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03 Geografia

O documento discute os fundamentos da cartografia, incluindo sua definição como o conjunto de estudos e operações científicas, técnicas e artísticas para elaborar mapas e outras formas de representação espacial. Também aborda as necessidades humanas de orientação no espaço geográfico ao longo do tempo e as primeiras formas de referência espacial utilizadas, como rios, montanhas e marcos.
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03 Geografia

O documento discute os fundamentos da cartografia, incluindo sua definição como o conjunto de estudos e operações científicas, técnicas e artísticas para elaborar mapas e outras formas de representação espacial. Também aborda as necessidades humanas de orientação no espaço geográfico ao longo do tempo e as primeiras formas de referência espacial utilizadas, como rios, montanhas e marcos.
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EsPCEx

Cadetes

a. Geografia Geral: 1) Localizando-se no Espaço: orientação e localização: coordenadas


geográficas e fusos horários; e cartografia: a cartografia e as visões de mundo, as várias formas
de representação da superfície terrestre, projeções cartográficas, escalas e convenções
cartográficas. ............................................................................................................................ 1
2) O Espaço Natural: estrutura e dinâmica da Terra: evolução geológica; deriva continental;
placas tectônicas; dinâmica da crosta terrestre; tectonismo; vulcanismo; intemperismo; tipos de
rochas e solos; formas de relevo e recursos minerais; as superfícies líquidas: oceanos e mares;
hidrografia; correntes marinhas – tipos e influência sobre o clima e a atividade econômica;
utilização dos recursos hídricos e situações hidroconflitivas; a dinâmica da atmosfera: camadas
e suas características; composição e principais anomalias – El Niño, La Niña, buraco na
camada de ozônio e aquecimento global: elementos e fatores do clima e os tipos climáticos; os
domínios naturais: distribuição da vegetação e características gerais das grandes paisagens
naturais; e impactos ambientais: poluição atmosférica, erosão, assoreamento, poluição dos
recursos hídricos e a questão da biodiversidade. ................................................................... 22
3) O Espaço Político e Econômico: indústria: o processo de industrialização; a primeira, a
segunda e a terceira revolução industrial; tipos de indústria; a concentração e a dispersão
industrial; os conglomerados transnacionais; os novos fatores de localização industrial; as
fontes de energia e a questão energética; impactos ambientais; agropecuária: sistemas
agrícolas; estrutura agrária; uso da terra; agricultura e meio ambiente; produção agropecuária;
comércio mundial de alimentos e a questão da fome; globalização e circulação: os fluxos
financeiros; transportes; os fluxos de informação; o meio tecnocientífico-informacional;
comércio mundial; blocos econômicos; os conflitos étnicos e as migrações internacionais; a
Divisão Internacional do Trabalho (DIT) e as trocas desiguais; a Nação e o Território, os Estados
territoriais e os Estados nacionais: a organização do Estado Nacional; e poder global; nova
ordem mundial; fronteiras estratégicas. .................................................................................. 70
4) O Espaço Humano: demografia: teorias demográficas; estrutura da população;
crescimento demográfico; transição demográfica e migrações; urbanização: processo de
urbanização; espaço urbano e problemas urbanos; e principais indicadores socioeconômicos.
............................................................................................................................................. 113
b. Geografia do Brasil: 1) O Espaço Natural: características gerais do território brasileiro:
posição geográfica, limites e fusos horários; geomorfologia: origem, formas e classificações do
relevo: Aroldo de Azevedo, Aziz Ab’Saber e Jurandyr Ross e a estrutura geológica; a atmosfera
e os climas: fenômenos climáticos e os climas no Brasil; domínios naturais: distribuição da
vegetação, características gerais dos domínios morfoclimáticos, aproveitamento econômico e
problemas ambientais; e recursos hídricos: bacias hidrográficas, aquíferos, hidrovias e
degradação ambiental. ......................................................................................................... 128
2) O Espaço Econômico: a formação do território nacional: economia colonial e expansão do
território, da cafeicultura ao Brasil urbano-industrial e integração territorial; a industrialização
pós-Segunda Guerra Mundial: modelo de substituição das importações, abertura para
investimentos estrangeiros; dinâmica espacial da indústria; polos industriais; a indústria nas
diferentes regiões brasileiras e a reestruturação produtiva; o aproveitamento econômico dos
recursos naturais e as atividades econômicas: os recursos minerais; fontes de energia e meio
ambiente; o setor mineral e os grandes projetos de mineração; agricultura brasileira: dinâmicas
territoriais da economia rural; a estrutura fundiária; relações de trabalho no campo; a

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modernização da agricultura; êxodo rural; agronegócio e a produção agropecuária brasileira; e
comércio: globalização e economia nacional; comércio exterior; integração regional (Mercosul
e América do Sul); eixos de circulação e custos de deslocamento. ...................................... 151
3) O Espaço Político: formação territorial – território; fronteiras; faixa de fronteiras; mar
territorial e Zona Econômica Exclusiva (ZEE); estrutura político-administrativa; estados;
municípios; distrito federal e territórios federais; a divisão regional, segundo o IBGE, e os
complexos regionais; e políticas públicas. ............................................................................ 203
4) O Espaço Humano: demografia: transição demográfica, crescimento populacional,
estrutura etária; política demográfica e mobilidade espacial (migrações internas e externas);
mercado de trabalho: estrutura ocupacional e participação feminina; desenvolvimento humano:
os indicadores socioeconômicos; ......................................................................................... 234
Urbanização brasileira: processo de urbanização; rede urbana; hierarquia urbana; regiões
metropolitanas e Regiões Integradas de Desenvolvimento (RIDEs); espaço urbano e problemas
urbanos. ............................................................................................................................... 258

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a. Geografia Geral: 1) Localizando-se no Espaço: orientação e localização:
coordenadas geográficas e fusos horários; e cartografia: a cartografia e as
visões de mundo, as várias formas de representação da superfície terrestre,
projeções cartográficas, escalas e convenções cartográficas.

FUNDAMENTOS DE CARTOGRAFIA1

Cartografia

Observe a tirinha de Calvin e Haroldo.

Na tirinha acima, Calvin e Haroldo estão nos Estados Unidos e planejam ir a Yukon, um território
localizado no noroeste do Canadá. Para ir até lá, saindo do estado de Washington, por exemplo, é
necessário atravessar toda a província canadense da Colúmbia Britânica, ou seja, cerca de 1.500
quilômetros em linha reta, e bem mais que isso indo de carro. Eles consultaram um globo terrestre para
terem uma ideia da distância e do tempo de viagem.
Será que foi uma boa opção?

Situar-se no espaço geográfico sempre foi uma preocupação dos grupos humanos. Nos primórdios,
isso acontecia em virtude da necessidade de se deslocar para encontrar abrigo e alimentos. Com o passar
do tempo, as sociedades se tornaram mais complexas e surgiram muitas outras necessidades.
Isso explica a crescente importância da Cartografia.

Segundo a Associação Cartográfica Internacional (ACI), em definição estabelecida em 1966 e


ratificada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no
mesmo ano: “A Cartografia apresenta-se como o conjunto de estudos e operações científicas, técnicas e
artísticas que, tendo por base os resultados de observações diretas ou da análise de documentação, se
voltam para a elaboração de mapas, cartas e outras formas de expressão ou representação de objetos,
elementos, fenômenos e ambientes físicos e socioeconômicos, bem como a sua utilização”.

Formas de Orientação

O ser humano sempre necessitou de referências para se orientar no espaço geográfico: um rio, um
morro, uma igreja, um edifício, à direita, à esquerda, acima, abaixo, etc.
Também por muito tempo se orientou pelo Sol e pelas estrelas. Mas, para ter referências um pouco
mais precisas, inventou os pontos cardeais e colaterais.
Observe a imagem da Rosa dos ventos.

1
SENE, Eustáquio de. Geografia geral e do Brasil. Volume único. Eustáquio de Sene, João Carlos Moreira. 6ª edição. São Paulo: Ática, 2018.

1
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São pontos cardeais:
N → Norte;
E → Leste;
S → Sul;
W → Oeste

São pontos colaterais:


NE → Nordeste;
SE → Sudeste;
SW → Sudoeste;
NW → Noroeste

A Rosa dos Ventos possibilita encontrar a direção de qualquer ponto da linha do horizonte (numa
abrangência de 360º).
O nome foi criado no século XV por navegadores do mar Mediterrâneo em associação aos ventos que
impulsionavam suas embarcações.
A Rosa dos Ventos indica os pontos cardeais e colaterais e aparece no mostrador da bússola, que tem
uma agulha sempre apontando para o norte magnético. Observe a imagem.

O uso da Bússola associada à rosa dos ventos permite encontrar rumos em mapas, desde que ambos
estejam com direção norte apontada corretamente. Assim, o usuário pode encontrar os outros pontos
cardeais e colaterais, orientando-se no espaço geográfico.
A bússola foi inventada pelos chineses provavelmente no século I, porém só foi utilizada no século XIII
em embarcações venezianas. A partir do século XV, foi fundamental para orientar os marinheiros nas
Grandes Navegações.
Podemos perceber que quando uma pessoa está perdida em algum lugar, costuma-se dizer que ela
está “desnorteada”, ou seja, perdeu o norte ou “desorientada”, ou seja, perdeu o oriente.
Atualmente, com o avanço tecnológico, é muito mais preciso se orientar pelo GPS.

Orientação Pelo Sol


Um dos aspectos mais importantes para a utilização eficaz e satisfatória de um mapa diz respeito ao
sistema de orientação empregado por ele.

2
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O verbo orientar está relacionado com a busca do Oriente, palavra de origem latina que significa
“nascente”. Assim, o “nascer” do sol, nessa posição, relaciona-se à direção (ou sentido) leste, ou seja, ao
Oriente.
Possivelmente, o emprego dessa convenção está ligado a um dos mais antigos métodos de orientação
conhecidos. Esse método se baseia em estendermos nossa mão direita (braço direito) na direção do
nascer do sol, apontando, assim, para a direção leste ou oriental; o braço esquerdo esticado,
consequentemente, se prolongará na direção oposta, oeste ou ocidental; e a nossa fronte estará voltada
para o norte, na direção setentrional ou boreal. Finalmente, as costas indicarão a direção do sul,
meridional, ou ainda, austral.
A representação dos pontos cardeais se faz por leste (E ou L); oeste (W ou O); norte (N); e sul (S). A
figura abaixo apresenta essa forma de orientação.

ATENÇÃO!
Deve-se tomar cuidado ao fazer uso dessa maneira de representação, já que, dependendo da posição
latitudinal do observador, nem sempre o Sol estará exatamente na direção leste.

Fusos Horários

Em razão do movimento de rotação da Terra, em um mesmo momento, diferentes pontos longitudinais


da superfície do planeta têm horários diversos.
Desde que foi criada uma forma de marcar o tempo, inicialmente com o relógio de Sol, cada localidade
adotava seu próprio horário. Com a invenção do relógio mecânico e o gradativo ganho de precisão,
lugares muito próximos em termo de longitude chegavam a apresentar diferenças de minutos em seus
horários.
No século XIX, com o desenvolvimento do transporte ferroviário e o consequente aumento da
circulação de pessoas e mercadorias, essas pequenas diferenças de horários entre localidades muito
próximas começaram a causar grandes transtornos. Para resolver esse problema, em um encontro da
Sociedade Geodésica Internacional, realizado em 1883 em Roma (Itália), foi decidida a criação de um
sistema internacional de marcação do tempo.
Para isso, foram definidos os fusos horários. Dividindo-se os 360 graus da esfera terrestre pelas 24
horas de duração aproximada do movimento de rotação2, resultam 15 graus.
Portanto, a cada 15 graus que a Terra gira, passa-se uma hora, e cada uma dessas 24 divisões recebe
o nome de Fuso Horário.
Em 1824, 25 países se reuniram na Conferência Internacional do Meridiano, realizada em Washington,
capital dos Estados Unidos. Nesse encontro ficou decidido que as localidades situadas num mesmo fuso
adotariam um único horário. Foi também acordado pela maioria dos delegados dos países participantes
que o meridiano que passa por Greenwich seria a linha de referência para definir as longitudes e acertar
os relógios em todo o planeta.
Para estabelecer os fusos horários, definiu-se o seguinte procedimento: o fuso de referência se
estende de 7º30’ para leste a 7º30’ para oeste do meridiano de Greenwich, o que totaliza uma faixa de
15 graus.
Portanto, a longitude na qual termina o fuso seguinte a leste é 22º30’E (e, para o fuso correspondente
a oeste, é 22º30’W). Somando continuamente 15º a essas longitudes, obteremos os limites teóricos dos
demais fusos do planeta.
As horas mudam, uma a uma, à medida que passamos de um fuso a outro. No entanto, como as linhas
que os delimitam atravessam várias unidades político-administrativas, os países fizeram adaptação
estabelecendo, assim, os limites práticos dos fusos.

2
O Movimento de Rotação consiste em uma volta completa da Terra em torno de seu eixo. Dura 23 horas, 56 minutos e 4 segundos.

3
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Nesses casos, os limites dos fusos coincidem com os limites políticos-administrativos, na tentativa de
manter, na medida do possível, um horário unificado num determinado território. A China, por exemplo,
apesar de ser cortada por três fusos teóricos, adotou apenas um horário (+8 h) para todo seu território.
Alguns poucos países utilizam um horário intermediário, como a Índia, que adota um fuso de +5 h 30
min em relação a Greenwich.
Observe abaixo o mapa-múndi com os fusos horários.

https://www.apolo11.com/tictoc/fuso_horario_mundial.php

Com a adoção dos limites práticos, em alguns territórios os fusos podem medir mais ou menos que os
tradicionais 15º, como se pode verificar no mapa acima.
Observe que as horas aumentam para leste e diminuem para oeste, a partir de qualquer referencial
adotado. Isso ocorre porque a Terra gira do oeste para o leste. Como o Sol nasce a leste, à medida que
nos deslocamos nessa direção, estamos indo para um local onde o Sol nasce antes e, portanto, as horas
estão “adiantadas” em relação ao local de onde partimos. Quando nos deslocamos para oeste, entretanto,
estamos nos dirigindo a um local onde o Sol nasce mais tarde e, portanto, as horas estão “atrasadas” em
relação ao nosso ponto de partida.
Além da mudança das horas, tornou-se necessário definir um meridiano para a mudança da data no
mundo. Na Conferência de 1884, ficou estabelecido que o meridiano 180º, conhecido como antimeridiano,
seria a Linha Internacional de Mudança de Data (ou simplesmente Linha de Data). Observe novamente
o mapa acima.
O fuso horário que tem essa linha como meridiano central tem uma única hora, como todos os outros,
entretanto em dois dias diferentes. A metade situada a oeste dessa linha estará sempre um dia adiante
em relação à metade a leste. Com isso, ao se atravessar a Linha de Data indo do leste para o oeste é
necessário aumentar um dia.
Por exemplo: Numa hipotética viagem de São Paulo (Brasil) para Tóquio (Japão) via Los Angeles
(Estados Unidos), um avião entrou no fuso horário da Linha de Data às 10 horas de um domingo.
Imediatamente após cruzar essa linha, ainda no mesmo fuso, continuarão sendo 10 horas, mas do dia
seguinte, uma segunda-feira.
Já na viagem de vota ocorrerá o contrário, pois essa será do oeste para o leste, e quando o avião
cruzar a Linha de Data deve-se diminuir um dia.
Esse exemplo pode causar certa estranheza, já que estamos acostumados a observar, no planisfério
centrado em Greenwich, o Japão situado a leste, mas como o planeta é esférico, podemos ir a esse país
voando para o oeste.
Como observamos no mapa de fusos horários, a partir do meridiano de Greenwich, as horas vão
aumentando para o leste e diminuindo para o oeste. Entretanto, diferentemente do que muitas vezes se
pensa, ao atravessar a Linha de Data indo para o leste deve-se diminuir um dia e, ao contrário, indo para
o oeste, aumentar um dia.

4
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Assim como os meridianos que definem os fusos horários civis, a Linha Internacional de Mudança de
Data também adota limites práticos, caso contrário alguns países-arquipélago do Pacífico, como Kiribati,
teriam dois dias diferentes em seus territórios. Na metade do fuso localizada a leste da Linha Internacional
de Mudança de Data é domingo e na metade a oeste, segunda-feira.
Perceba que a referência aqui considerada foi a Linha de Data, assim a metade do fuso situada a leste
dela está a oeste em relação a Greenwich (portanto, no hemisfério ocidental), e a outra metade, situada
a oeste dela, está a leste do meridiano principal (no hemisfério oriental).

Lembre-se!
A definição dos pontos cardeais (e colaterais) depende sempre de um referencial.

Fusos Horários Brasileiros


No Brasil, até 1913 as cidades tinham sua própria hora. Por exemplo, segundo o Observatório
Nacional, “quando na Capital Federal, atual cidade do Rio de Janeiro, eram 12 horas, em Recife eram 12
h 33” e em Porto Alegre eram 11 h 28”.
Com o desenvolvimento dos transportes isso começou a provocar muita confusão, tornando-se
necessária a adoção de fusos horários.
Em 18 de junho de 1913, o então presidente Hermes da Fonseca sancionou um Decreto (nº 2.784)
criando quatro fusos horários no país, situação que perduro até 2008.
Apesar da adoção do fuso horário prático, dois estados brasileiros extensos, Pará e Amazonas,
permaneceram “cortados ao meio”.
Em 24 de abril de 2008, foi aprovada uma lei (nº 11.662) que eliminou o antigo fuso de -5 horas em
relação a Greenwich e reduziu a quantidade de fusos horários brasileiros para três.
O sudoeste do estado do Amazonas e todo o estado do Acre, que antes estavam no fuso -5 horas,
foram incorporados ao fuso -4 horas. O estado do Pará deixou de ter dois fusos horários e seu território
ficou inteiramente no fuso de -3 horas em relação a Greenwich.
No entanto, grande parte da população do Acre não ficou satisfeita com essa mudança, pois causava
transtornos em seu dia a dia. Por exemplo: de manhã, muitos estudantes e trabalhadores saíam de casa
com o céu ainda escuro. Por isso, num plebiscito realizado em 31 de outubro de 2010, mesmo dia em
que se voltou para presidente da República, a maioria da população decidiu pela volta do antigo fuso.
O eleitor acriano respondeu à seguinte pergunta: “Você é a favor da recente alteração do horário legal
promovida em se estado? ” Do total de eleitores, 56,9% responderam não, e com isso abriu-se a
possibilidade de tramitação de uma nova lei no Congresso Nacional, regulamentando o desejo da maioria
a população do Acre. Em 30 de outubro de 2013, foi aprovada a Lei nº 12.876, que revogou a legislação
de 2008 e reintroduziu o fuso -5 horas (essa mudança entrou em vigor em 10 de novembro de 2013).
Observe o mapa abaixo.

5
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Fusos Horários do Brasil3

Podemos observar no mapa que o estado do Acre e o sudoeste do estado do Amazonas voltaram a
fazer parte do quarto fuso brasileiro ( -5 horas em relação a Greenwich e -2 horas em relação ao horário
de Brasília, diferença que aumentava para 3 horas quando o horário de verão estava em vigor).

ATENÇÃO!

O atual presidente Jair Bolsonaro assinou, no dia 25 de Abril de 2019, o Decreto que acaba com o
horário de verão no Brasil. A justificativa foi que o fim do período aumentaria a produtividade do
trabalhador4.

No mapa pode-se observar que não houve mudança com o estado do Pará, que permanece
inteiramente no segundo fuso brasileiro (UTC5 -3 horas).
Quando o horário de verão ainda estava em vigência, a hora oficial do país se igualava ao horário do
nosso primeiro fuso, e o horário dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que estão no terceiro
fuso, igualava-se ao horário do Pará e dos estados da região Nordeste, localizados no segundo fuso.
O fuso UTC – 2 horas (em relação a Greenwich) é exclusivo de ilha oceânicas. O fuso UTC – 3 horas
corresponde ao horário de Brasília, a Hora Oficial do Brasil. O limite entre os fusos UTC -4 e -5 é uma
linha imaginária que se alonga do município de Tabatinga, no estado do Amazonas, até o município de
Porto Acre, no estado do Acre.

3
http://www.horalegalbrasil.mct.on.br/Fusbr.htm
4
https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/04/25/bolsonaro-assina-decreto-que-acaba-com-o-horario-de-verao.ghtml
5
Sigla em inglês para Tempo Universal Coordenado, que é definido com base em relógios atômicos muito precisos. O fuso do meridiano de Greenwich é UTC
0.

6
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Questões

01. (UFF – Técnico de Laboratório – Geografia – UFF) A bússola é um instrumento de orientação.


É formada por uma agulha imantada que se apoia num eixo vertical. Essa agulha gira sobre um fundo
onde estão indicados os pontos de orientação. A ponta da agulha da bússola indica, aproximadamente,
a direção:
(A) sul;
(B) leste;
(C) norte;
(D) oeste;
(E) sudeste.

02. (SEDUC/RJ – Professor Docente I – CEPERJ) Se os alunos observarem diariamente o nascer e


o pôr do sol, perceberão a regularidade dos pontos de nascente e poente. Ficará fácil a determinação dos
pontos cardeais usando a seguinte convenção:
(A) O Norte é definido como o ponto à frente de quem, com os braços estendidos, aponta o Leste com
a mão direita e o Oeste com a mão esquerda, ficando o Sul às suas costas.
(B) O Sul é definido como o ponto à frente de quem, com os braços estendidos, aponta o Leste com a
mão direita e o Oeste com a mão esquerda, ficando o Norte às suas costas.
(C) O Norte é definido como o ponto à frente de quem, com os braços estendidos, aponta o Oeste com
a mão direita e o Leste com a mão esquerda, ficando o Norte às suas costas.
(D) O Leste é definido como o ponto à frente de quem, com os braços estendidos, aponta o Sul com a
mão direita e o Norte com a mão esquerda, ficando o Oeste às suas costas
(E) O Oeste é definido como o ponto à frente de quem, com os braços estendidos, aponta o Norte com
a mão direita e o Sul com a mão esquerda, ficando o Leste às suas costas.

03. (IBGE – Técnico em Informações de Geografia e Estatística – CESGRANRIO) No espaço aéreo


brasileiro, uma aeronave se desloca, em linha reta, de Palmas, no Tocantins, para Brasília, no Distrito
Federal.
De acordo com os pontos cardeais, essa aeronave descreve uma trajetória no sentido
(A) sul – norte
(B) leste – oeste
(C) norte – sul
(D) nordeste – sudoeste
(E) sudoeste – nordeste

04. (IBGE – Agente de Pesquisas e Mapeamento – CESGRANRIO) Um avião de pequeno porte se


desloca, em linha reta, do aeroporto internacional de Brasília, no Distrito Federal, em direção a Belém,
capital do estado do Pará.
Considerando a margem de diferença de menos de 1° de longitude entre essas duas cidades e os
pontos cardeais, a aeronave se deslocou no sentido
(A) Norte – Sul
(B) Sudeste – Nordeste
(C) Norte – Sudeste
(D) Sul – Norte
(E) Norte – Nordeste

Gabarito

01.C / 02.A / 03.C / 04.D

Comentários

01. Resposta: C
A agulha imantada da bússola aponta sempre para o norte magnético.

02. Resposta: A
Ao estendermos nossa mão direita (braço direito) na direção do nascer do sol, apontando, assim, para
a direção leste ou oriental; o braço esquerdo esticado, consequentemente, se prolongará na direção

7
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oposta, oeste ou ocidental; e a nossa fronte estará voltada para o norte, na direção setentrional ou boreal.
Finalmente, as costas indicarão a direção do sul, meridional, ou ainda, austral. Observe a imagem:

03. Resposta: C
Para responder essa questão, deve-se ter em mente a localização de Palmas e Brasília no mapa do
Brasil. Observando o mapa, verifica-se que Palmas localiza-se ao norte de Brasília.
O avião sai de Tocantins (cima) que fica ao norte de Brasília (baixo), portanto a rota do avião que sai
do Norte é em direção ao sul de Tocantins, onde fica Brasília; assim, letra C - norte – sul.

04. Resposta: D
Para responder essa questão, é preciso ter em mente a localização de Brasília e de Belém no mapa
do Brasil. Levando em conta a margem de diferença de menos de 1º de longitude permitida pelo
examinador, percebe-se que Belém se encontra quase acima de Brasília. Nesse sentido, o deslocamento
de um avião de Brasília para Belém iria seguir o trajeto Sul para o Norte. Portanto, a letra correta é a D.

COORDENADAS GEOGRÁFICAS6

As coordenadas nos auxiliam na localização precisa de elementos no espaço geográfico. Elas podem
ser geográficas ou alfanuméricas7

Coordenadas Geográficas

O globo terrestre pode ser dividido por uma rede de linhas imaginárias que permitem localizar
qualquer ponto em sua superfície. Essas linhas determinam dois tipos de coordenada: a latitude e a
longitude, que em conjunto são chamadas de coordenadas geográficas. Num plano cartesiano
matemático, a localização de um ponto é determinada pelo cruzamento das coordenadas x e y. Numa
esfera, o processo é semelhante, mas as coordenadas são medidas em graus.
As coordenadas geográficas funcionam como “endereços” de qualquer localidade do planeta. O
equador corresponde ao círculo máximo da esfera, traçado num plano perpendicular ao eixo terrestre, e
determina a divisão do globo em dois hemisférios (do grego hemi, “metade”, e sphaera, “esfera”): o norte
e o sul. A partir do equador, podemos traçar círculos paralelos que, à medida que se afastam para o norte
ou para o sul, diminuem de diâmetro. A latitude é a distância em graus desses círculos, chamados
paralelos, em relação ao equador, e varia de 0º a 90º tanto para o norte (N) quanto para o sul (S).
O trópico de Câncer e o trópico de Capricórnio são linhas imaginárias situadas à latitude aproximada
de 23º N e de 23º S, respectivamente. Os círculos polares também são linhas imaginárias, situadas à
latitude aproximada de 66º N e de 66ºS.

6
SENE, Eustáquio de. Geografia geral e do Brasil. Volume único. Eustáquio de Sene, João Carlos Moreira. 6ª edição. São Paulo: Ática, 2018.
7
As coordenadas alfanuméricas são utilizadas para localizar algo em um mapa ou em uma planta. Elas não são tão precisas como as coordenadas geográficas,
mas auxiliam na localização de elementos da paisagem, como uma rua, uma praça, um teatro, uma estação de trem ou ônibus, na planta de uma cidade.

8
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Conhecer apenas a latitude de um ponto, porém, não é suficiente para localiza-lo. Ao procurar-se, por
exemplo, um ponto a 20º ao sul do equador, se encontrará não apenas um, mas inúmeros pontos situados
ao longo do paralelo 20ºS. Por isso, é necessária uma segunda coordenada que permita-se localizar um
determinado ponto.
Para determinar a segunda coordenada, a longitude, foram traçadas linhas que cruzam os paralelos
perpendicularmente. Essas linhas, que também cruzam o equador, são denominadas meridianos (do
latim meridiánus, “de meio-dia, relativo ao meio-dia”). Os meridianos são semicircunferências que têm o
mesmo tamanho e convergem para os polos.
Como referência, convencionou-se internacionalmente adotar como meridiano 0º o que passa pelo
Observatório Real de Greenwich, nas proximidades de Londres (Inglaterra), e o meridiano oposto, a 180º,
foi chamado de “antimeridiano”.
Esses meridianos dividem a Terra em dois hemisférios: ocidental, a oeste de Greenwich, e oriental, a
leste. Assim, os demais meridianos podem ser identificados por sua distância, medida em graus, ao
meridiano de Greenwich. Essa distância é a longitude e varia e 0º a 180º tanto para leste (E) quanto para
oeste (W).

Grade de paralelos e meridianos (coordenadas geográficas)8

Se procurarmos, por exemplo, um ponto de coordenadas 51ºN e 0º, será fácil encontrá-lo: estará no
cruzamento do paralelo 51ºN com o meridiano 0º. Consultando um mapa, verificaremos que este ponto
está muito próximo do Observatório de Greenwich, na Inglaterra.
Para localizar com exatidão um ponto no território, indicam-se as medidas em graus (º), minutos (’) e
segundos (’’). As coordenadas geográficas do Observatório de Greenwich, por exemplo, são 51º28’38’’N
e 0º00’00”. Perceba que sem a latitude é possível identificarmos o meridiano de Greenwich, mas não o
observatório inglês que foi utilizado como referência para a definição do meridiano zero.

8
https://escolakids.uol.com.br/geografia/paralelos-e-meridianos.htm

9
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Movimentos da Terra e Estações do Ano

Não se sabe exatamente quando o ser humano descobriu que a Terra é esférica, mas sabe-se que
Eratóstenes (276 a.C. – 194 a.C.), astrônomo e matemático grego, foi o primeiro a calcular, há mais de
2 mil anos, com precisão, a circunferência do planeta. A diferença entre a circunferência calculada por
Eratóstenes (40.000 quilômetros) e a determinada hoje, com o auxílio de métodos muito mais precisos
(40.075 quilômetros, no equador), como se vê, é bem pequena.
A esfericidade do planeta é responsável pela existência das diferentes zonas climáticas (polares,
temperadas e tropicais), pois os raios solares atingem a Terra com diferentes inclinações e intensidades.
Próximo ao equador, os raios solares incidem perpendicularmente sobre a superfície, porém, quanto mais
nos afastamos dessa linha, mais inclinada é essa incidência. Consequentemente, a mesma quantidade
de energia se distribui por uma área cada vez maior, diminuindo, portanto, sua intensidade. Esse fato
torna as temperaturas progressivamente mais baixas à medida que nos aproximamos dos polos.
O eixo da Terra é inclinado em relação ao plano de sua órbita ao redor do Sol (movimento de
translação). Uma consequência desse fato é a ocorrência das estações do ano.
Em 21 ou 22 de dezembro (a data e a hora de início das estações variam de um ano para outro), o
hemisfério sul recebe os raios solares perpendicularmente ao trópico de Capricórnio; dizemos, então, que
está ocorrendo o solstício de verão.
O solstício (do latim solstitium, “Sol estacionário”) define o momento do ano em que os raios solares
incidem perpendicularmente ao trópico de Capricórnio, dando início ao verão no hemisfério sul. Depois
de incidir nessa posição, parecendo estacionar por um momento, o Sol inicia seu movimento aparente
em direção ao norte. Esse mesmo instante marca o solstício de inverno no hemisfério norte, onde os
raios estão incidindo com inclinação máxima.
Seis meses mais tarde, em 20 ou 21 de junho, quando metade do movimento de translação já se
completou, as posições se invertem: o trópico de Câncer passa a receber os raios solares
perpendicularmente (solstício de verão), dando início ao verão no hemisfério norte e ao inverno no
hemisfério sul.
Em 20 ou 21 de março e em 22 ou 23 de setembro, os raios solares incidem sobre a superfície terrestre
perpendicularmente ao equador. Dizemos então que estão ocorrendo os equinócios (do latim
aequinoctium, “igualdade dos dias e das noites”), ou seja, os hemisférios estão iluminados por igual. No
mês de março iniciam-se o outono no hemisfério sul e a primavera no hemisfério norte; no mês de
setembro, o inverso (primavera no sul e outono no norte).
O dia e a hora do início dos solstícios e dos equinócios mudam de um ano para outro;
consequentemente, a duração de cada estação também varia.
Em virtude da inclinação do eixo terrestre, os raios solares só incidem perpendicularmente em pontos
localizados entre os trópicos (a chamada zona tropical), que, por isso, apresentam temperaturas mais
elevadas. Nas zonas temperadas (entre os trópicos e os círculos polares) e nas zonas polares, o Sol
nunca fica a pino, porque os raios sempre incidem obliquamente.
Outra consequência da inclinação, associada ao movimento de rotação da Terra, é a duração
desigual do dia e da noite ao longo do ano. Nos dois dias de equinócio, quando os raios solares incidem
perpendicularmente ao equador, o dia e a noite têm 12 horas de duração em todo o planeta, com exceção
dos polos, que têm 24 horas de crepúsculo9.
Quando é dia de solstício de verão em um hemisfério, ocorrem o dia mais longo e a noite mais curta
do ano nessa metade da Terra; no mesmo momento, no outro hemisfério, sob o solstício de inverno,
acontecem a noite mais longa e o dia mais curto.
No equador não há variação no fotoperíodo10, mas à medida que nos afastamos dele, essa diferença
aparece. Conforme aumenta a latitude, tanto para o norte como para o sul, os dias ficam mais longos no
verão e mais curtos no inverno.

Representações Cartográficas, Escalas e Projeções

Para localizar um determinado lugar é importante utilizar a representação e a escala mais adequadas.
Por exemplo, para encontrar uma rota de viagem por terra, o ideal é utilizar um mapa rodoviário, e não o
mapa-múndi ou o globo, como fizeram Calvin e Haroldo no quadrinho acima.
O globo terrestre é feito numa escala muito pequena, ou seja, os elementos representados nele são
muito reduzidos. Por isso, o lugar para onde Calvin e Haroldo pretendiam ir lhes pareceu perto.

9
Crepúsculo é a claridade no céu entre o fim da noite e o nascer do sol ou entre o pôr do sol e a chegada da noite.
10
Fotoperíodo é o período em que um ponto qualquer da superfície terrestre fica exposto à incidência dos raios solares.

10
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Imagine quantas vezes o planeta Terra e os elementos sociais e naturais que o compõem foram
reduzidos para caber num globo como o que eles consultaram ou num planisfério do tamanho de uma
folha. O uso da escala adequada é fundamental para a localização exata do local procurado.
O globo terrestre, embora mantenha as características do planeta em termos de formas e distâncias,
tem utilização prática reduzida: é difícil transportá-lo em viagens ou fazer medidas em sua superfície. Por
isso, os cartógrafos inventaram projeções que permitem representar o planeta esférico numa superfície
plana.
O problema é que qualquer projeção provoca algum tipo de distorção. Por que isso ocorre?
Em um planeta esférico em movimento no espaço sideral não existe acima nem abaixo. No entanto, a
maioria dos mapas impressos apresenta o norte na parte de “cima” da representação.
Por que quase sempre vemos o hemisfério norte em destaque nos mapas? Podemos, em vez disso,
mostrar o hemisfério sul em destaque? Ou mesmo o leste ou o oeste? Vejamos abaixo.

Representação Cartográfica

Evolução Tecnológica
A observação da paisagem é o primeiro procedimento para a compreensão do espaço geográfico,
seguido do registro do que foi observado, daí a importância do mapa.
Em um mapa, os elementos que compõem o espaço geográfico são representados por pontos, linhas,
texturas, cores e textos, ou seja, são usados símbolos próprios da Cartografia. Diante da complexidade
do espaço geográfico, algumas informações são sempre priorizadas em detrimento de outras. Seria
impossível representar todos os elementos, físicos, econômicos, humanos e políticos, num único mapa.
Seu objetivo fundamental é permitir o registro e a localização dos elementos cartografados e facilitar a
orientação no espaço geográfico. Portanto, qualquer mapa será sempre uma simplificação da realidade
para atender ao interesse do usuário.
Além das coordenadas geográficas ou alfanuméricas (localização) e da indicação dos pontos
cardeais (orientação) um mapa precisa ter:
→ Título: informa os fenômenos representados;
→ Legenda: mostra o significado dos símbolos utilizados;
→ Escala: indica a proporção entre a representação e a realidade, e permite calcular as distâncias no
terreno com base em medidas feitas no mapa.
O mapa é uma das mais antigas formas gráficas de comunicação, precedendo mesmo a própria
escrita. Os primeiros mapas foram esculpidos em pedra ou argila. O mais antigo que se tem registro é o
mapa de Ga-Sur. Ele foi encontrado em 1930 nas ruínas dessa cidade, situada a cerca de 300 quilômetros
ao norte da antiga Babilônia. Ele é um esboço rústico esculpido num pedaço de argila cozida. Estima-se
que esse mapa tenha sido feito por volta de 2500 a.C. na Mesopotâmia, pelos sumérios. Observe abaixo
esse mapa e uma interpretação dele.

http://www.servicemap.com.br/historia-da-cartografia.php

Com o tempo, os mapas passaram a ser desenhados em tecido, couro, pergaminho ou papiro. Com a
invenção da imprensa, começaram a ser gravados em originais de pedra ou metal e, em seguida,

11
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impressos em papel. Hoje, são processados em computador e podem ser analisados diretamente na tela
digital.
O aprimoramento dos satélites e dos computadores permitiu grandes avanços nas técnicas de coleta,
processamento, armazenamento e representação de informações da superfície terrestre, causando
grande impacto nos processos de elaboração de mapas e nos conceitos de Cartografia.

Tipos de Produtos Cartográficos


Os mapas podem ser classificados em topográficos (ou de base) e temáticos. Num mapa
topográfico, representa-se a superfície terrestre o mais próximo possível da realidade, dentro das
limitações impostas pela escala pequena. Na carta topográfica, feita em escala média ou grande, há
mais precisão entre a representação e a realidade.
Na carta topográfica, as variáveis da superfície da Terra são representadas com maior grau de
detalhamento e a localização é mais precisa. Isso torna possível identificar a posição planimétrica, que
é a representação de fenômenos geográficos no plano, na horizontal, e a altimétrica, que é a
representação vertical, altitude do relevo, de alguns elementos visíveis do espaço. Mapas e cartas
topográficas são resultantes de levantamentos sistemáticos11 feitos por órgãos governamentais ou
empresas privadas. Os mapas topográficos servem de base para os mapas temáticos.
Um mapa temático contém informações selecionadas sobre determinado fenômeno ou tema do
espaço geográfico: naturais, como geologia, relevo, vegetação, clima, etc., ou sociais, como população,
agricultura, indústrias, urbanização, etc.
Nesse tipo de mapa, a precisão planimétrica ou altimétrica tem importância menor, as representações
quantitativa e qualitativa dos temas selecionados são mais relevantes.

Escala e Representação Cartográfica

Inicialmente é importante fazer uma distinção entre escala geográfica e escala cartográfica. A
primeira define a escala da análise geográfica, o recorte espacial, ou seja, local, regional, nacional ou
mundial.
A segunda define a escala de representação, ou seja, indica a relação entre o tamanho dos objetos
representados na planta, carta ou mapa e o tamanho deles na realidade.
Ao estudarmos a escala cartográfica e suas relações matemáticas, vamos perceber sua permanente
relação com a escala geográfica. Por exemplo, a análise de fenômenos locais necessita de plantas em
escala grande, já análise de fenômenos mundiais exige mapas em escala pequena. Ou seja, quanto maior
a escala de análise geográfica, menor a escala cartográfica, e vice-versa.
É impossível encontrar uma rua de qualquer cidade brasileira em um mapa-múndi ou no mapa político
do Brasil. A escala utilizada nessa representação – 1:34000000 – é pequena; nela 1 cm equivale a 340
quilômetros e até mesmo uma metrópole se tora apenas um ponto.
Para representar uma rua, é preciso usar uma escala grande, na qual seja possível visualizar os
quarteirões, como a de 1:10000. Perceba que, dependendo da escala utilizada, um mesmo fenômeno
espacial, pode ser representado como ponto ou como área.

Representação Cartográfica
O uso de planta, carta ou mapa está diretamente associado à necessidade do usuário. Se uma pessoa
tem a intenção de:
→ Procurar uma rua, a opção será por uma planta da cidade, na escala grande – cerca de 1:10000;
→ Localizar os bairros do entorno, deverá utilizar a carta da cidade, na escala média – cerca de
1:50000;
→ Identificar as cidades vizinhas, deverá consultar um mapa do estado, na escala pequena –
1:1000000.
Conforme a escala vai gradativamente ficando menor, ocorre um aumento da área representada e uma
diminuição do grau de detalhamento dos elementos cartografados.
Nessas representações cartográficas não há legenda porque o objetivo é apenas destacar as
diferentes escalas.

11
Levantamento sistemático é o conjunto de medidas planimétricas e altimétrica precisas de uma parte da superfície terrestre que atendem a uma série de regras
fixas, como a precisão da escala, do traçado das coordenadas e das curvas de nível.

12
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Globo

https://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem_de_sat%C3%A9lite

Representação cartográfica sobre uma superfície esférica, em escala pequena, dos aspectos naturais
e artificiais de uma figura planetária, com finalidade cultural e ilustrativa.

Mapa e suas Características


Representação plana;
Geralmente em escala pequena;
Área delimitada por acidentes naturais (bacias, planaltos, chapadas, etc.), limites político-
administrativos;
Destinado a fins temáticos, culturais ou ilustrativos.
A partir dessas características pode-se generalizar o conceito:
“Mapa é a representação no plano, normalmente em escala pequena, dos aspectos geográficos,
naturais, culturais e artificiais de uma área tomada na superfície de uma figura planetária, delimitada por
elementos físicos, político-administrativos, destinada aos mais variados usos temáticos, culturais e
ilustrativos”.

Carta e suas Características


Representação plana;
Escala média ou grande;
Desdobramento em folhas articuladas de maneira sistemática;
Limites das folhas constituídos por linhas convencionais;
Destinada à avaliação precisa de direções e distâncias e à localização de pontos, áreas e detalhes.
Da mesma forma que da conceituação de mapa, pode-se generalizar:
“Carta é a representação no plano, em escala média ou grande, dos aspectos superficiais e naturais
de uma área tomada de uma superfície planetária, subdividida em folhas delimitas por linhas
convencionais, paralelos e meridianos, com a finalidade de possibilitar a avaliação de pormenores, com
grau de precisão compatível com a escala”.

Planta
A planta é um caso particular de carta. A representação se restringe a uma área muito limitada e a
escala é grande, consequentemente o número de detalhes é bem maior.
“Carta que representa uma área de extensão suficientemente restrita para que a sua curvatura não
precise ser levada em consideração, e que, em consequência, a escala possa ser considerada constante”.

Usando a Escala

Vamos desenvolver um exemplo de como a escala pode ser usada. Considere as seguintes
convenções:
Escala = 1/N
N = Denominador da escala
D = Distância na superfície terrestre
d = Distância no documento cartográfico

13
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Suponhamos o seguinte problema:
Um motorista, vindo pela BR-376, após entrar na BR-101, percorrerá que distância até cruzar o
oleoduto da Petrobras? Na carta apresentada, essa distância mede cerca de 8 centímetros.
Temos:
Escala da carta = 1/50000 (N = 50000), pode-se ler também 1:50000 (um por cinquenta mil).
Logo, 1 centímetro na carta equivale a 50000 centímetros ou 500 metros ou ainda 0,5 quilômetro na
superfície terrestre.
Assim, temos o denominador da escala já convertido para quilômetro, a distância na carta e queremos
saber a distância na superfície terrestre.

N = 0,5 km
d = 8 cm
D=?

Aplicando uma regra de três simples:

1 cm – 0,5 km
8 cm – D
D = 8 x 0,5
D = 4 km

Portanto:

D=dxN

A resposta do problema: A distância a ser percorrida pelo motorista é de 4 quilômetros.


Agora vamos supor que temos a distância na superfície terrestre, o denominador da escala e queremos
encontrar a distância na carta:

D = 4 km
N = 0,5 km
d=?
1 cm – 0,5 km
d – 4 km
d x 0,5 = 1 x 4
d = 4/0,5
d = 8 cm

Portanto:

d = D/N

Finalmente, supondo que temos a distância na superfície terrestre e na carta e queremos saber o
denominador da escala:

D = 4 km
d = 8 cm
Escala = ?
1 cm – N
8 cm – 4 km
Nx8=1x4
N = 4/8
N = 0,5 km (que equivale a 50000 cm)
Escala = 1/N
Escala = 1/50000 ou 1: 50000

Portanto:

N = D/d

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Uma escala pode ser expressa de duas formas:

Numérica

1:50000

Gráfica

Em alguns mapas, abaixo da escala (numérica ou gráfica) ainda há um lembrete, por exemplo: “1 cm
no mapa corresponde a 0,5 quilômetros no terreno”.

Para medir em uma carta ou mapa a extensão de linhas sinuosas, como rodovias, ferrovias, rios, etc.,
utiliza-se um curvímetro, como aparece na foto abaixo.

Não dispondo desse aparelho, um modo prático de fazer medidas, embora não muito preciso, é
estender um barbante sobre o traço de, por exemplo, uma rodovia, medi-lo com uma régua e,
considerando a escala, fazer o cálculo da distância; ou então, se houver escala gráfica, estica-lo
diretamente sobre ela.

Projeções Cartográficas

Uma projeção cartográfica é o resultado de um conjunto de operações que permite representar no


plano, tendo como referência paralelos e meridianos, os fenômenos que estão dispostos na superfície
esférica. Quando vista do espaço sideral, a Terra parece ser uma esfera perfeita, mas nosso planeta
apresenta uma superfície irregular e é levemente achatado nos polos. Por isso, os cartógrafos geógrafos
e outros profissionais que produzem mapas fazem seus cálculos utilizando uma elipse12, que ao girar em
torno de seu eixo menor forma um volume, o elipsoide de revolução.
O elipsoide de revolução é uma superfície teórica regular, criada para fins cartográficos, que
evidencia o achatamento nos polos terrestres.
Segundo o IBGE, “o elipsoide é a superfície de referência utilizada nos cálculos que fornecem
subsídios para a elaboração de uma representação cartográfica”.
Ao fazerem a transferência de informações do elipsoide para o plano, os cartógrafos se deparam com
um problema insolúvel: qualquer que seja a projeção adotada, sempre haverá algum tipo de distorção
nas áreas, nas formas ou nas distâncias da superfície terrestre representadas.
Não há distorção perceptível somente em representações de escala suficientemente grande, como é
o caso das plantas, nas quais não é necessário considerar a curvatura da Terra.
As projeções podem ser classificadas em conformes, equivalentes, equidistantes ou afiláticas,
dependendo das propriedades geométricas presentes na relação globo terrestre/mapa-múndi. Além
disso, podem ser agrupadas em três categorias principais, dependendo da figura geométrica empregada
em sua construção: cilíndricas (as mais comuns), cônicas, azimutais ou planas. Observe-as a seguir.

12
Elipse é o lugar geométrico dos pontos de um plano cujas distâncias a dois pontos fixos desse plano têm soma constante; interseção de um cone circular reto
e um plano que corta todas as suas geratrizes.

15
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Projeção Cilíndrica

https://www.coladaweb.com/geografia/projecoes-cartograficas

Observe que na projeção cilíndrica o globo terrestre parece estar envolvido por um cilindro de papel
no qual são projetados os paralelos e os meridianos.

Projeção cônica

https://www.coladaweb.com/geografia/projecoes-cartograficas

Na projeção cônica, o globo parece estar envolvido por um cone de papel no qual são projetados os
paralelos e os meridianos.

Projeção azimutal ou plana

https://www.coladaweb.com/geografia/projecoes-cartograficas

Na projeção azimutal ou plana, a Terra parece ser tangenciada em qualquer ponto por um pedaço
de papel no qual são projetados os paralelos e os meridianos. Quando o globo é tangenciado num dos
polos, dizemos que se trata de uma projeção polar.

