Manual de Vinhos para Restaurantes
Manual de Vinhos para Restaurantes
Vasconcelos
BAR
VINHOS DE PORTUGAL E DO
MUNDO
RB 2º ANO
MÓDULO 8337
Manual de Apoio
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Director de Curso:
Formador: José Martins
ATENÇÃO:
REGIÕES VITIVINÍCOLAS
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
VINHOS VERDES
Região onde predominam as tonalidades verdes da vegetação exuberante típica de
uma região com bastante humidade. Contudo, o nome Vinhos Verdes não se deve
apenas ao meio envolvente onde crescem as vinhas: é nesta região que se produz um
vinho tipicamente acidulado, leve, medianamente alcoólico e de ótimas propriedades
digestivas.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
TRÁS-OS-MONTES
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
DOURO
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
O esforço do homem na conversão dos solos inóspitos em vinhas resultou na aplicação de três
formas distintas de plantação: em socalcos, em patamares e ao alto. Os socalcos são frequentes
em zonas cuja inclinação é elevada e assemelham-se a varandas separadas por muros de xisto
grauváquico. Os patamares são constituídos por terraços construídos mecanicamente sem muros
de suporte às terras, enquanto a plantação ao alto tem em conta a drenagem dos terrenos e o
espaço necessário para a mecanização e movimentação das máquinas na vinha.
As vinhas dispõem-se do cimo dos vales profundos até à margem do rio e criam
uma paisagem magnífica reconhecida pela UNESCO como Património da
Humanidade em 2001. Ao admirável cenário, alia-se a excelência dos vinhos
produzidos nas três sub-regiões do Douro: Baixo Corgo a oeste, Cima Corgo no
centro e Douro Superior a leste.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
de mesa. Na zona do Pinhão (Cima Corgo) os bagos de uva atingem maior concentração de
açúcar, sendo uma área considerada perfeita para a produção de vintages. Os vinhos brancos,
espumantes e o generoso Moscatel provêm das regiões mais altas de Cima Corgo e Douro
Superior.
O vinho do Porto mais caro e mais raro do mundo é produzido pela Quinta do Noval. O seu
Porto Vintage Nacional é produzido poucas vezes e sempre em número limitado (200 a 250
caixas). Uma das suas particularidades é o facto das uvas serem provenientes de videiras
plantadas sem porta-enxertos, muito antigas e raras na região.
As castas cultivadas na região não são célebres pela sua elevada produção, contudo têm uma
história secular, já que algumas castas provêm da época da Ordem de Cister (Idade Média). Na
segunda metade do século XX, iniciou-se o estudo e análise das castas plantadas e chegou-se à
conclusão que as melhores castas para a produção de vinho do Douro e Porto são: a Touriga
Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca, Aragonez (na região denominada de Tinta Roriz) e Tinto
Cão. As novas quintas da região cultivam essencialmente estas castas, mas também outras muito
importantes e com bastante expressão na região, como por exemplo, as castas Trincadeira e
Souzão. A produção de vinhos brancos é essencialmente sustentada pela plantação de castas
como a Malvasia Fina, Gouveio, Rabigato e Viosinho. Para a produção de Moscatel, planta-se a
casta Moscatel Galego.
BAIRRADA
A região da Bairrada é rica na produção de vinhos brancos e tintos, elaborados a
partir de castas tradicionais, como a abundante Baga, e outras importadas para solos
portugueses, como a internacional Cabernet Sauvignon.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
tipicamente atlântico: Invernos amenos e chuvosos e Verões suavizados pelos efeitos dos ventos
atlânticos.
Foi no século XIX que a Bairrada se transformou numa região produtora de vinhos de qualidade,
apesar da produção de vinho existir desde o século X. O cientista António Augusto de Aguiar
estudou os sistemas de produção de vinhos e definiu as fronteiras da região em 1867. Vinte anos
mais tarde, em 1887, fundou-se a Escola Prática de Viticultura da Bairrada destinada a promover
os vinhos da região e melhorar as técnicas de cultivo e produção de vinho. O primeiro resultado
prático da escola foi a criação de vinho espumante em 1890.
A casta Baga é a variedade tinta dominante na região e
normalmente é plantada em solos argilosos. Os vinhos feitos O mercado brasileiro
a partir da casta Baga são carregados de cor e ricos em
ácidos, contudo são bem equilibrados e têm elevada No reinado de D. Maria
longevidade. Recentemente, foi permitido na região DOC da (1734/1816), os vinhos eram
Bairrada plantar castas internacionais, como a Cabernet exportados em grande
Sauvignon, Syrah, Merlot e Pinot Noir que partilham os quantidade para o Brasil, onde
terrenos com outras castas nacionais como a Touriga eram muito apreciados. Eram
Nacional ou a Tinta Roriz. igualmente exportados para a
América do Norte, França e
Cultivo da vinha Inglaterra.
D. Afonso Henriques aprovou, em 1137, o cultivo da vinha
na Herdade de Eiras, “sob o caminho público de Vilarinum
ao monte Buzaco”. O pagamento à coroa era apenas a
quarta parte do vinho produzido.
As castas brancas são plantadas nos solos arenosos da região, sendo a casta Fernão Pires (na
região denominada por Maria Gomes) a mais plantada. Em quantidades mais reduzidas existem
as castas Arinto, Rabo de Ovelha, Cercial e Chardonnay. Os brancos da região são delicados e
aromáticos. Os espumantes da região são muito utilizados como bebidas aperitivas ou a
acompanhar a cozinha local.
DÃO
Nesta região as vinhas situam-se entre os 400 e os 700 metros de altitude e em solos
onde predominam os pinheiros e as culturas de milho. A região do Dão, rodeada de
serras que a protegem dos ventos, produz vinhos com elevada capacidade de
envelhecimento em garrafa.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
O Dão é uma região com muitos produtores, onde cada um detém pequenas propriedades.
Durante décadas, as uvas foram entregues às adegas cooperativas encarregadas da produção do
vinho. O vinho era, posteriormente, vendido a retalho a
grandes e médias empresas, que o engarrafavam e vendiam O Dão e os Descobrimentos
com as suas marcas. Antes da partida dos
portugueses para a conquista
Com a entrada de Portugal na CEE (1986) houve de Ceuta, foi servido vinho do
necessidade de alterar o sistema de produção e Dão nos luxuosos festejos
comercialização dos vinhos do Dão. Grande parte das organizados pelo Infante D.
empresas de fora da região que adquiriam vinho às adegas Henrique em Viseu.
cooperativas locais, iniciaram as suas explorações na região
e compraram terras para cultivo de vinha. Por outro lado, as
cooperativas iniciaram um processo de modernização das adegas e começaram a comercializar
marcas próprias, enquanto pequenos produtores da região decidiram começar a produzir os seus
vinhos. As vinhas passaram também por um processo de reestruturação com a aplicação de
novas técnicas vinícolas e escolha de castas apropriadas para a região.
A filoxera
O vinho do Dão foi muito procurado pelos europeus, na altura em que a filoxera dizimava as
vinhas europeias. O vinho do Dão servia essencialmente para responder à procura de vinho do
Douro (esta região já sofria efeitos da filoxera) e para vender vinho de mesa destinado ao
mercado francês. Entre1883 e 1886 a filoxera invadiu a região.
