EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DA 2ª VARA DO TRABALHO
DE ITUIUTABA- MINAS GERAIS – TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO
DA 3ª REGIÃO.
Processo: 0050000-80.2019.5.22.0090
SOCIEDADE EMPRESÁRIA MORADA ETERNA LTDA, pessoa jurídica
de direto privado, inscrita no CNPJ n., localizada na Rua, n., Bairro, Cidade/UF, neste
ato representada por seu sócio administrador Nome, CPF, RG, residente na Rua, Bairro,
Cidade/UF, através de sua procuradora e advogada, que esta subscreve, mandado
incluso, vem à presença de Vossa Excelência, com devido acato, inconformada com a r.
Sentença proferida no ID, e com fundamento no art. 895, I, da CLT, interpor o presente
RECURSO ORDINÁRIO
Para o Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, fazendo-o no
prazo legal, ou seja, 8 (oito) dias contados da publicação da sentença, na conformidade
das razões anexas, tendo recolhido o preparo e pagas as custas processuais conforme
guias em anexo.
Assim sendo requer que se digne Vossa Excelência, em deferir o
processamento da presente, e que seja determinada a intimação à Recorrida para
apresentar contrarrazões ao recurso ordinário, no prazo de 08 (oito) dias, conforme
estabelece o art. 900, da CLT e a posterior remessa dos autos ao Tribunal Regional do
Trabalho da 3ª Região, para os fins de direito, cumpridas as formalidades legais.
Nestes Termos,
Pede e Espera Deferimento.
Ituiutaba -MG 11 de agosto de 2021.
Advogada
OAB/MG
EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 3ª REGIÃO
Autos nº: 0050000-80.2019.5.22.0090
Vara de Origem: 2ª Vara do Trabalho de Ituiutaba/MG
Recorrente: Sociedade Empresária Morada Eterna Ltda
Recorrido: Luíza Mel
Colenda Turma,
Ínclitos Julgadores,
RAZÕES DO RECURSO ORDINÁRIO
A respeitável sentença proferida pelo juízo a quo, não deve ser mantida, razão
pela qual, requer a sua reforma, nos termos deste Recurso Ordinário.
I- DAS PRELIMINARES
a) DA PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA PELO
INDEFERIMENTO DA OITIVA DAS TESTEMUNHAS DA EMPRESA
Na fase instrutória o magistrado indeferiu a oitiva de duas testemunhas trazidas
pela sociedade empresária, que seriam ouvidas para provar que Recorrente entregava o
valor da passagem em espécie diariamente à Recorrida, ficando evidente o cerceamento
de defesa, conforme o art. 5º, inciso LV, da CF/88 e art. 369 do CPC.
Isto exposto, requer a que seja anulado o processo e o retorno do mesmo à 2ª
Vara do Trabalho de Ituiutaba para que as testemunhas sejam ouvidas e uma nova
sentença seja proferida.
b) DA PRELIMINAR DE INÉPCIA DA INICIAL EM RELAÇÃO AOS
FERIADOS
Ademais o magistrado deferiu o pagamento de horas extras pelos feriados,
conforme requerido na inicial pela Reclamada, que pediu de forma genérica em “todo e
qualquer feriado brasileiro”, tendo em vista que os feriados foram indicados de forma
genérica no pedido, conforme o Art. 330, inciso I, Art. 330, § 1º, inciso II, do CPC e
Art. 840, § 1º, da CLT. Isto posto, requer que a r. sentença seja reformada para que seja
reconhecida a inépcia da inicial, e a extinção do feito sem resolução do mérito,
conforme o art. 485, inciso I, do CPC.
II- DE MÉRITO
-DO INDEVIDO PAGAMENTO DO INTERVALO
O juízo a quo, em sua sentença, reconheceu que a jornada da recorrida se
desenvolvia de 2ª a 6ª feira, das 10 às 16 horas, com intervalo de 10 minutos para
refeição, conforme confessado pelo preposto em interrogatório, sendo, então, deferido o
pagamento de 15 minutos com adicional de 50%, em razão do intervalo desrespeitado, e
reflexos nas demais verbas salariais; Assim sendo requer a reforma da sentença sendo
necessário apenas considerar o período suprimido de natureza indenizatória, é indevido
o pagamento integral do intervalo, pois dispõe o Art. 71, § 4º, da CLT.
- DA INDEVIDA INDENIZAÇÃO
Na respeitável sentença proferida pelo juízo a quo, foi deferida indenização de
R$ 6.000,00 a título de dano moral por acidente do trabalho em razão de doença
degenerativa da qual a trabalhadora foi vítima, conforme laudos médicos juntados aos
autos. Esta indenização por dano extrapatrimonial não deve ser mantida, pois doença
degenerativa não é considerada doença do trabalho, como descrito no Art. 20, § 1º,
alínea a, da Lei nº 8.213/91, contudo a Recorrente não é responsável pelo dano, requer
desde já a reforma da sentença para que seja indeferido a indenização.
