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Reabilitação das Afasias

O documento fornece um resumo sobre reabilitação cognitiva de afasias. Discute definições e tipos de afasia, avaliação, exercícios sugeridos e técnicas de tratamento. Inclui exemplos de exercícios para estimular habilidades linguísticas e cognitivas como formação de palavras, reconhecimento visual, resolução de problemas e raciocínio lógico.
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Reabilitação das Afasias

O documento fornece um resumo sobre reabilitação cognitiva de afasias. Discute definições e tipos de afasia, avaliação, exercícios sugeridos e técnicas de tratamento. Inclui exemplos de exercícios para estimular habilidades linguísticas e cognitivas como formação de palavras, reconhecimento visual, resolução de problemas e raciocínio lógico.
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Reabilitação Cognitiva das

Afasias por Fernanda


Papaterra Limongi
Por
 Parceiros Reab
 -
13 de maio de 2010
32
18782

Quem leu o post da semana passada, enviado para nós por Fernanda
Papaterra Limongi, fonoaudióloga e autora dos ¨Manuais Papaterra¨,
deve estar ansioso para se esbaldar com esse segundo artigo.
Aproveitem!!! Vale a pena conferir.

Com a palavra….. Fernanda Papaterra Limongi.

REABILITAÇÃO COGNITIVA DAS AFASIAS

Fernanda Papaterra Limongi

Podemos definir afasia como um déficit geral de linguagem caracterizado


por um ou mais dos seguintes sintomas:

–            Distúrbios na codificação e decodificação de símbolos por meio


dos canais visuais, auditivos e táteis;

–            Distúrbios nos processos centrais de significação, seleção de


palavras e formulação de mensagens;

–            Distúrbios na expressão de símbolos por intermédio da


comunicação oral, escrita ou gestual. (Emerick & Hatten, 1974)

Por esta definição, compreende-se que afasia não é, portanto,


simplesmente uma perda de palavras. O que existe, na realidade, é uma
inabilidade do paciente para trabalhar com símbolos e lidar com
elementos lingüísticos.

AVALIAÇÃO DE FALA E LINGUAGEM

– Testes

– Definição da linguagem em todas as modalidades

Embora estudiosos de afasia não sejam unânimes em suas classificações


dos tipos dos distúrbios afásicos, para fins didáticos, vamos reconhecer
no mínimo dois grandes tipos:
– Afasias expressivas ou emissivas ou de Broca, na qual a habilidade de
usar a linguagem oral e escrita é perturbada. São as chamadas afasias
motoras.

-Afasias receptivas, ou de compreensão ou de Wernicke, na qual a


habilidade de entender a linguagem escrita ou falada é perturbada. São
as afasias ditas sensoriais.

Afasia de Wernicke

Resulta de uma lesão da porção posterior da primeira circunvolução


temporal do hemisfério esquerdo.

•            “Afasia fluente “ (logorréia).

•            Dificuldade de compreensão auditiva.

•            Transtorno de expressão, sem afetar a articulação.

•            Leitura e escrita prejudicadas.

Afasia de Broca

Resulta de lesão na parte inferior da terceira circunvolução frontal do


hemisfério esquerdo.

Déficits de emissão:

– articulação prejudicada,

– vocabulário restrito

– dificuldades de nomeação
– redução da gramática e da sintaxe para suas formas mais simples. – a
escrita é usualmente tão prejudicada quanto a fala.

Exercícios sugeridos:

•            Julgamento de premissas verdadeiras ou falsas

•            Completar sentenças

•            Seleção de palavras dentro de um contexto

•            Uso de sinônimos e antônimos

•            Exercícios de mímica

•            Escolha de verbos

•            Reconhecimento visual

•            Associação livre

•            Agrupamento por categorias

•            Flexão de  verbos

•            Interpretação de frases e textos

•            Múltipla escolha

Outros desvios (não lingüísticos) podem acompanhar a afasia e o


examinador deve estar atento a eles:

– agnosias;

– apraxias;
– perda de atenção e concentração;

– dificuldade de lidar com o abstrato;

– perseveração;

– reações catastróficas;

– iniciativa reduzida;

– egocentrismo;

– pobre habilidade de organização;

– labilidade emocional;

– outras alterações de comportamento.

