Geodiversidade PI
Geodiversidade PI
GEODIVERSIDADE DO
ESTADO DO PIAUÍ
ESTADO DO PIAUÍ
DO PIAUÍ
PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL
LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE
GEODIVERSIDADE DO ESTADO
da sociedade piauiense uma tradução do atual
conhecimento geocientífico da região, com vistas ao
planejamento, aplicação, gestão e uso adequado do
território. Destina-se a um público alvo muito variado, SEDE
SGAN – Quadra 603 • Conj. J • Parte A – 1º andar
incluindo desde as empresas de mineração, passando Brasília – DF • 70830-030
pela comunidade acadêmica, gestores públicos Fone: 61 3326-9500 • 61 3322-4305
Fax: 61 3225-3985
estaduais e municipais, sociedade civil e ONGs.
Escritório Rio de Janeiro – ERJ
Av. Pasteur, 404 – Urca
Dotado de uma linguagem voltada para múltiplos Rio de Janeiro – RJ • 22290-040
Fone: 21 2295-5337 • 21 2295-5382
usuários, o mapa compartimenta o território piauiense Fax: 21 2542-3647
em unidades geológico-ambientais, destacando suas Presidência
limitações e potencialidades frente à agricultura, obras Fone: 21 2295-5337 • 61 3322-5838
Fax: 21 2542-3647 • 61 3225-3985
civis, utilização dos recursos hídricos, fontes poluidoras,
Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial
potencial mineral e geoturístico. Fone: 21 2295-8248 • Fax: 21 2295-5804
Ouvidoria
Fone: 21 2295-4697 • Fax: 21 2295-0495
[email protected]
Geodiversidade é o estudo do meio físico constituído por ambientes
diversos e rochas variadas que, submetidos a fenômenos naturais Serviço de Atendimento ao Usuário – SEUS
e processos geológicos, dão origem às paisagens, ao relevo, outras Fone: 21 2295-5997 • Fax: 21 2295-5897
[email protected]
rochas e minerais, águas, fósseis, solos, clima e outros depósitos
superficiais que propiciam o desenvolvimento da vida na Terra, tendo
como valores intrínsecos a cultura, o estético, o econômico, o científico, www.cprm.gov.br
2010
o educativo e o turístico, parâmetros necessários à preservação
responsável e ao desenvolvimento sustentável.
2010
2010
GEODIVERSIDADE
DO ESTADO DO PIAUÍ
PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL
LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE
CASA CIVIL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
Ministra-Chefe Dilma Rousseff
DIRETORIA EXECUTIVA
Diretor-Presidente
Agamenon Sergio Lucas Dantas
Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial
José Ribeiro Mendes
Diretor de Geologia e Recursos Minerais
Manoel Barretto da Rocha Neto
Diretor de Relações Institucionais e Desenvolvimento
Fernando Pereira de Carvalho
Diretor de Administração e Finanças
Eduardo Santa Helena da Silva
RESIDÊNCIA DE TERESINA
Chefe
Antônio Reinaldo Soares Fillho
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA
SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL
CPRM - SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL
GEODIVERSIDADE
DO ESTADO DO PIAUÍ
PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL
LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE
ORGANIZAÇÃO
Recife, Brasil
2010
CRÉDITOS TÉCNICOS
LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE
DO ESTADO DO PIAUÍ
FOTOS DA CAPA:
1. Arco de Pedra, Parque Nacional de Sete Cidades (Piripiri, PI).
2. Pedra Furada, Parque Nacional da Serra da Capivara (São Raimundo Nonato, PI).
3. Mirante do Gritador (Pedro II, PI).
4. Anfiteatro no Parque Nacional da Capivara (São Raimundo Nonato, PI).
CDD 551.098113 .
Educação Saúde
Políticas Públicas
GEODIVERSIDADE Meio Ambiente
SUMÁRIO
Geodiversidade .................................................................................................... 11
Aplicações ............................................................................................................ 12
Referências ........................................................................................................... 13
INTRODUÇÃO
11
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
APLICAÇÕES
12
INTRODUÇÃO
13
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
GRAY, Murray. Geodiversity: valuying and conserving CPRM, 2008b. 264 p. il. p. 181-202.
abiotic nature. New York: John Wiley & Sons, 2004. 434 p. XAVIER DA SILVA, J.; CARVALHO FILHO, L. M. Índice
de geodiversidade da restinga da Marambaia (RJ): um
OWEN, D.; PRICE, W.; REID, C. Gloucestershire exemplo do geoprocessamento aplicado à geografia
cotswolds: geodiversity audit & local geodiversity física. Revista de Geografia, Recife: DCG/UFPE, v. 1,
action plan. Gloucester: Gloucestershire Geoconservation p. 57-64, 2001.
Trust, 2005.
VEIGA, T. A geodiversidade do cerrado. [S.l.: s.n.],
SERRANO CAÑADAS, E.; RUIZ FLAÑO, P. Geodiversidad: 2002. Disponível em: <http://www.pequi.org.br/
concepto, evaluación y aplicación territorial: el caso de geologia.html>. Acesso em: 25 jan. 2010.
14
2
GEOLOGIA
Enjolras de A. M. Lima ([email protected])
Ricardo de Lima Brandão ([email protected])
SUMÁRIO
Introdução .......................................................................................................... 17
Província Borborema ............................................................................................ 17
Província Parnaíba ................................................................................................ 18
Bacia do Parnaíba.............................................................................................. 18
Grupo Serra Grande ....................................................................................... 20
Grupo Canindé............................................................................................... 21
Grupo Balsas .................................................................................................. 21
Bacia das Alpercatas.......................................................................................... 22
Bacia do Grajaú-São Luis ................................................................................... 22
Bacia Espigão-Mestre ........................................................................................ 22
Província Costeira ................................................................................................. 22
Grupo Barreiras ................................................................................................. 22
Depósitos eólicos pleistocênicos (paleodunas) ............................................... 22
Depósitos eólicos holocênicos (dunas recentes) ............................................. 23
Depósitos marinhos (praias recentes)............................................................. 23
Depósitos fluvioaluvionares e fluviomarinhos ................................................ 24
Referências ........................................................................................................... 24
GEOLOGIA
17
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Figura 2.2 - Mármore listrado róseo e cinza-escuro, exibindo Figura 2.3 - Granito com porfiroblastos orientados bem
dobras regulares de singular beleza, passível de ser utilizado como desenvolvidos de feldspato potássico.
pedra de cantaria.
Bacia do Parnaíba
18
GEOLOGIA
Figura 2.5 - Mármore esbranquiçado, com listras cinza-claras, Figura 2.8 - Inscrições rupestres nos arenitos Serra
utilizado como pedra ornamental (Pio IX, PI). Grande (Parque Nacional da Serra da Capivara, PI).
19
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
• Formação Cabeças
Dominantemente arenosa, apresenta estruturas sedi-
mentares tipo sigmoidal, localmente com diamictitos, em
ambiência nerítica com influência periglacial. Predomi- Figura 2.12 - Vista parcial das feições erosivas impressas nos
nam arenitos médios a finos, por vezes grosseiros, pouco arenitos da formação Cabeças (Parque Nacional de Sete Cidades, PI).
argilosos. Intercalam-se, subordinadamente, siltitos lami-
nados e folhelhos micáceos de coloração arroxeada e aver-
Figura 2.11 - Feição erosiva em arenitos da formação Cabeças Figura 2.14 - Inscrições rupestres sobre arenitos médios
(Parque Nacional de Sete Cidades, PI). homogêneos da formação Cabeças.
20
GEOLOGIA
21
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
22
GEOLOGIA
Sua formação provavelmente está relacionada a um Outra feição notável nesses ambientes são as áreas
episódio de nível relativo do mar mais elevado que o atual de interdunas. São áreas úmidas, bem destacadas nas
ocorrido durante o Pleistoceno. O movimento regressivo imagens de satélites, que formam lagoas interdunares nos
subsequente propiciou a geração de um terraço marinho, períodos de chuvas e marcam os rastros do movimento
que foi, em parte, retrabalhado eolicamente, fornecendo migratório ao longo do tempo.
material para a construção das paleodunas. Corresponde, Os campos de dunas são responsáveis pelo barra-
portanto, à primeira geração de dunas da área. mento de algumas drenagens, obstruindo suas desem-
bocaduras e formando, consequentemente, lagoas cos-
Depósitos eólicos holocênicos (dunas recentes) teiras como, por exemplo, as lagoas do Portinho e So-
bradinho, no Piauí. A dinâmica eólica, bastante intensa
Os campos de dunas recentes têm significativa ex- na área do delta, por vezes, promove o assoreamento de
pressão territorial na área do Delta do Parnaíba, ocor- ecossistemas aquáticos (mangues e lagoas), bem como
rendo como uma faixa quase contínua, de largura vari- o recobrimento de estradas e residências (Luis Correia),
ável, que começa a se esboçar a partir da praia alta o que pode causar o aparecimento de áreas de risco,
(backshore), disposta paralelamente à linha de costa, com a possibilidade de serem lentamente soterradas pela
vez por outra interrompida por planícies fluviais e movimentação das areias.
fluviomarinhas.
As dunas móveis caracterizam-se pela ausência de Depósitos marinhos (praias recentes)
vegetação e ocorrem mais próximas à linha de praia, onde
a ação dos ventos é mais intensa. Formam um alongado depósito contínuo, por toda a
Já as dunas fixas ocorrem à retaguarda ou entremeadas extensão da costa, desde a linha de maré baixa até a base
com as dunas móveis e apresentam incipiente desenvolvi- das dunas móveis. São acumulações de areias de granulação
mento de processos pedogenéticos, resultando na fixação média a grossa, ocasionalmente cascalhos (próximo às de-
de um revestimento vegetal pioneiro que impede ou ate- sembocaduras dos rios maiores), moderadamente
nua a mobilização eólica. Esses depósitos provavelmente selecionadas, com abundantes restos de conchas, matéria
representam uma geração de idade intermediária entre as orgânica e minerais pesados. Essa unidade não se encon-
paleodunas e as dunas móveis ou atuais. tra representada no Mapa Geológico por uma questão de
Alguns autores consideram ainda uma outra gera- escala, estando inserida na faixa correspondente às Dunas
ção, posicionada cronologicamente entre as dunas fixas e Recentes.
as dunas móveis: são as dunas semifixas, parcialmente Incluem-se também, nesse contexto, os beach-ro-
retidas pela vegetação (gramíneas e arbustos esparsos), cks ou arenitos de praia que ocorrem em diversos tre-
mas sem desenvolvimento pedogenético. chos da área trabalhada. Tais formações se encontram
Esses depósitos são originados por processos eólicos distribuídas descontinuamente, formando delgados cor-
de tração, saltação e suspensão subaérea. São formados pos paralelos à linha de costa; normalmente, afloram
por areias esbranquiçadas, bem selecionadas, de granulação em dois subambientes praiais: na zona de estirâncio e na
fina a média, quartzosas, com grãos de quartzo foscos e zona de arrebentação. Em geral, são arenitos conglome-
arredondados. Muitas vezes encerram níveis de minerais ráticos com grande quantidade de bioclastos (fragmen-
pesados, principalmente ilmenita. Estratificações cruzadas tos de moluscos e algas), cimentados por carbonato de
de médio a grande porte e marcas ondulares eólicas po- cálcio. Mostram estratificações cruzadas dos tipos pla-
dem ser registradas em algumas exposições. nar e acanalada.
Quanto à morfologia, em relação à direção dos ven- Esses corpos alongados funcionam, muitas vezes,
tos predominantes (NE-SW), esses corpos podem ser de como uma proteção a determinados setores da costa, di-
dois tipos: transversais e longitudinais. Os primeiros, dis- minuindo a energia das ondas que se aproximam da face
postos perpendicularmente à direção dos ventos, apre- da praia, evitando a sua ação erosiva. As melhores ocor-
sentam feições de barcanas (meia-lua), com declives sua- rências situam-se nas praias do Coqueiro e de Macapá.
ves a barlavento (50 a 100), contrastando com inclinações A dinâmica das praias é controlada, fundamentalmen-
mais acentuadas (em torno de 300) das encostas protegi- te, pelas correntes de deriva litorânea (correntes longitu-
das da ação dos ventos (sotavento). Na face de barlaven- dinais), além do regime de marés e das correntes fluviais.
to, a superfície exibe marcas de ondas (ripple marks). A No litoral do Piauí, o regime de ondas que se aproxima da
interseção das duas faces esboça uma nítida crista, que se costa provém, dominantemente, dos quadrantes leste e
exibe de forma arqueada ou sinuosa. As dunas longitudi- nordeste, gerando um transporte litorâneo de sedimentos
nais (seifs) ocorrem com geometrias lineares, dispostas com sentido geral de leste para oeste e de sudeste para
concordantemente com a direção principal dos ventos (NE- noroeste. A estabilidade das praias é o resultado do balan-
SW). Formas parabólicas também ocorrem, assim como ço de sedimentos que transitam em determinado trecho.
outras mais complexas, que podem ser descritas em tra- Assim, a resposta morfológica do perfil de praia será de
balhos que comportem maior detalhe. erosão quando houver déficit sedimentar, ou seja, o volu-
23
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
me de sedimentos retirado é maior que o volume retido. tributários que formam o delta isola um grande número
No caso inverso, haverá superávit sedimentar e, conse- de ilhas (mais de 70), muitas delas contendo importantes
quentemente, acresção do perfil praial. Quando o volume formações de manguezais.
de saída for igual ao de entrada de sedimentos, a praia
estará em equilíbrio. REFERÊNCIAS
As praias de Macapá e Cajueiro da Praia experimen-
tam processo acelerado de erosão, com registros de de- ALMEIDA, F. F. M.; HASUI, Y.; BRITO NEVES, B. B.;
gradação de vias públicas e patrimônios particulares. Es- FUCK, R. A. Províncias estruturais brasileiras. In:
ses casos necessitam de estudos de avaliação para se de- SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DO NORDESTE, 8., 1977,
terminar as causas, a quantificação da erosão e as provi- Campina Grande. Atas...... Campina Grande: SBG, 1977.
dências a serem tomadas para conter o processo. p. 363-391.
24
3
RECURSOS MINERAIS
Luiz Moacyr de Carvalho ([email protected])
Ivo Hermes Batista ([email protected])
Luis Carlos Bastos Freitas ([email protected])
Fernando Lúcio Borges Cunha ([email protected])
SUMÁRIO
Introdução ........................................................................................................... 27
Economia Mineral ................................................................................................ 27
Mercado Interno ............................................................................................... 28
Minerais não-metálicos .................................................................................. 28
Minerais metálicos ......................................................................................... 29
Gemas, pedras preciosas e peças de artesanato............................................. 29
Água mineral ................................................................................................. 30
Mercado Externo ............................................................................................... 30
Potencial Mineral e Ambiente Geologico .............................................................. 31
Minerais Não-Metálicos..................................................................................... 31
Calcário .......................................................................................................... 31
Gipsita ........................................................................................................... 31
Fosfato ........................................................................................................... 31
Argilas ............................................................................................................ 32
Mármore ........................................................................................................ 32
Ardósia/quartzito (pedra morisca) .................................................................. 32
Granito, diabásio (rocha britada) ................................................................... 32
Vermiculita ..................................................................................................... 32
Amianto ......................................................................................................... 32
Areia .............................................................................................................. 32
Minerais Metálicos .......................................................................................... 33
Níquel ........................................................................................................... 33
Ferro e manganês ....................................................................................... 33
Titânio .......................................................................................................... 33
Gemas, Pedras Preciosas e Peças de Artesanato ........................................... 33
Opala, ametista, calcedônia ........................................................................ 33
Diamante ..................................................................................................... 33
Recursos Energéticos ...................................................................................... 33
Urânio e carvão ........................................................................................... 33
Jazimentos Minerais versus Áreas Envolvidas
por Legislação Restritiva .................................................................................... 36
Referências ......................................................................................................... 36
RECURSOS MINERAIS
ECONOMIA MINERAL
27
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
28
RECURSOS MINERAIS
Minerais metálicos
29
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
A calcedônia, também pertencente ao grupo do quart- do Piauí, além dos mármores de alta qualidade de Pio IX.
zo, é aproveitada para a confecção de pedras de artesana- São os representantes mais importantes das rochas orna-
to. Ocorre com destaque nos municípios de Buriti dos mentais e materiais de revestimento. Os quartzitos parti-
Montes. cipam nos itens de exportação de produtos de base mine-
Os jazimentos de diamante são conhecidos desde os ral com, aproximadamente, 97% (Figuras 3.4 e 3.5).
anos 1940 e estão situados ao sul do Piauí, nas regiões
compreendidas pelos municípios de Gilbués e Monte Ale-
gre, onde estão registrados 30 garimpos ativos e inativos,
sendo os mais conhecidos os garimpos Monte Alegre,
São Dimas, Boqueirão e China.
De acordo com Oliveira (1997), os depósitos
diamantíferos do sul do Piauí têm comportamento muito
irregular, não só do ponto de vista da produção, variando
de 0,01 ct/m3, nos garimpos de Monte Alegre, até 0,83
ct/m3, nos garimpos do China, quanto da comercialização,
não havendo compradores legalizados, de modo que a
sua produção estimada nos períodos de maior atividade
garimpeira pode ser da ordem de 2.000 ct/ano.
Os troncos de madeira fossilizada (Psaronius) são
utilizados como peças de artesanato. São exemplares fós-
seis cuja preservação se deve ao processo de silicificação Figura 3.4 - Faturamento das exportações do Piauí (produtos de
ao qual foram submetidos os restos de madeira e, a partir base mineral). Fonte: CEPRO (2008).
daí, preservados.
Água mineral
Mercado Externo
30
RECURSOS MINERAIS
Essas commodities apresentam boas chances de ser ARMIL – Mineração do Nordeste Ltda. e Mineração
inseridas no comércio de exportações, o qual se mostra Piauiense Ltda.
com grandes perspectivas de crescimento diante das pro- Esse mineral ocorre segundo corpos estratiformes ou
jeções de consumo/produção e exportações mundiais, lenticulares, incluindo desde laminações milimétricas até
principalmente com a entrada da China no mercado, onde camadas de alguns metros, e está condicionado, geologi-
o Brasil é o seu maior fornecedor de blocos, com cerca de camente, às formações Piauí, Pedra do Fogo e Pastos Bons.
180 mil t em 2002 (BRASIL, 2006). Nas formações Pimenteiras e Poti, os níveis de calcário
Entre os minerais metálicos, o níquel é o único em são raros e delgados.
exploração no estado. A Cia. Vale do Rio Doce detém os Na Formação Piauí, os calcários são geralmente
direitos minerários da jazida de São João do Piauí, em dolomíticos, com espessura de 1,5 a 4,5 m.
Capitão Gervásio Oliveira, considerada a segunda maior Na Formação Pedra do Fogo, os calcários estão dis-
jazida de níquel do Brasil. tribuídos segundo uma faixa NE-SW, que se inicia no Vale
Com o desenvolvimento de novos processos do Parnaíba (região de Teresina, Floriano, Guadalupe,
metalúrgicos, o crescimento da economia nacional, o “efei- Uruçuí), estendendo-se ao Maranhão. Os leitos de calcário
to China”, além da valorização do preço desse metal no possuem espessura de 10 a 20 cm, podendo alcançar de
mercado internacional, que triplicou nos últimos anos 6 m até 40 m; são duros, estratificados ou homogêneos.
(CEPRO, 2008), a exploração de níquel tornou-se econo- Antônio Almeida pode ser considerado o município-
micamente viável. polo da indústria do calcário dolomítico agrícola. As prin-
Os jazimentos de níquel do Piauí ocupam o terceiro cipais empresas que aí operam são: Mineradora de Calcário
lugar no ranking das reservas nacionais, com cerca de 20 Antônio Almeida, Mineradora de Calcário Ouro Branco,
milhões de toneladas medidas, representando 10% e 50%, Mineração Graúna e EMFOL – Empresa de Mineração
respectivamente, das reservas de Goiás e Pará, e o triplo Formosa. No município de Santa Filomena, atuam as
das reservas de Minas Gerais (Figura 3.7). empresas Indústria de Calcário do Cerrado Piauiense e
Calcário Campo Alegre Ltda.; em Curimatá, a produção é
realizada pela empresa CINCAL.
Os calcários, nessa região, ocorrem sob a forma de
camadas e lentes com espessuras variáveis, porém quase
sempre inferiores a 5 m. Em geral, são dolomíticos ou,
pelo menos, magnesianos; afloram, geralmente, em
escarpas mais ou menos íngremes, com espessas cober-
turas.
Gipsita
31
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Essas rochas são encontradas em Juazeiro do Piauí, Ocorrem nas aluviões dos rios, principalmente
Castelo, Piripiri e Pedro II. Parnaíba e Poti, bem como areais provenientes da erosão
Os quartzitos que ocorrem no município de Queima- dos arenitos das formações Piauí e Pedra de Fogo.
da Nova, fronteira com a Bahia, são róseos, duros e muito Teresina concentra um número apreciável de dragas,
micáceos, com boa aceitação no mercado. Estão condici- sendo registrados, até o momento, no DNPM, 26 reque-
onados às rochas da Formação Cabeças, Grupo Canindé. rimentos para areia (CEPRO, 2008).
32
RECURSOS MINERAIS
34
RECURSOS MINERAIS
Quadro 3.1 - Áreas potencialmente favoráveis à instalação de aglomerados produtivos locais (APLs).
35
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
BRASIL. Departamento Nacional de Produção Mineral. MOREIRA, M. D. Aplicações dos minerais e rochas
Cadastro mineiro: 2007. Brasília: DNPM, 2007. industriais. Salvador: SBG, Núcleo Bahia-Sergipe:
Disponível em: <http://dnpm.gov.br/>. Acesso: SGRM: ABG, 1994. 87 p. il.
2009.
LIMA, E. A. M.; LEITE, J. F. Projeto estudo global
CABRAL JUNIOR, M.; OBATA, O. R.; SINTONI, A. dos recursos minerais da bacia sedimentar do
(Coord.). Minerais industriais: orientação para Parnaíba: integração geológico-metalogenética.
regulamentação e implantação de empreendimen- Relatório final da etapa III. Recife: CPRM, 1978.v. 2.
tos. São Paulo: IPT, 2005. 86 p. il. (Publicação IPT, Convênio CPRM/DNPM.
3000).
OLIVEIRA, J. C. Recursos gemológicos dos estados
CEPRO. Diagnóstico do setor mineral piauiense. do Piauí e Maranhão. Teresina: CPRM, 1998. 1 v. il.
Teresina: Governo do Estado do Piauí, 2008. Informe de Recursos Minerais. Série Pedras Preciosas n. 4.
36
4
POTENCIAL PETROLÍFERO
DO ESTADO DO PIAUÍ
Kátia S. Duarte ([email protected])
Bernardo F. Almeida ([email protected])
Cintia I. Coutinho ([email protected])
Antenor F. Muricy ([email protected])
Luciene Pedrosa ([email protected])
SUMÁRIO
Introdução ......................................................................................................... 39
Bacia Sedimentar do Parnaíba .......................................................................... 39
Bacia Sedimentar do Ceará ............................................................................... 43
Referências ......................................................................................................... 44
POTENCIAL PETROLÍFERO DO ESTADO DO PIAUÍ
Figura 4.1 - Bacias sedimentares existentes no estado do Piauí e área marítima adjacente.*
(*) As bacias marítimas descritas neste capítulo não representam necessariamente a região que corresponde
à divisão das participações governamentais destinadas ao estado do Piauí e seus municípios.
39
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Figura 4.2 - Mapa de localização dos projetos de levantamentos sísmicos no estado do Piauí.
40
POTENCIAL PETROLÍFERO DO ESTADO DO PIAUÍ
Figura 4.4 - Mapa de localização dos projetos do plano plurianual de geologia e geofísica da ANP.
gicos, levantamentos magnéticos, gravimétricos e de sís- e 1.800 m e espaçamento de 6 km entre as linhas de voo,
mica 2D, além de perfuração de poços exploratórios. orientadas E-W. Esse convênio foi firmado em 2004, com
A bacia possui 34 poços exploratórios perfurados entre a aquisição dos dados finalizada em outubro de 2006.