-DO DESCABIMENTO DA DEVOLUÇÃO EM DOBRO PELAS FALTAS
JUSTIFICADAS
O magistrado julgou procedente o pedido de devolução em dobro, como
requerido na exordial, de 5 dias de faltas justificadas por atestados médicos, pois a
preposta reconheceu que a empresa se negou a aceitar os atestados porque não
continham CID (Classificação Internacional de Doenças, isto não está na legislação bem
como na CLT para esse pedido, conforme podemos analisar o princípio da legalidade
descrito no Art. 5º, inciso II, da CF/88. Requer, portanto, a reforma da r. sentença no
sentido de indeferir essa devolução.
- DO DEFERIMENTO DA CESTA BÁSICA MENSAL – NÃO PREENCHE OS
REQUISITOS
O ilustre magistrado deferiu o pagamento correspondente a 1 cesta básica mensal,
porque sua entrega era prevista na convenção coletiva que vigorou no ano anterior (de
janeiro de 2017 a janeiro de 2018) e, no entendimento do julgador, uma vez que não
houve estipulação de uma nova norma coletiva, a anterior foi, automaticamente,
prorrogada no tempo; De acordo com a norma coletiva não ela não tem ultratividade, na
conforme Art. 614, § 3º, da CLT, sendo assim indevida o pedido. E requer a reforma da
sentença para seja indeferido o pagamento a recorrida.
DA NECESSÁRIA REDUÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS AO LIMITE
LEGAL
Foram deferidos honorários advocatícios em favor do advogado da autora na
razão de 20% da liquidação.
Razão não lhe assisti, uma vez que suplanta o limite legal estabelecido, que é
de 15%, conforme o Art. 791-A, da CLT, motivo pelo qual deve ser reduzido.
Dessa forma requer a reforma da sentença, para que seja o percentual deferido,
reduzido, observando os limites legais da CLT.
II- DOS REQUERIMENTOS FINAIS
Diante do exposto, requer a admissibilidade do presente recurso, a renovação
das preliminares e, no mérito, o provimento do recurso.
Nestes termos,
Pede e se espera deferimento.
Local e data
Nome e assinatura do advogado
OAB/UF
LUIZA MEL trabalhou como auxiliar de coveiro na sociedade empresária
Morada Eterna Ltda., de 30/03/2018 a 07/01/2019, quando foi dispensada sem justa
causa, recebendo, por último, o salário de R$ 1.250,00 mensais, conforme anotado na
CTPS. Em razão disso, ela ajuizou reclamação trabalhista em face da sociedade
empresária. A ação foi distribuída ao juízo da 2ª Vara do Trabalho de Ituiutaba/MG,
recebendo o número 0050000-80.2019.5.22.0090. LUIZA MEL formulou vários
pedidos, que assim foram julgados: o juízo declarou a incompetência material da Justiça
do Trabalho para apreciar o pedido de recolhimento do INSS do período trabalhado; foi
reconhecido que a jornada se desenvolvia de 2ª a 6ª feira, das 10 às 16 horas, com
intervalo de 10 minutos para refeição, conforme confessado pelo preposto em
interrogatório, sendo, então, deferido o pagamento de 15 minutos com adicional de
50%, em razão do intervalo desrespeitado, e reflexos nas demais verbas salariais; não
foi reconhecido o salário oficioso de mais R$ 2.000,00 alegado na petição inicial, já que
o julgador entendeu não haver prova de qualquer pagamento “por fora”; foi deferido o
pagamento de horas extras pelos feriados, conforme requerido pela trabalhadora na
inicial, que pediu extraordinário em “todo e qualquer feriado brasileiro”, sendo rejeitada
a preliminar suscitada na defesa contra a forma desse pedido; foi deferida indenização
de R$ 6.000,00 a título de dano moral por acidente do trabalho em razão de doença
degenerativa da qual a trabalhadora foi vítima, conforme laudos médicos juntados aos
autos; foi indeferido o pagamento de adicional noturno, já que a autora não comprovou
que houvesse enterro, ou preparação para tal fim, no período compreendido entre 22 e 5
horas; foi deferido o pagamento do vale-transporte em todo o período trabalhado, sendo
que, na instrução, o magistrado indeferiu a oitiva de duas testemunhas trazidas pela
sociedade empresária, que seriam ouvidas para provar que ela entregava o valor da
passagem em espécie diariamente à trabalhadora; foi julgado procedente o pedido de
devolução em dobro, como requerido na exordial, de 5 dias de faltas justificadas por
atestados médicos, pois a preposta reconheceu que a empresa se negou a aceitar os
atestados porque não continham CID (Classificação Internacional de Doenças); foi
deferido o pagamento correspondente a 1 cesta básica mensal, porque sua entrega era
prevista na convenção coletiva que vigorou no ano anterior (de janeiro de 2017 a janeiro
de 2018) e, no entendimento do julgador, uma vez que não houve estipulação de uma
nova norma coletiva, a anterior foi, automaticamente, prorrogada no tempo; foram
deferidos honorários advocatícios em favor do advogado da autora na razão de 20% da
liquidação e, em favor do advogado da ré, no importe de 10% em relação aos pedidos
julgados improcedentes.Diante disso, na condição de advogado da ré, redija a peça
prático-profissional para a defesa dos interesses da sua cliente em juízo, ciente de que,
na sentença, não havia vício ou falha estrutural que comprometesse suaintegridade.
(Valor: 30