Textos Didacticos
Textos Didacticos
2006
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NOBRE ROQUE DOS SANTOS
2006
NOBRE ROQUE DOS SANTOS
2006
Banca Examinadora
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NOTAS PRÉVIAS
Notas prévias
1. A presente Dissertação foi produzida no âmbito do Convénio inter-
institucional entre a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo,
Programa de Pós-Graduação em Educação/Currículo e a Universidade
Pedagógica, de Moçambique.
2. A presente Dissertação foi escrita de acordo com a norma padrão da
língua portuguesa usada em Moçambique.
DEDICATÓRIA
Há pessoas que vão figurar nesta página devido ao papel “ingrato” de me ajudarem a
assumir esta dissertação como um produto intelectual, como uma pesquisa, como um
trabalho. Essas pessoas tornaram- me arrogante e paradoxalmente dócil. Não dá para explicar
o que isso significa, porque faltariam gestos arrogantes e dóceis para acompanhar as
palavras.
Porque a pesquisa devia ter pernas para andar, cabeça para pensar e braços para segurar, tive
muitas vezes que contar com tudo isso dos outros. Por isso queria agradecer às minhas
orientadoras de pesquisa, essas “mineiras”, que me deram a liberdade de trabalhar e quando
eu pensasse que estava só, eis que apareciam a porem ordem no trabalho. Não encontrei
palavras no dicionário português para exprimir essa estratégia de “formatação da mente”. Eu
acuso- vos de me terem disciplinado. Muito obrigado pela supervisão.
Aos colegas do Departamento de Português. Meus caros, todos foram vítimas de “chatices”,
eu sei. Muito obrigado. E neste parágrafo queria endereçar um agradecimento de louvor à
Profª Doutora Hildizina Dias. Sabe Professora, a língua portuguesa não presta...não tem uma
única palavra para exprimir tudo quanto sinto… Muito Obrigado!
A presente Dissertação tem como objectivo geral reflectir sobre as estratégias de ensino da
leitura/compreensão de textos didácticos usadas pelos professores de Língua Portuguesa, ao
nível do 1º ciclo do ESG. Neste trabalho faço uma abordagem sobre a teoria do currículo e
sobre as teorias da leitura/compreensão de textos, considerando (i) o programa de ensino da
LP em Moçambique e (ii) a prática docente na escola secundária da Maxaquene. Para a
consecução dos objectivos da pesquisa usei uma fundamentação teórica que abrange as áreas
de Psicolinguística, Didáctica, Hermenêutica, Literatura e Educação/Currículo. Em termos
de metodologias de pesquisa, privilegiei a abordagem qualitativa do tipo etnográfico,
participante, directa e distanciada. Nesta pesquisa faço uma abordagem crítica sobre a
prática docente e procuro trazer uma contribuição teórico-prática sobre a condução das aulas
de leitura/compreensão dos textos didácticos no 1º ciclo do Ensino Secundário Geral.
The aims of the present dissertation is to outline and reflect on general strategies and
techniques used in teaching reading/comprehension in didactic texts used by portuguese
language teachers in secondary schools in the first circle in Mozambique .
In this study I look thoroughly on the approach and techniques applied in teaching reading
/comprehension texts considering: (i) Portuguese language teaching syllabi and (ii) Teaching
practice at Maxaquene secondary school –Maputo city.
In order to achieve the aims of the study I used the theoretical foundation based on
psycholinguistics, didactics, hermeneutic literature and education versus curriculum.
In this respect methodology used in this research is qualitative ethnographic method looking
from both direct and indirect, perspective.
Critical thinking approach was used focussing on the teachers roles as well as the teaching
practices, from theoretical and practical point of view concerning teaching
reading/comprehension didactic texts, in the first circle in secondary schools in Mozambique
INTRODUÇÃO 15
2. Os textos didácticos 35
2.1. O conceito de texto 35
2.2. O conceito de texto didáctico 37
2.2.1. O texto didáctico e o ensino da linguagem 41
2.2.2. O texto didáctico: um instrumento da interdisciplinaridade 46
2.2.3. A didáctica do português no ensino do texto didáctico 48
4. A compreensão da linguagem 58
4.1. O conceito e os factores da compreensão 58
4.2. A memória semântica: o caminho da compreensão de textos 63
BIBLIOGRAFIA 141
APÊNDICES 147
ANEXOS 148
LISTA DE APÊNDICES E ANEXOS
EA - Ensino Aprendizagem
ESG – Ensino Secundário Geral
ESM – Escola Secundária da Maxaquene
EP2 – Ensino Primário do 2º grau
LP – Língua Portuguesa
MEC – Ministério de Educação e Cultura
PEA – Processo de Ensino-Aprendizagem
PLP – Professores de Língua Portuguesa
SNE – Sistema Nacional de Educação
TD – Textos Didácticos
TNDC – Textos de Natureza Didáctica ou Científica
UP – Universidade Pedagógica
15
INTRODUÇÃO
Em 1973, quando pela primeira vez tomei contacto com a escola, não previa que ela se
tornasse minha “morada”, minha “refém”. Hoje, a escola é a minha vida; ela é um espaço
privilegiado no qual ensinando, aprendo.
De certa forma, a minha vida escolar tem-se confundido com os dois papéis, o de aluno e o
de professor. Lembro- me da minha experiência na aprendizagem da leitura, primeiro em
casa, imitando as minhas irmãs que liam sistematicamente em voz alta; imitava as vozes e,
quando se calavam, imitava os movimentos dos lábios ou da cabeça. E elas riam-se, porque
achavam graça. Quando ingressei na escola, o meu professor ensinava a ler através da
repetição dos sons do alfabeto. O professor dizia o som da letra e eu repetia. Foi assim
também com a leitura das sílabas e das palavras. Soletrava as palavras. Assim passei a ler a
frase e o texto no seu todo.
Vinte e três anos mais tarde, em 1996, o meu filho primogénito aprendeu a ler de maneira
diferente: o professor mostrava- lhe imagens e pedia- lhe para dizer o que estava a ver. E ele
vendo a imagem/figura de uma menina a pular, dizia, por exemplo, A Lila pula. E assim
aprendeu a ler, partindo da imagem. O meu filho primogénito sabia ler as imagens, mas
não sabia ler as palavras quando estas não fossem acompanhadas de imagens.
Sou professor de língua portuguesa (PLP) desde 1988. Nesse ano lecciona va a 7ª classe do
Antigo Sistema de Educação. De 1989 a 2000 dei aulas, respectivamente, no Ensino
Primário do 2º grau (EP2) e no Ensino Secundário Geral (ESG), leccionando,
nomeadamente, as 6ª, 7ª, 8ª, 9ª e 10ª classes. O trabalho como professor nos níveis aqui
mencionados obrigava- me a planificar aulas no grupo de disciplina, a assistir as aulas dos
colegas e a trocar impressões sobre o PEA. Em 2001, passei a leccionar no Ensino
Superior, experiência que já tinha obtido em 1997, quando leccionei a cadeira de Técnicas
de Expressão em Língua Portuguesa (TELP), na Universidade Pedagógica (UP).
A minha experiência no ESG, quer como docente desse nível, quer como acompanhante de
estagiários permite- me formular o seguinte problema de pesquisa: será que a falta de
diversificação de Estratégias de Ensino da leitura/compreensão de textos didácticos,
no ESG, não está a ser provocada pelas lacunas existentes nas sugestões
17
Geral:
Específicos:
Para esta pesquisa coloco como hipótese o seguinte: os professores de Língua Portuguesa,
do 1º ciclo, do ESG não diversificam as estratégias de ensino da leitura/compreensão de
textos didácticos por causa do carácter prescritivo e rígido dos programas escolares que
impõem o uso do processamento ascendente como sendo a única Estratégia de
leitura/compreensão.
O tema desta pesquisa é uma componente importante do currículo escolar actual, porque
todo o processo investigativo e de produção de saberes requer a utilização de estratégias de
1
Entenda-se por textos didácticos aqueles que foram concebidos para ensinar ou instruir.
18
Nas aulas de LP, o professor ao ensinar um texto sobre Biologia, por exemplo, não terá
como objectivo ensinar Biologia, mas sim, os aspectos de apresentação gráfica, (como por
exemplo, a disposição das linhas do texto, os caracteres tipográficos), a composição
linguística, (tais como, os substantivos usados, os verbos) e uso pragmático da língua, (por
exemplo, o nível de língua, as formas de tratamento).
Em termos culturais, esta tipologia textual possibilita resgatar as experiências culturais das
comunidades e trazê- las para a sala de aula. Essas experiências aparecendo em forma de
texto são um instrumento de comunicação e, como tal, transportam consigo as marcas da
comunidade e desempenham uma função social, cultural e política.
Quanto às metodologias, esta pesquisa foi realizada em diferentes etapas, a saber: a 1ª
etapa compreendeu a selecção de uma bibliografia específica do tema e a devida
leitura/compreensão. Usei, para o efeito, o método indutivo-dedutivo e uma abordagem
qualitativa. O objectivo dessa pesquisa era o de compreender os aspectos teóricos inerentes
ao ensino da leitura/compreensão de textos e, neste caso particular, refiro- me aos textos
2
Sobre o conceito mais aprofundado de textos didácticos e suas dimensões ver a secção 2.
19
didácticos. Esta etapa foi importante para a pesquisa porque ela forneceu- me as bases para
a sustentação teórica do tema e, igualmente, constituiu uma contribuição para que o meu
olhar conseguisse enxergar de forma particular a prática de ensino.
A 3ª etapa, consistiu na análise e interpretação dos dados coletados. Nesta etapa, usei duas
fichas que designo, respectivamente, “ficha de observação da exploração do texto”4 e
“ficha de observação dos actos pedagógicos”5 . Concebi estas fichas para fazer o rasteio de
dados constantes da ficha de observação de aulas. Para além destes instrumentos de auxílio
na análise de dados, usei o procedimento interpretativo, através dos métodos indutivo-
dedutivos. Este procedimento permitiu- me analisar outros dados das aulas, por exemplo,
dados respeitantes à leitura, ao material/texto usado, ao vocabulário. Foram três as
professoras assistidas. A escolha deste universo de professores foi feita em função da
disponibilidade das professoras em serem observadas.
3
Cf. o apêndice 1.
4
Cf. o apêndice 2.
5
Cf. o apêndice 3.
20
Na segunda secção discuto os conceitos de texto e por via disso o conceito de texto
didáctico à luz dos géneros literários e das tipologias textuais. Toda a discussão gira em
torno do texto didáctico, sua relação com a Didáctica do português, seu papel no ensino ao
nível da interdisciplinaridade e sua linguagem.
Na quarta secção trato da compreensão da linguagem desde o conceito aos factores que
influenciam a compreensão da linguagem.
Na sexta secção refiro- me ao trabalho com o texto nas aulas de LP. Segue-se o segundo
capítulo, no qual apresento o trabalho do campo; privilegiando a prática docente na escola
alvo e faço a análise e a interpretação dos dados.
Sacristán (1991:15) afirma que a teorização sobre o currículo tem a ver com as actividades
que o homem realiza, seus desejos, seu comportamento e suas atitudes. Segundo este autor
essa complexidade condiciona a elaboração de teorias sobre o currículo.
Silva (2003), por sua vez, afirma que a teoria constitui uma representação da realidade,
uma ideia sobre o objecto real que existe e prevalece sem o conceito. Essa perspectiva
reflecte uma relação do tipo antecedente/procedente, sendo primeiro o currículo e depois a
teoria. De acordo com o mesmo autor (ibidem: 11) “teoria é uma representação, uma
imagem, um reflexo, um signo de uma realidade que – cronologicamente, ontologicamente
– a precede”. Esta concepção enfatiza a ideia de que a teoria descobre, descreve e explica o
currículo. Apesar disso nota-se que está evidente, também, uma suposta relação de
complementaridade entre teoria e currículo.
Apesar de existir esta discussão à volta destes conceitos, Silva (ibidem: 12) argumenta que
o que é teoria, na verdade, traduz-se em discurso. De acordo com este autor “a suposta
descrição é, efectivamente, uma criação”. Ele sustenta que:
Silva (2003) aventa a hipótese de o currículo ter aparecido como objecto “específico de
estudo e pesquisa”, pela primeira vez, nos Estados Unidos da América, na década de 20.
Nessa altura, havia a necessidade de intensificar a escolarização dos indivíduos de forma a
corresponderem ao crescente processo de industrialização.
Antes, em 1918, Bobbitt publicou o livro The curriculum, em que sintetizava de forma
expressiva as ideias defendidas na época: o currículo era visto como um processo de
racionalização de resultados educacionais, cuidadosa e rigorosamente especificados e
medidos. O modelo institucional dessa concepção do currículo era a fábrica. A escola
bobitiana deveria reproduzir a mesma racionalidade do sistema produtivo. O currículo é,
nesse contexto, o ordenamento dessa produtividade, dessa racionalidade eficiente.
6
Fordismo: termo relativo à Ford, proprietário da indústria automóvel norte-americana com este nome.
23
Segundo Silva (2003:24), o modelo defendido por Bobbitt, em 1918, preconizava que com
base nas habilidades identificadas far-se- ia a planificação e elaboração dos instrumentos
que possibilitassem avaliar as aprendizagens adquiridas. Como se pode depreender, o
currículo foi concebido à imagem e semelhança dos processos industriais.
Tyler (1949, apud Silva, 2003:25), na mesma linha conceptual de Bobbitt, vai acentuar o
carácter técnico do currículo, quando explora questões de orga nização e desenvolvimento.
Para Tyler (ibidem), o currículo deve responder, essencialmente, às seguintes questões:
Depreende-se a partir desses conceitos de currículo que existem várias teorias curriculares.
Vou abordar, neste trabalho, as teorias técnica, prática e crítica para depois proceder à
relação entre essas teorias e o SNE de Moçambique.
A Teoria Técnica
Outra concepção da Teoria Técnica é aquela que considera o currículo como base de
experiências. Enquadram-se, nesta perspectiva, os conceitos apresentados por Silva (2003),
Ribeiro e Ribeiro (1990) e Pacheco (1996). Este último autor afirma o seguinte:
25
Deste modo, a escola tem como missão proporcionar aos alunos a oportunidade de
aprendizage m. A terceira concepção, aquela que tem em conta o currículo como tecnologia
e eficiência, deriva do movimento americano de renovação curricular desencadeado na
década de sessenta. Esse movimento surge em consequência do lançamento do satélite
“Spunik II”, pela Ex-República Soviética. De então, o currículo passou a ser definido
como uma orientação tecnológica que tem a ver com aquilo que deve ser ensinado e, por
vezes, como deve ser implementado. O conceito de currículo dominante nesse período está
relacionado com um plano estruturado de aprendizagem centrado nos conteúdos ou nos
alunos ou ainda nos objectivos previamente formulados (Pacheco, 1996:37). Segundo este
autor, outras definições que dominaram a década de sessenta são as seguintes:
A Teoria Prática
A Teoria Prática surge na década de 1970. De acordo com Kemmis (1988, apud Pacheco,
1996:38), a Teoria Prática define-se como um discurso humanista, uma organização liberal
e uma prática racional. O que caracteriza essa teoria é a legitimidade processual,
racionalidade prática e acção pragmática na construção do currículo. Os expoentes
máximos dessa teoria são Schwab e Stenhouse.
…estudo empírico das situações e reacções na aula; um estudo que não sirva
somente de base para estudos teóricos sobre a natureza do processo de ensino-
aprendizagem, mas também para começar a ver o que estamos a fazer e qual é o
nosso objectivo, que mudanças é que se necessitam, que mudanças se podem obter,
com que custo ou poupança e como se podem realizar com o mínimo de ruptura da
restante estrutura educativa.
Schwab defende que o currículo é facto e não abstracção teórica, sendo que os problemas
curriculares devam ser resolvidos através de soluções práticas. Segundo Pacheco
(1996:39), as ideias de Schwab são também desenvolvidas por Stenhouse (1984) e Reis
(1980). Stenhouse (1984, apud Pacheco, 1996:39) define currículo como uma prática e
como um processo de investigação que deve estabelecer a conexão entre a intenção e a
realidade. Esse autor compara o currículo a uma receita de culinária, afirmando que o
currículo deve proporcionar aos seus utentes a possibilidade de diversificação do seu uso.
O argumento de Stenhouse é de que “um currículo é uma tentativa de comunicar os
princípios e aspectos essenciais de um propósito educativo, de modo que permaneça
aberto a uma discussão crítica e possa ser efectivamente realizado” (Stenhouse, 1984,
apud Pacheco, 1996:39).
Pacheco (1996: ibidem) constata que a Teoria Prática reforça a ideia de que o currículo é
um processo e não um produto, pois o currículo define-se como uma proposta que pode ser
27
De acordo com Grundy (1987, apud Pacheco, 1996:39) na perspectiva da Teoria Prática, o
currículo é a “interacção entre alunos e professores, daí que os participantes sejam
considerados como sujeitos e não como objectos, o que implica a tomada de decisões
sobre os propósitos, o conteúdo e a conduta do currículo”.
Essa ideia de que os alunos e os professores são sujeitos faz do currículo uma prática que
privilegia a busca de significação por via da interpretação negociada ou individual. É
através dessa teoria que se cultiva a prática docente centrada no aluno, isto é, prática que
considera o aluno como o sujeito da aprendizagem.
Lundgren (1983, apud Pacheco, 1996: 39) define o currículo como um texto. E argumenta:
um texto “é um instrumento de produção de sentido -, a interpretação dos textos
curriculares supõe uma actividade prática e implica a consideração dos alunos como
sujeitos principais de todo o processo”. Deste modo, o currículo é um texto produzido para
resolver o problema da representação baseada em quatro sentidos, nomeadamente:
Dos materiais escritos (manuais, livros de texto…) para os alunos; das intenções e
orientações programáticas para os professores, da interacção didáctica que existe
ao nível da sala de aula e que é um texto verbal e não escrito; da interacção
escolar da qual resultam textos não verbais e não escritos (Pacheco, 1996:39).
É nessa perspectiva que Stenhouse (1984, apud Pacheco, 1996: ibidem) afirma que o
currículo é uma proposta, uma hipótese que necessita de ser comprovada e investigada.
A Teoria Crítica
Segundo Kemmis (1988, apud Pacheco, 1996:40), a teoria Crítica “caracteriza-se por um
discurso didáctico, por uma organização participativa, democrática e comunitária e por
uma acção emancipatória”.
28
De acordo com Grundy (1987, apud Pacheco, 1996: 41), o que distingue a Teoria Crítica é
a práxis, constituída pela acção e pela reflexão. A práxis conduz à emancipação, sendo que
esta só ocorre em condições de justiça e de igualdade dos vários intervenientes no
currículo; a práxis também conduz à crítica da ideologia subjacente ao projecto curricular,
tornando-se só possível pela reflexividade e pela acção autónoma.
Segundo Vilarinho (1979:35), esses métodos da Escola Tradicional foram absorvidos pala
Escola Moderna, com a fundamentação de que “apresentam certas vantagens
indiscutíveis” para o ensino. A fundamentação teórica dessa nova “roupagem”- princípios -
. da Escola Moderna, prende-se com a necessidade de:
De acordo com Pacheco (1996:34), o currículo tradicionalista é visto sob dois ângulos: por
um lado, aquele que tem a ver com as técnicas científicas nas mãos dos especialistas e, por
outro, “como um produto que é decidido superiormente e depois colocado ao serviço dos
professores, de acordo com o modelo burocrático, a racionalidade tecnológica, a
mentalidade técnica”.
