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Pecado e Perfeição

1) O documento é um e-book gratuito que avalia as doutrinas do pecado e da perfeição cristã segundo as crenças fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia. 2) Foi escrito por Ezequiel Gomes em 2017 após passar por dificuldades pessoais que o levaram a refletir sobre essas doutrinas. 3) O autor busca relacionar as questões do pecado e da perfeição com os aspectos teológicos destacados em cada uma das 28 crenças fundamentais advent
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Pecado e Perfeição

1) O documento é um e-book gratuito que avalia as doutrinas do pecado e da perfeição cristã segundo as crenças fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia. 2) Foi escrito por Ezequiel Gomes em 2017 após passar por dificuldades pessoais que o levaram a refletir sobre essas doutrinas. 3) O autor busca relacionar as questões do pecado e da perfeição com os aspectos teológicos destacados em cada uma das 28 crenças fundamentais advent
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GOMES, Ezequiel.

Pecado e perfeição: uma avaliação das


doutrinas da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Publicação
particular, 2017.

Esse e-book é de distribuição gratuita, sendo permitida


sua impressão, cópia e distribuição indiscriminada
por quaiquer meios possíveis, vedando-se apenas sua
comercialização não autorizada.

Seu conteúdo pode ser copiado e citado desde que se


atribua a referência ao autor do material.

Palavras-chave:
1. Igreja Adventista do Sétimo Dia - Doutrinas
2. Pecado
3. Perfeição
4. Crenças Fundamentais

Contato: ezeksalt@[Link]

Trabalho gráfico: Jonathan Hoepers


Prefácio

Esse livro é um pequeno fruto de anos de meditação e estudo


da teologia adventista em torno daqueles que são, creio eu, os
assuntos mais fundamentais de nossa fé: pecado e perfeição. Toda a
nossa compreensão da Bíblia e do Espírito de Profecia, toda a nossa
compreensão da história e do processo da salvação, indo da criação
ao novo céu e nova terra e passando por toda a história humana, bem
como todas as nossas doutrinas distintivas terminam encontrando
nessas duas doutrinas um ponto de convergência natural e inevitável.
Precisamos pensa-las.
A circunstância de concepção e produção desse material, porém,
ocorreu dentro de um contexto pessoal muito difícil da minha vida.
Era o primeiro semestre de 2016 e eu atuava como pastor e professor
de religião no colégio do Camar (Colégio Marechal Rondon) em
Porto Alegre-RS, quando após a divulgação de uma foto minha nas
manifestações a favor do impeachment de Dilma Roussef, eu fui
afastado de minhas funções para procurar um chamado em outro
campo, caso contrário eu seria desligado do ministério dentro do
período de trinta dias.
Aqueles dias foram bastante angustiosos enquanto eu fazia
contatos com diversos líderes de vários lugares na tentativa de
resolver o problema que ali estava colocado. Foram nos momentos
de “folga”, dentro desses trinta dias, que eu decidi levar adiante um

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projeto pessoal a fim de ocupar meu tempo além de “espairecer”
minha mente e concentrar meu coração em realizar algo que fosse
além daquele problema pelo que eu estava passando.
Todos nós pastores da ACSR, tínhamos recebido uma cópia
atualizada do chamado “manual da igreja” havia poucas semanas
e ao folear o material me deparei com a nova versão das “crenças
fundamentais” da IASD, votadas na conferência geral do ano
anterior. Li a nova atualização e tive uma ideia: escrever sobre como
as doutrinas do pecado e da perfeição cristã devem ser entendidas a
partir de cada uma de nossas crenças fundamentais.
Esse projeto me pareceu bastante saudável em função de tudo o
que estava ocorrendo em minha vida e ele indicaria algumas coisas
para mim mesmo. Primeiro de tudo, eu não deixaria de amar a igreja
e servi-la em função de qualquer dificuldade que estivesse tendo ou
viesse a ter. Não me tornei líder da igreja em troca de salário ou
posição, mas o fiz movido pelo ideal de edificar a igreja na verdade
da Palavra de Deus e não haveria problema que me tiraria desse
foco que ainda persigo diligentemente e a cada dia.
Em segundo lugar, entendi que a igreja carece de produção
intelectual sobre suas próprias doutrinas e frequentemente dilui
sua identidade num pragmatismo raso que muitas vezes torna as
pessoas membros de uma instituição sem conhecerem suas crenças
com maior propriedade nem saberem se posicionar diante das
polêmicas que abundam em torno dessas crenças no contexto da
própria comunidade.
Por fim, entendi que deveria ocupar minha mente e meu

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coração cumprindo a missão e não paralisando meus esforços em
torno de dificuldades pessoais. Muitos homens de Deus sofreram
coisas muito piores do que eu estava sofrendo e mantiveram seu
foco e interesse no esclarecimento e salvação de pessoas e eu havia
decidido seguir o exemplo deles.
Escrevi cerca de 80% do material que hoje chega às suas mãos
naquele período, mas não consegui terminar a tempo antes de fazer
minha mudança para outro Estado e precisar reorganizar toda a
minha em função de uma nova ocupação profissional e em torno
de inúmeros novos desafios que surgiram diante de mim a partir
daquele momento.
Essa situação toda atrasou grandemente o término do projeto,
que só viria a ser concluído praticamente um ano depois de seu
início, mas consegui terminar. Em abril de 2017 eu recuperei o
arquivo incompleto e me dediquei a reler seu conteúdo, melhorar
o que estava ruim e terminar de escrever e o resultado está agora
disponível ao público de forma gratuita na internet em forma de
um despretensioso livro digital: simples, objetivo e curto, mas com
uma mensagem de amplo significado e abrangência teológica.
Pensar no pecado humano, seja o nosso próprio ou o de
qualquer outro, é uma tarefa que nos conduz à escuridão e ao mal
em nossa própria natureza e essência e essa não é uma jornada fácil
para quem leva tais realidades a sério, como se deve fazer. Por outro
lado, a ideia da “perfeição” nos ajuda a vislumbrar o exato oposto
das trevas malignas do pecado e nos dá um norte que nos ajuda a
não desesperar diante do imenso problema que a queda trouxe a

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esse mundo.
Seja como for, pecado e perfeição são doutrinas profundas,
complexas, em tensão entre si e precisam ser trabalhadas com afinco
por aqueles que desejam avaliar a natureza do problema em que
estão envolvidos (o pecado) e o objetivo do chamado ao qual Deus
os chama por sua graça e poder (a perfeição).
Desejo que esse material seja uma bênção para todos que
entrarem em contato com seu conteúdo a fim de aprenderem não
de mim, mas da revelação bíblica tal como ela é entendida e expressa
pelas crenças fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Soli Deo Gloria

Ezequiel Gomes
Jundiaí-SP
Outono de 2017

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Introdução

Pecado e perfeição, biblicamente falando, são conceitos que


devem ser entendidos e avaliados em conjunto se quisermos
compreendê-los de forma adequada. Um tem a função de resguardar
os contornos doutrinários do outro para que em defesa de uma ou
de outra ideia não venhamos a negar a própria Palavra de Deus,
veículo de ambas as mensagens.
“Pecado” é um termo que encarna toda a ideia da imperfeição e
é, portanto, tarefa complicada falarmos de “perfeição” num mundo
carregado de pecado. Quando contrapomos ambos os conceitos de
forma direta, frequentemente temos a tendência de imaginar que
mais cedo ou mais tarde precisaremos escolher em qual iremos
crer, pois a tarefa de conceituar a ambos levando cada qual a sério o
suficiente é um desafio que gera muitas polêmicas e aparentes becos
sem saída.
Defender um conceito de “pecado” que não impeça aquele
que está envolvido com ele de ser “perfeito” é tão estranho quanto
defender que exista um pecador a quem posse se atribuir “perfeição”.
Com a reflexão, ambos os conceitos parecem entrar em colisão
frontal e estraçalharem um ao outro. Mas essa opção está vedada
aos teólogos e crentes cristãos.
A mesma Bíblia que defende a universalidade do pecado entre
os seres humanos (cf. Ec 7:20; Rm 3:23; 5:12), implica a capacidade

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e necessidade de que as pessoas sejam perfeitas (cf. Gn 17:1; Mt
5:48; 19:21-22). Dessa forma, como nos posicionaremos diante dos
dilemas que surgem diante dessa forma de colocar a questão é algo
que devemos pensar com seriedade.
É fato bastante conhecido que há uma persistente polêmica em
torno de tais temas na comunidade adventista e em função disso
se torna pertinente avaliar a questão a partir daquilo que define a
fé comum de todos dentro da comunidade. Há muitas formas de
encarar a questão e naquilo que se segue pretendo oferecer respostas
estabelecidas a partir da teologia adventista do sétimo dia, exposta
a partir das “crenças fundamentais” da denominação, expostas a
partir de seu manual.
Knight (2005, p. 22-23) diz que o adventismo do sétimo dia
sempre foi resistente “à tentação de formalizar um credo inflexível,
embora tenha com o passar dos tempos definido suas ‘crenças
fundamentais’”. As razões por detrás de tal postura indicam a escolha
da igreja por deixar o caminho aberto para futuras revisões de tais
crenças.
Com isso, a igreja buscou evitar os problemas relativos à rigidez de
um credo estabelecido ao abrir espaço para futuros esclarecimentos
e amadurecimentos de sua compreensão doutrinária, ao mesmo
tempo em que estabeleceu sua posição nos pontos em que ela julgou
essenciais para sua identidade teológica cristã. Isso foi importante,
especialmente com vistas ao mínimo controle do “grau de
pluralismo” de ideias teológicas que é realidade entre os adventistas
(SCHWARZ; GREENLEAF, 2009, p. 639).

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O manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia (2016) recebe
revisões periódicas de seu conteúdo e sua última atualização ocorreu
em 2015, em assembleia da Associação Geral. Nessa obra temos as
declarações resumidas das vinte e oito crenças fundamentais da
igreja (p. 166-177) em sua última edição e é a esse texto que faremos
referência ao longo desse artigo. Buscaremos aqui relacionar
brevemente algumas das principais questões em torno das doutrinas
do pecado e da perfeição cristã com aspectos teológicos destacados
pela igreja adventista em cada uma de suas crenças fundamentais.
O objetivo é indicar o sentido e a importância de tais questões para
a fé adventista em sua expressão e núcleo mais íntimos.
Antes de prosseguirmos na direção proposta, entretanto,
provavelmente fará bem situar o leitor em algumas das principais
discussões a respeito desse assunto em sentido geral. Isso será feito
de forma extremamente resumida com o objetivo de prepara-lo
para algumas conclusões importantes em torno de temas como
a distinção entre “perfeição absoluta” e “perfeição relativa”, bem
como a respeito do conceito chamado “perfeccionismo” versus o
conceito de “perfeição cristã”. Por fim, falarei brevemente sobre a
problemática tendência entre alguns adventistas de usam os escritos
de Ellen White para definir os principais contornos doutrinários
desses temas em franca rejeição da postura recomendada pela
própria mensageira do Senhor, a saber, de que a Bíblia deve estar à
dianteira de nossas reflexões teológicas, sendo nossa única regra de
fé, doutrina e prática.

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Perfeição absoluta X Perfeição relativa

A discussão sobre “perfeição” na IASD inevitavelmente conduz à


discussão sobre a natureza absoluta ou relativa de sua manifestação
e algumas das implicações inerentes a cada uma das possibilidades
interpretativas nessa controvérsia.
Aqueles que defendem a capacidade humana de experimentar
“perfeição” num sentido que lhes coloque absolutamente acima
da experiência do pecado entendem que o ser humano é capaz de
ser “absolutamente perfeito”, pelo menos no que se refere à vitória
contra o pecado. Esse grupo entende que somente uma experiência
com essa extensão de profundidade é digna de ser chamada, de fato,
de “perfeição” ou “vitória”.
Dentro da IASD, porém, há outro grupo, daqueles que defendem
que nenhuma experiência humana de perfeição ou vitória contra o
pecado, antes da glorificação, se manifesta na vida como perfeição
e vitória absolutas em torno de todos os sentidos possíveis dos
conceitos de perfeição e de pecado. Essas pessoas entendem que uma
pessoa pode ser considerada “relativamente perfeita” e “vitoriosa
contra o pecado” ainda que tais qualidades sejam limitadas a algumas
questões e não a absolutamente todas.
Essa é uma discussão bastante recorrente e gera acusações de
perfeccionismo da parte do segundo grupo para com o primeiro.
Antes de adentrar mais profundamente nessa discussão, porém, é
interessante notar que algumas pessoas tentem oferecer conceitos
diferentes de perfeição absoluta ou perfeição relativa para tentar

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minimizar algumas questões que surgem em torno desse assunto.
Em nível popular, é bastante comum vermos adventistas situados
no primeiro grupo acima descrito afirmarem que somente Deus é
“absolutamente perfeito” e que toda a perfeição que resta às criaturas
é, portanto, relativa. Sua argumentação avança desse ponto a fim de
dizer que essa relatividade da perfeição humana, porém, não deve
ser tomara em “defesa do pecado”. Assim, o ser humano, em tese,
pode viver sem pecar e ser perfeito mesmo sem ser absolutamente
perfeito, igual a Deus. Com isso, se pretende esvaziar acusações e
críticas a essa teologia da parte de seus opositores dentro da igreja.
Entretanto, é importante atentar para o fato de que o caráter
“absoluto” ou “relativo” do conceito de perfeição defende sempre
e inevitavelmente um referencial para ser determinado. Conforme
esse referencial é mudado a resposta pela perfeição absoluta ou
relativa de determinada entidade pode mudar. Vamos a alguns
exemplos:
Se compararmos os anjos perfeitos e sem pecado com Deus
perfeito e sem pecado, será que teremos uma perfeição absoluta
ou relativa? Se isolarmos o componente da ausência de pecados em
ambos (anjos e Deus), então, todos são “absolutamente perfeitos”,
mas se trabalharmos de forma diferente podemos mudar essa
resposta. Se entendermos que Deus tem “perfeições” inatingíveis às
obras de suas mãos pelo contraste entre Criador e criaturas termos
um quadro diferente para avaliar. Nesse caso, Deus é absolutamente
perfeito e os anjos, não. Isso não implica “pecado” da parte desses
anjos imperfeitos, apenas implica uma condição criatural menos

