Função do Rêverie na Psicanálise
Função do Rêverie na Psicanálise
4, 67-84 · 2010 67
Rêverie re-visitado1
Resumo: O trabalho do sonho alfa é uma função primordial e permanente do psiquismo. Ele permite
criar os pictogramas que oferecem figurabilidade para metabolizar as experiências emocionais. Esta
teoria revoluciona a Techné psicanalítica. Rêverie é o conceito-chave que destaca e ilumina a relação
de objeto. Ele nasce numa história transgeracional. A mãe grávida está envolvida numa união com sua
mãe e com seu bebê. No psiquismo pré-natal e nos primeiros anos de vida da criança ela retira-se do
mundo externo para investir sua atenção na relação com o filho. O analista exerce com o paciente a
função alfa e o trabalho de sonho alfa em vez de rêverie, porque ele não teve com o paciente uma ges-
tação – a não ser metafórica – corporal compartilhada. A função do rêverie na constituição da mente
e suas múltiplas funções são destacadas: o trânsito através da cesura; matriz da mudança catastrófi-
ca; experiência de continuidade nas transformações; função de reclamação (Alvarez, 1992); ensinar
a experiência da paixão; permitir o trabalho de figurabilidade (Botella, 2007); iniciar a atividade K da
mente; inspirar a tolerância à frustração; convocar a esperança e fé; a cultura a partir do vértice artístico
exerce função equivalente à do rêverie. Vinhetas clínicas ilustram a teoria.
Palavras-chave: trabalho do sonho; rêverie; constituição da mente; gênese do rêverie; funções do rêve-
rie; técnica psicanalítica.
Introdução
pensamentos” (Bion, 1962b), também é possível conceber “um aparato para sonhar os so-
nhos” que opere em um segundo nível sobre os elementos alfa ocorridos, para dar sentido
às experiências; este seria a “capacidade negativa da mente no sonho”. A simbolização e o
trabalho do sonho permitem a memória. Graças ao sonho, é possível criar os pictogramas
que permitem dar figurabilidade e metabolizar as experiências emocionais.
O significado de rêverie transcende a ideia de imaginação e a fantasia se estende
a um cenário, a uma história (Botella, 2007). Junqueira Filho (1991) rastreia sua origem
etimológica:
Este substantivo que surge no middle english tardio origina-se do adjetivo rêverie do francês arcai-
co, que significa júbilo e regozijo, que por sua vez vem do verbo rever (fazer, agradecer, festejar,
regalar). Interessa aqui enfatizar que no século XVII o termo passou a ser sinônimo de outras
expressões. Brown study (absorvido em devaneio, pensativo) e Day dream (quimera, sonho, de-
vaneio), ganhando assim seu sentido atual, aquele que Bion atribui potencialmente na psique
materna.3 (p. 57)
Nós teremos … um caso típico de fusão afetiva nas relações existentes entre mãe e filho …. Aqui
nos apresenta esta particularidade que é ser amado primitivamente…, no sentido concreto e es-
pecial do termo de ser amante …. Nos rêveries da mulher absorvida pela maternidade ou pela
espera da futura maternidade pode-se ver um estado de êxtase: pois é um êxtase, por assim dizer,
intraorgânico, no curso do qual a mulher tem a revelação do filho em vias de nascer.4 (Scheler,
citado por Melsohn , 2001, p. 112)
Este é um conceito teórico forte e criativo na obra de Bion, relacionado com a teoria
do pensamento, a capacidade de tolerar a frustração, a necessidade de amor, o processo de
conhecimento e a função alfa (Bion, 1967, 1970, 1973, 1977, 1980). Rêverie é o conceito-
chave que destaca e ilumina a relação de objeto ao mesmo tempo em que é o nome de um
verdadeiro mistério e um desafio à nossa compreensão.
Na obra de Bion (1962b) “Uma teoria do pensamento”, o autor destaca o desenvolvi-
mento genético do processo de pensar, que expande clinicamente e detalha – mais adiante,
na obra Elementos de psicanálise (1963) –, assim como as pré-concepções, as concepções
– sinônimos de pensamento – e os conceitos. Em sua obra há um esforço para tentar supe-
rar o conceito e evitar a tentação de alcançar a verdade absoluta. Entre suas contribuições
3 Tradução da autora.
4 Tradução da autora.
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Gênesis do rêverie
Para Sor e Senet (1992), o rêverie é uma nuvem envolvente ou um véu de ilusão que
protege o par. É um modelo de natureza pictórico, classificado no eixo vertical em C; no
eixo horizontal em 4 Atenção, ou 5 Indagação da grade (Bion, 1977).
