0% acharam este documento útil (0 voto)
62 visualizações17 páginas

Estrutura Fitossociológica no Cerrado

1) O estudo analisou a composição florística e estrutura fitossociológica de áreas de campo sujo e cerrado sentido restrito na Floresta Nacional de Silvânia, Goiás. 2) Foram registradas 60 espécies pertencentes a 28 famílias e 46 gêneros, com maior riqueza nas famílias Malpighiaceae, Fabaceae e Vochysiaceae. 3) As espécies com maior importância foram Qualea grandiflora, Kielmeyera coriacea e Styrax ferr
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
62 visualizações17 páginas

Estrutura Fitossociológica no Cerrado

1) O estudo analisou a composição florística e estrutura fitossociológica de áreas de campo sujo e cerrado sentido restrito na Floresta Nacional de Silvânia, Goiás. 2) Foram registradas 60 espécies pertencentes a 28 famílias e 46 gêneros, com maior riqueza nas famílias Malpighiaceae, Fabaceae e Vochysiaceae. 3) As espécies com maior importância foram Qualea grandiflora, Kielmeyera coriacea e Styrax ferr
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

INSULA Revista de Botânica

Florianópolis, n. 41, p.42-58. 2012.


ISSNe 2178-4574
ISSN impresso 0101-9554

Composição florística e estrutura fitossociológica de áreas de


campo sujo e cerrado sentido restrito na Floresta Nacional de Silvânia,
Goiás, Brasil
Walter Santos de Araújo1, Éder Dasdoriano Porfírio Júnior1,
Augusto Francener 2,3, Climbiê Ferreira Hall2,3

Enviado em junho de 2012; aceito em novembro de 2012.

Resumo
O Cerrado é a savana com maior riqueza florística do planeta e também uma das
regiões mais fragmentadas e ameaçadas do mundo. Diante disso, inventariar e
conhecer a diversidade de espécies vegetais no Cerrado uma iniciativa muito
importante. O presente trabalho foi realizado na Floresta Nacional de Silvânia, com o
objetivo de analisar a estrutura fitossociológica das vegetações de cerrado sentido
restrito (cerrado s.r.) e campo sujo da unidade de conservação. A amostragem foi
realizada através de parcelas de 10 x 10 m, sendo 15 no cerrado s.r. e 10 no campo
sujo. Entraram na amostragem os indivíduos lenhosos com diâmetro, igual ou
superior a 5 cm a 30 cm do solo. Foram registradas 60 espécies em 46 gêneros
distribuídas em 28 famílias, sendo 52 espécies no cerrado s.r. e 27 no campo sujo. As
famílias que apresentaram mais espécies foram Malpighiaceae (7), Fabaceae (6) e
Vochysiaceae (5). As espécies com maior Índice de Valor de Importância foram
Qualea grandiflora, Kielmeyera coriacea e Styrax ferrugineus para o cerrado s.r., e S.
ferrugineus, Piptocarpha rotundifolia e Erythroxylum deciduum para o campo sujo.
No cerrado s.r. a densidade e área basal foram de 1125 indivíduos/ha e 5,32 m 2/ha
respectivamente. Já no campo sujo foram 730 indivíduos/ha e 1,96 m2/ha. O índice de
Shannon (H') encontrado para o cerrado s.r. foi de 3,48, e para o campo sujo 2,91,
valores que evidenciam uma alta diversidade de espécies para a área em estudo.
__________________________
DOI: http://dx.doi.org/10.5007/2178-4574.2012n41p42
1
Departamento de Ecologia, Instituto de Pesquisas Ambientais e Ações Conservacionistas, 74025-020,
Centro, Goiânia, GO, Brasil. [email protected]
2
Laboratório de Morfologia e Taxonomia Vegetal, Departamento de Biologia Geral, Instituto de Ciências
Biológicas, Universidade Federal de Goiás, Caixa Postal 131, 74001-970, Campus Samambaia, Goiânia,
GO, Brasil.
3
Instituto de Botânica de São Paulo, Av. Miguel Stéfano 3687, 04301-902, Vila Água Funda, São Paulo,
SP, Brasil.

Este artigo é de Acesso Livre, disponibilizado sob os termos da


Creative Commons Attribution 3.0 Unported License (http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/) que
permite uso não-comercial, distribuição e reprodução em qualquer meio, desde que este trabalho original
seja devidamente citado.
Composição florística e estrutura fitossociológica de áreas de campo sujo e cerrado sentido restrito na Floresta Nacional
de Silvânia, Goiás, Brasil

Palavras-Chave: Cerrado, diversidade florística, estrutura vegetacional, FLONA.

Abstract
(Floristic composition and phytosociological structure of the grassland and
cerrado areas in the Floresta Nacional de Silvânia, Goiás, Brazil) The Cerrado is
the savanna with largest floristic richness of planet and also one of the most
fragmented and threatened regions of world. Therefore, inventory and know the
diversity of plant species in the Cerrado is a very important initiative. This study was
conducted at the Floresta Nacional de Silvânia, aiming to investigate the
phytosociological structure of the “cerrado sensu stricto” (“cerrado s.r.”) and “campo
sujo” vegetations. Sampling was performed in plots of 10 x 10 m, 15 in the “cerrado
s.r.” and 10 in the “campo sujo”. Were sampled only woody individuals with a
diameter equal to, or greater than 5 cm (30 cm from the soil). Results showed 60
species belonging to 28 families and 46 genera, 52 species in the “cerrado s.r.” and 27
in the “campo sujo’. The families with more species were Malpighiaceae (7),
Fabaceae (6) and Vochysiaceae (5). The species with the highest importance values in
the “cerrado s.r.” were Qualea grandiflora, Kielmeyera coriacea, and Styrax
ferrugineus, on the other hand, in the “campo sujo” were S. ferrugineus, Piptocarpha
rotundifolia e Erythroxylum deciduum. In the “cerrado s.r.”, density and basal area
were 1125 individuals/ha and 5.32 m2/ha respectively. In the “campo sujo” were 730
indivíduos/ha and 1.96 m2/ha. The Shannon index (H') estimated for the “cerrado s.r.”
was 3.48, and for the “campo sujo” 2.91. These values demonstrate a high diversity of
species in the study area.
Key words: Cerrado, FLONA, floristic diversity, vegetational structure.