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perfeita em comparação com a mais elevada perfeição do criador.
A argumentação acima implica que seres humanos podem
ser descritos como “absolutamente perfeitos” ou “relativamente
perfeitos” em diferentes situações e comparações.
Por exemplo, uma top model milionária e famosa no mundo
todo pode ser vista como “absolutamente perfeita” em termos de
sua aparência física, como a mulher mais bonita do mundo, isso em
comparação com pessoas consideradas menos afortunadas e em
termos de tais atributos dentro de padrões específicos de “beleza”
em um determinado período da história humana. Pensemos que a
mesmíssima top model pode, porém, ser descrita como no máximo
“relativamente perfeita” à luz da perfeição física da mulher original
criada por Deus da costela de Adão.
É interessante notar também, que a perfeição relativa pode
ser descrita agora como uma certa “imperfeição”, uma vez que ela
permanece a mesma mulher “linda” que é, mas agora comparada
com uma ainda mais bonita perde sua cadeira de “absolutamente
perfeita” como a mulher “mais bonita”.
Na discussão sobre perfeição e pecado, há a mesma dinâmica
expressa em exemplos simplistas descritos acima. Se compararmos
uma criatura humana com Deus, ela será sempre “imperfeita” ou no
máximo perfeita em sentido “relativo”, mas se compararmos o ser
humano sem pecado com o ser humano com pecado poderemos
começar a obter respostas diferentes. Adão e Eva, foram, por um
período de tempo, seres humanos sem pecado e Jesus foi um ser
humano sem pecado, o tempo todo. Dessa forma, há padrões

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“absolutos” de perfeição humana que não tem que ver com a
comparação entre criatura e Criador, mas da relação das pessoas
com o pecado.
Nessa visão, Adão e Eva e Jesus eram “absolutamente perfeitos”,
pela inexistência de pecado em sua natureza, inclinações, intenções,
pensamentos, atitudes e relacionamentos. Tudo isso, num “estado
de perfeição”. O problema é que Adão e Eva caíram desse estado
de felicidade e glória para um estado de depravação total e, assim,
a perfeição humana foi perdida em relação ao pecado. Em outras
palavras, todo ser humano peca e nenhum pode ser “absolutamente
perfeito”. Isso não é um mero juízo sobre a óbvia diferença entre a
inatingível perfeição do Criador em relação aos limites das criaturas,
isso é um juízo sobre a presença de pecado na criatura humana após
a queda como certeza absoluta.
No paradigma criado a partir da queda, nenhum ser humano está
sem pecado, ainda que não tenha milhões de pecados específicos
e tenha sido “vitorioso” contra vários deles em sua experiência
pessoal de conversão e santificação. Uma pessoa pode se converter
radicalmente da idolatria para a adoração do único Deus, da
imoralidade sexual para a pureza, da transgressão do sábado para
a submissão, do assassinato para a valorização da vida, do vício por
fumo, bebida e drogas para uma vida temperante, mas nenhum
ser humano é absolutamente perfeito em tudo e o tempo todo em
relação a todo e qualquer sentido do termo “pecado”.
Às vezes, o ex-drogado ainda é, por exemplo, orgulhoso. E nem
digo que precise ser o “mais orgulhoso dentre os homens” para ser

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pecador, basta ser apenas um homem “relativamente” orgulhoso.
Ele pode até, quem sabe, secretamente se sentir um pouquinho
superior aos demais homens que ainda são “escravos de vícios” dos
quais ele já foi liberto (cf. Lc 18:10-11). Pecado! E ainda que esse não
seja o caso com algum homem específico que foi liberto de vícios,
esse outro homem tem, certamente, outra imperfeição pecaminosa
em algum grau e sentido (cf. 1 Rs 8:46-53). Essa é a doutrina que se
estabelece a partir do conceito bíblico da “universalidade do pecado”.
Sua rejeição implica a rejeição do que é afirmado com clareza na
Palavra de Deus.
Quando falamos em “perfeição relativa”, portanto, estamos
afirmando uma perfeição imperfeita à luz do absoluto, mas que
ainda assim é vista como real. Assim como no mundo dos homens
uma mulher pode ser considerada “perfeita” a despeito de suas
imperfeições, o mesmo ocorre no mundo espiritual aos olhos de
Deus. Quando o pecador está “em Cristo” pela fé, Deus o considera
perfeito apesar da realidade dos seus muitos defeitos e pecados que
ele é continuamente exortado a vencer (Rm 3:21-31; 8:1; Cl 1:28; 2:10;
3:14; 4:12; cf. Rm 7:14-21; Cl 1:21-23; 3:5-11).
A argumentação nessa direção incomoda alguns adventistas
naquilo em que eles acreditam que ela oferece razões para que
pecadores “permaneçam no pecado”, acomodados e indolentes.
Esse pode ser um perigo real e que deva ser evitado, mas a melhor
forma de tentar alertar as pessoas sobre tais perigos não é construir
uma teoria da “perfeição absoluta” que ninguém vive na prática. Em
resumo, o perfeccionismo não é a solução do problema que estamos

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tratando aqui. Aliás, perfeccionismo? O que é isso?

Perfeccionismo X Perfeição cristã

A discussão das doutrinas do pecado e da perfeição cristã geram


muitas acusações de “perfeccionismo” sobre alguns adventistas. O
termo, entretanto, é controverso. De forma geral, o perfeccionismo
é definido como um: erro, uma heresia, um engano doutrinário em
torno da ideia da capacidade humana de experimentar perfeição
neste mundo. A ideia da “perfeição cristã”, ao contrário, é a tese de
que Deus vê “perfeição” naqueles que estão em Cristo em função
de sua fé no Salvador e não em função dos crentes serem, de
fato, absolutamente perfeitos e isentos de qualquer imperfeição
pecaminosa em sua caminhada cristã ou condição atual de existência.
Um dos problemas que existem em função de toda essa discussão
é que existem milhões de formas de chegar a uma compreensão
equivocada de como o ser humano pode desfrutar de vida perfeita
neste mundo e isso acaba complicando um pouco a discussão. No
adventismo contemporâneo e no território da Divisão Sul-Americana,
em resumo, “perfeccionismo” é um termo pejorativo usado para
definir a teoria de que Cristo tinha “natureza pecaminosa” idêntica
à natureza pecaminosa de todos os homens e, nessa natureza viveu
sem pecar guardando a lei de Deus perfeitamente como exemplo ao
homem que, então, precisa duplicar essa perfeição absoluta em sua
própria experiência de vida, senão ainda no presente, pelo menos
no futuro breve, no mínimo após o chamado “fechamento da porta

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da graça” (cf. GOMES, 2014).
Há dezenas de discussões teológicas secundárias implícitas nessa
estrutura de pensamento, mas creio que seus fundamentos principais
estão evidentes e correspondem a uma espécie de “perfeccionismo”
de forma inequívoca. O problema, todavia, é que os próprios
adventistas que defendem essa estrutura de pensamento (os pós-
lapsarianos) não gostam do termo perfeccionismo e o atribuem à
doutrina diversa da deles, a saber, à chamada “doutrina da carne
santa” e se sentem injustiçados ao serem rotulados de perfeccionistas
(cf. GOMES, 2017).
Ellen White escreveu sobre o chamado “movimento da carne
santa” (WHITE, ME, v. 2, p. 31-39; cf. SCHWARZ; GREENLEAF, 2009,
p. 615-616). Esse movimento ensinava abertamente a “perfeição na
carne” (WHITE, p. 32), ou seja, uma variante particular da ideia de
que é possível à humanidade atingir perfeição (absoluta) ainda nesta
vida. A tese específica desse grupo era que “a ressurreição dos mortos
já tivera lugar” e eles “declaravam que estavam perfeitos, que corpo,
alma e espírito estavam santos” (p. 34).
Segundo Livingston (2012, p. 9), a doutrina da carne santa se
desdobrava em quatro posições teológicas fundamentais: (1) Jesus
tinha natureza humana não-caída, semelhante à que Adão possuía
no Éden antes da queda; (2) A “experiência do jardim” habilita o
crente a ter a mesma natureza não-caída de Jesus; (3) quem passar
pela experiência do Jardim não será mais pecador; e (4) após a
experiência do jardim a pessoa adquiria carne santa e está pronta
para a trasladação na volta de Jesus.

16
Poucas semelhanças existem entre o perfeccionismo pós-
lapsariano descrito mais acima com esse perfeccionismo pré-
lapsariano da doutrina da carne santa. Essa forma diferente de
raciocinar a partir da natureza humana de Cristo é colocada pelos pós-
lapsarianos como a prova de que eles não são “perfeccionistas”, mas
unicamente crentes na verdadeira teologia adventista história que,
supostamente, tem sido rejeitada pelos teólogos, administradores,
pastores e líderes da igreja que discordam de sua teologia. Os
enganos da parte dessas pessoas são inúmeros.
Em resumo, ainda que o movimento da carne santa e o atual
movimento pós-lapsariano adventista tenham muitas diferenças
entre si, a estrutura básica de pensamento não é tão diferente quanto
alguns querem fazer parecer ser. Em ambas as teorias há uma
equiparação da natureza de Cristo para com a natureza dos demais
homens possibilitando que a perfeição que Cristo experimentou
seja vista também em outras pessoas. A ênfase nos aspectos “pré”
ou “pós” lapso se tornam secundários em torno dessa concordância
essencial. É verdade que as duas visões são diferentes em inúmeros
pormenores, mas o resultado final em torno da ideia da “perfeição”
é idêntico.
É por isso que ambas as visões podem ser chamadas de
“perfeccionismo”, apesar de chegarem à conclusão de que o homem
pode ser absolutamente sem pecado e perfeito nessa vida a partir de
fundamentos e lógicas bastante diferentes entre si. Nesse ponto é
importante notar que grupos cristãos que chegam à mesma conclusão
fora do adventismo também são chamados de perfeccionistas. Por

17
exemplo: os mórmons, os católicos romanos, muitos arminianos e
wesleyanos em geral incluem um elemento de defesa da teologia
onde o homem pode e deve ser “perfeito” ou “sem pecado”, sendo
também “perfeccionistas”.
O adventismo do sétimo dia tem profunda inclinação nessa
direção, igualmente, mas uma compreensão mais profunda do
tema do pecado tem afastado a IASD dessa direção cada vez mais.
Textos bíblicos e de Ellen White são importantes salvaguardas
nesse processo de construção da identidade teológica da igreja
remanescente.
Os perfeccionistas pós-lapsarianos da IASD tentam a todo custo
separar a sua própria compreensão da perfeição cristã da doutrina
da carne santa, não por discordarem do resultado final a que essa
teologia conduz (perfeição na carne), mas para escaparem da
explícita condenação de Ellen White sobre esse movimento e sua
teologia.
A mensageira do Senhor (WHITE, ME, v. 2, p. 32) disse que o
ensino da carne santa é “um erro”, não sendo correto “pretender nesta
vida possuir carne santa”. Ela chamou essa ideia de “impossibilidade”.
Lemos que “se aqueles que falam tão francamente de perfeição na
carne, pudessem ver as coisas sob seu verdadeiro aspecto, recolher-
se-iam com horror de suas ideias presunçosas”. Uma das questões
mais interessantes a respeito da condenação de Ellen White a esse
movimento é sua afirmação de que se essa espécie de teologia fosse
levada um pouco mais longe, ela “conduzirá à pretensão de que seus
defensores não podem pecar”.

18
Frequentemente, os pós-lapsarianos igualam a doutrina da
carne santa à ideia de que aos salvos, possuidores desta natureza
incorruptível, seria “impossível” pecar. Mas Ellen White não diz isso.
Ela diz que tal conclusão estava um pouco além da teologia defendida
por esse grupo, espreitando como uma espécie de conclusão lógica
da sua verdadeira teologia. Que teologia era essa? Exatamente a
teologia de que o salvo pode e deve viver sem pecar atingindo a
“perfeição” (absoluta). Interessantemente, o pós-lapsarianismo
adventista defende exatamente essa mesma ideia, de que o salvo
pode viver sem pecar atingindo a perfeição (absoluta). Diante disso,
todas as condenações de Ellen White à doutrina da carne santa são
igualmente aplicáveis ao perfeccionismo pós-lapsariano adventista
contemporâneo!
Ellen White decreta o fracasso completo do perfeccionismo
adventista ao afirmar que “a lei não podia justificar o homem, pois
em sua natureza pecaminosa este não a poderia guardar” (WHITE,
PP, 373). Esse texto decreta a morte da teologia pós-lapsariana que
defende exatamente o oposto da mensageira de Deus, a saber: que
a natureza pecaminosa não impede o homem de viver ser pecar
em absoluto e assim atingir a perfeição, à exemplo de Cristo, e isso
como condição para se estar preparado para a volta de Jesus. Essa
ideia nos conduz ao tópico da dependência dos escritos de Ellen
White para o perfeccionismo adventista na atualidade.