Para os autores argentinos, essa “nuvem” envolvente é uma nuvem de transformação
e uma nuvem de ternura e amor. Estas favorecem o trânsito das emoções primitivas, que
incluem terrores profundos – talâmicos e subtalâmicos – ligados ao desamparo e associa-
dos à voracidade canibalista, promovendo a evolução ligada ao crescimento mental e à ca-
pacidade de contato humano (nenhuma outra espécie nasce com tal período de neotenia).
O autor destaca que a função de rêverie é um processo sem definição no tempo, considera-
do essencial para a transformação e alteração do bebê primitivo em um “bebê humano”.
A mãe envolve o bebê em um profundo estado de mente, at-one-ment – unicidade
– com esse véu de ilusão e devaneio que se aproxima das transformações em “O” (origem).
“O” para Bion (1965) denota a realidade última, a verdade absoluta, o infinito, a coisa em
si mesma. Estas transformações representam o que é inseparável do SER – encontro do Ser
materno e do Ser em gestação do filho –, que em sua essência não pode ser conhecido, mas
pode ser reconhecido e sentido. Há aproximações ao “O” que permitem outras transfor-
mações: em pensamento, símbolos e conhecimento. A função rêverie materna é o órgão
receptor das sensações de “si mesmo” do bebê. Ou seja, há uma estreita relação entre o
rêverie de “si mesmo” e a “consciência infantil rudimentar de si mesmo”. Uma das formas
privilegiadas de se aproximar de “O” é vir a ser (devenir) “O”, mediante a suspensão da me-
mória, do desejo e da compreensão.
Em algumas ocasiões essa nuvem pode se romper para ambos os membros ou, ainda,
pode ser uma ruptura transitória que faz com que, nesse momento, ambos a vislumbrem
como uma experiência de contraste entre a imagem imaginada e a pessoa real.
Penso que quando essa ruptura não é transitória e oportuna, é vivenciada como
traumática e insuportável. Esta separação prematura que não pode ser tolerada, cria uma
consciência precoce e frágil, incapaz de promover as funções mentais – isto porque é a
mãe que oferece um modelo de pensamento; se for uma mãe morta (Green, 1983), em seu
funcionamento psíquico não pode exercer, por exemplo, a correlação entre as impressões
sensoriais e o sentido. “Chora, estende os braços, me busca com a boquinha aberta, creio
que está com fome”. No lugar de uma articulação entre os dados sensoriais, o choro, o gesto
expressivo e a linguagem pré-verbal – que podem ser significados e integrados em um Fato
Rêverie re-visitado Alicia Beatriz Dorado de Lisondo 71
O seio bom e o seio mal são experiências emocionais… O componente físico, leite, mal-estar
produzido pela saciedade ou o seu oposto podem revelar prioridade cronológica a itens beta em
elementos alfa. Intolerância à frustração pode ser tão marcante que a função alfa seria dificultada
pela evacuação de elementos beta. O componente mental, amor, segurança, ansiedade, ao contrá-
rio do somático, requer um processo análogo ao da digestão. O que isso poderia ser é obscurecido
pelo uso de alfa-conceito de função, mas a pesquisa pode encontrar um valor psicanalítico.
(p. 35)
A interpretação deste texto não deixa dúvidas sobre a importância fundamental das
sensações corporais, matéria-prima dos elementos beta, que antecedem os elementos alfa.
As vivências de amor, segurança e ansiedade, diferentes do somático, são uma conquista do
psiquismo e exige um processo análogo à digestão. O mestre deixa claro que são questões a
investigar que não podem ficar ocultas pelo conceito de função alfa.
Bion (1962a) continua a nos ensinar:
Por exemplo, quando a mãe quer a criança, o que fazer? A partir dos canais físicos de comunica-
ção tenho a impressão de que o amor se expressa através do rêverie. (p. 36)
A. Cesura
Cesura é o título de uma conferência dada por Bion em 1975, na sede da Sociedade
Psicanalítica de Los Angeles. Cesura deriva diretamente do latim e tem o sentido de cortar,
separar, dividir.
