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Gestão de Riscos na Terceirização Pública

Here is a summary of the document in 3 sentences or less: [SUMMARY] The document presents a dissertation about proposing a methodology for evaluating risk in outsourced contracts considering characteristics of suppliers/contracts and the assumptions of Transaction Cost Theory. It analyzes the theoretical framework around risk management to identify variables that can influence contract risk. Empirical research was conducted on outsourced contracts signed by the Federal University of Viçosa from 2007 to 2017, collecting data through government websites and a questionnaire to contract managers.

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Gestão de Riscos na Terceirização Pública

Here is a summary of the document in 3 sentences or less: [SUMMARY] The document presents a dissertation about proposing a methodology for evaluating risk in outsourced contracts considering characteristics of suppliers/contracts and the assumptions of Transaction Cost Theory. It analyzes the theoretical framework around risk management to identify variables that can influence contract risk. Empirical research was conducted on outsourced contracts signed by the Federal University of Viçosa from 2007 to 2017, collecting data through government websites and a questionnaire to contract managers.

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LUDIANY BARBOSA SENA MIRANDA

GESTÃO DE RISCOS DE CONTRATOS DA TERCEIRIZAÇÃO NO


SETOR PÚBLICO: UMA ANÁLISE NA UNIVERSIDADE
FEDERAL DE VIÇOSA

Dissertação apresentada à Universidade


Federal de Viçosa, como parte das
exigências do Programa de Pós-Graduação
em Administração Pública em Rede
Nacional (PROFIAP), para obtenção do
título de Magister Scientiae.

VIÇOSA
MINAS GERAIS – BRASIL
2018
Ficha catalográfica preparada pela Biblioteca da Universidade Federal
de Viçosa - Câmpus Rio Paranaíba

T
Miranda, Ludiany Barbosa Sena, 1985-
M672g Gestão de riscos de contratos da terceirização : uma análise
2018 na Universidade Federal de Viçosa. / Ludiany Barbosa Sena
Miranda. – Viçosa, MG, 2018.
x, 76f : il. (algumas color.) ; 29 cm.

Inclui anexos.
Orientador: Nálbia de Araújo Santos.
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Viçosa.
Inclui bibliografia.

1. Gestão de riscos. 2. Setor público. 3. Terceirização.


I. Universidade Federal de Viçosa. Departamento de
Administração e Contabilidade. Programa de Pós-graduação em
Administração Pública em Rede Nacional - PROFIAP/UFV.
II. Título.

658.402
ii

Dedicatória
Dedico este trabalho aos amores da minha
vida: Letícia e Antônio.
iii

AGRADECIMENTOS

Primeiramente a Deus, pela proteção e força para que pudesse concretizar este
sonho.
Aos meus filhos, Letícia e Antônio, que sofreram a minha ausência nos momentos
de estudo e são o meu estímulo para sempre buscar um futuro melhor.
Ao meu esposo, Lucas, pelo incentivo e companheirismo.
Aos meus pais, pelo amor e incansáveis exemplos de dedicação e honestidade.
À minha irmã Ludimila, amiga e companheira de toda vida.
À minha orientadora Nálbia de Araújo, pelo incentivo e dedicação durante o
período em que pudemos desenvolver este trabalho.
Às professoras Fernanda Almeida e Fernanda Cristina, pelas sugestões feitas
durante a defesa do projeto de pesquisa.
À Joyce, que se tornou uma amiga nessa jornada e esteve sempre disposta a me
ajudar.
Aos colegas de turma do PROFIAP, pelos compartilhamentos nas horas de estudo
e pelos momentos divertidos que passamos juntos.
Aos amigos da Pró-Reitoria de Planejamento e Orçamento, que fizeram parte
dessa jornada, com palavras e atitudes de suporte e motivação, em especial ao Prof.
Sebastião Tavares, pela compreensão nos momentos em que estive ausente.
A todos os familiares e amigos que de alguma forma me deram força e
contribuíram para o desenvolvimento do mestrado.
Aos gestores de contratos da UFV, que responderam o questionário aplicado e
proporcionaram o desenvolvimento deste estudo.
À Universidade Federal de Viçosa, por mais uma vez me dar a oportunidade de
fazer parte desta Instituição que tanto admiro.
iv

SUMÁRIO

RESUMO ................................................................................................................... vi

ABSTRACT .............................................................................................................. vii

LISTA DE FIGURAS .............................................................................................. viii

LISTA DE QUADROS ............................................................................................ viii

LISTA DE TABELAS ............................................................................................... ix

LISTA DE SIGLAS .................................................................................................... x

1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 1

1.1 Contextualização Geral ................................................................................ 1

1.2 O problema e sua importância .......................................................................... 3

2. REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................................. 6

2.1 Contratos e teoria de custos das transações ...................................................... 6

2.1.1 Pressupostos Comportamentais dos Custos de Transação ............................. 8

2.1.2 Características dos custos de Transação ..................................................... 10

2.2 Gestão de riscos ........................................................................................... 13

2.2.1 Governança e Gestão de Riscos .................................................................. 13

2.2.2 Definição do Risco e seu gerenciamento ..................................................... 16

2.2.3 Modelos de Gestão de riscos ....................................................................... 19

2.2.4 Fatores de influência ao risco ..................................................................... 24

2.2.5 Gestão de Riscos na Terceirização .............................................................. 26

3. METODOLOGIA ................................................................................................. 29

3.1 Planejamento............................................................................................... 30

3.2 Execução...................................................................................................... 31

3.3 Análise ......................................................................................................... 35

3.3.1 Análise Discriminante ................................................................................. 35

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES.......................................................................... 40
v

4.1 Cenário da terceirização na UFV ............................................................... 40

4.1.1 Representatividade da terceirização ...................................................... 40

4.1.2 Composição da mão de obra.................................................................. 43

4.1.3 Gestores de Contratos ........................................................................... 43

4.1.4 Fiscalização e controles internos dos contratos ..................................... 46

4.2 Pressupostos da Teoria de Custos de Transação ....................................... 47

4.3 Modelo de Gestão de Riscos ....................................................................... 49

4.3.1 Função Discriminante ........................................................................... 49

4.3.2 Teste de Spearman ................................................................................. 54

5. CONCLUSÃO.................................................................................................... 58

REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 61

ANEXO I: Roteiro de Questionário ......................................................................... 67

ANEXO 2: Teste da Distância de Mahalanobis ....................................................... 72


vi

RESUMO

MIRANDA, Ludiany Barbosa Sena, [Link]., Universidade Federal de Viçosa, agosto de


2018. Gestão de riscos de contratos da terceirização no setor público: uma análise
na Universidade Federal de Viçosa. Orientadora: Nálbia de Araújo Santos.
Coorientadora: Fernanda Cristina da Silva.

Dada a importância em se buscar ferramentas que resultem em melhorias na qualidade


dos serviços públicos, contribuindo para o alcance dos objetivos institucionais, este
trabalho tem como objetivo geral propor uma metodologia de avaliação de riscos em
contratos terceirizados, considerando características dos fornecedores/contratos e os
pressupostos da Teoria de Custos de Transação. Para cumprir com este objetivo, analisou-
se o arcabouço teórico que permeia a gestão de riscos, de forma a possibilitar visão
ampliada e detalhada sobre o tema. Essa base teórica permitiu a identificação variáveis
que podem influenciar nos riscos do contrato, que embasou a proposta do modelo. O
levantamento empírico da pesquisa foi com base nos contratos terceirizados firmados pela
Universidade Federal de Viçosa, de 2007 a 2017. Os dados foram coletados por meio
sites oficiais do governo federal e aplicação de questionário aos gestores dos contratos
que compuseram a análise. As técnicas utilizadas foram Análise Documental e Análise
Discriminante Multivariada de Dados. Com o levantamento dos dados identificou-se o
contexto da terceirização da Universidade Federal de Viçosa, o perfil dos gestores e o
grau de controle interno/fiscalização empregada nos contratos. Por fim, utilizando-se a
Análise Discriminante, por meio do software Stata, foi proposta uma regra de
classificação em baixo, médio e alto grau de riscos nos contratos. Como principais
achados, destaca-se fragilidade na capacitação dos gestores e a confirmação da presença
dos pressupostos da Teoria de Custos de Transação nos contratos terceirizados. Em suma,
tem-se que o modelo proposto tem predição em 88,50% dos contratos analisados,
podendo ser replicado para outros órgãos públicos.
vii

ABSTRACT

MIRANDA, Ludiany Barbosa Sena, [Link]., Universidade Federal de Viçosa, August,


2018. Risk management of outsourcing contracts in the public sector: an analysis in
Federal University of Viçosa. Adviser: Nálbia de Araújo Santos. Co-adviser:Fernanda
Cristina da Silva.

Because of the importance of searching for tools that lead to improvements in the quality
of public services, contributing to the achievement of institutional goals, this paper has
the general objective to propose a methodology of risk assessment in outsourcing
contracts, taking into consideration characteristics of suppliers/contracts and the
assumptions of the Transaction Cost Theory (TCT). In order to fulfill this objective, the
theoretical framework that permeates the risk assessment was analyzed, to enable a broad
and detailed view about the subject. This theoretical framework has allowed the
identification of variables that may influence the risks of the contract, that has supported
the proposal of the model. The research empirical survey was based on the outsourcing
contracts made by the Universidade Federal de Viçosa (Federal University of Viçosa),
from 2007 to 2017. The data were collected through official federal government websites
and the application of questionnaires to the contract managers that have composed the
analysis. The techniques used were the Documentary Analysis and the Multivariate
Discriminating Data Analysis. Based on the data survey we identified the context of the
outsourcing in the Universidade Federal de Viçosa, the profile of the managers and the
degree of internal control/monitoring used in the contracts. Finally, using the
Discriminating Analysis through Stata software, it was proposed a classification rule of
low, average and high risks in the contracts. As main findings, it stands out the fragility
of managers training, and the confirmation of assumptions of the Transaction Cost Theory
(TCT) being present in the outsourcing contracts. In conclusion, the proposed model has
88,50% prediction in the analyzed contracts, being able to be replicated in other public
institutions.
viii

LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Ciclo de vida do contrato. ............................................................................. 6


Figura 2: Gestão de Riscos e Governança................................................................... 15
Figura 3: Matriz tridimensional dos elementos do COSO. .......................................... 21
Figura 4: Matriz probabilidade e impacto. .................................................................. 23
Figura 5: Etapas dos Procedimentos Metodológicos. .................................................. 30
Figura 6 : Despesas Incorridas ................................................................................... 41
Figura 7: Evolução no número de funcionários terceirizados e corpo técnico
administrativo ............................................................................................................. 42
Figura 8: Distribuição da mão de obra terceirizada na UFV. ...................................... 43
Figura 9: Resposta dos Gestores em relação ao recebimento de treinamento e preparação
para a função............................................................................................................... 45
Figura 10: Fiscalização nos contratos. ........................................................................ 47
Figura 11: Presença da Teoria de Custos de Transação nos Contratos. ....................... 48
Figura 12: Centroides. ............................................................................................... 52
Figura 13: Observações gravitando em torno dos centroides. ..................................... 53

LISTA DE QUADROS

Quadro 1: Principais variáveis explicativas para o risco dos contratos........................ 26


Quadro 2: Variáveis utilizadas no modelo.................................................................. 33
ix

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Representatividade dos valores das Despesas com Contratos Terceirizados (em
Reais). ........................................................................................................................ 40
Tabela 2: Funções Discriminantes do Modelo de Gestão de Riscos. ........................... 50
Tabela 3: Resultado parcial do Teste da Distância de Mahalanobis ............................ 51
Tabela 4: Matriz de Classificação dos Grupos. ........................................................... 53
Tabela 5: Teste de Spearman...................................................................................... 55
x

LISTA DE SIGLAS

AD Análise Discriminante Simples


ADM Análise Discriminante Múltipla
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas
CEP Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos
COSO Committee of Sponsoring Organizations
CGU Controladoria Geral da União
ECT Economia dos Custos de Transação
ERM Enterprise Risk Management
FGTS Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
IES Instituições de Ensino Superior
IFES Instituições Federais de Ensino Superior
IIA Brasil Instituto de Auditores Internos do Brasil
IN Instrução Normativa
ISO International Organization for Standardization
MP Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão
REUNI Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais
SIAFI Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal
TCT Teoria dos Custos de Transações
UFV Universidade Federal de Viçosa
1

1. INTRODUÇÃO

1.1 Contextualização Geral

Em geral, a contratação de empresas para prestarem serviços de atividades meio


no setor público é feita via concessão, permissão ou autorização para o trespasse de
serviços públicos a terceiros, mediante ao devido processo de licitação. Em 2017, a
aprovação da Lei n° 13.429, de 31 de março de 2017, que dispõe sobre as relações de
trabalho na empresa de prestação de serviços a terceiros, expôs o debate a respeito da
extensão da terceirização, visto que, em seus termos, a terceirização de atividades fim
poderia ser realizada no âmbito da Administração Pública. Independente do debate, essa
Lei regulamenta pontos relevantes que devem ser observados na relação contratual entre
a empresa prestadora de serviços a terceiros e seus trabalhadores com a empresa
contratante, demonstrando que o Brasil está em processo ascendente no que se refere à
regulamentação da mão de obra terceirizada.
Diante do contexto, Silveira (2017) defende que a prática da terceirização tem
vantagens, que estão relacionadas ao aumento da competitividade, à focalização nas
atividades fins da organização e à otimização de custos. Entretanto, para explorar tais
vantagens, descritas pelo referido autor o serviço terceirizado deve ser realizado
adequadamente e com qualidade. O controle da qualidade dos serviços prestados é
atribuição do governo, resultando na necessidade da gestão de contratos.
Por conseguinte, a gestão de contratos é relevante para que haja um
acompanhamento de cada etapa com o objetivo de analisar o cumprimento contratual,
bem como observar especialmente os riscos aos quais o ente público está sujeito.
Perdicaris (2012) reforça que, sem a supervisão governamental adequada, existe
possibilidade de ocorrência de fraude, abusos, desvios e falta de transparência, já que as
partes envolvidas no processo podem buscar seus próprios interesses ao invés das metas
governamentais.
Outro ponto importante sobre a terceirização é que a administração pública não
está isenta de obrigações, visto que pode ser responsabilizada por débitos trabalhistas de
funcionários das empresas terceirizadas, caso seja comprovada a omissão ou negligência
de seus agentes públicos na fiscalização do contrato. De acordo com Manarino (2017) as
eventuais fraudes a direitos trabalhistas dos funcionários terceirizados são cobradas tanto
2

da empresa licitada quanto da autarquia licitante, em especial quando não existir


fiscalização ou na hipótese de ela ser feita de forma ineficaz.
Em relação aos riscos de contratação com baixa qualidade, Silveira (2017) critica
as imposições da Lei de Licitações, especialmente àquela relativa à contratação pelos
entes públicos da empresa que ofertam o menor preço. Para o autor, essa norma pode
conduzir a contratação de empresas menos estruturadas, podendo gerar prejuízos na
qualidade dos serviços prestados, e além disso ainda argumenta que as falhas da Lei de
Licitações podem elevar os riscos de problemas contratuais entre os órgãos públicos e as
empresas que prestam o serviço terceirizado.
Do ponto de vista de Silveira (2017), a gestão de riscos é uma ferramenta relevante
para a administração, que pode ser aplicada em todas as áreas da instituição. Inicialmente,
o modelo de gestão de risco foi aplicado junto às empresas privadas, mas, já está sendo
adotado no serviço público e é considerado ponto importante para uma governança
adequada.
Nesse contexto, em maio de 2016, o Ministério da Transparência, Fiscalização e
Controladoria Geral da União (CGU) e o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento
e Gestão (MP) divulgaram a Instrução Normativa (IN) conjunta nº 01 cujos objetivos são
formalizar e institucionalizar a gestão de riscos nas instituições públicas brasileiras. No
geral, essa IN determina a adoção de uma série de medidas para sistematizar as práticas
relacionadas à gestão de riscos, controles internos e governança nos órgãos e entidades
do Poder Executivo Federal. Concernente às contratações de serviços, em maio de 2017,
o MP divulgou a IN nº 5, que dispõe sobre as regras e diretrizes do procedimento de
contratação de serviços, tornando o gerenciamento de riscos umas das etapas obrigatórias
nesse processo.
Para Freitas (2002), avaliar os prováveis impactos dos riscos aos contratos, e, por
conseguinte, a adequada prestação dos serviços públicos, pode ajudar na adoção de
providências com vistas a evitá-los ou garantir a formulação de planos de contingência
para administrar os possíveis efeitos adversos. Na opinião de Ávila (2016), a
implementação do gerenciamento de risco no âmbito público deverá resultar em
melhorias na qualidade dos serviços e a eficácia das políticas públicas, bem como
demonstrar como melhor operar em um ambiente de incerteza e de recursos limitados.
A IN Conjunta nº 1 determina, ainda, que a responsabilidade pelo estabelecimento
da estratégia da organização e da estrutura do gerenciamento de risco é do dirigente
máximo de cada órgão ou entidade. Assim, para adotar uma estrutura de gerenciamento
de riscos como a recomendada pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e
3

Gestão é preciso que a instituição defina um modelo a ser adotado. Segundo Moraes
(2003) são exemplos de modelos de Gerenciamento do Risco Corporativo o International
Organization for Standardization (ISO) - 31000, Orange Book, do Tesouro Britânico, e
o mais utilizado no Brasil, o Committee of Sponsoring Organizations (COSO). Esses
modelos se baseiam na avaliação dos controles internos para gerir o risco. Entretanto, não
trazem critérios específicos sobre a mensuração e classificação do risco para o contexto
de órgãos públicos.
Ressalta-se que o tema de Gerenciamento de Riscos no Setor Público foi objeto
de estudo no campo acadêmico. Dentre os trabalhos destacam-se os de Faria, Ferreira &
Gonçalves (2009), Sales (2016) e Veloso (2017). Faria, Ferreira & Gonçalves (2009)
avaliaram os riscos do Pregão Eletrônico em uma Instituição de Ensino. Sales (2016)
elaborou uma proposta de modelo de classificação do risco de contratos públicos,
destinados à seleção de auditoria. Enquanto Veloso (2017), teve como objetivo identificar
os riscos envolvidos na terceirização de mão de obra em uma universidade, a partir da
reestruturação e expansão universitária.
Em relação à base teórica que embasou esses trabalhos sobre gestão de riscos,
verificou-se que Faria, Ferreira & Gonçalves (2009) e Sales (2016) empregaram a Teoria
dos Custos de Transações (TCT), que são os custos de negociar, redigir e garantir que um
contrato será cumprido. Essa teórica tem como pressupostos comportamentais básicos a
racionalidade limitada e o oportunismo, e as características das transações: incerteza,
frequência e especificidades dos ativos, que poderão influenciar no evento do risco se
estiverem presentes em maior ou menor grau.
Como pode ser observado, tais estudos não tiveram como foco a definição de uma
metodologia específica para propor um modelo de gerenciamento de riscos no setor
público, em especial em relação aos contratos terceirizados. Assim, identificou-se uma
lacuna sobre o tema no qual essa pesquisa pretende abordar.

