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Beatriz Regina Pires Zaragoza: Professora Autora/conteudista

O documento discute a arte pré-histórica e as primeiras manifestações artísticas humanas, proibindo a cópia ou distribuição do material didático sem permissão sob pena de responsabilização civil e criminal.

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Professora autora/conteudista:

BEATRIZ REGINA PIRES ZARAGOZA


É vedada, terminantemente, a cópia do material didático sob qualquer
forma, o seu fornecimento para fotocópia ou gravação, para alunos
ou terceiros, bem como o seu fornecimento para divulgação em
locais públicos, telessalas ou qualquer outra forma de divulgação
pública, sob pena de responsabilização civil e criminal.


SUMÁRIO
Introdução: conceito da era pré-histórica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
Arte pré-histórica e arte antiga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4

Arqueologia: métodos, técnicas e pesquisas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6

As sociedades primitivas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10

As primeiras manifestações artísticas do homem: arte pré-histórica . . . . . . . . . . . . 12

As sociedades da era pós-escrita . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20

A arte da Babilônia e do Egito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20


Babilônia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
Egito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23

A arte da Grécia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
A Grécia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
História da arte grega . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

A arte de Roma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

O período medieval e suas características . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58

Arte bizantina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
A Igreja de Santa Sofia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63

Arte românica e arte gótica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65


Arte românica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
Arte gótica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68

A arte como propaganda e difusão do cristianismo europeu . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74

Considerações finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77

Glossário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78

Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79


INTRODUÇÃO: CONCEITO DA ERA PRÉ-HISTÓRICA


Ao analisarmos a história da humanidade, a dividimos inicialmente em pré-história e história.
Não existem subsídios para datar o surgimento da arte. Para isso, seria necessário termos como
definida a análise do que é arte. Para alguns estudiosos, a arte é a atividade humana ligada a
manifestações de ordem estética, feita por artistas com base na percepção, na emoção e nas
ideias. Para outros, arte é toda manifestação humana. Toda arte vem atrelada a uma simbologia
que é inerente à sociedade e a época em que é executada.

Arte pré-histórica e arte antiga


Na história da arte, é considerada arte pré-histórica toda manifestação artística produzida nos
períodos das chamadas civilizações pré-letradas – culturas pré-históricas que começaram a existir
em algum lugar da história geológica muito distante e, geralmente, continuaram nesse estágio até
ter desenvolvido algum processo de escrita ou outros métodos de conservação de registros, ou
ainda até ter feito contato significativo com outra cultura que já tinha esse recurso, produzindo
então um registro de seus eventos históricos. Nesse ponto começa a arte antiga, que envolve as
culturas letradas mais velhas. Assim, a data-limite para o que é abrangido pelo termo pré-história
varia muito nas diferentes partes do mundo. Os artefatos humanos que mais significativamente
mostram sinais de mão de obra com um propósito artístico já se tornam objeto de debate.

A princípio, a arte pré-histórica oferece registros de ter existido aproximadamente de 40 000 a.C.
até 4 000 a.C., na era do Paleolítico Superior. No entanto, há evidências de atividades artísticas que
datam de 500 000 a.C., realizadas pelo Homo erectus. A partir do Paleolítico Superior, perpassando
o Mesolítico, pinturas rupestres e artes portáteis como estatuetas e contas predominaram, com a
prevalência de figuras e ornamentos decorativos, também aplicados em alguns objetos utilitários. No
Período Neolítico emerge desde o princípio a arte cerâmica, assim como a escultura e a construção
de megálitos (estruturas de pedra construídas à mão, sem nenhum auxílio de instrumentos); a arte
rupestre precoce também surgiu pela primeira vez no Período Neolítico.

O advento da metalurgia, na Idade do Bronze, trouxe meios adicionais disponíveis para uso na
produção de arte, com um aumento da diversidade estilística e da criação de objetos que não têm
qualquer função óbvia, a não ser expressar uma manifestação artística. Esse período também
registra o desenvolvimento em algumas áreas de artesanato, praticado por uma classe de pessoas
especializadas na produção desse tipo de arte, bem como um sistema inicial de escrita. Com a
emergência da Idade do Ferro, civilizações com processos rudimentares de escrita já tinham surgido

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no Egito Antigo e na China Antiga. Muitos povos indígenas em todo o mundo continuaram a produzir
trabalhos artísticos distintos e característicos de determinada cultura e área geográfica – com
traços da arte pré-histórica –, cujos registros se tornaram possíveis com o advento do comércio e
do mercantilismo, que procuravam por esses objetos para a realização de seus negócios. Algumas
culturas antigas, nomeadamente a civilização maia, desenvolveram obras e manifestações típicas
de arte, de forma autóctone, durante o período em que esses tipos de povoamento floresceram
– em seguida, porém, essas obras se perderam por falta de registro. Essas culturas podem ser
classificadas como pré-históricas, especialmente porque os seus sistemas de escrita até hoje não
foram decifrados. A seguir, na figura 1, alguns exemplos de arte pré-histórica:

Figura 1 – Exemplos de arte pré-histórica.

Pintura rupestre encontrada em Villa Traful, Argentina; (B) As bordas desse bisonte sensacional da
caverna de Altamira são feitas com manganês preto e coloridas com ocre e vermelho; algumas partes
parecem esculpidas, e destaca-se o rosto humanoide do animal. Fontes: <[Link]
img/fotos/SRVarios_7.jpg>; <[Link]

A pré-história é considerada o período anterior ao aparecimento da escrita, o que significa ser


ela anterior a 4 000 a.C. É nessa fase que o homem começa a dominar a natureza. Por meio de
instrumentos aprimorados, de acordo com as necessidades diárias, vai encontrando facilidades
para a sua vida. Por essa razão, os objetos mais remotos de que temos conhecimento tinham a
finalidade de abrandar as forças da natureza ou controlar as intempéries a que esses homens
estavam expostos. Esses objetos eram feitos de pedaços de ossos e pedras, e, como não havia o
conceito de propriedade privada, sua produção era coletiva.

Se analisarmos arte como algo feito pelo homem, teremos como exemplos atuais diversas
edificações que se transformaram em residenciais ou públicas, museus, templos etc. A história da
arte se utiliza de várias áreas do conhecimento e por isso é considerada uma ciência multidisciplinar
que estuda a arte através do tempo, levando em consideração as diferentes culturas e o momento

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histórico no qual a arte acontece. É na Idade da Pedra (Paleolítico Superior, Mesolítico e Neolítico)
que se pode analisar os primeiros artefatos tangíveis. Durante o Período Neolítico, o homem deixa
de ser nômade e consequentemente começa a agricultura: o sedentarismo foi necessário para que
o homem pudesse usufruir dessa nova prática.

A arte começou a ser objeto de estudo no Renascimento, embora apenas se analisasse a


produção artística ocidental. Com o passar do tempo, procurou-se também compreender e analisar
a produção artística de todas as civilizações, levando sempre em consideração os valores culturais
e o momento em que tal arte foi feita.

No século XX, a humanidade começou a olhar para a arte de uma forma mais preservativa, e os
estudos e a difusão dessas obras passaram a ser protegidos. Para tanto, surgiram instituições, museus,
galerias e fundações na iniciativa privada e na pública com a finalidade de preservar e catalogar
as obras, levando-as à exibição pública. A Unesco, por meio da criação de listas do Patrimônio
Mundial, apoia a conservação de monumentos nos mais variados lugares, independentemente do
país em que se encontram.

SAIBA MAIS

O artigo a seguir apresenta a arte rupestre no Brasil e apontamentos de estudos da arte rupestre
portuguesa, como fontes historiográficas, possibilitando interpretações dos “grafismos rupestres” e
da pré-história.

Link: <[Link] >.

ARQUEOLOGIA: MÉTODOS, TÉCNICAS E PESQUISAS


As primeiras escavações no continente europeu começaram nos séculos XV e XVI, em busca
de relíquias religiosas para coleções particulares; por terem como objetivo apenas a coleção de
objetos históricos, na época não havia nenhum método para a pesquisa arqueológica.

Foi por meio do personagem Indiana Jones, interpretado por Harrison Ford, que o trabalho do
arqueólogo ficou conhecido do grande público: fantasiava-se as aventuras vividas pelo personagem,
e ser arqueólogo significava ser um caçador de relíquias antigas e valiosas. Na realidade, a vida
profissional do arqueólogo é totalmente diferente do ideário plantado pelos filmes; eles trabalham
com métodos de investigação e fazem um trabalho científico.

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Para se estudar a pré-história, seu trabalho é imprescindível. Os arqueólogos estudam as culturas


e sociedades antigas utilizando-se dos vestígios materiais encontrados, e por meio dessa pesquisa
é que obtemos as informações referentes a esse período da vida da humanidade. Segundo Evans e
Meggers (1965), “cada sítio arqueológico é uma página ou um capítulo da história da humanidade,
e cada sítio destruído é uma página ou capítulo arrancado do texto, deixando uma lacuna mais
difícil de ser lida”.

Os arqueólogos têm como ferramentas de trabalho a bússola, a trena e as balizas, e um bom


trabalho arqueológico é composto de quatro etapas: levantamento do campo, prospecção, resgate
e monitoramento. Todas as etapas são importantes, uma vez que, depois de pesquisado, o objeto
de pesquisa deixa de existir, porque foi alterado.

A descoberta de um sítio arqueológico pode ser fruto do acaso ou se dar por meio de aparelhos
detectores eletromagnéticos, fotografias aéreas, análises topográficas ou cartográficas. O tempo
de duração do trabalho é indefinido. A preparação do terreno se inicia com a limpeza, que algumas
vezes consiste na retirada de plantas e pedras. Em seguida, há o nivelamento. A etapa seguinte é
a delimitação da área de estudos. Só após essas etapas vencidas passa-se à sondagem, que é a
observação da superfície em busca de algum vestígio de ocupação humana no local. Para essa
etapa, a ferramenta de trabalho é a colher de pedreiro, pois não é muito profunda a escavação.
Divide-se então o terreno em quadrados, e cada arqueólogo cuida de um deles, o que permite maior
facilidade para catalogar os objetos encontrados. Utiliza-se também espátulas, pá, balde e peneira,
porque toda a terra tirada é peneirada e reservada. Embora sejam muitos profissionais trabalhando
lado a lado, todos se mantêm na mesma profundidade durante a escavação.

Se algo é encontrado, limpam o objeto com pincel, tiram fotos da peça de diferentes ângulos
e/ou desenham mantendo uma escala. A respeito do sítio arqueológico brasileiro mais famoso,
localizado no Piauí, Forlin (2012) afirma:

Escavada de 1978 a 1988, a Toca do Boqueirão da Pedra Furada ajudou a reconstruir


a história da presença do homem na região desde cerca de 60 mil até 6 mil anos
atrás. É a mais completa estratigrafia (identificação de características distintas das
ocupações humanas no solo) encontrada até hoje nas Américas.

Nas figuras a seguir, alguns exemplos desses tipos de registro.

Na Espanha:

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Figura 2 – Sítio de Sima de los Huesos.

Fonte: <[Link]

No Chile:

Figura 3 – Monte Verde.

Fonte: <[Link]

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Figura 4 – Ilha de Páscoa.

Fontes: <[Link] <https://


[Link]/wiki/File:15_Moais_en_Tongariki_-_panoramio_(1).jpg>.

No México:

Figura 5 – Península de Yucatán.

Fonte: <[Link]

Algumas pessoas fazem confusão quanto à área de atuação da arqueologia e a da paleontologia.


Ambas as ciências são muito importantes no que se refere a dar subsídios para que tenhamos
informações relativas à época pré-histórica. Porém, enquanto a arqueologia procura, identifica e
estuda os objetos feitos pelos seres humanos na antiguidade, a paleontologia estuda a fauna e a
flora fossilizadas.

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AS SOCIEDADES PRIMITIVAS
Segundo Harari (2015):

Muito antes de haver história, já havia seres humanos. Animais bastante similares
aos humanos modernos surgiram por volta de 2,5 milhões de anos atrás. Mas, por
incontáveis gerações, eles não se destacaram da miríade de outros organismos com
os quais partilhavam seu habitat.

Esses seres humanos não tinham nada de especial, e tal como nós faziam parte da família dos
primatas. A palavra humano tem como significado “animal pertencente ao gênero Homo” o que
nos coloca como representante da espécie. Pertencendo ao mesmo gênero, surgiram, conforme
Harari (2015):

• Homo neanderthalensis: “homem do vale de Neander”, habitava a Europa e a Ásia, e se adaptou


ao clima frio da era do gelo.
• Homo erectus: “homem ereto” também viveu nessa região em torno de 1,5 milhão de anos, o
que o torna a espécie humana mais duradoura.
• Homo soloensis: “homem do vale do Solo”. O Homo soloensis, que viveu na ilha de Java, estava
adaptado ao clima dos trópicos.
• Homo floriensis: Também na Indonésia, mas na Ilha de Flores, os habitantes passaram por
necessidade de alimentos porque ficaram ilhados quando o nível do mar subiu. Haviam
chegado à região durante uma época de maré muito baixa, o que facilitou a chegada. As
pessoas grandes evidentemente precisavam de mais comida, e com a falta dela, morriam. As
menores, que necessitavam de menos quantidade de alimento, sobreviveram, e com o passar
das gerações se tornaram anãs. Estas pertenciam à espécie Homo floriensis.

