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Manual de Vinhos para Restaurantes

Este documento fornece informações sobre as principais regiões vitivinícolas de Portugal, incluindo Vinhos Verdes, Trás-os-Montes e Douro. Descreve as características climáticas, solos, castas e estilos de vinhos produzidos em cada região. O Douro é conhecido principalmente pelo vinho do Porto, produzido em terras empinadas ao longo do rio Douro.
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© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Manual de Vinhos para Restaurantes

Este documento fornece informações sobre as principais regiões vitivinícolas de Portugal, incluindo Vinhos Verdes, Trás-os-Montes e Douro. Descreve as características climáticas, solos, castas e estilos de vinhos produzidos em cada região. O Douro é conhecido principalmente pelo vinho do Porto, produzido em terras empinadas ao longo do rio Douro.
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EPAV – Escola Profissional Alda Brandão de

Vasconcelos

BAR
VINHOS DE PORTUGAL E DO
MUNDO
RB 2º ANO
MÓDULO 8337

Manual de Apoio
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

Curso: Curso profissional de Técnico de Restauração


Nome do Manual: Manual de Vinhos de Portugal e do mundo
Disciplina: BAR
Data de elaboração: Abril 2017
Elaborado Por: José Martins
Verificado Por:

Director de Curso:
Formador: José Martins

ATENÇÃO:

Este manual destina-se a apoiar os formandos a frequentarem o Curso de Formação


de Profissional de Técnico de Restauração

Não pretendendo ser um manual exaustivo do curso em questão, apresenta-se


como uma ferramenta de consulta quer durante a duração do curso, quer após a
conclusão do curso.

REGIÕES VITIVINÍCOLAS

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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

VINHOS VERDES
Região onde predominam as tonalidades verdes da vegetação exuberante típica de
uma região com bastante humidade. Contudo, o nome Vinhos Verdes não se deve
apenas ao meio envolvente onde crescem as vinhas: é nesta região que se produz um
vinho tipicamente acidulado, leve, medianamente alcoólico e de ótimas propriedades
digestivas.

A região dos Vinhos Verdes/Minho é a maior zona vitícola


portuguesa e situa-se no noroeste do país, coincidindo com
a região não vitícola designada por Entre Douro e Minho. A
região é rica em recursos hidrográficos, sendo limitada a
norte pelo Rio Minho e pelo Oceano Atlântico a oeste. 
No interior da região predominam as serras, sendo a mais
elevada a Serra da Peneda com 1373 m.

Na região os solos são maioritariamente graníticos e pouco


profundos. Apresentam uma acidez elevada e baixo nível de
fósforo, possuindo uma fertilidade relativamente baixa.
Contudo, devido ação do homem durante séculos
(construção de socalcos e utilização de adubos naturais), tornaram-se mais férteis.   

O clima da região é influenciado pelas brisas marítimas do Oceano Atlântico, por


isso as temperaturas são amenas durante todo o ano. Os níveis de precipitação
são elevados e mesmo no Verão é possível que haja vários dias de chuva
seguidos, por isso o nível de humidade atmosférica é
relativamente alta.  
Vinho Verde
Nesta região ainda subsistem residualmente as mais antigas
formas de condução da vinha, sendo uma delas, a vinha de Alguns dizem que a designação
enforcado ou uveira: as videiras são plantadas junto a uma “verde” se deve à acidez e à
árvore e crescem apoiadas nos ramos da árvore de suporte. No entanto, a frescura características do
maioria das novas explorações vitícolas optam por métodos modernos de Vinho Verde e que fazem
condução da vinha. Embora os sistemas de condução da vinha lembrar os frutos ainda verdes.
tradicionalmente usados nesta região não estimulassem a qualidade dos Outros afirmam que a origem
vinhos, dificultando o amadurecimento das uvas e proporcionando níveis “Verde” explica-se pelo facto do
elevados de acidez, não se deverá concluir que a tradição mandava colher as vinho ser produzido numa
uvas antes de amadurecerem. Prova disso é que nesta região, as vindimas região muito rica em vegetação
eram prolongadas até finais de outubro ou inícios de Novembro. As castas e por isso, muito “verde”
brancas mais utilizadas na produção do vinho desta região são: a casta mesmo no Inverno.
Alvarinho, Loureiro, Trajadura, Avesso, Arinto (designada por Pedernã nesta
região) e Azal.   

A região foi delimitada no início do século XX e, atualmente, a Denominação de Origem divide-se


em nove sub-regiões: Monção, Lima, Basto, Cávado, Ave, Amarante, Baião, Sousa e Paiva. Cada
uma produz formas distintas de Vinho Verde, sendo notórias as diferenças entre os vinhos
produzidos no Norte ou no sul da região. Por exemplo, o Alvarinho de Monção é um vinho branco
seco e bastante encorpado, enquanto o Loureiro do vale do Lima é mais suave e perfumado. O
vinho tinto produzido na região dos Verdes, outrora o vinho que dominava a produção da região,
é atualmente consumido quase exclusivamente pelas populações locais. Este vinho é muito ácido
e tem uma cor vermelha bastante carregada. É elaborado a partir de castas como Vinhão,
Borraçal, Brancelho, entre outras, sendo apreciado para acompanhar a gastronomia típica da
região.

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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

TRÁS-OS-MONTES

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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

No extremo Nordeste de Portugal, a norte da região do Douro, existe a região


vitivinícola de Trás-os-Montes que se divide em três sub-regiões: Chaves, Valpaços e
Planalto Mirandês.

O nome Trás-os-Montes refere-se à localização da região: situa-se para


lá das serras do Marão e Alvão, a norte do rio Douro. É uma zona
montanhosa e de solos essencialmente graníticos.

O clima é seco e muito quente no Verão e no Inverno, pelo contrário, as


temperaturas atingem muitas vezes valores negativos.  

Na sub-região de Chaves a vinha é plantada nas encostas de pequenos


vales, onde correm os afluentes do
rio Tâmega. A sub-região de Vinha histórica
Valpaços é rica em recursos hídricos
e situa-se numa zona de planalto. No Planalto Mirandês é o Na região de Trás-os-Montes o
rio Douro que influencia a viticultura. cultivo da vinha é secular.
Existem referências que
As castas plantadas são praticamente comuns nas três sub- comprovam a produção de
regiões. As castas tintas mais plantadas são a Trincadeira, vinho durante a ocupação
Bastardo, Marufo, Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga romana na região. Estes vinhos
Franca. As castas brancas de maior expressão na região são eram conhecidos pela sua
a Síria, Fernão Pires, Gouveio, Malvasia Fina, Rabigato e grande qualidade.
Viosinho.

Os vinhos tintos desta região são geralmente frutados e


levemente adstringentes. Os vinhos brancos são suaves e com aroma floral.

Para além do vinho

A região de Trás-os-Montes é também famosa pela qualidade das


suas águas termais. Estas são referenciadas desde a época da
romanização.
 

DOURO

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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

Há um vinho que caracteriza imediatamente a região do Douro, o vinho do Porto.


Este, embaixador dos vinhos portugueses, nasce em terras pobres e encostas
escarpadas banhadas pelo rio Douro. Além do Porto, esta região é cada vez mais
reconhecia pelos excelentes vinhos tintos e brancos.   

A região do Douro localiza-se no Nordeste de Portugal, rodeada pelas


serras do Marão e Montemuro. A área vitícola ocupa cerca de 40000
hectares, apesar da região se prolongar por cerca de 250000 hectares.
O rio Douro e os seus afluentes, como por exemplo o Tua e o Corgo,
correm em vales profundos e a maior parte das plantações são
encaixadas nas bacias hidrográficas dos rios.

Os solos durienses são essencialmente compostos por xisto grauváquico


embora, em algumas zonas, existam solos graníticos. Estes solos são
particularmente difíceis de trabalhar e no Douro a dificuldade é agravada
pela forte inclinação do terreno. Por outro lado, estes solos são
benéficos para a longevidade das vinhas e permitem mostos mais
concentrados de açúcar e cor. 

O esforço do homem na conversão dos solos inóspitos em vinhas resultou na aplicação de três
formas distintas de plantação: em socalcos, em patamares e ao alto. Os socalcos são frequentes
em zonas cuja inclinação é elevada e assemelham-se a varandas separadas por muros de xisto
grauváquico. Os patamares são constituídos por terraços construídos mecanicamente sem muros
de suporte às terras, enquanto a plantação ao alto tem em conta a drenagem dos terrenos e o
espaço necessário para a mecanização e movimentação das máquinas na vinha.

As vinhas dispõem-se do cimo dos vales profundos até à margem do rio e criam
uma paisagem magnífica reconhecida pela UNESCO como Património da
Humanidade em 2001. Ao admirável cenário, alia-se a excelência dos vinhos
produzidos nas três sub-regiões do Douro: Baixo Corgo a oeste, Cima Corgo no
centro e Douro Superior a leste. 

A distribuição da área das vinhas não é uniforme. No Baixo Corgo a área de


vinha ocupa cerca de 14000 hectares e o número de produtores é de quase
16000, isto é, em média cada produtor detém menos de um hectare de vinha.
O Douro Superior é uma região mais desértica e o número de produtores é inferior ao número de
hectares de vinha (quase 9000 hectares para pouco mais de 7900 produtores).

Em cada sub-região há ligeiras alterações climáticas, devido A aguardente


à altitude e à exposição solar nos vales profundos. De um
modo geral, o clima é bastante seco e os conjuntos Com o desenvolvimento das
montanhosos oferecem às vinhas proteção contra os ventos. exportações de vinho do Porto
No Baixo Corgo o ar é mais húmido e fresco, pois recebe iniciou-se a prática de lhe
ainda alguma influência atlântica. Além disso, a pluviosidade adicionar aguardente. Assim, o
é mais elevada, ajudando a fertilizar os solos e a aumentar a vinho resistia inalterado à
produção. No Cima Corgo, o clima é mediterrâneo e no viagem no mar e a paragem da
Douro Superior chega mesmo a ser desértico (as fermentação com a aguardente
temperaturas chegam aos 50ºC no Verão).    tornava o vinho mais adocicado
e apropriado ao gosto do
mercado inglês.

O melhor vinho do Porto é feito nas encostas mais áridas e


próximas do rio, enquanto os vinhos de mesa são produzidos
nas encostas mais frescas. A região do Baixo Corgo, outrora
considerada a melhor região para a produção do vinho do
Porto, revela melhores condições para a produção de vinho

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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

de mesa. Na zona do Pinhão (Cima Corgo) os bagos de uva atingem maior concentração de
açúcar, sendo uma área considerada perfeita para a produção de vintages. Os vinhos brancos,
espumantes e o generoso Moscatel provêm das regiões mais altas de Cima Corgo e Douro
Superior.

Douro: Região Demarcada


Em 1756 criou-se a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro. Este organismo
tinha como principais competências fazer a limitação da região e registo das vinhas, classificar
os vinhos de acordo com a sua qualidade e estabelecer determinadas práticas vitivinícolas na
região. Era o nascimento de uma das primeiras regiões demarcadas do mundo.
O nome Porto
A denominação “do Porto” é explicada pelo facto do vinho ser armazenado e comercializado
a partir do porto situado entre a cidade do Porto e Vila Nova de Gaia. O vinho descia o rio
Douro nos barcos rabelo e envelhecia nos armazéns de Vila Nova de Gaia, já que esta zona
apresenta poucas variações de temperatura durante o ano.
O Porto mais raro

O vinho do Porto mais caro e mais raro do mundo é produzido pela Quinta do Noval. O seu
Porto Vintage Nacional é produzido poucas vezes e sempre em número limitado (200 a 250
caixas). Uma das suas particularidades é o facto das uvas serem provenientes de videiras
plantadas sem porta-enxertos, muito antigas e raras na região.

As castas cultivadas na região não são célebres pela sua elevada produção, contudo têm uma
história secular, já que algumas castas provêm da época da Ordem de Cister (Idade Média). Na
segunda metade do século XX, iniciou-se o estudo e análise das castas plantadas e chegou-se à
conclusão que as melhores castas para a produção de vinho do Douro e Porto são: a Touriga
Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca, Aragonez (na região denominada de Tinta Roriz) e Tinto
Cão. As novas quintas da região cultivam essencialmente estas castas, mas também outras muito
importantes e com bastante expressão na região, como por exemplo, as castas Trincadeira e
Souzão. A produção de vinhos brancos é essencialmente sustentada pela plantação de castas
como a Malvasia Fina, Gouveio, Rabigato e Viosinho. Para a produção de Moscatel, planta-se a
casta Moscatel Galego.

