0% acharam este documento útil (0 voto)
194 visualizações19 páginas

Introdução ao Design Thinking em Projetos

O documento apresenta uma aula introdutória sobre design thinking. Ele define design thinking como uma abordagem multidisciplinar para solução de problemas que se baseia no modo de pensamento dos designers, mas incorpora conteúdos de outras áreas. Design thinking tem sido adotado por empresas para inovar e obter vantagem competitiva. A aula contextualiza o tema e discute definições de design thinking, destacando seu foco no ser humano e uso do raciocínio abdutivo para gerar soluções inovadoras.

Enviado por

Rafael Ana Lia
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
194 visualizações19 páginas

Introdução ao Design Thinking em Projetos

O documento apresenta uma aula introdutória sobre design thinking. Ele define design thinking como uma abordagem multidisciplinar para solução de problemas que se baseia no modo de pensamento dos designers, mas incorpora conteúdos de outras áreas. Design thinking tem sido adotado por empresas para inovar e obter vantagem competitiva. A aula contextualiza o tema e discute definições de design thinking, destacando seu foco no ser humano e uso do raciocínio abdutivo para gerar soluções inovadoras.

Enviado por

Rafael Ana Lia
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

PROCESSOS DO DESIGN

THINKING
AULA 1

Prof. Re-nato Antonio Bertão


CONVERSA INICIAL

Seja bem-vindo! Ao longo das próximas aulas, apresentaremos de que


maneira o modelo de pensamento dos designers tem sido reconhecido e
utilizado por outras áreas do conhecimento como uma abordagem para
solucionar problemas complexos de forma inovadora. Também vamos abordar
um horizonte profissional no qual você, futuro designer, poderá integrar equipes
de projetos focados em design thinking e atuar como design thinker.
Independentemente da sua especialização na área de design (se gráfico,
de produto, de animação, de serviços etc.), é fundamental que você entenda a
dimensão e domine as ferramentas do design thinking. Esse novo campo de
atuação que se baseia nas práticas do design tende a se expandir e ser
assimilado por diversas outras áreas do conhecimento e, por meio de um
processo cíclico, influenciar as práticas das diferentes modalidades de design.
Um exemplo é o design de serviços, uma modalidade contemporânea do
design em plena expansão e que se estrutura de forma muito similar ao design
thinking. Já o design de produto cada vez mais tem se voltado para uma
perspectiva mais ampla, a do product-service system (PSS), também conhecida
como sistema de produto-serviço e que se aproxima muito das práticas de design
thinking.
O design thinking tem sido abraçado por profissionais e organizações que
almejam inovar nos seus negócios e nas suas estruturas para obter vantagem
competitiva. Nesse sentido, estão em expansão as oportunidades para atuar
como design thinker ou como consultor em design thinking. Na busca pelas
melhores posições no mercado, egressos de cursos de design,
independentemente da modalidade, têm uma vantagem competitiva, pois já
pensam como designers.
Esperamos que você aproveite essa disciplina ao máximo e que ela lhe
apresente um campo de atuação profissional para além da sua formação
específica numa das modalidades do design. O universo do design, por natureza,
é motivador pois, durante a sua prática, oportuniza-se um aprendizado intenso e
distinto a cada projeto. Com a perspectiva multidisciplinar do design thinking, o
potencial de aprendizado se expande e o desafio se torna mais instigante.

2
CONTEXTUALIZANDO

Para entendermos o contexto desta nossa disciplina sugerimos um breve


exercício. Inicialmente, leia com atenção esta definição de Torquato, Antunes e
Willerding (2015), pesquisadoras da área de engenharia do conhecimento da
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC):

[...] o design thinking propõe que um novo olhar seja adotado ao se


endereçar problemas complexos, um ponto de vista mais empático que
permita colocar as pessoas no centro do desenvolvimento de um
projeto e gerar resultados que são mais desejáveis para elas, mas que
ao mesmo tempo financeiramente interessantes e tecnicamente
possíveis de serem transformados em realidade.

