Beatriz Regina Pires Zaragoza: Professora Autora/conteudista
Beatriz Regina Pires Zaragoza: Professora Autora/conteudista
SUMÁRIO
Introdução: conceito da era pré-histórica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
Arte pré-histórica e arte antiga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
As sociedades primitivas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
A arte da Grécia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
A Grécia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
História da arte grega . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
A arte de Roma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
Arte bizantina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
A Igreja de Santa Sofia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
Considerações finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77
Glossário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78
Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79
A princípio, a arte pré-histórica oferece registros de ter existido aproximadamente de 40 000 a.C.
até 4 000 a.C., na era do Paleolítico Superior. No entanto, há evidências de atividades artísticas que
datam de 500 000 a.C., realizadas pelo Homo erectus. A partir do Paleolítico Superior, perpassando
o Mesolítico, pinturas rupestres e artes portáteis como estatuetas e contas predominaram, com a
prevalência de figuras e ornamentos decorativos, também aplicados em alguns objetos utilitários. No
Período Neolítico emerge desde o princípio a arte cerâmica, assim como a escultura e a construção
de megálitos (estruturas de pedra construídas à mão, sem nenhum auxílio de instrumentos); a arte
rupestre precoce também surgiu pela primeira vez no Período Neolítico.
O advento da metalurgia, na Idade do Bronze, trouxe meios adicionais disponíveis para uso na
produção de arte, com um aumento da diversidade estilística e da criação de objetos que não têm
qualquer função óbvia, a não ser expressar uma manifestação artística. Esse período também
registra o desenvolvimento em algumas áreas de artesanato, praticado por uma classe de pessoas
especializadas na produção desse tipo de arte, bem como um sistema inicial de escrita. Com a
emergência da Idade do Ferro, civilizações com processos rudimentares de escrita já tinham surgido
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no Egito Antigo e na China Antiga. Muitos povos indígenas em todo o mundo continuaram a produzir
trabalhos artísticos distintos e característicos de determinada cultura e área geográfica – com
traços da arte pré-histórica –, cujos registros se tornaram possíveis com o advento do comércio e
do mercantilismo, que procuravam por esses objetos para a realização de seus negócios. Algumas
culturas antigas, nomeadamente a civilização maia, desenvolveram obras e manifestações típicas
de arte, de forma autóctone, durante o período em que esses tipos de povoamento floresceram
– em seguida, porém, essas obras se perderam por falta de registro. Essas culturas podem ser
classificadas como pré-históricas, especialmente porque os seus sistemas de escrita até hoje não
foram decifrados. A seguir, na figura 1, alguns exemplos de arte pré-histórica:
Pintura rupestre encontrada em Villa Traful, Argentina; (B) As bordas desse bisonte sensacional da
caverna de Altamira são feitas com manganês preto e coloridas com ocre e vermelho; algumas partes
parecem esculpidas, e destaca-se o rosto humanoide do animal. Fontes: <[Link]
img/fotos/SRVarios_7.jpg>; <[Link]
Se analisarmos arte como algo feito pelo homem, teremos como exemplos atuais diversas
edificações que se transformaram em residenciais ou públicas, museus, templos etc. A história da
arte se utiliza de várias áreas do conhecimento e por isso é considerada uma ciência multidisciplinar
que estuda a arte através do tempo, levando em consideração as diferentes culturas e o momento
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histórico no qual a arte acontece. É na Idade da Pedra (Paleolítico Superior, Mesolítico e Neolítico)
que se pode analisar os primeiros artefatos tangíveis. Durante o Período Neolítico, o homem deixa
de ser nômade e consequentemente começa a agricultura: o sedentarismo foi necessário para que
o homem pudesse usufruir dessa nova prática.
No século XX, a humanidade começou a olhar para a arte de uma forma mais preservativa, e os
estudos e a difusão dessas obras passaram a ser protegidos. Para tanto, surgiram instituições, museus,
galerias e fundações na iniciativa privada e na pública com a finalidade de preservar e catalogar
as obras, levando-as à exibição pública. A Unesco, por meio da criação de listas do Patrimônio
Mundial, apoia a conservação de monumentos nos mais variados lugares, independentemente do
país em que se encontram.
SAIBA MAIS
O artigo a seguir apresenta a arte rupestre no Brasil e apontamentos de estudos da arte rupestre
portuguesa, como fontes historiográficas, possibilitando interpretações dos “grafismos rupestres” e
da pré-história.
Foi por meio do personagem Indiana Jones, interpretado por Harrison Ford, que o trabalho do
arqueólogo ficou conhecido do grande público: fantasiava-se as aventuras vividas pelo personagem,
e ser arqueólogo significava ser um caçador de relíquias antigas e valiosas. Na realidade, a vida
profissional do arqueólogo é totalmente diferente do ideário plantado pelos filmes; eles trabalham
com métodos de investigação e fazem um trabalho científico.
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A descoberta de um sítio arqueológico pode ser fruto do acaso ou se dar por meio de aparelhos
detectores eletromagnéticos, fotografias aéreas, análises topográficas ou cartográficas. O tempo
de duração do trabalho é indefinido. A preparação do terreno se inicia com a limpeza, que algumas
vezes consiste na retirada de plantas e pedras. Em seguida, há o nivelamento. A etapa seguinte é
a delimitação da área de estudos. Só após essas etapas vencidas passa-se à sondagem, que é a
observação da superfície em busca de algum vestígio de ocupação humana no local. Para essa
etapa, a ferramenta de trabalho é a colher de pedreiro, pois não é muito profunda a escavação.
Divide-se então o terreno em quadrados, e cada arqueólogo cuida de um deles, o que permite maior
facilidade para catalogar os objetos encontrados. Utiliza-se também espátulas, pá, balde e peneira,
porque toda a terra tirada é peneirada e reservada. Embora sejam muitos profissionais trabalhando
lado a lado, todos se mantêm na mesma profundidade durante a escavação.
Se algo é encontrado, limpam o objeto com pincel, tiram fotos da peça de diferentes ângulos
e/ou desenham mantendo uma escala. A respeito do sítio arqueológico brasileiro mais famoso,
localizado no Piauí, Forlin (2012) afirma:
Na Espanha:
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Fonte: <[Link]
No Chile:
Fonte: <[Link]
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No México:
Fonte: <[Link]
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AS SOCIEDADES PRIMITIVAS
Segundo Harari (2015):
Muito antes de haver história, já havia seres humanos. Animais bastante similares
aos humanos modernos surgiram por volta de 2,5 milhões de anos atrás. Mas, por
incontáveis gerações, eles não se destacaram da miríade de outros organismos com
os quais partilhavam seu habitat.
Esses seres humanos não tinham nada de especial, e tal como nós faziam parte da família dos
primatas. A palavra humano tem como significado “animal pertencente ao gênero Homo” o que
nos coloca como representante da espécie. Pertencendo ao mesmo gênero, surgiram, conforme
Harari (2015):
Entre as espécies a seguir, oriundas da África Oriental, a altura era muito variada, existindo desde
gigantes até anões. Alguns eram caçadores e outros apenas coletavam da natureza o necessário
para a alimentação do grupo, uma vez que a vida era comunitária.
• Homo rudolfensis: é uma espécie humana fóssil descoberta em 1972 por Berbard Ngeneo, no
Quênia. Seu nome faz referência ao local onde foi encontrado: é o “homem do lago Rudolf”,
sua idade é estimada em 1,9 milhão de anos, e os indivíduos “possuem face mais aplainada e
larga, os dentes caninos mais largos e apresentam coroas mais complexas, raízes e esmalte
[dos dentes] mais espessos” (WIKIPÉDIA).
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• Homo ergaster: significa “homem trabalhador”. É uma espécie de hominídeo que viveu por
aproximadamente 1,8 milhão de anos na África. Acredita-se que essa espécie foi o mais antigo
ancestral do gênero Homo e que utilizou diversos instrumentos de pedra bem elaborados,
além de ter dominado o fogo, pois foram encontrados indícios de fósseis que sugerem a
manipulação do fogo.
