Neemias: Oração e Reconstrução
Neemias: Oração e Reconstrução
NEEMIAS
o LIVRO DE
NEEMIAS
INTRODUÇÃO
CAPÍTULO 1
1 Neemias sabe por meio de Hanani acerca da miséria em que se encontrava
Jerusalém; ele chora, jejua e ora. 5 Sua oração.
l As palavras de Neemias , filho de Hacalias. quais temos cometido contra ti ; pois eu e a casa
No mês de quisleu, no ano vigésimo, estando eu de meu pai temos pecado.
na cidadela de Susã, 7 Temos procedido de todo corruptamente
2 veio Hanani, um de meus irmãos, com al- contra Ti, não temos guardado os mandamen-
guns de Judá; então, lhes perguntei pelos judeus tos, nem os estatutos, nem os juízos que orde-
que escaparam e que não foram levados para o naste a Moisés, Teu servo.
exílio e acerca de Jerusalém. 8 Lembra-Te da palavra que ordenaste a
3 Disseram-me: Os restantes, que não foram Moisés, Teu servo, dizendo: Se transgredirdes,
levados para o exílio e se acham lá na província, Eu vos espalharei por entre os povos;
estão em grande miséria e desprezo; os muros 9 mas, se vos converterdes a Mim, e guar-
de Jerusalém estão derribados, e as suas por- dardes os Meus mandamentos, e os cumprirdes,
tas, queimadas. então, ainda que os vossos rejeitados estejam
4 Tendo eu ouvido estas palavras, assentei- pelas extremidades do céu, de lá os ajuntarei e
me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e esti- os trarei para o lugar que tenho escolhido para
ve jejuando e orando perante o Deus dos céus. ali fazer habitar o Meu nome.
5 E disse: ah! SENHOR, Deus dos céus, Deus lO Estes ainda são Teus servos e o Teu povo
grande e temível, que guardas a aliança e a mi- que resgataste com Teu grande poder e com Tua
sericórdia para com aqueles que Te amam e mão poderosa.
guardam os Teus mandamentos! ll Ah! Senhor, estejam, pois, atentos os Teus
6 Estejam, pois, atentos os Teus ouvidos, e ouvidos à oração do Teu servo e à dos Teus ser-
os Teus olhos, abertos, para acudires à oração do vos que se agradam de temer o Teu nome ; con-
Teu servo, que hoje faço à Tua presença, dia e cede que seja bem-sucedido hoje o Teu servo e
noite, pelos filhos de Israel, Teus servos; e faço dá-lhe mercê perante este homem. Nesse tempo
confissão pelos pecados dos filhos de Israel, os eu era copeiro do rei.
427
1:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
1. As palavras. Do heb. debarim, lite- sangue (ver com. de lCr 2:7) . Han an i, no
ralmente "palavras", m as ta mbém tem o entanto, parece ter sido irm ão de sangue de
sentido de "história" (NTLH) ou "memó - Neemias (ver Ne 7:2).
rias" (ver Jr 1:1; Am 1: 1), e assim é utilizada Então, lhes perguntei. A ch egada
neste verso. de Han ani e dos outros judeus d a terra
Neemias. O sig nific ado do nome natal parece ter sido o primeiro contato de
Neemi as é "Yah weh confortou". Pelo menos Neemias co m os exilados que retornaram
dois outros homens do período pós- exílico da Judeia desde o início d as hostilid ades
ti veram este nome . Nenhum deles pode- entre Artaxerxes e Megabizo, o sátrapa da
ria ser o N eem ias, copeiro de Artaxerxes, província conhecida como "além do rio", da
porque um vive u no tempo de Zorobabel qual a Judeia fazia pa rte (ver com. de Ed
~ um século antes (Ed 2:2; Ne 7:7) e o outro, 4:10). Durante o período da rebelião el e
contemporâneo de Neem ias, era filh o de Megabizo, poucas notícias confiáveis pro-
Azburque, "maioral da m etade do distrito vindas d a Judeia parecem ter chegado a
de Bete-Zur" (Ne 3:16). O autor do livro era Neemias , embora ele tivesse ouvido rum o-
filho de H acalias , governador da Judeia. res de um ataque samaritano a Jerusalém
No mês de quisleu. Fica claro, pela e da destruição que eles fi zeram em parte
declaração de Neemias 2:1, que se refere ao do muro d a cidade que fora recon struído
20° ano do reinado de Artaxerxes. A respeito pouco antes . Sendo este o caso, Neemias
da identificação deste rei com Artaxerxes I, estaria ansioso por m ais notícias , o que
ver Nota Adic ional 2 a Neemias 2. No 20° ocorreu com a chegad a d e seu irm ão e
ano de Artaxerxes I, o mês de quisleu , o outros judeus com um tes te munho ocu lar
nono mês (ver vol. 2, p. 100), correu de 5 de dos eventos que, possivelmente, ocorreram
dezembro de 445 até 3 de jane iro de 444 a.C. durante a interrupção d as comunicações
(ver p. 99-101 ). entre a Pérsia e a Judeia (ver p. 378).
Cidadela de Susã. Susã, conhecid a 3. Os muros de Jerusalém. Alguns
nos regi stros antigos com o mesmo nome, e comentaristas pensam que as declarações
chamada de Susa pelos gregos, foi a antiga de Hanan i se referem à destruição da cid ade
capital de E lão . Nas proximidades do rio pelas forças de Nabucoclonosor, em 586 a.C .
Kerkha, cerca de 160 km ao norte da cabe- No entanto, isso difici lm ente seria novi-
ceira do golfo Pérsico, era uma das princi- dade para Neemias, a menos que se aceite
pais capitais p ersas. Outras capitais eram que H anani e seus companheiros relata-
Babilônia, Ecbátana e Persépolis. Susã foi ram apenas que até o momento nada havia
a princípio um a capital de inverno, devido sido feito quanto à reconstrução do muro.
a seu s verões superaquecidos. Alguns con - Considerando a comoção ocasionada pe lo
sideram que Susã seria o cená rio de algu- relato de H anan i (v. 4-11 ), os eventos descri-
mas das atividades de Da niel (ver Dn 8:2) e tos deveriam ter sido recentes. As palavras
dos eventos descritos no livro de Ester (ver de H ana ni não significavam necessari a-
Et 1:2). Expedições fran cesas exploraram a mente que todo o muro tinha sido des truído
antiga cid ade de modo inter mitente desde e que todas as portas foram queimad as .
1884 (ver com. de Et 1:5). A desc rição da construção do muro (Ne 3)
2. Um de meus irmãos. A palavra deixa claro que apenas setores do muro e al-
he braic a tradu zid a como "irmãos" é uti- gumas portas foram atingidas . Alguns se-
liza da com m ais frequ ênc ia para fa mi- tores do muro foram apenas repara dos
liares distantes do qu e para irmãos de (Ne 3:4, 5) e outros, construídos (Ne 3:2).
428
NEEM IAS l: 11
Da mesma forma, algumas portas tiveram 7. Não temos guardado. Com frequên-
que ser completamente refeitas (Ne 3:1 , 3) cia as ordenanças da lei estão reunidas sob os
e outras precisaram ape nas de reparos três termos utilizados neste verso (Dt 5:31 ;
(Ne 3:6). Pode-se também deduzir que hou - 6:1; 11:1 ; etc.).
ve um a destruição apenas parcial, devido 8. Se transgredirdes. Esta não é a cita-
ao tempo que Neemias levou para com - ção de um texto particular do Pentate uco,
pl etar a reconstrução de todo o muro da m as uma referência ao sentido geral de
cidade: 52 dias (Ne 6: 15). Em tão curto pe- várias passagens (ver Lv 26:27-45; Dt 30: 1-5).
ríodo teria sido impossível, mesmo sob as O s escritores bíblicos habitualmente se refe-
m ais fa voráveis circunstâncias, reconstruir riam aos primeiros escritos inspirados desta
o muro inteiro, inclusive as muitas portas, forma, citando o pensamento e não as pala-
caso o local estivesse nas condições em vras exatas (ver com. de Ed 9:11 ; Mt 2:23).
que Nabucodonosor o deixara. A rápida re- 10. Teu povo que resgataste. Isto pos-
constru ção foi devida não apenas ao gran- sivelmente se refere ao livramento do Egito
de entusiasmo dos líderes e do povo, mas ao "com a Tua grande força e com o braço
progresso obtido durante a gestão de Esdras estendido" (Dt 9:29; 26:8; etc.) e, então mais
e os demais, antes que os samaritanos des- recentemente, do cativeiro babilônico.
truíssem parte do muro. 11. Hoje. Esta frase significa "nesta oca-
4. Assentei-me, e chorei. Neemias sião" e não deveria ser tida como evidência
ficou profundamente agitado qu ando soube de que Neemias se referia à oração que pro -
da situação de seus compatriotas e da humi- nunciou na audiência com o rei (ver Ne 2).
lhação pela qual passavam. Mesmo que ele Este homem. Isto é, o rei Artaxerxes,
tivesse um conhecimento parcial dos even - a qu em não se menc ionou por nom e, ma s
tos na provínci a da Judeia, a realidade exce- que estava sempre no pensa mento do supli-
2, ~ deu seus temores e o levou às lágrim as . cante. Neemias percebeu q ue o opróbrio de
Jejuando. Durante o cativeiro, o jejum Jerusalém poderia ser removido somente
se tornou uma prática comum entre os por meio de intervenção real e estava con-
judeus (ver Zc 7:3-7). Jejun s solenes foram vencido de que teria que ir a Jeru salém a
introduzidos nos aniversários da tomada de fim de mudar a situação em que estava m.
Jerusalém, da queima do templo e do assassi- Eu era o copeiro do rei. Literalmente,
nato de Gedalias (Zc 8: 19). O jejum também "eu fui copeiro para o rei", não um copeiro
recebeu um lugar de destaque nas devoções exclusivo, m as um entre muitos. Ele men-
pessoais. É mencionado que Daniel (Dn 9:3; ciona o fato neste verso para explica r ao leitor
10:3), Ester (Et 4: 16), Esdras (Ed 10:6) e o sentido da expressão "este homem" e por-
Neemias jejuaram (ver com. de Ed 10:6). qu e foi sua fun ção que lhe permitiu acesso
5. E disse. O início da oração de a Artaxerxes. Neemias é um dos muitos
Neemias se aproxima tanto dos pensamentos exemplos de judeus exilados que alcançaram
e das palavras da oração de Daniel (Dn 9:4) posições de influência e trabalharam nos
que é possível que ele os tivesse diante de si. interesses de seu povo. Como os copeiros
Nesse caso, Neemias estava familiarizado tinham contato com os internos do harém
com os escritos de Daniel e o admirava. Neste real (ver Ne 2:6), muitos deles eram eunucos.
verso, as palavras diferem das de Daniel ape- É possível que Neemias fosse um eunuco.
nas na substituição de "Yahweh" por "Senhor" Alguns m anuscritos da LXX tradu zem o
('Adhonai) e pelo acréscimo de sua expressão heb. rnashqeh, ("copeiro") como eunouchos
favorita: "Deus dos Céus". ("eunuco") e não como oinochoos ("copeiro") .
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2:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
CAPÍTULO 2
1 Artaxerxes entende o que motivou a tristeza de Neemias e o envia com cartas e uma
comitiva a Jerusalém. 9 Neemias, para o pesar dos inimigos, chega a Jerusalém.
12 Ele observa as ruínas dos muros em segredo. 17 Ele incentiva os
judeus a edificar a despeito dos inimigos.
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NEEMIAS 2:3
17 Então, lhes disse: Estais vendo a misé- 19 Porém Sambalate, o horonita , e Tobias,
ria em que estamos, Jerusa lém assolada , e as o servo amonita, e Gesém, o arábio, quando o
suas portas , queimadas; vinde, pois, reedifique- souberam, zombaram de nós, e nos despreza-
mos os muros de Jerusalém e deixemos de ser ram, e disseram : Que é isso que fazeis? Quere is
opróbrio. rebelar-vos contra o rei?
18 E lhes declarei como a boa mão do meu 20 Então, lhes respondi: o Deus dos Céus
Deus estivera comigo e também as palav ras que é quem nos dará bom êxito; nós , Seus servos,
o rei me falara. Então, disseram: Di sponhamo- nos disporemos e reedificaremos ; vós, todavia,
nos e edifiquemos. E forta leceram as mãos para não tendes parte , nem direito, nem memorial
a boa obra. em Jerusalém.
1. No mês de nisã. O mês de nis ã, no humilde servo é uma boa razão para um jul-
20° ano de Artaxerxes I, começou em 2 de gamento mais favorável do que o que ele
abril de 444 a.C. , de acordo com a tabela tem recebido dos hi storiadores. Artaxerxes
da p. 99 -101. Este versículo, junto com o é retratado como um governante fraco que
cap. 1:1 , mostra que Neemi as contava os geralmente comprometia a dignidade rea l
a nos régios de um rei persa segundo o por meio do estabelecimento de prazos com
cale ndário civil judeu , que começava no súditos rebeldes e que facilmente desonrava
outono (ver p. 93 , 94; ver tamb ém vol. 2, tal dignidade por quebrar a fé das pessoas
p. 94, 100). que confiavam. Apesar de ser um rei vulne-
Pode parecer estranho que Neemias rável , ele tinha bom coração e era ge ntil em
tenha esperado três ou quarto meses depois algumas ocasiões. Poucos mon arcas persas
de receber o relato sobre Jerusalém para se tiveram interesse em seus assistentes p es-
aproximar do rei com se u pedido. Várias soais a ponto de perceber se estava m tris-
razões podem ter sido responsáveis por essa tes. Era mais raro aind a que demonstrassem
demora. Primeiramente, o rei poderia estar simpatia. Ao passo que Xerxes poderia ter
a usente da capital. No entanto , mesmo ordenado execução instantânea , Artaxerxes
quando o rei estava ali, seu caráter tempe- sentiu compaixão e estava disposto a aliviar
ramental (ver Nota Adicional a Esdras 4) a dor de seu servo.
tornava necessário esperar o momento opor- Temi sobremaneira. A despeito das
~ ,.. tuno para apresentar um pedido diante palavras bondosas e compassivas do rei,
dele. Duran te todo esse te mpo, Neemias Neemias percebe u o perigo. Ele compa-
procurou esconder seus verdadeiros senti- receu triste diante do rei e estava prestes
mentos , já que ele esperava estar anim ado a pedir permissão para deixar o palác io.
na presença do rei . As duas coisas eram contrárias ao pressu-
Rei Artaxerxes. O Artaxerxes mencio- posto fundamental da vida na corte persa:
nado no livro de Neemias é o primeiro rei desfrutar da presença real era o auge da
persa que recebeu este nome e o mesmo rei felicidade. O rei se ind ignaria , recusaria o
sob cujo poder Esdras retornou a Jerusalém. pedido, destituiria o copeiro de se u posto
Isso pode ser demonstrado pela evidência e o coloca ria na prisão ou perdoaria a apa-
do papiro judeu de Elefantin a (ver Nota rente desonra e atenderia ao pedido?
Adicional 2 a Neemias 2). 3. Viva o rei para sempre! Um a
2. Por que está triste [... ]? Esta per- forma oriental comum de se dirigir a um rei
gunta amável dirigida pelo grande rei a seu (1Rs 1:31; Dn 2:4; 3:9; etc.).
431
2:4 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
Onde estão os sepulcros de meus pode ter recebido permi ssão para prorro-
pais. Esta d eclaração indica qu e a famí- gar sua ausência periodi came nte. É impro-
lia de Neemi as viveu em Jerusalém. Como vável qu e Neemias tenh a pedido li cença
outras n ações antigas , os persas tinham para se ausentar por 12 a nos. Por ser um
grande res peito por tumbas e desaprova- período muito lon go , ele não teria a permis-
vam sua violação. Neemias utilizou sabia- são desejada.
mente as palavras para atrai r a simpatia de 7. Cartas. É importan te notar q ue
Artaxerxes para seu pedido com relação à Neemias não p ediu cartas para os gover-
cidade de seus antepassados . nadores entre Susã e o norte da Síria. Ele
4. Orei. Neemias era um hom em de deve ter considerado seguro esse trec ho da
oração. As orações ascendiam de seu s viagem e não precisava de proteção espe - 11 ~
lábios diante do perigo, das dificuldades e cial ali. No enta nto, seus inimigos viviam
das crises (Ne 4:4, 9; 5:19 ; 6:14; 13: 14; etc .). e m Sa maria , A mom e outras províncias
Às vezes, sua oração era breve e silenciosa, ao redor da Judeia, e todas pertenciam ao
como neste caso. sátrapa "dalém do rio". Para a jornada por
6. A rainha. De acordo com historiado- aquel a região , ele pediu proteção especial
res antigos, a mulher desempe nhava papel e documentos rea is que o autorizassem (ver
importante nas decisões do rei. É dito que Nota Adic ional 1 a Neemi as 2).
Xerxes era um brinquedo nas mãos de su as 8. Matas. Do heb. pardes, uma pa lav ra
esposas e que aventuras amorosas e intri- emprestada dos persas. No grego, a palav ra
gas no harém o interessavam mais do qu e a se tornou paradeisos, d a qu a l vem a pala-
política e a administração. Dario II era com- vra "paraíso". No idiom a p ersa, a palavra
pletam ente governado por s ua traiçoeira e designa um parque real , não uma fl oresta.
cru el esposa Parisátis , que também era sua Neemias menciona três fina lidades para
irm ã e de quem se diz que se distinguia por a utilização da madeira: (1) "Para cobri r as
sua sede de poder. portas do paço da ca sa" (A RC). A "casa" é,
A palavra heb. shegal é tradu zida como sem dúvida, o templo, e o "paço", a fortaleza
"rainh a" neste ve rsículo e no Salmo 45:9, no lado noroes te da área do templo. Essa
os únicos textos em qu e é utilizada no AT. fortaleza comandava e protegia o templo.
Ela vem da raiz shagal, "violentar", "ter rela- Parece ter sido construída entre o período
ções sexuais" e significa "concubi na", como de Zorobabel e 444 a .C., o ano do retorno de
a LXX traduziu corretamente no cap. 2:6. Neemi as; e era, aparente mente, a pre-
A conversa relatada ocorreu na presença da c ursora da fort aleza d e A ntônia, cons -
ra inha. Neemias achou que esta seria uma truída por Herod es, de acordo com Josefo
oportunidade favoráve l para apresentar se u (Antiguidades, [Link]. 4). Origina 1mente foi
pedido, talvez co m o evidente apoio de uma cham ada de Baris, que parece refl etir o
das conc ubinas de Artaxerxes que teria heb. birah, "pal ácio", empregado aqui por
simpati zado com Neemias. Neemias . (2) "Para os muros da c id ade",
E marquei certo prazo. Não é decla- especialmente para as p ortas. (3) "Para a
rado quanto tempo Neemias pediu , mas é casa em que deverei alojar-m e". Neem ias
provável que n ão excedesse a dois ou três dev ia ter em mente o antigo casarão de su a
anos, o que ser ia suficiente para fazer a via- famíli a que poderia estar em ruínas ou um a
gem e completar o trabalho. Ele, na verdade, nova habitação que planejava construir. E le
ficou ausente do pa lácio por 12 anos, muito parece admitir que os poderes solicitados
mais do que o planejado (ver Ne 5:14). Ele implicava m qu e seria nomeado governador
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NEEMIAS 2 12
da Judeia e, assim, planejou construir uma noroeste de Jerusalém em linha reta e que, no
casa apropriada. tempo de Neemias, pertenciam a Sa mari a.
E o rei mas deu. O fato de um rei Alguns comentaristas sugerem que o des-
inconstante ter concedido tudo o que prezo em relação a Sambalate seria melhor
Neemia s solicitou, sem reservas , poderi a explicado se este proviesse de Moabe, e não
ser explicado so mente como resultado da fosse, portanto, um verdadeiro sa maritano.
influência divina. Neemias reconhece u isso Servo. Do heb. 'ebed, "servo", utilizado
e glorificou a Deus por seu êxito (ver com . algumas vezes em documentos bíblicos
de Ed 8:1 8). e extrabíblicos para designar altos oficiais
9. Fui aos governadores. Sobre esta do governo (2 Rs 24:1 O, 11; Lm 5:8, ARC) .
viagem a Jerusalém , Neemias relata apena s Por isso, Tobias podia ser um a lto ofi cial
que visitou os vários governadores dos ter- na província de Amom, na Transjordânia.
ritórios por onde passou, principalmente da A fam ília de Tobias, mais ta rde, se tornou
satrapia "dalém do Eufrates". Ao fazer isso, conhecida como uma das m ais influentes
encontrou os inimigos dos judeu s, qu e a da Transjordânia. Um de seus descend en-
partir de então se tornaram inimigos mor- tes possuía um castelo em Amom, na época
tais. Com as cartas de autorização em mãos dos prim eiros ptolomeus , e supriu o rei do
e acompanhado por uma escolta de solda- Egito com ônagros (burros selvagens), cava-
dos persas, não enfrentou dificuldades ou los e cães. As ruínas de seu castelo e m 'Arâh
perigos no caminho. el- Emir ainda são visíveis, a meio ca minh o
10. Sambalate. C ertos com entár ios entre Jericó e Ama m . O nome de Tobias
feitos por Neemias (ver cap. 4:1 , 2) fo ram , está gravado nos muros externos da entrada
por muito tempo, interpretados pelos eru- para uma cavern a.
ditos como indicação de que Sa mbalate era Muito lhes desagradou. Quando
o governador de Samaria. Depois, um dos Zorobabel rejeitou a cooperação dos sama -
papiros de Elefantina (C owley, Aramaic ritanos na reconstrução do templo (Ed 4:3),
Papyri, n° 30), escrito no a no 407 a.C ., defi- desenvolveu-se um es pírito de a nimosidade
nitivamente resolve a questão com uma refe- entre os dois povos que perdurou até a des-
rência direta a Sa mbalate co mo "govern ador truição de Jerusalém por T ito. Essa inimi -
de Samaria". Isso explica por que ele era um zade pode ter se estendido a outras nações
inimigo tão perigoso para N eemias. Sendo vi zinhas, como os amonitas e os a rábios
mais que um cid adão comum e com um (ve r Ne 2: 19; 4:7), especialmente durante a
exército à disposição (cap. 4:2), ele tinha con- reforma de Esdras (E d 9, lO). Ao saber das
dições de causar muito dano e estava deter- razões da viagem de Neemias e de que ele
minado a frustrar os planos de Neemias. desejava promover os interesses do povo de
O horonita. Neemias não revelo u a Judá, eles possivelm ente deixaram claro gue
posiç ão oficial de Sambalate e o ch amou tinham ligações influentes em Je rusalé m
apenas de "o horon ita". Não se sabe se isso (Ne 13:4-8, 28) . Isso explicaria o grande
foi um desrespeito. Também é incerto se cuidado e sigi lo com que Nee mias rea li zou
esta designação se refere a Sambalate como as investigações inici ais em sua chegada.
proveniente da cidade moa bita de H orona im 11. Três dias. Ver E d 8:32 . Foram
(Jr 48: 34), aind a não identificada; ou como necessários algun s di as de desca nso depois
proveniente de um a das du as cidades de da longa vi agem .
