Estrutura Fitossociológica no Cerrado
Estrutura Fitossociológica no Cerrado
Resumo
O Cerrado é a savana com maior riqueza florística do planeta e também uma das
regiões mais fragmentadas e ameaçadas do mundo. Diante disso, inventariar e
conhecer a diversidade de espécies vegetais no Cerrado uma iniciativa muito
importante. O presente trabalho foi realizado na Floresta Nacional de Silvânia, com o
objetivo de analisar a estrutura fitossociológica das vegetações de cerrado sentido
restrito (cerrado s.r.) e campo sujo da unidade de conservação. A amostragem foi
realizada através de parcelas de 10 x 10 m, sendo 15 no cerrado s.r. e 10 no campo
sujo. Entraram na amostragem os indivíduos lenhosos com diâmetro, igual ou
superior a 5 cm a 30 cm do solo. Foram registradas 60 espécies em 46 gêneros
distribuídas em 28 famílias, sendo 52 espécies no cerrado s.r. e 27 no campo sujo. As
famílias que apresentaram mais espécies foram Malpighiaceae (7), Fabaceae (6) e
Vochysiaceae (5). As espécies com maior Índice de Valor de Importância foram
Qualea grandiflora, Kielmeyera coriacea e Styrax ferrugineus para o cerrado s.r., e S.
ferrugineus, Piptocarpha rotundifolia e Erythroxylum deciduum para o campo sujo.
No cerrado s.r. a densidade e área basal foram de 1125 indivíduos/ha e 5,32 m 2/ha
respectivamente. Já no campo sujo foram 730 indivíduos/ha e 1,96 m2/ha. O índice de
Shannon (H') encontrado para o cerrado s.r. foi de 3,48, e para o campo sujo 2,91,
valores que evidenciam uma alta diversidade de espécies para a área em estudo.
__________________________
DOI: http://dx.doi.org/10.5007/2178-4574.2012n41p42
1
Departamento de Ecologia, Instituto de Pesquisas Ambientais e Ações Conservacionistas, 74025-020,
Centro, Goiânia, GO, Brasil. [email protected]
2
Laboratório de Morfologia e Taxonomia Vegetal, Departamento de Biologia Geral, Instituto de Ciências
Biológicas, Universidade Federal de Goiás, Caixa Postal 131, 74001-970, Campus Samambaia, Goiânia,
GO, Brasil.
3
Instituto de Botânica de São Paulo, Av. Miguel Stéfano 3687, 04301-902, Vila Água Funda, São Paulo,
SP, Brasil.
Abstract
(Floristic composition and phytosociological structure of the grassland and
cerrado areas in the Floresta Nacional de Silvânia, Goiás, Brazil) The Cerrado is
the savanna with largest floristic richness of planet and also one of the most
fragmented and threatened regions of world. Therefore, inventory and know the
diversity of plant species in the Cerrado is a very important initiative. This study was
conducted at the Floresta Nacional de Silvânia, aiming to investigate the
phytosociological structure of the “cerrado sensu stricto” (“cerrado s.r.”) and “campo
sujo” vegetations. Sampling was performed in plots of 10 x 10 m, 15 in the “cerrado
s.r.” and 10 in the “campo sujo”. Were sampled only woody individuals with a
diameter equal to, or greater than 5 cm (30 cm from the soil). Results showed 60
species belonging to 28 families and 46 genera, 52 species in the “cerrado s.r.” and 27
in the “campo sujo’. The families with more species were Malpighiaceae (7),
Fabaceae (6) and Vochysiaceae (5). The species with the highest importance values in
the “cerrado s.r.” were Qualea grandiflora, Kielmeyera coriacea, and Styrax
ferrugineus, on the other hand, in the “campo sujo” were S. ferrugineus, Piptocarpha
rotundifolia e Erythroxylum deciduum. In the “cerrado s.r.”, density and basal area
were 1125 individuals/ha and 5.32 m2/ha respectively. In the “campo sujo” were 730
indivíduos/ha and 1.96 m2/ha. The Shannon index (H') estimated for the “cerrado s.r.”
was 3.48, and for the “campo sujo” 2.91. These values demonstrate a high diversity of
species in the study area.
Key words: Cerrado, FLONA, floristic diversity, vegetational structure.