Bion usa esse termo inspirado em Freud (1926/1976) “Há muito mais continuidade
entre a vida intrauterina e a primeira infância do que a impressionante cesura do nasci-
mento nos permitiria supor” (p. 131). Depois da cesura do nascimento há situações de
ruptura, crise e passagem, as chamadas cesuras do crescimento (Sapienza, 2001). Chronos
permite ver as sequências cronológicas de passar o tempo. Kairós permite identificar os
momentos caóticos de ruptura e de crise (Rezende, 2009).
O rêverie também oferece um empurrão para pular as brechas e fissuras que separam
os dois lugares e realizar a passagem, avançando rumo ao desconhecido. Tanto o crescimen-
to quanto o trabalho analítico exigem atravessar cesuras. Há um “antes de” e um “depois de”
na sequência de acontecimentos, que não é contínua (Talamo, 1997). Estar em crescimento
é estar explorando múltiplas cesuras, atravessar diversos momentos, assombrar-se e estar
envolvido por turbulências diante do novo e do incomum (Sor Senet, 1992). Crescer não é
o momento de chegada.
Quando a cesura se apresenta como um muro intransponível, impermeável, a perso-
nalidade torna-se cada vez mais dividida, dissociada, e pode murchar ou deteriorar-se.
Para poder fazer alguma dessas três tarefas se requer tolerância à frustração.
O nascimento e a morte são as cesuras reais da condição humana. Elas podem ser
utilizadas metaforicamente.
Rêverie re-visitado Alicia Beatriz Dorado de Lisondo 75
ro. O rêverie permite a introjeção de uma relação objetal boa, um seio pensante, que é fonte
de esperança, vitalidade e fé – fé na existência desta realidade e desta verdade.
J) Neborak e Cortiñas (1993) indicam que a cultura, a partir do vértice artístico, exerce
uma função equivalente ao rêverie
A arte proporciona experiências emocionais para seu interlocutor. Ao expressar a
figura do indeciso, o impensável permite des-intoxicar e significar o que não tinha clara
definição no social, nem no início do psiquismo. Guernica seria um dos vários exemplos.
O artista oferece uma forma expressiva ao terror à guerra.
Rêverie e techné
veries de flash visual, pontuais, de curta metragem, quanto os rêveries mais completos, que
são como uma construção paulatina de um conjunto de rêveries: as de larga metragem. Os
pictogramas podem se transformar em derivados narrativos do pensamento onírico diur-
no: os elementos alfa (Ferro, 1998). Esse elemento alfa é o pictograma emotivo do instante
da relação. Os fotogramas oníricos da vigília permitem o contato com os “pensamentos
oníricos de vigília”. Também esse autor postula uma atividade contínua de identificações
projetivas de base, que solicitam a atividade de rêverie do analista. A formação de pictogra-
mas emocionais é contínua, originando o pensamento onírico de vigília. O gênero narra-
tivo (arte, recordações, diários etc.) expressa os pictogramas nos derivados narrativos – os
narradores – formados pela sequência de elementos alfa.
A análise permitirá que o paciente introjete esta função “cheia de histórias”, “narra-
dora de emoções”, através de memórias, recordações e personagens, para criar um “narra-
dor interno”. O paciente fornece a narrativa e o analista coopera com esse script ao introdu-
zir e modelar os personagens que sintetizam emoções.
Com pacientes muito perturbados, a capacidade de rêverie do analista cria o conti-
nente e exercita a função alfa do paciente ao permitir a criação, a evolução, o desenvolvi-
mento e a alfa-betização das protoemoções. Além disso, elas podem encontrar uma forma
expressiva nos pictogramas e nas subunidades narrativas à espera de significado, em vez
de serem evacuadas. Com esses pacientes o analista precisa primeiro tecer o tecido mental,
isto é, criar o continente, antes de interpretá-lo. Ao vivenciar at-one-moment as experiên-
cias emocionais, o analista pode transformá-las, metabolizá-las, desintoxicá-las, significá-
las e modulá-las.
Para o autor italiano há uma oscilação permanente entre criatividade e técnica.
Quando o rêverie prevalece são possíveis novas e imprevistas expansões de sentido
em momentos muito fecundos de interpretações, narrativas, instauradas, abertas, em for-
ma dialógica (Ribeiro, 1999). Questiono se é possível conceber a técnica psicanalítica sem
criatividade, mas concordo que nem sempre é possível alcançar esta meta.
