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Função do Rêverie na Psicanálise

1) O documento discute o conceito de "rêverie" proposto por Bion, que se refere ao estado mental receptivo da mãe que permite nutrir emocionalmente o bebê. 2) A gênese do rêverie ocorre no psiquismo pré-natal e nos primeiros anos de vida, quando a mãe se retira parcialmente do mundo externo para se conectar com o filho. 3) Além de nutrir a relação objetal, o rêverie materno tem diversas funções como facilitar a tolerância à fr

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Função do Rêverie na Psicanálise

1) O documento discute o conceito de "rêverie" proposto por Bion, que se refere ao estado mental receptivo da mãe que permite nutrir emocionalmente o bebê. 2) A gênese do rêverie ocorre no psiquismo pré-natal e nos primeiros anos de vida, quando a mãe se retira parcialmente do mundo externo para se conectar com o filho. 3) Além de nutrir a relação objetal, o rêverie materno tem diversas funções como facilitar a tolerância à fr

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Revista Brasileira de Psicanálise · Volume 44, n.

4, 67-84 · 2010 67

Rêverie re-visitado1

Alicia Beatriz Dorado de Lisondo2

Resumo: O trabalho do sonho alfa é uma função primordial e permanente do psiquismo. Ele permite
criar os pictogramas que oferecem figurabilidade para metabolizar as experiências emocionais. Esta
teoria revoluciona a Techné psicanalítica. Rêverie é o conceito-chave que destaca e ilumina a relação
de objeto. Ele nasce numa história transgeracional. A mãe grávida está envolvida numa união com sua
mãe e com seu bebê. No psiquismo pré-natal e nos primeiros anos de vida da criança ela retira-se do
mundo externo para investir sua atenção na relação com o filho. O analista exerce com o paciente a
função alfa e o trabalho de sonho alfa em vez de rêverie, porque ele não teve com o paciente uma ges-
tação – a não ser metafórica – corporal compartilhada. A função do rêverie na constituição da mente
e suas múltiplas funções são destacadas: o trânsito através da cesura; matriz da mudança catastrófi-
ca; experiência de continuidade nas transformações; função de reclamação (Alvarez, 1992); ensinar
a experiência da paixão; permitir o trabalho de figurabilidade (Botella, 2007); iniciar a atividade K da
mente; inspirar a tolerância à frustração; convocar a esperança e fé; a cultura a partir do vértice artístico
exerce função equivalente à do rêverie. Vinhetas clínicas ilustram a teoria.
Palavras-chave: trabalho do sonho; rêverie; constituição da mente; gênese do rêverie; funções do rêve-
rie; técnica psicanalítica.

…Beauty is truth, truth beauty, that is all you need


Ye know on earth, and all we need to know.
Keats

Introdução

O termo alemão Tagtraum, usado por Freud (1979a/1900), é traduzido do francês


como sonho diurno, sonhar acordado e rêverie. É importante destacar que a metapsicolo-
gia do sonho é diferente em Freud e em Bion. No criador de nossa ciência o sonho nasce da
pressão pulsional: o sexual recalcado, a realização de desejos, os conflitos entre as instân-
cias psíquicas. O modelo da mente é estrutural. Um dos objetivos do trabalho dos sonhos
é a elaboração dos traumas da infância. A transformação em imagens – o trabalho da figu-
rabilidade – é uma de suas finalidades e acontece pela via regrediente – regressão tópica e
formal. O caminho progressivo permite a elaboração secundária e a narrativa do sonho.
Para Bion, o trabalho dos sonhos é uma função primordial e permanente do psiquis-
mo. Seu modelo é multidimensional (Rezze, 2009). O autor indiano legitima e explicita a
diferença da função do sonho diurno e do sonho noturno: sonho sobre o sonho. Este últi-
mo é constituído por uma função de filtro e de eleição dos elementos alfa ocorridos durante
o dia (Ferro, 1999) – filmados, alfabetizados e conservados –, durante o estado de vigília
(Bianchedi, 1995). Ferro (1999) propõe que, assim como há um “aparato para pensar os

1 Prêmio Revista FEPAL.


2 Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo SBPSP.
68 Revista Brasileira de Psicanálise · Volume 44, n. 4 · 2010

pensamentos” (Bion, 1962b), também é possível conceber “um aparato para sonhar os so-
nhos” que opere em um segundo nível sobre os elementos alfa ocorridos, para dar sentido
às experiências; este seria a “capacidade negativa da mente no sonho”. A simbolização e o
trabalho do sonho permitem a memória. Graças ao sonho, é possível criar os pictogramas
que permitem dar figurabilidade e metabolizar as experiências emocionais.
O significado de rêverie transcende a ideia de imaginação e a fantasia se estende
a um cenário, a uma história (Botella, 2007). Junqueira Filho (1991) rastreia sua origem
etimológica:

Este substantivo que surge no middle english tardio origina-se do adjetivo rêverie do francês arcai-
co, que significa júbilo e regozijo, que por sua vez vem do verbo rever (fazer, agradecer, festejar,
regalar). Interessa aqui enfatizar que no século XVII o termo passou a ser sinônimo de outras
expressões. Brown study (absorvido em devaneio, pensativo) e Day dream (quimera, sonho, de-
vaneio), ganhando assim seu sentido atual, aquele que Bion atribui potencialmente na psique
materna.3 (p. 57)

Rêverie é um estado particular de consciência receptiva e uma atividade psíquica


para se manter nesse estado (Parson, 2007).
Bion o usou pela primeira vez em 1959 afirmando que o paciente psicótico não tem
capacidade de rêverie.
Este termo tem penumbras de associações poéticas e musicais (Sandler, 2005).
Melsohn (2001, p. 112) nos lembra que essa expressão havia sido usada por Max Scheler
em 1923. É a sensibilidade da mãe na determinação das modulações espontâneas de seu
comportamento em resposta às manifestações da vida emocional do bebê. Ela o nutre com
experiências expressivas, que estabelecem uma ponte de união entre o mundo interno e o
mundo externo. O filósofo alemão escreve:

Nós teremos … um caso típico de fusão afetiva nas relações existentes entre mãe e filho …. Aqui
nos apresenta esta particularidade que é ser amado primitivamente…, no sentido concreto e es-
pecial do termo de ser amante …. Nos rêveries da mulher absorvida pela maternidade ou pela
espera da futura maternidade pode-se ver um estado de êxtase: pois é um êxtase, por assim dizer,
intraorgânico, no curso do qual a mulher tem a revelação do filho em vias de nascer.4 (Scheler,
citado por Melsohn , 2001, p. 112)