19
A Bíblia é a única regra de fé da igreja adventista: assim
diz Ellen White!

A obra de Ellen White tem sido e continuará a ser a principal


fonte do perfeccionismo adventista, a despeito de tudo aquilo que
ela escreveu contra essa teologia. As razões desse fenômeno são
extensas e complexas.
Os adeptos da teoria da “perfeição na carne” (em moldes pré ou
pós lapsarianos) são capazes de encontrar milhares de citações de
Ellen White sobre perfeição, obediência à lei de Deus, santificação
e vitória sobre o pecado. É bastante comum encontramos listas
intermináveis de passagens do Espírito de Profecia em tópicos
de discussão sobre essa teologia na internet. É muito esclarecedor
que as pessoas que se utilizam dessa metodologia de discussão não
atentem com a mesma “seriedade” para inúmeras passagens de Ellen
White onde ela fala da imperfeição, da incapacidade humana de
obedecer a lei de Deus, da incompletude da santificação até o fim da
vida e da doutrina do pecado em termos hereditários, inescapáveis
e universais relativamente à humanidade.
Acima de qualquer discussão, porém, fará muito bem aos
adventistas atentarem para quais seriam os conselhos da própria
senhora White em torno de onde a igreja deve ir buscar a fonte
final e suprema de sua compreensão em torno desses temas. A
resposta nos vem através de muitas passagens semelhantes entre si:
“a Bíblia, e a Bíblia somente, é nossa regra de fé e prática” (WHITE,
The Ellen G. White 1888 Materials, p. 1.532). “A Bíblia é a única

20
regra de fé e doutrina” (Idem, Fundamentos da Educação Cristã,
p. 126). “A Palavra de Deus é nossa única regra de fé e ação” (Idem,
Manuscrito 65, 1888). “A Bíblia, e a Bíblia somente, deve ser nosso
credo, o único laço de união” (Idem, Mensagens Escolhidas, v. 1,
p. 416). “Há em nosso tempo um vasto afastamento das doutrinas
e preceitos bíblicos, e há necessidade de uma volta ao grande
princípio protestante – a Bíblia, e a Bíblia somente, como regra de
fé e prática” (Idem, O Grande Conflito, p. 204). “A Bíblia, e a Bíblia
somente, é o fundamento de nossa religião” (Idem, Manuscrito 10,
1886). “Assumimos a posição de que a Bíblia, e somente a Bíblia,
deveria ser o nosso guia; e jamais devemos afastar-nos dessa posição”
(Idem, O Outro Poder: Conselhos aos Escritores e Editores, p. 145).
“Mas Deus terá sobre a Terra um povo que mantenha a Bíblia, e a
Bíblia somente, como norma de todas as doutrinas e base de todas
as reformas” (Idem, O Grande Conflito, p. 595). “Faça da Bíblia o
seu próprio expositor, reunindo, sobre determinado assunto, tudo
o que foi dito em tempos diferentes e sob variadas circunstâncias”
(Idem, Conselhos Sobre a Escola Sabatina, p. 20, 42). “Recomendo-
lhe, caro leitor, a Palavra de Deus como regra de sua fé e prática. Por
essa Palavra seremos julgados. Nela Deus prometeu dar visões nos
‘últimos dias’; não para uma nova regra de fé, mas para conforto
do Seu povo e para corrigir os que se desviam da verdade bíblica”
(Idem, Primeiros Escritos, p. 78). “O irmão J confundiria a mente
buscando fazer parecer que a luz que Deus tem dado mediante os
Testemunhos [isto é, os escritos de Ellen White] é um acréscimo
à Palavra de Deus; mas nisso apresenta a questão sob uma falsa

21
luz. [...] A Palavra de Deus é suficiente para iluminar o espírito
mais obscurecido, e pode ser compreendida por todo aquele que
sinceramente deseja entendê-la” (idem, Testemunhos Para a Igreja,
v. 5, p. 663). “Deus tem uma intenção nisso [que Ellen White tivesse
perdido seu manuscrito sobre a lei em Gálatas]. Ele quer que abramos
a Bíblia e busquemos as evidências nas Escrituras” (Idem, The Ellen
G. White 1888 Materials, p. 153). “Queremos evidência bíblica para
todo ponto que defendermos” (Ibid., p. 36).
Por mais que o dom de profecia seja bíblico e ainda que Ellen
White cumpra todos os requisitos para ter sua obra aceita como
inspirada e fiel, isso não deve nos fazer tropeçar no óbvio. Tudo
o que a mensageira do Senhor escreveu teve a intenção de nos
levar para a Bíblia e não de nos afastar dela dando-nos “detalhes”
doutrinários mais explícitos do que a própria revelação bíblica
em torno da perfeição ou de qualquer outro tópico. Aqueles que
entendem a função do Espírito de Profecia dessa forma estão
fadados a defenderem uma elevada teoria a respeito de sua natureza
e função enquanto rejeitam as próprias instruções proféticas para
que a Bíblia seja exaltada em cada questão.
Ellen White é clara em dizer que precisamos da luz bíblica em
cada argumento e raciocínio no fundamento de nossa fé e esse é o
motivo desse livro não se concentrar unicamente nos escritos dela
para iluminar o estudo das doutrinas do pecado e da perfeição na
mentalidade adventista, o que nada tem que ver com “descrença”
em seu ministério profético. Da mesma forma, não deve haver
nenhuma estranheza quanto ao fato da linguagem de nossas crenças

22
fundamentais ser amplamente retirada da própria Bíblia e não dos
escritos de nossa profetiza.

1. As Escrituras Sagradas
A IASD crê que “as Escrituras Sagradas, o Antigo e o Novo
Testamentos, são a Palavra de Deus escrita, dada por inspiração
divina”, e confessa que “nesta palavra, Deus transmitiu à humanidade
o conhecimento necessário para a salvação” sendo, assim, “o
revelador definitivo de doutrinas e o registro fidedigno dos atos de
Deus na história”.
Sob tais perspectivas acima descritas, cremos nas doutrinas do
pecado e da perfeição cristã em toda a complexidade de cada um
desses temas em sua singularidade intrínseca, como nas múltiplas
questões que envolvem a relação entre as várias visões diferentes
envolvidas nesses assuntos de amplo alcance. A Bíblia fala da origem
do pecado no céu (cf. Ez 28:14-15) e na humanidade (Gn 3:1-7), também
revela inequivocamente a universalidade do pecado entre os seres
humanos após a queda (Rm 3:23) e admite uma única exceção, Jesus
(Hb 4:14-15). O registro sagrado fala da natureza perversa do pecado
sob as imagens da escravidão imposta mesmo contra o desejo do
escravizado (Rm 7:14-25), ou como de uma rebelião voluntária pela
qual o pecador pode ser responsabilizado (Is 57:17). A Bíblia também
expõe uma relação íntima entre o pecado e: a própria natureza
humana (Ef 2:3; cf. Mt 15:19-20; Jo 2:25); a lei de Deus (Rm 4:15; 1 Jo
3:4); e a morte (Rm 5:12; 6:23).
Por outro lado, a perspectiva da perfeição e o chamado divino

23
aos homens em sua direção são claros e persistentes Palavra de
Deus, e isso: na lei (Gn 17:1; Dt 18:13); nos livros históricos (1 Rs 8:61);
nos livros poéticos (Pv 4:18); nos evangelhos (Mt 5:48; 19:21); nas
cartas do Novo Testamento (Cl 1:28); e, indiretamente, também no
Apocalipse (12:17; 14:1-5). Portanto, pecado e perfeição são assuntos
de importância central para o adventismo naquilo em que fazem
parte da revelação bíblica.

2. A Trindade
A IASD crê que “há um só Deus: Pai, Filho e Espírito Santo,
uma unidade de três pessoas coeternas”, esse Deus está “além
da compreensão humana, mas é conhecido por meio de sua
autorrevelação”. A ideia de que Deus revela-se como o “nós” de uma
pluralidade de pessoas que formam uma unidade (Gn 1:26; Dt 6:4)
é enigma bíblico de amplas proporções e implicações na história
da teologia. Acima das controvérsias sobre o tema, a doutrina da
Trindade é uma das ideias mais promissoras na explicação do
significado da indicação de que “Deus é amor” (1 João 4:8, 16).
Como igreja protestante do ramo arminiano/wesleyano, a
IASD teologicamente faz eco ao pensamento de que “é apenas na
comunhão amorosa da igreja que o ‘perfeito amor’ [...] se torna
uma possibilidade” (NOBLE, 2015, p. 213). Ou seja, uma teologia
trinitariana conduz a igreja à compreensão de que a perfeição só se
torna possível ou factual quando vivenciada em uma comunidade
de amor ( Jo 13:34-35). Isso conduz à superação do individualismo
reinante entre a humanidade desde a queda (cf. Gn 4:9). Qualquer

24
busca por perfeição em direção e sentido puramente individualista
está fadada à frustração em presença daquilo que é a essência
da contaminação do pecado, o egoísmo. Deus, que é perfeito e
sem pecado, existente em si mesmo e por si mesmo, não “vive”
unicamente para si, mas dá vida à sua criação e, dessa maneira, serve
de modelo da inadequação do isolamento egoísta.

3. O Pai
A IASD confessa sua fé em Deus como “eterno pai, criador,
originador, mantenedor e soberano de toda a criação”.
O Novo Testamento diz que o pai que está no céu é perfeito (Mt
5:48) e dele vem todo dom igualmente perfeito (Tg 1:17). Além disso,
a vontade de Deus como pai é boa e perfeita (Mt 7:11; Rm 12:2) e
inclui o desejo de que os seres humanos sejam desarraigados desse
mundo perverso onde existem pecados (Gl 1:4). Por outro lado, em
contraposição a Deus é o Diabo quem é o “pai da mentira” ( Jo 8:44,
grifo nosso) revelando dessa forma a origem satânica do pecado em
sentido último e geral (cf. 1 Jo 3:8).

4. O Filho
A IASD ensina que “Deus, o Filho Eterno, encarnou-se como
Jesus Cristo”, sendo para sempre verdadeiro Deus para em momento
posterior se tornar verdadeiramente homem através da encarnação.
A igreja assevera que Cristo “viveu e experimentou a tentação como
ser humano”, mas “exemplificou perfeitamente a justiça e o amor de
Deus”.

25
As relações entre a cristologia e as doutrinas do pecado e da
perfeição são bastante amplas, mas aqui limitamo-nos a dizer que
Cristo foi concebido, nasceu e viveu absolutamente sem pecado
apesar da realidade de sua humanidade e de suas tentações (Hb 4:15;
1 Jo 3:5). Tudo isso com o objetivo de salvar eficazmente os seres
humanos pecadores (Mt 1:21) e lhes servir de exemplo (1 Jo 2:6). A
humanidade de Cristo, entretanto, não era absolutamente idêntica
à humanidade de Adão antes da queda, nem era igual em todos os
aspectos à humanidade de Adão após a queda já que as Escrituras
o retratam como sem pecado (DEDEREN, 2011, p. 185). Assim,
concluímos que Jesus foi absolutamente único entre os bilhões de
pessoas que já viveram. Como “imagem do Deus invisível”, Cristo
refletia perfeitamente o pai perfeito a tal ponto de poder dizer
àqueles que lhe eram próximos que não havia diferença entre olhar
para ele e olhar para Deus, o Pai (Cl 1:15; 2:9; cf. Jo 14:8-11).

5. O Espírito Santo
Para a IASD, o Espírito Santo é “uma pessoa tanto quanto o
Pai e o Filho” que, em harmonia com as Escrituras, guia os seres
humanos em toda a verdade. Além disso, o Espírito Santo “concede
dons espirituais à igreja e a habilita a dar testemunho de Cristo”.
Aos crentes se promete o batismo no Espírito Santo (At 1:5) que está
relacionado à santificação (1 Ts 5:23; 2 Ts 2:13; 1 Pe 1:2) e ao selamento
(Ef 1:13; 4:30), além de lavar e regenerar o ser humano não movido
por obras de justiça praticadas por ele (Tt 3:5).
Na teologia adventista, por um lado, há a indicação de que “ao

26
pecado só se poderia resistir e vencer por meio da poderosa operação
da terceira pessoa da Divindade”, de forma que “é o Espírito que torna
eficaz o que foi realizado pelo Redentor do mundo” (WHITE, O
desejado de todas as nações, p. 671). Por outro lado, porém, a própria
Bíblia pressupõe e revela pecados da parte da parte de cristãos que
eram cheios do Espírito Santo. Além da indicação específica e geral
de que não há ser humano que não peca (1 Rs 8:46-50), a revelação
demonstra a presença de pecado, mesmo após o derramamento
poderoso do Espírito Santo, na vida de Pedro (Gl 2:11-21), João (1 Jo
1:8-10; Ap 19:10; 22:8-9) Tiago (Tg 3:2) e Paulo (Rm 7:14-25; 1 Tm 1:15),
ou seja, dos principais escritores inspirados do Novo Testamento.
Isso demonstra que realidades relativas ao derramamento do
Espírito na teologia adventistas, como a chuva serôdia não devem
ser necessariamente interpretadas como exigindo do ser humano
a perfeição de uma vitória absoluta contra todas as dimensões do
pecado em sua experiência prévia à glorificação.

6. A Criação
A IASD ensina claramente que por meio das Escrituras Deus
comunica “o relato autêntico e histórico de sua atividade criadora”,
de forma que “quando o mundo foi concluído, ele era ‘muito bom’,
proclamando a glória de Deus”. Tal crença adventista fundamental
indica que a igreja entende que o mundo em primeira instância já
foi perfeito, sendo então absolutamente sem pecado e sem morte
por um período indefinido de tempo.
A Bíblia diz que as obras de Deus são perfeitas (Dt 32:4) e, por

27
isso mesmo, a existência do pecado numa criação divina é uma
questão bastante intrigante e complicada. O relato da “perfeição” ou
“bondade” da criação original é bastante importante para justificar a
narrativa de que o mal constitui um desvio da condição primordial
criada por Deus, isso a fim de isentarmos a criação em si de já ter
sido concebida para ser “má” como viria a se tornar no contexto da
queda.
Uma das questões mais polêmicas em torno desse assunto é o
extenso efeito que o pecado de Adão e Eva supostamente trouxeram
ao universo criado. Tudo o que conhecemos está unido à nossa
experiência na terra e percebemos a existência de um grande e
amedrontador “caos” na expansão do universo, com colisões de
galáxias e explosões de supernovas ao lado de uma extraordinária
ordem e beleza que dificilmente poderia surgir do nada ou
simplesmente ao acaso.
Os mistérios da criação são dilemas extremamente profundos
para a investigação humana e as relações entre pecado e perfeição na
criação fazem surgir mais perguntas do que aparentemente somos
capazes de responder, pelo menos por enquanto. Ainda assim, o
estudo da natureza da realidade criada é uma das ferramentas mais
poderosas para termos vislumbres da perfeição da sabedoria do
Criador ainda que a experiência do pecado limite nossa capacidade
de experimentar e entender essa criação tal como gostaríamos.