Introdução
O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro ocupando uma área de 2
milhões de km2, o que corresponde a 23% do território nacional, abrangendo estados
em todas as regiões do país (Oliveira & Ratter 2002). Esse bioma é formado por
diversos tipos de formações vegetais, tornando-se um dos mais ricos biomas do Brasil
e do mundo (Klink & Machado 2005).
Segundo Ribeiro & Walter (1998) o Cerrado apresenta três grandes grupos de
vegetações: campestres, savânicas e florestais. As formações campestres são
constituídas pelo campo limpo, campo sujo e campo rupestre. Dentre as formações
savânicas encontram-se as fitofisionomias de cerrado rupestre e cerrado sentido
restrito (cerrado s.r.), que é a fitofisionomia característica do bioma. Já as formações
florestais são constituídas pelo cerradão, mata de interflúvio, mata ciliar e mata de
galeria.
O Cerrado abriga algo entre 20 e 50% da biodiversidade brasileira,
dependendo do grupo de organismos avaliado, sendo considerado um dos biomas
prioritários para conservação no planeta (Myers et al. 2000; Klink & Machado 2005).

Insula, 41: 42-58. 2012 www.periodicos.ufsc.br/index.php/insula


43
Araújo, W.S.; Porfirio Junior, E.D.; Francener, A. & Hall, C.F.

A fragmentação e a perda de habitat têm causado perda de diversidade e colocado em


risco de extinção muitas espécies do bioma (Klink & Machado 2005). Segundo Cunha
et al. (2007), cerca de 21,87% da área remanescente de vegetação nativa de Cerrado
no Estado de Goiás é constituída por cerrado s.r., já as fitofisionomias campestres
abrigam apenas 8,76%. Segundo eles, das áreas remanescentes, mais de 82%
apresentam tamanho menor do que 1 ha. Esses dados indicam que além de poucas
áreas naturais, as existentes estão muito fragmentadas e desconexas.
Sob o ponto de vista florístico o bioma apresenta mais de 12.000 espécies de
plantas vasculares (Mendonça et al. 2008), e muitas delas vêm sofrendo grande
ameaça (Ratter et al. 1997). Estudos fitossociológicos têm fornecido informações
importantes para a compreensão dos padrões biogeográficos do Cerrado, e subsidiado
a determinação de áreas prioritárias para a conservação (Felfili et al. 2002). Padrões
florísticos e estruturais evidenciados por esse tipo de estudo, como variação na
densidade, riqueza e diversidade-beta, entre diferentes áreas, são boas ferramentas
para elaborar estratégias de conservação ao nível local e regional (Felfili et al. 2004).
A Floresta Nacional de Silvânia é a única unidade de conservação federal da
região central do estado de Goiás, sendo que existem poucos registros na literatura
sobre a fauna e, principalmente sobre a flora da região. Recentemente Francener et al.
(2012) realizaram o inventário florístico da unidade e entorno registrando um total de
244 espécies de angiospermas (67 famílias e 177 gêneros). Apesar da importância
dessa contribuição, ainda não há registros na literatura de estudos que investiguem
aspectos da estrutura vegetacional da unidade. Desse modo, o objetivo do presente
trabalho foi realizar o levantamento florístico e fitossociológico da comunidade
arbóreo-arbustiva de fitofisionomias de campo sujo e cerrado s.r. da Floresta Nacional
de Silvânia.

Material e Métodos
Área de Estudo
A Floresta Nacional de Silvânia (FLONA-Silvânia) localiza-se no município de
Silvânia (Figura 1), a 95 km de Goiânia, na Mesorregião Leste do Estado de Goiás
(16º39’26’’S e 48º36’16’’). Dentro da unidade existem algumas famílias que residem
fazendo uso sustentável dos recursos naturais, bem como são desenvolvidas diversas
atividades de pesquisa (Francener et al. 2012). A FLONA-Silvânia apresenta uma
área de 466,55 ha e uma altitude média de 900 m. O clima da região é classificado
como Aw de Köppen (tropical chuvoso), com verão quente e chuvoso (outubro a
março) e inverno seco e frio (abril a setembro). Na unidade são encontrados vários
tipos de vegetação que compõem o bioma Cerrado, tais como: campo sujo, cerrado
s.r., cerradão, floresta de galeria, floresta mesofítica de interflúvio e vereda
(Francener et al. 2012). O levantamento fitossociológico foi realizado entre março e
maio de 2010 em fitofisionomias de campo sujo e cerrado s.r. presentes na FLONA-
Silvânia.

Insula, 41: 42-58. 2012 44


Composição florística e estrutura fitossociológica de áreas de campo sujo e cerrado sentido restrito na Floresta Nacional
de Silvânia, Goiás, Brasil

Figura 1. (A) Localização do município de Silvânia, estado de Goiás, Brasil. (B) Floresta
Nacional de Silvânia (FLONA-SILVÂNIA), estado de Goiás, Brasil. Modificado de Morais et
al. (2012).

Amostragem
A amostragem foi realizada através de parcelas de 10 x 10 m (0,01 ha), sendo
15 no cerrado s.r. e 10 no campo sujo (totalizando 0,25 ha amostrados). O número
menor de parcelas amostradas no campo sujo foi devido a pequena área de cobertura
dessa fitofisionomia na unidade. Em cada parcela foram incluídos todos os indivíduos
arbóreo-arbustivos com diâmetro igual ou superior a 5 cm a 30 cm do solo. Dos
indivíduos amostrados foram coletados ramos, geralmente com estruturas
reprodutivas, sendo os exemplares herborizados e depositados na coleção do Instituto
de Pesquisas Ambientais e Ações Conservacionistas – IPAAC (Goiânia, GO). A
identificação dos espécimes foi realizada através de literatura especializada (e.g.
Lorenzi 1992; Silva Júnior 2005), comparação com amostras do herbário UFG da
Universidade Federal de Goiás, e consultas a especialistas. Para a classificação em
família utilizou-se o sistema The Angiosperm Phylogeny Group (2009).

Análise fitossociológica
A partir dos dados coletados em campo foram calculados os seguintes
parâmetros fitossociológicos: densidade absoluta (DA), freqüência absoluta (FA),
dominância absoluta (DoA) e os respectivos parâmetros relativos (densidade,
freqüência e dominância relativas) (Felfili & Venturoli 2000). Com base nos
parâmetros relativos, foram calculados o Índice de Valor de Importância (IVI) e o
Índice de Valor de Cobertura (IVC) para cada espécie. Foram calculados também o
Índice de Diversidade de Shannon (H´) e o Índice de Equatabilidade de Pielou (J´)

Insula, 41: 42-58. 2012 www.periodicos.ufsc.br/index.php/insula


45
Araújo, W.S.; Porfirio Junior, E.D.; Francener, A. & Hall, C.F.

(Felfili & Venturoli 2000). Além disso, para análise dos padrões de estratificação
horizontal foram estabelecidas quatro classes de diâmetro: Classe 1: < 6 cm; Classe 2:
6,1 - 8 cm; Classe 3: 8,1 - 10 cm e Classe 4 > 10 cm. Ficou estabelecido também o
mesmo número de classes para a análise da estratificação vertical, com a distribuição
das alturas em intervalos de classe de 1 a 4 (Classe 1: < 2 m, Classe 2: 2,1 – 3 m,
Classe 3: 3,1 – 4,9 m e Classe 4: > 5 m). A frequência de indivíduos entre as
diferentes classes de diâmetro e altura foram comparadas através do teste não
paramétrico de Qui-Quadrado no programa Statistica 7.0.