Introdução
O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro ocupando uma área de 2
milhões de km2, o que corresponde a 23% do território nacional, abrangendo estados
em todas as regiões do país (Oliveira & Ratter 2002). Esse bioma é formado por
diversos tipos de formações vegetais, tornando-se um dos mais ricos biomas do Brasil
e do mundo (Klink & Machado 2005).
Segundo Ribeiro & Walter (1998) o Cerrado apresenta três grandes grupos de
vegetações: campestres, savânicas e florestais. As formações campestres são
constituídas pelo campo limpo, campo sujo e campo rupestre. Dentre as formações
savânicas encontram-se as fitofisionomias de cerrado rupestre e cerrado sentido
restrito (cerrado s.r.), que é a fitofisionomia característica do bioma. Já as formações
florestais são constituídas pelo cerradão, mata de interflúvio, mata ciliar e mata de
galeria.
O Cerrado abriga algo entre 20 e 50% da biodiversidade brasileira,
dependendo do grupo de organismos avaliado, sendo considerado um dos biomas
prioritários para conservação no planeta (Myers et al. 2000; Klink & Machado 2005).
Material e Métodos
Área de Estudo
A Floresta Nacional de Silvânia (FLONA-Silvânia) localiza-se no município de
Silvânia (Figura 1), a 95 km de Goiânia, na Mesorregião Leste do Estado de Goiás
(16º39’26’’S e 48º36’16’’). Dentro da unidade existem algumas famílias que residem
fazendo uso sustentável dos recursos naturais, bem como são desenvolvidas diversas
atividades de pesquisa (Francener et al. 2012). A FLONA-Silvânia apresenta uma
área de 466,55 ha e uma altitude média de 900 m. O clima da região é classificado
como Aw de Köppen (tropical chuvoso), com verão quente e chuvoso (outubro a
março) e inverno seco e frio (abril a setembro). Na unidade são encontrados vários
tipos de vegetação que compõem o bioma Cerrado, tais como: campo sujo, cerrado
s.r., cerradão, floresta de galeria, floresta mesofítica de interflúvio e vereda
(Francener et al. 2012). O levantamento fitossociológico foi realizado entre março e
maio de 2010 em fitofisionomias de campo sujo e cerrado s.r. presentes na FLONA-
Silvânia.
Figura 1. (A) Localização do município de Silvânia, estado de Goiás, Brasil. (B) Floresta
Nacional de Silvânia (FLONA-SILVÂNIA), estado de Goiás, Brasil. Modificado de Morais et
al. (2012).
Amostragem
A amostragem foi realizada através de parcelas de 10 x 10 m (0,01 ha), sendo
15 no cerrado s.r. e 10 no campo sujo (totalizando 0,25 ha amostrados). O número
menor de parcelas amostradas no campo sujo foi devido a pequena área de cobertura
dessa fitofisionomia na unidade. Em cada parcela foram incluídos todos os indivíduos
arbóreo-arbustivos com diâmetro igual ou superior a 5 cm a 30 cm do solo. Dos
indivíduos amostrados foram coletados ramos, geralmente com estruturas
reprodutivas, sendo os exemplares herborizados e depositados na coleção do Instituto
de Pesquisas Ambientais e Ações Conservacionistas – IPAAC (Goiânia, GO). A
identificação dos espécimes foi realizada através de literatura especializada (e.g.
Lorenzi 1992; Silva Júnior 2005), comparação com amostras do herbário UFG da
Universidade Federal de Goiás, e consultas a especialistas. Para a classificação em
família utilizou-se o sistema The Angiosperm Phylogeny Group (2009).