1951 e 1988, a maioria deles pela Petrobras. Desse total, É importante salientar a contribuição dos projetos já
22 poços são classificados como pioneiros e 12, como concluídos pela ANP para o sucesso da Nona Rodada de
estratigráficos; juntos, totalizam 20.159 km de perfura- Licitação de Concessões Exploratórias para Exploração de
ção. Os poços apresentam distribuição irregular e densi- Petróleo e Gás (Blocos). A área ofertada na Nona Rodada
dade muito baixa, com um furo a cada 20.000 km2. A consistia em 10 blocos no Setor Norte da bacia, perfazen-
maioria dos poços foi posicionada apenas com apoio de do cerca de 31.000 km².
geologia de superfície, sem auxílio de dados sísmicos. Além do Poço de Capinzal, a Bacia Sedimentar do
Os levantamentos sísmicos foram realizados entre Parnaíba apresenta, ainda, como resultados positivos, os
1954 e 1996 e totalizam 13.194 km lineares de sísmica poços de Testa Branca (1-TB-2-MA) e Floriano (1-FL-1-PI).
2D. As linhas sísmicas existentes têm distribuição esparsa O primeiro apresentou arenitos testemunhados com im-
e densidade extremamente baixa – 0,02 km/km2. Esse pregnação de óleo no topo da Formação Cabeças (811-
volume de dados é pequeno em termos absolutos e pou- 820 m) e indícios fracos em arenitos das formações Longá,
co significativo relativamente à dimensão da bacia. Cabeças e Itaim. Testes de formação aí realizados recupe-
A Bacia Sedimentar do Parnaíba foi alvo de levanta- raram lama cortada por óleo na Formação Cabeças (806-
mentos de aeromagnetometria e gravimetria terrestre, 812,0 m) e lama cortada por gás na Formação Itaim (1.428-
totalizando 163.690 km² e 116.360 km², respectivamen- 1.431,0 m). No poço Floriano, as areias basais do Grupo
te. Os levantamentos foram realizados em campanhas iso- Serra Grande mostraram-se porosas e portadoras de gás e
ladas, implicando precisão variável e densidade de água salgada sulfurosa.
amostragem irregular. Do ponto de vista geopolítico e de infraestrutura, a
Recentemente, por meio de convênio com a Univer- área conta com dois portos de relativa importância – Parna-
sidade de São Paulo (USP), a ANP promoveu um íba e São Luís – e se insere na área de influência de quatro
aerolevantamento gravimétrico-magnetométrico (em toda capitais estaduais: Teresina, São Luís, Belém e Palmas.
a Bacia Sedimentar do Parnaíba) e um gamaespectométrico Outro fator importante para avaliação do potencial
(em parte da bacia). O levantamento foi realizado com petrolífero de uma região é o grau de conhecimento dos
voos a altitudes constantes, aproximadamente entre 1.100 sistemas petrolíferos eventualmente existentes. Na Bacia
41
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Sedimentar do Parnaíba, o sistema petrolífero Pimentei- suem índices de COT variando de 1,0 a 3,0%, matéria
ras-Cabeças é considerado o principal, onde a geração orgânica do tipo III e são os únicos que se encontram
dos hidrocarbonetos se dá nos folhelhos plataformais da maturos por subsidência na porção NW da bacia. Contu-
Formação Pimenteiras com acumulação nos arenitos do, são pouco espessos para geração de volume apreciá-
deltaicos da Formação Cabeças (GÓES et al., 1992). Ou- vel de hidrocarbonetos. Os folhelhos radioativos B, situa-
tros sistemas petrolíferos aventados para a bacia incluem dos no Givetiano Médio, ocorrem apenas nas regiões cen-
o Tianguá-Ipu (inferido) e Tianguá-Jaicós (inferido). Lobato tral e norte da bacia. Possuem espessura máxima de 20
(2007), a partir de análise estratigráfica no intervalo Longá/ m, COT variando de 1,0 a 3,5% e matéria orgânica dos
Poti, conjectura o sistema petrolífero Longá-Longá (inferi- tipos II e III. Os folhelhos radiativos C, depositados no
do). A Formação Codó, embora muito rica em carbono Frasniano, são correlacionáveis aos folhelhos geradores das
orgânico, não passou por soterramento suficiente para se bacias do Solimões (Formação Jandiatuba) e Amazonas
converter em rocha geradora. (Formação Barreirinha). É o principal intervalo de folhelhos
Além desses sistemas, cabe citar dois outros já com- radioativos da bacia, alcançando espessuras de 40 m. Pos-
provados: Pimenteiras-Pimenteiras e Pimenteiras-Itaim, con- sui índices de COT variando entre 1,0 e 5,0% e matéria
forme atestam os resultados do poço 2-CP-001-MA. A esse orgânica do tipo II.
respeito, é interessante mencionar que estudos desenvolvi- Não obstante tais fatos, alguns autores encaram com
dos por Young (2003) e Young e Borghi (2006) sugeriram a pessimismo o potencial gerador dessa unidade em função
hipótese de geração e acumulação na Formação Pimentei- da sobrecarga não muito expressiva em que ela se encaixa
ras, constituindo, assim, o sistema retromencionado. De em grande parte da bacia. Contudo, como intrusões ígneas
acordo com esses trabalhos, a Formação Pimenteiras depo- acometem frequentemente esse pacote, o incremento tér-
sitou-se em uma paleoplataforma marinha, com eventual mico daí decorrente seria o catalisador para a geração
aporte de areias por processos induzidos por tempestades. desejada, a exemplo do que se verifica na prolífica Bacia
Estudos estratigráficos desenvolvidos por Young (2003) e do Solimões, onde condições similares e geradoras análo-
Young e Borghi (2006) descrevem um intervalo arenoso gas estão igualmente envolvidas. Fato relevante nesse con-
com características de rocha-reservatório, lateralmente con- texto é a constatação de que a maioria dos diques e sills
tínuo (>140 km), com aproximadamente 20 m de espes- de diabásio se concentra na Formação Pimenteiras,
sura e em contato brusco com siltitos e folhelhos incrementando, assim, o potencial gerador da seção mais
sobrejacentes e subjacentes. Os autores citados interpre- importante sob esse aspecto.
tam esse intervalo arenoso como resultante de uma regres- As formações Tianguá (Siluriano) e Longá (Devoniano-
são forçada e o denominaram informalmente como arenito Fameniano) são consideradas geradoras potenciais secun-
“B”. O modelo de regressão forçada apresentado por Young dárias. A Formação Tianguá apresenta espessuras da or-
e Borghi (2006) difere fundamentalmente da interpretação dem de 200 m e exibe teores de carbono orgânico nor-
de Della Fávera (1990), que considerou todos os intervalos malmente inferiores a 1,0%, com raros níveis apresentan-
de arenitos da Formação Pimenteiras como decorrentes de do teores iguais a 1,2%. As análises microscópicas reve-
eventos de progradação deltaica. lam alta proporção de matéria orgânica oxidada, liptinita
Igualmente ao que ocorre nas bacias paleozoicas do e matéria orgânica amorfa. Os dados de reflectância de
Solimões e do Amazonas, a deposição da principal rocha vitrinita indicam que essa unidade se encontra termica-
geradora na Bacia Sedimentar do Parnaíba se deve a um mente matura em grande parte da bacia, onde os maiores
evento anóxico global desenvolvido no Devoniano, mais valores de R0 estão associados à ocorrência das maiores
precisamente no Frasniano. Esse evento foi responsável espessuras das rochas intrusivas. A Formação Longá apre-
pela deposição de folhelhos com altas radioatividade e senta matéria orgânica dos tipos III e IV, com alta propor-
resistividade e baixa densidade que ocorrem na Formação ção de inertinita. Nas áreas com ausência de intrusões de
Pimenteiras, representativo do período de máxima inun- diabásio, ocorre termicamente pouco evoluída
dação marinha (RODRIGUES, 1995). A Formação Pimen- (RODRIGUES, 1995).
teiras alcança espessuras superiores a 500 m, com o inter- Segundo Rodrigues (1995), a Formação Codó, depo-
valo radioativo, potencialmente gerador, apresentando sitada durante o Cretáceo, é extremamente rica em maté-
isólitas de até 60 m e teores médios de Carbono Orgânico ria orgânica, atingindo teores de COT de até 27%. Contu-
Total (COT) de 2-2,5%. Análises efetuadas em testemu- do, essa unidade se encontra imatura e, como sua depo-
nho do poço 1-IZ-2-MA mostraram altos teores de maté- sição foi posterior ao vulcanismo, não sofreu os seus efei-
ria orgânica, atingindo valores de até 6%, com predomi- tos térmicos. Os reservatórios principais são os arenitos
nância dos tipos II e III. devonianos da Formação Cabeças. O seu potencial como
Rodrigues (1995) identificou três intervalos potenci- reservatório de hidrocarbonetos aumenta pela privilegiada
almente geradores dentro da Formação Pimenteiras, de- situação estratigráfica em contato direto com as rochas
nominando-os folhelhos radioativos A, B e C. Os folhelhos geradoras da Formação Pimenteiras. A Formação Cabeças
radioativos A situam-se aproximadamente no limite apresenta alta permeabilidade e porosidade de até 26%,
Eifeliano/Givetiano, têm espessura máxima de 20 m, pos- atingindo espessuras da ordem de 250 m.
42
POTENCIAL PETROLÍFERO DO ESTADO DO PIAUÍ
Reservatórios potenciais secundários são os arenitos cos, visando à localização de estruturas com característi-
devonianos da Formação Itaim e os arenitos eólicos cas semelhantes, situadas a centenas ou milhares de metros
carboníferos da Formação Piauí. Os arenitos silurianos da abaixo da superfície.
Formação Ipu podem ser reservatórios potenciais, especi- Na Bacia Sedimentar do Parnaíba, são reconhecidos
almente se os folhelhos silurianos da Formação Tianguá os astroblemas Serra da Cangalha e Anel de Riachão. O
se mostrarem geradores – tais arenitos apresentaram indí- primeiro localiza-se no estado do Tocantins e possui apro-
cios em alguns poços. Intrusões de diabásio, se fratura- ximadamente 12 a 13 km de diâmetro. Sua característica
dos, podem se constituir em reservatórios, a exemplo do proeminente é um anel central de montanhas com um
poço 2-CP-1-MA (Capinzal). diâmetro de 3 a 4 km. O Anel de Riachão é uma estrutura
A Formação Longá (Devoniano/Carbonífero) constitui circular, com diâmetro de 14 km. Ocorre na porção meri-
o selo para o principal reservatório que é a Formação Cabe- dional da bacia e tem sua origem atribuída a impacto de
ças (Devoniano). Selos para reservatórios das formações Ipu, meteoro. Segundo Donofrio (1998), essa estrutura é con-
Itaim e Piauí podem ser formados, respectivamente, por siderada de interesse exploratório, a exemplo de campos
folhelhos da Formação Tianguá (Siluriano), folhelhos da de óleo associados a astroblemas em outras partes do
Formação Pimenteiras (Devoniano) e folhelhos e evaporitos mundo, como o astroblema de Chicxulub (170 km, 65
da Formação Pedra de Fogo (Permiano). Intrusões de milhões de anos), no Golfo do México.
diabásio (do Jurássico) podem selar qualquer reservatório.
As armadilhas esperadas são do tipo estrutural, po- BACIA SEDIMENTAR DO CEARÁ
dendo estar relacionadas às várias orogenias que afetaram
a bacia. Estruturas relacionadas a intrusões ígneas podem Segundo relatório de integração elaborado por Sam-
ser importantes por serem síncronas à geração de paio et al. (1998), a Bacia Sedimentar do Ceará está loca-
hidrocarbonetos. lizada na plataforma continental da Margem Equatorial
Segundo Crósta (2004), estruturas geradas por Brasileira, tem seu limite leste dado pelo Alto de Fortale-
astroblemas (crateras produzidas pelo impacto de corpos za, que a separa da Bacia Potiguar, e seu limite oeste pelo
celestes – asteroide ou cometa – de grandes dimensões) Alto de Tutoia, que a separa da Bacia de Barreirinhas. Ao
são potencialmente interessantes do ponto de vista sul, limita-se pela área de afloramento do embasamento
exploratório, pois as rochas fragmentadas pelo impacto cristalino e, ao norte, pela Falha Transformante do Ceará,
formam excelentes reservatórios para acumulação de associada à Zona de Fratura Romanche. Devido a caracte-
hidrocarbonetos. Crósta (2004) relata que esse modelo de rísticas tectônicas distintas e feições estruturais proemi-
exploração de petróleo vem sendo utilizado com êxito em nentes, a Bacia Sedimentar do Ceará pode ser subdividida
países como os Estados Unidos da América (EUA), Cana- em quatro sub-bacias, de leste para oeste: Mundaú, Ica-
dá e México. O autor sugere que as crateras expostas po- raí, Acaraú e Camocim-Piauí, sendo essa última localizada
dem servir como modelo para estudos com dados sísmi- na extensão marítima do estado do Piauí (Figura 4.5).
Figura 4.5 - Arcabouço estrutural da bacia sedimentar do Ceará. Fonte: Figueiredo (1985).
43
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
A sub-bacia de Camocim-Piauí é separada da sub- Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,
bacia de Acaraú pelo Alto do Ceará. Esta, por sua vez, 1986.
separa-se da sub-bacia de Icaraí por um alto representati-
vo da continuação do lineamento do Sobral (proeminente DELLA FÁVERA, J. C. Tempestitos da bacia do
feição estrutural pré-cambriana). Parnaíba. 243 f. 1990. Tese (Doutorado em
A sub-bacia de Mundaú tem dimensões e caracterís- Geociências) – Universidade Federal do Rio Grande do
ticas menos complexas que as demais sub-bacias adjacen- Sul, Porto Alegre, 1990.
tes a oeste e sua importância no contexto exploratório
deve-se ao fato de ser a única com produção comercial de DONOFRIO, R. R. North american impact structures hold
hidrocarbonetos. giant field potential. Oil & Gas Journal, May 11, p.
Ainda segundo Sampaio et al. (1998), a exploração 69-83, 1998.
sistemática para hidrocarbonetos na sub-bacia de Mundaú
teve início no final da década de 1960. Os primeiros le- FIGUEIREDO, A. M. F. Geologia das bacias brasileiras.
vantamentos sísmicos foram realizados em 1976 pela In: VIRO, E. J. (Ed.). Avaliação de formações no
Petrobras. Os esforços exploratórios na bacia aumentaram Brasil. Rio de Janeiro: Schlumberger, 1985. I:1-38.
no final dos anos de 1970 e início da década de 1980,
sofrendo um declínio nos anos de 1990. Até aquela data GÓES, A. M. O.; TRAVASSOS, W. A. S.; NUNES, K.
haviam sido perfurados 90 poços exploratórios. Em 1998, Projeto Parnaíba: reavaliação da bacia e perspectivas
o acervo de dados sobre a Bacia Sedimentar do Ceará, exploratórias. Rio de Janeiro: Petrobras/Depex, 1992.
abrangendo todas as sub-bacias, incluía 108 poços
exploratórios, 47.009 km de linhas sísmicas 2D, 29.192 LOBATO, G. Análise estratigráfica de alta resolu-
km em 3D, 26.656 km de perfis gravimétricos e 45.878 ção no intervalo do limite formacional Longá/
km de magnetometria, totalizando investimentos de Poti (neodevoniano/eocarbonífero) em testemu-
US$638,792 milhões. nhos de sondagem da bacia do Parnaíba. 111 f.
A primeira acumulação comercial de óleo, o Cam- 2007. Trabalho de Conclusão de Curso. Faculdade de
po de Xaréu, foi descoberta em 1977, sendo seguida Geologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de
pela descoberta dos campos de Curimã e Espada (1978) Janeiro, 2007.
e Atum (1979) (Figura 4.5). Os volumes originais nesses
campos foram estimados em 71,8 Mm3 de óleo e 5.808,2 RODRIGUES, R. A. Geoquímica orgânica da bacia
Mm3 de gás. As reservas recuperáveis foram estimadas do Parnaíba. 225 f. Tese (Doutorado em Geociências)
em 18,6 Mm3 de óleo e 2.868,0 Mm3 de gás. Essas – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto
reservas encontram-se na extensão marítima do estado Alegre, 1995.
do Ceará.
Em resumo, com relação ao estado do Piauí, diante SAMPAIO, E. E. S., PORSANI, M. J., BOTELHO, M. A.
da grande dimensão da Bacia Sedimentar do Parnaíba, B., BASSREI, A.; STRINGHINI, A. V.; APOLUCENO NETO,
ainda que esta esteja em estágio inicial de pesquisa A. F.; CAMPOS, J. V.; TOFFOLI, L. C.; ANDRADE,
exploratória, entende-se que a região é privilegiada e po- M.A.L.; ARAÚJO, M. B.; CARVALHO, R. S. Relatórios
derá se tornar estratégica em termos de potencial petro- de integração: análise de blocos requisitados pela
lífero. Petrobras (bacias sedimentares brasileiras). 1998.
Contrato ANP/UFBA. CD-ROM.
REFERÊNCIAS
YOUNG, C. G. K. Contribuição à análise
ANP. Plano plurianual de geologia e geofísica. estratigráfica da formação Pimenteiras
2009. Disponível em: <http://www.anp.gov.br/>. (devoniano) na borda leste da bacia do Parnaíba:
um estudo com base em sondagens. 84 f. 2003.
CRÓSTA, A. Elas são gêmeas. Jornal da Unicamp, Monografia – Instituto de Geociências, Universidade
Campinas, 3-9 maio de 2004. Disponível em: <http:// Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2003.
www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/maio2004/
ju250 pag03.html. Acesso em: 23 fev. 2007. YOUNG, C. G. K.; BORGHI, L. Corpos de arenitos
isolados: um novo modelo exploratório de reservatórios
CUNHA, F. M. B. Evolução paleozoica da bacia do nas bacias paleozoicas brasileiras. In: RIO OIL & GAS
Parnaíba e seu arcabouço tectônico. 1986. 107 f. EXPO AND CONFERENCE, 2006. Rio de Janeiro.
Dissertação (Mestrado em Ciências Geológicas) – ... Rio de Janeiro: IBP, 2006. v. 1, p. 1-8.
Anais...
44
5
RELEVO
Rogério Valença Ferreira ([email protected])
Marcelo Eduardo Dantas ([email protected])
SUMÁRIO
Introdução ........................................................................................................... 47
Domínios Geomorfológicos do Estado do Piauí.................................................... 47
Planície Costeira do Piauí .................................................................................. 48
Superfícies Aplainadas da Bacia do Rio Parnaíba
(Patamares do Rio Parnaíba)............................................................................... 49
Vale do Rio Gurgueia (Vãos do Rio Parnaíba) .................................................... 53
Chapadas do Alto Parnaíba ............................................................................... 56
Chapada da Ibiapaba ........................................................................................ 57
Chapada do Araripe .......................................................................................... 58
Chapada das Mangabeiras (Chapadas do Rio São Francisco) ............................ 59
Depressão Sertaneja .......................................................................................... 60
Alinhamentos Serranos da Depressão Sertaneja ................................................ 62
Referências ........................................................................................................... 64
RELEVO
47
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Figura 5.4 - (a) Localização da unidade Campo de Dunas no estado do Piauí; (b) campo de dunas do tipo barcanas, com formação de
laguna temporária devido à alimentação pelo lençol freático (Luís Correia, PI).
tando, com isso, a possibilidade de contaminação do len- oeste, já na área do delta homônimo, onde dominam
çol freático. Gleissolos Sálicos, cuja alta salinidade impõe sérias restri-
As Planícies Fluviomarinhas, por sua vez, correspon- ções ao uso agrícola e não-agrícola.
dem a relevos de agradação, em zona de acumulação As Planícies Fluviais representam relevos de agradação,
atual. São superfícies extremamente planas, com amplitu- em zona de acumulação atual. São superfícies sub-hori-
de de relevo nula, em ambientes mistos de interface dos zontais, constituídas de depósitos arenoargilosos a
sistemas deposicionais continentais e marinhos constituí- argiloarenosos, apresentando gradientes extremamente
dos por depósitos argiloarenosos a argilosos, com terre- suaves e convergentes em direção aos cursos d’água prin-
nos maldrenados, prolongadamente inundáveis, com pa- cipais, com terrenos imperfeitamente drenados nas planí-
drão de canais meandrantes e divagantes, sob influência cies de inundação, sendo periodicamente inundáveis e bem
das oscilações das marés ou resultantes da colmatação de drenados nos terraços. A amplitude de relevo nessas áreas
paleolagunas. Ocorrência de planícies lagunares ou fluvi- é praticamente nula, apresentando inclinação máxima de
olagunares, com vegetação de brejos, ou de ambientes 3 graus. Na planície costeira do Piauí, destaca-se o baixo
de planícies intermarés, com vegetação de mangues. curso do rio Parnaíba, na mesorregião norte, onde o rio
A vegetação de mangue tem grande importância para forma um delta de grandes proporções (o famoso delta
a bioestabilização da planície fluviomarinha e na deposi- do Parnaíba, com grande potencial geoturístico). Os solos
ção de sedimentos fluviais em suas margens. Funcionam desenvolvidos nessa unidade são do tipo Gleissolos Sálicos
como área de amortecimento dos impactos provocados e Neossolos Flúvicos, formados em terraços de deposição
pelas inundações fluviais e avanços do mar. Os manguezais aluvionar recente, referidos ao Quaternário. Esses terre-
também têm uma grande importância ecológica, por se nos estão revestidos por matas aluviais, campos de várzea
tratar de um berçário para reprodução de várias espécies e vegetação de cocais, onde predomina a carnaúba, com
de crustáceos e peixes. ocupação muito incipiente em uma região bem preserva-
Destaca-se, ainda, a ocorrência de uma sequência de da da porção leste do Delta do Parnaíba, onde se situa a
lagunas paralelas à linha de costa, representando baixos cidade de Parnaíba (Figura 5.6).
cursos de pequenos rios (tais como os rios Portinho e São
Miguel) que foram bloqueados pelos campos de dunas Superfícies Aplainadas da Bacia do Rio
gerados junto ao litoral. Parnaíba (Patamares do Rio Parnaíba)
Na pequena extensão do litoral piauiense, essas pla-
nícies ocorrem em maior concentração na parte leste, nos O Domínio das Superfícies Aplainadas da Bacia do
municípios de Luís Correia e Cajueiro da Praia (Figura 5.5), Rio Parnaíba (outrora denominada Patamares do Rio
na mesorregião norte do estado, onde os solos predomi- Parnaíba, segundo IBGE, 1995) consiste em uma vasta
nantes são do tipo Neossolos Quartzarênicos, e em me- superfície arrasada por processos de erosão generalizados
nor quantidade no município de Parnaíba, no extremo do relevo em diferentes níveis altimétricos, invariavelmente
49
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Figura 5.5 - (a) Localização da unidade Planícies Fluviomarinhas no estado do Piauí; (b) planície fluviomarinha, com vegetação
de mangue ao fundo (Cajueiro da Praia, PI).