A definição anterior parece bastante objetiva e nos permite vislumbrar o


contexto do design thinking; contudo, ela ainda carece de informação relativa à
sua aplicabilidade. A seguir, recomendamos que você faça a leitura de um artigo
publicado pela HSM Management, uma das principais publicações brasileiras na
área de gestão e liderança. O artigo, denominado O design thinking põe foco no
ser humano, de Stuber (2016), consultor da área de gestão, pode ser baixado
neste link: <[Link]
[Link]> (acesso em: 18 fev. 2019).
Há várias considerações possíveis de serem feitas após a leitura desses
conteúdos. Contudo, gostaríamos de destacar dois aspectos que vão permitir
situar o design thinking contemporaneamente. O primeiro é o fato de os autores
citados não serem profissionais ou pesquisadores do design. Isso denota que o
design thinking não é de domínio exclusivo do designer, mas de um novo
profissional, o design thinker. O segundo aspecto está relacionado com a
questão da inovação no sentido de valor econômico e, conforme você pôde
perceber no relato de Stuber (2016), ela tem sido motivo de preocupação de
organizações distintas, globalmente.
Após duas décadas de prática, o design thinking já não é um modismo da
área de gestão e inovação, mas uma abordagem para se alcançar inovação, nas
organizações. A sua estrutura conceitual baseia-se no design, porém cada vez
mais ele é visto como uma abordagem multidisciplinar e, talvez por essa razão,
continue repercutindo e sendo adotado por profissionais e organizações de
áreas tão díspares como negócios, saúde pública e inovação social, entre outras.
De certo modo, por meio do design thinking, as habilidades e o pensamento dos

3
designers têm sido capazes de impactar de maneira muito mais relevante a
sociedade.

TEMA 1 – O QUE É DESIGN THINKING?

Para entendermos o design thinking é necessário irmos além da sua


tradução simples para o português: pensamento de design. Ele se baseia no
modo de pensamento dos designers mas, após a incorporação de conteúdos de
outras áreas do conhecimento, hoje em dia ele pode ser definido como uma
abordagem multidisciplinar para a solução de problemas. A seguir, vamos
analisar algumas definições de design thinking, propostas por profissionais e
teóricos da área, para percebermos a sua dimensão.
Tim Brown, CEO da empresa de design Ideo, publicou um artigo na
Harvard Business Review em que apresentou o que seja o design thinking para
a área de negócios e que, depois de mais de uma década, ainda é considerado
uma referência na área. Brown (2008, tradução nossa) define o design thinking
como uma “[...] disciplina que usa as habilidades e métodos dos designers para
atender as necessidades das pessoas com o que é tecnologicamente viável e
com uma estratégia de negócios factível que pode ser convertida em valor para
o cliente e em oportunidade de negócio”.

Figura 1 – O artigo de Tim Brown sobre design thinking na Harvard Business


Review

Créditos: [Link]/Shutterstock. Fonte: Brown, 2008.

Como podemos perceber na definição de Brown (2008), o design thinking


vai além de um processo de design regular e expande seu espectro para o
4
ambiente dos negócios. Uma segunda definição do autor destaca que o seu uso
também pode levar à inovação: “Design thinking é uma abordagem centrada no
ser humano voltada para a inovação que surge com base nas ferramentas do
designer e visa atender às necessidades das pessoas, às questões tecnológicas
e aos requisitos para um negócio bem-sucedido” (Brown, [S.d.] citado por
Design, [S.d.]).
Uma definição mais didática e que detalha o modus operandi do design
thinking é desenvolvida por Lockwood (2009, tradução nossa). Segundo ele,
podemos definir o design thinking como um “[...] processo de inovação centrado
no ser humano, que enfatiza observação, colaboração, aprendizado rápido,
visualização de ideias, prototipagem rápida de conceitos e análise de negócio
concorrente e que – finalmente – influencia a inovação e a estratégia de
negócio”. Como você pode perceber pelas três definições já apresentadas, o
design thinking não se restringe ao design e aos designers e tem um forte vínculo
com inovação e negócios.
Segundo Martin (2010), o design thinking é relevante por aplicar o
raciocínio abdutivo aos problemas de negócios. Essa técnica dos designers,
quando estendida a outros âmbitos, permite a obtenção de soluções inovadoras.
Para o autor, os designers vivem no mundo da abdução porque sempre
procuram novos pontos de vista, fazem questionamentos de explicações
tradicionalmente aceitas e inferem mundos novos. Essas práticas, anteriormente
vistas com receio, agora são comuns em cursos de graduação e pós-graduação
em administração e negócios, assim como no cotidiano de muitas organizações
vistas como inovadoras.
A incorporação do design thinking no universo dos negócios acontece,
segundo Liedtka e Ogilvie (2011), porque trata-se de uma abordagem
sistemática para a solução de problemas que perpassa produtos, processos,
inovação, modelos de negócio etc. Para Liedtka (2015), essa abordagem se
torna atrativa para o ambiente de negócios pois combina o pensamento criativo
(lado direito do cérebro) com o pensamento analítico (lado esquerdo do cérebro)
e também porque tem foco no ser humano, ou seja, o cliente é visto como uma
pessoa real, com problemas reais.
Uma das maiores consultorias brasileiras na área de inovação, a MJV,
apresenta uma definição que, de certa forma, sintetiza as anteriores. Disponível
no livro Design thinking: inovação em negócios (Vianna et al., 2012, p. 13), ela

