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Aula 12 - Operação Das Linhas

O documento discute os diferentes modos de operação de linhas de transmissão, incluindo linhas entre centrais geradoras e cargas passivas, linhas com tensão constante no transmissor, e linhas ligando centrais geradoras a grandes sistemas. O documento também analisa como os fatores como regulação de tensão, perdas de potência e aquecimento dos condutores afetam a capacidade de transmissão.

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Aula 12 - Operação Das Linhas

O documento discute os diferentes modos de operação de linhas de transmissão, incluindo linhas entre centrais geradoras e cargas passivas, linhas com tensão constante no transmissor, e linhas ligando centrais geradoras a grandes sistemas. O documento também analisa como os fatores como regulação de tensão, perdas de potência e aquecimento dos condutores afetam a capacidade de transmissão.

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MUNDI - CENTRO DE FORMAÇÃO TÉCNICA Módulo III - Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica

CAPÍTULO 12

Operação das Linhas e seriam válidas somente para esse mesmo sistema,
enquanto se mantivessem as condições para as quais
Neste capítulo estudaremos o desempenho das linhas de foram determinadas.
transmissão em regime permanente, dentro dos vários
esquemas básicos em que são encontradas nos sistemas Linha Entre Central Geradora e Carga Passiva
elétricos comerciais e as influências das características
dos sistemas alimentados, bem como de sua adaptação É uma das formas clássicas de operação das linhas
a um desempenho desejado através da alteração de seus para efeito de estudos. Na prática, encontra-se,
parâmetros elétricos, ou compensação. geralmente, apenas em sistemas em estágios iniciais de
desenvolvimento.
Modo de Operação das Linhas de Transmissão
Neste tipo de transmissão, cabe à central alimentadora
Dentro dos sistemas elétricos, as linhas de transmissão a manutenção da frequência do sistema. Às linhas de
podem ser operadas em vários esquemas básicos transmissão cabe o transporte da energia ativa produzida
distintos. Estes, bem como as características do transporte na central alimentadora, cuja capacidade limita o valor da
de energia em cada um deles, serão examinados a seguir. potência ativa disponível no transmissor da linha.

Os receptores das linhas de transmissão constituem-se A potência ativa deverá ser suficiente para atender às
normalmente de sistemas elétricos que podem compor- demandas do sistema receptor, cuja capacidade de
se de: absorção de energia é limitada por suas características
peculiares, como também para suprir as perdas de energia
• Sistemas de cargas passivas; ativa na transmissão.
• Sistemas que, além de cargas passivas, contêm
fontes de energia com capacidade igual ou maior do que Em sistemas pequenos, geralmente, também cabe à central
a do sistema alimentador. geradora o suprimento de energia reativa necessária ao
sistema alimentado e à linha de transmissão.
Entendemos por cargas passivas os sistemas elétricos
que não possuem fontes de energia ou outras máquinas Nos sistemas maiores, a energia reativa necessária ao
síncronas de capacidade comparável à das centrais dos sistema alimentado é, em geral, produzida junto ao
sistema alimentador. mesmo, evitando-se seu transporte através das linhas,
pois este, além de perdas adicionais de energia, pode
Suas demandas variam com as tensões aplicadas e sua ainda trazer problemas de regulação de tensão.
representação, por intermédio de impedâncias de valor
constante, é apenas aproximadamente correta. Esse fato é claramente visível na Figura 5.1, na qual estão
reproduzidas as curvas de regulação de uma linha de
O mesmo pode ser dito com relação a sua representação 138 kV. Estas nos mostram que, por exemplo, é possível
através de potências ativas e reativas constantes, pois transmitir 134 MW com uma variação de tensão de 5%
estas variam igualmente em função das tensões aplicadas. sob FP = 1, enquanto que, com FP = 0,8 IND, com a mesma
variação de tensão podemos transmitir apenas 33,5 MW.
Uma representação correta das cargas deverá basear-se Seria igualmente possível transmitir cerca de 382 MW,
em suas características N = f (U), que somente poderiam com os mesmos 5% de variação de tensão, desde que FP
ser determinadas experimentalmente em um sistema = 0,9 CAP.

