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Geodiversidade PI

O documento descreve a geodiversidade do estado do Piauí no Brasil. Resume que o documento fornece um mapeamento das diferentes unidades geológico-ambientais do estado, destacando suas limitações e potencialidades para atividades como agricultura, obras civis e uso de recursos hídricos. O mapa também identifica áreas com potencial mineral, hidrogeológico e geoturístico para subsidiar o planejamento territorial sustentável.

Enviado por

Diego Santos
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Geodiversidade PI

O documento descreve a geodiversidade do estado do Piauí no Brasil. Resume que o documento fornece um mapeamento das diferentes unidades geológico-ambientais do estado, destacando suas limitações e potencialidades para atividades como agricultura, obras civis e uso de recursos hídricos. O mapa também identifica áreas com potencial mineral, hidrogeológico e geoturístico para subsidiar o planejamento territorial sustentável.

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GEODIVERSIDADE DO

GEODIVERSIDADE DO
ESTADO DO PIAUÍ
ESTADO DO PIAUÍ

DO PIAUÍ
PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL
LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE

PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL


Geodiversidade do Estado do Piauí é um produto LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE
concebido para oferecer aos diversos segmentos

GEODIVERSIDADE DO ESTADO
da sociedade piauiense uma tradução do atual
conhecimento geocientífico da região, com vistas ao
planejamento, aplicação, gestão e uso adequado do
território. Destina-se a um público alvo muito variado, SEDE
SGAN – Quadra 603 • Conj. J • Parte A – 1º andar
incluindo desde as empresas de mineração, passando Brasília – DF • 70830-030
pela comunidade acadêmica, gestores públicos Fone: 61 3326-9500 • 61 3322-4305
Fax: 61 3225-3985
estaduais e municipais, sociedade civil e ONGs.
Escritório Rio de Janeiro – ERJ
Av. Pasteur, 404 – Urca
Dotado de uma linguagem voltada para múltiplos Rio de Janeiro – RJ • 22290-040
Fone: 21 2295-5337 • 21 2295-5382
usuários, o mapa compartimenta o território piauiense Fax: 21 2542-3647
em unidades geológico-ambientais, destacando suas Presidência
limitações e potencialidades frente à agricultura, obras Fone: 21 2295-5337 • 61 3322-5838
Fax: 21 2542-3647 • 61 3225-3985
civis, utilização dos recursos hídricos, fontes poluidoras,
Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial
potencial mineral e geoturístico. Fone: 21 2295-8248 • Fax: 21 2295-5804

Departamento de Gestão Territorial


Nesse sentido, com foco em fatores estratégicos Fone: 21 2295-6147 • Fax: 21 2295-8094
para a região, são destacadas Áreas de Relevante Diretoria de Relações Institucionais
Interesse Mineral – ARIM, Potenciais Hidrogeológico e Desenvolvimento
Fone: 21 2295-5837 • 61 3223-1166/1059
e Geoturístico, Riscos Geológicos aos Futuros Fax: 21 2295-5947 • 61 3323-6600
Empreendimentos, dentre outros temas do meio físico, Residência de Teresina
representando rico acervo de dados e informações Rua Goiás, 312 • Sul
Teresina • PI • 64001-570
atualizadas e constituindo valioso subsídio para a Fone: 86 3222-4153 • Fax: 86 3222-6651
tomada de decisão sobre o uso racional e sustentável Assessoria de Comunicação
do território nacional. Fone: 21 2546-0215 • Fax: 21 2542-3647

Divisão de Marketing e Divulgação


Fone: 31 3878-0372 • Fax: 31 3878-0382
[email protected]

Ouvidoria
Fone: 21 2295-4697 • Fax: 21 2295-0495
[email protected]
Geodiversidade é o estudo do meio físico constituído por ambientes
diversos e rochas variadas que, submetidos a fenômenos naturais Serviço de Atendimento ao Usuário – SEUS
e processos geológicos, dão origem às paisagens, ao relevo, outras Fone: 21 2295-5997 • Fax: 21 2295-5897
[email protected]
rochas e minerais, águas, fósseis, solos, clima e outros depósitos
superficiais que propiciam o desenvolvimento da vida na Terra, tendo
como valores intrínsecos a cultura, o estético, o econômico, o científico, www.cprm.gov.br
2010
o educativo e o turístico, parâmetros necessários à preservação
responsável e ao desenvolvimento sustentável.

2010

2010
GEODIVERSIDADE
DO ESTADO DO PIAUÍ
PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL
LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE
CASA CIVIL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
Ministra-Chefe Dilma Rousseff

MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA


SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO
E TRANSFORMAÇÃO MINERAL
MINISTRO DE ESTADO
Edison Lobão
SECRETÁRIO EXECUTIVO
Márcio Pereira Zimmermann
SECRETÁRIO DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO
E TRANSFORMAÇÃO MINERAL
Cláudio Scliar

CPRM – SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL


CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
Presidente
Giles Carriconde Azevedo
Vice-Presidente
Agamenon Sergio Lucas Dantas
Conselheiros
Benjamim Bley de Brito Neves
Cláudio Scliar
Luiz Gonzaga Baião
Jarbas Raimundo de Aldano Matos

DIRETORIA EXECUTIVA
Diretor-Presidente
Agamenon Sergio Lucas Dantas
Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial
José Ribeiro Mendes
Diretor de Geologia e Recursos Minerais
Manoel Barretto da Rocha Neto
Diretor de Relações Institucionais e Desenvolvimento
Fernando Pereira de Carvalho
Diretor de Administração e Finanças
Eduardo Santa Helena da Silva

SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE RECIFE


Superintendente
José Wilson de Castro Temóteo
Gerência de Hidrologia e Gestão Territorial
José Carlos da Silva

RESIDÊNCIA DE TERESINA
Chefe
Antônio Reinaldo Soares Fillho
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA
SECRETARIA DE GEOLOGIA, MINERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO MINERAL
CPRM - SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL

GEODIVERSIDADE
DO ESTADO DO PIAUÍ
PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL
LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE

ORGANIZAÇÃO

Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff


Fernanda Soares de Miranda Torres
Ricardo de Lima Brandão

Recife, Brasil

2010
CRÉDITOS TÉCNICOS

LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE
DO ESTADO DO PIAUÍ

COORDENAÇÃO NACIONAL Colaboração


Edgard Shinzato
Departamento de Gestão Territorial Frederico Campêlo Souza
Cassio Roberto da Silva Ivo Hermes Batista
Joaquim das Virgens Neto
Coordenação de Geoprocessamento Jorge Pimentel
e da Base de Dados de Geodiversidade Luiz Carlos Bastos Freitas
Maria Angélica Barreto Ramos Luiz Moacyr de Carvalho
Maria Adelaide Mansini Maia Marcelo Eduardo Dantas
Coordenação Regional Revisão Linguística
Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff André Luis de Oliveira Mendonça
Execução Técnica Projeto Gráfico/Editoração/Multimídia
Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff Departamento de Relações Institucionais (DERID)
Fernanda Soares de Miranda Torres
Ricardo de Lima Brandão
Divisão de Marketing e Divulação (DIMARK)
Rogério Valença Ferreira (padrão capa/embalagem)
Ernesto von Sperling
Organização do Livro Geodiversidade José Marcio Henriques Soares
do Estado do Piauí Traço Leal Comunicação
Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff
Fernanda Soares de Miranda Torres
Departamento de Apoio Técnico (DEPAT)
Ricardo de Lima Brandão Divisão de Editoração Geral (DIEDIG)
(projeto de editoração/diagramação)
Sistema de Informação Geográfica Valter Alvarenga Barradas
e Leiaute do Mapa Andréia Amado Continentino
Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff Agmar Alves Lopes
Fernanda Soares de Miranda Torres Pedro da Silva
(supervisão de editoração)
Apoio Banco de Dados, SIG e Andréia Amado Continentino
Desenvolvimento da Base Geodiversidade
Divisão de Geoprocessamento (DIGEOP) (editoração)
João Henrique Gonçalves Pedro da Silva
Antônio Rabello Sampaio
Leonardo Brandão Araújo Superintendência Regional de Manaus (SUREG-MA)
Elias Bernardi da Silva do Espírito Santo Gerência de Relações Institucionais e
Patrícia Duringer Jacques Desenvolvimento (GERIDE)
Gabriela Figueiredo de Castro Simão (projeto de multimídia)
Maria Tereza da Costa Dias
Aldenir Justino de Oliveira

FOTOS DA CAPA:
1. Arco de Pedra, Parque Nacional de Sete Cidades (Piripiri, PI).
2. Pedra Furada, Parque Nacional da Serra da Capivara (São Raimundo Nonato, PI).
3. Mirante do Gritador (Pedro II, PI).
4. Anfiteatro no Parque Nacional da Capivara (São Raimundo Nonato, PI).

Pfaltzgraff, Pedro Augusto dos Santos.


Geodiversidade do estado do Piauí / Organização Pedro Augusto dos Santos
Pfaltzgraff, Fernanda Soares de Miranda Torres [e] Ricardo de Lima Brandão.
– Recife: CPRM, 2010.
260 p. ; 30 cm + 1 DVD

Programa Geologia do Brasil. Levantamento da Geodiversidade.

1. Geodiversidade – Brasil – Piauí. 2. Meio ambiente – Brasil – Piauí. 3. Planeja-


mento territorial – Brasil – Piauí. 4. Geologia ambiental – Brasil – Piauí. I. Torres,
Fernanda Soares de Miranda (Org.) II. Brandão, Ricardo de Lima (Org.). III. Título.

CDD 551.098113 .

Este produto pode ser encontrado em www.cprm.gov.br e [email protected]


Uma das realizações mais marcantes da atual gestão do Serviço Geológico
APRESENTAÇÃO do Brasil, em estreita sintonia com a Secretaria de Geologia, Mineração e
Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (SGM/MME), tem sido a
consolidação do conceito de geodiversidade e, consequentemente, do
desenvolvimento de métodos e tecnologia para geração de um produto de
altíssimo valor agregado, que rompe o estigma de uso exclusivo das informações
geológicas por empresas de mineração.
A primeira etapa no caminho dessa consolidação foi a elaboração do Mapa
Geodiversidade do Brasil (escala 1:2.500.000), que sintetiza os grandes
geossistemas formadores do território nacional. Além de oferecer à sociedade
uma ferramenta científica inédita de macroplanejamento do ordenamento
territorial, o projeto subsidiou tanto a formação de uma cultura interna com
relação aos levantamentos da geodiversidade quanto os aperfeiçoamentos
metodológicos.
A receptividade ao Mapa Geodiversidade do Brasil, inclusive no exterior,
mostrando o acerto da iniciativa, incentivou-nos a dar prosseguimento à empreitada,
desta feita passando aos mapas de geodiversidade estaduais, considerando que nos últimos
cinco anos o Serviço Geológico atualizou a geologia e gerou sistemas de informações
geográficas de vários estados brasileiros.
É nesse esforço que se insere o LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE DO ESTADO
DO PIAUÍ aqui apresentado. Trata-se de um produto concebido para oferecer aos diversos
segmentos da sociedade piauiense uma tradução do conhecimento geológico-científico
estadual, com vistas a sua aplicação ao uso adequado do território. Destina-se a um
público-alvo variado, desde empresas mineradoras tradicionais, passando pela comunidade
acadêmica, gestores públicos da área de ordenamento territorial e gestão ambiental,
organizações não-governamentais até a sociedade civil.
Dotado de uma linguagem de compreensão universal, tendo em vista seu caráter
multiuso, o produto compartimenta o território piauiense em unidades geológico-
ambientais, destacando suas limitações e potencialidades, considerando-se a constituição
litológica da supraestrutura e da infraestrutura geológica. São abordadas, também:
características geotécnicas; coberturas de solos; migração, acumulação e disponibilidade
de recursos hídricos; vulnerabilidades e capacidades de suporte à implantação de diversas
atividades antrópicas dependentes dos fatores geológicos; disponibilidade de recursos
minerais essenciais ao desenvolvimento social e econômico do estado. Nesse particular,
em função de fatores estratégicos, são propostas Áreas de Relevante Interesse Mineral
(ARIMs), constituindo-se em valioso subsídio às tomadas de decisão conscientes sobre o
uso do território.
O Mapa Geodiversidade do Estado do Piauí foi gerado a partir dos SIGs Geologia e
Recursos Minerais do Estado do Piauí (2006), escala 1:1.000.000, e do Mapa
Geodiversidade do Brasil (2006), escala 1:2.500.000, e de informações agregadas obtidas
por meio de trabalho de campo, consulta bibliográfica e dados de instituições públicas e
de pesquisa.
As informações técnicas produzidas pelo Levantamento da Geodiversidade do Estado
do Piauí – na forma de mapa, SIG e texto explicativo – encontram-se disponíveis no
portal da CPRM/SGB (<http://www.cprm.gov.br>) para pesquisa e download, por
meio do GeoBank (sistema de bancos de dados geológicos corporativo da Empresa)
e em formato impresso e digital (DVD-ROM), para distribuição ao público em geral.
Com este lançamento, o Serviço Geológico do Brasil dá mais um passo
fundamental, no sentido de firmar os mapas de geodiversidade como produtos
obrigatórios de agregação de valor aos mapas geológicos, na certeza de conferir às
informações geológicas uma inusitada dimensão social, que, em muito, transcende
sua reconhecida dimensão econômica. E, como tal, permite maior inserção dos temas
geológicos nas políticas públicas governamentais, a bem da melhoria da qualidade
de vida da população brasileira.

Agamenon Sergio Lucas Dantas


Diretor-Presidente
CPRM/Serviço Geológico do Brasil
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ................................................................................... 09
Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff, Luiz Moacyr de Carvalho,
Maria Angélica Barreto Ramos
2. GEOLOGIA ........................................................................................ 15
Enjolras de A. M. Lima, Ricardo de Lima Brandão
3. RECURSOS MINERAIS ........................................................................ 25
Luiz Moacyr de Carvalho, Ivo Hermes, Luis Carlos Bastos Freitas,
Fernando Lúcio Borges Cunha
4. POTENCIAL PETROLÍFERO DO ESTADO DO PIAUÍ .............................. 37
Kátia S. Duarte, Bernardo F. Almeida, Cintia I. Coutinho, Antenor F. Muricy,
Luciene Pedrosa
5. RELEVO ............................................................................................. 45
Rogério Valença Ferreira, Marcelo Eduardo Dantas
6. RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS ................................................... 65
Adson Brito Monteiro, Douglas Silva Luna, Jean Ricardo da S. do Nascimento
7. POTENCIALIDADE HIDROGEOLÓGICA DO ESTADO DO PIAUÍ ............ 71
Frederico Campelo
8. DESERTIFICAÇÃO .............................................................................. 77
Ricardo de Lima Brandão
9. GEOTURISMO E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO ................................. 87
Rogério Valença Ferreira
10. METODOLOGIA, ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS E
EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA ....................................... 95
Maria Angélica Barreto Ramos, Marcelo Eduardo Dantas,
Antônio Theodorovicz , Valter José Marques, Maria Adelaide Mansini Maia,
Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff, Vitório Orlandi Filho
11. GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES E
LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO ........................................ 111
Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff, Ricardo de Lima Brandão,
Fernanda Soares de Miranda Torres
APÊNDICES
I. UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
II. BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

NOTA SOBRE OS AUTORES


Instrumento
de Planejamento, Gestão
e Ordenamento Territorial

Geoconservação e Geoturismo Prevenção de Desastres Naturais

Educação Saúde

Políticas Públicas
GEODIVERSIDADE Meio Ambiente

Obras de Engenharia Evolução da Terra e da Vida

Agricultura Mudanças Climáticas

Disponibilidade Levantamento Geológico


e Adequada Utilização e Pesquisa Mineral
dos Recursos Hídricos
1
INTRODUÇÃO
Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff ([email protected])
Luiz Moacyr de Carvalho ([email protected])
Maria Angélica Barreto Ramos ([email protected])

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

SUMÁRIO
Geodiversidade .................................................................................................... 11
Aplicações ............................................................................................................ 12
Referências ........................................................................................................... 13
INTRODUÇÃO

GEODIVERSIDADE vivos. É, para muitos, a parte mais visível da natureza,


mas não é, seguramente, a mais importante. Outra par-
O planeta Terra se comporta como um sistema vivo, te, com idêntica importância, é a geodiversidade, sendo
por meio de um conjunto de grandes engrenagens que se esta entendida como o conjunto das rochas, dos mine-
movimenta, modifica, acolhe e sustenta uma imensidade rais e das suas expressões no subsolo e nas paisagens.
de seres vivos em sua superfície. A sua “vida” se expressa No meu tempo de escola ainda se aprendia que a natu-
pelo movimento do planeta no entorno do Sol e de seu reza abarcava três reinos: o reino animal, o reino vegetal
eixo de rotação e no movimento interno por meio das e o reino mineral. A biodiversidade abrange os dois pri-
correntes de convecção que se desenvolvem abaixo da meiros e a geodiversidade, o terceiro.
crosta terrestre. Em decorrência, tem-se, em superfície, a Geodiversidade, para Brilha et al. (2008), é a varie-
deriva dos continentes, vulcões e terremotos, além do dade de ambientes geológicos, fenômenos e processos
movimento dos ventos e diversos agentes climáticos que activos que dão origem a paisagens, rochas, minerais,
atuam na modelagem das paisagens. fósseis, solos e outros depósitos superficiais que são o
Embora seja o sustentáculo para o desenvolvimento suporte para a vida na Terra.
da vida na superfície terrestre, o substrato tem recebido No Brasil, os conceitos de geodiversidade se desen-
menos atenção e estudo que os seres que se assentam volveram praticamente de forma simultânea ao pensamen-
sobre ele. Partindo dessa afirmação, são mais antigos e to internacional, entretanto, com foco direcionado para o
conhecidos o termo e o conceito de biodiversidade que planejamento territorial, embora os estudos voltados para
os referentes a geodiversidade. geoconservação não sejam desconsiderados (SILVA et al.,
O termo “geodiversidade” foi empregado pela primei- 2008a).
ra vez em 1993, na Conferência de Malvern (Reino Unido) Na opinião de Veiga (2002), a geodiversidade ex-
sobre “Conservação Geológica e Paisagística”. Inicialmen- pressa as particularidades do meio físico, abrangendo
te, o vocábulo foi aplicado para gestão de áreas de prote- rochas, relevo, clima, solos e águas, subterrâneas e su-
ção ambiental, como contraponto a “biodiversidade”, já perficiais.
que havia necessidade de um termo que englobasse os ele- A Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Ser-
mentos não-bióticos do meio natural (SERRANO e RUIZ viço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) define geodiversi-
FLAÑO, 2007). Todavia, essa expressão havia sido empre- dade como:
gada, na década de 1940, pelo geógrafo argentino Federi- O estudo da natureza abiótica (meio físico) constitu-
co Alberto Daus, para diferenciar áreas da superfície terres- ída por uma variedade de ambientes, composição, fenô-
tre, com uma conotação de Geografia Cultural (ROJAS cita- menos e processos geológicos que dão origem às paisa-
do por SERRANO e RUIZ FLAÑO, 2007, p. 81). gens, rochas, minerais, águas, fósseis, solos, clima e ou-
Em 1997, Eberhard (citado por SILVA et al, 2008a, tros depósitos superficiais que propiciam o desenvolvi-
p. 12) definiu geodiversidade como a diversidade natural mento da vida na Terra, tendo como valores intrínsecos a
entre aspectos geológicos, do relevo e dos solos. cultura, o estético, o econômico, o científico, o educativo
O primeiro livro dedicado exclusivamente à temática e o turístico (CPRM, 2006).
da geodiversidade foi lançado em 2004. Trata-se da obra Já autores como Xavier da Silva e Carvalho Filho (ci-
de Murray Gray (professor do Departamento de Geografia tados por SILVA et al., 2008a, p. 12) apresentam defini-
da Universidade de Londres) intitulada “Geodiversity: ções diferentes da maioria dos autores nacionais e inter-
Valuying and Conserving Abiotic Nature”. Sua definição nacionais, definindo geodiversidade a partir da variabili-
de geodiversidade é bastante similar à de Eberhard. dade das características ambientais de uma determinada
Owen et al. (2005), em seu livro “Gloucestershire área geográfica.
Cotswolds: Geodiversity Audit & Local Geodiversity Action Embora os conceitos de geodiversidade sejam me-
Plan”, consideram que: nos conhecidos do grande público que os de biodiversi-
Geodiversidade é a variação natural (diversidade) da dade, esta é dependente daquela, conforme afirmam Sil-
geologia (rochas minerais, fósseis, estruturas), va et al. (2008a, p. 12):
geomorfologia (formas e processos) e solos. Essa varie- A biodiversidade está assentada sobre a
dade de ambientes geológicos, fenômenos e processos geodiversidade e, por conseguinte, é dependente direta
fazem com que essas rochas, minerais, fósseis e solos desta, pois as rochas, quando intemperizadas, juntamente
sejam o substrato para a vida na Terra. Isso inclui suas com o relevo e o clima, contribuem para a formação dos
relações, propriedades, interpretações e sistemas que se solos, disponibilizando, assim, nutrientes e micronutrientes,
inter-relacionam com a paisagem, as pessoas e culturas. os quais são absorvidos pelas plantas, sustentando e de-
Em 2007, Galopim de Carvalho, em seu artigo “Na- senvolvendo a vida no planeta Terra. Em síntese, pode-se
tureza: Biodiversidade e Geodiversidade”, assume esta considerar que o conceito de geodiversidade abrange a
definição: porção abiótica do geossistema (o qual é constituído pelo
Biodiversidade é uma forma de dizer, numa só pala- tripé que envolve a análise integrada de fatores abióticos,
vra, diversidade biológica, ou seja, o conjunto dos seres bióticos e antrópicos) (Figura 1.1).

11
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

de rochas, relevo, solos e clima. Dessa forma, obtém-se


um diagnóstico do meio físico e de sua capacidade de
suporte para subsidiar atividades produtivas sustentáveis
(Figura 1.2).
Exemplos práticos da importância do conhecimento
da geodiversidade de uma região para subsidiar o aprovei-
tamento e a gestão do meio físico são ilustrados a seguir.
Em uma determinada região, formada por rochas
cristalinas, relevo ondulado, solos pouco espessos, clima
seco e com poucos cursos d’água perenes, o que seria
possível fazer para promover o seu aproveitamento eco-
nômico (Figura 1.3)?

Figura 1.1 - Relação de interdependência entre os meios físico,


biótico e a sociedade.

APLICAÇÕES

O conhecimento da geodiversidade nos leva a identi-


ficar, de maneira mais segura, as aptidões e restrições de
uso do meio físico de uma área, bem como os impactos
advindos de seu uso inadequado. Além disso, ampliam-se
as possibilidades de melhor conhecer os recursos mine-
rais, os riscos geológicos e as paisagens naturais inerentes Figura 1.2 - Principais aplicações da geodiversidade.
a uma determinada região composta por tipos específicos Fonte: Silva et al. (2008b, p. 182).

Figura 1.3 - Pedreira instalada no município de Salgueiro (PE).

12
INTRODUÇÃO

Em outro exemplo, tem-se uma área


plana (planície de inundação de um rio)
cujo terreno é constituído por areias e ar-
gilas, com possível presença de turfas e
argilas moles. Nessa situação, os espes-
sos pacotes de areia viabilizam a explota-
ção desse material para construção civil;
as argilas moles e turfas, além da susceti-
bilidade a inundações periódicas, tornam
a área inadequada para ocupação urbana
ou industrial; a presença de solos mais
férteis torna a área propícia à agricultura
de ciclo curto. Observa-se, entretanto, que
justamente em várzeas e planícies de inun-
dação é que se instalou a maior parte das
cidades no Brasil, cuja população sofre
periodicamente os danos das cheias dos
rios.
Observa-se, nas figuras 1.4 e 1.5, uma
planície fluviolagunar instalada sobre ro-
Figura 1.4 - Vista parcial de inundação do bairro São João (Teresina, PI).
Fonte: <http://180graus.brasilportais.com.br>; maio 2009. chas sedimentares recobertas por sedimen-
tos arenosos e argilosos. Este é um exem-
plo de estrutura urbana em que não se con-
siderou a suscetibilidade do meio físico lo-
cal a inundações periódicas, evidenciando
mau uso e ocupação de solo.
Um grande problema que se instala
por áreas áridas e semiáridas do planeta é
a desertificação, causada pelo uso inade-
quado do solo. O conhecimento das ca-
racterísticas dos materiais geológicos for-
madores do substrato de uma região au-
xilia na indicação de aptidões e restrições
de uso desses materiais, assim como
aponta formas de prevenção, ou pelo
menos, de mitigação da instalação dos
processos que levam à desertificação (Fi-
gura 1.6).
Grandes projetos nacionais na área
de infraestrutura já se utilizam do conhe-
cimento sobre a geodiversidade da área
proposta para sua implantação. Como
Figura 1.5 - Vista parcial de alagamento na avenida Marechal Castelo Branco exemplo, o levantamento ao longo do
(Teresina, PI). Fonte: <http://180graus.brasilportais.com.br>; maio 2009.
percurso planejado para as ferrovias Trans-
O conhecimento da geodiversidade de uma região nordestina, Este-Oeste e Norte-Sul, onde o conhecimen-
implica o conhecimento de suas rochas, portanto, nesse to das características da geodiversidade da região se faz
caso específico, a rocha, constituindo-se em um sienito importante para escolha não só dos métodos construti-
ou granito, mostraria aptidões para aproveitamento do vos do empreendimento, como também para o aprovei-
material como rocha ornamental ou brita para construção tamento econômico das regiões no entorno desses pro-
civil em áreas próximas. O relevo ondulado e a pouca jetos.
espessura do solo seriam outros fatores para auxiliar no Convém ressaltar que o conhecimento da geodiversi-
desenvolvimento dessa atividade. A escassez de água (cli- dade implica o conhecimento do meio físico no tocante
ma seco, poucos cursos d’água perenes e aquíferos do às suas limitações e potencialidades, possibilitando a pla-
tipo fraturado) tornaria a área pouco propícia, ou com nejadores e administradores uma melhor visão do tipo de
restrições, à instalação de atividades agrícolas ou assenta- aproveitamento e do uso mais adequado para uma deter-
mentos urbanos. minada área ou região.

13
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Figura 1.6 - Área em processo de desertificação (Gilbués, PI).

REFERÊNCIAS Tiermes-Caracena (Soria). Boletín de la Asociación de


Geógrafos Españoles, La Rioja, n. 45, p. 79-98, 2007.
BRILHA, J.; PEREIRA D.; PEREIRA, P. Geodiversidade:
valores e usos. Braga: Universidade do Minho, 2008. SILVA, C. R. da et al. Começo de tudo. In: SILVA, C. R.
da (Ed.). Geodiversidade do Brasil: conhecer o
CPRM. Mapa geodiversidade do Brasil: escala passado, para entender o presente e prever o futuro.
1:2.500.000, legenda expandida. Brasília: CPRM/Serviço Rio de Janeiro: CPRM, 2008a. 264 p. il. p. 11-20.
Geológico do Brasil, 2006. 68 p. CD-ROM.
SILVA, C. R. da et. al. Aplicações múltiplas do
GALOPIM DE CARVALHO, A. M. Natureza: biodiversidade conhecimento da geodiversidade. In: SILVA, C. R.
e geodiversidade. [S.l.: s.n.], 2007. Disponível em: da (Ed.). Geodiversidade do Brasil: conhecer o
<http://terraquegira.blogspot.com/2007/05/natureza- passado, para entender o presente e prever o futuro.
biodiversidade-e.html>. Acesso em: 25 jan. 2010. Rio de Janeiro:

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14
2
GEOLOGIA
Enjolras de A. M. Lima ([email protected])
Ricardo de Lima Brandão ([email protected])

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

SUMÁRIO
Introdução .......................................................................................................... 17
Província Borborema ............................................................................................ 17
Província Parnaíba ................................................................................................ 18
Bacia do Parnaíba.............................................................................................. 18
Grupo Serra Grande ....................................................................................... 20
Grupo Canindé............................................................................................... 21
Grupo Balsas .................................................................................................. 21
Bacia das Alpercatas.......................................................................................... 22
Bacia do Grajaú-São Luis ................................................................................... 22
Bacia Espigão-Mestre ........................................................................................ 22
Província Costeira ................................................................................................. 22
Grupo Barreiras ................................................................................................. 22
Depósitos eólicos pleistocênicos (paleodunas) ............................................... 22
Depósitos eólicos holocênicos (dunas recentes) ............................................. 23
Depósitos marinhos (praias recentes)............................................................. 23
Depósitos fluvioaluvionares e fluviomarinhos ................................................ 24
Referências ........................................................................................................... 24
GEOLOGIA

INTRODUÇÃO tonalíticos, granodioríticos e graníticos, migmatitos, com


níveis de quartzitos, mármores, rochas calcissilicáticas e
Em termos de uma visão regional, o estado do Piauí anfibolitos); Complexo Jaguaretama (ortognaisses mig-
encontra-se inserido nas províncias geotectônicas Borbo- matizados tonalíticos a granodioríticos e graníticos); Su-
rema, Parnaíba e Costeira (ALMEIDA et al., 1977). íte Várzea Alegre (ortognaisses tonalítico-granodioríticos
Os terrenos mais antigos, constituídos por rochas do e migmatitos). Seguem-se a Suíte Serra do Deserto (or-
embasamento cristalino, representam uma pequena parte tognaisses granodioríticos e graníticos), o Grupo Orós
da Província Borborema, que engloba domínios afetados (xistos, gnaisses e mármores), a Unidade Ipueirinha (xis-
pela Orogênese Brasiliana, situados entre os crátons do São tos, quartzitos, mármores, metamáficas, metaultramáfi-
Francisco e São Luís, e possuem uma intrincada evolução cas), o Complexo Morro do Estreito (ortognaisses mig-
geológica em tempos arqueano-proterozoicos. Extensas matizados com restos de rochas supracrustais, biotita-
zonas de cisalhamento dividem a Província Borborema em hornblenda, ortognaisses bandados, tonalíticos, grano-
diversos blocos (domínios) orogênicos, caracterizados por dioríticos).
associações litológicas e evolução tectonometamórfica es- - Mesoproterezoico: Representado por: Complexo San-
pecíficas (CABY et al., 1991). Esse regime, de caráter pre- ta Filomena (muscovita-biotita-xistos granatíferos, mármo-
dominantemente transcorrente, é responsável por seu atual res, quartzitos); Complexo Paulistana (metaultramafitos,
arcabouço regional, produto da justaposição de blocos e/ granada e/ou andaluzita-micaxistos, metaultramafitos, me-
ou faixas de diferentes graus metamórficos. tagabroides, quartzoxistos e quartzitos); Complexo Mon-
A Província Parnaíba compreende a bacia intracratônica te Orebe (cordierita-cianita-estaurolita-muscovita-quartzo-
do Parnaíba, também conhecida como Bacia do Maranhão xistos, quartzitos, filito-metassiltitos e metagrauvacas); Cor-
ou do Meio Norte. Trata-se de uma bacia, sobretudo, pos Máfico-Ultramáficos Brejo Seco (metatroctolitos, me-
paleozoica, embora depósitos mesozoicos pouco espes- taolivina-gabros, metanortositos, metagabros e metaultra-
sos cubram grandes áreas. A espessura sedimentar máxi- mafitos); Corpos Máfico-Ultramáficos São Francisco (ga-
ma atinge pouco mais de 3.000 m, dos quais 2.500 m bros, serpentinitos e metaperidotitos); Formação Sítio Novo
são paleozoicos e o restante, mesozoico. (quartzitos, metaconglomerados, filitos e raros dolomi-
A maior parte dos terrenos cenozoicos está contida tos); Grupo Rio Preto (xisto e filitos grafitosos, sericíticos
nos domínios da Província Costeira, em discordância erosiva e granatíferos).
com as rochas mais antigas. Correspondem basicamente - Neoproterozoico: Constituído por: Supersuíte Intrusi-
a sedimentos inconsolidados e não-metamorfizados de va Tardi- a Pós-Orogênica (granitoides), que compreende
idades terciária (Grupo Barreiras) e quaternária (depósitos a Suíte Intrusiva Caboclo – Plúton Nova Olinda (anfibólio-
de origens fluvioaluvionar, fluviomarinha, marinha e biotita-sienitos, quartzossienitos, alcalifeldspato-quartzos-
eólica, constituindo as feições geológico-geomorfológicas sienitos, granitos alcalinos e potássicos) e a Suíte Intrusiva
que compõem o Delta do Parnaíba). Serra da Aldeia (anfibólio-biotita-quartzo-alcalifeldspato-
sienitos a sienogranitos alcalinos). A Supersuíte Intrusiva
PROVÍNCIA BORBOREMA Sin- a Tardiorogênica engloba a Suíte Intrusiva Chaval (gra-
nodioritos, quartzossienitos) e a Suíte Intrusiva Itaporan-
De acordo com a coluna estratigráfica editada na Carta ga: plútons Sales-Assaré e Simões (granitos e granodiori-
Geológica do Brasil ao Milionésimo – GIS Brasil (BIZZI et tos grossos a porfiríticos).
al., 2003), tem-se a seguinte sequência, da base para o - Cambriano: Representado pelas bacias do Jaibaras e do
topo (Figuras 2.1 a 2.5): Cococi, que abrigam a Formação Angico Torto (ortocon-
- Mesoarqueano: Representado pelo Complexo Sobradi- glomerados, brechas, microbrechas, arenitos arcoseanos)
nho-Remanso, com ortognaisses migmatíti-
cos. Em sequência, o Neoarqueano, que in-
clui o Complexo Cristalândia do Piauí (mus-
covita-biotita-ortognaisses graníticos, ortog-
naisses e paragnaisses com níveis de rochas
metamáficas, metaultramáficas, calcissilicáti-
cas e micaxistos) e o Complexo Granjeiro (xis-
tos, quartzitos, metacherts, formações ferrí-
feras bandadas (BIF), mármores, metamáficas,
metaultramáficas e ortognaisses).
- Paleoproterozoico: Constituído por: Com-
plexo Ceará, que inclui a Unidade Canindé
(paragnaisses migmatizados, quartzitos, már-
mores, anfibolitos e ortognaisses); Complexo
Itaizinho (quartzitos, mármores, ortognaisses Figura 2.1 - Granito intrusivo aflorante na praia Pedra do Sal (Luiz Correia, PI).

17
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Figura 2.2 - Mármore listrado róseo e cinza-escuro, exibindo Figura 2.3 - Granito com porfiroblastos orientados bem
dobras regulares de singular beleza, passível de ser utilizado como desenvolvidos de feldspato potássico.
pedra de cantaria.

e a Formação Melancia (ortoconglomerados polimíticos, PROVÍNCIA PARNAÍBA


com níveis de arenitos finos, siltitos e folhelhos), incluin-
do um plutonismo pós-orogênico da Suíte Massapé (piro- Dentre as bacias intracratônicas fanerozoicas do Bra-
xenitos, gabronoritos e dioritos). sil, a sinéclise do Parnaíba, com seus 600.000 km2 de
superfície, é atualmente entendida como Província Parna-
íba ou Província Sedimentar do Meio Norte. Compreende
quatro sítios deposicionais superpostos, separados por
grandes discordâncias estratigráficas, que separam as se-
quências litológicas da Bacia do Parnaíba: Bacia do Parna-
íba propriamente dita, Bacia das Alpercatas, Bacia do Gra-
jaú e Bacia do Espigão-Mestre (BIZZI et al., 2003; SAN-
TOS e CARVALHO, 2004).

Bacia do Parnaíba

Sob essa conceituação, a Bacia do Parnaíba, essen-


cialmente paleozoica, encontra-se dividida em três
supersequências: Siluriana (Grupo Serra Grande),
Devoniana (Grupo Canindé) e Carbonífero-Triássica (Gru-
po Balsas).

Grupo Serra Grande

Compreende as formações Ipu, Tianguá e Jaicós, com


individualização apenas em subsuperfície. Apesar de al-
guns autores o posicionarem no Devoniano Inferior, re-
visões baseadas em estudos de fósseis de quitinozoários
e acritarcas o posicionam no Siluriano. Marca o início da
sedimentação da Bacia do Parnaíba, com a deposição de
um pacote de arenitos conglomeráticos e conglomera-
dos na base, passando a arenitos de granulação mais
fina no topo, intercalados com siltitos, folhelhos e argi-
litos. Essa sequência evidencia uma evolução climática
com aumento progressivo da umidade durante o perío-
do da sedimentação Serra Grande. É indicado um ambi-
ente deposicional fluvioglacial a glacial, passando a nerí-
Figura 2.4 - Biotita-gnaisse migmatizado, com delgados veios
róseos irregulares de quartzo e feldspato potássico,
tico até condições continentais (fluvial entrelaçado) (Fi-
com textura sacaroidal. guras 2.6 a 2.9).

18
GEOLOGIA

Figura 2.7 - Arenitos médios a grosseiros, creme, com


níveis conglomeráticos e estratificação cruzada.

Figura 2.5 - Mármore esbranquiçado, com listras cinza-claras, Figura 2.8 - Inscrições rupestres nos arenitos Serra
utilizado como pedra ornamental (Pio IX, PI). Grande (Parque Nacional da Serra da Capivara, PI).

Figura 2.9 - Inscrições rupestres sobre os arenitos médios


Figura 2.6 - Escarpa de arenitos médios conglomeráticos, do grupo Serra Grande (Parque Nacional da Serra da
esbranquiçados, cinza e avermelhados do grupo Serra Grande. Capivara, PI).

19
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Grupo Canindé melhada, oriundos da deposição de um sistema nerítico


plataformal, em regime de maior energia deposicional,
Inclui as formações Pimenteiras, Cabeças, Longá e ocorrido no final do Devoniano (Neofrasniano/Eoframeni-
Poti. ano), baseado no escasso conteúdo de microfósseis (Fi-
guras 2.10 a 2.14).
• Formação Pimenteiras
Essa formação, psamítico-pelítica, consiste em uma
alternância de estratos pouco espessos de arenitos finos, ar-
gilosos, subangulosos, cinza a avermelhados, com folhelhos
cinza-escuros a marrom-avermelhados, micáceos, contendo
delgadas intercalações de siltitos. A porção inferior é mais
arenosa, cinza-clara, com lâminas de siltitos e folhelhos cin-
za a avermelhados. A paleofauna de braquiópodos,
pelecípodos e trilobitas e peixes encontrados nos folhelhos
da seção superior da formação confirmam o ambiente fran-
camente marinho para esses depósitos.

• Formação Cabeças
Dominantemente arenosa, apresenta estruturas sedi-
mentares tipo sigmoidal, localmente com diamictitos, em
ambiência nerítica com influência periglacial. Predomi- Figura 2.12 - Vista parcial das feições erosivas impressas nos
nam arenitos médios a finos, por vezes grosseiros, pouco arenitos da formação Cabeças (Parque Nacional de Sete Cidades, PI).
argilosos. Intercalam-se, subordinadamente, siltitos lami-
nados e folhelhos micáceos de coloração arroxeada e aver-

Figura 2.13 - Feições erosivas ruiniformes e de diaclasamento


poligonal sobre arenitos da formação Cabeças, incluindo estratificação
Figura 2.10 - Feição erosiva com diaclasamento poligonal em cruzada ondulada (Parque Nacional de Sete Cidades, PI).
forma de casco de tartaruga sobre arenitos médios da formação
Cabeças (Parque Nacional de Sete Cidades, PI).

Figura 2.11 - Feição erosiva em arenitos da formação Cabeças Figura 2.14 - Inscrições rupestres sobre arenitos médios
(Parque Nacional de Sete Cidades, PI). homogêneos da formação Cabeças.

20
GEOLOGIA

• Formação Longá • Formação Piauí


Constituída de folhelhos cinza-escuros, físseis e mi- Essa formação, do Carbonífero Superior, contém em
cromicáceos, tem, subsidiariamente intercalados, siltitos sua parte superior uma sequência continental de folhe-
cinza, micáceos, laminados. Esse conjunto de estratos foi lhos e argilitos, de cor avermelhada, localmente com cal-
depositado em ambiente nerítico plataformal, sob condi- cários. Em sua seção inferior, predominam bancos espes-
ções de mais baixa energia deposicional, posicionados atra- sos de arenitos finos a médios, homogêneos, pouco argi-
vés de fauna de invertebrados no Neofameniano (Devoni- losos e de cor róseo-avermelhada. Seu conteúdo fossilífe-
ano). ro, de macro- e microfósseis, permite posicioná-la no Pen-
silvaniano (Vestfaliano/Estefaniano).
• Formação Poti
Essa formação foi depositada em ambiente deltaico • Formação Pedra de Fogo
e em planícies de maré, no início do Carbonífero (Missis- Depositada no início do Permiano, essa formação
sipiano), sendo formada por arenitos finos-médios, su- apresenta arenitos inferiores eólicos e arenitos superiores
bangulosos e argilosos e siltitos cinza, micáceos e, por litorâneos, ocorrendo, ainda, folhelhos e arenitos deposi-
vezes, carbonosos. Ocorrem ainda folhelhos pretos, mi- tados em planície de maré. Ocorrem, também, intercala-
cáceos e carbonosos, localmente com lâminas de carvão ções de calcários, silexitos e evaporitos (Figura 2.17).
nas porções inferiores (Figuras 2.15 e 2.16).
• Formação Sambaíba
Grupo Balsas Encerra o ciclo, com seus arenitos eólicos bimodais.
Depositada em ambiente desértico, afossilífera, expõe
Engloba as formações Piauí, Pedra de Fogo, Motuca dunas eólicas datadas do final do Triássico (Eotriássico),
(essa última não ocorre no estado do Piauí) e Sambaíba. correspondendo ao final da desertificação da Bacia do
Parnaíba. É constituída por arenitos róseo-avermelhados,
arcósicos e pouco argilosos, granulação fina a média, com
seixos ocasionais.

Bacia das Alpercatas

A Bacia das Alpercatas representa uma supersequência


jurássico-cretácea, incluindo as formações Pastos Bons e
Corda (Grupo Mearim), Mosquito (Jurássico) e Sardinha
(Cretáceo Inferior), sendo essas últimas de natureza vul-
cânica.
A Formação Pastos Bons apresenta uma sequência
de folhelhos e arenitos depositados em ambiente fluvioe-
ólico.
A Formação Corda é constituída por arenitos
Figura 2.15 - Sequência de folhelhos e siltitos de cores avermelhados e arroxeados, argilosos, granulação fina a
avermelhadas, cinza e arroxeadas, intercalados em delgados estratos. média, com níveis de folhelhos e siltitos geralmente cin-

Figura 2.16 - Siltitos arroxeados da formação Pimenteiras, exibindo


descoloração por intemperismo em uma fratura vertical. Figura 2.17 - Formação Pedra de Fogo, com folhelhos e siltitos.

21
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

mente entalhada pela drenagem superficial, que isola as


feições tabuliformes com pequenas amplitudes altimétricas
entre os fundos dos vales e os interflúvios.
Ocorre ao longo de uma ampla faixa, quase contí-
nua, à retaguarda dos sedimentos quaternários costeiros.
Repousa discordantemente sobre terrenos do domínio cris-
talino e da bacia paleomesozoica. A espessura mostra-se
variável, em função do paleorrelevo de seu substrato.
Essa sequência é constituída por sedimentos arenoar-
gilosos, não ou pouco litificados, de coloração averme-
lhada, creme ou amarelada, muitas vezes com aspecto
mosqueado, malselecionados, de granulação variando de
fina a média, mostrando horizontes conglomeráticos e
níveis lateríticos, sem cota definida, em geral, associados
Figura 2.18 - Soleira de diabásio algo intemperizada, exibindo à percolação de água subterrânea. A matriz é argilosa cau-
fraturamento ortogonal e esfoliação esferoidal (formação Sardinha). linítica, com cimento argiloferruginoso e, às vezes, silico-
so. A estratificação é geralmente indistinta, notando-se
za-escuros. Está assentada sobre paleodepressões dos apenas um discreto paralelismo entre os níveis de consti-
diabásios, os quais funcionam como assoalho dessa uni- tuição faciológica diferentes. Nos níveis conglomeráticos,
dade. É-lhe atribuída idade cretácea por relações por vezes, observa-se uma incipiente organização em es-
litoestratigráficas (LIMA e LEITE, 1978). truturas cruzadas e paralelas, bem como aumento da gra-
As manifestações vulcânicas são representadas pelas nulometria em direção à base (granodecrescência), mos-
formações Mosquito (Jurássico) e Sardinha (Cretáceo In- trando alguns seixos imbricados. Esses clásticos, normal-
ferior), incluindo soleiras e diques de diabásio, que estão mente, são de quartzo e, mais raramente, de feldspato,
intrudidos nas formações anteriores. laterito e outros tipos de rocha, com diâmetros variados.
De acordo com os estudos de Bigarella (1975), atri-
Bacia do Grajaú bui-se idade miocênica superior a pleistocênica a essa
unidade. O caráter ambiental é admitido como predomi-
A Bacia do Grajaú é composta por uma supersequên- nantemente continental, onde os sedimentos foram de-
cia cretácea incluindo as formações Codó, Grajaú e o Grupo positados sob condições de clima semiárido sujeito a chu-
Itapecuru (que não ocorrem no estado do Piauí). vas esporádicas e violentas, formando amplas faixas de
leques aluviais coalescentes em sopés de encostas mais
Bacia Espigão-Mestre ou menos íngremes. Durante a época de deposição, o
nível do mar era mais baixo que o atual, proporcionando
A Bacia Espigão-Mestre é uma bacia cretácea o recobrimento de uma ampla plataforma.
superposta à Bacia do Parnaíba, em sua extremidade sul,
no domínio setentrional da Bacia do São Francisco. É re- Depósitos eólicos pleistocênicos (paleodunas)
presentada pelos arenitos eólicos da Formação Urucuia,
além dos sotopostos siltitos vermelhos da Formação Areado. Repousam discordantemente sobre os sedimentos
terciários do Grupo Barreiras. Em alguns setores, encon-
PROVÍNCIA COSTEIRA tram-se rebaixadas quase ao nível dos tabuleiros, com suas
formas dissipadas pelo retrabalhamento eólico; em ou-
Grupo Barreiras tros, preservam feições barcanoides, que são bem
visualizadas nas imagens de satélite. Observa-se, também,
O termo “Barreiras” foi usado inicialmente por Branner notável concordância com a direção de deslocamento das
(1919) para designar as camadas arenoargilosas, de cores dunas recentes livres, movidas de NE para SW pelos ven-
variegadas, que afloram nas falésias ao longo do litoral do tos dominantes de nordeste. Caracterizam-se por apre-
Nordeste. Essa denominação, com sentido estratigráfico, foi sentar desenvolvimento pedogenético (daí serem também
empregada pela primeira vez por Moraes Rego (1930) que, chamadas de dunas edafisadas), favorecendo a instalação
estudando a região oriental da Amazônia, chamou a aten- de uma cobertura vegetal de porte arbóreo que promove
ção para a semelhança entre os sedimentos terciários que a estabilização/fixação das dunas.
constituem os baixos platôs amazônicos e os que formam os São acumulações constituídas por areias inconsolida-
tabuleiros das costas norte, nordeste e sudeste do Brasil. das, de coloração acastanhada, acinzentada e/ou esbran-
Morfologicamente, compreende uma superfície pla- quiçada, de granulação média a fina, bem classificadas,
na a suavemente ondulada, com pequeno caimento to- de composição quartzosa/quartzofeldspática, com grãos
pográfico na direção da linha de costa. Mostra-se fraca- de quartzo foscos e arredondados.

22
GEOLOGIA

Sua formação provavelmente está relacionada a um Outra feição notável nesses ambientes são as áreas
episódio de nível relativo do mar mais elevado que o atual de interdunas. São áreas úmidas, bem destacadas nas
ocorrido durante o Pleistoceno. O movimento regressivo imagens de satélites, que formam lagoas interdunares nos
subsequente propiciou a geração de um terraço marinho, períodos de chuvas e marcam os rastros do movimento
que foi, em parte, retrabalhado eolicamente, fornecendo migratório ao longo do tempo.
material para a construção das paleodunas. Corresponde, Os campos de dunas são responsáveis pelo barra-
portanto, à primeira geração de dunas da área. mento de algumas drenagens, obstruindo suas desem-
bocaduras e formando, consequentemente, lagoas cos-
Depósitos eólicos holocênicos (dunas recentes) teiras como, por exemplo, as lagoas do Portinho e So-
bradinho, no Piauí. A dinâmica eólica, bastante intensa
Os campos de dunas recentes têm significativa ex- na área do delta, por vezes, promove o assoreamento de
pressão territorial na área do Delta do Parnaíba, ocor- ecossistemas aquáticos (mangues e lagoas), bem como
rendo como uma faixa quase contínua, de largura vari- o recobrimento de estradas e residências (Luis Correia),
ável, que começa a se esboçar a partir da praia alta o que pode causar o aparecimento de áreas de risco,
(backshore), disposta paralelamente à linha de costa, com a possibilidade de serem lentamente soterradas pela
vez por outra interrompida por planícies fluviais e movimentação das areias.
fluviomarinhas.
As dunas móveis caracterizam-se pela ausência de Depósitos marinhos (praias recentes)
vegetação e ocorrem mais próximas à linha de praia, onde
a ação dos ventos é mais intensa. Formam um alongado depósito contínuo, por toda a
Já as dunas fixas ocorrem à retaguarda ou entremeadas extensão da costa, desde a linha de maré baixa até a base
com as dunas móveis e apresentam incipiente desenvolvi- das dunas móveis. São acumulações de areias de granulação
mento de processos pedogenéticos, resultando na fixação média a grossa, ocasionalmente cascalhos (próximo às de-
de um revestimento vegetal pioneiro que impede ou ate- sembocaduras dos rios maiores), moderadamente
nua a mobilização eólica. Esses depósitos provavelmente selecionadas, com abundantes restos de conchas, matéria
representam uma geração de idade intermediária entre as orgânica e minerais pesados. Essa unidade não se encon-
paleodunas e as dunas móveis ou atuais. tra representada no Mapa Geológico por uma questão de
Alguns autores consideram ainda uma outra gera- escala, estando inserida na faixa correspondente às Dunas
ção, posicionada cronologicamente entre as dunas fixas e Recentes.
as dunas móveis: são as dunas semifixas, parcialmente Incluem-se também, nesse contexto, os beach-ro-
retidas pela vegetação (gramíneas e arbustos esparsos), cks ou arenitos de praia que ocorrem em diversos tre-
mas sem desenvolvimento pedogenético. chos da área trabalhada. Tais formações se encontram
Esses depósitos são originados por processos eólicos distribuídas descontinuamente, formando delgados cor-
de tração, saltação e suspensão subaérea. São formados pos paralelos à linha de costa; normalmente, afloram
por areias esbranquiçadas, bem selecionadas, de granulação em dois subambientes praiais: na zona de estirâncio e na
fina a média, quartzosas, com grãos de quartzo foscos e zona de arrebentação. Em geral, são arenitos conglome-
arredondados. Muitas vezes encerram níveis de minerais ráticos com grande quantidade de bioclastos (fragmen-
pesados, principalmente ilmenita. Estratificações cruzadas tos de moluscos e algas), cimentados por carbonato de
de médio a grande porte e marcas ondulares eólicas po- cálcio. Mostram estratificações cruzadas dos tipos pla-
dem ser registradas em algumas exposições. nar e acanalada.
Quanto à morfologia, em relação à direção dos ven- Esses corpos alongados funcionam, muitas vezes,
tos predominantes (NE-SW), esses corpos podem ser de como uma proteção a determinados setores da costa, di-
dois tipos: transversais e longitudinais. Os primeiros, dis- minuindo a energia das ondas que se aproximam da face
postos perpendicularmente à direção dos ventos, apre- da praia, evitando a sua ação erosiva. As melhores ocor-
sentam feições de barcanas (meia-lua), com declives sua- rências situam-se nas praias do Coqueiro e de Macapá.
ves a barlavento (50 a 100), contrastando com inclinações A dinâmica das praias é controlada, fundamentalmen-
mais acentuadas (em torno de 300) das encostas protegi- te, pelas correntes de deriva litorânea (correntes longitu-
das da ação dos ventos (sotavento). Na face de barlaven- dinais), além do regime de marés e das correntes fluviais.
to, a superfície exibe marcas de ondas (ripple marks). A No litoral do Piauí, o regime de ondas que se aproxima da
interseção das duas faces esboça uma nítida crista, que se costa provém, dominantemente, dos quadrantes leste e
exibe de forma arqueada ou sinuosa. As dunas longitudi- nordeste, gerando um transporte litorâneo de sedimentos
nais (seifs) ocorrem com geometrias lineares, dispostas com sentido geral de leste para oeste e de sudeste para
concordantemente com a direção principal dos ventos (NE- noroeste. A estabilidade das praias é o resultado do balan-
SW). Formas parabólicas também ocorrem, assim como ço de sedimentos que transitam em determinado trecho.
outras mais complexas, que podem ser descritas em tra- Assim, a resposta morfológica do perfil de praia será de
balhos que comportem maior detalhe. erosão quando houver déficit sedimentar, ou seja, o volu-

23
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

me de sedimentos retirado é maior que o volume retido. tributários que formam o delta isola um grande número
No caso inverso, haverá superávit sedimentar e, conse- de ilhas (mais de 70), muitas delas contendo importantes
quentemente, acresção do perfil praial. Quando o volume formações de manguezais.
de saída for igual ao de entrada de sedimentos, a praia
estará em equilíbrio. REFERÊNCIAS
As praias de Macapá e Cajueiro da Praia experimen-
tam processo acelerado de erosão, com registros de de- ALMEIDA, F. F. M.; HASUI, Y.; BRITO NEVES, B. B.;
gradação de vias públicas e patrimônios particulares. Es- FUCK, R. A. Províncias estruturais brasileiras. In:
ses casos necessitam de estudos de avaliação para se de- SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DO NORDESTE, 8., 1977,
terminar as causas, a quantificação da erosão e as provi- Campina Grande. Atas...... Campina Grande: SBG, 1977.
dências a serem tomadas para conter o processo. p. 363-391.

