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Neemias: Oração e Reconstrução

1) Neemias fica sabendo por Hanani que os muros de Jerusalém estão destruídos e suas portas queimadas. Isso o leva a chorar, jejuar e orar a Deus. 2) Neemias ora a Deus, confessando os pecados do povo de Israel e pedindo que Deus atenda sua oração para ajudar seu povo. 3) Neemias pede a Deus que o torne bem-sucedido em sua missão perante o rei, do qual era copeiro na época.

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Neemias: Oração e Reconstrução

1) Neemias fica sabendo por Hanani que os muros de Jerusalém estão destruídos e suas portas queimadas. Isso o leva a chorar, jejuar e orar a Deus. 2) Neemias ora a Deus, confessando os pecados do povo de Israel e pedindo que Deus atenda sua oração para ajudar seu povo. 3) Neemias pede a Deus que o torne bem-sucedido em sua missão perante o rei, do qual era copeiro na época.

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o LIVRO DE

NEEMIAS
o LIVRO DE
NEEMIAS

INTRODUÇÃO

A introdução conjunta dos livros de Esdras e Neemias é dada antes do comentário


de Esdras.

CAPÍTULO 1
1 Neemias sabe por meio de Hanani acerca da miséria em que se encontrava
Jerusalém; ele chora, jejua e ora. 5 Sua oração.

l As palavras de Neemias , filho de Hacalias. quais temos cometido contra ti ; pois eu e a casa
No mês de quisleu, no ano vigésimo, estando eu de meu pai temos pecado.
na cidadela de Susã, 7 Temos procedido de todo corruptamente
2 veio Hanani, um de meus irmãos, com al- contra Ti, não temos guardado os mandamen-
guns de Judá; então, lhes perguntei pelos judeus tos, nem os estatutos, nem os juízos que orde-
que escaparam e que não foram levados para o naste a Moisés, Teu servo.
exílio e acerca de Jerusalém. 8 Lembra-Te da palavra que ordenaste a
3 Disseram-me: Os restantes, que não foram Moisés, Teu servo, dizendo: Se transgredirdes,
levados para o exílio e se acham lá na província, Eu vos espalharei por entre os povos;
estão em grande miséria e desprezo; os muros 9 mas, se vos converterdes a Mim, e guar-
de Jerusalém estão derribados, e as suas por- dardes os Meus mandamentos, e os cumprirdes,
tas, queimadas. então, ainda que os vossos rejeitados estejam
4 Tendo eu ouvido estas palavras, assentei- pelas extremidades do céu, de lá os ajuntarei e
me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e esti- os trarei para o lugar que tenho escolhido para
ve jejuando e orando perante o Deus dos céus. ali fazer habitar o Meu nome.
5 E disse: ah! SENHOR, Deus dos céus, Deus lO Estes ainda são Teus servos e o Teu povo
grande e temível, que guardas a aliança e a mi- que resgataste com Teu grande poder e com Tua
sericórdia para com aqueles que Te amam e mão poderosa.
guardam os Teus mandamentos! ll Ah! Senhor, estejam, pois, atentos os Teus
6 Estejam, pois, atentos os Teus ouvidos, e ouvidos à oração do Teu servo e à dos Teus ser-
os Teus olhos, abertos, para acudires à oração do vos que se agradam de temer o Teu nome ; con-
Teu servo, que hoje faço à Tua presença, dia e cede que seja bem-sucedido hoje o Teu servo e
noite, pelos filhos de Israel, Teus servos; e faço dá-lhe mercê perante este homem. Nesse tempo
confissão pelos pecados dos filhos de Israel, os eu era copeiro do rei.

427
1:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

1. As palavras. Do heb. debarim, lite- sangue (ver com. de lCr 2:7) . Han an i, no
ralmente "palavras", m as ta mbém tem o entanto, parece ter sido irm ão de sangue de
sentido de "história" (NTLH) ou "memó - Neemias (ver Ne 7:2).
rias" (ver Jr 1:1; Am 1: 1), e assim é utilizada Então, lhes perguntei. A ch egada
neste verso. de Han ani e dos outros judeus d a terra
Neemias. O sig nific ado do nome natal parece ter sido o primeiro contato de
Neemi as é "Yah weh confortou". Pelo menos Neemias co m os exilados que retornaram
dois outros homens do período pós- exílico da Judeia desde o início d as hostilid ades
ti veram este nome . Nenhum deles pode- entre Artaxerxes e Megabizo, o sátrapa da
ria ser o N eem ias, copeiro de Artaxerxes, província conhecida como "além do rio", da
porque um vive u no tempo de Zorobabel qual a Judeia fazia pa rte (ver com. de Ed
~ um século antes (Ed 2:2; Ne 7:7) e o outro, 4:10). Durante o período da rebelião el e
contemporâneo de Neem ias, era filh o de Megabizo, poucas notícias confiáveis pro-
Azburque, "maioral da m etade do distrito vindas d a Judeia parecem ter chegado a
de Bete-Zur" (Ne 3:16). O autor do livro era Neemias , embora ele tivesse ouvido rum o-
filho de H acalias , governador da Judeia. res de um ataque samaritano a Jerusalém
No mês de quisleu. Fica claro, pela e da destruição que eles fi zeram em parte
declaração de Neemias 2:1, que se refere ao do muro d a cidade que fora recon struído
20° ano do reinado de Artaxerxes. A respeito pouco antes . Sendo este o caso, Neemias
da identificação deste rei com Artaxerxes I, estaria ansioso por m ais notícias , o que
ver Nota Adic ional 2 a Neemias 2. No 20° ocorreu com a chegad a d e seu irm ão e
ano de Artaxerxes I, o mês de quisleu , o outros judeus com um tes te munho ocu lar
nono mês (ver vol. 2, p. 100), correu de 5 de dos eventos que, possivelmente, ocorreram
dezembro de 445 até 3 de jane iro de 444 a.C. durante a interrupção d as comunicações
(ver p. 99-101 ). entre a Pérsia e a Judeia (ver p. 378).
Cidadela de Susã. Susã, conhecid a 3. Os muros de Jerusalém. Alguns
nos regi stros antigos com o mesmo nome, e comentaristas pensam que as declarações
chamada de Susa pelos gregos, foi a antiga de Hanan i se referem à destruição da cid ade
capital de E lão . Nas proximidades do rio pelas forças de Nabucoclonosor, em 586 a.C .
Kerkha, cerca de 160 km ao norte da cabe- No entanto, isso difici lm ente seria novi-
ceira do golfo Pérsico, era uma das princi- dade para Neemias, a menos que se aceite
pais capitais p ersas. Outras capitais eram que H anani e seus companheiros relata-
Babilônia, Ecbátana e Persépolis. Susã foi ram apenas que até o momento nada havia
a princípio um a capital de inverno, devido sido feito quanto à reconstrução do muro.
a seu s verões superaquecidos. Alguns con - Considerando a comoção ocasionada pe lo
sideram que Susã seria o cená rio de algu- relato de H anan i (v. 4-11 ), os eventos descri-
mas das atividades de Da niel (ver Dn 8:2) e tos deveriam ter sido recentes. As palavras
dos eventos descritos no livro de Ester (ver de H ana ni não significavam necessari a-
Et 1:2). Expedições fran cesas exploraram a mente que todo o muro tinha sido des truído
antiga cid ade de modo inter mitente desde e que todas as portas foram queimad as .
1884 (ver com. de Et 1:5). A desc rição da construção do muro (Ne 3)
2. Um de meus irmãos. A palavra deixa claro que apenas setores do muro e al-
he braic a tradu zid a como "irmãos" é uti- gumas portas foram atingidas . Alguns se-
liza da com m ais frequ ênc ia para fa mi- tores do muro foram apenas repara dos
liares distantes do qu e para irmãos de (Ne 3:4, 5) e outros, construídos (Ne 3:2).

428
NEEM IAS l: 11

Da mesma forma, algumas portas tiveram 7. Não temos guardado. Com frequên-
que ser completamente refeitas (Ne 3:1 , 3) cia as ordenanças da lei estão reunidas sob os
e outras precisaram ape nas de reparos três termos utilizados neste verso (Dt 5:31 ;
(Ne 3:6). Pode-se também deduzir que hou - 6:1; 11:1 ; etc.).
ve um a destruição apenas parcial, devido 8. Se transgredirdes. Esta não é a cita-
ao tempo que Neemias levou para com - ção de um texto particular do Pentate uco,
pl etar a reconstrução de todo o muro da m as uma referência ao sentido geral de
cidade: 52 dias (Ne 6: 15). Em tão curto pe- várias passagens (ver Lv 26:27-45; Dt 30: 1-5).
ríodo teria sido impossível, mesmo sob as O s escritores bíblicos habitualmente se refe-
m ais fa voráveis circunstâncias, reconstruir riam aos primeiros escritos inspirados desta
o muro inteiro, inclusive as muitas portas, forma, citando o pensamento e não as pala-
caso o local estivesse nas condições em vras exatas (ver com. de Ed 9:11 ; Mt 2:23).
que Nabucodonosor o deixara. A rápida re- 10. Teu povo que resgataste. Isto pos-
constru ção foi devida não apenas ao gran- sivelmente se refere ao livramento do Egito
de entusiasmo dos líderes e do povo, mas ao "com a Tua grande força e com o braço
progresso obtido durante a gestão de Esdras estendido" (Dt 9:29; 26:8; etc.) e, então mais
e os demais, antes que os samaritanos des- recentemente, do cativeiro babilônico.
truíssem parte do muro. 11. Hoje. Esta frase significa "nesta oca-
4. Assentei-me, e chorei. Neemias sião" e não deveria ser tida como evidência
ficou profundamente agitado qu ando soube de que Neemias se referia à oração que pro -
da situação de seus compatriotas e da humi- nunciou na audiência com o rei (ver Ne 2).
lhação pela qual passavam. Mesmo que ele Este homem. Isto é, o rei Artaxerxes,
tivesse um conhecimento parcial dos even - a qu em não se menc ionou por nom e, ma s
tos na provínci a da Judeia, a realidade exce- que estava sempre no pensa mento do supli-
2, ~ deu seus temores e o levou às lágrim as . cante. Neemias percebeu q ue o opróbrio de
Jejuando. Durante o cativeiro, o jejum Jerusalém poderia ser removido somente
se tornou uma prática comum entre os por meio de intervenção real e estava con-
judeus (ver Zc 7:3-7). Jejun s solenes foram vencido de que teria que ir a Jeru salém a
introduzidos nos aniversários da tomada de fim de mudar a situação em que estava m.
Jerusalém, da queima do templo e do assassi- Eu era o copeiro do rei. Literalmente,
nato de Gedalias (Zc 8: 19). O jejum também "eu fui copeiro para o rei", não um copeiro
recebeu um lugar de destaque nas devoções exclusivo, m as um entre muitos. Ele men-
pessoais. É mencionado que Daniel (Dn 9:3; ciona o fato neste verso para explica r ao leitor
10:3), Ester (Et 4: 16), Esdras (Ed 10:6) e o sentido da expressão "este homem" e por-
Neemias jejuaram (ver com. de Ed 10:6). qu e foi sua fun ção que lhe permitiu acesso
5. E disse. O início da oração de a Artaxerxes. Neemias é um dos muitos
Neemias se aproxima tanto dos pensamentos exemplos de judeus exilados que alcançaram
e das palavras da oração de Daniel (Dn 9:4) posições de influência e trabalharam nos
que é possível que ele os tivesse diante de si. interesses de seu povo. Como os copeiros
Nesse caso, Neemias estava familiarizado tinham contato com os internos do harém
com os escritos de Daniel e o admirava. Neste real (ver Ne 2:6), muitos deles eram eunucos.
verso, as palavras diferem das de Daniel ape- É possível que Neemias fosse um eunuco.
nas na substituição de "Yahweh" por "Senhor" Alguns m anuscritos da LXX tradu zem o
('Adhonai) e pelo acréscimo de sua expressão heb. rnashqeh, ("copeiro") como eunouchos
favorita: "Deus dos Céus". ("eunuco") e não como oinochoos ("copeiro") .

429
2:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1-11 - PR, 628-630 4, 5, 9 - PR, 629


1, 2 - PR, 628 11 - PR, 628 , 630

CAPÍTULO 2
1 Artaxerxes entende o que motivou a tristeza de Neemias e o envia com cartas e uma
comitiva a Jerusalém. 9 Neemias, para o pesar dos inimigos, chega a Jerusalém.
12 Ele observa as ruínas dos muros em segredo. 17 Ele incentiva os
judeus a edificar a despeito dos inimigos.

No m ês de nisã, no ano vigésimo do rei 9 Então, fui aos governadores da lém do


Artaxerxes, uma vez posto o vinho diante dele, Eufrates e lhes entreguei as cartas do rei; ora,
eu o tomei para oferecer e lho dei ; ora, eu nunca o rei tinha enviado comigo oficiais do exército
~ ~ a ntes estivera triste diante de le. e cava leiros.
2 O rei me disse: Por que está tri ste o teu lO Disto fic aram sa bendo Sambalate, o ho-
rosto, se não estás doente? Tem de ser tristeza ron ita, e Tobias , o servo amonita; e muito lhes
do coração. Então, temi sobrema neira desagradou que alguém viesse a procurar o bem
3 e lhe respondi: viva o rei para sempre! dos filhos de Israel.
Como não me estaria triste o ros to se a cidade, 11 C hegu ei a Jerusalé m , onde estive três
onde estão os sepulcros de meus pais, está asso- dias.
lad a e tem as portas consumidas pelo fogo? 12 Então, à noite me levantei, e un s poucos
4 Disse-me o rei: Que me pedes agora? homens, comigo; não declarei a ninguém o que
Então, orei ao Deus dos céus o meu Deus me pu sera no coração para eu fazer
5 e disse ao rei: se é do agrado do rei, e se o em Jerusa lém. Não havia comigo animal a lgum ,
teu servo acha mercê em tua presença, peço-te senão o que eu montava.
que me envies a Judá, à cidade dos sepulcros de 13 De noite, saí pela Porta do Vale, para
meus pais, para que eu a reedifique. o lado da Fonte do Dragão e para a Porta do
6 Então, o rei, estando a rainha asse ntada Monturo e contemplei os muros de Jerusalém ,
junto dele, me disse: Quanto durará a tua au- que estavam assolados, cujas portas tinha m sido
sência? Quando voltarás? Aprouve ao rei enviar- consumidas pelo fo go.
me, e marquei certo prazo. 14 Passei à Porta da Fonte e ao açude do rei ;
7 E ainda disse ao rei: Se ao rei parece bem , mas não havia luga r por onde passasse o animal
deem -se-me cartas para os governadores dalém que eu montava.
do Eufrates, para que me permitam passar e en- 15 Subi à noite pelo ribeiro e contemplei
trar em Judá, ainda os muros ; voltei, entrei pela Porta do Vale
8 como também carta pa ra Asafe, guarda e tornei para casa.
das matas do rei, para que me dê madeira para 16 Não sabiam os magistrados aonde eu fora
as vigas das portas da cidadela do templo, para nem o que fazia, pois até aqui não havia eu de-
os muros da cidade e para a casa em que deverei clarado coisa alguma, nem aos judeus, nem aos
alojar-me . E o rei mas deu , porq ue a boa mão do sacerdotes, nem aos nobres, nem aos magistra-
meu Deus era comigo. dos, nem aos mais que faziam a obra.

430
NEEMIAS 2:3

17 Então, lhes disse: Estais vendo a misé- 19 Porém Sambalate, o horonita , e Tobias,
ria em que estamos, Jerusa lém assolada , e as o servo amonita, e Gesém, o arábio, quando o
suas portas , queimadas; vinde, pois, reedifique- souberam, zombaram de nós, e nos despreza-
mos os muros de Jerusalém e deixemos de ser ram, e disseram : Que é isso que fazeis? Quere is
opróbrio. rebelar-vos contra o rei?
18 E lhes declarei como a boa mão do meu 20 Então, lhes respondi: o Deus dos Céus
Deus estivera comigo e também as palav ras que é quem nos dará bom êxito; nós , Seus servos,
o rei me falara. Então, disseram: Di sponhamo- nos disporemos e reedificaremos ; vós, todavia,
nos e edifiquemos. E forta leceram as mãos para não tendes parte , nem direito, nem memorial
a boa obra. em Jerusalém.

1. No mês de nisã. O mês de nis ã, no humilde servo é uma boa razão para um jul-
20° ano de Artaxerxes I, começou em 2 de gamento mais favorável do que o que ele
abril de 444 a.C. , de acordo com a tabela tem recebido dos hi storiadores. Artaxerxes
da p. 99 -101. Este versículo, junto com o é retratado como um governante fraco que
cap. 1:1 , mostra que Neemi as contava os geralmente comprometia a dignidade rea l
a nos régios de um rei persa segundo o por meio do estabelecimento de prazos com
cale ndário civil judeu , que começava no súditos rebeldes e que facilmente desonrava
outono (ver p. 93 , 94; ver tamb ém vol. 2, tal dignidade por quebrar a fé das pessoas
p. 94, 100). que confiavam. Apesar de ser um rei vulne-
Pode parecer estranho que Neemias rável , ele tinha bom coração e era ge ntil em
tenha esperado três ou quarto meses depois algumas ocasiões. Poucos mon arcas persas
de receber o relato sobre Jerusalém para se tiveram interesse em seus assistentes p es-
aproximar do rei com se u pedido. Várias soais a ponto de perceber se estava m tris-
razões podem ter sido responsáveis por essa tes. Era mais raro aind a que demonstrassem
demora. Primeiramente, o rei poderia estar simpatia. Ao passo que Xerxes poderia ter
a usente da capital. No entanto , mesmo ordenado execução instantânea , Artaxerxes
quando o rei estava ali, seu caráter tempe- sentiu compaixão e estava disposto a aliviar
ramental (ver Nota Adicional a Esdras 4) a dor de seu servo.
tornava necessário esperar o momento opor- Temi sobremaneira. A despeito das
~ ,.. tuno para apresentar um pedido diante palavras bondosas e compassivas do rei,
dele. Duran te todo esse te mpo, Neemias Neemias percebe u o perigo. Ele compa-
procurou esconder seus verdadeiros senti- receu triste diante do rei e estava prestes
mentos , já que ele esperava estar anim ado a pedir permissão para deixar o palác io.
na presença do rei . As duas coisas eram contrárias ao pressu-
Rei Artaxerxes. O Artaxerxes mencio- posto fundamental da vida na corte persa:
nado no livro de Neemias é o primeiro rei desfrutar da presença real era o auge da
persa que recebeu este nome e o mesmo rei felicidade. O rei se ind ignaria , recusaria o
sob cujo poder Esdras retornou a Jerusalém. pedido, destituiria o copeiro de se u posto
Isso pode ser demonstrado pela evidência e o coloca ria na prisão ou perdoaria a apa-
do papiro judeu de Elefantin a (ver Nota rente desonra e atenderia ao pedido?
Adicional 2 a Neemias 2). 3. Viva o rei para sempre! Um a
2. Por que está triste [... ]? Esta per- forma oriental comum de se dirigir a um rei
gunta amável dirigida pelo grande rei a seu (1Rs 1:31; Dn 2:4; 3:9; etc.).

431
2:4 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Onde estão os sepulcros de meus pode ter recebido permi ssão para prorro-
pais. Esta d eclaração indica qu e a famí- gar sua ausência periodi came nte. É impro-
lia de Neemi as viveu em Jerusalém. Como vável qu e Neemias tenh a pedido li cença
outras n ações antigas , os persas tinham para se ausentar por 12 a nos. Por ser um
grande res peito por tumbas e desaprova- período muito lon go , ele não teria a permis-
vam sua violação. Neemias utilizou sabia- são desejada.
mente as palavras para atrai r a simpatia de 7. Cartas. É importan te notar q ue
Artaxerxes para seu pedido com relação à Neemias não p ediu cartas para os gover-
cidade de seus antepassados . nadores entre Susã e o norte da Síria. Ele
4. Orei. Neemias era um hom em de deve ter considerado seguro esse trec ho da
oração. As orações ascendiam de seu s viagem e não precisava de proteção espe - 11 ~
lábios diante do perigo, das dificuldades e cial ali. No enta nto, seus inimigos viviam
das crises (Ne 4:4, 9; 5:19 ; 6:14; 13: 14; etc .). e m Sa maria , A mom e outras províncias
Às vezes, sua oração era breve e silenciosa, ao redor da Judeia, e todas pertenciam ao
como neste caso. sátrapa "dalém do rio". Para a jornada por
6. A rainha. De acordo com historiado- aquel a região , ele pediu proteção especial
res antigos, a mulher desempe nhava papel e documentos rea is que o autorizassem (ver
importante nas decisões do rei. É dito que Nota Adic ional 1 a Neemi as 2).
Xerxes era um brinquedo nas mãos de su as 8. Matas. Do heb. pardes, uma pa lav ra
esposas e que aventuras amorosas e intri- emprestada dos persas. No grego, a palav ra
gas no harém o interessavam mais do qu e a se tornou paradeisos, d a qu a l vem a pala-
política e a administração. Dario II era com- vra "paraíso". No idiom a p ersa, a palavra
pletam ente governado por s ua traiçoeira e designa um parque real , não uma fl oresta.
cru el esposa Parisátis , que também era sua Neemias menciona três fina lidades para
irm ã e de quem se diz que se distinguia por a utilização da madeira: (1) "Para cobri r as
sua sede de poder. portas do paço da ca sa" (A RC). A "casa" é,
A palavra heb. shegal é tradu zida como sem dúvida, o templo, e o "paço", a fortaleza
"rainh a" neste ve rsículo e no Salmo 45:9, no lado noroes te da área do templo. Essa
os únicos textos em qu e é utilizada no AT. fortaleza comandava e protegia o templo.
Ela vem da raiz shagal, "violentar", "ter rela- Parece ter sido construída entre o período
ções sexuais" e significa "concubi na", como de Zorobabel e 444 a .C., o ano do retorno de
a LXX traduziu corretamente no cap. 2:6. Neemi as; e era, aparente mente, a pre-
A conversa relatada ocorreu na presença da c ursora da fort aleza d e A ntônia, cons -
ra inha. Neemias achou que esta seria uma truída por Herod es, de acordo com Josefo
oportunidade favoráve l para apresentar se u (Antiguidades, [Link]. 4). Origina 1mente foi
pedido, talvez co m o evidente apoio de uma cham ada de Baris, que parece refl etir o
das conc ubinas de Artaxerxes que teria heb. birah, "pal ácio", empregado aqui por
simpati zado com Neemias. Neemias . (2) "Para os muros da c id ade",
E marquei certo prazo. Não é decla- especialmente para as p ortas. (3) "Para a
rado quanto tempo Neemias pediu , mas é casa em que deverei alojar-m e". Neem ias
provável que n ão excedesse a dois ou três dev ia ter em mente o antigo casarão de su a
anos, o que ser ia suficiente para fazer a via- famíli a que poderia estar em ruínas ou um a
gem e completar o trabalho. Ele, na verdade, nova habitação que planejava construir. E le
ficou ausente do pa lácio por 12 anos, muito parece admitir que os poderes solicitados
mais do que o planejado (ver Ne 5:14). Ele implicava m qu e seria nomeado governador

432
NEEMIAS 2 12

da Judeia e, assim, planejou construir uma noroeste de Jerusalém em linha reta e que, no
casa apropriada. tempo de Neemias, pertenciam a Sa mari a.
E o rei mas deu. O fato de um rei Alguns comentaristas sugerem que o des-
inconstante ter concedido tudo o que prezo em relação a Sambalate seria melhor
Neemia s solicitou, sem reservas , poderi a explicado se este proviesse de Moabe, e não
ser explicado so mente como resultado da fosse, portanto, um verdadeiro sa maritano.
influência divina. Neemias reconhece u isso Servo. Do heb. 'ebed, "servo", utilizado
e glorificou a Deus por seu êxito (ver com . algumas vezes em documentos bíblicos
de Ed 8:1 8). e extrabíblicos para designar altos oficiais
9. Fui aos governadores. Sobre esta do governo (2 Rs 24:1 O, 11; Lm 5:8, ARC) .
viagem a Jerusalém , Neemias relata apena s Por isso, Tobias podia ser um a lto ofi cial
que visitou os vários governadores dos ter- na província de Amom, na Transjordânia.
ritórios por onde passou, principalmente da A fam ília de Tobias, mais ta rde, se tornou
satrapia "dalém do Eufrates". Ao fazer isso, conhecida como uma das m ais influentes
encontrou os inimigos dos judeu s, qu e a da Transjordânia. Um de seus descend en-
partir de então se tornaram inimigos mor- tes possuía um castelo em Amom, na época
tais. Com as cartas de autorização em mãos dos prim eiros ptolomeus , e supriu o rei do
e acompanhado por uma escolta de solda- Egito com ônagros (burros selvagens), cava-
dos persas, não enfrentou dificuldades ou los e cães. As ruínas de seu castelo e m 'Arâh
perigos no caminho. el- Emir ainda são visíveis, a meio ca minh o
10. Sambalate. C ertos com entár ios entre Jericó e Ama m . O nome de Tobias
feitos por Neemias (ver cap. 4:1 , 2) fo ram , está gravado nos muros externos da entrada
por muito tempo, interpretados pelos eru- para uma cavern a.
ditos como indicação de que Sa mbalate era Muito lhes desagradou. Quando
o governador de Samaria. Depois, um dos Zorobabel rejeitou a cooperação dos sama -
papiros de Elefantina (C owley, Aramaic ritanos na reconstrução do templo (Ed 4:3),
Papyri, n° 30), escrito no a no 407 a.C ., defi- desenvolveu-se um es pírito de a nimosidade
nitivamente resolve a questão com uma refe- entre os dois povos que perdurou até a des-
rência direta a Sa mbalate co mo "govern ador truição de Jerusalém por T ito. Essa inimi -
de Samaria". Isso explica por que ele era um zade pode ter se estendido a outras nações
inimigo tão perigoso para N eemias. Sendo vi zinhas, como os amonitas e os a rábios
mais que um cid adão comum e com um (ve r Ne 2: 19; 4:7), especialmente durante a
exército à disposição (cap. 4:2), ele tinha con- reforma de Esdras (E d 9, lO). Ao saber das
dições de causar muito dano e estava deter- razões da viagem de Neemias e de que ele
minado a frustrar os planos de Neemias. desejava promover os interesses do povo de
O horonita. Neemias não revelo u a Judá, eles possivelm ente deixaram claro gue
posiç ão oficial de Sambalate e o ch amou tinham ligações influentes em Je rusalé m
apenas de "o horon ita". Não se sabe se isso (Ne 13:4-8, 28) . Isso explicaria o grande
foi um desrespeito. Também é incerto se cuidado e sigi lo com que Nee mias rea li zou
esta designação se refere a Sambalate como as investigações inici ais em sua chegada.
proveniente da cidade moa bita de H orona im 11. Três dias. Ver E d 8:32 . Foram
(Jr 48: 34), aind a não identificada; ou como necessários algun s di as de desca nso depois
proveniente de um a das du as cidades de da longa vi agem .
Bete-Horom (] s 16: 3, 5; etc.), hoje, Beit 'Ur 12. À noite me levantei. Até ag ui
el-Foqa e Beit 'Ur et-Tahta , cerca de 20 km a Neem ias havia comunicado seu p ropós ito

433
2:13 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

somente ao rei da Pérsia. Ele esperava opo- "oposto", então a Fonte do Dragão deve-
sição e decidiu desorientar seus oponen- ria estar seca desde o tempo de Neemias.
tes tanto quanto possível, ocultando seus Se assim for, ela era localizada na parte
planos. Inspecionando o muro à noite, ele oeste do vale de Hinom ou a meio cami-
esperava não ser observado. Por isso, levou nho do vale de Tiropeom, dependendo da
consigo poucos auxiliares. Ansioso por ver visão que se tenha acerca do tamanho de
com seus próprios olhos a extensão dos Jerusalém no tempo de Neemias .
danos ao muro e que reparos seriam neces- A Porta do Monturo. Esta porta
sários , ele também procurou chamar o estava localizada a 444 m da Porta do Vale
mínimo de atenção possível. (cap. 3:13). A "Porta do Monturo" aparente-
13. Porta do Vale. É essencial uma mente recebeu este nome devido ao fato de
descrição das características topográficas o lixo da cidade ser levado através dela até o
de Jerusalém, a fim de se compreender a vale de Hinom.
investigação noturna de Neemias (v. 13-15), Contemplei os muros. Deixando a
os diferentes setores do muro durante o cidade pela Porta do Vale, Neemias inspe-
período de reconstrução (Ne 3) e a ceri- cionou o muro pelo lado de fora, a fim de
mônia de dedicação (Ne 12:27-43). A Nota verificar a extensão dos danos causados
Adicional a Neemias 3 e o mapa "Muros de ali. Neemias pode ter observado os seto-
Jerusalém no Tempo de Neemias" (p. 444) res do muro do lado norte da cidade sem
ajudam nessa descrição. ter sido percebido, quando se aproximou de
Aqueles que incluem a colina a oeste Jerusalém e durante as visitas ao templo e
da cidade de Jerusalém na época de aos oficiais que aparentemente viviam no
Neemias situam a Porta do Vale próxima setor norte da cidade.
ao canto sudeste da cidade, em oposi- 14. Porta da Fonte. Esta porta estava
ção ao vale de Hinom. Já os que limitam a localizada na parte sudeste da cidade, em
cidade de Neemias aos dois montes a leste oposição à fonte de En- Rogel , hoje cha-
de Jerusalém situam a Porta do Vale a meio mada de Fonte de Jó ou Fonte de Neemias.
caminho ao longo do muro ocidental. Foi Açude do rei. Este nome não apa-
uma dessas portas que Uzias fortificara dois rece em outra parte da Bíblia. É incerto se
séculos antes (2Cr 26:9). É mais provável Neemias se refere ao açude de Siloé, ali-
que seria a última porta que levava para a mentado pela fonte de Siloé através do
cidade do vale de Tiropeom. Vestígios dessa túnel de Ezequias (ver com. de 2Rs 20:20),
porta foram descobertos em escavações ou ao açude de Salomão que, de acordo com
inglesas de 1927. Josefo (Guerra dos judeus, v.4.2), estava na -.. ~
Fonte do Dragão. Este nome ocorre parte inferior do vale de Cedrom. Se era ao
apenas em Neemias . Esta fonte é iden- açude de Siloé, Neemias deve ter entrado
tificada geralmente com a de En-Rogel na cidade através da Porta da Fonte, mas
(Js 15:7; etc.), hoje chamada de Fonte de encontrou muitos escombros nessa parte
Jó ou Fonte de Neemias, na junção dos da cidade e retornou sem conseguir termi-
vales de Hinom e de Cedrom. Essa identi- nar a investigação. No caso de se referir ao
ficação se sustenta só no caso de a expres- açude de Salomão, então Neemias passou
são heb. 'el-pene , traduzida como "para o pela Porta da Fonte e encontrou uma quan-
lado" (ARA) tiver o sentido de "em dire- tidade incomum de detritos na parte infe-
ção a" (TB), o que é incerto. No entanto, rior do vale de Cedrom, o que tornava o
se a expressão significar "[passar] por" ou local intransitável.

434
NEEMIAS 2:20

15. Ribeiro. Possivelmente o vale de Samaria (ver com . do v. lO) e Tobias tal-
Cedrom. Ao subir o vale, Neemias pôde ver vez fo sse o governador de Amom, ou pelo
os muros de Jerusalém destruídos. Possivel- menos um líder influente daquela nação,
mente fosse uma noite enluarada. De outra também ficou sugerido que Gesém (ou
forma, ele não teria enxergado bem devido à Gashmu; ver Ne 6:6) teria uma posição
distância entre o muro leste , sobre a escarpa semelhante na província persa da Arábia.
da colina do sul, e o vale de Cedrom, por A última, aparentemente, incluía Edom,
onde ele cavalgou. porque Edom nunca é mencionada por
Voltei. Não se sabe até onde Neemias Neemias . Esta suposição é corroborada
seguiu o curso do vale de Cedrom em direção por descobertas recentes de inscrições
ao norte. Esta avaliação do muro possivel- feitas pelos lihyanitas, que dispersaram
mente não incluiu a parte a leste do tem- os edomitas no 5° século a.C., nas quais
plo. Ele pôde constatar a extensão do dano, Gesém é mencionado como governador
devido às visitas anteriores à área do tem- de Dedã.
plo. Refazendo seus passos pelo caminho de Zombaram de nós. Isso foi feito por
volta à Porta do Vale, Neemias e seus compa- meio de mensageiros, como fez Senaque-
nheiros (v. 12) entraram novamente na cidade rib e (2Rs 18:17-35), ou por comunic ação
sem ser percebidos. form al escrita .
16. Os magistrados. Ao chegar a Jeru- 20. Então, lhes respondi. É digno de
salém, Neemias não encontrou nenhuma nota que Neemias não deu atenção à séria
autoridade local, mas várias pessoas cha- acusação de que ele estava tramando rebe-
madas de "magistrados" e "nobres". A dife- lião . Ele também não mencionou que tinha
rença entre essas duas classes não é clara. a permissão do rei , mas deixou seus inimi-
A primeira podia consistir de funcionários gos suporem que agia por conta própria.
nomeados e a última, de chefes de família. Ele certamente tinha motivos para agir
Nem aos mais. Os administradores dessa forma frente aos adversários .
da cidade não estavam incluídos entre os O Deus dos céus. Neemias, um ho -
"magistrados" e "nobres" ou pessoas anterior- mem profundamente religioso, sabia como
mente engajadas na reconstrução do muro. depender de Deus. Não realçou o decre-
17. Então, lhes disse. Neemias não to real como a mais alta autorid ade pos-
esperou muito para entrar em ação. Um dia sível de quem teve permissão para agir.
depois de sua investigação noturna aos muros, Anteriormente, Zorobabel tinha agido as-
foi reunido um grupo representativo de sim diante de Tatenai: "Nós somos servos
anciãos da cidade para ouvir seu relato. Em do Deus dos céus e da terra e reedificamos
seu discurso ele os lembrou do vergonhoso a casa" (Ed 5:11).
estado em que a nação se encontrava, falou Vós [... ] não tendes parte. O pedido
do auxílio divino no relacionamento com o rei dos samaritanos para ter direito de inter-
e demonstrou a extensão de suas prerrogati- ferir em ass untos judaicos foi rejeitado
vas. Esse discurso alcançou o efeito desejado quando eles ofereceram ajuda (Ed 4:2 , 3).
e resultou numa decisão entusiasta e unâ- Da mesma forma, qua ndo a intromissão
nime para "levantar e edificar". deles se tornou hostil, foi rejeitada com mais
19. Sambalate. A respeito de Samba- indignação. Foi-lhes dito que o ocorrido
late e Tobias, ver com. do v. lO. em Jerusa lém não tinha relação com eles
Gesém, o arábio. Quando se tornou e que nem mesmo tinham lugar na memó-
evid ente que Samba late era governador de ria dos moradores locais. Neemias deixou

4 35
2:20 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

~ claro esperar que eles não interferissem e Até esse ponto, Neemias tinha evitado a
que atendessem aos negócios de suas pró- oposição, ocultando seus planos , mas uma
prias comunidades a fim de não incomo- vez que a oposição se manifestou , ele a
dar os adoradores do Deus verdadeiro. enfrentou ousadamente.