7. A Natureza da Humanidade
A IASD diz que os seres humanos foram criados à imagem de

28
Deus “com individualidade, poder e liberdade de pensar e agir”,
ainda que dependentes do Senhor “quanto à vida, respiração e tudo o
mais”. A partir da queda dos nossos primeiros pais a imagem de Deus
foi desfigurada na humanidade de forma que “seus descendentes
partilham dessa natureza caída e de suas consequências” a ponto de
terem “fraquezas e tendências para o mal”, ainda que Deus, em Cristo,
tenha reconciliado consigo o mundo e restaure progressivamente a
imagem do Criador nos mortais penitentes.
A sempre importante nota positiva da reconciliação e restauração
da imagem de Deus desfigurada na humanidade não esconde,
entretanto, o quão radical é a imperfeição humana em função do
pecado (Gn 6:5; Is 1:5-6; Rm 3:10). Segundo Whidden (2004, p. 24),
na teologia adventista o pecado humano se manifesta não somente
como ação transgressora, mas também como uma “condição
de depravação que envolve propensões pecaminosas inerentes,
inclinações, tendências, e capacidade de pecar”. Em seguida se afirma
que tal depravação “é uma terrível enfermidade sistêmica, uma
infecção profunda que produz toda espécie de trágicos sintomas”. O
argumento adventista é que atos errados, palavras pérfidas, atitudes
cheias de ódio e assim por diante “são apenas a ponta do iceberg
chamado depravação humana”. Também vale ressaltar que na
inspiração de Ellen White, a natureza pecaminosa da humanidade
é vista como lhe impedindo de guardar a lei de Deus de forma
absolutamente perfeita (WHITE, Patriarcas e profetas, p. 373; cf.
WHITE, Caminho a Cristo, p. 62).
Ampla polêmica se instalou na igreja a partir da exortação

29
ou exigência divina à perfeição à luz da realidade exposta acima.
Aqui se estabelece um dos pontos mais controvertidos da teologia
adventista, especialmente em função da luta entre entendimentos
diferentes dentro da comunidade de fé a respeito da importância e
exata interpretação do assunto específico. Teologicamente, porém,
a solução do dilema é mais simples do que muitos desejam admitir
e resume-se em identificar claramente que a perfeição possível ao
ser humano após a queda e antes da glorificação “é relativa e não
absoluta”, uma vez que o homem “nunca atinge nessa vida a perfeição
última” (HORN, 1979, Perfect/perfection). Essa solução provê
fundamento suficiente para que não haja desprezo à mensagem da
perfeição e também para que ela não seja interpretada sob prismas
que lhe tornem mera fantasia e jamais uma experiência real.

8. O Grande Conflito
A IASD diz que “toda a humanidade está agora envolvida no
grande conflito entre Cristo e Satanás quanto ao caráter de Deus,
sua lei e sua soberania sobre o universo”. Afirma-se que tal conflito
se iniciou no céu como pano de fundo para a indução satânica de
Adão e Eva ao pecado que resultaria “na deformação da imagem de
Deus na humanidade”. Esse conflito explica a necessidade de auxílio
divino aos seres humanos por meios providenciais e sobrenaturais
que vindiquem o amor de Deus em meio à experiência do sofrimento.
A teologia do “grande conflito” é vista, mesmo em publicações
seculares, como uma ideia bastante influente na história do
pensamento ocidental (DUNN, 2014, p. 508). Biblicamente, a

30
controvérsia entre o bem e o mal é um dos temas mais abrangentes
para uma correta compreensão da realidade (Dt 30:15; 1 Rs 3:9; Sl
37:27; Is 5:20; Ap 12:7-9). Pecado e perfeição representam o bem e o
mal em luta e de uma forma geral: aqueles que se colocam ao lado
da perfeição lutam ao lado do bem e aqueles que se colocam ao lado
do pecado militam a favor do mal.
Ainda assim, não se deve desconsiderar que Satanás é mentiroso
e pai da mentira ( Jo 8:44) e está disposto a se disfarçar (2 Co 11:14) como
se fosse “bom” e intencionasse a própria “perfeição” como o objetivo
de sua rebelião. A Bíblia diz que o originador do mal era perfeito (Ex
28:15), enquanto White (Patriarcas e profetas, p. 38, grifo nosso) nos
diz que no início de sua rebelião Satanás, de forma aparentemente
positiva, “pretendia uma perfeita fidelidade para com Deus” ao
mesmo tempo em que “insistia que modificações na ordem e leis
do céu eram necessárias para a estabilidade do governo divino”. O
resultado era que em sua rebelião no céu, o Diabo “secretamente
fomentava a discórdia e a rebelião” enquanto “fazia parecer como se
fosse seu único intento promover a lealdade e preservar a harmonia
e a paz”. Por outro lado, porém, é interessante notar a ironia de que
a mensagem aparentemente negativa do pecado como realidade
inevitável e universalmente presente na vida humana é mensagem
divinamente inspirada e parte da revelação bíblica (Ec 7:20; Rm
3:23; 5:12; 7:14-21).

9. Vida, Morte e Ressurreição de Cristo


A IASD confessa que a vida de Cristo foi de “perfeita obediência

31
à vontade de Deus” e que seu sofrimento, morte e ressurreição
foram divinamente estabelecidos como “único meio de expiação
do pecado humano”. A expiação provida por Jesus foi perfeita e
“vindica a lei de Deus e a benignidade do seu caráter”.
A perfeita ausência de pecado na natureza humana de Cristo,
bem como em todo o seu comportamento durante toda a sua vida
formam a base para os resultados absolutamente extraordinários
de seu sofrimento e morte expiatórios e substitutivos na vida e na
salvação daqueles que os aceitam como Senhor e Salvador (Hb 4:15;
cf. Rm 5:10-11). Aos que aceitam a Jesus pela fé, a perfeição de Cristo
lhes é creditada não como posse individual, mas como salvação por
graça mediante a fé, de forma que eles são aceitos por Deus como
se nunca tivessem pecado uma única vez em toda sua história. À
parte da fé em Cristo, uma simples análise do caráter de tais pessoas
revelaria a imensa dessemelhança entre o pecador e o salvador,
mas em Cristo essa barreira não mais faz separação entre Deus e a
humanidade e, assim, o pecador perdoado segue imperfeito até sua
glorificação final ainda que tenha sido transformado e santificado
radical pela graça divina. Biblicamente, não pertence à igreja
o vindicar a lei de Deus perante o universo, cabendo-lhe apenas
revelar a diferença ao mundo e aos anjos entre servir ao Senhor ou
não (Ml 3:18; 1 Co 4:9).

10. A Experiência da Salvação


A IASD crê que como apropriação da salvação realizada por
Cristo os crentes reconhecem sua pecaminosidade, se arrependem

32
dos seus pecados e manifestam fé em Jesus como Salvador e Senhor,
Substituto e Exemplo. O resultado dessa experiência é que os crentes
são justificados, adotados na família de Deus e libertados do domínio
do pecado. A partir disso, há um novo nascimento, há santificação,
há a renovação da mente pela atuação do Espírito Santo que escreve
a lei de Deus no coração do salvo. Isso capacita o salvo a levar “vida
santa” em função dele se tornar participante da natureza divina de
forma que ele possa ter certeza da salvação agora e no juízo futuro.
O reconhecimento da “pecaminosidade” jaz à base de toda a
experiência de salvação em Jesus Cristo, aquele que veio para os
doentes e não para os sãos (Mc 2:17), assim como a certeza da salvação
se fundamenta em primeira instância na graça mediante a fé (Ef 2:8-
9) e não na perfeição das boas obras que devem, sim, ser buscadas
ao máximo ainda que como segunda instância unicamente (Ef 2:10).
As imagens bíblicas relativas à libertação do pecado e capacidade
para viver uma vida santa em harmonia com a lei de Deus são
plenamente verdadeiras, mas não representam uma superação
absoluta da condição pecaminosa e imperfeita da humanidade em
sentido definitivo, como se verá, por exemplo, na subsequente e
continuada necessidade de crescimento em Cristo.

11. Crescimento em Cristo


A IASD ensina que apesar de Cristo já ter triunfado na cruz
sobre as hostes do mal, elas “ainda procuram controlar-nos”. Mas
cheios da paz, alegria, certeza do amor divino e revestidos de poder
“estamos continuamente comprometidos com Jesus como nosso

33
Salvador e Senhor”. A isto se chama de uma “nova liberdade” que
nos chama a crescer na semelhança do caráter de Cristo e seguir
seu exemplo ministrando às necessidades humanas e pregando o
Evangelho.
A necessidade dos já salvos experimentarem um “crescimento
em Cristo” indica que ainda há um caminho a ser percorrido por
eles para que se tornem aquilo que Deus deseja que sejam. Essa é
outra forma de dizer que os crentes ainda não são o que haverão
de ser e o que se tornarão apenas na volta de Jesus (1 Jo 3:2). Ou
seja, o cristão, mesmo salvo, é uma obra inacabada deste lado da
eternidade e, como tal, precisa crescer em santificação para se tornar
mais semelhante a Cristo de quem ele ainda difere. Essa necessidade
explica porque a vitória contra o pecado ou a perfeição cristã não
devem ser interpretadas como absolutas antes da glorificação. Se
alguns crentes já fossem totalmente iguais a Jesus no sentido de
viverem sem pecar, eles não mais precisariam crescer em relação
a este ponto de sua experiência cristã. A própria necessidade de
crescimento, ou seja, de santificação, no sentido de vitória contra o
pecado reminiscente no crente, demonstra que sempre permanece
uma distância não percorrida entre o cristão e Jesus Cristo
relativamente à impecaminosidade.

12. A Igreja
Na visão da IASD, “a igreja é a comunidade de crentes que
confessam a Jesus como Senhor e Salvador”, chamados para fora
do mundo, para o serviço da humanidade e para a proclamação

34
mundial do evangelho. “A igreja é a família de Deus”, e na volta de
Jesus o Senhor a apresentará “sem mácula, nem ruga, porém santa e
sem defeito”.
Os adventistas retiram os principais fundamentos de sua
identidade como igreja de textos específicos do livro do Apocalipse
(12:17; 14:12). Apesar de defender sua singular identidade teológica e
profética, a IASD rejeita, na prática, o chamado “denominacionalismo”
(RODRÍGUEZ, 2012, p. 212), ou seja, a ideia de que a igreja de Cristo
se resume a uma instituição/denominação específica com a exclusão
de todas as outras. A rejeição adventista ao denominacionalismo
também indica que a lealdade dos membros e líderes da igreja
deve estar cativa a Cristo em última instância e não à sua própria
denominação religiosa.
Falando da santidade da igreja, Dederen (2011, p. 625-626,
grifo nosso) diz que os membros do corpo de Cristo certamente
devem buscar viver em separação do pecado e em demonstração
de santidade ética em sua conduta. Ainda assim ele alerta que
“os membros da igreja são chamados de santos mesmo quando,
lamentavelmente, lhes faltam as evidências da santidade”, concluindo
que “a santidade da igreja acha-se entrelaçada na permanente
imperfeição humana”. Tal admissão paradoxal demonstra que a
perspectiva da apresentação da igreja por parte de Cristo em sua
vinda como sem mácula não necessariamente indica que a igreja
atingirá perfeição última ou vitória absoluta contra o pecado antes
da vinda de Cristo, mas só será definitivamente transformada com
a segunda a vinda de Jesus e a consequente glorificação.

35
13. O Remanescente e sua Missão
A IASD defende que enquanto “a igreja universal se compõe de
todos os que verdadeiramente creem em Cristo”, nos últimos dias
“um remanescente tem sido chamado para guardar os mandamentos
de Deus e a fé de Jesus”. O conteúdo da mensagem do remanescente
aponta a hora do juízo, a salvação por meio de Cristo e prediz a
aproximação do segundo advento. Seu objetivo é a realização de
uma obra de arrependimento e reforma na terra.
LaRondelle (2011, p. 983) diz que a identificação teológica
e profética da IASD como igreja remanescente não pretende
oferecer a seus líderes e membros “nenhuma base para um
espírito de exclusivismo ou triunfalismo”, mas deve aumentar “o
senso de responsabilidade e autocrítica” da própria igreja. Além
disso, é importante reconhecer que muitos dos principais pontos
da identidade e da mensagem adventista são compartilhados por
grupos cristãos diversos em inúmeros particulares.
Conceitos relativos às doutrinas do pecado e da perfeição
dentro da igreja adventista têm frequentemente sido interpretados
por grupos perfeccionistas como únicos e exclusivos de nosso
movimento, como se representassem um evangelho verdadeiro
em contraste com o erro prevalecente em absolutamente todas as
outras igrejas. Mas a verdade é que as mesmíssimas tendências e
convicções a respeito desses temas, bem como as mesmas polêmicas
intrínsecas aos mesmos, são compartilhadas em grande medida
por outros grupos cristãos além das fronteiras da IASD, tanto atual
como historicamente. Veja, por exemplo, a avaliação da acusação

36
de “perfeccionismo” levantada contra os pietistas no contexto
pós reforma protestante (OLSON, 2001, p. 507-526, veja também:
WARFIELD, 1958; LARONDELLE, 1985).

