Fiscalidade (ufcd 4360)
CASOS PRÁTICOS
DEFINIÇÕES FISCAIS
1- Agregado familiar
Cada agregado apresenta apenas uma única declaração e cada pessoa só
pode fazer parte de um agregado familiar.
A situação do agregado familiar é definida no último dia do ano, ou seja,
é a situação real à data do último dia ( 31 de Dezembro ) que é aplicada na
declaração de IRS e à totalidade dos rendimentos.
Ex1: O agregado familiar de um casal cujo primeiro filho nasça no dia 31
de Dezembro é constituido pelos pais e pelo filho.
Ex2: Um agregado composto por pai, mãe e filho, cujo filho faça 26 anos
no dia 31 de Dezembro, do ponto de vista fiscal passam a constituir 2
agregados, o dos pais e outro apenas composto pelo filho.
Ex3: Um agregado familiar cujo filho atingiu 18 anos e se encontra no
10º ano de escolaridade, esse filho deixa de integrar o agregado
familiar.
Ex4: Um agregado familiar cujop filho atingiu 18 anos e se encontra no
12.º ano de escolaridade, esse filho pode continuar a integrar o
agregado familiar.
Ex.5: Um agregado familiar cujo filho atingiu 18 anos e se encontra no
12.ºano de escolaridade, mas trabalhou em part-time e auferiu 1.000€
durante o ano, esse filho pode continuar a integrar o agregado
familiar.
Ex6: Um agregado familiar cujo filho não atingiu a maioridade (tem
menos de 18 anos), mas trabalhou em part-time e auferiu 2.500€ durante o
ano, esse filho integra o agregado familiar, tendo os rendimentos de
constar da declaração de rendimentos do agregado, para fins de
tributação.
Encarnação Andrade - 2012 1
Governo da
República
Portuguesa
Fiscalidade (ufcd 4360)
A PARTIR DE QUANDO OS FILHOS DEIXAM DE SER CONSIDERADOS
DEPENDENTES?
Os filhos deixam de fazer parte do agregado familiar quando atigem a maior
idade (18 anos) ou obtêm rendimentos acima dos 6.900€/ano no entanto, se
reunirem cumulativamente as seguintes condições, podem continuar a integrar o
mesmo agregado familiar:
- Ainda que tenham atingido os 18 anos de idade, não tenham atingido os 26
anos;
- Têm ainda de frequentar (no mínimo) o 11.ºano de escolaridade, ou
superior;
- Não podem ter rendimentos anuais acima do salário mínimo nacional
(485€ x 14 = 6.790€) no ano em causa.
O meu filho deixou a escola para trabalhar e agora deixou o trabalho para
estudar. É considerado parte do agregado familiar?
Depende, não é pelo facto de ter deixado de fazer parte do agregado ( em determinado ano)
que não pode voltar a integrar o mesmo, em anos futuros. Desde que se reúnam as condições
para poder integrar o agregado, poderá voltar a fazer parte do mesmo.
Ex1: Um agregado familiar cujo filho atingiu 19 anos no ano 2010, se encontrava no ensino
superior e como trabalhou em part-time, obteve rendimentos de 7.000€, nesse ano não
integra o agregado familiar.
O mesmo filho, no ano 2011, tendo mantido os estudos e caso não esteja a obter rendimentos
acima dos 6.790€, pode voltar a integrar o agregado familiar, em conjunto com os pais.
Ex2: Um agregado familiar cujo filho atingiu 18 anos no ano 2010, que se encontra no ensino
superior e como trabalhou em part-time, obteve rendimentos de 7.500€, nesse ano não
integra o agregado familiar.
O mesmo filho que no ano de 2011 não esteja a obter quaisquer rendimentos mas não se
encontra matriculado em nenhum estabelecimento de ensino, não pode integrar o agregado
familiar, em conjunto com os pais, porque atingiu a maioridade e não se encontra a estudar.
Encarnação Andrade - 2012 2
Governo da
República
Portuguesa
Fiscalidade (ufcd 4360)
Separados
Um casal separados, que não sejam divorciado (não seja separado judicialmente) para efeitos
tributários, continua a ser um casal e, como tal, pertencendo ao mesmo agregado familiar
( mesmo que não vivam em comum). Logo, tem de apresentar a declaração de rendimentos
em conjunto.