NOTAS ADICIONAIS A NEEMIAS 2

Nota I

Um a coleção de documentos aramaicos publicados em 1954 (ver discussão na p. 66)


inclui um que pode ser comparado a um passaporte oficial. Foi redigido por Arsam , sá trapa
do Egito, que estava em Su sã ou Babilônia na época da escrita. Alguns dos hom ens do
sátrapa utilizava m o docum ento para viajar ao Egito em missão ofici al. Sem dú vida, ele é
semelhante ao que Neem ias recebeu do rei. Embora o documen to não esteja datado, per-
tence à época de Nee mias porque Arsam, contemporâneo de Neemias, foi sátrapa do Egi to
por muitos anos durante a segunda metade do 5° século a.C .
O documento é endereçado a vários oficiais encarregados das cid ades ou províncias na
estrada entre a Pérsia e o Egito, aos quais se solicitaram provisões para os portadores desse
tipo de documento. Das cidades mencion adas, somente as de Arbel, hoje Erbil , no norte do
Iraque, e Damasco na Síria são conhecidas.
Uma vez que o documento ilu stra o tipo de autorização que Neemias recebeu de
Artaxerxes para viajar até a Judeia (ver G. R. Driver, Aram aic Docuntents of the Fifth
Century B.C. [1954], p. 20), uma tradução completa é apresentada:
l. de Arsam a Marduque, o fun cionár io que está em A[...]cade; Nabu-dala, o funcioná-
rio que está em Lair; Zatuhay, o fun cionário que está [em] Arzuhin; Apastabar, o fun cion ário
que está em Arbel; Haia e Matilabashi (e) Bagapat, o(s) funcionário(s)
2. que estão em Saiam; Pradaparna e Guzan , os funcionários que estão em Damasco.
E vejam! Alguém cham ado Nehtihur, [meu] funcionário, va i ao Egito. Deem a [ele] (qu an-
tos) ma ntime ntos houver de meu estado em suas províncias,
3. diariamente dua s medidas de farinha branca , três medid as de farinha inferior (?),
duas medidas de vinho ou cerveja e um carneiro. Para seus servos, lO home ns,
4. uma medid a de fari1;1ha diariamente a cada um (e) feno de acordo com (a qu antid ade
de) seus cavalos; e dê mantimento para dois cilícios (e) um artesão. Os três são meus ser-
vos e vão com ele ao Egit~; para cada um
5. diariamente, um a medida de farinha; e conceda-lhes estas provisões, a cada fun cio-
nárú:> por su a vez, de acor4o com a etapa de sua jornada, de província em província até que
ele chegue ao Egito;
6. e, se ele ficar mais de um dia em (qualqu er) um local, não lhe atribua mais provisões
por estes dias. Bagasa ru conhece estas ordens. Dusht é o escriba.

Nota 2

As dúvidas quanto a Artaxerxes ser o monarca persa do livro de Neemias desaparece-


ram quase completamente desde a descoberta dos papiros elefa ntinos. A evidênci a contida

43 6
NEEMIAS 3:1

em alguns desses papiros praticamente determina o fato de que N eemias tomou poss e
como governador da Judeia, autorizado por Artaxerxes I.
De acordo com dois papiros elefantinos (Cowley, papiros n° 30 e 31), Joanã foi sumo
sacerdote em Jerusalém em 410 a.C . Ele também é mencionado em Neemias 12:22 e 23
(ver Ed 10:6) como filho do sumo sacerdote Eliasibe, que oficiou no tempo de Neemias
(Ne 3:1). Josefo (Antiguidades, xi. 7.1), no entanto, declara que Joanã foi neto de Eliasibe,
o que parece concorda r com a afirmação feita em Neemias 12:22 de que Joiada foi sumo
sacerdote entre Eliasibe e Joan ã. Saber se Joanã é filho ou neto de Eliasibe é irreleva nte
nesse caso. Porém, é importante saber que, de acordo com duas fontes (a Bíblia e Josefo),
o sumo sacerdote Eliasibe do tempo de Nee mias precedeu o sumo sacerdote Joanã que ofi-
ciou em 410 a.C. Isso requer que Neemias seja localizado no reinado de Artaxerxes I, já que -~ ~
Artaxerxes II não começou a rein ar até o tempo desses documentos , que são do período do
filho ou neto de Eliasibe.
Há uma evidência adicional na menção de "Delaías e Selemias, filhos de Sambalate,
governador de Samaria" (Cowley, no 30, linh a 29) . Isso mostra que Sambalate, o inimigo
implacável de Neemias, ainda era governador da província de Samaria em 407 a.C. , qua ndo
a carta foi esc rita (ver com. de Ne 2:10). Uma vez se fazia solicitação, pela carta, aos filhos
de Sambalate, fica suge rido que ele era um homem idoso e que transferira a administra-
ção aos filhos. A fun ção de Sambalate em decidir os assuntos por si mesmo parece que era
coisa do passado. E, um a vez que a obra de Neemias claramente estava no período em que
Sambalate estava ativo no comando das questões de estado em Samaria , torn a-se evidente
que o único Artaxerxes de quem Neemi as fora copeiro e servidor seria Artaxerxes I, que
morreu em 423 a.C .
Nas décadas recentes poucos eruditos questionaram se o Artaxerxes de Neemias era o
Artaxerxes I.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1-20 - PR, 63 0- 638 5 - PR, 632 17 - PR, 637


2- PR, 630, 631 8, 9 - PR, 633 18-2 0 - PR, 638
3, 4 - PR, 631 10- PR, 635 20- PR, 640
4 - CC, 103; TM, 201 11-16 - PR, 636

CAPÍTULO 3
Os nomes e a ordem dos edificadores do muro.

l Ent ão, se di spôs Eliasibe, o sumo sacer- 2 Junto a ele edificaram os homens de
dote, com os sacerdotes, seus irmãos, e reedi- Jericó; também , ao seu lado, edificou Zacur,
ficaram a Porta das Ovelhas ; co nsagra ra m-na , filho de lnri.
assentara m-lh e as portas e continuaram a re- 3 Os filhos de H as senaá edifi caram a Porta
construção até à Torre dos Ce m e à Torre do Peixe; coloca ram-lhe as vigas e lhe assenta-
de Hananel. ram as portas com seus ferrolhos e trancas.

437
3:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

4 Ao seu lado, reparou Meremote, filho de 16 Depois dele, reparou Neemias, filho
Urias, filho de Coz; junto deste reparou Mesulão, de Azbuque, maiora l da metade do distrito de
filho de Berequias , filho de Mesezabel, a cujo Bete -Zur, até defronte dos sepulcros de Davi,
lado reparou Zadoque, filho de Baaná. até ao açude artificial e até à casa dos heróis.
5 Ao lado destes , repararam os tecoítas; os 17 Depois dele, repararam os levitas , Reum,
seus nobres , porém, não se sujeitaram ao servi- filho de Bani, e, ao seu lado, H asabias , maioral
ço do seu senhor. da metade do distrito de Queila.
6 Joiada , filho de Paseia , e Mesulão, filho 18 Depois dele, reparara m seus irmãos :
de Besodias, repararam a Porta Velha; coloca- Bavai, filho de Henadade, mai oral da metade do
ram-lhe as vigas e lhe assentaram as portas com distrito de Queila;
seus ferrolhos e trancas. 19 ao seu lado, reparou Ezer, filho de Jesua ,
7 Junto deles , trabalharam Melatias, gibeo- maioral de Mispa, outra parte defronte da subi-
nita, e Jadom , meronotita, homens de Gibeão e da para a casa das armas , no â ngulo do muro.
de Mispa, que pertencia m ao domínio do gover- 20 Depois dele, reparou com grande ardor
nador de além do Eufrates. Baruque, filho de Zabai , outra porção, desde o
8 Ao seu lado, reparou Uziel, filho de ângulo do muro até à porta da casa de Eliasibe,
Haraías, um dos ourives; junto dele, Hanani as, o sumo sacerdote.
um dos p erfumi stas; e restauraram Jerusa lé m 21 Depois dele, reparou Meremote, filho de
até ao Muro Largo. Urias, filho de Coz, outra porção, desde a porta
9 Junto a estes, trabalhou Refaías, filho de da casa de Eliasibe até à extrem idade da casa
Hur, maioral da metade de Jerusalém. de Eliasibe.
lO Ao seu lado, reparou Je daías , filho de 22 Depois dele, repararam os sacerdotes que
Harumafe, defronte da sua casa; e, ao seu lado, habitava m na campina.
reparou Hatus , filho de H asabneias. 23 Depois, repararam Benjamim e Hassube,
ll A outra parte reparou M a lquias, filh o de defronte da sua casa ; depois deles, repa rou
Harim, e Hassube, filho de Paate-Moabe, como Azarias, filho de Maaseias, filho de Ananias,
também a Torre dos Fornos. junto à sua casa .
12 Ao lado dele , reparou Salum, filho 24 Depois dele, reparou Binui, filh o de
de H a loés , maioral da outra meia parte de Henadade, outra porção, desde a casa de Azarias
Jerusalé m, ele e suas filh as. até ao ângulo e até à esquina.
13 A Porta do Vale, reparou-a Hanu m e os 25 Pala!, filho de Uza i, reparou defronte do
moradores de Zanoa; edificaram-na e lhe assen- ângulo e da torre que sai da casa real superior,
taram as portas com seu s ferrolhos e trancas e que está junto ao pátio do cárcere; depois dele,
a inda mil côvados da muralha , até à Porta do reparou Pedaías, filho de Parós,
Monturo . 26 e os servos do templo que habitava m em
14 A Porta do Monturo, reparou-a Malqui as, Ofel, até defronte da Porta das Águas, para o
filho de Recabe, maiora l do distrito de Bete- oriente, e até à torre alta.
~ ,. Haquerém; ele a edificou e lhe assentou as por- 27 Depoi s, repara ram os tecoítas outra por-
tas com seus ferrolhos e trancas. ção, defronte da torre grande e alta, e até ao
15 A Porta da Fonte, reparou-a Salum, filho Muro de Ofel.
de Col-Hozé, maioral do distrito de Mispa ; ele 28 Para cima da Porta dos Cavalos, re-
a edificou, e a cobriu, e lhe assentou as portas pararam os sacerdotes, cada um defro nte da
com seus ferrolhos e trancas, e ainda o muro do sua casa.
açude de Selá, junto ao jardim do rei, até aos de- 29 Depois deles , reparou Zadoque, filho
graus que descem da Cidade de Davi. de lmer, defronte de sua casa; e, depois de le,

438
NEEMIAS 3:3

Semaías, filho de Secanias, guarda da Porta 31 Depois dele, reparou Malquias, filho de
Oriental. um ourives, até à casa dos servos do templo e
30 Depois dele, reparou Hananias, filho dos mercadores , defronte da Porta da Guarda,
de Selemias, e Hanum , o sexto filho de Zalafe, até ao eirado da esquina.
outra porção; depois deles , reparou Mesulão, 32 Entre o eirado da esq uina e a Porta das
filho de Berequias, defronte da sua morada. Ovelhas, repararam os ourives e os mercadores.

1. Então, se dispôs Eliasibe. É opor- mesmos, reconhecendo assim , logo no iní-


tuno encontrar o sumo sacerdote Eliasibe cio, o caráter sagrado da obra.
dando o exemplo correto nesta ocasião. Torre. A torre de Meá (do heb .
Mais tarde , ele se tornou "da mesma famí- hamme'ah, literalmente, "dos cem", ARA)
lia" de Tobias por meio de casamento (ver e a de H ananel, aparentemente pertenciam
Ne 13:4) e foi culpado de profanar o tem- à fortaleza do templo (ver com. de N e 2:8).
plo (cap. 13:5). De acordo com a linhagem Como não é mencionada atividade de edi-
de sacerdotes (ver cap. 12:10, 11), parece ficação nas torres , parece que estavam
que Eliasibe foi filho de Joiaquim e neto intactas.
de Jesua , que retornou de Babilônia com 2. Os homens de Jericó. A porção do
Zorobabel (Ed 2:2; 3:2). muro próximo a Eliasibe foi reconstruída
O propósito especial deste capítulo pa- pelos cidadãos de Jericó. Esdras 2:34
rece ser de honrar a quem de direito: regis- demonstra que Jericó fa zia parte da Judeia
trar os nomes das pessoas que tomaram a restaurada.
dianteira nessa importante ocasião, que sa- Zacur. Os setores do muro alistados aqui
crificaram a vontade ao dever e se expuse- parece que tinham extensão variada , e o tra-
ram à ameaça de ataque hostil (Ne 4:18-20). balho necessário para restaurá-los também
Seus irmãos. Isto é, os sacerdotes em foi variado. Alguns setores foram delegados
geral. É evidente no v. 28 que os sacerdotes a uma cidade inteira, ao passo que, no caso e
empreenderam a edificação de um a porção Zacur, um único homem ou uma família se
do muro leste, em acréscimo à obra mencio- encarregou de um trecho inteiro. Zacur era
nada neste verso. um levita que, mais tarde, firmou aliança
A Porta das Ovelhas. Parece que esta especial entre o povo e Deus (Ne 10:! 2).
porta estava em completa ruín a . Ficava 3. Os filhos de Hassenaá. Ver com .
no extremo leste do muro norte, que mar- de Ed 2:35.
cava os limites do complexo do templo (ver A Porta do Peixe. Esta porta possi-
o mapa "Muros de Jerusalém no Tempo de velmente ficava próxima ao mercado onde
Neemias", p. 444). O mercado de ovelhas os tírios vendiam peixes (Ne 13:16). Parece
ficava, possivelmente, próximo dali e origi- que era localizado no meio do muro norte
nou o nome da porta (ver ]o 5:2). (ver também Ne 12:39; 2Cr 33:14; Sf 1:10).
Consagraram-na. Parece ter sido uma Ferrolhos. Do heb . man'ulim, tradu-
~ ~~- consagração preliminar, distinta da descrita zido como "fechadura s" (ARC) tem sentido
em Neemias 12:27 a 43. Tendo completado incerto. Tem-se sugerido que designa bar-
a Porta das Ovelhas e o muro que se esten- ras, dobradiças ou correi as.
dia ao oeste, rumo à torre de Hananel, os Trancas. Esta palavra, corretamente
sacerdotes antecipara m a dedicação geral traduzida como "trancas", ocorre frequen-
por uma dedicação especial feita por eles temente na Bíblia e designa as barras

439
3:4 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

tra nsversai s por meio das quais as portas 6. Porta Velha. Do heb. sha'ar hayyesha-
podiam ser pa rafusada s por dentro. nah, literalmente, "a porta da velhice".
4. Meremote. Membro de uma das Embora a expressão hebraica tenha or igi-
famílias sacerdotais que não comprovou nado muitas variantes de traduções, não há
sua ascendência na época de Zorobabel (ver necessidade de supor um erro textual, como
Ed 10:36). Foi companheiro de viagem de muitos tradutores e comentaristas têm
Esdras (Ed 8:33; cf. Ne 3:2 1). Desta vez, feito. Alguns sugeriram que a palavra pa ra
ele edificou dois setores do muro (Ne 3:21) "cidade" foi perdida, e a interpretam co mo
e, alguns meses mais tarde, fi rmou al iança "a porta da antiga cid ade". No entanto, essa
(Ne 10:5). sugestão é incorreta, já que a "Porta Velha"
Mesulão. Um dos principais homens estava num setor do muro que incluía a
que acompanharam Esdras l3 anos antes, parte então recém-acrescentada à cid ade.
no retorno de Babilônia (Ed 8:16). Ele A LXX traduz yeshanah como um nome pró-
fico u responsável em edificar doi s seto- prio, !sana, ficando, então, "porta de Jesana".
res do muro (Ne 3: 30) e, mais tarde, assu- A porta pode ter recebido esse nome da
miu a aliança de Neemias como chefe (cap. cidade de Jesana , hoj e Btuj el-Isâneh, a
10:20). Emb ora Mesul ão fosse um leal noroeste de Baai-H azor, que está cerca de
defensor da ca usa de Neemias, este se quei- 25 km ao norte de Jerusalém (2Cr 13: 19). ~ ~
xou de Mesu lão ter dado a filha ao filho de A "Porta Velh a" é normalmente identifi-
seu inimigo Tobias (cap. 6:18). cada com a "Porta da Esq uina" (2Rs 14:13;
5. Repararam. Como era um grupo Jr 31: 38), que estava situ ada no ca nto noro-
pequeno, aos tecoítas foi atribuíd a um setor este do muro da cidade.
do muro que apenas requeria reparos, não 7. Gibeonita. Gibeão é hoje ej-]ib, e
de reconstrução. No en tanto, eles pareciam está 9,6 km a noroes te de Jerusalém .
tão zelosos que ass umiram a responsabili- Meronotita. A loc alização de Meronote
dade de reparar um segundo setor (v. 27). é desconhecida. D eve ter sido próxima a
Os tecoítas. O povo de Tecoa, uma Gibeão e M ispa (ver 1Cr 27:30).
pequena cidade cerca de oito quilômetros Mispa. Possivelmente o sítio de Tell en-
ao sul de Belém, hoje ch amada de Teqú '. Nasbeh, 15 km ao norte de Jerusalém.
De Tecoa saiu a "mulher sábia" a quem Que pertenciam ao domínio do
Joabe enviou para influenciar Davi a bus- governador. O significado desta tradu-
car Absalão de volta para casa (2Sm 14:2, 3). ção é incerto. Designa a região de ond e saí-
O pequeno porte da cidade parece ter sido ram os edificadores desse setor do muro
o motivo de ela não aparecer n a lista de ou a ex tensão da atividade deles no muro.
cidades e vilas dos que retornaram com De acordo com a primeira interpretação,
Zorobabel (Ed 2:20-35 ), ou na lista do censo estes homens eram de Gi beão, Meronote,
(Ne 11:25 -36). M ispa e do norte, da sede do governo da
Nobres. As classes mais altas, 'adirim, província "dalém do Eufrates", o que signifi -
literalmente "os engrandecidos", se retira - caria que alguns judeus isolados provinham
ram do traba lho, como os bois retiram o da residência do sátrapa em Damasco ou
pescoço do jugo (ver Jr 27: 11 , 12). Eles fica- Alepo. De acordo com a segund a interpre-
ra m afastados , deixando o trabalho para tação, "o domínio do governador" era a res i-
o povo comum. Este é o primeiro caso de dência do sátrapa quando ele ia a Jerusa lém
oposição passiva registrada por Neemias. em missão oficial. Se for assim , o edifício
Mais tarde, outros casos serão registrados. deveria ficar próximo ao muro.

440
NEEM IAS 3: 13

8. Ourives. Os artesãos especiali zados estranho que em nenh um desses casos seja
bem como os ourives e perfumistas talvez mencionad a a primeira parte, somente a
não pertencessem a uma famíli a reconhe- segunda (ver v. 19-2 1, 24, 27, 30). De qual-
cida ou a delegações de alguma cidade quer maneira, e m dois dos sete casos e m
como os outros edificadores; assim, foram que se mencionou um segu nd o grupo, os
alistados separadamente. edificadores foram previa mente ali stados
Fortificaram (ARC). Do heb. 'azab, como também estando engajados em outro
talvez "preparar". A LXX interpreta 'azab setor do muro. Talvez o mesmo ta mbé m
como "deixaram", uma tradução alternativa seja verdadeiro para as outras cinco ocor-
també m apresentada na margem da NVI. rências, embora isso não esteja evidente no
No entanto, a tradução "deixaram" neste con- registro como se encontra hoje.
texto ficaria sem sentido, apesar de 'azab ter A Torre dos Fornos. Mencion ada
este significado em outras passagens. Muitos novamente em Neemias 12:38, devia estar
tradutores presumem que seria um termo no muro oeste, embora sua posiç ão exata
técnico utilizado em edi ficações . Em textos não possa ser determinad a.
de Ras Shamrah, a palavra 'adab é utilizada 12. Filhas. M uitos intérpretes prefe-
frequentemente com o sentido de "fazer", rem a tradução "aldeias" (ver Ne 11: 25-3 1,
"preparar" e "colocar". Em idiomas semíticos, em que a palavra hebraica é assim tradu-
relacionados com o hebraico, a letra d pode zida) . Estas seriam aldeias sobre as qu ais
substituir a letra hebraica z, como ocorre no Salum governava como chefe de um distrito.
aram aico. Por isso, há pouca dúvida de que o Alguns comentarista s, no enta nto, aceitam
'adab dos textos de Ras Shamrah seja o equi- a interpretação literal, compreendendo que
valente de 'azab de Neemias 3:8, e que a tra- as filhas de Salum o auxili aram no trabalho.
dução "deixaram" seja razoável. Este ponto de vista não pode ser rejeitado
Muro Largo. Um desconhecido deta- por razões éticas, já que não era incomum
lhe topográfico de Jerusalém. no antigo Oriente que as mulheres fi zessem
9. Metade de [Link]ém. A cidade trabalho pesado .
propriamente dita não parece ter sido divi- 13. A Porta do Vale. Ver com . do cap.
dida ; no e ntanto, o território fora do muro 2:13.
foi considerado como pertencendo a ela , Zanoa. Esta cidade estava nas proximi-
como sugerido pela LXX. Este território cir- dades de Bete-Semes, 22 km a sudoes te de
c unj acente foi possivelmente dividido em Jerusal ém em linh a reta. O local hoj e é cha-
dois setores e foi nomeado um govern ante mado de Khirbet Zanú'.
sobre cada um deles (ver v. 12). Mil côvados. Um importan te aponta-
10. Defronte de sua casa. Expressão mento topográfico qu e dá a di stâ ncia entre
semelh ante ocorre nos v. 23 e 28 a 30 . a Porta do Vale e a Porta do Monturo,
A parte do muro reparada por Jedaías estava qu e é de 444 m. Alguns duvidaram que
em frente de sua casa, que era adj acente ao um grupo con seg uisse reparar um se tor
muro. Ele naturalmente teve um interesse tão extens o e interpretaram as pa lavras
especial na restauraç ão da parte do muro como um intervalo topográfico qu e apre -
que lhe garantiria proteção. senta as distân cias entre as du as p or-
11. A outra parte. Literalmen te, "uma tas . No entanto , a expressão é específi ca .
segunda parte". Isto sugere que nos setores Poss ivelmente algumas partes do muro
mais longos, o trabalho foi divid ido em dois es tavam m enos danificadas q ue outras e
grupos de trabalhadores. No entanto, parece seriam reparadas com fa cilidad e.

441
3:14 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

14. Porta do Monturo. Ver com. do Açude artificial. Trata-se de um açude


cap. 2:13, em que a mesma expressão é tra- desconhecido.
duzida como "Porta do Monturo". Casa dos heróis. Localização desco-
Bete-Haquerém. Era identificada nhecida. Deve ter sido o quartel general
com 'Ain Kârim, 7,2 km a oeste de Jeru- militar ou do arsena l.
salém, mas, posteriormente, identifi- 17. Queila. Hoje Khirbet Qíla, 12,8 km
cada com Ramoth Rahel, 3,2 km ao su l de a noroeste de H ebrom. Queila desempe-
Jerusalém . nhou papel importante da história de Davi
15. Porta da Fonte. Ver com. do cap. (ver 1Sm 23:1); ficava próxima à fronteira
2:14. com a Filístia.
Maioral do distrito de Mispa. Isto é, 19. Outra parte. Ver com. do v. li. Ezer
o distrito de Mispa é diferenciado da cidade não foi mencionado anteriormente como
de Mispa (ver v. 19; ver com. do v. 7). reparando qualquer setor do muro, embora
Selá. Também escrito como "Siloa" "os homens de [.. .] Mispa" já tenham sido
(Is 8:6, AA) e "Siloé " (Jo 9:7, li ). Há alistados (v. 7) . Aparentemente, Ezer era o
ainda um a cidade conhecida como Siloé líder ou substituiu o líder original.
(Lc 13:4), hoje Silwân, na encosta sudoeste Subida. A frase era compreendida pelos
do Monte das Oliveiras. O túnel rochoso contemporâneos de Neemias, mas não é
que ainda abastece o açude de Siloé, por clara hoje. Possivelmente havia vários arse-
meio da fonte de Giom, no vale de Cedrom, nais em Jerusalém (ver Is 22:8). O que é cha-
foi construído por Ezequias (ver com. de mado aqui de "a casa das armas , no ângulo
2Rs 20:20). Foi nesse canal que a famosa do muro" aparentemente estava situado
ins criç ão de Siloé foi encontrada (ver na esquina do muro leste. Os degraus ou
vol. 2, p. 71). o caminho levavam do vale de Cedrom
Ao jardim do rei. Isto está na parte sul até ela.
do vale de Cedrom, onde os habitantes de 20. Reparou com grande ardor. Em-
Sihvân hoje cultivam hortas. bora a construção do hebraico seja difícil e
Degraus. Lugar não identificado. Já a interpretação incerta, esta tradução pare-
que a "Cidade de Davi " fica na montanha ce adequada.
sudeste, deve-se entender que havia um Baruque. Ele recebeu a alta honra
lance de degraus a partir da cidade alta para deste louvor especial, uma vez que con-
as imediações do açude de Siloé, na parte cluiu rapidamente a primeira parte atribuí-
sul e mais baixa da cidade murada. da a ele e que não foi mencionada na lista de
16. Neemias, filho de Azbuque. Não Neemias (ver com. do v. 11), e, então, em-
deve ser confundido com o autor do livro de preendia uma segunda parte.
Neemias. Até à porta da casa. A menção da
Bete-Zur. Uma cidade que se tornou "porta" pode sugerir que a casa de Eliasibe
famosa no tempo dos macabeus e que hoje era ampla o bastante para servir satisfatoria-
se chama Khirbet et-Tubeiqah. Fica 6,4 km mente como uma marca. Esta observação
ao norte de Hebrom. revela que a residência do sumo sacerdote
Sepulcros de Davi. Estas sepultu- estava localizada ao sul do templo, próxima
ras se situavam dentro da cidade (IRs 2:10; ao muro leste.
11:43; etc.) e eram conhecidas ainda no 21. Meremote. Sua primeira "porção"
tempo dos apóstolos (At 2:29), mas a locali- é mencionada no v. 4. A segunda não pode
zação exata se perdeu. ter sido muito extensa, uma vez que ficava

442
NEEMIAS 3:31

ao longo de apenas uma parte da casa do acima da fonte da Virgem (Giom) no va le


sumo sacerdote. de Cedrom.
22. Sacerdotes. Estes homens , identi- 27. Os tecoítas. Ver com. do v. 5.
ficados mais especificamente como homens 28. Porta dos Cavalos. O local desta
da "campina", do heb. lúHar, devem ter pos- porta não parece que era longe do templo
~ ,_ suído propriedade na parte baixa do vale e do palácio real (ver 2Cr 23:15; 2Rs 11:6),
do Jordão. Kikkar normalmente se refere à apesar de Neemias 3:27 e 28 indicar que
região próxima a Jericó. ficava nas proximidades do muro de Ofel,
23. Azarias. Ele foi o sacerdote que sendo apropriadamente considerada como
compartilhou com Esdras a tarefa de ler e pertencente a ele. Pode ser que estava loca-
explicar a lei (Ne 8:7). Também foi o sig- lizada na esquina a sudeste da área do tem-
natário da aliança solene de Neemias plo, nas encostas do monte Moriá.
(cap. 10:2); e, mais tarde, participou da 29. Zadoque. Talvez o líder da ordem
dedicação do muro (cap. 12:33). sacerdotal de Imer (Ed 2:37).
24. Até ao ângulo. O ângulo e a Semaías. Era filho de Secanias e
esquina não foram localizados, mas o muro guarda da porta oriental ; dificilmente
leste estava longe de correr em linha reta, poderia ser identificado com o Semaías de
como revelaram as escavações (ver o mapa 1 Crônicas 3:22, descendente da linhagem
"Muros de Jerusalém no Tempo de Neemias", de Davi.
p. 444). Porta Oriental. Possivelmente uma
25. Casa real superior. Não se sabe porta do templo no muro oriental, identifi-
se a palavra hebraica traduzida como "supe- cada por alguns como a "Porta dos Cavalos"
rior" descreve a "torre" ou a "casa". Muitos (v. 28). Semaías é mencionado como guarda
comentaristas a vinculam à palavra "torre". da porta oriental e não como alguém que a
A "casa real superior", ao sul da área do tem- reparou. É possível que esta porta estivesse
plo, possivelmente seria o antigo palácio de intacta e não precisasse de reparos. Não é
Davi, que ficava nesse bairro da cidade, indicado onde ele trabalhava; possivelmente
enquanto o palácio de Salomão foi edifi- fosse um dos sacerdotes (ver cap. 12:6).
cado no monte a nordeste. Os palácios de 30. Hananias. Talvez o sacerdote que
Davi e Salomão (Jr 32:2) teriam suas pró- participou da dedicação do muro (cap. 12:41).
prias prisões, de onde deriva o nome "Porta Mesulão. Ver com. do v. 4.
da Prisão" (Ne 12:39, ARC). 31. Filho de um ourives. Ver com.
26. Em Ofel. Ofel parece ter sido o do v. 8.
nome do setor norte do monte a leste, isto Até à casa dos servos. Já que os ser-
é, o local da Cidade de Davi, fazendo fron- vos residiam em Ofel (v. 26), esta "casa dos
teira com os limites ao sul da área do tem- servos" deve ter sido um prédio comercial
plo. Neste local viviam muitos da equipe do ligado ao templo.
templo, mesmo no tempo de Cristo. Mercadores. O local designado neste
Porta das Águas. Esta deve ter sido a verso parece não ter sido a residência dos
porta no muro leste que fazia divisa com mercadores, mas um depósito, talvez para
a fonte de Giom, no vale de Cedrom, e rece- guardar especiarias e incenso utilizados no
beu este nome porque a água da fonte era serviço do templo.
carregada através desta porta. Porta de Mifcade (ARC). Do h eb.
Até à torre alta. Esta pode ser a sha'ar hammifqad. Mifqad também é tra-
torre cujas ruínas foram escavadas bem duzida como "recenseamento" ou "soma"

443
3:32 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

(25m 24:9; 1Cr 21:5, ver ARC) e "mandado" As traduções divergem quanto ao nome
(2Cr 31:13, ARC). Neste verso, ela parece desta porta. É também chamada de "Porta
ser o nome de um local específico na área da Guarda" (ARA) e "porta da Inspeção"
do templo, como em Ezequiel 43:21 , em (NVI). Devia estar localizada na parte norte
que é traduzida como "lugar da casa para do muro oriental do templo, e o nome pode
isso designado". Alguns comentaristas suge- ter sido trocado pela conhecida "Porta de
rem que esta porta foi chamada assim por Ouro", de Haram esh-Sheríf
Ezequiel, por conduzir a um lugar par- 32. Porta das Ovelhas . Ver com. do
ticular do templo ao qual o profeta se referia. v. l. O circuito do muro foi completado.