As vinhas são constituídas por uma grande diversidade de castas, entre as quais a Touriga
Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Tinta Roriz (nas variedades tintas) e Encruzado, Bical, Cercial,
Malvasia Fina e Verdelho (nas variedades brancas). Os vinhos brancos são bastantes aromáticos,
frutados e bastante equilibrados. Os tintos são bem encorpados, aromáticos e podem ganhar
bastante complexidade após envelhecimento em garrafa.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Vestígios romanos
Na região das Beiras, o início da cultura da vinha remonta à época romana. Existem diversos
lagares talhados nas rochas graníticas que serviam para produzir vinho
Protecionismo
Devido à qualidade e à importância social e económica dos vinhos das Beiras, implementaram-
se algumas medidas para a proteção destes vinhos, nomeadamente no reinado de D. João I e
de D. João III
A norte da região das Beiras e fazendo fronteira com a região do Douro, situa-se a Denominação
de Origem Távora-Varosa. É uma região de pequena dimensão, todavia muito relevante na
produção de espumantes. As castas brancas são as predominantes na região (Malvasia Fina,
Cerceal, Gouveio, Chardonnay). As castas tintas mais plantadas são a Touriga Francesa, Tinta
Barroca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Pinot Noir. Apesar da produção da região ser liderada por
espumantes, também são produzidos brancos frescos e tintos suaves.
LISBOA
Na região de Lisboa, região com longa história na viticultura nacional, a área de vinha
é constituída pelas tradicionais castas portuguesas e pelas mais famosas castas
internacionais. A Estremadura produz uma enorme variedade de vinhos, possível pela
diversidade de relevos e microclimas concentrados em pequenas zonas da região.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
cerca de 40 km. O clima é temperado em virtude da influência atlântica. Os Verões são frescos e
os Invernos suaves, apesar das zonas mais afastadas do mar serem um pouco mais frias.
Esta região possui boas condições para produzir vinhos de qualidade, todavia há cerca de quinze
anos atrás a região de Lisboa era essencialmente conhecida por produzir vinho em elevada
quantidade e de pouca qualidade. Assim, iniciou-se um processo de reestruturação nas vinhas e
adegas. Provavelmente a reestruturação mais importante realizou-se nas vinhas, uma vez que as
novas castas plantadas foram escolhidas em função da sua produção em qualidade e não em
quantidade. Hoje, os vinhos da região de Lisboa são conhecidos pela sua boa relação
qualidade/preço.
A Denominação de Origem de Bucelas apenas produz vinhos brancos e foi demarcada em 1911.
Os seus vinhos, essencialmente elaborados a partir da casta Arinto, foram muito apreciados no
estrangeiro, especialmente pela corte inglesa. Os vinhos brancos de Bucelas apresentam acidez
equilibrada, aromas florais e são capazes de conservar as suas qualidades durante anos.
Colares é uma Denominação de Origem que se situa na zona sul da região de Lisboa. É muito
próxima do mar e as suas vinhas são instaladas em solos calcários ou assentes em areia. Os
vinhos são essencialmente elaborados a partir da casta Ramisco, todavia a produção desta região
raramente atinge as 10 mil garrafas.
A zona central da região de Lisboa (Óbidos, Arruda, Torres Vedras e Alenquer) recebeu a maioria
dos investimentos na região: procedeu-se à modernização das vinhas e apostou-se na plantação
de novas castas. Hoje em dia, os melhores vinhos DOC desta zona provêm de castas tintas como
por exemplo, a casta Castelão, a Aragonez (Tinta Roriz), a Touriga Nacional, a Tinta Miúda e a
Trincadeira que por vezes são lotadas com a Alicante Bouschet, a Touriga Franca, a Cabernet
Sauvignon e a Syrah, entre outras. Os vinhos brancos são
normalmente elaborados com as castas Arinto, Fernão Pires,
Seara-Nova e Vital, apesar da Chardonnay também ser Vinho de Bucelas
cultivada em algumas zonas. Este vinho teve uma enorme
popularidade na época das
A região de Alenquer produz alguns dos mais prestigiados Invasões Francesas (1808-
vinhos DOC da região de Lisboa (tintos e brancos). Nesta 1810). Wellington apreciava
zona as vinhas são protegidas dos ventos atlânticos, muito o vinho de Bucelas e
favorecendo a maturação das uvas e a produção de vinhos transportou-o para Inglaterra
mais concentrados. Noutras zonas da região de Lisboa, os com o objetivo de o oferecer a
vinhos tintos são aromáticos, elegantes, ricos em taninos e Jorge III de Inglaterra.
capazes de envelhecer alguns anos em garrafa. Os vinhos
brancos caracterizam-se pela sua frescura e carácter citrino.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Branco de Lisboa
Vinho de Carcavelos
As tropas de Wellington bebiam este vinho frequentemente e levaram esse hábito para
Inglaterra. Assim, o vinho de Carcavelos foi exportado para Inglaterra em grandes quantidades
e durante vários anos
RIBATEJO
Diversidade de solos e climas aliados a explorações vitivinícolas de grande dimensão
com baixos custos de produção são as principais características do Ribatejo. Esta
região fértil, outrora com elevadas produções que abasteciam o mercado interno e as
colónias em África, produz vinhos brancos e tintos de qualidade a um preço
extremamente competitivo.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Antigos e famosos
O Protecionismo
Durante os séculos XIII, XIV e XV, os reis portugueses aplicaram uma série de medidas que
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Península de Setúbal
A Península de Setúbal é rodeada pelo oceano Atlântico e pelos rios Tejo e Sado. A
região, situada a sul de Lisboa, é essencialmente marcada pelo turismo e pelas
grandes explorações vitícolas. Desde as grandes explorações dominadas pela casta
Castelão até ao Moscatel, um dos vinhos generosos nacionais, esta região sempre
teve um lugar cimeiro na história dos vinhos portugueses.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
abrange terras planas ou com suaves ondulações, raramente ultrapassando os 150 m de altura.
Estes terrenos são compostos por solos de areia, tornando-os bastante pobres e perfeitamente
adaptados à produção de uvas de grande qualidade.
O clima da região é mediterrânico temperado com Verões quentes e secos e Invernos amenos e
chuvosos. A humidade relativa média anual situa-se entre os 75% a 80%, o que reflecte a
proximidade do mar.
O Moscatel
O Moscatel de Setúbal sempre foi um vinho com grande fama nacional e internacional. Um dos
grandes apreciadores deste vinho foi o rei francês Luís XIV.
Torna-Viagem
O Moscatel era muito exportado para o Brasil. Aí, o vinho era vendido e o que sobrava
regressava a Portugal. O transporte era efetuado em navios que atravessavam todo o Atlântico
e por isso, sujeitos a elevadas temperaturas. Quando os barris eram desembarcados, notava-se
que o vinho estava mais concentrado e suave. Estes vinhos ficaram conhecidos por torna-
viagem, porque faziam uma viagem para fora de Portugal e outra de regresso ao país
Os primeiros vinhos em Portugal
Pensa-se que o vinho terá entrado em Portugal através dos Fenícios, nomeadamente pelos
estuários dos rios Sado e Tejo, por volta de 600 anos a.C. Os Fenícios procuravam metais e
como moeda de troca ofereciam, entre outros produtos, ânforas de vinho e azeite
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
ALENTEJO
O Alentejo é uma das maiores regiões vitivinícolas de Portugal, onde a vista se perde
em extensas planícies que apenas são interrompidas por pequenos montes. Esta
região quente e seca beneficiou de inúmeros investimentos no sector vitivinícola que
se traduziu na produção de alguns dos melhores vinhos portugueses e
consequentemente, no reconhecimento internacional dos vinhos alentejanos.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
muito heterogéneos de argila, granito, calcário ou xisto. Apesar disso, a pouca fertilidade dos
solos é um elemento comum a todos os solos.
