Reinhold Federolf
A IGREJA
SEM ISRAEL
Israel deixou de fazer parte
dos planos de Deus?
1ª edição
Porto Alegre - 2015
chamada
Este livro é uma coletânea de uma
série de artigos publicados nas revistas
“Chamada da Meia-Noite” e “Notícias de Israel”.
Obra Missionária Chamada da Meia-Noite
Revisão: Célia Korzanowski, Ione Haake, R. Erechim, 978 – B. Nonoai
Sérgio Homeni, Traudi Federolf 90830-000 – PORTO ALEGRE – RS/Brasil
Edição: Arthur Reinke Fone (51) 3241-5050 – Fax: (51) 3249-7385
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(Bibliotecária responsável: Nádia Tanaka – CRB 10/855)
F293i Federolf, Reinhold
A igreja sem Israel : Israel deixou de fazer parte dos planos de Deus? / Reinhold
Federolf. – Porto Alegre : Chamada, c2015.
160 p. ; 13,5 x 19,5 cm.
ISBN 978-85-7720-130-3
1. Igreja. 2. Bíblia. 3. Israel. I. Título.
CDU 261.1
CDD 296
ÍNDICE
Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
1. Cinco Razões Porque Amamos Israel . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
2. As Duas Testemunhas e o Arrebatamento da Igreja . . . . . . . . . . . . . . . 25
3. O Santo Monte do Senhor – Utopia ou Realidade? . . . . . . . . . . . . . . . . 39
4. Israel – Pedra de Tropeço Para Muitos Cristãos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
5. A Misteriosa Chave de Davi . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
6. Os Judeus, Inimigos de Todos os Homens? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81
7. Desafiando a Espada Flamejante dos Querubins . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93
8. A “Grande Apostasia” – O Que é e Quando Será? . . . . . . . . . . . . . . . . 107
9. A Fuga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119
10. A Igreja Sem Israel . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135
INTRODUÇÃO
A Bíblia é fascinante. Sua mensagem transforma vidas.
Parte dela é profecia. Muitas previsões bíblicas já se cumpri-
ram, outras ainda esperam por sua concretização. Não po-
demos negligenciar uma porção tão grande do conteúdo das
Sagradas Escrituras nem menosprezar sua importância, pois
“nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucida-
ção, porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vonta-
de humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus,
movidos pelo Espírito Santo” (2Pe 1.20-21). As profecias da
Bíblia vêm de Deus, inspiradas pelo Espírito Santo. Vale a
pena estudá-las.
Este livro tentará responder algumas questões bem co-
muns a quem se ocupa com o que a Bíblia diz sobre o fu-
turo. Estudando expressões curiosas como “Santo Monte do
Senhor” ou “a Chave de Davi” e personagens como “as Duas
Testemunhas do Apocalipse” teremos uma visão ampliada
sobre a profecia na Bíblia. Mas o assunto central será o papel
de Israel nesse contexto profético. “A Igreja Sem Israel” será
o fio condutor dos capítulos deste livro. Essa questão nos pre-
ocupa porque vemos muitas igrejas e denominações forçando
o texto bíblico, torcendo e distorcendo muitas passagens que
foram escritas para o povo de Israel, não para a Igreja. Talvez
um dos maiores erros que podemos cometer ao estudar profe-
cia seja não distinguir entre Israel, a Igreja e as nações. Esses
três grupos têm promessas específicas, e Deus lida com cada
um deles de forma diferente.
Temos observado com muito pesar os desvios da sã dou-
trina pelos que, hoje, tentam judaizar a Igreja, introduzindo
costumes, festas e rituais que são exclusivos para Israel. Isso
A IGREJA SEM ISRAEL
não é “atender” à candeia da profecia. Igualmente preocupan-
tes são as tentativas de imitar os apóstolos judeus e a igreja
primitiva. Não somos mais essa igreja, somos a igreja dos tem-
pos finais, caracterizada por duas grandes falhas:
1. Pela Bíblia, será uma igreja exposta a muitos enganos,
como fica bem evidente em Mateus 7.22: “Muitos, naquele
dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos
nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos
demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?”
2. Será uma igreja destituída da fé verdadeira, a ponto de
Jesus questionar em Lucas 18.8: “...quando vier o Filho do
Homem, achará, porventura, fé na terra?”
