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Questões Sociológicas: Weber e Durkheim

I. O documento apresenta questões sobre sociologia, abordando temas como os principais fatos históricos que propiciaram o surgimento da sociologia, como a Revolução Industrial e a Revolução Francesa, além de conceitos de autores como Durkheim e Weber. II. As questões discutem a relação entre a Revolução Industrial e o surgimento da sociologia, focando nos problemas gerados pelo novo contexto social e urbano da época. III. Um poema é apresentado, possivelmente para discutir mudanças sociais a partir da perspectiva

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Questões Sociológicas: Weber e Durkheim

I. O documento apresenta questões sobre sociologia, abordando temas como os principais fatos históricos que propiciaram o surgimento da sociologia, como a Revolução Industrial e a Revolução Francesa, além de conceitos de autores como Durkheim e Weber. II. As questões discutem a relação entre a Revolução Industrial e o surgimento da sociologia, focando nos problemas gerados pelo novo contexto social e urbano da época. III. Um poema é apresentado, possivelmente para discutir mudanças sociais a partir da perspectiva

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SOCIOLOGIA – MOCELLIN – AULA Nº 01

TESTES
01. (FGV – SP) – Analise os fragmentos a seguir. c) Os primeiros intelectuais interessados no estudo
I. Explica o mundo moderno pela racionalização, dos fenômenos provocados pela revolução in-
considerada a essência da atividade social e dustrial compartilhavam uma perspectiva positiva
pautada em dois tipos ideais de racionalidade: sobre os efeitos do desenvolvimento econômico
a ação racional com relação a valores e a ação baseado no modelo capitalista. 
racional com relação a fins.
d) Os conflitos entre capital e trabalho, potencializa-
II. Funda uma nova ciência dos fatos sociais e
dos pela concentração dos operários nas fábri-
suas leis, possuidora de um método próprio,
cas, foram tema de pesquisa dos precursores da
que estuda os modos de socialização como,
por exemplo, a passagem de uma solidariedade sociologia e continuam inspirando debates cien-
mecânica para uma solidariedade orgânica. tíficos relevantes na atualidade.   
Os fragmentos identificam duas linhagens concei- e) A necessidade de controle da força de trabalho
tuais da reflexão sociológica e estão referidos, res- fez com que as fábricas e indústrias do século
pectivamente, a: XIX inserissem sociólogos em seus quadros pro-
fissionais para atuarem no desenvolvimento de
a) Comte e Durkheim.
modelos de gestão mais eficientes e produtivos.
b) Marx e Weber.
c) Weber e Durkheim. 04. De acordo com Émile Durkheim, os fatos sociais
d) Simmel e Marx. são características que moldam o comportamento
dos indivíduos em sociedade. Os fatos sociais são
e) Comte e Simmel.
definidos pelo autor como sendo:
02. (UFMA) – Os principais fatos histórico-sociais que a) Exteriores ao indivíduo, expressivos e generali-
propiciaram o surgimento da sociologia foram: zados.
a) a Revolução dos cravos em Portugal e a Revolu-
b) Generalizados, expressivos e naturais.
ção Moçambicana.
c) Exteriores ao indivíduo, coercitivos e generaliza-
b) a Revolução Industrial e a Revolução Francesa.
dos.
c) a Revolução Russa e a Revolução Chinesa.
d) Coercitivos, naturais e expressivos.
d) a Revolução Mexicana e a Revolução Nicara-
guense. 05. A sociologia, para Durkheim, deveria ocupar-se do
e) a Revolução Cubana e a Revolução Chinesa. estudo das sociedades no intuito de:
03. (UEM – PR) – Sobre a relação entre a revolução in- a) Conhecer a fundo o ser humano e suas diversas
dustrial e o surgimento da sociologia como ciência, facetas perante a sua interação com o outro, prio-
assinale o que for correto. rizando sua individualidade.
a) A consolidação do modelo econômico baseado na b) Entender a fundo os processos sociais que for-
indústria conduziu a uma grande concentração da mam a realidade social do Homem, atentando
população no ambiente urbano, o qual acabou se principalmente aos aspectos gerais, e não aos
constituindo em laboratório para o trabalho de in- individuais.
telectuais interessados no estudo dos problemas
c) Descobrir e tratar todos os males humanos que
que essa nova realidade social gerava. 
afligem a sociedade, tendo como objetivo a for-
b) A migração de grandes contingentes populacio-
mação de uma raça humana perfeita.
nais do campo para as cidades gerou uma série
de problemas modernos, que passaram a de- d) A criação de uma seita científica, com o objetivo
mandar investigações visando à sua resolução de construir o verdadeiro conhecimento em bus-
ou minimização.  ca da perfeição humana.

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AULA 01

06. (UEL – PR) – Weber compreende a cidade como 08. (UEL – PR) – Ao contrário de outros pensadores
uma expressão tipicamente ligada à racionalidade sociológicos anteriores, Weber acreditava que a
ocidental. Com base nos conhecimentos da sociolo- Sociologia deveria se concentrar na ação social e
gia weberiana sobre a racionalidade ocidental, con- não nas estruturas. 
sidere as afirmativas a seguir.  GIDDENS, Anthony. Sociologia. [Link]. Porto Alegre: Art-
I. A compreensão da cidade ocidental moderna é med, 2005. p. 33.
possível quando se considera uma sequência
De acordo com esta assertiva, Weber considera
causal universal na história. 
que:
II. A existência do capitalismo como sociedade es-
pecífica do mundo ocidental moderno explica o a) as ideias, os valores e as crenças têm o poder de
surgimento das cidades.  ocasionar transformações. 
III. A explicação da cidade no Ocidente exige com- b) o conflito de classes é o fator mais relevante para
preender a existência de diferentes formas do a mudança social. 
poder e da dominação. 
c) as estruturas existem externamente ou indepen-
IV. Um dos traços fundamentais da cidade no Oci- dentemente dos indivíduos. 
dente é a constituição de um corpo burocrático
administrativo regular.  d) os fatores econômicos são os mais importantes
para as transformações sociais. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.  09. (UFU – MG) – Em artigo intitulado “Clientelismo ain-
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.  da domina política no interior do Brasil”, da BBC,
de 27 de outubro de 2002, o jornalista Paulo Cabral
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. 
desenha o painel de parte da política nacional. Ele
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.  destaca que, em comício de uma certa deputada,
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.  um grande churrasco foi oferecido para os eleitores
de uma vila: “Sob um sol escaldante, um caminhão
07. (UEL – PR) – Leia o texto a seguir. Antigamente
nem em sonho existia tantas pontes sobre os rios, de som tocava o jingle – forró da candidata a todo o
nem asfalto nas estradas. Mas hoje em dia tudo é volume, a população sentia o cheiro da carne sendo
muito diferente com o progresso nossa gente nem assada trancada dentro de uma casa. Comida, só
sequer faz uma ideia.  quando chegasse a candidata”. 
Tenho saudade de rever nas currutelas as moci- A relação descrita entre os eleitores e a candidata
nhas nas janelas acenando uma flor. Por tudo isso aproxima-se, na matriz teórica weberiana, de um
eu lamento e confesso que a marcha do progresso tipo puro de relação de dominação, uma vez que: 
é a minha grande dor. Cada jamanta que eu vejo
carregada transportando uma boiada me aperta o a) inscreve-se como relação de poder em que a
coração. E quando olho minha traia pendurada de candidata aproveita-se de uma probabilidade de
tristeza dou risada pra não chorar de paixão.  impor sua vontade, ainda que sem legitimidade. 
(Adaptado de: Nonô Basílio e Índio Vago. Mágoa de Boiadeiro.)  b) estabelece-se, retirando das relações os elemen-
O texto aproxima-se sociologicamente da leitura tos não racionais, isto é, em evidente processo
teórica de: de desencantamento do mundo. 
a) Comte, que defende a necessidade de formas c) sua natureza remonta uma tradição inimagina-
tradicionais de vida em detrimento da desilusão velmente antiga e conduz ou orienta a ação habi-
do progresso.  tual do eleitor para o conformismo. 
b) Durkheim, que analisa o progresso como ele- d) expõe características típicas das formas caris-
mento desagregador da vida social ao provocar máticas de dominação, demonstrada pelo dom
o enfraquecimento das instituições. 
da graça extraordinário e pessoal manifesto nas
c) Marx, que condena o desenvolvimento das for- práticas clientelistas. 
ças produtivas por seus efeitos alienantes sobre
o homem. 
d) Spencer, que tem uma leitura romântica da socie-
dade e vê o passado como mais rico culturalmente. 
e) Weber, para quem a modernização e a racionalização
é acompanhada pelo desencantamento do mundo. 
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AULA 01