Este é um conceito teórico forte e criativo na obra de Bion, relacionado com a teoria
do pensamento, a capacidade de tolerar a frustração, a necessidade de amor, o processo de
conhecimento e a função alfa (Bion, 1967, 1970, 1973, 1977, 1980). Rêverie é o conceito-
chave que destaca e ilumina a relação de objeto ao mesmo tempo em que é o nome de um
verdadeiro mistério e um desafio à nossa compreensão.
Na obra de Bion (1962b) “Uma teoria do pensamento”, o autor destaca o desenvolvi-
mento genético do processo de pensar, que expande clinicamente e detalha – mais adiante,
na obra Elementos de psicanálise (1963) –, assim como as pré-concepções, as concepções
– sinônimos de pensamento – e os conceitos. Em sua obra há um esforço para tentar supe-
rar o conceito e evitar a tentação de alcançar a verdade absoluta. Entre suas contribuições

3 Tradução da autora.
4 Tradução da autora.
Rêverie re-visitado Alicia Beatriz Dorado de Lisondo 69

teóricas importantes, destaco o discernimento entre a identificação projetiva normal – a


serviço da comunicação, possível de ser interpretada pela mãe, graças ao rêverie – e a iden-
tificação projetiva onipotente e excessiva. Também a teoria do contentamento emocional
da personalidade é fundamental para o crescimento e o desenvolvimento psíquicos.
Meltzer e Mack Smith (2008) concebem o amanhecer da imaginação, do pensamen-
to e do nascimento do significado do bebê a partir da experiência corporal do percurso
entre a comida ingerida e a sua evacuação. Esses autores formulam uma metapsicologia
do neonatal. Nela se enfatiza a solidão entre as ingestões de alimento, a ignorância acerca
da mentalidade da mãe, o ser educado unicamente por um ritmo de atenções que esta lhe
concede e a incapacidade de criar símbolos e de ter sonhos com significado. O autor da
apreensão estética enfatiza a dependência do bebê às atenções da mãe.
A proposta de reescrever o Gênesis “No princípio era o alimento” (p. 18), por
Grotstein (2004), coincide com a afirmação de que o primeiro objeto é a placenta. O pânico
encontra alívio ao se deparar com uma inteligência externa, e assim nascem as funções
mentais. O rêverie, como sonho materno, é o equivalente a uma placenta, um órgão que
filtra o contato com a realidade feia e assustadora, um equivalente à placenta fora do útero.
Desta forma, uma “placenta rêverie” tem que ser proporcionada pela mãe. Assim, as relações
de objeto e as identificações com a função materna são simultâneas e permitem que o bebê
possa aprender com a experiência compartilhada, criativamente. O bebê aprende a ter fé e
confiança no juízo da mãe.
Não posso deixar de mencionar, nesta introdução, a diferença entre os conceitos de
Winnicott (1965) sobre holding e o rêverie, em Bion. Se ambas as experiências nos remetem
à dimensão estética (Colucci e Silveira, 2009), é importante ter em conta que cada autor
parte de uma base epistemológica distinta.
O holding, conceito de Winnicott, consiste na sustentação – pela “mãe suficiente-
mente boa”, capaz de “preocupações maternas primárias” – da crença na própria onipotên-
cia do bebê. A mãe ampara o filho na dependência absoluta. A valorização da realidade é
uma consequência de um holding bem-sucedido. A rêverie é a tentativa materna de propor-
cionar uma função continente destinada a compreender a realidade do bebê, para sustentar
a perda da onipotência e dosar o contato com a realidade.

Gênesis do rêverie

O rêverie tem uma base histórica, genética e etiológica.


Este estado se inicia no sonho e no jogo das meninas que serão um dia mães. O
rêverie é, na envoltura, algo similar a um véu de ilusão com a realidade e envolve a mulher
grávida, que foi imortalizada por pintores em suas célebres Madonnas. Sor5 também des-
creveu a placidez extrema e os sonhos de mulheres grávidas. Ela mesma está envolta em
uma união com a mãe e seu bebê e atualiza-se no psiquismo pré-natal nos primeiros anos
de vida da criança, quando se retira do mundo externo para investir em sua relação com o
filho. Cortiñas (2007) remonta o nascimento do rêverie com a profundidade do transgera-
cional. O aprendizado da maternidade, o peso da carga de modelos bizarros, enlouquecedo-
res, inadequados, infiltram-se de geração em geração através dos mitos familiares, projetos

5 Sor, D. (2009). Comunicação pessoal.


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identificatórios, missões a cumprir etc., que condensam múltiplas histórias. A identificação


inconsciente é a elaboração responsável pela transmissão psíquica entre essas gerações.
A clínica da adoção, por exemplo, mostra-nos que os pais adotivos são privados
da experiência pré-natal e o esforço para compreender o bebê adotado pode exigir uma
disponibilidade mental e atenção muito especial, assim como um vínculo apaixonado e
maduro.
O esforço para precisar os conceitos é sempre necessário em nossa particular ciência.
O analista é convocado a exercer, na relação com seu paciente, a função alfa e o trabalho do
sonho alfa. Não é apropriado usar rêverie – a não ser como analogia simbólica – justamente
porque o analista não teve com seu paciente uma gestação corporal compartilhada.