Figura 5.6 - (a) Localização da unidade Planícies Aluviais no estado do Piauí; (b) planície aluvial do rio Igaraçu, segmento do delta do
Parnaíba, no sítio urbano de Parnaíba (PI).
em cotas baixas, entre 50 e 300 m. Esse extenso domínio pela planície costeira do Piauí; a sul, pelos compartimen-
estende-se pelo território do Maranhão e está embasado tos planálticos das chapadas do Alto Parnaíba e também
por rochas sedimentares da Bacia Sedimentar do Parnaíba, pela Depressão Sertaneja. Nessas extensas zonas topogra-
que abrange um diversificado conjunto de litologias da ficamente rebaixadas, foram instalados os principais siste-
sequência paleozoica dessa bacia sedimentar (desde os mas de drenagem do estado, como os rios Parnaíba, Longá,
sedimentos siluro-devonianos da Formação Serra Grande Poti, Canindé e Piauí, dentre outros, apresentando uma
até os sedimentos permianos da Formação Pedra de Fogo). rede de canais de padrão dendrítico a subparalelo. As pla-
Delimita-se, a leste, pelo Planalto da Ibiapaba; a norte, nícies fluviais (R1a) são pouco expressivas nesse domínio,
50
RELEVO
podendo ser identificadas, ainda que esparsamente, algu- mentares paleozoicos das formações Serra Grande, Pimen-
mas planícies mais extensas ao longo de segmento de teiras, Longá, Poti, Piauí e Pedra de Fogo, cujos solos pre-
fundos de vales dos rios Parnaíba e Poti. dominantes são Plintossolos Pétricos, Neossolos Litólicos
Esse domínio é representado, predominantemente, distróficos, Neossolos Quartzarênicos, Plintossolos Hápli-
por vastas Superfícies Aplainadas Degradadas (R3a2) (Fi- cos distróficos, Latossolos Amarelos distróficos e Argisso-
gura 5.7). Consiste em superfícies de aplainamento, sua- los Vermelho-Amarelos eutróficos, com cobertura vegetal
vemente onduladas, promovidas pelo arrasamento geral de transição do tipo Mata de Cocais (Figura 5.8), em cli-
dos terrenos e posterior retomada erosiva proporcionada ma tropical semiúmido (Aw). Nessas áreas, destaca-se tan-
pela incisão suave de uma rede de drenagem incipiente. to o extrativismo da carnaúba quanto a pecuária extensi-
Inserem-se, também, no contexto das grandes depressões va. O município de Campo Maior é representativo dessa
interplanálticas. A amplitude de relevo varia de 10 a 30 unidade.
m, com a inclinação das vertentes entre 0 a 5o. Caracteri- Os Baixos Platôs são relevos de degradação em ro-
za-se por um extenso e monótono relevo suave ondulado chas sedimentares, com superfícies ligeiramente mais ele-
sem, contudo, caracterizar um ambiente colinoso, devi- vadas que os terrenos adjacentes, francamente dissecadas
do a suas amplitudes de relevo muito baixas e longas ram- em forma de colinas tabulares. Apresentam um sistema
pas de muito baixa declividade. de drenagem constituído por uma rede de canais com
Destacam-se amplos terrenos das superfícies de baixa densidade de drenagem, que gera um relevo pouco
aplainamento que sofreram dissecação, estando, portan- dissecado de amplos topos tabulares e sulcado por vales
to, conservadas (R3a1) (Figura 5.8) e, ainda, extensas áreas encaixados com vertentes retilíneas e declivosas, resultan-
de relevos residuais – do tipo mesetas – (R3b) e baixos tes da dissecação fluvial recente. Apresenta deposição de
platôs dissecados (R2b2) (Figura 5.9), ligeiramente mais planícies aluviais restritas em vales fechados.
elevados que o piso regional das superfícies aplainadas O equilíbrio entre os processos de pedogênese e mor-
(entre 20 e 50 m). O perfil geológico-geomorfológico fogênese forma solos espessos e bem drenados, com mo-
esquemático 1, abrangendo um extenso perfil topográfi- derada suscetibilidade à erosão, em especial, os Latossolos
co entre as cidades de Recife e Teresina, com direção apro- Amarelos distróficos e os Neossolos Quartzarênicos. Em
ximada E-W (Figura 5.10), exprime os terrenos baixos e algumas áreas, ocorrem processos de laterização, notada-
aplainados desse domínio geomorfológico, que se esten- mente nos topos planos. Ocorrências erosivas esporádicas,
de até a cidade de Teresina. restritas a processos de erosão laminar ou linear acelerada
Ao longo das superfícies aplainadas da Bacia Sedi- (ravinas e voçorocas). A amplitude de relevo nesse compar-
mentar do Parnaíba, suas feições conservadas (ou seja, timento varia de 20 a 50 m, com topos planos a suave-
não sofreram posterior retomada erosiva e reafeiçoamen- mente ondulados, com declividade entre 2o a 5o, com ex-
to do relevo) concentram-se nas mesorregiões Norte e ceção dos eixos dos vales fluviais, onde se registram verten-
Centro-Norte, onde estão concentradas em terrenos sedi- tes com declividades mais acentuadas (10o-25o).
Figura 5.7 - (a) Localização da unidade Superfícies Aplainadas Degradadas no estado do Piauí;
(b) superfície aplainada com dissecação por ação fluvial (Canto do Buriti, PI).
51
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Figura 5.8 - (a) Localização da unidade Superfícies Aplainadas Conservadas no estado do Piauí;
(b) superfície de aplainamento conservada com mata de cocais (Campo Maior, PI).
Figura 5.9 - (a) Localização da unidade Baixos Platôs Dissecados no estado do Piauí;
(b) superfície dos baixos platôs dissecados (Itaueira, PI).
52
RELEVO
Os Baixos Platôs estão assentados em arenitos e de- dos, bem drenados e de baixa fertilidade natural, com ocu-
pósitos colúvio-eluviais da Bacia Sedimentar do Parnaíba, pação agropastoril. Já no município de Cocal, estão sobre
com predominância de Latossolos e Neossolos Quartzarê- depósitos colúvio-eluviais, em Neossolos Quartzarênicos,
nicos. Devido à presença dos Latossolos, essas áreas são de baixa fertilidade, com ocupação agrícola.
adequadas para o uso agrícola. Esse domínio é o de maior extensão territorial no es-
Próximo ao litoral, na Mesorregião Norte, as rochas tado do Piauí. Está bem distribuído nas mesorregiões Nor-
sedimentares da Bacia do Parnaíba estão recobertas por te, Centro e Sudeste, resultado do arrasamento das mais
rochas sedimentares pouco litificadas de idade terciária diversas litologias da Bacia Sedimentar do Parnaíba, sob
do Grupo Barreiras, sobre Argissolos Vermelho-Amarelos predomínio dos climas de tipo tropical semiúmido (Aw) e
distróficos, Latossolos Amarelos distróficos e Neossolos tropical semiárido (Bsh).
Quartzarênicos, gerando padrões de relevo do tipo Tabu- No Domínio das Superfícies Aplainadas da Bacia do
leiros Dissecados ou não (R2a2 e R2a1). Rio Parnaíba, estão situadas algumas das principais cida-
Os Tabuleiros Dissecados são relevos de degradação des do estado, tais como: Floriano, Piripiri, Campo Maior,
em rochas sedimentares, com formas de relevo tabulares, Amarante, Oeiras e Picos, incluindo a sua capital – Teresina.
dissecadas por uma rede de canais com moderada densida-
de de drenagem, apresentando relevo movimentado de Vale do Rio Gurgueia (Vãos do Rio Parnaíba)
colinas com topos tabulares ou alongados e vertentes
retilíneas e declivosas nos vales encaixados, resultantes da O vale do rio Gurgueia, situado no sudoeste do esta-
dissecação fluvial recente. Predominam os processos de do do Piauí, consiste em uma ampla forma erosiva resul-
pedogênese (formação de solos espessos e bem drenados, tante de processos de entalhamento fluvial e notável alar-
em geral, com baixa a moderada suscetibilidade à erosão), gamento das vertentes do vale via recuo erosivo de suas
tendo ocorrência de processos de erosão laminar ou linear encostas. Essa unidade de relevo caracteriza-se, portanto,
acelerada (sulcos e ravinas). A amplitude de relevo varia de por ser um extenso vale encaixado e reafeiçoado por ero-
20 a 50 m, com inclinação das vertentes variando de 0o-3o. são regressiva em meio às chapadas do Alto Parnaíba (Pla-
No estado do Piauí, os Tabuleiros Dissecados se desenvol- nalto de Uruçuí, a oeste; Planalto das Confusões, a leste),
vem em Argissolos Vermelho-Amarelos, estando concen- apresentando direção aproximada SSW-NNE e um desni-
trados na Mesorregião Norte do estado, principalmente na velamento total em torno de 200 a 350 m. O piso regio-
zona costeira, onde muitas vezes estão sotopostos aos Cam- nal do vale do Gurgueia é dominado por relevo suave
pos de Dunas, a exemplo do município de Luís Correia ondulado das Superfícies Aplainadas Degradadas (R3a2),
(Figura 5.11). Os tabuleiros não dissecados são encontra- sendo ladeadas por curtos e abruptos escarpamentos e
dos nos municípios de Esperantina (Figura 5.12) e Nossa rebordos erosivos (R4e) (Figura 5.13) que distingue a su-
Senhora dos Remédios, com Latossolos Amarelos profun- perfície rebaixada do vale do rio Gurgueia das superfícies
53
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Figura 5.12 - (a) Localização da unidade Tabuleiros no estado do Piauí; (b) superfície dos tabuleiros (Esperantina, PI).
Figura 5.13 - (a) Localização da unidade Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos no estado do Piauí; (b) rebordo erosivo do planalto de
Uruçuí em contato com superfície de aplainamento do vale do Gurgueia (Palmeira do Piauí, PI).
elevadas das chapadas circunvizinhas (R2b3). O rio Gurgueia O vale do rio Gurgueia posiciona-se, portanto, em
constitui um dos mais importantes afluentes do rio Parnaíba, uma alongada depressão interplanáltica, na faixa de tran-
apresentando extensa planície aluvionar (R1a), com intenso sição do Domínio das Caatingas, com clima tropical se-
aproveitamento agrícola em um ambiente de cerrado com miárido (no alto curso da bacia) para o Domínio dos Cer-
elementos de transição para caatinga. O perfil geológico-ge- rados, com clima tropical semiúmido (no médio-baixo
omorfológico esquemático 2, abrangendo um perfil topo- curso da bacia). Os fundos de vales revestem-se de matas
gráfico entre as cidades piauienses de São Raimundo Nonato ciliares, onde predomina a carnaúba, com ocupação pre-
e Ribeiro Gonçalves, com direção aproximada SE-NW (Figura dominante de atividades agropecuárias, em pequenas e
5.14), exprime o vale aprofundado dessa unidade geomorfo- médias propriedades. Nessa área, a planície fluvial reves-
lógica em meio às chapadas circundantes. te-se de grande importância econômica, em função da
54
RELEVO
fertilidade de seus solos e da disponibilidade hídrica (Fi- Tanto ao longo das superfícies aplainadas do fundo
gura 5.15). Todavia, a calha do rio encontra-se assorea- de vale alargado do vale do Gurgueia, quanto nos rebor-
da, devido, possivelmente, à entrada de uma intensa carga dos erosivos que o delimitam, aflora uma sequência de
de sedimentos proveniente da erosão generalizada (ero- idades devoniana a carbonífera composta por arenitos,
são laminar e linear acelerada e retirada completa da folhelhos e siltitos das formações Cabeças, Longá, Poti e
cobertura vegetal) na bacia de drenagem. Esse input de Piauí. Destaca-se um espetacular potencial hidrogeológi-
sedimentos ocorre nas áreas em processo de desertifica- co no fundo do vale do rio Gurgueia, cujo aproveitamen-
ção de Gilbués e Monte Alegre, estas localizadas no alto to atual restringe-se a uma série de poços tubulares e arte-
curso da bacia do rio Gurgueia. É de se destacar nessa sianos com uma rede de irrigação ainda incipiente. Desta-
área o afloramento de siltitos e arenitos da Formação ca-se, nesse contexto, o poço Violeto, perfurado no início
Areado, que geram solos expansivos, onde se formam da década de 1970 e que, até o presente, apresenta-se
Luvissolos Crômicos com alta suscetibilidade à erosão como um poço jorrante.
que, em consequência da antiga atividade de mineração Predominam solos espessos com terrenos de baixa
e retirada da vegetação nativa, sofre processo de deserti- declividade nas superfícies aplainadas: Latossolos Amare-
ficação. los distróficos e, subordinadamente, Neossolos Quartza-
Figura 5.14 - Perfil geológico-geomorfológico esquemático do transect rio Parnaíba-São Raimundo Nonato (PI).
55
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
rênicos e Plintossolos Pétricos; nos rebordos erosivos, pre- Nos planaltos, predominam os processos de pedogê-
dominam Neossolos Litólicos e Afloramentos de Rocha; nese (formação de solos espessos e bem drenados, em
na planície aluvial do rio Gurgueia predominam Neosso- geral, com baixa a moderada suscetibilidade à erosão).
los Flúvicos eutróficos e Cambissolos eutróficos, com ocor- Eventualmente, são encontrados nos topos desses relevos
rência de argilas de atividade alta. A planície fluvial do rio processos de laterização resultantes da alternância de pe-
Gurgueia apresenta, portanto, solos de boa fertilidade ríodos úmidos e secos. Apresentam ocorrências erosivas
natural que, associados à disponibilidade hídrica subterrâ- esporádicas, restritas a processos de erosão laminar ou
nea, representam uma área de grande potencial agrícola. linear acelerada (ravinas e voçorocas).
As cidades de Eliseu Martins, Colônia do Gurgueia, Cristi- Os Vales Encaixados, por sua vez, são relevos de de-
no Castro, Bom Jesus e Redenção do Gurgueia dominam gradação de morfologia acidentada, constituídos por ver-
o vale do Gurgueia. tentes predominantemente retilíneas a côncavas, fortemen-
te sulcadas, declivosas, com sedimentação de colúvios e
Chapadas do Alto Parnaíba depósitos de tálus. A amplitude de relevo varia de 100 a
300 m, com inclinação das vertentes de 10o a 25o, com
As Chapadas do Alto Parnaíba, seguindo denomina- ocorrência de vertentes muito declivosas (acima de 45o)
ção proposta por IBGE (1995), localizam-se no centro-sul (Figura 5.16).
do estado do Piauí e consistem de vastas superfícies O sistema de drenagem principal se encontra em fran-
planálticas (R2b3) alçadas em cotas que variam entre 400 co processo de entalhamento. Consistem de feições de rele-
e 700 m de altitude e levemente adernadas para norte, vo fortemente entalhadas pela incisão vertical da drenagem,
sendo profundamente entalhadas por uma rede de vales formando vales encaixados e incisos sobre planaltos e
encaixados (R4f). O perfil geológico-geomorfológico chapadas, estes, em geral, pouco dissecados. Assim como
esquemático 2, abrangendo um perfil topográfico entre as escarpas e os rebordos erosivos, os vales encaixados apre-
as cidades piauienses de São Raimundo Nonato e Ribeiro sentam quebras de relevo abruptas em contraste com o rele-
Gonçalves, com direção aproximada SE-NW (Figura 5.14) vo plano adjacente. Em geral, essas formas de relevo indi-
exprime os terrenos planos e elevados e sulcados por vales cam uma retomada erosiva recente em processo de reajuste
encaixados dos planaltos de Uruçuí e das Confusões, em em nível de base regional. Franco predomínio de processos
meio às superfícies rebaixadas adjacentes circundantes. de morfogênese (formação de solos rasos, em geral, com
Esses planaltos, relevos de degradação em rochas alta suscetibilidade à erosão). Atuação frequente de proces-
sedimentares, são superfícies mais elevadas que os terre- sos de erosão laminar e de movimentos de massa, com de-
nos adjacentes, apresentando formas tabulares, com in- pósitos de tálus e de colúvios nas baixas vertentes.
clinação de 2o a 5o e amplitude de relevo de 20 a 50 m, Esses relevos planálticos estão assentados em arenitos
excetuando-se os eixos dos vales fluviais. e depósitos colúvio-eluviais da Bacia Sedimentar do
56
RELEVO
Parnaíba, com predominância nos topos de Latossolos e planalto dissecada em forma de um degrau litoestrutural
cobertura vegetal de cerrados, com algumas faixas de ve- que delimita o contato entre a Bacia Sedimentar do Parna-
getação de caatinga. íba e o embasamento cristalino da Depressão Sertaneja,
No estado do Piauí, são individualizados dois exten- perfazendo desnivelamentos entre 200 e 300 m.
sos planaltos no domínio das Chapadas do Alto Parnaíba: No topo do planalto, afloram apenas coberturas elúvio-
Uruçuí e das Confusões. coluviais. Nos vales encaixados, afloram as rochas do Gru-
O Planalto de Uruçuí (Figura 5.17) situa-se entre os po Cabeças. No escarpamento voltado para sul, por sua
rios Parnaíba e Gurgueia e caracteriza-se por uma extensa vez, aflora uma expressiva sequência sedimentar da Bacia
superfície plana e elevada, recoberta por cerrados e sulca- do Parnaíba de idade siluro-devoniana, composta predomi-
da pelos vales encaixados dos rios Uruçuí Preto e Parnaíba nantemente por rochas areníticas pertencentes às forma-
e suas respectivas redes tributárias, além dos riachos da ções Serra Grande, Pimenteiras e Cabeças. Esse degrau
Prata e Esfolado. litoestrutural pode ser visualizado a partir das cidades de
No topo do planalto, afloram arenitos, folhelhos e Morro Cabeça no Tempo, Caracol e São Brás do Piauí.
siltitos das formações Piauí e Pedra de Fogo. Já nos vales Assim como no Planalto de Uruçuí, predominam so-
encaixados afloram, exclusivamente, os sedimentos da los espessos em terrenos de baixa declividade nos planal-
Formação Piauí. Predominam solos espessos em terrenos tos: Latossolos Amarelos distróficos e, subordinadamente,
de baixa declividade nos planaltos: Latossolos Amarelos Neossolos Quartzarênicos e Argissolos Vermelho-Amare-
distróficos e, subordinadamente, Neossolos Quartzarêni- los distróficos.
cos e Argissolos Vermelho-Amarelos distróficos. As áreas planálticas aqui descritas estão virtualmente
A ocupação agrícola vem se intensificando nessas áreas preservadas, apresentando ocupação muito incipiente. As
planálticas, principalmente no entorno da cidade de Uruçuí, formas de relevo peculiares de grande beleza cênica gera-
onde o cultivo da soja está bastante consolidado em gran- das pelos processos de erosão fluvial nos vales encaixados
de extensão territorial. Destacam-se também, nessa uni- e o sítio arqueológico do Parque Nacional da Serra da
dade, as cidades de Bertolínia e Ribeiro Gonçalves. Capivara conferem a essa unidade um grande potencial
O Planalto das Confusões, por sua vez, situa-se entre geoturístico e requerem maior atenção na preservação
os rios Gurgueia e Piauí e caracteriza-se, também, por ex- desse patrimônio natural.
tensa superfície plana e elevada recoberta por cerrados, sen-
do que as áreas aplainadas adjacentes são recobertas por Chapada da Ibiapaba
vegetação de caatinga, como se observa no entorno das
cidades de Canto do Buriti e São João do Piauí. Esse planal- A Chapada da Ibiapaba, denominada pelo IBGE
to também é escavado por vales encaixados e apresenta, (1995), de forma genérica, como Planalto da Ibiapaba,
no limite sul-sudeste, uma importante feição de borda de compreende um conjunto de platôs (R2c) e planaltos mais
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GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
rebaixados (R2b3), com características residuais, loca- mais para oeste, em meio à Superfície Aplainada da Ba-
lizados na porção leste do estado do Piauí. Essas super- cia Sedimentar do Parnaíba. Apresenta um formato oval
fícies elevadas estão alçadas em altitudes superiores a e está isolado do Planalto da Ibiapaba por um vão de
400 m, podendo atingir cotas entre 800 e 900 m no direção norte-sul, onde estão assentadas as cidades de
topo do Platô da Ibiapaba, na divisa com o Ceará. O Pimenteiras, São José do Piauí e Picos. Caracteriza-se por
conjunto de planaltos da Chapada do Ibiapaba apre- uma superfície elevada de relevo ondulado e, assim como
senta superfícies suavemente basculadas para oeste, com o planalto principal, está levemente adernada para oes-
um progressivo decréscimo de altitude até convergir te, sendo que os topos mais elevados superam os 550 m
com o piso das Superfícies Aplainadas da Bacia do de altitude. Nessa unidade, afloram os arenitos da For-
Parnaíba. A vertente leste, por sua vez, voltada para o mação Cabeças, de idade devoniana, em parte recober-
estado do Ceará, apresenta um relevo acidentado, típi- tos por coberturas elúvio-coluviais mais recentes. Predo-
co de uma escarpa erosiva, como a observada na Gruta minam solos espessos e bem drenados: Latossolos Ver-
de Ubajara, no Ceará. melho-Amarelos distróficos e Neossolos Quartzarênicos
Esses relevos planálticos estão assentados em areni- e, subordinadamente, Plintossolos Pétricos. Destacam-
tos da porção basal da Bacia Sedimentar do Parnaíba, que se, nessa unidade, as cidades de Inhumas e Ipiranga do
afloram apenas no limite oriental da bacia sedimentar com Piauí.
o embasamento ígneo-metamórfico da Faixa de Dobra- O Planalto de Pedro II consiste em um planalto resi-
mentos do Nordeste, já em território cearense. Ocorre pre- dual de pequenas dimensões, isolado do Planalto da Ibia-
domínio, nos topos, de Latossolos e de cobertura vegetal paba e localizado em meio à Superfície Aplainada da Ba-
de cerrados. A vertente voltada para o Ceará, por sua vez, cia Sedimentar do Parnaíba, mais a norte em relação ao
representa um reduto florestal de Mata Atlântica, associ- Planalto de Inhumas. Caracteriza-se como uma superfície
ando, localmente, um clima mais úmido com chuvas oro- plana e elevada, com um relevo escarpado (R4d) (Figura
gráficas. 5.18) voltado para norte em direção à superfície de Piripi-
Na Chapada da Ibiapaba, distinguem-se três unidades ri, atingindo desnivelamentos totais superiores a 500 m,
planálticas individualizadas: Planalto da Ibiapaba propria- na área conhecida como Mirante do Gritador. O topo do
mente dito; Planalto de Inhumas e Planalto de Pedro II. planalto atinge cotas entre 600 e 750 m e está sustentado
O Planalto da Ibiapaba representa uma superfície ci- por arenitos da Formação Cabeças, de idade devoniana.
meira, em escala regional. Situa-se na divisa leste do esta- Predominam solos espessos e bem drenados: Latossolos
do do Piauí com o estado do Ceará, representando o re- Vermelho-Amarelos distróficos e Neossolos Quartzarêni-
bordo oriental da Bacia Sedimentar do Parnaíba. Caracte- cos, com ocorrência de Neossolos Litólicos associados às
riza-se por uma extensa superfície plana e elevada, leve- áreas de escarpas. Destaca-se, nessa unidade, a cidade de
mente adernada para oeste, sendo que os topos mais ele- Pedro II com forte apelo turístico.
vados superam os 800 m de altitude. Em consequência,
toda a rede de canais que drena esse planalto segue para Chapada do Araripe
oeste, alimentando a rede de tributários do rio Parnaíba
(em especial, a sub-bacia do rio Poti). A Chapada do Araripe representa uma vasta superfí-
O perfil geológico-geomorfológico esquemático 1, cie cimeira que abrange os estados do Ceará, Pernambu-
abrangendo um extenso perfil topográfico entre as cida- co e Piauí; todavia, ocupa uma exígua área no estado do
des de Recife e Teresina, com direção aproximada E-W Piauí, que corresponde à extremidade ocidental dessa uni-
(Figura 5.10), exprime os terrenos planos e elevados com dade geomorfológica. Consiste em um vasto platô (R2c)
caimento para oeste dessa unidade geomorfológica, situ- alçado em cotas que variam entre 800 e 850 m de altitu-
ada na divisa entre os estados do Piauí e Ceará. de, sendo abruptamente delimitado em todos os flancos
Esse planalto está recoberto por vegetação nativa, por escarpas erosivas (R4d) com desnivelamentos totais
mas com um crescente avanço da fronteira agrícola. Nes- sempre superiores a 300 m. As áreas aplainadas situadas a
sa unidade afloram os arenitos e conglomerados da For- oeste do flanco ocidental da Chapada do Araripe, no esta-
mação Serra Grande, de idade siluriana, que corresponde do do Piauí, estão inseridas na Depressão Sertaneja, mo-
à base da Bacia Sedimentar do Parnaíba. Predominam so- delada em rochas do embasamento ígneo-metamórfico
los espessos e bem drenados: Latossolos Vermelho-Ama- de idade pré-cambriana.
relos distróficos e Neossolos Quartzarênicos e, subordina- As chapadas e platôs são relevos de degradação em
damente, Neossolos Litólicos. A ocupação agrícola vem rochas sedimentares, com superfícies tabulares alçadas,
se intensificando nessas áreas planálticas, principalmente ou relevos soerguidos, com topos planos ou aplainados,
relacionadas à agricultura de subsistência. Destacam-se, pouco dissecados, cuja amplitude altimétrica varia de 0 a
nessa unidade, as cidades de Pio IX, Assunção do Piauí e 20 m. Os rebordos dessas superfícies, posicionados em
Buriti dos Montes. cotas elevadas, são delimitados, em geral, por vertentes
O Planalto de Inhumas, por sua vez, representa um íngremes a escarpadas. Representam superfícies cimeiras
fragmento destacado do Planalto da Ibiapaba, localizado regionais onde predominam processos de pedogênese (for-
58
RELEVO
mação de solos espessos e bem drenados, em geral, com tam vertentes com paredões rochosos abruptos e disseca-
baixa a moderada suscetibilidade à erosão), com frequen- dos por uma rede de canais que confere um aspecto
te atuação de processos de laterização. Os processos de festonado à escarpa, devido ao recuo erosivo diferencial.
morfogênese mais significativos nesses relevos ocorrem Essas escarpas estão invariavelmente voltadas para norte,
nos rebordos das escarpas erosivas, via recuo lateral das em direção à Depressão Sertaneja no estado do Piauí, onde
vertentes. Apresentam ocorrências erosivas esporádicas, estão situadas as cidades de Barreiras do Piauí, Corrente e
restritas a processos de erosão laminar ou linear acelerada Cristalândia do Piauí, apresentando desnivelamentos to-
(ravinas e voçorocas). tais superiores a 300 m (Figura 5.19). Nessa área, a De-
Essa restrita porção do platô da Chapada do Araripe pressão Sertaneja encontra-se esculpida tanto em rochas
está sustentada por arenitos cretácicos da Formação Exu. sedimentares das bacias do São Francisco e do Parnaíba
As escarpas erosivas da vertente oeste da chapada, por quanto em rochas ígneo-metamórficas do embasamento
sua vez, apresentam, no topo, rochas carbonáticas (calci- cristalino.
lutitos e margas) cretácicas da Formação Santana e, na As Escarpas Serranas são relevos de degradação em
base, o embasamento ígneo-metamórfico da Faixa de qualquer litologia, com morfologia muito acidentada,
Dobramentos do Nordeste. Ocorre um predomínio, nos composta por vertentes predominantemente retilíneas a
topos, de Latossolos Vermelho-Amarelos distróficos, em côncavas, escarpadas e topos de cristas alinhadas, com
clima semiárido com vegetação de caatinga. Nas escarpas amplitude de relevo acima de 300 m e inclinação das
serranas, por sua vez, predominam Neossolos Litólicos. vertentes de 25o a 45o, com ocorrência de paredões rocho-
sos subverticais (60o a 90o), aguçados ou levemente arre-
Chapada das Mangabeiras dondados, com sedimentação de colúvios e depósitos de
(Chapadas do Rio São Francisco) tálus. O sistema de drenagem principal se apresenta em
franco processo de entalhamento. Representam um rele-
A Chapada das Mangabeiras representa uma extensa vo de transição entre duas superfícies distintas alçadas a
superfície cimeira, regionalmente denominada Espigão diferentes cotas altimétricas. Há predomínio, nessas uni-
Mestre, que abrange os estados da Bahia, Tocantins, dades, de processos de morfogênese (formação de solos
Maranhão e Piauí, correspondente à Bacia Sedimentar do rasos em terrenos muito acidentados, em geral, com alta
São Francisco. Esse vasto planalto ocupa uma exígua área suscetibilidade à erosão). É muito frequente a atuação de
no estado do Piauí, que corresponde à extremidade seten- processos de erosão laminar e de movimentos de massa,
trional dessa unidade geomorfológica. Consiste em um com a geração de depósitos de tálus e de colúvios nas
vasto platô (R2c) alçado em cotas que variam entre 750 e baixas vertentes.
