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Manual CLC 6

Os equipamentos culturais como cinemas, bibliotecas, museus e teatros são essenciais para o sucesso do planeamento habitacional e ordenamento do território, uma vez que promovem a interação cultural e o lazer. Exemplos como a Casa da Música no Porto e o Museu do Fado em Lisboa ilustram como estes espaços apoiam a identidade cultural e a fruição artística.

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Sonia Pereira
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Manual CLC 6

Os equipamentos culturais como cinemas, bibliotecas, museus e teatros são essenciais para o sucesso do planeamento habitacional e ordenamento do território, uma vez que promovem a interação cultural e o lazer. Exemplos como a Casa da Música no Porto e o Museu do Fado em Lisboa ilustram como estes espaços apoiam a identidade cultural e a fruição artística.

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1

Manual do Módulo

Módulo / UFCD: CLC 6 Culturas de urbanismo e mobilidade.


Cláudia Santos Preguiça
Nome do Formador:

OBJETIVOS ........................................................................................................................................ 2

1. QUESTÕES CULTURAIS - PLANEAMENTO E O ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO .............................. 3

1.1 Critérios de qualidade no Planeamento Habitacional ........................................................................ 3

1.2 Plano Diretor Municipal: conceito, objetivos e concretização.........................................................32

1.3 Fomento, oportunidade e mobilidade laborais aliados à valorização do património urbano e


rural 33

1.4 Fluxos Migratórios: causas e consequências económicas, políticas e culturais dos


fenómenos de migração, emigração, imigração e êxodo ..............................................................................39
Fluxo Migratório ................................................................................................................................................... 42
Migrações: .............................................................................................................................................................. 43
Causas ou motivos das migrações: ................................................................................................................ 43

REFERENCIAS\ PESQUISA BIOGRAFICA\ONLINE .................................................................. 47

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OBJETIVOS
• Recorre a terminologias específicas no âmbito do planeamento e ordenação do território,
construção de edifícios e equipamentos.
• Compreende as noções de ruralidade e urbanidade, compreendendo os seus impactos no
processo de integração socioprofissional. 2
• Identifica sistemas de administração territorial e respetivos funcionamentos integrados.
• Relaciona a mobilidade e fluxos migratórios com a disseminação de patrimónios linguísticos
e culturais.

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1. Questões culturais - planeamento e o ordenamento do território

Conceitos-chave: urbanismo; mobilidade; arquitetura; planeamento habitacional; equilíbrio


paisagístico; rutura paisagística; equipamento cultural; ordenamento e coesão territorial; Plano
Diretor Municipal; turismo; fluxo migratório; património cultural

1.1 Critérios de qualidade no Planeamento Habitacional1

1.1.1.Equipamentos culturais de suporte à habitação: espaços verdes, zonas de lazer, espaços de


interação cultural

• Os equipamentos culturais influenciaram na medida em que é fator decisivo, para o sucesso das
políticas de ordenamento do território e sua aplicação, a perceção e conhecimento do espaço, de forma
global, mas sintetizada. O facto de o ordenamento do território ser pluridisciplinar, pois inclui aspetos da
geografia, da geologia, da economia, da sociologia, do urbanismo, do direito etc., leva à sua caraterística de
síntese. Para se englobar cada um destes aspetos no processo de ordenamento do território é necessário
que se realizem sínteses, para que este seja completo, mas não longo. Dito por outras palavras, “O
ordenamento do território deve ter em consideração a existência de múltiplos poderes de decisão,
individuais e institucionais, que influenciam a organização do espaço, o carácter aleatório de todo o estudo
prospetivo, os constrangimentos do mercado, as particularidades dos sistemas administrativos, a
diversidade das condições socioeconómicas e ambientais. Como ciência, o ordenamento do território

1
Planeamento habitacional: Compreensão e organização de ideias sobre como, quando, porquê e onde construir.
Cofinanciado por:
explica-se na medida em que pratica metodologias científicas, quer quanto à análise e ao diagnóstico das
situações em que o território se encontra envolvido, quer quanto às expetativas de uma evolução em que as
opções sejam tomadas como variáveis dos virtuais cenários.

4
Os espaços têm uma função fundamental para que exista a interação entre a as diversas manifestações
culturais e o público, dentre os espaços mais utilizados para a realização de distintas ações culturais são,
segundo o Ministério da Cultura, (2009):

Equipamentos culturais:
o Cinema
o Loja de discos, CD/DVD
o Biblioteca pública
o Livraria
o Museu
o Teatro
o Centro cultural
o Oficinas culturais
o Casas de cultura

A definição de patrimônio, além dos valores históricos, artísticos, científicos, educativos e


políticos, incorpora outros, que se relacionam com o território e com a construção da
identidade cultural de uma população. Essa é uma das características mais relevantes do
patrimônio: ser tomado como referência para a construção de identidades culturais pelas
mais diversas estruturas sociais e mesmo pelos cidadãos, de forma a converter-se no
capital simbólico da sociedade. (DIAS, 2006, P.73)

• Funcionalidades dos equipamentos culturais: EXEMPLOS

o Casa da Música – Porto

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Imaginada para assinalar o ano festivo de 2001, em que a cidade do Porto foi Capital Europeia da

Cultura, a Casa da Música é o primeiro edifício construído em Portugal exclusivamente dedicado à


Música, seja no domínio da apresentação e fruição pública, seja no campo da formação artística e
da criação. O projeto Casa da Música foi definido em 1999, como resultado de um concurso
internacional de arquitetura que escolheu a solução apresentada por Rem Koolhaas -­­ Office for
Metropolitan Architecture. As escavações iniciaram-se ainda em 1999, no espaço da antiga
Remise do Porto na Rotunda da Boavista, e a Casa da Música foi inaugurada na primavera de
2005, no dia 15 de abril. Concebida para ser a casa de todas as músicas, integra-se no processo de
renovação urbana da cidade e numa rede de equipamentos culturais à escala metropolitana e
mundial. É uma instituição que acolhe um projeto cultural inovador e abrangente e que assume a
dinamização do meio musical nacional e internacional, nas mais variadas áreas, da clássica ao
jazz, do fado à eletrónica, da grande produção internacional aos projetos mais experimentais.
Para além de concertos, recitais e performances, a Casa da Música promove encontros de
músicos e musicólogos, investindo na procura das origens da música portuguesa e apostando
fortemente no seu papel de elemento nuclear na educação musical.

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6

o Museu do Fado – Lisboa

Inteiramente consagrado ao universo da canção urbana de Lisboa, o Museu do Fado abriu as suas portas ao
público a 25 de setembro de 1998 celebrando o valor excecional do Fado como símbolo identificador da
Cidade de Lisboa, o seu enraizamento profundo na tradição e história cultural do País, o seu papel na
afirmação da identidade cultural e a sua importância como fonte de inspiração e de troca intercultural entre
povos e comunidades.

De acordo com o seu Regulamento Interno (artº 3º) integram a Missão do Museu o conjunto de atividades
inerentes ao cumprimento dos objetivos gerais de angariação, preservação, conservação, investigação,
interpretação, promoção, divulgação, exposição, documentação e fruição do património e do universo do
Fado e da Guitarra Portuguesa, tendo em vista difundir o conhecimento sobre esta expressão musical e de
promover a sua aprendizagem.
Assumindo conceptualmente o Fado como uma arte performativa em permanente construção, o Museu
integra diferentes valências funcionais - escola do Museu, centro de documentação, auditório, circuito
expositivo permanente e temporário - que, numa perspetiva integrada, contribuem para o cumprimento da
missão definida de angariação, preservação, conservação, investigação, interpretação e fruição do acervo

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patrimonial alusivo ao universo do Fado, promovendo o conhecimento e a aprendizagem contínua e

pluridisciplinar sobre esta expressão musical.

o Teatro Nacional de São Carlos - Lisboa

O Teatro Nacional de São Carlos foi inaugurado em 30 de junho de 1793 mantendo-se, ainda atualmente,
como o único teatro nacional vocacionado para a produção e apresentação de ópera e de música coral e
sinfónica.

Ao longo da sua vivência têm abundado os factos históricos, os episódios sociais e os eventos culturais
relevantes, que enriquecem o seu património histórico singular, reunido num edifício de características
neoclássicas e de inspiração setecentista e italiana, classificado como imóvel de interesse público em 1928 (8
de setembro de 1928) e Monumento Nacional em 1996 (6 de março de 1996).

Os agrupamentos artísticos residentes são o Coro do Teatro Nacional de São Carlos, criado em 1943, que
interpreta o grande repertório operístico e coral-sinfónico, mantendo-se como a única estrutura coral
profissional em Portugal; e a Orquestra Sinfónica Portuguesa, cuja origem remonta a 1993.

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O Teatro apresenta uma programação musical regular em três espaços: na Sala Principal, palco de grandes
produções líricas e de concertos sinfónicos e coral-sinfónicos, mas também de bailados. O Salão Nobre, que
permite o acesso à varanda da fachada, recebe recitais e concertos de diferentes formações instrumentais,
8
leituras de ópera e apresentações mais intimistas. E, ainda, o Foyer – entrada do Teatro –, espaço
privilegiado para concertos de câmara e breves recitais de entrada gratuita, que convidam ao convívio
informal.

O TNSC promove ou acolhe, também, a realização de encontros, conferências, masterclasses, cursos,


concertos de/para escolas e famílias e um conjunto alargado de propostas culturais.

No final de cada temporada, o Teatro organiza o Festival ao Largo, precisamente no Largo de São Carlos.
Durante cerca de um mês realizam-se espetáculos de ópera, teatro, música sinfónica, coral-sinfónica e
bailado, entre outros, que convidam à celebração festiva da música e das artes performativas. Todos os
espetáculos, quer sejam de obras clássicas ou contemporâneas, são de acesso livre e são comentados,
garantindo a mediação com os diferentes públicos.

