Guia Completo para Redação Nota Máxima
Guia Completo para Redação Nota Máxima
Cadetes
Está pronto para aprender como elaborar uma redação nota máxima?
Sabemos que estudar não é tarefa fácil, mas acreditamos na sua dedicação e por isso
elaboramos nossa apostila com todo cuidado para que você não estude assuntos
desnecessários e nem perca tempo buscando conteúdos faltantes. Somando sua dedicação
aos nossos cuidados, esperamos que você tenha uma ótima experiência de estudo e que
consiga a tão almejada aprovação.
Caro(a) Candidato(a), tendo em vista que alguns assuntos cobrados pelo edital já foram abordados
na apostila de Português, iremos disponibilizar uma estrutura de redação elaborada de modo geral de
acordo com os requisitos pretendido.
Introdução
Um dos grandes desafios na hora de realizar qualquer prova é a escrita da redação. Escrever um texto
pode ser uma tarefa difícil para algumas pessoas. Isso ocorre, pois essa atividade envolve a mobilização
de uma série de conhecimentos relacionados não só ao tema proposto para aquela redação, mas também
a questões linguísticas e discursivas.
Em toda produção textual você deve se preocupar com a organização de ideias, com a estruturação
de frases e parágrafos e com a execução de tudo isso dentro de um determinado gênero textual. Ao
mesmo tempo, há ainda a necessidade de ser claro, objetivo, coerente e bastante produtivo durante
aquele pequeno prazo estipulado para a realização da prova que você está prestando.
A fim de prepará-lo para o exercício dessa tarefa considerada muitas vezes penosa, organizamos esse
material com os principais conhecimentos que você precisa dominar para a escrita de um excelente texto.
Dentro de cada um dos tópicos, abordaremos os diferentes conhecimentos para a realização da escrita
de qualquer tipo de redação que venha a ser proposta. Esperamos que, com isso, a atividade de escrita
se torne mais prazerosa, menos preocupante e que você obtenha sucesso nas produções textuais a
serem realizadas.
O Conceito de Texto1
Para aprender sobre as qualidades de um bom texto é necessário, primeiramente, responder à
seguinte questão: afinal, o que seria texto?
Observaremos três imagens a fim de responder essa pergunta:
Imagem A
Imagem B
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KOCH. Ingedore G. Villaça. Desvendando os segredos do texto.
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1634532 E-book gerado especialmente para GRAZIELA CRISTINA LEOTE
Imagem C
Você percebeu que nas três imagens anteriores está representada a relação entre sujeito e linguagem.
Iniciaremos dizendo que a concepção de texto está diretamente ligada à concepção de linguagem. Dito
isto, existem três possíveis formas de compreender a linguagem e em cada uma das imagens anteriores
está presente cada uma dessas.
Na imagem A, podemos observar que a linguagem traduz o pensamento do sujeito, logo, o texto
surgiria como um produto da expressão do pensamento do falante. Já na imagem B, o texto se constitui
um instrumento de comunicação entre aquele que fala/escreve e aquele que ouve/lê. O texto é
considerado, dessa forma, um produto dessa codificação entre emissor e receptor, um instrumento de
comunicação apenas, pois carrega uma mensagem emitida a ser decodificada. Por fim, a imagem C traz
uma concepção mais alargada da linguagem, uma vez que é por meio dela que os sujeitos constituem
seus falares e se constituem como sujeitos no momento da interação em sociedade. O texto torna-se um
lugar de interação entre eles.
Ao trabalharmos a produção textual nesse material, tomamos como referência a terceira concepção
de linguagem. Por esse motivo, diremos que o texto não é algo que está apenas no domínio daquele que
escreve, e também não é apenas algo a ser decodificado por um leitor. O texto, desde sua produção, já
leva em consideração a existência de leitores e contextos de leitura, os quais irão influenciar diretamente
a organização das informações e estruturas linguísticas dentro do texto.
Dessa maneira, a escrita de qualquer texto, envolve sempre o seguinte tripé
TEXTO
AUTOR LEITOR
Toda vez que você pensar em escrever será necessário conhecer a situação bem como o provável
leitor para o qual será escrito. Isso é importante, pois o texto é interativo e vai se estruturar de acordo com
o contexto de comunicação.
Quanto mais clareza você tiver em relação às condições para a escrita do seu texto, bem como o
possível leitor, melhor você consegue estruturar seu texto.
Escrever um texto não requer apenas um domínio de regras gramaticais da linguagem, mas mobiliza
outros conhecimentos:
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KOCH, Ingedore V. e ELIAS, Vanda M. Ler e Compreender os Sentidos do Texto. São Paulo: Contexto, 2006.
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2. Conhecimento linguístico: conhecimento da língua a ser utilizada. Para que as ideias sejam
compreendidas, é necessária a organização delas através de uma boa estruturação dos elementos
linguísticos. Isso envolve o conhecimento de elementos coesivos, regras de pontuação e acentuação,
concordância e regência verbal e estruturação de tudo isso em frases e parágrafos.
3. Conhecimento interacional: conhecimento do contexto de escrita. Ao produzir um texto é
necessário conhecer a situação para a qual ele é escrito: A finalidade da escrita, a situação (formal ou
informal) e o gênero requerido (artigo, carta, ofício).
4. Conhecimento genérico: conhecimento do gênero e tipo textual em que o texto será escrito. Na
escrita de um texto sempre organizamos um determinado conteúdo temático dentro de uma forma de
linguagem a partir de um estilo autoral de escrita. As várias situações de comunicação em sociedade
possuem diferentes formas de organização de um texto as quais chamamos de gênero textual. Cada uma
tem uma função comunicativa e a linguagem se estrutura de uma determinada forma. Para noticiarmos
um fato, utilizamos a notícia. Para instruirmos sobre a montagem de um aparelho, recorremos ao manual
de instrução. Dentro de cada um dos gêneros a linguagem pode se estruturar de acordo com diferentes
tipos textuais: narrativo (relatar fatos), descritivo (caracterizar objetos, lugares e situações), expositivo
(expor conceitos e informações), argumentativo (defender pontos de vista fundamentado em
argumentos).
A) Progressão Textual
Todo texto possui um tema a ser desenvolvido. Esse tema tem vários aspectos dos quais você pode
falar. Para que haja progressão textual é necessária uma continuidade no assunto, o qual deve ser
desenvolvido, explorado e ampliado. Você não deve ficar falando de um mesmo ponto do tema por todo
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http://repositorio.ipvc.pt/bitstream/20.500.11960/1811/1/Lara_Barbosa.pdf
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http://www.revistaversalete.ufpr.br/edicoes/vol1-00/Texto2Crislaine.pdf
3
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o texto sem progredir para o outro. Isso o empobrece e o torna repetitivo. A progressão envolve o
estabelecimento de relações de sentido entre as partes do texto, por meio de movimentos de retroação
(retomada do que já foi dito anteriormente) e movimentos de prospecção (desenvolvimento de novas
ideias).
B) Sequência Lógica
O texto deve ter uma sequência lógica, que são exatamente as ideias bem estruturadas que vão levar
ao leitor compreender o sentido do texto; ou seja, o que se pretende transmitir. Por isso, não pode haver
ideias ambíguas (duplo sentido) e nem contraditórias (expressando oposição) do que já fora declarado
no texto; também não pode conter frases inacabadas, incompletas ou sem sentido.
Após a definição da ideia, o parágrafo é o ponto de partida para uma boa redação. Não se faz um bom
texto sem um bom parágrafo para sustentar as ideias principais e secundárias. Chegou a hora de
fundamentar sua ideia.
C) Concisão e unidade
A concisão diz respeito à objetividade das informações apresentadas. Tudo o que for escrito em sua
redação precisa ser necessário e relevante para o desenvolvimento do tema e das ideias propostas. Nada
deve ser repetitivo, evitando assim a prolixidade (repetição desnecessária).
Além disso, todos as informações presentes no texto devem estar relacionadas ao tema principal a fim
de manter a unidade do seu texto. Qualquer parágrafo ou trecho que fuja à temática proposta, se não
estiver bem articulado por meio de recursos de coesão, prejudica a unidade.
C) Informatividade
Na sua redação é necessário que você traga informações diversas para discutir as ideias
apresentadas. Você pode utilizar dados, estudos, casos, notícias de diferentes fontes para fundamentar
suas ideias. Novamente reforçamos a importância de um hábito de leitura constante para a
realização de uma boa escrita.
D) Coesão e Coerência
A coesão e a coerência diz respeito à organização das ideias e das estruturas linguísticas nas frases,
períodos e parágrafos do texto. É interessante, antes, saber que a escrita de um texto possui um nível
mais superficial e um nível mais profundo. Observemos o esquema a seguir:
Texto
Coesão
Organização das estruturas linguísticas
Coerência
Organização das ideias
Trazemos acima uma representação dos níveis do texto. Em um nível mais superficial estão as
estruturas linguísticas, as palavras, verbos, conjunções a serem organizadas. Esse é o domínio da
coesão. Já em um nível mais profundo estão as ideias a serem estruturadas. Esse é o domínio da
coerência.
E) Clareza
A clareza é o que obtemos como resultado do bom emprego dos mecanismos de coesão, coerência e
progressão textual. Um texto claro é aquele em que as informações podem ser facilmente compreendidas,
sem problemas de contradições ou de encadeamento nas ideias. A presença da clareza pressupõe o bom
estabelecimento do tema, das ideias a serem desenvolvidas e da relação entre elas na estruturação das
frases e parágrafos.
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Questões
Assinale a alternativa em que a reescrita do trecho está adequada à língua padrão escrita e mantém
o sentido original.
(A) Entre outras, a otimização da exploração dos recursos energéticos e o aumento da confiabilidade
oferecem vantagens para a operação interligada de sistemas elétricos de potência.
(B) A operação de sistemas elétricos interligada de potência propõe benefícios para as concessionárias
de energia elétrica, dentre elas a melhoria da exploração dos recursos energéticos e o aperfeiçoamento
da confiança do sistema.
(C) A otimização da exploração dos recursos energéticos e a ampliação da confiabilidade são, entre
outras, vantagens propiciadas às concessionárias de energia elétrica pela operação interligada de
sistemas elétricos de potência.
(D) Dentre as vantagens apresentadas pelas concessionárias de energia elétrica à operação
interligada de sistemas elétricos de potência estão a melhor exploração dos recursos em termos de
energia e confiabilidade.
(E) O fato da interligação dos sistemas elétricos de potência em operação traz vantagens para as
fornecedoras de energia elétrica, tais como exploração ótima de recursos energéticos e confiança maior
nesses recursos.
02. (IFN-MG - Língua Portuguesa - FCM/2018) A essência de um bom texto reside na sustentação
da argumentação, que se dará a partir das informações apresentadas que a acompanham. No momento
da construção textual, os argumentos são essenciais. Além disso, a clareza das ideias é fundamental ao
entendimento do leitor.
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(C) Nietzsche investiga à fundo o campo da moralidade e da religião, com o intento de examinar a
base sobre a qual ergueu-se os edifícios éticos da tradição ocidental.
(D) Apresenta-se de forma dramática, em Assim falou Zaratrusta, as experiências do personagem que
dá título à obra, na qual se combina variados elementos de gênero e estilo.
(E) Para Nietzsche, a moderna sociedade de massa se caracterizaria pela tendência ao nivelamento
e à uniformização, que levaria ao conformismo e à mediocridade.
A progressão textual é um elemento que auxilia na construção de um texto com fluidez e coerência.
Nesse sentido, os termos sublinhados no início dos parágrafos dois, três e quatro
(A) não interferem na coerência e fluidez do texto, pois se subentende o autor das afirmações sem
esses recursos.
(B) ao serem substituídos por um pronome indefinido, têm o mesmo efeito, já que se referem a alguém
mencionado anteriormente.
(C) caracterizam um recurso linguístico para encadear, de forma progressiva, a ideia introduzida por
Débora Diniz, no primeiro parágrafo.
(D) não são relevantes nesse contexto relativo à coerência e à progressão porque se relacionam ao
estudo teórico da Linguística Textual.
(E) são dispensáveis para a progressão do texto, sendo, no entanto, fundamental manter “De acordo
com a especialista", no quarto parágrafo, para assinalar o fim do posicionamento.
O diabetes tipo 2, que impede as células de absorver glicose, tinha origem misteriosa até esta semana,
quando cientistas do Instituto de Pesquisa Biomédica Whitehead e da Universidade Yale, nos EUA,
divulgaram ter descoberto uma proteína que tem relação com a doença. Ao contrário do diabetes de tipo
1, adquirido na infância e na qual o sistema imunológico da pessoa ataca as células que produzem
insulina, a tipo 2, se desenvolve na fase adulta e impede que as células respondam à insulina. Esse
hormônio é secretado na corrente sanguínea pelo pâncreas quando o organismo detecta excesso de
glicose no sangue, interagindo com “receptores” na superfície das células e instruindo-as a absorver e
armazenar o excesso de glicose.
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Milhões de proteínas
O estudo, publicado na revista “Nature”, relata a descoberta de uma proteína denominada TUG. Ela
se mostrou intimamente ligada a um receptor celular de glicose, o GLUT4, único receptor da substância
que fica no interior das células (os restantes ficam em sua superfície). Quando a insulina atua nos
“receptores” da membrana celular, o GLUT4 sobe e traz a glicose para o interior da célula. Ele é, também,
o único receptor que responde exclusivamente à presença da insulina. Em pessoas com diabete tipo 2, o
GLUT4 não vai até a membrana celular, impedindo a absorção da glicose. Os cientistas Jonathan Bogan
e Harvey Lodish, autores do estudo, pesquisaram por cinco anos mais de 2,4 milhões de proteínas para
identificar qual delas atuaria na distribuição do GLUT4, chegando à TUG.
Fonte: Folha Online. Acesso em 10/2003
06. (UFSC - Jornalista - UFSC/2019). Dentre as qualidades do bom texto jornalístico estão a coerência
formal e as relações coesivas, ou coesão. No que consistem, respectivamente, essas qualidades?
(A) Reforço de consistências internas do texto; ausência de elipses e conjunções textuais.
(B) Presença do contraditório na apuração; acuidade na escolha dos tópicos frasais.
(C) Articulação clara entre temas e parágrafos; reforço de consistências internas do texto.
(D) Condição não contraditória do texto; estabelecimento de relações perceptíveis entre itens do texto.
(E) Uso de itens léxicos contíguos ou relacionados; presença do contraditório na apuração.
Gabarito
Comentários
01. Resposta C
A reescrita do trecho nessa alternativa mantém completamente o sentido original do período proposto
pela questão, bem como está adequada à língua padrão. Ao reescrever, o trecho original que estava na
voz ativa foi colocado na voz passiva com uma inversão na frase original. Dessa forma, “operação
interligada de sistemas elétricos de potência” que é sujeito na primeira versão do trecho, torna-se agente
da passiva pelo acréscimo da preposição “pela”. Enquanto “otimização da exploração dos recursos
energéticos e o aumento da confiabilidade, entre outras” que era a especificação do complemento do
verbo “proporciona” no primeiro trecho, é transformado em sujeito na reescrita do trecho. Há apenas a
substituição da palavra “aumento” pelo sinônimo “ampliação”, sem prejuízo do sentido.
02. Resposta B
Declinar de defender um ponto de vista por se tratar de tema controverso significa deixar de defender
aquela ideia por ser polêmica. Isso não faz parte da argumentação, pois o autor afirma por todo o texto
que vai espalhar notícias falsas, mesmo que elas sejam criticadas e problemáticas. Podemos confirmar
isso no trecho “Mentiras que todo mundo vai gostar de ouvir e espalhar. Não me deixe na mão. Escolha
alguma e espalhe por aí, sem dó”.
03. Resposta E
A compreensão da mensagem expressa nessa alternativa é clara. Entendemos claramente que o
nivelamento e a uniformização seriam fatores característicos da sociedade moderna de massa e isso
promoveria conformismo e mediocridade.
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04. Resposta C
Os termos “segundo ela”, “a pesquisadora” e “de acordo com a especialista” são elementos coesivos
que permitem a relação entre diferentes informações e partes do texto, sem repetição desnecessária e
sem prejuízo da clareza e progressão textual. Eles retomam a ideia da pesquisadora para acrescentar
novas informações, promovendo progressão.
05. Resposta B
Para a existência da clareza no texto, não é necessário citar o nome dos responsáveis pela descoberta
da proteína, pois o texto tem como foco trabalhar as informações relacionadas às proteínas mais
especificamente.
06. Resposta D
A coerência formal é a relação lógica entre as ideias de um texto e, para sua existência, não deve
haver contradições entre as informações relacionadas dentro do texto. Já a coesão são mecanismos de
ligação entre as partes do texto, expressos em palavras e em conjunções.
Agora que já falamos sobre as qualidades de um bom texto, sobre a estruturação das palavras e a
organização das ideias, vamos ver como organizar tudo isso dentro das frases e parágrafos para que
você consiga estruturar uma redação nota máxima.
Frase
Sentença que expressa uma mensagem. Ela pode ou não conter verbos, contudo se ela comunicar
algo, mesmo que seja apenas uma palavra, já pode ser considerada frase. Um exemplo é a palavra
“Socorro!”. Apesar de se constituir apenas um vocábulo, ela já passa uma mensagem completa.
Oração
Presença de verbo na sentença. Toda oração se estrutura em torno de um verbo. Este passa uma
mensagem e muitas vezes, para que o seu sentido esteja completo, necessita de um sujeito e de
complementos. Dizemos que a oração está na sua ordem direta quando ela aparece na ordem Sujeito -
Verbo - Complementos. No entanto, essa ordem pode ser invertida de acordo com o seu estilo de escrita
e de acordo com as informações que você desejar ressaltar.
Vamos a um exemplo: Na oração “ Eu farei a prova amanhã” encontramos a ordem direta. Porém, se
eu quiser ressaltar a informação referente ao momento em que farei a prova, posso alterar a ordem dessa
oração e escrever “Amanhã, eu farei a prova”. Se você desejar ainda destacar a informação “a prova”, é
possível também trazê-la em primeiro plano, e assim terá “Amanhã, a prova eu farei.
Período
Toda oração ou conjunto de orações que possuam um sentido completo chamamos de período. As
ideias a serem desenvolvidas em seu texto serão organizadas em períodos.
Cada um desses períodos se estrutura em torno de verbos e não deve ser muito grande. É
recomendável que um período possua no máximo umas três linhas, pois quanto maior ele for, mais fácil
de apresentar problemas. Dentre os defeitos que um período grande pode trazer encontramos:
Todo período precisa estar de certa forma completa. Por exemplo, os verbos precisam ter seus
complementos e sujeitos presentes. A junção de orações repetidamente, sem a conclusão do raciocínio,
promove a presença de períodos truncados e incompletos, o que gera um problema na estruturação do
seu texto. Isso abre margem para a presença de incoerências.
Percebe-se que a estruturação da frase ocorre de acordo com a organização das ideias e das
informações contidas no texto e com a intenção daquele que escreve. Todo o texto, orações e parágrafos
sempre refletem o projeto de texto do autor.
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Parágrafo
Parágrafo é cada unidade de informação construída ou formada no texto, a partir de um tópico frasal
(ideia central ou principal do parágrafo – é a “puxada do assunto”). O parágrafo é um dos mais importantes
componentes do texto. Todo parágrafo é uma espécie de mini texto, pois precisa possuir começo, meio
e fim. Ele se organiza sempre em torno de uma ideia principal, a qual está diretamente relacionada com
o tema principal de sua redação. Chamamos de tópico frasal o período do parágrafo que traz essa ideia
principal. Todas as informações presentes no parágrafo precisam estar relacionadas com essa ideia e
vem para desenvolvê-la.
“Não há ligação direta entre a violência urbana e a pobreza ou o racismo. Suas raízes estão lançadas,
5
na verdade, sobre uma sociedade desigual, que privilegia uma minoria, deixando todos os demais à
margem da sociedade, distante de oportunidades iguais”.
No parágrafo anterior, o trecho sublinhado constitui o tópico frasal do parágrafo e traz sua ideia
principal: a não ligação entre violência urbana e pobreza ou racismo. As outras informações contidas no
outro período vêm para justificar e desenvolver essa não relação entre esses três termos.
Tipos de parágrafo
Parágrafos curtos: próprios para textos pequenos, fabricados para leitores de pouca formação cultural.
A notícia possui parágrafos curtos em colunas estreitas, já artigos e editoriais costumam ter parágrafos mais
longos. O parágrafo curto também é empregado para movimentar o texto, no meio de longos parágrafos, ou
para enfatizar uma ideia.
Parágrafos médios: comuns em revistas e livros didáticos destinados a um leitor de nível médio. Cada
parágrafo médio construído com três períodos que ocupam de 50 a 150 palavras.
Parágrafos longos: em geral, as obras científicas e acadêmicas possuem longos parágrafos, por três
razões: os textos são grandes e consomem muitas páginas; as explicações são complexas e exigem várias
ideias e especificações, ocupando mais espaço; os leitores possuem capacidade e fôlego para acompanhá-
los.
Todas as orações que estiverem relacionadas entre si numa relação de igualdade precisam estar
estruturadas de uma maneira uniforme. A isso chamamos de paralelismo sintático. Vamos a um
exemplo para melhor entendimento
Frase sem paralelismo: Português pode ser uma matéria difícil, complicada e que não
compreendemos.
5
Disponível em: https://www.stoodi.com.br/blog/2018/06/26/topico-frasal/
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Frase com paralelismo: Português pode ser uma matéria difícil, complicada e incompreensível
Observamos no exemplo anterior que os termos separados por vírgula estão numa relação de
igualdade dentro da frase, ou seja, possuem a mesma função, são todos caracterizadores do sujeito da
frase “Português”. Desta maneira, todos eles devem aparecer com uma estrutura similar. Então, se você
usou a forma de adjetivo no primeiro e no segundo, não pode trazer o terceiro na forma de uma oração
adjetiva. É necessário que esse apareça na mesma forma que os demais, como um adjetivo e não uma
oração adjetiva.