Entre as espécies a seguir, oriundas da África Oriental, a altura era muito variada, existindo desde
gigantes até anões. Alguns eram caçadores e outros apenas coletavam da natureza o necessário
para a alimentação do grupo, uma vez que a vida era comunitária.

• Homo rudolfensis: é uma espécie humana fóssil descoberta em 1972 por Berbard Ngeneo, no
Quênia. Seu nome faz referência ao local onde foi encontrado: é o “homem do lago Rudolf”,
sua idade é estimada em 1,9 milhão de anos, e os indivíduos “possuem face mais aplainada e
larga, os dentes caninos mais largos e apresentam coroas mais complexas, raízes e esmalte
[dos dentes] mais espessos” (WIKIPÉDIA).

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• Homo ergaster: significa “homem trabalhador”. É uma espécie de hominídeo que viveu por
aproximadamente 1,8 milhão de anos na África. Acredita-se que essa espécie foi o mais antigo
ancestral do gênero Homo e que utilizou diversos instrumentos de pedra bem elaborados,
além de ter dominado o fogo, pois foram encontrados indícios de fósseis que sugerem a
manipulação do fogo.
• Homo sapiens: podemos estimar que os primeiros Homo sapiens surgiram há mais de 300
mil anos; os cérebros da nossa espécie antigamente possuíam 83% do volume do cérebro
atual. Esses arquétipos (padrões) eram caçadores hábeis, cozinhavam carne, usavam roupas
de pele de animais e construíam lanças e cabanas.
Figura 6 – Provável caminho evolucionário dos hominídeos.

Fonte: Leakey (1980, p. 84-85).

As sociedades primitivas tinham a sobrevivência calcada na caça e na agricultura. As mudanças


climáticas ocorridas no Período Neolítico levaram ao desaparecimento de grandes animais e
consequentemente à diminuição da caça. Essas alterações obrigaram o ser humano a se reorganizar
para sobreviver, e foi por meio do desenvolvimento da agricultura (já mencionada) e da pecuária que
se tornou sedentário e procurou permanecer junto a rios, conseguindo fazer uma grande mudança
no seu modo de vida.

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ACONTECEU

Saiba mais sobre a evolução humana acessando o texto E no princípio...era o macaco!, do


evolucionista Walter A. Neves:

Link: <[Link]

AS PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS DO HOMEM: ARTE PRÉ-


HISTÓRICA
A pré-história foi o início da evolução humana e surgiu com os primeiros hominídeos. Até 10 000
a.C., aproximadamente, durou o primeiro e mais longo período do desenvolvimento humano, o chamado
Paleolítico ou Idade da Pedra Lascada. Alguns estudiosos subdividem essa fase da civilização em
Paleolítico Inferior, até 300 000 a.C., seguido do Paleolítico Superior, de 300 000 a.C. a 10 000 a.C.
A sobrevivência era garantida pela coleta de frutas e raízes, caça e pesca. Os recursos de que os
homens se valiam eram rudimentares, e para a sua confecção utilizavam pedras, ossos e madeira,
que adquiriam na natureza. As vicissitudes do ambiente, ora quente, ora frio, obrigavam-nos a serem
nômades para poderem adquirir alimentos e se proteger das intempéries. Moravam em cavernas
naturais, copas de árvores ou faziam uma espécie de tenda com palha para se protegerem; viviam
também em grupos, e todas as necessidades para a sua sobrevivência eram resolvidas grupalmente.
Descobriram como utilizar o fogo, que usavam para se aquecer, se proteger dos animais e também
preparar alimentos.

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Figura 7 – A transformação primitiva do sílex em ferramentas de pedra.

Objetos de pedra lascada do Paleolítico e machado de pedra polida. Fonte: Vicentino (1997, p. 12).

Muitas daquelas cavernas, com o passar do tempo, tiveram outras funções para o grupo e
tornaram-se local para abrigar os mortos e, posteriormente, centros cerimoniais. Entre 100 000
a.C. e 10 000 a.C., as mudanças climáticas e ambientais forçaram a migração de animais e dos
seres humanos que ocupavam diversas regiões do globo: da África à Europa, da Ásia à América e
à Austrália.

A duração da última glaciação, que obrigou os europeus a viver em cavernas, significa


que muitos de seus esforços artísticos sobreviveram à passagem do tempo, e
muitos exemplos magníficos têm sido descobertos na França (mais de 60 cavernas
conhecidas) e Espanha (até agora por volta de 30). Graças ao clima um tanto ameno
na África, os indivíduos de lá não tiveram que se refugiar em cavernas. Isso significa,
infelizmente, que a maior parte das pinturas pré-históricas da África ficavam nas
superfícies expostas das rochas, que aos poucos se desgastaram pela ação do
tempo. No entanto, existe uma exceção impressionante: no distrito de Cheke, na
Tanzânia, há algumas superfícies de rochas que fizeram parte de abrigos rochosos
pré-históricos, pintadas com cenas de animais e seres humanos, em grande parte
no mesmo estilo e técnica de composição que os similares da Europa. [...]

Ao tempo em que os povos da África e Europa estavam trabalhando em suas pinturas


mais avançadas, a humanidade já tinha conquistado mais dois continentes, a Austrália

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e as Américas. Em ambos os casos, há o problema de como eles viajaram da massa


de terra Europa-Ásia-África para o que hoje são as ilhas. Como eles atravessaram os
mares? (LEAKEY,   1980, p. 141-2).

Surge o arco e flecha, além do arremessador de lanças. Houve também maior domínio no uso
do fogo, o que permitiu o surgimento das aldeias como centro de convivência. Os valores culturais e
espirituais são verificados pelas habilidades artísticas deixadas nas pinturas de diferentes cavernas,
como Altamira, na Espanha, e Lascaux, na França.

Figura 8 – Pintura de Bisão.

Bisão, aproximadamente 15 000 a.C.-10 000 a.C. Pintura na caverna de Altamira (Espanha). Fonte: <https://
[Link]/wiki/File:Cave_of_Altamira_and_Paleolithic_Cave_Art_of_Northern_Spain-[Link]>.

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Figura 9 – Caverna de Lascaux (França).

Pintura na caverna de Lascaux, datada de ‌‌aproximadamente 15 000 a.C.-10 000


a.C. Fonte: <[Link]

As artes rupestres datam do período de 32 000 a.C. a 12 000 a.C. Essa era uma das formas de
comunicação dos homens, além de algumas poucas quantidades de sons sem a formulação de
palavras. O sedentarismo foi facilitado pela abundância de vegetais em algumas regiões ricas em
aveia, trigo e cevada. Ao permanecerem mais tempo num mesmo local, os seres humanos tiveram a
possibilidade de acompanhar o ciclo de desenvolvimento de certas plantas e reproduzi-lo. Segundo os
dados que se tem, os primeiros alimentos cultivados foram a abóbora e o feijão, além dos já citados
aveia, trigo e cevada. É nessa época que surge, dentro das comunidades, a divisão de tarefas por
sexo. Ao homem coube proteger e sustentar as famílias; à mulher, cuidar dos filhos, da habitação
e das tarefas agrícolas. O passo seguinte, atingido graças ao grau de estabilidade proporcionado
pelo sedentarismo, além do desenvolvimento das técnicas, fez surgir a metalurgia. No Período
Neolítico, também chamado de Idade da Pedra Polida, que começou aproximadamente em 10 000
a.C. e perdurou até cerca de 4 000 a.C., os homens começaram a construir imensos monumentos
de pedras, que se transformavam em câmaras mortuárias ou em templos.

Por essas construções serem muito pesadas, era necessário o trabalho de muitos homens, e foi
daí que surgiu a alavanca, possibilitando o transporte das enormes pedras das obras arquitetônicas.
Esses monumentos de pedra foram denominados megálitos, e podem ser classificados como
dólmens, galerias cobertas que davam acesso a uma tumba; menires, grandes pedras cavadas no

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chão na posição vertical; e os cromlech, que são os dólmens e os menires colocados em círculo. O
exemplo mais famoso desse tipo de escultura é Stonehenge, que se encontra na Inglaterra e tem
cerca de 30 metros de diâmetro.

Figura 10 – Stonehenge.

Estima-se que Stonehenge, localizada em Wiltshire, Inglaterra, tenha sido erguida aproximadamente
em 3 000 a.C. Fonte: <[Link]

O aprendizado em confeccionar com metais algumas ferramentas de trabalho, como machados,


lanças etc., melhorou a caça e a produção, trazendo mais qualidade e rapidez a esses processos.
Os homens passaram a armazenar os excedentes agrícolas para poder utilizar na época de seca,
das inundações ou em outros momentos que viessem a gerar escassez de alimentos. Em seguida,
passaram a trocar entre as comunidades o que havia de excesso pelo que necessitavam ou
tinham em menor quantidade. Uma grande troca entre vilas ou pequenas cidades começa a existir
gerando mais trabalho dentro de cada grupo, dando origem ao trabalhador especializado. Foram
tão importantes os desenvolvimentos da domesticação dos animais e da agricultura que alguns
historiadores afirmam que essa foi a revolução neolítica:

Aquilo que chamamos revolução agrícola [ou neolítica] foi, muito possivelmente,
antecedido por uma revolução sexual, mudança que deu predomínio não ao macho
caçador, ágil, de pés velozes, pronto a matar, impiedoso por necessidade vocacional,

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porém, à fêmea, mais passiva, presa aos filhos, reduzida nos seus movimentos
ao ritmo de uma criança, guardando e alimentando toda a sorte de rebentos [...],
plantando sementes e vigiando mudas, talvez primeiro num rito de fertilidade, antes
que o crescimento e multiplicação das sementes sugerisse uma nova possibilidade
de se aumentar a safra de alimentos.

[...]

A domesticação, em todos os seus aspectos, implica duas largas mudanças: a


permanência e continuidade de residência e o exercício do controle e previsão de
processos outrora sujeitos aos caprichos da natureza. Ao lado disso, encontram-
se hábitos de amansamento, nutrição e criação. Nesse passo, as necessidades,
as solicitações, a intimidade da mulher com os processos de crescimento e sua
capacidade de ternura e amor devem ter desempenhado um papel predominante.
Com a grande ampliação dos suprimentos alimentares, que resultou na domesticação
cumulativa de plantas e animais, ficou determinado o lugar central da mulher na
nova economia.

As palavras “lar e mãe” estão, certamente, escritas em todas as fases da agricultura


neolítica e não menos nos novos centros de aldeamento, afinal identificáveis nos
fundamentos das casas e nas sepulturas. Era a mulher que manejava o bastão de
cavar ou a enxada: era ela que cuidava dos jardins e foi ela quem conseguiu essas
obras-primas de seleção e cruzamento que transformaram espécies selvagens
e rudes em variedades domésticas prolíficas e ricamente nutritivas; foi a mulher
que fabricou os primeiros recipientes, tecendo cestas e dando forma aos primeiros
vasos de barro. Na forma, também, a aldeia é criação sua: não importa que outras
funções pudessem ter, era a aldeia o ninho coletivo para o cuidado e nutrição dos
filhos. (MUMFORD, 1965, p. 22-3).

Com o surgimento do arado e da propriedade privada da terra e dos animais, os homens passaram
a ser os responsáveis pela produção. Nesse período, a mulher era muito importante: na escrita
egípcia hieroglífica se representava casa ou cidade como símbolo de mãe, enfatizando seu valor
para o grupo. É no Período Neolítico que as relações familiares e a noção de propriedade passam
a ter uma complexidade maior. As moradias deixam de ser as cavernas e se inicia o processo de
construção de habitações em forma de cabanas de madeira, barro ou tenda de couro e palafitas.
Surgem então as aldeias, mais focadas na agricultura, o que possibilitou o aumento da população.

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Figura 11 – Instrumentos.

O bronze (liga de cobre e estanho) e posteriormente o ferro originaram instrumentos


cada vez mais sólidos e cortantes. Fonte: Vicentino (1997, p. 15).

Ainda sobre a fase de transição do Neolítico:

O período neolítico foi marcado pela transição do coletivismo do período pré-histórico


à verdadeira noção de propriedade dos tempos históricos. Foi também responsável
pela transição das aldeias e vilas para as cidades e destas para o nascimento dos
grandes Estados. A produção de grãos deu origem ao celeiro, e este, por sua vez,
originou uma muralha de proteção.

