Os verbos são palavras que indicam acontecimentos,
situando-os no tempo. Nesse contexto, eles variam em
pessoa, em número, em tempo, em modo e em voz. Os
verbos compõem a classe de palavras que mais se flexiona.
Vamos observar alguns verbos no texto abaixo?
Nesta madrugada, choveu torrencialmente na cidade de
Coronel Augusto. Casas inundadas, carros arrastados, árvores
derrubadas... A população está aflita com a situação. Alguns
voluntários e profissionais do serviço público transportaram
moradores para a igreja, localizada no alto do município.
Além disso, abrigaram outros moradores em uma escola.
Ainda não se sabe se há vítimas. É a segunda vez, em uma
década, que um forte temporal atinge Coronel Augusto.
(Texto criado pela autora deste artigo para a abordagem dos
verbos).
No trecho “Nesta madrugada, choveu torrencialmente na
cidade de Coronel Augusto.”, o verbo exprime um fenômeno.
No período “A população está aflita com a situação.”, o verbo
foi empregado para expressar o estado em que se encontra a
população naquela situação de catástrofe. Posteriormente,
podemos observar a presença de verbos que indicam ação,
como em “Alguns voluntários e profissionais do serviço
público transportaram moradores para a igreja [...]” e “Além
disso, abrigaram outros moradores em uma escola.”
Flexões (formas) do verbo
Pessoa e número
Número Número
Pessoa
(singular) (plural)
1ª Nós
Eu danço
pessoa dançamos
2ª
Tu danças Vós dançais
pessoa
3ª Eles/Elas
Ele/Ela dança
pessoa dançam
Modos do verbo
Indicativo (exprime certeza):
Já compraram os brinquedos para a festa das crianças.
Faremos uma reunião com os sócios na próxima terça-feira.
Subjuntivo (exprime dúvida, condição, possibilidade,
hipótese, desejo)
Se você fosse ao local, ficaria impressionada!
Que você celebre com muita alegria este dia tão especial!
Imperativo (exprime ordem, pedido, conselho, advertência,
sugestão, convite)
Não conte a ele, pois a festa é uma surpresa! ( Imperativo
negativo)
Leia as instruções para a montagem do equipamento.
(Imperativo afirmativo)
Tempos do verbo
Os tempos, como o próprio nome evidencia, expressam o
momento em que ocorre o fato indicado pelo verbo. São
três tempos verbais: o presente (o fato ocorre no momento da
fala); o pretérito ou passado (o fato ocorre antes do momento
da fala) e o futuro (o fato ocorre depois do momento da fala).
Vale frisar que os tempos pretérito e futuro se ramificam nos
modos indicativo e subjuntivo, conforme veremos a seguir:
Tempos do modo indicativo
Tempo presente
escrevo
escreves
escreve
escrevemos
escreveis
escrevem
.
Tempo Pretérito
Pretérito imperfeito Pretérito perfeito Pretérito mais-que-perfeito
(fato inacabado no passado) (fato concluído no passado) (fato anterior a outro passado)
escrevia escrevi escrevera
escrevias escreveste escreveras
escrevia escreveu escrevera
escrevíamos escrevemos escrevêramos
escrevíeis escrevestes escrevêreis
escreviam escreveram escreveram
.
Tempo futuro
Futuro do presente Futuro do pretérito
(fato que acontecerá) (fato que poderia ter acontecido)
escreverei escreveria
escreverás escreverias
escreverá escreveria
escreveremos escreveríamos
escrevereis escreveríeis
escreverão escreveriam
Tempos do modo subjuntivo
Presente Pretérito imperfeito Futuro
escreva escrevesse escrever
escrevas escrevesses escreveres
escreva escrevesse escrever
escrevamos escrevêssemos escrevermos
escrevais escrevêsseis escreverdes
escrevam escrevessem escreverem
Formas nominais do verbo
- o infinitivo
pessoal (tem sujeito):
Se estudarmos bastante, seremos aprovados.
impessoal (não tem sujeito):
Lutar, apesar das adversidades, é um desafio.
