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Fichamento Lacoste

O documento resume os principais pontos do capítulo 1 do livro "A Geografia serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra" de Yves Lacoste. Lacoste argumenta que a geografia é comumente vista como uma disciplina simplória, mas na verdade é um saber estratégico importante para a guerra e o exercício do poder. A mídia e o turismo mascaram esta função da geografia.
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Fichamento Lacoste

O documento resume os principais pontos do capítulo 1 do livro "A Geografia serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra" de Yves Lacoste. Lacoste argumenta que a geografia é comumente vista como uma disciplina simplória, mas na verdade é um saber estratégico importante para a guerra e o exercício do poder. A mídia e o turismo mascaram esta função da geografia.
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INSTITUTO FEDERAL DO PARANÁ

TÉCNICO EM INFORMÁTICA INTEGRADO AO ENSINO MÉDIO


Geografia I
Prof.ª.: Viviane Martins de Souza

ISABELLA ARIADINY COTRIM

FICHAMENTO DOS CAPÍTULOS DO LIVRO

LACOSTE, Yves. A Geografia serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra.


Campinas: Papirus, 1993 (cap 1 ao 3).

O autor. Graduado em Estudos Superiores de Geografia pela Universidade de


Sorbonne, França (1951), se juntou ao partido comunista francês (1948), lecionou
história e geografia no liceu Bugeau (1952-1955), publicou um importante artigo em
meio à guerra do Vietnã (1972).

A obra. Livro sobre a finalidade da geografia, publicado pela primeira vez no ano de
1976, no contexto da Guerra Fria. O livro teve ao total três edições.

Fichamento

• Palavras-chave: Geografia. Guerra. Estratégia. Poder. Geopolítica.

Uma disciplina simplória e enfadonha?


 Objetivo central: expor o mascaramento da utilidade prática da geografia (fazer
guerra), de maneira que ela pareça uma ciência sutil.
 “Todo mundo acredita que a geografia não passa de uma disciplina escolar e
universitária, cuja função seria a de fornecer elementos de uma descrição do
mundo, numa certa concepção "desinteressada" da cultura dita geral(...)” (p. 9)
 “Uma disciplina maçante, mas antes de tudo simplória, pois, como qualquer um
sabe, "em geografia nada há para entender, mas é preciso ter memória(...)” (p.
9)
 “Outrora, talvez, ela tenha servido para qualquer coisa, mas hoje a televisão,
as revistas, os jornais não apresentam melhor todas as regiões na onda da
atualidade, e o cinema não mostra bem mais as paisagens? ” (p.9)
 “(...) o temível instrumento de poderio que é a geografia para aqueles que
detêm o poder. ” (p.9)
 “Colocar como ponto de partida que a geografia serve, primeiro, para fazer a
guerra não implica afirmar que ela só serve para conduzir operações militares;
ela serve também para organizar territórios, são somente como previsão das
batalhas que é preciso mover contra este ou aquele adversário, mas também
para melhor controlar os homens sobre os quais o aparelho de Estado exerce
sua autoridade. ” (p.9)
 “(...) a questão não é essencial, desde que se tome consciência de que a
articulação dos conhecimentos relativos ao espaço, que é a geografia, é um
saber estratégico, um poder. ” (p.10)
 “A confecção de uma carta implica num certo domínio político e matemático do
espaço representado, e é um instrumento de poder sobre esse espaço e sobre
as pessoas que ali vivem. ” (p.10)
 “Se a geografia serve, em princípio, para fazer a guerra e para exercer o poder,
ela não serve só para isso: suas funções ideológicas e políticas, pareçam ou
não, são consideráveis (...)” (p.10)
 “A geopolítica hitleriana foi a expressão, a mais exacerbada, da função política
e ideológica que pode ter a geografia. ” (p.10)
 “Hoje, mais do que nunca, são argumentos de tipo geográfico que impregnam
o essencial do discurso político, quer se refiram aos problemas "regionalistas",
ou sobre os que giram, a nível planetário, em torno de "centro" e "periferia", do
"Norte" e do "Sul." ” (p.11)
 “E sobretudo quando ele parece "inútil" que o discurso geográfico exerce a
função mistificadora mais eficaz, pois a crítica de seus objetivos "neutros" e
"inocentes" parece supérflua. A sutileza foi a de ter passado um saber
estratégico militar e político como se fosse um discurso pedagógico ou
científico perfeitamente inofensivo. ” (p.11)
 “Dizer que a geografia serve antes de tudo à guerra e ao exercício do poder
não significa lembrar as origens históricas do saber geográfico. ” (p.11)
 “Essas diferentes análises geográficas, estreitamente ligadas a práticas
militares, políticas, financeiras, formam aquilo que se pode chamar "a geografia
dos estados-maiores"(...)” (p.12)
 “A guerra do Vietnã forneceu numerosas provas de que a geografia serve para
fazer a guerra de maneira a mais global, a mais total. ” (p.12)
 “O plano de bombardeamento dos diques do delta do rio Vermelho não deve
ser considerado como um cometimento excepcional, aproveitando condições
geográficas muito particulares, mas, bem ao contrário, como uma operação que
decorre de uma estratégia de conjunto: a "guerra geográfica”(...)” (p.13)
 “Afirmar que a geografia serve fundamentalmente para fazer a guerra não
significa somente que se trata de um saber indispensável àqueles que dirigem
as operações militares. Não se trata unicamente de deslocar tropas e seus
armamentos uma vez já desencadeada a guerra: trata-se também de prepará-
la, tanto nas fronteiras como no interior, de escolher a localização das praças
fortes e de construir várias linhas de defesa, de organizar as vias de circulação. ”
(p.13)
 “É importante hoje, mais do que nunca, estar atento a esta função política e
militar da geografia que é sua desde o início. ” (p.14)
Da geografia dos professores aos écrans dá geografia-espetáculo
 “Desde o fim do século XIX, primeiro na Alemanha e depois sobretudo na
França, a geografia dos professores se desdobrou como discurso pedagógico
de tipo enciclopédico, como discurso científico, enumeração de elementos de
conhecimento mais ou menos ligados entre si pelos diversos tipos de
raciocínios, que têm todos um ponto comum: mascarar sua utilidade prática na
conduta da guerra ou na organização do Estado. ” (p.14)
 “É chocante constatar até que ponto se negligencia a geografia em meios que
estão, no entanto, preocupados em repelir todas as mistificações e em
denunciar todas as alienações. ” (p.15)
 “A diferença fundamental entre essa geografia dos estados-maiores e a dos
professores não consiste na gama dos elementos do conhecimento que elas
utilizam. ” (p.15)
 “(...) é preciso assinalar que a geografia dos professores não é o único pára-
vento ideológico permitindo dissimular que o saber referente ao espaço é um
temível instrumento de poder. ” (p.16)
 “A ideologia do turismo faz da geografia uma das formas de consumo de massa:
multidões cada vez mais numerosas são tomadas por uma verdadeira vertigem
faminta de paisagens, fontes de emoções estéticas, mais ou menos
codificadas. ” (p.16)

