A MULHER/OS RAPAZES, DA HISTÓRIA DA SEXUALIDADE
SILVA, Ana Claudia 1
SPENCE, Nádie Christina Ferreira Machado2
O livro de Foucault tudo como o arqueólogo da sexualidade traz um desenho
do estilo de vida a dois no período antigo greco-romano, onde expõe de modo claro,
as práticas que naquela época guiavam o casamento e as relações heterossexuais e
homossexuais masculinas que eram comuns naquela época. Questiona a
constituição da categoria sexualidade em seus códigos morais ao longo da história
greco-romana
Depois parte para análise de condutas que foram se firmando conforme o
avanço do cristianismo como a fidelidade, a virgindade e a crítica à pederastia que é
a prática sexual entre um homem e um rapaz mais jovem. As relações entre os
homens da mesma idade não eram comuns, em vez disso, se aceitava o
relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, geralmente, adolescente e um
homem mais velho. E com o tempo a única forma aceita era a pederastia tinha o
papel pedagógico, que condizia o aprendiz pelo mestre, que era um homem mais
vivido e, portanto, sábio.
A erótica da Antiguidade é mostrada que nem toda a moral pode ser vista
como código jurídico. Para o filosofo naquele período vai além das sutilezas de uma
estética. É um estilo de relações consigo e com os outros que entrou em jogo,
influenciando a arte de viver e a dominação de si. Vimos que com a expansão do
cristianismo que toda uma cultura e período erotizado e que tinha sexualidade um
dos pilares sociais permaneceu encoberto praticamente toda a Idade Média e a
Idade Moderna, por causa da moral cristã e só voltando com força na era pós-
contemporânea.
Foucault traz a emergência do pensamento sobre a mulher e mostra
benefícios e prejuízos do vínculo conjugal com seus problemas relativos como a
virgindade, a simetria e a reciprocidade de direitos e deveres entre o marido e
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Acadêmica do 3º semestre do Curso de Psicologia da Faculdade do vale do Juruena-AJES. Resumo
apresentado a disciplina de Fundamentos Epistemológicos da Psicologia da Faculdade do Vale do
Juruena-AJES-Campus Universitário de Juara-MT.
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Professora da disciplina de Fundamentos Epistemológicos da Psicologia da Faculdade do Vale do
Juruena-AJES.
mulher, o compromisso de solidariedade, o monopólio do sexo e o modo como qual
os prazeres do casamento se davam, ou seja, o sexo era importante para a
existência do afeto, mas, repudiado quando em excesso, assim como o adultério
Foucault traz a postura greco-romana sobre o amor e a homossexualidade a
partir de textos filosóficos de Plutarco e Pseudo-Luciano. Para ele o amor verdadeiro
e puro seria independente fosse o homossexual ou o heterossexual, chegando à
conclusão que o amor é a manifestação única de caridade, depois sobre as críticas
sobre o amor entre rapazes, o filosofo Plutarco identificou imperfeições que
mudaram o amor entre homens em numa classe menor de afeto.
Foucault nessa segunda parte de História da sexualidade ao contrário do seu
projeto original, que era trazer a sexualidade no século XIX e volta na Antiguidade,
considerando as práticas existentes sexuais na Grécia Antiga, mas o cristianismo
mudou o cenário, ao fazer a ligação entre sexo e pecado da carne, acabando com o
conceito de desejo. Na Grécia Antiga não tinham instituições para se fazer respeitar
as interdições sexuais, como a Igreja Onde se tinha uma maior preocupação com a
atenção ao corpo, a gestão da saúde, eu o cuidado de si que envolvia as práticas
sexuais.
Assim, o livro traz um pensamento filosófico, sobre a cultura greco-romana
sobre os seguintes aspectos: a mulher: o vínculo conjugal a questão do monopólio;
os prazeres do casamento e os rapazes: Plutarco; Luciano e uma nova erótica. Esta
última não tem lugar privilegiado nos textos de filosofia e se desenvolve na relação
homem e mulher. A mulher ao ter o monopólio do sexo era vista como astuciosa,
maliciosa, tinha artimanhas, poder racional e possuía uma linguagem como
instrumento corrompido que escravizava o homem para o ao desejo sexual e
luxúria. A maior forma de amar era a de amor pelo ser igual, pois para o homem era
degradante amar uma mulher, por ser um ser inferior.
O sexo no casamento era feito com o objetivo da reprodução e os homens
faziam uma clara distinção entre as mulheres reprodutoras (não sexualizadas) e as
mulheres eróticas que eram as amantes e prostitutas). Somente na segunda
relação, era admitida a satisfação dos desejos femininos, mas a satisfação dos
desejos do homem, era fundamental e não podia ser desprezada.
Para os gregos, a mulher pertencia apenas a um homem estando a sujeita de
início a autoridade paterna ou de um parente próximo, até a submissão da
autoridade do esposo por meio de casamentos arranjado O homem podia repudiar a
esposa sem qualquer motivo e isto era direito, e o casamento ainda era visto mais
como condição de segurança na velhice do que questão de afeto. Ou melhor, era a
forma de se ter os filhos, apesar dos aborrecimentos por que um homem
necessitava ao lado uma mulher.
Em relação ao uso dos prazeres em relação aos rapazes impressionava os
gregos Onde Plutarco se mostrava oposto à sujeição do homem ao domínio de Eros
(prazer). Onde os homens gregos escolhiam livremente entre ambos os sexos. A
homossexualidade era permitida pela lei e pela opinião, havendo uma grande
tolerância na sociedade e se acreditava que o homem não necessitava de outra
natureza para isso.
Plutarco mostra dois movimentos em seus diálogos que vem a ser questão da
escolha que o amado precisa fazer entre dois amantes, sejam moças ou rapazes, e
traz a situação e importância das intrigas e as virtudes das relações entre eles. Os
gregos pensavam o comportamento sexual para os adultos masculinos livres,
enquanto estética da existência, tendo a liberdade como estratégia do jogo de poder.
O amor entre os rapazes era símbolo de liberdade, poder e forma de acesso à
verdade. À medida em que a reflexão muda para a mulher, ser é evidenciado uma
reflexão moral em torno dos prazeres sexuais.
BIBLIOGRAFIA
FOUCAULT, Michel. A Mulher/ Os Rapazes: da História da Sexualidade (extraído
da história da sexualidade v.30. Tradução de Maria Theresa da Costa Albuquerque.
São Paulo: Paz e Terra, 1997.