“Há tantos casos de afasia quantos afásicos existirem” e classificá-los


com base em tipos descritos não é possível.

PRINCIPIOS GERAIS DA TERAPIA:

Em resumo, estas são as regras básicas um bom sucesso em terapia:

– Falar simples e diretamente com o paciente, eliminando ruídos


estranhos que não tenham valor comunicativo;

– Ter a certeza de que a atividade que se pede para o paciente fazer


está dentro de suas capacidades atuais;

– Controlar a quantidade de material usado e fazê-lo significativo;

– Usar o principio de estimulação repetida intensivamente;


–  Avaliar a efetividade de cada procedimento, com cada paciente.

– Tratar o adulto afásico como o adulto que ele é.

TÉCNICAS E MATERIAIS PARA TRATAMENTO DAS AFASIAS

As técnicas e materiais para o tratamento das afasias devem ser


adaptadas especificamente de modo a atender cada caso em particular.
Uma variedade de técnicas de reabilitação têm sido descritas por
diversos autores, mas só o terapeuta saberá quais e quando aplicá-las
para um determinado paciente.

O fonoaudiólogo tem acesso a um conjunto de objetos, gravuras,


desenhos e fotografias que servem de suporte aos exercícios de
linguagem, assim como textos para leitura, listas de palavras e frases.
Na elaboração deste material, o fonoaudiólogo deve estar atento ao fato
de estar lidando principalmente com adultos, evitando nestes casos o
uso de cartilhas ou qualquer material de natureza infantil.

OUTROS EXERCÍCIOS PRÁTICOS:

De Bono (1995) sugere exercícios que envolvem diversas habilidades de


pensamento: reconhecimento, julgamento, comparação e escolha,
análise, percepção, resolução de problemas, entre outras. Um baralho
de cartas contendo figuras é utilizado em uma grande variedade de
situações. Um exemplo interessante é o de “conceitos”. Partindo do
pressuposto de que “objetos que parecem completamente diferentes
podem ser agrupados por um conceito comum”, este autor apresenta
oito gravuras quaisquer e solicita que sejam pareadas segundo um
determinado conceito. Alguns são mais óbvios, outros exigem maior
abstração. Um automóvel e um cavalo têm em comum o fato de
servirem de meio de locomoção; uma galinha e um bolo são alimentos;
um barco e uma torneira são relacionados com água; um olho, uma
gaveta, um guarda-chuva, uma chave e uma janela, apesar de
totalmente diferentes em termos de forma e função, estão relacionados
com os verbos abrir e fechar.

Outro exercício utilizado por De Bono (1995) é o das possibilidades,


onde o terapeuta, escolhendo uma figura sem que o paciente tenha
conhecimento da mesma, relata algumas de suas características.
Exemplo: “Necessita de eletricidade”. O paciente então tenta adivinhar,
perguntando: “um secador de cabelos?” “Um ferro de passar?” “Um
abajur?” Depois de várias tentativas, se o objeto não foi identificado, é
dada outra característica, como: “utiliza rodas” ou “serve para
transporte”, etc. Os conceitos vão ficando cada vez menos abrangentes
até que o paciente consiga decifrar o enigma. Numa segunda etapa, os
papéis são invertidos, e nesta feita cabe ao paciente seleciona as
características.

No item relacionado com Julgamento, um exercício interessante é


apresentado: o terapeuta propõe algumas premissas. Exemplos: “pode
ser um ótimo presente de aniversário”, ou “é perigoso e requer que se
utilize com cuidado”, ou “usa-se na cozinha”. As cartas contendo figuras
são viradas, uma a uma, e o paciente tem que imediatamente julgar se
a gravura se encaixa ou não naquela premissa. Mais uma vez, os papéis
podem ser trocados, dando a vez ao paciente elaborar as premissas.

O mesmo autor também aborda o tema:  Alternativas. Há por exemplo,


vários meios de se atingir um mesmo objetivo, várias rotas alternativas
para se chegar de um ponto a outro da cidade. Alternativas precisam
servir a um mesmo propósito. Se quero proteger os pés, um par de
botas ou de tênis, chinelos ou meias são alternativas para um par de
sapatos. Neste caso, rosas não são uma alternativa para os sapatos. No
entanto, podemos imaginar uma circunstância onde os sapatos podem
adequadamente ser substituídos pelas rosas. Que circunstância? Quando
ambos se constituem alternativas para um presente de aniversário. Há,
no Mind Power – Discover the Secrets of Creative Thinking, (De Bono,
E., 1995) interessantes exercícios envolvendo alternativas.
Diferenças, semelhanças, comparações, escolhas, decisões, análises,
são todos processos de pensamento utilizados em atividades para
exercitar habilidades de lógica e raciocínio, além de estimular a
linguagem.