Logo foi preciso formar-se um exército para proteger o celeiro. Com isso, surgiram o
poder para controlar o excedente e a figura do administrador, ao qual cabia fixar os
impostos e registrar os sacos de trigo produzidos. Ao mesmo tempo, consolidava-se
a existência do templo e do palácio. Erigiam-se assim os pilares de um novo mundo,
bem diverso do da Pré-História.

Considerando vários indícios e até mitos conhecidos da Mesopotâmia e do Egito,


é possível imaginar uma simbiose entre caçadores, pastores e agricultores, a qual
acabou originando um poder dominante. (MUMFORD, 1965, p. 38).

Tanto os caçadores como os pastores e agricultores desenvolveram habilidades que fizeram


deles pessoas mais capacitadas. Os caçadores passaram a caçar com mais eficiência, e os
pastores venceram a força e a violência para defender o rebanho das ameaças externas. As aldeias,

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particularmente aquelas de agricultura desenvolvida, transformaram-se em cidades que, por sua


vez, se tornaram as primeiras grandes civilizações da humanidade nos vales de importantes rios:
entre os rios Tigre e Eufrates, a cultura mesopotâmica; no Rio Nilo, a cultura egípcia; no Rio Indo,
a cultura indiana; e no Rio Amarelo, a cultura chinesa. Tanto a cultura egípcia quanto a cultura
mesopotâmica estavam localizadas em regiões semiáridas; por isso, foram necessárias obras
hidráulicas para o cultivo agrícola. Com o surgimento da organização nas cidades, cria-se a figura
do Estado, que organizava a produção comunitária, controlava os diques e canais, apropriava-se por
meio da tributação dos excedentes produzidos e retornava construindo obras públicas e prestando
serviços administrativos. Nos locais com servidão coletiva, o indivíduo explorava a terra por ser
membro da comunidade, servindo ao Estado, que era proprietário da terra – representado pela
figura do faraó, no Egito, e do imperador, na Mesopotâmia.

Figura 12 – Civilizações da Antiguidade.

As civilizações asiáticas do Egito e da Mesopotâmia foram sobrepujadas, ao longo da Antiguidade,


pelas civilizações escravistas grega e romana. Fonte: Vicentino (1997, p. 20).

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AS SOCIEDADES DA ERA PÓS-ESCRITA


Da complexidade dessas sociedades surge a necessidade de transmitir e documentar as
informações não apenas por meio da transmissão oral. Vários povos criaram diferentes maneiras
de registrar suas falas, e assim surgiu a escrita, associada a sinais gráficos. Cada povo a utilizou
com seus próprios códigos.

Na Europa Antiga, Austrália e China, os mensageiros usavam bastões de madeira, com


sinais gravados, para ajudar a lembrar das mensagens. Os antigos incas tinham os
“quipos”, cordinhas com fios entrelaçados de várias cores e tamanhos, com nós de
diferentes quantidades e distâncias que ajudavam a marcar as informações (LIMA,
2013, p. 17).

Alguns povos, como os indígenas brasileiros, mantiveram sua cultura por meio da linguagem
oral. Torna-se difícil reconstruir o caminho para a criação da escrita, mas supõe-se que partiu da
representação figurativa do mundo, com desenhos de objetos concretos: sol, homem, animais etc. É
a chamada escrita ideográfica, resumindo-se no objeto representado. Na escrita ideográfica existe
um afastamento das figuras originais no significado e na forma, que se torna estilizada; temos como
exemplo a escrita de alguns povos orientais, como os japoneses e os chineses.

A ARTE DA BABILÔNIA E DO EGITO

Babilônia
Para o rei Nabucodonosor, a cidade da Babilônia era o “berço do mundo”, pelo fato de ser onde
a arte e a arquitetura surgiram. É também o local dos Jardins Suspensos e da Torre de Babel. Esta
foi considerada por autores bíblicos como símbolo da arrogância humana, já que buscava-se por
meio da torre chegar ao céu. O historiador grego Heródoto descreve a construção como oito torres
empilhadas, contando com 120 leões em cerâmica vitrificada que levavam a portões de metal
maciço. Havia externamente uma escada em espiral que ia ao seu topo, onde em um santuário
interno havia um sofá e uma mesa de ouro adornada. Os babilônios afirmavam que esse espaço
era onde seu deus dormia.

Os Jardins Suspensos, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, eram compostos de seis
terraços de tijolos sobre o Rio Eufrates e foram construídos a mando do rei Nabucodonosor. Nos
jardins existiam árvores e arbustos de flores que se debruçavam sobre a cidade, e os seis terraços

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eram como se fossem seis andares, dando a impressão de estarem suspensos. Cada andar tinha
aproximadamente 120 m2 e era apoiado em gigantes colunas. Em cada terraço havia jardins
botânicos que continham árvores frutíferas, cascatas e esculturas dos deuses cultuados pelo povo.
Segundo documentos antigos, os jardins tinham ligação com o palácio do rei Nabucodonosor; ele
havia mandado construir os jardins para Amitis, sua esposa preferida, que sentia saudades dos
campos e florestas de sua terra natal, Média.

Por estarem localizados próximo ao Rio Eufrates, um amplo sistema de irrigação fluvial foi
construído para os jardins, com poços gigantes que chegavam a medir 23 metros de altura. A beleza
dos Jardins Suspensos exigia manutenção, a qual era feita pelos escravos, que operavam o sistema
de roldanas e baldes que levavam água para as cascatas e piscinas. Não existem documentos
encontrados na Babilônia que provem a existência dos Jardins Suspensos; apenas por meio de
registros de historiadores da Grécia Antiga é que se tem vagas informações.

Figura 13 – Representação dos Jardins Suspensos.

Fonte: <[Link]

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Figura 14 – Outras representações dos Jardins Suspensos.

(A) Cópia feita em baixo-relevo do Palácio Norte de Assurbanípal (669-631 a.C.) em Nínive mostra


um luxuoso jardim regado por um aqueduto; (B) Jardins Suspensos da Babilônia, interpretação
datada do século XX d.C. Fonte: <[Link]
of_Babylon.gif>; <[Link]

Para alguns, além dessas duas monumentais construções, o mítico “Jardim do Éden” ficaria
também na Mesopotâmia. O palácio de Sargão merece ainda ser mencionado:

O palácio de Sargão II, dominando Nínive, tinha mais de cem quilômetros quadrados
e era composto de mais de duzentos aposentos e jardins, além de uma bela sala
do trono, haréns, áreas de serviço e da guarda. Situado em um outeiro artificial de
quinze metros de altura, ocupava 1 600 metros quadrados da cidade. Seu ponto
mais alto era uma torre em forma de pirâmide (zigurate), que era um templo feito
de tijolos de mais ou menos seis metros de altura cada um, que foram pintados de
cores diferentes. Foi destruído em 600 a.C. (STRICKLAND, 2014, p. 14).

Figura 15 – Cidade do rei Sargão II.

Representação artística da cidade do rei Sargão II, aproximadamente 742 a.C.-406 a.C., Iraque. Fonte: <http://
[Link]/_5ZVfrqNx7ZM/SxGN7SvnjaI/AAAAAAAANSQ/j5LFImT0JPs/s640/[Link]>.

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A arte da Mesopotâmia era prioritariamente o baixo-relevo. Por meio dessa técnica e da escrita
cuneiforme, os entalhes transmitiam detalhadamente feitos militares e a coragem pessoal do rei
frente a expedições de caça. Era comum na época que os criados instigassem os leões e depois
os soltassem para que o rei os matasse. No British Museum, em Londres, existe o baixo-relevo A
leoa agonizante, que retrata o animal ferido com várias flechas no corpo. As orelhas baixas e os
músculos retesados transmitem a agonia do animal de maneira bem realista.

Figura 16 – A leoa agonizante.

A leoa agonizante, Nínive, aproximadamente 650 a.C. British Museum, Londres. Fonte: <[Link]
uCUEku6JALs/SY4BAo5IazI/AAAAAAAAA1k/pLZdhcHzsas/s1600/Palacio%2BN%C3%ADnive-Leona%[Link]>.

Egito
Pensar em arte sem analisar o Egito é algo impossível. Segundo muitos historiadores, a arte
egípcia é a “arte da imortalidade”. Para os egípcios, a imortalidade era muito importante, e por essa
razão eles se preocupavam em preservar o corpo – principalmente o dos faraós. Para eles, o faraó
era um ser divino que ao morrer voltava para junto dos deuses.

Na arqueologia existe um ramo da ciência chamado egiptologia, que tem por objetivo estudar
a civilização egípcia com base nas diversas antiguidades que sobreviveram. Essa especialidade
da arqueologia passou a existir a partir de 1799 quando Napoleão invadiu o Egito. Além de 38 mil
soldados, o imperador levou 175 estudiosos, linguistas, antiquários e artistas. Esses arqueólogos
pioneiros levaram para a França um enorme tesouro em obras de arte – dentre eles, a Pedra de
Roseta, uma laje de basalto que contém a mesma inscrição em três línguas, incluindo o grego e
os hieróglifos. Durante quinze séculos pesquisadores haviam estudado os hieróglifos sem nada

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compreenderem, mas, ao fim de 22 anos, o brilhante linguista francês Jean-François Champollion


decifrou o código. Essa descoberta despertou grande interesse pelo Egito Antigo. Os primeiros
egiptólogos saquearam túmulos e templos, fornecendo objetos para as coleções europeias. Papiros,
tecidos e artigos de madeira, que haviam sobrevivido intactos por milhares de anos, eram destruídos
da noite para o dia. Felizmente, extensas escavações e pesquisas científicas vieram substituir esses
métodos primitivos.

Figura 17 – Pedra de Roseta.

Na expedição militar de Napoleão ao Egito um jovem oficial de engenharia (Bouchard) encontrou, a 70


quilômetros de Alexandria, em Roseta, uma pedra (foto) que continha inscrições em diferentes idiomas:
grego, hieroglífico e demótico. Fonte: <[Link]

O Egito foi a primeira civilização de Estado unificado a durar três milênios. Preocupavam-se
com literatura, ciências médicas e matemática.

As tumbas que ainda existem, verdadeiras cápsulas de informação sobre a vida cotidiana de
seus ocupantes, nos permitiram conhecer muitos valores dos egípcios. Eram colocados nas tumbas

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dos faraós todos os seus bens materiais para que eles os usassem na eternidade; os pertences
e hieróglifos nas paredes registravam a vida do falecido. Já as estátuas do faraó serviam como
alternativa para a alma se hospedar caso o corpo mumificado se deteriorasse.

As pinturas e esculturas egípcias eram fiéis à figura humana. Eram representados em visão
frontal o olho e os ombros; já a cabeça, os braços e as pernas eram representados de perfil. As
pinturas em paredes eram divididas em painéis horizontais separados por linhas. Os faraós eram
representados em tamanho gigante, sobressaindo entre criados, que eram do tamanho de pigmeus.
Como o objetivo era a eternidade das esculturas, estas eram esculpidas em rochas duras como
granito ou diorito, possuindo poucas saliências para que não quebrassem com facilidade.

Figura 18 – Príncipe Rahotep e sua esposa Nofret, 2 610 a.C.

Escultura no Museu Egípcio do Cairo. Esculturas típicas em pedra calcária, com a pose imóvel, impassível,
das estátuas egípcias. Fonte: <[Link]

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Figura 19 – Imagem de Nefertiti.

Nefertiti, aproximadamente 1 360 a.C., Museu Egípcio de Berlim. Fonte: <[Link]


[Link]/wikipedia/commons/4/46/Nefertiti_30-[Link]>.

Por acreditarem que a alma ou força vital era imortal, os egípcios também se especializaram
na arte da mumificação com o intuito de perpetuar o corpo para a alma.

A preservação do corpo começava com a extração do cérebro do falecido através


das narinas com um gancho de metal. As vísceras – fígado, pulmões, estômago e
intestinos – eram removidas e preservadas em urnas separadas. O que restava ficava
imerso em salmoura durante um mês, e depois o cadáver era literalmente estendido
para secar. O cadáver enrugado era então recheado – os seios das mulheres eram
estofados –, envolto em várias camadas de ataduras, e finalmente confinado num
caixão e num sarcófago de pedra. Na verdade, o clima seco do Egito e a ausência
de bactérias nas areias e no ar provavelmente contribuíram para a preservação do
corpo tanto quanto esse tratamento químico. Em 1881, quarenta corpos de reis foram
descobertos, inclusive o do faraó Ramsés II, que tinha a pele ressecada, os dentes

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e os cabelos ainda intactos. O monarca, de três mil anos de idade, em cuja corte
Moisés se criou, era chamado “O Grande”, e por boas razões: gerou mais de cem
filhos durante seus opulentos 67 anos de reinado. No entanto, quando um inspetor
da alfândega examinou os restos de Ramsés II, na transferência da múmia para o
Cairo, rotulou-o como “peixe seco”. (STRICKLAND, 2014, p. 18).