Bete-Horom (] s 16: 3, 5; etc.), hoje, Beit 'Ur 12. À noite me levantei. Até ag ui
el-Foqa e Beit 'Ur et-Tahta , cerca de 20 km a Neem ias havia comunicado seu p ropós ito
433
2:13 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
somente ao rei da Pérsia. Ele esperava opo- "oposto", então a Fonte do Dragão deve-
sição e decidiu desorientar seus oponen- ria estar seca desde o tempo de Neemias.
tes tanto quanto possível, ocultando seus Se assim for, ela era localizada na parte
planos. Inspecionando o muro à noite, ele oeste do vale de Hinom ou a meio cami-
esperava não ser observado. Por isso, levou nho do vale de Tiropeom, dependendo da
consigo poucos auxiliares. Ansioso por ver visão que se tenha acerca do tamanho de
com seus próprios olhos a extensão dos Jerusalém no tempo de Neemias .
danos ao muro e que reparos seriam neces- A Porta do Monturo. Esta porta
sários , ele também procurou chamar o estava localizada a 444 m da Porta do Vale
mínimo de atenção possível. (cap. 3:13). A "Porta do Monturo" aparente-
13. Porta do Vale. É essencial uma mente recebeu este nome devido ao fato de
descrição das características topográficas o lixo da cidade ser levado através dela até o
de Jerusalém, a fim de se compreender a vale de Hinom.
investigação noturna de Neemias (v. 13-15), Contemplei os muros. Deixando a
os diferentes setores do muro durante o cidade pela Porta do Vale, Neemias inspe-
período de reconstrução (Ne 3) e a ceri- cionou o muro pelo lado de fora, a fim de
mônia de dedicação (Ne 12:27-43). A Nota verificar a extensão dos danos causados
Adicional a Neemias 3 e o mapa "Muros de ali. Neemias pode ter observado os seto-
Jerusalém no Tempo de Neemias" (p. 444) res do muro do lado norte da cidade sem
ajudam nessa descrição. ter sido percebido, quando se aproximou de
Aqueles que incluem a colina a oeste Jerusalém e durante as visitas ao templo e
da cidade de Jerusalém na época de aos oficiais que aparentemente viviam no
Neemias situam a Porta do Vale próxima setor norte da cidade.
ao canto sudeste da cidade, em oposi- 14. Porta da Fonte. Esta porta estava
ção ao vale de Hinom. Já os que limitam a localizada na parte sudeste da cidade, em
cidade de Neemias aos dois montes a leste oposição à fonte de En- Rogel , hoje cha-
de Jerusalém situam a Porta do Vale a meio mada de Fonte de Jó ou Fonte de Neemias.
caminho ao longo do muro ocidental. Foi Açude do rei. Este nome não apa-
uma dessas portas que Uzias fortificara dois rece em outra parte da Bíblia. É incerto se
séculos antes (2Cr 26:9). É mais provável Neemias se refere ao açude de Siloé, ali-
que seria a última porta que levava para a mentado pela fonte de Siloé através do
cidade do vale de Tiropeom. Vestígios dessa túnel de Ezequias (ver com. de 2Rs 20:20),
porta foram descobertos em escavações ou ao açude de Salomão que, de acordo com
inglesas de 1927. Josefo (Guerra dos judeus, v.4.2), estava na -.. ~
Fonte do Dragão. Este nome ocorre parte inferior do vale de Cedrom. Se era ao
apenas em Neemias . Esta fonte é iden- açude de Siloé, Neemias deve ter entrado
tificada geralmente com a de En-Rogel na cidade através da Porta da Fonte, mas
(Js 15:7; etc.), hoje chamada de Fonte de encontrou muitos escombros nessa parte
Jó ou Fonte de Neemias, na junção dos da cidade e retornou sem conseguir termi-
vales de Hinom e de Cedrom. Essa identi- nar a investigação. No caso de se referir ao
ficação se sustenta só no caso de a expres- açude de Salomão, então Neemias passou
são heb. 'el-pene , traduzida como "para o pela Porta da Fonte e encontrou uma quan-
lado" (ARA) tiver o sentido de "em dire- tidade incomum de detritos na parte infe-
ção a" (TB), o que é incerto. No entanto, rior do vale de Cedrom, o que tornava o
se a expressão significar "[passar] por" ou local intransitável.
434
NEEMIAS 2:20
15. Ribeiro. Possivelmente o vale de Samaria (ver com . do v. lO) e Tobias tal-
Cedrom. Ao subir o vale, Neemias pôde ver vez fo sse o governador de Amom, ou pelo
os muros de Jerusalém destruídos. Possivel- menos um líder influente daquela nação,
mente fosse uma noite enluarada. De outra também ficou sugerido que Gesém (ou
forma, ele não teria enxergado bem devido à Gashmu; ver Ne 6:6) teria uma posição
distância entre o muro leste , sobre a escarpa semelhante na província persa da Arábia.
da colina do sul, e o vale de Cedrom, por A última, aparentemente, incluía Edom,
onde ele cavalgou. porque Edom nunca é mencionada por
Voltei. Não se sabe até onde Neemias Neemias . Esta suposição é corroborada
seguiu o curso do vale de Cedrom em direção por descobertas recentes de inscrições
ao norte. Esta avaliação do muro possivel- feitas pelos lihyanitas, que dispersaram
mente não incluiu a parte a leste do tem- os edomitas no 5° século a.C., nas quais
plo. Ele pôde constatar a extensão do dano, Gesém é mencionado como governador
devido às visitas anteriores à área do tem- de Dedã.
plo. Refazendo seus passos pelo caminho de Zombaram de nós. Isso foi feito por
volta à Porta do Vale, Neemias e seus compa- meio de mensageiros, como fez Senaque-
nheiros (v. 12) entraram novamente na cidade rib e (2Rs 18:17-35), ou por comunic ação
sem ser percebidos. form al escrita .
16. Os magistrados. Ao chegar a Jeru- 20. Então, lhes respondi. É digno de
salém, Neemias não encontrou nenhuma nota que Neemias não deu atenção à séria
autoridade local, mas várias pessoas cha- acusação de que ele estava tramando rebe-
madas de "magistrados" e "nobres". A dife- lião . Ele também não mencionou que tinha
rença entre essas duas classes não é clara. a permissão do rei , mas deixou seus inimi-
A primeira podia consistir de funcionários gos suporem que agia por conta própria.
nomeados e a última, de chefes de família. Ele certamente tinha motivos para agir
Nem aos mais. Os administradores dessa forma frente aos adversários .
da cidade não estavam incluídos entre os O Deus dos céus. Neemias, um ho -
"magistrados" e "nobres" ou pessoas anterior- mem profundamente religioso, sabia como
mente engajadas na reconstrução do muro. depender de Deus. Não realçou o decre-
17. Então, lhes disse. Neemias não to real como a mais alta autorid ade pos-
esperou muito para entrar em ação. Um dia sível de quem teve permissão para agir.
depois de sua investigação noturna aos muros, Anteriormente, Zorobabel tinha agido as-
foi reunido um grupo representativo de sim diante de Tatenai: "Nós somos servos
anciãos da cidade para ouvir seu relato. Em do Deus dos céus e da terra e reedificamos
seu discurso ele os lembrou do vergonhoso a casa" (Ed 5:11).
estado em que a nação se encontrava, falou Vós [... ] não tendes parte. O pedido
do auxílio divino no relacionamento com o rei dos samaritanos para ter direito de inter-
e demonstrou a extensão de suas prerrogati- ferir em ass untos judaicos foi rejeitado
vas. Esse discurso alcançou o efeito desejado quando eles ofereceram ajuda (Ed 4:2 , 3).
e resultou numa decisão entusiasta e unâ- Da mesma forma, qua ndo a intromissão
nime para "levantar e edificar". deles se tornou hostil, foi rejeitada com mais
19. Sambalate. A respeito de Samba- indignação. Foi-lhes dito que o ocorrido
late e Tobias, ver com. do v. lO. em Jerusa lém não tinha relação com eles
Gesém, o arábio. Quando se tornou e que nem mesmo tinham lugar na memó-
evid ente que Samba late era governador de ria dos moradores locais. Neemias deixou
4 35
2:20 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
~ claro esperar que eles não interferissem e Até esse ponto, Neemias tinha evitado a
que atendessem aos negócios de suas pró- oposição, ocultando seus planos , mas uma
prias comunidades a fim de não incomo- vez que a oposição se manifestou , ele a
dar os adoradores do Deus verdadeiro. enfrentou ousadamente.
Nota I
Nota 2
43 6
NEEMIAS 3:1
em alguns desses papiros praticamente determina o fato de que N eemias tomou poss e
como governador da Judeia, autorizado por Artaxerxes I.
De acordo com dois papiros elefantinos (Cowley, papiros n° 30 e 31), Joanã foi sumo
sacerdote em Jerusalém em 410 a.C . Ele também é mencionado em Neemias 12:22 e 23
(ver Ed 10:6) como filho do sumo sacerdote Eliasibe, que oficiou no tempo de Neemias
(Ne 3:1). Josefo (Antiguidades, xi. 7.1), no entanto, declara que Joanã foi neto de Eliasibe,
o que parece concorda r com a afirmação feita em Neemias 12:22 de que Joiada foi sumo
sacerdote entre Eliasibe e Joan ã. Saber se Joanã é filho ou neto de Eliasibe é irreleva nte
nesse caso. Porém, é importante saber que, de acordo com duas fontes (a Bíblia e Josefo),
o sumo sacerdote Eliasibe do tempo de Nee mias precedeu o sumo sacerdote Joanã que ofi-
ciou em 410 a.C. Isso requer que Neemias seja localizado no reinado de Artaxerxes I, já que -~ ~
Artaxerxes II não começou a rein ar até o tempo desses documentos , que são do período do
filho ou neto de Eliasibe.
Há uma evidência adicional na menção de "Delaías e Selemias, filhos de Sambalate,
governador de Samaria" (Cowley, no 30, linh a 29) . Isso mostra que Sambalate, o inimigo
implacável de Neemias, ainda era governador da província de Samaria em 407 a.C. , qua ndo
a carta foi esc rita (ver com. de Ne 2:10). Uma vez se fazia solicitação, pela carta, aos filhos
de Sambalate, fica suge rido que ele era um homem idoso e que transferira a administra-
ção aos filhos. A fun ção de Sambalate em decidir os assuntos por si mesmo parece que era
coisa do passado. E, um a vez que a obra de Neemias claramente estava no período em que
Sambalate estava ativo no comando das questões de estado em Samaria , torn a-se evidente
que o único Artaxerxes de quem Neemi as fora copeiro e servidor seria Artaxerxes I, que
morreu em 423 a.C .
Nas décadas recentes poucos eruditos questionaram se o Artaxerxes de Neemias era o
Artaxerxes I.
CAPÍTULO 3
Os nomes e a ordem dos edificadores do muro.
l Ent ão, se di spôs Eliasibe, o sumo sacer- 2 Junto a ele edificaram os homens de
dote, com os sacerdotes, seus irmãos, e reedi- Jericó; também , ao seu lado, edificou Zacur,
ficaram a Porta das Ovelhas ; co nsagra ra m-na , filho de lnri.
assentara m-lh e as portas e continuaram a re- 3 Os filhos de H as senaá edifi caram a Porta
construção até à Torre dos Ce m e à Torre do Peixe; coloca ram-lhe as vigas e lhe assenta-
de Hananel. ram as portas com seus ferrolhos e trancas.
437
3:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
4 Ao seu lado, reparou Meremote, filho de 16 Depois dele, reparou Neemias, filho
Urias, filho de Coz; junto deste reparou Mesulão, de Azbuque, maiora l da metade do distrito de
filho de Berequias , filho de Mesezabel, a cujo Bete -Zur, até defronte dos sepulcros de Davi,
lado reparou Zadoque, filho de Baaná. até ao açude artificial e até à casa dos heróis.
5 Ao lado destes , repararam os tecoítas; os 17 Depois dele, repararam os levitas , Reum,
seus nobres , porém, não se sujeitaram ao servi- filho de Bani, e, ao seu lado, H asabias , maioral
ço do seu senhor. da metade do distrito de Queila.
6 Joiada , filho de Paseia , e Mesulão, filho 18 Depois dele, reparara m seus irmãos :
de Besodias, repararam a Porta Velha; coloca- Bavai, filho de Henadade, mai oral da metade do
ram-lhe as vigas e lhe assentaram as portas com distrito de Queila;
seus ferrolhos e trancas. 19 ao seu lado, reparou Ezer, filho de Jesua ,
7 Junto deles , trabalharam Melatias, gibeo- maioral de Mispa, outra parte defronte da subi-
nita, e Jadom , meronotita, homens de Gibeão e da para a casa das armas , no â ngulo do muro.
de Mispa, que pertencia m ao domínio do gover- 20 Depois dele, reparou com grande ardor
nador de além do Eufrates. Baruque, filho de Zabai , outra porção, desde o
8 Ao seu lado, reparou Uziel, filho de ângulo do muro até à porta da casa de Eliasibe,
Haraías, um dos ourives; junto dele, Hanani as, o sumo sacerdote.
um dos p erfumi stas; e restauraram Jerusa lé m 21 Depois dele, reparou Meremote, filho de
até ao Muro Largo. Urias, filho de Coz, outra porção, desde a porta
9 Junto a estes, trabalhou Refaías, filho de da casa de Eliasibe até à extrem idade da casa
Hur, maioral da metade de Jerusalém. de Eliasibe.
lO Ao seu lado, reparou Je daías , filho de 22 Depois dele, repararam os sacerdotes que
Harumafe, defronte da sua casa; e, ao seu lado, habitava m na campina.
reparou Hatus , filho de H asabneias. 23 Depois, repararam Benjamim e Hassube,
ll A outra parte reparou M a lquias, filh o de defronte da sua casa ; depois deles, repa rou
Harim, e Hassube, filho de Paate-Moabe, como Azarias, filho de Maaseias, filho de Ananias,
também a Torre dos Fornos. junto à sua casa .
12 Ao lado dele , reparou Salum, filho 24 Depois dele, reparou Binui, filh o de
de H a loés , maioral da outra meia parte de Henadade, outra porção, desde a casa de Azarias
Jerusalé m, ele e suas filh as. até ao ângulo e até à esquina.
13 A Porta do Vale, reparou-a Hanu m e os 25 Pala!, filho de Uza i, reparou defronte do
moradores de Zanoa; edificaram-na e lhe assen- ângulo e da torre que sai da casa real superior,
taram as portas com seu s ferrolhos e trancas e que está junto ao pátio do cárcere; depois dele,
a inda mil côvados da muralha , até à Porta do reparou Pedaías, filho de Parós,
Monturo . 26 e os servos do templo que habitava m em
14 A Porta do Monturo, reparou-a Malqui as, Ofel, até defronte da Porta das Águas, para o
filho de Recabe, maiora l do distrito de Bete- oriente, e até à torre alta.
~ ,. Haquerém; ele a edificou e lhe assentou as por- 27 Depoi s, repara ram os tecoítas outra por-
tas com seus ferrolhos e trancas. ção, defronte da torre grande e alta, e até ao
15 A Porta da Fonte, reparou-a Salum, filho Muro de Ofel.
de Col-Hozé, maioral do distrito de Mispa ; ele 28 Para cima da Porta dos Cavalos, re-
a edificou, e a cobriu, e lhe assentou as portas pararam os sacerdotes, cada um defro nte da
com seus ferrolhos e trancas, e ainda o muro do sua casa.
açude de Selá, junto ao jardim do rei, até aos de- 29 Depois deles , reparou Zadoque, filho
graus que descem da Cidade de Davi. de lmer, defronte de sua casa; e, depois de le,
438
NEEMIAS 3:3
Semaías, filho de Secanias, guarda da Porta 31 Depois dele, reparou Malquias, filho de
Oriental. um ourives, até à casa dos servos do templo e
30 Depois dele, reparou Hananias, filho dos mercadores , defronte da Porta da Guarda,
de Selemias, e Hanum , o sexto filho de Zalafe, até ao eirado da esquina.
outra porção; depois deles , reparou Mesulão, 32 Entre o eirado da esq uina e a Porta das
filho de Berequias, defronte da sua morada. Ovelhas, repararam os ourives e os mercadores.
439
3:4 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
tra nsversai s por meio das quais as portas 6. Porta Velha. Do heb. sha'ar hayyesha-
podiam ser pa rafusada s por dentro. nah, literalmente, "a porta da velhice".
4. Meremote. Membro de uma das Embora a expressão hebraica tenha or igi-
famílias sacerdotais que não comprovou nado muitas variantes de traduções, não há
sua ascendência na época de Zorobabel (ver necessidade de supor um erro textual, como
Ed 10:36). Foi companheiro de viagem de muitos tradutores e comentaristas têm
Esdras (Ed 8:33; cf. Ne 3:2 1). Desta vez, feito. Alguns sugeriram que a palavra pa ra
ele edificou dois setores do muro (Ne 3:21) "cidade" foi perdida, e a interpretam co mo
e, alguns meses mais tarde, fi rmou al iança "a porta da antiga cid ade". No entanto, essa
(Ne 10:5). sugestão é incorreta, já que a "Porta Velha"
Mesulão. Um dos principais homens estava num setor do muro que incluía a
que acompanharam Esdras l3 anos antes, parte então recém-acrescentada à cid ade.
no retorno de Babilônia (Ed 8:16). Ele A LXX traduz yeshanah como um nome pró-
fico u responsável em edificar doi s seto- prio, !sana, ficando, então, "porta de Jesana".
res do muro (Ne 3: 30) e, mais tarde, assu- A porta pode ter recebido esse nome da
miu a aliança de Neemias como chefe (cap. cidade de Jesana , hoj e Btuj el-Isâneh, a
10:20). Emb ora Mesul ão fosse um leal noroeste de Baai-H azor, que está cerca de
defensor da ca usa de Neemias, este se quei- 25 km ao norte de Jerusalém (2Cr 13: 19). ~ ~
xou de Mesu lão ter dado a filha ao filho de A "Porta Velh a" é normalmente identifi-
seu inimigo Tobias (cap. 6:18). cada com a "Porta da Esq uina" (2Rs 14:13;
5. Repararam. Como era um grupo Jr 31: 38), que estava situ ada no ca nto noro-
pequeno, aos tecoítas foi atribuíd a um setor este do muro da cidade.
do muro que apenas requeria reparos, não 7. Gibeonita. Gibeão é hoje ej-]ib, e
de reconstrução. No en tanto, eles pareciam está 9,6 km a noroes te de Jerusalém .
tão zelosos que ass umiram a responsabili- Meronotita. A loc alização de Meronote
dade de reparar um segundo setor (v. 27). é desconhecida. D eve ter sido próxima a
Os tecoítas. O povo de Tecoa, uma Gibeão e M ispa (ver 1Cr 27:30).
pequena cidade cerca de oito quilômetros Mispa. Possivelmente o sítio de Tell en-
ao sul de Belém, hoje ch amada de Teqú '. Nasbeh, 15 km ao norte de Jerusalém.
De Tecoa saiu a "mulher sábia" a quem Que pertenciam ao domínio do
Joabe enviou para influenciar Davi a bus- governador. O significado desta tradu-
car Absalão de volta para casa (2Sm 14:2, 3). ção é incerto. Designa a região de ond e saí-
O pequeno porte da cidade parece ter sido ram os edificadores desse setor do muro
o motivo de ela não aparecer n a lista de ou a ex tensão da atividade deles no muro.
cidades e vilas dos que retornaram com De acordo com a primeira interpretação,
Zorobabel (Ed 2:20-35 ), ou na lista do censo estes homens eram de Gi beão, Meronote,
(Ne 11:25 -36). M ispa e do norte, da sede do governo da
Nobres. As classes mais altas, 'adirim, província "dalém do Eufrates", o que signifi -
literalmente "os engrandecidos", se retira - caria que alguns judeus isolados provinham
ram do traba lho, como os bois retiram o da residência do sátrapa em Damasco ou
pescoço do jugo (ver Jr 27: 11 , 12). Eles fica- Alepo. De acordo com a segund a interpre-
ra m afastados , deixando o trabalho para tação, "o domínio do governador" era a res i-
o povo comum. Este é o primeiro caso de dência do sátrapa quando ele ia a Jerusa lém
oposição passiva registrada por Neemias. em missão oficial. Se for assim , o edifício
Mais tarde, outros casos serão registrados. deveria ficar próximo ao muro.
440
NEEM IAS 3: 13
8. Ourives. Os artesãos especiali zados estranho que em nenh um desses casos seja
bem como os ourives e perfumistas talvez mencionad a a primeira parte, somente a
não pertencessem a uma famíli a reconhe- segunda (ver v. 19-2 1, 24, 27, 30). De qual-
cida ou a delegações de alguma cidade quer maneira, e m dois dos sete casos e m
como os outros edificadores; assim, foram que se mencionou um segu nd o grupo, os
alistados separadamente. edificadores foram previa mente ali stados
Fortificaram (ARC). Do heb. 'azab, como também estando engajados em outro
talvez "preparar". A LXX interpreta 'azab setor do muro. Talvez o mesmo ta mbé m
como "deixaram", uma tradução alternativa seja verdadeiro para as outras cinco ocor-
també m apresentada na margem da NVI. rências, embora isso não esteja evidente no
No entanto, a tradução "deixaram" neste con- registro como se encontra hoje.
texto ficaria sem sentido, apesar de 'azab ter A Torre dos Fornos. Mencion ada
este significado em outras passagens. Muitos novamente em Neemias 12:38, devia estar
tradutores presumem que seria um termo no muro oeste, embora sua posiç ão exata
técnico utilizado em edi ficações . Em textos não possa ser determinad a.
de Ras Shamrah, a palavra 'adab é utilizada 12. Filhas. M uitos intérpretes prefe-
frequentemente com o sentido de "fazer", rem a tradução "aldeias" (ver Ne 11: 25-3 1,
"preparar" e "colocar". Em idiomas semíticos, em que a palavra hebraica é assim tradu-
relacionados com o hebraico, a letra d pode zida) . Estas seriam aldeias sobre as qu ais
substituir a letra hebraica z, como ocorre no Salum governava como chefe de um distrito.
aram aico. Por isso, há pouca dúvida de que o Alguns comentarista s, no enta nto, aceitam
'adab dos textos de Ras Shamrah seja o equi- a interpretação literal, compreendendo que
valente de 'azab de Neemias 3:8, e que a tra- as filhas de Salum o auxili aram no trabalho.
dução "deixaram" seja razoável. Este ponto de vista não pode ser rejeitado
Muro Largo. Um desconhecido deta- por razões éticas, já que não era incomum
lhe topográfico de Jerusalém. no antigo Oriente que as mulheres fi zessem
9. Metade de [Link]ém. A cidade trabalho pesado .
propriamente dita não parece ter sido divi- 13. A Porta do Vale. Ver com . do cap.
dida ; no e ntanto, o território fora do muro 2:13.
foi considerado como pertencendo a ela , Zanoa. Esta cidade estava nas proximi-
como sugerido pela LXX. Este território cir- dades de Bete-Semes, 22 km a sudoes te de
c unj acente foi possivelmente dividido em Jerusal ém em linh a reta. O local hoj e é cha-
dois setores e foi nomeado um govern ante mado de Khirbet Zanú'.
sobre cada um deles (ver v. 12). Mil côvados. Um importan te aponta-
10. Defronte de sua casa. Expressão mento topográfico qu e dá a di stâ ncia entre
semelh ante ocorre nos v. 23 e 28 a 30 . a Porta do Vale e a Porta do Monturo,
A parte do muro reparada por Jedaías estava qu e é de 444 m. Alguns duvidaram que
em frente de sua casa, que era adj acente ao um grupo con seg uisse reparar um se tor
muro. Ele naturalmente teve um interesse tão extens o e interpretaram as pa lavras
especial na restauraç ão da parte do muro como um intervalo topográfico qu e apre -
que lhe garantiria proteção. senta as distân cias entre as du as p or-
11. A outra parte. Literalmen te, "uma tas . No entanto , a expressão é específi ca .
segunda parte". Isto sugere que nos setores Poss ivelmente algumas partes do muro
mais longos, o trabalho foi divid ido em dois es tavam m enos danificadas q ue outras e
grupos de trabalhadores. No entanto, parece seriam reparadas com fa cilidad e.