10. (UNIOESTE – PR) – A Sociologia de Max Weber 11. (UEL – PR) – No final de 2000 o jornalista Scott Miller
é considerada uma ciência compreensiva e publicou um artigo no The Wall Street Journal, re-
explicativa. Na sua concepção, compete ao produzido no Estado de S. Paulo (13 dez. 2000),
sociólogo compreender e interpretar a ação dos com o título “Regalia para empregados compro-
indivíduos, assim como os valores pelos quais os mete os lucros da Volks na Alemanha”. No artigo
indivíduos compreendem suas próprias intenções ele afirma: “A Volkswagen vende cinco vezes mais
pela introspecção ou pela interpretação da conduta automóveis do que a BMW, mas vale menos no
de outros indivíduos. mercado do que a rival. Para saber por que, é pre-
ciso pegar um operário típico da montadora alemã.
Sobre a sociologia compreensiva de Max Weber, é Klaus Seifert é um veterano da casa. Cabelo gri-
correto afirmar que  salho, Seifert é um planejador eletrônico de currí-
a) segundo o método da sociologia compreensiva culo impecável. Sua filha trabalha na montadora e,
de Max Weber, há uma ênfase metodológica so- nas horas vagas, o pai dá aulas de segurança no
bre a sociedade como a unidade inicial da expli- trânsito em escolas vizinhas. Mas Seifert tem, ain-
cação para se chegar a significados objetivos de da, uma bela estabilidade no emprego. Ganha mais
ação social.  de 100 mil marcos por ano (51.125 euros), embora
trabalhe apenas 7 horas e meia por dia, quatro dias
b) na sociologia compreensiva de Max Weber, a por semana. ‘Sei que falam que somos caros e in-
primeira tarefa da sociologia é reformar a socie- flexíveis’, protesta o alemão durante o almoço no
dade ou gerar algum tipo de teoria revolucioná- refeitório da sede da Volkswagen AG. ‘Mas o que
ria. Weber herda efetivamente um ponto de vis- ninguém entende é que produzimos veículos muito
ta sociológico compreensivo imputado à escola bons.’ E quanto a lucros muito bons?”
marxista.  A relação entre lucro capitalista e remuneração da
c) para Max Weber, a sociologia está voltada uni- força de trabalho pode ser abordada a partir do con-
camente para a compreensão dos fenômenos ceito de mais-valia, definido como aquele “valor pro-
sociais. Na sociologia compreensiva, o homem duzido pelo trabalhador [e] que é apropriado pelo
não consegue compreender as intenções dos capitalista sem que um equivalente seja dado em
outros em termos de suas intenções professa- troca.”
das.  (BOTTOMORE, Tom. Dicionário do pensamento marxista.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. p. 227).
d) no método compreensivo de Weber, os fenôme-
nos sociais são considerados como a simples Com o intuito de ampliar a taxa de extração de
expressão de causas exteriores que se impõem mais-valia absoluta, qual seria a medida imediata
aos indivíduos. Weber define a sociologia com- mais adequada a ser tomada por uma empresa de
automóveis?
preensiva em termos de fatos sociais e não em
termos de atividade ou ação.  a) Aumentar o número de veículos vendidos.
e) Max Weber entende por sociologia compreen- b) Transferir sua fábrica para regiões cuja força de
siva uma ciência que se propõe a compreender trabalho seja altamente qualificada.
a atividade social e, deste modo, explicar cau- c) Incrementar a produtividade por meio da automa-
salmente seu desenrolar e seus efeitos. Para tização dos processos de produção.
explicar o mundo social, importa compreender d) Ampliar os gastos com o capital constante, ou
também a ação dos seres humanos do ponto de seja, o valor dispendido em meios de produção.
vista do sentido e dos valores.  e) Intensificar a produtividade da força de trabalho
sem novos investimentos de capital.

3
AULA 01

12. (UFG – GO) – A respeito do materialismo histórico 14. (UFSJ – MG) – Para Caio Prado Jr., A observação
de Karl Marx, verifica-se que é uma de Engels: “O núcleo que encerra as verdadeiras
a) concepção que considera que a matéria é a ori- descobertas de Hegel… o método dialético na sua
gem do universo e da sociedade, e que ela muda forma simples em que é a única forma justa do de-
historicamente transformando o homem e a natu- senvolvimento do pensamento”, revela
reza, sendo por isso que Marx intitulou essa con- a) a herança da dialética hegeliana assumida por
cepção com a junção das palavras materialismo Karl Marx.
e história.
b) a filosofia de Marx com sua herança escolástica
b) teoria da história que analisa o processo real e partilhada por Hegel.
concreto, enfatizando o modo de produção e re-
produção dos bens materiais necessários para c) a perspectiva dialética do Homem, que permite
a sobrevivência humana e que passa a ser de- considerá-lo capaz de conceituar termos científi-
terminada pela luta de classes em determinadas cos no aspecto ou feição do Universo.
sociedades. d) o tema central da filosofia, a saber, o desenvolvi-
c) concepção da história que defende que o proces- mento da dialética do ser humano, fator determi-
so histórico é determinado exclusivamente pelos nante do existencialismo contemporâneo.
interesses econômicos e materiais, sendo devido
a isso que Marx atribuiu o nome “materialismo” à 15. (UNESP – SP) – A condição essencial da existên-
sua concepção em oposição ao “idealismo”, que cia e da supremacia da classe burguesa é a acu-
defende que as pessoas perseguem seus ideais. mulação da riqueza nas mãos dos particulares, a
d) concepção historicista que compreende que a formação e o crescimento do capital; a condição
única ideologia válida é o materialismo origina- de existência do capital é o trabalho assalariado.
do com o iluminismo e aperfeiçoado por Augusto […] O desenvolvimento da grande indústria soca-
Comte, sendo a divergência de Marx com esses va o terreno em que a burguesia assentou o seu
antecessores apenas política, já que ele propu- regime de produção e de apropriação dos produ-
nha uma concepção revolucionária diferente- tos. A burguesia produz, sobretudo, seus próprios
mente deles. coveiros. Sua queda e a vitória do proletariado são
igualmente inevitáveis.
13. (UFG – GO) – Em sua 11.a tese sobre Feuerbach, Karl (Karl Marx e Friedrich Engels. “Manifesto Comunista”.
Marx (1818 – 1883) afirma que “Os Filósofos até hoje
Obras escolhidas, vol. 1, s/d.)
interpretaram o mundo, cabe agora transformá-lo”.
Muitos marxistas interpretaram mal a frase de Marx Entre as características do pensamento marxista, é
e abandonaram livros, teoria e partiram para a práti- correto citar
ca, negligenciando o significado da noção de práxis a) a caracterização da sociedade capitalista como
em Marx. Nesse sentido, tem-se que
jurídica e socialmente igualitária.
a) a tese marxista estimulava a prática e não a teo-
b) o princípio de que a história é movida pela luta de
ria, já que a ideia de práxis privilegia o fazer em
classes e a defesa da revolução proletária.
detrimento do pensar, o que levaria à condena-
ção da filosofia como teoria pura. c) a celebração do triunfo da revolução proletária
b) a noção de práxis em Marx exige que a filosofia europeia e o desconsolo perante o avanço im-
sempre permaneça nos limites do conhecimento perialista.
teórico, pois a práxis humana deve ser conduzida d) o temor perante a ascensão da burguesia e o
por peritos técnicos e não por filósofos. apoio à internacionalização do modelo soviético.
c) a tese marxista criticava a filosofia por não favore- e) o reconhecimento da importância do trabalho da
cer uma práxis revolucionária na qual toda prática burguesia na construção de uma ordem social-
suscita a reflexão, que por sua vez vai incidir sobre mente justa.
a prática reorientando uma ação transformadora.
d) a ideia de práxis em Marx foi desvirtuada por
aqueles que não perceberam que existe uma
ruptura entre teoria e prática, e que o trabalho
intelectual deve prevalecer sobre o trabalho ma-
nual.