NOTAADICIONALA NEEMIAS 3

O conhecimento da topografia de Jerusalém ajuda a entender o relato da investigação


noturna de Neemias às ruínas dos muros (Ne 2:13-15) assim como a descrição da edifica-
ção do muro (cap. 3) e sua dedicação (cap. 12:27-43).
O mapa "Muros de Jerusalém no Tempo de Neemias" mostra vários montes e vales em
Jerusalém ou nas imediações. A oeste de Jerusalém, está o vale de Hinom, de onde se eleva
a montanha ocidental da cidade. Contornando a colina ocidental pelo sul, o vale vira para o
leste para se encontrar com o vale de Cedrom na fonte En-Rogel, hoje chamada Fonte de Jó
ou Fonte de Neemias (a 609 m acima do nível do mar) . A leste da colina ocidental e entre
os montes Moriá e Sião (as duas colinas orientais) está o vale Tiropeom (vale dos queijos).
O nome deste vale, não mencionado na Bíblia, é dado por Josefo. O terceiro vale principal
é o de Cedrom, que separa as colinas orientais da cidade do monte das Oliveiras. A meio
caminho deste vale se localiza a nascente perene de Giom (636 m do nível do mar), hoje
chamada de Fonte da Virgem.
A colina ocidental, chamada erroneamente de Sião desde a época medieval, é a monta-
nha mais alta de Jerusalém, com 769 m. A colina do templo, o monte Moriá, é a segunda
mais alta, com 739 m, enquanto a colina a sudoeste da colina do templo tem 634 m na
parte meridional.
A antiga ideia de que a Cidade de Davi se situava na colina ocidental, o que se refle-
tiu em seu tradicional nome Sião, foi abandonada. Descobertas arqueológicas do século 20
mostram que a antiga fortaleza dos jebuseus, mais tarde chamada de Cidade de Davi ou
Sião, estava localizada na colina sudoeste, e o templo, na colina nordeste.
Originalmente o muro da cidade cercava somente a fortaleza estabelecida na colina
sudoeste pelos antigos colonizadores por causa de sua proximidade com pelo menos dois
mananciais, Giom, no vale de Cedrom, e En-Rogel, no ponto onde os vales de Hinom
e Cedrom se encontram. Possivelmente uma terceira fonte seca, a "Fonte do Dragão"
(cap. 2:13), estava no vale de Tiropeom ou na parte ocidental do vale de Hinom.
Salomão construiu o templo na colina nordeste, Moriá, e seu palácio, no espaço entre
esta área e a Cidade de Davi. Assim, a cidade tinha uma forma alongada. Muitos eruditos
pensavam que a colina ocidental estava inclusa no sistema de defesa da cidade numa data
anterior, possivelmente durante o reinado de Salomão.
Desde 1967, extensivas escavações, realizadas sob orientação de arqueólogos judeus,
têm ampliado o conhecimento acerca da antiga Jerusalém. A descoberta de um setor do

444
MUROS DE JERUSALÉM NO
TEMPO DE NEEMIAS
COMPARADOS COM OS ATUAIS

• • Muro de Neemias

• • Mu ro pré-exílico da co lina
ocidental

-o---a- Muros atua is da Cidade Antiga


Linhas claras mostram a forma original dos vales
e registram elevações em metros

o 125 250 375 500 m

1.'\ Colina do Templo


0 Cidade Baixa ~
(M ishneh, 2Cr 34:22) 'Vi'

~ o ~
·a;
.?:
o c::c. ô
wG)
a~ (j)

LU §
u6
_"'--'-"''-"'-""dos Cavalos (3:28)
lJ...J
a
LL.J .~S'
::----Ja,.w::~~=Y'Q> (8:1) -...J
/"--.. "'(
I \ :::::,.
I I 1) Casa real superior (3:25)
I \ 2) Casa dos servos e mercadores do
I \ templo (3:31)
I \ 3) Casa de Zadoque (3:29)
I I 4) Casas dos sacerdotes (3:28)
5) Casa de Jedaías (3:10)
I < \ 6) Casa de Azarias (3:24)
I )>
")> \
'- 7) Casa de Benjamim e Hassube (3:23)
\ -';:' \ '- 8) Casa de Eliasibe. sumo sacerdote (3:20)
\ 'b- ~ 9) Subida para a casa de armas (3:19)
~à 10)Casadosheróis(3:16)
'\~. O ll)TanquedeSiloé
'\{;,: <:<' 12) Jardim do rei (3: 15)
0
13) Sepulcros de Davi (3:16)
\
\ 'i L __ _ _ _ _ _ ____:

\ /-1,/ • Fonte do Dragão? (2:1 3)


\ o 72ó

' ·"5 ~~ 41 '>1o ~


•o

Parece seguro afirma r qu e parte da colina ocidental orientação (mais informações na Nota Ad icion a l a
estava anexada aos muros no pe ríodo pré-exílico. Os Ne 3). Sobre o passeio de Neemias em torn o do muro
muros at uais da Cidade An tiga estão incluídos para à noite, ver com. de Neemias 2:12 a 15.
3:32 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

muro ocidental por Nahman Avigad (1905-1992), já mencionada, é realmente pertinente


a este estudo. A maioria das descobertas feitas após a Guerra dos Seis Dias se relacionava
com a cidade herodiana, familiar a Jesus durante Seu ministério terrestre.
No entanto, parte do muro edificado por Neemias foi encontrada por Kathleen Kenyon
durante escavações na encosta oriental da colina sudeste, logo acima da fonte de Giom.
Essa descoberta mostra que pelo menos, nesse ponto, o muro de Neemias não seguiu o
curso do muro anterior, mas foi construído mais acima, próximo ao cume da colina e mais
a oeste do muro pré-exílico. Se isso foi feito também em outras partes da cidade, o tamanho
da Jerusalém de Neemias teria sido consideravelmente menor do que o da cidade anterior.
Embora as descobertas de Avigad e Kenyon tenham proporcionado informações novas
e úteis, ainda se desconhecem muitos detalhes acerca da direção dos muros da cidade no
tempo do Antigo Testamento.
É certo que a cidade de Davi era limitada pela colina sudeste e que Salomão estendeu
a cidade para o norte, anexando muito da área hoje conhecida como Harram ash-Sharif
Sobre a colina norte, conhecida também como colina do templo, foram erigidas as estru-
turas do templo e do palácio real. Até onde a cidade foi expandida em direção ao oeste,
naquela época, ainda é desconhecido, embora se saiba que, depois de 700 a.C., parte da
~ .,. colina oeste foi incorporada à cidade murada e que a cidade de Jerusalém manteve suas
dimensões até ser destruída por Nabucodonosor.
A extensão da cidade de Neemias é incerta. O mapa "Muros de Jerusalém no Tempo
de Neemias" (p. 444) apresenta duas possibilidades, com duas possíveis localizações para
o Muro Largo, a Torre dos Fornos, a Porta do Vale e a Porta do Monturo. Se Neemias
restaurou Jerusalém às dimensões pré-exílicas, a área anexada pelo muro a oeste, indi-
cada no mapa, foi incluída. Por outro lado, é possível que sua cidade, com uma população
pós-exílica pequena, fosse limitada à extensão da Jerusalém de Salomão. Neste caso, seus
muros seguiram um curso aproximado, indicado pelas linhas espessas no mapa.
Durante as escavações realizadas por N ahman Avigad, em 1970 e 1971, foi desco-
berta uma parte curva do muro pré-exílico, com 40 m de comprimento e sete metros de
largura, marcada no mapa "Muros de Jerusalém no Tempo de Neemias" com uma linha
dupla, o que prova que porções da colina ocidental foram incorporadas à cidade pré-exílica.
Os escavadores dataram esta porção descoberta do antigo muro da cidade em aproximada-
mente 700 a.C., o que, se estiver correto, teria feito do rei Ezequias o seu edificador (ver
Israel Exploration Quarterly, 22 [1972], 193-195). Este rei de Judá empreendeu a edifica-
ção e o reforço das fortificações de Jerusalém (ver 2Cr 32:5). No entanto, não se sabe se os
muros de Neemias seguiram o curso exato do muro pré-exílico.
A parte oeste da cidade, chamada de Mishneh, no tempo de Josias, é mencionada em
2 Reis 22:14. Essa construção, no tempo do rei Ezequias, possivelmente colocou em dúvi-
das a dimensão da antiga cidade murada.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1- PR, 638 5, 28 - PR, 639 28-30- T5, 342

446
NEEMIAS 4:1

CAPÍTULO 4
1 Enquanto os inimigos escarnecem, Neemias ora e continua a obra. 7 Sabendo
da ira e dos segredos do inimigo, ele impõe vigilância. 13 Ele m·ma os
trabalhadores 19 e lhes dá ordens militares.

Tend o Sambalate ouvido que edificáva- entremos no m eio deles e os matemos; assim ,
mos o muro, ardeu em ira, e se ind ignou muito, faremos cessar a obra.
e escarneceu dos judeus. 12 Quando os judeus que habitava m na vizi-
2 E ntão, falou na presença de seus irmãos nhança deles , dez vezes , nos disseram: De todos
e do exército de Samaria e disse: Que fazem os lugare s onde moram , subirão contra nós,
estes fracos judeu s? Permitir-se-lhes-á isso? 13 então , pus o povo, por famílias, nos lu-
Sacrificarão? Darão cabo da obra num só di a? gares baixos e ab ertos , por de trás do muro ,
Renascerão, acaso, dos montões de pó as pedras com as suas es p adas, e a s suas lanças , e os
qu e foram queimadas? seus arcos ;
3 Es tava com ele Tobias, o amonita, e disse: 14 inspecionei, dispus-me e diss e aos no-
Ainda que edifiquem , vindo uma raposa, derri- bres, aos magistrados e ao resto do povo: não os
bará o seu muro de pedra . temais ; lembrai-vos do Senhor, grande e te mí-
4 Ouve, ó nosso Deus, pois estamos sendo vel, e pelejai pelos vossos irmãos, vossos filhos ,
des prezados; caia o seu opróbrio sobre a cabe- vossas filh as, vossa mulher e vossa casa.
ça deles, e fa ze que sejam despojo numa terra 15 E sucedeu que, ouvindo os nossos inimi-
de cativeiro. gos que já o sabía mos e qu e Deus tinha fru s-
5 Não lhes encubras a iniquidade, e não se trado o desígnio deles, voltamos todos nós ao
risqu e de di ante de Ti o seu p ecado, pois Te pro- muro, cada um à sua obra.
vocaram à ira, na presença dos qu e edificava m. 16 Daquele dia em di ante, metade dos
6 Assim , edificamos o muro, e todo o muro meus moços trabalhava n a obra, e a outra me-
se fechou até a metade de sua altura ; porque o tade empunhava lanças, esc udos , arcos e cou-
povo tinha â nimo para trabalhar. raças ; e os chefes estava m por detrás de toda a
7 Mas, ouvindo Sambalate e Tobias , os ará- casa de Judá;
bios , os amonitas e os asdoditas que a repara- 17 os carregadores , que por si mesmos toma -
ção dos muros de Jerusalém ia avante e que já se va m as cargas, cada um com uma das mãos fazia
começavam a fec har-lhe as brechas , ficaram a obra e com a outra segurava a arma.
sobremodo irados. 18 Os edificadores, cada um trazia a sua es-
8 Ajuntaram-se todos de comum acordo pada à cinta, e assim edificava m ; o que tocava a
p ara virem ataca r Jerusalém e suscitar confu- trombeta estava junto de mim.
são ali. 19 Disse eu aos nobres, aos magistrados e
9 Porém nós oramos ao nosso Deus e, como ao resto do povo: Grande e extensa é a obra , e
proteção, pusemos guarda contra eles, de dia e nós estamos no muro mui separados, longe uns
de noite. dos outros.
10 E ntão, disse Judá: Já d esfalecera m as 20 No lugar em que ouvirdes o som da trom-
forças dos carregadores, e os escombros são beta, para ali acorrei a ter conosco; o nosso D eus
muitos ; de m aneira qu e não podemos edificar pelejará por nós.
o muro. 21 Assim trabalhávamos na obra; e metade
11 Di ssera m, porém, os nossos inimi- empunhava as lanças desde o raiar do di a até ao
~ ~ gos: Nada saberão disto, nem verão, até que sair das estrelas .

447
4:1 COM ENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

22 Também nesse mesmo tempo disse eu 23 Nem eu, nem meus irmãos, nem meus
ao povo: Cada um com o seu moço fiqu e em moços , nem os homens da guarda que me se-
Jeru salém, para que de noite nos sirvam de guiam largávamos as nossas vestes; cada um se
guarda e de dia trabalhem. deitava com as armas à sua direita.

I. Sambalate. Ver com. de Ne 2:10. começavam a fechar-lhe as brechas" (v. 7).


A chegada d e N eemias e os preparativos Este rápido progresso ocorreu "porqu e o
para a reconstrução do muro foram a causa povo tinha ânimo para trabalhar".
do aborrecimento de Sambalate e de seus 7. Os arábios. Três nações vi zinh as se
perversos ali ados. Mas, quando a ativid ade aliaram aos samaritanos contra os judeus.
de construção rea lmente começou, eles não O s arábios foram conduzidos à aliança por
se contiveram . Gesém (N e 2:19) e os amonitas, por Tobias
2. Exército de Samaria. Aparente- (cap. 2: 10). Os habitantes da cidade e vizi-
mente a província de Samari a manti nha nhança de Asdode, no litoral da Filísti a, tal-
forças armadas , e Sambalate era o coman- vez ten ham sido encorajados por Sambalate,
dante supremo. Com evidência documen- de Samaria, para renovar sua antiga aversão
tal em m ãos provando que Sambalate a Judá.
era governador de Sam a ria (ver com. de A reparação dos muros. Literalmente,
Ne 2:10), já não parece es tranho encontrá- a frase diz: "que veio a cura dos muros ele <11 ~
lo descrito com o líder militar. Jeru salém". A ilustração é d a nova carne
3. Tobias. Ver com. de Ne 2: 10. Como que cresce no lugar el a ferida c urad a.
nas ocasiões anteriores, ele parece ter se 8. Ajuntaram-se todos de comum
encontrado com Sambalate para discutir o acordo. A LXX e a Vulgata dizem: foram
rumo de ação a ser tomado, uma vez que os todos "re unidos". Esses tradu tores im agi-
judeus haviam iniciado a construção. naram que, em vista do que já h avia ocor-
4. Ouve, ó nosso Deus. A oração era rido, seria desnecessário crer que somente
um hábito de N eemias , n ão apenas uma então a conspiração estava sendo formada
irrupção repentina de impulso emocional (ver Ne 2:19, 20; 4:1-3). De acordo com a
(ver cap. 5:19; 6:9, 14; 13:14, 22, 29, 31). LXX, os líderes da oposição reuniram uma
Como na oração a nterior, ele aparentemente força considerável, com o propósito de ata-
usou pa lavras extraídas de Daniel (ver com. car Jeru salé m , possivelmente esp erando
do cap. 1:5), desta vez ele toma emprestada que um a demonstração de força amedron -
a linguage m de Jeremias (última parte de tasse os pacíficos eclificaclores e interrom-
Ne 4:4, cf. Jr 12:3; 17:18; 18:21 , 22 ; e pri- pesse o trabalho deles.
meira parte de Ne 4:5 , cf. Jr 18:23). Ali. D o heb. lo, litera lmente "a ele" ou
6. Até a metade. D e acordo com "a isso". A frase é obscura. Caso se refira à
Neemias 3, muitos grupos de trabalhado- cidade de Jerusalém , deveria esta r no femi-
res es tavam oc upados nos diversos seto- nino termi nando em lah; mas, se a referên-
res do muro si multaneamente. O muro foi cia é a N eemias , deveria ser traduzido como
acabado "até a metade de sua altura", não li, "a mim". A fras e deveria ser tradu zida
me tade da circunferência; a lém disso, é como: "me colocar [ou 'a ela', se a referênci a
dec larado claramente que "todo o muro se é à cidade] na confusão".
fec hou". Esta interpretação é consistente 9. Pusemos guarda. Como todo líder
com o comentário adicional de que "já se sábio, N eemias se manteve informado

448
NEEMIAS 4: 16

da movimentação do inimi go. A fim de atemorizava m os jude us que viviam nas


es ta r preparado para um ataq ue surpresa, regiões fronteiras da Judeia e talvez algun s
ele posicionou a guarda dia e noite , sem e m território inimigo, para fugir para
dúvida, em postos a alguma distância dos Jerusalém em busca de segurança. E les
muros da cidade. A comunidade era pie- propagaram um relato alarma nte de que
dosa e confi ava na proteção divina, mas os inimigos estavam prestes a atacar por
não negligenciou fazer tudo o que estava todos os lados: Sambalate e os samaritanos
ao alcance. O es forço humano deve estar pelo norte, os amonitas pelo leste , os ará-
unido ao poder divino. bios pelo sul e os filisteus (asdoditas) pelo
10. Disse Judá. A tarefa de vigiar e o oeste (ver PR, 642). A expressão "dez vezes"
trabalho contínuo pressionavam fortemente enfatiza a urgência com que os refu giados
o povo e o desencorajava. A queixa é expressa davam seus relatórios e o efeito devastador
em forma poética e pode ter sido uma can- sobre os trabalhadores. Sambalate contava
ção composta e ca ntada pelos carregadores. com um a guerra de nervos para amedrontar
No hebraico, ela consiste em dez palavras, os judeus e levá-los à in atividade.
duas sentenças com duas linhas cada. As 13. Pus o povo [... ] nos lugares bai-
últimas palavras da primeira e da terceira xos. A primeira parte do v. l3 é obsc ura.
linhas rimam e, originalmente, a segunda e Parece que nos pontos mais vulneráveis
a quarta linhas, também. A tradução a seguir do muro, onde o ataque seria mais prová-
representa uma tentativa de interpretar o ve l, Neemi as colocou homens armados e m
pensamento original em form a poética: posições de destaque na espera nça de pre-
venir uma investida. O grupo por famílias
Muito fraca está a força dos carregadores impressionava os homens com o fato de
E os detritos são muitos; lutarem por sua famíli a. O inimigo podia
E nós não conseguimos ter avançado para posições opostas aos seto-
Reconstruir o muro. res "baixos" ou mais vulneráveis do muro,
erguido rapidamente, e simulava preparat i-
11. Nada saberão. O desânimo vos para atacar quando a ação imedi ata de
aume ntou com o discurso dos inimigos, Neemias frustrou os pl anos dele , ao deixar
que planejavam tomar a cidade de sur- claro que os judeus estavam prontos para
presa e mata r os trabalhadores. O relato lutar, se necessário.
vívido que Neemi as fez da fala dos judeus 14. Inspecionei. Parece ser indi-
e dos inimigos (v. 10, ll) reflete a coragem cada um a ocasião particula r, talvez num
com que ele, como líder, tinh a que lutar. momento quando os hostis aliados junta-
A mínima hesi tação de sua parte teria aca- vam forças e avançava m. Este apelo curto <4 ~
bado com a obra. e vivo p arece ter sido feito antes do ata-
12. De todos os lugares [... ] subirão que iminente. Não ocorreu conflito, o que
contra nós. O hebraico desta frase é obs- parece indi ca r que , qu ando o inimigo se
curo , mas , com uma leve transposição das ap roximou e viu que os judeus os esperavam
letras de um a palavra hebraic a, a interpre- em perfeita ordem e bem armados, eles se
tação da ARA faz sentido e está apropriada retiraram. Não está claro se tinham a real
ao contexto. O sentido deste verso parece intenção de lutar.
ser de que movimentos ostensivos das for- 16. Meus moços. Possivelmente os
ças inimigas e os rumores de ataque imi- membros da comitiva pessoal de Nee-
nente, que circ ulavam intencionalmente, mias, judeus colocados à sua disposição

449
4:17 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

como governador. A lista de Neemias 3 suge- crer que Ele lutará com todo que trabalha
re que a obra começou com judeus da Judeia. intensamente para edificar Sua causa. Ele é
No entanto, quando a situação se tornou com aquele que tenta vencer o pecado .
mais tensa e difícil, Neemias nomeou assis- 21. Assim trabalhávamos. Um resu-
tentes pessoais para a obra de construção e mo dos v. 16 a 20.
uma guarda pessoal para proteger a tarefa. Até ao sair das estrelas. A construção
Os chefes estavam por detrás. Possi- prosseguia desde o amanhecer até o anoi-
velmente os feitores. Estes homens estavam tecer. Eles trabalhavam sob pressão para
"atrás" dos trabalhadores para dirigir o tra- completar a tarefa . Tendo em vista que as
balho deles e liderá-los na defesa da cidade, forças inimigas estavam à espreita na vizi-
caso o inimigo se aventurasse a atacar. nhança, a pressa era de extrema importân -
17. Os que edificavam o muro cia. Cada pedra representava segurança
(ARC). Esta frase pertence ao v. 16 e adicional à cidade. O trabalho noturno era
explica o que significa a expressão "toda a praticamente impossível nos tempos anti-
casa de Judá ". gos, mas o máximo proveito foi tirado dos
Os carregadores. No hebraico, fica primeiros e últimos raios de luz de cada dia.
claro que não era um grupo distinto de tra- 22. Fique em Jerusalém. Muitos
balhadores. O sentido é de que os carrega- do povo viviam fora de Jerusalém e esta-
dores trabalhavam de tal maneira que com vam acostumados a voltar a suas respecti-
uma mão levavam o peso, e com a outra vas vilas ao final de cada dia de trabalho.
mão levava m uma arma. Em caso de ataque Então, Neemias exigiu que permanecessem
os homens estariam prontos a se defender, dentro da cidade à noite, para melhor prote-
bastava apenas soltar a carga. ção da obra. O fato de estarem ali e de o ini-
18. Os edifícadores. Já que precisa- migo estar ciente disso ajudava a prevenir
vam das duas mãos para realizar o trabalho, um ataque; e, se o inimigo atacasse à noite,
os edificadores usavam a espada no cinto, eles estariam prontos para fazer sua parte
estando prontos para entrar em combate em guardar a obra.
assim que necessário. 23. Meus irmãos. É possível que se
O que tocava a trombeta. Os trombe- refira a irmãos consanguíneos. Neemias
teiros eram retratados como sinaleiros nas tinha irmãos (cap. 1:2) e um deles, Hanani,
cenas de guerra , tanto das esculturas egíp- o acompanhou a Jerusalém (cap. 7:2).
cias quanto das assírias. Cada um ia com suas armas à água
19. Estamos no muro mui separa- (ARC). O significado desta expressão
dos. Como ficou evidente nas atribuições hebraica é obscuro. A tradução literal é:
de trabalho, em Neemias 3, os edificadores "cada um sua arma a água". A LXX omite a
estavam dispersos em todo o circuito dos declaração. A NVI traduz: "e cada um per-
muros, de modo que em qualquer ponto manecia de arma na mão". Alguns modifi-
havia um pequeno grupo de pessoas. caram a última palavra hebraica do verso
20. Deus pelejará por nós. A con- para que a declaração fosse traduzida como
fiança de Neemias no auxílio divino era "cada um se deitava com as armas à sua
contagiante. Ele próprio deu um exem- direita" (ARA). Outros tentaram explicar
plo nobre, não somente para seus contem- a frase como: "a arma de cada homem era
porâneos, mas também para os que vivem sua água", isto é, as armas eram um substi-
no combate mortal com os poderes do mal tuto para água, ou que um homem somente
em qualquer tempo. O servo de Deus deve se banhava se estivesse com sua arma. · ~

450
NEEMIAS 5:1

De acordo com esta última interpretação, a os rigores de uma campanha. O fato é que
passagem é idiomática, talvez uma expres- os trabalhadores não deixavam as armas
são utilizada pelos soldados para descrever momento algum.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1-23- PR, 641-645 6- Ed, 286 10, 14 - GC, 56


1- T3, 574 6-8- PR, 642 17 - AA, 597
1, 2 - PR, 641 7, 8 - T3, 571 18- GC, 56
3- PR, 642 9 - PR, 659 ; T 3, 572 20- PR, 645
4 - T3, 574 9, lO, 12-18 - PR, 643 20-23 - PR, 644

CAPÍTULO 5
1 Os judeus se queixam de suas dívidas, hipotecas e cativeiro. 6 Neemias
repreende os agiotas e os obriga a fazer um acordo de restituição.
14 Ele se abstém de seu próprio subsídio e é hospitaleiro.

I Foi grande , porém, o clamor do povo e de 8 Disse-lhes: nós resgatamos os jude u s,


suas mulheres contra os judeus , seus irmãos. nossos irmãos, que foram vendidos às gentes ,
2 Porque havia os que diziam: Somos mui- segundo noss as posses ; e vós outra vez nego-
tos, nós, nossos filhos e nossas filhas ; que se nos ciaríeis vossos irmãos, para que sejam vendi-
dê trigo, para que comamos e viva mos. dos a nós?
3 Também houve os que diziam: As nossas 9 Então, se calaram e não acharam o que
terras , as nossas vinhas e as nossas casas hipo- responder. Disse mais: não é bom o que fazeis ;
tecamos para tomarmos trigo nesta fome. porventura não devíeis andar no temor do nosso
4 Houve ainda os que diziam: Tomamos Deus, por causa do opróbrio dos gentios, os nos-
dinheiro emprestado até para o tributo do rei, sos inimigos?
sobre as nossas terras e as nossas vinhas. lO Também eu , meus irmãos e meus moços
5 No entanto, nós somos da mesma carne lhes demos dinheiro emprestado e trigo. Demos
como eles, e nossos filhos são tão bons como os de mão a esse empréstimo.
deles; e eis que sujeitamos nossos filhos e nossas ll Restituí-lhes hoje, vos peço, as suas ter-
filh as para serem escravos, algumas de nossas fi- ras, as suas vinhas, os seus olivais e as suas
lhas já estão reduzidas à escravidão. Não está em casas, como também o centésimo do dinheiro,
nosso poder evitá-lo; pois os nossos campos e as do trigo, do vin ho e do azeite, que exigistes deles.
nossas vinhas já são de outros. 12 Então, responderam: Restituir-lhes-emas
6 Ouvindo eu, pois, o seu clamor e estas pa- e nada lhes pediremos ; faremos assim como
lavras, muito me aborreci. dizes. Então, chamei os sacerdotes e os fi z jurar
7 Depois de ter considerado comigo mesmo, que fariam segundo prometeram.
repreendi os nobres e magistrados e lhes disse: 13 Também sacudi o meu regaço e disse:
Sois usurários, cada um para com seu irmão; e Assim o faça Deus, sacuda de Sua casa e de
convoquei contra eles um grande aj untamento. Seu trabalho a todo homem que não cumprir

451
5:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

esta promessa; seja sacudido e despojado. 16 Antes, também na obra deste muro fiz re-
E toda a congregação respondeu: Amém! E lou- paração, e terra nenhuma compramos; e todos
varam o SENHOR; e o povo fez segundo a sua os meus moços se ajuntaram ali para a obra.
promessa. 17 Também cento e cinquenta homens dos
14 Também desde o dia em que fui nomeado judeus e dos magistrados e os que vinham a nós,
seu governador na terra de Judá , desde o vigé- dentre as gentes que estavam ao nosso redor,
simo ano até ao trigésimo segundo ano do rei eram meus hóspedes.
Artaxerxes , doze anos, nem eu nem meus ir- 18 O que se preparava para cada dia era um
mãos comemos o pão devido ao governador. boi e seis ovelhas escolhidas; também à minha
15 Mas os primeiros governadores, que custa eram preparadas aves e, de dez em dez
foram antes de mim, oprimiram o povo e lhe dias, muito vinho de todas as esp écies; nem
~ _. tomaram pão e vinho, além de quarenta siclos por isso exigi o pão devido ao governador, por-
de prata; até os seus moços dominavam sobre quanto a servidão deste povo era grande.
o povo, porém eu assim não fiz, por causa do 19 Lembra-Te de mim para meu bem, ó meu
temor de Deus. Deus, e de tudo quanto fiz a es te povo.

1. Grande[ ... ] clamor. É incerto deter- 2. Somos muitos. A queixa vinha prin-
minar quando ocorreram os eventos descri- cipalmente das famílias grandes. A descen-
tos neste capítulo. Nem todos eles podem dência numerosa não demonstrava ser uma
ter ocorrido durante a edificação do muro , já bênção, como normalme nte era conside-
que o v. 14 registra o fim dos 12 anos de rada pelos orientais, mas um fardo e a razão
Neemias como governador. Somente os de profunda perplexidade.
v. 1 a l3 podem ser atribuídos ao tempo da 3. Para tomarmos trigo. Talvez, como
edificação do muro. É verdade que traba- traz a LXX, "portanto, dá-nos trigo [grão]".
lhar no muro sem pagamento levaria mui- Isso não significa que desejassem uma doa-
tos a se afastar de seus meios habituais ção absoluta, mas um ajuste na situação
de subsistência. Por outro lado, a obra foi econômica em que se encontravam.
terminada num período muito curto para Nesta fome. Alguns p ediram socorro
ocasionar dificuldades econômicas graves, por causa da fome, ocorrida no passado,
especialmente do tipo descrito neste verso. a qual os compeliu a hipotecar campos,
Não há sugestão na narrativa de que a afli- vinhas e casas. Os queixosos pertenciam
ção estivesse ligada com a obra de recons- à classe que uma vez possuiu propriedade
trução. As injustiças eram mais profundas considerável e que vivia fora da cidade.
e foram desenvolvid as durante um longo A situação se assemelha à descrita em
período. No entanto, elas geraram uma Isaías 5:8. A aglomeração da terra nas mãos
crise durante a edificação do muro (ver dos ricos não é situação nova.
PR, 646). Nos v. 14 a 19, Neemias des- 4. O tributo do rei. Como de outras
creve sua conduta pessoal enquanto esteve províncias persas, da Judeia era requerido
na função de governador da Jud eia (ver anualmente o pagamento de um tributo ao
lSm 12:3 -5). tesouro persa, parte e m dinheiro e parte em
O clamor e ra de grande aflição. Os gêneros alimentícios. Nos primeiros anos
reclamante s eram os pobres do povo e os essa obrigação não pareceu opressora, m as
acusados, seus irm ãos mais prósperos (ver nos anos improdutivos a aparição do cobra-
2Rs 24:14). dor de impostos geralmente prenunciava

452
NEEMIAS 5: lO

grande miséria. Os pobres contraíram dívi- irmãos m ais pobres, não oprimi-los (v 14,
das para atender às taxas , sem esperança 17). Neemias, seu parente mais próximo
de reembolso. e seus seguidores fi zeram o que estava ao
5. Mesma carne. Esses pobres eram alcance deles (cap. 5:10, 15). Os ricos , no
seres humanos como seus irmãos mais ricos entanto, aproveitaram tudo o que pudera m
e precisavam das coisas necessárias à vida à custa de seus conterrâneos. É fácil enten-
tanto quanto eles. Seus filhos eram ama- der porqu e Neemias, um hom em capaci-
dos por eles do mesmo modo como os ricos tado e de grande ardor, se abo rreceu com
amavam os seus. esses exploradores sem escrúpulos nem
Um grupo reclamava que suas famí- consciência, quando seu senso de justiça
lias era m muito grandes e isso lhes impedia foi despertado.
de conseguir alimento, outro grupo recla- 7. Sois usurários. Isto era uma viol a-
mava de ter hipotecado sua propriedade por ção da lei que proibia a cobrança de juros
ca usa da fom e; outra parte do povo recor- dos hebreus , mas permitia essa cobrança
reu aos agiotas, a fim de pagar as taxas e dos estrangeiros (Dt 23:19, 20; ver com. de
um quarto grupo caiu nas mãos de agiotas Êx 22:25; Lv 25:35).
usurários. Essas pessoas sofriam não pela Convoquei[ ... ] grande ajuntamento.
opressão de tiranos estrangeiros, mas pela Aparentemente a repreensão de Neemias
extorsão de seus irmãos. não surtiu efeito. Os nobres não assegu-
Nossas filhas. Sobre o direito dos raram qu e mudariam sua conduta. Ele foi
pais de venderem suas filhas, ver Êx 21:7. compelido a levar a questão diante do povo,
Muitos dos antigos exilados escaparam do não que o poder legal estivesse com eles,
cativeiro babilônico somente para se encon- mas para que os nobres fossem e nvergo-
trar em escravidão nas mãos de seus irmãos, nhados ou temessem continuar a opressão
e o Cdtimo estado parecia pior do que o pri- já que ela estava sendo denunciada aberta-
meiro. Em Babilônia, as famílias permane- mente por um governador.
cera m unidas; mas, em Jerusalé m, os filhos 8. Resgatamos [...] segundo nossas
e ram tirados de seus pais, para se tornar posses. "Nós" pode se referir tanto aos que
:; ~ escravos de compatriotas jude us. retornaram havia pouco, em contrapartida
6. Muito me aborreci. Parece que a aos que retornaram antes. Também pode
let ra da lei não era violada, exceto na ques- se referir a Neemias e seus parentes, em
tão de se tirar vantagem (v. 11), algo de que contraste com os ricos opressores. É pos-
o povo não se queixou. Os hom ens podiam sível que o último significado seja o plane-
vender suas filhas (ver Êx 21:7). A servi- jado. As pal avras de Neemias sugerem que
dão dos servos estava limitada a seis anos ele e os outros judeus que compartilhavam
(ver com. de Êx 2:2); e, se o ano do jubi- de seus critérios compraram os judeus que
le u começasse mais cedo do que o final foram submetidos à escravidão por estran-
do sexto ano, eles estavam livres automa- geiros e os libertaram. Fizeram isso segundo
tic amente (Lv 25:10; ver com. de Dt 15:12). seus meios lhes permitiram.
Também era permitido "vender" (arrendar) 9. Disse mais. N eemias considerou
a terra (Lv 25:14-16), mas não dispor dela que não seria suficiente silenciar os nobres
permanentemente (v. 10, 13). No entanto, ou causar-lhes vergonha. Era necessário
era o espírito e não a letra da le i que os ricos persuadi-los a mudar suas ações.
transgrediram. Em épocas de dificulda- 10. Demos dinheiro emprestado.
des econômicas, era dever deles auxiliar os Literalmente, "estamos lhes emprestando".