800 m de altitude, sendo abruptamente delimitado por Essa restrita porção do platô do Espigão Mestre, as-
escarpas erosivas (R4d). Essas escarpas serranas apresen- sim como as escarpas erosivas, está sustentada por arenitos
59
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
e conglomerados cretácicos do Grupo Urucuia. Há predo- rismo e à erosão de determinadas litologias (em especi-
mínio, nos topos, de Latossolos Amarelos distróficos, em al, rochas graníticas ou quartzíticas) frente ao conjunto
clima tropical semiúmido (Aw) e vegetação de cerrado. de litologias aflorantes em determinada região (Figura
Nas escarpas serranas, por sua vez, predominam Neossolos 5.20).
Litólicos. Destacam-se, ainda, coberturas extensivas de depósi-
tos detrito-lateríticos de idade neógena, capeando as su-
Depressão Sertaneja perfícies aplainadas da Depressão Sertaneja. Essas cober-
turas, quando dissecadas por processos de incisão fluvial
A Depressão Sertaneja aqui proposta, seguindo a litera- recentes, geram formas de relevo similares a tabuleiros
tura geral (AB’SABER, 1969), engloba duas denominações (R2a1). Estes são relevos de degradação com formas su-
distintas do IBGE (1995): Depressão do Médio-Baixo Rio São avemente dissecadas (inclinação de 0o-3o e amplitude de
Francisco, modelada sobre rochas cristalinas; Rampas das relevo de 20 a 50 m) em rochas sedimentares, com exten-
Cabeceiras do Rio Parnaíba, modeladas sobre rochas sedi- sas superfícies de gradientes extremamente suaves, com
mentares. Esse domínio geomorfológico apresenta-se como topos planos e alongados e vertentes retilíneas nos vales
uma depressão periférica em relação aos planaltos da Bacia encaixados em forma de “U”, resultantes da dissecação
Sedimentar do Parnaíba e compreende um diversificado con- fluvial recente. Predominam nesses compartimentos os
junto de padrões de relevo com amplo predomínio de super- processos de pedogênese (formação de solos espessos e
fícies aplainadas com relevo levemente ondulado (R3a2) re- bem drenados, em geral, com baixa a moderada susceti-
sultante de processos de arrasamento generalizado do relevo bilidade à erosão), com ocorrências esporádicas, restritas
sobre diversos tipos de litologias. Essas vastas superfícies aplai- a processos de erosão laminar ou linear acelerada (sulcos
nadas encontram-se pontilhadas por inselbergs (R3b) e pe- e ravinas).
quenos platôs isolados (R2c), como os observados entre as O piso da Depressão Sertaneja está posicionado em
cidades de Gilbués e Corrente. cotas entre 300 e 500 m, apresentando elevações residu-
Os inselbergs são relevos residuais isolados, desta- ais que podem atingir cotas elevadas, em especial, as si-
cados na paisagem aplainada, remanescentes do arrasa- tuadas nas divisas com os estados de Pernambuco e da
mento geral dos terrenos. Apresentam amplitude de rele- Bahia. O perfil geológico-geomorfológico esquemático 2,
vo de 50 a 500 m, com inclinação das vertentes de 25o a abrangendo um perfil topográfico entre as cidades piaui-
45o, apresentando ocorrência de paredões rochosos sub- enses de São Raimundo Nonato e Ribeiro Gonçalves, com
verticais (60o a 90o). Os inselbergs elevam-se, em muitos direção aproximada SE-NW (Figura 5.14) exprime a super-
casos, a centenas de metros acima do piso da superfície fície baixa desse domínio geomorfológico, estando rebai-
regional. Em parte, essas formas de relevo residual são xado em relação ao Planalto das Confusões por meio de
originadas a partir da resistência diferencial ao intempe- um imponente degrau litoestrutural.
60
RELEVO
Figura 5.20 - (a) Localização da unidade Inselbergs e outros relevos residuais no estado do Piauí;
(b) relevo residual em arenitos da formação Serra Grande (Curimatá, PI).
A Depressão Sertaneja está assentada tanto sobre ro- vidade pecuária e zona de passagem entre o oeste da Bahia
chas sedimentares das bacias do São Francisco e do Par- e Teresina. Nessa unidade, aflora grande diversidade de
naíba quanto do embasamento ígneo-metamórfico pré- unidades litológicas, sendo que todas foram arrasadas em
cambriano da Faixa de Dobramentos do Nordeste (mais um mesmo nível de base, destacando-se:
especificamente, a Faixa de Dobramentos Rio Preto, próxi- - a oeste: arenitos, siltitos e conglomerados de idade cre-
ma ao contato com o Cráton do São Francisco). Ocorre tácica (formações Urucuia e Areado) da Bacia do São Fran-
predomínio de um conjunto de solos pouco espessos, com cisco. Sobre os siltitos e arenitos finos da Formação Area-
fertilidade natural baixa a alta, em um ambiente de ação do desenvolve-se, em superfície aplainada degradada
dominante de processos de intemperismo físico em um (R3a2), uma das maiores áreas de desertificação do país,
clima tropical semiárido (Bsh), com ocorrência de vegeta- englobando extensas áreas dos municípios de Gilbués (Fi-
ção de caatinga hiperxerófita. gura 5.21) e Monte Alegre do Piauí;
Nessa depressão individualizam-se duas unidades, aqui - dominando toda a depressão: os arenitos, argilitos, fo-
propostas: Depressão de Parnaguá, situada mais a sudo- lhelhos e siltitos de uma extensa sequência sedimentar da
este; Depressão de São Raimundo Nonato, situada mais a Bacia do Parnaíba que se estende do Siluriano (Formação
sudeste. Serra Grande) ao Triássico (Formação Sambaíba);
A Depressão de Parnaguá abrange os altos dos rios - ocupando os fundos de vales da cabeceiras de tributários
Gurgueia e Parnaíba e localiza-se no extremo sudoeste do rio Gurgueia, na porção centro-leste da depressão, aflo-
do Piauí, junto às divisas com os estados da Bahia, To- ram gnaisses bandados de idade arqueana do Complexo
cantins e Maranhão. Essa unidade está delimitada, a Cristalândia do Piauí e xistos e quartzitos de idade meso-
norte, pelo Planalto de Uruçuí e, a sul, pela escarpa da proterozoica do Grupo Rio Preto.
Chapada das Mangabeiras. Caracteriza-se por vasta su- Predominam solos pouco espessos e de moderada a
perfície de aplainamento com ocorrência de esparsos boa fertilidade natural, tais como: Luvissolos Crômicos,
inselbergs e alguns platôs isolados, que representam Argissolos Vermelhos eutróficos, Argissolos Vermelho-
morros-testemunhos resultantes do recuo das escarpas Amarelos eutróficos e Chernossolos Argilúvicos; solos de
erosivas da Chapada das Mangabeiras, a sul-sudoeste; e baixa fertilidade natural, tais como: Latossolos Amarelos
do degrau litoestrutural da serra das Confusões, a norte- distróficos, Neossolos Quartzarênicos e Argissolos Verme-
nordeste. Expressivas áreas de tabuleiros recobertas por lho-Amarelos distróficos. Destacam-se, nessa unidade, as
coberturas detrito-lateríticas afloram nos altos cursos das cidades de Gilbués, Corrente, Cristalândia do Piauí, Parna-
bacias dos rios Paraim e Curimatá, ambos afluentes do guá, Curimatá e Morro Cabeça no Tempo.
rio Gurgueia. A Depressão de São Raimundo Nonato, por sua vez,
Essa superfície está recoberta por vegetação transici- abrange os altos dos rios Piauí, Canindé, Itaim e Guaribas,
onal entre Cerrado e Caatinga, em área de tradicional ati- todos afluentes do rio Parnaíba. Localiza-se no extremo
61
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Figura 5.21 - (a) Localização da unidade Superfícies Aplainadas Degradadas no estado do Piauí;
(b) superfície aplainada degradada em processo de desertificação com ravinas e voçorocas (Gilbués, PI).
sudeste do Piauí, junto às divisas com os estados da Bahia tossolos Amarelos distróficos, estes de baixa fertilidade
e Pernambuco. É delimitada, a norte, pelo Planalto das natural. Destacam-se, nessa unidade, as cidades de Cara-
Confusões e pela superfície aplainada da Bacia Sedimen- col, São Raimundo Nonato, Capitão Gervásio de Oliveira,
tar do Parnaíba; a sul, por alinhamentos serranos da pró- Paulistana e Patos do Piauí, dentre as principais.
pria Depressão Sertaneja. Caracteriza-se por uma superfí-
cie de aplainamento de formato alongado na direção WSW- Alinhamentos Serranos da Depressão
ENE, comportando-se como uma depressão periférica em Sertaneja
relação às chapadas da Bacia Sedimentar do Parnaíba. Essa
superfície está pontilhada de inselbergs, supostamente Os Alinhamentos Serranos da Depressão Sertaneja,
associados a litologias mais resistentes do substrato pré- uma denominação aqui proposta, consistem em um con-
cambriano e que resistiram aos processos de erosão e aplai- junto de formas de relevo acidentadas que abrangem duas
namento generalizado a que essa região foi submetida. denominações distintas conforme IBGE (1995): Planalto
Expressivas áreas de tabuleiros recobertas por coberturas da Tabatinga e Patamar Sertanejo. Esse domínio geomor-
detrito-lateríticas são também aqui encontradas, em espe- fológico apresenta-se como um divisor de drenagem en-
cial, nas cercanias da cidade de Capitão Gervásio de Oli- tre as bacias hidrográficas dos rios Parnaíba e São Francis-
veira. co, sendo regionalmente descrito na paisagem geomorfo-
Essa superfície está recoberta por vegetação de caa- lógica como serra da Tabatinga e serra de Dois Irmãos,
tinga em marcado clima tropical semiárido (Bsh), em área perfazendo as divisas entre os estados do Piauí com Bahia
de pecuária extensiva. Nessa unidade afloram, exclusiva- e Pernambuco. Esse relevo serrano compreende um diver-
mente, litologias do embasamento ígneo-metamórfico, sificado conjunto de padrões de relevo com predomínio
caracterizando-se por dois conjuntos principais: o primei- de colinas dissecadas (R4a2), pequenas cristas (R4b) e
ro, de rochas metamórficas de idades arqueana e paleo- esparsas superfícies planálticas (R2b3) recobertas por co-
proterozoica, tais como migmatitos, ortognaisses e meta- berturas detrito-lateríticas e delimitadas por curtos rebor-
granitos do Complexo Sobradinho-Remanso; xistos e quart- dos erosivos (R4e).
zitos do Grupo Ipueirinha; o segundo, composto por ro- O Domínio de Colinas Dissecadas representa rele-
chas metassedimentares e plútons, tais como filitos, már- vos de degradação em qualquer litologia, com colinas
mores, xistos e quartzitos da Formação Barra Bonita e di- dissecadas, vertentes convexo-côncavas e topos arredon-
oritos, granodioritos e monzonitos da Suíte Intrusiva Ita- dados ou aguçados, com amplitude de relevo variando
poranga. de 30 a 80 m e inclinação das vertentes de 5o a 20o.
Predominam solos pouco espessos e de moderada a Possui um sistema de drenagem principal com deposi-
boa fertilidade natural, tais como: Argissolos Vermelho- ção de planícies aluviais restritas ou em vales fechados.
Amarelos eutróficos e Luvissolos Crômicos, além de La- Apresenta equilíbrio entre processos de pedogênese e
62
RELEVO
morfogênese, com atuação frequente de processos de erosivos. Essa unidade está posicionada em cotas entre
erosão laminar e ocorrência esporádica de processos de 500 e 700 m.
erosão linear acelerada (sulcos, ravinas e voçorocas). É Nessa unidade, afloram ortognaisses miloníticos de
frequente a geração de rampas de colúvio nas baixas idade arqueana do Complexo Cristalândia do Piauí e xistos
vertentes (Figura 5.22). e quartzitos de idade mesoproterozoica do Grupo Rio Pre-
O Domínio de Morros e Serras Baixas, por sua vez, to, com predomínio de solos espessos nos topos desses
consiste em morros convexo-côncavos dissecados e topos exíguos planaltos, tais como Latossolos Amarelos distrófi-
arredondados ou aguçados em cristas, com amplitude de cos e Argissolos Vermelho-Amarelos eutróficos. As locali-
relevo variando de 80 a 200 m, podendo apresentar des- dades de Sebastião Barros, Júlio Borges e Avelino Lopes
nivelamentos de até 300 m e inclinação das vertentes de situam-se no sopé dessa unidade geomorfológica.
15o a 35o. O sistema de drenagem principal é constituído A serra de Dois Irmãos, por sua vez, é drenada pelas
por restritas planícies aluviais. Predominam processos de cabeceiras de drenagem das bacias dos rios Piauí e Canin-
morfogênese, com formação de solos pouco espessos em dé, afluentes do rio Parnaíba no extremo sudeste do Piauí,
terrenos declivosos, em geral, com moderada a alta sus- junto à divisa com os estados da Bahia e Pernambuco. Ao
cetibilidade à erosão. Nesse domínio, é frequente a atua- norte dessa unidade geomorfológica estendem-se as su-
ção de processos de erosão laminar e linear acelerada (sul- perfícies aplainadas da Depressão Sertaneja, que se carac-
cos e ravinas) e ocorrência esporádica de processos de terizam por terrenos acidentados, constituídos por colinas
movimentos de massa. Ocorre, também, a geração de dissecadas e cristas baixas, posicionados em cotas entre
colúvios e, subordinadamente, depósitos de tálus nas bai- 450 e 700 m.
xas vertentes (Figura 5.23). Nessa unidade, aflora um conjunto muito diversifica-
Os Alinhamentos Serranos da Depressão Sertaneja são do de litologia com idades que variam desde o Arqueano
individualizados em duas unidades: Planalto da Tabatin- até o Neoproterozoico, entretanto, com nítido predomí-
ga, situado mais a sudoeste; serra de Dois Irmãos, situada nio de rochas resistentes ao intemperismo físico e à ero-
mais a sudeste. são, tais como quartzitos, ortognaisses e mármores. Os
O Planalto da Tabatinga é drenado pelas cabeceiras quartzitos da Formação Barra Bonita estão claramente as-
de drenagem das bacias dos rios Paraim e Curimatá, aflu- sociados às cristas mais pronunciadas na região. Predomi-
entes do rio Gurgueia no extremo sul do Piauí, junto à nam solos pouco espessos e de boa fertilidade natural
divisa com o estado da Bahia. Ao norte dessa unidade nesses terrenos declivosos, tais como Argissolos Verme-
geomorfológica estendem-se as superfícies aplainadas da lho-Amarelos eutróficos e Neossolos Litólicos eutróficos.
Depressão Sertaneja, que se caracterizam por um planalto As localidades de Dom Inocêncio, Queimada Nova, Pau-
com topos planos sustentados por coberturas detrito-late- listana e Betânia do Piauí situam-se no sopé dessa unidade
ríticas e delimitado por vertentes declivosas dos rebordos geomorfológica.
Figura 5.22 - (a) Localização da unidade Colinas Dissecadas e Morros Baixos no estado do Piauí;
(b) colinas dissecadas em rochas do embasamento cristalino (Jacobina, PI).
63
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Figura 5.23 - (a) Localização da unidade Morros e Serras Baixas no estado do Piauí;
(b) alinhamento serrano em rochas do embasamento cristalino (Paulistana, PI).
64
6
RECURSOS HÍDRICOS
SUPERFICIAIS
Adson Brito Monteiro ([email protected])
Douglas Silva Luna ([email protected])
Jean Ricardo da S. do Nascimento ([email protected])
SUMÁRIO
Introdução ........................................................................................................... 67
Discussão e Conclusão dos Resultados ................................................................. 67
Temperatura da Água....................................................................................... 67
Potencial Hidrogeniônico (pH).......................................................................... 68
Condutividade Elétrica ..................................................................................... 70
Oxigênio Dissolvido .......................................................................................... 70
Referências ........................................................................................................... 70
RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS
67
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
68
RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS
69
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
H+ e que a discreta elevação da basicidade ocorra nos positores e, consequentemente, maior o consumo de oxi-
períodos invernosos, por influência pluviométrica, que gênio. A morte de peixes em rios poluídos se deve, por-
restaura o equilíbrio natural. tanto, à ausência de oxigênio e não à presença de subs-
tâncias tóxicas.
Condutividade Elétrica Ao longo da bacia hidrográfica do Parnaíba, o OD
variou de um mínimo de 3,0 mg/L, nas estações de Fa-
A condutividade elétrica é a propriedade que a água zenda Bandeira (Bacia do Uruçuí Preto) e Luzilândia (calha
possui de conduzir corrente elétrica. Esse parâmetro está principal do rio Parnaíba), a um máximo de 9,7 mg/L, na
relacionado à presença de íons (átomo ou grupo de áto- estação Fazenda Bandeira (Bacia do Uruçuí Preto). O OD
mos eletricamente carregado) dissolvidos na água. Quan- médio foi de 6,3 mg/L.
to maior a quantidade de íons dissolvidos, maior será a O valor de OD na água deve se situar, preferencial-
condutividade elétrica da água. Em águas continentais, mente, entre 6.0-9.0 mg/L. Como a média dos valores
os íons diretamente responsáveis pelos valores da recolhidos é de, aproximadamente, 6,3 mg/L, conclui-se
condutividade são, dentre outros: cálcio, magnésio, po- que, para esse parâmetro, a água se encontra dentro da
tássio, sódio, carbonatos, carbonetos, sulfatos e cloretos. faixa esperada para águas superficiais livres e isentas de
O parâmetro condutividade elétrica não determina, espe- contaminação por produtos orgânicos.
cificamente, quais íons estão presentes em determinada É preciso considerar que os parâmetros analisados
amostra de água, mas contribui para o reconhecimento ora indicados ainda são insuficientes para enquadrar as
de impactos ambientais que ocorram na bacia de drena- qualidades das águas das bacias que compõem a bacia
gem, ocasionados por lançamentos de resíduos industri- principal do rio Parnaíba na Resolução do CONAMA n.
ais, mineração, esgotos etc. 357, de 17 de março de 2005 (BRASIL, 2005), que “dis-
A condutividade elétrica da água pode variar de acor- põe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes
do com a temperatura e a concentração total de substân- ambientais para o seu enquadramento, bem como esta-
cias ionizadas dissolvidas. Em águas cujos valores de pH belece as condições e padrões de lançamento de efluentes
se localizam nas faixas mais acentuadas (pH> 9 ou pH< e dá outras providências”. No entanto, é possível afirmar
5), os valores de condutividade são devidos apenas às que, dentro da paisagem físico-química enfocada para
altas concentrações de poucos íons em solução, dentre os essas águas, elas podem ser enquadradas como de boa
quais os mais frequentes são H+ e OH-. qualidade.
Ao longo da bacia hidrográfica do Parnaíba, a
condutividade elétrica variou de um mínimo de 8,0 μS/ REFERÊNCIAS
cm a 20°C na estação de Ribeiro Gonçalves, na calha prin-
cipal do rio Parnaíba, e um máximo de 781,2 μS/cm a AMBIENTEBRASIL. Avaliação da qualidade da água.
20°C na estação Francisco Ayres, na Bacia do Canindé. Disponível em: <http://www.ambientebrasil. com.br/
Contudo, a condutividade média na Bacia do Parnaíba composer.php3?base=./agua/doce/
manteve-se em 146,7 μS/cm a 20°C. Os valores sugerem index.html&conteudo=./agua/doce/artigos/
que as águas estão situadas dentro dos limites de qualidade.html>. Acesso em: 19 mar. 2008.
potabilidade e para os mais diversos usos.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Resolução n.
Oxigênio Dissolvido 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classifi-
cação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o
A determinação do oxigênio dissolvido (OD) é de fun- seu enquadramento, bem como estabelece as condições
damental importância para avaliar as condições naturais e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras
da água e detectar impactos ambientais como eutrofização providências. Brasília: CONAMA, 2005.
e poluição orgânica.
Do ponto de vista ecológico, o oxigênio dissolvido é BRASIL. Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Natu-
uma variável extremamente importante, pois é necessário rais. Lei n. 5.165,, de 17 de agosto de 2000. Institui a
para a respiração da maioria dos organismos que habita o Política Estadual de Recursos Hídricos e cria o Sistema
meio aquático. Geralmente, o oxigênio dissolvido se re- Estadual de Gerenciamento dos Recursos Hídricos.
duz ou desaparece, quando a água recebe grandes quan- Teresina, Piauí, 2000.
tidades de nutrientes e substâncias orgânicas biodegradá-
veis, encontradas, por exemplo, no esgoto doméstico, em BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Lei n. 9.433,
certos resíduos industriais, no vinhoto e outros. Os resí- de 08 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de
duos orgânicos despejados nos corpos d’água são decom- Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de
postos por micro-organismos que utilizam o oxigênio na Gerenciamento de Recursos Hídricos. Diário Oficial [da]
respiração. Assim, quanto maior a carga de matéria orgâ- República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília,
nica, maior a proliferação de micro-organismos decom- DF, 9 jan. 1997.