Inicialmente apenas os faraós eram mumificados, mas com o passar do tempo a prática se
popularizou e, mediante pagamento, qualquer pessoa poderia ser mumificada.

Figura 20 – Múmia do faraó Ramsés II.

A cabeça da múmia de Ramsés II está no Museu Egípcio do Cairo. Fonte: <[Link]


T62OfoJjg5I/AAAAAAAAAQI/X4hLCdF1vKo/s1600/Imagens+Hist%C3%B3ricas+-+fara%C3%B3+Rams%C3%[Link]>.

A respeito do trabalho do artista no Antigo Egito, Gombrich (2013, p. 26) afirma:

A tarefa do artista consistia em preservar tudo o mais clara e permanentemente


possível. Assim, não se propuseram bosquejar a natureza tal como se lhes apresentava
sob qualquer ângulo fortuito. Eles desenhavam de memória, de acordo com regras
estritas que asseguravam que tudo o que tinha de entrar no quadro se destacaria com

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perfeita clareza. O método do artista, de fato, assemelhava-se mais ao do cartógrafo


do que ao do pintor.

A religião egípcia era politeísta – adoravam vários deuses – e antropozoomórfica, isto é, os


deuses eram representados por figuras meio humanas (antropo) e meio animais (zoo). Esses deuses
eram relacionados a aspectos do cotidiano dos egípcios (colheita, fecundação, família etc.), e Rá era
considerado o mais poderoso; era a base para a elaboração dos cultos. Esse deus era confundido
com o Sol, e sua representação era uma figura humana com um disco solar no lugar da cabeça.

No que diz respeito ao campo artístico e cultural, os egípcios desenvolveram um tipo de escrita
denominada hieroglífica (que significa escrita sagrada) durante o Antigo Império. Essa escrita era
pintada (pictográfica) e composta de sinais, e tinha como finalidade o uso nos ritos religiosos.
Embora tenhamos mais informações sobre os hieróglifos, os egípcios desenvolveram mais dois
tipos de escrita: a hierática, que era usada em textos mais correntes, e a demótica, que era mais
simples e de caráter mais popular.

O calendário de 365 dias foi criação dos egípcios. A astronomia, a matemática e a medicina
também foram muito desenvolvidas. Além dessas ciências, a arquitetura foi muito importante,
pois por meio do seu desenvolvimento foram construídos vários palácios, templos, as famosas
pirâmides e os túmulos dos reis e rainhas. Os arquitetos da época eram funcionários do Estado, e
seus trabalhos tinham como finalidade mostrar o poder dos faraós.

Das oitenta pirâmides remanescentes, a maior é Quéops, em Gizé: é a maior estrutura de pedra
em todo o mundo. A base dessa pirâmide era um quadrado perfeito de aproximadamente 52 km2. A
perfeição é tão grande que o ângulo sudeste é apenas um centímetro mais alto que o ângulo noroeste.
Seu interior é feito com lajes de calcário, e o teto da Grande Galeria foi construído em camadas e
escorado. A câmara do faraó recebeu um teto de seis camadas de granito sobre compartimentos
separados com o objetivo de aliviar a tensão e deslocar o peso dos blocos que estavam acima.

A pirâmide de Quéops foi construída em 2 600 a.C.; cerca de 4 mil operários trabalharam na
remoção dos blocos de até 15 toneladas, que foram transportados sem a ajuda de animais de tração,
veículos com rodas ou talhadeira.

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Figura 21 – Pirâmides.

Das pirâmides que sobreviveram até os nossos dias, a maior é a de Quéops, seguida de
Quéfren e Miquerinos, construídas sob o reinado dos faraós da quarta dinastia, no Antigo
Império. Fonte: <[Link]

Figura 22 – O jardim de Nebamum.

O jardim de Nebamum (aprox. 1 400 a.C.) é um mural de um túmulo em Tebas, 64 cm ×


74,2 cm. British Museum, Londres. Fonte: <[Link]
[Link]>.

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Ao analisarmos a parede do túmulo de Khnumhotep (figura 23), tomamos conhecimento,


por meio dos hieróglifos, de quem ele era e que títulos e honrarias recebeu ao longo da vida:
Administrador do Deserto Oriental, Príncipe de Menat Khufu, Amigo Confidencial do Faraó, Conviva
Real, Superintendente dos Sacerdotes, Sacerdote de Hórus, Sacerdote de Anúbis, Chefe de Todos
os Segredos Divinos e Mestre de Todas as Túnicas.

Figura 23 – Mural do túmulo de Khnumhotep.

Mural do túmulo de Khnumhotep, aprox. 1 900 a.C., encontrado em Beni Hassan.


Desenho baseado no original, publicado por Karl Lepsius, 1842. Fonte: <[Link]
com/originals/60/3f/7c/[Link]>.

No Egito Antigo havia uma série de leis referentes às representações que deveriam ser
rigorosamente respeitadas: as estátuas sentadas deviam ter as mãos sobre os joelhos; os homens
eram sempre pintados com a pele mais escura que a das mulheres; a aparência de cada deus egípcio
tinha as suas características próprias: Hórus, deus-céu, deveria ser representado como um falcão
ou com uma cabeça de falcão; Anúbis, deus dos ritos fúnebres, deveria ser como um chacal ou ter
uma cabeça de chacal. Isso deveria constar dos hieróglifos. Essas leis deveriam ser observadas, e
não se permitia que o artista fosse original. O bom artista era aquele que conseguisse reproduzir
monumentos já existentes com a maior perfeição.

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Porém, o rei da 18a dinastia, Amenófis IV, derrubou as regras do estilo egípcio. Para ele só
havia um deus supremo, que era Aton, representado na forma do disco de sol com seus raios, que
terminavam em mãos. As pinturas que Amenófis IV encomendou quebravam todos os padrões
da cultura egípcia. Não se via em nenhuma delas a presença dignificada dos faraós. Nesse relevo
(figura 24), o rei aparece com a sua esposa Nefertiti, acariciando seus filhos, com a presença dos
raios do sol os abençoando.

Figura 24 – Amenófis IV (Aquenáton) e Nefertiti com seus filhos.

Amenófis IV (Aquenáton) e Nefertiti com seus filhos, aprox. 1.345 a.C., relevo em altar de
pedra calcária, 32,5 cm × 39 cm. Museu Egípcio, Staatliche Museen, Berlim. Fonte: <https://
[Link]/wiki/File:[Link]>.

Seu sucessor foi o rei Tutancâmon, que morreu com 19 anos e se tornou famoso pelo fato de
sua tumba ter sido encontrada nas condições mais próximas das originais depois de três mil anos
de sua mumificação.

Durante seis anos, o arqueólogo inglês Howard Carter escavou o Vale dos Reis e por duas vezes
chegou a dois metros da entrada da tumba: certa vez, ao acender um fósforo por causa da escuridão,
enxergou o brilho do ouro. Na tumba, chegando à câmara mortuária, encontrou desde cestas de
frutas e guirlandas de flores (ainda com cores) até uma cama dobrável, uma caixa de brinquedos
e quatro carruagens revestidas de ouro.

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Além disso, ali estavam sofás de ouro, paredes de ouro e um caixão de quase dois metros de
ouro maciço, onde encontrava-se a real múmia com o rosto coberto pela máscara mortuária. Dentro
do sarcófago encontravam-se três caixões, um dentro do outro; a múmia de Tutancâmon estava
no interior do último deles.

Figura 25 – Máscara de ouro de Tutancâmon.

Máscara de ouro de Tutancâmon, faraó que morreu perto de 1.352 a.C., com apenas 19 anos de idade. O túmulo de
Tutancâmon foi descoberto em 1922, praticamente intacto e cheio de mobiliário e ornamentos típicos do período
de apogeu da civilização egípcia. Fonte: <[Link]

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CURIOSIDADE

Conheça mais a respeito da história do Egito Antigo e da importância da


arte para esta civilização acessando o livro do professor Arnoldo Walter
Doberstein, O Egito Antigo, disponibilizado abertamente: <[Link]
pdf>.

A ARTE DA GRÉCIA

A Grécia
Segundo alguns estudiosos, a história da civilização ocidental começou na Grécia Antiga. Do
ano 480 a.C. a 430 a.C. houve um avanço fantástico nos campos das artes, da arquitetura, da poesia,
do drama, da filosofia, do governo, das leis, da lógica, da história e da matemática; a criatividade
fez com que o nível de excelência chegasse a essas áreas da civilização ocidental. Em razão da
democracia implantada na Grécia, era permitido que os cidadãos participassem de alguns assuntos
de governo. O auge da democracia ateniense coincidiu com o da arte grega.

Em 480 a.C., porém, os templos situados no rochedo sagrado de Atenas, a Acrópole, construídos
em mármore com esplendor e nobreza, foram incendiados e saqueados pelos persas.

Figura 26 – O Parthenon.

O Parthenon é um templo dórico. Acrópole, Atenas ,447 a.C-432 a.C. Fonte: <https://
[Link]/wiki/File:Acropolis,_Athens-[Link]>.

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A experiência grega com a pintura fazia com que as imagens fossem tão detalhadamente pintadas
que davam a impressão de serem cenas reais. Embora os murais não tenham sido preservados,
pode-se notar o realismo dos detalhes por meio de objetos domésticos, feitos de cerâmica. Os
monumentos eram considerados grandes estruturas, e por essa razão eram construídos com os
mesmos critérios de outras edificações. As esculturas eras usadas para contar a história da deidade
do templo; eram construídas na frente dos templos por ser nesse local que aconteciam os ritos
públicos.

A principal característica do Período Clássico era a postura impassível da fisionomia das esculturas;
é daí que surge o termo “estilo severo”. Independentemente do que estava sendo apresentado, o
semblante não deveria demonstrar nenhuma expressão facial. As cores vermelha e azul eram
utilizadas normalmente nas figuras que se projetavam no fundo de mármore. A preocupação com
a perfeição fazia com que as figuras fossem feitas praticamente completas, mesmo que fossem
ficar presas no fundo de um painel.

Quanto aos estilos arquitetônicos, a ordem dórica surgiu na Grécia continental; já a ordem jônica
aconteceu e se difundiu mais nas povoações gregas da Ásia Menor e do Egeu. A ordem coríntia,
que tinha como característica colunas encimadas por folhas de acanto estilizadas, surgiu bem mais
tarde, e foi usada em exteriores já durante o Império Romano. A curva ao longo das linhas de cima
recebe o nome de entasis e as colunas caneladas algumas vezes eram substituídas por figuras
femininas chamadas cariátides.

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Figura 27 – Arquitetura grega.

Fonte: <[Link]
E5gS0-LcUKZIYmbwViPEGSQZwCLcB/s640/Ordens%2Barquitect%25C3%25B3nicas%2BArq
uitetura%2BGrega%2Bdorico%2Bcorintio%2Be%2Bjonico%2B%25282%[Link]>.

História da arte grega

A história da arte grega é dividida em três períodos, mas as datas não são um consenso entre
os historiadores:

• Período Arcaico – do século VIII a.C. ao VI a.C.


• Período Clássico – época da grande dominação ateniense; começa no século V a.C. e vai até
IV a.C.
• Período Helenístico – do século III a.C. ao II a.C.

Período Arcaico
Foi a fase em que os gregos desenvolveram a representação da figura humana. Eles se preocupavam
com os detalhes do corpo e das roupas porque acreditavam que os deuses tinham a forma humana;
era necessário, portanto, que chegassem à perfeição. Desenvolveram a representação de jovens
(kouroi, em grego; seu singular é kouros) com o objetivo de pedir ou agradecer aos deuses. Nos
kouroi masculinos consegue-se notar a preocupação da definição dos músculos, pernas separadas
e um esboço de movimento.

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Figura 28 – Kouros de Anavissos, c. 530 a.C.

Fonte: <[Link]

Os gregos receberam a influência das culturas egípcia, assíria, cretense e micênica. Utilizavam
madeira, pedra e terracota como material, e predominantemente faziam esculturas que sobressaíam
da parede (na sua metade ou pouco mais da metade), às quais se dá o nome de esculturas de
alto-relevo e de baixo-relevo. Os temas eram principalmente mitológicos, representados nos frisos,
métopas (recurso arquitetônico) e tímpanos dos templos, e tinham como finalidade o culto divino.
As figuras eram rígidas, quase estáticas, e geralmente a perna esquerda era representada à frente
da direita para respeitar a lei da frontalidade egípcia; já os braços caídos ou a mão direita sobre
o peito eram um sinal de adoração. Os olhos eram amendoados, as maçãs do rosto salientes e a
barba e os cabelos desenhados de forma geométrica.