Conformes

Projeção conforme é aquela na qual os ângulos são idênticos aos do globo, seja em um mapa-múndi,
seja em um mapa regional. Nesse tipo de projeção, as formas terrestres são representadas sem distorção,
porém, com alteração do tamanho de suas áreas. Apenas nas proximidades do centro de projeção, neste
caso o equador, é que se verifica distorção mínima. Quanto maior o distanciamento a partir dessa linha
imaginária, maior é a distorção. Por essa razão, quando se utiliza esse tipo de projeção, geralmente só
são reproduzidos os territórios situados até 80º de latitude.
A mais conhecida projeção conforme é a de Mercator, cartógrafo e matemático belga cujo nome
verdadeiro era Gerhard Kremer (1512-1594). Em 1569, época em que os europeus comandavam a

16
1634532 E-book gerado especialmente para GRAZIELA CRISTINA LEOTE
Expansão Marítima, Mercator abriu novas perspectivas para a cartografia, ao construir uma projeção
cilíndrica conforme que imortalizou seu codinome.

Projeção de Mercator Original

Essa representação foi elaborada para facilitar a navegação, pois permitia representar com precisão,
no mapa, a rede de coordenadas geográficas e os ângulos obtidos pela bússola (pontos cardeais).
O mapa-múndi de Mercator, no qual a Europa aparece numa posição central, superior e, por se situar
em altas latitudes, proporcionalmente maior do que é na realidade, acabou se transformando no principal
representante da visão eurocêntrica do mundo. Durante séculos, foi uma das projeções mais usadas na
elaboração de planisférios e, apesar do surgimento posterior de muitas outras, ainda hoje é bastante
usada.
Esses primeiros mapas-múndi, especialmente o de Mercator, colocavam a Europa em destaque, no
“centro” da representação, e o hemisfério norte, onde está localizada, na parte de “cima”. Os europeus
estavam explorando o mundo e fundando colônias; portanto, era natural que ao representar o planeta se
visem dessa foram. É isso que chamamos de visão eurocêntrica.

Projeção de Mercator Atual

https://www.coladaweb.com/geografia/projecoes-cartograficas

Quando representada na projeção de Mercator, a Groelândia parece ser maior que o Brasil e até
mesmo que a América do Sul. O mapa originalmente feito por Mercator, não mostrava os continentes de
forma precisa como este planisférico, produzido de acordo com a projeção por ele criada, mas com as
técnicas cartográficas disponíveis atualmente.

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Equivalentes

Num mapa-múndi ou regional com projeção equivalente, as áreas mantêm-se proporcionalmente


idênticas às do globo terrestre, embora as formas estejam deformadas em comparação com a realidade.
Um exemplo desse tipo de projeção é o mapa-múndi de Peters, elaborado pelo historiador e cartógrafo
alemão Arno Peters (1916-2002) e publicado pela primeira vez em 1973. Observe-a abaixo.

Projeção de Peters

http://www.curso-objetivo.br/vestibular/roteiro_estudos/projecoes_cartograficas.aspx

Embora essa projeção não tenha rompido completamente com a visão eurocêntrica, acabou dando
destaque aos países de baixa latitude. Ela atendia aos anseios dos Estados que se tornaram
independentes após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), nessa época considerados
subdesenvolvidos, situados em grande parte ao sul das regiões mais desenvolvidas. Em alguns países,
essa projeção chegou a ser impressa de forma invertida em relação à convenção cartográfica dominante,
mostrando o sul em destaque. O mapa-múndi de Hobo-Dyer, outra projeção equivalente, também
representa o mundo de forma “invertida”. Portanto, não há uma forma certa ou errada de representar o
mundo. Cada uma das representações cartográficas expressa um ponto de vista de um Estado nacional,
de um povo ou mesmo de uma religião.
Na projeção de Peters parece que os continentes e países foram alongados nos sentidos norte-sul. Há
uma distorção em suas formas, mas todos mantêm seu tamanho proporcional. Por exemplo, a Groelândia,
embora irreconhecível, aparece bem menor que o Brasil e a América do Sul, como é na realidade.

Projeção de Hobo-Dyer

https://projetogeografando.blogspot.com/2010/08/projecao-de-hobo-dyer.html

Esse mapa-múndi é uma projeção cilíndrica equivalente, semelhante à de Peters, e foi criado em 2002
para mostrar uma visão alternativa do mundo. Fo encomendado por Bob Abramms e Howard Bronstein,
respectivamente, fundador e presidente da empresa ODT Maps (sediada em Amherst, Estados Unidos),

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ao cartógrafo inglês Mick Dyer. O nome da projeção resulta da junção das duas sílabas iniciais dos nomes
de Howard e Bob com o sobrenome Mick. Está centrada na África e mostra o sul em destaque.

Equidistantes

Nos mapas-múndi e com projeção azimutal ou plana equidistante, a representação das distâncias
entre dois lugares é precisa. Elaborada pelo astrônomo e filósofo francês Guillaume Postel (1510-1581)
e publicada no ano de sua morte, adota como centro da projeção um ponto qualquer do planeta para que
seja possível medir a distância ente esse ponto e qualquer outro. Por isso, esse tipo de projeção é utilizado
especialmente para definir rotas aéreas ou marítimas.
A projeção equidistante mais comum é centrada em um dos polos, geralmente o polo norte.

Projeção Azimutal Centrada no Polo Norte

http://www.curso-objetivo.br/vestibular/roteiro_estudos/projecoes_cartograficas.aspx

No centro da projeção pode-se situar a capital de um país, uma base aérea, a sede de uma empresa
transnacional, etc. Entretanto, ela apresenta enorme distorções nas áreas e nas formas dos continentes,
que aumentam com o afastamento do ponto central.
Na projeção azimutal equidistante, as distâncias só são precisas se traçadas radialmente do centro,
no caso dessa, o polo norte, até um ponto qualquer do mapa.

Afiláticas

Atualmente é comum a utilização de projeções com menores índices de distorção para o mapeamento
da superfície terrestre, como a de Robinson.

Projeção de Robinson

https://atlasescolar.ibge.gov.br/conceitos-gerais/o-que-e-cartografia/as-projec-o-es-cartogra-ficas.html

Essa projeção foi desenvolvida em 1961 pelo geógrafo e cartógrafo americano Arthur H. Robinson
(1915-2004). Segundo o IBGE: “É uma projeção afilática (não é conforme nem equivalente ou
equidistante) e pseudocilíndrica (não possui nenhuma superfície de projeção, porém apresenta
características semelhantes às da projeção cilíndrica)”.

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Questões

01. (Itaipu Binacional – Porfessor de Geografia – NC – UFPR/2019) A Projeção de Mercator é uma


projeção:
(A) conforme e equivalente, sendo utilizada em escalas maiores que 1:250000.
(B) conforme e equivalente, sendo utilizada em escalas menores que 1:250000.
(C) conforme e cilíndrica.
(D) equivalente e cilíndrica.
(E) equidistante e cilíndrica.

02. (IF/MT – Professor de Geografia – IF/MT) Observe a figura.

Essa figura simboliza a Organização das Nações Unidas (ONU), que apresenta uma conotação política
e também técnica das projeções cartográficas. A qual projeção ela é categorizada?
(A) Cônica
(B) Azimutal
(C) Cilíndrica
(D) Senoidal

03. (SEDUC/PI – Professor de Geografia – NUCEPE) Acerca da existência dos mapas, há registros
de que estes são anteriores à escrita, o que lhes atribui um papel relevante na representação do espaço
pela humanidade.
Sobre os mapas é INCORRETO afirmar:
(A) Os mapas se constituem um produto de informação da cultura de um povo a partir de seu
conhecimento sobre seu próprio espaço.
(B) Figura ou qualquer produto que possa representar uma parte específica da superfície da Terra se
constitui em um mapa.
(C) O mapa é um instrumento para transmitir informações sobre objetos, formas e relações presentes
em determinado espaço.
(D) Os mapas temáticos são elaborados a partir de um contexto no qual se tem como finalidade o
conhecimento e esclarecimento sobre uma determinada situação real.
(E) São representações gráficas de determinado espaço geográfico, de forma reduzida, que utilizam
símbolos e projeções cartográficas.

04. (Colégio Pedro II – Professor de Geografia – Colégio Pedro II/2018) Observe os mapas a seguir.

Disponível em: https://encrypted-tbn0.gstatic.com. Acesso em: 9 ago. 2018.

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“A escolha de uma projeção depende do que se deseja representar.” SAMPAIO, Fernando dos Santos. Para viver juntos:
9º ano do ensino fundamental. São Paulo: SM, 2015, p.140-141.
O planejamento de uma aula de geografia sobre projeções cartográficas deve mostrar que o mapa de
(A) Mercator é realizado com base numa projeção cilíndrica conforme, provocando distorções diversas
nas áreas dos países presentes no planisfério.
(B) Peters é realizado com base numa projeção plana tangente ao polo, alterando as áreas dos locais
representados, destacando sua posição geopolítica.
(C) Peters é uma projeção azimutal equivalente desvinculada do eurocentrismo, já que as áreas da
Terra conservam o tamanho por meio da correção das distâncias longitudinais.
(D) Mercator é uma projeção plana interrompida associada à visão eurocêntrica do mundo, já que as
áreas da Terra conservam a forma por meio da correção das distâncias latitudinais.

05. (Enem) Um determinado município, representado na planta abaixo, dividido em regiões de A a I,


com altitudes de terrenos indicadas por curvas de nível, precisa decidir pela localização das seguintes
obras:
1. instalação de um parque industrial.
2. instalação de uma torre de transmissão e recepção.

Considerando impacto ambiental e adequação, as regiões onde deveriam ser, de preferência,


instaladas indústrias e torre, são, respectivamente:
(A) E e G.
(B) H e A.
(C) I e E.
(D) B e I.
(E) E e F.

Gabarito

01.C / 02.B / 03.B / 04.A / 05.C

Comentários

01. Resposta: C
Em 1569, época em que os europeus comandavam a Expansão Marítima, Mercator abriu novas
perspectivas para a cartografia, ao construir uma projeção cilíndrica conforme que imortalizou seu
codinome.

02. Resposta: B
O símbolo da ONU é uma projeção azimutal, cujo centro escolhido foi um ponto no Polo Norte, um
local neutro e que permite a visualização de todos os continentes.

03. Resposta: B
Mapa é a representação no plano, normalmente em escala pequena, dos aspectos geográficos,
naturais, culturais e artificiais de uma área tomada na superfície de uma figura planetária, delimitada por
elementos físicos, político-administrativos, destinada aos mais variados usos temáticos, culturais e
ilustrativos.

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04. Resposta: A
Tal como ocorre em toda projeção cilíndrica, na projeção de Mercator os meridianos são representados
por segmentos de reta paralelos entre si e que são perpendiculares aos paralelos terrestres. Por se tratar
de uma projeção conforme, a escala não varia com a direção e os ângulos são conservados em todos os
pontos.

05. Resposta: C
Um parque industrial deve ser preferencialmente instalado em um terreno com topografia plana para
evitar grandes cortes ou aterros, que podem expor a área à erosão. Não é adequada a instalação de um
parque industrial no interior de cidades onde há poucos terrenos disponíveis, por isso pode agravar a
poluição e o trânsito. O ideal é que ele seja instalado numa área fora da cidade (mas não muito distante,
porque necessita de mão de obra) e onde haja um bom sistema de transportes que permita a chegada
de matérias-primas e o escoamento dos bens produzidos. Considerando tudo isso e os elementos
mostrados na plana, o melhor local para instalação de um parque industrial é a área I do município, ao
lado da rodovia.
A instalação de uma torre de comunicação deve ficar nas proximidades da cidade. Mas num terreno
de altitude mais elevada para que seu funcionamento seja mais eficiente; portanto, o melhor local para
sua instalação é a área E. Assim, a alternativa que responde corretamente ao problema proposto é a C.

2) O Espaço Natural: estrutura e dinâmica da Terra: evolução geológica; deriva


continental; placas tectônicas; dinâmica da crosta terrestre; tectonismo;
vulcanismo; intemperismo; tipos de rochas e solos; formas de relevo e recursos
minerais; as superfícies líquidas: oceanos e mares; hidrografia; correntes
marinhas – tipos e influência sobre o clima e a atividade econômica; utilização
dos recursos hídricos e situações hidroconflitivas; a dinâmica da atmosfera:
camadas e suas características; composição e principais anomalias – El Niño,
La Niña, buraco na camada de ozônio e aquecimento global: elementos e fatores
do clima e os tipos climáticos; os domínios naturais: distribuição da vegetação e
características gerais das grandes paisagens naturais; e impactos ambientais:
poluição atmosférica, erosão, assoreamento, poluição dos recursos hídricos e a
questão da biodiversidade.

FORMAÇÃO DA TERRA13

A Terra – Dinâmica, Estrutura, Forma e Atividades Humanas

Segundo os cientistas, a Terra surgiu há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, resultando da


agregação de poeira cósmica provocada pela atração gravitacional.

Agregação trata-se de uma das teorias mais atuais sobre a formação do universo, conhecida por
Teoria da Agregação.

Os choques entre essas partículas de poeira ocasionaram reações químicas explosivas, aquecendo o
planeta e transformando-o numa gigantesca massa incandescente. A partir desse momento, um longo
processo de resfriamento solidificou a parte mais externa da superfície terrestre.
De sua origem até o estágio atual, a Terra passou por diversas transformações, que são estudadas a
partir da disposição das camadas rochosas e dos fósseis nelas encontrados. Essas camadas
representam registros dos acontecimentos passados, e permitem compreender a evolução do planeta.

As Eras Geológicas
A Geologia (ciência que estuda o conjunto da origem, da formação e das contínuas transformações
da Terra, assim como dos materiais orgânicos que a constituem), divide a história da Terra em eras
geológicas, que correspondem a grandes intervalos de tempo divididos em períodos que, por sua vez,
são subdivididos em épocas e idades. Cada uma dessas subdivisões corresponde a algumas importantes
alterações ocorridas na evolução do planeta.

13
GARCIA, Hélio Carlos; GARAVELLO, Tito Márcio. Geografia do Brasil. 3ª edição. São Paulo: Anglo.
LUCCI, Elian Alabi. Geografia Geral e do Brasil. Elian Alabi Lucci; Anselmo Lazaro Branco e Cláudio Mendonça. 3ª edição. São Paulo: Saraiva.

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A Estrutura Interna da Terra

O conhecimento da estrutura interna da Terra é essencial ao entendimento dos fenômenos que se


manifestam em sua superfície, como o vulcanismo e os terremotos, responsáveis por modificações na
modelagem da superfície terrestre. Os terremotos, por exemplo, afetam a vida de milhões de pessoas e
provocam graves catástrofes naturais na Califórnia (Estados Unidos), no Japão, no Chile, na Turquia e
em diversos outros países. O vulcanismo, outro fenômeno natural causado pelas forças internas da Terra,
acarreta também graves desastres naturais.
A atividade mineradora também depende do conhecimento da estrutura interna da Terra. Os recursos
minerais são matérias-primas básicas para a produção das mercadorias e para a geração da maior parte
da energia consumida no mundo.
Os estudos do interior da Terra baseiam-se em observações indiretas, pois até o momento, o poço
mais profundo – o da península de Kola, na Rússia, perfurado em 1987 – atingiu apenas 13 km. Todo o
material que sai pelos vulcões vem de profundidade de, no máximo, 200 km. Essas medidas, se
comparadas com o raio da Terra – 6380 km -, são muito pequenas.
As observações indiretas são obtidas por meio da análise dos tremores que ocorrem no interior da
Terra, cujas ondas, chamadas sísmicas, propagam-se em diferentes direções, algumas atingindo o
núcleo do planeta. A intensidade destas ondas é registrada por sismógrafos, aparelhos que também
medem a sua velocidade e, portanto, o tempo que elas levam para se deslocar do hipocentro (local do
interior da Terra onde se origina o terremoto) até os locais onde essas ondas sísmicas se manifestam na
superfície terrestre - o epicentro.
A partir dessas observações, os cientistas chegaram à conclusão de que a Terra é formada
basicamente por três camadas: a crosta terrestre ou litosfera, o manto e o núcleo.
Na crosta terrestre – camada eterna – são encontradas rochas relativamente leves, constituídas
principalmente por silício e alumínio. Essa camada apresenta uma espessura variável: sob os continentes

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varia de 20 a 70 km (a espessura máxima verifica-se nos locais sob as montanhas) e, sob os oceanos,
onde predominam o silício e o magnésios, varia de 5 a 15 km.
O manto – camada intermediária – é formado por rochas mais pesadas, como os basaltos, constituídas
principalmente por magnésio, ferro e silício. Na parte externa do manto há uma região conhecida por
astenosfera, formada de um material pastoso chamado magma. Nela ocorrem movimentos de
convecção: o magma aquecido sobe das porções mais internas da Terra em direção à crosta e, depois,
volta para o interior à medida que se resfria. Os movimentos de convecção dão origem a terremotos e
erupções vulcânicas.
O limite máximo interior do manto é de, aproximadamente, 2900 km, onde começa a camada mais
interna: o núcleo.
O núcleo, que tem como limite máximo interior a medida do raio da Terra, é constituído por níquel e,
principalmente, por ferro. Ele se encontra subdividido em duas camadas: o núcleo externo, que parece
ser líquido e vai até 5100 km; e o núcleo interno, que é sólido.

A isostasia
Dá-se o nome de isostasia (do grego isso: igual; e stásis: equilíbrio) ao estado de equilíbrio dos blocos
continentais da crosta terrestre que flutuam sobre a camada do manto.
Segundo a teoria do cientista inglês George B. Airy (1801-1892), considerando a crosta terrestre
formada por blocos da mesma densidade e admitindo-se como correta a hipótese de que no manto existe
uma zona de material viscoso em estado de fusão, quanto mais alto for o bloco montanhoso ou
continental, maior será sua raiz mergulhada no manto.
Para termos uma imagem similar desse fenômeno basta apreciarmos alguns blocos de gelo boiando
na água. Quanto mais espessos forem, mais emergem e imergem. (Adaptado de Glossário de termos geológicos. Associação
Profissional dos Geólogos de Pernambuco. Em: www.agp.org.br/glossario-i.html).

As Rochas e Solos que Formam a Crosta Terrestre

A crosta terrestre é formada principalmente por rochas, como, por exemplo, a areia, o granito, o
mármore, o calcário e a argila. As rochas, por sua vez, são constituídas por um agregado de minerais ou
por um único mineral solidificado. Minerais são elementos ou compostos inorgânicos encontrados na
crosta terrestre. O granito, por exemplo, é composto por três minerais: quartzo, mica e feldspato.

Quanto à origem, as rochas classificam-se em magmáticas ou ígneas, sedimentares e


metamórficas.
As rochas magmáticas resultam da consolidação de material, em estado de fusão, proveniente do
manto. Elas constituem aproximadamente 80% da crosta terrestre e se subdividem em dois tipos:

Extrusivas ou vulcânicas – que se formaram na superfície (exemplo: basalto).

Intrusivas ou plutônicas – que se formaram internamente (exemplo: granito).

As rochas magmáticas intrusivas aparecem na superfície quando a erosão remove as outras rochas
que as encobrem. Sãos os afloramentos. O granito é muito utilizado no revestimento de pisos, em
paredes e na fabricação de tampos de pias. A decomposição do basalto, por sua vez, dá origem,
geralmente, a solos férteis, como a terra roxa, encontrada nos estados de São Paulo e Paraná.

As rochas sedimentares resultam da deposição de detritos de outras rochas e/ou de acúmulo de


detritos orgânicos (sedimentos). Normalmente a deposição ocorre em camadas horizontais. Quanto à
origem, as rochas sedimentares são classificadas em:

Detríticas – constituídas pela acumulação de fragmentos de outras rochas (magmáticas, metamórficas


ou mesmo sedimentares). Exemplos: areia, arenito, argila, folhelho, varvito, conglomerado e tilito.
Químicas – provenientes de transformações químicas que alguns materiais em suspensão sofrem na
água. Exemplo: o sal-gema, que corresponde a depósitos de cloreto de sódio, os quais são encontrados
em áreas onde possivelmente havia mar.
Orgânicas – formadas pela ação de animais e vegetais ou pela acumulação dos seus dejetos.
Exemplo: o calcário, resultante da acumulação de restos de conchas, corais, etc. Essa é uma das rochas
mais abundantes e mais utilizadas pelo ser humano. Outro exemplo é o carvão mineral, que formou-se
da decomposição de restos vegetais que permaneceram enterrados por milhões de anos.

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As rochas sedimentares têm grande importância econômica, pois nelas se encontram riquezas
minerais, como o carvão mineral e o petróleo. A areia, o varvito e o calcário também são muito utilizados
pelo setor de construção civil.

As rochas metamórficas resultam da transformação (metamorfização), em condições de pressão e


de temperatura bastante elevadas, de rochas preexistentes. As principais rochas metamórficas são: o
gnaisse, formado a partir da transformação do granito; a ardósia, resultado da metamorfose do xisto; e o
mármore, que resulta da transformação do calcário. A ardósia e principalmente, o mármore, são bastante
empregados não setor de construção civil.

São os principais tipos de solo e suas características14:

Latossolos – L
Formados sob ação de lavagens alcalinas em regiões quentes e úmidas florestadas. Parte da sílica
perde-se por eluvião, permanecendo os óxidos de ferro e de alumínio.

Podzólicos e podgolizados – P
Formados sob ação de lavagens ácidas, sobre material de origem arenoso em regiões úmidas e
florestadas. Como consequência de tais lavagens, as argilas são arrastadas para o horizonte B, ficando
as camadas superficiais mais arenosas.

Hidromórficos – Hi
Formados sob excesso de água, portanto, em condições de aeração deficiente.

Litossolos – Li
São solos geologicamente recentes. Pouco desenvolvidos e de pequena espessura, assentados
diretamente sobre as rochas consolidadas ou não. Os fatores de formação ainda não tiveram tempo para
diferenciar-lhe os horizontes.
Regossolos – R
São solos recentes, em início de formação. São profundos, arenosos, com drenagem excessiva.

Solos aluviais – Al
Recentes, ainda em formação, a partir de sedimentos aluviais. Distingue-se apenas o horizonte A1
sobre o horizonte C. São profundos, com perfil pouco diferenciado.

A Crosta Terrestre em Movimento

Em 1912, o cientista alemão Alfred Wegener elaborou a teoria da deriva dos continentes.
Observando a semelhança entre os contornos dos litorais da América, Europa e África, e também de suas
rochas, Wegener propôs que, há cerca de 200 milhões de anos, os continentes estariam todos unidos,
formando um único bloco, chamado Pangeia, rodeado por um único oceano, a Pantalassa, que teria
começado a se fragmentar com o aparecimento de fendas ou fraturas. Aos poucos, os fragmentos teriam
se afastado uns dos outros.
Observe a figura abaixo:

14
http://www.iqsc.usp.br/iqsc/servidores/docentes/pessoal/mrezende/arquivos/SOLO.pdf.

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Essa teoria foi contestada pela maioria dos geólogos da época. Um dos poucos que a apoiaram, o
inglês Arthur Holmes, elaborou, em 1928, a hipótese da expansão dos fundos oceânicos, baseando-se
nos movimentos de convecção do magma na atmosfera, camada situada logo abaixo da crosta. Para
Holmes, o movimento circulatório do magma empurraria os continentes.
Em 1967, Janson Morgan confirmou a hipótese de Holmes: os fundos oceânicos estão se deslocando
a partir das dorsais, que são cordilheiras situadas na porção central dos oceanos (meso-oceânicas).
Constatou-se também que as idades das rochas dos fundos oceânicos aumentam à medida que se
distanciam das dorsais, ou seja, quanto mais próximas dos continentes, mais antigas são as rochas.
A partir dessas constatações, chegou-se à conclusão de que o envoltório da Terra (crosta) é
descontínuo e fragmentado em vários blocos, os quais são formados por partes continentais e oceânicas
(o fundo ou assoalho dos oceanos). Cada bloco corresponde a uma placa tectônica (Ramo da Geologia
que estuda o dinamismo das forças que interferem na movimentação das camadas da crosta terrestre),
que se desloca pelos movimentos de convecção do magma. A teoria da deriva dos continentes foi
substituída pela teoria da tectônica de placas. Assim:

Ao mesmo tempo em que há o processo de afastamento (expansão) entre placas tectônicas, como,
por exemplo, nas cordilheiras meso-oceânicas, também chamadas zonas de divergência de placas,
verifica-se também o processo de fricção entre essas placas, pelo qual elas são pressionadas umas
contra as outras – são as chamadas zonas de convergência de placas. Nas zonas de convergência, o
contato entre as placas pode ser de dois tipos:

Subducção – as placas movem-se uma em direção a outra e a placa oceânica (mais densa)
“mergulha” sob a continental (menos densa). A placa oceânica entra em estado de fusão no manto.

Obducção ou colisão – choque entre duas placas na porção continental. Acontece em virtude da
grande espessura dos trechos nos quais estão colidindo. É o que ocorre entre a placa Indo-australiana e
a Euro-asiática Ocidental.

Por meio de raios laser emitidos de satélites artificiais, obteve-se a confirmação do movimento das
placas tectônicas, pois foi possível medir o afastamento dos continentes. A América do Sul, por exemplo,
afasta-se cerca de 3 cm por ano da África, levando a um alargamento do oceano Atlântico.

Terremotos
Nas áreas próximas aos limites entre as placas ocorrem muitos terremotos (abalos sísmicos) e a
atividade vulcânica é intensa. As grandes cadeias montanhosas da Terra, situadas nessas áreas,
surgiram por causa da colisão (ou obducção) de placas, como a cordilheira do Himalaia, ou pelo processo
de subducção, como a cordilheira dos Andes.
O atrito entre as placas tectônicas produz acúmulo de pressão e descarga de energia, que se propaga
em forma de ondas sísmicas. A propagação dessas ondas provoca a vibração das rochas e grande
impacto nas áreas de montanhas próximas à região de atrito.
O abalo sísmico recebe o nome de maremoto quando ocorre no fundo dos oceanos, provocando
ondas de movimento acelerado e grande altura ao se aproximarem da costa. Se a onda que se forma for
muito grande, recebe o nome de tsunami, como a que afetou diversas regiões da Ásia e da África no
final de 2004, matando mais de 280 mil pessoas, considerada uma das maiores catástrofes de origem
ambiental já registrada na história.

Terremotos no Brasil
O público leigo, de forma geral, aceita a ideia de que o território brasileiro está a salvo de terremotos.
No meio científico, porém, há relatos de abalos sísmicos no Brasil desde o início do século 20. Uma

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pesquisa sobre o tema contribuiu para diminuir o fosso entre o senso comum e a realidade científica: uma
equipe coordenada pelo geomorfólogo Allaoua Saadi, professor da Universidade Federal de Minas
Gerais, elaborou o Mapa neotectônico do Brasil e identificou a existência de 48 falhas-mestras no território
nacional. “É justamente ao longo do traçado dessas falhas que se concentram as ocorrências de
terremotos”, explica Saadi. (...)
Terremotos constituem uma resposta a rupturas da crosta terrestre provocadas pelo deslocamento dos
blocos (subdivisões das placas tectônicas) ao longo de uma falha. As rochas comportam-se como corpos
elásticos, deformando-se e acumulando energia proveniente do contato e do movimento entre os blocos.
“No momento da ruptura, a energia ‘represada’ durante o período de acumulação do stress anterior é
liberada de uma só vez ou em episódios mais ou menos próximos”, esclarece Saadi.
Os grandes abalos ocorrem principalmente na região de encontro entre as placas, onde se localizam
as falhas maiores de escala continental. O globo terrestre é constituído por (...) placas e o território
[brasileiro] está totalmente situado no interior da Placa Sul-Americana – daí a ideia de que não haveria
tremores de terra no país. No Brasil, os terremotos intraplacas, onde o tamanho das falhas tem dimensões
variadas, costumam ser mais brandos e dificilmente atingem mais de 4,5 graus de magnitude. Porém,
ainda precisam ser mais estudados. No início do século 20 um terremoto de grandes proporções – 8
graus – ocorreu na costa leste dos Estados Unidos, região de atividade sísmica semelhante à do Brasil.
“Comparados aos da região andina, situada exatamente na fronteira entre a placa de Nazca e a placa
Sul-Americana, os abalos sísmicos brasileiros são menos frequentes e intensos”, explica Saadi. Eles não
devem, no entanto, ser desprezados. Há registros no Brasil de terremotos com magnitude acima de 5
graus. Em 1986 a cidade de João Câmara (RN) foi palco de vários tremores que chegaram a destruir e
danificar cerca de 4000 casas. KUCK, Denis Weisz. Ciência Hoje on-line, 06/11/02.
Os terremotos podem ser medidos quanto à magnitude e à intensidade.
A magnitude é a quantidade de energia liberada no foco do sismo, sendo medida a partir de uma
escala estabelecida pelo sismólogo norte-americano Charles Richter. Essa escala – escala Richter –
começa no grau zero e, teoricamente, não tem um limite superior. Ela também é logarítmica, ou seja, um
terremoto de magnitude 5, por exemplo, produz efeitos 10 vezes maiores que um outro de magnitude 4.
Um dos terremotos mais violentos já registrado atingiu 9,2 graus, no Japão, em 1992, liberando um milhão
de vezes mais energia que a bomba atômica lançada sobre Nagasaki. Não houve mortes porque a região
atingida era desabitada.
A intensidade baseia-se na constatação dos efeitos provocados pelo terremoto na superfície, que,
provavelmente, vão ser menores à medida que se distancie do seu epicentro. A escala de intensidade
sísmica mais utilizada é a de Mercalli modificada, que varia de I (danos mínimos) a XII (danos máximos),
quando ocorre o desaparecimento quase que total de vestígio de construção humana; objetos são
lançados para o alto, formam-se grandes fendas no terreno e consideráveis transformações no relevo.
De todas as áreas sujeitas a terremotos no mundo, o Japão e a Califórnia (Estados Unidos) são as
mais bem preparadas para enfrentar sismos. Isso decorre do próprio nível de desenvolvimento desses
países, de suas condições econômicas, que possibilitam investimentos em pesquisas no setor de
construção civil, no treinamento da população, nos equipamentos para previsão de tremores, na
manutenção de cientistas, etc.

A Estrutura Geológica

Nas áreas emersas, a crosta terrestre é formada por três tipos de estruturas geológicas, as quais são
caracterizadas pelos tipos de rochas predominantes e o seu processo de formação, e pelo tempo
geológico em que surgiram. Essas estruturas geológicas são os dobramentos modernos, os maciços
antigos e as bacias sedimentares.
Os dobramentos modernos são os trechos da crosta de formação recente e, por essa razão,
compostos por rochas mais flexíveis e maleáveis, situadas relativamente próximas às zonas de contato
entre placas (zonas convergentes). Devido à pressão de uma placa sobre a outra, esta parte da crosta
dobra-se num processo lento e contínuo, dando origem às montanhas.
Os dobramentos modernos são denominados de tectonismo horizontal ou movimento orogenético.
(Orogênese: Resulta do movimento horizontal, responsável pela formação das montanhas. Esse
movimento provém do choque entre as placas em suas zonas de contato, que provoca a deformação da
crosta, formando dobras em alguns trechos dessas placas).
O deslocamento vertical dos blocos rochosos nas regiões de falhamento da crosta é denominado
movimento epirogenético. (Epirogênese: Resulta de movimentos verticais nas regiões de ocorrência
de “falhas”. Esses movimentos provocam soerguimento ou rebaixamento de blocos rochosos da crosta

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terrestre, em regiões afastadas das zonas de contato e, consequentemente, em áreas em que são
encontradas rochas mais sólidas e estáveis).
Os maciços antigos, também chamados escudos cristalinos, são os terrenos mais antigos da crosta
terrestre. Datam da era Pré-Cambriana (Arqueozoica e Proterozoica) e são constituídos basicamente por
rochas magmáticas e metamórficas. Nos maciços que se formaram na era Proterozoica ocorrem as
jazidas de minerais metálicos, como, por exemplo, as de ferro, ouro, manganês, prata, cobre, alumínio,
estanho.
A pressão do magma sobre estas estruturas antigas provoca fraturas ou falhas na litosfera e,
posteriormente, o deslocamento vertical de grandes blocos, soerguendo e rebaixando a superfície.
As bacias sedimentares começaram a se formar apenas na era Paleozoica. Resultam da acumulação
de sedimentos provenientes do desgaste das rochas; de organismos vegetais ou animais; ou mesmo de
camadas de lavas vulcânicas solidificadas. É nestas estruturas que se formam importantes recursos
minerais energéticos, como o petróleo e o carvão mineral.
As bacias sedimentares abrangem cerca de 64% do território brasileiro; os maciços (escudos) e os
dobramentos antigos respondem por carca de 36% dessa área, na qual 32% dos terrenos formaram-se
no período Arqueozoico, e apenas 4%, no Proterozoico. Nesses últimos, concentram-se, sobretudo,
rochas metamórficas, nas quais estão presentes as mais importantes jazidas de minerais metálicos do
país.

A Estrutura Geológica do Brasil


A estrutura geológica do Brasil apresenta maciços (escudos) antigos e bacias sedimentares, não se
verificando a existência de dobramentos modernos.
O território brasileiro encontra-se distante da zona de instabilidade tectônica – a mais próxima
encontra-se junto ao oceano Pacífico, nos países andinos. Nessa posição geográfica, está livre de
vulcanismo. Alguns tremores de terra já foram detectados, mas sem registro de destruição de edifícios,
pontes ou cidades, o que acontece na Colômbia, no Chile e Peru, situados próximo às regiões onde
ocorre o choque entre as placas Sul-americana e de Nazca.
O conhecimento da estrutura geológica do território brasileiro é de fundamental importância para se
compreender o modelado da superfície do país – o seu relevo – e atuar racionalmente sobre ele, tanto na
exploração dos recursos minerais e energéticos como na agricultura e na sua conservação, evitando-se
processos erosivos prejudiciais à economia e ao meio ambiente.
A estrutura geológica do Brasil é caraterizada por três tipos de terrenos:
a) Escudos cristalinos:
Terrenos de formação pré-cambriana, que afloram em cerca de 36% do território do país. Nos terrenos
arqueozoicos (32% do território), encontramos rochas como o granito e elevações como a serra do Mar.
Nos terrenos proterozóicos (4% do território), encontramos rochas metamórficas que formam jazidas
minerais, principalmente de ferro e manganês, como as localizadas na serra dos Carajás, no Pará.

b) Bacias sedimentares:
Formações recentes, que recobrem cerca de 58% do território brasileiro. Nas áreas de formação
paleozoica, o destaque são as jazidas carboníferas do sul, e nas áreas de formação mesozoica, os
depósitos petrolíferos do litoral.
Nos terrenos cenozoicos, destacam-se as planícies.

c) Terrenos vulcânicos:
Áreas que durante a era Mesozoica sofreram a ação de intensos derrames vulcânicos. Na bacia do
Paraná, particularmente, as lavas esparramaram-se por cerca de 1 milhão de quilômetros quadrados e
originaram rochas como o basalto e o diabásio. Nas áreas de ocorrência dessas rochas, é comum a
presença de um dos tipos de solo mais férteis do Brasil: a terra roxa, formada da decomposição do
basalto.

Os agentes do relevo:
O relevo terrestre está em constante transformação, e os fenômenos naturais causadores dessa
dinâmica são agrupados em dois grandes conjuntos: agentes da dinâmica interna e da dinâmica externa.

Agentes da dinâmica interna:


Considerados agentes formadores do relevo, são fenômenos que atingem a superfície terrestre, mas
que têm origem nas altas temperaturas e pressões do interior do globo. São eles:

28
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* o tectonismo – movimentos da crosta terrestre que originam dois tipos de processos: dobramentos
(quando afetam rochas plásticas, características de áreas sedimentares) e falhamentos (quando afetam
rochas rígidas, características de áreas de formação cristalina do período Pré-Cambriano);

* o vulcanismo – rompimento da crosta terrestre pela ação da forte pressão feita pelo magma. Ocorre
quando, através de falhas ou fraturas, o magma em fusão sobe até a superfície terrestre, acompanhado
ou não de gases e cinzas;

* os abalos sísmicos (terremotos e maremotos) – tremores que afetam a superfície terrestre e que
se devem aos rápidos movimentos do interior do planeta causados pelo vulcanismo ou pelo tectonismo.

Agentes da dinâmica externa:


Considerados agentes modeladores do relevo, na maioria das vezes são fenômenos vinculados à
ação do clima. Dentre eles, destacam-se:

* as águas correntes – são os principais agentes modeladores externos da crosta terrestre. Abrangem
o trabalho dos rios (erosão, transporte e acumulação fluvial, das chuvas e enxurradas (erosão, transporte
e acumulação pluvial) e do mar (abrasão);

* a dinâmica glacial – o avanço ou o recuo de geleiras intensifica o processo de desagregação das


rochas, contribuindo para mudar as formas do relevo. O material rochoso erodido, transportado e
acumulado pela ação do degelo é denominado moraina ou morena;

* os ventos – são os agentes mais atuantes na modelação do relvo das áreas áridas ou semiáridas,
onde é comum a formação de dunas, devida ao trabalho eólico de erosão, transporte e acumulação e à
ausência de ação hídrica;

* o intemperismo – alteração do modelado terrestre por ação do clima sobre as rochas. Estas podem
sofrer degradação (quando a alteração é fundamentalmente produzida por processos físicos, ligados a
temperatura e pressão) ou decomposição (quando a alteração resulta de processos químicos, quase
sempre pela ação da umidade). Nos dois casos, a alteração é acelerada pela ação biológica,
particularmente de microrganismos.

A ação do homem:
Paralelamente aos fenômenos naturais internos e externos que interferem no relevo terrestre, um outro
agente modificador está em atuação constante: o homem.
Com recursos cada vez mais sofisticados, a ação humana acelera a erosão, sobretudo nas partes mais
altas do relevo, intensifica a sedimentação das partes mais baixas, particularmente nos vales fluviais, e,
o que é mais grave, acelera o processo de assoreamento dos rios, aumentando a frequência e a
intensidade das enchentes.
Entre as principais formas de atuação do homem que repercutem negativamente no relevo, estão:

* a derrubada de matas em áreas serranas ou de declives acentuados, que favorece o deslizamento


de terras e rochas – material que, transportado para o leito dos rios, causa o seu assoreamento, tornando-
se mais rasos e, assim, provocando enchentes;

* a derrubada de matas em áreas aplainadas, que favorece a infiltração excessiva de água no solo,
cujos componentes passam a ser dissolvidos com mais intensidade;

* as queimadas, que, além de eliminarem os nutrientes do solo, matam as raízes vegetais que o fixam,
favorecendo a erosão pela enxurrada;

* o uso inadequado do solo, com a utilização intensiva de máquinas agrícolas e o cultivo em áreas de
declive – ambas práticas que facilitam o processo erosivo, especialmente quando este é provocado pela
ação das águas pluviais;

* a ocupação inadequada dos solos para a implantação de moradias – nas áreas serranas, por exemplo
– e o uso econômico das áreas de cabeceira dos rios.

29
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Questões

01. (FUB – Geólogo – CESPE) Com relação às eras geológicas, julgue o item a seguir.
Os dinossauros viveram no período quaternário.
(....) Certo (....) Errado

02. (FUB – Geólogo – CESPE) Com relação às eras geológicas, julgue o item a seguir.
O supercontinente Pangeia começou a se desagregar no início da era mesozoica.
(....) Certo (....) Errado

Gabarito

01. Errado/02. Certo

Comentários

01. Resposta: Errado.


Período Quaternário:
* Dobramentos modernos (atuais montanhas);
* Surgimento de aves, mamíferos e primatas;
* Atuais continentes.

02. Resposta: Certo.


Era Mesozoica:
* Divisão do grande continente da Pangeia, em Laurásia e Gondwana (130 milhões de anos);
* Surgimento dos grandes répteis (como os dinossauros).

ROCHAS E SOLOS

Rochas - Material de Origem de Formação dos Solos

O material de origem depende da classificação genética das rochas. Classificar as rochas significa
usar critérios que permitam agrupá-las segundo características semelhantes.
Uma das principais classificações é a genética, em que as rochas são agrupadas de acordo com o seu
modo de formação na natureza. Sob este aspecto, as rochas dividem-se em três grandes grupos:
- Ígneas ou magmáticas;
- Sedimentares;
- Metamórficas.

Rochas Ígneas ou Magmáticas


Resultantes do resfriamento de material rochoso fundido, chamado magma. Exemplo:

São chamadas de rocha ígnea intrusiva, quando o resfriamento ocorrer no interior do globo terrestre,
e de rocha ígnea extrusiva ou vulcânica, se o magma conseguir chegar à superfície.

30
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Para reconhecer se a rocha é intrusiva ou extrusiva, é necessário avaliar sua textura.
O resfriamento dos magmas intrusivos é lento, dando tempo para que os minerais em formação
cresçam o suficiente para serem facilmente visíveis. Alguns cristais podem chegar a vários centímetros.
O resfriamento dos magmas extrusivos é muito mais rápido. Muitas vezes, não há tempo suficiente
para os cristais crescerem muito. A rocha extrusiva tende a ter, portanto, uma textura de granulação fina.

A cor das rochas ígneas é muito variável, podendo ser classificadas como:
- Máficas – são as rochas ígneas escuras ricas em minerais contendo magnésio e ferro;
- Félsicas – são claras, mais ricas em minerais, e contêm sílica e alumínio (siálicas), que incluem os
feldspatos e o quartzo ou sílica.

Rochas Sedimentares
Parte das rochas sedimentares é formada a partir da compactação e/ou cimentação de fragmentos
produzidos pela ação dos agentes intempéricos e pedogênese sobre uma rocha preexistente, após serem
transportados pela ação dos ventos, das águas que escoam pela superfície ou pelo gelo, do ponto de
origem até o ponto de deposição. Exemplo:

As rochas sedimentares, quanto a sua textura, podem ser classificadas como:


a) Clástica – quando a rocha sedimentar é constituída por partículas preexistentes. A litificação ocorre
em condições geológicas de baixa pressão e baixa temperatura e, por isso, as rochas clásticas não têm,
salvo raras exceções, a mesma consistência dura das rochas ígneas.
b) Químicas ou Não-Clásticas – são formadas pela precipitação dos radicais salinos, que foram
produzidos pelo intemperismo químico e agora se encontram dissolvidos nas águas dos rios, lagos e
mares.
c) Orgânicos – são acúmulos de M.O. (material orgânico) tais como restos de vegetais, conchas de
animais, excrementos de aves etc. que, por compactação, acabam gerando, respectivamente, turfa,
coquina e guano. São pseudorrochas porque as suas partículas não são minerais.

Rochas Metamórficas
Resultam da transformação de uma rocha preexistente no estado sólido.
O processo geológico de transformação se dá por aumento de pressão e/ou temperatura sobre a rocha
preexistente, sem que o ponto de fusão dos seus minerais seja atingido. Exemplo:

31
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O metamorfismo pode ser regional, local e dinâmico. O regional ocorre em grandes extensões da
superfície do globo terrestre, em consequência de eventos geológicos de grande porte como, por
exemplo, edificação de cadeias de montanhas.
Dependendo dos valores alcançados pela variação de pressão e temperaturas, têm-se os
metamorfismos regionais de baixo, médio e alto grau.
Muitas rochas metamórficas são reconhecidas graças a sua estrutura de foliação, ou seja, a orientação
preferencial que os minerais placoides assumem, bem como a sua estrutura de camadas dobradas,
devido às deformações que acompanham o metamorfismo regional.
O metamorfismo local restringe-se a domínios de terreno que variam entre centímetros e dezenas de
metros de extensão. O metamorfismo termal ou de contato ocorre quando o aumento de temperatura
predomina.
O metamorfismo dinâmico ocorre quando predomina o aumento de pressão no fenômeno da
transformação das rochas como em zonas de falhas.
Quando a temperatura do metamorfismo ultrapassa um certo limite, determinado pela natureza
química da rocha e pela pressão vigente, frequentemente na faixa de 700 - 800º C, as rochas começam
a se fundir, produzindo novamente um magma.

Solos - Gênese e Classificação do Solo

De modo geral, os solos vêm sendo formados há milhões de anos. São frutos de um processo contínuo
que se iniciou com o processo de decomposição de uma rocha matriz, que também pode ser chamada
de rocha-mãe.
À medida que a rocha matriz vai sofrendo a ação do intemperismo (ação da água, vento e seres vivos),
ocorre a liberação de fragmentos de rocha que, por sua vez, se misturam a outros sedimentos, como
restos de animais e plantas, e, portanto, dão origem a um determinado tipo de solo15.

Introdução à Pedologia e seus Conceitos Básicos


As bases da Pedologia, ramo do conhecimento relativamente recente, ou Ciência do Solo como
também é chamada, foram lançadas em 1880 na União Soviética por Dokuchaiev, ao reconhecer que o
solo não era um simples amontoado de materiais não consolidados, em diferentes estágios de alteração,
mas resultava de uma complexa interação de inúmeros fatores genéticos: clima, organismos e topografia,
os quais, agindo durante certo período de tempo sobre o material de origem, produziam o solo16.
A preocupação inicial de Dokuchaiev, de cunho pedológico - explicar a formação dos solos e
estabelecer um sistema de classificação - era, sem dúvida, uma preocupação oportuna em definir uma
nova área de estudo e delimitar lhe o espaço dentro do contexto do campo da Ciência. A expansão dos
estudos pedológicos decorreu, em grande parte, da necessidade de:
- corrigir a fertilidade natural dos solos, depauperada ao longo dos anos de exploração agrícola e
agravada pela erosão;
- elevar a fertilidade natural de solos originalmente depauperados;
- neutralizar a acidez do solo;
- agrupar solos apropriados para determinadas culturas;
- preservar os solos contra os perigos da erosão.

Intemperismo
Meteorização ou intemperismo é o processo natural de decomposição ou desintegração de rochas e
solos, e seus minerais constituintes, por ação dos efeitos químicos, físicos e biológicos que resultam da
sua exposição aos agentes externos.
Esses agentes podem ocorrer simultaneamente na natureza e acabam por se complementarem no
processo de formação das rochas. Isso fica demonstrado quando analisamos o efeito da temperatura e
da água nas rochas.
Variações climáticas podem levar ao trincamento das rochas e, por conseguinte, a água irá penetrar
essas trincas atacando quimicamente os minerais. Pode ocorrer também, que o congelamento da água
nas trincas leve ao fissuramento da rocha devido às tensões geradas.
Ressalta-se17 que os processos de intemperismo físico reduzem o tamanho das partículas,
aumentando sua área de superfície e facilitando o trabalho do intemperismo químico. Já os processos

15
<http://www.universiaenem.com.br/sistema/faces/pagina/publica/conteudo/textohtml.xhtml?redirect=51704978228430979754772414673>
16
IBGE. Manual Técnico de Pedologia. 2ª Edição. Rio de Janeiro. 2007.
MACHADO, S. l. (2002) – “Apostila Mecânica dos Solos” – Universidade Federal da Bahia (UFBA) – Departamento de Geotécnica da Escola Politécnica de
17

Engenharia.

32
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químicos e biológicos podem causar a completa alteração física da rocha e alterar suas propriedades
químicas18.