A função do rêverie na construção da mente

Para Sor e Senet (1992), o rêverie é uma nuvem envolvente ou um véu de ilusão que
protege o par. É um modelo de natureza pictórico, classificado no eixo vertical em C; no
eixo horizontal em 4 Atenção, ou 5 Indagação da grade (Bion, 1977).
Para os autores argentinos, essa “nuvem” envolvente é uma nuvem de transformação
e uma nuvem de ternura e amor. Estas favorecem o trânsito das emoções primitivas, que
incluem terrores profundos – talâmicos e subtalâmicos – ligados ao desamparo e associa-
dos à voracidade canibalista, promovendo a evolução ligada ao crescimento mental e à ca-
pacidade de contato humano (nenhuma outra espécie nasce com tal período de neotenia).
O autor destaca que a função de rêverie é um processo sem definição no tempo, considera-
do essencial para a transformação e alteração do bebê primitivo em um “bebê humano”.
A mãe envolve o bebê em um profundo estado de mente, at-one-ment – unicidade
– com esse véu de ilusão e devaneio que se aproxima das transformações em “O” (origem).
“O” para Bion (1965) denota a realidade última, a verdade absoluta, o infinito, a coisa em
si mesma. Estas transformações representam o que é inseparável do SER – encontro do Ser
materno e do Ser em gestação do filho –, que em sua essência não pode ser conhecido, mas
pode ser reconhecido e sentido. Há aproximações ao “O” que permitem outras transfor-
mações: em pensamento, símbolos e conhecimento. A função rêverie materna é o órgão
receptor das sensações de “si mesmo” do bebê. Ou seja, há uma estreita relação entre o
rêverie de “si mesmo” e a “consciência infantil rudimentar de si mesmo”. Uma das formas
privilegiadas de se aproximar de “O” é vir a ser (devenir) “O”, mediante a suspensão da me-
mória, do desejo e da compreensão.
Em algumas ocasiões essa nuvem pode se romper para ambos os membros ou, ainda,
pode ser uma ruptura transitória que faz com que, nesse momento, ambos a vislumbrem
como uma experiência de contraste entre a imagem imaginada e a pessoa real.
Penso que quando essa ruptura não é transitória e oportuna, é vivenciada como
traumática e insuportável. Esta separação prematura que não pode ser tolerada, cria uma
consciência precoce e frágil, incapaz de promover as funções mentais – isto porque é a
mãe que oferece um modelo de pensamento; se for uma mãe morta (Green, 1983), em seu
funcionamento psíquico não pode exercer, por exemplo, a correlação entre as impressões
sensoriais e o sentido. “Chora, estende os braços, me busca com a boquinha aberta, creio
que está com fome”. No lugar de uma articulação entre os dados sensoriais, o choro, o gesto
expressivo e a linguagem pré-verbal – que podem ser significados e integrados em um Fato
Rêverie re-visitado Alicia Beatriz Dorado de Lisondo 71

Selecionado, o nome – encontramos uma aglomeração. Esta separação traumática é um


poderoso fator etiológico dos Transtornos Globais do Desenvolvimento Emocional, entre
eles os dos estados autísticos.
O rêverie é uma função seletiva e especializada da função alfa materna no vínculo
com o bebê. Sua função é transformadora ao metabolizar, desintoxicar e acolher a descarga
emocional das identificações projetivas do bebê e da própria mãe. É também um sistema
completo, que filtra e separa os elementos alfa dos beta, retém os elementos alfa e descarta
os beta não transformados. Uma alfa-betização emocional é impulsionada. Ela sustenta
a aprendizagem. Esta contribuição de Bion permite conjeturar que, em muitos pacientes
que apresentam um diagnóstico de Transtornos Globais no Desenvolvimento Emocional, o
retardo e o atraso mental podem ser consequência do déficit na formação do aparato para
pensar os pensamentos. Entre os infinitos fatores convocados, destaco as falhas na função
materna para poder metabolizar, transformar e digerir os conteúdos do filho.
O rêverie, ao ser uma atitude aberta e receptiva da função materna, pode acolher a
transmissão de qualquer conteúdo do bebê. Quando essa função é capaz de formar articula-
ções, relações e vínculos na matriz de significações, novos significados são criados. Conje-
turas imaginárias podem ser inspiradas.
Para esses autores, o rêverie é um conduto para dosar as emoções e para injetar devo-
ção. Por ser um conduto qualquer contendo “falta de amor”, os elementos fanáticos podem
transitar por ele.
Williams (2008) aproxima a capacidade de rêverie materna do bebê desamparado e
a linguagem eleita por ele é que se dá na sessão psicanalítica. A dimensão estética da mente
é convocada na especificidade desses encontros. Emoções, atitudes, estilos, modelos de
inspiração e de pensamento são oferecidos através de uma presença psíquica materna que
vai muito além da linguagem verbal e do conteúdo dito. A entonação, o timbre, a melodia,
as pausas, o tom de voz, a musicalidade da palavra, a postura corporal, o olhar, os gestos,
expressam emoções maternas e permitem escutar, receber, moldar e compreender as sen-
sações do bebê, originadas no corpo.
O conceito de rêverie hostil (Ribeiro, 1999) não tem sido facilmente aceito na co-
munidade científica. Talvez a necessária idealização da figura materna para proteger o ser
humano de sua vulnerabilidade ontológica não permita conceber as perturbações nas fun-
ções paternas.
Em síntese, o rêverie, derivado da função alfa materna, é uma contribuição funda-
mental para a criação da mente do bebê.
A formulação mais conhecida deste conceito implica que a função alfa materna per-
mita a transformação dos dados sensoriais em elementos alfa. Recapitulando, são eles os
responsáveis pelo pensamento onírico e pelas capacidades de despertar ou dormir, assim
como pela diferença entre consciente e inconsciente e a memória, graças à formação da
barreira de contato na construção do espaço mental.
Pretendo enfatizar que o conceito de rêverie, em Bion, é o mais amplo entre os clás-
sicos conhecidos quando a função materna recebe, compreende, entende, desintoxica e
transforma as identificações projetivas do bebê. No amanhecer do psiquismo não há iden-
tificação projetiva, nem diferenciação entre sujeito e objeto.
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Bion (1962b) insiste em salientar que:

O seio bom e o seio mal são experiências emocionais… O componente físico, leite, mal-estar
produzido pela saciedade ou o seu oposto podem revelar prioridade cronológica a itens beta em
elementos alfa. Intolerância à frustração pode ser tão marcante que a função alfa seria dificultada
pela evacuação de elementos beta. O componente mental, amor, segurança, ansiedade, ao contrá-
rio do somático, requer um processo análogo ao da digestão. O que isso poderia ser é obscurecido
pelo uso de alfa-conceito de função, mas a pesquisa pode encontrar um valor psicanalítico.
(p. 35)

A interpretação deste texto não deixa dúvidas sobre a importância fundamental das
sensações corporais, matéria-prima dos elementos beta, que antecedem os elementos alfa.
As vivências de amor, segurança e ansiedade, diferentes do somático, são uma conquista do
psiquismo e exige um processo análogo à digestão. O mestre deixa claro que são questões a
investigar que não podem ficar ocultas pelo conceito de função alfa.
Bion (1962a) continua a nos ensinar:

Por exemplo, quando a mãe quer a criança, o que fazer? A partir dos canais físicos de comunica-
ção tenho a impressão de que o amor se expressa através do rêverie. (p. 36)