Grande parte dos 22000 hectares de vinha alentejana concentram-se nas oito sub-regiões da
Denominação de Origem alentejana: Reguengos, Borba, Redondo, Vidigueira, Évora, Granja-
Amareleja, Portalegre e Moura.
Na sub-região de Portalegre as vinhas são plantadas nas encostas graníticas da Serra de São
Mamede, sofrendo a influência de um microclima (temperaturas são mais baixas devido à
altitude). No centro do Alentejo situam-se as sub-regiões de Borba, Reguengos, Redondo e Évora
que produzem vinhos bastantes similares. No sul alentejano (mais quente e seco) localizam-se as
sub-regiões de Moura, Vidigueira e Granja-Amareleja.
Efeitos da Romanização
Incentivos vitivinícolas
Após a expulsão dos mouros do Alentejo, o poder real e as ordens religiosas incentivaram a
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
vitivinicultura. A população era obrigada a cultivar as terras com vinha e depois de três, quatro
ou cinco anos desde a plantação era obrigada a dar uma determinada quantia da sua colheita.
Em 1221, D. Afonso Henriques determinou que as uvas e vinho produzido seriam posse da Sé
de Évora.
Nos anos 50, foi criada a primeira adega cooperativa da região com o objetivo de controlar a
produção vinícola. No entanto, foi apenas nos anos 80 que o Alentejo se submeteu à grande
revolução na produção vitivinícola. Demonstrando uma enorme capacidade de organização, os
produtores alentejanos constituíram inúmeras associações, revitalizaram as cooperativas e
encorajaram os produtores privados. Assim, o sector vitivinícola ganhou outra relevância,
justificando a demarcação oficial da região em 1988.
ALGARVE
Muitas vezes considerado o paraíso turístico de Portugal, o Algarve é uma região onde
a área de vinha decresceu nos últimos anos. A indústria turística ocupou grande parte
da área dos terrenos agrícolas e o vinho algarvio esteve próximo da extinção. Hoje, há
de novo interesse vitivinícola na região e investe-se no desenvolvimento deste
sector.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Ocupação Muçulmana
O desenvolvimento do turismo na região, foi pouco benéfico Durante a ocupação
para a viticultura. As vinhas foram substituídas por hotéis, muçulmana do Algarve,
aldeamentos turísticos e campos de golfe. Nos últimos anos, cultivava-se a vinha em grandes
a região está a receber investimentos para revitalizar o quantidades. Como a religião
sector vitivinícola. Iniciou-se a replantação de castas, a muçulmana não permite a
modernização das adegas e praticaram-se novos métodos de ingestão de álcool o vinho
produção de vinhos. servia como moeda de troca
para a aquisição de outros
A região do Algarve é constituída por quatro Denominações produtos. Depois da
de Origem: Lagos, Lagoa, Portimão e Tavira. Contudo, a reconquista do Algarve, os
maior parte do vinho produzido insere-se na designação cristãos aproveitaram a
“vinho regional do Algarve”. As castas tradicionais da região organização económica deixada
são a Castelão e a Negra Mole (nas variedades tintas) e a pelos muçulmanos.
Arinto e a Síria (nas variedades brancas). A casta Syrah foi
umas das castas utilizadas na replantação das vinhas e demonstrou total adaptabilidade ao clima
da região, por isso tem sido muito plantada pelos viticultores. Os vinhos algarvios são suaves e
bastante frutados.
Importância comercial
A tradição vitivinícola algarvia não se limita ao cultivo e produção de vinho: a região
desempenhou um papel de extrema importância nas trocas comerciais efetuadas durante a
Idade Média e Moderna.
MADEIRA
Na ilha apelidada “pérola do Atlântico”, produz-se o vinho generoso “Madeira”. Este
vinho possui uma longevidade fora do comum, aromas complexos e um sabor
distintivo que ganhou notoriedade mundial.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Os melhores vinhos da Madeira são aqueles que provêm das vinhas plantadas nas zonas de
menor altitude. A casta Malvasia foi aquela que desde tempos seculares se destacou na produção
do vinho generoso da Madeira. Além da casta Malvasia utilizam-se, na produção do Madeira, as
castas Sercial, Boal e Verdelho que conferem quatro níveis de doçura ao vinho (doce, meio doce,
meio seco e seco).
O vinho da Madeira começou a ser exportado para todo o mundo a partir do século XVIII. Os
barris de vinho eram transportados em barcos, por isso ficavam sujeitos a inúmeras variações de
temperatura até chegarem ao destino. Uma vez no destino, havia vinho que não sendo vendido,
voltava para o destino de origem. Uma vez na Madeira, verificava-se que o vinho se apresentava
muito mais aromático e com novo sabor. Deste modo, a partir de 1730, os barris de Madeira
começaram a ser enviados em longas viagens com o objetivo de apurar as qualidades do vinho.
Além das extraordinárias qualidades relativamente aos aromas e sabor do vinho da Madeira, este
generoso possui uma longevidade pouco comum. O Madeira é praticamente eterno, pois
passados muitos anos após o seu engarrafamento, as suas características permanecem
inalteradas.
Um vinho requintado
O Madeira era considerado, pela maioria das cortes europeias, um vinho de elevado requinte.
Inclusivamente era utilizado para servir de perfume aos lenços das damas da corte. Em
Inglaterra, o Madeira e o Vinho do Porto disputavam o primeiro lugar nas preferências da
corte.
Duque de Clarence
Duque de Clarence era um nobre inglês que após ter sido condenado à morte na sequência de
um atentado contra o seu irmão Eduardo IV, escolheu morrer por afogamento num tonel de
Malvasia da Madeira
Delicioso Madeira
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
O vinho da Madeira era largamente exportado para Inglaterra, França, Flandres e Estados
Unidos. Francisco I (1708/1765), afirmava que o vinho da Madeira era o mais rico e delicioso
vinho europeu. As famílias mais importantes de Boston, Charleston, Nova Iorque e Filadélfia
competiam entre si para adquirem os melhores vinhos da Madeira.
AÇORES
As nove ilhas do arquipélago dos Açores apresentam condições climáticas pouco
favoráveis à plantação de vinha. Contudo, a vinha tem uma longa tradição na região,
pois é cultivada desde o século XV. Os Açores destacam-se na produção de vinho
generoso da região do Pico e Graciosa. Na ilha
Terceira produz-se um vinho branco leve e seco
As primeiras vinhas
O arquipélago dos Açores, em pleno oceano Atlântico, é O arquipélago dos Açores,
constituído por solos vulcânicos e tem um clima descoberto em 1427 por Diogo
profundamente marítimo. As temperaturas são amenas Alves, é constituído por nove
durante todo o ano, apesar do elevado nível de precipitação ilhas. Em meados de 1427,
e humidade atmosférica. Deste modo, as vinhas têm de ser chegaram os primeiros colonos
plantadas em locais onde fiquem naturalmente abrigadas ou às ilhas e iniciaram o cultivo da
são protegidas por ação do Homem. Os currais, são muros vinha.
de pedras onde se plantam as vinhas que desta forma ficam
protegidas do vento e do ar salgado do mar.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Verdelho
A Verdelho é a casta mais famosa e mais cultivada nos Açores. Pensa-se que será originária da
Sicília ou Chipre e foi levada para os Açores através dos Frades Franciscanos que a cultivaram
abundantemente pelas ilhas.