Depósitos fluvioaluvionares e fluviomarinhos BIGARELLA, J. J. 1975. The Barreiras group in


northeastern Brazil. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL
Os ambientes deltaicos e estuarinos caracterizam-se SOBRE O QUATERNÁRIO, 1975, Curitiba. Anais... ... Rio
por uma ativa sedimentação que, através de um perfil de Janeiro: Academia Brasileira de Ciências, 47 (supl.),
longitudinal das cabeceiras para jusante, pode ser p. 365-393.
compartimentada em duas fácies: sedimentos fluviais (alu-
viões) e sedimentos fluviomarinhos. BIZZI, L. A.; SCHOBBENHAUS, C.; VIDOTTI, R.; GON-
Os maiores depósitos aluvionares ocorrem ao longo ÇALVES, J. H. Geologia, tectônica e recursos
das planícies fluviais dos rios Parnaíba e Longá e, em me- minerais do Brasil. Brasília: CPRM, 2003. 692 p.
nores proporções, nos outros principais rios e riachos da BRANNER, J. C. Outline of the geology of Brazil.
região. São formados, essencialmente, por areias, casca- Geological Society of America, Washington, v. 30,
lhos, siltes e argilas, com ou sem matéria orgânica. Em n. 2, p. 189-338, 1919.
alguns setores, os cursos d’água mostram-se controlados
por fraturas e falhas, exibindo longos trechos aluvionares CABY, R.; SIAL, A. N.; ARTHAUD, M.; VAUCHEZ, A.
estreitos e retilinizados, como se verifica na porção cen- Crustal evolution and the brasiliano orogeny in northeast
tro-ocidental do estado. Em outros, como nos baixos cur- Brazil. In: DALLMEYER, R. D.; LÉCORCHE, J. P. (Eds.).
sos, esses depósitos tornam-se mais possantes e assumem The West African Orogens and Circum-Atlantic
larguras consideráveis. correlatives. Berlin: Springer-Verlag, 1991. p. 373-397.
As planícies fluviomarinhas são ambientes transicio-
nais ou mistos, formados pela sedimentação de origem LIMA, E. A. M.; LEITE, J. F. Projeto estudo global dos
continental e marinha. O contato de água doce com água recursos minerais da bacia sedimentar do
salgada proporciona, pelas diferenças de pH entre os dois Parnaíba: integração geológico-metalogenética. Relató-
meios, a floculação ou precipitação de argilas em suspen- rio Final, Etapa III. Recife: DNPM-CPRM, 1978. 16 v.
são, resultando na deposição de material escuro e lama-
cento, rico em matéria orgânica, que aumenta a cada MORAES REGO, L. F. Notas sobre a geologia da
período de maré cheia, até formar o ambiente propício à bacia do Acre e bacia do Javari, Manaus. C.
instalação dos manguezais, com o desenvolvimento de Cavalcante. 1930. 45 p.
vegetação típica de tais ambientes. Esses depósitos estua-
rinos são acumulados nas desembocaduras fluviais, pene- SANTOS, M. E. C. M.; CARVALHO, M. S. S.
trando no continente até onde se faz sentir a influência Paleontologia das bacias do Parnaíba, Grajaú e
das marés. Na área do delta, as principais planícies fluvio- São Luís: reconstituições paleobiológicas. Programa
marinhas são aquelas associadas aos rios Parnaíba, Camu- Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil (PLGB). Rio
rupim e Igarassu. O entrelaçado labiríntico dos canais dis- de Janeiro: CPRM, 2004.

24
3
RECURSOS MINERAIS
Luiz Moacyr de Carvalho ([email protected])
Ivo Hermes Batista ([email protected])
Luis Carlos Bastos Freitas ([email protected])
Fernando Lúcio Borges Cunha ([email protected])

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

SUMÁRIO
Introdução ........................................................................................................... 27
Economia Mineral ................................................................................................ 27
Mercado Interno ............................................................................................... 28
Minerais não-metálicos .................................................................................. 28
Minerais metálicos ......................................................................................... 29
Gemas, pedras preciosas e peças de artesanato............................................. 29
Água mineral ................................................................................................. 30
Mercado Externo ............................................................................................... 30
Potencial Mineral e Ambiente Geologico .............................................................. 31
Minerais Não-Metálicos..................................................................................... 31
Calcário .......................................................................................................... 31
Gipsita ........................................................................................................... 31
Fosfato ........................................................................................................... 31
Argilas ............................................................................................................ 32
Mármore ........................................................................................................ 32
Ardósia/quartzito (pedra morisca) .................................................................. 32
Granito, diabásio (rocha britada) ................................................................... 32
Vermiculita ..................................................................................................... 32
Amianto ......................................................................................................... 32
Areia .............................................................................................................. 32
Minerais Metálicos .......................................................................................... 33
Níquel ........................................................................................................... 33
Ferro e manganês ....................................................................................... 33
Titânio .......................................................................................................... 33
Gemas, Pedras Preciosas e Peças de Artesanato ........................................... 33
Opala, ametista, calcedônia ........................................................................ 33
Diamante ..................................................................................................... 33
Recursos Energéticos ...................................................................................... 33
Urânio e carvão ........................................................................................... 33
Jazimentos Minerais versus Áreas Envolvidas
por Legislação Restritiva .................................................................................... 36
Referências ......................................................................................................... 36
RECURSOS MINERAIS

INTRODUÇÃO do DNPM, tendo saltado de 92 títulos acumulados entre


1957 e 1999 para 1.435 entre 2000 e março de 2008
O estado do Piauí possui, aproximadamente, 85% do (Figura 3.1).
seu território inserido no domínio das rochas sedimentares Essa demanda súbita por novas áreas de pesquisa
fanerozoicas. O restante está ocupado por rochas coincide, também, com o número de requerimentos e
metamórficas e ígneas, cujas idades de formação situam- alvarás de pesquisa para minérios da classe dos metais,
se no Proterozoico e Arqueano. Essas rochas constituem atingindo maior crescimento a partir de 2006 (Figuras 3.2
o embasamento cristalino da Bacia Sedimentar do Parnaíba. e 3.3).
Entre os 450 jazimentos minerais cadastrados e/ou O perfil da mineração no estado tem sido o de explo-
protocolados no estado, predominam aqueles pertencen- ração econômica dos materiais da classe dos minerais não-
tes à classe das substâncias não-metálicas – materiais de metálicos com aplicação na construção civil, cerâmica,
uso na construção civil, indústria cerâmica – e os utiliza- refratários, indústria química, agricultura, cimento, cal etc.
dos como insumos minerais na agricultura, tais como iso-
lantes térmicos, fundentes e pigmentos. Não menos im-
portantes, merecem destaque as gemas e pedras precio-
sas, os minerais metálicos e os recursos hídricos subterrâ-
neos.
Entre os bens minerais protocolados no 21º Distrito
do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM),
cujas reservas estão sendo avaliadas e/ou exploradas, des-
tacam-se: opala, vermiculita, gipsita, argila, calcário,
fosfato, ardósia, amianto, níquel, rochas ornamentais,
rochas para fabricação de brita e aglomerados naturais
para construção civil, além dos recursos hídricos subterrâ-
neos. Figura 3.1 - Títulos minerários protocolados no DNPM
(1957 a março 2008).
A mineração ocupa um papel de destaque na econo-
mia, participando com 5,56% na composição do Produto
Interno Bruto (PIB) do Piauí.
O crescimento da mineração no estado tende a con-
tinuar por conta não somente da conjuntura econômica
do país, como também devido a ações governamentais
focadas em dois grandes empreendimentos: a Ferrovia
Transnordestina, que dotará o Piauí de acesso ferroviário
aos portos de Pecem (Ceará) e Suape (Pernambuco), e a
Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Elizeu
Martins, a qual contribuirá para o desenvolvimento das
potencialidades locais e regionais.

ECONOMIA MINERAL

As atividades produtivas e serviços contribuem, res-


pectivamente, com cerca de 40% e 60% na composição Figura 3.2 - Títulos minerários protocolados no DNPM
(2000-2008) – Minerais de todas as classes.
do PIB do estado do Piauí. Os setores produtivos – agri-
cultura, indústria de transformação, indústria da constru-
ção civil, energia e pecuária – participam, respectivamen-
te, com 24,27%, 5,41%, 3,15%, 3,95% e 0,20%. A in-
dústria extrativa mineral contribui com 5,56% (CEPRO,
2008).
A compilação e integração dos dados do Anuário
Mineral do DNPM (BRASIL, 2006) e do Cadastro Mineiro
do DNPM (BRASIL, 2007), assim como os estudos leva-
dos a efeito a partir do levantamento do acervo bibliográ-
fico existente, mostram uma tendência de crescimento do
setor mineral.
Os dados levantados revelam um incremento consi- Figura 3.3 - Títulos minerários protocolados no DNPM
derável do número de títulos protocolados no 21º Distrito (2000-2008) – Minerais metálicos.

27
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

A tendência do mercado de commodities minerais, Mercado Interno


atualmente, está se voltando para os minerais metálicos.
Observa-se, assim, que cerca de 80% de todos os A indústria extrativa mineral é um segmento econô-
títulos concedidos no período 2000 a 2007 referem-se mico importante na economia do Piauí e está representa-
aos minerais metálicos, significando que a hegemonia dos da pelos materiais das classes dos minerais não-metálicos,
não-metálicos, tradicionalmente explorados economica- metálicos, gemas e água mineral. Os minerais energéticos
mente no Piauí, está cedendo espaço. representam apenas ocorrências minerais.
Entre 2006 e março de 2008, foram emitidos 225
alvarás de pesquisa para os minerais ferrosos Ni (50), Fe Minerais não-metálicos
(156) e Mn (19), correspondendo a uma área de
388.281,92 ha, e 109 autorizações de pesquisa para os • Materiais de uso na construção civil
não-ferrosos Cu (35), Au (56) e Al (18), relativas a Setor fortemente impulsionado pelo crescimento eco-
24.364,60 ha. nômico do país. Os materiais utilizados in natura, como
Nesse contexto, vale destacar o fosfato e o diaman- as areias e cascalho, são explorados por pequenas empre-
te. O primeiro, pertencente à classe dos não-metálicos e sas ou informalmente.
importante insumo mineral para a agricultura, obteve 34 As argilas, utilizadas na indústria cerâmica, as rochas
alvarás e 148 requerimentos de pesquisa, representan- ornamentais, as rochas britadas, o calcário e o dolomito,
do, respectivamente, áreas com 51.539,18 ha e para fabricação de cimento, e a vermiculita, utilizada na
288.280,48 ha, apenas entre os anos de 2006 a março construção civil decorrente de suas propriedades de ex-
de 2008; o diamante, incluído na classe das gemas, sur- pansão e de não ser inflamável, são insumos cuja explora-
ge contemplado com 34 alvarás de pesquisa, ção envolve empresas mais estruturadas, responsáveis pela
correspondendo a uma área requerida de 53.895,97 ha, absorção de mão de obra formal, envolvendo setores de
a partir de 2003 até 2007. prestação de serviços, comércio e indústria.
No balanço realizado em 2007, foram registrados 382
requerimentos de pesquisa, 34 pedidos de licença, 5 re- • Materiais de uso na agroindústria
querimentos de lavra garimpeira e 3 requerimentos de re- A expansão agrícola nas áreas de cerrados e,
gistro de extração, perfazendo um total de 424 títulos consequentemente, a necessidade de insumos para cor-
minerários, período no qual o Piauí ocupou a 19ª posição reção da acidez dos solos e produção de fertilizantes,
no ranking dos 24 distritos do DNPM no país, conforme o provocou a aceleração desse segmento econômico, si-
Cadastro Mineiro do DNPM (BRASIL, 2007). nalizando uma expectativa de mercado bastante promis-
A emissão de requerimentos e alvarás de pesquisa sora.
para uma substância mineral em determinadas áreas não A vermiculita é um mineral pertencente ao grupo das
implica, necessariamente, que estas se converterão em micas, muito utilizada como insumo agrícola, em virtude
áreas efetivamente pesquisadas, como também a subs- de sua propriedade de retenção de água. A empresa Eucatex
tância em pauta seja aquela de interesse final. De qual- Ltda. detém os direitos de exploração sobre duas áreas de
quer modo, esses dados funcionam como fortes indica- concessão de lavra desde a década de 1970. Praticamen-
dores do comportamento do mercado. te, toda a produção é semibeneficiada na própria mina e,
Entre as empresas responsáveis pela montagem do posteriormente, separada pelo tamanho das partículas; após
cenário econômico mineral no estado do Piauí, destacam- essa etapa, segue para consumo em São Paulo pela pró-
se: Cia. Vale do Rio Doce, que explora comercialmente o pria empresa.
níquel no município de Capitão Gervásio Oliveira, consi- Os principais depósitos de calcário dolomítico ocor-
derada a segunda maior jazida do Brasil; Itapissuma S.A., rem nessas áreas, a W-SW do estado, região de consumo
concessionária das áreas de calcário e proprietária de uma e geograficamente privilegiada, abrangendo os municípi-
fábrica de cimento no município de Itapissuma, em Fron- os de Alto Parnaíba, Riachão e Balsas, no Maranhão, além
teiras, região da Grande Picos; OPEX – Opala do Brasil de Santa Filomena e Antonio Almeida, no Piauí.
Ltda., concessionária da Mina de Opala Boi Morto, em A distribuição regional da quantidade de minerais não-
Pedro II, onde pode ser criado um grande centro de metálicos consumida por unidade da Federação para pro-
lapidação e venda de opala, transformando a cidade em dutos brutos e para produtos beneficiados, respectivamen-
um polo turístico importante; Indaiá Brasil Águas Mine- te, é apresentada nas tabelas 3.1 e 3.2.
rais Ltda.; M.C.S Salsa Ltda.; Norsa Refrigerantes Ltda., Já as reservas, os teores e a capacidade instalada
concessionárias dos direitos de exploração de água no das minas existentes na região, por empresa beneficiadora,
município de Teresina; Eucatex Química e Mineral Ltda., é mostrada na Tabela 3.3.O mercado regional abrange
detentora dos direitos de lavra para vermiculita no muni- os polos agrícolas de Barreiras e Juazeiro-Petrolina, situ-
cípio de Queimada Nova; ECB Rochas Ornamentais do ados no W e NNE do estado da Bahia, respectivamente,
Brasil Ltda., que explora os quartzitos do município de como também as regiões agrícolas de Balsas, no
Castela do Piauí. Maranhão.

28
RECURSOS MINERAIS

• Minerais de uso na siderurgia


Na região compreendida pelo município de Capitão
Gervásio Oliveira, onde existem áreas exploradas para ní-
quel pela Cia. Vale do Rio Doce, afloram jazimentos de
calcários que podem ser usados como fundentes na me-
talurgia do ferro.

Minerais metálicos

Os jazimentos de níquel são os únicos dessa classe


que se encontram em fase operacional de lavra, não ten-
do sido encontrados, todavia, registros relacionados à pro-
dução e comercialização desse minério.

Gemas, pedras preciosas e peças de artesanato

A indústria de joalheria instalada é formada por pe-


quenas mineradoras, garimpos, oficinas de lapidação de
opala, artesanato mineral e ourivesaria. Esse arranjo pro-
dutivo utiliza uma quantidade apreciável de mão de obra,
proporcionando a geração de emprego e renda, além de
agregar valor ao produto final.
A cidade de Pedro II abriga o Polo de Gemas e Joias
do Piauí. É considerada detentora de uma das maiores
reservas mundiais de opala e se caracteriza pela produção
dessa gema, além de joias de prata com opala, mostran-
do um design de mosaico.
A ametista é uma variedade de quartzo muito utiliza-
da nas indústrias de lapidação, joalheria e artesanato de
valor comercial, sendo explorada economicamente por
meio de garimpagem. Seu principal depósito se encontra
no município de Batalha.

29
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

A calcedônia, também pertencente ao grupo do quart- do Piauí, além dos mármores de alta qualidade de Pio IX.
zo, é aproveitada para a confecção de pedras de artesana- São os representantes mais importantes das rochas orna-
to. Ocorre com destaque nos municípios de Buriti dos mentais e materiais de revestimento. Os quartzitos parti-
Montes. cipam nos itens de exportação de produtos de base mine-
Os jazimentos de diamante são conhecidos desde os ral com, aproximadamente, 97% (Figuras 3.4 e 3.5).
anos 1940 e estão situados ao sul do Piauí, nas regiões
compreendidas pelos municípios de Gilbués e Monte Ale-
gre, onde estão registrados 30 garimpos ativos e inativos,
sendo os mais conhecidos os garimpos Monte Alegre,
São Dimas, Boqueirão e China.
De acordo com Oliveira (1997), os depósitos
diamantíferos do sul do Piauí têm comportamento muito
irregular, não só do ponto de vista da produção, variando
de 0,01 ct/m3, nos garimpos de Monte Alegre, até 0,83
ct/m3, nos garimpos do China, quanto da comercialização,
não havendo compradores legalizados, de modo que a
sua produção estimada nos períodos de maior atividade
garimpeira pode ser da ordem de 2.000 ct/ano.
Os troncos de madeira fossilizada (Psaronius) são
utilizados como peças de artesanato. São exemplares fós-
seis cuja preservação se deve ao processo de silicificação Figura 3.4 - Faturamento das exportações do Piauí (produtos de
ao qual foram submetidos os restos de madeira e, a partir base mineral). Fonte: CEPRO (2008).
daí, preservados.

Água mineral

A concentração da exploração de água mineral é mais


expressiva no entorno de Teresina. Ocorre, ainda, em Pi-
cos e no Vale do Gurgueia.
Além do potencial hídrico superficial, o Piauí detém
um volumoso manancial de água subterrânea, de sul a
norte do estado. As maiores vazões são registradas no sul,
onde os poços podem apresentar volumes que aumen-
tam proporcionalmente com a profundidade. O poço
Violeto, por exemplo, no Vale do Gurgueia, possui uma
profundidade de 980 m e jorra água a uma altura de 40
m, aproximadamente, com vazão aproximada de 600 m3/
h. Em termos médios estaduais, estima-se um potencial Figura 3.5 - Participação dos quartzitos nas exportações do Piauí
de 10 m3/h/km2. (produtos de base mineral). Fonte: CEPRO (2008).

Mercado Externo

A participação da produção mineral do estado do


Piauí na composição de sua pauta de exportações é pouco
significativa, apresentando um resultado de 2,70% em
2004. Entretanto, apresenta uma tendência de crescimen-
to, passando de 0,58%, em 2000, para 2,70%, em 2004
(Figuras 3.4 e 3.6).
Os minerais não-metálicos, principalmente os perten-
centes aos grupos das rochas ornamentais e dos materiais
de revestimento, são os responsáveis quase que exclusi-
vos das vendas para o exterior.
As placas silicificadas de siltitos e folhelhos, comerci-
almente conhecidos como quartzitos (também chamados
de ardósias e pedra morisca), são encontradas em vários Figura 3.6 - Faturamento das exportações do Piauí.
municípios do norte do Piauí, em particular em Juazeiro Fonte: CEPRO (2008).

30
RECURSOS MINERAIS

Essas commodities apresentam boas chances de ser ARMIL – Mineração do Nordeste Ltda. e Mineração
inseridas no comércio de exportações, o qual se mostra Piauiense Ltda.
com grandes perspectivas de crescimento diante das pro- Esse mineral ocorre segundo corpos estratiformes ou
jeções de consumo/produção e exportações mundiais, lenticulares, incluindo desde laminações milimétricas até
principalmente com a entrada da China no mercado, onde camadas de alguns metros, e está condicionado, geologi-
o Brasil é o seu maior fornecedor de blocos, com cerca de camente, às formações Piauí, Pedra do Fogo e Pastos Bons.
180 mil t em 2002 (BRASIL, 2006). Nas formações Pimenteiras e Poti, os níveis de calcário
Entre os minerais metálicos, o níquel é o único em são raros e delgados.
exploração no estado. A Cia. Vale do Rio Doce detém os Na Formação Piauí, os calcários são geralmente
direitos minerários da jazida de São João do Piauí, em dolomíticos, com espessura de 1,5 a 4,5 m.
Capitão Gervásio Oliveira, considerada a segunda maior Na Formação Pedra do Fogo, os calcários estão dis-
jazida de níquel do Brasil. tribuídos segundo uma faixa NE-SW, que se inicia no Vale
Com o desenvolvimento de novos processos do Parnaíba (região de Teresina, Floriano, Guadalupe,
metalúrgicos, o crescimento da economia nacional, o “efei- Uruçuí), estendendo-se ao Maranhão. Os leitos de calcário
to China”, além da valorização do preço desse metal no possuem espessura de 10 a 20 cm, podendo alcançar de
mercado internacional, que triplicou nos últimos anos 6 m até 40 m; são duros, estratificados ou homogêneos.
(CEPRO, 2008), a exploração de níquel tornou-se econo- Antônio Almeida pode ser considerado o município-
micamente viável. polo da indústria do calcário dolomítico agrícola. As prin-
Os jazimentos de níquel do Piauí ocupam o terceiro cipais empresas que aí operam são: Mineradora de Calcário
lugar no ranking das reservas nacionais, com cerca de 20 Antônio Almeida, Mineradora de Calcário Ouro Branco,
milhões de toneladas medidas, representando 10% e 50%, Mineração Graúna e EMFOL – Empresa de Mineração
respectivamente, das reservas de Goiás e Pará, e o triplo Formosa. No município de Santa Filomena, atuam as
das reservas de Minas Gerais (Figura 3.7). empresas Indústria de Calcário do Cerrado Piauiense e
Calcário Campo Alegre Ltda.; em Curimatá, a produção é
realizada pela empresa CINCAL.
Os calcários, nessa região, ocorrem sob a forma de
camadas e lentes com espessuras variáveis, porém quase
sempre inferiores a 5 m. Em geral, são dolomíticos ou,
pelo menos, magnesianos; afloram, geralmente, em
escarpas mais ou menos íngremes, com espessas cober-
turas.

Gipsita

As minas de gipsita conhecidas são: Saco do Carão


Figura 3.7 - Reservas nacionais de níquel. (município de Simões), Curitiba e Bredo (Curral Novo do
Fonte: CEPRO (2008). Piauí) e Data do Cachorro (município de Betânia do Piauí).
Entre os garimpos, são conhecidos mina do Carnei-
POTENCIAL MINERAL E AMBIENTE ro, Sítio Cabaceiras, mina Velha, Lagoa das Piranhas e
GEOLÓGICO Fazenda Verde.
No estado do Piauí, sua ocorrência está condiciona-
Minerais Não-Metálicos da aos sedimentos da Formação Pedra do Fogo. São pou-
cos os horizontes gipsíferos que afloram; quando existen-
Calcário tes, exibem, quase sempre, pequena espessura. Em
subsuperfície, existem registros de camadas evaporíticas
Os jazimentos de calcário ocorrem no norte do esta- com espessura da ordem de 20 m.
do, representados pelas minas Baixa da Carnaúba e Lama
Preta, localizadas no município de Parnaíba, e na região Fosfato
sudeste, onde estão a Mina Saco da Lagoa e os garimpos
conhecidos como Lagoa do Belanga, Sítio Caminho Novo, Ocorrem 33 jazimentos de fosfato no estado do Piauí.
Saco do Pereiro, Sítio Gitirana e Olho d’Água, nos municí- Destes, um é a Mina Angico dos Dias/Caracol, localizada
pios Caldeirão Grande do Piauí e Simões. no extremo sul do estado, no município de Caracol, no
De acordo com o Cadastro Mineiro do DNPM (BRA- limite do Piauí com a Bahia. A rocha hospedeira é um
SIL, 2007), atualizado para maio de 2008, foram aprova- carbonatito com teor de P2O5 da ordem de 19%, portan-
das 10 concessões de lavra de calcário para as empresas to, mais elevado quando comparado com os depósitos de
Itapissuma Ltda., Granistone S.S., Mineração Alecrim, Angico dos Dias, na Bahia. São conhecidos 32 outros

31
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

jazimentos não-explotados ou com grau de importância Granito, diabásio (rocha britada)


de ocorrência mineral, os quais se localizam no quadrante
NE do Piauí. A concentração maior desses jazimentos en- As principais pedreiras existentes no estado do Piauí
contra-se em São Miguel do Tapuio, Castelo do Piauí e estão localizadas nos municípios de Buriti dos Lopes, La-
São João da Serra, onde são conhecidas as ocorrências goa do Piauí, Teresina, Monsenhor Gil, Floriano e Picos.
das fazendas Genipapo, Malhada Grande, Fortaleza, São A Mina de Buriti dos Lopes tem como rocha-fonte
Vicente e Sítio Mercado. um granito, enquanto todas as demais minas têm com
Em São Miguel do Tapuio, oito ocorrências estão as- rocha-fonte o diabásio, representado por soleiras e diques.
sociadas com fósforo. Estão condicionadas aos níveis Estes, além de explotados para obtenção de brita, são usa-
pelíticos das formações Pimenteiras, Longá e Pedra do Fogo. dos para obtenção de pedras de talhe, como paralelepípe-
dos, alicerces, guias para meio-fio e pedra portuguesa.
Argilas Os diques e soleiras de diabásio são de idade cretácica,
cortando todas as unidades litológicas paleozoicas e atin-
Ocorrem nas várzeas ou planície de inundação de gindo a Formação Corda no Mesozoico.
rios, apresentando coloração escura, devido à presença No exame do Mapa Geológico (escala 1:1.000.000)
de matéria orgânica ou avermelhada em consequência de do Projeto Estudo Global dos Recursos Minerais da Bacia
óxido de ferro. Sedimentar do Parnaíba (LIMA e LEITE, 1978), observa-se
Os municípios de Teresina e Timon são os maiores um estreito relacionamento espacial dessa unidade com
produtores desse bem mineral. O primeiro abriga mais de as formações Pimenteiras, Cabeças, Longá e Corda.
duas dezenas de cerâmicas; o segundo possui cerca de Existem 21 títulos de requerimento para brita no
oito cerâmicas de grande porte. DNPM. Destes, nove estão em fase de pesquisa; os de-
As argilas estratiformes são camadas ou lentes exten- mais se encontram nas fases de licenciamento, requeri-
sas, formando corpos mais ou menos homogêneos hos- mento de lavra e concessão de lavra.
pedados nas formações Piauí, Pimenteiras, Longá e Pedra
do Fogo. Vermiculita
As argilas das formações Longá e Pedra do Fogo são
de uso na fabricação de tijolos e telhas comuns, ao passo As jazidas de vermiculita se localizam no extremo
que as argilas da Formação Pimenteiras têm aplicação sudeste do Piauí, no município de Queimada Nova, próxi-
como argila plástica para cerâmica branca. mas ao limite do Piauí com Pernambuco e estão represen-
Em São José do Piauí, são conhecidos os jazimentos tadas pela Mina Boa Vista/Massapé.
das fazendas Tabocas, com 1.477.434 t, e Vermelha, com Esses jazimentos estão espacialmente relacionados às
556.867 t. O município de Campo Grande também ex- rochas da Suíte Intrusiva Massapé, gabropiroxenítica, que
plora uma jazida para fabricação de isoladores elétricos, aflora na região, e resultam da alteração das rochas
cuja reserva cubada é de 1.876.800 t. ultrabásicas, envolvendo uma combinação dos processos
Em Oeiras, a jazida da Fazenda Mocambinho foi ava- hidrotermal e alteração supergênica dos minerais presen-
liada pela ARMIL – Mineração do Nordeste Ltda., tendo tes nas rochas citadas.
sido cubada uma reserva de 417.648 t (CEPRO, 2008).
Amianto
Mármore
A Mina de Brejo Seco e a ocorrência de Riacho do
Os mármores dos jazimentos de Pio IX são de alta Encanto são os únicos jazimentos cadastrados, os quais
qualidade e representam as rochas ornamentais e materi- estão localizados nos municípios Capitão Gervásio Olivei-
ais de revestimento mais importantes do estado do Piauí. ra e Fronteiras.
Seu condicionamento geológico está relacionado aos ní- O minério de Brejo Seco está condicionado aos
veis de metacalcário do Complexo Jaguaretama. metabasitos do Complexo de Brejo Seco, constituído por
Em Fronteiras, as ocorrências de mármore estão as- corpos intrusivos calcialcalinos, alcalinos, básico-
sociadas aos metacarbonatos do Grupo Orós. ultrabásicos, de idade mesoproterozoica.

Ardósia/quartzito (pedra morisca) Areia

Essas rochas são encontradas em Juazeiro do Piauí, Ocorrem nas aluviões dos rios, principalmente
Castelo, Piripiri e Pedro II. Parnaíba e Poti, bem como areais provenientes da erosão
Os quartzitos que ocorrem no município de Queima- dos arenitos das formações Piauí e Pedra de Fogo.
da Nova, fronteira com a Bahia, são róseos, duros e muito Teresina concentra um número apreciável de dragas,
micáceos, com boa aceitação no mercado. Estão condici- sendo registrados, até o momento, no DNPM, 26 reque-
onados às rochas da Formação Cabeças, Grupo Canindé. rimentos para areia (CEPRO, 2008).

32
RECURSOS MINERAIS

Minerais Metálicos constituem as coberturas detrito-lateríticas ferruginosas que


ocorrem sobre aquelas rochas.
Níquel
Gemas, Pedras Preciosas
A única concessão de lavra para níquel é explorada e Peças de Artesanato
economicamente pela Cia. Vale do Rio Doce, no municí-
pio de Capitão Gervásio Oliveira, na localidade denomina- Opala, ametista, calcedônia
da Brejo Seco.
Duas outras ocorrências minerais estão registradas no As ocorrências de opala situam-se, principalmente,
cadastro da CPRM/SGB sob as denominações Fazenda na região nordeste da Bacia Sedimentar do Parnaíba, no
Várzea – Brejo Seco e Fazenda Brejo Seco. município de Pedro II, encaixadas nos arenitos das forma-
Os jazimentos de níquel estão hospedados nas ro- ções Cabeças, Longá e Poti, acompanhando o trend es-
chas metaultrabásicas do Complexo Brejo Seco. trutural NE-SW e espacialmente relacionadas a soleiras de
diabásio.
Ferro e manganês São descritos três tipos de jazimentos de opala: (i)
veios, preenchendo fraturas ou revestindo cavidades nos
O status econômico dos jazimentos de ferro conheci- arenitos da Formação Cabeças; (ii) capa de soleiras de
dos na Bacia Sedimentar do Parnaíba é o de não-explotado diabásio alterado para argila, onde a opala é encontrada
e sua importância econômica é a de ocorrência mineral. em pequenas fissuras; (iii) aluviões ou tálus, resultantes
Os critérios prospectivos adotados são litológicos e da desagregação do Arenito Cabeças mineralizado e da
estratigráficos: camadas de ferro oolítico de até 2 m de erosão do diabásio.
espessura hospedadas na Formação Pimenteiras, com gran- A paragênese mineral é constituída por calcedônia,
de continuidade lateral, sobrepostas a siltitos no topo ou opala leitosa, drusas de quartzo e, subordinadamente,
na base dessa formação, segundo uma área de direção N- ametista.
S, próxima ao contato com a Formação Cabeças. O cará- Os tipos de gemas conhecidos são: Arlequim, Opala
ter ferruginoso da matriz do arenito da Formação Pimen- em Faixas (Band Opal), Opala Chuveiro (Pinfire Opal) e
teiras permitiu o desenvolvimento de crostas lateríticas Asa de Borboleta (Butterfly Wing Opal).
relativamente extensas e espessas, da ordem de 2 m, no Ametista e calcedônia são variedades de quartzo muito
topo de seus afloramentos. utilizadas nas indústrias de lapidação, joalheria e pedra de
As ocorrências de manganês estão associadas ao ferro e artesanato de valor comercial.
se encontram trapeadas na Formação Cabeças e relaciona-
das a diabásios, segundo um alinhamento estrutural NE-SW. Diamante
Outros condicionamentos geológicos para o ferro
podem ser visualizados a partir dos requerimentos e alvarás Lavrado tão-somente como garimpo nos municípios
de pesquisa concedidos: coberturas detrito-lateríticas da de Gilbués, Monte Alegre, Uruçuí e Palmeira do Piauí.
Formação Cabeças; formações ferríferas bandadas do Com- Nas regiões de Gilbués e Monte Alegre, observam-se
plexo Granjeiro; sequências sedimentares proterozoicas três tipos de depósitos: (i) quaternários, encontrados em
dobradas da Formação Barra Bonita; sequência sedimentar aluviões dos riachos Monte Alegre e Brejo dos Paus, nos
tipo greenstone belt do Complexo Lagoa Alegre; comple- municípios de Monte Alegre e Redenção do Gurgueia,
xos granitoides deformados do Grupo Sobradinho. respectivamente; (ii) terciários, dispostos sobre os arenitos
Entre os jazimentos de cobre, destaca-se o depósito da Formação Piauí, notadamente, nas encostas das pe-
de Mandacaru, localizado no município de Alegrete do quenas chapadas; esses sedimentos seriam produtos do
Piauí, hospedado nos sedimentos vulcanossedimentares retrabalhamento dos depósitos cretácicos diamantíferos,
da Formação Angico Torto. Todos os demais estão cadas- com registro de garimpo nas localidades de Boqueirão do
trados com status econômico de garimpo, sem registros Garimpo e São Dimas; (iii) depósitos do Cretáceo condici-
de produção ou comercialização. onados a lentes de conglomerado oligomítico ou polimítico
de matriz arenoargilosa da Formação Areado (LIMA e LEI-
Titânio TE, 1978).

A maior concentração dessa substância encontra-se Recursos Energéticos


ao sul do Piauí. São conhecidos seis garimpos e cinco
ocorrências distribuídas nos municípios de Parnaguá, Jú- Urânio e carvão
lio Borges e Sebastião Barros.
Os jazimentos primários estão inseridos no contexto As anomalias radiométricas de urânio estão associa-
dos xistos e anfibolitos da sequência vulcanossedimentar das a níveis fosfatados no flanco leste da Formação Pi-
do Grupo Rio Preto, enquanto os depósitos secundários menteiras, compreendendo a região de São Miguel do
33
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Tapuio-Pimenteiras. Essa afinidade geoquími-


ca é relatada no trabalho de Lima e Leite
(1978), tendo-se verificado camadas nodula-
res psolíticas fosfatadas contendo autunita e
apresentando valores radiométricos de até
5.000 cps.
Constataram-se, também, anomalias as-
sociadas a arenitos grosseiros e conglomerá-
ticos da Formação Serra Grande na região de
Padre Vieira. Essa concentração uranífera anô-
mala pode estar condicionada a falhas que
se interceptam e onde teriam se depositado
sais solúveis de urânio transportados pelas
águas subterrâneas.
No acervo de minerais cadastrados, são
conhecidas 11 ocorrências de urânio, prova-
velmente hospedadas nos arenitos das for-
mações Pimenteiras e Serra Grande.
Na região de União e José Freitas, no
Piauí, na parte superior da Formação Poti,
constataram-se leitos de carvão da ordem de
10 cm, por meio de furos estratigráficos exe-
cutados pela CPRM/CNEN e CODESE (PI)
(LIMA e LEITE, 1978).
Dois únicos indícios de urânio são apon-
tados nas margens do rio Gurgueia, nos do-
mínios do município de Jurumenha.

JAZIMENTOS MINERAIS VERSUS


ÁREAS ENVOLVIDAS POR
LEGISLAÇÃO RESTRITIVA

A integração e a análise do material co-


letado a partir do acervo bibliográfico con-
duzem à indicação de zonas mais ou menos
apropriadas para a atividade mineira.
A individualização das zonas deve se-
guir critérios que possam conciliar os interes- Figura 3.8 - Mapa de localização de títulos minerários e áreas restritivas.
ses econômicos e políticos com as limitações
de caráter ambiental, como, por exemplo:
suscetibilidades do meio físico e biótico, áreas envolvidas ca regional, juntamente com a nucleação das atividades
por legislação restritiva (unidades de conservação, áreas mineiras, pode ser organizada segundo Aglomerados Pro-
indígenas, geossítios, áreas com paisagens e monumen- dutivos Locais (APL), de base mineral, bastando, para isso,
tos naturais notáveis e áreas de interesse da municipalidade) que sejam contornadas certas questões, relacionadas aos
(Figuras 3.8 e 3.9). baixos valores agregados de certos materiais, problemas
A partir dessa avaliação, são definidas faixas ou zo- ambientais, condições insalubres de trabalho, evasão de
nas em função da vulnerabilidade e limitações ante a divisas e impostos, fatores esses que acarretam a não-trans-
atividade extrativa mineral. O número de zonas seria formação da riqueza local em melhor qualidade de vida
função do grau do interesse público, quanto ao para a população e para o município (Quadro 3.1).
detalhamento pretendido em função do que se quer O crescimento global da economia mundial é o res-
preservar. ponsável pelo grande interesse em commodities mine-
Predominam, no Piauí, algumas áreas específicas com rais nesses últimos anos e teria, provavelmente, deflagrado
potencial geológico para jazimentos minerais de aplicação a emissão de um número expressivo de títulos minerários
na construção civil, na fabricação de cimento, fertilizantes, (requerimentos de pesquisa, alvarás de pesquisa e con-
cerâmica etc., que podem se enquadrar no tipo ZPM – cessões de lavra), a partir do ano 2000, no estado do
Zona Preferencial para Mineração. Essa vocação econômi- Piauí.

34
RECURSOS MINERAIS

Figura 3.9 - Mapa de localização de classes de jazimentos minerais e áreas restritivas.

Quadro 3.1 - Áreas potencialmente favoráveis à instalação de aglomerados produtivos locais (APLs).

Modalidade de Agregados Produtivos Região Produtora

Areia para Construção Civil Teresina


Argila Vermelha (Cerâmica) Teresina, Timon
Granito e Diabásio (Brita) Buriti dos Lopes, Lagoa do Piauí, Floriano, Picos
Gemas e Pedras Coradas Pedro II, Buriti dos Montes
Granito Ornamental Fronteiras, Pio IX
Calcário Agrícola Antônio Almeida, José de Freitas, Santa Filomena
Mármore Pio IX, Fronteiras, Paulistana
Teresina, Campo Maior, Picos, Piracuruca, Parnaíba, José de Freitas,
Argila de Queima Vermelha
Jaicós, Valença do Piauí, Floriano
Ardósia (Quartzito) Juazeiro do Piauí, Castelo, Pedro II

35
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

REFERÊNCIAS COMDEPI. Cadastramento das ocorrências


minerais do cristalino da região sul do Piauí.
ABREU, S. F. Recursos minerais do Brasil. São Paulo: Teresina: Governo do Estado do Piauí, 1984.
Edgard Blucher, 1973. v. 1.
CPRM. Projeto mapa geológico do estado do
BRASIL. Departamento Nacional de Produção Mineral. Piauí. Teresina: Governo do Estado do Piauí, 1995.
Anuário mineral brasileiro: 2000. Brasília: DNPM, Secretaria de Indústria Comércio, Ciência e Tecnologia.
2006. Convênio CPRM/Governo do Estado do Piauí.

BRASIL. Departamento Nacional de Produção Mineral. MOREIRA, M. D. Aplicações dos minerais e rochas
Cadastro mineiro: 2007. Brasília: DNPM, 2007. industriais. Salvador: SBG, Núcleo Bahia-Sergipe:
Disponível em: <http://dnpm.gov.br/>. Acesso: SGRM: ABG, 1994. 87 p. il.
2009.
LIMA, E. A. M.; LEITE, J. F. Projeto estudo global
CABRAL JUNIOR, M.; OBATA, O. R.; SINTONI, A. dos recursos minerais da bacia sedimentar do
(Coord.). Minerais industriais: orientação para Parnaíba: integração geológico-metalogenética.
regulamentação e implantação de empreendimen- Relatório final da etapa III. Recife: CPRM, 1978.v. 2.
tos. São Paulo: IPT, 2005. 86 p. il. (Publicação IPT, Convênio CPRM/DNPM.
3000).
OLIVEIRA, J. C. Recursos gemológicos dos estados
CEPRO. Diagnóstico do setor mineral piauiense. do Piauí e Maranhão. Teresina: CPRM, 1998. 1 v. il.
Teresina: Governo do Estado do Piauí, 2008. Informe de Recursos Minerais. Série Pedras Preciosas n. 4.

36
4
POTENCIAL PETROLÍFERO
DO ESTADO DO PIAUÍ
Kátia S. Duarte ([email protected])
Bernardo F. Almeida ([email protected])
Cintia I. Coutinho ([email protected])
Antenor F. Muricy ([email protected])
Luciene Pedrosa ([email protected])

Agencia Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)

SUMÁRIO
Introdução ......................................................................................................... 39
Bacia Sedimentar do Parnaíba .......................................................................... 39
Bacia Sedimentar do Ceará ............................................................................... 43
Referências ......................................................................................................... 44
POTENCIAL PETROLÍFERO DO ESTADO DO PIAUÍ

INTRODUÇÃO um levantamento piston core (geoquímica de fundo oce-


ânico) nas porções central e oeste da Bacia do Ceará (Fi-
O potencial petrolífero de uma região está primaria- gura 4.4).
mente relacionado à existência, extensão e espessura de
seu pacote sedimentar. Nesse aspecto, o estado do Piauí é BACIA SEDIMENTAR DO PARNAÍBA
praticamente todo coberto pela Bacia Sedimentar do
Parnaíba, mas também é coberto por diminutas porções A bacia intracratônica do Parnaíba localiza-se na por-
das bacias de Socorro-Santo Ignácio, Araripe, São Francis- ção nordeste do Brasil e abrange uma área aproximada de
co e Ceará (porção terrestre e marítima) (Figura 4.1). 680.000 km2, distribuídos pelos estados do Maranhão,
Ao longo da história de exploração da região, foi co- Piauí, Tocantins e pequena parte pelos estados do Pará,
letado um volume considerável de dados geofísicos (Figu- Ceará e Bahia (Figura 4.1). Segundo Cunha (1986), a Ba-
ra 4.2) e geológicos (Figura 4.3) no estado do Piauí. cia Sedimentar do Parnaíba se separa das bacias de
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Barreirinhas e São Luís, situadas a norte, pelo Arco Ferrer-
Biocombustíveis (ANP) atua na busca pelo aumento das Urbano Santos, e da Bacia do Marajó, a noroeste, pelo
reservas petrolíferas brasileiras não apenas por meio das Arco de Tocantins. Ao sul, seu limite com a Bacia do São
concessões, como também por meio de seus planos Francisco é definido pelo Arco de São Francisco. A Bacia
plurianuais de estudos de geologia e geofísica. O plano Sedimentar do Parnaíba abriga em seu depocentro um
atual, que compreende os anos de 2007 a 2011 (ANP, pacote sedimentar-magmático da ordem de 3.500 m de
2009), vem possibilitando a aquisição de dados, por exem- espessura, incluindo horizontes com características de ro-
plo, por meio do aerolevantamento gravimétrico e chas geradoras e outros com atributos de reservatório.
magnetométrico que cobriu toda a Bacia Sedimentar do Segundo relatório de integração elaborado por
Parnaíba e um importante levantamento sísmico 2D de Sampaio et al. (1998), a atividade exploratória na Bacia
dimensões regionais nessa mesma bacia, no estado do Sedimentar do Parnaíba iniciou-se na década de 1940,
Piauí. No momento, encontra-se em execução um levan- mas os primeiros perfis sísmicos foram registrados apenas
tamento geoquímico também de dimensões regionais nessa no final da década de 1970. Durante a primeira fase do
bacia, assim como se encontra em processo de licitação período exploratório, realizaram-se mapeamentos geoló-

Figura 4.1 - Bacias sedimentares existentes no estado do Piauí e área marítima adjacente.*

(*) As bacias marítimas descritas neste capítulo não representam necessariamente a região que corresponde
à divisão das participações governamentais destinadas ao estado do Piauí e seus municípios.

39
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Figura 4.2 - Mapa de localização dos projetos de levantamentos sísmicos no estado do Piauí.

Figura 4.3 - Mapa de localização dos poços perfurados no estado do Piauí.

40
POTENCIAL PETROLÍFERO DO ESTADO DO PIAUÍ

Figura 4.4 - Mapa de localização dos projetos do plano plurianual de geologia e geofísica da ANP.

gicos, levantamentos magnéticos, gravimétricos e de sís- e 1.800 m e espaçamento de 6 km entre as linhas de voo,
mica 2D, além de perfuração de poços exploratórios. orientadas E-W. Esse convênio foi firmado em 2004, com
A bacia possui 34 poços exploratórios perfurados entre a aquisição dos dados finalizada em outubro de 2006.
1951 e 1988, a maioria deles pela Petrobras. Desse total, É importante salientar a contribuição dos projetos já
22 poços são classificados como pioneiros e 12, como concluídos pela ANP para o sucesso da Nona Rodada de
estratigráficos; juntos, totalizam 20.159 km de perfura- Licitação de Concessões Exploratórias para Exploração de
ção. Os poços apresentam distribuição irregular e densi- Petróleo e Gás (Blocos). A área ofertada na Nona Rodada
dade muito baixa, com um furo a cada 20.000 km2. A consistia em 10 blocos no Setor Norte da bacia, perfazen-
maioria dos poços foi posicionada apenas com apoio de do cerca de 31.000 km².
geologia de superfície, sem auxílio de dados sísmicos. Além do Poço de Capinzal, a Bacia Sedimentar do
Os levantamentos sísmicos foram realizados entre Parnaíba apresenta, ainda, como resultados positivos, os
1954 e 1996 e totalizam 13.194 km lineares de sísmica poços de Testa Branca (1-TB-2-MA) e Floriano (1-FL-1-PI).
2D. As linhas sísmicas existentes têm distribuição esparsa O primeiro apresentou arenitos testemunhados com im-
e densidade extremamente baixa – 0,02 km/km2. Esse pregnação de óleo no topo da Formação Cabeças (811-
volume de dados é pequeno em termos absolutos e pou- 820 m) e indícios fracos em arenitos das formações Longá,
co significativo relativamente à dimensão da bacia. Cabeças e Itaim. Testes de formação aí realizados recupe-
A Bacia Sedimentar do Parnaíba foi alvo de levanta- raram lama cortada por óleo na Formação Cabeças (806-
mentos de aeromagnetometria e gravimetria terrestre, 812,0 m) e lama cortada por gás na Formação Itaim (1.428-
totalizando 163.690 km² e 116.360 km², respectivamen- 1.431,0 m). No poço Floriano, as areias basais do Grupo
te. Os levantamentos foram realizados em campanhas iso- Serra Grande mostraram-se porosas e portadoras de gás e
ladas, implicando precisão variável e densidade de água salgada sulfurosa.
amostragem irregular. Do ponto de vista geopolítico e de infraestrutura, a
Recentemente, por meio de convênio com a Univer- área conta com dois portos de relativa importância – Parna-
sidade de São Paulo (USP), a ANP promoveu um íba e São Luís – e se insere na área de influência de quatro
aerolevantamento gravimétrico-magnetométrico (em toda capitais estaduais: Teresina, São Luís, Belém e Palmas.
a Bacia Sedimentar do Parnaíba) e um gamaespectométrico Outro fator importante para avaliação do potencial
(em parte da bacia). O levantamento foi realizado com petrolífero de uma região é o grau de conhecimento dos
voos a altitudes constantes, aproximadamente entre 1.100 sistemas petrolíferos eventualmente existentes. Na Bacia

41
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Sedimentar do Parnaíba, o sistema petrolífero Pimentei- suem índices de COT variando de 1,0 a 3,0%, matéria
ras-Cabeças é considerado o principal, onde a geração orgânica do tipo III e são os únicos que se encontram
dos hidrocarbonetos se dá nos folhelhos plataformais da maturos por subsidência na porção NW da bacia. Contu-
Formação Pimenteiras com acumulação nos arenitos do, são pouco espessos para geração de volume apreciá-
deltaicos da Formação Cabeças (GÓES et al., 1992). Ou- vel de hidrocarbonetos. Os folhelhos radioativos B, situa-
tros sistemas petrolíferos aventados para a bacia incluem dos no Givetiano Médio, ocorrem apenas nas regiões cen-
o Tianguá-Ipu (inferido) e Tianguá-Jaicós (inferido). Lobato tral e norte da bacia. Possuem espessura máxima de 20
(2007), a partir de análise estratigráfica no intervalo Longá/ m, COT variando de 1,0 a 3,5% e matéria orgânica dos
Poti, conjectura o sistema petrolífero Longá-Longá (inferi- tipos II e III. Os folhelhos radiativos C, depositados no
do). A Formação Codó, embora muito rica em carbono Frasniano, são correlacionáveis aos folhelhos geradores das
orgânico, não passou por soterramento suficiente para se bacias do Solimões (Formação Jandiatuba) e Amazonas
converter em rocha geradora. (Formação Barreirinha). É o principal intervalo de folhelhos
Além desses sistemas, cabe citar dois outros já com- radioativos da bacia, alcançando espessuras de 40 m. Pos-
provados: Pimenteiras-Pimenteiras e Pimenteiras-Itaim, con- sui índices de COT variando entre 1,0 e 5,0% e matéria
forme atestam os resultados do poço 2-CP-001-MA. A esse orgânica do tipo II.
respeito, é interessante mencionar que estudos desenvolvi- Não obstante tais fatos, alguns autores encaram com
dos por Young (2003) e Young e Borghi (2006) sugeriram a pessimismo o potencial gerador dessa unidade em função
hipótese de geração e acumulação na Formação Pimentei- da sobrecarga não muito expressiva em que ela se encaixa
ras, constituindo, assim, o sistema retromencionado. De em grande parte da bacia. Contudo, como intrusões ígneas
acordo com esses trabalhos, a Formação Pimenteiras depo- acometem frequentemente esse pacote, o incremento tér-
sitou-se em uma paleoplataforma marinha, com eventual mico daí decorrente seria o catalisador para a geração
aporte de areias por processos induzidos por tempestades. desejada, a exemplo do que se verifica na prolífica Bacia
Estudos estratigráficos desenvolvidos por Young (2003) e do Solimões, onde condições similares e geradoras análo-
Young e Borghi (2006) descrevem um intervalo arenoso gas estão igualmente envolvidas. Fato relevante nesse con-
com características de rocha-reservatório, lateralmente con- texto é a constatação de que a maioria dos diques e sills
tínuo (>140 km), com aproximadamente 20 m de espes- de diabásio se concentra na Formação Pimenteiras,
sura e em contato brusco com siltitos e folhelhos incrementando, assim, o potencial gerador da seção mais
sobrejacentes e subjacentes. Os autores citados interpre- importante sob esse aspecto.
tam esse intervalo arenoso como resultante de uma regres- As formações Tianguá (Siluriano) e Longá (Devoniano-
são forçada e o denominaram informalmente como arenito Fameniano) são consideradas geradoras potenciais secun-
“B”. O modelo de regressão forçada apresentado por Young dárias. A Formação Tianguá apresenta espessuras da or-
e Borghi (2006) difere fundamentalmente da interpretação dem de 200 m e exibe teores de carbono orgânico nor-
de Della Fávera (1990), que considerou todos os intervalos malmente inferiores a 1,0%, com raros níveis apresentan-
de arenitos da Formação Pimenteiras como decorrentes de do teores iguais a 1,2%. As análises microscópicas reve-
eventos de progradação deltaica. lam alta proporção de matéria orgânica oxidada, liptinita
Igualmente ao que ocorre nas bacias paleozoicas do e matéria orgânica amorfa. Os dados de reflectância de
Solimões e do Amazonas, a deposição da principal rocha vitrinita indicam que essa unidade se encontra termica-
geradora na Bacia Sedimentar do Parnaíba se deve a um mente matura em grande parte da bacia, onde os maiores
evento anóxico global desenvolvido no Devoniano, mais valores de R0 estão associados à ocorrência das maiores
precisamente no Frasniano. Esse evento foi responsável espessuras das rochas intrusivas. A Formação Longá apre-
pela deposição de folhelhos com altas radioatividade e senta matéria orgânica dos tipos III e IV, com alta propor-
resistividade e baixa densidade que ocorrem na Formação ção de inertinita. Nas áreas com ausência de intrusões de
Pimenteiras, representativo do período de máxima inun- diabásio, ocorre termicamente pouco evoluída
dação marinha (RODRIGUES, 1995). A Formação Pimen- (RODRIGUES, 1995).
teiras alcança espessuras superiores a 500 m, com o inter- Segundo Rodrigues (1995), a Formação Codó, depo-
valo radioativo, potencialmente gerador, apresentando sitada durante o Cretáceo, é extremamente rica em maté-
isólitas de até 60 m e teores médios de Carbono Orgânico ria orgânica, atingindo teores de COT de até 27%. Contu-
Total (COT) de 2-2,5%. Análises efetuadas em testemu- do, essa unidade se encontra imatura e, como sua depo-
nho do poço 1-IZ-2-MA mostraram altos teores de maté- sição foi posterior ao vulcanismo, não sofreu os seus efei-
ria orgânica, atingindo valores de até 6%, com predomi- tos térmicos. Os reservatórios principais são os arenitos
nância dos tipos II e III. devonianos da Formação Cabeças. O seu potencial como
Rodrigues (1995) identificou três intervalos potenci- reservatório de hidrocarbonetos aumenta pela privilegiada
almente geradores dentro da Formação Pimenteiras, de- situação estratigráfica em contato direto com as rochas
nominando-os folhelhos radioativos A, B e C. Os folhelhos geradoras da Formação Pimenteiras. A Formação Cabeças
radioativos A situam-se aproximadamente no limite apresenta alta permeabilidade e porosidade de até 26%,
Eifeliano/Givetiano, têm espessura máxima de 20 m, pos- atingindo espessuras da ordem de 250 m.

42
POTENCIAL PETROLÍFERO DO ESTADO DO PIAUÍ

Reservatórios potenciais secundários são os arenitos cos, visando à localização de estruturas com característi-
devonianos da Formação Itaim e os arenitos eólicos cas semelhantes, situadas a centenas ou milhares de metros
carboníferos da Formação Piauí. Os arenitos silurianos da abaixo da superfície.
Formação Ipu podem ser reservatórios potenciais, especi- Na Bacia Sedimentar do Parnaíba, são reconhecidos
almente se os folhelhos silurianos da Formação Tianguá os astroblemas Serra da Cangalha e Anel de Riachão. O
se mostrarem geradores – tais arenitos apresentaram indí- primeiro localiza-se no estado do Tocantins e possui apro-
cios em alguns poços. Intrusões de diabásio, se fratura- ximadamente 12 a 13 km de diâmetro. Sua característica
dos, podem se constituir em reservatórios, a exemplo do proeminente é um anel central de montanhas com um
poço 2-CP-1-MA (Capinzal). diâmetro de 3 a 4 km. O Anel de Riachão é uma estrutura
A Formação Longá (Devoniano/Carbonífero) constitui circular, com diâmetro de 14 km. Ocorre na porção meri-
o selo para o principal reservatório que é a Formação Cabe- dional da bacia e tem sua origem atribuída a impacto de
ças (Devoniano). Selos para reservatórios das formações Ipu, meteoro. Segundo Donofrio (1998), essa estrutura é con-
Itaim e Piauí podem ser formados, respectivamente, por siderada de interesse exploratório, a exemplo de campos
folhelhos da Formação Tianguá (Siluriano), folhelhos da de óleo associados a astroblemas em outras partes do
Formação Pimenteiras (Devoniano) e folhelhos e evaporitos mundo, como o astroblema de Chicxulub (170 km, 65
da Formação Pedra de Fogo (Permiano). Intrusões de milhões de anos), no Golfo do México.
diabásio (do Jurássico) podem selar qualquer reservatório.
As armadilhas esperadas são do tipo estrutural, po- BACIA SEDIMENTAR DO CEARÁ
dendo estar relacionadas às várias orogenias que afetaram
a bacia. Estruturas relacionadas a intrusões ígneas podem Segundo relatório de integração elaborado por Sam-
ser importantes por serem síncronas à geração de paio et al. (1998), a Bacia Sedimentar do Ceará está loca-
hidrocarbonetos. lizada na plataforma continental da Margem Equatorial
Segundo Crósta (2004), estruturas geradas por Brasileira, tem seu limite leste dado pelo Alto de Fortale-
astroblemas (crateras produzidas pelo impacto de corpos za, que a separa da Bacia Potiguar, e seu limite oeste pelo
celestes – asteroide ou cometa – de grandes dimensões) Alto de Tutoia, que a separa da Bacia de Barreirinhas. Ao
são potencialmente interessantes do ponto de vista sul, limita-se pela área de afloramento do embasamento
exploratório, pois as rochas fragmentadas pelo impacto cristalino e, ao norte, pela Falha Transformante do Ceará,
formam excelentes reservatórios para acumulação de associada à Zona de Fratura Romanche. Devido a caracte-
hidrocarbonetos. Crósta (2004) relata que esse modelo de rísticas tectônicas distintas e feições estruturais proemi-
exploração de petróleo vem sendo utilizado com êxito em nentes, a Bacia Sedimentar do Ceará pode ser subdividida
países como os Estados Unidos da América (EUA), Cana- em quatro sub-bacias, de leste para oeste: Mundaú, Ica-
dá e México. O autor sugere que as crateras expostas po- raí, Acaraú e Camocim-Piauí, sendo essa última localizada
dem servir como modelo para estudos com dados sísmi- na extensão marítima do estado do Piauí (Figura 4.5).

