, combatendo algum efeito de sonolência que
possa ser provocado pelo analgésico.
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Drogas Clássicas e seus alcalóides Drogas Clássicas e seus alcalóides
Alcalóide isoquinolínico Alcalóide isoquinolínico
Hydrastis canadensis L. Sanguinaria canadensis L.
Hidraste Sanguinária
Rizoma e raiz Rizoma
Hidrastina Sanguinarina
Adstringente na inflamação das Expectorante e emética.
mucosas
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Drogas Clássicas e seus alcalóides Drogas Clássicas e seus alcalóides
Alcalóide isoquinolínico Metilxantina
Papaver somniferum L. Coffea arabica L.
Ópio Café
Látex Semente
Morfina (analgésico opióide), Cafeína
Codeína (antitussígeno,
antidiarréico, analgésico) - Estimulante do SNC;
Papaverina (vasodilatador - Diurético
periférico)
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Drogas Clássicas e seus alcalóides Drogas Clássicas e seus alcalóides
Metilxantina Metilxantina
Chá Ilex paraguariensis A. ST. - HIL.
Camellia sinensis (L.) O. Kuntze Erva Mate
Folha
Folha
Teofilina
Teofilina Cafeína
Teobromina
Broncodilatador;
Diurético Broncodilatador
Diurético
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Drogas Clássicas e seus alcalóides Drogas Clássicas e seus alcalóides
Metilxantina Bases de purina
Theobroma cacao L. Guaraná
Cacau Paullinia cupana Kunth
Semente Semente
Teobromina Cafeína
Cafeína
Estimulante do SNC
Diurético. Diurético
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Drogas Clássicas e seus alcalóides Drogas Clássicas e seus alcalóides
Alcalóide tropânico Alcalóide tropânico
Estramônio Atropa belladonna L.
Datura stramonium L. Beladona
Folha e flor Folha e flor
Hiosciamina (0,25%) e Hiosciamina (0,3%) e escopolamina
escopolamina (midriático, Atropina: forma racêmica de
cicloplégico) hiosciamina.
Antiespasmódico. Anticolinérgico e Antiespasmódico.
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FIM
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