Resultados e Discussão
Foram registradas 60 espécies de plantas lenhosas distribuídas em 28
famílias e 46 gêneros, sendo 52 espécies no cerrado s.r. e 27 no campo sujo (Tabela
1). Destas, 33 ocorreram exclusivamente no cerrado s.r. e oito no campo sujo. As
famílias melhor representadas em número de espécies foram Malpighiaceae (7),
Fabaceae (6) e Vochysiaceae (5).
As famílias com maior IVI no campo sujo foram Styracaceae, Asteraceae e
Bignoniaceae, com 65,6, 33,0 e 26,1, respectivamente (Figura 2a). Elas abrigaram
41,5% do IVI e 53,1% da área basal da comunidade. Para o cerrado s.r.,
Vochysiaceae, Clusiaceae e Malpighiaceae foram as famílias mais importantes. Com
IVI de 48,9, 37,5 e 29,7, respectivamente, elas representam 38,7% do IVI total e
41,3% da área basal da fitofisionomia (Figura 2b). Algumas dessas famílias com
maior IVI estão listadas entre as 10 famílias com maior número de espécies
registradas para o bioma Cerrado, que são: Fabaceae, Asteraceae, Orchidaceae,
Poaceae, Rubiaceae, Melastomataceae, Myrtaceae, Euphorbiaceae, Malpighiaceae e
Lythraceae (Mendonça et al. 2008).
Vochysiaceae, que foi a família mais representativa nas fitofisionomias
amostradas da FLONA-Silvânia, apresentou os maiores IVI´s em levantamentos
fitossociológicos em áreas de cerrado s.r. na Reserva Biológica do IBGE (Andrade et
al. 2002) e no Município de Água Boa (Felfili et al. 2002), ambas no Distrito Federal.
No presente estudo, Fabaceae também foi particularmente importante nas
fitofisionomias estudadas sendo a segunda mais diversa no cerrado s.r. (6) e a mais
rica campo sujo (3). Além disso, ela foi a quarta família mais importante em ambas as
fitofisionomias com IVI de 22,4 e 22,9, para o cerrado s.r. e o campo sujo,
respectivamente (Figura 2a e 2b). Fabaceae é a família mais rica do Cerrado e uma
das mais comuns em levantamentos nesse bioma (Mendonça et al. 2008).
Das famílias que apresentaram maior IVI nesse estudo, Styracaceae no
campo sujo e Vochysiaceae no cerrado s.r., nenhuma é citada entre as 10 famílias
mais representativas do Cerrado (Mendonça et al. 2008). Tal resultado para essas
famílias na FLONA-Silvânia se deve em particular à grande abundância de Styrax
ferrugineus Nees & Mart. (Styracaceae) e Qualea grandiflora Mart. (Vochysiaceae),
que foram as espécies mais importantes no campo sujo e no cerrado s.r.,
respectivamente.

Insula, 41: 42-58. 2012 46


Composição florística e estrutura fitossociológica de áreas de campo sujo e cerrado sentido restrito na Floresta Nacional
de Silvânia, Goiás, Brasil

Tabela 1. Lista de famílias e espécies lenhosas encontradas na Floresta Nacional de Silvânia,


Goiás, Brasil.

Campo
Família Espécie Nome Popular Cerrado
Sujo
Apocynaceae Aspidosperma macrocarpa Mart. Guatambu X
Aspidosperma tomentosum Mart. Peroba X
Hancornia speciosa Gomes Mangaba X
Schefflera macrocarpa (Cham. & Mandiocão-do-
Araliaceae X X
Schltdl.) Frodin cerrado
Schefflera vinosa (Cham. &
Mandiocão X
Schltdl.) Frodin & Fiaschi
Piptocarpha rotundifolia (Less.)
Asteraceae Coração-de-negro X X
Baker.
Asteraceae sp. - X
Tabebuia aurea (Silva Manso)
Bignoniaceae Caraíba X X
Benth. & Hook. f.ex S.Moore
Handroanthus ochraceus (Cham.) Ipê amarelo-do-
X X
Mattos cerrado
Zeyhera montana Mart. Bolsinha-de-pastor X
Caryocaraceae Caryocar brasiliense Cambess. Pequi X
Celastraceae Plenckia populnea Reissek Mangabeira-brava X
Clusiaceae Kielmeyera coriacea Mart. & Zucc. Pau-santo X X
Clusiaceae sp. - X
Combretaceae Terminalia argentea Mart. Capitão-do-campo X X
Connaraceae Connarus suberosus Planch. Arariba-do-campo X
Dilleniaceae Davilla elliptica A.St.-Hil. Lixeirinha X X
Ebenaceae Diospyros hispida A.DC. Caqui-do-mato X
Erythroxylaceae Erythroxylum deciduum A.St.-Hil. Mercúrio-do-campo X
Erythroxylum suberosum A.St.-Hil. Mercúrio-do-campo X
Erythroxylum tortuosum Mart. Muxiba-comprida X
Erythroxylum sp. Mercúlio-do-campo X X
Fabaceae Andira paniculata Benth. Angelim X
Dimorphandra mollis Benth. Faveiro X X
Leptolobium dasycarpum Vogel Amargosinha X X
Machaerium acutifolium Vogel Jacarandá-do-cerrado X
Machaerium opacum Vogel Jacarandá-do-cerrado X
Sclerolobium paniculatum Vogel Carvoeiro X X