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Figura 5.1 – Variação das tensões no transmissor para tensão constante no receptor de uma linha curta
A Figura 5.2 mostra para a mesma linha curta, as mesmas condições anteriores de transmissão. Verifica-
curvas representativas das perdas de energia ativa nas se claramente o aumento das perdas com o aumento de
energia reativa entregue ao transmissor.

Figura 5.2 – Variação das perdas em função da variação da energia reativa no receptor de uma linha curta

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Essas considerações nos conduzem a algumas conclusões • Nas linhas longas, a regulação de tensão e as
interessantes: perdas de potência são, em geral, os fatores limitantes
em sua capacidade de transmissão, enquanto que, nas
• Dentro das limitações impostas pela capacidade linhas curtas, o aquecimento dos condutores, causado
da central alimentadora, o fluxo das potências ativas pela corrente transportada, pode ser o fator limitante
é controlado pelas demandas do sistema alimentado, principal.
devendo as máquinas primárias ajustar-se a essa
demanda, de forma a manter constante a frequência do Operação Com Tensão Constante no Transmissor
sistema. Os geradores, por sua vez, devem ajustar-se para
manter a tensão constante, em um ponto do sistema; Admitamos que a central que alimenta o sistema
• O fluxo das potências reativas através das linhas mantenha tensão constante junto ao transmissor, ou que
é um parâmetro fundamental em seu desempenho, seja o sistema seja alimentado por um barramento de um
sob o aspecto técnico (regulação da tensão), seja sob o grande sistema capaz de manter a tensão constante.
ponto de vista econômico (rendimento da transmissão). A Figura 5.3 apresenta as curvas de regulação de uma
Quanto mais longa for a linha, maiores serão os problemas linha longa operada nessas condições.
decorrentes;

Figura 5.3 – Curvas de regulação de uma linha longa operada com tensão constante no transmissor alimentando uma
carga passiva
Observamos que: no receptor, ou seja, do fator de potência do sistema
alimentado.
• Para cada valor de fator de potência no receptor
há um limite máximo de potência ativa transmissível, Linha de Transmissão Ligando uma Central Geradora
definido pelo ponto em que a equação apresenta uma a um Grande Sistema
única raiz real;
• Para valores de potência ativas menores, É uma condição de operação frequentemente encontrada
encontramos sempre duas raízes reais e positivas. A raiz nos níveis mais altos dos sistemas de energia elétrica.
maior é aquela que possui real significado, pois atende É o caso das centrais hidroelétricas, hoje cada vez mais
a ambas as possibilidades no transmissor; central ou distantes e de potenciais maiores, que alimentam grandes
barramento com tensão fixa. A raiz menor representa sistemas de energia, contendo outras centrais.
uma condição inviável de operação e deve ser descartada.
• A regulação da linha, como o seu rendimento, Análises preliminares de linhas funcionando nessas
dependem grandemente do valor da potência reativa condições são feitas, em geral, com algumas hipóteses

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simplificativas: O fluxo das potências ativas poderá ser controlado através