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Período Clássico
Não há um consenso na literatura a respeito da exata definição da palavra clássico. Mas, por
terem estabelecido padrões culturais, as civilizações grega e romana são intituladas “clássicas”.
Na cultura grega, especificamente, um dos seus períodos é denominado Período Clássico por ter
sido nele que se desenvolveu um estilo e se criaram obras consideradas por um longo tempo a mais
alta conquista na arte da escultura. O Período Clássico, entre os séculos V a.C. ao IV a.C. é o mais
glorioso da cultura grega, apesar de ser um período de muitas guerras. Logo no início do período,
houve conflitos entre os gregos e os persas, e a soberania grega foi vencedora. Além disso, nesse
período os templos eram enormes, erguidos conforme as tradicionais ordens dórica e jônica; o
Parthenon (figura 26), por exemplo, foi construído em homenagem à deusa Atena, respeitando os
critérios clássicos.

Quanto à escultura:

A escultura do classicismo grego tem sido longamente considerada como o ponto


mais alto do desenvolvimento da arte Escultórica na Grécia Antiga, tornando-se
quase um sinônimo para “escultura grega” e eclipsando outros estilos que por lá
foram cultivados em sua longa história. “O Cânone”, um tratado sobre as proporções
do corpo humano escrito por Policleto em torno de 450 a.C., é tido geralmente
como seu marco inicial, e seu fim é assinalado com a conquista da Grécia pelos
macedônios, em 338 a.C., quando a arte grega começa uma grande difusão para
o oriente, de onde recebe influências, muda seu caráter e se torna cosmopolita, na
fase conhecida como helenismo. Nesse intervalo é quando se consolida a tradição
do Classicismo grego, tendo o homem como a nova medida do universo, e o reflexo
disso na escultura é a primazia absoluta da representação do corpo humano nu. A
escultura do Classicismo elaborou uma estética que conjugava valores idealistas
com uma fidedigna representação da natureza, evitando, embora, a caracterização
excessivamente realista e o retrato de extremos emocionais, mantendo-se geralmente
numa atmosfera formal de equilíbrio e harmonia. Mesmo quando o personagem
se encontra imerso em cenas de batalha, sua expressão parece pouco tocada pela
violência dos acontecimentos. (WIKIPÉDIA).

Das pinturas em painéis pouco restou, mas a pintura em cerâmica contendo as “figuras vermelhas”
e aquelas desenhadas sobre fundo branco tornaram-se populares. Sabemos pouco das pinturas
gregas, mas estas eram muito importantes. Apenas podemos ter uma noção do que ela foi por

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meio dos vasos que eram utilizados para guardar vinho ou azeite. Embora tenham o nome de vaso,
sua finalidade não era a de colocar flores, como nos dias de hoje. Nos vasos, os gregos retratavam
a história dos deuses e heróis da mitologia grega, ou narravam eventos como festas ou guerras.

Nos primeiros deles, se notam características egípcias.

Figura 29 – Aquiles e Ajax jogando damas, aproximadamente 540 a.C.

Vaso no estilo “figuras pretas”, assinado por Exekias; altura de 65 cm. Museu Etrusco, Vaticano. Fonte: <[Link]
[Link]/_YC_DMwnhk9A/TDejnjujPpI/AAAAAAAAAWQ/DJd8NU39gV4/s1600/[Link]>.

Nesse exemplar da figura 29 vemos dois heróis de Homero, Aquiles e Ajax, jogando damas em
uma tenda. Ambos são apresentados de perfil, e os olhos, representados como se estivessem de
frente; os corpos não têm a rigidez antiga.

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Figura 30 – A despedida do guerreiro, aprox. 510 a.C.-500 a.C.

Vaso no estilo “figuras vermelhas”, assinado por Eutímides; altura de 60 cm. Staatliche Antikensammlungen und
Glyptothek, Munique. Fonte: <[Link]

A descoberta do escorço (arte de representar os objetos em proporções menores que a realidade)


possibilitou que se pintasse nos vasos um pé visto de frente, e não mais de perfil:

Um vaso grego mostra com que orgulho essa descoberta foi adotada. Vemos um
jovem guerreiro vestindo uma armadura para a batalha. Seus pais que, em cada um
dos lados, o ajudam e possivelmente lhe dão bons conselhos, ainda são representados
em rígido perfil. A cabeça do jovem no centro também se mostra de perfil, e podemos
observar que o pintor teve alguma dificuldade em ajustar a cabeça ao corpo, que é
visto de frente. Também o pé direito ainda foi desenhado de maneira “padronizada”,
mas o esquerdo já está “escorçado”; vemos os cinco dedos dispostos como uma
fileira de cinco pequenos círculos. (GOMBRICH, 2013, p. 81).

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Por meio desse vaso, conseguimos perceber que passa a existir a preocupação em representar
o objeto pelo ângulo que é visto. Na figura 30, se observa que o escudo do jovem é visto de lado,
encostado numa parede.

Tratando agora de outro aspecto da escultura, vemos que esta tinha a função religiosa, política,
honorífica, funerária e ornamental, sempre com a temática humana. Duas obras feitas em bronze
iniciaram o período clássico: Auriga de Delfos e Poseidon.

Figura 31 – Auriga de Delfos.

Fonte: <[Link]

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Figura 32 – Poseidon.

Fonte: <[Link]

As estátuas de bronze de diversos tamanhos eram feitas com aspecto sedutor, harmonioso,
elegante e dinâmico, e assim se perpetuaram. A beleza do ser humano é idealizada, tentando-se
chegar à perfeição, e o nu feminino é introduzido. As figuras passam a romper com o rigor da
frontalidade e podem ser vistas de diferentes ângulos. Como material, os escultores usavam o
bronze e o mármore branco.

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Figura 33 – Afrodite.

Fonte: <[Link]
Aphrodite_of_Milos.jpg/800px-MG-Paris-Aphrodite_of_Milos.jpg>.

Pág. 42 de 80


Figura 34 – Discóbolo.

Fonte: <[Link]
jpg/436px-SFEC_BritMus_Roman_021-[Link]>. Acesso em 08 de setembro de 2017.

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Figura 35 – Hermes e Dionísio.

Fonte: <[Link]
at_Olimpia%2C_front.jpg/350px-Hermes_di_Prassitele%2C_at_Olimpia%2C_front.jpg>.

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Figura 36 – Doríforo.

O Doríforo foi a mais afamada criação de Policleto, em uma das melhores cópias antigas
existentes; hoje está no Museu Arqueológico Nacional de Nápoles. Fonte: <https://
[Link]/wiki/File:Doryphoros_MAN_Napoli_Inv6011-[Link]>.

Período helenístico
Alexandre, ao suceder seu pai, Felipe II, ampliou o império chegando até as margens do Rio Indo,
na Índia. Como havia sido educado pelo sábio grego Aristóteles, assimilou os valores da cultura
grega fundindo-a com a oriental; a essa nova maneira de se expressar foi dado o nome de helenismo.

É nesse período que a figura humana começa a ser representada com movimentos – por vezes
quase teatrais –, deixando de lado a formalidade das esculturas anteriores.

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Figura 37 – Laocoonte e seus filhos, 200 a.C.

Fonte: <[Link]

Na escultura Laocoonte e seus filhos, que representa uma lenda da época da Guerra de Troia, há
um corpo realisticamente esculturado, contendo dramaticidade – bem como todo o movimento das
serpentes envolvendo os corpos e a sensação de sofrimento no semblante das figuras humanas
ali representadas. A admiração por essa habilidade na representação da figura humana perdura
até os nossos dias.

O helenismo torna mais realistas os sentimentos de violência, dor e sensualidade, e a arquitetura


é apresentada com luxo e grandiosidade. Como exemplos dessa arquitetura pode-se citar o Farol
de Alexandria, no Egito, e a estátua de Apolo, em Rodes.

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Figura 38 – Representação em 3D do Farol de Alexandria.

Foi construído em 280 a.C. pelo arquiteto e engenheiro Sóstrato de Cnido, a mando de
Ptolomeu. Fonte: <[Link]

Figura 39 – Outras representações do Farol de Alexandria.

(A) Mosaico do século XIII; (B) Ilustração de Von Erlach, 1721; (C) Gravura de Hermann Thiersch,
1909. Fontes: <[Link]
jpg>; <[Link]
jpg>; <[Link]

O Farol de Alexandria é uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo e foi construído com o
objetivo de ser referência para os navegantes, na Ilha de Faros. Por causa do nome da ilha, até os

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dias atuais as construções que têm a mesma finalidade do Farol de Alexandria são chamadas de
farol. A construção tinha 150 metros de altura, numa base quadrada, e era superada por uma torre
de mármore. Acima da torre ficava a chama, acesa ininterruptamente, e no topo do farol estava a
figura responsável pelos mares na mitologia grega: Poseidon. Durante muitos anos foi a construção
mais alta feita pelo homem, mas um terremoto atingiu a ilha, destruindo o farol.

Figura 40 – Estátua de Apolo em Rodes.

(A) Gravura feita provavelmente no século XVI; (B) Gravura do século XVIII. Fontes:
<[Link] <https://
[Link]/wiki/File:Colosse_de_Rhodes_(Barclay).jpg>.

O Colosso de Rodes (figura 40) era uma estátua feita de bronze. Tinha 30 metros de altura
e 70 toneladas; internamente, contava com uma escada em caracol. Era também uma das Sete
Maravilhas do Mundo Antigo. Durante vários anos, a ideia que se tinha era de que cada pé da estátua
ficava de um lado da entrada do porto da ilha. Ainda hoje existe um grande mistério em relação à
veracidade da existência do Colosso de Rodes, que poderia ser uma lenda transmitida pelo povo
da ilha por meio da cultura oral. Lenda ou não, foi desse monumento que veio a inspiração para o
escultor Bartholdi produzir a Estátua da Liberdade, que fica em Nova York. Estudos arqueológicos
mais recentes afirmam – com base na teoria de que o porto não poderia ter ficado fechado durante
os mais ou menos dez anos de construção da estátua – que o Colosso na verdade estava numa
montanha situada na cidade de Rodes. Outro forte argumento baseia-se no fato de que o terremoto
derrubou a estátua e também destruiu várias casas; portanto, ela não estava no porto. Faziam
parte também das Sete Maravilhas do Mundo Antigo: a Pirâmide de Quéops; a estátua de Zeus, em
Olímpia; o Templo de Ártemis, em Éfeso; e o Mausoléu de Halicarnasso.

Figura 41 – Pirâmide de Quéops.

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Fonte: <[Link]
e3/[Link]/[Link]>.

Figura 42 – Estátua de Zeus, em Olímpia.

Construída por Fídias, no século V a.C., em homenagem a Zeus. Tinha 12 metros de altura, era
feita de ouro e marfim e também decorada com pedras preciosas. Foi levada para Constantinopla,
hoje Istambul, onde teria sido destruída por um terremoto em 462 a.C. Fonte: <[Link]
[Link]/wiki/File:Le_Jupiter_Olympien_ou_l%27art_de_la_sculpture_antique.jpg>.

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Figura 43 – Templo de Ártemis (reconstrução em 3D).

Templo de Ártemis, deusa da caça e dos animais selvagens, em Éfeso. Foi o maior templo do mundo
antigo. Fonte: <[Link]

Figura 44 – Mausoléu de Halicarnasso.

Pintura de Ferndinand Knab, 1886. Artemísia II, a sátrapa da Cária, em 353 a.C. mandou erguer
o mausoléu sobre os restos mortais de seu marido e irmão Mausolo. Fonte: <[Link]
[Link]/wiki/File:Mausoleum_at_Halicarnassus_by_Ferdinand_Knab_(1886)_cropped.png>.

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A ARTE DE ROMA
Roma é uma das cidades mais antigas da Europa. Foi fundada há mais de 2700 anos e permaneceu
habitada desde a sua fundação, inicialmente como centro do Império Romano e, depois, da Igreja
Católica. Vários idiomas falados na Europa têm a sua origem no latim, língua oficial do império,
e os sistemas políticos e jurídicos têm o antigo modelo romano como referência. A fundação de
Roma é ainda objeto de pesquisa de arqueólogos e historiadores porque as fontes literárias sobre
o assunto datam de centenas de anos após sua ocorrência. Foi criado pelos romanos um conto
mitológico sobre a origem da cidade e do Estado, que une-se com a obra histórica de Tito Lívio e
as obras poéticas de Virgílio e Ovídio (todos da era de Augusto) para explicar a sua origem. A obra
Eneida, do poeta romano Virgílio, conta que o príncipe troiano Eneias fugiu para a Península Itálica
depois de os gregos destruírem a cidade de Troia. Na região do Lácio, fundou a cidade de Lavínio.
Anos mais tarde, seu filho Ascânio fundou a cidade de Alba Longa.