Devemos estudar o que a Bíblia diz sobre o futuro, pois
“temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis
bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tene-
broso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso cora-
ção” (2Pe 1.19). Que essa brilhante luz da candeia da profecia
nos ilumine!
8
Cap. 1 | CINCO RAZÕES PORQUE
AMAMOS ISRAEL
Por que amamos e apoiamos Israel? A Palavra de
Deus nos fornece bem mais do que cinco razões para
ficar do lado do povo judeu, mas vamos focar nossa
atenção naquelas que consideramos as mais signifi-
cativas.
Lemos acerca do centurião de Cafarnaum: “Tendo Jesus
concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo, entrou em
Cafarnaum. E o servo de um centurião, a quem este muito esti-
mava, estava doente, quase à morte. Tendo ouvido falar a res-
peito de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-
-lhe que viesse curar o seu servo. Estes, chegando-se a Jesus, com
instância lhe suplicaram, dizendo: Ele é digno de que lhes faças
isto, porque é amigo do nosso povo, e ele mesmo nos edificou a
sinagoga. Então, Jesus foi com eles. E, já perto da casa, o cen-
turião enviou-lhe amigos para lhe dizer: Senhor, não te inco-
modes, porque não sou digno de que entres em minha casa. Por
isso, eu mesmo não me julguei digno de ir ter contigo; porém,
manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. Porque
também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados
às minhas ordens, e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem,
e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz. Ouvidas estas
palavras, admirou-se Jesus dele e, voltando-se para o povo que
o acompanhava, disse: Afirmo-vos que nem mesmo em Israel
achei fé como esta. E, voltando para casa os que foram enviados,
encontraram curado o servo” (Lc 7.1-10).
A IGREJA SEM ISRAEL
Jesus elogiou o comportamento desse centurião, que desfruta-
va de um testemunho impressionante, positivo e unânime entre
o povo judeu. O status social e a profissão desse homem não im-
pediam que ele acolhesse Israel em seu coração de uma forma toda
especial. Obviamente essa era apenas uma consequência de sua
convicção pessoal de que o Deus de Israel era o Deus verdadeiro.
O centurião vivia e trabalhava em Israel e observava o povo judeu,
sua cultura e sua religião. O povo dizia que ele “é amigo do nosso
povo, e ele mesmo nos edificou a sinagoga”. O fato de ele ter mandado
chamar Jesus em uma situação de angústia apenas comprova que
o Espírito Santo também trabalhava nos corações de não-judeus,
iluminando suas mentes e conduzindo-os a Cristo. Mesmo os sol-
dados romanos durões e experimentados que crucificaram Jesus
e vigiaram Seu corpo reconheceram nEle alguém extraordinário:
“O centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto e
tudo o que se passava, ficaram possuídos de grande temor e disseram:
Verdadeiramente este era Filho de Deus” (Mt 27.54).
Alguns anos depois de Pentecostes, no livro de Atos dos
Apóstolos, encontramos o relato detalhado da conversão de
Cornélio, outro centurião romano. Através da direção especial
de Deus, o apóstolo Pedro é enviado a Cesareia para encon-
trar-se com ele. Esse homem com toda a sua casa proclamava
abertamente sua cordial simpatia pelo povo judeu. Dava mui-
tas esmolas e orava a Deus “de contínuo” (At 10.2). Pedro, espe-
cialmente legitimado por Deus, abriu ali a porta do Evangelho
aos gentios. E então podemos ler o relato da primeira conver-
são real de um gentio a Cristo na era da Igreja. Nesse evento, o
amor por Israel ocupa um lugar todo especial. Se no início da
Igreja o amor por Israel e a simpatia pelo povo judeu merece-
ram menção na Palavra de Deus, hoje isso nos desafia a pensar
com mais profundidade sobre o assunto.
1. Jesus descende de Israel
Não é por acaso que encontramos muitas genealogias
escrupulosamente registradas na Bíblia, documentos históri-
10
Cap. 1 | Cinco Razões Porque Amamos Israel
cos que retrocedem milhares de anos até Adão. Isso é único
entre todas as nações do mundo. Só Israel possui listas tão
precisas e minuciosas. Essas genealogias permitem pesquisar
a ascendência de Jesus. Logo no início do Novo Testamento,
no Evangelho de Mateus, José, o marido de Maria, é lista-
do como descendente de Davi. Sua linhagem começa com
Abraão e passa pelo rei Salomão, filho de Davi. Em Lucas
3.23-38, a genealogia começa com José, filho de Eli, e não
como em Mateus 1.16, onde ele é “filho de Jacó”. José tor-
nou-se “filho de Eli” (genro) por seu casamento com Maria.