Verdelho do Pico
No século XVII e XVIII os vinhos produzidos nos Açores, nomeadamente os produzidos na ilha
do Pico, foram exportados para a Rússia e para a maioria dos países do norte da Europa.
Depois da revolução russa de 1917, descobriram-se várias garrafas de vinho Verdelho do Pico
guardadas em caves dos antigos czares da Rússia
Tipos de Castas
UVAS BRANCAS
Chardonnay
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
esses e outros motivos, é tida como a contrapartida branca de outra soberana, a tinta bordalesa
Cabernet Sauvignon.
Sua origem é obscura. Por muito tempo julgou-se ser ela uma mutação da Pinot Noir, chegando a
ser chamada de Pinot Chardonnay.
Outros acreditavam que fora trazida do Oriente Médio pelos cruzados. Atualmente, ampelógrafos
de grande prestígio, como Galet, afirmam que ela é uma variedade original.
Na sua terra natal, a Borgonha, produz os melhores e mais finos vinhos brancos do mundo, como
o Montrachet, o Mersault, o Poully- Fuissé, e também o Chablis. No Champagne, é a Chardonnay
a base do célebre e personalizado espumante que leva o nome da região, na maior parte das
vezes feito com corte das uvas Pinot Noir e Pinot Meunier, podendo também ser vinificada
isoladamente.
Hoje está disseminada por quase todas as regiões vinícolas do mundo, com destaque para a
Austrália , Califórnia, América do Sul e Itália como produtoras de bons Chardonnays.
A uva Chardonnay é pequena, redonda, ambarina e transparente ao amadurecer. Transformada
em vinho, é o branco que melhor beneficia do envelhecimento em carvalho e da fermentação em
barrica. O vinho feito com essa cepa é pleno, amanteigado, frutado e, quando a vinificação inclui
tratamento em tonéis de carvalho, ele terá um aroma de baunilha, além de ser macio e não
apresentar acidez agressiva.
Aromas e sabores: maçã, pêra, frutas cítricas, melão, pêssego, abacaxi, manteiga, cera, mel,
"balas toffee" ou "butterscotch" (espécie de caramelo feito com açúcar e manteiga ou xarope de
milho), baunilha, especiarias diversas, lã molhada (na Borgonha) e minerais (Chablis).
Sauvignon Blanc
Os vinhos brancos secos mais famosos são feitos com essa uva, que,
ao que parece, tem as suas origens em Bordeaux. Vinificada com ou
sem tratamento em tonéis de carvalho, produz vinhos muito
diferenciados.
Bastante secos e marcados por sua acidez, os vinhos feitos com essa
casta têm personalidade forte.
Em combinação com outras uvas, a Sauvignon Blanc está presente
nos brancos por toda a região de Bordeaux, em Pessac-Léognan, Graves e Médoc; aparece
também nos Sauternes.
A Nova Zelândia conseguiu um extraordinário sucesso com essa uva, produzindo um estilo
próprio de vinho, frutado e perfumado, que se espalhou pelos Estados Unidos e, então, chegou
de volta à França.
Vivo e refrescante, o vinho feito com a Sauvignon Blanc vai bem com a comida, a sua produção é
maior e mais barata do que a do Chardonnay e ele é vendido a um preço inferior, mas mesmo os
seus melhores representantes não alcançam a riqueza e a complexidade do Chardonnay. Aromas
e sabores: herbáceos, como grama cortada, folhas de groselha, aspargo em lata, groselhas
brancas (gooseberry), são os mais frequentemente encontrados, além dos eventualmente
detetados, como almíscar, feijões verdes e urtiga.
A fruta produzida no Vale do Loire muitas vezes garante a presença de aromas minerais.
Riesling
A Riesling Renana, a verdadeira Riesling germânica, tem
também uma personalidade marcante e uma acidez bastante
elevada, apresentando-se melhor sem o tratamento em
carvalho. Mais adaptável do que a Sauvignon, é plantada tanto
no clima frio da Alemanha e da Alsácia quanto no calor da
Austrália. Sujeita ao ataque do fungo Botrytis cinerea que
produz a "podridão nobre", a Riesling pode resultar em vinhos
ricos e doces. Como a Chardonnay, os vinhos feitos com ela
também têm o potencial de envelhecimento longo, originando
vinhos de grande complexidade.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
O vinho produzido com Riesling, qualquer que seja sua origem ou idade, seja ele seco ou doce, é
sempre frutado, o seu equilíbrio é garantido por uma vívida acidez.
Aromas e sabores: petróleo/querosene, tostado, notas minerais, aromas florais (Mosel), mel
(vinhos doces), maçãs verdes crocantes, maçãs cozidas com especiarias, marmelo, laranja, lima
(Austrália) e maracujá (Austrália).
Chenin Blanc
Talvez a uva mais versátil do mundo, ela é nativa de Pineau de la Loire,
dela se produz vinhos brancos doces de grande longevidade. Como as
condições no Loire variam, nos anos favoráveis da Chenin Blanc
extraem-se vinhos doces magníficos, com toques de mel equilibrados
pela acidez harmoniosa. As colheitas menos beneficiadas pelo clima dão
lugar a vinhos mais leves, com menos concentração e, muitas vezes,
secos ou meio-doces. Na África do Sul (onde é conhecida como Steen),
os vinhos desta uva são simples, suaves, ácidos e frutados, enquanto na
Nova Zelândia os vinhos são secos e tornam-se cada vez mais
interessantes.
Aromas e sabores: maçãs verdes, damascos, nozes, avelãs, amêndoas, mel e marzipan.
Gewürztraminer
Sémillon
Sozinha ou acompanhada, produz um vinho que envelhece bem. A
Sauvignon Blanc, é a base dos Sauternes e da maioria dos grandes vinhos
secos de Graves e Pessac-Léognan, todos muito ricos e lembrando mel. A
Sémillon é uma das uvas susceptíveis ao ataque da Botrytis cinerea, daí
sua utilização na produção de vinhos doces.Na Austrália, é usada sozinha
para produzir um vinho branco seco e encorpado. Na África do Sul já teve
um papel importante, mas teve um declínio expressivo nos últimos anos.
É bastante plantada no Chile.
Aromas e sabores: variam com as combinações com outras uvas, mas
podemos dizer que os mais comuns são: grama, cítricos, mel e torrados.
UVAS TINTAS
Cabernet Sauvignon
Indiscutivelmente a rainha das uvas tintas, pela sua alta qualidade e
adaptabilidade tem sido cultivada em quase todas as regiões vinícolas do
mundo. Desde o século XVIII é utilizada em Bordeaux, sempre misturada
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
com Cabernet Franc, Merlot e algumas vezes uma pitada de Petit Verdot. O modelo estabelecido
por Bordeaux não se destina apenas à produção de vinhos complexos, mas deve-se também à
necessidade de garantir que diferentes variedades de uva amadureçam em diversos intervalos ou
para dar cor, tanino ou corpo ao vinho.
No resto do mundo, ela é utilizada tanto sozinha como em composição com outras uvas.
Uva pequena, a proporção que apresenta entre polpa e graínha é 1/12, em oposição a 1/25 da
Sémillon. A graínha da Cabernet Sauvignon é um elemento da maior importância para a presença
abundante de taninos, enquanto a pele espessa e de cor intensa confere-lhe uma coloração
profunda, além de torná-la relativamente resistente ao apodrecimento.
O vinho Cabernet dá-se muito bem com a madeira e normalmente passa de 15 a 30 meses em
barris de carvalho franceses ou americanos, novos ou usados.