31
As teorias tradicionais de ensino, pelas razões evocadas por Pacheco (1996:34), alicerçam-
se no status quo, são acríticas, situam-se numa aparente neutralidade em relação ao poder
instituído. Deste modo, considerando a organização do currículo do SNE, moçambicano,
pode afirmar-se que esse sistema possui características associadas às teorias tradicionais,
porquanto apresenta a estrutura fundamentada em ensino, aprendizagem, objectivos,
avaliação e metodologia.
7
Refere-se ao período colonial.
32
através dessa forma de superação dos privilégios que um grupo de indivíduos detinha no
período colonial, instaurando o direito à educação para todos (Casali, 2001:114).
A ideia de transformar a escola num lugar aprazível para todos, um espaço comum, por via
de um processo político totalitário de socialização que visava a uniformização do
imaginário colectivo terá retirado dela o livre arbítrio e camuflado a diversidade social e
política.
Sabendo-se que as Teorias Críticas estão preocupadas com o questionamento constante das
práticas pedagógicas, a questão que se põe hoje prende-se em saber se essas teorias se
manifestam no Currículo do SNE, sendo Moçambique uma sociedade ainda em construção,
denotando estruturas de vários sistemas sociais, sobretudo, do Capitalismo e Socialismo.
encontrar um Estado que não use o potencial que a escola detém para formar uma
consciência individua l e colectiva de pertença a uma nação.
A escola atua ideologicamente através de seu currículo, seja de uma forma mais
direta, através das matérias mais suscetíveis ao transporte de crenças explícitas
sobre a desejabilidade das estruturas sociais existentes, como Estudos Sociais,
História, Geografia, por exemplo; seja de uma forma mais indireta, através de
disciplinas mais “técnicas”, como Ciências e Matemática .
Embora o autor não faça referência às disciplinas de língua, é preciso notar que a língua é,
provavelmente, o principal instrumento ideológico ao serviço da escola. Os mecanismos
selectivos usados para determinar a língua de instrução estão em função das possibilidades
reais que uma língua tem para difundir os interesses ideológicos do poder. No caso de
Moçambique, a língua portuguesa foi eleita para unir os moçambicanos, por ser aquela que
supostamente era falada em todas as regiões do país.
De acordo com Ganhão (apud Mendonça, 2002), a adopção da língua portuguesa como de
comunicação oficial em Moçambique data do surgimento da Frente de Libertação de
Moçambique (FRELIMO). Ganhão afirma que as línguas nacionais moçambicanas eram
usadas com menor frequência nas comunicações internas da Frente.
Estas perguntas não terão respostas neste trabalho. Ao colocá- las, neste espaço, pretendo,
apenas, chamar a atenção para a necessidade de a selecção dos textos dessa natureza ter em
conta o mercado de trabalho e a vida.
8
Interdisciplinaridade é, na acepção de Jean Luc Marion (apud Pombo et al, 1994:10) a cooperação de várias
disciplinas no exame de um mesmo objecto. Para Piaget (apud Pombo et al, 1994:11) interdisciplinaridade é
intercâmbio mútuo e integração recíproca entre várias disciplinas (... tendo) como resultado um
enriquecimento recíproco.
9
Cf. o anexo 4.
35
O comentário de Apple (1989:59) ao fazer discussão sobre os saberes que a escola veicula
mostra que “as escolas maximizam a distribuição do conhecimento técnico e
administrativo entre a população”. A justificação para essa atitude, segundo o mesmo
autor, é que os estudantes ao aprenderem “esse conhecimento, eles podem “investir” suas
especialidades e capacidades adquiridas para ascender a melhores ocupações” (ibidem:
59).
2. Os textos didácticos
2. 1. O conceito de texto
Texto é uma frase ou conjunto de frases, orais ou escritas, que formam uma unidade de
sentido e permitem a comunicação. Pode, também, dizer-se que texto é um acto de
linguagem, através do qual se fala ou se escreve qualquer coisa, a fim de comunicar uma
intenção específica à outra pessoa ou a si próprio.
Aguiar e Silva (1999: 562) adverte que o conceito de texto ainda suscita dificuldades e
dúvidas no seio de especialistas e estudiosos da Linguística do Texto, havendo
investigadores que se eximem, explicitamente, de definirem texto. Entretanto, esse autor
define texto como sendo um conjunto permanente de elementos ordenados, cuja, interacção
e função são consideradas por um codificador e/ou decodificador como reguladas por um
determinado sistema sígnico.
36
De acordo com Aguiar e Silva (ibidem), o que caracteriza um texto são as seguintes
propriedades formais:
Heleno (2001) referindo-se à Hermenêutica de Paul Ricouer diz que este autor critica
aqueles que consideram texto um «lugar» onde o significante se materializa ou inscreve e
onde o significado pode ser interpretado. Para Ricouer uma definição que toma um texto
como «lugar» não considera o carácter produtivo e processual da linguagem e do discurso:
“a fortiori, do texto enquanto «tecido», «teia» ou «trama»”.
Deduzo a partir desta leitura que o texto é uma construção, porquanto a ideia subjacente em
tecido, teia e trama é de algo construído ou produzido, intencionalmente. A crítica de
Ricouer prende-se ao facto de o termo “lugar” remeter para algo estático, que não exprime
o movimento que se presume haver no processo de produção textual, desde a planificação à
execução.
Como qualquer tecelão ao produzir a sua obra de arte, o autor textual (aquele que elabora o
texto), tem em conta os objectivos e o destinatário do seu produto, ou seja, procura
responder às perguntas “porquê” e “para quem” escreve. É difícil conceber um escrito sem
leitores.
37
Segre (apud Heleno, 2001:188) afirma que “Em sentido lato, podemos chamar texto a
qualquer tipo de comunicação registada num determinado sistema de signos”.
A partir dessas definições, que não têm a pretensão de esgotar os conceitos, entendo que
“texto” é um conceito pluris significativo que remete o leitor para dois sentidos principais:
(i) o enunciado que é produzido por um determinado emissor e (ii) o que é interpretado ou
compreendido pelo receptor.
De acordo com Alarcão (1995:19) “em situação pedagógica entende-se por leitor o
professor e o aluno”. A autora acrescenta que:
Este autor apresenta, como exemplos, “os textos de manuais escolares, os guias turísticos,
as instruções relativas ao uso de equipamentos ou de produtos químicos e farmacêuticos”.
Os textos científicos aparecem designados, genericamente, como textos de divulgação de
dados científicos.
Esses exemplos diferem dos que são apresentados no programa de LP, do 1º ciclo, do ESG,
do SNE de Moçambique, porquanto na unidade didáctica designada textos de natureza
didáctica ou científica, são indicados os seguintes exemplos de textos didácticos: “manuais
escolares, receitas de cozinha, instruções técnicas, guias turísticos, informações
científicas”.
Como se pode depreender, há uma ligeira diferença na nomeação dos subtextos. Tanto em
Gomes et al (1991), como nos programas de ensino a que aludo, não se presta a devida
distinção entre os textos didácticos e os que são de natureza científica. Rigorosamente, um
texto científico poderá não ser didáctico, o mesmo acontecendo que o didáctico não seja
necessariamente científico. O texto didáctico é concebido com a finalidade de ensinar ou
instruir. O texto científico é concebido para transmitir uma informação científica. Um texto
só é didáctico-científico se combinar a finalidade e as características de um texto didáctico
e de um texto científico; de contrário ou é didáctico ou científico.
Para Areal (1999:278), o “texto didáctico é parte dos chamados géneros literários e
compreende composições em prosa e em versos”. De acordo com esse autor, o género
didáctico abrange as composições literárias que têm por fim ensinar.
Areal (ibidem) afirma que os textos didácticos podem apresentar-se sob formas de prosa ou
de versos. As composições em prosa subdividem-se em:
Para além das composições em prosa existem outras que assumem a forma de versos, em
que o poeta procura instruir. Areal (ibidem: 282) nomeia as seguintes espécies deste
género:
A partir dos conceitos fornecidos por Areal (1999), em que se integra os textos didácticos
nos géneros literários, propus- me a pesquisar o enquadramento do texto didáctico na
Teoria dos Géneros Literários. Assim, começo por apresentar a conceituação de género
literário.
De acordo com Mello (1998:50), do “ponto de vista teórico, o conceito de género literário
encerra uma dimensão formal (técnico-compositiva) e uma dimensão temática (as
determinações antropológicas, ontológicas, conceptuais, etc.)”.
Esse autor afirma que o termo “género” é utilizado modernamente como princípio
classificativo e conceito teórico e histórico, uma vez que a sua utilização semiótico-
pragmática impõe que seja também perspectivado enquanto sistema, estrutura, código e
horizonte de expectativa.
Petitjean (1990, apud Mello, 1998:51) afirma que existem critérios fundamentais de
classificação dos textos literários, com vista ao estabelecimento de tipologias. Tais são,
nomeadamente, os traços enunciativo, comunicacional, organizacional e de conteúdo.
A divisão tradicional dos géneros com base nesses traços foi estabelecida por Aristóteles e
vigorou na Época Clássica. De acordo com Mourato et al (1988:24), essa divisão pode ser
resumida conforme o anexo 6.
40
Segundo Aguiar e Silva (1999), no século XX e nos tempos mais recentes, o problema dos
géneros literários, tratados de forma clássica e rígida, perdeu prestígio e interesse para os
jovens criadores e estudiosos da Literatura. Este autor encontra a justificação para essa
situação no facto de a divisão tradicional estar em clara contradição com a diversidade de
tendências ideológicas e formais que vêm enriquecendo a produção literária da actualidade.
Apesar disso, conclui que muitos autores integram as suas obras dentro de um determinado
género.
De acordo com Coelho (1982, apud Mourato, 1988:25), os géneros literários segundo a
conceituação contemporânea podem resumir-se conforme o anexo 7.
A partir da leitura dos quadros sobre a conceituação dos géneros literário s, discordo de
Areal (1999:278) quando este autor afirma que os textos didácticos fazem parte dos
chamados géneros literários. Para mim, o facto de os textos literários utilizarem
predominantemente uma linguagem plurissignificativa, subjectiva e desempenha rem uma
função lúdica e de deleite, contrariam os textos didácticos que primam por uma linguagem
marcadamente objectiva. Para além disso, em nenhum dos quadros sobre os géneros
literários encontro a menção aos subtextos dos textos didácticos, nomeadamente, “os
manuais escolares”, “as receitas de cozinha”, “os guias turísticos”, “as instruções técnicas”
e “as informações científicas”, sinal de que os textos didácticos escapam quer a divisão
tradicional quer a divisão contemporânea de géneros literários.
Reconheço, contudo, que essa discussão está apenas no início, porquanto a teorização
sobre os textos didácticos ainda é incipiente. Por exemplo, enquanto julgo que a linguagem
dos textos didácticos é objectiva e a função é apelativa (porque incide sobre o receptor para
modificar o seu estado inicial de saberes), Jacques Claret (1992, apud Rei, 1995: 38)
afirma que os textos didácticos usam uma linguagem subjectiva. Paradoxalmente, na
classificação dos tipos de textos usados na escola, Rei (ibidem) não integra os textos
didácticos.
Segundo Rei (1995: 36) no ensino secundário privilegiam-se quatro tipos de textos, a
saber: “Análise de texto; Comentário de texto; Dissertação e Exposição”. Para além destes,
Rei (ibidem) aponta o segundo grupo de textos: “Texto explicativo; Texto (relato)
41
Rei (1995: 38) apresenta tipologias textuais adaptadas das de Jacques Claret (1992: 15),
tipologias que passo a inserir no seguinte quadro:
Facto sugestivo neste quadro é a presença de “etc.” em relação aos temas abordados pelos
textos didácticos. Isso pode significar que todos os temas são susceptíveis de serem
tratados didacticamente.
Chegado a este ponto, cumpre- me afirmar que há consenso quanto à definição dos textos
didácticos (são textos para ensinar), mas não há consenso quanto à integração desta
tipologia quer na divisão triádica dos géneros literários, quer na divisão contemporânea dos
géneros literários.
“Compreender um autor melhor do que ele se compreendeu a si mesmo”. Esta frase foi
dita por Kant e é retomada por Heleno (2001:144). Cito esta frase porque ela traduz de
forma clara os esforços partilhados que o professor e o aluno realizam na situação de sala
de aula para se apropriarem dos códigos que são enunciados nos textos.
42
Fischer et al (1989:33) defende que ao analisar-se o texto tendo em conta a língua como
conhecimento, a base empírica do trabalho do professor é a competência linguística do
aluno. Nessa perspectiva, o professor verifica o modo como o aluno adquire e utiliza a
língua. Esse procedimento é do tipo linguístico e psicolinguístico.
Para o professor de língua, o fundamental é saber que usa a língua para a satisfação da sua
principal função, a comunicação. O texto didáctico, em contexto da sala de aula, serve para
transmitir a língua nas suas diferentes perspectivas. Uma dessas perspectivas refere-se ao
contexto cultural.
43
A linguagem do texto didáctico tem relação com a lógica. Segundo Santos (s/d), a lógica
compreende o conjunto de ferramentas que nos permitem organizar o pensamento. A
formatação curricular das disciplinas tem como fundamento a lógica.
Ainda de acordo com o mesmo autor (s/d), a lógica reflecte, na escola, sobre a linguagem,
tendo as disciplinas como linguagem de referência. “As disciplinas são linguagens que têm
como objectivo a reflexão sobre o fenómeno. Há linguagens como disciplinas que têm
como objectivos linguagens”.
Santos (ibidem) afirma que há dois grupos principais de disciplinas: “o primeiro integra
Língua Materna, Artes, Educação Física e Matemática; o segundo compreende Geografia,
História, Física, Química e Biologia. Cada uma das disciplinas tem uma linguagem
própria, objectivo próprio”. Concordo plenamente com esse autor. Na verdade, posso dar
aulas de Português usando um texto sobre Geografia, mas o objectivo não é dar geografia,
pois cada disciplina tem a sua estrutura, a sua identidade.
10
O texto desse autor não vem enumerado.
44
Quanto à memória, Davidoff (ibidem) define-a como uma palavra usada para se referir aos
variados processos e estruturas envolvidos no armazenamento e recuperação de
experiências.
Para Faria et al (1996), a interacção desses processos torna-se evidente nas seguintes
situações:
Nessa ordem de ideias e de acordo com Faria et al (1996), uma língua natural pode
aparentemente, modelizar o pensamento, no sentido de facilitar ou dificultar, e assim, de
algum modo regular aquilo que faz sentido pensar-se. Portanto, a fala e o discurso que se
produzem deverão conter elementos indicadores dos processos que lhe são subjacentes
sejam eles de natureza linguística, cognitiva ou social.
45
Desse modo, o tipo de acto de fala pode desempenhar um papel central no processo de
produção do discurso. A produção do discurso seja oral, ou escrito, inclui, normalmente,
dois tipos de actividades: a planificação e a execução .
No entanto, as fronteiras entre uma e outra actividade não são estanques: em qualquer
momento da comunicação os falantes planeiam aquilo que vão dizer a seguir e ao mesmo
tempo executam aquilo que tinham planeado momentos antes. É impossível dizer onde é
que a planificação acaba e a execução inicia.
Scliar-Cabral (1991:100) defende que esse aspecto é o mais importante para que a
comunicação seja eficiente, pois o emissor tem que se socorrer de certas hipóteses que
rapidamente vai colocando ao seu interlocutor e à nova informação que precisa lhe
fornecer.
46
No que diz respeito ao contexto social considera-se o estatuto social do ouvinte e a situação
discursiva em que os falantes usam um discurso mais ou menos formal e podem também
utilizar uma ou outra forma de tratamento. Scliar-Cabral (1991:102) considera o seguinte:
Ao produzirmos uma mensagem, temos uma motivação que nos leva à intenção de
influir de algum modo sobre o interlocutor. Para que o nosso intento seja coroado
de êxitos, realizamos uma série de escolhas antes de organizar linguisticamente os
conteúdos que desejamos transmitir, determinadas pela condição do nosso
interlocutor (adequação social).
na medida em que a leitura for feita por diferentes indivíduos, desde químicos, físicos, etc.,
sem perderem as respectivas identidades. Ou seja, é a diversidade do discurso no
desenvolvimento do fenómeno observado.
O propósito da interdisciplinaridade não é fundir o discurso, mas sim permitir que dentro
da identidade de cada disciplina se faça a leitura do mesmo fenómeno. As ciências são
linguagens que falam do mundo, mas não são o mundo. O discurso da ciência é um
discurso sobre o mundo, não é o mundo. O papel da escola é trabalhar as ferramentas que
permitam olhar o mundo.
Contente (ibidem) afirma que “numa aula aberta à pluralidade dos discursos, torna-se
desejável a abordagem de diferentes tipos de texto, inclusive textos extraídos de manuais
das diferentes matérias que o aluno tem de estudar”.
O PEA envolve agentes, que são (i) na escola, o professor e o aluno (ii) fora da escola, a
sociedade. A transmissão dos conhecimentos é feita por meio da língua. Esta é o principal
instrumento de ligação entre as diferentes disciplinas escolares. E ela pode ser considerada
sob várias perspectivas: como conhecimento, como comportamento e como arte.
Scliar-Cabral (ibidem: 100) diz que o processo de compreensão das mensagens requer um
balanceamento entre o velho e o novo. O termo velho designa conhecimentos anteriormente
adquiridos e armazenados na Memória de Longo Prazo (MLP). Este dispositivo de
memória é responsável pelo armazenamento da informação por um período de tempo
longo. O vocábulo novo designa informações acabadas de adquirir pelo sujeito.
Isso implica que o papel da Didáctica do Português no ensino dos textos didácticos é o de
mediação entre o velho e o novo. Para essa mediação, a Didáctica do Português poderá
49
De acordo com Santos (s/d), “A escola é uma reflexão do mundo sobre o simbólico. Por
conseguinte, toda a relação do ensino e aprendizagem é alfabetizadora e toda a relação
didáctica é de alfabetização”.
A escola tem como objectivo reflectir sobre o símbolo e permitir a ordenação dos mesmos.
Nos textos didácticos, o simbólico é a linguagem didáctica, porque ela é a representação
das ideias.
Quando o professor aborda os conteúdos escolares é suposto que pense na figura do aluno,
porque a prática docente tem dois intervenientes incontornáveis, o professor e o aluno.
Todo o processo de planificação da actividade docente, feita pelo professor, inclui a
relação professor-aluno, porque o professor define os objectivos operacionais em função do
aluno; escolhe os conteúdos, as estratégias, tendo o aluno como alvo do PEA. A avaliação
da aprendizagem escolar remete para a dicotomia professor-aluno.
Na definição de Ensino encontro associadas essas duas figuras, porquanto, o ensino supõe
que o professor tenha capacidade e interesse em ensinar, mas também que o aluno reúna
condições para aprender e esteja interessado nessa aprendizagem. Aliás, no PEA o
professor deve facilitar e orientar a aprendizagem, isto é, despertar o interesse e apoiar o
aluno a relacionar as aprendizagens já realizadas e aquelas que lhe são propostas.
50
Segundo Haydt (2002:57), o professor tem duas funções na sua relação com o aluno:
Considerando que “a relação entre quem ensina e quem aprende repercute sempre na
aprendizagem”, segundo Bruner (apud Haydt, 2002:56), recomenda-se que as práticas
pedagógicas sejam um processo construtivo positivo. Para tal, o professor deve assumir-se
como educador e ajudar o aluno nos seus esforços de aquisição de conhecimentos de forma
“a passar de um conhecimento confuso, sincrético, fragmentado, a um saber organizado e
preciso”, afirma Bruner (apud Haydt, ibidem: 57).