5
esclarece que, “como o nome já diz, o Design Thinking se refere à maneira do
designer de pensar, que utiliza um tipo de raciocínio pouco convencional no meio
empresarial, o pensamento abdutivo”, por meio do qual “são formuladas
perguntas a serem respondidas com base nas informações coletadas durante a
observação do universo que permeia o problema”.
Nos parágrafos anteriores foi possível perceber que o design thinking está
inserido no contexto de negócios e que, por meio de pensamento abdutivo e foco
no ser humano, visa à solução de problemas e à inovação. Ocorre que, por sua
característica interdisciplinar e multidimensional, o design thinking tem várias
outras nuances a serem consideradas. Para isso, vamos examinar outras
definições que vão lhe permitir obter uma visão mais sistêmica e aplicada a
outras áreas. Como futuro profissional de design, essa perspectiva vai ser
fundamental para você atuar com propriedade em projetos de design thinking.
Os pesquisadores brasileiros Bonini e Sbragia (2011) enfatizam o papel
do design thinking nas organizações e apresentam-no como um modelo de
inovação organizacional que permite “o desenvolvimento de soluções criativas
e, para isso, utiliza-se de metodologias de pesquisa centradas no usuário para
atender aos desafios estratégicos da organização”. Ainda em relação à
inovação, Bonini e Endo ([20--]) esclarecem que o design thinking é também uma
ferramenta para a inovação, pois envolve todo esse processo, da geração de
ideias até a sua inserção no mercado. Nesse sentido, como sugere Tschimmel
(2012, tradução nossa), ele é entendido com uma “linha de pensamento que leva
à transformação, evolução e inovação [...] e novas maneiras de gerenciar
negócios”.
Alguns autores como Smulders, Dorst e Vermass (2014), ao definirem
design thinking, enfatizam sua origem nas técnicas, métodos e ferramentas do
desenvolvimento de produtos, também conhecido como design industrial. Para
eles, contemporaneamente esse escopo foi ampliado e o design thinking é usado
como uma abordagem para solução de problemas gerais em áreas distintas do
desenvolvimento de produtos. Além dos negócios, outras áreas estão usando
design thinking, como serviços, saúde, educação, tecnologia da informação,
inovação social etc.
Gobble (2014, tradução nossa) ainda destaca que o design thinking
“engloba um espectro de ferramentas e modelos, sendo que alguns foram
emprestados de outras áreas do conhecimento, para refletir a sua preocupação

6
com a experiência humana”. A autora define o design thinking como uma cultura
e não uma metodologia, pois ele permite a uma organização não somente
abordar a inovação, mas também a forma como ela se estrutura. Essas
características enfatizam a sua natureza e, talvez, justifiquem o motivo da
difusão do design thinking em áreas que, até tempos atrás, eram reticentes a
abordagens interdisciplinares.
Para encerrar a nossa navegação pelas diferentes definições de design
thinking, apresentamos a pragmática visão de Carr et al. (2010, tradução nossa),
que o concebem como um “processo iterativo e exploratório envolvendo
experimentação, criação e prototipação de modelos e coleta de feedback”. Para
os autores, trata-se de um método que permite lidar com inovação em contextos
confusos e mal estruturados. Essa definição traz à tona conceitos-chave, da
área, que vamos explorar nas próximas aulas e vão lhe permitir entender, por
exemplo, o papel da iteração e da prototipagem no processo de design thinking.
Mesmo que um profissional ou pesquisador da área proponha uma
definição para o design thinking contemporâneo, provavelmente ela vai ser
motivo de controvérsia e questionamentos devido às suas diferentes vertentes e
usos. Definir-se design thinking como um processo, método, conjunto de
ferramentas, mentalidade, modelo ou abordagem são possibilidades viáveis,
contudo, é importante que você, aluno, entenda profundamente essa área, pois,
como futuro profissional do design, você será um sujeito relevante nela. Com a
difusão do design thinking, os designers começam a ter influência estratégica
nas organizações e poderão conduzir mudanças disruptivas, nesses ambientes.