4
AULA 01

GABARITO
01. c 06. c 11. e
02. b 07. e 12. b
03. a 08. a 13. c
04. c 09. c 14. a
05. b 10. e 15. b

5
SOCIOLOGIA – ROGÉRIO – AULA Nº 02

TESTES
01. Há outras razões fortes para promover a participa- 03. Fala-se muito nos dias de hoje em direitos do ho-
ção da população em eleições. Grande parte dela, mem. Pois bem: foi no século XVIII — em 1789,
particularmente os mais pobres, esteve sempre ali- precisamente — que uma Assembleia Constituinte
jada do processo eleitoral no Brasil, não somente produziu e proclamou em Paris a Declaração dos Di-
nos períodos ditatoriais, mas também nos demo- reitos do Homem e do Cidadão. Essa Declaração se
cráticos. Na eleição de 1933, por exemplo, apenas impôs como necessária para um grupo de revolucio-
3,3% da população do país votaram. Em 1945, com nários, por ter sido preparada por uma mudança no
a volta da democracia, foram parcos 13,4%. Em plano das ideias e das mentalidades: o Iluminismo.
1962, só 20% dos brasileiros foram às urnas. FORTES, L. R. S. O Iluminismo e os reis filósofos. São Pau-
KERCHE, F.; FERES JR., J. Um nobre dever. Revista de lo: Brasiliense, 1981 (adaptado).
História da Biblioteca Nacional, n. 109, out. 2014. Correlacionando temporalidades históricas, o texto
O baixo índice de participação popular em eleições apresenta uma concepção de pensamento que tem
nos períodos mencionados ocorria em função da como uma de suas bases a

a) adoção do voto facultativo. a) modernização da educação escolar.


b) atualização da disciplina moral cristã.
b) exclusão do sufrágio feminino.
c) divulgação de costumes aristocráticos.
c) interdição das pessoas analfabetas.
d) socialização do conhecimento científico.
d) exigência da comprovação de renda.
e) universalização do princípio da igualdade civil.
e) influência dos interesses das oligarquias.
04. IDENTIDADE (1992)
02. Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão
– 1789 Elevador é quase um templo
Os representantes do povo francês, tendo em vis- Exemplo pra minar teu sono
ta que a ignorância, o esquecimento ou o despre- Sai desse compromisso
zo dos direitos do homem são as únicas causas
Não vai no de serviço
dos males públicos e da corrupção dos governos,
resolveram declarar solenemente os direitos natu- Se o social tem dono, não vai...
rais, inalienáveis e sagrados do homem, a fim de
que esta declaração, sempre presente em todos os Quem cede a vez não quer vitória
membros do corpo social, lhes lembre permanen- Somos herança da memória
temente seus direitos e seus deveres; a fim de que Temos a cor da noite
as reivindicações dos cidadãos, fundadas em prin- Filhos de todo açoite
cípios simples e incontestáveis, se dirijam sempre Fato real de nossa história
à conservação da Constituição e à felicidade geral.
Disponível em: [Link]. Se o preto de alma branca pra você
Acesso em: 7 jun. 2018 (adaptado). É o exemplo da dignidade
Esse documento, elaborado no contexto da Revolu- Não nos ajuda, só nos faz sofrer
ção Francesa, reflete uma profunda mudança social Nem resgata nossa identidade
ao estabelecer a JORGE ARAGÃO
a) manutenção das terras comunais. [Link]

b) supressão do poder constituinte. A metáfora “preto de alma branca” é criticada na le-


tra da canção por estar associada a um contexto de:
c) falência da sociedade burguesa.
d) paridade do tratamento jurídico. a) intolerância cultural
e) abolição dos partidos políticos. b) desigualdade étnica
c) discriminação política
d) hierarquia econômica

1
AULA 02

05. Declaração de Salamanca – 1994 07. Numa democracia representativa, como é o Brasil,
o direito de votar para escolha dos governantes,
Acreditamos e proclamamos que: toda crian- que irão ocupar os cargos do Executivo e do Legis-
ça tem direito fundamental à educação e deve ser lativo, é um dos direitos fundamentais da cidadania.
dada a oportunidade de atingir e manter o nível ade- Na impossibilidade de participação direta do povo
quado de aprendizagem; toda criança possui carac- nas decisões que deverão ser tomadas a respeito
terísticas, interesses, habilidades e necessidades de questões da máxima relevância para o interes-
de aprendizagem que são únicas; sistemas educa- se público, a escolha de representantes para o de-
cionais deveriam ser designados e programas edu- sempenho dessas tarefas foi o caminho encontrado
cacionais deveriam ser implementados no sentido para que as opções reflitam a vontade do povo.
de se levar em conta a vasta diversidade de tais
DALLARI, D. Em busca da democracia representativa. Dis-
características e necessidades. ponível em: [Link].
Disponível em: [Link] Acesso em: 2 fev. 2015.
Acesso em: 4 out. 2015. Na perspectiva apontada no texto, a consolidação
Como signatário da Declaração citada, o Brasil da democracia no Brasil baseia-se na representa-
comprometeu-se com a elaboração de políticas pú- ção popular por meio dos(as)
blicas educacionais que contemplem a
a) fóruns sociais.
a) criação de privilégios. b) partidos políticos.
b) contenção dos gastos. c) conselhos federais.
c) pluralidade dos sujeitos. d) entidades de classe.
d) padronização do currículo. e) organizações não governamentais.
e) valorização da meritocracia.
08. Na maior parte da América Latina, os museus sur-
06. Sendo função social antes que direito, o voto era giram no século passado, fundados com a intenção
concedido àqueles a quem a sociedade julgava de “civilizar”, ou seja, de trazer para o Novo Mundo
poder confiar sua preservação. No Império, como os padrões científicos e culturais das nações colo-
na República, foram excluídos os pobres (seja pela nizadoras. Os museus seriam, dessa forma, insti-
renda, seja pela exigência de alfabetização), os tuições transplantadas, criadas dentro dos ideais
mendigos, as mulheres, os menores de idade, os positivistas de progresso. Não por acaso, ficaram,
praças de pré, os membros de ordens religiosas. em sua maior parte, sujeitos aos moldes clássicos,
CARVALHO, J. M. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a a partir da valorização de aspectos da cultura eru-
República que não foi. São Paulo: Cia. das Letras, 1996. dita, fortemente associados à elite. Era necessário,
pois, assumir uma função social de maior alcance e
A restrição à participação eleitoral mencionada no ocupar um espaço relevante, capaz de atrair grande
texto visava assegurar o poder político aos(às) quantidade de público.
a) assalariados urbanos. BARRETO, M. Turismo e legado cultural. Campinas: Papi-
rus, 2002 (adaptado).
b) oligarquias regionais.
A transformação de um número cada vez mais ex-
c) empresários industriais. pressivo de museus latino-americanos em espaços
d) profissionais liberais. destinados a atividades lúdicas e reflexivas está as-
e) círculos militares. sociada ao rompimento com o(a)
a) ideal de educação tradicional.
b) utilização de novas tecnologias.
c) modelo de atrações segmentadas.
d) participação do setor empresarial.
e) resgate de sentimentos nacionalistas.