E essa linhagem passa por Natã, mais um filho de Davi, pelo
próprio Davi, até chegar a Adão, documentando assim a ori-
gem de Maria como “filha de Davi”. Esses são fatos inegá-
veis. Só podem ser chamadas de ridículas as tentativas na-
zistas de negar a origem judaica de Jesus Cristo. Em nossos
dias também se ouvem teses semelhantes da parte de líderes
palestinos e islâmicos, que revisam a História, tentam con-
verter Abraão ao islamismo ainda 4.000 anos depois de sua
morte e procuram fazer de Jesus um palestino. Paulo confir-
ma: “com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da
descendência de Davi” (Rm 1.3). E em Romanos 9.5 ele fala
dos judeus: “deles são os patriarcas, e também deles descende o
Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para
todo o sempre. Amém!”.
A vida de Jesus transcorreu em lugares e vilarejos qua-
se todos facilmente identificáveis como localizados em Israel:
Belém, o rio Jordão, Nazaré, Cafarnaum, Tabga (lugar da
multiplicação dos pães e peixes), Jerusalém e o monte das
Oliveiras, o tanque de Betesda e o recém-descoberto tanque
de Siloé, o monte do Templo, o vale do Cedrom e, do ou-
tro lado, a cidadezinha de Betânia. Nos últimos anos foram
descobertas em Jerusalém algumas pedreiras antigas de onde
o rei Herodes mandava talhar as enormes pedras, típicas de
suas construções e usadas na majestosa restauração do Templo
judeu. Depois de décadas de busca, o arqueólogo judeu Ehud
Netzer achou o sepulcro de Herodes no lado sul do Heródio, o
11
A IGREJA SEM ISRAEL
monte artificial erguido ao sul de Jerusalém e Belém. Isso tudo
fazia parte da antiga região pertencente às tribos de Israel.
Em Apocalipse 5.5 somos confrontados outra vez com a
identidade judaica de Jesus: “...eis que o Leão da tribo de Judá,
a Raiz de Davi, venceu...”. Até no final da Bíblia, em meio às
profecias apocalípticas, Jesus é claramente conectado às suas
raízes judaicas.
Saber que Jesus foi um judeu legítimo, que viveu e mi-
nistrou em Israel, não seria razão mais do que suficiente
para amar esse povo?
2. Toda a Bíblia vem de Israel
“Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a vantagem da
circuncisão? Muita, sob todos os aspectos. Principalmente porque
aos judeus foram confiados os oráculos de Deus” (Rm 3.1-2). Na
Carta aos Romanos, tão rica em ensinamentos e tão fundamen-
tal à fé cristã, Paulo enfatiza a exclusividade de Israel como de-
tentor e veículo da revelação do único Deus verdadeiro, mesmo
na era da Igreja. O próprio Jesus testificou à mulher samaritana
no poço de Jacó: “Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o
que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus” ( Jo 4.22). O
próprio Deus estabeleceu que assim fosse, e a nós só cabe acei-
tar ou rejeitar os fatos. O escritor da Carta aos Hebreus traça a
linha que vincula os profetas do Antigo Testamento à revelação
divina definitiva em Jesus e por meio de Jesus: “Havendo Deus,
outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos
profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho...” (Hb 1.1-2a).
Mesmo que os teólogos modernos e os ateus tentem provar o
contrário, o testemunho do apóstolo Pedro sublinha a veraci-
dade das Sagradas Escrituras: “sabendo, primeiramente, isto: que
nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação;
porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade huma-
na; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos
pelo Espírito Santo” (2Pe 1.20-21). Não esqueçamos: todos esses
homens santos eram judeus, eram homens de Israel.