• Homo sapiens: podemos estimar que os primeiros Homo sapiens surgiram há mais de 300
mil anos; os cérebros da nossa espécie antigamente possuíam 83% do volume do cérebro
atual. Esses arquétipos (padrões) eram caçadores hábeis, cozinhavam carne, usavam roupas
de pele de animais e construíam lanças e cabanas.
Figura 6 – Provável caminho evolucionário dos hominídeos.
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ACONTECEU
Link: <[Link]
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Objetos de pedra lascada do Paleolítico e machado de pedra polida. Fonte: Vicentino (1997, p. 12).
Muitas daquelas cavernas, com o passar do tempo, tiveram outras funções para o grupo e
tornaram-se local para abrigar os mortos e, posteriormente, centros cerimoniais. Entre 100 000
a.C. e 10 000 a.C., as mudanças climáticas e ambientais forçaram a migração de animais e dos
seres humanos que ocupavam diversas regiões do globo: da África à Europa, da Ásia à América e
à Austrália.
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Surge o arco e flecha, além do arremessador de lanças. Houve também maior domínio no uso
do fogo, o que permitiu o surgimento das aldeias como centro de convivência. Os valores culturais e
espirituais são verificados pelas habilidades artísticas deixadas nas pinturas de diferentes cavernas,
como Altamira, na Espanha, e Lascaux, na França.
Bisão, aproximadamente 15 000 a.C.-10 000 a.C. Pintura na caverna de Altamira (Espanha). Fonte: <https://
[Link]/wiki/File:Cave_of_Altamira_and_Paleolithic_Cave_Art_of_Northern_Spain-[Link]>.
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As artes rupestres datam do período de 32 000 a.C. a 12 000 a.C. Essa era uma das formas de
comunicação dos homens, além de algumas poucas quantidades de sons sem a formulação de
palavras. O sedentarismo foi facilitado pela abundância de vegetais em algumas regiões ricas em
aveia, trigo e cevada. Ao permanecerem mais tempo num mesmo local, os seres humanos tiveram a
possibilidade de acompanhar o ciclo de desenvolvimento de certas plantas e reproduzi-lo. Segundo os
dados que se tem, os primeiros alimentos cultivados foram a abóbora e o feijão, além dos já citados
aveia, trigo e cevada. É nessa época que surge, dentro das comunidades, a divisão de tarefas por
sexo. Ao homem coube proteger e sustentar as famílias; à mulher, cuidar dos filhos, da habitação
e das tarefas agrícolas. O passo seguinte, atingido graças ao grau de estabilidade proporcionado
pelo sedentarismo, além do desenvolvimento das técnicas, fez surgir a metalurgia. No Período
Neolítico, também chamado de Idade da Pedra Polida, que começou aproximadamente em 10 000
a.C. e perdurou até cerca de 4 000 a.C., os homens começaram a construir imensos monumentos
de pedras, que se transformavam em câmaras mortuárias ou em templos.
Por essas construções serem muito pesadas, era necessário o trabalho de muitos homens, e foi
daí que surgiu a alavanca, possibilitando o transporte das enormes pedras das obras arquitetônicas.
Esses monumentos de pedra foram denominados megálitos, e podem ser classificados como
dólmens, galerias cobertas que davam acesso a uma tumba; menires, grandes pedras cavadas no
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chão na posição vertical; e os cromlech, que são os dólmens e os menires colocados em círculo. O
exemplo mais famoso desse tipo de escultura é Stonehenge, que se encontra na Inglaterra e tem
cerca de 30 metros de diâmetro.
Figura 10 – Stonehenge.
Estima-se que Stonehenge, localizada em Wiltshire, Inglaterra, tenha sido erguida aproximadamente
em 3 000 a.C. Fonte: <[Link]
Aquilo que chamamos revolução agrícola [ou neolítica] foi, muito possivelmente,
antecedido por uma revolução sexual, mudança que deu predomínio não ao macho
caçador, ágil, de pés velozes, pronto a matar, impiedoso por necessidade vocacional,
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porém, à fêmea, mais passiva, presa aos filhos, reduzida nos seus movimentos
ao ritmo de uma criança, guardando e alimentando toda a sorte de rebentos [...],
plantando sementes e vigiando mudas, talvez primeiro num rito de fertilidade, antes
que o crescimento e multiplicação das sementes sugerisse uma nova possibilidade
de se aumentar a safra de alimentos.
[...]
Com o surgimento do arado e da propriedade privada da terra e dos animais, os homens passaram
a ser os responsáveis pela produção. Nesse período, a mulher era muito importante: na escrita
egípcia hieroglífica se representava casa ou cidade como símbolo de mãe, enfatizando seu valor
para o grupo. É no Período Neolítico que as relações familiares e a noção de propriedade passam
a ter uma complexidade maior. As moradias deixam de ser as cavernas e se inicia o processo de
construção de habitações em forma de cabanas de madeira, barro ou tenda de couro e palafitas.
Surgem então as aldeias, mais focadas na agricultura, o que possibilitou o aumento da população.
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Figura 11 – Instrumentos.
Logo foi preciso formar-se um exército para proteger o celeiro. Com isso, surgiram o
poder para controlar o excedente e a figura do administrador, ao qual cabia fixar os
impostos e registrar os sacos de trigo produzidos. Ao mesmo tempo, consolidava-se
a existência do templo e do palácio. Erigiam-se assim os pilares de um novo mundo,
bem diverso do da Pré-História.
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Alguns povos, como os indígenas brasileiros, mantiveram sua cultura por meio da linguagem
oral. Torna-se difícil reconstruir o caminho para a criação da escrita, mas supõe-se que partiu da
representação figurativa do mundo, com desenhos de objetos concretos: sol, homem, animais etc. É
a chamada escrita ideográfica, resumindo-se no objeto representado. Na escrita ideográfica existe
um afastamento das figuras originais no significado e na forma, que se torna estilizada; temos como
exemplo a escrita de alguns povos orientais, como os japoneses e os chineses.
Babilônia
Para o rei Nabucodonosor, a cidade da Babilônia era o “berço do mundo”, pelo fato de ser onde
a arte e a arquitetura surgiram. É também o local dos Jardins Suspensos e da Torre de Babel. Esta
foi considerada por autores bíblicos como símbolo da arrogância humana, já que buscava-se por
meio da torre chegar ao céu. O historiador grego Heródoto descreve a construção como oito torres
empilhadas, contando com 120 leões em cerâmica vitrificada que levavam a portões de metal
maciço. Havia externamente uma escada em espiral que ia ao seu topo, onde em um santuário
interno havia um sofá e uma mesa de ouro adornada. Os babilônios afirmavam que esse espaço
era onde seu deus dormia.
Os Jardins Suspensos, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, eram compostos de seis
terraços de tijolos sobre o Rio Eufrates e foram construídos a mando do rei Nabucodonosor. Nos
jardins existiam árvores e arbustos de flores que se debruçavam sobre a cidade, e os seis terraços
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eram como se fossem seis andares, dando a impressão de estarem suspensos. Cada andar tinha
aproximadamente 120 m2 e era apoiado em gigantes colunas. Em cada terraço havia jardins
botânicos que continham árvores frutíferas, cascatas e esculturas dos deuses cultuados pelo povo.
Segundo documentos antigos, os jardins tinham ligação com o palácio do rei Nabucodonosor; ele
havia mandado construir os jardins para Amitis, sua esposa preferida, que sentia saudades dos
campos e florestas de sua terra natal, Média.
Por estarem localizados próximo ao Rio Eufrates, um amplo sistema de irrigação fluvial foi
construído para os jardins, com poços gigantes que chegavam a medir 23 metros de altura. A beleza
dos Jardins Suspensos exigia manutenção, a qual era feita pelos escravos, que operavam o sistema
de roldanas e baldes que levavam água para as cascatas e piscinas. Não existem documentos
encontrados na Babilônia que provem a existência dos Jardins Suspensos; apenas por meio de
registros de historiadores da Grécia Antiga é que se tem vagas informações.