Vejamos um exemplo de um parágrafo bem estruturado (com introdução, desenvolvimento e
conclusão):
A poluição que se verifica principalmente nas capitais do país é um problema relevante, para cuja
solução é necessária uma ação conjunta de toda a sociedade (Ideia-núcleo). O governo, por exemplo,
deve rever sua legislação de proteção ao meio ambiente, ou fazer valer as leis em vigor; o empresário
pode dar sua contribuição, instalando filtro de controle dos gases e líquidos expelidos, e a população,
utilizando menos o transporte individual e aderindo aos programas de rodízio de automóveis e caminhões,
como já ocorre em São Paulo (Ideia secundária). Medidas que venham a excluir qualquer um desses três
setores da sociedade tendem a ser inócuas no combate à poluição e apenas onerar as contas públicas
(Conclusão).
A Estrutura do Texto
Narrativo e Descritivo
Quanto aos textos narrativos, os parágrafos costumam ser caracterizados pelo predomínio dos verbos
de ação, retratando o posicionamento dos personagens mediante o desenrolar do enredo, bem como pela
indicação de elementos circunstanciais referentes à trama: quando, por que e com que ocorreram os
fatos.
Nesta modalidade, a ocorrência dos parágrafos também se atribui à transcrição do discurso direto, em
especial às falas dos personagens.
Referindo-se aos textos descritivos, sua utilização está relacionada pela minuciosa exposição dos
detalhes acerca do objeto descrito, representado por uma pessoa, objeto, animal, lugar, uma obra de arte,
dentre outros, de modo a permitir que o leitor crie o cenário em sua mente.
Colaborando na concretização destes propósitos, sobretudo pela finalidade discursiva – visando à
caracterização de algo –, há o predomínio de verbos de ligação, bem como do uso de adjetivos e de
orações coordenadas ou justapostas.
Dissertativo-Argumentativo
Dentre as redações mais propostas em concursos e vestibulares, está aquela constituída pelo tipo
textual dissertativo-argumentativo. Esse tipo de texto tem como objetivo principal a discussão e a defesa
de um ponto de vista acerca de uma temática proposta a partir de diferentes argumentos.
Para a escrita de um bom texto dissertativo-argumentativo precisamos atentar para alguns elementos
essenciais que o compõem:
Tema
Esse é o assunto proposto para a discussão na redação a ser escrita. O tema pode ser de caráter
sócio histórico, político, cultural e até mesmo filosófico. Antes de começar a escrever é necessário
estabelecer quais os aspectos desse tema serão trabalhados, quais as informações vinculadas e qual a
relação entre essas informações.
A delimitação do tema é um dos primeiros passos a serem realizados. Delimitar o tema significa
escolher o que você irá falar sobre esse tema. Por exemplo, numa redação sobre a corrupção você pode
abordar aspectos da corrupção no âmbito político ou da corrupção no âmbito das relações sociais do dia
a dia. É necessário delimitar qual faceta do tema você irá discutir.
Ainda relacionado ao tema, é importante, após a delimitação estabelecer a tese a ser defendida no
seu texto. A tese é a ideia principal em torno da qual o seu texto será construído. Ela constitui o seu
posicionamento frente ao aspecto do tema discutido. Por exemplo, em uma redação sobre a redução da
maioridade penal, você pode escolher um posicionamento contrário ou favorável a isso.
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As provas de redação podem apresentar um conjunto de textos na hora de propor um determinado
tema. Esses são conhecidos como textos de apoio ou motivadores. Eles servem como motivação para
a discussão do tema, mas não para integrar a sua redação. . Tudo o que for escrito na sua redação tem
que ser de autoria própria. É importante que as ideias propostas para discussão sejam elaboradas por
você e que as informações utilizadas para o desenvolvimento de cada uma dessas ideias tenha origem
em seus conhecimentos adquiridos previamente.
Diante disso, é essencial que entendamos a diferença existente entre estes dois elementos: Título e
Tema. Para tal, aprofundaremos mais nossos conhecimentos sobre o assunto.
TEMA TÍTULO
É geralmente uma oração com começo, meio e
Normalmente não tem verbo
fim, por isso tem sempre um verbo.
É o assunto de que trata o texto É o resumo do que você escreveu
Está inserido no texto, comentado, discutido, Aparece antes do texto, na primeira linha
trabalhado dentro do mesmo. ou em lugar específico.
Como podemos perceber, o tema é algo mais abrangente e consiste no assunto que deve ser
explorado ao longo do texto. Já o título é algo mais sintético, é como se fosse afunilando o assunto que
será posteriormente discutido. O importante é sabermos que: do tema é que se extrai o título, haja vista
que o tema é um elemento-base, fonte norteadora para os demais passos.
Existem certos temas que não revelam uma nítida objetividade, como o exposto anteriormente. É o
caso de fragmentos literários, trechos musicais, frases de efeito, entre outros. Nesse caso, exige-se mais
do leitor quanto à questão da interpretação, para daí chegar à ideia central, como podemos identificar por
meio deste excerto:
“As ideias são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que
possamos chegar à outra margem, a outra margem é o que importa”. (José Saramago)
Essa linguagem, quando analisada, leva-nos a inferir o seguinte e que este poderia ser o título:
A importância da coerência e da coesão para o sentido do texto.
Fazendo parte também dessa composição estão os temas apoiados em imagens, como é o caso de
gráficos, histórias em quadrinhos, charges e pinturas. Tal ocorrência requer o mesmo procedimento por
parte do leitor, ou seja, que ele desenvolva seu conhecimento de mundo e sua capacidade de
interpretação para desenvolver um bom texto.
O concurso ou o vestibular pode dar tanto o tema quanto o título, de acordo com Gustavo Atallah Haun.
Cabe ao redator saber manejar as duas formas.
Caso seja dado o título, este se tornará obrigatório no início da prova, centralizado, na primeira linha
(se não houver um lugar específico para ele!). Podem daí surgir duas possibilidades, o tema estar inserido
nos textos de apoio que acompanham o enunciado da questão ou do título você terá que tirar o tema.
Se for dado o tema em destaque, durante ou após o enunciado da redação, você terá que falar
especificamente dele, independente do assunto tratado nos textos de apoio.
Muitas bancas examinadoras não exigem o título. Na maioria das vezes ele é opcional. Porém, quando
for obrigatório vai ter sempre na instrução da prova: “Dê um título ao seu texto” ou “Seu texto deve ter
título” e similares. Portanto, leia com atenção as instruções da sua prova de produção textual.
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2º. Delimitação do Assunto:
- a observação de como a história elimina estruturas aparentemente eternas.
- trata-se de uma referência às instituições, comportamentos, modelos econômicos, que se modificam
no tempo.
3º. Tese: Nosso cotidiano parece cercado por estruturas fixas, imutáveis, sejam instituições, relações
de poder, formas de vida. Mas, se dermos um passo atrás e olhamos a história, o que encontramos é
uma sucessão de transformações, em que estas estruturas, que pareciam eternas, são criadas e
destruídas.
Esse foi um exemplo com tema subjetivo. Vejamos um exemplo de tema objetivo. Lê-se o tema e
imediatamente se reconhece sobre o que se pode falar no texto.
3º. Tese: Depois de as grandes potências econômicas passarem pelo período de exploração da maior
parte dos recursos naturais existentes, e pelo completo descuido com o meio ambiente, surge a
preocupação em se controlar esse processo, antes desordenado, para que se possa falar em gerações
futuras.
Argumentos
Os argumentos são as ideias utilizadas para defender essa tese proposta. Geralmente, a depender
do tamanho da redação, trabalhamos com um média de dois a três argumentos. Cada um desses é
desenvolvido com outras ideias secundárias
Os argumentos são desenvolvidos a partir de diferentes informações. A essas informações que
fundamentam os argumentos chamamos de repertório. O repertório envolve todo um saber sócio cultural,
o qual trabalha com:
Todos esses argumentos precisam estar ligados entre si e apontar para a tese a ser defendida. Para
isso, é necessário usar diferentes mecanismos de coesão para ligar as ideias e parágrafos entre si, de
modo a atingir a unidade textual.
Introdução
A introdução é o primeiro parágrafo do texto dissertativo-argumentativo. Nela você apresentará ao seu
leitor a tese a ser desenvolvida no seu parágrafo. A introdução geralmente constitui-se um único parágrafo
apenas e ali já é estabelecido esse posicionamento do autor frente ao tema proposto.
Há também a possibilidade de você já apresentar na introdução os argumentos que embasarão a sua
tese. Entretanto, eles devem ser apenas expostos sem desenvolvimento, uma vez que isso você fará na
segunda parte do texto dissertativo-argumentativo: o desenvolvimento.
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a) Tipos de Introdução
O primeiro parágrafo da redação pode ser desenvolvido de diversas maneiras, no qual pode-se utilizar
os seguintes recursos, vejamos:
Trajetória Histórica: este recurso de caracteriza por traçar uma analogia entre elementos do
passado e do presente. Já que uma analogia será apresentada, então os elementos devem ser similares;
há de haver semelhança entre os argumentos apresentados, ou seja, só usaremos a trajetória histórica,
quando houver um fato no passado que seja comparável, de alguma maneira, a outro no presente.
Quando apresentar a trajetória histórica na introdução, deve-se discutir, no desenvolvimento, cada
elemento em um só parágrafo. Não misture elementos de épocas diferentes em um mesmo parágrafo. A
trajetória histórica torna convincente a exemplificação; só se deve usar esse argumento, se houver
conhecimento que legitime a fonte histórica.
Comparação Social, Geográfica ou Histórica: também se trata de uma analogia entre elementos,
porém sem buscar a argumentação no passado, como por exemplo: comparar dois países, dois fatos,
duas personagens, enfim, comparar dois elementos, para comprovar o tema.
Lembre-se de que se trata da introdução, portanto a comparação apenas será apresentada para, no
desenvolvimento, ser discutido cada elemento da comparação em um parágrafo.
Conceito, Definição ou Situação: em alguns temas de dissertação surgem palavras-chave de
extrema importância para a argumentação. Nesses casos, pode-se iniciar a redação com o conceito ou
definição dessa palavra para posteriormente no desenvolvimento trabalhar com exemplos de
comprovação.
Contestação de uma ideia ou citação, contradizendo, em partes: quando o tema apresenta uma
ideia com a qual não se concorda inteiramente, pode-se trabalhar com este método: concordar com o
tema, em partes, ou seja, argumentar que a ideia do tema é verdadeira, mas que existem controvérsias;
discutir que o assunto do tema é polêmico, que há elementos que o comprovem, e elementos que
discordem dele, igualmente.
Não se esqueça de que o desenvolvimento tem que ser condizente com a introdução, estar em
harmonia com ela, ou seja, se trabalhar com esse método, o desenvolvimento deve conter as duas
comprovações, cada uma em um parágrafo.
Refutar o tema, contradizendo-o totalmente: refutar significa rebater os argumentos; contestar as
asserções; não concordar com algo; reprovar; ser contrário a algo; contrariar com provas; desmentir;
negar. Portanto refutar o tema é escrever, na introdução, ao contrário do que foi apresentado pelo tema.
Deve-se tomar muito cuidado, pois não é só escrever o contrário, mas mostrar que se é contra o que está
escrito. O ideal, nesse caso, é iniciar a introdução com “Ao contrário do que se acredita...”
Não se esqueça, novamente, de que o desenvolvimento tem que ser condizente com a introdução,
estar em harmonia com ela, ou seja, se trabalhar com esse método, o desenvolvimento deve conter
apenas elementos contrários ao tema. Cuidado para não cair em contradição. Se for, na introdução,
favorável ao tema, apresente, no desenvolvimento, apenas elementos favoráveis a ele; se for contrário,
apresente apenas elementos contrários.
Elaboração de interrogações: pode-se iniciar a redação com uma série de perguntas. Porém,
cuidado! Devem ser perguntas que levem a questionamentos e reflexões, e não perguntas vazias que
levem a nada ou apenas a respostas genéricas. As perguntas devem ser respondidas, no
desenvolvimento, com argumentações coerentes e importantes, cada uma em um parágrafo. Portanto
use esse método apenas quando já possuir as respostas, ou seja, escolha primeiramente os argumentos
que serão utilizados no desenvolvimento e elabore perguntas sobre eles, para funcionar como introdução
da dissertação.
Pode-se transformar a introdução em uma pergunta. O mesmo já citado anteriormente, mas com
apenas uma pergunta.
Elaboração de enumeras informações: quando se tem certeza de que as informações são verídicas,
podem-se usá-las na introdução e, depois, discuti-las, uma a uma, no desenvolvimento.
Caracterização de espaços ou aspectos: pode-se iniciar a introdução com uma descrição de lugares
ou de épocas, ou ainda com uma narração de fatos. Deve ser uma curta descrição ou narração, somente
para iniciar a redação de maneira interessante, curiosa. Não se empolgue! Não transforme a dissertação
em descrição, muito menos em narração.
Resumo do que será apresentado no desenvolvimento: uma das maneiras mais fáceis de elaborar
a introdução é apresentar o resumo do que se vai discutir no desenvolvimento. Nesse caso, é necessário
planejar cuidadosamente a redação toda, antes de começá-la, pois, na introdução, serão apresentados
os tópicos a serem discutidos no desenvolvimento. Deve-se tomar o cuidado para não se apresentarem
muitos tópicos, senão a dissertação será somente expositiva e não argumentativa. Cada tópico
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apresentado na introdução deve ser discutido no desenvolvimento em um parágrafo inteiro. Não se devem
misturá-los em um parágrafo só, nem utilizar dois ou mais parágrafos, para se discutir um mesmo assunto.
O ideal é que sejam apresentados somente dois ou três temas para discussão.
Paráfrase: uma maneira de se elaborar a introdução é valendo-se da paráfrase, que consiste em
reescrever o tema, utilizando suas próprias palavras. Deve-se tomar o cuidado, para não apenas
substituírem as palavras do tema por sinônimos, pois isso será demonstração de falta de criatividade; o
melhor é reestruturar totalmente o tema, realmente utilizando "suas" palavras.
Observe o que traz o Michaelis - Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, quanto à definição da
palavra paráfrase: Explicação ou tradução mais desenvolvida de um texto por meio de palavras diferentes
das nele empregadas. Portanto sua frase deve ser mais desenvolvida que a frase apresentada como
tema, e as palavras devem ser diferentes, e não sinônimas.
Desenvolvimento
O desenvolvimento começa, geralmente, a partir do segundo parágrafo do seu texto. Cada um dos
argumentos propostos para a defesa de sua tese se constituirá no tópico frasal de cada parágrafo do
desenvolvimento, ou seja, cada um deste irá se construir em torno de um argumento proposto para a
defesa da tese.
O desenvolvimento dos argumentos em cada um dos parágrafos se faz a partir de ideias secundárias,
as quais podem se constituir de informações diversas, de diferentes áreas do saber, o qual já
denominamos de repertório.
Além da fundamentação dos argumentos em informações das diferentes áreas do saber, é importante
que você comente e opine sobre as diferentes informações apresentadas. Lembre-se que você é o autor
do texto, então é importante que sua voz e opinião apareça por ele todo.
É importante que os mecanismos de coesão sejam empregados para ligar não só as ideias dentro
de cada um dos parágrafos, mas também entre os parágrafos. Quanto mais variado forem os recursos
coesivos empregados, melhor estruturado será o seu texto.
Os três principais erros cometidos durante a elaboração do desenvolvimento são:
1. Distanciamento do texto em relação à discussão inicial.
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2. Concentrar-se em apenas um tópico do tema e esquecer os demais.
3. Tecer muitas ideias ou informações e não conseguir organizá-las ou relacioná-las, dificultando,
assim, a linha de entendimento do leitor.
Conclusão
A conclusão, como o próprio nome já diz, é um fechamento das ideias discutidas ao longo do texto.
Existem diferentes tipos de conclusão as quais podem envolver a retomada das ideias apresentadas
e propostas de intervenção para as problemáticas discutidas. A conclusão, numa estrutura mais ortodoxa,
aparece no final do seu texto, mas não descartamos a possibilidade dela aparecer aos poucos ao longo
de cada um dos parágrafos.
Na elaboração da conclusão deve-se evitar as construções padrões como: “Portanto, como já
dissemos antes...”, “Concluindo...”, “Em conclusão, ...”.
Para uma boa compreensão textual é necessário entender a estrutura interna do texto, analisar as
ideias primárias e secundárias e verificar como elas se relacionam.
As ideias principais estão relacionadas com o tema central, o assunto núcleo; as ideias secundárias
unem-se às ideias principais e formam uma cadeia, ou seja, ocorre a explanação da ideia básica e, a
seguir, o desdobramento dessa ideia nos parágrafos seguintes, a fim de aprofundar o assunto.
Ideia principal:
Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte de ferro quando, de repente, um trem saiu
da curva, a cem metros da ponte.
Ideias secundárias:
Com isso, ele não teve tempo de correr para a frente ou para trás, mas, demonstrando grande presença
de espírito, agachou-se, segurou, com as mãos, um dos dormentes e deixou o corpo pendurado.
Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte de ferro quando, de repente, um trem saiu
da curva, a cem metros da ponte. Com isso, ele não teve tempo de correr para a frente ou para trás, mas,
demonstrando grande presença de espírito, agachou-se, segurou, com as mãos, um dos dormentes e
deixou o corpo pendurado.
Como você deve ter observado, nesse parágrafo, o narrador conta-nos um fato acontecido com seu
primo. É, pois, um parágrafo narrativo. Analisemos, agora, o parágrafo quanto à estrutura.
A ideia principal, como você pode observar, refere-se a uma ação perigosa, agravada pelo
aparecimento de um trem. As ideias secundárias complementam a ideia principal, mostrando como o
primo do narrador conseguiu sair-se da perigosa situação em que se encontrava.
Os parágrafos devem conter apenas uma ideia principal acompanhado de ideias secundárias.
Entretanto, é muito comum encontrarmos, em parágrafos pequenos, apenas a ideia principal. Veja o
exemplo:
O dia amanhecera lindo na Fazenda Santo Inácio.
Os dois filhos do sr. Soares, administrador da fazenda, resolveram aproveitar o bom tempo. Pegaram
um animal, montaram e seguiram contentes pelos campos, levando um farto lanche, preparado pela mãe.
Ideia principal
Os dois filhos do sr. Soares, administrador da fazenda, resolveram aproveitar o bom tempo.
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Ideia secundárias
Pegaram um animal, montaram e seguiram contentes pelos campos, levando um farto lanche,
preparado pela mãe.
Agora que já vimos alguns exemplos, você deve estar se perguntando: “Afinal, de que tamanho é o
parágrafo?”
O que podemos responder é que não há como apontar um padrão, no que se refere ao tamanho ou
extensão do parágrafo.
Há exemplos em que se veem parágrafos muito pequenos; outros, em que são maiores e outros, ainda,
muito extensos.
Também não há como dizer o que é certo ou errado em termos da extensão do parágrafo, pois o que
é importante mesmo, é a organização das ideias. No entanto, é sempre útil observar o que diz o dito
popular – “nem oito, nem oitenta…”.
Assim como não é aconselhável escrevermos um texto, usando apenas parágrafos muito curtos,
também não é aconselhável empregarmos os muito longos.
Essas observações são muito úteis para quem está iniciando os trabalhos de redação. Com o tempo,
a prática dirá quando e como usar parágrafos – pequenos, grandes ou muito grandes.
Até aqui, vimos que o parágrafo apresenta em sua estrutura, uma ideia principal e outras secundárias.
Isso não significa, no entanto, que sempre a ideia principal apareça no início do parágrafo. Há casos em
que a ideia secundária inicia o parágrafo, sendo seguida pela ideia principal. Veja o exemplo:
As estacas da cabana tremiam fortemente, e duas ou três vezes, o solo estremeceu violentamente sob
meus pés. Logo percebi que se tratava de um terremoto.
Observe que a ideia mais importante está contida na frase: “Logo percebi que se tratava de um
terremoto”, que aparece no final do parágrafo. As outras frases (ou ideias) apenas explicam ou
comprovam a afirmação: “as estacas tremiam fortemente, e duas ou três vezes, o solo estremeceu
violentamente sob meus pés” e estas estão localizadas no início do parágrafo.
Então, a respeito da estrutura do parágrafo, concluímos que as ideias podem organizar-se da seguinte
maneira:
Ideia principal + ideias secundárias
ou
Ideias secundárias + ideia principal
É importante frisar, também, que a ideia principal e as ideias secundárias não são ideias diferentes e,
por isso, não podem ser separadas em parágrafos diferentes. Ao selecionarmos as ideias secundárias
devemos verificar as que realmente interessam ao desenvolvimento da ideia principal e mantê-las juntas
no mesmo parágrafo. Com isso, estaremos evitando e repetição de palavras e assegurando a sua clareza.
É importante, ao termos várias ideias secundárias, que sejam identificadas aquelas que realmente se
relacionam à ideia principal. Esse cuidado é de grande valia ao se redigir parágrafos sobre qualquer
assunto.
Vamos a uma simulação do processo de construção de um texto dissertativo-argumentativo:
1. Delimite o seu tema: ele é sempre muito amplo. Escolha sobre qual ponto do tema você irá escrever.
Suponha que o tema proposto para sua redação seja A violência contra a mulher. O primeiro passo
seria delimitar esse tema, ou seja, escolher um ponto sobre ele a ser desenvolvido. Delimitaremos da
seguinte forma: A violência doméstica contra a mulher na sociedade brasileira.
2. Estabeleça as ideias principais do texto: escolha quais serão os principais pontos a serem abordados
sobre essa delimitação. Defina quais ideias serão utilizadas como centro de cada um dos parágrafos.
Pensamos da seguinte maneira:
Ideia principal 1: A violência doméstica contra a mulher na sociedade brasileira é muitas vezes
silenciosa.
Ideia principal 2: A violência doméstica contra a mulher na sociedade brasileira é um caso a ser
discutido na escola.