1.2 O problema e sua importância

Conforme mencionam Oliveira Júnior, Gomes e Machado (2015), são poucos os


órgãos e entidades públicas no Brasil que possuem políticas ou implementaram rotinas
práticas de gestão de riscos formalmente estabelecidas. No caso da Universidade Federal
de Viçosa (UFV), a gestão da instituição foi orientada pela CGU e pelo MP a implementar
normas e rotinas de gestão de riscos em contratos, de forma a cumprir as determinações
da IN n° 01/2016 e IN n ° 05/2017, buscando maior acurácia nos objetivos institucionais.
4

Entretanto, até o momento, a UFV não possui uma política de gestão de riscos, bem como
não adotou um modelo prático para gerenciá-los.
Ressalta-se que a UFV possuía 34 contratos vigentes com empresas de serviços
terceirizados, que resultavam em 1.095 1 funcionários terceirizados, em face a 2.196
servidores ativos, representando 33,27% de sua mão de obra técnica administrativa, em
2017. O valor total gasto com esses contratos é de 29,9 milhões de reais2, que equivalem
em torno de 35% dos recursos financeiros orçados para as despesas de custeio
discricionárias. Esses dados reforçam a relevância estratégica do mecanismo de
terceirização para a UFV.
Assim, a problemática eminente envolve a necessidade de se desenvolver
metodologias para o gerenciamento de riscos em contratos da terceirização na
Universidade Federal de Viçosa, de forma a reduzir dos custos de transação, em especial
para a área de contratos terceirizados, levando-se em consideração a complexidade e
representatividade dessa mão de obra nas atividades da instituição. Buscando solucionar
essa situação-problema, esta pesquisa propõe-se a responder a seguinte questão: Como
gerenciar riscos nos contratos destinados à terceirização de mão de obra em uma
Instituição Superior de Ensino Federal?
O objetivo geral do trabalho é propor uma metodologia de avaliação de riscos em
contratos terceirizados, considerando características dos fornecedores e da execução
contratual, que podem influenciar no risco, bem como a presença dos elementos da Teoria
dos Custos das Transações. Como objetivos específicos, pretende-se:
1. Analisar a expansão da terceirização na UFV, identificando aspectos técnicos e
administrativos, bem como traçar o perfil do gestor de contratos;
2. Analisar a presença da Teoria de Custos de Transação nos contratos
terceirizados da UFV;
3. Criar uma regra de classificação de risco para os contratos, considerando os
níveis baixo, médio e alto risco;
Em virtude das normas vigentes e da necessidade da gestão, propor um modelo de
avaliação e gerenciamento de riscos em contratos terceirizados justifica-se pela
necessidade de se gerenciar os riscos, que podem conduzir à ineficácia e descontinuidades
dos objetivos institucionais da UFV. Outras justificativas são a redução dos custos de
transações dos contratos, a sua adequação à legislação vigente e as recomendações dos
órgãos de controle.

1
Dados obtidos junto ao Serviços de Contratos Terceirizados da UFV.
2
Consulta ao SIAFI – Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal, em 04/06/18.
5

Este estudo está estruturado em cinco capítulos, incluído esta introdução. No


capítulo 2 apresentam-se os conceitos sobre contratos e a Teoria dos Custos de
Transações, que é a base teórica para este trabalho, a contextualização da Gestão de
Riscos no setor Público e os modelos de gerenciamento de riscos descritos na literatura.
O capítulo 3 contemplará as principais estratégicas metodológicas, que são as fontes e
instrumentos de coleta de dados e a técnica de análise discriminante, escolhida para
analisar os dados obtidos na pesquisa. No capítulo 4, são apresentados e discutidos os
resultados alcançados com base nos elementos teóricos, demonstrando a formulação do
modelo de gestão de riscos para contratos terceirizados. Por fim, o capítulo 5 serão
apresentadas as considerações finais, fundamentadas nos resultados observados durante
a proposição do modelo, e as limitações do estudo.
6

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Contratos e teoria de custos das transações

No âmbito da administração pública, o contrato é o instrumento que formaliza a


relação do governo com os seus fornecedores (BRASIL, 1993), exigindo atenção dos
gestores públicos. Silveira (2017, p. 35) define a gestão de contratos como “a gestão
específica da vida do contrato, desde seu nascimento, até seu encerramento, por meio do
controle de documentação, vencimento, prazos, níveis mínimos de serviço, reajuste,
dentre outros”.
Não existe fórmula única de gerenciar os contratos e os exemplos abarcam
documentos mais simples, até os mais detalhados. Entretanto, para se obter êxito no
gerenciamento é necessário conhecer cada etapa do seu ciclo de vida. Para Silveira
(2017), o ciclo de vida do contrato é composto por seis etapas, que estão apresentadas na
Figura 1:

Pré-
contratação

Encerra-
Contratação
mento

Definições

Pré-
Execução
Execução

Figura 1: Ciclo de vida do contrato.


Fonte: Adaptado de Silveira (2017, p.35)

Silveira (2017) argumenta que a etapa da definição é ativa durante todo ciclo de
vida do contrato e refere-se às políticas de contratação alçadas, documentos
constitucionais e demais elementos que influenciam a criação dos contratos. A fase de
pré-contratação está relacionada aos elementos preliminares do contrato, como a
requisição de um produto ou serviço, pesquisa de mercado, seleção do tipo mais adequado
de contrato e estratégias da aquisição. Já a etapa de contratação abrange as atividades
7

voltadas às discussões/negociações até imediatamente antes da assinatura do contrato,


além de incluir a preparação das requisições, avaliação das propostas, negociação e
escolha do fornecedor.
Segundo Silveira (2017), a pré-execução é a etapa na qual o contrato é assinado e
os demais participantes são comunicados do fechamento. Os pontos de controle mais
críticos são preparados para ser monitorados, sendo identificadas formas de tratamento
das informações da contratação, acessos e responsáveis, dentre outros. Na fase de
execução, as atividades de administração e gestão do contrato são realizadas para garantir
que sua performance e conclusão sejam bem-sucedidas. Essa etapa inclui modificações
no contrato, encaminhamento de problemas durante sua execução e durante a obtenção
de produtos/serviços identificados no contrato e pagamentos. Por fim, na etapa do
encerramento ocorre a formalização do encerramento de todas as atividades relacionadas
ao contrato.
Na formalização e na execução de qualquer contrato, são gerados os custos de
transações. No ponto de vista de Fiani (2002), os custos de transação são aqueles com os
quais os agentes se defrontam toda vez que necessitam recorrer ao mercado, sendo, do
modo mais formal, os gastos de negociar, redigir e garantir que um contrato será
cumprido. Vasiliauskiene e Snieska (2009) complementam que os mesmos são
inevitáveis, bem como os custos de transporte na compra de um produto, assumindo parte
significativa de todos os custos de qualquer contrato, e devendo ser observado nas
decisões gerenciais.
Tais custos são objeto da Teoria dos Custos de Transações (TCT), que surgiu
como uma vertente da análise da Nova Economia Institucional, trazendo à tona o fato de
que o ato de transacionar economicamente, ou seja, realizar contratos, possui um custo
que não pode ser negligenciado (ILHA, 2010).
De acordo com Maranho, Abib e Fonseca (2013), a TCT teve a sua origem em
estudos desenvolvidos entre as décadas de 1930 e 1960. Ainda segundo eles, Coase
(1937) e, anos mais tarde, Williamson (1985, 1989, 1991), foram os autores que
ofereceram as principais bases argumentativas para o desenvolvimento da mesma.
Williamson (1989), ao comparar a TCT com outras teorias econômicas, destacou
algumas diferenças: a TCT é mais micro analítica e consciente dos pressupostos
comportamentais; introduz e desenvolve o conceito de especificidade de ativos; baseia-
se em uma análise institucional comparativa; considera a empresa como uma estrutura de
governança ao invés de uma unidade de produção; destaca as instituições ex post dos
8

contratos; e, por fim, se desenvolve como uma combinação entre as perspectivas do


direito, da economia e da administração.
O ponto de partida no tratamento da questão dos custos de transação pela TCT é
o reconhecimento de que o comportamento humano, ainda que sendo intencionalmente
racional, enfrenta limitações. Assim, a TCT admite que alguns condicionantes podem
influenciar no custo da transação, e que as decisões podem ser tomadas de acordo com as
possibilidades oferecidas a cada momento, não correspondendo necessariamente às
escolhas ideais.
Em resumo, a TCT assume que os indivíduos podem ser oportunistas e que há
limites em sua capacidade cognitiva para processar as informações disponíveis. Diante
disso, foram estabelecidos os pressupostos comportamentais que, se verificados em uma
determinada transação, tornam os custos mais significativos, quais sejam a racionalidade
limitada e o oportunismo, bem como as características das transações, como incerteza,
frequência e especificidades dos ativos.

2.1.1 Pressupostos Comportamentais dos Custos de Transação

Williamson (1985) afirma que a Teoria dos Custos de Transação parte de dois
pressupostos comportamentais que a distinguem da abordagem tradicional: o
oportunismo e a racionalidade limitada, conforme detalhado no tópico seguinte.
No processo de negociação, até se efetivar um contrato existe uma tendência de
os indivíduos tentarem se assegurar prevendo todos os cenários e eventualidades factíveis.
No entanto, é impossível saber ao certo tudo o que pode acontecer. O pressuposto da
racionalidade limitada indica que, mesmo o indivíduo sendo racional e buscando a
maximização da satisfação e dos lucros, ele é limitado pela falta de informação, de
maneira que ao invés desse indivíduo tomar uma decisão ótima, adota a melhor decisão
possível, dada a limitação do seu conhecimento (SAES, 2009). Nessa perspectiva, todos
os contratos complexos são inevitavelmente incompletos, devido à racionalidade limitada
dos agentes que os elaboram (WILLIAMSON, 1985).
De acordo com Kupfer e Hasenclever (2013), estas limitações possuem
fundamentos neurofisiológicos (que limitam a capacidade humana de acumular e
processar informações) e de linguagem (que limitam a capacidade de transmitir
informações). Eles acrescentam ainda que a racionalidade limitada se torna um conceito
ainda mais relevante em condições de complexidade e incerteza.
9

Fiani (2002) defende que a racionalidade limitada se justifica apenas em ambiente


não simples e não previsível, ou seja, faz-se necessário, segundo o autor, um ambiente
complexo e incerto, pois nos ambientes simples as delimitações de racionalidade dos
agentes não ocorrem e em ambientes complexos descrever árvores de decisões pode ser
custoso, o que inviabiliza que os agentes antecipem os acontecimentos a cada novo
evento.
Como os agentes de uma cadeia não são capazes de obter um conhecimento
completo e antecipado das consequências advindas de cada escolha realizada, a
elaboração dos contratos se torna limitada frente à impossibilidade de se processar a
totalidade das informações. Desta forma, pode se originar custos de transação mais altos,
já que surge a necessidade de especificar um contrato incompleto entre as partes,
forçando-as a incorrer em despesas associadas a negociações em curso sobre
especificações de contrato e preços dos produtos transacionados, além dos gastos
econômicos da gestão desse contrato. Esses custos, conforme a TCT, podem ser
minimizados através de uma escolha correta de relação entre as firmas, o que pode ser
realizado pelos gestores das empresas que integram a cadeia de suprimentos, ao definirem
os mecanismos de governança a serem utilizados. (AUGUSTO; SOUZA; ERDMANN,
2015).
Para Peres (2007), a racionalidade limitada é um aspecto relevante uma vez que
tal hipótese não permite que haja alinhamento dos contratos completos em transações
entre indivíduos. A autora ressalta ainda que a tomada de decisão para a Nova Economia
Institucional deve ser vista como um aspecto pontual e característico de cada indivíduo,
os quais possuem seus diferentes objetivos e intenções quando decidem interagir no
mercado, sendo possível, portanto o surgimento de um comportamento oportunista. Dessa
forma, faz-se necessária a existência de um sistema de regras dotado de mecanismos
capazes de balizar as ações dos indivíduos, sujeitando-os a obedecer aos arranjos
contratuais, determinado como estrutura de governança.
Portanto, se os agentes fossem plenamente racionais, seriam capazes de formular
contratos completos com cláusulas representativas dos problemas ex-ante, reduzindo os
problemas de adaptação, ou seja, custos de transação ex-post, diminuindo a necessidade
de se criar formas sofisticadas de governança (DINIZ; STOFFEL; GOEBEL, 2004).
No que tange a possibilidade de comportamento oportunista, é valido notar que
esse segundo aspecto comportamental, discutido pela TCT, deve ser monitorado e, se
possível, evitado entre as partes componentes da cadeia de suprimentos (AUGUSTO;
SOUZA; ERDMANN, 2015). Williamson (1985) descreve oportunismo como “a busca
10

do interesse próprio com malícia”, decorrente da manipulação de assimetrias de


informação, visando apropriação de fluxos de lucros e pode ocorrer ex ante ou ex post de
uma transação.
Assimetria informacional são diferenças nas informações que as partes envolvidas
em uma transação possuem, particularmente quando essa diferença afeta o resultado final
da transação (KUPFER; HASENCLEVER, 2013). Em outras palavras, é a vantagem de
se possuir uma informação que outro participante do processo desconhece.
Conforme destacam Bello, Lohtia e Sangtani (2004) apud AUGUSTO; SOUZA;
ERDMANN (2015), a manutenção dos problemas relativos ao risco do oportunismo em
contratos entre os parceiros comerciais inibe e motiva as firmas a evitar, preventivamente,
potenciais investimentos improdutivos. Assim, a confiança entre as partes envolvidas não
pode ser estabelecida simplesmente a partir da existência de um contrato, visto que todo
contrato implica riscos, devendo ser constantemente revisto pelas partes interessadas.
Com isso, a presença do oportunismo em algumas partes da cadeia incita vigilância
constante, aumentando os custos de transação e os riscos do contrato. No entanto, em
médio prazo, quando um padrão é estabelecido e mecanismos de salvaguarda são
determinados, estes custos tendem a diminuir e, em alguns casos, tornarem-se irrisórios.

2.1.2 Características dos custos de Transação

Além dos pressupostos comportamentais dos custos de transação é possível


evidenciar características que determinam as suas dimensões. A frequência refere-se à
quantidade de vezes que ocorre a utilização das estruturas, ou acontece a comercialização
dos produtos entre os agentes, o que implica na recorrência e/ou regularidade de uma
transação. De acordo com Schubert e Waquil (2014), essa característica das transações
permite dirimir dúvidas, harmonizar informações e construir uma determinada reputação,
o que vem a ser fundamental no período ex-ante do contrato, pois diminui o efeito de
incompletude contratual e, consequentemente, seus custos de execução e monitoramento,
impactando diretamente na conformação das estruturas de governança, assim como nos
Custos de Transação.
Segundo Williamson (1985), sua ocorrência torna-se importante na medida em
que pode determinar o surgimento de instituições especialmente alinhadas para sua
coordenação e gestão. Logo, quanto maior for a frequência de realização de transações,
maiores serão os incentivos para o desenvolvimento de instituições que irão gerenciá-las.
O autor destaca, ainda, que quanto maior a frequência, menores são os custos relacionados
11

à coleta de informações e à elaboração de contratos, e maior a probabilidade de os


parceiros desenvolverem reputação, limitando comportamentos oportunistas.
Isso reduz os custos da busca por informações sobre as partes (custos “ex ante”),
bem como a incerteza quanto ao não cumprimento do contrato. Corroborando com esse
pensamento, Schubert e Waquil (2014) destacam que se torna essencial frisar que a
frequência contribui para a geração, a manutenção e até a expansão da confiança, o que
vem a impactar diretamente na construção dos contratos e no estabelecimento das
transações.
Entretanto, cabe mencionar que apesar da frequência possibilitar o aumento da
confiança, ela também pode causar o efeito contrário na presença do oportunismo e falta
de fiscalização. Nos contratos terceirizados, por exemplo, não são raros os casos de
empresas que já prestam serviços para os órgãos públicos durante um longo período e se
aproveitam dessa situação para obter vantagens, sobretudo pelo fato de já conhecerem os
envolvidos nas contratações e gestores dos contratos. A situação inversa também pode
ocorrer, onde os servidores públicos, por criarem vínculo com os gestores das empresas
contratadas, encontram caminhos para se beneficiar, conseguindo empregos para
familiares, amigos, entre outros benefícios possíveis.
A incerteza está relacionada com a dificuldade de identificação de informações
por parte dos envolvidos na transação. Quanto maior o nível de incerteza em uma
transação, maiores serão seus custos. Esse nível é mais alto quando maior for a assimetria
de informações entre as partes (WILLIAMSON, 1985).
No campo organizacional, a fonte fundamental de incerteza decorre exatamente
do suposto de racionalidade limitada dos agentes. Não fosse esse aspecto, as estruturas de
governança seriam capazes de se ajustar às alterações ocorridas no ambiente. Para muitos
autores este é o grande problema das organizações econômicas: a constante necessidade
de adaptação às alterações de natureza institucional que ocorrem no ambiente dos
negócios (ARBAGE, 2004).
Assim, há incerteza quando se trata de um fenômeno aleatório ao qual se atribui
uma dada probabilidade (incerteza no sentido convencional de risco), e também quando
sequer é possível atribuir uma probabilidade ao fenômeno (por exemplo, é impossível
atribuir com exatidão uma probabilidade a uma guerra futura em uma região) (KUPFER;
HASENCLEVER, 2013). Adicionalmente, Bromiley et al. (2015) afirmam que a
incerteza associada a escolhas estratégicas da administração reflete em desafios para a
Gestão de Riscos.
12

Cabe destacar que risco não é sinônimo de incerteza. Segundo Franco (2017)
riscos são eventos em que os resultados podem ser mensurados e suas probabilidades de
ocorrência, estimadas. Já a incerteza decorre da impossibilidade de prever o futuro no
momento da tomada de decisão, sendo imensurável. É importante frisar que, em um dado
ambiente, há sempre um determinado grau de incerteza, tendo em vista que o
comportamento dos atores, no mundo real, não é dado pela capacidade plena em mapear
todas as opções e calcular todos os resultados, de todas as ações feitas e/ou opções dadas.
Assim, a variável incerteza guarda forte relação com a racionalidade limitada e o
oportunismo (SCHUBERT; WAQUIL, 2014).
Nesse mesmo sentindo, Arbage (2004) afirma que o risco é um elemento que pode
ser calculado e seu grau de probabilidade de ocorrência, estabelecido, de forma que pode
ser inserido nos custos tradicionais de produção, ou seja, o risco é a incerteza mensurável.
As transações com ativos específicos são aquelas em que somente um número
limitado de agentes está habilitado a participar, tendo em vista que a especificidade dos
ativos reduz consideravelmente o número de produtores capazes de ofertá-los e os
demandantes interessados em adquiri-los (ILHA, 2010). Um ativo é especifico quando a
sua realocação para outra atividade, no caso de um rompimento no contrato, por exemplo,
é praticamente inexistente. A especificidade dos ativos assume importância em conjunto
com a racionalidade limitada, visto a incapacidade da previsão de todos os elementos
ligados à transação. Nesse caso, quanto maior a especificidade dos ativos de uma
transação, maiores os custos relacionados (WILLIAMSON, 1985).
Williamson (1991) reforça que a especificidade se refere ao grau em que um ativo
pode ser reempregado para usos alternativos ou por outros agentes sem que haja sacrifício
ou perda do valor produtivo. Para ele, a especificidade pode ser decorrente da localização
geográfica, característica física do ativo, capital humano, conhecimento acumulado em
determinada área, dentre outros motivos.
A especificidade de um ativo pode levar à dependência entre as partes. Se uma
empresa faz um contrato com um fornecedor que detém um produto único no mercado,
um produto específico, a mesma ficará dependente daquele fornecedor. É neste tipo de
relação, conforme explicam Martins et al. (2017), que o comportamento oportunista surge
justamente pela dependência entre as partes, onde, uma vez realizada a transação,
comprador e vendedor passam a se relacionar de uma forma exclusiva ou quase exclusiva.
Para os contratos terceirizados, objeto de análise dessa pesquisa, acredita-se que
a especificidade dos ativos não causará impactos e custos de transações, uma vez que o
13

objeto do contrato, postos de trabalho na área de limpeza, portaria, segurança, possui


oferta considerável no mercado.
Após os conceitos descritos é possível observar que pressupostos
comportamentais bases para TCT – a racionalidade limitada e o oportunismo –, e as
características das transações – incerteza, frequência e especificidades dos ativos –,
poderão influenciar no evento do risco se estiverem presente em maior ou menor grau.
Nesse sentido, Sales (2016) argumenta que ao enxergar o contrato em si sob o prisma da
Teoria dos Custos de Transação, pode-se identificar características do próprio processo
como elementos que contribuem para o aumento ou redução dos custos potenciais
envolvidos no contrato, entendendo-se tais custos como riscos assumíeis pela parte
pública da relação contrato.