TEMA 2 – TRABALHANDO COM PROBLEMAS COMPLEXOS

A maior parte das definições de design thinking que lhe apresentamos


enfatizam que ele visa à solução de problemas. Os wicked problems, também
conhecidos como problemas complexos, são aqueles nos quais o design thinking
tem sido mais aplicado. Alguns autores também definem wicked problems como
problemas capciosos ou mal definidos. Em relação à definição de um problema,
Buchanan (1992) esclarece que se trata de um processo analítico no qual se
identificam os seus elementos e são especificados os requisitos para uma
solução de sucesso. Cabe lembrar que, no design, nem sempre existem wicked
problems; por isso, tão importante quanto solucionar um problema é saber
identificar um problema de design e um problema de design thinking.
7
Alguns autores, como Bahia e Campos (2016), identificam wicked
problems como “demandas de complexa compreensão e, em primeira instância,
sem solução precisa [,] [...] problemas únicos e de alto nível, que não possuem
soluções verdadeiras ou falsas”. Para entender melhor, vamos aos exemplos: o
design do assento de um veículo para transporte urbano, como um ônibus,
mesmo sendo de alta complexidade, pode ser considerado um problema de
design industrial. Já o design de um sistema de mobilidade urbana sobre rodas
tem sua complexidade ampliada e, para se chegar a uma solução desse
problema, há necessidade de emprego de uma abordagem multidisciplinar, por
meio do design thinking. Outros bons exemplos e talvez ainda mais complexos
poderiam ser citados: consumo de energia, saúde pública, acesso à educação
etc.
O conceito de wicked problems foi apresentado, inicialmente, fora do
âmbito do design por Horst Rittel, na década de 1960, e refere-se a uma “classe
de problemas do sistema social que são mal formulados, em que a informação
é confusa, na qual há muitos clientes e tomadores de decisão com valores
conflitantes e em que as ramificações em todo o sistema são completamente
confusas” (Churchman, 1967, p. B-141, tradução nossa). A seguir,
apresentamos algumas das características dos problemas complexos propostas
por Rittel e Webber (1973).

• Os problemas complexos não têm uma formulação definitiva, mas toda


formulação de um problema complexo corresponde à formulação de uma
solução que não pode ser verdadeira ou falsa, apenas boa ou má.
• Para todo problema complexo há sempre mais de uma explicação
possível, com explicações dependendo da visão de mundo e do
background do designer.
• Todo problema complexo é único, mas também pode ser um sintoma de
outro problema, de nível mais elevado.
• Nenhuma formulação e solução de um problema complexo tem um teste
definitivo.
• Resolver um problema complexo é uma operação sem espaço para
tentativa e erro. Nela o solucionador de problemas complexos não tem o
direito de estar errado – ele é totalmente responsável por suas ações.

8
Richard Buchanan (1992), professor e pesquisador americano na área do
design, publicou um artigo, denominado Wicked problems in design thinking, que
permitiu a consolidação de uma teoria sobre o foco do design thinking. Para ele,
a indeterminação é um aspecto fundamental dos problemas complexos.
Segundo Buchanan (1992), os problemas de design tendem a ser
indeterminados e complexos porque o foco de interesse do design não é
específico, mas universal, no seu escopo, o que o faz aplicável a qualquer área
da experiência humana.
Lidar com problemas complexos no contexto do design thinking torna-se
desafiador pois é necessário reformulá-los e dar estrutura a problemas mal
estruturados. Nelson e Stolterman (2003) alertam que é necessária uma
abordagem balanceada, que não os simplifique nem tampouco os leve tão a
sério. Quando analisados em situações reais envolvendo assuntos humanos,
esses problemas revelam-se únicos e imprevisíveis.
As organizações contemporâneas buscam a inovação em contextos de
mercado e negócios bastante complexos. Nesse sentido, a sua busca por
inovação pode ser vista como um exemplo de problema complexo. Por meio do
design thinking e suas ferramentas, é possível obter uma compreensão múltipla
da natureza e das ambiguidades de um problema complexo e, atuando com
equipes multidisciplinares, ter melhores condições de se chegar a possíveis
soluções.