de um controle diferenciado das gerações em cada um
• O sistema alimentado pela linha é considerado dos sistemas interligados. O fluxo das potências reativas
infinito, ou seja, sua capacidade de receber e fornecer será controlado através do controle das tensões nos
energia ativa e reativa é infinita no receptor da linha; transmissores e receptores.
• A frequência do barramento de interligação é
constante; Uma vez que a geração de energia reativa próxima aos
• A tensão no barramento do receptor da linha é locais de uso é mais econômica do que sua geração remota
constante. e consequente transporte por linhas de transmissão, esse
tipo de linha deve operar, como em geral o faz, com fator
Essas condições dificilmente serão encontradas em de potência unitário no receptor.
sistemas reais, no entanto, podem apresentar condições
bastante próximas às ideais. Linha de Interligação Entre Dois Pontos de um Mesmo
Sistema
Uma vez definidos os principais parâmetros dessas linhas,
são as mesmas integradas nos modelos dos sistemas e São linhas que normalmente se destinam a aumentar a
seu desempenho é estudado pelas técnicas de estudos de segurança e a flexibilidade de operação de um sistema,
fluxo de carga e de estabilidade dos sistemas. facilitando a circulação das potências e melhorando a sua
regulação geral.
De acordo com as hipóteses iniciais, a central elétrica
que alimenta a linha de transmissão não terá influência O projeto de uma linha de interligação deve ser precedido
alguma sobre a frequência de todo o sistema, como de um estudo geral do sistema que estabeleça as
também não exercerá controle algum sobre a tensão do condições de operação da linha mais conveniente, como
mesmo. Da mesma forma, em virtude da constância da também os pontos mais indicados a serem interligados.
frequência e da tensão, o sistema alimentado não exerce
influencia sobre a quantidade de energia transmitida Nesse tipo de linha, as tensões nos pontos de interligação
pela linha. Esta dependerá exclusivamente do modo de variam de acordo com as condições de carga no sistema e
operação da central elétrica junto ao transmissor da linha. os ângulos de potência são função do próprio sistema.

Os geradores fornecem às linhas potências ativas de Transformadores reguladores de tensão e de fase podem
valores iguais à potência fornecida à sua máquina primária ser empregados para regular os fluxos de potência ativas
menos as perdas de geração e de transformação. A linha e reativas nessas linhas.
de transmissão terá que transportar essas potências ao
sistema infinito. O valor da potência ativa transportada Meios de Controlar Tensões e
pode ser influenciado somente pelos reguladores de Ângulos de uma Linha (Compensação das
abertura das turbinas da central alimentadora (ângulo de Linhas)
potência).
O transporte de energia através de uma linha de
Como a tensão no barramento do receptor é mantida transmissão depende da diferença em módulo e fase, das
constante pelo sistema maior, a regulação da tensão tensões no transmissor e no receptor e das características
da central elétrica no transmissor da linha poderá ser das linhas e das cargas alimentadas. Atuando sobre
empregada para regular o fluxo de potências reativas da qualquer desses elementos, alteraremos suas condições
linha. de funcionamento.

Linha de Interligação de Sistemas Se uma linha é alimentada por uma central elétrica e
a variação de tensão em seu receptor é pequena, os
Neste caso, a central é substituída por um novo sistema, reguladores automáticos de tensão dos geradores podem
de características semelhantes às do sistema alimentado. regular a tensão no transmissor de forma a manter a
variação da tensão junto do receptor dentro de limites
As tensões, nos pontos de interligação, podem ser razoáveis.
consideradas constantes e ambos os sistemas possuem
características de sistemas infinitos. Ambos podem Nas linhas de subtransmissão, essa compensação se realiza
absorver ou fornecer energia ativa e reativa e a linha nos próprios transformadores elevadores equipados
poderá transportar energia em ambos os sentidos. com comutadores automáticos sob carga, ou através de
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reguladores indutivos de tensão. algumas desvantagens com relação à máquina síncrona,