441
3:14 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
442
NEEMIAS 3:31
443
3:32 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
(25m 24:9; 1Cr 21:5, ver ARC) e "mandado" As traduções divergem quanto ao nome
(2Cr 31:13, ARC). Neste verso, ela parece desta porta. É também chamada de "Porta
ser o nome de um local específico na área da Guarda" (ARA) e "porta da Inspeção"
do templo, como em Ezequiel 43:21 , em (NVI). Devia estar localizada na parte norte
que é traduzida como "lugar da casa para do muro oriental do templo, e o nome pode
isso designado". Alguns comentaristas suge- ter sido trocado pela conhecida "Porta de
rem que esta porta foi chamada assim por Ouro", de Haram esh-Sheríf
Ezequiel, por conduzir a um lugar par- 32. Porta das Ovelhas . Ver com. do
ticular do templo ao qual o profeta se referia. v. l. O circuito do muro foi completado.
NOTAADICIONALA NEEMIAS 3
444
MUROS DE JERUSALÉM NO
TEMPO DE NEEMIAS
COMPARADOS COM OS ATUAIS
• • Muro de Neemias
• • Mu ro pré-exílico da co lina
ocidental
~ o ~
·a;
.?:
o c::c. ô
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LU §
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_"'--'-"''-"'-""dos Cavalos (3:28)
lJ...J
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::----Ja,.w::~~=Y'Q> (8:1) -...J
/"--.. "'(
I \ :::::,.
I I 1) Casa real superior (3:25)
I \ 2) Casa dos servos e mercadores do
I \ templo (3:31)
I \ 3) Casa de Zadoque (3:29)
I I 4) Casas dos sacerdotes (3:28)
5) Casa de Jedaías (3:10)
I < \ 6) Casa de Azarias (3:24)
I )>
")> \
'- 7) Casa de Benjamim e Hassube (3:23)
\ -';:' \ '- 8) Casa de Eliasibe. sumo sacerdote (3:20)
\ 'b- ~ 9) Subida para a casa de armas (3:19)
~à 10)Casadosheróis(3:16)
'\~. O ll)TanquedeSiloé
'\{;,: <:<' 12) Jardim do rei (3: 15)
0
13) Sepulcros de Davi (3:16)
\
\ 'i L __ _ _ _ _ _ ____:
Parece seguro afirma r qu e parte da colina ocidental orientação (mais informações na Nota Ad icion a l a
estava anexada aos muros no pe ríodo pré-exílico. Os Ne 3). Sobre o passeio de Neemias em torn o do muro
muros at uais da Cidade An tiga estão incluídos para à noite, ver com. de Neemias 2:12 a 15.
3:32 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
446
NEEMIAS 4:1
CAPÍTULO 4
1 Enquanto os inimigos escarnecem, Neemias ora e continua a obra. 7 Sabendo
da ira e dos segredos do inimigo, ele impõe vigilância. 13 Ele m·ma os
trabalhadores 19 e lhes dá ordens militares.
Tend o Sambalate ouvido que edificáva- entremos no m eio deles e os matemos; assim ,
mos o muro, ardeu em ira, e se ind ignou muito, faremos cessar a obra.
e escarneceu dos judeus. 12 Quando os judeus que habitava m na vizi-
2 E ntão, falou na presença de seus irmãos nhança deles , dez vezes , nos disseram: De todos
e do exército de Samaria e disse: Que fazem os lugare s onde moram , subirão contra nós,
estes fracos judeu s? Permitir-se-lhes-á isso? 13 então , pus o povo, por famílias, nos lu-
Sacrificarão? Darão cabo da obra num só di a? gares baixos e ab ertos , por de trás do muro ,
Renascerão, acaso, dos montões de pó as pedras com as suas es p adas, e a s suas lanças , e os
qu e foram queimadas? seus arcos ;
3 Es tava com ele Tobias, o amonita, e disse: 14 inspecionei, dispus-me e diss e aos no-
Ainda que edifiquem , vindo uma raposa, derri- bres, aos magistrados e ao resto do povo: não os
bará o seu muro de pedra . temais ; lembrai-vos do Senhor, grande e te mí-
4 Ouve, ó nosso Deus, pois estamos sendo vel, e pelejai pelos vossos irmãos, vossos filhos ,
des prezados; caia o seu opróbrio sobre a cabe- vossas filh as, vossa mulher e vossa casa.
ça deles, e fa ze que sejam despojo numa terra 15 E sucedeu que, ouvindo os nossos inimi-
de cativeiro. gos que já o sabía mos e qu e Deus tinha fru s-
5 Não lhes encubras a iniquidade, e não se trado o desígnio deles, voltamos todos nós ao
risqu e de di ante de Ti o seu p ecado, pois Te pro- muro, cada um à sua obra.
vocaram à ira, na presença dos qu e edificava m. 16 Daquele dia em di ante, metade dos
6 Assim , edificamos o muro, e todo o muro meus moços trabalhava n a obra, e a outra me-
se fechou até a metade de sua altura ; porque o tade empunhava lanças, esc udos , arcos e cou-
povo tinha â nimo para trabalhar. raças ; e os chefes estava m por detrás de toda a
7 Mas, ouvindo Sambalate e Tobias , os ará- casa de Judá;
bios , os amonitas e os asdoditas que a repara- 17 os carregadores , que por si mesmos toma -
ção dos muros de Jerusalém ia avante e que já se va m as cargas, cada um com uma das mãos fazia
começavam a fec har-lhe as brechas , ficaram a obra e com a outra segurava a arma.
sobremodo irados. 18 Os edificadores, cada um trazia a sua es-
8 Ajuntaram-se todos de comum acordo pada à cinta, e assim edificava m ; o que tocava a
p ara virem ataca r Jerusalém e suscitar confu- trombeta estava junto de mim.
são ali. 19 Disse eu aos nobres, aos magistrados e
9 Porém nós oramos ao nosso Deus e, como ao resto do povo: Grande e extensa é a obra , e
proteção, pusemos guarda contra eles, de dia e nós estamos no muro mui separados, longe uns
de noite. dos outros.
10 E ntão, disse Judá: Já d esfalecera m as 20 No lugar em que ouvirdes o som da trom-
forças dos carregadores, e os escombros são beta, para ali acorrei a ter conosco; o nosso D eus
muitos ; de m aneira qu e não podemos edificar pelejará por nós.
o muro. 21 Assim trabalhávamos na obra; e metade
11 Di ssera m, porém, os nossos inimi- empunhava as lanças desde o raiar do di a até ao
~ ~ gos: Nada saberão disto, nem verão, até que sair das estrelas .
447
4:1 COM ENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
22 Também nesse mesmo tempo disse eu 23 Nem eu, nem meus irmãos, nem meus
ao povo: Cada um com o seu moço fiqu e em moços , nem os homens da guarda que me se-
Jeru salém, para que de noite nos sirvam de guiam largávamos as nossas vestes; cada um se
guarda e de dia trabalhem. deitava com as armas à sua direita.
448
NEEMIAS 4: 16
449
4:17 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
como governador. A lista de Neemias 3 suge- crer que Ele lutará com todo que trabalha
re que a obra começou com judeus da Judeia. intensamente para edificar Sua causa. Ele é
No entanto, quando a situação se tornou com aquele que tenta vencer o pecado .
mais tensa e difícil, Neemias nomeou assis- 21. Assim trabalhávamos. Um resu-
tentes pessoais para a obra de construção e mo dos v. 16 a 20.
uma guarda pessoal para proteger a tarefa. Até ao sair das estrelas. A construção
Os chefes estavam por detrás. Possi- prosseguia desde o amanhecer até o anoi-
velmente os feitores. Estes homens estavam tecer. Eles trabalhavam sob pressão para
"atrás" dos trabalhadores para dirigir o tra- completar a tarefa . Tendo em vista que as
balho deles e liderá-los na defesa da cidade, forças inimigas estavam à espreita na vizi-
caso o inimigo se aventurasse a atacar. nhança, a pressa era de extrema importân -
17. Os que edificavam o muro cia. Cada pedra representava segurança
(ARC). Esta frase pertence ao v. 16 e adicional à cidade. O trabalho noturno era
explica o que significa a expressão "toda a praticamente impossível nos tempos anti-
casa de Judá ". gos, mas o máximo proveito foi tirado dos
Os carregadores. No hebraico, fica primeiros e últimos raios de luz de cada dia.
claro que não era um grupo distinto de tra- 22. Fique em Jerusalém. Muitos
balhadores. O sentido é de que os carrega- do povo viviam fora de Jerusalém e esta-
dores trabalhavam de tal maneira que com vam acostumados a voltar a suas respecti-
uma mão levavam o peso, e com a outra vas vilas ao final de cada dia de trabalho.
mão levava m uma arma. Em caso de ataque Então, Neemias exigiu que permanecessem
os homens estariam prontos a se defender, dentro da cidade à noite, para melhor prote-
bastava apenas soltar a carga. ção da obra. O fato de estarem ali e de o ini-
18. Os edifícadores. Já que precisa- migo estar ciente disso ajudava a prevenir
vam das duas mãos para realizar o trabalho, um ataque; e, se o inimigo atacasse à noite,
os edificadores usavam a espada no cinto, eles estariam prontos para fazer sua parte
estando prontos para entrar em combate em guardar a obra.
assim que necessário. 23. Meus irmãos. É possível que se
O que tocava a trombeta. Os trombe- refira a irmãos consanguíneos. Neemias
teiros eram retratados como sinaleiros nas tinha irmãos (cap. 1:2) e um deles, Hanani,
cenas de guerra , tanto das esculturas egíp- o acompanhou a Jerusalém (cap. 7:2).
cias quanto das assírias. Cada um ia com suas armas à água
19. Estamos no muro mui separa- (ARC). O significado desta expressão
dos. Como ficou evidente nas atribuições hebraica é obscuro. A tradução literal é:
de trabalho, em Neemias 3, os edificadores "cada um sua arma a água". A LXX omite a
estavam dispersos em todo o circuito dos declaração. A NVI traduz: "e cada um per-
muros, de modo que em qualquer ponto manecia de arma na mão". Alguns modifi-
havia um pequeno grupo de pessoas. caram a última palavra hebraica do verso
20. Deus pelejará por nós. A con- para que a declaração fosse traduzida como
fiança de Neemias no auxílio divino era "cada um se deitava com as armas à sua
contagiante. Ele próprio deu um exem- direita" (ARA). Outros tentaram explicar
plo nobre, não somente para seus contem- a frase como: "a arma de cada homem era
porâneos, mas também para os que vivem sua água", isto é, as armas eram um substi-
no combate mortal com os poderes do mal tuto para água, ou que um homem somente
em qualquer tempo. O servo de Deus deve se banhava se estivesse com sua arma. · ~
450
NEEMIAS 5:1
De acordo com esta última interpretação, a os rigores de uma campanha. O fato é que
passagem é idiomática, talvez uma expres- os trabalhadores não deixavam as armas
são utilizada pelos soldados para descrever momento algum.
CAPÍTULO 5
1 Os judeus se queixam de suas dívidas, hipotecas e cativeiro. 6 Neemias
repreende os agiotas e os obriga a fazer um acordo de restituição.
14 Ele se abstém de seu próprio subsídio e é hospitaleiro.
451
5:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
esta promessa; seja sacudido e despojado. 16 Antes, também na obra deste muro fiz re-
E toda a congregação respondeu: Amém! E lou- paração, e terra nenhuma compramos; e todos
varam o SENHOR; e o povo fez segundo a sua os meus moços se ajuntaram ali para a obra.
promessa. 17 Também cento e cinquenta homens dos
14 Também desde o dia em que fui nomeado judeus e dos magistrados e os que vinham a nós,
seu governador na terra de Judá , desde o vigé- dentre as gentes que estavam ao nosso redor,
simo ano até ao trigésimo segundo ano do rei eram meus hóspedes.
Artaxerxes , doze anos, nem eu nem meus ir- 18 O que se preparava para cada dia era um
mãos comemos o pão devido ao governador. boi e seis ovelhas escolhidas; também à minha
15 Mas os primeiros governadores, que custa eram preparadas aves e, de dez em dez
foram antes de mim, oprimiram o povo e lhe dias, muito vinho de todas as esp écies; nem
~ _. tomaram pão e vinho, além de quarenta siclos por isso exigi o pão devido ao governador, por-
de prata; até os seus moços dominavam sobre quanto a servidão deste povo era grande.
o povo, porém eu assim não fiz, por causa do 19 Lembra-Te de mim para meu bem, ó meu
temor de Deus. Deus, e de tudo quanto fiz a es te povo.
1. Grande[ ... ] clamor. É incerto deter- 2. Somos muitos. A queixa vinha prin-
minar quando ocorreram os eventos descri- cipalmente das famílias grandes. A descen-
tos neste capítulo. Nem todos eles podem dência numerosa não demonstrava ser uma
ter ocorrido durante a edificação do muro , já bênção, como normalme nte era conside-
que o v. 14 registra o fim dos 12 anos de rada pelos orientais, mas um fardo e a razão
Neemias como governador. Somente os de profunda perplexidade.
v. 1 a l3 podem ser atribuídos ao tempo da 3. Para tomarmos trigo. Talvez, como
edificação do muro. É verdade que traba- traz a LXX, "portanto, dá-nos trigo [grão]".
lhar no muro sem pagamento levaria mui- Isso não significa que desejassem uma doa-
tos a se afastar de seus meios habituais ção absoluta, mas um ajuste na situação
de subsistência. Por outro lado, a obra foi econômica em que se encontravam.
terminada num período muito curto para Nesta fome. Alguns p ediram socorro
ocasionar dificuldades econômicas graves, por causa da fome, ocorrida no passado,
especialmente do tipo descrito neste verso. a qual os compeliu a hipotecar campos,
Não há sugestão na narrativa de que a afli- vinhas e casas. Os queixosos pertenciam
ção estivesse ligada com a obra de recons- à classe que uma vez possuiu propriedade
trução. As injustiças eram mais profundas considerável e que vivia fora da cidade.
e foram desenvolvid as durante um longo A situação se assemelha à descrita em
período. No entanto, elas geraram uma Isaías 5:8. A aglomeração da terra nas mãos
crise durante a edificação do muro (ver dos ricos não é situação nova.
PR, 646). Nos v. 14 a 19, Neemias des- 4. O tributo do rei. Como de outras
creve sua conduta pessoal enquanto esteve províncias persas, da Judeia era requerido
na função de governador da Jud eia (ver anualmente o pagamento de um tributo ao
lSm 12:3 -5). tesouro persa, parte e m dinheiro e parte em
O clamor e ra de grande aflição. Os gêneros alimentícios. Nos primeiros anos
reclamante s eram os pobres do povo e os essa obrigação não pareceu opressora, m as
acusados, seus irm ãos mais prósperos (ver nos anos improdutivos a aparição do cobra-
2Rs 24:14). dor de impostos geralmente prenunciava
452
NEEMIAS 5: lO
grande miséria. Os pobres contraíram dívi- irmãos m ais pobres, não oprimi-los (v 14,
das para atender às taxas , sem esperança 17). Neemias, seu parente mais próximo
de reembolso. e seus seguidores fi zeram o que estava ao
5. Mesma carne. Esses pobres eram alcance deles (cap. 5:10, 15). Os ricos , no
seres humanos como seus irmãos mais ricos entanto, aproveitaram tudo o que pudera m
e precisavam das coisas necessárias à vida à custa de seus conterrâneos. É fácil enten-
tanto quanto eles. Seus filhos eram ama- der porqu e Neemias, um hom em capaci-
dos por eles do mesmo modo como os ricos tado e de grande ardor, se abo rreceu com
amavam os seus. esses exploradores sem escrúpulos nem
Um grupo reclamava que suas famí- consciência, quando seu senso de justiça
lias era m muito grandes e isso lhes impedia foi despertado.
de conseguir alimento, outro grupo recla- 7. Sois usurários. Isto era uma viol a-
mava de ter hipotecado sua propriedade por ção da lei que proibia a cobrança de juros
ca usa da fom e; outra parte do povo recor- dos hebreus , mas permitia essa cobrança
reu aos agiotas, a fim de pagar as taxas e dos estrangeiros (Dt 23:19, 20; ver com. de
um quarto grupo caiu nas mãos de agiotas Êx 22:25; Lv 25:35).
usurários. Essas pessoas sofriam não pela Convoquei[ ... ] grande ajuntamento.
opressão de tiranos estrangeiros, mas pela Aparentemente a repreensão de Neemias
extorsão de seus irmãos. não surtiu efeito. Os nobres não assegu-
Nossas filhas. Sobre o direito dos raram qu e mudariam sua conduta. Ele foi
pais de venderem suas filhas, ver Êx 21:7. compelido a levar a questão diante do povo,
Muitos dos antigos exilados escaparam do não que o poder legal estivesse com eles,
cativeiro babilônico somente para se encon- mas para que os nobres fossem e nvergo-
trar em escravidão nas mãos de seus irmãos, nhados ou temessem continuar a opressão
e o Cdtimo estado parecia pior do que o pri- já que ela estava sendo denunciada aberta-
meiro. Em Babilônia, as famílias permane- mente por um governador.
cera m unidas; mas, em Jerusalé m, os filhos 8. Resgatamos [...] segundo nossas
e ram tirados de seus pais, para se tornar posses. "Nós" pode se referir tanto aos que
:; ~ escravos de compatriotas jude us. retornaram havia pouco, em contrapartida
6. Muito me aborreci. Parece que a aos que retornaram antes. Também pode
let ra da lei não era violada, exceto na ques- se referir a Neemias e seus parentes, em
tão de se tirar vantagem (v. 11), algo de que contraste com os ricos opressores. É pos-
o povo não se queixou. Os hom ens podiam sível que o último significado seja o plane-
vender suas filhas (ver Êx 21:7). A servi- jado. As pal avras de Neemias sugerem que
dão dos servos estava limitada a seis anos ele e os outros judeus que compartilhavam
(ver com. de Êx 2:2); e, se o ano do jubi- de seus critérios compraram os judeus que
le u começasse mais cedo do que o final foram submetidos à escravidão por estran-
do sexto ano, eles estavam livres automa- geiros e os libertaram. Fizeram isso segundo
tic amente (Lv 25:10; ver com. de Dt 15:12). seus meios lhes permitiram.
Também era permitido "vender" (arrendar) 9. Disse mais. N eemias considerou
a terra (Lv 25:14-16), mas não dispor dela que não seria suficiente silenciar os nobres
permanentemente (v. 10, 13). No entanto, ou causar-lhes vergonha. Era necessário
era o espírito e não a letra da le i que os ricos persuadi-los a mudar suas ações.
transgrediram. Em épocas de dificulda- 10. Demos dinheiro emprestado.
des econômicas, era dever deles auxiliar os Literalmente, "estamos lhes emprestando".
45 3
5:11 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
A lei exigia que o rico emprestasse ao Fiz jurar. Ver com. de Ed 10:5. Quando
pobre (Dt 15:7-11) sem usura (ver com. de foi dado o consentimento exigido, Neemias
Êx 22:25). Neemias cumpriu essas duas chamou os sacerdotes e exigiu que os cre-
disposições e convocou os outros a fazer o dores jurassem aderir conscientemente ao
mesmo. Emprestar era uma virtude; exigir acordo. Neemias garantiu a participação
juros era um mau hábito dos que tiravam dos sacerdotes, parcialmente com o propó-
vantagem dos pobres (ver com. de Ne 5:11). sito de dar solenidade ao juramento que era
11. Restituí-lhes. Tendo denunciado a feito como sendo diante do Senhor, e em
opressão e declarado o princípio envolvido, parte para dar à declaração validade legal
Neemias fez um forte apelo para a ação. Ele para ação judicial, caso fosse necessário.
solicitou que os que mantinham consigo 13. Sacudi o meu regaço. A palavra
terras de seus irmãos mais pobres as restau- hebraica traduzida como "regaço" designa
rassem aos donos sem demora (ver PR, 650). uma parte da veste, onde alguma coisa era
O centésimo. O centésimo tomado carregada. A palavra é encontrada somente
como juros é, possivelmente, como a centé- neste verso e em Isaías 49:22, em que é tra-
sima dos romanos no tempo de Cícero, enten- duzido como "braços". Para enfatizar o caráter
dido como um pagamento mensal. Um por obrigatório da promessa, Neemias realizou
cento ao mês não era uma alta taxa de juros um ato simbólico, que consistiu em juntar a
comparada com a que normalmente era paga veste como se fosse carregar algo nela e então
no antigo Oriente. Em Babilônia e na Assíria, sacudi-la. Foi assim que ele proferiu a maldi-
a taxa normal era de 20 a 25 por cento para ção no v. 13. Entre as nações da Antiguidade,
a prata e 33 por cento para os grãos por ano. poucas coisas eram tão temidas como cair em
Textos do r século a.C., de Gozan (Te ll maldição. Do mesmo modo, as maldições de
Halâf), na Mesopotâmia, revelam uma taxa Deuteronômio 28:16 a 44 foram designadas
anual de juros de 50 por cento para a prata e a impressionar os que podiam ser tentados
100 por cento para os grãos. No Egito, ela era a violar a lei. Maldições inscritas na entrada
de 12 a 24 por cento durante a dinastia pto- das tumbas dos reis persas pretendiam afu-
lomaica (últimos três séculos a.C.). Apesar gentar supostos saqueadores. Os tratados
disso, os pobres da Judeia gemiam sob o antigos eram protegidos da mesma forma
peso dos juros, mesmo que um juro de 12 contra a violação. A maldição de Neemias
por cento ao ano na Judeia não pudesse ser não é comum, mas seu propósito está claro.
chamado de exorbitante, quando comparado 14. Fui nomeado. Pela primeira vez,
às taxas de juros de outros países. Neemias declara abertamente que a auto -
12. Restituir-lhes-emos. O elo- rização para ele retornar e reedificar os
quente apelo de Neemias, sua reafirmação muros de Jerusalém foi acompanhada da
dos princípios da lei mosaica e seu exem- nomeação para ser governador da provín-
plo digno falaram alto naquele dia. Todos os cia da Judeia. É possível que a nomeação
nobres concordaram em cancelar os juros já tenha ocorrido pouco depois. Seus 12 anos
cobrados, abster-se de cobrar juros adicio- de governo não começaram antes do mês de
nais, emprestar a seus irmãos mais pobres nisã, do 20° ano de Artaxerxes (Ne 2:1), isto
em harmonia com a lei e restaurar-lhes as é, não antes de 2 de abril de 444 a.C. Seu
terras e casas confiscadas, que deveriam governo terminou no 32° ano do reinado de
ser de valor considerável, embora, de acordo Artaxerxes, o qual, de acordo com o calen-
;;: .. com a letra da lei, eles tinham o direito de dário anual de Neemias (ver p. 101), possi-
mantê-las até o ano do jubileu. velmente começou em 25 de setembro de
454
NEEM IAS 5:1 9
433 e se findou em 13 de outubro de 432 oprimir o povo; ele viveu às próprias cus-
a.C. Durante esse ano, ele voltou para o tas e, além disso, ele e seus servos pessoais
palácio de Artaxerxes (Ne 13:6); e é possí- (também sustentados por ele) trabalharam
vel que o relato de Neemias 5:14 a 19 tenha incansavelmente no muro (ver cap. 4:10, 13,
sido escrito nessa época. Talvez os v. 1 a 13 15, 17, sobre o modo como trabalharam) .
e outras partes do livro, também . E terra nenhuma compramos. Neemias
O pão devido ao governador. Durante diz que não tomou terras por dívida , como
todo o tempo em que esteve no cargo, ele fizeram os nobres (v. 3, 11), nem adquiriu
não reivindicou a renda habitual à qual um quaisquer propriedades durante seu gover-
governador tinha direito a receber de seus no. Pessoalmente ele não ficou rico, mas po-
súditos, mas pagou ele mesmo suas despe- bre, como resultado de 12 anos no cargo. Isso
sas pessoais. Com seus "irmãos", Neemias significa sacrifício pessoal para arcar com as
se refere a toda a sua corte e à família. responsabilidades. ... ~
15. Os primeiros governadores. 17. Também. Isso não foi tudo. Neemias
Somente Zorobabel é conhecido. Não se cuidou de todas as suas despesas e demons-
sabe se Esdras foi nomeado como governa- trou a hospitalidade esperada de um gover-
dor ou se serviu na qualidade de comissário nador, alimentando diariamente 150 chefes
especial. Neemias possivelmente se refere a de famílias residentes em Jerusalém (ver
governadores que, aparentemente, governa- cap. 11:1). Além desses convidados regulares,
ram a Judeia durante os 50 ou 60 anos entre Neemias recebia em sua mesa judeus de cida-
Zorobabel e a chegada de Esdras. des da Judeia e de nações vizinhas que iam
Puseram um peso (NVI). As palavras a Jerusalém a negócios. Ele deve ter sido um
do original são mais fortes e deveriam ser tra- homem de recursos consideráveis para viver
duzidas como "oprimiram" (ARA) ou "tinham em Jerusalém por 12 anos do modo como
sido uma carga" (NTLH) sobre o povo. relata. Alguns dos judeus que viviam em
Além de. Literalmente, "depois". A Vul- Babilônia se tornaram ricos, como é confir-
gata traduz como "diário". Muitos comen- mado por documentos comerciais dos "filhos
taristas seguem esta última interpretação de Murashu", escavado em Nipur (ver p. 52).
e concluem que os gastos da corte de Nee- 18. Aves. Embora galinhas nunca
mias eram de 40 siclos por dia (33 4,8 g, se tenham sido claramente mencionadas no
fossem siclos leves), e não o que se exigia de AT, a existência delas na Palestina dessa
cada pessoa: pagar 40 siclos por ano. época é confirmada pelo selo de Jazanias,
Moços dominavam. Os servos domés- encontrado em Tell en-Natsbeh, em 1932,
ticos e funcionários de classe mais baixa que mostra a ilustração de uma luta de
numa corte Oriental tiravam vantagem de galos. A primeira referência a essas aves
sua posição para cobrar taxas elevadas dos no Egito remonta à época de Tutmés III ,
que buscavam o favor deles . Isto ocorria no século 15, quando elas foram introduzi-
especialmente nos tempos antigos, quando das na região do Nilo, provenientes da Síria.
eunucos e outros assistentes muitas vezes Pombas e gansos também podem ter sido
eram tiranos terríveis. Hamã, subordinado incluídos no termo coletivo "aves".
a Xerxes, Sejano, subord inado a Tibério, e Pão devido ao governador. Ver com.