TEMA 3 – DESIGN CENTRADO NO SER HUMANO

O design thinking pode ser entendido como sinônimo de design centrado


no ser humano; contudo, é importante destacar que a proposição inversa nem
sempre é aplicável. Também conhecido como human-centered design (HCD),
esse modelo é considerado um dos pilares do design thinking. De certa forma,
podemos considerar o HCD como uma versão mais holística do design centrado
no usuário ou user-centered design (UCD). Antes da difusão do design thinking,
essa terminologia predominava na área do design, particularmente para se
referir ao design de interações entre homem e máquinas.
No contexto da ergonomia, há uma norma ISO (2010), que trata de design
centrado no ser humano em sistemas interativos. Em linhas gerais, a norma
9421-210 define HCD como uma abordagem do desenvolvimento de sistemas
interativos que visa torná-los usáveis e úteis por meio do foco no usuário, nas
9
suas necessidades e requisitos. No contexto de desenvolvimento de produto,
segundo Veryzer e Mozota (2005), o UCD ajuda a garantir que o produto atenda
às necessidades do consumidor e à realidade do mercado. Para além do
universo de produtos, quando pensamos em serviços, negócios ou
organizações, o foco no ser humano ou no usuário parece imprescindível para a
obtenção de bons resultados, em termos de design.
A maioria das definições de design thinking que apresentamos no início
desta aula enfatizam o centramento no ser humano. Isso acontece por meio do
uso de técnicas e ferramentas como empatia, entrevista, observação direta,
prototipação e teste com o usuário. Com isso, o design thinking consegue lidar
com problemas complexos que, quase sempre, têm o elemento humano em seu
contexto. De acordo com Giacomin (2012), algumas técnicas e ferramentas são
emprestadas de áreas como a psicologia e a sociologia e outras têm sua
abordagem redefinida pela prática do design.
Brown (2008), CEO da Ideo, afirma que a inovação pode ser alimentada
pelo entendimento do que as pessoas querem e necessitam, pelo que elas
gostam ou não, pela maneira como os produtos são produzidos, embalados,
comercializados, assistidos etc. Para o autor, uma abordagem centrada no ser
humano, no contexto do design thinking, se for baseada em observação direta,
pode capturar insights inesperados e também gerar soluções inovadoras para
atender aos desejos do consumidor.
A empresa de design Ideo não inventou o design centrado no ser humano,
contudo tem sido uma das principais responsáveis pela sua difusão no contexto
do design thinking aplicado a negócios e inovação, assim como a contextos
sociais como saúde e educação. Isso é feito por meio de um modelo de HCD
que, de certa forma, pode ser considerada a abordagem da Ideo para o design
thinking. A publicação HCD Human Centered Design | Kit de Ferramentas –
disponível para download, em português, neste site:
<[Link] (acesso em: 18 fev. 2019) – apresenta o
design centrado no ser humano como um processo para obter novas soluções
em produtos, serviços, ambientes, organizações e modos de interação (Ideo,
2009).
Apoiando-se nos conceitos propostos por Brown (2010), em seu livro
Design thinking, a Ideo considera que as soluções de HCD devem estar numa
interseção de três lentes: a do desejo, que envolve as necessidades, desejos e

10
comportamentos das pessoas; a da praticabilidade, que envolve questões
técnicas e organizacionais; e a da viabilidade, que envolve questões financeiras.
Para a Ideo (2009), o processo de design centrado no ser humano acontece
fundamentalmente de modo participativo e tem três fases: ouvir (to hear), criar
(to create) e implementar (to deliver).

Figura 2 – As três lentes do human-centered design

Fonte: Ideo, 2009.

Sintetizando, o HCD pode ser definido como uma abordagem para a


solução de problemas – assim como para a inovação – que foca principalmente
nas pessoas, de modo a entender suas demandas e, de alguma forma, envolvê-
las no processo de design thinking. Nas próximas aulas, apresentaremos
detalhadamente as técnicas e ferramentas, bem como a abordagem da Ideo,
para que você entenda por que o HCD é fundamental para se viabilizar
processos de design thinking.

TEMA 4 – DESIGN THINKING E PENSAMENTO CRIATIVO

Neste tema não vamos falar de criatividade, pois você tem uma disciplina
inteira para entendê-la e, também, vai praticá-la intensamente ao longo de todo
o curso de Design. Aqui, vamos tratar do pensamento criativo e de como ele se
situa em relação ao design thinking. Atualmente, o design thinking é visto como
um caminho para a inovação e profissionais de diversas áreas e organizações
procuram dominar essa metodologia porque sabem que, de certa forma, estarão
desenvolvendo seu pensamento criativo.
11
O design é uma atividade essencialmente criativa e talvez uma das áreas
em que o pensamento criativo seja mais intenso. No processo de design thinking,
uma das fases mais importantes é a da ideação, quando a criatividade impera e
é fomentada por meio de distintas técnicas e ferramentas. Como o design
thinking expande-se para além do universo do design e trabalha com equipes
multidisciplinares e de diferentes backgrounds, a partir do momento em que
essas equipes são treinadas para desenvolver seu pensamento criativo abre-se
uma oportunidade única para a inovação.
Martin (2010), conforme já comentamos, afirma que o pensamento
abdutivo é um dos aspectos mais relevantes do design thinking. Esse tipo de
pensamento pode ser entendido como um salto para a criatividade. Nesse
sentido, Leigh, Huber e Tremblay Jr. (2012) pontuam que o pensamento criativo
pode ser caracterizado como explorador, inovador e sem restrições. Segundo os
autores, o pensamento criativo se estrutura em habilidades de pensamento
divergente e convergente. Para eles, a associação de pensamento criativo,
motivação e domínio de habilidades/conteúdos permite atingir altos níveis de
produção criativa.
Para entender o pensamento criativo dos designers, uma referência é a
obra de Lawson (2005, tradução nossa), cujo livro Como os arquitetos e
designers pensam está disponível para leitura na Biblioteca Virtual Pearson.
Para o autor, os designers têm altos níveis de demanda de pensamento criativo
pois necessitam lidar tanto com a identificação de problemas como com a
obtenção de soluções para eles. Para dar conta de tal demanda, fazem uso de
técnicas e ferramentas que, de certa forma, definem o seu pensamento criativo
ou, como denominamos contemporaneamente, o pensamento de design.
Técnicas relacionadas ao pensamento criativo em design thinking podem
ser disseminadas por outras áreas e por não designers, contudo somente a
prática cotidiana é que vai permitir que a criatividade floresça. Para Davis (2010),
a cultura da inovação em negócios, que faz com que o design thinking seja
adotado por distintas organizações, torna imperativa a integração do
pensamento criativo nos níveis hierárquicos de tomada de decisão. Sem uma
sua adoção plena na estrutura organizacional, as oportunidades de inovação
ficam limitadas. Tendo em vista que o design thinking e a criatividade são vistos
atualmente como chaves de crescimento sustentável e de negócios de sucesso,

