J.j.
Estudo para o Pequeno Grupo
(ATOS 11)
Considerações sobre Atos 11:1-18:
Lucas, sendo gentio, traz um grande destaque sobre este encontro entre
Pedro e a casa de Cornélio, a ponto de se demorar por um capítulo e meio
sobre o ocorrido;
O contexto histórico ao qual Pedro estava inserido não era muito amistoso,
visto que o imperador Calígula exigira que fosse edificada uma estátua sua
em Jerusalém, conforme Josefo relata;
Esse fato pode explicar a indignação dos cristãos judeus em saber da visita
de Pedro a um oficial romano (Cornélio), além do fato que Pedro tinha ido
visitar um gentio.
A. O Ministério de Barnabé (11:19-30)
1. A Expansão do Evangelho (11:19-21)
(v19) – Após o martírio de Estêvão, desencadeou grande perseguição ao
povo de Deus. Assim, os cristãos partiram para vários lugares, pregando
somente a judeus, e a partir daqui o autor destaca a cidade de Antioquia da
Síria;
Kistemaker (2003) sugere que Lucas tenha se convertido nessa ocasião.
Antioquia era uma cidade próspera, porém muito moralmente depravada.
“Na providência de Deus, os cristãos que haviam sido forçados a deixar a
cidade levaram o evangelho ao povo da Palestina. Onde quer que fossem,
proclamavam o evangelho da salvação causando a expansão da igreja. De
modo similar, Deus usou a morte de Estêvão e a subseqüente perseguição
para ampliar a igreja por meio da obra missionária dos cristãos
perseguidos.” (KISTEMAKER, 2003)
Mas por ora, não havia ainda uma relação entre os cristãos judeus e os
gentios, apenas com o seu próprio povo e raça.
(v20) – A partir deste trecho, a mensagem começa a ser pregada também aos
gentios;
Contudo, isso só começa com a chegada de judeus helenistas de Chipre e
Cirene
(v21) – Deus estava com eles e os faziam prosperar.
Lucas reconhecera que a obra crescia graças a mão do Senhor (4.30/ 13:11).
O nome Senhor é citado 3 vezes nos versos 20 e 21. Kistemaker (2003)
afirma que essa repetição e apresenta um destaque marcante na proclamação
das boas-novas.
2. A Missão de Barnabé (11:22-24)
(vs 22,23) – Barnabé, o enviado da igreja de Jerusalém para encorajar os
salvos de Antioquia;
Notícias – Sabedora das notícias acerca dos acontecimentos em Antioquia, a
Igreja em Jerusalém, como anterior fez em Samaria (8:14), envia um
representante para encorajar a crescente igreja em Antioquia: Barnabé.
Antioquia cresce tanto ao ponto de tornar-se uma igreja missionária (cap.
13), celeiro de grandes lideranças, superando com o tempo a própria igreja
em Jerusalém.
Ação - Barnabé, sendo um judeu cristão de fala grega e natural de Chipre,
era a pessoa certa para promover o desenvolvimento da igreja em Antioquia
(KISTEMAKER, 2003). Admira-se por tamanha harmonia entre Judeus e
gentios e passa a encorajar os crentes a permanecerem fieis ao Senhor
(v24) – Barnabé, um homem bom, cheio do Espírito Santo e fé;
Resultado – As características de Barnabé: homem bom, cheio do Espírito
Santo e fé combinam com a de Estêvão (6.5; 7.55). Era bom no sentido de
possuir um caráter genuíno, benfazejo, capaz e útil. Ser cheio do Espírito
Santo denotava uma comunhão diária que ele tinha com Deus Pai e com o
Senhor Jesus Cristo (I Jo 1.3). A presença do Espírito Santo era o segredo da
sua dedicação à obra do Senhor. Como resultado, a igreja em Antioquia
experimentou um crescimento singular no mundo gentio.
3. Os Cristãos em Antioquia (11:25,26)
(v25) – Antes de se dirigir a Antioquia, Barnabé passa por Tarso e busca
Saulo;
Barnabé dirige-se a Tarso, cidade natal de Saulo a fim de levá-lo a
Antioquia. Os dons e talentos de Paulo já eram conhecidos por Barnabé, por
isso a sua disposição em ir buscá-lo.
(v26) – Juntos em Antioquia, Barnabé e Saulo se reuniram por um ano com a
igreja e ensinaram muitas pessoas, e ali são chamados pela primeira vez de
cristãos;
“Lucas acrescenta que esses dois homens ensinaram um grande número de
pessoas. Essa informação indica o tremendo crescimento da igreja cristã
nessa cidade. É evidente que Paulo era bem qualificado para ensinar ao
povo que a Escritura do Antigo Testamento fora cumprida em Jesus Cristo.
Ele tinha estudado a Escritura aos pés de Gamaliel em Jerusalém (22.3), e
depois de sua conversão perto de Damasco, ele interpretava as profecias
messiânicas do Antigo Testamento sob o tema de seu cumprimento.”
(KISTEMAKER, 2003)
Antes, os seguidores de Cristo eram chamados de irmãos, discípulos,
crentes, santos e os que pertenciam ao Caminho, mas nada definitivo. A
partir deste versículo, os discípulos passam a ter um nome definitivo:
cristãos. Quem os rotulou é um grande mistério.
Sabemos realmente o significado de sermos chamados de Cristãos?
Deixamos esse rótulo quando estamos em nossas atividades cotidianas?
Nossas atitudes podem permitir que outras pessoas nos chamem de
cristãs?
A Pergunta “Por que você é chamado de Cristão?” lhe constrange?
No século 16, o teólogo alemão Zacharius Ursinus fez a mesma pergunta
e formulou a seguinte resposta:
“Porque pela fé sou um membro de Cristo
E assim compartilho de sua unção.
Sou ungido
Para confessar seu nome,
Para me apresentar a ele como sacrifício vivo de ação de
graças,
Para me esforçar, em boa consciência, contra o pecado e
o diabo nesta vida
E depois reinar com Cristo
Sobre toda a criação
Por toda a eternidade.”
4. Profecia e Cumprimento (11:27-30)
(vs 27,28) – Ágabo prediz uma grande fome em todo o império;
Primeira menção dos profetas na igreja;
Diferem dos profetas do AT quanto à sua função, pregando a palavra e/ou
prevendo acontecimentos. Mas a relevância do apostolado no NT era maior
que a dos profetas (veja 4.11);
Ágabo não profetiza necessariamente, mas prediz.
(v 29, 30) – Mais uma vez, a igreja se mobiliza para ajudar os cristãos mais
necessitados. No caso, os que moravam na Judeia que seriam mais
prejudicad
os pela fome. Barnabé e Saulo levariam a oferta aos presbíteros de
Jerusalém.
> O propósito da visita dos profetas de Jerusalém não era meramente expor
seus dons maravilhosamente, mas para servir a igreja que necessita da
mensagem profética;
> A resposta dos cristãos de Antioquia foi entusiástica, rapidamente
arrecadando ofertas para ajudar os cristãos da Judeia que passariam fome (II
Co 9.7).
Por fim, no verso 30, traz a primeira menção de presbíteros na igreja de
Jerusalém.
S.D.G