2
AULA 02

09. A favela é vista como um lugar sem ordem, capaz de Estes fragmentos expressam a cidadania como um
ameaçar os que nela não se incluem. Atribuir-lhe a dos vários direitos civis, os quais têm seus sentidos
ideia de perigo é o mesmo que reafirmar os valores e seus significados interpretados, de acordo com o
e estruturas da sociedade que busca viver diferente- contexto em que se aplica.
mente do que se considera viver na favela. Alguns
O conceito de Cidadania é
oficiantes do direito, ao defenderem ou acusarem
réus moradores de favelas, usam em seus discursos a) identidades pessoal e civil que possibilitam o au-
representações previamente formuladas pela socie- todesenvolvimento em relação ao mundo circun-
dade e incorporadas nesse campo profissional. Suas dante.
falas se fundamentam nas representações inventa- b) processo humano e seus múltiplos valores que
das a respeito da favela e que acabam por marcar a permeiam o modo de vida característico de um
identidade dos indivíduos que nela residem. determinado grupo social.
RINALDI, A. Marginais, delinquentes e vítimas: um estudo
c) Status concedido àqueles que são membros inte-
sobre a representação da categoria favelado no tribunal do júri da
cidade do Rio de Janeiro. In: ZALUAR, A.; ALVITO, M. (Orgs.). grais de uma comunidade. Todos são iguais com
Um século de favela. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1998. respeito aos direitos e às obrigações pertinentes
ao status.
O estigma apontado no texto tem como consequên-
cia o(a) d) classe social que assegura direitos especiais a
seus membros constituintes e não admite per-
a) aumento da impunidade criminal. tencimento a qualquer outro indivíduo de outra
b) enfraquecimento dos direitos civis. estirpe.
c) distorção na representação política. e) categoria política que expressa as singularida-
d) crescimento dos índices de criminalidade. des de um determinado grupo social identificado
a partir de seu nascimento.
e) ineficiência das medidas socioeducativas.
11. Em certas sociedades, o sistema de alianças, que
10. Cidadania diz respeito a direitos e a deveres dos
fundamenta as relações de parentesco sobre as
membros do Estado. É um termo polissêmico, per-
quais a comunidade está organizada, exige que a
ceptível nos fragmentos da letra da música “Pacato
criança seja levada, ao nascer, à irmã do pai, que
cidadão”.
deverá responsabilizar-se pela vida e educação da
Oh! Pacato cidadão! criança. Em outras, o sistema de parentesco exige
Eu te chamei atenção que a criança seja entregue à irmã da mãe. Nos dois
casos, a relação da criança é estabelecida com a tia
Não foi à toa, não por aliança e não com a mãe biológica. Se assim é,
C’est fini la utopia como fica a afirmação de que as mulheres amam
Mas a guerra todo dia naturalmente os seus filhos e que é desnaturada a
Dia a dia, não... mulher que não demonstrar esse amor?
[...] CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Editora
Ática, 1997, p. 289.
Pra que tanta TV
Sobre a diversidade cultural, assinale a alternativa
Tanto tempo pra perder correta.
Qualquer coisa que se queira
a) A natureza humana é universal, tal como é ex-
Saber querer
presso no texto de Marilena Chauí.
Tudo bem, dissipação...
b) As regras sociais são inalteráveis.
[...]
c) Toda mãe ama naturalmente os seus filhos.
Pacato cidadão!
d) As relações de parentesco exercem grande in-
É o pacato da civilização fluência sobre a forma como a sociedade se re-
Pacato cidadão! presenta.
É o pacato da civilização [...] e) A biologia é a ciência, por excelência, da nature-
Samuel Rosa e Chico Amaral. “Pacato cidadão”. In: Calan- za humana. Isso porque é ela que estuda o ho-
go, Skank. Brasil: SM Publishing-Edições Musicais Ltda, 1994. mem destituído de linguagem.
3
AULA 02

12. Sobre a abordagem antropológica do conceito de cultura, assinale o que for correto.
a) A cultura resulta da capacidade humana de simbolizar e, portanto, é possível falar de uma diversidade de
culturas de acordo com o contexto social.
b) Etnocentrismo é o nome dado ao processo de aceitação da diversidade cultural, ao rejeitar a classificação das
diferentes culturas como superiores ou inferiores.
c) A cultura é expressão exclusivamente imaterial dos grupos humanos.
d) A cultura brasileira é predominante sobre os regionalismos e sofre pouca influência de estrangeiros e
imigrantes.
e) A antropologia cultural trabalha com o conceito de cultura relacionado ao conjunto de conhecimentos adquiri-
dos intelectu almente ao longo da vida estudantil e profissional do indivíduo.

GABARITO
01. c 05. c 09. b
02. d 06. b 10. c
03. e 07. b 11. d
04. b 08. a 12. a

4
SOCIOLOGIA – ROGÉRIO – AULA Nº 03
01. Cidadania e cidadão são palavras que vêm do latim “civitas”. O termo indicava a convivência das pessoas que
participavam das decisões sobre os rumos da sociedade.
Cotrim, Gilberto. 1955. História Global – Brasil e Geral. São Paulo: Saraiva, 2005. p. 81.

A história cumpre o papel de educar as novas gerações com concepções, ideias e informações consideradas
válidas, adequadas ou corretas, segundo consensos mínimos que vão se construindo nas gerações anteriores e
se legitimando ao longo do tempo. O conceito e a prática de cidadania são exemplos disso. Acerca do sentido atual
do conceito de cidadania e do papel da história na construção desse conceito, assinale a afirmativa correta.
a) Ao longo do século passado, através das mudanças sociopolíticas ocorridas principalmente no Brasil, o con-
ceito de cidadania se destituiu totalmente do sentido social, passando a ser um ato puramente individual.
b) Ser cidadão hoje é apenas estar em dia com suas obrigações eleitorais, mantendo-se informado sobre os pleitos
e os trâmites das eleições, já que a palavra cidadania é sinônimo de “política” enquanto forma de governo.
c) Na atual conjuntura, a partir de discussões constantes e uma educação mais intensa e democrática, o termo
cidadania ganha um sentido mais amplo de participação na vida social e, principalmente, de legitimidade de
direitos e deveres.
d) A partir dos conceitos históricos que vão sendo deflagrados a cada período e em cada cultura específica, o
conceito de cidadania perde o sentido inicial e passa a ser sinônimo de condição socioeconômica, ou seja, o
cidadão e quem detém poder.