A personalidade do professor é norteada por valores e princípios de vida. Disso resulta que
ele veicule, na sua acção, esses valores em sala de aula. Na sua condição humana, o
professor desenvolve-se, actualiza-se, ajusta-se e reajusta-se, de acordo com “processos
dinâmicos, orientados por valores que lhe conferem individualidade e prosperidad”e
Carvalho (apud Haydt, 2002:58).
Ler é a apropriação, pelo leitor, de uma mensagem à luz dos seus interesses de
momento e das suas vivências mais recentes, e transformar essa mensagem numa
resposta aos anseios pessoais (André, 1996).
Este autor usa as palavras “leitor”, “vivências” e a expressão “anseios pessoais”. Estes
vocábulos elucidam uma tendência actual da teoria da leitura que focaliza o texto, o leitor e
a sua sede psicossocial.
Essas abordagens levaram Freire (2001:59) a afirmar que “um texto para ser lido é um
texto para ser estudado. Um texto para ser estudado é um texto para ser interpretado. Não
podemos interpretar um texto se o lemos sem atenção, sem curiosidade”.
Historicamente, o conceito de leitura segue um movimento, cuja fase inicial incidiu sobre o
texto. Seguiu-se a fase com enfoque no leitor e, depois, outra fundada na perspectiva do
contexto social. Para além destas abordagens existe aquela que privilegia a interacção
texto- leitor. Passo a explicar as diferentes abordagens históricas que nortearam o
desenvolvimento do conceito de leitura.
A parte inicial da definição de André (1996), quando afirma que “Ler é a apropriação de
uma mensagem...” pressupõe que o texto é um material inerte, isto é, sem vida, e que a
relação entre o leitor e o texto é do tipo bancária. O conceito de Pedagogia Bancária foi
introduzido por Freire (2001) e pretende designar a prática pedagógica em que o professor
se coloca na situação de púlpito, e não valoriza os conhecimentos que o aluno leva para a
escola. O que podemos apreender dessa conceptualização é que ela transmite uma visão
histórica da evolução do conceito de leitura.
leitura. A tarefa do leitor resume-se em extrair o conteúdo que lá existe. Não há nessa
relação diálogo.
A perspectiva do texto vai predominar nos Estados Unidos da América nos anos 50 e 60.
Os defensores dessa abordagem procuravam combater a opacidade ou a falta de
transparência dos textos, através da eliminação dos vocábulos que pudessem causar
dificuldades de percepção. O princípio que influenciava os mentores desta perspectiva era
o de clareza. Os textos deviam ser transparentes, mostrando os conteúdos com a maior
clareza possível (Leffa, 1999).
Segundo essa autora, a ênfase no texto vai fazer com que os textos fossem deliberadamente
simplificados, através do que se convencionou chamar “fórmulas de inteligibilidade
(readability formulae), das antologias básicas (basal readers)” (Leffa, ibidem). Essa é a
situação que explica de certa forma a produção dos textos didácticos. Os textos dessa
natureza deviam ser transparentes, claros, para os alunos, de forma a não causarem
obstáculos à leitura. O conceito de texto transparente é apresentado pela autora da seguinte
forma:
Os esforços conducentes a tornar os textos transparentes iam para além da escola. Fora dela
os textos eram reescritos de forma a atingir-se um leitor que se pretendia universal, com
competências genéricas, um leitor ideal, para esta perspectiva que focaliza o texto.
Podemos perceber que o leitor só lia o que lhe era permitido ler e, apesar de haver uma
expressa preocupação com o aproximar o texto ao leitor, esse era, no dizer de Leffa (1999),
53
“nivelado por baixo”. Esta expressão significa tratar os leitores como iguais e detentores
de capacidades para lerem o que é comum.
Legrand (apud André, 1996:21) modificou o conceito de leitura formulado por A. Inzan, ao
referir que ler:
Ler, nesta óptica significa fazer uso das capacidades de reconhecer letras e as palavras; ler
é decodificar palavras, ou seja, passar da escrita para a oralidade e, por essa via apreender-
se o conteúdo.
Segundo Leffa (1999), “o aspecto mais importante da leitura, nesta perspectiva textual, é
a obtenção do conteúdo que subjaz ao texto. O conteúdo não está no leitor, nem na
comunidade, mas no próprio texto”. A leitura assim considerada segue o movimento linear
e ascendente (“bottom-up”).
Estes dois conceitos de leitura citados por André (1996) são uma evidência de um
posicionamento conceptual que privilegia o leitor, que encara o leitor como activo. O leitor
54
faz uso daquilo que sabe do mundo, recorre à sua experiência de vida e através do
conhecimento acumulado intervém no texto, num diálogo continuado.
Como diz Leffa (1999), contrariamente ao conhecimento textual que incidia sobre a
estrutura formal do texto,
Nesse enfoque o que está em causa não é o que o texto apresenta como informação, porque
é óbvio que ele é portador de alguma mensagem, mas o que o leitor tem para contribuir,
para partilhar, a partir do seu conhecimento do mundo. A leitura já não é apenas extracção,
mas sim atribuição de sentidos.
Os objectivos da leitura estão relacionados aos tipos de leitura. Ler um jornal num “chapa”
11
, numa leitura que se pretende rápida, é diferente de ler um jornal na aula de português;
no primeiro caso, trata-se de uma leitura recreativa, para passar o tempo; no segundo trata-
se de uma leitura prática ou ocupacional, cujo objectivo é ler para aprender, para obter uma
boa nota num teste. Há também objectivos ligados à leitura por prazer ou afectivo, por
exemplo, as leituras ritualísticas, aquelas que visam a orientação de cerimónias,
nomeadamente, religiosas. A ênfase no leitor, como se pode depreender, a partir deste
referencial teórico, é um procedimento bastante usado para o processamento de textos com
vista à compreensão.
11
Chapa: designação dos transportes semi-colectivos de passageiros em Moçambique.
56
Este autor chama a atenção de que ao lermos o texto os nossos saberes prévios, as nossas
vivências pessoais são importantes para tornarmos a leitura um “conhecimento do objeto
de que o texto fala” (Freire, 2001: 17).
A teoria da leitura estabelece, como venho a assinalar, várias abordagens sobre o conceito
de leitura. Iniciei essa resenha teórica através de um enfoque no texto e depois caracterize i
a perspectiva do leitor. Pretendo agora referir- me à abordagem interacional ou interactiva.
O paradigma social privilegia a relação com o outro. A leitura deixa de ser vista somente
em função da actividade mental do leitor para contemplar aspectos sociais. A leitura
concebida neste tipo de abordagem acentua a presença do outro. Segundo Leffa (1999), o
outro pode ser um colega de aula, o professor, ou ainda, o próprio autor do texto. A
explicação que consubstancia essa perspectiva é a de que, em situação de sala de aula, a
leitura envolve a colaboração entre os intervenientes no processo de ensino e
aprendizagem: aluno-aluno, aluno-professor. Quanto à figura do autor, esse é “capturado”
através dos referenciais que dizem respeito à época em que viveu, ou por via de notas
explicativas constantes do texto ou fornecidas pelo professor.
O que se enfatiza nesta abordagem é que ler é um comportamento social e não uma
actividade individual. O pressuposto é o de que a escrita é uma convenção social e por isso
a leitura obedece às regras aceites pela comunidade do leitor. Ou seja, a leitura deve ser
validada socialmente. Isto equivale a afirmar que o acto de ler requer o domínio das
práticas sociais, sem o qual o leitor passa à condição de excluído.
4. A compreensão da linguagem
A discussão sobre o conceito de compreensão associa, segundo Rios (2004:63), “as idéias
de com-preender e de com-prometer, lançando-nos, pelo prefixo comum, à idéia de
associação, de coletividade, rompendo com a idéia dominante do passado burguês, que é a
de individualismo”.
Rios (2004:64) afirma que a acção de compreender está ligada a ideia de “prender-com ou
de estar preso a”. O que está subjacente nessas ideias é a necessidade de o sujeito que
compreende se comprometer em “criar laços com o objecto” e, também, “com o
59
Clark & Clark (1977:43) definem a compreensão da linguagem como sendo o processo de
construção de significação, a partir dos sons ou sinais escritos e, também, como o processo
de utilização daquilo que é compreendido.
Esse autor afirma que ao longo da cultura, o receptor da mensagem elabora e acumula
informações – reúne, recolhe informações que se vão correlacionar com os antecedentes na
memória. Para Aguiar e Silva (ibidem), esse é o conhecimento prévio armazenado na
memória e assume um papel de extrema importância para a compreensão.
O conceito de compreensão apresentado por Clark & Clark está relacionado a mensagens
transmitidas oralmente. Quanto à definição defendida por Aguiar e Silva, ela foi produzida
no contexto de estudo dos textos literários na sua vertente da escrita.
este conhece ou não a língua em que a mensagem está a ser transmitida, se o nível de
língua utilizado é ou não acessível a ele; se a mensagem é oral; factores de ordem
cognitivo, no caso, se o receptor consegue reter a mensagem transmitida, se ele é capaz de
relacionar a mensagem com outra anteriormente veiculada e se está concentrado para a
mensagem que está a ser transmitida.
De Conde (apud Rodriguez, s/d), afirma que a capacidade para atender ao discurso falado,
compreender, lembrar e relacionar o que se escuta, de tal forma que se dêem as respostas
apropriadas, envolve uma série de processos implicados que ocorrem, automaticamente, na
maioria dos indivíduos.
Assim, para que suceda uma efectiva comunicação, o cérebro, através da rede do sistema
nervoso central, deve receber, transmitir, descodificar, classificar e organizar toda a
informação auditiva antes de chegar à compreensão.
A integração funcional para essa tarefa tem lugar de uma maneira rápida e precisa ainda
quando o ruído de fundo e outras alterações do sinal (forma de falar e ambiente) criem
interferências. Esse fenómeno neurológico chama-se “processamento central auditivo”.
De acordo com Clark & Clark (1977:43), na compreensão o ouvinte capta os sons
produzidos pelo falante e faz uma interpretação daquilo que o falante planeou transmitir.
Ou seja, a compreensão é a construção de sentidos dos sons.
Clark & Clark (ibidem) consideram que a compreensão de uma frase como “o velho
homem acendeu o seu charuto gigante” – (“the old man his awful cigar”) começa com a
identificação da sua estrutura de superfície, suas palavras, sua ordem temporal e seus
constituintes. Para compreender o sentido desta frase, o ouvinte deverá fazer uma
interpretação, observando os seguintes aspectos/ideias:
“O homem vem sendo referido”/ “ele é velho” / “o charuto vem sendo referido”/ “o
charuto é dele”/ “o charuto é grande”/ “Ele acendeu-o”.
62
Os autores consideram que a ideia principal está em “ele acendeu-o”, pois as outras ideias
visam especificar ora o homem, ora o charuto. A ideia principal corresponde à estrutura
profunda.
De acordo com Clark & Clark (1977:44), a compreensão não termina no ouvir e interpretar
a frase, é preciso armazenar a informação essencial na memória. Se for uma pergunta será
preciso compor uma resposta e, se for uma ordem ou pedido é preciso que o ouvinte decida
sobre o que fazer e faça. Para tal, o ouvinte deve ter à sua disposição processos mentais
adicionais, que o permitam fazer a interpretação da informação recebida.
Segundo Clark & Clark (1977:44), existem dois processos fundamentais de compreensão,
nomeadamente, “processo de construção e processo de utilização”.
Como afirma Clark & Clark (1977:45), esses dois processos não devem ser vistos de forma
separada. O alocutário ao receber uma informação tem como objectivo principal cooperar
com o seu interlocutor. O termo “cooperação” deve ser entendido no sentido de registar as
informações recebidas, responder às perguntas que se lhes são colocadas, satisfazer
pedidos, etc.
O objectivo dos ouvintes, durante a recepção da mensagem, é o de descobrir até que ponto
são capazes de utilizar as frases que ouvem. Esse objectivo é importante na medida em que
vai motivá- los e guiá- los para a compreensão, desde o princípio até ao fim, ou seja, desde a
identificação das palavras através da construção de interpretações até à utilização das
mesmas. Por exemplo, quando as pessoas recebem informações, elas tentam fazer
interpretações que se apliquem a vários outros contextos de comunicação.
63
Quase todos os textos que lemos ou ouvimos exigem que façamos uma série de
inferências para podermos compreendê-los integralmente. Se assim não fosse,
nossos textos teriam que ser excessivamente longos para poderem explicar tudo o
que queremos comunicar. Na verdade é assim: todo o texto assemelha-se a um
“iceberg” – o que fica à tona, isto é, o que é explicado no texto é apenas uma
parte daquilo que fica submerso, ou seja, implicitado. Compete, portanto ao
receptor ser capaz de atingir os diversos níveis de implícito, se quiser alcançar
uma compreensão mais profunda do texto que ouve ou lê.
Por exemplo, a partir de uma frase do tipo “eu quero ver o nosso filho” contida numa
carta, pode-se inferir que o destinador e o destinatário são os pais. De acordo com o
contexto em que a frase se insere (carta), pode-se inferir ainda que pelo menos um dos
progenitores se encontra distante do filho.
Foss (1978), Scliar-Cabral (1991), Jamet (2000) afirmam que a “memória semântica” é a
memória dos significados, da compreensão, ou dos conhecimentos. De acordo com Jamet
(2000:28), “um dos aspectos essenciais da leitura consiste evidentemente em extrair
sentido das palavras encontradas. Essa exposição do sentido das palavras é feita no
interior da memória semântica”.
Por sua vez, Dubois et al (1993:527) afirmam que a semântica é um meio de representação
do sentido dos enunciados. Este autor acrescenta que a teoria semântica deve explicar as
regras gerais que condicionam a interpretação semântica dos enunciados.
Como se pode notar, a partir dos estudos efectuados pelos autores citados, há alguma
aproximação conceptual e, também, sobre as funções da memória semântica. A semântica
é entendida, nos meios escolares, como parte da gramática que estuda o sentido e a
aquisição das palavras num contexto.
Scliar-Cabral (ibidem) afirma que a primeira questão coloca problemas ainda não
solucionados, tais como, a relação ou mesmo a dependência das significações da memória
semântica de todo o conhecimento do mundo chamado dicionário enciclopédico. Segundo
a autora, esse problema fez com que Bloomfield retirasse a semântica da área da
Linguística e cinquenta anos mais tarde, Fodor considerasse inacessíveis à investigação
científica os processos mais centrais que lidam com a significação, os designados
processos horizontais que são por natureza criativos e intercruzados.
Faz parte dos estudos sobre memória semântica a “teoria de traço”. Segundo Scliar-Cabral
(1991:56), a “teoria de traço ou teoria componencial”, na concepção de Clark & Clark
(1977) é compatível com a teoria standard de Chomsky, pela qual a significação das
unidades significativas é definida por marcadores semânticos que possuem traços binários
do tipo [+animal] ou [-animal], [+humano] ou [- humano].
A partir desses dados é possível supor que sempre que um indivíduo precisar aceder a um
significado decompõe a unidade significativa em traços. Por exemplo, se pergunta a
alguém o que é uma “menina”, as operações mentais que esse sujeito vai realizar são,
provavelmente, as seguintes:
Menina: [+ Feminino], [+ Jovem], [+ Humano], [+ Adulto].
Um dado importante a reter nessa teoria tem a ver com a regra de redundância. Para Scliar-
Cabral e Clark & Clark, essa regra intercepta as relações hierárquicas. Segundo Clark &
Clark (1977:419) a regra de redundância especifica as propriedades que a entidade deve ter
antes de servir como ideia a encaixar na Memória Semântica.
Stenberg (2000) afirma que a memória semântica trabalha com conceitos característicos e
ideias associadas. Grizle e Brials (apud Stenberg, ibidem) ressaltam a ideia de que é na
memória semântica que os signos linguísticos estão armazenados.
Considerando, ainda, o exemplo sobre o que é menina, a hierarquia seria capturada por
essa regra caso alistássemos o traço [+animal]:
Menina: [+ Feminino], [+ Jovem], [+ Humano], [- Adulto], [+ Animal].
67
Katz e Fodor (apud Scliar-Cabral, 1991) afirmam que existem duas partes para a entrada
lexical:
Nas duas frases o item morto tem duas especificações gramaticais diferentes: por um lado é
substantivo, por outro é adjectivo.
Jamet (2000:28) afirma que na memória semântica existe uma verdadeira rede semântica e
que para compreender uma palavra é necessário ter acesso a essa rede. Jamet (ibidem)
acrescenta:
Mas essa rede semântica só possui informações sobre o sentido das palavras e não
dados ortográficos ou fonológicos […] Assim a identificação da palavra tigre
permitirá saber que ele é um mamífero e mais precisamente um felino, mas
também que é carnívero e que sua pele é listrada. Compreender uma palavra
corresponde, pois, à construção de uma representação semântica pela ativação de
uma parte da rede.
De acordo com Clark & Clark (1977), a “teoria das redes semânticas” foi inicialmente
estudada por Tulving em 1972; para Tulving, a teoria das redes semânticas deriva das
pesquisas da Memória de Longo Prazo (MLP), no campo da psicologia cognitiva, em que
vários autores situam a memória semântica.
68
Tendo-se constatado nas experiências sobre as teorias dos traços e das redes semânticas
que nem sempre os falantes estabelecem traços para aceder ao significado das unidades
lexicais, surge a “teoria dos protótipos” que se mostrou adequada nas experiências para a
memória semântica artificial.
De acordo com Scliar-Cabral (1991), foi Kosch quem propôs essa teoria. Kosch defende
que a representação das significações na mente tem em conta os protótipos ou modelos das
coisas, dos eventos, dos estados de coisas no mundo em conformidade com a sua vivência
ou experiência. Isto significa que, quer na produção dos enunciados, quer na sua
recepção/compreensão, as pessoas utilizam conceitos típicos (protótipos) existentes na
memória.
Esse modelo opera com conceitos primitivos ou básicos das unidades lexicais e que se
limita a fornecer uma ou duas alternativas de significados das unidades lexicais de acordo
com a programação feita.
69
Ainda de acordo com a enciclopédia citada, mais recentemente a palavra estratégia passou
a designar, “no sentido lato, todas as acções que podem ser empreendidas para atingir os
objectivos fixados pela polit., utilizando os meios de que dispõe para esse fim”. E
acrescenta: “Sempre que há necessidade de recorrer à coacção para impor a vontade ao
adversário, forçando-o a aceitar objectivos fixados pela polit., entra-se no domínio da E.
[Estratégia]”.
Outro conceito apresentado na Enciclopédia em referência, diz que Estratégia esta ligada à
atitude. Nesse sentido, estratégia significa a finalidade a atingir ou a forma de agir.
Interessante é notar que em todos os conceitos de estratégia se faz referência a finalidade a
atingir/objectivos a atingir. Isso implica que as estratégias devem estar ao serviço dos
objectivos previamente definidos.
O conceito de estratégia também é usado na área dos estudos literários. Nesta área este
vocábulo está relacionado com a descrição do processo de comunicação literária e das
entidades que nele participam. Parret (apud Reis & Lopes, 1998:143) afirma que o conceito
de estratégia faz parte de “uma rede integrada e dialectizante incorporando o homem, o
70
seu mundo e o seu discurso”. Esta concepção interactiva do uso do vocábulo estratégia é
partilhada por Iser (apud Reis & Lopes, 1998:143) que afirma o seguinte: “as estratégias
organizam simultaneamente o material do texto e as condições em que ele deve ser
comunicado. […] Elas envolvem a estrutura imanente do texto e os actos de compreensão
desse modo suscitados no leitor”.