Insula, 41: 42-58. 2012 www.periodicos.ufsc.br/index.php/insula


47
Araújo, W.S.; Porfirio Junior, E.D.; Francener, A. & Hall, C.F.

Tabela 1.
Continuação
Lauraceae Ocotea sp. Canela X
Lauraceae sp. - X
Malpighiaceae Banisteriopsis goiana B. Gates - X
Byrsonima coccolobifolia Kunth Murici-rosa X X
Byrsonima pachyphylla A.Juss. Murici X X
Byrsonima verbascifolia (L.) DC. Muricizão X
Byrsonima sp. Murici X
Heteropterys byrsonimifolia A.Juss. Murici-macho X
Heteropterys sp. - X
Pseudobombax longiflorum (Mart.
Malvaceae Embiruçu X
& Zucc.) A.Robyns.
Melastomataceae Miconia sp. Miconia X
Tibouchina sp. Quaresmeira X
Myrsinaceae Myrsinaceae sp. - X
Myrsine sp. - X
Campomanesia adamantium
Myrtaceae Gabiroba X
(Cambess.) O.Berg
Myrcia bella Cambess. Myrcia X
Psidium sp. Araçá X
Nyctaginaceae Guapira noxia (Netto) Lundell Capa-rosa X X
Neea theifera Oerst. - X
Ouratea hexasperma (A.St.-Hil.)
Ochnaceae Vassoura-de-bruxa X
Baill.
Proteaceae Roupala montana Aubl. Carne-de-vaca X X
Rubiaceae Palicourea rigida Kunth Chapéu-de-couro X
Sapindaceae Sapindaceae sp. - X
Laranjinha-do-
Styracaceae Styrax ferrugineus Nees & Mart. X X
cerrado
Velloziaceae Vellozia sp. Canela-de-ema X
Vochysiaceae Qualea grandiflora Mart. Pau-terra-grande X X
Qualea parviflora Mart. Pau-terra-pequeno X X
Qualea sp. Pau-terra X
Salvertia convallariodora A.St.-
Chapéu-de-couro X
Hil.
Vochysia sp. - X
Indeterminada Indeterminada - X X

Insula, 41: 42-58. 2012 48


Composição florística e estrutura fitossociológica de áreas de campo sujo e cerrado sentido restrito na Floresta Nacional
de Silvânia, Goiás, Brasil

Figura 2. Distribuição dos IVI´s por famílias de plantas nas fitofisionomias de a) campo sujo e
b) cerrado sentido restrito da Floresta Nacional de Silvânia, Goiás, Brasil.

Os gêneros que apresentaram maior número de espécies foram Byrsonima


(4), Erythroxylum (4) e Qualea (3) para ambas as fitofisionomias. As espécies mais
representativas registradas no cerrado s.r. foram Q. grandiflora, Kielmeyera coriacea
(Spr) Mart. e S. ferrugineus, com IVI de 34,7, 32,4 e 19,0, respectivamente (Tabela
2). Essas três espécies representaram 28,7% do IVI e 34,5% da área basal da
comunidade. Para o campo sujo, as espécies que apresentaram maior IVI foram S.

Insula, 41: 42-58. 2012 www.periodicos.ufsc.br/index.php/insula


49
Araújo, W.S.; Porfirio Junior, E.D.; Francener, A. & Hall, C.F.

ferrugineus, Piptocarpha rotundifolia (Less.) Baker. e Erythroxylum deciduum A.St.-


Hil., com 65,4, 32,8 e 17,3, respectivamente, representando juntas quase 40% do IVI
da comunidade vegetal dessa fitofisionomia (Tabela 3). Esses elevados valores de IVI
atribuídos a essas poucas espécies demonstram que, tanto no campo sujo quanto no
cerrado s.r., a comunidade é caracterizada pela existência de poucas espécies
dominantes e muitas raras e de pequena participação na ocupação da área (Andrade et
al. 2002; Assunção & Felfili 2004).
Qualea grandiflora foi registrada com o segundo maior IVI em uma área de
cerrado s.r. no Parque Estadual da Serra de Caldas Novas, GO, onde K. coriacea foi a
espécie mais importante (Silva et al. 2002). Na comunidade arbórea do serrado
sentido restrito da APA do Paranoá, DF, a espécie S. ferrugineus teve o segundo
maior IVI e P. rotundifolia teve o décimo (Assunção & Felfili 2004). Moura et al.
(2007) listam S. ferrugineus como a décima espécie com maior IVI para o cerrado
rupestre do Parque Estadual da Serra dos Pireneus, GO.

Tabela 2. Parâmetros fitossociológicos das espécies arbóreo-arbustivas de cerrado sentido


restrito na Floresta Nacional de Silvânia, Goiás, Brasil.

%
Espécie NI AB (m2) NP DR DoR FA FR IVC IVI
IVI
Qualea grandiflora 15 0,966 10 8,3 18,2 62,5 8,2 26,5 34,7 11,6
Kielmeyera coriacea 24 0,534 11 13,3 10,0 68,8 9,0 23,4 32,4 10,8
Styrax ferrugineus 12 0,350 7 6,7 6,6 43,8 5,7 13,2 19,0 6,3
Piptocarpha rotundifolia 9 0,280 5 5,0 5,3 31,3 4,1 10,3 14,4 4,8
Byrsonima pachyphylla 9 0,164 7 5,0 3,1 43,8 5,7 8,1 13,8 4,6
Connarus suberosus 9 0,291 3 5,0 5,5 18,8 2,5 10,5 12,9 4,3
Tabebuia aurea 5 0,276 3 2,8 5,2 18,8 2,5 8,0 10,4 3,5
Qualea parviflora 7 0,179 3 3,9 3,4 18,8 2,5 7,3 9,7 3,2
Schefflera vinosa 6 0,119 4 3,3 2,2 25,0 3,3 5,6 8,9 3,0
Erythroxylum suberosum 6 0,140 3 3,3 2,6 18,8 2,5 6,0 8,4 2,8
Sclerolobium paniculatum 1 0,287 1 0,6 5,4 6,3 0,8 6,0 6,8 2,3
Dimorphandra mollis 4 0,063 4 2,2 1,2 25,0 3,3 3,4 6,7 2,2
Aspidosperma macrocarpa 5 0,072 3 2,8 1,4 18,8 2,5 4,1 6,6 2,2
Miconia sp. 3 0,139 2 1,7 2,6 12,5 1,6 4,3 5,9 2,0
Heteropterys
4 0,063 3 2,2 1,2 18,8 2,5 3,4 5,9 2,0
byrsonimifolia
Asteraceae sp. 3 0,067 3 1,7 1,3 18,8 2,5 2,9 5,4 1,8
Byrsonima coccolobifolia 3 0,030 3 1,7 0,6 18,8 2,5 2,2 4,7 1,6
Byrsonima sp. 3 0,072 2 1,7 1,4 12,5 1,6 3,0 4,7 1,6
Qualea sp. 4 0,041 2 2,2 0,8 12,5 1,6 3,0 4,6 1,5

Insula, 41: 42-58. 2012 50


Composição florística e estrutura fitossociológica de áreas de campo sujo e cerrado sentido restrito na Floresta Nacional
de Silvânia, Goiás, Brasil