Figura 4.5 - Arcabouço estrutural da bacia sedimentar do Ceará. Fonte: Figueiredo (1985).

43
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

A sub-bacia de Camocim-Piauí é separada da sub- Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,
bacia de Acaraú pelo Alto do Ceará. Esta, por sua vez, 1986.
separa-se da sub-bacia de Icaraí por um alto representati-
vo da continuação do lineamento do Sobral (proeminente DELLA FÁVERA, J. C. Tempestitos da bacia do
feição estrutural pré-cambriana). Parnaíba. 243 f. 1990. Tese (Doutorado em
A sub-bacia de Mundaú tem dimensões e caracterís- Geociências) – Universidade Federal do Rio Grande do
ticas menos complexas que as demais sub-bacias adjacen- Sul, Porto Alegre, 1990.
tes a oeste e sua importância no contexto exploratório
deve-se ao fato de ser a única com produção comercial de DONOFRIO, R. R. North american impact structures hold
hidrocarbonetos. giant field potential. Oil & Gas Journal, May 11, p.
Ainda segundo Sampaio et al. (1998), a exploração 69-83, 1998.
sistemática para hidrocarbonetos na sub-bacia de Mundaú
teve início no final da década de 1960. Os primeiros le- FIGUEIREDO, A. M. F. Geologia das bacias brasileiras.
vantamentos sísmicos foram realizados em 1976 pela In: VIRO, E. J. (Ed.). Avaliação de formações no
Petrobras. Os esforços exploratórios na bacia aumentaram Brasil. Rio de Janeiro: Schlumberger, 1985. I:1-38.
no final dos anos de 1970 e início da década de 1980,
sofrendo um declínio nos anos de 1990. Até aquela data GÓES, A. M. O.; TRAVASSOS, W. A. S.; NUNES, K.
haviam sido perfurados 90 poços exploratórios. Em 1998, Projeto Parnaíba: reavaliação da bacia e perspectivas
o acervo de dados sobre a Bacia Sedimentar do Ceará, exploratórias. Rio de Janeiro: Petrobras/Depex, 1992.
abrangendo todas as sub-bacias, incluía 108 poços
exploratórios, 47.009 km de linhas sísmicas 2D, 29.192 LOBATO, G. Análise estratigráfica de alta resolu-
km em 3D, 26.656 km de perfis gravimétricos e 45.878 ção no intervalo do limite formacional Longá/
km de magnetometria, totalizando investimentos de Poti (neodevoniano/eocarbonífero) em testemu-
US$638,792 milhões. nhos de sondagem da bacia do Parnaíba. 111 f.
A primeira acumulação comercial de óleo, o Cam- 2007. Trabalho de Conclusão de Curso. Faculdade de
po de Xaréu, foi descoberta em 1977, sendo seguida Geologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de
pela descoberta dos campos de Curimã e Espada (1978) Janeiro, 2007.
e Atum (1979) (Figura 4.5). Os volumes originais nesses
campos foram estimados em 71,8 Mm3 de óleo e 5.808,2 RODRIGUES, R. A. Geoquímica orgânica da bacia
Mm3 de gás. As reservas recuperáveis foram estimadas do Parnaíba. 225 f. Tese (Doutorado em Geociências)
em 18,6 Mm3 de óleo e 2.868,0 Mm3 de gás. Essas – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto
reservas encontram-se na extensão marítima do estado Alegre, 1995.
do Ceará.
Em resumo, com relação ao estado do Piauí, diante SAMPAIO, E. E. S., PORSANI, M. J., BOTELHO, M. A.
da grande dimensão da Bacia Sedimentar do Parnaíba, B., BASSREI, A.; STRINGHINI, A. V.; APOLUCENO NETO,
ainda que esta esteja em estágio inicial de pesquisa A. F.; CAMPOS, J. V.; TOFFOLI, L. C.; ANDRADE,
exploratória, entende-se que a região é privilegiada e po- M.A.L.; ARAÚJO, M. B.; CARVALHO, R. S. Relatórios
derá se tornar estratégica em termos de potencial petro- de integração: análise de blocos requisitados pela
lífero. Petrobras (bacias sedimentares brasileiras). 1998.
Contrato ANP/UFBA. CD-ROM.
REFERÊNCIAS
YOUNG, C. G. K. Contribuição à análise
ANP. Plano plurianual de geologia e geofísica. estratigráfica da formação Pimenteiras
2009. Disponível em: <http://www.anp.gov.br/>. (devoniano) na borda leste da bacia do Parnaíba:
um estudo com base em sondagens. 84 f. 2003.
CRÓSTA, A. Elas são gêmeas. Jornal da Unicamp, Monografia – Instituto de Geociências, Universidade
Campinas, 3-9 maio de 2004. Disponível em: <http:// Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2003.
www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/maio2004/
ju250 pag03.html. Acesso em: 23 fev. 2007. YOUNG, C. G. K.; BORGHI, L. Corpos de arenitos
isolados: um novo modelo exploratório de reservatórios
CUNHA, F. M. B. Evolução paleozoica da bacia do nas bacias paleozoicas brasileiras. In: RIO OIL & GAS
Parnaíba e seu arcabouço tectônico. 1986. 107 f. EXPO AND CONFERENCE, 2006. Rio de Janeiro.
Dissertação (Mestrado em Ciências Geológicas) – ... Rio de Janeiro: IBP, 2006. v. 1, p. 1-8.
Anais...

44
5
RELEVO
Rogério Valença Ferreira ([email protected])
Marcelo Eduardo Dantas ([email protected])

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

SUMÁRIO
Introdução ........................................................................................................... 47
Domínios Geomorfológicos do Estado do Piauí.................................................... 47
Planície Costeira do Piauí .................................................................................. 48
Superfícies Aplainadas da Bacia do Rio Parnaíba
(Patamares do Rio Parnaíba)............................................................................... 49
Vale do Rio Gurgueia (Vãos do Rio Parnaíba) .................................................... 53
Chapadas do Alto Parnaíba ............................................................................... 56
Chapada da Ibiapaba ........................................................................................ 57
Chapada do Araripe .......................................................................................... 58
Chapada das Mangabeiras (Chapadas do Rio São Francisco) ............................ 59
Depressão Sertaneja .......................................................................................... 60
Alinhamentos Serranos da Depressão Sertaneja ................................................ 62
Referências ........................................................................................................... 64
RELEVO

INTRODUÇÃO - Domínio das Depressões Intermontanas e Interplanálticas


das Caatingas: Constituído, no território estadual, por três
O relevo terrestre é uma expressão resultante do con- padrões morfológicos principais: superfícies de
junto de processos associados às dinâmicas interna e ex- aplainamento da Depressão Sertaneja, chapadas sustenta-
terna que vem atuando na superfície da Terra ao longo do das por rochas sedimentares e serras isoladas.
tempo geológico, modelando as formas que observamos - Domínio dos Chapadões Semiúmidos Tropicais do Cer-
na paisagem. rado: Representado por topos dos chapadões sustentados
Os processos internos (ou endógenos) estão relacio- por couraças ferruginosas; planaltos dissecados; depres-
nados às atividades que envolvem movimentos ou varia- sões interplanálticas.
ções físicas e químicas das rochas que ocorrem no interior - Faixa de transição morfoclimática (intercalando os dois
da Terra, tais como: mobilização do magma, formando domínios citados): predominam superfícies aplainadas (lo-
vulcões e intrusões plutônicas; orogênese (movimentos calmente denominadas “campos”) recobertas por matas
intensos com dobramentos e falhamentos); epirogênese de cocais (Figura 5.1).
(movimentos verticais lentos); terremotos (todos esses Com base na análise dos produtos de sensoriamento
processos estão associados à teoria da tectônica de pla- remoto disponíveis, perfis de campo e estudos geomorfo-
cas). Esses processos levam à formação dos relevos estru- lógicos regionais anteriores (IBGE, 1995; ROSS, 1985,
turais, a exemplo das cadeias montanhosas e dos planal- 1997), o estado do Piauí foi compartimentado em nove
tos sedimentares soerguidos. domínios geomorfológicos (Figura 5.2).
Já os processos externos (ou exógenos) relacionam- Neste capítulo, são apresentados os diversos padrões
se à ação da atmosfera (precipitação, ventos e temperatu- de relevo do estado do Piauí, em um total de 17, que
ra) e dos organismos vivos sobre as rochas, levando à sua estão inseridos nos diversos domínios morfoclimáticos
desintegração, por meio de intemperismo físico e/ou quí- retromencionados, representados no Mapa de Padrões de
mico, seguido por erosão, transporte e deposição dos frag- Relevo do Estado do Piauí, que serviu de base para o Mapa
mentos de rocha. Esses processos esculturam as formas Geodiversidade do Estado do Piauí (Figura 5.3). A
dos relevos estruturais, resultando em relevos de formas individualização dos diversos compartimentos de relevo
derivadas. foi obtida com base em análise de imagens SRTM (Shuttle
Radar Topography Mission), com resolução de 90 m, e
DOMÍNIOS GEOMORFOLÓGICOS imagens GeoCover, onde foram agrupadas as unidades
DO ESTADO DO PIAUÍ

O estado do Piauí apresenta uma varie-


dade considerável de formas de relevo, estan-
do essas formas esculpidas predominantemen-
te em terrenos da Bacia Sedimentar do
Parnaíba, que recobre cerca de 90% da área
do território estadual, sendo os 10% restan-
tes terrenos do embasamento cristalino.
A evolução do relevo do território piaui-
ense foi condicionada principalmente à influ-
ência da tectônica, sem detrimento das influ-
ências litológicas. Ela se estende desde o final
do Cretáceo, durante a Reativação Wealdeni-
ana da Plataforma Brasileira, estendendo-se
pelo Cenozoico, caracterizada por tectonis-
mo atenuado, concomitantemente ao soergui-
mento epirogenético, onde houve bascula-
mento de extensa área pré-cretácica, seguida
de desnudação e formação de grandes áreas
pediplanadas, com planaltos residuais e de-
pressões periféricas e interplanálticas no Plio-
pleistoceno (ALMEIDA, 1967).
Tomando como base a classificação dos
domínios morfoclimáticos do Brasil
(AB’SABER, 1969), o relevo do estado do Piauí
está inserido em dois domínios e uma faixa Figura 5.1 - Domínios morfoclimáticos do Brasil.
de transição: Fonte: Ab’Saber (1969).

47
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

perpendiculares à direção predominante dos


ventos, com relevo mais suave a barlavento e
mais íngreme a sotavento (CAVALCANTI e VI-
ADANA, 2007). A amplitude de relevo é de
poucos metros até 40 m de altitude, com a
inclinação das vertentes variando de 3° a 30°.
Esse padrão de relevo é encontrado em
extensas áreas do litoral do Piauí, na mesor-
região norte do estado, notadamente nos mu-
nicípios de Parnaíba e Luís Correia (Figura 5.4),
onde se desenvolvem Neossolos Quartzarê-
nicos, que compreendem solos arenosos, es-
sencialmente quartzosos, muito permeáveis,
o que condiciona uma baixa capacidade de
retenção de água e de nutrientes, constituin-
do forte limitação ao seu aproveitamento agrí-
cola. São muito suscetíveis à percolação de
Figura 5.2 - Domínios geomorfológicos do estado do Piauí. materiais tóxicos e metais pesados, aumen-

de relevo de acordo com a análise da textura


e rugosidade das imagens. A escala de traba-
lho adotada foi a de 1:1.000.000.

Planície Costeira do Piauí

A planície costeira do Piauí abrange uma


área relativamente restrita do território
piauiense, inserida entre a linha de costa e os
tabuleiros costeiros do Grupo Barreiras, devi-
do ao seu reduzido litoral, e representa um
complexo conjunto de ambientes
deposicionais de origens eólica, fluvial, mari-
nha e lagunar. Esse domínio é representado
por extensos campos de dunas, dos tipos
barcanas e transversais (R1f); planícies
fluviomarinhas (R1d), apresentando extensos
manguezais, e a planície aluvionar do baixo
curso do rio Parnaíba (R1a).
Um Campo de Dunas forma relevos de
agradação, em zona de acumulação atual ou
subatual, composto por sedimentos arenoquart-
zosos bem selecionados, de granulometria fina,
com perfil de forma homogênea e arredonda-
da, em virtude da ação seletiva dos ventos,
que são o agente de transporte predominante
desses ambientes. As dunas podem ser mó-
veis, quando desprovidas de cobertura vege-
tal, ou fixas, quando se encontram recobertas
por vegetação pioneira. Dependendo de fato-
res como disponibilidade de areia, força e in-
tensidade dos ventos, as dunas apresentam
morfologias variadas, sendo encontrados dois
tipos no litoral do Piauí: dunas barcanas, com
forma de “C” ou de lua crescente, com as pon-
tas direcionadas para o lado contrário ao do
vento (sotavento); dunas transversais, que são
Figura 5.3 - Padrões de relevo do estado do Piauí.
48
RELEVO

Figura 5.4 - (a) Localização da unidade Campo de Dunas no estado do Piauí; (b) campo de dunas do tipo barcanas, com formação de
laguna temporária devido à alimentação pelo lençol freático (Luís Correia, PI).

tando, com isso, a possibilidade de contaminação do len- oeste, já na área do delta homônimo, onde dominam
çol freático. Gleissolos Sálicos, cuja alta salinidade impõe sérias restri-
As Planícies Fluviomarinhas, por sua vez, correspon- ções ao uso agrícola e não-agrícola.
dem a relevos de agradação, em zona de acumulação As Planícies Fluviais representam relevos de agradação,
atual. São superfícies extremamente planas, com amplitu- em zona de acumulação atual. São superfícies sub-hori-
de de relevo nula, em ambientes mistos de interface dos zontais, constituídas de depósitos arenoargilosos a
sistemas deposicionais continentais e marinhos constituí- argiloarenosos, apresentando gradientes extremamente
dos por depósitos argiloarenosos a argilosos, com terre- suaves e convergentes em direção aos cursos d’água prin-
nos maldrenados, prolongadamente inundáveis, com pa- cipais, com terrenos imperfeitamente drenados nas planí-
drão de canais meandrantes e divagantes, sob influência cies de inundação, sendo periodicamente inundáveis e bem
das oscilações das marés ou resultantes da colmatação de drenados nos terraços. A amplitude de relevo nessas áreas
paleolagunas. Ocorrência de planícies lagunares ou fluvi- é praticamente nula, apresentando inclinação máxima de
olagunares, com vegetação de brejos, ou de ambientes 3 graus. Na planície costeira do Piauí, destaca-se o baixo
de planícies intermarés, com vegetação de mangues. curso do rio Parnaíba, na mesorregião norte, onde o rio
A vegetação de mangue tem grande importância para forma um delta de grandes proporções (o famoso delta
a bioestabilização da planície fluviomarinha e na deposi- do Parnaíba, com grande potencial geoturístico). Os solos
ção de sedimentos fluviais em suas margens. Funcionam desenvolvidos nessa unidade são do tipo Gleissolos Sálicos
como área de amortecimento dos impactos provocados e Neossolos Flúvicos, formados em terraços de deposição
pelas inundações fluviais e avanços do mar. Os manguezais aluvionar recente, referidos ao Quaternário. Esses terre-
também têm uma grande importância ecológica, por se nos estão revestidos por matas aluviais, campos de várzea
tratar de um berçário para reprodução de várias espécies e vegetação de cocais, onde predomina a carnaúba, com
de crustáceos e peixes. ocupação muito incipiente em uma região bem preserva-
Destaca-se, ainda, a ocorrência de uma sequência de da da porção leste do Delta do Parnaíba, onde se situa a
lagunas paralelas à linha de costa, representando baixos cidade de Parnaíba (Figura 5.6).
cursos de pequenos rios (tais como os rios Portinho e São
Miguel) que foram bloqueados pelos campos de dunas Superfícies Aplainadas da Bacia do Rio
gerados junto ao litoral. Parnaíba (Patamares do Rio Parnaíba)
Na pequena extensão do litoral piauiense, essas pla-
nícies ocorrem em maior concentração na parte leste, nos O Domínio das Superfícies Aplainadas da Bacia do
municípios de Luís Correia e Cajueiro da Praia (Figura 5.5), Rio Parnaíba (outrora denominada Patamares do Rio
na mesorregião norte do estado, onde os solos predomi- Parnaíba, segundo IBGE, 1995) consiste em uma vasta
nantes são do tipo Neossolos Quartzarênicos, e em me- superfície arrasada por processos de erosão generalizados
nor quantidade no município de Parnaíba, no extremo do relevo em diferentes níveis altimétricos, invariavelmente

49
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Figura 5.5 - (a) Localização da unidade Planícies Fluviomarinhas no estado do Piauí; (b) planície fluviomarinha, com vegetação
de mangue ao fundo (Cajueiro da Praia, PI).

Figura 5.6 - (a) Localização da unidade Planícies Aluviais no estado do Piauí; (b) planície aluvial do rio Igaraçu, segmento do delta do
Parnaíba, no sítio urbano de Parnaíba (PI).

em cotas baixas, entre 50 e 300 m. Esse extenso domínio pela planície costeira do Piauí; a sul, pelos compartimen-
estende-se pelo território do Maranhão e está embasado tos planálticos das chapadas do Alto Parnaíba e também
por rochas sedimentares da Bacia Sedimentar do Parnaíba, pela Depressão Sertaneja. Nessas extensas zonas topogra-
que abrange um diversificado conjunto de litologias da ficamente rebaixadas, foram instalados os principais siste-
sequência paleozoica dessa bacia sedimentar (desde os mas de drenagem do estado, como os rios Parnaíba, Longá,
sedimentos siluro-devonianos da Formação Serra Grande Poti, Canindé e Piauí, dentre outros, apresentando uma
até os sedimentos permianos da Formação Pedra de Fogo). rede de canais de padrão dendrítico a subparalelo. As pla-
Delimita-se, a leste, pelo Planalto da Ibiapaba; a norte, nícies fluviais (R1a) são pouco expressivas nesse domínio,

50
RELEVO

podendo ser identificadas, ainda que esparsamente, algu- mentares paleozoicos das formações Serra Grande, Pimen-
mas planícies mais extensas ao longo de segmento de teiras, Longá, Poti, Piauí e Pedra de Fogo, cujos solos pre-
fundos de vales dos rios Parnaíba e Poti. dominantes são Plintossolos Pétricos, Neossolos Litólicos
Esse domínio é representado, predominantemente, distróficos, Neossolos Quartzarênicos, Plintossolos Hápli-
por vastas Superfícies Aplainadas Degradadas (R3a2) (Fi- cos distróficos, Latossolos Amarelos distróficos e Argisso-
gura 5.7). Consiste em superfícies de aplainamento, sua- los Vermelho-Amarelos eutróficos, com cobertura vegetal
vemente onduladas, promovidas pelo arrasamento geral de transição do tipo Mata de Cocais (Figura 5.8), em cli-
dos terrenos e posterior retomada erosiva proporcionada ma tropical semiúmido (Aw). Nessas áreas, destaca-se tan-
pela incisão suave de uma rede de drenagem incipiente. to o extrativismo da carnaúba quanto a pecuária extensi-
Inserem-se, também, no contexto das grandes depressões va. O município de Campo Maior é representativo dessa
interplanálticas. A amplitude de relevo varia de 10 a 30 unidade.
m, com a inclinação das vertentes entre 0 a 5o. Caracteri- Os Baixos Platôs são relevos de degradação em ro-
za-se por um extenso e monótono relevo suave ondulado chas sedimentares, com superfícies ligeiramente mais ele-
sem, contudo, caracterizar um ambiente colinoso, devi- vadas que os terrenos adjacentes, francamente dissecadas
do a suas amplitudes de relevo muito baixas e longas ram- em forma de colinas tabulares. Apresentam um sistema
pas de muito baixa declividade. de drenagem constituído por uma rede de canais com
Destacam-se amplos terrenos das superfícies de baixa densidade de drenagem, que gera um relevo pouco
aplainamento que sofreram dissecação, estando, portan- dissecado de amplos topos tabulares e sulcado por vales
to, conservadas (R3a1) (Figura 5.8) e, ainda, extensas áreas encaixados com vertentes retilíneas e declivosas, resultan-
de relevos residuais – do tipo mesetas – (R3b) e baixos tes da dissecação fluvial recente. Apresenta deposição de
platôs dissecados (R2b2) (Figura 5.9), ligeiramente mais planícies aluviais restritas em vales fechados.
elevados que o piso regional das superfícies aplainadas O equilíbrio entre os processos de pedogênese e mor-
(entre 20 e 50 m). O perfil geológico-geomorfológico fogênese forma solos espessos e bem drenados, com mo-
esquemático 1, abrangendo um extenso perfil topográfi- derada suscetibilidade à erosão, em especial, os Latossolos
co entre as cidades de Recife e Teresina, com direção apro- Amarelos distróficos e os Neossolos Quartzarênicos. Em
ximada E-W (Figura 5.10), exprime os terrenos baixos e algumas áreas, ocorrem processos de laterização, notada-
aplainados desse domínio geomorfológico, que se esten- mente nos topos planos. Ocorrências erosivas esporádicas,
de até a cidade de Teresina. restritas a processos de erosão laminar ou linear acelerada
Ao longo das superfícies aplainadas da Bacia Sedi- (ravinas e voçorocas). A amplitude de relevo nesse compar-
mentar do Parnaíba, suas feições conservadas (ou seja, timento varia de 20 a 50 m, com topos planos a suave-
não sofreram posterior retomada erosiva e reafeiçoamen- mente ondulados, com declividade entre 2o a 5o, com ex-
to do relevo) concentram-se nas mesorregiões Norte e ceção dos eixos dos vales fluviais, onde se registram verten-
Centro-Norte, onde estão concentradas em terrenos sedi- tes com declividades mais acentuadas (10o-25o).

Figura 5.7 - (a) Localização da unidade Superfícies Aplainadas Degradadas no estado do Piauí;
(b) superfície aplainada com dissecação por ação fluvial (Canto do Buriti, PI).

51
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Figura 5.8 - (a) Localização da unidade Superfícies Aplainadas Conservadas no estado do Piauí;
(b) superfície de aplainamento conservada com mata de cocais (Campo Maior, PI).

Figura 5.9 - (a) Localização da unidade Baixos Platôs Dissecados no estado do Piauí;
(b) superfície dos baixos platôs dissecados (Itaueira, PI).

Figura 5.10 - Perfil geológico-geomorfológico esquemático do transect Teresina (PI)-Recife (PE).


Fonte: Dantas et al. (2008).

52
RELEVO

Os Baixos Platôs estão assentados em arenitos e de- dos, bem drenados e de baixa fertilidade natural, com ocu-
pósitos colúvio-eluviais da Bacia Sedimentar do Parnaíba, pação agropastoril. Já no município de Cocal, estão sobre
com predominância de Latossolos e Neossolos Quartzarê- depósitos colúvio-eluviais, em Neossolos Quartzarênicos,
nicos. Devido à presença dos Latossolos, essas áreas são de baixa fertilidade, com ocupação agrícola.
adequadas para o uso agrícola. Esse domínio é o de maior extensão territorial no es-
Próximo ao litoral, na Mesorregião Norte, as rochas tado do Piauí. Está bem distribuído nas mesorregiões Nor-
sedimentares da Bacia do Parnaíba estão recobertas por te, Centro e Sudeste, resultado do arrasamento das mais
rochas sedimentares pouco litificadas de idade terciária diversas litologias da Bacia Sedimentar do Parnaíba, sob
do Grupo Barreiras, sobre Argissolos Vermelho-Amarelos predomínio dos climas de tipo tropical semiúmido (Aw) e
distróficos, Latossolos Amarelos distróficos e Neossolos tropical semiárido (Bsh).
Quartzarênicos, gerando padrões de relevo do tipo Tabu- No Domínio das Superfícies Aplainadas da Bacia do
leiros Dissecados ou não (R2a2 e R2a1). Rio Parnaíba, estão situadas algumas das principais cida-
Os Tabuleiros Dissecados são relevos de degradação des do estado, tais como: Floriano, Piripiri, Campo Maior,
em rochas sedimentares, com formas de relevo tabulares, Amarante, Oeiras e Picos, incluindo a sua capital – Teresina.
dissecadas por uma rede de canais com moderada densida-
de de drenagem, apresentando relevo movimentado de Vale do Rio Gurgueia (Vãos do Rio Parnaíba)
colinas com topos tabulares ou alongados e vertentes
retilíneas e declivosas nos vales encaixados, resultantes da O vale do rio Gurgueia, situado no sudoeste do esta-
dissecação fluvial recente. Predominam os processos de do do Piauí, consiste em uma ampla forma erosiva resul-
pedogênese (formação de solos espessos e bem drenados, tante de processos de entalhamento fluvial e notável alar-
em geral, com baixa a moderada suscetibilidade à erosão), gamento das vertentes do vale via recuo erosivo de suas
tendo ocorrência de processos de erosão laminar ou linear encostas. Essa unidade de relevo caracteriza-se, portanto,
acelerada (sulcos e ravinas). A amplitude de relevo varia de por ser um extenso vale encaixado e reafeiçoado por ero-
20 a 50 m, com inclinação das vertentes variando de 0o-3o. são regressiva em meio às chapadas do Alto Parnaíba (Pla-
No estado do Piauí, os Tabuleiros Dissecados se desenvol- nalto de Uruçuí, a oeste; Planalto das Confusões, a leste),
vem em Argissolos Vermelho-Amarelos, estando concen- apresentando direção aproximada SSW-NNE e um desni-
trados na Mesorregião Norte do estado, principalmente na velamento total em torno de 200 a 350 m. O piso regio-
zona costeira, onde muitas vezes estão sotopostos aos Cam- nal do vale do Gurgueia é dominado por relevo suave
pos de Dunas, a exemplo do município de Luís Correia ondulado das Superfícies Aplainadas Degradadas (R3a2),
(Figura 5.11). Os tabuleiros não dissecados são encontra- sendo ladeadas por curtos e abruptos escarpamentos e
dos nos municípios de Esperantina (Figura 5.12) e Nossa rebordos erosivos (R4e) (Figura 5.13) que distingue a su-
Senhora dos Remédios, com Latossolos Amarelos profun- perfície rebaixada do vale do rio Gurgueia das superfícies

Figura 5.11 - (a) Localização da unidade Tabuleiros Dissecados no estado do Piauí;


(b) superfície dos tabuleiros dissecados em sedimentos do Grupo Barreiras (Luís Correia, PI).

53
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Figura 5.12 - (a) Localização da unidade Tabuleiros no estado do Piauí; (b) superfície dos tabuleiros (Esperantina, PI).

Figura 5.13 - (a) Localização da unidade Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos no estado do Piauí; (b) rebordo erosivo do planalto de
Uruçuí em contato com superfície de aplainamento do vale do Gurgueia (Palmeira do Piauí, PI).

elevadas das chapadas circunvizinhas (R2b3). O rio Gurgueia O vale do rio Gurgueia posiciona-se, portanto, em
constitui um dos mais importantes afluentes do rio Parnaíba, uma alongada depressão interplanáltica, na faixa de tran-
apresentando extensa planície aluvionar (R1a), com intenso sição do Domínio das Caatingas, com clima tropical se-
aproveitamento agrícola em um ambiente de cerrado com miárido (no alto curso da bacia) para o Domínio dos Cer-
elementos de transição para caatinga. O perfil geológico-ge- rados, com clima tropical semiúmido (no médio-baixo
omorfológico esquemático 2, abrangendo um perfil topo- curso da bacia). Os fundos de vales revestem-se de matas
gráfico entre as cidades piauienses de São Raimundo Nonato ciliares, onde predomina a carnaúba, com ocupação pre-
e Ribeiro Gonçalves, com direção aproximada SE-NW (Figura dominante de atividades agropecuárias, em pequenas e
5.14), exprime o vale aprofundado dessa unidade geomorfo- médias propriedades. Nessa área, a planície fluvial reves-
lógica em meio às chapadas circundantes. te-se de grande importância econômica, em função da

54
RELEVO

fertilidade de seus solos e da disponibilidade hídrica (Fi- Tanto ao longo das superfícies aplainadas do fundo
gura 5.15). Todavia, a calha do rio encontra-se assorea- de vale alargado do vale do Gurgueia, quanto nos rebor-
da, devido, possivelmente, à entrada de uma intensa carga dos erosivos que o delimitam, aflora uma sequência de
de sedimentos proveniente da erosão generalizada (ero- idades devoniana a carbonífera composta por arenitos,
são laminar e linear acelerada e retirada completa da folhelhos e siltitos das formações Cabeças, Longá, Poti e
cobertura vegetal) na bacia de drenagem. Esse input de Piauí. Destaca-se um espetacular potencial hidrogeológi-
sedimentos ocorre nas áreas em processo de desertifica- co no fundo do vale do rio Gurgueia, cujo aproveitamen-
ção de Gilbués e Monte Alegre, estas localizadas no alto to atual restringe-se a uma série de poços tubulares e arte-
curso da bacia do rio Gurgueia. É de se destacar nessa sianos com uma rede de irrigação ainda incipiente. Desta-
área o afloramento de siltitos e arenitos da Formação ca-se, nesse contexto, o poço Violeto, perfurado no início
Areado, que geram solos expansivos, onde se formam da década de 1970 e que, até o presente, apresenta-se
Luvissolos Crômicos com alta suscetibilidade à erosão como um poço jorrante.
que, em consequência da antiga atividade de mineração Predominam solos espessos com terrenos de baixa
e retirada da vegetação nativa, sofre processo de deserti- declividade nas superfícies aplainadas: Latossolos Amare-
ficação. los distróficos e, subordinadamente, Neossolos Quartza-

Figura 5.14 - Perfil geológico-geomorfológico esquemático do transect rio Parnaíba-São Raimundo Nonato (PI).

Figura 5.15 - (a) Localização da unidade Planícies Aluviais no estado do Piauí;


(b) vale do rio Gurgueia – planície de alagamento em época de cheia (julho 2008).

55
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

rênicos e Plintossolos Pétricos; nos rebordos erosivos, pre- Nos planaltos, predominam os processos de pedogê-
dominam Neossolos Litólicos e Afloramentos de Rocha; nese (formação de solos espessos e bem drenados, em
na planície aluvial do rio Gurgueia predominam Neosso- geral, com baixa a moderada suscetibilidade à erosão).
los Flúvicos eutróficos e Cambissolos eutróficos, com ocor- Eventualmente, são encontrados nos topos desses relevos
rência de argilas de atividade alta. A planície fluvial do rio processos de laterização resultantes da alternância de pe-
Gurgueia apresenta, portanto, solos de boa fertilidade ríodos úmidos e secos. Apresentam ocorrências erosivas
natural que, associados à disponibilidade hídrica subterrâ- esporádicas, restritas a processos de erosão laminar ou
nea, representam uma área de grande potencial agrícola. linear acelerada (ravinas e voçorocas).
As cidades de Eliseu Martins, Colônia do Gurgueia, Cristi- Os Vales Encaixados, por sua vez, são relevos de de-
no Castro, Bom Jesus e Redenção do Gurgueia dominam gradação de morfologia acidentada, constituídos por ver-
o vale do Gurgueia. tentes predominantemente retilíneas a côncavas, fortemen-
te sulcadas, declivosas, com sedimentação de colúvios e
Chapadas do Alto Parnaíba depósitos de tálus. A amplitude de relevo varia de 100 a
300 m, com inclinação das vertentes de 10o a 25o, com
As Chapadas do Alto Parnaíba, seguindo denomina- ocorrência de vertentes muito declivosas (acima de 45o)
ção proposta por IBGE (1995), localizam-se no centro-sul (Figura 5.16).
do estado do Piauí e consistem de vastas superfícies O sistema de drenagem principal se encontra em fran-
planálticas (R2b3) alçadas em cotas que variam entre 400 co processo de entalhamento. Consistem de feições de rele-
e 700 m de altitude e levemente adernadas para norte, vo fortemente entalhadas pela incisão vertical da drenagem,
sendo profundamente entalhadas por uma rede de vales formando vales encaixados e incisos sobre planaltos e
encaixados (R4f). O perfil geológico-geomorfológico chapadas, estes, em geral, pouco dissecados. Assim como
esquemático 2, abrangendo um perfil topográfico entre as escarpas e os rebordos erosivos, os vales encaixados apre-
as cidades piauienses de São Raimundo Nonato e Ribeiro sentam quebras de relevo abruptas em contraste com o rele-
Gonçalves, com direção aproximada SE-NW (Figura 5.14) vo plano adjacente. Em geral, essas formas de relevo indi-
exprime os terrenos planos e elevados e sulcados por vales cam uma retomada erosiva recente em processo de reajuste
encaixados dos planaltos de Uruçuí e das Confusões, em em nível de base regional. Franco predomínio de processos
meio às superfícies rebaixadas adjacentes circundantes. de morfogênese (formação de solos rasos, em geral, com
Esses planaltos, relevos de degradação em rochas alta suscetibilidade à erosão). Atuação frequente de proces-
sedimentares, são superfícies mais elevadas que os terre- sos de erosão laminar e de movimentos de massa, com de-
nos adjacentes, apresentando formas tabulares, com in- pósitos de tálus e de colúvios nas baixas vertentes.
clinação de 2o a 5o e amplitude de relevo de 20 a 50 m, Esses relevos planálticos estão assentados em arenitos
excetuando-se os eixos dos vales fluviais. e depósitos colúvio-eluviais da Bacia Sedimentar do

Figura 5.16 - (a) Localização da unidade Vales Encaixados no estado do Piauí;


(b) vale amplo e encaixado em arenitos da formação Piauí (Bertolínia, PI).

56
RELEVO

Parnaíba, com predominância nos topos de Latossolos e planalto dissecada em forma de um degrau litoestrutural
cobertura vegetal de cerrados, com algumas faixas de ve- que delimita o contato entre a Bacia Sedimentar do Parna-
getação de caatinga. íba e o embasamento cristalino da Depressão Sertaneja,
No estado do Piauí, são individualizados dois exten- perfazendo desnivelamentos entre 200 e 300 m.
sos planaltos no domínio das Chapadas do Alto Parnaíba: No topo do planalto, afloram apenas coberturas elúvio-
Uruçuí e das Confusões. coluviais. Nos vales encaixados, afloram as rochas do Gru-
O Planalto de Uruçuí (Figura 5.17) situa-se entre os po Cabeças. No escarpamento voltado para sul, por sua
rios Parnaíba e Gurgueia e caracteriza-se por uma extensa vez, aflora uma expressiva sequência sedimentar da Bacia
superfície plana e elevada, recoberta por cerrados e sulca- do Parnaíba de idade siluro-devoniana, composta predomi-
da pelos vales encaixados dos rios Uruçuí Preto e Parnaíba nantemente por rochas areníticas pertencentes às forma-
e suas respectivas redes tributárias, além dos riachos da ções Serra Grande, Pimenteiras e Cabeças. Esse degrau
Prata e Esfolado. litoestrutural pode ser visualizado a partir das cidades de
No topo do planalto, afloram arenitos, folhelhos e Morro Cabeça no Tempo, Caracol e São Brás do Piauí.
siltitos das formações Piauí e Pedra de Fogo. Já nos vales Assim como no Planalto de Uruçuí, predominam so-
encaixados afloram, exclusivamente, os sedimentos da los espessos em terrenos de baixa declividade nos planal-
Formação Piauí. Predominam solos espessos em terrenos tos: Latossolos Amarelos distróficos e, subordinadamente,
de baixa declividade nos planaltos: Latossolos Amarelos Neossolos Quartzarênicos e Argissolos Vermelho-Amare-
distróficos e, subordinadamente, Neossolos Quartzarêni- los distróficos.
cos e Argissolos Vermelho-Amarelos distróficos. As áreas planálticas aqui descritas estão virtualmente
A ocupação agrícola vem se intensificando nessas áreas preservadas, apresentando ocupação muito incipiente. As
planálticas, principalmente no entorno da cidade de Uruçuí, formas de relevo peculiares de grande beleza cênica gera-
onde o cultivo da soja está bastante consolidado em gran- das pelos processos de erosão fluvial nos vales encaixados
de extensão territorial. Destacam-se também, nessa uni- e o sítio arqueológico do Parque Nacional da Serra da
dade, as cidades de Bertolínia e Ribeiro Gonçalves. Capivara conferem a essa unidade um grande potencial
O Planalto das Confusões, por sua vez, situa-se entre geoturístico e requerem maior atenção na preservação
os rios Gurgueia e Piauí e caracteriza-se, também, por ex- desse patrimônio natural.
tensa superfície plana e elevada recoberta por cerrados, sen-
do que as áreas aplainadas adjacentes são recobertas por Chapada da Ibiapaba
vegetação de caatinga, como se observa no entorno das
cidades de Canto do Buriti e São João do Piauí. Esse planal- A Chapada da Ibiapaba, denominada pelo IBGE
to também é escavado por vales encaixados e apresenta, (1995), de forma genérica, como Planalto da Ibiapaba,
no limite sul-sudeste, uma importante feição de borda de compreende um conjunto de platôs (R2c) e planaltos mais

Figura 5.17 - (a) Localização da unidade Planaltos no estado do Piauí;


(b) vista da escarpa leste do planalto de Uruçuí, observando-se extensa superfície de topo tabular ao fundo.

57
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

rebaixados (R2b3), com características residuais, loca- mais para oeste, em meio à Superfície Aplainada da Ba-
lizados na porção leste do estado do Piauí. Essas super- cia Sedimentar do Parnaíba. Apresenta um formato oval
fícies elevadas estão alçadas em altitudes superiores a e está isolado do Planalto da Ibiapaba por um vão de
400 m, podendo atingir cotas entre 800 e 900 m no direção norte-sul, onde estão assentadas as cidades de
topo do Platô da Ibiapaba, na divisa com o Ceará. O Pimenteiras, São José do Piauí e Picos. Caracteriza-se por
conjunto de planaltos da Chapada do Ibiapaba apre- uma superfície elevada de relevo ondulado e, assim como
senta superfícies suavemente basculadas para oeste, com o planalto principal, está levemente adernada para oes-
um progressivo decréscimo de altitude até convergir te, sendo que os topos mais elevados superam os 550 m
com o piso das Superfícies Aplainadas da Bacia do de altitude. Nessa unidade, afloram os arenitos da For-
Parnaíba. A vertente leste, por sua vez, voltada para o mação Cabeças, de idade devoniana, em parte recober-
estado do Ceará, apresenta um relevo acidentado, típi- tos por coberturas elúvio-coluviais mais recentes. Predo-
co de uma escarpa erosiva, como a observada na Gruta minam solos espessos e bem drenados: Latossolos Ver-
de Ubajara, no Ceará. melho-Amarelos distróficos e Neossolos Quartzarênicos
Esses relevos planálticos estão assentados em areni- e, subordinadamente, Plintossolos Pétricos. Destacam-
tos da porção basal da Bacia Sedimentar do Parnaíba, que se, nessa unidade, as cidades de Inhumas e Ipiranga do
afloram apenas no limite oriental da bacia sedimentar com Piauí.
o embasamento ígneo-metamórfico da Faixa de Dobra- O Planalto de Pedro II consiste em um planalto resi-
mentos do Nordeste, já em território cearense. Ocorre pre- dual de pequenas dimensões, isolado do Planalto da Ibia-
domínio, nos topos, de Latossolos e de cobertura vegetal paba e localizado em meio à Superfície Aplainada da Ba-
de cerrados. A vertente voltada para o Ceará, por sua vez, cia Sedimentar do Parnaíba, mais a norte em relação ao
representa um reduto florestal de Mata Atlântica, associ- Planalto de Inhumas. Caracteriza-se como uma superfície
ando, localmente, um clima mais úmido com chuvas oro- plana e elevada, com um relevo escarpado (R4d) (Figura
gráficas. 5.18) voltado para norte em direção à superfície de Piripi-
Na Chapada da Ibiapaba, distinguem-se três unidades ri, atingindo desnivelamentos totais superiores a 500 m,
planálticas individualizadas: Planalto da Ibiapaba propria- na área conhecida como Mirante do Gritador. O topo do
mente dito; Planalto de Inhumas e Planalto de Pedro II. planalto atinge cotas entre 600 e 750 m e está sustentado
O Planalto da Ibiapaba representa uma superfície ci- por arenitos da Formação Cabeças, de idade devoniana.
meira, em escala regional. Situa-se na divisa leste do esta- Predominam solos espessos e bem drenados: Latossolos
do do Piauí com o estado do Ceará, representando o re- Vermelho-Amarelos distróficos e Neossolos Quartzarêni-
bordo oriental da Bacia Sedimentar do Parnaíba. Caracte- cos, com ocorrência de Neossolos Litólicos associados às
riza-se por uma extensa superfície plana e elevada, leve- áreas de escarpas. Destaca-se, nessa unidade, a cidade de
mente adernada para oeste, sendo que os topos mais ele- Pedro II com forte apelo turístico.
vados superam os 800 m de altitude. Em consequência,
toda a rede de canais que drena esse planalto segue para Chapada do Araripe
oeste, alimentando a rede de tributários do rio Parnaíba
(em especial, a sub-bacia do rio Poti). A Chapada do Araripe representa uma vasta superfí-
O perfil geológico-geomorfológico esquemático 1, cie cimeira que abrange os estados do Ceará, Pernambu-
abrangendo um extenso perfil topográfico entre as cida- co e Piauí; todavia, ocupa uma exígua área no estado do
des de Recife e Teresina, com direção aproximada E-W Piauí, que corresponde à extremidade ocidental dessa uni-
(Figura 5.10), exprime os terrenos planos e elevados com dade geomorfológica. Consiste em um vasto platô (R2c)
caimento para oeste dessa unidade geomorfológica, situ- alçado em cotas que variam entre 800 e 850 m de altitu-
ada na divisa entre os estados do Piauí e Ceará. de, sendo abruptamente delimitado em todos os flancos
Esse planalto está recoberto por vegetação nativa, por escarpas erosivas (R4d) com desnivelamentos totais
mas com um crescente avanço da fronteira agrícola. Nes- sempre superiores a 300 m. As áreas aplainadas situadas a
sa unidade afloram os arenitos e conglomerados da For- oeste do flanco ocidental da Chapada do Araripe, no esta-
mação Serra Grande, de idade siluriana, que corresponde do do Piauí, estão inseridas na Depressão Sertaneja, mo-
à base da Bacia Sedimentar do Parnaíba. Predominam so- delada em rochas do embasamento ígneo-metamórfico
los espessos e bem drenados: Latossolos Vermelho-Ama- de idade pré-cambriana.
relos distróficos e Neossolos Quartzarênicos e, subordina- As chapadas e platôs são relevos de degradação em
damente, Neossolos Litólicos. A ocupação agrícola vem rochas sedimentares, com superfícies tabulares alçadas,
se intensificando nessas áreas planálticas, principalmente ou relevos soerguidos, com topos planos ou aplainados,
relacionadas à agricultura de subsistência. Destacam-se, pouco dissecados, cuja amplitude altimétrica varia de 0 a
nessa unidade, as cidades de Pio IX, Assunção do Piauí e 20 m. Os rebordos dessas superfícies, posicionados em
Buriti dos Montes. cotas elevadas, são delimitados, em geral, por vertentes
O Planalto de Inhumas, por sua vez, representa um íngremes a escarpadas. Representam superfícies cimeiras
fragmento destacado do Planalto da Ibiapaba, localizado regionais onde predominam processos de pedogênese (for-

58
RELEVO

Figura 5.18 - (a) Localização da unidade Escarpas Serranas no estado do Piauí;


(b) escarpa em arenitos da formação Pimenteiras, apresentando depósitos de detritos na vertente (Mirante do Gritador, no Planalto de Pedro II, PI).

mação de solos espessos e bem drenados, em geral, com tam vertentes com paredões rochosos abruptos e disseca-
baixa a moderada suscetibilidade à erosão), com frequen- dos por uma rede de canais que confere um aspecto
te atuação de processos de laterização. Os processos de festonado à escarpa, devido ao recuo erosivo diferencial.
morfogênese mais significativos nesses relevos ocorrem Essas escarpas estão invariavelmente voltadas para norte,
nos rebordos das escarpas erosivas, via recuo lateral das em direção à Depressão Sertaneja no estado do Piauí, onde
vertentes. Apresentam ocorrências erosivas esporádicas, estão situadas as cidades de Barreiras do Piauí, Corrente e
restritas a processos de erosão laminar ou linear acelerada Cristalândia do Piauí, apresentando desnivelamentos to-
(ravinas e voçorocas). tais superiores a 300 m (Figura 5.19). Nessa área, a De-
Essa restrita porção do platô da Chapada do Araripe pressão Sertaneja encontra-se esculpida tanto em rochas
está sustentada por arenitos cretácicos da Formação Exu. sedimentares das bacias do São Francisco e do Parnaíba
As escarpas erosivas da vertente oeste da chapada, por quanto em rochas ígneo-metamórficas do embasamento
sua vez, apresentam, no topo, rochas carbonáticas (calci- cristalino.
lutitos e margas) cretácicas da Formação Santana e, na As Escarpas Serranas são relevos de degradação em
base, o embasamento ígneo-metamórfico da Faixa de qualquer litologia, com morfologia muito acidentada,
Dobramentos do Nordeste. Ocorre um predomínio, nos composta por vertentes predominantemente retilíneas a
topos, de Latossolos Vermelho-Amarelos distróficos, em côncavas, escarpadas e topos de cristas alinhadas, com
clima semiárido com vegetação de caatinga. Nas escarpas amplitude de relevo acima de 300 m e inclinação das
serranas, por sua vez, predominam Neossolos Litólicos. vertentes de 25o a 45o, com ocorrência de paredões rocho-
sos subverticais (60o a 90o), aguçados ou levemente arre-
Chapada das Mangabeiras dondados, com sedimentação de colúvios e depósitos de
(Chapadas do Rio São Francisco) tálus. O sistema de drenagem principal se apresenta em
franco processo de entalhamento. Representam um rele-
A Chapada das Mangabeiras representa uma extensa vo de transição entre duas superfícies distintas alçadas a
superfície cimeira, regionalmente denominada Espigão diferentes cotas altimétricas. Há predomínio, nessas uni-
Mestre, que abrange os estados da Bahia, Tocantins, dades, de processos de morfogênese (formação de solos
Maranhão e Piauí, correspondente à Bacia Sedimentar do rasos em terrenos muito acidentados, em geral, com alta
São Francisco. Esse vasto planalto ocupa uma exígua área suscetibilidade à erosão). É muito frequente a atuação de
no estado do Piauí, que corresponde à extremidade seten- processos de erosão laminar e de movimentos de massa,
trional dessa unidade geomorfológica. Consiste em um com a geração de depósitos de tálus e de colúvios nas
vasto platô (R2c) alçado em cotas que variam entre 750 e baixas vertentes.
800 m de altitude, sendo abruptamente delimitado por Essa restrita porção do platô do Espigão Mestre, as-
escarpas erosivas (R4d). Essas escarpas serranas apresen- sim como as escarpas erosivas, está sustentada por arenitos

59
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Figura 5.19 - (a) Localização da unidade Chapadas e Platôs no estado do Piauí;


(b) escarpa erosiva da borda norte da Chapada das Mangabeiras, extremo sudoeste do Piauí.

e conglomerados cretácicos do Grupo Urucuia. Há predo- rismo e à erosão de determinadas litologias (em especi-
mínio, nos topos, de Latossolos Amarelos distróficos, em al, rochas graníticas ou quartzíticas) frente ao conjunto
clima tropical semiúmido (Aw) e vegetação de cerrado. de litologias aflorantes em determinada região (Figura
Nas escarpas serranas, por sua vez, predominam Neossolos 5.20).
Litólicos. Destacam-se, ainda, coberturas extensivas de depósi-
tos detrito-lateríticos de idade neógena, capeando as su-
Depressão Sertaneja perfícies aplainadas da Depressão Sertaneja. Essas cober-
turas, quando dissecadas por processos de incisão fluvial
A Depressão Sertaneja aqui proposta, seguindo a litera- recentes, geram formas de relevo similares a tabuleiros
tura geral (AB’SABER, 1969), engloba duas denominações (R2a1). Estes são relevos de degradação com formas su-
distintas do IBGE (1995): Depressão do Médio-Baixo Rio São avemente dissecadas (inclinação de 0o-3o e amplitude de
Francisco, modelada sobre rochas cristalinas; Rampas das relevo de 20 a 50 m) em rochas sedimentares, com exten-
Cabeceiras do Rio Parnaíba, modeladas sobre rochas sedi- sas superfícies de gradientes extremamente suaves, com
mentares. Esse domínio geomorfológico apresenta-se como topos planos e alongados e vertentes retilíneas nos vales
uma depressão periférica em relação aos planaltos da Bacia encaixados em forma de “U”, resultantes da dissecação
Sedimentar do Parnaíba e compreende um diversificado con- fluvial recente. Predominam nesses compartimentos os
junto de padrões de relevo com amplo predomínio de super- processos de pedogênese (formação de solos espessos e
fícies aplainadas com relevo levemente ondulado (R3a2) re- bem drenados, em geral, com baixa a moderada susceti-
sultante de processos de arrasamento generalizado do relevo bilidade à erosão), com ocorrências esporádicas, restritas
sobre diversos tipos de litologias. Essas vastas superfícies aplai- a processos de erosão laminar ou linear acelerada (sulcos
nadas encontram-se pontilhadas por inselbergs (R3b) e pe- e ravinas).
quenos platôs isolados (R2c), como os observados entre as O piso da Depressão Sertaneja está posicionado em
cidades de Gilbués e Corrente. cotas entre 300 e 500 m, apresentando elevações residu-
Os inselbergs são relevos residuais isolados, desta- ais que podem atingir cotas elevadas, em especial, as si-
cados na paisagem aplainada, remanescentes do arrasa- tuadas nas divisas com os estados de Pernambuco e da
mento geral dos terrenos. Apresentam amplitude de rele- Bahia. O perfil geológico-geomorfológico esquemático 2,
vo de 50 a 500 m, com inclinação das vertentes de 25o a abrangendo um perfil topográfico entre as cidades piaui-
45o, apresentando ocorrência de paredões rochosos sub- enses de São Raimundo Nonato e Ribeiro Gonçalves, com
verticais (60o a 90o). Os inselbergs elevam-se, em muitos direção aproximada SE-NW (Figura 5.14) exprime a super-
casos, a centenas de metros acima do piso da superfície fície baixa desse domínio geomorfológico, estando rebai-
regional. Em parte, essas formas de relevo residual são xado em relação ao Planalto das Confusões por meio de
originadas a partir da resistência diferencial ao intempe- um imponente degrau litoestrutural.

60
RELEVO

Figura 5.20 - (a) Localização da unidade Inselbergs e outros relevos residuais no estado do Piauí;
(b) relevo residual em arenitos da formação Serra Grande (Curimatá, PI).

