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Estruturas e Funções dos Carboidratos

Os carboidratos desempenham diversas funções vitais como fonte de energia, estrutura celular e reconhecimento celular. Eles podem ser classificados em monossacarídeos, dissacarídeos e polissacarídeos. Os monossacarídeos mais comuns são a D-glicose, D-galactose e D-manose e podem ocorrer nas formas cíclicas piranose ou furanose.
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Estruturas e Funções dos Carboidratos

Os carboidratos desempenham diversas funções vitais como fonte de energia, estrutura celular e reconhecimento celular. Eles podem ser classificados em monossacarídeos, dissacarídeos e polissacarídeos. Os monossacarídeos mais comuns são a D-glicose, D-galactose e D-manose e podem ocorrer nas formas cíclicas piranose ou furanose.
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Carboidratos

São as biomoléculas mais abundantes do planeta e desempenham diversas funções: podem ser usados
como fonte de energia (açúcar e amido), na formação estrutural e na parede celular de algumas
bactérias e das plantas (celulose), como lubrificantes, atuam também no processo de adesão e
reconhecimento celular.

Podem formar compostos conjugados ao se combinarem, covalentemente, a outros compostos, como


proteínas ou lipídios, e atuam como sinais que determinam a posição intracelular ou o destino metabólico.

Os carboidratos [hidratos de carbono] são poli-hidroxialdeídos ou poli-hidroxi-cetonas com formação


básica (CH2O)n , alguns possuem N, P ou S na composição.

Classificação
Monossacarí deos
 São açúcares simples, sólidos cristalinos, incolores e solúveis na água;
 Constituídos por uma unidade poli-hidroxicetona ou poli-hidroxialdeído (cetoses ou aldoses);
 Possuem propriedade típicas de aldeídos e cetonas, como a capacidade de reduzir agentes
oxidantes fracos.
 Exemplos: o mais comum é a D-glicose

 Recebem nomes de acordo com a quantidade de C e funções.

 Em alguns casos, os átomos de C aos quais os grupos OH se ligam são quirais -> quantidade de
estereoisômeros  Importância: atividade enzimática estereoespecíficas.
 Os esqueletos dos monossacarídeos comuns são compostos por cadeias de carbono não
ramificadas, com ligação simples entre os C
 Um C faz ligação dupla com oxigênio, formando grupo carbonil, os outros C estão ligados,
cada um, a um grupo hidroxila.
 Se o grupo carbonil está na extremidade – um aldeído = aldose
 Se o grupo carbonil está em outras posições – cetona = cetose
1. Centros assimétricos

 Todos os monossacarídeos, exceto a di-hidroxiacetona,


contêm um ou mais átomos de carbono assimétricos
(quirais) e ocorrem em formas isoméricas opticamente
ativas.
 A aldose mais simples é o gliceraldeído, possui um
centro quiral e 2 enantiômeros.
 As moléculas com n centros quirais podem ter 2n
estereoisômeros
 Para cada comprimento de cadeia, os estereoisômeros
podem ser divididos em 2 grupos que se diferem quanto à
configuração do centro quiral mais distante do C do grupo
carbonil.
 Quando a configuração é igual à do D-gliceraldeído, o
grupo OH do C referência está à direita em fórmula de
projeção em que o carbonil esteja no topo – isômero D
(maioria das hexoses)
 Se a configuração for diferente da do D-gliceraldeído,
com a hidroxila a esquerda – isômero L
 Os carbonos começam a ser numerados a partir da
extremidade da cadeia mais próxima ao grupo carbonil
2. Estrutura cíclica
 Em solução aquosa, os monossacarídeos de 5 ou + C tendem a formar estruturas cíclicas, em que o
grupo carbonil está formando uma ligação covalente com o oxigênio da OH.
 A ciclização das estruturas é resultado da reação entre álcoois e aldeídos/cetonas formando
hemiacetais ou hemicetais)
 2 álcoois podem ser adicionados ao carbonil; a primeira adição gera um hemiacetal, se for
uma aldose ou um hemicetal, se for uma cetose.

 Se OH e carbonil forem da mesma molécula há formação de um anel com 5-6 membros


 A adição de uma segunda molécula produz o acetal ou cetal completo por ligação
glicosídica. Se as duas moléculas forem monossacarídeos, o cetal ou o acetal será um
dissacarídeo.
 A primeira reação com o álcool cria um centro quiral adicional.
 O álcool pode ser adicionado de duas formas (pela frente ou por trás), podendo produzir 2
configurações diferentes (α e β)
 As formas α e β não são imagens especulares (diastereoisômeros). As enzimas são
capazes de distinguir entre as duas estruturas e de utilizar uma delas
preferencialmente
 Quando a hidroxila anomérica de D-hexose estiver no mesmo lado do anel que C6 =
estrutura β. Em lados opostos = estrutura α
 Os anômeros cíclicos, em solução aquosa, se encontram em equilíbrio e podem ser,
espontaneamente, interconvertidos – reação de mutarrotação
 A reação de mutarrotação envolve a abertura do anel, formando brevemente uma
cadeia linear, e então se fecha formando o composto. Por exemplo, uma solução
de α -D-glicose e uma solução de β -D-glicose, formarão, ao final, misturas de
equilíbrio idênticas com propriedades ópticas idênticas.

 As formas isoméricas dos monossacarídeos que diferem apenas na configuração do átomo


de C hemiacetal ou hemicetal são chamadas de anômeros; o C é chamado de
anomérico, (não entendi)
 Os epímeros: carboidratos isômeros que diferem na sua configuração ao redor de apenas um C
(exceto o carbono da carbonila).
 Ex: glicose e galactose são epímeros em C-4, ou seja suas estruturas divergem apenas na
posição da hidroxila no carbono 4

 Os compostos com anéis de 6 membros são chamados de piranoses. Nesses compostos, o o grupo
OH em C5 (ou C6) reage com o grupo cetona em C2, formando um anel furanose, contendo uma
ligação hemiacetal – é o caso da D-frutose
 Detalhe não muito importante: as estruturas cíclicas são melhores representadas pelas fórmulas em
perspectiva de Haworth do que pelas projeções de Fisher
 Os átomos que compõem o anel das formas cíclicas dos monossacarídeos não se situam no
mesmo plano. As moléculas tendem a assumir outras conformações de menor conteúdo
energético — a conformação mais frequente da glicose é denominada “cadeira”
 Duas conformações de uma molécula são interconversíveis sem quebra de ligações
covalentes, porém duas configurações podem ser interconvertidas somente com a quebra
de uma ligação covalente
 Na conversão das configurações α e β, a ligação do oxigênio precisa ser rompida. Na
conversão de duas formas em cadeiras não há necessidade de quebra de ligações nem
de alterações de configurações

3. Diversidade de hexoses:
 Hexoses simples: glicose, galactose e manose
 Variedade de derivados de açúcar em que OH do composto parental é substituído por outro
grupo ou um átomo de C é oxidado a um grupo carboxil.
 Glicosamina, galactosamina e manosina: hidroxila do C2 é substituída por grupo amino,
normalmente condensado ao ácido acético
 Na glicose, a oxidação do carbono do carbonil a carboxil -> ácido gliconico
 IMPORTÂNCIA CLÍNICA: usado com um contríon inócuo na administração de fármacos
carregados +
 Algumas aldoses geram ácidos aldonicos
 A oxidação do C6 da glicose, galactose e da manose gera acido uônico correspondente.
 Muito frequentemente, durante a síntese e o metabolismo de carboidratos, os intermediários não
são os derivados fosfosrilados dos açúcares
 Os açúcares fosforilados são relativamente estáveis em pH neutro e têm carga negativa.
 Um dos efeitos da fosforilação intracelular de açúcares é o confinamento do açúcar dentro da
célula, uma vez que a maioria das células não tem transportadores para açúcares.

4. Ação redutora
 Os monossacarídeos podem ser oxidados por agentes oxidantes suaves, com o íon cúprico Cu 2+
-> o carbono do carboxil é oxidado a carboxila
 A oxidação de um açúcar pelo íon cúprico ocorre apenas na forma linear.
 Os açúcares redutores são aqueles, como a glicose, capazes de reduzirem o Cu 2+ - essa oxidação
gera uma mistura complexa de 2 ácidos carboxílicos; isso foi é o princípio usado na reação de
Fehling [teste para detectar a presença de açúcar redutor em uma solução – foi muito usado
para o diagnóstico da glicose]
 Importância clínica:
Dissacarí deos
 Consistem em cadeias curtas de unidades de monossacarídeos unidas por ligações glicosídicas.
 Exemplos de dissacarídeos: sacarose (glicose + frutose) e lactose (glicose e galactose)

1. Ligação glicosídica
 As ligações glicosídicas são formadas quando há reação de OH de uma molécula cíclica
com um C anomérico de outro açúcar -> formação de um acetal (glicosídeo)
 Podem ser hidrolisadas por ácidos; assim, podem ser hidrolisados para formar os
monossacarídeos parentais por fervura em ácido diluído
 A formação da ligação glicosídica gera um açúcar não redutor, em função da forma
linear.
 Extremidade redutora: a extremidade da cadeia dissacarídica com um carbono anomérico
livre – se estiver presente = dissacarídeo redutor
 O resíduo de glicose com o carbono anomérico pode ser α ou β
 Maltose (dissacarídeo redutor)
 União de D-glicose + D-glicose entre C1 e de uma cadeia e C4
de outra
 A configuração do C anomérico livre é α -> ligação α -1,4

 Lactose (dissacarídeo redutor)


 União de D-galactose + D-glicose
 Carbono anomérico livre no resíduo de glicose
 Sacarose
 Glicose + frutose
 Não contém carbono anomérico livre; ambas extremidades envolvidas por ligação
glicosídica  açúcar não redutor
 Possui estabilidade em relação à oxidação -> adequada ao armazenamento e
transporte de energia em plantas
 Principal intermediário da fotossíntese
 Trealose
 D-glicose + D-glicose (1,1); não redutor
 Participa da formação da hemolinfa dos insetos
 Armazenamento de energia; uso comercial como adoçante

Percepção do sabor doce:


Pol issacarídeos (gl icanos)
 São os principais açucares encontrados na natureza; são polímeros de carboidrato com mais de 20
unidades de monossacarídeos. Exs: celulose, glicogênio
 Diferem-se entre si pela identidade das unidades monossacarídeas repetidas, comprimento da
cadeia, no grau de ramificação e nos tipos de ligação
 Os homopolissacarídeos possuem apenas uma espécie monomérica.
 Exemplos: amido e glicogênio (armazenamento de energia); celulose e quitina (estruturais)
 Os heteropolissacarídeos possuem mais de 1tipo de unidade monomérica; fornecem suporte para
os organismos.
 Exemplos: peptideoglicano (envelope celular bacteriano) é parcialmente constituído por
um heteropolissacarídeo
 Não possuem massa molecular definida.
 Para a síntese de polissacarídeos não há moldes; o processo é feito por um programa de síntese de
polissacarídeos intrínseco à atividade enzimática que catalisa a polimerização das unidade
monoméricas. Não há ponto de parada -> variedade de comprimento.
 Os polissacarídeos, podem ser Insolúveis (fibras alimentares ou dietéticas)
 São polímeros de carboidratos, com três ou mais unidades monoméricas, e lignina – um
polímero de fenilpropano
 São resistentes à ação enzimática.
 São classificadas como: solúveis, viscosas ou facilmente fermentáveis no cólon, como a
pectina, ou como fibras insolúveis, p. ex. o farelo de trigo.
 IMPORTÂNCIA CLÍNICA: a metilcelulose, um polissacarídeo insolúvel, é usado como laxativo
para tratar constipação.
Referência: https://www.scielo.br/j/abem/a/PZdwfM5xZKG8BmB9YH59crf/?format=pdf&lang=pt
 Principais polissacarídeos

1. Polissacarídeos de reserva energética


 Os principais são: amido e glicogênio; ambos ocorrem em grânulos intracelulares e são
moléculas muito hidratadas (grande quantidade de OH).
 O glicogênio e o amido ingeridos na dieta são hidrolisados por α-amilases e glicosidases,
enzimas presentes na saliva e no intestino que rompem ligações glicosídicas (α-1,4) entre as
unidades de glicose
 Amido:
 É a principal fonte de armazenamento vegetal
 Formado por 2 polímeros de glicose, a amilose (cadeia longa e não ramificada,
ligações α-1,4) e a amilopectina (cadeia muito ramificada, ligações α-1,4; nas
ramificações as ligações são α-1,6)

(amilopectina)

