Introdução à Econometria Espacial
Alexandre Porsse • Vinícius Vale
Professordo Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento
Econômico (PPGDE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Pesquisador do Núcleo de Estudos
em Desenvolvimento Urbano e Regional (NEDUR)
Material desenvolvido para a disciplina Economia Regional e Urbana do Curso de Ciências
Econômicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Os professores autorizam o uso
desse material em outros cursos desde que devidamente citados os créditos.
Agosto/2020
Tópicos
• Introdução
• Modelo clássico de regressão linear
• Modelos espaciais
• Interpretação de coeficientes
• Testes de especificação
• Especificação de modelos espaciais
• Estimação de modelos espaciais
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Introdução
Relembrando...
• O que é Análise Espacial?
Consiste em métodos e técnicas que buscam identificar padrões de
associação espacial (dependência e heterogeneidade espaciais) nos
fenômenos socioeconômicos com o objetivo de compreender suas
estruturas e dinâmicas no espaço, contribuindo para a formulação e
avaliação de políticas públicas e privadas
• Efeitos espaciais:
o Dependência espacial: interação dos agentes através do espaço.
o Heterogeneidade espacial: instabilidade estrutural através do espaço.
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Introdução
• Por que estudar Econometria Espacial?
Necessidade de um modelo que controle os efeitos espaciais:
o Heterogeneidade espacial
o Autocorrelação (dependência) espacial
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Introdução
• Um modelo econométrico-espacial envolve a incorporação de
defasagens espaciais ao modelo clássico de regressão linear.
• As defasagens relacionadas aos processos espaciais podem assumir três
formas de defasagem:
o na variável dependente (𝑊𝑦)
o nas variáveis independentes (𝑊𝑋); e/ou
o nos termos de erros (𝑊𝜉 ou 𝑊𝜀).
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Modelo clássico de regressão linear
• O Modelo Clássico de Regressão Linear (MCRL) é dado por:
𝑦 = 𝑋𝛽 + 𝜀 𝜀 ~ 𝑁 0, 𝜎 2 𝐼𝑛
em que 𝑦 é um vetor com a variável dependente (𝑛 por 1); 𝑋 é uma matriz
(𝑛 por k) com as variáveis explicativas exógenas (mais a constante); 𝛽 é
um vetor de coeficientes de regressão (k por 1); e 𝜀 é o vetor (𝑛 por 1) dos
termos de erro aleatório.
• Nesse modelo não existe interação espacial entre as regiões.
• A equação não incorpora nenhuma defasagem espacial.
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Modelos espaciais
• Caso simples de simultaneidade espacial com duas regiões:
n = 2 equações
𝑦1 = α12 𝑦2 + 𝑋1 𝛽 + 𝜀1 𝜀1 ~ 𝑁 0, 𝜎 2
𝑦2 = α21 𝑦1 + 𝑋2 𝛽 + 𝜀2 𝜀2 ~ 𝑁(0, 𝜎 2 )
𝛽0
𝑦1 0 α12 𝑦1 1 𝑥11 𝑥12 𝜀
𝑦2 = 𝑦2 + 𝛽1 + 𝜀1
α21 0 1 𝑥21 𝑥22 2
𝛽2
α12 𝛽0
𝑦1 0 ൗ𝜌 𝑦1 1 𝑥11 𝑥12 𝜀
𝑦2 = 𝜌 α21 𝑦2 + 𝛽1 + 𝜀1
ൗ𝜌 0 1 𝑥21 𝑥22 2
𝛽2
𝛽0
𝑦1 0 𝑤12 𝑦1 1 𝑥11 𝑥12 𝜀
𝑦2 = 𝜌 𝑦2 + 𝛽1 + 𝜀1
𝑤21 0 1 𝑥21 𝑥22 2
𝛽2
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Modelos espaciais
𝛽0
𝑦1 0 𝑤12 𝑦1 1 𝑥11 𝑥12 𝜀
𝑦2 = 𝜌 𝑦2 + 𝛽1 + 𝜀1
𝑤21 0 1 𝑥21 𝑥22 2
𝛽2
• Na equação acima temos duas observações e cinco incógnitas a definir,
três referentes ao vetor 𝛽 (𝛽0 , 𝛽1 e 𝛽2 ), e outras duas associadas a
dependência espacial (𝜌𝑤21 e 𝜌𝑤12 ).