Fonte: <[Link]
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Para alguns, além dessas duas monumentais construções, o mítico “Jardim do Éden” ficaria
também na Mesopotâmia. O palácio de Sargão merece ainda ser mencionado:
O palácio de Sargão II, dominando Nínive, tinha mais de cem quilômetros quadrados
e era composto de mais de duzentos aposentos e jardins, além de uma bela sala
do trono, haréns, áreas de serviço e da guarda. Situado em um outeiro artificial de
quinze metros de altura, ocupava 1 600 metros quadrados da cidade. Seu ponto
mais alto era uma torre em forma de pirâmide (zigurate), que era um templo feito
de tijolos de mais ou menos seis metros de altura cada um, que foram pintados de
cores diferentes. Foi destruído em 600 a.C. (STRICKLAND, 2014, p. 14).
Representação artística da cidade do rei Sargão II, aproximadamente 742 a.C.-406 a.C., Iraque. Fonte: <http://
[Link]/_5ZVfrqNx7ZM/SxGN7SvnjaI/AAAAAAAANSQ/j5LFImT0JPs/s640/[Link]>.
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A arte da Mesopotâmia era prioritariamente o baixo-relevo. Por meio dessa técnica e da escrita
cuneiforme, os entalhes transmitiam detalhadamente feitos militares e a coragem pessoal do rei
frente a expedições de caça. Era comum na época que os criados instigassem os leões e depois
os soltassem para que o rei os matasse. No British Museum, em Londres, existe o baixo-relevo A
leoa agonizante, que retrata o animal ferido com várias flechas no corpo. As orelhas baixas e os
músculos retesados transmitem a agonia do animal de maneira bem realista.
A leoa agonizante, Nínive, aproximadamente 650 a.C. British Museum, Londres. Fonte: <[Link]
uCUEku6JALs/SY4BAo5IazI/AAAAAAAAA1k/pLZdhcHzsas/s1600/Palacio%2BN%C3%ADnive-Leona%[Link]>.
Egito
Pensar em arte sem analisar o Egito é algo impossível. Segundo muitos historiadores, a arte
egípcia é a “arte da imortalidade”. Para os egípcios, a imortalidade era muito importante, e por essa
razão eles se preocupavam em preservar o corpo – principalmente o dos faraós. Para eles, o faraó
era um ser divino que ao morrer voltava para junto dos deuses.
Na arqueologia existe um ramo da ciência chamado egiptologia, que tem por objetivo estudar
a civilização egípcia com base nas diversas antiguidades que sobreviveram. Essa especialidade
da arqueologia passou a existir a partir de 1799 quando Napoleão invadiu o Egito. Além de 38 mil
soldados, o imperador levou 175 estudiosos, linguistas, antiquários e artistas. Esses arqueólogos
pioneiros levaram para a França um enorme tesouro em obras de arte – dentre eles, a Pedra de
Roseta, uma laje de basalto que contém a mesma inscrição em três línguas, incluindo o grego e
os hieróglifos. Durante quinze séculos pesquisadores haviam estudado os hieróglifos sem nada
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O Egito foi a primeira civilização de Estado unificado a durar três milênios. Preocupavam-se
com literatura, ciências médicas e matemática.
As tumbas que ainda existem, verdadeiras cápsulas de informação sobre a vida cotidiana de
seus ocupantes, nos permitiram conhecer muitos valores dos egípcios. Eram colocados nas tumbas
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dos faraós todos os seus bens materiais para que eles os usassem na eternidade; os pertences
e hieróglifos nas paredes registravam a vida do falecido. Já as estátuas do faraó serviam como
alternativa para a alma se hospedar caso o corpo mumificado se deteriorasse.
As pinturas e esculturas egípcias eram fiéis à figura humana. Eram representados em visão
frontal o olho e os ombros; já a cabeça, os braços e as pernas eram representados de perfil. As
pinturas em paredes eram divididas em painéis horizontais separados por linhas. Os faraós eram
representados em tamanho gigante, sobressaindo entre criados, que eram do tamanho de pigmeus.
Como o objetivo era a eternidade das esculturas, estas eram esculpidas em rochas duras como
granito ou diorito, possuindo poucas saliências para que não quebrassem com facilidade.
Escultura no Museu Egípcio do Cairo. Esculturas típicas em pedra calcária, com a pose imóvel, impassível,
das estátuas egípcias. Fonte: <[Link]
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Por acreditarem que a alma ou força vital era imortal, os egípcios também se especializaram
na arte da mumificação com o intuito de perpetuar o corpo para a alma.
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e os cabelos ainda intactos. O monarca, de três mil anos de idade, em cuja corte
Moisés se criou, era chamado “O Grande”, e por boas razões: gerou mais de cem
filhos durante seus opulentos 67 anos de reinado. No entanto, quando um inspetor
da alfândega examinou os restos de Ramsés II, na transferência da múmia para o
Cairo, rotulou-o como “peixe seco”. (STRICKLAND, 2014, p. 18).
Inicialmente apenas os faraós eram mumificados, mas com o passar do tempo a prática se
popularizou e, mediante pagamento, qualquer pessoa poderia ser mumificada.
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No que diz respeito ao campo artístico e cultural, os egípcios desenvolveram um tipo de escrita
denominada hieroglífica (que significa escrita sagrada) durante o Antigo Império. Essa escrita era
pintada (pictográfica) e composta de sinais, e tinha como finalidade o uso nos ritos religiosos.
Embora tenhamos mais informações sobre os hieróglifos, os egípcios desenvolveram mais dois
tipos de escrita: a hierática, que era usada em textos mais correntes, e a demótica, que era mais
simples e de caráter mais popular.
O calendário de 365 dias foi criação dos egípcios. A astronomia, a matemática e a medicina
também foram muito desenvolvidas. Além dessas ciências, a arquitetura foi muito importante,
pois por meio do seu desenvolvimento foram construídos vários palácios, templos, as famosas
pirâmides e os túmulos dos reis e rainhas. Os arquitetos da época eram funcionários do Estado, e
seus trabalhos tinham como finalidade mostrar o poder dos faraós.
Das oitenta pirâmides remanescentes, a maior é Quéops, em Gizé: é a maior estrutura de pedra
em todo o mundo. A base dessa pirâmide era um quadrado perfeito de aproximadamente 52 km2. A
perfeição é tão grande que o ângulo sudeste é apenas um centímetro mais alto que o ângulo noroeste.
Seu interior é feito com lajes de calcário, e o teto da Grande Galeria foi construído em camadas e
escorado. A câmara do faraó recebeu um teto de seis camadas de granito sobre compartimentos
separados com o objetivo de aliviar a tensão e deslocar o peso dos blocos que estavam acima.
A pirâmide de Quéops foi construída em 2 600 a.C.; cerca de 4 mil operários trabalharam na
remoção dos blocos de até 15 toneladas, que foram transportados sem a ajuda de animais de tração,
veículos com rodas ou talhadeira.
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Figura 21 – Pirâmides.
Das pirâmides que sobreviveram até os nossos dias, a maior é a de Quéops, seguida de
Quéfren e Miquerinos, construídas sob o reinado dos faraós da quarta dinastia, no Antigo
Império. Fonte: <[Link]
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No Egito Antigo havia uma série de leis referentes às representações que deveriam ser
rigorosamente respeitadas: as estátuas sentadas deviam ter as mãos sobre os joelhos; os homens
eram sempre pintados com a pele mais escura que a das mulheres; a aparência de cada deus egípcio
tinha as suas características próprias: Hórus, deus-céu, deveria ser representado como um falcão
ou com uma cabeça de falcão; Anúbis, deus dos ritos fúnebres, deveria ser como um chacal ou ter
uma cabeça de chacal. Isso deveria constar dos hieróglifos. Essas leis deveriam ser observadas, e
não se permitia que o artista fosse original. O bom artista era aquele que conseguisse reproduzir
monumentos já existentes com a maior perfeição.