BAIRRADA
A região da Bairrada é rica na produção de vinhos brancos e tintos, elaborados a
partir de castas tradicionais, como a abundante Baga, e outras importadas para solos
portugueses, como a internacional Cabernet Sauvignon.   

É na Beira Litoral, entre Águeda e Coimbra, que se situa a região da


Bairrada. A zona é muito próxima do mar, por isso o seu clima é

7
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

tipicamente atlântico: Invernos amenos e chuvosos e Verões suavizados pelos efeitos dos ventos
atlânticos.

A maior parte das explorações vinícolas são de pequena dimensão. A área


ocupada pelas vinhas (maioritariamente em solos argilo-calcáricos ou arenosos)
não ultrapassa os 10000 hectares.

A produção de vinho na região é sustentada por cooperativas, pequenas e


médias empresas e pequenos produtores. Os pequenos produtores
comercializam os chamados “vinhos de quinta” que se tornaram muito
importantes na região nos últimos anos.  

Foi no século XIX que a Bairrada se transformou numa região produtora de vinhos de qualidade,
apesar da produção de vinho existir desde o século X. O cientista António Augusto de Aguiar
estudou os sistemas de produção de vinhos e definiu as fronteiras da região em 1867. Vinte anos
mais tarde, em 1887, fundou-se a Escola Prática de Viticultura da Bairrada destinada a promover
os vinhos da região e melhorar as técnicas de cultivo e produção de vinho. O primeiro resultado
prático da escola foi a criação de vinho espumante em 1890.
A casta Baga é a variedade tinta dominante na região e
normalmente é plantada em solos argilosos. Os vinhos feitos O mercado brasileiro
a partir da casta Baga são carregados de cor e ricos em
ácidos, contudo são bem equilibrados e têm elevada No reinado de D. Maria
longevidade. Recentemente, foi permitido na região DOC da (1734/1816), os vinhos eram
Bairrada plantar castas internacionais, como a Cabernet exportados em grande
Sauvignon, Syrah, Merlot e Pinot Noir que partilham os quantidade para o Brasil, onde
terrenos com outras castas nacionais como a Touriga eram muito apreciados. Eram
Nacional ou a Tinta Roriz. igualmente exportados para a
América do Norte, França e
Cultivo da vinha Inglaterra.
D. Afonso Henriques aprovou, em 1137, o cultivo da vinha
na Herdade de Eiras, “sob o caminho público de Vilarinum
ao monte Buzaco”. O pagamento à coroa era apenas a
quarta parte do vinho produzido.

As castas brancas são plantadas nos solos arenosos da região, sendo a casta Fernão Pires (na
região denominada por Maria Gomes) a mais plantada. Em quantidades mais reduzidas existem
as castas Arinto, Rabo de Ovelha, Cercial e Chardonnay. Os brancos da região são delicados e
aromáticos. Os espumantes da região são muito utilizados como bebidas aperitivas ou a
acompanhar a cozinha local.

DÃO
Nesta região as vinhas situam-se entre os 400 e os 700 metros de altitude e em solos
onde predominam os pinheiros e as culturas de milho. A região do Dão, rodeada de
serras que a protegem dos ventos, produz vinhos com elevada capacidade de
envelhecimento em garrafa.

A zona do Dão situa-se na região da Beira Alta, no centro


Norte de Portugal. As condições geográficas são excelentes
para produção de vinhos: as serras do Caramulo,
Montemuro, Buçaco e Estrela protegem as vinhas da

8
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

influência de ventos. A região é extremamente montanhosa, contudo a altitude na zona sul é


menos elevada. Os 20000 hectares de vinhas situam-se maioritariamente entre os 400 e 700
metros de altitude e desenvolvem-se em solos xistosos (na zona sul da região) ou graníticos de
pouca profundidade. O clima no Dão sofre simultaneamente a influência do Atlântico e do
Interior, por isso os Invernos são frios e chuvosos enquanto os Verões são quentes e secos.

Na Idade Média, a vinha foi essencialmente desenvolvida pelo clero,


especialmente pelos monges de Cister. Era o clero que conhecia a maioria das
práticas agrícolas e como exercia muita influência na população, conseguiu
ocupar muitas terras com vinha e aumentar a produção vitícola. Todavia, foi a
partir da segunda metade do século XIX, após as pragas do míldio e da filoxera,
que a região conheceu um grande desenvolvimento. Em 1908, a área de
produção de vinho foi delimitada, tornando-se na segunda região demarcada
portuguesa.

O Dão é uma região com muitos produtores, onde cada um detém pequenas propriedades.
Durante décadas, as uvas foram entregues às adegas cooperativas encarregadas da produção do
vinho. O vinho era, posteriormente, vendido a retalho a
grandes e médias empresas, que o engarrafavam e vendiam O Dão e os Descobrimentos
com as suas marcas.  Antes da partida dos
portugueses para a conquista
Com a entrada de Portugal na CEE (1986) houve de Ceuta, foi servido vinho do
necessidade de alterar o sistema de produção e Dão nos luxuosos festejos
comercialização dos vinhos do Dão. Grande parte das organizados pelo Infante D.
empresas de fora da região que adquiriam vinho às adegas Henrique em Viseu.
cooperativas locais, iniciaram as suas explorações na região
e compraram terras para cultivo de vinha. Por outro lado, as
cooperativas iniciaram um processo de modernização das adegas e começaram a comercializar
marcas próprias, enquanto pequenos produtores da região decidiram começar a produzir os seus
vinhos. As vinhas passaram também por um processo de reestruturação com a aplicação de
novas técnicas vinícolas e escolha de castas apropriadas para a região.

A filoxera

O vinho do Dão foi muito procurado pelos europeus, na altura em que a filoxera dizimava as
vinhas europeias. O vinho do Dão servia essencialmente para responder à procura de vinho do
Douro (esta região já sofria efeitos da filoxera) e para vender vinho de mesa destinado ao
mercado francês. Entre1883 e 1886 a filoxera invadiu a região.

As vinhas são constituídas por uma grande diversidade de castas, entre as quais a Touriga
Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Tinta Roriz (nas variedades tintas) e Encruzado, Bical, Cercial,
Malvasia Fina e Verdelho (nas variedades brancas). Os vinhos brancos são bastantes aromáticos,
frutados e bastante equilibrados. Os tintos são bem encorpados, aromáticos e podem ganhar
bastante complexidade após envelhecimento em garrafa.

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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

Beira Interior, Távora-Varosa e Lafões


As regiões da Beira Interior, Távora-Varosa e Lafões situam-se no interior do país e
dispersam-se entre a zona da Beira Baixa e da Beira Alta, junto à fronteira com
Espanha. As suas denominações, uma mais históricas que outras, produzem vinhos
muito distintos fruto dos diversos climas existentes em cada sub-região. 

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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

Os solos da região são de origem granítica e xistosa, fruto


do relevo acidentado e montanhoso da região. Por
influência das montanhas e da altitude os Verões são secos
e quentes, por outro lado, os Invernos são muito frios e
com neve.

As adegas cooperativas produzem quase todo o vinho da


região, apesar de, cada vez mais, surgirem no mercado
vinhos de pequenos e médios produtores. As castas tintas
mais cultivadas na Denominação de Origem da Beira
Interior são a Tinta Roriz, Bastardo, Marufo, Rufete e
Touriga Nacional. As
castas brancas com maior expressão na região são a Síria,
Malvasia Fina, Arinto e Rabo de Ovelha. A região reúne boas Monges de Cister
condições para a produção de brancos frescos e aromáticos Apesar do cultivo da vinha ter
e tintos frutados e encorpados.  sido iniciado durante a
ocupação romana, o grande
A Denominação de Origem de Lafões é uma pequena região desenvolvimento da cultura da
no norte do Dão com poucos produtores. Apesar disso, os vinha aconteceu só no século
vinhos tintos da região são especialmente reconhecidos pela XII. Os seus responsáveis
sua luminosidade enquanto os brancos são caracterizados foram os monges de Cister que
por elevada acidez. As castas Amaral e Jaen são as mais cultivaram a vinha nos seus
utilizadas na produção de vinho tinto, enquanto as castas terrenos.
Arinto, Cercial e Rabo de Ovelha são as preferidas na
produção de vinho branco.

Vestígios romanos
Na região das Beiras, o início da cultura da vinha remonta à época romana. Existem diversos
lagares talhados nas rochas graníticas que serviam para produzir vinho
Protecionismo
Devido à qualidade e à importância social e económica dos vinhos das Beiras, implementaram-
se algumas medidas para a proteção destes vinhos, nomeadamente no reinado de D. João I e
de D. João III

A norte da região das Beiras e fazendo fronteira com a região do Douro, situa-se a Denominação
de Origem Távora-Varosa. É uma região de pequena dimensão, todavia muito relevante na
produção de espumantes. As castas brancas são as predominantes na região (Malvasia Fina,
Cerceal, Gouveio, Chardonnay). As castas tintas mais plantadas são a Touriga Francesa, Tinta
Barroca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Pinot Noir. Apesar da produção da região ser liderada por
espumantes, também são produzidos brancos frescos e tintos suaves.     

LISBOA
Na região de Lisboa, região com longa história na viticultura nacional, a área de vinha
é constituída pelas tradicionais castas portuguesas e pelas mais famosas castas
internacionais. A Estremadura produz uma enorme variedade de vinhos, possível pela
diversidade de relevos e microclimas concentrados em pequenas zonas da região.

A região de Lisboa, anteriormente conhecida por


Estremadura, situa-se a noroeste de Lisboa numa área de

11
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

cerca de 40 km. O clima é temperado em virtude da influência atlântica. Os Verões são frescos e
os Invernos suaves, apesar das zonas mais afastadas do mar serem um pouco mais frias.

Esta região possui boas condições para produzir vinhos de qualidade, todavia há cerca de quinze
anos atrás a região de Lisboa era essencialmente conhecida por produzir vinho em elevada
quantidade e de pouca qualidade. Assim, iniciou-se um processo de reestruturação nas vinhas e
adegas. Provavelmente a reestruturação mais importante realizou-se nas vinhas, uma vez que as
novas castas plantadas foram escolhidas em função da sua produção em qualidade e não em
quantidade. Hoje, os vinhos da região de Lisboa são conhecidos pela sua boa relação
qualidade/preço.

A região concentrou-se na plantação das mais nobres castas portuguesas e estrangeiras e em


1993 foi criada a categoria “Vinho Regional da Estremadura”, hoje "Vinho Regional Lisboa". A
nova categoria incentivou os produtores a estudar as potencialidades de diferentes castas e,
neste momento, a maior parte dos vinhos produzidos na região de Lisboa são regionais (a lei de
vinhos DOC é muito restritiva na utilização de castas).

A região de Lisboa é constituída por nove Denominações de Origem: Colares,


Carcavelos e Bucelas (na zona sul, próximo de Lisboa), Alenquer, Arruda,
Torres Vedras, Lourinhã e Óbidos (no centro da região) e Encostas d’Aire (a
norte, junto à região das Beiras).

As regiões de Colares, Carcavelos e Bucelas outrora muito importantes, hoje


têm praticamente um interesse histórico. A proximidade da capital e a
necessidade de urbanizar terrenos quase levou à extinção das vinhas nestas
Denominações de Origem.

A Denominação de Origem de Bucelas apenas produz vinhos brancos e foi demarcada em 1911.
Os seus vinhos, essencialmente elaborados a partir da casta Arinto, foram muito apreciados no
estrangeiro, especialmente pela corte inglesa. Os vinhos brancos de Bucelas apresentam acidez
equilibrada, aromas florais e são capazes de conservar as suas qualidades durante anos.

Colares é uma Denominação de Origem que se situa na zona sul da região de Lisboa. É muito
próxima do mar e as suas vinhas são instaladas em solos calcários ou assentes em areia. Os
vinhos são essencialmente elaborados a partir da casta Ramisco, todavia a produção desta região
raramente atinge as 10 mil garrafas.