Diz a lenda que Eneias foi sucedido por doze reis até que os irmãos Numitor e Amúlio brigaram
tentando ser reis de Alba Longa. Amúlio venceu e mandou matar os filhos e netos do irmão. Os
gêmeos Rômulo e Remo, netos de Numitor, foram jogados em um cesto nas águas do Rio Tibre. As
crianças, no entanto, foram protegidas pelos deuses e uma loba os alimentou. Depois de criados
e educados por um pastor de nome Fáustulo, retornaram para Alba Longa e mataram o tio-avô,
devolvendo o trono da cidade ao legítimo sucessor, seu avô Numitor, e receberam a permissão de
fundarem uma cidade. Rômulo fundou a cidade de Roma sobre as sete colinas, e então surgiu uma
disputa entre os dois irmãos para saber quem reinaria em Roma. Rômulo matou Remo e reinou
sobre a cidade fundada em 753 a.C. Depois dele, a cidade de Roma teve sete reis.

Roma chegou a dominar a Espanha, o norte da África e a Grécia, e no auge do seu poderio o
Império Romano se estendia da Inglaterra ao Egito e da Espanha ao sul da Rússia. Por meio do convívio
com diferentes culturas, os romanos assimilaram elementos de cada uma delas, acentuadamente
da grega, e simultaneamente estenderam sua influência a toda a Europa Ocidental e norte da África,
influência que viria a ser a base da arte para os períodos posteriores. A cidade entrou em declínio
durante a Idade Média, para se recuperar de forma espetacular por volta do século XI. De Roma
surgiram também grandes artistas do Renascimento e do Barroco, períodos posteriores.

Os antigos romanos usavam mármore e bronze gregos para enfeitar os fóruns: o imperador
Nero chegou a importar quinhentos bronzes de Delfos (cidade grega que foi declarada Patrimônio
Mundial pela Unesco), e os artistas romanos começaram a fazer cópias das obras gregas, por não
existirem mais os originais. O poeta Horácio comentou: “A Grécia conquistada conquistou seu brutal

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conquistador”. A arte romana é funcional e secular, e diferentemente da dos gregos, que inovavam,
os romanos priorizavam a administração.

É comum confundir a arquitetura romana com a grega.

Figura 45 – O Pantheon.

O Pantheon, 118 d.C.-125 d.C., Roma. A habilidade dos arquitetos romanos para criar espaços
é ilustrada pela rotunda com domo. Fonte: <[Link]
della_Rotonda,_obelisco_macuteo,_e_Pantheon_(Roma_2006).jpg>; <[Link]
org/wiki/File:Brockhaus_and_Efron_Encyclopedic_Dictionary_b44_706-[Link]>.

Figura 46 – Parthenon.

Parthenon, 448 a.C.-432 a.C., Atenas. O frontão triangular e a colunata do pórtico mostram o formato do
templo grego clássico. Fonte: <[Link]

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Quadro 1 – Comparação entre os estilos grego e romano.

Grego Romano

Estrutura Templos para glorificar Prédios cívicos (fórum,


os deuses termas) em honra do império

Paredes Concreto e fachada


De blocos de pedra
ornamental

Formas típicas Retângulos, linhas retas Círculos, linhas curvas

Sistemas de suporte Pilar e dintel Arco redondo, abóbadas

Coríntio
Estilo de coluna Dórico, jônico

Escultura Deuses e deusas Seres humanos realísticos,


idealizados autoridades idealizadas

Pintura Figuras estilizadas Imagens realísticas com


flutuando no espaço perspectiva

Temas da arte Mitologia Líderes cívicos, triunfo militar

Fonte: Arte comentada: da pré-história ao pós-moderno, 2014, p. 24.

Os romanos desenvolveram novas técnicas de construção, mas ainda usando as formas


gregas. Deixaram de lado o sistema de pilar e dintel, dois postes verticais que sustentam uma trave
horizontal, e começaram a usar o arco, abrangendo uma distância maior. Com o uso do concreto
e o descobrimento da pozolana – material de origem vulcânica encontrado na região de Pozzuoli,
na Itália, que se mistura com cal e se emprega como cimento hidráulico – foi possível realizar
projetos mais flexíveis, com o teto abobadado e imensas áreas circulares com teto encimado por
domo (cúpula).

Aqui estão algumas contribuições romanas para a arquitetura:

• Basílica – edifício oblongo, com absides semicirculares nas extremidades e altas janelas de
clerestório. Inicialmente, esse tipo de construção era ponto de reunião e encontro em Roma,
sendo imitado pelas igrejas cristãs nos tempos medievais.
• Abóbada cilíndrica – arco estreito, formando teto em semicilindro.

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• Abóbada de arestas – duas abóbadas cilíndricas da mesma altura, em intersecção de modo


a formar um ângulo reto.
Figura 47 – Estruturas de construção.

Fonte: Strickland (2014, p. 25).

Os romanos também adoravam banhos, e o maior exemplo de seu requinte são as Termas
de Caracala (215 d.C.), enormes, que eram frequentadas por 1500 banhistas: as piscinas tinham
diferentes temperaturas, e o sistema de canalização era movido por escravos que aqueciam as
saunas a vapor e as salas de exercícios. Segundo Sêneca, filósofo importante durante o Império
Romano: “Temos tanto luxo que acabaremos andando sobre pedras preciosas.”

Retornando à escultura, inicialmente os romanos copiaram as estátuas gregas, mas gradualmente


desenvolveram um estilo próprio. Os romanos tinham por hábito manter máscaras mortuárias
dos seus antepassados, feitas de cera; eram moldes das feições do falecido, e essa tradição
teve influência nas obras escultóricas romanas. Independentemente da tradição, produziram-se
bustos assemelhados a deuses, imperadores, políticos e líderes militares. Havia também o relevo,
que narrava, por meio de painéis, feitos militares e decorava arcos de triunfo. Um grande exemplo
desses monumentos é a Coluna de Trajano (106 d.C.-113 d.C.): “um relevo envolvendo a coluna em
mais de duzentos metros de espiral ininterrupta, comemorando massacres em mais de 150 cenas”
(STRICKLAND, 2014, p. 25).

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Figura 48 – Coluna de Trajano.

Coluna de Trajano, Roma, aprox. 114 d.C. Fonte: <[Link]


commons/thumb/6/65/Trajan%27s_Column_HD.jpg/257px-Trajan%27s_Column_HD.jpg>.

Figura 49 – Detalhe das figuras da Coluna de Trajano.

Fonte: <[Link]
[Link]>.

A Roma de 80 d.C. recebeu 50 mil espectadores na inauguração do Coliseu, durante a qual ele foi
inundado para a representação de uma batalha naval que contou com três mil atores. O combate de
gladiadores, em que alguns entravam na arena armados com escudo, espada e elmo, enquanto outros

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tinham apenas uma rede e um tridente, era muito popular. Muitas vezes o desfecho do combate era
mortal, caso a multidão baixasse o polegar; muitas vezes chegavam a morrer quarenta gladiadores
apenas numa apresentação. Havia também um espetáculo que precedia o evento, e nele era feita
a execução de criminosos; em seguida, vinha a luta de homens contra animais enfurecidos. Por
meio de um rudimentar “elevador”, leões famintos eram colocados na arena para devorar cristãos ou
escravos desarmados. Constava do espetáculo também a luta de homens contra ursos e caçadas
de elefantes ou rinocerontes. Ainda hoje o Coliseu serve de modelo para projetos de estádios atuais.

O número do ingresso de cada espectador correspondia a um portão determinado,


por onde entrava uma quantidade limitada de pessoas seguindo corredores e rampas.
Três tipos de coluna emolduravam a estrutura de 54 metros de altura, sequência típica
de um edifício romano. O equilíbrio das colunas verticais e das faixas horizontais
formadas por arcos dava unidade ao exterior, relativizando a enorme fachada numa
escala mais próxima da humana. (STRICKLAND, 2014, p. 26).

Figura 50 – O Coliseu.

O Coliseu, em Roma, é um anfiteatro de aproximadamente 80 d.C. Fonte: <[Link]


[Link]/wiki/File:Colosseum_in_Rome-April_2007-1-_copie_2B.jpg>; <https://
[Link]/wiki/File:Colosseum_from_inside_%[Link]>.

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Pompeia, uma cidade luxuosa, com 25 mil habitantes, ficou mais de 1500 anos esquecida por
estar coberta por uma camada de seis metros de cinzas e pedras-pomes, em consequência da
erupção do vulcão Vesúvio no ano 79 d.C. Nas escavações foram encontrados objetos triviais como
pães, peixes, ovos e nozes, e, além disso, residências inteiras com pinturas de natureza-morta e
paisagens realistas em todas as paredes, uma vez que as casas não tinham janela e se abriam para
um pátio central. As paisagens buscavam requintar os ambientes, e para isso pintava-se “falsas
janelas” com cenas que visavam dar a impressão de se estar vendo através de janelas.

Os efeitos de luz, sombra e perspectiva eram técnicas bem conhecidas dos artistas da cidade.
As cores predominantes eram vermelho, ocre e verde. Mosaicos eram feitos com pedacinhos de
pedras coloridas, vidro ou conchas colocados em paredes, tetos e pisos. No chão da entrada das
casas era comum a inscrição Cave Canem (“cuidado com o cão”), feita de mosaicos.

Figura 51 – Frisa.

Frisa, Vila dos Mistérios, Pompeia, aprox. 50 a.C. Praticamente em tamanho natural, a frisa presumivelmente
representa ritos dionisíacos secretos, que incluíam beber sangue de animais sacrificados. Fonte: <[Link]
[Link]/_5ZVfrqNx7ZM/SyuoL3FzHWI/AAAAAAAAPRA/n98Y7ymk_4s/s640/Multiplos%[Link]>.

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O PERÍODO MEDIEVAL E SUAS CARACTERÍSTICAS


Para se entender o período medieval é necessário analisar os acontecimentos que conduziram
à formação do feudalismo, durante a Alta Idade Média e a sua decadência, na Baixa Idade Média; aí
então teremos a visão do contexto histórico. Durante o Renascimento, surge a expressão Idade Média
para enfatizar que esse período foi “uma longa noite de mil anos”, a “Idade das Trevas”. Na realidade,
os humanistas renascentistas tinham novos valores culturais e, por essa razão, repudiavam os do
passado medieval. Cláudio Vicentino (1997) afirma que “as características típicas da Idade Média
não fizeram o homem desse período menos competente, pois a cultura medieval, se comparada
com a do mundo greco-romano, foi redefinida”. O autor se utiliza de um texto de William Carroll
Bark para enfatizar que:

A ciência perdeu a vitalidade e a velha união com a filosofia se dissolveu. […] A filosofia
contraiu nova aliança, dessa vez com a teologia: durante séculos a vida intelectual se
processaria sob a orientação da Igreja. […]. É cabível indagar da História se há alguma
razão válida para supor que o gênero humano chamejou com menos brilho quando
os homens, por boas razões pessoais e da época, transformaram o pensamento
especulativo da ciência-filosófica para a teologia-filosófica. Presumivelmente os
homens do […] princípio da Idade Média nasceram com a mesma capacidade de
pensar, inquirir e evoluir intelectualmente que os homens de qualquer outra época.
A questão então, não é se tinham capacidade, mas se podiam ou desejavam usá-la,
e como a usavam. (BARK apud VICENTINO, 1997, p. 106-107).

O feudalismo se fez presente nas esferas econômica, social, política e cultural do período
medieval, substituindo a estrutura escravista da Antiguidade Romana. Ao transformarem a natureza
com seu trabalho, os homens do período formaram vínculos político-culturais chamados de
modo de produção feudal, que têm por base a economia atrelada à agricultura não comercial,
autossuficiente, além de um uso muito restrito da moeda. A propriedade feudal pertencia à camada
mais privilegiada da sociedade e era composta pelos senhores feudais, que eram membros da
Igreja e descendentes distantes dos chefes tribais germânicos que formavam a nobreza. A Igreja
ditava as normas da cultura religiosa que dividia o mundo em: senhores – que deveriam venerar e
amar Deus –; e escravos – que deveriam venerar e amar o senhor feudal. No campo cultural surge
o estilo arquitetônico bizantino, que simbolizava o poder do Estado associado à Igreja Cristã, que
também tinha uma força muito grande no contexto do Império Bizantino, o qual ao longo do tempo
foi composto por gregos, sírios, asiáticos, egípcios e semitas.

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A unidade do Império era estabelecida pela religião cristã ortodoxa e pela língua grega. As igrejas
erguidas na época simbolizavam a grandiosidade e a riqueza das construções religiosas. Exemplos
são a Igreja dos Santos Apóstolos, a Igreja de São Vital de Ravena e a Igreja de Santa Sofia.

Na arquitetura profana, os palácios, aquedutos, pontes e banhos públicos de Constantinopla


são os referenciais. O Palácio Imperial e o Hipódromo são as grandes obras arquitetônicas leigas.