12
a adoção do pensamento criativo torna-se um requisito de sobrevivência para as
organizações.

TEMA 5 – DESIGN THINKING E INOVAÇÃO

O apelo à inovação, no competitivo contexto econômico global, tem sido


um dos responsáveis pela difusão do design thinking. O sucesso do livro de Tim
Brown (2010), Design thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim
das velhas ideias, seguido pela abordagem de obras como as de Roger Martin
(2010), Jeanne Liedtka e Ogilvie (2011), entre outros, fez com que o design
thinking entrasse na agenda de interesses de grandes empresas e corporações,
assim como de entidades governamentais que promovem a inovação. Carlgren,
Elmquist e Rauth (2014) destacam que, no ambiente de alta gestão, o design
thinking é visto como uma abordagem da inovação centrada no ser humano que
pode ser aplicada em qualquer área, de qualquer organização, para aumentar
sua capacidade de inovação.
Não é nossa intenção discutir, nesta disciplina, a inovação em si, mas,
para entendê-la no contexto do design thinking, é necessário lembrar que
podemos classificá-la em relação ao seu tipo (produto, processo organizacional,
marketing) (Ocde, 2004) e ao seu impacto (se aberta, incremental, radical ou
disruptiva etc.). Em geral, quando falamos de inovação como resultado de
processos de design thinking, estamos nos referindo à inovação radical ou
disruptiva, de qualquer tipo, que gere impacto nos negócios. Inovação, como
você vai verificar ao longo do curso, diferencia-se de originalidade exatamente
pelo seu aspecto de valor econômico agregado.
Em função do interesse de profissionais de negócios – e também de
diversas outras áreas –, acadêmicos e pesquisadores de gestão e design têm
ofertado cursos de pós-graduação que visam desenvolver habilidades em design
thinking e inovação. Em geral, esses cursos apresentam o design thinking como
estratégia de inovação. Eles objetivam capacitar alunos para o uso e
implementação de ferramentas e métodos de design thinking nas organizações,
de forma a fomentar uma cultura de inovação.
Mesmo considerando que uma organização tenha capacitado alguns dos
seus profissionais para atuar com propriedade como design thinkers, a prática
revela que há necessidade de haver uma cultura organizacional favorável ao
design thinking, para que a inovação aconteça. De acordo com Van Reine
13
(2017), essa cultura de design thinking envolve, por parte da empresa,
demonstrar uma inclinação para a experimentação, tolerância ao erro e estímulo
à participação de todos no processo de inovação. Segundo o autor, a mudança
de mentalidade, a aceitação do contraditório e o gerenciamento de tensões são
os principais desafios das organizações para inovar em produtos e serviços por
meio do design thinking.
No cenário atual, consultorias no Brasil e no exterior vendem o design
thinking como uma abordagem radical para a inovação. Contudo, Van Reine
(2017) sugere uma abordagem mais realista, que considera o design thinking
para a inovação uma mentalidade, no nível individual, e uma cultura, no nível
organizacional. De certo modo, o maior desafio, tanto para indivíduos como para
organizações que almejam inovar via design thinking, é estar inserido num
ambiente que continuamente antecipa-se e ajusta-se às mudanças.
Cases de inovação em produtos e serviços com base em processos de
design thinking são relativamente fáceis de identificarmos, em diversas áreas;
contudo, na maioria dos casos, não é possível aferir o impacto econômico de tais
iniciativas de modo a evidenciar uma inovação de fato. Segundo Carlgren,
Elmquist e Rauth (2014), esse impacto depende do contexto e inclui outros
fatores além de inovação. No estudo desenvolvido pelos autores, verificou-se
que, quando uma empresa ambiciona se tornar mais inovadora, a contribuição
do design thinking nos negócios da organização é mais visível no longo prazo.
Apesar de carecer de evidências empíricas e econômicas, o discurso
relacionando design thinking à inovação tem sido adotado por governos de vários
países, principalmente na Europa. A sua intenção é difundir a abordagem do
design thinking de modo a fomentar a indústria criativa e o ambiente de startups
para criar empregos e desenvolver uma cultura de inovação. No contexto da
quarta revolução industrial, a inovação é um ativo fundamental para o
desenvolvimento econômico e o design thinking é visto como um processo-
chave para alcançá-lo. No Brasil, algumas iniciativas por parte dos setores
público e privado trilham esse mesmo caminho.
O design thinking, como abordagem, apresenta ferramentas que podem
propiciar o desenvolvimento de soluções inovadoras para problemas complexos;
contudo, o caminho para a obtenção de inovação no seu sentido pleno é repleto
de variáveis que devem ser administradas em vários níveis, mas, principalmente,
no nível profissional (capacitação dos designers thinkers) e no nível