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Modelos espaciais
• Caso geral - n regiões (equações):
𝑦 = 𝜌𝑊𝑦 + 𝑋𝛽 + 𝜀 𝜀~ 𝑁 0, 𝜎 2 𝐼
em que 𝜌 é o coeficiente de dependência espacial (defasagem auto-
regressiva) e 𝑊 é a matriz de peso espacial.
• Observação:
𝑤𝑖𝑗 = 0 𝑠𝑒 𝑖 = 𝑗
𝑤𝑖𝑗 ≠ 0 𝑠𝑒 𝑖 ≠ 𝑗: existe relação de vizinhança entre i e j.
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Modelos de dependência espacial
de alcance global
• Modelos econométrico-espaciais de alcance global são caracterizados
por hospedar a dependência espacial cujo alcance do transbordamento é
global.
• O multiplicador espacial faz com que um impacto sobre a variável
dependente seja refletido para todas as regiões da área de estudo.
• Exemplos:
o Modelo de defasagem espacial (SAR)
o Modelo de erro autorregressivo espacial (SEM)
o Modelo de defasagem espacial com erro autorregressivo espacial (SAC)
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Modelos de dependência espacial
de alcance local
• Modelos econométrico-espaciais de alcance local são caracterizados
por hospedar a dependência espacial cujo alcance é localizado.
• O impacto da dependência espacial é observado para apenas algumas
regiões da área de estudo, sobretudo os vizinhos diretos e os vizinhos
indiretos de segunda ordem (vizinhos dos vizinhos).
• Exemplos:
o Modelo de erro de média móvel espacial (SMA)
o Modelo regressivo cruzado espacial (SLX)
o Modelo regressivo cruzado espacial com erro de média móvel espacial
(SLXMA)
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Modelos de dependência espacial
• Existem modelos de dependência espacial de alcance global e local.
• Exemplos:
o Modelo de Durbin espacial (SDM)
o Modelo de defasagem espacial com erro de média móvel espacial
(SARMA)
o Modelo de Durbin espacial do erro (SDEM)
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Modelo de defasagem espacial (SAR)
• O modelo de defasagem espacial (SAR - Spatial Auto Regressive) é
dado na sua versão pura por:
𝑦 = 𝜌𝑊𝑦 + 𝜀 𝜀~𝑁 0, 𝜎 2 𝐼𝑛
em que 𝑊𝑦 é um vetor 𝑛 por 1 de defasagens espaciais para a variável
dependente; 𝜌 é o coeficiente autorregressivo espacial; e 𝜀 o termo de
erro.
• Na sua versão mista, o modelo SAR inclui variáveis explicativas:
𝑦 = 𝜌𝑊𝑦 + 𝑋𝛽 + 𝜀 𝜀~𝑁 0, 𝜎 2 𝐼𝑛
em que 𝑋 é uma matriz de variáveis explicativas exógenas.
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Modelo de defasagem espacial (SAR)
• O modelo SAR misto,
𝑦 = 𝜌𝑊𝑦 + 𝑋𝛽 + 𝜀 𝜀~𝑁 0, 𝜎 2 𝐼𝑛
é especificado para que o valor da variável dependente observado numa
determinada região seja determinado pela média dos valores da variável
dependente observados na vizinhança (𝑊𝑦), pelos valores das variáveis
explicativas (𝑋) e que seja influenciado aleatoriamente por um termo de
erro (𝜀).