 Glicogênio
 Principal fonte de armazenamento animal
 Formado por subunidades de glicose ligadas por α-1,4, com ligações α-1,6 nas
ramificações; estrutura muito ramificada
 É abundante no fígado e está presente no m.esquelético
 Nos hepatócitos, é encontrado me grandes grânulos, que são o agrupamento de
vários pequenos grânulos com 1 molécula de glicogênio; os grânulos são firmemente
ligados às enzimas responsáveis pela síntese e degradação
 Cada ramificação do glicogênio termina em uma unidade de açúcar não redutora;
uma molécula de glicogênio com n ramificações tem n+1 extremidades não
redutoras, mas apenas uma extremidade redutora que se liga à glicogenia (proteína
que inicia a síntese do glicogênio)
 A molécula de glicogênio assemelha-se a uma esfera, composta por camadas
concêntricas de cadeias ramificadas, basicamente, e de cadeias lineares
periféricas;
 Quando se usa o glicogênio como fonte de energia, as unidades de glicose são
removidas uma de cada vez a partir da extremidade não redutoras; as enzimas
atuam em várias ramificações
 A glicose é armazenada na forma de glicogênio porque, se fosse armazenada
glicose monomérica, a osmolaridade do citosol seria muito elevada, causando
entrada de água -> rompimento celular
 Dextranas:
 Polissacarídeos bacteriano e de leveduras
 São composto por resíduos de D-glicose, em ligações α-1,6, com ramificações
ligadas por α-1,3, ou α-1,2 ou α-1,4
 A placa dentária é formada por bactérias e é rica em dextranas, molécula adesiva
 Fornecem uma fonte de glicose para o metabolismo bacteriano
 Dextranas sintéticas são usadas em produtos comerciais que servem para o
fracionamento de proteínas por cromatografia; dextranas ligadas por ligações
cruzadas, formando materiais insolúveis,
2. Polissacarídeos estruturais
 Celulose
 Substancia fibrosa, resistente e insolúvel em agua, é encontrada na parede celular
de plantas (caule, troncos amadeirados ...)
 É um homopolissacarídeo linear e não ramificado; os resíduos de glicose possuem
configuração β e estão ligados por β-1,4
 Pela natureza rígida e fibrosa, a celulose é útil em produtos comerciais das industrias
do papel e têxtil
 A maioria dos vertebrados não conseguem utilizar a glicose como fonte energética,
pois não possuem a enzima capaz de hidrolisar as ligações β-1,4
 Alguns animais, como os cupins, conseguem digerir a celulose pela presença de
bactérias no TGI que conseguem produzir celulase. Os ruminantes também possuem
relação simbiótica com microrganismos capazes de hidrolisar a celulose.
 A celulose pode gerar a biomassa usada como matéria prima na produção de
etanol -> fermentação dos carboidratos a álcool

 Quitina
 Homopolissacarídeo linear composto por resíduos de N-acetilglicosamina em
ligações β-1,4
 A principal diferença da quitina com a celulose está na troca de OH em C2 por um
grupo amina acetilado
 Forma longas fibras e não pode ser digerida por vertebrados
 É o principal componente do exoesqueleto dos artrópodes
3. Enovelamento

 Semelhante ao processo das proteínas.


Subunidades de estruturas rígidas formam
estruturas 3D estabilizadas por interações
fracas dentro da própria molécula ou
intermoleculares – ligações de H, interações
hidrofóbicas, interações de van der Waals
 Como os polissacarídeos possuem muitos
grupos OH, as ligações de H são mais
importantes.
 O glicogênio, o amido e a celulose são
compostos por subunidades com anel de 6
membros (piranose), tais como
oligossacarídeos de glicoproteínas e
glicolipídios.
 São representadas como uma série de
rígidos anéis de piranose conectados
por uma ligação glicosídica
 Em princípio, há livre rotação ao redor
das ligações C-O, porém nos
polipeptídeos essa rotação é limitada
pelo impedimento estérico gerado
pelos substituintes
 O volume do anel de piranose e os substituintes, e os efeitos eletrônicos sobre o C
anomérico, constrigem os ângulos Φ e Ψ = diferença de estabilidade entre as
conformações
 A estrutura 3D mais estável para cadeias α-1,4 do amido e do glicogênio é uma
hélice firmemente enrolada estabilizada por ligações H
 A amilose, que não possui ramificações, possui estrutura regular permitindo a cristalização e
a determinação da estrutura por difração de raios X
 Plano médio de ligação forma um ângulo de 60° -> estrutura em hélice com 6
resíduos por volta
 O centro da hélice da amilose tem precisamente as dimensões corretas para
acomodar íons iodo, formando um complexo azul intenso -> teste para a presença
da amilose.
 Para a celulose, a conformação mais estável é a que possibilita que cada cadeia gire 180°
em relação a sua vizinha, gerando uma cadeia reta e estendida.
 Nessa forma, todos os grupos OH estão disponíveis para as ligações de H com as
cadeias vizinhas
 Com as cadeias estendendo-se lado a lado, uma rede estabilizada por ligações de
H intercadeia e intracadeia produz fibras supramoleculares retas e estáveis, com
resistência à tensão.
 O grande número de ligações de H entre as cadeias da molécula esgota sua
capacidade para formar ligações com a água.
4. Heteropolissacarideos estruturais
 Peptideoglicano
 É um heteropolímero de resíduos alternados de N-acetilglicosamina e ácido N-
acetilmurâmico unidos por ligações β-1,4
 Componente rígido das paredes celulares bacterianas
 Polímeros lineares lado a lado na parede celular cruzadamente ligados por
peptídeos curtos. Essas ligações cruzadas dos peptídeos juntam as cadeias em uma
bainha que envolve a célula inteira e impede a entrada de água e lise celular
 IMPORTÂNCIA CLÍNICA: a lisozima é bactericida por hidrolisar as ligações β-1,4;
antibióticos, como a penicilina, agem impedindo a formação das ligações cruzadas
 Agarose – ágar
 O ágar está presente na parede celular de algas marinhas vermelhas; é uma mistura
de heteropolissacarídeos sulfatados compostos por D-galactose e um derivado de L-
galactose, unidos por ligação de éster entre C3 e C6.
 Agarose: um componente do ágar com menos grupos carregados; possui a
propriedade singular de formar géis
 Ao ser aquecida e resfriada, a agarose forma uma hélice dupla com 2
moléculas paralelas enroladas, com uma volta da hélice a cada 3 resíduos
 Essas estruturas helicoidais se associam formando o gel
5. Glicosaminoglicanos

 São os principais componentes da matriz extracelular


dos tecidos; formam uma família de polímeros lineares
compostos por unidades de dissacarídeos repetidas.
 Um dos compostos deve ser N-acetilglicosamina ou N-
acetilgalactosamina; o outro pode variar, mas geralmente é
um dos ácidos urônicos. Alguns glicosaminoglicanos possuem
grupos sulfato esterificados
 A combinação grupos sulfato e caborxilato gera uma
densidade muito grande de cargas negativas, para solucionar
isso, em solução, as moléculas adotam conformação
estendida, formando uma hélice em bastão alternando os
grupos carboxilato em lados opostos.
 O padrão dos resíduos de açúcar sulfatados e não
sulfatados específico para cada glicosaminoglicano
proporciona que diferentes ligantes proteicos sejam
reconhecidos especificamente
 Ácido hialurônico: forma soluções claras, viscosas
(lubrificante no liquido sinovial, gel do humor vítreo), compõe a
MEC de tendões e cartilagens
 Auxilia na elasticidade e tensão
 IMPORTANCIA CLÍNICA: hialuronidase, enzima
secretada por bactérias, hidrolisa as ligações do ácido
hialurônico, tornando os tecidos mais suscetíveis a infecção; os
SPTZ possuem uma enzima similar para degradar o
revestimento do ovulo
 Os outros glicosaminoglicanos se diferenciam do ácido
hialurônico por: serem mais curtos, estarem ligados a proteínas
(proteoglicanos) e terem unidades monoméricas distintas
 Sulfato de condroitina: auxilia na resistência dos
tendões, ligamentos ...
 O dermatan-sulfato auxilia na flexibilidade da pele, está
presente em vasos sanguíneos e válvulas cardíacas. Nesse polímero, muitos dos resíduos de
glicuronato presentes no sulfato de condroitina estão substituídos por seu 5-epímero, L-
iduronato(IdoA).
 Queratan-sulfato: não possui ácido uronico e o conteúdo sulfatado é variado; presente em
caetilagens e estruturas córneas formadas por células mortas.
 Heparan-sulfato: contém arranjos variados de açucares sulfatados e não sulfatados. Os
segmentos sulfatados permitem a interação com um grande número de proteínas, incluindo
fatores de crescimento e componentes da MEC.
 Heparina é uma forma fracionada, derivada de mastócitos; agente terapêutico da
inibição da coagulação sanguínea.
 A heparina se liga a antitrombina, um inibidor de proteases, que se liga de
forma inibitória à trombina
METABOLISMO DE CARBOIDRATOS
O ATP

Glicólise
Após a digestão dos carboidratos, o produto final é, em maioria, a glicose (80%) e, em menor grau, frutose
e galactose.

 A frutose e a galactose são convertidas em glicose no fígado.


 As células hepáticas realizam as interconversões entre os monossacarídeos.
Antes de ser oxidada, a glicose precisa ser transportada através da membrana para o citoplasma.

 A glicose não pode se difundir através da membrana pelos poros celulares, pois é muito grande. O
transporte é realizado via difusão facilitada por proteínas carreadoras
 Na membrana do TGI e no epitélio dos túbulos renais, o mecanismo de transporte é outro.
 A insulina aumenta a difusão facilitada da glicose.
□ Após a secreção da insulina, o transporte de glicose pela membrana pode ser aumentado
em até 10x
□ A quantidade de glicose que pode se difundir para o interior da maioria das células do
organismo na ausência de insulina, exceto nas células hepáticas e cerebrais, é muito
pequena.

A oxidação completa da glicose ocorre com uma variação energética de -2840kJ/mol. Quando há
aumento da demanda energética, a glicose é liberada e usada para liberar ATP, de forma anaeróbia ou
aeróbia.

A glicose, além de fornecer uma grande quantidade de energia também é precursora de vários
intermediários metabólicos em reações biossintéticas.

 Em animais e plantas vasculares, a glicose possui 4 destinos: síntese de polissacarídeos complexos,


ser armazenada na forma de sacarose, glicogênio (animais) ou amido (plantas), oxidada a
piruvato pela glicólise ou ser oxidada pelas vias pentose-fosfato, produzindo ribose-5-fosfato para
síntese de ácidos nucleicos e de NADPH

Na glicólise uma molécula de glicose é degradada em uma serie de reações catalisadas, gerando 2
piruvato. Durante as reações, parte da energia livre da glicose é conservada na forma de ATP e NADH.
A glicólise é uma via central do catabolismo da glicose, podendo ser a única fonte energética em alguns
tecidos de mamíferos.

A glicólise difere entre as espécies apenas em alguns detalhes de sua regulação e no destino metabólico
subsequente do piruvato formado. Os princípios termodinâmicos e os tipos de mecanismos regulatórios
que governam a glicólise são comuns a todas as vias do metabolismo celular.

O processo contém 10 etapas divididas em duas fases; a primeira é a fase preparatória e a segunda é
a fase de pagamento.

