Doramas TCC
Doramas TCC
GOIÂNIA
2014
1
KAMILA RODRIGUES MONTEIRO
______________________________________________________________________
Prof. Dra. Rosana Maria Ribeiro Borges
Universidade Federal de Goiás
Orientadora
______________________________________________________________________
Prof. Ms. Maria Flora Ribeiro Costa Medeiros
Universidade Federal de Goiás
Membro
3
RESUMO
Palavras chaves: Hallyu; onda coreana; dorama; significações sobre a cultura sul-coreana.
4
ABSTRACT
The Korean wave has gained strength with the advancement of technology and the expansion
of globalization in the world. This research seeks to understand how the construction and
representation of South Korean culture by Brazilians through dramatic audiovisual content
produced in South Korea and accessed in Brazil occurs mainly via web environment. First
discussed is the historical context of hallyu, considering how it has its beginning and its
successive expansion, as well as key components of the Korean wave. Then it was explained
on the emergence of South Korean dramas in the country, along with analysis of the drama
You are the best Lee Soon Shin, two strands of topics. Finally, by applying a questionnaire to
people who watch Korean dramas, with 185 shares, was reached at the dorameiro profile. The
data collected on the subject were located mostly on the Internet via web site, blogs and
forums in the collection of quantitative data. Later came the systematization and analysis to
develop graphics. Addition to the questionnaire, the literature survey, content analysis and
discourse analysis as research methods were used. The theoretical basis of the research
consists of authors of cyberculture studies, cultural studies and mass communication.
Keywords: Hallyu; korean wave; dorama; meanings about South Korean culture.
5
LISTA DE FIGURAS
6
LISTA DE QUADROS
7
LISTA DE MAPAS
ANO DE 2011.......................................................................................................................... 31
8
LISTA DE GRÁFICOS
9
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO...................................................................................................................... 12
shin............................................................................................................................... 52
2.2.4. O consumo de bebidas alcoólicas no dorama You’re the best Lee Soon-
shin............................................................................................................................... 53
shin............................................................................................................................... 56
10
3. OS DORAMAS COMO REPRESENTANTE CULTURAL DA CORÉIA DO SUL...61
3.2. A CIBERCULTURA............................................................................................... 71
CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................ 86
REFERÊNCIAS..................................................................................................................... 91
GLOSSÁRIO.......................................................................................................................... 96
APÊNDICE............................................................................................................................. 97
ANEXO................................................................................................................................... 99
11
INTRODUÇÃO
Meu nome é Kamila Rodrigues Monteiro. Tenho 21 anos, estou terminando minha
graduação em Jornalismo e sou uma grande fã da cultura sul-coreana. Os desenhos animados
sempre estiveram presentes na minha infância. O meu primeiro contato com os conteúdos
asiáticos ocorreu quando eu tinha treze anos com o anime Naruto, produzido pela Studio
Pierrot e TV Tokyo. Durante três anos consecutivos, a minha percepção sobre o Japão se
restringia apenas ao anime. Com dezesseis anos e cursando o segundo ano do Ensino Médio,
uma amiga, que também gostava de animes, me recomendou um dorama (telenovela
japonesa), de nome Hana Yori Dango. O dorama possui duas temporadas, com cerca de 45
minutos cada episódio, e um live-action de duas horas. Depois de assistir ambos rapidamente,
logo solicitei de minha amiga mais indicações de doramas.
Em pouco mais de quatro meses já havia totalizado cinco doramas assistidos, que
possuíam temas diferentes um do outro. A partir desse momento a minha curiosidade sobre o
Japão cresceu e se alastrou para outras áreas da cultura nipônica como os costumes, a língua,
a comida, a tradição, as roupas, o alfabeto, entre outros. O meu interesse por animes também
aumentou com o tempo. Fascinada pela descoberta de outro mundo, a minha principal
intenção era aprender o máximo possível e mostrar a cultura japonesa para outras pessoas. Na
época, descobri que diversos países asiáticos, como Tailândia e a Coréia do Sul, também
produziam doramas. Por curiosidade, pesquisei por alguns nomes na Internet e comecei a
acompanhar as produções de outros países. No começo, a minha compreensão não foi fácil,
afinal, era outra língua e outra cultura. Tudo era muito diferente do que eu estava acostumada.
Entretanto, a minha vontade de compreender a cultura em si possibilitou a ampliação do meu
entendimento em um curto período de tempo.
Quando eu procurava por mais dados do dorama Skip Beat, que acompanhava online,
me deparei com a informação de que os dois principais atores do programa fazem parte de um
grupo de pop coreano que se chamava Super Junior. Mais uma vez, movida pela curiosidade,
resolvi procurar pelo assunto na Internet. Para minha surpresa, ao digitar o nome do grupo no
Youtube encontrei inúmeros videoclipes e gravações de shows. O primeiro MV que assisti foi
Bonamana e vários fatores chamaram a minha atenção enquanto visualizava o vídeo. O
primeiro foi notar que, apesar de cantar em coreano, durante muitos momentos na música
havia a inserção de palavras em Inglês. Depois, me surpreendi com o número de integrantes
do grupo. Exatas dez pessoas.
12
O ritmo dançante e a coreografia constante me impulsionaram a buscar mais
informações sobre a música pop coreana, que mais tarde descobri ser denominada de k-pop,
no caso abreviação para korean pop. Com isso, minhas buscas pelo universo sul-coreano
começaram a ganhar mais força. Eu ainda tinha interesse pelo Japão, mas as minhas principais
pesquisas e curiosidades sempre eram voltadas, com mais intensidade, para Coréia do Sul. Eu
mesma só percebi essa mudança quando pude diferenciar claramente uma cultura da outra.
Com as preferências finalmente definidas, todos os assuntos relacionados ao país sul-coreano
começaram a chamar ainda mais a minha atenção, independentemente de serem informações
de cunho comercial, econômico, esportivo ou cultural. A Coréia do Sul tornou-se um objeto
de observação e estudo pra mim.
A forma como iniciei esta introdução, de maneira pessoal e em primeira pessoa do
singular, sucedeu por dois motivos. Primeiro, porque essa é a mesma maneira com que o
pesquisador Henry Jenkin (2006) iniciou a introdução do livro Fans, bloggers and gamers-
exploring participatory culture, e também a mestranda da Universidade Tuiuti do Paraná,
Giovana Santana Carlos, autora da dissertação O(s) fã(s) da cultura pop japonesa e a prática
de Scanlation no Brasil (2011). Ambos, fãs de alguma cultura pop, utilizaram maneiras
semelhantes para declarar, em suas produções, a forma como se identificam como
pesquisadores e fãs. O outro motivo foi para demonstrar como geralmente ocorre o primeiro
contato com os produtos de entretenimento asiáticos. Há situações diferentes em que algumas
pessoas descobrem sozinhas. Entretanto, na maioria dos depoimentos, sempre há relatos de
que o primeiro contato ocorreu por sugestão de um amigo.
Com a aproximação da conclusão do meu curso em Comunicação Social -
Bacharelado em Jornalismo, e a inevitável produção de um Trabalho de Conclusão de Curso
(TCC), não foi necessário muito tempo para me decidir quanto ao tema da monografia. Eu
sempre acreditei que o fato de alguém como eu (brasileira, goiana e falante de Português) ter
acesso a conteúdos produzidos do outro lado do mundo e ainda ser capaz de compreender e
entender o que dizem, não ocorreu simplesmente ao acaso. Como era possível que um fato
como esse pudesse ocorrer em um estado do Brasil onde a cultura asiática, como um todo, não
é muito divulgada? Goiás não possuiu bairros voltados para cultura asiática como São Paulo,
que tem duas colônias, sendo elas o Bairro da Liberdade (voltado para os japoneses) e Bom
Retiro (voltado para os coreanos). O estado de Goiás possui apenas uma escola de Língua
Japonesa vinculada à Associação Nipo Brasileira de Goiás, (A.N.B.G), na qual são
promovidos três eventos durante o ano, sendo eles: Bunkasai, Bon Odori e o Jantar Típico. A
verdade é que o meu contato com esses conteúdos, assim como muitos brasileiros, está
13
relacionado com um fenômeno que vem ocorrendo há muitos anos pelo mundo, algo que os
sul-coreanos estão desenvolvendo, divulgando e propagando desde a crise financeira asiática:
trata-se da Hallyu, também conhecida como Korean Wave, que significa onda coreana em
português.
Da mesma forma que Carlos (2011) fez, pretendo construir uma sequência de análises.
Pode-se dividir o fenômeno da onda em dois momentos, Hallyu 1.0 e 2.0. A primeira teve
inicio depois da guerra das Coréias, quando os dois países terminaram os conflitos na miséria.
Quando finalmente a Coréia do Sul começou a estabelecer-se financeiramente, eis que
acontece a crise asiática. Os empresários e governantes perceberam na indústria do
entretenimento a melhor saída da crise. Dessa forma, os grandes empresários começaram a
desenvolver planos de comercialização de produtos midiáticos para mercados de outros
países, focando primeiramente no continente asiático, e depois em países ocidentais. A
indústria fonográfica foi a principal responsável pelo início da hallyu 2.0, principalmente no
continente europeu e americano.
A escolha dos dramas como objeto de estudo ocorreu no intuito de contribuir para os
Estudos de Recepção e de pesquisas relacionadas com análises de conteúdos audiovisuais
internacionais. O consumo de produtos como os dramas pela Internet tem aumentado cada
dia. Se os fãs desses conteúdos tivessem que esperar por canais, abertos ou fechados,
disponibilizarem os programas na televisão, a onda coreana não teria a mesma força que
possui hoje no Brasil. Atualmente, além de blogs, sites e fóruns, também há presença da
Netflix, que é uma empresa estadunidense responsável por oferecer serviços de TV por
Internet. De acordo com o site de serviços da empresa, atualmente existe o registro de 44
milhões de assinaturas em mais de quarenta países. Desde o inicio do ano de 2014, a Netflix
começou a oferecer alguns títulos de doramas como serviço, devido a solicitação dos próprios
clientes. A iniciativa também surgiu quando a empresa percebeu o aumento na procura por
programas de entretenimento da Coréia do Sul na Internet.
A cultura sul-coreana começou a se espalhar rapidamente por países como a China,
Japão e Tailândia. Um dos fenômenos responsáveis pela ampla distribuição no mundo é a
própria globalização. Ao perceber o grande impacto que os produtos de entretenimento
obtiveram na China, jornalistas chineses denominaram a rápida e crescente expansão da
cultura sul-coreana em seu país como Hallyu. Este é justamente o tema do primeiro capítulo
da presente monografia, no qual ocorre a demonstração de como ocorreu o início da Korean
Wave, por meio do recorte histórico do país. O Capítulo 1 possui ainda exemplificação das
três bases dos produtos que compõem a onda, quais sejam: a música pop (conhecida como k-
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pop – korean pop); as novelas ou séries televisivas dramáticas (chamadas de dramas, as
coreanas são os k-dramas) e os programas de variedades. Os grupos e shows que estiveram
em terras brasileiras nos últimos sete anos, além de apresentar as influências do pop coreano
na criação do pop brasileiro também estão presentes neste capítulo. Por último demonstram-se
os objetivos das políticas de governo presentes na comercialização da cultura sul-coreana no
mundo.
No capítulo dois explico sobre o surgimento dos dramas na Coréia do Sul, com um
recorte histórico do país. Depois utilizo o site de compartilhamento e distribuição de doramas
online Viki como exemplo para descrever sobre os procedimentos realizados para obtenção
dos conteúdos asiáticos. É importante ressaltar que os dramas não são disponibilizados
automaticamente na Internet. Existe todo um processo de licenciamento para obtenção dos
programas e posterior distribuição dos conteúdos na Web rede. Todo o procedimento é
executado por pessoas especializadas, mas que também são fãs dos programas. Eu selecionei
o dorama You are the best Lee Soo Shin como objeto específico de estudo, no intuito de
analisar dois temas embutidos na sociedade sul-coreana. São eles: o consumo de bebidas
alcoólicas e a indústria do corpo. A análise de conteúdo ocorre posteriormente à exposição de
informações do drama, tais como quem são os personagens principais e um breve resumo da
história.
O principal ponto da presente pesquisa, que, como dito, objetiva identificar as
representações e significações que os brasileiros têm formado da cultura sul-coreana, a partir
do contato que estabelecem com os chamados dramas, vem a seguir. O capítulo três tem inicio
na exposição da hipótese de que os doramas podem ser considerados como representantes
culturais a partir do conceito de Williams (1994), de que os processos comunicativos estão
inseridos em um campo cultural mais amplo, e que por isso a cultura não pode ser
compreendida sem referência à sociedade, ou às práticas sociais dos indivíduos.
Posteriormente, ocorre a revisão da literatura de autores que trabalham com temas
relacionados a estudos culturais, como Hall (1999) e cibercultura Britto (2009).
No meio acadêmico brasileiro os artigos e dissertações que possuem relação com a
cultura pop japonesa ou coreana, são poucos. Existem mais pesquisas sobre o tema na Língua
Inglesa. Por conta disso, este trabalho possui diversas referências à autores estrangeiros.
A fim de montar o perfil do dorameiro, durante um mês eu apliquei um questionário
em um grupo na rede social Facebook. Os participantes da pesquisa são pessoas que
estiveram expostas a esses produtos sul-coreanos. O questionário (Apêndice) obteve 250
participações de fãs localizados em diferentes estados do Brasil. Todos responderam a onze
15
questões relacionadas a korean dramas, k-pop e ainda a programas de variedades, definidos
por Sousa (2004). A pesquisa foi aplicada e desenvolvida via ambiente Web por conta da
Hallyu ter obtido forças na Internet. De acordo com Britto (2009, p. 18) a onda coreana como
fenômeno “se manifesta no âmbito do chamado ciberespaço e que é elemento de renovação
acelerada da forma de relações de milhões de seres pelo planeta afora”.