14. Unidade no corpo de Cristo


A IASD professa que “a igreja é um corpo com muitos membros,
chamados de toda nação, tribo, língua e povo”. Distinções diversas
entre as pessoas não devem ser motivo de dissensões em seu meio.
“Todos somos iguais em Cristo”, partilhando a mesma esperança e
estendendo um só testemunho para todos. Essa unidade encontra
sua fonte na unidade de Deus.
A unidade da igreja pela qual Cristo orou ( Jo 17:21) é uma
das questões mais sensíveis em um mundo cristão dividido de
inúmeras formas. A ampla e polêmica discussão sobre o movimento
ecumênico expõe um pouco dessa realidade. A verdade, porém, é
que pessoas e igrejas têm individualidades e particularidades que
não poderiam ser simplesmente abolidas sob pena de diluição
completa de sua identidade particular. Em função disso, desde há
muito tempo os cristãos entenderam que a unidade da igreja não
inclui a obrigação de que todos ajam e pensem da mesma forma
a respeito de todos os assuntos em absoluto. Agostinho de Hipona
resume a abordagem ideal em torno da questão quando assevera
que a igreja deve buscar naquilo que é essencial, a unidade, no que
não é essencial, a diversidade, e em todas as coisas, a caridade.
Nem todos os adventistas concordam com a posição em que as
questões relativas às doutrinas do pecado e da perfeição ocupam na

37
estrutura da teologia da igreja, se mais ao centro ou à periferia da fé.
Alguns tratam tais questões com estranha frieza e indiferença, outros
são obcecados por elas como se fossem os pontos mais importantes
em torno dos quais a experiência cristã orbita. A verdade é que naquilo
em que são claras na Palavra de Deus, tais doutrinas são tão essenciais
e importantes quanto o são todas as verdades que Deus revelou para
nós e nossos filhos (Dt 29:29). A unidade da igreja, entretanto, não
exige que todos pensem exatamente da mesma forma sobre todas
as minúcias das discussões sobre pecado e perfeição para além do
texto bíblico, mas exige que o respeito à Palavra de Deus e o amor
às pessoas pautem todas as discussões e discordâncias ( Jo 13:34-35).
É fato que nessa discussão, os diferentes grupos de pensamento
dentro da igreja frequentemente acusam gravemente uns aos outros
movidos pelo calor das convicções que surgem de cada perspectiva.
Nesse contexto, um enfrentamento mais agressivo em termos de
debates pode se tornar necessário e conduzir a um amadurecimento
teológico saudável e salvífico, sim, mas comumente o embate serve
muito mais efetivamente para manchar o testemunho cristão da
igreja do que para sua edificação. A impressão que muitos têm é
que a unidade da igreja, como a perfeição de uma vitória absoluta
contra o pecado, não passa de uma utopia.
Creio que o pessimismo em torno da unidade e perfeição da
igreja se fundamenta na imaginação de que unidade signifique
uniformidade e que perfeição signifique uma condição acima da
própria humanidade, algo que obviamente a humanidade jamais
alcança. Seja como for, é plenamente possível entender esses dois

38
ideais de forma menos carregada. Pode haver unidade onde há
diversidade de pensamento e prática e pode haver perfeição onde
nem tudo é absolutamente ideal o tempo todo. Basta uma leitura
menos radical de tais e tais questões para pacificar certas polêmicas
e acusações desnecessárias e infrutíferas.

15. O Batismo
A IASD afirma que pelo batismo os crentes confessam sua fé
na morte e ressurreição de Jesus Cristo e testificam de sua própria
morte para o pecado e de seu propósito de andar em novidade de
vida. Diz-se que “o batismo é um símbolo de nossa união com Cristo,
do perdão de nossos pecados e do recebimento do Espírito Santo”.
Além disso, o rito só deve ser ministrado em face da “evidência de
arrependimento do pecado”.
O texto da crença fundamental adventista segue de perto a lógica
e linguagem de certa porção da carta aos Romanos, especialmente
ao falar da morte para o pecado (6:2) e do andar em novidade de
vida (6:4). Por sua vez, a exigência da “evidência de arrependimento
do pecado” para que o batismo seja ministrado e, então, simbolize o
perdão dos pecados, termina por evocar toda a qualidade e extensão
da relação entre o batizado e o pecado após seu batismo.
O conceito bíblico de que o batismo cristão não se refere à
“remoção da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa
consciência para com Deus” (1 Pe 3:21) nos ajuda a responder essa
pergunta. Michaels (2002, p. 216) diz: “é improvável que a presente
passagem intencione dizer algo tão banal quanto que o propósito do

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batismo não é lavar a sujeira do corpo”, mas provavelmente Pedro
está fazendo referência à contaminação moral e espiritual, dizendo,
portanto, que não se deve esperar que uma purificação moral e
espiritual completa seja concedida automaticamente ao cristão na
experiência do batismo. Tal advertência ajuda a explicar o fato da
reminiscência do pecado nos cristãos mesmo após o batismo (cf. Rm
7:14-25; Tg 3:2; 1 Jo 1:8-10). E mais uma vez a realidade do pecado,
mesmo na vida dos cristãos batizados, explica porque a noção da
perfeição cristã remonta a uma noção de perfeição relativa e não,
absoluta.

16. A Ceia do Senhor


A IASD entende que “a ceia do Senhor é uma participação nos
emblemas do corpo e do sangue de Jesus, como expressão de fé nele,
nosso Senhor e Salvador”. A igreja adventista diz que Cristo “se faz
presente” na ceia, mas não entra nas tradicionais e extensas polêmicas
sacramentais em torno de questões como transubstanciação ou
consubstanciação, por exemplo. Ainda assim, a ideia de que pão
e vinho são tão somente “emblemas” já indica suficientemente a
posição da igreja sobre o tema mesmo que sem maiores detalhes. A
crença fundamental termina falando sobre a cerimônia do lava-pés
como expressão da disposição mútua de serviço entre os membros
da igreja a ser realizada em humildade e com o objetivo de unir os
crentes em amor.
A periodicidade com que a igreja celebra a ceia do Senhor,
à luz de sua interpretação como implicando fé em Jesus como

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Senhor e Salvador, indica que a comunidade cristã jamais supera
sua dependência do perdão e da salvação que há em Cristo e jamais
deixa de orar “perdoa as nossas dívidas” (Mt 6:12). Isso implica na
perpétua condição pecadora da igreja, não somente pela divisão
entre joio e trigo em seu meio (Mt 13:24-43), mas ao fato de que
mesmo o “trigo” não está acima do pecado (Tg 3:2; 1 Jo 1:8; cf, Ec
7:20). Assim é que na teologia adventista a perfeição última, no
sentido de uma vitória definitiva sobre toda e qualquer dimensão da
experiência do pecado, não vem aos crentes por vias sacramentais
de qualquer natureza.

17. Dons e Ministérios Espirituais


É a posição da IASD que “Deus concede a todos os membros
de sua igreja, em todas as épocas, dons espirituais”, seu objetivo com
isso é que cada crente contribua “para o bem comum da igreja e
da humanidade”. Os dons provêm do Espírito Santo e abrangem
diversos ministérios bem como a nutrição e liderança da igreja, e
são destinados “para edificar a igreja, visando alcançar a maturidade
espiritual e promover a unidade da fé e do conhecimento de Deus”.
A fé adventista é que quando a igreja é fiel na utilização desses dons
espirituais, ela se torna “protegida contra a influência demolidora
de falsas doutrinas, tem um crescimento que provém de Deus e é
edificada na fé e no amor”.
A igreja é um corpo com muitos membros (Rm 12:4) e muitos
dons (1 Co 12:4), e isso faz com que ela inclua em si realidades
muito diferentes em função da amplitude de sua presença no

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mundo. Cada cristão individual, lar, igreja local e cada ajuntamento
organizado que representa a família de Deus na terra tem uma
história, características e dificuldades peculiares e particulares,
como é natural. Isso cria certa tensão na experiência cristã à luz de
experiências concorrentes. No tocante às doutrinas do pecado e da
perfeição humana não é diferente. Muitas polêmicas em função de
entendimentos e experiências diferentes sore esses pontos podem
ser traçadas por toda a história do cristianismo. A nota triste dessa
história tão instigante é que a igreja só está “protegida” da heresia
quando é fiel e, assim, a realidade da infidelidade individual, local
ou universal da igreja faz com que muitas heresias existam em seu
meio, fazendo uma obra de destruição (2 Pe 2:1), ainda que pela
graça de Deus tal destruição não se complete pela contraposição
poderosa da obra de Cristo em favor da igreja (1 Co 11:19, ACF; cf. Mt
16:18; 1 Jo 3:8).
Os dons espirituais contêm soluções eficientes para questões
relativas às doutrinas do pecado e da perfeição, assim em teoria
como na prática, tanto quanto Deus julgou ser essencial para a
vitória da igreja no combate contra o mal deste lado da eternidade.
Por exemplo, dons como “ensino”; “proclamação do evangelho”
e “discernimento dos espíritos” implicam que a igreja é capaz de
enfrentar os desafios intelectuais de sua experiência num mundo
corrompido, enquanto dons como “cura” e “milagres”, por sua vez,
demonstram que a igreja recebeu dotações especiais na reversão
da obra do mal, na realidade da história, ainda que tal não ocorra
em todas as circunstâncias e situações. Isso tudo indica que a igreja

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tem todas as ferramentas de que precisa para desmascarar o pecado
e vencê-lo em grande medida, ainda que não em toda medida e
esteja fadada a conviver com ele até sua redenção final, no futuro
(Lc 21:28).
A experiência da perfeição cristã é apenas outra forma de
descrever a vitória da igreja contra o pecado, mas a incapacidade
da igreja em duplicar a vitória de Cristo contra a carne, o diabo e o
mundo, ou seja, contra todo o pecado, justifica ainda mais a tese de
que sua natureza é relativa e não absoluta.

18. O Dom de Profecia


Dentre os vários dons espirituais bíblicos, a IASD destaca o dom
de profecia em suas crenças fundamentais e assume a convicção de
que tal dom se manifestou no ministério de Ellen White. Isso justifica
a afirmação adventista de que a obra dela fala com “autoridade
profética” para consolo, orientação, instrução e correção à igreja.
Por outro lado, essa crença torna necessária a contrapartida de que
tais escritos “deixam claro que a Bíblia é a norma pela qual deve ser
provado todo ensino e experiência”. Dessa maneira, a igreja preserva
sua crença distintiva ao mesmo tempo em que mantém sua visão
protestante tradicional a respeito da Palavra de Deus, resumida e
reconhecida no brado da reforma conhecido como: Sola Scriptura.
Atual e historicamente, porém, dentro da IASD, a maior quantidade
de polêmicas e mal-entendidos a respeito das questões relativas às
doutrinas do pecado e da perfeição cristã está relacionada à obra de
Ellen White.

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Por um lado, há adventistas que negam a doutrina do “pecado
original”, tal qual eles a entendem e, para isso, se utilizam, dentre
outras coisas, de uma retórica particular relativa “ao único conceito
de pecado” como sendo “transgressão da lei” de Deus, segundo a
mensageira do Senhor (WHITE, Fé e obras, p. 56; cf. 1 Jo 3:4). Tal
grupo nega abertamente que o pecado seja uma característica da
própria natureza humana propagado de forma hereditária e, assim,
ensina que Cristo tinha “natureza pecaminosa” idêntica à natureza
de todos os demais seres humanos (Idem, medicina e salvação. p.
181), mas misteriosamente sem pecado. O resultado é que, nessas
condições, Cristo supostamente teria provado e exemplificado que
é possível ao homem viver sem pecar mesmo na natureza humana
após a queda. Além de tudo isso, há uma interpretação particular
e específica da importância e da natureza da fidelidade à lei de
Deus da parte do povo “remanescente” no grande conflito (Idem,
Testemunhos seletos, v. 3, p. 421; cf. Ap 12:17) como se referindo
a uma capacidade humana de vencer todo e qualquer pecado,
interpretado acima de tudo como imperfeição de caráter (Idem,
O desejado de todas as nações p. 429; Parábolas de Jesus, p. 330).
Concluindo o núcleo essencial desse ensinamento está a necessidade
de se atingir a “perfeição em Cristo” em meio aos eventos finais da
história terrestre (Idem, o grande conflito, p. 623). Essa perfeição
é interpretada como um imperativo de se atingir uma vitória
absoluta contra o pecado no contexto do que se chama na teologia
adventista de “fim do tempo de graça” (Idem, Mensagens escolhidas,
1, p. 191). Esse é um esboço geral do chamado “perfeccionismo pós-

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lapsariano” adventista.
Por outro lado, todavia, há muitos membros e líderes da igreja
que rejeitam a argumentação resumida acima e, isso, não por serem
incrédulos em relação à inspiração divina da obra de Ellen White,
mas especialmente por causa “da falta de apoio bíblico para as teorias
da natureza caída de Cristo e da perfeição humana sem pecado”
(TIMM, 2004, p. 284). Além disso, uma leitura mais criteriosa e
atenta dos próprios escritos de Ellen White termina apontando para
um quadro geral bastante diferente em comparação com aquele que
alguns adventistas ensinam por sua própria conta e risco em nome
do dom profético.
Ellen White, por exemplo, acreditava na propagação hereditária
do pecado, como uma espécie de doença contagiosa que passou
de Adão inescapável e universalmente aos demais seres humanos
como resultado de sua transgressão primordial (WHITE, nos
lugares celestiais, p. 146). Ela fala, inclusive, que os descendentes do
primeiro homem nada receberam dele, “senão a culpa e a sentença
de morte” (Idem, Carta 68, 1899 [6 BC, 1074]), ainda que permaneça
até hoje certa perplexidade entre estudiosos adventistas na busca
por entendimento do que ela realmente quis dizer com tal conceito
(cf. PFANDL, p. 21). Também, vemos claramente na obra de Ellen
White o conceito de que a natureza pecaminosa impossibilita o
homem de guardar a lei de Deus e ser, assim, justificado por ela
(WHITE, Patriarcas e profetas, p. 373). Tal fato revela que apesar de
Ellen White ter usado em outros momentos a expressão “natureza
pecaminosa” para se referir à natureza humana de Cristo, ela