Um saber estratégico na mão de alguns


 “Em contrapartida, em numerosos Estados, a geografia é claramente percebida
como um saber estratégico e os mapas, assim como a documentação
estatística, que dá uma representação precisa do país, são reservados à
minoria dirigente. ” (p.17)
 “Após várias experiências desastrosas, o aprendizado da leitura de cartas
aparece como tarefa prioritária para os militantes, num grande número de
países. No entanto, na maioria dos países de regime democrático, a difusão de
cartas, em qualquer escala, é completamente livre, assim como a dos planos
da cidade. As autoridades perceberam que poderiam colocá-las em circulação,
sem inconveniente. ” (p.17)
 “ A ausência quase total de interesse, em amplos meios, numa reflexão de tipo
geográfico, permite aos estados-maiores das grandes firmas capitalistas
desdobrar estratégias espaciais onde a eficácia permanece, e em boa parte,
não tanto por causa do segredo que os cerca, mas por causa da
despreocupação dos militantes e dos sindicalistas quanto aos fenômenos de
localização;(...) ” (p. 18)
 “Quanto mais esses responsáveis políticos, esses sindicalistas desempenham,
um papel importante junto às massas explicando-lhes as origens históricas de
uma situação, analisando as contradições de uma formação social, tanto mais
eles negligenciam o saber estratégico que é a geografia, da qual eles deixam
o monopólio para uma minoria dirigente que, ela sim, sabe se servir, para
manobrar eficazmente. ” (p. 19)
Notas críticas:
 Em seu texto Lacoste apresenta uma ideia popular de que a geografia é uma
ciência simplória, que não exige esforço para aprende-la, apenas memória para
decora-la a fim de realizar exames. Essa ideia popular cumpre seu objetivo,
fazer com que as pessoas enxerguem a geografia como decorar nomes de
países e rios e não entendam seu principal objetivo, fazer guerra.
 A mídia mascara a geografia, transformando o espaço em mercadoria, fazendo
marketing em cima de algumas paisagens, para torna-las populares e serem
cobrados altos preços em tudo que for vendido lá.
 A geografia é uma forma de poder para quem a conhece, pois é um saber
estratégico que amplia a visão como se fosse uma lente, por esse motivo, o
ensino de geografia é negligenciado, assim a população não será detentora de
poder. O único que consegue deter esse poder é o estado, dessa forma eles
conseguem organizar e submeter a população a ele.
 Quem detêm poder geográfico, político e econômico determina o que é centro
e o que é periferia, o que é norte e o que é sul, afinal, o mundo não tem lado, o
que há são divisões, onde a princípio os países desenvolvidos seriam o Norte
(topo do mundo) e os subdesenvolvidos o Sul (parte de baixo do mundo).

Referencias:
OLIVEIRA, Paulo Wendell. Yves Lacoste. GeoRadical, 2009. Disponível em:
<http://geografiageoradical.blogspot.com/2009/10/yves-lacoste.html>. Acesso em: 16,
mar. 2019.

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