O trabalho é finalizado com a resposta de várias perguntas intrigantes desenvolvidas
durante a produção da pesquisa. Um dos principais questionamentos refere-se à definição de
dramas como representantes culturais da Coréia do Sul, pois assim como nas novelas brasileiras,
acredita-se que os doramas estejam repletos de estereótipos culturais. Foi possível perceber
também que a Internet é a principal fonte que os apreciados da cultura sul-coreana encontram
para visualizar os conteúdos, seguida pelos canais fechados na televisão. Compreendi que tal
feito só é possível graças à globalização dos conteúdos simbólicos, disseminados em rede. Das
leituras e reflexões realizadas, hoje compreendo a globalização como um fenômeno de
integração social, econômica, política e cultural de diferentes países do mundo, que, de inúmeras
maneiras e por meio de diferentes redes, estabelecem relações de compartilhamento. No que se
refere ao objeto do presente estudo, entendo que os principais fatores que levaram à expansão da
cultura da Coréia do Sul no mundo foram políticos e sociais.
No que se refere ao método, o escolhido para esta pesquisa foi o estudo de caso, uma vez
que realizei análise em um programa audiovisual dramático. Para coleta de dados, a pesquisa
utilizou instrumentos como análise de conteúdo, aplicação de questionários e observação
participante e não participante em sites, blogs, fóruns e outras redes sociais. No recolhimento dos
dados qualitativos, realizei o tratamento, a categorização e a sistematização de todas as
informações. O trabalho também utilizou de instrumentos de sistematização e análise de dados
no desenvolvimento de gráficos.
É importante destacar que enquanto fã, as minhas pesquisas eram restringidas à
procura por conteúdos culturais para entretenimento e crescimento próprio. Contudo, a partir
do momento em que decidi trazer o assunto para a academia, minhas leituras foram alargadas,
principalmente por teóricos que discutem a cultura pop, gêneros e formatos televisivos e a
cibercultura. Atualmente, com mais de sessenta doramas assistidos, de temáticas diversas,
todos pela Internet, acredito na importância de analisar este fenômeno cultural como um todo,
assim como penso que este trabalho pode contribuir com futuras pesquisas relacionadas com a
onda coreana, dramas, Estudos de Recepção e Coréia do Sul. Carlos (2001) ressalta que nós
pesquisadores e fãs da cultura asiática buscamos a todo o momento o entendimento de como
pessoas “comuns” unem-se em torno de um objetivo único, que diz respeito à Comunicação,
16
(re)criam uma realidade à parte, por vezes, das usuais formas de produção, circulação e
consumo comunicacionais, com principal objetivo de ter acesso a conteúdos pouco
disponibilizados nas mídias tradicionais, além de compreender os processos entre a produção
e consumo destes produtos por parte dos fãs.
Ao final do trabalho encontra-se um glossário com algumas palavras, conceitos e
termos do cotidiano dos kpopper e dorameiros para que o leitor possa familiarizar-se com o
assunto e situar-se no tema.
17
CAPÍTULO 1
18
Mas, afinal, o que é a Hallyu e quão grande é essa indústria cultural? Fatores políticos
e econômicos influenciaram na criação e expansão da onda? Por que ela teve início e como
tudo começou? Para responder essas e outras questões é necessário fazer um regaste histórico
da Coréia do Sul. Oficialmente conhecida como República da Coréia do Sul, o país constituiu
a frase “Coréia Dinâmica” como lema nacional, que incorpora a modernidade e a tradição de
uma nação que renasceu das cinzas após conflitos, guerras e crises econômicas. De acordo
com o Serviço Coreano de Informações no Exterior (2006), atualmente a população da Coréia
do Sul aproxima-se de 50 milhões de habitantes. O país é cercado ao Norte pela Coréia do
Norte, ao Leste pelo Mar do Japão, ao Sudeste e ao Sul pelo Estreito da Coréia e, ao Oeste
pelo Mar Amarelo, conforme pode ser observado no mapa que se segue:
19
Ainda de acordo com Serviço Coreano de Informações no Exterior (2006), depois da
Guerra Fria o país sul-coreano aliou-se às nações do Ocidente que lutavam pela democracia.
O país buscou estruturar-se no ramo político e fortalecer as bases econômicas, visando futuros
investimentos nos mercados internos e externos. Cerca de dois anos depois teve início a
Guerra das Coréia (1950-1953), que levou os dois países a miséria. No livro Fatos da Coréia,
lançado pelo Serviço Coreano de Informações no Exterior, é possível compreender como essa
batalha envolveu diversos países do mundo e separou as famílias coreanas:
Conforme relata os registros à época pós Guerra-Fria, a Coréia do Sul, devastada com
as batalhas, se vê na necessidade de recuperar-se econômica. Em 1962 o governo sul-coreano
começa a adotar uma política de desenvolvimento, que seria baseada em exportação de
produtos nacionais para o mercado mundial. O principal objetivo era o fortalecimento das
relações internacionais. No ano de 1970 o país sul-coreano ainda concentrava-se em projetar
ações que pudessem unificar e gerar independência na península (SERVIÇO, 2006).
Nas décadas de 1980 e 1990, ocorreu o processo de redemocratização no país, que até
então era guiado por um regime militar. Os soldados coreanos, que serviam no Vietnã, voltam
20
para Coréia do Sul trazendo consigo diversas influências musicais como o rock dos Estados
Unidos e o enka do Japão, além de vários ritmos de outros países. Com flexibilização das leis
coreanas e o livre acesso aos programas estrangeiros, esperava-se que os coreanos
absorvessem a cultura americana e a japonesa como sua. Entretanto, “no início dos anos 90 as
músicas nacionais coreanas tomaram os rádios, doramas se enraizaram na programação
televisiva e filmes coreanos não foram sufocados por Hollywood” (OTAKISMO, 2012).
Choe (2012) relata que desde a década de 1950, as organizações industriais eram
controladas por grupos empresariais de grande porte, que detinham o controle da maior parte
das indústrias de diversos setores econômicos. Esses grupos são conhecidos como chaebols.
A definição que o jornal online Folha de S. Paulo apresenta sobre esses grupos é de
“conglomerados controlados por famílias, cuja hegemonia em grande parte da economia vem
levando a Coréia do Sul a descrever seu país como a República do Chaebol” (CHOE, 2012).
Ainda segundo o artigo do jornal, entre os grupos mais conhecidos no Brasil estão empresas
como a Samsung, Hyundai e LG.
A respeito do assunto, o Serviço Coreano de Informações no Exterior (2006) continua
os registros relatando agora sobre a estabilidade da economia. Entretanto, eis que acontece a
crise financeira asiática de 1998, atingindo todos os países do continente. A partir de 1998, o
governo sul-coreano começou a adotar medidas, que tinham por objetivo reformar o setor
financeiro, junto com o mercado de trabalho, além de reestruturar o setor público. Com a
atenção sempre voltada para produção que possuíssem objetos tangíveis, como carro e
televisão, a crise no país forçou os empresários a investirem em outras áreas do capitalismo,
como por exemplo, a indústria entretenimento.
Um dos principais objetivos dos empresários sul-coreanos, com foco na nova
indústria, era investir em produtos culturais que pudessem resultar em futuros investimentos
nos mercados nacionais da Coréia do Sul. No artigo de Otakismo (2012), contém a
informação de que diferente do Japão, o país sul coreano possuía, na época, um público
interno muito pequeno. O governo japonês disponibilizava maiores quantias em dinheiro para
o próprio mercado, dessa forma fortalecendo a indústria interna. Enquanto isso, os
empresários sul-coreanos financiaram o ainda não denominado fenômeno Hallyu, na intenção
de reerguer a economia com a comercialização de produtos culturais nacionais nos mercados
internacionais.
A Coréia do Sul promoveu a expansão da cultura coreana em outros países em dois
momentos. Ainda citando o artigo Otakismo (2012), o autor divide o fenômeno em duas
etapas: Hallyu 1.0 e Hallyu 2.0. Na primeira, os pioneiros da expansão sul-coreana no
21
continente oriental foram os dramas sul-coreanos, também conhecidos por doramas. Mais
adiante será explicado sobre o surgimento dos dramas e como ocorre a distribuição desses
programas no Brasil. Por enquanto, pretende-se explicar neste Capitulo o que são dramas,
visando ampliar a compreensão a respeito do assunto abordado. Em uma rápida pesquisa na
Internet é possível encontrar várias definições de dramas/doramas. O site de pesquisa
Wikipédia define dorama como:
Série de televisão oriental seja ela J-Drama (drama japonês); K-Drama (drama
coreano); TW-Drama (drama taiwanês); C-Drama (drama chinês) e até mesmo os
Live-Action (filmes com pessoas reais quando um mangá ou anime faz sucesso).
(DORAMA, 2014).
Por meio da pesquisa realizada por Tuk (2012) nota-se que o drama Eyes of dawn
conseguiu ser um sucesso na Coréia do Sul atraindo a atenção do público. Em 1992, a mesma
emissora lançou o dorama Jealousy. A trilha sonora do dorama conquistou altos níveis de
pontuação nos gráficos inspirou a indústria televisiva a pensar seriamente sobre a
comercialização de conteúdos audiovisuais. Em 1996 a televisão a cabo estreou na Coréia do
Sul. Como a ampla concorrência intensificada a qualidade dos dramas obteve uma melhora de
execução e produção.
Em 1996 a SBS colocou no ar o primeiro drama político Sandglass, que retrata a vida
de três coreanos durante o regime autoritário de 1980. O dorama foi um grande sucesso com
classificações de 64,5% de audiência Conforme demonstra o Quadro 1, disposto a seguir, os
produtos audiovisuais dramáticos sul-coreanos foram bem-sucedidas na Coréia do Sul. Hoje
em dia considera-se mais difícil que dramas obtenham altas audiências, em virtude da
23
disponibilização dos conteúdos na Internet. O drama First Love, produzido pela emissora
KBS2, é analisado como o drama sul-coreano com melhor colocação entre audiência. Cerca
de 65,8% dos coreanos estavam assistindo televisão na noite da transmissão do dorama.
Quadro 1 – Top dos dramas de TV mais bem classificados de todos os tempos na Coréia do Sul 1
Até o ano de 2004 a estação de TV MBC foi considerada como a emissora que mais
conseguir obter maiores rating de audiência, no quesito produção de drama. Segundo
Otakismo (2012) os doramas conquistaram, não só a Ásia, como também a Arábia Saudita,
Rússia, Nigéria, Colômbia, Israel, Bósnia, Turquia e EUA. De acordo com site
chuvadenanquim a “novela DaeJungGeum atingiu 86% de audiência nacional, chegando a
90% na capital Teerã”. Entre as cinquenta maiores produções de TV no gênero dramático da
Coréia do Sul, 25 doramas foram produzidos pela emissora MBC.
1
A classificação foi baseada no índice mais alto para um único episódio dessa temporada.
24
Fonte: Daejungeum (2014)
25
uma atenção maior para a Coréia do Sul e para os seus produtos, tanto os de entretenimento,
quanto os culturais, tais como os hábitos alimentares, a culinária, a língua e a história.
Com isso pode-se dizer que a Hallyu 1.0, que teve início com a crise asiática e a
extensão da globalização, expandiu-se ao perceber a necessidade de ampliação dos produtos
internos nos mercados internacionais. A ação conjunta de empresários e governantes
proporcionou que o país sul-coreano aproveita-se a abertura dos países ocidentais e “surfa-se”
na primeira onda. Desse modo o crescimento provocado pela indústria cultura serviu como
complemento da economia do país.
26
poder aquisitivo e controle acionário dos grupos midiáticos precisavam de produtos culturais
que movimentassem altos volumes de dinheiro.
Nesse sentido, a indústria de entretenimento da Coréia do Sul passou a distribuir,
divulgar e comercializar seus produtos na Internet, possibilitando que as pessoas pudessem
compartilhar um volume maior de informações e conteúdos de forma legítima e sem
pretensões comerciais (OTAKISMO, 2012). A partir desse momento, o usuário passou a ter a
opção de escolher o que deseja ver. O aumento no número de compartilhamento de conteúdos
ocorreu graça à nova geração de pessoas que começaram a seguir, pesquisar, procurar por
informações que envolvessem os grupos ou os ídolos sul-coreanos.
Os fãs desenvolvem um importante papel na Hallyu. A principal divulgação e
distribuição dos conteúdos audiovisuais dramáticos e de variedades são realizadas por fãs, que
compram os programas e colocam legendas de acordo com o país em que vivem. Todo o
processo desenvolvido por essas pessoas será descrito de forma mais detalhada no próximo
capítulo deste trabalho, pois, neste momento, pretende-se restringir apenas a definição do
termo para situar a discussão. De acordo com Carlos (apud HILLS, 2002, p. ix), fã é:
[...] alguém que é obcecado por uma estrela, celebridade, filme, programa de TV,
banda particular; alguém que sabe produzir uma enorme quantidade de informação
sobre o objeto do fandom, e pode citar suas frases favoritas, letras, capítulos e
versos. Fãs são frequentemente bem articulados. Fãs interpretam textos midiáticos
numa variedade de formas interessantes e talvez inesperadas. (Tradução nossa)4.
Internacionalmente a música pop coreana refere-se aos ídolos, sendo eles artistas com
várias atribuições e talentos. Existem algumas publicações acadêmicas que trabalham com o
tema como é o caso do artigo de Monique Alves, da Universidade Federal do Ceará de
Fortaleza. O trabalho de Alves (2014) visa “analisar as influências da internet na divulgação
mundial da música pop sul-coreana, conhecida como K-pop” e como as amplas divulgações
desses produtos podem está ligado com a pirataria. O artigo ainda segue discutindo até que
ponto a Internet funciona como via de beneficio para o k-pop.
4
O texto original diz: “somebody who is obsessed with a particular star, celebrity, film, TV programme, band;
somebody who can produce reams of information on their object of fandom, and can quote their favoured lines
or lyrics, chapter and verse. Fans are often highly articulated. Fans interpret media texts in a variety of
interesting and perhaps unexpected ways. And fans participate in communal activities – they are not ‘socially
atomized’ or isolated viewers/readers” (CARLOS, apud HILLS, 2002, p. ix).
27
Fonte: Arquivo pessoal
29
Fonte: 2ne1 (2011)
Alves (2014) descreve um pouco mais sobre como os grupos de k-pop são compostos.
As músicas e clipes americanos influenciaram, e ainda influenciam na realização dos MVs
coreanos. A divisão de vozes, os figurinos e as danças são itens estudados com extremo zelo e
cuidado, visando uma produção artística que mantenha e prenda a atenção do público. Alves
(2014, p. 6) ainda explica que as empresas costumam executar rigorosos treinamentos com
seus trainees, no intuito de que a performance do grupo seja perfeita:
O mercado de música pop neste país é bem estruturado e conta com dezenas de
artistas que estreiam todos os anos. Os grupos, quase sempre, são inteiramente
femininos ou masculinos. Também existem cantores solo. A alternância de vocais
entre os membros é constante, um pouco diferente dos padrões ocidentais. A maioria
das bandas conta com um membro exclusivo para fazer raps, que às vezes são mais
lentos do que os grupos de rap americanos. Outra característica peculiar, é que as
coreografias bem elaboradas ocupam lugar de destaque durante as apresentações.