70
7
POTENCIALIDADE
HIDROGEOLÓGICA
DO ESTADO DO PIAUÍ
Frederico Campelo ([email protected])
SUMÁRIO
Introdução ........................................................................................................... 73
Bacia Sedimentar do Parnaíba .............................................................................. 73
Formação Serra Grande ................................................................................... 73
Formação Pimenteiras ...................................................................................... 73
Formação Cabeças ........................................................................................... 73
Formação Longá .............................................................................................. 74
Sedimentos do Sistema Poti/Piauí .................................................................... 74
Formação Poti ............................................................................................... 74
Formação Piauí ............................................................................................. 74
Formação Pedra de Fogo .................................................................................. 74
Formação Motuca ............................................................................................ 74
Formação Pastos Bons ...................................................................................... 75
Formação Sambaíba......................................................................................... 75
Formação Corda ............................................................................................... 75
Formação Sardinha .......................................................................................... 75
Relíquias de Coberturas Sedimentares Mesozoicas .......................................... 75
Grupo Barreiras ................................................................................................ 75
Coberturas Sedimentares Inconsolidadas ......................................................... 75
Aluviões ........................................................................................................... 75
Embasamento Cristalino ...................................................................................... 76
Apreciação Hidrogeológica Conjunta dos Aquíferos Interticiais ........................... 76
Conclusão ............................................................................................................ 76
Referências ........................................................................................................... 76
POTENCIALIDADE HIDROGEOLÓGICA DO ESTADO DO PIAUÍ
Duas províncias se fazem representar no Piauí quan- Consiste em uma alternância entre bancos de arenitos
to ao aspecto hidrogeológico: finos, argilosos, com grãos de quartzo subangulares, de
- Bacia Sedimentar do Parnaíba, que constitui o mai- coloração cinza a vermelha, com folhelhos cinza-escuros
or manancial de água subterrânea; a avermelhados, de composição micácea e com peque-
- Embasamento cristalino, que participa com um nas lâminas de siltitos. A porção inferior é mais arenosa,
potencial bastante limitado, em termos de quantidade e de coloração cinza-clara, com delgadas intercalações de
qualidade. siltito e folhelho.
Esse aquitard aflora sobre 120.000 km2 nas bacias
BACIA SEDIMENTAR DO PARNAÍBA hidrográficas dos rios Parnaíba e Tocantins, apresentando
espessuras variando entre 200 e 250 m e ocupando uma
A Bacia Sedimentar do Parnaíba tem uma estrutura estreita faixa no lado leste, que vai desde a cidade de Cor-
circular fechada, atingindo em seu centro cerca de 3.000 rente, ao sul, até as proximidades de Buriti dos Lopes, no
m de espessura, com uma superfície de aproximadamen- norte do estado. Sua porosidade e permeabilidade são res-
te 600.000 km2, onde o rio Parnaíba é o eixo geral de tritas, caracterizando-se como camada confinante dos
drenagem superficial e subterrânea. arenitos do Aquífero Serra Grande. A profundidade varia
Sob o domínio geológico dessa bacia encontram-se, de 180 a 240 m da superfície.
aproximadamente, 80% da área do estado do Piauí. Essa O regime de deposição cíclica em ambiente nerítico
bacia abrange, também, praticamente todo o estado do plataformal, próximo ao fim do Devoniano, oferece, em
Maranhão e porções restritas dos estados do Ceará, To- certos locais, um caráter confinante às águas contidas nos
cantins e Pará. Limita-se, ao norte, com o oceano Atlânti- próprios níveis arenosos intercalados com bancos de
co e, a sul, leste e oeste, com o complexo do embasa- folhelho impermeável. As vazões de exotações dos poços
mento cristalino. nessa formação são pouco significativas. Suas águas po-
Da base para o topo da sequência estratigráfica dem conter altos teores de ferro.
sedimentar são descritas, a seguir, as principais caracterís-
ticas geométricas e sedimentológicas, bem como as Formação Cabeças
potencialidades hídricas das formações aquíferas.
Trata-se de uma sequência de arenitos que apresen-
Formação Serra Grande ta extensa área de afloramento, com aproximadamente
42.000 km2, ocupando a faixa central do estado e com
Seu domínio se estende superficialmente pelas bor- espessura média em tomo de 300 m. Apresenta boa
das leste, sudeste e sul da bacia, limitando-se com o porosidade e alta permeabilidade, tendo elevada produ-
embasamento cristalino. Estima-se uma área total de ção de água de boa qualidade, inclusive com poços sur-
afloramento em torno de 38.000 km2, com variações de gentes em muitas áreas. A recarga está subordinada ape-
espessuras de capeamento entre 50 e 1.000 m. nas à pluviometria nas faixas de afloramento, já que a
Possui excelentes condições hidrogeológicas nas fai- Formação Longá, que lhe é sobrejacente, é de composi-
xas confinadas pelo aquitard Pimenteiras, o que não se ção síltico-argilosa, portanto, reduzindo a permeabilida-
observa nas zonas de recarga, onde funciona como de. Idêntico comportamento tem a Formação Pimentei-
aquífero livre. ras, que lhe é subjacente. Tem como exutório a evapo-
Esse aquífero intersticial, de porosidade primária, transpiração.
apresenta boa regularidade em sua permeabilidade, o que Litologicamente, predominam arenitos médios a fi-
lhe confere o mais importante sistema de surgência. Des- nos, por vezes grosseiros, com a presença de material
taca-se o poço jorrante Violeto, no município de Cristino argiloso. Subordinadamente, também ocorrem siltitos
Castro, com vazão atingindo cerca de 900 m3/h, tendo laminados e folhelhos micáceos de coloração vermelha a
1.000 m de profundidade e um jorro natural que atinge roxa, todos oriundos de um sistema de deposição nerítico
cerca de 40 m de altura. plataformal ocorrido no final do Devoniano.
Essa formação é constituída por arenitos mal selecio- Os níveis arenosos, notadamente os da porção supe-
nados, com grãos predominantemente subangulares, de rior, apresentam excelentes condições hidrogeológicas,
coloração esbranquiçada, ocorrendo níveis caulínicos e sendo estas mais limitadas nas faixas onde a alternância
conglomeráticos. Ocorrem, também, subordinados, siltitos arenito/folhelho/siltito é observada.
e folhelhos cinza-escuros e micáceos nas proximidades do
contato com a Formação Pimenteiras. Formação Longá
Sua origem se deu no Siluriano, em ambiente deposi-
cional glacial, evoluindo para sistemas fluviais entrelaça- Seus afloramentos situam-se em uma faixa que se
dos. estende de sul a norte do estado, confinando regional-
73
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
74
POTENCIALIDADE HIDROGEOLÓGICA DO ESTADO DO PIAUÍ
Sob regime deposicional eluvial lagunar costeiro, Representa as manifestações vulcânicas no Piauí que
foi originada no início do Triássico, sendo representada fluíram no Cretáceo sob a forma de soleiras e diques de
por siltitos e folhelhos avermelhados e com coloração diabásio que estão intrudidos nas formações anteriores.
variegada. Também ocorrem delgadas camadas de Aflora principalmente na porção norte do estado, logo
arenitos argilosos. Aflora ao sul de Teresina, nas regiões após a cidade de Batalha. Na porção central do Piauí, ocor-
abrangidas pelos municípios Monsenhor Gil e Barro rem os melhores afloramentos ao longo da BR-316, próxi-
Duro. mo à cidade de Elesbão Veloso e, na porção sul, entre as
Suas limitadas faixas de ocorrência, associadas à sua cidades de Barreiras do Piauí e Corrente.
constituição de clásticos finos com porções argilosas, não Possui porosidade secundária e baixa permeabilidade
permitem avaliações hidrogeológicas promissoras, aten- gerada pelas fraturas incipientes, o que provoca a redução
do-se apenas ao aspecto de baixas vazões. Como exutório, de fluxo das águas das formações nas zonas de contato.
atua a evapotranspiração. Não apresenta boas condições hidrogeológicas, sendo clas-
sificada como um aquiclude.
Formação Sambaíba
75
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
de ordem superior, a exemplo dos rios Parnaíba, Poti, APRECIAÇÃO HIDROGEOLÓGICA CONJUNTA
Gurgueia, Longá, Canindé e Piauí. DOS AQUÍFEROS INTERSTICIAIS
As aluviões são muito importantes como fontes
de água sobre qualquer litologia, inclusive sobre os Consideradas em conjunto, as águas dos três princi-
litotipos do embasamento cristalino. Quando desen- pais aquíferos da Bacia do Parnaíba – Serra Grande, Cabe-
volvidas, podem armazenar grandes quantidades de ças e Poti/Piauí – são de baixo grau de salinização, com
água. A espessura dessas aluviões é bastante variável resíduo seco médio da ordem de 210 mg/l.
– de 3 a 5 m, com largura de 20 a 30 m –, restringin- Quanto à composição química, a maioria das águas
do-se às grandes drenagens. Predominam as águas clo- é carbonatada, “mole” e ligeiramente alcalina. Seguem as
retadas e cloretado-bicarbonatadas, sendo comuns águas cloretadas, um pouco ácidas e salinidade média.
ocorrências de águas bicarbonatadas de baixa salini- Finalmente, as águas mistas, de baixa salinidade e leve-
dade. mente ácidas.
Em 1994, utilizando-se o catálogo de poços disponí-
EMBASAMENTO CRISTALINO veis na época, calculou-se uma reserva para o estado do
Piauí da ordem de 2,2 bilhões de m3, estimada pela capa-
Substrato rochoso semi-impermeável de porosidade cidade de vazão média dos poços profundos até então
secundária que lastreia todos os aquíferos intersticiais cadastrados.
da Bacia Sedimentar do Parnaíba, ocupando superfici-
almente as porções sudeste e sul do Piauí, perfazendo CONCLUSÃO
cerca de 20% da área restante do estado. Sob a influên-
cia severa do clima semiárido, recebe baixa pluviosidade O Piauí apresenta, de maneira geral, boas condições
média anual. de sustentabilidade com os recursos hídricos subterrâneos
A ausência total de rios perenes que percolem sobre de que dispõe.
os diversos litotipos obriga à explotação de água subterrâ- Algumas deficiências ocorrem em regiões localiza-
nea oriunda de suas fraturas, para suprir necessidades das das, geralmente na faixa semiárida do estado e pouco
comunidades rurais. Nessa região, os recursos hídricos comumente sob o domínio do Cerrado.
subterrâneos também são escassos. Os poços quase sem- O estado carece de estudos hidrogeológicos detalha-
pre têm pequenas profundidades, baixíssimas vazões (má- dos para cada um dos aquíferos disponíveis, bem como
xima de 2.000 l/h) e qualidade inferior com alta taxa de de uma legislação mais específica para controle e preser-
salinização. vação desses aquíferos.
Segundo o Inventário Hidrogeológico Básico do Nor-
deste (LEAL, 1977), a ocorrência de águas subterrâneas REFERÊNCIAS
no domínio do embasamento é restrita às aluviões, ao
manto de intemperismo e às fraturas das rochas, onde as CEPRO. Diagnóstico do setor mineral piauiense.
vazões são bastante limitadas e, muitas vezes, constituem Teresina: Governo do Estado do Piauí, 2008.
a única fonte de água disponível em toda a extensão
semiárida. Daí, as águas em fraturas assumirem grande DA SILVA, F. A. C. et al. Projeto estudo global dos
importância no abastecimento de pequenas comunidades recursos minerais da bacia sedimentar do
rurais. Parnaíba: subprojeto hidrologia. Relatório final. Folha 7
Os poços são locados, de preferência, em fraturas – Teresina – NO. V. I e II. Recife: CPRM/DNPM, 1979.
transversais e angulares que se apresentam mais abertas e
fornecem tramas mais densas, com maior volume de vei- LEAL, J. de M. Inventário hidrogeológico básico do
os. Granitos, gnaisses e migmatitos são as rochas que Nordeste. Folha n. 8 – Teresina – NE. Recife: Superin-
mais exibem essas estruturas, onde a média de profundi- tendência do Desenvolvimento do Nordeste/Divisão de
dades dos poços é de 60 m. Recursos Naturais, 1977. Série Hidrologia n. 52.
76
8
DESERTIFICAÇÃO
Ricardo de Lima Brandão ([email protected])
SUMÁRIO
Conceitos e Situação Mundial .............................................................................. 79
Mudanças Climáticas e Desertificação:
Implicações para as Regiões Semiáridas ............................................................... 80
Desertificação no Brasil ........................................................................................ 80
Indicadores da Desertificação........................................................................... 81
Desertificação no Estado do Piauí: Núcleo de Gilbués ...................................... 83
Referências ........................................................................................................... 86
DESERTIFICAÇÃO
79
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
80
DESERTIFICAÇÃO
Figura 8.2 - Áreas suscetíveis à desertificação e núcleos de desertificação no Brasil. Fonte: Brasil (2004).
nativo quanto o plantado. O sobrepastoreio causa a com- Jr. (2001), isso decorre, em grande parte, do fato de o
pactação dos solos, tornando-os impermeáveis, o que fa- conceito de desertificação ser essencialmente transdisci-
vorece o escoamento das águas superficiais e, consequen- plinar, o que força uma necessária, porém difícil, integra-
temente, a intensificação dos processos erosivos. Estes ção entre diferentes áreas científicas. Várias instituições
são fatores comuns a todos os núcleos de desertificação, governamentais e não-governamentais, com o apoio de
enquanto outros podem ser atribuídos a características es- instituições de cooperação internacional, têm participado
pecíficas das atividades desenvolvidas nos municípios in- no desenvolvimento de sistemas e metodologias de mo-
cluídos em cada um deles. A extração de diamantes, por nitoramento da desertificação por meios de indicadores
exemplo, é apontada como uma das causas do processo específicos. Em 2003, no escopo da elaboração do PAN-
de desertificação no Núcleo de Gilbués, no Piauí. Brasil, um grupo de pesquisadores identificou e consen-
suou um conjunto preliminar de indicadores relacionados
Indicadores da Desertificação aos componentes físicos, biológicos e socioeconômicos
(Quadro 8.2).
Uma das grandes dificuldades nos estudos sobre de-
sertificação, não só no Brasil, como em outros países, Desertificação no Estado do Piauí:
refere-se à criação e sistematização de uma metodologia Núcleo de Gilbués
geral de indicadores para diagnosticar as áreas afetadas e
hierarquizá-las quanto aos níveis de comprometimento/ Localizado na porção sudoeste do Piauí, o Núcleo de
degradação de seus recursos naturais. Segundo Matallo Desertificação de Gilbués (Figura 8.3) abrange uma área
81
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
82
DESERTIFICAÇÃO
de aproximadamente 5.900 km2, compreendendo os rizonte A e parte do B. Nos períodos secos (maio a outu-
municípios de Gilbués e Monte Alegre do Piauí. Apresen- bro), a erosão eólica atua fortemente exercendo impor-
ta características bastante diferentes dos outros núcleos tante papel na esculturação da paisagem. A grande quan-
de desertificação do Nordeste: geologicamente, está con- tidade de sedimentos transportados pelos agentes erosivos
tido em terrenos formados por rochas sedimentares (are- (água e vento) provoca o assoreamento de rios, riachos,
nitos, conglomerados, siltitos e folhelhos pertencentes às lagoas e barragens da região (Figura 8.5).
formações Areado, Piauí e Poti), os solos são profundos e A acentuada morfogênese natural da área (conse-
férteis, o clima é subúmido com índice pluviométrico médio quência de suas características litológicas, climáticas,
em torno de 1.000 mm anuais e a vegetação dominante é pedológicas e vegetais), associada às intensas pressões
de Cerrado. Por outro lado, os outros três núcleos (Irauçu- antrópicas, configura o quadro de desertificação (Figuras
ba (CE), Seridó (PB) e Cabrobó (PE)) estão situados em 8.6a e 8.6b) que compromete fortemente o meio ambi-
terrenos de rochas cristalinas, os solos são rasos e pouco ente e a economia regional.
férteis, o clima é semiárido, com pluviosidade média de A pecuária, desde o início da ocupação da região,
cerca de 600 mm/ano, e a vegetação é dominantemente tem sido a atividade econômica mais importante. A insta-
de Caatinga. lação de fazendas de gado, em meados do século XVII,
As formas de relevo correspondem a superfícies tabula- foi responsável pela criação dos principais núcleos urba-
res de estrutura horizontal (chapadões) e feições em rampas nos. O sistema praticado baseia-se no sobrepastoreio ex-
(áreas topograficamente rebaixadas), intensamente dissecadas tensivo, com técnicas precárias, sem considerar a capaci-
por processos de escoamento concentrado, ocasionando dade de suporte dos solos. O pisoteio excessivo do gado,
ravinas e voçorocas com incisões profundas (Figura 8.4). que favorece a compactação e a impermeabilização do
Também são observados os efeitos da acelerada ero- solo, intensifica o escoamento superficial e a formação de
são laminar dos solos, pela remoção generalizada do ho- sulcos de erosão. O cenário observado é de expansão e
coalescência desses focos erosivos, configurando uma di-
nâmica ambiental regressiva que caracteriza o processo
DESERTIFICAÇÃO de desertificação.
A partir de 1946, instalou-se outra atividade de forte
impacto econômico e ambiental na região: a garimpa-
gem de diamante. Apesar de ter sido responsável pelo
dinamismo da economia local, sobretudo entre os anos
de 1950-70 (Gilbués chegou a ter 18 mil habitantes, pra-
ticamente o dobro da população atual), a extração de di-
amantes foi realizada de maneira extremamente predató-
ria e sem qualquer forma de controle. Foram abertos mi-
lhares de “buracos” com profundidades de 6 a 10 m (cha-
mados de “cisternas”), galerias e túneis, provocando o
revolvimento do solo e a desestabilização dos terrenos
(Figura 8.7). Com o declínio dessa atividade, seguiu-se a
estagnação econômica de alguns povoados e da área como
um todo. Hoje, cerca de 200 garimpeiros permanecem
em atividade na região, sendo a lavra praticada em terra-
ços aluviais, utilizando-se, ainda, métodos rudimentares e
altamente impactantes ao meio ambiente (Figura 8.8).
As voçorocas avançam sobre propriedades rurais e
estradas, assim como sobre a área urbana de Gilbués,
ameaçando ruas e casas da sede (Figura 8.9).
Em 2003, foi criado o Núcleo de Pesquisa de Re-
cuperação de Áreas Degradadas (NUPERADE) em Gil-
bués, sob a coordenação da Secretaria Estadual de Meio
Ambiente e Recursos Naturais (SEMAR) do Piauí. O
objetivo desse grupo é desenvolver e implementar téc-
nicas de controle da erosão, recuperação de solos de-
gradados e manejo adequado dos recursos naturais, a
fim de reverter ou minimizar os efeitos da desertifica-
ção, fazendo com que a terra volte a ser produtiva e
melhorar, assim, a qualidade de vida das pessoas que
Figura 8.3 - Núcleo de desertificação de Gilbués. habitam a região.
83
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Figura 8.4 - Aspecto de uma voçoroca, com cerca de 8 m de profundidade (Gilbués, PI).
Figura 8.5 - Assoreamento do rio Ribeirão (Gilbués, PI). Fonte: Brasil (2004).
Figura 8.6 - Aspectos da degradação generalizada da área de Gilbués, caracterizando o fenômeno da desertificação.
84
DESERTIFICAÇÃO
Figura 8.7 - Detalhe de “cisterna” usada como acesso aos conglomerados diamantíferos da formação Areado
(localidade de Boqueirão, Gilbués, PI).
Figura 8.8 - Garimpo do Piripiri: operação de desmonte hidráulico nos níveis conglomeráticos de terraços aluviais.
Figura 8.9 - Muro de contenção construído para proteger via urbana do avanço da erosão (Gilbués, PI).
85
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
86
9
GEOTURISMO
E UNIDADES
DE CONSERVAÇÃO
Rogério Valença Ferreira ([email protected])
SUMÁRIO
Introdução ........................................................................................................... 89
Patrimônio Geoturístico ....................................................................................... 89
Patrimônios Geomorfológicos .......................................................................... 89
Patrimônios Paleontológicos e Arqueológicos .................................................. 91
Patrimônios Espeleológicos .............................................................................. 92
Patrimônio Mineiro .......................................................................................... 92
Patrimônio Hidrogeológico .................................................................................94
GEOTURISMO E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
INTRODUÇÃO
PATRIMÔNIO GEOTURÍSTICO
89
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
90
GEOTURISMO E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
Pedra do Sal (Figura 9.4), o único afloramento granítico do, notadamente aqueles encontrados no Parque Nacional
do litoral piauiense, saliência em discreto destaque topo- da Serra da Capivara e Parque Nacional de Sete Cidades, os
gráfico, contrastando com os Campos de Dunas. quais se destacam na atividade geoturística do Piauí.
Um dos mais notáveis sítios onde o geoturismo já é O patrimônio paleontológico do Piauí guarda regis-
praticado com sucesso é o Parque Nacional de Sete Cida- tros fósseis desde o Paleozoico, período inicial da
des, com suas espetaculares feições ruiniformes esculpi- estruturação e formação da Bacia do Parnaíba, até a sua
das sobre os arenitos da Formação Cabeças, possuindo constituição final no Cretáceo e Neógeno, a qual logrou
também curiosas inscrições rupestres (Figura 9.5). ter condições de preservar fósseis de árvores e animais
como os trilobitas braquiópodes e muitos outros registros
Patrimônios Paleontológicos de vida pretérita. Em Teresina há, inclusive, uma área de
e Arqueológicos preservação denominada Parque da Floresta Fóssil, no lei-
to do rio Poti.
Observam-se registros do homem e de animais pré-his- Com relação à fauna mais recente do Neógeno, um
tóricos em terrenos piauienses, nos inúmeros sítios paleon- dos principais sítios paleontológicos e arqueológicos da
tológicos e arqueológicos distribuídos em quase todo o esta- América do Sul onde ocorre a prática do geoturismo é o
91
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Patrimônios Espeleológicos
92
GEOTURISMO E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
93
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Patrimônio Hidrogeológico
94
10
METODOLOGIA
E ESTRUTURAÇÃO
DA BASE DE DADOS
EM SISTEMA
DE INFORMAÇÃO
GEOGRÁFICA
Maria Angélica Barreto Ramos ([email protected])¹
Marcelo Eduardo Dantas ([email protected])¹
Antônio Theodorovicz ([email protected])¹
Valter José Marques ([email protected])¹
Maria Adelaide Mansini Maia ([email protected])¹
Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff ([email protected])¹
Vitório Orlandi Filho ([email protected])²
1
CPRM – Serviço Geológico do Brasil
2
Consultor
SUMÁRIO
Introdução ........................................................................................................... 97
Procedimentos Metodológicos ............................................................................. 97
Dedinição dos domínios e Unidades Geológicos-Ambientais ............................... 97
Atributos da Geologia .......................................................................................... 98
Deformação ...................................................................................................... 98
Tectônica: dobramentos ................................................................................. 98
Tectônica: fraturamento (juntas e falhas)/cisalhamento ................................. 98
Estruturas.......................................................................................................... 98
Resistência ao Intemperismo Físico ................................................................... 98
Resistência ao Intemperismo Químico ............................................................... 98
Grau de Coerência............................................................................................. 98
Características do Manto de Alteração Potencial (Solo Residual) ....................... 99
Porosidade Primária ........................................................................................ 100
Característica da Unidade Lito-Hidrogeológica ................................................ 101
Atributos do Relevo ......................................................................................... 101
Modelo Digital de Terreno – Shutlle Radar Topographi Mission (SRTM) ....... 101
Mosaico Geocover 2000 .................................................................................. 103
Análise da Drenagem ...................................................................................... 103
Kit de Dados Gigitais ....................................................................................... 103
Trabalhando com o Kit de Dados Digitais ................................................... 103
Estruturação da Base de Dados: GEOBANK .................................................... 105
Atributos dos Campos do Arquivo das Unidades Geológico-Ambientais:
Dicionario de Dados ........................................................................................ 107
Referências ....................................................................................................... 107
METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS
EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA
97
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
98
METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS
EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA
Figura 10.1 - Resistência à compressão uniaxial e classes de alteração para diferentes tipos de rochas. Fonte: Modificado de Vaz (1996).
99
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
rísticas do solo, como clima e relevo, o manto de alte- sequências em que se alternam, irregularmente, entre si,
ração de um basalto será argiloso e, o de um granito, camadas de arenitos quartzosos com pelitos, com calcári-
argilo-síltico-arenoso. os ou com rochas vulcânicas.
- Predominantemente arenoso: substrato rochoso susten- - Predominantemente siltoso: siltitos e folhelhos.
tado por espessos e amplos pacotes de rochas predomi- - Não se aplica.
nantemente arenoquartzosas.