1. Fases
a. Fase preparatória

 Ao final da fase preparatória, a molécula de hexose estará fosforilada em C-1 e C-6 e


então clivada para formar duas moléculas de gliceraldeído-3-fosfato.
 Etapas:
i. ETAPA 1: Glicose é fosforilada no grupo hidroxila ligado ao C6  formação da
glicose-6-fosfato

 Reação irreversível, catalisada pela enzima hexocinase (necessita de


Mg2+ para funcionar)
 O Mg2+ protege as cargas negativas do grupo fosforil do ATP, facilitando
o ataque nucleofílico por um grupo OH
 A hexocinase sofre mudança conformacional ao se ligar a glicose –
aproxima o ATP a glicose e bloqueia o acesso da água.
 O genoma humano possui 4 tipos de hexocinases (isoenzimas)
 GASTO DE ATP
ii. ETAPA 2: glicose-6-fosfato é fosforilada em C1 -> formação da frutose-6-fosfato –
enzima fosfo-hexose-isomerase

 Etapa reversível
 O mecanismo dessa reação envolve um intermediário enediol

iii. ETAPA 3: Fosforilação da frutose-6-fosfato -> liberação de frutose-1,6-bisfosfato –-1


 ação da fosfofrutocinase (PFK-1)
 GASTO DE ATP
 Reação irreversível
 Primeira etapa comprometida da via glicolítica
 A PFK-1 está sujeita a uma complexa modulação alostérica – sua
atividade pode ser aumentada sempre que o suprimento de ATP for
reduzido ou quando há acúmulo de ATP, ADP e AMPc e,
consequentemente, estará inibida quando houver altas [ ] desses
compostos.
 A ribose-5-fosfato também pode ativar indiretamente a PFK-1
iv. ETAPA 4: Etapa de lise da frutose-1,6-bifosfato em di-hidroxiacetona-fosfato +
gliceraldeído-3-fosfato
 Reação de condensação alcóolica reversível catalisada pela enzima
aldolase

 Existem duas classes de aldolases: classes I (animais e vegetais) e II


(fungos e bactérias – não formam base de Schiff intermediária)
 A reação tem um variação de energia livre padrão fortemente positiva
no sentido de clivar a frutose-1,6-bifosfato;
v. ETAPA 5: Di-hidroxiacetona é isomerizada em gliceraldeído-3-fosfato – enzima
tiosefosfato-isomerase
 Etapa de interconversão das trioses-fosfato é necessária porque apenas o
gliceraldeído-3-fosfato pode ser degradado.
 Depois da reação, os átomos de carbono (C-1, C-2 e C-3) são
quimicamente indistinguíveis de C-6, C-5 e C-4, respectivamente.
 Ao final da fase preparatória, 2 moléculas de ATP foram consumidas, houve aumento do
conteúdo de energia livre dos intermediários e as cadeias carbônicas foram convertidas
em um produto comum – gliceraldeído-3-fosfato.
b. Fase de pagamento
 Etapa responsável pelo ganho de energia
 ETAPAS:
i. ETAPA 6: oxidação do gliceraldeído-3-fosfato  1,3-bifosfato
 Etapa catalisada pela enzima gliceraldeído-3-fosfato-desidrogenase

 Primeira etapa de conservação energética. FORMAÇÃO DE ATP


 O grupo aldeído é oxidado em um anidrido de ácido carboxílico + acido
fosfórico – acil-fosfato; possui energia livre muito alta, essa energia é
conservada pela formação do acil-fosfato em C1 do 1,3-bifosfoglicerato
 O gliceraldeído-3-fosfato é covalentemente ligado à enzima durante a
reação;
o Grupo aldeído reage com SH de um resíduo de Cys essencial no
sítio ativo -> produção de tio-hemiacetal
o Essa reação com um metal pesado, como o Hg, inibe a atividade
enzimática
 Importância da reciclagem do NAD+, uma vez que está em menor
quantidade que a quantidade de glicose metabolizada.
ii. ETAPA 7: transferência do grupo fosforil do 1,3-bifosfoglicerato a ADP
 Reação reversível catalisada pela enzima fosfoglicerato-cinase
 Ocorre transferência de um gurpo fosforil (alta energia) para o ADP 
ADP + 3-fosfoglicerato
iii. ETAPA 8: conversão de 3-fosfoglicerato a 2-fosfoglicerato
 Reação reversível catalisada pela enzima fosfoglicerato-mutase
 Há deslocamento do grupo fosforil entre C2 e C3 do glicerato –
necessidade de Mg2+

 Reação em 2 etapas
o Grupo fosforil incialmente acoplado a um resíduo de His da
mutase é transferido a um grupo hidroxil em C2 do 3-fosfoglicerato
-> 2,3-BPG
o Transferência do grupo fosforil em C3 da 2,3-BPG para o resíduo
de His -> 2-fosfogliecerato e regeneração da enzima
o A fosfoglicerato-mutase é fosforilada para iniciar o ciclo catalítico.
iv. ETAPA 9: desidratação da 2-fosfoglicerato em fosfoenolpiruvato (PEP)
 Segunda reação com geração de composto com alto potencial de
transferência de grupo fosforil
 Reação reversível catalisada pela enzima enolase
 Remoção de uma molécula de água do 2-fosfoglicerato ->
fosfoenolpiruvato (PEP)

 Há intermediário enólico estabilizado por Mg2+


v. ETAPA 10: transferência de fosforil do fosfoenolpiruvato ao ADP
 É uma reação catalisada pela enzima piruvato-cinase e exige K+ e Mg2+
ou Mn2+
 A nível de substrato, o piruvato resultante aparece incialmente na forma
enólica -> tautomerização -> forma cetônica
 A reação global tem grande variação negativa de energia.
o Cerca de metade da energia liberada pela hidrólise de PEP é
conservada na formação da ligação fosfoanidrido do ATP e o
restante é usado para forçar a reação no sentido da síntese de
ATP
 As etapa 6 e 7 constituem um processo de acoplamento de energia em que 1,3-
bifosfoglicerato é um intermediário comum; formado na primeira reação (endergônica)
e seu grupo acil-fosfato é transferido ao ADP na 2ª reação (exergônica). Na soma, a
reação global é exergônica.

o A etapa 7 consome o produto da etapa 6, mantendo a [1,3-bifosfoglicerato]


baixa
o O acoplamento dessas reações reversíveis garante que a energia liberada na
oxidação (aldeído -> carboxilato) será conservada pela formação de ATP –
fosforliação a nível do substrato
 As etapas de 7-10 promovem a conversão do 1,3-bisfofoglicerato em piruvato com
liberação de energia que será conservada por fosforilação de 4 moléculas de ADP a
ATP
 Rendimento líquido: 2 ATP por molécula de glicose; formação de 2 NADH (transportador
de elétrons)
2. Destinos do piruvato
o O piruvato formado tem 3 rotas metabólicas possíveis.
 Em condições aeróbias, o piruvato é oxidado com a perda do grupo carboxila e
forma o acetil-CoA -> grupo acetil segue para ciclo do ácido cítrico; os elétrons
originados nas oxidações são conduzidos a uma cadeia transportadora nas
mitocôndrias -> formação de H2O + ATP
 No ciclo do ácido cítrico é oxidado a CO2 e H2O
 O segundo destino é a redução do piruvato a lactato (fermentação láctica).
 Situações de hipóxia, o piruvato é reduzido a lactato, recebendo elétrons do
NADH, regenerando o NAD+
 Alguns tecidos realizam esse processo em condições aeróbias, como os
eritrócitos e a retina.
 A terceira via de catabolismo do piruvato leva a produção de etanol (fermentação
alcóolica)
o A oxidação do piruvato é um processo majoritariamente catabólico, porém possui funções
anabólicas importantes, como:
 A partir do esqueleto carbônico -> aminoácidos (alanina) ou ácido graxo

3. Formação de ATP e NADH


o Parte da energia liberada na glicólise é armazenada na forma de ATP
o Para cada molécula degrada a piruvato: formação de 2ATP + 2NADH
o O NAD+ atua como aceptor final de H. A redução do NAD+ a NADH ocorre pela
transferência enzimática de hidreto do aldeído para o anel de nicotinamida de NAD+ ->
NADH
o Há liberação de um íon H+ para a solução
o A glicólise é um processo essencialmente irreversível, conduzido até sua conclusão por um
decréscimo líquido de energia livre.
o Divisão da glicólise em 2 processos: conversão de glicose a piruvato (exergônica) e a
formação de ATP (endergônica)
o A glicólise libera apenas uma fração da energia total disponível na molécula de glicose; as
2 moléculas de piruvato contém a maior parte da energia potencial existente na glicose
4. Intermediários fosforilados
o Os noves intermediários entre a glicose e o piruvato são fosforilados; os grupos fosforil
possuem 3 funções básicas
 Permanecem na célula, uma vez que a membrana não possui transportadores para
os açúcares fosforilados
 Compõem componentes essenciais na conservação enzimática da energia
metabólica
 Conservação parcial da energia da quebra de ligações fosfoanidridos na
formação de ésteres de fosfato, como glicose-6-fosfato
 Compostos de fosfato de alta energia formados na glicólise (1,3-
bifosfoglicerato e fosfoenolpiruvato) doam grupos fosforil ao ADP para formar
ATP.
 Os grupos fosfato do ADP, ATP e dos intermediários glicolíticos formam complexos
com o Mg2+
 Muitos sítios de ligação ao substrato de enzimas glicolíticas são específicos
para esses complexos
 A maior parte das enzimas da glicólise requer Mg2+ para funcionar.
5. Balanço

o
o As 2 moléculas de NADH, em condições aeróbias, são reoxidadas a NAD + pela transferência
dos elétrons para a cadeia transportadora de elétrons na mitocôndria
 A cadeia transportadora conduz o elétrons para o destino final, o O 2

 A transferência de elétrons do NADH para o oxigênio fornece a energia para a


síntese de ATP
o No processo glicolítico geral:
 1 glicose  2 piruvatos (via do carbono)
 2 ADP + Pi  2 ATP (via dos grupos fosforil)
 4 H+  2 NADH (via dos elétrons)
6. Regulação
o Pasteur descobriu que a velocidade e a quantidade total de glicose consumida é muitas
vezes maior nas condições anaeróbias – efeito Pasteur
 O rendimento de ATP da glicólise anaeróbia – 2 ATP/glicose – é muito menor do que
o rendimento obtido pela oxidação completa de glicose a CO2 em condições
aeróbias – cerca de 30-32 ATP
 Para obter o mesmo rendimento aeróbio, é necessário que o consumo de glicose
seja aumentado, no mínimo, em 15x.
o O fluxo de glicose é regulado para manter constância nos níveis de ATP.
 O ajuste na velocidade da glicólise é alcançado pela interação entre consumo de
ATP, regeneração de NADH e a regulação alostérica de enzimas, como hexocinase,
PFK-1 e a piruvato-cinase
 Em uma escala maior de tempo, a regulação é feita por hormônios - insulina
glucagon e adrenalina – e pela variação na expressão genica de várias enzimas.
o IMPORTÂNCIA CLÍNICA: no câncer, há regulação anormal da glicólise
 Tumores de quase todo tipos possuem velocidade da glicólise muito maior que a de
tecidos normais, mesmo quando o oxigênio está disponível – efeito Warbug
 Uma alternativa de tratamento inclui inibidores de etapas da glicólise
o IMPORTÃNCIA CLÍNICA: diabetes tipo 1
 O metabolismo da glicose em mamíferos é limitado pela taxa de captação da
glicose feitas pelas células; a captação da glicose é mediada pela família GLUT de
transportadores da glicose
 Nos hepatócitos: GLUT-1, GLUT-2; nos neurônios: GLUT-3; nos músculos esqueléticos e
cardíaco e no tecido adiposo: GLUT-4
 No músculo esquelético, coração e tecido adiposo, a captação e o metabolismo
da glicose dependem da liberação normal de insulina pelas células β pancreáticas
em resposta à quantidade elevada de glicose no sangue
 Pessoas com diabetes tipo 1 possuem pouca produção de insulina, logo não
conseguem fazer captação de glicose nos músculos, coração e tecido adiposo,
gerando acúmulo de glicose no sangue após refeição

Fermentação
A fermentação é o termo geral para o processo, que extrai energia (como ATP), mas não consome
oxigênio nem varia as concentrações de NAD+ ou NADH. As fermentações são realizadas por uma grande
variedade de organismos, muitos deles ocupando nichos anaeróbios e produzindo diversos produtos finais,
alguns com aproveitamento comercial.

Em condições de hipóxia, assim como na hiperatividade do músculo esquelético, o NADH gerado pela
glicólise não pode ser reoxidado pelo O 2.

 É necessário que o NAD+ seja regenerado de alguma forma, porque caso não haja aceptores de
elétrons as reações geradoras de energia cessariam.
 Quando tecidos animais não recebem o suprimento suficiente de oxigênio para a realizar a
oxidação aeróbia do piruvato e do NADH, o NAD+ é regenerado a partir da redução do piruvato
em lactato. A redução do piruvato por essa via é catalisada pela enzima lactato-desidrogenase

 O equilíbrio global da reação favorece a formação do lactato.


 Na glicólise, a desidrogenação da glicólise converte 2 gliceraldeído-3-fosfato converte 2 NAD+ em
duas NADH. Como a redução de 2 piruvato  2 lactato = regeneração de 2NAD+, não ocorre
variação.
 O lactato pode ser reciclado; é transportado pelo sangue até o fígado, onde pode ser convertido
em glicose durante a recuperação da atividade muscular exaustiva.
 Quando o lactato é produzido em larga escala, a acidificação resultante da ionização do
ácido láctico gera câimbra e limita a atividade vigorosa,
 Apesar de a conversão de glicose em lactato possuir 2 etapas de oxirredução, não há variação
líquida no estado de oxidação do C, uma vez que a relação H:C na glicose (C 6H12O6) e no ácido
láctico (C3H6O3) é a mesma
 Uma porção da energia da glicose é extraída para realizar a conversão em lactato =
rendimento líquido da fermentação de 2ATP/glicose
1. Fermentação alcoólica
 Alguns microrganismos, como as leveduras, fermentam a glicose em etanol e CO 2, O
piruvato, produto da glicólise, é convertido num processo de 2 etapas.