O Intemperismo físico não altera a composição química da rocha. Os principais tipos são:
- Variações de Temperatura: da física sabemos que todo material varia de volume em função de sua
temperatura. Estas variações de temperatura ocorrem entre o dia e a noite e durante o ano, e sua
intensidade será função do clima local. Acontece que uma rocha é geralmente formada de diferentes tipos
de minerais, cada qual possuindo uma constante de dilatação térmica diferente, o que faz a rocha
deformar de maneira desigual em seu interior, provocando o aparecimento de tensões internas que
tendem a fraturá-la. Mesmo rochas com uma uniformidade de componentes não têm uma arrumação que
permita uma expansão uniforme, pois grãos compridos deformam mais na direção de sua maior
dimensão, tendendo a gerar tensões internas e auxiliar no seu processo de desagregação.
- Repuxo coloidal: é caracterizado pela retração da argila devido à sua diminuição de umidade, o que
em contato com a rocha pode gerar tensões capazes de fraturá-la.
- Ciclos gelo/degelo: as fraturas existentes nas rochas podem se encontrar parcialmente ou
totalmente preenchidas com água. Esta água, em função das condições locais, pode vir a congelar,
expandindo-se e exercendo esforços no sentido de abrir ainda mais as fraturas preexistentes na rocha,
auxiliando no processo de intemperismo (a água aumenta em cerca de 8% o seu volume devido à nova
arrumação das suas moléculas durante a cristalização). Vale ressaltar também que a água transporta
substâncias ativas quimicamente, incluindo sais que ao reagirem com ácidos provocam cristalização com
aumento de volume.

- Alívio de pressões: irá ocorrer em um maciço rochoso sempre que da retirada de material sobre ou
ao lado do maciço, provocando a sua expansão, o que por sua vez, irá contribuir no fraturamento,
estricções e formação de juntas na rocha. Estes processos, isolados ou combinados (caso mais comum)
"fraturam" as rochas continuamente, o que permite a entrada de agentes químicos e biológicos, cujos
efeitos aumentam o fraturamento e tende a reduzir a rocha a blocos cada vez menores.

Por outro lado, o intemperismo químico irá provocar alterações na estrutura química das rochas. A
hidrólise, hidratação (responsável pela expansão da rocha) e carbonatação (principalmente em rochas
calcárias) são os exemplos clássicos de intemperismo químico.

- Hidrólise: dentre os processos de decomposição química do intemperismo, a hidrólise é a que se


reveste de maior importância, porque é o mecanismo que leva a destruição dos silicatos, que são os
compostos químicos mais importantes da litosfera. Em resumo, os minerais na presença dos íons H+
liberados pela água são atacados, reagindo com os mesmos. O H+ penetra nas estruturas cristalinas dos
minerais desalojando os seus íons originais (Ca++, K+, Na+, etc.) causando um desequilíbrio na estrutura
cristalina do mineral e levando-o a destruição.

- Hidratação: é a entrada de moléculas de água na estrutura dos minerais. Alguns minerais quando
hidratados (feldspatos, por exemplo) sofrem expansão, levando ao fraturamento da rocha.

- Carbonatação: o ácido carbônico é o responsável por este tipo de intemperismo. O intemperismo


por carbonatação é mais acentuado em rochas calcárias por causa da diferença de solubilidade entre o
CaCO3 e o bicarbonato de cálcio formado durante a reação.

O intemperismo biológico é resultante da ação de esforços mecânicos induzidos por raízes de


vegetais, escavação de roedores e, até mesmo, a própria ação humana.
Enfatiza-se19 que o conjunto desses processos ocorre mais frequentemente em climas quentes e que,
consequentemente, os solos serão misturas de partículas pequenas que se diferenciam pelo tamanho e
pela composição química.
Analisando a formação dos solos face aos tipos de intemperismo, verifica-se que os solos resultantes
de intemperismo físico irão apresentar composição química semelhante à da rocha que lhes originou.
Por outro lado, o intemperismo químico irá formar solos mais profundos e mais finos do que os solos
formados onde há predominância do intemperismo físico.

18
PAULO CÉSAR LODI. Mecânica dos Solos. Volume I. UNESP.
19
PINTO, C. S. (2000). Curso Básico de Mecânica dos Solos em16 Aulas, 247 págs., Oficina de Textos, São Paulo.

33
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Produtos do Intemperismo
O solo é o principal produto resultante da ação do intemperismo, no qual as ações em torno dele como
a erosão também são consequências.
Conforme definição do Instituto de Terras, Cartografia e Geologia do Paraná, o solo é “Produto do
intemperismo físico e químico das rochas, situado na parte superficial do manto de intemperismo.
Constitui-se de material rochoso desintegrado e decomposto20”.

Fatores Pedogenéticos
Os principais fatores ligados à formação dos solos são:
- O relevo na formação dos solos21

A ação do relevo reflete diretamente sobre a dinâmica da água, tanto no sentido vertical (infiltração)
como lateral (escorrimentos superficiais – enxurradas – e dentro do perfil); e indiretamente sobre o clima
dos solos (temperatura e umidade), através da incidência diferenciada da radiação solar, do decréscimo
da temperatura com o aumento das altitudes, e sobre os seres vivos – os tipos de vegetação natural
importantes na formação dos solos.
A água que cai sobre um terreno e não evapora tem apenas dois caminhos: ou penetra no solo ou
escorre pela superfície.
Geralmente, segue concomitantemente ambos os caminhos, com maior ou menor participação de um
ou outro, dependendo das condições do relevo (declividade e comprimento da vertente); da cobertura
vegetal; e de fatores intrínsecos do solo.
Em terrenos declivosos, a quantidade de água que penetra no solo é, em igualdade de incidência de
precipitação pluvial, normalmente menor que nos menos inclinados.
Na coexistência de ambas as situações, compartilhando uma porção da paisagem, as áreas menos
declivosas recebem o acréscimo de água do escoamento superficial e subsuperficial proveniente das
áreas mais altas.
Os solos de relevo íngreme são submetidos ao rejuvenescimento, através dos processos erosivos
naturais e, em geral, apresentam clima mais seco do que aqueles de relevo mais suaves.
Os solos rasos e pouco profundos das vertentes declivosas são naturalmente coabitados por matas
mais secas do que as dos terrenos contíguos menos íngremes.
Disso resultam solos menos profundos e evoluídos do que os situados em condições de relevo mais
suave, onde as condições hídricas determinam ambiente úmido mais duradouro.
Em terrenos aplainados, a eliminação da água pelo escorrimento superficial é diminuta; assim, há um
acentuado fluxo de água através do perfil, favorecendo a lixiviação (extração ou solubilização dos
constituintes químicos de uma rocha, mineral ou solo) em sistema de drenagem livre.
Nos terrenos de relevo subaplainado ou deprimido, em ambiente de drenagem impedida, determinando
sistema fechado, as condições são ideais para os fenômenos de redução, devido ao prolongado
encharcamento, resultando em solos particulares, denominados hidromórficos.
Outra implicação importante do relevo é sobre a taxa de radiação e, consequentemente, sobre o clima
do solo em diferentes situações de exposição dos terrenos à ação solar.
Em regiões montanhosas, por exemplo, dependendo da orientação das encostas, a variação de
incidência da radiação solar é significativa.

O Clima na Formação dos Solos


O clima constitui um dos mais ativos e importantes fatores de formação do solo.
De seus elementos, destacam-se, em nosso país, pela ação direta na pedogênese:

- a temperatura;
- a precipitação pluvial
- a deficiência e o excedente hídrico

A latitude influi diretamente nos regimes térmicos regionais. É muito importante no desenvolvimento
dos solos, pois a velocidade das reações químicas que neles se processam é maior e diretamente
proporcional ao aumento da temperatura.
Além da temperatura, a quantidade de água de chuva que atinge, penetre, permaneça ou escorra na
superfície é um fator igualmente importante no processo de formação do solo.

20
<http://www.mineropar.pr.gov.br/modules/glossario/conteudo.php?conteudo=S>
21
Geografia Física II / Fernando Moreira da Silva, Marcelo dos Santos Chaves, Zuleide Maria C. Lima. – Natal, RN: EDUFRN, 2009.

34
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Regiões com farta disponibilidade de água excedente apresentam, normalmente, solos mais evoluídos
do que regiões secas.
O enorme volume de água que flui através dos solos nas regiões úmidas promove a hidratação de
constituintes e favorece a remoção dos cátions liberados dos minerais pela hidrólise, acelerando as
transformações de constituintes e, consequentemente, o processo evolutivo do solo.
Da conjugação de variados regimes de temperatura e umidade, resulta essencialmente a ocorrência
de climas distintos ao longo do território brasileiro e, por conseguinte, de ações formadoras de solo
também diferenciadas.
Entre os baixos platôs amazônicos quentes e úmidos, o sertão nordestino quente e semiárido e os
planaltos sulinos frios e úmidos, há diferenças apreciáveis no que concerne à formação de solos, em
consequência das disparidades de condições pedoclimáticas.
Na região amazônica, a conjunção de alta temperatura e alta precipitação pluvial, ao longo do ano,
favorece a efetivação das reações químicas que se processam nos solos. Por exemplo: solos bastantes
intemperizados, profundos, essencialmente cauliníticos, muito pobres quimicamente, com reações
bastante ácidas.
No Nordeste semiárido, a escassez de umidade contribui para diminuição da velocidade e intensidade
dos processos pedogenéticos, resultando em solos pouco desenvolvidos, rasos ou pouco profundos,
cascalhentos ou pedregosos e/ou com relativa abundância de minerais primários pouco alterados e
minerais de argila de elevada atividade coloidal. Por exemplo: solos pouco lixiviados, quimicamente ricos,
pouco ácidos e ligeiramente alcalinos ou mesmo com altos teores de sais solúveis e de sódio trocáveis.
Nos planaltos sulinos, as baixas temperaturas e a constante umidade favorecem a formação de solos
com espessas camadas superficiais escuras e ricas em M.O (Molibdênio), conferindo-lhes particular
morfologia, além de influenciar mais ativamente os processos de transformações e neoformações. Por
exemplo: solos não muito desenvolvidos, pouco profundos, por vezes pedregosos, quimicamente pobres,
muito lixiviados, de reação bastante ácida e consideravelmente ricos em constituintes orgânicos.

Os Organismos na Formação dos Solos


Os organismos – microflora e macroflora, microfauna e macrofauna – pelas suas manifestações de
vida, quer na superfície quer no interior dos solos, atuam como agentes de sua formação.
O homem também faz parte desse contexto, pois, pela sua atuação, pode modificar intensamente as
condições originais do solo.
Dos organismos, sobressai por sua intensa e mais evidente ação como fator pedogenético a
macrofauna.

Qual a importância da cobertura vegetal para o solo?


A cobertura vegetal tem uma ação passiva como agente atenuante do clima; porém, é como agente
ativo na formação do solo que ela se destaca. Sua ação protetora depende de sua estrutura e tipo. Por
exemplo: na Amazônia, a cobertura vegetal é eficaz (protege o solo contra a ação das chuvas).
Na região de caatinga semiárida do nordeste, o efeito protetor é pouco efetivo na proteção do solo,
resultando em acentuadas enxurradas de forte poder erosivo.
O anteparo da cobertura vegetal exerce efeito atenuador na temperatura da parte mais superficial dos
solos, repercutindo na diminuição da evapotranspiração.
A ação pedológica passiva da cobertura vegetal desempenha ainda outras funções protetoras,
intervindo na fixação de materiais sólidos, como nas dunas ou nas planícies aluviais.
A vegetação tem participação ativa nos processos de TC (condições de drenagem através do tempo)
no material do solo, pela ação do contato direto das raízes com as superfícies coloidais além da relevante
participação no estoque de nutrientes do sistema, os quais retornam aos solos devolvidos pelos resíduos
vegetais.
A ação mais importante da cobertura vegetal ocorre, nos fenômenos de adição, tanto na superfície,
através dos resíduos vegetais aí depositados, como no interior do solo, mediante restos que se
decompõem.
A macrofauna tem importância como agente homogeneizador dos solos. Nessa situação em particular,
são muito citados os efeitos dos cupins, das formigas, dos tatus e de muitos roedores que cavam buracos.
As minhocas, abrindo galerias, melhoram a aeração dos solos. Os micróbios, por sua vez, têm ação
marcante na decomposição dos compostos orgânicos, na fixação de nitrogênio e em processos de
oxidação e/ou redução.
E o homem? Constitui um elemento perturbador da constituição e arranjo das camadas dos solos,
através das modificações que imprime na paisagem, como:
- desmatamento,

35
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- reflorestamento,
- abertura de estradas,
- aplainamento
- escavações,

Ou através de alterações que realiza diretamente no solo, como:


- aplicação de corretivos e fertilizantes,
- arações,
- irrigação,
- drenagem e deposição de restos da sua fauna diária.

O Tempo na Formação dos Solos


Dos fatores de formação, o tempo é o mais passivo: não adiciona, não exporta material nem gera
energia que possa acelerar os fenômenos de intemperismo mecânico e químico, necessário à formação
de um solo
Contudo, o estado do sistema solo não é estático: varia no transcorrer das transformações, transportes,
adições e perdas que têm lugar na sua formação e evolução. O conhecimento da duração do período de
gestação dos solos é, contudo, muito complexo.
A Geomorfologia ensina que, no Brasil, é possível encontrar desde materiais de origem recente até os
mais velhos de que se têm notícias na Terra. Onde são encontrados exemplos de solos de cronologia
recente? Nas planícies aluviais que ainda recebem, através das inundações, adições periódicas de
material.
Onde são encontrados exemplos de solos de cronologia mais antiga? Nos planaltos que constituem
os divisores dos grandes sistemas hidrográficos, como por exemplo o Planalto Central Brasileiro. Seu
início se deu há milhões de anos.
Qual a diferença entre idade e maturidade dos solos? A idade (cronologia) é a medida dos anos
transcorridos desde seu início até determinado momento, enquanto a maturidade (evolução) é expressa
pela evolução sofrida, manifestada por seus atributos em dado momento de sua existência.
Assim, alguns solos podem apresentar idade absoluta relativamente pequena e serem bem mais
maduros que outros com idade absoluta bem maior.

Questões

01. (IGP/SC – Perito Criminal Ambiental – IESES/2017) No tocante à formação dos solos, assinale
a alternativa correta:
(A) O solo é formado a partir de processos internos do planeta Terra, como o vulcanismo e o movimento
das placas tectônicas.
(B) Os solos se formam com mais facilidade em áreas com pouca ação dos ventos, da chuva, das
variações climáticas e interferência dos seres vivos.
(C) O solo se forma a partir dos processos de intemperismo, que aceleram a decomposição das rochas
de origem.
(D) Os solos do planeta Terra formaram-se há milhares de anos a partir do acúmulo de sedimentos
que caíram no planeta Terra oriundos dos meteoros.

02. (FUNAI – Engenheiro Agrônomo – ESAF/2016) Os solos são um importante recurso natural
renovável suportando a vida e as atividades humanas economicamente, com notável importância nas
práticas agropecuárias com vistas à geração de alimentos. Os solos são formados a partir da
decomposição das rochas de origem, que daí adquirem morfologia variada e oportunizam diferentes
classificações. Considerando pois, a origem, morfologia e classificação dos solos, assinale a opção
correta.
(A) Os termos aluviais e eluviais permitem classificar os solos quanto à origem: aluviais são os solos
formados por rochas encontradas no mesmo local da formação, isto é, a rocha matriz que foi decomposta
e se alterou para a formação do solo e se encontra no mesmo local do solo; enquanto os eluviais são os
solos formados por transporte e sedimentação do material de rochas localizadas em outros lugares,
graças à ação das águas e dos ventos.
(B) O Intemperismo físico, mediado por variações de temperatura, calor ou pelo congelamento de água
em fissuras, não promove alteração na composição da rocha.

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(C) A classificação dos solos discrimina os horizontes em um perfil a partir da rocha mãe, ou material
de origem que, por isso, recebe a denominação de horizonte O; a partir deste, em sentido ascendente,
denominam-se outros horizontes numa sequência alfabética sucessiva: A, B, C.
(D) Quanto mais velho é o solo, maior é o tempo de atuação dos fatores de formação e dos processos
resultantes, bem como maior é a relação deste solo com o material de origem.
(E) Todo material de origem animal ou vegetal incorporado ao solo, independente do estado de
decomposição, é caracterizado como matéria orgânica que contribui para melhorar a textura do solo,
aumentar a aeração e a taxa de infiltração via aumento de sua densidade.

Gabarito

01.C / 02.B

Comentários

01. Resposta: C.
Meteorização ou intemperismo é o processo natural de decomposição ou desintegração de rochas e
solos, e seus minerais constituintes, por ação dos efeitos químicos, físicos e biológicos que resultam da
sua exposição aos agentes externos.

02. Resposta: B.
O Intemperismo físico não altera a composição química da rocha.

CONTINENTES E OCEANOS22

Ao observarmos a superfície da Terra, utilizamos um globo terrestre, um mapa-múndi ou fotografias


tiradas por satélites artificiais, chegamos facilmente à conclusão de que as massas líquidas (oceanos e
mares) superam a superfície das terras emersas (continentes e ilhas).de fato, os 510 milhões de
quilômetros quadrados da superfície terrestre estão assim distribuídos:

149.000.000 Km² terras emersas (continentes e ilhas)

361.000.000 Km²águas (oceanos e mares)

Os mares podem ser abertos ou costeiros, interiores ou continentais e fechados ou isolados.


* Mares abertos – estão inteiramente ligados às águas oceânicas (das Antilhas, da China, do Japão,
de Hudson, de Bering, de Omã ou da Arábia).
* Mares interiores – estão quase totalmente envolvidos pelas terras, embora se mantenham ligados
aos oceanos por meio de estreitos e canais (Báltico, Vermelho, Negro e Mediterrâneo).
* Mares fechados – estão totalmente separados dos oceanos (Cáspio, Aral e Morto).

Principais Características dos Continentes

Continente Americano
Alongado no sentido norte-sul, é cortado pela linha do Equador, pelos trópicos de Câncer (ao norte) e
de Capricórnio (ao sul) e pelo Círculo Polar Ártico em sua porção setentrional. Limita-se a leste com o
Oceano Atlântico e a oeste com o Oceano Pacífico, sendo ainda banhado pelas águas geladas do Glacial
Ártico ao norte. São dois grandes blocos unidos por um istmo que corresponde à porção continental da
América Central.

Continente Eurasiano
O maior dos blocos continentais é cortado pelo Círculo Polar Ártico, pelo Trópico de Câncer e pelo
Equador (somente na parte insular – Malaísia e Indonésia). Banhado a leste pelo Oceano Pacífico, a
oeste pelo Atlântico, ao norte pelo Glacial Ártico e ao sul pelo Índico, este continente é circundado ainda
por vários mares: Mediterrâneo, Vermelho, Arábico, Cáspio, Negro, de Bering e do Norte. Caracteriza-se
pelo grande povoamento (Europa) e população absoluta (Ásia), incluindo áreas conhecidas como
“formigueiros humanos”.

22
COLEÇÃO OBJETIVO – Sistema de Métodos de Aprendizagem. Livro 23 – Geografia Geral. Editora Sol

37
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Continente Africano
Apresenta-se isolado artificialmente da Eurásia pela abertura do Canal de Suez (1869), que liga os
mares Mediterrâneo e Vermelho. Extenso, seus 30 milhões de quilômetros quadrados são banhados pelo
Oceano Atlântico a oeste, pelo Índico a leste, e pelos mares Mediterrâneo e Vermelho. É o mais maciço
dos continentes, sendo cortado simetricamente pelo Trópico de Câncer ao norte, pela linha do Equador
ao centro e pelo Trópico de Capricórnio ao sul.

Continente Australiano (Oceania)


Considerado o menor dos continentes, tem, no entanto, uma área superior à do território brasileiro.
Situa-se no Hemisfério Sul, na latitude do Trópico de Capricórnio e suas costas são banhadas pelo
Oceano índico (oeste) e pelo Pacífico (leste).

Continente Antártico (Antártida)


Recoberto por gelo, a quase totalidade de suas terras é contornada pelo Círculo Polar Antártico. É
banhado pelas águas do Oceano Pacífico, Atlântico e Índico.

A Ocupação dos Continentes

Em termos de ocupação, existe grande diferenciação entre os continentes. Dessa forma,


convencionou-se uma denominação específica para cada um deles, a partir do tempo de sua ocupação
pelo homem.

* Velho Mundo ou Antigo Continente (Eurásia e África) – região de onde partiram os colonizadores.

* Novo Mundo ou Novo Continente (América) região descoberta por Cristóvão Colombo no século
XV e colonizada pelos europeus.

* Novíssimo Continente (Austrália, Nova Zelândia e ilhas do Pacífico) – região ocupada pelos
europeus a partir do século XVIII, é também denominada Oceania ou Continente Australiano.
Dentro da linguagem geográfica também são empregados os termos Mundo Oriental e Mundo
Ocidental, tornando-se como referência a longitude inicial de Greenwich.

HIDROGRAFIA MUNDIAL23

A Terra é quase toda coberta por uma imensa massa líquida (a hidrosfera), que compreende os
oceanos, mares e as águas continentais (rios, lagos e geleiras).
No entanto, apesar de cerca de 70% da superfície terrestre encontrar-se coberta por água, apenas
menos de 3% deste volume é de água doce, cuja maior parte está concentrada em geleiras (geleiras
polares e neves eternas24 das montanhas).
A grande preocupação é que restam menos de 1% de águas superficiais para as atividades humanas.

Os Oceanos

Mais da metade da população mundial vive numa faixa de cerca de 100 km junto ao litoral dos
continentes. Grandes e pequenas cidades, aldeias de pescadores e pequenas vilas desenvolvem
atividades relacionadas à vida marinha.
A biodiversidade dos ecossistemas marinhos, que fornece 90% do pescado mundial, pode ser
considerada equivalente à biodiversidade dos ecossistemas terrestres.
As águas oceânicas também constituem um meio fundamental para o transporte, as atividades
portuárias de importação e exportação de mercadorias (90% do comércio internacional), a navegação de
cabotagem, a aquicultura (criação de peixes, ostras, mariscos e crustáceos), a extração de minerais (sal
e petróleo), além de oferecer possibilidades para o desenvolvimento do turismo e do lazer.
É, portanto, um ambiente sujeito a múltiplas influências e perturbações, cujas causas são produzidas
principalmente no continente, de onde são lançados dejetos e resíduos produzidos pelas atividades
humanas, os quais podem ser provenientes de acidentes no próprio mar, como o derramamento de
petróleo.

23
LUCCI, Elian Alabi. Geografia Geral e Geografia do Brasil. 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2014.
24
Neve eterna consiste em camadas de neve formadas no cume de montanhas muito elevadas. A baixa temperatura local faz com que elas não derretam,
mesmo durante os meses do verão, quando a radiação solar é mais intensa.

38
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Calcula-se que os dejetos urbanos residenciais e industriais sejam responsáveis por 80% da poluição
das águas do mar.

A Oceanografia
O estudo dos oceanos é realizado pela Oceanografia, ciência que estuda os diferentes aspectos
físicos, químicos e biológicos da água do mar. Além disso, estuda também a dinâmica geológica das
estruturas da litosfera25 oceânica, o relevo submarino e a exploração mineral.
A Organização Internacional de Hidrografia (lHO - International Hydrographic Organization) passou a
considerar, a partir do ano 2000, a existência de cinco oceanos: Pacífico, Atlântico, índico, Glacial Ártico
e Meridional (Antártico).

O Relevo Submarino
As características do relevo continental e submarino são semelhantes, embora no caso do submarino,
devido à predominância do trabalho de modelagem da água, exista uma maior suavidade nos contornos.
Para efeito de estudo, o relevo submarino pode ser dividido em:

Plataforma continental - prolongamento submerso dos continentes, com apenas algumas


modificações promovidas pela erosão marinha ou por depósitos sedimentares26. Sua profundidade varia
entre 10 e 500 m, sendo a média de 200 m.

https://www.infoescola.com/oceanografia/plataforma-continental/

São consideráveis as riquezas existentes na plataforma continental. Nesta unidade de relevo extrai-se
a totalidade dos recursos minerais e é realizada a maior parte das atividades pesqueiras.

Talude continental - inclinação mais aprofundada que a plataforma, chegando a até 3 mil metros de
profundidade.

https://conceitos.com/talude-continental/

25
Litosfera é a camada exterior sólida da superfície da Terra, que inclui a crosta e a parte superior do manto terrestre.
26
Depósito sedimentar é o local onde os sedimentos se acumularam, gerando posteriormente a rocha sedimentar.

39
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Bacia oceânica - abrange a maior superfície e se estende a partir do limite do talude continental até
aproximadamente 5 mil metros de profundidade.

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/biologia/bacias-oceanicas/33452

É constituída por extensas bacias, de topografia27 mais ou menos plana, por vezes interrompida por
dorsais ou cordilheiras e também por fossas abissais.

Dorsais - constituem as grandes cordilheiras e acompanham, em certos casos, o contorno dos


continentes. As dorsais encontradas nos oceanos Atlântico e Pacífico apresentam altitudes que variam
entre 2 e 4 km acima do fundo oceânico, emergindo em diversos pontos sob a forma e ilhas e
arquipélagos. O mais marcante exemplo de dorsal é a Meso-atlântica.

https://brasilescola.uol.com.br/geografia/dorsais-oceanicas.htm

Fossas abissais - localizam-se próximo continentes; formam as regiões de mais profundo relevo
submarino.

http://meioambiente.culturamix.com/natureza/fossas-oceanicas-ou-abissais

27
Topografia é a descrição ou delineação exata e pormenorizada de um terreno, de uma região, com todos os seus acidentes geográficos.

40
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As Correntes Marinhas
As correntes marinhas, cujo fluxo deve ter velocidade superior a 12 milhas marítimas por dia, são os
movimentos mais importantes que as águas do mar apresentam. Elas podem ser comparadas a rios de
água salgada, com temperatura diferente da massa de água oceânica por onde passam.
Além disso, elas circulam em outra velocidade em função da diferença de temperatura e salinidade,
que modificam a sua densidade.
Essa diferença de densidade entre as águas que forma as correntes e as que circundam no oceano
faz que elas tenham velocidade própria e sigam sempre uma direção regular e relativamente precisa.
O movimento e a direção das correntes dependem de ventos regulares, destacando-se os alísios28, do
movimento de rotação da Terra e do contorno dos continentes.
A importância prática do estudo das correntes marinhas reside no fato de que nelas encontram-se os
alimentos necessários à vida marinha, pois são ricas em microrganismos (plânctons) e servem de base
para a alimentação dos peixes.
Por isso as correntes constituem lugares favoráveis ao desenvolvimento de grandes cardumes e,
consequentemente, à atividade pesqueira.
Além disso, as correntes, quando se aproximam do continente, influenciam o clima das regiões
situadas junto à costa litorânea.

Alimento Marinho29
Os recursos pesqueiros são renováveis. Portanto, podemos subtrair uma parte para consumo humano,
sem prejuízo do estoque. Porém, há uma limitação na capacidade de renovação desse estoque, que é
chamada de produção máxima sustentável. Se ultrapassado esse limite, o estoque entrará no colapso e
não poderá mais recuperar aquela parte perdida.
O fator complicador de recursos pesqueiros é que a produção máxima sustentável de um estoque varia
de acordo com a disponibilidade da população e apresenta uma variação anual bastante grande. Então,
a grande questão de exploração de recursos pesqueiros é saber o quanto podemos subtrair do mar, sem
prejuízo dos estoques existentes.

Salinidade e Temperatura das Águas Marítimas


Dos minerais encontrados nas águas marinhas, o mais abundante é o cloreto de sódio, comumente
conhecido por "sal de cozinha". Além dele, aparecem também outros sais em menor quantidade, como o
cloreto de magnésio, o sulfato de magnésio e o sulfato de cálcio.
A salinidade varia de um local para outro devido à temperatura, à evaporação, às chuvas e ao
desaguamento dos rios. O valor médio da salinidade é de 35, ou seja, 35 gramas de sais por 1.000 gramas
(1 litro) de água, o que equivale a 3,5%.
Nas áreas onde a evaporação é intensa e a quantidade de chuva é pequena, a salinidade apresenta-
se mais elevada.
Já nas regiões mais frias, a salinidade é menor, devido à pequena intensidade da evaporação e à
diluição da água do mar pelo derretimento das neves.
Os mares tropicais pouco profundos (onde a evaporação é mais intensa) são mais salgados que os
situados próximo aos polos, nos quais os gelos glaciares aportam. Também são menos salgados os
mares onde deságua um maior número de rios, cujas águas, carregando diversos materiais em
suspensão, reduzem o índice de salinidade.
A temperatura das águas depende da quantidade de insolação recebida pela superfície. Como a água
demora mais tempo do que a terra para aquecer e para resfriar, a temperatura dos oceanos é mais
uniforme.
Se a temperatura das águas marinhas depende da insolação, ela será mais elevada na superfície do
que em profundidades maiores e mais elevada também na linha do Equador do que nos polos.

Poluição Marinha
Grande parte da poluição marinha é provocada por fontes terrestres:
→ indústrias e residências que despejam toneladas de detritos e rejeitos nas águas dos rios;
→ cidades que utilizam a água do mar como emissário de esgotos;
→ uso de fertilizantes e agrotóxicos em atividades agrícolas, cujo excesso é transportado pelas águas
dos rios;
→ excrementos animais nas áreas de criação, cujo excesso também é transportado pelas águas dos
rios;
28
Os ventos alísios são, por definição, deslocamentos de massas de ar em direção à Zona de Convergência Intertropical do globo terrestre.
29
MATSUURA, Yasunobu. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 31/12/1995, p. D-3, Caderno 2.

41
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→ acidentes no transporte marítimo de mercadorias;
→ elementos tóxicos utilizados nas atividades mineradoras e rejeitos das áreas de extração de
minérios, etc.
O combate à poluição marinha inclui um conjunto de normas e atitudes que depende dos processos
de controle das atividades humanas realizadas nos continentes.

As Águas Continentais
Os rios são de grande importância para a organização do espaço, haja vista que as primeiras grandes
civilizações fixaram-se às margens de rios como o Tigre, o Eufrates, o Nilo, o Indo e outros.
Diversas regiões de elevada densidade demográfica, nas quais, em muitos casos, surgiram grandes
cidades, estruturaram-se às suas margens.
Os rios podem ser usados para a irrigação (inclusive de regiões em que há pouca ocorrência de
chuvas), para a geração de energia elétrica e como via de transporte. Além disso, a pesca constitui
importante fonte de alimentação.

Água como Recurso Renovável Limitado


A água é um recurso renovável; no entanto, a forma como vem sendo utilizada, com intenso nível de
poluição, por exemplo, pode impor limites à sua disponibilidade futura.
O ciclo da água é contínuo: inclui transpiração, evaporação, condensação, precipitação, escoamento
e infiltração. Tal processo ocorre da seguinte maneira:
A água que abastece rios e lagos provém da evaporação dos oceanos, de águas no solo, da
transpiração da vegetação e dos próprios rios e lagos. Essa água se condensa e precipita-se, em forma
de chuva, neve ou granizo.
Ela então escoa pelos rios ou para debaixo da terra, preenchendo os lençóis freáticos30. Parte dela
retorna ao oceano, reiniciando o ciclo. Outra parte é absorvida, por exemplo, por plantas.

https://brasilescola.uol.com.br/biologia/ciclo-agua.htm

A distribuição do consumo mundial de água doce, de acordo com as atividades humanas, estrutura-
se, a grosso modo, da seguinte forma: a água consumida destina-se 20% às indústrias e 10% às
residências.
Nas indústrias, os ramos siderúrgico, químico e de papel são os grandes consumidores de água. Daí
a importância da reciclagem, ou seja, do tratamento e reaproveitamento da água feito pelas mesmas.
Na agricultura, a quase totalidade de água utilizada vai para a irrigação, cujo papel é importantíssimo,
pois, apesar de somente 15% das terras empregadas para a prática agrícola serem irrigadas, cerca de
metade da produção de alimentos é obtida das mesmas. A irrigação e o desperdício podem provocar
impactos ambientais irreversíveis.

30
Lençóis freáticos são os reservatórios naturais de águas subterrâneas que se acumulam entre as rachaduras das rochas.

42
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Nas regiões onde a água doce é abundante, muitas vezes ela é desperdiçada, pois são poucos os que
têm consciência do quanto ela é essencial e dos limites de sua capacidade de renovação.
Causas como o desmatamento, a compactação do solo e a impermeabilização dos asfaltos e das
edificações das cidades dificultam a infiltração da água das chuvas e diminui o volume das águas das
fontes.
Áreas de mananciais31 são constantemente ocupadas e poluídas pelos esgotos domésticos (lixo de
todo tipo é lançado nas águas dos rios).
Além do mau uso da água, a demanda por recursos hídricos tem sido cada vez maior com a ampliação
das atividades econômicas e o crescimento populacional. Por outro lado, se a demanda por água tem
crescido, o mesmo não ocorre no ambiente, no qual se verifica a manutenção de sua quantidade ou
mesmo sua redução.
Portanto, apesar de renovável, a água é um recurso finito e muitos povos do mundo sofrem com a
escassez deste recurso vital à sobrevivência humana.

A Poluição dos Rios


Os rios são de grande importância para a organização do espaço geográfico, trazendo enormes
benefícios para a sociedade. No entanto, sofrem consequências bastante negativas, como por exemplo,
o lançamento de dejetos de diversos tipos em suas águas, transformando-os em verdadeiros esgotos a
céu aberto.
Essa é a situação em que se encontra a grande maioria dos rios, os quais são muitas vezes
considerados subprodutos da sociedade urbano-industrial, que encara a natureza como fonte de matéria-
prima ou como depósito de resíduos.
Ao lado do lançamento de esgotos urbanos sem tratamento, a morte dos rios em diversos lugares do
mundo está basicamente relacionada a outros dois fatores principais: o lançamento tanto de produtos
utilizados na agricultura (como pesticidas e fertilizantes químicos), como de resíduos industriais.
Além do lançamento de resíduos, representados por diversos produtos químicos, como os metais
pesados (cobre, mercúrio, chumbo, cádmio), as indústrias são responsáveis pela chamada poluição
térmica, causada pelas usinas termelétricas que lançam nos rios água com temperatura muito superior à
existente neles.
Como os animais aquáticos são muito sensíveis à alternância brusca de temperatura, acabam
morrendo. Até porque a temperatura elevada também retira o oxigênio dos rios.
Um dos exemplos mais significativos de recuperação de rios é o da Grã-Bretanha, a pioneira na
Revolução Industrial e, por consequência, também na poluição fluvial. Foi realizado um controle rigoroso
nas indústrias, os esgotos urbanos passaram a ser tratados, e seus encanamentos foram trocados. Nas
áreas agrícolas, inspetores implementaram visitas a fazendas para impedir que pesticidas fossem jogados
nos rios.
Esse trabalho resultou na volta da vida aos rios, como o Tâmisa, que passou a ser frequentado por
focas, o Mersey, cujos afluentes recebem atualmente muitas lontras, e o Humber, cujo estuário é visitado
pela lampreia do mar, espécie de peixe bastante primitiva que só sobrevive em águas limpas.

Rio Tâmisa

https://escola.britannica.com.br/artigo/rio-T%C3%A2misa/482665

31
Mananciais são todas as fontes de água, superficiais ou subterrâneas, que podem ser usadas para o abastecimento público.

43
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Rio Mersey

https://es.wikipedia.org/wiki/R%C3%ADo_Mersey

Rio Humber

https://www.istockphoto.com/br/fotos/rio-humber?sort=mostpopular&mediatype=photography&phrase=rio%20humber

Água como uma Questão Geopolítica do Século XXI32


Em 2015, os países tiveram a oportunidade de adotar a nova agenda de desenvolvimento sustentável
e chegar a um acordo global sobre a mudança climática.
As ações tomadas nesse ano resultaram nos novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS),
que no tocante à “água”, seguem os seguintes objetivos33:

Objetivo 6. Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todas


e todos
6.1 Até 2030, alcançar o acesso universal e equitativo a água potável e segura para todos;
6.2 Até 2030, alcançar o acesso a saneamento e higiene adequados e equitativos para todos, e acabar
com a defecação a céu aberto, com especial atenção para as necessidades das mulheres e meninas e
daqueles em situação de vulnerabilidade;
6.3 Até 2030, melhorar a qualidade da água, reduzindo a poluição, eliminando despejo e minimizando
a liberação de produtos químicos e materiais perigosos, reduzindo à metade a proporção de águas
residuais não tratadas e aumentando substancialmente a reciclagem e reutilização segura globalmente;
6.4 Até 2030, aumentar substancialmente a eficiência do uso da água em todos os setores e assegurar
retiradas sustentáveis e o abastecimento de água doce para enfrentar a escassez de água, e reduzir
substancialmente o número de pessoas que sofrem com a escassez de água;
6.5 Até 2030, implementar a gestão integrada dos recursos hídricos em todos os níveis, inclusive via
cooperação transfronteiriça, conforme apropriado;
6.6 Até 2020, proteger e restaurar ecossistemas relacionados com a água, incluindo montanhas,
florestas, zonas úmidas, rios, aquíferos e lagos;

32
https://nacoesunidas.org/pos2015/.
33
https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/.

44
1634532 E-book gerado especialmente para GRAZIELA CRISTINA LEOTE
6.a Até 2030, ampliar a cooperação internacional e o apoio à capacitação para os países em
desenvolvimento em atividades e programas relacionados à água e saneamento, incluindo a coleta de
água, a dessalinização, a eficiência no uso da água, o tratamento de efluentes, a reciclagem e as
tecnologias de reuso;
6.b. Apoiar e fortalecer a participação das comunidades locais, para melhorar a gestão da água e do
saneamento.

Objetivo 14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos
para o desenvolvimento sustentável
14.1 Até 2025, prevenir e reduzir significativamente a poluição marinha de todos os tipos,
especialmente a advinda de atividades terrestres, incluindo detritos marinhos e a poluição por nutrientes;
14.2 Até 2020, gerir de forma sustentável e proteger os ecossistemas marinhos e costeiros para evitar
impactos adversos significativos, inclusive por meio do reforço da sua capacidade de resiliência, e tomar
medidas para a sua restauração, a fim de assegurar oceanos saudáveis e produtivos;
14.3 Minimizar e enfrentar os impactos da acidificação dos oceanos, inclusive por meio do reforço da
cooperação científica em todos os níveis;
14.4 Até 2020, efetivamente regular a coleta, e acabar com a sobrepesca, ilegal, não reportada e não
regulamentada e as práticas de pesca destrutivas, e implementar planos de gestão com base científica,
para restaurar populações de peixes no menor tempo possível, pelo menos a níveis que possam produzir
rendimento máximo sustentável, como determinado por suas características biológicas;
14.5 Até 2020, conservar pelo menos 10% das zonas costeiras e marinhas, de acordo com a legislação
nacional e internacional, e com base na melhor informação científica disponível;
14.6 Até 2020, proibir certas formas de subsídios à pesca, que contribuem para a sobrecapacidade e
a sobrepesca, e eliminar os subsídios que contribuam para a pesca ilegal, não reportada e não
regulamentada, e abster-se de introduzir novos subsídios como estes, reconhecendo que o tratamento
especial e diferenciado adequado e eficaz para os países em desenvolvimento e os países menos
desenvolvidos deve ser parte integrante da negociação sobre subsídios à pesca da Organização Mundial
do Comércio;
14.7 Até 2030, aumentar os benefícios econômicos para os pequenos Estados insulares em
desenvolvimento e os países menos desenvolvidos, a partir do uso sustentável dos recursos marinhos,
inclusive por meio de uma gestão sustentável da pesca, aquicultura e turismo;
14.a Aumentar o conhecimento científico, desenvolver capacidades de pesquisa e transferir tecnologia
marinha, tendo em conta os critérios e orientações sobre a Transferência de Tecnologia Marinha da
Comissão Oceanográfica Intergovernamental, a fim de melhorar a saúde dos oceanos e aumentar a
contribuição da biodiversidade marinha para o desenvolvimento dos países em desenvolvimento, em
particular os pequenos Estados insulares em desenvolvimento e os países menos desenvolvidos;
14.b Proporcionar o acesso dos pescadores artesanais de pequena escala aos recursos marinhos e
mercados;
14.c Assegurar a conservação e o uso sustentável dos oceanos e seus recursos pela implementação
do direito internacional, como refletido na UNCLOS [Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do
Mar], que provê o arcabouço legal para a conservação e utilização sustentável dos oceanos e dos seus
recursos, conforme registrado no parágrafo 158 do “Futuro Que Queremos”.

Questões

01. (COPASA – Engenheiro do Meio Ambiente – FUMARC/2018) É comum ouvir entre os leigos a
expressão “a água está acabando”, quando se noticia sobre o nível das barragens nos períodos secos.
Considerando os conhecimentos sobre o ciclo hidrológico e suas diversas etapas, podemos esclarecer
a esses leigos que
(A) as perdas de água ocorrem com o escoamento superficial, a erosão e a evaporação excessiva.
(B) a quantidade de água que circula no planeta é a mesma desde a consolidação do planeta Terra.
(C) é a monocultura que está acabando com a água, devido à exposição superficial do solo.
(D) o desmatamento e o preparo do solo para agricultura vêm reduzindo a água que circula na Terra.

02. (SEGEP/MA – Oceanógrafo – FCC) Oceanos e mares apresentam relevo submarino diverso e
peculiar contendo várias feições. A feição que se caracteriza por localizar-se na borda da plataforma
continental e apresentar inclinação acentuada, podendo atingir até três mil metros de profundidade,
denomina-se

45
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(A) dorsais.
(B) bacia oceânica.
(C) plataforma continental.
(D) talude continental.
(E) fossas abissais.

03. (Prefeitura de Fortaleza – Ciências – Prefeitura de Fortaleza) A sequência de processos


envolvidos no ciclo da água é:
(A) precipitação – escoamento pelos rios – evaporação no mar.
(B) precipitação – evaporação no mar – escoamento pelos rios.
(C) escoamento pelos rios – precipitação – evaporação no mar.
(D) evaporação no mar – transpiração – escoamento pelos rios.

Gabarito

01.B / 02.D / 03.A

Comentários

01. Resposta: B
Estudos apontam que a quantidade de água hoje existente no planeta é a mesma existente há pelo
menos 600 milhões de anos passados.

02. Resposta: D
Talude continental refere-se à inclinação mais aprofundada que a plataforma, chegando a até 3 mil
metros de profundidade.

03. Resposta: A
A água se condensa e precipita-se, em forma de chuva, neve ou granizo. Ela então escoa pelos rios
ou para debaixo da terra, preenchendo os lençóis freáticos. Parte dela retorna ao oceano, reiniciando o
ciclo.

EL NIÑO E LA NIÑA34

Alguns fenômenos provocam alterações no comportamento das chuvas, dos ventos e das
temperaturas em várias regiões, além de intrigarem a comunidade científica internacional. Entre esses
fenômenos, destacam-se o EI Niño e o La Niña.
Eles têm em comum o fato de originarem-se no Oceano Pacífico e trazerem consequências para o
clima de todo o mundo, embora de formas diferentes.
O EI Niño recebeu esse nome em homenagem ao menino Jesus, porque foi percebido por pescadores
peruanos na época do Natal.
Já o La Niña foi assim chamado por ter características opostas ao EI Nino.

EI Niño

O EI Niño caracteriza-se pelo aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico, no litoral do Peru.
Tal fenômeno não tem as causas totalmente conhecidas e altera o padrão de ventos na região,
caracterizando a mudança no comportamento dos ventos alísios.
Em situação normal, esses ventos sopram sobre esse trecho do oceano, empurrando as águas mais
quentes da superfície em direção à Austrália. Desse modo, na costa do Peru as águas frias da corrente
de Humboldt vêm à superfície (fenômeno conhecido como ressurgência), tornando a região uma das mais
ricas áreas de pesca do mundo. Isso porque as baixas temperaturas permitem o desenvolvimento de
algas, que servem de alimento para várias espécies de peixes.
Em certos anos, não se sabe exatamente por quê, os ventos alísios diminuem sua velocidade sobre o
Pacífico ocidental e podem mudar de sentido. As águas quentes, que seriam arrastadas para o sul da
Austrália, acumulam-se na costa do Peru. Desse modo, as águas frias vão para as camadas mais
profundas e provocam a diminuição da quantidade de peixes.

34
https://mundoedu.com.br/uploads/pdf/5372709ba2a14.pdf.

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O aumento da temperatura das águas oceânicas faz aumentar a evaporação, provocando a formação
de nuvens e alterando o sistema global de circulação de ar. Ao alterar o sistema global de circulação do
ar, responsável pelo comportamento das temperaturas e das chuvas nos oceanos e nos continentes, o
EI Niño provoca mudanças no clima em todo o mundo. Desse modo, chove mais que o normal em alguns
lugares e há secas prolongadas em outros.
A influência do EI Niño atinge Brasil, Peru. Chile. Estados Unidos, Austrália, índia. Filipinas e Indonésia.

Abaixo a figura demonstra a circulação dos ventos observada no oceano Pacífico ocidental em
situação normal, sem a presença do El Niño. As setas vermelhas representam os ventos alísios, que
sopram próximo à superfície, de leste para oeste, ou seja, da América para a Ásia e a Oceania; as cores
avermelhadas representam as águas mais quentes, e as azuladas, as águas mais frias.

Já no caso da próxima figura, a circulação dos ventos observada no oceano Pacífico ocidental com a
presença do El Niño. Os ventos alísios, que sopram com menos velocidade, podem mudar de sentido,
indo de oeste para leste, ou seja, da Ásia e da Oceania para a América.
As águas quentes, representadas pelas cores avermelharias, podem ser observadas em quase toda a
sua extensão.

La Niña

La Niña, que é o resfriamento do Pacífico ocidental, vem sendo estudado há mais de dez anos, mas
sabe-se menos dele do que do EI Niño.
No Brasil, no ano de ocorrência do La Niña, faz mais frio. Principalmente no Acre, em Rondônia, no
Centro-Oeste e no Sudeste.
No Sul, ocorrem secas de modo geral, ao passo que, no litoral do Nordeste, as chuvas são mais
frequentes.
Sob a influência do La Nina, têm ocorrido mais chuvas, tempestades, furacões e invernos recordes na
América do Norte, chuvas intensas na índia e na Indonésia e frio e inundações no Chile e no Peru.

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Observe a imagem abaixo:

A imagem seguinte demonstra os efeitos de ambos fenômenos no Brasil.

Questões

01. (FUVEST) “Menino travesso: El Niño retorna mais poderoso e ameaça enlouquecer o tempo em
todo mundo”. (Revista “Veja” 27/08/97 p. 42-43). A notícia anterior exemplifica a ampla cobertura da mídia sobre esse
fenômeno, geralmente relacionado à
(A) atuação inesperada da massa de ar úmida que, ao resfriar as águas do Oceano Pacífico, eleva os
índices de evaporação e intensifica as chuvas de monções no SE asiático.
(B) presença de correntes marítimas com baixas temperaturas na costa ocidental americana,
justificando a diminuição dos cardumes no Chile e as estiagens no SE do Brasil e dos EUA.
(C) inversão térmica oceânica que aquece parte das águas superficiais do Pacífico, aumenta o número
de tempestades marítimas e desregula os índices de chuva na região tropical.
(D) temporada de furacões e episódios de secas nas costas ocidentais americanas, devido ao aumento
da força dos ventos tropicais que sopram da Ásia em direção à América do Sul.
(E) formação de ondas que trazem à tona as águas mais frias do fundo do Oceano Pacífico,
intensificando os índices de aridez no Peru e Sul do Brasil e as inundações na Ásia tropical.

