0% acharam este documento útil (0 voto)
442 visualizações3 páginas

Desejo de Davi pela Presença Divina

O salmo expressa o forte desejo de Davi de estar com Deus, mais do que qualquer outra necessidade ou conforto. Davi deseja Deus mais do que ter água no deserto, mais do que preservar sua vida, ou do que se alimentar. Seu único conforto é a proteção e presença de Deus.

Enviado por

Marco Junior
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
442 visualizações3 páginas

Desejo de Davi pela Presença Divina

O salmo expressa o forte desejo de Davi de estar com Deus, mais do que qualquer outra necessidade ou conforto. Davi deseja Deus mais do que ter água no deserto, mais do que preservar sua vida, ou do que se alimentar. Seu único conforto é a proteção e presença de Deus.

Enviado por

Marco Junior
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Salmo 63 – MAIS PERTO QUERO ESTAR

O desejo de Davi de estar com Deus é expresso logo no início do salmo (v.1a):
“Ó Deus, tu és o meu Deus, eu busco a ti com afinco” (’elohîm ’elî ’attâ
’ashahareka).

Essa é uma expressão de desejo de alguém que se vê privado daquilo que


anseia, visto que, no v.2, ele se refere ao tabernáculo do Senhor que estava
em Jerusalém, e que abrigava a arca, a qual, na fuga, Davi teve de deixar para
trás (2Sm 15.24,25).

Apesar de Deus estar em toda parte, Davi se refere à adoração do Senhor nos
seguintes termos (v.2): “No tabernáculo santo eu te contemplo para ver tua
força e tua glória”. Isso porque o tabernáculo e a arca simbolizavam a presença
de Deus no meio de Israel. Para Davi, se afastar da arca era, também, se
afastar do lugar especial em que Deus podia ser encontrado e adorado pelos
israelitas. Esse afastamento foi extremamente doloroso para o salmista e seu
desejo mais profundo era retornar à presença do Senhor.

O desejo de estar com Deus pode ser visto no fato de que a ausência do
tabernáculo e da arca, para o salmista, era pior do que outras carências óbvias
de quem está no meio de um deserto em fuga a fim de salvar sua vida.

Assim, em primeiro lugar, Davi deseja o Senhor mais do que saciar a sede


no deserto (v.1b): “Minha alma tem sede de ti, meu corpo desfalece por ti, em
terra seca e árida, sem água”

Na verdade, o corpo de Davi devia estar desfalecido por falta de água, por ter
de consumi-la de modo racionado. Esse era um procedimento normal em uma
travessia ou estadia em lugares desérticos. Porém, Davi lança mão desse
anseio por água para se referir ao que realmente o preocupava: a distância da
arca e da presença do Senhor. A distância dessa presença afligia Davi mais
que a sede no deserto.

Em segundo lugar, Davi deseja o Senhor mais do que conservar sua vida.


Sua fuga de Absalão e dos demais traidores se devia ao risco de ele cair nas
mãos dos inimigos e ser morto. Estava no meio do deserto porque queria
proteger sua vida.

Mas nem a vida superava a importância de Deus para o salmista, que diz (v.3):
“Porque o teu amor é melhor que a vida”

A palavra hesed (amor) é usada muitas vezes dentro do conceito das alianças


para se referir à “fidelidade” de Deus de fazer o que prometeu para com o povo
de Israel quando eles mereciam o oposto. No caso da aliança que Deus fez
com Davi (2Sm 7.11-16), o hesed de Deus é a causa de ele garantir a
descendência davídica no trono de Israel.

Por isso, Davi o valoriza mais que sua própria vida. Se o salmista não tem
certeza de quanto ainda vai viver, ele tem plena certeza de como vai viver até
que a morte o encontre (v.4): “Por isso, eu te bendirei enquanto eu viver
Em terceiro, Davi deseja o Senhor mais do que ter alimento (v.5). Em um
deserto, o racionamento obrigatório para manter o grupo vivo não era apenas
de água. A comida também era racionada.