Tabela 2. Continuação
Terminalia argentea 2 0,132 1 1,1 2,5 6,3 0,8 3,6 4,4 1,5
Lauraceae sp. 2 0,083 2 1,1 1,6 12,5 1,6 2,7 4,3 1,4
Ouratea hexasperma 2 0,072 2 1,1 1,3 12,5 1,6 2,5 4,1 1,4
Banisteriopsis goiana 3 0,040 2 1,7 0,8 12,5 1,6 2,4 4,1 1,4
Plenckia populnea 1 0,126 1 0,6 2,4 6,3 0,8 2,9 3,7 1,2
Byrsonima verbascifolia 2 0,087 1 1,1 1,6 6,3 0,8 2,8 3,6 1,2
Machaerium acutifolium 3 0,057 1 1,7 1,1 6,3 0,8 2,7 3,6 1,2
Handroanthus ochraceus 2 0,038 2 1,1 0,7 12,5 1,6 1,8 3,5 1,2
Machaerium opacum 2 0,028 2 1,1 0,5 12,5 1,6 1,6 3,3 1,1
Leptolobium dasycarpum 2 0,021 2 1,1 0,4 12,5 1,6 1,5 3,1 1,0
Erythroxylum tortuosum 2 0,021 2 1,1 0,4 12,5 1,6 1,5 3,1 1,0
Schefflera macrocarpa 2 0,018 2 1,1 0,3 12,5 1,6 1,5 3,1 1,0
Davilla elliptica 2 0,016 2 1,1 0,3 12,5 1,6 1,4 3,1 1,0
Caryocar brasiliense 1 0,060 1 0,6 1,1 6,3 0,8 1,7 2,5 0,8
Hancornia speciosa 1 0,059 1 0,6 1,1 6,3 0,8 1,7 2,5 0,8
Myrsine sp. 1 0,056 1 0,6 1,1 6,3 0,8 1,6 2,4 0,8
Diospyros hispida 1 0,032 1 0,6 0,6 6,3 0,8 1,1 2,0 0,7
Guapira noxia 1 0,031 1 0,6 0,6 6,3 0,8 1,1 2,0 0,7
Clusiaceae sp. 1 0,025 1 0,6 0,5 6,3 0,8 1,0 1,8 0,6
Andira paniculata 1 0,024 1 0,6 0,5 6,3 0,8 1,0 1,8 0,6
Vellozia sp. 1 0,023 1 0,6 0,4 6,3 0,8 1,0 1,8 0,6
Heteropterys sp. 1 0,017 1 0,6 0,3 6,3 0,8 0,9 1,7 0,6
Salvertia convallariodora 1 0,017 1 0,6 0,3 6,3 0,8 0,9 1,7 0,6
Campomanesia
1 0,015 1 0,6 0,3 6,3 0,8 0,8 1,7 0,6
adamantium
Aspidosperma tomentosum 1 0,013 1 0,6 0,2 6,3 0,8 0,8 1,6 0,5
Myrcia bella 1 0,013 1 0,6 0,2 6,3 0,8 0,8 1,6 0,5
Erythroxylum sp. 1 0,010 1 0,6 0,2 6,3 0,8 0,7 1,6 0,5
Indeterminada 1 0,010 1 0,6 0,2 6,3 0,8 0,7 1,6 0,5
Zeyhera montana 1 0,010 1 0,6 0,2 6,3 0,8 0,7 1,6 0,5
Myrsinaceae sp. 1 0,009 1 0,6 0,2 6,3 0,8 0,7 1,5 0,5
Roupala montana 1 0,009 1 0,6 0,2 6,3 0,8 0,7 1,5 0,5
Neea theifera 1 0,007 1 0,6 0,1 6,3 0,8 0,7 1,5 0,5
Palicourea rigida 1 0,007 1 0,6 0,1 6,3 0,8 0,7 1,5 0,5

Legenda: NI = número de indivíduos; AB (m2) = área basal; NP = número de parcelas; DR =


densidade relativa; DoR = dominância relativa; FA = freqüência absoluta; FR = freqüência
relativa; IVC = índice de valor de cobertura; IVI = índice de valor de importância; %IVI =
porcentagem de índice de valor de importância.

Insula, 41: 42-58. 2012 www.periodicos.ufsc.br/index.php/insula


51
Araújo, W.S.; Porfirio Junior, E.D.; Francener, A. & Hall, C.F.

Tabela 3. Parâmetros fitossociológicos das espécies arbóreo-arbustivas de campo sujo na Floresta


Nacional de Silvânia, Goiás, Brasil.

Espécie NI AB(m2) NP DR DoR FA FR IVC IVI % IVI


Styrax ferrugineus 16 0,593 7 21,9 30,3 70,0 13,2 52,2 65,4 21,80
Piptocarpha rotundifolia 8 0,280 4 11,0 14,3 40,0 7,5 25,3 32,8 10,94
Erythroxylum deciduum 4 0,084 4 5,5 4,3 40,0 7,5 9,8 17,3 5,78
Kielmeyera coriacea 5 0,054 4 6,8 2,8 40,0 7,5 9,6 17,2 5,73
Tabebuia aurea 3 0,164 2 4,1 8,4 20,0 3,8 12,5 16,3 5,42
Mortos 4 0,092 3 5,5 4,7 30,0 5,7 10,2 15,9 5,29
Byrsonima pachyphylla 3 0,066 3 4,1 3,4 30,0 5,7 7,5 13,1 4,38
Dimorphandra mollis 3 0,076 2 4,1 3,9 20,0 3,8 8,0 11,8 3,93
Handroanthus ochraceus 3 0,035 2 4,1 1,8 20,0 3,8 5,9 9,7 3,22
Guapira noxia 2 0,072 1 2,7 3,7 10,0 1,9 6,4 8,3 2,77
Schefflera macrocarpa 2 0,031 2 2,7 1,6 20,0 3,8 4,3 8,1 2,70
Terminalia argentea 2 0,028 2 2,7 1,4 20,0 3,8 4,2 8,0 2,65
Sapindaceae sp. 2 0,021 2 2,7 1,1 20,0 3,8 3,9 7,6 2,54
Diospyros hispida 2 0,056 1 2,7 2,9 10,0 1,9 5,6 7,5 2,50
Qualea parviflora 1 0,067 1 1,4 3,4 10,0 1,9 4,8 6,7 2,23
Sclerolobium paniculatum 1 0,058 1 1,4 3,0 10,0 1,9 4,4 6,3 2,09
Pseudobombax longiflorum 1 0,041 1 1,4 2,1 10,0 1,9 3,5 5,4 1,79
Roupala montana 1 0,028 1 1,4 1,5 10,0 1,9 2,8 4,7 1,57
Erythroxylum sp. 1 0,018 1 1,4 0,9 10,0 1,9 2,3 4,2 1,40
Vochysia sp. 1 0,015 1,0 1,4 0,8 10,0 1,9 2,2 4,0 1,35
Indeterminada 1 0,012 1 1,4 0,6 10,0 1,9 2,0 3,9 1,30
Qualea grandiflora 1 0,012 1 1,4 0,6 10,0 1,9 2,0 3,9 1,30
Ocotea sp. 1 0,010 1 1,4 0,6 10,0 1,9 1,9 3,8 1,27
Leptolobium dasycarpum 1 0,008 1 1,4 0,4 10,0 1,9 1,8 3,7 1,23
Byrsonima coccolobifolia 1 0,008 1 1,4 0,4 10,0 1,9 1,8 3,7 1,22
Davilla elliptica 1 0,008 1 1,4 0,4 10,0 1,9 1,8 3,7 1,22
Tibouchina sp. 1 0,008 1 1,4 0,4 10,0 1,9 1,8 3,7 1,22
Psidium sp. 1 0,007 1 1,4 0,4 10,0 1,9 1,7 3,6 1,21