12
Cap. 1 | Cinco Razões Porque Amamos Israel
É a Bíblia judaica que contém informações tão particular-
mente importantes, sem as quais interpretaríamos todo o nos-
so mundo de forma incorreta e estaríamos perdidos em meio
às religiões, às filosofias e ao intelectualismo que nos rodeia. A
Sagrada Escritura de Israel fala claramente acerca da origem
da terra e de todo o Universo: “porque, em seis dias, fez o Senhor
os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, des-
cansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou”
(Êx 20.11). “Graças te dou, visto que por modo assombrosamente
maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha
alma o sabe muito bem” (Sl 139.14). “Porque os atributos invisí-
veis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria
divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo,
sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais ho-
mens são, por isso, indesculpáveis” (Rm 1.20). Essas declarações
nos provocam e nos desafiam a tomar posição. No decorrer
dos milênios, declarações assim causaram perseguições cru-
éis e discriminação de judeus e cristãos. Mas continuará a ser
sempre verdadeiro: “Porque todos os deuses dos povos são ídolos; o
Senhor, porém, fez os céus” (1Cr 16.26).
Por isso, está em curso uma grande guerra para apagar
essa clara luz que vem da Bíblia via Israel. São intensas as
tentativas de riscar Israel do mapa, intimidando e desaniman-
do os cristãos. Mas, no final, o que está em jogo é a perdição
eterna ou a salvação eterna de cada um de nós: “como escapa-
remos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo
sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirma-
da pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente com
eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do
Espírito Santo, segundo a sua vontade” (Hb 2.3-4). Essa confir-
mação especial por meio de milagres e sinais e distribuições
especiais do Espírito Santo ocorreu por meio dos apóstolos
judeus, oriundos de Israel e arredores. O próprio Jesus, depois
de Sua ressurreição, salienta a veracidade e a precisão profética
dos “oráculos de Deus”: “A seguir, Jesus lhes disse: São estas as pa-
lavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cum-
13
A IGREJA SEM ISRAEL
prisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas
e nos Salmos. Então, lhes abriu o entendimento para compreende-
rem as Escrituras; e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia
de padecer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia e que em seu nome
se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as na-
ções, começando de Jerusalém” (Lc 24.44-47). Isso significa que
um fio condutor se estende desde Adão e Eva, passando por
toda a Bíblia e apontando e conduzindo a Cristo: “Examinais
as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mes-
mas que testificam de mim” ( Jo 5.39).
3. Os judeus – uma prova da
existência de Deus
“Pois assim diz o Senhor dos Exércitos: Para obter ele a glória,
enviou-me às nações que vos despojaram; porque aquele que tocar
em vós toca na menina do seu olho” (Zc 2.8). A maioria das tra-
duções bíblicas diz que o texto está falando da menina do olho
de Deus. Isso significa que Israel tem uma posição especial-
mente privilegiada diante de Deus. A menina do olho é uma
parte muito sensível e delicada, importante para a visão. É pe-
rigoso tocar nos judeus. Até o mago e sacerdote pagão Balaão
foi obrigado a reconhecer que Israel era importante e que não
era bom tocar nesse povo singular. O rei moabita Balaque o
havia incumbido de amaldiçoar Israel. Balaão declarou: “Como
posso amaldiçoar a quem Deus não amaldiçoou? Como posso de-
nunciar a quem Deus não denunciou? Pois do cimo das penhas
vejo Israel e dos outeiros o contemplo: eis que é povo que habita só
e não será reputado entre as nações” (Nm 23.8-9). Alguns versí-
culos depois, Balaão revela ainda mais: “Eis que para abençoar
recebi ordem; ele abençoou, não o posso revogar. Não viu iniqui-
dade em Jacó, nem contemplou desventura em Israel; o Senhor, seu
Deus, está com ele, no meio dele se ouvem aclamações ao seu Rei.
Deus os tirou do Egito; as forças dele são como as do boi selvagem.
Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra
Israel; agora, se poderá dizer de Jacó e de Israel: Que coisas tem feito
14
Cap. 1 | Cinco Razões Porque Amamos Israel
Deus!” (vv.20-23). Em outras passagens bíblicas lemos que
a situação de Israel daquela época nem mereceria esses elo-
gios todos. Mas o amor de Deus por essa nação cobria tudo;
Ele “não viu iniquidade em Jacó, nem contemplou desventura em
Israel”. No Novo Testamento encontramos algo semelhante
em relação à Igreja: “para a apresentar a si mesmo igreja glorio-
sa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e
sem defeito” (Ef 5.27). Por meio do sacrifício perfeito de Jesus
seremos perfeitos diante de Deus se estivermos “em Cristo”,
mesmo que nossa situação prática esteja longe da perfeição.