Quando produzida dentro de suas melhores condições, a Cabernet sem misturas produz vinhos
intensos e de aromas bem pronunciados.
Aromas e sabores: quando jovem, groselhas negras, cassis e ameixas pretas. Mais adiante, carne
de caça, couro, chocolate e azeitonas. Quando tratado em carvalho, irá revelar aromas de cedro,
tabaco e minerais.
Aromas de hortelã e de eucalipto podem surgir em vinhos produzidos no Chile e na Austrália.
Merlot
Foi a uva tinta de maior sucesso nos anos 90. Embora usada
principalmente para corte nos grandes vinhos de Bordeaux, também faz
carreira a solo. Em St.-Émilion e Pomerol, em especial, produz vinhos
notáveis, cujo exemplar mais famoso é o Château Petrus, feito quase
exclusivamente com Merlot. No Novo Mundo, marca presença na
Califórnia, no Chile e na Austrália.
A uva Merlot, em geral, produz vinhos menos ácidos e menos taninicos
do que a Cabernet Sauvignon, mas, como ela, também se beneficia do
tratamento em carvalho. Com um potencial de envelhecimento de
moderado a bom, pode ficar mais suave com a idade, mas com frequência os aromas de fruta
decaem e os herbáceos dominam.
Aromas e sabores: frutas vermelhas escuras amoras pretas e ameixas pretas. Para olfatos mais
sensiveis, surgem também aromas de rosas e bolo de frutas. Quando tratado em tonéis de
carvalho, o vinho apresenta uma textura mais rica e um agradável toque de chocolate.
Pinot Noir
Considerada a grande uva da Borgonha, a Pinot Noir é uma variedade
extremamente delicada, que sofre profundamente com as mudanças
ambientais, como alternâncias de frio e calor, e é notoriamente complicada
para trabalhar depois de colhida, já que sua pele se rompe facilmente,
liberando o sumo da fruta. A ênfase recai tanto sobre a vantagem de plantá-la
em climas frios como em fazer uma rigorosa seleção clonal, pois o plantio do
clone errado em locais inadequados resultam em vinhos insípidos.
Mesmo depois da fermentação, o vinho feito com a Pinot Noir é de difícil
avaliação fora do barril e, mesmo na garrafa, muitas vezes varia,
apresentando-se fraco num dia e exuberante no outro.
Em geral, os vinhos Pinot Noir atingem a maturidade em 8 a 10 anos, entrando em declínio
pouco tempo depois.
Além de ser a uva clássica da Borgonha, ela também tem seu papel em Champagne, onde é
prensada imediatamente depois de colhida a fim de produzir sumo branco. A Pinot Noir é
praticamente a única tinta cultivada na Alsácia. Na Califórnia, os vinhos Pinot Noir destacaram-se
no fim dos anos 80 e início dos 90, e parecem ter possibilidade de progredir futuramente. Para
melhorar substancialmente a qualidade, é preciso não vinificar a Pinot Noir como se fosse
Cabernet, deve-se plantar os vinhedos em climas mais frios e não se esquecer de que a produção
deve ser pequena e controlada.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Syrah (Shiraz)
Uva tinta majestosa, que envelhece até por meio século, é encontrada tanto nos
vinhos das regiões de Hermitage e Côte-Rôtie e Crozes-Hermitage, na França
(Syrah), como na produção do Penfolds Grange, na Austrália (Shiraz).Crescendo
bem em inúmeras áreas, produz vinhos complexos e distintos, escuros, podendo
variar de relativamente taninosos a muito
taninosos, alcoólicos e com aromas e sabores de especiarias.
No sul da França é usada em diversos cortes, como no Châteauneuf-du-Pape e
Languedoc-Roussillon.
Na Austrália foi usada durante muito tempo para cortes triviais, mas houve um sensível aumento
na produção de vinhos de alta qualidade, especialmente de antigas vinhas em Barossa Valley.
Nos Estados Unidos, a Syrah está viver um aumento de qualidade, o que lhe confere o apelo dos
primeiros tempos da Pinot Noir e Zinfandel e algumas das excentricidades da Merlot, podendo
também mostrar-se mais fácil de ser cultivada e vinificada do que asoutras tintas, à exceção da
Cabernet Sauvignon.
Aromas e sabores: especiarias (pimenta-do-reino preta), frutas escuras maduras (framboesa
negra, groselha negra, amora), alcaçuz, couro, caça e alcatrão, além dos "empireumáticos"
(tostado e defumado). Além desses, são mencionados aromas de gengibre e chocolate, notas
florais (violeta) e, em algumas regiões da Austrália, um toque discreto de hortelã.
Grenache
Considerada a segunda uva mais extensamente cultivada no mundo, em
diferentes colorações, a Grenache espalha-se pelo Sul da França (Rhône),
sendo a principal uva que entra na composição do Châteauneuf-du-Pape e
dos Côtes du Rhône. Sozinha, é responsável pelos rosés de Tavel e Lirac, e é
também usada no vinho de sobremesa tinto Banyuls (compatibilização ideal
com chocolate).
Na Espanha, onde seu cultivo é intenso, é conhecida como Garnacha Tinta,
especialmente notável em Rioja e Priorato.
Na Austrália, é usada para a produção de vinhos baratos; mas, em Barossa
Valley alguns produtores estão a fazer vinhos similares ao Châteauneuf-du-Pape.
Resistente ao calor e a aridez, a Grenache produz vinhos de corpo médio, frutados, com aromas
de especiarias (pimenta), frutas vermelhas (framboesas) e ervas. No Châteauneuf-du-Pape, é
normal a presença do aroma de óleo de linhaça.
Há também a Grenache Blanc, conhecida na Espanha como Garnacha Blanca, que é engarrafada
no Sul do Rhône.
Nebbiolo
Também conhecida como Spanna, Inferno e Grumello, é nativa do Piemonte e
está praticamente confinada a essa região do Norte da Itália, onde é
responsável pelos seus mais finos vinhos, Barolo e Barbaresco.
De pele espessa, na Itália costuma produzir vinhos escuros, secos, grandiosos,
com muita acidez e taninos exuberantes.
Sem ter tido sucesso em outras regiões vinícolas do mundo, a Nebbiolo agora
tem uma pequena base na Califórnia, mas os vinhos lá produzidos, até o
momento, são leves e simples, não lembrando em nada os italianos.
Aromas e sabores: alcatrão, alcaçuz, violetas, rosas, ameixas secas, bolo de frutas e chocolate
amargo.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Sangiovese
Cultivada em quase toda a região central da Itália, o seu ponto alto
concentra-se na Toscana, onde é a única uva que entra na produção do
Brunello de Montalcino, além de ser a base, na composição com outras uvas
(em geral a Canaiolo e a Mamolo), dos Chianti, Vino Nobile di Montepulciano.
A Sangiovese, em associação com a Cabernet Sauvignon, é responsável pela
grande maioria dos supertoscanos.
De corpo médio a encorpado, os melhores vinhos produzidos com a
Sangiovese são secos, levemente picantes.
Aromas e sabores: cereja, framboesas, especiarias, tabaco, anis ou erva-
doce.
Alsace
Bordeaux
Bourgogne
Champagne
Corse
Côtes du Rhône
Jura
L`Est
Languedoc-Roussillon
Provence
Savoie
Sud-Ouest
Val de Loire
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Itália
Com razão os gregos na antiguidade denominavam a Itália Enotria (terra do vinho). Ela produz,
como a França, um enorme conjunto de vinhos e com sua vizinha vem se alternando, de tempos
em tempos, na posição de maior produtor e consumidor mundial de vinhos.