45 3
5:11 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

A lei exigia que o rico emprestasse ao Fiz jurar. Ver com. de Ed 10:5. Quando
pobre (Dt 15:7-11) sem usura (ver com. de foi dado o consentimento exigido, Neemias
Êx 22:25). Neemias cumpriu essas duas chamou os sacerdotes e exigiu que os cre-
disposições e convocou os outros a fazer o dores jurassem aderir conscientemente ao
mesmo. Emprestar era uma virtude; exigir acordo. Neemias garantiu a participação
juros era um mau hábito dos que tiravam dos sacerdotes, parcialmente com o propó-
vantagem dos pobres (ver com. de Ne 5:11). sito de dar solenidade ao juramento que era
11. Restituí-lhes. Tendo denunciado a feito como sendo diante do Senhor, e em
opressão e declarado o princípio envolvido, parte para dar à declaração validade legal
Neemias fez um forte apelo para a ação. Ele para ação judicial, caso fosse necessário.
solicitou que os que mantinham consigo 13. Sacudi o meu regaço. A palavra
terras de seus irmãos mais pobres as restau- hebraica traduzida como "regaço" designa
rassem aos donos sem demora (ver PR, 650). uma parte da veste, onde alguma coisa era
O centésimo. O centésimo tomado carregada. A palavra é encontrada somente
como juros é, possivelmente, como a centé- neste verso e em Isaías 49:22, em que é tra-
sima dos romanos no tempo de Cícero, enten- duzido como "braços". Para enfatizar o caráter
dido como um pagamento mensal. Um por obrigatório da promessa, Neemias realizou
cento ao mês não era uma alta taxa de juros um ato simbólico, que consistiu em juntar a
comparada com a que normalmente era paga veste como se fosse carregar algo nela e então
no antigo Oriente. Em Babilônia e na Assíria, sacudi-la. Foi assim que ele proferiu a maldi-
a taxa normal era de 20 a 25 por cento para ção no v. 13. Entre as nações da Antiguidade,
a prata e 33 por cento para os grãos por ano. poucas coisas eram tão temidas como cair em
Textos do r século a.C., de Gozan (Te ll maldição. Do mesmo modo, as maldições de
Halâf), na Mesopotâmia, revelam uma taxa Deuteronômio 28:16 a 44 foram designadas
anual de juros de 50 por cento para a prata e a impressionar os que podiam ser tentados
100 por cento para os grãos. No Egito, ela era a violar a lei. Maldições inscritas na entrada
de 12 a 24 por cento durante a dinastia pto- das tumbas dos reis persas pretendiam afu-
lomaica (últimos três séculos a.C.). Apesar gentar supostos saqueadores. Os tratados
disso, os pobres da Judeia gemiam sob o antigos eram protegidos da mesma forma
peso dos juros, mesmo que um juro de 12 contra a violação. A maldição de Neemias
por cento ao ano na Judeia não pudesse ser não é comum, mas seu propósito está claro.
chamado de exorbitante, quando comparado 14. Fui nomeado. Pela primeira vez,
às taxas de juros de outros países. Neemias declara abertamente que a auto -
12. Restituir-lhes-emos. O elo- rização para ele retornar e reedificar os
quente apelo de Neemias, sua reafirmação muros de Jerusalém foi acompanhada da
dos princípios da lei mosaica e seu exem- nomeação para ser governador da provín-
plo digno falaram alto naquele dia. Todos os cia da Judeia. É possível que a nomeação
nobres concordaram em cancelar os juros já tenha ocorrido pouco depois. Seus 12 anos
cobrados, abster-se de cobrar juros adicio- de governo não começaram antes do mês de
nais, emprestar a seus irmãos mais pobres nisã, do 20° ano de Artaxerxes (Ne 2:1), isto
em harmonia com a lei e restaurar-lhes as é, não antes de 2 de abril de 444 a.C. Seu
terras e casas confiscadas, que deveriam governo terminou no 32° ano do reinado de
ser de valor considerável, embora, de acordo Artaxerxes, o qual, de acordo com o calen-
;;: .. com a letra da lei, eles tinham o direito de dário anual de Neemias (ver p. 101), possi-
mantê-las até o ano do jubileu. velmente começou em 25 de setembro de

454
NEEM IAS 5:1 9

433 e se findou em 13 de outubro de 432 oprimir o povo; ele viveu às próprias cus-
a.C. Durante esse ano, ele voltou para o tas e, além disso, ele e seus servos pessoais
palácio de Artaxerxes (Ne 13:6); e é possí- (também sustentados por ele) trabalharam
vel que o relato de Neemias 5:14 a 19 tenha incansavelmente no muro (ver cap. 4:10, 13,
sido escrito nessa época. Talvez os v. 1 a 13 15, 17, sobre o modo como trabalharam) .
e outras partes do livro, também . E terra nenhuma compramos. Neemias
O pão devido ao governador. Durante diz que não tomou terras por dívida , como
todo o tempo em que esteve no cargo, ele fizeram os nobres (v. 3, 11), nem adquiriu
não reivindicou a renda habitual à qual um quaisquer propriedades durante seu gover-
governador tinha direito a receber de seus no. Pessoalmente ele não ficou rico, mas po-
súditos, mas pagou ele mesmo suas despe- bre, como resultado de 12 anos no cargo. Isso
sas pessoais. Com seus "irmãos", Neemias significa sacrifício pessoal para arcar com as
se refere a toda a sua corte e à família. responsabilidades. ... ~
15. Os primeiros governadores. 17. Também. Isso não foi tudo. Neemias
Somente Zorobabel é conhecido. Não se cuidou de todas as suas despesas e demons-
sabe se Esdras foi nomeado como governa- trou a hospitalidade esperada de um gover-
dor ou se serviu na qualidade de comissário nador, alimentando diariamente 150 chefes
especial. Neemias possivelmente se refere a de famílias residentes em Jerusalém (ver
governadores que, aparentemente, governa- cap. 11:1). Além desses convidados regulares,
ram a Judeia durante os 50 ou 60 anos entre Neemias recebia em sua mesa judeus de cida-
Zorobabel e a chegada de Esdras. des da Judeia e de nações vizinhas que iam
Puseram um peso (NVI). As palavras a Jerusalém a negócios. Ele deve ter sido um
do original são mais fortes e deveriam ser tra- homem de recursos consideráveis para viver
duzidas como "oprimiram" (ARA) ou "tinham em Jerusalém por 12 anos do modo como
sido uma carga" (NTLH) sobre o povo. relata. Alguns dos judeus que viviam em
Além de. Literalmente, "depois". A Vul- Babilônia se tornaram ricos, como é confir-
gata traduz como "diário". Muitos comen- mado por documentos comerciais dos "filhos
taristas seguem esta última interpretação de Murashu", escavado em Nipur (ver p. 52).
e concluem que os gastos da corte de Nee- 18. Aves. Embora galinhas nunca
mias eram de 40 siclos por dia (33 4,8 g, se tenham sido claramente mencionadas no
fossem siclos leves), e não o que se exigia de AT, a existência delas na Palestina dessa
cada pessoa: pagar 40 siclos por ano. época é confirmada pelo selo de Jazanias,
Moços dominavam. Os servos domés- encontrado em Tell en-Natsbeh, em 1932,
ticos e funcionários de classe mais baixa que mostra a ilustração de uma luta de
numa corte Oriental tiravam vantagem de galos. A primeira referência a essas aves
sua posição para cobrar taxas elevadas dos no Egito remonta à época de Tutmés III ,
que buscavam o favor deles . Isto ocorria no século 15, quando elas foram introduzi-
especialmente nos tempos antigos, quando das na região do Nilo, provenientes da Síria.
eunucos e outros assistentes muitas vezes Pombas e gansos também podem ter sido
eram tiranos terríveis. Hamã, subordinado incluídos no termo coletivo "aves".
a Xerxes, Sejano, subord inado a Tibério, e Pão devido ao governador. Ver com.
Narciso, subordinado a Cláudio, são exem- do v. 14.
plos clássicos desta prática. 19. Lembra-Te de mim. Neemias ter-
16. Na obra deste muro fiz repara- mina com uma oração tipicamente sua (ver
ção. Neemias não somente se absteve de Ne 6:14; 13:22, 31) .

455
6: l COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

l-19 - PR, 646-652 5-7 - PR, 648 9-13 - PR, 650


l-4- PR, 646 -647 8- PR, 649

CAPÍTULO 6
Sambalate maquina aterrorizar Neemias por meio de astúcia, rumores e profecias
contratadas. 15 Para terror dos inimigos, a obra é terminada. 17 Informações
confidenciais são trocadas entre os inimigos e os nobres de ]udá.

1 Tendo ouvido Sambalate, Tobias, Gesém , lO Tendo eu ido à casa de Semaías, filho de
o arábio, e o resto dos nossos inimigos que eu Delaías, filho de Meetabel (que estava encer-
tinha edificado o muro e que nele já não havia rado), disse ele: Vamos juntamente à Casa de
brecha nenhuma , ainda· que até este tempo não Deus, ao meio do templo, e fechemos as portas
tinha posto as portas nos portais, do templo; porque virão matar-te; aliás, ele noite
2 Sambalate e Gesém mandaram di zer-me: virão matar-te.
Vem , encontremo-nos, nas aldeias, no vale ele 11 Porém eu disse: homem como eu fugiria?
Ono . Porém intentavam fazer-me mal. E quem há, como eu, que entre no templo para
3 Enviei-lh es mensageiros a dizer: Estou fa - que viva? De maneira nenhuma entrarei.
zendo grande obra, ele modo que não poderei 12 Então, percebi que não era Deus quem o
descer; por que cessaria a obra, enquanto eu a enviara; tal profecia falou ele contra mim, por-
deixasse e fosse ter convosco? que Tobias e Sambalate o suborn aram.
4 Quatro vezes me enviaram o mesmo pedi- 13 Para isto o subornaram, pa ra me atemo-
elo; eu, porém, lhes dei sempre a mesma resposta. rizar, e para que eu, assim, viesse a proceder e a
5 Então, Sambalate me enviou pela quinta pecar, para que tivessem motivo ele me infamar
vez o seu moço, o qu al tra zia na mão uma carta e me vituperassem.
aberta, 14 Lembra -Te, meu Deus, de Tobias e ele
6 elo teor seguinte: Entre as gentes se ouviu, Sambalate, no tocante a estas suas obras, e tam-
e Gesém diz que tu e os judeus intentais revol- bém ela profetisa Noaclia e elos mais profe tas
tar-vos; por isso, reeclificas o muro, e, segundo que procuraram atemoriza r-me.
se diz, queres ser o rei deles, 15 Acabou-se, pois, o muro aos vinte e cinco
7 e puseste profetas para falarem a teu res- dias do mês de elul, em cinquenta e dois dias.
peito em Jerusalém, di ze ndo: Este é rei em Judá. 16 Sucedeu qu e, ouvindo-o todos os nos -
Ora, o rei ouvirá isso, segundo essas palavras. sos inimigos , temeram todos os gentios nosso s
Vem, pois, agora, e con sultemos juntamente. circunvizinhos e decaíram muito no se u pró-
8 Mandei di zer-lhe: De tudo o que dizes prio conceito; porque reconheceram que por
coisa nenhuma sucedeu; tu , elo teu coração, é interve nção ele nosso Deus é que fizemos
que o inventas. es ta obra.
9 Porque todos eles procuravam atemorizar- 17 Também naqueles dias alguns no-
nos, dizendo: As suas mãos largarão a obra, e bres de Judá escreveram muitas cartas, que
não se efetuará. Agora, pois, ó Deus, fortalece iam para Tobias, e cartas de Tobias vinh am
as minhas mãos. para eles .

456
Tadmor •

• Hazar-Enã?

...
[Link]

.
. /H. AURÃ
~
~

Asta [Link] ·~
. ---.

DESERTO
DA ARÁBIA

A PROVÍNCIA DE JUDÁ
NO TEMPO DE NEEMIAS (c. 4-10 a.C. )

25 50 75 lOOkrn
·. .----· ----~--~--~--~

Fron teira do império persa

·' Províncias da 5" satrap ia persa

Cidades e povoados

Eziom-Geber, •
NEEMIAS 6:6

18 Pois muitos em Judá lhe era m ajuramen- 19 Tam bém das suas boas ações falavam
tados porqu e era genro de Secanias, filho de n a minha presença, e as minhas palavras lhe
Ará; e seu filh o Joanã se casara com a filh a de levava m a e le; Tobias esc revia ca rta s para me
Mesul ão, filho de Berequias. atemorizar.

1. Sambalate. A respeito dos três líde- governadores vizinhos, mas sua resposta
res da conspiração, ver com. de Ne 2:10, 19. não lhes dá motivo para esperarem que e le
Não tinha posto. Isto parece contradi- vá ceder. Ele sequer revela suas suspeitas e
zer Neemias 3:1 , 3, 6, 13, etc . No e ntanto, o o conhecimento dos perversos planos deles .
relato de Neemi as 3 delin eia todo o projeto 5. Uma carta aberta. Não fi ca evi-
de reconstrução, com o objetivo de indicar dente a razão de Sambalate mudar a estra-
quem e ra responsável pelos vários setores tégia de mensagens orais para documentos
do muro, e não o tempo qu a ndo a obra foi e scritos. Uma mensagem escrita p odi a
concluída. Cronologicamente , os cap. 4 a 6 parecer mais oficial e, assim , presumive l-
são paralelos ao cap. 3 e re latam eventos mente m ais efetiva. A carta possivelm ente
ocorridos enquanto o muro era edificado. foi escrita numa folha de papiro, um mate-
Colocar as portas, naturalmente, seri a a rial de uso frequente na Palestina daqu e la
última etapa. época. Essas cartas e ra m enroladas , e as
Nos portais. Literalmente, "nas portas". du as extremidades, dobradas para trás e m
2. Sambalate e Gesém. Tobias não direção ao centro. Um a fita circundava o
é mencionado. É possível que somente rolo e um selo de argil a era preso ao laço
doi s dos inimigos de Neemias estivesse m de modo que a carta não pudesse ser aberta
dispostos à violência físic a. Pode ser qu e sem quebrar o selo. G eralmente o end e -
Tobias tivesse razões para desistir de parti - reço estava no exterior. Enviar um a car ta
cipar da conspiração, já que ele se relacio - aberta acusando um fun cionário da coroa
nava com algun s líderes judeus . persa não apenas violava as leis da cortesia,
Vale de Ono. Hoje, Kefr Ana, aproxi- mas era extremamente ofensivo. Um a "carta
madamente 11 km a sudeste de Jafa. Com aberta" é um convite a que todos leiam, e o
as cidades de Lode (Lida) e Hadide, fo r- objetivo de enviá-la sem selar deve ter sido -<4 ~
mava um distrito hebraico praticamente criar alarde entre os judeus e incitá-los con-
cercado por á reas samaritanas e filisteias. tra Neemias. Isso pode ser comparado com
Este di strito judeu foi escolhido como o a conduta dos embaixadores de Senaqueribe
local de reunião, para enganar Neemias, (2 Rs 18:27-36).
dando-lhe falsa sensação de segurança. 6. Gesém. Ve r com. de Ne 2:19. Sam-
Seria fácil atacar Neemias na estrada ba late aparentemente queria di ze r que
enquanto ele atravessasse o território sama- o suposto rumor sobre a planejada rebe-
ritano para chegar a Ono. li ão de Neemias estava circulando p e las
Fazer-me mal. A natureza do dano nações vizinh as e tinha chegado ao conh e-
pretendido não pode ser deter minada pela cimento de Gesém que, por sua vez, o
palavra tradu zida como "mal", mas é difícil tra nsmitiu a Sambalate. Apresentando-
conceber qualquer outro propósito que não se como amigo, Sambalate estava ansioso
seja violência física. para alertar a Neemias da grave acusação
3. Não poderei descer. Neemias contra ele. Em alguns aspectos esta ac usa-
responde cordialmente ao convite dos ção é parecida com o relato dos jude us

459
6:7 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

que ameaçavam ir a César contra Pilatos escapariam das ciladas feitas para eles ao
(]o 19:12, 13). fugir para o templo. Também é possível que
7. Puseste profetas. Sambalate Semaías planejou seu próprio isolamento
tinha em pouca conta o alto chamado de como um ato simbólico a fim de refor-
um profeta. Ele encontrou pseudopro- çar sua suposta mensagem de Deus (ver
fetas dispostos a cooperar com ele con- Ez 4:1-10; 12: 3-9; etc.). Os dois pontos de
tra Neemias em troca de pagamento (ver vista são possíveis.
v. 12, 14). Ele achava que todos os profe- Ao meio do templo. Distinto de "casa
tas seriam mercenários como os seus (ver de Deus", "templo" significa o santuário e
Am 7: 12). É possível que Sambalate tenha não um simples cômodo em algum edifí-
tido acesso a profecias como as de Zacarias cio dentro da área do edifício. É claro que
e não as en tendeu ou propositadamente as a nenhum leigo era permitida a entrada no
interpretou mal (ver Zc 1:16; 2:5; 6:11; 9:9, templo (ver Êx 29:33), e Neemias teria des-
lO; 12:9; 14:9). pertado o desprazer de Deus e dos sacer-
Consultemos juntamente. Ao enviar dotes caso seguisse o conselho. Portas
graves acusações numa "carta aberta", que separavam o lugar santo do pórtico do
podia ser lida por qualquer pessoa, Samba- templo de Salomão (lRs 6:33, 34), e este
late pensava que Neemias tentaria se livrar também deveria ser o caso com o templo
da suspeita unindo-se a ele na entrevista restaurado. Semaías sugeriu que fechassem
proposta. essas portas para mais segurança.
9. Agora, pois, ó Deus. As palavras 11. Para que viva? Literalmente,
"ó Deus" não estão no hebraico, mas pare- "e viva" (ARC) . Possivelmente Neemias
cem ter sido adicionadas corretamente pe- tinha em mente a ordem de Números [Link]
los tradutores. Estas palavras são parte de "O estranho que se aproximar morrerá."
um a oração. O simples fato de Semaías te r proposto
10. Semaías. Nada mais é conhecido uma ação contrária à vontade revelada de
do profeta Semaías. Pelo menos outros cinco Deus foi evidência suficiente de que ele era
homens que viveram no tempo de Esdras e um falso profeta (ver Gn 3:1-5 ; Mt 4:3-10).
Neemias são mencionados com este nome, 12. Percebi. Neemias não conh ec ia
mas nenhum deles pode ser identificado as razões de Semaías ao enviar o convite
com este Semaías, o filho de Delaías. para visitá-lo em casa. No entanto, a natu-
Que estava encerrado. Esta frase reza da mensagem revelou Semaías como
não pode indicar que Neemias visitou a um falso profeta, e Neemi as o considerou
Semaías em sua casa devido ao fato de o como um impostor. Isso pode ser compa-
último não poder ir até ele por estar ceri- rado com a experiência do "profeta velho"
monialmente impuro , restringido pela mão (ver 1Rs 13:11-19).
do Senhor ou outro motivo. A evidência de Porque [... ] o subornaram. O Fato de
que essa interpretação é incorreta reside Tobias ser mencionado antes de Sambalate,
na proposta de Semaías a Neemias para e não depois (Ne 2:10, 19; 4:7; 6:1), pode
acompanhá-lo à casa de Deus. Segue-se, sugerir que este plano em particular foi
portanto, que Semaías se encerrou em arranjado por Tobias com o apoio de
casa para intimidar Neem ia s, como se Sambalate. Nas outras ocasiões, Sambalate
ele sentisse que sua própria vida corria foi o inimigo mais agressivo.
perigo. Assim, procurou induzir Neemias 13. Tivessem motivo de me infa-
a crer em sua proposta de que ambos mar. Para Neemias, e ntrar e se esconder

460
NEEM IAS 6: 16

dentro do lugar santo teria sido uma grave realmente ocorrido antes do final do quarto
~ .,.. profanação da casa de Deus. Isso daria mês ou no início do quinto mês. Não está
ocasião aos inimigos para lançar suspei- claro, a partir das palavras de Neemias,
tas sobre ele como alguém que despre- como ele computou os 52 dias em que o
zava os mandamentos de Deus. Assim, muro esteve em processo de reconstrução.
sua posição diante do povo seria prejudi- Ele pode ter contado o período a partir de
cada (ver com. do v. 11). A mínima indica- quando retomaram a obra até que estivesse
ção de medo por parte de Neemias, nesse terminada, incluindo os sábados, para que
momento crítico, teria sido fata l para a a quantidade de dias trabalhados fosse so-
disposição de ânimo do povo. A influên- mente 44 ou 45 ; ou ele teria em mente que
cia de Neemias dependia de seu caráter. havia 52 dias de trabalho. Desta forma , o
Um passo em falso, e ele teria perdido período de atividade cobriria cerca de 60
sua influência e a obra em que estava seu dias. No primeiro caso, o início da obra te-
coração teria acabado em nada. ria caído nos primeiros dias de abe (o quin-
14. Noadia. Esta profetiza só é men- to mês), e no último caso, na parte fin al de
cionada aqui. Ao citá-la com outros profe- tamuz (o quarto mês). De acordo com o ca-
tas anônimos e Semaías (v. ll-1 3), Neemias lendário judeu seguido por Neemias, 25 de
sugere que o incidente relatado nos v. lO a elul, no 20° ano de Artaxerxes, era aproxi-
13 foi um entre vários, e que falsos profetas madamente em 21 de setembro de 444 a.C.
novamente atuavam, como no período ante- Alguns comentaristas alegam que 52
rior ao cativeiro, buscando desencaminhar dias não seriam um tempo suficiente para
o povo e os líderes de ouvir a voz dos verda- reconstruir o muro. Esses preferem acei-
deiros profetas (sobre a obra dos falsos profe- tar os dois anos e quatro meses dados
tas no período pré-exílico, ver Is 9:15; 28:7; por Josefo (Antiguidades, xi.5.8) como um
Jr 27:9, lO; 28:9, 15-17; 29:24-32; Ez 13:2, 17; período mais razoável. No entanto, não há
Mq 3:5 -ll). necessidade de rejeitar o número bíblico em
15. Acabou-se, pois, o muro. Embo- favor de Josefo, uma vez que: (l ) a obra de
ra o ano não seja mencionado, tem-se em Neemias não foi uma reconstrução com-
mente o 20° ano de Artaxerxes (ver com. pleta do muro, mas reparos em algumas
de Ne 2:1). Isso concorda com outra de- partes dele (ver com. de Ne 1:3); (2) foi rea-
claração cronológica deste livro. Em nisã lizada apressadamente haja vista as amea-
(o primeiro mês), Neemias recebeu permis- ças de ataque; e (3) a finalização do muro
são do rei para ir a Jerusalém. Ele foi gover- num período tão curto foi tão incrível para
nador em Jerusalém do 20° ano em diante, os inimigos dos judeus que eles a considera-
e deve ter se estabelecido naquele local ram um milagre (cap. 6:16).
imediatamente depois de receber a auto- 16. Nossos inimigos. Sambalate e os
rização real para seus planos (ver Ne 5:14; samaritanos, Tobias e os amonitas, Gesém
13:6). Nesse caso, ele chegou a Jerusalém e os arábios e os asdoditas (ver Ne 4:7) são
durante o quarto mês . Depois de três dias, os "inimigos" especiais referidos neste verso.
ele pesquisou o muro e, logo depois, con- Os "gentios nossos circunvizinhos" eram
vocou uma assembleia pública para apre- outras n ações que viviam na Palestina,
sentar seu plano para a reconstrução do Transjordânia e Síria. Alguns deles eram
muro e para pedir cooperação (Ne 2: ll-17). hostis e não gostavam de qualquer avanço
Tudo isso pode ter ocorrido durante o quar- de prosperidade e poder judeus. O ódio
to mês, de modo que o início da obra teria contra os judeus em determinados grupos

461
6:17 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

durante o tempo de Xerxes, como indicado Mesulão, que se tornou sogro da filha de
pelos eventos descritos no livro de Ester, Tobias, é mencionado entre os que parti-
ainda estava vivo e, como revela a história, ciparam na obra de reedificação do muro
nunca desvaneceu. (Ne 3:4, 30). De acordo com Neemias 13:4,
17. Muitas cartas. Neste verso é lan- Tobias também estava relacionado ao sumo
çada mais luz sobre as desesperadas tenta- sacerdote Eliasibe, mas é possível que esse
tivas de Tobias em arruinar Neemias e fazer relacionamento tenha se iniciado antes do
com que sua obra parasse; e da deslealdade primeiro governo de Neemias. O fato de
de certos homens da nobreza , já sugerida tanto Tobias quanto seu filho Joanã possuí-
no cap. 3:5. Uma vigorosa comunicação foi rem genuínos nomes judeus, com a forma
desenvolvida entre Tobias e esses nobres , abreviada de Yahweh como parte de cada
com o objetivo de atemorizar Neemias nome, leva à conclusão de que eles eram
(v. 19). Este tipo de correspondência não descendentes de israelitas do antigo reino
passou despercebido a Neemias porque a do norte, das dez tribos, e que se uniram
~ ,. maioria era leal a ele. Além disso, pode ser aos amonitas (ver com. de Ne 2:10).
que não tenham sido feitas tentativas para 19. Falavam. O texto hebraico apre-
manter isso em segredo. senta um trocadilho com o nome de Tobias,
18. Muitos emJudá. Por meio de laços que significa "bondade de Yahweh", com
de casamento com duas famílias judaicas, o relato das "boas" obras feitas a Neemias
Tobias fez amigos "ajuramentados" entre a pelos amigos judeus. A ironia é evidente.
nobreza, que utilizavam sua influência para O propósito de tudo isso era fazer Neemias
implementar as políticas dele. pensar bem de Tobias. Esses esforços esta-
Secanias. O sogro de Tobias, Secanias, vam em conformidade com os do falso pro-
filho de Ará, era um respeitável judeu (ver feta Semaías (v. 10-13), cujo propósito era
Ed 2:5). Embora o nome Secanias fosse confundir Neemias com uma advertência
comum nesse período da história judaica, que parecia ser amigável.
esta pessoa em particular não é mencio- Cartas. Possivelmente de conteúdo
nada em outra parte do livro de Neemias. similar às de Sambalate (v. 5, 6).

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1-19 - PR, 653-660 3-5- T3, 574 12 - PR, 655


1-3 - PR, 653 4-8 - PR, 654 13 - PR, 656
3- Ev, 691; PR, 659; T1, 123; lO- PR, 655 15-18- PR, 657
T3, 38, 570;T5, 616 11- PR, 656 19 - PR, 658

462
NEEMIAS 7: I

CAPÍTULO 7
1 Neemias confia o comando de Jerusalém a Hanani e Hananias. 5 Um registro da
genealogia dos que saíram primeiro de Babilônia, 9 do povo, 39 dos sacerdotes,
43 dos levitas, 46 dos servidores do templo, 57 dos servos de Salomão,
63 e dos sacerdotes que não encontraram sua genealogia.
66 O número total, com suas posses. 70 As ofertas deles.

l Ora, uma vez reedificado o muro e assen- ll Os filhos de Paate-Moabe, dos filho s de
tadas as portas , estabelecidos os porteiros , os Jesua e de Joabe, dois mil oitocentos e dezoito.
cantores e os levitas, 12 Os filhos de Elão, mil duzentos e cin-
2 eu nomeei Hanani, meu irmão, e Hananias, quenta e quatro.
maioral do castelo, sobre Jerusalém. Hananias era 13 Os filhos de Zatu, oitocentos e quaren-
homem fiel e temente a Deus, mais do que mui- ta e cinco.
tos outros. 14 Os filhos de Zacai, setecentos e sessenta.
3 E lhes disse: não se abram as portas de 15 Os filh os de Binui, seiscentos e quaren-
Jerusalém até que o sol aqueça e, enquanto os ta e oito.
guardas ainda estão ali, que se fechem as por- 16 Os filhos de Bebai, seiscentos e vinte e
tas e se tranquem; ponham-se guardas dos mo- oito.
radores de Jerusalém, cada um no seu posto 17 Os filhos de Azgade, dois mil trezentos e
diante de sua casa. vinte e dois.
4 A cidade era espaçosa e grande, mas havia 18 Os filhos de Adonicão, seiscentos e ses-
pouca gente nela, e as casas não estavam edifi- senta e sete.
cadas ainda . 19 Os filhos de Bigvai, dois mil e sessenta
5 Então, o meu Deus me pôs no coração que e sete.
ajuntasse os nobres, os magistrados e o povo, 20 Os filhos de Adim, seiscentos e cinquen-
para registrar as genealogias. Achei o livro da ta e cinco.
genealogia dos que subiram primeiro, e nele es- 21 O s filhos de Ater, da família de Ezequias,
tava escrito: noventa e oito.
6 São estes os filhos da província que su- 22 Os filhos de Hasum, trezentos e vinte e
biram do cativeiro, dentre os exilados , que oito.
Nabucodonosor, rei da Babilônia, levara para 23 O s filho s de Besai, trezentos e vinte e
o exílio e que voltaram para Jerusalém e para quatro.
Judá, cada um para a sua cidade, 24 Os filh os de Harife, cento e doze .
7 os quais vieram com Zorobabel, Jesua, 25 Os filhos de Gibeão, noventa e cinco.
Neemias, Azarias, Raamias, Naamani, 26 Os homens de Belém e de Netofa, cento
~ ., Mordecai, Bilsã , Misperete, Bigvai, Neum e e oitenta e oito.
Baaná. Este é o número dos homens do povo 27 Os homens de Anatote, cento e vi nte e
de Israel: oito.
8 foram os filhos de Parós, dois mil cento e 28 Os homens de Bete-Azmavete, quaren-
setenta e dois. ta e dois.
9 Os filhos de Sefatias, trezentos e seten- 29 O s homens de Quiriate-Jearim, Cefira e
ta e dois. Beerote, setecentos e quarenta e três.
lO Os filhos de Ará, seiscentos e cinquen- 30 Os homens de Ramá e Geba, seiscentos
ta e dois. e vinte e um.

463
7: I COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

31 Os homens de Micmás, cento e vinte e 54 os filhos de Bazlite, os filhos de Meída,


dois. os filhos de Harsa ,
32 Os homens de Bete! e Ai, cento e vinte 55 os filhos de Barcos, os fi lhos de Sísera, os
e três . filhos de Tama,
33 Os homens do outro Nebo, cinquenta e 56 os filhos de Nesias e os filhos de Hatifa.
dois. 57 Os filhos dos servos de Salomão: os fi -
34 Os filhos do outro Elão, mil du zentos e lhos de Sotai, os filhos de Soferete, os filhos de
cinquenta e quatro . Perida,
35 Os fi lhos de Harim, trezentos e vinte. 58 os filhos de Jaala, os filhos de Darcom, os
36 Os filhos de Jericó, trezen tos e quaren- filhos de Gidel,
ta e cinco. 59 os filhos de Sefatias, os filhos de Hatil,
37 Os fi lhos de Lode, H adide e Ono, sete- os filhos de Poquerete-Hazebaim e os filhos de
centos e vinte e um. Amom.
38 Os fi lhos de Senaá, três mil novecentos 60 Todos os servidores do templo e os fi-
e trinta . lhos dos servos de Salomão, trezentos e noven-
39 Os sacerdotes: os filhos de Jedaías, da ta e dois.
casa de Jesua, novecentos e setenta e três. 61 Os seguintes subiram de Tel-Melá, Te!- <li ~
40 Os filhos de Imer, mil e cinquenta e dois. H a rsa, Querube, Adom e Imer, porém não
41 O s fi lhos de Pasur, mil duzentos e qua- puderam provar que as suas famílias e a sua li-
renta e sete. nhagem eram de Israel:
42 Os filhos de H arim, mil e dezessete. 62 os filhos de Delaías , os filhos de Tobias,
4 3 Os levitas : os fi lhos de Jesua, de Cadmiel, os filhos de Necoda, seiscentos e quarenta e
dos filhos de Hodeva, setenta e quatro . dois .
44 Os cantores: os filhos de Asafe, cento e 63 Dos sacerdotes: os fi lhos de Habaías, os
quarenta e oito. filhos de Coz, os fi lh os de Barzilai, o qual se
45 Os porteiros: os filhos de Salum , os fi- casou com uma das filhas de Barzilai, o gileadi-
lhos de Ater, os filhos de Talmom, os filhos de ta, e que foi chamado pelo nome dele .
Acube, os filhos de Hatita, os fi lhos de Sobai, 64 Estes procuraram o seu registro nos li-
cento e trinta e oito. vros genealógicos, porém o não acharam ; pelo
46 Os servidores do templo: os filhos de Zia, que foram tidos por imundos para o sacerdócio.
os fi lhos de Hasufa, os filhos de Tabaote, 65 O governador lhes disse que não comes-
47 os filhos de Queros, os filhos de Sia, os sem das coisas sagradas, até que se levan tasse
fil hos de Padom, um sacerdote com Urim e Tumim.
48 os filhos de Lebana, os filhos de Hagaba, 66 Toda esta congregação junta foi de qua-
os filhos de Salmai, renta e dois mi l trezentos e sessenta ,
49 os filhos de Hanã, os filhos de Gidel, os 67 afora os seus servos e as suas servas, gue
filhos de Gaar, foram sete mil trezentos e trinta e sete; e ti-
50 os filhos de Reaías , os filhos de Rezim, os nham duzentos e quarenta e cinco cantores e
filhos de Necoda, cantoras.
51 os filhos de Gazão, os filhos de Uzá, os fi- 68 Os seus cavalos, setecentos e trinta e
lhos de Paséia, seis; os seus mulos, duzentos e quarenta e cinco.
52 os filhos de Besai, os filhos de Meunim, 69 Camelos , quatrocentos e trinta e cinco;
os fi lhos de Nefusesim, jumentos, seis mil setecentos e vinte.
53 os filhos de Baquebuque, os filhos de 70 Alguns dos cabeças das famílias contri-
Hacufa, os fi lhos de Harur, buíram para a obra. O governador deu para o

464
NEEMIAS 7:5

tesouro, em ouro, mil daricos, cinquenta bacias 72 O que deu o restante do povo foi , em
e quinhentas e trinta vestes sacerdotais. ouro, vinte mil daricos, e dois mil arráteis em
71 E alguns mais dos cabeças das famílias prata, e sessenta e sete vestes sacerdotais.
deram para o tesouro da obra, em ouro, vinte 73 Os sacerdotes, os levitas, os porteiros, os
mil daricos e, em prata, dois mil e duzentos cantores, alguns do povo, os servidores do tem-
arráteis. plo e todo o Israel habitavam nas suas cidades.

1. Os porteiros. De acordo com um cos- Fechem as portas. Não é dado o horá-


tume antigo, era dever dos porteiros vigiar a rio para se fech arem as portas. A frase expli-
casa de Deus e abrir e fechar as portas do cativa "enquanto os guardas ainda e stão
pátio do templo (lCr 9:17-19; 26:12-19). ali" possivelmente signifique que as portas
Os cantores. Normalmente os canto- deveriam ser fechadas e trancadas antes de
res e os levitas nomeados para auxiliar os os guard as deixarem o serviço.
sacerdotes não tinham a incumbência de Ponham-se guardas. O significado
guardar o templo. Em vista da circunstân- da última parte do v. 3 é que, dura nte a
cia extraordinária desse período, Neemias noite, quando as portas estavam fechadas,
designou a estes dois grupos a tarefa adicio- os moradores de Jerusalém deveriam estar
nal de vigiar os muros e portas da cidade. alertas e disponíveis para se defender con -
2. Hanani, meu irmão. Ver com. tra ataques.
de Ne 1:2. Estava em conformidade com Cada um no seu posto. Esta fras e
a prática oriental que Neemias nomeasse indica um tipo militar regular de organiza-
Hanani para ser um dos maiorais da cidade ção. Os guardas estavam divididos em vigí-
de Jerusalém. Sua lealdade a Neemias lias, trabalhando determinado período por
era evidente. Refaías e Salum estavam no dia e durante a noite.
comando de distritos mais distantes e dos 4. Casas não estavam edificadas.
subúrbios de Jerusalém (cap. 3:9, 12). Isto não significa que não houvesse casa
Hananias. O nome Hanaias é recor- alguma , porque a cid ade era habitada havia -<~ ~
rente (Ed 10:28; Ne 3:8; 10:23; 12:12, 41) e 90 anos. Quer dizer que proporcion almente
é difícil dizer se indica uma única pessoa ou ao tamanho da cidade, poucas casas foram
várias. Este Hananias, no entanto, parece reconstruídas e havia muito espaço deso-
ser uma pessoa diferente das m encionadas cupado para se construir. Quando chegou
em outros textos. Neemias lhe conferiu uma a Jeru sa lém , Neemias encontrou o templo
posição de confiança em virtude de seu cará- restaurado, m as a maior parte da cidade
ter, como sendo um homem fiel e temente a ainda estava em ruínas. A nova condição
Deu s, "m ais do que muitos outros". era basicamente agrícola e funcionava sem
Maioral do castelo. Possivelmente da uma capital. No entanto, naquele momento
fortaleza do templo (ver com. de Ne 2:8). a cidade estava murada, era segura como
3. Até que o sol aqueça. As portas das residência e adequada para ser uma capital.
cidades eram abertas normalmente ao nas- O problema que Neemias enfrentava era
cer do sol. Mas, durante este período crí- convencer as pessoas a viver na cidade e crer
tico, foram necessárias precauções extras. que ali estariam seguras .
Por isso as portas não deveriam ser abertas 5. Deus me pôs no coração. Con-
até mais tarde, durante a manhã, qua ndo templando os vastos espaços vazios dentro
todos os guardas estariam em seus postos. dos muros da cidade, Neemias pen sava no

465
7:7 COM ENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

que fazer para remediar a situação. Ele foi para Mispar, etc. Muitos comentaristas con-
impressionado a fa zer um censo do povo, sideram as variações como erros de escri-
que forneceria informação sobre as popu- bas. No entanto, essas diferenças podem ser
lações relativas à cidade e à região. A par- melhor explicadas com base numa lista feita
tir dali tamb ém poderia ser determinado em Babilônia antes de a caravana deixar a
que cidades e distritos teriam os melhores Judeia, enquanto a outra é cópia de uma lista
recursos para contribuir com o reassenta- revisada do último período na Palestina.
mento de Jerusalém. O censo, segundo o 25. Gibeão. Em vez de Gibeão, Esdras
costume h abitual judaico, seria por fa mílias 2:20 fala de Gibar, outro nome desconheci-
(ver N m 1:17-47; 1Cr 21:5, 6). do . Gibar pode ser uma forma variante do
Achei o livro. Isto é, o registro dos nome Gibeão, ou erro de escriba. No entan-
exilados que voltaram de Babilôn ia lidera- to, é preferível considerar Gibeão.
dos por Zorobabel e Jesua (E d 2). Neemias 43. De Jesua. O texto paralelo de
incluiu uma cópia deste registro em seu Esdras 2:40 parece oferecer uma traduç ão
memoria l, preservando, assim, duas cópias: melhor para N eemias 7:43 (ver também
uma em Esdras 2:1-70 e outra em Neemias Ed 3:9). Este verso poderia ser tradu-
7:6 -73. zido como: "Jesua e Cadmiel dos filho s de
As duas listas são quase idênticas; no Hodeva". Es te ancestral de Jesu a e Cadmiel
entanto, mostram pequenas diferenças (ver ocorre de três formas: Hodeva, Hodavias
com . de Ed 2:2; a respeito dos nomes na (Ed 2:40) e Judá (Ed 3:9).
lista de Neemias, ver com. desses nomes 70. O tirsata deu (ARC). Ou, "o gover-
em Ed 2:1-70). Somente as variações mais nador deu" (ARA; ver com. de Ed 2:63). Isto
importantes serão consideradas aqui . é um acréscimo a Esdras 2:68 e 69. Na lista
7. Naamani. Neste verso, N aamani anterior, a oferta de Zorobabel não é listada
é acrescentado aos 11 nomes apresenta- separadamente dos outros chefes de famí-
dos em Esdras 2:2. Há também leves dife- lia. O relato na lista de Neemias é mais
renças na grafia dos nomes: Azarias para detalhado e talvez mais exato do que o que
Seraías, Raamias para Reelaías, Misperete foi apresentado na outra cópia.