Penso que os canais físicos de comunicação se inspiram no rêverie benigno, impul-


sionados por EROS. Se não for assim, o splitting forçado (Bion, 1962a) materno operaria
mecanicamente, manipulando o corpo do bebê em sua materialidade concreta, como uma
coisa em si, cumprindo um ritual – poderosa ferramenta para a desconexão emocional – e
deixando de lado a significação. O manuseio concreto do corpo do bebê, sem rêverie be-
nigno, não permite a experiência de contenção. A pele psíquica (Bick, 1986) não é criada,
portanto não pode existir a introjeção do objeto continente e a pré-concepção humana da
personalidade não se realiza. O con-tato materno com o bebê precisa ser psíquico, pois
sobre esta base de sustentação se integram os cuidados físicos. Bion distingue a realidade
Rêverie re-visitado Alicia Beatriz Dorado de Lisondo 73

física da realidade sensorial, da psíquica e, finalmente, da realidade última. A qualidade


misteriosa desse con-tato aproxima analogicamente a mãe da dimensão estética e ela será,
então, a parteira de significados, intérprete e artista, seio pensante, objeto estético, musa
inspiradora.
Mitrani (1996) explicita que os estados de não integração são normais no ser huma-
no em um estado anterior à capacidade de a mãe transformar as experiências sensoriais
iniciais do bebê em sentimentos e pensamentos. Esse estado de não integração – continua
a autora – é experimentado sozinho pelo bebê como vivência de uma desintegração sem
o continente materno, que não esteve acessível em um período que antecede à criação de
uma pele psíquica estável.
O que acontece nesse estado anterior quando as experiências sensoriais não alcan-
çam os sentimentos nem os pensamentos?
Como o continente materno pode estar acessível para o bebê?
Ou, como indaga Korbivcher (2009): como transformar as manifestações corporais
(Chuster, 2006) presentes nas áreas não integradas da mente, nas áreas primordiais, não
mentalizadas, em elementos psíquicos?
O rêverie não é restrito à criação da imagem visual. Ele pode receber, acolher e trans-
formar as manifestações de TODOS OS ÓRGÃOS DOS SENTIDOS. O protossensorial pode ser
transformado em protoemocional e em sucessivos movimentos transformacionais e, quan-
do possível, pode alcançar o sonho, o pensamento e o sentimento (Petricciani, 2009).
É importante considerar que haja diferentes níveis de transformação da sensoriali-
dade e diferentes níveis de transformação em sonho. Ou seja, a metabolização materna das
identificações projetivas somente é possível na tridimensionalidade, quando o bebê já tem
um espaço mental e diferencia o Sujeito e o Objeto. E antes de o bebê alcançar esse nível de
desenvolvimento?
Afirmo que o estado de rêverie materno pode oferecer a continência necessária para
permitir que o bebê atravesse os diferentes níveis de complexidade crescente. A consciência
rudimentar do bebê (rudimentar, aqui, se refere a algo que está em germinação informe, no
estado primordial), pautada pelo universo sensorial, pode conquistar a consciência amplia-
da, possibilitando o contato humano e a apreensão das qualidades psíquicas (Bion, 1957).
As emoções cumprem uma função similar à que cumprem os sentidos em relação
aos objetos em espaço e tempo. Sustento que o rêverie materno é o que permite o cresci-
mento do protomental (não simbólico e quantitativo), que cobre o protoemocional e o pro-
tossensorial, até chegar à mente (emocional e qualitativa). São transformações elaborativas
em direção ao pensamento.
Os elementos sensoriais se transformam em dados sensoriais e logo em emoções, no
intuito de alcançar o ápice do pensamento e do sentimento. Mas também há uma persona-
lidade transformacional‑autista‑fanática, assimétrica-degenerativa da personalidade, que
invade o câmbio catastrófico – aqui não se deve considerar o termo “não transformacional”
no sentido estrito, pois esta é uma zona cujas transformações estão na direção do inanima-
do (Sor Senet, 1992).
Concluo que a função de rêverie, altamente exigida, é a que permite a transformação
das manifestações corporais do bebê – presente nas áreas primordiais da mente, iluminada
por Bion, Bick, Meltzer, Winnicott, Grotstein, Houzel, Ogden entre outros – não mentali-
zadas em elementos psíquicos.
74 Revista Brasileira de Psicanálise · Volume 44, n. 4 · 2010

Rêverie: suas funções

O rêverie propicia o trânsito através da cesura. (Bion, 1977)

A. Cesura
Cesura é o título de uma conferência dada por Bion em 1975, na sede da Sociedade
Psicanalítica de Los Angeles. Cesura deriva diretamente do latim e tem o sentido de cortar,
separar, dividir.
Bion usa esse termo inspirado em Freud (1926/1976) “Há muito mais continuidade
entre a vida intrauterina e a primeira infância do que a impressionante cesura do nasci-
mento nos permitiria supor” (p. 131). Depois da cesura do nascimento há situações de
ruptura, crise e passagem, as chamadas cesuras do crescimento (Sapienza, 2001). Chronos
permite ver as sequências cronológicas de passar o tempo. Kairós permite identificar os
momentos caóticos de ruptura e de crise (Rezende, 2009).
O rêverie também oferece um empurrão para pular as brechas e fissuras que separam
os dois lugares e realizar a passagem, avançando rumo ao desconhecido. Tanto o crescimen-
to quanto o trabalho analítico exigem atravessar cesuras. Há um “antes de” e um “depois de”
na sequência de acontecimentos, que não é contínua (Talamo, 1997). Estar em crescimento
é estar explorando múltiplas cesuras, atravessar diversos momentos, assombrar-se e estar
envolvido por turbulências diante do novo e do incomum (Sor Senet, 1992). Crescer não é
o momento de chegada.
Quando a cesura se apresenta como um muro intransponível, impermeável, a perso-
nalidade torna-se cada vez mais dividida, dissociada, e pode murchar ou deteriorar-se.

Uma fissura ou cesura pode atravessar três formas:

a) Fazer uma ponte;


b) Pular a brecha;
c) Diminuir até desaparecer pela união das partes. No caso psíquico significa pôr-se
em unicidade: at-one-ment. Esta unicidade pode permitir o desenvolvimento de
uma qualidade pré-conceitual aberta ao descobrimento das relações.

Para poder fazer alguma dessas três tarefas se requer tolerância à frustração.