A concepção de Gough (apud Kato, 1990:63) e Amor (1996:8), obedece aos seguintes
passos:
b) identificação letra por letra, da esquerda para a direita, e colocação dos tipos
dentro de um registo de caracteres.
c) Interpretação das letras em fonemas, numa representação abstracta, anterior à
informação de ordem léxico-semântica;
d) Processamento dos itens lexicais na memória operacional onde, mediante um
operador sintáctico-semântico, se gera a compreensão, ao nível da frase;
e) Conversão do produto de todas estas operações num enunciado fonético, mercê de
um “editor de regras fonológicas”.
Esse modelo segue uma estratégia linear e indutiva, assente numa visão atomizada; não
tem em conta, à semelhança da concepção estruturalista, as capacidades cognitivas do
leitor que o possibilitam construir significados a partir da sua experiência.
Este modelo foi concebido por Luria (1970), que ao estudar a dislexia 12 , descreveu o
processo de leitura como sendo o de adivinhação do sentido global da palavra. O
significado, segundo a autora citada por Kato (1990:63), pode ocorrer sem a mediação
sonora; o leitor adivinha o sentido da palavra recorrendo ao contexto em que ela está
inserida.
Assim, está-se perante uma abordagem que se distancia das anteriores, e de acordo com
Amor (1996:8), “projecta consequências importantes no terreno pedagógico, pela
valorização das práticas que relevam da apreensão global da palavra com recurso ao
próprio contexto linguístico”. Pela primeira vez, a leitura é vista como um processo de
reconhecimento e de compreensão.
5. 2. 4. Estratégias indutivo-dedutivas
12
Dislexia é um termo aplicado às áreas da Psicolinguística ou da psicopedagogia significa a dificuldade de
aprendizagem relacionada com a leitura (DAL).
73
Através dos processos indutivos o leitor cria expectativas, formula hipóteses, prevê e
antecipa sequências frásicas. O procedimento é sintáctico e tem a ver com a segmentação
da frase, em que o leitor utilizando pistas gramaticais (por exemplo, artigos, preposições,
conjunções, verbos auxiliares), interpreta a sentença. Entretanto, nos processos dedutivos o
leitor procede à interpretação global, fazendo uso do contexto linguístico. Esse processo
corresponde ao que Goodman (1967) defende: a leitura é um jogo psicolinguístico de
adivinhação.
Ainda de acordo com esta autora, o leitor utiliza o verbo como pista de informações sobre
estados, processos e acções. Em função da natureza do verbo, ele busca, por exemplo, o
agente ou o paciente.
Outros tipos de exercícios que podem ser concebidos a partir da combinação de processos
ascendentes e descendentes consistem em.
I- Estratégias cognitivas:
1. Pressuponha que o texto apresenta ordem canónica (ou natural ).
2. Pressuponha que o texto seja coerente.
II- Estratégias metacognitivas:
1- Explicite claramente os seus objectivos para a leitura. Exemplos:
• Procure o tema do texto.
• Analise a consistência interna do texto.
• Compare o que o texto diz com o que você sabe sobre o assunto e veja se as duas
informações são coerentes, etc.
2- Monitore a sua compreensão, tendo em mente esses objectivos.
75
Na base desta estratégia está o modelo construtivista de leitura. Segundo Piaget (apud
Sequeira, 1989:71), o conhecimento é o resultado de uma actividade estruturadora por
parte do sujeito. Piaget afirma que o sujeito possui esquemas ou blocos de conhecimentos
resultantes do contacto com o meio que o rodeia. São esses esquemas que permitem a
compreensão, ou não, da informação nova.
Essa corrente alude esquemas como sendo uma acção para compreender e produzir
expressões linguísticas. Nesse sentido, o que o sujeito não pode compreender é
inaprendível, agramatical.
Os esquemas para psicólogos como Rumelhart, Johnson Laird; linguistas como Chafe,
Kintsch, Van Dijk (apud Amor, 1996:88), são blocos de conhecimentos estruturados sobre
a realidade e de instruções com vista ao seu uso, de forma a tornarem-se princípios
organizacionais (protótipos) de significação. Assim, ler é não só adivinhar o que está
escrito no texto, mas também, activar o saber social, cultural e linguístico; é projectar
sentidos, desejos, expectativas. É, enfim, projectar, no texto, a visão do mundo pois espera
ou até deseja que lá esteja, fenómeno esse que remete a leitura para o domínio dos
sistemas de crenças, valores e afectos do indivíduo, tanto como para a área do
conhecimento”.
Este modelo focaliza a relação leitor-autor, contrariamente, aos modelos anteriores que
consideravam o acto de ler na perspectiva leitor-texto. O texto é, assim, um material que
fornece informações sobre o mundo do autor. Trata-se de um modelo de tipo pragmático -
funcionalista, efeito de teorias de comunicação linguísticas.
De acordo com Levy (apud Kato, 1990:71), a leitura é um acto de reconstrução dos
processos de produção. Entende-se a leitura como um acto de comunicação entre o leitor e
o autor. O texto é o material de que o leitor se serve para cooperar com o autor, porquanto,
sem ele torna-se difícil descobrir as intenções do autor ao produzir o texto. A preocupação
do leitor, como se vê, já não está centrada no que está escrito, mas sim, nas motivações
subjacentes ao acto da sua produção.
A cooperação, no entanto, nem sempre é linear e fácil: a leitura exige, no caso do texto
literário, a esforços de cooperação maior, pois, a mensagem é, muitas vezes, opaca,
fazendo com que o leitor proceda a adivinhações do que não é dito, no caso das figuras de
estilo.
No plano pedagógico pode-se conceber exercícios diversos. De acordo com Amor (1996:
89-90), podem considerar-se exemplos desses exercícios os seguintes:
Alarcão (1995) defende que os processos interactivos são o resultado da conjugação dos
modelos ascendentes e descendentes da leitura. No primeiro modelo, o leitor procede à
decifração dos estímulos grafemáticos oferecidos pelo texto, enquanto, no segundo, põe em
acção os conhecimentos relativos ao tema, desenvolve as suas expectativas, formula
hipóteses e faz inferências.
Nesta perspectiva, pode afirmar-se que o acto de ler compreende duas vertentes: a leitura
como produto e a leitura como processo.
A leitura como produto pode acontecer dentro ou fora da sala de aulas, com ou sem
professor. A leitura como processo necessita de uma atenção especial do professor, exige
identificação de áreas-problema, treino, acompanhamento, apoio alternativo. Todo o
trabalho pedagógico relacionado com o processo exige, em primeiro lugar, a definição dos
objectivos da leitura, seguida da selecção do tipo de texto, determinação dos conteúdos e a
escolha das estratégias.
De acordo com Contente (2000:19), para que a leitura se torne activa, o professor deve
fornecer ao aluno meios que o permita construir a compreensão. Esses meios estão
relacionados com a mancha gráfica dos textos que, segundo Mouilllaud e Tétu (apud
Contente, 2000:19), “apresentam disparidades tipográfico-icónicas que constituem uma
78
enormidade de variáveis visuais sobre as quais o aluno/leitor se deve apoiar para penetrar
no sentido do texto”.
Contente (ibidem: 19) apresenta as seguintes propostas de abordagem textual com base no
material icónico:
Para além destas sugestões, Contente afirma que o aluno segue etapas para construir
sentido a partir de uma leitura interactiva. Essa autora assinala quatro etapas: (i) activar
conhecimentos; (ii) reconhecer índices; (iii) ler com um objectivo e (iv) reagir ao texto.
Em relação a cada uma dessas etapas Contente (ibidem: 19) afirma o seguinte:
De acordo com Sousa (1993:14), o trabalho com os textos nas aulas de português estrutura-
se à volta dos processos de análise e de produção.
Sousa (ibidem) afirma que as actividades relacionadas com aquelas práticas acontecem em
sequências cíclicas no PEA do português:
O trabalho com o texto tem ocupado a maior parte do tempo dedicado ao ensino da língua
portuguesa. Sousa (1993:15) afirma que “se lê na sala de aula para se aprender a ler e
uma vez em contexto extra-escolar, o saber – fazer”. Esse procedimento, segundo a autora,
contraria o postulado clássico que privilegiava “a leitura dos melhores autores com a
intenção de melhor escrever e falar”.
Sousa afirma que a aula de português caracteriza-se por uma prática interactiva, horizontal,
de cooperação entre os sujeitos envolvidos no PEA. As práticas verticais, aquelas em que o
professor assume o papel de dominador foram consideravelmente abandonadas. As
finalidades das aulas de língua passam a orientar-se no sentido do desenvolvimento das
competências comunicativas em detrimento das competências linguísticas, o conhecimento
das estruturas gramaticais.
De acordo com Sprenger-Charolles (1982, apud Alarcão, 1995:20), ler requer competência.
Segundo esse autor, para aceder à informação veiculada pelo texto e compreendê- lo, o
aluno usa os seus conhecimentos linguísticos e não linguísticos. Sprenger-Charolles
(ibidem) distingue os “conhecimentos linguísticos do conhecimento do mundo”. Os
primeiros obedecem aos seguintes níveis: pré- linguístico, grafemático, sintáctico-
semântico, pragmático, superestrutura textual.
Os conhecimentos pré- linguísticos são os que o aluno possui antes de conhecer as regras
do funcionamento da língua; os conhecimentos grafemático estão ligados ao saber sobre a
apresentação externa do texto; os conhecimentos sintáctico-semântico estão ligados ao
saber sobre a organização das palavras na frase e os significados que elas tomam em
contextos frásicos; o conhecimento pragmático subdivide-se em: proposicional referente ao
conteúdo “proposicional” (determinando como os enunciados/frases estão relacionados);
“funcional” referente às funções da linguagem (determinando como enunciados/frases
estão relacionados às intenções dos falantes); e “sociolinguístico” referente ao uso da
língua (determinando como enunciados/frases estão relacionados às características do
contexto); o conhecimento da superestrutura textual tem a ver com o saber sobre a
organização das ideias no texto. O conhecimento do mundo, por sua vez, é aquele que o
leitor evoca imediatamente para compreender o texto.
Por sua vez Cicurel (1991, apud Alarcão, ibidem), defende que a interacção das
componentes linguística, textual e cultural contribuem de forma substancial para o saber ler
e consequentemente para a compreensão do texto.
Alarcão (1995:20) afirma que o conhecimento do mundo está ligado ao saber cultural,
linguístico e textual. Segundo essa autora, o professor tem de usar todas as estratégias ao
seu dispor para facilitar a leitura/compreensão dos textos a ensinar; o aluno deve ser
incentivado a ler, para o que o professor deverá “criar condições de aceitabilidade do texto
e interesse pela informação”.
82
Como se pode depreender, os autores citados divergem nas suas abordagens sobre as
competências que devem ser consideradas para o saber ler. O ponto comum que vislumbro
nessas abordagens tem a ver com o facto de todos os autores citados fazerem referência à
necessidade de o leitor ser competente para saber ler.
Não podemos duvidar de que a nossa prática nos ensina. Não podemos duvidar de
que conhecemos muitas coisas por causa de nossa prática. Não podemos duvidar,
por exemplo, de que sabemos se vai chover ao olhar o céu e ver as nuvens com
uma certa cor. Sabemos até se é chuva ligeira ou tempestade a chuva que vem
(Freire, 2001:71).
Com esta afirmação Freire (2001) inspirou- me a ir ao campo observar as aulas e de certa
forma a rever a minha experiência docente. A observação das aulas acabou sendo um
tónico para olhar a teoria e a partir dela voltar a prática docente. De certeza que a
observação permitiu- me o contacto pessoal e estreito com as professoras, alunos,
programas de Língua Portuguesa, as estratégias de ensino, os conteúdos de ensino, os
materiais de aprendizagem, o ambiente da sala de aulas e outros aspectos relativos à
condução das aulas. Para perceber o que estava a ocorrer na sala de aulas, recorri às minhas
experiências na área das Práticas Pedagógicas.
Os dados das aulas observadas estão organizados por classe e com a designação de “O
Ensino e a Aprendizagem dos textos didácticos”. Passo a apresentar a descrição das aulas.
A primeira aula sobre a unidade temá tica “Textos de Natureza Didáctica ou Científica”
iniciou com a professora a fazer o registo no quadro preto do tema da aula: “Correcção do
tpc; Textos de Natureza Didáctica A couve chinesa; levantamento do vocábulário”.
Depois de feito o exercício, a professora pediu a alguns alunos para fazerem a leitura oral
do texto “A couve china”. Finda a leitura oral, a professora registou no quadro um
questionário de interpretação do texto:
C_ _ _ _ _
_O____
_U____
___J__v____
85
B_____E__“
De seguida, a professora procedeu à correcção do exercício. Leu as perguntas uma por uma
e os alunos, voluntariamente, davam as respostas.
A professora fez uma pergunta que não constava do questionário que foi a seguinte: “Que
tipo de texto é este”? E os alunos responderam que era um texto didáctico. Logo a seguir,
ela leu a pergunta “Qual é a finalidade deste tipo de texto?”. Os alunos responderam que a
finalidade desse tipo de texto era a de ensinar. A professora acrescentou que os textos
didácticos também tinham como finalidade instruir.
Em relação à pergunta “Identifica no texto as características que são diferentes dos textos
já aprendidos”, os alunos disseram que encontravam no texto A couve china informações
sobre a conservação da couve china. De seguida a professora fez a seguinte pergunta: “que
outros textos didácticos conhecem”? Os alunos responderam: “receita de cozinha, receita
do hospital, manuais escolares, enciclopédias”. A professora explicou que nas receitas de
cozinha encontravam informações sobre os ingredientes e o modo de preparação dos
mesmos.
“Cacana
Goyaba
Não preencheram
Feijão verde
Beringela”.
“Cebola
Tomate
Quiabo
Feijão Verde
Beringela”.
86
A aula terminou com a marcação do trabalho para casa (TPC) que é o seguinte:
“Trazer uma receita sobre um prato salgado; dizer os ingredientes e como se pode
preparar”.
Na quarta aula o trabalho com o texto decorreu da seguinte forma: em função do trabalho
de casa, a professora procedeu à verificação dos trabalhos de casa, circulando de carteira
em carteira.
De seguida, a professora mandou ler os textos produzidos, em casa. Assim, alguns alunos
procederam à leitura das receitas que produziram.
Dando continuidade à aula, a professora fez a seguinte pergunta: “quem pode dizer o que
falamos na aula passada”? Um aluno respondeu: “falamos dos textos didácticos, tivemos a
definição dos textos didácticos, vimos os tipos de textos didácticos”. Outro aluno
acrescentou a informação sobre a estrutura do texto didáctico.
Pediu a uma aluna para dizer a receita que produziu ao que ela apresentou a receita de
pudim.
Nenhum aluno da turma conseguiu fazer a passagem da frase para o discurso indirecto
(DI). Face à situação, a professora fez a seguinte pergunta: “para que tempo passa o verbo
do presente “está””? Os alunos mais uma vez não souberam responder. Assim, a
professora disse: “pretérito imperfeito”. Em relação à mudança do advérbio “agora” para o
87
DI, os alunos também não acertaram, tendo a professora dito: “naquele momento”.
Explicou que o Pretérito Imperfeito tinha as terminações “-ia” e “-va”.
Finalizou a aula perguntando “para que tempo passa um verbo do futuro, do discurso
directo” (DD). Ela, de forma retórica, respondeu: “para o condicional”.
Essa matéria foi leccionada de forma diferente na turma 1. Vou apontar alguns exemplos.
A professora disse: “vamos falar dos tipos de linguagem”. E perguntou: “quais são os
tipos de linguagem que conhecem”? Os alunos, individualmente, e de forma voluntária,
responderam: “linguagem directa, linguagem verbal, linguagem mista” (isso é o que
sabiam de classes anteriores). A professora acrescentou a essa lista o seguinte: “linguagem
objectiva, linguagem corrente”.
Depois disso, a professora fez a seguinte pergunta: “como é que podem ser as frases,
longas, não é”? Os alunos responderam em uníssono: “não, devem ser curtas”. E a
professora fez outra pergunta nos mesmos termos que a anterior: “como é que deve ser o
vocabulário, difícil, não é”? Os alunos, disseram: “não, devem ser fáceis”.
Disse, a seguir, que outro tipo de linguagem que o texto didáctico utiliza são os discursos
directo e indirecto.
Mandou os alunos abrirem o livro nas páginas 38 e 39. E perguntou- lhes: “que tipos de
textos são estes”? Os alunos responderam: “são textos didácticos”.
De seguida, a professora leu a seguinte frase: “A couve china está agora no mercado com
bastante abundância”. Perguntou se essa frase era simples ou complexa. Os alunos em
coro disseram: “simples”.
88
Perguntou aos alunos quem podia transformar essa frase para o discurso indirecto. Depois
de ouvir várias versões, todas erradas, a professora pediu aos alunos para conjugarem o
verbo ESTAR no “passado”[?]. Clarificou estar a falar do pretérito perfeito.
Explicou que o pretérito imperfeito tinha duas terminações, nomeadamente, -ia e -va.
Perguntou aos alunos sobre o pretérito imperfeito dos seguintes verbos: “andar”, “falar”,
“ler”, na 1ª pessoa do singular.
Finalizou a aula, anunciando o seguinte TPC: “conjugar os verbos SER e TER em todos os
tempos estudados”.
A quinta e última aula iniciou com a correcção do trabalho de casa. Os alunos registaram
no quadro os verbos “Ser” e “Ter” conjugados em todos os tempos simples.
A professora leu a seguinte frase do texto: “A couve china é uma variedade de legumes
muito importante para...” e pediu aos alunos para fazerem a transformação para o discurso
contrário, o discurso indirecto.
- Frases declarativas
89
- Mantém os modos, tempos e pessoas dos - Alterações de modos, tempos e pessoas dos
verbos da mensagem tal como foi introduzida verbos.
pelo emissor.
Ex.
Manhã no dia seguinte
Ontem no dia anterior
Agora naquele momento
Aqui lá
Cá ali
Pronomes: este, esta, isto, esse, isso. aquele, aquela, aquilo.”
90
O item A), que se refere as dimensões textuais objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico, mostra que foram consideradas, nas aulas, as
dimensões pragmática, linguística e textual, ignorando-se as dimensões afectiva, cognitiva
e cultural.
Quanto ao item B), que visava saber se os professores têm informado aos alunos sobre os
objectivos da leitura, os dados mostram que a professora não informava sobre os objectivos
da leitura. No que respeita à exploração do texto, item C), nas cinco aulas observadas,
constatou-se, nomeadamente, em C1), “Antecipação do texto: cria curiosidade; activa
conhecimentos prévios do aluno”, que a professora não cria curiosidade sobre o tema da
aula e que em apenas duas aulas ela activa os conhecimentos prévios do aluno. Em C2),
“Dentro do texto: manda fazer leitura inicial; para a descoberta do conteúdo, a análise
incide sobre(...)”, nota-se que às vezes a professora manda fazer a leitura inicial do texto
para o aluno ter uma ideia geral sobre o conteúdo textual. Para a descoberta do conteúdo, a
análise incide sobre o vocabulário, a estrutura da frase, os elementos do discurso e a
organização do texto. Em nenhuma se faz a distinção entre factos e opiniões.