CAPÍTULO 8
1 O modo religioso de se ler e ouvir a lei. 9 Neemias e Esdras confortam o povo.
13 O zelo deles em ouvir e receber instntção. 16 A Festa dos Tabernáculos.

1 Em chegando o sétimo mês, e esta ndo os entender o que ouviam. Era o primeiro dia do
filh os de Israel nas suas cidades, todo o povo se sétimo mês .
ajuntou como um só homem , na praça, d iante 3 E leu no livro, diante da praça , que está
da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o es- fronteira à Porta das Águas, desde a alva até ao <C ~
criba, que trouxesse o Livro da Lei de Moisés, meio-dia , perante homens e mulheres e os que
que o SENHOR tinha prescrito a Israel. podiam entender; e todo o povo tinha os ouvidos
2 Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei peran- atentos ao Livro da Lei.
te a congregação, tanto de homens como de 4 Esdras, o escriba, estava num púlpito de
mulheres e de todos os que eram capazes de madeira, que fi zeram para aquele fim; estava m

466
NEEMIAS 8: 1

em pé junto a ele, à sua direita, l\llatitias, Sema, 12 Então, todo o povo se foi a comer, a beber,
Anaías, Urias, Hilquias e Maaseias; e à sua es- a enviar porções e a regozijar-se gra ndemen te,
querda, Pedaías, J\il isael, Malquias, Hasum , porque tinham entendido as palav ras que lhes
Hasbadana, Zacarias e Mesulão. foram explicadas.
5 Esdras abriu o livro à vis ta de todo o povo, l3 No dia seguinte, ajuntaram-se a Esdras,
porque estava acima dele; abrindo-o ele, todo o o escriba, os cabeças das famílias de todo o
povo se pôs em pé. povo, os sacerdotes e os levitas , e isto para aten-
6 Esdras bendisse ao SENHOR , o grande tarem nas palavras da Lei.
Deus; e todo o povo respondeu: Amém! Amém! 14 Acharam escrito na Lei que o SENHOR
E, leva ntando as mãos; inclinara m-se e adora- ordenara por intermédio de Moisés que os fi-
ra m o SENHOR, com o rosto em terra. lhos de Israel habitassem em cabanas, durante a
7 E Jesua, Bani, Serebias, Jamim , Acube, festa do sétimo mês;
Sabetai , Hodias, Maaseias, Quelita, Azarias, 15 que publicassem e fi zessem passar pre-
Jozabade, Hanã, Pelaía s e os levitas ensinavam gão por todas as suas cidades e em Jer usa lém,
o povo na Lei; e o povo estava no seu lugar. di zendo: Saí ao monte e trazei ra mos de oli vei-
8 Leram no livro, na Lei de Deus, claramen- ras, ramos de zambujeiros, ramos de murtas,
te, dando explicações, de maneira que enten- ra mos de palmeiras e ramos de árvores fro ndo-
dessem o que se lia. sas, para fa zer cabanas, como está escrito.
9 Neemias, que era o governador, e Esdras, 16 Saiu, pois, o povo, trouxeram os ramos
sacerdote e escriba, e os levitas que ensinavam e fi zeram para si caba nas, cada um no seu ter-
todo o povo lhe dissera m: Este dia é consagra- raço, e nos seus pátios, e nos átrios da Casa de
do ao SENHOR, vosso Deus, pelo que não pran- Deus , e na praça da Porta das Águas, e na praça
teeis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, da Porta de Efraim.
ouvindo as palavras da Lei. 17 Toda a congregação dos que tinham vol-
lO Disse-lhes mais: ide, comei carnes gor- tado do cativeiro fe z caba nas e nelas habitou ;
das , tornai bebidas doces e enviai porções aos porque nunca fi zeram assim os filhos de Israel,
que não têm nada preparado para si; porque este desde os dias de Josué, filho de Num, até àq ue-
dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto, não le dia; e houve mui grande alegria.
vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é 18 Dia após dia, leu Esdras no Livro da
a vossa força. Lei de Deus, desde o primeiro dia até ao últi-
li Os levitas fizeram calar todo o povo, di- mo; e celebraram a festa por sete dias; no oita-
zendo: Ca lai-vos, porque este dia é santo; e não vo dia, houve uma assembleia solene, segu ndo
estejais contristados . o prescrito.

1. Todo o povo se ajuntou. A intro- a celebração das grandes festas do sétimo


dução a Neemias 8 é idêntica à de Esdras 3 mês e para instrução religiosa . Não p a rece
(Ne 7:73- 8:1; cf. Ed 3:1). O m e smo ass unto que o p ovo foi convocado para esta reun ião,
(o ajuntamento do povo ao se aproximar o mas chegaram ao templo n aquela época,
sétimo mês) é descrito com palavras idên- como de costume. É, portan to, possível
ticas. No entanto, o obj etivo deste ajunta- que Esdras tenh a instituído esses e ncon-
m ento do povo era diferente do m en cionado tros após seu retorno de Babilôn ia , 13 anos
em Esdras 3. Lá , eles se reuniram para an tes, e que se tornou um h ábito n a Jude ia
restaurar o altar do holocausto e a adora- a re união em Jerusalém no início do a no
ção sacrificai; aqui, eles se re uniram para civil (ver vol. 2, p. 9 4) para instrução e

467
8:2 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

celebração das três grandes festas daquele Em pé junto a ele. Seis pessoas, pos-
mês: a Festa das Trombetas, o Dia da Expia- sivelmente sacerdotes, estavam em pé à
~ ._ ção e a Festa dos Tabernáculos (Lv 23:24- direita de Esdras e sete à sua esquerda.
43; ver com. de Êx 23:14; Dt 6:16). No livro apócrifo de 1 Esdras, são mencio-
Porta das Águas. A este respeito, ver nadas sete pessoas em pé à sua direita, e o
com. de Ne 3:26. nome de Azarias foi inserido entre Anaías e
Disseram. É notável que o povo Urias. Talvez Urias seja o pai de Meremote
pedisse instrução. Embora muitos foss em (Ne 3:4, 21); Maaseias, o pai de Azarias
negligentes quanto à observação da lei, (cap. 3:23); Pedaías, a pessoa mencionada
eles sentiram desejo de ouvi-la. Não es ta- no cap. 3:25; o Azarias inserido, se acei-
vam satisfeitos com as condições dominan- tarmos o registro de 1 Esdras , pode ser o
tes e queriam alcançar um nível elevado na mesmo de Neemias 3:23; ao passo que
experiência espiritual e estavam convenci- Mesulão é mencionado no cap. 3:4 e 6; e
dos de que ouvir a Palavra de Deus lhes tra- Malquias, no cap. 3:11, 14 e 31.
ria benefícios. 5. Todo o povo se pôs em pé. Nas
Esdras, o escriba. Ver com. de Ed 7:6. reuniões públicas normalm en te os judeus
O Livro da Lei. O povo estava familia- se sentam para ouvir, embora ocasional-
rizado com o Pentateuco, mencionado neste mente permaneçam em pé para a oração.
verso, e sabia que Esdras era versado nele. Não se deve supor que permaneceram
2. O primeiro dia. O dia de ano em pé durante as seis horas d e leitura
novo do calendário civil (ver vol. 2 p. 94). e instrução. A tradição rabínica declara
Este primeiro dia do sétimo mês era dis- que desde os dias de Moisés era costume
tinto das outras luas novas do ano como a entre os israelitas sentar-se durante a lei-
Fes ta das Trombetas, e celebrava-se como tura da lei.
grande fest a por meio de uma reunião 6. Esdras bendisse ao SENHOR.
sol ene e pausa do trabalho (Lv 23:23-25; A bênção de Esdras pode ter começado
Nm 29:1-6). com uma frase de gratidão, como a de
3. Desde a alva até ao meio-dia. Davi (lCr 29:10), mas dificilmente com um
A instrução durou cinco ou seis horas. salmo completo (como em 1Cr 16:8-36).
Os v. 4 a 8 mostram que não consistiu ape- Amém! Amém! A repetição assinala a
nas em leitura incessante, mas era alter- intensidade do sentimento (ve r 2Rs 11: 14;
nada com interpretações explicativas da lei Lc 23:21).
pelos levitas. Levantando as mãos. Era costume
4. Púlpito de madeira. Isto pode ser judeu levantar as mãos em oração, ver
comparado com a palavra "coluna" (ver 2Rs SI 134:2; lTm 2:8; etc.
11:14; 23:3, em que o termo utilizado é Rosto em terra. Ver 2Cr 7:3.
'mnmud, "estar de pé"). Neste verso é uti- 7. E os levitas. Visto que todos os
lizado o heb. migdal, que normalmente sig- homens citados neste verso são levitas
nifica "torre". Deve ter sido um a tribuna (sobre alguns deles, ver Ne 9:4, 5), esta
alta, caso o termo "torre" possa ser usado frase significa "e o restante dos levitas"; ou,
para descrevê-la. Daí a tradução "púlpito" a palavra hebraica we, "e", deve ser tradu-
estar justificada, com a compreensão de zida como "mesmo" ou "isto é ".
que era um "púlpito" alto para que todo o O povo estava. Literalm e nte, "na
povo visse com facilidade e ouvisse Esdras posição do povo". O sentido é que as pes-
e seus companheiros. soas perman eceram em seus lu ga res e não

468
NEEM IAS 8: 13

se dispersara m. Todos es tavam profund a- 9. O tirsata (ARC). O governador (ver


m e nte interes sados no alimento espiritual. com. de Ed 2:63).
8. Claramente. Do heb. meforash, "ser Não pranteeis. A porção lid a deve
explicado", da raiz parash, "separar", "espe- ter impressionado profunda m ente a mul-
cific ar" (ver com. de Ed 4 :18). Apesar de tidão. As leitura s da Escritura consistiam
parash ocorrer várias vezes no AT, seu sen- em de te rminadas seções de Deuteronômio
tido exato não é sempre constante . Embora junto a outras partes d a Torah, seleciona-
a tradução "claramente" ou "declarando" das p ara convencer o povo de seu pecado
seja possível, muitos e ruditos preferem e m tra n sgredir os m a nda m entos de D e u s
"com interpretação", enfatizando, assim, a e para le mbrá-lo d as punições qu e pode-
ideia de tornar claro à mente o sentido, em riam sofrer. E les ficara m tão comovidos
vez de simplesmente soar claro aos ouvidos. que pra ntearam e chorara m. Isto levou
Obvia mente o primeiro incluiria o último, Neemias, Esdras e os levitas a encorajá-los
porque a audiência devi a ouvir distinta- e confortá-los.
m ente antes de conseguir compreender o 10. Enviai porções. Ver Et 9: 19, 22.
:;;"' sentido. Outros sugerem "em seções", sig- É apropri ado que os que pode m comparti-
nifica ndo que porções da lei foram lid as e lh em com os que tê m pouco ou n ada, par-
explicadas altern ad a m ente. Alguns pen- ticularmente em ocasiões festivas, a fim de
sam que o costume de se ler uma passagem se alegrare m juntos (ver Dt 16: 14).
curta da Escritura e m h ebraico e explicá- A alegria do SENHOR. A opinião
la e m aramaico e ntrou em uso após o exí- comum de qu e a religião judaica era so m-
lio, quando o aramaico passou a substituir o bria e a uste ra é errônea. Essas normas
he braico (ver Ne 13:24) como a linguagem rituai s e cerimoniais era m detalhadas e
comum do povo (ver vol. 1, p. 5, 6; ver com. solenes, no e ntanto h av ia alegria nos serv i-
de Lc 4:16). ços . As exigê nc ias ritu ais incluíam sac rifí-
Dando explicações. Isto te m sido cios de ação de graças , dos quais a grande
inte rpretado como se os levitas traduzis- maioria era com ida pelo ofertante e seus
sem as palavras hebraicas para o aramaico amigos numa refeiç ão festiva (Dt 27:6 , 7) .
popul a r. O dia de sábado , como planejado origi-
De acordo com os v. 5 a 8, somente na lme nte, estava longe d e ser um a oca-
os levitas pa rece m ter lido o livro da lei e sião sombria , como alguns imaginam.
explicado o que traduzia m. Esdras p arece Pelo contrário, era um di a de deleite espi-
apenas ter aberto o livro (v. 5) e presidido ritual , alegria e conte ntame nto (Is 58:14).
a reunião. No entanto, os v. 2 e 3 decl aram Dos outros p eríodos separados para obser-
que o próprio Esdras leu para o povo reu- vâ ncias religiosas especiais , e m apenas um
nido. Assim , parece que os v. 4 a 8 são uma as pessoas "afligia m" a alm a (Lv 23:27).
declaração mais detalhada do que está rela- Nos outras, ocorriam festas para a co me-
tado nos v. 2 e 3. Esdras pode ter sido o pri- moração da bondade de D e us e para Lhe
m eiro leitor, enqu a nto que os levitas, m ais re nder louvores.
tard e, se uniram a ele n a leitura e explica- 13. No dia seguinte. Tendo d edi-
ção d a lei . O único ponto incerto é se os cado a primeira metade do dia do a no novo
13 levitas interpreta ram a lei sucessiva ou (o dia em qu e se iniciava o ano civil) para
simultanea me nte a diferente s gr upos de ouvir a instrução do livro da lei e a segund a
pe ssoas. O último ponto de vi sta possivel- p arte para fes tividades, o povo retornava
m e nte seja o correto. a seu s la res . Os chefes de famílias e das

469
8:14 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

cidades, no en tanto , se reuniam com os 16. Terraço. As coberturas planas das


sacerdotes e outros funcionários eclesiás- casas orientais e os pátios ao redor, como
ticos no dia seguinte para instruções per- normalmente eram feitos, forneciam loc ais
tinentes a atividades adicionais do sétimo convenientes para as cabanas e poderiam
mês do calendário eclesiástico (ver vol. 2, ser utilizados pelos moradores de Jerusalém.
p. 93, 94). Visitantes da região (ver v. 15) ocupavam os
14. Escrito na Lei. A lei acerca da espaços abertos na cidade e o pátio do tem-
Festa dos Tabernáculos é encontrada em plo, onde muitos eram acomodados.
Levítico 23:39 a 43 . O povo era ordenado Porta das Águas. Ver v. 1 e com. de
a participar da festa com alegria (Dt 16:13, Ne 3:26.
14). O costume de habitar em cabanas, é Porta de Efraim. Esta porta ficava
baseado em Levítico 23:43. Essa prática entre o Muro Largo e a chamada Porta Velha
caiu em desuso durante o cativeiro, bem (cf. Ne 12:38, 39), e, portanto, devia estar
como depois de seu reavivamento temporá- no muro ocidental. Sua ausência na lista
rio feito por Zorobabel (Ed 3:4). do cap. 3 pode ser devida a uma lacuna em
15. Saí ao monte. O texto hebraico algum ponto dos v. 6 a 8, ou ao fato de esta
parece sugerir que esta declaração e a porta em particular ter sido completada antes
seguinte foram citadas das Escrituras, mas da chegada de Neemias. Se ela não foi quei-
este não é o caso. Esta dificuldade é evitada mada pelos inimigos que atacaram a cidade
pela LXX, que insere "e Esdras disse", entre (ver cap. 1:3), não precisou de reparos.
"Jerusa lém" e "saí"; a ARA e a ARC inserem 17. Nunca fizeram assim os filhos
"dizendo" no mesmo ponto. de Israel. Isto não significa que os israe-
Zambujeiros. Do heb. 'ets shemen, litas não celebravam a festa desde os dias
literalmente, "oliveira", geralmente tradu- de Josué, na invasão de Canaã, porque, de
zido como "oliveiras silvestres" (NVI), neste acordo com Esdras 3:4, os que retornaram
texto. No entanto, é questionável que a do cativeiro naquela época a realizaram no
árvore da oliveira silvestre ou do zambujeiro, primeiro ano de seu retorno. Uma celebra-
que contém pouco ou nenhum óleo, tenha ção militar também é mencionada em liga-
~ ~~- recebido este nome. Portanto, foi feita uma ção com a dedicação do templo de Salomão
sugestão de que significaria uma árvore (2Cr 7: 10; 1Rs 8:65). Por isso, o texto deve
resinosa, talvez o pinheiro. De acordo com ter o sentido de que, desde os dias de Josué,
1 Reis 6:23, 31 e 32, sua madeira era utili- não houve celebração geral dessa festa,
zada como barras, enquanto a madeira da como aconteceu naquele momento (ver
oliveira silvestre era de pouco valor para o com. do v. 14).
propósito descrito neste verso. Josué. Esta é uma contração de
Ramos de palmeiras. Ou, da tamareira. Jehoshua, normalmente traduzido como
Árvores frondosas. A mesma expres- "Josué" (Êx 17:9; etc.). A forma grega deste
são usada em Levítico 23:40, no entanto, nome é Jesus (ver At 7:45; Hb 4:8; ver com.
em ambas as referências o significado é de Mt 1:1).
incerto. Talvez o autor tivesse em mente 18. Ele lia (ARC). "Ele" deve se refe-
árvores de folhagem frondosa. É curioso que rir a Esdras (ver ARA), embora ele não seja
duas das árvores ordenadas em Levítico 23 mencionado desde o v. 13. A leitura siste-
são omitidas neste verso, enquanto outras mática e diária da lei pode sugerir que este
três são adicionadas: a oliveira, o pinheiro era um ano sabático e que ocorria a repeti-
e a murta. ção ordenada em Deuteronômio 31:10 a 13.

470
NEEMIAS 9: l

Celebraram a festa. Ver Lv 23:34; Nm Segundo o prescrito. É possível que


29:12-34; Dt 16:1 3. se refira a um costume estabelecido regu-
Oitavo dia. Esta era a celebração do larmente. Esta é mais uma indicação de
oitavo dia ordenada em Levítico 23:36 (ver que a festa foi observada continuamente.
também Nm 29: 35).

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

l-18 - OTN, 216; 4, 6 - PR, 66 1 lO - GC, 477


PR, 661-665 7-10 - PR, 662 12 - PR, 662
2 - PR, 661 8- PJ, 335 13-18 - PR, 665
3 - PR, 662 9, lO - CBV, 281 15-17 - CBV, 282

CAPÍTULO 9
1 Jejum solene e o arrependimento do povo. 4 Os levitas fazem uma confissão
religiosa da bondade de Deus e da perversidade deles.

N o dia vinte e quatro deste mês, se ajunta- neles ; e Tu os preservas a todos com vida, e o
ram os filhos de Israel com jejum e pano de saco exército dos céus Te adora.
e traziam terra sobre si . 7 Tu és o SENHOR, o Deus que elegeste
2 Os da linhagem de Israel se apartaram de Abrão, e o ti ras te de Ur dos caldeus, e lhe pu-
todos os estranhos, puseram-se em pé e fi zeram seste por nome Abraão.
confissão dos seus pecados e das iniquidades de 8 Achaste o seu coração fie l perante Ti e
seus pais. com ele fi zeste aliança, para dares à sua des-
3 Levantando-se no seu lugar, leram no cendência a terra dos cananeus, dos heteus, dos
Livro da Lei do SENHOR, seu Deus, uma quar- amorreus, dos ferezeus, dos jebuseus e dos gir-
~ ~-- ta parte do dia; em outra quarta parte dele fi ze- gaseu s; e cumpriste as Tuas promessas, por-
ram confissão e adoraram o SENHOR , seu Deus. quanto és justo.
4 Jesua, Bani, Cadmiel, Sebanias, Buni, 9 Viste a aflição de nossos pais no Egito, e
Serebias, Bani e Quenani se puseram em pé no lhes ouviste o clamor junto ao Mar Vermelho.
estrado dos levitas e clamaram em alta voz ao lO Fizeste sinais e milagres contra Faraó e
SENHOR, seu Deus. seus servos e contra todo o povo da sua ter ra,
5 Os levitas Jesua, Cadmiel, Ba ni, porque soubeste que os trataram com soberba;
H asabneias, Serebias, Hodias, Sebanias e e, assim, adquiriste renome, como hoje se vê.
Petaías disseram: Levantai-vos, bendizei ao ll Dividiste o mar p erante eles, de m a-
SENHOR, vosso Deus , de eternidade em eterni- neira que o atravessaram em seco; lanças te os
dade. Então, se disse: Bendito seja o nome da seus perseguidores nas profundezas , como uma
Tua glória, que ultrapassa todo bendizer e louvor. pedra nas águas impetuosas.
6 Só Tu és SENHOR, Tu fi zeste o céu, o céu 12 Guiaste-os, de dia, por uma coluna de
dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo nuvem e, de noite, por uma coluna de fogo , para
quanto nela h á, os mares e tudo quanto há lhes alumiar o caminho por onde haviam de ir.

471
9: l COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

13 Desceste sobre o monte Sinai, do céu fa- 24 Entraram os filhos e tomaram posse da
laste com eles e lhes deste juízos retos, leis ver- terra; abateste perante eles os moradores da
dadeiras, estatutos e mandamentos bons. terra, os cananeus, e lhos entregaste nas mãos,
14 O Teu santo sábado lhes fizeste conhe- como também os reis e os povos da terra, para
cer; preceitos, estatutos e lei, por intermédio de fazerem deles segundo a sua vontade.
Moisés, Teu servo, lhes mandaste. 25 Tomaram cidades fortificadas e terra fér-
15 Pão dos céus lhes deste na sua fome e til e possuíram casas cheias de toda sorte de coi-
água da rocha lhes fizeste brotar na sua sede; sas boas, cisternas cavadas, vinhas e olivais e
e lhes disseste que entrassem para possuírem a árvores frutíferas em abundância; comeram, e
terra que, com mão levantada, lhes juraste dar. se fartaram, e engordaram, e viveram em delí-
16 Porém eles, nossos pais, se houveram so- cias, pela Tua grande bondade.
berbamente, e endureceram a sua cerviz, e não 26 Ainda assim foram desobedientes e se re- <1 ~
deram ouvidos aos Teus mandamentos. voltaram contra Ti; viraram as costas à Tua lei
17 Recusaram ouvir-Te e não se lembra- e mataram os Teus profetas, que protestavam
ram das Tuas maravilhas, que lhes fizeste; contra eles, para os fazerem voltar a Ti; e come-
endureceram a sua cerviz e na sua rebelião le- teram grandes blasfêmias.
vantaram um chefe, com o propósito de volta- 27 Pelo que os entregaste nas mãos dos seus
rem para a sua servidão no Egito. Porém Tu, ó opressores, que os angustiaram; mas no tempo
Deus perdoador, clemente e misericordioso, tar- de sua angústia, clamando eles a Ti, dos céus Tu
dio em irar-Te e grande em bondade, Tu não os os ouviste; e, segundo a Tua grande misericór-
desamparaste, dia, lhes deste libertadores que os salvaram das
18 ainda mesmo quando fizeram para si um mãos dos que os oprimiam.
bezerro de fundição e disseram: Este é o teu 28 Porém, quando se viam em descanso, tor-
Deus, que te tirou do Egito; e cometeram gran- navam a fazer o mal diante de Ti; e Tu os de-
des blasfêmias. samparavas nas mãos dos seus inimigos, para que
19 Todavia, Tu, pela multidão das Tuas mi- dominassem sobre eles; mas, convertendo-se eles
sericórdias, não os deixaste no deserto. A colu- e clamando a Ti, Tu os ouviste dos céus e, segun-
na de nuvem nunca se apartou deles de dia, para do a Tua misericórdia, os livraste muitas vezes.
os guiar pelo caminho, nem a coluna de fogo de 29 Testemunhaste contra eles, para que vol-
noite, para lhes alumiar o caminho por onde ha- tassem à Tua lei; porém eles se houveram so-
viam de ir. berbamente e não deram ouvidos aos Teus
20 E lhes concedeste o Teu bom Espírito, mandamentos, mas pecaram contra os Teus
para os ensinar; não lhes negaste para a boca o juízos, pelo cumprimento dos quais o homem
Teu maná; e água lhes deste na sua sede. viverá; obstinadamente deram de ombros, endu-
21 Desse modo os sustentaste quarenta anos receram a cerviz e não quiseram ouvir.
no deserto, e nada lhes faltou; as suas vestes não 30 No entanto, os aturaste por muitos anos
envelheceram, e os seus pés não se incharam. e testemunhaste contra eles pelo Teu Espírito,
22 Também lhes deste reinos e povos, que por intermédio dos Teus profetas; porém eles
lhes repartiste em porções; assim, possuíram a não deram ouvidos; pelo que os entregaste nas
terra de Seom, a saber, a terra do rei de Hesbom mãos dos povos de outras terras.
e a terra de Ogue, rei de Basã. 31 Mas, pela Tua grande misericórdia, não
23 Multiplicaste os seus filhos como as es- acabaste com eles nem os desamparaste; por-
trelas do céu e trouxeste-os à terra de que ti- que Tu és Deus clemente e misericordioso.
nhas dito a seus pais que nela entrariam para a 32 Agora, pois, ó Deus nosso, ó Deus gran-
possuírem. de, poderoso e temível, que guardas a aliança e a

472
NEEMIAS 9: 4

misericórdia, não menosprezes toda a aflição que fértil que puseste diante deles não Te serviram,
nos sobreveio, a nós, aos nossos reis, aos nossos nem se converteram de suas más obras.
príncipes, aos nossos sacerdotes, aos nossos pro- 36 Eis que hoje somos servos; e até na
fetas, aos nossos pais e a todo o Teu povo, desde terra que des te a nossos pais, para comerem
os dias dos reis da Assíria até ao dia de hoje. o seu fruto e o seu bem , eis que somos ser-
33 Porque Tu és justo em tudo quanto tem vos nela.
vindo sobre nós; pois Tu fielmente procedeste, e 37 Seus abundantes produtos são para os
nós, perversamente. reis que puseste sobre nós por causa dos nos-
34 Os nossos reis, os nossos príncipes, os sos pecados; e, segundo a sua vontade, domi-
nossos sacerdotes e os nossos pais não guar- nam sobre o nosso corpo e sobre o nosso gado;
daram a Tua lei, nem deram ouvidos aos Teus estamos em grande angústia.
mandamentos e aos Teus testemu nhos, que tes- 38 Por causa de tudo isso, estabelecemos
tificaste contra eles. aliança fiel e o escrevemos; e selaram-na os
35 Pois eles no seu reino, na muita abundân- nossos príncipes, os nossos levitas e os nossos
cia de bens que lhes deste, na terra espaçosa e sacerdotes.

I. Dia vinte e quatro. O 24 o dia do ou pó sobre a cabeça era m enos comum


sétimo mês (tisri), no 21 o ano de Artaxerxes I, (1 Sm 4:12; 2Sm 1:2; Jó 2:12).
foi 19 de outubro de 444 a.C. De acordo 2. Os da linhagem de Israel se apar-
com o cálculo judaico, o 20° a no dele ter- taram. Em Neemias 10:28, é sugerido que
minou no final do sexto mês (ver p. 91-94). a terra de Judá era cercada de estranhos ou
Com jejum. Parece ter sido providen- pagãos. Esta ação representou uma renún- ~ ~
cial que a ocasião descrita nos cap. 9 e cia voluntária a todos os costumes e conta-
lO tenha ocorrido no décimo dia do m ês, tos com os pagãos (cf. 2Co 6:1 4).
quando eles observavam o grande Dia da 3. Levantando-se. Isto é, eles perma-
Expiação (PR, 665), o dia de humilhação neceram em seus lugares e não saíram até
nacional e investigação íntima. Naquele que a obra de confissão e penitência esti-
dia, de acordo com a lei, toda pessoa devia vesse completa. Os judeus confessaram seus
analisar o coração; quem n ão agisse assim pecados ajoelhados (Ed 9 :5) ou prostrados
deveria ser cortado de Israel (Lv 23:27- (Ed 10:1).
29). Certamente, sob Esdras, a observân- Uma quarta parte. Antigame nte os
cia do dia n ão foi negligenciada. Qualquer judeus dividiam o dia em quatro p ar tes,
que tenha sido o motivo p ara adiar o evento cada uma com cerca de três horas de dura-
descrito neste verso, as autoridades civis e ção. Uma divisão similar da noite é m encio-
eclesiásticas designaram um dia que não nada no NT (Me 6:48; 13:35; etc.).
carregava uma tradição ritual própria para 4. Estrado. Literalmente, "subida", e se
o a to solene de penitência do qual toda a entende o tablado ou "púlpito" de Neemias 8:4.
nação tomou parte. O dia escolhido ocor- Levitas. A repetição dos nomes dos
reu dois dias depois da realização da jubi- levitas, no v. 5, mostra que o convite para
losa Festa dos Tabernáculos, que terminava adorar a Deus é distinto do clamor a Ele em
no 22° dia do sétimo mês. alta voz, no v. 4. Parece que os levitas pri-
Pano de saco. Sobre o uso de pano de meiro clamaram a Deus apresentando suas
saco em ocasião de luto, ver Gn 37:34; 2Sm confissões e súplicas; e, tendo feito isso,
3:31; 21:10; 1Rs 21:27; etc. Colocar terra convocaram a congregação para adorar.

473
9:5 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Oito nomes de levitas são apresentados 7. Tiraste de Ur dos caldeus. Ver


nos dois versos, e cinco deles são idênticos: com. de Gn 11:31; ver também At 7:2-4.
Jesua, Bani, Cadmiel, Sebanias e Serebias. Abraão. Ver com. de Gn 17:5.
Dos três nomes diferentes não se pode dizer 8. Fizeste aliança. Uma alusão a
se eram escribas ou se foram erros de reda- Gn 15:18-21; 17:7, 8. A respeito da refe-
ção. Há uma explicação mais simples: foi rência adicional das nações cananeias, ver
composto um segundo grupo, em parte, de Êx 3:8; Dt 7:1.
levitas que não estavam no primeiro grupo. Justo. Deus é chamado justo porque
Se fossem as mesmas pessoas em ambas as Seus mandamentos e Seu caráter se harmo-
listas não haveria necessidade de o autor nizam (ver Dt 32:4).
repetir seus nomes em tão pouco tempo. 10. Trataram com soberba. O "trata-
5. Os levitas. Ver com. do v. 4. mento com soberba" dos egípcios é relatado
Nome da Tua glória. A alta honra devida em Êxodo 18:11.
ao "nome" de Deus é ensinada pelos autores Adquiriste renome. Isto é, Ele Se tor-
bíblicos desde o monte Sinai (Êx 20:7) até a nou conhecido por meio dos sinais e mara-
ilha de Patmos (Ap 15:4), desde o Pentateuco vilhas que operou no Egito (ver Êx 9:16;
até o Apocalipse. O "nome da Tua glória" é 14:17; 15:14-16; etc.).
uma expressão que ocorre poucas vezes na 11. Dividiste o mar. A descrição deste
Bíblia, mas as exatas palavras hebraicas uti- evento é encontrada em Êxodo 14:21, 22,
lizadas neste verso são encontradas somente 28; e 15:19.
no Salmo 72:19. Como uma pedra. Esta frase e a expres-
6. Só Tu és SENHOR. Ver SI 86:10; são "águas impetuosas" são tiradas do "cânti-
Is 37:16. Na última passagem a fraseologia co de Moisés" (Êx 15:5, 10).
é quase idêntica. 12. Guiaste-os. Por meio da orientação
O céu dos céus. Ver Dt 10:14; lRs 8:27; divina a caminho de Canaã, em forma de
SI 148:4. A expressão tem sido explicada sinais miraculosos da presença do Senhor
como referência ao mais alto céu (ver 2Co 12:2) (ver Êx 13:21; Nm 14:14).
e ao universo como um todo. A última inter- 13. Sobre o monte Sinai. A revela-
pretação parece se ajustar melhor às várias ção de Deus no Sinai e a proclamação da
passagens em que a frase ocorre. lei descrita em Êxodo 19 e 20 (ver também
Todo seu exército. Alguns utiliza- Dt 4:36; sobre as várias designações para
ram a expressão no sentido de estrelas, no a "lei", ver SI 19:9; 119:39, 44, 62, 63, 66,
entanto, a última frase do verso aponta os 68, etc.).
anjos como o exército dos céus. 14. O Teu santo sábado. As pala-
Tu os preservas a todos. Todos os vras deste verso indicam que o sábado já
escritores bíblicos creem que o Criador existia antes que a lei fosse dada, o que
do Universo preserva todas as coisas cria- está em harmonia com Gênesis 2:2 e 3
das, mas isso nunca foi declarado tão e Êxodo 16:23. Neemias considerava o .c ~
abertamente como neste verso. O sal- mandamento do sábado de importância
mista diz: "Tu, SENHOR, preservas os extrema, haja vista que é o único manda-
homens e os animais" (SI 36:6), mas este mento do decálogo mencionado especifi-
reconhecimento está longe do alcance camente. Declara-se que ele foi concedido
universal desta passagem. O poder para por Deus aos israelitas como um benefício,
preservar não é menos importante que o na medida em que eles compartilhavam o
de criar. descanso de Deus nesse dia.