Legenda: NI = número de indivíduos; AB (m2) = área basal; NP = número de parcelas; DR =


densidade relativa; DoR = dominância relativa; FA = freqüência absoluta; FR = freqüência
relativa; IVC = índice de valor de cobertura; IVI = índice de valor de importância; %IVI =
porcentagem de índice de valor de importância.

Insula, 41: 42-58. 2012 52


Composição florística e estrutura fitossociológica de áreas de campo sujo e cerrado sentido restrito na Floresta Nacional
de Silvânia, Goiás, Brasil

O diâmetro ao nível do solo encontrado para o campo sujo variou entre 4,8 e
17,5 cm (média de 8 + 2,6 cm), já para o cerrado s.r. variou entre 4,8 e 30,2 (média de
8,7 + 4,2 cm). O maior diâmetro médio foi representado por um indivíduo de Qualea
parviflora Mart. para o campo sujo (14,6 cm) e de Sclerolobium paniculatum Vog.
para o cerrado s.r. (30,2 cm). Considerando-se as classes de diâmetro para análise dos
padrões de estratificação (Tabela 4), a frequência de indivíduos entre as classes foi
diferentemente significativa (X2 = 9,5, df = 3, p < 0,05), sendo que a maioria dos
indivíduos do campo sujo esteve presente na classe 4 (> 10 cm) com 34,3% e na
classe 1 (< 6 cm) com 32,9%. Já no cerrado s.r., as classes não diferiram
significativamente quanto ao número de indivíduos, como pode ser visto nas classes 1
(< 6 cm) com 27,5%, classe 4 (> 10 cm) com 28,1% e classe 2 (6,1 - 8 cm) com
26,4% (X2 = 4,7, df = 3, p = 0,18). Isso indica que o campo sujo passa por um estágio
de sucessão com muitos indivíduos bem desenvolvidos e muitos em estágio inicial de
desenvolvimento. Já no cerrado s.r., a relativa equitabilidade entre as classes de
diâmetro indica um estágio de desenvolvimento clímax. Muitos estudos para esse tipo
de comunidade (savânica) têm mostrado um padrão onde a maioria dos indivíduos
está nas classes de diâmetro mais baixas (chamado padrão de J invertido), indicando,
por exemplo, que essas comunidades estão passando por um processo de regeneração
(Assunção & Felfili 2004; Moura et al. 2007).

Tabela 4. Distribuição dos indivíduos nas diferentes classes de diâmetro em fitofisionomias de


campo sujo e cerrado sentido restrito na Floresta Nacional de Silvânia, Goiás, Brasil.

% de
N de N de
indivíduos % de indivíduos
Classes indivíduos no Indivíduos no
no campo no cerrado
campo sujo cerrado
sujo
Classe 1 (< 6 cm) 24 32,9 49 27,5
Classe 2 (6,1 - 8 cm) 15 20,5 47 26,4
Classe 3 (8,1 - 10 cm) 9 12,3 32 18,0
Classe 4 (> 10 cm) 25 34,3 50 28,1
Total 73 100 178 100

A altura dos indivíduos no campo sujo variou entre 0,9 e 6 m (média de 2,47
+ 0,9 m). No cerrado s.r. a altura variou entre 0,5 e 6 m (média de 2,4 + 1,07 m). As
maiores alturas foram representadas por um indivíduo de Schefflera macrocarpa
(Cham. & Schltdl.) Frodin no campo sujo e de S. paniculatum, Q. grandiflora,
Terminalia argentea Mart. e Caryocar brasiliense Cambess. no cerrado s.r., todos
com 6 m de altura. Considerando-se as quatro classes de altura que foram
estabelecidas para a análise da estratificação vertical (Tabela 5), no campo sujo, a
diferença entre as classes foi significativa (X2 = 26,4, df = 3, p < 0,001), sendo que a
maioria dos indivíduos (41,1%) teve altura menor que 2 m, estando presentes na

Insula, 41: 42-58. 2012 www.periodicos.ufsc.br/index.php/insula


53
Araújo, W.S.; Porfirio Junior, E.D.; Francener, A. & Hall, C.F.

classe 1. Da mesma forma a frequência de indivíduos entre as classes de altura diferiu


no cerrado s.r. (X2 = 74,0, df = 3, p < 0,001), onde 42,1% dos indivíduos estiveram na
classe 2, entre 2,1 e 3 m de altura. Apesar dessas diferenças, a altura média entre as
duas fitofisionomias variou pouco. Esses resultados indicam que ambas as vegetações
apresentam uma grande proporção de indivíduos jovens (Assunção & Felfili 2004).
O índice de Shannon (H') encontrado para o cerrado s.r. foi de 3,48
nats/indivíduo e com valores similares ocorreu nas 11 áreas de cerrado s.r. estudadas
por Felfili et al. (1997), que variou entre 3,11 e 3,56 nats/indivíduo. O índice de
equabilidade de Pielou (J') encontrado foi de 0,87. Para o campo sujo foram
encontrados H' = 2,91 e J' = 0,87, valores também altos para esse tipo de vegetação
(ver Felfili et al. 2004). Estes índices evidenciam uma alta diversidade de espécies
para a área em estudo.
Quando comparadas quanto à composição e estrutura, as duas fitofisionomias
estudadas apresentam semelhanças. A densidade absoluta foi de 730 indivíduos/ha no
campo sujo e 1125 indivíduos/ha no cerrado s.r., já a área basal total foi de 5,32 m 2/ha
e 1,95 m2/ha, no cerrado s.r. e no campo sujo, respectivamente. Quanto à área basal,
S. ferrugineus, por exemplo, que foi a mais representativa no campo sujo, foi a
terceira no cerrado s.r. O mesmo acontece com K. coriacea, P. rotundifolia,
Byrsonima pachyphylla A.Juss. e Tabebuia aurea (Silva Manso) Benth. & Hook. f. ex
S. Moore, importantes em ambas as formações vegetais.