- Predominantemente argiloso: predominância de rochas Porosidade Primária
que se alteram para argilominerais, a exemplo de derra-
mes basálticos, complexos básico-ultrabásico-alcalinos, Relacionada ao volume de vazios em relação ao vo-
terrenos em que predominam rochas calcárias etc. lume total da rocha. O preenchimento deverá seguir os
- Predominantemente argilossiltoso: siltitos, folhelhos, procedimentos descritos na Tabela 10.1.
filitos e xistos. Caso seja apenas um tipo de litologia que sustenta a
- Predominantemente argilo-síltico-arenoso: rochas unidade geológico-ambiental, observar o campo “Descri-
granitoides e gnáissico-migmatíticas ortoderivadas. ção”, da Tabela 10.1. Entretanto, se forem complexos
- Variável de arenoso a argilossiltoso: sequências sedimen- plutônicos de várias litologias, a porosidade é baixa.
tares e vulcanossedimentares compostas por alternâncias - Baixa: 0 a 15%
irregulares de camadas pouco espessas, interdigitadas e - Moderada: de 15 a 30%
de composição mineral muito contrastante, a exemplo das - Alta: >30%
100
METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS
EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA
Para os casos em que várias litologias sustentam a Nesse sentido, é de fundamental importância escla-
unidade geológico-ambiental, observar o campo “Tipo”, recer que não se pretendeu produzir um mapa geomorfo-
da Tabela 10.1. lógico, mas um mapeamento dos padrões de relevo em
Variável (0 a >30%): a exemplo das unidades em consonância com os objetivos e as necessidades de um
que o substrato rochoso é formado por um empilhamento mapeamento da geodiversidade do território nacional em
irregular de camadas horizontalizadas porosas e não-po- escala continental.
rosas. Com esse enfoque, foram selecionados 28 padrões
de relevo para os terrenos existentes no território brasileiro
Característica da (Tabela 10.2), levando-se, essencialmente, em considera-
Unidade Lito-Hidrogeológica ção:
- Parâmetros morfológicos e morfométricos que pudes-
São utilizadas as seguintes classificações: sem ser avaliados pelo instrumental tecnológico disponí-
- Granular: dunas, depósitos sedimentares inconsolidados, vel nos kits digitais (imagens LandSat GeoCover e Modelo
planícies aluviais, coberturas sedimentares etc. Digital de Terreno e Relevo Sombreado (SRTM); mapa de
- Fissural classes de hipsometria; mapa de classes de declividade).
- Granular/fissural - Reinterpretação das informações existentes nos mapas
- Cárstico geomorfológicos produzidos por instituições diversas, em
- Não se aplica especial os mapas desenvolvidos no âmbito do Projeto
RadamBrasil, em escala 1:1.000.000.
ATRIBUTOS DO RELEVO - Execução de uma série de perfis de campo, com o obje-
tivo de aferir a classificação executada.
Com o objetivo de conferir uma informação geo- Para cada um dos atributos de relevo, com suas res-
morfológica clara e aplicada ao mapeamento da geo- pectivas bibliotecas, há uma legenda explicativa (Apêndi-
diversidade do território brasileiro e dos estados fede- ce II – Biblioteca de Relevo do Território Brasileiro) que
rativos em escalas de análise muito reduzidas agrupa características morfológicas e morfométricas ge-
(1:500.000 a 1:1.000.000), procurou-se identificar os rais, assim como informações muito elementares e gene-
grandes conjuntos morfológicos passíveis de serem ralizadas quanto à sua gênese e vulnerabilidade frente aos
delimitados em tal tipo de escala, sem muitas preocu- processos geomorfológicos (intempéricos, erosivos e
pações quanto à gênese e evolução morfodinâmica deposicionais).
das unidades em análise, assim como aos processos Evidentemente, considerando a vastidão e a enorme
geomorfológicos atuantes. Tais avaliações e contro- geodiversidade do território brasileiro, assim como seu
vérsias, de âmbito exclusivamente geomorfológico, conjunto diversificado de paisagens bioclimáticas e
seriam de pouca valia para atender aos propósitos deste condicionantes geológico-geomorfológicas singulares, as
estudo. Portanto, termos como: depressão, crista, pa- informações de amplitude de relevo e declividade, dentre
tamar, platô, cuesta, hog-back, pediplano, penepla- outras, devem ser reconhecidas como valores-padrão, não
no, etchplano, escarpa, serra e maciço, dentre tantos aplicáveis indiscriminadamente a todas as regiões. Não se
outros, foram englobados em um reduzido número descartam sugestões de ajuste e aprimoramento da Tabela
de conjuntos morfológicos. 10.2 e do Apêndice II apresentados nesse modelo, as quais
Portanto, esta proposta difere substancialmente das serão benvindas.
metodologias de mapeamento geomorfológico presentes
na literatura, tais como: a análise integrada entre a MODELO DIGITAL DE TERRENO – SHUTLLE
compartimentação morfológica dos terrenos, a estrutura RADAR TOPOGRAPHY MISSION (SRTM)
subsuperficial dos terrenos e a fisiologia da paisagem, pro-
posta por Ab’Saber (1969); as abordagens descritivas em A utilização do Modelo Digital de Terreno ou Mode-
base morfométrica, como as elaboradas por Barbosa et al. lo Digital de Elevação ou Modelo Numérico de Terreno,
(1977), para o Projeto RadamBrasil, e Ponçano et al. (1979) no contexto do Mapa Geodiversidade do Estado do Piauí,
e Ross e Moroz (1996) para o Instituto de Pesquisas justifica-se por sua grande utilidade em estudos de análise
Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT); as abordagens ambiental.
sistêmicas, com base na compartimentação topográfica Um Modelo Digital de Terreno (MDT) é um modelo
em bacias de drenagem (MEIS et al., 1982); ou a contínuo da superfície terrestre, ao nível do solo, repre-
reconstituição de superfícies regionais de aplainamento sentado por uma malha digital de matriz cartográfica
(LATRUBESSE et al., 1998). encadeada, ou raster, onde cada célula da malha retém
O mapeamento de padrões de relevo é, essencial- um valor de elevação (altitude) do terreno. Assim, a utili-
mente, uma análise morfológica do relevo com base em zação do MDT em estudos geoambientais se torna im-
fotointerpretação da textura e rugosidade dos terrenos a prescindível, uma vez que esse modelo tem a vantagem
partir de diversos sensores remotos. de fornecer uma visão tridimensional do terreno e suas inter-
101
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
relações com as formas de relevo e da drenagem e seus Durante a realização dos trabalhos de levantamento
padrões de forma direta. Isso permite a determinação do da geodiversidade do território brasileiro, apesar de todos
grau de dissecação do relevo, informando também o grau os pontos positivos apresentados, os dados SRTM, em
de declividade e altimetria, o que auxilia grandemente na algumas regiões, acusaram problemas, tais como: valores
análise ambiental, como, por exemplo, na determinação espúrios (positivos e negativos) nas proximidades do mar
de áreas de proteção permanente, projetos de estradas e e áreas onde não são encontrados valores. Tais problemas
barragens, trabalhos de mapeamento de vegetação etc. são descritos em diversos trabalhos do SRTM (BARROS et
A escolha do Shuttle Radar Topography Mission al., 2004), sendo que essas áreas recebem o valor -32768,
(SRTM) [missão espacial liderada pela NASA, realizada indicando que não há dado disponível.
durante 11 dias do mês de fevereiro de 2000, visando à A literatura do tema apresenta diversas possibilidades
geração de um modelo digital de elevação quase global] de correção desses problemas, desde substituição de tais
foi devida ao fato de os MDTs disponibilizados por esse áreas por dados oriundos de outros produtos – o GTOPO30
sensor já se encontrarem disponíveis para toda a Améri- aparece como proposta para substituição em diversos tex-
ca do Sul, com resolução espacial de aproximadamente tos – ao uso de programas que objetivam diminuir tais
90 x 90 m, apresentando alta acurácia e confiabilidade, incorreções por meio de edição de dados (BARROS et al.,
além da gratuidade (CCRS, 2004 apud BARROS et al., 2004). Neste estudo, foi utilizado o software ENVI 4.1
2004). para solucionar o citado problema.
102
METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS
EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA
103
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Figura 10.2 - Exemplo de dados do kit digital para o estado do Piauí: unidades geológico-ambientais versus infraestrutura,
recursos minerais e áreas de proteção ambiental.
Figura 10.3 - Exemplo de dados do kit digital para o estado do Piauí: unidades geológico-ambientais versus relevo
ombreado (MDT_SRTM).
104
METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS
EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA
Figura 10.4 - Exemplo de dados do kit digital para o estado do Piauí: modelo digital de elevação (SRTM) versus drenagem bifilar.
No diretório de trabalho havia um arquivo shapefile, diversidade – APLICATIVO GEODIV (VISUAL BASIC) com
denominado geodiversidade_estado.shp,, que corres- posterior migração dos dados para o GeoBank.
pondia ao arquivo da geologia onde deveria ser aplicada a
reclassificação da geodiversidade. ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS:
Após a implantação dos domínios e unidades geoló- GEOBANK
gico-ambientais, procedia-se ao preenchimento dos
parâmetros da geologia e, posteriormente, ao preenchi- A implantação dos projetos de levantamento da
mento dos campos com os atributos do relevo. geodiversidade do Brasil teve como objetivo principal
As informações do relevo serviram para melhor ca- oferecer aos diversos segmentos da sociedade brasileira
racterizar a unidade geológico-ambiental e também para uma tradução do conhecimento geológico-científíco,
subdividi-la. Porém, essa subdivisão, em sua maior parte, com vistas a sua aplicação ao uso adequado para o
alcançou o nível de polígonos individuais. ordenamento territorial e planejamento dos setores mi-
Quando houve necessidade de subdivisão do polígo- neral, transportes, agricultura, turismo e meio ambien-
no, ou seja, quando as variações fisiográficas eram muito te, tendo como base as informações geológicas pre-
contrastantes, evidenciando comportamentos hidrológi- sentes no SIG da Carta Geológica do Brasil ao Milioné-
cos e erosivos muito distintos, esse procedimento foi rea- simo (CPRM, 2004).
lizado. Nessa etapa, considerou-se o relevo como um atri- Com essa premissa, a Coordenação de Geoprocessa-
buto para subdividir a unidade, propiciando novas dedu- mento da Geodiversidade, após uma série de reuniões com
ções na análise ambiental. as Coordenações Temáticas e com as equipes locais da
Assim, a nova unidade geológico-ambiental resul- CPRM/SGB, estabeleceu normas e procedimentos básicos
tou da interação da unidade geológico-ambiental com o a serem utilizados nas diversas atividades dos levantamen-
relevo. tos estaduais, com destaque para:
Finalizado o trabalho de implementação dos parâ- - Definição dos domínios e unidades geológico-ambientais
metros da geologia e do relevo pela equipe responsável, o com base em parâmetros geológicos de interesse na aná-
material foi enviado para a Coordenação de Geoprocessa- lise ambiental, em escalas 1:2.500.000, 1:1.000.00 e
mento, que procedeu à auditagem do arquivo digital da mapas estaduais.
geodiversidade para retirada de polígonos espúrios, super- - A partir da escala 1:1.000.000, criação de atributos ge-
posição e vazios, gerados durante o processo de edição. ológicos aplicáveis ao planejamento e informações dos
Paralelamente, iniciou-se a carga dos dados na Base Geo- compartimentos do relevo.
105
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
106
METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS
EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA
Outra importante ferramenta de visualização dos ma- COD_UNIGEO (CÓDIGO DA UNIDADE GEOLÓGI-
pas geoambientais é o módulo Web Map do GeoBank, CO-AMBIENTAL) – Sigla da unidade geológico-ambiental.
onde o usuário tem acesso a informações relacionadas UNIGEO (DESCRIÇÃO DA UNIDADE GEOLÓGICO-
às unidades geológico-ambientais (Base Geodiversidade) AMBIENTAL) – As unidades geológico-ambientais foram agru-
e suas respectivas unidades litológicas (Base padas com características semelhantes do ponto de vista da
Litoestratigrafia), podendo recuperar as informações dos resposta ambiental a partir da subdivisão dos domínios geoló-
atributos relacionados à geologia e ao relevo diretamen- gico-ambientais e por critérios-chaves descritos anteriormente.
te no mapa (Figura 10.9). DEF_TEC (DEFORMAÇÃO TECTÔNICA/DOBRAMEN-
TOS) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas que
ATRIBUTOS DOS CAMPOS DO ARQUIVO compõe a unidade geológico-ambiental.
DAS UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS: CIS_FRAT (TECTÔNICA FRATURAMENTO/CISALHA-
DICIONÁRIO DE DADOS MENTO) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas
que compõe a unidade geológico-ambiental.
São descritos, a seguir, os atributos dos campos que ASPECTO (ASPECTOS TEXTURAIS E ESTRUTURAIS) –
constam no arquivo shapefile da unidade geológico- Relacionado às rochas ígneas e/ou metamórficas que com-
ambiental.. põem a unidade geológico-ambiental.
COD_DOM (CÓDIGO DO DOMÍNIO GEOLÓGICO- INTEMP_F (RESISTÊNCIA AO INTEMPERISMO FÍSI-
AMBIENTAL) – Sigla dos domínios geológico-ambien- CO) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas sãs que
tais. compõe a unidade geológico-ambiental.
DOM_GEO (DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO GEOLÓGI- INTEMP_Q (RESISTÊNCIA AO INTEMPERISMO QUÍ-
CO-AMBIENTAL) – Reclassificação da geologia pelos gran- MICO) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas sãs
des domínios geológicos. que compõe a unidade geológico-ambiental.
107
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Figura 10.9 - Módulo Web Map de visualização dos arquivos vetoriais/base de dados (GeoBank).
108
METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS
EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA
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GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
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110
11
GEODIVERSIDADE:
ADEQUABILIDADES/
POTENCIALIDADES E
LIMITAÇÕES FRENTE AO
USO E OCUPAÇÃO
Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff ([email protected])
Ricardo de Lima Brandão ([email protected])
Fernanda Soares de Miranda Torres ([email protected])
SUMÁRIO
Unidade DCa
Limitações
115
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
a retirada de mata ciliar, erosão das margens e assorea- - Nível freático aflorante ou próximo à superfície, necessi-
mento de rios e lagoas, poluição de recursos hídricos su- tando de rebaixamento para execução de obras de enge-
perficiais, cavas abandonadas, degradação paisagística etc. nharia.
- Predomínio de solos de baixa capacidade de suporte,
Potencialidades que se compactam e se deformam bastante quando sub-
metidos a cargas elevadas, inviabilizando determinados
- Faixas aluvionares são favoráveis à construção, com bai- tipos de obras.
xos custos, de poços para captação de água subterrânea. - Cuidados especiais devem ser tomados com todas as
- Áreas planas passíveis de implantação de agricultura fontes potencialmente poluidoras.
mecanizada e/ou irrigada. - Ambientes com características de relevo e drenagem mais
- Camadas de areia, com espessuras suficientes, normalmen- favoráveis à concentração que à dispersão de elementos
te fornecem boas vazões em poços de água subterrânea. poluentes.
- As aluviões representam fontes importantes de abasteci- - As porções arenosas apresentam elevada permeabilida-
mento, especialmente por meio de poços escavados (ca- de, configurando situação de alta vulnerabilidade à conta-
cimbas), para uso doméstico e outras pequenas demandas. minação do lençol freático, que se encontra próximo da
- Nas áreas mais secas (sertões semiáridos), associadas ao superfície ou aflorante.
domínio dos terrenos cristalinos, esses sedimentos desta- - Obras enterradas destinadas ao armazenamento e à cir-
cam-se, muitas vezes, como a única opção para captação culação de substâncias poluentes devem ser construídas
de água subterrânea. com materiais de alta resistência à corrosão, assim como
- As planícies aluviais são ambientes favoráveis à explota- devem ser frequentemente monitoradas para evitar que
ção de areia para construção civil e uso industrial, assim ocorram vazamentos.
como argila para cerâmica vermelha. - Ocorrência de espessas camadas com alta concentração
- Depósitos secundários de diamante e opala (nas regiões de matéria orgânica, que liberam ácidos corrosivos e gás
de Gilbués e Pedro II, respectivamente), associados aos metano (altamente inflamável); possuem capacidade de
níveis conglomeráticos (cascalhos) das aluviões recentes e suporte muito baixa.
terraços aluvionares, têm sido lavrados por meio de ativi- - Áreas sujeitas a inundações diárias pelo avanço das marés.
dades garimpeiras. - Solos lodosos, profundos, parcial ou permanentemente
- Áreas de potencial interesse para atividades de turismo e submersos, apresentando salinidade elevada devido à in-
lazer. Na foz do rio Parnaíba, essa unidade, juntamente fluência da água do mar; por causa da grande quantidade
com as planícies fluviomarinhas e outros ecossistemas, de matéria orgânica, são excessivamente ácidos.
são elementos formadores do Delta do Parnaíba (único - Áreas inadequadas à captação de água subterrânea, em fun-
delta em mar aberto das Américas), de grande beleza cê- ção do substrato argiloso e das altas concentrações de sais.
nica e atratividade turística. - A degradação causada pela expansão urbana, instalação
- Quantidade considerável de lagoas, de grande impor- de salinas, atividades de carcinicultura etc. tem compro-
tância ecológica, principalmente margeando o rio Parnaí- metido importantes funções ambientais (físicas e biológi-
ba e entre este e o Longá, destacando-se, como a maior, cas) desses ecossistemas.
a Lagoa Grande de Buriti dos Lopes.
- Nas regiões mais secas, dominadas por rochas cristali- Potencialidades
nas, as aluviões recentes são áreas indicadas para constru-
ção de barragens subterrâneas. - Os manguezais atuam como verdadeiros contensores da
- Terraços pouco mais elevados que o nível das enchentes erosão provocada pela ação das ondas, protegendo deter-
dos rios: áreas pouco menos sujeitas a sofrer alagamentos minados setores da linha de costa. Da mesma forma, for-
frequentes. necem proteção contra as enchentes ao longo dos rios,
diminuindo a força das inundações.
Unidade DCm - Auxiliam a mitigar os efeitos da poluição, retendo, retar-
dando e transformando substâncias poluidoras, como
Ambiente misto (marinho/continental), com interca- pesticidas, metais tóxicos e matéria orgânica, evitando que
lações irregulares de sedimentos arenosos, síltico-argilo- contaminem os mananciais hídricos. Os micro-organismos
sos, em geral ricos em matéria orgânica (mangues), onde presentes nessas áreas atuam na decomposição dos
se encontra a forma de relevo Planícies Fluviomarinhas. poluentes da água, como nitratos, e do ar, como sulfatos.
Além disso, são fontes relevantes na produção de oxigênio.
Limitações -Constituem locais de reprodução, alimentação e descanso
de aves aquáticas em geral, sendo de extrema importância
-Áreas sujeitas a enchentes sazonais, causadas por extra- para aquelas migratórias. São também áreas críticas para a
vasamento dos rios, principalmente em períodos de chu- reprodução de um grande número de espécies de peixes,
vas mais intensas. crustáceos e moluscos de valor econômico para o homem.
116
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO
Unidade DCSR
Limitações
- Áreas planas favoráveis à implantação de obras lineares e - Áreas limitativas à expansão urbana e do sistema viário.
ocupação urbana, desde que haja planejamento adequado. - São altamente suscetíveis à poluição de seus mananciais
hídricos, devido à elevada permeabilidade das areias e à
DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS pequena profundidade do nível freático.
EÓLICOS - Deve-se evitar a instalação de qualquer fonte potencial-
mente poluidora.
O domínio dos sedimentos cenozoicos eólicos (DCE)) - Eventualmente, são encontradas águas cloretadas (com
é constituído por duas unidades geológico-ambientais: altos teores em sais).
DCEm e DCEf (Figura 11.3). - Deve-se ter cuidado com o bombeamento excessivo de
poços, a fim de evitar o avanço da cunha salina.
Unidade DCEm - Tendo em vista a alta vulnerabilidade à poluição/conta-
minação hídrica, o monitoramento e a preservação desses
Dunas móveis – material arenoso inconsolidado –, ambientes são fundamentais para assegurar a qualidade
onde se encontra a forma de relevo Campo de Dunas. das águas. Além disso, deve-se evitar que a urbanização
indiscriminada atinja as áreas de recarga, impermeabili-
Limitações zando os terrenos e comprometendo a potencialidade
desses aquíferos.
- Terrenos fortemente instáveis, apresentando elevados riscos - Construção de estradas, loteamentos e outros equipa-
de desmoronamento e erosão em taludes de corte e aterros. mentos públicos e privados, assim como as atividades
- Areias quartzosas finas a médias, bem arredondadas e de mineração de areia e minerais pesados em dunas re-
selecionadas, sujeitas ao fenômeno da liquefação (tipo areia sultam na desestabilização e até mesmo no desmonte
movediça), causando a perda de resistência do terreno e o desses depósitos, alterando significativamente a dinâmi-
risco de colapsos das fundações nele implantadas. ca eólica dessas áreas, além de degradar um patrimônio
117
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Unidade DCEf
Limitações
118
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO
Unidade DCDL
119
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Potencialidades
- O relevo plano diminui o potencial à erosão hídrica dos Predomínio de sedimentos arenosos, onde são en-
solos e favorece a mecanização agrícola. contradas as seguintes formas de relevo: Tabuleiros; Tabu-
120
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO
leiros Dissecados; Planaltos; Baixos Platôs Dissecados; Su- zontal dos sedimentos arenosos, argilosos, siltosos e
perfícies Aplainadas Conservadas; Superfícies Aplainadas conglomeráticos.
Degradadas; Inselbergs; Domínio de Colinas Amplas e - O potencial para captação de água subterrânea é variá-
Suaves; Escarpas Serranas. vel, de acordo com a fácies sedimentar dominante na área
de interesse: alto nos sedimentos arenosos e conglomerá-
Limitações ticos e baixo a muito baixo nos siltosos e argilosos.
- Áreas com potencialidade para exploração de areia, argi-
- Podem ocorrer sedimentos com argilominerais expansivos la e cascalho para construção civil.
que, quando submetidos a variações de umidade, tornam-se
colapsíveis e sofrem o fenômeno de empastilhamento, ou seja, DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS E
desagregam-se em pequenas pastilhas, podendo causar defor- MESOZOICOS, POUCO A MODERADAMENTE
mações e trincamentos em obras de construção civil. CONSOLIDADOS, ASSOCIADOS A
- Onde predominam sedimentos arenosos, os solos pos- PROFUNDAS E EXTENSAS BACIAS
suem baixa fertilidade natural, são ácidos, de baixa capa- CONTINENTAIS
cidade de reter água e nutrientes.
- As águas subterrâneas podem apresentar, em determina- O domínio dos sedimentos cenozoicos e mesozoicos,
das áreas, elevados teores de ferro. pouco a moderadamente consolidados, associados a pro-
fundas e extensas bacias continentais (DCM), é constitu-
Potencialidades ído pela unidade geológico-ambiental DCMa (Figura
11.7).
- Áreas de sedimentos dominantemente arenoargilosos,
com boa capacidade de suporte, onde não ocorrem mai- Unidade DCMa
ores problemas de fundação. O material predominante
pode ser escavado com facilidade. Predomínio de sedimentos arenosos de deposição
- Solos normalmente de fertilidade natural variável, em continental, lacustre, fluvial ou eólico – arenitos, onde
função da heterogeneidade granulométrica vertical e hori- são encontradas as seguintes formas de relevo: Planal-
tos; Chapadas; Platôs; Superfícies Aplainadas Degrada-
das; Escarpas Serranas; Degraus Estruturais e Rebordos
Erosivos.
Limitações
Potencialidades
Figura 11.6 - Distribuição do domínio dos sedimentos cenozoicos,
pouco a moderadamente consolidados, associados a tabuleiros no - O relevo plano diminui o potencial à erosão hídrica dos
estado do Piauí. solos e favorece a mecanização agrícola.
121
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Unidade DSMc
Limitações
Potencialidades
- Grande capacidade transmissora e armazenadora de água O domínio das coberturas sedimentares e vulca-
subterrânea, resultando em bons aquíferos. Em algumas nossedimentares mesozoicas e paleozoicas, pouco a
áreas, a permeabilidade e a porosidade são reduzidas, de- moderadamente consolidadas, associadas a grandes e
vido ao alto grau de silicificação e diagênese dos arenitos. profundas bacias sedimentares do tipo sinéclise (ambientes
- Potencial de recarga elevado, principalmente nas superfí- deposicionais: continental, marinho, desértico, glacial e
cies planas de platôs e topos de chapadas. vulcânico) (DSVMP), é constituído pelas unidades geológico-
- Manto de alteração com potencial para ser usado como -ambientais DSVMPae, DSVMPacg, DSVMPasaf, DSVMPsaa
saibro. e DSVMPasac (Figura 11.9).