• O valor de 𝜌 situa-se entre -1 e 1:
𝜌 <1
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Modelo de defasagem espacial (SAR)
• Se 𝜌 for positivo, isso indica que existe um autocorrelação espacial
global positiva.
o Um alto (baixo) valor de 𝑦 nas regiões vizinhas aumenta (diminui) o
valor de 𝑦 na região i.
• Se 𝜌 for negativo, isso indica que existe um autocorrelação espacial
global negativa.
o Um alto (baixo) valor de 𝑦 nas regiões vizinhas diminui (aumenta) o
valor de 𝑦 na região i.
• Se o parâmetro não for estatisticamente significativo, o coeficiente
pode ser considerado como zero, o que indica evidências de ausência de
autocorrelação espacial.
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Modelo de defasagem espacial (SAR)
• A forma reduzida da versão mista do modelo SAR é dada por:
𝑦 = 𝐼𝑛 − 𝜌𝑊 −1 𝑋𝛽 + 𝜀
𝐸[𝑦] = 𝐸[ 𝐼𝑛 − 𝜌𝑊 −1 𝑋𝛽 + 𝜀 ]
𝐸[𝑦] = 𝐼𝑛 − 𝜌𝑊 −1 𝐸[ 𝑋𝛽 + 𝜀 ] = 𝐼𝑛 − 𝜌𝑊 −1 𝑋𝛽
• Se 𝜌 < 1, temos que:
𝐼𝑛 − 𝜌𝑊 −1 = 𝐼 + 𝜌𝑊 + 𝜌2 𝑊 2 + ⋯
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Modelo de defasagem espacial (SAR)
𝐸[𝑦] = 𝐼 + 𝜌𝑊 + 𝜌2 𝑊 2 + ⋯ 𝑋𝛽
Multiplicador Espacial
(simultaneidade da interação)
• Pela matriz 𝐼 + 𝜌𝑊 + 𝜌2 𝑊 2 + ⋯ tem-se que cada região é
autocorrelacionada com todas as outras, mas de forma que a intensidade
da autocorrelação decresce dado que 𝜌 < 1.
• O alcance de um choque é global porque se propaga por todo espaço:
o No epicentro de ocorrência do choque, a sua intensidade é maior e, à
medida que se distancia, a intensidade perde força.
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Modelo de defasagem espacial (SAR)
• A interpretação dos coeficientes num modelo espacial pode ser mais
complexa por conta dos efeitos indiretos e re-alimentadores entre as
regiões dado os transbordamentos espaciais.
• Seja n = 3, tal que:
0 1 0
𝑊 = 1Τ2 0 1Τ2
0 1 0
1 −𝜌 0
𝐼 − 𝜌𝑊 = −𝜌Τ2 1 −𝜌Τ2
0 −𝜌 1
1 − 𝜌 2Τ2 𝜌 𝜌2 Τ2
−1
1
𝐼 − 𝜌𝑊 = 𝜌Τ2 1 𝜌Τ2
1 − 𝜌2
𝜌2 Τ2 𝜌 1 − 𝜌 2Τ2
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Modelo de defasagem espacial (SAR)
• Neste caso, os coeficientes angulares são definidos como:
𝑑𝑦1 𝑑𝑦1 𝑑𝑦1
𝑑𝑥1𝑗 𝑑𝑥2𝑗 𝑑𝑥3𝑗
𝑑𝑦2 𝑑𝑦2 𝑑𝑦2 𝛽𝑗 1 − 𝜌 2/2 𝜌 𝜌 2/2
= 𝜌/2 1 𝜌/2
𝑑𝑥1𝑗 𝑑𝑥2𝑗 𝑑𝑥3𝑗 1 − 𝜌2 2
𝜌 /2 𝜌 1 − 𝜌 2/2
𝑑𝑦3 𝑑𝑦3 𝑑𝑦3
𝑑𝑥1𝑗 𝑑𝑥2𝑗 𝑑𝑥3𝑗
• As derivadas na diagonal principal têm a seguinte propriedade:
𝑑𝑦1 𝑑𝑦3 𝛽𝑗 𝜌2 2−𝜌2
= = 1− = 𝛽𝑗 > 𝛽𝑗
𝑑𝑥1𝑗 𝑑𝑥3𝑗 1−𝜌2 2 2−2𝜌2
𝑑𝑦2 𝛽𝑗
= > 𝛽𝑗
𝑑𝑥2𝑗 1−𝜌2
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Modelo de defasagem espacial (SAR)
• E os efeitos podem ser decompostos tal que:
𝑑𝑦1 𝑑𝑦1 𝑑𝑦1
𝑑𝑥1𝑗 𝑑𝑥2𝑗 𝑑𝑥3𝑗
𝑑𝑦2 𝑑𝑦2 𝑑𝑦2 𝛽𝑗 1 − 𝜌 2/2 𝜌 𝜌 2/2
A= = 𝜌/2 1 𝜌/2
𝑑𝑥1𝑗 𝑑𝑥2𝑗 𝑑𝑥3𝑗 1 − 𝜌2
𝜌 2/2 𝜌 1 − 𝜌 2/2
𝑑𝑦3 𝑑𝑦3 𝑑𝑦3
𝑑𝑥1𝑗 𝑑𝑥2𝑗 𝑑𝑥3𝑗
1
• 𝐸𝐷 = 𝑡𝑟 𝐴 ≡ Impacto direto médio (média dos termos da diagonal principal)
𝑛
• 𝐸𝐼 = 𝐸𝑇 − 𝐸𝐷 ≡ Impacto indireto médio (média dos termos fora da diagonal principal)
1
• 𝐸𝑇 = 𝑖𝑛′ 𝐴 𝑖𝑛 ≡ Impacto total médio
𝑛
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Modelo de erro espacial (SEM)
• O modelo de erro autorregressivo espacial (SEM - Spatial Erro Model)
é dado por:
𝑦 = 𝑋𝛽 + 𝜉
𝜉 = 𝜆𝑊𝜉 + 𝜀 𝜀~𝑁 0, 𝜎 2 𝐼𝑛
em que 𝜆 é o parâmetro do erro autorregressivo espacial que acompanha
a defasagem 𝑊𝜉.
• Os erros associados com qualquer observação são uma média dos erros
nas regiões vizinhas mais um componente de erro aleatório.
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Modelo de erro espacial (SEM)
• A forma reduzida do modelo pode ser representada por:
𝑦 = 𝑋𝛽 + 𝐼𝑛 − 𝜆𝑊 −1 𝜀
𝐸[𝑦] = 𝑋𝛽
• Se 𝜆 < 1, temos que:
𝐼𝑛 − 𝜆𝑊 −1 = 𝐼𝑛 + 𝜆𝑊 + 𝜆2 𝑊 2 + ⋯
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Modelo de erro espacial (SEM)
• Pela matriz (𝐼𝑛 + 𝜆𝑊 + 𝜆2 𝑊 2 + ⋯) tem-se que cada região é auto-
correlacionada com todas as outras, mas de forma que a intensidade da
autocorrelação decresce dado que 𝜆 < 1.
• O alcance de um choque é global porque se propaga por todo espaço.
o No epicentro de ocorrência do choque, a sua intensidade é maior e, à
medida que se distancia, a intensidade perde força.
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Modelo de erro espacial (SEM)
• A interpretação dos coeficientes 𝛽 não é afetada no modelo SEM.