Exemplo clínico
Maria é uma adolescente de 16 anos. Ela falta nas três sessões da semana, sem dar
notícias, motivo que despertou grande tristeza e preocupação em mim, ao mesmo tempo que
indagações sobre os perigos psíquicos que esta paciente podia estar correndo diante das vivên-
cias de orfandade e anemia psíquica. Maria atuava muito em “relações sexuais” à procura de
objetos cuidadores.
Os pais haviam me informado, em uma entrevista conjunta com a paciente, que a mãe
permaneceria na Inglaterra por um ano, para completar a sua tese. Diante da preocupação e
a dor pela identificação com a minha paciente, esqueci a data da viagem, forma de negar a
privação da função materna.
Maria chega atrasada na primeira sessão da semana seguinte. Ela questiona muito o
sentido de sua análise, o desgaste com a viagem, o preço das sessões. Em atitude hostil, briga
comigo e me desqualifica.
Imediatamente aparece em minha mente o mapa da ilha da Inglaterra com uma enor-
me distância do continente.
Rêverie re-visitado Alicia Beatriz Dorado de Lisondo 79
Ogden (2007) ressalta que os rêveries do analista são uma via indispensável para a
compreensão e a interpretação da transferência e da contratransferência. Para esse autor,
elas são um acontecimento pessoal e íntimo do analista. A inter-relação entre a subjetivi-
dade do analista e a do paciente cria construções intersubjetivas inconscientes: “O terceiro
analítico intersubjetivo” (Ogden, 1986, 1994, 1996). O processo analítico reflete a inter-
relação de três subjetividades: a subjetividade do analista, a do analisando e a do terceiro
analítico.
A atividade psicológica de rêverie representa formas simbólicas e protossimbólicas
(baseadas em sensações) atribuídas à experiência não articulada (e muitas vezes não senti-
da) do paciente. Elas ganham forma na intersubjetividade do par analítico: o terceiro ana-
lítico – construção assimétrica criada no setting analítico. Ser analista, num sentido pleno,
implica tentar conscientemente fazer participar, do processo analítico, aspectos sagrados
da própria personalidade.
Esse autor alerta para o perigo de supervalorizar os rêveries, como se eles fossem
a única “via régia” para se ter acesso ao nível inconsciente. Mas destaca sua importância
como bússola emocional para ampliar o sentido e a compreensão na situação analítica.
É de tal importância na relação do processo analítico e no reconhecimento da par-
ticipação ativa da pessoa do analista na cena, que Marucco (2008) alerta que a paralisia
da capacidade de rêverie no analista – seria mais apropriado usar o conceito: função alfa
do analista, como já justifiquei – seria um sintoma que advertiria o profissional de que o
trabalho de autoanálise já não é suficiente, sendo urgente voltar para o divã para reanálise.
Esta advertência abre o debate sobre a postura ética na identidade analítica.
A reanálise, como uma atitude humilde, não implica, necessariamente, uma denún-
cia sobre o fracasso do processo analítico anterior. Esta decisão pode ser uma oportunidade
para reconhecer as limitações do método, da condição humana e ressaltar a essência do
objeto analítico, na fronteira com os enigmas, o não representado, o inacabado, o indeci-
frável na relação. Mas é evidente que o próprio processo de reanálise também está sujeito
a limitações.
Rezende (2009) explicita a contribuição de Bion à técnica psicanalítica:
Exemplo clínico
Paula é uma menina que iniciou análise por sofrer de Estados Autísticos aos dois anos
de idade. Nesta sessão já tem dez anos. As férias de verão se aproximam.
No primeiro encontro, à esquerda, ela se desenha. À sua direita, coloca o material e a
maquiagem em uma bolsa escolar, e do outro lado um livro muito confuso. Observo os olhos
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assustados e o enorme coração roxo. Também a boca cheia de dentes e a orelha com uma
argola negra.
Penso que o anúncio das férias entrou como uma nuvem negra que a desestabilizou. O
desenho está flutuando, no ar, sem o apoio no solo.
