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Impacto do FDD em Gorongosa

Este documento é uma monografia sobre o impacto do Fundo de Desenvolvimento Distrital na viabilização de políticas públicas no distrito de Gorongosa entre 2010-2013. A monografia analisa como o Fundo apoiou o desenvolvimento econômico e social local através de projetos financiados e os critérios para a alocação de recursos. As conclusões mostram que o Fundo teve um impacto socioeconômico positivo na criação de empregos e produção de alimentos, contribuindo para os objetivos de desenvolvimento do governo.
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Impacto do FDD em Gorongosa

Este documento é uma monografia sobre o impacto do Fundo de Desenvolvimento Distrital na viabilização de políticas públicas no distrito de Gorongosa entre 2010-2013. A monografia analisa como o Fundo apoiou o desenvolvimento econômico e social local através de projetos financiados e os critérios para a alocação de recursos. As conclusões mostram que o Fundo teve um impacto socioeconômico positivo na criação de empregos e produção de alimentos, contribuindo para os objetivos de desenvolvimento do governo.
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Fabião José Jamal

Impacto do Fundo de Desenvolvimento Distrital na Viabilização de Politicas Publicas:


Estudo de Caso, Distrito de Gorongosa (2010 a 2013).

Licenciatura em Administração Pública

Universidade Católica de Moçambique

Centro de Ensino a Distância


Gorongosa

2018
Fabião José Jamal

Impacto do Fundo de Desenvolvimento Distrital a Viabilização de Politicas Publicas:


Estudo de Caso, Distrito de Gorongosa (2010 a 2013).

Projecto de Pesquisa a submetido no Centro de


Ensino a Distancia de Gorongosa da Universidade Católica
de Moçambique, para efeitos de aval científico de
elaboração de Monografia como requisito parcial de
obtenção do grau académico de Licenciatura em
Administração Pública.
O Supervisor: PhD. (Candidate) Armindo Armando.

Universidade Católica de Moçambique

Centro de Ensino a Distância


Gorongosa

2018
Índice

Agradecimento ............................................................................................................................................. iii

Dedicatória ................................................................................................................................................... iv

Abreviaturas .................................................................................................................................................. v

RESUMO ..................................................................................................................................................... vi

CAPÍTULO I: INTRODUÇĂO .................................................................................................................... 7

1.1. Introdução ....................................................................................................................................... 7

1.2. Objectivos do Estudo ............................................................................................................................. 8

1.2.1. Objectivo Geral ................................................................................................................................... 8

1.2.2. Objectivos Específicos ........................................................................................................................ 8

1.3. Problema de Pesquisa ............................................................................................................................ 8

1.4. Hipóteses ................................................................................................................................................ 8

1.5. Objecto e Delimitação do Estudo........................................................................................................... 9

1.6. Justificativa e Relevância ....................................................................................................................... 9

CAPÍTULO II: ENQUADRAMENTO TEÓRICO .................................................................................... 11

2.1. Enquadramento Teórico e Conceptual ................................................................................................. 11

2.2. Concepção do Desenvolvimento local ................................................................................................. 15

2.3. Reformas Administrativas no Contexto do Fundo de desenvolvimento do Distrital. .......................... 16

2.4. Descentralização em Moçambique ...................................................................................................... 18

2.5. Fundo de Desenvolvimento Local e o Emprego em Moçambique ...................................................... 19

CAPÍTULO III: OPÇÕES METODOLÓGICAS ....................................................................................... 20

3.1. Método de Abordagem......................................................................................................................... 20

3.2. Método de Abordagem......................................................................................................................... 20

3.3. Método de Procedimento ..................................................................................................................... 21


3.4. Técnica de Recolha de Dados .............................................................................................................. 21

3.5. Método de Estudo de Caso .................................................................................................................. 22

3.6. Tipo de Pesquisa. ................................................................................................................................. 23

CAPÍTULO IV: ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .......................................................... 24

4.1. Caracterização do Local de Estudo. ..................................................................................................... 24

4.2. Caracterização dos Objectivos do Fundo de Desenvolvimento Distrital ............................................. 25

4.3. Descrição do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Distrito (2009-2013)................................... 25

4.5. Contextos Metodológicos do Fundo de Desenvolvimento Distrital .................................................... 26

4.6. Conselhos Consultivos no distrito de Gorongosa na Gestão Locais Fundo de Desenvolvimento


Distrital ....................................................................................................................................................... 28

4.7. Critérios de selecção e aprovação dos projectos e transparência ......................................................... 29

4.8. Critérios de Transparência na Contratação de crédito no Distrito de Gorongosa. ............................... 29

4.9. Impacto Socioeconómico do FDD em Distrito de Gorongosa............................................................. 31

CAPÍTULO V: CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ......................................................................... 32

5.1. Conclusões ........................................................................................................................................... 32

5.2. Recomendações.................................................................................................................................... 33

Referências Bibliográficas .......................................................................................................................... 34


iii

Agradecimento
E primeiro lugar agradeço ao meu senhor Jesus Cristo que nos orientou em vida e nos deu
caminho durante toda minha vida; ao meu Supervisor Mestre Armindo Armando por ter me
acompanhado no âmbito da orientação do meu trabalho e pela paciência que teria demonstrado,
agradeço outrossim aos meus docentes da Universidade Católica de Moçambique no Centro de
Ensino a Distancia de gorongosa especificamente os do curso de administração Publica, a
direcção do curso assim como no Centro de Ensino a distância do mesmo Pólo. Agradeço
igualmente a minha família por ter me acompanhado de forma pacífica ao longo do curso do da
minha formação; aos meus Superiores de trabalho pelas dispensas que e concedeu ao longo da
formação o senhor Administrador: Manuel Jamaca e finalmente os que directa ou indirectamente
participaram na minha formação.
iv

Dedicatória

Ao

Governo Distrital de Gorongosa


v

Abreviaturas
CCD – Conselho Consultivo Distrital

CIP – Centro de Integridade Publica

ETD – Equipa Técnica Distrital

FDD – Fundo de Desenvolvimento do Distrito

IFTRAB – Instituto de Formação de Trabalho

INE – Instituto Nacional de Estatística

PRE – Programa de Reabilitação Económico


vi

RESUMO
A presente monografia tem como tema o impacto do Fundo de Desenvolvimento Distrital
(FDD) na viabilização de políticas públicas, no distrito de Gorongosa, no período de 2010-2013,
baseados na lei n° 8/2003, de 19 de Maio, bem como o regulamento aprovado pelo Decreto nᵒ
11/2005, de 10 de Junho, que estabelece que o Distrito é a base de planificação do
desenvolvimento económico, social e cultural da República de Moçambique e tem
enquadramento na política do governo, dado que o mesmo é o pólo de desenvolvimento, razão
pela qual é alocado ao distrito o Fundo de Desenvolvimento Distrital com vista a materialização
dos objectivos do governo orientados para o desenvolvimento do Distrito, especificamente no
domínio da produção de alimentos e geração de rendimento, garantindo a criação de postos de
trabalho a nível local. Com a pesquisa tendemos conhecer o impacto do Fundo de
Desenvolvimento Distrital (FDD) na viabilização de políticas públicas no distrito de Gorongosa,
Analisar o impacto socioeconómico no âmbito de implementação do FDD ao nível do distrito;
Entender os critérios adoptados para atribuição do FDD e avaliar o impacto socioeconómico do
FDD ao nível do Distrito, visando responder a questão da pesquisa sobre as evidências de que o
Fundo de Desenvolvimento Distrital viabilizou as politicam pública no distrito de Gorongosa no
período de 2010 a 2013. Em resultado, constatamos que no distrito de Gorongosa existiram
evidências de curto prazo para a viabilização de políticas públicas e que os projectos financiados
revelaram pouca sustentabilidade o que coloca a necessidade do governo continuar a dar
assistência a criar os mecanismos de acompanhamento para a elaboração e desenvolvimento de
projectos de negócio. Quanto a metodologia, a pesquisa foi caracterizada pela pesquisa
qualitativa viabilizada através da técnica de colecta de dados de entrevista.