A zona central da região de Lisboa (Óbidos, Arruda, Torres Vedras e Alenquer) recebeu a maioria
dos investimentos na região: procedeu-se à modernização das vinhas e apostou-se na plantação
de novas castas. Hoje em dia, os melhores vinhos DOC desta zona provêm de castas tintas como
por exemplo, a casta Castelão, a Aragonez (Tinta Roriz), a Touriga Nacional, a Tinta Miúda e a
Trincadeira que por vezes são lotadas com a Alicante Bouschet, a Touriga Franca, a Cabernet
Sauvignon e a Syrah, entre outras. Os vinhos brancos são
normalmente elaborados com as castas Arinto, Fernão Pires,
Seara-Nova e Vital, apesar da Chardonnay também ser Vinho de Bucelas
cultivada em algumas zonas. Este vinho teve uma enorme
popularidade na época das
A região de Alenquer produz alguns dos mais prestigiados Invasões Francesas (1808-
vinhos DOC da região de Lisboa (tintos e brancos). Nesta 1810). Wellington apreciava
zona as vinhas são protegidas dos ventos atlânticos, muito o vinho de Bucelas e
favorecendo a maturação das uvas e a produção de vinhos transportou-o para Inglaterra
mais concentrados. Noutras zonas da região de Lisboa, os com o objetivo de o oferecer a
vinhos tintos são aromáticos, elegantes, ricos em taninos e Jorge III de Inglaterra.
capazes de envelhecer alguns anos em garrafa. Os vinhos
brancos caracterizam-se pela sua frescura e carácter citrino.

12
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

Branco de Lisboa

Na segunda metade do século XVI, o vinho de Bucelas já era conhecido em Inglaterra. Os


ingleses chamavam-lhe “Lisbon Hock”. Em inglês, hock significa vinho branco seco.

Vinho de Carcavelos

As tropas de Wellington bebiam este vinho frequentemente e levaram esse hábito para
Inglaterra. Assim, o vinho de Carcavelos foi exportado para Inglaterra em grandes quantidades
e durante vários anos

A maior Denominação de Origem da região, Encostas d’Aire, foi a última a sofrer as


consequências da modernização. Apostou-se na plantação de novas castas como a Baga ou
Castelão e castas brancas como Arinto, Malvasia, Fernão Pires, que partilham as terras com
outras castas portuguesas e internacionais, como por exemplo, a Chardonnay, Cabernet
Sauvignon, Aragonez, Touriga Nacional ou Trincadeira. O perfil dos vinhos começou a alterar-se:
ganharam mais cor, corpo e intensidade.

RIBATEJO
Diversidade de solos e climas aliados a explorações vitivinícolas de grande dimensão
com baixos custos de produção são as principais características do Ribatejo. Esta
região fértil, outrora com elevadas produções que abasteciam o mercado interno e as
colónias em África, produz vinhos brancos e tintos de qualidade a um preço
extremamente competitivo.

No Ribatejo pratica-se uma agricultura extensiva: produtos


hortícolas e frutícolas, arroz, oliveiras e vinha preenchem
as vastas planícies ribatejanas. O rio Tejo é omnipresente
na paisagem ribatejana e um dos responsáveis pelo clima,
pelo solo e consequentemente, pela fertilidade da região.
No Ribatejo o clima é mediterrânico, contudo sofre a
influência do rio, por isso as estações do ano são
amenas.   

13
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

A Denominação de Origem do Ribatejo apresenta seis sub-regiões (Almeirim, Cartaxo, Chamusca,


Coruche, Santarém e Tomar). Os solos variam consoante a proximidade do rio. O campo ou
lezíria são zonas muito produtivas que se situam à beira-rio. Devido às inundações do Tejo é
comum que as vinhas da zona fiquem, por vezes, completamente submersas. Na margem direita
do Tejo, depois dos solos junto ao rio, situa-se a zona do bairro. É constituída por solos mais
pobres e de origem calcária e argilosa, dispostos em terrenos mais irregulares entre montes e
planícies. As principais plantações na zona do bairro são as oliveiras e as vinhas. Da margem
esquerda do Tejo às regiões do sul próximas do Alentejo localiza-se a zona designada charneca.
Aí, os solos são pouco produtivos e explora-se culturas que necessitam de pouca água, como por
exemplo vinhas e sobreiros. Apesar de ser uma zona muito seca e apresentar as mais altas
temperaturas do Ribatejo, as uvas têm melhores condições para a maturação do que em outras
áreas da região.

O Ribatejo já foi famoso por produzir enormes quantidades de vinho que


abasteciam especialmente os restaurantes e tabernas de Lisboa. Era uma
região onde as grandes casas agrícolas pretendiam obter o máximo rendimento
das vinhas e posteriormente produzir um vinho de pouca qualidade que seria
vendido a granel. Nos últimos 15 anos, a região foi submetida a mudanças
significativas tanto nos campos como nas adegas. Muitas vinhas foram
transferidas da zona de campo para os solos pobres da charneca e do bairro: a
produção baixou, contudo a qualidade melhorou significativamente.

A legislação para a região é pouco restrita e permitiu a introdução de castas portuguesas e


estrangeiras. Os vinhos tintos DOC do Ribatejo provêm não só de castas tradicionais da região
(Trincadeira ou Castelão) mas também de outras castas nobres, como a Touriga Nacional,
Cabernet Sauvignon ou Merlot. A casta branca mais plantada na região é a Fernão Pires, sendo
praticamente indispensável na produção dos brancos ribatejanos. Por vezes, é lotada com outras
castas típicas da região como a Arinto, Tália, Trincadeira das Pratas, Vital ou a internacional
Chardonnay.

Na produção de vinho regional Tejo é permitido a utilização de castas não admitidas na


Denominação de Origem. Sendo assim, os agricultores podem fazer mais experiências com o
solo, clima e castas para produzir vinhos originais. Aliás, o Ribatejo possui cerca de 22300
hectares de vinha, apesar de apenas 1850 serem certificados para a produção de vinho DOC.

Antigos e famosos

Independentemente da designação DOC ou Regional, o Os vinhos do Ribatejo já eram


terrior do Ribatejo sente-se em qualquer vinho da região: famosos antes da fundação da
brancos muito frutados e de aromas tropicais ou florais e nacionalidade. Em 1170, D.
tintos jovens, aromáticos e de taninos suaves. Afonso Henriques refere-se aos
vinhos do Ribatejo no foral da
cidade de Santarém.
Além da reestruturação das vinhas da região, as adegas e os
produtores da região modificaram e modernizaram as suas
adegas. Os grandes tonéis e depósitos de cimento que
produziram milhões de litros de vinho foram substituídos por cubas de aço inoxidável, sistemas
de refrigeração e pipas de carvalho para o envelhecimento do vinho.

O Protecionismo
Durante os séculos XIII, XIV e XV, os reis portugueses aplicaram uma série de medidas que

14
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

protegiam os vinhos ribatejanos, nomeadamente através da proibição da entrada de vinhos


produzidos fora da região
Referências na literatura
Gil Vicente faz referência aos vinhos ribatejanos, nomeadamente ao vinho da região de
Abrantes, na sua obra “Pranto de Maria Parda”. Na obra “Viagens na Minha Terra” de Almeida
Garrett, recorda-se Dâmaso Xavier dos Santos, um grande proprietário agrícola do Cartaxo que
se dedicou à causa liberal, arruinando toda a sua fortuna

Península de Setúbal
A Península de Setúbal é rodeada pelo oceano Atlântico e pelos rios Tejo e Sado. A
região, situada a sul de Lisboa, é essencialmente marcada pelo turismo e pelas
grandes explorações vitícolas. Desde as grandes explorações dominadas pela casta
Castelão até ao Moscatel, um dos vinhos generosos nacionais, esta região sempre
teve um lugar cimeiro na história dos vinhos portugueses. 

A Península de Setúbal apresenta dois tipos de paisagens.


Uma caracteriza-se pelo seu relevo mais acentuado com
vinhas plantadas em solos argilo-calcários, entre os 100 e
os 500 metros, aproveitando as encostas da Serra da
Arrábida que as protegem do oceano Atlântico. A outra
zona que representa, cerca de 80% do total da região,

15
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

abrange terras planas ou com suaves ondulações, raramente ultrapassando os 150 m de altura.
Estes terrenos são compostos por solos de areia, tornando-os bastante pobres e perfeitamente
adaptados à produção de uvas de grande qualidade.

O clima da região é mediterrânico temperado com Verões quentes e secos e Invernos amenos e
chuvosos. A humidade relativa média anual situa-se entre os 75% a 80%, o que reflecte a
proximidade do mar.

A Península de Setúbal compreende duas Denominações de Origem (Palmela e


Setúbal) e a designação de vinhos regionais Península de Setúbal. A maior
parte dos vinhos da região utilizam a casta Castelão na sua composição. Esta é
a casta tradicional da zona e a legislação para a produção de vinhos DO obriga
à utilização de uma percentagem elevada de Castelão, por exemplo o DO de
Palmela tem de ser constituído por 66,7% desta casta. Por vezes, a Castelão é
misturada com a casta Alfrocheiro ou Trincadeira.

As castas brancas dominantes na região Maior vinha do mundo


são a Fernão Pires, a Arinto e naturalmente, a Moscatel de No século XIX, a maior vinha
Setúbal, que é utilizada em vinhos brancos e também nos contínua do mundo situava-se
vinhos generosos da Denominação de Origem de Setúbal. na região da Península de
Setúbal: eram cerca de 4000
As características mais marcantes dos novos vinhos da hectares de vinha que
Península de Setúbal são os aromas florais nos brancos e os pertenciam a apenas um
sabores suaves a especiarias e frutos silvestres nos tintos. produtor. Hoje a área ocupada
pela vinha situa-se entre os
O vinho generoso de Setúbal elaborado a partir das castas 10000 hectares.
Moscatel e Moscatel Roxo é um dos mais antigos e famosos
vinhos mundiais.

O Moscatel de Setúbal é um vinho generoso de excelente qualidade, em especial quando


envelhecido durante largos anos em barricas de carvalho. Trata-se de um vinho de aroma muito
intenso, a flores de laranjeira, com sabor meloso e cheio, que evolui com a idade para notas de
frutos secos, passas e café.

Produzidos em pequena quantidade, os vinhos licorosos elaborados a partir da casta Moscatel


Roxo têm características semelhantes ao Moscatel de Setúbal, no entanto são mais finos e
apresentam aromas e sabores muito complexos de laranja amarga, passas de uva, figos e avelãs.

O Moscatel
O Moscatel de Setúbal sempre foi um vinho com grande fama nacional e internacional. Um dos
grandes apreciadores deste vinho foi o rei francês Luís XIV.
Torna-Viagem
O Moscatel era muito exportado para o Brasil. Aí, o vinho era vendido e o que sobrava
regressava a Portugal. O transporte era efetuado em navios que atravessavam todo o Atlântico
e por isso, sujeitos a elevadas temperaturas. Quando os barris eram desembarcados, notava-se
que o vinho estava mais concentrado e suave. Estes vinhos ficaram conhecidos por torna-
viagem, porque faziam uma viagem para fora de Portugal e outra de regresso ao país
Os primeiros vinhos em Portugal
Pensa-se que o vinho terá entrado em Portugal através dos Fenícios, nomeadamente pelos
estuários dos rios Sado e Tejo, por volta de 600 anos a.C. Os Fenícios procuravam metais e
como moeda de troca ofereciam, entre outros produtos, ânforas de vinho e azeite

16
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

ALENTEJO
O Alentejo é uma das maiores regiões vitivinícolas de Portugal, onde a vista se perde
em extensas planícies que apenas são interrompidas por pequenos montes. Esta
região quente e seca beneficiou de inúmeros investimentos no sector vitivinícola que
se traduziu na produção de alguns dos melhores vinhos portugueses e
consequentemente, no reconhecimento internacional dos vinhos alentejanos.

O Alentejo situa-se no sul de Portugal. É uma zona muito


soalheira permitindo a perfeita maturação das uvas e onde
as temperaturas são muito elevadas no Verão, tornando-se
indispensável regar a vinha.

O tipo de relevo predominante na região é a planície,


apesar da região de Portalegre sofrer a influência da serra
de São Mamede. As vinhas são plantadas nas encostas
íngremes da serra ou em grandes planícies e em solos

17
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

muito heterogéneos de argila, granito, calcário ou xisto. Apesar disso, a pouca fertilidade dos
solos é um elemento comum a todos os solos.    

Grande parte dos 22000 hectares de vinha alentejana concentram-se nas oito sub-regiões da
Denominação de Origem alentejana: Reguengos, Borba, Redondo, Vidigueira, Évora, Granja-
Amareleja, Portalegre e Moura.

Na sub-região de Portalegre as vinhas são plantadas nas encostas graníticas da Serra de São
Mamede, sofrendo a influência de um microclima (temperaturas são mais baixas devido à
altitude). No centro do Alentejo situam-se as sub-regiões de Borba, Reguengos, Redondo e Évora
que produzem vinhos bastantes similares. No sul alentejano (mais quente e seco) localizam-se as
sub-regiões de Moura, Vidigueira e Granja-Amareleja.