O nascimento e a morte são as cesuras reais da condição humana. Elas podem ser
utilizadas metaforicamente.
Rêverie re-visitado Alicia Beatriz Dorado de Lisondo 75

B) O rêverie propicia a matriz do câmbio catastrófico (C.C.)


O C.C. é um método ou faceta da alteração ou transformação (Sor & Gazzano, 1988)
que desarticula uma conjunção constante de significados em evolução. Os elementos de-
sarticulados constituem um fator que intervirá na reestruturação futura. Há uma sequên-
cia entre um momento pré-catastrófico e um momento pós-catastrófico. O C.C. acontece
quando se atravessa a cesura. Para Bion, no C.C. há invariância, alteração ou subversão
do sistema previamente alcançado, ameaça de catástrofe cercada, violência e alteração. No
C.C. não há uma catástrofe quando acontece em K – vínculo de conhecimento. O ‘conhe-
cer’ é um C.C., é a experiência emocional ao se aproximar da expectativa frente aos fatos,
acrescentando o saber nas relações interpessoais. A mente, ao estar em trânsito, perde a
segurança frente ao que tem, para enfrentar a insegurança diante do que não tem.
O C.C., rumo ao crescimento, implica a transformação de uma estrutura ou uma
parte dela mesma. Cito como exemplo a criança quando aprende a caminhar, em uma re-
lação suficientemente boa com os progenitores. O andador precisa do rêverie materno, mas
além de dar a mão, a mãe lhe oferece confiança, esperança, coragem, sustentação na insta-
bilidade e desorganização a cada passo. Também o ajuda a transformar a dor e a frustração.
Há uma transformação no SER e no EXISTIR.

C) O rêverie oferece a experiência de continuidade – invariância – nas transformações


A invariância implica que certos elementos do sistema anterior possam ser reconhe-
cidos no novo, não com o sentido de permanência, mas de transformação. Creio que nas
transformações do bebê rumo a “O”, devenir consigo mesmo, o SER e as transformações
rumo a K são fundamentais para o crescimento mental e a aprendizagem.

D) O rêverie exerce a função de reclamação (reclaiming function) (Alvarez, 1992)


A função de rêverie pressupõe a existência e um espaço para a masculinidade no psi-
quismo materno. Um aspecto paternal primitivo da capacidade de rêverie está implícito na
função materna de atrair a atenção da criança, apresentando-se como um objeto atraente,
capaz de despertar seus interesses. O rêverie regula a passagem Ps ↔ Pd (♀.♂).
A mãe em estado de rêverie é capaz de estimular, despertar interesses e curiosidades,
vitalizar, presentear, como objeto estético (Meltzer & Williams, 1988), o bebê deprimido
ou em isolamento. Ela respeita o ciclo de mutualidade, de aproximação e retraimento, pois
exerce um papel ativo para atrair sua atenção para o contato intersubjetivo, apresentando o
mundo com encanto, surpresa, mistério e prazer. A existência do bebê e do mundo é enfa-
tizada com prazer. Há um mútuo enriquecimento. Assim, a relação de objeto transcende as
ideias mecanicistas de adaptação e ajustamento da psicologia comportamental. A função
de reclamação precisa ser diferenciada das atitudes maníacas ou daquelas que pretendem
negar a depressão que podem levar a um falso self.

E. O rêverie encerra a experiência de paixão


O vínculo descreve uma experiência emocional em que duas pessoas ou duas partes
da mesma personalidade estão relacionadas uma com a outra. Para Bion, há emoções bá-
sicas que estão sempre presentes nos vínculos humanos (Bianchedi et al., 1991). A paixão
implica o equilíbrio entre (L) amor, (H) ódio e (K) conhecimento quando as mentes estão
unidas sem um sentido de possessão. É a condensação de Ps e D, experiências de dispersão
e integração.
76 Revista Brasileira de Psicanálise · Volume 44, n. 4 · 2010

F) O rêverie é um dos poucos processos que permitem o trabalho da figurabilidade,


função primordial do aparelho psíquico. (Botella, 2007)
Para Freud, ela é um procedimento específico no interior do trabalho de sonhos,
uma “língua primitiva e sem gramática” que permite a criação de “novas unidades” (Freud,
1932/1979b). A imagem permite que o pensar possa ser transformado em imagens. A figu-
ração se instala como meio de acesso à “nominação” e é um trabalho diurno completo. Para
Botella & Botella (2001), o trabalho de figurabilidade é a via régia de toda a inteligência.

G) Inicia a atividade K – knowledge – da mente


Todo conhecimento se origina em experiências primitivas de caráter emocional, na
ausência do objeto (Grinberg, Sor e Bianchedi, 1998). A mãe pode aliviar a dor diante da
frustração quando o seio não é oferecido, e ativamente se colocar como objeto interessante
a ser conhecido, olhando, cantando, falando, estendendo os seus braços ao filho. “Pode
esperar, mamãe está aqui contigo… enquanto prepara a mamadeira. Que fome tão terrível
é essa?”. O descobrimento e a aprendizagem são uma consequência da relação mãe-bebê.
É o vínculo entre um sujeito que busca conhecer um objeto e um objeto que se presta a ser
conhecido. Um bebê é um filósofo em potência. Quando há o predomínio do vínculo K,
L e H estão a ele subordinados. No conhecer está implícito o não conhecer: a capacidade
negativa. O conhecimento da realidade psíquica é a função psicanalítica da personalidade,
presente desde o início da vida.
K é um vínculo que corresponde à emoção ligada à incerteza e à tensão, tornando o
desconhecido mais suportável, na expectativa de se obter um sentido. É o vínculo psicana-
lítico por excelência. O processo psicanalítico desenvolve o vínculo K.

H) Inspira a tolerância e a frustração


Um bebê capaz de tolerar a frustração pode se permitir ter um sentido da realida-
de, isto é, o princípio de realidade pode prevalecer em seu mundo. Se sua intolerância à
frustração vai além de certos limites, começam a funcionar os mecanismos onipotentes,
especialmente a identificação projetiva. A capacidade de pensamento como um meio de
suavizar a frustração, quando predomina o princípio de realidade, depende da existência
da capacidade de rêverie da mãe (Bion, 1962a).
O amor ajuda a tolerar a frustração. O narcisismo primário e a inveja dificultam essa
tolerância. Para Bion, em suas primeiras contribuições, fiel à inspiração kleiniana, a capa-
cidade de tolerar a frustração era inata. Em seus últimos trabalhos, pode-se inferir que na
personalidade dialogam e convivem vários personagens. O lugar dado ao objeto externo
real é crucial.
A mãe, ao oferecer sua palavra compreensiva, seu rosto expressivo, seus braços, sua
postura, permite criar um ambiente para que a presença do objeto possa ser suportada. A
tolerância à frustração e à dor permite a experiência de não coisa. A mãe ajuda a construir
um espaço mental e um tempo pautado pela realidade e pela esperança. “Agora não, talvez
mais tarde…”. Substituições podem ser encorajadas e assim o símbolo nasce.