3. Estabelecimento das ideias secundárias: são elas que você usará para desenvolver cada uma das
principais em cada um dos parágrafos do seu desenvolvimento. Por exemplo:
Ideias secundárias para a ideia principal 1: o medo de muitas mulheres em denunciar os abusos
sofridos por conta de preconceitos e julgamentos sociais. Para enriquecer você pode citar notícias
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e casos conhecidos no Brasil relacionados a isso. Você pode discutir as leis de amparo a mulher
existentes no Brasil.
Ideias secundárias para a ideia principal 2: a discussão sobre a violência doméstica contra a
mulher já na educação básica, de forma a conscientizar quanto a sua não prática e a formas de
socorro. Podem ser citados casos e projetos já realizados no Brasil em relação a isso.
4. Distribuição das ideias entre os parágrafos do texto: Cada parágrafo é construído em torno de uma
das ideias principais escolhidas. Você deve escolher em qual parágrafo virá cada ideia principal e suas
respectivas ideias secundárias.
5. Encadeie as ideias entre si: por mais que você esteja lidando com ideias diferentes, todas elas estão
ali em função do tema principal e devem estar interligadas pelos vários mecanismos de coesão que
falaremos adiante.
6. Para a conclusão, retome sucintamente as ideias apresentadas e apresente proposta reflexivas para
a transformação dessa problemática apresentada na sua tese.
Dessa forma você evita falar apenas de um mesmo aspecto e promove uma continuidade temática no
texto com a progressão (avanço) das ideias e ainda organiza bem suas ideias de modo a garantir a
presença da coesão e da coerência..
2. Períodos e parágrafos muito extensos: o tamanho muito grande de períodos e parágrafos contribui
para uma quebra no raciocínio e pode levar a presença de orações incompletas, e problemas de
incoerência. É interessante que seu período tenha no máximo umas três linhas.
3. Copiar textos de apoio: os textos motivadores trazem dados e informações acerca da problemática
a ser tratada no texto. Você pode usá-los como referência mas não os deve copiar. Isso empobrece o seu
texto e confere ao seu repertório um tom empobrecedor.
4. Parágrafos incompletos: como já vimos, todo parágrafo se constrói em torno de uma ideia núcleo.
Todas as informações presentes no parágrafo precisam estar desenvolvidas completamente.
5. Procure ater-se ao tema: é extremamente importante que a sua redação seja escrita sobre o tema
proposto. Qualquer outro tema desenvolvido que não tenha ligação com a proposta de escrita
apresentada pela prova, pode levar o seu texto a receber notas muito baixas ou até mesmo ser zerada.
6. Atente ao tipo textual dissertativo-argumentativo: quando há sua redação que contenham narração
ou descrição. Entretanto o tipo textual que deve predominar na sua redação é a argumentação.
Questões
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02. (Câmara de Salvador/BA - Analista Legislativo Municipal – FGV/2018)
O conjunto de leis nacionais, assim como de tratados e declarações internacionais ratificadas pelos
países, busca garantir aos cidadãos o acesso pleno aos direitos conquistados. Há, no entanto, inúmeras
situações em que o Estado coloca a população em risco, estabelecendo políticas públicas autoritárias,
investindo poucos recursos nos serviços públicos essenciais e envolvendo civis em conflitos armados,
por exemplo.
Existem diversas organizações internacionais que atuam de forma a evitar que haja risco para a vida
das pessoas nesses casos, como a Anistia Internacional, a Cruz Vermelha e os Médicos sem Fronteiras.
Por meio de acordos internacionais, essas instituições conseguem atuar em regiões de conflito onde há
perigo para a população.
Os Médicos sem Fronteiras, por exemplo, nasceram de uma experiência de voluntariado em uma
guerra civil nigeriana, no fim dos anos 1960. Um grupo de médicos e jornalistas decidiu criar uma
organização que pudesse oferecer atendimento médico a toda população envolvida em conflitos e
guerras, sem que essa ação fosse entendida como uma posição política favorável ou contrária aos lados
envolvidos. Assim, seus membros conseguem chegar a regiões remotas e/ou sob forte bombardeio para
atender os que estão feridos e sob risco de vida.
Para que a imparcialidade dos Médicos sem Fronteiras seja possível, é preciso que as partes
envolvidas no conflito respeitem os direitos dos pacientes atendidos. Assim, a organização informa a
localização de suas bases e o tipo de atendimento que deve ocorrer ali; o objetivo é proporcionar uma
atuação transparente, que sublinhe o caráter humanitário da ação dos profissionais da organização.
Quando ainda estava no sétimo ano, um avião chegou à nossa cidade. Isso naqueles anos, imagine,
em 1936. Na época, era uma coisa rara. E então veio um chamado: ‘Meninas e meninos, entrem no
avião!’. Eu, como era komsomolka*, estava nas primeiras filas, claro. Na mesma hora me inscrevi no
aeroclube. Só que meu pai era categoricamente contra. Até então, todos em nossa família eram
metalúrgicos, várias gerações de metalúrgicos e operadores de altos-fornos. E meu pai achava que
metalurgia era um trabalho de mulher, mas piloto não. O chefe do aeroclube ficou sabendo disso e me
autorizou a dar uma volta de avião com meu pai. Fiz isso. Eu e meu pai decolamos, e, desde aquele dia,
ele parou de falar nisso. Gostou. Terminei o aeroclube com as melhores notas, saltava bem de
paraquedas. Antes da guerra, ainda tive tempo de me casar e ter uma filha.
Desde os primeiros dias da guerra, começaram a reestruturar nosso aeroclube: os homens foram
enviados para combater; no lugar deles, ficamos nós, as mulheres. Ensinávamos os alunos. Havia muito
trabalho, da manhã à noite. Meu marido foi um dos primeiros a ir para o front. Só me restou uma fotografia:
eu e ele de pé ao lado de um avião, com capacete de aviador… Agora vivia junto com minha filha,
passamos quase o tempo todo em acampamentos. E como vivíamos? Eu a trancava, deixava mingau
para ela, e, às quatro da manhã, já estávamos voando. Voltava de tarde, e se ela comia eu não sei, mas
estava sempre coberta daquele mingau. Já nem chorava, só olhava para mim. Os olhos dela são grandes
como os do meu marido…
No fim de 1941, me mandaram uma notificação de óbito: meu marido tinha morrido perto de Moscou.
Era comandante de voo. Eu amava minha filha, mas a mandei para ficar com os parentes dele. E comecei
a pedir para ir para o front…
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Na última noite… Passei a noite inteira de joelhos ao lado do berço…”
Antonina Grigórievna Bondareva, tenente da guarda, piloto
* komsomolka: a jovem que fazia parte do Komsomol, Juventude do Partido Comunista da União
Soviética.
(Disponível em: ALEKSIÉVITCH, Svetlana. A guerra não tem rosto de mulher. Tradução de Cecília Rosas. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.)
Gabarito
Comentários
01. Resposta D
O tópico frasal é o período que traz a ideia principal do parágrafo, em torno do qual se constrói toda a
discussão estabelecida nele.
02. Resposta: B
a) É aquela alternativa que não tem lógica se você ler o texto, até porque ao final do primeiro parágrafo
diz que o Estado põe em risco a população, e não que interfere com segurança e tranquilidade.
b) Gabarito, realmente o segundo período se opõe ao primeiro, sendo que o primeiro diz que o Estado
busca garantir aos cidadãos acesso pleno aos direitos, e logo após no segundo período diz que o próprio
Estado põe em risco a população com políticas públicas autoritárias, pouco investimento etc.
c) o 2º parágrafo cita 3 organizações (anistia internacional / cruz vermelha / médicos sem fronteiras),
nos 3º e 4º parágrafos fala somente do médico sem fronteiras;
d) não é um projeto futuro, é a realidade que acontece, é algo presente.
e) Não há relação de causa e consequência.
03. Resposta: E
“Eu era piloto…” - 1º parágrafo.
“Quando ainda estava no sétimo ano (...)” - 2º parágrafo.
“Desde os primeiros dias da guerra (...)” - 3º parágrafo.
“No fim de 1941 (...)” - 4º parágrafo.
“Na última noite (...)” - 5º parágrafo.
Com exceção do primeiro parágrafo, todos os demais buscam localizar temporariamente a narrativa
do texto.
Uma das propriedades que distinguem um texto de um amontoado de palavras é a relação entre os
elementos que os constituem. A coesão textual é a ligação entre palavras, expressões, frases ou
parágrafos para instaurar a unidade dentro de um texto.
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IMPORTANTE: Os elementos coesivos impedem a
repetição desnecessária de palavras e informações no texto.
O cão e a lebre6
Um cão de caça espantou uma lebre para fora de sua toca, mas depois de longa perseguição, ele
parou a caçada. Um pastor de cabras vendo-o parar, ridicularizou-o dizendo:
“Aquele pequeno animal é melhor corredor que você”.
O cão de caça respondeu:
“Você não vê a diferença entre nós: eu estava correndo apenas por um jantar, mas ela por sua vida.”
Moral: O motivo pelo qual realizamos uma tarefa é que vai determinar sua qualidade final.
Pode-se observar na fábula anterior alguns termos grifados. Essas palavras vêm para retomar termos
anteriores e promover ligação entre as partes do texto, criando assim a unidade. O pronome “ele” e “o”
aparecem retomando e substituindo a palavra “cão”, enquanto o pronome “ela” aparece para retomar a
palavra “lebre”. Há também a expressão “pequeno animal” que retoma “o cão de caça”. Existem outras
palavras como, por exemplo, “mas”, as quais também são consideradas coesivas, pois promovem a
ligação entre as partes do texto.
Frente a isso, podemos dizer que os mecanismos de coesão envolvem
Coesivos de substituição
A retomada e a antecipação de palavras podem existir por meio de dois tipos de relações:
Anafórica: quando o termo coesivo substituto se refere a uma palavra anterior a ele no texto.
Por exemplo:
A menina já foi embora. Ela disse que não estava se sentindo bem
Observa-se que a palavra “ela” se refere a um termo anterior “menina”, o qual o antecede,
constituindo-se um mecanismo coesivo anafórico.
Catafórica: quando o termo coesivo se refere a uma palavra posterior a ele no texto.
Observa-se que a palavra “esta” refere-se a uma informação que ainda irá aparecer no texto
“estudar mais”. Essa constitui-se um mecanismo coesivo catafórico.
http://emefmarechalbittencourthtp.blogspot.com/p/coesao.html
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I) Coesão Referencial: retomada ou antecipação por palavra gramatical
Os termos utilizados na coesão referencial são aqueles que não possuem sentido por si próprios, mas
uma função gramatical que adquire sentido no contexto de uso. São referenciais anafóricos ou catafóricos:
Exemplo
“As pessoas simplificam Machado de Assis; elas o veem como um descrente do amor e da amizade.”
O pronome pessoal “elas” recupera o substantivo pessoas; o pronome pessoal “o” retoma o nome
Machado de Assis.
b) Pronomes demonstrativos
Os pronomes demonstrativos podem ser grandes auxiliadores na construção da coesão na hora de
você escrever o seu texto. Mas é muito importante você saber utilizá-los. Por isso vamos relembrá-los:
I. Esse(a), Esse(a), Isso: pronomes utilizados para coesões anafóricas (retomada de termos anteriores)
Exemplo:
Procuro concursos no estado de São Paulo. Eu moro no interior e gostaria de continuar por aqui. Esses
me ajudariam bastante.
II. Este(a), isto: pronomes utilizados para coesões catafóricas (referência a termos posteriores). Podem
ser utilizados para coesões anafóricas em caso de termo antecedente muito próximo
Exemplo:
Para ser aprovado no concurso a solução é esta: estudar.
Não é impossível ser aprovado nas provas. Estas só requerem seu esforço.
No primeiro exemplo, o pronome “esta” vem para introduzir algo ainda a ser dito (“estudar”). Já no
segundo exemplo, “estas” retoma “provas”, termo anterior próximo.
III. Este(a)/aquele(a): esses pronomes podem ser utilizados conjuntamente para se substituir dois
termos anteriores relacionados.
Exemplo:
Tenho dois cargos em mente: professor de química e bioquímico. Almejo mais aquele do que este.
Exemplo
Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera na cátedra de Sociologia na Universidade de
São Paulo.”
Exemplo
Encontrei Lara, Joana e Maria. Todas são minhas amigas
Pode-se observar que o pronome relativo “todas” retoma os termos “Lara”, “Joana” e “Maria”.
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c) Advérbios (aqui, lá, depois).
Exemplo
“Fui ao cinema domingo e, chegando lá, fiquei desanimado com a fila.”
Exemplo
Os dois homens caminhavam pela calçada, ambos trajando roupa escura.”
Exemplo
“O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na sala de espetáculos. Curiosamente, a carteira
tinha muito dinheiro dentro, mas nem um documento sequer.”
Algumas incoerências podem surgir em função de um mau emprego dos elementos coesivos. Vejamos
alguns casos abaixo
Caso I
Exemplo
“André é meu grande amigo. Começou a namorá-la há vários meses.”
A rigor, no exemplo anterior, não se pode dizer que o pronome “la” seja um anafórico, pois não está
retomando nenhuma das palavras citadas antes. Exatamente por isso, o sentido da frase fica totalmente
prejudicado: não há possibilidade de se depreender o sentido desse pronome.
Pode ocorrer, no entanto, que o anafórico não se refira a nenhuma palavra citada anteriormente no
interior do texto, mas que possa ser inferida por certos pressupostos típicos da cultura em que se inscreve
o texto. É o caso de um exemplo como este:
Exemplo
“O casamento teria sido às 20 horas. O noivo já estava desesperado, porque eram 21 horas e ela não
havia comparecido.”
Por dados do contexto cultural, sabe-se que o pronome “ela” é um anafórico que só pode estar-se
referindo à palavra noiva. Num casamento, estando presente o noivo, o desespero só pode ser pelo atraso
da noiva (representada por “ela” no exemplo citado).
Caso II
Quando, em dado contexto, o anafórico pode referir-se a dois termos distintos, há uma ruptura de
coesão, porque ocorre uma ambiguidade insolúvel. É preciso que o texto seja escrito de tal forma que o
leitor possa determinar exatamente qual é a palavra retomada pelo anafórico.
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Exemplo
“Durante o ensaio, o ator principal brigou com o diretor por causa da sua arrogância.”
O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à palavra ator quanto a diretor.
Exemplo
“André brigou com o ex-namorado de uma amiga, que trabalha na mesma firma.”
Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao termo amiga ou a ex-namorado no exemplo
abaixo. Permutando o anafórico “que” por “o qual” ou “a qual”, essa ambiguidade seria desfeita.
II) Coesão lexical: retomada por palavra lexical - (substantivo, adjetivo ou verbo)
Utilização de palavras com sentido próprio para substituir termo anterior. Essas palavras podem ser
do mesmo campo lexical (campo de sentido) da palavra substituída ou não. Uma palavra pode ser
retomada, quer por uma repetição, quer por uma substituição por sinônimo, hiperônimo, hipônimo ou
antonomásia.
a) Sinônimo: é o nome que se dá a uma palavra que possui o mesmo sentido que outra, ou sentido
bastante aproximado: injúria e afronta, alegre e contente.
Exemplo
“Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do homem era regido por humores (fluidos
orgânicos) que percorriam, ou apenas existiam, em maior ou menor intensidade em nosso corpo. Eram
quatro os humores: o sangue, a fleuma (secreção pulmonar), a bile amarela e a bile negra. E eram
também estes quatro fluidos ligados aos quatro elementos fundamentais: ao Ar (seco), à Água (úmido),
ao Fogo (quente) e à Terra (frio), respectivamente.”
Ziraldo. In: Revista Vozes, nº3, abril de 1970, p.18.
Nesse texto, a ligação entre o segundo e o primeiro períodos se faz pela repetição da palavra humores;
entre o terceiro e o segundo se faz pela utilização do sinônimo fluidos.
b) Hiperônimo: é um termo que mantém com outro uma relação do tipo contém/está contido;
Exemplo
“Observava as estrelas, os planetas, os satélites. Os astros sempre o atraíram.”
Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo astros, que recupera os hipônimos estrelas,
planetas, satélites.
c) Hipônimo: é uma palavra que mantém com outra uma relação do tipo está contido/contém. O
significado do termo rosa está contido no de flor e o de flor contém o de rosa, pois toda rosa é uma flor,
mas nem toda flor é uma rosa. Flor é, pois, hiperônimo de rosa, e esta palavra é hipônimo daquela.
Exemplo
“O rei do futebol (=Pelé) só podia ser um brasileiro.”
“O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado numa recente minissérie de tevê.”
*Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver lutado pela liberdade na Europa e na América.
e) Repetição de palavras: A repetição do termo presidente estabelece a coesão entre o último período
e o que vem antes dele.
23
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Exemplo
“Um presidente da República tem uma agenda de trabalho extremamente carregada. Deve receber
ministros, embaixadores, visitantes estrangeiros, parlamentares; precisa a todo o momento tomar graves
decisões que afetam a vida de muitas pessoas; necessita acompanhar tudo o que acontece no Brasil e
no mundo. Um presidente deve começar a trabalhar ao raiar do dia e terminar sua jornada altas horas
da noite.”
É preciso manejar com muito cuidado a repetição de palavras, pois, se ela não for usada para criar um
efeito de sentido de intensificação, constituirá uma falha de estilo.
No trecho transcrito a seguir por exemplo, fica claro o uso da repetição da palavra vice e outras
parecidas (vicissitudes, vicejam, viciem), com a evidente intenção de ridicularizar a condição secundária
que um provável flamenguista atribui ao Vasco e ao seu Vice-presidente:
Exemplo
“Recebi por esses dias um e-mail com uma série de piadas sobre o pouco simpático Eurico Miranda.
Faltam-me provas, mas tudo leva a crer que o remetente seja um flamenguista.”
Segundo o texto, Eurico nasceu para ser vice: é vice-presidente do clube, vice-campeão carioca e bi-
vice-campeão mundial. E isso sem falar do vice no Carioca de futsal, no Carioca de basquete, no
Brasileiro de basquete e na Taça Guanabara. São vicissitudes que vicejam. Espero que não viciem.
José Roberto Torero. In: Folha de S. Paulo, 2000.
Coesivos de ligação (coesão sequencial)
Há na língua uma série de palavras ou locuções que são responsáveis pela ligação ou relação entre
segmentos do texto. Esses elementos denominam-se conectores ou operadores discursivos. Por
exemplo: visto que, até, ora, no entanto, contudo, ou seja.
Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do texto: estabelecem entre elas relações semânticas
de diversos tipos, como contrariedade, causa, consequência, condição, conclusão, etc. Essas relações
exercem função argumentativa no texto, por isso os operadores discursivos não podem ser usados
indiscriminadamente.
- Conectivo de Adição: há conectivos que ligam um conjunto de argumentos em favor de uma dada
conclusão, causando uma adição de informação: e, também, ainda, nem, não só... mas também, tanto...
como, além de, a par de.
“Se alguém pode tomar essa decisão é você. Você é o diretor da escola, é muito respeitado pelos
funcionários e também é muito querido pelos alunos.”
Somam-se três argumentos em favor da tese que é o interlocutor quem pode tomar uma dada decisão.
O último deles é introduzido por “e também”, que indica um argumento final na mesma direção
argumentativa dos precedentes.
Esses operadores introduzem novos argumentos; não significam, em hipótese nenhuma, a repetição
do que já foi dito. Ou seja, só podem ser ligados com conectores segmentos que representam uma
progressão discursiva. É possível dizer “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e continuou seu
discurso”, porque o segundo segmento indica um desenvolvimento da exposição. Não teria cabimento
usar operadores desse tipo para ligar dois segmentos como “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e
escondeu o choro que tomou conta dele”.
“Não agredi esse imbecil. Ao contrário, ajudei a separar a briga, para que ele não apanhasse.”
O argumento introduzido por ao contrário é diretamente oposto àquele de que o falante teria agredido
alguém.
24
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- Conclusão: existem operadores que marcam uma conclusão em relação ao que foi dito em dois ou
mais enunciados anteriores (geralmente, uma das afirmações de que decorre a conclusão fica implícita,
por manifestar uma voz geral, uma verdade universalmente aceita): logo, portanto, por conseguinte, pois
(o pois é conclusivo quando não encabeça a oração).
“Essa guerra é uma guerra de conquista, pois visa ao controle dos fluxos mundiais de petróleo. Por
conseguinte, não é moralmente defensável.”
Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à afirmação exposta no primeiro período.
- Comparação: outros importantes operadores discursivos são os que estabelecem uma comparação
de igualdade, superioridade ou inferioridade entre dois elementos, com vistas a uma conclusão contrária
ou favorável a certa ideia: tanto... quanto, tão... como, mais... (do) que.
“Os problemas de fuga de presos serão tanto mais graves quanto maior for a corrupção entre os
agentes penitenciários.”
O comparativo de igualdade tem no texto uma função argumentativa: mostrar que o problema da fuga
de presos cresce à medida que aumenta a corrupção entre os agentes penitenciários; por isso, os
segmentos podem até ser permutáveis do ponto de vista sintático, mas não o são do ponto de vista
argumentativo, pois não há igualdade argumentativa proposta:
“Tanto maior será a corrupção entre os agentes penitenciários quanto mais grave for o problema da
fuga de presos”.
Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a conclusões opostas: Imagine-se, por exemplo, o
seguinte diálogo entre o diretor de um clube esportivo e o técnico de futebol:
“__Precisamos promover atletas das divisões de base para reforçar nosso time.
__Qualquer atleta das divisões de base é tão bom quanto os do time principal.”
Nesse caso, o argumento do técnico é a favor da promoção, pois ele declara que qualquer atleta das
divisões de base tem, pelo menos, o mesmo nível dos do time principal, o que significa que estes não
primam exatamente pela excelência em relação aos outros.
Suponhamos, agora, que o técnico tivesse invertido os segmentos na sua fala:
“__Qualquer atleta do time principal é tão bom quanto os das divisões de base.”
Nesse caso, seu argumento seria contra a necessidade da promoção, pois ele estaria declarando que
os atletas do time principal são tão bons quanto os das divisões de base.
“Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem autorização da ONU, devem arcar sozinhos com
os custos da guerra.”