No Alentejo há inúmeras castas plantadas, contudo umas são mais relevantes


que outras (seja pela qualidade ou pela área plantada). As castas brancas mais
importantes na região são a Roupeiro, a Antão Vaz e a Arinto. Em relação às
castas tintas, salienta-se a importância da casta Trincadeira, Aragonez, Castelão
e Alicante Bouschet (uma variedade francesa que se adaptou ao clima
alentejano).

Os vinhos brancos DOC alentejanos são geralmente suaves, ligeiramente ácidos


e apresentam aromas a frutos tropicais. Os tintos são encorpados, ricos em
taninos e com aromas a frutos silvestres e vermelhos.      
             
Além da produção nas sub-regiões DOC, o Alentejo apresenta uma elevada produção e variedade
de vinho regional. Os produtores optam, muitas vezes, por esta designação oficial que permite a
inclusão de outras castas para além das previstas na legislação de vinhos DOC. Assim, é possível
encontrar vinhos regionais produzidos com Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah ou
Chardonnay.

Efeitos da Romanização

Hoje, o Alentejo tem um enorme potencial na produção A presença dos romanos no


vitivinícola, todavia a região nem sempre contou com o apoio Alentejo contribuiu para a
das políticas agrícolas nacionais. Devido às especificidades implantação da vinha em
do clima, solos pobres e estrutura agrária (grandes diversas zonas da região. Após
propriedades) as principais produções do Alentejo sempre fundação de Beja, entre 31 e 27
foram os cereais, a oliveira, o carvalho e o gado. Durante as a. C., assistiu-se a um grande
primeiras décadas do século XX, o governo tencionava fazer aumento no cultivo da vinha.
do Alentejo o “celeiro” de Portugal, por isso a cultura do Próximo da zona da Vidigueira
milho foi amplamente divulgada. O vinho tinha uma foram encontrados pedaços de
importância diminuta e destinava-se essencialmente ao talhas de barro, grainhas de
consumo local. A vinificação era realizada segundo os uvas e um lagar de granito.
processos tradicionais herdados dos Romanos e a
fermentação realizava-se em grandes ânforas de barro.

Incentivos vitivinícolas
Após a expulsão dos mouros do Alentejo, o poder real e as ordens religiosas incentivaram a

18
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

vitivinicultura. A população era obrigada a cultivar as terras com vinha e depois de três, quatro
ou cinco anos desde a plantação era obrigada a dar uma determinada quantia da sua colheita.
Em 1221, D. Afonso Henriques determinou que as uvas e vinho produzido seriam posse da Sé
de Évora.

Nos anos 50, foi criada a primeira adega cooperativa da região com o objetivo de controlar a
produção vinícola. No entanto, foi apenas nos anos 80 que o Alentejo se submeteu à grande
revolução na produção vitivinícola. Demonstrando uma enorme capacidade de organização, os
produtores alentejanos constituíram inúmeras associações, revitalizaram as cooperativas e
encorajaram os produtores privados. Assim, o sector vitivinícola ganhou outra relevância,
justificando a demarcação oficial da região em 1988.

ALGARVE
Muitas vezes considerado o paraíso turístico de Portugal, o Algarve é uma região onde
a área de vinha decresceu nos últimos anos. A indústria turística ocupou grande parte
da área dos terrenos agrícolas e o vinho algarvio esteve próximo da extinção. Hoje, há
de novo interesse vitivinícola na região e investe-se no desenvolvimento deste
sector.  

O Algarve situa-se no sul de Portugal. É uma região com um clima muito


específico: está próximo do mar, contudo também sofre a influência da
montanha (serras Espinhaço de Cão, Caldeirão e Monchique). As serras
são muito importantes na agricultura algarvia, pois protegem as
explorações de ventos provenientes do norte. Deste modo, o clima é
quente, seco, com reduzidas amplitudes térmicas e com uma média de
3000 horas de sol por ano.   

19
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

Ocupação Muçulmana
O desenvolvimento do turismo na região, foi pouco benéfico Durante a ocupação
para a viticultura. As vinhas foram substituídas por hotéis, muçulmana do Algarve,
aldeamentos turísticos e campos de golfe. Nos últimos anos, cultivava-se a vinha em grandes
a região está a receber investimentos para revitalizar o quantidades. Como a religião
sector vitivinícola. Iniciou-se a replantação de castas, a muçulmana não permite a
modernização das adegas e praticaram-se novos métodos de ingestão de álcool o vinho
produção de vinhos.   servia como moeda de troca
para a aquisição de outros
A região do Algarve é constituída por quatro Denominações produtos. Depois da
de Origem: Lagos, Lagoa, Portimão e Tavira. Contudo, a reconquista do Algarve, os
maior parte do vinho produzido insere-se na designação cristãos aproveitaram a
“vinho regional do Algarve”. As castas tradicionais da região organização económica deixada
são a Castelão e a Negra Mole (nas variedades tintas) e a pelos muçulmanos.
Arinto e a Síria (nas variedades brancas). A casta Syrah foi
umas das castas utilizadas na replantação das vinhas e demonstrou total adaptabilidade ao clima
da região, por isso tem sido muito plantada pelos viticultores. Os vinhos algarvios são suaves e
bastante frutados.

Importância comercial
A tradição vitivinícola algarvia não se limita ao cultivo e produção de vinho: a região
desempenhou um papel de extrema importância nas trocas comerciais efetuadas durante a
Idade Média e Moderna.

MADEIRA
Na ilha apelidada “pérola do Atlântico”, produz-se o vinho generoso “Madeira”. Este
vinho possui uma longevidade fora do comum, aromas complexos e um sabor
distintivo que ganhou notoriedade mundial.

A ilha da Madeira tem um clima tipicamente mediterrânico:


temperaturas amenas durante todo o ano e baixas amplitudes térmicas,
embora a humidade atmosférica seja sempre elevada. Os solos são de
origem vulcânica e pouco férteis. O relevo da ilha é muito irregular, por
isso as vinhas são plantadas nas encostas de origem vulcânica.

A Denominação de Origem Madeira é constituída por cerca de 450


hectares de vinha, onde são plantadas castas tintas e brancas. A casta
Tinta Mole é a mais plantada na região, contudo também existem castas
mais raras como a Sercial, a Boal, a Malvasia e Verdelho.

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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

Os melhores vinhos da Madeira são aqueles que provêm das vinhas plantadas nas zonas de
menor altitude. A casta Malvasia foi aquela que desde tempos seculares se destacou na produção
do vinho generoso da Madeira. Além da casta Malvasia utilizam-se, na produção do Madeira, as
castas Sercial, Boal e Verdelho que conferem quatro níveis de doçura ao vinho (doce, meio doce,
meio seco e seco).

O vinho da Madeira começou a ser exportado para todo o mundo a partir do século XVIII. Os
barris de vinho eram transportados em barcos, por isso ficavam sujeitos a inúmeras variações de
temperatura até chegarem ao destino. Uma vez no destino, havia vinho que não sendo vendido,
voltava para o destino de origem. Uma vez na Madeira, verificava-se que o vinho se apresentava
muito mais aromático e com novo sabor. Deste modo, a partir de 1730, os barris de Madeira
começaram a ser enviados em longas viagens com o objetivo de apurar as qualidades do vinho. 

No início do século XIX, os produtores começaram a estudar formas de


reproduzir os fenómenos de aquecimento e arrefecimento a que os vinhos eram
sujeitos em alto mar. A estufagem e o canteiro foram os processos utilizados
para simular as ações de aquecimento/arrefecimento e consequentemente
melhorar as qualidades do “Madeira”.

Na estufagem o vinho é aquecido em recipientes durante três meses. É um


processo relativamente rápido, barato e utilizado nos vinhos menos complexos
e com menos qualidade. No método canteiro, o vinho é colocado em pipas de
madeira que são colocadas junto ao telhado das adegas, de forma a receberem mais calor e
sol.    
Shakespeare
O período de envelhecimento do vinho determina a
qualidade de um Madeira. Os vinhos da Madeira podem ser Na peça que Shakespeare
classificados de acordo com os anos de envelhecimento: escreveu para o Rei Henrique
cinco, dez e quinze anos. Os vinhos da Madeira envelhecidos IV, há referências ao vinho da
durante vinte anos e elaborados a partir de uma única casta Madeira. Na peça a
são denominados de Frasqueira ou Vintage. Recentemente personagem Falstaaf vende a
surgiu uma nova categoria no vinho da Madeira, os vinhos alma ao Diabo em troca de um
de Colheita, produzidos a partir de uma única variedade de pedaço de capão frio e um copo
uva, todavia mais jovens do que os Frasqueira. Os vinhos de de Madeira.
gama mais baixa são comercializados sem indicação de
idade.  

Além das extraordinárias qualidades relativamente aos aromas e sabor do vinho da Madeira, este
generoso possui uma longevidade pouco comum. O Madeira é praticamente eterno, pois
passados muitos anos após o seu engarrafamento, as suas características permanecem
inalteradas. 

Um vinho requintado
O Madeira era considerado, pela maioria das cortes europeias, um vinho de elevado requinte.
Inclusivamente era utilizado para servir de perfume aos lenços das damas da corte. Em
Inglaterra, o Madeira e o Vinho do Porto disputavam o primeiro lugar nas preferências da
corte.
Duque de Clarence
Duque de Clarence era um nobre inglês que após ter sido condenado à morte na sequência de
um atentado contra o seu irmão Eduardo IV, escolheu morrer por afogamento num tonel de
Malvasia da Madeira
Delicioso Madeira

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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

O vinho da Madeira era largamente exportado para Inglaterra, França, Flandres e Estados
Unidos. Francisco I (1708/1765), afirmava que o vinho da Madeira era o mais rico e delicioso
vinho europeu. As famílias mais importantes de Boston, Charleston, Nova Iorque e Filadélfia
competiam entre si para adquirem os melhores vinhos da Madeira.

AÇORES
As nove ilhas do arquipélago dos Açores apresentam condições climáticas pouco
favoráveis à plantação de vinha. Contudo, a vinha tem uma longa tradição na região,
pois é cultivada desde o século XV. Os Açores destacam-se na produção de vinho
generoso da região do Pico e Graciosa. Na ilha
Terceira produz-se um vinho branco leve e seco
As primeiras vinhas
O arquipélago dos Açores, em pleno oceano Atlântico, é O arquipélago dos Açores,
constituído por solos vulcânicos e tem um clima descoberto em 1427 por Diogo
profundamente marítimo. As temperaturas são amenas Alves, é constituído por nove
durante todo o ano, apesar do elevado nível de precipitação ilhas. Em meados de 1427,
e humidade atmosférica. Deste modo, as vinhas têm de ser chegaram os primeiros colonos
plantadas em locais onde fiquem naturalmente abrigadas ou às ilhas e iniciaram o cultivo da
são protegidas por ação do Homem. Os currais, são muros vinha.
de pedras onde se plantam as vinhas que desta forma ficam
protegidas do vento e do ar salgado do mar.  

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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

Verdelho
A Verdelho é a casta mais famosa e mais cultivada nos Açores. Pensa-se que será originária da
Sicília ou Chipre e foi levada para os Açores através dos Frades Franciscanos que a cultivaram
abundantemente pelas ilhas.
Verdelho do Pico
No século XVII e XVIII os vinhos produzidos nos Açores, nomeadamente os produzidos na ilha
do Pico, foram exportados para a Rússia e para a maioria dos países do norte da Europa.
Depois da revolução russa de 1917, descobriram-se várias garrafas de vinho Verdelho do Pico
guardadas em caves dos antigos czares da Rússia

As Denominações de Origem Graciosa, Biscoitos (na ilha


Terceira) e Pico foram criadas em 1994. Na Graciosa
produz-se vinho branco a partir das castas Verdelho,
Arinto, Terrantez, Boal e Fernão Pires. Na ilha Terceira, na
região de Biscoitos, as castas Verdelho, Arinto e Terrantez
são utilizadas para elaborar vinho generoso. As mesmas
castas são plantadas no Pico onde se produz o generoso
da ilha do Pico, considerado o melhor vinho produzido na
região.