- o gerúndio (terminação “ndo”)
Estamos lutando para sermos aprovados!
Ele atravessou a rua correndo.
Indo a pé, iremos curtir as belezas do lugar!
- o particípio (terminação “do” – forma regular)
O professor havia lutado muito pelos alunos!
Eu havia escolhido alguns livros de Jane Austen.
Ele já tinha saído, quando chegamos ao restaurante.
Observação: os verbos que se unem a uma forma nominal de
outro verbo (o principal) são chamados de “ verbos
auxiliares”.
Tenho lido muito sobre a destruição ambiental.
Ele teve de ir embora, pois não marcou horário.
Estávamos conversando quando o vimos passar.
Vozes do verbo
Na voz ativa, o sujeito é agente da ação expressa pelo verbo,
isto é, ele pratica a ação expressa pelo verbo:
Os alunos não terminaram a prova no tempo previsto.
O professor explica com clareza os complicados conceitos.
A direção da escola adiou a festa junina para o próximo mês.
Na voz passiva, o sujeito é paciente da ação indicada pelo
verbo. Isso significa que ele sofre ou recebe a ação indicada
pelo verbo. A voz passiva divide-se em “passiva analítica” e
“passiva pronominal”, como observaremos abaixo:
- Passiva analítica (Verbo auxiliar “ser” + mais o particípio
do verbo principal):
Os presentes foram escolhidos pelas crianças.
Os moradores não foram ouvidos pelo poder público.
Neste mês, serão inauguradas novas lojas na cidade.
Cabe elucidar que, geralmente, a voz passiva analítica é
formada com o verbo auxiliar “ser”. Porém, há casos em que
outros verbos são empregados. Repare:
A criança ia acompanhada pela avó.
A casa estava infestada de pernilongos.
O jovem está sendo socorrido pelos bombeiros.
- Passiva pronominal (Pronome apassivador “se” junto a
um verbo ativo da 3ª pessoa):
Vendem-se lotes no centro da cidade.
Reformou-se a ponte no mês passado.
Ainda não se resolveram os problemas...
Na voz reflexiva, o sujeito é agente e paciente da ação
expressa pelo verbo, ou seja, ele pratica e ao mesmo tempo
recebe a ação. Em outras palavras, a voz reflexiva é um
misto das vozes citadas anteriormente:
Aquela aluna destacava-se dos demais colegas de classe.
Os pais aproximaram-se dos filhos na hora da homenagem.
As meninas arrumaram-se rapidamente, pois não queriam
chegar atrasadas.
Compare as vozes verbais:
O rapaz feriu com a faca. (Voz ativa)
O rapaz foi ferido com a faca. (Voz passiva)
O rapaz feriu-se com a faca. (Voz reflexiva)
Conjugações do verbo
- Verbos da 1ª conjunção (aqueles que terminam em “ar”):
aproveitar, imaginar, jogar, etc.
- Verbos da 2ª conjunção (aqueles que terminam em “er”):
beber, correr, erguer, etc.
- Verbos da 3ª conjunção (aqueles que terminam em “ir”):
agir, ouvir, sugerir, etc.
Segundo Cegalla (2008, p.197), a conjugação de cada verbo
“se caracteriza por uma vogal temática”. Observe:
amar
(radical “am” + vogal temática “a” = tema “ama”).
mexer
(radical “mex” + vogal temática “e” = tema “mexe”).
abrir
(radical “abr” + vogal temática “i” = tema “abri”).