14
organizacional (desenvolvimento de uma cultura da empresa). Sem essa
articulação, relacionar design thinking e inovação torna-se um discurso vago.

TROCANDO IDEIAS

O Brasil é um país complexo e cheio de contradições em termos sociais,


culturais, econômicos e ambientais. Que tal trocar ideias com seus colegas (via
fórum on-line) e tentar identificar pelo menos três wicked problems (problemas
complexos) nos quais o design thinking poderia ser aplicado na tentativa de se
propor alguma solução que venha a beneficiar a sociedade, seja como um todo
ou em alguns segmentos?

NA PRÁTICA

Para essa atividade sugerimos que você releia o Tema 3, Design centrado
no ser humano, e também o case Diabéticos por uma semana, disponível nas
páginas 49-52 do livro Design thinking: inovação em negócios (Vianna et al.,
2012). Você pode baixar o livro gratuitamente neste link:
<[Link]
(acesso em 18 fev. 2019).
A seguir, reflita e responda às seguintes questões:

1. Qual foi a abordagem de design thinking da equipe responsável pelo


projeto, para monitoramento de pacientes crônicos?
2. Explique por que essa abordagem é relevante (ou não) para esse tipo de
projeto.

FINALIZANDO

Nesta aula sobre design thinking apresentamos os conceitos iniciais de


design thinking, de modo que você entenda como ele se situa no universo do
design e, principalmente, no contexto contemporâneo, envolvendo diversas
outras áreas como a de negócios. Nesse sentido, abrangemos distintas
definições para que você possa perceber a dimensão do design thinking.
A seguir foram examinadas as características dos problemas complexos
que são o foco do design thinking, assim como a sua estratégia de design
centrado no ser humano. Abordamos também o pensamento criativo como

15
fundamento das práticas de design thinking e, ao final, pudemos perceber que a
relação entre design thinking e inovação tem suas condicionantes.
É importante que você tenha uma boa compreensão dos tópicos desta
primeira aula porque as seguintes serão baseadas em vários desses conceitos
fundamentais do design thinking. Talvez esses primeiros conteúdos pareçam um
tanto abstratos, contudo, nas próximas aulas, a dinâmica (seus modelos e
ferramentas) do design thinking vai ficar mais clara e você vai ter condições de
perceber sua aplicabilidade e relevância.

16
REFERÊNCIAS

BAHIA, I. P.; CAMPOS, M. P. Metodologia de design: ganhos da engenharia


para a solução de problemas complexos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
PESQUISA E DESENVOLVIMENTO EM DESIGN, 12., 2016, Belo Horizonte.
Anais... Belo Horizonte: P&D Design, 2016.

BONINI, L. A.; ENDO, G. D. B. Design thinking : uma nova abordagem para


inovação. Biblioteca TerraForum Consultores, [20--]. Disponível em:
<[Link]
g%20Uma%20Nova%20Abordagem%20da%[Link]>. Acesso em: 14
fev. 2019.

BONINI, L. A.; SBRAGIA, R. O modelo de design thinking como indutor da


inovação nas empresas: um estudo empírico. Revista de Gestão e Projetos, v.
2, n. 1, p. 3-25, 2011.

BROWN, T. Design thinking. Harvard Business Review, v. 86, n. 6, p. 84-92,


2008.

BROWN, T. Design thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim


das velhas ideias. Rio de Janeiro: Elsevier Campus, 2010.

BUCHANAN, R. Wicked problems in design thinking. Design Issues, v. 8, n. 2,


p. 5-21, 1992.