I) O rêverie inspira a esperança e fé


O desamparo produz um aumento da necessidade de um seio bom. As informações
da precariedade de si mesmo, associadas à consciência rudimentar, informam o desampa-
Rêverie re-visitado Alicia Beatriz Dorado de Lisondo 77

ro. O rêverie permite a introjeção de uma relação objetal boa, um seio pensante, que é fonte
de esperança, vitalidade e fé – fé na existência desta realidade e desta verdade.

J) Neborak e Cortiñas (1993) indicam que a cultura, a partir do vértice artístico, exerce
uma função equivalente ao rêverie
A arte proporciona experiências emocionais para seu interlocutor. Ao expressar a
figura do indeciso, o impensável permite des-intoxicar e significar o que não tinha clara
definição no social, nem no início do psiquismo. Guernica seria um dos vários exemplos.
O artista oferece uma forma expressiva ao terror à guerra.

Rêverie e techné

Na história da psicanálise há alterações significativas no método e na técnica, reve-


lados a partir de diferentes paradigmas e de novas posturas metapsicológicas. Toda técnica
se sustenta em uma teoria. Para Bion, a célebre recomendação é estar na sessão analítica
sem memória, sem desejo e sem a pretensão de compreensão, para não saturar o encontro
emocional.
No início do século, o paciente era o artista principal da cena analítica. Importava na
psicanálise clássica a investigação do intrapsíquico do paciente. A controvérsia do conceito
de contratransferência – ora visto como obstáculo, ora como precioso recurso –, convoca
a presença do analista no processo analítico: são dois os protagonistas do processo que
ocupam lugares diferentes e assimétricos.
A psicanálise contemporânea foca a relação entre os protagonistas.
Para Bion, o analista exerce sua função alfa, especializada como função psicanalítica
da personalidade. Nas conferências de Nova Iorque, poeticamente se cria uma bela metá-
fora: a função alfa é semelhante à oferta de um ninho para que os pássaros que buscam
significados consigam repouso restaurador. Na mesma conferência, o autor compara o ofí-
cio do analista a uma parteira. Para Grotstein (2007) a função continente-conteúdo (♀.♂)
permite o modelo analógico médico da diálise. Enfatizar a importância da pessoa do ana-
lista e seus dotes como parteiro na relação analítica é uma preciosa contribuição do mestre,
pois esta postura compromete o analista, amplia e aprofunda a sua função muito além da
desintoxicação das identificações projetivas do paciente.
A psicanálise é ciência pós-paradigmática (Rezende, 2009) e arte.
Tanto para Meltzer quanto para Ogden e Ferro rêverie é uma atividade intersubjetiva
entre o paciente e o analista, radicalmente bipessoal.
Para Meltzer (1984), rêverie é um ato pré-consciente, uma resposta do analista diante
da escuta do sonho do paciente, um ressonhar o sonho para alcançar uma melhor com-
preensão. O analista escuta o paciente e observa a imagem que surge em sua imaginação.
Quando o paciente não pode sonhar, o analista sofre o efeito das identificações projetivas
excessivas, ou os efeitos da mente primordial.
Ferro (2008) considera que na sessão analítica há uma constante atividade de rêverie
de base. Com esta valiosa capacidade, o analista recebe, metaboliza e transforma continua-
mente o que chega do paciente – em forma verbal, para-verbal e não verbal – em imagens
visuais intuitivas: os pictogramas emocionais. Esta é a função digestiva, imaginativa e poé-
tica do aparelho psíquico. Ferro (2009) postula dois tipos diferentes de rêverie: tanto os rê-
78 Revista Brasileira de Psicanálise · Volume 44, n. 4 · 2010

veries de flash visual, pontuais, de curta metragem, quanto os rêveries mais completos, que
são como uma construção paulatina de um conjunto de rêveries: as de larga metragem. Os
pictogramas podem se transformar em derivados narrativos do pensamento onírico diur-
no: os elementos alfa (Ferro, 1998). Esse elemento alfa é o pictograma emotivo do instante
da relação. Os fotogramas oníricos da vigília permitem o contato com os “pensamentos
oníricos de vigília”. Também esse autor postula uma atividade contínua de identificações
projetivas de base, que solicitam a atividade de rêverie do analista. A formação de pictogra-
mas emocionais é contínua, originando o pensamento onírico de vigília. O gênero narra-
tivo (arte, recordações, diários etc.) expressa os pictogramas nos derivados narrativos – os
narradores – formados pela sequência de elementos alfa.
A análise permitirá que o paciente introjete esta função “cheia de histórias”, “narra-
dora de emoções”, através de memórias, recordações e personagens, para criar um “narra-
dor interno”. O paciente fornece a narrativa e o analista coopera com esse script ao introdu-
zir e modelar os personagens que sintetizam emoções.
Com pacientes muito perturbados, a capacidade de rêverie do analista cria o conti-
nente e exercita a função alfa do paciente ao permitir a criação, a evolução, o desenvolvi-
mento e a alfa-betização das protoemoções. Além disso, elas podem encontrar uma forma
expressiva nos pictogramas e nas subunidades narrativas à espera de significado, em vez
de serem evacuadas. Com esses pacientes o analista precisa primeiro tecer o tecido mental,
isto é, criar o continente, antes de interpretá-lo. Ao vivenciar at-one-moment as experiên-
cias emocionais, o analista pode transformá-las, metabolizá-las, desintoxicá-las, significá-
las e modulá-las.
Para o autor italiano há uma oscilação permanente entre criatividade e técnica.
Quando o rêverie prevalece são possíveis novas e imprevistas expansões de sentido
em momentos muito fecundos de interpretações, narrativas, instauradas, abertas, em for-
ma dialógica (Ribeiro, 1999). Questiono se é possível conceber a técnica psicanalítica sem
criatividade, mas concordo que nem sempre é possível alcançar esta meta.