Ainda que o número de grandes vinhos da Itália não seja tão numeroso como na França, a ótima
qualidade de muitos de seus vinhos é inquestionável.
Para entender a diversidade de regiões da Itália, estas são agrupadas segundo sua localização
geográfica, o que responde por uma certa homogeneidade de características comuns, resultado
da latitude (norte frio e sul quente) altitude (que reforça as tendências da latitude) e a influência
do mar (regiões costeiras ou continentais)
Em cada uma das macro-regiões assim definidas encontraremos diversas regiões, que por suas
vez abrigam dezenas de DOCs (Denominações de Origem).
Espanha
A Espanha é o país com a maior área de vinhedos do mundo.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Ocupando mais de 80% da Península Ibérica, seu território possui diversos microclimas,
conforme sua constituição geográfica e suas diferentes relações com o Oceano Atlântico, o Mar
Mediterrâneo, a França e Portugal.
Podemos agrupar as localidades produtoras de vinhos em regiões, segundo suas características
geográficas e climáticas, constituindo setores que compartilham condições similares para a
produção de vinhos.
Apesar de não ser uma classificação oficial, essa divisão facilita a perceção dos diversos terroir
existentes no país. Apresentamos aqui as "regiões" do vinho espanhol e dentro de cada uma
delas as Denominaciónes de Origem (DO) ali situadas.
Cava (DO)
Conca de Barberà (DO)
Empordá-Costa Brava (DO)
Monsant (DO)
Penedés (DO)
Pla de Bages (DO)
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Priorat (DO)
Tarragona (DO)
Terra Alta (DO)
Almansa (DO)
Bullas (DO)
Jumilla (DO)
Utiel-Requeña (DO)
Valencia (DO)
Yecla (DO)
El Hierro (DO)
La Palma (DO)
Lanzarote (DO)
Tacoronte-Acentejo (DO)
Valle de Guimar (DO)
Valle de la Orotava (DO)
Ycoden-Daute-Isora (DO)
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
La Mancha (DO)
Mentrida (DO)
Mondéjar (DO)
Valdepeñas (DO)
Viños de Madrid (DO)
Alemanha
A Alemanha é o país com vinhedos mais ao norte de entre o grupo da Europa Central, possuindo
um clima frio que marca a sua produção de vinhos com características próprias:
Historicamente a Alemanha sempre produziu vinhos brancos, devido à melhor adaptação das
uvas brancas ao seu verão curto que impede a maturação de uvas tintas, com exceção da Pinot
Noir – localmente chamada Spätburgunder – e algumas outras, que amadurecem precocemente.
Nos últimos 10 anos os produtores de algumas regiões vêm retomando a produção de tintos, que
havia sido praticamente abandonada por várias décadas.
Estados Unidos
Apesar de muito bem localizado geograficamente, a maior parte do território dos Estados Unidos
não tem boa vocação para a produção de vinhos, devido às condições do seu clima.
Apenas na Costa Oeste (West Coast), junto ao Oceano Pacífico, surgem condições favoráveis de
plantio, sendo os estados costeiros de Washington, Oregon e Califórnia os pólos de produção de
vinhos, com destaque especial para o último, onde são produzidos vinhos de qualidade mundial.
Entretanto, hoje produz-se vinho em todos os 50 estados americanos, e o país é o 4º produtor
mundial em volume, atrás da França, Itália e Espanha. O total de vinhedos americanos chega a
4.500 km2, colocando-os em 5º lugar no mundo.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Midwestern USA
Rocky Mountains
South Western USA
West Coast
Argentina
Durante muito tempo, a quantidade superou a qualidade nos vinhedos argentinos, onde se
adotava o cultivo de uvas de alto rendimento, porém de baixa qualidade (Criola Grande, Cereza,
etc.), e um sistema de plantação arcaico. A alta produção de vinhos inferiores inundou a mesa
das famílias argentinas que não se importavam com a qualidade da sua bebida do dia-a-dia . Nas
décadas mais recentes, a vitivinicultura argentina passou a cultivar em maior escala uvas de
espécies europeias nobres, adotou modernas técnicas de cultivo e vinificação e,
consequentemente passou a produzir vinhos de boa qualidade. Embora o consumo per capita
tenha diminuído, o consumidor argentino aumentou consideravelmente a produção e a
exportação de grande número de vinhos de alta qualidade.
A Argentina está entre os cinco maiores produtores de vinho do mundo, com aproximadamente
210 mil hectares de vinhas plantadas, uma produção de três milhões de caixas anuais e
exportação de 25% da sua produção. É e o quinto maior consumidor mundial de vinhos e já
ocupou a quarta posição na década de oitenta.
A Argentina está prestes a se transformar em mais uma estrela no cenário vinícola mundial, fora
do circuito europeu, tal como ocorreu com outros países do Novo Mundo, como o seu vizinho
Chile, a África do Sul, a Austrália, os Estados Unidos e a Nova Zelândia.
Apesar da sua proximidade com os Andes, as regiões vitivinícolas argentinas, ao contrário do
Chile, não ficaram imunes ao ataque da praga Phylloxera vastatrix e enfrentam a adversidade de
um clima seco, o que demanda cuidado redobrado e a adoção de um eficiente sistema de
irrigação.
Chile
O Chile é, indubitavelmente, o país da América Latina que possui os melhores vinhos tintos
elaborados com a uva Cabernet Sauvignon, alguns dos quais colocados pelos especialistas entre
os melhores do mundo. Os vinhos tintos de outras uvas, especialmente a Merlot, melhoram a
cada dia e alguns também já se destacam mundialmente. Os vinhos brancos, particularmente os
elaborados com as uvas Chardonnay e os Sauvignon Blanc, fracos até cerca de uma década
atrás, melhoraram substancialmente.
Uma das peculiaridades do Chile é o fato de não ter sido vítima da praga Phylloxera Vastatrix,
que devastou grande parte dos vinhedos do mundo, devido à sua condição geo-climática,
protegido pelo Oceano Pacífico à oeste e pela Cordilheira dos Andes a leste. Desse modo as
parreiras chilenas são da espécie européia (Vitis vinifera) plantadas em "pé-franco", isto é,
plantadas diretamente no solo, sem necessidade de enxertá-las sobre raízes de espécies
americanas, resistentes à Phylloxera.
Outras variedades que têm crescido no Chile são a Syrah, bem adaptada, com bons resultados
em diversos vales e a Pinot Noir, surpreendendo com ótima tipicidade em sub-regiões mais frias.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
África do Sul
Na extremidade sul da África, no encontro de dois oceanos, eleva-se a majestosa Table Mountain,
emoldurando um Cabo de importância histórica mundial.
Por 350 anos encontraram-se aqui as culturas europeia e oriental, modelando uma cidade ao
mesmo tempo moderna e antiga, onde o vinho há séculos é parte viva e marcante.
Hoje a África do Sul é uma democracia pacífica, que reflete na variedade de seus vinhos. Seus
300 anos de vinicultura refletem ao mesmo tempo classicismo e tradição do Velho Mundo e as
influências do estilo contemporâneo do Novo Mundo.
Os vinhos sul-africanos traduzem solos, clima, variedade e cultura do Cabo, contando a sua
história para o mundo.
Categorias de qualidade
Portugal
Portugal apresenta de Norte a Sul uma extensa gama de vinhos, desde o verde, de uma apetitosa
frescura, até ao porto, o mais generoso do Mundo.
Sem paralelo em qualquer outro País, adotou-se em Portugal a classificação de verdes e
maduros.