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não supõe que o salvador tinha natureza absolutamente idêntica
a dos demais pecadores, uma vez que Cristo fez o que a própria
natureza pecaminosa impediu os demais homens de fazer, a saber,
demonstrar uma obediência perfeita à lei do Criador através de uma
vida sem pecado. É verdade que Cristo viveu sem pecar durante
toda a sua vida, mas isso não prova, absolutamente, que os demais
seres humanos podem fazer o mesmo (Idem, E recebereis poder,
p. 369). A mensageira do Senhor também fala de “deficiências
inevitáveis” da parte do ser humano (Idem, Mensagens escolhidas,
v. 3, p. 195-196) e afirma que “todos têm caráter imperfeito” (Idem,
fundamentos do lar cristão, p. 56). Ela também profetiza que a igreja
de Deus será imperfeita (Idem, A igreja remanescente, p. 42) e seu
ensinamento implica que o ser humano só deixará de ser pecador
em última instância na glorificação (Idem, Atos dos apóstolos, p.
560-561; Mensagens escolhidas, v. 3, p. 335).
Diante do pluralismo teológico e da divisão da igreja
refletida claramente nos entendimentos diferentes e mutuamente
excludentes expostos acima (e que geram muita controvérsia dentro
da igreja) é importante que cada adventista entenda que não existem
duas mensagens contraditórias nos escritos de Ellen White, como
se de uma mesma fonte jorrasse água doce e amarga (Tg 3:11-12).
O que realmente existe é que intérpretes diferentes interpretam
e enfatizam textos selecionados de Ellen White a partir de seus
pressupostos e prismas particulares gerando, assim, teologias
completamente opostas umas às outras a partir da mesma fonte. A
solução de tal estado de coisas jaz num estudo sério e profundo de

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tudo aquilo que Ellen White escreveu em torno do tema específico a
ser estudado, respeitando-se cada aspecto como verdade inspirada
por Deus (num estudo completo será imprescindível avaliar o
mesmo tema na Bíblia para que eventuais dúvidas reminiscentes
sejam esclarecidas de forma definitiva a partir da própria Palavra de
Deus). Minha convicção é que caso tal metodologia seja seguida, não
será difícil reconhecer a verdade. Um simples e resumido exemplo
pode ser oferecido a título de modelo sobre como lidar com as
questões aqui em destaque.
Quando Ellen White diz que Jesus tinha “natureza pecaminosa”
(Idem, Medicina e Salvação, 181), facilmente alguns intérpretes
constroem inúmeras conclusões a partir disso. Afirma-se que Jesus
teve natureza absolutamente idêntica à dos demais homens e viveu
sem pecar provando que todos podem fazer exatamente o mesmo
que ele fez. Seria lindo se não fosse trágico. A mesma Ellen White disse
que “na natureza pecaminosa o homem não poderia guardar a lei” de
Deus (Idem, Patriarcas e profetas, p. 373), anulando completamente
todo o raciocínio acima construído. A conclusão é que apesar de
Ellen White usar a expressão “natureza pecaminosa” para falar da
natureza de Cristo, ela não supõe que isso torne Cristo indistinto dos
demais homens em sua natureza, uma vez que essa mesma natureza
pecaminosa impossibilitou os homens de guardarem a lei de Deus,
o que jamais ocorreu com Cristo. Isso tudo conduz à conclusão
de que a “natureza pecaminosa” de Cristo não pode ser entendida
como absolutamente idêntica à “natureza pecaminosa” dos demais
homens, anulando as interpretações que ensinam o contrário e suas

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implicações. Isso não nega que Cristo tenha tido natureza afetada
pelo pecado e, portanto, pecaminosa em certo sentido, mas coloca
limites a essa realidade e impede inferências equivocadas em torno
do fato. Cristo permanece singular em sua natureza humana e em
suas consecuções espirituais sem par na história da humanidade.
Caso seguirmos essa metodologia em cada tópico de controvérsia,
a verdade poderá ser reconhecida de forma cristalina com relativa
facilidade.

19. A lei de Deus


A IASD entende que “os grandes princípios da lei de Deus
estão incorporados nos Dez Mandamentos e são exemplificados na
vida de Cristo”. Essa lei se resume em amor e é obrigatória “a todas
as pessoas, em todas as épocas” de forma a constituir “a base do
concerto de Deus para com seu povo e a norma do julgamento”. A lei
é um meio que o Espírito Santo usa para convencer do pecado e da
necessidade de uma salvação que venha “inteiramente pela graça”
e cujo fruto seja demonstrado numa obediência que desenvolva o
caráter cristão. Assim, a obediência è lei pela fé “demonstra o poder
de Cristo para transformar vidas e fortalece o testemunho” dos
salvos.
Ainda que a igreja adventista tenha visão positiva da lei moral
de Deus contida nos Dez Mandamentos e da importância de se lhe
prestar obediência irrestrita, gerando contra si inúmeras acusações
de “legalismo” da parte de outros cristãos, afirma-se que o propósito
de tal lei “não é resolver o problema do pecado” (VELOSO, p. 516).

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A nota de alerta é importante, pois alguns, imprudentemente,
poderiam ser levados a imaginar que a fidelidade à lei divina por
parte do povo de Deus apregoada nas Escrituras (Ap 12:17; 14:12; cf.
1 Jo 3:4) revela ou profetiza a existência de seres humanos vitoriosos
sobre o pecado em instância definitiva ainda nesse mundo, e,
portanto, perfeitos antes da glorificação final, o que é um erro (cf.
Ec 7:20; 1 Jo 1:8).
A relação entre obediência à lei e pecado reminiscente nos salvos,
porém, é problemática em nível teórico e prático, e conduz a igreja
a perplexidades em torno da questão. Como pode ser que pecadores
sejam considerados “obedientes” da parte de Deus? Ou como pode
que mesmo os mais obedientes dentre os santos e salvos ainda sejam
tratados de “pecadores” como os demais homens? A resposta bíblica
a esses dilemas não vem em forma de uma satisfação da curiosidade
humana em torno da visão divina sobre a condição humana em
cada particular relacionado à obediência à lei ou à transgressão
que é pecado, mas na forma de uma subversão de qualquer
lógica simplista sobre o assunto. Dentro da ampla complexidade
reconhecida pelos estudiosos em torno do tema da lei na Palavra do
Senhor, vemos, por exemplo, que participar dos rituais de expiação,
purificação e perdão dos pecados (cometidos em transgressão da lei)
é parte da obediência à lei divina nos tempos antigos (cf. Lv 7:1-10).
A participação na expiação do pecado era exigida pela lei e deveria
ser repetida pelo menos uma vez por ano e atingia todo o povo de
Israel, não restando nenhum “não pecador” que não necessitasse
dela comungar (Lv 16:29-34). No Novo Testamento, por sua vez, a

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tentativa de alguém em se qualificar como “sem pecado” já é, ela
mesma, a prática do pecado da mentira (1 Jo 1:8-10).
Parte importante da resposta ao dilema acima proposto,
portanto, é admitirmos que o pecado seja característica intrínseca
da humanidade na mentalidade bíblica (excetuando-se aqui
unicamente a pessoa de Jesus Cristo). Tal conclusão lança toda a
discussão sobre a perfeição humana na Bíblia ao nível da ideia da
perfeição relativa no que se refere à vitória sobre o pecado à luz da
ideia da obediência à lei de Deus por parte da igreja.

20. O Sábado
A IASD ensina que “o quarto mandamento da imutável lei
de Deus requer a observância do sábado do sétimo dia como dia
de descanso, adoração e ministério, em harmonia com o ensino
e prática de Jesus, o Senhor do sábado”. O fruto de tal prática é
traduzido em comunhão com Deus e entre as pessoas. O sábado
é símbolo da criação e da redenção e deve ser observado de uma
tarde à outra tarde, ou seja, de pôr do sol a pôr do sol.
O sábado do sétimo dia está presente no nome da “igreja
remanescente”, tamanha é a sua importância para sua identidade.
Considerável parte da teologia e do estilo de vida adventista orbita
em torno do sétimo dia como dia de descanso santificado e adoração
a Deus em ministério ao próximo. À luz do conceito de que o pecado
é “a transgressão da lei” de Deus, a IASD entende que desobedecer a
essa ordem conforme os termos específicos ordenados no decálogo
é pecado. Assim, qualquer caminhada em direção à “perfeição”

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deverá aspirar à observância (perfeita) desse mandamento, mesmo
no estado do mundo atual.
Algumas polêmicas em torno de questões a respeito das doutrinas
do pecado e da perfeição se amparam na guarda do sábado para
se expressarem na mentalidade adventista. Aqueles que defendem
a possibilidade de vitória absoluta contra o pecado, por exemplo,
perguntam qual seria o sentido de se guardar o sábado (na tentativa
de ser fiel a lei de Deus e não pecar mais) uma vez que não se deixa de
ser pecador ao se tomar essa decisão de implicações tão complexas
no mundo tal qual ele é hoje? A ideia é que a reminiscência do
pecado nos salvos desanima os cristãos relativamente a essa questão
e supostamente abre uma brecha para que o sábado se torne algo de
somenos importância.
Há uma retórica bem desenvolvida entre alguns adventistas
na direção de que a guarda do sábado é uma das principais coisas
que falta ao mundo cristão em geral para que ele seja fiel a Deus
no sentido de vencer o pecado e ser perfeito. Como solução a esse
problema, o movimento adventista passar a ser visto e proclamado
como a instância onde essa falha pode/deve ser superada.
Entretanto, na tentativa de se encontrar sentido para a condição
pecaminosa dos que já se tornaram guardadores do sábado, muitos
adventistas lutam para explicar a razão dessa situação e como superá-
la. Alguns, com visão mais otimista, tendem a acreditar que os
pecados ainda cometidos por seus adeptos e líderes em breve serão
coisa do passado. Alguns dos mais pessimistas e agressivos, porém,
defendem que os pecados dos adventistas são o triste resultado

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da igreja ainda não ter “aceito” poderosas verdades distintivas que
supostamente atestam da capacidade humana de parar de pecar e de
atingir a perfeição. Comumente, porém, os membros desse segundo
grupo também não conseguem convencer os outros membros da
igreja de que eles mesmos já pararam de pecar e são perfeitos por
terem aceitado plenamente tais possibilidades em nível teórico e já
guardarem o sábado, dentre outras coisas.
A guarda do sábado é, sim, parte importante da mentalidade
bíblica relativa à criação (Gn 2:1-), à lei (Ex 20:8-11) e à fidelidade
devida a Deus, mesmo nos tempos da nova aliança (cf. Tg 2:10-12;
Ap 14:6-12), mas não pressupõe necessariamente uma superação
definitiva do pecado ou perfeição absoluta da parte daqueles que se
submetem à essa ordem divina.

21. Mordomia
A IASD estabelece que os crentes são “despenseiros de Deus”,
isto é, responsáveis diante do Criador “pelo uso apropriado do
tempo e das oportunidades, capacidades e posses, e das bênçãos
da terra e seus recursos” que Ele colocou sob seus cuidados. Tal
postura envolve fidelidade nos dízimos e nas ofertas e constitui “um
privilégio que Deus concede para desenvolvimento do amor e para
a vitória sobre o egoísmo e a cobiça”.
É impossível falar em pecado e em sua superação na direção
da perfeição sem falar em vitória sobre o egoísmo e a cobiça. Tais
conceitos são, provavelmente, aqueles que mais se aproximem de
uma definição da natureza do pecado em sua essência mais íntima.

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Ellen White ensina que o primeiro pecado foi “uma manifestação
de egoísmo” (WHITE, Manuscript Releases, v. 7, p. 232), enquanto
Paulo usa a ideia da cobiça para se referir à relação primordial e
fundamental entre a lei e o pecado (Rm 7:7ss). A ideia da “mordomia
cristã” lida com tal questão.
Não existem seres humanos sem pecado. A superação plena
da condição pecaminosa humana aguarda a transformação de sua
própria natureza, mas muito progresso pode e deve ser feito antes
que isso ocorra em grau e sentido definitivo. A administração do
tempo, das oportunidades e dos recursos levando em conta as
necessidades e salvação dos outros cria um contrapeso importante
para a tendência egocêntrica natural e desenvolve o caráter cristão
no processo de santificação. Abrir mão de algo que pode beneficiar a
si mesmo em favor de outros é dever e privilégio de quem entendeu
e aceitou a “lógica” por detrás da encarnação e da cruz. Partilhar
responsabilidades pelo avanço do Evangelho no sentido de dedicar
a vida inteira à missão de Cristo não significa atingir perfeição ou
vitória absoluta contra o pecado antes da vinda do Senhor, mas
significa andar humildemente com Deus, de fé em fé e de vitória
em vitória até que venha o fim.

22. Conduta cristã


A IASD se identifica como uma comunidade divinamente
chamada para ser piedosa, composta de pessoas que pensam,
sentem e agem “em harmonia com os princípios bíblicos em todos
os aspectos de sua vida pessoal e social”. Com o objetivo de terem o

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caráter de Cristo recriado neles pelo Espírito Santo, os adventistas
afirmam se envolver somente com aquilo que produz pureza,
saúde e alegria em suas vidas. Isso implica que seus divertimentos
correspondam “aos mais altos padrões do gosto e beleza cristãos”.
Apesar de diferenças culturais, o vestuário, por exemplo, deve ser
“simples, modesto e de bom gosto”. Deve-se cuidar do corpo de
forma inteligente através de um equilíbrio saudável entre exercício
e repouso. A alimentação deve ser “a mais saudável possível”, com
total abstinência de alimentos considerados imundos na Bíblia.
Bebidas alcoólicas, fumo e uso irresponsável de medicamentos
devem ser rejeitados por serem prejudiciais ao corpo. Deve haver
submissão à “disciplina de Cristo, o qual deseja nossa integridade,
alegria e bem-estar”.
A chamada “conduta cristã” é conhecida na IASD também
como a questão do “estilo de vida adventista”. A preocupação com
essa questão é uma das mais polêmicas e complexas envolvendo
as doutrinas do pecado e da perfeição cristã na igreja. Por detrás
das principais dificuldades com esse tópico residem confrontos
entre grupos diversos no adventismo que mantêm compreensões
diferentes dentro da igreja sobre os padrões práticos na hora de
se aplicar “princípios bíblicos” às decisões do dia a dia. Vestuário,
alimentação e entretenimento em geral são áreas sensíveis e por
vezes geram graves acusações entre os crentes e a falta de revelação
bíblica específica em torno de certas práticas torna tudo mais difícil.
Mas essa questão que já é suficientemente complicada vai muito
além disso.