A Depressão Sertaneja está assentada tanto sobre ro- vidade pecuária e zona de passagem entre o oeste da Bahia
chas sedimentares das bacias do São Francisco e do Par- e Teresina. Nessa unidade, aflora grande diversidade de
naíba quanto do embasamento ígneo-metamórfico pré- unidades litológicas, sendo que todas foram arrasadas em
cambriano da Faixa de Dobramentos do Nordeste (mais um mesmo nível de base, destacando-se:
especificamente, a Faixa de Dobramentos Rio Preto, próxi- - a oeste: arenitos, siltitos e conglomerados de idade cre-
ma ao contato com o Cráton do São Francisco). Ocorre tácica (formações Urucuia e Areado) da Bacia do São Fran-
predomínio de um conjunto de solos pouco espessos, com cisco. Sobre os siltitos e arenitos finos da Formação Area-
fertilidade natural baixa a alta, em um ambiente de ação do desenvolve-se, em superfície aplainada degradada
dominante de processos de intemperismo físico em um (R3a2), uma das maiores áreas de desertificação do país,
clima tropical semiárido (Bsh), com ocorrência de vegeta- englobando extensas áreas dos municípios de Gilbués (Fi-
ção de caatinga hiperxerófita. gura 5.21) e Monte Alegre do Piauí;
Nessa depressão individualizam-se duas unidades, aqui - dominando toda a depressão: os arenitos, argilitos, fo-
propostas: Depressão de Parnaguá, situada mais a sudo- lhelhos e siltitos de uma extensa sequência sedimentar da
este; Depressão de São Raimundo Nonato, situada mais a Bacia do Parnaíba que se estende do Siluriano (Formação
sudeste. Serra Grande) ao Triássico (Formação Sambaíba);
A Depressão de Parnaguá abrange os altos dos rios - ocupando os fundos de vales da cabeceiras de tributários
Gurgueia e Parnaíba e localiza-se no extremo sudoeste do rio Gurgueia, na porção centro-leste da depressão, aflo-
do Piauí, junto às divisas com os estados da Bahia, To- ram gnaisses bandados de idade arqueana do Complexo
cantins e Maranhão. Essa unidade está delimitada, a Cristalândia do Piauí e xistos e quartzitos de idade meso-
norte, pelo Planalto de Uruçuí e, a sul, pela escarpa da proterozoica do Grupo Rio Preto.
Chapada das Mangabeiras. Caracteriza-se por vasta su- Predominam solos pouco espessos e de moderada a
perfície de aplainamento com ocorrência de esparsos boa fertilidade natural, tais como: Luvissolos Crômicos,
inselbergs e alguns platôs isolados, que representam Argissolos Vermelhos eutróficos, Argissolos Vermelho-
morros-testemunhos resultantes do recuo das escarpas Amarelos eutróficos e Chernossolos Argilúvicos; solos de
erosivas da Chapada das Mangabeiras, a sul-sudoeste; e baixa fertilidade natural, tais como: Latossolos Amarelos
do degrau litoestrutural da serra das Confusões, a norte- distróficos, Neossolos Quartzarênicos e Argissolos Verme-
nordeste. Expressivas áreas de tabuleiros recobertas por lho-Amarelos distróficos. Destacam-se, nessa unidade, as
coberturas detrito-lateríticas afloram nos altos cursos das cidades de Gilbués, Corrente, Cristalândia do Piauí, Parna-
bacias dos rios Paraim e Curimatá, ambos afluentes do guá, Curimatá e Morro Cabeça no Tempo.
rio Gurgueia. A Depressão de São Raimundo Nonato, por sua vez,
Essa superfície está recoberta por vegetação transici- abrange os altos dos rios Piauí, Canindé, Itaim e Guaribas,
onal entre Cerrado e Caatinga, em área de tradicional ati- todos afluentes do rio Parnaíba. Localiza-se no extremo

61
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Figura 5.21 - (a) Localização da unidade Superfícies Aplainadas Degradadas no estado do Piauí;
(b) superfície aplainada degradada em processo de desertificação com ravinas e voçorocas (Gilbués, PI).

sudeste do Piauí, junto às divisas com os estados da Bahia tossolos Amarelos distróficos, estes de baixa fertilidade
e Pernambuco. É delimitada, a norte, pelo Planalto das natural. Destacam-se, nessa unidade, as cidades de Cara-
Confusões e pela superfície aplainada da Bacia Sedimen- col, São Raimundo Nonato, Capitão Gervásio de Oliveira,
tar do Parnaíba; a sul, por alinhamentos serranos da pró- Paulistana e Patos do Piauí, dentre as principais.
pria Depressão Sertaneja. Caracteriza-se por uma superfí-
cie de aplainamento de formato alongado na direção WSW- Alinhamentos Serranos da Depressão
ENE, comportando-se como uma depressão periférica em Sertaneja
relação às chapadas da Bacia Sedimentar do Parnaíba. Essa
superfície está pontilhada de inselbergs, supostamente Os Alinhamentos Serranos da Depressão Sertaneja,
associados a litologias mais resistentes do substrato pré- uma denominação aqui proposta, consistem em um con-
cambriano e que resistiram aos processos de erosão e aplai- junto de formas de relevo acidentadas que abrangem duas
namento generalizado a que essa região foi submetida. denominações distintas conforme IBGE (1995): Planalto
Expressivas áreas de tabuleiros recobertas por coberturas da Tabatinga e Patamar Sertanejo. Esse domínio geomor-
detrito-lateríticas são também aqui encontradas, em espe- fológico apresenta-se como um divisor de drenagem en-
cial, nas cercanias da cidade de Capitão Gervásio de Oli- tre as bacias hidrográficas dos rios Parnaíba e São Francis-
veira. co, sendo regionalmente descrito na paisagem geomorfo-
Essa superfície está recoberta por vegetação de caa- lógica como serra da Tabatinga e serra de Dois Irmãos,
tinga em marcado clima tropical semiárido (Bsh), em área perfazendo as divisas entre os estados do Piauí com Bahia
de pecuária extensiva. Nessa unidade afloram, exclusiva- e Pernambuco. Esse relevo serrano compreende um diver-
mente, litologias do embasamento ígneo-metamórfico, sificado conjunto de padrões de relevo com predomínio
caracterizando-se por dois conjuntos principais: o primei- de colinas dissecadas (R4a2), pequenas cristas (R4b) e
ro, de rochas metamórficas de idades arqueana e paleo- esparsas superfícies planálticas (R2b3) recobertas por co-
proterozoica, tais como migmatitos, ortognaisses e meta- berturas detrito-lateríticas e delimitadas por curtos rebor-
granitos do Complexo Sobradinho-Remanso; xistos e quart- dos erosivos (R4e).
zitos do Grupo Ipueirinha; o segundo, composto por ro- O Domínio de Colinas Dissecadas representa rele-
chas metassedimentares e plútons, tais como filitos, már- vos de degradação em qualquer litologia, com colinas
mores, xistos e quartzitos da Formação Barra Bonita e di- dissecadas, vertentes convexo-côncavas e topos arredon-
oritos, granodioritos e monzonitos da Suíte Intrusiva Ita- dados ou aguçados, com amplitude de relevo variando
poranga. de 30 a 80 m e inclinação das vertentes de 5o a 20o.
Predominam solos pouco espessos e de moderada a Possui um sistema de drenagem principal com deposi-
boa fertilidade natural, tais como: Argissolos Vermelho- ção de planícies aluviais restritas ou em vales fechados.
Amarelos eutróficos e Luvissolos Crômicos, além de La- Apresenta equilíbrio entre processos de pedogênese e

62
RELEVO

morfogênese, com atuação frequente de processos de erosivos. Essa unidade está posicionada em cotas entre
erosão laminar e ocorrência esporádica de processos de 500 e 700 m.
erosão linear acelerada (sulcos, ravinas e voçorocas). É Nessa unidade, afloram ortognaisses miloníticos de
frequente a geração de rampas de colúvio nas baixas idade arqueana do Complexo Cristalândia do Piauí e xistos
vertentes (Figura 5.22). e quartzitos de idade mesoproterozoica do Grupo Rio Pre-
O Domínio de Morros e Serras Baixas, por sua vez, to, com predomínio de solos espessos nos topos desses
consiste em morros convexo-côncavos dissecados e topos exíguos planaltos, tais como Latossolos Amarelos distrófi-
arredondados ou aguçados em cristas, com amplitude de cos e Argissolos Vermelho-Amarelos eutróficos. As locali-
relevo variando de 80 a 200 m, podendo apresentar des- dades de Sebastião Barros, Júlio Borges e Avelino Lopes
nivelamentos de até 300 m e inclinação das vertentes de situam-se no sopé dessa unidade geomorfológica.
15o a 35o. O sistema de drenagem principal é constituído A serra de Dois Irmãos, por sua vez, é drenada pelas
por restritas planícies aluviais. Predominam processos de cabeceiras de drenagem das bacias dos rios Piauí e Canin-
morfogênese, com formação de solos pouco espessos em dé, afluentes do rio Parnaíba no extremo sudeste do Piauí,
terrenos declivosos, em geral, com moderada a alta sus- junto à divisa com os estados da Bahia e Pernambuco. Ao
cetibilidade à erosão. Nesse domínio, é frequente a atua- norte dessa unidade geomorfológica estendem-se as su-
ção de processos de erosão laminar e linear acelerada (sul- perfícies aplainadas da Depressão Sertaneja, que se carac-
cos e ravinas) e ocorrência esporádica de processos de terizam por terrenos acidentados, constituídos por colinas
movimentos de massa. Ocorre, também, a geração de dissecadas e cristas baixas, posicionados em cotas entre
colúvios e, subordinadamente, depósitos de tálus nas bai- 450 e 700 m.
xas vertentes (Figura 5.23). Nessa unidade, aflora um conjunto muito diversifica-
Os Alinhamentos Serranos da Depressão Sertaneja são do de litologia com idades que variam desde o Arqueano
individualizados em duas unidades: Planalto da Tabatin- até o Neoproterozoico, entretanto, com nítido predomí-
ga, situado mais a sudoeste; serra de Dois Irmãos, situada nio de rochas resistentes ao intemperismo físico e à ero-
mais a sudeste. são, tais como quartzitos, ortognaisses e mármores. Os
O Planalto da Tabatinga é drenado pelas cabeceiras quartzitos da Formação Barra Bonita estão claramente as-
de drenagem das bacias dos rios Paraim e Curimatá, aflu- sociados às cristas mais pronunciadas na região. Predomi-
entes do rio Gurgueia no extremo sul do Piauí, junto à nam solos pouco espessos e de boa fertilidade natural
divisa com o estado da Bahia. Ao norte dessa unidade nesses terrenos declivosos, tais como Argissolos Verme-
geomorfológica estendem-se as superfícies aplainadas da lho-Amarelos eutróficos e Neossolos Litólicos eutróficos.
Depressão Sertaneja, que se caracterizam por um planalto As localidades de Dom Inocêncio, Queimada Nova, Pau-
com topos planos sustentados por coberturas detrito-late- listana e Betânia do Piauí situam-se no sopé dessa unidade
ríticas e delimitado por vertentes declivosas dos rebordos geomorfológica.

Figura 5.22 - (a) Localização da unidade Colinas Dissecadas e Morros Baixos no estado do Piauí;
(b) colinas dissecadas em rochas do embasamento cristalino (Jacobina, PI).

63
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Figura 5.23 - (a) Localização da unidade Morros e Serras Baixas no estado do Piauí;
(b) alinhamento serrano em rochas do embasamento cristalino (Paulistana, PI).

REFERÊNCIAS DANTAS, M. E.; ARMESTO, R. C. G.; ADAMY, A.


Origem das paisagens. In: Geodiversidade do Brasil:
AB’SABER, A. N. Domínios morfoclimáticos e províncias conhecer o passado, para entender o presente e prever o
fitogeográficas do Brasil. Orientação, São Paulo, n. 3, futuro. SILVA, C. R. da (Ed.). Rio de Janeiro: CPRM,
p. 45-48, 1969. 2008. p. 34-56. 264 p. il.

ALMEIDA, F. F. M. Origem e evolução da plataforma IBGE. Mapa geomorfológico do Brasil: escala


brasileira. Bol. Div. Geol. Mineral, Rio de Janeiro, 1:5.000.000. Rio de Janeiro: IBGE, 1995.
n. 241, p. 5-36, 1967. ROSS, J. L. S. Os fundamentos da geografia da natureza.
In: Geografia do Brasil. São Paulo: EDUSP, 1997.
CAVALCANTI, A. P. B.; VIADANA, A. G. Estudo das p. 13-65.
unidades paisagísticas costeiras do estado do Piauí:
potencialidades e limitações átropo-naturais. ROSS, J. L. S. Relevo brasileiro: uma nova proposta de
Climatologia e Estudos da Paisagem, Rio Claro, classificação. Revista do Departamento de
v. 1, n. 1, jan./jul., 2007. 110 p. Geografia, São Paulo, n. 4, p. 25-39, 1985.

64
6
RECURSOS HÍDRICOS
SUPERFICIAIS
Adson Brito Monteiro ([email protected])
Douglas Silva Luna ([email protected])
Jean Ricardo da S. do Nascimento ([email protected])

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

SUMÁRIO
Introdução ........................................................................................................... 67
Discussão e Conclusão dos Resultados ................................................................. 67
Temperatura da Água....................................................................................... 67
Potencial Hidrogeniônico (pH).......................................................................... 68
Condutividade Elétrica ..................................................................................... 70
Oxigênio Dissolvido .......................................................................................... 70
Referências ........................................................................................................... 70
RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS

INTRODUÇÃO Bacia Sedimentar do Parnaíba, incluindo a calha principal


(Quadros 6.2 a 6.8).
Até 1994, o Piauí possuía 104 açudes, cuja capacidade
total de armazenamento era de 947.427.228 m3. Conside- DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
rando a Barragem de Boa Esperança, essa capacidade au- DOS RESULTADOS
menta para 6,015 bilhões de m3, com volume utilizável de
279.045.116 m3 (30% do volume armazenado). O estado Temperatura da Água
ainda possui 68 lagoas naturais, com capacidade de armaze-
namento em torno de 572.460.000 m3, onde 76,53 milhões Nos ecossistemas aquáticos continentais, a quase to-
de m3 são utilizáveis (13,4% do volume armazenado). talidade da propagação do calor ocorre por transporte da
O Piauí está posicionado na vertente oriental da Bacia massa d’água, sendo a eficiência desse parâmetro contro-
Sedimentar do Parnaíba, com cerca de 90% de contribuição lada pela ausência ou presença de camadas de diferentes
oferecida pelo rio de mesmo nome e seus afluentes. Pelo densidades.
leito do rio Parnaíba, passam cerca de 20 bilhões de m3 de Em lagos que apresentam temperaturas uniformes
água por ano. No período de menor fluxo, o rio fornece em toda a coluna, a propagação do calor através de toda
vazões na ordem de 300 m3/s em seu trecho inferior (Lu- a massa líquida pode ocorrer de maneira bastante eficien-
zilândia) e superiores a 90 m3/s no trecho superior (Alto te, uma vez que a densidade da água nessas condições é
Parnaíba). praticamente igual em todas as profundidades, sendo o
Por meio da Lei n. 5.165, de 17 de agosto de 2000 vento o agente fornecedor da energia indispensável para
(BRASIL, 2000), o estado do Piauí instituiu a Política Estadual a mistura das massas d’água. Por outro lado, quando as
de Recursos Hídricos e criou o Sistema Estadual de Geren- diferenças de temperatura geram camadas d’água com
ciamento dos Recursos Hídricos, cujos princípios, objetivos diferentes densidades, formam uma barreira física, impe-
e diretrizes estão de acordo com a Lei Federal n. 9.433, de dindo que tais estratos se misturem; se a energia do vento
8 de janeiro de 1997, que institui a Política Nacional de não for suficiente para misturá-las, o calor não se distribui
Recursos Hídricos (BRASIL, 1997). Entre esses princípios, uniformemente, criando a condição de estabilidade térmica.
está a definição da bacia hidrográfica como unidade ter- Quando ocorre esse fenômeno, o ecossistema aquático
ritorial para o planejamento do uso dos recursos hídricos está estratificado termicamente e, frequentemente, está
em todo o estado do Piauí e, como uma das diretrizes, a diferenciado física, química e biologicamente.
gestão sistemática dos recursos hídricos, sem dissociação Conforme análise realizada em massas d’água em
dos aspectos de quantidade e qualidade. movimento, a temperatura, nesse caso, não foi levantada
De acordo com tais diretrizes, a
Secretaria Estadual de Meio Ambiente e
Recursos Naturais (SEMAR) classificou as
bacias hidrográficas dos maiores afluentes
do rio Parnaíba e dos rios litorâneos em 13
unidades de planejamento: Bacias Difusas
do Litoral, Bacia do Piranji, Bacias Difusas
do Baixo Parnaíba, Bacia do Longá, Bacia
do Poti, Bacias Difusas do Médio Parnaíba,
Bacia do Canindé, Bacia do Itaueira, Bacia
do Gurgueia, Bacias Difusas da Barragem
de Boa Esperança, Bacia do Uruçuí Preto
e Bacias Difusas do Alto Parnaíba (Figura
6.1).
O setor de hidrologia da Companhia
de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço
Geológico do Brasil (CPRM/SGB) realiza
análises físico-químicas in loco em 39 es-
tações (Quadro 6.1) da Bacia Sedimentar
do Parnaíba, incluindo os parâmetros:
temperatura, pH, condutividade elétrica
e oxigênio dissolvido.
Apresentam-se, a seguir, os resulta-
dos de valores mínimo, máximo e média
para os parâmetros monitorados, obser-
vados em cada sub-bacia hidrográfica da Figura 6.1 - Bacia hidrográfica do Parnaíba e dos rios litorâneos.

67
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

em toda a coluna de água. Resumiu-se a uma tomada


realizada unicamente em uma determinada profundidade
para cada estação de amostragem. Contudo, devido às
variações da espessura da lâmina ao longo da bacia, as
profundidades não foram uniformes.
Ao longo da bacia do rio Parnaíba, a temperatura
acusou um mínimo de 16°C em sua calha principal, na
estação de Teresina, e um máximo de 37°C na estação
Fazenda Cantinho II, na Bacia do Poti. Contudo, a tempe-
ratura média na Bacia Sedimentar do Parnaíba permane-
ceu em 28,6°C.

Potencial Hidrogeniônico (pH)

O termo pH (potencial hidrogeniônico) é usado uni-


versalmente para expressar o grau de acidez ou alcalinidade
de uma solução, ou seja, é o modo de expressar a con-
centração de íons de hidrogênio nessa solução. A escala
de pH é constituída de uma escala de números variando
de 0 a 14, os quais denotam vários graus de acidez ou
alcalinidade. O pH 7 indica neutralidade, enquanto os
valores inferiores a 7 e próximos de zero indicam aumen-
to de acidez; já valores crescentes de 7 a 14 indicam au-
mento da basicidade.
As medidas de pH são de extrema utilidade, pois for-
necem inúmeras informações a respeito da qualidade da
água. As águas superficiais geralmente possuem pH entre
4 e 9. Às vezes, são ligeiramente alcalinas devido à pre-
sença de carbonatos e bicarbonatos. Naturalmente, nes-
ses casos, o pH reflete o tipo de solo por onde a água
percola. Em lagoas com grande população de algas, em
dias ensolarados, o pH pode subir consideravelmente, al-
cançando 9 ou mais. Isso porque as algas, ao realizarem
fotossíntese, retiram muito gás carbônico (CO2) do ácido
carbônico, que é a principal fonte natural de acidez da
água. Geralmente, um pH muito ácido ou muito alcalino
está associado à presença de efluentes industriais.
A variação de pH, ao longo da Bacia Sedimentar do
Parnaíba, deu-se de um mínimo de 3,1, nas estações de
Fazenda Bandeira (Bacia do Uruçuí Preto) e Ribeiro Gon-
çalves (calha principal do rio Parnaíba), a um máximo de
8,5 em Santa Cruz do Piauí (Bacia do Canindé). A sua
média estacionou no valor de 6,4. Tais indicativos de for-
te acidez e moderada basicidade sugerem que esses valo-
res se devam provavelmente à variação sazonal ao longo
da bacia hidrográfica, onde, nos períodos de estiagem,
tenha-se maior acidez decorrente da concentração de íons

68
RECURSOS HÍDRICOS SUPERFICIAIS

69
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

H+ e que a discreta elevação da basicidade ocorra nos positores e, consequentemente, maior o consumo de oxi-
períodos invernosos, por influência pluviométrica, que gênio. A morte de peixes em rios poluídos se deve, por-
restaura o equilíbrio natural. tanto, à ausência de oxigênio e não à presença de subs-
tâncias tóxicas.
Condutividade Elétrica Ao longo da bacia hidrográfica do Parnaíba, o OD
variou de um mínimo de 3,0 mg/L, nas estações de Fa-
A condutividade elétrica é a propriedade que a água zenda Bandeira (Bacia do Uruçuí Preto) e Luzilândia (calha
possui de conduzir corrente elétrica. Esse parâmetro está principal do rio Parnaíba), a um máximo de 9,7 mg/L, na
relacionado à presença de íons (átomo ou grupo de áto- estação Fazenda Bandeira (Bacia do Uruçuí Preto). O OD
mos eletricamente carregado) dissolvidos na água. Quan- médio foi de 6,3 mg/L.
to maior a quantidade de íons dissolvidos, maior será a O valor de OD na água deve se situar, preferencial-
condutividade elétrica da água. Em águas continentais, mente, entre 6.0-9.0 mg/L. Como a média dos valores
os íons diretamente responsáveis pelos valores da recolhidos é de, aproximadamente, 6,3 mg/L, conclui-se
condutividade são, dentre outros: cálcio, magnésio, po- que, para esse parâmetro, a água se encontra dentro da
tássio, sódio, carbonatos, carbonetos, sulfatos e cloretos. faixa esperada para águas superficiais livres e isentas de
O parâmetro condutividade elétrica não determina, espe- contaminação por produtos orgânicos.
cificamente, quais íons estão presentes em determinada É preciso considerar que os parâmetros analisados
amostra de água, mas contribui para o reconhecimento ora indicados ainda são insuficientes para enquadrar as
de impactos ambientais que ocorram na bacia de drena- qualidades das águas das bacias que compõem a bacia
gem, ocasionados por lançamentos de resíduos industri- principal do rio Parnaíba na Resolução do CONAMA n.
ais, mineração, esgotos etc. 357, de 17 de março de 2005 (BRASIL, 2005), que “dis-
A condutividade elétrica da água pode variar de acor- põe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes
do com a temperatura e a concentração total de substân- ambientais para o seu enquadramento, bem como esta-
cias ionizadas dissolvidas. Em águas cujos valores de pH belece as condições e padrões de lançamento de efluentes
se localizam nas faixas mais acentuadas (pH> 9 ou pH< e dá outras providências”. No entanto, é possível afirmar
5), os valores de condutividade são devidos apenas às que, dentro da paisagem físico-química enfocada para
altas concentrações de poucos íons em solução, dentre os essas águas, elas podem ser enquadradas como de boa
quais os mais frequentes são H+ e OH-. qualidade.
Ao longo da bacia hidrográfica do Parnaíba, a
condutividade elétrica variou de um mínimo de 8,0 μS/ REFERÊNCIAS
cm a 20°C na estação de Ribeiro Gonçalves, na calha prin-
cipal do rio Parnaíba, e um máximo de 781,2 μS/cm a AMBIENTEBRASIL. Avaliação da qualidade da água.
20°C na estação Francisco Ayres, na Bacia do Canindé. Disponível em: <http://www.ambientebrasil. com.br/
Contudo, a condutividade média na Bacia do Parnaíba composer.php3?base=./agua/doce/
manteve-se em 146,7 μS/cm a 20°C. Os valores sugerem index.html&conteudo=./agua/doce/artigos/
que as águas estão situadas dentro dos limites de qualidade.html>. Acesso em: 19 mar. 2008.
potabilidade e para os mais diversos usos.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Resolução n.
Oxigênio Dissolvido 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classifi-
cação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o
A determinação do oxigênio dissolvido (OD) é de fun- seu enquadramento, bem como estabelece as condições
damental importância para avaliar as condições naturais e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras
da água e detectar impactos ambientais como eutrofização providências. Brasília: CONAMA, 2005.
e poluição orgânica.
Do ponto de vista ecológico, o oxigênio dissolvido é BRASIL. Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Natu-
uma variável extremamente importante, pois é necessário rais. Lei n. 5.165,, de 17 de agosto de 2000. Institui a
para a respiração da maioria dos organismos que habita o Política Estadual de Recursos Hídricos e cria o Sistema
meio aquático. Geralmente, o oxigênio dissolvido se re- Estadual de Gerenciamento dos Recursos Hídricos.
duz ou desaparece, quando a água recebe grandes quan- Teresina, Piauí, 2000.
tidades de nutrientes e substâncias orgânicas biodegradá-
veis, encontradas, por exemplo, no esgoto doméstico, em BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Lei n. 9.433,
certos resíduos industriais, no vinhoto e outros. Os resí- de 08 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de
duos orgânicos despejados nos corpos d’água são decom- Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de
postos por micro-organismos que utilizam o oxigênio na Gerenciamento de Recursos Hídricos. Diário Oficial [da]
respiração. Assim, quanto maior a carga de matéria orgâ- República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília,
nica, maior a proliferação de micro-organismos decom- DF, 9 jan. 1997.

70
7
POTENCIALIDADE
HIDROGEOLÓGICA
DO ESTADO DO PIAUÍ
Frederico Campelo ([email protected])

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

SUMÁRIO
Introdução ........................................................................................................... 73
Bacia Sedimentar do Parnaíba .............................................................................. 73
Formação Serra Grande ................................................................................... 73
Formação Pimenteiras ...................................................................................... 73
Formação Cabeças ........................................................................................... 73
Formação Longá .............................................................................................. 74
Sedimentos do Sistema Poti/Piauí .................................................................... 74
Formação Poti ............................................................................................... 74
Formação Piauí ............................................................................................. 74
Formação Pedra de Fogo .................................................................................. 74
Formação Motuca ............................................................................................ 74
Formação Pastos Bons ...................................................................................... 75
Formação Sambaíba......................................................................................... 75
Formação Corda ............................................................................................... 75
Formação Sardinha .......................................................................................... 75
Relíquias de Coberturas Sedimentares Mesozoicas .......................................... 75
Grupo Barreiras ................................................................................................ 75
Coberturas Sedimentares Inconsolidadas ......................................................... 75
Aluviões ........................................................................................................... 75
Embasamento Cristalino ...................................................................................... 76
Apreciação Hidrogeológica Conjunta dos Aquíferos Interticiais ........................... 76
Conclusão ............................................................................................................ 76
Referências ........................................................................................................... 76
POTENCIALIDADE HIDROGEOLÓGICA DO ESTADO DO PIAUÍ

INTRODUÇÃO Formação Pimenteiras

Duas províncias se fazem representar no Piauí quan- Consiste em uma alternância entre bancos de arenitos
to ao aspecto hidrogeológico: finos, argilosos, com grãos de quartzo subangulares, de
- Bacia Sedimentar do Parnaíba, que constitui o mai- coloração cinza a vermelha, com folhelhos cinza-escuros
or manancial de água subterrânea; a avermelhados, de composição micácea e com peque-
- Embasamento cristalino, que participa com um nas lâminas de siltitos. A porção inferior é mais arenosa,
potencial bastante limitado, em termos de quantidade e de coloração cinza-clara, com delgadas intercalações de
qualidade. siltito e folhelho.
Esse aquitard aflora sobre 120.000 km2 nas bacias
BACIA SEDIMENTAR DO PARNAÍBA hidrográficas dos rios Parnaíba e Tocantins, apresentando
espessuras variando entre 200 e 250 m e ocupando uma
A Bacia Sedimentar do Parnaíba tem uma estrutura estreita faixa no lado leste, que vai desde a cidade de Cor-
circular fechada, atingindo em seu centro cerca de 3.000 rente, ao sul, até as proximidades de Buriti dos Lopes, no
m de espessura, com uma superfície de aproximadamen- norte do estado. Sua porosidade e permeabilidade são res-
te 600.000 km2, onde o rio Parnaíba é o eixo geral de tritas, caracterizando-se como camada confinante dos
drenagem superficial e subterrânea. arenitos do Aquífero Serra Grande. A profundidade varia
Sob o domínio geológico dessa bacia encontram-se, de 180 a 240 m da superfície.
aproximadamente, 80% da área do estado do Piauí. Essa O regime de deposição cíclica em ambiente nerítico
bacia abrange, também, praticamente todo o estado do plataformal, próximo ao fim do Devoniano, oferece, em
Maranhão e porções restritas dos estados do Ceará, To- certos locais, um caráter confinante às águas contidas nos
cantins e Pará. Limita-se, ao norte, com o oceano Atlânti- próprios níveis arenosos intercalados com bancos de
co e, a sul, leste e oeste, com o complexo do embasa- folhelho impermeável. As vazões de exotações dos poços
mento cristalino. nessa formação são pouco significativas. Suas águas po-
Da base para o topo da sequência estratigráfica dem conter altos teores de ferro.
sedimentar são descritas, a seguir, as principais caracterís-
ticas geométricas e sedimentológicas, bem como as Formação Cabeças
potencialidades hídricas das formações aquíferas.
Trata-se de uma sequência de arenitos que apresen-
Formação Serra Grande ta extensa área de afloramento, com aproximadamente
42.000 km2, ocupando a faixa central do estado e com
Seu domínio se estende superficialmente pelas bor- espessura média em tomo de 300 m. Apresenta boa
das leste, sudeste e sul da bacia, limitando-se com o porosidade e alta permeabilidade, tendo elevada produ-
embasamento cristalino. Estima-se uma área total de ção de água de boa qualidade, inclusive com poços sur-
afloramento em torno de 38.000 km2, com variações de gentes em muitas áreas. A recarga está subordinada ape-
espessuras de capeamento entre 50 e 1.000 m. nas à pluviometria nas faixas de afloramento, já que a
Possui excelentes condições hidrogeológicas nas fai- Formação Longá, que lhe é sobrejacente, é de composi-
xas confinadas pelo aquitard Pimenteiras, o que não se ção síltico-argilosa, portanto, reduzindo a permeabilida-
observa nas zonas de recarga, onde funciona como de. Idêntico comportamento tem a Formação Pimentei-
aquífero livre. ras, que lhe é subjacente. Tem como exutório a evapo-
Esse aquífero intersticial, de porosidade primária, transpiração.
apresenta boa regularidade em sua permeabilidade, o que Litologicamente, predominam arenitos médios a fi-
lhe confere o mais importante sistema de surgência. Des- nos, por vezes grosseiros, com a presença de material
taca-se o poço jorrante Violeto, no município de Cristino argiloso. Subordinadamente, também ocorrem siltitos
Castro, com vazão atingindo cerca de 900 m3/h, tendo laminados e folhelhos micáceos de coloração vermelha a
1.000 m de profundidade e um jorro natural que atinge roxa, todos oriundos de um sistema de deposição nerítico
cerca de 40 m de altura. plataformal ocorrido no final do Devoniano.
Essa formação é constituída por arenitos mal selecio- Os níveis arenosos, notadamente os da porção supe-
nados, com grãos predominantemente subangulares, de rior, apresentam excelentes condições hidrogeológicas,
coloração esbranquiçada, ocorrendo níveis caulínicos e sendo estas mais limitadas nas faixas onde a alternância
conglomeráticos. Ocorrem, também, subordinados, siltitos arenito/folhelho/siltito é observada.
e folhelhos cinza-escuros e micáceos nas proximidades do
contato com a Formação Pimenteiras. Formação Longá
Sua origem se deu no Siluriano, em ambiente deposi-
cional glacial, evoluindo para sistemas fluviais entrelaça- Seus afloramentos situam-se em uma faixa que se
dos. estende de sul a norte do estado, confinando regional-

73
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

mente a Formação Cabeças. Na parte sul, essa faixa é Formação Piauí


estreita, alargando-se para o norte a partir de São José do
Peixe até Luzilândia. Posicionada no Carbonífero Superior, provém de
Predominam folhelhos cinza-escuros, físseis e ambientes continental e litorâneo. Em sua parte superior,
micáceos, ocorrendo, também, siltitos cinza, micáceos, predomina uma sequência de folhelhos e argilitos de cor
laminados e, por vezes, silicificados. Ambos foram depo- variegada, com intercalações subordinadas de dolomito.
sitados em ambiente nerítico plataformal no início do Em sua parte inferior, predominam bancos espessos de
Carbonífero. arenito fino a médio, pouco argiloso e de coloração rósea
De pouco interesse hidrogeológico quanto à capaci- a avermelhada.
dade de explotação, devido às suas condições de A situação hidrogeológica dessa formação no con-
impermeabilidade, assume, por outro lado, grande im- tato superior oferece fraca permeabilidade, com baixas
portância quanto à capacidade de possuir camadas que vazões de explotação e certo grau de salinidade. Esse
confinam os arenitos da parte superior do Aquífero Cabe- nível, com 250 m de espessura, onde predominam os
ças. argilitos, é pouco promissor à expectativa de boas va-
Sua profundidade varia entre 60 a 120 m. Apenas as zões. Já a porção inferior, com espessura em torno de
águas pluviais alimentam essas camadas, cujo exutório é 170 m, apresenta vazões razoáveis e água de boa quali-
a evapotranspiração e os rios mais importantes que dre- dade.
nam seus terrenos, como, por exemplo, Longá e Poti. Sua recarga principal se dá por meio da precipitação
pluviométrica, além da contribuição do rio Parnaíba e seus
Sedimentos do Sistema Poti/Piauí afluentes principais. A evapotranspiração atua como
exutório do aquífero, além do rio Parnaíba, no período de
Recobrem a maior parte do estado, prevalecendo baixas águas.
acentuadamente na parte oeste, com uma área total de Um banco de arenito claro, descontínuo, pode ser
92.250 km2. Ocupam quase 30% da área total da Bacia encontrado na capa dessa formação, que, apesar de apre-
Sedimentar do Parnaíba, ocorrendo nas seguintes sub- sentar condições hidrogeológicas razoáveis, é limitada
bacias hidrográficas: Longá (29,9%), Poti (10,4%), como aquífero.
Canindé (6,7%), Piauí (5,0%), Médio Parnaíba (46,4%),
Gurgueia (14,5%), Alto Parnaíba (49,4%) e Baixo Parnaíba Formação Pedra de Fogo
(31,7%).
Nesse sistema, a espessura do pacote sedimentar pode Depositada em ambiente nerítico raso litorâneo de
chegar a 300 m, com condições de aquífero livre em toda idade permiana, faz-se representar por bancos espessos
a área. Sua permeabilidade predomina de regular a fraca, de folhelhos e siltitos, com intercalações de chert
ocorrendo boa apenas em zona restrita. oolítico, silexito e evaporitos, ao longo da faixa oeste
A recarga desses sistemas inferiores é por infiltração do estado, próximo ao leito do rio Parnaíba. Sua colo-
vertical, tendo uma potencialidade hidrogeológica que varia ração é variegada, predominando as cores creme e
de regular a fraca. avermelhada.
Como aquífero, devido à fraca permeabilidade de seus
Formação Poti sedimentos e à presença de águas com certo grau de
salinidade, suas possibilidades de explotação são bastante
No estado do Piauí, essa formação aflora de norte a reduzidas. Possui condições idênticas às da formação que
sul, sendo depositada em ambiente deltaico e planícies de lhe é sotoposta. A evapotranspiração atua como exutório
maré, a partir do início do Carbonífero. É formada por do aquífero, além do rio Parnaíba no período de baixas
arenitos finos a médios, com grãos de quartzo águas.
subangulosos, ocorrendo porções argilosas intercaladas a
siltitos cinza de composição micácea, por vezes Formação Motuca
carbonosos. Também ocorrem, de forma subordinada,
folhelhos pretos, micáceos e carbonosos nas porções in- Depositada ao final do Permiano, ocorre sob a forma
feriores. de restritas coberturas de arenitos finos a argilosos e de
Nas faixas arenosas, apresenta boa permeabilidade, siltitos e folhelhos avermelhados com intercalações de
associando-se a um intenso diaclasamento; é conferida a anidrita. Apresenta afloramentos ao sul de Teresina, próxi-
essa seção boa importância como aquífero, tendo espes- mo à margem direita do rio Parnaíba, tendo sido origina-
sura máxima em torno de 300 m. da em condição deposicional continental lacustre, sob cli-
Além da evapotranspiração, os principais exutórios ma desértico.
são os rios mais importantes que drenam seus terrenos, As possibilidades aquíferas ficam reduzidas às restri-
a exemplo de Longá e Poti, como ocorre na Formação tas faixas arenosas, fornecendo pequenas vazões de
Longá. explotação.

74
POTENCIALIDADE HIDROGEOLÓGICA DO ESTADO DO PIAUÍ

Formação Pastos Bons Formação Sardinha

Sob regime deposicional eluvial lagunar costeiro, Representa as manifestações vulcânicas no Piauí que
foi originada no início do Triássico, sendo representada fluíram no Cretáceo sob a forma de soleiras e diques de
por siltitos e folhelhos avermelhados e com coloração diabásio que estão intrudidos nas formações anteriores.
variegada. Também ocorrem delgadas camadas de Aflora principalmente na porção norte do estado, logo
arenitos argilosos. Aflora ao sul de Teresina, nas regiões após a cidade de Batalha. Na porção central do Piauí, ocor-
abrangidas pelos municípios Monsenhor Gil e Barro rem os melhores afloramentos ao longo da BR-316, próxi-
Duro. mo à cidade de Elesbão Veloso e, na porção sul, entre as
Suas limitadas faixas de ocorrência, associadas à sua cidades de Barreiras do Piauí e Corrente.
constituição de clásticos finos com porções argilosas, não Possui porosidade secundária e baixa permeabilidade
permitem avaliações hidrogeológicas promissoras, aten- gerada pelas fraturas incipientes, o que provoca a redução
do-se apenas ao aspecto de baixas vazões. Como exutório, de fluxo das águas das formações nas zonas de contato.
atua a evapotranspiração. Não apresenta boas condições hidrogeológicas, sendo clas-
sificada como um aquiclude.
Formação Sambaíba

Ocorre restrita ao extremo sudeste do estado, sendo Relíquias de Coberturas Sedimentares


formada em ambiente desértico, expondo arenitos sob a Mesozoicas
forma de dunas eólicas datadas do final do Triássico. É
constituída por arenitos rosa-avermelhados, arcósicos e De expressão superficial muito restrita no Piauí, ocor-
poucos níveis argilosos, com granulação fina a média. rem depósitos sedimentares cretáceos pouco espessos das
Presença de pequenos seixos ocasionais, tendo estratifica- formações Santana e Exu, ambas na região-limite com o
ções cruzadas de grande porte. estado de Pernambuco. Também as formações Areado e
Poucas são as informações sobre seu potencial Urucuia, que afloram no extremo sul do estado.
hidrogeológico; entretanto, devido à sua pouca espessu-
ra, aliada à condição de aquífero livre, prevê-se, nessa Grupo Barreiras
faixa, potencialidade fraca a média. Por outro lado, sob
condições de confinamento e com maior espessura, ter- De origem continental, depositado no final do Terci-
se-ia um aquífero de melhor potencialidade, em face de ário em ambiente de planície fluvial costeira, com esprai-
sua boa permoporosidade e natureza litológica. amento aluvial, está restrito ao extremo norte do estado.
Sua recarga é por meio da infiltração direta das chu- Trata-se de sedimentos pouco consolidados, arenosos,
vas, sendo seu principal exutório a evapotranspiração. predominantemente avermelhados, de grãos de quartzo
finos a grosseiros, com intercalações síltico-argilosas, in-
Formação Corda cluindo camadas de argilas de coloração variegada, de
leitos ferruginosos e conglomeráticos.
Originada no final do Triássico, foi depositada sob Estão sobrepostos discordantemente às rochas cris-
regime continental desértico,, aflorando ao sul de Teresina, talinas que ali afloram, sendo aquíferos rasos e livres, com
onde abrange os municípios: Agricolândia, Água Branca, potencialidade fraca a média.
Barro Duro e Hugo Napoleão. Também está presente a
sudeste de Floriano e em Flores do Piauí. Coberturas Sedimentares Inconsolidadas
Sua litologia é constituída por arenitos avermelhados
e arroxeados, com porções argilosas, de granulação fina a As demais coberturas se depositaram a partir do
média e intercalações de níveis de folhelhos e siltitos. Terciário, como recobrimentos sobre as formações anteri-
Está assentada sobre paleodepressões de rochas ormente descritas, sem potencialidades reconhecidas como
basálticas e de diabásios, os quais funcionam como armazenadoras de água.
assoalho semipermeável dessa unidade. Restringem-se à explotação através de poços artesianos
Hidrogeologicamente, esse aquífero é conside- rasos e cacimbas de pouca profundidade. A água, assim
rado como de potencialidade baixa a média, com re- extraída, é passível de contaminações superficiais e altos
carga direta das chuvas favorecida pelo relevo aplai- teores de ferro total.
nado, assim como pela contribuição das águas su-
perficiais que se infiltram através dos vales dos rios, Aluviões
já que esses sedimentos oferecem razoáveis condi-
ções de permeabilidade. O exutório é por evapotrans- Depósitos recentes de aluviões com possibilidades de
piração. armazenamento d’água estão consignados às drenagens

75
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

de ordem superior, a exemplo dos rios Parnaíba, Poti, APRECIAÇÃO HIDROGEOLÓGICA CONJUNTA
Gurgueia, Longá, Canindé e Piauí. DOS AQUÍFEROS INTERSTICIAIS
As aluviões são muito importantes como fontes
de água sobre qualquer litologia, inclusive sobre os Consideradas em conjunto, as águas dos três princi-
litotipos do embasamento cristalino. Quando desen- pais aquíferos da Bacia do Parnaíba – Serra Grande, Cabe-
volvidas, podem armazenar grandes quantidades de ças e Poti/Piauí – são de baixo grau de salinização, com
água. A espessura dessas aluviões é bastante variável resíduo seco médio da ordem de 210 mg/l.
– de 3 a 5 m, com largura de 20 a 30 m –, restringin- Quanto à composição química, a maioria das águas
do-se às grandes drenagens. Predominam as águas clo- é carbonatada, “mole” e ligeiramente alcalina. Seguem as
retadas e cloretado-bicarbonatadas, sendo comuns águas cloretadas, um pouco ácidas e salinidade média.
ocorrências de águas bicarbonatadas de baixa salini- Finalmente, as águas mistas, de baixa salinidade e leve-
dade. mente ácidas.
Em 1994, utilizando-se o catálogo de poços disponí-
EMBASAMENTO CRISTALINO veis na época, calculou-se uma reserva para o estado do
Piauí da ordem de 2,2 bilhões de m3, estimada pela capa-
Substrato rochoso semi-impermeável de porosidade cidade de vazão média dos poços profundos até então
secundária que lastreia todos os aquíferos intersticiais cadastrados.
da Bacia Sedimentar do Parnaíba, ocupando superfici-
almente as porções sudeste e sul do Piauí, perfazendo CONCLUSÃO
cerca de 20% da área restante do estado. Sob a influên-
cia severa do clima semiárido, recebe baixa pluviosidade O Piauí apresenta, de maneira geral, boas condições
média anual. de sustentabilidade com os recursos hídricos subterrâneos
A ausência total de rios perenes que percolem sobre de que dispõe.
os diversos litotipos obriga à explotação de água subterrâ- Algumas deficiências ocorrem em regiões localiza-
nea oriunda de suas fraturas, para suprir necessidades das das, geralmente na faixa semiárida do estado e pouco
comunidades rurais. Nessa região, os recursos hídricos comumente sob o domínio do Cerrado.
subterrâneos também são escassos. Os poços quase sem- O estado carece de estudos hidrogeológicos detalha-
pre têm pequenas profundidades, baixíssimas vazões (má- dos para cada um dos aquíferos disponíveis, bem como
xima de 2.000 l/h) e qualidade inferior com alta taxa de de uma legislação mais específica para controle e preser-
salinização. vação desses aquíferos.
Segundo o Inventário Hidrogeológico Básico do Nor-
deste (LEAL, 1977), a ocorrência de águas subterrâneas REFERÊNCIAS
no domínio do embasamento é restrita às aluviões, ao
manto de intemperismo e às fraturas das rochas, onde as CEPRO. Diagnóstico do setor mineral piauiense.
vazões são bastante limitadas e, muitas vezes, constituem Teresina: Governo do Estado do Piauí, 2008.
a única fonte de água disponível em toda a extensão
semiárida. Daí, as águas em fraturas assumirem grande DA SILVA, F. A. C. et al. Projeto estudo global dos
importância no abastecimento de pequenas comunidades recursos minerais da bacia sedimentar do
rurais. Parnaíba: subprojeto hidrologia. Relatório final. Folha 7
Os poços são locados, de preferência, em fraturas – Teresina – NO. V. I e II. Recife: CPRM/DNPM, 1979.
transversais e angulares que se apresentam mais abertas e
fornecem tramas mais densas, com maior volume de vei- LEAL, J. de M. Inventário hidrogeológico básico do
os. Granitos, gnaisses e migmatitos são as rochas que Nordeste. Folha n. 8 – Teresina – NE. Recife: Superin-
mais exibem essas estruturas, onde a média de profundi- tendência do Desenvolvimento do Nordeste/Divisão de
dades dos poços é de 60 m. Recursos Naturais, 1977. Série Hidrologia n. 52.

76
8
DESERTIFICAÇÃO
Ricardo de Lima Brandão ([email protected])

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

SUMÁRIO
Conceitos e Situação Mundial .............................................................................. 79
Mudanças Climáticas e Desertificação:
Implicações para as Regiões Semiáridas ............................................................... 80
Desertificação no Brasil ........................................................................................ 80
Indicadores da Desertificação........................................................................... 81
Desertificação no Estado do Piauí: Núcleo de Gilbués ...................................... 83
Referências ........................................................................................................... 86
DESERTIFICAÇÃO

CONCEITOS E SITUAÇÃO MUNDIAL re quando a precipitação registrada é significativamente


inferior aos valores normais), de certa maneira passagei-
A Convenção das Nações Unidas de Combate à ros, dos efeitos de longo prazo causados pelo processo de
Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD), desertificação. Ambientes relativamente preservados têm
da qual o Brasil é signatário desde 1997, define condições de se recuperar dos impactos danosos da seca,
desertificação como o processo de degradação da terra ao passo que, quando mal manejados, apresentam, den-
nas regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas, resul- tre outros, problemas de erosão e retenção de água, tor-
tante de vários fatores, dentre eles as variações climáticas nando-os mais vulneráveis aos efeitos climáticos.
e as atividades humanas. Por degradação da terra enten- Apesar da variação existente entre as estimativas da
de-se a degradação dos solos, dos recursos hídricos e da área atingida pela desertificação, pelo menos 30% da su-
vegetação, tornando a terra improdutiva e reduzindo a perfície total dos continentes em zonas áridas, semiáridas
qualidade de vida das populações afetadas. e subúmidas secas estão submetidos a esse fenômeno,
São consideradas zonas áridas, semiáridas e subúmi- em graus de intensidade variável. Com base na taxa de
das secas todas as áreas, à exceção das polares e das subpo- incremento anual da ocorrência de desertificação, estima-
lares, com Índice de Aridez (IA) (THORNTHWAITE e HOLZ- se que, até a metade deste século, 50% do planeta sofre-
MAN, 1941) entre 0,05 e 0,65 (Quadro 8.1). Esse índice rão seus efeitos, caso não sejam tomadas medidas efeti-
é dado pela razão entre a precipitação e a evapotranspira- vas que possam conter seu avanço (Figura 8.1).
ção potencial dessas áreas (IA=P/ETP). O problema da desertificação passou a despertar o
interesse da comunidade científica mundial há cerca de
80 anos. Contudo, somente nos últimos 15 anos tem sido
considerado como um dos maiores problemas ambientais
contemporâneos em escala global. Essa percepção deve-
se, principalmente, ao enorme impacto socioeconômico
causado, uma vez que o processo de desertificação ocor-
re, de forma mais acentuada, em áreas correspondentes
aos países mais pobres, onde vivem hoje cerca de 2,6
bilhões de pessoas (42% da população humana). Estima-
se que nos próximos 10 anos o contingente populacional
de refugiados da desertificação, isto é, populações huma-
O entendimento desse conceito é fundamental para nas que terão de abandonar suas próprias terras e migrar
diferenciar os efeitos da seca (fenômeno natural que ocor- para outras regiões, excederá a 50 milhões de pessoas.

Figura 8.1 - Áreas suscetíveis à desertificação no mundo.


Fonte: Disponível em: <http://aqueceoteumundo.blogspot.com/2010/01/o-que-e-desertififcacao.html)>.

79
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E grau de suscetibilidade pode variar de “muito alto” a


DESERTIFICAÇÃO: IMPLICAÇÕES PARA AS “moderado”. Assim, quanto mais seca uma determina-
REGIÕES SEMIÁRIDAS da área, mais suscetível ela é à desertificação. Esse crité-
rio não é suficiente, por si só, para caracterizar as áreas
O aquecimento global tende a agravar o quadro da de risco, devendo-se considerar outras variáveis, relacio-
desertificação. Cenários para as mudanças climáticas apon- nadas aos tipos e à intensidade de uso dos recursos na-
tam as regiões semiáridas como as mais vulneráveis, devi- turais. Dessa forma, as áreas sujeitas a maior risco são
do às suas fragilidades naturais e aos altos índices de po- aquelas que associam, além do critério climático, altas
breza de grande parte de sua população. O aumento es- vulnerabilidades de outros componentes geoambientais
perado da temperatura, entre 2 e 5 graus, até o final do (físicos e bióticos) com fatores humanos de ocupação,
século XXI, implicará maiores taxas de evapotranspiração, como densidade demográfica e formas de manejo do
aumento do déficit hídrico, menor umidade dos solos e solo.
maiores índices de salinização. Áreas caracterizadas como Alguns estudos estimam que cerca de 180.000 km2
subúmidas secas podem passar a semiáridas e as semiári- do total das ASDs se encontram, efetivamente, submeti-
das, a áridas. Perdas de solos e da biodiversidade serão dos a processos de desertificação em graus variados de
aceleradas e a capacidade de suporte dos ecossistemas moderado a muito grave.
será ainda mais intensamente impactada. Nesse contexto, As áreas onde o problema da desertificação é mais
a agricultura deverá ser a atividade econômica mais afeta- acentuado são conhecidas como núcleos de desertifi-
da, com maior ênfase nas culturas de subsistência. cação. Considera-se, atualmente, no semiárido nordesti-
no, a existência de quatro núcleos de desertificação (Figu-
DESERTIFICAÇÃO NO BRASIL ra 8.2):
- Núcleo do Seridó, localizado na região centro-sul
Em 2004, o Brasil concluiu a elaboração do Progra- do Rio Grande do Norte e centro-norte da Paraíba, compre-
ma de Ação Nacional de Combate à Desertificação e endendo uma área de aproximadamente 2.792 km2, envol-
Mitigação dos Efeitos da Seca (PAN-Brasil), um dos com- vendo os seguintes municípios: Acari, Carnaúba dos Dantas,
promissos básicos dos países signatários da UNCCD. Cons- Cruzeta, Currais Novos, Equador e Parelhas.
titui um instrumento de planejamento que visa a definir - Núcleo de Irauçuba, no noroeste do estado do Ceará,
as diretrizes e as principais ações para o combate e a pre- que abrange uma área de 4.101 km2, incluindo os muni-
venção do fenômeno da desertificação nas regiões brasi- cípios de Irauçuba, Forquilha e Sobral.
leiras com clima semiárido e subúmido seco. O programa - Núcleo de Gilbués, no sudoeste do Piauí, com uma área
foi construído – e vem sendo implementado – por meio aproximada de 5.912 km2, envolvendo os municípios de
de uma articulação que envolve os poderes públicos e a Gilbués e Monte Alegre do Piauí.
sociedade civil, sob coordenação da Secretaria de Recur- - Núcleo de Cabrobó, em Pernambuco, que engloba uma
sos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente (SRH/MMA). área de 8.573 km2 e abrange os municípios de Cabrobó,
Um dos aspectos destacados no PAN-Brasil foi a deli- Belém de São Francisco, Carnaubeira da Penha, Floresta e
mitação das Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD), loca- Itacuruba.
lizadas predominantemente na Região Nordeste, onde se De modo geral, os principais fatores de origem an-
encontram espaços climaticamente caracterizados como trópica responsáveis pela desertificação estão relaciona-
semiáridos e subúmidos secos (Índices de Aridez entre 0,21 dos ao uso e manejo inadequados do solo, por meio de
e 0,65). Além da classificação climática, decidiu-se agregar práticas agrícolas e pecuárias que utilizam técnicas rudi-
outra categoria às ASD – as Áreas do Entorno. Apesar de mentares e de baixo nível tecnológico. Este tem sido, his-
não se enquadrarem no padrão climático considerado sus- toricamente, o padrão dominante de exploração dos re-
cetível à desertificação, a inclusão dessas áreas justifica-se cursos naturais no semiárido brasileiro.
pelo fato de apresentarem características comuns às áreas O desmatamento – seja para fins de agricultura,
semiáridas e subúmidas secas, tais como elevada ocorrên- pecuária ou fonte de energia (lenha e carvão) – é prati-
cia de secas e enclaves da vegetação típica do semiárido cado, em grande parte, de forma desordenada e indis-
brasileiro – a caatinga. Sendo assim, as ASDs estão inseridas criminada. O uso intensivo do solo, sem períodos de
em terras dos nove estados do Nordeste, além do norte de repouso e outras técnicas de conservação, provoca ero-
Minas Gerais e norte do Espírito Santo (Figura 8.2). são e compromete a produtividade, repercutindo nega-
No total, as Áreas Suscetíveis à Desertificação tivamente na situação econômica do agricultor. Siste-
(ASDs) cobrem uma superfície de 1.338.076,00 km² mas de irrigação, muitas vezes mal conduzidos e ina-
(16% do território brasileiro) e abrigam uma população dequados a determinados tipos de terreno, provocam a
superior a 31,6 milhões de habitantes (19% da popula- salinização dos solos, inviabilizando a capacidade pro-
ção brasileira). dutiva das áreas afetadas. As atividades de pecuária são,
Conforme referido, as ASDs no Brasil são aquelas comumente, desenvolvidas sem considerar a capacida-
que apresentam Índice de Aridez entre 0,21 e 0,65. O de de suporte dos terrenos, pressionando tanto o pasto

80
DESERTIFICAÇÃO

Figura 8.2 - Áreas suscetíveis à desertificação e núcleos de desertificação no Brasil. Fonte: Brasil (2004).

nativo quanto o plantado. O sobrepastoreio causa a com- Jr. (2001), isso decorre, em grande parte, do fato de o
pactação dos solos, tornando-os impermeáveis, o que fa- conceito de desertificação ser essencialmente transdisci-
vorece o escoamento das águas superficiais e, consequen- plinar, o que força uma necessária, porém difícil, integra-
temente, a intensificação dos processos erosivos. Estes ção entre diferentes áreas científicas. Várias instituições
são fatores comuns a todos os núcleos de desertificação, governamentais e não-governamentais, com o apoio de
enquanto outros podem ser atribuídos a características es- instituições de cooperação internacional, têm participado
pecíficas das atividades desenvolvidas nos municípios in- no desenvolvimento de sistemas e metodologias de mo-
cluídos em cada um deles. A extração de diamantes, por nitoramento da desertificação por meios de indicadores
exemplo, é apontada como uma das causas do processo específicos. Em 2003, no escopo da elaboração do PAN-
de desertificação no Núcleo de Gilbués, no Piauí. Brasil, um grupo de pesquisadores identificou e consen-
suou um conjunto preliminar de indicadores relacionados
Indicadores da Desertificação aos componentes físicos, biológicos e socioeconômicos
(Quadro 8.2).
Uma das grandes dificuldades nos estudos sobre de-
sertificação, não só no Brasil, como em outros países, Desertificação no Estado do Piauí:
refere-se à criação e sistematização de uma metodologia Núcleo de Gilbués
geral de indicadores para diagnosticar as áreas afetadas e
hierarquizá-las quanto aos níveis de comprometimento/ Localizado na porção sudoeste do Piauí, o Núcleo de
degradação de seus recursos naturais. Segundo Matallo Desertificação de Gilbués (Figura 8.3) abrange uma área

81
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

82
DESERTIFICAÇÃO

de aproximadamente 5.900 km2, compreendendo os rizonte A e parte do B. Nos períodos secos (maio a outu-
municípios de Gilbués e Monte Alegre do Piauí. Apresen- bro), a erosão eólica atua fortemente exercendo impor-
ta características bastante diferentes dos outros núcleos tante papel na esculturação da paisagem. A grande quan-
de desertificação do Nordeste: geologicamente, está con- tidade de sedimentos transportados pelos agentes erosivos
tido em terrenos formados por rochas sedimentares (are- (água e vento) provoca o assoreamento de rios, riachos,
nitos, conglomerados, siltitos e folhelhos pertencentes às lagoas e barragens da região (Figura 8.5).
formações Areado, Piauí e Poti), os solos são profundos e A acentuada morfogênese natural da área (conse-
férteis, o clima é subúmido com índice pluviométrico médio quência de suas características litológicas, climáticas,
em torno de 1.000 mm anuais e a vegetação dominante é pedológicas e vegetais), associada às intensas pressões
de Cerrado. Por outro lado, os outros três núcleos (Irauçu- antrópicas, configura o quadro de desertificação (Figuras
ba (CE), Seridó (PB) e Cabrobó (PE)) estão situados em 8.6a e 8.6b) que compromete fortemente o meio ambi-
terrenos de rochas cristalinas, os solos são rasos e pouco ente e a economia regional.
férteis, o clima é semiárido, com pluviosidade média de A pecuária, desde o início da ocupação da região,
cerca de 600 mm/ano, e a vegetação é dominantemente tem sido a atividade econômica mais importante. A insta-
de Caatinga. lação de fazendas de gado, em meados do século XVII,
As formas de relevo correspondem a superfícies tabula- foi responsável pela criação dos principais núcleos urba-
res de estrutura horizontal (chapadões) e feições em rampas nos. O sistema praticado baseia-se no sobrepastoreio ex-
(áreas topograficamente rebaixadas), intensamente dissecadas tensivo, com técnicas precárias, sem considerar a capaci-
por processos de escoamento concentrado, ocasionando dade de suporte dos solos. O pisoteio excessivo do gado,
ravinas e voçorocas com incisões profundas (Figura 8.4). que favorece a compactação e a impermeabilização do
Também são observados os efeitos da acelerada ero- solo, intensifica o escoamento superficial e a formação de
são laminar dos solos, pela remoção generalizada do ho- sulcos de erosão. O cenário observado é de expansão e
coalescência desses focos erosivos, configurando uma di-
nâmica ambiental regressiva que caracteriza o processo
DESERTIFICAÇÃO de desertificação.
A partir de 1946, instalou-se outra atividade de forte
impacto econômico e ambiental na região: a garimpa-
gem de diamante. Apesar de ter sido responsável pelo
dinamismo da economia local, sobretudo entre os anos
de 1950-70 (Gilbués chegou a ter 18 mil habitantes, pra-
ticamente o dobro da população atual), a extração de di-
amantes foi realizada de maneira extremamente predató-
ria e sem qualquer forma de controle. Foram abertos mi-
lhares de “buracos” com profundidades de 6 a 10 m (cha-
mados de “cisternas”), galerias e túneis, provocando o
revolvimento do solo e a desestabilização dos terrenos
(Figura 8.7). Com o declínio dessa atividade, seguiu-se a
estagnação econômica de alguns povoados e da área como
um todo. Hoje, cerca de 200 garimpeiros permanecem
em atividade na região, sendo a lavra praticada em terra-
ços aluviais, utilizando-se, ainda, métodos rudimentares e
altamente impactantes ao meio ambiente (Figura 8.8).
As voçorocas avançam sobre propriedades rurais e
estradas, assim como sobre a área urbana de Gilbués,
ameaçando ruas e casas da sede (Figura 8.9).
Em 2003, foi criado o Núcleo de Pesquisa de Re-
cuperação de Áreas Degradadas (NUPERADE) em Gil-
bués, sob a coordenação da Secretaria Estadual de Meio
Ambiente e Recursos Naturais (SEMAR) do Piauí. O
objetivo desse grupo é desenvolver e implementar téc-
nicas de controle da erosão, recuperação de solos de-
gradados e manejo adequado dos recursos naturais, a
fim de reverter ou minimizar os efeitos da desertifica-
ção, fazendo com que a terra volte a ser produtiva e
melhorar, assim, a qualidade de vida das pessoas que
Figura 8.3 - Núcleo de desertificação de Gilbués. habitam a região.