Tabela 5. Distribuição dos indivíduos nas diferentes classes de altura em fitofisionomias de


campo sujo e cerrado sentido restrito na Floresta Nacional de Silvânia, Goiás, Brasil.

N de
% de N de % de
indivíduos
Classes indivíduos no Indivíduos no indivíduos no
no campo
campo sujo cerrado cerrado
sujo

Classe 1 (< 2 m) 30 41,1 70 39,3


Classe 2 (2,1 – 3 m) 25 34,2 75 42,1
Classe 3 (3,1 – 4,9 m) 17 23,3 25 14,0
Classe 4 (> 5 m) 1 1,4 8 4,5
Total 73 100 178 100

Comparado à Serra Negra, GO, que tem 97 espécies listadas (Felfili & Silva
Júnior 2005), o cerrado s.r. da FLONA-Silvânia apresenta uma riqueza relativamente
baixa (52 spp.) (Tabela 6). Por outro lado, para o local foi registrado um índice de
Shannon elevado (3,48) e o maior valor de equitabilidade (0,87) entre os estudos
comparados (Tabela 6).

Insula, 41: 42-58. 2012 54


Composição florística e estrutura fitossociológica de áreas de campo sujo e cerrado sentido restrito na Floresta Nacional
de Silvânia, Goiás, Brasil

Tabela 6. Parâmetros das comunidades lenhosas observadas em diferentes tipos de cerrado


sentido restrito, em várias localidades do Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso, Centro-Oeste
do Brasil.

Parâmetros
Local Método Fitofisionomia Fonte
A B C D E
Floresta Nacional Presente
Parcela Cerrado típico 52 1.125 5,32 3,48 0,87
de Silvânia, GO estudo
Área de Proteção Assunção
Ambiental do Parcela Cerrado típico 54 882 9,53 3,41 - & Felfili
Paranoá, DF 2004
Área de Proteção
Ambiental Gama- Felfili et
Parcela Cerrado típico 66 1.396 10,64 3,56 -
Cabeça de Veado, al. 1993
DF
Estação Ecológica
Felfili et
de Águas Parcela Cerrado típico 72 1.396 10,76 3,62 -
al. 1993
Emendadas, DF
Fonseca &
Jardim Botânico
Silva
de Brasília, DF Parcela Cerrado típico 53 1.219 8,6 3,16 -
Júnior
(interflúvio)
2004
Fonseca &
Jardim Botânico
Silva
de Brasília, DF Parcela Cerrado típico 54 970 6,7 3,4 -
Júnior
(vale)
2004
Município de Felfili et
Parcela Cerrado típico 80 995 7,5 3,69 0,84
Água Boa, MT al. 2002
Felfili &
Município de Alto Silva
Parcela Cerrado típico 92 944 8,05 3,46 0,76
Paraíso, GO Júnior
2005
Município de Cerrado Amaral et
Parcela 51 631 3,67 3,08 -
Brasília, DF rupestre al. 2006
Município de Nogueira
Parcela Cerrado típico 88 1.285 9,5 3,78 0,84
Canarana, MT et al. 2001
Felfili &
Município de Silva
Parcela Cerrado típico 97 1.271 9,55 3,57 0,78
Serra Negra, GO Júnior
2005
Município de Felfili et
Parcela Cerrado típico 68 1.348 11,3 3,31 -
Silvânia, GO al. 1993
Norte de Goiás e
Cerrado Felfili &
Sul do Tocantins, Parcela 87 836 8,44 2,87 0,78
rupestre Fagg 2007
GO/TO
Parque Estadual
da Serra de Quadra Silva et al.
Cerrado típico 67 1.907 - - -
Caldas Novas, nte 2002
GO

Insula, 41: 42-58. 2012 www.periodicos.ufsc.br/index.php/insula


55
Araújo, W.S.; Porfirio Junior, E.D.; Francener, A. & Hall, C.F.

Tabela 6.
Continuação
Parque Estadual Cerrado Moura et
Parcela 56 507 3,91 3,33 0,82
dos Pireneus, GO rupestre al. 2007
Felfili &
Parque Nacional
Silva-
da Chapada dos Parcela Cerrado típico 85 1.110 8,92 3,49 0,78
Júnior
Veadeiros, GO
2005
Parque Nacional Felfili et
Parcela Cerrado típico 55 1036 8,32 3,34 -
de Brasília, DF al. 1993
Reserva
Cerrado Andrade
Ecológica do Parcela 63 1.964 13,28 3,53 0,85
denso et al. 2002
IBGE, DF
Felfili &
Serra da Mesa, Silva
Parcela Cerrado típico 91 1.019 9,17 3,56 0,79
GO Júnior
2005

Legenda: A = riqueza (número de espécies); B = densidade (número de indivíduos por


hectare); C = área basal (m2); D = índice de diversidade de Shannon (H’); E = índice de
equabilidade de Pielou (J’).

Esse é o primeiro estudo sobre a estrutura florística da FLONA-Silvânia e já


demonstra resultados interessantes, pois mostram que as comunidades lenhosas de
campo sujo e cerrado s.r., apesar de não apresentarem um número grande de espécies,
abrigam uma alta equitabilidade e diversidade. Além disso, esse trabalho representa a
primeira contribuição sobre os campos sujos da região, uma vez que, levantamentos
nesse tipo de vegetação no Centro-Oeste são escassos, e.g. (Tannus & Assis 2004).
De uma maneira geral esse trabalho é importante por elucidar parâmetros da
comunidade vegetal que permitem, por exemplo, conhecer a estrutura da vegetação da
região, bem como espécies da flora que podem ser importantes para a manutenção de
outras populações de plantas e animais. Entretanto, sugerimos que novos estudos
sobre fenologia e ecologia das espécies, bem como, estudos florísticos e
fitossociológicos mais longos e englobando as demais fitofisionomias, são ainda
necessários e encorajados para um maior conhecimento da flora da unidade.

Agradecimentos
Ao ICM-Bio pela oportunidade de desenvolver o trabalho na unidade, aos
funcionários da FLONA-Silvânia e pesquisadores do IPAAC pelo apoio logístico nos
trabalhos de campo.