2.2 Gestão de riscos

2.2.1 Governança e Gestão de Riscos

Para Franco (2017), a governança corporativa pode ser definida como o sistema
de direção e controle das organizações. A base da governança corporativa empresarial
está na teoria de agência, que analisa situações em que o proprietário ou os acionistas
delegam a um agente especializado, o administrador, o poder de decisão sobre a empresa.
Nesses casos, pode surgir divergência de interesses entre os grupos quanto a decisões
ótimas para a empresa.
Do ponto de vista de Fontes Filho (2003), organizações públicas e privadas têm
semelhanças no que diz respeito aos elementos de governança corporativa. Por exemplo,
os autores descrevem como problemas comuns a separação entre propriedade e gestão,
que geram os problemas de agência; os mecanismos de definição de responsabilidades e
poder; o acompanhamento e o incentivo na execução das políticas; e objetivos definidos.
A governança aplicável a órgãos e entidades da administração pública é definida
no referencial básico do Tribunal de Contas da União (2014) como os mecanismos de
liderança, estratégia e controle para avaliar, direcionar e monitorar a atuação da gestão.
De acordo com o TCU (2014), para que as funções de governança (avaliar, direcionar e
monitorar) sejam executadas de forma satisfatória, alguns mecanismos devem ser
adotados: a liderança, a estratégia e o controle.
No mecanismo de controle estão inseridos os componentes de gestão de riscos e
controle interno, auditoria interna, accountability e transparência. Nesse sentido, a
14

governança poderá ser analisada sob quatro perspectivas: Centro de Governo, Sociedade
e Estado; Políticas Públicas, Entes Federativos e Esferas de Poder;
Corporativa/Organizacional (aplicada a órgãos e entidades); e Intraorganizacional
(aplicada a aquisições, TI, pessoas e outros).
Enquanto a primeira perspectiva define as regras e os princípios que orientam a
atuação dos agentes públicos e privados regidos pela Constituição e cria as condições
estruturais de administração e controle do Estado, a segunda se preocupa com as políticas
públicas e com as relações entre estruturas e setores. Já a terceira garante que cada órgão
ou entidade cumpra seu papel e a quarta reduz os riscos, otimiza os resultados e agrega
valor aos órgãos ou entidades (TCU, 2014).
O TCU reconhece, em seu Referencial Básico de Governança, que a boa
governança no setor público pressupõe a observância de um conjunto de diretrizes, dentre
as quais estão: definir claramente as funções das organizações; definir claramente as
competências e as responsabilidades dos membros das instâncias superiores de
governança; ter, e usar, estruturas de aconselhamento, apoio e informação de boa
qualidade, certificar-se de que um sistema eficaz de gestão de risco esteja em operação;
e garantir a accountability. Nesse sentido, Ávila (2015) afirma que na governança pública
destaca-se a importância da prestação de contas (accountability) quanto à aplicação e ao
gerenciamento de recursos públicos.
De acordo com Franco (2017) a governança fornece os requisitos de estrutura e
direção necessários para que uma organização consiga atingir seus objetivos e gerenciar
apropriadamente suas operações, ao passo que a gestão de riscos fornece as políticas e os
procedimentos necessários para que a organização opere com efetividade em um
ambiente mutável e incerto. A relação entre Gestão de Riscos e Governança pode ser
visualizada na Figura 2.
15

Governança
Corporativa

Gestão Estratégica

Gestão de Riscos

Figura 2: Gestão de Riscos e Governança.


Fonte: Franco (2017, p. 11)

Assim, conforme observado na Figura 2, a gestão de riscos é uma parte integrante


da gestão estratégica, que por sua vez é parte integrante de uma boa governança, existindo
uma relação direta entre riscos e oportunidades em todas as áreas de negócios, incluindo
a gestão pública.
Apesar da importância da Gestão de Riscos para a Governança Pública, Silva
(2015) expõe em seu trabalho que existem diversas recomendações do Tribunal de Contas
da União (TCU) às variadas Instituições Públicas quanto à necessidade da existência de
do Gerenciamento de Riscos. Entretanto, são poucos os órgãos e entidades públicas no
Brasil que possuem políticas ou práticas de gestão de riscos formalmente estabelecidas
(OLIVEIRA JUNIOR; GOMES; MACHADO, 2015).
Na busca pela formalização e institucionalização da gestão de riscos nos órgãos
públicos brasileiros, em maio de 2016, foi editada a Instrução Normativa (IN) Conjunta
nº 01 MP/CGU, cujo art. 13° estabelece a obrigatoriedade da implantação, monitoração e
revisão do processo de gestão de riscos pelos órgãos públicos. Posteriormente, em maio
de 2017, foi criada a IN nº 05, do MP, que dispõe sobre as regras e diretrizes do
procedimento de contratação de serviços, tornando o gerenciamento de riscos uma etapa
obrigatória nesse processo. A IN n° 05, comtempla também as regras para a indicação do
gestor e fiscal de contrato, bem como suas atribuições, ressaltando a importância dessas
figuras para uma boa execução contratual.
De acordo com o Art. 15º da Instrução Normativa Conjunta MP/CGU nº 01 de
2016, são objetivos da gestão de risco:
16

I - Assegurar que os responsáveis pela tomada de decisão, em todos os níveis


do órgão ou entidade, tenham acesso tempestivo a informações suficientes
quanto aos riscos aos quais está exposta a organização.
II - Aumentar a probabilidade de alcance dos objetivos da organização,
reduzindo os riscos a níveis aceitáveis.
III - Agregar valor à organização por meio da melhoria dos processos de
tomada de decisão e do tratamento adequado dos riscos e dos impactos
negativos decorrentes de sua materialização (BRASIL, 2016)

Na visão de Froes et al. (2011), a prática da gestão de riscos aliada à governança


traduz-se num marco em que a transparência empresarial é somada com práticas que
visam a minimizar eventos que sejam favoráveis ou desfavoráveis. Isto faz com que a
gestão de riscos seja uma ferramenta útil em que vai requerer dos gestores uma postura
mais ativa no conhecimento das diversas situações em que a organização está exposta, ou
seja, variáveis econômicas que fazem com que a estratégia precisa ser revista para melhor
adequar o gerenciamento de risco da empresa.
Além disso, pode-se dizer que há melhoria na governança pública em
decorrência dos processos inerentes ao gerenciamento de riscos, como o aumento da
prestação de contas, da responsabilização (accountability) e do envolvimento dos
diversos níveis de decisão da organização, em especial dos dirigentes máximos. Nesse
sentido, Ávila (2016) afirma que, no setor público, uma preocupação central na gestão de
riscos é o dever de cuidar do bem público – os riscos sempre devem ser gerenciados
mantendo-se, em primeiro plano, o interesse público.
Outro ponto relacionado ao gerenciamento de riscos, e que contribui para a boa
governança púbica, é o aumento da transparência, isso porque nesse processo é necessário
explicitar os principais riscos da atividade desenvolvida ou Política Pública, bem como a
forma que os mesmos serão tratados, refletindo diretamente na transparência e
consequentemente na reputação da instituição. Assim, para se ter uma boa governança,
que inclui o gerenciamento de riscos, faz-se necessário entender o que é o risco e como é
o processo de gestão do mesmo.

2.2.2 Definição do Risco e seu gerenciamento

O risco está presente em todas as atividades humanas e são o resultado de uma


decisão. Pessoas e organizações, sejam públicas ou privadas, enfrentam algum tipo de
risco em suas atividades diárias, podendo os meses estar relacionados a investimentos,
17

fusões, fraudes, incêndios, terremotos, resultados de um processo ou projeto, ou,


simplesmente, à decisão de atravessar uma rua (FRANCO, 2017).
O risco, de acordo com Sobel e Reding (2004), são incertezas que pode afetar a
capacidade de uma empresa para alcançar seus objetivos, gerando resultados negativos
ou positivos. Além disso, são uma função da gravidade e da probabilidade; podendo ou
não se manifestar. Dessa forma, os autores acima mencionam que alguns riscos devem
ser explorados para aproveitar as oportunidades estratégicas, enquanto os que ameaçam
o sucesso devem ser mitigados. Spira e Page (2003) explicam que o conceito de risco é
fundamental para a governança corporativa e está imbricado com a ideia de controle
interno. Para os autores, o risco é de grande importância para a atividade empresarial,
sendo necessário gerenciá-los.
Todas as organizações enfrentam incertezas e o desafio da direção é determinar o
nível de incerteza que ela está preparada para enfrentar, na medida em que se empenha
para aumentar o valor para as partes interessadas. As incertezas geram riscos e
oportunidades, com potencial para destruir ou gerar valor. O gerenciamento de riscos
corporativos possibilita aos administradores tratar com eficácia as incertezas, os riscos e
as oportunidades a elas associados de forma a aprimorar a capacidade de geração de valor
(COSO, 2007).
Ching (2010) classifica o risco em duas categorias: risco inerente e risco residual.
O primeiro é aquele que até o momento não foi tratado pela empresa e, o outro, aquele
que ainda permanece após a resposta da administração. Não é possível uma empresa ou
a administração pública atingir seus objetivos ou prevenir uma crise se os pontos fracos
e ameaças inerentes à atividade ou prestação de serviços não são listados e, o mais
importante, se eles não forem corrigidos assim que detectados.
Assim, a gestão de riscos é uma abordagem estruturada e disciplinada para ajudar
gerenciar as incertezas e engloba todos os riscos de negócio usando uma abordagem
integrada e holística (SOBEL e REDING, 2004). Complementando essa definição, o
Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission (COSO) define a
gestão de riscos, como:

[…] processo conduzido em uma organização pelo Conselho de


Administração, pela diretoria executiva e pelos demais funcionários, aplicado
no estabelecimento de estratégias formuladas para identificar, em toda a
organização, eventos em potencial, capazes de afetar a referida organização, e
administrar os riscos para mantê-los compatíveis com o seu apetite a risco e
possibilitar garantia razoável de cumprimento dos objetivos da entidade
(COSO, 2007, p. 4).
18

A Instrução Normativa Conjunta determina ainda que os órgãos e entidades do


Poder Executivo federal deverão instituir, pelos seus dirigentes máximos, Comitê de
Governança, Riscos e Controles, a fim de implementar a Gestão de Riscos. Em
consonância com a legislação, Lechner e Gatzert (2017) mencionam que, devido à
relevância da estrutura de gestão de riscos para o alcance dos objetivos institucionais, as
diretrizes deverão ser direcionadas de cima para baixo, geralmente incluindo a nomeação
de um comitê responsável. Além disso, o estabelecimento de uma cultura de risco em
todos os níveis é essencial para assegurar uma coordenação e funcionalidade adequadas
ao sistema de gestão de riscos.
A gestão de riscos não está voltada apenas à eliminação de riscos, mas também, a
sua identificação, mensuração e controle. Requer a avaliação prévia dos objetivos da
empresa frente aos ambientes interno e externo, bem como eventuais probabilidades de
ocorrências que possam prejudicar o desempenho da empresa e o alcance de seus
objetivos (SILVA, 2015). Para a implementação desse processo, a instituição deve ser
comprometida com uma abordagem proativa e consistente do gerenciamento dos riscos.
É preciso fazer uma escolha consciente em todos os níveis da organização para identificar
ativamente e buscar o gerenciamento eficaz dos riscos durante as atividades
desenvolvidas (PMI, 2005).
O COSO (2007) menciona ainda que a gestão de riscos pode ser aplicada em todos
os tipos de atividades, em qualquer empresa, pública, privada ou em qualquer forma de
empresa, independente do seu porte. Isso leva a gestão de riscos não apenas às empesas
privadas, onde é mais fácil institucionalizar o controle interno de riscos, mas também ao
setor público, onde se concentra parte dos recursos da população para desenvolvimento
de programas e projetos governamentais. Nesse sentido, o Guia de Orientação para o
Gerenciamento de Riscos (2013) menciona que gerenciar riscos é importante para
aumentar a confiança do cidadão: (a) na capacidade do Governo de entregar os serviços
prometidos; (b) no sistema de governança; e (c) na utilização adequada dos recursos
públicos.
Para Ávila (2016), a intenção da gestão de riscos no setor público é diminuir os
custos de atividades incertas e aumentar os benefícios sociais e econômicos. O governo
lida com os riscos por meio de diversas funções como, por exemplo, a função de
assistência social, da saúde e da educação, criar condições para a estabilidade e
prosperidade econômica, proteger o meio ambiente, os direitos, dentre outros serviços
públicos prestados.
19

Como pode ser observado nas colocações dos autores, existe a necessidade de
modelos de riscos nas práticas de gestão de terceirizados, especialmente no âmbito
público. Assim acredita-se que essa pesquisa será valiosa para essa discussão.

2.2.3 Modelos de Gestão de riscos

Existem alguns modelos, universalmente aceitos para o gerenciamento de riscos,


como por exemplo Gestão de Riscos – Princípios e Diretrizes (ISO 31000), Orange Book,
As Três Linhas de Defesa no Gerenciamento Eficaz de Riscos e Controles e o Enterprise
Risk Management (ERM), também conhecido como COSO. A seleção dos modelos de
gestão de riscos a serem utilizados é uma escolha de cada organização que deve levar em
consideração sua área de atuação, cultura organizacional e conhecimento do seu corpo
técnico (BRASIL, 2016a). Abaixo, far-se-á um breve relato sobre os modelos, em especial
sobre o COSO, que é mais utilizado no Brasil, sendo adotado por grandes empresas como
o Banco Bradesco e Banco do Brasil, e recomendado pelo Ministério do Planejamento
Orçamento e Gestão.
A ISO 31000, criada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) foi
publicada em 2009 e não é uma norma certificável. Ela é uma norma que descreve uma
abordagem genérica para gerenciar qualquer forma de riscos sistematicamente,
transparente e com credibilidade, e em qualquer contexto e escopo. De acordo com a
norma, entender o contexto externo é importante para assegurar que os objetivos e as
preocupações das partes interessadas externas sejam considerados no desenvolvimento
dos critérios de risco, e o contexto interno, considerado como o ambiente interno no qual
a organização busca atingir seus objetivos. O processo de gestão de riscos deve estar
alinhado com a cultura, processos, estrutura e estratégia da organização (ABNT, 2009)
A ISO 31000 é usualmente conhecida como uma norma “guarda-chuva” por
pretender harmonizar os processos de gestão de riscos, tanto em normas atuais como em
futuras, fornecendo uma abordagem comum para apoiar normas que tratem de riscos e/ou
setores específicos (CGU, 2013).
O Orange Book, produzido pelo Tesouro Britânico em 2001 e atualizado em 2004,
traz princípios e conceitos gerais sobre riscos. Posteriormente, em 2009, o Tesouro
britânico publicou ferramenta voltada para a avaliação da gestão de risco nos diversos
setores do governo – Risk Management assessment framework: a tool for departments,
consolidando assim o uso dessa abordagem na sua administração pública (CGU, 2013).
20

Ressalta-se que Orange Book foi referencial para o Guia de orientação para o
gerenciamento de riscos, do Ministério do Planejamento, em 2013, mas que não foi
homologado. O modelo é composto por um conjunto de quatro elementos inter-
relacionados: processos de gerenciamento de riscos, organização estendida, macro
ambiente de riscos e comunicação e aprendizado contínuo (CGU, 2018).
Em relação ao modelo das três linhas de defesa, trata-se de uma cartilha publicada
em 2013 pelo Instituto de Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil). De acordo com o IIA
(2013), as três Linhas de Defesa é um modelo criado pela Comunidade Europeia, e
consiste em separar áreas, funções profissionais de forma específica para que possam ser
coordenadas com eficácia e eficiência, definindo responsabilidades claras e estabelecendo
limites para suas responsabilidades. Resumidamente, o modelo traz a gestão operacional
como primeira linha de defesa da empresa em face aos riscos, as funções de
gerenciamento de riscos e conformidade como a segunda linha de defesa e, por fim, a
auditoria interna, como a terceira linha de defesa.
Já o ERM, publicado pelo COSO tem como foco o gerenciamento de riscos por
meio do controle interno. O COSO é o Comitê das Organizações Patrocinadoras, da
Comissão Nacional sobre Fraudes em Relatórios Financeiros. Trata-se de uma entidade
sem fins lucrativos, dedicada à melhoria dos relatórios financeiros por meio da ética,
efetividade dos controles internos e governança corporativa. Foram publicas edições
dessa metodologia em 2004 (traduzido em 2007 para português), 2013 e mais recente em
2017. Importante mencionar que a origem do modelo COSO está relacionada a escândalos
financeiros, na década de 70, nos Estados Unidos, que colocaram em dúvida a
confiabilidade dos relatórios corporativos.
O processo de gerenciamento de riscos orientado pelo COSO ERM, tem como
referência a missão ou visão definida pela organização, na qual se estabelece os planos
principais, seleciona as estratégias e determina o alinhamento dos objetivos nos níveis da
organização (COSO, 2004).
Franco (2017) menciona que o processo de gestão de riscos como um todo é
similar, existindo uma nítida relação entre os modelos de gerenciamento de riscos, e que
muitas vezes se completam ou se utilizam-se de aspectos de modelos anteriores
incorporados à sua estrutura. Ressalta-se que o COSO – Controles Internos ainda é uma
referência quando se trata das melhores práticas de controles internos corporativos, indo
além dos controles contábeis e financeiros e auxiliando as organizações a avaliarem e
aperfeiçoarem seus sistemas de controle interno, considerando inclusive o gerenciamento
de riscos (CGU, 2013).
21

Na visão de Moraes (2003), a metodologia COSO identifica os objetivos


essenciais do negócio de qualquer organização e define o controle interno e seus
componentes, assim como fornece critérios a partir dos quais os sistemas de controle
podem ser avaliados e ofereçam subsídios para que a administração, auditoria e demais
interessados possam utilizar e avaliar um sistema de controle.
Em março de 2017, o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão
lançou a Instituição da Política Gestão de Integridade, Riscos e Controles da Gestão, cuja
metodologia também foi baseada neste modelo, incentivando que as instituições públicas
também utilizem esse método no Gerenciamento de riscos. De acordo com a metodologia
COSO, existe um relacionamento direto entre os objetivos, que são o que uma entidade
deseja alcançar, os componentes, que representam o que é necessário para atingir os
objetivos, e a estrutura organizacional da entidade (as unidades operacionais). Esse
relacionamento é apresentado em uma matriz tridimensional em forma de cubo, conforme
mostra-se na Figura 3.

Figura 3: Matriz tridimensional dos elementos do COSO.