Quanto ao item C3, “Para além do texto: manda emitir juízos de valor sobre os conteúdos
analisados; os alunos recruam as informações trabalhadas anteriormente”, verifica-se
91
que em todas as aulas, a professora não manda emitir juízos de valor sobre os conteúdos
analisados e em nenhuma ocasião os alunos recriam as informações trabalhadas
anteriormente.
Quanto ao item G), “Dá informações antes ou depois de uma pergunta”, os dados indicam
que a professora dava informações antes e depois de uma pergunta e que em nenhuma aula
ela expõe sem solicitar a participação da turma, item H). Verificou-se, através do item I),
“Ele próprio dá resposta a uma pergunta feita”, que a professora deu resposta à pergunta
por ela feita. O item J) indica que ela não dava directrizes imperativas ou ordens. Em K),
“Reformula o que um aluno acaba de dizer”, a professora não reformula o que um aluno
acaba de dizer, mas que na segunda aula ela utiliza as sugestões dos alunos, item L).
Através do item M), “Repete as sugestões dos alunos ou as suas perguntas”, verificou-se
que a professora não repetia as suas perguntas. Através do item N), “A professora faz uma
experiência”, constatou-se que a professora não fazia experiência e o item O), “Apresenta
material para observação”, mostra que ela não apresentava material para observação. O
item P), “Manda ir um aluno ao quadro...”, mostra que que a professora mandou um aluno
ao quadro. Em relação ao item Q), “Faz uma pergunta contendo sugestão de resposta”,
verifica-se que a professora fazia pergunta contendo sugestão de resposta. Os itens R) e S),
indicam, respectivamente, que a professora não estimulava os alunos, mas que aprovava e
controlava os seus conhecimentos.
Na primeira aula a professora perguntou aos alunos o que tinham feito durante o fim de
semana. Antes da resposta deles foi dizendo que “normalmente ao fim de semana há a
tendência de as pessoas se divertirem, dançar, passear, fazer bolos…”; E perguntou “que
tipo de música costumam dançar”? Os alunos responderam de imediato: “rap, kuwait,
xigumbaza, passada”.
A professora disse que em cada tipo de música “vocês encontram uma diversidade de
ritmos”. E perguntou “vocês não gostam de música moçambicana? Que instrumentos são
necessários para a produção de marrabenta”? Os alunos responderam que não gostavam
da música moçambicana. Em relação aos instrumentos para a produção da marrabenta
disseram, madeira e timbila. De seguida quis saber se os alunos sabiam que instrumentos
são necessários para a produção do “rap”. Os alunos disseram: órgão, piano.
A professora disse que a principal diferença dos ritmos musicais tinha a ver com questões
culturais, com a origem de cada música.
Depois dessa conversa, a professora informou: “hoje vamos falar dos instrumentos
musicais”. E perguntou: “em que província de Moçambique se dança timbila”? Os alunos
responderam: “Gaza, Inhambane, Sofala e Nampula”.
A seguir ela disse que iam falar do texto intitulado Xilofone Chope, presente nas páginas
71-73. Mandou ler o texto silenciosamente. Disse que “a leitura silenciosa requer
concentração e que à medida que vão lendo devem assinalar as palavras difíceis”.
Informou sobre o trabalho que os alunos deviam fazer em casa (t p c): descobrir os
significados das palavras que não conhecem.
“Xilofone Chope”.
”
A segunda e a terceira aula decorreu da seguinte forma: a professora perguntou aos
alunos se tinham feito o trabalho de casa. Estes responderam afirmativamente.
De seguida, a professora mandou ler o texto, oralmente. Porque eram as meninas que
liam, a professora perguntou: “não há homens nesta sala”? Em resposta, os meninos
também se voluntariaram para continuarem a leitura do texto.
Após a leitura, a professora deu início à correcção do trabalho de casa: assim, disse à
chefe da turma para ler a 1ª pergunta e depois dar a resposta. Esse foi o procedimento
seguido por todos os alunos que apresentaram as respostas do trabalho de casa. Foram as
seguintes as respostas:
Resposta 6:
Depois deste registo, a professora pediu aos restantes alunos para dizerem se as respostas
estavam correctas. Os alunos disseram, em relação ao número 1, feminino de
espanhol/espanho la; sobre o feminino de “chope” disseram, com a ajuda da professora que
se mantinha, chope. Consideraram correctas as restantes respostas.
Concluída a correcção, a professora pediu aos alunos para prestarem atenção à mancha
gráfica do texto “Xilofone chope”. Solicitou que os alunos fizessem as suas observações.
Os alunos disseram: “o texto apresenta figuras, subtítulos”. Também disseram que “as
figuras servem para facilitar a compreensão”.
Terminou a aula informando aos alunos para continuarem, em casa, “a reflexão sobre a
apresentação do texto”.
96
A quarta aula iniciou com a professora a pedir aos alunos para continuarem a apresentar
as suas “reflexões sobre a mancha gráfica do texto Xilofone chope”. Informou que eles
deviam juntar-se aos pares para fazerem a análise.
A seguir lembrou o que foi dito na aula anterior sobre a apresentação do texto, tendo
acrescentado outros aspectos: “o texto apresenta figuras, subtítulos, mapa de Moçambique
com a localização das zonas onde se pode encontrar o xilofone e a timbila”.
A professora orientou os alunos a lerem a gravura que representa a timbila, com base nas
letras/legenda constantes no livro. De seguida, perguntou: “qual o papel da gravura no
texto? Qual a função”? Os alunos responderam que “é para melhorar a compreensão”. A
professora reforçou esse aspecto, tendo-se referido à TV, disse que “as imagens que vemos
na TV servem para completar o sentido da informação transmitida”.
De seguida pediu aos alunos para observarem a apresentação do texto, nos seguintes
aspectos: “palavras com caracteres grandes e outras diferentes”. Disse que “o trabalho
tem de ser feito aos pares”.
A professora informou aos alunos que a apresentação do texto assemelha-se a outros textos
já estudados. Reforçou a informação de que no texto encontram-se palavras com caracteres
diferenciados e pediu aos alunos para dizerem as razões disso.
Feito o exercício, a professora pediu aos alunos para apresentarem os resultados das
reflexões. Uma aluna, voluntária, disse que “o texto fala-nos sobre o xilofone chope”. A
professora reagiu, dizendo que a aluna não percebeu a questão em análise. Tornou a
explicar o que se pretendia fazer. Tomou como exemplo, os nomes constantes do texto e
disse que os nomes tinham caracteres diferentes.
A seguir, uma aluna disse que os nomes são destacados porque são importantes. A
professora perguntou: “será verdade”? Como os alunos não respondessem, ela perguntou:
“como está organizado o texto”? Os alunos responderam: “em parágrafos e períodos”. A
professora ajudou os alunos a dizerem que o texto foi escrito em forma de prosa.
97
A quinta aula iniciou com a professora perguntando o seguinte: “o que se disse na aula
passada sobre a apresentação”? Uma aluna respondeu: “falamos sobre o título”. A
professora tornou a questionar: “o que se disse sobre o título”? Os alunos sempre em
silêncio...A professora disse que “o texto é uma prosa”. Certo aluno disse “falamos do
texto quanto ao tipo”. A professora perguntou: “falamos do texto quanto ao tipo”? Os
alunos responderam “não”.
A professora procurou orientar os alunos a analisarem o texto. Disse que “as letras são
diferentes porque há alguma razão, uma explicação”. Depois perguntou: “porque os
caracteres são diferentes”? E continuou: “não é por acaso que os nomes aparecem com
diferentes caracteres”.
A professora quis saber se os alunos fizeram o trabalho de casa. Os alunos disseram que
não o fizeram. De seguida, a professora pediu que os alunos reflectissem sobre o texto
naquele momento.
Findo o trabalho de reflexão, um aluno disse que “os nomes estão relacionados com as
pessoas com as pessoas que fabricaram os xilofones”. A professora perguntou: “em que
língua estão escritos os nomes? Verificaram que alguns nomes não estão em português e
procuram explicar certas passagens textuais”? De seguida, a professora perguntou: “quem
é Olga Boone...”? Os alunos responderam: “foi a pessoa que elaborou a carta”. E ela: “o
que abordava a carta”? Houve silêncio.
Em relação à apresentação do texto, a professora disse: “se compararmos este texto com
outros verificámos uma grande diferença. Quando falamos de apresentação estamos a
falar da imagem que o texto nos apresenta: título, desenvolvimento, gravuras. Para falar
da apresentação do texto não preciso de ler o texto. É verdade ou não? Mas para eu
98
conhecer o texto é necessário que eu leia o texto, para saber quem é Olga..., John...; para
saber o objectivo do texto”.
A professora continuou a falar em torno do texto nos seguintes termos: “da leitura do texto
chegaram [vocês] à conclusão de que o texto tem a finalidade de narrar alguma coisa,
descrever,...concordam comigo”? Os alunos responderam (em coro): “não”! Então, a
professora questionou: “o que é que vocês dizem”? Um aluno: “o texto fala de uma
investigação sobre instrumentos musicais que é o xilofone. Este texto foi feito em
Moçambique”. A professora: “é verdade que o xilofone foi feito em Moçambique”? Os
alunos (em coro): “não”! A professora: “então, qual a origem do xilofone”? Os alunos (em
coro): “africano”!
Depois desse diálogo, a professora explicou que “o xilofone espalhou-se por outras partes
através da movimentação de pessoas ou de escravatura”. E acrescentou: “o texto tem
como objectivo ensinar”. E disse: “eu tenho a certeza que muitos não sabiam o que é o
xilofone. É verdade ou não”? Os alunos: “é”!
A professora referiu-se também ao facto de a figura que acompanha o texto poder lembra
ao aluno o xilofone. Disse que o aluno depois de ver a figura poderá em qualquer outra
ocasião lembrar-se dela e identificar o xilofone. E acrescentou: “o texto com o objectivo de
ensinar é este. Mas todos os dias nós aprendemos. Todos os dias. Muitas coisas vocês
aprendem através do que os vossos professores dizem e através dos manuais. Aprendem a
fazer bolos…vocês perguntam a uma amiga o que é necessário para fazer bolos de ananás
e a amiga explica. Enquanto explica, estão a aprender. Mas não só, quando nós estamos
doentes e vamos ao hospital e não temos o cuidado de ouvir a explicação corremos o risco
de não perceber. Se o médico der a explicação sobre como tomar comprimidos e nós não
prestarmos atenção corremos o risco de não saber”. De seguida perguntou: “então a
explicação é ou não um texto”?
E a professora continuou a falar, todavia, sobre a apresentação do texto: “em casa vão
procurar descobrir como está organizado o texto. Quando vocês pegam o texto e lêem o 1º
parágrafo ficam com a explicação do que é o xilofone. Por exemplo, se eu perguntar o que
é a Biologia…”. Um aluno respondeu: “é a ciência que estuda o meio ambiente” [Risos].
99
A sexta e sétima aula começou com a professora a retomar a aula anterior. Disse que
naquela aula falaram da apresentação e da organização do texto e que os alunos definiram a
apresentação do texto. Pediu aos alunos para identificarem a organização do texto.
Esse trabalho foi realizado aos pares. Enquanto os alunos realizavam o exercício, a
professora circulava pelas carteiras verificando o que eles faziam. Viu escrito num dos
cadernos a palavra “difinição” e perguntou se era “difinição” ou “definição”. Os alunos
responderam: “definição”.
A professora explicou que era preciso fazer a revisão da aula anterior: apresentação do
texto – estrutura física, aquilo que precisamos de ler. E perguntou: o que é que
encontraram no texto? Os alunos responderam: definições, narração, enumeração. A
professora pediu para “os alunos identificarem no texto exemplos de definições, narração e
enumeração”.
Um aluno disse:
“Os xilofones são instrumentos musicais.
A narração é a parte do texto onde o narrador narra. A descrição é a parte onde o
narrador descreve”.
A professora lembrou que “todo o texto com o objectivo de ensinar é um texto didáctico.
Disse: vocês já viram textos didácticos com estrutura diferente deste. No livro da 7ª classe
há um texto didáctico disposto aos quadradinhos”. A professora não disse o título do texto
em causa.
100
De seguida, pediu aos alunos para observarem o texto da p.75. “Pilhas novas a partir de
pilhas velhas”.
De seguida, a professora ditou:
“Textos didácticos
O texto “Xilofone chope” quanto à mancha gráfica é prosa, porque apresenta parágrafos
e períodos. Quanto ao tipo é didáctico. Porque o seu objectivo é ensinar dando um
conhecimento acerca do xilofone.
Definição. Textos didácticos são aqueles que têm como objectivo ensinar, dar um
conhecimento acerca de algo desconhecido.
- Informações científicas;
- Receitas de cozinha;
- Manuais escolares.
O texto didáctico não apresenta sempre a mesma estrutura, isto é, a sua apresentação
varia podendo ser em forma de prosa acompanhada de imagens ou em forma de banda
desenhada.
A professora instruiu como os alunos deviam ler: “prestem a atenção à maneira como
pegam o livro, a posição da cabeça, o tom de voz”. De seguida indicou um aluno para ler
parte do texto. E depois outro aluno para concluir a outra parte do texto.
A professora chamou a atenção a um dos alunos, pois segundo ela, leu “mais” ao invés de
“mas”. Observou que “no fim do texto aparecem palavras não fáceis, porque não estão em
português”. Em relação ao aluno que leu em voz baixa, a professora pediu que ele
melhorasse o tom de voz.
Ao terminar a aula disse aos aluno s para em casa treinar a leitura em voz alta.
A oitava aula iniciou com a professora a chamar a atenção aos alunos para não cometerem
os mesmos erros que os colegas, na aula anterior... indicou uma aluna para iniciar a leitura
em voz alta. Depois leram mais três alunos, perfazendo quatro.
A professora pediu aos alunos que não leram para fazerem observações sobre a leitura
feita. Uma aluna disse que “todos leram bem”; acrescentou que uma das colegas ““saltou”
uma passagem do texto”, que não mencionou e “acrescentou outra” que é “tempo” onde
vem “... há muito...”. Um aluno disse que o “grande problema” dos que leram está no
“tom de voz”. A esse respeito, a professora afirmou que “o tom baixo de voz cria
perturbações”. E censurou uma das alunas que, na sua óptica, “leu mal”. Outra aluna foi
por ela elogiada por ter lido “em tom audível”.
Uma aluna respondeu: “são actos de fala. E a professora continuou: quando eu disse para
identificarem definição, enumeração, narração/descrição que elementos é que facilitaram
a identificação dessas passagens? São actos de fala! Se eu dissesse amanhã não há aula.
Qual é o meu objectivo? Um aluno respondeu: informar! Então o que é que vos ajudou a
identificarem a definição, a enumeração, a narração/descrição? É fácil dar a conhecer
alguém uma informação, através das descrições. A descrição ajuda na compreensão da
mensagem”.
A professora pediu aos alunos para dizerem uma regra de Física. Um aluno disse: “a lei de
Arquímedes”. A professora retorquiu: “a regra de... é.../As regras de...são...” Após isso
disse: “estamos perante actos de fala. Para anunciarmos uma regra usamos termos dessa
expressão. Quando há preocupação ensinar alguém há expressões para formular
hipóteses. Que expressões são essas”?
Deu, a terminar a aula, como trabalho de casa o seguinte: encontrar expressões ou palavras
para formular regras e princípios e para formular hipóteses. Disse para as expressões
aparecerem contextualizadas.
Na nona aula a professora começou por perguntar se os alunos tinham trabalho de casa.
Os alunos responderam afirmativamente. Entretanto, apenas quatro alunos fizeram o
trabalho de casa.
103
“É possível que...
Temos que...”
A professora pediu que os alunos imaginassem a partir desses actos de fala, uma situação
em que eles estivessem a ensinar alguém, a possibilidade de usar estes actos de fala. Este
trabalho devia ser feito aos pares. Seguiu-se a realização do exercício.
Findo o trabalho, solicitou que um aluno fosse ao quadro registar as frases contendo os
actos de fala. Um aluno registou o seguinte:
Ele poderá reprovar este ano a não ser que mude de comportamento”.
“Para fazer um bolo de laranja é necessário: um pacote de farinha, uma laranja, dois
ovos...”.
104
Em relação a esta última frase, a professora disse que na frase devia constar referência ao
tipo de farinha, neste caso, farinha de trigo. Disse ter gostado da 1ª frase devido “à
conjugação de duas disciplinas, português e Matemática”.
A terminar a aula deu para trabalho de casa, a tarefa de os alunos interpretarem o desenho
da p.119, texto “Processo de fabrico de um jornal”.
Para a décima aula, a professora começou por lembrar que o trabalho de casa era a
interpretação do texto da p.119. Os alunos disseram que não fizeram o trabalho, porque era
difícil.
A professora iniciou a aula décima primeira, pedindo a um aluno para explicar o processo
de fabrico de um jornal. O aluno tentou explicar, mas sem sucesso. A professora, perante a
dificuldade do aluno, continuou a explicação do esquema do processo de fabrico de um
jornal.
Disse que os alunos deviam elaborar um esquema sobre o funcionamento de uma escola.
Este trabalho ficou como TPC.
Director
Professores
Guardas
Chefes de turma
Estranhos
Alunos
Escola
Sector pedagógico
O aluno que elaborou o 1º esquema procedeu à leitura do mesmo. Os colegas dele fizeram
observações. Todos os colegas reprovaram o esquema, considerando-o impraticável. Em
relação ao 2º esquema, os participantes foram unânimes em afirmar que também era
péssimo.
“
Director
Chefe da
secretaria
Director Dir.
pedagógico pedagógico
C/N
funcionários
Direcção de Delegados de
classe disciplina
D. T. Professores
Alunos
”
108
A professora disse que este é o exemplo de como esta escola funciona. “E repetiu: este é o
organograma”. E perguntou: “o que é isto de organograma”?
Retomou a matéria sobre organograma, como texto didáctico. Disse que “o organograma
facilita a compreensão, por exemplo, do funcionamento das instituições”. Falou do
MINEC. Disse que “se a escola tivesse organograma ali em baixo facilitava a localização
das salas”.
De seguida, a professora disse que “a frase tanto podia ser um conjunto de palavras/
sequência de palavras, como uma só palavra, com um certo sentido”.
“Os alunos conversam e resolvem o trabalho”! E disse aqui unimos as frases com um
elemento “e”. E disse: podíamos separar a frase:
110
Orientou os alunos a analisarem as frases, tendo em conta o “que”. Disse para os alunos
descobrirem o sentido, o significado do “que” em cada frase. Aconselhou-os a dividirem a
frase em orações.
A aula décima quarta, do dia 8 de Junho de 2005, com o tempo de 45 minutos iniciou com
a professora a verificar os trabalhos de casa que era a análise de duas frases complexas
ligadas por “que”.
A professora tornou a registar as duas frases no quadro. Recordou que o trabalho consistia
na classificação do vocábulo “que”. Disse que os alunos primeiro deviam dividir as frases
em orações. Que para o efeito era necessário saber o que é uma oração. De seguida definiu
frase nos seguintes termos: “frase é palavra ou conjunto de palavras organizadas que
começa com letras maiúsculas e termina por um sinal de pontuação”. Disse que “a
diferença entre frase e oração é que na oração não é obrigatório que ela comece com
letras maiúsculas. Acrescentou: para termos uma oração é necessária a presença de uma
palavra que sem ele não há oração”. E perguntou: “que palavra é? Os alunos
responderam: que. A professora corrigiu: não, é o verbo. E acrescentou: sem o verbo não
há oração. Na frase podemos não ter o verbo”. Explicou que “na oração é preciso ter um
só verbo. Quando temos 3 ou 4 verbos isto significa que temos 3 ou 4 orações”.