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Porém, o rei da 18a dinastia, Amenófis IV, derrubou as regras do estilo egípcio. Para ele só
havia um deus supremo, que era Aton, representado na forma do disco de sol com seus raios, que
terminavam em mãos. As pinturas que Amenófis IV encomendou quebravam todos os padrões
da cultura egípcia. Não se via em nenhuma delas a presença dignificada dos faraós. Nesse relevo
(figura 24), o rei aparece com a sua esposa Nefertiti, acariciando seus filhos, com a presença dos
raios do sol os abençoando.
Amenófis IV (Aquenáton) e Nefertiti com seus filhos, aprox. 1.345 a.C., relevo em altar de
pedra calcária, 32,5 cm × 39 cm. Museu Egípcio, Staatliche Museen, Berlim. Fonte: <https://
[Link]/wiki/File:[Link]>.
Seu sucessor foi o rei Tutancâmon, que morreu com 19 anos e se tornou famoso pelo fato de
sua tumba ter sido encontrada nas condições mais próximas das originais depois de três mil anos
de sua mumificação.
Durante seis anos, o arqueólogo inglês Howard Carter escavou o Vale dos Reis e por duas vezes
chegou a dois metros da entrada da tumba: certa vez, ao acender um fósforo por causa da escuridão,
enxergou o brilho do ouro. Na tumba, chegando à câmara mortuária, encontrou desde cestas de
frutas e guirlandas de flores (ainda com cores) até uma cama dobrável, uma caixa de brinquedos
e quatro carruagens revestidas de ouro.
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Além disso, ali estavam sofás de ouro, paredes de ouro e um caixão de quase dois metros de
ouro maciço, onde encontrava-se a real múmia com o rosto coberto pela máscara mortuária. Dentro
do sarcófago encontravam-se três caixões, um dentro do outro; a múmia de Tutancâmon estava
no interior do último deles.
Máscara de ouro de Tutancâmon, faraó que morreu perto de 1.352 a.C., com apenas 19 anos de idade. O túmulo de
Tutancâmon foi descoberto em 1922, praticamente intacto e cheio de mobiliário e ornamentos típicos do período
de apogeu da civilização egípcia. Fonte: <[Link]
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CURIOSIDADE
A ARTE DA GRÉCIA
A Grécia
Segundo alguns estudiosos, a história da civilização ocidental começou na Grécia Antiga. Do
ano 480 a.C. a 430 a.C. houve um avanço fantástico nos campos das artes, da arquitetura, da poesia,
do drama, da filosofia, do governo, das leis, da lógica, da história e da matemática; a criatividade
fez com que o nível de excelência chegasse a essas áreas da civilização ocidental. Em razão da
democracia implantada na Grécia, era permitido que os cidadãos participassem de alguns assuntos
de governo. O auge da democracia ateniense coincidiu com o da arte grega.
Em 480 a.C., porém, os templos situados no rochedo sagrado de Atenas, a Acrópole, construídos
em mármore com esplendor e nobreza, foram incendiados e saqueados pelos persas.
Figura 26 – O Parthenon.
O Parthenon é um templo dórico. Acrópole, Atenas ,447 a.C-432 a.C. Fonte: <https://
[Link]/wiki/File:Acropolis,_Athens-[Link]>.
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A experiência grega com a pintura fazia com que as imagens fossem tão detalhadamente pintadas
que davam a impressão de serem cenas reais. Embora os murais não tenham sido preservados,
pode-se notar o realismo dos detalhes por meio de objetos domésticos, feitos de cerâmica. Os
monumentos eram considerados grandes estruturas, e por essa razão eram construídos com os
mesmos critérios de outras edificações. As esculturas eras usadas para contar a história da deidade
do templo; eram construídas na frente dos templos por ser nesse local que aconteciam os ritos
públicos.
A principal característica do Período Clássico era a postura impassível da fisionomia das esculturas;
é daí que surge o termo “estilo severo”. Independentemente do que estava sendo apresentado, o
semblante não deveria demonstrar nenhuma expressão facial. As cores vermelha e azul eram
utilizadas normalmente nas figuras que se projetavam no fundo de mármore. A preocupação com
a perfeição fazia com que as figuras fossem feitas praticamente completas, mesmo que fossem
ficar presas no fundo de um painel.
Quanto aos estilos arquitetônicos, a ordem dórica surgiu na Grécia continental; já a ordem jônica
aconteceu e se difundiu mais nas povoações gregas da Ásia Menor e do Egeu. A ordem coríntia,
que tinha como característica colunas encimadas por folhas de acanto estilizadas, surgiu bem mais
tarde, e foi usada em exteriores já durante o Império Romano. A curva ao longo das linhas de cima
recebe o nome de entasis e as colunas caneladas algumas vezes eram substituídas por figuras
femininas chamadas cariátides.
Pág. 34 de 80
Fonte: <[Link]
E5gS0-LcUKZIYmbwViPEGSQZwCLcB/s640/Ordens%2Barquitect%25C3%25B3nicas%2BArq
uitetura%2BGrega%2Bdorico%2Bcorintio%2Be%2Bjonico%2B%25282%[Link]>.
A história da arte grega é dividida em três períodos, mas as datas não são um consenso entre
os historiadores:
Período Arcaico
Foi a fase em que os gregos desenvolveram a representação da figura humana. Eles se preocupavam
com os detalhes do corpo e das roupas porque acreditavam que os deuses tinham a forma humana;
era necessário, portanto, que chegassem à perfeição. Desenvolveram a representação de jovens
(kouroi, em grego; seu singular é kouros) com o objetivo de pedir ou agradecer aos deuses. Nos
kouroi masculinos consegue-se notar a preocupação da definição dos músculos, pernas separadas
e um esboço de movimento.
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Fonte: <[Link]
Os gregos receberam a influência das culturas egípcia, assíria, cretense e micênica. Utilizavam
madeira, pedra e terracota como material, e predominantemente faziam esculturas que sobressaíam
da parede (na sua metade ou pouco mais da metade), às quais se dá o nome de esculturas de
alto-relevo e de baixo-relevo. Os temas eram principalmente mitológicos, representados nos frisos,
métopas (recurso arquitetônico) e tímpanos dos templos, e tinham como finalidade o culto divino.
As figuras eram rígidas, quase estáticas, e geralmente a perna esquerda era representada à frente
da direita para respeitar a lei da frontalidade egípcia; já os braços caídos ou a mão direita sobre
o peito eram um sinal de adoração. Os olhos eram amendoados, as maçãs do rosto salientes e a
barba e os cabelos desenhados de forma geométrica.
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Período Clássico
Não há um consenso na literatura a respeito da exata definição da palavra clássico. Mas, por
terem estabelecido padrões culturais, as civilizações grega e romana são intituladas “clássicas”.
Na cultura grega, especificamente, um dos seus períodos é denominado Período Clássico por ter
sido nele que se desenvolveu um estilo e se criaram obras consideradas por um longo tempo a mais
alta conquista na arte da escultura. O Período Clássico, entre os séculos V a.C. ao IV a.C. é o mais
glorioso da cultura grega, apesar de ser um período de muitas guerras. Logo no início do período,
houve conflitos entre os gregos e os persas, e a soberania grega foi vencedora. Além disso, nesse
período os templos eram enormes, erguidos conforme as tradicionais ordens dórica e jônica; o
Parthenon (figura 26), por exemplo, foi construído em homenagem à deusa Atena, respeitando os
critérios clássicos.
Quanto à escultura:
Das pinturas em painéis pouco restou, mas a pintura em cerâmica contendo as “figuras vermelhas”
e aquelas desenhadas sobre fundo branco tornaram-se populares. Sabemos pouco das pinturas
gregas, mas estas eram muito importantes. Apenas podemos ter uma noção do que ela foi por
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meio dos vasos que eram utilizados para guardar vinho ou azeite. Embora tenham o nome de vaso,
sua finalidade não era a de colocar flores, como nos dias de hoje. Nos vasos, os gregos retratavam
a história dos deuses e heróis da mitologia grega, ou narravam eventos como festas ou guerras.