02. A agenda escolar convida os alunos das escolas municipais do Recife à leitura mensal de trechos de poemas
dos 12 artistas agraciados com estátuas. Dessa maneira, esses alunos tiveram acesso, em cada mês do ano, as
informações sobre as personalidades retratadas no papel e no espaço público, lendo e discutindo seus versos e
visitando as esculturas instaladas estrategicamente no centro da cidade. Trata-se, em suma, de uma pedagogia
do espaço público que repousa no reconhecimento de personalidades e lugares simbólicos para a cidade. De
acordo com a prefeitura, o itinerário poético seria uma maneira de fazer reconhecer talentos que embelezam os
postais recifenses, além de estreitar laços do cidadão com a cultura.
MACIEL, C. A. A.; BARBOSA, D. T. Democracia, espaços públicos e imagens simbólicas da cidade do Recife. Espaços da democracia.
Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013
No texto, está descrita uma ação do poder público que coloca a paisagem como um fator capaz de contribuir
para a
a) inclusão das minorias reprimidas.
b) consolidação dos direitos políticos.
c) redução de desigualdades de renda.
d) construção do sentimento de pertencimento.
e) promoção do crescimento da economia.

03. Em escala, o negro é o negro retinto, o mulato já é o pardo e como tal meio branco, e se a pele é um pouco mais
clara, já passa a incorporar a comunidade branca. A forma desse racismo no Brasil decorre de uma situação
em que a mestiçagem não é punida, mas louvada. Com efeito, as uniões inter-raciais, aqui, nunca foram tidas
como crime ou pecado. Nós surgimos, efetivamente, do cruzamento de uns poucos brancos com multidões de
mulheres índias e negras.
RIBEIRO, D. O povo brasileiro: formação e sentido do Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 2004.
Considerando o argumento apresentado, a discriminação racial no Brasil tem como origem
a) identidades regionais.
b) segregação oficial.
c) vínculos matrimoniais.
d) traços fenotípicos.
e) status ocupacional.
1
AULA 03

04. Leia o texto a seguir.


Moldado pelo contexto social e cultural em que o ator se insere, o corpo é o vetor semântico pelo qual a evidên-
cia da relação com o mundo é construída: atividades perceptivas, mas também expressão dos sentimentos, ce-
rimoniais dos ritos de interação, conjunto de gestos e mímicas, produção da aparência, jogos sutis da sedução,
técnicas do corpo, exercícios físicos, relação com a cor, com o sofrimento etc.
LE BRETON, D. A sociologia do corpo. Petrópolis: Vozes, 2007. p. 7.
A tirinha e o texto evocam referências do lugar socialmente ocupado pelo corpo. O físico e a estética corporal
são temas da vida cotidiana na sociedade moderna e, enquanto tais, são suscetíveis de ressignificações, como
também de uma multiplicidade de representações.

Com base nos conhecimentos contemporâneos sobre o corpo e as corporalidades, produzidos pelas ciências
sociais, considere as afirmativas a seguir.
I. Os usos que homens e mulheres fazem de seu físico e a construção dos julgamentos sobre as aparências
dependem de um conjunto de sistemas simbólicos, cujas significações fundamentam a existência individual
e coletiva.
II. O processo de socialização da experiência corporal é uma condição social de homens e mulheres que se
conclui na adolescência, sendo este um momento final da formação identitária.
III. Nos anos 1960, a emergência dos novos sujeitos sociais produziu fortes críticas à importância social atribuída
aos corpos e representou um retorno às lutas materialistas, preocupadas com a estrutura econômica.
IV. Na sociedade atual, o poder é exercido por meio da produção de corpos dóceis, configurando, assim, as
sociedades disciplinares, tanto na dimensão econômica quanto na política.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

2
AULA 03

05. Defendo a liberdade de expressão irrestrita, mesmo depois desse trágico evento em que os cartunistas do jor-
nal satírico “Charlie Hebdo” foram mortos, além de outras pessoas em um mercado kosher, em Paris. [...] Sou
intransigente no que diz respeito à liberdade de expressão de cada um: e sou ainda mais intransigente quando
matam em nome de Alá, de Maomé, de Cristo, de comunismo, de nazismo, de fascismo etc. Caricaturar nunca
é crime. Caneta e lápis não matam. Exageram, humilham, fazem rir, mas não matam.
Gerald Thomas. “Quem ri por último ri melhor”. Folha de [Link], 17.01.2015.
O argumento defendido no texto está baseado na
a) valorização do caráter absoluto de todo tipo de simbologia teológica e religiosa.
b) primazia de princípios originalmente burgueses e liberais no campo da cultura.
c) utopia comunista da igualdade econômica e da liberdade de expressão.
d) depreciação do livre-arbítrio, em favor de uma concepção totalitária de mundo.
e) defesa intransigente de restrições para o exercício da autonomia de pensamento.

06.
TEXTO I
Responsabilidade pelas diferenças é da sociedade atual
Após o fim do mito da democracia racial, parece que se torna necessário romper com uma segunda lenda. A de
que as assimetrias de cor ou raça sejam decorrência direta do escravismo, findado há 120 anos.
Tal compreensão retira da sociedade do presente a responsabilidade pela construção de um quadro social
extremamente injusto gerado a cada instante, colocando tal fardo apenas nos ombros do distante passado. Nosso
racismo está embebido de uma forte associação entre cor da pele e uma condição social esperada ou desejada. Tal
correlação atua nos diversos momentos da vida social, econômica e institucional.
A leitura dos indicadores sociais decompostos pela variável cor ou raça expressa a dimensão de tais práticas
sociais inaceitáveis. Se os afrodescendentes se conformam com tal realidade, fica então ratificado o mito. Se não se
conformam, dizem os maus presságios: haverá ruptura de nossa paz social. O racismo e as assimetrias de cor ou
raça do presente não são produtos da escravidão, muito embora tenham sido vitais para o seu funcionamento. Em
sendo uma herança perpétua e acriticamente atual.
O que fazer para superar este legado? Este é o desafio de todos nós, habitantes deste sexto século brasileiro
que há pouco despertou.
Flávio Gomes e Marcelo Paixão. [Link]

TEXTO II
Quem foi quem disse que o samba tem / Origem lá no morro meu bem / O samba nasce em qualquer lugar / Não
dou exemplo pra não dar o que falar / Quando se tem ao lado um alguém / Com esse ritmo que é nosso também /
Fazer samba não é privilégio de ninguém.
Elza Soares: Teleco-teco.
A passagem do texto I que confirma a afirmativa contida no texto II é:
a) em sendo uma herança perpétua e acriticamente atualizada, o passado fez-se presente.
b) este é o desafio de todos nós, habitantes deste sexto século brasileiro que há pouco despertou.
c) nosso racismo está embebido de uma forte associação entre cor da pele e uma condição social esperada ou
desejada.
d) se os afrodescendentes se conformam com tal realidade, fica então ratificado o mito.
e) o escravismo não tivera nada de harmonioso, mas o sistema de dominação abria margens para infiltrações.