Elas ajudam a captar a atenção de quem assiste. Os artistas no palco precisam ter
fôlego para cantar e dançar. É por isso que, antes de entrarem no mercado, eles
passam por treinamentos rigorosos nas agências de entretenimento, que podem durar
até quatro anos. Quando fazem audiência para entrar em uma dessas agências, os
coreanos, aos 14 anos ou menos, começam como trainees. Com o tempo, se
conseguirem se destacar e chamar a atenção dos agentes, eles são colocados em
grupos. Como existem essas filtragens, a carreira é competitiva. É comum os artistas
que já fizeram sua estreia, aos 20 anos, já terem graduação em música, artes e afins.
30
Em julho de 2012, a agência YG Entertainment divulgou um vídeo com trainees de
12 anos de idade, gerando polêmica entre os k-popper5s do Ocidente.
O pop coreano é o estilo mais popular de música na Coréia do Sul. Conforme indica o
mapa a seguir, as músicas internacionais estadunidenses e japonesas consistem em apenas
20% do mercado. Com isso, o país sul-coreano consegue tornar-se um dos poucos países do
mundo que dependem e consomem mais produtos de entretenimento nacional do que
mundial. Esse fato está inteiramente ligado com as políticas de governo, que desde o inicio
visavam o fortalecimento da cultura nacional.
O mapa anterior mostra como o k-pop espalhou-se pelo mundo. Em todos os países a
música pop coreana já foi visualizada milhões de vezes. De acordo com a pesquisa realizada
por TUK (2012) até 2011 os vídeos de k-pop no Youtube foram vistos 2,3 bilhões de vezes em
mais de 235 países. Dependendo do grupo, em lugares como Estados Unidos, Japão,
Tailândia, e Vietnã, as músicas pop sul-coreanas recebem mais visualizações do que na
Coréia do Sul.
Segundo TUK (2012), em termos de visualizações o Japão recebe o primeiro lugar,
com 423 milhões, seguido por Estados Unidos com 240 milhões e pela Tailândia com 224
milhões. O Brasil se encontra na pesquisa totalizando 21 mil visualizações, que é maior do
5
Fãs de k-pop
31
que Chile (13 mil), mas menor que o Peru (25 mil). Com isso, nota-se que a popularidade do
k-pop é o maior na Ásia Oriental e no Sudeste da Ásia. Essas regiões são responsáveis por
69% do total do k-pop vistos no YouTube. É interessante ressaltar que a falta de pontos de
visualização na China pode ser explicada pela política restritiva que o governo chinês tem no
site de compartilhamento de vídeos.
Diversos grupos de k-pop já ganharam prêmios no mercado americano, inclusive em
competições contra cantores consagrados. Em 2013 o site de compartilhamento de vídeo
Youtube promoveu o primeiro Youtube Music Awards 2013. O grupo Girl Generation, foi
indicado na categoria “Vídeo do Ano”, juntamente com outros artistas como Demi Lovato,
Nicki Minaj, Lady Gaga, Miley Cyrus, PSY, Selena Gomez e outros. No canal do Girls'
Generation (2012) é possível visualizar o grupo levando o prêmio de primeiro lugar com o
MV I Got A Boy.
Outro grupo sul-coreano que está ganhando a atenção nos Estados Unidos é o Akdong
Musician6, também conhecidos como AKMU, que, em 2014, foram acrescentados na lista dos
artistas mais poderosos com menos de 21 anos da Billboard7. De acordo com site de notícias
sul-coreano Sarangingayo, o primeiro álbum da dupla chegou ao “vigésimo lugar na lista de
álbuns mais vendidos entre os novatos e em nono na lista de álbuns internacionais, ambas
listas da própria Billbord” (SARANGINGAYO, 2014). Outros artistas sul-coreanos já
estiveram presentes nesta seleção, como por exemplo: a cantora Lee Hi em 2013, a cantora
Hyuna em 2011 e o grupo Wonder Girls em 2010.
O k-pop tem adquirido admiradores por todo o mundo, inclusive no Brasil. Esses
apreciadores acompanham, por meio da Internet, todos os passos e notícias relacionadas com
seus grupos ou artistas preferidos, independente de distância ou fuso horário. É relevante
notar como a música de um país distante pode alcançar e conquistar pessoas, que estão em
espaços e tempos diferentes. Stuart Hall (2006, p. 74) levanta essa questão quando discute
sobre as mudanças promovidas pela globalização: “À medida que as culturas nacionais
6
Grupo de K-pop composto pelos irmãos Lee Chan-hyuk e Lee Soo-hyun da empresa YG Entertainment.
Tornaram-se conhecidos nacionalmente depois de vencerem a segunda edição do reality show musical K-pop
Star em 2012, transmitido pelo canal SBS. Em 7 de abril de 2012 foi lançado o primeiro álbum online da dupla
que resultou e mais de três milhões de downloads. (AKDONG, 2014).
7
Billboard é uma revista semanal norte-americana especializada sobre a indústria musical. O ranking mais
conhecido, o Hot 100, mostra os 100 singles mais vendidos e tocados nas rádios e é frequentemente usado nos
Estados Unidos como principal forma de medir popularidade dos artistas. (CAMARGO, 2012).
32
tornam-se mais expostas a influências externas, é difícil conservar as identidades culturais
intactas ou impedir que elas se tornem enfraquecidas através do bombardeamento e da
infiltração cultural”.
Uma das provas de que este fenômeno movimenta muitas pessoas em todo o Brasil são
as programações de shows que ocorreram e ainda vão ocorrer no país. Segundo Maciel (2013)
um dos primeiros cantores coreanos a pisarem em solo brasileiro foi Tony Ahn, ex-integrante
do grupo H.O.T8 e a cantora Byul, em agosto de 2011. Os dois participaram do Fresh Festival,
que tinha como principal objetivo disseminar a cultura musical coreana no Brasil.
Ainda em 2011, agora no mês de setembro, o grupo de k-pop MBLAQ9 fez sua
aparição no Brasil no evento K-pop Cover Dance Festival10, que ocorreu em São Paulo, como
um dos jurados da competição. Na ocasião os membros do grupo relataram que não
esperavam encontrar muitas pessoas que conhecessem o trabalho desenvolvido pela equipe,
entretanto mais de seis mil pessoas compareceram ao local do evento. Em entrevista a um site
brasileiro de notícias coreanas o grupo ainda relata que a onda coreana está crescendo no
Brasil e que outros cantores da Coréia do Sul planejam visitar os brasileiros:
Nós somos os primeiros ídolos coreanos a visitar o Brasil. Desde o momento que
saimos do avião,recebemos uma inundação de amor. Os patrocinadores do concerto
não achavam que tanta gente iria comparecer, então eles alugaram um pequeno
salão. Entretanto, mais de 6 mil fãs foram ao local, e alguns tiveram de esperar do
lado de fora. Existe uma forte onda coreana soprando no Brasil. Nossos fãs
brasileiros poderiam cantar junto todas as músicas de k-pop. Seria ótimo se outros
cantores, e não somente nós, visitassem o Brasil. Nós temos certeza de que eles irão
reunir uma reação positiva.” (TRIIKA, 2011).
8
Popular boyband coreana da década de 90, foram formados pela SM Entertainment em 1996 e dissolvidos em
2001...H.O.T virou sucesso na música da Coréia. Composto por cinco adolescentes (na época de sua estreia), daí
o nome “High-five Of Teenagers” (sigla H.O.T.). (HOT, 2014).
9
MBLAQ, que significa Music Boys Live in Absolute Quality, em português, (Garotos Musicais ao Vivo em
Qualidade Absoluta) é um quinteto sul-coreano criado pelo artista Jung Ji-Hoon, mais conhecido como Rain, sob
a gravadora [Link] Entertainment, também conhecida como [Link] Camp. (MBLAQ, 2014).
10
O KPOPPOP Cover Dance Festival é um concurso cover mundial, para participar basta se inscrever no site. A
primeira fase é online, então os grupos são escolhidos pelos vídeos que enviarem. Após isso, os grupos
escolhidos irão participar da etapa regional. Nesta etapa os grupos irão ser avaliados por famosos coreógrafos,
músicos, diretores de comerciais, etc. Os que passarem da fase regional irão para a final do concurso, que será na
Coréia. (TRIIKA,2014).
11
B2ST ou Beast é um grupo sul coreano formando por seis integrantes. O grupo debutou em 2009 pela
emprensa Cube Entertainment. (B2ST, 2014).
12
4MINUTE é um grupo de k-pop formado por cinco garotas. Debutaram em 2009 com álbum Hot Issue pela
empresa Cube Entertainment (4MINUTE, 2014).
33
entrevista ao jornal online G1 de São Paulo, a cantora [Link] afirmou que o resultado positivo
que o k-pop está ganhando deve-se à nova era do entretenimento e às músicas chicletes que a
Coréia produz. A cantora ainda afirmou que fazer uma apresentação em um país distante
como o Brasil é um sonho para muitos artistas coreanos:
Hoje em dia representamos o papel dos Estados Unidos dentro do pop. As pessoas
estão cada vez mais treinando nossas letras e aprendendo a cantá-las. “A melodia e o
ritmo ficam na cabeça das pessoas. Quando os fãs começam a traduzir as letras, eles
percebem que tem algo de mais profundo ali”. É o sonho de qualquer artista ter
contato com diferentes culturas ao redor do mundo, trocar olhares e conhecer os fãs.
Por ser a primeira vez aqui, a expectativa é muito grande. Queremos sentir o público
brasileiro. Eu amo esses fãs (SEIXLACK, 2011).
Em janeiro de 2012 dois integrantes do grupo ZE:A14 vieram ao Brasil para participar
do programa Star Date. Na ocasião, os dois jovens teriam “encontros” com duas fãs
brasileiras, escolhidas em um concurso. Em setembro do mesmo Junsu Xiah, do grupo JYJ15,
fez um tour pela América do Sul e marcou presença no Brasil. Em fevereiro de 2013,
especificamente na época do carnaval, o cantor PSY fez uma participação especial no trio
elétrico da cantora Claudia Leite em Salvador na Bahia (MACIEL, 2013).
Para comemorar os cinquenta anos da imigração coreana no Brasil, o Ministério da
Cultura, Esporte e Turismo da Coréia do Sul promoveu no dia 24 e fevereiro de 2013 o 2K13
Feel Korea. No evento estiveram presentes a cantora Ailee16, o cantor HyunJoong, líder do
grupo SS50117, e a dupla BaeChiGi.18 O evento ainda contou com diversos worksop de danças
e aulas de maquiagem.
No mês de abril de 2013, um dos maiores e mais famoso grupo de k-pop apresentou-se
em São Paulo pela primeira vez. O grupo Super Junior19 realizou a sua quinta turnê, Super
Show 5, nos países sul-americanos inclusive no Brasil. Em menos de três dias mais de sete mil
13
Gina Choi, mais conhecida como [Link], é uma cantora sul-coreana-canadense debutou em 2010 pela empresa
Cube Entertainment. ([Link], 2014).
14
ZE:A, também conhecido como Children of Empire é um grupo sul-coreano composta por nove garotos. O
grupo debutou em 2010 pela empresa Star Empire Entertainment (ZE:A, 2014).
15
Conhecidos também por DBSK e TVQX. O grupo era empresariado pela SM Entertainment, entretanto
problemas judiciais provocaram a desvinculação de alguns integrantes com a empresa (DBSK, 2014).
16
Amy Lee, mais conhecida como Ailee, é uma cantora sul-coreana que entreiou em 2012 pela empresa YMC
Entertainment (AILEE, 2014).
17
SS501 é uma boyband sul-coreana formada em 2005 pela gravadora DSP Entertainment. O grupo é formado
por cinco garotos (SS501, 2014).
18
Dupla japonesa de Hip Hop.
19
Super Junior é uma boyband sul-corena formada em 2005 pela empresa SM Entertainment. O grupo é
formado por 13 garotos, sendo que dois deles participam apenas do sub grupo chinês , o Super Junior M
(SUPER JUNIOR, 2014).
34
ingressos foram vendidos na Internet. A notícia de que o grupo iria se apresentar no Brasil foi
destaque em vários jornais no país, conforme pode ser observado na figura a seguir.
Figura 7: Reportagem do jornal O Estadão de São Paulo sobre o grupo Super Junior e o Super Show 5.
20
M.I.B é um quarteto de hip-hop sul-coreano da empresa Jungle Entertainmen .(M.I.B, 2014).
21
INFINITE é um grupo sul-coreano de sete integrantes produzido pela Woollim Entertainment (INFINITE,
2014).
22
CNBlue é uma banda de rock sul-coreana, composta por quatro rapazes e possuem contrato com várias
gravadores, inclusive americanas (CNBLUE, 2014).
23
SHINee é um grupo sul-coreano, composto por cinco rapazes da empresa SM Entertainment(SHINEE, 2014)
35
No mês de setembro ocorreu duas apresentações de grupos sul-coreanos. A primeira
foi do grupo Wa$$up24 no dia 13 e a outra do grupo NU’EST25, no dia 27, ambos em São
Paulo. O grupo NU’EST, que esteve no país no final do ano de 2013, fez questão de
acrescentar o Brasil no itinerário da viagem. De acordo com Imenes (2014), os eventos
promovidos pelo grupo deram a oportunidade de que trezentos fãs pudessem conhecer os
integrantes de perto. A autora diz ainda que os ingressos, que permitiam a aproximação dos
fãs com o grupo, esgotaram-se três minutos depois do inicio das vendas.
Com influências da música pop sul-coreana o Brasil também resolveu investir no pop
com a criação, desenvolvimento e a formação de um grupo brasileiro. Segundo Zendron
(2014) CHAMPS é o nome do primeiro grupo de b-pop brasileiro. O grupo é composto por
cinco garotos, que possuem a idade entre 18 e 22 anos. Os rapazes são de diversos estados do
país e foram escolhidos por meio de audições realizadas pela empresa JS Entretenimento.