Fonte: COSO (2013)

Na Figura 3, as quatro categorias de objetivos (estratégicos, operacionais, de


comunicação e conformidade) estão representadas nas colunas verticais. Os oito
componentes nas linhas horizontais e as unidades de uma organização na terceira
dimensão. Essa representação ilustra a capacidade de manter o enfoque na totalidade do
gerenciamento de riscos de uma organização, ou na categoria de objetivos, componentes,
unidade da organização ou qualquer um dos subconjuntos.
Observa-se pela Figura 3, que o ambiente interno, definido pelo COSO (2013)
como um conjunto de normas, processos e estruturas que fornece a base para a condução
do controle interno por toda a organização, é o primeiro componente para o
22

gerenciamento de riscos. Para o COSO pode existir uma estrutura de controle interno sem
que exista uma estrutura de gestão de riscos, contudo, neste caso, os objetivos a serem
assegurados referem-se à eficiência e eficácia das operações, confiabilidade das
demonstrações e conformidade (FRANCO, 2017).
O controle interno é parte da estrutura de gestão de riscos das organizações. A
gestão de riscos tem um aspecto mais amplo, contudo, o controle interno tem papel
fundamental no sucesso da gestão de riscos organizacionais. A gestão de riscos inclui a
definição dos objetivos estratégicos enquanto o controle interno deve prover garantia
razoável de que eles serão atingidos. O escopo da gestão de riscos é mais amplo,
envolvendo alternativas de respostas aos riscos (evitar, aceitar, compartilhar ou reduzir o
risco), ao passo que o controle interno trata primariamente da redução de riscos. Mais
ainda, a gestão de riscos corporativos engloba os objetivos de resultado que sofrem forte
impacto de eventos e atores externos, que geralmente estão fora do controle da
organização (COSO, 2013).
Cabe destacar, conforme alertam Mikes e Kaplan (2012), que apesar de existem
ferramentas e processos comprovados e padronizados para gerenciar riscos, o assunto
ainda é muito discutido e está em evolução, o que faz com que os métodos possam variar
de acordo com as características específicas e estratégicas de cada instituição.
Após a definição dos riscos aos quais a empresa, ou negócio está exposto, é
preciso avaliar qual o impacto caso determinado risco seja efetivado, ou seja, a
probabilidade e o impacto. De acordo com o PMI (2005), a matriz de probabilidade e
impacto é uma rede para o mapeamento de probabilidade de ocorrência de cada risco e o
seu impacto nos objetivos do projeto caso tal risco ocorra. O item IV da IN Conjunta
MPOG/CGU nº 1, ao tratar da avaliação de riscos, determina que os eventos devem ser
avaliados sob a perspectiva de probabilidade e impacto de sua ocorrência, por meio de
análises qualitativas, quantitativas ou da combinação de ambas.
A gestão de riscos organizacionais, para ser efetiva, deve ter uma linguagem
comum sobre o que são riscos e como mensurá-los. Em geral, os riscos são caracterizados
por um evento potencial e o impacto de suas consequências. A magnitude do risco,
também chamada de nível de riscos, é caracterizada pela combinação da probabilidade de
ocorrência do evento e o impacto de suas consequências (FRANCO, 2017), podendo ser
gerada a matriz de probabilidade e impacto.
Conforme exposto no Guia de Orientação para o Gerenciamento de Riscos (2013)
não existe um padrão absoluto para a escala da matriz de probabilidade e impacto. A
organização deve chegar a um consenso sobre o nível de análise que considera adequado
23

para suas circunstâncias específicas. Na Figura 4 exemplifica-se uma matriz de risco:

RISCO
Muito alto I 5 Moderado Alto Alto Alto Alto
M
Grande 4 Baixo Moderado Moderado Alto Alto
P
Moderado A 3 Baixo Moderado Moderado Moderado Alto
C
Pequeno T 2 Baixo Baixo Moderado Moderado Alto

O
Insignificante 1 Baixo Baixo Baixo Baixo Moderado

1 2 3 4 5
PROBABILIDADE
Rara Improvável Possível Provável Quase certo

Figura 4: Matriz probabilidade e impacto.


Fonte: Adaptado do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (2017)

Como pode ser observado na Figura 4, para verificar o grau do risco é preciso
saber a probabilidade de determinado evento ocorrer, bem como o impacto do mesmo
sobre os objetivos institucionais. Se a probabilidade for quase certa, porém de impacto
insignificante, o risco será classificado como moderado, ao passo que se o impacto for
moderado, será tomado como alto. Essa matriz torna-se interessante, uma vez que facilita
a visualização dos altos e baixos riscos ao qual a empresa está exposta.
O próximo passo para a gestão de riscos é a avaliação de riscos, que de acordo
com as metodologias de riscos, deve ser aplicada primeiramente aos riscos inerentes, ou
seja, aqueles ainda não tratados pela organização. Conforme o COSO, “Evitar” sugere
que nenhuma opção de resposta tenha sido identificada para reduzir o impacto e a
probabilidade a um nível aceitável. “Reduzir” ou “Compartilhar” reduzem o risco residual
a um nível compatível com as tolerâncias desejadas ao risco, enquanto “Aceitar” indica
que o risco inerente já se encontra dentro das tolerâncias ao risco. Deve-se ainda realizar
a avaliação primeiramente para riscos inerentes, ou seja, aqueles ainda não tratados pela
organização.
É importante observar que aceitar o risco é uma forma de responder ao risco. Ou
seja, se eu “não fizer nada” em relação ao risco, eu ainda assim estou respondendo a ele,
desde que esse “não fazer nada” seja consciente. Isso pode vir a ocorrer quando o custo
de implementação de uma medida qualquer para responder a determinado risco fique
muito alto, maior até do que os benefícios que a resposta traria para a organização.
24

2.2.4 Fatores de influência ao risco

O gerenciamento de riscos é uma importante ferramenta de gestão empresarial.


Quando avalia-se a contratação de serviços e os riscos que estão envolvidos, é necessário
observar diferentes perspectivas dessa contratação. Também deve-se observar a
importância/criticidade do prestador de serviços para o negócio da empresa, assim como
a redação precisa do contrato e formas de monitoramento. Quanto mais criticidade, mais
análise com maior periodicidade deverá ser feita (SILVEIRA, 2017).
As perspectivas mencionadas por Silveira (2017) tratam dos principais pontos que
precisam ser observados, a fim de identificar os riscos constantes nos contratos, podendo
ser tomadas as medidas de modo a reduzi-los. São esses aspectos que refletem as variáveis
que influenciam no risco dos contratos e que serão consideradas para o modelo proposto
neste trabalho. Nesse contexto, o autor acima mencionado defende que as perspectivas a
serem analisadas são:
 Perspectiva financeira: trata-se da análise financeira do prestador de serviço, a fim
de evitar problemas à estrutura de capital desse fornecedor. Pode ocorrer desde
análise de balanço, passando por análise de dependência financeira, capacidade
de pagamentos, dentre outros pontos. Também pode ser considerada a questão
financeira/orçamentária do órgão público.
 Perspectiva operacional: trata-se da operação do contrato, do controle ocorrido
durante a execução do mesmo. Alguns exemplos de ponto de controle são a
renovação do contrato, controle de documentação física do contrato, garantias,
aplicação de penalidades, indicadores de qualidade de serviços, existência de
treinamento para gestores, dentre outros.
 Perspectiva de risco trabalhista: trata da fiscalização que o gestor de contrato
deverá realizar na mobilização da prestação de serviços e na monitoração durante
a execução do contrato. Está relacionada aos processos trabalhistas, à validação
de guias de recolhimento obrigatório pelo prestador de serviços, dentre outros.
 Perspectiva socioambiental: trata-se da avaliação dos impactos socioambientais
que os contratos podem gerar, como por exemplo, risco de trabalho escravo,
envolvimento de menores, impactos ambientais, etc.
Padoveze e Bertolucci (2005), que propõem um modelo de gerenciamento de
riscos corporativos, também abordam quatro perspectivas: financeira/econômica,
clientes/ambiente externo, processos internos/controle, aprendizado/crescimento. Assim,
é necessário considerar variáveis/indicadores que refletem tais dimensões.
25

Já Sales (2016), ao propor modelo de classificação do risco de contratos públicos,


utilizou como variáveis um conjunto de indicadores pré-selecionados ligados ao
fornecedor e ao próprio contrato. Faria (2009), que avaliou os riscos do pregão eletrônico,
além de elaborar constructos de acordo com os princípios da Economia dos Custos de
Transação (ECT), validando-os através do Alfa de Cronbach, valeu-se de outros
indicadores de riscos, como por exemplo, tempo de existência da empresa, faturamento
anual estimado da empesa, participação das licitações no faturamento e percentual de
disputas vencidas.
Conforme mencionado anteriormente, o COSO (2013) divide a Gestão de riscos
em três categorias de objetivos operacionais, divulgação e conformidade, destacando a
necessidade de um controle interno eficaz. Adicionalmente, dentro das perspectivas
propostas pelos é possível identificar claramente a necessidade dos controles internos
propostos pelo COSO.
Acrescenta-se que a própria legislação vigente já determina quais perspectivas
mínimas devem ser avaliadas. A IN 05/2017, por exemplo, menciona em seu artigo 18,
que o Gerenciamento de Riscos, contemplará o risco de descumprimento das obrigações
trabalhistas, previdenciárias e com Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) da
contratada. A IN 01/2016, instrui que os órgãos públicos, deverão considerar, entre outras
possíveis, as seguintes tipologias de riscos: riscos operacionais, riscos de
imagem/reputação do órgão, riscos legais, riscos financeiros/orçamentários.
No mesmo sentido, a Lei 8.666/93, que rege as licitações, obriga a apresentação
de índices econômicos, a exemplo do índice de liquidez geral, liquidez corrente e
solvência geral, por parte do fornecedor, devendo demonstrar sua capacidade financeira.
O objetivo é justamente prevenir a Administração Pública, para que empresas sem
qualquer responsabilidade ou respaldo financeiro pudessem vir a participar e vencer os
certames e, durante o contrato, não apresentassem capacidade para concluir o objeto da
obrigação.
Assim, é possível observar que existe uma coerência entre o que dispõe a
legislação e os trabalhos estudados, em relação aos fatores que influenciam o risco,
devendo os mesmos serem determinados de acordo com o perfil de cada órgão. No
Quadro 1, estão demonstradas as principais perspectivas e variáveis explicativas
específicas encontradas durante a pesquisa teórica, bem como os autores e a legislação
aos quais estão ancoradas.
26

PERSPECTIVA VARIÁVEIS FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA


Índices de Liquidez, faturamento, tempo de Silveira (2017), Sales (2016), Faria
existência da empresa, número de (2009), Padoveze e Bertolucci
Financeiras
funcionários, enquadramento da empresa, (2005), Lei 8666/93, INC 01/2016 e
número de penalidades no âmbito público. IN 05/2017.

Treinamento/capitação, nível de controle Silveira (2017), Padoveze e


Operacionais interno, termos aditivos dos contratos, valor Bertolucci (2005), INC 01/2016 e IN
do contrato 05/2017.

Conferência de certidões que comprovem a


regularidade trabalhista, comprovantes de
Trabalhistas e Silveira (2017), INC 01/2016 e IN
benefícios suplementares (vale-transporte,
previdenciárias 05/2017.
alimentação, etc.), número de processos
trabalhistas.

Existência de trabalho escravo, resíduos


Socioambiental Silveira (2017)
industriais.

Grau de ocorrência do oportunismo,


Williamson (1985) ,Faria (2009),
Teoria de Custos de Racionalidade Limitada, Incerteza,
Peres (2007) , Schubert e Waquil
Transações Especificidade dos ativos, frequência
(2014) , Sales (2016)
(número de contratos firmados)

Quadro 1: Principais variáveis explicativas para o risco dos contratos.


Fonte: Elaborado pela autora.

2.2.5 Gestão de Riscos na Terceirização

Para Olher (2013) a terceirização deve ser percebida como uma extensão da
Administração Pública, formando uma relação de parceria em que a empresa terceirizada
cuidará de atividades de apoio, enquanto o Órgão Estatal se concentrará em sua atividade
principal. Possivelmente, o que motivou a adoção de processos gerenciais no governo
vem da ideia de que tudo o que é público é ineficiente, deste modo, são introduzidos, na
Administração, modelos e técnicas de gestão privada, buscando promover a concorrência
entre os diversos fornecedores de bens e serviços públicos na perspectiva do progresso
do serviço público diante da população e, paralelamente, reduzir os custos
(RODRIGUES, 2009).
Assim, a política da terceirização de mão de obra na administração pública
brasileira, ganhou força nos anos 90, com a aprovação do Plano Diretor da Reforma do
Aparelho do Estado pelo então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, com
a criação de novas carreiras de nível superior e extinção de cargos de nível médio e
intermediário, impedindo novos concursos públicos para esses cargos, e adotou a política
de contratação de serviços (VIEIRA et al., 2006).
Com terceirização no âmbito público, a admissão de trabalhadores para atividades
de apoio deixa de ser por concurso público meritocrático e tende ser substituído por
27

contratos temporários, sem conexão com a carreira pública. Este processo garante a
flexibilidade das relações de trabalho, permitindo ao gestor reduzir ao mínimo os
trabalhadores, ajustando os salários ao desempenho pela criação de incentivos (ROCHA,
2005).
Para Veloso (2017), a terceirização de mão de obra é uma prática em expansão em
função da flexibilização instituída pelas recentes legislações, tais como a Lei nº 13.429
de 2017 que regulamenta a terceirização de mão de obra nas organizações públicas e
privadas e a IN n° 05/2017 MP específica para a terceirização de serviços na
administração pública federal. A autora reforça que ao comparar a evolução das
legislações relacionadas à terceirização de mão de obra, nota-se como novidade o
destaque ao gerenciamento de riscos, demonstrando sua importância para tal processo de
terceirização.
Ademais, Silveira (2017) menciona diversas vantagens em relação à prática da
terceirização, como aumento da competitividade, focalização nas atividades fins da
organização e otimização de custos. Entretanto, apesar de transferir parte das
responsabilidades aos contratados, o controle da qualidade e serviços fornecidos ainda
são atribuições do governo, resultando na necessidade da gestão de riscos dos contratos.
Para Veloso (2017), a possibilidade de terceirização na administração direta,
autárquica e fundacional da União encontra-se bastante ampliada e abrange a grande parte
das atividades de apoio aos respectivos órgãos e entidades. Tal ampliação e abrangência
da terceirização de mão de obra aumentam as possibilidades de exposição aos riscos que
possam comprometer os objetivos da organização, fazendo-se importante à discussão
sobre a gestão de riscos na administração pública.
Em relação aos riscos na terceirização, foco deste trabalho, Silveira (2017, p. 169)
conceitua a Gestão de Riscos da seguinte forma:

A gestão de riscos da terceirização é o monitoramento, pela empresa tomadora


de serviços, do cumprimento das obrigações trabalhistas, previdenciárias e de
saúde, e segurança dos profissionais das empresas terceirizadas envolvidos na
prestação de serviços. Ao deixar de cumprir um direito do trabalhador ou
recolher algum encargo social, a empresa prestadora de serviços estará gerando
um passivo trabalhista. Assim, a gestão de riscos, é a vigilância, por parte da
empresa tomadora, em relação ao cumprimento das obrigações, visando a
identificação e correção preventiva de eventuais passivos, bem como a
proteção do trabalhador.

Ao reportar-se para gestão de riscos de contratos terceirizados é importante que a


empresa tomadora, e especialmente o gestor do contrato, zelem para que o contrato-
realidade não se distancie do que foi previsto nos instrumentos formais. Ao avaliar a
influência dos contratos no resultado operacional das empresas, e em sua crescente
28

exposição ao risco, algumas iniciativas no âmbito da administração podem ajudar na


sustentação desse movimento, tais como novos modelos para a gestão de contratos e
monitoração deste contrato desde o surgimento das demandas até o encerramento das
relações comerciais geradas. A contratação de serviços, que possui envolvimento direto
de profissionais na sua execução, além de ser de difícil a especificação técnica, que traz
desafios na gestão e possui diversos riscos associados (SILVEIRA, 2017).
Tadeu e Guimaraes (2017) reconhecem que houve um avanço relativamente
modesto nas práticas de gestão de terceirizados, bem como a generalização e
superficialidade dos estudos relacionados à terceirização, apontando para a necessidade
de uma discussão mais intensa sobre alguns tópicos ligados a esse tema, principalmente
no tocante aos riscos da sua aplicação na administração pública.
Dessa forma, cabe à administração pública garantir que os colaboradores
terceirizados apoiarão de forma efetiva as atividades fim na rede federal de ensino, que
são representadas pelo tripé ensino, pesquisa e extensão. É importante ressaltar que a
atividade fim da instituição de ensino seja bem desenvolvida, sendo a gestão da
organização uma atividade que propicia mecanismos para esse desenvolvimento
(OLHER, 2013).
29

3. METODOLOGIA

Este capítulo aborda as estratégias metodológicas empregadas durante o processo


de investigação. Assim, ressalta-se que o objeto de estudo é a gestão de riscos nos
contratos terceirizados da Universidade Federal de Viçosa e o período temporal analisado
foi de 2007 a 2017.
A Universidade Federal de Viçosa está situada na Zona da Mata Mineira e foi
fundada em 30 de março de 1922, sendo sua inauguração datada de 28 de agosto de 1926,
pelo então Presidente da República, Arthur da Silva Bernardes. Em 1948, a ESAV foi
transformada em Universidade Rural do Estado de Minas Gerais (UREMG) e, em 1969,
em Universidade Federal de Viçosa.
Trata-se de uma instituição referência na área de gestão, que sempre se manteve
estável nos momentos de crise, preservando o objetivo principal de prestar serviços à
comunidade nas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Ademais, a UFV ainda não
possui uma Política de Gestão de Riscos, podendo essa pesquisa contribuir para sanar
uma demanda prática da instituição.
Optou-se por trabalhar especificamente com os contratos destinados à
terceirização de mão de obra em virtude do grau de dependência da Instituição de Ensino
Superior (IES) para a manutenção de suas atividades acadêmicas no geral, bem como pela
tendência de crescimento contínuo desses contratos diante das recentes legislações. A
seguir, na Figura 5, estão demonstrados os objetivos específicos, bem como as etapas para
alcance dos mesmos e execução do trabalho, sendo estruturadas em Planejamento,
Execução e Análise.
30

Objetivos Específicos Planejamento Execução Análise

Coleta de Dados
Analisar a expansão da Preliminares Coleta de dados
Análise
Terceirização bem como Documental
o perfil dos gestores. Definição da
amostra prévia
Relatórios
dos gestores.
Institucionais
Analisar a presença da Elaboração do
questionário
TCT nos contratos
Sites e Sistemas
terceirizados da UFV. Oficiais
Teste Piloto do
questionário Análise
Discriminate
Criar uma regra de Aplicação de
Correção do Questionário
classificação de risco questionário
para os contratos.

Figura 5: Etapas dos Procedimentos Metodológicos.


Fonte: Elaborado pela autora

Nos tópicos 3.1 a 3.3 estão apresentadas as descrições detalhadas das etapas expostas
na Figura 5.

3.1 Planejamento

Na primeira etapa, o planejamento, foi necessário identificar todos os contratos


que a Universidade Federal de Viçosa firmou no período entre 2007 e 2017, cujo objeto
de contratação fosse a mão de obra. Esse levantamento foi realizado por meio de consulta
ao Portal de Compras Governamentais, site oficial de divulgação das compras realizadas
no âmbito federal. A partir dessa investigação definiu-se a população inicial da pesquisa
sendo composta de 119 contratos, incluindo os campi de Viçosa, Florestal e Rio
Paranaíba.
Para coleta de dados relacionados às variáveis da Teoria de Custos de Transação,
foi preparado um questionário para ser aplicado a todos os gestores dos contratos
pertencentes à população. Entende-se que o gestor é o mais qualificado para identificar
tais pressupostos, uma vez que de acordo com a IN 05/2017, junto com os fiscais, eles
são responsáveis pela execução contratual, devendo registrar todas as ocorrências durante
toda a vigência da prestação dos serviços e tomar as providências necessárias para o fiel
cumprimento das cláusulas contratuais.
31

Inicialmente, na seção de abertura do questionário, foram elaboradas questões


para identificação do perfil do gestor; posteriormente, foi questionado se este observou
durante a execução do contrato a presença dos pressupostos da TCT, quais sejam:
racionalidade limitada, oportunismo e incerteza. Assim, foi solicitado ao respondente que,
em uma escala de baixo, médio e alto, classificasse, em cada contrato, a ocorrência dessas
características. Além dessas opções, havia a possibilidade de responder sobre a não
ocorrência das mesmas.
Na próxima seção, seguindo a mesma estratégia, o gestor foi questionado sobre os
controles internos e a fiscalização ocorrida em cada contrato. Por fim, em opção de sim
ou não, o respondente foi questionado se recebeu treinamento para exercer a função de
gestor e se o mesmo se sentia preparado para a tarefa assumida.
Ressalta-se que ao longo do questionário foram incluídas definições dos temas
abordados e instruções para o preenchimento de cada questão. Além disso, os mesmos
foram personalizados, ou seja, para cada respondente constava no questionário apenas os
contratos nos quais atuou como gestor.
Antes da aplicação efetiva, foi realizado um pré-teste com cinco gestores de
contratos, a fim de avaliar a exatidão e coerência do instrumento de coleta de dados para
com os objetivos propostos. Com base nas informações obtidas, foram realizadas as
correções, de modo a aumentar a eficiência do instrumento de coleta de dados e a taxa de
respostas obtidas.
Outro ponto importante trata-se da submissão do questionário ao Comitê de Ética
em Pesquisas com Seres Humanos (CEP), que ocorreu no mês de novembro de 2017,
sendo devidamente aprovado. O questionário aplicado está disponibilizado no Anexo A
desta pesquisa.