02. (EsPCEx) Sobre os principais efeitos do fenômeno “El Niño” nas diferentes regiões do Brasil, pode-
se afirmar que
(A) na Região Sul, o volume de chuva se reduz significativamente, sobretudo no fim do outono e
começo do inverno.
(B) prejudica a pecuária e compromete o abastecimento de água no Sertão, podemos atingir também
o Agreste e a Zona da Mata Nordestina.
(C) provoca grandes inundações na porção leste da Amazônia, prejudicando a atividade agrícola na
região.
(D) traz mais benefícios do que prejuízos à agricultura no Sul do País, uma vez que interrompe os
longos períodos de estiagem característicos do clima subtropical litorâneo.
(E) ao contrário da “La Niña”, intensifica o volume de chuvas e aumenta a temperatura média em todas
as regiões do País.

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03. (PUC-RIO)

O aumento da temperatura média do oceano Pacífico nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro
entre a América do Sul e a Oceania, apresentado como uma mancha na gravura ao lado, é um velho
fenômeno reconhecido por navegadores europeus e pelo povo inca, desde o século XVI, mas que só
passou a ser estudado a partir do final do século XX. Sobre esse fenômeno, é CORRETO afirmar que se
trata do (a):
(A) El Niño, que se forma nos meses de inverno no hemisfério sul do planeta, acarretando chuvas
desenfreadas em algumas regiões do planeta e secas em outras;
(B) La Niña, que ocorre no verão e provoca veranicos na costa ocidental da América do Norte e
ressacas violentas na América do Sul;
(C) El Niño, que provoca chuvas intensas no litoral ocidental da América do Sul, seca no Nordeste e
enchentes no Sul brasileiro;
(D) La Niña, que é um evento frio que promove estiagem no Sul e chuvas no Nordeste do Brasil;
(E) Nenhuma das afirmações anteriores está correta.

04. (UDESC) O nosso planeta vem sofrendo mudanças climáticas há muito tempo.
Entre as mudanças, pode-se destacar a ocorrência do EL Niño, um fenômeno climático que se
manifesta como um aquecimento das águas do Oceano Pacífico nas proximidades do Equador. Uma das
consequências para o Brasil da ocorrência deste fenômeno são:
(A) seca no Brasil meridional e seca intensa no nordeste do Brasil.
(B) enchentes no Brasil meridional e seca na região do clima semiárido nordestino e extremo norte do
país.
(C) seca no Brasil meridional e ocorrência de chuvas acima da média no norte do Brasil.
(D) enchentes no sudeste do Brasil e chuvas acima da média no nordeste do Brasil.
(E) enchentes no Brasil meridional e enchentes na região sudeste do Brasil.

05. (UFT) El Niño é um fenômeno oceânico caracterizado pelo aquecimento incomum das águas
superficiais nas porções central e leste do oceano pacífico, nas proximidades da América do Sul, mais
particularmente na costa do Peru. A corrente de águas quentes que ali circula, em geral, na direção sul
no início do verão, somente recebe o nome de El Niño quando a anomalia térmica atinge proporções
elevadas (1º C) ou muito elevadas (de 4 a 6º C) acima da média térmica, que é de 23º C. Este fenômeno
se faz notar com maior evidência nas costas peruanas, pois as águas provenientes do fundo oceânico
(fenômeno conhecido como ressurgência) e da corrente marinha de Humboldt são interceptadas por
águas quentes oriundas do norte e oeste. Essa alteração regional assume dimensões continentais e
planetárias à medida que provoca desarranjos de toda a ordem em vários climas da Terra. (Mendonça e Danni-
Oliveira, 2007)
Ainda sobre a influência do fenômeno El Niño na dinâmica climática mundial pode-se afirmar que:
I. Afetando a dinâmica climática em escala global, a ocorrência do fenômeno gera bruscas alterações
climáticas no mundo.
II. Influenciando a dinâmica climática em escala global, o fenômeno gera impactos generalizados sobre
as atividades humanas causados por inúmeras catástrofes ligadas a severas secas, inundações e
ciclones.
III. Mesmo com maior influência nas costas peruanas, o fenômeno não interfere na dinâmica climática
local e regional.
IV. Além de atuar na costa pacífica da América do Sul, o El Niño provoca graves perturbações
climáticas (secas anormais ou, ao contrário, ciclones e chuvas com totais pluviométricos extremamente
elevados em relação às normais locais e regionais) em regiões isentas de tais eventos.

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V. Apesar de atuar na costa pacífica da América do Sul este fenômeno não traz mudanças climáticas
significativas para a região.
Com base no texto, as assertivas verdadeiras são:
(A) I, II, III e IV.
(B) I, III, IV e V.
(C) II, IIII, e IV.
(D) I, II, e IV.
(E) II, IV e V.

Gabarito

01.C / 02.B / 03.C / 04.B / 05.D

QUESTÕES AMBIENTAIS DO PLANETA35

Os Problemas Ambientais: A Degradação Ambiental e seus Impactos

Como introdução ao conteúdo de problemas ambientais mundiais, iniciemos observando a seguinte


manchete:
“As marcas da destruição do planeta - Nações Unidas radiografam em quinze fotos, a saúde da
Terra e advertem que os Estados não estão no caminho certo para cumprir os principais tratados
internacionais sobre meio ambiente”. (https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/13/album/1552476582_773089.html#foto_gal_5)
Vamos observar abaixo as fotos chocantes e suas legendas:

1) Caranguejo preso em um copo de plástico no mar na Passagem de Isla Verde, nas Filipinas, em 7
de março de 2019.

2) Algumas vacas atravessando a lagoa seca de Aculeo, em Paine (Chile), em 9 de janeiro de 2019.

35
TAMDJIAN, James Onning. Geografia: estudos para compreensão do espaço. 2ª edição. São Paulo: FTD, 2013.

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3) Poluição causada por veículos em uma rua em Nova Delhi (Índia), em 14 de novembro de 2017.

4) Cão sobre uma montanha de lixo em Nova Delhi (Índia), em 5 de março de 2019.

5) Casal junto a seus animais, resgatados de uma inundação em Burgaw, Carolina do Norte (Estados
Unidos), em 17 de setembro de 2018.

6) Chaminés de uma refinaria de petróleo no estado de Utah (Estados Unidos), em 10 de dezembro


de 2018.

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7) Voluntários limpando a baía de lixo de Lampung em Sumatra, em 21 de fevereiro de 2019.

8) Edifícios envoltos por uma nuvem de poluição em Seul (Coréia do Sul), em 6 de março de 2019.

9) Grupo de trabalhadores protegendo-se da poluição com máscaras durante uma manifestação em


Seul (Coreia do Sul) em 6 de março de 2016.

10) Vista aérea de uma área desmatada da floresta amazônica, no sudeste do Peru, causada pela
mineração ilegal, em 19 de fevereiro de 2019.

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11) Bombeiros tentando apagar um incêndio na aldeia grega de Kineta, em 24 de julho de 2018.

12) Vista aérea da ponte ferroviária derrubada por um deslizamento de terra após o colapso, em 25 de
janeiro de 2019, de uma barragem em uma mina de minério de ferro em Brumadinho, Minas Gerais.

13) Restos mortais de um urso polar morto como resultado da falta de comida devido à mudança
climática, fotografado em julho de 2013, no oeste de Svalbard (Groenlândia).

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14) Vista aérea do desaparecimento do mar de Aral em 2018, no Uzbequistão.

15) Mergulhadores nadando em uma cama de corais mortos na Ilha Tioman da Malásia, em 2018.

Feita a análise das fotos acima, podemos concluir que a humanidade está diante de uma terrível crise
ambiental.
O modelo de desenvolvimento econômico calcado no avanço do industrialismo, no consumismo
desenfreado e na exploração cada vez mais intensa dos recursos naturais do planeta tem levado tanto
ao agravamento quanto ao surgimento de novos problemas ambientais.
Diante dos problemas ambientais existentes no passado, os sintomas da crise ambiental
contemporânea adquiriram proporções jamais alcançadas, atingindo, inclusive, as áreas mais remotas e
inóspitas do planeta, como as regiões polares, que já sofrem os efeitos das alterações climáticas
desencadeadas pela intensa poluição atmosférica.
Esse exemplo do derretimento das geleiras polares no Ártico, decorrente do aquecimento atmosférico
global, nos revela também outra face da problemática ambiental contemporânea, em que os problemas
ambientais deixaram de se restringir no âmbito local ou regional para se tornarem questões de ordem
planetária.

As Origens dos Problemas Ambientais

Desde a Antiguidade, o ambiente é um tema discutido pelas sociedades. Na Grécia antiga, por
exemplo, os filósofos já debatiam sobre qual era a essência de tudo o que existe no mundo, especialmente
da água, da terra, do fogo e do ar.
As poucas, mas significativas, descobertas feitas por eles levaram-nos a acreditar que a Terra era
perfeitamente harmônica, concebida por algo divino e de extrema inteligência.

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Aristóteles (c. 485 a.C-420 a.C.), um dos maiores pensadores gregos, defendia que todas as coisas
na Terra, vivas e não vivas (como as rochas), tinham uma profunda ligação entre si e até mesmo uma
essência comum, sendo úteis para a sobrevivência. Pouco a pouco se desenvolveu a ideia de que a Terra
é um gigantesco ser vivo.
Na Revolução Industrial (séculos XVIII e XIX), o ambiente passou a ser tratado isoladamente, como
se fosse um conjunto de elementos que não tinham nenhuma relação com a sociedade e existiam apenas
para atender às suas necessidades.
Dentro desse contexto histórico, com suas características sociais, econômicas e políticas, os
interesses econômicos privados tomaram-se explícitos e prevaleceram sobre qualquer alerta de
problemas ambientais que poderiam surgir em longo prazo.
De meados do século XIX até os nossos dias, ocorreu um verdadeiro saque aos recursos naturais e
uma destruição de muitos elementos da natureza.

A Sociedade de Consumo
Vivemos em uma sociedade marcada e dominada pela lógica do consumo. Todos os seus
componentes, jovens, adultos e idosos, sejam eles ricos ou pobres, estão inseridos nesse contexto.
Grande parte dos meios de comunicação faz uma ligação entre o consumo e o prazer. São centenas
de milhares de produtos apresentados como necessários para se alcançar a felicidade.
É cada vez mais comum observarmos que o ato de consumir é colocado como uma das formas que
permite ao cidadão ou ao indivíduo sentir-se inserido na sociedade.
A expansão acelerada do consumismo acarreta alta demanda de energia, minérios, água e tudo o que
é necessário à produção e ao funcionamento dos bens de consumo. Esse padrão vem se difundindo em
todo o globo, por uma espécie de globalização do consumo, que vem crescendo a cada ano.
Extensos estudos feitos pela ONU, por meio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento,
alertam para a velocidade de utilização dos recursos naturais, que já é muito maior que a capacidade de
regeneração da natureza, uma vez que a reposição de alguns elementos é impossível, pois a escala de
tempo para a sua formação é milhões de vezes maior que a da vida média dos seres humanos.

O Consumo e seus Impactos no Espaço Urbano


O consumo crescente também altera a paisagem urbana. As melhores áreas e as mais centrais, ou
ainda com melhor acessibilidade, normalmente são dominadas pelo setor comercial, gerando uma
hipervalorizarão dos imóveis em seu entorno.
Essa especulação imobiliária nos grandes centros urbanos empurrou e ainda empurra um grande
número de trabalhadores para locais distantes dos seus postos de trabalho. Quanto maiores forem os
deslocamentos, maiores serão os custos de transporte e a poluição gerada.
Um exemplo disso é a produção de veículos, que por sua vez está atrelada à produção de aço,
petróleo, ferramentas e máquinas. Em uma sociedade de consumo, o investimento em transporte deve
se manter vinculado à produção de mercadorias a serem transportadas. Portanto, mais consumo, maior
produção; maior produção, mais transportes; mais transportes, maior emissão de poluentes.
Por fim, a produção de energia deve também acompanhar o crescimento de todas essas atividades
econômicas, o que demanda também maior produção de equipamentos. Note, portanto, que estamos
praticamente em um ciclo vicioso.

O Desenvolvimento Sustentável

Apesar de relativamente recente, a ideia de desenvolvimento sustentável vem ganhando espaço com
o desenvolvimento das relações internacionais intensificadas pelo aumento das trocas comerciais,
principalmente nos últimos 200 anos.
Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) é que essas preocupações ganharam relevância.
Uma das principais razões para isso foi a tragédia das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki (1945),
que mataram centenas de milhares de pessoas. Ao deixar um rastro de radioatividade, as bombas
ampliaram muito as ocupações ambientais de uma considerável parcela da população mundial.
Com a criação da ONU, em 1945, as relações internacionais passaram por uma mudança que também
atingiu a questão ambiental. Em 1949 ocorreu a conferência das Nações Unidas para a Conservação e
Utilização dos Recursos (Unscur), em Nova York.
Em 1968, intelectuais, empresários e líderes políticos criaram uma organização voltada ao debate
sobre o futuro da humanidade, o chamado Clube de Roma, que financiava pesquisas para publicação de
relatórios importantes.

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Em 1972 eles lançaram o relatório Limites do crescimento, em conjunto com cientistas do
Massachusetts Institute of Technology (MIT). Esse relatório gerou muita polêmica, pois basicamente
afirmava que, se continuassem os ritmos de crescimento da população, da utilização dos recursos
naturais e da poluição, a humanidade correria sérios riscos de sobrevivência no final do século XXI.

Um Novo Patamar de Discussões a partir de 1972


Em 1972, a ONU organizou a Conferência de Estocolmo, conhecida também como a Primeira
Conferência Internacional para o Meio Ambiente Humano.
Já se sabia que a economia do planeta consumia um volume cada vez maior de combustíveis fósseis
e recursos não renováveis, lançando bilhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera, criando
assim, uma grande instabilidade climática.
Era preciso reduzir o impacto das atividades econômicas, mas, para isso, fazia-se necessário reduzir
o consumo e o desperdício. Começava, então, uma corrida para se atingir o desenvolvimento sustentável.
Efetivamente, poucos avanços foram conseguidos ao final desse encontro em 1972. Porém, a
sensibilização das lideranças da comunidade internacional acabou levando a ONU a criar, naquele
período, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, conhecida pela sigla Pnuma.
No entanto, tanto os países em desenvolvimento quanto os muito pobres não estavam interessados
em abrir mão das vantagens do desenvolvimento econômico em nome da preservação ambiental. Assim,
como havia muitas discussões sem solução, foi adotado um primeiro conceito chamado
“ecodesenvolvimento36”.
Somente em 1987 o Pnuma divulgou o relatório Nosso futuro comum, sendo o primeiro grande
documento científico que apresentou com detalhes as causas dos principais problemas ambientais e
ecológicos.
A grande contribuição desse documento foi a popularização do chamado desenvolvimento
sustentável, como um aperfeiçoamento do ecodesenvolvimento.
Para atingir o desenvolvimento sustentável seria necessário:
→ A implantação de projetos econômicos baseados em tecnologias menos agressivas ao ambiente
como uma forma de ajuda ao combate das instabilidades e do subdesenvolvimento, que representavam
um risco para o equilíbrio ecológico, justamente pela falta de recursos para implementar as mudanças
necessárias;
→ O combate da pobreza humana, uma vez que populações desempregadas e desamparadas tendem
a retirar recursos da natureza de forma descontrolada para sua sobrevivência, incluindo assim, o conceito
de desenvolvimento social;
→ A tomada de decisões sobre os caminhos a serem tomados, com ampla participação da sociedade,
para que fossem revertidos em resultados positivos ao equilíbrio ambiental, incluindo assim, a
democracia.
Assim, definiu-se o conceito de desenvolvimento sustentável:
Desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades da geração presente sem
comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades.

Eco 92

Em junho de 1992, a ONU organizou na cidade do Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas
sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Cnumad), que ficou conhecida como Cúpula da Terra ou Eco
92.
Entre os objetivos principais dessa conferência, destacaram-se:
→ Examinar a situação ambiental mundial desde 1972 e suas relações com o estilo de
desenvolvimento vigente;
→ Estabelecer mecanismos de transferência de tecnologias não poluentes aos países
subdesenvolvidos;
→ Incorporar critérios ambientais ao processo de desenvolvimento;
→ Prever ameaças ambientais e prestar socorro em casos emergenciais;
→ Reavaliar os organismos da ONU, eventualmente criando novas instituições para implementar as
decisões da conferência.
Abaixo vamos conhecer algumas resoluções e documentos importantes da ECO-92.

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O ecodesenvolvimento é um conjunto de ideias e procedimentos que dão prioridade ao processo criativo de transformação do meio em que vivemos, porém,
com a ajuda de técnicas ecologicamente corretas e que sejam adequadas a da um dos lugares. São as populações desses lugares que devem se envolver, se
organizar, utilizar os recursos naturais de forma prudente e procurar soluções que em a um futuro digno.

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A Convenção do Clima
A Convenção do Clima atribuiu aos países desenvolvidos a responsabilidade pelas principais emissões
poluentes, dando a eles os encargos mais importantes no combate às mudanças do clima. Aos países
em desenvolvimento, concedeu-se a prioridade do desenvolvimento social e econômico, mantendo,
porém, a tarefa de controlar suas parcelas de emissões de poluentes na medida em que se
industrializassem. As recomendações da convenção foram:
→ Adotar políticas que promovessem eficiência energética e tecnologias mais limpas;
→ Reduzir as emissões do setor agrícola;
→ Desenvolver programas que protegessem os cidadãos e a economia contra possíveis impactos da
mudança do clima;
→ Apoiar pesquisas sobre o sistema climático;
→ Prestar assistência a outros países em necessidade;
→ Promover a conscientização pública sobre essa questão.
Infelizmente os acordos da Eco 92 ficaram apenas no plano das boas intenções.

A Convenção da Biodiversidade
Nessa convenção, estava prevista a transferência de parte dos recursos ou lucros obtidos com a
exploração e comercialização dos recursos naturais para o seu local de origem, que receberia esse
volume de dinheiro para aplicar em programas de preservação e de educação ambiental.
Esse tratado visava a favorecer o diálogo Norte-Sul, ou seja, as relações entre os países desenvolvidos
e as nações em desenvolvimento. Porém, muito pouco foi feito.
A evolução dos estudos genéticos levou a biotecnologia a adquirir a capacidade de alterar e reproduzir
organismos, como plantas e seres vivos em geral. Esse fato dotou os países ricos da possibilidade de
explorar produtos naturais e modificá-los geneticamente, adquirindo o direito de patentear tais espécies.
Isso abriu espaço para a biopirataria.

A Agenda 21
Esse documento, assinado pela comunidade internacional durante a Eco 92, assumiu compromissos
para a mudança do padrão de desenvolvimento no século XXI. Ou seja, a Agenda 21 procurou traduzir
em ações o conceito de desenvolvimento sustentável.
O termo "agenda" teve, nesse caso, o sentido de intenções, isto é, de propostas de mudanças, visando
a criar um modelo de civilização pelo qual sejam possíveis a convivência e a simultaneidade do equilíbrio
ambiental com a justiça social entre as nações.
A Agenda 21 buscava:
→ Geração de emprego e de renda;
→ Diminuição das disparidades regionais e interpessoais de renda;
→ Mudança nos padrões de produção e consumo;
→ Construção de cidades sustentáveis;
→ Adoção de novos modelos e instrumentos de gestão.
No entanto, para alcançar essas metas, era preciso mobilizar, além dos governos, todos os segmentos
da sociedade.

Uma Nova Etapa Pós Eco 92: o Protocolo de Kyoto

Como estava previsto na Convenção do Clima, assinada durante a Eco 92, deveria ocorrer um novo
encontro internacional para se discutir a redução da emissão de gases responsáveis pelo aumento da
temperatura do planeta.
Tal reunião ocorreu em 1997, em Kyoto, no Japão, onde líderes de 160 nações assinaram um
compromisso que ficou conhecido como Protocolo de Kyoto.
Esse documento previa, entre 2008 e 2012, um corte de 5,2% nas emissões dos gases causadores do
efeito estufa, em relação aos níveis de 1990.
Para entrar em vigência, o Protocolo de Kyoto deveria ser ratificado por, no mínimo, 55 governos, que,
se somados, representariam no mínimo 55% das emissões de CO² produzidas pelos países
industrializados. Essa porcentagem foi adotada para que os Estados Unidos, um dos maiores poluidores
do planeta, não pudesse impedir, sozinho, a adoção dessas medidas.

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A Rio+10

Em 2002, mais uma vez a ONU tentou estabelecer ações globais para a melhoria da qualidade de
vida. Tal medida ficou conhecida como Rio+10, a Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável,
que se realizou em Johanesburgo, na África do Sul. Os principais temas então abordados foram:
Clima e energia: foi estabelecido o uso de energias limpas, mas não foram determinadas as metas.
Por isso, os ambientalistas protestaram, afirmando que o texto permitia a inclusão da energia nuclear, já
que incentivava as energias avançadas;
Subsídio agrícola: segundo muitos críticos, a superficialidade do texto fortaleceu a OMC, controlada
pelos países ricos, e esvaziou o papel mediador da ONU;
Protocolo de Kyoto: desde o protocolo, pouco mudou, pois os países que não haviam assinado até
então, apenas prometeram que estudariam o caso (exceto os Estados Unidos, que até mesmo abandonou
a reunião antes de seu final);
Biodiversidade: decidiu-se reduzir o ritmo de desaparecimento de espécies em extinção e repassar
os recursos obtidos pela exploração de produtos naturais para seus locais de origem;
Água e saneamento: foi decidido que se devia aumentar o número de pessoas com acesso à água
potável. Os críticos afirmaram, porém, que o texto poderia ser mais específico quanto aos procedimentos
conjuntos a serem adotados;
Transgênicos: foram objeto de polêmica, pois as organizações supranacionais recomendaram que
regiões com fome crônica adotassem esses alimentos. Por outro lado, o mesmo documento dizia que os
países teriam o direito de rejeitar os transgênicos até o surgimento de estudos mais conclusivos;
Pesca e oceano: o tema constituiu a maior conquista da reunião, já que previa a criação de áreas de
proteção marinha e a abolição imediata de qualquer subsídio à atividade pesqueira irregular.

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC)

No fim dos anos 1980, aumentou-se a percepção de que as atividades humanas eram cada vez mais
prejudiciais ao clima do planeta. A ONU convocou cientistas do mundo todo para acompanhar esse
processo e, com a colaboração de 130 governos, criou-se o Painel Intergovernamental de Mudanças
Climáticas (IPCC).
O principal papel desse organismo foi o de criar relatórios e documentos para acompanhar a situação
ambiental do planeta e também o de fornecer essas informações para a Convenção do Quadro das
Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, órgão responsável por essas discussões.
Em 2007, o IPCC recebeu, junto com o ex-vice-presidente estadunidense AI Gore, o prêmio Nobel da
paz, pelo trabalho de divulgação e busca de conscientização sobre os riscos das mudanças climáticas.
Veja os principais alertas do IPCC:
→ A temperatura da Terra deve subir entre 1,8ºC e 4ºC, nas próximas décadas, o que aumentaria a
intensidade de tufões e secas, ameaçaria um terço das espécies do planeta e provocaria epidemias e
desnutrição;
→ O derretimento das camadas polares poderia fazer com que os oceanos se elevassem entre 18 e
58 cm até 2100, fazendo desaparecer pequenas ilhas e, assim, obrigando centenas de milhares de
pessoas a aumentar o fluxo dos chamados "refugiados ambientais".

A Conferência de Copenhague

Em dezembro de 2009, realizou-se em Copenhague, Dinamarca, a Cop-15 (Conferência da ONU sobre


Mudanças do Clima), tendo como princípio norteador, as responsabilidades comuns, porém
diferenciadas. Mas o que seria isso?
Os países industrializados, que historicamente foram os primeiros a lançar uma quantidade maior de
CO² e outros gases de efeito estufa na atmosfera, teriam uma responsabilidade maior no corte de
emissões. Acreditava-se que eles fossem assumir plenamente uma meta de 25 a 40% de redução até
2020. Os países emergentes seguiriam o mesmo caminho, mas com outras metas.

A Rio+20

Em 2012, o Rio de Janeiro foi sede de um evento para marcar o 20º aniversário da Conferência das
Nações Unidas sobre Desenvolvimento do meio Ambiente, realizada em 1992, conhecida como Rio 92.
O encontro foi popularmente chamado de Rio+20.

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A meta principal foi fazer um balanço dos últimos anos na busca de um modelo econômico baseado
no desenvolvimento sustentável. Uma das principais resoluções foi transformar o Programa das Nações
Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) numa agência da ONU, como por exemplos, a Organização
Mundial da Saúde (OMS) ou a Organização Mundial do Comércio (OMC), o que lhe daria mais poderes
e recursos.
Um exemplo de avanço na Rio+20 foram acordos para a redução da emissões de gases causadores
de efeito estufa.

Os Principais Problemas Ambientais do Planeta

Poluição Atmosférica
A poluição do ar consiste no lançamento e acúmulo de partículas sólidas e gases tóxicos que se
concentram na atmosfera terrestre alterando suas características físico-químicas.
De maneira geral, os poluentes atmosféricos podem ser produzidos por fontes primárias ou
secundárias.
Os poluentes primários são aqueles liberados diretamente das fontes de emissão, como os gases que
provém de queimadas em florestas ou da queima de combustíveis fósseis (petróleo e carvão), lançados
do escapamento dos veículos automotores e também das chaminés das fábricas, entre eles, monóxido
de carbono (CO), dióxido de carbono (CO²), dióxido de enxofre (SO²) e metano (CH4).
Os poluentes secundários, por sua vez, são aqueles formados na atmosfera a partir de reações
químicas entre poluentes primários e componentes naturais da atmosfera, como o ácido sulfúrico
(H²SO4), ácido nítrico (HNO³) e ozônio (O³). A esses poluentes somam-se ainda materiais particulados
que abrangem um grande conjunto de poluentes formados por poeiras, fumaças, materiais sólidos e
líquidos, que se mantêm suspensos na atmosfera.
Desde o início da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, o nível de poluentes na atmosfera
terrestre vem aumentando exponencialmente com o avanço da industrialização, dos meios de transportes
e demais atividades econômicas que se desenvolvem apoiadas na queima de combustíveis fósseis.
Milhares de toneladas de gases poluentes são lançados todos os dias na atmosfera terrestre,
desencadeando uma série de problemas ambientais, com impactos que ocorrem tanto em escalas local
e regional (como o fenômeno das inversões térmicas e das chuvas ácidas) quanto em escala global (como
a diminuição da camada de ozônio e a ocorrência do efeito estufa).
A alta concentração de poluentes no ar forma uma camada de partículas em suspensão, parecida com
uma neblina, conhecida como smog, fazendo com que a visibilidade diminua. Também causa muitos
problemas de saúde, principalmente relacionados ao sistema respiratório e cardiovascular.
Em grandes centros urbanos dos países industrializados, é frequente os níveis de poluição do ar
ultrapassarem os limites estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Esses gases
poluentes são provenientes da queima de florestas e, em especial, de combustíveis fósseis (petróleo e
carvão). Os principais agentes poluidores são os veículos automotores e as indústrias, sobretudo as
termelétricas, siderúrgicas, metalúrgicas, químicas e refinarias de petróleo.
Um exemplo disso é a população chinesa, que é aconselhada constantemente a usar máscara para
sair às ruas, evitar exercícios ao ar livre e, em dias críticos, é alertada a permanecer no interior de suas
casas, devido aos altos níveis de poluição do ar encontrados em diversas províncias do país. Foram
registradas milhares de mortes, principalmente na última década, decorrentes de problemas respiratórios
e cardiovasculares agravados pela poluição do ar.

Inversão Térmica
Em condições normais, o ar presente na Troposfera37 costuma circular em movimentos ascendentes,
o que ocorre em razão das diferenças de temperatura entre o ar mais aquecido e, portanto, mais leve,
nas camadas mais baixas, e o ar mais frio e mais denso, nas camadas mais elevadas.
Em regiões afetadas por intensa poluição atmosférica, como os grandes centros urbanos, a fuligem e
os gases poluentes lançados pelas chaminés das fábricas e pelo escapamento dos veículos automotores
tendem a se dispersar por meio dessas correntes ascendentes.
Em dias mais frios, com baixas temperaturas e pouco vento, típicos do outono e do inverno, a ausência
de corrente de ar dificulta a dispersão dos poluentes atmosféricos. Nessa situação, o ar em contato com
a superfície mais fria também se resfria, ficando aprisionado pela camada de ar mais quente acima, o que
impede a dispersão dos poluentes atmosféricos.

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A troposfera é a camada mais baixa da atmosfera terrestre, sendo a região em que vivemos e onde ocorrem os fenômenos meteorológicos.

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https://www.todamateria.com.br/inversao-termica/

Tem-se, assim, uma inversão da temperatura do ar atmosférico, a chamada inversão térmica,


fenômeno que pode ser observado na forma de uma faixa cinza-alaranjada no horizonte dos grandes
centros urbanos.

https://www.ecycle.com.br/4175-inversao-termica.html

Com a ausência dos ventos ascendentes, os poluentes atmosféricos deixam de dispersar e


concentram-se próximos à superfície, o que compromete a qualidade do ar e gera problemas de saúde
aos habitantes das grandes cidades.
Quando expostas aos altos índices de poluição, muitas pessoas apresentam sintomas como dores de
cabeça, coceira na garganta e irritação nos olhos, crises alérgicas e pulmonares, problemas que afetam
principalmente crianças e idosos, mais sensíveis à poluição.

As Mudanças Climáticas
A humanidade já passou por períodos mais quentes que o atual e por períodos muito frios também.
Dessa forma, muitos podem afirmar que as preocupações com o aquecimento são exageradas e que
a Terra vai passar por períodos de resfriamento tal qual já ocorreu.
Isso não é verdade. O problema está no fato de que se ampliou muito a emissão de CO² na atmosfera
desde o início da Revolução Industrial.
As fábricas e as indústrias usavam e ainda usam carvão mineral para gerar energia. Com o avanço
das tecnologias, o petróleo passou a ser usado também como matéria-prima e fonte de combustíveis para
muitos sistemas de transporte.
Apesar de a emissão de poluentes não ser igual em todos os países e de os mais industrializados
terem responsabilidade maior nesse processo, hoje já é possível afirmar que se trata de um problema
global.
Grandes quantidades de poluição produzidas em um lugar podem atingir outras localidades do planeta,
em função da circulação das massas de ar que transportam esses rejeitos.

O Desequilíbrio no Efeito Estufa


O principal problema causado pelo CO² e por outros poluentes é o desequilíbrio no efeito estufa.
Efeito estufa é um fenômeno natural, em que alguns gases funcionam como retentores de calor,
condição fundamental para manter a existência de vida no planeta.

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https://www.grupoescolar.com/a/b/A6A65.jpg

As temperaturas médias no mundo subiram muito nos últimos 150 anos, e a explicação está no
acúmulo de gases causadores do efeito estufa.
O metano é outro gás muito agressivo. Sua capacidade de reter calor na atmosfera é 23 vezes maior
que a do gás carbônico. Cerca de 30% das emissões mundiais de metano estão ligadas à pecuária, mas
o metano é liberado também por outras fontes, como a queima de gás natural, de carvão e de material
vegetal e também por campos de arroz inundados, esgotos, aterros e lixões.
Entre os exemplos mais bem-sucedidos de combate à poluição atmosférica podemos citar a
estruturação de áreas urbanas com base na circulação de transporte público e bicicletas ao longo de
corredores e ciclovias, o que contribui para reduzir as emissões provenientes dos automóveis.
Promover o uso de combustíveis alternativos, como o etanol e o biodiesel, que emitem menos gases
poluentes do que a gasolina e o diesel convencional, além do desenvolvimento de carros elétricos,
também podem ser medidas válidas para minimizar a poluição; porém, elas não reduzem a dependência
da população em relação ao automóvel, objetivo que deve estar na agenda de qualquer sociedade
sustentável.

O Buraco na Camada de Ozônio


No final do século XVIII e início do século XIX, o cientista holandês Martin van Marum, descobriu um
gás com cheiro muito forte durante algumas experiências com reações químicas.
Anos depois, o cientista alemão Christian Friedrich Schönbein, chamou esse gás de ozônio, quando
percebeu que ele era liberado nos processos químicos de purificação da água.
Schönbein também notou que esse gás subia pelo ar rapidamente e adquiria uma cor azul bem pálida.
Ele acreditava então que o ozônio existia em grande quantidade nas altas camadas da atmosfera, fato
que veio a ser comprovado por Gordon Miller Bourne Dobson por volta dos anos 1920.
Por meio dessas pesquisas foi possível perceber que a camada de ozônio é um filtro natural para a
Terra. A constituição química do gás detém os raios solares nocivos à saúde humana, portanto, a camada
de ozônio é um dos elementos mais importantes para a manutenção da vida.
A destruição dessa camada tem relação direta com o modo de vida e o modelo produtivo adotado pela
economia mundial nos últimos tempos.
Para refrigerar os alimentos usavam-se, no início do século XX, gases extremamente perigosos, como
a amônia e o enxofre. No final dos anos 1920, Thomas Midgley Jr. descobriu um gás proveniente da
combinação do carbono com o flúor e o cloro, trata-se do clorofluorcarboneto (CFC), depois registrado
pela empresa dona da patente como gás fréon.
Com inúmeras vantagens em relação aos outros gases, o fréon passou a ser usado largamente e
permitiu a popularização das geladeiras domésticas, que eram impensáveis quando se usavam os outros
gases.
As pesquisas também permitiram a fabricação de espumas, produtos de limpeza, sprays e uma
quantidade infinita de derivados desse gás.
Em meados dos anos 1980, descobriu-se a existência de uma falha nessa camada protetora da Terra.
Cientistas britânicos e estadunidenses anunciaram que havia um buraco de milhões de quilômetros
quadrados na atmosfera sobre a Antártida.

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As pesquisas apontavam que esse buraco era causado pela emissão de gases fréon, que, quando
sobem às altas camadas, destroem o ozônio e permitem a passagem dos raios solares nocivos à vida. O
problema reside no fato de que esses gases duram na atmosfera entre 20 e 90 anos.

https://www.bbc.com/portuguese/geral-45558884

Na imagem acima, observa-se a Camada de ozônio sobre o Polo Sul, em setembro de 2018. Em roxo
e azul estão as áreas que têm menos ozônio, enquanto em amarelo e vermelho, as que têm mais.
O buraco está principalmente sobre a Antártica, mas já se notam pequenas falhas também no
Hemisfério Norte. Sabe-se que existe um sistema mundial de circulação de ar que acumula os gases
fréon sobre a Antártica em quantidade máxima justamente nos meses mais frios, quando o ar fica mais
denso e circula somente nas proximidades dessa área. Quando os raios solares mais fortes chegam a
essa região no verão, as reações químicas quebram o ozônio e permitem a passagem dos raios nocivos.
A solução para esse problema está ligada à redução da emissão de gás CFC, fato que já foi registrado
muitas vezes por cientistas credenciados pela ONU. Para se chegar a esse pequeno avanço, foi assinado
em 1987 o Protocolo de Montreal (Canadá), que previa a erradicação gradual da produção de CFC.
Entre 1988 e 1995, o consumo do gás diminuiu quase 80% em escala mundial. Mesmo assim,
especialistas acreditam existir um mercado paralelo e ilegal de CFC que movimenta milhares de toneladas
de gás por ano.
Esse quadro influencia diretamente a saúde humana. Especialistas na área de medicina afirmam que
problemas como casos de catarata e câncer de pele vêm se avolumando em grande escala no planeta.

A Devastação das Florestas


As atividades agropecuárias, a urbanização e a industrialização podem ser caracterizadas de maneira
geral como os processos que iniciaram a devastação das florestas.
Com o desenvolvimento da tecnologia em todos os campos da ação humana, surgiram métodos que
aceleraram o desmatamento e acabaram afetando vastas áreas ricas em biodiversidade.
Como exemplos, podem-se citar extensas áreas florestais da Europa e dos Estados Unidos
praticamente extintas no final do século XIX e início do século XX. Esse processo esteve ligado ao
desenvolvimento e ao avanço das relações capitalistas que se materializavam no território.
Infelizmente esse processo de destruição continua até hoje e de forma cada vez mais preocupante. A
instalação de atividades econômicas sobre áreas praticamente intactas é resultado da expansão da
indústria madeireira, das atividades mineradoras, em especial as ilegais, e da corrida por novas áreas
pela agricultura comercial, fato que ficou conhecido como expansão das fronteiras agrícolas.
A partir dos anos 1980, principalmente, a consciência ecológica levou muitos países, em especial os
mais desenvolvidos, a realizar programas de replantio de espécies nativas, o que possibilitou a
recuperação de antigas áreas devastadas. Em contrapartida, nos países mais pobres e nas nações em
desenvolvimento, essa tragédia natural tem crescido ano a ano.
A atuação de grandes empresas exploradoras que operam em regiões florestais do planeta gera outros
graves problemas. As populações das regiões florestais extremamente pobres viviam dos frutos das
florestas de forma racional, uma vez que o ritmo de exploração das matas permitia a sua regeneração.
Com a chegada das grandes empresas exploradoras, ocorreu uma radical mudança na vida dessas
pessoas.
Desprovidos de áreas para exercer suas atividades, os trabalhadores pobres empregam-se nessas
companhias, recebendo baixíssimos salários. Aqueles que não trabalham nessas empresas acabam

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derrubando a mata para vender a madeira de forma ilegal e assim obter recursos para sustentar suas
famílias.
Nos últimos anos as preocupações estão cada vez maiores, pois mapeamentos detalhados mostram
que a devastação põe em risco principalmente as florestas localizadas em regiões úmidas do planeta.
São áreas de mata inundadas ou saturadas de água, como as várzeas dos rios, manguezais, florestas
em áreas costeiras e próximas de grandes bacias hidrográficas.
Na Ásia, a maior parte das terras úmidas florestadas estão ameaçadas pela expansão da agricultura
comercial do arroz e pela exploração de madeira, como no caso da Indonésia, que já perdeu grande parte
de sua cobertura florestal original.
Todos os relatórios e avisos feitos pelos cientistas alertam que essas áreas úmidas devem ser
preservadas, pois ajudam a regular o fluxo e o abastecimento de depósitos subterrâneos de água. Caso
essas regiões entrem em colapso natural, isso pode gerar um efeito desastroso para a sociedade, que
ficaria sem água.
Uma experiência que merece menção é a da Finlândia. Quase 80% do território finlandês é coberto
por florestas, o que é a maior taxa de ocupação florestal da Europa, em razão de as florestas terem sido
consideradas patrimônio ecológico, social, cultural e econômico do país. Nas últimas décadas, as áreas
plantadas vêm superando as áreas cortadas em 20 a 30% anualmente.
Um dos grandes segredos desse sucesso está no replantio de espécies nativas; na Finlândia somente
podem ser replantadas madeiras originais daquela região. Isso permite uma atividade econômica mais
sustentável e não tão agressiva ao solo, ao clima e aos animais que habitam essas matas.
Os defensores da silvicultura (atividade que se dedica ao manejo e estudo de florestas plantadas)
finlandesa afirmam que a estrutura do replantio é semelhante à das florestas naturais e que os seres
humanos a exploram desde sempre.
Dessa forma, a indústria florestal é um dos maiores setores da economia do país, e a comercialização
de madeira, papel, polpa de papel e outros derivados da celulose chega a representar cerca de 30% de
suas exportações.
Para combater o mercado clandestino de madeira e o desmatamento em todo o mundo, foi criada a
certificação florestal pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC), uma entidade ambientalista mundial.
Esse certificado garante ao consumidor final de madeira e de seus derivados que aquele produto é
fruto de um reflorestamento não agressivo ou mesmo de uma exploração sustentável, que preserva e
respeita o ritmo de regeneração da natureza. Já existem milhares de itens e produtos que contam com
essa certificação. Portas, pisos, móveis e até mesmo papel higiênico são certificados para comprovar que
não vieram de uma matéria-prima fruto da devastação.

A Destruição dos Recursos Hídricos


O modelo econômico que vigora em nossos dias é marcado por um consumo crescente de mercadorias
das mais variadas. No entanto, para se produzir nessa larga escala, estamos assistindo a um desenfreado
consumo de água.
Em função desse modelo econômico, o processo de industrialização e de urbanização dá origem a um
volume cada vez maior de esgotos domiciliares, lixo e outros resíduos, que são lançados nos rios e mares
cotidianamente. Isso afeta qualidade das águas, tanto as superficiais quanto as dos aquíferos, em vários
pontos do planeta.

Escassez de Água: Uma Crise Anunciada


Os rios e os lagos, que formam os ecossistemas de água doce, são considerados o meio de vida
natural mais ameaçado do planeta.
Embora ocupem apenas 1% da superfície terrestre, os ecossistemas de água doce abrigam cerca de
40% das espécies de peixes e 12% dos demais animais.
Para se ter uma ideia da diversidade desses ecossistemas, o Rio Amazonas, sozinho, possuiu mais
de 3 mil espécies de peixe.
Todos os estudos feitos recentemente apontam que 34% das espécies de peixes de água doce
encontradas em todo o mundo correm o risco de extinção, ameaçadas, principalmente, pela construção
de represas, canalização dos rios e poluição.
Entre 1950 e os nossos dias atuais, o número de grandes barragens no mundo passou de 5.750 para
mais de 41 mil, fato que alterou radicalmente a dinâmica da vida aquática.
Esse cenário alarmante é agravado pela pequena disponibilidade de água para o consumo humano.
Embora 75% da superfície terrestre seja recoberta por água, os seres humanos só podem usar uma
pequena porção desse volume, porque nem sempre ela é adequada ao consumo.

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É o caso da água salgada dos mares e oceanos, que representa cerca de 97% da quantidade total de
água disponível na Terra.
Dos cerca de 3% restantes, apenas um terço é acessível, em rios, lagos, lençóis freáticos superficiais
e na atmosfera. Os outros dois terços são encontrados nas geleiras, calotas polares e lençóis freáticos
muito profundos.
Além de ser um recurso finito, a água é cada vez mais consumida no mundo todo. Ao longo do século
XX, por exemplo, a população mundial cresceu três vezes, enquanto as superfícies irrigadas cresceram
seis vezes e o consumo global, sete vezes.
Esse aumento exponencial do consumo mundial de água está gerando um fenômeno conhecido como
estresse hídrico, isto é, carência de água. Segundo o Banco Mundial, essa situação ocorre quando a
disponibilidade de água não chega a 1.000 metros cúbicos anuais por habitante.

O Mal Uso da Água e a Salinização dos Solos


São consideradas regiões que sofrem com a salinização aquelas que perdem seu rendimento
econômico na agricultura.
Salinização é a concentração de sais, provocada pela evapotranspiração máxima ou intensa,
principalmente em locais de climas tropicais áridos ou semiáridos, onde normalmente existe drenagem
ineficiente.
Os solos apresentam sais em níveis diferenciados. Quando este nível se eleva, chegando a uma
concentração muito alta, pode prejudicar o desenvolvimento de algumas plantas mais sensíveis, ou
mesmo impedir o desenvolvimento de praticamente todas as espécies.
A salinização do solo pode ser causada pelo mau manejo da irrigação em regiões áridas e semiáridas,
caracterizadas pelos baixos índices pluviométricos e intensa evapotranspiração.
A baixa eficiência da irrigação e a drenagem insuficiente nessas áreas contribuem para a aceleração
do processo de salinização, tornando-as improdutivas em curto espaço de tempo.
Os solos mais sujeitos a esse problema são os que estão em regiões mais secas. Neles, qualquer tipo
de irrigação mal conduzida pode gerar uma forte salinização se não estiver presente um adequado
sistema de drenagem.
Abaixo seguem dois exemplos de solos salinizados.

https://alunosonline.uol.com.br/geografia/salinizacao-solo.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Saliniza%C3%A7%C3%A3o

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e agricultura estima que, dos 250 milhões de
hectares irrigados em todo o planeta, cerca de metade já tem problemas de salinização, e uma grande
parte é abandonada todo ano por esse motivo. Por isso, a irrigação precisa ser feita com muito cuidado.
Entendemos que a água está cada vez mais escassa em todo o globo. A combinação de fatores
naturais e socioeconômicos como pressão demográfica e uso irracional gera desertificação, salinização
e poluição desenfreada.

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O aumento do estresse hídrico já reduziu de forma considerável as reservas hídricas disponíveis no
planeta. Em quase metade das localidades habitadas, já existem problemas de escassez, e cerca de 20
a 30% da população mundial não têm acesso a redes satisfatórias de água e esgoto. Esse quadro fica
ainda mais grave uma vez que a escassez desse recurso se soma a problemas políticos entre povos e
nações.
No Oriente Médio, por exemplo, há inúmeras disputas pela posse da água que se misturam a
rivalidades criadas por décadas de conflitos.
Israelenses e palestinos têm na água um dos maiores pontos de discórdia. Eles disputam as águas
oriundas da nascente do Rio Jordão e do Lago Tiberíades nas proximidades das Colinas de Golã. Além
disso, 90% dos canais de abastecimento de água são controlados por Israel.
Organismos internacionais afirmam que a disponibilidade per capita de água é quatro vezes maior em
Israel do que nos territórios palestinos, fato que potencializa epidemias, queda da produtividade agrícola
e tantos outros problemas.
Outro exemplo de tensão em razão da disputa pela água ocorre entre Síria, Turquia e Iraque. A Turquia
tem um plano de desenvolvimento que inclui a construção de mais de 20 barragens ao longo dos rios
Tigre e Eufrates.
Essas obras de grande porte alteram radicalmente a vazão de água dos rios e ameaçam o
abastecimento de grandes áreas em países vizinhos, como o Iraque e a Síria. Esses países discutem
hoje um estatuto comum para a administração desses rios, visto que não foram poucas as vezes que eles
entraram em alerta para uma possível guerra: um temendo perder o enorme volume de água, fundamental
para seu povo, outro temendo perder as barragens, fundamentais para seu desenvolvimento.