principalmente devido ao fato de que equipamentos
Regulação do Fator de Potência diferentes são necessários para a produção ou absorção
de energia reativa.
A regulação e o rendimento de linhas que alimentam o Capacitores estáticos ligados em
cargas passivas dependem grandemente do fator de derivação: têm a capacidade de gerar energia reativa. A
potência do sistema receptor. fim de se obter a capacidade necessária e para que operem
sob determinadas tensões, é necessária a formação de
Dependendo do valor da potência ativa a ser entregue bancos de capacitores, por associação série-paralelo.
no receptor, a linha poderá ou não dispor de reativo o Reatores indutivos em derivação:
suficiente para não só atender à demanda desse tipo de absorvem o excesso de energia reativa existente no
energia pelo sistema alimentado, como também para sistema.
consumo próprio, necessário para manter o valor de
tensão desejada no receptor. Uma associação adequada de reatores indutivos e
capacitores reguláveis permite obter uma compensação
Poderá também, dispor de excesso de reativo, obrigando-a com características semelhantes àquelas dos
a manter tensões indesejavelmente altas junto ao compensadores síncronos.
receptor. O transporte de reativos pela linha, por outro
lado, dá origem a correntes mais elevadas, portanto a Compensação das Linhas de Transmissão
maiores perdas de energia.
Em uma determinada linha de transmissão, com
A necessidade do controle das potências reativas junto seus parâmetros elétricos fixos e definidos, vários
aos receptores é de importância primordial nesse tipo equipamentos podem ser usados para regular os fluxos
de transmissão. As empresas concessionárias, dentro de das potências ativas e reativas e as relações entre as
certos limites, usam mesmo de medidas coercitivas contra tensões terminais. O elemento aparentemente menos
consumidores cujos fatores de potência são considerados flexível é a própria linha, cujo parâmetros são função de
baixos, empregando tarifas diversificadas. Essas tarifas são suas características físicas, rígidas para uma determinada
fixadas de forma a compensar quaisquer investimentos construção. Sua alteração seria um meio de reduzir certos
que o consumidor venha a ter que fazer para reduzir suas efeitos indesejáveis em sua operação. Estes são tão mais
necessidades de energia reativa. acentuados quanto maior o seu comprimento, como, por
exemplo, o efeito Ferranti.
Nos receptores das linhas os problemas podem ser de dois
tipos: necessidade de geração de reativo para o sistema Felizmente, para a técnica das transmissões a longa
alimentado e eventualmente para a linha; e a absorção do distância, sem alterarmos as características físicas das
excesso de energia reativa da linha. linhas, possuímos meios para alterar suas características
de transmissão, atuando sobre o seu circuito elétrico.
Para isso é necessário que haja compensação de energia
reativa junto aos terminais das linhas. Há dois tipos de Nessas condições, é possível neutralizar o efeito do
equipamento de compensação: rotativos e estáticos. Os excesso de reatância capacitiva, ou o excesso de reatância
primeiros são construídos principalmente por motores indutiva, ou mesmo ambos. Também é possível alterar
síncronos, enquanto que, os segundos, por bancos de artificialmente o comprimento elétrico da linha.
capacitores e reatores indutivos, associados ou separados.
Uma linha de transmissão para poder funcionar, necessita
• Compensadores Síncronos: são motores síncronos para a manutenção de seus campos elétricos e magnéticos,
que não fornecem potência mecânica em seus eixos, ou de energia reativa, cujo sinal depende do regime de carga
seja, trabalham a vazio. São a forma mais eficiente para com o qual opera.
a realização da compensação do fator de potência,
apesar de seu custo elevado. Seu funcionamento baseia- Essa energia reativa deverá ser-lhe fornecida pelo sistema
se na conhecida propriedade dos motores síncronos, de gerador a alimenta linha de transmissão, e seu valor
absorver energia reativa ou de fornecer esse mesmo tipo depende de seu comprimento e de sua classe de tensão.
de energia ao sistema a que estão ligados, dependendo Quando a linha opera em vazio ou com cargas pequenas,
do seu grau de excitação. ela se comporta como um capacitor, representando
• Compensadores Estáticos: de custo inferior, para o sistema alimentador, um gerador de energia
são bastante utilizados, apesar de apresentarem reativa. Por outro lado, com cargas elevadas em cujo
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limite encontramos a operação em curto circuito, a requerida pela rede alimentada. Para tanto, sugerimos
linha absorve energia reativa para o seu funcionamento, o emprego de condensadores síncronos, ou reatores
havendo nesse regime de operação predominância dos indutivos e bancos de capacitores. Vejamos como
campos magnéticos. satisfazer as necessidades de energia reativa das linhas.