Análise fitossociológica
A partir dos dados coletados em campo foram calculados os seguintes
parâmetros fitossociológicos: densidade absoluta (DA), freqüência absoluta (FA),
dominância absoluta (DoA) e os respectivos parâmetros relativos (densidade,
freqüência e dominância relativas) (Felfili & Venturoli 2000). Com base nos
parâmetros relativos, foram calculados o Índice de Valor de Importância (IVI) e o
Índice de Valor de Cobertura (IVC) para cada espécie. Foram calculados também o
Índice de Diversidade de Shannon (H´) e o Índice de Equatabilidade de Pielou (J´)
(Felfili & Venturoli 2000). Além disso, para análise dos padrões de estratificação
horizontal foram estabelecidas quatro classes de diâmetro: Classe 1: < 6 cm; Classe 2:
6,1 - 8 cm; Classe 3: 8,1 - 10 cm e Classe 4 > 10 cm. Ficou estabelecido também o
mesmo número de classes para a análise da estratificação vertical, com a distribuição
das alturas em intervalos de classe de 1 a 4 (Classe 1: < 2 m, Classe 2: 2,1 – 3 m,
Classe 3: 3,1 – 4,9 m e Classe 4: > 5 m). A frequência de indivíduos entre as
diferentes classes de diâmetro e altura foram comparadas através do teste não
paramétrico de Qui-Quadrado no programa Statistica 7.0.
Resultados e Discussão
Foram registradas 60 espécies de plantas lenhosas distribuídas em 28
famílias e 46 gêneros, sendo 52 espécies no cerrado s.r. e 27 no campo sujo (Tabela
1). Destas, 33 ocorreram exclusivamente no cerrado s.r. e oito no campo sujo. As
famílias melhor representadas em número de espécies foram Malpighiaceae (7),
Fabaceae (6) e Vochysiaceae (5).
As famílias com maior IVI no campo sujo foram Styracaceae, Asteraceae e
Bignoniaceae, com 65,6, 33,0 e 26,1, respectivamente (Figura 2a). Elas abrigaram
41,5% do IVI e 53,1% da área basal da comunidade. Para o cerrado s.r.,
Vochysiaceae, Clusiaceae e Malpighiaceae foram as famílias mais importantes. Com
IVI de 48,9, 37,5 e 29,7, respectivamente, elas representam 38,7% do IVI total e
41,3% da área basal da fitofisionomia (Figura 2b). Algumas dessas famílias com
maior IVI estão listadas entre as 10 famílias com maior número de espécies
registradas para o bioma Cerrado, que são: Fabaceae, Asteraceae, Orchidaceae,
Poaceae, Rubiaceae, Melastomataceae, Myrtaceae, Euphorbiaceae, Malpighiaceae e
Lythraceae (Mendonça et al. 2008).
Vochysiaceae, que foi a família mais representativa nas fitofisionomias
amostradas da FLONA-Silvânia, apresentou os maiores IVI´s em levantamentos
fitossociológicos em áreas de cerrado s.r. na Reserva Biológica do IBGE (Andrade et
al. 2002) e no Município de Água Boa (Felfili et al. 2002), ambas no Distrito Federal.
No presente estudo, Fabaceae também foi particularmente importante nas
fitofisionomias estudadas sendo a segunda mais diversa no cerrado s.r. (6) e a mais
rica campo sujo (3). Além disso, ela foi a quarta família mais importante em ambas as
fitofisionomias com IVI de 22,4 e 22,9, para o cerrado s.r. e o campo sujo,
respectivamente (Figura 2a e 2b). Fabaceae é a família mais rica do Cerrado e uma
das mais comuns em levantamentos nesse bioma (Mendonça et al. 2008).
Das famílias que apresentaram maior IVI nesse estudo, Styracaceae no
campo sujo e Vochysiaceae no cerrado s.r., nenhuma é citada entre as 10 famílias
mais representativas do Cerrado (Mendonça et al. 2008). Tal resultado para essas
famílias na FLONA-Silvânia se deve em particular à grande abundância de Styrax
ferrugineus Nees & Mart. (Styracaceae) e Qualea grandiflora Mart. (Vochysiaceae),
que foram as espécies mais importantes no campo sujo e no cerrado s.r.,
respectivamente.
Campo
Família Espécie Nome Popular Cerrado
Sujo
Apocynaceae Aspidosperma macrocarpa Mart. Guatambu X
Aspidosperma tomentosum Mart. Peroba X
Hancornia speciosa Gomes Mangaba X
Schefflera macrocarpa (Cham. & Mandiocão-do-
Araliaceae X X
Schltdl.) Frodin cerrado
Schefflera vinosa (Cham. &
Mandiocão X
Schltdl.) Frodin & Fiaschi
Piptocarpha rotundifolia (Less.)
Asteraceae Coração-de-negro X X
Baker.