Palavras-Chave: Fundo de desenvolvimento do Distrito; Politicas Publicas;


desenvolvimento e Gorongosa.
7

CAPÍTULO I: INTRODUÇĂO

O presente capítulo aborda em torno das directrizes que buscam demonstrar mecanismos de
desenvolvimento da pesquisa, visando mostrar a pertinência do estudo com base em políticas
públicas capazes de gerar conhecimentos.

1.1. Introdução

A presente monografia insere-se na análise do Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD)


na viabilização de políticas públicas, no distrito de Gorongosa, no período de 2010-2013. Tendo
como base a lei n° 8/2003, de 19 de Maio, bem como o regulamento aprovado pelo Decreto nᵒ
11/2005, de 10 de Junho, estabelece que o Distrito é a base de planificação do desenvolvimento
económico, social e cultural da República de Moçambique e tem enquadramento na política do
governo, dado que o mesmo é o pólo de desenvolvimento, fundamentando - se pelo facto da
maior parte da população nacional residem nos distritos, os recursos naturais estão no distrito,
todas as acções do desenvolvimento programadas a qualquer nível realizam - se no distrito, é a
zona rural onde se registam maiores índices da pobreza vigentes no contexto moçambicano.

O Fundo de Desenvolvimento Distrital tem em vista a materialização dos objectivos do


governo orientados para o desenvolvimento do Distrito, especificamente no domínio da produção
de alimentos e geração de rendimento, garantindo a criação de postos de trabalho a nível local. O
mesmo é resultado do processo de descentralização na qual destina - se a captação e gestão de
recursos financeiros visando impulsionar o desenvolvimento e o empreendedorismo na satisfação
das necessidades básicas das comunidades locais, mediante a concessão de empréstimos
reembolsáveis.

Neste âmbito, compreende-se que o Fundo de Desenvolvimento Distrital é resultado do


processo de descentralização de instrumentos de planificação e orçamentação com vista ao
envolvimento das populações ao nível local e tem a cobertura da Lei n° 8/2003 e do Decreto n°
11/2005. Assim entende - se que o FDD reforça o princípio do distrito como a base do
desenvolvimento, na medida em que, pretende afectar recursos para a produção de alimentos,
criação de emprego e geração de renda, de forma a contribuir para o combate à pobreza no país.
8

1.2. Objectivos do Estudo

1.2.1. Objectivo Geral


 Conhecer o impacto do Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD) na viabilização de
políticas públicas no distrito de Gorongosa.

1.2.2. Objectivos Específicos


 Analisar o impacto socioeconómico no âmbito de implementação do FDD ao nível do
distrito
 Entender os critérios adoptados para atribuição do FDD.
 Avaliar o impacto socioeconómico do FDD ao nível do Distrito.

1.3. Problema de Pesquisa


Com vista a materialização dos objectivos do governo orientados para o desenvolvimento
do distrito surge neste contexto o FDD, no quadro de descentralização de instrumentos de
planificação e orçamentação vigentes no país, tomando por base a lei n° 8/2003, de 19 de Maio.

A luta pela criação de emprego tem em vista a redução dos índices de pobreza
prevalecentes entre as populações. Este exercício é levado a cabo maioritariamente por políticas
de combate a pobreza, visto que a falta de emprego está associada a pobreza, dado que em
termos gerais uma pessoa sem emprego e ao mesmo tempo desprovida de rendimentos torna-lhe
difícil custear necessidades básicas como alimentação, vestuário, habitação, saúde e educação. O
presente estudo toma a seguinte questão de partida:

Quais são as evidências de que o Fundo de Desenvolvimento Distrital viabilizou as


politicas publicas no distrito de Gorongosa no período de 2010 a 2013?

1.4. Hipóteses
Para se dar resposta à questão exposta no problema tomam se as seguintes hipóteses:

H1. O FDD é um instrumento concebido pelo governo central, cujo os seus objectivos
devem ser materializados para não comprometer os recursos para os fins por qual foram criados
e que no distrito de gorongosa reduziu os índices da pobreza absoluta, falta de emprego e garanta
do bem-estar da sociedade.
9

H2. O FDD aumenta ao longo do período em estudo, não deixou evidência da


dinamização das políticas públicas no distrito de gorongosa para a garantia de desenvolvimento
social.

1.5. Objecto e Delimitação do Estudo

O processo de alocação de fundos tendo em vista ao financiamento de projectos de


iniciativa privada aos distritos ganhou mas ênfase em 2006 com a institucionalização do
Orçamento de Investimento de Iniciativa Local (OILL), que mais tarde passou a designar – se
Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD) isto em 2009, como sendo instrumento ou
mecanismo de desenvolvimento das comunidades locais mediante a concessão de empréstimos
reembolsáveis.

No que tange ao objecto de estudo da presente monografia é o Distrito de Gorongosa no


intervalo de 2010 à 2013.

1.6. Justificativa e Relevância

O Fundo de Desenvolvimento Distrital faz parte do processo de transferências


intergovernamentais que suscita um debate teórico e tem sido privilegiado por vários autores,
agências nacionais e internacionais de desenvolvimento. É um orçamento pelo qual
Moçambicanos de diferentes regiões distritais do país podem ter acesso, criando deste modo
oportunidade para a criação de projectos de desenvolvimento local, aumento da renda familiar e
redução significativa da pobreza no seio das comunidades.

O interesse pelo tema surge pelo facto de a política de orçamentação tomando distrito
como base de planificação ter sido desenhada no reconhecimento de que este constitui um
instrumento adequado e que Gorongosa se beneficiou de ta fundo, pelo que em termos de
políticas públicas esperava-se os seu contributos volvidos bons anos após a concepção do
mesmo.
10

A escolha de estudo no contexto social e científico, se deve ao facto de haver necessidade


de perceber os grandes desafios a nível da gestão do FDD no distrito de gorongosa para a
dinamização de políticas públicas do governo.

Do ponto de vista científico/ académico constitui um avanço ou contribuição para a


compreensão da questão da descentralização, principalmente na parte dos fundos que têm sido
alocados ao nível central até ao nível distrital para o seu desenvolvimento.