Há apenas um ponto intermediário em que a linha é Compensação em Derivação


autossuficiente, há equilíbrio entre a energia necessária
aos seus campos elétricos e magnéticos e ela deixa de Visa a neutralizar o efeito das reatâncias em derivação das
absorver energia reativa, passando o período transitório linhas através de elementos em derivação absorvendo
de energização; é quando opera com potência natural. energia reativa de sinal oposto. Em outras palavras,
Nesse caso, seu fator de potência é constante ao longo de empregam-se reatores indutivos para compensar as
todo o seu comprimento. Ela deixa de solicitar o sistema reatâncias capacitivas naturais das linhas.
alimentador por energia reativa, em geral de custo
elevado. Com essa compensação procura-se, principalmente, a
neutralização do efeito
Somente uma parcela bastante pequena dessas potências
pode ser fornecida ou absorvida pelos sistemas, de forma Ferranti, ligando-se a ambas as extremidades das linhas
que outra fontes de energia reativa são necessárias. reatores indutivos de indutância variável. As tensões nas
Já vimos que a forma de evitar o transporte de energia extremidades da linha são mantidas no valor desejado.
reativa através das linhas consiste na produção e absorção Na Figura 5.4 representamos o esquema unipolar da linha
da energia reativa junto do receptor, inclusive daquela compensada e o seu circuito equivalente.

Figura 5.4 – Esquema unipolar e circuito equivalente de uma linha compensada em derivação.

O emprego dos reatores não elimina a elevação das A conveniência da compensação total, como também do
tensões no meio da linha, atuando somente em suas emprego de reatores intermediários, está relacionada
extremidades, como mostra a Figura 5.5. As tensões em com a coordenação do isolamento da linha e os
pontos intermediários podem também ser reduzidas ao investimentos necessários. Os reatores, em geral, são
nível da tensão do transmissor, em vazio, com a instalação ligados diretamente ao barramento de saída das linhas,
de reatores em pontos intermediários. nos sistemas em tensões mais elevadas, sendo, no
entanto, comum empregar para esse fim enrolamentos
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terciários dos transformadores terminais, em sistemas de tensões mais baixas.

Figura 5.5 – Linha em vazio, perfis de tensão: a) sem compensação; b) com compensação; c) compensação
intermediária e no receptor.
Compensação Série econômica para melhorar os limites de estabilidade
estática e transitória;
Os parâmetros série das linhas de transmissão, reatância • Melhoram a regulação das linhas;
indutiva e resistência, são os responsáveis pelas grandes • Ajudam a manter o equilíbrio de energia reativa;
quedas de tensão nas linhas.
• Melhoram a distribuição de cargas e as perdas
A reatância indutiva é também responsável pelo ângulo de globais no sistema.
potência da linha, portanto, pelo seu grau de estabilidade,
tanto estática como dinâmica. Para a manutenção Dessa forma, aumentando as capacidades de transporte
de seu campo magnético, necessita da energia reativa das linhas, sua instalação em linhas existentes pode
que absorve do sistema alimentador. Seus efeitos são protelar e mesmo evitar a construção de nova linha,
proporcionais à corrente na linha. possivelmente de custo superior.

A compensação poderá então, ser feita através de Os capacitores série, para o funcionamento ideal, deveriam
capacitores ligados em série, capazes de reduzir e ser distribuídos ao longo da linha, porém, em virtude do
mesmo anular os efeitos da indutância da linha, quando custo envolvido em cada uma dessas instalações, seu
vistos de seus terminais. Nessas condições, o emprego emprego é em geral limitado à suas extremidades e a um
de capacitores estáticos em série com as linhas de ou dois pontos intermediários.
transmissão vem recebendo um crescente impulso, pois
apresenta as seguintes vantagens: A localização ideal para os capacitores série é junto ao meio
da linha, o que requer a construção de uma subestação e
• Representam, em geral, a solução mais vias de acesso adequadas. Um cálculo econômico poderá