Para além de músicos, coralistas e solistas, as composições líricas vivem da arte e do empenho de
encenadores, cenógrafos, desenhadores de luz, aderecistas, costureiros, maquilhadores, maquinistas,
eletricistas, contra- regra e técnicos de som e vídeo. A memória das óperas levadas ao palco de São Carlos,
pela mão de todos estes artistas e técnicos, é preservada e divulgada pelo Centro Histórico do Teatro,
através das exposições de património móvel, guarda-roupa, cenografia, arquivo musical, fotográfico e
documental que organiza.

A vocação de divulgar a história da ópera, dos grandes compositores e de São Carlos ao público é também
prosseguida pelo Projeto Pedagógico do Teatro, que promove a realização de visitas guiadas ao edifício do
Teatro, mas também um conjunto de outras atividades lúdicas e pedagógicas para crianças e jovens/crianças,
famílias e professores, bem como público em geral, com o intuito de promover a aproximação entre o Teatro
e a comunidade.

O extraordinário valor e a beleza arquitetónica do edifício, bem como a excecional qualidade musical que
tem caracterizado os seus longos anos de vida tornam o Teatro Nacional de São Carlos figura incontornável

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da cena artística e cultural portuguesa. Mas muito mais do que mero herdeiro dessa dimensão histórica, o
São Carlos é hoje uma casa viva de música e cultura, sempre de portas abertas, que oferece uma
programação diversificada, habilitada a corresponder aos mais exigentes melómanos e capaz de cativar os
espetadores menos frequentes.
9

o Oceanário – Lisboa

Inaugurado em 1998 no âmbito da última exposição mundial do séc. XX, cujo tema foi "Os oceanos, um
património para o futuro", o Oceanário eternizou a ligação de Lisboa com o oceano.

O Oceanário de Lisboa é um aquário público de referência em Lisboa, em Portugal e internacionalmente. O


equipamento recebe anualmente cerca de 1 milhão de pessoas, que percorrem as suas exposições,
tornando-o no equipamento cultural mais visitado de Portugal. A excelência das exposições, aliadas ao
simbolismo da arquitetura dos edifícios, faz do Oceanário um local único e inesquecível. O equipamento
integra dois edifícios, o original dos Oceanos e o novo edifício do Mar, conectados por um enorme átrio
decorado com um magnífico painel de 55 mil azulejos, que oferece acesso às exposições e à área educativa.
Assumindo a tendência evolutiva dos aquários modernos, o Oceanário desenvolve continuamente,
atividades educativas que dão a conhecer os oceanos, os seus habitantes, a sua missão e que abordam os
desafios ambientais da atualidade. Ainda neste contexto, o Oceanário colabora com várias instituições em
projetos de investigação científica, de conservação da biodiversidade marinha e que promovam o
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desenvolvimento sustentável dos oceanos. A experiência técnico-científica da equipa de biólogos e de
engenheiros assegura a excelência da exposição e presta consultoria a vários aquários e instituições
similares. O Oceanário assume, como estratégia de desenvolvimento, a implementação de um Sistema
Integrado de Gestão da Qualidade e Ambiente. Foi o primeiro aquário público da Europa a obter as
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Certificações de Qualidade ISO 9001, 14001 e EMAS (Eco--Management and Audit Scheme).

o Espaços Verdes Urbanos

O conceito de espaço verde urbano e respetivas funções sofreram profundas alterações ao longo do tempo,
sendo atualmente aceites de forma unânime os seus múltiplos papéis de fundamental importância para o
bem-estar da população urbana.

A necessidade de espaços verdes urbanos é uma das consequências da evolução que as cidades têm sofrido
ao longo do tempo.
Nas cidades mais industrializadas surge, posteriormente, o conceito de “pulmão verde”, ou seja, o de espaço
verde com dimensão suficiente para produzir o oxigénio necessário à compensação das atmosferas poluídas.
Foi à luz deste conceito que surgiu o Parque de Monsanto, em Lisboa. Mais tarde, este conceito evoluiu para
o de “cintura verde” a rodear a “cidade antiga”, separando-a da “zona de expansão”.

No início do século XX surgiu a teoria do continuum naturale, baseada na necessidade da paisagem natural
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penetrar na cidade de modo tentacular e contínuo, assumindo diversas formas e funções: espaço de lazer e
recreio; enquadramento de infraestruturas e edifícios; espaço de produção de frescos agrícolas e de
integração de linhas ou cursos de água com os seus leitos de cheia e cabeceiras. Este objetivo é realizado
quer através da criação de novos espaços, quer da recuperação dos existentes, e da sua ligação através de
11
“corredores verdes”, integrando caminhos de peões e vias.

É esta a lógica que ainda hoje se mantém. Os espaços verdes urbanos, quer públicos quer privados, assumem
uma crescente importância nas políticas regionais e municipais, procurando-se uma lógica de contínuo
vivificador de todo o tecido urbano e de ligação ao espaço rural envolvente.

Funções dos espaços verdes no tecido urbano

Dadas as alterações e influências negativas que a intensificação da edificação provoca no clima urbano, uma
das importantes funções da vegetação consiste no controle do microclima, contribuindo para a sua
amenização, através das suas propriedades de termorregularização, controle da humidade, controle das
radiações solares, absorção de CO2 e aumento do teor em O2, proteção contra o vento, contra a chuva e o
granizo e proteção contra a erosão.

Os espaços verdes são também úteis na separação física do trânsito automóvel da circulação de peões,
filtram os gases tóxicos produzidos pelos automóveis, absorvem parte do ruído provocado e reduzem o
encadeamento.

Têm um papel importante na ligação dos vários espaços diferenciados entre si e na amenização de
ambientes, pelo contraste entre a suavidade do material vivo inerente à vegetação e o caráter inerte e rígido
dos pavimentos e outras superfícies construídas.

Desempenham ainda funções culturais, de integração, de enquadramento, didáticas, de suporte de uma rede
contínua de percursos para peões, de jogo, lazer e recreio. O interesse cultural do espaço verde urbano pode
sintetizar-se na possibilidade de incentivar as pessoas à apreensão e vivência dos objetos e dos conjuntos em
que se organizam.

As espécies vegetais, de diferentes formas, cores e texturas, constituem elementos plásticos com os quais se

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pode aumentar o interesse estético dos espaços urbanos.

A observação e contemplação da vegetação pela população urbana possibilitam a perceção da sequência do


ritmo das estações, e de outros ciclos biológicos, o conhecimento da fauna e flora espontânea e cultivada, o
12
conhecimento dos fenómenos e equilíbrios físicos e biológicos.

Não obstante o reconhecimento das funções essenciais associadas à presença dos espaços verdes, a sua
implementação encontra-se sujeita a múltiplas ameaças, entre as quais se destaca a excessiva densificação
da malha urbana, associada a situações de especulação fundiária e a ausência de um planeamento
adequado.

1.1.2. Influência dos equipamentos culturais no ordenamento e coesão territorial

i
O território não é apenas um espaço físico nem um suporte das diferentes atividades humanas, mas um
sistema complexo, no qual uma multiplicidade de relações, atividades e valores coexistem, interagem e
geram conflitos, mas também sinergias criativas. O território é, também, uma das marcas que melhor
define a Europa, indissociável das imagens icónicas que a representam ou da pluralidade doutras que
associamos a cada uma das suas regiões. A geografia e a ação humana ditaram a transformação do território
europeu e a relação secular entre o homem e o meio, ao moldar as paisagens europeias, ajudou a
sedimentar, do ponto de vista civilizacional e histórico, uma cultura territorial europeia.
No caso português, importa não perder de vista que parte do território é marítimo. Do ponto de vista
económico, a nossa zona económica exclusiva é extensa e é nesse mar que estão as regiões insulares dos
Açores e da Madeira. Com estatuto de regiões ultraperiféricas, apresentam características de fragmentação
territorial e de coesão interna diferenciadas, mas detêm uma posição estratégica não só para Portugal como
para a União Europeia, que lhes confere uma valia muito superior à sua dimensão territorial. Assim, Portugal
deve ser olhado na sua diversidade continental, insular e marítima, e o mar incluído no debate sobre a
coesão territorial.
A promoção da identidade dos territórios, através da defesa do património natural e construído e da
paisagem e a valorização dos recursos e das especificidades locais e regionais são instrumentos
fundamentais de coesão territorial. Assim, para garantir a coerência e o equilíbrio do território, a coesão
territorial deve partir do seu entendimento como o locus da ação coletiva ­ a coesão implica pessoas,
comunidades e apropriação de territórios ­ e não resumir­se ao mero exercício técnico­político. Entendendo
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o território como um sistema, cada parte deve tirar partido dos seus atributos funcionais no sentido da
utilidade e complementaridade, visando a sua sustentabilidade e eficiência, na linha do preconizado pela
Agenda Territorial. Nesta perspetiva a coesão territorial é a condição de partida para a adequada coesão
económica e social. Por isso, o apoio à valorização das capacidades produtiva e criativa de cada território,
13
ancoradas nas suas aptidões e potencialidades, ganha particular acuidade.

[Condições de acesso justo e equilibrado aos bens e serviços públicos]


Importa ter presente que o conceito de coesão territorial está, à semelhança dos
conceitos de coesão económica e social, intimamente ligado ao princípio de
solidariedade e, nessa medida, visando garantir objetivos de equidade no acesso
aos equipamentos, às infraestruturas e ao conhecimento. A questão que emerge é,
sobretudo, a da escala mais adequada e a dos limiares mínimos para promover este
acesso. O acesso justo aos bens e serviços públicos tem que resultar de um
compromisso entre as condições ideais ou razoáveis de distância‐tempo e a
dimensão dos equipamentos que possa garantir os padrões mínimos de qualidade
do seu funcionamento. A melhor escala não é universal, ela varia com a natureza
do serviço, exigindo a possibilidade de abordagens flexíveis e criativas, adaptáveis
às peculiaridades dos contextos territoriais. Mas não basta assegurar a proximidade
física e temporal dos bens e serviços aos cidadãos. Essa proximidade tem de ser
também relacional, isto é, que as pessoas entendam que a utilização de um
determinado bem ou serviço lhes provoca um aumento de utilidade e de bem‐estar.