83
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Figura 8.4 - Aspecto de uma voçoroca, com cerca de 8 m de profundidade (Gilbués, PI).

Figura 8.5 - Assoreamento do rio Ribeirão (Gilbués, PI). Fonte: Brasil (2004).

Figura 8.6 - Aspectos da degradação generalizada da área de Gilbués, caracterizando o fenômeno da desertificação.

84
DESERTIFICAÇÃO

Figura 8.7 - Detalhe de “cisterna” usada como acesso aos conglomerados diamantíferos da formação Areado
(localidade de Boqueirão, Gilbués, PI).

Figura 8.8 - Garimpo do Piripiri: operação de desmonte hidráulico nos níveis conglomeráticos de terraços aluviais.

Figura 8.9 - Muro de contenção construído para proteger via urbana do avanço da erosão (Gilbués, PI).

85
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

REFERÊNCIAS MATALLO Jr., H. Indicadores de desertificação:


histórico e perspectivas. Brasília: UNESCO, 2001. Série
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Programa de Meio Ambiente e Desenvolvimento, v. 2.
ação nacional de combate à desertificação e
mitigação dos efeitos da seca: PAN-Brasil. Brasília: THORNTHWAITE, C. W.; HOLZMAN, B. Evaporation
and transpiration. In: Climate and man: yearbook of
Ministério do Meio Ambiente/Secretaria de Recursos
agriculture. Washington: U.S. Department of
Hídricos, 2004. 242 p. il.
Agriculture, 1941. p. 545-550.

86
9
GEOTURISMO
E UNIDADES
DE CONSERVAÇÃO
Rogério Valença Ferreira ([email protected])

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

SUMÁRIO
Introdução ........................................................................................................... 89
Patrimônio Geoturístico ....................................................................................... 89
Patrimônios Geomorfológicos .......................................................................... 89
Patrimônios Paleontológicos e Arqueológicos .................................................. 91
Patrimônios Espeleológicos .............................................................................. 92
Patrimônio Mineiro .......................................................................................... 92
Patrimônio Hidrogeológico .................................................................................94
GEOTURISMO E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

INTRODUÇÃO

O estado do Piauí possui um pendor inato


para a prática do geoturismo. Locais instituídos
como parques nacionais (Figura 9.1), como o
de Sete Cidades, Serra da Capivara, Serra das
Confusões e Delta do Parnaíba, estão sobejamen-
te consagrados no circuito geoturístico nacio-
nal. Além destes, municípios como Pedro II,
Castelo do Piauí, São Miguel do Tapuio e
Esperantina também possuem importantes mo-
numentos geológicos de grande beleza cênica a
serem considerados, como o Mirante do
Gritador, a Pedra do Castelo, o Astroblema de
São Miguel do Tapuio e a Cachoeira do Urubu,
respectivamente.

PATRIMÔNIO GEOTURÍSTICO

No turismo convencional, a paisagem na-


tural é visualizada como mero objeto contem-
plativo. A intenção de se utilizar a paisagem –
evidenciada por formas do relevo e outras ocor-
rências, como inscrições rupestres e fósseis –
como atração geoturística vem da necessidade
de se cobrir uma lacuna, fornecendo-se infor-
mações geocientíficas acessíveis ao entendimen-
to da maioria dos ecoturistas. O objetivo é pos-
sibilitar aos visitantes desses sítios a contempla-
ção da paisagem de forma integrada a informa-
ções capazes de fornecer melhor compreensão
dos processos geológicos, paleontológicos,
morfogenéticos e antrópicos que atuaram em
sua formação, o que levaria a uma maior va- Figura 9.1 - Locais instituídos como unidades de conservação
lorização do cenário natural. e áreas especiais no estado do Piauí.

Patrimônios Geomorfológicos naturezas litológicas, cabendo aos fatores climáticos e


estruturais uma contribuição secundária em seu desenvol-
O Piauí possui grande diversidade paisagística no vimento. As formações essencialmente arenosas favore-
tocante ao modelado de relevo, tanto no interior do es- cem o modelamento de extensos chapadões com escarpas
tado quanto em seu pequeno trecho litorâneo, o menor bem entalhadas, geralmente com rebordos alcantilados.
entre todos os estados costeiros do país. Essa diversida- Tal modelado decorre da porosidade e permeabilidade de
de de formas contém exemplos magníficos representa- seus estratos sedimentares, que inibem a erosão superfici-
dos por estratos areníticos de aspecto ruiniforme da For- al. Essas feições são típicas dos estratos rochosos dispos-
mação Cabeças, bem como de paisagens inusitadas for- tos em superfícies aplainadas degradadas (formações Ca-
madas pelos mármores da Formação Barra Bonita, do beças e Piauí), dos estratos mesozoicos compondo um
Grupo Casa Nova (Neoproterozoico), até os belíssimos domínio de chapadas e colinas amplas e suaves (Forma-
campos de dunas neógenas. Muitos desses exemplos são ção Sambaíba), de camadas rochosas pouco friáveis cons-
potenciais sítios geoturísticos que vêm despertando não tituindo planaltos e baixos platôs (Formação Urucuia) e
só interesse ambiental, histórico, cultural e científico, das rochas arenoquarztosas dispostas em tabuleiros do
como também inclui objetivos pedagógicos para visitas Grupo Serra Grande, tendo-se como exemplo dessa últi-
de estudantes e professores dos mais diversos níveis es- ma unidade as escarpas bem observáveis do Mirante do
colares. Gritador, em Pedro II (Figura 9.2).
As formas de relevo do Piauí estão principalmente As formações de constituição predominantemente
relacionadas às formações integrantes da Bacia do Parnaíba argilosa desenvolvem um relevo colinoso, com formas
e são, sobretudo, influenciadas por suas correspondentes abauladas evoluindo para planícies suavemente ondula-

89
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Alguns horizontes resistentes também


são encontrados intercalados em estratos
pelíticos, tais como os níveis de silexito da
Formação Pedra de Fogo. Esses silexitos assu-
mem o topo das mesetas formando um rele-
vo tabular com múltiplos patamares, bordas
escarpadas apresentando paredões e cuestas
festonadas, contendo vales muito entalhados
com seção retangular ou em “U”, tal como
ocorre na serra de Santo Antônio, em Campo
Maior.
No Piauí ocorrem também feições mor-
fológicas denominadas astroblemas, que são
crateras formadas às expensas de espetacula-
res colisões de meteoritos com a superfície
terrestre que aconteceram entre o final do
Paleozoico e o final do Cretáceo, a exemplo
Figura 9.2 - Mirante do Gritador (Pedro II, PI). das ocorrentes em São Miguel do Tapuio e
Santa Marta.
das. Esse modelado se deve aos estratos sedimentares A atuação dos agentes erosivos no Piauí proporciona
impermeáveis serem intensamente desagregados e erodidos desgaste físico e químico sobre as rochas, formando o
pela ação das águas superficiais, formando, assim, um cenário morfológico atual. Os sedimentos intemperizados
adensado ravinamento, tendendo à constituição de redes durante a formação desses relevos são transportados em
de drenagens do tipo dendrítico denso. Tal feição direção ao litoral, onde são depositados, constituindo os
morfológica é geralmente associada aos estratos pelíticos depósitos litorâneos de praia e fluviomarinhos, neógenos,
da Formação Areado e às fácies clásticas finas das forma- tais como os ocorrentes entre os municípios de Ilha Gran-
ções Corda, Pastos Bons e Poti, além das rochas vulcâni- de e Cajueiro da Praia.
cas mezosoicas expostas ao intemperismo. Na faixa litorânea, o principal destaque em termos de
Quando unidades pelíticas apresentam intercalações relevo são os Campos de Dunas, ou seja, os depósitos
de horizontes arenosos, pequenas mesetas se formam, eólicos litorâneos. Estas são geradas por acumulação de
protegendo os estratos pelíticos subjacentes da erosão. areia depositada pela ação dos ventos dominantes e po-
Com o progressivo aumento da erosão sobre esses topos dem ser fixas (quando há vegetação) ou móveis (sem co-
protetores, há redução das superfícies aplainadas e as bertura vegetal). As principais formas de dunas geradas
mesetas vão se transformando em morros abaulados, bai- no Piauí são as barcanas, longitudinais e transversais. No
xos e isolados, que tendem ao aplainamento geral. Essas espaço entre as dunas é comum ocorrer lagoas de águas
feições de pequenos platôs estão associadas aos estratos límpidas e de grande beleza cênica, sendo algumas destas
predominantemente síltico-argilosos com intercalações consideradas cartões-postais, tal como a Lagoa do Portinho
psamíticas subordinadas das formações Pimenteiras e (Figura 9.3) e as lagoas dos Lençóis Piauienses. Um desta-
Longá. que morfológico deve ser registrado no litoral, que é a

Figura 9.3 - Lagoa do Portinho (Luís Correia, PI).

90
GEOTURISMO E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

Figura 9.4 - Pedra do Sal (Parnaíba, PI).

Figura 9.5 - Parque Nacional de Sete Cidades (Piripiri, PI).

Pedra do Sal (Figura 9.4), o único afloramento granítico do, notadamente aqueles encontrados no Parque Nacional
do litoral piauiense, saliência em discreto destaque topo- da Serra da Capivara e Parque Nacional de Sete Cidades, os
gráfico, contrastando com os Campos de Dunas. quais se destacam na atividade geoturística do Piauí.
Um dos mais notáveis sítios onde o geoturismo já é O patrimônio paleontológico do Piauí guarda regis-
praticado com sucesso é o Parque Nacional de Sete Cida- tros fósseis desde o Paleozoico, período inicial da
des, com suas espetaculares feições ruiniformes esculpi- estruturação e formação da Bacia do Parnaíba, até a sua
das sobre os arenitos da Formação Cabeças, possuindo constituição final no Cretáceo e Neógeno, a qual logrou
também curiosas inscrições rupestres (Figura 9.5). ter condições de preservar fósseis de árvores e animais
como os trilobitas braquiópodes e muitos outros registros
Patrimônios Paleontológicos de vida pretérita. Em Teresina há, inclusive, uma área de
e Arqueológicos preservação denominada Parque da Floresta Fóssil, no lei-
to do rio Poti.
Observam-se registros do homem e de animais pré-his- Com relação à fauna mais recente do Neógeno, um
tóricos em terrenos piauienses, nos inúmeros sítios paleon- dos principais sítios paleontológicos e arqueológicos da
tológicos e arqueológicos distribuídos em quase todo o esta- América do Sul onde ocorre a prática do geoturismo é o

91
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Parque Nacional da Serra da Capivara, no


município de São Raimundo Nonato (Figura
9.6). A megafauna pleistocênica, como pre-
guiças e tatus gigantes, mastodontes e tigres
dentes-de-sabre, que viviam no Nordeste na
era glacial, é encontrada em cavernas de már-
mores da Formação Barra Bonita, do Grupo
Casa Nova, subjacentes aos arenitos e con-
glomerados Serra Grande. Um dos mais an-
tigos registros do homem primitivo encon-
trados no Brasil, com idade de até 40 mil
anos, como ossos e utensílios, é encontrado
no Parque Nacional da Serra da Capivara, jun-
tamente com belíssimas pinturas rupestres
bem preservadas (Figura 9.7).
Na Caverna da Pedra do Castelo (Figu-
ra 9.8), é comum encontrar sepultamentos
recentes ao lado de sepultamentos indíge-
nas de idade pré-colombiana, sem que se-
jam tomados cuidados mínimos de preser-
vação desse sítio histórico. Some-se ainda a
falta de fiscalização e orientação aos excur-
sionistas despreparados para visitar esse san-
tuário arqueológico, fato que está contribu- Figura 9.6 - Pedra Furada – Parque Nacional da Serra da Capivara
indo sobremaneira para ampliar a deteriora- (São Raimundo Nonato, PI).
ção desses importantes registros da nossa
pré-história.

Patrimônios Espeleológicos

Considerando apenas aquelas cataloga-


das pela Sociedade Brasileira de Espeleologia
(SBE), são encontradas algumas poucas caver-
nas, sendo destaque a do Parque Nacional da
Serra das Confusões, com extensão de cerca
de 2 km, e os abrigos pré-históricos encontra-
dos no Parque Nacional da Serra da Capivara.
Existe, ainda, no entanto, um sem-número de
cavernas a serem catalogadas em todo o esta-
do do Piauí, sendo formadas essencialmente
por calcários, mármores e arenitos.
As cavernas esculpidas em calcários
metamórficos são aquelas encontradas no
município de São Raimundo Nonato, no Par-
que Nacional da Serra da Capivara, onde es-
tão sendo realizadas pesquisas e escavações
Figura 9.7 - Pintura rupestre – Parque Nacional da Serra da Capivara
arqueológicas pela Fundação do Homem (São Raimundo Nonato, PI).
Americano. São cavernas em forma de abrigo
com pouco desenvolvimento, salvo algumas
exceções. Em arenitos, são reconhecidas algumas feições Patrimônio Mineiro
associadas geralmente a formas de relevo ruiniforme, como
ocorre no Parque Nacional de Sete Cidades, com peque- A mineração possui também um bom potencial
nas cavernas não excedendo a alguns metros de extensão, geoturístico a ser desenvolvido no estado do Piauí. As mi-
embora em Castelo do Piauí ocorra uma grande caverna nas de rochas ornamentais e pedras de revestimento, tais
em arenito, com algumas dezenas de metros de desen- como siltitos fossilíferos, conhecidos comercialmente como
volvimento linear. ardósias, expõem seções típicas das diversas formações às

92
GEOTURISMO E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

Figura 9.8 - Pedra do Castelo (Pedra do Castelo, PI).

Figura 9.9 - Poço Violeto (Cristino Castro, PI).

93
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

quais pertencem, identificando-se camadas,


processos geológicos e até diversos registros
fósseis.

Patrimônio Hidrogeológico

O Piauí conta com uma das maiores ba-


cias sedimentares do país, a do Parnaíba ou
do Meio Norte, que abriga vários e importan-
tes aquíferos do país, tais como os das forma-
ções Serra Grande, Cabeças e Poti, capazes de
produzir abundante quantidade de água sub-
terrânea de excelente qualidade. Em Cristino
Castro existem notáveis poços jorrantes, per-
furados pela CPRM/SGB, que são utilizados
para atividade turística e em hotéis, tendo-se
como maior exemplo o Poço Violeto (Figura
9.9) que se iniciou com uma vazão de
surgência de 900 mil litros por hora, uma das
maiores do país.
Em relação aos recursos hídricos superfi-
ciais, há no Piauí inúmeros atrativos, a exem-
plo do Delta do Parnaíba, com suas ilhas
paradisíacas, fauna belíssima e amplos bos-
ques de mangue. Várias cachoeiras são en-
contradas nas diversas regiões do estado, com
queda d’água limitada ao período chuvoso
(dezembro a março), com destaque para: ca-
choeira do Urubu-Rei, sobre afloramentos da
Formação Cabeças, no leito do rio Longá
(Esperantina); cachoeira do Salto Liso, a de
maior porte no estado, com 25 m de salto,
sobre a Formação Serra Grande (Pedro II); ca-
choeira do Parque Nacional de Sete Cidades
(Figura 9.10), sobre sedimentos da Formação
Cabeças (Piripiri). Figura 9.10 - Cachoeira do Parque Nacional de Sete Cidades (Piripiri, PI).

94
10
METODOLOGIA
E ESTRUTURAÇÃO
DA BASE DE DADOS
EM SISTEMA
DE INFORMAÇÃO
GEOGRÁFICA
Maria Angélica Barreto Ramos ([email protected]
Marcelo Eduardo Dantas ([email protected]
Antônio Theodorovicz ([email protected]
Valter José Marques ([email protected]
Maria Adelaide Mansini Maia ([email protected]
Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff ([email protected]
Vitório Orlandi Filho ([email protected]

1
CPRM – Serviço Geológico do Brasil
2
Consultor

SUMÁRIO
Introdução ........................................................................................................... 97
Procedimentos Metodológicos ............................................................................. 97
Dedinição dos domínios e Unidades Geológicos-Ambientais ............................... 97
Atributos da Geologia .......................................................................................... 98
Deformação ...................................................................................................... 98
Tectônica: dobramentos ................................................................................. 98
Tectônica: fraturamento (juntas e falhas)/cisalhamento ................................. 98
Estruturas.......................................................................................................... 98
Resistência ao Intemperismo Físico ................................................................... 98
Resistência ao Intemperismo Químico ............................................................... 98
Grau de Coerência............................................................................................. 98
Características do Manto de Alteração Potencial (Solo Residual) ....................... 99
Porosidade Primária ........................................................................................ 100
Característica da Unidade Lito-Hidrogeológica ................................................ 101
Atributos do Relevo ......................................................................................... 101
Modelo Digital de Terreno – Shutlle Radar Topographi Mission (SRTM) ....... 101
Mosaico Geocover 2000 .................................................................................. 103
Análise da Drenagem ...................................................................................... 103
Kit de Dados Gigitais ....................................................................................... 103
Trabalhando com o Kit de Dados Digitais ................................................... 103
Estruturação da Base de Dados: GEOBANK .................................................... 105
Atributos dos Campos do Arquivo das Unidades Geológico-Ambientais:
Dicionario de Dados ........................................................................................ 107
Referências ....................................................................................................... 107
METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS
EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA

INTRODUÇÃO DEFINIÇÃO DOS DOMÍNIOS


E UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS
Neste capítulo são apresentadas as diversas etapas
que envolveram o tratamento digital dos dados no desen- O estabelecimento de domínios geológico-ambientais
volvimento do SIG Mapa Geodiversidade do Estado do e suas subdivisões para o estado do Piauí insere-se nos
Piauí,, do Programa Geologia do Brasil (PGB) da CPRM/ critérios adotados para a definição dos domínios e unida-
SGB, integrante do Programa de Aceleração do Cresci- des geológico-ambientais do Brasil, com o objetivo de se
mento (PAC 2009), que tem como objetivo a geração de agrupar conjuntos estratigráficos de comportamento se-
produtos voltados para o ordenamento territorial e o pla- melhante frente ao uso e à ocupação dos terrenos. Da
nejamento dos setores mineral, transportes, agricultura, mesma forma, o resultado obtido não foi um mapa geo-
turismo e meio ambiente. lógico ou tectônico, mas sim um novo produto, denomi-
As informações produzidas estão alojadas no Geo- nado Mapa Geodiversidade do Estado do Piauí, no qual
Bank (sistema de bancos de dados geológicos corporati- foram inseridas informações de cunho ambiental, muito
vo da CPRM/SGB), a partir das informações geológicas embora a matéria-prima para as análises e agrupamentos
multiescalares contidas em suas bases Litoestratigrafia e tenha sido proveniente das informações contidas nas ba-
Recursos Minerais, além da utilização de sensores como ses de dados de Litoestratigrafia e Recursos Minerais do
o Modelo Digital de Terreno SRTM (Shuttle Radar Topo- GeoBank, bem como na larga experiência em mapeamento
graphy Mission), do Mosaico GeoCover 2000 e das in- e em projetos de ordenamento e gestão do território dos
formações de estruturas e drenagem (CPRM, 2004; RA- profissionais da CPRM/SGB.
MOS et al., 2005; THEODOROVICZ et al., 1994, 2001, Em alguns casos foram agrupadas, em um mesmo
2002, 2005; TRAININI e ORLANDI, 2003; TRAININI et domínio, unidades estratigráficas com idades diferentes,
al., 1998, 2001). desde que a elas se aplicasse um conjunto de critérios
Do mesmo modo que na elaboração do Mapa Geo- classificatórios, como: posicionamento tectônico, nível
diversidade do Brasil (escala 1:2.500.000), também fo- crustal, classe da rocha (ígnea, sedimentar ou metamórfica),
ram utilizadas, para o Mapa Geodiversidade do Estado do grau de coesão, textura, composição, tipos e graus de
Piauí, informações temáticas de infraestrutura, recursos deformação, expressividade do corpo rochoso, tipos de
minerais, unidades de conservação, terras indígenas e áre- metamorfismo, expressão geomorfológica ou litotipos es-
as de proteção integral e de desenvolvimento sustentável peciais. Se, por um lado agruparam-se, por exemplo,
estaduais e federais, dados da rede hidrológica e de água quartzitos friáveis e arenitos friáveis, por outro foram se-
subterrânea, áreas oneradas pela mineração, informações paradas formações sedimentares muito semelhantes em
da Zona Econômica Exclusiva da Plataforma Continental sua composição, estrutura e textura, quando a geometria
(ZEE), gasodutos e oleodutos, dados paleontológicos, do corpo rochoso apontava no sentido da importância
geoturísticos e paleontológicos. em distinguir uma situação de extensa cobertura de uma
situação de pacote restrito, limitado em riftes.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O principal objetivo para tal compartimentação é aten-
der a uma ampla gama de usos e usuários interessados
Assim como para o Mapa Geodiversidade do Brasil e em conhecer as implicações ambientais decorrentes do
o SIG Geodiversidade ao Milionésimo, os levantamentos embasamento geológico. Para a elaboração do Mapa
estaduais foram elaborados seguindo as orientações con- Geodiversidade do Brasil (escala 1:2.500.000), analisaram-
tidas em roteiro metodológico preparado para essa fase, se somente as implicações ambientais provenientes de
apoiados em kits digitais personalizados para cada esta- características físico-químicas, geométricas e genéticas dos
do, que contêm todo o material digital (imagens, arqui- corpos rochosos. Na escala 1:1.000.000, do recorte ao
vos vetoriais etc.) necessário ao bom desempenho da ta- milionésimo e dos estados, foram selecionados atributos
refa. aplicáveis ao planejamento e dos compartimentos de rele-
A sistemática de trabalho adotada permitiu a conti- vo, reservando-se para as escalas de maior detalhe o cru-
nuação da organização dos dados na Base Geodiversidade zamento com informações sobre clima, solo e vegetação.
inserida no GeoBank, desde a fase do recorte ao milioné- Como a Base Geodiversidade é fruto da reclassificação
simo até os estaduais e, sucessivamente, em escalas de das unidades litoestratigráficas contidas na Base
maior detalhe (em trabalhos futuros), de forma a possibi- multiescalar Litoestratigrafia, compondo conjuntos
litar a conexão dos dados vetoriais aos dados estratigráficos de comportamento semelhante frente ao
alfanuméricos. Em uma primeira fase, com auxílio dos uso e ocupação, atualmente essa base possui a estruturação
elementos-chave descritos nas tabelas dos dados vetoriais, em domínios e unidades geológico-ambientais apresenta-
é possível vincular facilmente mapas digitais ao GeoBank, da no Apêndice I (Unidades Geológico-Ambientais do Ter-
como na montagem de SIGs, em que as tabelas das ritório Brasileiro). Tal estruturação é dinâmica e, na medi-
shapefiles (arquivos vetoriais) são produtos da consulta da do detalhamento das escalas, novos domínios e unida-
sistemática ao banco de dados. des podem ser inseridos.

97
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

ATRIBUTOS DA GEOLOGIA - Anisotrópica Maciça/Vesicular


- Anisotrópica Maciça/Acamadada
Desde a etapa do recorte ao milionésimo, para me- - Anisotrópica Maciça/Laminada
lhor caracterizar as unidades geológico-ambientais, foram - Anisotrópica Acamadada
selecionados atributos da geologia que permitem uma série - Anisotrópica Acamadada/Filitosa
de interpretações na análise ambiental, os quais são des- - Anisotrópica Acamadada/Xistosa
critos a seguir. - Anisotrópica Xistosa/Maciça
- Anisotrópica Filitosa/Xistosa
Deformação - Anisotrópica Acamadamento Magmático
- Anisotrópica Gnáissica
Relacionada à dinâmica interna do planeta. Procede- - Anisotrópica Bandada
se à interpretação a partir da ambiência tectônica, litológica - Anisotrópica Concrecional
e análise de estruturas refletidas nos sistemas de relevo e - Anisotrópica Concrecional/Nodular
drenagem. - Anisotrópica Biogênica
. - Anisotrópica com Estruturas de Dissolução
Tectônica: dobramentos - Anisotrópica com Estruturas de Colapso

- Ausente: sedimentos inconsolidados (aluviões, dunas, Resistência ao Intemperismo Físico


terraços etc.).
- Não-dobrada: sequências sedimentares, Procede-se à dedução a partir da análise da composi-
vulcanossedimentares e rochas ígneas não-dobradas e ção mineral da rocha ou das rochas que sustentam a uni-
não-metamorfizadas. dade geológico-ambiental.
- Pouco a moderadamente dobrada: a exemplo das Se for apenas um tipo de litologia que sustenta a
sequências sedimentares ou vulcanossedimentares. unidade ou se forem complexos plutônicos de várias
- Intensamente dobrada: a exemplo das sequências litologias, são definidas as seguintes classificações para
sedimentares ou vulcanossedimentares complexa e esse atributo:
intensamente dobradas e das rochas granito-gnaisse - Baixa: rochas ricas em minerais ferromagnesianos,
migmatíticas. arenitos, siltitos, metassedimentos argilosos, rochas ígneas
ricas em micas, calcários, lateritas, rochas ígneas básico-
Tectônica: fraturamento (juntas e falhas)/ ultrabásico-alcalinas efusivas.
cisalhamento - Moderada a alta: ortoquartzitos, arenitos silicificados,
leucogranitos e outras rochas pobres em micas e em mi-
- Não-fraturada: caso das coberturas sedimentares in- nerais ferromagnesianos, formações ferríferas, quartzitos
consolidadas. e arenitos impuros.
- Pouco a moderadamente fraturada: sequências se- - Não se aplica: sedimentos inconsolidados.
dimentares moderadamente consolidadas. Se forem várias litologias que sustentam a unidade, a clas-
- Intensamente fraturada: caso das coberturas prote- sificação será:
rozoicas e vulcânicas mesozoicas. - Baixa a moderada na vertical: caso de coberturas
- Zonas de cisalhamento: caso das faixas de concentra- pouco a moderadamente consolidadas.
ção de deformação dúctil (cinturões de deformação). - Baixa a alta na vertical: unidades em que o substrato
rochoso é formado por empilhamento de camadas horizon-
Estruturas talizadas, não-dobradas, de composição mineral e com grau
de consolidação muito diferentes, como as intercalações ir-
De acordo com Oliveira e Brito (1998), as rochas regulares de calcários, arenitos, siltitos, argilitos etc.
podem apresentar as seguintes características reológicas - Baixa a alta na horizontal e na vertical: sequências
(comportamento frente a esforços mecânicos): sedimentares e vulcanossedimentares dobradas e compos-
- Isotrópica: aplica-se quando as propriedades das ro- tas de várias litologias; rochas gnáissico-migmatíticas e
chas são constantes, independentemente da direção ob- outras que se caracterizam por apresentarem grande hete-
servada. rogeneidade composicional, textural e deformacional la-
- Anisotrópica: as propriedades variam de acordo com a teral e vertical.
direção considerada
As bibliotecas para o atributo “Estruturas” são: Resistência ao Intemperismo Químico
- Isotrópica
- Anisotrópica Indefinida Procede-se à dedução a partir da análise da composi-
- Anisotrópica Estratificada ção mineral da rocha ou das rochas que sustentam a uni-
- Anisotrópica Estratificada/Biogênica dade geológico-ambiental.

98
METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS
EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA

Se for só um tipo de litologia que sustenta a unidade Grau de Coerência


geológico-ambiental ou se forem complexos plutônicos
de várias litologias, são definidas as seguintes classifica- Refere-se à resistência ao corte e à penetração. Mes-
ções para esse atributo: mo em se tratando de uma única litologia, deve-se pre-
- Baixa: calcários, rochas básicas, ultrabásicas, alcalinas ver a combinação dos vários tipos de grau de coerência,
etc. a exemplo dos arenitos e siltitos (Figura 10.1). Para o
- Moderada a alta: ortoquartzitos, leucogranitos e ou- caso de complexos plutônicos com várias litologias, to-
tras rochas pobres em micas e em minerais das podem estar enquadradas em um único grau de co-
ferromagnesianos, quartzitos e arenitos impuros. erência.
- Não se aplica: aluviões. As classificações utilizadas neste atributo são:
Entretanto, se forem várias litologias que sustentam a - Muito brandas
unidade, a classificação será: - Brandas
- Baixa a moderada na vertical: unidades em que o - Médias
substrato rochoso é formado por empilhamento de cama- - Duras
das horizontalizadas, não-dobradas, de composição mi- - Muito brandas a duras
neral e grau de consolidação semelhantes a ligeiramente Entretanto, se forem várias litologias, esta será a clas-
diferentes e mesma composição mineralógica. sificação:
- Baixa a alta na vertical: unidades em que o substrato - Variável na horizontal
rochoso é formado por empilhamento de camadas hori- - Variável na vertical
zontalizadas, não-dobradas, de composição mineral e grau - Variável na horizontal e vertical
de consolidação muito diferentes, como as intercalações - Não se aplica
irregulares de calcários, arenitos, siltitos, argilitos etc.
- Baixa a alta na horizontal e na vertical: sequências Características do Manto de Alteração
sedimentares e vulcanossedimentares dobradas e compos- Potencial (Solo Residual)
tas de várias litologias; rochas gnáissico-migmatíticas e
outras que se caracterizam por apresentarem grande hete- Procede-se à dedução a partir da análise da composi-
rogeneidade composicional, textural e deformacional la- ção mineral das rochas. Por exemplo, independente-
teral e vertical. mente de outras variáveis que influenciam as caracte-

Figura 10.1 - Resistência à compressão uniaxial e classes de alteração para diferentes tipos de rochas. Fonte: Modificado de Vaz (1996).

99
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

rísticas do solo, como clima e relevo, o manto de alte- sequências em que se alternam, irregularmente, entre si,
ração de um basalto será argiloso e, o de um granito, camadas de arenitos quartzosos com pelitos, com calcári-
argilo-síltico-arenoso. os ou com rochas vulcânicas.
- Predominantemente arenoso: substrato rochoso susten- - Predominantemente siltoso: siltitos e folhelhos.
tado por espessos e amplos pacotes de rochas predomi- - Não se aplica.
nantemente arenoquartzosas.
- Predominantemente argiloso: predominância de rochas Porosidade Primária
que se alteram para argilominerais, a exemplo de derra-
mes basálticos, complexos básico-ultrabásico-alcalinos, Relacionada ao volume de vazios em relação ao vo-
terrenos em que predominam rochas calcárias etc. lume total da rocha. O preenchimento deverá seguir os
- Predominantemente argilossiltoso: siltitos, folhelhos, procedimentos descritos na Tabela 10.1.
filitos e xistos. Caso seja apenas um tipo de litologia que sustenta a
- Predominantemente argilo-síltico-arenoso: rochas unidade geológico-ambiental, observar o campo “Descri-
granitoides e gnáissico-migmatíticas ortoderivadas. ção”, da Tabela 10.1. Entretanto, se forem complexos
- Variável de arenoso a argilossiltoso: sequências sedimen- plutônicos de várias litologias, a porosidade é baixa.
tares e vulcanossedimentares compostas por alternâncias - Baixa: 0 a 15%
irregulares de camadas pouco espessas, interdigitadas e - Moderada: de 15 a 30%
de composição mineral muito contrastante, a exemplo das - Alta: >30%

100
METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS
EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA

Para os casos em que várias litologias sustentam a Nesse sentido, é de fundamental importância escla-
unidade geológico-ambiental, observar o campo “Tipo”, recer que não se pretendeu produzir um mapa geomorfo-
da Tabela 10.1. lógico, mas um mapeamento dos padrões de relevo em
Variável (0 a >30%): a exemplo das unidades em consonância com os objetivos e as necessidades de um
que o substrato rochoso é formado por um empilhamento mapeamento da geodiversidade do território nacional em
irregular de camadas horizontalizadas porosas e não-po- escala continental.
rosas. Com esse enfoque, foram selecionados 28 padrões
de relevo para os terrenos existentes no território brasileiro
Característica da (Tabela 10.2), levando-se, essencialmente, em considera-
Unidade Lito-Hidrogeológica ção:
- Parâmetros morfológicos e morfométricos que pudes-
São utilizadas as seguintes classificações: sem ser avaliados pelo instrumental tecnológico disponí-
- Granular: dunas, depósitos sedimentares inconsolidados, vel nos kits digitais (imagens LandSat GeoCover e Modelo
planícies aluviais, coberturas sedimentares etc. Digital de Terreno e Relevo Sombreado (SRTM); mapa de
- Fissural classes de hipsometria; mapa de classes de declividade).
- Granular/fissural - Reinterpretação das informações existentes nos mapas
- Cárstico geomorfológicos produzidos por instituições diversas, em
- Não se aplica especial os mapas desenvolvidos no âmbito do Projeto
RadamBrasil, em escala 1:1.000.000.
ATRIBUTOS DO RELEVO - Execução de uma série de perfis de campo, com o obje-
tivo de aferir a classificação executada.
Com o objetivo de conferir uma informação geo- Para cada um dos atributos de relevo, com suas res-
morfológica clara e aplicada ao mapeamento da geo- pectivas bibliotecas, há uma legenda explicativa (Apêndi-
diversidade do território brasileiro e dos estados fede- ce II – Biblioteca de Relevo do Território Brasileiro) que
rativos em escalas de análise muito reduzidas agrupa características morfológicas e morfométricas ge-
(1:500.000 a 1:1.000.000), procurou-se identificar os rais, assim como informações muito elementares e gene-
grandes conjuntos morfológicos passíveis de serem ralizadas quanto à sua gênese e vulnerabilidade frente aos
delimitados em tal tipo de escala, sem muitas preocu- processos geomorfológicos (intempéricos, erosivos e
pações quanto à gênese e evolução morfodinâmica deposicionais).
das unidades em análise, assim como aos processos Evidentemente, considerando a vastidão e a enorme
geomorfológicos atuantes. Tais avaliações e contro- geodiversidade do território brasileiro, assim como seu
vérsias, de âmbito exclusivamente geomorfológico, conjunto diversificado de paisagens bioclimáticas e
seriam de pouca valia para atender aos propósitos deste condicionantes geológico-geomorfológicas singulares, as
estudo. Portanto, termos como: depressão, crista, pa- informações de amplitude de relevo e declividade, dentre
tamar, platô, cuesta, hog-back, pediplano, penepla- outras, devem ser reconhecidas como valores-padrão, não
no, etchplano, escarpa, serra e maciço, dentre tantos aplicáveis indiscriminadamente a todas as regiões. Não se
outros, foram englobados em um reduzido número descartam sugestões de ajuste e aprimoramento da Tabela
de conjuntos morfológicos. 10.2 e do Apêndice II apresentados nesse modelo, as quais
Portanto, esta proposta difere substancialmente das serão benvindas.
metodologias de mapeamento geomorfológico presentes
na literatura, tais como: a análise integrada entre a MODELO DIGITAL DE TERRENO – SHUTLLE
compartimentação morfológica dos terrenos, a estrutura RADAR TOPOGRAPHY MISSION (SRTM)
subsuperficial dos terrenos e a fisiologia da paisagem, pro-
posta por Ab’Saber (1969); as abordagens descritivas em A utilização do Modelo Digital de Terreno ou Mode-
base morfométrica, como as elaboradas por Barbosa et al. lo Digital de Elevação ou Modelo Numérico de Terreno,
(1977), para o Projeto RadamBrasil, e Ponçano et al. (1979) no contexto do Mapa Geodiversidade do Estado do Piauí,
e Ross e Moroz (1996) para o Instituto de Pesquisas justifica-se por sua grande utilidade em estudos de análise
Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT); as abordagens ambiental.
sistêmicas, com base na compartimentação topográfica Um Modelo Digital de Terreno (MDT) é um modelo
em bacias de drenagem (MEIS et al., 1982); ou a contínuo da superfície terrestre, ao nível do solo, repre-
reconstituição de superfícies regionais de aplainamento sentado por uma malha digital de matriz cartográfica
(LATRUBESSE et al., 1998). encadeada, ou raster, onde cada célula da malha retém
O mapeamento de padrões de relevo é, essencial- um valor de elevação (altitude) do terreno. Assim, a utili-
mente, uma análise morfológica do relevo com base em zação do MDT em estudos geoambientais se torna im-
fotointerpretação da textura e rugosidade dos terrenos a prescindível, uma vez que esse modelo tem a vantagem
partir de diversos sensores remotos. de fornecer uma visão tridimensional do terreno e suas inter-

101
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

relações com as formas de relevo e da drenagem e seus Durante a realização dos trabalhos de levantamento
padrões de forma direta. Isso permite a determinação do da geodiversidade do território brasileiro, apesar de todos
grau de dissecação do relevo, informando também o grau os pontos positivos apresentados, os dados SRTM, em
de declividade e altimetria, o que auxilia grandemente na algumas regiões, acusaram problemas, tais como: valores
análise ambiental, como, por exemplo, na determinação espúrios (positivos e negativos) nas proximidades do mar
de áreas de proteção permanente, projetos de estradas e e áreas onde não são encontrados valores. Tais problemas
barragens, trabalhos de mapeamento de vegetação etc. são descritos em diversos trabalhos do SRTM (BARROS et
A escolha do Shuttle Radar Topography Mission al., 2004), sendo que essas áreas recebem o valor -32768,
(SRTM) [missão espacial liderada pela NASA, realizada indicando que não há dado disponível.
durante 11 dias do mês de fevereiro de 2000, visando à A literatura do tema apresenta diversas possibilidades
geração de um modelo digital de elevação quase global] de correção desses problemas, desde substituição de tais
foi devida ao fato de os MDTs disponibilizados por esse áreas por dados oriundos de outros produtos – o GTOPO30
sensor já se encontrarem disponíveis para toda a Améri- aparece como proposta para substituição em diversos tex-
ca do Sul, com resolução espacial de aproximadamente tos – ao uso de programas que objetivam diminuir tais
90 x 90 m, apresentando alta acurácia e confiabilidade, incorreções por meio de edição de dados (BARROS et al.,
além da gratuidade (CCRS, 2004 apud BARROS et al., 2004). Neste estudo, foi utilizado o software ENVI 4.1
2004). para solucionar o citado problema.

102
METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS
EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA

MOSAICO GEOCOVER 2000 - Planimetria: cidades, vilas, povoados, rodovias etc.


- Áreas Restritivas: áreas de parques estaduais e federais,
A justificativa para a utilização do Mosaico GeoCo- terras indígenas, estações ecológicas etc.
ver 2000 é o fato de este se constituir em um mosaico - Hidrografia: drenagens bifilar e unifilar
ortorretificado de imagens ETM+ do sensor LandSat 7, - Bacias Hidrográficas: recorte das bacias e sub-bacias de
resultante do sharpening das bandas 7, 4, 2 e 8. Esse drenagem
processamento realiza a transformação RGB-IHS (canais - Altimetria: curvas de nível espaçadas de 100 m
de cores RGB-IHS / vermelho, verde e azul – Matiz, Satu- - Campos de óleo: campos de óleo e gás
ração e Intensidade), utilizando as bandas 7, 4 e 2 com - Gasodutos e Oleodutos: arquivos de gasodutos, refinari-
resolução espacial de 30 m e, posteriormente, a transfor- as etc.
mação IHS-RGB utilizando a banda 8 na Intensidade (I) - Pontos Geoturísticos: sítios geológicos, paleontológicos
para aproveitar a resolução espacial de 15 m. Tal procedi- etc.
mento junta as características espaciais da imagem com - Quilombolas: áreas de quilombolas
resolução de 15 m às características espectrais das ima- - Recursos Minerais: dados de recursos minerais
gens com resolução de 30 m, resultando em uma ima- - Assentamento: arquivo das áreas de assentamento agrí-
gem mais “aguçada”. As imagens do Mosaico GeoCover cola
LandSat 7 foram coletadas no período de 1999/2000 e - Áreas de Desertificação: arquivo das áreas de
apresentam resolução espacial de 14,25 m. desertificação
Além da exatidão cartográfica, o Mosaico GeoCover - Paleontologia: dados de paleontologia
possui outras vantagens, como: facilidade de aquisição - Poços: dados de poços cadastrados pelo Sistema de In-
dos dados sem ônus, âncora de posicionamento, boa acu- formações de Águas Subterrâneas (SIAGAS) criado pela
rácia e abrangência mundial, o que, juntamente com o CPRM/SGB
MDT, torna-o imprescindível aos estudos de análise ambi- - ZEE (Zona Econômica Exclusiva da Plataforma Conti-
ental (ALBUQUERQUE et al., 2005; CREPANI e MEDEI- nental) – recursos minerais e feições da ZEE
ROS, 2005). - MDT_SRTM: arquivo Grid pelo recorte do estado
- Declividade: arquivo Grid pelo recorte do estado
ANÁLISE DA DRENAGEM - GeoCover: arquivo Grid pelo recorte do estado
- Simbologias ESRI: fontes e arquivos *style (arquivo de
Segundo Guerra e Cunha (2001), o reconhecimento, cores e simbologias utilizadas pelo programa ArcGis).
a localização e a quantificação das drenagens de uma As figuras 10.2 a 10.4 ilustram parte dos dados do
determinada região são de fundamental importância ao kit digital para o Mapa Geodiversidade do Estado do
entendimento dos processos geomorfológicos que gover- Piauí.
nam as transformações do relevo sob as mais diversas Os procedimentos de tratamento digital e
condições climáticas e geológicas. Nesse sentido, a utili- processamento das imagens geotiff e MrSid (SRTM e
zação das informações espaciais extraídas do traçado e da GeoCover, respectivamente), dos Grids (declividade e
forma das drenagens é indispensável na análise geológi- hipsométrico), bem como dos recortes e reclass dos ar-
co-ambiental, uma vez que são respostas/resultados das quivos vetoriais (litologia, planimetria, curvas de nível,
características ligadas a aspectos geológicos, estruturais e recursos minerais etc.) contidos no kit digital foram reali-
a processos geomorfológicos, os quais atuam como agentes zados em ambiente SIG, utilizando os softwares ArcGis9
modeladores da paisagem e das formas de relevo. e ENVI 4.4.
Dessa forma, a integração de atributos ligados às redes
de drenagem, como tipos de canais de escoamento, hierar- Trabalhando com o Kit de Dados Digitais
quia da rede fluvial e configuração dos padrões de drena-
gem, a outros temas trouxe respostas a várias questões rela- Na metodologia adotada, a unidade geológico-
cionadas ao comportamento dos diferentes ambientes geo- ambiental, fruto da reclassificação das unidades geológi-
lógicos e climáticos locais, processos fluviais dominantes e cas (reclass) presentes no Mapa Geologia e Recursos Mine-
disposição de camadas geológicas, dentre outros. rais do Estado do Piauí ao Milionésimo (CPRM, 2006), é a
unidade fundamental de análise, na qual foram agregadas
KIT DE DADOS DIGITAIS todas as informações da geologia possíveis de serem obti-
das a partir dos produtos gerados pela atualização da car-
Na fase de execução dos mapas de geodiversidade tografia geológica dos estados, pelo SRTM, mosaico
estaduais, o kit de dados digitais constou, de acordo com GeoCover 2000 e drenagem.
o disponível para cada estado, dos seguintes temas: Com a utilização dos dados digitais contidos em cada
- Geodiversidade: arquivo dos domínios e unidades geo- DVD-ROM foram estruturados, para cada folha ou mapa
lógico-ambientais estadual, um Projeto.mxd (conjunto de shapes e leiaute)
- Estruturas: arquivo das estruturas geológicas organizado no software ArcGis9.

103
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Figura 10.2 - Exemplo de dados do kit digital para o estado do Piauí: unidades geológico-ambientais versus infraestrutura,
recursos minerais e áreas de proteção ambiental.

Figura 10.3 - Exemplo de dados do kit digital para o estado do Piauí: unidades geológico-ambientais versus relevo
ombreado (MDT_SRTM).

104
METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS
EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA

Figura 10.4 - Exemplo de dados do kit digital para o estado do Piauí: modelo digital de elevação (SRTM) versus drenagem bifilar.

No diretório de trabalho havia um arquivo shapefile, diversidade – APLICATIVO GEODIV (VISUAL BASIC) com
denominado geodiversidade_estado.shp,, que corres- posterior migração dos dados para o GeoBank.
pondia ao arquivo da geologia onde deveria ser aplicada a
reclassificação da geodiversidade. ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS:
Após a implantação dos domínios e unidades geoló- GEOBANK
gico-ambientais, procedia-se ao preenchimento dos
parâmetros da geologia e, posteriormente, ao preenchi- A implantação dos projetos de levantamento da
mento dos campos com os atributos do relevo. geodiversidade do Brasil teve como objetivo principal
As informações do relevo serviram para melhor ca- oferecer aos diversos segmentos da sociedade brasileira
racterizar a unidade geológico-ambiental e também para uma tradução do conhecimento geológico-científíco,
subdividi-la. Porém, essa subdivisão, em sua maior parte, com vistas a sua aplicação ao uso adequado para o
alcançou o nível de polígonos individuais. ordenamento territorial e planejamento dos setores mi-
Quando houve necessidade de subdivisão do polígo- neral, transportes, agricultura, turismo e meio ambien-
no, ou seja, quando as variações fisiográficas eram muito te, tendo como base as informações geológicas pre-
contrastantes, evidenciando comportamentos hidrológi- sentes no SIG da Carta Geológica do Brasil ao Milioné-
cos e erosivos muito distintos, esse procedimento foi rea- simo (CPRM, 2004).
lizado. Nessa etapa, considerou-se o relevo como um atri- Com essa premissa, a Coordenação de Geoprocessa-
buto para subdividir a unidade, propiciando novas dedu- mento da Geodiversidade, após uma série de reuniões com
ções na análise ambiental. as Coordenações Temáticas e com as equipes locais da
Assim, a nova unidade geológico-ambiental resul- CPRM/SGB, estabeleceu normas e procedimentos básicos
tou da interação da unidade geológico-ambiental com o a serem utilizados nas diversas atividades dos levantamen-
relevo. tos estaduais, com destaque para:
Finalizado o trabalho de implementação dos parâ- - Definição dos domínios e unidades geológico-ambientais
metros da geologia e do relevo pela equipe responsável, o com base em parâmetros geológicos de interesse na aná-
material foi enviado para a Coordenação de Geoprocessa- lise ambiental, em escalas 1:2.500.000, 1:1.000.00 e
mento, que procedeu à auditagem do arquivo digital da mapas estaduais.
geodiversidade para retirada de polígonos espúrios, super- - A partir da escala 1:1.000.000, criação de atributos ge-
posição e vazios, gerados durante o processo de edição. ológicos aplicáveis ao planejamento e informações dos
Paralelamente, iniciou-se a carga dos dados na Base Geo- compartimentos do relevo.

105
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

- Acuidade cartográfica compatível com as escalas adotadas.


- Estruturação de um modelo conceitual de base para o
planejamento, com dados padronizados por meio de bi-
bliotecas.
- Elaboração da legenda para compor os leiautes dos ma-
pas de geodiversidade estaduais.
- Criação de um aplicativo de entrada de dados local de-
senvolvido em Visual Basic 6.0 Aplicativo GEODIV.
- Implementação do modelo de dados no GeoBank (Oracle)
e migração dos dados do Aplicativo GEODIV para a Base
Geodiversidade.
- Entrada de dados de acordo com a escala e fase (mapas
estaduais).
- Montagem de SIGs.
- Disponibilização dos mapas na Internet, por meio do
módulo Web Map do GeoBank (<http://geobank.sa. Figura 10.5 - Tela de cadastro das unidades geológico-ambientais
para os mapas estaduais de geodiversidade (aplicativo GEODIV).
cprm.gov.br>), onde o usuário tem acesso a informações
relacionadas às unidades geológico-ambientais (Base
Geodiversidade) e suas respectivas unidades litológicas
(Base Litoestratigrafia).
A necessidade de prover o SIG Geodiver-sidade com
tabelas de atributos referentes às unidades geológico-
ambientais, dotadas de informações para o planejamento,
implicou a modelagem de uma Base Geodiversidade, in-
trinsecamente relacionada à Base Litoestra-tigrafia, uma
vez que as unidades geológico-ambientais são produto de
reclassificação das unidades litoestratigráficas.
Esse modelo de dados foi implantado em um
aplicativo de entrada de dados local desenvolvido em Vi-
sual Basic 6.0, denominado GEODIV. O modelo do
aplicativo apresenta seis telas de entrada de dados arma-
zenados em três tabelas de dados e 16 tabelas de bibliote-
cas. A primeira tela recupera, por escala e fase, todas as
unidades geológico-ambientais cadastradas, filtrando, para
cada uma delas, as letras-símbolos das unidades
litoestratigráficas (Base Litoestratigrafia) (Figura 10.5). Figura 10.6 - Tela de cadastro dos atributos da geologia (aplicativo
Posteriormente, de acordo com a escala adotada, o GEODIV).
usuário cadastra todos os atributos da geologia de interes-
se para o planejamento (Figura 10.6).
Na última tela, o usuário cadastra os compartimen-
tos de relevo (Figura 10.7).
Todos os dados foram preenchidos pela equipe da
Coordenação de Geoprocessamento e inseridos no aplica-
tivo que possibilita o armazenamento das informações no
GeoBank (Oracle), formando, assim, a Base Geodiversida-
de (Figura 10.8).
O módulo da Base Geodiversidade, suportado por bibli-
otecas, recupera, também por escala e por fase (quadrícula
ao milionésimo, mapas estaduais), todas as informações das
unidades geológico-ambientais, permitindo a organização dos
dados no GeoBank de forma a possibilitar a conexão dos
dados vetoriais com os dados alfanuméricos. Em uma pri-
meira fase, com auxílio dos elementos-chave descritos nas
tabelas, é possível vincular, facilmente, mapas digitais ao
GeoBank, como na montagem de SIGs, em que as tabelas Figura 10.7 - Tela de cadastro dos atributos do relevo (aplicativo
são produtos da consulta sistemática ao banco de dados. GEODIV).

106
METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS
EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA

Figura 10.8 - Fluxograma simplificado da base Geodiversidade (GeoBank).

Outra importante ferramenta de visualização dos ma- COD_UNIGEO (CÓDIGO DA UNIDADE GEOLÓGI-
pas geoambientais é o módulo Web Map do GeoBank, CO-AMBIENTAL) – Sigla da unidade geológico-ambiental.
onde o usuário tem acesso a informações relacionadas UNIGEO (DESCRIÇÃO DA UNIDADE GEOLÓGICO-
às unidades geológico-ambientais (Base Geodiversidade) AMBIENTAL) – As unidades geológico-ambientais foram agru-
e suas respectivas unidades litológicas (Base padas com características semelhantes do ponto de vista da
Litoestratigrafia), podendo recuperar as informações dos resposta ambiental a partir da subdivisão dos domínios geoló-
atributos relacionados à geologia e ao relevo diretamen- gico-ambientais e por critérios-chaves descritos anteriormente.
te no mapa (Figura 10.9). DEF_TEC (DEFORMAÇÃO TECTÔNICA/DOBRAMEN-
TOS) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas que
ATRIBUTOS DOS CAMPOS DO ARQUIVO compõe a unidade geológico-ambiental.
DAS UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS: CIS_FRAT (TECTÔNICA FRATURAMENTO/CISALHA-
DICIONÁRIO DE DADOS MENTO) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas
que compõe a unidade geológico-ambiental.
São descritos, a seguir, os atributos dos campos que ASPECTO (ASPECTOS TEXTURAIS E ESTRUTURAIS) –
constam no arquivo shapefile da unidade geológico- Relacionado às rochas ígneas e/ou metamórficas que com-
ambiental.. põem a unidade geológico-ambiental.
COD_DOM (CÓDIGO DO DOMÍNIO GEOLÓGICO- INTEMP_F (RESISTÊNCIA AO INTEMPERISMO FÍSI-
AMBIENTAL) – Sigla dos domínios geológico-ambien- CO) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas sãs que
tais. compõe a unidade geológico-ambiental.
DOM_GEO (DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO GEOLÓGI- INTEMP_Q (RESISTÊNCIA AO INTEMPERISMO QUÍ-
CO-AMBIENTAL) – Reclassificação da geologia pelos gran- MICO) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas sãs
des domínios geológicos. que compõe a unidade geológico-ambiental.

107
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Figura 10.9 - Módulo Web Map de visualização dos arquivos vetoriais/base de dados (GeoBank).