Tipos de Castas
UVAS BRANCAS
Chardonnay

Conhecida como a "Rainha das Uvas Brancas" por proporcionar vinhos


complexos, ricos e bem estruturados. Além disso, é bastante versátil,
adaptando-se muito bem às várias regiões vinícolas do mundo todo. Por

23
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

esses e outros motivos, é tida como a contrapartida branca de outra soberana, a tinta bordalesa
Cabernet Sauvignon.
Sua origem é obscura. Por muito tempo julgou-se ser ela uma mutação da Pinot Noir, chegando a
ser chamada de Pinot Chardonnay.
Outros acreditavam que fora trazida do Oriente Médio pelos cruzados. Atualmente, ampelógrafos
de grande prestígio, como Galet, afirmam que ela é uma variedade original.
Na sua terra natal, a Borgonha, produz os melhores e mais finos vinhos brancos do mundo, como
o Montrachet, o Mersault, o Poully- Fuissé, e também o Chablis. No Champagne, é a Chardonnay
a base do célebre e personalizado espumante que leva o nome da região, na maior parte das
vezes feito com corte das uvas Pinot Noir e Pinot Meunier, podendo também ser vinificada
isoladamente.
Hoje está disseminada por quase todas as regiões vinícolas do mundo, com destaque para a
Austrália , Califórnia, América do Sul e Itália como produtoras de bons Chardonnays.
A uva Chardonnay é pequena, redonda, ambarina e transparente ao amadurecer. Transformada
em vinho, é o branco que melhor beneficia do envelhecimento em carvalho e da fermentação em
barrica. O vinho feito com essa cepa é pleno, amanteigado, frutado e, quando a vinificação inclui
tratamento em tonéis de carvalho, ele terá um aroma de baunilha, além de ser macio e não
apresentar acidez agressiva.
Aromas e sabores: maçã, pêra, frutas cítricas, melão, pêssego, abacaxi, manteiga, cera, mel,
"balas toffee" ou "butterscotch" (espécie de caramelo feito com açúcar e manteiga ou xarope de
milho), baunilha, especiarias diversas, lã molhada (na Borgonha) e minerais (Chablis).

Sauvignon Blanc
Os vinhos brancos secos mais famosos são feitos com essa uva, que,
ao que parece, tem as suas origens em Bordeaux. Vinificada com ou
sem tratamento em tonéis de carvalho, produz vinhos muito
diferenciados.
Bastante secos e marcados por sua acidez, os vinhos feitos com essa
casta têm personalidade forte.
Em combinação com outras uvas, a Sauvignon Blanc está presente
nos brancos por toda a região de Bordeaux, em Pessac-Léognan, Graves e Médoc; aparece
também nos Sauternes.
A Nova Zelândia conseguiu um extraordinário sucesso com essa uva, produzindo um estilo
próprio de vinho, frutado e perfumado, que se espalhou pelos Estados Unidos e, então, chegou
de volta à França.
Vivo e refrescante, o vinho feito com a Sauvignon Blanc vai bem com a comida, a sua produção é
maior e mais barata do que a do Chardonnay e ele é vendido a um preço inferior, mas mesmo os
seus melhores representantes não alcançam a riqueza e a complexidade do Chardonnay. Aromas
e sabores: herbáceos, como grama cortada, folhas de groselha, aspargo em lata, groselhas
brancas (gooseberry), são os mais frequentemente encontrados, além dos eventualmente
detetados, como almíscar, feijões verdes e urtiga.
A fruta produzida no Vale do Loire muitas vezes garante a presença de aromas minerais.

Riesling
A Riesling Renana, a verdadeira Riesling germânica, tem
também uma personalidade marcante e uma acidez bastante
elevada, apresentando-se melhor sem o tratamento em
carvalho. Mais adaptável do que a Sauvignon, é plantada tanto
no clima frio da Alemanha e da Alsácia quanto no calor da
Austrália. Sujeita ao ataque do fungo Botrytis cinerea que
produz a "podridão nobre", a Riesling pode resultar em vinhos
ricos e doces. Como a Chardonnay, os vinhos feitos com ela
também têm o potencial de envelhecimento longo, originando
vinhos de grande complexidade.

24
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

O vinho produzido com Riesling, qualquer que seja sua origem ou idade, seja ele seco ou doce, é
sempre frutado, o seu equilíbrio é garantido por uma vívida acidez.
Aromas e sabores: petróleo/querosene, tostado, notas minerais, aromas florais (Mosel), mel
(vinhos doces), maçãs verdes crocantes, maçãs cozidas com especiarias, marmelo, laranja, lima
(Austrália) e maracujá (Austrália).

Chenin Blanc
Talvez a uva mais versátil do mundo, ela é nativa de Pineau de la Loire,
dela se produz vinhos brancos doces de grande longevidade. Como as
condições no Loire variam, nos anos favoráveis da Chenin Blanc
extraem-se vinhos doces magníficos, com toques de mel equilibrados
pela acidez harmoniosa. As colheitas menos beneficiadas pelo clima dão
lugar a vinhos mais leves, com menos concentração e, muitas vezes,
secos ou meio-doces. Na África do Sul (onde é conhecida como Steen),
os vinhos desta uva são simples, suaves, ácidos e frutados, enquanto na
Nova Zelândia os vinhos são secos e tornam-se cada vez mais
interessantes.
Aromas e sabores: maçãs verdes, damascos, nozes, avelãs, amêndoas, mel e marzipan.

Gewürztraminer

Desta uva é produzida uma variedade de vinhos que vai dos


completamente secos, que acompanham pratos condimentados, aos
doces, de sobremesa, feitos com uvas colhidas tardiamente todos muito
elegantes, destacando-se a parte aromática que é marcante.
A melhor Gewürztraminer é a que é produzida na Alsácia, França; depois
a da região de Pfalz, na Alemanha. Noutras regiões do mundo onde é
plantada apresenta-se descaracterizada.
Com perfume floral bem definido, o vinho desta uva é bastante
encorpado, possui elevado teor alcoólico, é portanto untuoso e tem
baixa acidez.
Aromas e sabores: especiarias (gengibre e canela), creme Nívea e lichias.

Sémillon
Sozinha ou acompanhada, produz um vinho que envelhece bem. A
Sauvignon Blanc, é a base dos Sauternes e da maioria dos grandes vinhos
secos de Graves e Pessac-Léognan, todos muito ricos e lembrando mel. A
Sémillon é uma das uvas susceptíveis ao ataque da Botrytis cinerea, daí
sua utilização na produção de vinhos doces.Na Austrália, é usada sozinha
para produzir um vinho branco seco e encorpado. Na África do Sul já teve
um papel importante, mas teve um declínio expressivo nos últimos anos.
É bastante plantada no Chile.
Aromas e sabores: variam com as combinações com outras uvas, mas
podemos dizer que os mais comuns são: grama, cítricos, mel e torrados.

UVAS TINTAS

Cabernet Sauvignon
Indiscutivelmente a rainha das uvas tintas, pela sua alta qualidade e
adaptabilidade tem sido cultivada em quase todas as regiões vinícolas do
mundo. Desde o século XVIII é utilizada em Bordeaux, sempre misturada

25
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

com Cabernet Franc, Merlot e algumas vezes uma pitada de Petit Verdot. O modelo estabelecido
por Bordeaux não se destina apenas à produção de vinhos complexos, mas deve-se também à
necessidade de garantir que diferentes variedades de uva amadureçam em diversos intervalos ou
para dar cor, tanino ou corpo ao vinho.
No resto do mundo, ela é utilizada tanto sozinha como em composição com outras uvas.
Uva pequena, a proporção que apresenta entre polpa e graínha é 1/12, em oposição a 1/25 da
Sémillon. A graínha da Cabernet Sauvignon é um elemento da maior importância para a presença
abundante de taninos, enquanto a pele espessa e de cor intensa confere-lhe uma coloração
profunda, além de torná-la relativamente resistente ao apodrecimento.
O vinho Cabernet dá-se muito bem com a madeira e normalmente passa de 15 a 30 meses em
barris de carvalho franceses ou americanos, novos ou usados.
Quando produzida dentro de suas melhores condições, a Cabernet sem misturas produz vinhos
intensos e de aromas bem pronunciados.
Aromas e sabores: quando jovem, groselhas negras, cassis e ameixas pretas. Mais adiante, carne
de caça, couro, chocolate e azeitonas. Quando tratado em carvalho, irá revelar aromas de cedro,
tabaco e minerais.
Aromas de hortelã e de eucalipto podem surgir em vinhos produzidos no Chile e na Austrália.

Merlot
Foi a uva tinta de maior sucesso nos anos 90. Embora usada
principalmente para corte nos grandes vinhos de Bordeaux, também faz
carreira a solo. Em St.-Émilion e Pomerol, em especial, produz vinhos
notáveis, cujo exemplar mais famoso é o Château Petrus, feito quase
exclusivamente com Merlot. No Novo Mundo, marca presença na
Califórnia, no Chile e na Austrália.
A uva Merlot, em geral, produz vinhos menos ácidos e menos taninicos
do que a Cabernet Sauvignon, mas, como ela, também se beneficia do
tratamento em carvalho. Com um potencial de envelhecimento de
moderado a bom, pode ficar mais suave com a idade, mas com frequência os aromas de fruta
decaem e os herbáceos dominam.
Aromas e sabores: frutas vermelhas escuras amoras pretas e ameixas pretas. Para olfatos mais
sensiveis, surgem também aromas de rosas e bolo de frutas. Quando tratado em tonéis de
carvalho, o vinho apresenta uma textura mais rica e um agradável toque de chocolate.

Pinot Noir
Considerada a grande uva da Borgonha, a Pinot Noir é uma variedade
extremamente delicada, que sofre profundamente com as mudanças
ambientais, como alternâncias de frio e calor, e é notoriamente complicada
para trabalhar depois de colhida, já que sua pele se rompe facilmente,
liberando o sumo da fruta. A ênfase recai tanto sobre a vantagem de plantá-la
em climas frios como em fazer uma rigorosa seleção clonal, pois o plantio do
clone errado em locais inadequados resultam em vinhos insípidos.
Mesmo depois da fermentação, o vinho feito com a Pinot Noir é de difícil
avaliação fora do barril e, mesmo na garrafa, muitas vezes varia,
apresentando-se fraco num dia e exuberante no outro.
Em geral, os vinhos Pinot Noir atingem a maturidade em 8 a 10 anos, entrando em declínio
pouco tempo depois.
Além de ser a uva clássica da Borgonha, ela também tem seu papel em Champagne, onde é
prensada imediatamente depois de colhida a fim de produzir sumo branco. A Pinot Noir é
praticamente a única tinta cultivada na Alsácia. Na Califórnia, os vinhos Pinot Noir destacaram-se
no fim dos anos 80 e início dos 90, e parecem ter possibilidade de progredir futuramente. Para
melhorar substancialmente a qualidade, é preciso não vinificar a Pinot Noir como se fosse
Cabernet, deve-se plantar os vinhedos em climas mais frios e não se esquecer de que a produção
deve ser pequena e controlada.

26
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

Aromas e sabores: Quando jovem, frutas vermelhas (framboesas, morangos e cerejas). Na


Borgonha, notas florais (violeta), enquanto na Califórnia e na Austrália, surge o café torrado
(aromas "empireumáticos").
Maduro, principalmente na Borgonha, lembra caça, couro, alcaçuz, trufas negras, estábulo e o
"sous-bois", misto de terra úmida, cogumelos e folhas em decomposição.

Syrah (Shiraz)
Uva tinta majestosa, que envelhece até por meio século, é encontrada tanto nos
vinhos das regiões de Hermitage e Côte-Rôtie e Crozes-Hermitage, na França
(Syrah), como na produção do Penfolds Grange, na Austrália (Shiraz).Crescendo
bem em inúmeras áreas, produz vinhos complexos e distintos, escuros, podendo
variar de relativamente taninosos a muito
taninosos, alcoólicos e com aromas e sabores de especiarias.
No sul da França é usada em diversos cortes, como no Châteauneuf-du-Pape e
Languedoc-Roussillon.
Na Austrália foi usada durante muito tempo para cortes triviais, mas houve um sensível aumento
na produção de vinhos de alta qualidade, especialmente de antigas vinhas em Barossa Valley.
Nos Estados Unidos, a Syrah está viver um aumento de qualidade, o que lhe confere o apelo dos
primeiros tempos da Pinot Noir e Zinfandel e algumas das excentricidades da Merlot, podendo
também mostrar-se mais fácil de ser cultivada e vinificada do que asoutras tintas, à exceção da
Cabernet Sauvignon.
Aromas e sabores: especiarias (pimenta-do-reino preta), frutas escuras maduras (framboesa
negra, groselha negra, amora), alcaçuz, couro, caça e alcatrão, além dos "empireumáticos"
(tostado e defumado). Além desses, são mencionados aromas de gengibre e chocolate, notas
florais (violeta) e, em algumas regiões da Austrália, um toque discreto de hortelã.
Grenache
Considerada a segunda uva mais extensamente cultivada no mundo, em
diferentes colorações, a Grenache espalha-se pelo Sul da França (Rhône),
sendo a principal uva que entra na composição do Châteauneuf-du-Pape e
dos Côtes du Rhône. Sozinha, é responsável pelos rosés de Tavel e Lirac, e é
também usada no vinho de sobremesa tinto Banyuls (compatibilização ideal
com chocolate).
Na Espanha, onde seu cultivo é intenso, é conhecida como Garnacha Tinta,
especialmente notável em Rioja e Priorato.
Na Austrália, é usada para a produção de vinhos baratos; mas, em Barossa
Valley alguns produtores estão a fazer vinhos similares ao Châteauneuf-du-Pape.
Resistente ao calor e a aridez, a Grenache produz vinhos de corpo médio, frutados, com aromas
de especiarias (pimenta), frutas vermelhas (framboesas) e ervas. No Châteauneuf-du-Pape, é
normal a presença do aroma de óleo de linhaça.
Há também a Grenache Blanc, conhecida na Espanha como Garnacha Blanca, que é engarrafada
no Sul do Rhône.