 Na primeira etapa, há a descarboxilação do piruvato em uma reação irreversível


catalisada pela enzima piruvato-descarboxilase
 NÃO é uma reação de oxidação
 A piruvato-descarboxilase requer Mg2+ e possui uma coenzima fortemente ligada
(tiamina-pirofosfato)
 Usos: produção de cerveja, panificação
 Na segunda etapa, ocorre redução do aldeído a etanol, reação catalisada pela enzima
álcool-desidrogenase, - transferência de grupo hidreto do NADH
 A álcool-desidrogenase atua no fígado catalisando o etanol ingerido ou produzido
por organismos intestinais (reação no sentido oposto)

 Balanço geral:

 Não há variação liquida na razão entre os átomos de H e C


 Papel da tiamina-pirofosfato (TPP)
 É uma coenzima derivada da vitamina B1
 Exerce importante papel na clivagem de ligações adjacentes ao grupo carboxila,
como a descarboxilação de α-cetoácidos, e em rearranjos químicos em que um
grupo acetoaldeído ativado é transferido de um C para outro.
 A porção funcional da TPP, o anel tiazólico, contém um próton relativamente ácido
em C-2. Ao ser desprotonada, forma um carbânion que se liga ao grupo carbonil.
Ciclo do ácido cítrico
Para muitos seres a glicólise é apenas a primeira etapa para a oxidação completa da glicose. O piruvato,
produto final da glicólise, é posteriormente oxidado a O 2 e CO2, na fase aeróbia do catabolismo. Essa fase
corresponde à respiração celular.

A respiração celular ocorre em 3 estágios principais:

 Primeiro: moléculas combustíveis, como a glicose e os


ácidos graxos, são oxidadas para produção de fragmentos de
2 carbonos – acetil-CoA
 Segundo: acetil-CoA entra no ciclo do ácido cítrico, há
oxidação enzimática a CO2. A energia liberada é conservada
nos transportadores de elétrons (NADH, FADH2)
 Terceiro: coenzimas reduzidas são oxidadas doando p+
e elétrons
 Os elétrons são transferidos ao O2 (aceptor final de
elétrons) pela cadeia transportadora de elétrons. Nessa
transferência, grande quantidade de energia liberada é
conservada na forma de ATP – fosforilação oxidativa

1. Produção de acetil-CoA
 Antes de entrar no ciclo, os esqueletos carbônicos dos açúcares e ácidos graxos são
convertidos ao grupo acetil da acetil-CoA
 O piruvato é oxidado a acetil-CoA pelo complexo enzimático piruvato-deseidrogenase
(PDH) localizado nas mitocôndrias de células eucarióticas e no citosol de bactérias.
 A reação geral catalisada pelo complexo é uma descarboxilação oxidativa; um processo
de oxidação irreversível no qual o grupo carboxil é removido do piruvato na forma de CO 2 e
os 2C remanescentes são convertidos ao grupo acetil da acetil-CoA
O NADH formado nessa reação doa H+ para a cadeia respiratória -> transferência
para o O2 -> 2,5 ATP
a. Complexo piruvao-desidrogenase (PDH)
 Complexo multienzimático no qual uma série de intermediários químicos permanece ligada
às moléculas de enzima à medida que o substrato é transformado no produto final
 A combinação de desidrogenaçao e descarboxilação do piruvato a acetil-CoA requer a
ação sequencial de 3 enzimas e 5 coenzimas – trifosfato de tiamina (TPP), FAD, CoA, NAD e
lipoato.
4 vitaminas são componentes desse sistema: tiamina (TPP), riboflavina (FAD), niacina
(NAD) e pantoneato (CoA)
NAD e FAD são transportadores de elétrons e o TPP é a coenzima da piruvato-
descarboxilase.
A Co-A realiza funções de transporte de acilas em diferentes vias. O grupo acil é
covalentemente ligado ao grupo tiol, formando tio ésteres – alto potencial para a
transferência do grupo acil
O lipoato possui 2 grupos tiol que podem ser reversivelmente oxidados por ligação
dissulfeto; atua como transportador de H e acilas.
 Enzimas: piruvato-desidrogenase (E1), di-hidrolipoil-transacetilase (E2) e di-hidrolipoil-
desidrogenase (E3)
E2 tem 3 domínios funcionalmente distintos: domínio lipoil na porção aminoterminal,
domínio de ligação a E1e E3 ao centro e o domínio da acetiltransferase na porção
central mais interna. Os domínios são separados por conectores (20-30 resíduos de
aminoácidos ricos em Ala e Pro)
O sítio ativo de E1 está ligado ao TPP e o de E2 está ligado ao FAD.
2 proteínas também fazem parte do complexo, uma proteína-cinase e uma
fosfoproteína-fosfatase
Essa conformação E1-E2-E3 está presente em outras vias, como no caso do a-
cetoglutarato e dos a-cetoácidos derivados da degradação dos aminoácidos de
cadeia ramificada valina, isoleucina e leucina
b. Descarboxilação
 Etapa 1: C1 do piruvato é liberado como CO 2 e o C2 está unido ao TPP como um grupo
hidroxietil. Etapa mais lenta e limitante da reação
 Etapa 2: grupo hidroxietil está oxidado na forma de acetato; o acetil produzido nessa
reação de oxirredução é esterificado a um grupo SH e então transferido a CoA, formando
aCetil-CoA
 As reações remanescentes catalisadas pelo complexo da PDH, por E3, são transferências de
elétrons necessárias para a regeneração da forma oxidada (dissulfeto) do grupo lipoil de E2,
preparando o complexo enzimático para um novo ciclo de oxidação.
 Os elétrons removidos do grupo hidroxietil derivado do piruvato são passados ao NAD+ pelo
FAD.
 Braços flexíveis da lipoil-lisina de E2 recebem os elétrons do grupo acetil e E1e passam para
E Todas
 Essas enzimas e coenzimas estão agrupadas, permitindo que os intermediários reajam
rapidamente sem afastarem- se da superfície do complexo enzimático – canalização do
substrato
A canalização evita o “roubo” do grupo acetil ativado por outras enzimas que
utilizam esse grupo como substrato
 IMPORTANCIA CLINICA: pessoas com mutações no genes das subunidade do complexo ou
deficiências nutricionais de tiamina (beribéri) pode ter graves consequências, pois não
conseguem oxidar o piruvato completamente -< importante para o cérebro que obtém
toda energia da via aeróbia
2. Reações do ciclo
 O ciclo compreende o processo de oxidação da acetil-CoA. Em cada rodada do ciclo,
entra um acetil (2C) e são removidos 2CO 2, há formação de 1oxaloacetato -> citrato
 O oxaloacetato pode participar da oxidação de um número bem grande de oxidações do
grupo acetil
 4 das 8 etapas são oxidações, a energia é conservada de forma eficiente nas coenzimas
NADH e FADH2
 Intermediários do ciclo com 4C e 5C são usados como precursores para formação de vários
compostos. Para repor os intermediários removidos, as células usam reações anapleróticas
(de reposição)
 O ciclo ocorre dentro da mitocôndria.
 A oxidação direta do acetil-CoA é bioquimicamente impossível – geraria CO2 e metano (os
organismos não possuem enzimas, cofatores para oxidá-lo.
 Para a oxidação ocorrer, o grupo metil deve estar ligado a algo, nesse caso liga-se ao
oxaloacetato. O carbonil do oxaloacetato atua como centro eletrofílico que é atacado
pelo C do metil da acetil-CoA na condensação de Claissen.

 ETAPAS:
i. ETAPA 1: Formação do citrato
 Condensação de Claissen: condensação do acetil-CoA + oxaloacetato ->
citrato
 Reação catalisada pela citrato-sintase
 Há formação de um intermediário, o citroil-CoA – sofre hidrólise  CoA +
citrato – reação altamente exergônica
 A CoA é reciclada para participar da descarboxilação oxidativa do piruvato
no complexo da PDH
 A ligação do oxaloacetato na citrato-sintase gera alterações
conformacionais, criando um sítio de ligação para acetil-CoA. Após a
formação do citroil-CoA, há nova mudança na estrutura e hidrólise do tio
éster
 Esse encaixe induzido da enzima ao substrato e ao intermediário,
diminui a possibilidade de a clivagem ser improdutiva e prematura
ii. ETAPA 2: formação do isocitrato
 Reação reversível catalisada pela aconitase
 Há formação de um intermediário, o cis-aconitato (não se dissocia do sítio
ativo)
 A enzima pode promover hidratação reversível da ligação dupla do cis-
isocinato de 2 formas  citrato ou isocitrato *

 A reação é deslocada para a direita, porque o isocitrato é rapidamente


consumido na etapa 3
 A aconitase possui um centro de ferro-enxofre (F-S) – a perda desse centro,
por exaustão de Fe celular, faz que a enzima desenvolva nova função
iii. ETAPA 3 oxidação do isocitrato a a-cetoglutarato e CO2
 A enzima isocitrato-desidrogenasse catalisa a descarbozilação oxidativa do
citrato para formar o a-cetoglutarato
 Intermediário: oxalosuccinato – é convertido em a-cetoglutarato.
 Mn2+ no sítio interage com o intermediário e, também, estabiliza o enol
transitório formado.
 A enzima existe em 2 formas: um dependente de NAD+ (matriz mitocondrial –
atua no ciclo) e outra que exige NADP+
iv. ETAPA 4: oxidação do a-cetoglutarato a succinil-CoA
 Descarboxilaçao oxidativa que converte a-cetoglutarato a succinil-CoA por
ação do complexo da a-cetoglutarato-desidrogenase
 NAD+ como aceptor do e- e a CoA age como transportadora de succinil

 O complexo da a-cetoglutarato-desidrogenase é semelhante ao da PDH,


contém enzimas análogas a E1, E2 e E3, TPP, lipoato, NAD, FAD
v. ETAPA 5: conversão de succinil-CoA -> succinato
 A succinil-CoA possui energia livre padrão de hidrólise alta – a energia
liberada é usada na etapa 6
 A formação do succinato é uma reação reversível catalisada plea succonil-
CoA-sintetase ou succinato-tiocinase

 Há poupança de energia para a etapa intermediária na qual a enzima é


fosforilada em um resíduo de His.
 Transferência de Pi para o ADP = ATP
 Há duas enzimas succonil-CoA-sintetase, uma para ADP e outra para
GDP
 A formação do ATP/GTP ocorre a custa da energia liberada pela
descarboxilação oxidativa do a-cetoglutarato é uma fosforilação ao
nível do substrato reversível catalisada pela nucleosídeo-difosfato--
cinase
 Da atividade de cada isoenzima da succinil-CoA-sintetase é a
conservação de energia como ATP

vi. ETAPA 6: oxidação do succinato a fumarato

 Ação da flavoproteína succinato-desidrogenase


 Nos eucariotos, a succinato-desidrogenase está firmemente ligada à
membrana mitocondrial interna; contém 3 grupos Fe-S + FAD
 Passagem de e- do succinato para o FAD antes de entrar na cadeia
transportadora
 O fluxo dos e- do succinato ao longo dos transportadores até o aceptor final
(O2) é acoplado à síntese de 1,5ATP/par de elétrons – fosforilação acoplada
a respiração
 O malonato é um inibidor da succinato-desidrogenase
vii. ETAPA 7: hidratação do fumarato  malato
 Processo reversível catalisado pela fumarase – enzima altamente
estereoespecífica
 A enzima catalisa a hidratação da ligação dupla trans do fumarato, mas
não catalisa o isômero cis do fumarato

viii. ETAPA 8: oxidação do malato -> oxaloacetato
 L-malato-desidrogenase ligada ao NAD catalisa a oxidação de L-malato a
oxaloacetato