Brubaker, S.H. (1987) têm uma série de oito workbooks cuja finalidade
é prover material para estimulação cognitiva e de linguagem  em
pessoas com inabilidades nestas áreas. Alguns são específicos para a
reabilitação das afasias. Itens como formação de palavras (acrescentar
uma, duas ou três letras, completar palavras cruzadas, juntar palavras
para formar outras, inserir palavras dentro de outras, inverter letras,
etc.), frases feitas e expressões idiomáticas (palavras em comum,
completando frases, expandindo provérbios, completando clichês, etc.)
reconhecimento visual (identificando silhuetas, letras em comum,
palavras escondidas, localizando erros, etc.), soluções lógicas (múltiplos
significados, características de palavras, lendo mapas, fazendo rotas,
quebra-cabeças, resolvendo códigos, etc.), entre muitos outros,
enriquecem uma terapia de reabilitação de afasia, tornando-a mais
atraente, tanto para paciente quando para o terapeuta, além de cumprir
plenamente seus objetivos.

Itens como Completar Palavras, Palavras Imbricadas, Completar


expressões, sentenças, provérbios e ditos populares, estão entre os
exercícios propostos por Papaterra-Limongi, F., no Manual Papaterra de
Habilidades Cognitivas, volumes I e II, 1999 e 2000 e Manual Papaterra
de Habilidades de Linguagem, 2001. A percepção, o reconhecimento
visual, a atenção, a criatividade, o raciocínio lógico, a abstração são
trabalhadas de diversas formas. As charadas e “pegadinhas” exercitam
predominantemente a atenção e a lógica, emprestando um caráter
lúdico e desafiador à atividade.

Exemplos de alguns exercícios:

DESENVOLVENDO UM PENSAMENTO CRIATIVO:


Instrução: As frases abaixo podem ser completadas de muitas maneiras
diferentes. Escreva todas as palavras, frases ou expressões que possam
lhes dar sentido. Ex:

1- Choveu tanto que ___________________________________

(Respostas possíveis: As ruas ficaram alagadas, o trânsito parou, não


consegui sair de lá, as casas desabaram, apareceram goteiras, não pude
chegar a tempo, desistimos da viagem, etc).

2- A música estava tão alta que ____________________________;

3- Ela anda tão esquecida que ______________________________;

Agora, vamos fazer o contrário do exercício anterior. Considerando a


segunda frase, determine as frases que podem precedê-la. Ex:

1- _______________________ela faz aniversário.

(Respostas possíveis: Ele não sabe quando; Disseram que; Quero saber
o dia em que; Convidaram para uma festa pois; Compraram um bolo
porque; etc.

2- ______________________porque não apareceu ninguém.

3- ______________________tanto que nos comoveu.

A mesma frase pode ser completada de maneiras completamente


diferentes, como têm sido ilustrado pelos exercícios anteriores. Por
exemplo;

Ela ficou desapontada porque ___________________________


Pode ser completada por: não apareceu ninguém; ou a torta ficou
salgada; ou ninguém reparou na sua roupa nova. Estas três frases,
totalmente distintas, servem de complemento à primeira.

Este exercício requer muita imaginação. Descubra uma frase inicial que
pode ser completada ao mesmo tempo pela três que se seguem:

1- __________________________(porque não tem a cabeça no lugar;


pois gastou tudo na vigem; porque perdeu no bingo).

2- __________________________(porque o vizinho não agüentava


mais; porque está sem tempo; pois este ano vai fazer cursinho).

3- __________________________(quantos anos ela tem; onde ela vai


passar as férias; quando ela vai parar de fumar).

O PAPEL DA FAMÍLIA:

– Orientação (como falar, o que fazer, tratar como adulto)

– Carta Aberta

– Estimulação de linguagem

Ana Paula

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