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A tônica otimista e positiva da crença fundamental dizendo que
os adventistas se envolvem unicamente com aquilo que produz
“pureza, saúde e alegria em suas vidas”, por exemplo, pode ser lida
de forma a refletir perigosamente uma cosmovisão profundamente
antibíblica e fantasiosa. Pode ser legitimamente defendido que o
ideal é que os seguidores do Mestre busquem somente àquilo que
é puro e saudável e traz alegria, sem problemas. Mas a existência
humana num mundo de pecado e morte não é ideal e impede
que qualquer ser humano se envolva somente com o que é bom e
positivo na vida, mesmo que essa seja uma aspiração absolutamente
digna.
Na busca pela santificação do estilo de vida, muitos membros e
líderes da igreja aderem a teorias que definem como pecado aquilo
que não está regulamentado claramente pela lei de Deus (contra Rm
4:15). Alguns tentam forçar seus padrões particulares de “decência,
modéstia e bom senso” sobre os outros (contra Rm 14:22). Muitos
acreditam na obrigatoriedade do vegetarianismo (contra Dt 12:15;
Rm 14:2-3). E há aqueles que alertam sobre supostos malefícios
de entretenimentos em geral (através de uma má aplicação de
textos como 1 Jo 2:15, por exemplo). Frequentemente, a adesão
a tais práticas está relacionada por parte de seus adeptos à busca
pela perfeição cristã. Muitos adventistas, porém, não reconhecem
a legitimidade de tais padrões de comportamento e ignoram-nos
tacitamente. É nesse contexto que as maiores polêmicas sobre a
questão são vivenciadas dentro da igreja.
Não há uniformidade de pensamento ou prática entre os

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adventistas a respeito de tais ideais, mas comumente sobram
acusações e suspeitas de ambos os lados. Pessoas mais preocupadas
com o estilo de vida são maldosamente chamadas de legalistas/
perfeccionistas enquanto os menos preocupados são taxados de
liberais/mundanos. O clima não amistoso da discussão só tem o
potencial de provar uma única coisa: que todo adventista peca e
nenhum é perfeito, independente de que lado esteja nessa querela.

23. O Casamento e a Família


A IASD afirma que “o casamento foi divinamente estabelecido
no Éden e confirmado por Jesus como união vitalícia entre um
homem e uma mulher”. O compromisso matrimonial cristão
envolve responsabilidades diante de Deus e do cônjuge e só deve
ser assumido entre pessoas que partilham a mesma fé. “Mútuo
amor, honra, respeito e responsabilidade” devem refletir “o amor,
a santidade, a intimidade e a constância da relação entre Cristo e a
igreja”. Deus abençoa as famílias e “deseja que seus membros ajudem
uns aos outros a alcançar completa maturidade”, mas a família de
Deus não constitui apenas de pessoas casadas, mas também solteiras.
A partir do simples texto dessa crença fundamental, alguns
poderiam inadvertidamente imaginar que as ideias relativas ao
casamento e à família têm pouco a nos dizer especificamente a
respeito das doutrinas do pecado e da perfeição, mas nada poderia
estar mais longe da verdade. A vida em família encerra em si as mais
íntimas e complexas realidades humanas em torno dos assuntos que
são de nosso interesse aqui.

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O pecado, na humanidade, surgiu num contexto de laços
familiares (Gn 3:1-6) e se propagada de forma hereditária (Gn 5:3;
Rm 5:12, 19). Por outro lado, ao reverter a obra do diabo e do pecado
através da obra da salvação, Deus a promete também em contexto
familiar (At 16:31) e ordena que os salvos se dediquem de forma
especial à sua família em termos fortíssimos (1 Tm 5:8).
Dentre muitas das questões que envolvem uma vida em família,
a questão da sexualidade é uma das que melhor pode ilustrar certas
dificuldades em torno das doutrinas do pecado e da perfeição. É
simples fato que os seres humanos existem como fruto da relação
sexual e também é verdade que o pecado nesse quesito marca a
história de indivíduos e mesmo de gerações inteiras (cf. Mc 8:38).
O sexo não é pecado em si (Hb 13:4), mas é fonte de tentação (Pv
7:4-23), queda (1 Rs 11:4) e perdição (Ap 9:20-21). O próprio diabo é
descrito simbolicamente como “sedutor” do mundo (Ap 12:9; 20:10).
Mesmo sem pressupor que todos os seres humanos sem exceção
tenham pecados sexuais específicos como fornicação, adultério
ou imaginações e intenções pervertidas diversas, é fato que a
sexualidade faz parte da natureza das pessoas em todas as etapas
de sua existência. Também é verdade que cada um responde a essa
questão de forma particular e deve ser respeitado em função de sua
identidade e escolhas desde que não firam violenta e criminalmente
a liberdade e integridade das outras pessoas. Diante disso, a própria
identificação específica de todos os tipos de pensamentos, intenções
ou práticas sexuais que podem ser definidas como “pecado”, ou
exatamente como se define a ideia de uma sexualidade “perfeita”

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em cada caso particular é extremamente complexa. Distinguir o
que é uma inclinação, imaginação ou vontade sexual legítima em
cada etapa da vida de uma pessoa e o que é uma cobiça indigna,
fornicação ou adultério virtual nos lança dentro da mente e coração
dos seres humanos, terreno muito volátil e perigoso. Não é herético
ou permissivo além do bom senso concluir que as imaginações
ou desejos de um(a) jovem solteiro(a) possam ser mais curiosas ou
mesmo intensas do que as de um(a) idoso(a) que já tenha 15 filhos,
8 netos e 3 bisnetos sem que haja “pecado” da parte de nenhum
representante de ambas as faixas etárias. Mas é claro que nada é
simples nessa questão e idosos podem ter sexualidade ativa em
muitos sentidos acima da de muitos jovens em nosso mundo,
assim como é verdade que a naturalidade do descobrimento da
sexualidade não faz com que os jovens estejam isentos de pecados
em sua postura com o tema.
Aqueles que dentro a IASD defendem que os seres humanos
são capazes de vencer o pecado e serem perfeitos nessa direção,
frequentemente não se aprofundam nas implicações disso para a
sexualidade de tais pessoas. O máximo que comumente se diz é que
é plenamente possível não fornicar, adulterar e ser pervertido e não
há uma contrapartida sobre como se manifesta uma sexualidade
perfeita. Por exemplo, sermos perfeitos em relação à sexualidade
reside na negação do sexo ou em levá-lo à perfeição pelo respeito,
amor e dedicação prática ao cônjuge? O que seria um sexo perfeito?
Algo relacionado a um amor teórico ou a uma performance prática
ou às duas coisas? Há mil problemáticas, por exemplo, em solteiros

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jovens uma sexualidade perfeita em tese implica em uma experiência
completamente diferente de uma sexualidade perfeita em adultos
casados ou idosos viúvos, ou em crianças. Cada momento da vida
pode definir uma postura natural e saudável diferente do outro,
além da discussão se em um mundo de pecado pode haver algo
perfeitamente “saudável” numa humanidade corrompida.
Mas as questões vão adiante, e além de dividir a humanidade em
grupos e faixas etárias, porém, permanece o fato de que cada um tem
uma história que deve ser levada em consideração com a questão.
Uma pessoa que já se expôs a milhões de vídeos pornográficos ou
alguém que sofreu abuso sexual continuado desde a infância seria
capaz de atingir um mesmo “nível” de pureza sexual que alguém
que foi criado num contexto onde tais realidades nunca existiram?
Deus vê os casos de forma diferente ou o mesmo padrão é exigido
de todos independentemente de suas experiências e traumas? Essas
são poucas das infinitas questões que podem surgir numa discussão
mais séria do tema da sexualidade à luz das questões relativas ao
pecado e à perfeição cristã, e a maioria delas não é encarada com
profundidade dentro da igreja na atualidade. Estamos há anos luz
de discutirmos esse tema de forma bíblica, educativa, sincera e
espiritual entre nossos líderes e membros como um todo.
Para além das questões acima colocadas, um dos símbolos mais
interessantes do pecado e da redenção em contexto familiar, na
Bíblia, tem que ver com a família do patriarca Jacó (posteriormente
chamado de Israel). Essa família protagoniza alguns dos relatos mais
desordenados e desestruturados de todas as famílias bíblicas do

59
Antigo Testamento (Gn 28-35), mas se torna o símbolo da fidelidade
a Deus no livro do Apocalipse (Ap 7:1-8; 14:1-5). Alguns intérpretes
adventistas inclusive acreditam que os cento e quarenta e quatro
mil referidos no último livro do cânon representam um povo sem
pecado e perfeito, especialmente por sua descrição em Apocalipse
14:4-5 (cf. 7:4-8), mas essa interpretação força o significado da
descrição em medida desnecessária. A fidelidade dos cento e
quarenta e quatro mil é uma descrição que não foge completamente
à descrição do povo de Deus desde o Antigo Testamento (cf. Is 63:8),
e não precisa ser interpretada de forma a representar um padrão
único ou especial de perfeição para a última geração de crentes que
estará viva quando da volta do Senhor.

24. O Ministério de Cristo no Santuário Celestial


A crença fundamental mais peculiar e distintiva da IASD é
aquela que se refere ao ministério de Cristo no santuário celestial.
A fé adventista indica que ali “Cristo ministra em nosso favor,
tornando acessíveis aos crentes os benefícios de seu sacrifício
expiatório oferecido uma vez por todas na cruz”. A partir de
1844, Cristo “iniciou a segunda e última etapa de seu ministério
expiatório, que foi tipificado pela obra do sumo sacerdote no lugar
santíssimo do santuário terrestre”. Isso indica a existência de uma
“obra de juízo investigativo, a qual faz parte da eliminação final
de todo pecado, prefigurada pela purificação do antigo santuário
hebraico, no Dia da Expiação” (cf. Lv 16; 23:26-32). O propósito de
um juízo de investigação é definido como revelar aos seres celestiais

60
quem dentre os mortos dorme em Cristo e quem entre os vivos
permanece em Cristo “guardando os mandamentos de Deus e
a fé de Jesus”, estando, assim, “preparado para a trasladação”. Tal
julgamento “vindica a justiça de Deus em salvar os que creem em
Jesus”. A terminação do ministério de Cristo no santuário celestial
assinala o fim do tempo da graça antes do segundo advento, mas
quem permanecer leal a Deus receberá o reino.
De todas as crenças fundamentais da IASD, possivelmente essa é
a mais determinante para a sua identidade teológica (cf. HOLBROOK,
2002). A chamada “doutrina do santuário” é fruto de desdobramentos
históricos e teóricos que se seguiram imediatamente à experiência
do desapontamento em 1844, quando um pequeno núcleo daquilo
que viria a ser a igreja adventista do sétimo dia esperava em vão
que Jesus retornasse de acordo com sua interpretação particular
das profecias bíblicas (SCHWARZ; GREENLEAF, 2009, P. 51-68).
Uma explicação bíblica para o fracasso de sua interpretação original
se estabeleceu e foi ampliada tendo os livros de Levítico, Daniel,
Hebreus e Apocalipse como base principal.
A ideia do ministério sacerdotal de Jesus Cristo no santuário
celestial relaciona-se intimamente com as doutrinas do pecado e
da perfeição humana. Partindo da revelação de que os sacerdotes
do antigo templo de Israel ministravam “em figuras e sombras das
coisas celestiais” (Hb 8:5), os adventistas estudaram a dinâmica do
culto antigo e ali aprenderam verdades importantes a respeito da
expiação do pecado e de sua purificação final em sentido mais amplo.
Todo o sistema levítico era dividido em duas fases que ocorriam em

61
lugares distintos no santuário, chamados “santo” e “santíssimo” (Ex
26:33), esse sistema tinha seu clímax no chamado “dia da expiação”
(Lv 16:3-33), quando ocorria a expiação e purificação definitivas em
favor dos israelitas penitentes ao fim do ciclo anual das festas pouco
antes da festa dos tabernáculos (Lv 23). Aplicando lógica semelhante
à era cristã baseados especialmente em Daniel 8-9, os adventistas
dividiram a história da igreja em duas fases, aquela antes de 1844 e
outra depois. A tese é que após 1844 o mundo vive uma espécie de
“dia da expiação” cósmico, universal e definitivo, a ocorrer pouco
antes do retorno de Jesus e, aqui, o tema da necessidade de uma
“purificação do pecado” surge com força ímpar.
Impulsionados por revelações do livro do Apocalipse que
aludem de alguma forma ao dia da expiação (cf. Ap 11:19), os
adventistas olharam com admiração para a descrição profética de
um povo fiel aos mandamentos de Deus a partir desse contexto
(12:17; 14:1-5, 12; 15:2-4; 17:14; 19:8; 20:4; 21:27). A adesão à lei de Deus
em questões como a guarda do sábado no sétimo dia da semana (Ex
20:8-11) e a manutenção da distinção entre carnes limpas e imundas
(Lv 11) sob o ideal da saúde e fidelidade para com a Palavra de
Deus, dentre outros pontos, fez com que a comunidade adventista
enxergasse a si mesma como mais próxima da vitória contra o
pecado do que qualquer outra geração cristã do passado. Essa ideia,
inclusive, se tornou pedra de tropeço, pois pecados como orgulho
e exclusivismo foram acariciados por alguns adventistas em nome
desse tipo de visão. Também é dentro dessa atmosfera que surge,
por exemplo, a “teologia da última geração”, a saber, a teoria de