Asteraceae sp. - X
Tabebuia aurea (Silva Manso)
Bignoniaceae Caraíba X X
Benth. & Hook. f.ex S.Moore
Handroanthus ochraceus (Cham.) Ipê amarelo-do-
X X
Mattos cerrado
Zeyhera montana Mart. Bolsinha-de-pastor X
Caryocaraceae Caryocar brasiliense Cambess. Pequi X
Celastraceae Plenckia populnea Reissek Mangabeira-brava X
Clusiaceae Kielmeyera coriacea Mart. & Zucc. Pau-santo X X
Clusiaceae sp. - X
Combretaceae Terminalia argentea Mart. Capitão-do-campo X X
Connaraceae Connarus suberosus Planch. Arariba-do-campo X
Dilleniaceae Davilla elliptica A.St.-Hil. Lixeirinha X X
Ebenaceae Diospyros hispida A.DC. Caqui-do-mato X
Erythroxylaceae Erythroxylum deciduum A.St.-Hil. Mercúrio-do-campo X
Erythroxylum suberosum A.St.-Hil. Mercúrio-do-campo X
Erythroxylum tortuosum Mart. Muxiba-comprida X
Erythroxylum sp. Mercúlio-do-campo X X
Fabaceae Andira paniculata Benth. Angelim X
Dimorphandra mollis Benth. Faveiro X X
Leptolobium dasycarpum Vogel Amargosinha X X
Machaerium acutifolium Vogel Jacarandá-do-cerrado X
Machaerium opacum Vogel Jacarandá-do-cerrado X
Sclerolobium paniculatum Vogel Carvoeiro X X
Tabela 1.
Continuação
Lauraceae Ocotea sp. Canela X
Lauraceae sp. - X
Malpighiaceae Banisteriopsis goiana B. Gates - X
Byrsonima coccolobifolia Kunth Murici-rosa X X
Byrsonima pachyphylla A.Juss. Murici X X
Byrsonima verbascifolia (L.) DC. Muricizão X
Byrsonima sp. Murici X
Heteropterys byrsonimifolia A.Juss. Murici-macho X
Heteropterys sp. - X
Pseudobombax longiflorum (Mart.
Malvaceae Embiruçu X
& Zucc.) A.Robyns.
Melastomataceae Miconia sp. Miconia X
Tibouchina sp. Quaresmeira X
Myrsinaceae Myrsinaceae sp. - X
Myrsine sp. - X
Campomanesia adamantium
Myrtaceae Gabiroba X
(Cambess.) O.Berg
Myrcia bella Cambess. Myrcia X
Psidium sp. Araçá X
Nyctaginaceae Guapira noxia (Netto) Lundell Capa-rosa X X
Neea theifera Oerst. - X
Ouratea hexasperma (A.St.-Hil.)
Ochnaceae Vassoura-de-bruxa X
Baill.
Proteaceae Roupala montana Aubl. Carne-de-vaca X X
Rubiaceae Palicourea rigida Kunth Chapéu-de-couro X
Sapindaceae Sapindaceae sp. - X
Laranjinha-do-
Styracaceae Styrax ferrugineus Nees & Mart. X X
cerrado
Velloziaceae Vellozia sp. Canela-de-ema X
Vochysiaceae Qualea grandiflora Mart. Pau-terra-grande X X
Qualea parviflora Mart. Pau-terra-pequeno X X
Qualea sp. Pau-terra X
Salvertia convallariodora A.St.-
Chapéu-de-couro X
Hil.
Vochysia sp. - X
Indeterminada Indeterminada - X X
Figura 2. Distribuição dos IVI´s por famílias de plantas nas fitofisionomias de a) campo sujo e
b) cerrado sentido restrito da Floresta Nacional de Silvânia, Goiás, Brasil.