Vaso no estilo “figuras pretas”, assinado por Exekias; altura de 65 cm. Museu Etrusco, Vaticano. Fonte: <[Link]
[Link]/_YC_DMwnhk9A/TDejnjujPpI/AAAAAAAAAWQ/DJd8NU39gV4/s1600/[Link]>.
Nesse exemplar da figura 29 vemos dois heróis de Homero, Aquiles e Ajax, jogando damas em
uma tenda. Ambos são apresentados de perfil, e os olhos, representados como se estivessem de
frente; os corpos não têm a rigidez antiga.
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Vaso no estilo “figuras vermelhas”, assinado por Eutímides; altura de 60 cm. Staatliche Antikensammlungen und
Glyptothek, Munique. Fonte: <[Link]
Um vaso grego mostra com que orgulho essa descoberta foi adotada. Vemos um
jovem guerreiro vestindo uma armadura para a batalha. Seus pais que, em cada um
dos lados, o ajudam e possivelmente lhe dão bons conselhos, ainda são representados
em rígido perfil. A cabeça do jovem no centro também se mostra de perfil, e podemos
observar que o pintor teve alguma dificuldade em ajustar a cabeça ao corpo, que é
visto de frente. Também o pé direito ainda foi desenhado de maneira “padronizada”,
mas o esquerdo já está “escorçado”; vemos os cinco dedos dispostos como uma
fileira de cinco pequenos círculos. (GOMBRICH, 2013, p. 81).
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Por meio desse vaso, conseguimos perceber que passa a existir a preocupação em representar
o objeto pelo ângulo que é visto. Na figura 30, se observa que o escudo do jovem é visto de lado,
encostado numa parede.
Tratando agora de outro aspecto da escultura, vemos que esta tinha a função religiosa, política,
honorífica, funerária e ornamental, sempre com a temática humana. Duas obras feitas em bronze
iniciaram o período clássico: Auriga de Delfos e Poseidon.
Fonte: <[Link]
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Figura 32 – Poseidon.
Fonte: <[Link]
As estátuas de bronze de diversos tamanhos eram feitas com aspecto sedutor, harmonioso,
elegante e dinâmico, e assim se perpetuaram. A beleza do ser humano é idealizada, tentando-se
chegar à perfeição, e o nu feminino é introduzido. As figuras passam a romper com o rigor da
frontalidade e podem ser vistas de diferentes ângulos. Como material, os escultores usavam o
bronze e o mármore branco.
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Figura 33 – Afrodite.
Fonte: <[Link]
Aphrodite_of_Milos.jpg/800px-MG-Paris-Aphrodite_of_Milos.jpg>.
Pág. 42 de 80
Figura 34 – Discóbolo.
Fonte: <[Link]
jpg/436px-SFEC_BritMus_Roman_021-[Link]>. Acesso em 08 de setembro de 2017.
Pág. 43 de 80
Fonte: <[Link]
at_Olimpia%2C_front.jpg/350px-Hermes_di_Prassitele%2C_at_Olimpia%2C_front.jpg>.
Pág. 44 de 80
Figura 36 – Doríforo.
O Doríforo foi a mais afamada criação de Policleto, em uma das melhores cópias antigas
existentes; hoje está no Museu Arqueológico Nacional de Nápoles. Fonte: <https://
[Link]/wiki/File:Doryphoros_MAN_Napoli_Inv6011-[Link]>.
Período helenístico
Alexandre, ao suceder seu pai, Felipe II, ampliou o império chegando até as margens do Rio Indo,
na Índia. Como havia sido educado pelo sábio grego Aristóteles, assimilou os valores da cultura
grega fundindo-a com a oriental; a essa nova maneira de se expressar foi dado o nome de helenismo.
É nesse período que a figura humana começa a ser representada com movimentos – por vezes
quase teatrais –, deixando de lado a formalidade das esculturas anteriores.
Pág. 45 de 80
Fonte: <[Link]
Na escultura Laocoonte e seus filhos, que representa uma lenda da época da Guerra de Troia, há
um corpo realisticamente esculturado, contendo dramaticidade – bem como todo o movimento das
serpentes envolvendo os corpos e a sensação de sofrimento no semblante das figuras humanas
ali representadas. A admiração por essa habilidade na representação da figura humana perdura
até os nossos dias.
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Foi construído em 280 a.C. pelo arquiteto e engenheiro Sóstrato de Cnido, a mando de
Ptolomeu. Fonte: <[Link]
(A) Mosaico do século XIII; (B) Ilustração de Von Erlach, 1721; (C) Gravura de Hermann Thiersch,
1909. Fontes: <[Link]
jpg>; <[Link]
jpg>; <[Link]
O Farol de Alexandria é uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo e foi construído com o
objetivo de ser referência para os navegantes, na Ilha de Faros. Por causa do nome da ilha, até os
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dias atuais as construções que têm a mesma finalidade do Farol de Alexandria são chamadas de
farol. A construção tinha 150 metros de altura, numa base quadrada, e era superada por uma torre
de mármore. Acima da torre ficava a chama, acesa ininterruptamente, e no topo do farol estava a
figura responsável pelos mares na mitologia grega: Poseidon. Durante muitos anos foi a construção
mais alta feita pelo homem, mas um terremoto atingiu a ilha, destruindo o farol.
(A) Gravura feita provavelmente no século XVI; (B) Gravura do século XVIII. Fontes:
<[Link] <https://
[Link]/wiki/File:Colosse_de_Rhodes_(Barclay).jpg>.
O Colosso de Rodes (figura 40) era uma estátua feita de bronze. Tinha 30 metros de altura
e 70 toneladas; internamente, contava com uma escada em caracol. Era também uma das Sete
Maravilhas do Mundo Antigo. Durante vários anos, a ideia que se tinha era de que cada pé da estátua
ficava de um lado da entrada do porto da ilha. Ainda hoje existe um grande mistério em relação à
veracidade da existência do Colosso de Rodes, que poderia ser uma lenda transmitida pelo povo
da ilha por meio da cultura oral. Lenda ou não, foi desse monumento que veio a inspiração para o
escultor Bartholdi produzir a Estátua da Liberdade, que fica em Nova York. Estudos arqueológicos
mais recentes afirmam – com base na teoria de que o porto não poderia ter ficado fechado durante
os mais ou menos dez anos de construção da estátua – que o Colosso na verdade estava numa
montanha situada na cidade de Rodes. Outro forte argumento baseia-se no fato de que o terremoto
derrubou a estátua e também destruiu várias casas; portanto, ela não estava no porto. Faziam
parte também das Sete Maravilhas do Mundo Antigo: a Pirâmide de Quéops; a estátua de Zeus, em
Olímpia; o Templo de Ártemis, em Éfeso; e o Mausoléu de Halicarnasso.
Pág. 48 de 80
Fonte: <[Link]
e3/[Link]/[Link]>.
Construída por Fídias, no século V a.C., em homenagem a Zeus. Tinha 12 metros de altura, era
feita de ouro e marfim e também decorada com pedras preciosas. Foi levada para Constantinopla,
hoje Istambul, onde teria sido destruída por um terremoto em 462 a.C. Fonte: <[Link]
[Link]/wiki/File:Le_Jupiter_Olympien_ou_l%27art_de_la_sculpture_antique.jpg>.
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Figura 43 – Templo de Ártemis (reconstrução em 3D).
Templo de Ártemis, deusa da caça e dos animais selvagens, em Éfeso. Foi o maior templo do mundo
antigo. Fonte: <[Link]
Pintura de Ferndinand Knab, 1886. Artemísia II, a sátrapa da Cária, em 353 a.C. mandou erguer
o mausoléu sobre os restos mortais de seu marido e irmão Mausolo. Fonte: <[Link]
[Link]/wiki/File:Mausoleum_at_Halicarnassus_by_Ferdinand_Knab_(1886)_cropped.png>.