 Equilíbrio deslocado para a esquerda em condições termodinâmicas


padrão. Nas células intactas, o oxaloacetato é continuamente removido
pela reação altamente exergônica da citrato-sintase
 Energia das oxidações
 A energia liberada pelas oxidações foi conservada pela redução de 3NAD+ e um
FAD e pela produção de um ATP ou GTP.
 No final do ciclo, uma molécula de oxaloacetato foi regenerada.
 Embora o ciclo do ácido cítrico gere diretamente somente um ATP por rodada (na
conversão de succinil-CoA a succinato), as 4 etapas de oxidação do ciclo
abastecem a cadeia respiratória, via NADH e FADH2, e levam à formação de um
grande número de moléculas de ATP durante a fosforilação oxidativa
 Os produtos com 4C e 5C são usados para alimentar o ciclo e servirem como
combustíveis.
 O ciclo do ácido cítrico é uma via anfibólica, ou seja, que serve a processos
catabólicos e anabólicos. Além do papel no catabolismo oxidativo de
carboidratos, ácidos graxos e aminoácidos, o ciclo fornece precursores para
muitas vias de biossíntese
 Oxaloacetato e a-cetoglutarato são precursores de aminoácidos;
oxaloacetato é convertido em glicose na gliconeogênese
 A succinil-CoA é um intermediário na síntese do anel porfirínico dos grupos
heme
3. Reações anaplebóricas
 São responsáveis por repor os intermediários do ciclo.
 As reações mais comuns convertem ou piruvato ou fosfoenolpiruvato a oxaloacetato ou
malato
 A mais importante ocorre no fígado: carboxilação reversível do piruvato pelo CO 2 para a
formação de oxaloacetato, catalisada pela piruvato-carboxilase. Requer ATP
 Redução da [ ] de oxaloacetato -> ativa a carboxilação do piruvato
 A piruvato-carboxilase é uma enzima de regulação essencialmente inativa na
ausência de acetil-CoA, seu modulador alostérico positivo.
 A reação da piruvato-carboxilase requer a biotina – grupo prostético da enzima. A
biotina é um transportador especializado dos C na forma oxidada (CO 2), essa
transferência de C para formas reduzidas é mediada por cofatores (tetra-hidrofolato
e S-adenosilmetionina)
 Os grupos carboxil são ativados em uma reação que une o CO 2 à biotina ligada à
enzima com consumo de ATP. Esse CO 2 “ativado” passa a um aceptor (piruvato,
nesse caso) em uma reação de carboxilação
4. Regulação
 O fluxo de C que entra no ciclo do ácido cítrico a partir do piruvato, e também durante o
curso do ciclo, está sob constante regulação em dois níveis: a conversão de piruvato a
acetil-CoA, o material de partida do ciclo (a reação da piruvato-desidrogenase) e a
entrada da acetil-CoA no ciclo (a reação da citrato-sintase)
 O ciclo também é regulado nas reações da isocitrato-desidrogenase e da a-cetoglutarato-
desidrogenase.
 O fluxo metabólico durante o ciclo é controlado por: disponibilidade de substrato, inibição
pelos produtos acumulados e inibição alostérica por retroalimentação das enzimas que
catalisam as etapas iniciais do ciclo.
 Regulação do complexo PDH
 Inibição: ATP, acetil-CoA, NADH. Ativação: AMP, CoA, NAD+
 O complexo é regulado pela quantidade de combustível disponível.
 A regulação é complementada por um segundo nível de regulação, a modificação
covalente das moléculas proteicas.
 Inibição: fosforilação de um resíduo de Ser na subunidade E1
 A piruvato-desidrogenase-cinase fosforila e, dessa maneira, inativa E1,
enquanto uma fosfoproteína-fosfatase específica remove o grupo fosfato por
hidrólise e, desta maneira, ativa E1. A cinase é ativada quando [ATP] é
elevada
 Regulação das etapas exergônicas
 Regulação das etapas catalisadas por: citrato-sintase, isocitrato--desidrogenase e a-
cetoglutarato-desidrogenase
 O acúmulo de produto inibe as 3 etapas limitantes do ciclo:
 A succinil-CoA inibe a a-cetoglutarato-desidrogenase (e também a citrato-
sintase);
 O citrato bloqueia a citrato-sintase; e o produto final, ATP, inibe a citrato-
sintase e a isocitrato-desidrogenase.
 A inibição da citrato-sintase pelo ATP é abrandada por ADP, um ativador
alostérico dessa enzima.
 O Ca2+ é um sinalizador para a contração e o aumento da demanda de ATP
ativa a isocitarto-desidrogenase e a-cetoglutarato-desidrogenase e o
complexo PDH
 Sob condições normais, as velocidades da glicólise e do ciclo do ácido cítrico estão
integradas de modo que a quantidade de glicose metabolizada a piruvato seja
suficiente para suprir o ciclo.
 A velocidade da glicólise é vinculada à velocidade do ciclo do ácido por
meio da inibição pelos altos níveis de ATP e NADH e pela [citrato].
 O citrato formado na primeira etapa do ciclo é um inibidor alostérico da PFK-
1
 IMPORTÃNCIA CLÍNICA: mutações de enzimas do ciclo levam ao desenvolvimento do
câncer
 Defeitos nos mecanismos de regulação do ciclo podem gerar tumores.
 Mutações nas enzimas do ciclo são raras, mas quando ocorrem são graves.
 Defeitos na fumarase = tumor de m.liso e nos rins
 Mutação na succinato-desidrogenase = tumores de glândula suprarrenal
 O mecanismo que leva à formação do tumor pode ser a geração de um estado de
pseudo-hipóxia
Fosforilação oxidativa
É a culminação do metabolismo produtor de energia, todos os passos oxidativo convergem para esse
estágio final da respiração celular.

É um processo que ocorre na mitocôndria, envolve o consumo de O2, formação de H2O e é o principal sítio
de produção de ATP

Teoria quimiosmótica: fluxo de elétrons por carreadores criam um gradiente de concentração de p+ na


membrana mitocondrial, a quebra deste gradiente está acoplada com a síntese de ATP.

1. Mitocôndrias

 Possui duas membranas: externa (permeável a


pequenas moléculas) e interna (impermeável à
maioria das moléculas – necessidade de
transportadores)
 Na matriz: há enzimas para oxidações, ciclo do
ácido cítrico, a β-oxidação dos lipídios e a oxidação
de aminoácidos.
 Os carreadores que transportam os elétrons do
NADH e do FADH até o O2 estão na membrana interna
 A impermeabilidade da membrana interna para
a maioria dos íons e metabólitos permite a formação
de um gradiente de íons através dessa barreira
 Transportadores específicos carregam piruvato,
ácidos graxos e aminoácidos ou seus a-cetoácidos
derivados para dentro da matriz, para acesso à
maquinaria do ciclo do ácido cítrico
 Os tecidos com maior demanda energética
possuem grandes quantidade de mitocôndrias e as
cristas mitocondriais são maiores.

2. Reações de transferência
 A fosforilação se inicia com a entrada de elétrons na cadeia transportadora (CTE)
 A maioria desses elétrons surge da ação das desidrogenases, que coletam elétrons das vias
catabólicas e os canalizam para aceptores universais de elétrons – NAD+, NADP+ ou
flavoproteínas (FAD, FMN).
A maioria das desidrogenases são específicas para o NAD+ - removem 2H dos
substratos, usam 1, formando NADH e liberam um H+ para o meio.
 NADH e NADPH se ligam de forma reversível a desidrogenase
 NADH carrega elétrons das reações até a entrada da CTE. O NADPH
geralmente supre elétrons para reações anabólicas – apenas o elétrons
carregados são capazes de atravessar a membrana
Flavoproteínas: possuem um nucleotídeo de flavina (FMN ou FAD) ligado fortemente
 O nucleotídeo de flavina oxidado pode aceitar 1 ou 2 elétrons.
 As flavoproteínas servem de intermediários entre as reações nas quais 2
elétrons são doados e aquelas em que 1 elétron é cedido.
2.1. Cadeia respiratória
 Consiste em uma série de carregadores, sendo a maioria proteínas integrais com grupos
prostéticos capazes de aceitar e doar um ou dois elétrons
 Ocorrem 3 tipos de transferência de elétrons na fosforilação oxidativa: a transferência
direta, a transferência na forma de H 2 e a transferência na forma de hidreto (H+)
 Além do NAD e das flavoproteínas, há 3 tipos de moléculas transportadoras na CTE:
ubiquinona, citocromos e as proteínas ferro-enxofre.
 Na reação global catalisada pela CTE mitocondrial, os elétrons se movem do NADH,
succinato ou outro doador primário de elétrons, por flavoproteínas, ubiquinona,
proteínas ferro-enxofre e citocromos e, finalmente, ao O 2.
 A ordem dos carregadores deduzida pelo método de que os e- fluem de carregadores
com E° menores para carregadores de E° maiores é: NADH → Q → citocromo b →
citocromo c1 → citocromo c → citocromo a → citocromo a → O2
 O processo é exergônico.
a. Carregadores
 UBIQUINONA (coenzima Q)

É um composto pequeno e solúvel em lipídios –


consegue se difundir livremente pela membrana, mobiliza
carregadores menores e desempenha um importante
papel no acoplamento do fluxo de elétrons ao movimento
de p+
Pode aceitar um elétron para se tornar o radical
semiquinona (•QH) ou dois elétrons para formar ubiquinol
(QH2)

 CITOCROMOS
São proteínas de absorção de luz em função do grupo heme. Estão presentes
em 3 classes distintas na mitocôndria
Cada citocromo em seu estado reduzido possui 3 faixas de absorção de luz
visível
Os cofatores heme dos citocromos a e b são fortemente ligados às suas
proteínas associadas; os hemes dos citocromos tipo c são covalentemente
ligados por meio de resíduos de Cys
Os citocromos dos tipos a e b e alguns do tipo c são proteínas integrais da
membrana mitocondrial interna.
 PROTEÍNAS FERRO-ENXOFRE (Fe-S)
O Fe está em associação com os átomos de S inorgânicos ou com S dos resíduos
de Cys ou com ambos
Podem variar de estruturas simples com 1Fe + 4Cys-SH, a centros mais complexos
com 2 ou 4 Fe
Proteína Fe-S de Rieske: 1Fe combinado com 2 resíduos de His
Todas as proteínas Fe-S participam de transferências de um elétron, nas quais um
átomo de ferro do aglomerado ferro-enxofre é oxidado ou reduzido.

b. Complexos:
 Os carregadores são organizados em 4 complexos supramoleculares inseridos dentro da
membrana, que podem ser separados pela adição de detergente.
 Os complexos I e II catalisam a transferência de elétrons para a ubiquinona a partir dos
doadores NADH (complexo I) e succinato (complexo II) O complexo III carrega os e - para o
citocromo c e complexo IV transfere os elétrons para o oxigênio.
 COMPLEXO I – complexo NADH:ubiquinona-oxidorredutase/NADH-desidrogenase

É uma enzima grande com 42



cadeias polipeptídicas, incluindo
uma flavoproteínas (FMN) e 6
centros Fe-S; possui formato em L
 É a porta de entrada dos elétrons
do NADH produzidos na
mitocôndria
 Catalisa 2 processos simultâneos e
obrigatoriamente acoplados:
i. NADH + H+ + Q  NAD+ +
QH2 (processo exergônico)
ii. Transferência de 4H+ para o
espaço intermembrana
(endergônico)
 O complexo é um bombeador de
prótons, usa a energia da transferência de elétrons e a reação catalisada é vetorial
(os p+ são movidos em uma direção específica)
 O fluxo é inibido por: amital (fármaco com propriedade sedativas – “soro da
verdade”), rotenona (inseticida) e piericidina A (antibiótico) – bloqueio do processo
geral
 COMPLEXO II – succinato-desidrogenase

 Possui 5 grupos prostéticos de 2 tipos e 4 subunidades


proteicas distintas;
 As subunidades C e D são proteínas integrais da
membrana com 3 hélices transmembrana; possuem grupos
heme e um sitio de ligação a ubiquinona
 Porta de entrada dos elétrons do FADH 2, produzidos no
ciclo de Krebs, e dos elétrons do NADH, produzidos no
citoplasma.
 Canaliza diretamente os elétrons do succinato para a
cadeia transportadora
 FADH2 + Q  FAD + QH2
 Sem transferência de H+ para o espaço intermembrana
 Pode agir como porta de entrada de elétrons de outras
vias, como da β-oxidação dos ácidos graxos

 Integração dos complexos I e II


 Vias de entrada de elétrons para a ubiquinona: NADH mitocondrial, succinato do
ciclo de Krebs, e- da β-oxidação dos ácidos graxos via acil-CoA-desidrogenase e do
glicerol dos TAG; NADH citosólico via glicerol-3-fosfato
(Fonte: http://graduacao.iqsc.usp.br/files/Aula06_BioqII-CFBio_Fosforila%C3%A7%C3%A3oOxidativa_CTE-11.pdf