Nebbiolo
Também conhecida como Spanna, Inferno e Grumello, é nativa do Piemonte e
está praticamente confinada a essa região do Norte da Itália, onde é
responsável pelos seus mais finos vinhos, Barolo e Barbaresco.
De pele espessa, na Itália costuma produzir vinhos escuros, secos, grandiosos,
com muita acidez e taninos exuberantes.
Sem ter tido sucesso em outras regiões vinícolas do mundo, a Nebbiolo agora
tem uma pequena base na Califórnia, mas os vinhos lá produzidos, até o
momento, são leves e simples, não lembrando em nada os italianos.
Aromas e sabores: alcatrão, alcaçuz, violetas, rosas, ameixas secas, bolo de frutas e chocolate
amargo.

27
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

Sangiovese
Cultivada em quase toda a região central da Itália, o seu ponto alto
concentra-se na Toscana, onde é a única uva que entra na produção do
Brunello de Montalcino, além de ser a base, na composição com outras uvas
(em geral a Canaiolo e a Mamolo), dos Chianti, Vino Nobile di Montepulciano.
A Sangiovese, em associação com a Cabernet Sauvignon, é responsável pela
grande maioria dos supertoscanos.
De corpo médio a encorpado, os melhores vinhos produzidos com a
Sangiovese são secos, levemente picantes.
Aromas e sabores: cereja, framboesas, especiarias, tabaco, anis ou erva-
doce.

Regiões demarcadas estrangeiras


França
Não é um exagero classificar a França como o melhor país vinícola do mundo. Nenhum país
possui tantos vinhos de excecional qualidade. Ela possui cerca de uma dezena de grandes regiões
vinícolas demarcadas de maior destaque, algumas delas subdivididas em até mais de vinte
regiões menores. Bordeaux é, sem dúvida, a região vinícola francesa que mais se destaca por
possuir o maior número de vinhos excecionais (os famosos Grand Cru, Premier Cru, Deuxième
Cru, etc.). As suas sub-regiões mais importantes são Médoc, Graves, Pomerol e Saint Emilion
para os tintos, e Sauternes-Barsac, para os brancos.
Bourgogne é a segunda região mais importante e possui sub-regiões, das quais as mais famosas
são: Côtes de Beaunne, Côte de Nuits, Côte Chalonnaise, Mâconnais e Beaujolais.
Outras regiões de destaque são: Champagne, berço dos maravilhosos espumantes; Alsace,
conhecida pelos seus brancos semelhantes aos alemães; Val de Loire, famosa pelos seus rosés e
brancos; Côtes du Rhône, com as suas sub-regiões Hermitage, Crozes-Hermitage e Châteauneuf-
du-Pape com excelentes tintos.
Provence, Languedoc, Roussillon e outras regiões completam a incrível legião de vinhos franceses
de qualidade.
Além dos vinhos dessas regiões demarcadas, existe ainda uma enorme quantidade de vinhos
regionais menores (os vins de pays) e os vinhos de mesa de qualidade inferior (os vins de table).
Perdidos nesse mar de vinhos, para conhecermos verdadeiramente os vinhos da França não nos
resta alternativa senão provar alguns representantes de cada uma das suas regiões. Só assim é
possível compreender a diversidade e a complexidade dos vinhos franceses.

França possui as seguintes regiões vinícolas:

Alsace
Bordeaux
Bourgogne
Champagne
Corse
Côtes du Rhône
Jura
L`Est
Languedoc-Roussillon
Provence
Savoie
Sud-Ouest
Val de Loire

28
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

Itália
Com razão os gregos na antiguidade denominavam a Itália Enotria (terra do vinho). Ela produz,
como a França, um enorme conjunto de vinhos e com sua vizinha vem se alternando, de tempos
em tempos, na posição de maior produtor e consumidor mundial de vinhos.
Ainda que o número de grandes vinhos da Itália não seja tão numeroso como na França, a ótima
qualidade de muitos de seus vinhos é inquestionável.
Para entender a diversidade de regiões da Itália, estas são agrupadas segundo sua localização
geográfica, o que responde por uma certa homogeneidade de características comuns, resultado
da latitude (norte frio e sul quente) altitude (que reforça as tendências da latitude) e a influência
do mar (regiões costeiras ou continentais)
Em cada uma das macro-regiões assim definidas encontraremos diversas regiões, que por suas
vez abrigam dezenas de DOCs (Denominações de Origem).

A Itália possui as seguintes regiões vinícolas:


 Centro da Itália
 Ilhas da Itália
 Nordeste da Itália
 Noroeste da Itália
 Sul da Itália

A região vinícola do Centro da Itália possui as seguintes sub-regiões:


 Abruzzo
 Emiglia-Romagna
 Lazio
 Marche
 Molise
 Toscana
 Umbria

 A região vinícola das Ilhas da Itália possui as seguintes sub-regiões:
 Sardegna
 Sicilia

A região vinícola do Nordeste da Itália possui as seguintes sub-regiões:


 Friuli Venezia Giulia
 Trentino Alto Adige
 Veneto

A região vinícola do Noroeste da Itália possui as seguintes sub-regiões:


 Liguria
 Lombardia
 Piemonte
 Valle d’Aosta

 A região vinícola do Sul da Itália possui as seguintes sub-regiões:


 Basilicata
 Calabria
 Campania
 Puglia

Espanha
A Espanha é o país com a maior área de vinhedos do mundo.

29
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

Ocupando mais de 80% da Península Ibérica, seu território possui diversos microclimas,
conforme sua constituição geográfica e suas diferentes relações com o Oceano Atlântico, o Mar
Mediterrâneo, a França e Portugal.
Podemos agrupar as localidades produtoras de vinhos em regiões, segundo suas características
geográficas e climáticas, constituindo setores que compartilham condições similares para a
produção de vinhos.
Apesar de não ser uma classificação oficial, essa divisão facilita a perceção dos diversos terroir
existentes no país. Apresentamos aqui as "regiões" do vinho espanhol e dentro de cada uma
delas as Denominaciónes de Origem (DO) ali situadas.

Espanha possui as seguintes regiões vinícolas:


 Andalucia
 Castilla Y León
 Cataluña
 Costa Valenciana - Murcia
 Extremadura
 Galícia
 Ilhas Atlânticas
 Ilhas Mediterrâneas
 La Mancha - Madrid
 Norte Central

A região vinícola do Andalucia possui as seguintes denominações:


 Condado de Huelva  (DO)
 Jerez  (DO)
 Málaga  (DO)
 Montilla-Moriles  (DO)

A região vinícola de Castilla Y León possui as seguintes denominações:


 Arlanza  (DO)
 Arribes  (DO)
 Castilla Y León  (VTCO)
 Cigales  (DO)
 Ribera del Duero  (DO)
 Rueda  (DO)
 Tierras de León  (DO)
 Toro  (DO)
 Valles de Benavente  (VCPRD)
 Zamora  (DO)

A região vinícola da Cataluña possui as seguintes denominações:


 Alella  (DO)

 Cava  (DO)

 Conca de Barberà  (DO)

 Empordá-Costa Brava  (DO)

 Monsant  (DO)

 Penedés  (DO)

 Pla de Bages  (DO)

30
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

 Priorat  (DO)

 Tarragona  (DO)

 Terra Alta  (DO)

A região vinícola da Costa Valenciana - Murcia possui as seguintes denominações:


 Alicante  (DO)

 Almansa  (DO)

 Bullas  (DO)

 Jumilla  (DO)

 Utiel-Requeña  (DO)

 Valencia  (DO)

 Yecla  (DO)

A região vinícola da Extremadura possui as seguintes denominações:


 Ribera del Guadiana  (DO)

A região vinícola da Galícia possui as seguintes denominações:


 Bierzo  (DO)
 Monterrei  (DO)
 Rías Baixas  (DO)
 Ribeira Sacra  (DO)
 Ribeiro  (DO)
 Valdeorras  (DO)

A região vinícola das Ilhas Atlânticas possui as seguintes denominações:


 Abona  (DO)

 El Hierro  (DO)

 La Palma  (DO)

 Lanzarote  (DO)

 Tacoronte-Acentejo  (DO)

 Valle de Guimar  (DO)

 Valle de la Orotava  (DO)

 Ycoden-Daute-Isora  (DO)

A região vinícola das Ilhas Mediterrâneas possui as seguintes denominações:


 Binissalem-Mallorca  (DO)
 Pla I Llevant  (DO)

A região vinícola de La Mancha - Madrid possui as seguintes denominações:

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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

 La Mancha  (DO)
 Mentrida  (DO)
 Mondéjar  (DO)
 Valdepeñas  (DO)
 Viños de Madrid  (DO)

A região vinícola do Norte Central possui as seguintes denominações:


 Campo de Borja  (DO)
 Cariñena  (DO)
 Catalayud  (DO)
 Chacoli de Bizkaia  (DO)
 Chacoli de Getaria  (DO)
 Navarra  (DO)
 Rioja  (DOCa)
 Somontano  (DO)

 Alemanha
A Alemanha é o país com vinhedos mais ao norte de entre o grupo da Europa Central, possuindo
um clima frio que marca a sua produção de vinhos com características próprias:
Historicamente a Alemanha sempre produziu vinhos brancos, devido à melhor adaptação das
uvas brancas ao seu verão curto que impede a maturação de uvas tintas, com exceção da Pinot
Noir – localmente chamada Spätburgunder – e algumas outras, que amadurecem precocemente.
Nos últimos 10 anos os produtores de algumas regiões vêm retomando a produção de tintos, que
havia sido praticamente abandonada por várias décadas.

Alemanha possui as seguintes regiões vinícolas:


 Ahr
 Baden
 Franken
 Hessische Bergstrasse
 Mittelrhein
 Mosel-Saar-Ruwer
 Nahe
 Pfalz
 Rheingau
 Rheinhessen
 Saale-Unstrut
 Sachsen
 Württenberg

Estados Unidos
Apesar de muito bem localizado geograficamente, a maior parte do território dos Estados Unidos
não tem boa vocação para a produção de vinhos, devido às condições do seu clima.
Apenas na Costa Oeste (West Coast), junto ao Oceano Pacífico, surgem condições favoráveis de
plantio, sendo os estados costeiros de Washington, Oregon e Califórnia os pólos de produção de
vinhos, com destaque especial para o último, onde são produzidos vinhos de qualidade mundial.
Entretanto, hoje produz-se vinho em todos os 50 estados americanos, e o país é o 4º produtor
mundial em volume, atrás da França, Itália e Espanha. O total de vinhedos americanos chega a
4.500 km2, colocando-os em 5º lugar no mundo.