- Arenitos silicificados podem ser utilizados como pedras
de revestimento. Unidade DSVMPae
- Depósitos de diamante relacionados aos conglomerados
basais da Formação Areado e sedimentos aluvionares, Predomínio de espessos pacotes de arenitos de deposi-
explotados por atividades de garimpo e pequena minera- ção eólica, onde é encontrada a forma de relevo Superfícies
ção, nos municípios de Gilbués e Monte Alegre do Piauí Aplainadas Retocadas ou Degradadas.
(sudoeste do estado).
- Formas de relevo e feições erosivas interessantes consti- Limitações
tuem atrativos paisagísticos e turísticos
- Sedimentos à base de quartzo: bastante abrasivos;
DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES problemáticos de serem perfurados com sondas rota-
MESOZOICAS CLASTOCARBONÁTICAS tivas.
CONSOLIDADAS EM BACIAS DE MARGENS - Alteram-se para solos excessivamente arenosos, friáveis,
CONTINENTAIS (RIFT) permeáveis e erosivos, que desmoronam com facilidade em
taludes de corte, formando voçorocas.
O domínio das sequências sedimentares mesozoicas - Sedimentos com baixa capacidade para reter, fixar e eli-
clastocarbonáticas consolidadas em bacias de margens con- minar poluentes.
tinentais (rift) (DSM) é constituído pela unidade geológico- - Aquíferos porosos, de muito alta vulnerabilidade à con-
-ambiental DSMc (Figura 11.8). taminação.
122
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO
Limitações
Potencialidades
Potencialidades
Unidade DSVMPacg
123
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
conglomerática, que permite grande capacidade riores do pacote sedimentar, o risco de cargas poluentes
transmissora e armazenadora de água subterrânea. contaminarem o aquífero é alto. Se os sedimentos mais
- Em certas áreas, os arenitos mostram-se bastante finos estão no topo, esse risco é relativamente baixo.
silicificados, o que diminui sua permeabilidade primária.
Nesses casos, é comum estarem bem fraturados, criando Potencialidades
boas condições de percolação da água (aquíferos poro-
sos/fissurais). - Aquíferos porosos de alta capacidade armazenadora e
- Potencial de recarga elevado, principalmente nas super- circuladora de água nas camadas arenosas, em geral pre-
fícies planas de platôs e topos de chapadas. dominantes. Muitas vezes constituem aquíferos confina-
- Em muitos locais, os poços são artesianos (jorrantes), dos pelas intercalações dos horizontes argilosos presentes
devido ao confinamento desses aquíferos por camadas de nessa unidade e/ou pelas formações sobrepostas de ou-
rochas impermeáveis e semipermeáveis. tras unidades impermeáveis e semipermeáveis.
- A concentração de Sólidos Totais Dissolvidos (STD), - Alto potencial de recarga nas áreas onde afloram os se-
verificada na grande maioria dos poços perfurados nessa dimentos arenosos, principalmente em relevos planos de
unidade, situa-se abaixo de 500 mg/l, o que significa qua- platôs e chapadas.
lidade muito boa, quanto à potabilidade das águas. - De modo geral, a potabilidade das águas é muito boa
- Manto de alteração com potencial para utilização como (STD < 500 mg/l), sendo muito bem aproveitada para
saibro. abastecimento doméstico.
- Arenitos silicificados com potencial para utilização como - Depósitos de opala em Pedro II, norte do estado, associ-
pedras de revestimento. ados a intrusões de diques de diabásio em arenitos e siltitos
- A ocupação de amplas áreas de Cerrado, nas porções da Formação Cabeças.
oeste e sudoeste do estado, por plantio de grãos (principal- - Ardósias para pisos e revestimentos (região de Castelo
mente soja), merece atenção especial. Essa atividade tem do Piauí e Pedro II; norte do estado).
se expandido bastante nos últimos anos, principalmente - A ocupação de amplas áreas de Cerrado, nas porções
nos topos das chapadas, devido às boas condições de to- oeste e sudoeste do estado, por plantio de grãos (principal-
pografia e clima (na região dos cerrados o regime mente soja), merece atenção especial. Essa atividade tem
pluviométrico é regular, com índice médio de 1.100-1.300 se expandido bastante nos últimos anos, principalmente
mm/ano). As chapadas são áreas de recarga dos aquíferos nos topos das chapadas, devido às boas condições de to-
e, em muitas delas, estão localizadas as nascentes de im- pografia e clima (na região dos cerrados o regime
portantes rios tributários do rio Parnaíba, justificando a ne- pluviométrico é regular, com índice médio de 1.100-1.300
cessidade de medidas rígidas de controle e monitoramento mm/ano). As chapadas são áreas de recarga dos aquíferos
das atividades agrícolas nelas implantadas. e, em muitas delas, estão localizadas as nascentes de im-
portantes rios tributários do rio Parnaíba, justificando a ne-
Unidade DSVMPasaf cessidade de medidas rígidas de controle e monitoramento
das atividades agrícolas nelas implantadas.
Intercalações de sedimentos arenosos, síltico-argilo-
sos e folhelhos, onde são encontradas as seguintes for- Unidade DSVMPsaa
mas de relevo: Baixos Platôs Dissecados; Superfícies Aplai-
nadas Conservadas; Superfícies Aplainadas Degradadas; Predomínio de sedimentos síltico-argilosos com inter-
Inselbergs; Domínio de Colinas Amplas e Suaves; Degraus calações arenosas, onde são encontradas as seguintes for-
Estruturais e Rebordos Erosivos; Vales Encaixados. mas de relevo: Tabuleiros; Planaltos; Baixos Platôs Disseca-
dos; Superfícies Aplainadas Conservadas; Superfícies Aplai-
Limitações nadas Degradadas; Inselbergs; Domínio de Colinas Amplas
e Suaves; Domínio Montanhoso; Escarpas Serranas; De-
- Grande variação na permeabilidade e coerência dos ma- graus Estruturais e Rebordos Erosivos; Vales Encaixados.
teriais: heterogeneidade geomecânica e hidráulica, tanto
na vertical quanto na horizontal. Limitações
- Solos com características físicas e potenciais agrícolas
muito variáveis, em função das diferenciações litológicas - Predomínio de sedimentos portadores de argilominerais
do pacote sedimentar. expansivos, que se alteram para solos erosivos e colapsí-
- Predomínio de sedimentos arenosos, que se alteram veis, inadequados para utilização como material de em-
para solos naturalmente erosivos e de baixa fertilidade. préstimo e instáveis em taludes de corte.
- A vulnerabilidade à contaminação das águas subter- - Predomínio de solos de baixa fertilidade natural: ricos
râneas por substâncias poluentes é variável, devido à em alumínio (solos ácidos).
alternância entre sedimentos arenosos e síltico-argilo- - Os solos argilosos e síltico-argilosos compactam-se e im-
sos. Quando os primeiros ocorrem nas porções supe- permeabilizam-se bastante quando submetidos à mecani-
124
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO
zação excessiva e a intenso pisoteio pelo gado, favorecen- rebaixamento do lençol freático e, consequentemente, ace-
do a erosão hídrica laminar. lerar os processos de abatimento e colapso dos terrenos.
- Formações predominantemente de natureza pelítica, im- - Os sedimentos síltico-argilosos e calcários alteram-se para
permeáveis a semipermeáveis, de baixo a muito baixo solos pouco permeáveis, de textura argilosa. Por outro lado,
potencial hidrogeológico. onde as camadas de calcário afloram, podem ocorrer
dolinas, que são depressões do terreno formadas por dis-
Potencialidades solução da rocha e que funcionam como dutos de ligação
entre as águas superficiais e subterrâneas. Onde existem
- Solos argilosos são bastante porosos, de boa capacidade essas feições, a vulnerabilidade à contaminação do lençol
hídrica, mantendo boa disponibilidade de água para as freático é muito alta.
plantas. - Potencial hidrogeológico bastante irregular.
- Os sedimentos síltico-argilosos predominantes e os solos - A qualidade da água pode estar comprometida por altos
deles provenientes são pouco permeáveis e possuem alta teores de carbonato de cálcio (água dura).
capacidade de reter e eliminar poluentes. Essas caracterís-
ticas, juntamente com uma boa espessura de solo, permi- Potencialidades
tem classificar a vulnerabilidade à contaminação das águas
subterrâneas como sendo baixa. - Solos de bom potencial agrícola, onde ocorrem calcários.
- Localmente, podem apresentar condições aquíferas, de- Essas rochas alteram-se liberando vários nutrientes para o
vido às intercalações de níveis arenosos. solo, principalmente cálcio e magnésio.
- Potencial para ocorrência de fosfatos. - As características hidrogeológicas dos sedimentos are-
- Argilas e siltitos para construção civil. nosos e síltico-argilosos são similares às descritas para as
- A ocupação de amplas áreas de Cerrado, nas porções unidades anteriores.
oeste e sudoeste do estado, por plantio de grãos (princi- - As rochas calcárias podem conter cavidades subterrâne-
palmente soja), merece atenção especial. Essa atividade as, onde as águas se acumulam em volumes significati-
tem se expandido bastante nos últimos anos, principal- vos, formando aquíferos cársticos.
mente nos topos das chapadas, devido às boas condi- - Calcários para corretivo de solo, cimento, cal, brita e
ções de topografia e clima (na região dos cerrados o outros usos.
regime pluviométrico é regular, com índice médio de
1.100-1.300 mm/ano). As chapadas são áreas de recarga DOMÍNIO DO VULCANISMO FISSURAL
dos aquíferos e, em muitas delas, estão localizadas as MESOZOICO DO TIPO PLATEAU
nascentes de importantes rios tributários do rio Parnaíba,
justificando a necessidade de medidas rígidas de contro- O domínio do vulcanismo fissural mesozoico do tipo
le e monitoramento das atividades agrícolas nelas im- plateau (DVM) é constituído pela unidade geológico-
plantadas. ambiental DVMgd (Figura 11.10).
Limitações Limitações
- Onde ocorrem rochas calcárias, podem formar-se, por - Rochas de moderada a alta resistência ao corte e à pene-
dissolução, cavidades (grutas e cavernas) sujeitas a des- tração.
moronamentos subterrâneos, causando abatimentos e - Em geral, são rochas bastante fraturadas, facilitando o
colapsos da superfície. desprendimento de blocos em taludes de corte.
- As grandes obras de engenharia devem ser precedidas - Os solos residuais dessas rochas, quando pouco evolu-
de investigações geológicas e geotécnicas, a fim de iden- ídos, podem conter grande quantidade de argilomine-
tificar a possível existência dessas feições. rais expansivos, o que os torna instáveis às variações de
- Deve-se evitar o excessivo bombeamento de água subterrâ- graus de umidade, causando desestabilização em talu-
nea, pois, nas áreas de rochas calcárias, isso pode causar des de corte. Esse material também não é adequado para
125
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
utilização como material de empréstimo em obras sub- - As áreas planas são bastante favoráveis à agricultura,
metidas e expostas às variações dos estados úmido e seco. enquanto as mais íngremes só devem ser usadas com a
- Os solos argilosos são, naturalmente, pouco erosivos, aplicação de técnicas adequadas.
mas quando continuamente submetidos a cargas eleva- - Rochas que se alteram para solos argilosos, de alta capa-
das pelo uso de maquinários agrícolas pesados e/ou in- cidade de reter, fixar e eliminar poluentes: nos locais onde
tenso pisoteio de gado, compactam-se e impermeabili- os solos são profundos, a vulnerabilidade à contaminação
zam-se, favorecendo os processos de erosão hídrica. das águas subterrâneas é baixa.
- Rochas com alta densidade de fendas abertas, princi- - Intercalações de arenitos, que podem armazenar água,
palmente, próximo à superfície, facilitando a percolação com possibilidade de ocorrer o fenômeno de artesianismo
rápida de poluentes; nos locais onde as rochas afloram, (poços jorrantes).
o risco de contaminação das águas subterrâneas é alto, - Mineralizações de opala e calcedônia, no contato de
portanto, cuidados especiais devem ser tomados com diques de diabásios com arenitos e siltitos (importantes
todas as fontes potencialmente poluidoras. depósitos na região de Pedro II).
- Aquíferos fissurais, de potencial hidrogeológico bastan- - Utilização como brita, pedras de cantaria e revestimento.
te irregular.
- Manto de alteração com permeabilidade baixa a mode- DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES
rada, desfavorável à recarga dos aquíferos. E VULCANOSSEDIMENTARES DO
EOPALEOZOICO, ASSOCIADAS A RIFTS,
Potencialidades NÃO OU POUCO DEFORMADAS E
METAMORFIZADAS
- Quando os solos são bem evoluídos (pedogênese avan-
çada), são pouco erosivos, com boa capacidade de O domínio das sequências sedimentares e vulcanos-
compactação, boa estabilidade em taludes de corte e ade- sedimentares do Eopaleozoico, associadas a rifts, não ou
quados para material de empréstimo. pouco deformadas e metamorfizadas (DSVE) é constituí-
- Rochas básicas alteram-se, a depender das condições cli- do pela unidade geológico-ambiental DSVEs (Figura
máticas, para solos argilosos, férteis, ricos em elementos 11.11).
nutrientes para as plantas (principalmente Ca, Mg e Fe).
Unidade DSVEs
Limitações
126
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO
Potencialidades Limitações
- Empilhamento irregular de camadas com permeabilida- - Predomínio de rochas à base de quartzo, bastante abrasivas
de e porosidade bastante diferentes e diferentemente tec- e de moderada a alta resistência ao corte e à penetração.
tonizadas: favorável à existência de aquíferos confinados - Predominam solos residuais quartzoarenosos, de baixa
e semiconfinados, dos tipos poroso e fraturado. fertilidade natural. Respondem mal à adubação e são
erosivos.
DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES - Fraturas abertas facilitam a percolação de poluentes, po-
PROTEROZOICAS DOBRADAS, dendo atingir as águas subterrâneas. Potencial hidrogeo-
METAMORFIZADAS DE BAIXO A MÉDIO GRAU lógico irregular.
Limitações
Potencialidades
Unidade DSP2sag
Limitações
127
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Potencialidades
Predomínio de metacalcários, com intercalações su- - Áreas onde as várias unidades desse domínio ocorrem
bordinadas de metassedimentos síltico-argilosos e areno- juntas, sendo difícil a adoção de uma característica pre-
sos, onde são encontradas as seguintes formas de relevo: dominante de uma única delas.
Superfícies Aplainadas Degradadas; Inselbergs; Domínio
de Morros e de Serras Baixas; Degraus Estruturais e Rebor- Unidade DSVP2q
dos; Vales Encaixados.
Predomínio de quartzitos, onde são encontradas as
Limitações seguintes formas de relevo: Planaltos e Baixos Platôs; Su-
perfícies Aplainadas Degradadas; Inselbergs; Domínio de
- Rochas carbonáticas dissolvem-se com facilidade pela Colinas Dissecadas e de Morros Baixos; Domínio de Mor-
ação das águas, criando cavidades (grutas e cavernas) su- ros e de Serras Baixas.
128
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO
- Rochas de alta resistência ao corte e à penetração. Predomínio de rochas metacalcárias, com intercalações
- Geralmente, os quartzitos mostram-se bastante fratura- de finas camadas de metassedimentos síltico-argilosos,
dos, facilitando a percolação de poluentes que atingem as onde são encontradas as seguintes formas de relevo: Do-
águas subterrâneas. mínio de Colinas Dissecadas e de Morros Baixos; Domínio
- A alta densidade de fraturas também facilita o desprendi- de Morros e de Serras Baixas.
mento de blocos e placas em taludes de corte.
- Solos quartzoarenosos, de baixa fertilidade natural, bas- Limitações
tante erosivos, ácidos e permeáveis.
- Nesses solos, a capacidade de reter e fixar nutrientes e - Riscos de colapsos e subsidências dos terrenos, devido à
de assimilar matéria orgânica é baixa (respondem mal à presença de cavidades formadas pela dissolução das rochas
adubação). calcárias.
- Necessidade de estudos geotécnicos de detalhe, incluindo
Potencialidades geofísica, para identificar feições que podem causar colapsos
dos terrenos.
- Aquíferos fissurais. A alta densidade de falhas e fraturas - Deve-se evitar o excessivo bombeamento de água subter-
favorece o potencial circulador e armazenador de água rânea, pois, nas áreas de rochas calcárias, isso pode causar
subterrânea. o intenso rebaixamento do lençol freático e, consequente-
- Os solos arenosos favorecem o potencial de recarga das mente, acelerar os processos de abatimento e colapso dos
águas subterrâneas. terrenos.
- Os quartzitos podem ser usados como material para - Locais com cavidades de ligação entre os fluxos d’água super-
revestimentos, pisos e pedras de cantaria. ficiais e subterrâneos (dolinas e sumidouros): áreas vulneráveis
- Manto de alteração bom para ser usado como saibro e à contaminação dos mananciais hídricos subterrâneos.
para extração de areia. - A qualidade da água pode estar comprometida por altos
teores de carbonato de cálcio (água dura).
Potencialidades
Unidade DSVP2vfc
Limitações
129
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
corte. Devem-se evitar traçados de estradas em que os - Solos argilosos e síltico-argilosos são pouco permeáveis
cortes tenham de ser feitos em posição desfavorável aos e possuem alta capacidade de reter e depurar substâncias
planos de xistosidade. poluentes.
- Formações ferromanganesíferas liberam ácidos bastante - Quando as rochas apresentam grande quantidade de fra-
corrosivos, prejudiciais a obras enterradas. turas e de interconexões entre elas, o potencial circulador
- Solos síltico-argilosos normalmente pouco erosivos, po- e armazenador de água é favorecido.
rém, podem se tornar bastante compactados, quando - Ambiência geológica mais favorável a mineralizações de
submetidos a mecanização excessiva e intenso pisoteio níquel, cobre, cromo, talco e amianto.
pelo gado, favorecendo a erosão hídrica laminar.
- Potencial hidrogeológico geralmente baixo a muito baixo. DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS
- As águas subterrâneas podem conter altos teores de ferro. VULCANOSSEDIMENTARES TIPO
GREENSTONE BELT, ARQUEANO AO
Potencialidades PALEOPROTEROZOICO
-Solos síltico-argilosos, normalmente de baixa erosividade O domínio das sequências vulcanossedimentares tipo
natural, boa capacidade de compactação e boa fertilida- Greenstone Belt, Arqueano ao Paleoproterozoico (DGB) é
de. constituído pelas unidades geológico-ambientais DGBko
-Predomínio de solos residuais pouco permeáveis e de alta e BGBss (Figura 11.14).
capacidade para reter e eliminar poluentes. Onde os solos
são espessos, o potencial de contaminação do lençol Unidade DGBko
freático é baixo.
-Ambiência geológica com potencial para mineralizações Sequências vulcânicas komatiiticas, associadas a tal-
de ferro, manganês, ouro, cobre, chumbo e zinco. co-xistos, anfibolitos, cherts, formações ferríferas e
metaultrabasitos, onde são encontradas as seguintes for-
Unidade DSVP2vfc mas de relevo: Planaltos; Superfícies Aplainadas Degrada-
das; Domínio de Colinas Dissecadas e de Morros Baixos;
Predomínio de rochas metabásicas e metaultramáficas, Domínio de Morros e de Serras Baixas.
onde são encontradas as seguintes formas de relevo: Su-
perfícies Aplainadas Degradadas; Domínio de Colinas Limitações
Dissecadas e de Morros Baixos; Degraus Estruturais e Re-
bordos Erosivos. - Rochas de moderada a alta resistência ao corte e à pene-
tração.
Limitações - Presença de blocos e matacões em meio aos solos.
- Os solos, quando pouco evoluídos, podem apresentar
- Rochas metabásicas e metaultrabásicas, no início do pro- concentrações de argilominerais expansivos, tornando-se
cesso de alteração, dão origem a argilominerais expansi- instáveis quando submetidos à alternância dos estados
vos. úmidos e secos.
- É comum a presença de blocos e matacões em profun- -Aquíferos fissurais, de potencial hidrogeológico bastante
didade nos solos, que podem se movimentar e desestabi- irregular.
lizar obras sobre eles apoiadas.
- Essas rochas costumam ser bastante fraturadas; o alto Potencialidades
grau de fraturamento torna os terrenos mais percolativos
e, portanto, mais vulneráveis à poluição/contaminação das - Quando bem evoluídos, os solos possuem boa capaci-
águas subterrâneas. dade de compactação, podendo ser utilizados como ma-
- Aquíferos fissurais de potencialidade hidrogeológica nor- terial de empréstimo.
malmente baixa. - Apresentam boa estabilidade em taludes de corte.
- Manto de alteração desfavorável à recarga de aquíferos. - Os solos residuais argilosos, provenientes de rochas
máficas e ultramáficas, são, em geral, de boa fertilidade
Potencialidades natural (ricos em nutrientes, principalmente Mg). Possu-
em boa capacidade para reter e fixar nutrientes e de assi-
- Os solos residuais bem evoluídos (pedogênese avança- milar matéria orgânica, respondendo bem à adubação.
da) são de baixa erosividade natural, compactam-se bem São pouco erosivos (quando bem evoluídos) e têm boa
e têm boa estabilidade em taludes de corte. capacidade hídrica.
- Solos de boa fertilidade natural (ricos em nutrientes, prin- - Solos normalmente profundos e pouco permeáveis, com
cipalmente Mg) e de excelentes qualidades físicas para a alta capacidade para reter e eliminar poluentes: baixa
agricultura. vulnerabilidade à contaminação das águas subterrâneas.
130
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO
- As rochas máficas e ultramáficas costumam ser bem - Metassedimentos finamente laminados e de alta fissilida-
fraturadas, favorecendo a circulação e armazenamento de: soltam placas e desestabilizam-se com facilidade em
de água. taludes de corte. Devem-se evitar traçados de estradas em
- Predomínio de litologias de moderada a baixa resistência que os cortes tenham de ser feitos em posição desfavorável
ao corte e à penetração. aos planos de xistosidade.
- Ambiência geológica favorável a mineralizações metálicas: - Riscos de colapsos e subsidências dos terrenos, devido
Au, Cu, Pb, Zn, Cr, Fe e Mn. à presença de cavidades formadas por dissolução dos
- Potencial para depósitos de barita, magnesita, talco e metacalcários.
vermiculita. - Áreas mais propensas a movimentos de massa (escorre-
gamentos).
Unidade DGBss - Riscos de colapsos e subsidências dos terrenos, devido
à presença de cavidades formadas por dissolução dos
Sequências exclusivamente metassedimentares, repre- metacalcários.
sentadas principalmente por filitos variados, clorita-xistos, - Solos síltico-argilosos e arenosos (quartzitos), normalmen-
quartzitos e metacalcários, onde são encontradas as seguin- te de baixa a moderada fertilidade natural.
tes formas de relevo: Superfícies Aplainadas Degradadas; - Os solos arenosos, originados de quartzitos, são altamente
Domínio de Colinas Dissecadas e de Morros Baixos; Domínio percolativos e com baixa capacidade de reter e depurar
de Morros e de Serras Baixas. poluentes, que podem atingir o lençol freático.
- Onde ocorrem rochas metacalcárias, podem existir ca-
Limitações vidades de ligação entre os fluxos d’água superficiais e
subterrâneos (dolinas e sumidouros de drenagem), confi-
- Intercalações irregulares de camadas, em geral dobradas gurando áreas vulneráveis à contaminação dos mananciais
e de espessuras variadas, com comportamentos geomecâ- hídricos subterrâneos.
nicos e hidráulicos heterogêneos. - Aquíferos fissurais, de potencialidade hidrogeológica
irregular.
Potencialidades
Unidade DCMUmu
131
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Limitações
Potencialidades
Figura 11.15 - Distribuição do domínio dos corpos máfico-
ultramáficos (suítes komatiiticas, suítes toleíticas, complexos
- Os solos residuais argilosos com pedogênese avançada bandados) no estado do Piauí.
são pouco erosivos, possuem alta capacidade de compac-
tação e boa estabilidade em taludes de corte. Domínio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos; Degraus
- Solos normalmente ricos em nutrientes, principalmente Estruturais e Rebordos Erosivos; Vales Encaixados.
K, Na, Ca, Fe e Mg.