 COMPLEXO III – ubiquinona para citocromo c

 Canaliza os 2 elétrons do QH2 (ubiquinol)


para o citocromo c com a transferência
de H+ da matriz mitocondrial para o
espaço intermembrana
 A unidade funcional do complexo III é
um dímero com as 2 unidades de
citocromo b circundadas por uma
“caverna”, em que a ubiquinona fica
livre para se mover do lado da matriz
para o espaço intermembrana, à
medida que lança elétrons e prótons
através da membrana
 Ciclo Q ilustra a passagem de elétrons e
prótons pelo complexo e possui as
reações de redox:

O ciclo Q acomoda a troca entre o carregador ubiquinol e os carreagadores


dos citocromos b e c – resulta na absorção de 2p+ no lado N (matriz) e a
liberação de 4p+ no lado P (espaço intermembrana)
Dois dos prótons liberados no lado P são eletrogênicos; os outros 2 são
eletroneutros, balanceados pelas duas cargas (elétrons) passadas ao
citocromo c no lado P
 Efeito do ciclo Q: oxidação de QH2 a Q, redução de 2 citocromos c e movimento
de prótons do lado P para o lado N
 O citocromo c é um proteína solúvel, depois que o seu grupo heme aceita 1e- do
complexo III -> move-se para o complexo IV e doa o e-
 COMPLEXO IV – citocromo-oxidase

 Carregamento dos e- do citocromo c


para o O2, formando H2O
 É composto por 13 subunidades, sendo 3
subunidades fundamentais
Subunidade II: contém 2 íons Cu
em complexo com grupos –SH
Subunidade I: possui 2 grupos
heme (a e a3) e um íon Cu ->
formação de segundo centro
binuclear, aceita e- de heme a e
transfere a O2 ligado ao heme a3

 A transferência de elétrons ocorre do citocromo c para o centro de CuA, para o


heme a, para o centro hemea3-CuB e, finalmente, para o oxigênio.
Para cada 4e- que passam pelo complexo, há consumo de 4H+ (substratos)
do lado N (matriz), na conversão de O 2 a 2H2O
Uso da energia da reação redox para bombear um p+ para o lado P por
elétron que passa

 A reação geral catalisada no complexo IV é:


 A redução do oxigênio por 4e- envolve centros redox que carregam apenas um e-
por vez e deve ocorrer sem a liberação de intermediários, que permanecem ligados
ao complexos até serem completamente convertidos em água.
 Fluxo global da CTE:

 Interferência no processo

 Associação com respirassomos


 Existe evidência experimental crescente de que, nas mitocôndrias intactas, os
complexos respiratórios se associam firmemente uns com os outros na membrana
interna para formar respirassomos, combinações funcionais de dois ou mais
complexos de transferência de elétrons diferentes
 Proteínas de uma família sintetizadas sob o controle do fator hipoxia-induzível FHI são
encontradas associadas aos respirassomos e podem ser essenciais à sua formação e
estabilidade; o FHI media mudanças estruturais no complexo IV em situações de
hipóxia.
 Energia de transferência dos elétrons
 A transferência dos 2 e- do NADH pode ser expressa como:

 Esta variação na energia livre padrão pressupõe [ ] iguais de NADH e NAD+, em


torno de 1M
 Em algumas mitocôndrias, desidrogenases mantêm a razão [NADH/NAD+] muito
acima da unidade, fazendo com que a variação de energia livre seja bem maior
que -220kJ/mol
 A maior parte dessa energia é usada para bombear prótons para fora da matriz,
A cada par de e- transferido para O2: 4p+ bombeados para fora no
complexo I, 4p+ pelo complexo III e 2 pelo complexo IV, resultando na
reação vetorial:

A energia eletroquímica dessa diferença na [p+] representa uma


conservação temporária de grande parte da energia.
 Energia próton-motriz: energia estocada no gradiente, composta por:
Energia potencial química – diferença de concentração de uma espécie
química (H+) nas regiões separadas pela membrana
Energia potencial elétrica: resulta da separação de cargas quando um
próton se move através da membrana sem um contra íon
 Espécies reativas geradas
 Várias etapas da fosforilação possuem a capacidade de produzir radicais livres
altamente reativos, que podem danificar as células, interagir com enzimas, lipídeos
de membrana
 A passagem de e- do ubiquitinol ao complexo III e a passagem de –e dos complexos
I e II ao QH2 envolvem a formação de um radical •Q2 , que pode passar um –e ao O2
-> formação de superóxido (altamente reativo) -> *OH (mais reativo ainda)

 Fatores que diminuem a velocidade de fluxo de elétrons pela cadeia respiratória


aumentam a formação de superóxido, talvez por prolongarem o tempo de vida do
•O2 gerado no ciclo Q.
 A formação dessas espécies reativas é favorecida quando
Não há produção de ATP -> elevada força próton-motriz e elevada razão
QH2/Q
Alta razão NADH/NAD+
Nessas condições, a mitocôndria está em estresse oxidativo – há mais e-
disponíveis para entrar na CTE do que pode atravessar até o O2
Baixos níveis de ERO podem ser usados pela célula como sinal de hipóxia
 Para impedir o dano oxidativo induzido por *O2, as células possuem enzimas
superóxido-dismutase que catalisa:

O peróxido formado torna-se inofensivo pela ação da glutationa-peroxidase


3. Síntese de ATP
a. Modelo quimiosmótico
o De acordo com esse modelo, a energia eletroquímica à força próton-motriz, impulsiona a
síntese de ATP, à medida que os prótons fluem passivamente de volta à matriz, por meio de
um poro para prótons na ATP-sintase.
o Reações enzimática que envolvem, simultaneamente, uma reação química e um processo
de transporte – acoplamento quimiosmótico

o O acoplamento quimiosmótico refere-se à conexão obrigatória entre a síntese de ATP e o


fluxo de e- pela CTE
o Na transferência de e- de um complexo para outro, na CTE, há liberação de parte da
energia em cada etapa. Essa energia é usada para bombear os prótons para o espaço
intermembrana – esse gradiente é usado na síntese de ATP
o O gradiente de p+ entre as membrana cria a força próton motriz, os p+ retornam à matriz
através de transportador, a ATP-sintase. Ao passar pelo transportador, a energia do
gradiente é transferida para a síntese de ATP.
b. ATP-sintase
o É uma ATPase cuja função é: catalisar a formação de ATP a partir de ADP e Pi,
impulsionada pelo fluxo de prótons do lado P para o lado N da membrana
o Possui 2 domínios funcionais: F1 (proteína periférica de membrana) e F0 integral à F1

o O domínio F1 tem 9 subunidades de 5 tipos diferentes


o Em experimentos, constatou-se que F1 isolado realiza a hidrolise de ATP; sendo assim, só
possui a capacidade de síntese de ATP se ligado a F0. F0 se liga aos p+ e os transfere
para a matriz mitocondrial.
o Experimentos mostram que a reação ADP +Pi ↔ ATP +H2O é reversível e a variação de
energia livre para síntese de ATP é próxima a 0.
Quando o ATP é hidrolisado por F1 na presença de água marcada com
marcador de oxigênio (18O), o Pi liberado contém um átomo do marcador.
Isso indica que a ligação pirofosfato na extremidade do ATP é quebrada e
refeita repetidamente antes que o Pi deixe a superfície da enzima.
Com o Pi livre, cada hidrólise insere 18O aleatoriamente em uma de quatro
posições na molécula.
o O ATP recém-sintetizado só sai da superfície da enzima quando há gradiente de
prótons.
Para que a síntese seja contínua, a enzima precisa oscilar entre uma forma que
liga ATP muito fortemente e uma forma que libera ATP.

o A subunidade β da ATP-sintase pode assumir 3 conformações distintas.


Cada subunidade β possui um sítio catalítico para a síntese de ATP.
As diferenças conformacionais entre as subunidades β se estendem a diferenças
em seus sítios de ligação de ATP/ADP
o O domínio F0 é composto por 3 subunidade (a,b,c).
Subunidade c é muito hidrofóbica, possui 2 domínios transmembrana com uma
pequena alça.
O círculo mais interno é composto por hélices com os terminais amino de cada
subunidade c;
As subunidades c nesse anel giram juntas ao redor de um eixo perpendicular à
membrana
o Catálise rotacional: os 3 sítios ativos de F1 se revezam catalisando a síntese de ATP
Um subunidade β se liga ao ADP e Pi circulante, mudando de conformação (β-
ATP) que se liga firmemente e estabiliza o ATP
A subunidade muda para a conformação β-vazio que tem baixa afinidade por
ATP, liberando o ATP sintetizado.
Cada p+ que entra ou sai corresponde a uma rotação na subunidade F0. Esse
movimento muda a conformação da subunidade F1
As 3 subunidades β interagem de modo que, quando uma assume a
conformação β -vazio, sua vizinha em um dos lados precisa assumir a forma β -
ADP e a outra vizinha a forma β -ATP.
Uma rotação completa da subunidade γ faz cada subunidade β passar pelas 3
conformações possíveis
1 rotação = 3ATP
o Fluxo de prótons e movimento rotacional
As subunidades individuais em F0 estão pré-arranjadas em um círculo ao redor
de um miolo que está provavelmente preenchido com lipídeos de membrana.

c. Força próton- motriz energiza o transporte ativo

o A membrana mitocondrial interna geralmente é


impermeável a espécies carregadas, mas dois sistemas
específicos transportam ADP e Pi para dentro da matriz e
ATP para o citosol
o Adenina-nucleotídeo-translocase
Integral à membrana, liga-se a ADP3- no
espaço intermembrana e leva até a matriz em troca de
uma molécula de ATP4+
Como move quatro cargas negativas para fora
para cada três que são movidas para dentro, sua
atividade é favorecida pelo gradiente eletroquímico
transmembrana, que confere à matriz uma carga líquida
negativa; a força próton-motriz propicia a troca ATP-
ADP.
É inibida por atractilosídeo
o Fosfato-translocase
Promove o simporte de H2PO4- e um H+ para a
matriz; transporte favorecido pelo gradiente de p+
transmembrana

d. Sistema lançadeira
 Sistema de transporte seletivo de elétrons produzidos no citoplasma para a mitocôndria.
 Sistemas especiais de transporte de equivalentes redutores do NADH
o LANÇADEIRA MALATO-ASPARTATO
O NADH produzido no citosol pela glicólise deve ter acesso à CTE para a
oxidação aeróbia
Não há proteínas que transportem NADH na membrana mitocondrial interna.
Presente nos rins, coração e fígado
Equivalente redutores do NADH são transferidos ao oxaloacetato citosólico ->
malato (catálise da malato-desidrogenase) -> atravessa a membrana pelo
transportador malato-a-cetoglutarato
Na matriz: os equivalentes redutores são passados ao NAD+ (enzima malato-
desidrogenase) -> NADH
O NADH pode passar e- a CTE = 2,5ATP
O oxaloacetato é regenerado por transaminações

o LANÇADEIRA GLICEROL-3-FOSFATO
Usada pelo músculo esquelético e pelo encéfalo
A glicerol-3-fosfato-desidrogenase catalisa a oxidação
do NADH a di-hidroxiacetona-fosfato (DHAP), que produz
NAD+ (retorna à glicólise)
Os e- do glicerol-3-fosfato são transferidos para a
flavoproteína-desidrogenase da MMI, formando FADH2
Entrega os redutores do NADH diretamente a
ubiquinona no complexo III = 1,5ATP

4. BALANÇO

5. Regulação
 A taxa de respiração mitocondrial é limitada pela disponibilidade de ADP, controle pelo
aceptor da respiração.
A [ ] intracelular de ADP é uma medida do estado energético das células. A razão
entre a taxa máxima de consumo de O 2 induzida por ADP e a taxa basal na
ausência de ADP é de pelo menos 10.
Razão massa-ação : [ATP]/[ADP].[Pi] é uma razão alta, quando há aumento na taxa
de consumo de energia -> aumenta a taxa de quebra de ATP = redução da razão
massa-ação
A velocidade de oxidação de combustíveis celulares é regulada com tal
sensibilidade e precisão que a razão [ATP]/([ADP][Pi]) flutua apenas levemente na
maioria dos tecidos, mesmo durante variações extremas na demanda de energia.
 Proteína inibitória
Em situações de hipóxia, há redução da velocidade da transferência de e- e do
bombeamento de p+ -> colapso da força próton-motriz

A proteína IF1 impede que a ATP-sintase atue contornando a situação.