474
NEEMIAS 9:26

15. Pão dos céus. O maná era cha- 21. Nada lhes faltou. Ver Dt 2:7; 8:4.
mado de "pão do céu" (Sll05:40) ou "cereal 22. Porções. Do heb. pe'ah, "porções",
do céu" (SI 78:24). Esta é uma frase fami- também pode ser traduzido como "lado",
liar aos cristãos, pelo seu uso em João 6:32 , "margem" ou "fronteira". Já que os reinos
51 e 58. Deus proveu maná do céu e água de Ogue e Seom, mencionados neste verso,
da rocha para sustentar Israel durante eram territórios fronteiriços a Israel, pe'ah
a jornada através do deserto a cami- deveria ser traduzido em conformidade com
nho de Canaã (ver Êx 16:4, 10-35; 17:6; esses sentidos .
Nm 20:8). E a terra. Como no v. 16, a palavra we,
16. Eles e nossos pais (ACF). O heb. "e", deveria ser traduzida como "isto é" ou
we, "e", deveria ser traduzido neste verso "mesmo."
como "mesmo" ou "isto é" (ver ARA). 23. Como as estrelas do céu. Em
Este verso alude às várias rebeliões, das referência à promessa feita a Abraão
quais algumas são enumeradas em versos (Gn 15:5 ; 22:17; sobre o crescimento dos
consecutivos. filhos de Israel no Egito, ver Êx 1:7, 12).
17. Na sua rebelião. O hebraico dos 24. Os cananeus. Algumas vezes,
massoretas diz hemiryam, "na sua rebelião", como no v. 8, os "cananeus" são men-
mas sete m anuscritos hebraicos traduzem cionados como uma única nação, junta-
como hemitsrayim, "no Egito", o que tam- mente com outras tribos. Outras vezes, o
bém faz a LXX. A tradução da passagem, termo é utilizado num sentido abrangente,
então, seria: "Levantaram um chefe, com incluindo a todos os habitantes de Canaã ,
o propósito de voltarem para a sua servidão de quaisquer tribos. Neste verso é utilizado
no Egito" (contrastar com a ARC). A refe- no sentido mais amplo.
rência à nomeação de um capitão é encon- 25. Cidades fortificadas. Entre as
trada em Números 14:4. cidades fortificadas estavam Jericó (Js 6),
Ó Deus perdoador. Literalmente, "um Laquis (Js 10:32) e Hazor (Js 11:11).
Deus perdoador". A palavra hebraica para Terra fértil. Ver Nm 14:7, 8; Dt 8:7-9 ;
"perdão" neste verso é rara e ocorre, outras 2Rs 18: 32. Deus prometera casas reple-
vezes, somente em Daniel 9:9 e no Salmo tas de bens (D t 6: 11). As principais árvo-
130:4. O restante do verso é paralelo a Joel res cultivadas na Palestina eram a oliveira,
2:13 e Jonas 4:2. figueira, m acieira, amendoeira, nogu eira,
18. Um bezerro de fundição. Ver amoreira, o sicômoro e a romãzeira. As pal-
Êx 32:4. meiras cresciam abundantemente no vale
Grandes provocações (TB). Melhor do Jordão.
seria "grandes blasfêmias" (ARA), como a E engordaram. Além desta, a expres-
palavra é traduzida em Ezequiel 35: 12 . são é usada apenas duas vezes (Dt 32:15;
20. Teu bom Espírito. O "bom Jr 5:28). Uma comparação desses textos mos-
Espírito" de Deus também é mencionado no tra que estas palavras nunca foram usadas
Salmo 143:10, e o fato de que Deus instrui de modo lisonjeiro, mas sempre em conexão
e ensina as pessoas, no Salmo 32:8 . A ins- com reprovação (ver também Jr 50:11, ARC;
trução por meio do Espírito de Deus não é Ez 34:20). Este uso não é exceção.
mencionada claramente em nenhum outro 26. Viraram as costas à Tua lei. Ve r
texto do AT, mas é indicada em Números Ez 23:35.
11:17 e 25, em que Deus dotou os 70 Mataram os Teus profetas. Ver
anciãos com o espírito de profecia. Mt 23:37; Lc 11:47. Zacarias, o filho de

475
9:27 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Joiada, foi morto por Joás (2Cr 24:22), e constantemente endereçadas a eles pelos
muitos profetas foram mortos por Jezabel mensageiros de Deus. Por isso, Deus entre-
(lRs 18:4). A tradição judaica afirma que gou Seu povo nas mãos dos pagãos. Isso
Isaías, Jeremias e Ezequiel foram assassi- começou com a invasão dos assírios que
nados por companheiros judeus e outros eventualmente destruíram o reino de Israel
podem ter tido o mesmo destino. e culminou na sujeição de Judá pelos cal-
27. Deste libertadores. Este e o v. 28 deus. Pouco antes os samaritanos e outras
se referem ao tempo dos juízes. No hebraico, nações vizinhas atacaram o remanescente
Otniel e Eúde são chamados "salvadores" de Israel.
(Jz 3:9, 15, TB); Sangar, Gideão, Jefté, Davi 31. Nem os desamparaste. A despeito
e outros também foram libertadores da desses juízos, Deus, de acordo com Sua pro-
opressão estrangeira. Estes homens foram messa (Jr 4:27; 5:10, 18; 30:11; etc.), não
~ ~o- levantados por Deus para salvar Seu povo desamparou completamente Seu povo nem
da mão pesada dos opressores. acabou com eles. A misericórdia de Deus
28. Porém, quando se viam em des- ao lidar com os transgressores tinha o pro-
canso. Ver Jz 3:11, 30; 5:31; 8:28; etc. pósito de preservar um remanescente por
29. Deram de ombros. A imagem é meio do qual Ele cumpriria as promessas.
de um boi se afastando do jugo e recuando 32. Deus [... ] temível. Ver Dt 10:17;
quando exigido que o carregasse. Em Oseias Ne 1:5. Para aqueles que rejeitam a mise-
4:16, é dito que "como vaca rebelde, se rebe- ricórdia, Deus afigura-Se um juiz (ver
lou Israel" (ver também Zc 7:11). Este e o Ap 6:14-17).
v. 30 se aplicam à época dos reis . Que guardas a aliança. Este pensa-
30. Muitos anos. Deus foi paciente mento ocorre apenas aqui, no Salmo 89:28
com o reino do norte por mais de dois e em Neemias 1:5.
séculos, p eríodo em que 20 reis ímpios Reis da Assíria. Salmaneser III, da
ocuparam o trono de Israel. Ele foi igual- Assíria, - não mencionado na Bíblia -
mente perdoador com o reino do sul, que registra qu e derrotou Acabe e forçou Jeú
continuou por cerca de 350 anos. Muitos a pagar tributo e a ajoelhar-se diante dele.
dos 20 reis de Judá entristeceram a Deus Tiglate-Pileser III (chamado, em Babilônia,
com idolatria e crimes além dos limites. de Pu!) tomou tributo de Menaém (2Rs
Teus profetas. Em 2 Reis 17:13, são 15:19, 20) e levou cativas as duas tribos e
usadas quase as mesmas palavras desta pas- meia (2Rs 15:29; 1Cr 5:26). Um terceiro
sagem (ver também 2Cr 36:15, 16). Houve rei assírio, Salmaneser V, sitiou Samaria
uma quase contínua sucessão de profetas (2Rs 17:5-23) provavelmente pouco antes
desde o tempo de Salomão até o cativeiro de sua morte. Um quarto rei, Senagueribe,
babilônico e depois dele. Além dos profe- tomou todas as cidades muradas de Judá
tas cujos escritos foram preservados e cujos das mãos de Ezequias e forçou-o a recupe-
nomes são familiares aos leitores da Bíblia, rar Jerusalém por meio do pagamento de
houve profetas como Aías (o silonita), Ido grande resgate (2Rs 18:13-16). Outro rei
(o vidente), Semaías (o profeta), Hanani, assírio, Esar-Hadon ou Assurbanípal, levou
Jeú (filho de Hanani), Elias, Eliseu, Micaías Manassés como prisioneiro para Babilônia
(filho de Inlá), Zacarias (filho de Joiada), (2Cr 33:11). Esta foi a última expedi-
Hulda e muitos outros que também podem ção assíria a Judá. O Senhor, por meio de
ser classificados como profetas e profetisas Isaías , chamou o monarca assírio de "cetro
de Deus. Os judeus ignoraram as exortações da Minha ira" (Is 10:5). A respeito des tes

476
NEEM IAS 9:38

contatos entre reis assírios e hebreus , ver participaram nas expedições de Dario e
vol. 2, p. 143-145. Xerxes contra a Grécia, e muitos podem ter
33. Tu és justo. Ver Dt 32:4; Ed 9:15; sido mortos nas derrotas desastrosas sofri-
Ne 9:8 . das pelos exércitos persas.
34. Os nossos reis. Na enumeração Sobre o nosso gado. Isto se refere ao
das diferentes classes de pessoas, os profe- fato de os governantes estrangeiros pegarem
tas são omitidos neste verso porque, como o que queriam, restando aos proprietários
testemunhas de Deus, eles não foram con- nominais se contentar com o que sobrasse.
tados entre os que transgrediram, embora Embora possuísse · grandes rebanhos, um
compartilhassem dos sofrimentos que homem poderia nunca saber quanto lucro
sobrevieram à nação. ele teri a. Animais de carga eram ex igidos
35. No seu reino. Isto se refere à para o serviço militar.
época quando Judá era um reino indepen- Grande angústia. Uma vez que os
dente, não sujeito a um poder estrangeiro. governadores se apropriaram à vontade
No entanto, mesmo qu ando domin aram das poss es judaicas, da produção do solo
sua própria terra, os judeus raramente ser- e elo rebanho , esta angústia possivelmente
viram ao Deus que lhes dera a terra; pelo incluía terrível pobreza . O termo també m
contrário , servira m aos deuses das nações incluía a a ngústia de alma ele um povo
que, mais tarde, os subjugaram. que amava a liberdade e que foi escra-
36. Somos servos. Uma vez que recusa- vizado na terra que era deles por doação
ram ser servos de Deus, os filhos de Israel divina. Mas não havia queixa contra Deus .
foram entregues aos estrangeiros como Sua mão era vista em todo sofrimento, e
escravos (ver Jr 5:19). Na verdade, ainda se eles se amarguravam porque condenavam
~ .,. viram servos de um poder estrangeiro, os a si mesmos.
persas, embora Deus em Sua misericór- 38. Selaram-na. Os documentos an -
dia tivesse restaurado a eles certa medida tigos normalmente eram selados. Quando
de independência e liberdade. Há um claro os registros eram escritos em cuneiforme,
contraste entre a servidão a Deus e "a servi- sobre tabletes de argila m ole (ver voi. 1,
dão dos reinos ela terra" (2Cr 12:8). p. 89-90, 113, 117-118), selos cilíndricos
37. Seus abundantes produtos. Isto eram rolados sobre a argila úmida dos ta-
é, os monarcas persas recebiam um fatu- bletes antes do cozimento. Um docum e nto
ramento grande da Judeia. A quantidade escrito em papiro (ver p. 459; vol. 1, p. 7, 8)
paga pela pequena província judaica não é era enrol ado e dobrado. Era atado com
conhecida, mas a satrapia "a lém do rio", à um cordão e no nó colocava-se um pou-
qual pertencia a Judeia, pagava 350 talentos co de argila. Então se comprimia a argila
de prata anualmente (Heródoto, iii.91 ) ou com um selo ou rolava-se um selo cilíndri-
cerca de 12 toneladas, além da grande con- co sobre ela. Algumas vezes, cada um dos
tribuição em espécie. assinantes elo contrato estampava seu pró-
Dominam sobre nosso corpo. Os prio selo em um pedaço ele argi la, que era
persas exercitavam o direito de alistar seus anexado ao documento por um fio. Grand e
vassalos no serviço militar para lutar em quantidade de selos poderia ser anexada
terra e mar. Não há dúvidas de que judeus desta maneira.

477
lO: 1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1-38- DTN, 216 6 - Ed, 130; PP, 115 20 -AA, 53


1,2-PR,665 l3- PP, 365 38- PR, 666
5, 6- PR, 666 19-21- PP, 406

CAPÍTULO 10
1 Os nomes dos que selaram a aliança. 29 Os assuntos da aliança.

l Os que selaram foram: Neemias , o gover- os porteiros, os cantores, os servidores do tem-


nador, filho de Hacalias, e Zedequias, plo e todos os que se tinham separado dos povos
2 Seraías, Azarias, Jeremias, de outras terras para a Lei de Deus, suas mu-
3 Pasur, Amarias, Malquias, lheres , seus filhos e suas filhas, todos os que ti-
4 Hatus, Sebanias, Maluque, nham saber e entendimento,
5 Harim, Meremote, Obadias, 29 firmemente aderi ram a seus irmãos; seus
6 Daniel, Ginetom, Baruque, nobres convieram, numa imprecação e num ju-
7 Mesulão, Abias, Miamim, ramento, de que andariam na Lei de Deus, que
8 Maazias, Bilgai, Semaías; estes eram os foi dada por intermédio de Moisés, servo de
sacerdotes. D eus, de que guardariam e cumpririam todos
9 E os levitas: Jesua, filho de Azanias, Binui, os mandamentos do SENHOR, nosso Deus, e os
dos filhos de Henadade, Cadmiel Seus juízos e os Seus estatutos;
lO e os irmãos deles: Sebanias, Hodias, 30 de que não dariam as suas filhas aos
Quelita, Pelaías, Hanã, povos da terra, nem tomariam as filhas deles
ll Mica, Reobe, Hasabias, para os seus filhos;
12 Zacur, Serebias, Sebanias, 31 de que, trazendo os povos da terra no dia
13 Hodias, Bani e Beninu. de sábado qualquer mercadoria e qualquer ce -
14 Os chefes do povo: Parós, Paate-Moabe, real para venderem, nada comprariam deles no
~ ~ Elão, Zatu, Bani, sábado, nem no dia santificado; e de que, no
15 Buni, Azgade, Bebai, ano sétimo, abririam mão da colheita e de toda
16 Adonias, Bigvai, Adim, e qualquer cobrança.
17 Ater, Ezequias, Azur, 32 Também sobre nós pusemos preceitos,
18 Hodias, Hasum, Besai, impondo-nos cada ano a terça parte de um siclo
19 1-larife, Anatote, Nebai, para o serviço da casa do nosso Deus,
20 Magpias, Mesulão, Hezir, 33 e para os pães da proposição, e para a con-
21 Mesezabel, Zadoque, Jadua, tínua oferta de manjares, e para o contínuo ho-
22 Pelatias, Hanã, Anaías, locausto dos sábados e das Festas da Lua Nova,
23 Oseias, 1-lananias, 1-lassube, e para as festas fixas, e para as coisas sagradas,
24 Haloés, Pilha, Sobeque, e para as ofertas pelo pecado, e para fazer ex-
25 Reum, Hasabna, Maaseias, piação por Israel, e para toda a obra da casa do
26 Aías, Hanã, Anã, nosso Deus.
27 Maluque, Harim e Baaná. 34 Nós, os sacerdotes, os levitas e o povo
28 O resto do povo, os sacerdotes, os levitas, deitamos sortes acerca da oferta da lenha que

478
NEEMIAS 10:14

se havia de trazer à casa do nosso Deus, segun- traríamos aos sacerdotes, às câmaras da casa do
do as nossas famílias, a tempos determinados, nosso Deus ; os dízimos da nossa terra, aos lev i-
de ano em ano, para se queimar sobre o altar do tas, pois a eles cumpre receber os dízimos em
SENHOR, nosso Deus, como está escrito na Lei. todas as cidades onde há lavoura.
35 E que também traríamos as primícias 38 O sacerdote, filho de Arão, estaria com os
da nossa terra e todas as primícias de todas as levitas quando estes recebessem os dízimos, e os
árvores frutíferas, de ano em ano, à Casa do levitas trariam os dízimos dos dízimos à casa do
S ENHOR; nosso Deus, às câmaras da casa do tesouro.
36 os primogênitos dos nossos filhos e os do 39 Porque àquelas câmaras os filhos de
nosso gado, como está escrito na Lei; e que os Israel e os filhos de Levi devem trazer ofertas
primogênitos das nossas manadas e das nossas do cereal, do vinho e do azeite; porquanto se
ovelhas traríamos à casa do nosso Deus, aos sa- ac ham ali os vasos do santuário, como também
cerdotes que ministram nela. os sacerdotes que ministram, e os porteiros, e os
37 As primícias da nossa massa, as nossas cantores; e, assim , não desampararíamos a casa
ofertas, o fruto de toda árvore, o vinho e o azeite do nosso Deus.

1. Tirsata (ARC). O título persa levitas que retornaram com Zorobabel (ver
para "governador" (ver com. de Ed 2:63). Ed 2:40; 3:9; Ne 7:43; 9:4, 5; etc.). Neste
Neemias, cuja influência estava por trás verso, Binui parece ter substituído Cadmiel
do longo discurso dos levitas, registrado no e ocupado o segundo lugar. A respeito do
capítulo anterior, pode ter sido o pai espi- restante dos nomes, H asabias e Serebias
ritual da alia nça que seria concluída nesse representam famílias que retornaram com
mom ento. Ele deu o exemplo ao ser o pri- Esdras (Ed 8:18, 19). Os demais nomes pos-
meiro a assinar o documento. sivelmente também são nomes de famílias .
Zedequias. Possivelmente um alto ofi- 14. Os chefes do povo. Desde o v. 14
cial. No entanto, não se sabe mais nada a até o nome de Magpias, no v. 20, os nomes
respeito dele. Aceita-se que, depois da ana- pessoais correspondem ao de famíli as lei-
logia de Esdras 4:9 e 17, ele foi o secretário gas que retornaram com Zorobabel (Ed 2:3-
do governador. 30; Ne 7:8-33). Os primeiros 18 são nomes
2. Seraías. Os 21 nomes se referem aos pessoais; dois deles (v. 17) deveriam es tar
que Neemias e seu secretário designaram unidos já que é evidente que represen-
como "sacerdotes" (v. 8). Entre eles, figura tam a única famíli a "Ater, da família de
com precedência a casa do sumo sacerdote Ezequias" (Ed 2:16; Ne 7:21). Os últimos
Seraías . Dos 21 nomes, 15 são citados em três são nomes de localidades: Nebai (v. 19),
Neemias 12:2 a 7 como os principais sacer- o mesmo que Nebo (Ne 7:33); Magpias
dotes que saíram com Jesua e Zorobabel de (v. 20), o mesmo que Magbis (Ed 2:30); e
Babilônia e, em Neemias 12:12 a 21, como Anatote. Os demais (de Mesulão a Baaná,
cabeças de famílias sacerdotais. Por isso, é Ne 10:20-27) são nomes de chefes de dife-
evidente que esses 21 homens que assina- rentes grupos nos quais as famílias foram
ram o acordo o fizeram como líderes de suas divididas ou dos anciãos de cidades menores
respec tivas famílias e turnos (ver com. de de Benjamim e Judá. Nem todas as famílias
~ .,. Ne 12; Lc 1:5). listadas em Esdras 2 ocorrem nesta lista,
9. Os levitas. Jesua, Binui e Cadmiel talvez devido ao fato de alguns terem se
representam os três chefes de famílias de misturado, embora também haja evidência

479
10: 28 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

de que, durante o decorrer dos a nos, houve àquele dia (sobre essa proibição, ver Am 8: 5;
novas adesões às família s repatriadas . Is 58:13 ; Jr 17:19-27). As primeiras evidên-
28. O resto do povo. A enumeração cias extrabíblicas para a observância do
das classes é a mesma de Esdras 2:70. Visto sábado semanal en tre os judeus vêm do 5°
que nenhuma classe é esquecida, há uma século a.C ., de Elefa ntina, no Egito. Essa
adesão geral e talvez universal por parte da menção ao sábado é encontrada em óstra-
nação às disposições da ali ança. cos, isto é, p eças de cerâmica quebradas
Os que se tinham separado. Esta e usadas geralmente como um econômico
classe pode ser descendente dos israelitas material de escrita.
deixados na terra do cativeiro e que nesse No dia santificado. Melhor seria "um
momento se uniam à nova comunidade (ver dia santificado", significando que o povo
com. de Ed 6:2 1). se suj eitava a se abster de negociações
Todos os que tinham [... ] entendi- não somente no sábado como em qu alquer
mento. É interessante observar que, con- dia santo.
trário ao costume oriental, mulheres e No ano sétimo, abririam mão. Uma
jovens adultos também assinaram a ali ança . declaração abrevi ada da lei acerca do ano
A todos os que tinham idade suficiente para sabático (Êx 23:1 O, 11), de acordo com a
compreender a natureza da aliança foi per- qual a terra não deveria ser lavrada nem
mitido participar no ritual sagrado. É impro- semeada dura nte aqu ele ano. Esta lei foi
vável que se refira somente à cl asse cu lta, negligenciada com frequ ência na época da
como alguns comentaristas têm sugerido. monarquia e este era um dos pecados qu e
29. Aderiram. O povo comum apoiou o cativeiro devia punir (2Cr 36:21). Parece
os líderes que selaram o doc umento, apro- que, após o retorno, este regulamento foi
vando e ratificando o que foi feito. desobedecido novamente . <4 ~
Imprecação. É possível que as mal- Cobrança. Ver co m. de Ne 5:12-1 3.
dições e bênção de Deuteronômio 27 e 28 32. A terça parte de um sido. Não é
tenham sido incluídas nas leituras extraí- declarado quem deveri a fazer esta contribu i-
das da lei. É possível que fosse feito um jura- ção para a manutenção do serviço do templo,
mento cada vez que a aliança entre Deus e o mas era um costume bem con hecido. Este
povo era confirmada (ver Dt 29:12; 2Rs 23:3). pagamento era um a renovação do preceito
Servo de Deus. Este título pertence mosaico (Êx 30: 13), segundo o qual todas as
a Moisés de modo único. Deus o chamou pessoas a partir de 20 anos de idade deveriam
"Meu servo Moisés, que é fiel em toda a dar meio siclo como oferta ao Senhor, tributo
Minha casa" (Nm 12:7) e, a partir disso, ainda exigido nos dias de Cristo (Mt 17:24).
este foi seu título exclusivo (ver ]s 1: 2; 8:31, Em consideração à pobreza da maior parte
33; lCr 6:49; 2Cr 24:9; Dn 9:11; Hb 3: 5). da comunidade, esta taxa foi baixada a um
30. Não dariam as suas filhas. terço de um siclo para cada pessoa. A opi-
Aparentemente a reforma instituída por nião de Abraham Ibn Ezra, o grande comen-
Esdras (Ed 9, lO) não se mostrou duradoura tarista judeu da Idade Média, de que um
(ver com. de Ne 13:23). terço de um siclo deveria ser pago além do
31. No dia de sábado. A proibição meio siclo cobrado em conformidade com a
de comércio no dia de sábado, embora não lei, não é apoiada pelo texto.
mencion ada especificamente, es tá implí- Para o serviço. Esse fundo n ão era
cita no quarto mandamento e certamente para despesas com edificação ou obras de
foi incluída nos regulamentos pertinentes reparo no templo, m as para manutenção

480
NEEM IAS 10:38

dos serviços regulares da casa de Deus. da mesma form a que os animais imundos
De acordo com o v. 33, essa taxa deveria ser (Nm 18:15). Os primogênitos do gado e das
usada para fornecer os pães da proposição, ovelhas deveriam ser oferecidos sobre o
o holocausto contínuo e as ofertas queima- altar (Nm 18:17).
das (Nm 28:3-8), sacrifícios para o dia de 37. Primícias da nossa massa. Ver
sábado e a Lu a Nova (Nm 28:9-15) e para Nm 15:18-21.
outras festas (Nm 28:16-29 :40). Nossas ofertas. Litera lmente, "nossa
33. Coisas sagradas. A referência deve oferta alçada" (ver Nm 15:20; Lv 23:11, 17).
ser às "ofertas movidas" e "ofertas pacíficas" Às câmaras da casa. Os depósitos ane-
(Lv 23: 10, 17, 19), que "[santas] serão ao xados ao edifício do templo (ver Ne 13:4, 5).
SEN HOR , para o uso do sacerdote" (Lv 23:20). Os dízimos da nossa terra. Pa rece
Além disso, essa taxa cobria as ofertas pelo que o dízimo foi negligenciado por mu itos e,
pecado (orden adas em Nm 28:15, 22, 30 ; como resultado, os sacerdotes e levitas não
29:5, 11, 16, 19; etc .) e tudo o mais que conseguiam estar à disposição para suas
foss e necessário. O estabelecimento de obrigações no templo e fora m compelidos
uma taxa assim não significava que as con- a ganhar o seu sustento de outro modo (ver
tribuições prometidas por Artaxerxes em Ne 13:10). Então o povo solenemente pro-
seu edito (Ed 7:20-22) tinham cessado, e meteu recuperar esta prática. Malaquias,
que a congregação achava necessário c us- que também profetizou sobre essa época ,
tea r as despesas com seus próprios rec ur- di sc ute o mesmo problema e lembra o povo
sos . Em acréscimo ao auxílio oferecido pelo das de svantagens em reter o dízimo e das
rei, se fazia necessário doar, porque as exi- bênçãos que acompanhavam a fidelidade
gências do templo aumentaram. (M I 3:8-12; sobre o dízimo numa economia
34. Oferta da lenha. A lei de Moisés agrícola, ver Lv 27:30).
simplesmente prescrevia que a lenha deveria Em todas as cidades. Parece que
ser queimada constantemente sobre o altar os dízimos agrícolas não eram levados a
e qu e o sacerdote deveria acender fogo no Jerusalém , mas armazen ados em centros
alta r cada man hã (Lv 6:1 2, 13). No entanto, onde eram produzidos até serem solicitados
n ão foram dadas orientações a respeito da pelos levitas . Não está claro se os depósitos
obtenção da lenha. Essa aliança tornou ficavam nestas cidades ou se a referência é
obrigação da congregação fornecer a lenha às cidades levíticas.
necessári a, e as várias famíli as eram suces- Lavoura. Litera lmente, "trabalho".
sivamente responsáveis por essa necessi- 38. O sacerdote. Um sacerdote deve-
dade, na ordem decidida ao se lança r sortes. ri a estar presente quando os levitas rece-
D e acordo com Josefo (Guerra dos Judeus, be ssem o dízimo, não somente como
ii.17.6), a madeira necessária para o ano era garantia de que os lev itas receberiam sua
trazida num dia determinado , o 14° dia do parte, como algun s comentaristas creem ,
quinto mês, que era guardado como uma mas para assegurar a parte dos sacerdotes -
festa chamada "festa da lenha carregada". o dízimo do dízi mo dos levitas (Nm 18:26).
35. Primícias. A respeito das primí- De acordo com este verso, o dízimo deve-
cias do solo, ver Êx 23: 19; 34:26; Dt 26:2; ria ser transportado para Jerusa lém à custa .,. ~
e sobre as árvores frutíferas, ver Lv 19:23. dos destinatários, e era justo que o sacer-
36. Primogênitos dos nossos filhos. dote tomasse parte no trabalho de trans -
Eles deveriam ser resgatados de acordo portá-lo até ali. Este reg ulamento tamb ém
com a avaliação do sacerdote (Nm 18:16), deveria ter sido designado como um a

481
ll:l COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

garantia do manuseio adequado dos fun- em que o dízimo era recebido e dividido
dos sagrados. A presença de representan- servia para evitar a má administração des-
tes das duas ordens eclesiásticas na época ses fundos.

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

29-36- PR, 667 32, 33- PP, 526

CAPÍTULO 11
1 Os governantes, alguns voluntários e a décima parte de homens escolhidos
por sortes habitam em Jerusalém. 3 Uma lista de seus nomes.
20 O restante habita em outras cidades.

Os príncipes do povo habitaram em 8 Depois dele, Gabai e Salai; ao todo, nove-


Jerusalém, mas o seu restante deitou sortes para centos e vinte e oito.
trazer um de dez para que habitasse na santa ci- 9 Joel, filho de Zicri, superintendente deles;
dade de Jerusalém; e as nove partes permanece- e Judá, filho de Senua, o segundo sobre a cidade.
riam em outras cidades. lO Dos sacerdotes: Jedaías, filho de Joiaribe,
2 O povo bendisse todos os homens que vo- Jaquim,
luntariamente se ofereciam ainda para habitar 11 Seraías, filho de Hilquias, filho de
em Jerusalém. Mesulão, filho de Zadoque, filho de Meraiote,
3 São estes os chefes da província que habita- 12 filho de Aitube, príncipe da Casa de
ram em Jerusalém; porém nas cidades de Judá ha- Deus, e os irmãos deles, que faziam o serviço do
bitou cada um na sua possessão, nas suas cidades, templo, oitocentos e vinte e dois; e Adaías, filho
a saber, Israel, os sacerdotes, os levitas, os servi- de Jeroão, filho de Pelalias, filho de Anzi, filho
dores do templo e os filhos dos servos de Salomão. de Zacarias , filho de Pasur, filho de Malquias,
4 Habitaram, pois, em Jerusalém alguns dos 13 e seus irmãos, cabeças de famílias, du-
filhos de Judá e dos filhos de Benjamim. Dos zentos e quarenta e dois; e Amasai, filho de
filhos de Judá: Ataías, filho de Uzias, filho de Azarei, filho de Azai, filho de Mesilemote, filho
Zacarias, filho de Amarias, filho de Sefatías, de Imer,
filho de Maalalel, dos filhos de Perez; 14 e os irmãos deles, homens valentes, cento
5 e Maaseias, filho de Baruque, filho de Col- e vinte e oito; e, superintendente deles, Zabdiel,
Hozé, filho de Hazaías, filho de Adaías, filho de filho de Gedolim.
Joiaribe, filho de Zacarias, filho do silonita. 15 Dos levitas: Semaías, filho de Hassube,
6 Todos os filhos de Perez que habitaram em filho de Azricão, filho de Hasabias, filho de Buni;
Jerusalém foram quatrocentos e sessenta e oito 16 Sabetai e ]ozabade, dos cabeças dos le-
homens valentes. vitas, gue presidiam o serviço de fora da Casa
7 São estes os filhos de Benjamim: Saiu, de Deus;
filho de Mesulão, filho de Joede, filho de 17 Matanias, filho de Mica, filho de Zabdi,
Pedaías, filho de Colaías, filho de Maaseias, filho de Asafe, o chefe, que dirigia os louvores
filho de Itiel, filho de Jesaías. nas orações, e Baquebuquias, o segundo de seus

482
NEEMIAS 11:3

irmãos; depois, Abda, filho de Samua, filho de 25 Quanto às aldeias , com os seus cam-
Ga la!, filho de Jedutum . pos, algun s dos filhos de Judá habita ram em
18 Todos os lev itas na sa nta cidade foram Quir iate-Arba e suas aldeias , em Oibom e suas
duzentos e oitenta e quatro. aldeias , em Jecabzeel e suas aldeias,
19 Dos porteiros: Acube, Ta lmom e os ir- 26 e emJes ua, em Mo ladá, em Bete-Pa lete,
mãos deles, os guardas das portas , cento e se- 27 em Ha za r-Sual, e m Berseba e suas
tenta e dois. a ld e ias;
20 O restante de Israel, dos sacerdotes e 28 em Zic lague, e m Meco na e suas
levitas se esta beleceu em todas as cidades de a ld e ias;
~ ... Ju d<1, cada um na sua herança. 29 em En-R imom , em Zorá, em Jarmute;
21 Os servidores do templo habitara m em 30 em Zanoa, em Acl ul ão e nas aldeias delas;
Ofe l e estavam a cargo de Zia e Gispa. em Laquis e em seus ca mpos, em Azeca e suas
22 O superintendente dos levitas em aldeias. Acamparam-se desde Berseba até ao
Jerusalém era Uzi, fil ho de Bani, fi lho de va le de Hinom.
Hasabias , fi lho de Mata nias , filho de Mica, dos 31 Os filhos de Benjamim também se es-
filhos de Asafe, que eram cantores ao serviço da tabeleceram em Geba e daí e m diante, e m
Casa de Deus. 1\ilicmás, Aia, Bete! e suas aldeias;
23 Porque havia um mandado do rei a res- 32 em Anatote, em Nobe, em Ana ni as,
peito deles e certo acordo com os cantores, con- 33 em Hazor, em [Link]á, em Gitaim,
cernente às obrigações de cada dia. 34 em Hadide, em Zeboim , em Neba late,
24 Petaías, filh o ele Mesezabel, dos filhos de 35 em Lode e em Ono, no vale dos Artífices.
Zera, filho de Judá, estava à disposição do rei, 36 Dos levitas, havia gru pos tanto em Judá
em todos os negócios do povo. como em Benjamim .

l. Habitaram em Jerusalém. Esta q ue os diferentes grupos executa ri am suas


narrativa cont inu a a hi stória de Neemias 7:4 tarefas (lCr 24:5; 25:8) .
e registra as medidas tomadas para reali zar Santa cidade. Esta indicação ocorre
o plano de Neemias para repovoa r Jer usa- nas profecias (Is 4 8:2; 52:1; Dn 9:24;
lé m. A cidade já era a residência dos nobres ]I 3: 17), no e ntanto, é utilizada neste verso
o u chefes das tribos (ver Ne 2 :16; 5:17) e pela primeira vez na narrativa histórica .
n e nhum a umento da populaç ão poderia ser A partir de então, esse emprego se tornou
es perado. Neemias achou necessário pro- mais frequ e nte (ver M t 4:5 ; 27:53; Ap 11:2;
curar outras class es da popu laç ão a fim e tc.) e até recebeu o nome arábico A l-Ouds,
de obter novos colonos p ara a capital. "O santo lugar". Isso foi mantido como seu
Deitou sortes. Ant igam ente e ra nome oficial até h oje.
comum aos judeus usar a sorte para deter- 2. Voluntariamente se ofereceram.
minar questões e m qu e o julgamento Além daqueles sobre quem a sorte caiu e q ue
huma n o parecia insuficiente, n a crença aceitaram a responsabilidad e de se mudar
de que "do SENHOR procede tod a deci- para Jerusalé m , h avia voluntários qu e se
são" (Pv 16:33). A sanção divina fora dada mudaram com a família para a cidade . Seus
durante a história do povo de Deus , para o compatriotas evoca ram bênçãos sobre eles
u so d a sorte com o fim selecionar pessoas por causa de seu patriotismo.
(Js 7:16 -1 8; 1Sm 10:19-21), distribuir terras 3. Chefes da província. Isto é, a pro-
(Nm 26:55, 56) e deter minar a ordem em víncia de Judá como parte do impér io persa .