E é em Cristo, o Messias de Israel, que o povo judeu um dia
encontrará sua salvação e sua plenitude espiritual.
Infelizmente, em muitas igrejas não se ouve falar nada de
bom acerca de Israel. A fidelidade de Deus e Suas promessas
para Israel são deixadas de lado. Mas então, como interpretar
versículos como estes: “Assim diz o Senhor, que dá o sol para a
luz do dia e as leis fixas à luz e às estrelas para a luz da noite, que
agita o mar e faz bramir as suas ondas; Senhor dos Exércitos é o
seu nome. Se falharem estas leis fixas diante de mim, diz o Senhor,
deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante
de mim para sempre. Assim diz o Senhor: Se puderem ser medidos
os céus lá em cima e sondados os fundamentos da terra cá embaixo,
também eu rejeitarei toda a descendência de Israel, por tudo quan-
to fizeram, diz o Senhor. Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que
esta cidade será reedificada para o Senhor, desde a torre de Hananel
até à porta da Esquina. Assim diz o Senhor: Se puderem ser medi-
dos os céus lá em cima e sondados os fundamentos da terra cá em-
baixo, também eu rejeitarei toda a descendência de Israel, por tudo
quanto fizeram, diz o Senhor” ( Jr 31.35-38). A lógica é bem
simples: apesar de tudo o que Israel fez, apesar de toda a sua
apostasia e de todos os seus pecados, Deus não o rejeitará para
sempre. E para que tenhamos absoluta certeza, Deus chega a
colocar em jogo as leis da natureza e a ordem cósmica! “Assim
diz o Senhor: Se puderdes invalidar a minha aliança com o dia e a
minha aliança com a noite, de tal modo que não haja nem dia nem
noite a seu tempo, poder-se-á também invalidar a minha aliança
15
A IGREJA SEM ISRAEL
com Davi, meu servo...” ( Jr 33.20-21). Enquanto o homem não
puder lançar o sol e os planetas para fora de suas órbitas, o pla-
no especial de Deus com Israel manterá sua validade. Jesus é
fiador dessa garantia: “Em verdade vos digo que não passará esta
geração sem que tudo isto aconteça” (Mt 24.34).
A geração que não passará
Já houve abençoados homens de Deus e pregadores do
Evangelho que erraram ao comentar essa “geração que não
passará”. Como exemplo cito Hal Lindsey, que há algumas
décadas escreveu seu best-seller “A Agonia do Grande Planeta
Terra”, que alcançou uma tiragem total de 28 milhões de exem-
plares. Seu propósito era honesto, mas ele errou. Suas conclu-
sões foram apressadas e precipitadas. Sua conta era simples: a
fundação do Estado de Israel ocorreu em 1948. Uma geração
bíblica é de 40 anos. Portanto, 1948 mais 40 anos (uma gera-
ção) até a volta gloriosa de Jesus. Retirando os sete anos apo-
calípticos, chegaríamos a 1981, o ano do Arrebatamento! Mas
como vemos que a Igreja de Jesus ainda está na terra e não foi
arrebatada, percebemos automaticamente que sua conta não
fechou. Isso nos ensina a sermos cuidadosos. E também nos
leva a uma conclusão diferente: a geração que não passará
é outra. A geração que entrará nos sete anos apocalípticos,
que verá e vivenciará os muitos sinais proféticos se cumprin-
do, deverá reconhecer o tempo em que estará vivendo e se
preparará para a grande apostasia e perseguição obedecendo
ordens específicas que recebeu do Senhor Jesus especialmen-
te para aquele tempo. Certamente a Igreja de Jesus não virá
correndo dos quatro cantos do mundo para refugiar-se nos
montes da Judeia! Os cristãos não orarão para que sua fuga
não aconteça no sábado. Essas são informações para um grupo
definido (os judeus tementes a Deus) em um lugar bem espe-
cífico (em Israel) em uma época bem específica (no meio dos
sete anos, exatamente quando começará a Grande Tribulação).