No ano 311 d.C., porém, o imperador Constantino estabeleceu a Igreja Cristã como um poder
no Estado. Durante o período de perseguição aos cristãos, não havia a possibilidade de construir
lugares públicos destinados a cultos, mas a partir do momento em que a Igreja passa a ser o poder
supremo, a arte passa a ser importante. Os lugares de culto deixam de existir apenas para abrigar
a estátua de um deus e começam a ser o espaço para toda a congregação se reunir e assistir ao
serviço religioso.

Surgem então amplos salões de reunião, que eram conhecidos pelo nome de “basílica” ou
“pórtico real”.

Esses edifícios eram usualmente mercados cobertos e recintos para audiências


públicas dos tribunais, consistiam principalmente de vastos salões elípticos, com
compartimentos mais estreitos e mais baixos ao longo das laterais mais espaçosas,
divididos do corpo central por colunatas. Na extremidade oposta à entrada havia
frequentemente espaço para um estrado semicircular (ou abside), onde o presidente
da assembleia ou o juiz podia sentar-se. A mãe do imperador Constantino erigiu uma
dessas basílicas para servir de igreja, e por isso o termo foi instituído e oficializado
para as igrejas desse tipo. O nicho semicircular ou abside seria usado como altar-mor,
para o qual os olhos dos fiéis ficavam dirigidos. Essa parte do edifício, onde se situava
o altar, passou a ser conhecida como “o coro”. O corpo central, onde a congregação
se reunia, passou a ser chamado mais tarde de “nave”, que na verdade significava
(e significa) “navio”, enquanto os compartimentos laterais foram chamados “alas”,
um sinônimo de “asa”. (GOMBRICH, 2013, p. 133).

Geralmente a nave tinha um teto de madeira com vigas expostas, e as alas, um teto plano;
além disso, as colunas que separavam a nave das alas eram muito decoradas. A decoração era
complexa: embora houvesse o consenso de que não deveriam haver estátuas dentro das igrejas, pois
poderiam ser confundidas com ídolos pagãos condenados na Bíblia, havia a preocupação de que o
povo iletrado tivesse o ensinamento religioso por meio das estátuas e também das ilustrações. O

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papa Gregório Magno, por exemplo, que viveu no século VI, dizia àqueles que eram contra qualquer
tipo de pintura que as imagens ajudavam a lembrar dos ensinamentos bíblicos, pois havia muitas
pessoas analfabetas na congregação.

Figura 52 – Basílica de Santo Apolinário em Classe.

A Basílica de Santo Apolinário em Classe, Ravena, de aproximadamente 530 d.C. é um exemplo


de uma basílica cristã primitiva. Fonte: <[Link]
BW_1.JPG>; <[Link]
jpg>; <[Link]

ARTE BIZANTINA
Segundo José Geraldo V. De Moraes,

seria um erro identificar a existência de um povo bizantino, uma vez que o Império
foi composto variando ao longo do tempo, por gregos, sírios, asiáticos, egípcios e
semitas. Sua unidade era estabelecida pela língua grega e pela religião cristã ortodoxa.
Na realidade, a origem do Império Bizantino (330 a 1453) encontra-se no Império
Romano do Oriente (Grécia, Egito, Síria, Palestina, Mesopotâmia, Ásia Menor. […] No
século IV (330) o imperador romano Constantino transferiu a capital do Império para
Bizâncio e rebatizou-a de Constantinopla (atual cidade de Istambul), deslocando o
centro do Império para o Oriente. (MORAES, 1993, p. 110).

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A arte bizantina preservava os princípios religiosos e deveria expressar a autoridade absoluta, a


grandeza mística e sobre-humana. Por essa razão, as figuras eram desenhadas de frente e mantinham
postura formal; eram desprezadas as sensações de movimento. A técnica do mosaico bizantino
(figuras desenhadas pela justaposição de milhares de pequenas pedras coloridas) talvez represente
a mais famosa expressão da arte religiosa, e embora já fosse uma conhecida no mundo antigo, foi
principalmente em Bizâncio que mais se produziu e divulgou essa arte. Pode-se reconhecer com
relativa facilidade os mosaicos das igrejas bizantinas pela simplicidade, criatividade, nitidez dos
contornos e desenhos, meio-tons empregados e luminosidade.

Figura 53 – Mosaico.

O Milagre dos Pães e dos Peixes (aprox. 520 d.C.) é um mosaico da Basílica de
Santo Apolinário, o Novo (Ravena). Fonte: <[Link]
UR59a9UsZiI/AAAAAAAAADo/KdTm1qxOl34/s1600/9+-+[Link]>.

Os bizantinos respeitaram os modelos antigos preservando as ideias da arte grega para os


modelos de vestes, faces ou gestos. Da mesma forma que os egípcios, deviam preservar as tradições.
Na imagem Nossa Senhora entronizada com o Menino pode-se observar que as pregas do manto,
a face e as mãos com as sombras têm características da pintura grega e helenística.

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Figura 54 – Nossa Senhora entronizada com o Menino.

Nossa Senhora entronizada com o Menino, aprox. 1280. Possivelmente pintada em Constantinopla. Têmpera
em madeira, 81,5 cm × 49 cm; Galeria Nacional de Arte (Coleção Mellon). Fonte: <[Link]
wp-content/uploads/2014/11/Idade_Media_Arte_Bizantina_Nossa_Senhora_no_Trono_com_o_Menino.jpg>.

O mosaico da Catedral de Monreale, na Sicília, é um impressionante exemplo dessa arte.

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Figura 55 – Mosaico central de Monreale.

Mosaico central de Monreale (Sicília) chamado Cristo como Soberano do Universo, a


Virgem e Menino, e santos, de aproximadamente 1190. Fonte: <[Link]
org/wikipedia/commons/b/bc/Christ_Pantocrator_%28Monreale%[Link]>.

A Igreja de Santa Sofia


Justiniano mandou construir a Igreja de Santa Sofia entre 532 e 537, consolidando o estilo
bizantino, uma vez que simbolizava o poder do Estado juntamente com a força da Igreja Cristã. Mais
de 10 mil operários trabalharam na construção dessa obra, que Justiniano afirmou ser superior ao
Templo de Jerusalém, da época de Salomão. Embora seja chamada de Santa Sofia, a palavra sofia
em grego realmente significa “sabedoria”, e a tradução do nome grego é “Igreja da Santa Sabedoria
de Deus”. Foi a maior catedral do mundo por quase mil anos, sendo depois ultrapassada pela Catedral
de Sevilha, em 1520. Após o governo de Justiniano, surgiu uma crise, e a arte religiosa deixou de
ser tão importante. Ressurgiu então a arte profana com temas heroicos, a função ornamental das
peças e o realismo, renovando-se com influências do Oriente.

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Figura 56 – Desenho da Catedral de Sevilha (Espanha).

Fonte: <[Link]

Figura 57 – Catedral de Sevilha, Espanha.

Fonte: <[Link]

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ARTE ROMÂNICA E ARTE GÓTICA

Arte românica
A arte românica surge entre os séculos XI e XIII. Foi apresentada em castelos, mosteiros e
predominantemente nas igrejas católicas após a expansão do cristianismo na Europa, e de início
teve características comuns em várias regiões, o que era um fato inédito. Embora existam diferenças
entre as regiões baseadas nas influências recebidas culturalmente, há uma série de características
comuns. As igrejas no estilo românico são maiores por ter havido um aprimoramento nos métodos
de construção e também nos materiais empregados. Surge a pedra na construção, e a madeira no
telhado é substituída por abóbadas de berço e de aresta.

Figura 58 – Arte românica.

A arte românica confere aos castelos, mosteiros e igrejas medievais uma aparência de solidez e
estabilidade. Na foto, Igreja de Notre-Dame-la-Grande, de Poitiers. Fontes: Vicentino (1997, p. 161);
<[Link]

Essas igrejas são ricamente decoradas, traduzindo o que o artista sente e não somente o que
vê. As igrejas peregrinas foram características desse período e ficavam no caminho para os locais
sagrados como Santiago de Compostela (na Espanha), Roma e Jerusalém, servindo de apoio e
pouso para os peregrinos.

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Figura 59 – Estilo românico.

No estilo românico, os arcos e as abóbadas são arredondados, formando


externamente um perfil simples. Fonte: Moraes (1993, p. 137).

Uma curiosidade a respeito de um elemento histórico e popular da Catedral de Santiago de


Compostela é a função inicial do “botafumeiro” (incensário) que balança na nave durante as missas
dos peregrinos. A peregrinação a Santiago se tornou muito importante, e milhares de pessoas
lotavam a catedral, o que provocava um odor desagradável motivado pelas roupas dos peregrinos
impregnadas de sujeira e suor. Quando o botafumeiro era pendurado, desinfetava o ambiente, embora
ele fosse visto pelos fiéis como um purificador espiritual. Inicialmente era operado manualmente,
por meio de cordas, e para isso havia um grupo de seis a oito homens treinados para essa função
que eram conhecidos como “tiraboleiros”.

As igrejas tinham o formato de cruz, sendo constituídas de três ou cinco naves (corpo central do
templo). As naves laterais se prolongavam e passavam atrás da abside (arco ou abóbada), formando
o deambulatório (local para andar), de onde saíam as capelas radiantes ou absidíolas.

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Figura 60 – Catedral de Santiago de Compostela.

Fontes: <[Link]

Galicia_(Spain)_2.jpg>; <[Link]

Os mosteiros foram importantes na arquitetura românica, e, por vincular o mosteiro ao templo,


o “claustro” era a dependência mais bem cuidada sob o ponto de vista arquitetônico. Tinham
geralmente quatro lados, formando quadrados perfeitos e quatro corredores com pórticos abertos
por arcadas sustentadas por colunas. As esculturas tinham caráter simbólico e antinaturalista, não
havendo preocupação em representar fielmente os seres ou objetos e volume; cor, efeito de luz e
sombra eram confusos e simbólicos. A principal característica da escultura românica eram as cores
fortes. A pintura (os murais e as iluminuras) e a tapeçaria serviam como elementos de transmissão
de ensinamentos do cristianismo, uma vez que a maioria da população era analfabeta e, por meio
das ilustrações, se inteirava das histórias religiosas. As tapeçarias tinham também a finalidade de
cobrir as paredes para suavizar a umidade e os ventos.

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Arte gótica
O estilo gótico é originário da região de Paris, durante a fase de prosperidade do sistema feudal,
e dos núcleos urbanos e do conhecimento – diferentemente da arte românica, que foi fruto da
criação das comunidades rurais dos monges. As catedrais góticas eram resultado da obra da cidade
e dos artífices das corporações de ofício, representando a mentalidade da Baixa Idade Média, e são
leves e graciosas. As treliças nas paredes das catedrais e a verticalidade estavam presentes na
arquitetura gótica. Os construtores usavam o arco pontudo, que aumentava tanto a ilusão de altura
quanto a altura real da obra, e chegavam a competir entre si para realizar as mais altas naves. O
insucesso na construção não era raro, uma vez que os construtores tentavam sempre ultrapassar
os conhecimentos da técnica a ser empregada; nesse caso, a obra era refeita. Representavam um
patrimônio cívico para a cidade, e a ofensa máxima aos cidadãos era a destruição da torre da catedral
por parte de um invasor, porque toda a população participava da construção. Todos trabalhavam
lado a lado: açougueiros, pedreiros, cavalheiros e damas, empurrando carrinhos de mão cheios de
pedras; algumas catedrais chegavam a demorar séculos para serem construídas.

Figura 61 – Catedral de Colônia (Alemanha).

Fonte: <[Link]

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Estes são os elementos característicos da construção gótica, segundo Strickland (2014, p. 36):

• Abóbada – teto em arcos.


• Nave – parte principal do interior.
• Arcobotantes (ou arcobantes) – pontes externas em alvenaria, que suportam as paredes.
• Abóbada estriada – vigas de pedra moldada cobrindo as junções das abóbadas de arestas.
• Clerestório – parede da nave iluminada por janelas.
• Rosácea – janela circular com vitral.
• Rendilhado – armação em pedra emoldurando as janelas.
Figura 62 – Elementos da construção gótica.

Fonte: <[Link]

As catedrais são construções imponentes com torres pontiagudas que se projetam para o céu,
demonstrando o conhecimento técnico de seus construtores. As imensas janelas eram adornadas por
vitrais que, feitos de maneira artesanal, representavam histórias bíblicas para orientar a população,
predominantemente analfabeta, nos ensinamentos religiosos. Eram muito coloridos e transmitiam

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luminosidade para o interior das construções. A Catedral de Chartres foi construída para abrigar o
véu da Virgem, doado à cidade em 876 por Carlos, o Calvo, neto de Carlos Magno.

Figura 63 – Vitral da Catedral de Chartres (séc. XIII).

Os vitrais são formados por peças de vidro tingido com elementos químicos, como cobalto e
manganês, unidas por tiras de chumbo que delineiam as figuras compondo o desenho. Fontes:
<[Link] <[Link]
wiki/Vitrail_de_Charlemagne_%C3%A0_Chartres#/media/File:Chartres-007_A13.jpg>.