• Cada 𝛽 é entendido como o efeito marginal (derivada parcial de 𝑦 em
relação à variável explicativa em questão):
𝜕𝑦𝑖
𝛽𝑘 =
𝜕𝑋𝑖𝑘
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Modelo de Kelejian-Prucha (SAC)
o O modelo de defasagem espacial com erro de média móvel espacial
(SAC) é dado por:
𝑦 = 𝜌𝑊1 𝑦 + 𝑋𝛽 + 𝜉
𝜉 = 𝜆𝑊2 𝜉 + 𝜀 𝜀~𝑁 0, 𝜎 2 𝐼𝑛
• As restrições sobre os parâmetros espaciais exigem que:
𝜌 <1e 𝜆 <1
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Modelo de Kelejian-Prucha (SAC)
• A forma reduzida do modelo pode ser representada por:
𝑦 = 𝐼𝑛 − 𝜌𝑊1 −1 𝑋𝛽 + 𝐼𝑛 − 𝜌𝑊1 −1 𝐼𝑛 − 𝜆𝑊2 −1 𝜀
• Um choque na região j afeta todas as outras regiões por intermédio do
multiplicador espacial do processo SAR da defasagem espacial,
amplificado pelo efeito multiplicador extra proporcionado pelo processo de
erro espacial.
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Testes de especificação
Teste I de Moran:
• Trata-se de um teste simples sobre a autocorrelação espacial dos resíduos
da regressão do modelo MQO:
n n
n wij ( yi − y )( y j − y )
i =1 j =1
I=
n n n
wij ( yi − y ) 2
i =1 j =1 j =1
• Hipótese nula: resíduos da regressão estimada por MQO são distribuídos
aleatoriamente ao longo do espaço.
• Critério do teste: se H0 é rejeitada, os resíduos são autocorrelacionados
espacialmente.
• Hipótese alternativa: há dependência espacial.
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Testes de especificação
Teste I de Moran:
• Vantagens:
o Simplicidade computacional
• Desvantagens:
o Possui poder contra uma série de problemas da regressão: má
especificação do modelo, heterocedasticidade e ausência de
normalidade nos resíduos.
o Não aponta qual tipo de autocorrelação espacial é predominante.
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Testes de especificação
Teste 𝑴𝑳𝝆 :
• Trata-se de um teste do tipo multiplicador de Lagrange para detectar a
defasagem espacial da variável dependente:
2
𝑒 ′ 𝑊𝑦
𝑠2
𝑀𝐿𝜌 = ′
𝑊𝑋𝛽 𝑀𝑊𝑋𝛽
+ 𝑡𝑟 𝑊 ′ 𝑊 + 𝑊 2
𝑠2
• Hipótese nula (H0): 𝜌 = 0, assumindo 𝜆 = 0.
• Hipótese alternativa (H1): 𝜌 ≠ 0.
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Testes de especificação
Teste 𝑴𝑳𝝆 :
• Vantagens:
o Facilidade computacional
o Robusta contra erros não normais
o Robusta na presença de heterocedasticidade
o Discriminação do tipo de autocorrelação espacial
• Desvantagens:
o Falta de poder – H0 é frequentemente rejeitada (mesmo quando ela é
verdadeira).
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Testes de especificação
Teste 𝑴𝑳𝝀 :
• Trata-se de um teste do tipo multiplicador de Lagrange para detectar
autocorrelação espacial na forma do modelo SEM:
2
𝑒 ′ 𝑊𝑒
𝑠2
𝑀𝐿𝜆 =
𝑡𝑟 𝑊 ′ 𝑊 + 𝑊 2
• Hipótese nula (H0): 𝜆 = 0, assumindo 𝜌 = 0.
• Hipótese alternativa (H1): 𝜆 ≠ 0.
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Testes de especificação
Teste 𝑴𝑳𝝀 :
• Vantagens:
o Facilidade computacional
o Discriminação do tipo de autocorrelação espacial
• Desvantagens:
o Possui poder contra uma série de problemas da regressão:
heterocedasticidade e ausência de normalidade nos resíduos.
o Falta de poder – H0 é frequentemente rejeitada (mesmo quando ela é
verdadeira).