Precisamos deixar que esta grande verdade fique gravada em
16
Cap. 1 | Cinco Razões Porque Amamos Israel
nossas mentes de uma vez por todas: no Novo Testamento
existem passagens que não são para nós. Elas são para o tempo
depois do Arrebatamento!
Deus escolheu Israel, Deus escolheu uma geração de ju-
deus para vivenciar a volta de Cristo. Escolher um povo como
seu instrumento especial simplesmente é parte da estratégia
divina e de Seu Plano de Salvação: “Não vos teve o Senhor afei-
ção, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qual-
quer povo, pois éreis o menor de todos os povos” (Dt 7.7). A Igreja
do Novo Testamento é descrita de forma semelhante: “Deus
escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas
que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém
se vanglorie na presença de Deus” (1Co 1.28-29). Não podemos
questionar as escolhas que Deus faz.
No decorrer dos séculos podemos ver a fidelidade e a bon-
dade de Deus para com o povo de Israel. Muitas vezes Ele im-
pediu que Israel fosse completamente exterminado: pelo Faraó
egípcio, por Balaão, por Hamã no tempo da rainha Ester, pe-
los romanos, pela Inquisição católica, pela Alemanha nazista e
pelo Islã. E no final Ele também impedirá que Israel venha a
ser aniquilado pelo Anticristo. Deus interferiu repetidamente
e continuará interferindo em favor de Seu povo Israel.
Toda a História desse povo, tanto em seus aspectos ne-
gativos como positivos, é uma prova inequívoca da existên-
cia de Deus!
4. Israel é o ponteiro no relógio mundial de
Deus
“Ouvi a palavra do Senhor, ó nações, e anunciai nas terras
longínquas do mar, e dizei: Aquele que espalhou a Israel o con-
gregará e o guardará, como o pastor, ao seu rebanho” ( Jr 31.10).
Baseados na profecia bíblica, sabemos que o reaparecimento
de Israel no cenário político mundial dá a largada para os
juízos apocalípticos sobre o mundo todo. Hoje quase nin-
guém mais defende o direito de Israel à sua antiga pátria,
17
A IGREJA SEM ISRAEL
já que esse direito está intrinsecamente ligado à Bíblia e ao
Deus de Israel. O último bastião que resta são os cristãos bí-
blicos. E mesmo em nosso meio é triste observar que mui-
tos estão inseguros porque dão ouvidos a teorias conspira-
tórias e nutrem um ilusório anseio amilenista. Este último é
um efeito colateral negativo da Reforma Protestante de 500
anos atrás, quando a Igreja foi colocada no lugar de Israel.
Em todo o conflito no Oriente Médio, o que realmente
está em jogo é o confronto entre o Islã e a Sagrada Escritura.
Uma vez que tanto judeus como cristãos se baseiam na Bíblia,
nesse confronto estamos juntos no mesmo barco. No profeta
Isaías vemos o mundo todo sendo avisado: “Eis que eu farei de
Jerusalém um cálice de tontear para todos os povos em redor...” (Zc
12.2). Jerusalém dividirá as opiniões, e o mundo cada vez mais
ímpio prefere simpatizar com os palestinos ao invés de apoiar
os judeus. Nesse contexto, especialmente no mundo islâmi-
co vivenciamos de forma crescente o que diz o Salmo 83.4:
“Dizem: Vinde, risquemo-los de entre as nações; e não haja mais
memória do nome de Israel”.
Como cristãos que pretendem manter-se fiéis à Bíblia,
precisamos ficar vigilantes e reconhecer o aspecto judaico do
Armagedom apocalíptico: “Eis que, naqueles dias e naquele tem-
po, em que mudarei a sorte de Judá e de Jerusalém, congregarei
todas as nações e as farei descer ao vale de Josafá; e ali entrarei
em juízo contra elas por causa do meu povo e da minha herança,
Israel, a quem elas espalharam entre os povos, repartindo a mi-
nha herança entre si” ( Jl 3.1-2). A política global da ONU
em relação a Israel e aos cristãos é descrita acertadamente no
Salmo 2: “Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam
coisas vãs? Os reis da terra se levantam e os príncipes conspiram
contra o Senhor e contra o seu Ungido...” (vv.1-2). O mundo está
se tornando cada vez mais antissemita – e cada vez mais anti-
cristão. Nossas tão valorizadas democracias ocidentais come-
çaram a criminalizar os verdadeiros cristãos e a classificá-los
de perigosos. A isso soma-se uma tolerância doentia em nome
da não discriminação bem como de uma imoralidade vergo-
18
Cap. 1 | Cinco Razões Porque Amamos Israel
nhosa, que beira a perversão. A sociedade de consumo está
disposta a pagar um preço bem alto para garantir uma vida
confortável, mas está podre como uma fruta prestes a cair do
pé. Sem o temor de Deus, as antigas e abençoadas democra-
cias cristãs transmutam-se, pela aterradora decadência de seus
valores e a perda de suas virtudes, em uma Babilônia madura
para o juízo, com o prenome de Sodoma.