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indicar a posição mais adequada: no meio ou junto à suas • UPFC (Unified Power Flow Controller)
extremidades. • IPFC (Interline Power Flow Controller)
• CSC (Convertible Static Compensator)
Em uma linha equipada com capacitores série, verifica-
se uma redução sensível na queda de tensão reativa, Impedância em Série de Linhas de Transmissão
acompanhada de uma redução no ângulo de potência
da linha. Este último fato indica que o emprego dos Uma linha de transmissão de energia elétrica possui
capacitores série aumenta a capacidade de transporte quatro parâmetros: resistência, indutância, capacitância
das linhas. e condutância, que influem em seu comportamento como
componentes de um sistema de potência. Estudaremos os
Dispositivos FACTS dois primeiros neste capítulo e a capacitância no próximo.

O aumento dos custos e das restrições ambientais tornou A condutância entre condutores ou entre condutor e
impraticável a estratégia do sobredimensionamento e, ao terra leva em conta a corrente de fuga nos isoladores das
mesmo tempo, dificultou a construção de novas unidades linhas aéreas de transmissão ou na isolação dos cabos
de produção e linhas de transmissão. Por outro lado, subterrâneos. No entanto, a condutância entre condutores
tem-se observado um aumento contínuo do consumo de uma linha aérea pode ser considerada nula, pois a fuga
de energia elétrica. Por isso, tornou-se necessário o nos seus isoladores é desprezível.
desenvolvimento de meios para controlar diretamente os
fluxos de potência em determinadas linhas de um sistema. Resistência

O conceito de sistemas com fluxos de potência controláveis, A resistência dos condutores é a principal causa da perda
ou “Flexible AC Transmission System” (FACTS) agrupa um de energia das linhas de transmissão e definida por
conjunto de equipamentos de eletrônica de potência que
permitem maior flexibilidade de controle dos sistemas
elétricos. Estes dispositivos são desenvolvidos com dois
objetivos principais: onde a potência é dada em watts e I é o valor eficaz em
ampères da corrente do condutor. A resistência de um
1. Aumentar a capacidade de transmissão de condutor só será igual à resistência em corrente contínua
potência das redes; se a distribuição de corrente no condutor for uniforme.
2. Controlar diretamente o fluxo de potência em
trajetos específicos de transmissão. A resistência em corrente contínua é dada pela fórmula

O fluxo de potência numa rede de transmissão está


limitado por uma combinação dos seguintes fatores: onde ρ é a resistividade do condutor, l é o comprimento
e A é a área de seção transversal.
• Estabilidade;
• Limites de tensão; Pode ser usado qualquer conjunto coerente de unidades.
• Limites térmicos de linhas ou equipamentos. Nos Estados Unidos às vezes se usa especificar l em pés,
A em circular mils (cmil) e ρ em ohms por circular mil-
Os dispositivos FACTS são aplicáveis, de forma mais pé. Em unidades do Sistema Internacional, l é dados em
direta, às restrições de metros, A em metros quadrados, e ρ em ohm-metro.

transmissão de potência relacionadas com problemas de Um circular-mil (CM) é a área de um círculo com um
estabilidade. diâmetro de um milésimo de polegada. Como os
fabricantes nos EUA identificam os condutores por sua
Os principais equipamentos FACTS são: área de

• SVC (Static Var Compensator) seção transversal em CM, devemos ocasionalmente


• TSSC (Thyristor Switched Series Condensador) usar esta unidade. A área em milímetros quadrados é
• TCSC (Thyristor Controlled Series Condensador) igual à área em CM multiplicada por 5,067 x 10-4.
• STATCOM (Static Synchronous Shunt
Compensator) Na faixa normal de operação, a variação da resistência de
• SSSC (Static Synchronous Series Compensator) um condutor metálico com a temperatura é praticamente
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linear. Num gráfico da resistência em função da Exemplo 6.2: A resistência em corrente contínua de um
temperatura, como na Figura 6.1, um prolongamento condutor é 0,01527 Ω à temperatura de 20ºC. Sabendo
da porção retilínea do gráfico fornece um método que para este condutor T é igual a 228, qual é sua
conveniente para correção da resistência para variações resistência à temperatura de 50ºC?
de temperatura. O ponto de interseção do prolongamento
da reta com o eixo da temperatura para resistência zero é Solução:
uma constante do material. Graficamente, pela Figura 6.1

onde R1 e R2 são as resistências do condutor às


temperaturas t1 e t2, respectivamente, em graus Celsius e
T é a constante determinada pelo gráfico. Indutância