O que as razoes de escolha do espaço de estudo, neste caso Gorongosa, se deve ao facto
de ser uma localização geográfica onde o autor ganha maior notoriedade com o local a
aproximação do local de estudo na qual permitiu o uso racional dos recursos, deve-se também
pelas potencialidades que o mesmo apresenta, principalmente em termos económicos e
geográficos.
11

CAPÍTULO II: ENQUADRAMENTO TEÓRICO

No presente capitulo, discutimos em torno das principais abordagens mais adequadas


para a construção de políticas sustentáveis capazes de garantir a análise do tema em estudo,
entretanto, garantimos o desenvolvimento estratégico para o mapeamento das linhas orientadoras
da pesquisa através das sustentáveis.

2.1. Enquadramento Teórico e Conceptual

Neste capítulo apresentamos a linha teórica de orientação do estudo, os conceitos


essenciais, a revisão da literatura relacionada com os aspectos sobre o processo de
desconcentração ou descentralização, apresentar-se-á o processo de descentralização e do
emprego em Moçambique, a definição da amostra, a estrutura do trabalho e as limitações do
estudo.

Para compreender a análise do Fundo de Desenvolvimento Distrital na criação de


Emprego e Renda para as comunidades do Distrito de Gorongosa, toma-se como base a teoria
Funcionalista.

Segundo Morreira (1997) o Funcionalismo preconiza a análise da articulação entre


diferentes actores e intervenientes na prossecução dos objectivos da organização. Os agentes
envolvidos no processo de tomada de decisão ao nível da organização devem interagir de acordo
com as regras existentes dentro da organização.

Tendo em conta este pressuposto, a descentralização administrativa ou desconcentração


em curso no país, que resulta das reformas implementadas visando essencialmente para resolver
os problemas que emergem aos níveis mais baixos da administração do Estado, principalmente
no meio rural onde habita a maior parte da população moçambicana.

A este respeito para Valá (2009, p. 15), o Fundo de Desenvolvimento Distrital é um


factor preponderante de mitigação e de capacidade de resposta numa perspectiva
desenvolvimentista, com ênfase para o meio rural.
12

Com base na perspectiva funcionalista, a desconcentração e a própria planificação


descentralizada contribuem de forma significativa para o desenvolvimento local o aumento da
capacidade de resposta do estado às diversas necessidades apresentadas aos níveis mais baixos
da sua administração.

De acordo com os objectivos deste estudo, torna - se indispensável a definição dos


seguintes conceitos: FDD, Emprego, Renda, Descentralização, Desenvolvimento,
Desenvolvimento local, Planificação Participativa, e Concelho Consultivo Distrital.

O Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD) é uma dotação orçamental de âmbito


distrital destinada a apoiar prioritariamente as pessoas pobres, economicamente activas, sem
possibilidade de acesso ao crédito no sistema financeiro formal. (CIP, 2011).

Fundamentando a compreensão do CIP, constatamos que de acordo com o Regulamento


do Fundo de Desenvolvimento Distrital, Capítulo I, artigo I, o FDD é uma instituição pública
dotada de personalidade jurídica, autonomia administrativa e financeira, funciona em cada
distrito do país junto do governo Distrital, assim, o Decreto nᵒ 90/2009 de 15 de Dezembro
concebe:

O Fundo de Desenvolvimento Distrital destina-se a captação e gestão de


recursos financeiros visando impulsionar o desenvolvimento e o
empreendedorismo na satisfação das necessidades básicas das comunidades
locais, mediante a concessão de empréstimos reembolsáveis.

Na óptica do INE (2006, p. 23) através do inquérito de força de trabalho IFTRAB, o


conceito Emprego está ligado a ocupação, que é definido como o conjunto de funções e tarefas
que desempenha um indivíduo no seu emprego ou local onde exerce a sua actividade económica,
independentemente do ramo de actividade.

Segundo Guimarães (2000), a discussão sobre a descentralização é um processo


complexo, multifacetado e geralmente gradual, estando presente em vários campos disciplinares.
No seu sentido lato, a descentralização é a transferência de funções, responsabilidades, e as vezes
do poder, dos escalões superiores do Estado para os escalões inferiores, dentro da cadeia de
governação.
13

Para Faria e Chichava (1999, p. 5) a descentralização pode ser definida como a


organização das actividades da administração central fora do aparelho do aparelho do governo
central, através de duas medidas: administrativas e fiscais que permitem a transferência de
responsabilidades e recursos para agentes criados pelos órgãos da administração central;
políticas que permitem a atribuição pelo governo central, poderes, responsabilidades e recursos
específicos para autoridades locais.

Neste caso, quando a descentralização não implica a definitiva transferência de


autoridade, o poder de decisão, recursos, funções e património, para os órgãos subordinados da
administração central, pode comprometer o desenvolvimento económico local.

Desenvolvimento é um processo complexo que engloba aspectos económicos,


sociológicos, psicológicos e políticos da vida em sociedade. Neste caso, a existência de
crescimento económico não conduz nem se confunde com o desenvolvimento, na medida em que
o ultimo exige a transformação profunda das estruturas económicas e sociais. Por seu turno, o
desenvolvimento deve ser entendido como um progresso económico da sociedade como um todo
(Diniz, 2006).

Segundo o MPD (2007), o desenvolvimento é um processo que consiste na transformação


do fraco em forte ou do improdutivo ao produtivo com vista a gerar progresso, crescimento e
expansão da economia. Por outras palavras pode-se entender o desenvolvimento como um
processo de melhoria das condições de vida, de trabalho, de lazer, em fim, do bem-estar das
comunidades que habitam uma determinada área.

De Carvalho Filho (1999) define desenvolvimento local como estratégia de valorização


das potencialidades locais que possam impulsionar um novo padrão de crescimento económico
dotado de sustentabilidade sócio ambiental.

Buarque (1997), citado por De Carvalho Filho (1999), afirma que o desenvolvimento
local é um processo endógeno de mobilização de energias sociais na implementação de
mudanças que contribuem para o aumento das oportunidades sociais e melhoramento das
condições de vida no plano local, com base nas potencialidades e no envolvimento da sociedade
nos processos decisórios.
14

Panificação participativa é o processo que consiste num envolvimento das comunidades


através de uma melhor articulação entre estas e o governo local nas iniciativas do
desenvolvimento local para corresponder as necessidades e prioridades da população tendo em
vista a solução dos seus problemas (MPD, 2009, p. 52).

A planificação participativa aproxima as opções de governação aos anseios mais


relevantes da população, bem como concretiza a apropriação e a fiscalização ou prestação de
contas por parte dos órgãos governativos. Aliás, é uma das formas mais directa na solução de
inúmeros problemas enfrentados na actualidade pelos Estados como Moçambique, na medida em
que aumenta o espaço de decisão local, potência em princípio um maior envolvimento dos
cidadãos e das forças vivas que residem em cada comunidade, na gestão e resolução dos
problemas de natureza local (Faria & Chichava, 1999).

De acordo com a lei n° 8/2003, de 19 de Maio, e o seu respectivo regulamento, Decreto n°


11/ 2005, de 10 de Junho, o Conselho Consultivo Distrital (CCD) é uma instituição de
participação e consulta comunitária de mais alto nível, que serve de espaço de diálogo e
deliberação sobre as prioridades locais de desenvolvimento, entre o povo e as autoridades do
governo local. Neste sentido, os CCD΄s são órgãos instituídos em cada distrito no âmbito da
planificação participativa com vista a inclusão das diversas vontades das comunidades locais,
para a prossecução dos objectivos de desenvolvimento local.