[Dinamismo, competitividade e inovação]


Os fatores de competitividade e crescimento são também essenciais ao reforço da
Coesão Territorial. A mobilização da inovação e do conhecimento, o
desenvolvimento tecnológico e o reforço da capacidade de empreendedorismo,
aspetos cuja evolução dependerá em larga escala do contexto institucional, são
determinantes na afirmação e na aproximação de territórios, sobretudo em regiões
diversificadas onde a par de grandes concentrações urbanas, subsistem ainda áreas
rurais. No entanto, a necessidade de privilegiar a dimensão económica da
integração europeia, orientando as políticas públicas para a competitividade em
detrimento da coesão social, gera conflitos (latentes ou explícitos) entre
competitividade e coesão que é indispensável ultrapassar pelos efeitos de rutura
(quebra de laços sociais, descontinuidades territoriais, marginalização económica)
que suscitam e pelos reflexos negativos subsequentes.
(Associação Portuguesa de Geógrafos)

1.1.3. Arquitetura tradicional e sistemas construtivos

Desde que os Homens conseguiram romper


o isolamento que os continha em pequenas

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áreas, os aperfeiçoamentos técnicos e as inovações formais da arquitetura alastraram pela Terra,
acompanhando a expansão territorial de certos povos, das doutrinas religiosas e do intercâmbio
económico e cultural.
A história da arquitetura em Portugal acompanhou sempre de perto a evolução da história de 14

Portugal e as sucessivas ocupações e expansões a que o atual território nacional esteve sujeito.
Pretende-se apresentar neste documento de apoio os momentos mais significativos dessa
evolução.

A combinação de materiais, utilizados na materialização dos diversos elementos de construção de


um edifício, denomina-se por solução construtiva. A combinação das soluções construtivas
utilizadas na definição dos principais elementos de construção: pavimentos, paredes e coberturas;
é conhecida por sistema construtivo. Devido à investigação e à evolução tecnológica que se
desenvolve no domínio da Construção, existem atualmente inúmeros exemplos de novos sistemas
construtivos, surgindo todos os dias novas soluções, a maioria com baixa capacidade de vir a ser
amplamente aplicada na construção.
Para além do aparecimento de novos sistemas construtivos, também nas últimas décadas se tem
assistido ao ressurgimento de algumas soluções correntes no passado e que foram praticamente
abandonadas, como o Adobe e a Taipa. Com o crescimento da consciência ecológica e com a
aplicação da ciência à construção, o Homem passou a compreender melhor e aprendeu a corrigir o
comportamento de alguns sistemas construtivos do passado, que se mostram atualmente bastante
mais compatíveis com o equilíbrio dos ecossistemas, do que os atuais sistemas construtivos
amplamente implementados e disseminados.

Ao nível de novos sistemas construtivos serão focados dois exemplos que são amplamente utilizados
noutros países, mas que em Portugal ainda são pouco conhecidos: os sistemas construtivos em estruturas
de perfis metálicos leves (Light Gauge Steel Frammig – LGSF) e os sistemas construtivos em betão celular
autoclavado (Autoclaved Cellular Concrete - ACC).ii

Tendo em conta a influência da envolvente vertical dos edifícios no seu comportamento, no final desta
parte, serão abordadas duas soluções construtivas não convencionais para a envolvente vertical dos

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edifícios: a Parede de Trombe e a fachada ventilada. A Parede de Trombe é uma das soluções para a
envolvente vertical dos edifícios mais utilizada na arquitetura bioclimática, permitindo um melhor
aproveitamento dos recursos endógenos, o que potencia a diminuição do consumo de energia convencional,
com vantagens económicas e ambientais. A fachada ventilada é uma tecnologia de fachadas relativamente
15
recente que surgiu das investigações realizadas neste domínio, que têm resultado em soluções cada vez
menos espessas e, por conseguinte, mais leves, compostas por uma série de camadas com funções cada vez
mais específicas.

Resumidamente, os fatores mais importantes que influenciam a seleção da tecnologia


construtiva mais adequada são (adaptado de AGO, 2003):

▪ Durabilidade das soluções comparativamente à vida útil projetada para o


edifício;

▪ Análise global dos custos da solução (custo inicial, custo de operação,


custo de manutenção, custo de reabilitação, custo de
demolição/desmantelamento, valor venal, custo de eliminação);

▪ Comportamento térmico. O modo como uma solução construtiva


condiciona o comportamento térmico do edifício é importante na previsão
da quantidade de energia necessária nas operações de aquecimento e
arrefecimento (custos económicos e ambientais);

▪ Impacto ambiental de todos os materiais e componentes de construção


utilizados, bem como, dos processos de construção associados;

▪ Disponibilidade de técnicos e de empresas de construção que possuam a


adequada formação para lidarem com a solução construtiva pretendida;

▪ Disponibilidade de materiais no mercado;

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▪ A manutenção esperada;
▪ A flexibilidade da solução e o seu potencial de reutilização/reciclagem;
▪ A distância de transporte prevista para cada material e componente.
16

Tendências na construção
• Materiais
O betão é ainda, e apesar de todos os inconvenientes apontados até agora, o material base nas principais
soluções construtivas da Construção portuguesa.
Resumidamente, os novos desígnios dos materiais de construção são (Simões, 2002):

• Materiais por medida. A aplicação da química à engenharia dos materiais permitiu a


“afinar” as propriedades dos materiais através da manipulação da sua microestrutura
(cadeia-macromolecular), ou da sua macroestrutura (fibras, argamassas de resina,
materiais compósitos). Deste modo os materiais são obtidos em função da
combinação de vários componentes, com vista à satisfação das performances
pretendidas. A descoberta de materiais de síntese acelerou a conceção e o
desenvolvimento dos materiais compósitos, permitindo obter combinações de
performances, impossíveis de atender a partir de materiais microscopicamente
homogéneos.

• Materiais “inteligentes e programáveis”. Os materiais do futuro serão


“inteligentes”, no sentido de reagir espontaneamente e sem intervenção humana às
condições do meio (tal como acontece num campo de girassóis em relação ao sol). A
“inteligência” será integrada no material, de modo a que este possa alterar as suas
características face às solicitações, caso dos polímeros a aplicar no revestimento das
fachadas e nos envidraçados que definem a sua reflectância em função da temperatura do
meio exterior. Os materiais serão também programáveis por computador, podendo ser
formulada, organizada e estruturada a matéria para satisfazer um conjunto de
exigências predefinidas, como exemplo a forma, a rigidez, etc.

• Materiais “verdes” e confortáveis. Por todas as razões apontadas no capítulo II,


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haverá uma tendência no desenvolvimento e proliferação de materiais que
“respeitem” o meio ambiente. É crescente a utilização de materiais que integram
matéria reciclada, cujo fabrico é programado de modo a que possuam baixo impacto
energético e que tenham grandes possibilidades de virem a ser reutilizados e/ou
17
reciclados. Pretende-se também que a durabilidade destes materiais seja cada vez
mais alargada. Quanto ao “conforto”, os materiais devem possuir propriedades
delicadas, com características agradáveis em termos estéticos e sensoriais,
possibilitado a harmonia entre o material e o utilizador. Constitui exemplo, o
desenvolvimento de novos materiais em madeira para o revestimento de paredes e
pavimentos com estética apelativa e conforto táctil.

• Materiais biotecnológicos. A biotecnologia, a par da física, da mecânica e da química,


é um ramo da ciência que intervém na conceção de biomateriais, sendo estes
compostos por matéria viva com programação genética. São produzidas soluções a
partir de células animais e vegetais para desenvolver moléculas biológicas que pelas suas
propriedades encontram campo de aplicação no sector da construção. O seu emprego
pode ser diverso, desde paredes autolaváveis que dispensam operações de limpeza a
sistemas de regulação higrométrica. Igualmente se prevê a aplicação de biomateriais
para a autorreparação de edifícios (caso de paredes fissuradas), dado que estes
materiais são providos de “memória” que lhes permite retornar à sua fase inicial após
determinada solicitação.

• Taipa
Na taipa utiliza-se a terra húmida para a construção de paredes espessas através de um processo de
compactação. As paredes de taipa são construídas através da compactação de uma mistura de agregados
selecionados, incluindo gravilha, areia, siltes, e uma pequena quantidade de argila. A compactação é
realizada entre dois painéis de cofragem.

A construção em taipa, também conhecida por “pisé” – termo de origem na expressão francesa “pisé de
terre” – foi utilizada pela primeira vez em Lyon, França em 1562. O termo foi aplicado à construção de
paredes com pelo menos 50 cm de espessura, materializadas através da compactação de terra entre dois
moldes paralelos que são removidos após a secagem da terra.

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Apesar do termo estar inicialmente associado à construção de paredes com espessuras superiores a 50 cm, é
possível construírem-se paredes mais esbeltas, através da adição de cimento ou cal à mistura (AGO, 2003).

18

• Adobe
O adobe é uma técnica de construção em terra onde são utilizados blocos de terra crua moldados. O termo
“adobe” provém do vocabulário Árabe e Berber e foi implementado na Península Ibérica quando os povos
do Norte de África dominavam esta zona do continente europeu.

Para se executarem os blocos (adobes), em primeiro lugar realiza-se uma mistura de terra e água que é
colocada em moldes com as dimensões que se pretende atribuir aos blocos (fig. 5.13). Posteriormente os
blocos ficam a secar ao ar livre (naturalmente). Os adobes podem ser produzidos a partir de terra líquida ou
plástica, utilizando moldes muito diversos (Lourenço, 2003).

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19

• BTC
O BTC – bloco de terra comprimido – é o descendente moderno do bloco moldado de terra, conhecido
tradicionalmente por Adobe. A ideia de compactar a terra de modo a melhorar a qualidade e performance
dos blocos moldados de terra não é nova, e foi através da utilização de pilões de madeira que se produziram
os primeiros blocos de terra comprimida. Este é um processo ainda bastante comum em algumas partes do
globo.

Pensa-se que as primeiras máquinas para a compactação de terra surgiram no século XVIII, em França,
através do inventor François Cointeraux. Este inventor desenvolveu um equipamento denominado por
“crecise” através da adaptação de uma prensa usada na produção de vinho para a compactação de terra
(Rigassi, 1985).