A Destruição dos Oceanos


A intensificação do comércio internacional nas últimas décadas tem deixado marcas negativas nos
oceanos.
Nos mares de quase todas as regiões do planeta existem gigantescas manchas de petróleo. Em parte,
essas manchas ocorrem por descaso e pelo uso de equipamentos obsoletos que causam vazamentos.
Além disso, muitos navios petroleiros chegam a lavar seus reservatórios nas costas de países pobres,
especialmente africanos, que não têm sistemas de vigilância eficientes para evitar esse crime.
Outro grave problema é a pesca predatória, que também contribui para o esgotamento dos estoques
de pescados oceânicos. Cerca de 90% das espécies comerciais, ou seja, pescadas, processadas e
vendidas, correm risco iminente de destruição em razão da pesca predatória.
Grandes grupos econômicos ligados direta e indiretamente ao setor alimentício são os responsáveis
por essa destruição. Eles permitem a prática da pesca predatória, que, na busca do lucro imediato, não
respeita, em muitos casos, o período de reprodução das espécies, fato que minimamente garantiria a
reposição dos estoques.
O mar também sofre a partir das terras costeiras. Grupos imobiliários promovem a ocupação irregular
de áreas litorâneas pela construção de casas, condomínios e hotéis em áreas de manguezal, alterando
o equilíbrio ambiental.
É importante lembrar que os oceanos são fundamentais para o equilíbrio ecológico de todo o planeta.
Eles concentram 97% das águas e produzem cerca de um sexto do oxigênio da atmosfera, além de serem
os principais responsáveis pela recomposição dos estoques de água doce, graças à umidade que geram.
Por todos esses fatores, os oceanos são fundamentais para a manutenção das características climáticas
do planeta.

A Degradação dos Solos (Desertificação)


A degradação do solo geralmente é causada pela associação de situações climáticas extremas, como
exemplos, a seca ou o excesso de chuvas, práticas predatórias, como o desmatamento de áreas
florestais, expansão das pastagens, utilização intensiva de agrotóxicos e a mineração descontrolada.
Essas atividades alteram e destroem a cobertura vegetal natural do solo, deixando-o exposto à ação
de ventos e chuvas, que gradualmente desgastam o solo desnudo de vegetação.
Esse processo erosivo pode evoluir, e a rocha bruta, base do solo, chegar a ficar exposta. Quando
isso ocorre, está se iniciando o processo de desertificação.
O manejo agrícola inadequado é um dos grandes responsáveis pela degradação dos solos. Quase
metade das áreas agrícolas do planeta tem algum problema que afeta a sua produção de alimentos.
Esse problema está longe de ser somente ambiental. Ele tem profunda relação com a sociedade e a
economia, uma vez que a perda de grãos com a desertificação chega a mais de 20 milhões de toneladas,
cifra suficientemente grande para atenuar o problema da fome no mundo.

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As consequências nefastas da degradação do solo afligem também grandes contingentes
populacionais. Calcula-se que 30 milhões de pessoas morreram, nas últimas décadas, de fome,
ocasionada pelo esgotamento de suas áreas naturais, e mais de 120 milhões realizaram o êxodo rural
nos últimos 50 anos.
As soluções para esse problema passam sempre pela alteração do modelo produtivo ou pela aplicação
de enormes recursos financeiros na recuperação de áreas.
Em 1994 foi assinada a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação. A principal
decisão foi a aplicação de vastos recursos financeiros para promover a educação ambiental,
principalmente em sociedades agrárias, para que estas sejam reprodutoras das práticas e dos
conhecimentos voltados à conservação dos solos.

Resíduos Sólidos: Recurso e Problema


Diariamente milhões de toneladas de resíduos sólidos são lançadas no ambiente. A prática de
depositar resíduos ao ar livre, lançá-los na água, descartá-los em terrenos baldios e queimar os restos
inaproveitáveis teve início nas civilizações antigas, em que os métodos de lidar com os descartes
consistiam em depositá-los bem longe das moradias.
Essa solução vigorou durante muito tempo e se incorporou à cultura cotidiana de muitas populações.
Hoje é evidente que o crescimento populacional e o aumento do consumo levaram a humanidade a uma
enorme produção de resíduos, que causam graves problemas quando manipulados e depositados de
forma inadequada.
Após a década de 1950, iniciou-se uma mudança de mentalidade em relação ao resíduo sólido, a
princípio nos países mais ricos. Antes visto como desprezível e problemático, gradualmente ele passou
a ser encarado como energia, matéria prima e parte da solução para alguns problemas.
Atualmente, processos como a reciclagem reduzem o volume de resíduos sólidos descartado e
interferem no processo produtivo, economizando energia, água e matéria-prima, além de reduzir
sensivelmente a poluição da água, do ar e do solo. Mesmo assim, a quantidade de lixo reciclada é muito
pequena perante a total.
Uma das soluções que podem ajudar a solucionar esse problema é a coleta seletiva de lixo, ou seja,
o processo pelo qual se separam os materiais encontrados no lixo. Essa separação é fundamental para
o reaproveitamento dos resíduos, pois a coleta potencializa o reaproveitamento dos materiais. A
reciclagem passou a ser uma obrigação em função do enorme volume de resíduos que a sociedade
produz.

As Consequências das Mudanças Climáticas e Ambientais

A Chuva Ácida
A atmosfera, como vimos, vem sendo contaminada por compostos químicos como o enxofre e o
nitrogênio, que vão se concentrando no vapor de água e, consequentemente, nas nuvens. Estas, quando
muito carregadas, despejam uma chuva extremamente ácida.
Até a década de 1990, a chuva ácida era comum apenas nos países de industrialização mais antiga,
mas depois, com a expansão mundial do processo industrial, ela passou a ocorrer em grande quantidade
também na Ásia, em países como China, Índia, Tailândia e Coreia do Sul, que hoje são os grandes
responsáveis pela emissão de óxido nitroso (NO) e dióxido de enxofre (SO²).
Grande parte desse problema foi surgindo conforme a produção industrial se expandia. Isso significou
maior uso de termelétricas que geram energia por meio do carvão e do petróleo (combustíveis altamente
poluentes), maior circulação de carros e outros meios de transportes.
Nos últimos anos há incidência de chuva ácida praticamente em todo o mundo. Em alguns lugares
onde não existem atividades industriais poluentes, ela ocorre em razão do deslocamento das massas de
ar vindas de países emissores de poluição.

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Entre as consequências da chuva ácida, destacam-se:


→ Alteração da composição do solo e das águas, tanto dos rios quanto dos lençóis freáticos;
→ Destruição da cobertura florestal (No Brasil, isso é visível por exemplo, em trechos das encostas da
Serra do Mar nas proximidades de Cubatão, no litoral de São Paulo, importante polo industrial
petroquímico que já foi conhecido mundialmente pela péssima qualidade do ar);
→ Contaminação das lavouras;
→ Corrosão de edifícios, estátuas e monumentos históricos.
Abaixo, uma imagem de um grande impacto ambiental, com destruição dos galhos e folhas de árvores
de montanhas polonesas, causado pela chuva ácida.

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Poluição Atmosférica e Aquecimento Global: O Aumento da Temperatura do Planeta


As razões do aumento da temperatura do planeta ainda geram muitos debates entre os cientistas.
Causas naturais e provocadas pelos seres humanos têm sido propostas para explicar o fenômeno.
A principal evidência do aquecimento vem das medidas de temperatura de estações meteorológicas
em todo o globo desde 1860. Os dados mostram que houve um aumento médio da temperatura durante
o século XX.
Para explicar essas mudanças, os cientistas usam ainda evidências secundárias, como a variação da
cobertura de gelo e neve em certas áreas, o aumento do nível dos mares e das quantidades de chuvas,
entre outras.
Diversas montanhas já perderam enormes áreas geladas e nevadas, e a cobertura de gelo no
Hemisfério Norte na primavera e no verão também diminuiu drasticamente.
O aumento da temperatura global pode levar um ecossistema a graves mudanças, forçando algumas
espécies a sair de seus habitats, invadindo outros ecossistemas, ou potencializando a extinção.
Outra situação que causa grande preocupação é o aumento do nível do mar, de 20 a 30 cm por década.
Algumas ilhas no Oceano Pacífico já sofrem com esse problema.
Deve-se lembrar que a subida dos mares ocorre principalmente por causa da expansão térmica da
água dos oceanos, ou seja, as águas dilatam. No entanto, as preocupações com o futuro incluem também

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o derretimento das calotas polares e dos glaciares, que guardam enormes quantidades de água na forma
de gelo. Alguns cientistas afirmam que as mudanças podem ocorrer de forma sutil e mesmo imperceptível.
Na imagem abaixo, um urso polar sofre com o derretimento das calotas polares.

http://meioambiente.culturamix.com/recursos-naturais/derretimento-das-calotas-polares

Tudo isso leva a uma situação preocupante. Previsões feitas pela ONU alertam que entre 50 e 100
milhões de pessoas podem abandonar suas casas temporária ou definitivamente por problemas
relacionados a questões ambientais nas próximas décadas, tornando-se refugiados ambientais.
Nesses números estão incluídos grupos humanos, comunidades inteiras que serão levadas a migrar
em razão da poluição das águas, de enchentes, do desgaste dos solos, do fim da disponibilidade de
peixes e da subida do nível dos oceanos.
É certo que essa situação exigirá uma legislação internacional, uma vez que países e regiões inteiras
vão ser evacuados, e os refugiados poderão ser levados em circunstâncias emergenciais a outros países.

Sustentabilidade38

A qualidade de vida das gerações atuais e futuras começou a se tornar preocupante, tendo em vista o
estilo de vida e a relação que temos com o meio ambiente, provedor de matérias-primas para a nossa
sobrevivência. Por causa disso, a sustentabilidade hoje é um tema bastante discutido em escolas,
universidades, redes sociais e países de modo geral.

O que é uma Sociedade Sustentável?


A defesa de uma sociedade sustentável baseia-se na ideia de o ser humano estabelecer uma relação
com o espaço que o rodeia de modo que seu estilo de vida não prejudique as futuras gerações. Ou seja,
a sustentabilidade tem como premissa uma exploração do meio ambiente que respeite os limites do
planeta e minimize os efeitos da ação do ser humano.
Atualmente, pensar sobre esses limites é uma tarefa cada vez mais importante e emergencial, pois se
o nível de consumo mundial dos recursos naturais continuar no mesmo patamar, será insustentável sua
manutenção para, consequentemente, usufruto das gerações futuras.
Mesmo garantindo nossa própria sobrevivência, a qualidade de vida de toda a população também deve
ser um motivo de preocupação. Nesse sentido, a própria desigualdade social pode ser considerada
insustentável, pois favorece uns em detrimento de outros.

As Construções Alternativas
As paisagens urbanas têm cada vez mais se distanciado da forma original da natureza, de modo que
não proporciona um vínculo entre a dinâmica das cidades e o meio ambiente. Atualmente, 60% dos
resíduos sólidos urbanos provêm da construção civil, o que também provoca grande demanda de
madeira, contribuindo para o desmatamento de áreas de floresta.
Inseridas no pensamento sustentável, as construções alternativas começam a ser disseminadas com
o intuito de minimizar a desarmonia entre o ambiente natural e o construído, reduzindo os impactos
ambientais envolvidos na construção civil.
Essas construções são baseadas em uma arquitetura que considera a necessidade de transformar
sem agredir o ambiente, promovendo a utilização de matérias-primas biodegradáveis e de maneira
proveniente de reservas extrativistas sustentáveis, além do emprego de tecnologias que reduzam o
desperdício de água e energia e que facilitem a reutilização.

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FURQUIM JR, Laercio. Geografia cidadã. 1ª edição: São Paulo, editora AJS, 2015.

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Para que essas construções atendam a esses objetivos, os elementos do clima local devem ser sempre
considerados; assim, é possível executar um planejamento voltado à iluminação e ao aquecimento
natural, por exemplo.
A aplicação de coberturas verdes e o uso da energia solar, captada por painéis fotovoltaicos, são
exemplos que se encaixam na construção sustentável. No entanto, pelo fato de exigirem maior
investimento, essas construções não são tão comuns quanto deveriam.

Questões

01. (Transpetro – Técnico Ambiental Júnior – CESGRANRIO/2018) Conforme o Painel


Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, mais conhecido pelas iniciais em inglês — IPCC, o
aumento da temperatura média global nos últimos anos deve-se principalmente às emissões de Gases
do Efeito Estufa (GEEs), provocadas pelo homem.
A esse aquecimento é dado o nome de
(A) aquecimento global antropogênico
(B) aquecimento global dos mares
(C) aquecimento global primário
(D) aquecimento global devido à variabilidade natural
(E) potencial de aquecimento global

02. (Câmara de Natividade/RJ – Analista Legislativo – IDECAN/2017) “_________________ é


aquele que considera a preservação de recursos naturais e dos ecossistemas, bem como o bem-estar e
a melhoria da qualidade de vida da sociedade em geral, a longo prazo.” Assinale a alternativa que
completa corretamente a afirmativa anterior.
(A) Impacto ambiental
(B) Aquecimento global
(C) Novo código florestal
(D) Desenvolvimento sustentável

03. (PC/RO – Delegado de Polícia Civil – FUNCAB) Em setembro de 2013, os cientistas do Painel
Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU divulgaram novo relatório sobre
aquecimento global. De acordo com esse relatório:
(A) o aquecimento global retrocedeu significativamente na última década, devido à maior absorção do
calor pelas águas dos oceanos.
(B) os países emergentes, como China e índia, são os mais afetados no mundo pelo aquecimento
global, e, portanto, os principais interessados em reverter esse processo.
(C) o aumento do aquecimento global é um processo natural, que não está relacionado às ações
humanas.
(D) o desmatamento das áreas de floresta, especialmente no Brasil, é a principal causa do
aquecimento global.
(E) as ações humanas estariam intensificando o efeito estufa e provocando aumento do aquecimento
global.

Gabarito

01.A / 02.D / 03.E

Comentários

01. Resposta: A
Aquecimento global é o processo de aumento da temperatura média dos oceanos e da atmosfera da
Terra causado por massivas emissões de gases que intensificam o efeito estufa, originados de uma série
de atividades humanas (daí o termo antropogênico), especialmente a queima de combustíveis fósseis e
mudanças no uso da terra, como o desmatamento, bem como de várias outras fontes secundárias.

02. Resposta: D
Desenvolvimento sustentável significa obter crescimento econômico necessário, garantindo a
preservação do meio ambiente e o desenvolvimento social para o presente e gerações futuras.

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03. Resposta: E
No fim dos anos 1980, aumentou-se a percepção de que as atividades humanas eram cada vez mais
prejudiciais ao clima do planeta. A ONU convocou cientistas do mundo todo para acompanhar esse
processo e, com a colaboração de 130 governos, criou-se o Painel Intergovernamental de Mudanças
Climáticas (IPCC).

3) O Espaço Político e Econômico: indústria: o processo de industrialização; a


primeira, a segunda e a terceira revolução industrial; tipos de indústria; a
concentração e a dispersão industrial; os conglomerados transnacionais; os
novos fatores de localização industrial; as fontes de energia e a questão
energética; impactos ambientais; agropecuária: sistemas agrícolas; estrutura
agrária; uso da terra; agricultura e meio ambiente; produção agropecuária;
comércio mundial de alimentos e a questão da fome; globalização e circulação:
os fluxos financeiros; transportes; os fluxos de informação; o meio
tecnocientífico-informacional; comércio mundial; blocos econômicos; os
conflitos étnicos e as migrações internacionais; a Divisão Internacional do
Trabalho (DIT) e as trocas desiguais; a Nação e o Território, os Estados
territoriais e os Estados nacionais: a organização do Estado Nacional; e poder
global; nova ordem mundial; fronteiras estratégicas.

INDUSTRIALIZAÇÃO MUNDIAL

Indústria e Transformações no Espaço Geográfico

Não é exagero afirmar que o espaço geográfico contemporâneo é resultado, em boa medida, das
transformações promovidas pela Revolução Industrial em diferentes etapas. E o modo de vida atual é
reflexo, direta ou indiretamente, das inovações da tecnologia industrial.
A atividade industrial manifesta-se não só em sua ocorrência no espaço físico, mas também nos
produtos consumidos pela população local, nos meios de comunicação e nos meios de transporte.
A indústria foi responsável pelas grandes transformações urbanas, pela multiplicação de diversos
ramos de serviços que caracterizam a cidade moderna e pelo desenvolvimento dos meios de transporte
e comunicação que atualmente interligam todo o espaço mundial. Ela também foi responsável pelo
aumento da produção agrícola, graças à mecanização das atividades de criação, plantio e colheita, além
do uso de insumos de origem industrial. Enfim, por causa da indústria criou-se um novo modelo de vida,
com novos hábitos de consumo e novas profissões, ocorreu uma nova estratificação da sociedade e
modificou-se significativamente a relação da sociedade com a natureza.

O que é Indústria?
A indústria consiste em um processo de produção de instalações, a fábrica, usando máquinas e o
trabalho humano, que transforma e combina as matérias-primas para produzir uma mercadoria. Nos dias
atuais a indústria utiliza tecnologias cada vez mais sofisticadas, como robôs (em trabalhos que eram
realizados pelo ser humano) e equipamentos de grande precisão.
As atividades industriais podem ser classificadas em:

1. indústria extrativa – extração de recursos naturais de origens diversas, principalmente de minerais;

2. indústria de transformação – produção de bens a partir da transformação de matérias – primas;


de acordo com o destino desses bens. Podem ser divididas em:

* indústrias de base ou de bens de produção – produzem matérias – primas para outras indústrias,
como alumínio (metalúrgica), aço (siderúrgica), cimento e derivados de petróleo (petroquímica), que serão
utilizadas para fabricação de outros produtos;

* indústrias de bens de capital – produzem máquinas, peças e equipamentos para outras indústrias;

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* indústrias de bens de consumo – produzem mercadorias diretamente para o consumidor; os bens
de consumo podem ser duráveis (móveis, aparelhos eletrônicos, eletrodomésticos, automóveis,
computadores, etc.) e não-duráveis (alimentos, bebidas, cigarros, vestuário, calçados, etc.).
As atividades industriais podem, ainda, ser individualizadas nos seguintes setores:

* indústria da construção civil – construção de edifícios, usinas para produção de energia, pontes,
etc.;

* indústria da construção naval – construção de navios;

* indústria aeronáutica – construção de aviões;

* indústria bélica – produção de armas, tanques, navios e aviões de guerra.

É possível considerar três estágios bem distintos na evolução do processo de modernização da


produção industrial fabril:
* a Primeira Revolução Industrial (1750-1870);
* a Segunda Revolução Industrial (1870-1945);
* a Terceira Revolução Industrial ou Revolução Técnico-científica (após 1945).

As Revoluções Industriais e o Perfil do Trabalhador

Com a Primeira Revolução Industrial, em meados do século XVIII na Inglaterra, houve uma
reestruturação da força de trabalho. Os cercamentos levaram à expulsão dos camponeses, que migraram
para as cidades, em busca de trabalho.
As manufaturas ofereciam empregos braçais e repetitivos para operários sem qualificação profissional,
pois nesse processo, os trabalhadores sofreram duas expropriações: do seu conhecimento e, ainda, dos
seus meios de subsistência. Os salários eram baixos e as jornadas de trabalho muito longas, fatos que
impeliam todos os membros da família ao trabalho.
A despeito das lutas dos trabalhadores, a exploração se acentuou com a entrada maciça de mulheres
no mercado de trabalho, que recebiam salários inferiores aos pagos aos homens.
Um século depois, diversas nações europeias e também dos EUA faziam parte da era industrial.
A chamada Primeira Revolução Industrial resultou em várias alterações nas relações sociais de
produção.
Os artesãos perderam autonomia com as primeiras tecnologias e máquinas que apareceram no
processo produtivo. Tais máquinas eram propriedade de um pequeno grupo da burguesia que buscou
extinguir as condições anteriormente existentes de produção, baseadas no artesanato. Essa fase da
Revolução Industrial foi caracterizada também pelos seguintes fatores:
→ invenção do tear mecânico e do descaroçador de algodão, promovendo o desenvolvimento da
indústria têxtil e o aumento da produção de tecidos;
→ invenção da máquina a vapor, em substituição às tradicionais fontes de energia (eólica e hidráulica)
e à tração animal, o que possibilitou a expansão do mercado e das trocas;
→ uso do coque para a fundição do ferro e seu uso, por exemplo, nas estradas de ferro que
dinamizaram o transporte e a distribuição de mercadorias;
→ redefinição da urbanização possibilitando um adensamento da mão de obra nas grandes cidades,
que se consolidaram como o lugar da realização do capital, e ao mesmo tempo, a organização da classe
trabalhadora, que passou a lutar contra a exploração exacerbada da burguesia industrial.

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A Primeira Revolução Industrial

A Revolução Industrial introduziu uma forma mais eficiente de produzir mercadorias; maior quantidade
em menor tempo e com menores custos. Isso foi possível com o agrupamento dos trabalhadores nas
fábricas e com a divisão do trabalho, de modo que cada trabalhador realizasse uma etapa do processo
produtivo. Essas mudanças foram introduzidas em meados do século XVIII, na Inglaterra, e logo
difundiram-se para outros países da Europa.
A primeira mudança foi, sem dúvida, a invenção da máquina a vapor, que utilizava a energia produzida
pela queima do carvão mineral, recurso abundante em vários países da Europa.
Com a utilização da máquina a vapor, as fábricas puderam se localizar perto das cidades. Antes, as
pequenas fábricas existentes se encontravam dispersas, pois utilizavam energia hidráulica e precisavam
ser instaladas próximo de rios.
As invenções voltadas para a produção de mercadorias refletiram em todas as instâncias da vida
social. Por exemplo, do ponto de vista das comunicações e transportes, ampliaram as relações entre
regiões distantes. Além disso, intensificaram a urbanização nos países industrializados.
Nas fábricas, os operários eram obrigados a trabalhar no ritmo definido pela necessidade de produção.
Devido à extenuante jornada de trabalho, que chegava a 16 horas por dia, os operários, na maioria das
vezes vindos do campo, preferiram ocupar habitações muito precárias junto das fábricas, formando
bairros miseráveis.
A industrialização ampliou a divisão social do trabalho dentro da unidade de produção (a fábrica) e
no interior da sociedade de cada país.
Ao mesmo tempo em que ampliou divisão social do trabalho, a Revolução Industrial estabeleceu uma
divisão internacional do trabalho entre os países industriais (que produziam e exportavam manufaturas)
e as regiões fornecedoras de produtos agrícolas e minerais (que produziam e exportavam matérias-
primas e alimentos).
O crescimento da população industrial na Inglaterra e a necessidade de ampliar o mercado para além
das próprias fronteiras deram origem ao liberalismo econômico, uma nova maneira de pensar a economia.
O liberalismo considerava nociva a intervenção do Estado na produção e na distribuição das riquezas e
defendia a livre concorrência entre as empresas e os países. Naquele momento, as ideias liberais
interessavam à Inglaterra, que não encontrava concorrentes devido ao seu avançado estágio de
desenvolvimento tecnológico e a sua grande capacidade de transporte propiciada por sua imensa frota
naval.

A Segunda Revolução Industrial e o Imperialismo

Novas tecnologias, novas fontes de energia e a expansão da atividade industrial marcaram uma nova
etapa do desenvolvimento capitalista, na segunda metade do século XIX. É o início da Segunda
Revolução Industrial. As hidrelétricas e o petróleo ampliaram a capacidade de geração de energia e
acrescentaram novas possibilidades à tecnologia de produção e, portanto, ao aparecimento de novos
produtos. Surgiram as grandes siderúrgicas e as indústrias químicas. A marinha mercante multiplicou a
sua frota em diversos países europeus, nos Estados Unidos e no Japão. As ferrovias se expandiram por
todo o mundo, como meio de transporte e como atividade empresarial. A evolução e a ampliação dos
sistemas de transporte estimularam o desenvolvimento da atividade industrial e criaram novas
possibilidades em relação à localização geográfica de alguns setores industriais.
Nessa fase, a livre concorrência das pequenas e médias empresas da Primeira Revolução Industrial
foi praticamente substituída pelo monopólio praticado por empresas gigantescas, comandadas por
grandes bancos que passaram a investir, também, na produção. O empresário, isolado, não tinha como
realizar investimentos tão elevados.
O domínio econômico das grandes empresas intensificou as disputas comerciais entre os países e
ampliou as disputas territoriais para muito além de suas fronteiras. No final do século XIX, a Inglaterra,
que mantinha o maior império colonial do planeta, não era a única potência industrial. Os países que se
industrializaram nesse período incorporaram as tecnologias mais recentes e modernas, enquanto
algumas indústrias inglesas eram consideradas “velharias” da Primeira Revolução Industrial. Alemanha,
Itália, França, Japão e Estados Unidos competiam em pé de igualdade com a indústria inglesa e, em
diversos setores, até com superioridade. Todos queriam ampliar seus mercados e suas fontes de
matérias-primas.
Os Estados Unidos já exerciam domínio sobre o continente americano. A Itália, a Alemanha e o Japão
não tinham colônias para ampliar a base de sua produção industrial. O mundo industrializado criou um

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vasto império colonial que se estendeu por todo o planeta com ocupação direta de territórios, guerras e
acordos econômicos com as elites das novas colônias. É a fase do imperialismo ou neocolonialismo.
A Segunda Revolução Industrial, no século XIX, trouxe novidades tecnológicas também nas relações
de trabalho. O carvão, componente energético da Primeira Revolução Industrial, foi sendo,
paulatinamente, substituído pelos derivados do petróleo. Os motores a explosão levaram ao
desenvolvimento dos automóveis que se tornaram gênero de produção em série.
Diversos postos de trabalho requeriam mão de obra com especialização, muito embora os salários
continuassem baixos.
Foram desenvolvidas as práticas do fordismo e do taylorismo com o objetivo de aumentar a
produtividade e, consequentemente, o lucro empresarial.

Tecnologias de Processo – Fordismo e Taylorismo


A evolução da produtividade não depende apenas das máquinas. Foi o que demonstraram os Estados
Unidos no início do século XX, em plena Segunda Revolução Industrial, com a introdução de novas
técnicas de produção industrial, que possibilitaram uma racionalização extrema no processo do trabalho
no interior da fábrica: o taylorismo e o fordismo.
O taylorismo, idealizado pelo inventor Frederick Winslow Taylor (1856-1915), partia da concepção de
que o trabalho fabril era um conjunto de tarefas totalmente independentes da profissão do trabalhador.
Para Taylor, o melhor operário não é nada mais que um operário. O conhecimento do processo produtivo
era uma tarefa exclusiva do gerente, que deveria determinar e fiscalizar cada etapa dos trabalhos a serem
feitos no menor espaço de tempo e sem perda de qualidade.
O fordismo foi implantado pelo empresário Henry Ford (1863-1947) na produção de automóveis, no
início do século XX. O modelo de produção fordista associada a linha de montagem às técnicas de
organização do taylorismo. O automóvel, em processo de montagem, deslocava-se no interior da fábrica
para a realização de cada etapa de produção. O trabalhador, especializado, realizava sua tarefa num
tempo determinado e o automóvel continuava a se deslocar até a instalação da última peça, do último
acabamento.
Método de otimização da produção, o fordismo baseava-se na linha de produção em série com os
funcionários desempenhando cada um uma única função em ritmo acelerado.
A produção era verticalizada, contando com uma rígida hierarquia de chefes e subchefes, com ordens
encaminhadas do alto para o baixo escalão.
Ao fordismo foi acoplado o taylorismo, método desenvolvido pelo engenheiro Frederick Winslow Taylor
em que o tempo de produção das máquinas e dos operários era rigidamente controlado para se obter a
máxima produtividade. O taylorismo era inflexível com horários e metas de produção.

Chaplin em “Tempos modernos”, 1936: uma denúncia da alienação e da violência na produção industrial.

A produtividade aumentou e, com ela, o lucro. Essa equação era muito interessante para os
empresários da época, exceto por um aspecto: o mercado consumidor não acompanhava o ritmo da
produção, o que gerava estoques e capital estagnado.
Ao longo da década de 1920, a crise da superprodução e dos baixos salários gerou falências e
desemprego, fatos que colocaram o sistema capitalista em situação de colapso.
Em 1929, a crise deflagrou a quebra da bolsa de valores de Nova York.
A década de 1930 apresentou uma depressão econômica que motivou fortes insatisfações, que
contribuíram para a erupção da Segunda Guerra Mundial.

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A Reestruturação do Sistema Capitalista

Com o final da Segunda Guerra Mundial, as nações europeias criaram o "Estado do Bem-Estar Social",
conhecido como Welfare State, para dar garantias de sobrevivência, moradia, saúde e educação aos
cidadãos de maneira indistinta. O programa do Bem-Estar Social foi se aprimorando ao longo das décadas
do século XX, criando o sistema previdenciário para gerar segurança para a população.
O Welfare State apoiou-se nas ideias do economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946).
Para Keynes, o Estado deveria ser o interventor e o articulador da economia. Os investimentos seriam
necessários para tirar os países da crise em que se encontravam e garantir, a longo prazo, a estabilidade
do emprego, o que resultaria na estabilidade da demanda e, consequentemente, evitaria novas crises.
Com mais de 20 milhões de desempregados, sendo 14 milhões nos EUA no pós-guerra, os países
centrais não tinham outra solução a não ser promover uma política de fortalecimento do Estado e das
bases sociais para garantir o funcionamento do próprio sistema.
Com as medidas do Welfare State, as populações da Europa e dos EUA passaram a desfrutar de
avanços sociais significativos. Obviamente, os custos empresariais se elevaram com o aumento dos
salários, as jornadas de trabalho reduzidas e os impostos mais altos.
Para as empresas, os países centrais viraram sinônimos de mercado consumidor e mão de obra
qualificada, pois agora contavam com escolarização, enquanto nos países periféricos, as políticas
públicas de bem-estar social não haviam sido implantadas.
Os países periféricos, dessa forma, tornaram-se interessantes como áreas de exploração da mão de
obra e dos recursos naturais. Mudava-se a concepção da função dos países centrais e periféricos na
chamada DIT (Divisão Internacional do Trabalho e da produção).
Diversos países periféricos, sobretudo da América Latina (Brasil, Argentina e México) e posteriormente
da Ásia (na época chamados de Tigres e Novos Tigres Asiáticos), industrializaram-se seguindo os
interesses das empresas transnacionais, que ansiavam por lucros mais expressivos.
Os governos dos países periféricos incumbiram-se de criar a infraestrutura necessária para a
implantação das indústrias estrangeiras, recorrendo a empréstimos internacionais.
Sabemos que o preço de um produto é fixado, primeiramente, pelo seu custo e valor agregado. Quanto
maior a tecnologia empregada, maior será o valor final. Dessa forma, o trabalho intelectual, o de criação
tecnológica, tem um valor muito maior do que o de ação mecânica, isto é, o da produção do gênero em
série. Assim, para equilibrar os valores gastos nas importações de tecnologia - produtos de alto valor
agregado e máquinas - os países periféricos são obrigados a produzir gêneros em quantidades cada vez
maiores.
Em última instância, o dinheiro é remetido, por meio do sistema financeiro internacional, para locais
mais seguros ou lucrativos, ou seja, nem sempre quem produziu ficará com o resultado para futuros
investimentos.
É por isso que vemos a situação do PIB (Produto Interno Bruto) dos países de forma tão discrepante
no mundo.
A política do Bem-Estar Social incentivou a qualificação profissional e o desenvolvimento de novas
tecnologias. O mercado de trabalho passou a valorizar indivíduos que têm a noção do todo e não apenas
de uma parte da produção.
Se as condições de vida melhoraram, pode-se dizer o mesmo para a economia dos países centrais. A
nova DIT contribuiu para a acumulação de riquezas, explorando os países periféricos, além de também
ter gerado uma massa de consumidores de elevado poder aquisitivo, principalmente nos países
desenvolvidos.
Contudo, fatores de ordem econômica e tecnológica implicaram uma nova dinâmica de produção e
consumo, nas décadas de 1970 e 1980. Vejamos alguns destaques:
→ As crises do petróleo (1973 e 1979) aumentaram muito os preços dos combustíveis fósseis,
símbolos da Segunda Revolução Industrial;
→ O insucesso norte-americano da Guerra do Vietnã. Apesar dessa derrota, a indústria bélica norte-
americana, em decorrência do conflito, passou por um forte desenvolvimento do Complexo Industrial-
Militar.
A geração de novas tecnologias, sobretudo no campo da informática e da robótica, pelos países
capitalistas, aumentou a eficiência da economia ocidental. Sem essa eficiência, o bloco socialista ficou
em defasagem na produção industrial e militar, o que contribuiu para a sua crise, o desmoronamento e o
fim da Guerra Fria.

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A Terceira Revolução Industrial e o Desemprego Estrutural

O fim do bloco socialista, a vitória do capitalismo e a chegada da Nova Ordem Mundial determinaram
o fim da disputa ideológica típica da Guerra Fria. E, sem a necessidade de mostrar o sistema capitalista
como o mais benéfico para os trabalhadores, as grandes empresas ficaram livres para reduzir os seus
custos, principalmente os de mão de obra.
A era da informatização ou Terceira Revolução Industrial trouxe agilidade, interligou o planeta por meio
dos sistemas de comunicação e transportes muito eficientes, incorporou máquinas e robôs na produção.
Postos de trabalho foram eliminados permanentemente, configurando o desemprego estrutural.
Nesse mesmo período, o neoliberalismo ganhou força, defendido, principalmente, pelos governos dos
EUA e da Inglaterra. Para estes, a economia se "autorregula" e, portanto, o Estado não precisa intervir
na economia.
Ora, o fim da "mão protetora do Estado" ficou muito evidente nos antigos países socialistas, quando o
socialismo real ruiu. Os neoliberais queriam mais. Mais abertura econômica e o fim dos benefícios sociais-
conquistados. Seria o fim do Welfare State?
E em países em que ele sequer foi implantado de forma significativa?
No plano da propaganda, o neoliberalismo prega que o bem-estar é uma conquista individual, adquirida
por meio da competência, em vez do paternalismo do Estado.
Dessa forma, o discurso se afasta do campo das "oportunidades" e se finca no aspecto da competência
individual. Assim, a responsabilidade sobre o sucesso ou o fracasso cabe, exclusivamente, ao indivíduo.
Com excesso de mão de obra no mercado, os processos seletivos são cada vez mais rigorosos,
enquanto os salários estão cada vez mais baixos.
O aprimoramento das técnicas e as novas relações de trabalho, avalizadas pelo Estado, trouxeram
uma acumulação de capital como nunca se tinha visto.
Se o poder econômico interfere no poder político, podemos concluir que os grandes conglomerados
ditam as normas mundiais.
O pensamento do historiador Immanuel Wallerstein resume a atual fase capitalista monopolista e de
concentração pessoal de renda: Acumula-se capital a fim de se acumular mais capital. Os capitalistas são
como camundongos numa roda, correndo sempre mais depressa a fim de correrem ainda mais depressa.

Terceira Revolução Industrial e Tecnopolos


Com a Terceira Revolução Industrial, ocorreu ainda a formação dos tecnopolos, a partir da
necessidade de acumulação capitalista em maior volume. São áreas onde a produção se faz com uso de
tecnologias de ponta e ocorre um controle sobre o trabalho mais eficaz, ora por omissão do Estado ora
por debilidade sindical.
Estes tecnopolos são produzidos em áreas onde podem se associar empregos especializados e
desenvolvimento por pesquisas. Os tecnopolos caracterizam-se por:
→ Uma produção no modelo just-in-time, que produz de acordo com a demanda ou os pedidos.
Associado a isso pode ocorrer o just-in-case, que é a produção mediante existência de estoque mínimo;
→ Uma forte ligação entre fábricas e centros de pesquisa e universidades;
→ Estabelecimento de uma nova relação entre os oligopólios e as pequenas e médias empresas, que
arcam com os riscos e custos de pesquisas tecnológicas para o desenvolvimento das grandes empresas,
gerando uma alta competitividade.
A Terceira Revolução Industrial – ou Revolução Técnico-científica – começou a tomar forma no final
da Segunda Guerra Mundial, mas os seus efeitos têm se manifestado em todo o mundo, de forma mais
intensa, há cerca de duas décadas. Esse processo de desenvolvimento da atividade industrial vem
repercutindo fortemente nos demais setores econômicos, nas relações sociais e nas relações sociedade-
natureza. Uma das suas características mais importantes é a interação entre a informática e as
telecomunicações – a telemática -, mas podemos citar também outros de seus aspectos característicos:
* o avanço nos sistemas de telecomunicações (satélites artificiais, cabos de fibra óptica);
* o desenvolvimento da informática, tanto nos equipamentos (hardware) quanto nos programas e
sistemas operacionais (software);
* o desenvolvimento da microeletrônica, da robótica, da engenharia genética;
* a utilização da energia nuclear.
A Revolução Técnico-científica, ao mesmo tempo em que gera riquezas e amplia as taxas de lucros,
responde também pelo desemprego de milhões de pessoas em todo o mundo, pois vem permitindo
produzir mais mercadorias e gerar mais serviços com menor número de trabalhadores. E isso é válido
para a indústria, a agropecuária, o extrativismo, o comércio e os serviços.

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A ciência, no estágio atual, está estreitamente ligada à atividade industrial e às outras atividades
econômicas: agropecuária, comércio, serviços. O desenvolvimento científico e tecnológico é um
componente fundamental para as empresas, pois é convertido em novos produtos e em redução de
custos, permitindo maior capacidade de competição num mercado cada vez mais disputado. As grandes
empresas multinacionais possuem seus próprios centros de pesquisa e tem sido crescente o investimento
na aquisição de novos conhecimentos científicos, em relação ao conjunto da atividade produtiva.
O Estado, por meio de universidades e de instituições de pesquisa, também estimula o
desenvolvimento tecnológico, preparando novos profissionais e capacitando-os para as funções de
pesquisa na área industrial ou agrícola, assim como no desenvolvimento de tecnologias, transferidas ou
adaptadas às novas mercadorias de consumo ou aos novos equipamentos de produção. Nesse sentido,
a pesquisa científica aplicada ao desenvolvimento de novos produtos tornou-se parte do planejamento
estratégico do Estado, visando ao desenvolvimento econômico.
Um exemplo desse apoio estatal ao desenvolvimento de novas tecnologias é o MITI (Ministério da
Indústria e Comércio Exterior), do Japão. Por intermédio do MITI – que recebe verbas das empresas e do
governo japonês -, desenvolvem-se pesquisas que serão aplicadas à criação e ao aperfeiçoamento de
produtos pela indústria. Outro exemplo é o MIT (Massachusetts Institute of Tecnology), situado no
nordeste dos Estados Unidos, considerado um dos principais centros de pesquisa do mundo, mantido
pelo governo norte-americano e por grandes empresas privadas.
Outro exemplo do desenvolvimento de novas tecnologias mediante parcerias entre empresas
industriais e universidades é o caso da Universidade de Stanford, em torno da qual surgiu o Vale do
Silício, onde se concentra o maior conjunto de indústrias de informática de todo o mundo. Nos países
capitalistas, sobretudo nos Estados Unidos, boa parte das conquistas tecnológicas foi adaptada e
estendida à criação de uma infinidade de bens de consumo, mesmo na época da Guerra Fria, quando o
investimento em tecnologia estava voltado para a corrida armamentista ou espacial.
Com a Revolução Técnico-científica, o tempo entre qualquer inovação e sua difusão, na forma de
mercadorias ou de serviços, é cada vez mais curto. Alguns produtos industriais classificados, em princípio,
como bens de consumo duráveis (especialmente aqueles ligados aos setores de ponta, como a
microeletrônica e informática), são cada vez menos duráveis e tornam-se obsoletos devido à rapidez com
quem são incorporadas novas tecnologias.

Tecnologia de Processo – Toyotismo


Foi no Japão que ocorreu a transformação do processo de produção de mercadorias na Terceira
Revolução Industrial. Por ser um país com um território pequeno, dependente da importação de matérias-
primas e com pouco espaço para estocar os seus produtos, nesse país a produção foi organizada de um
modo diferente do tradicional modelo fordista.
Essa nova organização da produção ficou conhecida pelo nome de just-in-time (literalmente, tempo
justo) e foi implementada pela primeira vez, em meados do século XX, na fábrica de motores da Toyota.
Depois, foi incorporada pelas principais indústrias do mundo.
No interior da fábrica, as diferentes etapas de produção, desde a entrada das matérias-primas até a
saída do produto, são realizadas de forma combinada entre fornecedores, produtores e compradores. A
matéria-prima que entra na fábrica corresponde exatamente à quantidade de mercadorias que serão
produzidas. Essas mercadorias são feitas dentro do prazo estipulado e de acordo com o pedido dos
compradores. Além da eficiência, o sistema just-in-time permite diminuir o custo de estocagem e o volume
da produção fica diretamente relacionado à capacidade do mercado de consumo, evitando-se perdas de
estoque ou diminuição do preço, caso ocorra uma defasagem tecnológica do produto.
O trabalho especializado e rotineiro da linha de montagem do sistema fordista foi substituído por um
sistema flexível, em que o trabalhador pode ser deslocado para realizar diferentes funções, de acordo
com as necessidades da produção em cada momento.
Nesse novo sistema, a modificação e a atualização nos modelos das mercadorias podem ser feitas a
partir de pequenas reestruturações da mesma fábrica, utilizando-se os mesmos equipamentos. Os
recursos da microeletrônica, da robótica e da informática, intensivamente utilizados nesse sistema,
viabilizam essas frequentes mudanças.
Essa flexibilidade industrial tornou-se importante num mundo em que a evolução tecnológica acarreta
constante criação e modificação de produtos, com consequente diminuição da vida útil das mercadorias.
É preciso ressaltar, no entanto, que a difusão do toyotismo trouxe uma ampliação nos fluxos de
mercadorias, inclusive, num ritmo mais acelerado, demandando novas exigências ao setor de transportes.

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A Sociedade da Informação
Os computadores invadiram a vida cotidiana. Apesar de não estarem presentes em todas as
residências do mundo, indiretamente atingem todas as pessoas. Eles coletam, armazenam e divulgam
informações de forma maciça e instantânea, ligando o mundo numa grande rede, e estão presentes em
diversos momentos do dia-a-dia. Por exemplo, o ato de usar o caixa eletrônico só é possível mediante
informações transmitidas a um computador central, que autoriza ou não a transação. No supermercado,
um terminal, no caixa, lê o código de barras do produto, informa o preço à máquina registradora, dá baixa
do produto no estoque e encaminha essa informação ao departamento de compras, para a reposição do
estoque.
Em muitas residências, o computador faz parte dos equipamentos básicos do dia-a-dia. Por
computador, usando a Internet, pode-se acessar informações em qualquer parte do mundo para realizar
pesquisas, pagar contas, transferir dinheiro de uma conta de banco para outra, ou comprar mercadorias
e serviços.
Tais atividades, já corriqueiras para uma pequena parcela da população mundial, dependem de um
complexo sistema de infra-estrutura que usa desde satélites artificiais de comunicação em órbita
permanente até fios telefônicos e cabos de fibra óptica que atravessam oceanos. Enfim, trata-se de um
novo modo de vida que combina mercadoria industrial com serviços. Aparelhos diversos – computadores,
telefones e televisores – têm que estar ligados a uma ampla rede de serviços para que possam ser
utilizados.
Foi essa Revolução Técnico-científica, caracterizada também pelo desenvolvimento dos meios de
transporte, que possibilitou a descentralização da produção industrial para os mais distantes recantos do
mundo.

Trabalho, sua Relação com o Meio Ambiente

O trabalho39 é um elemento transformador, não apenas do homem que trabalha, mas também da
natureza, fonte já não tão inesgotável de recursos, além de modificador também das relações que se
estabelecem na sociedade.
A ampliação do processo do trabalho ensejou que o trabalhador passasse a ter garantido, por meio de
leis e regulamentos, certos direitos frente ao tomador de seus serviços. Todavia, ainda que tenha havido
progressos nesse âmbito, visto que constantemente novos direitos vão sendo incluídos no rol dos já
existentes, nada ou quase nada foi feito para se garantir que os trabalhadores fossem capazes de tomar
ciência dos efeitos de seu trabalho sobre o meio ambiente, assim como pouco tem sido feito no sentido
de se procurar novas alternativas menos agressivas, no sentido de incluir o trabalhador na busca de
desenvolver atividades cada vez menos nocivas à integridade dos recursos naturais.
Primeiramente, porque a eles, na maioria das vezes, não cabe maior poder de decisão sobre a
administração da organização; segundo, porque a busca por novas alternativas demanda, inicialmente,
um dispêndio de valores que nem sempre as corporações estão dispostas a bancar.
Todos os avanços referentes ao trabalho do ser humano demandam uma nova adaptação frente à
degradação ambiental: é preciso uma educação ambiental para que ainda haja tempo de preservar o que
resta da natureza.
Desde a pré-história, o homem subsistia com aquilo que conseguia colher manualmente na natureza,
consumindo, principalmente, frutas, legumes, raízes, além da carne obtida por meio da caça e da pesca.
Sua atividade consistia, basicamente, em procurar e colher tais recursos da natureza, pouco
interferindo no meio ambiente.
Tal atuação não implicava em maior dano aos recursos naturais, visto que eram atividades
desempenhadas estritamente para manutenção do indivíduo, o qual se apossava de recursos renováveis
da natureza, produzidos de forma periódica e em decorrência de seu ciclo normal de reprodução.
Tal fato, no entanto, foi incapaz de garantir recursos suficientes para satisfazer as necessidades
alimentares de uma população que crescia constantemente, forçando, ao final, a busca por novos
recursos.
Aos poucos, o homem passa a desenvolver novas habilidades, tornando-se, então, um produtor de
alimentos e, de certa maneira, interferindo e modificando o meio em que vive. Disso, prosperam novas
alternativas, fazendo com que o processo produtivo acelere, assim como se constituam novas formas de
organização do indivíduo em sociedade.
Os modelos econômicos adotados, feudalista, capitalista, etc., exerceram grande influência nesse
processo, em razão de terem favorecido o aprimoramento do setor produtivo e da organização social.

39
https://repositorio.ucs.br/xmlui/bitstream/handle/11338/1010/Dissertacao%20Fabio%20Rodrigues.pdf?sequence=1&isAllowed=y

77
1634532 E-book gerado especialmente para GRAZIELA CRISTINA LEOTE
No entanto, embora esse avanço, num primeiro instante, possa representar melhores condições de
vida para os seres humanos, também tem acarretado graves danos ao meio ambiente, face o aumento
da extração de recursos não renováveis, passível de levar ao seu consequente esgotamento.
Nesse enfoque, destaca-se o modelo capitalista de produção, que, mesmo significando um novo
estímulo à produção de bens e ao progresso econômico, tende a aprofundar ainda mais o fosso formado
entre o desequilíbrio ambiental e a geração e acumulação de riquezas, gerando riscos ao meio ambiente
e desigualdades sócio econômicas.
Esse modelo econômico tem proporcionado, de um lado, uma melhoria da produtividade,
desencadeada, predominantemente, pelos resultados alcançados em pesquisas tecnológicas e
científicas, pela competitividade, pela possibilidade de acumulação de bens materiais e, em alguns casos,
a criação de tipos novos de ocupação; enquanto, por outro lado, tem sido fonte, dentre outras coisas, da
precarização da qualidade de vida de uma parcela significativa da população, gerando mais desemprego,
menos oportunidade de acesso aos benefícios alcançados com o progresso, mais desequilíbrio na
distribuição das riquezas, além de um crescimento exagerado da exploração dos recursos naturais.
Cientes de que o planeta apresenta uma limitação na sua capacidade de gerar recursos, de fornecer
matéria-prima e que a capacidade de reprodução dos seres humanos continua crescendo, acarretando
um aumento da demanda por novos recursos, torna-se imperiosa a busca por alternativas capazes de
conciliar a satisfação dessas necessidades com progresso econômico e preservação ambiental, a fim de
que seja possível ter uma qualidade digna de vida.