O profeta Ezequiel falou do que aconteceria aos moradores de Jerusalém ao


sofrerem um cerco pelo exército babilônico assim: “Comerão o pão por peso e
[...] beberão a água por medida” (Ez 4.16).

Com Davi e seus homens, não devia ser diferente. Eles não se deleitavam
mais das boas comidas a que estavam acostumados. Entretanto, se
fisicamente Davi não se fartava de alimentos, espiritualmente ele se vê
saciado, pelo que diz (v.5): “Minha alma se sacia como se comesse carne
gorda e nutritiva”

A pergunta é: saciado com o quê? A resposta vem na sequência: “Pois com


lábios exultantes, minha boca louva” Em lugar de mastigar alimentos
saborosos, a boca de Davi estava cheia de louvores ao nome do Senhor.

Em quarto lugar, Davi deseja o Senhor mais do que o tempo de


descanso (v.6): “Quando de ti me recordo em meu leito, eu medito em ti de
madrugada”

Davi não está relatando um caso de insônia por causa de preocupações com o
risco de morrer. Ele, em outro salmo escrito na mesma ocasião de fuga diante
do golpe de estado de Absalão, diz que se deitava e descansava em paz:
“Deito-me e pego no sono” (Sl 3.5a). Entretanto, quando pensava em Deus, ele
não achava um fardo ficar meditando sobre o Senhor, ainda que seu corpo
pedisse por descanso após um dia em circunstâncias adversas. Davi trocava o
tempo de descanso a fim de se aproximar de Deus na meditação noturna.
Por fim, Davi deseja o Senhor mais do que a segurança pessoal. A
segurança de um rei vinha do seu exército e das fortes muralhas de sua
cidade. Quanto ao exército, Davi fugiu com um contingente reduzido que
permaneceu fiel a ele. Quanto às muralhas, Jerusalém ficou para trás e agora
estava sob o controle de Absalão, enquanto o salmista está desprotegido no
meio do deserto. Ainda assim, Davi adora o Senhor e diz a razão do seu louvor
(v.7): “Pois tu és a minha proteção”

Tal proteção é também descrita na forma figurada de uma ave que protege
seus filhotes: “À sombra das tuas asas eu me regozijo”. Se para Davi Deus
valia mais que a proteção de uma muralha, também valia mais que a espada
empunhada dos seus soldados, visto que diz (v.8): “A tua mão direita me
sustenta”.

Não é para menos que Davi deseja tanto estar na presença de Deus. Ele vê o
Senhor como fonte da alegria e segurança, ao mesmo tempo que sabe que os
inimigos não são capazes diante do soberano (vv.9-11).

Mas note bem: nenhum desses valores que Davi subvalorizou é ruim. Ao
contrário, são tão bons que Deus abençoava Israel por meio deles (Dt 28.15-
67). Na verdade, o próprio rei os valorizava, mas nunca os colocava na frente
do seu relacionamento com o Senhor. Assim, é chocante e inspirador ver que
ele trocaria tudo o que lhe dava segurança e conforto para andar com Deus e
louvá-lo no lugar onde, representativamente, habitava no meio de Israel.

Porém, mais chocante ainda é observar que, em nossos dias, a busca por
esses bens é frequentemente a causa de pessoas abandonarem o Senhor ou
deixarem-no em segundo plano. Por causa de conforto, segurança, descanso e
lucros financeiros, já vi muitos crentes que serviam a Deus com afinco irem se
afastando aos poucos até que não sentissem mais qualquer necessidade de
comunhão com o Senhor ou com sua igreja; até que não tivessem a terrível
sensação de um vazio interior quando não louvavam seu Deus, nem aprendiam
sua Palavra; até que a única recordação que tinham de seu salvador fosse a de
que servi-lo cansava muito e gastava tempo demais. Algumas vezes, nem sei
direito o que dizer para tais pessoas, tamanha a insensibilidade que acalentam
em seus corações. Só sei dizer que suas vidas estão tão secas e áridas quanto
o deserto em que Davi esteve.

Você também pode gostar