Foi, no entanto, a partir de meados do século XX, mais propriamente em 1952, que se deu o grande impulso
na utilização do BTC na Construção. Nesse ano, no âmbito de um programa de pesquisa sobre a habitação
rural na Colômbia, foram aperfeiçoadas as técnicas de aplicação deste produto na Construção e foi

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desenvolvido, pelo engenheiro Raul Ramirez, um equipamento prático e de dimensões reduzidas
denominado por prensa CINVA-RAM. Este equipamento foi disseminado por todo o mundo (Rigassi, 1985).

As suas características técnico-funcionais são em tudo semelhantes às do adobe. A principal diferença,


20
reside no facto do adobe atingir a sua resistência máxima após sofrer um processo de cura, enquanto o BTC
atinge a sua resistência máxima com a compactação da prensa. A compactação da terra com uma prensa
melhora as qualidades do material, pois se por um lado as formas dos blocos ficam mais regulares, por outro
a superior densidade torna maior a resistência à compressão, bem como a resistência à erosão e à
degradação através do contacto com a água.

Este método é aquele que implica prazos de construção mais curtos, pois praticamente não exige tempo de
espera entre a produção e aplicação do material. A produção pode ser assegurada todo o ano, independente
das condições climatéricas.

1.1.4. Ambientes rurais e ambientes urbanos

iii
Os espaços urbano e rural inserem-se como diferentes expressões materializadas no espaço geográfico,
compreendidas por suas distintas dinâmicas econômicas, culturais, técnicas e estruturais. Embora
componham meios considerados distintos, suas inter-relações são bastante complexas. Por isso, muitas
vezes é difícil separar ou compreender a especificidade de cada um desses conceitos.
O conceito de espaço urbano designa a área de elevado adensamento populacional com formação de
habitações justapostas entre si, o que chamamos de cidade. Já o conceito de espaço rural refere-se ao
conjunto de atividades primárias praticadas em áreas não ocupadas por cidades ou grandes adensamentos
populacionais.

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Mapa Mental: Espaço urbano e rural

21

No entanto, para além dessa definição simples e introdutória, é interessante perceber que rural e urbano
são, além de tudo, tipos diferentes de práticas quotidianas. Assim, podem existir práticas rurais no espaço
das cidades ou práticas urbanas no espaço do campo. Por exemplo: um cultivo de hortaliças dentro do
espaço de uma cidade (embora isso seja cada vez mais raro nos grandes centros urbanos) é um caso de
prática rural no meio urbano. Da mesma forma, a existência de um hotel fazenda ou um resort em uma zona
afastada da cidade é um exemplo de prática urbana no meio rural.

Uma das principais diferenças entre urbano e rural está, assim, nas práticas socioeconômicas. O espaço
rural, como já dissemos, engloba predominantemente atividades vinculadas ao setor primário (extrativismo,
agricultura e pecuária), ao passo que o espaço urbano costuma reunir atividades vinculadas ao setor
secundário (indústria e produção de energia) e terciário (comércio e serviços).

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Outra diferença entre urbano e rural está na amplitude dos respetivos conceitos. Em termos de escala, a
abrangência espacial do meio rural é muito maior, pois ele reúne tantos as áreas transformadas e cultivadas
(espaço agrário) pelo homem quanto o espaço natural, pouco transformado ou mantido totalmente sem
intervenções antrópicas. Por outro lado, a cidade, embora possua uma maior dinâmica econômica,
22
apresenta-se em espaços mais circunscritos, mesmo com o crescimento desordenado dos espaços urbanos
na maioria dos países periféricos e emergentes.

Em termos de hierarquia econômica, podemos dizer que, originalmente, o campo exercia um papel
preponderante sobre as cidades. Afinal, foi o desenvolvimento da agricultura e da pecuária que permitiu a
formação das primeiras civilizações e o seu posterior desenvolvimento. No entanto, com o avanço da
Revolução Industrial e as transformações técnicas por ela produzidas, o meio rural viu-se cada vez mais
subordinado ao urbano, uma vez que as práticas agropecuárias e extrativistas passaram a depender cada vez
mais das técnicas, tecnologias e conhecimentos produzidos nas cidades.

Atualmente, o urbano e o rural formam uma relação socioeconômica e até cultural bastante ampla, muitas
vezes se apresentando de forma não coesa e profundamente marcada pelo avanço das técnicas e pelas
transformações produzidas a partir dessa conjuntura. Nessa relação, o espaço geográfico estrutura-se em
toda a sua complexidade e transforma-se em reflexo e condicionante das relações sociais e naturais,
denunciando as marcas deixadas pelas práticas humanas no meio em que se estabelecem.

(Mapa mental por Rafaela Sousa - Professora de Geografia- BR.)

1.1.5. História oral das Comunidades e Socialização

A identidade de um intérprete manifesta-se com evidência tão logo abre a boca: ele se define em oposição às
outras identidades sociais, que com relação à sua são dispersas, incompletas, laterais e as quais assume,
totaliza, magnífica...(Zumthor, 1993, p. 68).

... Além do processo de socialização pelos valores que estão contidos nas histórias, nas mensagens que elas
transmitem, a própria situação de contar história é um momento de socialização, pois propicia a convivência
e a troca de experiência entre os participantes do evento. (Rondelli, 1993, p.30 e 31).

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Na cultura oral o conhecimento tem que ser produzido em voz alta, senão ele logo desaparece; é preciso
despender uma grande energia para dizer repetidas vezes o que é
aprendido arduamente através dos tempos. Como conhecimento valioso à sociedade tem,
então, em alta conta àqueles anciãos e anciãs, sábios que se especializam em conservá-lo,
23
conhecendo e podendo contar as histórias dos tempos remotos. Já o conhecimento da cultura escrita, que
está armazenado fora da memória humana, deprecia as figuras do sábio ancião, repetidor do passado, em
favor de descobridores mais jovens de algo novo.
Enquanto que nas culturas orais há uma conceituação e uma verbalização de todo o seu conhecimento com
uma referência mais ou menos próxima ao cotidiano da vida humana, a cultura escrita acaba por distanciar,
de certo modo, até mesmo o ser humano, discriminando e tornando todas as coisas tão abstratas, neutras,
inteiramente desprovidas de um contexto de ação humana.

A História Oral é considerada como fonte identitária de um povo, capaz de retratar as realidades, as
vivências e os modos de vida de uma comunidade em cada tempo e nas suas mais variadas sociabilidades.
Esse tipo de fonte não só permite a inserção do indivíduo, mas o resgata como sujeito no processo histórico
produtor de histórias e feitos de seu tempo.
É através da experiência vivida no passado, dos erros e acertos, das ilusões e desilusões, das ideologias e
utopias, dos sonhos e das realidades, das verdades e mentiras, das buscas e desistências, dos medos e das
coragens, enfim, de tudo que se viveu, sentiu ou pensou, que se pode corrigir, no presente, para se melhorar
no futuro. Tudo isso só é possível se o historiador lançar mãos dos diversos tipos de fontes, pois, nem tudo
está escrito. Neste sentido é que a memória privilegia aqueles que não tiveram vez e nem voz por falta de
oportunidade ou por ofuscamento das diretrizes dominantes. O estudo da memória é fundamental,
principalmente numa sociedade intensamente autoritária, violenta e discriminadora, como a brasileira que
foi produzida por um Estado assistencialista, que sempre negou os direitos essenciais para o exercício da
cidadania ativa aos seus habitantes.
Analisar o anexo- Historia oral – Douro

Griots: os contadores de histórias da


África Antiga
Até os dias de hoje os Griots seguem em seu papel de guardiões da tradição
Por JOSEANE PEREIRA, do Aventuras na História

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Contadores de histórias, mensageiros oficiais, guardiões de tradições milenares: todos esses termos
caracterizam o papel dos Griots, que na África Antiga eram responsáveis por firmar transações comerciais
entre os impérios e comunidades e passar aos jovens ensinamentos culturais, sendo hoje em dia a prova viva
24
da força da tradição oral entre os povos africanos.
Utilizando instrumentos musicais como o Agogô e o Akoting (semelhante ao banjo), os griots e griottes
estavam presentes em inúmeros povos, da África do Sul à Subsaariana, transitando entre os territórios para
firmar tratados comerciais por meio da fala e também ensinando às crianças de seu povo o uso de plantas
medicinais, os cantos e danças tradicionais e as histórias ancestrais. Diferente da civilização ocidental, que
prioriza a escrita como principal método para transmissão de conhecimentos e tem historicamente fadado
povos sem escrita ao âmbito da “pré-história”, em sociedades de tradição oral a fala tem um aspeto milenar
e sagrado, e deve-se refletir profundamente antes de pronunciar algo, pois cada palavra carrega um poder
de cura ou de destruição.

Nesse sentido, os Griots são os guardiões da palavra, responsáveis por transmitir os mitos, as técnicas e as
tradições de geração para geraçãoiv.

O termo “griot” tem origem no processo de colonização do continente africano, sendo a tradução para o
francês da palavra portuguesa “criado”. Durante o processo de colonização da costa africana a partir do

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século XIV, com a progressiva construção de fortes portugueses que funcionavam como entrepostos
comerciais, o Reino de Portugal realizava comércio com Reinos africanos como Kongo, Mali e Songhai. Esses
primeiros contatos já transformavam tanto as culturas africanas como a nação de Portugal, mas acabaram
levando a muitos reinos à desestruturação cultural. Com o tráfico de escravizados e o processo de
25
Neocolonização do século XIX, países como França, Bélgica e Alemanha adentraram os territórios africanos,
contribuindo para essa desestruturação.
Em sociedades marcadas pela escravidão, os sujeitos foram historicamente considerados meros “objetos”
sem memória. Nesse sentido, é importante relembrarmos a importância da memória para esses povos,
sendo os Griots a manifestação viva de uma memória transmitida de geração em geração.

VAMOS ANALISAR.

Qual a importância das lendas na cultura alentejana?