Já que inicia um argumento que dá uma justificativa para a tese de que os Estados Unidos devam
arcar sozinhos com o custo da guerra contra o Iraque.
- Contrajunção: os operadores discursivos que assinalam uma relação de contrajunção, isto é, que
ligam enunciados com orientação argumentativa contrária, são as conjunções adversativas (mas,
contudo, todavia, no entanto, entretanto, porém) e as concessivas (embora, apesar de, apesar de que,
conquanto, ainda que, posto que, se bem que).
Qual é a diferença entre as adversativas e as concessivas, se tanto umas como outras ligam
enunciados com orientação argumentativa contrária?
Nas adversativas, prevalece a orientação do segmento introduzido pela conjunção.
“O atleta pode cair por causa do impacto, mas se levanta mais decidido a vencer.”
25
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Nesse caso, a primeira oração conduz a uma conclusão negativa sobre um processo ocorrido com o
atleta, enquanto a começada pela conjunção “mas” leva a uma conclusão positiva. Essa segunda
orientação é a mais forte.
Compare-se, por exemplo, “Ela é simpática, mas não é bonita” com “Ela não é bonita, mas é simpática”.
No primeiro caso, o que se quer dizer é que a simpatia é suplantada pela falta de beleza; no segundo,
que a falta de beleza perde relevância diante da simpatia. Quando se usam as conjunções adversativas,
introduz-se um argumento com vistas à determinada conclusão, para, em seguida, apresentar um
argumento decisivo para uma conclusão contrária.
Com as conjunções concessivas, a orientação argumentativa que predomina é a do segmento não
introduzido pela conjunção.
“Embora haja conexão entre saber escrever e saber gramática, trata-se de capacidades diferentes.”
A oração iniciada por “embora” apresenta uma orientação argumentativa no sentido de que saber
escrever e saber gramática são duas coisas interligadas; a oração principal conduz à direção
argumentativa contrária.
Quando se utilizam conjunções concessivas, a estratégia argumentativa é a de introduzir no texto um
argumento que, embora tido como verdadeiro, será anulado por outro mais forte com orientação contrária.
A diferença entre as adversativas e as concessivas, portanto, é de estratégia argumentativa. Compare
os seguintes períodos:
“Por mais que o exército tivesse planejado a operação (argumento mais fraco), a realidade mostrou-
se mais complexa (argumento mais forte).”
“O exército planejou minuciosamente a operação (argumento mais fraco), mas a realidade mostrou-
se mais complexa (argumento mais forte).”
“Ele está num período muito bom da vida: começou a namorar a mulher de seus sonhos, foi promovido
na empresa, recebeu um prêmio que ambicionava havia muito tempo e, além disso, ganhou uma bolada
na loteria.”
O operador discursivo introduz o que se considera a prova mais forte de que “Ele está num período
muito bom da vida”; no entanto, essa prova é apresentada como se fosse apenas mais uma.
“Ele é um técnico retranqueiro, como aliás o são todos os que atualmente militam no nosso futebol.
O conector introduz uma generalização ao que foi afirmado: não “ele”, mas todos os técnicos do nosso
futebol são retranqueiros.
“A violência não é um fenômeno que está disseminado apenas entre as camadas mais pobres da
população. Por exemplo, é crescente o número de jovens da classe média que estão envolvidos em toda
sorte de delitos, dos menos aos mais graves.”
Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica, exemplifica a afirmação de que a violência
não é um fenômeno adstrito aos membros das “camadas mais pobres da população”.
26
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- Retificação ou Correção: há ainda os que indicam uma retificação, uma correção do que foi afirmado
antes: ou melhor, de fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras.
“Vou-me casar neste final de semana. Ou melhor, vou passar a viver junto com minha namorada.”
“A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros nas corridas de Fórmula 1 não vingou. De fato,
os interesses dos fabricantes mais uma vez prevaleceram sobre os da saúde.”
“Quando a atual oposição estava no comando do país, não fez o que exige hoje que o governo faça.
Ao contrário, suas políticas iam na direção contrária do que prega atualmente.
- Explicação: há operadores que desencadeiam uma explicação, uma confirmação, uma ilustração do
que foi afirmado antes: assim, desse modo, dessa maneira.
“O exército inimigo não desejava a paz. Assim, enquanto se processavam as negociações, atacou de
surpresa.”
- Finalidade: para, para que, a fim de, a fim de que - Introduzem frases e parágrafos que trazem a
finalidade e objetivo das informações apresentadas em períodos ou parágrafos anteriores.
- Conformidade: conforme, de acordo, segundo - Uma frase ou parágrafo traz uma norma ou uma
condição prévia para o estabelecimento da informação apresentada na outra frase ou parágrafo.
(...)
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
27
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Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes daquilo que disse a lua, isto é, antes das aspas,
fica subentendido, é omitido por ser facilmente presumível.
Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. Veja que, no exemplo abaixo, é o sujeito meu pai que
vem elidido (ou apagado) antes de sentiu e parou:
Pode ocorrer também elipse por antecipação. No exemplo que segue, aquela promoção é
complemento tanto de querer quanto de desejar, no entanto aparece apenas depois do segundo verbo:
“Ficou muito deprimido com o fato de ter sido preterido. Afinal, queria muito, desejava ardentemente
aquela promoção.”
Quando se faz essa elipse por antecipação com verbos que têm regência diferente, a coesão é
rompida. Por exemplo, não se deve dizer “Conheço e gosto deste livro”, pois o verbo conhecer rege
complemento não introduzido por preposição, e a elipse retoma o complemento inteiro, portanto teríamos
uma preposição indevida: “Conheço (deste livro) e gosto deste livro”. Em “Implico e dispenso sem dó os
estranhos palpiteiros”, diferentemente, no complemento em elipse faltaria a preposição “com” exigida pelo
verbo implicar.
Nesses casos, para assegurar a coesão, o recomendável é colocar o complemento junto ao primeiro
verbo, respeitando sua regência, e retomá-lo após o segundo por um anafórico, acrescentando a
preposição devida (Conheço este livro e gosto dele) ou eliminando a indevida (Implico com estranhos
palpiteiros e os dispenso sem dó).
Questões
CIDADANIA NO BRASIL
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vários Estados-nação se fundem em um grande Estado multinacional. A redução do poder do Estado
afeta a natureza dos antigos direitos, sobretudo dos direitos políticos e sociais.
Se os direitos políticos significam participação no governo, uma diminuição no poder do governo reduz
também a relevância do direito de participar. Por outro lado, a ampliação da competição internacional
coloca pressão sobre o custo da mão-de-obra e sobre as finanças estatais, o que acaba afetando o
emprego e os gastos do governo, do qual dependem os direitos 10 sociais. Desse modo, as mudanças
recentes têm recolocado em pauta o debate sobre o problema da cidadania, mesmo nos países em que
ele parecia estar razoavelmente resolvido.
Tudo isso mostra a complexidade do problema. O enfrentamento dessa complexidade pode ajudar a
identificar melhor as pedras no caminho da construção democrática. Não ofereço receita da cidadania.
Também não escrevo para especialistas. Faço convite a todos os que se preocupam com a democracia
para uma viagem pelos caminhos tortuosos que a cidadania tem seguido 15 no Brasil. Seguindo-lhe o
percurso, o eventual companheiro ou companheira de jornada poderá desenvolver visão própria do
problema. Ao fazê-lo, estará exercendo sua cidadania.
(http://www.do.ufgd.edu.br/mariojunior/arquivos/cidadania_brasil.pdf)
No trecho “Tudo isso mostra a complexidade do problema." (linha 12), o elemento textual “isso" possui
natureza de coesão
(A) exclusivamente sequencial.
(B) Exofórica
(C) Catafórica
(D) expletiva.
(E) referencial anafórica.
Assinale a alternativa em que o trecho reescrito da mensagem de Julieta apresenta ideia de causa.
TEXTO I
Síndrome da superioridade ilusória: quando a ignorância se disfarça de conhecimento
A superioridade é um conceito ilusório, estamos todos juntos na jornada da vida e, independentemente
do nível de instrução, salário ou treinamento, você sempre pode aprender com qualquer pessoa, mesmo
daqueles que considera "inferiores".
29
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01 A ignorância humana é o objeto de estudo de ensaios de todas as gerações:
02 De Sócrates a Darwin, muitos estudos foram realizados para determinar o que desperta o
comportamento
03 de superioridade nas pessoas, o que quase sempre resulta de um grande sentimento de falta
interior.
04 Uma das teorias mais aceitas sobre o assunto é conhecida como o efeito Dunning-Kruger.
Preparado
05 pelos psicólogos David Dunning e Justin Kruger, da Comell University, o efeito Dunning-Kruger é
um distúrbio
06 cognitivo, no qual as pessoas que são ignorantes em um determinado assunto acreditam que sabem
mais do
07 que aquelas que são estudadas e experimentadas, sem reconhecer sua própria ignorância e
limitações.
08 Essas pessoas vivem em um estado de superioridade ilusória, acreditando serem muito sábias,
mas na
09 realidade estão muito atrás daquelas que as cercam.
10 Como diz o artigo de Dunning e Kruger, publicado em 1999: "Os incompetentes são muitas vezes
11 abençoados com uma confiança inadequada, protegidos por algo que lhes parece conhecimento".
12 As pessoas que têm essa síndrome acreditam que suas habilidades são muito mais altas que a
média,
13 mesmo quando elas claramente não entendem o que estão falando. Elas não têm a humildade de
reconhecer 14 sua necessidade de melhoria. Elas também não reconhecem o potencial daqueles que as
rodeiam, pois seu
15 egoísmo as impede.
16 Você provavelmente conhece alguém assim, que vive preso em sua própria ignorância, que não
faz sua
17 parte para melhorar e ainda acredita que está acima do bem e do mal, e tem o direito de julgar
todos ao seu
18 redor.
19 Essas pessoas, que não sabem nada de um assunto, comportam-se como se fossem mestres e
tentam
20 reverter os argumentos bem planejados de estudiosos e especialistas, isso é realmente
desagradável.
]21 Para que possamos evoluir como pessoas e sociedade, devemos nos engajar em um diálogo
saudável,
22 no qual ambas as partes têm o mesmo direito de expressar suas opiniões e de serem ouvidas.
Aprender uns
23 com os outros é uma habilidade muito importante, que deve ser encorajada, afinal, não fazemos
nada por nós 24 mesmos neste mundo. Sempre podemos usar a experiência de alguém para simplificar
nossas vidas.
25 As pessoas estão se tornando mais convencidas e menos dispostas a crescer coletivamente.
26 Acreditamos que um diploma nos toma imbatíveis, infalíveis. Isso está longe da verdade, e somente
quando
27 aprendemos a reconhecer nossas limitações e nos associamos a pessoas que podem nos oferecer
o que nos
28 falta, podemos realmente evoluir.
29 A superioridade é um conceito indescritível, estamos todos juntos na jornada da vida e,
30 independentemente do nível de instrução, salário ou educação, sempre podemos aprender com
qualquer
31 pessoa, mesmo a que consideramos "inferior".
32 Devemos trabalhar para controlar o sentimento de superioridade dentro de nós mesmos e nos abrir
para
33 todas as oportunidades de crescimento que surgem quando somos humildes.
Fonte: Emozioni FeedAdaptado de. http//www.censarcontemooraneo.comisirdrcme-da-superioridade-ilusoria-quando-a-ignorancia-se-disfarca-de-
conhecimento?fixlid=lwAROv4leBmPB3W0o2M87Er4kGRtG>C2GX0kJEDcPwP7bXJEBasJ9SSau8. Acesso: 10/06/2019.
No trecho “Essas pessoas vivem em um estado de superioridade ilusória, acreditando serem muito
sábias, mas na realidade estão muito atrás daquelas que as cercam” (linhas 08 e 09), a palavra “as”, em
destaque, retoma, no período, a informação:
30
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(A) “Essas pessoas”.
(B) “pessoas”.
(C) “superioridade ilusória”.
(D) “muito sábias”.
(E) “daquelas”
31
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06. (UFAL - Engenheiro Mecânico - COPEV/UFAL/2019)
Ao invés de serem jogadores de futebol somente, quer dizer, craques da bola, alguns boleiros
aparecem antes de mais nada como craques da mídia, faturando alto tanto nos gramados como diante
das câmeras.
Escolha a opção em que as expressões podem substituir, na mesma sequência, as locuções grifadas,
sem ferir o sentido da frase.
(A) Apesar de – ou seja – assim – seja... seja
(B) Ao contrário de – isto é – sobretudo – não só...como também
(C) Além de – aliás – ao menos – portanto
(D) A fim de – bem como – principalmente – ou... ou
(E) Em vez de – afinal – até mesmo – bem como
Gabarito
Comentários
01. Resposta: B
Há função anafórica, isto é, alude ao que foi dito anteriormente. Quando Haroldo diz "isso", refere-se
a uma fala anterior de Calvin.
02. Resposta: E
O pronome isso na expressão “tudo isso” estabelece uma coesão referencial anafórica pois ele é uma
palavra quei só tem sentido dentro de um contexto de comunicação e nesse trecho ele se refere a uma
informação presente nos parágrafos anteriores: a problematização entre a redução dos direitos políticos,
os gastos do governos e a questão da cidadania.
03. Resposta: C
A conjunção “pois” em “Não tô morta, pois tomei apenas um sonífero.” estabelece um sentido de causa,
pois traz o motivo da personagem não estar morta.
04. Resposta: A
O pronome oblíquo as em “Essas pessoas vivem em um estado de superioridade ilusória, acreditando
serem muito sábias, mas na realidade estão muito atrás daquelas que as cercam” retoma a expressão
“essas pessoas” pois há a afirmação de que essas pessoas são cercadas por outras que não tem o
sentido de superioridade ilusória.
05. Resposta: B
O pronome “esse” retoma a expressão “o número de habitantes que está acima do peso” na linha 10,
pois esse pronome é utilizado especificamente para realizar coesões anafóricas (aquelas que retomam
termos anteriores).
06. Resposta: B
A conjunção “ao invés de” pode ser substituída por “ao contrário de”, pois as duas estabelecem sentido
de contrariedade. “Quer dizer” pode ser substituído por “isto é”, pois as duas expressões possuem sentido
de retificação, explicação. “Antes de mais nada” pode ser substituído por “sobretudo”, pois as duas
expressões estabelecem um sentido de priorização. “Tanto...como” pode ser substituído por “como
também”, pois estabelecem a mesma relação de comparação.
A coerência refere-se à organização lógica das informações e dos sentidos dentro do seu texto, de
forma que o raciocínio construído seja contínuo. A presença dela faz com que o texto tenha sentido para
os usuários. Ela diz respeito ao nível mais profundo do texto e caminha junto com a coesão, uma vez que
para uma boa conexão e expressão das ideias, é preciso estruturar bem as palavras, períodos e
parágrafos.
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Vamos a um exemplo:
Exemplo I
Infância
O camisolão
O jarro
O passarinho
O oceano
A vista na casa que a gente sentava no sofá
Adolescência
Aquele amor
Nem me fale
Maturidade
Velhice
Notamos, à primeira vista, a ausência de elementos de coesão, quer retomando o que foi dito antes,
quer encadeando segmentos textuais. No entanto, percebemos nele um sentido unitário, sobretudo se
soubermos que o seu título é “As quatro gares”, ou seja, as quatro estações.
Com essa informação, podemos imaginar que se trata de flashes de cada uma das quatro fases da
vida: a infância, a adolescência, a maturidade e a velhice. A primeira é caracterizada pelas descobertas
(o oceano), por ações (o jarro, que certamente a criança quebrara; o passarinho que ela caçara) e por
experiências marcantes (a visita que se percebia na sala apropriada e o camisolão que se usava para
dormir); A segunda é caracterizada por amores perdidos, de que não se quer mais falar; A terceira, pela
formalidade e pela responsabilidade indicadas pela participação formal do nascimento da filha; A quarta,
pela condescendência para com a traquinagem do neto (a quem cabe a vez de assumir a ação).
Nesse poema, os subtítulos “Infância”, “Adolescência”, “Maturidade” e “Velhice” garantem a unidade
de sentido entre os versos e promovem a coerência. Colocar a participação formal do nascimento da filha,
por exemplo, sob o título “Maturidade” dá a conotação da responsabilidade habitualmente associada ao
indivíduo adulto e cria um sentido unitário.
Quando esse sentido não pode ser alcançado por faltar relação de sentido entre as partes, lemos um
texto incoerente, como este:
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Exemplo II
A todo ser humano foi dado o direito de opção entre a mediocridade de uma vida que se acomoda e a
grandeza de uma vida voltada para o aprimoramento intelectual.
A adolescência é uma fase tão difícil que todos enfrentam. De repente vejo que não sou mais uma
“criancinha” dependente do “papai”. Chegou a hora de me decidir! Tenho que escolher uma profissão
para me realizar e ser independente financeiramente.
No país em que vivemos, que predomina o capitalismo, o mais rico sempre é quem vence!
Apud: J. A. Durigan, M. B. M. Abaurre e Y. F. Vieira (orgs).
A magia da mudança. Campinas, Unicamp, 1987, p. 53.
Nesses parágrafos, vemos três temas (direito de opção; adolescência e escolha profissional; relações
sociais sob o capitalismo) que mantêm relações muito tênues entre si. Esse fato, prejudicando a
continuidade semântica entre as partes, impede a apreensão do todo e, portanto, configura um texto
incoerente.
A natureza da coerência está relacionada a dois conceitos básicos de verdade: o extratextual e o
intratextual
O Contexto
Para uma dada unidade linguística, funciona como contexto a unidade linguística maior que ela: a
sílaba é contexto para o fonema; a palavra, para a sílaba; a oração, para a palavra; o período, para a
oração; o texto, para o período, e assim por diante.
“Um chopps, dois pastel, o polpettone do Jardim de Napoli, cruzar a Ipiranga com a Avenida São João,
o “Parmera”, o “Curíntia”, todo mundo estar usando cinto de segurança.”
À primeira vista, parece não haver nenhuma coerência na enumeração desses elementos. Quando
ficamos sabendo, no entanto, que eles fazem parte de um texto intitulado “100 motivos para gostar de
São Paulo”, o que aparentemente era caótico torna-se coerente:
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100 motivos para gostar de São Paulo
1. Um chopps
2. E dois pastel
(...)
5. O polpettone do Jardim de Napoli
(...)
30. Cruzar a Ipiranga com a av. São João
(...)
43. O “Parmera”
(...)
45. O “Curíntia”
(...)
59. Todo mundo estar usando cinto de segurança
(...)
O texto apresenta os traços culturais da cidade, e todos convergem para um único significado: a
celebração da capital do estado de São Paulo no seu aniversário. Os dois primeiros itens de nosso
exemplo referem-se a marcas linguísticas do falar paulistano; o terceiro, a um prato que tornou conhecido
o restaurante chamado Jardim de Napoli; o quarto, a um verso da música “Sampa”, de Caetano Veloso;
o sexto e o sétimo, à maneira como os dois times mais populares da cidade são denominados na variante
linguística popular; o último à obediência a uma lei que na época ainda não vigorava no resto do país.
A Situação de Comunicação
__A telefônica.
__Era hoje?
Esse diálogo não seria compreendido fora da situação de interlocução, porque deixa implícitos certos
enunciados que, dentro dela, são perfeitamente compreendidos:
O Conhecimento de Mundo
31 de março / 1º de abril
Dúvida Revolucionária
As Regras do Gênero
“O homem olhou através das paredes e viu onde os bandidos escondiam a vítima que havia sido
sequestrada.”
Essa frase é incoerente no discurso cotidiano, mas é completamente coerente no mundo criado pelas
histórias de super-heróis, em que o Super-Homem, por exemplo, tem força praticamente ilimitada; pode
voar no espaço a uma velocidade igual à da luz; quando ultrapassa essa velocidade, vence a barreira do
tempo e pode transferir-se para outras épocas; seus olhos de raios X permitem-lhe ver através de
qualquer corpo, a distâncias infinitas, etc.
Nosso conhecimento de mundo não é restrito ao que efetivamente existe, ao que se pode ver, tocar,
etc.: ele inclui também os mundos criados pela linguagem nos diferentes gêneros de texto, ficção
científica, contos maravilhosos, mitos, discurso religioso, etc., regidos por outras lógicas. Assim, o que é
incoerente num determinado gênero não o é, necessariamente, em outro.
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Sentido Não Literal
“As verdes ideias incolores dormem, mas poderão explodir a qualquer momento.”
Tomando em seu sentido literal, esse texto é absurdo, pois, nessa acepção, o termo ideias não pode
ser qualificado por adjetivos de cor; não se podem atribuir ao mesmo ser, ao mesmo tempo, as qualidades
verde e incolor; o verbo dormir deve ter como sujeito um substantivo animado.
No entanto, se entendermos ideias verdes em sentido não literal, como concepções ambientalistas, o
período pode ser lido da seguinte maneira: “As ideias ambientalistas sem atrativo estão latentes, mas
poderão manifestar-se a qualquer momento.”
O Intertexto
Muitos textos retomam outros, constroem-se com base em outros e, por isso, só ganham coerência
nessa relação com o texto sobre o qual foram construídos, ou seja, na relação de intertextualidade. É o
caso desse poema.
Para compreendê-lo, é preciso saber que Alberto Caeiro é um dos heterônimos do poeta Fernando
Pessoa; que heterônimo não é pseudônimo, mas uma individualidade lírica distinta da do autor (o
ortônimo); que para Caeiro o real é a exterioridade e não devemos acrescentar-lhe impressões subjetivas;
que sua posição é antimetafísica; que não devemos interpretar a realidade pela inteligência, pois essa
interpretação conduz a simples conceitos vazios, em síntese, é preciso ter lido textos de Caeiro.
Por outro lado, é preciso saber que o ortônimo (Fernando Pessoa ele mesmo) exprime suas emoções,
falando da solidão interior, do tédio, etc.
Incoerência Proposital
Existem textos em que há uma quebra proposital da coerência, com vistas a produzir determinado
efeito de sentido, assim como existem outros que fazem da não coerência o próprio princípio constitutivo
da produção de sentido.