A importância dos primeiros no norte do País e as suas características é que conduziram a esta
classificação.
Mas, com a entrada de Portugal na CEE, esta classificação teve de se adaptar à que vigora
naquela organização.
Como tal, são considerados as seguintes designações oficiais:
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
- Denominação de origem:
Conceito aplicável à designação de determinados vinhos cuja originalidade e individualidade estão
ligados de forma indissociável a uma determinada região, sendo: vinhos originários e produzidos
nessa região vinhos cuja qualidade ou características se devem essencial ou exclusivamente ao
meio geográfico incluindo os factores naturais e humanos.
Para beneficiar de uma Denominação de Origem, todo o processo de produção do vinho é sujeito
a um controlo rigoroso em todas as suas fases, desde a vinha até ao consumidor.
França
Vin de table (vinho de mesa) – É a categoria mais baixa atribuída aos vinhos.
Vin de pays (vinho local ou do pais) – É uma categoria ligeiramente superior ao vin de table
e é a categorial oficial mais baixa reconhecida pelas entidades oficiais francesas.
Vin delimité de qualité supérieure (VDQD) – é aplicada ao vinho francês que não consegue
obter uma appellation contrôlée.
Appellation (d´origine) controlée (AC ou AOC) – É aplicada aos vinhos franceses de
qualidade que atingiram determinados padrões e que respeitam os regulamentos estabelecidos
para cada área, região ou distrito.
Alemanha
Tafelwein (vinho de mesa) – É a categoria mais baixa atribuída a vinhos alemães.
Landwein – é um Tafelwein com graduação superior.
Qualitätswein bestimmter Anbaugebiete (QbA) – É a segunda qualidade mais elevada das
três categorias dos vinhos alemães.
Qualitätswein mit Prädikat (QmP) – estes são vinhos de qualidade superior. Existem seis
Prädikat (distinções de graus de madureza) que indicam detalhes sobre a colheita das uvas e do
seu teor de açúcar.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Itália
Vino da tavola (vinho de mesa) – É o vinho italiano de qualidade mais inferior.
Vino típico (é o vino da tavola com indicação geográfica) – É uma categoria ligeiramente
superior ao vino da tavola com indicação de região.
Denominazione di origine controlatta (DOC) – Os vinhos DOc possuem origem controlada,
determinada variedade de uva, métodos de produção e carateristicas do distrito de origem.
Denominazione di origine controlatta e garantita (DOCG) – Incorpora todos os controlos
DOC e além disso garante a qualidade do vinho. A designação DOCG aparece nos rótulos depois
de 1985.
O EXAME VISUAL
Deve-se colocar uma quantidade de vinho correspondente a 1/3 ou, no máximo, metade do
volume do copo. Inclina-se suavemente o copo de modo a melhor visualizar a superfície de vinho
a ser observado que se torna elíptica e, portanto, maior.
O exame visual é o primeiro da série, e nele vamos avaliar os seguintes critérios:
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Nuance - Nesse ponto, coloca-se em questão o grau de envelhecimento do vinho. Nos vinhos
tintos, quando observados com a taça inclinada sobre o fundo branco, a cor nitidamente púrpura
denota um vinho novo, juvenil. Já a nuance alaranjada ou castanha nas bordas do vinho indicam
envelhecimento.
Nos brancos, a cores mais pálidas e vivazes apontam para vinhos marcados pelo frescor,
juventude, feitos a partir de uvas colhidas pouco antes de sua maturação plena. A cor dourada
está associada aos vinhos feitos com uvas de colheita mais tardia, além dos vinhos licorosos ou
doces. A cor de um vinho deve ser examinada cuidadosamente, pois fornece informações
importantes sobre o vinho. Depois da observação geral da cor, inclina-se o copo, e examina-se a
superfície do vinho que tem forma elíptica.
Poderão ser identificadas duas regiões: a região central ou olho onde a cor é mais concentrada,
e a borda periférica ou anel que tem cor menos concentrada, pois o volume de vinho é menor
nessa região e a cor fica esmorecida.
Com o envelhecimento, os vinhos tintos vão tomando tonalidade alaranjada e chegam até à cor
de tijolo. Embora o olho possa ainda estar vermelho intenso, a mudança começa a ser percebida
no anel. Já nos brancos o envelhecimento provoca mudança de cor amarelo palha para dourado.
TINTOS
BRANCOS
Lágrimas - Todo vinho deve apresentar viscosidade, que é uma certa aderência do líquido
nas paredes do copo. Quando é agitado e colocado em repouso, o vinho escorrerá da parede do
copo, lentamente, em filetes, denominados lágrimas, pernas ou arcos. A formação das lágrimas é
devida à tensão superficial e evaporação de álcoois do vinho, especialmente o glicerol (também
chamado glicerina). Um vinho com pouca densidade é um vinho "aguado", escorre rapidamente
nas paredes da taça, o que indica que esse vinho terá pouco corpo, e não terá na boca aquela
sensação aveludada.
Para que julguemos as lágrimas de um vinho devemos imprimir movimentos circulares à taça, de
modo a que haja uma aderência do líquido nas paredes da mesma. O vinho, então, escorrerá em
forma de lágrimas pelas paredes da taça. Quanto mais "preguiçosas" forem as lágrimas, maior o
37
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
teor alcoólico e o corpo do vinho. O contrário, a maior fluidez, indicará um vinho mais leve e
magro. O fenômeno se explica pela maior tensão superficial do álcool em relação à água. Os
portugueses chamam as lágrimas de pernas.
EXAME OLFATIVO
O exame olfativo é de extrema importância na análise sensorial do vinho. A deteção das
qualidades e defeitos do vinho seria impossível sem este exame, realizado graças à grande
sensibilidade das mucosas olfativas (escondidas na parte superior da cavidade nasal).
Se as frutas e seus sucos têm seus aromas específicos, bem característicos, o mesmo não
acontece com o vinho, pois este não provem em linha direta da planta. Ele passou pela
vinificação, e a fermentação alcoólica que experimentou transformou-o numa bebida
excecionalmente rica em aromas originais e sutis. A manifestação sensorial mais encantadora do
vinho é os seus aromas. Encerrado na garrafa por meses, anos, décadas, o vinho se desenvolve,
evolui, como um ser vivo desenvolve seu metabolismo químico de forma cada vez mais rica e
surpreendente.
A principal característica dos grandes vinhos, que os diferenciam dos vinhos mais simples, é sua
capacidade de evoluir e desenvolver esse maravilhoso conjunto de aromas que encanta nossa
mais rica perceção, o olfato.
O exame olfático é realizado colocando-se o nariz junto à boca do copo e cheirando
vigorosamente, de preferência alternando-se as narinas direita e esquerda.
A olfação deve ser feita em duas etapas: com o copo em repouso, revelam-se as substâncias
mais voláteis, que geralmente desaparecem em contato com o ar, podendo também transformar-
se por oxidação ou combinação. Devido ao seu aprisionamento na garrafa, esta fase é bem
marcada por odores parasitários, como SO2 e odores residuais da fermentação e aromas mais
voláteis (ésteres leves) de frutas e flores.
O exame com o copo em movimento é realizado após imprimir-se o movimento de rotação à
taça, o que faz aumentar o contato do vinho com o ar, que vai acelerar o processo de oxidação e
a consequente liberação dos componentes aromáticos.
Para terminar, pode ser feito ainda o exame de " fundo de copo", quando este estiver vazio, que
permitirá que se sinta a persistência dos componentes aromáticos livres do suporte do álcool.