Exemplo clínico

Maria é uma adolescente de 16 anos. Ela falta nas três sessões da semana, sem dar
notícias, motivo que despertou grande tristeza e preocupação em mim, ao mesmo tempo que
indagações sobre os perigos psíquicos que esta paciente podia estar correndo diante das vivên-
cias de orfandade e anemia psíquica. Maria atuava muito em “relações sexuais” à procura de
objetos cuidadores.
Os pais haviam me informado, em uma entrevista conjunta com a paciente, que a mãe
permaneceria na Inglaterra por um ano, para completar a sua tese. Diante da preocupação e
a dor pela identificação com a minha paciente, esqueci a data da viagem, forma de negar a
privação da função materna.
Maria chega atrasada na primeira sessão da semana seguinte. Ela questiona muito o
sentido de sua análise, o desgaste com a viagem, o preço das sessões. Em atitude hostil, briga
comigo e me desqualifica.
Imediatamente aparece em minha mente o mapa da ilha da Inglaterra com uma enor-
me distância do continente.
Rêverie re-visitado Alicia Beatriz Dorado de Lisondo 79

Pergunto-lhe sobre as faltas na semana anterior. “Não interessa”. Um silêncio cortante


se faz presente entre nós. Aguardo.
Pergunto-lhe sobre a viagem de sua mãe. A partida havia sido na semana em que fal-
tou. Interpreto sua tristeza, sua dor. Quando há separações ela sente que nada mais importa
e parece desmoronar. Só que ela sim, tem importância para mim, mesmo quando as férias se
aproximam. Mostro-lhe o calendário realizado nas sessões anteriores.
Logo ela me comunica que sairá com o pai de férias para Florianópolis, uma ilha, no
mês de julho. Uma pousada para os dois foi reservada porque não há lugar no resort (período
que não corresponde às nossas férias de julho). “Está muito difícil fazer minha mala. Não sei
o que colocar, se roupa de inverno ou baby doll, vestidos ou calças, roupa de inverno ou de
verão…”
Penso na intensificação das fantasias pré-edípicas que mascaram estados mentais pri-
mitivos mais profundos, que buscam a identificação adesiva e a pele psíquica como continen-
te. A mala aparece como um espaço mental incipiente, rudimentar, que não pode abrigar e
organizar suas fantasias e emoções. Não há lugar para as discriminações necessárias e os lu-
gares assimétricos em uma triangulação edípica. Como ser a adolescente e a MENINA-MULHER
PROTETORA do PAPAI?
Comento que, nesse período, não estaremos de férias na análise, como já havíamos
combinado e escrito no calendário. Ela fica brava. Quer marcar as férias e não se submeter
aos meus caprichos! A data das férias analíticas – o tempo como limite – marca minha pre-
sença, que interfere nessa relação incestuosa simbiótica com o pai. Uma pista para compre-
ender a sua fúria.
Pede-me uma folha para fazer a lista do que levará na mala. Senta-se no divã e começa
a pensar em voz alta e a escrever a lista, roupa de frio, de calor… “Aqui pode me encontrar
como uma companhia que permite que te organizes, que separes o calor do frio… Tempo de
férias, tempo de trabalho, lugar de Alicia, lugar de Maria, mesmo que possa ter muito deses-
pero diante dessas separações.”
O flash onírico, na situação de transferência total, me permitiu compreender:
a) A privação de um continente interno estável que não se deve somente à crise da
adolescência.
b) As férias na ilha de Florianópolis como uma forma excitante de substituir maniaca-
mente o desgarramento, quando uma mãe é morta em sua função.
c) A impossibilidade de compartilhar emoções doloridas pela viagem da mãe é mais
um fator traumático em uma história de traumas acumulativos.
d) A arrogância como máscara da catástrofe primitiva. Ela quer ocupar todos os luga-
res: filha, mulher, esposa. Na transferência, querer ocupar o lugar do analista revela
não ter um LUGAR como garantia de existência.
e) Penso que, na sessão, Maria pode reclamar ativamente das situações traumáticas
(não tem importância não contar com o objeto primário para aprender) que viveu
passivamente em outro momento, graças à transferência de situações anteriores.

Ferro (2008) leva a concepção da relação objetal e intersubjetividade, como indispen-


sáveis na criação da mente e no processo analítico, às últimas consequências. Ele não con-
sidera a capacidade de tolerar a frustração como inata, tal como no pensamento de Klein
ou no primeiro de Bion; esta capacidade derivaria da introjeção do funcionamento mental
dos pais.
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Ogden (2007) ressalta que os rêveries do analista são uma via indispensável para a
compreensão e a interpretação da transferência e da contratransferência. Para esse autor,
elas são um acontecimento pessoal e íntimo do analista. A inter-relação entre a subjetivi-
dade do analista e a do paciente cria construções intersubjetivas inconscientes: “O terceiro
analítico intersubjetivo” (Ogden, 1986, 1994, 1996). O processo analítico reflete a inter-
relação de três subjetividades: a subjetividade do analista, a do analisando e a do terceiro
analítico.
A atividade psicológica de rêverie representa formas simbólicas e protossimbólicas
(baseadas em sensações) atribuídas à experiência não articulada (e muitas vezes não senti-
da) do paciente. Elas ganham forma na intersubjetividade do par analítico: o terceiro ana-
lítico – construção assimétrica criada no setting analítico. Ser analista, num sentido pleno,
implica tentar conscientemente fazer participar, do processo analítico, aspectos sagrados
da própria personalidade.
Esse autor alerta para o perigo de supervalorizar os rêveries, como se eles fossem
a única “via régia” para se ter acesso ao nível inconsciente. Mas destaca sua importância
como bússola emocional para ampliar o sentido e a compreensão na situação analítica.
É de tal importância na relação do processo analítico e no reconhecimento da par-
ticipação ativa da pessoa do analista na cena, que Marucco (2008) alerta que a paralisia
da capacidade de rêverie no analista – seria mais apropriado usar o conceito: função alfa
do analista, como já justifiquei – seria um sintoma que advertiria o profissional de que o
trabalho de autoanálise já não é suficiente, sendo urgente voltar para o divã para reanálise.
Esta advertência abre o debate sobre a postura ética na identidade analítica.
A reanálise, como uma atitude humilde, não implica, necessariamente, uma denún-
cia sobre o fracasso do processo analítico anterior. Esta decisão pode ser uma oportunidade
para reconhecer as limitações do método, da condição humana e ressaltar a essência do
objeto analítico, na fronteira com os enigmas, o não representado, o inacabado, o indeci-
frável na relação. Mas é evidente que o próprio processo de reanálise também está sujeito
a limitações.
Rezende (2009) explicita a contribuição de Bion à técnica psicanalítica:

… podemos dizer que o pensamento psicanalítico é a própria rêverie no prolongamento do con-


teúdo. Mas para isso suceder é indispensável a tolerância à frustração, compreendida agora não
apenas como a capacidade de se manter sem se afogar e mergulhar, pela turbulência da situação,
mas muito propriamente como força de ânimo. (p. 24)

Uma força maior no próprio exercício da relação continente-conteúdo, com expan-


são do universo mental da dupla.