De toda esta revisão conceptual, apesar de uma e outra diferença na definição dos autores,
podemos concluir que o processo de descentralização do Fundo de desenvolvimento do distrito,
visa a apoiar prioritariamente pessoas pobres economicamente activas sem possibilidade se
acesso ao crédito no sistema financeiro formal, de maneiras com que as comunidades locais
promovam actividades económicas orientadas para a produção de comida, criação de emprego,
propiciando a captação de rendimentos, e gerando mudanças significativas na qualidade de vida
da mesma.
15

2.2. Concepção do Desenvolvimento local

A Concepção sobre o desenvolvimento local, atinge varias abordagens que possam


caracterizar mecanismos de crescimento social. Todavia, no contexto da pesquisa que levamos a
cabo, Albuquerque (1998, p. 65) compreende que “a incorporação de segmentos de população,
mediante o fomento de projectos e a geração de empregos em nível local de forma coerente com
as demandas reais insatisfeitas em matéria de alimentação, habitação, vestuário, meio ambiente,
qualidade de vida e outras ”, como acontece na estratégia do FDD constitui uma estratégia
credível no âmbito das politicas do campo social que visam dinamizar politicas de
desenvolvimento local.

Desta feita, podemos conceber que qualquer concepção do desenvolvimento local resulta
do crescimento económico acompanhado de melhoria na qualidade de vida incluindo as
alterações da composição do produto e a alocação de recursos pelos diferentes sectores da
economia, com intuito prevalecido para a melhoria dos indicadores de bem-estar económico e
social nomeadamente: pobreza, desemprego, desigualdade, condições de saúde, alimentação,
educação e alojamento que de certa forma participam directamente na vida dos cidadãos locais.

No contexto moçambicano, a questão do desenvolvimento local é também revestida de


vaporização das potencialidades do distrito através da concepção do distrito como pólo de
desenvolvimento motivando e mobilizando o investimento no distrito e mostrando as
oportunidades locais que devem ser exploradas.

Segundo (Franco, 1998 citado por Faria, 2011, p. 22), a questão da noção de
desenvolvimento local está implicitamente ligada à questão da sustentabilidade, pois para o autor
não basta crescer economicamente, é preciso aumentar os graus de acesso das pessoas ao
conhecimento, renda, a riqueza e ao poder ou capacidade de influenciar as decisões públicas que
ossam redui as desigualdades sociais.

Segundo PNUD (2014, p. 37) a desigualdade constitui uma ameaça considerável para o
desenvolvimento humano, sobretudo porque reflecte a desigualdade de oportunidades. Para além
de um certo limiar, prejudica o crescimento, a redução da pobreza e a qualidade da participação
16

social e política. A procura da maximização dos lucros, dirigida no sentido de obter uma fatia
maior do bolo em vez de aumentar o seu tamanho, distorce a afectação dos recursos e enfraquece
a economia. A desigualdade impede o desenvolvimento humano no futuro, reduzindo o
investimento nos serviços básicos e nos bens públicos, diminuindo a progressividade do sistema
fiscal e aumentando a perspectiva de instabilidade política. A desigualdade elevada entre grupos
não só é injusta, como também pode afectar o bem-estar e ameaçar a estabilidade política.
(PNUD 2014, p. 37).

2.3. Reformas Administrativas no Contexto do Fundo de desenvolvimento do Distrital.

As reformas políticas, económicas e sociais iniciadas em 1987, com o lançamento do


programa de reabilitação económica (PRE), traduzido por uma viragem na organização política,
económica, social e cultural da sociedade, para uma economia do mercado, têm exigido do
estado uma redefinição do seu papel, sobretudo por modelo económico em que a participação do
serviço privado passou a ter um papel relevante (Guambe, 2008, citado por Benzane, 2011).

Administração Pública herdada do sistema colonial caracterizava-se por uma estrutura


baseada no princípio da centralização, isto é na centralização da decisão administrativa aos
órgãos superiores da administração central colonial. Aliás com a independência, a natureza do
regime modificou-se substancialmente, do qual resultou a reforma de 1977, o aparelho do Estado
colonial, e criou um aparelho de Estado que adequa-se com as concepções políticas e
económicas para a construção de uma sociedade socialista e de democracia popular.

A descentralização no contexto Moçambicano é o processo através do qual a


administração assegura a participação dos cidadãos na governação ao nível local, com intuito de
que o poder de decisão aproxime cada vez mais o cidadão, o que torta possível a sua participação
na solução dos problemas de desenvolvimento ao nível da sua comunidade.

Como salienta Forquilha (2008), que a descentralização partiu da concepção segundo a


qual a transferência de responsabilidade, recursos, responsabilização e regras do governo central
às entidades locais alarga a base de participação dos cidadãos no processo de tomada de decisão
17

ao nível local, torna o Estado mais próximo dos cidadãos, impulsionando o desenvolvimento
local.

Em Moçambique a descentralização, ocorre em duas vertentes em simultâneo. Primeiro, a


descentralização que abrange as autarquias locais como as entidades públicas, com personalidade
jurídica própria distinta do estado, dotado de autonomia administrativa, financeira e patrimonial
(Lei n° 2/97, de 18 de Fevereiro).

Segundo, a descentralização que abrange os Órgãos locais do Estado nos níveis


provinciais, distrital, posto administrativo, localidade e de povoação, dotados de consequências
próprias na tomada de decisões de natureza local e abrindo espaço de participação das
comunidades no desenvolvimento local através do envolvimento dos seus líderes no processo de
governação e da institucionalização dos Conselhos Consultivos Locais (Lei n° 8/2003, de 19 de
Maio).

Entretanto, pretende-se com a descentralização uma maior mobilização de recursos


disponíveis, promovendo que a tomada de decisões seja mais próxima da realidade e, de
preferência com o envolvimento da população que tais decisões lhes dizem respeito. Ora
Canhanga (2007) sustenta que o sucesso do processo de descentralização passa pela definição de
instituições que orientam os procedimentos adequados para a participação, planificação e
orçamentação participativa, assim como a inclusão dos diferentes actores locais na gestão da
coisa pública.

No que concerne à criação de emprego, o governo Moçambicano adoptou um quadro


institucional devidamente clarificado como o caso da Lei de Trabalho, a Estratégia de Emprego e
Formação Profissional, que visam gerar crescimento e emprego, bem como distribuir
equitativamente os seus beneficiários até as comunidades locais. Quanto mais pessoas tiverem
emprego e gerarem renda, menos são aqueles que o desenvolvimento económico deixa para
atrás, por outro lado, quanto mais elevado for o teor em conhecimento do emprego, capacitados e
competentes, maior será o valor acrescentado do trabalho de cada um, ou seja, aquilo a que os
economistas chamam de produtividade (Bungueia, 2008, citado por Rossana , 2011).
18

2.4. Descentralização em Moçambique

No final da década de 80 e princípios dos anos 90 abriu-se uma nova página da história da
humanidade. Este período caracterizou-se pelo fim da Guerra- Fria que conduziu à queda dos
regimes de planificação centralizada da Europa do leste e consequente predomínio da ideologia
liberal do ocidente (Carothers, 2007).