Creio que é de fundamental relevância para a região, riquíssima em património cultural. As lendas são um
dos mais importantes legados herdados das gerações anteriores que, ao longo dos tempos, têm preenchido
e enriquecido o imaginário popular. A par dos provérbios, lengas-lengas, trava-línguas, ditos e dizeres
populares, as lendas são importantes testemunhos orais, que caracterizam um povo e uma região. E, neste
sentido, o Alentejo é uma região privilegiada, onde o trabalho ao nível patrimonial e identitário se apresenta

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como fator decisivo de atração de destino. Daí, a razão para a edição desta obra que, de forma simples, mas
marcante, procura dar a conhecer este riquíssimo património oral.
Quais os ingredientes essenciais para o sucesso de uma lenda, para a sua capacidade de perdurar no
tempo, de passar de geração em geração?
26
Muitos de nós habituámo-nos a ouvir histórias de lendas contadas pelos nossos pais e avós, nos serões
invernosos, à beira das lareiras ou antes de adormecermos. No imaginário coletivo alentejano, as lendas são
sobretudo as histórias das mouras encantadas, dos cavaleiros e dos seus encantamentos, que nos foram
cativando ao longo dos tempos de infância. Recorda-nos momentos de afetos, de dar largas à imaginação,
de sonhos, de irmos a um qualquer lugar para ver se encontrávamos uma esbelta moura ou testemunhos
sua presença, quer fosse junto de uma fonte ou poço, furna ou ribeira, castelo ou palácio. Penso que este
livro seja um bom pretexto para as gerações mais novas continuarem a fazê-lo, para passar bons momentos
em família ou na escola, permitindo conhecer para melhor amar o nosso património comum.

1.1.6. A Memória dos lugares e a Epifania dos espaços

Vila Real de Santo António


Vila Real de Santo António foi fundada em 1774 por vontade expressa do Marquês de Pombal, perto da
antiga Vila de Santo António de Arenilha desaparecida no século XVII, engolida pelo avanço do mar
conjugado com alterações do leito do rio. Pelo facto de ter sido construída de raiz em apenas dois anos,
obedecendo ao padrão iluminista, constitui um importante testemunho histórico. Para a nova vila,
transformada em sede de concelho, foram transferidas a alfândega (estava em Castro Marim) e a prisão
(localizada em Cacela). No século XIX, o seu desenvolvimento está ligado à expansão da indústria
conserveira, graças aos investimentos de espanhóis, gregos e italianos. A atividade piscatória continua a ser
um recurso económico fundamental, animado pela apanha do atum e da sardinha para a indústria
conserveira. Cacela limita-se, cada vez mais, à produção agrícola para abastecer os dois centros
populacionais mais próximos (Vila Real de Santo António e Tavira). Só no final desse século é que a vila
assiste à chegada do comboio, favorecendo a ligação com os restantes centros urbanos do Algarve e a
ligação ao resto do país. Os anos sessenta assinalam no Algarve o início de um processo de crescimento
regional claramente polarizado pelo turismo. Monte Gordo, até aí pequena aldeia piscatória, torna-se um
centro de turismo, graças à edificação dos primeiros edifícios hoteleiros. Assim se afirma a nova vertente
económica do concelho: o turismo. Pela sua localização geográfica fronteiriça, é local privilegiado pelos

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espanhóis, nomeadamente no campo comercial, cultural e gastronómico. O concelho apresenta diferenças a
nível morfológico/paisagístico, opondo áreas de relevo acidentado a Norte e áreas aplanadas no Litoral e,
possuindo valores ambientais, paisagísticos e patrimoniais relevantes. Para além disso, possui ainda recursos
culturais, sociais e desportivos com bastante relevância quer a nível nacional quer a nível internacional.
27

Castro Marim
Castro Marim, povoação que ressurgiu de velhas civilizações que aí deixaram os seus testemunhos, foi
conquistada aos Mouros por D. Paio Peres em 1242. Durante as lutas da reconquista cristã verificou-se um
grande decréscimo populacional. Devido a isso, os monarcas da 1ª dinastia concederam-lhe foros e
privilégios especiais. No reinado de D. Dinis, Castro Marim viu reconhecida a sua importante localização
estratégica, acolhendo, por bula decretada pelo Papa João XXII, a sede da Ordem de Cristo (1319). Mais
tarde, foi residência do Infante D. Henrique, aquando da sua nomeação para governador desta ordem. No
período da expansão ultramarina, Castro Marim voltou a ter um papel fundamental na luta contra a pirataria
muçulmana dada a sua proximidade com Marrocos. Além disso, afirmou o seu papel como porto piscatório e
comercial. Durante as guerras da restauração, reconstruiu-se o castelo e construiu-se o Forte de S.
Sebastião. Mais uma vez, Castro Marim é fruto de atenção devido à sua localização estratégica privilegiada.
O século XVIII foi marcante para a situação futura da vila. O terramoto de 1755 abalou a vila, destruindo
parte das construções mais antigas. Mas foi o nascimento da nova vila pombalina, junto à foz do Guadiana,
que mais terá contribuído para o esmorecer da importância e do dinamismo desta vila. Possui recursos
culturais, sociais e desportivos. É de realçar os importantes recursos naturais/paisagísticos, encontrando-se
neste concelho a sede da Reserva Natural do Sapal Castro Marim e Vila Real de Santo António.

Alcoutim
As origens de Alcoutim remontam ao Calcolítico, onde se terá fixado uma tribo celtibérica. Nos princípios do
século II a.C. foi ocupada pelos Romanos, que lhe deram o nome de Alcoutinium. Em 415 foi conquistada
pelos Alanos e um século mais tarde pelos Visigodos. Entre 552 e 625 esteve sob o domínio bizantino. No
início do século VIII passou para o domínio dos Mouros, que fortificaram a povoação. Só no reinado de D.
Sancho II (1240) é que será integrada no território português. Em 1304, D. Dinis dotou-a de foral e mandou
reedificar as muralhas e o castelo. Este monarca doou a vila à Ordem Militar de Santiago. A vila foi palco da
celebração do tratado de paz entre o rei de Portugal, D. Fernando, e o rei de Castela, D. Henrique, que pôs
fim à primeira guerra fernandina. Em 1520, D. Manuel I reformou o anterior foral e elevou a vila a condado a
favor dos primogénitos dos Marqueses de Vila Real. O facto de os donatários terem seguido o partido

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espanhol durante o período da dominação filipina, levou a que os seus bens revertessem a favor da Casa do
Infantado (a partir de 1641). Durante a Guerra da Restauração, Alcoutim foi palco de confrontos e
escaramuças militares, como o duelo de artilharia travado com Sanlucar del Guadiana. Mais tarde, assistiu
aos conflitos entre liberais e miguelistas que disputaram o domínio do Rio Guadiana. O século XX não
28
aportou dinamismo para o concelho, marcado pelo isolamento geográfico de um concelho serrano a que
faltavam vias de comunicação modernas, eletricidade e telefone e ainda pelo progressivo despovoamento
que mutilou a possibilidade de desenvolvimento da sua vertente agrícola e pastoril. Possui recursos
culturais, sociais e desportivos. É de realçar a criação de museus etnográficos nas escolas de 1º Ciclo
desativadas.

1.1.7. Traços arquitetónicos distintivos: integração e rutura paisagística

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Restauração e integração paisagística

A restauração ambiental é o processo induzido pelo homem para recuperar as condições ambientais
(vegetação, fauna, clima, água, solo, etc.) dos ecossistemas perturbados. O objetivo deste processo é imitar
a estrutura, a função, os valores paisagísticos, a biodiversidade e a dinâmica dos ecossistemas originais. A
integração paisagística tem por objetivo orientar ou corrigir as transformações da paisagem já realizadas
(infraestruturas, extração mineira, edificações, etc.) para conseguir adequá-las à paisagem tomada como
referência.
A recuperação paisagística é o processo que visa reabilitar ou requalificar uma área degradada, com vista a
restabelecer ou a criar condições que valorizem o espaço em termos ecológicos, produtivos e estéticos,
integrando-o ambiental e paisagisticamente na envolvente. Neste sentido, a filosofia de conceção do projeto
pode propor a restituição da aptidão original do espaço (reabilitação), ou a reconversão (requalificação) para
um uso distinto do anterior, tendo como objetivo final a minimização dos impactes ambientais motivados
pelo fator que originou a degradação.

Neste sentido, a reabilitação visa o restabelecimento do equilíbrio e funções ecológicas do ecossistema


afetado, recuperando a sua flora e fauna autóctone, enquanto a requalificação pretende conferir ao espaço
afetado um uso e função diferente do existente

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originalmente, como por exemplo, industrial, florestal, agrícola, de lazer, urbano, etc.

31

1.1.8.A polissemia da Polis

Programa POLIS
Este Programa visa promover intervenções nas vertentes urbanística e ambiental, por forma a promover a
qualidade de vida nas Cidades, melhorando a atratividade e competitividade dos polos urbanos.

O POLIS incluiu um conjunto de ações, de menor dimensão, que foram objeto de contratualização com a ex-
DGOTDU, atual DGT, designadamente as intervenções em cidades contempladas pela componente 2 do
Programa, aprovado pela Resolução de Conselho de Ministros nº. 26/2000, de 15 de maio, bem como outras
ações que, no âmbito do POLIS, contribuíam para a melhoria da qualidade urbanística e ambiental das
cidades.

Programa Polis: o que é?


O Programa Polis provém de uma sociedade entre o Estado (Ministério das Cidades, Ordenamento do
Território e Ambiente) e as Câmaras Municipais das várias cidades em que intervém (Autarquias Locais) com

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o objetivo de intervir as vertentes urbanísticas e ambientais das cidades aumentando a atratividade das
cidades. O Estado contribui com 60% do capital e as autarquias locais com os restantes 40%.

O Programa Polis elabora Planos de Pormenor que servem de instrumentos de gestão territorial e definem o
32
que se pode fazer numa determinada área.