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A ARTE DE ROMA
Roma é uma das cidades mais antigas da Europa. Foi fundada há mais de 2700 anos e permaneceu
habitada desde a sua fundação, inicialmente como centro do Império Romano e, depois, da Igreja
Católica. Vários idiomas falados na Europa têm a sua origem no latim, língua oficial do império,
e os sistemas políticos e jurídicos têm o antigo modelo romano como referência. A fundação de
Roma é ainda objeto de pesquisa de arqueólogos e historiadores porque as fontes literárias sobre
o assunto datam de centenas de anos após sua ocorrência. Foi criado pelos romanos um conto
mitológico sobre a origem da cidade e do Estado, que une-se com a obra histórica de Tito Lívio e
as obras poéticas de Virgílio e Ovídio (todos da era de Augusto) para explicar a sua origem. A obra
Eneida, do poeta romano Virgílio, conta que o príncipe troiano Eneias fugiu para a Península Itálica
depois de os gregos destruírem a cidade de Troia. Na região do Lácio, fundou a cidade de Lavínio.
Anos mais tarde, seu filho Ascânio fundou a cidade de Alba Longa.
Diz a lenda que Eneias foi sucedido por doze reis até que os irmãos Numitor e Amúlio brigaram
tentando ser reis de Alba Longa. Amúlio venceu e mandou matar os filhos e netos do irmão. Os
gêmeos Rômulo e Remo, netos de Numitor, foram jogados em um cesto nas águas do Rio Tibre. As
crianças, no entanto, foram protegidas pelos deuses e uma loba os alimentou. Depois de criados
e educados por um pastor de nome Fáustulo, retornaram para Alba Longa e mataram o tio-avô,
devolvendo o trono da cidade ao legítimo sucessor, seu avô Numitor, e receberam a permissão de
fundarem uma cidade. Rômulo fundou a cidade de Roma sobre as sete colinas, e então surgiu uma
disputa entre os dois irmãos para saber quem reinaria em Roma. Rômulo matou Remo e reinou
sobre a cidade fundada em 753 a.C. Depois dele, a cidade de Roma teve sete reis.
Roma chegou a dominar a Espanha, o norte da África e a Grécia, e no auge do seu poderio o
Império Romano se estendia da Inglaterra ao Egito e da Espanha ao sul da Rússia. Por meio do convívio
com diferentes culturas, os romanos assimilaram elementos de cada uma delas, acentuadamente
da grega, e simultaneamente estenderam sua influência a toda a Europa Ocidental e norte da África,
influência que viria a ser a base da arte para os períodos posteriores. A cidade entrou em declínio
durante a Idade Média, para se recuperar de forma espetacular por volta do século XI. De Roma
surgiram também grandes artistas do Renascimento e do Barroco, períodos posteriores.
Os antigos romanos usavam mármore e bronze gregos para enfeitar os fóruns: o imperador
Nero chegou a importar quinhentos bronzes de Delfos (cidade grega que foi declarada Patrimônio
Mundial pela Unesco), e os artistas romanos começaram a fazer cópias das obras gregas, por não
existirem mais os originais. O poeta Horácio comentou: “A Grécia conquistada conquistou seu brutal
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conquistador”. A arte romana é funcional e secular, e diferentemente da dos gregos, que inovavam,
os romanos priorizavam a administração.
Figura 45 – O Pantheon.
O Pantheon, 118 d.C.-125 d.C., Roma. A habilidade dos arquitetos romanos para criar espaços
é ilustrada pela rotunda com domo. Fonte: <[Link]
della_Rotonda,_obelisco_macuteo,_e_Pantheon_(Roma_2006).jpg>; <[Link]
org/wiki/File:Brockhaus_and_Efron_Encyclopedic_Dictionary_b44_706-[Link]>.
Figura 46 – Parthenon.
Parthenon, 448 a.C.-432 a.C., Atenas. O frontão triangular e a colunata do pórtico mostram o formato do
templo grego clássico. Fonte: <[Link]
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Grego Romano
Coríntio
Estilo de coluna Dórico, jônico
• Basílica – edifício oblongo, com absides semicirculares nas extremidades e altas janelas de
clerestório. Inicialmente, esse tipo de construção era ponto de reunião e encontro em Roma,
sendo imitado pelas igrejas cristãs nos tempos medievais.
• Abóbada cilíndrica – arco estreito, formando teto em semicilindro.
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Os romanos também adoravam banhos, e o maior exemplo de seu requinte são as Termas
de Caracala (215 d.C.), enormes, que eram frequentadas por 1500 banhistas: as piscinas tinham
diferentes temperaturas, e o sistema de canalização era movido por escravos que aqueciam as
saunas a vapor e as salas de exercícios. Segundo Sêneca, filósofo importante durante o Império
Romano: “Temos tanto luxo que acabaremos andando sobre pedras preciosas.”
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Fonte: <[Link]
[Link]>.
A Roma de 80 d.C. recebeu 50 mil espectadores na inauguração do Coliseu, durante a qual ele foi
inundado para a representação de uma batalha naval que contou com três mil atores. O combate de
gladiadores, em que alguns entravam na arena armados com escudo, espada e elmo, enquanto outros
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tinham apenas uma rede e um tridente, era muito popular. Muitas vezes o desfecho do combate era
mortal, caso a multidão baixasse o polegar; muitas vezes chegavam a morrer quarenta gladiadores
apenas numa apresentação. Havia também um espetáculo que precedia o evento, e nele era feita
a execução de criminosos; em seguida, vinha a luta de homens contra animais enfurecidos. Por
meio de um rudimentar “elevador”, leões famintos eram colocados na arena para devorar cristãos ou
escravos desarmados. Constava do espetáculo também a luta de homens contra ursos e caçadas
de elefantes ou rinocerontes. Ainda hoje o Coliseu serve de modelo para projetos de estádios atuais.
Figura 50 – O Coliseu.
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Pompeia, uma cidade luxuosa, com 25 mil habitantes, ficou mais de 1500 anos esquecida por
estar coberta por uma camada de seis metros de cinzas e pedras-pomes, em consequência da
erupção do vulcão Vesúvio no ano 79 d.C. Nas escavações foram encontrados objetos triviais como
pães, peixes, ovos e nozes, e, além disso, residências inteiras com pinturas de natureza-morta e
paisagens realistas em todas as paredes, uma vez que as casas não tinham janela e se abriam para
um pátio central. As paisagens buscavam requintar os ambientes, e para isso pintava-se “falsas
janelas” com cenas que visavam dar a impressão de se estar vendo através de janelas.
Os efeitos de luz, sombra e perspectiva eram técnicas bem conhecidas dos artistas da cidade.
As cores predominantes eram vermelho, ocre e verde. Mosaicos eram feitos com pedacinhos de
pedras coloridas, vidro ou conchas colocados em paredes, tetos e pisos. No chão da entrada das
casas era comum a inscrição Cave Canem (“cuidado com o cão”), feita de mosaicos.
Figura 51 – Frisa.
Frisa, Vila dos Mistérios, Pompeia, aprox. 50 a.C. Praticamente em tamanho natural, a frisa presumivelmente
representa ritos dionisíacos secretos, que incluíam beber sangue de animais sacrificados. Fonte: <[Link]
[Link]/_5ZVfrqNx7ZM/SyuoL3FzHWI/AAAAAAAAPRA/n98Y7ymk_4s/s640/Multiplos%[Link]>.
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A ciência perdeu a vitalidade e a velha união com a filosofia se dissolveu. […] A filosofia
contraiu nova aliança, dessa vez com a teologia: durante séculos a vida intelectual se
processaria sob a orientação da Igreja. […]. É cabível indagar da História se há alguma
razão válida para supor que o gênero humano chamejou com menos brilho quando
os homens, por boas razões pessoais e da época, transformaram o pensamento
especulativo da ciência-filosófica para a teologia-filosófica. Presumivelmente os
homens do […] princípio da Idade Média nasceram com a mesma capacidade de
pensar, inquirir e evoluir intelectualmente que os homens de qualquer outra época.
A questão então, não é se tinham capacidade, mas se podiam ou desejavam usá-la,
e como a usavam. (BARK apud VICENTINO, 1997, p. 106-107).