 A IF1 é um inibidor proteico pequeno que se liga simultaneamente a 2ATP-
sintase inibindo suas atividades
 A atividade da IF1 é máxima em pH menor que 6,5
 Em células em alta atividade, a principal fonte de ATP é da glicólise e ácido
pirúvico/láctico diminui o pH -> dimerização de IF1 -> inibição da atividade
ATPásica da ATP-sintase = impedimento da hidrólise do ATP
 Hipóxia e produção de ERO
A hipóxia leva ao estresse oxidativo e à formação de espécies reativas do oxigênio
As células possuem linhas de defesa contra as ERO: glutationa-peroxidase, a
regulação da piruvato-desidrogenase (PDH)
Em condições de hipóxia, a PDH-cinase fosforila PDH mitocondrial = inativação e
redução do fornecimento de FADH2 e NADH para a CTE.
Outra forma de impedir formação de ERO é a substituição da subunidade COX4-1
do complexo IV para uma subunidade (COXA-2) que lide melhor com condições de
pouco oxigênio
As mudanças na atividade da PDH e no conteúdo de COX4-2 do complexo IV são
ambas mediadas por HIF-1, o fator induzível por hipóxia.
 O HIF-1 acumula-se em células hipóxicas e atua como fator de transcrição, o
que desencadeia um aumento na síntese de PDH-cinase, COX4-2
 HIF-1 também controla as mudanças no transporte da glicose e nas enzimas
glicolíticas que produzem o efeito Pasteur
IMPORTANCIA CLÍNICA:
a. Coordenação das vias
 As vias possuem mecanismos regulatórios
coordenados que permitem o
funcionamento em conjunto das vias, de
forma econômica e autorregulada,
 As [ATP e ADP] atuam controlando as
velocidades do ciclo do ácido cítrico, da
oxidação do piruvato e da glicólise.
 Aumento no consumo de ATP
Aumento na velocidade da CTE e
da fosforilação; simultaneamente
há aumento da velocidade de
oxidação do piruvato  aumento
do fluxo de e- na CTE = aumento
da velocidade da glicólise =
aumento na velocidade de
formação do piruvato
 Redução da [ADP]
Redução da transferência de e- e
a fosforilação -> redução da
velocidade da glicólise e do ciclo
de Krebs
 Regulação da PFK-1
Inibida alostericamente pelo ATP
Inibição pelo citrato (intermediário
do ciclo de Krebs).

Digestão e absorção
Quase todos os carboidratos da dieta são polissacarídeos. Então, durante a digestão dos carboidratos é
necessário que haja hidrólise, convertendo-os em monossacarídeos.

Existem 3 fontes principais de carboidratos na dieta humana: sacarose, lactose e amidos; a dieta humana
contam com diversos outros tipos de carboidratos em menor quantidade e, em grande quantidade, a
celulose, porém não é hidrolisada.

1. Digestão na boca
 Quando o alimento é mastigado, se mistura com a saliva contendo a ptialina (uma a-
amilase) secretada pela glândula parótida
 A α-amilase salivar hidrolisa as ligações α-1,4 do amido, produzindo fragmentos
polissacarídeos curtos (maltose)
 Como o alimento permanece pouco tempo na boca, a digestão do amido é pequena.
2. Digestão no estômago
 A digestão continua no corpo e no fundo do estômago por até 1h até o alimento se
misturar às secreções gástricas.
 As secreções ácidas bloqueiam a atividade da amilase salivar (pH ótimo é acima de 4)
 Nessa etapa, cerca de 30-40% do amido é hidrolisado em maltose
3. Digestão no intestino
 Amilase pancreática:
 A amilase pancreática é mais potente que a amilase salivar e gera principalmente
maltose, maltotriose e oligossacarídeos chamados de dextrinas-limite, fragmentos de
amilopectina contendo pontos de ramificação (α-1,6)
 Cerca de 15-30min após chegar no intestino, o alimento começa a se misturar com
o suco pancreático e há digestão de quase todos os carboidratos
 Os carboidratos são convertidos em maltose e/ou pequenos polímeros de glicose
antes de seguirem pelo intestino delgado
 Enzimas digestivas
 Os enterócitos possuem 4 enzimas – lactase, sacarase, maltase e a-dextrinase – que
são capazes de clivar os dissacarídeos (lactose, maltose, sacarose e outros) em
monossacarídeos.
Essas enzimas ficam localizadas no enterócitos que formam a borda em
escovas das microvilosidades – similar ao que ocorre com as proteínas.
Lactose  galactose + glicose
Sacarose  frutose + glicose
Maltose e outros polímeros  glicose
 Na dieta comum, contendo muito mais amidos do que todos os outros carboidratos
combinados, a glicose representa mais de 80% dos produtos finais da digestão de
carboidratos
4. Absorção
 Os monossacarídeos formados são transportados ativamente para as células epiteliais e, em
seguida passam para o sangue e são transportados para vários tecidos, onde são
fosforilados e entram na sequência glicolítica
 O processo de digestão gera uma grande quantidade de partículas de monossacarídeos
osmoticamente ativas no lúmen intestinal → água para o lúmen. O aumento na hidrólise
nas bordas em escova aumenta a carga osmótica
 Na membrana da borda em escova, tanto a glicose quanto a galactose são
transportadas pelo transportador de glicose sódio-dependente.
 o Na⁺ é transportado a favor do seu gradiente de concentração (em função da
bomba de Na⁺ e K⁺, a concentração no lúmen excede a do interior da célula),
levando junto a glicose contra seu gradiente de concentração
 O transportador 1 de sódio / glicose (SGLTI) é um simporte que leva a glicose (e a
galactose) contra seu gradiente de concentração, pelo acoplamento de seu transporte ao
do Na⁺
 A glicose e a galactose podem ser retidas para as necessidades metabólicas do
epitélio, ou podem sair da célula através do polo basolateral via GLUT2
 A frutose é transportada através da membrana da célula em borda de escova por um
processo de difusão facilitada pelo transportador GLUT5 (independente de sódio).
 Grande parte da frutose, ao entrar na célula é fosforilada e, posteriormente,
convertida em glicose.
5. IMPORTÂNCIA CLÍNICA: degradação anormal
 Deficiência de enzimas digestivas:
 Deficiências hereditárias de dissacaridases, doenças intestinais, fármacos e má
nutrição resultam em intolerância a dissacarídeos.
 Em casos de diarreia graves, há grande e rápida perda da enzimas das bordas em
escova
 Intolerância à lactose ou hipolactasia adulta

 Perda da atividade da lactase, redução da quantidade de


enzima = intolerância à lactose
 O tratamento para esse distúrbio é reduzir o consumo de leite e
derivados e comer vegetais verdes como brócolis, para assegurar a
ingestão adequada de cálcio; usar produtos tratados com lactase; ou
ingerir a lactase em forma de pílulas antes das refeições
 O exame diagnóstico de sangue mede a quantidade de
glicose no sangue em intervalos de tempo após a ingestão de lactose.
Se a enzima estiver funcionando bem, haverá grandes quantidades =
lactose foi clivada

Outras vias
1. Glicogênio
 A glicose pode ser armazenada na forma de glicogênio. Todas as células conseguem
armazenar alguma quantidade de glicogênio; as células hepáticas e musculares
conseguem armazenar grandes quantidades.
 A conversão de monossacarídeos em glicogênio possibilita armazenar grandes quantidades
de carboidratos sem alterar muito a pressão osmótica.
a. Glicogênese
o Glicose-1-fosfato -> uridinafosfatoglicose -> glicogênio
o Qualquer monossacarídeo capaz de ser convertido em glicose pode participar da
síntese
b. Glicogenólise
o Ruptura do glicogênio celular armazenado formando glicose
o Na glicogenólise, cada molécula de glicose sucessiva em cada ramo do polímero de
glicogênio se divide por fosforilação
 A glicogênio-fosforilase catalisa a fosforólise nas extremidades não redutoras
das cadeias do glicogênio, produzindo glicose-1-fosfato. A enzima de
desramificação transfere as ramificações para as cadeias principais e libera o
resíduo da ramificação (a-1,6) como glicose livre.
 A fosfofrutomutase interconverte a glicose-1-fosfato em glicose-6-fosfato, que
pode entrar na glicólise ou ser convertida, no fígado, em glicose livre pela
glicose-6-fosfatase do retículo endoplasmático, sendo liberada para repor a
glicose sanguínea.

o A fosforilase é ativada em situações de aumento da demanda por glicose; ação


hormonal pela adrenalina ou pelo glucagon
 Os dois hormônios promovem a formação de AMPc nas células iniciando uma
cascata de reações que ativam a fosforilase
 A epinefrina é liberada pela adrenal em resposta à ativação do SNAS
 O glucagon é liberado pelas células α das ilhotas pancreáticas em resposta a
baixos níveis séricos de glicose no sangue.

Gliconeogênese
 Um método utilizado pelo organismo para produzir glicose a partir do piruvato e compostos
relacionados com 3-4C (lactato, piruvato, glicerol e alguns aminoácidos)
 Nos mamíferos, ocorre principalmente no citosol das células do fígado e, em menor
extensão, no córtex renal e nas células epiteliais do intestino delgado.
 Ciclo de Cori: glicose -> sangue -> exercícios longos -> lactato no músculo -> fígado ->
glicose -> músculos armazenam em glicogênio
 A gliconeogênese e a glicólise compartilham algumas etapas. 7 etapas da gliconeogênese
são o inverso das reações da glicólise
 Na gliconeogênese, as 3 etapas irreversíveis são contornadas por enzimas que catalisam
reações suficientemente exergônicas para que sejam irreversíveis
a. Reações de contorno (3 irreversíveis)
i. Conversão de piruvato em fosfoenolpiruvato (PEP)
 Requer uma sequência de reações de desvio para fosforilar o piruvato
 Varia de acordo com o precursor glicogênio (piruvato e alanina OU lactato)
 Se piruvato e alanina
□ Piruvato é levado para o citosol ou produzido dentro da mitocôndria
(transaminação da alanina)
□ Conversão do piruvato a oxaloacetato por ação da enzima piruvato-
carboxilase (requer biotina para funcionar – transporte de
bicarbonato ativado)

Formação de HCO3- pela ionização do ácido carbônico. O


HCO3- é fosforilado por ATP  anidrido hibrido
A piruvato-carboxilase é a primeira enzima da via que
necessita da acetil-CoA como efetor positivo.
□ A biotina desloca o fosfato na
forma de carboxibiotina
□ Como a membrana mitocondrial
não possui transportador para o
oxaloacetato, ele é reduzido a
malato por ação da malato-
desidrogenase (consumo de
NADH) nas mitocôndrias – reação
reversível
□ O malato deixa a mitocôndria por
transportador específico e no
citosol é reoxidada

□ O oxaloacetato é convertido em
PEP, ação da fosfoenolpiruvato-
carboxicinase. Essa reação
depende de Mg2+ e de GTP
(doador do grupo fosforil) –
reação reversível

□ O CO2 adicionado ao piruvato no início é liberado na reação da PEP-


carbocinase. Essas etapas de carboxilação-descarboxilação são uma
forma de ativação do piruvato, uma vez que a descarboxilação
facilita a formação de PEP
□ Equação global:

 Se o precursor for lactato:


□ Lactato  piruvato +NADH (catalisada pela lactato-desidrogenase)
□ Na mitocôndria: piruvato  oxaloacetato (piruvato-carboxilase) 
PEP (PEP-carbocinase)
□ O PEP é transportado para o citosol e a via segue
ii. Conversão de frutose-1,6-bifosfato a frutose-6-fosfato
 frutose-1,6-bifosfato  frutose-6-fosfato (frutose-1,6-bifosfatase, a FBPase-1;
dependente de Mg2+)
 conversão envolve a hidrolise dos fosfato em C1

iii. Conversão da glicose-6-fosfato em glicose


 Desfosforilação da glicose-6-fosfato  glicose (glicose-6-fosfatase), por
hidrólise simples

A enzima é ativada por Mg2+ e é encontrada apenas no lúmen do RE dos



hepatócitos, das células renais e nas células epiteliais do intestino delgado
b. Balanço energético