É possível notar muitas semelhanças entre o grupo CHAMPS e os grupos da Coréia do
Sul, principalmente no quesito roupas e na mistura de idiomas no refrão da música. Ao serem
selecionados pela empresa, os cinco jovens passaram pela mesma situação que os traines
coreanos, ou seja, deixaram suas casas e cidades e foram morar juntos.
24
Wha$$up é um grupo sul-coreano composto por sete garotas e que pertencem a empresa JW8
Entertainment(WHASSUP, 2014).
25
NU'EST (New Established Style and Tempo) é uma boy band sul-coreana formada pela empresa Pledis
Entertainment e é composta por cinco rapazes (NU’EST, 2014) .
36
Fonte: Champs (2014)
A rotina intensa inclui aulas de canto, teatro e dança de segunda a sábado dás 8h às
22h30. De acordo com Zendron (2014) o responsável pela empresa, Alex JS Lee, relata que
uma das principais dificuldades enfrentadas pelos rapazes e pelos donos da JS Entretenimento
foi que os membros do grupo tiveram que deixar emprego, faculdade e a família, mas que
tudo estava ocorrendo dessa forma no intuito de “mostrar o melhor trabalho e ter sucesso”
(ZENBRON, 2014).
Em entrevista ao portal de notícias UOL, um dos integrantes do grupo afirmou que a
empresa investe muito dinheiro nos componentes da equipe visando que os garotos cheguem
ao nível dos sul-coreanos. Segundo Zendron (2014), o grupo passou dois meses em Seul e
tiveram aulas “com o coreografo do hit Gangnam Style, Jun Sun Lee. Foi também em Seul
que eles gravaram o clipe do primeiro single Dynamite, que contabiliza ainda modestas 150
mil visualizações no Youtube”.
37
Nos últimos anos os ídolos do k-pop estão aparecendo frequentemente nos programas
de variedade da Coréia do Sul. O site Wikipédia (2014) define esse tipo de conteúdo como
sendo “programa de televisão ou de rádio que engloba vários tipos de programas em um só.
Eles diferem dos programas de auditório por não possuírem plateia, mesmo tendo algumas
semelhanças entre eles” (PROGRAMA, 2014). Sousa (2004) também classifica o gênero
como um estilo de programa pós-modernos na TV, que promove a guerra pela atenção da
audiência.
Os programas de variedade da Coréia do Sul possuem algumas semelhanças, em sua
composição, com os programas brasileiros. Desta forma a categoria de entretenimento pode
ser classificar da mesma maneira. Dentro do gênero de variedade dos programas sul-coreanos
podem-se identificar outros formatos do entretenimento como, por exemplo, o talk show. De
acordo com Sousa (2004, p. 137-139) este gênero
Outro formato muito utilizado nesses programas é o game show. Segundo Sousa
(2004) nesse tipo de programa é comum a existência de uma “mecânica dos jogos”, “regras de
fácil compreensão”, “interatividade com o telespectador” ou participante ao vivo, que não
precisa ser necessariamente no formato de auditório. Os competidores, geralmente convidados
famosos, disputam diversos tipos de brincadeiras e gincanas entre si. O autor ainda cita que o
formato de quiz show também pode aparecer nesses programas, envolvendo perguntas e
respostas.
Entre muitos programas de variedades sul-coreanos no formato de game famoso na
Coréia do Sul é o Running Man26, que consiste em um game show composto pela presença de
sete MCs27 e convidados especiais, que podem ser atores, atletas, cantores e comediantes. O
objetivo do programa é completar as missões e tentar vencer a corrida, que a cada episódio
ocorre em um local diferente. Muitos artistas do entretenimento já participaram de Running
Man, muitas vez na intenção de promover o lançamento de álbuns musicais ou mesmo de
algum drama em que estão atualmente.
26
Running Man foi ao pela primeira vez no dia 11 de julho de 2010 e até a publicação deste trabalho se encontra
no 214° episódio. A produção faz parte da programação da emissora SBS (RUNNINNG, 2014).
27
Diferente dos brasileiros, na Coréia do Sul MC significa Mestres da comédia.
38
Figura 9: Programa Running Man, com participação especial do ator Jackie Chan e do integrantes do
grupo de k-pop Super Junior, Siwon.
39
Com a indústria do entretenimento em alta, sustentar a Hallyu tornou-se um ponto
crítico para o governo do país. Em 2012, o Ministério do Turismo, Cultura e Esportes da
Coréia do Sul desenvolveu um comitê consultivo que teria como objetivo procurar e
desenvolver maneira de sustentar a onda coreana. O comitê também teria o papel de conciliar
e promover a cultura tradicional do país. Durante a reunião inaugural do comitê, que ocorreu
em Samcheonggak, em Seul, o ministro da cultura, Choe Kwang-shik, afirmou que o governo
deve aproveitar que as atenções estão voltadas para Coréia do Sul e para promover a expansão
de outros bens culturais do país como comida e moda:
Se K-drama e K-pop abriram a porta para que nos introduzir a cultura do povo
coreano em todo o mundo, precisamos agora desenvolver idéias concretas sobre
como promover coerentemente hallyu, para que possamos apresentar outros bens
culturais como Pororo28, alimentos, artes tradicionais, moda, turismo e outros no
futuro (CHO, 2012).29
Figura 10: Ministro da Cultura Choe Kwang-shik e representantes do governo durante reunião de
inaugural do Comitê Consultivo realizada no Samcheonggak em Seul.
28
Pororo o pequeno pinguim é um desenho animado sul-coreano, produzido pela Iconix Entertainment e pela SK
Broadband. (PORORO, 2014)
29
Texto original:: “If K-drama and K-pop have opened the door for us to introduce Korean culture around the
world, now we need to develop concrete ideas on how to consistently promote hallyu so that we can present
other cultural assets like Pororo, food, traditional arts, fashion, tourism and others in the future,” Culture
Minister Choe Kwang-shik said during the inaugural meeting of the advisory committee held at Samcheonggak
in Seoul” (CHO, 2012).
30
Texto original: “In January, it announced plans to further promote Korean traditional culture and also
inaugurated the K-Culture Promotion Taskforce which will coordinate the implementation of the plans. It said it
will spend 33.5 billion won this year toward the goal and prepare a budget of 230 billion won for 2014 and 2015
in cooperation with other governmental organizations” (CHO, 2012).
40
Fonte: The Korea Herald (2012)
41
Segundo Otakismo (2012) o governo, em conjunto com os empresários sul-coreanos,
soube aproveitar a expansão da onda coreana e investir na indústria do entretenimento. A
partir dessa junção o país foi capaz de sair da crise econômica e se estabelecer
financeiramente. Atualmente, mesmo que as empresas da Coréia do Sul fixem mais atenção
nas conjunturas comerciais, econômicos e política da Hallyu, os aspectos relacionados com a
cultural do país também estão espalhando-se pelo mundo.
Em diversos casos, assim como descrito no caso da empresa LG e Samsung, os
principais percussores do diálogo e do relacionamento comercial entre o mercado nacional e o
internacional foram os conteúdos de entretenimento. Um exemplo seria a utilização de artistas
de drama e k-pop para promover a Coréia do Sul nas propagandas nacionais. Dessa forma, as
empresas vêem a indústria cultural e a cultura em si como uma mercadoria simbólica de muito
valor, algo que deve ser desenvolvido para gerar lucro. Infelizmente, em alguns casos,
empresários e governantes tendem a ignorar o significado cultural que as pessoas,
principalmente nos países ocidentais, atribuem aos dramas, filmes e as músicas coreanas.
Com tais reflexões, é possível compreender um pouco melhor a Coréia do Sul e a
Hallyu. Entretanto, o tema ainda gerar muitas dúvidas e provoca diversas inquietações. Mas
até que ponto a comercialização desenfreada dos produtos sul-coreanos pela Internet é
benéfica para as empresas? Será que as pessoas estão realmente preparadas para essa explosão
de conteúdos? Afinal, os dramas podem ser considerados como representantes da cultura sul-
coreana ou estão repletos de estereótipos, que no final formar a imagem de uma sociedade que
não existe?
42
CAPÍTULO 2
O DORAMA: YOU’RE THE BEST LEE SOON SHIN
O Viki31 é um site mundial de televisão. O principal meio, pelo qual o site é movido,
são os serviços prestados pelos próprios fãs, que trabalham diretamente com criação de
legendas. De acordo com Fritz-Krockow (2012) existem conteúdos no portal com mais de 150
idiomas disponibilizados para o público de todo o mundo. Para exemplificar a seguir será
descrito como ocorre o processo de obtenção de programas e conteúdos do país sul-coreano
por parte do site Viki.
31
[Link]
44
A equipe fixa da Viki possui trinta membros de dezoito países diferentes, todos admiradores
de muitas culturas e programas produzidos na Coréia do Sul e em outros locais.
No intuito de permanecerem atentos à nova disponibilização de conteúdos, muitos fãs
criam canais, que funcionam como centro de informação para os apreciados dos programas.
Porém, como a disponibilização dos conteúdos ocorre na forma de negociação e parcerias, em
alguns momentos ocorre o choque de conflitos entre interesses econômicos e pessoais durante
o processo.
Fritz-Krockow (2012) relata que muitos proprietários de conteúdos não concordam
com determinadas formas de divulgação ou veiculação de seus shows e dramas na Internet
por acreditarem que serão prejudicados. Caso o site receba algum pedido, por parte dos
empresários, como o fechamento de determinado canal ou o bloqueio de links dos vídeos
disponibilizado, o pedido precisa ser acatar: “Nós respeitamos os desejos dos proprietários
dos conteúdos, de acordo com a nossa política que segue o Digital Millennium Copyright Act
- DMCA.” (FRIRTIZ-KROCKOW, 2012).
Fritz-Krockow (2012) ainda complementa dizendo que os proprietários de programas
sul-coreanos não tinham ideia da quantidade de fãs que existem em países ocidentais apenas
aguardando o trabalho dos profissionais da Viki. Muitos empresários ao perceberem o
possível mercado no Brasil optam por abrir as portas do mundo de entretenimento por meio
da efetivação das parcerias:
Milhões de fãs em todo o mundo esperam pacientemente para esses shows para estar
disponível em sua língua. Eles nos ouviram, viram o trabalho incrível da
comunidade Viki, e já vi programas de sucesso ultrapassar a audiência da TV em
mais de 50 idiomas, chegando a 200 países, gerando uma receita de aditivos
significativos no processo.” (FRIRTIZ-KROCKOW, 2012).
45
O mundo do fã pode ser dependente dos produtos da mídia disponível, mas este
produtos são assumidos, transformados e incorporados num universo simbólico
estruturado e habitado somente por fãs. Mas a participação no mundo do fã
frequentemente assume formas menos elaboradas. Cartas intercambiadas entre fãs
são cheias de palavras codificadas e conhecimento esotérico que ajudam a tornar o
mundo do fã algo especial: um mundo separado dos outros que, embora possam ver
os mesmo programas, ouvir as mesmas músicas ou ler os mesmo livros, não
organizam suas vidas em torno destas atividades [...] (THOMPSON, 2001, p. 194,).
Com isso, pode-se concluir que existem pessoas que dedicam um tempo considerável
de seu dia a dia para trabalhar na disponibilização de conteúdos para os fãs, no intuito de
propagar e divulgar ainda mais os programas audiovisuais sul-coreanos. Esses grupos se
organizam e elaboram estratégias de disponibilização e legenda dos conteúdos, sendo que o
site citado anteriormente conta com a colaboração dos próprios fãs para legendar os
programas e divulgar em redes sociais e outros portais da Web.
A seguir, a presente exposição focará no objeto particular de estudo escolhido, com
informações sobre o dorama, o autor, a descrição dos personagens, um breve resumo da
história e análise de dois temas selecionados, que estão presentes no dia a dia da sociedade
sul-coreana.
32
Yi Sun-sin foi um comandante naval coreano, conhecido por suas vitórias contra a marinha japonesa durante a
guerra Imjin da dinastia Joseon. Ele também é conhecido pelo inovador criar os barcos-tartarugas. Existe uma
estátua do comandando na capital e seu barco no centro de Seul (COREIA, 2014).
46
sobre a Coréia do Sul. Primeiramente, serão apresentadas informações sobre o autor do drama
Jung Yoo-kyung, uma sinopse da história e a lista com os principais personagens da história.
A família de Soon-shin é formada por sete pessoas, sendo: a mãe, o pai, as duas irmãs
mais velhas, a avó e a sobrinha. No começo do dorama ocorre a retratação da vida de cada um
dos personagens da família Lee, que moram todos na mesma casa. Os familiares de Soon-shin
47
nunca acreditaram que a mesma tivesse potencial para o trabalho, porém quando o patriarca
da casa morre, a garota buscará formas de ajudar a família a sobreviver.
a) Lee Soon-shin (IU): filha mais nova entre três mulheres. A menos sucedida, mais
atrapalhada e sem talento da família. Depois de enfrentar muitos problemas Soon-shin
consegue associar-se a uma agência de entretenimento para tornar-se atriz. Soon-shin
começa a ter aulas de teatro com Song Mi-Ryung, que posteriormente descobre na
verdade ser sua mãe biológica. Soon-shin era apaixonada por Chan-woo, mas depois
descobre que realmente gostava do presidente da empresa de entretenimento Jon-ho.
b) Kim Jung-ae (Ko Du-shim): mãe adotiva de Soon-shin e de sangue das irmãs
Hye-shin e Yoo-shin. Jung-ae sempre apoiou a filha mais nova e tentava de todas as
formas possíveis ajudá-la com os problemas que se envolvia. Quando Soon-shin
começa a ter aulas de teatro com Mi-Ryung, sua mãe para de apoia-la, pois seu marido
teve um caso com a atriz.
c) Lee Chang-hoon (Jeong Dong-hwan): pai adotivo de Soon-shin, marido de Jung-
ae e filho de Mak-rye. Chang-hoon era apaixonado pela atriz Mi-Ryung, que após dar
a luz entrega a filha para que Chan-hoon leve-a para um orfanato. Entretanto Chan-
hoon mostra a criança a sua mulher e diz que a encontrou abandonada na rua. O casal
decide cria-lá. Chan-hoon se envolve em um acidente com Mi-Ryung e acaba
morrendo nos primeiros capítulos. Mi-Ryung sobrevive mas foge do local sem prestar
ajuda.
d) Sim Mak-Rye (Kim Yong-rim): avó paterna de Soon-shin. Mak Rye é uma
senhora moralista e tradicional, que mora com a nora, as três netas e a bisneta.
e) Lee Hye-shin (Son Tae-young): irmã mais velha de Soon-shin. Hye-shin é
conhecida por ser a filha exemplar da família, pois sempre foi a mais elegante,
inteligente e bonita. Hye-shin se casa com um homem de negócios e vai constituir sua
família em Hong Kong. Entretanto a vida de casada se torna mais difícil do que Hye-
shin imaginava. Depois de sete anos, a irmã mais velha retorna para casa dos pais com
uma filha e problemas familiares.
f) Lee Yoo-shin (Yoo In-na): irmã do meio de Soon-shin. Yoo-shin é uma executiva
em marketing de uma importante empresa. Yoo-shin é a mais eloquente e esperta da
três irmãs e em muitas situações entra em conflito com [Link]-shin se casa
com Chan-woo e vai morar na casa dos sogros e da cunhada. A família de Chan-woo e
48
Yoo-shin sempre se conheceram, mas o casamento dos dois provoca conflitos e
problemas entre os parentes.
g) Han Woo-joo (Kim Hwan-hee): filha de Hye-shin. Woo-joo é uma menina de sete
anos que não entende bem a atual situação dos pais divorciados.