Poderia alguém perguntar, então, se realmente existe texto incoerente. Sem dúvida existe: é aquele
em que a incoerência é produzida involuntariamente, por inabilidade, descuido ou ignorância do
enunciador, e não usada funcionalmente para construir certo sentido.
Quando se trata de incoerência proposital, o enunciador dissemina pistas no texto, para que o leitor
perceba que ela faz parte de um programa intencionalmente direcionado para veicular determinado tema.
Se, por exemplo, num texto que mostra uma festa muito luxuosa, aparecem figuras como pessoas
comendo de boca aberta, falando em voz muito alta e em linguagem chula, ostentando suas últimas
aquisições, o enunciador certamente não está querendo manifestar o tema do luxo, do requinte, mas o
da vulgaridade dos novos-ricos.
Para ficar no exemplo da festa: em filmes como “Quero ser grande” (Big, dirigido por Penny Marshall
em 1988, com Tom Hanks) e “Um convidado bem trapalhão” (The party, Blake Edwards, 1968, com Peter
Sellers), há cenas em que os respectivos protagonistas exibem comportamento incompatível com a
ocasião, mas não há incoerência nisso, pois todo o enredo converge para que o espectador se solidarize
com eles, por sua ingenuidade e falta de traquejo social.
Mas, se aparece num texto uma figura incoerente uma única vez, o leitor não pode ter certeza de que
se trata de uma quebra de coerência proposital, com vistas a criar determinado efeito de sentido, vai
pensar que se trata de contradição devida a inabilidade, descuido ou ignorância do enunciador.
Dissemos também que há outros textos que fazem da inversão da realidade seu princípio constitutivo;
da incoerência, um fator de coerência. São exemplos as obras de Lewis Carrol “Alice no país das
maravilhas” e “Através do espelho”, que pretendem apresentar paradoxos de sentido, subverter o
princípio da realidade, mostrar as aporias da lógica, confrontar a lógica do senso comum com outras.
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Reproduzimos um poema de Manuel Bandeira que contém mais de um exemplo do que foi abordado:
Teresa
Para percebermos a coerência desse texto, é preciso, no mínimo, que nosso conhecimento de mundo
inclua o poema:
O Adeus de Teresa
Para identificarmos a relação de intertextualidade entre eles; que tenhamos noção da crítica do
Modernismo às escolas literárias precedentes, no caso, ao Romantismo, em que nenhuma musa seria
tratada com tanta cerimônia e muito menos teria “cara”; que façamos uma leitura não literal; que
percebamos sua lógica interna, criada pela disseminação proposital de elementos que pareceriam
absurdos em outro contexto.
Princípios da coerência7
Para que um texto seja coerente, existem alguns princípios básicos que precisam ser considerados
1. Princípio da não contradição: as ideias relacionadas dentro de um texto não podem ser
contraditórias. Embora haja momentos em que você queira estabelecer uma relação de contradição, essa
precisa fazer sentido.
2. Princípio da não tautologia: não devem existir repetições desnecessárias em um bom texto. Evitar
repetição excessiva de uma mesma palavra ou ideia.
3. Princípio da relevância: todas as informações presentes no texto precisam ser necessárias para o
desenvolvimento da temática principal do texto. Qualquer informação que não esteja relacionada com o
fio condutor temático ou com as ideias ali presentes, não é relevante e pode ser descartada.
Níveis de Coerência8
Existem diferentes tipos de coerência, as quais são pensadas de acordo com os diferentes pontos de
vista para o qual olhamos para a linguagem.
7
Disponível em: https://www.estudopratico.com.br/coerencia-textual/
8
FIORIN, platão, para entender o texto, Ática, 1992.
37
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Coerência Narrativa
Consiste no respeito às implicações lógicas entre as partes de um texto predominantemente do tipo
narrativo. Por exemplo, para que um sujeito realize uma ação, é preciso que ele tenha competência para
tanto, ou seja, que saiba e possa efetuá-la. Constitui, então, incoerência narrativa o seguinte exemplo:
Lá dentro havia uma fumaça, e essa fumaça não deixava que nós víssemos qualquer pessoa, pois era
muito intensa.
Meu colega foi à cozinha me deixando sozinho, fiquei encostado na parede da sala e fiquei observando
as pessoas que lá estavam. Na festa havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, pretas, amarelas,
altas e baixas.9
Nesse caso, a incoerência narrativa, é o fato de o sujeito não poder ver, porque a fumaça impedia,
mas ele viu.
Coerência Argumentativa
Precisa ter muita atenção ao sustentar ideias e opiniões, para que não entremos em contradição.
Coerência argumentativa é defender um ponto de vista sem entrar em contradição. Ex.: Um determinado
texto defende a ideia que todos são iguais perante à lei, posteriormente no final defende o privilégio de
algumas pessoas não estarem obrigadas a pagar impostos. Nesse caso, ocorre uma incoerência nos
argumentos. Apresenta um argumento e ao mesmo tempo vai contestá-lo.
A coerência argumentativa diz respeito às relações de implicação ou de adequação entre premissas e
conclusões ou entre afirmações e consequências.
Não há coerência, por exemplo, num raciocínio como este:
Segundo uma lei da lógica formal, não se pode concluir nada com certeza baseado em duas premissas
particulares. Dizer que muitos servidores públicos são marajás não permite concluir que qualquer um
seja.
A falta de relação entre o que se diz e o que foi dito anteriormente também constitui incoerência. É o
que se vê neste diálogo:
“__ Vereador, o senhor é a favor ou contra o pagamento de pedágio para circular no centro da cidade?
Coerência Figurativa
Compreende a articulação harmônica das figuras do texto, com base na relação de significado que
mantém entre si. As figuras devem pertencer ao mesmo tema e grupo de significado.
Por exemplo, mostrar a vida no Polo Norte, as figuras serão: neve, rena, roupas de pele. Não caberia
figuras como: palmeira, cactos, roupas de praia etc.
Coerência Temporal
Entende-se aquela que concerne à sucessão dos eventos e à compatibilidade dos enunciados do
ponto de vista de sua localização no tempo. Não se poderia, por exemplo, dizer: “O assassino foi
executado na câmara de gás e, depois, condenado à morte”.
Coerência Espacial
Diz respeito à compatibilidade dos enunciados do ponto de vista da localização no espaço. Seria
incoerente, por exemplo, o seguinte texto: “O filme ‘A Marvada Carne’ mostra a mudança sofrida por um
homem que vivia lá no interior e encanta-se com a agitação e a diversidade da vida na capital, pois aqui
já não suportava mais a mesmice e o tédio”.
Dizendo lá no interior, o enunciador dá a entender que seu pronunciamento está sendo feito de algum
lugar distante do interior; portanto ele não poderia usar o advérbio “aqui” para localizar “a mesmice” e “o
tédio” que caracterizavam a vida interiorana da personagem. Em síntese, não é coerente usar “lá” e “aqui”
para indicar o mesmo lugar.
9
FIORIN, platão, para entender o texto, Ática, 1992.
38
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Coerência Semântica
Relação lógica entre os sentidos das palavras e expressões que formam o seu texto. Por exemplo:
A prova estava muito difícil. Consegui resolver todas as questões com facilidade.
Nesse exemplo, o sentido entre as frases não combina. Há uma contradição ao afirmar que a prova
estava muito difícil e que conseguiu resolver as questões com facilidade. Para que essa incoerência seja
resolvida, é necessária uma reestruturação por meio do uso de conectivos de contradição (mas).
Coerência Sintática
Relativo à função de algum termo dentro da frase ou oração. Por exemplo:
No exemplo em questão, o pronome “onde” é usado para se referir à “amanhã”. Porém, ele só deve
ser empregado para indicações de lugar. Há, portanto, o uso errado da função desse pronome nesse
momento, constituindo-se uma incoerência
Coerência Temática
A famosa fuga ao tema. Presença de informações não condizentes ao tema proposto. Se este for a
violência na sociedade brasileira não podemos ter um parágrafo que fale apenas dos problemas de
corrupção, pois isso seria considerado uma incoerência temática.
Coerência Pragmática
Refere-se à relação lógica entre os enunciados de uma determinada situação de interação. No
exemplo abaixo percebemos essa falta de sentido e de concordância entre as informações presentes na
pergunta e na resposta concedida.
Coerência Estilística
Relativo ao uso do registro linguístico. É aquela que concerne à compatibilidade do léxico e das
estruturas morfossintáticas com a variante escolhida numa dada situação de comunicação. Ocorre
incoerência relacionada ao nível de linguagem quando, por exemplo, o enunciador utiliza um termo chulo
ou pertencente à linguagem informal num texto caracterizado pela norma culta formal. Por exemplo, numa
situação de redação oficial não podemos utilizar gírias ou até formas de escritas típicas do ambiente
digital (internetês, tais como vc, tá, entre outros).
Tanto sabemos que isso não é permitido que, quando o fazemos, acrescentamos uma ressalva: com
perdão da palavra, se me permitem dizer. Observe um exemplo de incoerência nesse nível:
“Tendo recebido a notificação para pagamento da chamada taxa do lixo, ouso dirigir-me a V. Exª,
senhora prefeita, para expor-lhe minha inconformidade diante dessa medida, porque o IPTU foi
aumentado no governo anterior, de 0,6% para 1% do valor venal do imóvel exatamente para cobrir as
despesas da municipalidade com os gastos de coleta e destinação dos resíduos sólidos produzidos pelos
moradores de nossa cidade. Francamente, achei uma sacanagem esta armação da Prefeitura: jogar mais
um gasto nas costas da gente.”
Como se vê, o léxico usado no último período do texto destoa completamente do utilizado no período
anterior. Isso se constitui uma incoerência ligada ao nível de linguagem utilizado.
Coerência Genérica
Relativo ao gênero textual. Se estamos escrevendo um artigo de opinião não podemos, por exemplo,
colocar informações sobre ingredientes e procedimentos de fazer um bolo, pois esse conteúdo não é
característico do gênero artigo de opinião, mas sim da receita.
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Progressão Temática10
É um procedimento que dá sequência a textos orais ou escritos, fazendo esse texto avançar ao mesmo
tempo em que apresenta informações novas sobre aquilo de que se fala (o tema).
O texto precisa ter uma unidade temática e, ao mesmo tempo, apresentar novas informações sobre
esse tema, mas sem mudar o tema de maneira aleatória, como estar falando sobre carro e logo em
seguida começar a falar de animais.
A organização e hierarquização das unidades semânticas do texto ocorrem através de dois eixos: tema
e rema. O tema é a base da comunicação, sobre aquilo que se fala, já o rema apresenta nova informação
que se introduz no texto.
Por meio da articulação desses dois eixos é que o texto progride. É possível que só exista um único
tema e vários remas sobre o mesmo. Porém, também é possível que o tema seja desdobrado em diversos
subtemas, também fazendo o texto avançar.
A manutenção do tema e essas formas de progressão são essenciais para a coesão e coerência e
coesão textual.
Causa e Efeito
O idioma e a música
Oficinas em bibliotecas públicas de São Paulo ensinam português com apoio da linguagem musical.
As Oficinas Musicais de Língua Portuguesa, promovidas pela revista Língua, estão tornando o
aprendizado do idioma uma experiência mais divertida para crianças e adolescentes. As palestras, que
vêm sendo realizadas desde outubro em bibliotecas públicas da capital paulista, tratam de questões
importantes da língua por meio de canções, executadas por um músico e comentadas em seguida por
um professor de português.
As análises contemplam diversos gêneros musicais do rap ao samba, passando pela MPB e pelo rock
nacional - acrescentando à aprendizagem uma linguagem mais informal e cotidiana, baseada em músicas
que tocam no rádio e na internet.
O projeto das Oficinas Musicais tem planos de chegar a outras bibliotecas em 2011, haja vista a
aceitação do público, que aprovou a mistura entre música e idioma. Para conhecer a programação do
mês, acesse www.revistalingua.com.br.
Língua Portuguesa. nov. 2010. p. 8. (P090584ES_SUP)
Após a leitura, tente identificar a causa para o aprendizado do idioma ficar mais divertido. O motivo
disso são as Oficinas Musicais de Língua Portuguesa, que tratam de questões importantes da língua por
meio de canções.
Temos aqui uma relação de causa e efeito: as aulas do idioma são realizada por meio de canções, e
o efeito disso é o aprendizado ficar mais divertido.
Questões
01. (TJ/MT - Técnico Judiciário - UFMT) A coerência refere-se aos nexos de sentido estabelecidos
entre as informações ou argumentos de um texto. A falta de coerência pode prejudicar o entendimento
do leitor. Assinale o trecho que NÃO apresenta problema de coerência.
(A) Quando eu estava vendo televisão nos EUA, as propagandas me chamaram a atenção.
(B) Andando pela calçada, o ônibus derrapou e pegou o funcionário quando entrava na livraria.
(C) Embarcou para São Paulo Maria Helena Arruda, onde ficará hospedada no luxuoso hotel Maksoud
Plaza.
(D) Desde os três anos de idade minha mãe me ensinava a ler e escrever.
10
http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/progressao-tematica.
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02. (UFRPE - Administrador - SUGEP-UFRPE)
A leitura
Várias vezes, no decorrer do último século, previu-se a morte dos livros e do hábito de ler. O avanço
do cinema, da televisão, dos videogames, da internet, tudo isso iria tornar a leitura obsoleta. No Brasil da
virada do século XX para o século XXI, o vaticínio até parecia razoável: o sistema de ensino em franco
declínio e sua tradição de fracasso na missão de formar leitores, o pouco apreço dado à instrução como
valor social fundamental e até dados muito práticos, como a falta e a pobreza de bibliotecas públicas e o
alto preço dos exemplares impressos aqui, conspiravam (conspiram, ainda) para que o contingente de
brasileiros dados aos livros minguasse de maneira irremediável. Contra todas as perspectivas, porém,
vem surgindo uma nova e robusta geração de leitores no país, movida – entre outras iniciativas – por
sucessos televisivos, como as séries Harry Potter e Crepúsculo.
Também para os cidadãos mais maduros abriram-se largas portas de entrada à leitura. A autoajuda (e
os romances com fortes tintas de autoajuda) é uma delas; os volumes que às vezes caem nas graças do
público, como A menina que roubava livros, ou os autores que têm o dom de fisgar o público com suas
histórias, são outra. E os títulos dedicados a recuperar a história do Brasil, como 1808, 1822, ou Guia
politicamente incorreto da História do Brasil, são uma terceira, e muito acolhedora, dessas portas.
É mais fácil tornar a leitura um hábito, claro, quando ela se inicia na infância. Mas qualquer idade é
boa, é favorável para adquirir esse gosto. Basta sentir aquela comichão do prazer, da curiosidade – e
então fazer um esforço para não se acomodar a uma zona de conforto, mas seguir adiante e evoluir na
leitura.
Bruno Meier. In: Graça Sette et al. Literatura – trilhas e tramas. Excerto adaptado.
Em coerência com as ideias globais expressas no Texto, um título adequado a ele poderia ser:
(A) A leitura: o impasse do descaso concedido à instrução transmitida na escola.
(B) A leitura: sinais evidentes de que surge uma nova onda de leitores.
(C) A leitura: o dom de se deixar cativar pela graça de histórias e romances.
(D) A leitura: o franco declínio do sistema de ensino brasileiro.
(E) A leitura: o acesso dos cidadãos mais maduros às suas influências.
Alunos da Universidade Princeton querem tirar o nome de Woodrow Wilson de uma das mais
importantes faculdades da instituição, a Woodrow Wilson School of Public and International Affairs. O
motivo, é claro, é o racismo.
Thomas Woodrow Wilson (1856‐1924) ocupou a Presidência dos EUA por dois mandatos (1913‐1921).
Era membro do Partido Democrata, levou o Nobel da Paz em 1919 e foi reitor da própria universidade.
Mas Wilson era inapelavelmente racista. Achava que negros não deveriam ser considerados cidadãos
plenos e tinha simpatias pela Ku Klux Klan. Merece ter seu nome cassado?
A resposta é, obviamente, “tanto faz". Um nome é só um nome e, para quem já morreu, homenagens
não costumam mesmo fazer muita diferença. De resto, discussões sobre racismo são bem‐vindas.
Receio, porém, que a demanda dos alunos caminhe perigosamente perto do anacronismo. Sim, Wilson
era racista, mas não podemos esquecer que a época também o era. O 28º presidente dos EUA não está
sozinho.
“Não sou nem nunca fui favorável a promover a igualdade social e política das raças branca e negra...
há uma diferença física entre as raças que, acredito, sempre as impedirá de viver juntas como iguais em
termos sociais e políticos. E eu, como qualquer outro homem, sou a favor de que os brancos mantenham
a posição de superioridade." Essa frase, que soa particularmente odiosa a nossos ouvidos modernos, é
de Abraham Lincoln, que, não obstante, continua sendo considerado um campeão dos direitos civis.
O problema são os americanos; eles são atavicamente racistas, dirá o observador anti-imperialista.
Talvez não. “O negro é indolente e sonhador, e gasta seu dinheiro com frivolidades e bebida". Essa pérola
é de Che Guevara. Alguns dizem que, depois, mudou de opinião. Quem não for prisioneiro de seu próprio
tempo que atire a primeira pedra.
(SCHWARTSMAN, Hélio. Folha de S. Paulo, 13 de dezembro de 2015.)
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Para que haja manutenção da coerência, consistência e sentidos textuais; assinale a reescrita correta
a seguir.
(A) “O motivo, é claro, é o racismo.” (1º§) / O motivo é claro: o racismo.
(B) “Um nome é só um nome, ...” (3º§) / Um nome é, obviamente, só o nome.
(C) “A resposta é, obviamente, ‘tanto faz’” (3º§) / A resposta, é claro, “tanto faz”.
(D) “Alguns dizem que, depois, mudou de opinião.” (5º§) / A partir daí mudou de opinião.
clubedamafalda.blogspot.com
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A respeito da linguagem da tirinha, assinale a alternativa correta.
(A) A expressão “strip tease”, presente no último quadrinho, cria um problema de coerência por se
tratar de um termo técnico.
(B) A reação da menina, no último quadrinho, deve-se ao fato de que sua mãe utiliza uma linguagem
muito técnica para explicar a queda dos dentes de leite.
(C) A palavra “negócio”, presente no primeiro quadrinho, cria um problema de coerência por se tratar
de uma gíria típica de médicos.
(D) A palavra “poing”, presente no primeiro quadrinho, é uma interjeição que indica a frustração da
menina diante do fato de que seus dentes cairão.
(E) A palavra “poing”, presente no primeiro quadrinho, é uma onomatopeia que representa a queda
dos dentes de leite.
06. (SEGEP/MA - Analista Ambiental - FCC) A maioria das pessoas pensam que vai se aposentar
cedo e desfrutar da vida, mas um estudo sugere que estamos fadados a nos aposentar cada vez mais
tarde se quisermos manter um padrão de vida razoável.
Em 2009, pesquisadores publicaram um estudo na revista Lancet e afirmaram que metade das
pessoas nascidas após o ano 2000 vai viver mais de 100 anos e três quartos vão comemorar seus 75
anos.
Até 2007 acreditávamos que a expectativa de vida das pessoas não passaria de 85 anos. Foi quando
os japoneses ultrapassaram a expectativa para 86 anos. Na verdade, a expectativa de vida nos países
desenvolvidos sobe linearmente desde 1840, indicando que ainda não atingimos um limite para o tempo
de vida máximo para um ser humano.
No início do século XX, as melhorias no controle das doenças infecciosas promoveram um aumento
na sobrevida dos humanos, principalmente das crianças. E, depois da Segunda Guerra Mundial, os
avanços da medicina no tratamento das enfermidades cardiovasculares e do câncer promoveram um
ganho para os adultos. Em 1950, a chance de alguém sobreviver dos 80 aos 90 anos era de 10%;
atualmente excede os 50%.
O que agora vai promover uma sobrevida mais longa e com mais qualidade será a mudança de hábitos.
A Dinamarca era em 1950 um dos países com a mais longa expectativa de vida. Porém, em 1980 havia
despencado para a 20a posição, devido ao tabagismo.
O controle da ingestão de sal e açúcar, e a redução dos vícios como cigarro e álcool, além de atividade
física, vão determinar uma nova onda do aumento de expectativa de vida. A própria qualidade de vida,
medida por anos de saúde plena, deve mudar para melhor nas próximas décadas.
O próximo problema a ser enfrentado é a falta de dinheiro para as últimas décadas de vida: estamos
nos aposentando muito cedo e o que juntamos não será o suficiente. Precisamos guardar 10% do salário
anual e nos aposentar aos 80 anos para que a independência econômica acompanhe a independência
física na aposentadoria.
Os pesquisadores propõem que a idade de aposentadoria seja alongada e que os sexagenários
mudem seu raciocínio: em vez de pensar na aposentadoria, que passem a mirar uma promoção.
(Adaptado de: TUMA, Rogério. Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/revista/911/o-contribuinte-secular)
... estamos fadados a nos aposentar cada vez mais tarde se quisermos manter um padrão de vida
razoável. (1o parágrafo)
Sem prejuízo da correção e da coerência, o segmento sublinhado acima pode ser substituído por
(A) caso queiramos
(B) na hipótese de quisemos
(C) como queríamos
(D) pelo fato de querermos
(E) apesar de querermos
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07. (Prefeitura de Teixeiras-MG - Assistente Social - FUNDEP/2019)
Leia o texto a seguir.
TEXTO 1
44
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impostas pelo Estado e fica à mercê da criminalidade e da ineficaz segurança pública. Entre João e Pedro
não é difícil visualizar qual é considerado "cidadão de bem" e qual não é.
Se a opinião pública encabeça, atualmente, um movimento cada vez mais punitivista, é porque se
cansou de ficar à deriva, entre um Estado que não o protege (e não o deixa se defender) e uma
criminalidade que cresce de forma exponencial. Ainda assim, toda vez que João liga a televisão, ouve
ONGs de Direitos Humanos afirmando que os presídios estão superlotados; que é preciso desencarcerar;
que os apenados sofrem com a opressão do Estado; que prisão não resolve, porque não cumpre sua
finalidade ressocializadora.