Desde a independência nacional alcançada em 1975, Moçambique iniciou em princípios dos


anos 90 com o programa de reforma dos órgãos locais (PROL), um processo de descentralização,
tido como parte integrante de um conjunto de reformas políticas, económicas e administrativas,
iniciadas desde os anos 80 (Faria & Chichava: 1999). De acordo com Rosário (2011) o objectivo
destas reformas tinha a ver com a reformulação do sistema administrativo centralizado, pouco
eficiente e desequilibrado. Como refere Rosário (idem), a primeira fase do projecto de
descentralização começa em 1994, marcada pela aprovação da Lei n° 3/94, de 13 de Setembro,
que cria os distritos municipais. Entretanto, antes que este projecto tivesse avançado para a sua
concretização, abriu - se uma nova fase em 1996, com a lei n° 9/96, de 22 de Novembro, que de
acordo com (Faria & Chichava: 1999) viria a estabelecer o actual quadro legal do poder local e
conduzir à sua aprovação em 1997, a lei n°2/97, de 18 de Fevereiro, sobre as autarquias locais e
que revoga a Lei n° 3/94, de 13 de Setembro.

As reformas do processo de descentralização em Moçambique foram essencialmente


marcadas por um processo de transferência ou devolução de competências, recursos, funções ou
atribuições do nível central para os níveis locais, concretamente nas administrações distritais e
municipais.

Enquadrando este todo conjunto de reformas de carácter político, económico e social


desenvolvidas em Moçambique desde os princípios dos anos 90, o processo de descentralização,
de acordo com Canhanga (2009), é do reconhecimento de que as instituições locais estão na
melhor posição para escolher um conjunto de prioridades públicas que correspondam às
demandas das populações locais e de decidirem sobre o volume de oferta de certos bens e
serviços públicos que tem um efeito sobre o país como um todo e que tem maior capacidade na
19

definição de prioridades que viabilizam o arranque e rápido alcance dos resultados esperados no
processo de desenvolvimento.

Assim, o Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD)é considerado um instrumento


necessário, que vai ao encontro dos anseios das populações, uma vez que permite cada vez mais
maior envolvimento das populações na alocação de fundos para a implantação de actividades de
produção e comercialização de alimentos, criação de postos de trabalho, permanentes ou
sazonais, assegurando a geração de rendimento.

Fundo de Desenvolvimento Local e o Emprego em Moçambique


Nos últimos dez anos, Moçambique tem registado elevadas taxas de crescimento
económico, como resultado da estabilidade política, adopção de reformas e politicas económicas
favoráveis, a reintegração nos mercados regionais e internacionais, o influxo de capitais
estrangeiros, atraídos em parte pelo clima de estabilidade macroeconómica e potencialidade de
recursos existentes no país.

A Estratégia de Emprego e Formação Profissional em Moçambique (2006-2015) revela


que a grande maioria da população moçambicana vive ainda abaixo do limiar da pobreza, ao
abrigo duma economia informal que assume enorme expressão e importância na sociedade
moçambicana. Face a esta situação, a estratégia reconhece a necessidade de se desencadear e
desenhar estratégias de criação de pequenos negócios no seio das comunidades locais.

O governo, através do PQG (2015-2019), pretende promover o emprego e melhorar a


produtividade e a compectividade, isto é, aumento do emprego e da produção bem como da
melhoria da compectividade da economia nacional e das empresas, impulsionada pela agricultura
orientada para o mercado, com forte envolvimento do sector familiar e privado visando a geração
de emprego e da renda, a garantia da segurança alimentar e nutricional, a provisão de matéria-
prima para a industria nacional e geração de excedentes para a exportação.
20

CAPÍTULO III: OPÇÕES METODOLÓGICAS

Qualquer trabalho científico é orientado por princípios que possibilitam o alcance dos
objectivos pré-definidos, e a metodologia é um instrumento fundamental na orientação do
trabalho do género. Portanto neste capítulo apresentamos o conjunto de procedimentos
metodológicos que tornaram possível a elaboração do presente estudo desde o método de
abordagem, método de procedimento, técnica de recolha de dados, e o tipo de pesquisa.

3.1. Método de Abordagem


Este estudo orientou-se pelo método dedutivo. Segundo Marconi & Lakatos (2009) a
dedução é um processo mental por intermédio do qual, partindo de dados gerais, suficientemente
constatados, infere-se uma verdade particular. Por tanto, todo argumento dedutivo, reformula ou
enuncia de modo explícito a informação contida nas partes examinadas, isto é aproximação dos
factos. Neste âmbito, o pesquisador fez analise o contexto de gorongosa fazendo com que haja
maior dinamismo na construção de um perfil adequado ao estudo para que a nossa abordagem
fosse ao encontro da realidade a que se pretendeu desenvolver no seu todo.

3.2. Metodologia

Qualquer trabalho científico é orientado por princípios que possibilitam o alcance dos objectivos
pré-definidos, e a metodologia é um instrumento fundamental na orientação do trabalho do
género. Portanto neste capítulo apresentamos o conjunto de procedimentos metodológicos que
tornaram possível a elaboração do presente estudo desde o método de abordagem, método de
procedimento, técnica de recolha de dados, e o tipo de pesquisa. É neste âmbito que o contexto
da pesquisa baseia-se em metodologias mais apuradas para o estudo que se caracteriza neste
contexto.

Método de Abordagem
Este estudo orientou-se pelo método dedutivo. Segundo Marconi & Lakatos (2009) a
dedução é um processo mental por intermédio do qual, partindo de dados gerais, suficientemente
constatados, infere-se uma verdade particular. Por tanto, todo argumento dedutivo, reformula ou
enuncia de modo explícito a informação contida nas partes examinadas, isto é aproximação dos
21

fenómenos caminha geralmente para planos cada vez mais abrangentes, indo das constatações
mais particulares.

Neste âmbito, o estudo baseou-se a construção teórica de uma realidade vigente no


distrito de Gorongosa visando analisar elementos mais genéricos para aplicar no contexto
específico da construção social para o desenvolvimento local.

3.3. Método de Procedimento


A pesquisa procedeu-se com base no método Monográfico, que consiste no estudo de
determinados indivíduos, profissões, condições, instituições, grupos ou comunidades, com a
finalidade de obter generalizações. A sua investigação deve se ter em conta a examinar o tema
escolhido, observando todos os factores que o influenciam e analisando-o em todos os seus
aspectos.

Neste contexto, as abordagens específicas de desenvolvimento do presente estudo,


enquadra-se numa dimensão generalizada através de um procedimento genérico. No entanto, a
pesquisa quanto ao procedimento, baseou-se na credenciação do estudante através da
Universidade Católica de Moçambique que devia ser apresentada na secretaria distrital de
Gorongosa, assim, estas actividades, também foram desencadeadas através de indicação ao
Gabinete do Administrador que posteriormente foi iniciado uma comissão de trabalho referente
ao conselho consultivo para responder o guião de entrevista que foi submetido antecipadamente
a data da recolha das questões. Após a recolha de dados, passou-se para a fase de análise e
interpretação das respostas.