Os Estados Unidos possuem as seguintes regiões vinícolas:


 East Coast
 Great Lakes

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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

 Midwestern USA
 Rocky Mountains
 South Western USA
 West Coast

Argentina
Durante muito tempo, a quantidade superou a qualidade nos vinhedos argentinos, onde se
adotava o cultivo de uvas de alto rendimento, porém de baixa qualidade (Criola Grande, Cereza,
etc.), e um sistema de plantação arcaico. A alta produção de vinhos inferiores inundou a mesa
das famílias argentinas que não se importavam com a qualidade da sua bebida do dia-a-dia . Nas
décadas mais recentes, a vitivinicultura argentina passou a cultivar em maior escala uvas de
espécies europeias nobres, adotou modernas técnicas de cultivo e vinificação e,
consequentemente passou a produzir vinhos de boa qualidade. Embora o consumo per capita
tenha diminuído, o consumidor argentino aumentou consideravelmente a produção e a
exportação de grande número de vinhos de alta qualidade.
A Argentina está entre os cinco maiores produtores de vinho do mundo, com aproximadamente
210 mil hectares de vinhas plantadas, uma produção de três milhões de caixas anuais e
exportação de 25% da sua produção. É e o quinto maior consumidor mundial de vinhos e já
ocupou a quarta posição na década de oitenta.
A Argentina está prestes a se transformar em mais uma estrela no cenário vinícola mundial, fora
do circuito europeu, tal como ocorreu com outros países do Novo Mundo, como o seu vizinho
Chile, a África do Sul, a Austrália, os Estados Unidos e a Nova Zelândia.
Apesar da sua proximidade com os Andes, as regiões vitivinícolas argentinas, ao contrário do
Chile, não ficaram imunes ao ataque da praga Phylloxera vastatrix e enfrentam a adversidade de
um clima seco, o que demanda cuidado redobrado e a adoção de um eficiente sistema de
irrigação.

A Argentina possui as seguintes regiões vinícolas:


 Catamarca
 Jujuy
 Mendoza
 Neuquén
 Rio Negro
 Rioja
 Salta
 San Juán

Chile
O Chile é, indubitavelmente, o país da América Latina que possui os melhores vinhos tintos
elaborados com a uva Cabernet Sauvignon, alguns dos quais colocados pelos especialistas entre
os melhores do mundo. Os vinhos tintos de outras uvas, especialmente a Merlot, melhoram a
cada dia e alguns também já se destacam mundialmente. Os vinhos brancos, particularmente os
elaborados com as uvas Chardonnay e os Sauvignon Blanc, fracos até cerca de uma década
atrás, melhoraram substancialmente.
Uma das peculiaridades do Chile é o fato de não ter sido vítima da praga Phylloxera Vastatrix,
que devastou grande parte dos vinhedos do mundo, devido à sua condição geo-climática,
protegido pelo Oceano Pacífico à oeste e pela Cordilheira dos Andes a leste. Desse modo as
parreiras chilenas são da espécie européia (Vitis vinifera) plantadas em "pé-franco", isto é,
plantadas diretamente no solo, sem necessidade de enxertá-las sobre raízes de espécies
americanas, resistentes à Phylloxera.
Outras variedades que têm crescido no Chile são a Syrah, bem adaptada, com bons resultados
em diversos vales e a Pinot Noir, surpreendendo com ótima tipicidade em sub-regiões mais frias.

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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

O Chile possui as seguintes regiões vinícolas:


 Valle de Bio-Bio  (DO)
 Valle de Casablanca  (DO)
 Valle de Colchagua  (DO)
 Valle de Curicó  (DO)
 Valle de Leyda  (DO)
 Valle de San Antonio  (DO)
 Valle del Aconcagua  (DO)
 Valle del Cachapoal  (DO)
 Valle del Elqui  (DO)
 Valle del Itata  (DO)
 Valle del Limari  (DO)
 Valle del Maipo  (DO)
 Valle del Malleco  (DO)
 Valle del Maule  (DO)

África do Sul
Na extremidade sul da África, no encontro de dois oceanos, eleva-se a majestosa Table Mountain,
emoldurando um Cabo de importância histórica mundial.
Por 350 anos encontraram-se aqui as culturas europeia e oriental, modelando uma cidade ao
mesmo tempo moderna e antiga, onde o vinho há séculos é parte viva e marcante.
Hoje a África do Sul é uma democracia pacífica, que reflete na variedade de seus vinhos. Seus
300 anos de vinicultura refletem ao mesmo tempo classicismo e tradição do Velho Mundo e as
influências do estilo contemporâneo do Novo Mundo.
Os vinhos sul-africanos traduzem solos, clima, variedade e cultura do Cabo, contando a sua
história para o mundo.

A África do Sul possui as seguintes regiões vinícolas:


 Boberg
 Breede River Valley
 Coastal Region
 Klein Karoo
 Olifants River
 Outras Regiões

Categorias de qualidade
Portugal
Portugal apresenta de Norte a Sul uma extensa gama de vinhos, desde o verde, de uma apetitosa
frescura, até ao porto, o mais generoso do Mundo.
Sem paralelo em qualquer outro País, adotou-se em Portugal a classificação de verdes e
maduros.
A importância dos primeiros no norte do País e as suas características é que conduziram a esta
classificação.
Mas, com a entrada de Portugal na CEE, esta classificação teve de se adaptar à que vigora
naquela organização.
Como tal, são considerados as seguintes designações oficiais:

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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

- Denominação de origem:
Conceito aplicável à designação de determinados vinhos cuja originalidade e individualidade estão
ligados de forma indissociável a uma determinada região, sendo: vinhos originários e produzidos
nessa região vinhos cuja qualidade ou características se devem essencial ou exclusivamente ao
meio geográfico incluindo os factores naturais e humanos.
Para beneficiar de uma Denominação de Origem, todo o processo de produção do vinho é sujeito
a um controlo rigoroso em todas as suas fases, desde a vinha até ao consumidor.

- VQPRD: "Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada"


Vinhos de qualidade alta, com número limitado, obtidos a partir de castas constantes de uma lista
aprovada, provenientes exclusivamente de uvas produzidas numa região determinada.
Têm que obedecer a normas e características respeitantes a cor, limpidez, aroma e sabor.
Esta designação engloba todos os vinhos classificados como DOC (Denominação de Origem
Controloda) e IPR (Indicação de Proveniência Regulamentada).
Existe também nomenclatura aplicável aos vinhos licorosos e espumantes:
VLQPRD - Vinho Licoroso de Qualidade Produzido em Região Determinada
VEQPRD - Vinho Espumante de Qualidade Produzido em Região Determinada

- DOC: "Denominação de Origem Controlada"


Vinhos cuja produção está tradicionalmente ligada a uma região geograficamente delimitada e
sujeita a um conjunto de regras com legislação própria.

- IPR: "Indicação de Proveniência Regulamentada"


Designação utilizada para vinhos que, embora gozando de características particulares, terão de
cumprir, num período mínimo de 5 anos, todas as regras estabelecidas para a produção de
vinhos de grande qualidade para poderem, então, passar à classificação de DOC.
- Vinhos Regionais: são vinhos de mesa com indicação geográfica, ou também vinhos produzidos
numa região específica de produção.
- Vinhos de Mesa: Os vinhos destinados ao consumo humano que não se enquadram nas
designações atrás referidas são considerados vinhos de mesa.

França
Vin de table (vinho de mesa) – É a categoria mais baixa atribuída aos vinhos.
Vin de pays (vinho local ou do pais) – É uma categoria ligeiramente superior ao vin de table
e é a categorial oficial mais baixa reconhecida pelas entidades oficiais francesas.
Vin delimité de qualité supérieure (VDQD) – é aplicada ao vinho francês que não consegue
obter uma appellation contrôlée.
Appellation (d´origine) controlée (AC ou AOC) – É aplicada aos vinhos franceses de
qualidade que atingiram determinados padrões e que respeitam os regulamentos estabelecidos
para cada área, região ou distrito.

Alemanha
Tafelwein (vinho de mesa) – É a categoria mais baixa atribuída a vinhos alemães.
Landwein – é um Tafelwein com graduação superior.
Qualitätswein bestimmter Anbaugebiete (QbA) – É a segunda qualidade mais elevada das
três categorias dos vinhos alemães.
Qualitätswein mit Prädikat (QmP) – estes são vinhos de qualidade superior. Existem seis
Prädikat (distinções de graus de madureza) que indicam detalhes sobre a colheita das uvas e do
seu teor de açúcar.

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VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

Itália
Vino da tavola (vinho de mesa) – É o vinho italiano de qualidade mais inferior.
Vino típico (é o vino da tavola com indicação geográfica) – É uma categoria ligeiramente
superior ao vino da tavola com indicação de região.
Denominazione di origine controlatta (DOC) – Os vinhos DOc possuem origem controlada,
determinada variedade de uva, métodos de produção e carateristicas do distrito de origem.
Denominazione di origine controlatta e garantita (DOCG) – Incorpora todos os controlos
DOC e além disso garante a qualidade do vinho. A designação DOCG aparece nos rótulos depois
de 1985.

A DEGUSTAÇÃO: UMA EXPERIÊNCIA


MULTI-SENSORIAL
Degustar um vinho não é nada mais do que analisar, de forma atenta, o que se sorve, de modo a
interpretar as sensações que este vinho provoca nos órgãos dos sentidos. A degustação tem
como objetivo revelar as características (qualidades e defeitos) de um dado vinho, possibilitando
ao degustador fazer uma análise comparativa entre vários vinhos.
O vinho deve ser analisado em três fases: visual, olfativa e gustativa.

O EXAME VISUAL
Deve-se colocar uma quantidade de vinho correspondente a 1/3 ou, no máximo, metade do
volume do copo. Inclina-se suavemente o copo de modo a melhor visualizar a superfície de vinho
a ser observado que se torna elíptica e, portanto, maior.
O exame visual é o primeiro da série, e nele vamos avaliar os seguintes critérios:

Limpidez e transparência - Considera-se um vinho límpido quando não apresenta


partículas em suspensão que o turvem. Para tanto, deve-se levar a taça à altura dos olhos e
observá-la contra uma fonte luminosa.
Deve-se ter o cuidado de não confundir o vinho turvo com o vinho com depósito (geralmente o
vinho mais velho), que não tenha sido submetido ao processo de filtragem. Para tanto, deve-se
colocar a garrafa de pé, em lugar fresco, por algumas horas, de tal forma que os sedimentos não
filtrados se depositem no fundo da garrafa. Procede-se então à decantação do vinho, quando
será apreciado e julgado de forma correta. Já a turbidez é um defeito e denota falta de sanidade
do produto. Todo vinho correto deve apresentar-se límpido, isto é, sem partículas em suspensão
e sem depósito. A presença dessas partículas, geralmente, indica que o vinho é mal feito ou está
deteriorado.
Um vinho correto não pode estar turvo, deve apresentar-se transparente. Isto pode ser
constatado colocando-se por baixo do copo um papel contendo texto. Observando-se através do
vinho deve-se conseguir ler a palavra. Vinhos deteriorados geralmente ficam turvos.
As características de limpidez, viscosidade e transparência reunidas causam reflexos intensos nos
vinhos, os quais podem apresentar um aspeto brilhante. Em princípio, não é um sinal absoluto de
qualidade, mas os grandes vinhos em geral apresentam brilho intenso.

Intensidade - A intensidade da cor é decorrente da presença de matéria corante encontrada


na película da uva. A polpa da uva, em alguns casos, também contribui para realçar a
intensidade, que deve ser considerada uma qualidade do vinho. Cada casta de uva tem o seu
padrão de intensidade de cor, e o vinho em questão deve ser apreciado segundo esse critério. De
modo geral, reflexos dourados
em vinhos brancos e atijolados em tintos devem ser entendidos com sinais de oxidação.

36
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

Nuance - Nesse ponto, coloca-se em questão o grau de envelhecimento do vinho. Nos vinhos
tintos, quando observados com a taça inclinada sobre o fundo branco, a cor nitidamente púrpura
denota um vinho novo, juvenil. Já a nuance alaranjada ou castanha nas bordas do vinho indicam
envelhecimento.
Nos brancos, a cores mais pálidas e vivazes apontam para vinhos marcados pelo frescor,
juventude, feitos a partir de uvas colhidas pouco antes de sua maturação plena. A cor dourada
está associada aos vinhos feitos com uvas de colheita mais tardia, além dos vinhos licorosos ou
doces. A cor de um vinho deve ser examinada cuidadosamente, pois fornece informações
importantes sobre o vinho. Depois da observação geral da cor, inclina-se o copo, e examina-se a
superfície do vinho que tem forma elíptica.
Poderão ser identificadas duas regiões: a região central ou olho  onde a cor é mais concentrada,
e a borda periférica ou anel que tem cor menos concentrada, pois o volume de vinho é menor
nessa região e a cor fica esmorecida.
Com o envelhecimento, os vinhos tintos vão tomando tonalidade alaranjada e chegam até à cor
de tijolo. Embora o olho possa ainda estar vermelho intenso, a mudança começa a ser percebida
no anel. Já nos brancos o envelhecimento provoca mudança de cor amarelo palha para dourado.