Quando Jon-ho decidiu abandonar a faculdade de Medicina e se tornar artista seu pai
foi contrário a decisão. Desde então, a convivência entre pai e filho é limitada à pouco diálogo
dentro e fora de casa. A irmã mais nova de Jon-ho seguiu os mesmos passos do irmão,
abandonando a faculdade para tentar a carreira artística. Entretanto o patriarca da família Shin
fará de tudo para impedir que sua filha se torne atriz.
a) Shin Jon-ho (Cho Jung-Seok): ex-cantor, que resolve não seguir os caminhos do
pai na medicina. Ao invés disso resolve criar uma agência de entretenimento, a Gabi
Entertainment reconhecida nacionalmente, do qual é o presidente. A atriz Mi-Ryung
trabalha em sua empresa. Em determinado momento do drama Jon-ho e Soon-shin se
envolvem em um relacionamento amoroso, onde passam por diversos problemas para
ficarem juntos.
b) Shin Dong-hyuk (Kim Kap-soo): pai de Shin Jon-ho, com quem não tem um bom
relacionamento, e Shin Yi-jung. Dong-hyuk possui uma empresa de dermatologia em
Seul, onde trabalho com Chan-woo, e é casado com Yoo Soo-jung, mas sempre foi
apaixonado pela atriz Mi-Ryung.
c) Yoo Soo-jung (Lee Eung-kyung): mãe de Jo-ho, Yi-jung, mulher de Dong-hyuk e
amiga de Mi-Ryung.
d) Shin Yi-jung (Bae Geu-rin): irmã mais nova de Jon-ho e filha de Dong-hyuk e
Soo-jung. Yi-jung começa a pegar aulas de teatro com Mi-Ryung junto com Soon-
shin, entretanto é forçada a desistir da ideia. Yi-jung se apaixona por Chan-woo
quando o vê no trabalho de seu pai, mas o rapaz não demonstrar os mesmos
sentimentos.
49
A família de Chan-woo e Soon-shin são conhecidos um do outro e moram no mesmo
bairro. Soon-shin era apaixonada por Chan-woo, porém o rapaz sempre gostou de Yoo-shin,
dessa forma considerando Soon-shin como uma irmã mais nova. Apesar das duas mães serem
melhores amigas Gil-ja nunca gostou de Yoo-shin. Por conseqüência, quando descobre que
seu filho resolveu se casar com a filha do meio da família Lee, Gil-ja decidi fazer de tudo para
impedir que o casamento ocorra.
Mi-Ryung é uma das atrizes mais reconhecida da Coréia do Sul. Sempre com os
melhores papéis de doramas a atriz esbanja simpatia e admiração, inclusive da jovem atriz
Yeon-A. Porém Mi-Ryung possui um passado escuro, que consiste em gravidez indesejada e
abandono de criança. O gerente artístico, Il-do, fará de tudo para proteger sua cliente de
paparazzis que desejam acabar com a carreira de Mi-Ryung.
50
a) Song Mi-Ryung (Lee Mi-sook): atriz, assinou contrato com a empresa do
presidente Jon-ho. Descobre ser a verdadeira mãe de Soon-shin. Possuí muitos
segredos do passado que tentar esquecer. Foi salva de ser atropelada por Chan-hoon.
Mi-Ryung não prestou assistência nenhuma para Chan-hoon, que acabou morrendo.
b) Choi Yeon-A (Kim Yun Seo): atriz e ex-namorada do presidente da agência de
entretenimento Jun-ho. Quando Yeon-A debutou como atriz ela terminou o
relacionamento que tinha com Jun-ho, que na época era apenas cantor. O
entrosamento do casal resurge a partir de uma aposta, sugerida por Yeon-A. Quando
Soon-shin se torna atriz Yeon-A a vê como sua rival e faz de tudo para atrapalhar sua
vida. Yeon-A possuí um relacionamento de filha com a atriz Mi-Ryung
c) Hwang Il-do (Yun Da-hun): gerente artístico de Mi-Ryung, responsável por todas
as atividades pessoais e profissionais da atriz. Il-do conhece todos os segredos de Mi-
Ryung, inclusive que ela tem uma filha.
d) Kim Yong-hoon (Lee Ji-hoon): amigo de Jon-ho e Yeon-A. Yoong é gerente de
uma loja de café, onde Soon-shin trabalha antes de se tornar artista.
e) Seo Jin-Wook (Jung Woo): ex-presidiário e posteriormente torna-se dono de uma
padaria do bairro. Jin-wook se apaixona pela irmã mais velha de Soon-shin, Hye-shin,
entretanto os dois enfrentam diversos problemas, principalmente com a família de
Hye-shin.
51
Fonte: Imageshack (2014)
Como dito, You are the best Lee Soon-shin, também conhecida como Lee Soon-shin is
the best, foi um drama produzido pela emissora de televisão KBS2, entre nove de março e 25
de agosto de 2013, e era transmitido aos sábados e domingos no horário das 19h55min. O
dorama foi escrito por Jung Yoo-kyung, dirigida por Yoon Sung-shik e produzida por Mo
Wan-il e Bae Kyung-soo. A área de cinematografia foi realizada por Kim Jang-soo.
A história gira em torno da vida e dificuldades enfrentadas por Lee Soon-shin e a
família, que começam a ocorrer depois da morte de seu pai. Certo dia, depois de ser despedida
de mais um emprego Soon-shin se encontra com um vigarista, que indentifica-se como o
presidente de uma agência de talentos. Depois de muita conversa a moça resolve assinar
contrato com a empresa, entretanto o representante da agência na verdade é um vigarista que
coloca Soon-shin e a família em dívida.
Para conseguir sanar a dívida Soon-shin começa a trabalhar em uma loja de café,
gerenciada por Yong-hoon. A loja é uma extensão da agência de talentos Gabi Entertainment,
52
que está sob comando do ex-cantor e atual presidente Jon-ho. Para conseguir a atenção da ex-
namorada, a atriz Yeon-ah, o presidente da agência, Jon-ho, faz uma aposta com Yeon-ah de
transformar uma pessoa sem qualquer talento em uma grande estrela. Jon-ho conhece Soon-
shin na loja de café e decide torna-lá uma atriz de sucesso. Porém, depois de ser engana pelo
farsante de uma empresa falsa, Soon-shin não aceita a propósta de primeira, apenas depois de
muita insistência por parte e Jon-ho. Quando finalmente aceita a proposta e começa a receber
aulas de teatro, Soon-shin descobre que ela é adotada e que sua verdadeira mãe é a famosa
atriz Mi-Ryung, com quem seu pai teve um caso.
A narrativa de todo o dorama gira entorno do conflito descrito anteriormente, quando
ao descobrir a verdade, Soon-shin encontra-se no dilema de viver com a verdadeira mãe e se
tornar uma atriz ou continar a morar com mãe adotiva, a avó e as irmãs e desistir da idea de se
tornar uma atriz, porque sua família adotiva não aprova que Soon-shin tenha convivência com
a verdadeira mãe nem com o meio artistico. A intriga entre as famílias aumentam quando
descobrem que talvez o patriarca da família seja o verdadeiro de Soon-shin, junto com Mi-
Ryung.
2.2.4 O consumo de bebidas alcoólicas no dorama You’re the best Lee Soon-shin
Existem muitos temas que podem ser discutidos no drama. Porém, a presente pesquisa
restringiu as análises para dois assuntos específicos: o consumo de bebidas alcoólicas e a
indústria do corpo. Para tal análise, foi utilizada a decupagem de partes selecionadas do
dorama, bem como o envolvimento do assunto com produções jornalísticas , como
reportagens e pesquisas.
O primeiro tema de análise escolhido refere-se ao consumo de bebidas alcoólicas.
Segundo Sul (2014) os sul-coreanos assumem o primeiro lugar no consumo de álcool no
mundo. A pesquisa foi divulgada no Daily Mail e foi realizada com pessoas de maioridade
suficiente para beber. De acordo com os dados desta pesquisa, os coreanos bebem em média
13,7 copos de álcool por semana, mais que o dobro do segundo colocado. A principal bebida
ingerida é o soju, que consiste em um destilado feito de arroz. Ainda conforme a pesquisa
realizada, a marca Jinro Soju, que vendeu cerca de 65 milhões de caixas em 2014, pretende
atingir em 2017 a venda de 146 milhões de caixas.
No intuito de aumentar a divulgação, a empresa contratou o rapper sul-coreano PSY
como garoto propaganda da marca. A indústria criou um vídeo, onde o cantor ensina treze
53
maneiras de virar um shot da bebida. Ainda segundo a pesquisa, Sul (2014) o Brasil também
faz parte do rank, aparecendo na nona posição com 3,6 copos por semana.
A maior parte dos sul-coreanos costuma beber com patrões, colegas de trabalho,
amigos ou membros dos mais variados grupos. Está atitude pode ser tida como parte da
cultura social da Coréia do Sul, uma vez que diversas pessoas que já estiveram no país
compartilham da mesma noção. Coutinho (2013) afirma que:
Os coreanos bebem bastante e isso meio que parte da cultura deles. Você tem que
beber com eles. Se alguém bem mais velho que você, alguém superior a você na
hierarquia deles, alguém que está em um ano mais avançado na universidade que
tenha mais moral te oferece uma bebida, você tem que respeitar. Se eles mandarem
você beber, você tem que beber. Mas o que você pode fazer se você não quer beber,
ou se você não quer beber muito, pra respeitar a cultura é simbolizar que está
brindando [...].
54
- Você disse que muitas pessoas bebem com você. Por que está sozinha? – pergunta
Chan-woo ao lado da mesa.
- Eles vão está aqui logo.
- É isso! Então, eu vou ficar até os seus amigos chegarem – Chan-woo pega uma
cadeira e senta em frente Yoo-shin. – Ajumman, traga polvo.
- Quem te pediu pra pedir isso?
-Você não gosta de polvo? Como você pode beber de estômago vazio?
-Esqueça. Faça o que você quiser. Pare de fingir que se preocupa comigo.
-Aguente, Lee Yoo-shin.
-Esqueça. Vá confortar a sua favorita, Soon-shin.
-Eu não gosto da Soon-shin. Eu... Não é que eu não goste dela. Mas por que você
está falando dela? Pare de fazer as coisas difíceis pra [Link]ém é difícil pra ela.
- O que você sabe? – pergunta Yoo-shin nervosa com Chan-woo – Desde quando
Soon-shin veio morar conosco você sabe como eu tenho vivido?
- O que você está...
- Meus pais só se importam com Soon-shin. “Pequena”, sempre dizendo “Nossa
pobre pequena”. Eu estou sempre atrás dela. Eu estou sempre desistindo por ela.
- É porque você já é muito capaz.
- Você está dizendo a mesma coisa que a minha mãe. Minha mãe está trabalhando
para ajudar a quitar a dívida de Soon-shin. Meu pai deixou um bolo para Soon-shin
antes de morrer. “Você é a melhor, minha filha”, ele escreveu isso no bolo.
- Não significa que é só para Soon-shin. Isso era para vocês três.
- Você é meu pai? Você não saberia. Todos estão me culpando. Olhe da minha
pespectiva. Eu nem mesmo vi o meu pai antes dele morrer. Você entende esse tipo
de sentimento?
[Nesse momento Yoo-shin começa a chorar chamando a atenção de todos do bar.
Depois alguns minutos, os dois ainda estão no bar, agora ambos bêbados. O Diálogo
continua].
-Yoo-shin, vamos! Nós dois estamos bêbados.
- Onde estamos indo? Eu não vou para casa hoje. Vamos ter mais uma rodada. Só
mais uma.
Ao tentar tirar a garrafa das mãos de Yoo-shin, a moça cai no chão e bate com a
testa na mesa. Chan-woo ajuda a se levantar. Ao perceber que ela não consegue
andar sozinha Chan-woo decide carregá-la nas costas. Dez minutos depois, ao
retornar a cena para Yoo-shin, percebe-se que agora a moça está dormindo em uma
cama de motel. Ao se virar no intuito de brigar com a irmã mais nova por prender o
lençol, Yoo-shin vê Chan-woo ao seu lado, sem camisa e debaixo do mesmo
cobertor que ela. “-Eu sou mesmo louca. Sério!” – Yoo-shin começa a dizer para si
mesma enquanto observar a atual situação em que está.
A Coréia do Sul vive uma cultura em que o homem é julgado por sua situação
financeira, e as mulheres por sua beleza. Devida à essas pressões culturais, a
sociedade coreana é hoje movida à beleza, onde pessoas são julgadas mais por sua
aparência do que por seu caráter. (YEO, 2013)
56
correção da mandíbula projetada para fora, que consiste na fratura do osso da articulação para
reduzir o comprimento inferior e empurrá-lo para trás e, por último, a cirurgia conhecida
como pés de cinderela, que são pequenas retiradas de gordura do local, diminuição ou
correção dos dedos.