Ulrich W. Sahm, conhecido analista europeu, aponta co-
nexões interessantes em relação às revoltas no mundo árabe:
“O pequeno Satã chamado Israel até hoje havia sido um balu-
arte que, com sua luta contra os islâmicos, protegia também a
Europa. Agora existe a ameaça de um cenário imprevisível...”.
Quanto mais a Europa e os Estados Unidos, se distanciarem
de Israel, mais as coisas irão ladeira abaixo – de uma crise a
outra, de uma catástrofe natural a outra e de um ataque crimi-
noso a coisas cada vez piores!
Até que...
“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que
não sejais presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em
parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios” (Rm
11.25). A salvação de pessoas através da proclamação mundial
do Evangelho está entrelaçada com a restauração espiritual de
Israel.
“Cairão ao fio da espada e serão levados cativos para todas as
nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém
será pisada por eles” (Lc 21.24). Jerusalém serve de parâmetro
no fim dos tempos. Uma vez que há quase 70 anos Israel já se
encontra outra vez no rol de nações, a pressão inimiga cresce
mais e mais. Até no governo israelense ouvem-se vozes afir-
mando que o Estado de Israel jamais se sentiu tão ameaçado
como hoje. Todos os levantes e revoltas populares em diver-
sos países árabes acabaram sendo um tiro pela culatra, pois
transformaram-se em uma grande explosão contra Israel. Não
tenhamos ilusões: vivemos em um mundo perdido. Segundo o
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A IGREJA SEM ISRAEL
calendário profético (que trataremos em outro capítulo deste
livro), o tempo das nações se encaminha para seu final.
“Declaro-vos, pois, que, desde agora, já não me vereis, até
que venhais a dizer: bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mt
23.39). Em meio a todos os processos e desenvolvimentos em
andamento e em meio a todos os focos de tensão e perigo,
Israel será dirigido inexoravelmente a uma situação tão sem
saída que somente lhe restará clamar pela intervenção divina.
E então, na hora da sua maior angústia, dará as boas-vindas
Àquele que virá em Nome do Senhor!
5. O futuro da Igreja está intimamente
ligado ao futuro de Israel
É muito significativo que a volta de Cristo esteja relacio-
nada a um local bem concreto: será no monte das Oliveiras,
em Jerusalém. Por que justamente Jerusalém, já que, segundo
a opinião de muitas denominações e igrejas cristãs, Deus não
tem nenhum plano especial com Israel no futuro?
Em Atos dos Apóstolos lemos sobre os anjos dizendo aos
discípulos: “Varões galileus, por que estais olhando para as alturas?
Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o
vistes subir. Então, voltaram para Jerusalém, do monte chamado
Olival, que dista daquela cidade tanto como a jornada de um sá-
bado” (At 1.11-12). E o profeta Zacarias explica: “Naquele dia,
estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte
de Jerusalém para o oriente; o monte das Oliveiras será fendido
pelo meio... então, virá o Senhor, meu Deus, e todos os santos com
ele” (Zc 14.4-5). Juntamente com todos os santos do Antigo
Testamento seremos levados pelo Senhor dos Senhores ao
monte das Oliveiras em Jerusalém. E Jerusalém localiza-se
em Israel.
No final do último livro do Novo Testamento vemos que
a Jerusalém celestial descerá do céu à terra: “Tinha grande e
alta muralha, doze portas, e, junto às portas, doze anjos, e, sobre
elas, nomes inscritos, que são os nomes das doze tribos dos filhos de
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