GR_COER (GRAU DE COERÊNCIA DA(S) ROCHA(S) OBS (CAMPO DE OBSERVAÇÕES) – Campo-texto


FRESCA(S)) – Relacionado à rocha ou ao grupo de rochas onde são descritas todas as observações consideradas re-
que compõe a unidade geológico-ambiental. levantes na análise da unidade geológico-ambiental.
TEXTURA (TEXTURA DO MANTO DE ALTERAÇÃO)
– Relacionado ao padrão textural de alteração da rocha REFERÊNCIAS
ou ao grupo de rochas que compõe a unidade geológico-
ambiental. AB’SABER, A. N. Um conceito de geomorfologia a
PORO_PRI (POROSIDADE PRIMÁRIA) – Relaciona- serviço das pesquisas sobre o quaternário.
do à porosidade primária da rocha ou do grupo de rochas Geomorfologia, São Paulo, n. 18, p. 1-23, 1969.
que compõe a unidade geológico-ambiental.
AQUÍFERO (TIPO DE AQUÍFERO) – Relacionado ao ALBUQUERQUE, P. C. G.; SANTOS, C. C.; MEDEIROS, J.
tipo de aquífero que compõe a unidade geológico- S. Avaliação de mosaicos com imagens LandSat TM
ambiental. para utilização em documentos cartográficos em
COD_REL (CÓDIGO DOS COMPARTIMENTOS DO escalas menores que 1/50.000. São José dos Campos:
RELEVO) – Siglas para a divisão dos macrocompartimentos INPE, 2005. Disponível em: <http://mtc-m12.sid.inpe.br/
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unidade geológico-ambiental, fruto da composição da radar. Notícia Geomorfológica, Campinas, v. 17, n.
unidade geológica com o relevo. Na escala 1:1.000.000, 33, p. 137-152, jun. 1977.
é o campo indexador, que liga a tabela aos polígonos do
mapa e ao banco de dados (é formada pelo campo BARROS, R. S. et al. Avaliação do modelo digital de
COD_UNIGEO + COD_REL). elevação da SRTM na ortorretificação de imagens Spot

108
METODOLOGIA E ESTRUTURAÇÃO DA BASE DE DADOS
EM SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA

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GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

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110
11
GEODIVERSIDADE:
ADEQUABILIDADES/
POTENCIALIDADES E
LIMITAÇÕES FRENTE AO
USO E OCUPAÇÃO
Pedro Augusto dos Santos Pfaltzgraff ([email protected])
Ricardo de Lima Brandão ([email protected])
Fernanda Soares de Miranda Torres ([email protected])

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

SUMÁRIO

Introdução ......................................................................................................... 115


Domínio dos Sedimentos Cenozoicos Inconsolidados ou
Pouco Consolidados Depositados em Meio Aquoso ........................................... 115
Unidade DCa .................................................................................................. 115
Limitações ................................................................................................... 115
Potencialidades ........................................................................................... 116
Unidade DCm ................................................................................................. 116
Limitações ................................................................................................... 116
Potencialidades ........................................................................................... 116
Domínio dos Sedimentos Indiferenciados Cenozoicos Relacionados a
Retrabalhamento de Outras Rochas, Geralmente Associados a
Superfícies de Aplainamento .............................................................................. 117
Unidade DCSR ................................................................................................ 117
Limitações ................................................................................................... 117
Potencialidades ........................................................................................... 117
Domínio dos Sedimentos Cenozóicos Eólicos ..................................................... 117
Unidade DCEm ............................................................................................... 117
Limitações ................................................................................................... 117
Potencialidades ........................................................................................... 118
Unidade DCEf .............................................................................................. 118
Limitações ................................................................................................. 118
Potencialidades ......................................................................................... 119
Domínio das Coberturas Cenozóicas Detrito-Lateríticas ................................ 119
Unidade DCDL ............................................................................................. 119
Limitações ................................................................................................. 119
Potencialidades ......................................................................................... 120
Domínio dos Sedimentos Cenozoicos e Mesozoicos,
Pouco a Moderadamente Consolidados,
Associados a Pequenas Bacias Continentais do Tipo Rift .............................. 120
Unidade DCMRa .......................................................................................... 120
Limitações ................................................................................................. 120
Potencialidades ......................................................................................... 120
Domínio dos Sedimentos Cenozoicos, Pouco
a Moderadamente Consolidados, Associados a Tabuleiros ........................... 120
Unidade DCT ............................................................................................... 120
Limitações ................................................................................................. 121
Potencialidades ...............................................................................................
Domínio dos Sedimentos Cenozoicos e Mesozoicos,
Pouco a Moderadamente Consolidados, Associados
a Profundas e Extensas Bacias Continentais ................................................... 121
Unidade DCMa ............................................................................................ 121
Limitações ................................................................................................. 121
Potencialidades ......................................................................................... 121
Domínio das Sequências Sedimentares Mesozoicas Clastocarbonáticas
Consolidadas em Bacias de Margens Continentais (Rift) ............................... 122
Unidade DSMc ............................................................................................. 122
Limitações ................................................................................................. 122
Potencialidades ......................................................................................... 122
Domínio das Coberturas Sedimentares e Vulcanossedimentares
Mesozoicas e Paleozoicas, Pouco a Moderadamente Consolidadas,
Associadas a Grandes e Profundas Bacias Sedimentares do Tipo Sinéclise ... 122
Unidade DSVMPae ...................................................................................... 122
Limitações ................................................................................................. 122
Potencialidades ......................................................................................... 123
Unidade DSVMPacg ..................................................................................... 123
Limitações ................................................................................................. 123
Potencialidades ......................................................................................... 123
Unidade DSVMPasaf ................................................................................... 124
Limitações ................................................................................................. 124
Potencialidades ......................................................................................... 124
Unidade DSVMPsaa ..................................................................................... 124
Limitações ................................................................................................. 124
Potencialidades ......................................................................................... 125
Unidade DSVMPasac .................................................................................. 125
Limitações ................................................................................................. 125
Potencialidades ......................................................................................... 125
Domínio do Vulcanismo Fissural Mesozoico do Tipo Plateau ........................ 125
Unidade DVMgd .......................................................................................... 125
Limitações ................................................................................................. 125
Potencialidades ......................................................................................... 126
Domínio das Sequências Sedimentares e Vulcanossedimentares
do Eopaleozoico, Associadas a Rifts, Não ou Pouco Deformadas
e Metamorfizadas ............................................................................................ 126
Unidade DSVEs ............................................................................................ 126
Limitações ................................................................................................. 126
Potencialidades ......................................................................................... 127
Domínio das Sequências Sedimentares Proterozoicas Dobradas,
Metamorfizadas de Baixo a Médio Grau ........................................................ 127
Unidade DSP2mqmtc ................................................................................... 127
Limitações ................................................................................................. 127
Potencialidades ......................................................................................... 127
Unidade DSP2msa ........................................................................................ 127
Limitações ................................................................................................. 127
Potencialidades ......................................................................................... 127
Unidade DSP2sag ........................................................................................ 127
Limitações ................................................................................................. 127
Potencialidades ......................................................................................... 128
Unidade DSP2mcsaa .................................................................................... 128
Limitações ................................................................................................. 128
Potencialidades ......................................................................................... 128
Domínio das Sequências Vulcanossedimentares Proterozoicas Dobradas,
Metamorfizadas de Baixo a Alto Grau ........................................................... 128
Unidade DSPV2 ............................................................................................ 128
Limitações ................................................................................................. 128
Potencialidades ......................................................................................... 128
Unidade DSVP2q ......................................................................................... 128
Limitações ................................................................................................. 129
Potencialidades ......................................................................................... 129
Unidade DSVP2csa ....................................................................................... 129
Limitações ................................................................................................. 129
Potencialidades ......................................................................................... 129
Unidade DSVP2vfc ....................................................................................... 129
Limitações ................................................................................................. 129
Potencialidades ......................................................................................... 130
Unidade DSVP2vfc ........................................................................................... 130
Limitações ................................................................................................. 130
Potencialidades ......................................................................................... 130
Domínio das Sequências Vulcanossedimentares Tipo Greenstone Belt,
Arqueano ao Paleoproterozoico .................................................................... 130
Unidade DGBko ........................................................................................... 130
Limitações ................................................................................................. 130
Potencialidades ......................................................................................... 130
Unidade DGBss ............................................................................................ 131
Limitações ................................................................................................. 131
Potencialidades ......................................................................................... 131
Domínio dos Corpos Máfico-Ultramáficos (Suítes Komatiiticas,131
Suítes Toleíticas, Complexos Bandados) .......................................................... 131
Unidade DCMUmu ...................................................................................... 131
Limitações ................................................................................................. 132
Potencialidades ......................................................................................... 132
Domínio dos Complexos Granitoides Não-Deformados ................................. 132
Unidade DCGR1alc ....................................................................................... 132
Limitações ................................................................................................. 132
Potencialidades ......................................................................................... 133
Unidade DCGR1in ........................................................................................ 133
Limitações ................................................................................................. 133
Potencialidades ......................................................................................... 133
Domínio dos Complexos Granitoides Deformados ......................................... 134
Unidade DCGR2salc ..................................................................................... 134
Limitações ................................................................................................. 134
Potencialidades ......................................................................................... 134
Domínio dos Complexos Granitoides Intensamente Deformados:
Ortognaisses .................................................................................................... 134
Unidade DCGR3salc ..................................................................................... 134
Limitações ................................................................................................. 134
Potencialidades ......................................................................................... 135
Unidade DCGR3in ........................................................................................ 135
Limitações ................................................................................................. 135
Potencialidades ......................................................................................... 135
Domínio do Complexo Granito-Gnaisse-Migmatítico e Granulitos ................ 135
Unidade DCGMGLmo .................................................................................. 135
Unidade DCGMGLgnp ................................................................................. 135
Unidade DCGMGLmgi .................................................................................. 135
Unidade DCGMGLgno ................................................................................. 135
Limitações ................................................................................................. 136
Potencialidades ......................................................................................... 136
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO

INTRODUÇÃO com materiais de alta resistência à corrosão, assim como


devem ser frequentemente monitoradas, para evitar que
O estado do Piauí está composto por 19 domínios e ocorram vazamentos.
38 unidades geológico-ambientais com características fí- - Camadas de cascalhos causam o desgaste de equipa-
sicas de aptidões e restrições de uso bastante diversificadas. mentos, ao serem perfuradas com sondas rotativas.
Com o objetivo de contribuir para a elaboração das - Áreas com tendência a inundações periódicas, de fertilidade
macrodiretrizes do planejamento estadual, de forma a muito variável, com solos de baixa suscetibilidade à erosão.
subsidiar programas de gestão territorial em níveis muni- - Em muitos locais, os solos apresentam altos índices de
cipal e estadual, apresentam-se, a seguir, as principais acidez, devido ao excesso de matéria orgânica. Em outros
características geológicas e do relevo de cada domínio ou locais, podem dar origem a solos espessos e de boa ferti-
geossistema – subdivididos em unidades geológico-ambi- lidade natural.
entais –, presentes no Mapa Geodiversidade do Estado do - Contaminantes agrícolas podem entrar em contato direto
Piauí, e o que estas representam em termos de adequabi- com o lençol freático e com os cursos d’água superficiais.
lidades e limitações frente à execução de obras, à agricul- - Aquíferos, em geral, de pequena espessura e grande va-
tura, aos recursos hídricos, à implantação de fontes polui- riabilidade textural.
doras e aos recursos minerais. - Em muitos locais, devido à existência de sedimentos e
solos ricos em matéria orgânica, a água subterrânea pode
DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS apresentar sabores e odores desagradáveis.
INCONSOLIDADOS OU POUCO - Alta vulnerabilidade à poluição/contaminação dos recur-
CONSOLIDADOS DEPOSITADOS sos hídricos superficiais e subterrâneos.
EM MEIO AQUOSO - Áreas inadequadas à ocupação urbana e implantação
de fontes poluidoras, como parques industriais, lixões,
O domínio dos sedimentos cenozoicos inconsolidados aterros sanitários, utilização intensa de agrotóxicos, ce-
ou pouco consolidados depositados em meio aquoso (DC) mitérios e tanques de armazenamento de combustíveis.
é constituído por duas unidades geológico-ambientais: DCa - Atividades de mineração devem ser muito bem planeja-
e DCm (Figura 11.1). das e controladas, para evitar impactos ambientais, como

Unidade DCa

Ambiente de planícies aluvionares recentes, material


inconsolidado e de espessura variável. Da base para o topo,
é formado por cascalho, areia e argila, onde se encontra a
forma de relevo Planícies Fluviais.

Limitações

- Áreas sujeitas a enchentes sazonais, causadas por


extravasamento dos rios, principalmente em períodos de
chuvas mais intensas.
- Nível freático aflorante ou próximo à superfície, necessitan-
do de rebaixamento para execução de obras de engenharia.
- Predomínio de solos de baixa capacidade de suporte,
que se compactam e se deformam bastante quando sub-
metidos a cargas elevadas, inviabilizando determinados
tipos de obras.
- Cuidados especiais devem ser tomados com todas as
fontes potencialmente poluidoras.
- Ambientes com características de relevo e drenagem mais
favoráveis à concentração que à dispersão de elementos
poluentes.
- As porções arenosas apresentam elevada permeabilida-
de, configurando situação de alta vulnerabilidade à conta-
minação do lençol freático, que se encontra próximo da
superfície ou aflorante. Figura 11.1 - Distribuição do domínio dos sedimentos cenozoicos
- Obras enterradas destinadas ao armazenamento e à cir- inconsolidados ou pouco consolidados depositados em meio aquoso
culação de substâncias poluentes devem ser construídas no estado do Piauí.

115
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

a retirada de mata ciliar, erosão das margens e assorea- - Nível freático aflorante ou próximo à superfície, necessi-
mento de rios e lagoas, poluição de recursos hídricos su- tando de rebaixamento para execução de obras de enge-
perficiais, cavas abandonadas, degradação paisagística etc. nharia.
- Predomínio de solos de baixa capacidade de suporte,
Potencialidades que se compactam e se deformam bastante quando sub-
metidos a cargas elevadas, inviabilizando determinados
- Faixas aluvionares são favoráveis à construção, com bai- tipos de obras.
xos custos, de poços para captação de água subterrânea. - Cuidados especiais devem ser tomados com todas as
- Áreas planas passíveis de implantação de agricultura fontes potencialmente poluidoras.
mecanizada e/ou irrigada. - Ambientes com características de relevo e drenagem mais
- Camadas de areia, com espessuras suficientes, normalmen- favoráveis à concentração que à dispersão de elementos
te fornecem boas vazões em poços de água subterrânea. poluentes.
- As aluviões representam fontes importantes de abasteci- - As porções arenosas apresentam elevada permeabilida-
mento, especialmente por meio de poços escavados (ca- de, configurando situação de alta vulnerabilidade à conta-
cimbas), para uso doméstico e outras pequenas demandas. minação do lençol freático, que se encontra próximo da
- Nas áreas mais secas (sertões semiáridos), associadas ao superfície ou aflorante.
domínio dos terrenos cristalinos, esses sedimentos desta- - Obras enterradas destinadas ao armazenamento e à cir-
cam-se, muitas vezes, como a única opção para captação culação de substâncias poluentes devem ser construídas
de água subterrânea. com materiais de alta resistência à corrosão, assim como
- As planícies aluviais são ambientes favoráveis à explota- devem ser frequentemente monitoradas para evitar que
ção de areia para construção civil e uso industrial, assim ocorram vazamentos.
como argila para cerâmica vermelha. - Ocorrência de espessas camadas com alta concentração
- Depósitos secundários de diamante e opala (nas regiões de matéria orgânica, que liberam ácidos corrosivos e gás
de Gilbués e Pedro II, respectivamente), associados aos metano (altamente inflamável); possuem capacidade de
níveis conglomeráticos (cascalhos) das aluviões recentes e suporte muito baixa.
terraços aluvionares, têm sido lavrados por meio de ativi- - Áreas sujeitas a inundações diárias pelo avanço das marés.
dades garimpeiras. - Solos lodosos, profundos, parcial ou permanentemente
- Áreas de potencial interesse para atividades de turismo e submersos, apresentando salinidade elevada devido à in-
lazer. Na foz do rio Parnaíba, essa unidade, juntamente fluência da água do mar; por causa da grande quantidade
com as planícies fluviomarinhas e outros ecossistemas, de matéria orgânica, são excessivamente ácidos.
são elementos formadores do Delta do Parnaíba (único - Áreas inadequadas à captação de água subterrânea, em fun-
delta em mar aberto das Américas), de grande beleza cê- ção do substrato argiloso e das altas concentrações de sais.
nica e atratividade turística. - A degradação causada pela expansão urbana, instalação
- Quantidade considerável de lagoas, de grande impor- de salinas, atividades de carcinicultura etc. tem compro-
tância ecológica, principalmente margeando o rio Parnaí- metido importantes funções ambientais (físicas e biológi-
ba e entre este e o Longá, destacando-se, como a maior, cas) desses ecossistemas.
a Lagoa Grande de Buriti dos Lopes.
- Nas regiões mais secas, dominadas por rochas cristali- Potencialidades
nas, as aluviões recentes são áreas indicadas para constru-
ção de barragens subterrâneas. - Os manguezais atuam como verdadeiros contensores da
- Terraços pouco mais elevados que o nível das enchentes erosão provocada pela ação das ondas, protegendo deter-
dos rios: áreas pouco menos sujeitas a sofrer alagamentos minados setores da linha de costa. Da mesma forma, for-
frequentes. necem proteção contra as enchentes ao longo dos rios,
diminuindo a força das inundações.
Unidade DCm - Auxiliam a mitigar os efeitos da poluição, retendo, retar-
dando e transformando substâncias poluidoras, como
Ambiente misto (marinho/continental), com interca- pesticidas, metais tóxicos e matéria orgânica, evitando que
lações irregulares de sedimentos arenosos, síltico-argilo- contaminem os mananciais hídricos. Os micro-organismos
sos, em geral ricos em matéria orgânica (mangues), onde presentes nessas áreas atuam na decomposição dos
se encontra a forma de relevo Planícies Fluviomarinhas. poluentes da água, como nitratos, e do ar, como sulfatos.
Além disso, são fontes relevantes na produção de oxigênio.
Limitações -Constituem locais de reprodução, alimentação e descanso
de aves aquáticas em geral, sendo de extrema importância
-Áreas sujeitas a enchentes sazonais, causadas por extra- para aquelas migratórias. São também áreas críticas para a
vasamento dos rios, principalmente em períodos de chu- reprodução de um grande número de espécies de peixes,
vas mais intensas. crustáceos e moluscos de valor econômico para o homem.

116
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO

- O entrelaçado labiríntico dos canais distributários que


formam o Delta do Parnaíba isola um grande número de
ilhas (mais de 70, incluindo a área do estado do Mara-
nhão), muitas delas contendo importantes formações de
manguezais.

DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS


INDIFERENCIADOS CENOZOICOS
RELACIONADOS A RETRABALHAMENTO
DE OUTRAS ROCHAS, GERALMENTE
ASSOCIADOS A SUPERFÍCIES DE
APLAINAMENTO

O domínio dos sedimentos indiferenciados cenozoicos


relacionados a retrabalhamento de outras rochas, geral-
mente associados a superfícies de aplainamento (DCSR),
encontra-se representado no estado do Piauí pela unidade
geológico-ambiental DCRS (Figura 11.2).

Unidade DCSR

Coberturas arenoconglomeráticas e/ou síltico-argilosas


associadas a superfícies de aplainamento, onde são encon-
tradas as formas de relevo: Planaltos; Morros e Serras Baixas.

Limitações

- Presença de solos rasos de fertilidade geralmente baixa,


suscetíveis à erosão. Aquíferos pouco espessos e de vazão Figura 11.2 - Distribuição do domínio dos sedimentos
geralmente baixa. indiferenciados cenozoicos relacionados a retrabalhamento de
outras rochas, geralmente associados a superfícies de aplainamento
no estado do Piauí.
Potencialidades

- Áreas planas favoráveis à implantação de obras lineares e - Áreas limitativas à expansão urbana e do sistema viário.
ocupação urbana, desde que haja planejamento adequado. - São altamente suscetíveis à poluição de seus mananciais
hídricos, devido à elevada permeabilidade das areias e à
DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS pequena profundidade do nível freático.
EÓLICOS - Deve-se evitar a instalação de qualquer fonte potencial-
mente poluidora.
O domínio dos sedimentos cenozoicos eólicos (DCE)) - Eventualmente, são encontradas águas cloretadas (com
é constituído por duas unidades geológico-ambientais: altos teores em sais).
DCEm e DCEf (Figura 11.3). - Deve-se ter cuidado com o bombeamento excessivo de
poços, a fim de evitar o avanço da cunha salina.
Unidade DCEm - Tendo em vista a alta vulnerabilidade à poluição/conta-
minação hídrica, o monitoramento e a preservação desses
Dunas móveis – material arenoso inconsolidado –, ambientes são fundamentais para assegurar a qualidade
onde se encontra a forma de relevo Campo de Dunas. das águas. Além disso, deve-se evitar que a urbanização
indiscriminada atinja as áreas de recarga, impermeabili-
Limitações zando os terrenos e comprometendo a potencialidade
desses aquíferos.
- Terrenos fortemente instáveis, apresentando elevados riscos - Construção de estradas, loteamentos e outros equipa-
de desmoronamento e erosão em taludes de corte e aterros. mentos públicos e privados, assim como as atividades
- Areias quartzosas finas a médias, bem arredondadas e de mineração de areia e minerais pesados em dunas re-
selecionadas, sujeitas ao fenômeno da liquefação (tipo areia sultam na desestabilização e até mesmo no desmonte
movediça), causando a perda de resistência do terreno e o desses depósitos, alterando significativamente a dinâmi-
risco de colapsos das fundações nele implantadas. ca eólica dessas áreas, além de degradar um patrimônio

117
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

- As dunas móveis e fixas, juntamente com as planícies


fluviomarinhas (com manguezais associados), fluviais e
lacustres, ilhas e praias, são feições integrantes do sistema
deltaico do Parnaíba, de grande beleza cênica e importân-
cia ambiental e turística para a região.
- O barramento de desembocaduras fluviais pelos campos
de dunas, algumas vezes, forma lagoas costeiras de gran-
de beleza cênica. As principais, na área, são as lagoas do
Portinho e de Sobradinho. Vale salientar a ocorrência de
inúmeras lagoas formadas onde a superfície topográfica
tangencia o nível freático, nas superfícies de deflação eólica,
muitas vezes, localizadas entre as dunas.
- Em determinados setores da linha de costa, as dunas
móveis exercem importante função no aporte de sedimen-
tos para as faixas praiais, evitando a erosão costeira e
mantendo o equilíbrio das praias.

Unidade DCEf

Dunas fixas – material arenoso fixado pela vegetação


onde se encontra a forma de relevo Campo de Dunas.

Limitações

- Terrenos fortemente instáveis, apresentando elevados riscos


de desmoronamento e erosão em taludes de corte e aterros.
Figura 11.3 - Distribuição do domínio dos sedimentos cenozoicos - Areias quartzosas finas a médias, bem arredondadas e
eólicos no estado do Piauí.
selecionadas, sujeitas ao fenômeno da liquefação (tipo areia
movediça), causando a perda de resistência do terreno e o
paisagístico com elevado potencial para atividades de risco de colapsos das fundações nele implantadas.
turismo e lazer. - Áreas limitativas à expansão urbana e do sistema viário.
- Ambientes constituídos por sedimentos arenosos - Devido à elevada permeabilidade das areias e à pequena
inconsolidados submetidos à contínua movimentação pela profundidade do nível freático, são altamente suscetíveis
dinâmica eólica. à poluição de seus mananciais hídricos.
- Construções estabelecidas nas zonas de migração de du- - Deve-se evitar a instalação de qualquer fonte potencial-
nas podem ser soterradas lentamente pela remobilização mente poluidora.
das areias. - Eventualmente, são encontradas águas cloretadas (com
- As dunas móveis são desprovidas de solos agrícolas. altos teores em sais).
- Em algumas áreas, a migração de dunas ocasiona o - Deve-se ter cuidado com o bombeamento excessivo de
assoreamento de ecossistemas aquáticos, como lagoas, poços, a fim de evitar o avanço da cunha salina.
banhados e mangues. - Tendo em vista a alta vulnerabilidade à poluição/conta-
minação hídrica, o monitoramento e a preservação desses
Potencialidades ambientes são fundamentais para assegurar a qualidade
das águas. Além disso, deve-se evitar que a urbanização
- Os Campos de Dunas (recentes e paleodunas) são indiscriminada atinja as áreas de recarga, impermeabili-
aquíferos superficiais livres, de elevado potencial, mere- zando os terrenos e comprometendo a potencialidade
cendo destaque na captação de água subterrânea de boa desses aquíferos.
qualidade nas regiões costeiras. - Construção de estradas, loteamentos e outros equipa-
- Além de serem bons aquíferos, as dunas funcionam como mentos públicos e privados, assim como as atividades de
áreas de recarga para a unidade geológica subjacente (se- mineração de areia e minerais pesados em dunas, resul-
dimentos do Grupo Barreiras). tam na desestabilização e até mesmo no desmonte desses
- Areia para construção civil (utilizada em aterros) e indus- depósitos, alterando significativamente a dinâmica eólica
trial (principalmente para vidros). dessas áreas, além de degradar um patrimônio paisagístico
- Algumas dunas costeiras e sedimentos praiais podem com elevado potencial para atividades de turismo e lazer.
conter concentrações de minerais pesados, principalmen- -Dunas fixas exibem pedogênese incipiente, com solos de
te, zirconita, ilmenita e rutilo. baixa fertilidade natural, excessivamente ácidos, de baixa

118
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO

capacidade hídrica, erosivos e de difícil manejo devido à Limitações


constituição arenosa e ao relevo.
- As dunas vegetadas (fixas) são consideradas áreas de - Coberturas lateríticas apresentam espessura, grau de
preservação permanente. consolidação e dureza bastante variáveis, de região para
- A retirada da cobertura vegetal fixadora das dunas, ape- região e, na maior parte das vezes, de local para local.
sar de proibida pela legislação ambiental, é uma prática Podem formar crostas lateríticas bastante compactadas e
comum ao longo do litoral brasileiro, promovendo a trans- coesas, de alta resistência ao corte e à penetração.
formação de dunas fixas em dunas móveis. - Ocorrem de forma bastante irregular, tanto sob a forma
de pequenos e grandes lajeados ou como blocos e mata-
Potencialidades cões irregularmente distribuídos, o que pode dificultar a
escolha do método de escavação.
- Os Campos de Dunas (recentes e paleodunas) são - A retirada da crosta laterítica, comum em obras de
aquíferos superficiais livres, de elevado potencial, mere- terraplanagem, pode desestabilizar o perfil do solo e favo-
cendo destaque na captação de água subterrânea de boa recer a instalação de processos erosivos.
qualidade nas regiões costeiras. - Podem conter concentrações de argilominerais expansi-
- Além de serem bons aquíferos, as dunas funcionam como vos, tornando-as muito erosivas e inadequadas para uso
áreas de recarga para a unidade geológica subjacente (se- como material de empréstimo.
dimentos do Grupo Barreiras). - Solos de fertilidade natural muito baixa, com excesso de
- Areia para construção civil (utilizada em aterros) e indus- alumínio, sendo bastante ácidos e difíceis de serem corri-
trial (principalmente para vidros). gidos.
- Algumas dunas costeiras e sedimentos praiais podem - Pedregosidade elevada dos solos, dificultando a mecani-
conter concentrações de minerais pesados, principalmen- zação da agricultura.
te, zirconita, ilmenita e rutilo. - Essas coberturas podem ser bastante porosas e permeá-
- As dunas móveis e fixas, juntamente com as planícies veis, devido à presença de cavidades (vesículas), forman-
fluviomarinhas (com manguezais associados), fluviais e do um meio de alta vulnerabilidade à contaminação das
lacustres, ilhas e praias, são feições integrantes do sistema águas subterrâneas. Baixa capacidade de reter, fixar e eli-
deltaico do Parnaíba, de grande beleza cênica e importân- minar poluentes.
cia ambiental e turística para a região.
- As dunas fixas exibem pedogênese incipiente, com solos
de baixa fertilidade natural, excessivamente ácidos, de baixa
capacidade hídrica, erosivos e de difícil manejo devido à
constituição arenosa e ao relevo.
- As dunas vegetadas (fixas) são consideradas áreas de
preservação permanente.
- A retirada da cobertura vegetal fixadora das dunas, ape-
sar de proibida pela legislação ambiental, é uma prática
comum ao longo do litoral brasileiro, promovendo a trans-
formação de dunas fixas em dunas móveis.

DOMÍNIO DAS COBERTURAS CENOZOICAS


DETRITO-LATERÍTICAS

O domínio das coberturas cenozoicas detrito-lateríticas


(DCDL) é constituído pela unidade geológico-ambiental
DCDL (Figura 11.4).

Unidade DCDL

Coberturas detrito-lateríticas formadas pela lixiviação


química de rochas e solos das mais variadas composi-
ções, localmente com a presença de crostas, onde são
encontradas as seguintes formas de relevo: Tabuleiros;
Tabuleiros Dissecados; Planaltos; Baixos Platôs Dissecados;
Superfícies Aplainadas Conservadas; Superfícies Aplaina-
das Degradadas; Inselbergs; Domínio de Colinas Amplas Figura 11.4 - Distribuição do domínio das
e Suaves; Escarpas Serranas. coberturas cenozoicas detrito-lateríticas no estado do Piauí.

119
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

- Aquíferos superficiais livres, de potencial hidrogeológico


bastante irregular, sendo normalmente baixo. Dependen-
do das condições climáticas locais, são passíveis de utili-
zação para abastecimento doméstico.

Potencialidades

- Coberturas à base de caulinita, com baixa erosividade


natural, boa estabilidade em taludes de corte e adequadas
ao uso em bases de obras viárias.
- Devido ao relevo plano a suavemente ondulado, são
áreas favoráveis à ocupação urbana e à implantação de
sistemas viários.
- O relevo aplainado é um atributo que favorece a utiliza-
ção de maquinário agrícola.
- Áreas importantes para a recarga das águas subterrâneas.
- Lateritas podem ser utilizadas como material de emprés-
timo e, eventualmente, como brita e pedras de cantaria.
- Potencial para mineralizações secundárias auríferas,
bauxíticas, cauliníticas, manganesíferas e niquelíferas.

DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS E


MESOZOICOS, POUCO A MODERADAMENTE
CONSOLIDADOS, ASSOCIADOS A PEQUENAS
BACIAS CONTINENTAIS DO TIPO RIFT
Figura 11.5 - Distribuição do domínio dos sedimentos cenozoicos e
O domínio dos sedimentos cenozoicos e mesozoicos, mesozoicos pouco a moderadamente consolidados, associados a
pouco a moderadamente consolidados, associados a pe- pequenas bacias continentais do tipo rift no estado do Piauí.
quenas bacias continentais do tipo rift (DCMR), é consti-
tuído pela unidade geológico-ambiental DCMRa (Figura - Grande capacidade transmissora e armazenadora de água
11.5). subterrânea, resultando em bons aquíferos. Em algumas
áreas, a permeabilidade e a porosidade são reduzidas, devi-
Unidade DCMRa do ao alto grau de silicificação e diagênese dos arenitos.
- Potencial de recarga elevado, principalmente nas super-
Predomínio de sedimentos arenosos, onde são encon- fícies planas de platôs e topos de chapadas.
tradas as seguintes formas de relevo: Chapadas e Platôs; - Manto de alteração com potencial para ser usado como
Domínio de Colinas Dissecadas e de Morros Baixos. saibro.
- Arenitos silicificados podem ser utilizados como pedras
Limitações de revestimento.
- Formas de relevo e feições erosivas interessantes consti-
- Rochas, em geral, de moderada resistência ao corte e à tuem atrativos paisagísticos e turísticos.
penetração. Em certas áreas, mostram-se bastante silicifi-
cadas, tornando-se bem mais endurecidas. DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS,
- Solos arenosos e naturalmente erosivos, de baixa fertili- POUCO A MODERADAMENTE
dade natural e de elevado índice de acidez, necessitando CONSOLIDADOS, ASSOCIADOS
de adubação e corretivos de pH. A TABULEIROS
- Predomínio de sedimentos e solos bastantes percolativos,
tornando esses terrenos altamente vulneráveis à contami- O domínio dos sedimentos cenozoicos, pouco a
nação das águas subterrâneas. Cuidados especiais devem moderadamente consolidados, associados a tabuleiros
ser tomados com a instalação de fontes potencialmente (DCT) é constituído pela unidade geológico-ambiental DCT
poluidoras nessas áreas. (Figura 11.6).

Potencialidades Unidade DCT

- O relevo plano diminui o potencial à erosão hídrica dos Predomínio de sedimentos arenosos, onde são en-
solos e favorece a mecanização agrícola. contradas as seguintes formas de relevo: Tabuleiros; Tabu-

120
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO

leiros Dissecados; Planaltos; Baixos Platôs Dissecados; Su- zontal dos sedimentos arenosos, argilosos, siltosos e
perfícies Aplainadas Conservadas; Superfícies Aplainadas conglomeráticos.
Degradadas; Inselbergs; Domínio de Colinas Amplas e - O potencial para captação de água subterrânea é variá-
Suaves; Escarpas Serranas. vel, de acordo com a fácies sedimentar dominante na área
de interesse: alto nos sedimentos arenosos e conglomerá-
Limitações ticos e baixo a muito baixo nos siltosos e argilosos.
- Áreas com potencialidade para exploração de areia, argi-
- Podem ocorrer sedimentos com argilominerais expansivos la e cascalho para construção civil.
que, quando submetidos a variações de umidade, tornam-se
colapsíveis e sofrem o fenômeno de empastilhamento, ou seja, DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS E
desagregam-se em pequenas pastilhas, podendo causar defor- MESOZOICOS, POUCO A MODERADAMENTE
mações e trincamentos em obras de construção civil. CONSOLIDADOS, ASSOCIADOS A
- Onde predominam sedimentos arenosos, os solos pos- PROFUNDAS E EXTENSAS BACIAS
suem baixa fertilidade natural, são ácidos, de baixa capa- CONTINENTAIS
cidade de reter água e nutrientes.
- As águas subterrâneas podem apresentar, em determina- O domínio dos sedimentos cenozoicos e mesozoicos,
das áreas, elevados teores de ferro. pouco a moderadamente consolidados, associados a pro-
fundas e extensas bacias continentais (DCM), é constitu-
Potencialidades ído pela unidade geológico-ambiental DCMa (Figura
11.7).
- Áreas de sedimentos dominantemente arenoargilosos,
com boa capacidade de suporte, onde não ocorrem mai- Unidade DCMa
ores problemas de fundação. O material predominante
pode ser escavado com facilidade. Predomínio de sedimentos arenosos de deposição
- Solos normalmente de fertilidade natural variável, em continental, lacustre, fluvial ou eólico – arenitos, onde
função da heterogeneidade granulométrica vertical e hori- são encontradas as seguintes formas de relevo: Planal-
tos; Chapadas; Platôs; Superfícies Aplainadas Degrada-
das; Escarpas Serranas; Degraus Estruturais e Rebordos
Erosivos.

Limitações

- Rochas, em geral, de moderada resistência ao corte e à


penetração. Em certas áreas, mostram-se bastante
silicificadas, tornando-se bem mais endurecidas.
- Solos arenosos e naturalmente erosivos, de baixa fertili-
dade natural e de elevado índice de acidez, necessitando
de adubação e corretivos de pH.
- Predomínio de sedimentos e solos bastantes percolativos,
tornando esses terrenos altamente vulneráveis à contami-
nação das águas subterrâneas.
- As áreas de relevo acidentado (escarpas serranas, de-
graus estruturais e rebordos erosivos) possuem alto po-
tencial de erosão hídrica e de movimentos de massa.
- Aspecto ambiental importante a ser destacado é o fenô-
meno da desertificação, que ocorre de maneira significati-
va na porção sudoeste do estado (Núcleo de Desertificação
de Gilbués). Trata-se de uma área intensamente degrada-
da, onde o processo de erosão acelerada dos solos é pro-
vocado por causas naturais e humanas, comprometendo
fortemente o meio ambiente e a economia regional.

Potencialidades
Figura 11.6 - Distribuição do domínio dos sedimentos cenozoicos,
pouco a moderadamente consolidados, associados a tabuleiros no - O relevo plano diminui o potencial à erosão hídrica dos
estado do Piauí. solos e favorece a mecanização agrícola.

121
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Unidade DSMc

Predomínio de calcário e sedimentos síltico-argilosos,


onde são encontradas as seguintes formas de relevo: Do-
mínio de Colinas Dissecadas e de Morros Baixos; Escarpas
Serranas.

Limitações

-Onde ocorrem rochas calcárias, podem se formar,


por dissolução, cavidades sujeitas a desmoronamentos
subterrâneos, causando abatimentos e colapsos da
superfície.
-Onde existem feições cársticas, a vulnerabilidade à conta-
minação do lençol freático é muito alta.

Potencialidades

-Os sedimentos síltico-argilosos predominantes e os solos


deles provenientes são pouco permeáveis e possuem alta
capacidade para reter e eliminar poluentes.

DOMÍNIO DAS COBERTURAS SEDIMENTARES


E VULCANOSSEDIMENTARES MESOZOICAS
E PALEOZOICAS, POUCO A
MODERADAMENTE CONSOLIDADAS,
Figura 11.7 - Distribuição do domínio dos sedimentos cenozoicos ASSOCIADAS A GRANDES E PROFUNDAS
e mesozoicos, pouco a moderadamente consolidados, associados a
profundas e extensas bacias continentais no estado do Piauí. BACIAS SEDIMENTARES DO TIPO SINÉCLISE

- Grande capacidade transmissora e armazenadora de água O domínio das coberturas sedimentares e vulca-
subterrânea, resultando em bons aquíferos. Em algumas nossedimentares mesozoicas e paleozoicas, pouco a
áreas, a permeabilidade e a porosidade são reduzidas, de- moderadamente consolidadas, associadas a grandes e
vido ao alto grau de silicificação e diagênese dos arenitos. profundas bacias sedimentares do tipo sinéclise (ambientes
- Potencial de recarga elevado, principalmente nas superfí- deposicionais: continental, marinho, desértico, glacial e
cies planas de platôs e topos de chapadas. vulcânico) (DSVMP), é constituído pelas unidades geológico-
- Manto de alteração com potencial para ser usado como -ambientais DSVMPae, DSVMPacg, DSVMPasaf, DSVMPsaa
saibro. e DSVMPasac (Figura 11.9).
- Arenitos silicificados podem ser utilizados como pedras
de revestimento. Unidade DSVMPae
- Depósitos de diamante relacionados aos conglomerados
basais da Formação Areado e sedimentos aluvionares, Predomínio de espessos pacotes de arenitos de deposi-
explotados por atividades de garimpo e pequena minera- ção eólica, onde é encontrada a forma de relevo Superfícies
ção, nos municípios de Gilbués e Monte Alegre do Piauí Aplainadas Retocadas ou Degradadas.
(sudoeste do estado).
- Formas de relevo e feições erosivas interessantes consti- Limitações
tuem atrativos paisagísticos e turísticos
- Sedimentos à base de quartzo: bastante abrasivos;
DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES problemáticos de serem perfurados com sondas rota-
MESOZOICAS CLASTOCARBONÁTICAS tivas.
CONSOLIDADAS EM BACIAS DE MARGENS - Alteram-se para solos excessivamente arenosos, friáveis,
CONTINENTAIS (RIFT) permeáveis e erosivos, que desmoronam com facilidade em
taludes de corte, formando voçorocas.
O domínio das sequências sedimentares mesozoicas - Sedimentos com baixa capacidade para reter, fixar e eli-
clastocarbonáticas consolidadas em bacias de margens con- minar poluentes.
tinentais (rift) (DSM) é constituído pela unidade geológico- - Aquíferos porosos, de muito alta vulnerabilidade à con-
-ambiental DSMc (Figura 11.8). taminação.

122
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO

Limitações

- Rochas de moderada a alta resistência ao corte e à pene-


tração. Em certas áreas, mostram-se bastante silicifica-
das, tornando-se bem mais endurecidas e resistentes.
- Alteram-se para solos arenosos, naturalmente erosivos,
de baixa fertilidade natural e de elevado índice de acidez,
necessitando de adubação e corretivos de pH.
- Sedimentos que se alteram para solos bastante permeá-
veis, tornando esses terrenos altamente vulneráveis à con-
taminação/poluição dos mananciais hídricos subterrâ-
neos. Além da permeabilidade primária da rocha, em de-
terminados locais os arenitos mostram-se bastante fratu-
rados, facilitando a percolação de poluentes, que podem
rapidamente atingir o nível freático. Cuidados especiais
devem ser tomados com a instalação de fontes potencial-
mente poluidoras nessas áreas.
- Em áreas onde ocorre alto grau de silicificação e/ou
diagênese dos arenitos, o potencial de recarga pode ser
reduzido.

Potencialidades

- Aquíferos porosos de alta produtividade (elevadas va-


zões dos poços), devido à sua constituição arenítica e

Figura 11.8 - Distribuição das sequências sedimentares mesozoicas


clastocarbonáticas consolidadas em bacias de margens continentais
(rift) no estado do Piauí.

Potencialidades

- Camadas horizontalizadas, espessas e extensas de sedi-


mentos com boa homogeneidade geomecânica e hidráu-
lica lateral e verticalmente.
- Possibilidade de ocorrência de arenitos bem endureci-
dos, de alta resistência ao intemperismo físico-químico e
à compressão.
- Sedimentos com baixo grau de consolidação: baixa resis-
tência ao corte.
- Características hidrodinâmicas bastante favoráveis para
se constituírem em excelentes aquíferos subterrâneos.

Unidade DSVMPacg

Predomínio de arenitos e conglomerados, onde são


encontradas as seguintes formas de relevo: Tabuleiros; Pla-
naltos; Baixos Platôs Dissecados; Chapadas e Platôs; Su-
perfícies Aplainadas Conservadas; Superfícies Aplainadas
Degradadas; Inselbergs; Domínio de Colinas Dissecadas e
Figura 11.9 - Distribuição do domínio das coberturas
de Morros Baixos; Domínio de Morros e Serras Baixas; sedimentares e vulcanossedimentares mesozoicas e paleozoicas,
Domínio Montanhoso; Escarpas Serranas; Degraus Estru- pouco a moderadamente consolidadas, associadas a grandes e
turais e Rebordos Erosivos; Vales Encaixados. profundas bacias sedimentares do tipo sinéclise no estado do Piauí.

123
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

conglomerática, que permite grande capacidade riores do pacote sedimentar, o risco de cargas poluentes
transmissora e armazenadora de água subterrânea. contaminarem o aquífero é alto. Se os sedimentos mais
- Em certas áreas, os arenitos mostram-se bastante finos estão no topo, esse risco é relativamente baixo.
silicificados, o que diminui sua permeabilidade primária.
Nesses casos, é comum estarem bem fraturados, criando Potencialidades
boas condições de percolação da água (aquíferos poro-
sos/fissurais). - Aquíferos porosos de alta capacidade armazenadora e
- Potencial de recarga elevado, principalmente nas super- circuladora de água nas camadas arenosas, em geral pre-
fícies planas de platôs e topos de chapadas. dominantes. Muitas vezes constituem aquíferos confina-
- Em muitos locais, os poços são artesianos (jorrantes), dos pelas intercalações dos horizontes argilosos presentes
devido ao confinamento desses aquíferos por camadas de nessa unidade e/ou pelas formações sobrepostas de ou-
rochas impermeáveis e semipermeáveis. tras unidades impermeáveis e semipermeáveis.
- A concentração de Sólidos Totais Dissolvidos (STD), - Alto potencial de recarga nas áreas onde afloram os se-
verificada na grande maioria dos poços perfurados nessa dimentos arenosos, principalmente em relevos planos de
unidade, situa-se abaixo de 500 mg/l, o que significa qua- platôs e chapadas.
lidade muito boa, quanto à potabilidade das águas. - De modo geral, a potabilidade das águas é muito boa
- Manto de alteração com potencial para utilização como (STD < 500 mg/l), sendo muito bem aproveitada para
saibro. abastecimento doméstico.
- Arenitos silicificados com potencial para utilização como - Depósitos de opala em Pedro II, norte do estado, associ-
pedras de revestimento. ados a intrusões de diques de diabásio em arenitos e siltitos
- A ocupação de amplas áreas de Cerrado, nas porções da Formação Cabeças.
oeste e sudoeste do estado, por plantio de grãos (principal- - Ardósias para pisos e revestimentos (região de Castelo
mente soja), merece atenção especial. Essa atividade tem do Piauí e Pedro II; norte do estado).
se expandido bastante nos últimos anos, principalmente - A ocupação de amplas áreas de Cerrado, nas porções
nos topos das chapadas, devido às boas condições de to- oeste e sudoeste do estado, por plantio de grãos (principal-
pografia e clima (na região dos cerrados o regime mente soja), merece atenção especial. Essa atividade tem
pluviométrico é regular, com índice médio de 1.100-1.300 se expandido bastante nos últimos anos, principalmente
mm/ano). As chapadas são áreas de recarga dos aquíferos nos topos das chapadas, devido às boas condições de to-
e, em muitas delas, estão localizadas as nascentes de im- pografia e clima (na região dos cerrados o regime
portantes rios tributários do rio Parnaíba, justificando a ne- pluviométrico é regular, com índice médio de 1.100-1.300
cessidade de medidas rígidas de controle e monitoramento mm/ano). As chapadas são áreas de recarga dos aquíferos
das atividades agrícolas nelas implantadas. e, em muitas delas, estão localizadas as nascentes de im-
portantes rios tributários do rio Parnaíba, justificando a ne-
Unidade DSVMPasaf cessidade de medidas rígidas de controle e monitoramento
das atividades agrícolas nelas implantadas.
Intercalações de sedimentos arenosos, síltico-argilo-
sos e folhelhos, onde são encontradas as seguintes for- Unidade DSVMPsaa
mas de relevo: Baixos Platôs Dissecados; Superfícies Aplai-
nadas Conservadas; Superfícies Aplainadas Degradadas; Predomínio de sedimentos síltico-argilosos com inter-
Inselbergs; Domínio de Colinas Amplas e Suaves; Degraus calações arenosas, onde são encontradas as seguintes for-
Estruturais e Rebordos Erosivos; Vales Encaixados. mas de relevo: Tabuleiros; Planaltos; Baixos Platôs Disseca-
dos; Superfícies Aplainadas Conservadas; Superfícies Aplai-
Limitações nadas Degradadas; Inselbergs; Domínio de Colinas Amplas
e Suaves; Domínio Montanhoso; Escarpas Serranas; De-
- Grande variação na permeabilidade e coerência dos ma- graus Estruturais e Rebordos Erosivos; Vales Encaixados.
teriais: heterogeneidade geomecânica e hidráulica, tanto
na vertical quanto na horizontal. Limitações
- Solos com características físicas e potenciais agrícolas
muito variáveis, em função das diferenciações litológicas - Predomínio de sedimentos portadores de argilominerais
do pacote sedimentar. expansivos, que se alteram para solos erosivos e colapsí-
- Predomínio de sedimentos arenosos, que se alteram veis, inadequados para utilização como material de em-
para solos naturalmente erosivos e de baixa fertilidade. préstimo e instáveis em taludes de corte.
- A vulnerabilidade à contaminação das águas subter- - Predomínio de solos de baixa fertilidade natural: ricos
râneas por substâncias poluentes é variável, devido à em alumínio (solos ácidos).
alternância entre sedimentos arenosos e síltico-argilo- - Os solos argilosos e síltico-argilosos compactam-se e im-
sos. Quando os primeiros ocorrem nas porções supe- permeabilizam-se bastante quando submetidos à mecani-

124
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO

zação excessiva e a intenso pisoteio pelo gado, favorecen- rebaixamento do lençol freático e, consequentemente, ace-
do a erosão hídrica laminar. lerar os processos de abatimento e colapso dos terrenos.
- Formações predominantemente de natureza pelítica, im- - Os sedimentos síltico-argilosos e calcários alteram-se para
permeáveis a semipermeáveis, de baixo a muito baixo solos pouco permeáveis, de textura argilosa. Por outro lado,
potencial hidrogeológico. onde as camadas de calcário afloram, podem ocorrer
dolinas, que são depressões do terreno formadas por dis-
Potencialidades solução da rocha e que funcionam como dutos de ligação
entre as águas superficiais e subterrâneas. Onde existem
- Solos argilosos são bastante porosos, de boa capacidade essas feições, a vulnerabilidade à contaminação do lençol
hídrica, mantendo boa disponibilidade de água para as freático é muito alta.
plantas. - Potencial hidrogeológico bastante irregular.
- Os sedimentos síltico-argilosos predominantes e os solos - A qualidade da água pode estar comprometida por altos
deles provenientes são pouco permeáveis e possuem alta teores de carbonato de cálcio (água dura).
capacidade de reter e eliminar poluentes. Essas caracterís-
ticas, juntamente com uma boa espessura de solo, permi- Potencialidades
tem classificar a vulnerabilidade à contaminação das águas
subterrâneas como sendo baixa. - Solos de bom potencial agrícola, onde ocorrem calcários.
- Localmente, podem apresentar condições aquíferas, de- Essas rochas alteram-se liberando vários nutrientes para o
vido às intercalações de níveis arenosos. solo, principalmente cálcio e magnésio.
- Potencial para ocorrência de fosfatos. - As características hidrogeológicas dos sedimentos are-
- Argilas e siltitos para construção civil. nosos e síltico-argilosos são similares às descritas para as
- A ocupação de amplas áreas de Cerrado, nas porções unidades anteriores.
oeste e sudoeste do estado, por plantio de grãos (princi- - As rochas calcárias podem conter cavidades subterrâne-
palmente soja), merece atenção especial. Essa atividade as, onde as águas se acumulam em volumes significati-
tem se expandido bastante nos últimos anos, principal- vos, formando aquíferos cársticos.
mente nos topos das chapadas, devido às boas condi- - Calcários para corretivo de solo, cimento, cal, brita e
ções de topografia e clima (na região dos cerrados o outros usos.
regime pluviométrico é regular, com índice médio de
1.100-1.300 mm/ano). As chapadas são áreas de recarga DOMÍNIO DO VULCANISMO FISSURAL
dos aquíferos e, em muitas delas, estão localizadas as MESOZOICO DO TIPO PLATEAU
nascentes de importantes rios tributários do rio Parnaíba,
justificando a necessidade de medidas rígidas de contro- O domínio do vulcanismo fissural mesozoico do tipo
le e monitoramento das atividades agrícolas nelas im- plateau (DVM) é constituído pela unidade geológico-
plantadas. ambiental DVMgd (Figura 11.10).

Unidade DSVMPasac Unidade DVMgd

Intercalações irregulares de sedimentos arenosos, Predomínio de intrusivas na forma de gabros e diabá-


síltico-argilosos e calcários, onde são encontradas as se- sios, onde são encontradas as seguintes formas de relevo:
guintes formas de relevo: Planaltos; Baixos Platôs Disseca- Tabuleiros; Baixos Platôs Dissecados; Superfícies Aplaina-
dos; Superfícies Aplainadas Conservadas; Superfícies Aplai- das Conservadas; Superfícies Aplainadas Degradadas; In-
nadas Degradadas; Inselbergs; Domínio de Colinas Am- selbergs; Domínio de Colinas Amplas e Suaves; Domínio
plas e Suaves; Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos; de Morros e de Serras Baixas; Degraus Estruturais e Rebor-
Vales Encaixados. dos Erosivos.

Limitações Limitações

- Onde ocorrem rochas calcárias, podem formar-se, por - Rochas de moderada a alta resistência ao corte e à pene-
dissolução, cavidades (grutas e cavernas) sujeitas a des- tração.
moronamentos subterrâneos, causando abatimentos e - Em geral, são rochas bastante fraturadas, facilitando o
colapsos da superfície. desprendimento de blocos em taludes de corte.
- As grandes obras de engenharia devem ser precedidas - Os solos residuais dessas rochas, quando pouco evolu-
de investigações geológicas e geotécnicas, a fim de iden- ídos, podem conter grande quantidade de argilomine-
tificar a possível existência dessas feições. rais expansivos, o que os torna instáveis às variações de
- Deve-se evitar o excessivo bombeamento de água subterrâ- graus de umidade, causando desestabilização em talu-
nea, pois, nas áreas de rochas calcárias, isso pode causar des de corte. Esse material também não é adequado para

125
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

utilização como material de empréstimo em obras sub- - As áreas planas são bastante favoráveis à agricultura,
metidas e expostas às variações dos estados úmido e seco. enquanto as mais íngremes só devem ser usadas com a
- Os solos argilosos são, naturalmente, pouco erosivos, aplicação de técnicas adequadas.
mas quando continuamente submetidos a cargas eleva- - Rochas que se alteram para solos argilosos, de alta capa-
das pelo uso de maquinários agrícolas pesados e/ou in- cidade de reter, fixar e eliminar poluentes: nos locais onde
tenso pisoteio de gado, compactam-se e impermeabili- os solos são profundos, a vulnerabilidade à contaminação
zam-se, favorecendo os processos de erosão hídrica. das águas subterrâneas é baixa.
- Rochas com alta densidade de fendas abertas, princi- - Intercalações de arenitos, que podem armazenar água,
palmente, próximo à superfície, facilitando a percolação com possibilidade de ocorrer o fenômeno de artesianismo
rápida de poluentes; nos locais onde as rochas afloram, (poços jorrantes).
o risco de contaminação das águas subterrâneas é alto, - Mineralizações de opala e calcedônia, no contato de
portanto, cuidados especiais devem ser tomados com diques de diabásios com arenitos e siltitos (importantes
todas as fontes potencialmente poluidoras. depósitos na região de Pedro II).
- Aquíferos fissurais, de potencial hidrogeológico bastan- - Utilização como brita, pedras de cantaria e revestimento.
te irregular.
- Manto de alteração com permeabilidade baixa a mode- DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES
rada, desfavorável à recarga dos aquíferos. E VULCANOSSEDIMENTARES DO
EOPALEOZOICO, ASSOCIADAS A RIFTS,
Potencialidades NÃO OU POUCO DEFORMADAS E
METAMORFIZADAS
- Quando os solos são bem evoluídos (pedogênese avan-
çada), são pouco erosivos, com boa capacidade de O domínio das sequências sedimentares e vulcanos-
compactação, boa estabilidade em taludes de corte e ade- sedimentares do Eopaleozoico, associadas a rifts, não ou
quados para material de empréstimo. pouco deformadas e metamorfizadas (DSVE) é constituí-
- Rochas básicas alteram-se, a depender das condições cli- do pela unidade geológico-ambiental DSVEs (Figura
máticas, para solos argilosos, férteis, ricos em elementos 11.11).
nutrientes para as plantas (principalmente Ca, Mg e Fe).
Unidade DSVEs

Predomínio de rochas sedimentares, onde é encontrada a


forma de relevo Domínio de Colinas Amplas e Suaves.

Limitações

- Existência de sedimentos síltico-argilosos, que podem


ser maciços e bastante rijos ou finamente laminados e de
alta fissibilidade, geralmente portadores de argilominerais
expansivos: fendilham-se bastante e se desestabilizam com
facilidade em taludes de corte.
- Existência de conglomerados contendo seixos, blocos e
matacões de rochas duras e abrasivas e de sedimentos
síltico-argilosos de alta cerosidade: problemáticos de per-
furação com sondas rotativas.
- A grande variação litológica dá origem a solos residuais
de características diversas quanto às suas qualidades e
aptidões agrícolas.
- Alternância de camadas de diferentes permeabilidade e
porosidade, que se alteram para solos de alta e baixa ca-
pacidade de reter, fixar e eliminar poluentes: a vulnerabili-
dade à contaminação das águas subterrâneas pode variar
bastante de região para região e, na maior parte das ve-
zes, de local para local.
- Em muitos locais, a permeabilidade e a porosidade dos
sedimentos arenosos e conglomeráticos podem estar pre-
Figura 11.10 - Distribuição do domínio do vulcanismo fissural judicadas pela diagênese acentuada ou pelo processo de
mesozoico do tipo plateau no estado do Piauí. silicificação.