 Para cada molécula de glicose formada a partir do piruvato, 6 grupos fosfato são
consumidos (4 na forma de ATP, 2 na forma de GTP)
 2NADH são necessários durante a redução de 2 1,3-bifosfoglicerato
 A síntese de glicose por essa via é um processo dispendioso; a maior parte do gasto
energético é para assegurar a irreversibilidade da via.
c. Uso de aminoácidos e intermediários do ciclo de Krebs
 Compostos com 4 a 6 carbonos do ciclo podem ser usados na gliconeogênese
□ Citrato, isocitrato, a-cetoglutarato, succinil-CoA, succinato, fumarato e
malato podem ser oxidados a oxaloacetato
 Quase todos os aminoácidos podem ser catabolizados a piruvato ou a
intermediários do ciclo do ácido cítrico
□ Os principais aminoácidos glicogênicos são: alanina e glutamina

d. Ácidos graxos
 Os mamíferos não conseguem fazer a conversão dos ácidos graxos em glicose, mas
outros animais conseguem.
 Nos mamíferos, o catabolismo de ácidos graxos geram acetil-CoA. Porém, usam
uma pequena quantidade do glicerol produzido na quebra das gorduras para a
gliconeogênese.
□ Fosforilação do glicerol (glicerol-cinase) -> glicerol-fosfato -> oxidação do C
central -> di0hidroxiacetona-fosfato (intermediário da gliconeogênese
hepática)
 O glicerol-fosfato é um intermediário essencial na via de síntese dos TAG nos
adipócitos
□ Nos adipócitos, é realizado a gliceroneogênese: piruvato -> di-
hidroxiacetona-fosfato -> redução da di-hidroxiacetona-fosfato -> glicerol-
fosfato
e. Regulação
 A gliconeogênese é mutuamente regulada com a glicólise; se ambas ocorressem ao
mesmo tempo, o resultado seria o consumo de ATP e a produção de calor
□ Se etapas ocorrerem em alta velocidade, há dissipação de grande
quantidade de energia – ciclo fútil/ciclo de substrato
 Várias reações nas duas vias são reguladas alostericamente por fosforilação.
 Assim, quando o fluxo de glicose (via glicólise) está alto, o fluxo de piruvato
(gliconeogênese) é reduzido.
 Efeito da corticotropina e dos glicocorticoides
□ Alterações na [glicose] -> adeno-hipófise aumenta a secreção de
corticotropina -> ativa a secreção de cortisol no córtex adrenal ->
mobilização de proteínas -> aumento na disponibilidade de aminoácidos
glicogênicos -> desaminação no fígado -> substratos para gliconeogênese
 Hexocinases
□ Há 4 isoenzimas – hexocinases I a IV;
A hexocinase II predomínio nos músculos possui alta afinidade pela
glicose
As hexocinases I e II são inibidas alostericamente pelo seu produto, a
glicose-6-fosfato -> aumento na [ ] intracelular de glicose = inibição
das hexocinases
Hexocinase IV: predomínio no fígado; a [ ] que atinge metade da
saturação é maios que a [ ] no sangue – papel da GLUT2 – com
aumento da [ ] glicose -> aumento do transporte de excesso de
glicose para o fígado via GLUT2 -> hexocinase IV converte em
glicose-6-fosfato.
A hexocinase IV está sujeita à inibição pela interação reversível com
uma proteína reguladora específica do fígado. Mecanismo de
inibição: proteína ancora a enzima dentro do núcleo, onde ela fica
segregada das outras enzimas da glicólise no citosol.
A hexocinase também é regulada ao nível de síntese proteica;
condições que demandam uma produção maior de energia
causam aumento na transcrição do gene da hexocinase IV

 A PFK-1 é inibida alostericamente por ATP e citrato. Na maioria dos tecidos dos
mamíferos, incluindo o fígado, a frutose-2,6-bifosfato é um ativador alostérico dessa
enzima.
Aumento na [ATP] -> inibição da PFK-1 -> redução da afinidade pela frutose-
6-fosfato
Alta concentração de citrato -> aumento do efeito inibitório do ATP sobre a
PKF-1

A etapa correspondente na gliconeogênese é a conversão da frutose-1,6-


bifosfato em frutose-6-fosfato.
o Inibição alostérica da FBPase-1 pelo AMP quando há redução da
[ATP]
 A regulação hormonal rápida da glicólise e da gliconeogênese é mediada pela
frutose-2,6-bifosfato, efetor alostérico das enzimas PFK-1 e FBPase-1
Diminuição da glicemia -> glucagon sinaliza para o fígado aumenta a
produção e liberação de glicose.
Quando a frutose-2,6-bifosfato se liga ao seu sítio alostérico na PFK-1, ela
aumenta a afinidade dessa enzima pelo seu substrato, frutose-6-fosfato, e
reduz a afinidade pelos inibidores alostéricos ATP e citrato

 Xilulose-5-fosfato
A xilulose-5-fosfato é um produto da via das pentose-fosfato
Ativa a fosfoproteína-fosfatase PP2A, que desfosforila várias proteínas-alvo,
incluindo PFK-2/FBPase-2, deslocando o equilíbrio no sentido da captação de
glicose, síntese de glicogênio e síntese de lipídeos no fígado.
 O glucagon ou a adrenalina reduzem a [frutose-2,6-bifosfato] pela elevação da
[AMPc] e promoção da fosforilação da enzima bifuncional PFK-2/FBPase-2. A insulina
aumenta a [frutose-2,6-bifosfato] pela ativação da fosfoproteína-fosfatase que
desfosforila e assim ativa a PFK-2.
 Piruvato-cinase é inibida alostericamente por ATP.
 A conversão gliconeogênica do piruvato a fosfoenolpiruvato está sob múltiplos tipos
de regulação.
Acetil-CoA é modulador alostérico positivo da piruvato-carboxilase e
negativo da piruvato-desidrogenase
Aumento na [acetil-CoA] inibe o complexo PDH  diminuição da formação
de acetil-CoA  ativação da piruvato-carboxilase = estimulo a
gliconeogênese -> conversão do excesso de piruvato em oxaloacetato
Oxaloacetato é convertido em PEP
Jejum ou elevação do glucagon -> AMPc aumenta a taxa de transcrição

 Os fatores de transcrição ChREBP, CREB, SREBP e FOXO1 agem no núcleo, na


regulação da expressão de genes específicos que codificam enzimas das vias
glicolítica e gliconeogênica.
A insulina e o glucagon atuam antagonicamente na ativação desses fatores,
ligando e desligando, dessa forma, um grande número de genes
(ChREBP)
Insulina e glucagon
São dois hormônios secretados pelo pâncreas e cruciais para a regulação hormonal do metabolismo da
glicose, dos lipídios e das proteínas.

1. Insulina
 Secretada pelas células β das ilhotas pancreáticas
 Anormalidades geram acidose e arteriosclerose
 Está associado à abundância de energia: a secreção de insulina é aumentada em resposta
à abundância de energia
 Desempenha papel importante no armazenamento: mobiliza a via de armazenamento na
forma de glicogênio.
 No caso das proteínas, exerce efeito na promoção e captação de aminoácidos e inibe o
catabolismo proteico.
a. Síntese
 Proteína pequena formada por duas cadeias de aminoácidos unidas por pontes
dissulfeto.
 Tradução do RNAm forma a pré-proinsulina -> clivagem no RE, liberando proinsulina
com 3 cadeias peptídicas (A, B e C)

 A proinsulina é clivada no Golgi formando insulina (cadeias A+B) e peptídeo C


 No Golgi, são armazenada em grânulos secretórios

 O peptídeo C se liga à membrana por receptor de proteína G e ativa 2


sistemas enzimáticos: Na-K- adenosina- trifosfatase e a NO-sintetase
endotelial
 IMPORTANCIA CLÍNICA: pacientes com diabetes tipo 1 posseum baixos níveis
de peptídeo C
 A insulina é secretada no sangue quase inteiramente na forma livre, possui meia vida
de 6min
 A insulina que não se liga ao receptor é degradada pela insulinase
b. Ativação dos receptores
 Os receptores de insulina possuem 4 subunidades; 2 subunidades a (no lado externo
da membrana) e 2 subunidades β (penetram a membrana e projetam-se para o
citoplasma)
 São receptores acoplados a enzima
 Ao se ligar ao receptor, a insulina ativa e dirige a maquinaria metabólica
intracelular
c. Efeitos no metabolismo de carboidratos
 A insulina promove a captação e o metabolismo da glicose nos músculos.
 Durante a realização de exercícios moderados ou intensos, os músculos
utilizam muita glicose
 Esse uso é feito com pouco uso de insulina, porque a contração gera
aumento na translocação de GLUT-4, facilitando a difusão
 Algumas horas após refeições, a utilização muscular da glicose é
aumentada.
 Aumento na [glicose] no sangue -> alta secreção de insulina ->
transporte da glicose para o músculos
 Armazenamento de glicogênio muscular

 Promove a captação, o armazenamento e a utilização da glicose pelo fígado.


 Conversão do excesso de glicose em glicogênio (via da glicogênese)
 Quando os níveis de glicose começam a cair, o glicogênio hepático é
convertido em glicose (via da glicogenólise)
 Promove a conversão do excesso de glicose em ácidos graxos e inibe a
gliconeogênese no fígado.
 A insulina diminui a liberação de aminoácidos dos músculos e de outros
tecidos extra-hepáticos e, por sua vez, a disponibilidade desses precursores
para a gliconeogênese.
 A maioria das células neurais é permeável à glicose e pode utilizá-la sem a
intermediação da insulina.
d. Efeitos no metabolismo de gorduras
 Promove a síntese e o armazenamento das gorduras
 A insulina atua como poupadora de gorduras, promovendo o uso de glicose
 Promove a síntese de ácidos graxos
 A deficiência de insulina causa lipólise das gorduras armazenadas e liberação de
ácidos graxos livres, aumentando os níveis de colesterol e de fosfolipídios plasmáticos
 A utilização excessiva das gorduras durante a falta de insulina causa cetose e
acidose
 Ausência de insulina forma grandes quantidades de ácido acetoacético nas
células hepáticas.
 A ausência de insulina deprime a utilização de ác. acetoacético nos tecidos
periféricos → não é metabolizado → concentração aumenta → formação
de corpos cetônicos → cetose
e. Efeitos no metabolismo proteico
 Promove a síntese e o armazenamento proteico
 A insulina estimula o transporte de aminoácidos para as células
 Aumenta os processos de tradução do RNAm; aumenta a transcrição de
sequências genéticas selecionadas de DNA
 Inibe o catabolismo de proteínas
 No fígado, deprime a gliconeogênese (inibição enzimática)
 A deficiência de insulina causa depleção de proteínas e aumento dos aminoácidos
plasmáticos
 O aumento na concentração de aminoácidos plasmáticos gera excesso que
é usado como energia e substrato para a gliconeogênese
 Aumento da excreção de ureia na urina
f. Secreção
 Glicose entra nas células beta → fosforilação da glicose em glicose 6- fosfato →
oxidação da glicose-6-fosfato → formação de ATP → inibição dos canais de K⁺
sensíveis a ATP → despolarização → abertura dos canais de Ca⁺² → fusão das
vesículas → exocitose
g. Controle
 Aumento da glicose sanguínea estimula a secreção de insulina
 Qualquer elevação da glicose sanguínea aumenta a secreção de insulina, e
a insulina, por sua vez, aumenta o transporte da glicose para o fígado, para
os músculos e para outras células, reduzindo, consequentemente, a
concentração plasmática da glicose.
2. Glucagon
 É produzida pelas células α das ilhotas de Langerhans em resposta à diminuição da
glicemia, sendo responsável por elevá-la
 É um polipeptídeo composto por uma cadeia de 29 aminoácidos
 Efeitos no metabolismo de glicose:
 Provoca a glicogenólise e o aumento da [glicose] no sangue – mecanismo de
amplificação
 Esse efeito é causado pela cascata de eventos da glicogenólise:

 Aumenta a gliconeogênese
 O glucagon promove aumento na captação de aminoácidos pelas células
hepáticas → conversão de aminoácidos em glicose por gliconeogênese
 Esse efeito é gerado pela múltipla ativação enzimática, em especial do
sistema enzimático limitante da gliconeogênese (piruvato-carboxilase)
 Efeitos no metabolismo das gorduras
 Ativação da lipase das células adiposas → disponibilização de ác. graxos
 Inibição do armazenamento de TAG no fígado, ajudando na disponibilização
 Outros efeitos:
 Aumento de força cardíaca
 Aumento de fluxo sanguíneo (especialmente nos rins)
 Aumenta secreção biliar
 Inibe secreção de ác. gástrico
 Regulação da secreção
 A glicose sanguínea aumentada inibe a secreção de glucagon
 Aumento de aminoácidos no sangue estimula a secreção de glucagon
 Exercício estimula a secreção de glucagon
 Mecanismo desconhecido
 Aumento de aminoácidos circulantes pode elevar a secreção de glucagon
 Somatostatina inibe a secreção de glucagon e insulina

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