483
11 :4 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Os chefes da província são contrastados de Selá, o terceiro filho de Judá, pai da "famí-
pelo escri tor com os chefes de famílias lia dos selaítas" (Nm 26:20).
judaicas que viviam em Babilônia ou em 6. Homens valentes. Judá forneceu
outras partes do império. 468 homens hábeis com armas, cerca de
Habitaram em Jerusalém. Isto é, um metade do que forneceu Benjamim: 928
censo de todos "os chefes da província" que homens (v. 8). As cidades de Jud á ao sul de
viveram ali após a transferência . Jeru sa lém podem n ão ter sentido necess i-
Israel. Uma indicação coletiva para os dade de guardar a forte capital, como fize-
membros de tod as as tribos, com exceção ram os benjamitas que h abitava m numa
dos levitas. Entre aqueles que retornaram zona de perigo real, na fronteira com
havia membros de du as grandes tribos de Samaria.
Israel: Manassés e Efraim (ver 1Cr 9:3). Os 7. Saiu, filho de Mesulão. Ver
cidad ãos são tratados por classes, como em 1Cr 9 :7. Os outros nomes na genealogia
outras listas , e os leigos precedem os fun- são diferentes, talvez pela me sma razão
cionários do templo. observada no v. 4.
4. Habitaram, pois, em Jerusalém. 8. Novecentos e vinte e oito. O censo
Nem todos os habitantes de Jerusalém de 1 Crônicas 9:9 tem 956 homens. Apa-
eram das tribos de Judá e Benjamim; rentemente a quantidade de benjamitas
havia muitos levi tas (v. 10-19), possível- em Jerusa lém aumentou discretamente
~ ., mente manassitas e efra imitas (lCr 9:3) e e ntre os dois censos. Em contras te, Judá
também os netinins ("netineus", Ne 11:21, demonstra um crescimento em sua popu-
ARC; servidores do templo, ARA), que não lação em Jerusa lém durante o mesmo
pertenciam a tribo alguma. Poderia haver período: de 468 para 690. O crescimento
representantes de outras tribos também. pode ter ocorrido em parte devido ao fato
No entanto, homens de Jud á e Benjamim de mais um a família judaica se es tabelecer
parecem ter constituído a maioria da pop u- em Jerusalém, a de Zerá, o quinto filho de
lação e, por isso, somente eles são mencio- Judá (lCr 9:6).
nados. Uma li sta paralela dos habitantes 10. Jedaías. De acordo com 1 Crônicas
de Jer usal ém (lCr 9) pode ter sido base- 9 :1 O, os três nomes apresentados ali per-
ada em algum censo posterior, já que todos tencem a três famílias sacerdotais diferen-
os nl"1 meros são superiores aos do cap. 11 . tes. Por isso, parece que o heb. ben, "fi lho
Ataías. Utai, em 1 Crônicas 9:4. Os de", seja, possivelmente, um erro de copista.
antepassados atribuídos a Ataías, neste Jedaías e Joiaribe representam duas das
verso e em 1 Crônicas 9, são diferen- principais famílias sacerdotais que, geral-
tes, com exceção de Perez, filho de Judá. mente, são mencionadas juntas (lC r 24:7;
Possivelmente, cada lista seja uma abrevia- Ne 12:19; etc.). Jaquim foi uma família
ção de uma lista mais longa, e os dois escri- sacerdotal com distinção menor, poss ivel-
tores não selecionaram os mesmos nomes mente descenden te de chefes de fa mília
para suas genealogias em todos os casos. do 2l o turno sacerdotal, na época de Davi
5. Silonita. Já que parece estranho a um (lCr 24:17).
judeu ter saído de Siló, uma cidade no reino I I. Seraías. Este nome indica a famí-
do norte de Israel, a pronúncia massorética li a do sumo sacerdote (Ne 10:2; 12:1 , 12).
desta palavra possivelmente está incorreta. O antepassado em questão possivelmente
A frase deveria ser traduzida como "fil ho de foi o sumo sacerdote levado prisioneiro por
um selaíta", significando um descendente Nabucodon osor (2Rs 25:18-21).

484
NEEMIAS 11: 2 5

Filho de Hilquias. É comum no texto superintendente dos cantores do templo.


bíblico que "filho" signifique "neto" (ver Uma vez que os homens mencionados nos
Ed 7:1 ; ver com . de 1Cr 2:7). v. 15 e 16 "presidiam o serviço de fora d a
Príncipe. A menção é ao sumo sacer- casa de Deus", as questões internas do
dote, embora seu nome n ão seja citado. templo eram supervisionadas por Uzi. Ele
Na época de Neemias, Eliasibe cumpria também participou na dedicação do muro
esse ofício (ver Ne 12:10; 13:4), no entanto, (Ne 12:42).
somente o nome de sua famíli a antepassada 23. Mandado do rei. Não de Davi, que
é apresentado. A ARC menciona Aitube regulamentou o serviço dos levitas (lCr 25 ),
como "maioral". mas do rei persa Artaxerxes I, que, ao que
12. Os irmãos deles , que faziam o parece, designou uma remuneração diária
serviço do templo. Isto é, sacerdotes de proveniente da renda do rei para sustentar
posição comum. D e acordo com os v. 12 a os cantores levitas. O motivo para este favor
14, 1.1 92 sacerdotes viviam nesse período e special pode ter sido que o coro levítico
em Jerusalém. Assim, dos 4.289 que retor- orava "pela vida do rei e de seus filhos" (E d
naram com Zorobabel (Ed 2: 36 -39) e 6:10) e que os poucos cantores levitas que
outros, mais tarde, com Esdras (Ne 8:24 ; retornaram de Babilônia estavam constan-
etc.), somen te um de cada três ou quatro temente atarefados no templo.
vivia em Jerusalém. Quando o cen so de 24. À disposição do rei. O ofício de
1 Crônicas 9 foi feito , a população sacerdo - Petaías era similar ao de Esdras (ver com.
tal de Jerusalém havia crescido para 1.760 de Ed 7:12). Como um intermediário entre
(v. 13). a corte persa e a Judeia, ele pode ter sido
14. Gedolim. Do h eb. haggedolim , um mensageiro esp ecial nomeado para fun-
"uma família importante" (NTLH) deve ser ções de conexão.
considerado um nome próprio. 25. Aldeias. Neemias então deixou a
16. Presidiam. Os três levitas nomea- população urbana de Jerusalém e alistou
dos eram responsáveis pelos pedidos de cidades aparentemente pertencentes à pro-
m ateriais e pelas questões financeiras do víncia da Judeia. Essa lista possibilita um
templo. Eles também são mencionados em mapa da Judeia no tempo de Neemias numa
Neemias 8:7; 12:34 e 42 como preeminen- base um pouco mais segura (ver o mapa "A
tes levitas (ver 1Cr 26:29). Província de Judá no Tempo de Neemias",
18. Todos os levitas. A pequena quan- na p. 45 7). No entanto, a lista apresentada
tidade de levitas, 284 , quando comparada nestes versos está incompleta, haja vista que
aos 1.1 92 sacerdotes, é evidente neste verso não foram alistadas as cidades menciona-
e em Esdras (ver com. de Ed 2:40). das em Esdras 2:20 a 34 e Neemias 3, que,
19. Porteiros. Sobre seus nomes, ver como se sabe, foram povoadas por judeus
Ed 2:42. no período pós- exílico.
21. Os netineus (ARC). Sobre os neti- Quiriate-Arba. Um nome antigo de
nins, ver com. do v. 4 e de Ed 2:43; e ares- Hebrom (Jz 1:10) que , aparentemente , foi
peito dos que viviam em Ofel, ver Ne 3:26. baseado no nome de seu fundador Arba,
22. O superintendente. Este verso um dos anaquins (Js 14:15 ; 15:13; 2 1:11).
deveria ser traduzido como uma única sen- É interessante que o antigo nome foi res-
1!; ~>- tença em lugar de duas e a palavra "eram", taurado depois do cativeiro.
que n ão aparece no hebraico, deveria ser Diborn. Considera-se como uma va-
omitida (como ocorre na ARC). Uzi foi riante ortográfica de Dimona, alistada

485
ll:26 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

entre as cidades do Neguebe (Js 15:21-26). Berseba até ao vale de Hinom. Para
Sendo assim, estaria nas proximidades de fins práticos, as regiões norte e sul da antiga
Aroer, hoje 'Ar'arah, cerca de oito quilôme- tribo de Judá são mencionadas neste verso,
tros a sudeste de Berseba. Há uma atual uma distância de 65 km em linha reta.
Dimona, mas a antiga não foi localizada. O vale de Hinom ficava imediatamente
Jecabzeel. Este local não identificado ao sul de Jerusalém. Isto pode ser compa-
parece ter sido Cabzeel, no estremo sul rado com a expressão similar "desde Dã até
de Judá. Berseba" (ver com. de Jz 20:1).
26. Jesua. Hoje Tell es- Sa'si, 13,6 km a 31. Em Geba e daí em diante, em
leste de Berseba. Micmás. Literalmente, "de Geba [a]
Moladá. Talvez no sítio de Tell elt-Milh, Micmás". Geba hoje é]eba', 11,2 km a nor- -<1 ~
16 km a sudeste de Berseba. deste de Jerusalém, enquanto que Micmás,
Bete-Palete. Possivelmente próximo a hoje chamada Mulehmâs, fica 3,2 km
Berseba, mas não identificada (ver Js 15:27). adiante, para o nordeste de Geba.
27. Hazar-Sual. Outro local próximo a Aia. Identificada como et-Tell, 2,4 km
Berseba não identificado (Js 15:28). O nome a sudeste de Bete!, um local escavado por
significa "Povoado da Raposa". uma expedição francesa entre 1933 e 1935.
28. Ziclague. Conhecida como a É incerto se Aia (et-Tell ) é a Ai de Josué 7 e
cidade dada a Davi por Aquis, rei de Gate 8 (ver vol. 2, p. 24).
(ISm 27:6) e, logo depois , tomada pelos Betel. Hoje Beitin, 17,6 km ao norte
amalequitas (ISm 30:1). Esteve talvez no de Jerusalém. Bete! desempenhou papel
local onde hoje se situa Tell el-Khuweilfeh, importante na história de Israel. Foi ali
16 km ao norte de Berseba. que Jacó sonhou com a escada que alcan-
Mecona. Um local desconhecido. çava o céu (Gn 28). Durante todo o período
29. En-Rimon. Hoje Khirbert Umm er- do reino de Israel, Bete! foi a localização de
Ramamin, 12,8 km ao norte de Berseba. um dos dois templos apóstatas criados por
Zorá. Hoj e Sar'ah, 24 km a oeste de Jeroboão I (IRs 12:28, 29).
Jerusalém. 32. Anatote. Uma cidade levítica
Jarmute. Hoje Khirbet Yarmúle , 22,5 km (Js 2l:l8), que já foi o lar de Jeremias (Jr l:l;
a oeste de Belém. 32:7). Hoje, é chamada Râs el-Kharrubeh, e
30. Zanoa. Hoje Khirbet Zanu ', 3,2 km fica 4,8 km a nordeste de Jerusalém.
a nordeste de Jarmute. Nobe. Esta cidade, famosa pelo massacre
Adulão. Hoje Tell esh-Sheikh Madhl~ur, de sacerdotes por Doegue, no tempo de Saul
16 km a noroeste de Hebrom. (ISm 22:18, 19), podia ser vista de Jerusalém
Laquis. Hoje Tell ed-Duweir, 25 km (Is 10:32). Foi identificada provisoriamente
a noroeste de Hebrom, onde ocorreram com et-Tôr, no monte das Oliveiras.
importantes escavações durante os anos Ananias. Este parece ser o nome no AT
de 1932 a 1938, chefiadas por ]ames L. para Betânia, uma cidade na encosta orien-
Starkey (ver vol. I, p. 105). tal do monte das Oliveiras, que desempe-
Azeca. Hoje Tell ez-Zakariyeh, 28,8 km a nhou papel importante na vida de Cristo.
sudoeste de Jerusalém. Como Adulão e Laquis, Seu nome moderno é el-'Azaríyeh.
foi uma das cidades fortificadas por Roboão 33. Hazor. Hoje Khirbet Hazzúr, seis
(2Cr 11:9). Azeca e Laquis foram as últimas quilômetros a noroeste de Jerusalém .
cidades a cair diante de Nabucodonosor antes Ramá. Possivelmente er-Râwt, 6,4 km a
da conquista de Jerusalém (Jr 34:7). noroeste de Jerusalém.

486
NEEMIAS ll :36

Gitaim. Uma cidade em Benjamin, não como KefrAna, oito quilômetros a noroeste
identificada. de Lida.
34. Hadide. Hoje el-Haditheh, 5,6 km Vale dos Artífices. Este vale, aparen-
a nordeste de Lida. teme nte nas proximidades de Ono e Lode,
Zeboim. Uma cidade próxima a Hadide ainda não foi identificado.
ainda não identificada. 36. Dos levitas. O v. 36 deveria ser
Nebalate. Hoje Beit Nabala , 3,2 km ao traduzido como: "Algum as turmas dos
norte de Hadide. levita s que habitaram em Judá fora m uni-
35. Lode. Lida dos tempos do NT, das a Benjamin" (TB). Aparentemente,
hoje chamada Ludd. Esta cidade se tornou certas divisões de levitas que, de acordo
importante durante o período dos macabeus com arranjos prévios, se localizaram em
(1 Macabeus 11 :34). Mais tarde, foi cha- Judá, ness e tempo tinham sido tran sferi-
mada de Dióspolis. das para Benjamim. O censo sob orienta-
Ono. Mencionada primeiramente em ção de Neemias pode ter revelado qu e um
l Crônicas 8:12 ao lado de Lode, bem número desproporcional de levitas vivia
como em Esdras 2:33. É conhecida hoj e em Judá.

CAPÍTULO 12
1 Os sacerdotes 8 e os levitas que chegaram com Zorobabel. 1O A sucessão do sumo
sacerdote. 22 Determinados os chefes dos levitas. 27 A solenidade da dedicação
dos muros. 44 As funções de sacerdotes e levitas nomeados no templo.

São estes os sacerdotes e levitas que su- 12 Nos dias de Joiaquim , foram sacerdo - "'l ~
biram com Zorobabel, filho de Sealtiel, e com tes, cabeças de famílias: de Seraías, Meraías ; de
Jesua: Seraías, Jeremias , Esdras, Jeremias, Hananias ;
2 Amarias, Maluque, Hatus, l3 de Esdras, Mesulão; de Amarias, Joanã;
3 Secanias, Reum, Meremote, 14 de Maluqui, Jônatas ; de Sebanias, José;
4 Ido, Ginetoi , Abias, 15 de Harim, Adna; de Meraiote, Helcai;
5 Miamim, Maadias, Bilga, 16 de Ido, Zacarias; de Gi netom, Mes ulão;
6 Semaías, Joiaribe, Jedaías, 17 de Abias, Zicri ; de Miniamim e de
7 Saiu, Amoque, Hilquias e Jedaías; estes Moadias, Piltai;
foram os chefes dos sacerdotes e de seus irmãos, 18 de Bilga, Samua; de Semaías, Jônatas;
nos dias de Jesua. 19 de Joiaribe, Matenai; de Jedaías, Uzi;
8 Também os levitas Jesua, Binui, Cadmiel , 20 de Sa lai, Calai; de Amoq ue, Héber;
Serebias, Judá e Matanias; este e seus irm ãos 21 de Hilguias, Hasa bias; de Jedaías, Neta nel.
dirigiam os louvores. 22 Dos levitas, nos dias de Eliasibe, fora m
9 Baquebuquias e Uni , seus irmãos, esta- inscritos como cabeças de famílias Joiada, Joanã
vam defronte deles, cada qual no seu mister. e Jad ua, como também os sacerdotes, até ao rei-
1OJesua gerou a Joiaguim, Joiaguim gerou a nado de Dario, o persa.
Eliasibe, Eliasibe gero u a Joiada, 23 Os filhos de Levi foram inscritos como
11 Joiada gerou a Jônatas , e Jônatas gerou cabeças de famílias no Livro das Crônicas , até
a Jadua. aos dias de Joanã, filho de Eliasibe .

487
12: l COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

24 Foram, pois, chefes dos levitas: Hasabias, 37 À entrada da Porta da Fonte, subiram di -
Serebias e Jesua, filho de Cadmiel; os irmãos retamente as escadas da Cidade de Davi, onde
deles lhes estavam fronteiros para louvarem se eleva o muro por sobre á casa de Davi, até à
e darem graças, segundo o mandado de Davi, Porta das Águas, do lado oriental.
homem de Deus, coro contra coro. 38 O segundo coro ia em frente, e eu, após
25 Matanias, Baquebuquias, Obadias, ele; metade do povo ia por cima do muro, desde
Mesulão, Talmom e Acube eram porteiros e fa- a Torre dos Fornos até ao Muro Largo;
ziam a guarda aos depósitos das portas. 39 e desd e a Porta de Efraim, passaram por
26 Estes viveram nos dias de Joiaquim, cima da Porta Velha e da Porta do Peixe, pela
filho de Jesua, filho de Jozadaque, e nos dias de Torre de Hananel, pela Torre dos Cem, até à
Neemias, o governad or, e de Esdras, o sacerdo- Porta do Gado; e pararam à Porta da Guarda.
te e escriba . 40 Então, ambos os coros pararam na Casa
27 Na dedicação dos muros de Jeru salém, de Deus , como também eu e a metade dos ma-
procuraram aos levitas de todos os seus luga- gistrados comigo.
res, para fazê-los vir a fim de que fizessem a de- 41 Os sacerdotes Eliaquim, Maaseias , Mi-
dicação com alegria, louvores , canto, címbalos , niamim, Micaías, Elioenai, Zacarias e Hana-
alaúdes e harpas . nias iam com trombetas,
28 Ajuntaram-se os filhos dos cantores, 42 como também Maaseias, Semaías, Eleazar,
tanto da campina dos arredores de Jerusalém Uzi, Joanã, Malguias, Elão e Ezer; e faziam-se
como das aldeias dos netofatitas, ouvir os cantores sob a direção de Jezraías.
29 como também de Bete-Gilgal e dos cam - 43 No mesmo dia, ofere ceram grandes sa-
pos de Geba e de Azmavete; porque os cantores crifícios e se alegraram; pois Deus os alegrara
tinham edificado para si aldeias nos arredores com grande alegria ; tamb ém as mulheres e os
de Jerusalém. meninos se a legraram, de modo qu e o júbilo de
30 Purificaram-se os sacerdotes e os levi- Jerusalém se ouviu até de longe.
tas, que também purificaram o povo e as por- 44 Ainda no mesmo dia, se nomearam homens
tas e o muro. para as câmaras dos tesouros, das ofertas, das pr i-
31 Então, fiz subir os príncipes de Judá mícias e dos dízimos, para ajuntarem nelas, das
sobre o muro e formei dois grandes coros em cidades, as porções designadas pela Lei para os sa-
procissão, sendo um à mão direita sobre a mura- cerdotes e para os levitas; pois Judá estava alegre,
lha para o lado da Porta do Monturo. porque os sacerdotes e os levitas ministravam ali ; ..c ~
32 Após eles, ia Hosaías e a metade dos 45 e executavam o serviço elo seu Deus e
príncipes de Judá, o da purificação; como também os cantores e
33 Azarias, Esdras, Mesulão, porteiros, segundo o mandado de Davi e de seu
34 ]udá, Benjamim, Semaías e Jeremias; filho Salomão.
35 e dos filhos dos sacerdotes, com trombe- 46 Pois já outrora, nos dias de Davi e de
tas: Zacarias, filho de Jônatas, filho de Semaías, Asafe, havia chefes dos cantores, cânticos de
filho de Matanias, filho de Micaías, filho de louvor e ações de graças a Deus.
Zacur, filho de Asafe, 47 Todo o Israel, nos dias de Zorobabel e
36 e seus irmãos, Semaías, Azarei, Milalai, nos dias de Neemias, dava aos cantores e aos
Gilalai, Maai , Netanel , Judá e Hanani, com porteiros as porções de cada dia; e consagrava
os instrumentos músicos de Davi, homem de as coisas destinadas aos levitas, e os levitas, as
Deus; Esdras, o escriba, ia adiante deles. destinadas aos filhos de Arão .

488
NEE MIAS 12: l

1. Os sacerdotes e levitas. A li sta um asterisco ('~-) ocorrem ta mbém e m


apresentada nos v. l a 9 é clarificada pela Neemi as lO. No entanto, Pasur, Ma lquias ,
co mparação com duas listas paralelas: a das Obadias, D a niel, Baruque e M esulão
famílias sacerdotais cujos selos fo ram colo- (do cap. lO) estão ausentes em Neemias
cados na aliança (Ne 10:2-8) e a dos líde- 12. Alguns comentaristas têm proc urado
res dos turnos sacerdotais orientados pelo explic ar ess a dife ren ça supondo qu e um
sum o sacerdote Joiaquim (cap. 12: 12-21 ). grupo do s sacerdotes se recusou a assi-
A qu antidade de nomes difere levemente nar porque não concordava com as medi -
de lista para lista, bem como os nomes e das rigorosas de Esdras e Neemias. Essa
a ordem . A terceira lista mostra que eram sugestão seria concebível se some nte 15
nomes de fa mílias. chefes de fam íli as sacerdotais tivessem
Co mparando as duas li stas de Neemias assinado a aliança e não 21. Uma vez que
12 (colun as 2, 3, 4), percebe-se qu e faltam, seis outros nomes são citados no luga r de
na segu nda lista, os nomes dos líderes da seis nomes que fa ltam, es te não pode ser
casa de Min iamim, da casa de Hatu s e o motivo. A razão para as diferenças pos-
dos líderes des ta ca sa. Em outros aspec - sivelmente seja o lapso de tempo entre as
tos, as du as listas concordam em núm ero du as listas. A lista de Neemi as 12:1 a 7
e n a ordem dos nomes . No entanto, uma é do temp o de Zorobab el, a de Neemi as
comparação das du as listas de Neemias 12: 12 a 21 é do tempo de sumo sacerdote
12 com a de Neemias lO revela gra nd es Joiaquim que, p ossivel mente, ocupou o
di feren ças . H á 22 nomes e m Neemi as cargo durante a últim a parte do reinado de
12:1 a 7 (que são 21 nos v. 12-21); 15 deles Dario I, enqua nto que a de Nee mi as 10 é
(qu e são 14 nos v. 12-2 1) m arcados co m da época do rein ado de Artaxerxes I.

Lista de Nomes Sacerdotais de Neemias 10 e 12


Ne 10:2-8 Ne 12:1-7
Ne 12:12-21
(época de Neemias, (época de Zorobabel,
(época de Joiaquim, c. 490 a.C.)
c. 444 a .C.) c. 536 a.C.)
Sacerdotes que Chefes das famílias Chefes das famílias
Famílias sacerdotais
assinaram a aliança sacerdotais sacerdotais
1. Seraías I. Seraías " I . Seraías" l. Meraías
2. Azarias 2. Jeremias" 2. Jeremias .. 2. Hananias
3. J eremias 3. Esdras" 3. Esdras " 3. Mesulão
4. Pasur 4. Amarias .. 4. Amarias .. [Link]ã
5. Amari as 5. Malu que" 5. Maluqui "· 5. Jônatas
6 . Malquias 6. Hatus ..
7. H atus 7 . Seca nias"' 6 . Sebanias * 6. José
8. Sebanias 8. Reum .. 7. Harim "' 7. Adna
9. Maluque 9 . M eremote'' 8. Meraiote"' 8. Helcai
IO. Harim 10. Ido 9. Ido 9. Zacarias
11. M erem ote I1 . Ginetoi * 10. Ginetom <· 10. Mesulão
12. Obadias 12. Abias .. 11. Abias"' I1 . Zicri

489
12:8 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

13. Daniel 13 . Miamim"' 12 . Miniamim"·


14. Ginetom 14. Maadias"' 13. Moadias"' 12. Piltai
15 . Baruque 15. Bilga"' I4. Bilga"" 13 . Samua
I6. Mesulão 16. Semaías* I 5. Semaías * I4. Jônatas
I7 . Abias I 7. Joiaribe I6. Joiaribe 15. Matenai
I8. Miamim I8. Jedaías I7. Jedaías I6. Uzi
19. Maazias I9 . Saiu I8. Salai I 7 . Calai
20. Bilgai [Link] [Link] I8. Héber
2 I . Semaías 2I. Hilquias 20. Hilquias 19. Hasabias
22. Jedaías 21. Jedaías 20. Netanel
·•ver com. de Ne 12: l.

O fato de que havia 21 ou 22 c hefes O fato de somente 21 famílias serem men -


sacerdotais em três diferentes períodos do cionadas nas li stas de Neemias 10 e 12:12
judaís mo pós-exílico parece indicar que os a 21 talvez seja devido a e rro de copista.
sacerdotes estavam dividid os em 21 ou 22 A sugestão feita por algun s comentaristas
ordens ou classes, enqu anto os do período de que uma fa mília sacerdotal foi ex tinta
de Davi foram divididos em 24 (lCr 24). ou desqualificada, entre a época de Ciro e
Não se sabe por que o número original de Dario I, parece improvável.
ordens não foi restaurado imediatamente 8. Os levitas. Dos mencionados neste
após o exílio. Segundo Josefo, na época verso, somente Mata nias não assinou a
de Cristo, a quantidade completa de 24 aliança de Neemias 10 (ver Ne 10:9-13).
ordens estava oficiando (Antiguidades, Serebias e Jes ua (fi lho de Cadmiel) são
vii.14.7). E le diz, de forma in co rreta, que a nomeados novamente como chefes de divi-
divisão de Davi em ordens con tinuou até o sões levíticas em Neemias 12:24. O nome
tempo de Cristo. Judá não aparece em nenhuma outra li sta
As diferenças entre os nomes nas lis- dos levitas nos livros de Esdras e Neemias
tas de Neemias 10 e 12 podem ser expli- e, possivelmente, esteja no lugar de Hodi as
cadas com base em que os nomes que (Ne 10:10). Mata ni as pode ser o mesmo
selaram a aliança (Ne 10) não são nomes Matanias do cap. 11:17, que dirigiu o pri-
de ordens ou famílias, mas de chefes de meiro grupo coral.
famílias que viviam nos dias de Esdras 9. Baquebuquias. Outro líder da
e Neemias. D es tes, alguns são compa- músic a mencionado em Neemias 11:17.
rados com nomes de ordens e famílias O nom e "Uni" não aparece em outro lugar
enquanto os demais são diferentes. O fato nos registros desta época.
de alguns nomes serem os mesmos não Defronte deles. Os dois corais (ver
prova, no entanto, que os indivíduos per- Ne 11:1 7) parecem ter sido posicionados de
tenceram à família cujo nome eles traziam. frente um para o outro enquanto ca ntavam.
As similarid ades entre nomes nas duas lis- Mister. É preferível "serviço".
tas são acidentais. De acordo com Neemias 10. Jesua. Ver com. de Ed 2:2. Os v. lO
12:13 e 16, h avia dois homens chamados e 11 apresentam a genealogia dos sumo
de Mesulão, um era o chefe da família de sacerdotes desde a época de Zorobabel até o
Esdras, o outro, da família de Ginetom. período da compilação do livro de Neemias.

490
NEEMIAS 12:24

A genealogia possivelmente foi inserida Jadua. Ver p. 405. A menos qu e es ta


neste verso como um elo entre as listas de lista omita um a geração ou duas (ver com .
levitas , para explicar as declarações a res- do v. 1), o Jadua dos dias de Alexandre, men-
peito do período de sua composição, ou cionado por Josefo (Antiguidades, xi.8.4, 5),
épocas indicadas pelos nomes dos respecti- foi outra pessoa, possivelmente filh o ou
vos sumo sacerdotes. A lista dos v. l a 9 é da neto deste Jadua.
época de Jesua e a dos v. 12 a 21, da época 12. Sacerdotes. A respeito dos v. 12 a
de Joiaquim. 21, ver com. do v. l.
Joiaquim. Mencionado somente neste e 22. Eliasibe. A resp eito dos sumo
nos v. 12 e 26. Ele foi sumo sacerdote entre sacerdotes mencionados nes te verso , ver
Jes ua, que ainda vivia durante o período de com. dos v. lO e ll.
Dario I (Ed 5:2), e Eliasibe, o sumo sacer- Dario, o persa. O "re ino de Dario"
dote na época de Neemias (cap. 3:1; 13:4; parece ser o ponto final das várias li s-
etc.). Por isso, Joi aquim parece ter oficiado tas de funcionários ec lesiásticos. O Da rio
como sumo sacerdote durante a ú ltima des te verso pode ser Dario II (424/423 -
parte do reinado de Dario I e durante o 405/404 a.C.) ou Dario lll, o último
período de Xerxes, talvez até os primeiros monarca persa (336 -331 a.C.), que foi der-
anos de Artaxerxes I. rotado por Alexandre, o grande. Muitos
Eliasibe. Sumo sacerdote que oficiava comentaristas identificam "Dario, o persa"
na época de Neem ias (ver com. de Ne 3:1). com Dario III , baseados no fato de o Jadua
Joiada. Sumo sacerdote no período entre de Josefo (Antiguidades, xi.8.4, 5) ser o Jad ua
o mandato de Neemias como governador e o de Neemias 12:11 e 22 . No entanto, essa
ano 410 a.C., quando Joanã foi confirmado relação não deve es tar correta (ver p. 405).
como sumo sacerdote (ver p. 66, 405). É muito menos provável que "Dario, o
11. Jônatas. Nome alternativo para persa" seja Dario II . Este termo não evide n-
Joanã (ver v. 22, 23) ou resultado de um erro cia uma autoria tardia do li vro de Neemias,
de copista. Joanã é confirm ado pelo papiro como a lguns têm afirmado. Isso se justifica
elefantino como sumo sacerdote em 410 pelo fato de H eródoto também utili zá-lo
: ~ a. C. (ver p. 66, 405 ), possive lmente também (ii .llO, 158).
e m 407, quando fora m escritos os papiros 23. Livro das Crônicas. O documento
que continham se u nome. em que a lista de levitas foi inclu ída origi-
Josefo, q ue fala dele como Janeu (João), nalmente. Este livro era um registro di ário
diz que ele foi assassinado por seu pró- dos eventos de importância nacion al e uma
prio irm ão, Jesus (Jesua ou Josua) no tem- continuação dos primeiros ana is do rei no.
plo, quando Jesua tentou tirar o sumo 24. Chefes dos levitas. Os nomes
sacerdócio dele por m eio da influência Hasabias, Serebias, Jesua e Cadm iel ocor-
dos persas. Isso , por sua vez, deu oportu- rem frequentemente como cabeças das
nidade a Bagoas, genera l de Artaxerxes II ordens levíticas (os dois primeiros, e m
(Mnemon), para tomar severas medidas Ed 8:18 , 19; Ne 10:11 , 12; e os dois últimos,
contra os judeus (Antiguidades, xi.7. l). Essa em Ed 2:40; Ne 10:9; 12:8).
informação pode estar correta, porque os O filho de. Do heb. ben. Isto talvez
papiros elefantinos apresentam o nome do devesse ser traduzido como Binnuy, o Bin ui
governador persa na época de Joanã como do v. 8 (ver Ed 8 :33; Ne 3:24; 10:9). Não
Bigvai, o equivalente persa para o nome parece possível que Jesua fosse "o filho de"
grego Bagoas ou Bagoses. Cadm iel (ver Ed 2:40; cf. Ne 12:8).

491
12:25 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Mandado de Davi. Ver 1Cr 15:16; O mesmo também pode ter ocorrido com
23:5; 25:3. o muro de uma cidade e edifícios públicos.
Homem de Deus. Este título não é apli- Quando o sumo sacerdote e seus sacerdotes
cado a Davi com frequência (ver Ne 12:36; auxiliares terminaram de edificar sua parte
2Cr 8:14). As Crônicas possivelmente foram do muro, eles imediatamente "consagraram-
escritas pelo mesmo autor, como Esdras e na" (Ne 3:1), possivelmente com uma ceri-
Neemias (ver introdução às Crônicas). mônia. Com isso, eles podem ter inspirado
Coro contra coro. Esta frase é tirada Neemias a planejar uma cerimônia apro-
da posição dos guardas em 1 Crônicas 26:16. priada de consagração quando todo o muro
Neste verso, é utilizada para descrever a estivesse concluído. Essa atitude colocou
posição dos grupos de cantores na adoração toda a circunferência do muro sob a proteção
a Deus, possivelmente significando que os divina, reconhecendo que os muros seriam
grupos foram arranjados em frente um ao inúteis a menos que o próprio Deus defen-
outro e cantavam de modo responsivo. desse a cidade (ver Zc 2:5).
25. Matanias, Baquebuquias, Oba- Saltérios (ARC). Do heb. nebalim, um
dias. Matanias e Baquebuquias eram líde- tipo de harpa. Era portátil e sua caixa acús-
res dos dois coros (Ne 11:17); e com eles tica ficava na parte de cima, como as harpas
estava Obadias. A aparente dificuldade de representadas nos relevos assírios (ver p. 17).
estarem listados entre os "porteiros" desa- Isso se harmoniza com uma explicação da
parece quando os três nomes são considera- palavra nebel apresentada por Jerônimo. As
dos como parte do v. 24 (ver com. do v. 24). harpas egípcias eram muito maiores e sua
Mesulão, Talmom, Acube. Chefes caixa acústica ficava no fundo do instru-
dos porteiros. Os últimos dois ocorrem em mento (ver p. 18).
outros textos (Ed 2:42; Ne 11:19; 1Cr 9:17). Harpas. Do heb. lúnnoroth. Um hinnor
Portanto, estes eram os antigos nomes das era uma lira e não uma harpa.
famílias dos porteiros levíticos. 28. Netofatitas. Netofa foi identi-
Depósitos das portas. Mais precisa- ficada com [Link] Bedd Falúh, 5,6 km a
mente "tesourarias" (ARC). Os "porteiros" sudeste de Belém.
eram os policiais do templo e guardavam os 29. Bete-Gilgal. Do heb. Bethhaggilgal,
depósitos e a tesouraria do templo, próxi- uma cidade geralmente identificada com a
mos às portas. Gilgal de Josué 15:7, a meio caminho entre
26. Estes viveram nos dias. Com o Jericó e o Jordão (ver com. de Js 15:7).
v. 26, as duas listas nos v. 12 a 21, 24 e 25 Geba e de Azmavete. Ver com. de
são finalizadas. Ed 2:26, 24. Todas as cidades menciona-
27. Na dedicação. Os eventos registra- das em Neemias 12:28 e 29 estavam locali-
dos nos v. 27 a 43 devem ter ocorrido logo zadas próximas a Jerusalém; e os cantores,
depois do término do muro e não muitos que as construíram, estariam bem situados
anos depois, como sugeriram alguns. Assim, para atender aos serviços do templo.
;t ~> este documento, como outros em Neemias, 30. Purificaram-se. Sobre a pu rifi-
não é apresentado em ordem cronológica . cação dos sacerdotes e levitas, ver Ed 6:20.
Esta é a primeira descrição bíblica da Coisas inanimadas podiam se tornar legal-
dedicação do muro de uma cidade. Não mente contaminadas (Lv 14:34-53; Dt 23:14).
se sabe se ocorreu outra cerimônia como No caso dos muros ou portas se tornarem
esta em Israel. Casas foram dedicadas cerimonialmente impuros, deveriam passar
(Dt 20:5) e também o templo (lRs 8; Ed 6:16). por purificação legal antes da dedicação.