CARLGREN, L.; ELMQUIST, M.; RAUTH, I. Design thinking: exploring values


and effects from an innovation capability perspective. Design Journal, v. 17, n.
3, p. 403-424, 2014.

CARR, S. D. et al. The influence of design thinking in business: some preliminary


observations. Design Management Review, v. 21, n. 3, p. 58-63, 2010.

CHURCHMAN, C. W. Wicked problems. Management Science, v. 14, n. 4, p. 7,


1967.

DAVIS, B. M. Creativity & innovation in business 2010 teaching the application of


design thinking to business. Procedia - Social and Behavioral Sciences, v. 2,
n. 4, p. 6.532-6.538, 2010.

DESIGN thinking. Ideou, [S.d.]. Disponível em:


<[Link] Acesso em: 14 fev. 2019.

17
GIACOMIN, J. What is human centred design? In: CONGRESSO BRASILEIRO
DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO EM DESIGN, 10., 2012, São Luís.
Anais... São Luís: P&D Design, 2012

GOBBLE, M. M. Design thinking. Research-Technology Management, v. 57, n.


3, p. 59-61, maio/jun. 2014.

IDEO. The field guide to human-centered design. [S.l.]: Ideo, 2009. Disponível
em: <[Link] Acesso em: 14 fev. 2019.

ISO – International Organization for Standardization. Ergonomics of human-


system interaction. Genebra, 2010.

LAWSON, B. How designers think: the design process demystified. Oxon;


Nova York: Architectural Press, 2005.

LEIGH, K. E.; HUBER, A. M.; TREMBLAY JR., K. R. Creative thinking skills


contain primarily divergent thinking as well as convergent thinking skills. In:
INTERNATIONAL RESEARCH CONFERENCE, 2012, Boston. Leading
innovation through design: proceedings of the DMI 2012. Boston: The Design
Management Institute, 2012.

LIEDTKA, J. The essential guide to design thinking. Charlottesville: University


of Virginia, 2015.

LIEDTKA, J.; OGILVIE, T. The why and how of design thinking. In: _____.
Designing for growth: a design thinking tool kit for managers. Nova York:
Columbia University Press, 2011. p. 38.

LOCKWOOD, T. (Ed.). Design thinking: integrating innovation, customer


experience, and brand value. Nova York: Allworth Press, 2009.

MARTIN, R. Design de negócios: por que o design thinking se tornará a próxima


vantagem competitiva dos negócios e como se beneficiar disso. Rio de Janeiro:
Elsevier Campus, 2010.

NELSON, H. G.; STOLTERMAN, E. The design way: intentional change in an


unpredictable world. Foundations and fundamentals of design competence. Nova
Jersey: Educational Technology Publications, 2003.

OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Manual


de Oslo: diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação. [S.l.]:

18
Ocde; Finep, 2004. Disponível em: <[Link]/images/a-
finep/biblioteca/manual_de_oslo.pdf>. Acesso em: 14 fev. 2019.

RITTEL, H.; WEBBER, M. Dilemmas in a general theory of planning. Policy


Sciences, v. 4, n. 2, p. 155-169, 1973.

SMULDERS, F.; DORST, K.; VERMAAS, P. Applying design thinking elsewhere:


organizational context matters. In: ACADEMIC DESIGN MANAGEMENT
CONFERENCE, 19., 2014, Londres. Proceedings... Londres: DMI, 2014.

STUBER, E. C. O design thinking põe o foco no ser humano. HSM Management,


n. 115, p. 24-27, 2016. Disponível em: <[Link]
content/uploads/2016/03/[Link]>. Acesso em: 14 fev.
2019.

TORQUATO, M.; ANTUNES, I.; WILLERDING, V. A ferramenta design thinking:


uma estratégia da gestão empreendedora da inovação para o despertar criativo
em organizações. In: CONGRESSO LATINO-IBEROAMERICANO DE GESTÃO
DE TECNOLOGIA, 16., 2015, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre: Altec, 2015.

TSCHIMMEL, K. Design thinking as an effective toolkit for innovation. In: ISPIM


CONFERENCE: Action for innovation: innovating from experience, 23., 2012,
Barcelona. Proceedings... Barcelona: Ispim, 2012.

VAN REINE, P. P. The culture of design thinking for innovation. Journal of


Innovation Management, v. 5, n. 2, p. 56-80, 2017.

VERYZER, R. W.; MOZOTA, B. B. The impact of user-oriented design on new


product development: an examination of fundamental relationships. Journal of
Product Innovation Management, v. 22, p. 128-143, 2005.

VIANNA, M. et al. Design thinking: inovação em negócios. Rio de Janeiro: MJV


Press, 2012. Disponível em: <[Link]
inovacao-em-negocios>. Acesso em: 14 fev. 2019.

19

Você também pode gostar