Narciso, subordinado a Cláudio, são exem- do v. 14.
plos clássicos desta prática. 19. Lembra-Te de mim. Neemias ter-
16. Na obra deste muro fiz repara- mina com uma oração tipicamente sua (ver
ção. Neemias não somente se absteve de Ne 6:14; 13:22, 31) .
455
6: l COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
CAPÍTULO 6
Sambalate maquina aterrorizar Neemias por meio de astúcia, rumores e profecias
contratadas. 15 Para terror dos inimigos, a obra é terminada. 17 Informações
confidenciais são trocadas entre os inimigos e os nobres de ]udá.
1 Tendo ouvido Sambalate, Tobias, Gesém , lO Tendo eu ido à casa de Semaías, filho de
o arábio, e o resto dos nossos inimigos que eu Delaías, filho de Meetabel (que estava encer-
tinha edificado o muro e que nele já não havia rado), disse ele: Vamos juntamente à Casa de
brecha nenhuma , ainda· que até este tempo não Deus, ao meio do templo, e fechemos as portas
tinha posto as portas nos portais, do templo; porque virão matar-te; aliás, ele noite
2 Sambalate e Gesém mandaram di zer-me: virão matar-te.
Vem , encontremo-nos, nas aldeias, no vale ele 11 Porém eu disse: homem como eu fugiria?
Ono . Porém intentavam fazer-me mal. E quem há, como eu, que entre no templo para
3 Enviei-lh es mensageiros a dizer: Estou fa - que viva? De maneira nenhuma entrarei.
zendo grande obra, ele modo que não poderei 12 Então, percebi que não era Deus quem o
descer; por que cessaria a obra, enquanto eu a enviara; tal profecia falou ele contra mim, por-
deixasse e fosse ter convosco? que Tobias e Sambalate o suborn aram.
4 Quatro vezes me enviaram o mesmo pedi- 13 Para isto o subornaram, pa ra me atemo-
elo; eu, porém, lhes dei sempre a mesma resposta. rizar, e para que eu, assim, viesse a proceder e a
5 Então, Sambalate me enviou pela quinta pecar, para que tivessem motivo ele me infamar
vez o seu moço, o qu al tra zia na mão uma carta e me vituperassem.
aberta, 14 Lembra -Te, meu Deus, de Tobias e ele
6 elo teor seguinte: Entre as gentes se ouviu, Sambalate, no tocante a estas suas obras, e tam-
e Gesém diz que tu e os judeus intentais revol- bém ela profetisa Noaclia e elos mais profe tas
tar-vos; por isso, reeclificas o muro, e, segundo que procuraram atemoriza r-me.
se diz, queres ser o rei deles, 15 Acabou-se, pois, o muro aos vinte e cinco
7 e puseste profetas para falarem a teu res- dias do mês de elul, em cinquenta e dois dias.
peito em Jerusalém, di ze ndo: Este é rei em Judá. 16 Sucedeu qu e, ouvindo-o todos os nos -
Ora, o rei ouvirá isso, segundo essas palavras. sos inimigos , temeram todos os gentios nosso s
Vem, pois, agora, e con sultemos juntamente. circunvizinhos e decaíram muito no se u pró-
8 Mandei di zer-lhe: De tudo o que dizes prio conceito; porque reconheceram que por
coisa nenhuma sucedeu; tu , elo teu coração, é interve nção ele nosso Deus é que fizemos
que o inventas. es ta obra.
9 Porque todos eles procuravam atemorizar- 17 Também naqueles dias alguns no-
nos, dizendo: As suas mãos largarão a obra, e bres de Judá escreveram muitas cartas, que
não se efetuará. Agora, pois, ó Deus, fortalece iam para Tobias, e cartas de Tobias vinh am
as minhas mãos. para eles .
456
Tadmor •
• Hazar-Enã?
...
[Link]
.
. /H. AURÃ
~
~
Asta [Link] ·~
. ---.
DESERTO
DA ARÁBIA
A PROVÍNCIA DE JUDÁ
NO TEMPO DE NEEMIAS (c. 4-10 a.C. )
25 50 75 lOOkrn
·. .----· ----~--~--~--~
Cidades e povoados
•
Eziom-Geber, •
NEEMIAS 6:6
18 Pois muitos em Judá lhe era m ajuramen- 19 Tam bém das suas boas ações falavam
tados porqu e era genro de Secanias, filho de n a minha presença, e as minhas palavras lhe
Ará; e seu filh o Joanã se casara com a filh a de levava m a e le; Tobias esc revia ca rta s para me
Mesul ão, filho de Berequias. atemorizar.
1. Sambalate. A respeito dos três líde- governadores vizinhos, mas sua resposta
res da conspiração, ver com. de Ne 2:10, 19. não lhes dá motivo para esperarem que e le
Não tinha posto. Isto parece contradi- vá ceder. Ele sequer revela suas suspeitas e
zer Neemias 3:1 , 3, 6, 13, etc . No e ntanto, o o conhecimento dos perversos planos deles .
relato de Neemi as 3 delin eia todo o projeto 5. Uma carta aberta. Não fi ca evi-
de reconstrução, com o objetivo de indicar dente a razão de Sambalate mudar a estra-
quem e ra responsável pelos vários setores tégia de mensagens orais para documentos
do muro, e não o tempo qu a ndo a obra foi e scritos. Uma mensagem escrita p odi a
concluída. Cronologicamente , os cap. 4 a 6 parecer mais oficial e, assim , presumive l-
são paralelos ao cap. 3 e re latam eventos mente m ais efetiva. A carta possivelm ente
ocorridos enquanto o muro era edificado. foi escrita numa folha de papiro, um mate-
Colocar as portas, naturalmente, seri a a rial de uso frequente na Palestina daqu e la
última etapa. época. Essas cartas e ra m enroladas , e as
Nos portais. Literalmente, "nas portas". du as extremidades, dobradas para trás e m
2. Sambalate e Gesém. Tobias não direção ao centro. Um a fita circundava o
é mencionado. É possível que somente rolo e um selo de argil a era preso ao laço
doi s dos inimigos de Neemias estivesse m de modo que a carta não pudesse ser aberta
dispostos à violência físic a. Pode ser qu e sem quebrar o selo. G eralmente o end e -
Tobias tivesse razões para desistir de parti - reço estava no exterior. Enviar um a car ta
cipar da conspiração, já que ele se relacio - aberta acusando um fun cionário da coroa
nava com algun s líderes judeus . persa não apenas violava as leis da cortesia,
Vale de Ono. Hoje, Kefr Ana, aproxi- mas era extremamente ofensivo. Um a "carta
madamente 11 km a sudeste de Jafa. Com aberta" é um convite a que todos leiam, e o
as cidades de Lode (Lida) e Hadide, fo r- objetivo de enviá-la sem selar deve ter sido -<4 ~
mava um distrito hebraico praticamente criar alarde entre os judeus e incitá-los con-
cercado por á reas samaritanas e filisteias. tra Neemias. Isso pode ser comparado com
Este di strito judeu foi escolhido como o a conduta dos embaixadores de Senaqueribe
local de reunião, para enganar Neemias, (2 Rs 18:27-36).
dando-lhe falsa sensação de segurança. 6. Gesém. Ve r com. de Ne 2:19. Sam-
Seria fácil atacar Neemias na estrada ba late aparentemente queria di ze r que
enquanto ele atravessasse o território sama- o suposto rumor sobre a planejada rebe-
ritano para chegar a Ono. li ão de Neemias estava circulando p e las
Fazer-me mal. A natureza do dano nações vizinh as e tinha chegado ao conh e-
pretendido não pode ser deter minada pela cimento de Gesém que, por sua vez, o
palavra tradu zida como "mal", mas é difícil tra nsmitiu a Sambalate. Apresentando-
conceber qualquer outro propósito que não se como amigo, Sambalate estava ansioso
seja violência física. para alertar a Neemias da grave acusação
3. Não poderei descer. Neemias contra ele. Em alguns aspectos esta ac usa-
responde cordialmente ao convite dos ção é parecida com o relato dos jude us
459
6:7 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
que ameaçavam ir a César contra Pilatos escapariam das ciladas feitas para eles ao
(]o 19:12, 13). fugir para o templo. Também é possível que
7. Puseste profetas. Sambalate Semaías planejou seu próprio isolamento
tinha em pouca conta o alto chamado de como um ato simbólico a fim de refor-
um profeta. Ele encontrou pseudopro- çar sua suposta mensagem de Deus (ver
fetas dispostos a cooperar com ele con- Ez 4:1-10; 12: 3-9; etc.). Os dois pontos de
tra Neemias em troca de pagamento (ver vista são possíveis.
v. 12, 14). Ele achava que todos os profe- Ao meio do templo. Distinto de "casa
tas seriam mercenários como os seus (ver de Deus", "templo" significa o santuário e
Am 7: 12). É possível que Sambalate tenha não um simples cômodo em algum edifí-
tido acesso a profecias como as de Zacarias cio dentro da área do edifício. É claro que
e não as en tendeu ou propositadamente as a nenhum leigo era permitida a entrada no
interpretou mal (ver Zc 1:16; 2:5; 6:11; 9:9, templo (ver Êx 29:33), e Neemias teria des-
lO; 12:9; 14:9). pertado o desprazer de Deus e dos sacer-
Consultemos juntamente. Ao enviar dotes caso seguisse o conselho. Portas
graves acusações numa "carta aberta", que separavam o lugar santo do pórtico do
podia ser lida por qualquer pessoa, Samba- templo de Salomão (lRs 6:33, 34), e este
late pensava que Neemias tentaria se livrar também deveria ser o caso com o templo
da suspeita unindo-se a ele na entrevista restaurado. Semaías sugeriu que fechassem
proposta. essas portas para mais segurança.
9. Agora, pois, ó Deus. As palavras 11. Para que viva? Literalmente,
"ó Deus" não estão no hebraico, mas pare- "e viva" (ARC) . Possivelmente Neemias
cem ter sido adicionadas corretamente pe- tinha em mente a ordem de Números [Link]
los tradutores. Estas palavras são parte de "O estranho que se aproximar morrerá."
um a oração. O simples fato de Semaías te r proposto
10. Semaías. Nada mais é conhecido uma ação contrária à vontade revelada de
do profeta Semaías. Pelo menos outros cinco Deus foi evidência suficiente de que ele era
homens que viveram no tempo de Esdras e um falso profeta (ver Gn 3:1-5 ; Mt 4:3-10).
Neemias são mencionados com este nome, 12. Percebi. Neemias não conh ec ia
mas nenhum deles pode ser identificado as razões de Semaías ao enviar o convite
com este Semaías, o filho de Delaías. para visitá-lo em casa. No entanto, a natu-
Que estava encerrado. Esta frase reza da mensagem revelou Semaías como
não pode indicar que Neemias visitou a um falso profeta, e Neemi as o considerou
Semaías em sua casa devido ao fato de o como um impostor. Isso pode ser compa-
último não poder ir até ele por estar ceri- rado com a experiência do "profeta velho"
monialmente impuro , restringido pela mão (ver 1Rs 13:11-19).
do Senhor ou outro motivo. A evidência de Porque [... ] o subornaram. O Fato de
que essa interpretação é incorreta reside Tobias ser mencionado antes de Sambalate,
na proposta de Semaías a Neemias para e não depois (Ne 2:10, 19; 4:7; 6:1), pode
acompanhá-lo à casa de Deus. Segue-se, sugerir que este plano em particular foi
portanto, que Semaías se encerrou em arranjado por Tobias com o apoio de
casa para intimidar Neem ia s, como se Sambalate. Nas outras ocasiões, Sambalate
ele sentisse que sua própria vida corria foi o inimigo mais agressivo.
perigo. Assim, procurou induzir Neemias 13. Tivessem motivo de me infa-
a crer em sua proposta de que ambos mar. Para Neemias, e ntrar e se esconder
460
NEEM IAS 6: 16
dentro do lugar santo teria sido uma grave realmente ocorrido antes do final do quarto
~ .,.. profanação da casa de Deus. Isso daria mês ou no início do quinto mês. Não está
ocasião aos inimigos para lançar suspei- claro, a partir das palavras de Neemias,
tas sobre ele como alguém que despre- como ele computou os 52 dias em que o
zava os mandamentos de Deus. Assim, muro esteve em processo de reconstrução.
sua posição diante do povo seria prejudi- Ele pode ter contado o período a partir de
cada (ver com. do v. 11). A mínima indica- quando retomaram a obra até que estivesse
ção de medo por parte de Neemias, nesse terminada, incluindo os sábados, para que
momento crítico, teria sido fata l para a a quantidade de dias trabalhados fosse so-
disposição de ânimo do povo. A influên- mente 44 ou 45 ; ou ele teria em mente que
cia de Neemias dependia de seu caráter. havia 52 dias de trabalho. Desta forma , o
Um passo em falso, e ele teria perdido período de atividade cobriria cerca de 60
sua influência e a obra em que estava seu dias. No primeiro caso, o início da obra te-
coração teria acabado em nada. ria caído nos primeiros dias de abe (o quin-
14. Noadia. Esta profetiza só é men- to mês), e no último caso, na parte fin al de
cionada aqui. Ao citá-la com outros profe- tamuz (o quarto mês). De acordo com o ca-
tas anônimos e Semaías (v. ll-1 3), Neemias lendário judeu seguido por Neemias, 25 de
sugere que o incidente relatado nos v. lO a elul, no 20° ano de Artaxerxes, era aproxi-
13 foi um entre vários, e que falsos profetas madamente em 21 de setembro de 444 a.C.
novamente atuavam, como no período ante- Alguns comentaristas alegam que 52
rior ao cativeiro, buscando desencaminhar dias não seriam um tempo suficiente para
o povo e os líderes de ouvir a voz dos verda- reconstruir o muro. Esses preferem acei-
deiros profetas (sobre a obra dos falsos profe- tar os dois anos e quatro meses dados
tas no período pré-exílico, ver Is 9:15; 28:7; por Josefo (Antiguidades, xi.5.8) como um
Jr 27:9, lO; 28:9, 15-17; 29:24-32; Ez 13:2, 17; período mais razoável. No entanto, não há
Mq 3:5 -ll). necessidade de rejeitar o número bíblico em
15. Acabou-se, pois, o muro. Embo- favor de Josefo, uma vez que: (l ) a obra de
ra o ano não seja mencionado, tem-se em Neemias não foi uma reconstrução com-
mente o 20° ano de Artaxerxes (ver com. pleta do muro, mas reparos em algumas
de Ne 2:1). Isso concorda com outra de- partes dele (ver com. de Ne 1:3); (2) foi rea-
claração cronológica deste livro. Em nisã lizada apressadamente haja vista as amea-
(o primeiro mês), Neemias recebeu permis- ças de ataque; e (3) a finalização do muro
são do rei para ir a Jerusalém. Ele foi gover- num período tão curto foi tão incrível para
nador em Jerusalém do 20° ano em diante, os inimigos dos judeus que eles a considera-
e deve ter se estabelecido naquele local ram um milagre (cap. 6:16).
imediatamente depois de receber a auto- 16. Nossos inimigos. Sambalate e os
rização real para seus planos (ver Ne 5:14; samaritanos, Tobias e os amonitas, Gesém
13:6). Nesse caso, ele chegou a Jerusalém e os arábios e os asdoditas (ver Ne 4:7) são
durante o quarto mês . Depois de três dias, os "inimigos" especiais referidos neste verso.
ele pesquisou o muro e, logo depois, con- Os "gentios nossos circunvizinhos" eram
vocou uma assembleia pública para apre- outras n ações que viviam na Palestina,
sentar seu plano para a reconstrução do Transjordânia e Síria. Alguns deles eram
muro e para pedir cooperação (Ne 2: ll-17). hostis e não gostavam de qualquer avanço
Tudo isso pode ter ocorrido durante o quar- de prosperidade e poder judeus. O ódio
to mês, de modo que o início da obra teria contra os judeus em determinados grupos
461
6:17 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
durante o tempo de Xerxes, como indicado Mesulão, que se tornou sogro da filha de
pelos eventos descritos no livro de Ester, Tobias, é mencionado entre os que parti-
ainda estava vivo e, como revela a história, ciparam na obra de reedificação do muro
nunca desvaneceu. (Ne 3:4, 30). De acordo com Neemias 13:4,
17. Muitas cartas. Neste verso é lan- Tobias também estava relacionado ao sumo
çada mais luz sobre as desesperadas tenta- sacerdote Eliasibe, mas é possível que esse
tivas de Tobias em arruinar Neemias e fazer relacionamento tenha se iniciado antes do
com que sua obra parasse; e da deslealdade primeiro governo de Neemias. O fato de
de certos homens da nobreza , já sugerida tanto Tobias quanto seu filho Joanã possuí-
no cap. 3:5. Uma vigorosa comunicação foi rem genuínos nomes judeus, com a forma
desenvolvida entre Tobias e esses nobres , abreviada de Yahweh como parte de cada
com o objetivo de atemorizar Neemias nome, leva à conclusão de que eles eram
(v. 19). Este tipo de correspondência não descendentes de israelitas do antigo reino
passou despercebido a Neemias porque a do norte, das dez tribos, e que se uniram
~ ,. maioria era leal a ele. Além disso, pode ser aos amonitas (ver com. de Ne 2:10).
que não tenham sido feitas tentativas para 19. Falavam. O texto hebraico apre-
manter isso em segredo. senta um trocadilho com o nome de Tobias,
18. Muitos emJudá. Por meio de laços que significa "bondade de Yahweh", com
de casamento com duas famílias judaicas, o relato das "boas" obras feitas a Neemias
Tobias fez amigos "ajuramentados" entre a pelos amigos judeus. A ironia é evidente.
nobreza, que utilizavam sua influência para O propósito de tudo isso era fazer Neemias
implementar as políticas dele. pensar bem de Tobias. Esses esforços esta-
Secanias. O sogro de Tobias, Secanias, vam em conformidade com os do falso pro-
filho de Ará, era um respeitável judeu (ver feta Semaías (v. 10-13), cujo propósito era
Ed 2:5). Embora o nome Secanias fosse confundir Neemias com uma advertência
comum nesse período da história judaica, que parecia ser amigável.
esta pessoa em particular não é mencio- Cartas. Possivelmente de conteúdo
nada em outra parte do livro de Neemias. similar às de Sambalate (v. 5, 6).
462
NEEMIAS 7: I
CAPÍTULO 7
1 Neemias confia o comando de Jerusalém a Hanani e Hananias. 5 Um registro da
genealogia dos que saíram primeiro de Babilônia, 9 do povo, 39 dos sacerdotes,
43 dos levitas, 46 dos servidores do templo, 57 dos servos de Salomão,
63 e dos sacerdotes que não encontraram sua genealogia.
66 O número total, com suas posses. 70 As ofertas deles.
l Ora, uma vez reedificado o muro e assen- ll Os filhos de Paate-Moabe, dos filho s de
tadas as portas , estabelecidos os porteiros , os Jesua e de Joabe, dois mil oitocentos e dezoito.
cantores e os levitas, 12 Os filhos de Elão, mil duzentos e cin-
2 eu nomeei Hanani, meu irmão, e Hananias, quenta e quatro.
maioral do castelo, sobre Jerusalém. Hananias era 13 Os filhos de Zatu, oitocentos e quaren-
homem fiel e temente a Deus, mais do que mui- ta e cinco.
tos outros. 14 Os filhos de Zacai, setecentos e sessenta.
3 E lhes disse: não se abram as portas de 15 Os filh os de Binui, seiscentos e quaren-
Jerusalém até que o sol aqueça e, enquanto os ta e oito.
guardas ainda estão ali, que se fechem as por- 16 Os filhos de Bebai, seiscentos e vinte e
tas e se tranquem; ponham-se guardas dos mo- oito.
radores de Jerusalém, cada um no seu posto 17 Os filhos de Azgade, dois mil trezentos e
diante de sua casa. vinte e dois.