3.2 Execução

A fase de execução trata-se efetivamente da coleta de dados. Primeiramente,


foram analisados os Relatórios Institucionais da Universidade Federal de Viçosa, a
exemplo do Relatório de Atividades e Relatório de Gestão disponibilizados na página
oficial da instituição. Também foram realizadas buscas no Sistema Integrado de
Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI), que tem por finalidade realizar
todo o processamento, controle e execução financeira, patrimonial e contábil do governo
federal brasileiro. Tais dados serviram de base para cumprir o primeiro objetivo da
32

pesquisa, que se trata de analisar o cenário da terceirização na UFV no período 2007 a


2017.
Para o cumprimento do segundo objetivo, de analisar a presença dos pressupostos
da Teoria de Custos de Transação nos contratos terceirizados da UFV, foi utilizada a
aplicação de questionário como técnica de coleta de dados. Para tal, foi utilizada a
ferramenta Google Forms, sendo encaminhado um e-mail para os gestores, contendo o
link para o formulário e apresentando a pesquisa. Ademais, também foi realizado o
contato por telefone solicitando a colaboração dos mesmos, de forma a aumentar o
número de respostas. Em um total de 119 contratos, obteve-se a retorno para 87, sendo
essa a amostra final utilizada para o estudo.
Por último, visando cumprir o terceiro objetivo específico, de criar uma regra de
classificação para os contratos em baixo, médio e alto risco foram coletados em sites
oficiais do governo, tais como Receita Federal, Compras Governamentais, Tribunal
Superior do Trabalho. Esse levantamento foi realizado no período entre fevereiro e março
de 2018. Também se utilizou informações extraídas das respostas dos questionários. No
Quadro 2 estão descritos os dados, tomados como variáveis do modelo proposto, de
acordo com as perspectivas apresentadas no referencial teórico, bem como a respectiva
fonte.
33

Dimensão Variáveis Descrição Medida Justificativa Fonte


Liquidez Dado pela razão entre o Ativo É um índice com variação de Indica a capacidade de a empresa cumprir seus Site de Compras
Financeira Corrente Circulante e o Passivo 0 e acima de 1. Escala razão. compromissos financeiros a curto prazo. São Governamentais -
Circulante. indicadores utilizados nas licitações, conforme Lei SICAF.
8.666.
Punições de Dado pelo número de É a frequência de ocorrências Empresas já recorrentes em infrações contratuais Site de Compras
órgãos ocorrências registradas. registradas de punições de podem estar mais propensas a cometer novas Governamentais -
Públicos órgãos Públicos. Escala irregularidades, indicando problemas financeiros. SICAF.
numérica.
Valor do Dado pelo valor do contrato na É o LN do valor monetário Quanto mais representativo o contrato diante do Compras
contrato base logarítmica. do contrato. Escala numérica. orçamento da instituição, maior deverá ser o controle Governamentais –
Operacional sobre o mesmo. Contratos.
Controle Dado pelo grau (de 0 a 3, sendo 0 ausente, 1 baixo, 2 médio, O ambiente de controle é o primeiro componente para Questionário aplicado
interno este último o mais alto) de 3 alto. Escala Ordinal. o gerenciamento de riscos. Os controles internos são a
controle interno/fiscalização primeira linha de defesa da instituição.
aplicado no contrato.
Tempo Dado pelo tempo em que o 1 de 1 a 5 anos, 2 de 6 a 10 O gestor é peça fundamental para a gestão de Questionário aplicado
gestor trabalha na UFV. anos, 3 de 11 a 15 anos, 4 de contratos. Sua experiência poderá contribuir para a
16 a 20 anos, 5 acima de 20 redução de problemas contratuais.
anos. Escala Ordinal
Escolaridade Dado pelo nível de 1 ensino médio, 2 superior, 3 O gestor é peça fundamental para a gestão de Questionário aplicado
escolaridade do Gestor. especialização, 4 mestrado, 5 contratos. Sua formação e conhecimento poderá
doutorado. Escala Ordinal. contribuir para a redução de problemas contratuais.
Treinamento Dado pela presença ou 0 não para ausência de O treinamento é peça fundamental para a preparação Questionário aplicado
ausência de treinamento treinamento, 1 sim para ter do gestor e sucesso contratual. Um gestor
recebido pelo gestor do passado por treinamento. despreparado aumenta os riscos de um contrato.
contrato. Escala numérica.
Processos Dado pela relação do número É a proporção processos Processos trabalhistas revelam as falhas da gestão e os Site Tribunal Superior
trabalhistas de processos trabalhistas trabalhista por contrato. conflitos organizacionais da empresa. As reclamações do Trabalho e
Trabalhista constante na Certidão de Escala razão. trabalhistas indicam problemas internos, sejam eles Compras
Débitos Trabalhistas do financeiros ou operacionais, demonstrando risco ao Governamentais –
fornecedor e o número de contrato. Contratos.
contratos firmados com a UFV.

Quadro 2: Variáveis utilizadas no modelo.


Fonte: Elaborado pela autora.
34

Quadro 2: Cont.

Dimensão Variáveis Descrição Medida Justificativa Fonte


Racionalida- Dado pelo grau (de 0 a 3, sendo 0 ausente, 1 baixo, 2 médio, Quanto maior a presença da racionalidade maior os Questionário aplicado
de limitada este último o mais alto) de 3alto. Escala ordinal. custos de transação e riscos no contrato.
racionalidade limitada presente
Teoria de no contrato.
Custos de Oportunismo Dado pelo grau (de 0 a 3, sendo 0 ausente, 1 baixo, 2 médio, Quanto maior a presença do oportunismo maior os Questionário aplicado
Transação este último o mais alto) de 3 alto. Escala ordinal. custos de transação e riscos no contrato.
oportunismo presente no
contrato.
Incerteza Dado pelo grau (de 0 a 3, sendo 0 ausente, 1 baixo, 2 médio, Quanto maior o nível de incerteza maior os custos de Questionário aplicado
este último o mais alto) de 3 alto. Escala ordinal. transação e riscos no contrato.
incerteza presente no contrato.
Frequência Dado pelo número de contratos É a frequência de contratos Quanto mais frequente for o relacionamento entre Compras
que o fornecedor possui com a por fornecedor no período determinadas empresas, mais confiança será criada Governamentais –
UFV no período analisado observado. Escala numérica entre os agentes, reduzindo os custos e riscos dos Contratos.
contratos. Na presença do oportunismo, o frequência
pode se tornar negativa, gerando vícios e riscos
contratuais.
35

Após a fase de execução, passa-se para a análise dos dados.

3.3 Análise

Para criar uma metodologia de avaliação de riscos em contratos terceirizados, esse


estudo lança mão da análise documental, que contemplou especialmente o primeiro e o
segundo objetivos específicos, e a análise discriminante, que permitiu, de fato, analisar
as variáveis e criar a regra de classificação de riscos nos contratos. Por último, buscando
complementar as análises foi realizado o Teste de Spearman, que permitiu verificar a
correlação entre as variáveis
De acordo com Pádua (1997, p. 62) a análise documental é aquela realizada a
partir de documentos, contemporâneos ou retrospectivos, considerados cientificamente
autênticos e tem sido largamente utilizada nas ciências sociais, na investigação histórica,
a fim de descrever/comparar fatos sociais, estabelecendo suas características ou
tendências.
Gil (2002, p. 62-3) menciona que a pesquisa documental apresenta algumas
vantagens por ser “fonte rica e estável de dados”, não implica altos custos, não exige
contato com os sujeitos da pesquisa e possibilita uma leitura aprofundada das fontes.
Já a análise discriminante trata-se de uma técnica estatística multivariada de dados
e que, segundo Fávero et al. (2009), é importante recurso para a tomada de decisões nos
mais variados campos do conhecimento. De acordo com os autores, a análise multivariada
passou a ser utilizada para a avaliação de comportamento e de tendências presentes nas
mais diferentes áreas do conhecimento. Considerando que esta é a principal técnica
aplicada neste trabalho, na próxima seção estão descritos os conceitos e pressupostos da
Análise Discriminante.
O software utilizado para a análise discriminante foi o Data Analysis and
Statistical Software (Stata). Cabe mencionar que para as representações gráficas 12 e 13,
utilizou-se o software XLSAT.

3.3.1 Análise Discriminante

A análise discriminante é a técnica multivariada utilizada quando a variável


dependente é categórica, ou seja, qualitativa (não métrica) e as variáveis independentes
são quantitativas (métricas). Como objetivo principal, a análise discriminante oferece ao
pesquisador a possibilidade de elaborar previsões a respeito de qual grupo certa
36

observação pertencerá, uma vez que se caracteriza como técnica de previsão de


classificação (FÁVERO et al., 2009, p. 401).
Além da principal aplicação, que são classificações dicotômicas, a Análise
Discriminante (AD) pode ser utilizada também quando as categorias são superiores a
duas, ou seja, para k grupos. Assim, um modelo de análise de risco de crédito pode ser
dividido em categorias de clientes rotuladas como de alto, médio ou baixo risco, gerando
informações de maior relevância para o gestor. Isso exemplifica a possibilidade de
classificar elementos de acordo com uma escala previamente estabelecida. Nesse caso,
usa-se a denominação de Análise Discriminante Múltipla (CORRAR et al., 2014).
Assim, de acordo com Hair Jr. et al. (2009, p. 224), quando duas classificações
estão envolvidas, a técnica é chamada análise discriminante simples (AD) e quando três
ou mais classificações são identificadas, a técnica é chamada Análise Discriminante
Múltipla (ADM), sendo que ambas exigem uma classificação a priori. No presente
estudo, será utilizado o último modelo, uma vez que o objetivo se trata de classificar os
contratos em baixo, médio e alto risco.
Assim, antes de aplicar a técnica foi necessário pré-classificar os contratos em
baixo, médio e alto risco. Para tal, tomou-se como base o número de ocorrências
existentes em cada empresa. Sabe-se que o fornecedor é parte essencial para que a gestão
de contratos seja bem executada, devendo possuir condições financeiras, operacionais e
legais para fazer parte desta relação com o órgão público. Quando o mesmo age de forma
errada nas licitações ou na execução dos contratos, ele sofre as sanções administrativas,
que se iniciam na advertência, sendo a mais leve, e podendo chegar ao impedimento de
licitar e contratar. Dessa forma, entende-se que as sanções obtidas pela empresa são um
forte indicativo para o risco do contrato.
Destaca-se as penalidades previstas tanto na Lei de Licitações como na Lei 10520/01,
que são relevantes para esse trabalho:
 Multa: aplicada no caso de atraso injustificado na execução do contrato (Lei
8.666/93).
 Advertência: aplicada nos casos de inexecução total ou parcial do contrato (Lei
8.666/93).
 Suspensão Temporária: também é aplicada nos casos de inexecução total ou
parcial do contrato, podendo ser cumulativa à multa, e limitada a dois anos (Lei
8.666/93).
 Impedimento de Licitar e Contratar: aplicada quando o fornecedor desiste da
celebração do contrato ou apresenta documentação fraudulenta após vencer um
37

pregão, com prazo de até cinco anos, e também cumulativa à multa (Lei
10.520/02).
 Declaração de Inidoneidade: aplicada em casos mais graves de inexecução total
ou parcial do contrato, podendo também ser cumulativa à multa, sem limite de
prazo, perdurando enquanto não resolvida a situação ou ressarcido o governo (Lei
8.666/93).
Assim, com base nas sanções administrativas aplicadas em licitações e contratos,
previstas essencialmente no art. 87 da Lei nº 8.666, de 23 de junho de 1993, e
complementadas pela na Lei n° 10.520/02; o contrato foi previamente classificado em
baixo risco quando o fornecedor não apresentou punições em órgão público, ou no
máximo, foi punido apenas com advertência. Para médio risco, foram considerados
aqueles em que o fornecedor recebeu punição de multa, e por fim, foram considerados de
alto risco, os contratos em que o fornecedor já havia recebido as penalidades suspensão
temporária, impedimento de licitar e contratar ou declaração de inidoneidade.
Cabe mencionar que classificação semelhante foi realizada por Sales (2016) em
seu trabalho, quando propôs um modelo de classificação do risco de contratos públicos,
destinados à seleção de auditoria.
Para Hair Jr. et al. (2009, p. 236), certas condições são requeridas para a aplicação
da análise discriminante. As suposições mais importantes são a de normalidade das
variáveis independentes e igualdade nas matrizes de dispersão e covariância dos grupos.
Foram realizados testes e observado que não havia normalidade nas variáveis, entretanto,
isso não foi impedimento para aplicação da técnica, uma vez que que a dimensão do
menor grupo é superior ao número de variáveis estudadas. De acordo com Fávero et al.
(2014) a análise discriminante é uma técnica bastante robusta à violação dos pressupostos,
desde que atenda o critério acima mencionado.
No processo da Análise Discriminante, se faz necessária a determinação do
cálculo de escores discriminantes, por meio da função discriminante, que relaciona a
variável dependente com as demais variáveis independentes, a fim de potencializar as
diferenças entre os grupos. Segundo Corrar e Theóphilo (2004, p. 156) e Hair Jr. et al.
(2009, p. 224), a função discriminante é expressa pela Equação 1.

� =�+ � + � +⋯ � (1)
Em que:

� : Escore Z discriminante da função discriminante para cada observação k


α: Intercepto
38

bn : Peso discriminante para a variável independente


Xn : Variável independente.

Para testar a hipótese de igualdade das médias dos grupos, é essencial calcular as
médias dos escores discriminantes para todas as variáveis, conseguindo assim, a média
de cada grupo. Essas médias, também chamadas centroides, indicam o ponto
característico de todos os indivíduos do grupo em questão e, graficamente, permite a
observação do nível de afastamento de todos os grupos, em vista da função discriminante.
(HAIR JR et al., 2009, p. 238).
Assim, Corrar e Theófilo (2004, p. 166) explicam que quando se tem mais de dois
grupos, como ocorre nessa pesquisa, a ideia básica é a mesma que quando se tem apenas
dois grupos, ou seja, procurar uma regra que classifique dados levando em conta as
distâncias de um ponto observado ao centroide dos grupos. Entretanto, os autores
mencionam que medir as distâncias de um ponto observado aos pontos centroides para
alocar a observação ao grupo cujo centroide estiver mais próximo é, porém, deficiente
sobre o ponto de vista estatístico, por não considerar a variância das variáveis
independentes. Assim, uma forma de contornar esse aspecto frágil é a Distância de
Mahalanobis. De sua aplicação resulta a avaliação da distância de uma observação ao
ponto centroide de cada grupo, considerada a variância, a observação pertencerá ao grupo
ao qual estiver mais próximo, conforme Equação 2.

̅̅̅̅
�−�
= √∑ (2)

Em que:

= Distância da observação ao ponto do centroide de um grupo;


�= Valor assumido pela variável independente na observação;
�̅= Valor médio da variável independente considerada dentro de um grupo
= Variância da variável independente considerada dentro de um grupo.

Após a classificação dos grupos, verifica-se o grau de acurácia de classificação do


modelo por meio do teste de chances Press’s. Segundo Hair Jr. et al. (2009, p. 244) esse
procedimento testa o poder discriminatório da matriz de classificação quando comparada
ao número de classificações corretas de um modelo por chances. Quando o tamanho dos
grupos é desigual, o mais utilizado é o critério de chances proporcionais. De acordo com
39

Corrar e Theóphilo (2004, p. 159) e Hair Jr. et al. (2009, p. 245), por meio da Equação 3
é realizado o Critério de chances proporcionais.

� = + − (3)

Em que:

� = Critério de chance proporcional


= proporção de elementos do grupo 1
− = proporção de elementos para o grupo 2

Assim, após obter o resultado do teste de Chances proporcionais, o mesmo deverá


ser comprado com os resultados obtidos pela Análise Discriminante.
Ressalta-se que outros estudos empregaram a técnica de Análise Discriminante
dentro da temática de gestão de riscos. Citam-se, como exemplo, Pandelo Junior (2006),
que propôs um modelo de avaliação de risco de bancos com base em dados contábeis,
Sanches et al. (2015) que pesquisaram a previsão de inadimplência de pessoa física nos
anos de 2013 a 2015, e Santos (2015), que teve como objeto avaliar modelos estatísticos
para mensuração do risco de crédito, visando identificar bons e maus pagadores em uma
indústria.
Por fim, de forma a complementar o estudo é realizado o teste do coeficiente de
correlação de Spearman, que tem como objetivo verificar se existe relação entre as
variáveis utilizadas no modelo de Gestão de Riscos. Optou-se por utilizar este coeficiente,
pois, segundo Hair Jr. et al. (2009), o coeficiente de correlação de Spearman é
considerado uma estatística mais conservadora e é utilizado em escalas nominais
ou ordinais. Assim, para esse teste não há restrições, podendo o mesmo ser sempre
aplicado
Santos (2015) menciona que quando se utiliza a correlação por postos, os outliers
(valor atípico em uma variável) não provocam grandes mudanças no comportamento do
coeficiente de Spearman. Assim, pode-se dizer que essa técnica é robusta à presença de
outliers. Corrar et al. (2014) mencionam que a situação ideal para o pesquisador é ter
variáveis independentes altamente correlacionadas com a variável dependente, mas com
pouca correlação entre elas próprias.
40

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1 Cenário da terceirização na UFV

Nos próximos tópicos estão descritos aspectos sobre o comportamento da gestão


da terceirização no período analisado, sua representatividade em face aos recursos e
atividades da instituição, bem como suas as características. Essa descrição é relevante
para compreensão do contexto e para o desenvolvimento do modelo de gestão de riscos
de contratos terceirizados.

4.1.1 Representatividade da terceirização

Inicialmente, de forma a verificar a representatividade dos contratos terceirizados


em face aos recursos da Universidade Federal de Viçosa, foi realizado um comparativo,
no período de 2008 a 2017, entre as despesas com contratos terceirizados e as despesas
discricionárias. De forma prática, as despesas discricionárias são aquelas que estão sob o
controle do ordenador de despesas, excluindo-se os pagamentos de benefícios, que já
possuem destino especificado pelo governo federal. Os dados foram obtidos do SIAFI, e
não estavam disponíveis para o ano de 2007. A tabela 1 demonstra esses valores.

Tabela 1: Representatividade dos valores das Despesas com Contratos Terceirizados (em
Reais).
Período Despesas Discricionárias Despesas com Terceirizados Representatividade
2008 Totais
32.916.793,47 438.613,84 1,33 %
2009 36.373.238,76 1.357.057,74 3,73%
2010 45.093.705,46 4.105.965,60 9,11%
2011 53.890.167,90 8.654.566,56 16,06%
2012 54.297.083,99 12.148.329,10 22,37%
2013 66.311.611,29 17.837.540,48 26,90%
2014 79.879.157,25 23.388.097,96 29,28%
2015 78.274.585,22 27.337.559,51 34,93%
2016 89.409.898,04 32.048.857,56 35,84%
2017 86.570.474,05 29.968.442,93 34,62%
Fonte: Elaborado pela autora com base no SIAFI

Observa-se um constante aumento dos valores gastos com os contratos destinados


à terceirização de mão de obra. Como pode ser observado, em 2008, a instituição destinou
438 mil reais para pagamentos de tais contratos, representando 1,33% de todas as
41

despesas discricionárias, enquanto em 2017 esse valor ultrapassa 29 milhões de reais,


tendo uma participação de 34,62%. A Figura 6 ilustra os dados referente ás despesas com
contratos terceirizados de mão de obra e despesas discricionárias incorridas na UFV no
período analisado.