Para um condutor cilíndrico, a indutância por


unidade de comprimento (henrys/metro) devida apenas
ao fluxo magnético interno ao condutor, é dada por

A Figura 6.2 mostra um condutor e os pontos externos


P1 e P2, a indutância devida apenas ao fluxo entre P1 e
P2 é

Figura 6.1 – Resistência de um condutor metálico em


função da temperatura
A distribuição uniforme de corrente pela seção transversal
de um condutor ocorre somente com corrente contínua.
Uma corrente variável com o tempo provoca densidade
de corrente desuniforme e, à medida que aumenta a
frequência de uma corrente alternada, acentua-se a
desuniformidade da distribuição de corrente alternada.
Este fenômeno é chamado efeito pelicular. Em um
condutor circular, a densidade de corrente usualmente
cresce do interior para a superfície. Figura 6.2 – Um condutor e os pontos externos P1 e P2
A Figura 6.3 mostra um circuito com dois condutores de
Exemplo 6.1: Um condutor possui 1000 pés, resistividade raios r1 e r2. A indutância total do circuito devida apenas à
de 17 ohms por circular mil-pé e área de seção transversal corrente do condutor 1 é
de 1113000 CM. Qual é a sua resistência em corrente
contínua?

Solução: O raio r‘1 corresponde a um condutor físico, sem fluxo


interno, porém com a mesma indutância do condutor
real, de raio r1, r‘1 = 0,7788r1. A indutância devida à
corrente no condutor 2 é

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Para o circuito completo

Se r‘1 = r‘2 = r‘ , a indutância total se reduz a

Para condutores compostos LX e LY

onde Dm ou DMG é a distância média geométrica entre os


condutores X e Y e Ds ou RMG é o raio médio geométrico Figura 6.3
entre os fios dos condutores X. A Figura 6.4 mostra uma linha trifásica com espaçamento
equilátero. A equação que dá a indutância por fase de
A indutância do condutor composto Y é determinada de uma linha trifásica é
modo semelhante, e a indutância da linha é

Exemplo 6.3: A Figura 6.3 mostra um circuito com dois


condutores. Os fios do condutor X possuem 0,25 cm de
raio, os do condutor Y possuem 0,5 cm de raio. Determine
a indutância devida à corrente em cada lado da linha e a
indutância completa.

Solução:

Determinemos a DMG entre os lados X e Y

Para o RMG do lado X: Figura 6.4


O cálculo da indutância ficará mais complicado quando
a linha trifásica tiver seus condutores com espaçamento
e para o lado Y:
assimétrico, pois, a indutância em cada fase não é a
mesma. O circuito fica desequilibrado quando cada fase
tem indutância diferente. Pode- se restaurar o equilíbrio
entre as três fases trocando, a intervalos regulares, a
posição relativa entre os condutores, de modo que cada
condutor ocupe a posição original de cada um dos outros
por uma distância igual. Chama-se transposição a essa
troca de posições. Um ciclo completo de transposição
é apresentado na Figura 6.5. Os condutores de cada
fase são designados pelas letras a, b e c, e as posições
indicadas pelos números 1, 2 e 3. A transposição resulta
em que a indutância média de cada condutor, em um ciclo
completo de transposição, seja a mesma.