%
Espécie NI AB (m2) NP DR DoR FA FR IVC IVI
IVI
Qualea grandiflora 15 0,966 10 8,3 18,2 62,5 8,2 26,5 34,7 11,6
Kielmeyera coriacea 24 0,534 11 13,3 10,0 68,8 9,0 23,4 32,4 10,8
Styrax ferrugineus 12 0,350 7 6,7 6,6 43,8 5,7 13,2 19,0 6,3
Piptocarpha rotundifolia 9 0,280 5 5,0 5,3 31,3 4,1 10,3 14,4 4,8
Byrsonima pachyphylla 9 0,164 7 5,0 3,1 43,8 5,7 8,1 13,8 4,6
Connarus suberosus 9 0,291 3 5,0 5,5 18,8 2,5 10,5 12,9 4,3
Tabebuia aurea 5 0,276 3 2,8 5,2 18,8 2,5 8,0 10,4 3,5
Qualea parviflora 7 0,179 3 3,9 3,4 18,8 2,5 7,3 9,7 3,2
Schefflera vinosa 6 0,119 4 3,3 2,2 25,0 3,3 5,6 8,9 3,0
Erythroxylum suberosum 6 0,140 3 3,3 2,6 18,8 2,5 6,0 8,4 2,8
Sclerolobium paniculatum 1 0,287 1 0,6 5,4 6,3 0,8 6,0 6,8 2,3
Dimorphandra mollis 4 0,063 4 2,2 1,2 25,0 3,3 3,4 6,7 2,2
Aspidosperma macrocarpa 5 0,072 3 2,8 1,4 18,8 2,5 4,1 6,6 2,2
Miconia sp. 3 0,139 2 1,7 2,6 12,5 1,6 4,3 5,9 2,0
Heteropterys
4 0,063 3 2,2 1,2 18,8 2,5 3,4 5,9 2,0
byrsonimifolia
Asteraceae sp. 3 0,067 3 1,7 1,3 18,8 2,5 2,9 5,4 1,8
Byrsonima coccolobifolia 3 0,030 3 1,7 0,6 18,8 2,5 2,2 4,7 1,6
Byrsonima sp. 3 0,072 2 1,7 1,4 12,5 1,6 3,0 4,7 1,6
Qualea sp. 4 0,041 2 2,2 0,8 12,5 1,6 3,0 4,6 1,5
Tabela 2. Continuação
Terminalia argentea 2 0,132 1 1,1 2,5 6,3 0,8 3,6 4,4 1,5
Lauraceae sp. 2 0,083 2 1,1 1,6 12,5 1,6 2,7 4,3 1,4
Ouratea hexasperma 2 0,072 2 1,1 1,3 12,5 1,6 2,5 4,1 1,4
Banisteriopsis goiana 3 0,040 2 1,7 0,8 12,5 1,6 2,4 4,1 1,4
Plenckia populnea 1 0,126 1 0,6 2,4 6,3 0,8 2,9 3,7 1,2
Byrsonima verbascifolia 2 0,087 1 1,1 1,6 6,3 0,8 2,8 3,6 1,2
Machaerium acutifolium 3 0,057 1 1,7 1,1 6,3 0,8 2,7 3,6 1,2
Handroanthus ochraceus 2 0,038 2 1,1 0,7 12,5 1,6 1,8 3,5 1,2
Machaerium opacum 2 0,028 2 1,1 0,5 12,5 1,6 1,6 3,3 1,1
Leptolobium dasycarpum 2 0,021 2 1,1 0,4 12,5 1,6 1,5 3,1 1,0
Erythroxylum tortuosum 2 0,021 2 1,1 0,4 12,5 1,6 1,5 3,1 1,0
Schefflera macrocarpa 2 0,018 2 1,1 0,3 12,5 1,6 1,5 3,1 1,0
Davilla elliptica 2 0,016 2 1,1 0,3 12,5 1,6 1,4 3,1 1,0
Caryocar brasiliense 1 0,060 1 0,6 1,1 6,3 0,8 1,7 2,5 0,8
Hancornia speciosa 1 0,059 1 0,6 1,1 6,3 0,8 1,7 2,5 0,8
Myrsine sp. 1 0,056 1 0,6 1,1 6,3 0,8 1,6 2,4 0,8
Diospyros hispida 1 0,032 1 0,6 0,6 6,3 0,8 1,1 2,0 0,7
Guapira noxia 1 0,031 1 0,6 0,6 6,3 0,8 1,1 2,0 0,7
Clusiaceae sp. 1 0,025 1 0,6 0,5 6,3 0,8 1,0 1,8 0,6