3.4. Técnica de Recolha de Dados


Conforme Lakatos e Marconi (1999, p. 41) cada método implica o emprego de várias
técnicas. Assim, o presente trabalho foi também realizado com base na conjugação de algumas
técnicas de pesquisa, nomeadamente a documental, a entrevista dirigida, o questionário e a
observação sistemática directa.

A técnica documental é referente ao recurso às fontes primárias e fontes secundárias,


sendo que das primárias fazem parte os arquivos públicos e particulares, as estatísticas oficiais,
censos, etc. As secundárias englobam as obras e trabalhos elaborados, jornais, revistas e outros
22

(Lakatos e Marconi, 1999, p. 40). Neste âmbito, o autor recorreu aos livros, documentos da
administração e finalmente levantamento de dados estatísticos através de entrevista e inquerito
junto do conselho consultivo.

Para a operacionalização deste trabalho recorreu-se como fontes primárias, aos informes
e relatórios do governo Distrital e provincial sobre o processo de desconcentração do FDD; os
estudos, relatórios e informes de grupos da sociedade civil sobre a matéria tanto a nível local
como a nível nacional. Também constituíram parte deste grupo documentos estatísticos sobre os
índices de emprego e desemprego em Moçambique, e instrumentos programáticos de políticas
públicas em Moçambique.

Como fontes secundárias, seleccionou-se obras pertinentes de vários autores que retratam
sobre a problemática do FDD.

Por sua vez a entrevista dirigida aos funcionários, residentes, membros do CCD/CCL,
após a elaboração do questionário que visa o levantamento de dados através de perguntas
escritas, cujas respostas serão fornecidas pelo pesquisado com contacto directo com o
investigador. Neste contexto arrolamos os funcionários do governo distrital, os membros do
conselho consultivo distrital, beneficiários do FDD, líderes comunitários e residentes de
gorongosa.

3.5. Método de Estudo de Caso

Para a realização desse estudo optámos pelo método de estudo de caso. Ele serve para
responder questionamentos que o pesquisador não tem muito controlo sobre o fenómeno
estudado, ou ainda, para realizar aproximações exploratórias, considerando a falta de estudos
empíricos numa determinada área de pesquisa. Para Yin (2001), o estudo de caso é uma
estratégia de pesquisa que compreende um método que abrange tudo em abordagens específicas
de colectas e análise de dados. Frisar que o método de estudo de caso é útil quando o fenómeno a
ser estudado é amplo e complexo e não pode ser estudado fora do contexto onde ocorre
naturalmente.
23

No nosso caso, o estudo de caso seleccionado busca determinar ou testar uma teoria, e
tem como uma das fontes de informações mais importantes, a entrevista.

O método de estudo de caso, segundo Coutinho e Chaves (2002), apresenta as seguintes


características básicas: é “um sistema limitado” e tem fronteiras “em termos de tempo, eventos
ou processos” e que “nem sempre são claras e precisas”; A investigação decorre em ambiente
natural; O investigador recorre a fontes múltiplas de dados e a métodos de recolha diversificados:
observações directas e indirectas, entrevistas, questionários, narrativas, registos de áudio e vídeo,
diários, cartas, documentos, entre outro (Coutinho & Chaves, 2002, p. 224).

As características acima descritas serviram de base para a escolha deste método. Pois o
método de estudo de caso, pelo facto de permitir uma análise analítica e empírica, permitiu-nos
estudar, em profundidade, a política das instituições de Estado especificamente na secretaria do
distrito de Gorongosa, em torno da do impacto do FDD no distrito.

3.6. Tipo de Pesquisa.


O presente estudo tomou como base a pesquisa qualitativa que segundo Mattar (2001)
citado por De Oliveira (2011) esta busca a validação das hipóteses mediante a utilização de
dados estruturados, estatísticos, com análise de um grande número de casos representativos,
recomendando um curso final de acção. Ela quantifica os dados e generaliza os resultados da
amostra para os interessados. Neste âmbito, em termos de aplicação do tipo de pesquisa, foi
reservado para o levantamento de dados estatísticos ao nível dos beneficiários do Fundo de
desenvolvimento local no distrito de gorongosa.
24

CAPÍTULO IV: ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Neste capítulo apresentamos os objectivos do FDD e a descrição do objecto de estudo,


procede-se com as orientações metodológicas do FDD, são ainda apresentados, papel do
Conselho Consultivo Distrital no processo de gestão do FDD, os critérios de selecção e
aprovação dos projectos, para o efeito pretende-se avaliar outrossim o nível de transparência na
gestão destes elementos visando avaliar mecanismos mais adequados que sustentam a
incorporação de outros elementos para efectivar a análise do impacto desta matéria.

4.1. Caracterização do Local de Estudo.

Gorongosa é um distrito da província de Sofala, em Moçambique, com sede na vila


de Gorongosa. Tem limite, a norte e oeste com o distrito de Macossa, a sudoeste com o distrito
de Gondola (Distritos da província de Manica), a sul com o distrito de Nhamatanda, a leste com
os distritos de Muanza e Cheringoma, e a nordeste com o distrito de Maringué. Até 1975 o
distrito constituía uma circunscrição administrativa.

De acordo com o Censo de 1997, o distrito tem 77 877 habitantes e uma área de 7 659 km²,
daqui resultando uma densidade populacional de 10,2 h/km². O distrito está dividido em três
postos administrativos (Gorongosa, Nhamadzi e Vunduzi), compostos pelas seguintes
localidades:

 Posto Administractivo de Gorongosa:


 Vila de Gorongosa
 Pungué
 Tambarara
 Posto Administrativo de Nhamadzi:
 Nhamadzi
 Posto Administractivo de Vunduzi:
 Vunduzi
25

4.2. Caracterização dos Objectivos do Fundo de Desenvolvimento Distrital

Neste item, torna-se imperativo analisar impacto do fundo de desenvolvimento o distrito para
medir se de facto os objectivos que foram traçados foram objecto de integração social com vista
a desencadear uma alternativa mais adequada para medir o impacto que o mesmo representou no
distrito. Portanto, no âmbito das políticas públicas, o Fundo de Desenvolvimento do Distrito
tendia alcançar seguintes objectivos:

 Financiar acções que visam estimular o empreendedorismo, a nível local, de pessoas


pobres mas economicamente activas e que não tem acesso ao crédito bancário;

 Financiar actividades de produção e comercialização de alimentos, criação de postos de


trabalho, permanentes ou sazonais, assegurando a geração de rendimento;

 Financiar outras acções que visem melhorar as condições de vida, relacionadas com as
actividades económicas e produtivas das comunidades.

4.3. Descrição do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Distrito (2009-2013)

O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Distrito de Gorongosa esta assente


essencialmente na reforma das políticas que podem garantir o desenvolvimento ao nível do
distrito baseados na perspectiva da sustentabilidade social. Quanto a sua operacionalização,
recorre as estratégias dos programas económicos e sociais (PES), projectos de investimentos,
orçamentos anuais, investimento privado e também através de iniciativas comunitárias.