4 A cidade era espaçosa e grande, mas havia 18 Os filhos de Adonicão, seiscentos e ses-
pouca gente nela, e as casas não estavam edifi- senta e sete.
cadas ainda . 19 Os filhos de Bigvai, dois mil e sessenta
5 Então, o meu Deus me pôs no coração que e sete.
ajuntasse os nobres, os magistrados e o povo, 20 Os filhos de Adim, seiscentos e cinquen-
para registrar as genealogias. Achei o livro da ta e cinco.
genealogia dos que subiram primeiro, e nele es- 21 O s filhos de Ater, da família de Ezequias,
tava escrito: noventa e oito.
6 São estes os filhos da província que su- 22 Os filhos de Hasum, trezentos e vinte e
biram do cativeiro, dentre os exilados , que oito.
Nabucodonosor, rei da Babilônia, levara para 23 O s filho s de Besai, trezentos e vinte e
o exílio e que voltaram para Jerusalém e para quatro.
Judá, cada um para a sua cidade, 24 Os filh os de Harife, cento e doze .
7 os quais vieram com Zorobabel, Jesua, 25 Os filhos de Gibeão, noventa e cinco.
Neemias, Azarias, Raamias, Naamani, 26 Os homens de Belém e de Netofa, cento
~ ., Mordecai, Bilsã , Misperete, Bigvai, Neum e e oitenta e oito.
Baaná. Este é o número dos homens do povo 27 Os homens de Anatote, cento e vi nte e
de Israel: oito.
8 foram os filhos de Parós, dois mil cento e 28 Os homens de Bete-Azmavete, quaren-
setenta e dois. ta e dois.
9 Os filhos de Sefatias, trezentos e seten- 29 O s homens de Quiriate-Jearim, Cefira e
ta e dois. Beerote, setecentos e quarenta e três.
lO Os filhos de Ará, seiscentos e cinquen- 30 Os homens de Ramá e Geba, seiscentos
ta e dois. e vinte e um.
463
7: I COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
464
NEEMIAS 7:5
tesouro, em ouro, mil daricos, cinquenta bacias 72 O que deu o restante do povo foi , em
e quinhentas e trinta vestes sacerdotais. ouro, vinte mil daricos, e dois mil arráteis em
71 E alguns mais dos cabeças das famílias prata, e sessenta e sete vestes sacerdotais.
deram para o tesouro da obra, em ouro, vinte 73 Os sacerdotes, os levitas, os porteiros, os
mil daricos e, em prata, dois mil e duzentos cantores, alguns do povo, os servidores do tem-
arráteis. plo e todo o Israel habitavam nas suas cidades.
465
7:7 COM ENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
que fazer para remediar a situação. Ele foi para Mispar, etc. Muitos comentaristas con-
impressionado a fa zer um censo do povo, sideram as variações como erros de escri-
que forneceria informação sobre as popu- bas. No entanto, essas diferenças podem ser
lações relativas à cidade e à região. A par- melhor explicadas com base numa lista feita
tir dali tamb ém poderia ser determinado em Babilônia antes de a caravana deixar a
que cidades e distritos teriam os melhores Judeia, enquanto a outra é cópia de uma lista
recursos para contribuir com o reassenta- revisada do último período na Palestina.
mento de Jerusalém. O censo, segundo o 25. Gibeão. Em vez de Gibeão, Esdras
costume h abitual judaico, seria por fa mílias 2:20 fala de Gibar, outro nome desconheci-
(ver N m 1:17-47; 1Cr 21:5, 6). do . Gibar pode ser uma forma variante do
Achei o livro. Isto é, o registro dos nome Gibeão, ou erro de escriba. No entan-
exilados que voltaram de Babilôn ia lidera- to, é preferível considerar Gibeão.
dos por Zorobabel e Jesua (E d 2). Neemias 43. De Jesua. O texto paralelo de
incluiu uma cópia deste registro em seu Esdras 2:40 parece oferecer uma traduç ão
memoria l, preservando, assim, duas cópias: melhor para N eemias 7:43 (ver também
uma em Esdras 2:1-70 e outra em Neemias Ed 3:9). Este verso poderia ser tradu-
7:6 -73. zido como: "Jesua e Cadmiel dos filho s de
As duas listas são quase idênticas; no Hodeva". Es te ancestral de Jesu a e Cadmiel
entanto, mostram pequenas diferenças (ver ocorre de três formas: Hodeva, Hodavias
com . de Ed 2:2; a respeito dos nomes na (Ed 2:40) e Judá (Ed 3:9).
lista de Neemias, ver com. desses nomes 70. O tirsata deu (ARC). Ou, "o gover-
em Ed 2:1-70). Somente as variações mais nador deu" (ARA; ver com. de Ed 2:63). Isto
importantes serão consideradas aqui . é um acréscimo a Esdras 2:68 e 69. Na lista
7. Naamani. Neste verso, N aamani anterior, a oferta de Zorobabel não é listada
é acrescentado aos 11 nomes apresenta- separadamente dos outros chefes de famí-
dos em Esdras 2:2. Há também leves dife- lia. O relato na lista de Neemias é mais
renças na grafia dos nomes: Azarias para detalhado e talvez mais exato do que o que
Seraías, Raamias para Reelaías, Misperete foi apresentado na outra cópia.
CAPÍTULO 8
1 O modo religioso de se ler e ouvir a lei. 9 Neemias e Esdras confortam o povo.
13 O zelo deles em ouvir e receber instntção. 16 A Festa dos Tabernáculos.
1 Em chegando o sétimo mês, e esta ndo os entender o que ouviam. Era o primeiro dia do
filh os de Israel nas suas cidades, todo o povo se sétimo mês .
ajuntou como um só homem , na praça, d iante 3 E leu no livro, diante da praça , que está
da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o es- fronteira à Porta das Águas, desde a alva até ao <C ~
criba, que trouxesse o Livro da Lei de Moisés, meio-dia , perante homens e mulheres e os que
que o SENHOR tinha prescrito a Israel. podiam entender; e todo o povo tinha os ouvidos
2 Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei peran- atentos ao Livro da Lei.
te a congregação, tanto de homens como de 4 Esdras, o escriba, estava num púlpito de
mulheres e de todos os que eram capazes de madeira, que fi zeram para aquele fim; estava m
466
NEEMIAS 8: 1
em pé junto a ele, à sua direita, l\llatitias, Sema, 12 Então, todo o povo se foi a comer, a beber,
Anaías, Urias, Hilquias e Maaseias; e à sua es- a enviar porções e a regozijar-se gra ndemen te,
querda, Pedaías, J\il isael, Malquias, Hasum , porque tinham entendido as palav ras que lhes
Hasbadana, Zacarias e Mesulão. foram explicadas.
5 Esdras abriu o livro à vis ta de todo o povo, l3 No dia seguinte, ajuntaram-se a Esdras,
porque estava acima dele; abrindo-o ele, todo o o escriba, os cabeças das famílias de todo o
povo se pôs em pé. povo, os sacerdotes e os levitas , e isto para aten-
6 Esdras bendisse ao SENHOR , o grande tarem nas palavras da Lei.
Deus; e todo o povo respondeu: Amém! Amém! 14 Acharam escrito na Lei que o SENHOR
E, leva ntando as mãos; inclinara m-se e adora- ordenara por intermédio de Moisés que os fi-
ra m o SENHOR, com o rosto em terra. lhos de Israel habitassem em cabanas, durante a
7 E Jesua, Bani, Serebias, Jamim , Acube, festa do sétimo mês;
Sabetai , Hodias, Maaseias, Quelita, Azarias, 15 que publicassem e fi zessem passar pre-
Jozabade, Hanã, Pelaía s e os levitas ensinavam gão por todas as suas cidades e em Jer usa lém,
o povo na Lei; e o povo estava no seu lugar. di zendo: Saí ao monte e trazei ra mos de oli vei-
8 Leram no livro, na Lei de Deus, claramen- ras, ramos de zambujeiros, ramos de murtas,
te, dando explicações, de maneira que enten- ra mos de palmeiras e ramos de árvores fro ndo-
dessem o que se lia. sas, para fa zer cabanas, como está escrito.
9 Neemias, que era o governador, e Esdras, 16 Saiu, pois, o povo, trouxeram os ramos
sacerdote e escriba, e os levitas que ensinavam e fi zeram para si caba nas, cada um no seu ter-
todo o povo lhe dissera m: Este dia é consagra- raço, e nos seus pátios, e nos átrios da Casa de
do ao SENHOR, vosso Deus, pelo que não pran- Deus , e na praça da Porta das Águas, e na praça
teeis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, da Porta de Efraim.
ouvindo as palavras da Lei. 17 Toda a congregação dos que tinham vol-
lO Disse-lhes mais: ide, comei carnes gor- tado do cativeiro fe z caba nas e nelas habitou ;
das , tornai bebidas doces e enviai porções aos porque nunca fi zeram assim os filhos de Israel,
que não têm nada preparado para si; porque este desde os dias de Josué, filho de Num, até àq ue-
dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto, não le dia; e houve mui grande alegria.
vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é 18 Dia após dia, leu Esdras no Livro da
a vossa força. Lei de Deus, desde o primeiro dia até ao últi-
li Os levitas fizeram calar todo o povo, di- mo; e celebraram a festa por sete dias; no oita-
zendo: Ca lai-vos, porque este dia é santo; e não vo dia, houve uma assembleia solene, segu ndo
estejais contristados . o prescrito.
467
8:2 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
celebração das três grandes festas daquele Em pé junto a ele. Seis pessoas, pos-
mês: a Festa das Trombetas, o Dia da Expia- sivelmente sacerdotes, estavam em pé à
~ ._ ção e a Festa dos Tabernáculos (Lv 23:24- direita de Esdras e sete à sua esquerda.
43; ver com. de Êx 23:14; Dt 6:16). No livro apócrifo de 1 Esdras, são mencio-
Porta das Águas. A este respeito, ver nadas sete pessoas em pé à sua direita, e o
com. de Ne 3:26. nome de Azarias foi inserido entre Anaías e
Disseram. É notável que o povo Urias. Talvez Urias seja o pai de Meremote
pedisse instrução. Embora muitos foss em (Ne 3:4, 21); Maaseias, o pai de Azarias
negligentes quanto à observação da lei, (cap. 3:23); Pedaías, a pessoa mencionada
eles sentiram desejo de ouvi-la. Não es ta- no cap. 3:25; o Azarias inserido, se acei-
vam satisfeitos com as condições dominan- tarmos o registro de 1 Esdras , pode ser o
tes e queriam alcançar um nível elevado na mesmo de Neemias 3:23; ao passo que
experiência espiritual e estavam convenci- Mesulão é mencionado no cap. 3:4 e 6; e
dos de que ouvir a Palavra de Deus lhes tra- Malquias, no cap. 3:11, 14 e 31.
ria benefícios. 5. Todo o povo se pôs em pé. Nas
Esdras, o escriba. Ver com. de Ed 7:6. reuniões públicas normalm en te os judeus
O Livro da Lei. O povo estava familia- se sentam para ouvir, embora ocasional-
rizado com o Pentateuco, mencionado neste mente permaneçam em pé para a oração.
verso, e sabia que Esdras era versado nele. Não se deve supor que permaneceram
2. O primeiro dia. O dia de ano em pé durante as seis horas d e leitura
novo do calendário civil (ver vol. 2 p. 94). e instrução. A tradição rabínica declara
Este primeiro dia do sétimo mês era dis- que desde os dias de Moisés era costume
tinto das outras luas novas do ano como a entre os israelitas sentar-se durante a lei-
Fes ta das Trombetas, e celebrava-se como tura da lei.
grande fest a por meio de uma reunião 6. Esdras bendisse ao SENHOR.
sol ene e pausa do trabalho (Lv 23:23-25; A bênção de Esdras pode ter começado
Nm 29:1-6). com uma frase de gratidão, como a de
3. Desde a alva até ao meio-dia. Davi (lCr 29:10), mas dificilmente com um
A instrução durou cinco ou seis horas. salmo completo (como em 1Cr 16:8-36).
Os v. 4 a 8 mostram que não consistiu ape- Amém! Amém! A repetição assinala a
nas em leitura incessante, mas era alter- intensidade do sentimento (ve r 2Rs 11: 14;
nada com interpretações explicativas da lei Lc 23:21).
pelos levitas. Levantando as mãos. Era costume
4. Púlpito de madeira. Isto pode ser judeu levantar as mãos em oração, ver
comparado com a palavra "coluna" (ver 2Rs SI 134:2; lTm 2:8; etc.
11:14; 23:3, em que o termo utilizado é Rosto em terra. Ver 2Cr 7:3.
'mnmud, "estar de pé"). Neste verso é uti- 7. E os levitas. Visto que todos os
lizado o heb. migdal, que normalmente sig- homens citados neste verso são levitas
nifica "torre". Deve ter sido um a tribuna (sobre alguns deles, ver Ne 9:4, 5), esta
alta, caso o termo "torre" possa ser usado frase significa "e o restante dos levitas"; ou,
para descrevê-la. Daí a tradução "púlpito" a palavra hebraica we, "e", deve ser tradu-
estar justificada, com a compreensão de zida como "mesmo" ou "isto é ".
que era um "púlpito" alto para que todo o O povo estava. Literalm e nte, "na
povo visse com facilidade e ouvisse Esdras posição do povo". O sentido é que as pes-
e seus companheiros. soas perman eceram em seus lu ga res e não
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NEEM IAS 8: 13
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8:14 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
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NEEMIAS 9: l
CAPÍTULO 9
1 Jejum solene e o arrependimento do povo. 4 Os levitas fazem uma confissão
religiosa da bondade de Deus e da perversidade deles.
N o dia vinte e quatro deste mês, se ajunta- neles ; e Tu os preservas a todos com vida, e o
ram os filhos de Israel com jejum e pano de saco exército dos céus Te adora.
e traziam terra sobre si . 7 Tu és o SENHOR, o Deus que elegeste
2 Os da linhagem de Israel se apartaram de Abrão, e o ti ras te de Ur dos caldeus, e lhe pu-
todos os estranhos, puseram-se em pé e fi zeram seste por nome Abraão.
confissão dos seus pecados e das iniquidades de 8 Achaste o seu coração fie l perante Ti e
seus pais. com ele fi zeste aliança, para dares à sua des-
3 Levantando-se no seu lugar, leram no cendência a terra dos cananeus, dos heteus, dos
Livro da Lei do SENHOR, seu Deus, uma quar- amorreus, dos ferezeus, dos jebuseus e dos gir-
~ ~-- ta parte do dia; em outra quarta parte dele fi ze- gaseu s; e cumpriste as Tuas promessas, por-
ram confissão e adoraram o SENHOR , seu Deus. quanto és justo.
4 Jesua, Bani, Cadmiel, Sebanias, Buni, 9 Viste a aflição de nossos pais no Egito, e
Serebias, Bani e Quenani se puseram em pé no lhes ouviste o clamor junto ao Mar Vermelho.
estrado dos levitas e clamaram em alta voz ao lO Fizeste sinais e milagres contra Faraó e
SENHOR, seu Deus. seus servos e contra todo o povo da sua ter ra,
5 Os levitas Jesua, Cadmiel, Ba ni, porque soubeste que os trataram com soberba;
H asabneias, Serebias, Hodias, Sebanias e e, assim, adquiriste renome, como hoje se vê.
Petaías disseram: Levantai-vos, bendizei ao ll Dividiste o mar p erante eles, de m a-
SENHOR, vosso Deus , de eternidade em eterni- neira que o atravessaram em seco; lanças te os
dade. Então, se disse: Bendito seja o nome da seus perseguidores nas profundezas , como uma
Tua glória, que ultrapassa todo bendizer e louvor. pedra nas águas impetuosas.
6 Só Tu és SENHOR, Tu fi zeste o céu, o céu 12 Guiaste-os, de dia, por uma coluna de
dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo nuvem e, de noite, por uma coluna de fogo , para
quanto nela h á, os mares e tudo quanto há lhes alumiar o caminho por onde haviam de ir.
471
9: l COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
13 Desceste sobre o monte Sinai, do céu fa- 24 Entraram os filhos e tomaram posse da
laste com eles e lhes deste juízos retos, leis ver- terra; abateste perante eles os moradores da
dadeiras, estatutos e mandamentos bons. terra, os cananeus, e lhos entregaste nas mãos,
14 O Teu santo sábado lhes fizeste conhe- como também os reis e os povos da terra, para
cer; preceitos, estatutos e lei, por intermédio de fazerem deles segundo a sua vontade.
Moisés, Teu servo, lhes mandaste. 25 Tomaram cidades fortificadas e terra fér-
15 Pão dos céus lhes deste na sua fome e til e possuíram casas cheias de toda sorte de coi-
água da rocha lhes fizeste brotar na sua sede; sas boas, cisternas cavadas, vinhas e olivais e
e lhes disseste que entrassem para possuírem a árvores frutíferas em abundância; comeram, e
terra que, com mão levantada, lhes juraste dar. se fartaram, e engordaram, e viveram em delí-
16 Porém eles, nossos pais, se houveram so- cias, pela Tua grande bondade.
berbamente, e endureceram a sua cerviz, e não 26 Ainda assim foram desobedientes e se re- <1 ~
deram ouvidos aos Teus mandamentos. voltaram contra Ti; viraram as costas à Tua lei
17 Recusaram ouvir-Te e não se lembra- e mataram os Teus profetas, que protestavam
ram das Tuas maravilhas, que lhes fizeste; contra eles, para os fazerem voltar a Ti; e come-
endureceram a sua cerviz e na sua rebelião le- teram grandes blasfêmias.
vantaram um chefe, com o propósito de volta- 27 Pelo que os entregaste nas mãos dos seus
rem para a sua servidão no Egito. Porém Tu, ó opressores, que os angustiaram; mas no tempo
Deus perdoador, clemente e misericordioso, tar- de sua angústia, clamando eles a Ti, dos céus Tu
dio em irar-Te e grande em bondade, Tu não os os ouviste; e, segundo a Tua grande misericór-
desamparaste, dia, lhes deste libertadores que os salvaram das
18 ainda mesmo quando fizeram para si um mãos dos que os oprimiam.
bezerro de fundição e disseram: Este é o teu 28 Porém, quando se viam em descanso, tor-
Deus, que te tirou do Egito; e cometeram gran- navam a fazer o mal diante de Ti; e Tu os de-
des blasfêmias. samparavas nas mãos dos seus inimigos, para que
19 Todavia, Tu, pela multidão das Tuas mi- dominassem sobre eles; mas, convertendo-se eles
sericórdias, não os deixaste no deserto. A colu- e clamando a Ti, Tu os ouviste dos céus e, segun-
na de nuvem nunca se apartou deles de dia, para do a Tua misericórdia, os livraste muitas vezes.
os guiar pelo caminho, nem a coluna de fogo de 29 Testemunhaste contra eles, para que vol-
noite, para lhes alumiar o caminho por onde ha- tassem à Tua lei; porém eles se houveram so-
viam de ir. berbamente e não deram ouvidos aos Teus
20 E lhes concedeste o Teu bom Espírito, mandamentos, mas pecaram contra os Teus
para os ensinar; não lhes negaste para a boca o juízos, pelo cumprimento dos quais o homem
Teu maná; e água lhes deste na sua sede. viverá; obstinadamente deram de ombros, endu-
21 Desse modo os sustentaste quarenta anos receram a cerviz e não quiseram ouvir.
no deserto, e nada lhes faltou; as suas vestes não 30 No entanto, os aturaste por muitos anos
envelheceram, e os seus pés não se incharam. e testemunhaste contra eles pelo Teu Espírito,
22 Também lhes deste reinos e povos, que por intermédio dos Teus profetas; porém eles
lhes repartiste em porções; assim, possuíram a não deram ouvidos; pelo que os entregaste nas
terra de Seom, a saber, a terra do rei de Hesbom mãos dos povos de outras terras.
e a terra de Ogue, rei de Basã. 31 Mas, pela Tua grande misericórdia, não
23 Multiplicaste os seus filhos como as es- acabaste com eles nem os desamparaste; por-
trelas do céu e trouxeste-os à terra de que ti- que Tu és Deus clemente e misericordioso.
nhas dito a seus pais que nela entrariam para a 32 Agora, pois, ó Deus nosso, ó Deus gran-
possuírem. de, poderoso e temível, que guardas a aliança e a
472
NEEMIAS 9: 4
misericórdia, não menosprezes toda a aflição que fértil que puseste diante deles não Te serviram,
nos sobreveio, a nós, aos nossos reis, aos nossos nem se converteram de suas más obras.
príncipes, aos nossos sacerdotes, aos nossos pro- 36 Eis que hoje somos servos; e até na
fetas, aos nossos pais e a todo o Teu povo, desde terra que des te a nossos pais, para comerem
os dias dos reis da Assíria até ao dia de hoje. o seu fruto e o seu bem , eis que somos ser-
33 Porque Tu és justo em tudo quanto tem vos nela.
vindo sobre nós; pois Tu fielmente procedeste, e 37 Seus abundantes produtos são para os
nós, perversamente. reis que puseste sobre nós por causa dos nos-
34 Os nossos reis, os nossos príncipes, os sos pecados; e, segundo a sua vontade, domi-
nossos sacerdotes e os nossos pais não guar- nam sobre o nosso corpo e sobre o nosso gado;
daram a Tua lei, nem deram ouvidos aos Teus estamos em grande angústia.
mandamentos e aos Teus testemu nhos, que tes- 38 Por causa de tudo isso, estabelecemos
tificaste contra eles. aliança fiel e o escrevemos; e selaram-na os
35 Pois eles no seu reino, na muita abundân- nossos príncipes, os nossos levitas e os nossos
cia de bens que lhes deste, na terra espaçosa e sacerdotes.
473
9:5 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
474
NEEMIAS 9:26
15. Pão dos céus. O maná era cha- 21. Nada lhes faltou. Ver Dt 2:7; 8:4.
mado de "pão do céu" (Sll05:40) ou "cereal 22. Porções. Do heb. pe'ah, "porções",
do céu" (SI 78:24). Esta é uma frase fami- também pode ser traduzido como "lado",
liar aos cristãos, pelo seu uso em João 6:32 , "margem" ou "fronteira". Já que os reinos
51 e 58. Deus proveu maná do céu e água de Ogue e Seom, mencionados neste verso,
da rocha para sustentar Israel durante eram territórios fronteiriços a Israel, pe'ah
a jornada através do deserto a cami- deveria ser traduzido em conformidade com
nho de Canaã (ver Êx 16:4, 10-35; 17:6; esses sentidos .
Nm 20:8). E a terra. Como no v. 16, a palavra we,
16. Eles e nossos pais (ACF). O heb. "e", deveria ser traduzida como "isto é" ou
we, "e", deveria ser traduzido neste verso "mesmo."
como "mesmo" ou "isto é" (ver ARA). 23. Como as estrelas do céu. Em
Este verso alude às várias rebeliões, das referência à promessa feita a Abraão
quais algumas são enumeradas em versos (Gn 15:5 ; 22:17; sobre o crescimento dos
consecutivos. filhos de Israel no Egito, ver Êx 1:7, 12).
17. Na sua rebelião. O hebraico dos 24. Os cananeus. Algumas vezes,
massoretas diz hemiryam, "na sua rebelião", como no v. 8, os "cananeus" são men-
mas sete m anuscritos hebraicos traduzem cionados como uma única nação, junta-
como hemitsrayim, "no Egito", o que tam- mente com outras tribos. Outras vezes, o
bém faz a LXX. A tradução da passagem, termo é utilizado num sentido abrangente,
então, seria: "Levantaram um chefe, com incluindo a todos os habitantes de Canaã ,
o propósito de voltarem para a sua servidão de quaisquer tribos. Neste verso é utilizado
no Egito" (contrastar com a ARC). A refe- no sentido mais amplo.
rência à nomeação de um capitão é encon- 25. Cidades fortificadas. Entre as
trada em Números 14:4. cidades fortificadas estavam Jericó (Js 6),
Ó Deus perdoador. Literalmente, "um Laquis (Js 10:32) e Hazor (Js 11:11).