É evidente que o indivíduo vê-se exausto de "ver prosperar a desonra, de ver crescer a injustiça" e
demoniza os Direitos Humanos. Não que os Direitos Humanos em si sejam algo negativo, mas as
instituições que os representam atualmente têm deturpado as suas finalidades. Há que se reconhecer o
benefício histórico do movimento, sobretudo quando, em tempos sombrios, o Estado se excedia em face
do indivíduo. Mas é preciso ponderação.
Os indivíduos devem deixar de transgredir por princípios morais, mas também por temer as
consequências de seus atos. Se a educação não resolveu, o desvio precisa ser coibido. É preciso
prevenção, mas também repressão. Por isso,a teoria não pode, jamais, desconsiderar a prática. Atacar a
opinião pública sem analisar a sua perspectiva é injusto com quem é compelido a seguir os padrões
morais e legais impostos pela vida em sociedade. E talvez o "cidadão debem" não esteja tão errado
assim...
Hyago de Souza Otto. Disponível em: https://hyagootto.jusbrasil.com.br/artigos/421032742/o-cidadao-de-bem-os-direitos-humanos-e-a-opiniao-
publica?ref=topic_feed. Acesso em: 29/01/2019. Adaptado.
Gabarito
Comentários
01. Resposta: A
b) Andando pela calçada, o ônibus derrapou e pegou o funcionário quando entrava na livraria.
R:O ônibus derrapou e pegou o funcionário que estava andando na calçada no momento em que entrava
na livraria.
c) Embarcou para São Paulo Maria Helena Arruda, onde ficará hospedada no luxuoso hotel Maksoud
Plaza.
R: Maria Helena Arruda embarcou para São Paulo, onde ficará hospedada no luxuoso hotel Masound
Plaza.
d) Desde os quatro anos minha mãe me ensinava a ler e escrever.
R: Minha mãe me ensinava a ler e escrever desde que eu tinha quatro anos.
02. Resposta: B
b) A leitura: sinais evidentes de que surge uma nova onda de leitores.
Porque engloba o público em geral - a robusta geração de leitores (crianças, adolescentes e adultos).
Linha 6.
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a) A leitura: o impasse do descaso concedido à instrução transmitida na escola. Completamente
errada! A escola costuma incentivar o hábito da leitura ao aluno. Não é à toa que alguns colégios
distribuem livros gratuitos para os estudantes. E ainda algumas dão voucher de descontos em livrarias e
etc.
c) A leitura: o dom de se deixar cativar pela graça de histórias e romances. Errada! a leitura não é um
dom e sim um hábito! Linha 11
d) A leitura: o franco declínio do sistema de ensino brasileiro. Errada. O sistema de ensino pode está
em franco declínio, mas não é por causa da leitura. Há outros fatores que contribuem para a má
qualidade de ensino aos alunos como: AHAHA Deixa pra lá! senão irei comentar sobre política e não vai
dar certo!
e) A leitura: o acesso dos cidadãos mais maduros às suas influências. Errada. Então quer dizer que
só os cidadãos maduros podem ter acesso à leitura? E quanto as crianças e aos adolescentes? Eles não
podem ter acesso?
03. Resposta: A
A questão é ardilosa, mas a única proposição que não apresenta inclusão de novas ideias em sua
reconstrução é a primeira.
Em resposta a recurso, a Banca Examinadora argumentou: "Em 'O motivo, é claro, é o racismo.' (1º§)
a expressão separada por vírgulas 'é claro' não constitui vocativo. Vocativo é um termo acessório da
oração que serve para pôr em evidência o ser a quem nos dirigimos, sem manter relação sintática com
outro como em 'Amigos, peçam alegria a Deus.' (Amigos = vocativo), não é o que ocorre em 'é claro'. A
alternativa 'C) 'A resposta é, obviamente, ‘tanto faz'' (3º§) / A resposta, é claro, 'tanto faz'.' não pode ser
considerada correta, pois, no texto original, a expressão “tanto faz” é a resposta; já na reescrita sugerida,
não se sabe qual é a resposta, fica uma lacuna através da expressão 'tanto faz', ou seja, existe a
afirmação de que a resposta pode ser qualquer uma".
Por fim, a alternativa B apresenta duas alterações de sentido: a inclusão do advérbio obviamente,
adicionando informação ao texto, e a troca do artigo indefinido por artigo definido, alterando o sentido do
substantivo nome.
04. Resposta: A
A reescrita mais coerente e de acordo com as normas de pontuação e ortografia vigentes é a que
consta na alternativa A.
Nas demais, ocorrem os seguintes erros;
B – o verbo agir no modo imperativo afirmativo é aja e não “haja”.
C – em lugar de “por que” deveria ter sido empregado porque, uma vez que se trata de uma oração
explicativa.
D – “hexitoso” está com grafia incorreta, o correto seria hesitoso.
E – o uso do dois pontos depois de “cale” está errado e deveria ser suprimido. Deveria também haver
uma vírgula antes de “assim” ou ser suprimida a que vem logo após esse vocábulo.
05. Resposta: E
Há interjeições denominadas de "imitativas ou onomatopaicas". São aquelas que exprimem os sons
das coisas, dos objetos - zás!!, chape!, bum!
06. Resposta: A
a) CERTO. Caso (condicional) queiramos
b) ERRADO. Na hipótese (condicional) de quisermos
c) ERRADO. Como (conformativa) queríamos
d) ERRADO. Pelo fato (causal) de querermos
e) ERRADO. Apesar de (adversativa) querermos
07. Resposta B
O problema de coerência existente no cartaz refere-se à presença de contradição em dizer
primeiramente que está aberto todos os dias, e depois afirmar que há um descanso semanal na terça
feira.
08. Resposta A
A elipse dos sujeitos na verdade já se constitui um recurso coesivo que promove a boa relação entre
as ideias sem a repetição de termos desnecessários, o que gera coerência nesse trecho.
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Estética
Legibilidade
Para a construção de um bom texto, é necessária uma letra legível. A legibilidade está ligada à
capicadade de compreensão da letra e não à sua beleza.
Existem algumas conveções de escrita que necessitam ser seguidas, tais quais:
- i e j com pingo;
- c com cedilha correto = ç;
- til sobre a primeira vogal do ditongo nasal acentuado, e não ao centro das duas ou sobre a segunda
= ão;
- n e m corretos e não com aparência de u;
- não pular linhas;
- letras menores com metade do tamanho das maiores.
Margens
Um texto precisa estar alinhado tanto à margem esquerda como à direita, sem a utilização abusiva de
separações silábicas.
Sugestões:
- não deixe espaço superior a 0,3cm entre o texto e a margem estabelecida;
- separe no máximo cinco palavras em todo o texto, de forma correta. Consideram-se separações
incorretas: isolar vogais, dissílabas, palavras que comecem por h;
- separe apenas palavras que sejam pelo menos trissílabas, que comecem por consoante que não
seja h;
- separe substantivos compostos com hífen com traço lateral, e as demais palavras com traço abaixo
da última letra;
- nunca ultrapasse a margem.
Parágrafos
Pontinha de unha ou um dedo nunca foram nem nunca serão medidas padrão de um parágrafo.
Algumas sugestões para elaborar um parágrafo esteticamente ideal:
- faça recuo de 2 a 4 cm;
- não marque o início dos parágrafos;
- não deixe uma diferença superior a 0,3cm entre o recuo de um parágrafo e outro, pois isso passa ao
leitor a sensação de estarem desalinhados;
- escreva pelo menos duas frases em cada parágrafo;
- utilize no máximo 60 palavras por frase.
Fusão de letras
Escolha uma letra, cursiva ou de imprensa (letra de forma), e não misture as duas formas. Este item
também contempla a utilização incorreta de letras maiúsculas ou minúsculas. Nunca escreva o texto todo
em caixa alta.
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Alguns concursos optam pela análise grafológica, que analisa a personalidade com base na letra
cursiva. Por isso, a letra cursiva lhe dá maior segurança, já que há bancas de correção que eliminam
candidatos que utilizam letra de imprensa (letra de forma).
Rasuras
Gramática
Conteúdo
- Adequação ao tema;
- Domínio do conteúdo;
- Pertinência dos argumentos: progressão lógica da argumentação;
- Pertinência dos argumentos: consistência da argumentação;
- Originalidade.
Os pontos dispensados ao conteúdo estão diretamente relacionados a seu domínio. Por isso, a leitura
de jornais e revistas informativas e uma visão política, econômica e cultural, por exemplo, são
fundamentais para a elaboração de textos convincentes.
Tipos de Desenvolvimento
Alguns autores, porém, sugerem a organização dos conteúdos em tipos de desenvolvimento. Por
exemplo, Belline11 divide-os em dez categorias:
Causa e Consequência: Esta categoria é a organizadora de seu texto e deve ser utilizada na
montagem de sua estrutura. Atente para a enumeração dos argumentos de acordo com as tabelas:
1º argumento: causa / causa / causa / consequência.
2º argumento: causa / causa / consequência / consequência.
3º argumento: causa / consequência / consequência / consequência
Oposição: Serve também como organizadora do texto e deve ser utilizada durante a montagem da
estrutura. Para a enumeração dos argumentos, recomenda-se tomar por base o seguinte esquema:
1º argumento: Favorável / Contrário.
2º argumento: Contrário / Favorável.
3º argumento: Contrário / Favorável.
Como é possível observar, só há duas possibilidades de organizar o texto por oposição e ambas
exigem três argumentos. Com apenas dois argumentos por oposição, automaticamente haveria um
11
BELLINE. Ana Helena Cizotto. A Dissertação. Ática, 1988.
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favorável e outro contrário ao tema e, portanto, uma argumentação morna, que tanto afirma como nega,
sem posicionamento, elemento central da dissertação.
Vale lembrar que é necessário manter coerência na enumeração dos argumentos: deve-se colocar
primeiramente o que for minoria e deixar os outros dois (maioria) como segundo e terceiro argumentos,
isso facilita, inclusive, na constituição de uma ponte com a conclusão.
Tempo: é o tipo de desenvolvimento, e a categoria, que objetiva situar o leitor temporalmente. Para
tanto, a utilização de advérbios de tempo se faz obrigatória. É recomendável utilizar, no mínimo, três
advérbios temporais: "No século passado", “Em 1945”, "No dia da posse", "Às duas da tarde" etc.
Espaço: situa o leitor espacialmente e, para tanto, a utilização de advérbios de lugar também é
obrigatória. Recomenda-se o uso de, no mínimo, três advérbios espaciais: "No Brasil", "Na América
Latina", "No mundo", "No prédio do ministério", "Na Praça dos Três Poderes", "Na escola" etc.
Tempo e espaço: o objetivo é situar o leitor temporal e espacialmente. Nesse sentido, é obrigatória a
utilização de advérbios de tempo e lugar. Sugere-se, no mínimo, o uso de quatro advérbios temporais e
espaciais: "A partir de 2000, no Brasil", "No último semestre, em São Paulo", "Neste século, a América
Central", "Hoje, na Praça da Sé", "Ontem, no Maracanã" etc.
Definição: tem por objetivo explicar determinado argumento, para comprovar a tese diante do tema.
Recomenda-se o uso de, no mínimo, três verbos que indiquem definição: "entende-se por", "define-se
por", "quer dizer", "enfatiza-se", "denota".
Semelhança: desenvolvimento que tem por objetivo comparar para comprovar. Devem-se utilizar, no
mínimo, três comparações: "tão... como", “tanto quanto”, "tal qual", "assim como" etc.
Estilística
Subjetividade
Recomenda-se não utilizar a primeira pessoa nem do singular, nem do plural: se isso for feito, além de
pontuação na prova, o candidato perderá pontos no quesito "gênero textual". A dissertação é um texto
denotativo; logo, não devem ser empregadas marcas de pessoalidade, próprias apenas de textos
literários.
Incoerência ou Repetição
É aconselhável não repetir palavras das seguintes classes gramaticais: substantivo, adjetivo, verbo,
advérbio, interjeição. Lembre-se de que é possível utilizar o mesmo radical com vários afixos sinônimos,
pois o que é proibido especificamente é a repetição da flexão. Analise as ideias na argumentação, com a
finalidade de deixar o texto coerente.
Pouca Objetividade
Evite verbos de ligação, entre eles, "ser", "estar", "ficar", "permanecer", "parecer", porque apenas ligam
palavras. Após terminar o rascunho, revise a dissertação e substitua os verbos repetidos ou de ligação.
Veja algumas sugestões:
Afirmação: consistir, constituir, significar, denotar, mostrar, traduzir-se por, expressar, representar,
evidenciar...
Causalidade: causar, motivar, originar, ocasionar, gerar, propiciar, resultar, provocar, produzir,
contribuir, determinar, criar...
Finalidade: visar, ter em vista, objetivar, ter por objetivo, pretender, tencionar, cogitar, tratar, servir
para, prestar-se para...
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Oposição: opor-se, contrariar, negar, impedir, surgir em oposição, surgirem contraposição, apresentar
em oposição, ser contrário...
Coloquialismo
Evidencia características da fala na escrita. Como estratégia de avaliação, veja a seguir algumas
proibições que, se não acatadas, fazem perder pontos neste quesito.
- três usos da primeira pessoa na redação inteira;
- três usos de verbo de ligação no mesmo parágrafo;
- começar frase com gerúndio, duplo gerúndio na mesma frase, gerúndio no futuro;
- usar gírias, regionalismos etc.
Conotação ou Estrangeirismo
Já que a dissertação é um texto denotativo, informativo, formal, sugere-se a não utilização de: sentido
figurado, figuras de linguagem, funções de linguagem, estrangeirismo etc.
Adequação Vocabular12
Quem faz prova de concurso se depara sempre com este item da avaliação: adequação vocabular.
Mas o que é isso afinal?
Os dois tópicos têm peso igual, por isso, tudo deve ser rigorosamente respeitado.
O primeiro tópico refere-se ao tipo de texto que será pedido ao candidato para que ele desenvolva.
Por exemplo, se for pedida uma dissertação, o candidato deve respeitar os moldes desse tipo de texto:
tese, argumentação e conclusão separadas claramente por parágrafos objetivos com uma linguagem
culta e distanciada, sem deixar de abordar, claro, o tema apresentado pela banca.
O segundo tópico é aquele que vai conduzir a correção dos erros gráficos (correta escrita das palavras,
acentuação, hífen, separação das palavras), morfológicos (forma correta de cada palavra, sobretudo
conjugação dos verbos), sintáticos (estruturação das orações, uso correto dos complementos de cada
verbo e do sujeito), de pontuação (cuidado com aspas, dois pontos, ponto-e-vírgula, pontos de
exclamação e interrogação e principalmente vírgula) e de adequação vocabular.
Muitas palavras podem assumir significados diferentes segundo o contexto. Dizemos que elas se
encontram em sentido deslocado. É como dizia Carlos Drummond de Andrade em Procura da poesia:
“cada uma (a palavra) tem mil faces sob a face neutra”. Isso quer dizer que por meio do contexto pode-
se atribuir significados diferentes a uma mesma palavra.
Entretanto, isso não acontece à revelia. Deve-se respeitar o raio de ação da palavra em questão para
que não se cometa um erro de adequação vocabular.
Carneiro13 em seu livro Redação em Construção descreve seis critérios de adequação vocabular,
listados a seguir:
Adequação ao ponto de vista: aqui serão levados em consideração os vocábulos positivos, neutros
e negativos. Em Você me deu um café gelado, a palavra “gelado” assume valor negativo, entretanto,
assume valor positivo em Depois do trabalho vamos tomar uma cerveja gelada?
12
v https://falabonito.wordpress.com/2007/06/02/redacao-adequacao-vocabular/
13
CARNEIRO, Agostinho Dias. Redação em Construção. Moderna, 1993.
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Adequação aos interlocutores: há, nesse critério, quatro tipos de seleção vocabular: quanto à
atividade profissional com o uso dos jargões; quanto à imagem social de um dos interlocutores, ou
seja, um chefe de Estado se expressa como o que se espera de alguém que ocupa tal cargo; quanto à
idade com o uso de vocábulos modernos (luminária) ou antigos (abajur) ou quanto à origem dos
interlocutores com emprego do vocábulo regional (piá – criança).
Adequação ao código: é relevante para esse critério a correção não só ortográfica, mas também
semântica, respeitando os significados dicionarizados. Carneiro ressalta que os empregos “de moda”
devem ser evitados, pois “em nada contribuem para o real enriquecimento de um idioma” e dá um
exemplo: colocar em lugar de apresentar e assumir em lugar de responsabilizar-se:
– Vou colocar aqui um problema…
– Se der errado, eu assumo…
Somam-se a esse caso, os parônimos e os homônimos (homógrafos e homófonos).
Questões
Uma frase escrita em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa e com a mensagem da
charge é:
(A) O pai julgou a atitude do garoto inadequada e o repreendeu.
(B) O menino dirigiu-se ao avô e perguntou-o se ele pegava wi-fi.
(C) Os adultos não entenderam a dúvida do menino e censuraram-o.
(D) A pergunta que o neto fez ao avô o despertou forte indignação.
(E) O avô ficou ofendido quando o neto apontou-o a falta de wi-fi.
14
https://falabonito.wordpress.com/2007/06/02/redacao-adequacao-vocabular/ (Adaptado)
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02. (PC/PI - Agente de Polícia Civil - NUCEPE/2018)
O clichê patriótico de que o Brasil é aberto e cordial não sobrevive a dez minutos de conversa com um
desses imigrantes que aportaram no país nos últimos cinco anos. Quando a acolhida calorosa aos
estrangeiros - que também existe, é claro - e a repulsa são postas em uma balança imaginária, o
sentimento negativo é o que mais pesa no Brasil de hoje.
Xenofobia é o medo, a antipatia ou a desconfiança em relação a pessoas que vêm de fora do país. A
xenofobia à brasileira, no entanto, tem peculiaridades únicas. Ao contrário do que ocorre em outras
nações, não há, por aqui, pichações nos muros pedindo a saída dos imigrantes. Tampouco existem
partidos políticos que incluam isso em seus programas de governo. Ataques violentos contra estrangeiros
são raros e, quando ocorrem, (...) quase nunca são premeditados. (...). Manifestações xenófobas são
esporádicas, fugazes e desorganizadas. Estão em pequenos gestos cotidianos que só os estrangeiros
percebem. Tudo isso decorre de uma vantagem da miscigenação brasileira: a pouca importância que a
questão étnica tem na sociedade. (...).
Talvez por isso a hospitalidade brasileira seja claramente seletiva. A rejeição a estrangeiros é maior
em relação a pessoas de países pobres ou em desenvolvimento. Se esses imigrantes ou refugiados têm
boa qualificação profissional e competem por vagas informais ou de salários baixos, a aversão é mais
forte. (...) Por outro lado, quando os estrangeiros chegam de países desenvolvidos para ocupar vagas
com bons salários, ganham a alcunha de "expatriados" e são recebidos com admiração. (...).
A recepção de estrangeiros com dois pesos, duas medidas não é novidade na história brasileira. Ela
apenas foi exacerbada pelas novas ondas migratórias, que começaram a ganhar volume em 2010, depois
do terremoto que destruiu o Haiti. (...).
Com reportagem de Luisa Bustamante e Luiza Queiroz Publicado em VEJA de 21 de fevereiro de 2018, edição nº 2570
Site: https://veja.abril.com.br/revista-veja/um-povo-queacolhe-e-rejeita/
Xenofobia é o medo, a antipatia ou a desconfiança em relação a pessoas que vêm de fora do país. A
xenofobia à brasileira, no entanto, tem peculiaridades únicas. Ao contrário do que ocorre em outras
nações, não há, por aqui, pichações nos muros pedindo a saída dos imigrantes. Tampouco existem
partidos políticos que incluam isso em seus programas de governo. Ataques violentos contra estrangeiros
são raros e, quando ocorrem, (...) quase nunca são premeditados.
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Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas da tira devem ser preenchidas, correta e
respectivamente, com:
(A) Porque … mas … Por quê … mártir
(B) Por quê … mais … Por que … martir
(C) Porque … mas … Porque … martir
(D) Por que … mas … Porque … mártir
(E) Por que … mais … Porque … mártir
Gabarito
Comentários
01. Resposta: A
A - O pai julgou a atitude do garoto inadequada e o repreendeu. Correta
B - perguntou-lhe se ele pegava wi-fi.
C - censuram-no.
D - despertou-lhe
E - apontou-lhe a falta de wi-fi
02. Resposta: D
É uma conjunção adversativa e, por isso, expressa oposição de ideias.
03. Resposta: D
I) Na primeira lacuna, deve-se usar o por que (separado e sem acento), pois se trata de uma pergunta,
ou seja, a personagem pergunta “por que só é feriado no Tiradentes?”.
II) Na segunda lacuna, deve-se utilizar a conjunção adversativa “mas”, a qual indica uma
oposição/contraste em relação ao que foi dito anteriormente. Lembre-se que o “mais” é normalmente um
advérbio de intensidade (mais bonito).
III) Na terceira lacuna, deve-se usar o porque (junto e sem acento), pois se trata de uma
explicação/resposta, ou seja, a professora explica quem foi “Tiradentes”.
IV) Por fim, na quarta lacuna a palavra correta é “mártir”, com acento, pois temos uma paroxítona
terminada em “R”.
Lembre-se da regra clássica: todas as paroxítonas são acentuadas, exceto aquelas terminadas em A,
E, O, EM, ENS.
Também são acentuadas as paroxítonas terminadas em ditongo.
CRASE15
Crase é a superposição de dois “a”, geralmente a preposição “a” e o artigo a(s), podendo ser também
a preposição “a” e o pronome demonstrativo a(s) ou a preposição “a” e o “a” inicial dos pronomes
demonstrativos aqueles(s), aquela(s) e aquilo. Essa superposição é marcada por um acento grave (`).
Assim, em vez de escrevermos:
Entregamos a mercadoria a a vendedora.
Esta blusa é igual a a que compraste.
Eles deveriam ter comparecido a aquela festa.