Exemplo clínico

Paula é uma menina que iniciou análise por sofrer de Estados Autísticos aos dois anos
de idade. Nesta sessão já tem dez anos. As férias de verão se aproximam.
No primeiro encontro, à esquerda, ela se desenha. À sua direita, coloca o material e a
maquiagem em uma bolsa escolar, e do outro lado um livro muito confuso. Observo os olhos
Rêverie re-visitado Alicia Beatriz Dorado de Lisondo 81

assustados e o enorme coração roxo. Também a boca cheia de dentes e a orelha com uma
argola negra.
Penso que o anúncio das férias entrou como uma nuvem negra que a desestabilizou. O
desenho está flutuando, no ar, sem o apoio no solo.
A seu pedido, desenho enquanto interpreto. Pretendo que o pictograma – desenho do
calendário como ideia que está em sua cabeça – possa se transformar em um idiograma. De-
senho abaixo o calendário, nossos rostos, na tentativa de afirmar que as férias não provocam
o desgarro e o desaparecimento do nosso vínculo. No coração coloco o A, inicial de meu nome,
da análise, de AMOR. Ela risca essa letra com violência. Os olhos do meu desenho encontram
os olhos do seu.
Ressalto a firmeza do apoio, do conteúdo florido.
“Separamo-nos pelas férias, mas P está firme aqui.” Mostro-lhe o coração, a relva. Sa-
pateio com os pés no solo, para registrar a base de apoio.
“P está assustada, com raiva…” Mostro-lhe a letra A rabiscada e o coração. “Mas pode-
mos nos separar e nos encontrar de novo”. Eu faço o gesto unindo e separando minhas mãos.
P decide fazer seu segundo desenho. Destaco o apoio da figura, em três sustentações
(três semanas de viagem), muito diferente do seu primeiro desenho. Como projeto faz as três
semanas de nossa separação e coloca o número três. Também coloca a inicial dos objetos que
desenha em sua bolsa: uma tentativa de nominação e discriminação. B de batom em portu-
guês, lápis de lábio. B de Boticário, tradicional rede de perfumarias no Brasil.
Na hora de terminar este texto, apelo às transformações gráficas, revelações das mu-
danças psíquicas. A separação pelas férias desperta as marcas mnemônicas das rupturas trau-
máticas demoníacas de outrora. Mas agora é possível que o vínculo analítico seja abrigado em
seu coração-continente, durante a separação anunciada: a gestação do símbolo, uma presença
na ausência aparece.
82 Revista Brasileira de Psicanálise · Volume 44, n. 4 · 2010

Rêverie revisitado
Resumen: El trabajo de sueño alfa es una función primordial y permanente del psiquismo. Permite crear
los pictogramas que ofrecen figurabilidad y metabolizan las experiencias emocionales. Rêverie es el con-
cepto clave que destaca e ilumina la relación de objeto. El rêverie nace en una historia transgeracional.
En el psiquismo pre-natal y en los primeros años de vida del niño, la madre se retira del mundo externo,
para invertir su atención, en la relación con su hijo. El analista ejerce con el paciente la función alfa y el
trabajo de sueño alfa en lugar de rêverie porque el analista no tuvo con el paciente una gestación – a no
ser metafórica – corporal compartida. La función del rêverie en la constitución de la mente y sus múltiples
funciones: el tránsito a través de la cesura; matriz del cambio catastrófico; experiencia de continuidad en
las transformaciones; función de reclamación (Alvarez, 1992); muestrar la experiencia de la pasión; per-
mite el trabajo de figurabilidad (Botella, 2007); iniciar la actividad K de la mente; inspirar la tolerancia a
la frustración; convocar la esperanza y la fe; la cultura a partir del vértice artístico ejerce función equiva-
lente al rêverie. Ejemplos clínicos ilustran la teoría.
Palabras clave: trabajo de sueño alfa; rêverie; constitución de la mente; genesis del rêverie; funciones del
rêverie; técnica psicoanalítica.

Reverie revisited
Abstract: The alpha dream work is a primary and permanent function of psychism. It allows the creation
of pictograms which provide figurability to metabolise emotional experiences. This theory revolutionizes
the psychoanalytical Techné. Reverie is the key concept that distinguishes and enlightens object-relations.
It is originated in a transgenerational history. The pregnant mother is involved in a bond with her mother
and her baby. In prenatal psychism and in the first years of the child’s life, the mother retreats from the
external world in order to invest her attention in her relationship with the child. The analyst carries out
with the patient the alfa function and the alfa dream work instead of reverie, for the analyst didn’t share
with the patient a bodily – unless metaphorical – gestation. The function of the reverie in the constitution
of the mind and its multiple functions are highlighted: the transit through ceasure; matrix of catastrophic
change; experience of continuity in transformations; function of reclamation (Alvarez, 1992); teaches the
experience of passion; allows the work of figurability (Botella, 2007); initiates the mind’s K activity; inspires
tolerance of frustration; summons hope and faith; in its artistic perspective, culture exerts an equivalent
function to the reverie. Clinical vignettes illustrate the theory.
Keywords: alfa dream work; reverie; constitution of the mind; genesis of reverie; functions of reverie;
psychoanalytical technique.

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Amorrortu.
Williams, M.H. (1997). Inspiration: A psychoanalytic and a esthetic concept. British Journal of
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Williams, M.H. (2008). The aesthetic development: Bion, Meltzer and the poetic spirit of psychoanalysis.
Trabalho apresentado em: Encontro Internacional: O pensamento vivo de Donald Meltzer.

[Recebido em 6.10.2010, aceito em 29.10.2010]

Alicia Beatriz Dorado de Lisondo


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