126
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO

Potencialidades Limitações

- Empilhamento irregular de camadas com permeabilida- - Predomínio de rochas à base de quartzo, bastante abrasivas
de e porosidade bastante diferentes e diferentemente tec- e de moderada a alta resistência ao corte e à penetração.
tonizadas: favorável à existência de aquíferos confinados - Predominam solos residuais quartzoarenosos, de baixa
e semiconfinados, dos tipos poroso e fraturado. fertilidade natural. Respondem mal à adubação e são
erosivos.
DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES - Fraturas abertas facilitam a percolação de poluentes, po-
PROTEROZOICAS DOBRADAS, dendo atingir as águas subterrâneas. Potencial hidrogeo-
METAMORFIZADAS DE BAIXO A MÉDIO GRAU lógico irregular.

O domínio das sequências sedimentares proterozoicas Potencialidades


dobradas, metamorfizadas de baixo a médio grau (DSP2),
é constituído pelas unidades geológico-ambientais - Manto de alteração bom para utilização como saibro.
DSP2mqmtc, DSP2msa, DSP2sag e DSP2mcsaa (Figura - Metarenitos e quartzitos para revestimento e pedras de
11.12). cantaria.

Unidade DSP2mqmtc Unidade DSP2msa

Metarenito, quartzitos e metaconglomerados, onde Intercalações irregulares de metassedimentos areno-


são encontradas as seguintes formas de relevo: Planaltos; sos e síltico-argilosos, onde são encontradas as seguintes
Chapadões e Platôs; Superfícies Aplainadas Degradadas; formas de relevo: Superfícies Aplainadas Degradadas;
Domínio de Morros e de Serras Baixas. Inselbergs; Domínio de Colinas Amplas e Suaves; Domí-
nio de Colunas Dissecadas e Morros Suaves; Degraus Es-
truturais e Rebordos Erosivos.

Limitações

- Quando muito fraturados, desprendem blocos e placas


em taludes de corte.
- Predominam solos residuais arenosos e erosivos.
- Potencial hidrogeológico irregular.
- Solos residuais com baixa a moderada capacidade de
reter e fixar poluentes.

Potencialidades

- Manto de alteração passível de uso como material de


empréstimo para aterros.

Unidade DSP2sag

Predomínio de metassedimentos síltico-argilosos, com


intercalações de metagrauvacas, onde são encontradas as
seguintes formas de relevo: Superfícies Aplainadas Degra-
dadas; Domínio de Colinas Dissecadas e de Morros Bai-
xos; Domínio de Morros e Serras Baixas; Vales Encaixa-
dos.

Limitações

- Metassedimentos síltico-argilosos, finamente laminados


e de alta fissilidade: soltam placas e se desestabilizam com
Figura 11.11 - Distribuição do domínio das sequências sedimentares facilidade em taludes de corte.
e vulcanossedimentares do Eopaleozoico, associadas a rifts, não ou - Solos portadores de argilominerais expansivos, quando
pouco deformadas e metamorfizadas no estado do Piauí. pedogeneticamente pouco evoluídos.

127
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

jeitas a desmoronamentos subterrâneos, podendo causar


abatimentos e colapsos da superfície.
- Em áreas de rochas calcárias, deve-se evitar o excessivo
bombeamento de água subterrânea, pois isso pode cau-
sar o intenso rebaixamento do lençol freático e,
consequentemente, acelerar os processos de abatimento
e colapso dos terrenos.
- Nos terrenos calcários, há alta vulnerabilidade à conta-
minação das águas subterrâneas. Pode haver comprome-
timento da qualidade da água devido aos altos teores de
carbonato de cálcio (água dura).

Potencialidades

- Solos de bom potencial agrícola, onde ocorrem meta-


calcários. Estes podem ser aproveitados como rochas or-
namentais (revestimentos e pisos), brita, cimento e corre-
tivo de solo.

DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS


VULCANOSSEDIMENTARES PROTEROZOICAS
DOBRADAS, METAMORFIZADAS DE BAIXO A
ALTO GRAU

O domínio das sequências vulcanossedimentares


proterozoicas dobradas, metamorfizadas de baixo a alto grau
(DSVP2), é constituído pelas unidades geológico-ambientais
Figura 11.12 - Distribuição do domínio das sequências DSVP2, DSVP2q, DSP2csa e DSP2vfc (Figura 11.13).
sedimentares proterozoicas dobradas, metamorfizadas de baixo a
médio grau no estado do Piauí.
Unidade DSPV2
- De baixo a muito baixo potencial armazenador e circula-
dor de água subterrânea. A unidade DSPV2 tem a “subunidade” Indiferenciado,
indicando todo o conjunto de rochas desse domínio. São
Potencialidades encontradas as seguintes formas de relevo: Superfícies
Aplainadas Degradadas; Domínio de Colinas Dissecadas e
- Solos provenientes de metassedimentos síltico-argilosos de Morros Baixos; Domínio de Morros e de Serras Baixas.
são bastante porosos, de boa capacidade hídrica, man-
tendo boa disponibilidade de água para as plantas. Limitações
- Onde os solos são espessos, o potencial de contamina-
ção do lençol freático é baixo. - Áreas onde as várias unidades desse domínio ocorrem
- Aproveitamento de rochas para pisos e revestimentos juntas, sendo difícil a adoção de uma característica pre-
(ardósias). dominante de uma única delas.

Unidade DSP2mcsaa Potencialidades

Predomínio de metacalcários, com intercalações su- - Áreas onde as várias unidades desse domínio ocorrem
bordinadas de metassedimentos síltico-argilosos e areno- juntas, sendo difícil a adoção de uma característica pre-
sos, onde são encontradas as seguintes formas de relevo: dominante de uma única delas.
Superfícies Aplainadas Degradadas; Inselbergs; Domínio
de Morros e de Serras Baixas; Degraus Estruturais e Rebor- Unidade DSVP2q
dos; Vales Encaixados.
Predomínio de quartzitos, onde são encontradas as
Limitações seguintes formas de relevo: Planaltos e Baixos Platôs; Su-
perfícies Aplainadas Degradadas; Inselbergs; Domínio de
- Rochas carbonáticas dissolvem-se com facilidade pela Colinas Dissecadas e de Morros Baixos; Domínio de Mor-
ação das águas, criando cavidades (grutas e cavernas) su- ros e de Serras Baixas.

128
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO

Limitações Unidade DSVP2csa

- Rochas de alta resistência ao corte e à penetração. Predomínio de rochas metacalcárias, com intercalações
- Geralmente, os quartzitos mostram-se bastante fratura- de finas camadas de metassedimentos síltico-argilosos,
dos, facilitando a percolação de poluentes que atingem as onde são encontradas as seguintes formas de relevo: Do-
águas subterrâneas. mínio de Colinas Dissecadas e de Morros Baixos; Domínio
- A alta densidade de fraturas também facilita o desprendi- de Morros e de Serras Baixas.
mento de blocos e placas em taludes de corte.
- Solos quartzoarenosos, de baixa fertilidade natural, bas- Limitações
tante erosivos, ácidos e permeáveis.
- Nesses solos, a capacidade de reter e fixar nutrientes e - Riscos de colapsos e subsidências dos terrenos, devido à
de assimilar matéria orgânica é baixa (respondem mal à presença de cavidades formadas pela dissolução das rochas
adubação). calcárias.
- Necessidade de estudos geotécnicos de detalhe, incluindo
Potencialidades geofísica, para identificar feições que podem causar colapsos
dos terrenos.
- Aquíferos fissurais. A alta densidade de falhas e fraturas - Deve-se evitar o excessivo bombeamento de água subter-
favorece o potencial circulador e armazenador de água rânea, pois, nas áreas de rochas calcárias, isso pode causar
subterrânea. o intenso rebaixamento do lençol freático e, consequente-
- Os solos arenosos favorecem o potencial de recarga das mente, acelerar os processos de abatimento e colapso dos
águas subterrâneas. terrenos.
- Os quartzitos podem ser usados como material para - Locais com cavidades de ligação entre os fluxos d’água super-
revestimentos, pisos e pedras de cantaria. ficiais e subterrâneos (dolinas e sumidouros): áreas vulneráveis
- Manto de alteração bom para ser usado como saibro e à contaminação dos mananciais hídricos subterrâneos.
para extração de areia. - A qualidade da água pode estar comprometida por altos
teores de carbonato de cálcio (água dura).

Potencialidades

- Solos argilosos, normalmente pouco erosivos, de boa


estabilidade em taludes de corte e boa fertilidade natural
(ricos em nutrientes, principalmente Ca e Mg).
- Podem conter grandes cavidades subterrâneas armazena-
doras de água, formando aquíferos cársticos.
- Potencial para exploração dos metacalcários como corre-
tivo de solos, cimento, cal e brita.
- Metacalcários podem ser usados como material para
revestimentos e pisos.
- Relevo cárstico, com grutas e cavernas de interesse geo-
ecoturístico.

Unidade DSVP2vfc

Predomínio de rochas metabásicas e metaultramáfi-


cas, onde são encontradas as seguintes formas de relevo:
Superfícies Aplainadas Degradadas; Domínio de Colinas
Dissecadas e de Morros Baixos; Degraus Estruturais e Re-
bordos Erosivos.

Limitações

- Intercalações irregulares de camadas, em geral dobradas


e de espessuras variadas, com comportamentos geomecâ-
Figura 11.13 - Distribuição do domínio das sequências
nicos e hidráulicos heterogêneos.
vulcanossedimentares proterozoicas dobradas, metamorfizadas de - Metassedimentos finamente laminados, com marcante
baixo a alto grau no estado do Piauí. fissilidade, favorecendo desplacamentos em taludes de

129
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

corte. Devem-se evitar traçados de estradas em que os - Solos argilosos e síltico-argilosos são pouco permeáveis
cortes tenham de ser feitos em posição desfavorável aos e possuem alta capacidade de reter e depurar substâncias
planos de xistosidade. poluentes.
- Formações ferromanganesíferas liberam ácidos bastante - Quando as rochas apresentam grande quantidade de fra-
corrosivos, prejudiciais a obras enterradas. turas e de interconexões entre elas, o potencial circulador
- Solos síltico-argilosos normalmente pouco erosivos, po- e armazenador de água é favorecido.
rém, podem se tornar bastante compactados, quando - Ambiência geológica mais favorável a mineralizações de
submetidos a mecanização excessiva e intenso pisoteio níquel, cobre, cromo, talco e amianto.
pelo gado, favorecendo a erosão hídrica laminar.
- Potencial hidrogeológico geralmente baixo a muito baixo. DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS
- As águas subterrâneas podem conter altos teores de ferro. VULCANOSSEDIMENTARES TIPO
GREENSTONE BELT, ARQUEANO AO
Potencialidades PALEOPROTEROZOICO

-Solos síltico-argilosos, normalmente de baixa erosividade O domínio das sequências vulcanossedimentares tipo
natural, boa capacidade de compactação e boa fertilida- Greenstone Belt, Arqueano ao Paleoproterozoico (DGB) é
de. constituído pelas unidades geológico-ambientais DGBko
-Predomínio de solos residuais pouco permeáveis e de alta e BGBss (Figura 11.14).
capacidade para reter e eliminar poluentes. Onde os solos
são espessos, o potencial de contaminação do lençol Unidade DGBko
freático é baixo.
-Ambiência geológica com potencial para mineralizações Sequências vulcânicas komatiiticas, associadas a tal-
de ferro, manganês, ouro, cobre, chumbo e zinco. co-xistos, anfibolitos, cherts, formações ferríferas e
metaultrabasitos, onde são encontradas as seguintes for-
Unidade DSVP2vfc mas de relevo: Planaltos; Superfícies Aplainadas Degrada-
das; Domínio de Colinas Dissecadas e de Morros Baixos;
Predomínio de rochas metabásicas e metaultramáficas, Domínio de Morros e de Serras Baixas.
onde são encontradas as seguintes formas de relevo: Su-
perfícies Aplainadas Degradadas; Domínio de Colinas Limitações
Dissecadas e de Morros Baixos; Degraus Estruturais e Re-
bordos Erosivos. - Rochas de moderada a alta resistência ao corte e à pene-
tração.
Limitações - Presença de blocos e matacões em meio aos solos.
- Os solos, quando pouco evoluídos, podem apresentar
- Rochas metabásicas e metaultrabásicas, no início do pro- concentrações de argilominerais expansivos, tornando-se
cesso de alteração, dão origem a argilominerais expansi- instáveis quando submetidos à alternância dos estados
vos. úmidos e secos.
- É comum a presença de blocos e matacões em profun- -Aquíferos fissurais, de potencial hidrogeológico bastante
didade nos solos, que podem se movimentar e desestabi- irregular.
lizar obras sobre eles apoiadas.
- Essas rochas costumam ser bastante fraturadas; o alto Potencialidades
grau de fraturamento torna os terrenos mais percolativos
e, portanto, mais vulneráveis à poluição/contaminação das - Quando bem evoluídos, os solos possuem boa capaci-
águas subterrâneas. dade de compactação, podendo ser utilizados como ma-
- Aquíferos fissurais de potencialidade hidrogeológica nor- terial de empréstimo.
malmente baixa. - Apresentam boa estabilidade em taludes de corte.
- Manto de alteração desfavorável à recarga de aquíferos. - Os solos residuais argilosos, provenientes de rochas
máficas e ultramáficas, são, em geral, de boa fertilidade
Potencialidades natural (ricos em nutrientes, principalmente Mg). Possu-
em boa capacidade para reter e fixar nutrientes e de assi-
- Os solos residuais bem evoluídos (pedogênese avança- milar matéria orgânica, respondendo bem à adubação.
da) são de baixa erosividade natural, compactam-se bem São pouco erosivos (quando bem evoluídos) e têm boa
e têm boa estabilidade em taludes de corte. capacidade hídrica.
- Solos de boa fertilidade natural (ricos em nutrientes, prin- - Solos normalmente profundos e pouco permeáveis, com
cipalmente Mg) e de excelentes qualidades físicas para a alta capacidade para reter e eliminar poluentes: baixa
agricultura. vulnerabilidade à contaminação das águas subterrâneas.

130
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO

- As rochas máficas e ultramáficas costumam ser bem - Metassedimentos finamente laminados e de alta fissilida-
fraturadas, favorecendo a circulação e armazenamento de: soltam placas e desestabilizam-se com facilidade em
de água. taludes de corte. Devem-se evitar traçados de estradas em
- Predomínio de litologias de moderada a baixa resistência que os cortes tenham de ser feitos em posição desfavorável
ao corte e à penetração. aos planos de xistosidade.
- Ambiência geológica favorável a mineralizações metálicas: - Riscos de colapsos e subsidências dos terrenos, devido
Au, Cu, Pb, Zn, Cr, Fe e Mn. à presença de cavidades formadas por dissolução dos
- Potencial para depósitos de barita, magnesita, talco e metacalcários.
vermiculita. - Áreas mais propensas a movimentos de massa (escorre-
gamentos).
Unidade DGBss - Riscos de colapsos e subsidências dos terrenos, devido
à presença de cavidades formadas por dissolução dos
Sequências exclusivamente metassedimentares, repre- metacalcários.
sentadas principalmente por filitos variados, clorita-xistos, - Solos síltico-argilosos e arenosos (quartzitos), normalmen-
quartzitos e metacalcários, onde são encontradas as seguin- te de baixa a moderada fertilidade natural.
tes formas de relevo: Superfícies Aplainadas Degradadas; - Os solos arenosos, originados de quartzitos, são altamente
Domínio de Colinas Dissecadas e de Morros Baixos; Domínio percolativos e com baixa capacidade de reter e depurar
de Morros e de Serras Baixas. poluentes, que podem atingir o lençol freático.
- Onde ocorrem rochas metacalcárias, podem existir ca-
Limitações vidades de ligação entre os fluxos d’água superficiais e
subterrâneos (dolinas e sumidouros de drenagem), confi-
- Intercalações irregulares de camadas, em geral dobradas gurando áreas vulneráveis à contaminação dos mananciais
e de espessuras variadas, com comportamentos geomecâ- hídricos subterrâneos.
nicos e hidráulicos heterogêneos. - Aquíferos fissurais, de potencialidade hidrogeológica
irregular.

Potencialidades

- Nos terrenos onde ocorrem metacalcários, os solos pos-


suem boa fertilidade natural, sendo ricos em Ca e Mg.
- Quando as rochas apresentam grande quantidade de
fraturas e de interconexões entre elas, o potencial circulador
e armazenador de água é favorecido.
- Rochas calcárias podem conter cavidades subterrâneas
armazenadoras de água, formando aquíferos cársticos.
- Rochas calcárias para utilização em corretivo de solos,
cimento, brita e revestimento.
- Quartzitos como material para revestimentos, pisos e
pedras de cantaria.

DOMÍNIO DOS CORPOS MÁFICO-


ULTRAMÁFICOS (SUÍTES KOMATIITICAS,
SUÍTES TOLEÍTICAS, COMPLEXOS
BANDADOS)

O domínio dos corpos máfico-ultramáficos (suítes ko-


matiiticas, suítes toleíticas, complexos bandados) (DCMU)
é constituído pela unidade geológico-ambiental DCMUmu
(Figura 11.15).

Unidade DCMUmu

Série máfico-ultramáfica (dunito, peridotito etc.), onde


Figura 11.14 - Distribuição do domínio das sequências
são encontradas as seguintes formas de relevo: Superfícies
vulcanossedimentares tipo greenstone belt, arqueano ao Aplainadas Degradadas; Domínio de Colinas Amplas e
paleoproterozoico no estado do Piauí. Suaves.

131
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

Limitações

- Rochas de moderada a alta resistência ao corte e à pene-


tração.
- Formação de crostas lateríticas bastante endurecidas e
abrasivas.
- É comum a presença de blocos e matacões em profun-
didade nos solos, que podem movimentar-se e desestabi-
lizar obras sobre eles apoiadas.
- Quando pouco evoluídos, os solos podem apresentar
concentrações de argilominerais expansivos: desagregam-
se facilmente quando submetidos à alternância dos esta-
dos úmidos e secos.
- Quando submetidos a mecanização excessiva e intensa
pisoteio pelo gado, podem tornar-se excessivamente com-
pactados e impermeabilizados, favorecendo a erosão hí-
drica laminar.
- Possibilidade de existência de crostas lateríticas, que se
alteram para solos excessivamente aluminosos e pedrego-
sos, prejudicando o potencial agrícola.
- Potencial hidrogeológico irregular, dependendo da den-
sidade e da interconexão de falhas e fraturas: aquíferos
fissurais.
- Manto de alteração argiloso e argilossiltoso, pouco per-
meável, desfavorável à recarga dos aquíferos.

Potencialidades
Figura 11.15 - Distribuição do domínio dos corpos máfico-
ultramáficos (suítes komatiiticas, suítes toleíticas, complexos
- Os solos residuais argilosos com pedogênese avançada bandados) no estado do Piauí.
são pouco erosivos, possuem alta capacidade de compac-
tação e boa estabilidade em taludes de corte. Domínio de Colinas Dissecadas e Morros Baixos; Degraus
- Solos normalmente ricos em nutrientes, principalmente Estruturais e Rebordos Erosivos; Vales Encaixados.
K, Na, Ca, Fe e Mg.
- Solos de baixa permeabilidade e alta capacidade para Limitações
reter, fixar e eliminar poluentes. Quando são profundos, o
risco de contaminação das águas subterrâneas é baixo. - Presença significativa de blocos e matacões irregular-
- Ambiência geológica com potencialidade para minerali- mente distribuídos em superfície e em profundidade nos
zações de cobre, cromo, cobalto, platina, prata, níquel, solos.
alumínio, amianto, talco e vermiculita, além de rochas or- - Normalmente, sustentam relevos acidentados, suscetí-
namentais, carbonatitos e argila para cerâmica vermelha. veis a movimentos de massa (escorregamentos de solos e
queda de blocos).
DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES - Os solos residuais de rochas graníticas, principalmente
NÃO-DEFORMADOS quando pouco evoluídos, têm alto potencial erosivo e se
desestabilizam bastante em taludes de corte.
O domínio dos complexos granitoides não-deformados - Geralmente, os solos originados de rochas graníticas são
(DCGR1) é constituído pelas unidades geológico-ambien- pobres em nutrientes (baixa fertilidade natural) e ricos em
tais DCGR1alc e DCGR1in (Figura 11.16). alumínio (solos ácidos).
- Os solos originados de rochas graníticas possuem altos
Unidade DCGR1alc teores de argila e podem compactar-se e impermeabilizar-
se excessivamente se forem continuamente mecanizados
Séries graníticas alcalinas (por exemplo: alcalifeldspa- com equipamentos pesados ou intensamente pisoteados
to-granitos, sienogranitos, monzogranitos, quartzomonzo- pelo gado, favorecendo o escoamento superficial e, con-
nitos, monzonitos, quartzossienitos, sienitos, quartzo-alca- sequentemente, os processos erosivos.
lissienitos, alcalissienitos etc.; alguns minerais diagnósticos: - Onde os solos são rasos e as rochas se apresentam bem
fluorita, alanita etc.). São encontradas as seguintes formas fraturadas, os poluentes podem se infiltrar e atingir com
de relevo: Superfícies Aplainadas Degradadas; Inselbergs; facilidade as águas subterrâneas.

132
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO

- Aquíferos fissurais: o potencial hidrogeológico é bastan-


te irregular, dependendo da densidade e da interconexão
de falhas e fraturas abertas.
- Solos pouco permeáveis, desfavoráveis à recarga de água
subterrânea.

Potencialidades

- Predomínio de rochas granitoides isotrópicas, de boa


homogeneidade geomecânica e hidráulica, com alto grau
de coesão, adequadas para fundações de obras de grande
porte e para produção de brita.
- Quando bem evoluídos (pedogênese avançada), os so-
los são predominantemente argilosos, têm baixo potenci-
al erosivo e boa capacidade de compactação. São mais
estáveis em taludes de corte e adequados para utilização
como material de empréstimo.
-Solos porosos, com boa capacidade hídrica (retêm água)
e boa capacidade de reter e fixar nutrientes (respondem
bem à adubação).
- Os solos residuais dos granitos, por conterem alto teor
de argila, são pouco permeáveis e possuem boa capacida-
de de reter e depurar poluentes. Onde os solos são pro-
fundos e bem evoluídos, a vulnerabilidade de contamina-
ção das águas subterrâneas é baixa.
- Granitos podem ser utilizados como rochas ornamen-
tais, pedras de cantaria e brita.
- Manto de alteração (saprólito) pode ser utilizado como
saibro e material de empréstimo. Figura 11.16 - Distribuição do domínio dos complexos granitoides
não-deformados no estado do Piauí.
Unidade DCGR1in
te pisoteados pelo gado, favorecendo o escoamento su-
A unidade DCGR1in tem a “subunidade” Indiferenci- perficial e, consequentemente, os processos erosivos.
ado, indicando todo o conjunto de rochas desse domínio. - Onde os solos são rasos e as rochas se apresentam bem
São encontradas as seguintes formas de relevo: Superfíci- fraturadas, os poluentes podem se infiltrar e atingir com
es Aplainadas Degradadas; Domínio de Colinas Amplas e facilidade as águas subterrâneas.
Suaves; Domínio de Colinas Dissecadas e de Morros Bai- - Aquíferos fissurais: o potencial hidrogeológico é bastan-
xos; Escarpas Serranas. te irregular, dependendo da densidade e da interconexão
de falhas e fraturas abertas.
Limitações -Solos pouco permeáveis, desfavoráveis à recarga de água
subterrânea.
- Presença significativa de blocos e matacões irregularmente
distribuídos em superfície e em profundidade nos solos. Potencialidades
- Normalmente, sustentam relevos acidentados, suscetí-
veis a movimentos de massa (escorregamentos de solos e - Predomínio de rochas granitoides isotrópicas, de boa
queda de blocos). homogeneidade geomecânica e hidráulica, com alto grau
-Os solos residuais de rochas graníticas, principalmen- de coesão. Adequadas para fundações de obras de grande
te quando pouco evoluídos, têm alto potencial erosivo porte e para produção de brita.
e se desestabilizam bastante em taludes de corte. - Quando bem evoluídos (pedogênese avançada), os so-
- Geralmente, os solos originados de rochas graníticas são los são predominantemente argilosos, têm baixo potenci-
pobres em nutrientes (baixa fertilidade natural) e ricos em al erosivo, boa capacidade de compactação, são mais es-
alumínio (solos ácidos). táveis em taludes de corte e adequados para utilização
- Os solos originados de rochas graníticas possuem al- como material de empréstimo.
tos teores de argila e podem compactar-se e imperme- - Solos porosos, com boa capacidade hídrica (retêm água)
abilizar-se excessivamente se forem continuamente me- e boa capacidade de reter e fixar nutrientes (respondem
canizados com equipamentos pesados ou intensamen- bem à adubação).

133
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

- Os solos residuais dos granitos, por conterem alto teor Potencialidades


de argila, são pouco permeáveis e possuem boa capacida-
de de reter e depurar poluentes. Onde os solos são pro- - Por serem mais ricos em minerais ferromagnesianos que
fundos e bem evoluídos, a vulnerabilidade de contamina- os granitoides da unidade DCGR1, essas rochas liberam
ção das águas subterrâneas é baixa. mais elementos nutrientes no processo de alteração, re-
- Granitos podem ser utilizados como rochas ornamen- sultando em solos de melhor fertilidade natural.
tais, pedras de cantaria e brita. - Solos argilosos, porosos, com boa capacidade hídrica
- Manto de alteração (saprólito) pode ser utilizado como (retêm água) e boa capacidade para reter e fixar nutrientes
saibro e material de empréstimo. (respondem bem à adubação).
- Os solos residuais dos granitos, por conterem alto teor
DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES de argila, são pouco permeáveis, apresentando boa capa-
DEFORMADOS cidade para reter e depurar poluentes. Onde os solos são
profundos e bem evoluídos, a vulnerabilidade de conta-
O domínio dos complexos granitoides deformados minação das águas subterrâneas é baixa.
(DCGR2) é constituído pela unidade geológico-ambiental - Os planos de foliação dessas rochas podem favorecer a
DCGR2salc (Figura 11.17). capacidade circuladora e armazenadora de água subterrâ-
nea, em relação aos granitoides da unidade DCGR1.
Unidade DCGR2salc - Granitos podem ser utilizados como rochas ornamen-
tais, pedras de cantaria e brita. Em locais onde as ro-
Séries graníticas subalcalinas: calcialcalinas (baixo, chas exibem foliação bastante pronunciada e altas con-
médio e alto-K) e toleíticas (por exemplo: sienogranitos, centrações de minerais micáceos, esse potencial é re-
monzogranitos, granodioritos, tonalitos, quartzomonzo- duzido.
dioritos, dioritos, quartzomonzonitos, monzonitos etc.; - Manto de alteração (saprólito) pode ser utilizado como
alguns minerais diagnósticos: hornblenda, biotita, titani- saibro e material de empréstimo.
ta, epidoto), onde são encontradas as seguintes formas
de relevo: Planaltos; Superfícies Aplainadas Conservadas; DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES
Superfícies Aplainadas Degradadas; Domínio de Colinas INTENSAMENTE DEFORMADOS:
Dissecadas e de Morros Baixos; Domínio de Morros e de ORTOGNAISSES
Serras Baixas.
O domínio dos complexos granitoides intensamente
Limitações deformados: ortognaisses (DCGR3) é constituído pelas uni-
dades geológico-ambientais DCGR3salc e DCGR3in (Fi-
- Granitoides anisotrópicos (principalmente nas bordas dos gura 11.18).
maciços), com descontinuidades geomecânicas e hidráu-
licas relacionadas aos planos de foliação das rochas: os Unidade DCGR3salc
minerais micáceos formam bandas estiradas e deforma-
das segundo uma direção preferencial, facilitando a per- Séries graníticas subalcalinas: calcialcalinas (baixo,
colação de fluidos, o intemperismo, a erosão e a desesta- médio e alto-K) e toleíticas (por exemplo: sienogranitos,
bilização em taludes de corte. monzogranitos, granodioritos, tonalitos, quartzomonzo-
- Presença de blocos e matacões em superfície e em pro- dioritos, diorito-quartzomonzonitos, monzonitos etc.; al-
fundidade nos solos. guns minerais diagnósticos: hornblenda, biotita, titanita,
- Essas rochas alteram-se para solos argilo-síltico-areno- epidoto). São encontradas as seguintes formas de relevo:
sos, de alta erosividade, principalmente quando pouco Planaltos; Superfícies Aplainadas Degradadas; Inselbergs;
evoluídos (pedogênese pouco desenvolvida). Domínio de Colinas Amplas e Suaves; Domínio de Coli-
- Geralmente, os solos originados de rochas graníticas são nas Dissecadas e de Morros Baixos.
pobres em nutrientes (baixa fertilidade natural) e ricos em
alumínio (solos ácidos). Limitações
- Onde os solos são rasos e as rochas se apresentam bem
fraturadas, os poluentes podem se infiltrar e atingir com - Rochas granitoides bastante deformadas, com pronunci-
facilidade as águas subterrâneas. Os planos de foliação ada anisotropia textural (normalmente em todo o maci-
também facilitam a percolação de fluidos poluentes. ço), apresentando descontinuidades geomecânicas e hi-
- Aquíferos fissurais: o potencial hidrogeológico é bastan- dráulicas relacionadas a faixas com grande concentra-
te irregular, dependendo da densidade e da interconexão ção de minerais micáceos (principalmente biotita) estira-
de falhas e fraturas abertas. das e deformadas, segundo uma direção preferencial, fa-
- Solos pouco permeáveis, desfavoráveis à recarga de água cilitando a percolação de fluidos, o intemperismo, a ero-
subterrânea. são e a desestabilização em taludes de corte.

134
GEODIVERSIDADE: ADEQUABILIDADES/POTENCIALIDADES
E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO

- Os planos de foliação dessas rochas podem favorecer a


capacidade circuladora e armazenadora de água subterrâ-
nea, em relação aos granitoides pouco ou não-deformados.
- Granitos, de modo geral, têm potencial para uso como
rochas ornamentais, pedras de cantaria e brita. No caso
de essas rochas estarem intensamente deformadas (foliação
bastante pronunciada) e conterem altas concentrações de
minerais micáceos, esse potencial pode ser significativa-
mente reduzido.
- Manto de alteração (saprólito) pode ser utilizado como
saibro e material de empréstimo.

Unidade DCGR3in

A unidade DCGR3in tem a “subunidade” Indetermi-


nado, indicando todo o conjunto de rochas desse domí-
nio. São encontradas as seguintes formas de relevo: Pla-
naltos; Superfícies Aplainadas Degradadas; Domínio de
Colinas Amplas e Suaves; Domínio de Colinas Dissecadas
e de Morros Baixos; Domínio de Morros e de Serras Bai-
xas; Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos.

DOMÍNIO DO COMPLEXO GRANITO-


GNAISSE-MIGMATÍTICO E GRANULITOS

O domínio do complexo granito-gnaisse-migmatíti-


Figura 11.17 - Distribuição do domínio dos complexos granitoides co e granulitos (DCGMGL) é constituído pelas unidades
deformados no estado do Piauí. geológico-ambientais DCGMGLmo, DCGMGLgnp, DCG-
MGLmgi e DCGMGLgno (Figura 11.19).
- Essas rochas se alteram para solos argilo-síltico-areno-
sos, de alta erosividade, principalmente quando pouco Unidade DCGMGLmo
evoluídos (pedogênese pouco desenvolvida).
- Geralmente, os solos originados de rochas graníticas são Predominam migmatitos ortoderivados, onde são
pobres em nutrientes (baixa fertilidade natural) e ricos em encontradas as seguintes formas de relevo: Domínio de
alumínio (solos ácidos). Colinas Dissecadas e de Morros Baixos; Domínio de Mor-
- Onde os solos são rasos e as rochas se apresentam bem ros e de Serras Baixas; Escarpas Serranas.
fraturadas, os poluentes podem se infiltrar e atingir com
facilidade as águas subterrâneas. Os planos de foliação Unidade DCGMGLgnp
também facilitam a percolação de fluidos poluentes.
- Aquíferos fissurais: o potencial hidrogeológico é bastan- Predomínio de gnaisses paraderivados. Podem con-
te irregular, dependendo da densidade e da interconexão ter porções migmatíticas, onde são encontradas as seguin-
de falhas e fraturas abertas. tes formas de relevo: Planaltos; Domínio de Morros e de
- Solos residuais pouco permeáveis, desfavoráveis à recarga Serras Baixas.
de água subterrânea.
Unidade DCGMGLmgi
Potencialidades
São encontradas as seguintes formas de relevo: Super-
- Em relação aos granitos anteriores (DCGR1 e DCGR2), fícies Aplainadas Conservadas; Superfície Aplainadas De-
essas rochas costumam ser mais ricas em minerais gradadas; Inselbergs; Domínio de Colinas Dissecadas e de
ferromagnesianos, que liberam mais nutrientes para os Morros Suaves; Domínio de Morros e de Serras Suaves.
solos, melhorando sua fertilidade natural.
- Os solos residuais dos granitos, por conterem alto teor Unidade DCGMGLgno
de argila, são pouco permeáveis e possuem boa capacida-
de de reter e depurar poluentes. Onde os solos são pro- Predomínio de gnaisses ortoderivados. Podem conter
fundos e bem evoluídos, a vulnerabilidade de contamina- porções migmatíticas, onde são encontradas as seguintes
ção das águas subterrâneas é baixa. formas de relevo: Planaltos; Superfícies Aplainadas Con-

135
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

cipalmente quando continuamente mecanizados ou in-


tensamente pisoteados pelo gado.
- Onde os solos são rasos e as rochas se apresentam bem
fraturadas, os poluentes podem infiltrar-se e atingir com
facilidade as águas subterrâneas. Os planos de foliação
também facilitam a percolação de fluidos poluentes.
- Aquíferos fissurais: o potencial hidrogeológico é bastan-
te irregular, dependendo da densidade e da interconexão
de falhas e fraturas abertas.

Potencialidades

- Terrenos normalmente adequados para fundações de


obras de grande porte.
- Podem ocorrer lentes de rochas metabásicas e
metacarbonáticas que dão origem a solos de boa fertilida-
de natural.
- Os solos residuais, por conterem alto teor de argila, são
pouco permeáveis e possuem boa capacidade de reter e
depurar poluentes. Onde os solos são profundos e bem
evoluídos, a vulnerabilidade de contaminação das águas
subterrâneas é baixa.
- Os planos de foliação dessas rochas podem favorecer a capa-
cidade circuladora e armazenadora de água subterrânea.
- Potencialidade para lavras de rochas ornamentais, pe-
dras de cantaria e brita.
Figura 11.18 - Distribuição do domínio dos complexos granitoides - Manto de alteração (saprólito) pode ser utilizado como
intensamente deformados: ortognaisses no estado do Piauí. saibro e material de empréstimo.

servadas; Superfície Aplainadas Degradadas; Inselbergs;


Domínio de Colinas Amplas e Suaves; Domínio de Coli-
nas Dissecadas e de Morros Baixos; Domínio de Morros e
de Serras Baixas; Escarpas Serranas; Degraus Estruturais e
Rebordos Erosivos.
A essas unidades (DCGMGLmo, DCGMGLgnp,
DCGMGLmgi e DCGMGLgno) aplicam-se as mesmas li-
mitações e potencialidades descritas a seguir.

Limitações

- Rochas formadas pela alternância de bandas ricas em


minerais ferromagnesianos, planares, isorientados, com
porções quartzofeldspáticas, muitas vezes complexamen-
te dobradas, resultando em marcantes diferenciações de
comportamentos geomecânicos e hidráulicos.
- Tais descontinuidades (superfícies planares) facilitam a
percolação de fluidos, o desprendimento de blocos e de
placas em taludes de corte, o intemperismo e a erosão.
- As rochas se alteram para solos argilo-síltico-arenosos,
de alta erosividade, principalmente quando pouco evolu-
ídos (pedogênese pouco desenvolvida).
- Predomínio de solos argilo-síltico-arenosos, pobres em
nutrientes (baixa fertilidade natural) e ricos em alumínio
(solos ácidos).
- A erosividade dos solos varia de moderada, nos solos Figura 11.19 - Distribuição do domínio do complexo granito-
residuais bem evoluídos, a alta nos pouco evoluídos, prin- gnaisse-migmatítico e granulitos no estado do Piauí.

136
APÊNDICE I
UNIDADES
GEOLÓGICO-AMBIENTAIS
DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO

Ambiente de planícies aluvionares recentes –


Material inconsolidado e de espessura variável.
DCa
Da base para o topo, é formado por cascalho,
areia e argila.

Ambiente de terraços aluvionares – Material


inconsolidado a semiconsolidado, de espessura
DCta
variável. Da base para o topo, é formado por
cascalho, areia e argila.

Ambiente fluviolacustre – Predomínio de


sedimentos arenosos, intercalados com camadas
DCfl
argilosas, ocasionalmente com presença de turfa.
Ex.: Fm. Içá.

DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS


INCONSOLIDADOS OU POUCO CONSOLIDADOS, DC Ambiente lagunar – Predomínio de sedimentos
DCl
DEPOSITADOS EM MEIO AQUOSO. argilosos.

Ambiente paludal – Predomínio de argilas


DCp
orgânicas e camadas de turfa.

Ambiente marinho costeiro – Predomínio


DCmc
de sedimentos arenosos.

Ambiente misto (Marinho/Continental) –


Intercalações irregulares de sedimentos arenosos,
DCm
argilosos, em geral ricos em matéria orgânica
(mangues).

Colúvio e tálus – Materiais inconsolidados, de


DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS
DCICT granulometria e composição diversa proveniente DCICT
INCONSOLIDADOS DO TIPO COLUVIÃO E TÁLUS.
do transporte gravitacional.

DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS INDIFERENCIADOS


CENOZOICOS RELACIONADOS A
RETRABALHAMENTO DE OUTRAS ROCHAS,
GERALMENTE ASSOCIADOS A SUPERFÍCIES
Relacionado a sedimentos retrabalhados de outras
DE APLAINAMENTO.
rochas – Coberturas arenoconglomeráticas e/
DCSR DCSR
ou síltico-argilosas associadas a superfícies de
Obs.: Engloba as coberturas que existem na
aplainamento.
zona continental e representam uma fase de
retrabalhamento de outras rochas que sofreram
pequeno transporte em meio não aquoso ou
pouco aquoso.

DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS


PROVENIENTES DA ALTERAÇÃO DE ROCHA
IN SITU COM GRAU DE ALTERAÇÃO VARIANDO DCEL Sedimentos eluviais. DCEL
DE SAPRÓLITO A SOLO RESIDUAL, EXCETO AS
LATERITAS.

DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS


DCB Plataforma continental – recifes. DCBr
BIOCLÁSTICOS.

DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS


DCE Dunas móveis – Material arenoso inconsolidado. DCEm
EÓLICOS.

3
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO

DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS Dunas fixas – Material arenoso fixado


DCE DCEf
EÓLICOS. pela vegetação.

Depósitos fluviais antigos – Intercalações


DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS de níveis arenosos, argilosos, siltosos
DCF DCFa
SEMICONSOLIDADOS FLUVIAIS. e cascalhos semiconsolidados.
Ex.: Formação Pariquera-Açu.

Depósitos detrito-lateríticos – Provenientes


de processos de lateritização em rochas de DCDL
composições diversas sem a presença de crosta.
DOMÍNIO DAS COBERTURAS CENOZOICAS
DCDL
DETRITO-LATERÍTICAS. Horizonte laterítico in situ – Proveniente
de processos de lateritização em rochas de
DCDLi
composições diversas formando crosta.
Ex.: Crostas ferruginosas.

Depósitos detrito-carbonáticos – Provenientes de


DOMÍNIO DAS COBERTURAS CENOZOICAS
DCDC processos de lateritização em rochas carbonáticas. DCDC
DETRITO-CARBONÁTICAS.
Ex.: Formação Caatinga.

Predomínio de sedimentos arenosos.


Ex.: Sedimentos associados a pequenas bacias
continentais do tipo rift, como as bacias de DCMRa
Curitiba, São Paulo, Taubaté, Resende, dentre
outras.
DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS E
MESOZOICOS POUCO A MODERADAMENTE
DCMR Predomínio dos sedimentos síltico-argilosos. DCMRsa
CONSOLIDADOS, ASSOCIADOS A PEQUENAS
BACIAS CONTINENTAIS DO TIPO RIFT.

Calcários com intercalações síltico-argilosas.


DCMRcsa
Ex.: Formação Tremembé.

Alternância irregular entre camadas de sedimentos


DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS
de composição diversa (arenito, siltito, argilito e
POUCO A MODERADAMENTE CONSOLIDADOS, DCT DCT
cascalho).
ASSOCIADOS A TABULEIROS.
Ex.: Formação Barreiras.

Predomínio de sedimentos arenoargilosos e/ou


síltico-argilosos de deposição continental lacustrina
DCMld
DOMÍNIO DOS SEDIMENTOS CENOZOICOS E deltaica, ocasionalmente com presença de linhito.
MESOZOICOS POUCO A MODERADAMENTE Ex.: Formação Solimões.
DCM
CONSOLIDADOS, ASSOCIADOS A PROFUNDAS E
EXTENSAS BACIAS CONTINENTAIS. Predomínio de sedimentos arenosos de deposição
continental, lacustre, fluvial ou eólica – arenitos. DCMa
Ex.: Formação Urucuia.

Predomínio de calcário e sedimentos síltico-


DSMc
argilosos.

DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES


Predomínio de sedimentos quartzoarenosos e
MESOZOICAS CLASTOCARBONÁTICAS
DSM conglomeráticos, com intercalações de sedimentos DSMqcg
CONSOLIDADAS EM BACIAS DE MARGENS
síltico-argilosos e/ou calcíferos.
CONTINENTAIS (RIFT).

Predomínio de sedimentos síltico-argilosos,


com alternância de sedimentos arenosos e DSMsa
conglomeráticos.

4
APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO

Intercalações de sedimentos síltico-argilosos e


DSMsaq
DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES quartzoarenosos.
MESOZOICAS CLASTOCARBONÁTICAS
DSM
CONSOLIDADAS EM BACIAS DE MARGENS
CONTINENTAIS (RIFT). Intercalação de sedimentos síltico-argilosos e
DSMscv
camadas de carvão.

Predomínio de sedimentos arenosos


DSVMPa
malselecionados.

Predomínio de espessos pacotes de arenitos de


deposição eólica. DSVMPae
Ex.: Arenito Botucatu.

Predomínio de espessos pacotes de arenitos de


deposição mista (eólica e fluvial). DSVMPaef
Ex.: Fm. Rio do Peixe, Fm. Caiuá.

Predomínio de arenitos e conglomerados. DSVMPacg

Predomínio de arenitos a arenitos cauliníticos.


DSVMPac
Ex.: Fm. Alter do Chão.

DOMÍNIO DAS COBERTURAS SEDIMENTARES Intercalações de sedimentos arenosos, síltico-


E VULCANOSSEDIMENTARES MESOZOICAS E DSVMPasaf
argilosos e folhelhos.
PALEOZOICAS, POUCO A MODERADAMENTE
CONSOLIDADAS, ASSOCIADAS A GRANDES
DSVMP
E PROFUNDAS BACIAS SEDIMENTARES DO
TIPO SINÉCLISE (AMBIENTES DEPOSICIONAIS: Predomínio de sedimentos síltico-argilosos
DSVMPsaa
CONTINENTAL, MARINHO, DESÉRTICO, GLACIAL E com intercalações arenosas.
VULCÂNICO).

Predomínio de arenitos vulcanoclásticos (tufos


DSVMPav
cineríticos).

Predomínio de sedimentos síltico-argilosos e


DSVMPsaacv
arenosos, contendo camadas de carvão.

Intercalações de paraconglomerados (tilitos) e


DSVMPcgf
folhelhos.

Predomínio de sedimentos síltico-argilosos e


DSVMPsaca
calcários com intercalações arenosas subordinadas.

Intercalações irregulares de sedimentos arenosos,


DSVMPasac
síltico-argilosos e calcários.

5
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO

Intercalações irregulares de sedimentos arenosos e


síltico-argilosos com finas camadas de evaporitos DSVMPasaec
e calcários.

Predomínio de rochas calcárias intercaladas com


DSVMPcsa
finas camadas síltico-argilosas.

DOMÍNIO DAS COBERTURAS SEDIMENTARES


E VULCANOSSEDIMENTARES MESOZOICAS E Arenitos, conglomerados, tilitos e folhelhos.
DSVMPactf
PALEOZOICAS, POUCO A MODERADAMENTE Ex.: Grupo Curuá.
CONSOLIDADAS, ASSOCIADAS A GRANDES
DSVMP
E PROFUNDAS BACIAS SEDIMENTARES DO
TIPO SINÉCLISE (AMBIENTES DEPOSICIONAIS: Arenitos, conglomerados, siltitos, folhelhos e
CONTINENTAL, MARINHO, DESÉRTICO, GLACIAL E calcário. DSVMPacsfc
VULCÂNICO). Ex.: Grupo Alto Tapajós.

Predomínio de sedimentos síltico-argilosos


intercalados de folhelhos betuminosos e calcários. DSVMPsabc
Ex.: Formação Irati.

Predomínio de arenitos e intercalações de pelitos.


DSVMPap
Ex.: Formação Utiariti.

Predomínio de intrusivas na forma de gabros e


DVMgd
diabásio.

DOMÍNIO DO VULCANISMO FISSURAL MESOZOICO Predomínio de basaltos. DVMb


DO TIPO PLATÔ.
DVM
Ex.: Basaltos da Bacia do Paraná e do Maranhão e
Diques Básicos; Basalto Penetecaua, Kumdku. Predomínio de basalto com intertraps subordinadas
DVMba
de arenito.

Predomínio de riolitos e riodacitos. DVMrrd

Indeterminado. DCAin

Tufo, brecha e demais materiais piroclásticos. DCAtbr


DOMÍNIO DOS COMPLEXOS ALCALINOS
INTRUSIVOS E EXTRUSIVOS, DIFERENCIADOS DO
TERCIÁRIO, MESOZOICO E PROTEROZOICO. DCA
Série subalcalina (monzonitos, quartzomonzonitos,
Ex.: Alcalinas do Lineamento de Cabo Frio, Lajes. DCAsbalc
mangeritos etc.).

Série alcalina saturada e alcalina subsaturada


(sienito, quartzossienitos, traquitos, nefelina DCAalc
sienito, sodalita sienito etc.).

6
APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO

DOMÍNIO DOS COMPLEXOS ALCALINOS


INTRUSIVOS E EXTRUSIVOS, DIFERENCIADOS DO
Gabro, anortosito, carbonatito, dique de
TERCIÁRIO, MESOZOICO E PROTEROZOICO. DCA DCAganc
lamprófiro.
Ex.: Alcalinas do Lineamento de Cabo Frio, Lajes.

Predomínio de rochas sedimentares. DSVEs

DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES E


VULCANOSSEDIMENTARES DO EOPALEOZOICO,
ASSOCIADAS A RIFTS, NÃO OU POUCO
DSVE Sequência vulcanossedimentar. DSVEvs
DEFORMADAS E METAMORFIZADAS.

Ex.: Grupo Camaquã, Fm. Campo Alegre

Predomínio de vulcânicas. DSVEv

Predomínio de sedimentos arenosos e


conglomeráticos, com intercalações subordinadas DSP1acgsa
de sedimentos síltico-argilosos.

Intercalações irregulares de sedimentos arenosos,


síltico-argilosos e formações ferríferas e DSP1asafmg
DOMÍNIO DAS COBERTURAS SEDIMENTARES manganesíferas.
PROTEROZOICAS, NÃO OU MUITO
POUCO DOBRADAS E METAMORFIZADAS.
CARACTERIZADAS POR UM EMPILHAMENTO Predomínio de sedimentos síltico-argilosos,
DE CAMADAS HORIZONTALIZADAS E SUB- com intercalações subordinadas de arenitos e DSP1saagr
HORIZONTALIZADAS DE VÁRIAS ESPESSURAS, metarenito feldspático.
DE SEDIMENTOS CLASTOQUÍMICOS DE VÁRIAS DSP1
COMPOSIÇÕES E ASSOCIADOS AOS MAIS
DIFERENTES AMBIENTES TECTONODEPOSICIONAIS. Rochas calcárias com intercalações subordinadas
DSP1csaa
de sedimentos síltico-argilosos e arenosos.
Ex.: Fms. Palmeiral, Aguapeí, Dardanelos,
Prosperança, Ricardo Franco, Roraima, Beneficente,
Jacadigo e Cuiabá.
Diamictitos, metarenitos feldspáticos, sedimentos
DSP1dgrsa
arenosos e síltico-argilosos.

Predomínio de sedimentos síltico-argilosos com


DSP1sac
intercalações subordinadas de rochas calcárias.

Predomínio de vulcanismo ácido a intermediário. DSVP1va

DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS Predomínio de vulcanismo básico. DSVP1vb


VULCANOSSEDIMENTARES PROTEROZOICAS, NÃO
OU POUCO DOBRADAS E METAMORFIZADAS. DSVP1

Ex.: Fms. Uatumã, Uailã e Iriri. Sequência vulcanossedimentar. DSVP1vs

Vulcanismo ácido a intermediário e intercalações


de metassedimentos arenosos e síltico-argilosos e DSVP1vaa
formações ferríferas e/ou manganesíferas.

7
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO

Metarenitos, quartzitos e metaconglomerados. DSP2mqmtc

Predomínio de metarenitos e quartzitos, com


intercalações irregulares de metassedimentos
DSP2mqsafmg
síltico-argilosos e formações ferríferas ou
manganesíferas.

Intercalações irregulares de metassedimentos


DSP2msa
arenosos e síltico-argilosos.

DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES


PROTEROZOICAS DOBRADAS, METAMORFIZADAS DSP2 Predomínio de metassedimentos síltico-argilosos,
DSP2sag
EM BAIXO A MÉDIO GRAU. com intercalações de metarenitos feldspáticos.

Intercalações irregulares de metassedimentos


arenosos, metacalcários, calcossilicáticas e xistos DSP2mcx
calcíferos.

Predomínio de metacalcários, com intercalações


subordinadas de metassedimentos síltico-argilosos DSP2mcsaa
e arenosos.

Predomínio de sedimentos síltico-argilosos com


DSP2saa
intercalações subordinadas de arenitos.

Indiferenciado. DSVP2in

Predomínio de quartzitos. DSVP2q

Predomínio de metassedimentos síltico-argilosos,


DSVP2x
representados por xistos.

DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS Predomínio de rochas metacalcárias,


VULCANOSSEDIMENTARES PROTEROZOICAS com intercalações de finas camadas de DSVP2csa
DSVP2
DOBRADAS METAMORFIZADAS DE BAIXO A ALTO metassedimentos síltico-argilosos.
GRAU.

Metacherts, metavulcânicas, formações ferríferas


e/ou formações manganesíferas, metacalcários, DSVP2vfc
metassedimentos arenosos e síltico-argilosos.

Metarenitos feldspáticos, metarenitos, tufos e


DSVP2gratv
metavulcânicas básicas a intermediárias.

Predomínio de rochas metabásicas e


DSVP2bu
metaultramáficas.

8
APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO

Metacherts, metarenitos, metapelitos, vulcânicas


básicas, formações ferríferas e formações DSVP2af
manganesíferas.

DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS


VULCANOSSEDIMENTARES PROTEROZOICAS Metarenitos, metachert, metavulcânicas ácidas
DSVP2 a intermediárias, formações ferríferas e/ou DSVP2avf
DOBRADAS METAMORFIZADAS DE BAIXO A ALTO
GRAU. manganesíferas.

Predomínio de vulcânicas ácidas. DSVP2va

Sequência vulcânica komatiitica associada a talco-


xistos, anfibolitos, cherts, formações ferríferas e DGBko
metaultrabasitos.

DOMÍNIO DAS SEQUÊNCIAS


Predomínio de sequência sedimentar. DGBss
VULCANOSSEDIMENTARES TIPO GREENSTONE
BELT, ARQUEANO ATÉ O MESOPROTEROZOICO.
DGB
Ex.: Crixás, Araci, Rio das Velhas, Natividade e Rio Sequência vulcanossedimentar, com alta
Maria. participação de metavulcânicas ácidas e DGBvai
intermediárias.

Sequência vulcanossedimentar. DGBvs

Série máfico-ultramáfica (dunito, peridotito etc.). DCMUmu

DOMÍNIO DOS CORPOS MÁFICO-ULTRAMÁFICOS


(SUÍTES KOMATIITICAS, SUÍTES TOLEÍTICAS, Série básica e ultrabásica (gabro, anortosito etc.). DCMUbu
COMPLEXOS BANDADOS).
DCMU
Ex.: Cana Brava, Barro Alto e Niquelândia.
Básicas e Ultrabásicas Alcalinas e Vulcanismo Vulcânicas básicas. DCMUvb
Associado.

Metamáficas, anfibolitos e gnaisses calcissilicáticos. DCMUmg

Associações charnockíticas.
Ex.: Piroxênio granitoides etc. DCGR1ch
Minerais diagnósticos: hiperstênio, diopsídio.

Séries graníticas peralcalinas.


DCGR1palc
DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES NÃO Ex.: Granitos alcalinos a riebckita e arfvedsonita.
DCGR1
DEFORMADOS.
Séries graníticas alcalinas.
Ex.: Alcalifeldspato granitos, sienogranitos,
monzogranitos, quartzomonzonitos, monzonitos,
DCGR1alc
quartzossienitos, sienitos, quartzo-alcalissienitos,
alcalissienitos etc.
Alguns minerais diagnósticos: fluorita, alanita.

9
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO

Séries graníticas subalcalinas:


calcialcalinas (baixo, médio e alto-K)
e toleíticas.
Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos,
DCGR1salc
tonalitos, dioritos, quartzomonzonitos, monzonitos
etc.
Alguns minerais diagnósticos: hornblenda, biotita,
titanita, epidoto.

Granitoides peraluminosos.
Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos
DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES NÃO etc. DCGR1pal
DCGR1 Minerais diagnósticos: muscovita, granada,
DEFORMADOS.
cordierita, silimanita, monazita, xenotima.

Série shoshonítica.
Ex.: Gabrodiorito a quartzomonzonito etc.
DCGR1sho
Minerais diagnósticos: augita, diopsídio e/ou
hiperstênio, anfibólio e plagioclásio.

Indeterminado. DCGR1in

Associações charnockíticas.
Ex.: Piroxênio granitoides etc. DCGR2ch
Minerais diagnósticos: hiperstênio, diopsídio.

Séries graníticas peralcalinas.


DCGR2palc
Ex.: Granitos alcalinos a riebckita e arfvedsonita.

Séries graníticas alcalinas.


Ex.: Alcalifeldspato granitos, sienogranitos,
monzogranitos, quartzomonzonitos, monzonitos,
DCGR2alc
quartzossienitos, sienitos, quartzo-alcalissienitos,
alcalissienitos etc.
Alguns minerais diagnósticos: fluorita, alanita.