O resultado do processo é surpreendente. As pessoas submetidas às operações
adquirem uma aparência completamente diferente da original. No (Anexo) contém uma
reportagem da revista Istoé sobre o assunto, que apresenta fotos do antes e depois de algumas
pacientes. O aumento no número de pessoas que adquirem um novo rosto proporcionou
benefícios para os solicitantes, entre eles o bem estar. Todavia, surgiram malefícios com as
operações. Entre eles, ocorreu a situação dos clientes serem barrados nos aeroportos
internacionais, porque a foto do passaporte não condizia com o rosto do portador.
A solução encontrada pelos médicos sul-coreanos do hospital Dental ID – Eye, Nose
& Petit Surgery Center foi fornecer aos seus pacientes um documento de comprovação de
identidade. Neste documento estaria presente o número do passaporte, nome do hospital, a
data em que a pessoa foi operada e a duração de visita em que o estrangeiro permaneceria na
Coréia. Apesar da emissão do atestado a “principal recomendação dos médicos é que os
clientes tirem outro passaporte assim que possível” (TARANTINO, 2014).
Prado (2013) diz que na lista da Sociedade Internacional de Cirurgias Plásticas
Estéticas a Coréia do Sul está em sétimo lugar, totalizando 258.350 mil procedimentos em
2011. Enquanto isso, o Brasil ocupa o segundo lugar da lista, com 905.124 mil
procedimentos. Isso ocorre porque os focos das cirurgias são localizados em partes diferentes.
As brasileiras geralmente modificam o corpo, enquanto os sul-coreanos optam por mudar o
rosto.
Ainda segundo Prado (2013) existe um estigma contra as pessoas que não conseguem
ou não querem alcançar o corpo e o rosto ideal. Geralmente os que lutam contra a maré são
tidos como preguiçosos, fracos e ainda correm o perigo de serem excluídos do circulo social.
Para os sul-coreanos a ideia da plástica é tida como um investimento a longo prazo, além de
ser considerado como sacrifício necessário.
As operações citadas anteriormente costumam ser o padrão de beleza estabelecido
pelas celebridades sul-coreanas, que são tidas como modelo a serem seguidos. Entretanto,
apesar de muitos artistas entrarem no bisturi das clínicas, dificilmente algum deles assumirá
publicamente que realizou uma cirurgia plástica. Acredita-se que o principal objetivo é
provocar nos fãs a ilusão de que a beleza dos ídolos é absolutamente natural. Dessa forma, a
57
única maneira de conseguir obter sucesso, beleza e tudo que o ídolo possui, é recorrer à
cirurgia plástica.
Entre os diversos motivos que levam alguém a fazer cirurgia plástica na Coréia do Sul
está a oportunidade de conseguir vantagem na hora de obter um emprego. O Japão e Coréia
do Sul são “os únicos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE) que permite que empregadores exijam fotos em currículos.” (PRADO, 2013).
No dorama You are the Best Lee Soon-shin há duas cenas especificas que retratam
bem as situações citadas e descritas anteriormente. A primeira ocorre no inicio do drama.
Soon-shin participa de uma entrevista de emprego, junto com outras duas concorrentes.
Depois que os examinadores terminam de conversar com as candidatas Soon-shin permanece
na expectativa de ser a próxima a responder. Porém, os consultores apenas agradecem a
participação das concorrentes e pede que se retirem da sala. Soon-shin questiona o porquê não
ter sido entrevistada por ninguém. Os contratantes examinam a ficha dela, obsevam o seu
rosto, e as roupas que está usando e concluem dizendo que ela não se encaixa no perfil da
empresa.
A segunda cena ocorre no episódio oito, logo após Soon-shin assinar o contrato com
Jon-ho. O presidente da agência de entretenimento realizou uma reunião com todos os chefes
de departamento da empresa, no intuito de criar o conceito e a imagem de estréia de Lee
Soon-shin como atriz na indústria do entretenimento. Todavia, os funcionários mostram-se
pouco entusiasmados com o lançamento da moça por acreditarem que a mesma não possui os
atributos necessários para se tornar uma artista, conforme pode-se verificar no diálogo que se
segue:
- Então, vamos começar a proposta de conceito de Lee Soon Shin. Como vocês
podem ver pela aparência dela, é difícil para ela ser uma Song Hye Gyo ou Kim Tae
Hee33. – o secretário do presidente deu início as primeiras impressões de Lee Soon-
shin. – Além disso, ela tem 1,62m e pesa 50kg. Embora ela pareça magra, há muitas
coisas escondidas. Ela também é baixa e seus peitos são um pouco... enfim. Claro, é
difícil conseguir uma aparência de Jeon Ji Hyeon ou Shim Mi Na.
- Para qual universidade ela foi? – pergunta um dos chefes de departamento.
- Para uma certa Universidade Han Baek. Chamar atenção pela educação como Kim
Tae Hee ou Han Um Ran é um pouco difícil.
- Então qual a conclusão? – pergunta o presidente Jon-ho
- Esse tipo de aparência especial é a primeira na nossa empresa, então eu acho que
precisamos focar em desenvolver sua atuação. – responde o secretário.
- Isso é uma análise? É isso o que especialistas deveriam dizer? – o presidente Jon-
ho mostra-se insatisfeito com a exposição das informações de Soon-shin.
33
Todos os nomes citados pelo secretário do presidente da empresa no diálogo são de atrizes sul-coreanas
reconhecidas.
58
Neste momento o celular de Jon-ho toca e ele perceber ser uma ligação da ex-
namorada Yeon-A. Depois de conversar por pouco minutos com ela, Jon-ho retorna
a reunião da empresa.
- Presidente é melhor desistir do contrato. – diz o chefe de departamento Woo assim
que Jon-ho entra senta-se na mesa.
- Presidente, eu tenho a mesma opinião. Cirurgia plástica e aula de atuação, mesmo
se fizermos nosso melhor parece impossível. – o chefe de departamento abre na rela
de seu computador uma foto de Soon-shin e começar fazer algumas montagens – De
qualquer forma, mesmo cirurgia plástica, dar a ela olhos maiores e um nariz mais
comprido, dobrar o queixo, ajustar os lábios, levará pelo menos um ano para esperar
o inchaço desaparecer. Presidente mude isso para um projeto a longo prazo.
- Você está criando um monstro da cirurgia plástica? – pergunta o presidente furioso
– Vá e olhe lá fora. Está cheio de monstros de cirurgias plásticas. Como você só
pode ter esse tipo de ideia? Além disso, você não pode mudar isso para um projeto a
longo prazo. É um projeto de seis meses.
-Presidente...
- Por que? Por que Chefe de Departamento Woo? Você já se esqueceu? Quando a
nossa empresa debutou KOP34 pela primeira vez. Ninguém disse que seria um
sucesso. Eles só duraram três meses, mas eles se apresentaram no Tokyo Dome. Em
um pequeno período de tempo eles tiveram até mesmo uma turnê mundial. Não há
nada impossível nesse mundo. Mesmo se é impossível, nós temos que fazer isso
funcionar. Esse é o trabalho de um produtor. Vocês sabem que não há tal coisa como
caminho fácil! Mesmo assim, eu tenho que fazer funcionar a todo custo.
34
Nome fictício de uma de boyband.
59
financeiramente e que ainda possuía sentimentos por ela, a atriz não perdeu a oportunidade de
deixar-se envolver em um relacionamento com o presidente novamente.
Sobre o diálogo anterior, dois fatores devem ser citados. Primeiro que a fala do
presidente da agência de entretenimento desaprovando a ideia de realizar cirurgia plástica em
artista pode ser entendida como uma crítica a todo o sistema da constante busca pela mudança
no corpo. Entretanto, no mesmo episódio temos o presidente Jon-ho entregando uma dieta e
horários na academia para Soon-shin. Ou seja, apesar da pequena crítica no dorama sobre as
operações clínicas, a protagonista ainda sim deveria mudar o seu corpo para adequar-se aos
padrões de beleza exigidos de um ídolo sul-coreano. Como está foi uma situação retratada no
drama, com ênfase na parte que refere-se às modificações do corpo, conclui-se que o fato
citado pode ser tido como algo recorrente entre os habitantes da Coréia do Sul.
60
CAPÍTULO 3
Quando você está se encontrando com alguém de maneira informal, isto é, com
amigos ou conhecidos em situações usuais do dia a dia, o mais indicado é uma
pequena curvatura, em torno de 15°. Essa simples reverência é usada para dizer
“Olá”, “Obrigado” e “Até logo”. Para situações mais importantes e formais (como
reuniões de trabalho e eventos sociais), ou para pessoas mais importantes (como seu
chefe, um ministro e idosos), quanto mais curvada for sua reverência, maior respeito
é mostrado, sendo ela entre 30° e 90°. O tempo que você permanece curvado
também é levado em conta: maior o tempo, maior o respeito. As mãos devem ficar
ao lado de seu corpo, ou em sua frente, nunca para trás. Agora, a reverência de
maior importância é a chamada keunjeol (큰절 – “grande reverência”), sendo usada
para as mais formais ocasiões e para mostrar o maior tipo de respeito. Os coreanos
normalmente fazem a keunjeol para os familiares mais velhos durante o feriado de
Ano Novo Lunar (설날 – seollal) e o Festival da Colheita (추석 – Chuseok). Ela
também é utilizada durante uma cerimônia tradicional de respeito aos antepassados,
chamada jesa (제사). Quando um homem vai pedir a mão de uma mulher
em casamento, ele normalmente também faz a keunjeol para a família da noiva. Por
fim, lembrem-se que para fazer uma boa reverência nunca fique olhando para a
pessoa, encarando-a, olhe para o chão quando o fizer ou a intenção de respeito estará
comprometida. (SARANGINGAYO, 2014).
62
Fonte: Sarangingayo (2014)
63
da mídia almeja grande audiência; por isso, deve ser eco de assuntos e preocupações
atuais [...].
Neste capítulo foi utilizada a metodologia de revisão da literatura para estabelecer uma
das principais bases teóricas do trabalho. Os estudos culturais fazem parte da linha que estuda
a Comunicação como parte da cultura e as questões relacionadas com a identidade, as
produções de sentidos e de significados. Neste trabalho, pretende-se citar e exemplificar a
ideia dos principais autores da área no intuito de fortalecer a justificativa de representação
cultural presente nos dramas. Raymond Williams (1994) foi um dos fundadores da concepção
de estudos culturais. O autor dedica boa parte de seu livro Marxismo e Literatura na reflexão
deste termo:
64
Muitas culturas, principalmente as orientais, sofrem para manter valores e tradições do
país por conta da constante presença de tecnologias e da influência de outras culturas. O autor
Stuart Hall (1999) analisa como fica, na Modernidade, a construção da identidade nacional
afetada pelo processo de globalização mundial. Para ele, a nação não pode ser vista somente
como uma entidade política, mas também como “um modo de construir sentidos que
influencia e organiza tanto ações quanto a concepção que temos de nós mesmo”. (HALL,
1999, p. 50).
Para construir o senso de pertencimento e identidade nacional, Hall (1999) trabalha
com cinco estratégias. A primeira é narrativa de nação, baseada em histórias, literaturas
nacionais, na mídia e na cultura popular do lugar. A segunda é a ênfase dada nas origens e nas
tradições, além da invenção de tradição como a terceira. A quarta é a criação de um mito
funcional que gira em torno das origens da nação. E por último seria a ideia de um povo puro,
imaculado e original.
De acordo com o autor “o discurso da cultura nacional não é, assim, tão moderno
como aparenta ser. Ele constrói identidades que são colocadas, de modo, ambíguo, entre o
passado e o futuro” (HALL, 1999, p. 56,). Além da construção do senso de pertencimento, o
autor ainda trabalha com três conceitos que constituem a cultura nacional como “comunidade
imaginada”. São eles: as memórias do passado, o desejo por viver em conjunto, a perpetuação
da herança. Nos dramas é possível perceber a presença dos três conceitos.
Como exemplo pode ser citado o caso de Coutinho. Larissa Coutinho é estudante
universitária que participou do programa Ciências Sem Fronteiras, no qual teve a
oportunidade de estudar na Coréia do Sul durante um ano. A aluna criou um canal no Youtube
em que conta a experiência do intercâmbio e diversas curiosidades do país. Em um de seus
vídeos, a universitária compartilhou que algo muito comum entre os sul-coreanos é o medo de
ficar sozinho. De acordo com Coutinho existe uma pressão da sociedade coreana para que as
pessoas se casem, constituam família e aumentem a população. Segundo Coutinho (2014), “se
um rapaz ou uma moça tem mais ou menos 30 anos e ainda não se casou é considerado um
absurdo”. Por conta da pressão, algo muito comum entre os relacionamentos coreanos é o
miting, que são encontros em grupo (geralmente três moças e três rapazes), organizado entre
amigos em comum para conhecer alguém. O famoso encontro as cegas também é bastante
comum entre os coreanos, principalmente filhos de chaebols que ainda não são casados.
Algo também observado por Coutinho (2014) na cultura coreana está relacionado com
o contato físico entre pessoas do sexo oposto. A Coréia do Sul ainda é um país considerado
conservador, com tradições fortes, principalmente no que se refere aos relacionamentos
65
afetivos. Por isso, é muito comum observar amigos do mesmo sexo tendo mais contato físico
entre eles do que com o sexo oposto. É importante ressaltar que isso não significa que a
maioria dos relacionamentos na Coréia emergem de uniões homossexuais, mas sim, que são
resultado de uma cultura de pouco contato. Coutinho (2014) explica mais sobre o assunto:
Amigos do sexo oposto não tem muito contato físico com o outro (abraço, beijos no
rosto). Por isso que é possível ver muitos meninos abraçados com meninos e
meninas abraçadas com meninas porque é como eles estão acostumados a
demonstrar carinho [...] Esse contato não significa que eles sejam gays, mas sim
porque é algo da cultura, algo como demonstrar carinho e contato físico com pessoas
do mesmo sexto sem preconceito.
Quanto mais a vida social se tira mediada pelo mercado global de estilos, lugares e
imagens, pelas viagens internacionais, pelas imagens da mídia e pelos sistemas de
comunicação globalmente interligados, mais as identidades se tornam desvinculadas
– desalojadas – de tempos, lugares, histórias e tradições específicos e parecem
66
“flutuar livremente”. Somos confrontados por uma gama de diferentes identidades
(cada qual nos fazendo apelos a diferentes partes de nós), dentre as quais parece
possível fazer uma escolha (HALL, 1999, p.75).