Os principais objetivos do Programa Polis são:

• A requalificação urbana tendo sempre em conta a valorização ambiental;


• Promover a multifuncionalidade e revitalizar e requalificar as cidades desenvolvendo
ações que contribuam para tal;
• Melhorar a qualidade do ambiente urbano e valorizar a presença de elementos
ambientais tais como frentes de rio apoiando ações de requalificação;
• Aumentar os espaços verdes, as áreas pedonais e diminuir o tráfego automóvel no
interior das cidades apoiando iniciativas que contribuam para tal.
• É de salientar que o Programa Polis tem como função primordial criar Planos de
Pormenor consoante as necessidades das cidades em questão e colocá-los em
discussão pública visando a sua publicação no Diário da República.

1.2 Plano Diretor Municipal: conceito, objetivos e concretização

O que é o PDM?

O Plano Diretor Municipal - PDM, é um instrumento legal fundamental na gestão do território municipal. O
PDM define o quadro estratégico de desenvolvimento territorial do município, sendo o instrumento de
referência para a elaboração dos demais planos municipais.

O PDM é constituído pelos seguintes documentos:


- Regulamento - que constitui o elemento normativo do PDM e que estabelece e as regras e parâmetros
aplicáveis à ocupação, uso e transformação do solo, vinculando as entidades públicas e ainda, direta e
imediatamente, os particulares;
- Planta de ordenamento, que representa o modelo de organização espacial do território municipal;

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- Planta de condicionantes que identifica as servidões administrativas e as restrições de utilidade pública em
vigor que possam constituir limitações ou impedimentos a qualquer forma específica de aproveitamento do
solo.

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O PDM é também acompanhado por:
- Relatório, que explicita a estratégia e modelo de desenvolvimento local, nomeadamente os objetivos
estratégicos e as opções de base territorial adotadas para o modelo de organização espacial;
- Relatório ambiental, no qual se identificam, descrevem e avaliam os eventuais efeitos significativos no
ambiente, resultantes da aplicação do plano e as alternativas razoáveis, tendo em conta os objetivos e o
âmbito de aplicação territorial respetivos;
- Programa de execução, contendo, designadamente, as disposições sobre a execução das intervenções
prioritárias do Estado e do município, previstas a curto e médio prazo, e o enquadramento das intervenções
do Estado e as intervenções municipais previstas a longo prazo;
- Plano de financiamento e fundamentação da sustentabilidade económica e financeira.

É, ainda, complementado pelos seguintes elementos:


- Planta de enquadramento regional;
- Planta da situação existente com a ocupação do solo;
- Planta e relatório com a indicação dos compromissos urbanísticos existentes;
- Mapa de ruído;
- Participações recebidas em sede de discussão pública e respetivo relatório de ponderação;
- Ficha dos dados estatísticos.
"Os Planos Municipais de Ordenamento do Território são instrumentos de planeamento territorial, que
definem a política municipal de gestão territorial, com vista à utilização sustentável dos recursos
territoriais. "

1.3 Fomento, oportunidade e mobilidade laborais aliados à valorização do património urbano e


rural

- Novas áreas de oferta profissional: Turismo urbano, turismo rural, turismo de habitação, turismo
cultural e turismo de aventura

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ESTRATÉGIA TURISMO 2027 - Luís Araújo Presidente do Turismo de Portugal, I.P.
A visão da Estratégia Turismo 2027 espelha o que se pretende alcançar: «afirmar o turismo como
hub para o desenvolvimento económico, social e ambiental em todo o território, posicionando
34
Portugal como um dos destinos turísticos mais competitivos e sustentáveis do mundo»

O conceito de turismo urbano refere-se ao consumo de determinadas dimensões tipicamente associadas ao


espaço da cidade, como a arquitetura, os monumentos ou os parques, mas também ao plano
especificamente cultural, como os museus, restaurantes e performances. Assim, o turismo urbano resulta da
consubstanciação da ideia de turismo, cidade e cultura.
O estudo do turismo urbano requer a consideração atenta e séria das atividades de lazer e do aglomerado
populacional, e das características da cidade que muita teoria urbana precedente recusou problematizar. No
entanto, o número de avanços nas últimas décadas consagrou ao turismo um canto próprio na investigação
urbana. Como a manufatura industrial torna “desertas” densas zonas urbanas, o entretenimento assume um
papel cada vez mais notório na economia de inúmeras cidades: o lazer e o consumo para alguns é o lucro de
outros. A atração e acomodação dos visitantes tornou-se numa das mais magnas preocupações para o
púlpito e para as elites urbanas privadas. Deste modo, a flutuação de visitantes numa cidade resulta uma
surpreendente determinação das políticas locais, modelos de investimento e construção do meio citadino.

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35

Turismo rural ou agroturismo é uma modalidade do turismo que tem, por objetivo, permitir, a todos, um
contato mais direto e genuíno com a natureza, a agricultura e as tradições locais, através da hospedagem
domiciliar em ambiente rural e familiar.
Desde a década de 1970, como resposta ao aumento e diversificação da procura turística, assim como à
procura de soluções para o declínio e desagregação das sociedades rurais, assiste-se ao desenvolvimento do
turismo em espaço rural, constituindo-se este como um meio privilegiado de promoção dos recursos
existentes nos territórios rurais, um fator de revitalização do tecido económico e social e uma oportunidade
para o desenvolvimento destes territórios.
O turismo no espaço rural constitui uma atividade geradora de desenvolvimento económico para o mundo
rural quer por si só, quer através da dinamização de muitas outras atividades económicas que, dele, são
tributárias e que, com ele, interagem.
As atividades turísticas no meio rural constituem-se da oferta de serviços, equipamentos e produtos de:

• hospedagem
• alimentação
• receção à visitação em propriedades rurais
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• recreação, entretenimento e atividades pedagógicas vinculadas ao contexto rural

36

O Turismo de habitação é um dos sistemas de alojamento domiciliar que foram definidos para estarem
inseridos no modelo de turismo rural, em Portugal.
Hoje mantém esta sua designação original (TH) e, no seu conjunto, com os outros três são agora
oficialmente identificados por TER - Turismo no Espaço Rural, pela DGT (Direção Geral de Turismo) do
governo português.
Existe, desde o ano de 1981, de forma organizada e regulamentada com o principal objetivo de favorecer e
revitalizar habitações com interesse para o património histórico-cultural.
Caracterizando-se por ser uma hotelaria familiar em solares, palácios ou casas apalaçadas com mobiliário e
decoração adequado ao estilo das mesmas, de maior qualidade do que nas restantes modalidades de
Turismo Rural.
As casas classificadas em Turismo de Habitação são, atualmente, identificadas como casas antigas de
grandes dimensões, geralmente com história.

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Consiste numa modalidade de alojamento turístico, (hospedagem), e que tem por base o
acolhimento em casas particulares de reconhecido valor arquitetónico, relevante para a região ou
mesmo internacional, com a presença do proprietário no local de pernoita, embora em espaços
separados de dormida, por vezes com áreas comuns de serviço e de lazer, e na sua maioria com uma
37
piscina inserida na área ajardinada pertencente às mesmas.

Turismo cultural é uma atividade econômica que está relacionada a eventos e viagens organizadas
e direcionadas para o conhecimento e lazer com elementos culturais, tais como: monumentos,
complexos arquitetónicos ou símbolos de natureza histórica, além de eventos
artísticos/culturais/religiosos, educativos, informativos ou de natureza acadêmica [1][2].

A atividade do turismo cultural pode ser subdividido em:

• Turismo de congresso;
• Turismo científico;
• Turismo religioso, entre outros.

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Turismo de aventura é um segmento de mercado do sector turístico que compreende o

movimento de turistas cujo atrativo principal é a prática de atividades de aventura de

carácter recreativo. Podendo ocorrer em qualquer espaço: natural, construído, rural,

urbano, estabelecido como área protegida ou não.

Atividades relacionadas: rafting, rapel, mountain bike, mergulho autônomo, mergulho de

apneia, trekking, arborismo, exploração de cavernas entre outras atividades.

- Reconstrução de percursos profissionais e projetos de vida através da qualificação

profissional em áreas associadas à reclassificação urbanística

PF Documento anexo: Lei n.º 99/2019 - Publicação: Diário da República n.º 170/2019,

Série I de 2019-09-05

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1.4 Fluxos Migratórios: causas e consequências económicas, políticas e culturais dos

fenómenos de migração, emigração, imigração e êxodo

- Consequências dos fluxos migratórios na expressão cultural e artística e o papel dos 39

equipamentos culturais nos processos de integração

Evolução dos fluxos migratórios


Até meados dos anos 60, Portugal era um país de emigrantes, sobretudo de emigrantes transoceânicos. A
falta de oportunidades e o clima de pobreza que reinava no auge do antigo regime levaram milhões de
portugueses a atravessar o Atlântico em direção ao Novo Mundo: Brasil.
A partir dos anos 60, estes fluxos começaram a centrar-se nas economias florescentes da Europa Ocidental,
carentes de mão-de-obra não especializada e com condições laborais infinitamente superiores às oferecidas
em Portugal. França, Alemanha e Suíça passaram então a ser o destino de eleição destes portugueses. Foi
então que o Estado começou a abrir as portas aos imigrantes das colónias portuguesas (sobretudo de Cabo
Verde).
Com a desagregação tardia do Império ultramarino português, em 1975, cerca de meio milhão de
portugueses que viviam sobretudo em Angola e Moçambique regressaram a Portugal para 11 anos depois,
com a entrada de Portugal na então CEE se voltar a incentivar a saída de trabalhadores nacionais para um
espaço europeu comum que continuava carenciado de mão-de-obra.
A integração de Portugal neste novo espaço tornou-o especialmente atrativo como destino de imigrantes
oriundos do Brasil, dos PALOP e da Europa Central e Oriental. A esmagadora maioria dos imigrantes
africanos em Portugal deixou os países de origem sem qualquer espécie de garantia no que se refere à sua
integração no mercado de trabalho, submetendo-se
frequentemente a condições de trabalho precárias e a
salários muito baixos.
Ainda assim, Portugal sempre foi tido como um destino
atrativo, graças à falta de mão-de-obra e à falta de
eficácia do sistema de fiscalização que promovem a
entrada e permanência em situação ilegal.