3
AULA 03

07. O texto a seguir aborda a troca de incentivos fiscais, característica dos acordos contratuais realizados pela Co-
missão Europeia e os Estados membros da União Europeia.
“Também conhecidos pelo nome de instrumentos de convergência e competitividade (ICC), os acordos con-
tratuais assentam sobre um princípio simples: em troca de incentivos financeiros, os Estados europeus seriam
convidados a assinar contratos de reforma macroeconômicas com a comissão. Esses compromissos abran-
geriam a área social, econômica ou fiscal, independentemente das competências das instituições europeias.
Assim, dadas as prioridades atuais da Comissão Europeia, podemos facilmente imaginar que a concessão de
‘benefícios financeiros‘ possa estar condicionada à supressão de medidas de proteção ao emprego, cortes nas
despesas sociais ou presentes fiscais para as empresas”.
Fonte: PANIER, Frédéric. Um golpe mortal no bem-estar social. In: Le Monde Diplomatique Brasil, n. 82.
Os acordos referidos no texto são feitos entre a Comissão Europeia e os Estados-Membros da União Europeia.
Esses acordos contratuais desestruturam o Estado de Bem-Estar Social porque, na perspectiva neoliberal,
a) as relações de trabalho são flexibilizadas e os direitos conquistados, reduzidos.
b) os governos empoderam-se em detrimento da força das empresas privadas transnacionais.
c) os movimentos sociais são protagonistas nas decisões sobre a política econômica nacional.
d) as empresas nacionais são fortalecidas frente às multinacionais e estas, enfraquecidas.
e) o mercado financeiro é enfraquecido e suas transações passam a ser controladas pelo governo.

08. Segundo Franz Boas, as pessoas diferem porque suas culturas diferem. De fato, é assim que deveríamos nos
referir a elas: a cultura esquimó ou a cultura judaica, e não a raça esquimó ou a raça judaica. Apesar de toda a
ênfase que deu à cultura, Boas não era um relativista que acreditava que todas as culturas eram equivalentes,
nem um empirista que acreditava na tábula rasa. Ele considerava a civilização europeia superior às culturas
tribais, insistindo apenas em que todos os povos eram capazes de atingi-la. Não negava que devia existir uma
natureza humana universal ou que poderia haver diferenças entre as pessoas de um mesmo grupo étnico. O
que importava para ele era a ideia de que todos os grupos étnicos são dotados das mesmas capacidades men-
tais básicas.
Steven Pinker. Tábula rasa: a negação contemporânea da natureza humana, 2004. Adaptado.
Considerando o texto, é correto afirmar que, de acordo com o antropologo Franz Boas,
a) os critérios para comparação entre as culturas são inteiramente relativos.
b) a vida em estado de natureza é superior à vida civilizada.
c) as diferenças culturais podem ser avaliadas por critérios universalistas.
d) as diferenças entre as culturas são biologicamente condicionadas.
e) o progresso cultural é uma ilusão etnocêntrica europeia.

4
AULA 03

09. A história do século XX apresenta outros conflitos de interesses que vão além da divisão da sociedade em
classes: conflitos entre homens e mulheres, entre adultos e jovens, entre heterossexuais e homossexuais, entre
brancos e não brancos e/ou minorias étnicas.
OLIVEIRA, L. F.; COSTA, R. C. R. Sociologia para jovens do século XXI. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2007, p.115-116.
Atualmente, no Brasil, existe um número significativo de grupos, que reivindicam direitos sociais e políticos
importantes para a formação de cidadania, identidade e pertencimento no contexto nacional.
Com base nas desigualdades apresentadas no texto e nas reflexões sobre os grupos sociais que as vivenciam,
assinale a alternativa CORRETA.
a) A opressão sofrida pelas mulheres é conhecida como desigualdade de gênero. Ela se refere às normas so-
ciais que são aceitas pelas mulheres como forma de reconhecimento do seu papel transformador das condi-
ções sociais desiguais.
b) A homossexualidade é representada no Brasil como um desvio de conduta e, por isso, deve ser tratada como
doença psíquica e social. Para isso, há no país leis que garantem a intervenção médica de indivíduos que
apresentam traços do comportamento homossexual.
c) O racismo no Brasil é considerado pelos sociólogos como um preconceito disfarçado. Assim, as piadas, brin-
cadeiras e frases de duplo sentido com relação a grupos étnicos são consideradas formas sutis de racismo.
d) Os conflitos entre adultos e jovens têm como base as vivências socioculturais. Todavia um fator fundamental
para formação e manutenção desses conflitos é a diferença financeira, pois os jovens recebem menos que
os adultos na sua vida profissional.
e) “A marcha das vadias” é um movimento social, que tem como objetivo conscientizar a sociedade acerca da
opressão que as mulheres vivenciam diariamente. Isso representa um avanço, pois todas as reivindicações
do movimento são aceitas e acatadas imediatamente pelas instituições sociais como forma de melhorar a
condição das mulheres.

10. No Brasil, o futebol conquistou adeptos na incipiente classe trabalhadora do Rio de Janeiro, o que levou alguns
intelectuais a condená-lo. O escritor mulato Lima Barreto, por exemplo, foi um dos organizadores da Liga Contra
o Futebol. Mais tarde, o romancista Graciliano Ramos também iria questionar o esporte bretão, dizendo que o
futebol não iria conquistar o sertão. Já o escritor Coelho Neto, figurão bem situado na sociedade carioca, não
só foi entusiasta do futebol como dois de seus filhos, Mano e Preguinho, tornaram-se grandes jogadores. Ele
morava em frente ao campo do Fluminense e virou torcedor desvairado de um clube que não aceitava negros
em seu time.
[Link]
Leia e analise as afirmações abaixo:
I. De acordo com o texto acima, o futebol no Brasil era praticado por todas as classes sociais e em todos os
recantos.
II. Infere-se do texto acima, que o futebol moderno tem suas origens na Ásia.
III. Considerando o texto acima, inicialmente, havia restrições da inclusão de afrodescentes nos clubes de
futebol no Brasil.
IV. As relações entre Estado e futebol sempre foram nebulosas, muito especialmente nos Estados autoritários,
o que, porém, não equivale a dizer que dirigentes eleitos democraticamente também não tenham procurado
se apropriar do prestígio que o esporte oferece.
Assinale a alternativa CORRETA.
a) Apenas as afirmações III e IV são verdadeiras.
b) Apenas a afirmação I é verdadeira.
c) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras.
d) Apenas as afirmações II e III são verdadeiras.
e) Todas as afirmações são verdadeiras.

5
AULA 03

11. No sistema democrático de Schumpeter, os únicos participantes plenos são os membros de elites políticas em
partidos e em instituições públicas. O papel dos cidadãos ordinários é não apenas altamente limitado, mas
frequentemente retratado como uma intrusão indesejada no funcionamento tranquilo do processo “público” de
tomada de decisões.
HELD, D. Modelos de democracia. Belo Horizonte: Paideia, 1987.
O modelo de sistema democrático apresentado pelo texto pressupõe a
a) consolidação da racionalidade comunicativa.
b) adoção dos institutos do plebiscito e do referendo.
c) condução de debates entre cidadãos iguais e o Estado.
d) substituição da dinâmica representativa pela cívico-participativa.
e) deliberação dos líderes políticos com restrição da participação das massas.