TINTOS

BRANCOS

Lágrimas - Todo vinho deve apresentar viscosidade, que é uma certa aderência do líquido
nas paredes do copo. Quando é agitado e colocado em repouso, o vinho escorrerá da parede do
copo, lentamente, em filetes, denominados lágrimas, pernas ou arcos. A formação das lágrimas é
devida à tensão superficial e evaporação de álcoois do vinho, especialmente o glicerol (também
chamado glicerina). Um vinho com pouca densidade é um vinho "aguado", escorre rapidamente
nas paredes da taça, o que indica que esse vinho terá pouco corpo, e não terá na boca aquela
sensação aveludada.
Para que julguemos as lágrimas de um vinho devemos imprimir movimentos circulares à taça, de
modo a que haja uma aderência do líquido nas paredes da mesma. O vinho, então, escorrerá em
forma de lágrimas pelas paredes da taça. Quanto mais "preguiçosas" forem as lágrimas, maior o

37
VINHOS DE PORTUGAL E DO MUNDO

teor alcoólico e o corpo do vinho. O contrário, a maior fluidez, indicará um vinho mais leve e
magro. O fenômeno se explica pela maior tensão superficial do álcool em relação à água. Os
portugueses chamam as lágrimas de pernas.

Efervescência - Provocada pelo anidro carbónico dissolvido no vinho, é um dos atributos


mais importantes na avaliação do Champagne e outros espumantes. A quantidade das bolinhas
(pérlage), seu tamanho e sua persistência devem ser apreciados. Quanto mais numerosas,
menores e mais persistentes as bolinhas, melhor o espumante. Alguns vinhos brancos tranquilos
(não espumantes) podem apresentar uma certa efervescência. No caso, não se trata de defeito,
mas uma indicação de que havia ainda algum açúcar no vinho quando foi engarrafado, tendo
havido fermentação na garrafa quando de seu contato com leveduras.

EXAME OLFATIVO
O exame olfativo é de extrema importância na análise sensorial do vinho. A deteção das
qualidades e defeitos do vinho seria impossível sem este exame, realizado graças à grande
sensibilidade das mucosas olfativas (escondidas na parte superior da cavidade nasal).
Se as frutas e seus sucos têm seus aromas específicos, bem característicos, o mesmo não
acontece com o vinho, pois este não provem em linha direta da planta. Ele passou pela
vinificação, e a fermentação alcoólica que experimentou transformou-o numa bebida
excecionalmente rica em aromas originais e sutis. A manifestação sensorial mais encantadora do
vinho é os seus aromas. Encerrado na garrafa por meses, anos, décadas, o vinho se desenvolve,
evolui, como um ser vivo desenvolve seu metabolismo químico de forma cada vez mais rica e
surpreendente.
A principal característica dos grandes vinhos, que os diferenciam dos vinhos mais simples, é sua
capacidade de evoluir e desenvolver esse maravilhoso conjunto de aromas que encanta nossa
mais rica perceção, o olfato.
O exame olfático é realizado colocando-se o nariz junto à boca do copo e cheirando
vigorosamente, de preferência alternando-se as narinas direita e esquerda.
A olfação deve ser feita em duas etapas: com o copo em repouso, revelam-se as substâncias
mais voláteis, que geralmente desaparecem em contato com o ar, podendo também transformar-
se por oxidação ou combinação. Devido ao seu aprisionamento na garrafa, esta fase é bem
marcada por odores parasitários, como SO2 e odores residuais da fermentação e aromas mais
voláteis (ésteres leves) de frutas e flores.
O exame com o copo em movimento é realizado após imprimir-se o movimento de rotação à
taça, o que faz aumentar o contato do vinho com o ar, que vai acelerar o processo de oxidação e
a consequente liberação dos componentes aromáticos.
Para terminar, pode ser feito ainda o exame de " fundo de copo", quando este estiver vazio, que
permitirá que se sinta a persistência dos componentes aromáticos livres do suporte do álcool.
Desta forma, poderá ser feita de maneira plena a avaliação da bebida quanto à sua qualidade,
intensidade e persistência.

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OS AROMAS

1. QUALIDADE:
A primeira coisa que se deve observar é se os aromas do vinho são agradáveis ou não. Aromas
desagradáveis significam que o vinho é mal feito, de má qualidade ou está deteriorado.

2. INTENSIDADE:
Um bom vinho deve ter aromas facilmente percetíveis, embora não necessariamente intensos. Os
vinhos inferiores são fracos em aromas. Os grandes vinhos têm aromas intensos ou sutis porém
complexos

3. CLASSIFICAÇÃO:
Para padronizar a degustação, classificamos os aromas em grupos, devido à sua origem no
metabolismo do vinho e suas características nitidamente diferenciadas.

3.1 Aromas Primários


São aromas provenientes das uvas. Geralmente não persistem no vinho, já que durante a
fermentação, além dos produtos finais (álcool e CO2), formam-se muitas substâncias secundárias
aromáticas que mascaram os aromas da uva. Em vinhos provenientes de uvas muito aromáticas,
como a Moscatel e a Gewürztraminer, o aroma primário dessas uvas pode ser encontrado.

3.2 Aromas Secundários


Em geral, são provenientes de muitas substâncias formadas durante o processo de fermentação.
Constituem os aromas predominantes nos bons vinhos. O mais comum é o do álcool.

BRANCOS - Os vinhos brancos e rosés geralmente lembram frutas frescas (maçã, abacaxi,
pêssego, pêra, etc.), flores (rosa, cravo, jasmim, etc.) e às vezes, aromas mais complexos:
aromas adocicados (compota, mel, melado, etc.), aromas vegetais ou herbáceos (feno, grama,
hortelã, menta, etc.) e minerais (petróleo, etc.).

TINTOS - Nos vinhos tintos, em geral, encontramos aromas de frutas vermelhas (cereja, amora,
groselha, cassis, etc.), de frutas secas (ameixa, avelã, amêndoa, nozes, passas, etc.), de
especiarias (pimenta, canela, baunilha, noz moscada, orégano, tomilho, alcaçuz, anis, etc.) e
vegetais ou herbáceos (feno, grama, hortelã, menta, etc.), aromas animais (couro, suor, etc.),
aromas empireumáticos (torrefação, tostado, defumado, tabaco, café, chocolate, açúcar-
queimado,  etc.), aromas de madeira (baunilha, serragem, etc.), aromas adocicados (compota,
mel, melado, etc.), aromas químicos e etéreos (acetona, álcool, enxofre, fermento, pão, leite,
manteiga, etc.) e muitos outros aromas!

3.3 Aromas Terciários


Representam, na realidade, o conjunto dos aromas anteriores, somados aos aromas mais
complexos, originados durante o amadurecimento do vinho na barrica de madeira e/ou ao seu
envelhecimento na garrafa. São aromas ditos "evoluídos" e constituem o chamado bouquet que
existe nos bons vinhos tintos e em alguns brancos de excecional qualidade.

EXAME GUSTATIVO
Realiza-se colocando um gole não exagerado de vinho na boca e deixando-o girar lentamente no
seu interior, de modo a permitir que ele entre em contacto com as regiões da língua que são
diferentes em relação à perceção dos sabores. Um bom vinho deve ter sabores agradáveis de boa
intensidade e compatíveis com o tipo de vinho. Por exemplo, em um vinho seco não se espera
encontrar sabor doce.

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Menos complexo que a sensação do olfato, o gosto está diretamente ligado à língua, que, através
das papilas gustativas distribuídas na sua superfície, possibilita que o homem seja capaz de ter 4
tipos de sensações:

DOCE: Os recetores gustativos para o sabor doce estão na extremidade anterior da língua.

ÁCIDO: É percebido nas porções laterais da língua. É mais acentuado nos vinhos jovens do que
nos velhos e mais nos brancos do que nos tintos.

AMARGO:. Percebido na região posterior da língua, deve estar presente, mas não muito intenso
a ponto de ser desagradável.

SALGADO: Não deve existir no vinho, mas, em certos vinhos de aromas minerais, percebem-se
sabores também minerais ou metálicos que lembram o salgado. Esta característica denomina-se
SAPIDEZ do vinho.

Regiões de perceção da língua

Além das sensações ligadas ao sabor, o exame gustativo compreende também as sensações
tácteis e térmicas sentidas pela língua e
pela boca:

Tácteis - fluidez, untuosidade, adstringência (aspereza), maciez.

Térmicas - frio e pseudo-frio (efervescência), calor e pseudo-calor (álcool)

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A AVALIAÇÃO FINAL
A avaliação gustativa deve terminar com uma apreciação do conjunto de todas avaliações
analíticas feitas, de forma a termos uma conclusão final globalizante, quando serão considerados
3 aspetos:

 O equilíbrio
 A qualidade
 A persistência

EQUILÍBRIO = ACIDEZ + ÁLCOOL + TANINOS

Graus de Equilíbrio: desequilibrado


levemente desequilibrado
correto
harmônico
perfeitamente
equilibrado

Qualidade: grosseiro
comum
correto
elegante
finíssimo

Persistência: curto
de pouca persistência
de média persistência
de boa persistência
longo

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Considerações Finais
O vinho acompanhou o Homem na sua caminhada. Perde-se nos tempos a origem desta bebida
tão apreciada na nossa época. Ninguém sabe exatamente como é que o vinho surgiu. No entanto
existem vestígios arqueológicos de sementes de uva, da variedade usada para vinificação, que
datam do período de transição entre a passagem de uma cultura nómada para uma cultura
sedentária, com a criação da agricultura. Assim a fabricação de vinho é mesmo anterior à própria
escrita.
Apesar de não existirem certezas quanto à origem do vinho, ele faz parte de numerosas lendas e
histórias. Fazem parte da cultura do Homem. Cada povo, cada cultura, tem em si uma explicação
para o vinho, onde participaram deuses, semideuses, reis e homens protegidos de Deus, como
por exemplo na referência a Noé, que após ter desembarcado os animais, plantou uma vinha, fez
vinho e se embriagou. São lendas e histórias onde está descrito a sua origem, onde o vinho surge
para gáudio dos homens. Desde a mitologia grega à mesopotâmica, passando pelos romanos,
grandes apreciadores e produtores de vinho, há histórias sobre o vinho e como é que este
começou a ser produzido.
Os últimos 90 anos assistiram a revolução industrial dos vinhos. O embasamento científico da
fabricação de vinhos desenvolveu-se grandemente no século XX, permitindo que muitas coisas
antes impossíveis fossem realizadas.
Um exemplo disto é a refrigeração. Antes de 1940, o vinho era fornecido às pessoas de acordo
com sua localização geográfica. Com a disseminação da refrigeração, tornou-se fácil para as
vinícolas controlar a temperatura de seus processos de fermentação. Isto permitiu fabricar vinhos
de alta qualidade em climas quentes, algo antes não muito factível.
O avanço da ciência durante o último século contribuiu grandemente para o desenvolvimento da
indústria do vinho.
A moderna fabricação pode alcançar controle físico total de cada estágio da produção. Por outro
lado, esses mesmos avanços tecnológicos têm levado à tentação de produzir mais vinhos, em
detrimento da qualidade. Os fabricantes enfrentam o desafio de produzir mais vinho para um
mercado maior, sem perder o caráter local de seus produtos.
E aqui termina essa breve história do vinho. Ela serve paea nos mostrar como o vinho evoluiu,
desde tempos tão remotos, passando por altos e baixos, servindo aos interesses de governantes,
de poderosos e nobres, até chegar aos dias atuais, acessível a classes menos abastadas. Não
podemos prever os caminhos que a Humanidade trilhará nos próximos séculos, mas arriscamo-
nos a fazer uma previsão: o vinho continuará seguindo o seu papel de aglutinador social,
aproximando as pessoas, fazendo com que, mesmo em fugazes momentos, se sintam mais
satisfeitas. E gostaríamos, também, de, num exercício de futurologia, imaginar que essa bebida
famosa venha a fazer parte cada vez mais da mesa de diferentes classes sociais, o que seria um
indício de um menor distanciamento entre elas.
Então, bebamos! E brindemos a todos, pela paz e prosperidade.

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Bibliografia
 Marques, J. Albano – Manual do Restaurante e do Bar, Civilização Editora.
 Manual de Hotelaria, Sellers Editores.
 Filipe, Mateus - Sebenta de Vinhos, Escola de Hotelaria do Estoril, 1985.
 Stuart, Walton – Manual enciclopédico do vinho, Editorial Estampa.
 Dessauve, Thierry – O livro do vinho, Chaves Ferreira – Publicações S.A.
 Julyan, brian K. – manual de bebidas – Vendas e serviços, Edições CETOP
 Apontamentos Pessoais.

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