Arte Gótica
Situa-se geralmente o nascimento da Arte Gótica em Saint-Denis (séc XII).
Identifica-se a arte gótica pelo cruzamento de ogivas e pelos arcos botantes.
O modo de ver e de fazer ver é reflexo de um modo de pensar. A catedral gótica é um espelho desta época
que coincide com a condenação de Abelardo, com o começo das obras em Saint-Denis, com a suma
teológica de Alexandre de Hales e o ensinamento público de Aristóteles.
O gótico não é, portanto, somente um recurso das possibilidades arquitetônicas do cruzamento de ogivas
e do arcobotante. É a busca de uma luz sempre mais abundante, de uma elevação sempre mais alta e de
uma unificação do espaço pelo descolamento dos volumes.
“A beleza é o resplendor da forma sobre as partes proporcionadas da matéria” (St. Tomás, de Pulchro et
Bono).
Podemos distinguir os seguintes períodos na arte gótica:
1o Período – Gótico Primitivo (1140 a 1190)
• Rosácea: predomina mais parede que
vitral
“O círculo - entre todas as figuras - e o movimento
circular - entre todos os movimentos – são
soberanamente perfeitos porque neles se verifica o
retorno aos princípios” (St. Tomas – Suma Contra
Gentis, II, 46-1).
• Portais quase em arco românico
• Preponderância de espaços cheios sobre vazios
• Colunas e pilastras grossas
• Arcobotantes curtos e grossos
• Divisão da fachada por pilastras
O gótico primitivo se exemplifica por duas catedrais: St. Denis e Sens.
Em Saint-Denis, o duplo deambulatório demonstra a liberdade de espaço possibilitada pelo cruzamento
de ogivas. As colunas delgadas e audaciosas não serão seguidas imediatamente em outras localidades.
Suger faz outra escolha importante, uma fachada harmônica seguindo o exemplo das catedrais da
Normandia.
Em Sens, as escolhas arquiteturais foram menos audaciosas, a alternância de suportes fortes e fracos é
conservado juntamente com o arco em 6 gomos. As paredes permanecem espessas, entretanto as
inovações são belas e bem presentes: a claridade fornecida por grandes janelas do bas-côtés é abundante.
As contribuições arquitetônicas de Sens são apreendidas mais rapidamente que as de St. Denis. Elas são
transportadas, com numerosas adaptações à Senlis, Noyon. Notre-Dame de Noyon inaugura a fórmula de
elevação em 4 níveis (grande arcadas, tribunas, trifórium, janelas altas) que, sem ser exclusivo (Notre
Dame de Paris possui 3 níveis), conhecerá uma grande difusão durante toda segunda metade do século
XII.
A partir de 1160, começam construções de catedrais cada vez mais altas - Notre Dame de Paris, Laon,
etc. Em Laon o mestre-de-obras utiliza paredes recortadas, uma elevação em 4 níveis. Em Paris, a parede
é simples, o trifórium foi suprimido para proveito das tribunas e de uma iluminação mais abundante.
Este segundo modelo conhecerá maior sucesso entre os mestre-de-obras.
2o Período: Gótico Radiante (1190 a 1350)
• Rosácea Radiante
“Una e simples no seu princípio a luz divina se
divide e se diversifica na medida em que as
criaturas intelectuais se afastam como linhas de um
centro” (St. Tomas, Summa Teologiae I,89,1)
• Ogivas lanceadas
• Equilíbrio entre área vazia e cheia
• Colunas fasciculadas com capitel
• Galeria dos Reis
• Arcobotantes longos, finos e elegantes.
Em 1190, o gótico encontra um novo impulso, principalmente ao Norte de França. As
duas catedrais mais marcantes deste período são Chartres e Bourges.
Bourges adotou uma elevação piramidal
em 5 níveis, devido a utilização do duplo
colateral.
1 - Arco “formeret” : ogiva sexpartida une
duas traves.
2 – Elevação da nave central
3 – Elevação do primeiro colateral,
englobado pela grande arcada da nave
central.
4 – Elevação do segundo colateral
englobado pela grande arcada do primeiro
colateral.