Deus perdoador". A palavra hebraica para Terra fértil. Ver Nm 14:7, 8; Dt 8:7-9 ;
"perdão" neste verso é rara e ocorre, outras 2Rs 18: 32. Deus prometera casas reple-
vezes, somente em Daniel 9:9 e no Salmo tas de bens (D t 6: 11). As principais árvo-
130:4. O restante do verso é paralelo a Joel res cultivadas na Palestina eram a oliveira,
2:13 e Jonas 4:2. figueira, m acieira, amendoeira, nogu eira,
18. Um bezerro de fundição. Ver amoreira, o sicômoro e a romãzeira. As pal-
Êx 32:4. meiras cresciam abundantemente no vale
Grandes provocações (TB). Melhor do Jordão.
seria "grandes blasfêmias" (ARA), como a E engordaram. Além desta, a expres-
palavra é traduzida em Ezequiel 35: 12 . são é usada apenas duas vezes (Dt 32:15;
20. Teu bom Espírito. O "bom Jr 5:28). Uma comparação desses textos mos-
Espírito" de Deus também é mencionado no tra que estas palavras nunca foram usadas
Salmo 143:10, e o fato de que Deus instrui de modo lisonjeiro, mas sempre em conexão
e ensina as pessoas, no Salmo 32:8 . A ins- com reprovação (ver também Jr 50:11, ARC;
trução por meio do Espírito de Deus não é Ez 34:20). Este uso não é exceção.
mencionada claramente em nenhum outro 26. Viraram as costas à Tua lei. Ve r
texto do AT, mas é indicada em Números Ez 23:35.
11:17 e 25, em que Deus dotou os 70 Mataram os Teus profetas. Ver
anciãos com o espírito de profecia. Mt 23:37; Lc 11:47. Zacarias, o filho de
475
9:27 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
Joiada, foi morto por Joás (2Cr 24:22), e constantemente endereçadas a eles pelos
muitos profetas foram mortos por Jezabel mensageiros de Deus. Por isso, Deus entre-
(lRs 18:4). A tradição judaica afirma que gou Seu povo nas mãos dos pagãos. Isso
Isaías, Jeremias e Ezequiel foram assassi- começou com a invasão dos assírios que
nados por companheiros judeus e outros eventualmente destruíram o reino de Israel
podem ter tido o mesmo destino. e culminou na sujeição de Judá pelos cal-
27. Deste libertadores. Este e o v. 28 deus. Pouco antes os samaritanos e outras
se referem ao tempo dos juízes. No hebraico, nações vizinhas atacaram o remanescente
Otniel e Eúde são chamados "salvadores" de Israel.
(Jz 3:9, 15, TB); Sangar, Gideão, Jefté, Davi 31. Nem os desamparaste. A despeito
e outros também foram libertadores da desses juízos, Deus, de acordo com Sua pro-
opressão estrangeira. Estes homens foram messa (Jr 4:27; 5:10, 18; 30:11; etc.), não
~ ~o- levantados por Deus para salvar Seu povo desamparou completamente Seu povo nem
da mão pesada dos opressores. acabou com eles. A misericórdia de Deus
28. Porém, quando se viam em des- ao lidar com os transgressores tinha o pro-
canso. Ver Jz 3:11, 30; 5:31; 8:28; etc. pósito de preservar um remanescente por
29. Deram de ombros. A imagem é meio do qual Ele cumpriria as promessas.
de um boi se afastando do jugo e recuando 32. Deus [... ] temível. Ver Dt 10:17;
quando exigido que o carregasse. Em Oseias Ne 1:5. Para aqueles que rejeitam a mise-
4:16, é dito que "como vaca rebelde, se rebe- ricórdia, Deus afigura-Se um juiz (ver
lou Israel" (ver também Zc 7:11). Este e o Ap 6:14-17).
v. 30 se aplicam à época dos reis . Que guardas a aliança. Este pensa-
30. Muitos anos. Deus foi paciente mento ocorre apenas aqui, no Salmo 89:28
com o reino do norte por mais de dois e em Neemias 1:5.
séculos, p eríodo em que 20 reis ímpios Reis da Assíria. Salmaneser III, da
ocuparam o trono de Israel. Ele foi igual- Assíria, - não mencionado na Bíblia -
mente perdoador com o reino do sul, que registra qu e derrotou Acabe e forçou Jeú
continuou por cerca de 350 anos. Muitos a pagar tributo e a ajoelhar-se diante dele.
dos 20 reis de Judá entristeceram a Deus Tiglate-Pileser III (chamado, em Babilônia,
com idolatria e crimes além dos limites. de Pu!) tomou tributo de Menaém (2Rs
Teus profetas. Em 2 Reis 17:13, são 15:19, 20) e levou cativas as duas tribos e
usadas quase as mesmas palavras desta pas- meia (2Rs 15:29; 1Cr 5:26). Um terceiro
sagem (ver também 2Cr 36:15, 16). Houve rei assírio, Salmaneser V, sitiou Samaria
uma quase contínua sucessão de profetas (2Rs 17:5-23) provavelmente pouco antes
desde o tempo de Salomão até o cativeiro de sua morte. Um quarto rei, Senagueribe,
babilônico e depois dele. Além dos profe- tomou todas as cidades muradas de Judá
tas cujos escritos foram preservados e cujos das mãos de Ezequias e forçou-o a recupe-
nomes são familiares aos leitores da Bíblia, rar Jerusalém por meio do pagamento de
houve profetas como Aías (o silonita), Ido grande resgate (2Rs 18:13-16). Outro rei
(o vidente), Semaías (o profeta), Hanani, assírio, Esar-Hadon ou Assurbanípal, levou
Jeú (filho de Hanani), Elias, Eliseu, Micaías Manassés como prisioneiro para Babilônia
(filho de Inlá), Zacarias (filho de Joiada), (2Cr 33:11). Esta foi a última expedi-
Hulda e muitos outros que também podem ção assíria a Judá. O Senhor, por meio de
ser classificados como profetas e profetisas Isaías , chamou o monarca assírio de "cetro
de Deus. Os judeus ignoraram as exortações da Minha ira" (Is 10:5). A respeito des tes
476
NEEM IAS 9:38
contatos entre reis assírios e hebreus , ver participaram nas expedições de Dario e
vol. 2, p. 143-145. Xerxes contra a Grécia, e muitos podem ter
33. Tu és justo. Ver Dt 32:4; Ed 9:15; sido mortos nas derrotas desastrosas sofri-
Ne 9:8 . das pelos exércitos persas.
34. Os nossos reis. Na enumeração Sobre o nosso gado. Isto se refere ao
das diferentes classes de pessoas, os profe- fato de os governantes estrangeiros pegarem
tas são omitidos neste verso porque, como o que queriam, restando aos proprietários
testemunhas de Deus, eles não foram con- nominais se contentar com o que sobrasse.
tados entre os que transgrediram, embora Embora possuísse · grandes rebanhos, um
compartilhassem dos sofrimentos que homem poderia nunca saber quanto lucro
sobrevieram à nação. ele teri a. Animais de carga eram ex igidos
35. No seu reino. Isto se refere à para o serviço militar.
época quando Judá era um reino indepen- Grande angústia. Uma vez que os
dente, não sujeito a um poder estrangeiro. governadores se apropriaram à vontade
No entanto, mesmo qu ando domin aram das poss es judaicas, da produção do solo
sua própria terra, os judeus raramente ser- e elo rebanho , esta angústia possivelmente
viram ao Deus que lhes dera a terra; pelo incluía terrível pobreza . O termo també m
contrário , servira m aos deuses das nações incluía a a ngústia de alma ele um povo
que, mais tarde, os subjugaram. que amava a liberdade e que foi escra-
36. Somos servos. Uma vez que recusa- vizado na terra que era deles por doação
ram ser servos de Deus, os filhos de Israel divina. Mas não havia queixa contra Deus .
foram entregues aos estrangeiros como Sua mão era vista em todo sofrimento, e
escravos (ver Jr 5:19). Na verdade, ainda se eles se amarguravam porque condenavam
~ .,. viram servos de um poder estrangeiro, os a si mesmos.
persas, embora Deus em Sua misericór- 38. Selaram-na. Os documentos an -
dia tivesse restaurado a eles certa medida tigos normalmente eram selados. Quando
de independência e liberdade. Há um claro os registros eram escritos em cuneiforme,
contraste entre a servidão a Deus e "a servi- sobre tabletes de argila m ole (ver voi. 1,
dão dos reinos ela terra" (2Cr 12:8). p. 89-90, 113, 117-118), selos cilíndricos
37. Seus abundantes produtos. Isto eram rolados sobre a argila úmida dos ta-
é, os monarcas persas recebiam um fatu- bletes antes do cozimento. Um docum e nto
ramento grande da Judeia. A quantidade escrito em papiro (ver p. 459; vol. 1, p. 7, 8)
paga pela pequena província judaica não é era enrol ado e dobrado. Era atado com
conhecida, mas a satrapia "a lém do rio", à um cordão e no nó colocava-se um pou-
qual pertencia a Judeia, pagava 350 talentos co de argila. Então se comprimia a argila
de prata anualmente (Heródoto, iii.91 ) ou com um selo ou rolava-se um selo cilíndri-
cerca de 12 toneladas, além da grande con- co sobre ela. Algumas vezes, cada um dos
tribuição em espécie. assinantes elo contrato estampava seu pró-
Dominam sobre nosso corpo. Os prio selo em um pedaço ele argi la, que era
persas exercitavam o direito de alistar seus anexado ao documento por um fio. Grand e
vassalos no serviço militar para lutar em quantidade de selos poderia ser anexada
terra e mar. Não há dúvidas de que judeus desta maneira.
477
lO: 1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
CAPÍTULO 10
1 Os nomes dos que selaram a aliança. 29 Os assuntos da aliança.
478
NEEMIAS 10:14
se havia de trazer à casa do nosso Deus, segun- traríamos aos sacerdotes, às câmaras da casa do
do as nossas famílias, a tempos determinados, nosso Deus ; os dízimos da nossa terra, aos lev i-
de ano em ano, para se queimar sobre o altar do tas, pois a eles cumpre receber os dízimos em
SENHOR, nosso Deus, como está escrito na Lei. todas as cidades onde há lavoura.
35 E que também traríamos as primícias 38 O sacerdote, filho de Arão, estaria com os
da nossa terra e todas as primícias de todas as levitas quando estes recebessem os dízimos, e os
árvores frutíferas, de ano em ano, à Casa do levitas trariam os dízimos dos dízimos à casa do
S ENHOR; nosso Deus, às câmaras da casa do tesouro.
36 os primogênitos dos nossos filhos e os do 39 Porque àquelas câmaras os filhos de
nosso gado, como está escrito na Lei; e que os Israel e os filhos de Levi devem trazer ofertas
primogênitos das nossas manadas e das nossas do cereal, do vinho e do azeite; porquanto se
ovelhas traríamos à casa do nosso Deus, aos sa- ac ham ali os vasos do santuário, como também
cerdotes que ministram nela. os sacerdotes que ministram, e os porteiros, e os
37 As primícias da nossa massa, as nossas cantores; e, assim , não desampararíamos a casa
ofertas, o fruto de toda árvore, o vinho e o azeite do nosso Deus.
1. Tirsata (ARC). O título persa levitas que retornaram com Zorobabel (ver
para "governador" (ver com. de Ed 2:63). Ed 2:40; 3:9; Ne 7:43; 9:4, 5; etc.). Neste
Neemias, cuja influência estava por trás verso, Binui parece ter substituído Cadmiel
do longo discurso dos levitas, registrado no e ocupado o segundo lugar. A respeito do
capítulo anterior, pode ter sido o pai espi- restante dos nomes, H asabias e Serebias
ritual da alia nça que seria concluída nesse representam famílias que retornaram com
mom ento. Ele deu o exemplo ao ser o pri- Esdras (Ed 8:18, 19). Os demais nomes pos-
meiro a assinar o documento. sivelmente também são nomes de famílias .
Zedequias. Possivelmente um alto ofi- 14. Os chefes do povo. Desde o v. 14
cial. No entanto, não se sabe mais nada a até o nome de Magpias, no v. 20, os nomes
respeito dele. Aceita-se que, depois da ana- pessoais correspondem ao de famíli as lei-
logia de Esdras 4:9 e 17, ele foi o secretário gas que retornaram com Zorobabel (Ed 2:3-
do governador. 30; Ne 7:8-33). Os primeiros 18 são nomes
2. Seraías. Os 21 nomes se referem aos pessoais; dois deles (v. 17) deveriam es tar
que Neemias e seu secretário designaram unidos já que é evidente que represen-
como "sacerdotes" (v. 8). Entre eles, figura tam a única famíli a "Ater, da família de
com precedência a casa do sumo sacerdote Ezequias" (Ed 2:16; Ne 7:21). Os últimos
Seraías . Dos 21 nomes, 15 são citados em três são nomes de localidades: Nebai (v. 19),
Neemias 12:2 a 7 como os principais sacer- o mesmo que Nebo (Ne 7:33); Magpias
dotes que saíram com Jesua e Zorobabel de (v. 20), o mesmo que Magbis (Ed 2:30); e
Babilônia e, em Neemias 12:12 a 21, como Anatote. Os demais (de Mesulão a Baaná,
cabeças de famílias sacerdotais. Por isso, é Ne 10:20-27) são nomes de chefes de dife-
evidente que esses 21 homens que assina- rentes grupos nos quais as famílias foram
ram o acordo o fizeram como líderes de suas divididas ou dos anciãos de cidades menores
respec tivas famílias e turnos (ver com. de de Benjamim e Judá. Nem todas as famílias
~ .,. Ne 12; Lc 1:5). listadas em Esdras 2 ocorrem nesta lista,
9. Os levitas. Jesua, Binui e Cadmiel talvez devido ao fato de alguns terem se
representam os três chefes de famílias de misturado, embora também haja evidência
479
10: 28 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
de que, durante o decorrer dos a nos, houve àquele dia (sobre essa proibição, ver Am 8: 5;
novas adesões às família s repatriadas . Is 58:13 ; Jr 17:19-27). As primeiras evidên-
28. O resto do povo. A enumeração cias extrabíblicas para a observância do
das classes é a mesma de Esdras 2:70. Visto sábado semanal en tre os judeus vêm do 5°
que nenhuma classe é esquecida, há uma século a.C ., de Elefa ntina, no Egito. Essa
adesão geral e talvez universal por parte da menção ao sábado é encontrada em óstra-
nação às disposições da ali ança. cos, isto é, p eças de cerâmica quebradas
Os que se tinham separado. Esta e usadas geralmente como um econômico
classe pode ser descendente dos israelitas material de escrita.
deixados na terra do cativeiro e que nesse No dia santificado. Melhor seria "um
momento se uniam à nova comunidade (ver dia santificado", significando que o povo
com. de Ed 6:2 1). se suj eitava a se abster de negociações
Todos os que tinham [... ] entendi- não somente no sábado como em qu alquer
mento. É interessante observar que, con- dia santo.
trário ao costume oriental, mulheres e No ano sétimo, abririam mão. Uma
jovens adultos também assinaram a ali ança . declaração abrevi ada da lei acerca do ano
A todos os que tinham idade suficiente para sabático (Êx 23:1 O, 11), de acordo com a
compreender a natureza da aliança foi per- qual a terra não deveria ser lavrada nem
mitido participar no ritual sagrado. É impro- semeada dura nte aqu ele ano. Esta lei foi
vável que se refira somente à cl asse cu lta, negligenciada com frequ ência na época da
como alguns comentaristas têm sugerido. monarquia e este era um dos pecados qu e
29. Aderiram. O povo comum apoiou o cativeiro devia punir (2Cr 36:21). Parece
os líderes que selaram o doc umento, apro- que, após o retorno, este regulamento foi
vando e ratificando o que foi feito. desobedecido novamente . <4 ~
Imprecação. É possível que as mal- Cobrança. Ver co m. de Ne 5:12-1 3.
dições e bênção de Deuteronômio 27 e 28 32. A terça parte de um sido. Não é
tenham sido incluídas nas leituras extraí- declarado quem deveri a fazer esta contribu i-
das da lei. É possível que fosse feito um jura- ção para a manutenção do serviço do templo,
mento cada vez que a aliança entre Deus e o mas era um costume bem con hecido. Este
povo era confirmada (ver Dt 29:12; 2Rs 23:3). pagamento era um a renovação do preceito
Servo de Deus. Este título pertence mosaico (Êx 30: 13), segundo o qual todas as
a Moisés de modo único. Deus o chamou pessoas a partir de 20 anos de idade deveriam
"Meu servo Moisés, que é fiel em toda a dar meio siclo como oferta ao Senhor, tributo
Minha casa" (Nm 12:7) e, a partir disso, ainda exigido nos dias de Cristo (Mt 17:24).
este foi seu título exclusivo (ver ]s 1: 2; 8:31, Em consideração à pobreza da maior parte
33; lCr 6:49; 2Cr 24:9; Dn 9:11; Hb 3: 5). da comunidade, esta taxa foi baixada a um
30. Não dariam as suas filhas. terço de um siclo para cada pessoa. A opi-
Aparentemente a reforma instituída por nião de Abraham Ibn Ezra, o grande comen-
Esdras (Ed 9, lO) não se mostrou duradoura tarista judeu da Idade Média, de que um
(ver com. de Ne 13:23). terço de um siclo deveria ser pago além do
31. No dia de sábado. A proibição meio siclo cobrado em conformidade com a
de comércio no dia de sábado, embora não lei, não é apoiada pelo texto.
mencion ada especificamente, es tá implí- Para o serviço. Esse fundo n ão era
cita no quarto mandamento e certamente para despesas com edificação ou obras de
foi incluída nos regulamentos pertinentes reparo no templo, m as para manutenção
480
NEEM IAS 10:38
dos serviços regulares da casa de Deus. da mesma form a que os animais imundos
De acordo com o v. 33, essa taxa deveria ser (Nm 18:15). Os primogênitos do gado e das
usada para fornecer os pães da proposição, ovelhas deveriam ser oferecidos sobre o
o holocausto contínuo e as ofertas queima- altar (Nm 18:17).
das (Nm 28:3-8), sacrifícios para o dia de 37. Primícias da nossa massa. Ver
sábado e a Lu a Nova (Nm 28:9-15) e para Nm 15:18-21.
outras festas (Nm 28:16-29 :40). Nossas ofertas. Litera lmente, "nossa
33. Coisas sagradas. A referência deve oferta alçada" (ver Nm 15:20; Lv 23:11, 17).
ser às "ofertas movidas" e "ofertas pacíficas" Às câmaras da casa. Os depósitos ane-
(Lv 23: 10, 17, 19), que "[santas] serão ao xados ao edifício do templo (ver Ne 13:4, 5).
SEN HOR , para o uso do sacerdote" (Lv 23:20). Os dízimos da nossa terra. Pa rece
Além disso, essa taxa cobria as ofertas pelo que o dízimo foi negligenciado por mu itos e,
pecado (orden adas em Nm 28:15, 22, 30 ; como resultado, os sacerdotes e levitas não
29:5, 11, 16, 19; etc .) e tudo o mais que conseguiam estar à disposição para suas
foss e necessário. O estabelecimento de obrigações no templo e fora m compelidos
uma taxa assim não significava que as con- a ganhar o seu sustento de outro modo (ver
tribuições prometidas por Artaxerxes em Ne 13:10). Então o povo solenemente pro-
seu edito (Ed 7:20-22) tinham cessado, e meteu recuperar esta prática. Malaquias,
que a congregação achava necessário c us- que também profetizou sobre essa época ,
tea r as despesas com seus próprios rec ur- di sc ute o mesmo problema e lembra o povo
sos . Em acréscimo ao auxílio oferecido pelo das de svantagens em reter o dízimo e das
rei, se fazia necessário doar, porque as exi- bênçãos que acompanhavam a fidelidade
gências do templo aumentaram. (M I 3:8-12; sobre o dízimo numa economia
34. Oferta da lenha. A lei de Moisés agrícola, ver Lv 27:30).
simplesmente prescrevia que a lenha deveria Em todas as cidades. Parece que
ser queimada constantemente sobre o altar os dízimos agrícolas não eram levados a
e qu e o sacerdote deveria acender fogo no Jerusalém , mas armazen ados em centros
alta r cada man hã (Lv 6:1 2, 13). No entanto, onde eram produzidos até serem solicitados
n ão foram dadas orientações a respeito da pelos levitas . Não está claro se os depósitos
obtenção da lenha. Essa aliança tornou ficavam nestas cidades ou se a referência é
obrigação da congregação fornecer a lenha às cidades levíticas.
necessári a, e as várias famíli as eram suces- Lavoura. Litera lmente, "trabalho".
sivamente responsáveis por essa necessi- 38. O sacerdote. Um sacerdote deve-
dade, na ordem decidida ao se lança r sortes. ri a estar presente quando os levitas rece-
D e acordo com Josefo (Guerra dos Judeus, be ssem o dízimo, não somente como
ii.17.6), a madeira necessária para o ano era garantia de que os lev itas receberiam sua
trazida num dia determinado , o 14° dia do parte, como algun s comentaristas creem ,
quinto mês, que era guardado como uma mas para assegurar a parte dos sacerdotes -
festa chamada "festa da lenha carregada". o dízimo do dízi mo dos levitas (Nm 18:26).
35. Primícias. A respeito das primí- De acordo com este verso, o dízimo deve-
cias do solo, ver Êx 23: 19; 34:26; Dt 26:2; ria ser transportado para Jerusa lém à custa .,. ~
e sobre as árvores frutíferas, ver Lv 19:23. dos destinatários, e era justo que o sacer-
36. Primogênitos dos nossos filhos. dote tomasse parte no trabalho de trans -
Eles deveriam ser resgatados de acordo portá-lo até ali. Este reg ulamento tamb ém
com a avaliação do sacerdote (Nm 18:16), deveria ter sido designado como um a
481
ll:l COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
garantia do manuseio adequado dos fun- em que o dízimo era recebido e dividido
dos sagrados. A presença de representan- servia para evitar a má administração des-
tes das duas ordens eclesiásticas na época ses fundos.
CAPÍTULO 11
1 Os governantes, alguns voluntários e a décima parte de homens escolhidos
por sortes habitam em Jerusalém. 3 Uma lista de seus nomes.
20 O restante habita em outras cidades.
482
NEEMIAS 11:3
irmãos; depois, Abda, filho de Samua, filho de 25 Quanto às aldeias , com os seus cam-
Ga la!, filho de Jedutum . pos, algun s dos filhos de Judá habita ram em
18 Todos os lev itas na sa nta cidade foram Quir iate-Arba e suas aldeias , em Oibom e suas
duzentos e oitenta e quatro. aldeias , em Jecabzeel e suas aldeias,
19 Dos porteiros: Acube, Ta lmom e os ir- 26 e emJes ua, em Mo ladá, em Bete-Pa lete,
mãos deles, os guardas das portas , cento e se- 27 em Ha za r-Sual, e m Berseba e suas
tenta e dois. a ld e ias;
20 O restante de Israel, dos sacerdotes e 28 em Zic lague, e m Meco na e suas
levitas se esta beleceu em todas as cidades de a ld e ias;
~ ... Ju d<1, cada um na sua herança. 29 em En-R imom , em Zorá, em Jarmute;
21 Os servidores do templo habitara m em 30 em Zanoa, em Acl ul ão e nas aldeias delas;
Ofe l e estavam a cargo de Zia e Gispa. em Laquis e em seus ca mpos, em Azeca e suas
22 O superintendente dos levitas em aldeias. Acamparam-se desde Berseba até ao
Jerusalém era Uzi, fil ho de Bani, fi lho de va le de Hinom.