492
NEEMIAS 12 :39

31. Dois grandes coros. Neemias 34. Judá, Benjamim. Parece indic ar
ordenou que todos os líderes da nação, leigos pertencentes a estas tribos.
seculares e eclesiásticos, subissem no Semaías e Jeremias. Representantes
muro. Ali, ele os dividiu em dois coros, das duas maiores famílias sacerdotais (ver
cada um composto por clérigos e leigos. Ne 10:2, 8; 12:1, 6).
Pôs um deles ao comando de Esdras (v. 36) 35. Com trombetas. Cada procissão
e tomou a fren te do outro (v. 38). O local era acompanhada por um corpo de sacerdo-
da reun ião parece ter sido a Porta do Vale, tes que tocava as trombetas (v. 41 ), o líder
entre a Porta do Monturo e a Torre dos do coro de Esdras era Zacarias, descen- •t
Fornos, porque o coro de Esdras mar- dente de Asafe. Com ele estavam oito trom-
chou até a Porta do Monturo, o primeiro beteiros, alistados no v. 36.
ponto de referência mencionado, enquanto 36. Instrumentos músicos. Ve r Ne
o grupo de Neemias primei ro passou pela 12:27; cf. 1Cr 15:16; 23:5; 2Cr 29:26; Ed
Torre dos Fornos (v. 31 e 38; sobre a loca- 3:10.
lização da Porta do Vale, ver com. de Esdras, o escriba. Esdras era o líder
Ne 2:13). O coro de Esdras se moveu em do coral. Ele retornou de Babilônia 13 anos
direção ao ângulo sudeste d e Jerusalém antes de Neemias (Ed 7; Ne 2:1) e também
e, depois de passar as portas do Monturo foi o líder espiritual do povo durante as ceri-
e da Fonte, se dirigiu por cima do muro mônias do sétimo mês (Ne 8:1-15).
oriental, passando pela Porta das Águas. 37. Porta da Fonte. Ver com. de Ne 2:14.
O coro de Neemias prosseguiu na direção Defronte deles (ARC). A inserção
norte e, em seguida, passou pela Torre dos destas palavras, que não estão no hebraic o,
Fornos, o Muro Largo, a Porta de Efraim, fa z parecer que a Porta da Fonte estava à
a Porta Velha, a Porta do Peixe, as Torres frent e deles. De acordo com o hebraico, as
de Hananel e Meá e pela Porta do Gado e a "escadas" estavam "defronte deles" (ARC).
Porta da Guarda. Entre a Porta da Guarda Quando chegou à Porta da Fonte, a pro-
e a Porta das Águas, os dois coros aparen- cissão subiu à cidade de Davi pelo cami-
temente se encontraram e, a partir dali, nho das escadas mencionadas neste verso,
entraram no templo (sobre a topografia do subiram o muro uma vez mais , segui-
muro e das portas, ver com. de Ne 2:13- ram seu rumo para a Porta das Águas (ver
15; 3:1-32; e também a Nota Adicional a com . de Ne 3:26) e olharam o Vale de
Neemias 3). Cedrom de cima. Em algum lugar acima da
32. Hosaías. Talvez o Oseias de Porta das Águas, o grupo de Esdras encon-
Neemias 10:23 que selou a aliança. trou o de Neemias; e, juntos, entraram nos
Metade dos príncipes. A outra pátios do templo.
metade estava com Neemias (v. 40). 38. O segundo coro. Este grupo era
33. Azarias, Esdras, Mesulão. guiado por Neemias. Começando na Porta
Possivelmente, representantes de duas do Vale (ver com. do v. 31), este coro pri-
famílias sacerdotais. O "e" (ARC) que pre- meiramente foi para o norte, passando pela
cede Azarias deveria ser trad uzido como Torre dos Fornos (ver com. de Ne 3:11) e o
"ainda" ou "isto é", e todo o verso deveria Muro Largo (ver com. de Ne 3:8).
ser traduzido como: "Isto é, Azarias, que é 39. Porta de Efraim. Esta porta,
Esdras, e Mesulão" (ver Ne 10:2, 7). Este que deve ter sido loc ali zada entre o Muro
Esdras deve ser diferenciado do Esdras Largo e a Porta Velha, não é mencion ada
líder do coro, mencionado no cap. 12:36. na descrição da edificação do muro (Ne 3) .

493
12:40 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Ela pode n ão ter nec essitado de reparos, celebração gera l foi no Mar Vermelho, lide-
ou a pa rte da lista que a m encionava foi radas por Miriã (Êx 15:20).
perdida do texto . Da Porta de Efraim, O júbilo [... ] se ouviu até de longe.
a procissão continuou ao longo da parte Ver Ed 3:13; cf. 1Rs 1:40; 2Rs 1l:l3 .
superior do muro e "acima" das portas, 44. Nomearam. Em vista do fato de a
ou sobre elas, incluindo a Porta Velha nação ter prometido ser fiel na devolução
(ver cap. 3:6), a Porta do Peixe (cap. 3:3), dos dízimos e das ofertas (Ne 10:32-37),
as Torres de Hananel e Meá e a Porta do foi feit a um a preparação para admini strar
Gado (Ne 3: 1, ARC). os rendimentos prev istos para o templo.
Porta da Guarda. O qu e tem sido dito Uma vez que os dízimos e as ofertas era m
da Porta de Efraim é verdade também a devolvidos com produção: grão, vi nho,
respeito des ta porta. Ela deve ter sido loca- óleo, etc. (ver cap. 13:5), foram ne cessá-
lizada n a seção norte do muro oriental, ao rios armazéns espaçosos e pessoas para
sul da Porta do Gado. Passando esta porta, administrá-los.
o grupo de N eemias deve ter entrado na Judá estava alegre. H avia um espírito
área do templo, como indic a o v. 40, talvez harmonioso entre leigos e clérigos e todos
pela "Porta de Mifcade" (Ne 3:3 1, ARC; contribuíram voluntariamente.
ver co m. do versículo). 45. Os cantores. O texto h ebraico
40. Metade dos magistrados. Ver v. 32. registra: "E [os levitas] executavam o ser-
41. Os sacerdotes. Os sete sacerdo - viço do seu Deus e o da purificação; como
tes trombeteiros correspondem aos oito no também os cantores e porteiros, segundo o
grupo de Esdras (ver com. do v. 36). mandado de Davi e de seu fi lho Salomão"
42. Maaseias. A função de Maaseias e (A RA ; sobre esta ordem de Davi e Salomão,
dos sete homens mencionados neste verso ver 2Cr 8:14).
não é clara. 46. Dias de Davi e de Asafe. O v. 46
43. Grandes sacrifícios. Desde a explica a frase "segundo o mandado de
época de D avi se tornou costume ofere- Davi " do v. 45. Neemias diz que o serv iço
cer vá rios sacrifícios na dedicação de edi- musical, a disposição das p essoas e os câ n-
fícios importantes (ver 1Rs 8:5 ; Ed 6: 17; cf. ticos utilizados foram origin ados nos dias
2Sm 6: 17; 24:25). Assim, Neemias seguiu de Davi e de seu líder musical Asafe.
um costume já estabelecido. 47. Todo o Israel. Israel cumpriu suas
As mulheres. As mulheres judias não obrigações para com o serviço do tem -
são mencionadas na Bíblia com frequência plo nos dias de Zorobabel e Neemias, por
como participantes nas festividades públi- meio da devolução de seus dízimos e outras
cas. A outra ocasião singular em que mulhe- taxas, como exigid o pela lei (ver com. de
res são mencionadas participando numa Ne 10: 32-37; Nm 18:29). _.~

494
NEEMIAS 13: l

CAPÍTULO 13
1 Após a leitura da lei, a multidão mista é separada. 4 Ao retornar, Neemias purifica
as câmaras. 10 Ele reformula os serviços na casa de Deus. 15 A violação do
sábado 23 e os casamentos com mulheres estrangeiras.

Naquele dia , se leu para o povo no Livro 11 Então, contendi com os magistrados e
de Moisés ; achou-se escrito que os amonitas e disse: Por que se desa mparou a Casa de Deus?
os moabitas não entrassem jamais na congrega- Ajuntei os levitas e os cantores e os res tituí a
ção de Deus, seus postos .
2 porquanto não tinham saído ao encontro 12 Então, todo o Judá trou xe os dízimos elos
dos filhos de Israel com pão e água; antes, as- cereais , elo vinho e do azeite aos depósitos.
sa lariaram contra eles Balaão para os ama ldi- 13 Por tesoureiros elos depósitos pus
çoar; m as o nosso Deus converteu a ma ldição Selemias, o sacerdote, Zadoque, o escrivão, e,
em bênção. dentre os levitas, Pecla ías; como assis tente deles ,
3 Ouvindo eles, o povo, esta lei, apartaram I-Ia nã, filho de Zac ur, filho ele Matanias; porqu e
de Israel todo elemento misto. foram achados fiéis, e se lh es encarregou qu e re-
4 Ora, antes disto, Eliasibe, sacerdote, en- partissem as porções para seus irmãos.
carregado da câ mara da casa do nosso Deus, se 14 Por isto, Deus me u, lembra-Te de mim e
tinha aparen tado com Tobias; não apagues as beneficências que eu fi z à casa
5 e fi zera para este uma câmara grande, de meu Deus e para o seu serviço.
onde dantes se depositavam as ofertas de man- 15 Naqueles dias , vi e m Juclá os que pi-
jares, o incenso, os utensílios e os dízimos dos savam lagares ao sábado e traziam t ri go qu e
cerea is, do vinho e do azeite, que se ordenaram carregavam sobre jumentos; como também
para os levitas, cantores e porteiros, como tam- vinho, uvas e figos e toda sorte de ca rgas, que
bém contribuições para os sacerdotes. traziam a Jerusa lém no di a de sábado; e pro-
6 Mas, qua ndo isso aconteceu , não estive tes tei contra eles por vende rem mantimentos
em Jeru salém, porque no trigésimo segundo ano nes te d ia.
de Artaxerxes , rei da Babilônia, eu fora ter com 16 Também habitavam em Jerusa lém tírios
ele; mas ao cabo de certo tempo pedi licença ao que tra ziam peixes e toda sorte de mercadorias,
rei e voltei para Jerusalém. que no sábado vendia m aos filhos de Jud á e em
7 Então, soube do mal qu e Eliasibe fi zera Jerusalém.
para beneficiar a To bias, fa zendo-lhe um a câ- 17 Contencli com os nobres de Judá e lhes
mara nos pátios da Casa de Deus. disse: Que mal é este que fa zeis, profanando o
8 Isso muito me indignou a tal ponto, que dia de sábado?
atirei todos os móveis da casa de Tobias fora da 18 Acaso, não fi ze ram vossos pais assim, e
câmara. não trouxe o nosso D e us todo este ma l sobre
9 E ntão, ordenei que se purificassem as câ- nós e sobre esta cidade? E vós ainda trazeis ira
maras e tornei a tra zer para ali os utensílios da maior sobre Israel, profa nando o sá bado.
Casa de Deus, com as ofertas de manjares e o 19 Dando já sombra as portas de Jerusa lé m
incenso . antes do sábado, ordenei que se fechassem ; e
1OTambém soube que os quinhões dos lev i- determinei que não se abrissem , senão após
tas não se lhes davam , de maneira que os levitas o sábado; às portas coloqu e i algun s dos meu s
e os cantores, que faziam o serviço, tinham fu - moços, para que nenhum a carga entrasse no d ia
gido cada um para o seu campo. de sábado.

495
13:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

20 Então, os negociantes e os vendedores de mais suas filhas, nem para vossos filhos nem
toda sorte de mercadorias pernoitara m fora de para vós mesmos.
Jerusalém, uma ou duas vezes. 26 Não pecou nisto Salomão, rei de Israel?
21 Protestei, pois, contra eles e lhes disse: Todavia, entre muitas nações não havia rei seme-
Por que passais a noite defronte do muro? Se lhante a ele, e ele era amado do seu Deus, e Deus o
outra vez o fizerdes, lançarei mão sobre vós. Daí constituiu rei sobre todo o Israel. Não obstante isso,
em diante não tornaram a vir no sábado. as mulheres estrangeiras o fizeram cair no pecado.
22 Também mandei aos levitas que se puri- 27 Dar-vos-íamos nós ouvidos , para fazer-
~ ~ ficassem e viessem guardar as portas, para san- mos todo este grande mal, preva ricando contra o
tificar o dia de sábado. Também nisto, Deus nosso Deus, casando com mulheres estrangeiras?
meu , lembra-Te de mim; e perdoa-me segundo a 28 Um dos filhos de Joiad a, filho do sumo
abundância da Tua misericórdia. sacerdote Eliasibe, era genro de Sambalate,
23 Vi também, naqueles dias, que judeus o horonita, pelo que o afugentei de mim.
haviam casado com mulheres asdoditas, amo- 29 Lembra-Te deles, Deu s meu, pois conta-
nitas e moabitas. minaram o sacerdóc io, como também a aliança
24 Seus filhos falavam meio asdodita e não sacerdotal e levítica.
sabiam falar judaico, mas a língua de seu res - 30 Limpei-os, pois, de toda estrangeirice e
pecti vo povo. designei o serviço dos sacerdotes e dos levitas,
25 Contendi com eles, e os amaldiçoei, e es- cada um no seu mister,
panquei alguns deles, e lhes arranquei os cabe- 31 como também o forn ecimento de lenha em
los, e os conjurei por Deus, dizendo: Não dareis tempos determinados, bem como as primícias.
mais vossas filhas a seus filhos e não tomareis Lembra-Te de mim, Deus meu, para o meu bem.

L Naquele dia. Esta frase possivel- 3. Elemento misto. Do heb. 'ereb. Es ta


mente seja equivalente a "sobre aq uele p alavra é utilizada em Êxodo 12:38 p ara o
tempo". De acordo com o v. 6, os eventos em "m isto de gente" egípcia que se juntou aos
Neemias 13 ocorreram durante o segundo israelitas. Neste ve rso, é aplicada aos não
governo de Neemias, após um p eríodo em judeus de várias nacionalid ades que resi-
que esteve ausente da Judeia. diam entre os israelitas. Pode ter ocor-
Leu para o povo. Não é claro se esta rido um procedimento simila r ao realizado
leitura foi algo prescrito pela lei com rela- antes por Esdras (Ed lO: 10-19). Uma vez
ção à Festa dos Tabernáculos (Dt 31:10-13; que esta ação é m e ncionad a novam ente no
ver com. de Ne 8:1, 8, 18) ou se N eemias v. 30 e é administrada severa repreensão
ordenou isso por causa das condições que para casamentos com pagãos (v. 25-27), o
encontrou na Judeia, que necessitavam de processo pode n ão ter sido fácil. Lida r com
correção urgente. questões pessoais geralmente desperta
Achou-se escrito. O conteúdo desta sentimentos desagradáveis .
ordem, encontrada em Deuteronômio 4. Aparentado com Tobias. E liasibe
23:3-5, é apresentado de form a completa, era sumo sacerdote (ver Ne 3:1; 12:10,
embora levemente reduzido. 22; 13:28); Tobias era o amonita inimigo
2. Deus converteu a maldição. que tentou impedir a edificação do muro
A respeito de Balaão, ver Nm 22- 24. O re- dura nte o primeiro governo de Neemias
gistro das maldições convertidas em bênçãos (Ne 2:10, 19; etc.). A aliança norm al-
está em Números 24:10. m ente era interpretada como se referindo

496
NEEMIAS 13: 11

a um relacionamento estabelecido por meio de N eemias como governador. O período


de casamento. foi de 12 anos (Ne 5:14); no entanto, não
5. Uma câmara grande. Como o há indicação qu anto à duração do segundo,
sumo sacerdote Eliasibe tomava conta de que deve ter terminado antes de 407 a .C. ,
toda a área do templo , durante a ausência quando o governador da Judeia era Bigvai
de Neemias, ele entregou uma das melho- (ver com. de N e 12:11), segundo uma carta
res salas do templo a Tobias, que eviden- elefantina.
temente a utilizava como residência (v. 8). 7. Nos pátios. A sala que Eliasibe colo-
Durante o governo de Neemias, Tobias cou à disposição de Tobias não ficava no
m a nteve correspondência com líderes em edifício principal do templo, mas em um
Jerusalém , mas não podia entrar na cidade. dos recintos adjacentes a ele, dentro dos
Quando o governador esteve ausente, ele cômodos sagrados da área do templo . Isto,
não somente conseguiu entrar na cidade, sem dúvida, tornou a profanação menos fla-
como passou a residir no templo. Esta pro- gra nte do que teria sido de outra forma, mas
fanação era inédita, ainda mais que esta não justificava o ato.
sala especial, ou "câmara", fora separada 8. Móveis da casa. Parece que Tobias
para as ofertas e doações do povo. utilizava a câmara como residência nas visi-
6. Quando isso aconteceu. Literal- tas periódicas a Jerusalém.
mente, "e durante tudo isso", ou seja, a ques- 9. Purificassem as câmaras. Ante-
tão de Eliasibe e Tobias. rim-mente apenas uma "câmara" foi mencio-
Trigésimo segundo ano. Ver com. de nada como estando em uso por Tobias (v. 5,
N e 5:14. 7, 8). Mas o plural neste verso parece indi-
Rei da Babilônia. Este título foi assu- car que outras câmaras estariam envolvidas ,
mido por Ciro, Cambises, Dario I e Xerxes , além da grande sala do v. 5. Essas outra s
~ ., durante os primeiros anos do reino dos per- "câmaras" poderiam ser menores e talvez
sas. Ele foi oficialmente abolido por Xerxes tenham sido utilizadas por Tobias para aco-
depois de du as rebeliões ocorridas durante modar membros de sua família ou comitiva.
seu reinado . Neemias possivelmente uti- As salas foram poluídas pela conversão para
lizou o título com o qual havia se acostu- uso secular, e era necessária um a purifica-
mado , por longo período, ao chamar o rei ção cerimonial. Isso poderia ser reali zado
da Pérsia. de várias maneiras, embora o usual fosse o
Ao cabo de certo tempo. Literal- ritual simbólico do sangue e da água (ver
mente, "ao cabo de a lguns dias" (A RC), Lv 12 ; 14:4-32; 17:15 , 16; etc .).
denotando um interva lo definido (ver com. 10. Soube. Neemias viu que os levi-
de Gn 4:3). Não há evidência para o ponto tas estavam ausentes e o serv iço do templo
de vista d e alguns comentaristas de que era negligenciad o. Ao pesquisar, ele des-
es te período seria de um ano. A perma- cobriu a razão da ausência deles: o dízimo
nência de Neemias na corte da Pérsia deve não estava sendo devolvido. Uma vez que os
ter durado mais de um ano, porque seria levitas vivi am do dízimo e das primícias e
improvável que tantos atos ilegais por parte estes foram retidos, eles tiveram que ganhar
da comunidade judaica, como Neemi as a vida nos campos ao redor das cidades e
descob riu ao retornar, pudessem ter ocor- vilas onde moravam.
rido em período tão curto. 11. Então, contendi. Enquanto a culpa
Pedi licença. É somente a partir desta da profan ação do templo recaía espec ifica-
passagem que se sabem dos dois períodos mente sobre a classe sacerdotal, a culpa da

497
13:13 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

retenção dos dízimos era sobretudo impu- Protestei contra eles. O pisa r as uvas
tada aos governantes e aos nobres. Como no lagar era o primeiro passo na produ-
líderes , eles aparentemente deram mau ção de vinho e um a violação fla grante do
exemplo ao povo e eram cu lpados pelas quarto mand amento. O mesmo era verdade
deploráveis cond ições que Neem ias encon- com relação aos que transportavam produ-
trou ao retornar a Jeru salém. tos agrícolas para a capital a fim de vendê-
13. Por tesoureiros. Mais uma vez os los. Alguns comentaristas acredi tam que o
dízimos começaram a fluir para o tesouro transporte de grãos e ra uma necessidade
do templo (v. 12), a fim de sustentar o pa ra se estar cedo na cid ade para o mercado
ministério. Neemias enfrentou o problema do dia seguinte. Mas a lei não previa tal ati-
de certificar-se de uma distribuição equita- vidade. O v. 16 registra qu e produtos eram
tiva , para que cada um recebesse su a por- vendidos no sábado. A última parte do v. 15
ção justa e ninguém fosse negligenciado parece indicar que Neem ias os advertiu no
(ver At 6: 1-5). dia , ou seja, no sábado, no qual eles trans-
Selemias. Dos quatro tesoureiros, portavam os bens pa ra Je rusalém e rea l-
havia um sacerdote , um levita, um secre- mente os vendia m.
tário e um leigo. Desta forma , as principais 16. Tírios. A lei não proibia que estra n-
classes da população estavam representa- geiros residissem em Jerusalém , e Neem ias
das . As pessoas mencionadas não pude- não fez objeção aos tírios como moradores
ram ser identificadas, embora vários dos da cidade.
nomes ocorra m em outras partes no livro Que traziam peixes. Para os israeli-
de Neemias. Há menções a pessoas com tas o pe ixe sempre foi um artigo alimen-
o nome de Selemias (Ed 10:39, 41; Ne tar favorito (Lv 11 :9; Nm 11:5; Dt 14:9; Is
3:30), mas possivelmente nenhuma delas 19:10; Mt 15:34; Lc 24:42; e tc.). O peixe
seja o Selemias deste verso. Pedaías pode vinha principalmente do lago da G alil e ia e
ter sido o homem que expli cou a lei junta- do Mediterrâneo.
mente com Esdras (Ne 8:4). Hanã era um 17. Contendi. Na questão dos dízimos
nome comum (ve r cap. 8 :7; 10:10, 22), mas e do sábado, a classe dos nobres tinha culpa
a pessoa indicada neste verso parece não ser por não ter procurado impedir esse comér-
mencionad a novamente. Três Zadoqucs são cio e/ou porque eles estava m e nvolvidos
ali stados em N eemias (Ne 3:4, 29; 10:21), no mesmo.
mas é duvidoso que algum deles seja identi- 18. Não fizeram vossos pais assim
ficado com este "escrivão". [... ]? A profanação do sábado está entre os
O escrivão. Do heb. sofer, um "escritor" pecados de nunciados com mais intensi-
ou "secretário". dade pelos profetas (]r 17:21-27; Ez 20:13;
14. Lembra-Te de mim. Houve outros 22:8, 26; 23 :38). D e acordo com Amós
pedidos simila res por N eemias (Ne 5:19 ; (8:5), o sábado era guardado mais na letra
13:31; etc.). do que no espírito da lei. Neemias ta mbém
15. Naqueles dias. Um a notação de lembra aos judeus que as grande s catás-
tempo indefinida, como em N eemias 12:44 trofes ocasionada s por Nabucodonosor
e 13:1. Possivelmente indique um período ocorreram como resultado da violação do
posterior aos eventos descritos anteri or- quarto mandamento por se us ante passa-
~ ,.. m e nte. Neemias pode ter feito uma visita dos , como predissera Je remias (]r 17:27),
à região para observa r como o sábado uma profecia à qual Neemias aparente -
era guard ado. mente se referiu.

498
NEEMIAS 13:24

19. Dando já sombra. Do heb. salal, Jerusalém para ganh ar o sustento do so lo.
"aumentando as sombras". Desde a cria- Depois de ter empreendido trabalho secular
ção, o dia bíblico começa ao pôr d o sol durante algum tempo, os levitas tivera m
(ver com. de Gn 1:5). As festas especiais que se purificar a ntes de cuida r das tarefas
foram guardadas "de uma tarde a outra sagradas novamente.
tarde" (Lv 23:32), da mesma forma o sábado Lembra-Te de mim. Ver com. dos
semanal (ver com. de Me 1:32). Por isso , v. 14, 31.
Neem ias ordenou que as portas da cidade 23. Naqueles dias. Ver com. do v. 15.
fossem fechadas algum tempo antes do real N este verso, Neemias relata detalhada-
início do sábado. Ao agir assim, ele preten- mente o que ele fez na questão dos casa-
dia proteger os "limites" das horas sagradas mentos mistos, como registrado nos v. l a 3.
do san to sábado de Deus. É uma profana- Após retornar a Jerusalém, ele observou que
ção do espírito do sábado rea lizar atividades muitos judeus haviam caído novamente no
sec ulares até o último momento permitido. mesmo pecado que Esdras teve de enfrentar
Alguns dos meus moços. Ver Ne 4:16; em sua chegada a Jerusalém, em 457 a .C. -<~ ~
5:16. (Ed 9 e lO), e que foi especialmente mencio-
Nenhuma carga. Era possivelmente nado no pacto celebrado logo após o início
permitido ao povo ir e vir em missões legí- de seu primeiro mandato como governa-
timas aos sábados. No entanto, foram colo- dor (Ne 9:38; 10:1 , 30). Enquanto Neemi as
cados guardas para impedir o transporte de permaneceu na Judeia, possivelmente, não
mercadorias no sábado. houve sérias violações da aliança. Mas, tão
20. Pernoitaram fora de Jerusalém. logo ele se ausentou, mulheres es trangeiras,
C hegando no sábado e encontrando as por- aparentemente, foram mais uma vez levadas
tas fechadas, os negociantes esperaram do para as famílias dos judeus.
lado de fora e ali, possivelmente, reali zaram Mulheres asdoditas. Mulheres filis-
o comércio que teriam efetuado dentro da teias, de um povo sempre hostil a Israel,
cidade. O fechamento das portas resultou e nativas de uma cidade que se aliara aos
simplesmente na transferência do loc al de mais cruéis inimigos de Neemias (Ne 4: 7).
negociação: da praça dentro da cidade para Amonitas e moabitas. Ve r Ed 9: l ;
o exterior, fora das portas . Por doi s sábados, Ne 13:1.
es ta prática foi mantida. Então Neemias 24. Seus filhos. Se os casamen-
soube disso e a interrompeu, ameaçando tos foram realizados depois da partida de
prender os comerciantes que novamente Neemias, e ele encontrou crianças que já
fossem encontrados com seus produtos tinham aprendido a falar, nascidas dessas
perto da cidade no sábado (v. 21). uniões , então ele deve ter estado ausente de
22. Guardar as portas. A nomeação Jerusalém por alguns anos.
dos moços para guardar as portas (v. 19) Meio asdodita. Alguns expositores
no sábado era temporária, enquanto uma creem que as crianças falavam um dia-
responsabilidade maior foi desempenhada leto m eio hebraico e meio estra ngeiro .
pelos levitas a quem Neemias tinha levado É mais provável que a palavra "meio" se refira
de volta à cidade (v. 11). Esta tarefa foi con- a crianças que nasceram dessas mulhe-
fiada primeiro a eles, quando as porta s res estrangeiras, que podiam ser, em mui-
foram assentad as (Ne 7:1), mas foi negligen- tos casos, a segunda esposa . Dessa forma,
ciad a quando os levitas, privados do sus- em algumas famílias, m etade das crian-
tento financeiro , deixaram seus deveres em ças não falava o h ebraico corretamente.

499
13:25 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVE NTISTA

O "asdodita" pode ter sido, não a língua (Ne 12:10, 11), o sucessor de Joiada, mas
filisteia original, mas o aramaico, na época deve ter sido outro filho cujo nome n ão é
fal ado largamente por todo o império persa. mencionado. Eliasibe, o sumo sacerdote,
Neemias, como um oficial persa, certa- deveria ser um homem idoso nessa época
mente conhecia o aramaico e não se opu- para ter um neto em idade de se casar.
nha ao uso dessa língu a, mas se indignava O fato de um membro da família do sumo
em perceber que alguns jovens não con- sacerdote ter feito esse tipo de aliança com
seguiam falar adequad amente o hebraico. o principal inimigo de Neemias era absurdo
As línguas moabita e amonita eram dialetos e humilhante.
intimamente relacionados ao hebraico, no Sambalate. Ver com. de Ne 2: 10. As
entanto, a diferença era notável, e Neemias ligações de Eliasibe com Tobias, outro ini-
estava angustiado por encontrar esses diale- migo de Neemias, eram reprováveis (ver
tos estrangeiros gan hando espaço na Judeia . cap. 13:4-9).
25. Amaldiçoei. A gravidade dos casos Afugentei de mim. Isto possivelmente
e a situação perigosa que retratavam pesa- signifique que Neemias forçou o transgres-
ram sobre Neemias, o que o levou a tomar sor a deixar a nação e se tornar um exilado.
as ações descritas. Podemos supor que ele rec usou repudiar
Arranquei os cabelos. Esdras arra n- sua esposa estrangeira e preferiu se refugiar
cara os próprios cabelos e a barba em sinal em Samaria com Sambalate.
de extrema angústia (Ed 9:3). Arrancar os 29. Contaminaram o sacerdócio.
cabelos de alguém parece ter sido uma reco- Neemias considerava esse tipo de casa-
nhecida forma de punição (Is 50:6). A perda mento, por parte de um membro da famí-
da barba era considerada uma grande des- lia do sumo sacerdote, como profanação do
graça (2Sm 10:4). sacerdócio, opondo-se à santidade do ofício
26. Não pecou nisto Salomão [... ]? sacerdotal (ver Lv 21:7, 14).
O exemplo era mais apropriado do que A aliança sacerdotal. Não a aliança
qualquer outro para mover os judeus. A que do sacerdócio eterno que Deus outorgou a
o autor de 1 Reis 11:3 se referiu eufemisti- Fineias (Nm 25:13), mas a aliança que Deus
camente como "lhe perverteram o coração", firmou com a tribo de Levi e com Arão e
Neemias abertamente chamou de pecado. seus descendentes (Êx 28: l). Esta a liança -. ~
Não havia rei semelhante a ele. Ver exigia que os sacerdotes fossem "santos a
1Rs 3:12, 13; 2Cr 1:12. seu Deus" (Lv 21:6, 8), que os escolheu para
Amado do seu Deus. Uma alusão a ser ministros de Seu santuário e mordomos
2Sam uel 12:24. da Sua graça.
Deus o constituiu rei. Ver 1Rs 4:1. A expulsão do genro de Sambalate de
27. Dar-vos-íamos nós ouvidos [... ]? Jerusalém pode estar ligada com a edifica-
Neemias diz aos transgressores que ele e os ção do templo dissidente dos samaritanos no
que compartilh avam de seus sentimentos monte Gerizim. Josefo relata (Antiguidades ,
não adotariam as práticas que estes homens xi.7.2) que Manassés, um irmão do sumo
recomendavam nem permitiriam qu e fos- sacerdote Jadua, se casou com Nikaso, filh a
sem recomendadas a outros. O exemplo de do sátrapa Sam balate, um cutita. Quando,
Salomão foi uma advertência suficiente dos por causa disso, as autoridades judaicas o
resu ltados de tal pecado. excluíram do sacerdócio, ele estabeleceu
28. Filhos de Joiada. O transgres- o templo e a adoração no monte Gerizim,
sor dificilmente seria Joanã ou Jônatas com o auxílio de seu sogro. Muitos outros

500
NEEMIAS 13:31

sacerdotes, presumivelmente , foram soli- Designei o serviço. Isto é, atribuiu


dários a ele. Josefo, no entanto, coloca essa tarefas aos vários sacerdotes e levitas (ver
história na época de Alexandre, cerca de um Ne 10:38, 39; 12:44-46; 13:13).
século depois de Neemias. É possível que a 31. Ofertas da lenha (ARC). Pessoas
história seja verdadeira e que Josefo tenha foram nomeadas para supervisionar a coleta
cometido um erro cronológico. Sabe-se que das ofertas de madeira (Ne 10:34) e das pri-
ele colocou Sambalate 100 anos mais tarde mícias (cap. 10:35 -37).
(ver p. 405 ). O fato de Josefo chamar o líder Lembra-Te de mim. Neemias termina
dissidente de um irmão de Jadua e neto de seu livro com uma expressão própria de sua
Joiada, quando a Bíblia o ch ama de filho personalidade (Ne 5:19; 13:14, 22, 29). Uma
de Joiada, pode ser explicado ao se aceitar das características principais da vida e obra
que Josefo cometeu um erro ou que , como é de Neemi as é sua constante e íntima ami-
comum na Bíblia, "um dos filhos de Joiada" zade com a Fonte de toda força e sabedoria.
(v. 28) signifique "um dos netos de Joiada". Suas orações eram o segredo de seu sucesso
30. Limpei-os. Isto se refere às medi- (ver Ne 1:4-ll; 2:4; 4:4, 5, 9; 5:19; 6:9, 14;
das descritas nos v. 1 a 3 e 23 a 29. 13: 14, 22, 29).

COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE

1-31 - PR, 669-678 14 - GC, 481 20, 21 - PR, 672


4-7- PR, 669 15-19- PR, 671 22-25, 27 - PR, 673
8-13 - PR, 670 18- PR, 182 28, 29 - PR, 674
19 - PR, 667

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