De seguida, pediu aos alunos para dividirem a frase “a” em orações. Um aluno disse:
Que escreveu este texto (2ª oração). Perguntou se fazia sentido. Os alunos responderam
afirmativamente. E a professora perguntou: “qual é a primeira oração”? Os alunos
disseram: a 1ª [a ser apresentada].
Em relação à frase “b”, a primeira aluna a intervir disse: “o “que” completa a oração”. A
professora melhorou: “o “que” completa a ideia da oração anterior”. E ela disse: para
testar que se trata de complemento podemos fazer a pergunta: “um etnometodólogo
afirmou o quê”? Os alunos responderam: “os negros moçambicanos introduziram o
xilofone na América Central”.
A professora explicou que “na frase “a”, o “que” substitui um nome e na frase “b”
complementa o sentido da oração anterior”.
113
A aula décima quinta: parte significativa dessa aula consistiu na correcção e entrega da
ACS (a professora procedeu à correcção do teste e depois fez a entrega).
Explicou que se ensina o “que” porque aparece nos textos didácticos em orações relativas.
Finalizou a aula pedindo aos alunos para elaborarem textos didácticos em que apareçam
“que” integrante e “que” relativo. Aconselhou aos alunos para trazerem assuntos
interessantes e que evitassem receitas de cozinha.
Na aula décima sexta, a professora exigiu que os alunos apresentassem o trabalho de casa
e os alunos disseram que não fizeram.
De seguida, a professora disse que os alunos deviam fazer esse trabalho em casa. Retomou
a aula sobre a subordinação. E registou no quadro:
“que relativo”
“que integrante”
Depois registou as frases “a” e “b” da aula anterior. Recordou as respectivas
classificações. Explicou que “na frase “a” o “que” substitui o nome “o autor”.
Acrescentou que “a 1ª oração é subordinada relativa. O “que” desempenha a função de
sujeito”.
Quanto à frase “b” disse: “a oração introduzida por “que” é subordinada integrante e
desempenha a função de complemento directo (Cd.)”.
Em relação à frase “b”, a subordinante é “um etnometodólogo afirmou”, pois é ela que
dirige a 2ª. Esta 2ª é subordinada integrante porque completa o sentido da oração
anterior.
As orações integrantes podem ainda ser introduzidas pelas conjunções “que” ou “se”.
Exemplo:
1- A professora viu “que” os alunos estavam atentos ao falarem do xilofone.
2- A professora viu “se” os alunos estavam atentos ao falarem do xilofone.””
Disse que o verbo desta frase precisa de complemento. E registou outra frase: “Ele caiu
(tropeçou)”.
Disse que o verbo “nesta frase não precisa de outras informações para lhe completar o
sentido”. Disse que estes verbos são “intransitivos” e os primeiros são verbos
“transitivos”.
Disse que nesta frase não há CD. O verbo é o ESTAR. São “verbos copulativos ou de
ligação”. Deu outros exemplos de verbos de ligação. Parecer, ser...E disse que estes verbos
pedem o “Nome Predicativo do Sujeito (NPS)”. Explicou que estes verbos ocupam o lugar
do CD nos casos dos verbos transitivos.
115
Para trabalho de casa pediu que os alunos elaborassem textos didácticos (repetição).
A aula décima sétima : esta aula omeçou com a professora a perguntar se os alunos
tinham feito o trabalho de casa. Os alunos responderam afirmativamente. A professora
orientou os alunos a trocarem impressões acerca do que fizeram.
Após isso, a professora disse que os textos seriam apresentados oralmente e que os outros
deviam prestar atenção à leitura para poderem fazer comentários e observações. Informou
que nas observações deviam ter em conta as definições, as frases complexas introduzidas
por “que” relativo/integrante.
Outro aluno leu seu texto com título “Construção de uma casa”. Um colega dele disse que
o texto não faz referência à planta da casa. Acrescentou que o colega fala de viga
horizontal e viga vertical. Disse que a forma correcta é viga e pilares. As observações
foram aceites pelo autor do texto.
Em relação a este texto, a professora perguntou se casa era aquela que só é feita de blocos.
Os alunos disseram que não. Então. A professora disse estar em falta no texto a explicação
sobre o tipo de casa.
Uma aluna apresentou o seu texto intitulado “Convite”. Em forma de observação um aluno
disse que o convite é feito de papel e por isso ele queria saber se o “chumbo” era
componente de convite ou não.
A professora observou que as perguntas dos seus alunos visavam o conteúdo e não a
estrutura do texto. Os alunos disseram que o texto é complicado e eles não perceberam
nada.
116
A professora perguntou se o título do texto traduzia o modo como se faz o convite. Opinou
que não foi feliz na escolha do título. Disse que “não soube precisar o título e por
consequência o conteúdo do texto”.
O item A), “Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão (...)”, indica que a professora explora as dimensões textuais
pragmática, linguística, textual e cultural. Em nenhuma aula foram tratadas as dimensões
afectiva e cognitiva. Quanto ao item B), “Tem informado aos alunos sobre os objectivos
da leitura (...)?”, verifica-se que a professora não informa sobre os objectivos da leitura.
Quanto ao item C), “Quais são as fases que o professor percorre na análise do texto?” e,
nomeadamente C1), “Antecipação do texto: cria curiosidade (...); activa conhecimentos
prévios (...)”, nota-se que a professora cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o
tema e activa conhecimentos prévios do aluno. O item C2), “Dentro do texto: manda fazer
a leitura inicial (...)”, mostra que a professora manda fazer leitura inicial para o aluno ter
uma ideia geral do texto e que a descoberta do conteúdo do texto, faz incidir a análise sobre
o vocabulário, a estrutura da frase, os elementos do discurso e a organização do texto.
Entretanto, em nenhuma aula a análise textual incidiu sobre a distinção entre factos e
opiniões. Sobre o item C3), “Para além do texto: manda emitir juízos de valor (...); os
alunos recriam as informações trabalhadas anteriormente”, os dados indicam que a
professora não manda emitir juízos de va lor sobre os conteúdos analisados e os alunos não
recriam as informações trabalhadas anteriormente.
Relativamente ao apêndice 3 (sobre os actos pedagógicos), nota-se nos itens A), “Manda
ler o texto silenciosamente” e B), “Manda ler o texto oralmente”, que a professora utiliza
tanto a leitura silenciosa, como a leitura oral nas suas aulas. O item C), “Faz perguntas por
escrito”, mostra que ela faz perguntas do tipo oral ou escrito. Quanto ao item D), “Diige
uma pergunta a toda a turma”, verifica-se que dirige pergunta tanto a toda a turma, como
a determinados alunos. Os itens E), “Depois de ter feito a perguinta, designa os alunos que
devem responder” e F), “Dirige-se a um só aluno para lhe fazer uma pergunta (...)”,
elucidam, respectivamente, que depois de ter feito a pergunta, a professora, às vezes,
117
designa os alunos que devem responder e dirige-se a um só aluno para lhe fazer uma
pergunta ou dar- lhe uma informação.
Os itens G), “Dá informações antes ou depois de uma pergunta”, H), “Ele próprio expõe
sem solicitar a participação da turma”, e I), “Ele próprio dá resposta a uma pergunta
feita” indicam, nomeadamente, que a professora dá informações antes ou depois de uma
pergunta, às vezes ela própria expõe sem solicitar a participação da turma e dá resposta a
uma pergunta por ela feita. Quanto aos itens J), “Dá diretrizes imperativas ou ordens”, e
K), “Reformula o que um aluno acaba de dizer”, os dados mostram que em certas aulas a
professora dá directrizes ou ordens e reformula o que o aluno acaba de dizer. Os itens L),
“Utiliza as sugestões dos alunos”, e M), “Repete as sugestões dos alunos ou as suas
perguntas”, indicam que a professora utiliza as sugestões dos alunos e repete tanto as suas
sugestões, como as suas perguntas.
O item N), “Faz uma experiência”, indica que a professora não faz nenhuma experiência.
O item O), “Apresenta material para observação”, mostra que a professora não apresenta
material para observação. No que diz respeito ao item P), “Manda ir um aluno ao
quadro”, os dados revelam que a professora manda os alunos ao quadro e faz, item Q),
“Faz uma pergunta contendo sugestão de resposta”, perguntas contendo sugestão de
resposta. Através dos itens R), “Estimula o aluno”, e S), “Aprova e controla os
conhecimentos”, verifica-se, respectivamente, que a professora estimula e aprova os
conhecimentos dos alunos.
A primeira aula consistiu na leitura em voz alta realizada pelos alunos. De seguida a
professora mandou fazer o levantamento dos aspectos técnicos e sociais do texto “Aspectos
técnicos e sociais na olaria dos chopes”. Para esse trabalho a professora registou no
quadro o seguinte:
TÉCNICOS SOCIAIS
118
”
Esse trabalho não terminou no período reservado a aula.
Na segunda aula, a professora informou aos alunos que deviam continuar a realizar o
exercício de preenchimento do quadro. Durante esta aula, os alunos estavam a preencher o
quadro sobre os aspectos técnicos e sociais constantes do texto em estudo.
A aula terceira e quarta começou com a professora a registar no quadro a grelha, que a
seguir reproduzo, pedindo aos alunos para fazerem o respectivo preenchimento. Assim, os
alunos com a ajuda da professora escreveram na grelha os aspectos técnicos e sociais.
119
TÉCNICOS SOCIAIS
- as mulheres e os homens fazem a olaria - Possui uma população de cerca de
porque é a base... 11.180 habitantes.
- Num almofariz, pilam-se...até se reduzir - das 2000 mulheres só 1500 se dedicam a
em pó fino. olaria.
- Numa espécie de masseira...de casca de - A matéria prima é para a população do
árvore, guarda-se o barro misturado com regulado.
água.
- A matéria prima é o barro.
- Modo de preparar o barro:
- coze-se o barro despeja-se num
recipiente;
- Junta-se com um pouco de água;
- Deixa-se a água;
- Pilam-se os cacos, amassa-se e junta-se
com água e pila-se de novo;
- Amassa-se...
”
Depois de preenchida a grelha, a professora perguntou aos alunos o seguinte: “através
deste texto nós aprendemos o quê”? E ela com os alunos respondiam: “a fazer barros,
potes. A professora lembrou aos alunos que a matéria sobre os textos didácticos era uma
revisão. E tornou a perguntar: que tipo de texto é este? Os alunos: é texto didáctico. E a
professora: É texto didáctico porquê? Ainda a professora: ele ensina-nos como fazer
objectos a partir do barro local, matéria prima local”.
- Manuais escolares;
- Instruções de uso, literatura de medicamentos (como usar);
- gramáticas;
- enciclopédias.
Funções de linguagem
O item A), “Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão (...)”,mostra que a professora apenas explorou a dimensão textual. As
dimensões afectiva, cognitiva, pragmática, linguística e cultural não foram consideradas.
Quanto ao item B), “Tem informado aos alunos sobre os objectivos da leitura (...)?”, a
professora não tem informado sobre os objectivos da leitura. O item C), “Quais são as
fases que o professor percorre na análise do texto?” e, particularmente C1), “Antecipação
do texto: cria curiosidade (...); activa conhecimentos prévios (...)”, indica que a professora
não cria curiosidade e apetência para o aluno saber mais sobre o tema e não activa seus
conhecimentos prévios. Através do item C2), “Dentro do texto: manda fazer a leitura
inicial (...)”, verifica-se que a professora não manda fazer leitura inicial para o aluno ter
uma ideia geral sobre o texto e, para a descoberta do conteúdo textual, ela recorre apenas à
análise da organização do texto, descurando a exploração do vocabulário, a estrutura da
frase, os elementos do discurso e a distinção entre factos e opiniões. Quanto ao item C3),
“Para além do texto: manda emitir juízos de valor (...); os alunos recriam as informações
trabalhadas anteriormente”, os dados indicam que a professora não manda emitir juízos de
valor sobre os conteúdos analisados e que os alunos não recriam as informações
trabalhadas anteriormente.
No que diz respeito ao apêndice 3 (sobre os actos pedagógicos), o item A), “Manda ler o
texto silenciosamente”, indica que a professora não manda ler o texto silenciosamente e
que em apenas uma aula, item B), “Manda ler o texto oralmente”, mandou ler oralmente.
122
As perguntas feitas pela professora são do tipo escrito, item C), “Faz perguntas por
escrito”; essas perguntas são dirigidas a toda a turma e sem a designação dos alunos que as
devem responder, itens D), “Dirige uma pergunta a toda a turma”, E), “Depois de ter
feito a perguinta, designa os alunos que devem responder” e F), “Dirige-se a um só aluno
para lhe fazer uma pergunta (...)”. Os itens G), “Dá informações antes ou depois de uma
pergunta”, H) “Ele próprio expõe sem solicitar a participação da turma”, I), “Ele próprio
dá resposta a uma pergunta feita” J), “Dá diretrizes imperativas ou ordens”, e K),
mostram, respectivamente, que a professora às vezes dá informações antes ou depois de
uma resposta, ela próprio expõe sem solicitar a participação da turma , dá resposta à uma
pergunta por ela feita, dá directrizes imperativas ou ordens e que às vezes reformula o que
o aluno acaba de dizer.
Os itens L), “Utiliza as sugestões dos alunos”, M), “Repete as sugestões dos alunos ou as
suas perguntas”, N), “Faz uma experiência”, O), “Apresenta material para observação”,
P), “Manda ir um aluno ao quadro”, e Q), “Faz uma pergunta contendo sugestão de
resposta”, elucidam, nomeadamente, que a professora não utiliza as sugestões dos alunos,
não as repete, nem repete as suas perguntas; não faz experiência nas aulas, não apresenta
material para observação; não manda ir os alunos ao quadro, nem faz pergunta contendo
sugestão de resposta. Nos itens R), “Estimula o aluno”, e S), “Aprova e controla os
conhecimentos”, verifica-se que a professora às vezes estimula os alunos e às vezes aprova
e controla os seus conhecimentos.
123
Para a análise e interpretação dos dados desta pesquisa tive em consideração as variáveis
estratégias de ensino dos professores e os programas de ensino de LP, assim como as
seguintes categorias:a diversidade de textos, a estrutura do texto, a
leitura/compreensão e o tipo de linguagem.
13
Cf o anexo 5: extracto do Programa de Língua Portuguesa, do 1º ciclo, do ESG.
124
Ao nível das turmas observadas, verifiquei que as professoras utilizaram apenas um (1)
texto, para a leccionação das actividades programáticas, nomeadamente, de leitura,
compreensão e tipo de linguagem. O texto usado na 8 ª classe intitulava-se “A couve
chinesa”, o da 9ª classe, “O xilofone chope” e o texto utilizado na 10ª classe intitulava-se
“Aspectos técnicos e sociais na olaria dos chopes”.
Como se pode depreender, o número de textos usados é muito reduzido comparativame nte
ao número de textos sugeridos no Programa. Quais são as implicações disso? Julgo que as
professoras ao usarem apenas um texto, em cada classe, estão a reduzir, durante o ciclo de
aprendizagem, a possibilidade dos seus alunos terem contacto com maior número de textos
didácticos que constituem “modelos” de escrita.
Na 8ª classe, os exercícios gramaticais não foram aplicados com base em frases do texto “A
couve chinesa”. Essa situação leva- me à constatação de que (i) o texto usado não era
suficientemente rico para ser o único a ser explorado nas aulas sobre a temática a ser
tratada e (ii) o texto não se prestava ao tipo de exercícios que a professora programou,
porque não era rico em assuntos sobre o discurso directo e discurso indirecto, sobre o tipo
de linguagem usado em TNDC.
Nesta classe, em meu entender, a professora devia ter seleccionado mais textos para serem
objecto de ensino e aprendizagem ou pelo menos, seleccionar um texto mais rico, que
permitisse a exploração integral dos aspectos considerados pelo Programa de LP.
125
Na 10ª classe, por exemplo, os alunos preencheram apenas o quadro com indicação sobre
“Os aspectos técnicos e os aspectos sociais na olaria dos chopes”; não houve exercitação
gramatical, nem produção textual. Isto significa que os conteúdos programados não foram
leccionados na íntegra.
O tempo disponibilizado para o ensino dos TNDC, por exemplo, na 10ª classe, corresponde
a 10 horas, de um total de 133 horas anuais para todas as tipologias textuais 14 , isto equivale
a 7.5% do total da carga horária disponível para o 1º ciclo. Este facto devia constituir
motivo suficiente para que as professoras diversificassem esse material, nas suas aulas. Por
isso, a leccionação dos textos didácticos leva em média 2 semanas lectivas, de acordo com
o Programa oficial.
14
Cf apêndice 5: carga horária por tipologia textual.
15
Cf anexo 5: excerto do programa de português do 1º ciclo do ESG.
126
É um facto, também, que o Programa não prescreve, por exemplo, uma estrutura para os
textos didácticos. Constatei que em nenhum momento do Programa se menciona o
conteúdo “apresentação” e “organização” de um texto didáctico à semelhança, por
exemplo, do que acontece com proposto para o EA dos textos narrativos, poéticos e
dramáticos. O Programa, em meu entender, devia ser mais específico e referir-se,
nomeadamente, a audição de textos científicos ou a leitura de textos científicos, de forma a
se poderem desenvolver, entre outras capacidades, a compreensão oral e escrita desta
tipologia textual.
As professoras, cujas aulas foram observadas, não fizeram uma abordagem dos textos, no
sentido de distinguir os textos didácticos dos textos científicos, nem estabeleceram uma
relação entre os textos referidos. Esta situação poderá ser motivada pelo facto de o
Programa de LP integrar as duas tipologias textuais na mesma unidade temática, não
distinguindo o texto didáctico do texto científico.
Este assunto consta das sugestões de “Estratégias” para os professores, nos seguintes
termos: “Elaboração de pequenos textos de carácter didáctico ou científico acerca de
assuntos já estudados pelos alunos, nesta disciplina ou noutras”.
Em relação a esta matéria, nada mais consta do Programa. Isto pressupõe que os
professores têm total liberdade de traçar estratégias sobre a produção textual.
Sobre a produção de textos nas aulas, matéria que trato, por exemplo, na secção 6, do
capítulo I, Sousa (1993:14) afirma que a elaboaração de textos enfatiza as formas de
realização linguística, nomeadamente, a redacção e a produção oral. Para esta autora, os
textos produzidos em casa devem ser tratados, posteriormente, em aula, através de
actividades de leitura, de gramática, de escrita e de oralidade. Das aulas observadas, foi
possível verificar que:
Na 8ª classe, a professora pediu aos alunos para produzirem textos didácticos, em casa.
Dessa actividade seguiu-se a leitura oral sem qualquer tipo de análise textual. Os alunos
leram os textos que elaboraram e nenhum deles soube se o que tinha construído estava
certo ou errado. Diferentemente disso, na 9ª classe, a professora que também mandou
produzir textos, em casa, permitiu que os alunos não só apresentassem oralmente os seus
textos, mas também, fizessem a reflexão sobre os textos que produziram em termos de
organização de ideias. Apesar disso, julgo que seria incentivador para o aluno se a
professora tivesse registado, no quadro, pelo menos um dos textos produzidos pelos alunos,
para efeitos de aprofundamento e diversificação do tipo de análise.
exigências: Sobre a apresentação do texto (escrita bem legível, regras de limpeza e folha
apresentável, título de acordo com o conteúdo). Sobre a estrutura do texto (parágrafo
escolhido de uma forma coerente e pertinente, ilustrações adequadas, redacção correcta,
focalizando os aspectos mais importantes). Sobre a cientificidade do texto (os elementos
escolhidos são correctos e exactos, as ideias são expressas, com as palavras convenientes,
de forma pertinente e associadas de uma maneira lógica, as ideias podem ser pessoais,
transmissão de apropriação de conhecimentos ou ainda opiniões pessoais acompanhadas da
descrição de acontecimentos com justificação).