100,00
Despesas (em milões de reais)

80,00

60,00

40,00

20,00

0,00
2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Anos

Despesas Discricionárias Despesas Contratos Tercerizados

Figura 6 : Despesas Incorridas


Fonte: Dados da Pesquisa.

Corroborando com o resultado apontado, Manarino (2017) menciona que ao


lançar um olhar atento à rotina de terceirização de mão de obra no âmbito das Instituições
Federais de Ensino Superior (IFES), percebe-se sua intensificação em decorrência,
principalmente, da implementação do programa federal do Ministério da Educação de
Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI). Com a UFV essa
situação não foi diferente, tendo seus gastos com contratos terceirizados intensificados,
especialmente a partir de 2011.
Fato é que com o advento do REUNI, houve um significativo aumento nas vagas
e nos cursos ofertados pela UFV, levando à necessidade de acréscimo de mão de obra,
não apenas dos professores e técnicos administrativos do quadro, mas também da mão de
obra terceirizada. Ou seja, as medidas de expansão implementada pelo governo levaram
ao crescimento das UFV e consequentemente à terceirização, resolvendo o problema
imediato de infraestrutura necessária para atender à nova realidade.
Outro ponto que contribuiu consideravelmente para o acréscimo no quadro dos
funcionários terceirizados é a política de extinção de cargos efetivos no âmbito da
Administração Pública Federal. A partir da Lei nº 9.632/98 foram extintos cargos como
servente de limpeza, cozinheiro, agente de vigilância, dentre vários outros. Cabe
mencionar que em 2018, por meio Decreto nº 9.262/18, o governo federal extinguiu ainda
mais de 60.000 cargos da Administração Pública, vedando a abertura de concursos
42

públicos. O comportamento dos quantitativos de funcionários terceirizados e corpo


técnico administrativo pode ser visualizado na Figura 7.

3000

Número de funcionários/servidores
2500

2000

1500

1000

500

0
2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Anos

Terceirizados Corpo tecnico administrativo

Figura 7: Evolução no número de funcionários terceirizados e corpo técnico administrativo


Fonte: Dados da Pesquisa.

Percebe-se um crescimento constante dos funcionários terceirizados, sendo o


oposto do que ocorre com os funcionários efetivos, havendo uma redução dos mesmos,
com pequeno acréscimo no período entre 2009 e 2013. De acordo com o Relatório de
Gestão (2013) essa elevação se deu em razão da autorização de contratação para os cargos
das categorias D (nível médio) e E (nível superior) e a possibilidade de troca de cargos
para aqueles extintos ou em extinção pertencente à categoria C (nível fundamental).
No ano de 2014, observou-se uma leve queda no número de terceirizados. Isso se
deve a uma tentativa de reduzir custos, por parte da administração superior, em função da
recessão orçamentária vivenciada pela administração pública, especialmente nos anos de
2014 e 2015. Entretanto, apesar de redução no número de funcionários, não foi possível
reduzir os valores efetivamente pagos de forma imediata, uma vez que outros fatores
influenciam no valor do contrato, como, por exemplo, os reajustes das convenções
coletivas, dentre outros.
43

4.1.2 Composição da mão de obra

Outra avaliação interessante, que contribui no sentido de entender a importância


da terceirização para a UFV, trata-se da composição da mão da obra terceirizada, ou seja,
em que serviços específicos ela se concentra, bem como sua representatividade diante do
corpo técnico administrativo da instituição.
Por meio da população levantada, contendo todos os contratos terceirizados no
período de 2007 a 2017, foi possível identificar a composição da mão de obra terceirizada
presente na Universidade Federal de Viçosa, exposto na Figura 8.

Alimentação
10%
Serviços de
Serviços técnicos segurança e apoio
16% administrativo
37%

Serviços de
transporte
12%

Serviços de limpeza e
manutenção
25%

Figura 8: Distribuição da mão de obra terceirizada na UFV.


Fonte: Dados da Pesquisa.

Dos contratos terceirizados de mão de obra 37% foram destinados aos serviços de
segurança (porteiro, vigia) e apoio administrativo (recepcionistas). Posteriormente, com
25% das contratações, está a área de limpeza e manutenção predial. Também foram
identificados contratos específicos, como os destinados à área de alimentação, que
contemplam os cozinheiros e pessoas necessárias para as atividades dos restaurantes
universitários, bem como serviços de informática, técnico agropecuário, dentre outros.

4.1.3 Gestores de Contratos

Conforme exposto na legislação, uma peça fundamental para a boa execução do


contrato é o gestor do mesmo. Lapa e Nunes (2016) ressaltam que é imprescindível que
44

o gestor e os fiscais de contratos terceirizados conheçam minuciosamente o contrato e


suas respectivas cláusulas, dirimindo suas dúvidas com os setores responsáveis da
Administração. Estes precisam estar cientes das suas responsabilidades, certificando-se
de como deverão efetivamente cumprir as suas atribuições.
Os gestores de contratos são os representantes da administração pública que
possuem maior envolvimento na execução e encerramento dos contratos, sendo um
desafio para os órgãos públicos desenvolver programas de treinamento e
desenvolvimento os mesmos. A falta de qualificação está diretamente ligada à
racionalidade limitada, aumentando a possibilidade de erros e riscos do contrato e,
consequentemente, podendo gerar custos de transações desnecessários. Por esse motivo
o treinamento e qualificação das pessoas envolvidas no processo de terceirização tornam-
se importantes.
Entretanto, a pesquisa demonstrou que 76,54% dos gestores de contratos
terceirizados da UFV não se sentiam preparados para assumir essa função. Questionados
sobre o recebimento de treinamentos, 71,60% relataram não terem sido treinados,
contrapondo apenas 28,4% que receberam algum tipo de treinamento. Esse resultado
demonstra uma fragilidade na preparação dos gestores, contribuindo para o aumento nos
riscos dos contratos. Nesse sentido, Lapa e Nunes (2016) mencionam que o instrumento
de controle mais efetivo, no domínio da administração pública, é a ação preventiva. A
promoção de cursos de capacitação e treinamento aos gestores e fiscais de contratos
poderá contribuir sobremaneira para que não haja equívocos na condução dos objetivos
contratuais da instituição.
Corroborando com esse resultado, menciona-se o trabalho desenvolvido por
Manarino (2017) que, ao analisar um modelo de gestão dos contratos de terceirização de
mão de obra, identificou nas instituições federais, incluindo a UFV, a fragilidade em
relação à capacitação dos gestores contratuais. Importante evidenciar que a presença ou
ausência de treinamento foi uma das variáveis independentes utilizadas na composição
do modelo de Gestão de Ricos. Na Figura 9 demonstra-se a resposta dos gestores em
relação ao recebimento de treinamentos e à preparação para a função.
45

70

60

Número de Gestores
50

40

30

20

10

0
Treinados Preparados

Sim Não

Figura 9: Resposta dos Gestores em relação ao recebimento de treinamento e preparação para a função.
Fonte: Dados da pesquisa

Ainda sobre os gestores, a pesquisa permitiu traçar o perfil dos mesmos.


Constatou-se que 65,52% são do gênero masculino e que estão concentrados no nível D
(37,93%) e nível E (41,38%) da carreira administrativa. De acordo com o Plano de
Carreira dos Cargos Técnicos Administrativos em Educação (PCCTAE), estabelecido
pela Lei n° 11091, de 2005, o nível D corresponde ao assistente administrativo e possui
como exigência a formação no Ensino Médio. Assim, as atividades estão relacionadas ao
apoio administrativo. Já para o nível E é exigida a formação em curso superior, sendo as
atividades voltadas para a área de formação do servidor. Apenas 13,79% dos gestores
pertencem a carreira de docente.
Verifica-se ainda que 41,38% dos gestores possuem acima de 50 anos e 58,62%
trabalham na UFV a mais de 20 anos. Em relação à escolaridade, 68,97% possui mestrado
ou doutorado. Isso evidencia que os técnicos administrativos estão cada vez mais
qualificados e que a UFV tende a nomear as pessoas mais experientes para essa função.
Entretanto, apesar da experiência adquirida ao longo dos anos, a pesquisa demonstrou
que não se sentem preparados para exercer a função de gestor. Cabe mencionar que é
comum o caso de servidores que são gestores de mais de um contrato, adquirindo
experiência e contribuindo para melhor gestão.
46

4.1.4 Fiscalização e controles internos dos contratos

Outro ponto importante que pode ser extraído da pesquisa trata-se da fiscalização
e controles internos dos contratos. Cabe esclarecer que de acordo com a IN 05/2017, a
gestão e a fiscalização dos contratos são diferentes, sendo a primeira relacionada ao
gerenciamento de todos os contratos e a segunda realizada de forma pontualmente em
cada contrato. Entretanto, para fins desta pesquisa, de forma a facilitar o entendimento do
gestor, foi adotado o termo fiscalização, que envolve a gestão, fiscalização e qualquer
mecanismo de controle que permita o acompanhamento contratual.
Neste contexto, a pesquisa possibilitou identificar um panorama positivo, uma vez
que em 51% dos contratos os gestores consideraram que houve alto grau de fiscalização,
e em 44% foi considerado médio grau de fiscalização. Isso evidencia que a UFV se
preocupa com execução correta dos contratos e busca aperfeiçoar seus mecanismos de
controles internos, contribuindo para reduzir os riscos de ocorrer erros.
Cabe destacar que os aspectos de gestão e fiscalização do contrato estão
diretamente ligados aos controles internos que a instituição adota. Bons controles internos
(controles de frequência efetiva dos funcionários, conferência de documentos,
conferência da nota fiscal apresentada pela empresa, conta vinculada, dentre outros)
auxiliam os gestores e ficais no cumprimento de seu trabalho. Uma fiscalização eficiente
previne problemas contratuais, beneficiando não apenas o órgão público, mas também o
prestador de serviços.
Nessa mesma linha de pensamento Manarino (2017) menciona que a falta de
fiscalização eficiente dos contratos (função que, por força da lei, fica a cargo da tomadora
de serviços) acarreta o sucateamento do trabalho e do serviço prestado. Além disso pode
dar causa a reiteradas condenações judiciais por responsabilidade subsidiária da IFES em
casos de fraude aos direitos trabalhistas dos funcionários terceirizados, o que tem
ocasionado expressivo impacto financeiro nas contas da universidade.
Dessa forma, a pesquisa demonstrou que a UFV possui bons mecanismos de
controle interno, devendo os mesmos serem constante e continuamente aprimorados para
que sejam ferramentas capazes de proporcionar aos gestores contratuais os meios
necessários ao correto acompanhamento das avenças nos contratos. Na Figura 10 ilustra-
se as respostas dos gestores em relação ao nível de fiscalização.
47

45
40

Número de Gestores
35
30
25
20
15
10
5
0
Grau de Fiscalização

Sem controles Baixo Médio Alto

Figura 10: Fiscalização nos contratos.


Fonte: Dados da pesquisa.

Portanto, ao analisar a expansão da terceirização na UFV é possível observar uma


tendência para o crescimento dos contratos terceirizados, bem como a importância de
realizar o gerenciamento de riscos nos mesmos, uma vez que a terceirização é uma prática
importante para manter as principais atividades desenvolvida pela UFV.

4.2 Pressupostos da Teoria de Custos de Transação

Em relação ao segundo objetivo proposto nesta pesquisa, de analisar a presença


das características e pressupostos da Teoria de Custos de Transação nos contratos
terceirizados da UFV, verificou-se que os resultados para a racionalidade limitada e o
oportunismo são muito semelhantes. Os gestores consideraram que em 53% dos contratos
o grau de racionalidade limitada foi médio ou alto, e que em 47% o oportunismo também
estava presente no mesmo grau.
Em relação à incerteza, tem-se que esta esteve presente em médio ou alto grau,
em 59% dos contratos, sendo um pouco mais representativa que os demais pressupostos
analisados. Na Figura 11 têm-se as respostas fornecidas pelos gestores de contratos sobre
o grau da racionalidade limitada, incerteza e oportunismo presente nos contratos
terceirizados de mão de obra.
48

60,00

50,00

Número de Gesores
40,00

30,00

20,00

10,00

0,00
Racionalidade Limitada Oportunismo Incerteza
Pressupostos e Características da TCT

Ausência ou Baixo Nível Médio ou Alto Nível

Figura 11: Presença da Teoria de Custos de Transação nos Contratos.


Fonte: Dados da Pesquisa.

No que diz respeito à frequência, dada pelo número de contratos que a UFV possui
com determinado fornecedor, percebe-se que nos primeiros anos da análise ela era baixa,
sendo os serviços distribuídos entre um maior número de fornecedores. Entretanto, a
medida que os serviços terceirizados foram expandindo e a instituição criando a expertise
em relação a este tema, a frequência aumentou, ficando os serviços mais concentrados
em um número menor de fornecedores. Isso evidencia que a UFV criou uma relação de
confiança com os contratados, indicando que os mesmos estão cumprindo as obrigações
contratuais, reduzindo assim os custos de transações e o risco de problemas.
Assim, o aumento na frequência é visto como um resultado positivo. Neste
sentido, Rocha e Guerreiro (2013) afirmam que a experiência já adquirida pela contratada
na execução dos serviços é um dos fatores que pode influenciar na redução dos custos de
transação, tanto ex ante quanto ex post dos serviços. Os autores complementam ainda que
experiência e boa reputação se adquirem no decorrer do tempo e reduzem sensivelmente
o nível de conflito entre as partes. Entretanto, destaca-se que a fiscalização deve ser
praticada mesmo nas situações onde a frequência é alta, pois sem o devido controle a
relação de confiança e proximidade das pessoas envolvidas no processo, na presença do
oportunismo, pode gerar situações de fraudes e riscos dos contratos. Assim, de uma forma
geral, a frequência é vista como positiva, mas sem os devidos cuidados poderá ser
percebida também em uma ótica negativa e prejudicial à gestão contratual.
Tais resultados corroboram com as premissas da Teoria de Custos de Transação,
de que nenhum contrato é perfeito em função da racionalidade limitada, oportunismo e
49

incerteza, podendo tais fatores contribuir para o aumento dos custos de transacionar, bem
como para os riscos dos contratos. Por outro lado, não se pode ignorar que muitos gestores
declaram não perceber, ou perceber em baixo grau, a presença dos pressupostos durante
a execução contratual. Acredita-se que essas respostas são consequências da própria
frequência, uma vez que já foi criada e relação de confiança, e até mesmo em função do
grau de controles internos utilizados pela instituição, que foi identificado pela pesquisa
como sendo alto.
Pelo exposto, conclui-se que os pressupostos da Teoria de Custos de Transação
estão presentes nos contratos terceirizados, sendo importantes fatores de riscos. Em
contrapartida, deixa evidente que podem ser adotadas medidas reguladoras e relações de
confiança, onde essa situação pode ser amenizada.

4.3 Modelo de Gestão de Riscos

Para alcançar o objetivo de propor uma regra de classificação de risco, nos níveis
baixo, médio e alto, para os contratos terceirizados, foi utilizada a técnica de análise
discriminante.
De acordo com Sales (2016), um passo fundamental na construção de um modelo
de aprendizagem é a definição da variável dependente do modelo. Ou seja, se o que se
quer é quantificar a contribuição de cada característica dos contratos e fornecedores para
aumentar seu risco de apresentar problemas em contratos, há de se definir qual variável
será indicativa desse risco. Assim, conforme mencionado nos procedimentos
metodológicos, foi criada a variável que indica a presença do risco nos contratos
terceirizados, nos níveis baixo (grupo 1), médio (grupo 2) e alto (grupo 3). Essa
classificação baseou-se nas penalidades aplicadas aos fornecedores pelos órgãos públicos,
previstas na Lei 8.666 e Lei 10.520/02.
Após a classificação a priori de cada contrato (observação), passou-se à aplicação
da técnica análise discriminante.

4.3.1 Função Discriminante

Após identificação, com base no referencial teórico exposto, das variáveis


importantes na gestão de riscos dos contratos terceirizados, foi realizada a estimativa da
função discriminante. No caso deste estudo, que possui uma variável dependente de três
50

grupos, sendo o risco nos níveis baixo, médio e alto, a análise discriminante calcula duas
funções, FD1 e FD2, sendo uma para separar o grupo 1 do grupo 2 e 3 e outra para separar
o grupo 2 do grupo 3, conforme Tabela 2. Assim, cada objeto terá um escore para as
funções discriminantes FD1 e FD2 permitindo que os objetos sejam separados
graficamente em duas dimensões, com cada dimensão representando uma função
discriminante.
De acordo com Hair Jr. et al. (2009) as funções discriminantes adicionais, geradas
no caso da análise discriminante múltipla, além de melhorar a explicação de pertinência
ao grupo, elas acrescentam discernimento nas várias combinações de variáveis
independentes que discriminam entre grupos.

Tabela 2: Funções Discriminantes do Modelo de Gestão de Riscos.


Variável Função 1 (FD1) Função 2 (FD2)
Escolaridade Gestor 0,0592258 0,1963377
Tempo do Gestor na UFV -0,4555193 -0,3314362
Racionalidade Limitada 0,0066075 0,1935305
Oportunismo -0,0660117 -0,8331453
Incerteza -0,1219643 0,4077907
Frequência 0,0980932 0,1289138
Liquidez Corrente -0,0108181 0,0883015
Número de Ocorrências -0,0502649 0,0147444
Treinamento -0,5844918 0,6725545
Controle Interno -0,0932802 -0,4523958
Processos Trabalhistas -0,0009509 0,0007759
Valor do Contrato -0,1362649 0,0740487
_cons 4,108673 -0,6701755

Fonte: Dados da Pesquisa

Pode-se então reescrever as funções discriminantes da seguinte forma:

= . + , � � − , �
+ , � � � � − , � �
− , �� � + , � �
− , � �� � � − , � ê �
− , � � − , � �
− , � ℎ�
− , ��
51

=− , + , � � − , �
+ , � � � � − , � �
+ , �� � + , � �
+ , � �� � � + , � ê �
+ , � � − , � �
+ , � ℎ� + , ��

Conforme mencionado por Corrar et al. (2014) essas funções acabam se


transformando em um modelo que pode ser utilizado como ferramenta para a
classificação de novos elementos em um dos grupos identificados, a partir de
características tidas como discriminadoras. Assim, a FD1 foi utilizada para encontrar o
escore de cada observação. Entretanto, é necessário verificar a distância de cada
observação ao ponto centroide do grupo, dado pela Distância de Mahalanobis, uma vez
que a análise se trata de mais de dois grupos. Na Tabela 3, é apresentado o teste parcial
da Distância de Mahalanobis, podendo o teste completo ser encontrado anexado a este
trabalho.