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Testes de especificação
Teste 𝑴𝑳𝝀𝝆 :
• Trata-se de um teste do tipo multiplicador de Lagrange para detectar
autocorrelação espacial na forma do modelo SAC (defasagem e erro
autorregressivo espacial incluídos juntos):
2 2
𝑒 ′ 𝑊𝑦 𝑒 ′ 𝑊𝑒 𝑒 ′ 𝑊𝑒
− 2
𝜎2 𝜎 𝑠2
𝑀𝐿𝜆𝜌 = +
𝑊𝑋𝛽 ′ 𝑀(𝑊𝑋𝛽) 𝑡𝑟 𝑊𝑊 + 𝑊 ′ 𝑊
𝜎2
• Hipótese nula (H0): 𝜆 = 0 ou 𝜌 = 0.
• Hipótese alternativa (H1): 𝜆 ≠ 0 ou 𝜌 ≠ 0
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Testes de especificação
Teste 𝑴𝑳𝝀𝝆 :
• Desvantagens:
o Indefinição da fonte de erro espacial quando a hipótese nula é
rejeitada.
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Testes de especificação
• Os testes robustos são similares aos testes anteriores, porém, incorporam
um fator de correção para levar em conta a má especificação.
• Apresentam uma solução para a superrejeição de H 0 dos testes 𝑀𝐿.
Teste 𝑴𝑳∗𝝆 :
• Hipótese nula (H0): 𝜌 = 0, assumindo 𝜆 = 0.
• Hipótese alternativa (H1): 𝜌 ≠ 0.
Teste 𝑴𝑳∗𝝀 :
• Hipótese nula (H0): 𝜆 = 0, assumindo 𝜌 = 0.
• Hipótese alternativa (H1): 𝜆 ≠ 0.
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Especificação de modelos espaciais
• Abordagem de especificação clássica (geral):
1. Estima-se o modelo clássico de regressão linear (MCRL) por MQO;
2. Computam-se 𝑀𝐿𝜌 e 𝑀𝐿𝜆 ;
3. Seambas estatísticas são não significativas, considera-se o modelo a-
espacial MCRL como melhor especificação;
4. Se
ambas forem significativas, escolhe-se a mais significativa: (i) Se
𝑀𝐿𝜌 > 𝑀𝐿𝜆 , estima-se o modelo SAR; e (ii) Se 𝑀𝐿𝜆 > 𝑀𝐿𝜌 , estima-se o
modelo SEM.
5. Se 𝑀𝐿𝜌 for significativa e 𝑀𝐿𝜆 não, estima-se o modelo SAR;
6. Se for 𝑀𝐿𝜆 significativa e 𝑀𝐿𝜌 não, estima-se o modelo SEM.
• O procedimento robusto de especificação segue os mesmos passos, apenas
substitui os testes 𝑀𝐿 tradicionais pelas suas versões robustas.
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Especificação de modelos espaciais
Estima-se o modelo
Procedimento
MCRL por MQO:
Clássico
𝑦 = 𝑋𝛽 + 𝜀 Estima-se o
modelo SEM
Diagnóstico ML
(𝑀𝐿𝜆 e 𝑀𝐿𝜌 )
𝑀𝐿𝜆
Apenas uma
Ambas não significativas
Significativa? significativa
(nem 𝑀𝐿𝜆 , nem 𝑀𝐿𝜌 )
(𝑀𝐿𝜆 ou 𝑀𝐿𝜌 )
𝑀𝐿𝜌
Ambas
Pare e mantenha os significativas
resultados do (𝑀𝐿𝜆 e 𝑀𝐿𝜌 )
modelo MCRL Estima-se o
Qual é mais significativa? modelo SAR
𝑀𝐿𝜆 > 𝑀𝐿𝜌 𝑀𝐿𝜌 > 𝑀𝐿𝜆
Estima-se o modelo SEM Estima-se o modelo SAR
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Especificação de modelos espaciais
Estima-se o modelo
Procedimento
MCRL por MQO:
Robusto
𝑦 = 𝑋𝛽 + 𝜀 Estima-se o
modelo SEM
Diagnóstico ML
(𝑀𝐿𝜆∗ e 𝑀𝐿𝜌∗ )
𝑀𝐿∗𝜆
Apenas uma
Ambas não significativas
Significativa? significativa