Tempos primitivos e derivados
Os tempos verbais são “primitivos” quando não derivam de
outros tempos da língua portuguesa, mas dão origem a
outros tempos, os “derivados”. Os tempos primitivos são estes:
a) o presente do modo indicativo, do qual derivam:
o presente do modo subjuntivo
algumas formas do imperativo
b) o pretérito perfeito do modo indicativo, do qual derivam:
o pretérito mais-que-perfeito do modo indicativo
o pretérito imperfeito do modo subjuntivo
o futuro do modo subjuntivo
c) o infinitivo impessoal, do qual derivam:
o pretérito imperfeito do modo indicativo
o futuro do presente
o futuro do pretérito
o infinitivo pessoal
o gerúndio
o particípio
Verbos regulares, irregulares, anômalos,
defectivos e abundantes
- Os verbos são regulares quando a conjugação segue um
radical (elemento básico de uma palavra):
“cantar”, “vender”, “dividir”, etc.
- Os verbos são irregulares quando passam por modificações no
radical e/ou terminações, ao serem conjugados em algumas
formas:
“dar”, “fazer”, “medir”, etc.
- Os verbos anômalos são aqueles que apresentam radicais
diferentes quando conjugados:
“ir” e “ser”.
- Os verbos defectivos são os que não apresentam conjugação
completa. A defectividade ocorre, normalmente, em verbos
da 3ª conjugação:
“colorir”, “demolir”, “falir”, etc.
- Os verbos abundantes são aqueles que apresentam mais de
uma forma para exprimir a mesma ideia e exercer a mesma
função. A abundância ocorre de modo predominante nos
particípios:
“aceito/aceitado”, “ganho/ganhado”, “pago/pagado”, etc.
Desafios – algumas questões sobre verbos
Questão 1 – Identifique a frase em que o verbo destacado
foi flexionado corretamente:
a) As testemunhas do crime deporão amanhã.
b) As crianças exporam os desenhos na sala de aula.
c) No mês passado, nós propomos a realização de um bingo.
d) Se ele dispor de muitos recursos, poderá fazer a reforma
do local.
Resposta:
A conjugação de “depor”, “expor”, “propor”, “dispor”, etc.
segue a conjugação do verbo de que derivam: “pôr”. Nesse
contexto, o verbo na primeira frase (alternativa “a”) foi
flexionado corretamente para indicar o futuro do presente
(“deporão” vem de “porão”). Nas alternativas “b” e “c”, os
verbos exprimem ações concluídas. Por isso, devem ser
empregados no pretérito perfeito: “As crianças expuseram os
desenhos na sala de aula.” e “No mês passado, nós
propusemos a realização de um bingo”. Os verbos citados
(“deporão”, “expuseram” e “propomos”) foram flexionados
no modo indicativo, isto, é expressam certezas. Já na última
frase (alternativa “d”), aparece o modo subjuntivo para
exprimir uma condição: “Se ele dispuser de muitos recursos,
poderá fazer a reforma do local”.
Questão 2 – O verbo está na voz ativa na oração:
a) Alugam-se casas.
b) Foi solucionado o problema.
c) Eu apresentei-me ao público.
d) Os alunos conversaram com o diretor.
Na primeira oração, o verbo está na voz passiva pronominal e
na segunda, o verbo está na voz passiva analítica, já que os
sujeitos são pacientes das ações expressas pelos referidos
verbos. Na terceira oração, o verbo está na voz reflexiva para
indicar que o sujeito é agente e paciente da ação expressa
por “apresentar”. E, por fim, o verbo está na voz ativa na
última oração, exprimindo que o sujeito (“Os alunos”) é
agente, isto é, pratica a ação expressa pelo verbo
“conversar”. Portanto, a resposta correta é a alternativa “d”.
Referências:
BECHARA, Evanildo. Verbo. In: ___ Gramática escolar da
língua portuguesa. [Link]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
2010. p.192-273.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Verbo. In: ___ Novíssima
gramática da língua portuguesa. [Link]. São Paulo:
Companhia Editora Nacional, 2008. p.195-258.
CUNHA, Celso; CINTRA, Luís F. Lindley. Verbo. In: ___ Nova
gramática do português contemporâneo. [Link]. Rio de
Janeiro: Lexikon, 2008. p.394-461.
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