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Em plenos anos 90, a imigração volta a mudar de rosto, pois com a dissolução da União Soviética e com o
desagregar do modelo económico vigente que cedeu perante o modelo capitalista e liberal da Sociedade
Ocidental, deixou sem trabalho e assistência médico-social milhões de pessoas.
É nesta altura que começam a chegar a Portugal imigrantes, provenientes dos países de Leste, com um
40
elevado nível de habilitações literárias, mas as barreiras linguísticas e a falta de reconhecimento das suas
competências académicas e profissionais fez com que a maioria tivesse tido pouco mais oportunidades que
as que foram dadas aos imigrantes dos PALOP
Na viragem do século, assistiu-se a uma nova vaga de imigração, desta vez, oriunda do Brasil. Mais
heterogénea do ponto de vista das qualificações literárias profissionais que as populações africanas e da
Europa de Leste, os imigrantes brasileiros beneficiaram da abertura das autoridades portuguesas
relativamente à sua origem e rapidamente se tornaram na comunidade imigrante mais importante do país e
que teve um acolhimento diferente das restantes.
E tudo graças às grandes afinidades culturais que Brasil e Portugal partilham e ao facto dos portugueses não
reconhecerem nos brasileiros aquelas que são consideradas as principais razões para encarar a população
imigrante como ameaçadora, nomeadamente a instabilidade económica, os preconceitos racistas e o
conservadorismo social.
O país tem que ter orientações corretas em matéria de acolhimento e integração dos que procuram no
nosso país uma saída digna para as suas vidas, marcada pelo respeito pelos seus direitos cívicos, sociais e
culturais, de apoio à sua integração harmoniosa e de valorização do seu contributo para o desenvolvimento
do país e se esta integração não se realizar, restam duas hipóteses às populações imigrantes:

• O trabalho clandestino, sem condições, nem dignidade e fator de exploração;


• O desemprego que leva inevitavelmente ao aumento da pobreza e da desagregação social,
designadamente ao alcoolismo, miséria, depressão, crime e suicídio.

Impactos económicos, culturais e sociais dos fluxos migratórios no Portugal Contemporâneo


Uma integração plena evita, pois, uma série de problemas dramáticos e favorece a coesão social ao mesmo
tempo que contribui positivamente para a economia e para a contenção do envelhecimento demográfico.
Por outro lado, os imigrantes são responsáveis por cerca de 5% do PIB nacional e o seu contributo para as
contas públicas, através de impostos e taxas, é normalmente maior do que os custos que lhes estão
associados, fazendo-os, por isso, contribuintes líquidos para a nossa sociedade.

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A mobilidade de pessoas, capital, bens e serviços não é uma realidade recente. Contudo, com a globalização,
estes fenómenos intensificaram-se, criando redes globais de interdependência económica e social. As novas
tecnologias contribuem para a rápida transferência de ideias, serviços, bens, capitais e informação. Os
Estados, economias e culturas estão cada vez mais integrados e interligados. Ao mesmo tempo que a
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expansão da economia global dá acesso a melhores oportunidades de vida ao ser humano, assistimos à
aplicação de maiores restrições aos movimentos transfronteiriços, que se traduz também num maior
controlo dos fluxos migratórios. As crescentes disparidades quanto ao nível de vida, oportunidades de
trabalho e até de segurança humana, exacerbada pela atual crise económica, têm um grande impacto nas
migrações, nomeadamente de trabalhadores. A imigração pode ser entendida como ameaça, tanto para o
país de acolhimento como para o país de origem. Daí a necessidade de encontrar respostas articuladas entre
ambos. Desta forma, só uma relação de cooperação que cubra as mais variadas áreas (desde a legislação,
contratos de trabalho, às relações comerciais) pode criar políticas migratórias positivas. Os migrantes,
enquanto potenciais agentes de risco, afetam a segurança do Estado direta ou indiretamente. Não podemos,
contudo, esquecer o importante contributo dos fluxos migratórios para a renovação demográfica, bem como
para o desenvolvimento socioeconómico do Estado. Os Estados devem apostar na criação de políticas de
imigração inclusivas e compreensivas. Políticas onde o papel e o estatuto do migrante não seja esquecido e
que reconheçam as vantagens das migrações internacionais, promovendo a integração plena dos imigrantes.
As medidas a adotar deverão considerar os diferentes perfis migratórios existentes, bem como a distribuição
geográfica da população estrangeira no território. Para tal, deverá haver uma concertação entre poder
central e poder local, e entre instituições governamentais e a sociedade civil, numa perspetiva de
proximidade e promoção da uma cidadania ativa.

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Vamos resumir:

Fluxo Migratório

• Fluxo migratório é uma referência genérica ao movimento de entrada (imigração) e saída de


pessoas (emigração).

• Migrante é todo aquele que se desloca da sua residência por um período de tempo mais ou menos
longo.

Emigração: é o ato e o fenómeno espontâneo de deixar o local de residência para se estabelecer numa outra
região. Trata-se do mesmo fenómeno da imigração mas visto da perspetiva do lugar de origem. A emigração
é a saída de nosso país.

Imigração: é o movimento de entrada, com ânimo permanente ou temporário e com a intenção de trabalho
e/ou residência, de pessoas ou populações, de um país para outro.

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Migrações:

• A mobilidade é uma característica de praticamente todos os seres vivos.


• Qualquer movimento coletivo da população, de carácter temporário ou permanente, entre dois 43

espaços geográficos.
• Este movimento pode acontecer dentro de um mesmo país, por exemplo de uma área rural para
uma zona urbana, ou entre países diferentes

Causas ou motivos das migrações:

Económicas - provavelmente deverá ser a causa fundamental que leva as pessoas a migrarem, quase
sempre resultante da diferença de desenvolvimento socioeconómico entre países ou entre regiões.

Quase sempre, nestes casos, os indivíduos migram porque querem assegurar noutros locais um
melhor nível de vida, onde os salários são mais elevados, as condições de trabalho menos pesadas,
onde a assistência social é mais eficaz, enfim, vão para onde pensam ir encontrar uma vida mais
agradável.......o que, diga-se de passagem, nem sempre acontece.

Por exemplo, ir trabalhar para a Alemanha, pois dum modo geral, os salários lá, são mais elevados.

Naturais - dum modo geral, este motivo de migrações, leva a que sejam migrações forçadas, pois
devido a causas naturais (cheias, terramotos, secas, vulcões...) a vida e a sobrevivência das pessoas
fica em risco, pelo que se veem forçadas a abandonar os seus locais de residência.

Turísticas - são as que se efetuam normalmente, pela maioria das pessoas, em determinadas épocas
(ou estações) do ano, que por isso mesmo, também são uma forma de migrações sazonais. São
aquelas deslocações que se efetuam no período das férias de Verão, Natal, Páscoa, etc.

Laborais - São todas as deslocações que se efetuam por motivos profissionais.

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Podem também ser sazonais e dum modo geral, são temporárias. Um exemplo muito fácil de
compreenderem, é o dos docentes, que na sua maioria, são colocados (muitas vezes sem grande vontade)
quase todos os anos letivos em escolas diferentes e por vezes, longe das suas residências.

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Políticas - São dum modo geral migrações externas, que devido a mudanças nos governos de países,
alguns habitantes se veem forçados (mas nem sempre) a saírem desse país.

Por exemplo, quando se deu a independência de alguns países africanos, muitos dos seus habitantes tiveram
de sair deles e ir para outros países; aconteceu com os portugueses em Angola, Moçambique, Guiné, mas
também com franceses em Marrocos, Argélia.

Étnicas - esta palavra, muitas vezes confundida com racismo, tem mais a ver com diferenças
entre culturas e povos, podendo ou não ser da mesma raça.

Por exemplo, na II Guerra Mundial, havia muitos judeus na Alemanha e, para Hitler, eles constituíam um
povo inferior, pelo que tentou exterminá-los, contudo, eles eram ambos (alemães e judeus) de raça branca.
Também recentemente, na ex-Jugoslávia, muitos povos se viram forçados a emigra apenas por pertencerem
a outra cultura.

Religiosos - há muitas migrações, muitas delas externas, cujo único objetivo é a deslocação a um
determinado centro de fé, de acordo com a religião de cada indivíduo.

Como exemplo podem-se citar as peregrinações a Fátima, Santiago de Compostela (Espanha), Lourdes
(França), Meca (Arábia), entre muitos outros espalhados pelo mundo. Aliás, a título de curiosidade, a religião
muçulmana obriga cada um dos seus crentes a deslocarem-se pelo menos uma vez na vida, a Meca, ao
túmulo do profeta.

Culturais - poucos consideram este motivo uma causa de migração, contudo, há muitas pessoas que
se deslocam (normalmente temporariamente) para outros locais, apenas com uma finalidade
cultural, ou de enriquecimento de conhecimentos. Por exemplo, ir a outro país tirar um curso de
pós-graduação, ou um doutoramento.... ter de sair do local de residência porque a
universidade/faculdade onde um estudante conseguiu entrar se situa muito longe, etc.

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Principais fluxos migratórios para a Europa e Portugal:

➢ As maiores comunidades imigrantes legais em Portugal (em 2005) foram os brasileiros, ucranianos,
cabo-verdianos e angolanos.
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➢ No entanto, todas estas comunidades foram as maiores em diferentes anos, que foi sendo
rapidamente suplantada por outras provenientes de ondas migratórias mais recentes.
➢ Este grande fluxo migratório muito se deveu à abertura das fronteiras da União Europeia por parte
da Alemanha, em 1999.
➢ No entanto, devido à escassez de empregos indiferenciados nesse país fez com que estes migrassem
para sul, para a Península Ibérica, onde existiam grandes necessidades de mão-de-obra para a
construção civil e agricultura nos dois países ibéricos.
➢ A maioria desses imigrantes estava dividida em dois grupos, os eslavos: ucranianos, russos e
búlgaros, e os latinos de leste: romenos e moldavos.
➢ Um dos maiores grupos e que se fixou nas regiões de Lisboa, Setúbal, Faro e Porto são os
ucranianos, e ninguém sabe ao certo o seu número total.
➢ No entanto, o número de imigrantes legais, é de cerca de 70 000, sendo sabido que este número é
muitas vezes inferior à realidade.
➢ O grupo é de tal forma numeroso que fez com que a Ucrânia de país distante e desconhecido
passasse a familiar e que a maioria dos imigrantes de leste seja vista pelos portugueses como
"ucranianos".
➢ A imigração de leste tornou-se de difícil controlo, e começaram a atuar no país máfias que traziam e
controlavam imigrantes
➢ Em 2003, a imigração em massa proveniente do leste europeu estacou e passou a ser de fluxo mais
ténue, surgindo assim a imigração mais significativa de brasileiros e asiáticos de várias origens
(nomeadamente indianos e chineses).
➢ Existem ainda pequenos núcleos de imigrantes provenientes da América Latina e do Norte de África.
➢ Um outro fator que promove os fluxos migratórios é o estrangulamento económico dos países em
vias de desenvolvimento, causado pelos programas de reajustamento estrutural.
➢ Estamos, assim, a falar de refugiados económicos, pobres e obrigados a imigrar na busca estratégica
da sobrevivência.