Desta forma, poderá ser feita de maneira plena a avaliação da bebida quanto à sua qualidade,
intensidade e persistência.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
OS AROMAS
1. QUALIDADE:
A primeira coisa que se deve observar é se os aromas do vinho são agradáveis ou não. Aromas
desagradáveis significam que o vinho é mal feito, de má qualidade ou está deteriorado.
2. INTENSIDADE:
Um bom vinho deve ter aromas facilmente percetíveis, embora não necessariamente intensos. Os
vinhos inferiores são fracos em aromas. Os grandes vinhos têm aromas intensos ou sutis porém
complexos
3. CLASSIFICAÇÃO:
Para padronizar a degustação, classificamos os aromas em grupos, devido à sua origem no
metabolismo do vinho e suas características nitidamente diferenciadas.
BRANCOS - Os vinhos brancos e rosés geralmente lembram frutas frescas (maçã, abacaxi,
pêssego, pêra, etc.), flores (rosa, cravo, jasmim, etc.) e às vezes, aromas mais complexos:
aromas adocicados (compota, mel, melado, etc.), aromas vegetais ou herbáceos (feno, grama,
hortelã, menta, etc.) e minerais (petróleo, etc.).
TINTOS - Nos vinhos tintos, em geral, encontramos aromas de frutas vermelhas (cereja, amora,
groselha, cassis, etc.), de frutas secas (ameixa, avelã, amêndoa, nozes, passas, etc.), de
especiarias (pimenta, canela, baunilha, noz moscada, orégano, tomilho, alcaçuz, anis, etc.) e
vegetais ou herbáceos (feno, grama, hortelã, menta, etc.), aromas animais (couro, suor, etc.),
aromas empireumáticos (torrefação, tostado, defumado, tabaco, café, chocolate, açúcar-
queimado, etc.), aromas de madeira (baunilha, serragem, etc.), aromas adocicados (compota,
mel, melado, etc.), aromas químicos e etéreos (acetona, álcool, enxofre, fermento, pão, leite,
manteiga, etc.) e muitos outros aromas!
EXAME GUSTATIVO
Realiza-se colocando um gole não exagerado de vinho na boca e deixando-o girar lentamente no
seu interior, de modo a permitir que ele entre em contacto com as regiões da língua que são
diferentes em relação à perceção dos sabores. Um bom vinho deve ter sabores agradáveis de boa
intensidade e compatíveis com o tipo de vinho. Por exemplo, em um vinho seco não se espera
encontrar sabor doce.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Menos complexo que a sensação do olfato, o gosto está diretamente ligado à língua, que, através
das papilas gustativas distribuídas na sua superfície, possibilita que o homem seja capaz de ter 4
tipos de sensações:
DOCE: Os recetores gustativos para o sabor doce estão na extremidade anterior da língua.
ÁCIDO: É percebido nas porções laterais da língua. É mais acentuado nos vinhos jovens do que
nos velhos e mais nos brancos do que nos tintos.
AMARGO:. Percebido na região posterior da língua, deve estar presente, mas não muito intenso
a ponto de ser desagradável.
SALGADO: Não deve existir no vinho, mas, em certos vinhos de aromas minerais, percebem-se
sabores também minerais ou metálicos que lembram o salgado. Esta característica denomina-se
SAPIDEZ do vinho.
Além das sensações ligadas ao sabor, o exame gustativo compreende também as sensações
tácteis e térmicas sentidas pela língua e
pela boca:
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
A AVALIAÇÃO FINAL
A avaliação gustativa deve terminar com uma apreciação do conjunto de todas avaliações
analíticas feitas, de forma a termos uma conclusão final globalizante, quando serão considerados
3 aspetos:
O equilíbrio
A qualidade
A persistência
Qualidade: grosseiro
comum
correto
elegante
finíssimo
Persistência: curto
de pouca persistência
de média persistência
de boa persistência
longo
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Considerações Finais
O vinho acompanhou o Homem na sua caminhada. Perde-se nos tempos a origem desta bebida
tão apreciada na nossa época. Ninguém sabe exatamente como é que o vinho surgiu. No entanto
existem vestígios arqueológicos de sementes de uva, da variedade usada para vinificação, que
datam do período de transição entre a passagem de uma cultura nómada para uma cultura
sedentária, com a criação da agricultura. Assim a fabricação de vinho é mesmo anterior à própria
escrita.
Apesar de não existirem certezas quanto à origem do vinho, ele faz parte de numerosas lendas e
histórias. Fazem parte da cultura do Homem. Cada povo, cada cultura, tem em si uma explicação
para o vinho, onde participaram deuses, semideuses, reis e homens protegidos de Deus, como
por exemplo na referência a Noé, que após ter desembarcado os animais, plantou uma vinha, fez
vinho e se embriagou. São lendas e histórias onde está descrito a sua origem, onde o vinho surge
para gáudio dos homens. Desde a mitologia grega à mesopotâmica, passando pelos romanos,
grandes apreciadores e produtores de vinho, há histórias sobre o vinho e como é que este
começou a ser produzido.
Os últimos 90 anos assistiram a revolução industrial dos vinhos. O embasamento científico da
fabricação de vinhos desenvolveu-se grandemente no século XX, permitindo que muitas coisas
antes impossíveis fossem realizadas.
Um exemplo disto é a refrigeração. Antes de 1940, o vinho era fornecido às pessoas de acordo
com sua localização geográfica. Com a disseminação da refrigeração, tornou-se fácil para as
vinícolas controlar a temperatura de seus processos de fermentação. Isto permitiu fabricar vinhos
de alta qualidade em climas quentes, algo antes não muito factível.
O avanço da ciência durante o último século contribuiu grandemente para o desenvolvimento da
indústria do vinho.
A moderna fabricação pode alcançar controle físico total de cada estágio da produção. Por outro
lado, esses mesmos avanços tecnológicos têm levado à tentação de produzir mais vinhos, em
detrimento da qualidade. Os fabricantes enfrentam o desafio de produzir mais vinho para um
mercado maior, sem perder o caráter local de seus produtos.
E aqui termina essa breve história do vinho. Ela serve paea nos mostrar como o vinho evoluiu,
desde tempos tão remotos, passando por altos e baixos, servindo aos interesses de governantes,
de poderosos e nobres, até chegar aos dias atuais, acessível a classes menos abastadas. Não
podemos prever os caminhos que a Humanidade trilhará nos próximos séculos, mas arriscamo-
nos a fazer uma previsão: o vinho continuará seguindo o seu papel de aglutinador social,
aproximando as pessoas, fazendo com que, mesmo em fugazes momentos, se sintam mais
satisfeitas. E gostaríamos, também, de, num exercício de futurologia, imaginar que essa bebida
famosa venha a fazer parte cada vez mais da mesa de diferentes classes sociais, o que seria um
indício de um menor distanciamento entre elas.
Então, bebamos! E brindemos a todos, pela paz e prosperidade.
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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO
Bibliografia
Marques, J. Albano – Manual do Restaurante e do Bar, Civilização Editora.
Manual de Hotelaria, Sellers Editores.
Filipe, Mateus - Sebenta de Vinhos, Escola de Hotelaria do Estoril, 1985.
Stuart, Walton – Manual enciclopédico do vinho, Editorial Estampa.
Dessauve, Thierry – O livro do vinho, Chaves Ferreira – Publicações S.A.
Julyan, brian K. – manual de bebidas – Vendas e serviços, Edições CETOP
Apontamentos Pessoais.
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