A seu pedido, desenho enquanto interpreto. Pretendo que o pictograma – desenho do
calendário como ideia que está em sua cabeça – possa se transformar em um idiograma. De-
senho abaixo o calendário, nossos rostos, na tentativa de afirmar que as férias não provocam
o desgarro e o desaparecimento do nosso vínculo. No coração coloco o A, inicial de meu nome,
da análise, de AMOR. Ela risca essa letra com violência. Os olhos do meu desenho encontram
os olhos do seu.
Ressalto a firmeza do apoio, do conteúdo florido.
“Separamo-nos pelas férias, mas P está firme aqui.” Mostro-lhe o coração, a relva. Sa-
pateio com os pés no solo, para registrar a base de apoio.
“P está assustada, com raiva…” Mostro-lhe a letra A rabiscada e o coração. “Mas pode-
mos nos separar e nos encontrar de novo”. Eu faço o gesto unindo e separando minhas mãos.
P decide fazer seu segundo desenho. Destaco o apoio da figura, em três sustentações
(três semanas de viagem), muito diferente do seu primeiro desenho. Como projeto faz as três
semanas de nossa separação e coloca o número três. Também coloca a inicial dos objetos que
desenha em sua bolsa: uma tentativa de nominação e discriminação. B de batom em portu-
guês, lápis de lábio. B de Boticário, tradicional rede de perfumarias no Brasil.
Na hora de terminar este texto, apelo às transformações gráficas, revelações das mu-
danças psíquicas. A separação pelas férias desperta as marcas mnemônicas das rupturas trau-
máticas demoníacas de outrora. Mas agora é possível que o vínculo analítico seja abrigado em
seu coração-continente, durante a separação anunciada: a gestação do símbolo, uma presença
na ausência aparece.
82 Revista Brasileira de Psicanálise · Volume 44, n. 4 · 2010
Rêverie revisitado
Resumen: El trabajo de sueño alfa es una función primordial y permanente del psiquismo. Permite crear
los pictogramas que ofrecen figurabilidad y metabolizan las experiencias emocionales. Rêverie es el con-
cepto clave que destaca e ilumina la relación de objeto. El rêverie nace en una historia transgeracional.
En el psiquismo pre-natal y en los primeros años de vida del niño, la madre se retira del mundo externo,
para invertir su atención, en la relación con su hijo. El analista ejerce con el paciente la función alfa y el
trabajo de sueño alfa en lugar de rêverie porque el analista no tuvo con el paciente una gestación – a no
ser metafórica – corporal compartida. La función del rêverie en la constitución de la mente y sus múltiples
funciones: el tránsito a través de la cesura; matriz del cambio catastrófico; experiencia de continuidad en
las transformaciones; función de reclamación (Alvarez, 1992); muestrar la experiencia de la pasión; per-
mite el trabajo de figurabilidad (Botella, 2007); iniciar la actividad K de la mente; inspirar la tolerancia a
la frustración; convocar la esperanza y la fe; la cultura a partir del vértice artístico ejerce función equiva-
lente al rêverie. Ejemplos clínicos ilustran la teoría.
Palabras clave: trabajo de sueño alfa; rêverie; constitución de la mente; genesis del rêverie; funciones del
rêverie; técnica psicoanalítica.
Reverie revisited
Abstract: The alpha dream work is a primary and permanent function of psychism. It allows the creation
of pictograms which provide figurability to metabolise emotional experiences. This theory revolutionizes
the psychoanalytical Techné. Reverie is the key concept that distinguishes and enlightens object-relations.
It is originated in a transgenerational history. The pregnant mother is involved in a bond with her mother
and her baby. In prenatal psychism and in the first years of the child’s life, the mother retreats from the
external world in order to invest her attention in her relationship with the child. The analyst carries out
with the patient the alfa function and the alfa dream work instead of reverie, for the analyst didn’t share
with the patient a bodily – unless metaphorical – gestation. The function of the reverie in the constitution
of the mind and its multiple functions are highlighted: the transit through ceasure; matrix of catastrophic
change; experience of continuity in transformations; function of reclamation (Alvarez, 1992); teaches the
experience of passion; allows the work of figurability (Botella, 2007); initiates the mind’s K activity; inspires
tolerance of frustration; summons hope and faith; in its artistic perspective, culture exerts an equivalent
function to the reverie. Clinical vignettes illustrate the theory.
Keywords: alfa dream work; reverie; constitution of the mind; genesis of reverie; functions of reverie;
psychoanalytical technique.
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