Exploração do Trabalho e da Natureza40


Sendo o toyotismo um sistema de organização voltado para a produção de mercadorias,
paralelamente ao mesmo, se difundiram novas relações de trabalho, caracterizadas pelos salários baixos
e direitos trabalhistas restritos ou inexistentes.
A maioria desses empregos foram criados em países em desenvolvimento, onde ainda em grande
parte se mantinham o método de produção fordista41, baseado na super exploração dos trabalhadores.
No entanto, em muitos deles, como a China, a Índia e o Brasil, também há indústrias modernas e a
introdução do toyotismo.
Também em diversos países desenvolvidos a flexibilização da legislação trabalhista, com a redução
dos salários e dos benefícios sociais e previdenciários, tem levado ao enfraquecimento do movimento
sindical.
Vários fatores contribuem para tal situação: a competição das novas tecnologias e dos novos
processos produtivos, a desconcentração da produção industrial e a concorrência dos trabalhadores mal
remunerados, numerosos nos países em desenvolvimento.
Entretanto, para milhões de trabalhadores da periferia do sistema capitalista, que estavam fora do
processo de produção, as condições de vida melhoraram.
A vida na cidade, em geral, é melhor do que na zona rural. Isso é particularmente verdadeiro na China,
cuja economia atraiu grande volume de investimentos estrangeiros por causa dos baixos custos de sua
mão de obra.
Segundo o Banco Mundial, o número de chineses que viviam na pobreza extrema caiu de 756 milhões
(67% da população total), em 1990, para 19 milhões (1,4% da população), em 2014.
Em menor escala, isso também ocorreu no Brasil, no México, na Índia e em outros países emergentes.
Além de permitir a exploração do trabalhador, durante muito tempo, a legislação ambiental dos países
em desenvolvimento era, em sua maior parte, frágil. Esse fato permitia produzir a custos menores e
contribuía para atrair indústrias poluidoras.
Embora isso ainda aconteça na atualidade, a crescente preocupação mundial com o desenvolvimento
sustentável tem pressionado os dirigentes das fábricas a desenvolver métodos de produção que causem
menos impactos ambientais.
Vem se firmando a ideia de que o desenvolvimento sustentável pode contribuir para aumentar a
produtividade das empresas e, consequentemente, a competividade e os lucros, além de reforçar a
imagem positiva resultante da certificação com um “selo verde”.

40
SENE, Eustáquio de. Geografia Geral e do Brasil. Volume único. Eustáquio de Sene, João Carlos Moreira. 6ª edição. São Paulo: Ática, 2018.
41
O Fordismo é um modo de produção em massa baseado na linha de produção idealizada por Henry Ford. Foi fundamental para a racionalização do processo
produtivo e na fabricação de baixo custo e na acumulação de capital.

78
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ENERGIA MUNDIAL

A Infraestrutura Energética no Mundo42

Um Mundo Carente de Energia


As transformações verificadas no decorrer da Revolução Técnico-científica, ou Terceira Revolução
Industrial, foram acompanhadas por uma demanda acelerada de energia. Além disso, o crescimento
econômico e a urbanização crescente na Ásia e na América Latina ampliaram a necessidade de fontes
energéticas. O crescimento do número de automóveis em circulação, um aspecto marcante das
sociedades que se industrializam, também passou a exigir maior volume de combustíveis fósseis
(originados de restos de seres vivos que habitaram a Terra há milhões de anos. Exemplos: petróleo,
carvão mineral, gás natural, xisto pirobetuminoso), (petróleo e gás natural), apesar de os veículos
produzidos atualmente, consumirem, em média, 50% menos combustível do que os modelos de 30 anos
atrás.
Dessa forma, a ampliação dos recursos energéticos é um dos principais problemas das sociedades
contemporâneas. Mas essa ampliação deve considerar a degradação do ambiente, utilizando fontes
menos poluidoras e renováveis. Trata-se de uma tarefa difícil, considerando que a principal fonte
energética para os transportes no mundo inteiro ainda é petróleo.
Os combustíveis fósseis representam praticamente 85% da matriz energética mundial; ou seja,
considerando-se todas as fontes utilizadas no mundo e todas as modalidades de energia – elétrica,
mecânica, térmica -, o petróleo, o carvão mineral e o gás natural são responsáveis por 85% da energia
gerada.

Energia, Desenvolvimento Econômico e Condições Sociais


O desenvolvimento econômico e social está intimamente ligado ao desenvolvimento das fontes de
energia. Pode-se dizer que há uma interdependência: o progresso econômico e social resulta da ativação
de fontes de energia, que, por sua vez, ocorre em consequência das demandas da economia e da
sociedade.
Assim, os países mais desenvolvidos são grandes consumidores de energia e precisam importar
recursos energéticos para suprir suas necessidades. Em geral, esse alto consumo exige também a
utilização de diversas fontes.

As Fontes de Energia e Suas Origens


As fontes de energia podem ser divididas em renováveis e não-renováveis, primárias e secundárias.
A primeira se relaciona à capacidade da fonte em se recompor ou não. O petróleo, gerado através de
decomposição do material orgânico, ao longo de milhares de anos, é uma fonte não-renovável. A
velocidade com que o combustível é produzido pela natureza não permite recompor as quantidades dele
retiradas pela sociedade contemporânea. O álcool, pelo contrário, é um combustível renovável, pois
provém do processamento de matéria orgânica viva, a cana-de-açúcar. O ritmo de crescimento da cana
acompanha o consumo do combustível.
A segunda divisão se refere à utilização das fontes. Ela é primária quando a energia fornecida é usada
diretamente para um trabalho ou geração de calor. O uso da lenha para cozinhar alimentos é um exemplo
de energia primária. Mas se se usa lenha ou carvão para alimentar uma caldeira, que por sua vez gera
energia elétrica, esta última é uma energia secundária.
Há ainda uma terceira divisão: a energia pode ser convencional ou alternativa. São consideradas como
convencionais aquelas usadas em grande quantidade e de forma difundida na sociedade contemporânea.
Por exemplo: o petróleo. São energias alternativas aquelas utilizadas em menor quantidade, e que se
encontram ainda em fase de pesquisas. Por exemplo: a energia solar. (Revista Ecologia e Desenvolvimento, ano 2, nº 31,
setembro de 1993, p.10).

As fontes de energia primária mais utilizadas no mundo atual são, respectivamente, o petróleo, o
carvão mineral, o gás natural, o urânio e a hidráulica (da água). Sendo recursos naturais, as fontes de
energia podem ser classificadas em renováveis, como o sol, a água dos rios, o vento, etc.; e não-
renováveis, como o petróleo, o carvão mineral e o urânio.
As fontes não-renováveis podem se esgotar, ao contrário das fontes renováveis.

42
TAMDJIAM, James Onnig. Geografia Geral e do Brasil: estudos para compreensão do espaço: ensino médio/volume único. James & Mendes. São Paulo: FTD,
2013.

79
1634532 E-book gerado especialmente para GRAZIELA CRISTINA LEOTE
Energia Hidrelétrica
A utilização da água como fonte de energia é muito antiga e remonta aos tempos dos moinhos movidos
pelas rodas d’água. Atualmente, o movimento natural das águas é utilizado principalmente para a
produção de energia elétrica, a qual é obtida em usinas hidrelétricas. Essas usinas utilizam basicamente
o mesmo princípio empregado nas antigas rodas d’água.

A Energia das Águas


Barragens para o represamento de água e seu uso na movimentação de rodas que acionam moinhos
datam da Idade Média. Pelo que se sabe através de documentos do geógrafo Estrabão (século I a.C.),
moinhos movidos pela força d’água já existiam, pelo menos, nos anos 60 a. C. Porém, a primeira notícia
de barragem com a finalidade de regularizar as vazões para uma série de moinhos industriais refere-se
a instalações construídas no século XII, no rio Garone, sul da França.
As rodas d’água ainda hoje existem nos engenhos de pequenos sítios por todo o nosso país e
desempenharam importante papel, nos séculos passados, em relação a todos os processos de produção
de farinha e açúcar. Ao girar, pela força d’água, movimentam mós de pedra – conjunto de martelos-pilões
-, para socar o milho ou a mandioca, ou ainda pesados cilindros de ferro para esmagar a cana, extraindo
o precioso caldo açucarado com o qual são fabricados o melado, a rapadura, o açúcar, a aguardente e o
álcool. (BRANCO, Samuel Murgel. Energia e Meio Ambiente. São Paulo, Moderna, 1990, p.37).

A energia hidrelétrica é o resultado de uma série contínua de transformações de energia. A energia


inicial é a força da água em movimento encontrada na própria natureza e conhecida como energia
potencial. Por essa razão, a usina deve ser construída em rios que tenham um determinado volume de
água e apresentem desníveis em seu curso.
A barragem construída para a formação de represa garante maior acúmulo de agua e aumenta o
desnível do rio. Dessa forma, a água entra pelas tubulações da usina com maior velocidade e força, o
que acarretará a movimentação das turbinas. Essa movimentação das turbinas pela água constitui a
primeira etapa de transformação de energia – a energia potencial da água é transformada em energia
mecânica (movimento das turbinas).
As turbinas, por sua vez, estão ligadas a um gerador, que transforma a energia mecânica em energia
elétrica, caracterizando a segunda etapa do processo.
As usinas hidrelétricas suprem 18% das necessidades de energia elétrica do mundo, mas apenas em
pouco mais de vinte países as hidrelétricas são responsáveis pela quase totalidade de eletricidade gerada
(mais de 90%), como é o caso do Brasil.
Os países que possuem grande potencial hidráulico são: Estados Unidos, Canadá, Brasil, Rússia e
China. Os Estados Unidos constituem o país que mais aproveita esse potencial, sendo responsável pela
produção de praticamente 1/5 do total da hidroeletricidade produzida no mundo. Mesmo assim, as usinas
hidrelétricas norte-americanas suprem apenas 5% das necessidades energéticas do país. A China
construiu a maior hidrelétrica do mundo – Três Gargantas, no rio Yang-tsé-kiang, que gerou, em 2009, 18
milhões de kwh, suprindo cerca de 10% das necessidades energéticas dos chineses. A usina de Itaipu,
no Brasil, gera 12,6 milhões de kwh e é, a segunda maior hidrelétrica do mundo.
O fato de ser renovável e de não poluir a atmosfera, ao contrário do que ocorre com os combustíveis
fósseis (carvão mineral, petróleo e mesmo gás natural), são duas grandes vantagens a utilização de
energia hidrelétrica. Além disso, o tempo de vida das usinas é bastante longo e o custo de manutenção
é relativamente baixo.
Porém, a construção de usinas hidrelétricas costuma causar grande impacto socioambiental. Com o
represamento do rio, as barragens formam um grande lago.
A inundação destrói extensas áreas de vegetação natural, comprometendo a vida animal naquele
habitat modificado pela ação humana. Até mesmo pequenas barragens provocam danos ambientais,
como a destruição das matas ciliares, o desmoronamento das margens e o assoreamento do leito dos
rios. Outra consequência da modificação do ciclo natural da água é o comprometimento da vida aquática
e da reprodução dos peixes.
Uma hidrelétrica também pode afetar a vida das pessoas que moram na região em que a usina for
construída. O represamento da água, que acarreta a formação de imensos lagos artificiais, pode
desabrigar populações ribeirinhas, povos indígenas, pequenos agricultores e inundar completamente
vilas, povoados e até pequenas cidades.

As Fontes Alternativas
A enorme participação das fontes não-renováveis na oferta mundial de energia coloca o mundo diante
de um desafio: a busca por fontes alternativas de energia. E isso é urgente, pois o mundo pode,

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literalmente, entrar em colapso se forem mantidos os atuais modelos de desenvolvimento
socioeconômico, com base no consumo de petróleo.
As resoluções estabelecidas pela maioria dos países as conferências sobre o clima do planeta, como
o Protocolo de Kyoto (segundo esse protocolo, que os Estados Unidos se negaram a ratificar, alegando
que isso traria prejuízos para a sua economia, os países industrializados, entre 2008 e 2012, deveriam
reduzir em 5,2% as emissões de gases-estufa, principalmente o dióxido de carbono, em relação ao que
lançavam na atmosfera em 1990), que envolvem questões ligadas ao aumento das temperaturas médias
do ar na Terra, exigem uma nova postura por parte dos governos em relação à produção de energia. Isso
só pode ser conseguido com investimentos em tecnologias para a geração de energia limpa.
É preciso considerar também o fato de que um terço da população mundial não tem acesso à energia
elétrica e que o fornecimento de eletricidade é uma condição básica para a melhoria da qualidade de vida
das pessoas, sobretudo no contexto da Terceira Revolução Industrial, em que a informática dinamizou o
acesso à informação, via Internet, e traz novas exigências para a inserção no mercado de trabalho.
Há diversas fontes alternativas disponíveis, exigindo desenvolvimento tecnológico para que possam
ser rentáveis e, consequentemente, utilizadas em maior escala. Entre elas, destacam-se o sol, o álcool,
o vento, o calor da Terra, o carvão vegetal e o biogás.

O Sol
O aproveitamento da energia solar oferece grandes vantagens: não polui, é renovável e existe em
abundância. Entretanto, pelo fato de a sua utilização em larga escala (grandes usinas) para a geração de
energia elétrica estar em fase relativamente inicial de desenvolvimento tecnológico, a energia solar ainda
não é viável economicamente, ou seja, os custos financeiros para sua obtenção superam os benefícios.
A geração de energia elétrica tendo o sol como fonte pode ser obtida de forma direta ou indireta.
A forma direta de obtenção acontece por meio de células fotovoltaicas (trata-se de dispositivos que
desempenham força eletromotriz pela ação da luz. As células fotovoltaicas só produzem corrente elétrica
quando estão iluminadas), geralmente feitas de silício, um dos elementos mais abundantes na crosta
terrestre. A luz solar, ao atingir as células, é diretamente convertida em eletricidade. Apesar de o preço
dessas células estar caindo nos últimos anos, elas ainda são caras.
Para obter energia elétrica a partir do sol de forma indireta, constroem-se usinas em áreas de grande
insolação (áreas desérticas, por exemplo), onde são instaladas centenas de espelhos côncavos (coletores
solares) direcionados para um determinado local, que pode ser uma tubulação de aço inoxidável, como
ocorre no deserto de Mojave, na Califórnia (EUA), ou um compartimento contendo simplesmente ar, como
ocorre em Israel.
No caso das usinas da Califórnia, pela tubulação de aço inoxidável circula um tipo de óleo, que é
aquecido pelo calor do sol concentrado. O óleo aquece a água que circula em outra tubulação. A água
vira vapor, que irá mover as turbinas e acionar os geradores elétricos.
Na usina de Israel, o calor aquece o ar existente no compartimento até 1300ºC, quando este aciona
uma turbina e gera eletricidade.

O Álcool
O álcool é produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar, do eucalipto e da beterraba. Como
fonte de energia, pode ser utilizado para fazer funcionar motores de veículos (álcool etílico, da cana-de-
açúcar, e da beterraba; e metanol, do eucalipto) ou para produzir energia elétrica.
Como combustível para automóveis, o álcool tem a vantagem de ser uma fonte renovável e menos
poluidora que a gasolina, além de ter possibilitado, no caso brasileiro, o desenvolvimento de uma
tecnologia nacional de produção de motores. Mas o álcool nunca suprirá a necessidade total de
combustível dos veículos automotores. Para se ter ideia, os EUA possuem uma frota de quase 200
milhões de veículos; se quisessem utilizar apenas o álcool para abastece-los, necessitariam de uma área
de plantio de cana-de-açúcar de 1 000 000 km², aproximadamente, o que representaria mais de 10% de
todo o território norte americano.

Energia Eólica
Como o sol e a água, o vento também é um recurso energético abundante na natureza. Quando intenso
e regular, pode ser utilizado para produzir energia a preços relativamente competitivos. Este custo poderá
cair ainda mais quando a energia dos ventos estiver mais difundida.
A tecnologia atualmente empregada na construção dos cata-ventos que geram eletricidade é bastante
sofisticada e consegue explorar a força de ventos que sopram a mais de 10 metros por segundo. As
imensas pás dos rotores, com até 100 metros de comprimento, são agora construídas em fibra de vidro

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(as primeiras, de aço, deterioravam rapidamente), giram a frequências que não interferem nas
transmissões de rádio e TV e são controladas por computadores.
Alguns países europeus já projetam rotores com potência e até 4 mil quilowatts, enquanto a NASA,
nos EUA, pensa em atingir a potência de muitos megawatts, em colaboração com o Departamento de
Energia.

O Calor da Terra
Outra fonte alternativa de energia é representada pelas centrais geotérmicas, que transformam o calor
do interior da Terra em fonte de energia.
A principal vantagem da energia geotérmica é a escala de exploração, que pode ser adequada ás
necessidades, permitindo o seu desenvolvimento em etapas, à medida que aumenta a demanda.
Uma vez concluída a instalação, os seus custos de operação são baixos.
Já existem algumas dessas centrais encravadas em zonas de vulcanismo, onde a água quente e o
vapor afloram à superfície ou se encontram a pequena profundidade.
Costa Rica, Guatemala e, principalmente, a Islândia, já utilizam esse tipo de energia.
Atualmente a exploração da energia geotérmica estende-se a outras regiões, além das vulcânicas,
cuja superfície apresenta claros indícios de vapores subterrâneos.

O Biogás
O biogás, constituído principalmente pelo gás metano, é obtido a partir de reações anaeróbicas (sem
oxigênio) da matéria orgânica existente no lixo, que é recolhido nas cidades e depositado nos aterros
sanitários energéticos. Ele tem sido utilizado para gerar gás combustível de uso doméstico ou combustível
de veículos, solucionando ainda um sério problema, especialmente para as metrópoles: a destinação do
lixo.
O biogás também pode ser obtido por meio de aparelhos chamados biodigestores, nos quais se
processa a fermentação de esterco, folhas de árvores e outros compostos orgânicos, constituindo-se uma
excelente alternativa para as áreas rurais.

A Sociedade de Consumo e o Consumismo

O modelo de acumulação capitalista calcado na obtenção de lucros se reproduz, em grande parte, no


aumento crescente dos níveis de produção e de consumo de bens e serviços. Mas essa expansão da
sociedade de consumo em escala também crescente pode ser apontada como uma das causas
estruturais da degradação ambiental contemporânea promovida pelo capitalismo.
A cultura do consumo, que se coloca como condição básica para a manutenção do mercado, depende
do aumento da produção, o que, por sua vez, aumenta a pressão sobre os recursos naturais, acarretando
os mais avariados impactos e problemas ambientais. Embora o consumo seja condição vital para que as
pessoas satisfaçam suas necessidades básicas de sobrevivência (alimentos, roupas, medicamentos,
moradias, escolas, hospitais, etc.), o modelo econômico e a lógica do mercado têm estimulado as pessoas
a consumir exageradamente, o que nos permite dizer, portanto, que estamos vivendo em um mundo cada
vez mais consumista.
Associado a um conjunto de práticas sociais, culturais e econômicas, esse comportamento consumista
está inserido na lógica mercantil, sendo motivado por causas múltiplas. Na disputa pelo domínio de fatias
cada vez maiores do mercado, os segmentos produtivos utilizam inúmeros mecanismos e estratégias de
venda. Por meio do marketing, por exemplo, anúncios publicitários veiculados na mídia (rádio, televisão,
jornais, revistas, outdoors, etc.) procuram estimular o consumo, despertando nas pessoas o desejo de
adquirir mais e mais produtos).
A rapidez com que as inovações tecnológicas ocorrem também contribui para o aumento do consumo.
Com as empresas lançando produtos cada vez mais sofisticados e avançados do ponto de vista
tecnológico, as pessoas tendem a substituir produtos ainda novos pelos que acabam de chegar às lojas
do comércio. Estrategicamente planejado pelas empresas, o lançamento de novos produtos que inundam
as lojas do comércio aumenta em muito suas vendas gerando, portanto, novos hábitos consumistas.
Mas, para garantir essa expansão do consumo e estimular as pessoas a comprar cada vez mais, o
mercado também se encarregou de criar inúmeras estratégias de venda. Os estabelecimentos
comerciais, sobretudo as grandes redes, apostam na realização de promoções e liquidações e oferecem
formas de pagamento “facilitadas” como crediários, prestações, parcelamento em cartões de crédito, etc.
as instituições financeiras, por outro lado, oferecem linhas de crédito, como financiamento e empréstimos
que permitem a aquisição de produtos sem que o consumidor tenha de fazer o pagamento imediato da
compra. Embora essas opções facilitem o acesso ao consumo, elas induzem ao consumismo,

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aumentando também o endividamento individual, uma vez quem muitos consumidores acabam tendo
dificuldades de efetuar o pagamento dos compromissos assumidos no ato da compra.

Desigualdade e Consumo no Mundo


Ainda que o nível de consumo da sociedade contemporânea continue se expandindo, ele ocorre de
maneira bastante desigual entre os países do mundo. Como o consumo de uma população é determinado
em grande parte pelo nível de sua renda, pode-se concluir que existem grandes diferenças de consumo
entre os países ricos e desenvolvidos e os países subdesenvolvidos. Nos países ricos, a renda per capita
anual da população está, em média, em 40 mil dólares, como ocorre nos Estados Unidos, Canadá,
Alemanha, França, Bélgica, Japão e Austrália. Já em países mais pobres, essa mesma renda não chega
a 800 dólares ao ano, caso do Haiti, Bangladesh, Afeganistão, Serra Leoa, Níger e Ruanda.

Recursos Naturais: Escassez e Abundância x Riqueza e Pobreza


Faz-se hoje uma grande comparação entre o crescimento econômico de um país e suas implicações
sobre a oferta de recursos naturais. Não é difícil notar que um país desenvolvido consome muito mais
produtos, inclusive descartáveis, aumentando a pressão sobre os recursos naturais. Vejamos um exemplo
simplificado de um estudo publicado nos Estados Unidos.

Os países desenvolvidos, tendo um maior poder aquisitivo, são os responsáveis pelo maior consumo
no planeta, muitas vezes de maneira impulsiva e desnecessária.
Esse estilo de vida baseado no “consumo como forma de obter felicidade” foi mais uma estratégia
capitalista de ampliação de negócios que, nos Estados Unidos, recebeu o nome de American Way of Life.
Basta mensurar tal comportamento pelo lixo produzido:
. Produção de lixo mundial por dia: 2 milhões de toneladas;
. Média mundial/dia por habitante de áreas urbanas: 700 g;
. Média de produção de lixo por habitante/dia na cidade de Nova York (EUA): 3 KG.

Os países industrializados apresentam menos de 25% da população mundial, mas consomem 75% da
energia global, 80% dos combustíveis comercializados e cerca de 85% dos produtos madeireiros.
Em contrapartida, nos países subdesenvolvidos, a renda média equivale a apenas 5% da obtida em
países industrializados, indicando que o consumo nesses países se restringe ao necessário ou a menos
que isso. Mesmo assim, a pobreza também exerce pressão negativa sobre o meio ambiente, uma vez
que, em muitos casos, o comportamento de quem vive na miséria e na pobreza é predatório. Poderíamos
citar como exemplos de comportamentos predatórios contra o meio ambiente:
. a coivara – queimada -, técnica primitiva de agricultura;
. o garimpo ilegal e a contaminação de rios com mercúrio;
. a ocupação irregular das margens de mananciais pelas favelas em expansão, nos países pobres.
Mananciais são fontes de água doce, superficiais ou subterrâneas, que podem ser utilizadas para
consumo humano ou desenvolvimento de atividades econômicas. (Fonte: Ministério do Meio Ambiente).

O Despertar da Consciência Ecológica


A preocupação com o agravamento dos problemas ambientais levou, a partir das décadas de 1960 e
1970, ao surgimento de movimentos ambientalistas organizados pela sociedade civil como forma de
protestar, alarmar e cobrar mudanças para reverter o preocupante cenário de degradação da natureza
promovido pela sociedade.
A emergência dos movimentos ambientalistas eclodiu juntamente com um conjunto de outras
manifestações de caráter social, das quais fazem parte o movimento das mulheres, dos negros e dos
pacifistas, por meio de determinados segmentos sociais engajados na luta por melhores condições de
existência e de vida no planeta. Uma característica singular dos movimentos ambientalistas ecológicos,
em comparação com outros movimentos sociais, reside no fato de que, na prática, nenhum outro
movimento passou a questionar, de maneira tão ampla, temas tão distintos quanto aqueles que
perpassam pela questão ambiental.

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Os movimentos ambientalistas começaram a se fortalecer primeiro na Europa e nos Estados Unidos a
partir de alguns grandes desastres ambientais ocorridos antes d década de 1970, tais como: a
contaminação do ar nas cidades de Nova York e Londres, entre 1952 e 1960; a intoxicação por mercúrio
nas baías de Minamata e Niigata, entre 1953 e 1965, no Japão; o acidente com o navio superpetroleiro
Torrey Canyon, ocorrido no canal da Mancha, entre a Inglaterra e a França, em 1967; a redução da vida
aquática em alguns dos Grandes Lagos, nos Estados Unidos; a morte de aves causada pelos efeitos de
pesticidas, como o DDT. Nos países subdesenvolvidos, como o Brasil, esses movimentos chegaram um
pouco mais tarde, já no final da década de 1970 e início dos anos 1980.
Paralelamente a acontecimentos como esses que despertaram a opinião pública, a questão ambiental
também se tornou alvo de maior preocupação da comunidade científica, sobretudo com os avanços da
ecologia e ciências correlatas, como a biologia, por exemplo. Uma nova literatura começou, então, a
questionar os imites da degradação ambiental no planeta, que, no plano político internacional, também
se tornaram alvo de maior preocupação.
Em 1968, especialistas de diversos países se reuniram em Roma, Itália, a fim de formularem projeções
sobre o futuro do planeta, alertando para os riscos ambientais promovidos pelo modelo econômico
vigente, baseado na exploração dos recursos naturais. Esse acontecimento assinalou a fundação do
Clube de Roma que, em 1972, publicou o estudo intitulado Os limites do crescimento. Ao apontar os
limites da exploração do planeta, algo até então inquestionável, esse estudo estimulou a consciência da
sociedade e da tomada de atitude de governos de diferentes países a respeito da problemática ambiental.
Foi nesse contexto que a temática ambiental adquiriu projeção e ganhou espaço nas grandes
discussões internacionais. Ainda em 1972, a ONU realizou em Estocolmo, Suécia, a I Conferência das
Nações Unidas sobre o Homem e o Meio Ambiente. Contando com representantes de mais de 100 países
e outras centenas de instituições governamentais e não governamentais, foram discutidas questões como
o controle da poluição do ar, a proteção dos recursos marinhos, a preservação e o uso dos recursos
naturais, entre outras.
Na década de 1980, a ONU deu continuidade ao debate da questão ambiental com a Comissão
Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada para estudar a problemática ambiental. Em
1987, esses estudos foram concluídos com a elaboração do documento Our Common Future (Nosso
futuro comum), conhecido como Relatório Brundtland. Como forma de conciliar o crescimento
econômico com a preservação do meio ambiente, o documento trouxe à tona a necessidade de se
promover um novo modelo de crescimento, o chamado “desenvolvimento sustentável”, como sendo
aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras
atenderem as suas necessidades.
Em 1992, vinte anos após o encontro em Estocolmo, a cidade do Rio de Janeiro sediou a Conferência
das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, mais conhecida como Eco-92 ou Rio-92.
Além de reafirmar a importância do desenvolvimento sustentável, como meta para conciliar o crescimento
econômico, com justiça social e conservação ambiental, o encontro contribuiu para ampliar a
conscientização sobre os problemas ambientais, fortalecendo ainda maios os movimentos ambientalistas
e ecológicos.
Em 1997, na cidade japonesa de Kyoto, foi formalizado um protocolo que instituiu metas para a redução
progressiva na emissão de gases poluentes, sobretudo daqueles que agravam o efeito estufa, como o
dióxido de carbono (CO²). De acordo com esse documento, os países mais ricos e industrializados
deveriam se comprometer a reduzir a emissão desses gases. Embora aceito pela grande maioria dos
países, o protocolo foi recusado pelos Estados Unidos (que respondem por cerca de 25% da emissão
total de CO² na atmosfera) enquanto outros países se opõem a ratificar o tratado que prevê cortes ainda
maiores nas emissões desses gases.
Em 2002, foi realizada em Johanesburgo, na África do Sul, a Conferência da Cúpula Mundial para o
Desenvolvimento Sustentável, a Rio +10, com o objetivo de fazer um balanço das ações realizadas e dos
resultados obtidos com base nos acordos firmados entre os países que participaram da Rio-92. Além das
questões relacionadas à conservação ambienta, também foram discutidas temáticas em âmbito social,
como a meta de redução do número de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza. Nesse encontro,
entretanto, houve pouco comprometimento das nações envolvidas em assumir realmente ações que
tivessem como resultado a melhoria socioambiental, como o cancelamento da dívida externa de países
subdesenvolvidos, a substituição de parte da energia provinda de combustível fóssil por fontes
energéticas renováveis (como a eólica, a solar, etc.).
Em junho de 2012, objetivando um encontro entre representantes do governo, ONGs, empresas
provadas e setores da sociedade civil em geral de grande parte dos países do mundo, foi realizada, no
Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Nesse
encontro, fez-se um balanço do que foi efetivamente realizado nos últimos vinte anos sobre as questões

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ambientais, em especial, as estratégias mais eficientes para se promover a sustentabilidade ambiental e
também para se combater e eliminar a pobreza extrema no mundo.

Questões

01. (Transpetro – Economista – CESGRANRIO/2018) A matriz energética de um país, de uma


região, ou mesmo do mundo, mostra a importância relativa das diversas fontes de energia.
O exame das matrizes, brasileira e mundial, sugere que, quantitativamente, a (s)
(A) mais importante fonte de energia no mundo atual é a hidroelétrica.
(B) energia nuclear no mundo é menos importante do que no Brasil.
(C) energia do petróleo é a mais importante fonte no Brasil.
(D) energia do carvão é mais importante no Brasil do que no mundo.
(E) fontes fósseis de energia (petróleo, gás natural e carvão) são mais importantes no Brasil do que no
mundo.

02. (Prefeitura de Venda Nova do Imigrante – ES – Assistente Social – CONSULPLAN) Petróleo,


gás natural e carvão mineral suprem mais de 80% da demanda mundial de energia, mas o
desenvolvimento de novas tecnologias tem ampliado as alternativas de geração energética a partir de
fontes renováveis e menos poluentes. Com base nessas informações, associe corretamente o tipo de
energia à sua fonte geradora.
1. Energia eólica.
2. Energia geotérmica.
3. Energia solar.
4. Energia maremotriz.
( ) Obtida do calor proveniente do interior da Terra.
( ) Do vento.
( ) Do movimento (ondas, marés e correntes).
( ) Do sol.
A sequência está correta em
(A) 2, 3, 4, 1
(B) 2, 1, 4, 3
(C) 2, 1, 3, 4
(D) 2, 4, 1, 3

Gabarito

01.C / 02.B

AGRICULTURA MUNDIAL43

Políticas Agrícolas no Mundo Desenvolvido

A agricultura é uma das atividades básicas da humanidade e provavelmente foi responsável pela
primeira grande transformação no espaço geográfico. Surgiu há cerca de 12 mil anos, no período
Neolítico, quando as comunidades primitivas passaram de um modo de vida nômade, baseado na caça
e na coleta de alimentos, para um modo de vida sedentário, viabilizado pelo cultivo de plantas e pela
domesticação de animais.
Inicialmente foi praticada às margens de grandes rios, como o Tigre e o Eufrates (antiga Mesopotâmia,
atual Iraque), o Nilo (no Egito), o Yang-tse-kiang (na China), o Ganges e o Indo (na Índia). Foi justamente
nessas áreas que se desenvolveram as primeiras grandes civilizações.
Com a evolução da agricultura começou a haver excedente de produção, o que possibilitou o
desenvolvimento do comércio, inicialmente baseado na troca de produtos. Nos locais onde ocorriam as
trocas, surgiram várias cidades.

Da Revolução Agrícola à Revolução Verde


Graças à Revolução Industrial, evoluíram as técnicas agrícolas, o que possibilitou aumento da
produção sem a necessidade de ampliar a área de cultivo, com base apenas no aumento da

43
LUCCI, Elian Alabi. Geografia Geral e do Brasil. Elian Alabi Lucci; Anselmo Lazaro Branco e Cláudio Mendonça. 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2014.

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1634532 E-book gerado especialmente para GRAZIELA CRISTINA LEOTE
produtividade. Esse desenvolvimento tecnológico aplicado à agricultura ficou conhecido como Revolução
Agrícola.
Esse aumento de produtividade foi necessário em decorrência do aumento da população em geral, da
elevação percentual da população urbana (cujas atividades de subsistência eram limitadas a alguns
gêneros apenas) e da diminuição proporcional da população rural, responsável pela produção agrícola.
As bases técnicas da Revolução Agrícola foram propiciadas pelas indústrias consumidoras de matérias-
primas ou fornecedoras de insumos para a agricultura (máquinas e fertilizantes, por exemplo).
Os períodos de expansão colonial constituíram fases importantes da expansão agrícola. Tanto nas
terras conquistadas pelos europeus na América, desde o século XVI, quanto naquelas tomadas durante
a expansão imperialista na África e na Ásia, no século XIX, os colonizadores implantaram um sistema
agrícola para a produção de gêneros alimentícios e de matérias-primas voltado ao abastecimento do
mercado europeu. Esse sistema ficou conhecido como plantation e era baseado na produção
monocultora de gêneros tropicais para fins de exportação, praticada em grandes propriedades
(latifúndios), com mão-de-obra barata (ou escrava).
Após a Segunda Guerra Mundial, com o processo de descolonização em marcha, os países
desenvolvidos criaram uma estratégia de elevação da produção agrícola mundial: a Revolução Verde.
Concebida nos Estados Unidos, objetivava combater a fome e a miséria nos países subdesenvolvidos,
por meio da introdução de um “pacote tecnológico”, contendo: novas técnicas de cultivo; equipamentos
para mecanização; fertilizantes; defensivos agrícolas e sementes selecionadas.
No entanto, essas sementes selecionadas, produzidas nos laboratórios dos países desenvolvidos, não
eram geneticamente capazes de enfrentar as condições climáticas típicas da região dos trópicos (clima
muito quente), algumas doenças e certas espécies de insetos. A solução consistia na utilização de
adubos, defensivos e fertilizantes, também importados dos países que haviam subvencionado essas
novas formas de cultivo, aumentando a dependência dos países subdesenvolvidos em relação aos países
desenvolvidos.
Nos países subdesenvolvidos, a Revolução Verde aumentou a distância entre os grandes agricultores,
que tiveram acesso ao “pacote tecnológico”, e os pequenos agricultores, que não tiveram condições de
competir com os novos parâmetros de produtividade. O aumento da produção abaixou o preço dos
produtos agrícolas a valores inviáveis para os pequenos agricultores.
Essas novas circunstâncias de mercado criadas pela Revolução Verde contribuíram para o abandono
e/ou a venda de pequenas propriedades, que foram sendo incorporadas pelos grandes latifúndios. Nesse
sentido, apesar de a Revolução Verde ter contribuído para um aumento significativo da produção de
alimentos no planeta, acentuaram-se ainda mais os problemas da concentração de propriedade agrícola
em vários países do mundo, como Índia, Paquistão, Indonésia e Brasil.

A Biotecnologia e a Nova Revolução Agrícola


A biotecnologia é o conjunto de tecnologias aplicadas à Biologia, utilizadas para manipular
geneticamente plantas, animais e micro-organismos por meio de seleção, cruzamentos naturais e
transformações no código genético. Ela teve grande desenvolvimento nas décadas de 1970 e 1980, mas
vem sendo estudada e aplicada desde os anos 1950, em vários países do mundo. A própria Revolução
Verde, que criou semente híbridas, foi uma das detonadoras da biotecnologia. Embora, em boa parte, ela
se associe à atividade agrícola, tem aplicabilidade também em outros setores. As suas atividades estão
ligadas à clonagem, à indústria farmacêutica (na manipulação de novas fórmulas de medicamentos, por
exemplo), à fabricação de plásticos biodegradáveis e de conservantes de alimentos e a outras aplicações
ainda em fase de desenvolvimento.
Uma das aplicações modernas da biotecnologia consiste na alteração da composição genética dos
seres vivos, quando se inserem, por exemplo, genes de outros organismos vivos no DNA (sigla em inglês
para ácido desoxirribonucleico) dos vegetais. Por esse processo pode-se alterar o tamanho das
plantas, retardar a deterioração dos produtos agrícolas após a colheita ou torna-los mais resistentes às
pragas, aos herbicidas e aos pesticidas durante a fase do plantio, assim como possibilitar maior
adequação dos vegetais aos diferentes tipos de solos e climas. Os vegetais derivados da alteração
genética são chamados de transgênicos.
Nos produtos agrícolas criados através da engenharia genética, os traços genéticos naturais
indesejáveis podem ser eliminados, e outros implantados artificialmente para aprimorar a sua qualidade.
A biotecnologia utilizada para estimular o aumento da produtividade na agropecuária tem sido aplicada
já há algum tempo e a avaliação dos resultados é bastante controvertida. Na pecuária, são utilizadas
injeções de hormônios para aumentar a capacidade reprodutiva, o crescimento e o peso dos animais. O
uso de anabolizantes é outra técnica bastante utilizada na atividade criatória, inclusive no Brasil: eles
permitem maior absorção dos nutrientes pelo organismo do animal, promovendo uma elevação

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1634532 E-book gerado especialmente para GRAZIELA CRISTINA LEOTE
substancial da massa, que pode atingir até 20% em relação ao processo de criação natural. Os efeitos
desses produtos alimentícios para a saúde humana estão sendo estudados.
Na agricultura, também há muitas controvérsias sobre os possíveis danos dos vegetais transgênicos
não só para a saúde das pessoas, mas também para os ecossistemas. De modo geral, os crítico ao uso
dos organismos geneticamente modificados (OGMs) apontam para a necessidade de se fazer testes mais
amplos e específicos, ou seja, para cada produto transgênico.
Além disso, as novas variedades genéticas são produzidas por grandes corporações multinacionais.
Essas novas variedades só podem ser utilizadas mediante o uso das patentes e do pacote tecnológico
necessário à sua produção. Com isso, é reduzida a quantidade de beneficiados por essa tecnologia, além
de acentuar a dependência tecnológica dos países subdesenvolvido em relação aos desenvolvidos.
Além disso, a biotecnologia não está totalmente isenta de danos generalizados na produção de
alimentos. Com ela, haverá uma homogeneidade cada vez maior das espécies cultivadas, pois os
agricultores optarão pela plantação das mais produtivas e mais resistentes.
Nos últimos tempos, o desafio da engenharia genética tem sido a criação de produtos sintéticos em
laboratórios. O impacto desses produtos deverá ser ainda mais intenso que aquele provocado pela
introdução de novas tecnologias nos setores industriais e de serviços.

A Agricultura Orgânica
Ao mesmo tempo em que a engenharia genética enfrenta desafios e a biotecnologia avança a passos
largos, a prática da agricultura orgânica ganha muitos adeptos não só nos países desenvolvidos,
sobretudo europeus, mas também em vários países subdesenvolvidos, com a utilização de métodos
naturais para correção do solo e controle de pragas, por exemplo.
Vários problemas – como carne bovina contaminada (“doença da vaca louca”, na Europa), verduras
com excessos de agrotóxicos, águas poluídas por pesticidas, esgotamento do solo por causa do uso
intensivo de irrigação – têm forçado as pessoas envolvidas no processo de produção agropecuária a
representarem os métodos utilizados. A agricultura orgânica é, desse modo, uma prática que pode
contribuir para a redução dos danos causados aos ecossistemas, muitos deles já bastante afetados pela
aplicação das técnicas próprias da agricultura moderna, que contribuem para a degradação dos solos, a
poluição dos lençóis freáticos, córregos e rios, a destruição de espécies vegetais e animais.
Os consumidores deste início do século XXI, por sua vez, estão cada vez mais conscientes em relação
aos problemas ecológicos e muitos têm optado por produtos naturais, que apresentam a desvantagem
de serem mais caros que os tradicionais, além de, n ocaso de frutas, verduras e legumes, terem menor
volume.

Política Agrícola e Mercado no Mundo Desenvolvido

A política agrícola da maior parte dos países ainda não se adaptou à economia globalizada e à
liberalização da economia mundial. De um lado, os países subdesenvolvidos não dispõem de recursos
financeiros volumosos para subvencionar seus agricultores. De outro, os países desenvolvidos, como
Japão, Estados Unidos e integrantes da União Europeia, mantêm uma política agrícola com subsídios
aos agricultores e protecionismo de mercado.
Entre os temas mais polêmicos na OMC (Organização Mundial do Comércio) estão as queixas dos
países subdesenvolvidos, que pedem redução dos subsídios para a produção agrícola e o fim da proteção
dos mercados internos (os países protecionistas impõem tarifas elevadas às importações de alimentos e
matérias-primas de origem agropecuária).
Essa elevada taxação, reforçada por uma redução nas cotas de importação por parte dos três
principais centros da economia mundial (EUA, Japão e União Europeia), agrava ainda mais os problemas
econômicos e sociais dos países que dependem da exportação agrícola e dificulta as importações de
produtos fundamentais ao seu desenvolvimento, como máquinas, equipamentos industriais e
implementos agrícolas.
Do ponto de vista do consumidor que vive nos países desenvolvidos, as políticas agrícolas têm sido
duplamente prejudicais. Primeiro, porque os recursos (subsídios) destinados aos agricultores são pagos
indiretamente por todos os contribuintes. Segundo, porque as altas tarifas para as importações elevam
também o preço pago pelos consumidores no mercado interno desses países. Essa situação não pode
ser generalizada, mas ela atinge a maioria da população que vive nos países desenvolvidos.
Por fim, é preciso ressaltar também que os países subdesenvolvidos, de modo geral, exportam,
principalmente, gêneros que não são de primeira necessidade, ocorrendo o oposto em relação aos países
desenvolvidos. Costuma-se afirmar, com base nisso, que os países subdesenvolvidos exportam a
“sobremesa”, enquanto os desenvolvidos, “o prato principal”.

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O Espaço Agrário no Mundo Subdesenvolvido

As Atividades Agrícolas no Mundo Subdesenvolvido


Os países subdesenvolvidos já foram caracterizados como exportadores de produtos agrícolas e de
matérias-primas. Apesar de tal caracterização continuar válida para a maioria dos países desse grupo,
são os países desenvolvidos que respondem pelo maior volume da produção e exportação de produtos
agrícolas.
Nos países desenvolvidos, a modernização da produção e os enormes incentivos destinados à
atividade agrícola têm gerado cada vez mais excedentes, colocando-os na liderança mundial das
exportações do setor. Além disso, as políticas protecionistas de seus mercados dificultam o acesso da
produção agrícola dos países subdesenvolvidos.
Desde a década de 1950, a participação dos produtos agrícolas no mercado mundial vem diminuindo
gradativamente. Em parte, isso se deve à expansão odo comércio mundial de mercadorias e à
diversificação dos produtos negociados internacionalmente, sobretudo nas últimas décadas com a
consolidação da globalização.
Para defender seus produtores, os países desenvolvidos utilizam subsídios e aplicam elevadas tarifas
de importação aos produtos agrícolas, contrariando as regras da OMC (Organização Mundial do
Comércio). Mas barreiras não-tarifárias, como barreiras zoossanitárias e fitossanitárias, são aplicadas
também, de forma indiscriminada e não raro injustificada (apesar de estar de acordo com as normas da
OMC), prejudicando as exportações do mundo subdesenvolvido que já são afetadas pelas barreiras
tarifárias e pelas cotas de importação.
Entre 1950 e 1973, a produção mundial de cereais duplicou, fazendo cair os preços no mercado
internacional. A partir de 1973, o crescimento da produção de cereais passou a atingir a média de 2% ao
ano, índice inferior ao crescimento da população mundial. No continente africano, por exemplo, onde a
população tem sido bastante afetada por problemas de subnutrição, o crescimento populacional
ultrapassa a média de 2,5% a.a. (ao ano), enquanto o aumento da produção de cereais gira em torno de
1% a.a. e até decresce em vários países.
A defasagem entre a produção de alimentos básicos e o crescimento demográfico aumentou o déficit
alimentar em vários países do mundo, em particular na África subsaariana (países que se situam ao sul
do deserto do Saara). Essa situação tem se agravado com o fato de que boa parte da produção agrícola
dos países subdesenvolvidos é destinada à exportação. Os produtos agrícolas (e também os minerais)
constituem a fonte de divisa básica dessa parte do mundo, sem as quais as importações tornam-se
inviáveis.

A Questão Agrária na América Latina


A questão agrária é um problema grave que afeta historicamente a população da maioria dos países
latino-americanos. A colonização da América Latina foi baseada na exploração mineral e na produção
agrícola de produtos de exportação, praticada em latifúndios monocultores e com utilização de trabalho
escravo. Esse modelo agrícola é denominado plantation. Após o processo de independência latino-
americana, no século XIX, a oligarquia rural escravocrata manteve o modelo colonizador.
Atualmente, a produção agropecuária ainda é praticada em grandes propriedades e concentra os
investimentos em produtos com ampla aceitação e competitividade no mercado internacional.
Em vário países da América Latina, mais da metade dos pobres e miseráveis habitam áreas rurais.
São milhões de trabalhadores sem terras e sem trabalho, que possuem alguma forma de renda apenas
nas épocas de plantio e colheita, como mão-de-obra contratada. É o caso do México, dos países da
América Central (Honduras, Guatemala, Nicarágua, entre outros), dos países andinos (Peru e Colômbia,
entre outros), e do Paraguai. Também é o caso do Brasil, embora aqui exista a particularidade de os
pobres das cidades superarem numericamente os pobres das áreas rurais.
Em contraste com essa situação, na maioria desses países há abundância de terras, dominadas por
grandes fazendas comerciais que são responsáveis pelo maior volume de produção agrícola.
Os países andinos formam um grupo de seis países sul-americanos situados onde se estende a
cordilheira dos Andes: Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela. A maioria da população é
de origem indígena e, desde as últimas décadas do século XX, tem se organizado contra a exclusão
social e pela reforma agrária.

Estrutura Fundiária nos Países Subdesenvolvidos


Do ponto de vista econômico, a produção de cana, soja, café, cacau, algodão e outros produtos típicos
da agricultura dos trópicos não se adapta à pequena propriedade. Essas culturas exigem solo, clima e
relevo adequados e grandes extensões cultivadas para que o empreendimento seja rentável e

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1634532 E-book gerado especialmente para GRAZIELA CRISTINA LEOTE
competitivo. A concentração fundiária, explicada pelo passado colonial, ganhou um retoque de
modernidade com a Revolução Verde e a mecanização rural.
A Revolução Verde exclui ainda mais os pequenos proprietários, incapacitados financeiramente para
adquirir a parafernália tecnológica que ela trouxe consigo: herbicidas, pesticidas, adubos químicos,
máquinas e outros implementos agrícolas. Ela também não incentivou a agricultura voltada para o
mercado interno, que não gera dividas no Comércio Exterior. Na maior parte dos países subdesenvolvidos
do planeta, o desenvolvimento tecnológico da Revolução Verde resultou em concentração fundiária e
marginalização dos trabalhador rural.
Não foi por acaso que várias rebeliões e revoluções populares nas últimas duas décadas do século
XX tiveram como lema a reforma agrária. A necessidade de reformas na estrutura de produção agrícola
e de redistribuição da propriedade rural são aspectos que precisam ser atendidos simultaneamente e são
urgentes nos países subdesenvolvidos.