62
que a última geração, aquela que estará viva quando do retorno de
Cristo, poderá e precisará atingir a “purificação” do pecado no dia
antitípico da expiação. Ou seja, poderá e precisará experimentar
uma vitória definitiva sobre o pecado na forma de uma “perfeição”.
Tal experiência seria necessária para a preparação para a vinda do
Senhor e supostamente vindica a justiça e santidade da lei de Deus
perante o universo. Alguns adventistas, inclusive, acreditam que
unicamente essa mensagem represente fielmente o chamado e a
convicção teológica genuinamente adventistas.
Dentro da IASD, porém, as convicções próprias à teologia
da última geração a partir da doutrina do santuário são acusadas
de “perfeccionismo” e não são compartilhadas por todos. Muitos
teólogos, administradores, líderes e leigos dentro da igreja
adventista veem tais convicções simplesmente como fruto de más
interpretações, extremismo e desequilíbrio. Sem jamais rejeitar a
crença fundamental em torno do ministério bifásico de Cristo no
santuário do céu, muitos adventistas advertem que a “preparação
para a trasladação” ocorre dentro do prisma de que a salvação é
concedida a pecadores pela graça de Deus mediante a fé e não por
obras humanas (Ef 2:8-9). Sendo assim, aparentemente não há razão
para se defender que a última geração terá qualquer vantagem ou
desvantagem em relação às outras gerações. A conclusão é que tal
geração não será salva por qualquer método especial de salvação da
parte de Deus. A fidelidade dos salvos em gratidão pela redenção
é real, importante e bíblica (Ef 2:10), mas não é absolutamente
perfeita no sentido de colocá-los acima da humanidade pecadora

63
em impecaminosidade definitiva. Essa não é a mensagem da Palavra
de Deus para os salvos nesse particular (cf. 1 Jo 1:8ss).
Rodríguez (2011, p. 431, grifo nosso) diz que o estudo da doutrina
do santuário “fornece melhor compreensão do plano de Deus para
a resolução final do problema do pecado por meio de Cristo”. Dessa
forma, a ideia de que a última geração vindica a lei de Deus diante do
universo é problemática ao extremo e se afasta daquilo que a crença
fundamental diz a esse respeito. A genuína fé adventista ensina que
o juízo vindica a justiça de Deus em salvar pecadores crentes em
Cristo e nada fala sobre uma vindicação da lei divina da parte de
uma geração que deixa de ser pecadora ao se tornar perfeita antes
da vinda do Senhor.
A mensagem contida no tema do santuário é profunda e
ampla. Demonstra didaticamente a grave seriedade do pecado
e a importância da expiação pelo sangue do cordeiro inocente e
perfeito. Além disso, o santuário fala da necessidade santificação
através da transformação purificadora da graça de Deus sempre em
perspectiva da superação do pecado na vida humana. O ciclo anual
repetitivo, porém, ensinava a lição de que todos os membros do
povo de Deus individualmente precisavam de perdão e purificação
de seus pecados sempre e novamente, pois eram pecadores
imperfeitos e não o deixavam jamais de ser. Isso não se parece em
nada com um povo que adquire natureza e conduta perfeitas após
os rituais do dia da expiação.
Deduzir que uma purificação completa do pecado que conduz
à perfeição humana nesta vida será desfrutada somente pela

64
última geração cria confusão sem fim. Se tal teologia devesse ser
levada a sério deveríamos, por exemplo, reconhecer que a própria
mensagem da universalidade do pecado na Palavra de Deus (cf. Ec
7:20) se aplicaria somente às gerações anteriores e não à última e as
consequências disso são tenebrosas. Em resumo, a última geração
não poderia encontrar na Bíblia a verdade de Deus nesse ponto
específico e a partir disso se torna nebuloso se a mesma negação
de outras doutrinas bíblicas não poderia ser advogada, destruindo
assim a própria noção da unidade entre revelação bíblica divina e
verdade (cf. Jo 17:17). O resultado de toda essa teoria é apenas um, o
afastamento do “assim diz o Senhor”, esse é a caminho irreversível
da má interpretação da doutrina do santuário proposta pela teologia
da última geração.

25. A Segunda Vinda de Cristo


A IASD proclama a segunda vinda de Jesus Cristo como “o
grande ponto culminante do evangelho”. É afirmado que a volta do
Senhor será “literal, pessoal, visível e universal”. A igreja entende que
as profecias bíblicas já foram quase cumpridas em sua totalidade e
que a condição atual do mundo indica que tal evento está próximo,
ainda que “o tempo exato desse acontecimento não foi revelado”. A
conclusão é que devemos estar preparados em todo o tempo.
O retorno de Jesus Cristo ao mundo é um tema que suscita as
mais sublimes esperanças da parte da igreja. Inseparável ao tema da
segunda vinda de Jesus está toda a teologia bíblica da identidade de
Cristo como Deus feito homem ( Jo 1:1, cf. At 1:11) para a redenção

65
da humanidade. Essa redenção foi realizada nos eventos relativos à
sua encarnação, vida sem pecado, morte, ressurreição e exaltação
e será consumada definitivamente em seu retorno glorioso e nos
eventos que se seguirão. As respostas aos inúmeros e complexos
dilemas relativos ao pecado e à imperfeição no mundo aguardam
esse momento para se tornarem objeto de revelação direta naquilo
que se seguirá a esse evento sobrenatural que porá um fim na
presente ordem de coisas. Cristo não voltará para tornar a resolver o
problema do pecado já redimido na cruz (Hb 9:28; cf. Jo 19:30), mas
virá na glória do Pai e dos anjos (Mt 16:27; Mc 8:38; Lc 9:26) para
trazer o Reino de Deus mediante o juízo final sobre tudo e todos (2
Tm 4:1; 2 Co 5:10). Paulo descreve essa intervenção como a vinda
daquilo que é perfeito que finalmente aniquilará a imperfeição (1
Co 13:10).
Apesar da linguagem humana comumente designar como
“perfeito” quem não é perfeito em absolutamente tudo, mas
simplesmente possui atributos como beleza, riqueza, sabedoria,
força ou outras quaisquer outras que sejam valorizadas por alguém,
é fato que as pessoas reconhecem imperfeições em si e em todas as
outras ao seu redor. A revelação da imperfeição pecaminosa e culposa
que desvenda a maldade humana em sua natureza mais íntima,
porém, não é tão facilmente admita por todos sem exceção, mas a
declaração de sua realidade a partir da inspiração bíblica é suficiente
para que a igreja a pregue como verdade. Além disso, um olhar
mais atento à vida e caráter das pessoas em geral ou em específico
termina infalivelmente corroborando o diagnóstico da revelação. É

66
importante perceber que antes da volta de Jesus, portanto, qualquer
dimensão de perfeição humana só pode ser experimentada em
sentido relativo, limitado, pois todos os “perfeitos” permanecem
pecadores até a transformação de sua natureza.
Paulo diz que é após a descida de Cristo dos céus que os mortos
(aqueles que forem justos/salvos, conforme o livro do Apocalipse,
20:5-6) ressuscitarão e os vivos salvos serão transformados para o
encontro com o Senhor nos ares (1 Ts 4:17-18). Essa transformação é
conhecida teologicamente como “glorificação” e é ela que marca a
transição dos crentes da realidade do pecado e da sujeição à morte
para a experiência da perfeição absolutamente livre de pecado e da
imortalidade (cf. 1 Co 15:42-57).

26. Morte e Ressurreição


A IASD defende que “o salário do pecado é a morte”, mas
“Deus, o único que é imortal, concederá a vida eterna a seus
remidos”. Até o dia da ressurreição a morte é experimentada como
“estado inconsciente”. Quando Cristo retornar haverá a primeira
ressurreição e a segunda ressurreição ocorrerá mil anos mais tarde.
A conexão entre morte e pecado é extremamente elucidativa
em torno da doutrina da perfeição por uma razão muito simples.
Sendo que a morte é fruto do pecado em sentido geral (Rm 6:23),
quando em sentido pessoal (Rm 5:12), segue-se que nenhuma pessoa
mortal pode viver numa condição de perfeição sem pecado. Como
aponta Tomás de Aquino em suas questões disputadas a respeito
da verdade: “o homem neste estado não pode evitar morrer. Logo,

67
nem pode evitar pecar” (AQUINO, 2015, p. 173). Adiante, o grande
teólogo medieval esclarece sua argumentação dizendo que “a
necessidade de morrer é concomitante à necessidade de pecar venial
ou mortalmente”, mas identifica a Cristo como exceção nessa relação
entre pecado e morte em função dele ser pessoa “privilegiada”
(AQUINO, 2015, p. 186).
A morte é uma das facetas mais complexas da experiência
do pecado tal qual a Bíblia nos descreve. Apesar dela parecer ser
perfeitamente “natural” para nossa experiência da realidade, a
Bíblia aponta sua origem e natureza como uma descontinuidade da
criação de Deus em função de rebelião pecaminosa. Essa ideia tem
profundas implicações para nosso entendimento do mundo.
A perspectiva de que toda a nossa identidade, consciência,
memória, sentimentos e sensações são, com a morte, relegadas
ao nada (cf. Ec 9:5-6), nos confronta com a pergunta mais difícil
de todas, pelo próprio sentido da vida. A revelação de que a
morte transforma “tudo” em “nada” na experiência daquele que
morre clama pela ressurreição como solução do maior de todos
os problemas humanos. Essa solução se tornou uma esperança
“viável” pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos (cf. 1 Pe
1:3), o único que morreu, não em função de seus próprios pecados
segundo a lógica de Romanos 5:12, mas pelos nossos pecados, “e não
somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro”
(1 Jo 2:1).

68
27. O Milênio e o Fim do Pecado
Na teologia adventista, o período de mil anos referido em
Apocalipse 20 se refere ao “reinado de Cristo com os santos no céu,
entre a primeira e a segunda ressurreição”. Naquele tempo a terra
estará totalmente desolada e sem seres humanos e servirá como
prisão para Satanás e seus anjos. Ao final desse período a cidade
santa descerá dos céus com Cristo, os anjos e os salvos e, então, os
ímpios mortos ressuscitarão, mas fogo da parte de Deus consumirá
o mal e, a partir daí “o universo ficará eternamente livre do pecado
e dos pecadores”.
Os eventos relacionados ao “milênio” de Apocalipse 20 na
teologia adventista marcam um período de transição prática da esfera
do pecado para a esfera da perfeição absoluta para os redimidos
em Cristo. O milênio se inicia a partir da segunda vinda que marca
a “glorificação” dos salvos na transformação de sua natureza e
erradicação da presença do pecado em sua natureza e experiência
de vida. A partir desse fato extraordinário, todos os salvos de todos
os tempos tomam sua parte designada por Deus no desenrolar final
de toda a experiência do mal (cf. 1 Co 6:3). A partir do chamado
“juízo de comprovação”, todos os salvos são capacitados a entender
a justiça e o amor de Deus para com os perdidos de forma que
nenhuma dúvida permaneça sobre a postura de Deus em relação
a eles, isso de maneira a absolver a Deus de qualquer impressão de
arbitrariedade ou maldade em qualquer sentido ou momento da
história do pecado e da redenção.
Esse processo termina com o mal sendo: desmascarado em

69
sua natureza essencial (Ap 20:7-8); punido severamente (20:10);
consumido (Ap 20:9); e destruído eternamente no fogo (20:14).
Profeticamente, Malaquias diz que dessa experiência não restará ao
pecado “nem raiz nem ramo” (Ml 4:1). O pecado será superado em
definitivo e a perfeição eterna será o destino daqueles que amaram
a Deus e uns aos outros como a si mesmos, resumo de toda lei e
palavra de Deus (Mt 22:36-40).

28. A Nova Terra


As crenças fundamentais da IASD terminam enfatizando a
nova criação, uma nova terra onde habita a justiça. Afirma-se que
“Deus proverá um lar eterno para os remidos e um ambiente perfeito
para a vida, amor, alegria e aprendizado eternos em sua presença”.
O grande conflito entre o bem e o mal estará terminado “e não mais
haverá pecado”.
Com a existência de um novo céu e de uma nova terra estará
terminada para sempre a experiência do pecado e só restará às criaturas
de Deus a perfeição absoluta e sem fim. É somente a partir dessa
perspectiva que podemos não nos desesperar irremediavelmente
em função da realidade do mal, pecado, sofrimento e morte. É ali
que Deus vai nos consolar definitivamente de tudo o que passou (cf.
Is 66:13).
Antes que Jesus Cristo retorne, só nos resta lutar
perseverantemente contra o pecado e imperfeição que há em nós
e em todos ao nosso redor com as armas espirituais do perdão (Cl
3:13), da esperança (1 Jo 3:3) e da fé que se manifesta em amor (Gl

70
5:6; cf. 1 Co 13:13). Ainda que não devamos acariciar expectativas
vãs em torno de uma “vitória” contra o pecado que demonstre ser
somente uma ilusão, ao mesmo tempo devemos fugir da tentação de
justificar qualquer transgressão ou vício em função da imperfeição
que inevitavelmente nos acompanhará até a transformação final.
Com essa crença fundamental, a IASD estabelece um tom
extremamente positivo e esperançoso em torno da ideia da perfeição
eterna em superação completa do pecado e do mal, mas o faz sem
prometer ou implicar que a luta será menos complexa ou difícil do
que a Bíblia indica que ela será antes que venha o fim. Não há, nesse
mundo, local ou ocasião de repouso em torno de nossa santificação
e vitórias em geral. Ainda há maiores alturas a alcançarmos e será
assim a cada passo que avançarmos sem jamais chegar ao fim antes
da transformação de nossa natureza, mas a boa notícia é que essa
transformação está prometida na infalível Palavra do Senhor ( Jo
10:35) e será cumprida num piscar de olhos (1 Co 15:51-57) quando o
momento certo chegar, e que chegue muito em breve. Amém! Ora,
Vem Senhor Jesus! (Ap 22:20).

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