É a combinação da elevação da nave
central e dos dois colaterais que constitue
uma elevação em 5 níveis.
Figura: [Link] & G von Bezold, die Kirchliche Baukunst des
abendlandes : historiches und systematisch dargestellt
A partir de 1231 emerge progressivamente um novo
estilo que se caracteriza pela verticalidade, pilares
fasciculados e edificação de paredes de vidros. A origem
do gótico radiante pode ser situado em Paris. Lá ainda, a
Basílica de St. Denis figura como precursora, pois suas
inovações aparecem com a reforma do coro. A
constituição de paredes de vidro toma toda sua
amplitude na Saint-Chapelle
O gótico radiante se impõe realmente a partir de 1240. As catedrais então em construção, como Amiens,
Reims ou Beauvais, mudam parcialmente suas plantas (partes altas do coro em Beauvais, fachada
ocidental em Reims..) É nesta época em que a rosácea torna-se um elemento essencial da decoração,
apesar de ser já muito utilizada. A multiplicação das capelas laterais permite aumentar o espaço da
catedral. As adaptações do gótico variam bastante de uma região a outra.
3o Período – Gótico Flamejante (1350 a 1500)
• Rosácea com chamas
• Cruzamentos numerosos de
ogivas
• Ogivas Abatidas
• Ogivas com Cortinas
• Colunas cilíndricas sem capitel
• Preponderância da decoração
sobre a arquitetura
• Arcobotantes enfeitados
O termo “flamboyant” deve-se a forma de chamas que preenchem o interior das janelas, principalmente
das rosáceas.
Multiplica-se os “gâbles” e os pináculos
exteriores, enquanto no interior as ogivas
tornam-se muito complexas com grande luxo.
Constata-se, também, um retorno mais
freqüente às elevações em dois níveis que
fazem desaparecer as paredes entre as grandes
arcadas e as janelas altas (Ex. Saint Germain
l’Auxerrois). Mais tarde, certos elementos de
arquitetura gótica são utilizados com fins
essencialmente decorativos. É o caso do
cruzamento de ogivas, que torna-se mais
complexo até perder seu sentido.
Escultura Gótica
Gótico Primitivo Gótico Radiante Gótico Flamejante
Filosofia Platônico Aristotélico-tomista Nominalista (Ockham)
Matéria e alma
Posição a respeito dos Representação do universal “O rei S. Luís” Só Matéria
universais “o rei” Retrato “Luís”
Reims / Notre Dame de
Exemplos Chartres Strasburg/ Westmistrer
Paris
Só alma – importância para o Corpo e alma
Corpo X Alma Só corpo
rosto, corpo coluna
Sem ondulações
Curvas e contra curvas,
Dobras rasas Dobras profundas e
Curvas caracóis com muitas
Paralelas majestosas
dobras
estilizadas
Sorriso, Emoções Gargalhada, desespero,
Frieza, sem emoções equilibradas, sem pranto, dor
Emoções
Impassibilidade excessos, tristeza
esperançosa
Com movimentos Muito movimento,
Movimento Sem movimento
equilibrados agitadas pelo vento
Proporcionais (7-8
Altura Desproporcionalmente altas Muito baixas
cabeças)
Gótico Primitivo Gótico Radiante Gótico Flamejante
In corde Iesu,
André Palma.
Bibliografia:
- Simson, Otto Von “A Catedral Gótica”, Lisboa – Editorial Presença - 1991
- Cali, François / Moulinier, Serge “L’Ordre Ogival” – Paris – B. Arthaud - 1963
- Cali, François “L’Ordre Flamboyant” – Paris – B. Arthaud - 1967
- Focillon, Henri “Arte do Ocidnte” – Lisboa – Editoral Estampa - 1993
- Panofsky, Erwin “Arquitetura Gótica e Escolástica” – São Paulo – M. Fontes - 1991
- Cosse, Jean “Initiation à l’art dês cathédrales” – Auxerre – Zodiaque - 1999
- Fedeli, Orlando – “Filosofia e Escultura na Idade Média” publicado no jornal Veritas, 1992.