Hasabias , fi lho de Mata nias , filho de Mica, dos 31 Os filhos de Benjamim também se es-
filhos de Asafe, que eram cantores ao serviço da tabeleceram em Geba e daí e m diante, e m
Casa de Deus. 1\ilicmás, Aia, Bete! e suas aldeias;
23 Porque havia um mandado do rei a res- 32 em Anatote, em Nobe, em Ana ni as,
peito deles e certo acordo com os cantores, con- 33 em Hazor, em [Link]á, em Gitaim,
cernente às obrigações de cada dia. 34 em Hadide, em Zeboim , em Neba late,
24 Petaías, filh o ele Mesezabel, dos filhos de 35 em Lode e em Ono, no vale dos Artífices.
Zera, filho de Judá, estava à disposição do rei, 36 Dos levitas, havia gru pos tanto em Judá
em todos os negócios do povo. como em Benjamim .
483
11 :4 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
Os chefes da província são contrastados de Selá, o terceiro filho de Judá, pai da "famí-
pelo escri tor com os chefes de famílias lia dos selaítas" (Nm 26:20).
judaicas que viviam em Babilônia ou em 6. Homens valentes. Judá forneceu
outras partes do império. 468 homens hábeis com armas, cerca de
Habitaram em Jerusalém. Isto é, um metade do que forneceu Benjamim: 928
censo de todos "os chefes da província" que homens (v. 8). As cidades de Jud á ao sul de
viveram ali após a transferência . Jeru sa lém podem n ão ter sentido necess i-
Israel. Uma indicação coletiva para os dade de guardar a forte capital, como fize-
membros de tod as as tribos, com exceção ram os benjamitas que h abitava m numa
dos levitas. Entre aqueles que retornaram zona de perigo real, na fronteira com
havia membros de du as grandes tribos de Samaria.
Israel: Manassés e Efraim (ver 1Cr 9:3). Os 7. Saiu, filho de Mesulão. Ver
cidad ãos são tratados por classes, como em 1Cr 9 :7. Os outros nomes na genealogia
outras listas , e os leigos precedem os fun- são diferentes, talvez pela me sma razão
cionários do templo. observada no v. 4.
4. Habitaram, pois, em Jerusalém. 8. Novecentos e vinte e oito. O censo
Nem todos os habitantes de Jerusalém de 1 Crônicas 9:9 tem 956 homens. Apa-
eram das tribos de Judá e Benjamim; rentemente a quantidade de benjamitas
havia muitos levi tas (v. 10-19), possível- em Jerusa lém aumentou discretamente
~ ., mente manassitas e efra imitas (lCr 9:3) e e ntre os dois censos. Em contras te, Judá
também os netinins ("netineus", Ne 11:21, demonstra um crescimento em sua popu-
ARC; servidores do templo, ARA), que não lação em Jerusa lém durante o mesmo
pertenciam a tribo alguma. Poderia haver período: de 468 para 690. O crescimento
representantes de outras tribos também. pode ter ocorrido em parte devido ao fato
No entanto, homens de Jud á e Benjamim de mais um a família judaica se es tabelecer
parecem ter constituído a maioria da pop u- em Jerusalém, a de Zerá, o quinto filho de
lação e, por isso, somente eles são mencio- Judá (lCr 9:6).
nados. Uma li sta paralela dos habitantes 10. Jedaías. De acordo com 1 Crônicas
de Jer usal ém (lCr 9) pode ter sido base- 9 :1 O, os três nomes apresentados ali per-
ada em algum censo posterior, já que todos tencem a três famílias sacerdotais diferen-
os nl"1 meros são superiores aos do cap. 11 . tes. Por isso, parece que o heb. ben, "fi lho
Ataías. Utai, em 1 Crônicas 9:4. Os de", seja, possivelmente, um erro de copista.
antepassados atribuídos a Ataías, neste Jedaías e Joiaribe representam duas das
verso e em 1 Crônicas 9, são diferen- principais famílias sacerdotais que, geral-
tes, com exceção de Perez, filho de Judá. mente, são mencionadas juntas (lC r 24:7;
Possivelmente, cada lista seja uma abrevia- Ne 12:19; etc.). Jaquim foi uma família
ção de uma lista mais longa, e os dois escri- sacerdotal com distinção menor, poss ivel-
tores não selecionaram os mesmos nomes mente descenden te de chefes de fa mília
para suas genealogias em todos os casos. do 2l o turno sacerdotal, na época de Davi
5. Silonita. Já que parece estranho a um (lCr 24:17).
judeu ter saído de Siló, uma cidade no reino I I. Seraías. Este nome indica a famí-
do norte de Israel, a pronúncia massorética li a do sumo sacerdote (Ne 10:2; 12:1 , 12).
desta palavra possivelmente está incorreta. O antepassado em questão possivelmente
A frase deveria ser traduzida como "fil ho de foi o sumo sacerdote levado prisioneiro por
um selaíta", significando um descendente Nabucodon osor (2Rs 25:18-21).
484
NEEMIAS 11: 2 5
485
ll:26 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
entre as cidades do Neguebe (Js 15:21-26). Berseba até ao vale de Hinom. Para
Sendo assim, estaria nas proximidades de fins práticos, as regiões norte e sul da antiga
Aroer, hoje 'Ar'arah, cerca de oito quilôme- tribo de Judá são mencionadas neste verso,
tros a sudeste de Berseba. Há uma atual uma distância de 65 km em linha reta.
Dimona, mas a antiga não foi localizada. O vale de Hinom ficava imediatamente
Jecabzeel. Este local não identificado ao sul de Jerusalém. Isto pode ser compa-
parece ter sido Cabzeel, no estremo sul rado com a expressão similar "desde Dã até
de Judá. Berseba" (ver com. de Jz 20:1).
26. Jesua. Hoje Tell es- Sa'si, 13,6 km a 31. Em Geba e daí em diante, em
leste de Berseba. Micmás. Literalmente, "de Geba [a]
Moladá. Talvez no sítio de Tell elt-Milh, Micmás". Geba hoje é]eba', 11,2 km a nor- -<1 ~
16 km a sudeste de Berseba. deste de Jerusalém, enquanto que Micmás,
Bete-Palete. Possivelmente próximo a hoje chamada Mulehmâs, fica 3,2 km
Berseba, mas não identificada (ver Js 15:27). adiante, para o nordeste de Geba.
27. Hazar-Sual. Outro local próximo a Aia. Identificada como et-Tell, 2,4 km
Berseba não identificado (Js 15:28). O nome a sudeste de Bete!, um local escavado por
significa "Povoado da Raposa". uma expedição francesa entre 1933 e 1935.
28. Ziclague. Conhecida como a É incerto se Aia (et-Tell ) é a Ai de Josué 7 e
cidade dada a Davi por Aquis, rei de Gate 8 (ver vol. 2, p. 24).
(ISm 27:6) e, logo depois , tomada pelos Betel. Hoje Beitin, 17,6 km ao norte
amalequitas (ISm 30:1). Esteve talvez no de Jerusalém. Bete! desempenhou papel
local onde hoje se situa Tell el-Khuweilfeh, importante na história de Israel. Foi ali
16 km ao norte de Berseba. que Jacó sonhou com a escada que alcan-
Mecona. Um local desconhecido. çava o céu (Gn 28). Durante todo o período
29. En-Rimon. Hoje Khirbert Umm er- do reino de Israel, Bete! foi a localização de
Ramamin, 12,8 km ao norte de Berseba. um dos dois templos apóstatas criados por
Zorá. Hoj e Sar'ah, 24 km a oeste de Jeroboão I (IRs 12:28, 29).
Jerusalém. 32. Anatote. Uma cidade levítica
Jarmute. Hoje Khirbet Yarmúle , 22,5 km (Js 2l:l8), que já foi o lar de Jeremias (Jr l:l;
a oeste de Belém. 32:7). Hoje, é chamada Râs el-Kharrubeh, e
30. Zanoa. Hoje Khirbet Zanu ', 3,2 km fica 4,8 km a nordeste de Jerusalém.
a nordeste de Jarmute. Nobe. Esta cidade, famosa pelo massacre
Adulão. Hoje Tell esh-Sheikh Madhl~ur, de sacerdotes por Doegue, no tempo de Saul
16 km a noroeste de Hebrom. (ISm 22:18, 19), podia ser vista de Jerusalém
Laquis. Hoje Tell ed-Duweir, 25 km (Is 10:32). Foi identificada provisoriamente
a noroeste de Hebrom, onde ocorreram com et-Tôr, no monte das Oliveiras.
importantes escavações durante os anos Ananias. Este parece ser o nome no AT
de 1932 a 1938, chefiadas por ]ames L. para Betânia, uma cidade na encosta orien-
Starkey (ver vol. I, p. 105). tal do monte das Oliveiras, que desempe-
Azeca. Hoje Tell ez-Zakariyeh, 28,8 km a nhou papel importante na vida de Cristo.
sudoeste de Jerusalém. Como Adulão e Laquis, Seu nome moderno é el-'Azaríyeh.
foi uma das cidades fortificadas por Roboão 33. Hazor. Hoje Khirbet Hazzúr, seis
(2Cr 11:9). Azeca e Laquis foram as últimas quilômetros a noroeste de Jerusalém .
cidades a cair diante de Nabucodonosor antes Ramá. Possivelmente er-Râwt, 6,4 km a
da conquista de Jerusalém (Jr 34:7). noroeste de Jerusalém.
486
NEEMIAS ll :36
Gitaim. Uma cidade em Benjamin, não como KefrAna, oito quilômetros a noroeste
identificada. de Lida.
34. Hadide. Hoje el-Haditheh, 5,6 km Vale dos Artífices. Este vale, aparen-
a nordeste de Lida. teme nte nas proximidades de Ono e Lode,
Zeboim. Uma cidade próxima a Hadide ainda não foi identificado.
ainda não identificada. 36. Dos levitas. O v. 36 deveria ser
Nebalate. Hoje Beit Nabala , 3,2 km ao traduzido como: "Algum as turmas dos
norte de Hadide. levita s que habitaram em Judá fora m uni-
35. Lode. Lida dos tempos do NT, das a Benjamin" (TB). Aparentemente,
hoje chamada Ludd. Esta cidade se tornou certas divisões de levitas que, de acordo
importante durante o período dos macabeus com arranjos prévios, se localizaram em
(1 Macabeus 11 :34). Mais tarde, foi cha- Judá, ness e tempo tinham sido tran sferi-
mada de Dióspolis. das para Benjamim. O censo sob orienta-
Ono. Mencionada primeiramente em ção de Neemias pode ter revelado qu e um
l Crônicas 8:12 ao lado de Lode, bem número desproporcional de levitas vivia
como em Esdras 2:33. É conhecida hoj e em Judá.
CAPÍTULO 12
1 Os sacerdotes 8 e os levitas que chegaram com Zorobabel. 1O A sucessão do sumo
sacerdote. 22 Determinados os chefes dos levitas. 27 A solenidade da dedicação
dos muros. 44 As funções de sacerdotes e levitas nomeados no templo.
São estes os sacerdotes e levitas que su- 12 Nos dias de Joiaquim , foram sacerdo - "'l ~
biram com Zorobabel, filho de Sealtiel, e com tes, cabeças de famílias: de Seraías, Meraías ; de
Jesua: Seraías, Jeremias , Esdras, Jeremias, Hananias ;
2 Amarias, Maluque, Hatus, l3 de Esdras, Mesulão; de Amarias, Joanã;
3 Secanias, Reum, Meremote, 14 de Maluqui, Jônatas ; de Sebanias, José;
4 Ido, Ginetoi , Abias, 15 de Harim, Adna; de Meraiote, Helcai;
5 Miamim, Maadias, Bilga, 16 de Ido, Zacarias; de Gi netom, Mes ulão;
6 Semaías, Joiaribe, Jedaías, 17 de Abias, Zicri ; de Miniamim e de
7 Saiu, Amoque, Hilquias e Jedaías; estes Moadias, Piltai;
foram os chefes dos sacerdotes e de seus irmãos, 18 de Bilga, Samua; de Semaías, Jônatas;
nos dias de Jesua. 19 de Joiaribe, Matenai; de Jedaías, Uzi;
8 Também os levitas Jesua, Binui, Cadmiel , 20 de Sa lai, Calai; de Amoq ue, Héber;
Serebias, Judá e Matanias; este e seus irm ãos 21 de Hilguias, Hasa bias; de Jedaías, Neta nel.
dirigiam os louvores. 22 Dos levitas, nos dias de Eliasibe, fora m
9 Baquebuquias e Uni , seus irmãos, esta- inscritos como cabeças de famílias Joiada, Joanã
vam defronte deles, cada qual no seu mister. e Jad ua, como também os sacerdotes, até ao rei-
1OJesua gerou a Joiaguim, Joiaguim gerou a nado de Dario, o persa.
Eliasibe, Eliasibe gero u a Joiada, 23 Os filhos de Levi foram inscritos como
11 Joiada gerou a Jônatas , e Jônatas gerou cabeças de famílias no Livro das Crônicas , até
a Jadua. aos dias de Joanã, filho de Eliasibe .
487
12: l COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
24 Foram, pois, chefes dos levitas: Hasabias, 37 À entrada da Porta da Fonte, subiram di -
Serebias e Jesua, filho de Cadmiel; os irmãos retamente as escadas da Cidade de Davi, onde
deles lhes estavam fronteiros para louvarem se eleva o muro por sobre á casa de Davi, até à
e darem graças, segundo o mandado de Davi, Porta das Águas, do lado oriental.
homem de Deus, coro contra coro. 38 O segundo coro ia em frente, e eu, após
25 Matanias, Baquebuquias, Obadias, ele; metade do povo ia por cima do muro, desde
Mesulão, Talmom e Acube eram porteiros e fa- a Torre dos Fornos até ao Muro Largo;
ziam a guarda aos depósitos das portas. 39 e desd e a Porta de Efraim, passaram por
26 Estes viveram nos dias de Joiaquim, cima da Porta Velha e da Porta do Peixe, pela
filho de Jesua, filho de Jozadaque, e nos dias de Torre de Hananel, pela Torre dos Cem, até à
Neemias, o governad or, e de Esdras, o sacerdo- Porta do Gado; e pararam à Porta da Guarda.
te e escriba . 40 Então, ambos os coros pararam na Casa
27 Na dedicação dos muros de Jeru salém, de Deus , como também eu e a metade dos ma-
procuraram aos levitas de todos os seus luga- gistrados comigo.
res, para fazê-los vir a fim de que fizessem a de- 41 Os sacerdotes Eliaquim, Maaseias , Mi-
dicação com alegria, louvores , canto, címbalos , niamim, Micaías, Elioenai, Zacarias e Hana-
alaúdes e harpas . nias iam com trombetas,
28 Ajuntaram-se os filhos dos cantores, 42 como também Maaseias, Semaías, Eleazar,
tanto da campina dos arredores de Jerusalém Uzi, Joanã, Malguias, Elão e Ezer; e faziam-se
como das aldeias dos netofatitas, ouvir os cantores sob a direção de Jezraías.
29 como também de Bete-Gilgal e dos cam - 43 No mesmo dia, ofere ceram grandes sa-
pos de Geba e de Azmavete; porque os cantores crifícios e se alegraram; pois Deus os alegrara
tinham edificado para si aldeias nos arredores com grande alegria ; tamb ém as mulheres e os
de Jerusalém. meninos se a legraram, de modo qu e o júbilo de
30 Purificaram-se os sacerdotes e os levi- Jerusalém se ouviu até de longe.
tas, que também purificaram o povo e as por- 44 Ainda no mesmo dia, se nomearam homens
tas e o muro. para as câmaras dos tesouros, das ofertas, das pr i-
31 Então, fiz subir os príncipes de Judá mícias e dos dízimos, para ajuntarem nelas, das
sobre o muro e formei dois grandes coros em cidades, as porções designadas pela Lei para os sa-
procissão, sendo um à mão direita sobre a mura- cerdotes e para os levitas; pois Judá estava alegre,
lha para o lado da Porta do Monturo. porque os sacerdotes e os levitas ministravam ali ; ..c ~
32 Após eles, ia Hosaías e a metade dos 45 e executavam o serviço elo seu Deus e
príncipes de Judá, o da purificação; como também os cantores e
33 Azarias, Esdras, Mesulão, porteiros, segundo o mandado de Davi e de seu
34 ]udá, Benjamim, Semaías e Jeremias; filho Salomão.
35 e dos filhos dos sacerdotes, com trombe- 46 Pois já outrora, nos dias de Davi e de
tas: Zacarias, filho de Jônatas, filho de Semaías, Asafe, havia chefes dos cantores, cânticos de
filho de Matanias, filho de Micaías, filho de louvor e ações de graças a Deus.
Zacur, filho de Asafe, 47 Todo o Israel, nos dias de Zorobabel e
36 e seus irmãos, Semaías, Azarei, Milalai, nos dias de Neemias, dava aos cantores e aos
Gilalai, Maai , Netanel , Judá e Hanani, com porteiros as porções de cada dia; e consagrava
os instrumentos músicos de Davi, homem de as coisas destinadas aos levitas, e os levitas, as
Deus; Esdras, o escriba, ia adiante deles. destinadas aos filhos de Arão .
488
NEE MIAS 12: l
489
12:8 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
490
NEEMIAS 12:24
491
12:25 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
Mandado de Davi. Ver 1Cr 15:16; O mesmo também pode ter ocorrido com
23:5; 25:3. o muro de uma cidade e edifícios públicos.
Homem de Deus. Este título não é apli- Quando o sumo sacerdote e seus sacerdotes
cado a Davi com frequência (ver Ne 12:36; auxiliares terminaram de edificar sua parte
2Cr 8:14). As Crônicas possivelmente foram do muro, eles imediatamente "consagraram-
escritas pelo mesmo autor, como Esdras e na" (Ne 3:1), possivelmente com uma ceri-
Neemias (ver introdução às Crônicas). mônia. Com isso, eles podem ter inspirado
Coro contra coro. Esta frase é tirada Neemias a planejar uma cerimônia apro-
da posição dos guardas em 1 Crônicas 26:16. priada de consagração quando todo o muro
Neste verso, é utilizada para descrever a estivesse concluído. Essa atitude colocou
posição dos grupos de cantores na adoração toda a circunferência do muro sob a proteção
a Deus, possivelmente significando que os divina, reconhecendo que os muros seriam
grupos foram arranjados em frente um ao inúteis a menos que o próprio Deus defen-
outro e cantavam de modo responsivo. desse a cidade (ver Zc 2:5).
25. Matanias, Baquebuquias, Oba- Saltérios (ARC). Do heb. nebalim, um
dias. Matanias e Baquebuquias eram líde- tipo de harpa. Era portátil e sua caixa acús-
res dos dois coros (Ne 11:17); e com eles tica ficava na parte de cima, como as harpas
estava Obadias. A aparente dificuldade de representadas nos relevos assírios (ver p. 17).
estarem listados entre os "porteiros" desa- Isso se harmoniza com uma explicação da
parece quando os três nomes são considera- palavra nebel apresentada por Jerônimo. As
dos como parte do v. 24 (ver com. do v. 24). harpas egípcias eram muito maiores e sua
Mesulão, Talmom, Acube. Chefes caixa acústica ficava no fundo do instru-
dos porteiros. Os últimos dois ocorrem em mento (ver p. 18).
outros textos (Ed 2:42; Ne 11:19; 1Cr 9:17). Harpas. Do heb. lúnnoroth. Um hinnor
Portanto, estes eram os antigos nomes das era uma lira e não uma harpa.
famílias dos porteiros levíticos. 28. Netofatitas. Netofa foi identi-
Depósitos das portas. Mais precisa- ficada com [Link] Bedd Falúh, 5,6 km a
mente "tesourarias" (ARC). Os "porteiros" sudeste de Belém.
eram os policiais do templo e guardavam os 29. Bete-Gilgal. Do heb. Bethhaggilgal,
depósitos e a tesouraria do templo, próxi- uma cidade geralmente identificada com a
mos às portas. Gilgal de Josué 15:7, a meio caminho entre
26. Estes viveram nos dias. Com o Jericó e o Jordão (ver com. de Js 15:7).
v. 26, as duas listas nos v. 12 a 21, 24 e 25 Geba e de Azmavete. Ver com. de
são finalizadas. Ed 2:26, 24. Todas as cidades menciona-
27. Na dedicação. Os eventos registra- das em Neemias 12:28 e 29 estavam locali-
dos nos v. 27 a 43 devem ter ocorrido logo zadas próximas a Jerusalém; e os cantores,
depois do término do muro e não muitos que as construíram, estariam bem situados
anos depois, como sugeriram alguns. Assim, para atender aos serviços do templo.
;t ~> este documento, como outros em Neemias, 30. Purificaram-se. Sobre a pu rifi-
não é apresentado em ordem cronológica . cação dos sacerdotes e levitas, ver Ed 6:20.
Esta é a primeira descrição bíblica da Coisas inanimadas podiam se tornar legal-
dedicação do muro de uma cidade. Não mente contaminadas (Lv 14:34-53; Dt 23:14).
se sabe se ocorreu outra cerimônia como No caso dos muros ou portas se tornarem
esta em Israel. Casas foram dedicadas cerimonialmente impuros, deveriam passar
(Dt 20:5) e também o templo (lRs 8; Ed 6:16). por purificação legal antes da dedicação.
492
NEEMIAS 12 :39
31. Dois grandes coros. Neemias 34. Judá, Benjamim. Parece indic ar
ordenou que todos os líderes da nação, leigos pertencentes a estas tribos.
seculares e eclesiásticos, subissem no Semaías e Jeremias. Representantes
muro. Ali, ele os dividiu em dois coros, das duas maiores famílias sacerdotais (ver
cada um composto por clérigos e leigos. Ne 10:2, 8; 12:1, 6).
Pôs um deles ao comando de Esdras (v. 36) 35. Com trombetas. Cada procissão
e tomou a fren te do outro (v. 38). O local era acompanhada por um corpo de sacerdo-
da reun ião parece ter sido a Porta do Vale, tes que tocava as trombetas (v. 41 ), o líder
entre a Porta do Monturo e a Torre dos do coro de Esdras era Zacarias, descen- •t
Fornos, porque o coro de Esdras mar- dente de Asafe. Com ele estavam oito trom-
chou até a Porta do Monturo, o primeiro beteiros, alistados no v. 36.
ponto de referência mencionado, enquanto 36. Instrumentos músicos. Ve r Ne
o grupo de Neemias primei ro passou pela 12:27; cf. 1Cr 15:16; 23:5; 2Cr 29:26; Ed
Torre dos Fornos (v. 31 e 38; sobre a loca- 3:10.
lização da Porta do Vale, ver com. de Esdras, o escriba. Esdras era o líder
Ne 2:13). O coro de Esdras se moveu em do coral. Ele retornou de Babilônia 13 anos
direção ao ângulo sudeste d e Jerusalém antes de Neemias (Ed 7; Ne 2:1) e também
e, depois de passar as portas do Monturo foi o líder espiritual do povo durante as ceri-
e da Fonte, se dirigiu por cima do muro mônias do sétimo mês (Ne 8:1-15).
oriental, passando pela Porta das Águas. 37. Porta da Fonte. Ver com. de Ne 2:14.