- Solos de baixa permeabilidade e alta capacidade para Limitações
reter, fixar e eliminar poluentes. Quando são profundos, o
risco de contaminação das águas subterrâneas é baixo. - Presença significativa de blocos e matacões irregular-
- Ambiência geológica com potencialidade para minerali- mente distribuídos em superfície e em profundidade nos
zações de cobre, cromo, cobalto, platina, prata, níquel, solos.
alumínio, amianto, talco e vermiculita, além de rochas or- - Normalmente, sustentam relevos acidentados, suscetí-
namentais, carbonatitos e argila para cerâmica vermelha. veis a movimentos de massa (escorregamentos de solos e
queda de blocos).
DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES - Os solos residuais de rochas graníticas, principalmente
NÃO-DEFORMADOS quando pouco evoluídos, têm alto potencial erosivo e se
desestabilizam bastante em taludes de corte.
O domínio dos complexos granitoides não-deformados - Geralmente, os solos originados de rochas graníticas são
(DCGR1) é constituído pelas unidades geológico-ambien- pobres em nutrientes (baixa fertilidade natural) e ricos em
tais DCGR1alc e DCGR1in (Figura 11.16). alumínio (solos ácidos).
- Os solos originados de rochas graníticas possuem altos
Unidade DCGR1alc teores de argila e podem compactar-se e impermeabilizar-
se excessivamente se forem continuamente mecanizados
Séries graníticas alcalinas (por exemplo: alcalifeldspa- com equipamentos pesados ou intensamente pisoteados
to-granitos, sienogranitos, monzogranitos, quartzomonzo- pelo gado, favorecendo o escoamento superficial e, con-
nitos, monzonitos, quartzossienitos, sienitos, quartzo-alca- sequentemente, os processos erosivos.
lissienitos, alcalissienitos etc.; alguns minerais diagnósticos: - Onde os solos são rasos e as rochas se apresentam bem
fluorita, alanita etc.). São encontradas as seguintes formas fraturadas, os poluentes podem se infiltrar e atingir com
de relevo: Superfícies Aplainadas Degradadas; Inselbergs; facilidade as águas subterrâneas.
132
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO
Potencialidades
133
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
134
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO
Unidade DCGR3in
135
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
Potencialidades
Limitações
136
APÊNDICE I
UNIDADES
GEOLÓGICO-AMBIENTAIS
DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO
3
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO
4
APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO
5
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO
Indeterminado. DCAin
6
APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO
7
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO
Indiferenciado. DSVP2in
8
APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO
Associações charnockíticas.
Ex.: Piroxênio granitoides etc. DCGR1ch
Minerais diagnósticos: hiperstênio, diopsídio.
9
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO
Granitoides peraluminosos.
Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos
DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES NÃO etc. DCGR1pal
DCGR1 Minerais diagnósticos: muscovita, granada,
DEFORMADOS.
cordierita, silimanita, monazita, xenotima.
Série shoshonítica.
Ex.: Gabrodiorito a quartzomonzonito etc.
DCGR1sho
Minerais diagnósticos: augita, diopsídio e/ou
hiperstênio, anfibólio e plagioclásio.
Indeterminado. DCGR1in
Associações charnockíticas.
Ex.: Piroxênio granitoides etc. DCGR2ch
Minerais diagnósticos: hiperstênio, diopsídio.
Indeterminado. DCGR2in
10
APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO
Associações charnockíticas.
Ex.: Piroxênio granitoides etc. DCGR3ch
Minerais diagnósticos: hiperstênio, diopsídio.
Granitoides peraluminosos.
Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos
etc. DCGR3pal
Minerais diagnósticos: muscovita, granada,
cordierita, silimanita, monazita, xenotima.
Série Shoshonítica.
Ex: Gabrodiorito a quartzomonzonito etc.
DCGR3sho
Minerais diagnósticos: augita, diopsídio e/ou
hiperstênio, anfibólio e plagioclásio.
Indeterminado. DCGR3in
11
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ
CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO
Metacarbonatos. DCGMGLcar
Anfibolitos. DCGMGLaf
12
APÊNDICE II
BIBLIOTECA DE RELEVO
DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
Marcelo Eduardo Dantas ([email protected])
3
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ
dente pode ser visualizado, bastando acessar, na shape, baixos interflúvios, denominados Áreas de Acumulação
o campo de atributos “COD_REL”. Inundáveis (Aai), frequentes na Amazônia, estão inseridos
nessa unidade.
Referências:
R4b
R1a
R1a
4
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
ser mapeada em vales de grandes dimensões, em especial, R1b2 – Terraços Lagunares (paleoplanícies
nos rios amazônicos. de inundação no rebordo de lagunas costeiras)
Amplitude de relevo: 2 a 20 m.
5
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ
Amplitude de relevo: 2 a 10 m.
R1c1
R1c – Rampas de colúvio que se espraiam a partir da borda oeste do platô sinclinal (Moeda – Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais).
6
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
R1d
R1d
R1d
R1e – Planícies Costeiras (terraços marinhos
e cordões arenosos)
7
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ
R1e
R1e
R1f1
R1e
R4a1
R1f1
R1e
8
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
R1g – Recifes
R1f1
R1g
Superfícies de relevo plano a suave ondulado consti- R1g – Santa Cruz Cabrália (sul do estado da Bahia).
tuído de depósitos sílticos ou síltico-argilosos, bem sele-
9
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ
R2a1 – Tabuleiros
R2a1 – Tabuleiros pouco dissecados da bacia de Macacu (Venda das
Pedras, Itaboraí, Rio de Janeiro).
Relevo de degradação em rochas sedimentares.
Amplitude de relevo: 20 a 50 m.
10
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
Amplitude de relevo: 20 a 50 m.
R2a2
R2a2 – Tabuleiros dissecados em amplos vales em forma de “U”,
em típica morfologia derivada do grupo Barreiras (bacia do rio
Guaxindiba, São Francisco do Itabapoana, Rio de Janeiro).
Amplitude de relevo: 0 a 20 m.
11
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ
Amplitude de relevo: 20 a 50 m.
R2b2
R2b1
R2b2
12
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
R2b3 – Planaltos
R2b3
Relevo de degradação predominantemente em rochas
sedimentares, mas também sobre rochas cristalinas. R4d
Superfícies mais elevadas que os terrenos adjacentes,
pouco dissecadas em formas tabulares ou colinas muito
amplas. Sistema de drenagem principal com fraco enta-
lhamento e deposição de planícies aluviais restritas ou em
vales fechados. R3a2
Predomínio de processos de pedogênese (formação
de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a
moderada suscetibilidade à erosão). Eventual atuação de
processos de laterização. Ocorrências esporádicas, restritas
a processos de erosão laminar ou linear acelerada (ravinas
e voçorocas).
R2b3
R2b3
R2b3 – Topo do planalto da serra dos Martins, sustentado
por cornijas de arenitos ferruginosos da formação homônima
(sudoeste do estado do Rio Grande do Norte).
13
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ
Amplitude de relevo: 0 a 20 m.
R2c
Inclinação das vertentes: topo plano, excetuando-
-se os eixos dos vales fluviais.
R3a2
Relevo de aplainamento.
Amplitude de relevo: 0 a 10 m.
R2c – Borda Leste da Chapada dos Pacaás Novos (região No bioma da floresta amazônica: franco predomínio
central do estado de Rondônia).
de processos de pedogênese (formação de solos espessos
e bem drenados, em geral, com baixa suscetibilidade à
erosão). Eventual atuação de processos de laterização.
Nos biomas de cerrado e caatinga: equilíbrio entre
processos de pedogênese e morfogênese (a despeito das
baixas declividades, prevalece o desenvolvimento de solos
R2c rasos e pedregosos e os processos de erosão laminar são
significativos).
R4d
R3a2 – Superfícies Aplainadas Retocadas
ou Degradadas
Relevo de aplainamento.
14
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
R3a1 R3a1
Amplitude de relevo: 10 a 30 m.
R3a2
R4c
R3a2
R3a2 – Médio vale do rio Xingu (estado do Pará). R3a2 – Extensa superfície aplainada da depressão sertaneja
(sudoeste do estado do Rio Grande do Norte).
15
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ
Inclinação das vertentes: 25o-45o, com ocorrência R3b – Neck vulcânico do pico do Cabugi (estado do Rio Grande
de paredões rochosos subverticais (60o-90o). do Norte).
R4a1
R3b
R3b
R4a1
16
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
R4a2
R4a1
R4a2
R4a1
R4a2 – Leste do estado da Bahia.
17
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ
18
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
R4b R4c
R4c
R4b
19
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ
R4c
R4d
R4c R4d
Inclinação das vertentes: 25º-45o, com ocorrência R4d – Escarpa da serra de Miguel Inácio, cuja dissecação está
de paredões rochosos subverticais (60o-90o). controlada por rochas metassedimentares do grupo Paranoá
(cercanias do Distrito Federal).
20
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
R4e R4e
R4e
R4e
R4e – Degrau estrutural do flanco oeste do planalto de morro do R4e – Degrau estrutural no contato da bacia do Parnaíba com o
Chapéu (Chapada Diamantina, Bahia). embasamento cristalino no sul do Piauí.
21
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ
R4f
R2b3 R2b3
R4f
R4f
22
NOTA SOBRE OS AUTORES
GEODIVERSIDADE DO BRASIL
ADSON BRITO MONTEIRO – Graduado (1989) em Geologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestre (2000) em
Geociências pela mesma instituição. Atualmente, é geólogo da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil
(CPRM/SGB) – Residência de Teresina (RETE). Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em estudos de água subterrânea, atuando
principalmente nos seguintes temas: Gestão de Recursos Hídricos, Hidroquímica e Hidrogeologia.
ANTENOR FARIA DE MURICY FILHO – Graduado (1964) em Geologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ingressou na Petróleo
Brasileiro S.A. (PETROBRAS) em 1965, lá permanecendo até 1983. Nessa empresa se aperfeiçoou por meio de inúmeros cursos, principalmente
na área de interpretação de perfis e análise de bacias. Exerceu os cargos de chefe de seção, de setor, de divisão e superintendência interina,
além do exercício da Gerência de Exploração das Sucursais da Petrobras Internacional (Braspetro) do Egito e da Líbia (1976-1979). Em 1985
reingressou, como contratado, na Braspetro, onde exerceu a Gerência de Exploração das Sucursais do Yemen do Sul e da Colômbia (1985-
1992). Ingressou na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em dezembro de 2005, onde exerceu a função de
Assessor de Superintendência (2007-2008) e a Superintendência Adjunta de Definição de Blocos (em 2009). Atualmente, é superintendente
interino desse órgão.
ANTÔNIO THEODOROVICZ – Geólogo formado (1977) pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialização (1990) em Geologia
Ambiental. Ingressou na Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) – Superintendência Regional
de Porto Velho (SUREG/PV) em 1978. Desde 1982 atua na Superintendência Regional de São Paulo (SUREG/SP). Executou e chefiou vários
projetos de mapeamento geológico, prospecção mineral e metalogenia em diversas escalas nas regiões Amazônica, Sul e Sudeste. Desde 1990
atua como supervisor/executor de vários estudos geoambientais, para os quais concebeu uma metodologia, também adaptada e aplicada na
geração dos mapas Geodiversidade do Brasil e estaduais. Atualmente, também é coordenador regional do Projeto Geoparques da CPRM/SGB,
ministrando treinamentos de campo para caracterização do meio físico para fins de planejamento e gestão ambiental, para equipes da CPRM/
SGB e de países da América do Sul.
BERNARDO FARIA ALMEIDA – Graduado (2003) em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre (2005) em
Engenharia de Produção (Logística) pela COPPE/UFRJ. Atua na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) como
Analista Administrativo, na Superintendência de Definição de Blocos desde 2005, nos estudos de Geologia e Geofísica para as Rodadas de
Licitações de Blocos Exploratórios realizadas pela ANP e no acompanhamento dos contratos realizados por essa superintendência, de acordo
com o Plano Plurianual de Estudos de Geologia e Geofísica.
CINTIA ITOKAZU COUTINHO – Engenheira civil formada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Engenharia
Ambiental pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Servidora da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)
desde 2004.
DOUGLAS SILVA LUNA – Graduado (1995) em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e aperfeiçoamento
(1996) em Modelagem Matemática pela mesma instituição. Atualmente, é Engenheiro Hidrólogo da Companhia de Pesquisa de Recursos
Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB).
ENJOLRAS DE A. M. LIMA – Graduação em Geologia e Doutorado em Geociências pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É
especialista em Prospecção Geoquímica pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atualmente, é empregado da Companhia de Pesquisa de
Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB). Tem experiência na área de mapeamento geológico, pesquisa mineral, prospecção
geoquímica, geoquímica ambiental, hidrogeologia e serviço de workover em poços de petróleo.
FERNANDA SOARES DE MIRANDA TORRES – Graduada (2007) em Geologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atua na
Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) desde 2007, na área de Geologia Ambiental. Atualmente,
faz parte da equipe do Projeto Geodiversidade do Brasil.
IVO HERMES – Graduação (1973) em Geologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialização (1986) em Análise de
Deformação pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), especialização (1991) em Gestão e Administração Territorial pela Companhia de
Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) e especialização (1986) em Fácies e Ambientes Deposicionais pela CPRM/
SGB – Superintendência Regional de Porto Alegre. Atualmente, é geólogo da CPRM/SGB. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase
em Geologia de Engenharia.
JEAN RICARDO DA S. DO NASCIMENTO – Graduação (1997) em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), mestre (2001)
em Engenharia de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutorando no
Instituto de Pesquisas Hidráulicas dessa mesma instituição (IPH/UFRGS). Atualmente, exerce a função de Engenheiro Hidrólogo na Companhia
de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB). Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em Gestão
e Planejamento e Saneamento Ambiental.
KÁTIA DA SILVA DUARTE – Geóloga formada pela Universidade de Brasília (UnB). Mestre e doutora em Geotecnia pelo Departamento de
Tecnologia da UnB. Servidora da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) desde 2002.
LUCIENE PEDROSA – Oceanógrafa formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Servidora da Agência Nacional do
Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) desde 2006.
LUIS CARLOS BASTOS FREITAS – Graduação (2007) em Geologia pela Universidade Federal do Ceará (UFCE) e mestrado (2009) em
Geologia por essa mesma instituição. Atualmente, é Pesquisador em Geociências na Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço
Geológico do Brasil (CPRM/SGB). Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Gestão Territorial e Hidrogeologia.
LUIZ MOACYR DE CARVALHO – Geólogo formado (1968) pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e especialização em Metalogenia do
Ouro pela Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Geólogo do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM),
participou nos trabalhos da Divisão de Fomento à Produção Mineral e de Fiscalização de Projetos de Financiamento à Pesquisa Mineral no
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NOTA SOBRE OS AUTORES
Território Federal de Rondônia no período de 01 de junho de 1969 a 31 de dezembro de 1970. Geólogo da Companhia de Pesquisa de
Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) desde 1971, ocupando o cargo de Coordenador de Recursos Minerais da então
Superintendência de Porto Velho (RO). Participou do mapeamento geológico dos projetos Noroeste e Sudeste de Rondônia entre 1972-1978
e atuou como geólogo de prospecção mineral na Divisão de Pesquisa Mineral da Superintendência Regional de Salvador no período 1979-
2003. Atualmente, é Supervisor do GATE, setor do Departamento de Geologia e Gestão Territorial (DEGET). Áreas de interesse: pesquisa
mineral, metalogenia e patrimônio geológico – geoconservação.
MARCELO EDUARDO DANTAS – Graduado (1992) em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com os títulos de
licenciado em Geografia e Geógrafo. Mestre (1995) em Geomorfologia e Geoecologia pela UFRJ. Nesse período, integrou a equipe de
pesquisadores do Laboratório de Geo-Hidroecologia (GEOHECO/UFRJ), tendo atuado na investigação de temas como: Controles Litoestruturais
na Evolução do Relevo; Sedimentação Fluvial; Impacto das Atividades Humanas sobre as Paisagens Naturais no Médio Vale do Rio Paraíba do
Sul. Em 1997, ingressou na CPRM/SGB, atuando como geomorfólogo até o presente. Desenvolveu atividades profissionais em projetos na área
de Geomorfologia, Diagnósticos Geoambientais e Mapeamentos da Geodiversidade, em atuação integrada com a equipe de geólogos do
Programa GATE/CPRM. Dentre os trabalhos mais relevantes, destacam-se: Mapa Geomorfológico e Diagnóstico Geoambiental do Estado do
Rio de Janeiro; Mapa Geomorfológico do ZEE RIDE Brasília; Estudo Geomorfológico Aplicado à Recomposição Ambiental da Bacia Carbonífera
de Criciúma; Análise da Morfodinâmica Fluvial Aplicada ao Estudo de Implantação das UHEs de Santo Antônio e Jirau (Rio Madeira-Rondônia).
Atua, desde 2002, como professor-assistente do curso de Geografia/UNISUAM. Atualmente, é coordenador nacional de Geomorfologia do
Projeto Geodiversidade do Brasil (CPRM/SGB). Membro efetivo da União da Geomorfologia Brasileira (UGB) desde 2007.
MARIA ADELAIDE MANSINI MAIA – Geóloga formada (1996) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com especialização em
Geoprocessamento pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Atuou de 1997 a 2009 na Superintendência Regional de Manaus da
CPRM/SGB, nos projetos de Gestão Territorial e Geoprocessamento, destacando-se o Mapa da Geodiversidade do Estado do Amazonas e os
Zoneamentos Ecológico-Econômicos (ZEEs) do Vale do Rio Madeira, do estado de Roraima, do Distrito Agropecuário da Zona Franca de
Manaus. Atualmente, está lotada no Escritório Rio de Janeiro da CPRM/SGB, desenvolvendo atividades ligadas aos projetos de Gestão
Territorial dessa instituição, notadamente o Programa Levantamento da Geodiversidade.
MARIA ANGÉLICA BARRETO RAMOS – Graduada (1989) em Geologia pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre (1993) em Geociências
pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ingressou na CPRM/SGB em 1994, onde atuou em mapeamento geológico no Projeto Aracaju ao
Milionésimo. Em 1999, no Departamento de Gestão Territorial (DEGET), participou dos projetos Acajutiba-Aporá-Rio Real e Porto Seguro-
Santa Cruz Cabrália. Em 2001, na Divisão de Avaliação de Recursos Minerais, integrou a equipe de coordenação do Projeto GIS do Brasil e de
Banco de Dados da CPRM/SGB. A partir de 2006, passou a atuar na coordenação de geoprocessamento do Projeto Geodiversidade do Brasil
no DEGET. Ministra cursos e treinamentos em ferramentas de SIG aplicados a projetos da CPRM/SGB. É autora de 32 trabalhos individuais e
coautora nos livros “Geologia, Tectônica e Recursos Minerais do Brasil” e “Geodiversidade do Brasil”, dentre outros (12). Foi presidenta da
Associação Baiana de Geólogos no período de 2005-2007 e vice-presidenta de 2008 a 2009.
PEDRO AUGUSTO DOS SANTOS PFALTZGRAFF – Geólogo formado (1984) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre
(1994) na área de Geologia de Engenharia e Geologia Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutor (2007) em
Geologia Ambiental pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Trabalhou, entre 1984 e 1988, em obras de barragens e projetos de
sondagem geotécnica na empresa Enge Rio – Engenharia e Consultoria S.A. e como geólogo autônomo entre os anos de 1985-1994. Trabalha
na CPRM/SGB desde 1994, onde atua em diversos projetos de Geologia Ambiental.
RICARDO DE LIMA BRANDÃO – Graduação (1978) em Geologia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Trabalhou em
projetos de mapeamento geológico na Amazônia de 1978 a 1981 e de 1986 a 1990, pela CPRM/SGB. Entre esses dois períodos, exerceu
função de Supervisão e Acompanhamento de Projetos na área de Metalogenia e Geologia Econômica, no Escritório Rio de Janeiro da CPRM/
SGB (1981-1986). Desde 1990 está lotado na Residência de Fortaleza (REFO), onde vem desenvolvendo trabalhos relativos aos temas Geologia
Ambiental e Recursos Hídricos Subterrâneos, com ênfase nos processos geológicos e problemas ambientais em regiões costeiras.
ROGÉRIO VALENÇA FERREIRA – Bacharel (1993) em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), especialização (1994) em
Cartografia Aplicada ao Geoprocessamento (UFPE), mestre (1999) e doutor (2008) em Geociências por essa mesma instituição. Trabalhou no
período de 1992 a 2002 no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), onde atuou na área de geoprocessamento. Ingressou na
Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) em 2002, como Analista em Geociências, quando
participou do Projeto Sistema de Informações Geoambientais da Região Metropolitana do Recife. Atualmente, faz parte da equipe do Projeto
Geodiversidade do Brasil, onde trabalha com o tema Geomorfologia, e é Coordenador Regional do Projeto Geoparques na área de atuação da
Superintendência Regional do Recife da CPRM/SGB. Suas principais áreas de interesse são: Geomorfologia e Conservação do Patrimônio
Geológico-Geomorfológico.
VALTER JOSÉ MARQUES – Graduado (1966) em Geologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialização em
Petrologia (1979), pela Universidade de São Paulo (USP), e Engenharia do Meio Ambiente (1991), pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ). Nos primeiros 25 anos de carreira, dedicou-se ao ensino universitário, na Universidade de Brasília (UnB), e ao mapeamento geológico
na CPRM/SGB, entremeando um período em empresas privadas (Mineração Morro Agudo e Camargo Correa), onde atuou em prospecção
mineral em todo o território nacional. Desde 1979, quando retornou à CPRM/SGB, exerceu diversas funções e ocupou diversos cargos, dentre
os quais o de Chefe do Departamento de Geologia da CPRM/SGB e o de Superintendente de Recursos Minerais. Nos últimos 18 anos, vem se
dedicando à gestão territorial, com destaque para o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), sobretudo na Amazônia e nas faixas de
fronteira com os países vizinhos, atuando como coordenador técnico de diversos projetos binacionais. Nos últimos 10 anos, vem desenvolvendo
estudos quanto à avaliação da Geodiversidade para o desenvolvimento regional utilizando técnicas de cenários prospectivos.
VITÓRIO ORLANDI FILHO – Geólogo (1967) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Especialização em Sensoriamento
Remoto e Fotointerpretação no Panamá e Estados Unidos. De 1970 a 2007, exerceu suas atividades junto à CPRM/SGB, onde desenvolveu
projetos ligados a Mapeamento Geológico Regional, Prospecção Mineral e Gestão Territorial. Em 2006, participou da elaboração do Mapa
Geodiversidade do Brasil (CPRM/SGB).
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GEODIVERSIDADE DO
GEODIVERSIDADE DO
ESTADO DO PIAUÍ
ESTADO DO PIAUÍ
DO PIAUÍ
PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL
LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE
GEODIVERSIDADE DO ESTADO
da sociedade piauiense uma tradução do atual
conhecimento geocientífico da região, com vistas ao
planejamento, aplicação, gestão e uso adequado do
território. Destina-se a um público alvo muito variado, SEDE
SGAN – Quadra 603 • Conj. J • Parte A – 1º andar
incluindo desde as empresas de mineração, passando Brasília – DF • 70830-030
pela comunidade acadêmica, gestores públicos Fone: 61 3326-9500 • 61 3322-4305
Fax: 61 3225-3985
estaduais e municipais, sociedade civil e ONGs.
Escritório Rio de Janeiro – ERJ
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Dotado de uma linguagem voltada para múltiplos Rio de Janeiro – RJ • 22290-040
Fone: 21 2295-5337 • 21 2295-5382
usuários, o mapa compartimenta o território piauiense Fax: 21 2542-3647
em unidades geológico-ambientais, destacando suas Presidência
limitações e potencialidades frente à agricultura, obras Fone: 21 2295-5337 • 61 3322-5838
Fax: 21 2542-3647 • 61 3225-3985
civis, utilização dos recursos hídricos, fontes poluidoras,
Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial
potencial mineral e geoturístico. Fone: 21 2295-8248 • Fax: 21 2295-5804
Ouvidoria
Fone: 21 2295-4697 • Fax: 21 2295-0495
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Geodiversidade é o estudo do meio físico constituído por ambientes
diversos e rochas variadas que, submetidos a fenômenos naturais Serviço de Atendimento ao Usuário – SEUS
e processos geológicos, dão origem às paisagens, ao relevo, outras Fone: 21 2295-5997 • Fax: 21 2295-5897
[email protected]
rochas e minerais, águas, fósseis, solos, clima e outros depósitos
superficiais que propiciam o desenvolvimento da vida na Terra, tendo
como valores intrínsecos a cultura, o estético, o econômico, o científico, www.cprm.gov.br
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o educativo e o turístico, parâmetros necessários à preservação
responsável e ao desenvolvimento sustentável.
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