Séries graníticas subalcalinas:


calcialcalinas (baixo, médio e alto-K)
DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES e toleíticas.
DCGR2 Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos,
DEFORMADOS. DCGR2salc
tonalitos, quartzomonzodioritos, dioritos
quartzomonzonitos, monzonitos etc.
Alguns minerais diagnósticos: hornblenda, biotita,
titanita, epidoto.
Granitoides peraluminosos.
Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos
etc. DCGR2pal
Minerais diagnósticos: muscovita, granada,
cordierita, silimanita, monazita, xenotima.
Série shoshonítica.
Ex.: Gabrodiorito a quartzomonzonito etc.
DCGR2sho
Minerais diagnósticos: augita, diopsídio e/ou
hiperstênio, anfibólio e plagioclásio.

Indeterminado. DCGR2in

10
APÊNDICE I - UNIDADES GEOLÓGICO-AMBIENTAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO

Associações charnockíticas.
Ex.: Piroxênio granitoides etc. DCGR3ch
Minerais diagnósticos: hiperstênio, diopsídio.

Séries graníticas peralcalinas.


DCGR3palc
Ex.: Granitos alcalinos a riebckita e arfvedsonita.

Séries graníticas alcalinas.


Ex.: Alcalifeldspato granitos, sienogranitos,
monzogranitos, quartzomonzonitos, monzonitos,
DCGR3alc
quartzossienitos, sienitos, quartzo-alcalissienitos,
alcalissienitos etc.
Alguns minerais diagnósticos: fluorita, alanita.

Séries graníticas subalcalinas: calcialcalinas (baixo,


médio e alto-K) e toleíticas.
DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GRANITOIDES Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos,
DCGR3 tonalitos, dioritos, quartzomonzonitos, monzonitos DCGR3salc
INTENSAMENTE DEFORMADOS: ORTOGNAISSES.
etc.
Alguns minerais diagnósticos: hornblenda, biotita,
titanita, epidoto.

Granitoides peraluminosos.
Ex.: Sienogranitos, monzogranitos, granodioritos
etc. DCGR3pal
Minerais diagnósticos: muscovita, granada,
cordierita, silimanita, monazita, xenotima.

Série Shoshonítica.
Ex: Gabrodiorito a quartzomonzonito etc.
DCGR3sho
Minerais diagnósticos: augita, diopsídio e/ou
hiperstênio, anfibólio e plagioclásio.

Indeterminado. DCGR3in

Predominam migmatitos ortoderivados. DCGMGLmo

Predominam migmatitos paraderivados. DCGMGLmp

DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GNAISSE- Predomínio de gnaisses paraderivados. Podem


DCGMGL DCGMGLgnp
MIGMATÍTICOS E GRANULITOS. conter porções migmatíticas.

Migmatitos indiferenciados. DCGMGLmgi

Gnaisse-granulito paraderivado. Podem conter


DCGMGLglp
porções migmatíticas.

11
GEODIVERSIDADE DO ESTADO DO PIAUÍ

CÓD.
DESCRIÇÃO DO DOMÍNIO CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE CÓD.
DOMÍNIO
GEOLÓGICO-AMBIENTAL GEOLÓGICO-AMBIENTAL UNIGEO
UNIGEO

Gnaisses granulíticos ortoderivados. Podem conter


DCGMGLglo
porções migmatíticas.

Granulitos indiferenciados. DCGMGLgli

Predomínio de gnaisses ortoderivados. Podem


DCGMGLgno
conter porções migmatíticas.
DOMÍNIO DOS COMPLEXOS GNAISSE-
DCGMGL
MIGMATÍTICOS E GRANULITOS.

Gnaisses indiferenciados. DCGMGLgni

Metacarbonatos. DCGMGLcar

Anfibolitos. DCGMGLaf

12
APÊNDICE II
BIBLIOTECA DE RELEVO
DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
Marcelo Eduardo Dantas ([email protected])

CPRM – Serviço Geológico do Brasil


APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

A ANÁLISE DE PADRÕES DE RELEVO constituindo-se em uma primeira e fundamental contri-


COMO UM INSTRUMENTO APLICADO buição da Geomorfologia.
AO MAPEAMENTO DA GEODIVERSIDADE A estrutura superficial das paisagens consiste no es-
tudo dos mantos de alteração in situ (formações superficiais
Ab’Saber, em seu artigo “Um conceito de geomorfolo- autóctones) e coberturas inconsolidadas (formações superfi-
gia a serviço das pesquisas sobre o quaternário” [Geomor- ciais alóctones) que jazem sob a superfície dos terrenos. É de
fologia, São Paulo, n. 18, 1969], já propunha uma análise grande relevância para a compreensão da gênese e evolução
dinâmica da Geomorfologia aplicada aos estudos ambien- das formas de relevo e, em aliança com a compartimenta-
tais, com base na pesquisa de três fatores interligados: ção morfológica dos terrenos, constitui-se em importante
identificação de uma compartimentação morfológica ferramenta para se avaliar o grau de fragilidade natural dos
dos terrenos; levantamento da estrutura superficial das terrenos frente aos processos erosivodeposicionais.
paisagens e estudo da fisiologia da paisagem (Figura II.1). A fisiologia da paisagem, por sua vez, consiste na
A compartimentação morfológica dos terrenos análise integrada das diversas variáveis ambientais em sua
é obtida a partir da avaliação empírica dos diversos con- interface com a Geomorfologia. Ou seja, a influência de
juntos de formas e padrões de relevo posicionados em condicionantes litológico-estruturais, padrões climáticos e
diferentes níveis topográficos, por meio de observações de tipos de solos na configuração física das paisagens. Com
campo e análise de sensores remotos (fotografias aéreas, essa terceira avaliação objetiva-se, também, compreender
imagens de satélite e Modelo Digital de Terreno (MDT)). a ação dos processos erosivodeposicionais atuais, incluindo
Essa avaliação é diretamente aplicada aos estudos de todos os impactos decorrentes da ação antropogênica sobre
ordenamento do uso do solo e planejamento territorial, a paisagem natural. Dessa forma, embute-se na análise ge-
omorfológica o estudo da morfodinâmica,
privilegiando-se a análise de processos.
Demonstração dos níveis de abordagem geomorfológica, A Biblioteca de Padrões de Relevo
seguindo a metodologia de análise de Ab’Saber (1969). do Território Brasileiro foi elaborada para
atender à compartimentação geológico-
-geomorfológica proposta pela metodo-
logia de mapeamento da geodiversidade
do território brasileiro em escalas de aná-
lise reduzidas (1:500.000 a 1:2.500.000).
Nesse sentido, sua abordagem restringe-
-se a avaliar o primeiro dos pressupostos
elencados por Ab’Saber: a compartimen-
tação morfológica dos terrenos. Portanto,
a compartimentação de relevo efetuada
nos mapeamentos de geodiversidade
elaborados pela Companhia de Pesquisa
de Recursos Minerais/Serviço Geológico
do Brasil (CPRM/SGB) não representa um
mapeamento geomorfológico, tendo em
vista que não são considerados os aspec-
tos de gênese, evolução e morfodinâmica.
Com a Biblioteca de Padrões de Relevo
do Território Brasileiro, a CPRM/SGB tem
como objetivo precípuo inserir informa-
ções de relevo-paisagem-geomorfologia,
em uma análise integrada do meio físico
aplicada ao planejamento territorial,
empreendida nos mapeamentos de geo-
diversidade. O mapeamento de padrões
de relevo representa, em linhas gerais, o
3º táxon hierárquico da metodologia de
mapeamento geomorfológico proposta
por Ross (1990). Em todos os Sistemas de
Informação Geográfica (SIGs) de Geodi-
versidade desenvolvidos pela CPRM/SGB,
o mapa de padrões de relevo correspon-

3
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ

dente pode ser visualizado, bastando acessar, na shape, baixos interflúvios, denominados Áreas de Acumulação
o campo de atributos “COD_REL”. Inundáveis (Aai), frequentes na Amazônia, estão inseridos
nessa unidade.
Referências:

AB’SABER, A.N. (1969). Um conceito de geomorfologia a Amplitude de relevo: zero.


serviço das pesquisas sobre o Quaternário. (Geomorfologia,
18). FFCHL, USP São Paulo, 23p. Inclinação das vertentes: 0º-3º.
ROSS, J. L. S. (1990). Geomorfologia ambiente e planeja-
mento. Ed. Contexto. São Paulo. 85p.

I – DOMÍNIO DAS UNIDADES AGRADACIONAIS

R1a – Planícies Fluviais ou Fluviolacustres R4d


(planícies de inundação, baixadas inundáveis
e abaciamentos) R4a1

Relevo de agradação. Zona de acumulação atual. R1a


Superfícies sub-horizontais, constituídas de depósitos
arenoargilosos a argiloarenosos, apresentando gradientes
extremamente suaves e convergentes em direção aos cursos
d’água principais. Terrenos imperfeitamente drenados nas
planícies de inundação, sendo periodicamente inundáveis; R1a – Planície fluvial do alto curso do rio São João (Rio de Janeiro).
Zona de Baixada Litorânea.
bem drenados nos terraços. Os abaciamentos (ou suaves
depressões em solos arenosos) em áreas planas ou em

R4b

R1a
R1a

R1a – Planície fluvial da bacia do rio Paquequer (Rio de Janeiro).


Zona montanhosa.

R1a R1b1 – Terraços Fluviais (paleoplanícies


de inundação em fundos de vales)

Relevo de agradação. Zona de acumulação subatual.

Superfícies bem drenadas, de relevo plano a levemente


ondulado, constituído de depósitos arenosos a argilosos de
origem fluvial. Consistem de paleoplanícies de inundação
R1a – Médio vale do rio Juruá (sudeste do estado que se encontram em nível mais elevado que o das vár-
do Amazonas).
zeas atuais e acima do nível das cheias sazonais. Devido
à reduzida escala de mapeamento, essa unidade só pôde

4
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

ser mapeada em vales de grandes dimensões, em especial, R1b2 – Terraços Lagunares (paleoplanícies
nos rios amazônicos. de inundação no rebordo de lagunas costeiras)

Relevo de agradação. Zona de acumulação subatual.


Amplitude de relevo: 2 a 20 m.
Superfícies bem drenadas, de relevo plano a levemente
Inclinação das vertentes: 0º-3 o (localmente, ondulado constituído de depósitos arenosos a argilosos de
ressaltam-se rebordos abruptos no contato com origem lagunar. Consistem de paleoplanícies de inundação
a planície fluvial). que se encontram em nível mais elevado que o das planícies
lagunares ou fluviolagunares atuais e acima do nível das
cheias sazonais. Essa unidade encontra-se restrita ao esta-
do do Rio Grande do Sul, mais especificamente na borda
continental da Laguna dos Patos.

Amplitude de relevo: 2 a 20 m.

Inclinação das vertentes: 0º-3 o (localmente,


R1b1 ressaltam-se rebordos abruptos no contato com
a planície lagunar).

R1b3 – Terraços Marinhos (paleoplanícies


marinhas à retaguarda dos atuais cordões
arenosos)

Relevo de agradação. Zona de acumulação subatual.

Superfícies sub-horizontais, constituídas de depósitos


arenosos, apresentando microrrelevo ondulado, geradas por
R1b1 processos de sedimentação marinha e/ou eólica. Terrenos
bem drenados e não inundáveis.

Amplitude de relevo: até 20 m.

Inclinação das vertentes: 0º-5o.


R1b1 – Médio vale do rio Juruá (sudeste
do estado do Amazonas).
R1c – Vertentes recobertas por depósitos
de encosta (leques aluviais, rampas de colúvio
e de tálus)

Relevo de agradação. Zona de acumulação atual.


R4a2
Os cones de tálus consistem de superfícies deposicionais
R1b1 fortemente inclinadas, constituídas por depósitos de encosta,
de matriz arenoargilosa a argiloarenosa, rica em blocos, muito
R1a
malselecionados. Ocorrem, de forma disseminada, nos sopés
das vertentes íngremes de terrenos montanhosos. Apresentam
baixa capacidade de suporte.
As rampas de colúvio consistem de superfícies depo-
sicionais inclinadas, constituídas por depósitos de encosta
arenoargilosos a argiloarenosos, malselecionados, em
interdigitação com depósitos praticamente planos das pla-
R1b1 – Planície e terraço fluviais do médio curso do rio Barreiro de
nícies aluviais. Ocorrem, de forma disseminada, nas baixas
Baixo (médio vale do rio Paraíba do Sul – SP/RJ). encostas de ambientes colinosos ou de morros.

5
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ

Amplitude de relevo: variável, dependendo da extensão R1c2 – Leques Aluviais


do depósito na encosta.
Relevo de agradação. Zona de acumulação atual
ou subatual.
Inclinação das vertentes: 5º-20o (associados às
rampas de colúvio). Os leques aluviais consistem de superfícies deposi-
cionais inclinadas, constituídas por depósitos aluvionares
Inclinação das vertentes: 20º-45o (associados aos
de enxurrada, espraiados em forma de leque em uma
cones de tálus).
morfologia ligeiramente convexa em planta. São depósitos
malselecionados, variando entre areia fina e seixos suban-
gulosos a subarredondados, gerados no sopé de escarpas
montanhosas ou cordilheiras. Em sua porção proximal, os
leques aluviais caracterizam-se por superfícies fortemente
inclinadas e dissecadas por canais efêmeros que drenam a
cordilheira. Em sua porção distal, os leques aluviais caracte-
rizam-se por superfícies muito suavemente inclinadas, com
R1c1 deposição de sedimentos finos, em processo de coalescência
com as planícies aluviais ou fluviolacustres, reproduzindo
um ambiente playa-bajada de clima árido.

Amplitude de relevo: 2 a 10 m.

Inclinação das vertentes: 0º-3o (exceto nas por-


ções proximais dos leques).

R1d – Planícies Fluviomarinhas (mangues


R1c1 e brejos)

Relevo de agradação. Zona de acumulação atual.

Superfícies planas, de interface com os sistemas depo-


sicionais continentais e marinhos, constituídas de depósitos
argiloarenosos a argilosos. Terrenos muito maldrenados,
R1c – Planície borda norte da Chapada do Araripe (Ceará).
prolongadamente inundáveis, com padrão de canais bas-
tante meandrantes e divagantes, sob influência de refluxo

R1c1

R1c – Rampas de colúvio que se espraiam a partir da borda oeste do platô sinclinal (Moeda – Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais).

6
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

R1d
R1d

R1d – Delta do rio Jequitinhonha (Bahia).

de marés; ou resultantes da colmatação de paleolagunas.


Baixa capacidade de suporte dos terrenos.

Amplitude de relevo: zero.

Inclinação das vertentes: plano (0o).

R1d
R1e – Planícies Costeiras (terraços marinhos
e cordões arenosos)

Relevo de agradação. Zona de acumulação atual.

Superfícies sub-horizontais, constituídas de depósitos


R1d – Ampla superfície embrejada de uma planície lagunar costeira arenosos, apresentando microrrelevo ondulado, geradas por
(litoral norte do estado da Bahia, município de Conde). processos de sedimentação marinha e/ou eólica. Terrenos
bem drenados e não inundáveis.

Amplitude de relevo: até 20 m.

Inclinação das vertentes: 0º-5o.

R1f1 – Campos de Dunas (dunas fixas; dunas


móveis)
R1d
Relevo de agradação. Zona de acumulação atual
ou subatual.

Superfícies de relevo ondulado constituído de depó-


sitos arenoquartzosos, bem selecionados, depositados por
ação eólica longitudinalmente à linha de costa. Por vezes,
R1d – Planície fluviomarinha do baixo curso do rio Cunhaú, encontram-se desprovidos de vegetação e apresentam
originalmente ocupado por mangues e atualmente desfigurado expressiva mobilidade (dunas móveis); ora encontram-se
para implantação de tanques de carcinucultura (litoral sul-oriental recobertos por vegetação pioneira (dunas fixas).
do estado do Rio Grande do Norte).

7
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ

R1e
R1e

R1e – Planície do delta do rio Jequitinhonha (Bahia).

R1f1
R1e

R4a1

R1e – Sucessão de feixes de cordões arenosos em linha de costa


progradante (Parque Nacional de Jurubatiba – Macaé,
Rio de Janeiro).

R1f1

R1e

R1f1 – Litoral oriental do estado do Rio Grande do Norte.


R1e – Planície costeira com empilhamento de cordões arenosos e
depósitos fluviolagunares (litoral norte do estado da Bahia).

8
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

cionados, constituídos de sedimentos finos em suspensão


depositados por ação eólica em zonas peridesérticas ou
submetidos a paleoclimas áridos ao longo de períodos
glaciais pleistocênicos. Apresentam solos com alta susce-
tibilidade à erosão.
R1f1
Amplitude de relevo: 0 a 20 m.

Inclinação das vertentes: 0º-5o.

R1g – Recifes

Relevo de agradação. Zona de acumulação atual.

Os recifes situam-se na plataforma continental interna


em posição de linha de arrebentação ou off-shore, podendo
ser distinguidos dois tipos principais: RECIFES DE ARENITO
R1f1 – Campos de dunas junto à linha de costa, sobrepondo falésias DE PRAIA, que consistem de antigos cordões arenosos
do grupo Barreiras (município de Baía Formosa, litoral sul (beach-rocks), sob forma de ilhas-barreiras paralelas à
do estado do Rio Grande do Norte). linha de costa, que foram consolidados por cimentação
ferruginosa e/ou carbonática; RECIFES DE BANCOS DE
CORAIS, que consistem de bancos de recifes ou forma-
ções peculiares denominadas “chapeirões”, submersos ou

R1f1

R1g

R1f1 – Campo de dunas transversais na restinga de Massambaba


(Arraial do Cabo, Rio de Janeiro).

Amplitude de relevo: até 40 m.

Inclinação das vertentes: 3º-30o. R1g

R1f2 – Campos de Loess

Relevo de agradação. Zona de acumulação atual


ou subatual.

Superfícies de relevo plano a suave ondulado consti- R1g – Santa Cruz Cabrália (sul do estado da Bahia).
tuído de depósitos sílticos ou síltico-argilosos, bem sele-

9
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ

parcialmente emersos durante os períodos de maré baixa.


Estes são produzidos por acumulação carbonática, devido
à atividade biogênica (corais).

Amplitude de relevo: zero.

Inclinação das vertentes: plano (0o).

II – DOMÍNIO DAS UNIDADES R2a1


DENUDACIONAIS EM ROCHAS
SEDIMENTARES POUCO LITIFICADAS

R2a1 – Tabuleiros
R2a1 – Tabuleiros pouco dissecados da bacia de Macacu (Venda das
Pedras, Itaboraí, Rio de Janeiro).
Relevo de degradação em rochas sedimentares.

Formas de relevo suavemente dissecadas, com exten-


sas superfícies de gradientes extremamente suaves, com
topos planos e alongados e vertentes retilíneas nos vales
encaixados em forma de “U”, resultantes de dissecação
fluvial recente.
Predomínio de processos de pedogênese (formação de
solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a mo-
R2a1

R2a1 – Plantação de eucaliptos em terrenos planos de tabuleiros


R2a1 não dissecados do grupo Barreiras (município de Esplanada,
norte do estado da Bahia).

derada suscetibilidade à erosão). Ocorrências esporádicas,


restritas a processos de erosão laminar ou linear acelerada
(sulcos e ravinas).

Amplitude de relevo: 20 a 50 m.

Inclinação das vertentes: topo plano: 0º-3o (lo-


calmente, ressaltam-se vertentes acentuadas:
10º-25o).
R2a1
R2a2 – Tabuleiros Dissecados

Relevo de degradação em rochas sedimentares.

Formas de relevo tabulares, dissecadas por uma rede


de canais com alta densidade de drenagem, apresentando
relevo movimentado de colinas com topos tabulares ou
alongados e vertentes retilíneas e declivosas nos vales en-
caixados, resultantes da dissecação fluvial recente.
R2a1 – Porto Seguro (sul do estado da Bahia). Predomínio de processos de pedogênese (formação
de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a

10
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

moderada suscetibilidade à erosão). Ocorrência de proces-


sos de erosão laminar ou linear acelerada (sulcos e ravinas).

Amplitude de relevo: 20 a 50 m.

Inclinação das vertentes: topos planos restritos: R2a2


0º-3o (localmente, ressaltam-se vertentes acen-
tuadas: 10º-25o).

R2a2
R2a2 – Tabuleiros dissecados em amplos vales em forma de “U”,
em típica morfologia derivada do grupo Barreiras (bacia do rio
Guaxindiba, São Francisco do Itabapoana, Rio de Janeiro).

III – DOMÍNIO DAS UNIDADES


DENUDACIONAIS EM ROCHAS
SEDIMENTARES LITIFICADAS

R2b1 – Baixos Platôs

Relevo de degradação em rochas sedimentares.


R2a2
Superfícies ligeiramente mais elevadas que os terrenos
adjacentes, pouco dissecadas em formas tabulares. Sistema
de drenagem principal com fraco entalhamento.
Predomínio de processos de pedogênese (formação
de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a
moderada suscetibilidade à erosão). Eventual atuação de
processos de laterização. Caracterizam-se por superfícies
R2a2 – Porto Seguro (sul do estado da Bahia).
planas de modestas altitudes em antigas bacias sedimen-
tares, como os patamares mais baixos da Bacia do Parnaíba
(Piauí) ou a Chapada do Apodi, na Bacia Potiguar (Rio
Grande do Norte).

Amplitude de relevo: 0 a 20 m.

Inclinação das vertentes: topo plano a suavemen-


te ondulado: 2º-5o.
R2a2

R2b2 – Baixos Platôs Dissecados

Relevo de degradação em rochas sedimentares.

Superfícies ligeiramente mais elevadas que os ter-


renos adjacentes, francamente dissecadas em forma de
R2a2 – Tabuleiros dissecados, intensamente erodidos por processos
colinas tabulares. Sistema de drenagem constituído por
de voçorocamento junto à rodovia Linha Verde (litoral norte uma rede de canais com alta densidade de drenagem,
do estado da Bahia). que gera um relevo dissecado em vertentes retilíneas e

11
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ

voçorocas). Situação típica encontrada nos baixos platôs em-


basados pela Formação Alter do Chão, ao norte de Manaus.

Amplitude de relevo: 20 a 50 m.

Inclinação das vertentes: topo plano a suavemen-


te ondulado: 2º-5o, excetuando-se os eixos dos
R2b1 vales fluviais, onde se registram vertentes com
declividades mais acentuadas (10º-25o).

R2b2

R2b1

R2b1 – Centro-sul do estado do Piauí.

R2b2

R2b2 – Interflúvio entre os rios Uatumã e Nhamundá


(nordeste do estado do Amazonas).
R2b1

R2b1 – Baixos platôs não dissecados da bacia do Parnaíba (estrada


R2b2
Floriano-Picos, próximo a Oeiras, Piauí).

declivosas nos vales encaixados, resultantes da dissecação


fluvial recente. Deposição de planícies aluviais restritas
em vales fechados.
Equilíbrio entre processos de pedogênese e morfogê-
nese (formação de solos espessos e bem drenados, com
moderada suscetibilidade à erosão). Eventual atuação de R2b2 – Baixos platôs dissecados em forma de colinas tabulares
processos de laterização. Ocorrências esporádicas, restritas sobre arenitos imaturos da formação Alter do Chão (Presidente
a processos de erosão laminar ou linear acelerada (ravinas e Figueiredo, Amazonas).

12
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

R2b3 – Planaltos
R2b3
Relevo de degradação predominantemente em rochas
sedimentares, mas também sobre rochas cristalinas. R4d
Superfícies mais elevadas que os terrenos adjacentes,
pouco dissecadas em formas tabulares ou colinas muito
amplas. Sistema de drenagem principal com fraco enta-
lhamento e deposição de planícies aluviais restritas ou em
vales fechados. R3a2
Predomínio de processos de pedogênese (formação
de solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a
moderada suscetibilidade à erosão). Eventual atuação de
processos de laterização. Ocorrências esporádicas, restritas
a processos de erosão laminar ou linear acelerada (ravinas
e voçorocas).

R2b3 – Escarpa erosiva do planalto de Uruçuí (bacia do Parnaíba,


Amplitude de relevo: 20 a 50 m. sudoeste do estado do Piauí).

Inclinação das vertentes: topo plano a suavemen-


te ondulado: 2º-5o, excetuando-se os eixos dos
vales fluviais.

R2b3

R2b3
R2b3 – Topo do planalto da serra dos Martins, sustentado
por cornijas de arenitos ferruginosos da formação homônima
(sudoeste do estado do Rio Grande do Norte).

R2c – Chapadas e Platôs

Relevo de degradação em rochas sedimentares.

Superfícies tabulares alçadas, ou relevos soerguidos,


planos ou aplainados, não ou incipientemente pouco
dissecados. Os rebordos dessas superfícies, posiciona-
dos em cotas elevadas, são delimitados, em geral, por
vertentes íngremes a escarpadas. Representam algumas
R2b3 das principais ocorrências das superfícies cimeiras do
território brasileiro.
Franco predomínio de processos de pedogênese (for-
mação de solos espessos e bem drenados, em geral, com
baixa a moderada suscetibilidade à erosão).
Processos de morfogênese significativos nos rebordos
R2b3 – Planalto de Uruçuí (sul do estado do Piauí).
das escarpas erosivas, via recuo lateral das vertentes. Fre-
quente atuação de processos de laterização. Ocorrências

13
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ

esporádicas, restritas a processos de erosão laminar ou


linear acelerada (ravinas e voçorocas).

Amplitude de relevo: 0 a 20 m.
R2c
Inclinação das vertentes: topo plano, excetuando-
-se os eixos dos vales fluviais.

R3a2

R2c – “Tepuy” isolado da “serra” do Tepequém, uma forma em


R2c chapada sustentada por arenitos conglomeráticos do supergrupo
Roraima.

IV – DOMÍNIO DOS RELEVOS


DE APLAINAMENTO

R3a1 – Superfícies Aplainadas Conservadas

Relevo de aplainamento.

Superfícies planas a levemente onduladas, promovidas


pelo arrasamento geral dos terrenos, representando, em
R2c linhas gerais, grandes extensões das depressões interpla-
nálticas do território brasileiro.

Amplitude de relevo: 0 a 10 m.

Inclinação das vertentes: 0º-5o.

R2c – Borda Leste da Chapada dos Pacaás Novos (região No bioma da floresta amazônica: franco predomínio
central do estado de Rondônia).
de processos de pedogênese (formação de solos espessos
e bem drenados, em geral, com baixa suscetibilidade à
erosão). Eventual atuação de processos de laterização.
Nos biomas de cerrado e caatinga: equilíbrio entre
processos de pedogênese e morfogênese (a despeito das
baixas declividades, prevalece o desenvolvimento de solos
R2c rasos e pedregosos e os processos de erosão laminar são
significativos).
R4d
R3a2 – Superfícies Aplainadas Retocadas
ou Degradadas

Relevo de aplainamento.

Superfícies suavemente onduladas, promovidas pelo


arrasamento geral dos terrenos e posterior retomada erosiva
proporcionada pela incisão suave de uma rede de drenagem
R2c – Topo da Chapada dos Guimarães e relevo ruiniforme junto a
incipiente. Inserem-se, também, no contexto das grandes
seu escarpamento. depressões interplanálticas do território brasileiro.

14
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

R3a1 R3a1

R3a1 – Médio vale do rio São Francisco (estado da Bahia).

Amplitude de relevo: 10 a 30 m.

Inclinação das vertentes: 0º-5o. R4b

R3a2 R3a1 – Extensa superfície aplainada, delimitada por esparsas cristas


de quartzitos (Canudos, norte do estado da Bahia).

Caracteriza-se por extenso e monótono relevo suave


ondulado sem, contudo, caracterizar ambiente colinoso,
devido a suas amplitudes de relevo muito baixas e longas
rampas de muito baixa declividade.

R3a2
R4c

R3a2

R3a2 – Médio vale do rio Xingu (estado do Pará). R3a2 – Extensa superfície aplainada da depressão sertaneja
(sudoeste do estado do Rio Grande do Norte).

15
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ

R3b – Inselbergs e outros relevos residuais


(cristas isoladas, morros residuais, pontões,
monolitos)
R3b
Relevo de aplainamento.

Relevos residuais isolados destacados na paisagem


aplainada, remanescentes do arrasamento geral dos terrenos.

Amplitude de relevo: 50 a 500 m.

Inclinação das vertentes: 25o-45o, com ocorrência R3b – Neck vulcânico do pico do Cabugi (estado do Rio Grande
de paredões rochosos subverticais (60o-90o). do Norte).

V – DOMÍNIO DAS UNIDADES


DENUDACIONAIS EM ROCHAS
CRISTALINAS OU SEDIMENTARES

R4a1 – Domínio de Colinas Amplas e Suaves

Relevo de degradação em qualquer litologia,


predominando rochas sedimentares.

R3b Relevo de colinas pouco dissecadas, com vertentes con-


vexas e topos amplos, de morfologia tabular ou alongada.
Sistema de drenagem principal com deposição de planícies
aluviais relativamente amplas.

R4a1
R3b

R3b – Sul do estado do Rio Grande do Norte.

R3b
R4a1

R3b – Agrupamentos de inselbergs alinhados em cristas de rochas


quartzíticas delineadas em zona de cisalhamento (estrada R4a1 – Depressão periférica (estado de São Paulo).
Senhor do Bonfim-Juazeiro, estado da Bahia).

16
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

R4a2
R4a1

R4a1 – Colinas amplas e suaves modeladas sobre granulitos


(cercanias de Anápolis, Goiás).

R4a2

R4a1
R4a2 – Leste do estado da Bahia.

R4a1 – Relevo suave colinoso (município de Araruama, R4a2


região dos Lagos, Rio de Janeiro).

Predomínio de processos de pedogênese (formação de


solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a mo-
derada suscetibilidade à erosão). Ocorrências esporádicas,
restritas a processos de erosão laminar ou linear acelerada
(ravinas e voçorocas). Geração de rampas de colúvios nas
baixas vertentes.
R4a2 – Típico relevo de mar-de-morros no médio vale do rio Paraíba
do Sul (topo da serra da Concórdia, Valença, Rio de Janeiro).
Amplitude de relevo: 20 a 50 m.

Inclinação das vertentes: 3º-10o.

R4a2 – Domínio de Colinas Dissecadas R4a2


e de Morros Baixos

Relevo de degradação em qualquer litologia.

Relevo de colinas dissecadas, com vertentes convexo-


-côncavas e topos arredondados ou aguçados. Sistema de
drenagem principal com deposição de planícies aluviais R4a2 – Colinas e morros intensamente dissecados sobre
restritas ou em vales fechados. metassiltitos (município de Padre Bernardo, Goiás).

17
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ

Equilíbrio entre processos de pedogênese e morfo-


gênese (formação de solos espessos e bem drenados, em
geral, com moderada suscetibilidade à erosão). Atuação
frequente de processos de erosão laminar e ocorrência
esporádica de processos de erosão linear acelerada (sulcos,
ravinas e voçorocas). Geração de rampas de colúvios nas
baixas vertentes.
R4a3
Amplitude de relevo: 30 a 80 m.

Inclinação das vertentes: 5º-20o.

R4a3 – Domos em estrutura elevada

Relevo de degradação em qualquer litologia.


R4a3 – Domo de Guamaré, arqueando as rochas sedimentares da
bacia Potiguar (estado do Rio Grande do Norte).
Relevo de amplas e suaves elevações em forma de
meia esfera, com modelado de extensas vertentes convexas
e centrífugo. Sistema de drenagem principal em processo
e topos planos a levemente arredondados. Em geral, essa
inicial de entalhamento, sem deposição de planícies aluviais.
morfologia deriva de rochas intrusivas que arqueiam a su-
Predomínio de processos de pedogênese (formação de
perfície do terreno, podendo gerar estruturas dobradas do
solos espessos e bem drenados, em geral, com baixa a mo-
tipo braquianticlinais. Apresenta padrão de drenagem radial
derada suscetibilidade à erosão). Ocorrências esporádicas,
restritas a processos de erosão laminar ou linear acelerada
(ravinas e voçorocas).

R4a3 Amplitude de relevo: 50 a 200 m.

Inclinação das vertentes: 3º-10o.

R4b – Domínio de Morros e de Serras Baixas

Relevo de degradação em qualquer litologia.

Relevo de morros convexo-côncavos dissecados e topos


arredondados ou aguçados. Também se insere nessa uni-
dade o relevo de morros de topo tabular, característico das
chapadas intensamente dissecadas e desfeitas em conjunto
de morros de topo plano. Sistema de drenagem principal
com restritas planícies aluviais.
Predomínio de processos de morfogênese (formação de
solos pouco espessos em terrenos declivosos, em geral, com
R4a3 moderada a alta suscetibilidade à erosão). Atuação frequente
de processos de erosão laminar e linear acelerada (sulcos e
ravinas) e ocorrência esporádica de processos de movimen-
tos de massa. Geração de colúvios e, subordinadamente,
depósitos de tálus nas baixas vertentes.

Amplitude de relevo: 80 a 200 m, podendo apre-


sentar desnivelamentos de até 300 m.
R4a3 – Domo de Guamaré (estado do Rio Grande do Norte).
Inclinação das vertentes: 15º-35o.

18
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

R4c – Domínio Montanhoso (alinhamentos


serranos, maciços montanhosos, front
de cuestas e hogback)

Relevo de degradação em qualquer litologia.

R4b Relevo montanhoso, muito acidentado. Vertentes


predominantemente retilíneas a côncavas, escarpadas e
topos de cristas alinhadas, aguçados ou levemente arre-
dondados, com sedimentação de colúvios e depósitos de
tálus. Sistema de drenagem principal em franco processo
de entalhamento.
Franco predomínio de processos de morfogênese
(formação de solos rasos em terrenos muito acidentados,
em geral, com alta suscetibilidade à erosão). Atuação fre-
quente de processos de erosão laminar e de movimentos
de massa. Geração de depósitos de tálus e de colúvios nas
baixas vertentes.
R4b
Amplitude de relevo: acima de 300 m, podendo
apresentar, localmente, desnivelamentos inferio-
res a 200 m.

Inclinação das vertentes: 25o-45o, com ocorrência


R4b – Serra do Tumucumaque (norte do estado do Pará). de paredões rochosos subverticais (60o-90o).

R4b R4c

R4b – Relevo de morros elevados no planalto da região serrana do


estado do Rio de Janeiro.

R4c
R4b

R4c – Sul do estado de Minas Gerais.


R4b – Relevo fortemente dissecado em morros sulcados e alinhados
a norte do planalto do Distrito Federal.

19
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ

R4c
R4d

R4c – Relevo montanhoso do maciço do Caraça, modelado em


quartzitos (Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais).

R4c R4d

R4d – Escarpa da serra Geral (nordeste do estado


do Rio Grande do Sul).

R4c – Vale estrutural do rio Araras; reverso da serra do Mar


(Petrópolis, Rio de Janeiro).

R4d – Escarpas Serranas R4d

Relevo de degradação em qualquer litologia.

Relevo montanhoso, muito acidentado. Vertentes


predominantemente retilíneas a côncavas, escarpadas e
topos de cristas alinhadas, aguçados ou levemente arre-
dondados, com sedimentação de colúvios e depósitos de
R4d – Aspecto imponente da serra Geral, francamente entalhada
tálus. Sistema de drenagem principal em franco processo por uma densa rede de drenagem, gerando uma escarpa festonada
de entalhamento. Representam um relevo de transição com mais de 1.000 m de desnivelamento.
entre duas superfícies distintas alçadas a diferentes cotas
altimétricas.
Franco predomínio de processos de morfogênese R2c
(formação de solos rasos em terrenos muito acidentados,
em geral, com alta suscetibilidade à erosão). Atuação fre-
quente de processos de erosão laminar e de movimentos R4d
de massa. Geração de depósitos de tálus e de colúvios nas
baixas vertentes.

Amplitude de relevo: acima de 300 m.

Inclinação das vertentes: 25º-45o, com ocorrência R4d – Escarpa da serra de Miguel Inácio, cuja dissecação está
de paredões rochosos subverticais (60o-90o). controlada por rochas metassedimentares do grupo Paranoá
(cercanias do Distrito Federal).

20
APÊNDICE II – BIBLIOTECA DE RELEVO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

R4e – Degraus Estruturais e Rebordos Erosivos R4f – Vales Encaixados

Relevo de degradação em qualquer litologia. Relevo de degradação predominantemente em rochas


sedimentares, mas também sobre rochas cristalinas.
Relevo acidentado, constituído por vertentes predo-
minantemente retilíneas a côncavas, declivosas e topos Relevo acidentado, constituído por vertentes predo-
levemente arredondados, com sedimentação de colúvios minantemente retilíneas a côncavas, fortemente sulcadas,
e depósitos de tálus. Sistema de drenagem principal em declivosas, com sedimentação de colúvios e depósitos de
franco processo de entalhamento. Representam relevo de tálus. Sistema de drenagem principal em franco processo de
transição entre duas superfícies distintas alçadas a diferentes entalhamento. Consistem em feições de relevo fortemente
cotas altimétricas. entalhadas pela incisão vertical da drenagem, formando vales
Franco predomínio de processos de morfogênese (for- encaixados e incisos sobre planaltos e chapadas, estes, em ge-
mação de solos rasos, em geral, com alta suscetibilidade à ral, pouco dissecados. Assim como as escarpas e os rebordos
erosão). Atuação frequente de processos de erosão laminar erosivos, os vales encaixados apresentam quebras de relevo
e de movimentos de massa. Geração de depósitos de tálus abruptas em contraste com o relevo plano adjacente. Em
e de colúvios nas baixas vertentes. geral, essas formas de relevo indicam uma retomada erosiva
recente em processo de reajuste ao nível de base regional.
Franco predomínio de processos de morfogênese (for-
Amplitude de relevo: 50 a 200 m. mação de solos rasos, em geral, com alta suscetibilidade à
erosão). Atuação frequente de processos de erosão laminar
Inclinação das vertentes: 10º-25o, com ocorrência e de movimentos de massa. Geração de depósitos de tálus
de vertentes muito declivosas (acima de 45o). e de colúvios nas baixas vertentes.

R4e R4e

R4e – Degrau escarpado da serra do Roncador (leste do estado de Mato Grosso).

R4e

R4e

R4e – Degrau estrutural do flanco oeste do planalto de morro do R4e – Degrau estrutural no contato da bacia do Parnaíba com o
Chapéu (Chapada Diamantina, Bahia). embasamento cristalino no sul do Piauí.

21
GEODIVERSIDADE do ESTADO DO PIAUÍ

Amplitude de relevo: 100 a 300 m.

Inclinação das vertentes: 10º-25º, com ocorrência


de vertentes muito declivosas (acima de 45º).

R4f

R2b3 R2b3

R4f
R4f

R4f – Planalto de Uruçuí e vale do Gurgueia


R4f – Vale amplo e encaixado de tributário do rio Gurgueia no
(sul do estado do Piauí).
planalto de Uruçuí (sudoeste do estado do Piauí).

22
NOTA SOBRE OS AUTORES
GEODIVERSIDADE DO BRASIL

ADSON BRITO MONTEIRO – Graduado (1989) em Geologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestre (2000) em
Geociências pela mesma instituição. Atualmente, é geólogo da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil
(CPRM/SGB) – Residência de Teresina (RETE). Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em estudos de água subterrânea, atuando
principalmente nos seguintes temas: Gestão de Recursos Hídricos, Hidroquímica e Hidrogeologia.

ANTENOR FARIA DE MURICY FILHO – Graduado (1964) em Geologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ingressou na Petróleo
Brasileiro S.A. (PETROBRAS) em 1965, lá permanecendo até 1983. Nessa empresa se aperfeiçoou por meio de inúmeros cursos, principalmente
na área de interpretação de perfis e análise de bacias. Exerceu os cargos de chefe de seção, de setor, de divisão e superintendência interina,
além do exercício da Gerência de Exploração das Sucursais da Petrobras Internacional (Braspetro) do Egito e da Líbia (1976-1979). Em 1985
reingressou, como contratado, na Braspetro, onde exerceu a Gerência de Exploração das Sucursais do Yemen do Sul e da Colômbia (1985-
1992). Ingressou na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em dezembro de 2005, onde exerceu a função de
Assessor de Superintendência (2007-2008) e a Superintendência Adjunta de Definição de Blocos (em 2009). Atualmente, é superintendente
interino desse órgão.

ANTÔNIO THEODOROVICZ – Geólogo formado (1977) pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialização (1990) em Geologia
Ambiental. Ingressou na Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) – Superintendência Regional
de Porto Velho (SUREG/PV) em 1978. Desde 1982 atua na Superintendência Regional de São Paulo (SUREG/SP). Executou e chefiou vários
projetos de mapeamento geológico, prospecção mineral e metalogenia em diversas escalas nas regiões Amazônica, Sul e Sudeste. Desde 1990
atua como supervisor/executor de vários estudos geoambientais, para os quais concebeu uma metodologia, também adaptada e aplicada na
geração dos mapas Geodiversidade do Brasil e estaduais. Atualmente, também é coordenador regional do Projeto Geoparques da CPRM/SGB,
ministrando treinamentos de campo para caracterização do meio físico para fins de planejamento e gestão ambiental, para equipes da CPRM/
SGB e de países da América do Sul.

BERNARDO FARIA ALMEIDA – Graduado (2003) em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre (2005) em
Engenharia de Produção (Logística) pela COPPE/UFRJ. Atua na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) como
Analista Administrativo, na Superintendência de Definição de Blocos desde 2005, nos estudos de Geologia e Geofísica para as Rodadas de
Licitações de Blocos Exploratórios realizadas pela ANP e no acompanhamento dos contratos realizados por essa superintendência, de acordo
com o Plano Plurianual de Estudos de Geologia e Geofísica.

CINTIA ITOKAZU COUTINHO – Engenheira civil formada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Engenharia
Ambiental pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Servidora da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)
desde 2004.

DOUGLAS SILVA LUNA – Graduado (1995) em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e aperfeiçoamento
(1996) em Modelagem Matemática pela mesma instituição. Atualmente, é Engenheiro Hidrólogo da Companhia de Pesquisa de Recursos
Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB).

ENJOLRAS DE A. M. LIMA – Graduação em Geologia e Doutorado em Geociências pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É
especialista em Prospecção Geoquímica pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atualmente, é empregado da Companhia de Pesquisa de
Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB). Tem experiência na área de mapeamento geológico, pesquisa mineral, prospecção
geoquímica, geoquímica ambiental, hidrogeologia e serviço de workover em poços de petróleo.

FERNANDA SOARES DE MIRANDA TORRES – Graduada (2007) em Geologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atua na
Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) desde 2007, na área de Geologia Ambiental. Atualmente,
faz parte da equipe do Projeto Geodiversidade do Brasil.

IVO HERMES – Graduação (1973) em Geologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialização (1986) em Análise de
Deformação pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), especialização (1991) em Gestão e Administração Territorial pela Companhia de
Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) e especialização (1986) em Fácies e Ambientes Deposicionais pela CPRM/
SGB – Superintendência Regional de Porto Alegre. Atualmente, é geólogo da CPRM/SGB. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase
em Geologia de Engenharia.

JEAN RICARDO DA S. DO NASCIMENTO – Graduação (1997) em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), mestre (2001)
em Engenharia de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutorando no
Instituto de Pesquisas Hidráulicas dessa mesma instituição (IPH/UFRGS). Atualmente, exerce a função de Engenheiro Hidrólogo na Companhia
de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB). Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em Gestão
e Planejamento e Saneamento Ambiental.

KÁTIA DA SILVA DUARTE – Geóloga formada pela Universidade de Brasília (UnB). Mestre e doutora em Geotecnia pelo Departamento de
Tecnologia da UnB. Servidora da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) desde 2002.

LUCIENE PEDROSA – Oceanógrafa formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Servidora da Agência Nacional do
Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) desde 2006.

LUIS CARLOS BASTOS FREITAS – Graduação (2007) em Geologia pela Universidade Federal do Ceará (UFCE) e mestrado (2009) em
Geologia por essa mesma instituição. Atualmente, é Pesquisador em Geociências na Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço
Geológico do Brasil (CPRM/SGB). Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Gestão Territorial e Hidrogeologia.

LUIZ MOACYR DE CARVALHO – Geólogo formado (1968) pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e especialização em Metalogenia do
Ouro pela Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Geólogo do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM),
participou nos trabalhos da Divisão de Fomento à Produção Mineral e de Fiscalização de Projetos de Financiamento à Pesquisa Mineral no

2
NOTA SOBRE OS AUTORES

Território Federal de Rondônia no período de 01 de junho de 1969 a 31 de dezembro de 1970. Geólogo da Companhia de Pesquisa de
Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) desde 1971, ocupando o cargo de Coordenador de Recursos Minerais da então
Superintendência de Porto Velho (RO). Participou do mapeamento geológico dos projetos Noroeste e Sudeste de Rondônia entre 1972-1978
e atuou como geólogo de prospecção mineral na Divisão de Pesquisa Mineral da Superintendência Regional de Salvador no período 1979-
2003. Atualmente, é Supervisor do GATE, setor do Departamento de Geologia e Gestão Territorial (DEGET). Áreas de interesse: pesquisa
mineral, metalogenia e patrimônio geológico – geoconservação.

MARCELO EDUARDO DANTAS – Graduado (1992) em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com os títulos de
licenciado em Geografia e Geógrafo. Mestre (1995) em Geomorfologia e Geoecologia pela UFRJ. Nesse período, integrou a equipe de
pesquisadores do Laboratório de Geo-Hidroecologia (GEOHECO/UFRJ), tendo atuado na investigação de temas como: Controles Litoestruturais
na Evolução do Relevo; Sedimentação Fluvial; Impacto das Atividades Humanas sobre as Paisagens Naturais no Médio Vale do Rio Paraíba do
Sul. Em 1997, ingressou na CPRM/SGB, atuando como geomorfólogo até o presente. Desenvolveu atividades profissionais em projetos na área
de Geomorfologia, Diagnósticos Geoambientais e Mapeamentos da Geodiversidade, em atuação integrada com a equipe de geólogos do
Programa GATE/CPRM. Dentre os trabalhos mais relevantes, destacam-se: Mapa Geomorfológico e Diagnóstico Geoambiental do Estado do
Rio de Janeiro; Mapa Geomorfológico do ZEE RIDE Brasília; Estudo Geomorfológico Aplicado à Recomposição Ambiental da Bacia Carbonífera
de Criciúma; Análise da Morfodinâmica Fluvial Aplicada ao Estudo de Implantação das UHEs de Santo Antônio e Jirau (Rio Madeira-Rondônia).
Atua, desde 2002, como professor-assistente do curso de Geografia/UNISUAM. Atualmente, é coordenador nacional de Geomorfologia do
Projeto Geodiversidade do Brasil (CPRM/SGB). Membro efetivo da União da Geomorfologia Brasileira (UGB) desde 2007.

MARIA ADELAIDE MANSINI MAIA – Geóloga formada (1996) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com especialização em
Geoprocessamento pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Atuou de 1997 a 2009 na Superintendência Regional de Manaus da
CPRM/SGB, nos projetos de Gestão Territorial e Geoprocessamento, destacando-se o Mapa da Geodiversidade do Estado do Amazonas e os
Zoneamentos Ecológico-Econômicos (ZEEs) do Vale do Rio Madeira, do estado de Roraima, do Distrito Agropecuário da Zona Franca de
Manaus. Atualmente, está lotada no Escritório Rio de Janeiro da CPRM/SGB, desenvolvendo atividades ligadas aos projetos de Gestão
Territorial dessa instituição, notadamente o Programa Levantamento da Geodiversidade.

MARIA ANGÉLICA BARRETO RAMOS – Graduada (1989) em Geologia pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre (1993) em Geociências
pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ingressou na CPRM/SGB em 1994, onde atuou em mapeamento geológico no Projeto Aracaju ao
Milionésimo. Em 1999, no Departamento de Gestão Territorial (DEGET), participou dos projetos Acajutiba-Aporá-Rio Real e Porto Seguro-
Santa Cruz Cabrália. Em 2001, na Divisão de Avaliação de Recursos Minerais, integrou a equipe de coordenação do Projeto GIS do Brasil e de
Banco de Dados da CPRM/SGB. A partir de 2006, passou a atuar na coordenação de geoprocessamento do Projeto Geodiversidade do Brasil
no DEGET. Ministra cursos e treinamentos em ferramentas de SIG aplicados a projetos da CPRM/SGB. É autora de 32 trabalhos individuais e
coautora nos livros “Geologia, Tectônica e Recursos Minerais do Brasil” e “Geodiversidade do Brasil”, dentre outros (12). Foi presidenta da
Associação Baiana de Geólogos no período de 2005-2007 e vice-presidenta de 2008 a 2009.

PEDRO AUGUSTO DOS SANTOS PFALTZGRAFF – Geólogo formado (1984) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre
(1994) na área de Geologia de Engenharia e Geologia Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutor (2007) em
Geologia Ambiental pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Trabalhou, entre 1984 e 1988, em obras de barragens e projetos de
sondagem geotécnica na empresa Enge Rio – Engenharia e Consultoria S.A. e como geólogo autônomo entre os anos de 1985-1994. Trabalha
na CPRM/SGB desde 1994, onde atua em diversos projetos de Geologia Ambiental.

RICARDO DE LIMA BRANDÃO – Graduação (1978) em Geologia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Trabalhou em
projetos de mapeamento geológico na Amazônia de 1978 a 1981 e de 1986 a 1990, pela CPRM/SGB. Entre esses dois períodos, exerceu
função de Supervisão e Acompanhamento de Projetos na área de Metalogenia e Geologia Econômica, no Escritório Rio de Janeiro da CPRM/
SGB (1981-1986). Desde 1990 está lotado na Residência de Fortaleza (REFO), onde vem desenvolvendo trabalhos relativos aos temas Geologia
Ambiental e Recursos Hídricos Subterrâneos, com ênfase nos processos geológicos e problemas ambientais em regiões costeiras.

ROGÉRIO VALENÇA FERREIRA – Bacharel (1993) em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), especialização (1994) em
Cartografia Aplicada ao Geoprocessamento (UFPE), mestre (1999) e doutor (2008) em Geociências por essa mesma instituição. Trabalhou no
período de 1992 a 2002 no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), onde atuou na área de geoprocessamento. Ingressou na
Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB) em 2002, como Analista em Geociências, quando
participou do Projeto Sistema de Informações Geoambientais da Região Metropolitana do Recife. Atualmente, faz parte da equipe do Projeto
Geodiversidade do Brasil, onde trabalha com o tema Geomorfologia, e é Coordenador Regional do Projeto Geoparques na área de atuação da
Superintendência Regional do Recife da CPRM/SGB. Suas principais áreas de interesse são: Geomorfologia e Conservação do Patrimônio
Geológico-Geomorfológico.

VALTER JOSÉ MARQUES – Graduado (1966) em Geologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialização em
Petrologia (1979), pela Universidade de São Paulo (USP), e Engenharia do Meio Ambiente (1991), pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ). Nos primeiros 25 anos de carreira, dedicou-se ao ensino universitário, na Universidade de Brasília (UnB), e ao mapeamento geológico
na CPRM/SGB, entremeando um período em empresas privadas (Mineração Morro Agudo e Camargo Correa), onde atuou em prospecção
mineral em todo o território nacional. Desde 1979, quando retornou à CPRM/SGB, exerceu diversas funções e ocupou diversos cargos, dentre
os quais o de Chefe do Departamento de Geologia da CPRM/SGB e o de Superintendente de Recursos Minerais. Nos últimos 18 anos, vem se
dedicando à gestão territorial, com destaque para o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), sobretudo na Amazônia e nas faixas de
fronteira com os países vizinhos, atuando como coordenador técnico de diversos projetos binacionais. Nos últimos 10 anos, vem desenvolvendo
estudos quanto à avaliação da Geodiversidade para o desenvolvimento regional utilizando técnicas de cenários prospectivos.

VITÓRIO ORLANDI FILHO – Geólogo (1967) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Especialização em Sensoriamento
Remoto e Fotointerpretação no Panamá e Estados Unidos. De 1970 a 2007, exerceu suas atividades junto à CPRM/SGB, onde desenvolveu
projetos ligados a Mapeamento Geológico Regional, Prospecção Mineral e Gestão Territorial. Em 2006, participou da elaboração do Mapa
Geodiversidade do Brasil (CPRM/SGB).

3
GEODIVERSIDADE DO
GEODIVERSIDADE DO
ESTADO DO PIAUÍ
ESTADO DO PIAUÍ

DO PIAUÍ
PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL
LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE

PROGRAMA GEOLOGIA DO BRASIL


Geodiversidade do Estado do Piauí é um produto LEVANTAMENTO DA GEODIVERSIDADE
concebido para oferecer aos diversos segmentos

GEODIVERSIDADE DO ESTADO
da sociedade piauiense uma tradução do atual
conhecimento geocientífico da região, com vistas ao
planejamento, aplicação, gestão e uso adequado do
território. Destina-se a um público alvo muito variado, SEDE
SGAN – Quadra 603 • Conj. J • Parte A – 1º andar
incluindo desde as empresas de mineração, passando Brasília – DF • 70830-030
pela comunidade acadêmica, gestores públicos Fone: 61 3326-9500 • 61 3322-4305
Fax: 61 3225-3985
estaduais e municipais, sociedade civil e ONGs.
Escritório Rio de Janeiro – ERJ
Av. Pasteur, 404 – Urca
Dotado de uma linguagem voltada para múltiplos Rio de Janeiro – RJ • 22290-040
Fone: 21 2295-5337 • 21 2295-5382
usuários, o mapa compartimenta o território piauiense Fax: 21 2542-3647
em unidades geológico-ambientais, destacando suas Presidência
limitações e potencialidades frente à agricultura, obras Fone: 21 2295-5337 • 61 3322-5838
Fax: 21 2542-3647 • 61 3225-3985
civis, utilização dos recursos hídricos, fontes poluidoras,
Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial
potencial mineral e geoturístico. Fone: 21 2295-8248 • Fax: 21 2295-5804

Departamento de Gestão Territorial


Nesse sentido, com foco em fatores estratégicos Fone: 21 2295-6147 • Fax: 21 2295-8094
para a região, são destacadas Áreas de Relevante Diretoria de Relações Institucionais
Interesse Mineral – ARIM, Potenciais Hidrogeológico e Desenvolvimento
Fone: 21 2295-5837 • 61 3223-1166/1059
e Geoturístico, Riscos Geológicos aos Futuros Fax: 21 2295-5947 • 61 3323-6600
Empreendimentos, dentre outros temas do meio físico, Residência de Teresina
representando rico acervo de dados e informações Rua Goiás, 312 • Sul
Teresina • PI • 64001-570
atualizadas e constituindo valioso subsídio para a Fone: 86 3222-4153 • Fax: 86 3222-6651
tomada de decisão sobre o uso racional e sustentável Assessoria de Comunicação
do território nacional. Fone: 21 2546-0215 • Fax: 21 2542-3647

Divisão de Marketing e Divulgação


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Ouvidoria
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Geodiversidade é o estudo do meio físico constituído por ambientes
diversos e rochas variadas que, submetidos a fenômenos naturais Serviço de Atendimento ao Usuário – SEUS
e processos geológicos, dão origem às paisagens, ao relevo, outras Fone: 21 2295-5997 • Fax: 21 2295-5897
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rochas e minerais, águas, fósseis, solos, clima e outros depósitos
superficiais que propiciam o desenvolvimento da vida na Terra, tendo
como valores intrínsecos a cultura, o estético, o econômico, o científico, www.cprm.gov.br
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o educativo e o turístico, parâmetros necessários à preservação
responsável e ao desenvolvimento sustentável.

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