Partindo destes pressupostos teóricos defendidos por Contente (ibidem), constato que a
reflexão feita nas aulas, por exemplo, na 9ª classe, se limitou, apenas, à verificação da
organização das ideias expressas pelos alunos.
Nas aulas observadas, a produção de textos podia servir o propósito interdisciplinar. Como
afirmam Contente (2000:85), Piaget (apud Pombo et al, 1994:11), a prática interdisciplinar
permite o intercâmbio/cooperação entre as várias disciplinas para examinar o mesmo
objecto. Assim, seria desejável que os alunos produzissem textos didácticos sobre assuntos
relacionada com outras disciplinas, o que não aconteceu.
Na 8ª classe, a professora fez uso exclusivo da modalidade leitura oral, para fins de ensino
da leitura/compreensão de textos. Para os mesmos fins, a professora da 9ª classe usou duas
estratégias, nomeadamente, a leitura oral e a leitura silenciosa. Na 10ª classe não houve
instrução sobre o tipo de leitura que os alunos deviam realizar. Os alunos preencheram um
quadro, presumindo-se que para o efeito, fosse necessário ler silenciosamente.
Do ponto de vista dos tipos de leitura, julgo que a utilização exclusiva da modalidade de
leitura oral é redutor. Utilizo o vocábulo redutor para me referir à diminuição das
possibilidades que são oferecidas ao aluno nos seus esforços conducentes à compreensão
de textos. Este esforço requer atenção e tempo suficiente para a leitura.
A este respeito, Freire (2001:59) tem uma frase elucidadtiva quanto à necessidade de se
oferecer ao aluno possibilidades de ler. Ele afirma o seguinte: “um texto para ser lido é um
texto para ser estudado. Um texto para ser estudado é um texto para ser interpretado. Não
podemos interpretar um texto se o lemos sem atenção, sem curiosidade”.
No que diz respeito ao tipo de perguntas, tanto na 8ª, como na 9ª classe, havia questões que
requeriam respostas curtas e outras longas. Essa estratégia, quanto a mim, é de aplicar,
porquanto tem em conta que os alunos possuem capacidades diferentes e devem
desenvolver capacidades, habilidades diversificadas. Há alunos que têm facilidade em dar
respostas curtas, outros em dar respostas longas. Então, seleccionar perguntas de tipos
diferentes permite que os alunos tenham diferentes opções de resposta.
Ainda sobre o questionário apresentado constatei que nele não constava nenhuma pergunta
relacionada com o autor do texto. Entendo que o autor é o enunciador da mensagem textual
e, por essa razão, ele tem de ser objecto de abordagem. Uma forma de trabalhar sobre o
autor é referenciá-lo na fase de antecipação da leitura/compreensão; a outra seria fazer
constar do questionário perguntas sobre o autor (por exemplo, sobre a sua época histórica,
país de origem), para dar a conhecer esse autor. Tanto no primeiro caso, como no segundo,
a intenção das professoras passaria pela exp loração do contexto de produção do discurso
textual e pela exploração da intencionalidade do discurso.
No texto há aspectos que podem funcionar como índices para a leitura/compreensão, tais
como, origem do texto, autor, tipo de documento, os títulos, a divisão do texto (parágrafos,
capítulos), enumeração em partes, tipo de letra adoptado (itálico, sublinhado, parêntesis,
maiúsculas), início dos parágrafos, citações (introduzidas por aspas), ilustração do texto
(imagens, fotos).
131
Esses índices podem ajudar o professor a dar tarefas de forma mais precisa e concreta.
Concordo com autores como Fancine Cicurel (apud Contente, 2000:20) que julgam haver
necessidade de o aluno ser informado sobre o objectivo de leitura, de forma a que ele ao ler
possa ser responsabilizado pelas actividades que vai realizar. Paralelamente a isso, há
necessidade de informar os alunos sobre o modo como vão ler, que modalidade de leitura
realizar. Por exemplo, se cada aluno lê um trecho ou se lê todo o texto. A falta de instrução
também foi notória quanto ao critério para a interrupção da leitura. Nos casos observados,
as professoras não concertavam com os alunos sobre as passagens textuais que cada um
devia ler. O aluno era surpreendido a ter que interromper a leitura, para dar lugar à do outro
colega.
Julgo que no ensino secundário a opção pela leitura oral é uma estratégia que se ajusta mais
ao treino vocal, por exemplo, ao desenvolvimento de uma correcta dicção e pronúncia das
palavras. Para a compreensão de textos essa modalidade de leitura, embora possa ser usada,
deve ser evitada ou repetida, na medida em que há vários factores que empobrecem essa
forma de ler se o objectivo fundamental for compreender textos. Na minha óptica alguns
factores que empobrecem a leitura oral são: a impossibilidade de familiarização profunda
com o texto, a leitura de trechos e não do texto integral; a redução do tempo de fixação nas
imagens gráficas; a dispersão da atenção por factores como o controlo da voz e a correcção
linguística.
Das actividades das professoras e, tendo em conta o que afirma Perfetti (apud Cermak &
Craik, 1979:159-180), nas aulas observadas, não se verificou:
As matérias referentes ao tipo de linguagem são tratadas neste trabalho, na secção 2.2.1. Da
observação feita à prática docente verifiquei que:
Na 10ª classe, não houve análise sobre o tipo de linguagem apresentada no texto.
Os vocábulos, quando tratados isolados dos respectivos contextos, podem traduzir diversos
sentidos. Os alunos não receberam instruções sobre como proceder ao levantamento do
vocabulário desconhecido.
Outro aspecto que considero relevante no trabalho com os vocábulos é a diversificação dos
exercícios. Ou seja, a professora ao limitar-se à identificação dos sinónimos, fica sem
informação a respeito dos conhecimentos que os alunos possuem, por exemplo, sobre os
antónimos dessas palavras. Também fica sem saber se os alunos são capazes de aplicar
essas palavras em contexto novo.
Turmas/professo A B C D E F Total
ras aula
Legenda:
A partir do quadro acima apresentado, pode-se verificar que: os sumários mais frequentes
são os que envolvem as actividades constantes na coluna A (leitura, análise/interpretação
de textos). Em relação à coluna B, que contempla nos sumários a actividade leitura oral,
esta apenas aparece registada no livro da 9ª classe. Nas outras turmas essa actividade não
foi registada, depreendendo-se que não foram realizadas. Todavia, através da descrição das
aulas é possível verificar que as turmas da 8ª classe fizeram a leitura oral dos textos. Da
coluna C deduz-se que em nenhum dos sumários se registou como actividade de leitura
silenciosa. No entanto, a análise das aulas assistidas mostra que os alunos da 9ª classe
leram o texto silenciosamente. No que diz respeito às colunas D e E verifica-se que a turma
da 10ª classe não realizou essa actividade. É de notar que a turma da 10ª classe não
realizou, igualmente, a leitura oral. As actividades respeitantes à coluna F foram registadas
em todas as turmas.
16
Cf. Apêndice 4: conteúdos dos sumários.
135
De acordo com Alarcão (1995: 41), nas aulas de português o sumário deve traduzir o que o
professor planificou e conseguiu concretizar, inc luindo a menção das actividades
realizadas, os textos abordados, os títulos e os seus autores.
1. Conclusões
De acordo com o conceito de texto didáctico, matéria que trato na secção 2, desta pesquisa,
era suposto que as professoras explorassem todas as potencialidades fornecidas por esta
tipologia textual, por exemplo, tratarem dos manuais escolares, dos guias turísticos, das
instruções relativas ao uso de equipamentos ou de produtos químicos e farmacêutico, pois,
estes subtextos estão inscritos no Programa de LP. Contudo, estes subtextos não foram
objecto de estudo.
Por outro lado, relativamente à exploração dos textos usados em aulas, a prática docente
evidencia que as professoras:
- usam as estratégias de processamento ascendente, isto é, estratégias que visam o
tratamento das palavras, das frases, da extracção dos significados, sem a
consideração dos conhecimentos prévios dos alunos;
- não fazem a distinção entre os textos didácticos e os textos científicos;
- não diversificam o uso de textos didácticos nas suas aulas.
- não dizem, antecipadamente, aos alunos, os objectivos da actividade de
leitura/compreensão que estes vão realizar.
- não realizam actividades de inferência de sentidos.
- não realizam a análise textual, na 8ª e na 10ª classes.
Para os alunos inferirem novos sentidos a partir do texto seria necessário que as estratégias
de ensino a aplicar pelos professores de LP tivessem como ponto de partida a compreensão
dos sentidos explícitos do texto. A partir daí, realizavam-se actividades que procurassem
levar os alunos a fazerem deduções, a relacionarem o texto com outros textos e com outros
assuntos similares.
2. Sugestões
Estes procedimentos devem ser incorporados nos programas de ensino e outros planos de
iniciativa do professor como, por exemplo, planos quinzenais/dosificações. Quando se trata
de aulas de introdução de conteúdo novo, o professor deve ajudar o aluno, incrementando
as suas iniciativas. Por exemplo, o professor resume oralmente, parafraseia, esquematiza
no quadro negro ou simplesmente troca opinião com os alunos sobre o assunto do texto.
Outra estratégia que o professor pode usar é a seguinte: a partir da utilização de formas de
representação gráfica do texto o professor pode:
Sublinhar os fragmentos do texto.
- Identificar sua função (causas, exemplos, processos, e outros.).
- Identificar as partículas que os conectam e caracterizam (e inferi- las quando não
são explícitas).
- Representar o texto em um diagrama.
Esse modelo foi concebido para os textos narrativos. Contudo, procedi a uma adaptação de
forma a ajustá- lo ao ensino da leitura/compreensão dos textos didácticos. Os modelos de
compreensão e controle têm como base os Métodos de ensino directo. Através desses
métodos o professor deve oferecer modelos de compreensão e controle aos seus alunos. A
modelagem do professor pode ser feita, por exemplo, da seguinte forma:
Sugiro, também, que o professor use estratégias que ajudem a reter as informações que
circulam na sala de aulas. Para o efeito, o professor pode propor a exercitação das
seguintes actividades:
- Antecipar a mensagem com a leitura de títulos e subtítulos.
- Recitar os subtítulos.
- Perguntar-se sobre o que se quer saber a partir das expectativas criadas pelos
subtítulos.
- Ler o texto para ver se há informação adicional sobre a qual os alunos não
haviam perguntado.
- Reler os subtítulos como chave de recuperação da informação lida. Recitar as
respostas às perguntas e os detalhes adicionais importantes.
- Reler todo o texto. Recordar a informação importante a partir da leitura de cada
subtítulo.
Sugiro, ainda, que os professores sigam a seguinte estratégia de exploração textual. Pede-se
aos alunos que:
- leiam o título e o primeiro parágrafo.
- antecipem o assunto tratado no texto.
- Leiam um segmento textual para comprová- lo.
- expliquem por que as suas previsões estavam correctas ou não.
- Façam a relação entre a compreensão e a produção de textos.
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XAVIER, M., F., & MATEUS, M. H. M., Dicionário de Termos Linguísticos, 1ª edição,
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147
CLASSE_____TURMA_____DATA______TEMPO_____
N.º DE LIÇÃO______
TEMPO POR
ACTIVIDADES DESCRIÇÃO DA AULA
OBSERVAÇÕES 17
17
As observações foram feitas com base nas fichas de observação apresentadas,respectivamente, nos
apêndices 2 e 3.
148
Esta ficha foi produzida com a intenção de reunir dados sobre as fases da exploração do
texto nas aulas observadas na escola secundária da Maxaquene.
• Classe: 8ª
• 1ª aula
• Tipo de aula: introdução X desenvolvimento___ conclusão___
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim___ Não X
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim X Não___
• 2ª/3ª aulas
• Classe: 8ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento X conclusão___
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetênc ia para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim___ Não X
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim X Não___
• 4ª aula
• Classe: 8ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento X conclusão___
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim X Não___
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim X Não___
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim___ Não X
• 5ª aula
• Classe: 8ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento___ conclusão X
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim X Não___
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim___ Não X
• Classe: 9ª
• 1ª aula
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim X Não___
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim X Não___
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim X Não___
• 2ª/3ª aulas
• Classe: 9ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento X conclusão___
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim___ Não X
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim X Não___
• 4ª aula
• Classe: 9ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento X conclusão___
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim X Não___
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim X Não___
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim X Não___
• 5ª aula
• Classe: 9ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento X conclusão___
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim X Não___
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim___ Não X
• 6ª/7ª aulas
• Classe: 9ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento X conclusão___
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim X Não___
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim___ Não X
• 8ª aula
• Classe: 9ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento X conclusão___
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim___ Não X
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim___ Não X
• 9ª aula
• Classe: 9ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento X conclusão___
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim___ Não X
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim___ Não X
• 10ª aula
• Classe: 9ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento X conclusão___
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim___ Não X
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim___ Não X
• 11ª aula
• Classe: 9ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento X conclusão___
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim___ Não X
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim___ Não X
• 12ª aula
• Classe: 9ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento X conclusão___
A) Quais são as dimensões textua is que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim X Não___
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim___ Não X
• 13ª aula
• Classe: 9ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento X conclusão___
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim___ Não X
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim___ Não X
• 14ª aula
• Classe: 9ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento X conclusão___
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim X Não___
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim___ Não X
• Para a descoberta do conteúdo, a análise incide sobre:
• 15ª aula
• Classe: 9ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento X conclusão___
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim X Não___
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim___ Não X
• 16ª aula
• Classe: 9ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento X conclusão___
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim___ Não X
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim___ Não X
• 17ª aula
• Classe: 9ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento ___ conclusão X
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim X Não___
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim X Não___
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim X Não___
• Classe: 10ª
• 1ª aula
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim___ Não X
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim___ Não X
• 2ª aula
168
• Classe: 10ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento X conclusão___
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim___ Não X
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim___ Não X
• 3ª/4ª aulas
• Classe: 10ª
• Tipo de aula: introdução___ desenvolvimento___ conclusão X
A) Quais são as dimensões textuais que têm sido objecto de análise nas aulas de
leitura/compreensão do texto didáctico:
• Sim___ Não X
• Cria curiosidade e apetência para saber mais sobre o tema: Sim___ Não X
• Activa conhecimentos prévios do aluno: Sim___ Não X
• Manda fazer leitura inicial para o aluno ter uma ideia geral do texto: Sim___ Não X
Esta ficha foi produzida com o intuito de reunir os dados sobre os actos pedagógicos
usados pelos professores, nas aulas de Língua Portuguesa, na escola secundária da
Maxaquene.
Aula 1 2/3 4 5
Ocorrências Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não
Actos
Pedagógicos
A) X X X X
B) X X X X
C) X X X X
D) X X X X
E) X X X X
F) X X X X
G) X X X X
H) X X X X
I) X X X X
J) X X X X
K) X X X X
L) X X X X
M) X X X X
N) X X X X
O) X X X X
P) X X X X
Q) X X X X
R) X X X X
S) X X X X
Sinalética: A) Manda ler o texto silenciosament e B) Manda ler o texto oralmente C) Faz
perguntas por escrito D) Dirige uma pergunta a toda a turma E) Depois de ter feito a
pergunta, designa os alunos que devem responder F) Dirige-se a um só aluno para lhe fazer
uma pergunta ou dar-lhe uma informação G) Dá informações antes ou depois de uma
pergunta H) Ele próprio expõe sem solicitar a participação da turma I) Ele próprio dá
resposta a uma pergunta feita J) Dá directrizes imperativas ou ordens K) Reformula o que
um aluno acaba de dizer L) Utiliza as sugestões dos alunos M) Repete as sugestões dos
alunos ou as suas perguntas N) Faz uma experiência O) Apresenta material para
observação P) Manda ir um aluno ao quadro Q) Faz uma pergunta contendo sugestão de
resposta R) Estimula o aluno S) Aprova e controla os conhecimentos.
171
Aula 10 11 12 13 14 15
Ocorrências Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não
Actos
Pedagógicos
A) X X X X X X
B) X X X X X X
C) X X X X X X
D) X X X X X X
E) X X X X X X
F) X X X X X X
G) X X X X X X
H) X X X X X X
I) X X X X X X
J) X X X X X X
K) X X X X X X
L) X X X X X X
M) X X X X X X
N) X X X X X X
O) X X X X X X
P) X X X X X X
Q) X X X X X X
R) X X X X X X
S) X X X X X X
172
Sinalética: A) Manda ler o texto silenciosamente B) Manda ler o texto oralmente C) Faz
perguntas por escrito D) Dirige uma pergunta a toda a turma E) Depois de ter feito a
pergunta, designa os alunos que devem responder F) Dirige-se a um só aluno para lhe fazer
uma pergunta ou dar-lhe uma informação G) Dá informações antes ou depois de uma
pergunta H) Ele próprio expõe sem solicitar a participação da turma I) Ele próprio dá
resposta a uma pergunta feita J) Dá directrizes imp erativas ou ordens K) Reformula o que
um aluno acaba de dizer L) Utiliza as sugestões dos alunos M) Repete as sugestões dos
alunos ou as suas perguntas N) Faz uma experiência O) Apresenta material para
observação P) Manda ir um aluno ao quadro Q) Faz uma pergunta contendo sugestão de
resposta R) Estimula o aluno S) Aprova e controla os conhecimentos.
173
Aula 1 2 3/4
Ocorrências Sim Não Sim Não Sim Não
Actos
Pedagógicos
A) X X X
B) X X X
C) X X X
D) X X X
E) X X X
F) X X X
G) X X X
H) X X X
I) X X X
J) X X X
K) X X X
L) X X X
M) X X X
N) X X X
O) X X X
P) X X X
Q) X X X
R) X X X
S) X X X
Sinalética: A) Manda ler o texto silenciosamente B) Manda ler o texto oralmente C) Faz
perguntas por escrito D) Dirige uma pergunta a toda a turma E) Depois de ter feito a
pergunta, designa os alunos que devem responder F) Dirige-se a um só aluno para lhe fazer
uma pergunta ou dar-lhe uma informação G) Dá informações antes ou depois de uma
pergunta H) Ele próprio expõe sem solicitar a participação da turma I) Ele próprio dá
resposta a uma pergunta feita J) Dá directrizes imperativas ou ordens K) Reformula o que
um aluno acaba de dizer L) Utiliza as sugestões dos alunos M) Repete as sugestões dos
alunos ou as suas perguntas N) Faz uma experiência O) Apresenta material para
observação P) Manda ir um aluno ao quadro Q) Faz uma pergunta contendo sugestão de
resposta R) Estimula o aluno S) Aprova e controla os conhecimentos.
174
No âmbito da recolha de dados da pesquisa, tomei nota dos sumários relativos às aulas
assistidas. Fí- lo porque o sumário traduz o que se realizou na sala de aula e constitui um
elemento fundamental para a sistematização e compreensão da matéria.
Por ter constatado que os sumários são os mesmos nas duas turmas, em virtude de se
tratarem de turmas leccionadas pela mesma professora, entendi evitar a sua repetição nesse
espaço. Por isso, os sumários serão registados em funç ão da ordenação das aulas.