Assim, o PEDD é um instrumento orientador do sistema de planificação, que aponta para


o que deve ser feito, onde, quando fazer, como fazer, e coordena os vários intervenientes,
determinando as prioridades na mobilização e afectação de recursos. Os níveis de pobreza da
população do distrito de Gorongosa e a necessidade de uso racional dos recursos disponíveis de
forma a promover o desenvolvimento local, que possa elevar a qualidade de vida dos cidadãos
locais e participação no contexto geral.
26

A participação dos diferentes actores locais, nomeadamente, o governo, as confissões


religiosas, os partidos políticos, as associações produtivas, o sector privado, organizações não
governamentais (ONG's) e as comunidades através dos seus conselhos locais para a sua
elaboração, constituirão um indicativo da aposta em mudar as condições socioeconómicas do
distrito em todos os aspectos, para o bem-estar das comunidades, e oferece uma certeza no
aproveitamento das oportunidades e no reconhecimento da disposição das ameaças, prometendo
uma consistência aos futuros planos operacionais que estarão inspirados neste documento.

É deste modo que o surge como uma necessidade para as pretensões do distrito, e não só,
de desenvolvimento a longo prazo, constituindo-se como um vector que permite uma abordagem
unidireccional através da uniformidade dos objectivos aqui patentes, e que são produto de um
consenso dos principais actores nas acções de desenvolvimento do distrito. O principal objectivo
deste instrumento é a integração de todos sectores de desenvolvimento social, económico e
institucional de modo a se alcançar um desenvolvimento integrado, através do aproveitamento
racional dos recursos existentes no distrito.

4.5. Contextos Metodológicos do Fundo de Desenvolvimento Distrital

Para analisar o contexto de orientações metodológicas do fundo de desenvolvimento do


distrito, recorreu-se uma análise dos resultados de qualificação criteriosa através do Ministério
das Finanças (MF) e o Ministério da Planificação e Desenvolvimento (MPD) produziram em
conjunto instrumentos de orientações metodológicas com vista a utilização deste fundo. No
âmbito do seu lançamento, definiu-se que a sua execução compete aos governos distritais com
vista a sua aplicação em actividades de pequeno e médio porte, de impacto imediato junto às
populações locais.

Em Moçambique o fim último do processo de desconcentração de recursos é o combate a


pobreza e promoção do desenvolvimento económico. Uma das estratégias de combate a pobreza
é desenhar programas que alcancem os segmentos das populações mais pobres e mais
vulneráveis (DNEAP, 2007).
27

Com base neste pressuposto, a essência das orientações metodológicas adverte que a
concessão do FDD deve ser feita com base numa consulta desenvolvida ao nível da base, isto é,
deve ser feita aos fóruns locais. Uma vez feita a consulta ao nível dos fóruns locais, os resultados
são canalizados aos concelhos consultivos locais das respectivas localidades, seguidos dos postos
administrativos, cujo em cada um destes órgãos de debate, as propostas dos projectos são
discutidos e apreciados, finalmente são canalizados para o os concelhos consultivos distritais
onde para além de discussão serão aprovados.

No que se refere a difusão das orientações necessárias alusivas as metodologias em


conformidade com as orientações conjuntas do MF e MPD o fundem de desenvolvimento
distrital devem ser investida em actividades de promoção de desenvolvimento económico local
com impacto no quadro de combate à pobreza e em sintonia com os planos estratégicos de
desenvolvimento do distrito.

São prioritários os projectos de produção e comercialização agro-pecuária; pesca;


piscicultura; pequena indústria; agro-indústria e pequenos sistemas de processamento; turismo
rural; comércio.

São elegíveis projectos comunitários propostos por associações, grupos sociais


organizados e outras formas sociais de base comunitária reconhecidas pelo governo do distrito.
Os fundos são aplicados para a aquisição de bens de capital a serem usados como meios para a
promoção das actividades económicas das comunidades. Os fundos não são aplicados para o
pagamento de salários, bolsas de estudo, reuniões, seminários, workshops, e outros custos
correntes.

Considera - se projectos de geração de emprego todas iniciativas que concorrem para a


criação de empregos sazonais e/ou permanentes, postos de trabalho e elevação da renda dos
indivíduos, das famílias, das associações e das pequenas empresas locais. Estes projectos devem
simultaneamente estimular o empreendedorismo, geração de rendimento e criação de emprego e
de postos de trabalho sustentáveis para a população local.
28

4.6. Conselhos Consultivos no distrito de Gorongosa na Gestão Locais Fundo de


Desenvolvimento Distrital
Os Conselhos Consultivos Locais são órgãos de consulta que representam as
comunidades, e que transportam informação dos problemas das comunidades, e que por sua vez
estes problemas são canalizados ao governo. Estes devem prestar contas as comunidades sobre a
gestão do FDD e todo o processo desde a aprovação dos projectos no distrito, incluindo as razões
dessas concessões, a apresentação pública dos beneficiários e os valores a estes concedidos,
segundo deu a entender o entrevistado.

Os CCL sendo a representação das comunidades detêm um papel preponderante na


identificação e definição de prioridades ao nível local, são o elo de ligação entre o governo e as
comunidades locais. No que concerne à constituição dos membros do CCL, desde o nível da
Localidade, Posto Administrativo e do Distrito totalizam 70 membros que envolvem os líderes
tradicionais de todos postos administrativos assim como maior parte da presença dos
funcionários adequados nos ditames da sustentabilidade e equilíbrio, fazendo com que haja
governação participativa.

No distrito de Gorongosa, existe uma equipa técnica distrital (ETD) que tem a função de
assegurar o funcionamento normal das actividades do FDD, devendo elaborar e submeter à
aprovação do Conselho Consultivo Distrital o programa anual de actividades e o respectivo
orçamento; analisar, avaliar e emitir parecer sobre os pedidos de financiamento e submetendo-as
à aprovação do Conselho Consultivo Distrital; assegurar a gestão administrativa, financeira e
técnica do FDD; organizar os processos e cadastro dos beneficiários e; elaborar e submeter à
aprovação do Conselho Consultivo Distrital os relatórios de actividades e de contas, ao abrigo do
n° 3 do artigo 11 do decreto 90/2009 de 15 de Dezembro de 2009.

Neste contexto, a ETD de Gorongosa encontra-se dentro do CCD e que por sua vez esta
em colaboração com alguns técnicos do sector da repartição e finanças fazem o processo de
monitoria, visto que o CCD é que aprova os projectos no seu todo.

A ETD de Gorongosa enfrentaram serias dificuldades na execução das suas funções,


primeiro pelo número reduzido de técnicos que trabalham directamente com a gestão do FDD e
outros instrumentos de planificação e desenvolvimento local, segundo pela exiguidade dos
29

fundos, falta de transporte e meios para monitoria dos projectos em implementação, falta de
capacitação em matérias de gestão de micro projectos virados para o desenvolvimento local.

No entanto, apesar das dificuldades que a ETD enfrenta desde 2013, há uma tendência
positiva, na medida em que a mesma tem-se integrado melhor na gestão do FDD, elaborando
controlos de empréstimo; fichas de identificação dos projectos; fichas de análise dos projectos;
fichas de acompanhamento dos projectos e; fichas de resumo/ progresso de projectos.