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Figura 6.5
Para uma linha transposta a indutância média por fase será

onde

A colocação de dois ou mais condutores em paralelo por com esta disposição são denominados cabos múltiplos
fase, bastante próximos em relação à distância entre e consistem em dois, três ou quatro condutores e são
fases, reduz o efeito corona e a reatância. Os condutores mostrados na Figura 6.6.

Figura 6.6
O RMG para um cabo múltiplo de dois condutores é

O RMG para um cabo múltiplo de três condutores é

O RMG para um cabo múltiplo de quatro condutores é

Exemplo 6.4: Determine a reatância indutiva em ohms


por km por fase para a linha da Figura 6.7 por fase para d
= 45 cm e Ds = 1,4 cm. Determine a reatância em série em
pu se a linha tem 160 km e uma base de 100 MVA, 345 kV.
Solução: Figura 6.7

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Capacitância de Linhas de Transmissão que 80 km de comprimento, o efeito da capacitância


é mínimo e usualmente é desprezado. Para linhas mais
A admitância em derivação de uma linha de transmissão longas de tensões elevadas, torna-se mais importante a
consiste em uma condutância e uma reatância capacitiva. capacitância.
A condutância é usualmente desprezada devido à sua
pequena contribuição com a admitância em derivação. Por Capacitância
esta razão foi dado este capítulo o título de capacitância e
não o de admitância em derivação. A capacitância entre condutores de uma linha a dois fios
é dada por
Outra razão para que se despreze a condutância reside no
fato de não existir nenhum meio apropriado de considera-
la, por ser muito variável. A fuga pelos isoladores, que é
onde k é a permissividade relativa, para o vácuo k vale
a principal fonte de condutância, varia com as condições
8,85 x 10-12 F/m.
atmosféricas e com as propriedades de condução da
poeira que se deposita sobre os isoladores.
A capacitância ao neutro é dada por
A capacitância de uma linha de transmissão resulta da
diferença de potencial entre os condutores, ela faz com
que estes se tornem carregados de modo semelhante às
placas de um capacitor entre as quais exista uma diferença O conceito de capacitância ao neutro é ilustrado pela
de potencial. A capacitância entre condutores em Figura 7.1. Esta equação representa a capacitância ao
paralelo é uma constante que depende das dimensões e neutro de linhas trifásicas com espaçamento equilátero e
do afastamento entre os condutores. Para linhas menores de linhas monofásicas.

Figura 7.1
Tendo sido obtida a capacitância ao neutro, a reatância capacitiva entre um condutor e o neutro, para uma
permissividade relativa k = 1, é

Exemplo 7.1 Determine a susceptância capacitiva por 0,0268 pé.


milha de uma linha monofásica que opera a 60 Hz. O
espaçamento entre centros é de 20 pés e o raio é de Solução:

O termo corrente de carregamento é aplicado à corrente de carregamento por fase, o que está de acordo com
associada com a capacitância de uma linha. Para um o cálculo de circuitos trifásicos equilibrados com base
circuito monofásico, a corrente de carregamento é o em um circuito monofásico com retorno pelo neutro. A
produto da tensão de linha pela susceptância linha-linha, corrente de carregamento, em notação fasorial, para a
ou, em notação fasorial fase a é

Para uma linha trifásica, a corrente de carregamento é A capacitância ao neutro de uma linha trifásica transposta
obtida multiplicando a tensão de fase pela susceptância é dada por
capacitiva ao neutro. Com isto, obtemos a corrente
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Exemplo 7.2: Determine a capacitância e a reatância capacitiva ao neutro para toda linha e a sua corrente de
por fase. Se o comprimento da linha for de 175 milhas a carregamento por milha, bem como os MVAr totais de
tensão nominal de operação for de 220 kV, k = 8,85 x 10- carregamento.
12, r = 0,0462 m e Deq = 24,8 m, determine a reatância
Solução:

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Figura 7.2
Exemplo 7.3: Determine a reatância capacitiva ao neutro = 45 cm e r = 1,755 cm.
em ohms por km por fase para a linha da Figura 7.3 para d
Solução:

Figura 7.3

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