Andira paniculata 1 0,024 1 0,6 0,5 6,3 0,8 1,0 1,8 0,6
Vellozia sp. 1 0,023 1 0,6 0,4 6,3 0,8 1,0 1,8 0,6
Heteropterys sp. 1 0,017 1 0,6 0,3 6,3 0,8 0,9 1,7 0,6
Salvertia convallariodora 1 0,017 1 0,6 0,3 6,3 0,8 0,9 1,7 0,6
Campomanesia
1 0,015 1 0,6 0,3 6,3 0,8 0,8 1,7 0,6
adamantium
Aspidosperma tomentosum 1 0,013 1 0,6 0,2 6,3 0,8 0,8 1,6 0,5
Myrcia bella 1 0,013 1 0,6 0,2 6,3 0,8 0,8 1,6 0,5
Erythroxylum sp. 1 0,010 1 0,6 0,2 6,3 0,8 0,7 1,6 0,5
Indeterminada 1 0,010 1 0,6 0,2 6,3 0,8 0,7 1,6 0,5
Zeyhera montana 1 0,010 1 0,6 0,2 6,3 0,8 0,7 1,6 0,5
Myrsinaceae sp. 1 0,009 1 0,6 0,2 6,3 0,8 0,7 1,5 0,5
Roupala montana 1 0,009 1 0,6 0,2 6,3 0,8 0,7 1,5 0,5
Neea theifera 1 0,007 1 0,6 0,1 6,3 0,8 0,7 1,5 0,5
Palicourea rigida 1 0,007 1 0,6 0,1 6,3 0,8 0,7 1,5 0,5
O diâmetro ao nível do solo encontrado para o campo sujo variou entre 4,8 e
17,5 cm (média de 8 + 2,6 cm), já para o cerrado s.r. variou entre 4,8 e 30,2 (média de
8,7 + 4,2 cm). O maior diâmetro médio foi representado por um indivíduo de Qualea
parviflora Mart. para o campo sujo (14,6 cm) e de Sclerolobium paniculatum Vog.
para o cerrado s.r. (30,2 cm). Considerando-se as classes de diâmetro para análise dos
padrões de estratificação (Tabela 4), a frequência de indivíduos entre as classes foi
diferentemente significativa (X2 = 9,5, df = 3, p < 0,05), sendo que a maioria dos
indivíduos do campo sujo esteve presente na classe 4 (> 10 cm) com 34,3% e na
classe 1 (< 6 cm) com 32,9%. Já no cerrado s.r., as classes não diferiram
significativamente quanto ao número de indivíduos, como pode ser visto nas classes 1
(< 6 cm) com 27,5%, classe 4 (> 10 cm) com 28,1% e classe 2 (6,1 - 8 cm) com
26,4% (X2 = 4,7, df = 3, p = 0,18). Isso indica que o campo sujo passa por um estágio
de sucessão com muitos indivíduos bem desenvolvidos e muitos em estágio inicial de
desenvolvimento. Já no cerrado s.r., a relativa equitabilidade entre as classes de
diâmetro indica um estágio de desenvolvimento clímax. Muitos estudos para esse tipo
de comunidade (savânica) têm mostrado um padrão onde a maioria dos indivíduos
está nas classes de diâmetro mais baixas (chamado padrão de J invertido), indicando,
por exemplo, que essas comunidades estão passando por um processo de regeneração
(Assunção & Felfili 2004; Moura et al. 2007).