Sou divorciado mas tenho algumas dedspesas com o meu filho. Apesar de ele viver com a
mãe, posso incluí-lo na minha declaração?
Não. Cada elemento só pode fazer parte de um agregado familiar, o que faz com que um filho
de um casal divorciado só pode fazer parte de um agregado. Terá de integrar um agregado do
pai ou da mãe, com forme acordo judicial ou, na sua ausência, decisão conjunta dos pais.
Encarnação Andrade - 2012 3
Governo da
República
Portuguesa
Fiscalidade (ufcd 4360)
2 – Contitularidade de rendimentos
A contitularidade de rendimentos acontece quando determinados
rendimentos são pertença de várias pessoas.
Ex1: O condomínio recebeu de uma operadora móvel € 1 000. O
prédio tem 5 proprietários ( cada um ocupa uma fração), mesmo que
esse rendimento não chegue à conta pessoal dos condomínios e seja
usado para algum gasto do prédio, os mesmos têm de ser declarados e
compete ao administrador do condomínio entregar um documento, no
final do ano, a cada condómino com os valores que “respeitam” a cada
um e com os dados fiscais da entidade pagadora.
Ex2: Somos uma família de 5 irmãos e primos e temos várias casas
em comum que foram deixadas pelos nossos avós ( transitaram para
pais e depois para filhos). Estas casas estão arrendadas a várias
pessoas que lá vivem, que pagam a um dos proprietários que depois
entrega a cada um a sua parte. Todos os proprietários têm de declarar
este rendimento/ recebimento, onde devem constar os montantes
recebidos por cada um dos proprietários, identificando os imóveis em
causa e as percentagens(%) que cabe a cada um.
A identificação dos imóveis passa não só pela morada mas também
pelo código da freguesia; o tipo (U-urbano; R-rústico; O-omisso); o
artigo matricial; a fração e a quota-parte que cabe a cada um.
Encarnação Andrade - 2012 4
Governo da
República
Portuguesa
Fiscalidade (ufcd 4360)
Caso prático 1
IRS
O Sr. Neves e a Sra Augusta são casados, residentes em Faro e têm 2 filhos, o Luís com 23
anos, que está desempregado, e o João com 18 anos, que frequenta o 2.º ano do ensino
superior.
Em Janeiro de 2012
- O Sr. Neves, pelo seu trabalho como serralheiro na empresa Metalúrgica, Lda, recebe um
salário mensal de € 750,00. O subsídio de refeição é de € 6,65 ( 22 dias).
- A Sra Augusta, costureira na empresa Corte e Costura, Lda, recebe um ordenado mensal de
€ 585,00. O subsídio de alimentação é de € 6,41 ( 22 dias ).
- O Sr. Neves e a Srª Augusta recebiam o mesmo rendimento, pela prestação de trabalho, em
Janeiro de 2011.
PRETENDE-SE:
A – Identificação dos sujeitos passivos de Imposto de sobre o Rendimento
B - Identificação dos rendimentos auferidos
C - Quais são os elementos que compõem o agregado familiar
D - Cálculo das retenções na fonte efetuadas ( em janeiro 2012 e em janeiro 2011)
E - Determine o rendimento líquido que recebe cada elemento do casal, em janeiro 2012 e em
janeiro de 2011.
Encarnação Andrade - 2012 5
Governo da
República
Portuguesa
Fiscalidade (ufcd 4360)
RESOLUÇÃO:
A – Sujeitos passivos:
. Sr. Neves e a Srª Augusta
B – Rendimentos da categoria A
C – Elementos que compôm o agregado familiar:
. Sr. Neves, Srº Augusta e o dependente (filho) João.