O feudalismo se fez presente nas esferas econômica, social, política e cultural do período
medieval, substituindo a estrutura escravista da Antiguidade Romana. Ao transformarem a natureza
com seu trabalho, os homens do período formaram vínculos político-culturais chamados de
modo de produção feudal, que têm por base a economia atrelada à agricultura não comercial,
autossuficiente, além de um uso muito restrito da moeda. A propriedade feudal pertencia à camada
mais privilegiada da sociedade e era composta pelos senhores feudais, que eram membros da
Igreja e descendentes distantes dos chefes tribais germânicos que formavam a nobreza. A Igreja
ditava as normas da cultura religiosa que dividia o mundo em: senhores – que deveriam venerar e
amar Deus –; e escravos – que deveriam venerar e amar o senhor feudal. No campo cultural surge
o estilo arquitetônico bizantino, que simbolizava o poder do Estado associado à Igreja Cristã, que
também tinha uma força muito grande no contexto do Império Bizantino, o qual ao longo do tempo
foi composto por gregos, sírios, asiáticos, egípcios e semitas.
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A unidade do Império era estabelecida pela religião cristã ortodoxa e pela língua grega. As igrejas
erguidas na época simbolizavam a grandiosidade e a riqueza das construções religiosas. Exemplos
são a Igreja dos Santos Apóstolos, a Igreja de São Vital de Ravena e a Igreja de Santa Sofia.
No ano 311 d.C., porém, o imperador Constantino estabeleceu a Igreja Cristã como um poder
no Estado. Durante o período de perseguição aos cristãos, não havia a possibilidade de construir
lugares públicos destinados a cultos, mas a partir do momento em que a Igreja passa a ser o poder
supremo, a arte passa a ser importante. Os lugares de culto deixam de existir apenas para abrigar
a estátua de um deus e começam a ser o espaço para toda a congregação se reunir e assistir ao
serviço religioso.
Surgem então amplos salões de reunião, que eram conhecidos pelo nome de “basílica” ou
“pórtico real”.
Geralmente a nave tinha um teto de madeira com vigas expostas, e as alas, um teto plano;
além disso, as colunas que separavam a nave das alas eram muito decoradas. A decoração era
complexa: embora houvesse o consenso de que não deveriam haver estátuas dentro das igrejas, pois
poderiam ser confundidas com ídolos pagãos condenados na Bíblia, havia a preocupação de que o
povo iletrado tivesse o ensinamento religioso por meio das estátuas e também das ilustrações. O
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papa Gregório Magno, por exemplo, que viveu no século VI, dizia àqueles que eram contra qualquer
tipo de pintura que as imagens ajudavam a lembrar dos ensinamentos bíblicos, pois havia muitas
pessoas analfabetas na congregação.
ARTE BIZANTINA
Segundo José Geraldo V. De Moraes,
seria um erro identificar a existência de um povo bizantino, uma vez que o Império
foi composto variando ao longo do tempo, por gregos, sírios, asiáticos, egípcios e
semitas. Sua unidade era estabelecida pela língua grega e pela religião cristã ortodoxa.
Na realidade, a origem do Império Bizantino (330 a 1453) encontra-se no Império
Romano do Oriente (Grécia, Egito, Síria, Palestina, Mesopotâmia, Ásia Menor. […] No
século IV (330) o imperador romano Constantino transferiu a capital do Império para
Bizâncio e rebatizou-a de Constantinopla (atual cidade de Istambul), deslocando o
centro do Império para o Oriente. (MORAES, 1993, p. 110).
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Figura 53 – Mosaico.
O Milagre dos Pães e dos Peixes (aprox. 520 d.C.) é um mosaico da Basílica de
Santo Apolinário, o Novo (Ravena). Fonte: <[Link]
UR59a9UsZiI/AAAAAAAAADo/KdTm1qxOl34/s1600/9+-+[Link]>.
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Nossa Senhora entronizada com o Menino, aprox. 1280. Possivelmente pintada em Constantinopla. Têmpera
em madeira, 81,5 cm × 49 cm; Galeria Nacional de Arte (Coleção Mellon). Fonte: <[Link]
wp-content/uploads/2014/11/Idade_Media_Arte_Bizantina_Nossa_Senhora_no_Trono_com_o_Menino.jpg>.
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Fonte: <[Link]
Fonte: <[Link]
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Arte românica
A arte românica surge entre os séculos XI e XIII. Foi apresentada em castelos, mosteiros e
predominantemente nas igrejas católicas após a expansão do cristianismo na Europa, e de início
teve características comuns em várias regiões, o que era um fato inédito. Embora existam diferenças
entre as regiões baseadas nas influências recebidas culturalmente, há uma série de características
comuns. As igrejas no estilo românico são maiores por ter havido um aprimoramento nos métodos
de construção e também nos materiais empregados. Surge a pedra na construção, e a madeira no
telhado é substituída por abóbadas de berço e de aresta.
A arte românica confere aos castelos, mosteiros e igrejas medievais uma aparência de solidez e
estabilidade. Na foto, Igreja de Notre-Dame-la-Grande, de Poitiers. Fontes: Vicentino (1997, p. 161);
<[Link]
Essas igrejas são ricamente decoradas, traduzindo o que o artista sente e não somente o que
vê. As igrejas peregrinas foram características desse período e ficavam no caminho para os locais
sagrados como Santiago de Compostela (na Espanha), Roma e Jerusalém, servindo de apoio e
pouso para os peregrinos.
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As igrejas tinham o formato de cruz, sendo constituídas de três ou cinco naves (corpo central do
templo). As naves laterais se prolongavam e passavam atrás da abside (arco ou abóbada), formando
o deambulatório (local para andar), de onde saíam as capelas radiantes ou absidíolas.
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Fontes: <[Link]
Galicia_(Spain)_2.jpg>; <[Link]
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Arte gótica
O estilo gótico é originário da região de Paris, durante a fase de prosperidade do sistema feudal,
e dos núcleos urbanos e do conhecimento – diferentemente da arte românica, que foi fruto da
criação das comunidades rurais dos monges. As catedrais góticas eram resultado da obra da cidade
e dos artífices das corporações de ofício, representando a mentalidade da Baixa Idade Média, e são
leves e graciosas. As treliças nas paredes das catedrais e a verticalidade estavam presentes na
arquitetura gótica. Os construtores usavam o arco pontudo, que aumentava tanto a ilusão de altura
quanto a altura real da obra, e chegavam a competir entre si para realizar as mais altas naves. O
insucesso na construção não era raro, uma vez que os construtores tentavam sempre ultrapassar
os conhecimentos da técnica a ser empregada; nesse caso, a obra era refeita. Representavam um
patrimônio cívico para a cidade, e a ofensa máxima aos cidadãos era a destruição da torre da catedral
por parte de um invasor, porque toda a população participava da construção. Todos trabalhavam
lado a lado: açougueiros, pedreiros, cavalheiros e damas, empurrando carrinhos de mão cheios de
pedras; algumas catedrais chegavam a demorar séculos para serem construídas.
Fonte: <[Link]
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Estes são os elementos característicos da construção gótica, segundo Strickland (2014, p. 36):
Fonte: <[Link]
As catedrais são construções imponentes com torres pontiagudas que se projetam para o céu,
demonstrando o conhecimento técnico de seus construtores. As imensas janelas eram adornadas por
vitrais que, feitos de maneira artesanal, representavam histórias bíblicas para orientar a população,
predominantemente analfabeta, nos ensinamentos religiosos. Eram muito coloridos e transmitiam
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luminosidade para o interior das construções. A Catedral de Chartres foi construída para abrigar o
véu da Virgem, doado à cidade em 876 por Carlos, o Calvo, neto de Carlos Magno.
Os vitrais são formados por peças de vidro tingido com elementos químicos, como cobalto e
manganês, unidas por tiras de chumbo que delineiam as figuras compondo o desenho. Fontes:
<[Link] <[Link]
wiki/Vitrail_de_Charlemagne_%C3%A0_Chartres#/media/File:Chartres-007_A13.jpg>.