Tabela 3: Resultado parcial do Teste da Distância de Mahalanobis


Distância de Mahalanobis
Obs. Risco Escore dist1 Dist2 Dist3 Class3
1 a1a -1,446993 9,492492 9,681741 23,48771 1
2 1 1,594495 8,964067 9,052309 23,97628 1
3 1 1,587127 4,987404 9,853057 20,74355 1
4 1 1,121338 7,840448 8,454158 19,61632 1
5 1 1,365458 8,811361 8,634157 22,17042 2
6 1 0,384667 11,12343 9,892409 17,41705 2
7 1 1,407495 6,834818 7,252126 20,58819 1
29 1 0,9811174 12,25561 10,43989 22.64183 2
31 1 0,3454397 11,76435 6,644003 17,13463 2
32 1 0,4752349 6,592209 4,644743 13,40273 2
33 1 -0,3453096 13,0693 9,132273 13,78424 2
37 1 0,2755992 13,80499 6,838766 18,37721 2
52 2 1,154235 9,394708 9,393859 21,29932 2
53 2 1,753650 9,945831 17,95135 27,39473 1
54 2 1,061271 4,760124 3,2184 15,75504 2
55 2 0,864512 14,23591 7,081921 22,91389 2
66 3 -1,319397 56,0625 62,4039 51,64651 3
67 3 -0,6044428 12,26243 8,439365 11,17598 2
82 3 -3,365206 26,44833 26,05676 6,539431 3
83 3 -0,367122 10,01134 9,044341 11,06772 2
84 3 -3,487673 34,51205 33,88239 13,70318 3
85 3 -1,655490 22,68173 21,85298 14,71053 3
Fonte: Dados da Pesquisa

3
As observações destacadas foram classificadas em grupos diferentes da classificação a priori (risco).
52

Como pode ser observado na Tabela 3, o teste demonstra escore de cada


observação (contrato), bem como a distância da mesma a cada centroide dos grupos
(Dist1, Dist2 e Dist3). A observação é classificada no grupo onde a distância for menor.
Assim, é possível verificar as observações que foram classificadas de forma incorreta pelo
modelo. No grupo 01, as observações 5, 6, 29, 31, 32, 33 e 37 foram classificadas como
de médio risco, no grupo 02, a observação 53 foi classificada de baixo risco e por último,
no grupo 03, as classificações 67 e 83 classificadas em médio risco, sendo diferente das
classificações prévias realizadas.
Na Figura 12 apresentam-se os centroides dos grupos de baixo, médio e alto risco,
que foram obtidos pelas médias dos escores.

Centroids (axes F1 and F2: 100,00 %)


4

1 1
3
F2 (10,92 %)

2
-1 Centroids

-2

-3

-4

-5
-6 -4 -2 0 2 4 6 8
F1 (89,08 %)

Figura 12: Centroides.


Fonte: Dados da pesquisa

Os centroides indicam o local mais típico de qualquer indivíduo de um grupo


particular. A comparação dos centroides de grupos mostra os quão afastados estão os
grupos ao longo da dimensão testada, significando que os grupos são diferentes, bem
discriminados. A Figura 12 demonstra que o centroide 1 e 2 estão mais próximos entre si
e afastados do centroide 3. Isso significa que as variáveis do grupo 3 o distinguem mais
dos primeiros dois grupos.
Na Figura 13, é possível verificar que as observações (contratos) gravitam em
torno do centroide. Eles estão representados de acordo com a classificação prévia, em
baixo, médio e alto risco. Por meio da representação gráfica é possível visualizar quais
53

observações foram classificadas de forma errônea pelo modelo. Os pontos de um grupo


que estão mais próximos do centroide de outro, certamente receberam classificação
diferente quando aplicada a distância de Mahalanobis. Como exemplo, menciona-se o
ponto pertencente ao grupo 2, mas localizado acima do centroide 1, que corresponde à
observação 53, escore 1,781923. É possível ver claramente que ele está mais próximo do
centroide do grupo 1, de baixo risco do que o centroide 2. Ao retornarmos no teste da
Distância de Mahalanobis constamos que ele realmente foi classificado no grupo 1 e não
no grupo 2, como previamente estabelecido.

Observations (axes F1 and F2: 100,00 %)


4

1 1
3
F2 (10,92 %)

0 1
2 2
-1
3
-2
Centroids
-3

-4

-5
-6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
F1 (89,08 %)

Figura 13: Observações gravitando em torno dos centroides.


Fonte: Dados da pesquisa.

O próximo passo foi realizar a análise do poder de discriminação do modelo, dada


pela tabela de classificação.

Tabela 4: Matriz de Classificação dos Grupos.


Risco Classificação do risco
Prévio 1 2 3 Total % de Acerto

1 37 7 0 44 84,09%
2 1 14 0 15 93,33%
3 0 2 26 28 92,86%
Total 37 22 26 87 88,50%
Fonte: Dados da Pesquisa
54

Por meio da matriz de classificação dos grupos, pode-se verificar que a função
discriminante classificou 37 observações no grupo 1 (baixo risco), correspondendo a
84,09% de acerto, uma vez que 44 observações estavam previamente classificadas nesse
grupo. Por outro lado, sete observações do grupo de baixo risco foram consideradas
pertencentes ao grupo de médio risco. No grupo 2 (médio risco), visualiza-se 14
observações classificadas de forma correta, e apenas uma classificada erroneamente no
grupo 01, representando 93,33% de acerto. Por fim, no grupo 3, 26 observações foram
devidamente classificadas, ao passo que apenas duas foram classificadas no grupo 02,
com 92,86% de precisão. Dessa forma, de acordo com a Tabela de Classificação, o
modelo previu corretamente 88,50% das observações, classificando corretamente 77 das
87 observações que fizeram parte da amostra.
Após verificar a predição do modelo de Gestão de Riscos em contratos
terceirizados, é necessário verificar o poder discriminatório da matriz de classificação
quando comparada ao número de classificações corretas de um modelo por chances.
Dessa forma, utiliza-se o critério de chance proporcional, conforme Equação 4.

� = + + = , % (4)

Com base no critério de proporcionalidade, o percentual de acerto mínimo exigido


para que a AD seja considerada adequada é de 38,90%. Como o poder de predição do
modelo foi 88,50%, pode-se afirmar que a função discriminante estimada é adequada para
classificar os contratos em alto, baixo e médio risco.

4.3.2 Teste de Spearman

Por último, como análise complementar, realizou-se o teste de Spearman,


buscando verificar se existe inter-relacionamento entre as variáveis utilizadas no modelo,
bem como o nível de significância. Considerando que o risco do contrato foi previamente
classificado de acordo com as punições sofridas pela empresa, foi analisada a correlação
das demais variáveis em relação à variável número de ocorrências, conforme
demonstrado na Tabela 5. Cabe salientar que o número de ocorrências da empresa reflete
o histórico de punições (advertência, multa, suspensão temporária de licitar e
impedimento de contratar com a administração pública e declaração de inidoneidade)
55

recebidas em função da inexecução total ou parcial dos contratos administrativos com os


órgãos públicos.

Tabela 5: Teste de Spearman


Número de Ocorrências do Fornecedor
Variável Correlação p < 5%
Escolaridade Gestor -0,1249 0,2489
Tempo do Gestor na UFV 0,4639 0,0000
Racionalidade Limitada -0,1996 0,0638
Oportunismo -0,1176 0,2780
Incerteza 0,3065 0,0039
Frequência -0,2497 0,0197
Liquidez Corrente -0,3731 0,0004
Treinamento -0,3026 0,0044
Controle Interno -0,0513 0,6370
Processos Trabalhistas 0,7907 0,0000
Valor do Contrato -0,0743 0,4938

Fonte: Dados da Pesquisa

O teste de Spearman revela que, a um nível de 95% de confiança, apenas as


variáveis tempo, processos trabalhistas, liquidez corrente, incerteza, treinamento e
frequência demonstraram-se significativas diante do número de ocorrências. Ou seja,
essas variáveis foram estatisticamente significativas ao nível de 5%.
Assim, as variáveis significativas tempo, incerteza e processo trabalhista possuem
uma relação positiva com o número de ocorrências. A correlação positiva indica o
crescimento ou decrescimento concomitante das duas variáveis consideradas. Em outras
palavras, quanto mais alto os valores dessas variáveis, mais elas contribuem para o
número de ocorrências da empresa prestadora de serviço.
Existente uma relação direta entre a gestão contratual e a aplicação de penalidades
pelo órgão ou entidade ao contratado. Conforme expõe Fernandes (2006), embora goze a
Administração de prerrogativas especiais no âmbito dos contratos administrativos, ela
não pode simplesmente impor sua vontade, aplicando penalidades sem adequada
fundamentação, uma vez que tem como dever constitucional legal de zelar pela justiça.
Assim, é neste momento que entra em cena a figura do fiscal do contrato, personagem
crucial de cujo labor depende, em essência, a caracterização das irregularidades cometidas
pelo contratado. Da correta anotação dos livros de contratos, da juntada tempestiva de
56

informações e documentos comprobatórios das ocorrências, resultará a possibilidade de


exercício do poder sancionador pela Administração.
Portanto, acredita-se que quanto mais tempo na instituição, maior a experiência
adquirida pelo gestor, que tende a aplicar corretamente as sanções em face às
irregularidades cometidas pela empresa prestadora de serviço, justificando assim a
relação positiva da variável tempo com o número de ocorrências. Cabe destacar que não
é raro casos em órgãos públicos onde o gestor identifica algo errado durante o contrato,
mas insiste em conversar com o fornecedor informalmente, sem registrar as punições
conforme determinado na legislação. Quando se registra devidamente as irregularidades
as intuições estão colaborando com os demais órgãos públicos, alertando-os dos
problemas que o fornecedor poderá causar.
Em relação à variável incerteza, o resultado apontado corrobora com a Teoria de
Custos de Transação, que afirma que quanto mais incerteza maiores possiblidades de
custos de transação, contribuindo para aumentar o risco do contrato. Ou seja, quanto mais
incerteza a empresa estiver sujeita, maior a possibilidade de não cumprir com o
estabelecido no contrato, e ser punida pelo órgão público. Nesse sentido, Vasiliauskiene
e Snieska (2009) afirmam que a incerteza desempenha um papel muito importante nos
contratos terceirizados, uma vez que a medida que a incerteza aumenta, os custos de
transação e o risco do contrato também crescem.
A correlação positiva da variável de processos trabalhistas com o número de
ocorrências, se justifica pelo fato da mesma indicar as falhas que uma empresa pode ter
com seus funcionários. Assim, quanto mais processos trabalhistas ela possuir, significa
que maiores são as chances de ocorrência de situações inadequadas em relação aos
empregados, aumentando as possiblidades de má prestação do serviço dentro do órgão
público, gerando um maior número de ocorrências, bem como o risco do contrato.
Adicionalmente, empresas que possuem alto volume de processos trabalhistas poderão
ter sua capacidade financeira afetada em caso de condenações.
Já as variáveis liquidez corrente, frequência e treinamento, também significativas,
possuem uma relação negativa com o número de ocorrências. A correlação negativa
indica que o crescimento de uma das variáveis implica, em geral, no decrescimento da
outra. Assim, o resultado está de acordo com o esperado, pois quanto maior essas
variáveis, indica que a empresa possui condições de executar os contratos sem grandes
problemas, eliminando as situações passíveis de punições e redução do risco.
Acredita-se que as variáveis, escolaridade gestor, controle interno e valor do
contrato não se mostraram significante para o número de concorrências e risco do contrato
57

em função dos controles aplicados pela UFV e que se mostraram alto nesta pesquisa.
Cabe mencionar que quando os valores dos contratos são altos há mais controles
envolvidos, reduzindo as possibilidades de quebra contratual e punições.
Os pressupostos da Teoria de Custos de Transação, racionalidade limita e
oportunismo, não demonstraram o resultado esperado, visto que não foram significativas.
Ressalta-se que ao ser questionado sobre a presença de tais pressupostos nos contratos,
os gestores responderam que não identificaram a presença do oportunismo, ou estava
presente em baixo grau, em 51,72% dos contratos. Já para a racionalidade limitada esse
percentual é de 48,27%, justificando a não correlação com o número de ocorrências e
risco do contrato.
58

5. CONCLUSÃO

A razão da gestão de riscos no setor público é subsidiar os gestores na tomada de


decisões estratégicas que contribuam para a realização dos objetivos institucionais e
melhor prestação de serviços ao cidadão. Assim, essa pesquisa teve como objetivo
principal propor um modelo de gerenciamento de riscos para contratos da terceirização
de mão de obra. Para alcance do objetivo a pesquisa foi desenvolvida na Universidade
Federal de Viçosa, e antes de criar propriamente o modelo, analisou-se o panorama da
terceirização, bem como a presença dos pressupostos da Teoria de Custos de Transação
nos contratos, que foi a base teórica para o estudo.
Em relação ao primeiro objetivo específico, de analisar o cenário da terceirização,
os resultados obtidos permitiram constatar que a política de terceirização está cada vez
mais presente no âmbito público, sendo implementada na UFV de forma gradativa,
especialmente após o Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades
Federais (REUNI). Percebe-se, por meio das ações do governo federal, a exemplo da
aprovação da Lei n° 13.429, de 31/03/2017, que dispõe sobre as relações de trabalho na
empresa de prestação de serviços a terceiros, e os constantes decretos prevendo a extinção
de cargos públicos, que existe uma tendência ao crescimento deste setor, e que as
universidades se tornem cada vez dependentes desta prática.
Observou-se que as despesas com contratos terceirizados vêm crescendo
anualmente, se tornando mais representativas frente às despesas discricionárias. Em
outras palavras, o recurso que a instituição recebe, com poder de decisão sobre sua
aplicação, está cada vez mais comprometido com o pagamento dos funcionários
terceirizados.
A pesquisa também permitiu verificar que o nível de fiscalização, na visão dos
gestores é alto, contribuindo assim para a redução dos riscos contratuais. Entretanto,
percebe-se uma fragilidade em relação à capacitação dos gestores, uma vez que
aproximadamente 72% dos entrevistados responderam que não receberam treinamento
para essa função. Esse é um ponto de destaque, pois o gestor é peça fundamental no
processo de gestão de contratos e, consequente, no gerenciamento de riscos.
Para o adequado desempenho da gestão contratual, é importante que o gestor
nomeado pela administração superior tenha conhecimento teórico que lhe permita
controlar, acompanhar e fiscalizar a execução do ajuste, bem como o cumprimento das
obrigações assumidas pelas partes contratantes. Além disso, deve ter conhecimento das
alterações contratuais permitidas legalmente e demais assuntos inerentes ao tema. Assim,
59

conclui-se que a UFV precisa promover cursos de capacitação, não apenas para os
gestores e fiscais de contratos, mas para todos os envolvidos no processo, sendo peça
fundamental para o aprimoramento da atividade terceirizada.
Acerca do segundo objetivo específico, de verificar a presença dos pressupostos
da Teoria de Custos de Transação nos contratos terceirizados, com base nos resultados
extraídos dos questionários aplicados, foi possível confirmar a presença em grau médio
ou alto da racionalidade limitada, oportunismo e incerteza em 53% da amostra. O
resultado confirma o exposto na teoria, de que tais pressupostos estão presentes nos
contratos, contribuindo para a imperfeição dos mesmos.
É importante destacar que por limitações impostas pela legislação vigente, as
empresas geralmente são contratas pelo menor preço ofertado, não possuindo os órgãos
públicos poder de escolha na contratação, acentuando a importância do gerenciamento de
riscos. Por esse motivo é importante o setor público criar salvaguardas para se defender
de possíveis atitudes oportunistas, já que a maioria das organizações apresenta alto risco
de cometerem atitudes antiéticas. Cabe mencionar que a correta aplicação das sanções
previstas na legislação, contribui para a redução da prática do oportunismo.
A característica frequência confirmou-se como positiva em relação à redução de
custos de transação e riscos. Por meio da análise foi possível observar que ao longo dos
anos ocorreu aumento da frequência com determinados fornecedores, indicando que os
mesmos estão prestando o serviço com qualidade, permitindo a instituição optar pela
renovação do contrato. Porém, destaca-se que a frequência, em um ambiente com baixo
controle e fiscalização, pode ter efeito negativo, uma vez que se cria vínculos entre os
envolvidos no processo, podendo gerar um ambiente mais propício ao oportunismo.
Em relação à gestão de riscos, percebe-se que há um esforço por parte do governo
federal para disseminar essa prática entre os órgãos públicos. Isso pode ser comprovado
por meio das recentes legislações acerca do tema, tornando a gestão de riscos obrigatória.
Entretanto, boa parte das instituições públicas ainda estão se adequando às normas e
buscando metodologias para a implantar efetivamente o gerenciamento de riscos.
Os resultados obtidos por meio da análise discriminante, visando atender o
terceiro objetivo específico, apresentaram um modelo de regra de classificação de risco
nos contratos terceirizados, nos níveis baixo, médio e alto, com capacidade de previsão
88,50%, o qual pode ser considerado um resultado satisfatório em termos de estimação
da probabilidade.
Dessa forma, foi possível atender o objetivo geral da pesquisa, construindo um
modelo de gerenciamento de riscos, que poderá ser utilizado por setores envolvidos
60

contratos de mão de obra terceirizada. Considerando que os contratos no âmbito público


podem ter vigência de até 05 (cinco) anos as análises sob o modelo proposto poderão
ocorrer antes da decisão de contratação, no momento da contratação, e principalmente,
durante toda a execução dos contratos.
Como principais achados da pesquisa, destaca-se a construção do modelo em
voga, e pontos frágeis na gestão de contratos, como a falta de treinamento. Como as
limitações, destacam-se as inerentes aos próprios dados, como a dificuldade em obter
respostas dos gestores de contratos e falta de informação para contratos mais antigos,
sendo necessário excluir alguns contratos da amostra inicial. Menciona-se também a
dificuldade em identificar os contratos terceirizados de mão de obra, uma vez que o
registro dos contratos é geral, não havendo identificação por tipo de objeto, por elemento
de despesa, ou qualquer outra classificação. Foi possível observar que a organização das
informações disponíveis na UFV e nos sites governamentais precisam ser melhoradas, de
forma a facilitar o acesso à informação e aos dados que podem ser utilizados na tomada
de decisões.
Por fim, ressalta-se que o modelo proposto pode incorporar novas variáveis, ser
aplicado em outras modalidades de contratos da UFV, bem como para demais órgãos
públicos, uma vez que são poucos os trabalhos que propõem a aplicação prática da gestão
de riscos governamental, o que suscita a iniciativa de outros trabalhos científicos na área,
sendo assim, sugestões para pesquisas futuras. Pode-se mencionar também outras
inspirações para investigações, como por exemplo, acerca do nível de amadurecimento
dos órgãos públicos quando se trata da gestão de riscos, percepção dos gestores sobre o
tema, bem como os principais desafios para implementação dessa ferramenta.
Desse modo, por todo o exposto acima, considera-se que a presente dissertação
apresenta uma sugestão de modelo de gerenciamento de riscos, que pode contribuir para
a Universidade implementar o processo de gestão de riscos, cumprir as exigências legais
e, principalmente, ancorando-a no alcance de seus objetivos institucionais.
61

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67

ANEXO I: Roteiro de Questionário

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO – TCLE.

Você está sendo convidado (a) para participar da pesquisa “Gestão de Riscos de contratos
da terceirização no setor público: uma análise para a UFV”, desenvolvida por mim,
Ludiany Barbosa Sena Miranda, mestranda do PROFIAP - Mestrado Profissional de
Administração Pública, da UFV, e sob a orientação da Profa. Nálbia de Araújo Santos.

A pesquisa tem como objetivo propor uma metodologia de avaliação de riscos em


contratos terceirizados, considerando determinadas características dos
fornecedores/contratos, bem como os pressupostos e características da Teoria dos Custos
de Transações (TCT), que podem influenciar no risco de ocorrer problemas na execução
contratual. Tal teoria, possui como pressupostos comportamentais e características a
racionalidade limitada, oportunismo, incerteza, frequência e especificidade dos ativos.

Assim, o presente questionário, aplicado aos gestores dos contratos terceirizados da UFV,
tem como objetivo identificar a presença e o grau das características propostas pela Teoria
TCT durante a execução do contrato, de forma a posteriormente verificar sua influência
sobre o risco.

O motivo que nos leva a estudar esse tema é necessidade de gerenciar os riscos que
ameaçam a finalidade dos contratos terceirizados, uma vez que os mesmos são
fundamentais para o funcionamento das atividades da UFV, bem como cumprir a
legislação, que exige a implantação e monitoração do gerenciamento de riscos no setor
público.

Para participar desta pesquisa, você deverá concordar com este termo de consentimento
e em seguida preencher um questionário on line composto somente de questões fechadas
de múltipla escolha. O questionário é fácil de responder e você irá dispor de apenas 5
minutos, aproximadamente, para respondê-lo. Não existem respostas certas ou erradas.
Todas as respostas serão reunidas e analisadas estatisticamente, de forma global.