De E–
Ano 2011 2012
Salário Base 750,00
Subsídio de Refeição 146,30
Retenção na Fonte (IRS) 37,77 (5%) 43,10 (5,5%)
Segurança Social 83,09 86,20
Rendimento Líquido 775,44 767,00
SR. NEVES
SRA AUGUSTA
Ano 2011 2012
Salário Base 585,00
Subsídio de Refeição 141,02
Retenção na Fonte (IRS) 5,85 (1%) 12,27 (2%)
Segurança Social 64,36 67,46
Rendimento Líquido 655,81 646,29
Encarnação Andrade - 2012 6
Governo da
República
Portuguesa
Fiscalidade (ufcd 4360)
EXEMPLO DE CÁLCULO DO IRS
Rendimentos brutos
de cada categoria € 18 743,76
-
Deduções específicas € 8 208,00
de cada categoria
=
Rendimento coletável € 10 535,76
/
Quociente conjugal 2
=
Rendimento coletável € 5 267,88
corrigido
x
Taxa de imposto 14 %
=
Imposto € 737,50
-
Parcela a abater € 122,45
=
Apuramento € 615,05
x
Quociente conjugal 2
=
Coleta total € 1 230,10
-
Deduções à coleta € 712,50
=
Imposto liquidado € 517,60
-
Retenções e pagamentos € 566,25
por conta
= IRS € 48,65
Valor apurado a receber
Encarnação Andrade - 2012 7
Governo da
República
Portuguesa
Fiscalidade (ufcd 4360)
Caso prático 2
IRS
Considere as seguintes situações referentes a 2011
1. José Silva é casado com Luísa Albuquerque. O casal, que reside em
Coimbra, vive em comunhão com:
- Artur, filho adotado, com 19 anos, a frequentar a Universidade;
- Isabel, filha biológica, com 23 anos , a estagiar no Hospital da Universidade
( 2.º ano de internato);
- António Silva, pai do José, que aufere uma pensão mensal de € 120.
2. José, professor do ensino secundário, encontra-se na situação de aposentado e
recebe uma pensão mensal no montante de € 2 500.
3. José é ainda proprietário de uma livraria. As vendas no ano atingiram o
montante de € 12 000. Foram referenciadas as seguintes despesas:
- Compras de livros e outro material para venda € 6 500
- Gastos Gerais € 1 500
- Remuneração a Empregada do (part-time) € 2 000
4. Luisa Albuquerque é economista e trabalha numa empresa de consultoria em
informática, tendo auferido os seguintes rendimentos:
- Remuneração mensal € 2 000
- Subsídio de alimentação € 7,50/dia
- Carro de serviço atribuido por contrato no valor de € 20 000
5. Isabel, filha do casal, auferiu como estagiária, uma bolsa mensal da entidade
onde estagia, do quantitativo de € 1 000.
6. O casal vendeu uma casa de férias por € 90 000. Esta casa foi adquirida em
2001 por € 75 000. No ano da venda, a casa foi sujeita a obras de
conservação no montante de € 2 500.
7. As despesas de saúde foram as seguintes:
- José € 2 300
- Artur € 300
- Isabel € 250
- António € 750
8. O prémio de seguro de saúde foi de € 1 000.
9. As despesas com a educação de Artur somaram € 3 500.
PRETENDE-SE:
A – Identificação dos Sujeitos Passivos de Imposto sobre o Rendimento
B – Identificação dos rendimentos auferidos
Encarnação Andrade - 2012 8
Governo da
República
Portuguesa
Fiscalidade (ufcd 4360)
Casos práticos
IVA
Um fabricante de calçado, num determinado mês efetuou as seguintes operações:
Compras de matérias-primas - € 5 000 + € 1 150 de IVA suportado
Aquisição de uma máquina - € 25 000 + € 5 750 de IVA suportado
Reparação de viatura - € 500 + € 115 de IVA suportado
Vendas - € 50 000 + € 11 500 de IVA liquidado
Como o imposto a entregar se obtém pela diferença entre o imposto liquidado ( nas vendas ) e
o imposto suportado ( nas aquisições) temos:
IVA Liquidado € 11 500
IVA Suportado € 7 015
IVA a entregar € 4 485 (a pagar aos cofres do Estado –Finanças)
Encarnação Andrade - 2012 9
Governo da
República
Portuguesa
Fiscalidade (ufcd 4360)
Encarnação Andrade - 2012 10
Governo da
República
Portuguesa