Do mesmo modo, por ter verificado que todos os sumários não eram enumerados,
limitando-se a professora a escrever no quadro preto, o seguinte: lição n.º___ vou
apresentar os sumários, ordenando-os de forma crescente, em função da sequência das
observações.
A primeira aula foi realizada no dia 14 de Março de 2005, com o tempo de 45 minutos;
essa aula teve o seguinte sumário: correcção do TPC [aula sobre textos narrativos]; Textos
de Natureza Didáctica “A couve chinesa”; levantamento do vocábulo.
A primeira aula, realizada no dia 16 de Maio de 2005, com o tempo de 45 minutos, teve o
seguinte sumário: leitura do texto “Xilofone chope”. Questionário. TPC.
No dia 18 de Maio de 2005, quarta aula, 45 minutos, o sumário foi Apresentação do texto
(correcção do trabalho de casa).
No dia 24 de Maio de 2005, sexta e sétima aulas, foi registado o seguinte sumário:
conclusão da aula anterior. Organização do texto didáctico. Leitura expressiva do texto
“O Xilofone chope”.
No dia 25 de Maio de 2005, oitava aula, o sumário foi conclusão da aula anterior (leitura
expressiva). Introdução aos Actos de fala.
No dia 27 de Maio de 2005, a nona aula teve como sumário correcção do trabalho de
casa: actos de fala para pôr hipóteses e formular regras/princípios.
Dia 30 de Maio de 2005, décima aula, o sumário foi interpretação do esquema da página
191.
No dia 01 de Junho de 2005, décima segunda aula, o sumário foi produção do esquema:
organograma da escola.
Dia 07 de Junho de 2005, décima quarta aula, o sumário foi conclusão da aula anterior –
introdução ao estudo da frase. Conjunções e locuções subordinativas.
Dia 08 de Junho de 2005, décima quinta aula, o sumário foi correcção do trabalho de casa.
Divisão e classificação de orações. Introdução do “que” relativo/integrante.
Em relação à 10ª classe, todos os sumários foram registados no livro de turma, pela
professora, sem a prévia colaboração dos alunos. A primeira aula com o tempo de 45
minutos foi realizada no dia 29 de Junho de 2005 e teve o seguinte sumário: levantamento
de aspectos técnicos e sociais do texto.
A Segunda aula, com o tempo de 45 minutos foi realizada no dia 30 de Junho de 2005 e
teve o seguinte sumário: continuação ao estudo do texto didáctico.
Carga horária
ANEXO 1:
A COUVE CHINESA
Em Moçambique a couve china, como é vulgarmente chamada, uma espécie de couve, que
tem a cor da alface, mas as folhas bastante maiores, é uma variedade de hortaliça tão rica e
com tantas propriedades como qualquer outra.
Tem um sabor e cheiro menos activo do que a couve vulgar e coze mais rapidamente do
que esta, o que nestes tempos de poupança de combustível é muito importante.
O período de maturação de couve chinesa é curto, 60 a 100 dias, mas, depois de apanhada,
a couve pode ser guardada por muito tempo em caves semi- subterrâneas. Com o controle
da temperatura e humidade bem regulados, a couve chinesa mantém-se fresca durante
vários meses.
A couve china está agora no mercado com bastante abundância. Sugerimo- lhe que se
abasteça com ela e, se tem geleira, a guarde em sacos de plástico. Se não, cozinhe três,
179
quatro ou mais molhos de couve china para uma refeição, de acordo com o tamanho da sua
família.
Receitas com couve china
Sopa
Por exemplo:
- Coza dois ou três ossos de carne de porco. Junte ao caldo uma chávena de farinha
de milho por litro de caldo. Deixe ferver meta dois ou três molhos de couve china bem
lavada e cortada e deixe ferver mais cinco minutos. Está pronta uma sopa simples e rápida.
Se não tem ossos de carne, faça apenas com um pouco de óleo.
- Coza cinco molhos de couve china. Pique-a bem com a faca. Numa panela, aqueça
duas colheres de óleo com dois ou três dentes de alho.
À parte dissolva duas ou três colheres de sopa cheias de farinha dissolvida no leite e
continue a mexer até fazer uma papa. Retire do lume, ve ja se está bem de sal e junte uns
pingos de limão se não tiver vinagre.
Domingo
180
ANEXO 2:
TEXTO (9ª classe)
O xilofone chope
O instrumento mais sofisticado da música africana
xilofone (a timbila dos Chopes e a mais simples malimba dos Tongas). E teriam sido esses
xilofones, aliados às guitarras espanhola e portuguesa, que estiveram na base de criação de
músicas famosas de Cuba e do Brasil, tais como a rumba, a conga e o samba.
Xilofone de
teclas soltas
Em cada regulado, a composição média de um ngondo era de onze a quinze músicos, dois
matraqueiros e quinze a vinte bailarinos. A orquestra era dirigida por um dos executantes,
normalmente tocando um instrumento alto (sangue ou sange). Ele era também o
compositor das danças orquestrais executadas pela sua orquestra, os famosos msaho, de
182
nove, dez ou onze movimentos, bem como do poema respectivo. Também o grupo de
dançarinos tinha o seu chefe, autor das coreografias, sempre pobres e repetidas, e solista.
Aos bailarinos competia o canto do poema.
A timbila chope era construída segundo o esquema apresentado na Fig.3, em cuja legenda
se descrevem as suas várias partes e os respectivos materiais. Tal como para os
instrumentos de corda europeus, também entre os Chopes havia famílias que, geração após
geração, se dedicavam à construção dos seus famosos xilofones.
O material mais importante era a madeira utilizada no fabrico das teclas – o muenje (ou
sneezewood dos negociantes de madeira), a Ptaeroxylon obliquum – que temperavam a
fogo segundo um segredo transmitido de pais para filhos, tal como o da afinação.
Ilídio Rocha,
In Moçambique – Aspectos da Cultura Material
_________________________________________________________________
ANEXO 3:
TEXTO (9ª classe)
MATERIAL NECESSARIO
Para se fazer uma pilha e necessario o seguinte material:
- Pilhas recentemente gastas. , '{•''••• -'•
- Sal de cozinha em solucao forte.
- Pequenos potes finos de barro cozido ou de lona cosida.
- Umas garrafas pequenas, de vidro ou plastico.
- Uma faca, um alicate e uma tesoura de chapa.
- Una pedacos de arame ou fio electrico.
- Um pouco de alcatrao ou cera de abelhas e uma lata para derreter o
alcatrão.
COMO PREPARAR A C H A P A
3 COMO PREPARAR A
DE ZINCO A p a n h e a p e q u e n a
MASSA PRETA
Fio electrico
Zinco Coloque os pedacos da massa
Recipiente exterior preta numa lata ou num pote
'Solucao de sal
Jfl de barro cozido. Amasse-a com •
2 B >NPote poroso chapa de zinco e, com uma um pau ate transforma-la em
Massa preta areta tesoura, re -corte uma tira de p6. Adicione uma [Link] de sal
de carvao zinco quase ate a ponta final da para obter uma pasta pegajosa.
parte prin cipal. Ai esta. o Agora sim a massa esta pronta
1 niAGRAMA DA PILHA QUE VAMOS FAZER contacto para a ligacao da pilha. para ser utUizada na pilha.
~-f-\ Agora solde o arame como nos
»• = M mostram as fi gures, depots sele a COMO PREPARAR A
NVi ligacao com alcatrao ou cera. VARETA DE CARVAO
COMO ABRIR PILHAS GASTAS Abra a chapa de
metal exterior da pilha e deite-a
fora. Em seguida, tire com
cuidado a chapa e guarde em
separado:
- A chapa de zinco
- A massa preta
- A vareta de carvao Pode-se Para preparar a vareta de carvao, primeiro limpe
desmontar 12 pilhas velhas com o pano seco. Depois de limpar, nao toque
para fazer seis novas. com as maos, pois elas podem ficar sujas com o
Cuidado, as vezes o zinco e Ifquido. Atencao, para haver um bom contacto,
raspe a vareta com a faca e depois faca a ligacao
do arama e sele com alcatrao ou cera.
COMO MONTAR A PILHA
corrofdo e nao serve.
in O Campo,
Janeiro/Fevereiro de 1988
185
ANEXO 4:
TEXTO (10ª classe)
Não possuímos a indicação da percentagem por sexos, mas calculamos que, daquele total,
aproximadamente 6.000 correspondem ao sexo feminino, sendo 2.000 mulheres adultas, e
destas podemos calcular que, aproximadamente, 1500 se dedicam à olaria. E, segundo
elas próprias me disseram, quase todas sabem este ofício, exceptuando-se apenas as
poucas que não têm jeito ou vontade. As demais fazem todos os recipientes para o seu
uso próprio, e um grande número delas trabalha durante todo o ano, aproveitando os
intervalos que as lidas da casa ou do campo lhes deixam livres, para fazerem louça para a
venda. Em especial, algumas das mais velhas, tendo em casa gente nova que faça os
trabalhos do campo, noras ou netas, ficam livres para se consagrarem à profissão de
oleiras. E são também estas, por disporem de uma longa prática, quem faz os potes
grandes, onde se guarda a água em casa, ou onde se fervem as bebidas para as festas ou
cerimónias em que toma parte muita gente. As mulheres novas, de entrada, fazem apenas
os recipientes mais pequenos, e só depois de adquirirem larga experiência se abalançam a
fazer os maiores. A matéria-prima, o barro, é propriedade do regulado, e por isso, a todo
aquele que não pertença ao regulado de Macupulane, é rigorosamente proibido extrair
esse barro. O régulo defende esta exclusividade com a maior firmeza, porque realmente a
olaria constitui um valioso suplemento à economia da gente de Macupulane.
Num raio médio de cerca de 50 km não existe outro barreiro, e por isso as mulheres de
Macupulane fornecem toda esta região relativamente populosa, de todos os recipientes
que tenham necessariamente de ser de barro. Para o transporte da água que vão buscar
186
Quando decidem começar o trabalho, tiram uma porção de barro e instalam-se à sombra,
debaixo de uma árvore ou telhado da casa, com as poucas ferramentas num pote de água,
e o bolo de barro num cesto. Não conhecem a roda de oleiro: para servir de base, usam o
fundo côncavo de um velho pote grande quebrado, que possa facilmente rodar na terra.
Amassam mais uma vez aquele primeiro bolo de barro e, fazendo-lhe com o punho
fechado uma cova no meio, vão repuxando de dentro para cima a massa dos lados com
dois dedos da mão direita, em movimentos ao mesmo tempo firmes e soltos, enquanto a
mão esquerda, seguindo a direita pelo lado de fora, ampara as paredes do pote.
Erguido este barro, passam a usar uma técnica diferente, que tem o nome de «técnica do
rolo em espiral»: entre as palmas das mãos rolam um pedaço de barro até o reduzirem à
grossura conveniente; acrescentam esse rolo ao topo da parede já feita, premindo e
alisando a espiral com os dedos, até ligarem perfeitamente, e seguem depois com outros
rolos, até que a parede atinja a altura desejada, regulando a forma do bojo com voltas
mais apertadas ou mais largas. Para ajudarem a alisar toda a superfície exterior, usam
como instrumento o carolo de uma espiga de milho, amparando correspondentemente a
parede do lado de dentro com a outra mão e procurando, apenas com o sentido táctil,
187
igualar bem a espessura da massa. De vez em quando, com o auxílio do fruto da árvore
ndzondzo, que tem a forma de uma grande vagem espessa, raspam as irregularidades do
interior do bojo; para este mesmo efeito usam também um pedaço de casca da cabaça.
Quando acabam de modelar a boca do vaso, colhem uma folha de mangueira, molham- na
sobre o rebordo, correndo com ela toda a volta.
A cozedura desta louça tem lugar ao ar livre. Para esse efeito, fa z-se um círculo de ramos
secos, e por cima pousam-se os potes grandes, cujo número varia conforme as
necessidades, mas geralmente num máximo de três. Nos espaços livres pousam-se outros
recipientes pequenos, e em seguida recobre-se tudo com lenha cuidadosamente escolhida
e empilhada, de modo a garantir a boa tiragem e igualdade de temperatura. Entre as peças
de louça, e também à volta, na lenha, metem mãos de capim seco, a que pegam fogo com
uma brasa que retiraram do seu lume caseiro. Deixam então arder toda a pilha de lenha
até que ela se gaste completamente e que os potes, que estavam cobertos, apareçam acima
das cinzas; e então, por meio de compridos paus com suas galhas, fazem rolar as vasilhas
que já estão cozidas, retirando-as para fora da área das brasas, para arrefecerem.
Nesta região, e ao contrário do que sucede com outros povos africanos, não costumam
borrifar a louça em seguida à cozedura. Os potes depois de arrefecerem estão prontos.
A panela para cozinhar o pirão (que pode ser maior ou mais pequena) – chikayana.
O recipiente pequeno para as ofertas que se fazem aos antepassados junto da árvore
sagrada – injomela.
188
O recipiente para água, para «tomar banho» inkamba (às vezes com pequenas asas
chamadas itsumbu – seios).
É o grande pote para guardar a água em casa, para conservar cereais ou para a preparação
de bebidas fermentadas para as grandes festas – ichungwa (antigamente) ikadi (hoje).
Margot Dias,
8ª classe
Conteúdos:
Organização do texto
- definição
- descrição
- enumeração4
Descrever
...são...
...é constituído por...
...apresentam as seguintes características:
Enumerar
Há os seguintes tipos de...
primeiro:...; segundo:...; terceiro;...
entre...contam-se...
Tipo de linguagem
- discurso indirecto
191
- vocabulário especializado
- linguagem objectiva
Objectivos:
Ao terminar esta unidade o aluno deve:
a) Possuir conhecimentos sobre:
Conteúdos
Organização do texto:
- levantamento de questões onde, como, quando, porquê, para quê, o quê/
quem, com que consequências;
- narração de acontecimentos.
Tipo de linguagem
- discurso indirecto
- frases declarativas
- vocabulário especializado.
Reconhecimento da frase
Estudo da frase como resultado de operações de selecção e combinação de palavras.
Classes de palavras:
- preposição (noção)
Material:
“Pesca”.
“Barcos do litoral de Moçambique”.
“O homem e o mar”.
193
“A descoberta”
9ª classe
Textos, Orais ou Escritos, de Natureza Didáctica ou Científica.
Objectivos:
Ao terminar esta unidade o aluno deve:
a) Possuir conhecimentos sobre:
- textos de natureza didáctica ou científica;
- organograma.
Conteúdos
Textos, orais ou escritos, de natureza didáctica ou científica.
Informações científicas.
Organização do texto:
- formulação de hipóteses;
- formulação de regras/princípios;
194
Reconhecimento da frase:
- Estudo da frase como resultado de operações de selecção e combinação de
palavras.
Classes de palavras:
- a conjunção
Análise da frase:
Complexidade da organização da frase:
- relações de subordinação;
- relativa;
- interrogativa;
- integrante.
Organograma:
- Apresentação do texto em forma de esquema.
Realização de exercícios variados e sempre com base num texto que vise a identificação
de algumas classes de palavras.
Análise de frases complexas, identificando relações de subordinação.
Interpretação de organogramas.
Elaboração do organograma da escola.
Material:
“As tradições musicais em Moçambique”.
“Mambo”.
“O xilofone Chope”.
“Pilhas novas a partir de pilhas velhas”.
“Teatro moçambicano. Um movimento pujante”.
Exemplo de um organograma simplificado da redacção de um jornal nacional.
10ª classe
Textos, Orais ou Escritos, de Natureza Didáctica ou Científica
Objectivos:
Ao terminar esta unidade o aluno deve:
a) Possuir conhecimento sobre:
Conteúdos:
• Textos, orais ou escritos, de natureza didáctica ou científica:
- Manuais escolares, receitas de cozinha, instruções técnicas, guias turísticos,
informações científicas.
• Tipo de linguagem:
- Função metalinguística
a) tipo de linguagem;
b) objectividade;
c) fluência;
d) clareza.
Pesquisa de dados sobre o modo de viver da comunidade onde os alunos estão inseridos.
Exposição oral de assuntos estudados tendo como base de apoio apenas tópicos
elaborados pelos alunos.
Materiais:
“O elogio da ignorância”.
“O embondeiro”.
198
OBJECTO DA
“IMITAÇÃO” OU
GÉNERO FORMAS LITERÁRIAS MANEIRA DA FACE DA REAÇÃO DO LEITOR
“IMITAÇÃO” REALIDADE
IMITADA
Ditirambo (poema lírico Cantada: O mundo interior:
breve: culto de Dionísio). Versos pentâmetros o “eu” do poeta
Elegia (= pranto). Hino (= ou elegíacos; em face de suas
Lírico canto à divindade). sáficos; arcaicos, emoções e do Emoção que leva o
Canção (= canto de bodas etc. (ritmo leve). mistério da vida. leitor a concentrar-se.
ou dramático), etc. A “persona” em
face da vida.
Recitada: O mundo exterior
Versos hexâmetros ao poeta: o mundo
(ritmo que das grandes
corresponde ao tom acções, dos
grandioso, acima grandes gestos Admiração que leva o
Épico Epopeia do tom comum). que actuam no ser a expandir-se.
mundo exterior e
o transformam.
A vida heróica
activa.
Dialogada e O mundo das Espanto, dor comoção
representada. grandes acções em que leva o ser a
Mescla de metros. conflito. Homens comungar com o
Tragédia superiores sofrimento do “outro”.
vencidos pela
fatalidade ou
Dramático vencedores.
O mundo das
acções
Comédia mesquinhas, do Riso e galhota.
torpe e do feio das
relações humanas
comuns.
200
OBJECTO (OU
GÉNEROS FORMAS ESPÉCIES LITERÁRIAS NATUREZA DA FONTE DA
LITERÁRIAS LINGUAGEM “MATÉRIA")
Elegia Ode
Canção Balada O mundo lírico (= o
Lírica Soneto Madrigal mundo do “eu”)
Idílo etc.
Poesia Epopeia homérica. “Canções Linguagem poética
de gesta”. Poemas épicos O mundo épico ou
Épica renascentistas. heróico (= o mundo das
Poesia social, etc. grandes acções)
Espécies medievais: Linguagem poética
Tragédia Mistérios; Milagres; Autos; ou em prosa,
Farsas; Alegorias; etc.
Comédia Espécies poético-musicais: Dialogada e
Ópera; Opereta; Variedades;
18
Teatro Drama Revistas; etc. representada
Romance Históricos O mundo social (= o
Conto Sentimentais mundo das relações
Ficção Novela Urbanos Linguagem em humanas + o mundo do
Crónica Regionalistas Prosa Narrativa “eu”)
Ficção científica
Policiais…
Ensaio Literária O mundo da reflexão (=
19
Crítica estética Artigo Teatral de Artes Plásticas Metalinguagem a expressão artística
Resenha Cinematográfica. que reflecte sobre o
Análise mundo lírico, o épico
ou o social, expresso
em linguagem literária).
18
Nelly Novaes Coelho utiliza o termo “teatro” em lugar de “drama” ou “dramático” para evitar, segundo a
autora, ambiguidades de interpretação, pois esses últimos termos implicam agora a ideia de dramaticidade,
de conflito e não propriamente a ideia de uma estrutura artística: o teatro.
19
“Metalinguagem” é a linguagem híbrida, soma de linguagem referencial e linguagem literária, que tem
como objecto a linguagem literária que constitui a obra.
Livros Grátis
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