Nessa lógica nacionalista pode ser citado um movimento que está ocorrendo no Japão,
a anti-hallyu. O país japonês sempre foi considerado um dos principais mercados dos
67
produtos culturais sul-coreanos. Entretanto, a situação mudou quando o ator japonês Takaoka
Sasuke foi demitido pela agência na qual trabalhava por criticar no Twitter a predominância
de propaganda de origem coreana transmitidos pela Fuji TV. No dia 22 de agosto de 2011,
mais de seis mil ativistas japoneses reuniram-se na frente da emissora de TV contra
programação coreana exibida.
Diversas teorias começaram a circular na Internet sobre a relação da Fuji TV com as
agências coreanas. Entre elas está a teoria de que a TV é acionista de grupos ligados ao k-pop
e teria interesse na fabricação do seu sucesso. Muitos críticos condenam a postura dos
japoneses e denominam essa atitude como fanatismo nacionalista. Em entrevista ao jornal
online The Korea Times, um cidadão japonês revela que o movimento anti-hallyu ganhou
força quando os japoneses conservadores começaram a perceber que a fama, que a onda
coreana ganhou em um curto período de tempo:
68
Fonte: Korea Times (2014)
Entre as principais criticas, que os japoneses fazem está a transmissão, por parte da
mídia, a ideia da fabricação de uma febre, ou um fenômeno como a Hallyu, que desvaloriza a
cultura nacional do Japão e direciona o capital adquirido no país para outro lugar. A atual
crise e os conflitos que envolvem coreanos e japoneses ganhou proporções políticas,
fortalecidas pelo atual primeiro ministro japonês Shinzo Abe. Segundo o professor Jo Yang-
Hyeon, entrevistado pelo jornal The Korea Times, existem tipos de forças políticas que
instigam no público (japonês) o sentimento anti-coreano.
Dessa forma, pode-se concluir que o sentimento nacionalista do Japão movimenta-se
contrariamente à globalização, fortalecendo a cultura local, conforme explicado por Hall
(1999). Pode-se observar também que, em outros países, ocorre um movimento diferente do
optado pelo Japão, que envolve a combinação de culturas, donde se origina a classificação
desses como nações fomentadoras de “híbridos culturais”, processo que, segundo Britto
(2009, p. 83), é conhecido como hibridização.
De acordo com Britto (2009), citando Canclini (2003), as indústrias culturais são
muito mais do que instrumentos de moldar imaginários. Para a economia essa indústria
69
funciona como máquina rentável de dinheiro, em especial a área do entretenimento e da
comunicação. Canclini (apud BRITTO, 2009) entende a cultura como forma de reprodução e
reelaboração simbólica das relações sociais para compreensão, reprodução ou transformação
do sistema social, ou seja, a cultura diz respeito a todas as práticas e instituições dedicadas à
administração, renovação e reestruturação do sentido.
A cultura globalizada atinge todas as pessoas que convivem em sociedade, entretanto,
age de diferentes maneiras entre as classes, setores sociais, regiões ou países. Segundo
Canclini (2003, p. 60), “somente alguns setores produzem, vendem e consomem bens e
mensagens globalizadas”. Em sua pesquisa, o autor afirma que as mídias possuem grande
importância nos fluxos migratórios de informação e cultura da seguinte forma:
Ao voltar aos estudos culturais, relacionado-os com o “híbrido cultural”, para a cultura
Hallyu é possível notar que as músicas pop coreanas conseguem competir com a
estadunidense e com a japonesa. Como exemplo Jung (2009) compara as duas versões da
música Eat you up da sul-coreana BoA. A cantora lançou dois clipes, um na versão coreana e
outro nos Estados Unidos da América, ambos com letra em inglês. No vídeo lançado na
Coréia do Sul, BoA usar roupas casuais e está rodeada por dançarinos de rua. Em
determinados momentos o clipe não parece ter conexão com a letra da música. Já na versão
lançada no país dos estadunidenses a cantora aparece usando um vestido curto em couro,
batom vermelho e saltos-altos tentando seduzir um homem.
A empresa SM Entertainment modificou a composição do videoclipe no intuito de
torná-la mais adequada para o mercado dos Estados Unidos. Segundo Jung (2009) o que se vê
aqui é um exemplo da cultura tentando adequar-se ao mercado internacional, transformando
seus conteúdos para agradar o público.
70
3.2 A CIBERCULTURA
De acordo com Britto (2009), citando Castells (2003) após algumas transferências de
servidores em 1990 muitos provedores montaram suas próprias redes, estabelecendo portas de
comunicação. Depois disso a Internet desenvolveu-se rapidamente com o crescente aumento
tecnológico, proporcionando a criação de uma grande rede global de computadores.
Segundo site de noticias G1, baseado em uma pesquisa realizada pelo IBGE, mais de
50% da população brasileira tem acesso a Internet. A reportagem indica ainda que o Brasil
ganhou “2,5 milhões de internautas (2,9%) entre 2012 e 2013, totalizando aproximadamente
86,7 milhões de usuários de Internet com 10 anos ou mais” (MAIS, 2014). Entretanto, a
desigualdade de distribuição das conexões no mundo evita que o impacto das redes seja
generalizado. Por conta disso, pode-se afirmar que a Internet tem uma expansão rápida, mas
que ocorre em diferentes níveis pelo mundo.
Britto (2009) diz que outra característica desenvolvida com a rede de computadores e
a Web foi a possibilidade da digitalização do simbólico, pois a Internet permitiu o acesso a
vasta produção simbólica humana, além do acervo ao conhecimento externo de outros países
e culturas. Esta rede funciona como depositário das infinitas manifestações artísticas e
intelectuais, que envolve produções não só da atualidade, mas de tudo que já foi produzido
pelo homem.
71
Não se pode deixar de registrar o caráter democratizador que as redes possibilitaram,
principalmente na escolha do que ver. Britto (2009) explica que, por mais que a Internet não
seja uma mídia dirigida, ainda sim pode tornar-se ambiente de produção de fenômenos. A
Hallyu é um bom exemplo dessa afirmação:
Claro que, pelas características de não ser uma mídia dirigida, como é o caso das
mídias de massa, esta infinidade de produção pode também se perder sem público.
Porém, temos conhecimentos de verdadeiros fenômenos produzidos a partir da
circulação da net. (BRITTO, 2009, p. 135).
Um autor que trabalha com noções de ciberespaço e que será utilizado neste trabalho,
sendo também citado por Britto (2009), é Pierre Lévy. De acordo com Lévy (2001) o
ciberespaço seria como uma dimensão de possibilidades que iria conectar diversas qualidades
subjetivas nas consciências coletivas e depois em um cérebro universal. Seria “uma espécie de
objetividade ou de simulação da consciência humana global que afeta realmente essa
consciência, exatamente como fizeram o fogo, a linguagem, a técnica, a religião, a arte e a
escrita”. (BRITTO, apud LÉVY, 2001).
Lévy (2001) discorre ainda sobre o ciberespaço como local de comunicação e de
trocas entre receptor e emissor, favorecendo o diálogo e a interação. Um exemplo que pode
ser citado são os diversos chats; salas de bate-papo; redes sociais de relacionamentos como
Facebook, Twitter e tantos outros programas. É muito comum que os artistas de k-pop
participem de redes sociais para manter contato com os fãs, principalmente de países
diferentes. Por isso, alguns ídolos aprendem outras línguas e publicam informações sobre o
dia a dia e as atividades artísticas.
Britto (2009, p. 17) define cibercultura da seguinte forma:
São relações intensas das dimensões preexistentes com a nova dimensão que
representa o ciberespaço, que são gerativas da cultura contemporânea, através de
trocas em que não podemos afirmar determinações ou hierarquias a priori. Porém, a
observação empírica nos remete para uma visão de que ainda o ciberespaço é visto
mais como canal de manifestação de significados de outras dimensões de outras
dimensões do social do que lócus de sua produção, em que pese esta ser uma
possibilidade e uma potencialidade dele.
O autor ainda ressalta que a cibercultura não seria apenas uma cultura especificamente
produzida em termos de ciberespaço, mas sim de sistemas culturais contemporâneas, que
encontram no ciberespaço lugar para manifestação. Assim, é necessário que ocorra a
digitalização dos processos, promovendo desta forma conexão e interatividade entre culturas.
Essa nova maneira de integração desenvolve novos valores e práticas sociais. Lemos (2004, p.
72
13) também propõe uma perspectiva em que a cibercultura possibilite novas formas de
convivência.
73
Lúcia Santaella (2003) trabalha com a hipótese de que a cultura de massas surge uma
cultura das mídias que é intermediária entre a primeira e a cibercultura, ligado-a ao estágio
mais recente dos processos comunicacionais. A cultura das mídias aparece com lógicas
diferentes a partir dos anos 1980, quando se intensificam as misturas entre meios e as
linguagens, resultando em multiplicadores de mídias. A partir disso, o consumidor tem a
opção de escolha, pois “essas tecnologias, equipamentos e as linguagens criadas para
circularem neles têm como principal característica propiciar a escolha e consumo
individualizados, em oposição ao consumo massivo” (SANTAELLA, 2003, p. 26). Ainda
segundo a autora são justamente esses processos comunicacionais que vão constituir uma
cultura midiática:
Muitos fãs mobilizam-se para formar um fandom. A partir do momento que é criado
ocorre a movimentos e organizações locais, nacionais e mundiais no intuito de manter este
grupo. Isso não é algo visível apenas na cibercultura, mas nela as possibilidades aumentam
exponencialmente, e fãs reúnem-se em iniciativas de escalas globais, de uma forma muito
mais rápida e volumosa, conforme já explicado por Thompson (2001). Se na cultura de massa
existe pouca decisão e participação da parte do público, no que se refere a produção, Santaella
(2003) descreve a cultura das mídias como uma cultura do disponível, enquanto que a
cibercultura seria a cultura do acesso.
Com isso, a partir da observação de tais conceitos, conclui-se que a cultura Hallyu, os
dramas, bem como a constante veiculação de conteúdos sul-coreanos nas mídias e na Internet,
são produtores de sentidos e significados carregados de valores simbólicos, que podem sim
ser considerados com representação cultural da Coréia do Sul. Essa definição apenas ocorreu
por conta da manifestação da cultura sul-coreana no ciberespaço e em diversas redes de
compartilhamento e relacionamento das redes, proporcionando a divulgação de costumes,
tradições e relacionados com traços de configurações da cultura social contemporânea. A
exposição de produtos da indústria fonográfica e audiovisual na Internet possibilitou a
propagação da cibercultura sul-coreana, primeiros entre os países asiáticos, depois para o
mundo.
74
3.3 REPRESENTAÇÃO CULTURAL DOS BRASILEIROS E A CORÉIA DO SUL
POR MEIO DOS K-DRAMAS
35
Expressão coreana utilizada para desejar ‘boa sorte’ ou ‘força’ para alguém
76
Fonte: Elaborado pela autora.
Quanto à faixa etária (Gráfico 2), os participantes mais novos possuem idade entre
treze e quatorze anos, enquanto o número exato entre os mais velhos varia entre trinta e
quarenta anos. A maioria possui entre dezesseis e vinte anos, totalizando 72 pessoas. As
idades mais recorrentes em seguinte foram: menos de quinze anos (dezoito pessoas), entre 21
e 25 (61 pessoas) e acima de 26 anos (36 pessoas):
Gráfico 2 – Idade dos Dorameiros Divisão dos dorameiros por Região do Brasil
77
Sobre o ano em que os participantes tiveram o primeiro contato com os dramas
(Gráfico 3) é possível notar as diferenças nas datas. A maioria teve inicio recentemente, entre
2012 e 2014 (104 pessoas). O número provavelmente é derivado do aumento de fansubs e
sites, proporcionado pelo desenvolvimento das tecnologias e da globalização, conforme
discutido no Capítulo 3. Entretanto, mesmo com poucos locais disponibilizando dramas,
houve pessoas que assistiam doramas entre 2005 e 2007 (oito pessoas). Percebeu-se que entre
2008 e 2012, ocorreu um crescimento de 21% de um ano para outro. Esse número é triplicado
quando comparados com 2005 e 2014.
78
Fonte: Elaborado pela autora.
79
Fonte: Elaborado pela autora.
No intuito de visualizar o envolvimento dos dramas com o k-pop foi questionados aos
participantes sobre o interesse deles com a música pop coreana (Gráfico 8). A maioria
respondeu que gosta “muito” de escutar o k-pop (146 pessoas). As outras opções foram
divididas entre o “ás vezes” (75 pessoas) e o “de vez em quando” (oito pessoas). Somente
quatro pessoas disseram não gostar de ouvir k-pop. As respostas dessa pergunta,
especificamente, apenas comprovam o quão envolvido os dois produtos de entretenimento já
citados estão. Pode-se dizer que um atrai atenção para o outro.
81
Uma das questões do trabalho gira em torno de descobrir quais são os principais locais
na Web que os dorameiros usam para visualizar os dramas (Gráfico 9). A maioria dos
participantes escolheu a opção dos fansubs (130 pessoas) pela facilidade em baixar os
conteúdos além da constante atualização dos episódios. O restante dividiu-se entre site (51
pessoas), por meio da Netflix pela televisão ou internet por assinatura (cinco) e por último
blog especializado (uma pessoa). A última opção provavelmente não atingiu muitos votos
porque a maioria dos blogs divulgam os dramas e os locais que estão produzidos legendas,
por meio de links. Raramente algum site resolve legendar determinado programa por conta
própria, mas é possível que existam outros.
36
Comédia dramática sobre os encontros e desencontros de dois jovens amigos na Seul atual.
Fonte: Revista Donna (2013).
82
ao Festival de Cannes de 2010 e Pietá37 de Kim Ki-duk, ganhador do Leão de Ouro de
melhor filme do Festival de Veneza de 2012.
37
Drama social que aborda a violência nos centros urbanos de maneira absolutamente crua.
Fonte: Revista Donna (2013).
83
Fonte: Elaborado pela autora
84
Percebeu-se também que a maioria dos participantes possui o desejo de conhecer
algum país asiático e que, apesar de serem admiradoras da cultura e dos programas, os fãs
reconhecem que os conteúdos audiovisuais sul-coreanos, no caso especificamente os doramas,
contenham estereótipos, principalmente no que se refere a retratação dos relacionamentos
entre os casais.