12. Mama África


A minha mãe é mãe solteira
E tem que fazer mamadeira
Todo dia
Além de trabalhar
Como empacotadeira
Nas Casas Bahia
Mama África – Chico César (Adaptado)

O trecho da canção Mama África, de Chico César, apresentado acima, faz referência à posição da mulher negra
na sociedade brasileira. Considerando os estudos sobre o negro no Brasil, assinale a alternativa INCORRETA.
a) Depois de séculos de escravidão, o negro no Brasil ainda vive uma situação de preconceito, discriminação e
marginalização.
b) É mais difícil um negro pobre ascender socialmente do que um branco pobre.
c) As políticas de cotas raciais têm procurado contrabalancear a herança histórica de marginalização do negro
na sociedade brasileira.
d) Devido à sua constituição física, os negros demonstram ser mais aptos a trabalhos robustos (como esportes
de luta ou corrida), manuais (trabalhos artesanais) ou artísticos (como dança e música) do que os brancos.
e) A violência simbólica sofrida pelos negros faz com que muitas pessoas internalizem normas e preconceitos
racistas, agindo e pensando, ainda que involuntariamente, de forma pejorativa a respeito do negro.

6
AULA 03

GABARITO
01. c 05. b 09. c
02. d 06. c 10. a
03. d 07. a 11. e
04. b 08. c 12. d

7
SOCIOLOGIA – ROGÉRIO – AULA Nº 04
01. O povo que exerce o poder não é sempre o mesmo povo sobre quem o poder é exercido, e o falado self-government
[autogoverno] não é o governo de cada qual por si mesmo, mas o de cada qual por todo o resto. Ademais, a von-
tade do povo significa praticamente a vontade da mais numerosa e ativa parte do povo – a maioria, ou aqueles
que logram êxito em se fazerem aceitar como a maioria.
MILL, J. S. Sobre a liberdade. Petrópolis: Vozes, 1991 (adaptado).
No que tange à participação popular no governo, a origem da preocupação enunciada no texto encontra-se na
a) conquista do sufrágio universal.
b) criação do regime parlamentarista.
c) institucionalização do voto feminino.
d) decadência das monarquias hereditárias.
e) consolidação da democracia representativa.

02. Analise as imagens a seguir.


Figura 1 Figura 2

AUTOR DESCONHECIDO. Retrato AUTOR


da DESCONHECIDO. Retrato
Rainha Elizabeth (1600). Disponível
da em: <www.
Rainha Elizabeth (1600). Disponível em:
[Link]> Acesso em: 23 set. 2013.
<[Link]> Acesso em: 23 set. 2013.
RODRIGUES, Manuel Lopes. Alego-
ria da República (1896). In: CARVALHO, José
Murilo. A formação das almas. São Paulo:
Companhia das Letras, 1995. p. 85.

As pinturas se relacionam a distintas concepções de poder, uma absolutista e outra republicana, expressas nas
figuras 1 e 2
Figura 1 Figura 2
a) destacar a cruz no alto da coroa, reforçando a relacionar o modelo de feminilidade à laicização do Esta-
submissão do Estado ao poder religioso. do, projetando novos costumes.
b) explorar os símbolos monárquicos, caracteri- recorrer à saturação ornamental por meio dos símbolos,
zando uma estética barroca. apoiando-se na estética neoclássica.
c) associar a figura feminina à autoridade, insti- utilizar a personagem feminina como representação da
tuindo a rainha como mãe do Estado-nação. liberdade, expondo a emancipação das mulheres.
d) ostentar as joias da Coroa, expressando a eleger um vestuário modesto, estabelecendo correspon-
ascensão econômica da aristocracia feudal. dência entre República e simplicidade popular.
e) fundir a figura do governante ao Estado, con- personificar o regime político em uma figura anônima,
sagrando o poder do soberano. afirmando os princípios da soberania popular.

8
AULA 04

03. Leia o texto abaixo:


Brasil vive momento de ‘anomia’, diz FHC
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acredita que o Brasil vive um “momento de anomia” – estado
que se caracteriza pela ausência de regras – e que é preciso “botar ordem na casa”. “Há falta de sentido de
organização e autoridade. Em toda a parte”. Questionado sobre o que faria se estivesse no lugar do presidente
Michel Temer, FHC disse que “a essa altura, estaria considerando o futuro do Brasil e pensando bem: será que
eu tenho condições de governar?”. Na sequência, o tucano foi perguntado quanto tempo levaria para fazer essa
reflexão. “Não muito. As coisas vão variar com muita velocidade, vão se mover com muita rapidez, eu acho. Sem
julgar, mas em termos das condições do Brasil, estamos passando por um momento de... Vou falar em sociolo-
guês, mas é simples... De anomia.”
<[Link]

Considerando o contexto político apresentado na notícia acima, assinale a alternativa que apresenta, de forma
correta, uma interpretação sociológica do contexto brasileiro.
a) O Brasil vive em uma anomia pela pobreza e desnutrição de sua população.
b) Ao utilizar o conceito de anomia, Fernando Henrique Cardoso faz referência a uma corrente de pensamento
sociológico que tem origem no positivismo de Auguste Comte, que valoriza ideais como a ordem e o progresso.
c) Fernando Henrique Cardoso é um ex-presidente do Brasil, do PSDB. Sua análise da política tem como obje-
tivo evitar que Lula chegue ao poder nas próximas eleições.
d) Há uma clara intenção do ex-presidente de criticar o atual presidente, Michel Temer. Assim, Fernando Henri-
que demonstra que seu objetivo é assumir o país através de eleições indiretas.
e) Ao criticar a governabilidade de Michel Temer e defender o sentido de organização e autoridade, FHC de-
monstra que tem uma visão política baseada nas ideias de John Locke, ou seja, de que o homem é natural-
mente livre.

04. Em um governo que deriva sua legitimidade de eleições livres e regulares, a ativação de uma corrente comuni-
cativa entre a sociedade política e a civil é essencial e constitutiva, não apenas inevitável. As múltiplas fontes de
informação e as variadas formas de comunicação e influência que os cidadãos ativam através da mídia, movi-
mentos sociais e partidos políticos dão o tom da representação em uma sociedade democrática.
URBINATI, N. O que torna a representação democrática? Lua Nova, n. 67, 2006.

Esse papel exercido pelos meios de comunicação favorece uma transformação democrática em função do(a)
a) limitação dos gastos públicos.
b) interesse de grupos corporativos.
c) dissolução de conflitos ideológicos.
d) fortalecimento da participação popular.
e) autonomia dos órgãos governamentais.

9
AULA 04

05.

No dia 15 de março de 1985, a presidência da República no Brasil foi assumida por um civil após 21 anos de
governos militares. Nos trinta anos posteriores, houve um conjunto de mudanças destinadas a pôr fim às práti-
cas autoritárias até então vigentes.
A partir da análise do gráfico, a tendência observável na opinião pública resulta de uma nova conjuntura carac-
terizada por:
a) regularidade das eleições
b) extinção do unipartidarismo
c) fortalecimento do poder executivo
d) valorização da liberdade de expressão
06. Em seu texto, O Enfraquecimento da Sociedade Civil, Michael Hardt salienta que na obra de Michel Foucault, a
intermediação institucional que define a relação entre sociedade civil e Estado aparece em uma funcionalidade
totalmente projetada para fins autoritários e antidemocráticos. Foucault se refere às múltiplas formas de organi-
zação e produção de forças sociais pelo Estado que impedem que forças pluralistas e interesses da sociedade
civil se sobressaiam sobre o Estado.
Tendo em vista essa intermediação entre Estado e sociedade civil, assinale a alternativa que corresponda à
concepção foucaultiana de Estado.
a) Na concepção de Foucault, o Estado é considerado a fonte central das relações de poder na sociedade, cujo
controle exerce através da máquina burocrática.
b) Segundo Michel Foucault, o poder está limitado apenas ao âmbito do Estado, portanto, ele reconhece um
distanciamento teórico entre Estado e sociedade civil.
c) Para Michel Foucault, o Estado não detém o monopólio legítimo da força. Nesse sentido, podemos dizer que
o monopólio da força não é a condição necessária para a existência do Estado.
d) Michel Foucault prefere usar o termo Governo em lugar de Estado para indicar a multiplicidade e a imanência
pluralista das forças de estatização no interior do campo social. Para Foucault, a sociedade civil está fundada
na disciplina e na normatização.
e) Segundo Foucault, na sociedade disciplinar, há apenas Estado, pois ele pode ser concretamente isolado e
contrastado num plano separado da sociedade civil. O exercício do poder dá-se por intermédio de dispositivos
de poder organizados na sociedade civil.
10
AULA 04