% de
N de N de
indivíduos % de indivíduos
Classes indivíduos no Indivíduos no
no campo no cerrado
campo sujo cerrado
sujo
Classe 1 (< 6 cm) 24 32,9 49 27,5
Classe 2 (6,1 - 8 cm) 15 20,5 47 26,4
Classe 3 (8,1 - 10 cm) 9 12,3 32 18,0
Classe 4 (> 10 cm) 25 34,3 50 28,1
Total 73 100 178 100
A altura dos indivíduos no campo sujo variou entre 0,9 e 6 m (média de 2,47
+ 0,9 m). No cerrado s.r. a altura variou entre 0,5 e 6 m (média de 2,4 + 1,07 m). As
maiores alturas foram representadas por um indivíduo de Schefflera macrocarpa
(Cham. & Schltdl.) Frodin no campo sujo e de S. paniculatum, Q. grandiflora,
Terminalia argentea Mart. e Caryocar brasiliense Cambess. no cerrado s.r., todos
com 6 m de altura. Considerando-se as quatro classes de altura que foram
estabelecidas para a análise da estratificação vertical (Tabela 5), no campo sujo, a
diferença entre as classes foi significativa (X2 = 26,4, df = 3, p < 0,001), sendo que a
maioria dos indivíduos (41,1%) teve altura menor que 2 m, estando presentes na
N de
% de N de % de
indivíduos
Classes indivíduos no Indivíduos no indivíduos no
no campo
campo sujo cerrado cerrado
sujo
Comparado à Serra Negra, GO, que tem 97 espécies listadas (Felfili & Silva
Júnior 2005), o cerrado s.r. da FLONA-Silvânia apresenta uma riqueza relativamente
baixa (52 spp.) (Tabela 6). Por outro lado, para o local foi registrado um índice de
Shannon elevado (3,48) e o maior valor de equitabilidade (0,87) entre os estudos
comparados (Tabela 6).
Parâmetros
Local Método Fitofisionomia Fonte
A B C D E
Floresta Nacional Presente
Parcela Cerrado típico 52 1.125 5,32 3,48 0,87
de Silvânia, GO estudo
Área de Proteção Assunção
Ambiental do Parcela Cerrado típico 54 882 9,53 3,41 - & Felfili
Paranoá, DF 2004
Área de Proteção
Ambiental Gama- Felfili et
Parcela Cerrado típico 66 1.396 10,64 3,56 -
Cabeça de Veado, al. 1993
DF
Estação Ecológica
Felfili et
de Águas Parcela Cerrado típico 72 1.396 10,76 3,62 -
al. 1993
Emendadas, DF
Fonseca &
Jardim Botânico
Silva
de Brasília, DF Parcela Cerrado típico 53 1.219 8,6 3,16 -
Júnior
(interflúvio)
2004
Fonseca &
Jardim Botânico
Silva
de Brasília, DF Parcela Cerrado típico 54 970 6,7 3,4 -
Júnior
(vale)
2004
Município de Felfili et
Parcela Cerrado típico 80 995 7,5 3,69 0,84
Água Boa, MT al. 2002
Felfili &
Município de Alto Silva
Parcela Cerrado típico 92 944 8,05 3,46 0,76
Paraíso, GO Júnior
2005
Município de Cerrado Amaral et
Parcela 51 631 3,67 3,08 -
Brasília, DF rupestre al. 2006
Município de Nogueira
Parcela Cerrado típico 88 1.285 9,5 3,78 0,84
Canarana, MT et al. 2001
Felfili &
Município de Silva
Parcela Cerrado típico 97 1.271 9,55 3,57 0,78
Serra Negra, GO Júnior
2005
Município de Felfili et
Parcela Cerrado típico 68 1.348 11,3 3,31 -
Silvânia, GO al. 1993
Norte de Goiás e
Cerrado Felfili &
Sul do Tocantins, Parcela 87 836 8,44 2,87 0,78
rupestre Fagg 2007
GO/TO
Parque Estadual
da Serra de Quadra Silva et al.
Cerrado típico 67 1.907 - - -
Caldas Novas, nte 2002
GO
Tabela 6.
Continuação
Parque Estadual Cerrado Moura et
Parcela 56 507 3,91 3,33 0,82
dos Pireneus, GO rupestre al. 2007
Felfili &
Parque Nacional
Silva-
da Chapada dos Parcela Cerrado típico 85 1.110 8,92 3,49 0,78
Júnior
Veadeiros, GO
2005
Parque Nacional Felfili et
Parcela Cerrado típico 55 1036 8,32 3,34 -
de Brasília, DF al. 1993
Reserva
Cerrado Andrade
Ecológica do Parcela 63 1.964 13,28 3,53 0,85
denso et al. 2002
IBGE, DF
Felfili &
Serra da Mesa, Silva
Parcela Cerrado típico 91 1.019 9,17 3,56 0,79
GO Júnior
2005
Agradecimentos
Ao ICM-Bio pela oportunidade de desenvolver o trabalho na unidade, aos
funcionários da FLONA-Silvânia e pesquisadores do IPAAC pelo apoio logístico nos
trabalhos de campo.
Referências
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