O coro de Neemias prosseguiu na direção Defronte deles (ARC). A inserção
norte e, em seguida, passou pela Torre dos destas palavras, que não estão no hebraic o,
Fornos, o Muro Largo, a Porta de Efraim, fa z parecer que a Porta da Fonte estava à
a Porta Velha, a Porta do Peixe, as Torres frent e deles. De acordo com o hebraico, as
de Hananel e Meá e pela Porta do Gado e a "escadas" estavam "defronte deles" (ARC).
Porta da Guarda. Entre a Porta da Guarda Quando chegou à Porta da Fonte, a pro-
e a Porta das Águas, os dois coros aparen- cissão subiu à cidade de Davi pelo cami-
temente se encontraram e, a partir dali, nho das escadas mencionadas neste verso,
entraram no templo (sobre a topografia do subiram o muro uma vez mais , segui-
muro e das portas, ver com. de Ne 2:13- ram seu rumo para a Porta das Águas (ver
15; 3:1-32; e também a Nota Adicional a com . de Ne 3:26) e olharam o Vale de
Neemias 3). Cedrom de cima. Em algum lugar acima da
32. Hosaías. Talvez o Oseias de Porta das Águas, o grupo de Esdras encon-
Neemias 10:23 que selou a aliança. trou o de Neemias; e, juntos, entraram nos
Metade dos príncipes. A outra pátios do templo.
metade estava com Neemias (v. 40). 38. O segundo coro. Este grupo era
33. Azarias, Esdras, Mesulão. guiado por Neemias. Começando na Porta
Possivelmente, representantes de duas do Vale (ver com. do v. 31), este coro pri-
famílias sacerdotais. O "e" (ARC) que pre- meiramente foi para o norte, passando pela
cede Azarias deveria ser trad uzido como Torre dos Fornos (ver com. de Ne 3:11) e o
"ainda" ou "isto é", e todo o verso deveria Muro Largo (ver com. de Ne 3:8).
ser traduzido como: "Isto é, Azarias, que é 39. Porta de Efraim. Esta porta,
Esdras, e Mesulão" (ver Ne 10:2, 7). Este que deve ter sido loc ali zada entre o Muro
Esdras deve ser diferenciado do Esdras Largo e a Porta Velha, não é mencion ada
líder do coro, mencionado no cap. 12:36. na descrição da edificação do muro (Ne 3) .
493
12:40 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
Ela pode n ão ter nec essitado de reparos, celebração gera l foi no Mar Vermelho, lide-
ou a pa rte da lista que a m encionava foi radas por Miriã (Êx 15:20).
perdida do texto . Da Porta de Efraim, O júbilo [... ] se ouviu até de longe.
a procissão continuou ao longo da parte Ver Ed 3:13; cf. 1Rs 1:40; 2Rs 1l:l3 .
superior do muro e "acima" das portas, 44. Nomearam. Em vista do fato de a
ou sobre elas, incluindo a Porta Velha nação ter prometido ser fiel na devolução
(ver cap. 3:6), a Porta do Peixe (cap. 3:3), dos dízimos e das ofertas (Ne 10:32-37),
as Torres de Hananel e Meá e a Porta do foi feit a um a preparação para admini strar
Gado (Ne 3: 1, ARC). os rendimentos prev istos para o templo.
Porta da Guarda. O qu e tem sido dito Uma vez que os dízimos e as ofertas era m
da Porta de Efraim é verdade também a devolvidos com produção: grão, vi nho,
respeito des ta porta. Ela deve ter sido loca- óleo, etc. (ver cap. 13:5), foram ne cessá-
lizada n a seção norte do muro oriental, ao rios armazéns espaçosos e pessoas para
sul da Porta do Gado. Passando esta porta, administrá-los.
o grupo de N eemias deve ter entrado na Judá estava alegre. H avia um espírito
área do templo, como indic a o v. 40, talvez harmonioso entre leigos e clérigos e todos
pela "Porta de Mifcade" (Ne 3:3 1, ARC; contribuíram voluntariamente.
ver co m. do versículo). 45. Os cantores. O texto h ebraico
40. Metade dos magistrados. Ver v. 32. registra: "E [os levitas] executavam o ser-
41. Os sacerdotes. Os sete sacerdo - viço do seu Deus e o da purificação; como
tes trombeteiros correspondem aos oito no também os cantores e porteiros, segundo o
grupo de Esdras (ver com. do v. 36). mandado de Davi e de seu fi lho Salomão"
42. Maaseias. A função de Maaseias e (A RA ; sobre esta ordem de Davi e Salomão,
dos sete homens mencionados neste verso ver 2Cr 8:14).
não é clara. 46. Dias de Davi e de Asafe. O v. 46
43. Grandes sacrifícios. Desde a explica a frase "segundo o mandado de
época de D avi se tornou costume ofere- Davi " do v. 45. Neemias diz que o serv iço
cer vá rios sacrifícios na dedicação de edi- musical, a disposição das p essoas e os câ n-
fícios importantes (ver 1Rs 8:5 ; Ed 6: 17; cf. ticos utilizados foram origin ados nos dias
2Sm 6: 17; 24:25). Assim, Neemias seguiu de Davi e de seu líder musical Asafe.
um costume já estabelecido. 47. Todo o Israel. Israel cumpriu suas
As mulheres. As mulheres judias não obrigações para com o serviço do tem -
são mencionadas na Bíblia com frequência plo nos dias de Zorobabel e Neemias, por
como participantes nas festividades públi- meio da devolução de seus dízimos e outras
cas. A outra ocasião singular em que mulhe- taxas, como exigid o pela lei (ver com. de
res são mencionadas participando numa Ne 10: 32-37; Nm 18:29). _.~
494
NEEMIAS 13: l
CAPÍTULO 13
1 Após a leitura da lei, a multidão mista é separada. 4 Ao retornar, Neemias purifica
as câmaras. 10 Ele reformula os serviços na casa de Deus. 15 A violação do
sábado 23 e os casamentos com mulheres estrangeiras.
Naquele dia , se leu para o povo no Livro 11 Então, contendi com os magistrados e
de Moisés ; achou-se escrito que os amonitas e disse: Por que se desa mparou a Casa de Deus?
os moabitas não entrassem jamais na congrega- Ajuntei os levitas e os cantores e os res tituí a
ção de Deus, seus postos .
2 porquanto não tinham saído ao encontro 12 Então, todo o Judá trou xe os dízimos elos
dos filhos de Israel com pão e água; antes, as- cereais , elo vinho e do azeite aos depósitos.
sa lariaram contra eles Balaão para os ama ldi- 13 Por tesoureiros elos depósitos pus
çoar; m as o nosso Deus converteu a ma ldição Selemias, o sacerdote, Zadoque, o escrivão, e,
em bênção. dentre os levitas, Pecla ías; como assis tente deles ,
3 Ouvindo eles, o povo, esta lei, apartaram I-Ia nã, filho de Zac ur, filho ele Matanias; porqu e
de Israel todo elemento misto. foram achados fiéis, e se lh es encarregou qu e re-
4 Ora, antes disto, Eliasibe, sacerdote, en- partissem as porções para seus irmãos.
carregado da câ mara da casa do nosso Deus, se 14 Por isto, Deus me u, lembra-Te de mim e
tinha aparen tado com Tobias; não apagues as beneficências que eu fi z à casa
5 e fi zera para este uma câmara grande, de meu Deus e para o seu serviço.
onde dantes se depositavam as ofertas de man- 15 Naqueles dias , vi e m Juclá os que pi-
jares, o incenso, os utensílios e os dízimos dos savam lagares ao sábado e traziam t ri go qu e
cerea is, do vinho e do azeite, que se ordenaram carregavam sobre jumentos; como também
para os levitas, cantores e porteiros, como tam- vinho, uvas e figos e toda sorte de ca rgas, que
bém contribuições para os sacerdotes. traziam a Jerusa lém no di a de sábado; e pro-
6 Mas, qua ndo isso aconteceu , não estive tes tei contra eles por vende rem mantimentos
em Jeru salém, porque no trigésimo segundo ano nes te d ia.
de Artaxerxes , rei da Babilônia, eu fora ter com 16 Também habitavam em Jerusa lém tírios
ele; mas ao cabo de certo tempo pedi licença ao que tra ziam peixes e toda sorte de mercadorias,
rei e voltei para Jerusalém. que no sábado vendia m aos filhos de Jud á e em
7 Então, soube do mal qu e Eliasibe fi zera Jerusalém.
para beneficiar a To bias, fa zendo-lhe um a câ- 17 Contencli com os nobres de Judá e lhes
mara nos pátios da Casa de Deus. disse: Que mal é este que fa zeis, profanando o
8 Isso muito me indignou a tal ponto, que dia de sábado?
atirei todos os móveis da casa de Tobias fora da 18 Acaso, não fi ze ram vossos pais assim, e
câmara. não trouxe o nosso D e us todo este ma l sobre
9 E ntão, ordenei que se purificassem as câ- nós e sobre esta cidade? E vós ainda trazeis ira
maras e tornei a tra zer para ali os utensílios da maior sobre Israel, profa nando o sá bado.
Casa de Deus, com as ofertas de manjares e o 19 Dando já sombra as portas de Jerusa lé m
incenso . antes do sábado, ordenei que se fechassem ; e
1OTambém soube que os quinhões dos lev i- determinei que não se abrissem , senão após
tas não se lhes davam , de maneira que os levitas o sábado; às portas coloqu e i algun s dos meu s
e os cantores, que faziam o serviço, tinham fu - moços, para que nenhum a carga entrasse no d ia
gido cada um para o seu campo. de sábado.
495
13:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
20 Então, os negociantes e os vendedores de mais suas filhas, nem para vossos filhos nem
toda sorte de mercadorias pernoitara m fora de para vós mesmos.
Jerusalém, uma ou duas vezes. 26 Não pecou nisto Salomão, rei de Israel?
21 Protestei, pois, contra eles e lhes disse: Todavia, entre muitas nações não havia rei seme-
Por que passais a noite defronte do muro? Se lhante a ele, e ele era amado do seu Deus, e Deus o
outra vez o fizerdes, lançarei mão sobre vós. Daí constituiu rei sobre todo o Israel. Não obstante isso,
em diante não tornaram a vir no sábado. as mulheres estrangeiras o fizeram cair no pecado.
22 Também mandei aos levitas que se puri- 27 Dar-vos-íamos nós ouvidos , para fazer-
~ ~ ficassem e viessem guardar as portas, para san- mos todo este grande mal, preva ricando contra o
tificar o dia de sábado. Também nisto, Deus nosso Deus, casando com mulheres estrangeiras?
meu , lembra-Te de mim; e perdoa-me segundo a 28 Um dos filhos de Joiad a, filho do sumo
abundância da Tua misericórdia. sacerdote Eliasibe, era genro de Sambalate,
23 Vi também, naqueles dias, que judeus o horonita, pelo que o afugentei de mim.
haviam casado com mulheres asdoditas, amo- 29 Lembra-Te deles, Deu s meu, pois conta-
nitas e moabitas. minaram o sacerdóc io, como também a aliança
24 Seus filhos falavam meio asdodita e não sacerdotal e levítica.
sabiam falar judaico, mas a língua de seu res - 30 Limpei-os, pois, de toda estrangeirice e
pecti vo povo. designei o serviço dos sacerdotes e dos levitas,
25 Contendi com eles, e os amaldiçoei, e es- cada um no seu mister,
panquei alguns deles, e lhes arranquei os cabe- 31 como também o forn ecimento de lenha em
los, e os conjurei por Deus, dizendo: Não dareis tempos determinados, bem como as primícias.
mais vossas filhas a seus filhos e não tomareis Lembra-Te de mim, Deus meu, para o meu bem.
496
NEEMIAS 13: 11
497
13:13 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA
retenção dos dízimos era sobretudo impu- Protestei contra eles. O pisa r as uvas
tada aos governantes e aos nobres. Como no lagar era o primeiro passo na produ-
líderes , eles aparentemente deram mau ção de vinho e um a violação fla grante do
exemplo ao povo e eram cu lpados pelas quarto mand amento. O mesmo era verdade
deploráveis cond ições que Neem ias encon- com relação aos que transportavam produ-
trou ao retornar a Jeru salém. tos agrícolas para a capital a fim de vendê-
13. Por tesoureiros. Mais uma vez os los. Alguns comentaristas acredi tam que o
dízimos começaram a fluir para o tesouro transporte de grãos e ra uma necessidade
do templo (v. 12), a fim de sustentar o pa ra se estar cedo na cid ade para o mercado
ministério. Neemias enfrentou o problema do dia seguinte. Mas a lei não previa tal ati-
de certificar-se de uma distribuição equita- vidade. O v. 16 registra qu e produtos eram
tiva , para que cada um recebesse su a por- vendidos no sábado. A última parte do v. 15
ção justa e ninguém fosse negligenciado parece indicar que Neem ias os advertiu no
(ver At 6: 1-5). dia , ou seja, no sábado, no qual eles trans-
Selemias. Dos quatro tesoureiros, portavam os bens pa ra Je rusalém e rea l-
havia um sacerdote , um levita, um secre- mente os vendia m.
tário e um leigo. Desta forma , as principais 16. Tírios. A lei não proibia que estra n-
classes da população estavam representa- geiros residissem em Jerusalém , e Neem ias
das . As pessoas mencionadas não pude- não fez objeção aos tírios como moradores
ram ser identificadas, embora vários dos da cidade.
nomes ocorra m em outras partes no livro Que traziam peixes. Para os israeli-
de Neemias. Há menções a pessoas com tas o pe ixe sempre foi um artigo alimen-
o nome de Selemias (Ed 10:39, 41; Ne tar favorito (Lv 11 :9; Nm 11:5; Dt 14:9; Is
3:30), mas possivelmente nenhuma delas 19:10; Mt 15:34; Lc 24:42; e tc.). O peixe
seja o Selemias deste verso. Pedaías pode vinha principalmente do lago da G alil e ia e
ter sido o homem que expli cou a lei junta- do Mediterrâneo.
mente com Esdras (Ne 8:4). Hanã era um 17. Contendi. Na questão dos dízimos
nome comum (ve r cap. 8 :7; 10:10, 22), mas e do sábado, a classe dos nobres tinha culpa
a pessoa indicada neste verso parece não ser por não ter procurado impedir esse comér-
mencionad a novamente. Três Zadoqucs são cio e/ou porque eles estava m e nvolvidos
ali stados em N eemias (Ne 3:4, 29; 10:21), no mesmo.
mas é duvidoso que algum deles seja identi- 18. Não fizeram vossos pais assim
ficado com este "escrivão". [... ]? A profanação do sábado está entre os
O escrivão. Do heb. sofer, um "escritor" pecados de nunciados com mais intensi-
ou "secretário". dade pelos profetas (]r 17:21-27; Ez 20:13;
14. Lembra-Te de mim. Houve outros 22:8, 26; 23 :38). D e acordo com Amós
pedidos simila res por N eemias (Ne 5:19 ; (8:5), o sábado era guardado mais na letra
13:31; etc.). do que no espírito da lei. Neemias ta mbém
15. Naqueles dias. Um a notação de lembra aos judeus que as grande s catás-
tempo indefinida, como em N eemias 12:44 trofes ocasionada s por Nabucodonosor
e 13:1. Possivelmente indique um período ocorreram como resultado da violação do
posterior aos eventos descritos anteri or- quarto mandamento por se us ante passa-
~ ,.. m e nte. Neemias pode ter feito uma visita dos , como predissera Je remias (]r 17:27),
à região para observa r como o sábado uma profecia à qual Neemias aparente -
era guard ado. mente se referiu.
498
NEEMIAS 13:24
19. Dando já sombra. Do heb. salal, Jerusalém para ganh ar o sustento do so lo.
"aumentando as sombras". Desde a cria- Depois de ter empreendido trabalho secular
ção, o dia bíblico começa ao pôr d o sol durante algum tempo, os levitas tivera m
(ver com. de Gn 1:5). As festas especiais que se purificar a ntes de cuida r das tarefas
foram guardadas "de uma tarde a outra sagradas novamente.
tarde" (Lv 23:32), da mesma forma o sábado Lembra-Te de mim. Ver com. dos
semanal (ver com. de Me 1:32). Por isso , v. 14, 31.
Neem ias ordenou que as portas da cidade 23. Naqueles dias. Ver com. do v. 15.
fossem fechadas algum tempo antes do real N este verso, Neemias relata detalhada-
início do sábado. Ao agir assim, ele preten- mente o que ele fez na questão dos casa-
dia proteger os "limites" das horas sagradas mentos mistos, como registrado nos v. l a 3.
do san to sábado de Deus. É uma profana- Após retornar a Jerusalém, ele observou que
ção do espírito do sábado rea lizar atividades muitos judeus haviam caído novamente no
sec ulares até o último momento permitido. mesmo pecado que Esdras teve de enfrentar
Alguns dos meus moços. Ver Ne 4:16; em sua chegada a Jerusalém, em 457 a .C. -<~ ~
5:16. (Ed 9 e lO), e que foi especialmente mencio-
Nenhuma carga. Era possivelmente nado no pacto celebrado logo após o início
permitido ao povo ir e vir em missões legí- de seu primeiro mandato como governa-
timas aos sábados. No entanto, foram colo- dor (Ne 9:38; 10:1 , 30). Enquanto Neemi as
cados guardas para impedir o transporte de permaneceu na Judeia, possivelmente, não
mercadorias no sábado. houve sérias violações da aliança. Mas, tão
20. Pernoitaram fora de Jerusalém. logo ele se ausentou, mulheres es trangeiras,
C hegando no sábado e encontrando as por- aparentemente, foram mais uma vez levadas
tas fechadas, os negociantes esperaram do para as famílias dos judeus.
lado de fora e ali, possivelmente, reali zaram Mulheres asdoditas. Mulheres filis-
o comércio que teriam efetuado dentro da teias, de um povo sempre hostil a Israel,
cidade. O fechamento das portas resultou e nativas de uma cidade que se aliara aos
simplesmente na transferência do loc al de mais cruéis inimigos de Neemias (Ne 4: 7).
negociação: da praça dentro da cidade para Amonitas e moabitas. Ve r Ed 9: l ;
o exterior, fora das portas . Por doi s sábados, Ne 13:1.
es ta prática foi mantida. Então Neemias 24. Seus filhos. Se os casamen-
soube disso e a interrompeu, ameaçando tos foram realizados depois da partida de
prender os comerciantes que novamente Neemias, e ele encontrou crianças que já
fossem encontrados com seus produtos tinham aprendido a falar, nascidas dessas
perto da cidade no sábado (v. 21). uniões , então ele deve ter estado ausente de
22. Guardar as portas. A nomeação Jerusalém por alguns anos.
dos moços para guardar as portas (v. 19) Meio asdodita. Alguns expositores
no sábado era temporária, enquanto uma creem que as crianças falavam um dia-
responsabilidade maior foi desempenhada leto m eio hebraico e meio estra ngeiro .
pelos levitas a quem Neemias tinha levado É mais provável que a palavra "meio" se refira
de volta à cidade (v. 11). Esta tarefa foi con- a crianças que nasceram dessas mulhe-
fiada primeiro a eles, quando as porta s res estrangeiras, que podiam ser, em mui-
foram assentad as (Ne 7:1), mas foi negligen- tos casos, a segunda esposa . Dessa forma,
ciad a quando os levitas, privados do sus- em algumas famílias, m etade das crian-
tento financeiro , deixaram seus deveres em ças não falava o h ebraico corretamente.
499
13:25 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVE NTISTA
O "asdodita" pode ter sido, não a língua (Ne 12:10, 11), o sucessor de Joiada, mas
filisteia original, mas o aramaico, na época deve ter sido outro filho cujo nome n ão é
fal ado largamente por todo o império persa. mencionado. Eliasibe, o sumo sacerdote,
Neemias, como um oficial persa, certa- deveria ser um homem idoso nessa época
mente conhecia o aramaico e não se opu- para ter um neto em idade de se casar.
nha ao uso dessa língu a, mas se indignava O fato de um membro da família do sumo
em perceber que alguns jovens não con- sacerdote ter feito esse tipo de aliança com
seguiam falar adequad amente o hebraico. o principal inimigo de Neemias era absurdo
As línguas moabita e amonita eram dialetos e humilhante.
intimamente relacionados ao hebraico, no Sambalate. Ver com. de Ne 2: 10. As
entanto, a diferença era notável, e Neemias ligações de Eliasibe com Tobias, outro ini-
estava angustiado por encontrar esses diale- migo de Neemias, eram reprováveis (ver
tos estrangeiros gan hando espaço na Judeia . cap. 13:4-9).
25. Amaldiçoei. A gravidade dos casos Afugentei de mim. Isto possivelmente
e a situação perigosa que retratavam pesa- signifique que Neemias forçou o transgres-
ram sobre Neemias, o que o levou a tomar sor a deixar a nação e se tornar um exilado.
as ações descritas. Podemos supor que ele rec usou repudiar
Arranquei os cabelos. Esdras arra n- sua esposa estrangeira e preferiu se refugiar
cara os próprios cabelos e a barba em sinal em Samaria com Sambalate.
de extrema angústia (Ed 9:3). Arrancar os 29. Contaminaram o sacerdócio.
cabelos de alguém parece ter sido uma reco- Neemias considerava esse tipo de casa-
nhecida forma de punição (Is 50:6). A perda mento, por parte de um membro da famí-
da barba era considerada uma grande des- lia do sumo sacerdote, como profanação do
graça (2Sm 10:4). sacerdócio, opondo-se à santidade do ofício
26. Não pecou nisto Salomão [... ]? sacerdotal (ver Lv 21:7, 14).
O exemplo era mais apropriado do que A aliança sacerdotal. Não a aliança
qualquer outro para mover os judeus. A que do sacerdócio eterno que Deus outorgou a
o autor de 1 Reis 11:3 se referiu eufemisti- Fineias (Nm 25:13), mas a aliança que Deus
camente como "lhe perverteram o coração", firmou com a tribo de Levi e com Arão e
Neemias abertamente chamou de pecado. seus descendentes (Êx 28: l). Esta a liança -. ~
Não havia rei semelhante a ele. Ver exigia que os sacerdotes fossem "santos a
1Rs 3:12, 13; 2Cr 1:12. seu Deus" (Lv 21:6, 8), que os escolheu para
Amado do seu Deus. Uma alusão a ser ministros de Seu santuário e mordomos
2Sam uel 12:24. da Sua graça.
Deus o constituiu rei. Ver 1Rs 4:1. A expulsão do genro de Sambalate de
27. Dar-vos-íamos nós ouvidos [... ]? Jerusalém pode estar ligada com a edifica-
Neemias diz aos transgressores que ele e os ção do templo dissidente dos samaritanos no
que compartilh avam de seus sentimentos monte Gerizim. Josefo relata (Antiguidades ,
não adotariam as práticas que estes homens xi.7.2) que Manassés, um irmão do sumo
recomendavam nem permitiriam qu e fos- sacerdote Jadua, se casou com Nikaso, filh a
sem recomendadas a outros. O exemplo de do sátrapa Sam balate, um cutita. Quando,
Salomão foi uma advertência suficiente dos por causa disso, as autoridades judaicas o
resu ltados de tal pecado. excluíram do sacerdócio, ele estabeleceu
28. Filhos de Joiada. O transgres- o templo e a adoração no monte Gerizim,
sor dificilmente seria Joanã ou Jônatas com o auxílio de seu sogro. Muitos outros
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NEEMIAS 13:31
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