Devemos sobrepor os dois “a” e indicar esse fato com um acento grave:
Entregamos a mercadoria à vendedora.
Esta blusa é igual à que compraste.
Eles deveriam ter comparecido àquela festa.
O acento grave que aparece sobre o “a” não constitui, pois, a crase, mas é um mero sinal gráfico que
indica ter havido a união de dois “a” (crase).
15
https://blog.maxieduca.com.br/crase-mandamentos/
53
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Para haver crase, é indispensável a presença da preposição “a”, que é um problema de regência. Por
isso, quanto mais conhecer a regência de certos verbos e nomes, mais fácil será para ele ter o domínio
sobre a crase.
- Antes de palavra masculina: Chegou a tempo ao trabalho; Vieram a pé; Vende-se a prazo.
- Antes de verbo: Ficamos a admirá-los; Ele começou a ter alucinações.
- Antes de artigo indefinido: Levamos a mercadoria a uma firma; Refiro-me a uma pessoa educada.
- Antes de expressão de tratamento introduzida pelos pronomes possessivos Vossa ou Sua ou
ainda da expressão Você, forma reduzida de Vossa Mercê: Enviei dois ofícios a Vossa Senhoria; Eles
queriam oferecer flores a você.
- Antes dos pronomes demonstrativos esta e essa: Não me refiro a esta carta; Os críticos não
deram importância a essa obra.
- Antes dos pronomes pessoais: Nada revelei a ela; Dirigiu-se a mim com ironia.
- Antes dos pronomes indefinidos com exceção de outra: Direi isso a qualquer pessoa; A entrada
é vedada a toda pessoa estranha. Com o pronome indefinido outra(s), pode haver crase porque ele, às
vezes, aceita o artigo definido a(s): As cartas estavam colocadas umas às outras (no masculino, ficaria
“os cartões estavam colocados uns aos outros”).
- Quando o “a” estiver no singular e a palavra seguinte estiver no plural: Falei a vendedoras desta
firma; Refiro-me a pessoas curiosas.
- Quando, antes do “a”, existir preposição: Ela compareceu perante a direção da empresa; Os
papéis estavam sob a mesa.
Exceção feita, às vezes, para até, por motivo de clareza: A água inundou a rua até à casa de Maria (=
a água chegou perto da casa); se não houvesse o sinal da crase, o sentido ficaria ambíguo: a água
inundou a rua até a casa de Maria (= inundou inclusive a casa). Quando até significa “perto de”, é
preposição; quando significa “inclusive”, é partícula de inclusão.
- Com expressões repetitivas: Tomamos o remédio gota a gota; Enfrentaram-se cara a cara.
- Com expressões tomadas de maneira indeterminada: O doente foi submetido a dieta leve (no
masc. = foi submetido a repouso, a tratamento prolongado, etc.); Prefiro terninho a saia e blusa (no masc.
= prefiro terninho a vestido).
- Antes de pronome interrogativo, não ocorre crase: A que artista te referes?
- Na expressão valer a pena (no sentido de valer o sacrifício, o esforço), não ocorre crase, pois
o “a” é artigo definido: Parodiando Fernando Pessoa, tudo vale a pena quando a alma não é pequena...
A Crase é Facultativa
Casos Especiais
- Nomes de localidades: Dentre as localidades, há as que admitem artigo antes de si e as que não o
admitem. Por aí se deduz que, diante das primeiras, desde que comprovada a presença de preposição,
pode ocorrer crase; diante das segundas, não. Para se saber se o nome de uma localidade aceita artigo,
deve-se substituir o verbo da frase pelos verbos estar ou vir. Se ocorrer a combinação “na” com o verbo
estar ou “da” com o verbo vir, haverá crase com o “a” da frase original. Se ocorrer “em” ou “de”, não
haverá crase:
Enviou seus representantes à Paraíba (estou na Paraíba; vim da Paraíba);
O avião dirigia-se a Santa Catarina (estou em Santa Catarina; vim de Santa Catarina)
54
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Dica: Vou à, volto da, crase há. Vou em, volto de, crase pra quê?
- Pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo: quando a preposição “a” surge diante
desses demonstrativos, devemos sobrepor essa preposição à primeira letra dos demonstrativos e indicar
o fenômeno mediante um acento grave: Enviei convites àquela sociedade (= a + aquela); A solução não
se relaciona àqueles problemas (= a + aqueles); Não dei atenção àquilo (= a + aquilo). A simples
interpretação da frase já nos faz concluir se o “a” inicial do demonstrativo é simples ou duplo.
Entretanto, para maior segurança, podemos usar o seguinte artifício: Substituir os demonstrativos
aquele(s), aquela(s), aquilo pelos demonstrativos este(s), esta(s), isto, respectivamente. Se, antes destes
últimos, surgir a preposição “a”, estará comprovada a hipótese do acento de crase sobre o “a” inicial dos
pronomes aquele(s), aquela(s), aquilo. Se não surgir a preposição “a”, estará negada a hipótese de crase.
Enviei cartas àquela empresa. / Enviei cartas a esta empresa; A solução não se relaciona àqueles
problemas. / A solução não se relaciona a estes problemas; Não dei atenção àquilo. / Não dei atenção a
isto.
- Palavra “casa”: quando a expressão casa significa “lar”, “domicílio” e não vem acompanhada de
adjetivo ou locução adjetiva, não há crase: Chegamos alegres a casa; Assim que saiu do escritório, dirigiu-
se a casa; Iremos a casa à noitinha. Mas, se a palavra casa estiver modificada por adjetivo ou locução
adjetiva, então haverá crase: Levaram-me à casa de Lúcia; Dirigiram-se à casa das máquinas; Iremos à
encantadora casa de campo da família Sousa.
- Palavra “terra”: Não há crase, quando a palavra terra significa o oposto a “mar”, “ar” ou “bordo”: Os
marinheiros ficaram felizes, pois resolveram ir a terra; Os astronautas desceram a terra na hora prevista.
Há crase, quando a palavra significa “solo”, “planeta” ou “lugar onde a pessoa nasceu”: O colono
dedicou à terra os melhores anos de sua vida; Voltei à terra onde nasci; Viriam à Terra os marcianos?
- Palavra “distância”: Não se usa crase diante da palavra distância, a menos que se trate de distância
determinada: Via-se um monstro marinho à distância de quinhentos metros; Estávamos à distância de
dois quilômetros do sítio, quando aconteceu o acidente.
Mas: A distância, via-se um barco pesqueiro; Olhava-nos a distância.
- Pronome Relativo: Todo pronome relativo tem um substantivo (expresso ou implícito) como
antecedente. Para saber se existe crase ou não diante de um pronome relativo, deve-se substituir esse
antecedente por um substantivo masculino. Se o “a” se transforma em “ao”, há crase diante do relativo.
Mas, se o “a” permanece inalterado ou se transforma em “o”, então não há crase: é preposição pura
ou pronome demonstrativo: A carreira à qual aspiro é almejada por muitos. (O trabalho ao qual aspiro é
almejado por muitos.); A fábrica a que me refiro precisa de empregados. (O escritório a que me refiro
precisa de empregados.).
Na passagem do antecedente para o masculino, o pronome relativo não pode ser substituído, sob
pena de falsear o resultado: A festa a que compareci estava linda (no masculino = o baile a que compareci
estava lindo). Como se viu, substituímos festa por baile, mas o pronome relativo que não foi substituído
por nenhum outro (o qual etc.).
Crase Obrigatória
- Sempre haverá crase em locuções que exprimem hora determinada: Ele saiu às treze horas e
trinta minutos; Chegamos à uma hora.
Cuidado para não confundir a, à e há com a expressão uma hora:
Disseram-me que, daqui a uma hora, Teresa telefonará de São Paulo (= faltam 60 minutos para o
telefonema de Teresa);
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Paula saiu daqui à uma hora; duas horas depois, já tinha mudado todos os seus planos (= quando ela
saiu, o relógio marcava 1 hora);
Pedro saiu daqui há uma hora (= faz 60 minutos que ele saiu).
- Quando a expressão “à moda de” (ou “à maneira de”) estiver subentendida: Nesse caso,
mesmo que a palavra subsequente seja masculina, haverá crase: No banquete, serviram lagosta à
Termidor; Nos anos 60, as mulheres se apaixonavam por homens que tinham olhos à Alain Delon.
- Quando as expressões “rua”, “loja”, “estação de rádio”, etc. estiverem subentendidas: Dirigiu-
se à Marechal Floriano (= dirigiu-se à Rua Marechal Floriano); Fomos à Renner (fomos à loja Renner);
Telefonem à Guaíba (= telefonem à rádio Guaíba).
- Quando está implícita uma palavra feminina: Esta religião é semelhante à dos hindus (= à religião
dos hindus).
- Não confundir devido com dado (a, os, as): a primeira expressão pede preposição “a”, havendo
crase antes de palavra feminina determinada pelo artigo definido. Devido à discussão de ontem, houve
um mal-estar no ambiente (= devido ao barulho de ontem, houve...); A segunda expressão não aceita
preposição “a” (o “a” que aparece é artigo definido, não havendo, pois, crase): Dada a questão primordial
envolvendo tal fato (= dado o problema primordial...); Dadas as respostas, o aluno conferiu a prova (=
dados os resultados...).
Excluída a hipótese de se tratar de qualquer um dos casos anteriores, devemos substituir a palavra
feminina por outra masculina da mesma função sintática. Se ocorrer “ao” no masculino, haverá crase no
“a” do feminino. Se ocorrer “a” ou “o” no masculino, não haverá crase no “a” do feminino. O problema,
para muitos, consiste em descobrir o masculino de certas palavras como “conclusão”, “vezes”, “certeza”,
“morte”, etc. É necessário então frisar que não há necessidade alguma de que a palavra masculina tenha
qualquer relação de sentido com a palavra feminina: deve apenas ter a mesma função sintática: Fomos
à cidade comprar carne. (ao supermercado); Pedimos um favor à diretora. (ao diretor).
Questões
56
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03. (Prefeitura de Peruíbe/SP – Secretário de Escola – VUNESP/2019)
[...]
O uso da crase em “à francesa”, expressão que nomeia a música e que significa, em outras palavras,
sair de algum evento de forma discreta, sem se despedir dos demais, justifica-se porque
A) “À francesa” constitui uma redução sintática da expressão “à moda francesa”, portanto, a crase é
necessária.
B) sair’, por se tratar de um verbo intransitivo, rege a preposição ‘a’, o que ocasiona a crase.
C) há a necessidade de diferenciar o ‘a’ antes de ‘francesa’ de um artigo. Para marcá-lo como
preposição, é necessária a crase.
D) a crase é obrigatória antes de adjetivos do gênero feminino, como é o caso de “francesa”
Gabarito
Comentários
01. Resposta B
É facultativo o uso do sinal indicativo de crase antes de pronomes possessivos femininos, tal qual o
trecho da frase “opôs a nossa pretensão”.
02. Resposta B
Ocorre crase em expressões adverbiais femininas. Há crase, portanto, na expressão adverbial ‘à noite’.
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03. Resposta A
Ocorre crase antes de palavras femininas, portanto há essa ocorrência antes da palavra feminina
‘família’.
04. Resposta A
É facultativo a ocorrência de crase após a palavra ‘até’.
05. Resposta A
Há a ocorrência de crases no uso da expressão ‘a moda de’ mesmo que esta esteja subentendida
como no texto acima ‘à francesa’.
Todo aquele16 que se comunica (falando, pintando, escrevendo, dançando, etc.) tem uma intenção
comunicativa. Ele, locutor, não está apenas querendo transmitir uma mensagem, passar uma informação,
mas interagir com outra pessoa que se vai tornar o locutário. Ou seja, o locutor tem um objetivo em mente
ao construir o seu texto e, normalmente, esse objetivo se relaciona com alguma ação. Toda palavra faz
parte de um movimento maior em torno de uma ação social.
Por exemplo, uma bula de remédios. Ela pode ser lida a qualquer momento e pelos mais variados
motivos. Ainda que a maioria considerasse absurdo, eu poderia ler uma bula de remédios antes de dormir,
para relaxar um pouco. Mas, a intenção comunicativa de uma bula de remédios é outra. Ela existe na
sociedade para que o leitor conheça adequadamente o remédio e saiba como usá-lo. O conhecimento e
a aplicação das informações da bula de remédios pode significar o restabelecimento da saúde.
Assim, uma pessoa pode até ler uma bula de remédio para se distrair porque não tem o que outra
coisa que fazer, contudo passar o tempo não é a intenção comunicativa da bula de remédios. É um uso
para a bula, mas não atende à intenção comunicativa desse gênero discursivo. Quem escreve esse texto
não o faz para que os outros passem um momento agradável de diversão.
É justamente o caso contrário do que ocorre com o filme de aventuras que alguém se assiste no
cinema, domingo à tarde, com os seus amigos. Voltados para essa necessidade, existem muitos filmes
de aventuras cuja intenção comunicativa é apenas fazer os locutários se distraírem e passar um bom
momento. Mas não existem apenas filmes de aventuras em circulação na sociedade. Outros filmes
ultrapassam esse objetivo e procuram, também, discutir valores ou criticar aspectos da identidade
humana, por exemplo.
O primeiro e, sem dúvidas, um dos maiores desafios de quem produz um texto é fazer o locutário
cooperar com a intenção comunicativa do texto produzido. Em outras palavras, fazer com que o locutário
esteja disposto a interpretar o texto de acordo com a intenção comunicativa do locutor.
Ou seja, de má vontade, sem querer participar, sem se envolver, o locutário não vai fazer o seu papel
no processo de interação comunicativa. O locutário poderá então não compreender o texto ou fazer uma
interpretação que foge aos objetivos desse texto. Ele vai ler, mas não vai interpretar adequadamente,
nem agir de acordo.
Mas por que o locutário não atenderia à intenção comunicativa do texto que lê? Isso pode acontecer
porque aquele que assume o papel de locutário não sabe (ou não deseja) realizar o trabalho de
envolvimento com o texto necessário para interpretá-lo. Assim, é muito importante ao interpretarmos um
texto, identificarmos a intenção comunicativa.
Compreendendo a intenção comunicativa do texto, podemos também escolher até que ponto
desejamos participar no processo comunicativo. Isto é, podemos envolvermo-nos mais ou menos, de
acordo com nossas necessidades, possibilidades, desejos, etc.
A escola, como instituição, no entanto, tem sido muito eficiente em 'matar' as intenções comunicativas
dos textos. Em todas os componentes curriculares. Seja por reduzir os textos a intenções distorcidas
daquelas para as que foram produzidos; seja por simplesmente ignorar o processo social que deu origem
a tais textos.
16
http://landeira-educablog.blogspot.com.br/2009/07/intencao-comunicativa.html
http://professorvallim.blogspot.com.br/2010/05/comunicacao-intencao-comunicativa.html
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Assim surgem enunciados que vão ficando famosos - em todas as disciplinas -: "Sublinhe os adjetivos
no texto a seguir" e "No texto aparece o termo 'reação bioquímica'. Defina-o".
Intenção Comunicativa
Emissor: ser que emite uma mensagem seja ela escrita ou falada, ponto de partida da comunicação.
Ex.: Escritor de um livro, falante de uma conversa, autor de uma redação.
Receptor: ser que recebe uma mensagem, seja ela escrita ou falada. Ex.: leitor de um livro, ouvinte
em uma conversa.
Canal: meio pelo qual à mensagem é enviada. Ex.: Livro, carta, e-mail, voz.
Código: conteúdo de uma mensagem escrita ou falada. Ex.: Assunto de uma conversa, livro ou carta.
Função Comunicativa
Sempre que elaboramos uma mensagem escolhemos um modo para tal, a isso damos o nome de
função comunicativa, a escolha de como elaborar uma mensagem escrita ou falada. Existem as seguintes
maneiras ou funções:
Função Comunicativa: sempre que elaboramos uma mensagem escolhemos um modo para tal, a
isso damos o nome de função comunicativa, a escolha de como elaborar uma mensagem escrita ou
falada. Existem as seguintes maneiras ou funções:
Função Emotiva: toda comunicação elaborada com uso opinativo, linguagem lírica.
Ex.: redações, poesias, biografias, tudo que envolve uma linguagem onde afloram opiniões ou
sentimentos.
Função Conotativa: essa talvez a mais usada diariamente. Definida pela adaptação da mensagem
pelo emissor ao receptor, receptores. Ex.: Um médico dialogando com seu paciente e com outros
médicos, mesmo que o assunto seja o mesmo, a maneira as palavras serão diferentes devido à
capacidade do paciente em entender termos médicos; um advogado em júri ou falando com seu cliente;
político em plenária e falando ao povo em comício.
Função Metalinguística: função que estuda à gramática ou aspectos ligados a uma Língua. Ex.:
Gramática, dicionário, questões de interpretação textuais.
Função Fática: função que apresenta uma comunicação. Ex.: Introdução de uma redação, prefácio
de uma obra literária, início de um diálogo.
Questões
A velha guerra
Goethe teve um romance passageiro com a Revolução Francesa, que liberou mais demônios do que
ele estava disposto a aceitar. Vem daí sua famosa declaração de que preferia a injustiça à desordem.
Goya foi um entusiasta de primeira hora de Napoleão mas horrorizou-se cm as atrocidades da guerra da
Espanha, que retratou com ácido e asco na sua série de gravuras “Desastres de la Guerra”. Acabou
desencantado também.
Mas o desencanto de Goethe e Goya não é o mesmo dos que lamentaram o fim da velha ordem, para
os quais a Revolução Francesa significou não a derrota do nepotismo e da injustiça mas um crime contra
a natureza do homem. Confundir ordem e normalidade com seus próprios privilégios é um velho hábito
de castas dominantes.
(Veríssimo, Jornal O Globo, 15 de setembro de 2011)
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(C) “...um entusiasta de primeira hora...” (l. 4)
(D) “...retratou com ácido e asco...” (l. 6)
(E) “Confundir ordem e normalidade com seus próprios privilégios...” (l. 11/12)
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04. (CODENI/RJ - Analista de Sistemas - MSCONCURSOS)
Em relação ao enunciado: " No meio do caminho tinha uma pedra..." que aparece tanto no anúncio
como no poema, está CORRETO afirmar que há o uso da linguagem:
(A) Metafórica em ambos.
(B) Referencial em ambos.
(C) Denotativa e conotativa, respectivamente.
(D) Conotativa e denotativa, respectivamente.
05. (PC/MG - Técnico Assistente da Polícia Civil - FUMARC) A eficácia do texto é resultado da
habilidade do emissor em:
(A) separar dados de informações.
(B) utilizar a informática de forma racional.
(C) produzir uma comunicação que alcance seu objetivo
(D) traduzir corretamente os recursos do manual administrativo.
Gabarito
Comentários
01. Resposta: E
Única frase das alternativas que foi empregada de forma denotativa é a alternativa E, todas as outras
alternativas foram empregadas de forma figurada.
02. Resposta: C
Na frase “acondicionado no algodão do destino” tem linha de linguagem conotativa.
03. Resposta: C
Não apresenta linguagem conotativa, então aparece a denotativa que é a linguagem de dicionário,
literal. Neste caso a alternativa C.
04. Resposta: C
Denotativa é a palavra no sentido original, sentido de dicionário. Aparece no primeiro texto.
Conotativo é o emprego da palavra no sentido figurado. No segundo texto, uma vez que se trata de
um poema de Carlos Drummond de Andrade, que tem uma linguagem altamente conotativa.
05. Resposta: C
Sim, a eficácia do emissor é produzir uma comunicação que alcance seu objetivo, que tenha um
resultado.
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VARIAÇÃO LINGUÍSTICA
Tipos de Variações
a) As variações de uma região para outra são chamadas variantes diatópicas. Como por exemplo:
“Abóbora” em certos locais é conhecida como “Jerimum”.
b) As variações de um grupo social para outro são chamadas variantes diastráticas. Essas variações
são muito numerosas e podem ser observadas em: gírias, jargões, linguagem dos advogados, na classe
médica, entre os skatistas, etc.
c) As variações de uma época para outra são chamadas variantes diacrônicas. Antigamente usava-
se o Vossa Mercê, depois Vos Mecê, depois Você, depois Ocê, depois o Cê, e por último, atualmente VC.
d) As variações de uma situação de comunicação para outra são denominadas variantes diafásicas.
Todos sabemos que há situações que permitem uma linguagem bem informal (uma conversa com os
amigos num bar) e outras que exigem um nível mais formal de linguagem (um jantar de cerimônia).
Cada uma dessas situações tem construções e termos apropriados. Observe no texto a seguir, retirado
do romance Agosto, de Rubem Fonseca, o uso de expressões e construções da linguagem coloquial:
Um homem magro, de bigodinho e cabelo glostorado, apareceu:
“Ah, comissário Pádua... Que prazer! Que alegria!”
“Não quero papo-furado, Almeidinha. Quero falar com dona Laura.”
“Ela no momento está muito ocupada. Não pode ser comigo?”
“Não, não pode ser com você. Dá o fora e chama logo a Laura.”
“Vou mandar servir um uisquinho.”
“Não queremos nenhum uisquinho. Chama a dona.”18
As variações que distinguem uma variante de outra se manifestam em quatro planos distintos, a saber:
fônico, morfológico, sintático e lexical.
Variações Fônicas
São as que ocorrem no modo de pronunciar os sons constituintes da palavra. Os exemplos de variação
fônica são abundantes e, ao lado do vocabulário, constituem os domínios em que se percebe com mais
nitidez a diferença entre uma variante e outra. Entre esses casos, podemos citar:
- A queda do “r” final dos verbos, muito comum na linguagem oral no português: falá, vendê, curti (em
vez de curtir), compô.
- O acréscimo de vogal no início de certas palavras: eu me alembro, o pássaro avoa, formas comuns
na linguagem clássica, hoje frequentes na fala caipira.
- A queda de sons no início de palavras: ocê, cê, ta, tava, marelo (amarelo), margoso (amargoso),
características na linguagem oral coloquial.
- A redução de proparoxítonas a paroxítonas: Petrópis (Petrópolis), fórfi (fósforo), porva (pólvora), todas
elas formas típicas de pessoas de baixa condição social.