Ainda foi constatado que os dorameiros não restringem a atenção apenas à doramas,
mas fazem questão de procurar por outros conteúdos audiovisuais sul-coreanos como filmes e
programas de variedade, sendo o fansub o principal local escolhido, pelos participantes do
questionário, para visualizar ou realizar o download dos produtos audiovisuais sul-coreanos
em ambiente Web.
Ante ao exposto, conclui-se ainda que a maioria dos dorameiros estão localizados na
região Sudeste do Brasil, principalmente nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, que são
as cidades onde geralmente ocorrem os shows de k-pop, conforme descrito no Capítulo 1.
Percebeu- se também que a maioria dos fãs de drama teve contato com os doramas a partir da
influência de animes e não por amigos, como foi o caso da autora deste trabalho, que além de
ter sido influenciada por outras pessoas ainda vive em um estado onde a divulgação de
conteúdos sul-coreanos é quase nula.
85
CONSIDERAÇÕES FINAIS
86
música de Psy atingiu sucesso internacional rapidamente e, consequentemente, colocou a
Coréia do Sul em evidência.
A indústria de entretenimento sul-coreana já visando o aumento e expansão de seus
produtos iniciou a disponibilização de dramas e músicas com títulos em inglês no intuito de
facilitar a busca por seus conteúdos nas sociedades ocidentais. O Brasil também começou a
importar os produtos sul-coreanos em forma de dramas televisivos e shows de artistas nativos
do país. A procura, principalmente pela música do país, obteve um crescimento de tal forma,
que os produtores do festival de música coreana pop, Music Bank World Tour, decidiram
realizar a edição de 2014 no Brasil. O programa sempre é transmitido ao vivo para a Coréia
do Sul e para mais 114 países.
Ainda no primeiro capítulo ocorreu a exposição de informações relacionadas com a
música pop-coreana, bem como o surgimento do primeiro grupo de pop brasileiro. Os
empresários, em conjunto com o governo sul-coreano, desenvolveram a comercialização da
cultura por meio da indústria cultural. Notou-se que, infelizmente em alguns casos,
empresários e governantes tendem a ignorar o significado cultural que as pessoas,
principalmente nos países ocidentais, atribuem aos dramas, filmes e as músicas coreanas.
No Capítulo dois entendeu-se como ocorreu o surgimento dos dramas na Coréia do
Sul. Antes de serem exibidos nas telas da televisão e na Internet, a apresentação dos doramas
ocorria por meio de representação teatral. O drama coreano tem suas origens em rituais
religiosos pré-históricos. A apresentação possuía elementos de dança e música. Com o passar
do tempo os conceitos de cada representação teatral começaram a variar e a ganhar novos
formatos de acordo com o período histórico em que o país estava.
Nesse capítulo, também buscou-se compreender o processo de aquisição dos dramas,
que é feito por meio de parcerias com empresários e proprietários de conteúdos. O site Viki,
utilizado como exemplo neste trabalho, é considerado como um dos principais precursores
dos doramas no Brasil, contando com o apoio de uma equipe especializada, além de
colaboração e contribuição dos próprios fãs.
Conclui-se que a partir do momento que determinadas atitudes, valores e significados,
representados frequentemente nos dramas, são comprovados no dia-a-dia social dos sul-
coreanos, este conteúdo pode ser considerado como representação cultural do país. A análise
dos exemplos citados no segundo capítulo ocorreu por meio da observação de outros produtos
midiáticos da Coréia do Sul como jornais, revistas, sites de notícias sul-coreanos e outros
programas audiovisuais que retratam o país coreano como tema principal.
87
Visando a maior compreensão da representação no produto final, o trabalho selecionou
o drama You are the best Lee Soon Shin para analisar dois temas presentes no dorama e na
sociedade sul-coreana. Foram eles: O consumo de bebidas alcoólicas e a indústria do corpo.
Para tal análise foi utilizada a decupação de partes selecionadas do dorama, bem como a
análise da linha narrativa e argumentativa do drama, além do envolvimento do assunto com
produções jornalísticas sobre o assunto, como reportagens e pesquisas.
O método escolhido para esta pesquisa foi o estudo de caso, uma vez que foi realizada
a análises em um produto selecionado, o drama You are the best Lee Soon Shin, onde foram
colocadas informações sobre o escritor, personagens principais e um breve resumo da história.
Os dados foram colocando no intuito de contextualizar o leitor sobre a forma como
geralmente os dramas são produzidos e compostos.
A primeira análise consistiu no tema de consumo de bebidas alcoólicas. Beber
socialmente é considerado como melhor forma, entre os sul-coreanos, de confraternização e
convívio. Sendo assim, por meio da pesquisa e analise dos fatos descritos, pode-se concluir
que a população coreana possui o forte hábito, no que se refere ao consumo de bebida
alcoólica, ao ponto deste fazer parte da cultura nacional do país. O álcool está presente em
diversas situações do dia a dia dos cidadãos da Coréia do Sul, entretanto é retratado em alguns
momentos nos dramas com certo exagero, apesar de ainda sim ser baseado em uma verdade.
A segunda análise envolveu o tema relacionado com a indústria do corpo. De acordo
com Prado (2013) a Sociedade Internacional de Cirurgias Plásticas Estéticas a Coréia do Sul
está em sétimo lugar, totalizando 258.350 mil procedimentos em 2011. Enquanto isso o Brasil
ocupa o segundo lugar da lista, com 905.124 mil procedimentos. Isto ocorre porque os focos
das cirurgias são localizados em partes diferentes. As operações citadas anteriormente
costumam ser o padrão de beleza estabelecido pelas celebridades sul-coreanas, que são tidas
como modelo a serem seguidos. Com isso percebe-se que os ídolos possuem o objetivo de
provocar nos fãs a ilusão de que a beleza deles é absolutamente natural. Dessa forma, a única
maneira de conseguir obter sucesso, beleza e tudo que o ídolo possui é recorrer à cirurgia
plástica. Para os sul-coreanos a ideia da plástica é tida como um investimento a longo prazo,
além de ser considerado como sacrifício necessário.
Por fim, no último capítulo, tem-se a revisão da literatura que serve como base para a
pergunta problema do trabalho. A partir das analises executadas, leituras e aplicação de
questionário, conclui-se que os dramas podem ser considerados como representantes de
cultura, além de produtores de significados, segundo definições estabelecidas de estudos
88
culturais, proporcionados por autores como Hall (1999) e Canclini (2003), além de
contribuições no estudo de cibercultura de autores com Santaella (2003) e Britto (2009).
Por meio da aplicação de questionários, entrevistas e análises de conteúdo foi possível
analisar se os programas audiovisuais produzidos pelos sul-coreanos podem ou não ser
considerados como representantes culturais daquela região ou dos seus movimentos
identificadores. Com base em todos os dados fornecidos por meio do questionário, de forma
geral, quem assiste dorama é mulher, com idade entre 16 e 20 anos, que tive contato com os
dramas entre os anos de 2012 e 2014. A maioria localiza-se na região Sudeste do Brasil,
principalmente em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, e os fãs possuem contato com
outros tipos de conteúdos de entretenimento sul-coreanos, como programa de variedade e k-
pop. Com o constante envolvimento com os produtos coreanos, os dorameiros tendem a
desenvolver mais interesse pela cultura da Coréia do Sul e menos interesse em programas
brasileiros.
Os fãs reconhecem que os dramas possuem estereótipos e acreditam que o estejam
presentes, principalmente na retratação dos relacionamentos entre casais coreanos. Percebeu-
se ainda que, apesar dos dramas retratarem em diversos momentos uma sociedade “sem
defeitos”, a observação do dorama permitiu concluir que os sul-coreanos enfrentam muitos
problemas sociais, como doenças relacionadas ao excesso de bebidas alcoólicas e a constante
modificação do corpo.
Ainda foi constatado que os dorameiros não restringem a atenção apenas à doramas,
mas fazem questão de procurar por outros conteúdos audiovisuais sul-coreanos, como filmes e
programas de variedade, sendo o fansub o principal local escolhido, pelos participantes do
questionário, para visualizar ou realizar o download dos produtos audiovisuais sul-coreanos
em ambiente Web. Percebeu- se também que a maioria dos dorameiros teve contato com os
dramas a partir da influência de animes e não por amigos, como foi o caso da autora deste
trabalho, que além de ter sido influenciada por outras pessoas ainda vive em um estado onde a
divulgação de conteúdos sul-coreanos é quase nula.
Apesar da fraca ou quase inexistência de autores brasileiros, que trabalhem o assunto,
foi possível, por meio da Internet, encontrar grande variedade de blogs, sites e fansub em
Português, que disponibilizam os dramas, junto com informações relacionadas a Coréia do
Sul. Não foi possível obter o número exato de quantos dramas estão atualmente
disponibilizados online e para download, entretanto, todos os dias surgem mais grupos e mais
sites disponibilizando os programas para os fãs.
89
Conclui-se que a Internet é a principal fonte que os apreciados da cultura sul-coreana
encontram para visualizar os conteúdos, seguida pelos canais fechados na televisão.
Compreende-se que tal feito só é possível graças à globalização dos conteúdos simbólicos,
disseminados em rede. Desta forma a globalização funciona como um fenômeno de
integração social, econômica, política e cultural de diferentes países do mundo, que, de
inúmeras maneiras e por meio de diferentes redes, estabelecem relações de compartilhamento.
Assim, a confirmação de que os dramas são representantes culturais da Coréia do Sul
possibilitou que os brasileiros compreendessem melhor a cultura do país em questão, por
meio da observação dos programas produzidos lá e veiculados aqui. Desta forma, os
brasileiros são preenchidos pelo sentimento de proximidade com a cultura nacional sul-
coreana, mesmo que estejam localizados em espaços e tempos diferentes.
90
REFERÊNCIAS
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a pirataria. Trabalho apresentado no DT5 – Rádio, TV e Internet do XVI Congresso de
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an#4>. Acessado em 31 de out.2014.
95
GLOSSÁRIO
Boy band e Girl band- termo utilizado em inglês para designar bandas masculinas e
femininas.
Dorama (ou drama): palavra genérica para telenovela no Japão, porém utilizada pelo
fandom ocidental para telenovelas asiáticas. As telenovelas japonesas, chinesas e da Coreia do
Sul são especificadas, respectivamente, como: J-drama (Japanese-drama), C-drama
(Chinese-drama) e K-drama (Korean-drama).
Psy – rapper sul-coreano, famoso pelo hit Gangnam Style, Gentleman e recente Hangover,
com o cantor estadunidense Snoop Dogg.
Netflix – Empresa estadunidense que oferece serviço de televisão e internet com filmes e
series de todo o mundo.
96
APÊNDICE
7) Além dos dramas e doramas, quais outros programas audiovisuais asiáticos você
assiste?
a- Filmes
b- Programas de variedade
c- Programas musicais
d- Outros
98
ANEXO
ISTOÉ - Independente
Plástica radical
Hospitais da Coreia do Sul começam a fornecer documentos de identidade a pacientes
submetidos a cirurgias estéticas para ganhar traços ocidentais
Dispostos a submeter o próprio rosto a uma transformação radical, jovens asiáticos estão
viajando para Seul, na Coreia do Sul, onde o número de clínicas de cirurgia plástica é
impressionante. Apenas no Distrito de Gangnam, bairro chique da capital coreana, são mais
de 500. A região ficou conhecida como cinturão da beleza. A maioria das garotas e rapazes,
alguns com 20 anos incompletos, procura uma intervenção que abrande os traços orientais, o
que é conseguido com uma associação de cirurgia da pálpebra, aumento do nariz, lifting e
cirurgias de redução de mandíbula. O resultado, em grande parte dos casos, é uma espécie de
metamorfose que deixa a pessoa irreconhecível.
PADRÃO
99
Uma das críticas dos médicos ocidentais é a de que a cirurgia
acaba deixando as aparências muito parecidas. O formato do
rosto torna-se oval e os olhos ficam maiores e arredondados
Por isso mesmo, um dos efeitos colaterais desses procedimentos ousados são as dificuldades
enfrentadas por clientes estrangeiros para voltar ao País de origem. Na imigração chinesa, por
exemplo, muita gente começou a ser barrada porque o portador do passaporte não apresentava
mais nenhuma semelhança com a foto colada no documento. A solução encontrada pelos
plásticos coreanos foi ainda mais inusitada: centros como o Hospital Dental ID – Eye, Nose &
Petit Surgery Center agora fornecem aos clientes um documento de comprovação da
identidade. O atestado reúne o número do passaporte, o nome do hospital, quando a pessoa foi
operada e a duração da visita à Coreia do Sul. E a recomendação aos recém-operados é para
que tirem outro passaporte assim que possível.
Apesar da perícia dos plásticos coreanos, o desfecho dessas mudanças drásticas de imagem
nem sempre é bom. O cirurgião plástico gaúcho Marco Faria-Corrêa, desde 2005 radicado em
Cingapura, na Ásia, diz que a dificuldade de se reconhecer pode levar a uma crise
psiquiátrica. “Vi casos em que a mandíbula ficou torta e conheci uma mulher que precisou ser
internada porque gritava incessantemente ao perceber que não se identificava com o novo
rosto”, disse Faria-Corrêa à ISTOÉ. Outro aspecto que impressiona o especialista é que o
resultado deixa as meninas com aparência semelhante.
100
O fenômeno cultural da cirurgia coreana está fazendo os especialistas se perguntarem como
definir o limite para as intervenções na face. “Nos Estados Unidos, nós não realizamos
procedimentos tão dramáticos que possam mudar tanto a aparência. Nunca encontrei esse tipo
de pedido em 24 anos de cirurgia plástica”, observa o cirurgião plástico Renato Saltz,
radicado em Salt Lake City e ex-presidente da American Society of Aesthetic Plastic Surgery.
DIFERENÇA
As alterações são tão intensas que os pacientes
começaram a ter problemas para provar quem eram
No dia a dia, ele diz que pediria uma avaliação psicológica de alguém que busca uma
mudança tão intensa. Saltz lembra que os cirurgiões asiáticos trabalham com conceitos
diferentes. “Na América, o alvo de uma cirurgia estética é passar quase despercebida.” Para
José Carlos Ronche, de São Paulo, os limites devem ser combinados entre o médico e a
paciente para não produzir faces bizarras. “A busca deve ser da beleza com harmonia. Quem
procura uma cirurgia plástica não quer ficar diferente, quer ficar igual às pessoas consideradas
belas, se possível”, diz.
101
102