(nem 𝑀𝐿∗𝜆 , nem 𝑀𝐿∗𝜌 )
(𝑀𝐿∗𝜆 ou 𝑀𝐿∗𝜌 )
𝑀𝐿∗𝜌
Ambas
Pare e mantenha os significativas
resultados do (𝑀𝐿∗𝜆 e 𝑀𝐿𝜌∗ )
modelo MCRL Estima-se o
Qual é mais significativa? modelo SAR
𝑀𝐿∗𝜆 > 𝑀𝐿∗𝜌 𝑀𝐿∗𝜌 > 𝑀𝐿∗𝜆
Estima-se o modelo SEM Estima-se o modelo SAR
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Especificação de modelos espaciais
• Abordagem híbrida de especificação:
1. Estima-se o modelo clássico de regressão linear (MCRL) por MQO;
2. Computam-se 𝑀𝐿𝜌 e 𝑀𝐿𝜆 ;
3. Se
ambas estatísticas são não significativas, considera-se o modelo a-
espacial MCRL como melhor especificação;
4. Se 𝑀𝐿𝜌 for significativa e 𝑀𝐿𝜆 não, estima-se o modelo SAR;
5. Se for 𝑀𝐿𝜆 significativa e 𝑀𝐿𝜌 não, estima-se o modelo SEM.
6. Seambas forem significativas, escolhe-se a mais significativa pela
versão robusta 𝑀𝐿∗𝜌 e 𝑀𝐿∗𝜆 : (i) Se 𝑀𝐿∗𝜌 > 𝑀𝐿∗𝜆 , estima-se o modelo SAR;
e (ii) Se 𝑀𝐿∗𝜆 > 𝑀𝐿∗𝜌 , estima-se o modelo SEM.
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Especificação de modelos espaciais
Estima-se o modelo
Procedimento MCRL por MQO:
Híbrido 𝑦 = 𝑋𝛽 + 𝜀
Estima-se o
modelo SEM
Diagnóstico ML
(𝑀𝐿𝜆 e 𝑀𝐿𝜌 )
Ambas uma 𝑀𝐿𝜆
Ambas não significativas
Significativa? significativa
(nem 𝑀𝐿𝜆 , nem 𝑀𝐿𝜌)
(𝑀𝐿𝜆 ou 𝑀𝐿𝜌 )
Ambas 𝑀𝐿𝜌
Pare e mantenha os significativas
resultados do (𝑀𝐿𝜆 e 𝑀𝐿𝜌 )
modelo MCRL Estima-se o
Diagnóstico ML Robusto modelo SAR
(𝑀𝐿∗𝜆 e 𝑀𝐿𝜌∗ )
𝑀𝐿∗𝜆 Significativa? 𝑀𝐿∗𝜌
Estima-se o modelo SEM Estima-se o modelo SAR
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Estimação de modelos espaciais
• Na econometria espacial, os estimadores mais adotados em aplicações
são baseados no princípio da máxima verossimilhança e os baseados no
princípio do método generalizado dos momentos.
• O método de MQO pode não ser apropriado.
o No modelo SAR, o coeficiente espacial 𝜌 é viesado e inconsistente se
estimado por MQO.
o No modelo SEM, as estimativas por MQO são não viesadas e
consistentes, porém são ineficientes.
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Referências
Básica:
• ALMEIDA, E. S. Econometria Espacial Aplicada. Campinas: Editora
Alínea, 2012.
o Capítulo 5: Modelando a Dependência Espacial
o Capítulo 7: Especificando e Testando a Dependência Espacial
• GOLGHER, A. B. Introdução à Econometria Espacial. Jundiaí, Paco
Editorial, 2015.
o Capítulo 1: Conceitos iniciais da Econometria Espacial
o Capítulo 2: Interpretando os coeficientes dos modelos espaciais
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Contato
• Professores:
Prof. Alexandre Alves Porsse:
porsse@[Link]
Prof. Vinícius de Almeida Vale:
[Link]@[Link]
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