Segundo Vicentino (1997, p. 162),

As imensas catedrais góticas da Baixa Idade Média reuniam pelo menos dois
componentes quase antagônicos. De um lado, a transbordante religiosidade cristã-
feudal expressa na grandiosidade do templo e no predomínio da verticalidade,

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buscando a Deus e os céus. De outro, a fonte de recursos que possibilitaram a


edificação das catedrais, obtidos com a urbanização, seu progresso e engenhosidade,
articulados à vida voltada cada vez mais para os mercados. Era ao mesmo tempo a
chegada e a partida: o resultado do mundo feudal expresso no poderio da Igreja cristã
e a matriz do desenvolvimento urbano fundado no comércio crescente. Sintetizava
o passado e o futuro, uma fusão corporificada no harmonioso estilo gótico das
monumentais catedrais medievais.

Figura 64 – Estilo gótico.

No estilo gótico existe a abóbada em forma de ogiva (ou o arco em ponta), que permite a construção de torres
muito mais espaçosas e altas. A sustentação dessa estrutura é feita por pilares mais finos apoiados nas pequenas
ogivas internas (arcobotantes), dando um aspecto mais leve à construção. Fonte: Moraes (1993, p. 137).

Figura 65 – Desenho e foto atual da Catedral de Notre-Dame, em Paris (França).

Fontes: <[Link]
du_c%C3%B4t%C3%A9_de_la_nouvelle_sacristie,_d%27apr%C3%A8s_une_%C3%A9preuve_photographique_
de_M._Blanc.jpg>; <[Link]

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Figura 66 – Detalhes da Catedral de Notre-Dame.

Fonte: <[Link] <[Link]


[Link]/wiki/File:Aftnn_Notre_Dame_1.jpg>; <[Link]
wiki/File:Notre-Dame_de_Paris_-_Pignon_portail_Saint-Etienne_01.jpg>.

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Figura 67 – Vitral da Catedral de Notre-Dame, em Paris (França).

Fonte: <[Link]
jpg>; <[Link]

Quadro 2 – Comparação entre as principais características do românico e do gótico.

Românico Gótico

Ênfase Horizontal Vertical

Elevação Altura modesta Altíssima

Planta Múltiplas unidades Espaço unificado interno

Traço principal Arco redondo Arco pontudo

Sistema de suporte Pilastras, paredes Contrafortes externos

Engenharia Abóbadas em cilindro e Abóbadas com arestas e


de arestas traves

Ambiente Escuro, solene Leve, claro

Exterior Simples, severo Ricamente decorado


com esculturas

Fonte: Arte comentada: da pré-história ao pós-moderno, 2014, p. 35.

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A ARTE COMO PROPAGANDA E DIFUSÃO DO CRISTIANISMO EUROPEU


Inicialmente, torna-se necessário destacar a diferença entre as palavras publicidade e propaganda,
uma vez que são atividades distintas com características de linguagem diferentes. Por meio da
publicidade, se busca atingir o instinto de conservação, os sentimentos de conforto, prazer etc., ao
passo que a propaganda vai afetar o sentido moral e social dos indivíduos. Segundo Eloá Muniz
(2016, p. 5), “a palavra propaganda é gerúndio latino do verbo propagare, que quer dizer: propagar,
multiplicar (por reprodução ou por geração), estender, difundir. Fazer propaganda é propagar ideias,
crenças, princípios e doutrinas”. Foi o papa Gregório XV, no século XVII, que utilizou pela primeira vez
a palavra propaganda ao formar uma Comissão Cardinalícia para a Propagação da Fé (Cardinalitia
Commissio de Propaganda Fide), que deveria “fundar seminários destinados a formar missionários
para difundir a religião e imprimir livros religiosos e litúrgicos” (MUNIZ, 2016, p. 4).

Era nos monastérios que estavam as pessoas detentoras do conhecimento, por serem as
únicas habilitadas a ler e escrever. Por essa razão, a propaganda foi o elemento de perpetuação e
divulgação dos valores religiosos para converter os povos.

Durante muitos séculos, em algumas velhas aldeias do interior da Europa, a igreja foi a única
construção de pedra em toda a redondeza, servindo de referência para as pessoas. Era motivo de
orgulho para a comunidade a construção da igreja, e sua decoração era elaborada da maneira mais
primorosa possível. Por meio das construções, procurava-se transmitir que era atribuição da igreja
combater as forças das trevas até o dia do juízo final. Tudo o que pertencia à igreja tinha uma função
definida para difundir os ensinamentos religiosos. As imagens tinham uma repercussão muito
maior do que as palavras do sermão do pregador. Cada detalhe do interior da igreja era pensado
para transmitir uma mensagem sob o enfoque religioso.

A Igreja de São Bartolomeu, em Liège, na Bélgica, que foi feita por volta de 1113, representa um
dos muitos exemplos do papel dos teólogos como conselheiros dos artistas.

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Figura 68 – As inscrições latinas explicam o significado de cada figura retratada nesta pia batismal.

Fonte: <[Link]

Gombrich (2013, p. 179) relata:

Uma vez mais, a pia batismal como um todo recebeu esse significado. Até as figuras dos
bois que a sustentam não estão ali meramente para fins ornamentais ou decorativos.
Lemos na Bíblia (2 Crônicas, IV) que o rei Salomão contratou um hábil artífice de
Tiro, na Fenícia, que era especialista na fundição de bronze. Entre as coisas que ele
fez para o templo em Jerusalém, a Bíblia descreve: Fez também, o mar de bronze
fundido, com dez côvados de uma borda à outra, de forma arredondada... Estava
assentado sobre doze bois; três olhavam para o norte, três para oeste, três para
o sul e três para leste; o mar estava sobre eles, e a parte posterior de seus corpos
estava para dentro. Foi esse modelo sagrado, portanto, que o artista de Liège, outro
especialista em fundição de bronze, foi solicitado a ter em mente na produção de
sua pia batismal, mais de dois mil anos após a época de Salomão.

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Foi no período do estilo românico que a arte europeia mais se aproximou dos ideais. Trabalhar
para catedrais era a principal tarefa dos escultores: bustos em série (semelhantes a deuses),
imperadores, políticos e líderes militares procuraram transmitir à população valores religiosos e
políticos. Painéis de figuras esculpidas representando feitos militares estavam presentes em arcos
de triunfo por onde desfilavam exércitos vitoriosos. Na Idade Média, a arte esteve ligada à religião,
presente na arte bizantina e suas igrejas com o domo central, os mosaicos e os ícones; na arte
românica, por meio das igrejas com arcos cilíndricos, dos afrescos e das esculturas estilizadas; e,
na arte gótica, representada pelas catedrais em arcos ogivais, vitrais e esculturas mais naturais.

Os ícones da arte bizantina, por exemplo, eram pequenos painéis de madeira com imagens
pintadas, supostamente com poderes sobrenaturais e propriedades milagrosas. Tornaram-se
cultuados e, por representarem desobediência ao mandamento contra a idolatria, foram proibidos.
Já os mosaicos eram utilizados como difusores do novo credo oficial, o cristianismo, e mostravam
Cristo como mestre e senhor todo-poderoso.

Com a instituição da fé católica romana na Europa feudal, de 1050 a 1200, começou a se construir
uma série de igrejas. Ao mesmo tempo, as peregrinações tornaram-se muitas, e as multidões
visitavam as igrejas para ver os relicários com roupas e ossos de santos ou pedaços da Santa Cruz
trazidos pelos cruzados. O formato das igrejas, com uma longa nave atravessada por um transepto
mais curto, simbolizava o corpo de Cristo crucificado. Nos mosaicos e vitrais eram representadas
passagens bíblicas da religião cristã. Monges e freiras copiavam manuscritos para que a arte da
ilustração se perpetuasse através dos tempos. Esses manuscritos eram considerados palavras de
Deus e, por essa razão, sagrados. Até o desenvolvimento da tipografia, no século XV, eram a única
forma existente de livros religiosos.

Com o desenvolvimento da engenharia foi possível construir as catedrais góticas, e assim as


paredes grossas com janelas estreitas foram substituídas por paredes estreitas de janelas enormes.
Nelas havia vitrais coloridos nos quais se contavam histórias religiosas que se tornaram monumentos
iluminados, elementos facilitadores da difusão do cristianismo para a massa de pessoas que não
sabiam ler. Para Harold D. Lasswell (apud Muniz, 2006), “a propaganda baseia-se nos símbolos para
chegar a seu fim: a manipulação das atitudes coletivas”.

Através dos séculos, a missão da Igreja foi comunicar a “boa nova que vem de Deus”. Como
inicialmente o povo não era alfabetizado, foi por meio da comunicação oral que se dava o testemunho
das pessoas ou a pregação da mensagem divina transmitida por uma ou mais pessoas, para um

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grupo. Com um número maior de pessoas alfabetizadas, a linguagem escrita passa a ser o veículo
transmissor da propaganda do cristianismo. A música, as esculturas, os desenhos nas paredes das
igrejas, os murais, os vitrais e o teatro também foram utilizados como elementos facilitadores da
propagação do cristianismo na Europa.

ATIVIDADE REFLEXIVA

Reflita sobre a seguinte questão: considerando que, desde os tempos mais remotos, os homens
tiveram necessidade de expressar suas ideias, conceitos, mitos, vontades, por meio de várias formas,
como a fala, escrita e artes visuais, qual a importância da arte para as sociedades humanas?

Para contribuir com a sua reflexão sugere-se a leitura dos artigos da publicação

Temas em história da arte:

<[Link]
pdf#page=19>.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Depois de passearmos calmamente pelo mundo da história da arte, podemos ter uma nova e
diferente visão da arte, como um universo a ser estudado. Cada uma das fases da arte tem e teve
suas próprias características e encantamentos em consonância com os valores culturais de sua
época.

O tema “arte” é infindável e cada vez mais os estudiosos nos trazem novas informações que
enriquecem nosso saber.

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GLOSSÁRIO

Simbiose: no contexto do conteúdo, simbiose indica uma associação intensa entre os indivíduos.
(Fonte: <[Link] Acesso em: 8 set. 2017).

Terracota: é um material constituído por argila cozida no forno, sem ser vitrificada, utilizado
em cerâmica e construção. O termo também se refere a objetos feitos deste material e à sua cor
natural, laranja acastanhado. É normalmente utilizada na confecção de tijolos, telhas, vasos, entre
outros objetos. (Fonte: <[Link] Acesso em: 8 set. 2017).

Transepto: é a parte de um edifício de uma ou mais naves que atravessa perpendicularmente o seu


corpo principal perto do coro e dá ao edifício a sua planta em cruz. O cruzeiro é a área de intersecção
dos dois eixos. (Fonte: <[Link] Acesso em: 8 set. 2017).

Treliça: em engenharia de estruturas, uma treliça (do francês treillis) é uma estrutura composta


por cinco ou mais unidades triangulares construídas com elementos retos cujas extremidades são
ligadas em pontos conhecidos como nós. (Fonte: <[Link]
Acesso em: 8 set. 2017).

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BIBLIOGRAFIA

BROCVIELLE, Vincent. Petit Larousse História da Arte. São Paulo: Larousse, 2012.

Evans, Clifford; Meggers, Betty J. Guia para prospecção arqueológica no Brasil. Belém (PA): Conselho
Nacional de Pesquisas, Museu Paraense E. Goeldi, 1965.

FORLIN, Gabriela. Como é feita uma escavação arqueológica? Mundo Estranho, n. 122. São Paulo,
Abril, 2012. Disponível em: <[Link]
arqueologica>. Acesso em: 11 abr. 2016.

GOMBRICH, Ernst H. História da Arte. São Paulo: LTC, 2013.

HARARI, Yuval Noah. Sapiens: uma breve história da humanidade. 4. ed. Porto Alegre: L&PM, 2015.

LEAKEY, Richard E. Origens. Brasília: UnB, 1980.

LIMA, Sandra Lúcia Lopes. Comunicação e Época. São Paulo: Plêiade, 2013.

MORAES, José Geraldo Vinci de. Caminhos das Civilizações: da pré-história aos dias atuais. São
Paulo: Atual, 1993.

MUMFORD, Lewis. A cidade na História. Belo Horizonte: Itatiaia, 1965.

MUNIZ, Eloá. Publicidade e propaganda – origens históricas. Disponível em: <[Link]


br/arquivos/[Link]>. Acesso em: 11 abr. 2016.

STRICKLAND, Carol. Arte comentada: da pré-história ao pós-moderno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
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VICENTINO, Cláudio. História geral. São Paulo: Scipione, 1997.

WIKIPÉDIA. Escultura do Classicismo grego. Disponível em: <[Link]


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WIKIPÉDIA. Homo rudolfensis. Disponível em: <[Link]


Acesso em: 13 set. 2017.

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