A Reforma Agrária consiste na adoção de medidas para melhorar a distribuição da terra, promovendo
a justiça social, criando condições de melhoria de vida do trabalhador rural, elevando a produção e a
produtividade agropastoris. A redistribuição das terras é apenas uma parte do processo de reforma
agrária, que deve incluir apoio técnico, infraestrutura adequada à produção, sistema de armazenamento
e transporte, garantia de preços mínimos, crédito ao pequeno agricultor, orientação para a criação de
cooperativas e de pequenas agroindústrias, entre outros aspectos.

A reforma agrária é um processo mais amplo que a simples redistribuição de terras. Criar as condições
para que o trabalhador rural torne-se proprietário e possa produzir sua própria subsistência é apenas o
primeiro passo de um conjunto de medidas que incluem assessoria técnica e administrativa, inclusive um
sistema de crédito especial. Cabe ao Estado, enfim, estimular e garantir a produção agrícola dos
pequenos agricultores e criar os mecanismos necessários para coloca-los no mercado. Aliás, muito mais
que isso já foi e é feito para os grandes proprietários e para as empresas rurais, mediante mecanismos
de crédito a juros mais baixos, outros subsídios e medidas protecionistas.

Reforma Agrária e Geração de Renda


Além dos conflitos e das convulsões sociais constantes, a concentração da propriedade da terra é
responsável por uma variedade de relações de trabalho no meio rural. O arrendamento (aluguel) e a
parceria (pagamento em espécie pelo uso da terra em cotas estipuladas entre o parceiro e o proprietário),
para citar duas modalidades bastante difundidas, obrigam o agricultor a dividir o resultado de seu trabalho
com o proprietário da terra.
Essas formas de relações de trabalho no mundo subdesenvolvido tornam pouco estimulante e
economicamente inviável o investimento em aprimoramento técnico, visando à melhoria da qualidade e
da produtividade agrícola, para aqueles que de fato trabalham a terra.
Assim, a reforma agrária também deve ser vista como geradora de ocupação de mão-de-obra nos
países subdesenvolvidos, principalmente naqueles que apresentam um percentual significativo da
população economicamente ativa no setor primário. Além de geradora de emprego e de renda, que
dinamiza o restante da economia, a reforma agrária constitui a única forma possível de diminuir o êxodo
rural, que pressiona o mercado de trabalho urbano e agrava a crise social das cidades.

Questões

01. (SEDU/ES – Professor de Geografia – FCC) Considere o texto abaixo.


A. I.., como muitos chamaram a evolução da agricultura no terço final do século vinte, proporcionou
aumentos significativos de produtividade que garantiram, junto com a expansão das fronteiras agrícolas,
o abastecimento de alimento para uma população mundial em explosivo crescimento neste período.
Apesar disso, as técnicas convencionais e a expansão da área de terras agricultáveis chegando ao seu
limite, estamos correndo o risco de comprometer seriamente alguns recursos naturais, como flora, fauna
e mananciais de água. Portanto, é imperativo que se busque alternativas para uma maior oferta de
alimentos. É onde entra a. II. (Disponível em: www.beefpoint.com.br/cadeia-produtiva/espaco-aberto/a-polemica-dos-transgenicos-no-brasil-5323/)
O conteúdo do texto destaca duas grandes transformações I e II que afetaram a produção agrícola em
escala mundial, desde a década de 1940 até dos dias atuais. Preenchem, correta e respectivamente, as
lacunas do texto em:
(A) Revolução Verde − biotecnologia
(B) Reforma Agrária − indústria.
(C) Modernização do Campo − agricultura orgânica.

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(D) Globalização Produtiva − abertura econômica.
(E) Segunda Revolução Industrial − reforma agrária.

02. (IBGE – Agente de Mapeamento – CESGRANRIO) As atividades agrícolas estão em constante


processo de inovação para obter maior produtividade. Nesse contexto, durante a década de 1950, ocorreu
de forma mais intensa o processo de modernização da agricultura que envolveu um grande aparato
tecnológico provido de variedades de plantas modificadas geneticamente em laboratório, espécies
agrícolas que foram desenvolvidas para alcançar alta produtividade, uma série de procedimentos técnicos
com uso de defensivos agrícolas e de maquinários. Disponível em: <http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias- -ensino/a-
modernizacao-agricultura.htm>. Acesso em: 31 maio 2016.
Nesse contexto histórico, o processo de modernização mencionado caracteriza, especificamente,
(A) as Reformas de Base
(B) a Revolução Verde
(C) o Milagre Econômico
(D) a Nova República
(E) o Estado Novo

Gabarito

01.A / 02.B

NOVA ORDEM MUNDIAL, ESPAÇO GEOPOLÍTICO E GLOBALIZAÇÃO44

Uma ordem mundial diz respeito às configurações gerais das hierarquias de poder existentes entre
os países do mundo. Dessa forma, as ordens mundiais modificam-se a cada oscilação em seu contexto
histórico. Portanto, ao falar de uma nova ordem mundial, estamos nos referindo ao atual contexto das
relações políticas e econômicas internacionais de poder.
Durante a Guerra Fria, existiam duas nações principais que dominavam e polarizavam as relações de
poder no globo: Estados Unidos e União Soviética.
Essa ordem mundial era notadamente marcada pelas corridas armamentista e espacial e pelas
disputas geopolíticas no que se refere ao grau de influência de cada uma no plano internacional. Este era
o mundo bipolar.
A partir do final da década de 1980 e início dos anos 1990, mais especificamente após a queda do
Muro de Berlim e do esfacelamento da União Soviética, o mundo passou a conhecer apenas uma grande
potência econômica e, principalmente, militar: os EUA. Analistas e cientistas políticos passaram a nomear
a então ordem mundial vigente como unipolar.
Entretanto, tal nomeação não era consenso. Alguns analistas enxergavam que tal soberania pudesse
não ser tão notável assim, até porque a ordem mundial deixava de ser medida pelo poderio bélico e
espacial de uma nação e passava a ser medida pelo poderio político e econômico.
Nesse contexto, nos últimos anos, o mundo assistiu às sucessivas crescentes econômicas da União
Europeia e do Japão, apesar das crises que estas frentes de poder sofreram no final dos anos 2000.
De outro lado, também vêm sendo notáveis os índices de crescimento econômico que colocaram a
China como a segunda maior nação do mundo em tamanho do PIB (Produto Interno Bruto). Por esse
motivo, muitos cientistas políticos passaram a denominar a Nova Ordem Mundial como mundo multipolar.
Mas é preciso lembrar que não há no mundo nenhuma nação que possua o poderio bélico e nuclear
dos EUA.

44
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/nova-ordem-mundial.htm.

90
1634532 E-book gerado especialmente para GRAZIELA CRISTINA LEOTE
Esse país possui bombas e ogivas nucleares que, juntas, seriam capazes de destruir todo o planeta
várias vezes.
A Rússia, grande herdeira do império soviético, mesmo possuindo tecnologia nuclear e um elevado
número de armamentos, vem perdendo espaço no campo bélico em virtude da falta de investimentos na
manutenção de seu arsenal, em razão das dificuldades econômicas enfrentadas pelo país após a Guerra
Fria.
É por esse motivo que a maior parte dos especialistas em Geopolítica e Relações Internacionais,
atualmente, nomeia a Nova Ordem Mundial como mundo unimultipolar. “Uni” no sentido militar, pois os
Estados Unidos é líder incontestável. “Multi” em razão das diversas crescentes econômicas de novos
polos de poder, sobretudo a União Europeia, o Japão e a China.

A Divisão do Mundo entre Norte e Sul

Durante a ordem geopolítica bipolar, o mundo era rotineiramente dividido entre leste e oeste.
O Oeste era a representação do Capitalismo liderado pelos EUA, enquanto o Leste demarcava o
mundo Socialista representado pela URSS. Essa divisão não era necessariamente fiel aos critérios
cartográficos, pois no Oeste havia nações socialistas (a exemplo de Cuba) e no leste havia nações
capitalistas.
Contudo, esse modelo ruiu. Atualmente, o mundo é dividido entre Norte e Sul, de modo que no Norte
encontram-se as nações desenvolvidas e, ao sul, encontram-se as nações subdesenvolvidas ou
emergentes. Tal divisão também segue os ditames da Nova Ordem Mundial, em considerar
preferencialmente os critérios econômicos em detrimento do poderio bélico.

Em vermelho, os países do sul subdesenvolvido e, em azul, os países do norte desenvolvido

Observa-se que também nessa nova divisão do mundo não há uma total fidelidade aos critérios
cartográficos, uma vez que alguns poucos países localizados ao sul pertencem ao “Norte” (como a
Austrália) e alguns países do norte pertencem ao “Sul” (como a China).

A Economia Capitalista Hoje

Vivemos na segunda década da Nova Ordem Internacional. Suas características tornam-se a cada dia
mais claras. Suas raízes econômicas remontam às transformações iniciadas com as tecnologias dos anos
de 1970, que influenciam as potências atuais de forma marcante.
No campo geopolítico, essa nova era configurou-se com a crise do socialismo, o fim da Guerra Fria e
a valorização dos problemas sociais e ambientais.
Na atualidade, o grupo de países desenvolvidos, formado por 23 nações (Estados Unidos, Canadá,
Japão, Austrália, Nova Zelândia, Islândia, Noruega, Suíça e os 15 membros da União Europeia), torna-
se cada vez mais rico. Em 2005, a população dessas nações somava 900 milhões de pessoas (13% do
total mundial) e produzia cerca de 32 trilhões de dólares (80% do PIB mundial), o que dava uma renda
per capita de mais de 35 mil dólares. Em 1960, os mesmos países tinham cerca de 20% da população
mundial e controlavam cerca de 60% do PIB do mundo.
Uma das características político-econômicas mais importantes da Nova Ordem Internacional foi o
crescente uso dos princípios teóricos do neoliberalismo.
Especialistas acreditam que os neoliberais criaram, com seu pragmatismo, um conjunto de regras
econômicas muito claro, que se resume aos seguintes aspectos:
* O Estado deve se restringir a algumas funções públicas;
* O déficit público deve ser evitado e, se existir, reduzido;
* As empresas estatais devem ser privatizadas;
* O Banco Central de cada país deve ser independente;
* A moeda deve ser estável, com um mínimo de inflação;

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* Os fluxos financeiros não devem sofrer restrições;
* Os mercados devem ser abertos, liberalizados e desregulamentados;
* A produção industrial deve ser internacionalizada, buscando-se mão-de-obra mais barata;
* As empresas devem ser modernizadas, enxutas e competitivas.

Frente às crises e ao aumento da miséria nos países subdesenvolvidos, alguns neoliberais modernos
defendem que esse receituário não tem dado certo por culpa dos governos. Seria necessário apenas
conter os monopólios privados, supervisionar os bancos com mais atenção, investir em educação e
aumentar a poupança interna.
Dentro da Nova Ordem Internacional, o controle que os países desenvolvidos exerciam sobre o
comércio de exportação no mundo continuou, embora sua participação no total tenha sido um pouco
reduzida. Essa redução foi consequência do crescimento das exportações conquistado pelos países
subdesenvolvidos industrializados.
A participação dos países subdesenvolvidos no comércio mundial de exportação vinha decrescendo
desde o início da Ordem da Guerra Fria (era de cerca de 31% do total mundial em 1950 e caiu para cerca
de 20% em 1985). Essa situação começou a se reverter no início da Nova Ordem Internacional. Nos dez
anos seguintes, os países pobres passaram a controlar maiores parcelas do comércio mundial de
exportação.
Esse aumento das exportações, por si só, não foi suficiente para elevar o padrão de riqueza dos países
subdesenvolvidos como um todo. A maior parte desse aumento foi de responsabilidade de um restrito
grupo de países subdesenvolvidos industrializados, enquanto a grande maioria dos mais de 150 países
subdesenvolvidos continuou a assistir à queda dos preços de suas mercadorias de exportação
(commodities) e a redução de sua participação no comércio mundial, exceto os exportadores de petróleo.
Mesmo assim, o crescimento do comércio internacional é apontado como um dos indicadores da
aceleração do processo de globalização, que criou uma maior dependência das economias nacionais em
relação à economia internacional, pois uma grande parcela das atividades produtivas e dos trabalhadores
fica dependente do desempenho de seus países no mercado mundial.
Esse crescimento do comércio e essa maior dependência das economias nacionais são o resultado
das políticas de liberalização alfandegária colocadas em prática desde o final da Segunda Guerra Mundial.
Desde então, as taxas alfandegárias médias dos países mais desenvolvidos do mundo caíram de 40%
para menos de 5%. Por outro lado, o crescimento do comércio internacional foi fruto da maior integração
e complementação econômica dos conjuntos de países que formaram organizações ou zonas de livre
comércio, como a União Europeia e o Nafta.

Características da Nova Ordem Internacional45

A Nova Ordem Internacional já pode ser caracterizada por um amplo conjunto de aspectos. Citaremos
todos, porém, nos atentaremos mais detalhadamente, à Globalização.
São eles:
* Investimentos em P&D;
* Os blocos econômicos;
* Dívida externa;
*Desemprego;
* As economias em transição;
* O problema da pobreza.

Globalização
A Globalização não é nenhuma novidade. Há séculos ela evolui na forma de ciclos, intensificando os
fluxos de pessoas, bens, capital e hábitos culturais. Ela se originou com a primeira fase da expansão
capitalista europeia, impulsionada pelas Grandes Navegações do final do século XV. Entre 1870 e 1890,
a globalização foi novamente intensificada, graças à aceleração dos investimentos internacionais, a
ampliação do comércio e o aperfeiçoamento dos meios de transportes e comunicações. Posteriormente,
durante o período que se estende entre 1910 e 1920, houve nova aceleração desse processo, associada
ao crescente militarismo, que culminaria com a Primeira Guerra Mundial. Um terceiro pico ocorreu durante
a década de 1930, antecedendo a Segunda Guerra Mundial.

45
SCALZARETTO, Reinaldo. Geografia Geral – Geopolítica. 4ª edição. São Paulo: Anglo.
TERRA, Lygia; et. al. Conexões: estudos de geografia geral e do Brasil. 2ª edição. São Paulo: Moderna.

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Após a Segunda Guerra Mundial, o processo de globalização foi mais lento, amarrado pelas relações
limitadas entre os países capitalistas e os socialistas e pelas políticas comerciais altamente protecionistas.
Somente na década de 1990 os investimentos internacionais retornariam ao patamar de 1941.

Corporações Transnacionais46
As transnacionais correspondem às corporações industriais, comerciais e de prestação de serviços
que atuam em distintos territórios dispersos no mundo. Nesse caso, ultrapassam os limites territoriais dos
países de origem das empresas.
Grande parte das empresas transnacionais é oriunda de países industrializados e desenvolvidos que
detêm um grande capital acumulado; o excedente, nesse caso, é direcionado para países em todos os
continentes.
Os investimentos dessas empresas são altíssimos, uma vez que a matriz emite os recursos para as
filiais localizadas em muitos países pobres. Nesses países, as transnacionais exercem funções
importantes como acelerar o desenvolvimento industrial, além de gerar postos de trabalho.
No entanto, essas empresas não têm objetivo social no momento em que se instalam em um
determinado país. Pelo contrário, para sua instalação acontecer, o governo oferece uma série de
benefícios e incentivos, tais como isenção parcial ou total de tributos, até mesmo dos lucros. Esses países
se submetem a essas exigências a fim de atrair novos investimentos estrangeiros e também garantir a
permanência das empresas.
As transnacionais estão ligadas à globalização da produção, na qual um único produto pode ter várias
origens, isso por que os seus componentes têm origens distintas e são montados em uma determinada
localidade do mundo. Esse fluxo produtivo visa unicamente verticalizar os lucros, diminuindo os custos,
consolidando-se no mercado como empresas competitivas que buscam alcançar grandes parcelas do
mercado internacional.
Há pouco tempo essas empresas eram denominadas multinacionais, porém gradativamente esse
termo não mais está sendo usado, uma vez que a expressão emite uma ideia de uma empresa que possui
diversas nacionalidades. Dessa forma, empresas com essas características recebem o nome de
transnacionais, possuem sede em um país e desempenham atividades em diversos outros.
Atualmente, existem em funcionamento cerca de 40 mil empresas transnacionais, muitas originadas
de países desenvolvidos, porém existem ainda corporações oriundas da Coreia, Índia, México e Brasil.
As transnacionais exercem influência que transcende a economia, pois interfere em governos e nas
relações entre países.
Essas empresas surgiram efetivamente a partir da Segunda Guerra Mundial, quando empresas de
países ricos migraram suas atividades para lugares espalhados pelo mundo.
Com a expansão das transnacionais, a partir da década de 1950, a globalização foi acelerada. Hoje, a
Terceira Revolução Industrial, que gerou um sistema de produção econômica com regras que se
uniformizam e se universalizam rapidamente, está criando uma nova onda de globalização. Suas
instituições passam a controlar e organizar essa economia em que as fronteiras perdem a importância e
muitos Estados disputam o direito de abrigar as sedes ou as filiais das grandes corporações, que
controlam a oferta de empregos e investimentos.
Dessa forma, o espaço geográfico mundial tem caminhado em direção a uma crescente
homogeneização, fruto da imposição de um sistema econômico e social globalizado sobre toda a
superfície da Terra. Nas últimas décadas, esse processo sofreu uma forte aceleração, especialmente
porque o polo de oposição ao capitalismo, que durante 45 anos compartia o mundo, criando a bipolaridade
da Guerra Fria, entrou em crise.
Os investimentos internacionais são realizados de forma direta, pelas empresas transnacionais que
implantam ou ampliam suas unidades produtivas, ou indireta, quando se relacionam aos fluxos de capital
que entram por meio de empréstimos, moeda trazida por estrangeiros, pagamentos de exportações,
vendas de títulos públicos no exterior e investimentos no mercado financeiro (especialmente em bolsas
de valores). Observe sua evolução recente:
Os investimentos internacionais foram acelerados na Nova Ordem. Eles saltaram de 924 bilhões de
dólares em 1991 para mais de 5,4 trilhões em 2001.
Na era da globalização, quando as informações são instantâneas, um observador pode acompanhar
a abertura e o fechamento das mais importantes bolsas de valores do mundo durante 22 horas seguidas:
se ele estiver em São Paulo, a Bolsa de Tóquio abre às 21 horas (hora de Brasília) e fecha às 5 horas do
dia seguinte. Uma hora mais tarde, abre a Bolsa de Londres e, às 11 horas, a de Nova Iorque, que só
fecha às 19 horas.

46
https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/transnacionais.htm.

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Podemos notar facilmente que a maior parte dos investimentos tem sido sempre no mercado
financeiro, ou seja, nas bolsas de valores. É o que se chama de capital volátil. Esses investimentos entram
nos países e saem muito rapidamente, circulando diariamente no mundo, de uma bolsa para outra, mais
de 3 trilhões de dólares.
O mercado financeiro de ações comercializadas em bolsas de valores estocava um patrimônio coletivo
de 47 trilhões de dólares em 2005. Com o desenvolvimento da informática, o mercado financeiro se
acelerou como forma de investimento.
Os investimentos financeiros diretos também cresceram bastante, aumentando mais de sete vezes
nesse período, principalmente por meio da compra de empresas privatizadas, dentro da política
neoliberal. As privatizações se expandiram muito desde o início da década de 1990. Entre 1988 e 2003,
houve mais de 9 mil privatizações em cerca de 120 países, que somaram mais de 410 bilhões de dólares
de transações.
Grande parte das pessoas acredita que as privatizações, na atualidade, só ocorrem em países
subdesenvolvidos ou nos países socialistas que estão em transição para a economia de mercado. Na
verdade, a década de 1990 foi marcada pelo aumento das privatizações em diversos países
desenvolvidos.
Embora a globalização seja comandada pelos agentes financeiros e econômicos, há uma profunda
relação entre seus interesses e as ações políticas desenvolvidas pelos Estados. Na atualidade, vemos
uma espécie de privatização do Estado, que é colocado a serviço dos interesses do grande capital.
Hoje, mais do que em qualquer outra época da modernidade, a elite econômica colocou o Estado a
serviço de seus interesses. São os governos dos países mais ricos do mundo que promovem, numa ação
política bem orquestrada, a globalização, preparando encontros, ampliando o raio de ação das
organizações internacionais, realizando acordos comerciais, que favorecem a quem controla a economia.
Recentemente, por causa das transformações econômicas em direção à globalização, a redução das
taxas alfandegárias e a liberação do movimento dos capitais, muitos estudiosos passaram a acreditar que
o Estado nacional estava em fase de dissolução. Em verdade, ocorreu a sua transformação: as relações
entre o Estado e a economia se internacionalizaram, e a privatização tornou-se norma. Dessa forma, o
Estado abandonou o papel de agente econômico, desfazendo-se dos seus ativos, e passou a exercer o
papel de organizador e gestor de uma economia globalizada, no qual o conceito de soberania nacional
passou por uma revisão.
As aquisições e fusões que têm caracterizado a globalização desde o início da década de 1990 não
pretendem aumentar a produção, criar novas fábricas e ampliar os empregos. A função dessa onda de
fusões é cortar as atividades redundantes, reduzir a concorrência e aumentar a concentração de capitais.
O resultado final tem sido sempre a elevação das taxas de desemprego e o aumento da monopolização.
O volume das transações financeiras provocadas pelas fusões de grandes empresas tem ampliado o
mercado de ações e acelerado a movimentação de capitais.
No contexto da globalização, os países subdesenvolvidos ou periféricos não têm peso na definição
desse novo panorama geopolítico mundial, ficando, cada mais uma vez, atrelados aos países líderes.
Assim, com a decadência do bloco socialista, resta para o capitalismo resolver, num futuro próximo, três
graves problemas:

Desigualdade – Há uma crescente desigualdade de padrão de vida entre os países desenvolvidos e


os subdesenvolvidos, além das diferenças de renda dentro dos próprios países desenvolvidos. Segundo
Hobsbawm, a ameaça que a expansão socialista representou após 1945 impulsionou a formação do
Welfare State (Estado de bem-estar social), com reformas sociais nos países desenvolvidos, criando-se
uma parceria entre capital e trabalho organizado (sindicatos), sob os auspícios do Estado. Isso gerou a
consciência de que a democracia liberal precisava garantir a lealdade da classe trabalhadora, com caras
concessões econômicas. O abandono dessas políticas sociais tem ampliado o quadro da desigualdade
social, até mesmo em países desenvolvidos.

Conflitos Étnicos – Ascensão do racismo e crescente xenofobia, especialmente na Europa e nos


Estados Unidos, devido ao grande fluxo de imigrantes das regiões mais pobres para os países
industrialmente mais desenvolvidos.

Meio Ambiente – Crise ecológica mundial, que alerta para a necessidade de solucionar as agressões
ao meio ambiente, que podem afetar todo o planeta.

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Globalização e Subdesenvolvimento

Subdesenvolvimento não é fruto da globalização. Ele se caracteriza por graves problemas sociais e
grande desigualdade no interior da sociedade e pela capacidade limitada de desenvolvimento tecnológico,
entre outros fatores. Os países incluídos nesse grupo também são diferentes entre si. Alguns possuem
elevada capacidade de produção instalada e atraem volumes expressivos de investimentos do exterior,
como é o caso do Brasil. Outros estão excluídos da ordem econômica mundial e dependem de ajuda
humanitária para a sobrevivência da população faminta, sem oportunidades de trabalho e sem condições
de obter renda.

Origens do Subdesenvolvimento
A origem do processo de formação dos países desenvolvidos e subdesenvolvidos remonta às grandes
navegações empreendidas pelos Estados-nações recém-formados na Europa, a partir do século XV.
Nessa época, esses Estados expandiram o comércio, explorando os produtos e recursos da América, da
África e da Ásia e passaram a exercer forte domínio sobre os povos desses continentes, controlando a
extração e a produção neles realizadas.
As terras conquistadas e dominadas (as colônias) não possuíam autonomia administrativa, e seus
recursos e riquezas eram explorados intensamente, em benefício de alguns países, como Portugal,
Espanha, Holanda, França e Inglaterra (as metrópoles).
A exploração dos recursos das colônias, como metais preciosos, minérios e produtos agrícolas,
proporcionou de fato um grande enriquecimento às metrópoles.
Poucas foram as exceções a essa forma de colonialismo. São os casos da Austrália, Nova Zelândia,
Canadá e dos EUA.
Mas, ainda nas duas últimas décadas, o processo de globalização acentuou a distância entre o mundo
rico e o mundo pobre, e a quantidade de pessoas vivendo em condições de pobreza elevou-se inclusive
nos países ricos. Segundo o economistas, no início do século XXI, cerca de 2/3 da população do planeta
encontra-se à margem dos benefícios propiciados pelo aumento na capacidade de produção de
mercadorias e de geração de serviços, e pelo processo de globalização (por exemplo, ampliação dos
fluxos de informações, capitais e mercadorias).

Mundialização do Planeta
Os processos de exclusão que estamos observando no mundo inteiro não afetam unicamente os
países do sul, mas representam a principal preocupação dos países industriais. Tal como se processa a
globalização nas formas atuais, muita gente está ficando de fora. Segundo estimativas de autores
americanos, inclui um terço e deixa fora dois terços da população mundial. Metaforicamente, está
havendo uma terceiro-mundialização do planeta.
Apesar de a globalização ter acentuado os problemas sociais nos países do norte, esses problemas
são extremamente mais graves nos países do sul, onde a capacidade de solução dessas questões é
bastante limitada.

Divisão Norte-Sul
A divisão Norte-Sul simboliza a separação entre os mundos desenvolvido e subdesenvolvido. Os
países desenvolvidos estão situados quase todos no hemisfério Norte (com exceção da Austrália e Nova
Zelândia, que também são classificados como países do norte) e os subdesenvolvidos estão situados ao
sul do bloco dos países desenvolvidos. Por esta razão a expressão norte passou a ser sinônimo de
desenvolvimento e sul, do inverso.
Considerando a situação atual dos países do mundo, as diferenças são gritantes. Os países do G-8
(grupo que inclui os sete países mais ricos: Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Itália, Reino Unido
e Canadá, além da Rússia) são responsáveis pela produção de cerca de 56% de toda a riqueza do mundo.
Todos os demais países reunidos, onde vivem 85% da população mundial, produzem os 44% restantes.
As distâncias socioeconômicas entre os países tendem a aumentar a cada ano com o desenvolvimento
técnico-científico acelerado e concentrado nos países mais desenvolvidos. Segundo o Relatório 2002 do
Fundo de População das Nações Unidas, em 1960 o rendimento dos 20% mais pobres no mundo era 30
vezes menor que o dos 20% mais ricos. Essa diferença havia aumentado para 74 vezes em 2002. O
mesmo relatório aponta que cerca de três milhões de pessoas vivem com menos de dois dólares por dia.
Considerando que o desenvolvimento tecnológico é um elemento importante para o processo de
globalização, o Brasil, no início do século XXI, ocupava a desconfortável 43ª posição no mundo em
conquistas tecnológicas.

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O Conselho de Washington
O Conselho de Washington refere-se a um conjunto de receitas econômicas criadas, em 1989, visando
acelerar o desenvolvimento da América Latina. O economista John Williamson reuniu o pensamento das
grandes instituições financeiras (FMI, Banco Mundial, BIRD) e também do governo norte-americano, que
pretendiam resolver a crise dos países pobres e particularmente os da América Latina, e propor caminhos
para o desenvolvimento.
Entre essas instituições havia “consenso” sobre alguns pontos principais. De acordo com o Conselho
de Washington, os países deveriam:
* promover uma reforma fiscal, isto é, uma reforma no sistema de atribuição e de arrecadação de
impostos, para que as empresas pudessem pagar menos e adquirir maior competitividade.
* promover o corte de salários e demissão dos funcionários públicos em excesso, e realizar mudanças
na previdência social, nas leis trabalhistas e no sistema de aposentadoria, para diminuir a dívida do
governo (chamada dívida pública).
Além disso, o Conselho de Washington propunha a abertura comercial, o aumento de facilidades para
a entrada e saída de capitais e a privatização de empresas estatais.

Risco-País
Numa economia internacional muito integrada, s maiores investidores têm grande “controle” ou “poder”
sobre a situação econômico-financeira de um país, conforme a dependência desse país em relação aos
investimentos externos. As agências internacionais de investimentos, por sua vez, divulgam relatórios
constantemente sobre a capacidade dos países para pagar seus compromissos externos e avaliam o
“nível de segurança” de cada país. Essa classificação recebe o nome de risco-país, e os investidores
levam em conta esses relatórios ao aplicarem seu capital.
Enfim, nesse mundo globalizado, o sistema financeiro internacional acaba tendo forte influência na
vida das sociedades dos diversos países, com consequências muitas vezes negativas.

O que é risco-país?
É uma classificação baseada na diferença entre o juro pago por um papel (título) e a taxa oferecida
por um título com prazo de vencimento semelhante pelo Tesouro dos Estados Unidos, título este
considerado o papel mais seguro do planeta, de risco praticamente zero. Essa avaliação é realizada por
agências de investimentos como Moody`s, Standard & Poor`s (S&P) e Fitch (todas norte-americanas).
A classificação reflete, na visão dos investidores, qual é a possibilidade de o país pagar ou não suas
dívidas interna e principalmente externa.
Quanto maior a taxa de risco de um país, mais altos serão os juros que o governo terá de pagar para
renovar ou obter novos empréstimos, e menos para receber novos investimentos. (Adaptado de Folha de São Paulo,
13/06/2002, p. B-4 e 22/10/2002, p. B-1).
Os países, para serem confiáveis, deveriam cumprir as normas e as sugestões do “Consenso”. Nada
era obrigatório, mas seguir suas determinações básicas era condição para receber ajuda financeira
externa e atrair capitais estrangeiros.

A Escala Regional na Ordem Global

Em novembro de 2012, a Assembleia Geral da ONU reconheceu, por maioria, a Palestina como Estado
observador não membro (Nova York, Estados Unidos). Para muitos analistas, esse reconhecimento
poderia ter significado a retomada do processo de paz.

Comércio Desigual e Regionalização na Economia Global


De acordo com a inserção na economia mundial, é possível identificar grandes conjunto de países. A
profunda desigualdade na participação no comércio mundial está relacionada com as mudanças nos
padrões da divisão internacional do trabalho.

Inserção Desigual dos Países na Economia Mundial


Os países não se inserem na economia mundial da mesma maneira. O atraso econômico de muitos
países é resultado de um processo histórico. O crescimento econômico das nações nos últimos séculos
se confunde com a própria história do desenvolvimento do capitalismo, que desde o século XVI
estabeleceu uma divisão internacional do trabalho. Os países dominantes ficavam com a maior parte da
riqueza produzida, enquanto as colônias tinham a função de contribuir para a acumulação de capital nas
metrópoles.

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A economia capitalista se desenvolveu concentrando riqueza e poder nas mãos das elites,
principalmente das potências dominantes, criando em contrapartida regiões pouco desenvolvidas
economicamente e pouco industrializadas, chamadas a partir da segunda metade do século XX de
subdesenvolvidas.
Esse termo tem sido questionado, pois a maior parte dos países chamados subdesenvolvidos esteve
durante muito tempo na condição de colônia, e a exploração de seus recursos naturais e humanos
impediu o seu crescimento econômico e seu desenvolvimento social. Ou seja, dentro de um mesmo
processo, o crescimento econômico de uns foi conseguido em detrimento de outros.
Podemos dizer que as desigualdades econômicas e sociais dividem o mundo em dois grandes grupos:
o dos países ricos, mais industrializados, desenvolvidos, com menores problemas sociais, e o dos países
pobres, menos industrializados, que contam com inúmeros problemas sociais, incluindo enorme
quantidade de pessoas que vivem em precárias condições de vida. Esses grupos não são homogêneos,
apresentando grandes diferenças.

Grandes Conjuntos de Países


Muitos países subdesenvolvidos, após a Segunda Guerra Mundial, passaram a investir na indústria,
ficando conhecidos como países em subdesenvolvimento. Como a Primeira Revolução Industrial
ocorreu no século XVIII e a Segunda Revolução Industrial no século XIX, esse processo é considerado
industrialização tardia ou retardatária. E o caso do Brasil, México, Argentina e Tigres Asiáticos
(Coreia do Sul, Taiwan, Cingapura e Hong Kong, na China).
Os países ricos e pobres já receberam diversas denominações. Uma delas, a partir da década de
1980, refere-se à localização geográfica. Os mais desenvolvidos passaram a ser chamados de países
do Norte, pois na sua maior parte encontravam-se no Hemisfério Norte. Os subdesenvolvidos,
localizados majoritariamente no Hemisfério Sul, ficaram conhecidos como países do Sul.
Mais recentemente, com a expansão e a internacionalização dos mercados, os países foram divididos
em países centrais, mercados emergentes (ou semiperiféricos) e países periféricos.
Em parte dos países em desenvolvimento (Brasil, México e Argentina), o processo de industrialização
apoiou-se no modelo de substituição de importações, que incluía a proteção do mercado interno, a
proibição da entrada de manufaturados estrangeiros e o fortalecimento de indústrias locais (nacionais e
transnacionais).
Outros países, como os que compõem os Tigres Asiáticos, industrializaram-se a partir do modelo de
plataformas de exportação, no qual empresas transnacionais se instalam em determinado país e
passam a exportar sua produção para outros países, onde o produto final é montado.

Mudanças nos Padrões de Divisão Internacional do Trabalho


Desde o final do século XX têm ocorrido algumas mudanças nos padrões da divisão da produção e do
comércio internacional, com o crescimento da participação dos países em desenvolvimento nas
exportações de manufaturados.
No início do século XX, diversos países subdesenvolvidos, incluindo o Brasil, eram predominantemente
agroexportadores. Na tradicional divisão internacional do trabalho essas economias estavam
assentadas principalmente na exportação de matérias primas ou produtos primários (agropecuários,
extrativos, minerais) para os países ricos. Por outro lado, os países subdesenvolvidos recebiam dos
países desenvolvidos produtos do setor secundário (industrializados) e do setor terciário (comércio,
capital, tecnologia). Os produtos exportados pelos países subdesenvolvidos tinham menor valor que os
exportados pelos países desenvolvidos. Na produção industrial e tecnológica estão os produtos de maior
valor agregado, ou seja, com maior quantidade de riqueza incorporada.
Desde as últimas décadas do século XX, os países em desenvolvimento têm encontrado algumas
brechas para produzir e colocar produtos manufaturados no comércio mundial. No entanto, em grande
parte, ainda exportam produtos que agregam apenas tecnologia tradicional.
O êxito no mercado internacional, com entrada significativa de divisas, não ocorre apenas para
produção e exportação de grande volume de mercadorias. O que importa mais é o valor agregado à
mercadoria. No caso, os países desenvolvidos agregam alta tecnologia.
A maior parte do aumento da participação dos países em desenvolvimento no mercado de bens
manufaturados provém da Ásia Oriental e do Pacífico.
Somente um pequeno grupo de países participa das exportações de alta e média tecnologia (China e
Taiwan, Coreia do Sul, Malásia, Cingapura, Índia, além do México, na América Latina).
O mesmo acontece com as exportações de manufaturados com utilização de baixa tecnologia, nas
quais se destacam China, Taiwan, Coreia do Sul, México e índia.

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Outros fatores como o custo dos transportes a distância entre os mercados mundiais influem no
comércio.

Nova Divisão Internacional do Trabalho


Atualmente, tem-se estabelecido entre os países uma nova divisão internacional do trabalho,
destacando-se três grupos de países: os industrializados centrais, os industrializados semiperiféricos e
as economias periféricas, predominantemente agroexportadoras.
Os países industrializados centrais iniciaram sua industrialização ainda no século XIX, formando
uma indústria nacional e consolidando um mercado interno. Atualmente fabricam e exportam produtos da
indústria de ponta (informática, aeroespacial e outras), os quais agregam alta tecnologia.
Podemos citar como exemplos os Estados Unidos, alguns países da Europa Ocidental (Alemanha,
França, Reino Unido, Itália, Holanda, Bélgica, Suíça e Suécia), Japão e Canadá.
O grupo das sete nações mais industrializadas (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Itália,
Reino Unido e Canadá) é conhecido como G-7. Em alguns casos a Rússia integra esse grupo, que passa
a ser denominado G-8.
Os países industrializados semiperiféricos formam um grupo muito diversificado e a maior parte
tem pouca porcentagem de participação nas exportações de produtos manufaturados.
Além das áreas centrais da Europa, outros países europeus (como Polônia, Espanha, Portugal e
Grécia) ou ex-colônias europeias (Austrália, Nova Zelândia, África do Sul) funcionam como espaços de
produção industrial anexos dos países centrais.
Alguns países da Comunidade de Estados Independentes (CEI), como Rússia, Cazaquistão, Belarus
e Ucrânia, tentam se reorganizar industrialmente após o abandono do regime socialista.
Também fazem parte desse grupo países da América Latina, como México, Brasil e Argentina, que
fabricam e exportam produtos industrializados utilizando principalmente baixa e média tecnologia, mas
também exportam produtos agrícolas, matérias-primas minerais e vegetais.
Os países semiperiféricos da Ásia têm aumentado sua participação nas exportações mundiais,
representando 31,5% do total em 2010, ano em que a China ultrapassou os Estados Unidos tornando-se
a primeira potência comercial do mundo. Os Tigres Asiáticos constituíram uma indústria nacional voltada
para o mercado internacional, abastecendo-o com produtos de tecnologia avançada (computadores,
automóveis e aparelhos eletrônicos). Investimentos em educação produziram uma mão de obra
qualificada, embora barata.
Os Novos Tigres Asiáticos, conjunto formado por Malásia, Indonésia, Filipinas e Tailândia, procuram
aumentar sua produção e exportação de manufaturados. Esses países se industrializaram na década de
1970, na mesma época da industrialização de Chile, Egito, Turquia, Ilhas Maurício, Venezuela, Colômbia,
Peru, Argélia e Marrocos.
Entre os países semiperiféricos, os exportadores mais dinâmicos, que respondem por até 80% das
exportações dos países em desenvolvimento, de baixa, média e alta tecnologia, são apenas sete: China,
Coreia do Sul, Malásia, Cingapura, Taiwan, México e Índia.
A China e a Índia, economias que têm crescido muito, integram-se ao esquema de produção e
comercialização fabricando, entre outros, partes de componentes para computadores ou carros.
Contando com um terço da população mundial e com grandes taxas de crescimento econômico, apesar
de apresentarem grandes problemas sociais, uma aliança entre essas duas potências emergentes
poderia redefinir o poder mundial.
Especialistas do mundo dos negócios dizem que no final da primeira metade do século XXI será
impossível ignorar a sigla Brics – iniciais de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (South Africa).
Inicialmente, os quatro primeiros países constituíram o Bric, um grupo de cooperação que realizava
reuniões anuais com o objetivo de aumentar sua importância geopolítica no cenário mundial. Em 2011, a
África do Sul foi formalmente incluída no grupo, por apresentar desenvolvimento similar. Esses países
são considerados a elite dos mercados emergentes com crescente importância na economia global.
Segundo prognósticos, esses cinco países deverão estar entre as maiores economias do planeta,
desbancando potências como o Japão e a Alemanha.
Os países de fraca industrialização (ou periféricos) constituem-se de parte dos países asiáticos,
parte dos latino-americanos e a maioria dos africanos. Contando com pouca industrialização e tendo por
base uma economia agroexportadora, participam marginalmente do mercado mundial, fornecendo
principalmente produtos primários.
Na África, destacam-se as exportações de cacau (Costa do Marfim), de tabaco (Zimbábue) e de
minérios, como o diamante (Botsuana e Namíbia) e o cobre (Zâmbia e Namíbia). Na América Central e
América do Sul, Jamaica e Suriname exportam bauxita; a Bolívia, gás natural; e o Chile, cobre. Na Ásia,
o Sri Lanka depende das exportações de chá.

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As cotações das commodities (mercadorias em estado bruto ou produtos primários) são fixadas pelos
países ricos, sendo constantemente depreciadas. Além disso, os países ricos mantêm um conjunto de
barreiras protecionistas e de subsídios agrícolas, desfavorecendo ainda mais os países periféricos.

Interesses Econômicos e Comércio Internacional


Pouco antes do final da Segunda Guerra Mundial, a Conferência de Bretton Woods, realizada em 1944
nos Estados Unidos, estabeleceu novas regras financeiras e comerciais mundiais. O sistema monetário
internacional utilizava o padrão-ouro para definir o valor das moedas a partir do peso do ouro ou
equivalente (1870-1914). A substituição do padrão-ouro pelo padrão dólar-ouro (1944-1971), definido
na Conferência de Bretton Woods, fez do dólar dos Estados Unidos a principal moeda internacional,
assegurando seu predomínio nos bancos centrais dos países e no comércio mundial. Os Estados Unidos
se comprometiam a trocar, sempre que necessário, dólares por ouro.
Cada país era obrigado a declarar o valor de sua moeda em dólar e em ouro para o Fundo Monetário
Internacional (FMI), um dos organismos criados nessa conferência, que tinha a função de garantir a
estabilidade do sistema financeiro para favorecer a expansão e o desenvolvimento do comércio mundial.
Posteriormente esse organismo passou a supervisionar as dívidas externas dos países.
Como resultado da Conferência de Bretton Woods foi criado também o Banco Mundial, em 1945, que
financiou a reconstrução da Europa no pós-guerra. Atualmente realiza empréstimos para países
periféricos ou semiperiféricos. Uma das principais instituições que compõem o Banco Mundial é o Banco
Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (Bird).
Na fase da globalização financeira, déficits na balança de pagamentos dos Estados Unidos levaram o
país a declarar, em 1971, que não mais converteriam dólar em ouro. Em 1979, foi estabelecido o padrão
financeiro de câmbio flutuante, adotando-se o sistema de taxas de câmbio flutuantes entre divisas.
Dessa maneira, abriu-se o caminho para os programas de reajuste estrutural, impostos pelo FMI aos
países periféricos, e para a liberalização do comércio externo. Os países subdesenvolvidos obtiveram
permissão para contrair empréstimos junto ao FMI. Assim, ao final de 2003, os países em
desenvolvimento tinham uma dívida de mais de 2,5 bilhões de dólares oprimindo-os e impedindo-lhes o
desenvolvimento.
Muitas dívidas, contraídas em períodos de ditaduras, foram consideradas “odiosas” por alguns
economistas e organizações, pois não serviam aos interesses do povo. Mesmo o pagamento de enormes
quantias tem sido insuficiente para quitar parte dessa dívida externa diante dos altos encargos de juros e
dos serviços da dívida (reembolso anual de capital e interesses vencidos). Estima-se que a África
Subsaariana pagou duas vezes o montante de sua dívida externa, entre 1980 e 1996, mas encontra-se
três vezes mais endividada. Sendo assim, os países pobres passam a depender de mais empréstimos de
instituições como o FMI e o Banco Mundial para manter esse círculo vicioso, submetendo-se às
imposições de ajustes estruturais.
Outro organismo que estabelece regras para o comércio internacional, visando diminuir barreiras
comerciais, é a Organização Mundial do Comércio (OMC), criada em 1995 em substituição ao Acordo
Geral de Tarifas e Comércio (Gatt), de 1947. Em diversas negociações, esse organismo tem favorecido
os países mais industrializados, como entre 1986 e 1994, na Rodada do Uruguai; em 1999, na Rodada
do Milênio; e, em 2001, na Rodada de Doha.
De fato, a taxa de abertura econômica dos países mais ricos – 13,5% para os Estados Unidos e Japão,
e 14,3% para os da União Europeia – é muito inferior à dos países mais pobres (cerca de 30%). Isso se
deve ao fato de que a pressão da União Europeia e dos Estados Unidos foi maior para exportar seus
produtos industriais e serviços a taxas aduaneiras mais baixas do que a diminuição de subvenções e
créditos protecionistas aos seus produtos agrícolas. Esse fato acentuou ainda mais a desigualdade de
condições dos países no comércio mundial.
Por causa dessas dificuldades, outras organizações exercem um poder político importante no contexto
internacional. Esse é o caso da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o
Desenvolvimento (Unctad), que desde 1964 presta auxílio técnico aos países em desenvolvimento para
a integração no comércio mundial. Por considerar discriminatórias as políticas da OMC, esses países
apoiam-se na Unctad para negociar com os países ricos.
A organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) também é um bom exemplo de
organização paralela de defesa de interesses.

Fluxos do Comércio Internacional


Desde as duas últimas décadas do século XX, o comércio internacional tem apresentando crescimento
acelerado, ciclo que foi momentaneamente interrompido com a crise financeira dos Estados Unidos, no
final de 2008.

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O mercado imobiliário americano passou por uma fase de expansão acelerada desde 2001, estimulado
pela queda gradativa de juros e incorporação de segmentos da sociedade de renda mais baixa e com
dificuldade de comprovar sua capacidade de pagamento de débitos. Esses negócios estimularam o
mercado de títulos de maior risco até gerar uma reação em cadeia de inadimplência que quebrou o
mercado de créditos imobiliários. Essa crise imobiliária provocou uma crise mais ampla no mercado
financeiro americano, afetando o desempenho da economia mundial.
Por causa dessa crise, as economias do mundo rico encolheram 3,2% em 2009 e cresceram, em
média, 2% em 2010. O desemprego também aumentou nesses países, atingindo patamares acima de
8%. Em contrapartida, no Bric, a crise teve um impacto menor.
Por sua vez, o comércio mundial encontra-se fortemente concentrado nos países mais ricos, e os
principais prejudicados da crise financeira foram os mais pobres. Segundo projeções do Banco Mundial,
o número de pessoas muito pobres será maior até 2020 do que poderia ser se o crescimento econômico
não tivesse diminuído desde 2008 e os programas sociais não tivessem sido afetadas.

Questões

01. (PC/PI – Escrivão de Polícia Civil – UESPI) No início dos anos 1990, o mundo assistiu à
derrocada do chamado Bloco Socialista, comandado pela ex-União Soviética, tendo como consequência
o fim da Guerra Fria e o surgimento de uma Nova Ordem Mundial, que apresenta como características,
EXCETO,
(A) o controle do mercado mundial por grandes corporações transnacionais.
(B) aprofundamento da Globalização da economia e consolidação da tendência à formação de blocos
econômicos regionais.
(C) processos pacíficos de Fragmentação territorial sem ocorrência de conflitos étnicos, a exemplo da
ex-Iugoslávia.
(D) ampliação das desigualdades internacionais.
(E) a existência de uma realidade mais complexa, com múltiplas oposições ou tensões econômicas,
étnicas, religiosas, ambientais etc.