Política de Imigração

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Portugal optou por uma política de abertura regulada à imigração, adotando uma estratégia em
torno de três eixos: regulação, fiscalização e integração.

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Esta estratégia foi inspirada na estratégia da União Europeia de criação de políticas comuns de
estrangeiros e de asilo, a qual merece total adesão do Governo.

Na segunda metade dos anos noventa do século passado, assistiu-se a um notório acréscimo do
número de imigrantes que procuraram o nosso País.

Hoje o número de estrangeiros que vivem e trabalham em Portugal aproxima-se, ou talvez exceda,
os 4% da população residente.
Este surto recente de imigração diversificou dramaticamente as origens, as culturas, os graus de
qualificação dos imigrantes.

A problemática da juventude assume, nas sociedades modernas, um carácter estratégico. Isto


implica o desenvolvimento de políticas específicas, mas fundamentalmente uma preocupação de
transversalidade nas várias áreas de governação, designadamente educação, proteção social e
habitação.

Neste sentido, o Governo adota um conjunto de orientações, a desenvolver e implementar de forma aberta
e participada:

Estimular e incentivar os associativismos juvenil e estudantil, considerando que estes assumem um


papel fundamental na promoção da educação não formal dos jovens;

Estimular a criação dos Conselhos Municipais de Juventude, tendo em conta as experiências


positivas, que um pouco por todo o País têm proliferado;

Incentivar a mobilidade geográfica dos jovens em Portugal e na Europa, nos âmbitos educativo, do
mercado de trabalho ou do lazer;

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Apoiar o empreendedorismo jovem, nomeadamente através da progressiva introdução do
empreendedorismo na estrutura curricular dos diferentes níveis de ensino;
Combater a precariedade do emprego jovem, fenómeno que tem dificultado a emancipação e a
especialização profissional, e desincentivando a formação e a qualificação;
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Facilitar o acesso dos jovens à habitação, como forma de estimular uma juventude emancipada,
mais confiante, participante e dinâmica.

Referencias\ Pesquisa Biográfica\Online

• Introdução à Antropologia Cultural, Mischa Titiev , edição: Fundação Calouste Gulbenkian, abril de
2000 ‧
• Cultura - Tudo o Que é Preciso Saber, (14ª edição - Edição Revista e Adaptada para Portugal), de
Dietrich Schwanitz , edição: Dom Quixote, outubro de 2012

i
https://ec.europa.eu/regional_policy/archive/consultation/terco/pdf/4_organisation/134_1_apg_pt.pdf
ii
https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/817/6/Parte%20II.pdf
iii
https://brasilescola.uol.com.br/geografia/espaco-urbano-rural.htm
iv
https://www.geledes.org.br/griots-os-contadores-de-historias-da-africa-antiga/

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Os fluxos migratórios em Portugal evoluíram significativamente ao longo do tempo, impactando sua contemporaneidade econômica, política e cultural. Inicialmente um país de emigrantes, mudanças nas décadas de 1960 e 1970 viram o influxo de imigrantes fortalecido pela desagregação do império colonial e o acolhimento de imigrantes dos países de língua portuguesa . Este processo foi intensificado com a adesão de Portugal à CEE, atraindo novos trabalhadores e imigrantes de diversas culturas, o que enriqueceu a diversidade cultural e contribuiu para o crescimento econômico, já que os imigrantes representam cerca de 5% do PIB nacional . As políticas de imigração portuguesas têm visado a integração e a solução de problemas econômicos e sociais gerados por imigração inadequada .

Os fluxos migratórios em Portugal desde os anos 1960 foram impulsionados por vários fatores históricos e sociais. Inicialmente, a necessidade de mão de obra em economias florescentes da Europa Ocidental atraiu muitos portugueses. Posteriormente, com a descolonização e o retorno dos portugueses das ex-colônias africanas, houve um aumento na migração interna e externa . A integração na CEE posteriormente incentivou a migração de mão de obra para um espaço econômico comum . As dificuldades econômicas nos países de origem dos imigrantes, juntamente com a atratividade de Portugal por razões culturais e econômicas, sustentaram os fluxos imigratórios .

A imersão em práticas turísticas específicas, como o turismo rural e agroturismo, promove a revitalização das comunidades rurais em Portugal ao permitir um contato direto com a natureza e as tradições locais . Desde a década de 1970, o crescimento do turismo no espaço rural tem impulsionado o desenvolvimento econômico, social e cultural dessas áreas ao dinamizar atividades relacionadas à hospedagem, alimentação, e entretenimento . O turismo de habitação, em particular, requalifica e valoriza habitações históricas, incentivando a conservação do patrimônio cultural e o desenvolvimento de uma economia local .

O turismo cultural e de aventura são componentes estratégicos no desenvolvimento econômico de Portugal. O turismo cultural, que inclui visitas a monumentos e participação em eventos culturais, aumenta a atratividade das cidades e fomenta o desenvolvimento econômico urbano . A estratégia para 2027 visa consolidar Portugal como um destino turístico cultural de destaque . O turismo de aventura, por outro lado, atrai visitantes para atividades em ambientes naturais e rurais, diversificando a oferta turística e gerando novas oportunidades econômicas nas áreas menos urbanizadas . Ambos segmentos fomentam o turismo sustentável e a promoção dos recursos locais, contribuindo para a economia do país .

As interações entre fluxos migratórios e políticas de imigração moldaram profundamente as relações culturais e a integração econômica contemporânea de Portugal. Imigrantes de diversas origens contribuíram para uma rica tapeçaria cultural, estimulando o desenvolvimento econômico através de sua participação no mercado de trabalho e contribuição para o PIB . As políticas de imigração adotadas têm sido projetadas para integrar harmonicamente essas populações, reconhecendo seu valor para a coesão social e renovação demográfica . No entanto, desafios permanecem em garantir a inclusão e prevenir precariedade econômica, tornando crítica a criação de políticas inclusivas e abrangentes .

Os conceitos de espaço urbano e rural são tradicionalmente vistos como distintos, com o espaço urbano caracterizado por elevado adensamento populacional e o espaço rural associado a atividades primárias em áreas menos densamente povoadas . No entanto, esses conceitos são complexos e entrelaçados pelas práticas cotidianas que podem ocorrer em qualquer local. Por exemplo, práticas rurais podem ser encontradas em áreas urbanas, como o cultivo de hortaliças, enquanto práticas urbanas podem ocorrer em áreas rurais, como a presença de um resort . Isso demonstra a complexidade das inter-relações entre os espaços, complicando a separação clara entre o que é considerado rural ou urbano .

Os Planos Municipais de Ordenamento do Território em Portugal foram criados para definir políticas de gestão territorial que promovam o uso sustentável dos recursos. Eles equilibram interesses urbanos e rurais, integrando o turismo como ferramenta de desenvolvimento econômico, social e ambiental . Com a Estratégia Turismo 2027, esses planos visam posicionar Portugal como destino turístico competitivo e sustentável, incentivando categorias como turismo urbano, rural, e de habitação . Além disso, visam a valorização do patrimônio e a criação de oportunidades de trabalho, dinamizando economias locais de ambos os territórios .

A evolução das técnicas de produção de blocos de terra comprimida (BTC) começou com o uso de pilões de madeira para compressão de terra, dando origem, no século XVIII, a máquinas de compactação desenvolvidas pelo inventor François Cointeraux na França . Uma inovação significativa ocorreu em 1952 com a criação da prensa CINVA-RAM, desenvolvida por Raul Ramirez, que permitiu a disseminação mundial do BTC. As técnicas de BTC se diferenciam do adobe principalmente pelo método de alcance da resistência máxima: enquanto o BTC atinge sua resistência com a compactação, o adobe depende de um processo de cura . A compactação com prensa do BTC melhora suas qualidades, produzindo blocos de formas mais regulares e maior densidade, o que aumenta sua resistência à compressão e a erosão, exigindo prazos de construção mais curtos e a possibilidade de produção independente do clima .

Os Planos Municipais de Ordenamento do Território influenciam diretamente a sustentabilidade do turismo ao definir uma política de gestão territorial que regulamenta o uso do solo e a preservação ambiental em áreas urbanas e rurais . Esses planos promovem o equilíbrio entre desenvolvimento turístico e conservação de recursos naturais, assegurando que a infraestrutura de turismo não comprometa a sustentabilidade ecológica. Ao valorizar o patrimônio urbano e rural, eles incentivam práticas turísticas que respeitam o meio ambiente e as comunidades locais, alinhando-se com a visão da Estratégia Turismo 2027 de posicionar Portugal como um destino sustentável .

A principal inovação nos métodos de compactação de terra desde François Cointeraux foi a criação da prensa CINVA-RAM em 1952 pelo engenheiro Raul Ramirez, que aperfeiçoou as técnicas de aplicação de BTC na construção. Esta prensa de dimensões reduzidas e prática possibilitou a disseminação do uso de BTC ao redor do mundo, destacando-se em relação aos métodos tradicionais pelo seu design adaptado das prensas usadas para a produção de vinho . A compactação por prensa proporciona diversas vantagens, como a regularidade das formas dos blocos e melhora na resistência à compressão e erosão .

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