As imensas catedrais góticas da Baixa Idade Média reuniam pelo menos dois
componentes quase antagônicos. De um lado, a transbordante religiosidade cristã-
feudal expressa na grandiosidade do templo e no predomínio da verticalidade,
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No estilo gótico existe a abóbada em forma de ogiva (ou o arco em ponta), que permite a construção de torres
muito mais espaçosas e altas. A sustentação dessa estrutura é feita por pilares mais finos apoiados nas pequenas
ogivas internas (arcobotantes), dando um aspecto mais leve à construção. Fonte: Moraes (1993, p. 137).
Fontes: <[Link]
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de_M._Blanc.jpg>; <[Link]
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Fonte: <[Link]
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Românico Gótico
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Era nos monastérios que estavam as pessoas detentoras do conhecimento, por serem as
únicas habilitadas a ler e escrever. Por essa razão, a propaganda foi o elemento de perpetuação e
divulgação dos valores religiosos para converter os povos.
Durante muitos séculos, em algumas velhas aldeias do interior da Europa, a igreja foi a única
construção de pedra em toda a redondeza, servindo de referência para as pessoas. Era motivo de
orgulho para a comunidade a construção da igreja, e sua decoração era elaborada da maneira mais
primorosa possível. Por meio das construções, procurava-se transmitir que era atribuição da igreja
combater as forças das trevas até o dia do juízo final. Tudo o que pertencia à igreja tinha uma função
definida para difundir os ensinamentos religiosos. As imagens tinham uma repercussão muito
maior do que as palavras do sermão do pregador. Cada detalhe do interior da igreja era pensado
para transmitir uma mensagem sob o enfoque religioso.
A Igreja de São Bartolomeu, em Liège, na Bélgica, que foi feita por volta de 1113, representa um
dos muitos exemplos do papel dos teólogos como conselheiros dos artistas.
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Figura 68 – As inscrições latinas explicam o significado de cada figura retratada nesta pia batismal.
Fonte: <[Link]
Uma vez mais, a pia batismal como um todo recebeu esse significado. Até as figuras dos
bois que a sustentam não estão ali meramente para fins ornamentais ou decorativos.
Lemos na Bíblia (2 Crônicas, IV) que o rei Salomão contratou um hábil artífice de
Tiro, na Fenícia, que era especialista na fundição de bronze. Entre as coisas que ele
fez para o templo em Jerusalém, a Bíblia descreve: Fez também, o mar de bronze
fundido, com dez côvados de uma borda à outra, de forma arredondada... Estava
assentado sobre doze bois; três olhavam para o norte, três para oeste, três para
o sul e três para leste; o mar estava sobre eles, e a parte posterior de seus corpos
estava para dentro. Foi esse modelo sagrado, portanto, que o artista de Liège, outro
especialista em fundição de bronze, foi solicitado a ter em mente na produção de
sua pia batismal, mais de dois mil anos após a época de Salomão.
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Foi no período do estilo românico que a arte europeia mais se aproximou dos ideais. Trabalhar
para catedrais era a principal tarefa dos escultores: bustos em série (semelhantes a deuses),
imperadores, políticos e líderes militares procuraram transmitir à população valores religiosos e
políticos. Painéis de figuras esculpidas representando feitos militares estavam presentes em arcos
de triunfo por onde desfilavam exércitos vitoriosos. Na Idade Média, a arte esteve ligada à religião,
presente na arte bizantina e suas igrejas com o domo central, os mosaicos e os ícones; na arte
românica, por meio das igrejas com arcos cilíndricos, dos afrescos e das esculturas estilizadas; e,
na arte gótica, representada pelas catedrais em arcos ogivais, vitrais e esculturas mais naturais.
Os ícones da arte bizantina, por exemplo, eram pequenos painéis de madeira com imagens
pintadas, supostamente com poderes sobrenaturais e propriedades milagrosas. Tornaram-se
cultuados e, por representarem desobediência ao mandamento contra a idolatria, foram proibidos.
Já os mosaicos eram utilizados como difusores do novo credo oficial, o cristianismo, e mostravam
Cristo como mestre e senhor todo-poderoso.
Com a instituição da fé católica romana na Europa feudal, de 1050 a 1200, começou a se construir
uma série de igrejas. Ao mesmo tempo, as peregrinações tornaram-se muitas, e as multidões
visitavam as igrejas para ver os relicários com roupas e ossos de santos ou pedaços da Santa Cruz
trazidos pelos cruzados. O formato das igrejas, com uma longa nave atravessada por um transepto
mais curto, simbolizava o corpo de Cristo crucificado. Nos mosaicos e vitrais eram representadas
passagens bíblicas da religião cristã. Monges e freiras copiavam manuscritos para que a arte da
ilustração se perpetuasse através dos tempos. Esses manuscritos eram considerados palavras de
Deus e, por essa razão, sagrados. Até o desenvolvimento da tipografia, no século XV, eram a única
forma existente de livros religiosos.
Através dos séculos, a missão da Igreja foi comunicar a “boa nova que vem de Deus”. Como
inicialmente o povo não era alfabetizado, foi por meio da comunicação oral que se dava o testemunho
das pessoas ou a pregação da mensagem divina transmitida por uma ou mais pessoas, para um
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grupo. Com um número maior de pessoas alfabetizadas, a linguagem escrita passa a ser o veículo
transmissor da propaganda do cristianismo. A música, as esculturas, os desenhos nas paredes das
igrejas, os murais, os vitrais e o teatro também foram utilizados como elementos facilitadores da
propagação do cristianismo na Europa.
ATIVIDADE REFLEXIVA
Reflita sobre a seguinte questão: considerando que, desde os tempos mais remotos, os homens
tiveram necessidade de expressar suas ideias, conceitos, mitos, vontades, por meio de várias formas,
como a fala, escrita e artes visuais, qual a importância da arte para as sociedades humanas?
Para contribuir com a sua reflexão sugere-se a leitura dos artigos da publicação
<[Link]
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Depois de passearmos calmamente pelo mundo da história da arte, podemos ter uma nova e
diferente visão da arte, como um universo a ser estudado. Cada uma das fases da arte tem e teve
suas próprias características e encantamentos em consonância com os valores culturais de sua
época.
O tema “arte” é infindável e cada vez mais os estudiosos nos trazem novas informações que
enriquecem nosso saber.
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GLOSSÁRIO
Simbiose: no contexto do conteúdo, simbiose indica uma associação intensa entre os indivíduos.
(Fonte: <[Link] Acesso em: 8 set. 2017).
Terracota: é um material constituído por argila cozida no forno, sem ser vitrificada, utilizado
em cerâmica e construção. O termo também se refere a objetos feitos deste material e à sua cor
natural, laranja acastanhado. É normalmente utilizada na confecção de tijolos, telhas, vasos, entre
outros objetos. (Fonte: <[Link] Acesso em: 8 set. 2017).
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BIBLIOGRAFIA
BROCVIELLE, Vincent. Petit Larousse História da Arte. São Paulo: Larousse, 2012.
Evans, Clifford; Meggers, Betty J. Guia para prospecção arqueológica no Brasil. Belém (PA): Conselho
Nacional de Pesquisas, Museu Paraense E. Goeldi, 1965.
FORLIN, Gabriela. Como é feita uma escavação arqueológica? Mundo Estranho, n. 122. São Paulo,
Abril, 2012. Disponível em: <[Link]
arqueologica>. Acesso em: 11 abr. 2016.
HARARI, Yuval Noah. Sapiens: uma breve história da humanidade. 4. ed. Porto Alegre: L&PM, 2015.
LIMA, Sandra Lúcia Lopes. Comunicação e Época. São Paulo: Plêiade, 2013.
MORAES, José Geraldo Vinci de. Caminhos das Civilizações: da pré-história aos dias atuais. São
Paulo: Atual, 1993.
STRICKLAND, Carol. Arte comentada: da pré-história ao pós-moderno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
2014.
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