4.7. Critérios de selecção e aprovação dos projectos e transparência


No que tange ao critério de selecção e aprovação dos projectos a serem financiados, no
distrito de Gorongosa foi através de avaliação de projectos elaborados pelos candidatos que
participaram nas formações de capacitação para elaboração de projectos de negócio e que os
projectos financiados foram os que mostraram capacidade de geração de emprego e
sustentabilidade económica. No que se refere a transparência do processo de gestão dos projectos
no acto de financiamento, constatamos que existiu uma avaliação necessária para que haja o
desenvolvimento de politicas que garantissem a transparência dentre eles a verificação o mérito e
que estes resultados não nos dão bons olhos na qualidade de investigadores pois os projectos
financiados não demonstraram a sustentabilidade visto que ainda prevalecem incumprimentos
nos desembolsos.

4.8. Critérios de Transparência na Contratação de crédito no Distrito de Gorongosa.

Para a concepção de credito, o conselho consultivo no distrito de Gorongosa, baseava-se


na experiência conquistada pelo analista de crédito, conhecimento técnico, bom senso e na
disponibilidade de informações (internas e externas) que dê em condições de diagnóstico da
idoneidade e capacidade de honrar o pagamento da divida. E Processo de análise de crédito para
pessoas físicas englobava fases da análise de crédito que possibilitem aos credores a realização
de uma análise minuciosa de risco em concessão de financiamento.

Análise cadastral consistiu na avaliacao do cliente sobre os dados como: Escolaridade,


Estado civil, Idade, Idoneidade, Moradia (se própria ou alugada e tempo de residência),Numero
de dependentes, Renda (principal e complementar), Situação legal dos documentos, Tempo no
30

actual emprego ou actividade exercida ou sustentabilidade de trabalho que esteve associada a


analise de idoneidade que consiste no levantamento e análise de informações relacionadas a
idoneidade do cliente com credor e mercado de crédito.

Análise de relacionamento que para Santos (2003, p.18), diz que baseia-se em
informações extraídas do histórico de relacionamento do cliente com o credor e mercado de
crédito. No caso do histórico de relacionamento com o credor, os analistas colectam informações
relacionadas aos financiamentos e limites de crédito (medias extraídas de valores aprovados,
índices de utilização, frequência de utilização, taxa de juros, etc.), garantias vinculadas e
pontualidade na amortização que foi elemento determinante de analisar a viabilidade do projecto
financiado.

Análise do negócio Para este assunto Santos, (2003, p. 21) explica que quando as pessoas
físicas têm suas rendas extraídas de actividade empresarial, liberal ou autónoma, os analistas de
crédito devem colectar informações (cadastrais, de idoneidade e financeiras) no negócio e de
seus gestores. Além de informações já destacadas para a análise de crédito de pessoas físicas,
devem conhecer detalhadamente o risco do negócio quanto a idade, administração, carteira de
clientes, carteira de fornecedores, concorrência, riscos sistemáticos, situação contábil.

Garantias de crédito Santos (2003, citado pelo Pinto e Martins, 2006, p. 2) diz que
garantia são a vinculação de um bem ou de uma responsabilidade conversível em numerário que
assegure a quitação do crédito. O principal objectivo da garantia é evitar que factores
imprevisíveis não permitam a liquidação da dívida. Esses factores podem ser tanto de origem
externa à actividade do cliente (política fiscal, monetária, creditícia, cambial, etc.), problemas
climáticos ou acidentais. Para mesmo autor nenhum financiamento deve ser concedido tendo
como base a garantia, mas sim a capacidade de pagamento do cliente, objectivando em sua visão
que não será necessário utilizar a garantia para liquidar o crédito.
31

4.9. Impacto Socioeconómico do FDD em Distrito de Gorongosa

O contexto da análise sobre o impacto sócio-económico do FDD no distrito de


Gorongosa no período de 2010-2013, analisamos as variáveis como: o volume de financiamento
concedido, o grau de avaliação dos financiamentos relativamente ao que estava planificado, a
gestão do fundo em ambos sexos, transparência do processo e sustentabilidade dos projectos
financiados.

Durante o período em análise constatou-se que há variação nas despesas do valor do


financiamento do FDD, bem como no reembolso, e nos postos de emprego criados, nota-se que
os homens são os mais beneficiados no total de 194, em detrimento das mulheres que são 90.

No contexto analítico da realidade, constatamos que os dados do campo permitiram


constatar que divulgação do FDD ao nível do distrito de Gorongosa baseava-se no treinamento
na medida em que os técnicos da ETD poucas vezes se deslocam para o campo a fim de divulgar
os procedimentos do FDD junto das comunidades pela falta de recursos de locomoção, falta de
recursos financeiros para cobrir tal actividade. Estas acções são desencadeadas de forma
esporádica, durante as visitas de trabalho efectuadas pelas autoridades administrativas e
partidárias. Neste âmbito, constatamos que ao nível da sustentabilidade dos projectos
financiados, não oferecem maior sustentabilidade pois os mesmos não previam a demonstração
orçamental pode-se garantir a solidez financeira capaz de participar no desenvolvimento
socioeconómico de longa duração.
32

CAPÍTULO V: CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

No presente capítulo, procuramos analisar mecanismos de desenvolvimento das


conclusões e considerações finais em função de valoração das principais realidades que
consistem em analisar os mecanismos conclusivos e recomendações para que haja tendências que
possam vincular o melhoramento de funcionamento de gestão dos fundos institucionais.

5.1. Conclusões
No âmbito da pesquisa, procuramos responder a questão que possa demonstrar as
evidencias que possam sustentar quais são as evidências que o Fundo de Desenvolvimento
Distrital viabilizou as politicas publicas no distrito de Gorongosa no período de 2010 a 2013.
Neste âmbito avaliamos os níveis de participação da comunidade local nos processos de tomada
de decisão sobre a gestão do FDD, pode reforçar a capacidade dos órgãos locais do Estado. Por
conseguinte, concluímos que o Fundo de Desenvolvimento do Distrito melhorou os níveis de
emprego e renda das comunidades do distrito no período de 2010-2013, no que se refere aos
indicadores de desenvolvimento. O estudo constatou que a participação das comunidades locais
nos processos de tomada de decisão sobre a gestão do FDD é fraca ou quase inexistente.

No âmbito da transparência, constatamos que os resultados do campo permitiram


constatar que o processo de prestação de contas feito pelo Conselho consultivo Distrital, através
do Conselho Consultivo Local à luz dos entrevistados não obedece o sigilo profissional e
mecanismos de gestão da transparência.

Por fim constatamos que as dificuldades inerentes a concepção das orientações


metodológicas formalmente instituídas para garantir a gestão do FDD, desde o desembolso até ao
reembolso, a fraca capacidade institucional e técnica de todos actores envolvidos no processo
(CCD, CCL, ETD), podem a dado momento, de certa forma comprometer a materialização do
processo de desenvolvimento local. Por fim constatamos que o distrito não fez o devido
acompanhamento dos projectos financiados pois existe um deficit de solidez financeira que devia
ser considerado instrumento de desenvolvimento do distrito, o que nos leva a repensar sobre
mecanismos de transparência do processo no momento de contratação do financiamento.
33

5.2. Recomendações
 Treinar a comunidade em matéria de projecção financeira

 Acompanhar a comunidade no desenvolvimento de projectos sustentáveis e de


sustentabilidade ambiental

 Garantir o financiamento de projectos sustentáveis com solidez financeira para que haja
maior capacidade de reembolsos financeiros.
34

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