Comunico-lhe que a sua identidade, bem como, as suas respostas serão tratadas com
padrões profissionais de sigilo e confidencialidade, atendendo assim à legislação
brasileira, e as informações serão utilizadas somente para fins acadêmicos e científicos.
Você não terá nenhum custo, riscos ou ganho financeiro decorrente de sua participação
nesta pesquisa. Terá a liberdade de se recusar a participar desta pesquisa ou de retirar o
seu consentimento em qualquer momento, sem ser penalizado.

Havendo dúvidas a respeito da pesquisa, você poderá entrar em contato com:


Ludiany Barbosa Sena Miranda
Telefone: (31) 99735-9689 / 3899-2140
e-mail: ludianysena@[Link]

Para confirmar sua participação, clique no aceite abaixo:


( ) Sim, aceito participar.

Viçosa, maio de 2018.

Seção 01 - Perfil do Participante


68

Gênero: ( ) F ( )M

Maior grau de escolaridade:


( ) Ensino médio incompleto
( ) Ensino médio completo
( ) Ensino superior incompleto
( ) Ensino superior completo
( ) Especialização incompleta
( ) Especialização
( ) Mestrado incompleto
( ) Mestrado
( ) Doutorado incompleto
( ) Doutorado

Faixa Etária
( ) até 25 anos
( ) de 26 a 30 anos
( ) de 31 a 40 anos
( ) de 41 a 50 anos
( ) acima de 50 anos

Há quanto tempo você trabalha na UFV?


( ) menos de 1 ano
( ) de 1 a 5 anos
( ) de 6 a 10 anos
( ) de 16 a 20 anos
( ) mais de 20 anos

Cargo na UFV
( ) Professor
( ) Técnico Administrativo - nível E
( ) Técnico Administrativo - nível D
( ) Técnico Administrativo - nível C
69

Seção 02 - Teoria de Custos de Transação

A Racionalidade Limitada indica que o indivíduo tem uma limitação pela falta de
informação e isto o impede de tomar uma decisão ótima. (SAES, 2009). Assim,
racionalidade limitada tem relação com a falta de conhecimento, não sendo possível saber
ao certo tudo o que pode ocorrer em um contrato, podendo gerar retrabalho e aumento
dos custos e riscos. As impugnações em editais de licitação por erro da contratante, ou
falhas na execução do trabalho realizado pelo funcionário terceirizado em decorrência de
falta de treinamento e/ou conhecimento são exemplos de racionalidade limitada nos
contratos.
Com base na definição acima, eu considero que o grau de racionalidade limitada aplicado
em cada contrato que exerci (ou ainda exerço) a função de gestor, foi...

Descrição do contrato Baixo Médio Alto Não ocorreu

Contrato: 00286/2012 - Empresa: ADCON -


Objeto: Serviço especializado e continuado de
trabalhador agropecuário em geral.

Contrato: 00372/2012 - Empresa: EMC


Computer Systems Brasil - Objeto: Prestação
de serviço de manutenção de equipamentos de
comunicação de dados e suporte de hardware
e software.

Oportunismo é a busca do interesse próprio com malícia e está vinculado à noção de que
os agentes econômicos buscarão sempre obter o maior ganho possível no decorrer das
transações, ainda que isto implique perdas aos demais (WILLIAMSON, 1985). As
situações de oportunismo podem ocorrer tanto por parte da empresa contratada, dos
funcionários, bem como por parte dos próprios servidores da Instituição que estão
diretamente ligados ao processo. São exemplos de situações onde o oportunismo pode
estar presente: apresentação de nota fiscal completa por parte da contratada mesmo
quando o funcionário terceirizado falta ao serviço, gerando o recebimento indevido ou o
servidor se aproveitar do cargo que ocupa para conseguir emprego para familiares/amigos
na empresa terceirizada.

Com base na definição acima, eu considero que o grau de oportunismo presente nos
contratos que exerci (ou ainda exerço) a função de gestor, foi...

Descrição do contrato Baixo Médio Alto Não ocorreu

Contrato: 00286/2012 - Empresa: ADCON -


Objeto: Serviço especializado e continuado de
trabalhador agropecuário em geral.

Contrato: 00372/2012 - Empresa: EMC


Computer Systems Brasil - Objeto: Prestação
de serviço de manutenção de equipamentos de
70

comunicação de dados e suporte de hardware


e software.

A Incerteza consiste na incapacidade dos agentes de prever e estabelecer cláusulas que


assegurem a performance dos agentes quando há ocorrência de eventos não previsíveis,
como por exemplo, as variações climáticas, mudanças na legislação, comportamento do
mercado, etc. (SANTOS, 2001). A empresa contratada, pode por exemplo, não entregar o
produto licitado porque faltou matéria-prima no mercado, ou pode ocorrer a necessidade
de repactuação devido ao aumento de uma mão-de-obra específica e uma incerteza
relacionada ao mercado.
Com base na definição acima, eu considero que o grau de incerteza incorrido nos
contratos que exerci (ou ainda exerço) a função de gestor, foi...

Descrição do contrato Baixo Médio Alto Não ocorreu

Contrato: 00286/2012 - Empresa: ADCON -


Objeto: Serviço especializado e continuado de
trabalhador agropecuário em geral.

Contrato: 00372/2012 - Empresa: EMC


Computer Systems Brasil - Objeto: Prestação
de serviço de manutenção de equipamentos de
comunicação de dados e suporte de hardware
e software.

Seção 03- Monitoramento e Capacitação

Monitoramento refere-se à toda fiscalização e qualquer mecanismo de controle que


permita o acompanhamento do contrato. Fazem parte do monitoramento os controles de
frequência efetiva dos funcionários, conferência de documentos, conferência da nota
fiscal apresentada pela empresa, conta vinculada, dentre outros.
Com base na definição acima, eu considero que o monitoramento (fiscalização) dos
contratos em que exerci (ou ainda exerço) a função de gestor, foi....
Descrição do contrato Baixo Médio Alto Não ocorreu

Contrato: 00286/2012 - Empresa: ADCON -


Objeto: Serviço especializado e continuado de
trabalhador agropecuário em geral.

Contrato: 00372/2012 - Empresa: EMC


Computer Systems Brasil - Objeto: Prestação
de serviço de manutenção de equipamentos de
comunicação de dados e suporte de hardware
e software.

Você passou por treinamentos/capacitação para exercer a atividade de gestor dos


contratos?
71

( ) sim ( ) não

Você considera que estava preparado para exercer a função de gestor de contratos?
( ) sim ( ) não

Obrigado pela participação!


72

ANEXO 2: Teste da Distância de Mahalanobis


Distância Mahalanobis do grupo

Obs. Risco Esc. Tem. Rac. Oport. Inc. Freq. LC Ocorr. Trein. [Link] P. V. Escore dist1 Dist2 Dist3 Class4
Ltda Trab. Cont
1 1 4 2 1 1 0 2 9,24 0 0 3 0 12,80 -1,446993 9,492492 9,681741 23,48771 1
2 1 4 2 1 1 0 2 9,24 0 0 3 0 11,72 1,594495 8,964067 9,052309 23,97628 1
3 1 4 5 0 0 1 18 1,26 2 0 3 0 12,70 1,587127 4,987404 9,853057 20,74355 1
4 1 5 5 3 3 2 18 1,26 2 0 3 0 14,35 1,121338 7,840448 8,454158 19,61632 1
5 1 5 5 2 3 2 18 1,26 2 0 3 0 12,51 1,365458 8,811361 8,634157 22,17042 2
6 1 5 5 3 2 2 6 1,82 0 0 2 0 12,98 0,3846671 11,12343 9,892409 17,41705 2
7 1 5 5 3 3 2 18 1,26 2 0 3 0 12,25 1,407495 6,834818 7,252126 20,58819 1
8 1 4 2 0 0 0 1 5,02 2 0 3 0 10,71 1,638556 11,98969 12,41677 27,36786 1
9 1 3 2 1 1 1 1 6,17 2 1 2 0 12,91 0,5945266 7,009032 9,398321 15,37986 1
10 1 3 2 1 1 1 11 2,12 0 1 2 0 10,32 2,072728 6,803357 12,96435 26,18652 1
11 1 3 2 1 1 1 11 2,12 0 1 2 0 10,69 2,02231 5,950641 12,14624 24,98539 1
12 1 3 2 1 1 1 1 6,89 0 1 2 0 12,98 0,677729 7,091312 9,690665 16,08161 1
13 1 3 5 0 0 0 18 1,26 2 0 3 0 13,53 1,536765 9,067645 12,16522 24,17553 1
14 1 3 5 0 0 0 18 1,26 2 0 3 0 12,88 1,625337 8,479317 11,5161 24,19928 1
15 1 3 5 0 0 0 18 1,26 2 0 3 0 12,27 1,708459 8,410938 11,39067 24,70532 1
16 1 4 2 2 0 2 5 14,12 0 1 3 0 13,34 0,8594318 13,78455 24,03183 25,32506 1
17 1 4 2 2 0 2 5 14,12 0 1 3 0 13,03 0,901674 13,39873 23,61702 25,23116 1
Continua...

4
As observações destacadas na tabela foram classificadas em grupos diferentes dos classificados a priori.
73

Distância Mahalanobis do grupo

Obs. Risco Esc. Tem. Rac. Oport. Inc. Freq. LC Ocorr. Trein. [Link] P. V. Escore dist1 Dist2 Dist3 Class5
Ltda Trab. Cont
18 1 4 1 0 0 1 18 1,26 2 0 3 0 14,18 3,207532 25,59916 36,67628 53,77296 1
19 1 5 5 3 2 3 18 1,26 2 0 3 0 12,55 1,310663 10,66317 14,97504 24,38496 1
20 1 5 5 1 2 1 18 1,26 2 0 2 0 13,15 1,552898 7,632133 9,961987 22,72548 1
21 1 5 5 3 3 3 18 1,26 2 0 2 0 13,77 1,171688 7,470414 10,72047 20,03908 1
22 1 5 5 2 2 1 18 1,26 2 0 2 0 13,96 1,449131 6,584557 9,608994 21,06464 1
23 1 5 5 1 1 2 18 1,26 2 0 2 0 13,06 1,509209 5,927941 12,11588 21,35695 1
24 1 5 5 1 2 2 18 1,26 2 0 2 0 12,83 1,474538 7,679877 11,14349 22,41159 1
25 1 5 5 3 2 2 1 36,58 0 0 3 0 10,49 -0,235816 30,294 34,07686 33,06388 1
26 1 2 1 3 3 2 11 2,12 0 1 2 0 13,09 1,850795 8,134012 12,38603 25,64019 1
27 1 2 1 3 3 2 11 2,12 0 1 2 0 12,40 1,944818 7,568358 11,75584 25,72428 1
28 1 2 1 3 3 2 6 1,19 0 1 2 0 12,42 1,461687 7,240881 8,636368 21,53787 1
29 1 2 1 2 2 3 1 1,00 0 1 2 0 12,31 0,9811174 12,25561 10,43989 22,64183 2
30 1 2 1 3 3 2 11 2,12 0 1 2 0 12,76 1,895762 7,788711 12,00987 25,60563 1
31 1 4 5 0 0 0 1 1,1 0 0 3 0 11,22 0,3454397 11,76435 6,644003 17,13463 2
32 1 3 5 0 0 1 6 1,19 0 1 3 0 12,53 0,4752349 6,592209 4,644743 13,40273 2
33 1 4 5 2 2 3 1 1,74 1 0 2 1 12,99 -0,345309 13,0693 9,132273 13,78424 2
34 1 5 5 0 0 1 6 1,82 0 0 0 0 12,35 0,8912393 33,01019 37,15951 43,75851 1
Continua...

5
As observações destacadas na tabela foram classificadas em grupos diferentes dos classificados a priori.
74

Distância Mahalanobis do grupo

Obs. Risco Esc. Tem. Rac. Oport. Inc. Freq. LC Ocorr. Trein. [Link] P. V. Escore dist1 Dist2 Dist3 Class6
Ltda Trab. Cont
35 1 2 1 3 3 2 11 2,12 0 1 2 0 11,31 2,093346 7,895922 11,98146 27,07826 1
36 1 4 5 2 1 1 5 14,12 0 0 3 0 12,52 0,2450555 7,477832 7,703559 13,03332 1
37 1 4 4 2 3 2 1 5,37 0 0 3 0 11,59 0,2755992 13,80499 6,838766 18,37721 2
38 1 1 5 0 0 3 18 1,26 2 0 2 0 13,95 1,08847 13,51934 20,31014 26,09313 1
39 1 1 5 0 0 3 6 1,82 0 0 2 0 7,72 0,8547536 19,42907 19,69089 29,27362 1
40 1 4 2 3 1 1 5 14,12 0 0 3 0 13,04 1,547363 18,84575 24,29372 34,41954 1
41 1 4 3 2 1 1 6 1,82 0 1 3 0 11,18 0,9853531 5,880839 7,752954 16,91103 1
42 1 4 3 2 1 1 6 1,82 0 1 3 0 12,34 0,8272858 5,316786 7,29739 15,25464 1
43 1 5 2 1 0 1 11 2,12 0 1 3 0 10,38 2,155735 12,43233 21,13887 32,82258 1
44 1 3 5 2 2 1 18 1,26 2 1 1 0 10,49 1,312307 24,03564 28,422 37,78139 1
45 2 5 5 2 2 2 10 1,04 3 0 3 0 11,54 0,7310166 5,061472 3,360837 13,70993 2
46 2 5 5 2 3 2 10 1,04 3 0 3 0 10,60 0,7930939 11,75668 7,265319 20,37642 2
47 2 5 5 1 2 1 10 1,04 3 0 2 0 13,35 0,6930141 7,414454 5,627485 15,78157 2
48 2 5 5 2 2 2 1 1,3 2 0 2 0 15,24 -0,515269 16,97998 12,64703 16,43504 2
49 2 5 5 2 3 2 10 1,04 3 0 3 0 13,76 0,3624969 10,92278 6,72696 16,56686 2
50 2 5 5 3 3 2 10 1,04 3 0 2 0 13,66 0,4760112 6,711346 4,651899 13,50867 2
Continua...

6
As observações destacadas na tabela foram classificadas em grupos diferentes dos classificados a priori.
75

Distância Mahalanobis do grupo

Obs. Risco Esc. Tem. Rac. Oport. Inc. Freq. LC Ocorr. Trein. [Link] P. V. Cont Escore dist1 Dist2 Dist3 Class7
Ltda Trab.
51 2 3 5 1 0 0 2 1,38 4 1 3 69,5 13,68 -0,798966 23,87592 21,11132 21,59926 2
52 2 4 5 1 0 0 10 1,04 3 0 3 0 10,71 1,154235 9,394708 9,393859 21,29932 2
53 2 5 2 1 0 1 10 1,04 3 1 3 0 11,59 1,75365 9,945831 17,95135 27,39473 1
54 2 3 4 2 2 1 10 1,04 3 0 3 0 11,59 1,061271 4,760124 3,2184 15,75504 2
55 2 2 3 2 3 1 2 1,16 4 0 2 0 10,90 0,864512 14,23591 7,081921 22,91389 2
56 2 2 3 1 2 1 2 1,16 3 0 2 0 10,46 1,034137 10,33978 5,233877 20,55046 2
57 2 3 4 2 3 2 10 1,04 3 0 3 0 11,59 0,9952595 9,148266 4,903727 19,2293 2
58 2 3 3 3 1 2 2 1,16 4 0 2 0 10,90 0,8711195 19,31537 12,78021 28,14284 2
59 2 2 2 1 2 1 2 1,16 3 0 2 0 10,46 1,489657 11,49019 7,902552 25,15371 2
60 3 4 5 0 0 1 6 1,16 45 0 3 45,67 12,48 -1,763753 12,79819 11,35089 3,963436 3
61 3 5 5 2 2 2 6 1,16 45 0 3 45,67 13,23 -2,047498 14,98504 11,28561 3,781917 3
62 3 5 5 2 2 2 2 1,52 61 0 3 77 9,43 -2,759991 26,5354 20,50352 9,938646 3
63 3 5 5 2 2 2 2 1,49 42 0 3 37,5 12,66 -2,207206 17,224 11,5278 4,566381 3
64 3 3 5 1 0 1 2 1,49 42 0 3 37,5 12,78 -2,094629 17,65392 14,22803 6,165269 3
65 3 3 5 0 0 0 4 2,44 65 0 3 30,5 12,3 -2,877394 26,20959 22,09767 9,107865 3
66 3 5 5 3 3 2 1 49,05 7 0 2 0 15,07 -1,319397 56,0625 62,4039 51,64651 3
67 3 5 5 3 3 2 1 11,31 3 0 2 5 14,26 -0,604442 12,26243 8,439365 11,17598 2
68 3 5 5 2 2 3 6 1,16 45 0 3 45,67 12,41 -2,057725 17,16614 14,5537 6,072212 3
69 3 4 3 3 3 2 4 1,21 79 1 3 2,5 11,25 -3,434461 34,73983 31,40275 13,85384 3
Continua....

7
As observações destacadas na tabela foram classificadas em grupos diferentes dos classificados a priori.
76

Distância Mahalanobis do grupo

Obs. Risco Esc. Tem. Rac. Oport. Inc. Freq. LC Ocorr. Trein. [Link] P. V. Escore dist1 Dist2 Dist3 Class8
Ltda Trab. Cont
70 3 5 5 3 3 3 1 1,76 26 0 1 259 12,78 -1,72577 32,96507 29,38722 24,04229 3
71 3 3 5 0 0 0 5 1,05 22 1 3 10,8 14,58 -1,479313 26,55595 24,514 19,6203 3
72 3 1 5 0 0 3 1 2,48 32 0 2 494 11,79 -2,275685 69,62943 68,46347 57,24529 3
73 3 1 5 0 0 3 2 1,34 147 0 2 262 12,63 -7,839576 95,42909 93,59938 43,84884 3
74 3 1 5 0 0 3 4 1,21 79 0 2 2,5 11,41 -3,810959 31,77402 30,78832 8,634814 3
75 3 1 5 0 0 3 4 2,44 65 0 2 30,5 9,43 -2,877378 23,91619 23,1898 7,37845 3
76 3 1 5 0 0 3 2 1,52 61 0 2 77 12,79 -3,36462 24,82548 23,23835 4,721575 3
77 3 1 5 0 0 3 6 1,16 45 0 2 45,67 10,66 -1,844077 14,19292 14,38365 5,066725 3
78 3 1 5 0 0 3 5 1,05 22 0 2 10,8 13,16 -1,092389 14,09682 14,05243 10,21196 3
79 3 1 5 0 0 3 5 1,05 22 0 2 10,80 11,78 -0,904343 11,69866 11,5252 9,113294 3
80 3 1 5 0 0 3 1 1,76 82 0 2 144 10,36 -4,253461 33,4255 31,15487 6,963767 3
81 3 1 5 0 0 3 1 8,81 22 0 2 15 9,43 -1,064436 16,27075 15,9283 12,53262 3
82 3 1 5 0 0 3 4 2,44 65 0 2 30,5 13,01 -3,365206 26,44833 26,05676 6,539431 3
83 3 4 3 3 2 1 5 1,05 22 1 3 10,8 11,82 -0,367122 10,01134 9,044341 11,06772 2
84 3 4 3 3 3 3 4 1,21 79 1 2 2,5 11,43 -3,487673 34,51205 33,88239 13,70318 3
85 3 3 5 2 2 2 5 1,05 22 1 1 10,8 14,58 -1,65549 22,68173 21,85298 14,71053 3
86 3 5 5 2 1 1 6 1,16 45 0 3 45,67 11,35 -1,603344 15,39862 13,06249 7,54268 3
87 3 5 5 2 1 1 6 1,16 45 0 3 45,67 11,76 -1,659213 15,21714 12,91936 6,975119 3
Fonte: Dados da Pesquisa

8
As observações destacadas na tabela foram classificadas em grupos diferentes dos classificados a priori.

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