Jesus e a ética do reino
A ética de Jesus tem sido descrita como ética do reino de Deus. Ele referiu-se à
sua igreja somente duas vezes ( Mt 16.18 e 18.17) e ao reino mais do que 70 vezes. O
seu evangelho é definido por ele como o Evangelho do Reino, (Mt 4.23) e quase todas
as suas parábolas têm a ver com o tema do reino.
O reino de Deus na pregação de Jesus, assumiu um caráter espiritual que
destoava daquilo que esperavam os seus contemporâneos. Obviamente, os valores do
reino têm implicações políticas, econômicas e sociais, mas o reino pleno de Deus
representa ainda uma utopia ( algo que ainda não encontrou o seu lugar de efetivação
na realidade concreta) prenunciada e prefigurada na vida do povo de Deus, mas não
efetiva e concretamente localizada.
Na mensagem cristã, a ética do reino deve ser a vivência prática daqueles que
desejam com vontade inovadora transformar a realidade alcançando cada vez mais
pessoas com a aceitação da mensagem do evangelho, o qual é a porta de entrada
para o reino escatológico. Portanto, a ética de Jesus pode ser considerada
contemporâneo-escatológica visto que, para ele, seus seguidores vivem no âmbito do
reino, é a ética dos filhos do reino, em sua plenitude, e por isso estão inteiramente
comprometidos com os propósitos de Deus aqui na terra.
O reino, portanto, apresenta-se em dois aspectos: o pessoal e o comunitário.
Enquanto realidade pessoal, o reino reflete a relação existencial entre o indivíduo
crente e o seu Deus, a quem adora e serve. Na dimensão comunitária, o reino reflete-
se no mundo por meio da igreja, povo de Deus, constituído de todos aqueles que se
reúnem em torno do mesmo propósito de adorarem e servirem ao mesmo Deus e Rei.