07. Qual das alternativas abaixo corresponde à definição de Max Weber sobre o Estado Moderno?
a) Comitê executivo dos negócios de toda a burguesia.
b) Comunidade humana que, dentro dos limites de um determinado território, reivindica o monopólio da força
legítima.
c) Representante de uma das classes fundamentais.
d) Instrumento de dominação de uma classe sobre a outra.
e) Representante da burocracia pública.

08. Leia com atenção o texto de Bertold Brecht, “O analfabeto político”.

O pior analfabeto é o analfabeto político.


Ele não ouve, não fala.
Nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o
peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a
prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os
bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e
lacaio dos exploradores do povo.
[...]

Diante dessa triste constatação, deduz-se que o autor faz uma crítica à postura política de massa. Nesse senti-
do, assinale a opção errada sobre o sentido sociológico de política.
a) Processos, atos ou instituições que definem polemicamente uma ordem vinculadora da convivência que rea-
lize o bem público.
b) Meio através do qual o poder é utilizado, mantido e contestado para influenciar a natureza e o conteúdo das
atividades governamentais.
c) Habilidade pessoal ou de grupos para atingir objetivos ou ampliar os interesses que defendem. Permeia todas
as relações humanas.
d) Curso da ação, real ou pretendido, concebido e deliberadamente selecionado após uma revisão das alterna-
tivas possíveis, adotadas ou que se pretenda adotar.
e) Poder amplo e elástico atribuído ao governo para controlar indivíduos e grupos no uso de sua liberdade e
propriedade, a fim de proteger os interesses individuais.

11
AULA 04

09. No fragmento de texto abaixo, um importante jornalista da atualidade no Brasil, Luis Nassif, comenta, em seu
blog, a relação entre dois fenômenos importantes que explicam, em muito, as situações que resultam em atraso
do desenvolvimento brasileiro e controle político por parte das elites nacionais. Para fins de interpretação, resta
comentar que o autor tece, na passagem, uma crítica direta a um meio de comunicação presente em muitos dos
estados brasileiros. Vejamos:

“No discurso, seus analistas ignoram completamente as limitações do federalismo brasileiro, a política de
alianças – que garante a governabilidade –, a necessidade de pragmatismo político. Dividem o Brasil entre o su-
postamente país moderno (dos quais ELES são porta-vozes) e o Brasil anacrônico, dos Sarneys e companhia.
Aliás, é um contraponto salutar, para reduzir o poder de influência dos coronéis .... De onde emana o poder polí-
tico dos coronéis regionais? Em grande parte, do controle da mídia local. E esse poder deriva fundamentalmente
da política de alianças com as redes nacionais de rádio e TV.”
Fonte: [Link]

A crítica do jornalista se contextualiza em dois fenômenos importantes para compreender a situação de poder
no Brasil e no mundo de hoje. É importante ressaltar que esse poder deriva da aproximação e da aliança direta
entre grupos que estão no centro desses dois fenômenos, que são, segundo o fragmento de texto apresentado:
a) A força dos políticos e o controle da imprensa.
b) O poder político dos “coronéis” e dos órgãos de comunicação.
c) O controle das verbas públicas e a propaganda política.
d) O poder do discurso e das alianças entre os políticos.
e) Nenhuma das alternativas anteriores está correta.

10. O Estado tem sido definido como um conjunto de instituições políticas, jurídicas e administrativas com jurisdição
sobre a população de um país. Hegel sugeria que o estado seria uma criação racional, representando a “cole-
tividade social”.
Essa concepção foi rejeitada por Marx e Engels, que concebiam o Estado como:
a) Como curador da sociedade, ou seja, aquele que zela pelos interesses de outra pessoa ou instituição.
b) Um instrumento que molda a sociedade; ele existe antes da sociedade, ou seja, ele é não histórico, transcen-
de a sociedade.
c) Um instrumento capaz de manter a ordem natural da sociedade, colaborando para o bem comum de diferen-
tes classes sociais.
d) Um instrumento essencial de dominação popular, estando acima dos conflitos de classe, com interesses le-
gítimos de dominação comum.
e) Um instrumento que serve aos interesses da classe dominante em qualquer sociedade. Não é o Estado que
molda a sociedade, mas a sociedade que molda o Estado pelo modo de produção.

12
AULA 04

11. Soberania pode ser entendida como


I. o conceito político-jurídico que indica o poder de mando de última instância, em uma sociedade política.
II. o termo que aparece, na sua significação moderna, juntamente com o Estado, indicando, em sua plenitude,
o poder estatal.
III. a indicação da autoridade para fazer e alterar a lei, de acordo com as normas de um sistema jurídico, isto é,
fonte do exercício do poder legal e político.
IV. a condição do Estado Moderno que não é politicamente independente. Os cidadãos desse Estado têm
a autoridade e o poder supremo, não derivados das normas de um sistema jurídico, para o exercício da
cidadania.

Selecione a alternativa correta.


a) I, II e III estão corretas.
b) II, III e IV estão corretas.
c) I e IV estão corretas.
d) III e IV estão corretas.

12. “Cento e cinquenta anos atrás, Marx escreveu que “um espectro ronda a Europa”– o espectro do socialismo ou
comunismo. Isso permanece verdade, mas por razões diferentes das que Marx tinha em mente. O socialismo e
o comunismo sucumbiram, e no entanto continuam nos assombrando. Não podemos simplesmente pôr de lado
os valores e os ideais que os moveram, pois alguns permanecem intrínsecos à boa vida cuja criação é meta do
desenvolvimento social e econômico. O desafio é fazer esses valores contarem onde o programa do socialismo
entrou em descrédito”.

(GIDDENS, A. A terceira via. Brasília: Instituto Teotônio Vilela, 1999, p. 11).

I. Este fragmento de texto resume uma das ideias centrais do pensamento social democrata.
II. Este fragmento de texto é do socialismo reacionário tardio que se recusa a acreditar que o comunismo e
o socialismo deixaram de ser uma opção viável, que era um dos principais objetivos da restauração da II
Internacional ocorrida em 1951 em Frankfurt.
III. Pela intervenção do estado na economia e pela manutenção do welfare state, os sociais democratas
pretendiam superar a crise do capitalismo e as deficiências do comunismo.

Analise as assertivas acima e assinale a alternativa correta:


a) somente I e III estão corretas.
b) somente II e III estão corretas.
c) somente II e III estão incorretas.
d) somente I e II estão incorretas.
e) I, II, III estão corretas.

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AULA 04

GABARITO
01. e 05. d 09. b
02. e 06. d 10. e
03. b 07. b 11. a
04. d 08. e 12. a

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