Referências
Andrade, L.A.Z.; Felfili, J.M.; Violatti, L. 2002. Fitossociologia de uma área de cerrado
denso da RECOR-IBGE. Acta Botanica Brasilica 16: 225-240.

Insula, 41: 42-58. 2012 56


Composição florística e estrutura fitossociológica de áreas de campo sujo e cerrado sentido restrito na Floresta Nacional
de Silvânia, Goiás, Brasil

Assunção, S.L.; Felfili, J.M. 2004. Fitossociologia de um fragmento de cerrado sensu


stricto na APA do Paranoá, DF, Brasil. Acta Botanica Brasilica 18: 903-909.
Cunha, H.F.; Ferreira, A.A.; Brandão, D. 2007. Composição e fragmentação do
Cerrado em Goiás usando Sistema de Informação Geográfica (SIG). Boletim
Goiano de Geografia 27: 139-152.
Felfili, J.M.; Nogueira, P.E.; Silva Júnior, M.C.; Marimon, B.S.; Delitti, W.B.C.
2002. Composição florística e fitossociologia do cerrado sentido restrito no
município de Água Boa – MT. Acta Botanica Brasilica 16: 103-112.
Felfili, J.M.; Silva Júnior, M.C. 2005. Diversidade alfa e beta no cerrado sensu
stricto, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e Bahia. In: Scariot, A.; Sousa-
Silva, J.C.; Felfili, J.M. (Orgs.). Cerrado: ecologia, biodiversidade e
conservação. Brasília: Ministério do Meio Ambiente. p. 143-154.
Felfili, J.M.; Silva Júnior, M.C.; Rezende, A.V.; Nogueira, P.E.; Walter, B.M.T.;
Felfili, M.C.; Silva, M.A.; Encinas, J.I. 1997. Comparação florística e
fitossociológica do cerrado nas Chapadas Pratinha e dos Veadeiros. In: Leite,
L.L.; Saito, C.H. (Eds.). Contribuição ao conhecimento ecológico do Cerrado.
Brasília: Editora da Universidade de Brasília. p. 6-11.
Felfili, J.M.; Silva Júnior, M.C.; Sevilha, A.C.; Fagg, C.W.; Walter, B.M.T.; Nogueira,
P.E.; Rezende, A.V. 2004. Diversity, floristic and structural patterns of cerrado
vegetation in Central Brazil. Plant Ecology 175: 37-46.
Felfili, J.M.; Venturoli, F. 2000. Comunicações Técnicas Florestais: Tópicos de
análise de vegetação. 2(2): 1-34.
Fonseca, M.S.; Silva Júnior, M.C. 2004. Fitossociologia e similaridade florística
entre trechos de Cerrado sentido restrito em interflúvio e em vale no Jardim
Botânico de Brasília, DF. Acta Botanica Brasilica 18: 19-29.
Francener, A.; Hall, C.F.; Porfírio-Júnior, E.D.; Araújo, W.S. 2012. Flora fanerogâmica
da Floresta Nacional de Silvânia, Goiás, Brasil. Enciclopédia Biosfera 8: 1263-
1277.
Klink, C.A.; Machado, R.B. 2005. Conservation of Brazilian Cerrado. Conservation
Biology 19: 707-713.
Lorenzi, H. 1992. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de
plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum. 352 p.
Mendonça, R.C.; Felfili, J.M.; Walter, B.M.T.; Silva Júnior, M.C.; Rezende, A.B.;
Filgueiras, T.S.; Nogueira, P.E.; Fagg, C.W. 2008. Flora vascular do Bioma
Cerrado: checklist com 12.356 espécies. In: Sano, S.M.; Almeida, S.P.; Ribeiro,
J.F. (Orgs.). Cerrado: Ecologia e Flora. Brasília: Embrapa Cerrados. p. 213-
228. v.2.
Morais, A.R.; Bastos, R.P.; Vieira, R.; Signorelli, L. 2012. Herpetofauna da Floresta
Nacional de Silvânia, um remanescente de cerrado no Brasil Central.
Neotropical Biology and Conservation 7: 114-121.
Moura, I.O.; Gomes-Klein, V.L.; Felfili, J.M. 2007. Fitossociologia da comunidade
lenhosa de uma área de cerrado rupestre no Parque Estadual dos Pireneus,
Pirenópolis, Goiás. Revista de Biologia Neotropical 4: 83-100.

Insula, 41: 42-58. 2012 www.periodicos.ufsc.br/index.php/insula


57
Araújo, W.S.; Porfirio Junior, E.D.; Francener, A. & Hall, C.F.

Myers, N.; Mittermeier, R.A.; Mittermeier, C.G.; Fonseca, G.A.B.; Kent, J. 2000.
Biodiversity hotspots for conservation priorities. Nature 403: 853-858.
Oliveira-Filho, A.T.; Ratter, J.A. 2002. Vegetation physionomies and wood flora of
the Cerrado Biome. In: Oliveira, P.S.; Marquis, R.J. (Eds.). The Cerrados of
Brazil: ecology and natural history of a neotropical savanna. New York:
Columbia University Press. p. 91-120.
Ratter, J.A.; Ribeiro, J.F.; Bridgewater, S. 1997. The Brazilian Cerrado Vegetation
and Threats to its Biodiversity. Annals of Botany 80: 223-230.
Ribeiro, J.F.; Walter, B.M.T. 1998. Fitofisionomias do bioma Cerrado, p.89-168. In:
S.M. Sano & S.P. Almeida (Eds.). Cerrado: ambiente e flora. Planaltina:
Embrapa/CPAC. p. 89-168.
Silva, L.O.; Costa, D.A.; Filho K.E.S.; Brandão, D. 2002. Levantamento florístico e
fitossociológico em duas áreas de cerrado sensu stricto no Parque Estadual da
Serra de Caldas Novas, Goiás. Acta Botanica Brasilica 16: 43-53.
Silva Júnior, M.C. 2005. 100 Árvores do Cerrado: guia de campo. Brasília: Rede
de Sementes do Cerrado. v. 1. 278 p.
Tannus, J.L.S.; Assis, M.A. 2004. Composição de espécies vasculares de campo sujo
e campo úmido em área de cerrado, Itirapina – SP, Brasil. Revista Brasileira de
Botânica 27: 489-506.
The Angiosperm Phylogeny Group. 2009. An update of the Angiosperm Phylogeny
Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III.
Botanical Journal of the Linnean Society 161: 105-121.

Insula, 41: 42-58. 2012 58

Você também pode gostar