- A pronúncia do “l” final de sílaba como “u” (na maioria das regiões do Brasil) ou como “l” (em certas
regiões do Rio Grande do Sul e Santa Catarina) ou ainda como “r” (na linguagem caipira): quintau, quintar,
quintal; pastéu, paster, pastel; faróu, farór, farol.
17
PESTANA, Fernando. A gramática para concursos. Elsevier.2013.
18
PLATÃO, Fiorin, Lições de Texto. Ática. 2011.
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- Deslocamento do “r” no interior da sílaba: largato, preguntar, estrupo, cardeneta, típicos de pessoas
de baixa condição social.
Variações Morfológicas
São as que ocorrem nas formas constituintes da palavra. Nesse domínio, as diferenças entre as
variantes não são tão numerosas quanto as de natureza fônica, mas não são desprezíveis. Como
exemplos, podemos citar:
- O uso do prefixo hiper- em vez do sufixo -íssimo para criar o superlativo de adjetivos, recurso muito
característico da linguagem jovem urbana: um cara hiper-humano (em vez de humaníssimo), uma prova
hiperdifícil (em vez de dificílima), um carro hiperpossante (em vez de possantíssimo).
- A conjugação de verbos irregulares pelo modelo dos regulares: ele interviu (interveio), se ele manter
(mantiver), se ele ver (vir) o recado, quando ele repor (repuser).
- A conjugação de verbos regulares pelo modelo de irregulares: vareia (varia), negoceia (negocia).
- Uso de substantivos masculinos como femininos ou vice-versa: duzentas gramas de presunto
(duzentos), a champanha (o champanha), tive muita dó dela (muito dó), mistura do cal (da cal).
- A omissão do “s” como marca de plural de substantivos e adjetivos (típicos do falar paulistano): os
amigo e as amiga, os livro indicado, as noite fria, os caso mais comum.
- O enfraquecimento do uso do modo subjuntivo: Espero que o Brasil reflete (reflita) sobre o que
aconteceu nas últimas eleições; Se eu estava (estivesse) lá, não deixava acontecer; Não é possível que
ele esforçou (tenha se esforçado) mais que eu.
Variações Sintáticas
Dizem respeito às correlações entre as palavras da frase. No domínio da sintaxe, como no da
morfologia, não são tantas as diferenças entre uma variante e outra. Como exemplo, podemos citar:
- O uso de pronomes do caso reto com outra função que não a de sujeito: encontrei ele (em vez de
encontrei-o) na rua; não irão sem você e eu (em vez de mim); nada houve entre tu (em vez de ti) e ele.
- O uso do pronome lhe como objeto direto: não lhe (em vez de “o”) convidei; eu lhe (em vez de “o”) vi
ontem.
- A ausência da preposição adequada antes do pronome relativo em função de complemento verbal:
são pessoas que (em vez de: de que) eu gosto muito; este é o melhor filme que (em vez de a que) eu
assisti; você é a pessoa que (em vez de em que) eu mais confio.
- A substituição do pronome relativo “cujo” pelo pronome “que” no início da frase mais a combinação
da preposição “de” com o pronome “ele” (=dele): É um amigo que eu já conhecia a família dele (em vez
de cuja família eu já conhecia).
- A mistura de tratamento entre tu e você, sobretudo quando se trata de verbos no imperativo: Entra,
que eu quero falar com você (em vez de contigo); Fala baixo que a sua (em vez de tua) voz me irrita.
- Ausência de concordância do verbo com o sujeito: Eles chegou tarde (em grupos de baixa extração
social); Faltou naquela semana muitos alunos; Comentou-se os episódios.
Variações Léxicas
É o conjunto de palavras de uma língua. As variantes do plano do léxico, como as do plano fônico, são
muito numerosas e caracterizam com nitidez uma variante em confronto com outra. Eis alguns, entre
múltiplos exemplos possíveis de citar:
- A escolha do adjetivo maior em vez do advérbio muito para formar o grau superlativo dos adjetivos,
características da linguagem jovem de alguns centros urbanos: maior legal; maior difícil; Esse amigo é
um carinha maior esforçado.
- As diferenças lexicais entre Brasil e Portugal são tantas e, às vezes, tão surpreendentes, que têm
sido objeto de piada de lado a lado do Oceano. Em Portugal chamam de cueca aquilo que no Brasil
chamamos de calcinha; o que chamamos de fila no Brasil, em Portugal chamam de bicha; café da manhã
em Portugal se diz pequeno almoço; camisola em Portugal traduz o mesmo que chamamos de suéter,
malha, camiseta.
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- Neologismo: é o contrário do arcaísmo. Trata-se de palavras recém-criadas, muitas das quais mal
ou nem entraram para os dicionários. A moderna linguagem da computação tem vários exemplos, como
escanear, deletar, printar; outros exemplos extraídos da tecnologia moderna são mixar (fazer a
combinação de sons), robotizar, robotização.
- Estrangeirismo: trata-se do emprego de palavras emprestadas de outra língua, que ainda não foram
aportuguesadas, preservando a forma de origem. Nesse caso, há muitas expressões latinas, sobretudo
da linguagem jurídica, tais como: habeas-corpus (literalmente, “tenhas o corpo” ou, mais livremente,
“estejas em liberdade”), ipso facto (“pelo próprio fato de”, “por isso mesmo”), ipsis litteris (textualmente,
“com as mesmas letras”), grosso modo (“de modo grosseiro”, “impreciso”), sic (“assim, como está
escrito”), data venia (“com sua permissão”).
As palavras de origem inglesas são inúmeras: insight (compreensão repentina de algo, uma percepção
súbita), feeling (“sensibilidade”, capacidade de percepção), briefing (conjunto de informações básicas),
jingle (mensagem publicitária em forma de música).
Do francês, hoje são poucos os estrangeirismos que ainda não se aportuguesaram, mas há
ocorrências: hors-concours (“fora de concurso”, sem concorrer a prêmios), tête-à-tête (palestra particular
entre duas pessoas), esprit de corps (“espírito de corpo”, corporativismo), menu (cardápio), à la carte
(cardápio “à escolha do freguês”), physique du rôle (aparência adequada à caracterização de um
personagem).
- Jargão: é o vocabulário típico de um campo profissional como a medicina, a engenharia, a
publicidade, o jornalismo. No jargão médico temos uso tópico (para remédios que não devem ser
ingeridos), apneia (interrupção da respiração), AVC ou acidente vascular cerebral (derrame cerebral). No
jargão jornalístico chama-se de gralha, pastel ou caco o erro tipográfico como a troca ou inversão de uma
letra. A palavra lide é o nome que se dá à abertura de uma notícia ou reportagem, onde se apresenta
sucintamente o assunto ou se destaca o fato essencial. Quando o lide é muito prolixo, é chamado de
nariz-de-cera. Furo é notícia dada em primeira mão. Quando o furo se revela falso, foi uma barriga. Entre
os jornalistas é comum o uso do verbo repercutir como transitivo direto: __ Vá lá repercutir a notícia de
renúncia! (esse uso é considerado errado pela gramática normativa).
- Gíria: é o vocabulário especial de um grupo que não deseja ser entendido por outros grupos ou que
pretende marcar sua identidade por meio da linguagem. Existe a gíria de grupos marginalizados, de
grupos jovens e de segmentos sociais de contestação, sobretudo quando falam de atividades proibidas.
A lista de gírias é numerosíssima em qualquer língua: ralado (no sentido de afetado por algum prejuízo
ou má-sorte), ir pro brejo (ser malsucedido, fracassar, prejudicar-se irremediavelmente), cara ou cabra
(indivíduo, pessoa), bicha (homossexual masculino), levar um lero (conversar).
- Preciosismo: diz-se que é preciosista um léxico excessivamente erudito, muito raro, afetado:
Escoimar (em vez de corrigir); procrastinar (em vez de adiar); discrepar (em vez de discordar); cinesíforo
(em vez de motorista); obnubilar (em vez de obscurecer ou embaçar); conúbio (em vez de casamento);
chufa (em vez de caçoada, troça).
- Vulgarismo: é o contrário do preciosismo, ou seja, o uso de um léxico vulgar, rasteiro, obsceno,
grosseiro. É o caso de quem diz, por exemplo, de saco cheio (em vez de aborrecido), se ferrou (em vez
de se deu mal, arruinou-se), feder (em vez de cheirar mal), ranho (em vez de muco, secreção do nariz).
Atenção: as variações mais importantes, para o interesse do concurso público, seria a sociocultural,
a geográfica, a histórica e a de situação.
Vejamos:
- Sóciocultural: Esse tipo de variação pode ser percebido com certa facilidade. Por exemplo, alguém
diz a seguinte frase:
“Tá na cara que eles não teve peito de encará os ladrão.” (frase 1)
Que tipo de pessoa comumente fala dessa maneira? Vamos caracterizá-la, por exemplo, pela sua
profissão: um advogado? Um trabalhador braçal de construção civil? Um médico? Um garimpeiro? Um
repórter de televisão?
E quem usaria a frase abaixo?
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Sem dúvida, associamos à frase 1 os falantes pertencentes a grupos sociais economicamente mais
pobres. Pessoas que, muitas vezes, não frequentaram nem a escola primária, ou, quando muito, fizeram-
no em condições não adequadas.
Por outro lado, a frase 2 é mais comum aos falantes que tiveram possibilidades socioeconômicas
melhores e puderam, por isso, ter um contato mais duradouro com a escola, com a leitura, com pessoas
de um nível cultural mais elevado e, dessa forma, “aperfeiçoaram” o seu modo de utilização da língua.
Convém ficar claro, no entanto, que a diferenciação feita acima está bastante simplificada, uma vez
que há diversos outros fatores que interferem na maneira como o falante escolhe as palavras e constrói
as frases. Por exemplo, a situação de uso da língua: um advogado, num tribunal de júri, jamais usaria a
expressão “tá na cara”, mas isso não significa que ele não possa usá-la numa situação informal
(conversando com alguns amigos, por exemplo).
Da comparação entre as frases 1 e 2, podemos concluir que as condições sociais influem no modo de
falar dos indivíduos, gerando, assim, certas variações na maneira de usar uma mesma língua. A elas
damos o nome de variações socioculturais.
- Geográfica: é, no Brasil, bastante grande e pode ser facilmente notada. Ela se caracteriza pelo
acento linguístico, que é o conjunto das qualidades fisiológicas do som (altura, timbre, intensidade), por
isso é uma variante cujas marcas se notam principalmente na pronúncia. Ao conjunto das características
da pronúncia de uma determinada região dá-se o nome de sotaque: sotaque mineiro, sotaque nordestino,
sotaque gaúcho etc. A variação geográfica, além de ocorrer na pronúncia, pode também ser percebida
no vocabulário, em certas estruturas de frases e nos sentidos diferentes que algumas palavras podem
assumir em diferentes regiões do país.
Leia, como exemplo de variação geográfica, o trecho abaixo, em que Guimarães Rosa, no conto “São
Marcos”, recria a fala de um típico sertanejo do centro-norte de Minas:
“__ Mas você tem medo dele... [de um feiticeiro chamado Mangolô!].
__ Há-de-o!... Agora, abusar e arrastar mala, não faço. Não faço, porque não paga a pena... De
primeiro, quando eu era moço, isso sim!... Já fui gente. Para ganhar aposta, já fui, de noite, foras d’hora,
em cemitério... (...). Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito, gosta de se comparecer. Hoje, não,
estou percurando é sossego...”
- Histórica: as línguas não são estáticas, fixas, imutáveis. Elas se alteram com o passar do tempo e
com o uso. Muda a forma de falar, mudam as palavras, a grafia e o sentido delas. Essas alterações
recebem o nome de variações históricas.
Os dois textos a seguir são de Carlos Drummond de Andrade. Neles, o escritor, meio em tom de
brincadeira, mostra como a língua vai mudando com o tempo. No texto I, ele fala das palavras de
antigamente e, no texto II, fala das palavras de hoje.
Texto I
Antigamente
Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e prendadas. Não fazia
anos; completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhes
pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levantam tábua, o
remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. (...) Os mais idosos, depois da janta,
faziam o quilo, saindo para tomar a fresca; e também tomava cautela de não apanhar sereno. Os mais
jovens, esses iam ao animatógrafo, e mais tarde ao cinematógrafo, chupando balas de alteia. Ou
sonhavam em andar de aeroplano; os quais, de pouco siso, se metiam em camisas de onze varas, e até
em calças pardas; não admira que dessem com os burros n’agua.
(...) Embora sem saber da missa a metade, os presunçosos queriam ensinar padre-nosso ao vigário,
e com isso punham a mão em cumbuca. Era natural que com eles se perdesse a tramontana. A pessoa
cheia de melindres ficava sentida com a desfeita que lhe faziam quando, por exemplo, insinuavam que
seu filho era artioso. Verdade seja que às vezes os meninos eram mesmo encapetados; chegavam a pitar
escondido, atrás da igreja. As meninas, não: verdadeiros cromos, umas teteias.
(...) Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos, lombrigas; asthma os gatos, os
homens portavam ceroulas, bortinas a capa de goma (...). Não havia fotógrafos, mas retratistas, e os
cristãos não morriam: descansavam.
Mas tudo isso era antigamente, isto é, doutora.
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Texto II
Entre Palavras
Entre coisas e palavras – principalmente entre palavras – circulamos. A maioria delas não figura nos
dicionários de há trinta anos, ou figura com outras acepções. A todo momento impõe-se tornar
conhecimento de novas palavras e combinações.
Você que me lê, preste atenção. Não deixe passar nenhuma palavra ou locução atual, pelo seu ouvido,
sem registrá-la. Amanhã, pode precisar dela. E cuidado ao conversar com seu avô; talvez ele não entenda
o que você diz.
O malote, o cassete, o spray, o fuscão, o copião, a Vemaguet, a chacrete, o linóleo, o nylon, o nycron,
o ditafone, a informática, a dublagem, o sinteco, o telex... Existiam em 1940?
Ponha aí o computador, os anticoncepcionais, os mísseis, a motoneta, a Velo-Solex, o biquíni, o
módulo lunar, o antibiótico, o enfarte, a acupuntura, a biônica, o acrílico, o ta legal, a apartheid, o som
pop, as estruturas e a infraestrutura.
Não esqueça também (seria imperdoável) o Terceiro Mundo, a descapitalização, o desenvolvimento,
o unissex, o bandeirinha, o mass media, o Ibope, a renda per capita, a mixagem.
Só? Não. Tem seu lugar ao sol a metalinguagem, o servomecanismo, as algias, a coca-cola, o
superego, a Futurologia, a homeostasia, a Adecif, a Transamazônica, a Sudene, o Incra, a Unesco, o
Isop, a Oea, e a ONU.
Estão reclamando, porque não citei a conotação, o conglomerado, a diagramação, o ideologema, o
idioleto, o ICM, a IBM, o falou, as operações triangulares, o zoom, e a guitarra elétrica.
Olhe aí na fila – quem? Embreagem, defasagem, barra tensora, vela de ignição, engarrafamento,
Detran, poliéster, filhotes de bonificação, letra imobiliária, conservacionismo, carnet da girafa, poluição.
Fundos de investimento, e daí? Também os de incentivos fiscais. Knon-how. Barbeador elétrico de
noventa microrranhuras. Fenolite, Baquelite, LP e compacto. Alimentos super congelados. Viagens pelo
crediário, Circuito fechado de TV Rodoviária. Argh! Pow! Click!
Não havia nada disso no Jornal do tempo de Venceslau Brás, ou mesmo, de Washington Luís. Algumas
coisas começam a aparecer sob Getúlio Vargas. Hoje estão ali na esquina, para consumo geral. A
enumeração caótica não é uma invenção crítica de Leo Spitzer. Está aí, na vida de todos os dias. Entre
palavras circulamos, vivemos, morremos, e palavras somos, finalmente, mas com que significado?
(Carlos Drummond de Andrade, Poesia e prosa, Rio de Janeiro, Nova Aguiar, 1988)
- De Situação: aquelas que são provocadas pelas alterações das circunstâncias em que se desenrola
o ato de comunicação. Um modo de falar compatível com determinada situação é incompatível com outra:
Esse modo de dizer, que é adequado a um diálogo em situação informal, não tem cabimento se o
interlocutor é o professor em situação de aula.
Assim, um único indivíduo não fala de maneira uniforme em todas as circunstâncias, excetuados
alguns falantes da linguagem culta, que servem invariavelmente de uma linguagem formal, sendo, por
isso mesmo, considerados excessivamente formais ou afetados.
São muitos os fatores de situação que interferem na fala de um indivíduo, tais como o tema sobre o
qual ele discorre (em princípio ninguém fala da morte ou de suas crenças religiosas como falaria de um
jogo de futebol ou de uma briga que tenha presenciado), o ambiente físico em que se dá um diálogo (num
templo não se usa a mesma linguagem que numa sauna), o grau de intimidade entre os falantes (com
um superior, a linguagem é uma, com um colega de mesmo nível, é outra), o grau de comprometimento
que a fala implica para o falante (num depoimento para um juiz no fórum escolhem-se as palavras, num
relato de uma conquista amorosa para um colega fala-se com menos preocupação).
As variações de acordo com a situação costumam ser chamadas de níveis de fala ou, simplesmente,
variações de estilo e são classificadas em duas grandes divisões:
- Estilo Formal: aquele em que é alto o grau de reflexão sobre o que se diz, bem como o estado de
atenção e vigilância. É na linguagem escrita, em geral, que o grau de formalidade é mais tenso.
- Estilo Informal (ou coloquial): aquele em que se fala com despreocupação e espontaneidade, em
que o grau de reflexão sobre o que se diz é mínimo. É na linguagem oral íntima e familiar que esse estilo
melhor se manifesta.
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Como exemplo de estilo coloquial vem a seguir um pequeno trecho da gravação de uma conversa
telefônica entre duas universitárias paulistanas de classe média, transcrito do livro Tempos Linguísticos,
de Fernando Tarallo. As reticências indicam as pausas.
Eu não sei tem dia... depende do meu estado de espírito, tem dia que minha voz... mais ta assim,
sabe? taquara rachada? Fica assim aquela voz baixa. Outro dia eu fui lê um artigo, lê?! Um menino lá
que faiz pós-graduação na, na GV, ele me, nóis ficamo até duas hora da manhã ele me explicando toda
a matéria de economia, das nove da noite.
Como se pode notar, não há preocupação com a pronúncia nem com a continuidade das ideias, nem
com a escolha das palavras. Para exemplificar o estilo formal, eis um trecho da gravação de uma aula de
português de uma professora universitária do Rio de Janeiro, transcrito do livro de Dinah Callou. A
linguagem falada culta na cidade do Rio de Janeiro. As pausas são marcadas com reticências.
O que está ocorrendo com nossos alunos é uma fragmentação do ensino... ou seja... ele perde a noção
do todo... e fica com uma série... de aspectos teóricos... isolados... que ele não sabe vincular a realidade
nenhuma de seu idioma... isto é válido também para a faculdade de letras... ou seja... né? há uma série...
de conceitos teóricos... que têm nomes bonitos e sofisticados... mas que... na hora de serem
empregados... deixam muito a desejar...
Nota-se que, por tratar-se de exposição oral, não há o grau de formalidade e planejamento típico do
texto escrito, mas trata-se de um estilo bem mais formal e vigiado que o da menina ao telefone.
Preconceito Linguístico
Questões
01. (AL/MT - Professor Língua Portuguesa - FGV) Sobre as variações linguísticas em geral, pode‐
se afirmar que:
19
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67
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(C) São variações que ocorrem de acordo com o contexto ou situação em que decorre o processo
comunicativo. Há momentos em que é utilizado um registro formal e outros em que é utilizado um registro
informal.
(D) São variações que ocorrem de acordo com as diferentes épocas vividas pelos falantes, sendo
possível distinguir o português arcaico do português moderno, bem como diversas palavras que ficam em
desuso.
Cereja e Magalhães definem as variedades linguísticas como variações que uma língua apresenta em
razão das condições sociais, culturais, regionais nas quais é utilizada. Assim, a variação linguística
expressa na tirinha deve ser considerada:
(A) Gíria.
(B) Regional.
(C) Estilística.
(D) Sociológica.
04. (UFC - Auxiliar em Administração - CCV/UFC/2016) Os dialetos sociais são variações linguísticas
definidas por critérios tais como região geográfica, classe social ou nível cultural do falante. O dialeto
social culto corresponde ao que se denomina língua padrão que se caracteriza por:
Há diversos fatores que podem originar as variações linguísticas. Quando, na tira acima, são citados
os diferentes nomes para a mesma planta, podemos observar um exemplo do fator:
(A) Social, já que evidencia o português falado pelas pessoas que têm acesso à escola.
(B) Profissional, porque o exercício de algumas atividades requer conhecimentos específicos.
(C) Geográfico, pois mostra as variações entre as formas que a língua portuguesa assume nas diversas
regiões em que é falada.
(D) Situacional, pois, dependendo da situação comunicativa, um mesmo indivíduo emprega diferentes
formas de língua.
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Gabarito
Comentários
01. Resposta: E
Sim, dentro das variações linguísticas a língua culta (ou norma culta) é a que tem maior prestígio social,
maior atenção, em razão disso, é ensinada como língua padrão.
02. Resposta: D
Sim, as épocas são determinadas em boa parte pela sua linguagem, o vocabulário e a pronúncia são
fatores determinantes para mostrar as diferenças na linguagem, principalmente em distinção entre
português arcaico e moderno.
03. Resposta: D
As condições sociais influem significativamente no modo de falar dos indivíduos. O quadrinho é um
exemplo disso.
04. Resposta: B
Sim, é associado aos literatos e cientistas o domínio da norma culta, um dos motivos pela exigência
da formalidade em alguns trabalhos.
05. Resposta: C
O quadrinho mostra um pé de mandioca, e o personagem falando os diversos nomes da mandioca em
determinadas regiões do país. A temática do quadrinho é a variação linguística no sentido geográfico,
mostrando o quanto determinadas coisas podem ter nomes diferentes devido a influência de sua região.
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