02. (Prefeitura de Martinópole/CE – Agente Administrativo – CONSULPAM) A nova economia


internacional possui elementos característicos onde os que se destacam são os que se referem ao quadro
geral determinado pela Globalização. Com isso podemos AFIRMAR que o atual cenário mundial é
assinalado pela:
(A) bipolaridade
(B) unimultipolaridade
(C) velha ordem mundial
(D) Nova Guerra Fria

03. (SEDU/ES – Professor de Geografia – CESPE) Com relação à geografia política mundial, julgue
o item a seguir.
A nova ordem mundial apresenta uma faceta geopolítica e outra econômica. Na geopolítica, houve
uma mudança para um mundo multipolar, onde as potências impõem mais por seu poder econômico que
pelo poder bélico. Na economia, o que aconteceu foi o processo de globalização e a formação de blocos
econômicos supranacionais.
(....) Certo (....) Errado

04. (IF/SE – Analista – IF/SE) "Com a derrocada do socialismo real e da União Soviética, entre 1989
e 1991, surgiu uma nova ordem mundial que, a princípio, parecia ser unipolar, com uma única
superpotência, os Estados Unidos. Mas essa ideia parece ser aplicável somente a um breve período
transitório, pois o poderio estadunidense vem se enfraquecendo, em termos relativos (isto é, em
comparação com o crescimento da China, da Europa unificada, da Índia etc.)." Vesentini, Wiliam - 2009. Assinale
a afirmativa correta sobre os fatos da nova ordem mundial:
(A) O ponto fraco da União Europeia é o rápido envelhecimento e o baixo poder aquisitivo de sua
população.
(B) Apesar da crise na transição do socialismo real para a economia, a herdeira da Ex União Soviética,
Rússia, voltou a ser uma superpotência, apesar da fragilidade do setor de tecnologia de ponta.
(C) Uma das dificuldades para o Japão na formação de um Megabloco na Ásia é a desconfiança de
algumas importantes nações, como China e Coréia do Sul, que o consideram um país imperialista,

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sobretudo pela brutalidade e pelo racismo demonstrado pelas tropas japonesas quando da ocupação de
seus territórios.
(D) A China atualmente é o Estado nacional que poderia ameaçar a hegemonia estadunidense, em
função do crescimento econômico e do regime político democrático.
(E) A Índia é outro país que vem se modernizando, e é favorecida pela abundância de recursos
minerais e ausência de problemas étnicos, sociais e político territoriais.

05. (IF/SP – Professor de Geografia – FUNDEP) O processo de mundialização da economia


capitalista inaugurou uma nova divisão internacional do trabalho porque
(A) a diversidade das plantas industriais, até então vigentes nas mais diferentes economias do planeta,
sofreram homogeneização, excluindo a complementaridade.
(B) a divisão do mundo em países produtores de bens industrializados e países unicamente produtores
de matérias-primas, quer agrícolas, quer minerais, já não bastava.
(C) a expansão industrial sobrepôs uma divisão horizontal à antiga divisão vertical do trabalho,
mediante eliminação de níveis de qualificação dentro de cada ramo industrial
(D) a indústria multinacional restringiu sua atuação aos mercados de países centrais e criou bases
produtivas adaptadas às necessidades de seus mercados nacionais.

06. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE) A mundialização não diz respeito apenas às
atividades dos grupos empresariais e aos fluxos comerciais que elas provocam. Inclui também a
globalização financeira, que não pode ser abstraída da lista das forças às quais deve ser imposta a
adaptação dos mais fracos e desguarnecidos. François Chesnais. A mundialização do capital. São Paulo: Xamã, 1996 (com adaptações).
Tendo como referência inicial o fragmento de texto apresentado, julgue (C ou E) o item subsequente.
Mundialização do capital ou globalização refletem a capacidade estratégica de grandes grupos
oligopolistas, voltados para a produção industrial ou para as principais atividades de serviços, em adotar,
por conta própria, enfoque e conduta globais.
(....) Certo (....) Errado
07. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE) A mundialização não diz respeito apenas às
atividades dos grupos empresariais e aos fluxos comerciais que elas provocam. Inclui também a
globalização financeira, que não pode ser abstraída da lista das forças às quais deve ser imposta a
adaptação dos mais fracos e desguarnecidos. François Chesnais. A mundialização do capital. São Paulo: Xamã, 1996 (com adaptações).
Tendo como referência inicial o fragmento de texto apresentado, julgue (C ou E) o item subsequente.
O princípio geográfico da localização, no mundo globalizado economicamente competitivo, é superado
pelos sistemas técnicos e de informação.
(....) Certo (....) Errado

08. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE) A mundialização não diz respeito apenas às
atividades dos grupos empresariais e aos fluxos comerciais que elas provocam. Inclui também a
globalização financeira, que não pode ser abstraída da lista das forças às quais deve ser imposta a
adaptação dos mais fracos e desguarnecidos. François Chesnais. A mundialização do capital. São Paulo: Xamã, 1996 (com adaptações).
Tendo como referência inicial o fragmento de texto apresentado, julgue (C ou E) o item subsequente.
No mundo globalizado, observa-se uma tendência de compartimentação generalizada dos territórios,
onde se associam e se chocam o movimento geral da sociedade do trabalho e o movimento particular de
cada fração espacial: do nacional ao regional e ao local.
(....) Certo (....) Errado

Gabarito

01.C/ 02.B / 03.Certo / 04.C / 05.B / 06.Certo / 07.Errado / 08. Certo

Comentários

01. Resposta: C
Com a crise do bloco socialista, no final dos anos 1980, uma nova fase se abriu para a história da
Iugoslávia. Em 1991, Croácia, Eslovênia e Macedônia declararam sua independência, sendo que apenas
esta última de maneira pacífica. A separação da Croácia e da Eslovênia foi acompanhada por intensos
conflitos militares liderados pelo então presidente sérvio Slobodan Milosevic. Em 1992, a Bósnia declarou
sua independência, passando a enfrentar militarmente a Croácia, em disputa por territórios, e sobretudo
a Sérvia, contrária ao movimento separatista de mais uma região iugoslava.

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02. Resposta: B
Nova Ordem Mundial é a lógica internacional da ordem de poder entre os Estados nacionais no período
que sucede a Guerra Fria. A Nova Ordem Mundial é caracterizada pela UNIMULTIPOLARIDADE, uma
vez que temos a supremacia dos Estados Unidos no campo bélico e político, e a emergência de várias
potências no campo econômico: China, União Europeia, Japão e o próprio EUA.

03. Resposta: Certo


Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, a comunidade internacional passa por uma reformulação
das estruturas de poder e força entre os Estados Nacionais, gerando uma nova configuração geopolítica
e econômica que foi chamada de Nova Ordem Mundial. Uma das mudanças principais desse novo plano
geopolítico internacional foi o estabelecimento de uma multipolaridade, onde o poderio militar não era
mais o critério determinante de poder global de um Estado Nacional, perdendo lugar para o poderio
econômico. Já a área econômica passa por um processo de globalização, gerando fluxos crescentes de
bens, serviços e capitais que perpassam as fronteiras nacionais. Além disso, a formação de blocos
econômicos supranacionais visam atender tanto os interesses de corporações transnacionais, que
almejam a eliminação das barreiras alfandegárias, como os Estados Nacionais que tentam garantir
algumas vantagens políticas.

04. Resposta: C
O Japão apesar de ser o mais rico da Ásia em outrora buscou seu domínio nos países do pacífico com
ocupações territoriais, principalmente durante a 2ª guerra, desde então os asiáticos não fecham em um
bloco econômico com receio de um novo domínio japonês, através da economia sobre eles.

05. Resposta: B
O processo de mundialização da economia capitalista monopolista teve como pressuposto básico a
necessidade de uma nova divisão internacional do trabalho. Já não bastava um mundo dividido em países
produtores de bens industrializados e países unicamente produtores de matérias-primas, quer agrícolas,
quer minerais. A mundialização da economia pressupõe uma descentralização da atividade industrial e
sua instalação e difusão por todo o mundo. Pressupõe também um outro nível de especialização dos
produtos oriundos dos diferentes países do mundo para o mercado internacional. Assim,
simultaneamente, a indústria multinacional implanta-se nos mercados existentes em todos os países
(através de filiais, fusões, associações, franquias etc.) e cria bases para a produção industrial adaptada
às necessidades desses mercados nacionais. Ao mesmo tempo, atua de forma a aprimorar a exploração
e a exportação das matérias-primas requeridas pelo mercado internacional. Esse processo de expansão
industrial sobrepôs uma divisão vertical à antiga divisão horizontal do trabalho. Agora combina-se a antiga
divisão por setores (primário: agrícola e mineiro, e secundário: industrial) em níveis de qualificação dentro
de cada ramo industrial.

06. Resposta: Certo


A globalização pode ser interpretada sob 4 linhas básicas:
1) Globalização como um período histórico;
2) Globalização como compressão do tempo e do espaço;
3) Globalização como hegemonia dos valores liberais; e
4) Globalização como fenômeno socioeconômico. Nesta concepção, François Chesnay, economista
da OCDE, entende que a globalização traduz a capacidade estratégica do grande grupo oligopolista em
adotar abordagem e conduta globais, relativas simultaneamente a mercados compradores, fontes de
aprovisionamento, localização da produção industrial e estratégias dos principais concorrentes.

07. Resposta: Errado


Apesar da maior integração e na diminuição do tempo e custo necessários para a circulação de
informações e mercadorias, o princípio geográfico da localização não foi superado. A rede global não
flutua no ar, ela se entrelaça em nós, em locais estratégicos dentre os quais é possível citar grandes
áreas de produção industrial, portos de redistribuição mundial como Singapura e Rotterdam, centros de
decisão como o Vale do Silício nos Estados Unidos, dentre outras. Também mostra como o princípio de
localização não foi superado a elevação de fenômenos de valorização regional, que crescem como
antinomia ao global. Um exemplo disso são os selos de origem regional europeus, que valorizam produtos
oriundos de regiões específicas por suas características únicas e exclusivas, como o Champanhe francês.

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08. Resposta: Certo
Os territórios tendem a uma compartimentação generalizada, onde se associam e se chocam o
movimento geral da sociedade planetária e o movimento particular de cada fração, regional ou local, da
sociedade nacional. Esses movimentos são paralelos a um processo de fragmentação que rouba às
coletividades o comando do seu destino, enquanto os novos atores também não dispõem de instrumentos
de regulação que interessem à sociedade em seu conjunto.

CONFLITOS ÉTNICO-NACIONALISTAS47

A disputa pela soberania sobre territórios e pela definição de novas fronteiras tem ocasionado
numerosos conflitos pelo mundo. Muitos desses conflitos também são gerados pelas divergências entre
povos de culturas diferentes.
Essas questões geradoras de instabilidades têm estado cada vez menos isoladas, repercutindo
mundialmente e influenciando questões econômicas, políticas e militares no atual mundo globalizado.
Estudaremos alguns dos principais conflitos no mundo e sua repercussão internacional.

Um refugiado é uma pessoa que, “receando, com razão, ser perseguida em virtude da sua raça,
religião, nacionalidade, filiação em certo grupo social ou das suas opiniões políticas, se encontre fora do
país de que tem a nacionalidade e não possa ou, em virtude daquele receio, contar com a proteção
daquele país...” (ONU, Acnur – Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. The 1951 Convention relating to the Status of Refugees. Em:
www.unhcr.ch).

Globalização e Fragmentação

Nas últimas décadas do século XX, ao mesmo tempo em que se intensificava o processo de
globalização, ampliavam-se os conflitos étnico-nacionalistas, muitos deles relacionados a movimentos
separatistas. A ampliação desses conflitos revela uma situação aparentemente contraditória, pois, ao
mesmo tempo em que a reprodução da modernidade, em nível global, tende a homogeneizar hábitos por
meio do consumo e da indústria cultural, e integrar mercados por meio das organizações supranacionais,
diversos povos lutam por sua autonomia, fragmentando o mundo num número cada vez maior de países.
No entanto, se por um lado, a busca pela independência, pela afirmação da identidade nacional e dos
valores culturais próprios pode ser vista como reação à globalização, por outro lado, a capacidade que a
modernidade tem de se reproduzir não depende do fato de existirem mais ou menos países no mundo.
Os conflitos étnico-nacionalistas estão relacionados, de modo geral, com a formação de Estados ou
países que abrigam diversas nações (multinacionais ou multiétnicas).

Estado e Nação
O conceito de nação está diretamente relacionado ao de cultura. Mas é importante ressaltar que, entre
os estudiosos, não há consenso em relação à definição de nação. Optamos por empregar a conceituação
que diferencia nação de Estado-nação.
Estado-nação é uma entidade político-administrativa, personificada por diversas instituições (Forças
Armadas; poderes Executivo, Legislativo e Judiciário), que possui um território delimitado, sobre o qual
age soberanamente.
Nação é um conjunto de pessoas que têm em comum o passado histórico, a língua, os costumes, os
valores sociais, culturais e morais, e, quase sempre, a religião. Tudo isso confere à nação uma identidade
cultural, uma consciência nacional, que contribui para que os seus indivíduos compartilhem determinadas
aspirações, como, por exemplo, o desejo de permanecerem unidos, de se promoverem em termos sociais
e econômicos, e de preservarem sua identidade nacional (aspecto importantíssimo no conceito de nação).

No mundo, a maioria dos países é constituída por diversas nações, ou seja, os Estados são
multinacionais ou multiétnicos. As principais razões das lutas separatistas de cunho nacionalista são
explicadas pela não-aceitação das diferenças étnicas e culturais, pela existência de privilégios impostos
pela supremacia de um grupo sobre outro, pelos interesses econômicos de determinados grupos sociais
e pelo desejo de nações em constituírem seus próprios Estados.
Mas nem todo movimento nacionalista parte de interesses legítimos. Outra concepção de
nacionalismo prega o uso da força para defender seus interesses, e considera o outro, em função das
diferenças étnicas ou raciais, como inimigo e adversário. Nesta concepção o nacionalismo confunde-se

47
LUCCI, Elian Alabi. Geografia Geral e do Brasil. Elian Alabi Lucci; Anselmo Lazaro Branco; Cláudio Mendonça. 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2014.
MARTINEZ, Rogério; GARCIA, Wanessa. Novo olhar: Geografia. 1ª edição. São Paulo: FTD, 2013.

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com o racismo e a xenofobia. Foi essa concepção de nacionalismo que Hitler colocou em prática na
Alemanha.
Portanto, as lutas étnicas e nacionalistas, que se multiplicaram nas duas últimas décadas do século
XX, devem ser analisadas a partir dos aspectos peculiares a cada uma delas e dos diferentes contextos
histórico-geográficos em que se desenvolveram.

O Fundamentalismo Islâmico
O Islamismo é a religião que mais cresce no mundo. Conta, atualmente, com cerca de 1 bilhão e 200
milhões de fiéis espalhados, sobretudo, pelo Oriente Médio, norte da África e sudeste asiático, onde se
encontra a Indonésia, país com a maior população islâmica do mundo. Essa religião foi fundada por
Maomé, no século VII, e baseia-se no Corão ou Alcorão, também chamado de Livro de Deus (Kitab Alah).
Os seguidores do Islamismo são denominados muçulmanos.
Mas a interpretação do Corão não é a mesma para todos os muçulmanos. Para vários deles, certos
aspectos das sociedades ocidentais, como, por exemplo, a liberdade de expressão e de religião, e a
igualdade de direitos entre homens e mulheres, são incompatíveis com as leis do Corão.
Para os fundamentalistas, o Ocidente, com seus valores, constitui uma ameaça à sociedade
muçulmana. Superado o “perigo vermelho”, representado pela URSS, o fundamentalismo islâmico surge
como um dos grandes “vilões” do Ocidente. Após os atentados de 11 de setembro de 2001, essa imagem
tem sido muito explorada pelos Estados Unidos, que relacionam os grupos fundamentalistas ao
terrorismo.
Além dos esforços de preservação cultural, o crescimento do fundamentalismo islâmico está
relacionado aos sucessivos fracassos econômicos e políticos dos governos de vários países muçulmanos
da Ásia e do norte da África, os quais, com o término da Segunda Guerra Mundial, conquistaram sua
independência e passaram a ter governos próprios.
Desde então, o caos econômico e social, aliado ao autoritarismo e à corrupção da classe política
dirigente, passou a representar um terreno extremamente fértil para a expansão do fundamentalismo
islâmico em alguns países. A população muçulmana foi depositando cada vez mais suas esperanças nas
próprias raízes religiosas e culturais, já que a chegada da modernidade só trouxe benefícios para uma
minoria – a elite econômica.
Além disso, a independência política conquistada por esses países também não significou a eliminação
das interferências externas das grandes potências mundiais. A posição das grandes potências mundiais
– sobretudo dos Estados Unidos – em relação aos governos dos países islâmicos, sempre foi ambígua.
No Oriente Médio, por exemplo, o petróleo foi o fio condutor que determinou o apoio norte-americano a
um ou outro governante, de acordo com as vantagens econômicas e estratégicas que pudessem ser
abertas nessa região.

Principais Conflitos Étnicos na Europa

Os conflitos no centro e leste da Europa estão relacionados ao fim dos governos socialistas de cunho
centralizador e autoritário, os quais foram implantados em diversos países dessa região após a Segunda
Guerra Mundial. No entanto, a história da diversidade e dos conflitos étnicos na região é antiga. Ela resulta
da expansão dos impérios Russo, Otomano e Austro-Húngaro, e da decomposição desses dois últimos
entre o final do século XIX e as duas primeiras décadas do século XX. Esses impérios controlaram
diversas nações – praticamente as mesmas que foram submetidas aos regimes comunistas do pós-guerra
– e foram responsáveis pela instabilidade nas fronteiras dessa região europeia.
Os conflitos nacionalistas também estão relacionados, muitas vezes, à falta de perspectivas de
melhoria das condições de vida da população mais atingida pelas más condições socioeconômicas de
determinado país. Soma-se, a tudo isso, o sentido nacionalista – a vontade de ver os símbolos da nação
não mais submetidos a outro poder. Esse sentimento, apesar de ser um elemento aglutinador, de criar
laços de solidariedade, pode ser facilmente manipulado por líderes inescrupulosos.

Conflito nos Bálcãs: Esfacelamento da Iugoslávia


Bálcãs é uma região peninsular localizada no sudeste da Europa, onde hoje estão situadas a Bulgária,
Albânia, Grécia, Turquia (trecho europeu), Iugoslávia, Croácia, Eslovênia, Macedônia e Bósnia –
Herzegovina. O termo balcanização é uma referência aos diversos conflitos étnico-nacionalistas que
ocorreram e ocorrem na região, onde a instabilidade das fronteiras é uma marca. Esse termo é utilizado
para se referir aos movimentos separatistas que se alastram por todo o mundo.

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Até 1991, a Iugoslávia era formada por seis repúblicas (Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia-
Herzegovina, Macedônia, Montenegro) e duas regiões autônomas (Kosovo e Vojvodina) pertencentes à
Sérvia.
A população iugoslava compunha-se de várias nacionalidades (sérvios, croatas, eslovenos,
macedônios, albaneses, húngaros) e alguma delas encontravam-se espalhadas em praticamente todas
as seis repúblicas. Além disso, no país predominavam três religiões (muçulmana, cristã ortodoxa católica
romana) e falavam-se cinco idiomas (sérvio-croata, esloveno, albanês, húngaro, macedônio).
Essa complexa composição étnica manteve-se unida sob o governo de Josip Broz (marechal Tito),
líder de origem croata, que, devido ao carisma e habilidade política e apoio do aparato militar, conseguiu
congregar, num único Estado, toda a diversidade nacional, religiosa e étnica.
A morte de Tito, em 1980, comprometeu esta relativa estabilidade. Em 1990, o fim da URSS fortaleceu
os movimentos separatistas que desabrocharam em todas as repúblicas iugoslavas. O poderio militar da
federação iugoslava, em grande parte controlado pelos sérvios, tentou impedir a independência destas
repúblicas e, para isso, conto com o apoio dos sérvios que nelas viviam.
Em junho de 1991, a Eslovênia e a Croácia declararam independência, que foi reconhecida pela
Iugoslávia após breve período de violentos conflitos. A Macedônia seguiria o mesmo alguns meses
depois. Neste caso, não houve guerra com o governo central. Em abril de 1992, a Bósnia-Herzegovina
também declarou independência, dando origem ao mais violento e intenso conflito da região balcânica.

A Independência da Bósnia
A Bósnia-Herzegovina era a república iugoslava etnicamente mais heterogênea: 39,5% de
muçulmanos, 32% de sérvios, 18,4% de croatas.
Após ter sua independência reconhecida por diversos países europeus, pelos Estados Unidos e pela
ONU, croatas, muçulmanos e sérvios passaram a disputar fatias do território bósnio. A guerra civil da
Bósnia teve início em 1992 e tornou-se acirrada quando o líder sérvio, Radovan Karadzic, contrário à
separação, proclamou a formação da República Sérvia da Bósnia-Herzegovina, não reconhecendo a
independência do país. A guerra se estendeu até 1995, apresentando um saldo de mais de 200 mil mortos
e 2 milhões de refugiados muçulmanos. Essa guerra foi marcada pelo extermínio (“limpeza étnica”) dos
não-sérvios que viviam na ex-república iugoslava, o qual contou com o apoio do então presidente da nova
Iugoslávia, Slobodan Milosevic.

Limpeza étnica é a situação em que um Estado ou governante promove a expulsão e/ou extermínio
de um grupo étnico, geralmente minoritário, em seu território. Os métodos utilizados também envolvem
perversidades e atrocidades, como a morte indiscriminada de civis, estupro de mulheres, incêndio de
residências, etc. O objetivo é amedrontar a população e promover a fuga em massa do território. Busca-
se, desta forma, um equilíbrio étnico favorável ao grupo que detém o poder.

Em 1995, um acordo de paz selou o fim da guerra na Bósnia. Esse acordo dividiu o país em uma
Federação muçulmano-croata, que controla 51% do território bósnio, e uma República Sérvia da Bósnia,
que controla 49%. O governo é regido por uma presidência colegiada, com representantes das três etnias.
No entanto, a permanência de povos inimigos históricos e com ambições territoriais e nacionalistas no
mesmo país e as dificuldades de uma administração conjunta tornam a região bastante instável.
Apesar do acordo de paz ter sido assinado em Paris, ele ficou conhecido por Acordo de Dayton, nome
da cidade dos Estados Unidos em que está situada a Base Aérea de Wright-Patterson, local em que as
negociações foram realizadas.

A Guerra de Kosovo
A partir de 1998, os conflitos passam a se desenrolar na região de Kosovo, habitada
predominantemente por população de origem albanesa (90% dos dois milhões de habitantes) e que,
desde 1989, tinha perdido parte da autonomia em relação ao poder central iugoslavo, como o direito ao
ensino em língua albanesa e a uma polícia própria.
Para fazer frente ao crescimento do movimento separatista armado, liderado pelo ELK (Exército de
Libertação de Kosovo), o então presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, contra-atacou com violência
a região de Kosovo. Alegando combater os separatistas e defender a integridade do país, promoveu um
massacre à população civil. Em 1999, a OTAN negociou com a Iugoslávia o fim do conflito e a volta da
autonomia de Kosovo. Diante da recusa iugoslava, as tropas da OTAN lançaram um intenso ataque ao
país. A guerra de Kosovo terminou após 78 dias de bombardeiros liderados pelos Estados Unidos. Essa
ação, classificada pelo governo norte-americano de “defesa humanitária”, não foi decidida no âmbito do
Conselho de Segurança da ONU, constituindo, portanto, um desrespeito às normas internacionais.

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Num sinal claro de que a solução para os problemas étnicos era bastante complexa, o Parlamento da
Iugoslávia, com o acompanhamento da União Europeia, aprovou, em fevereiro de 2003, a Constituição
do novo Estado da Sérvia e Montenegro. Nesse novo Estado, a diplomacia e a segurança são conjuntas,
mas tanto Sérvia como Montenegro têm grande autonomia, a ponto de cada uma ter o seu Banco Central.
Sob pressão de Montenegro, que queria a independência total, acertou-se a realização de um referendo,
em 2006, para decidir se as repúblicas continuariam unidas.

A Questão Basca
Há cerca de cinco mil anos, o povo basco habita uma área de quase 21 mil Km² entre o norte da
Espanha e o sudoeste da França. Os bascos vivem espalhados em quatro províncias espanholas: Álava,
Biscaia, Guipúzcoa e Navarra; e três províncias francesas: Labourd, Baixa Navarra e Soule. Ao longo dos
séculos, os bascos receberam poucas influências culturais ou de miscigenação de outros povos,
preservando assim suas características biológicas, étnicas, culturais e linguísticas. O euskara, a língua
basca, é falado no cotidiano das famílias, nas escolas e no trabalho.
Assim como outras minorias étnicas espalhadas pelo mundo, os bascos alimentam um sentimento
nacionalista, ou seja, aspiram à conquista de soberania política e territorial em relação ao Estado ao qual
estão subordinados. A ideia de um país basco começou a surgir com o Partido Nacionalista Basco, criado
no final do século XIX. Havia um plano efetivo para a instituição do país basco em 1934, mas foi
interrompido pela ditadura (vigente entre 1939-1975) imposta na Espanha pelo governo do general
Francisco Franco. Nesse período, o Partido Nacionalista Basco foi considerado uma organização ilegal,
sofrendo censura e perseguição política, o que também se estendeu a povo basco, que foi impedido de
falar e ensinar sua língua nas escolas, assim como de hastear sua bandeira e promover manifestações
tradicionais de sua cultura.
Nesse contexto de forte repressão política, surgiu um movimento separatista em prol da libertação dos
bascos chamado Euskadi Ta Askatasuna ou “Pátria Basca e Liberdade”, mais conhecido como ETA,
criado em 1959 por dissidentes do Partido Nacionalista Basco. Nas décadas seguintes, o ETA passou a
defender a independência dos bascos por meio da luta armada, sobretudo com ações terroristas. Ao
longo de sua história, os ataques do ETA provocaram a morte de mais de 800 pessoas, entre políticos,
militares e civis, as maiores vítimas.
Em 2006, o ETA declarou cessar-fogo, mas a duração desse ato foi de poucos meses. Em dezembro
do mesmo ano, a organização promoveu o maior atentado terrorista de sua história. O episódio foi
marcado pela explosão de um carro-bomba em um dos terminais do aeroporto de Madri, que destruiu
parte das edificações e deixou dezenas de civis feridos e dois mortos. O uso da violência, no entanto,
comprometeu a imagem da organização perante a opinião PÚBLICA. O ETA perdeu prestígio e apoio
popular, enfraquecendo-se politicamente. Em 2011, a organização divulgou comunicado informando seu
fim definitivo. Ainda assim, a questão está longe de ser resolvida. Na Espanha, a esquerda nacionalista
continua se articulando para criar novas organizações supostamente comprometidas a usar apenas meios
pacíficos para atingir seus fins políticos. O governo espanhol, por sua vez, tem impedido a legalização de
tais organizações.

A Questão Irlandesa
A ilha da Irlanda foi dominada pela Inglaterra no século XII e, desde então, começou a receber grande
quantidade de imigrantes ingleses e escoceses. Em 1800, a Irlanda passou a pertencer ao Reino Unido
(formado, atualmente, pelos países da Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia e País de Gales) e a Irlanda do
Norte), por decreto do rei da Inglaterra na época, dando início à organização da luta pela independência.
Mas foi no início do século XX que os conflitos entre Irlanda e Inglaterra ganharam maiores proporções
com a criação do Sinn Fein, partido político representante do separatismo irlandês, e do Exército
Republicano Irlandês (IRA), que organizou a luta armada contra o domínio britânico.
Os conflitos obrigaram o Reino Unido a realizar uma consulta popular na Irlanda sobre a
independência. As províncias do centro e do Sul, de maioria católica e de população de origem irlandesa,
votaram pela separação do Reino Unido; as províncias do Norte (Ulster), de maioria protestante e de
população de origem inglesa, posicionaram-se contra essa separação.
Em 1921, assinou-se tratado pelo qual as províncias do centro e do Sul poderiam formar um Estado
independente. Esse processo de independência encerrou-se somente em 1937, quando foi instituída a
constituição do novo país, denominado República do Eire. O Reino Unido reconheceria essa
independência apenas em 1949. Em relação à independência das províncias do Norte, o Reino Unido até
hoje mantém-se intransigente em concedê-la.
A ação do IRA tornou-se mais intensa na segunda metade do século XX, através da realização de
atentados terroristas, os quais visavam, inicialmente, atingir as autoridades e instituições britânicas, mas,

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num segundo momento, estendeu suas ações a toda população civil protestante. A reação dos britânicos
contra os irlandeses foi igualmente violenta, intensificando o conflito nas províncias do Norte.
Depois de anos de luta armada, os dois lados do conflito entraram em negociação e, em 1999,
assinaram um acordo de paz que determinou a deposição das armas pelo IRA e a instalação de um
governo compartilhado entre católicos e protestantes. A Irlanda do Norte permaneceu ligada ao Reino
Unido, mas o acordo admite a separação futura caso a população, em sua maioria, tome esta decisão.
Nem todos os irlandeses são favoráveis a este acordo de paz. A violência de ambas as partes, tanto
dos católicos separatistas como dos protestantes unionistas, tem alimentado, por décadas, o ódio entre
esses dois grupos. Por essa razão, muitos acreditam que novos conflitos poderão ressurgir a qualquer
momento.

Os Conflitos no Cáucaso
O Cáucaso, região montanhosa situada a sudeste da Europa, entre o Mar Negro e o Mar Cáspio,
constitui uma da áreas de grande tensão geopolítica, mercada pela eclosão de uma série de guerras civis,
conflitos separatistas e étnicos, além de confrontos fronteiriços pela disputa de territórios entre países
vizinhos.
A região abrange o território de três países – Armênia, Geórgia e Azerbaijão -, além de várias
repúblicas russas, como Ossétia do Norte, Chechênia, Daguestão e Inguchétia, com uma população de
aproximadamente 21 milhões de pessoas, que se destaca pela grande diversidade étnico-cultural. São
mais de 100 grupos étnicos com costumes, línguas e dialetos próprios, que, em sua grande maioria,
seguem a região cristã ou islâmica. Essas diferenças étnico-religiosas estão na base da maioria dos
conflitos que eclodem na região.
Esses conflitos se tornaram mais intensos a partir da desintegração da União Soviética no início da
década de 1990. Até então, essa região esteve sob o domínio do governo soviético, que controlou com
mão de ferro, pelo uso da força, qualquer tipo de rebelião nessas suas repúblicas.
Com o fim da União Soviética, algumas dessas repúblicas se tornaram países independentes,
formando novos países, e outras passaram ao controle da Rússia, principal herdeira do império soviético.
Com o novo arranjo político-territorial e as diferenças étnico-religiosas existentes, foi praticamente
inevitável a eclosão de grandes conflitos na região.
No início da década de 1990, o fortalecimento de um movimento separatista levou a Chechênia, de
população majoritariamente muçulmana, a declarar sua independência em relação à Rússia. O governo
Russo, no entanto, não reconheceu a proclamação dos chechenos e respondeu com um violento ataque
militar aos separatistas, que deixou um saldo de aproximadamente 80 mil mortos, e ficou conhecido como
Guerra da Chechênia (1994-1996). Desde então, o conflito se encontra em estado latente, com os
separatistas chechenos promovendo ataques terroristas contra alvos russos, como ocorreu em 2004,
quando terroristas chechenos invadiram uma escola na república da Ossétia do Norte e detonaram
explosivos, causando a morte de 344 pessoas, sendo 186 crianças.
No Daguestão, outra república russa, grupos muçulmanos lutam para criar um Estado islâmico,
movimento também combatido pelas forças russas que buscam manter o controle da região, rica em
reservas de petróleo. Na Geórgia, os conflitos separatistas envolvem as repúblicas da Ossétia do Sul
(maioria persa e cristã) e da Abkházia (maioria muçulmana ortodoxa), que desde 1991 lutam contra os
georgianos (cristãos) para se tornar independentes. Em 2008, a Geórgia lançou uma ofensiva militar
contra os ossetas, o que levou à intervenção dos russos, que invadiram o território da Ossétia do Sul,
para desalojar tropas georgianas. A participação da Rússia no conflito, no entanto, provocou um
acirramento das tensões com os Estados Unidos, que têm a Geórgia como aliada na região.
A região de Nagorno-Karabakn é alvo de disputa entre a Armênia e o Azerbaijão. Embora esteja
encravada no território do Azerbaijão, país de origem muçulmana, quase 80% de sua população é cristã
e de origem armênia. Assim, desde o início da década de 1990, quando os soviéticos saíram da região,
os armênios reivindicaram a posse do território, fato que já levou esses países a se confrontarem
militarmente entre 1992 e 1994. Apesar das negociações em curso desde o cessar-fogo, o impasse pelo
controle da região ainda persiste.

Territórios e Conflitos na África


Muitos dos conflitos existentes hoje no mundo envolvendo disputa por territórios, como aqueles que
ocorrem em várias partes do continente africano, têm origem histórica ligada ao processo de expansão
do capitalismo ao longo dos últimos dois séculos e suas implicações na delimitação das fronteiras dos
Estados nacionais.
Nas últimas décadas do século XIX, o continente africano, até então habitado por povos de diferentes
grupos étnicos, passou a ser mais efetivamente ocupado e exaltado pelas potências econômicas

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europeias. Em plena Revolução Industrial, países como Inglaterra, França, Bélgica, Holanda e Alemanha
necessitavam de matérias-primas em grande escala e a baixos custos para abastecer seus parques
industriais em expansão. Para assegurar seu suprimento esses países se apropriaram do vasto território
africano (e também de extensas regiões do continente asiático) como forma de explorar os recursos
naturais nele existentes e utilizar suas terras para o cultivo de grandes monoculturas tropicais, as
chamadas plantations. Para isso, estabeleceram a divisão ou partilha do território africano em um acordo
selado em 1885 durante a Conferência de Berlim.
As alterações resultantes dessa divisão desestruturaram a organização política, econômica e social da
maioria dos povos africanos. As fronteiras traçadas de maneira arbitrária elos europeus, por exemplo,
ignoraram as diferenças técnicas dos inúmeros reinos e grupos tribais existentes no continente. Assim,
em muitos casos, essa divisão colocou no território de uma mesma colônia antigos povos rivais, ou, ainda,
separou povos com a mesma identidade histórico-cultural. Os colonizadores também escravizaram
populações e impuseram suas línguas, costumes e valores morais e étnicos aos povos colonizadores.
Muitas vezes, os povos nativos sofreram intensa dominação cultural, sendo obrigados a aprender a língua
do colonizador, a mudar seus hábitos alimentares e a se vestirem como os europeus. Os povos que
tentaram resistir a colonização foram brutalmente reprimidos em violentos conflitos. Mais bem armados,
os soldados europeus massacraram os movimentos de resistência que, em certos casos, exterminaram
grupos tribais inteiros.
Somente a partir de meados do século XX, com o enfraquecimento político, econômico e militar dos
países europeus devastados pelos conflitos da Segunda Guerra Mundial é que a luta contra o colonialismo
no continente ganhou impulso. Surgiram movimentos de independência em praticamente todas as
colônias europeias na África, reivindicando a ruptura dos laços mantidos com as metrópoles.
Alguns desses rompimentos foram pacíficos, enquanto outros ocorreram por meio de violentos
conflitos que se arrastam por várias décadas, opondo a população local e os colonizadores. Os
movimentos de independência das colônias africanas (e também a Ásia) após a Segunda Grande Guerra
ficou conhecido, historicamente, como processo de descolonização.
Contudo, mesmo após a independência política, muitos desses países mantiveram praticamente os
mesmos limites territoriais traçados pelos colonizadores europeus.
A desorganização étnico-cultural herdada do traçado dessas antigas fronteiras tem sido a causa de
inúmeros conflitos territoriais e guerras civis que, ao longo da história, assolam muitos países africanos.

Conflitos Étnico-Nacionalistas na Ásia


Há uma grande quantidade de conflitos étnico-nacionalistas na Ásia. O continente abriga cerca de 60%
da população mundial e milhares de etnias. Nas duas últimas décadas do século XX, alguns desses
conflitos se destacaram pelo grande número de pessoas envolvidas e pela violência empregada.

Os Confrontos na Índia: Hindus e Muçulmanos


A tensão entre hindus (28% da população indiana) e muçulmanos (12%) iniciou-se com a chegada dos
árabes à região, no século VII, os quais difundiram o Islamismo no país. Essa religião conquistou muitos
adeptos nas camadas mais pobres da sociedade indiana, que viam nela um caminho para se
desvencilharem do sistema de castas da religião hindu (o Hinduísmo), que estrutura a sociedade indiana.
O sistema de castas, apesar de extinto por lei, tem ainda forte presença nas relações sociais na Índia.
Segundo esse sistema, cada indivíduo pertence a uma casta desde o nascimento, não é permitido o
casamento entre pessoas de castas diferentes nem existe mobilidade de uma casta para outra.
A sociedade hindu divide-se basicamente em quatro castas ou ordens principais: os brâmanes
(monges), os xátrias (guerreiros), os vaixás (comerciantes e artesãos) e, na base da pirâmide, os sudras
(camponeses e serventes). Os indivíduos considerados impuros pelas outras castas denominam-se
párias e exercem profissões como coveiro e faxineiro.

Os Conflitos na Caxemira
Situada nas encostas da cordilheira do Himalaia, a região da Caxemira constitui um dos focos de maior
tensão geopolítica no Sul da Ásia, alvo de conflitos que se arrastam há mais de 60 anos. Desde que
deixaram de ser colônia do Império Britânico, em 1947, Índia e Paquistão disputam a posse da região,
que tem aproximadamente 220 mil quilômetros de extensão e abriga cerca de 12 milhões de pessoas.
Logo após a retirada dos britânicos, indianos e paquistaneses entraram em guerra pela posse da região.
O conflito terminou em 1948, quando o Paquistão ficou com um terço da Caxemira e Índia com dois terços.
O Estado islâmico do Paquistão, no entanto, passou a reivindicar a anexação total da região ao seu
território, já que os muçulmanos compõem a grande maioria da população caxemire. Além de não estar
disposta a perder parte de seu território, a Índia ainda acusou o Paquistão de apoiar ações terroristas

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realizadas por grupos extremistas islâmicos favoráveis ao separatismo. O governo indiano reprime a ação
de tais grupos para manter o controle sobre a região e também para evitar que uma eventual onda de
movimentos separatistas se espalhe em certas regiões do país também habitadas por outras minorias
étnicas, como a dos sikhs, que reivindicam autonomia sobre a província do Punjab.
A disputa pela região já levou esses países a se enfrentarem em outras duas guerras, ocorridas em
1965 e 1971. Assim como os conflitos entre grupos islâmicos paquistaneses e grupos hindus indianos,
essas guerras deixaram milhares de vítimas. A questão geopolítica na região tornou-se ainda mais
complexa com o envolvimento da China, que, desde 1962, também se apossou de parte da Caxemira,
após guerra travada com os indianos.
Assim, a disputa pela posse da Caxemira levou a uma crescente militarização da região, utilizada
inclusive para justificar a corrida armamentista que levou o Paquistão e a Índia a desenvolverem armas
nucleares, das quais a China já dispunha. A instabilidade política na região tem sido alvo de grande
preocupação internacional, já que a eclosão de uma nova guerra entre esses países poderia ter
consequências imprevisíveis.

Os Curdos e o Curdistão
Estimativas não muito precisas, pela falta de levantamentos estatísticos oficiais, sugerem que existam
entre 26 e 40 milhões de curdos espalhados pelo território de vários países do Oriente Médio. Esse povo
forma o maior grupo étnico sem Estado do mundo. O território ocupado pelos curdos, chamado Curdistão,
estende-se por uma região montanhosa com 530 mil quilômetros quadrados, que abrange áreas do Irã,
Iraque, Síria, Turquia, Armênia, Geórgia e Azerbaijão.
Na Turquia, onde vive a maioria dos curdos (cerca de 15 milhões, o que representa 20% da população
do país), surgiu o mais atuante grupo armado que luta pela formação de um Estado curdo independente:
o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Criado no final da década de 1970, tornou-se uma
organização separatista engajada na luta armada pela causa do povo curdo, que aspira a soberania
política e territorial do Curdistão. A luta por essa soberania vem sendo reprimida de maneira violenta pelas
forças governamentais, especialmente na Turquia, onde o governo considera o PKK uma organização
terrorista. Estima-se que somente no conflito curdo-turco tenham morrido mais de 37 mil pessoas.
A enorme resistência que os países da região colocam à criação de um Estado curdo não se justifica
somente por causa da perda de parte de seu território. Essa região dispõe de imensas reservas de
petróleo em seu subsolo. A Turquia extrai praticamente todo seu petróleo da região curda, enquanto cerca
de 40% das reservas petrolíferas iraquianas também estão em áreas curdas. Com o objetivo de conter a
luta dos curdos pela independência em seu território e de manter o controle sobre os campos de petróleo,
o governo iraquiano, no final da década de 1980, promoveu ataques que destruíram mais de duas mil
aldeias curdas e provocaram o massacre de milhares de pessoas, incluindo crianças e mulheres (as
estimativas oscilam entre 50 e 100 mil mortos).
A complexidade que envolve a questão curda está ligada à grande instabilidade política nessa
conturbada região do Oriente Médio, marcada pela presença de países com os mais diversos problemas
de ordem interna e externa. Com a eclosão da guerra civil na Síria, em 2011, grupos armados curdos
assumiram o controle das áreas no nordeste do país aproveitando-se da fragilidade das forças sírias,
recrutadas para conter os conflitos que s intensificaram no país.

Os Conflitos no Oriente Médio


O domínio que o Império Turco-Otomano exercia sobre boa parte do Oriente Médio, o qual prevaleceu
até a Primeira Guerra Mundial, foi praticamente substituído pela ocupação inglesa e francesa, que se
prolongou até a década de 1940.
Durante esse último período, ocorreu um processo de grande fragmentação territorial desta região.
Após essa década, os ingleses e franceses foram afastados do Oriente Médio, o que consolidou o
processo de independência de vários países e favoreceu a criação do Estado de Israel, foco permanente
dos conflitos étnico-nacionalistas que opõem os árabes e palestinos aos judeus.
No entanto, a independência de diversos países não significou o fim dos conflitos na região. Pelo
contrário, após a Segunda Guerra Mundial, o Oriente Médio transformou-se no principal foco de tensão
mundial em função da criação do Estado de Israel, em 1948; dos interesses econômicos e estratégicos
das grandes potências, que buscam o controle das jazidas de petróleo; das disputas internas pelo poder
numa região marcada por regimes autoritários; dos conflitos religiosos e da má condição de vida da
maioria da população.
A herança da Guerra Fria é outro importante fator de instabilidade e de intensificação dos conflitos. Os
Estados Unidos e a URSS armaram exércitos e grupos de oposição, fortalecendo ditaduras e grupos

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terroristas. Atualmente, cerca de 40% das vendas de armas dos Estados Unidos destinam-se a países
do Oriente Médio.

Israel e a Questão Palestina


Localizada no Oriente Médio, a região da Palestina tem sido palco de um dos conflitos de maior
repercussão em todo o mundo. Trata-se do confronto entre árabes e judeus pela posse dos territórios
ocupados por esses dois povos, cujas raízes são tão antigas quanto a própria ocupação daquelas terras.
Há cerca de 2000 anos a.C., os hebreus, que depois passariam a ser chamados de judeus, ocupavam
as terras da Palestina. Devido à sua posição geográfica, que a situa estrategicamente entre a Europa, a
Ásia e a África, essa região foi alvo de muitas disputas, e foi submetida ao domínio de vários reinos e
impérios. Os assírios e os babilônios, por exemplo, dominaram e escravizaram os hebreus séculos antes
da era cristã. Sob o domínio dos romanos desde o início da era cristã, os hebreus (judeus) foram expulsos
de suas terras e se dispersaram pelo mundo em um movimento conhecido como diáspora judaica.
Entre o século VII e o século XV, após a longa ocupação romana, a Palestina foi ocupada pelos povos
árabes, também chamados de palestinos, quase todos muçulmanos, que até o início do século XX
permaneceram na região sob o domínio do Império Turco-Otomano, quando passaram para o controle
do protetorado britânico.

O Movimento Sionista
Mesmo dispersos pelo mundo durante tanto tempo, os judeus preservaram sua identidade histórico-
cultural e sempre alimentaram o sonho de constituir um território judaico soberano e independente. No
final do século XIX, surgiu na Europa o movimento sionista, que defendia a imigração dos judeus para a
Palestina (antiga terra dos hebreus). Esse movimento propunha a criação de um Estado judeu nos
arredores do Monte Sião (daí a origem do nome sionismo), uma das colinas que cercam as terras da
cidade de Jerusalém, considerada santa para judeus, cristãos e muçulmanos.
Vítimas de perseguições e massacres sistemáticos, comunidades judaicas espalhadas em várias
partes do mundo se deslocaram, então, para aquela região, estabelecendo-se em colônias agrícolas e
em bairros judaicos. O movimento sionista se fortaleceu após a declaração de Balfour, em 1917, por meio
da qual os britânicos apoiaram o retorno dos judeus, caso a Inglaterra conseguisse derrotar o Império
Otomano eu, mesmo enfraquecido, ainda dominava a região.
Contudo, a imigração de judeus para a Palestina se intensificou ainda mais com a perseguição
promovida pelo regime nazista alemão, sobretudo durante a Segunda Guerra Mundial e nas décadas
seguintes.

A Formação do Estado de Israel


Em meados da década de 1940, quando os judeus somavam quase um terço da população Palestina,
os britânicos decidiram abandonar o plano de construção do estado judaico, deixando tal tarefa a cargo
da ONU, que também herdou o imbróglio entre judeus e palestinos, eu entraram em conflito para disputa
daquele território. Muito pressionada pela comunidade judaica internacional e também com o apoio dos
Estados Unidos, que buscavam ampliar sua influência política na região, a Assembleia Geral da ONU
aprovou em 1947 a partilha da Palestina, criando dois Estados: um árabe e outro judaico.
Os territórios foram divididos de acordo com a população predominante em cada região. A cidade de
Jerusalém, considerada sagrada por judeus e árabes, permaneceu sob controle internacional. O plano,
porém, foi rejeitado pelos palestinos, que teriam de ceder parte de seus territórios para os judeus, o que
acirrou ainda mais os conflitos entre esses povos. Em 1948, os judeus declararam oficialmente a
independência do Estado de Israel, ocupando cerca de 56% de toda a Palestina.
A reação árabe foi praticamente imediata. Na tentativa de impedir a implantação do novo Estado, os
exércitos dos países árabes vizinhos (Egito, Jordânia, Iraque, Líbano e Síria) declararam guerra a Israel.
Mais bem preparado e equipado militarmente, Israel derrotou as forças árabes pondo fim à primeira guerra
árabe-israelense.
Com a vitória, Israel ampliou seus domínios sobre os territórios palestinos. A área da Faixa de Gaza
passou a ser controlada militarmente pelo Egito, e a Cisjordânia, assim como a parte orien