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BIODIVERSIDADE

Este documento fornece um resumo sobre biodiversidade, incluindo: 1) O que é biodiversidade e por que é importante conservá-la; 2) Alguns dos principais fatores que ameaçam a biodiversidade mundial como destruição de habitats e alterações climáticas; 3) Exemplos de ecossistemas portugueses como dunas, estuários e florestas.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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BIODIVERSIDADE

Este documento fornece um resumo sobre biodiversidade, incluindo: 1) O que é biodiversidade e por que é importante conservá-la; 2) Alguns dos principais fatores que ameaçam a biodiversidade mundial como destruição de habitats e alterações climáticas; 3) Exemplos de ecossistemas portugueses como dunas, estuários e florestas.
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Biodiversidade

Guia Temático

Ficha Técnica
Produção: Associação Bandeira Azul da Europa
Autoria: Vanessa Santos
Ilustrações: Francisco Martins
Coordenação: Margarida Gomes

Edição: ABAE
Edifício Vasco da Gama, Bloco C, Piso1 ; 1350-355 Lisboa
Telef.: +351213942740
E-mail:ecoescolas@[Link]
Home Page: http: //[Link]/

Agradecimentos:
Revisão Técnica: Cristina Vieira (ICNB); Eunice Pinto (DRAmb Madeira), Ricardo Rocha, João
Neves (Zoomarine), Rui Queirós (AFN)
Cedência de fotos: Renata Gonçalves, Margarida Gomes, Carlo Ballis e DRAmb Madeira
PREFÁCIO
Nos últimos 50 anos, o ser humano alterou os ecossistemas mais rápida e ainda restam na Natureza. O presente Guia produzido e editado no Ano
extensivamente do que em qualquer outro período da sua história. As espécies Internacional da Biodiversidade, marca o início de reedição dos Guias
extinguem-se a uma velocidade mil vezes superior à taxa de extinção natural. temáticos Eco-Escolas, que procuram (in)formar e sugerir acções articuladas
Apesar do crescimento do nosso conhecimento acerca da importância da no conceito de Educação para o Desenvolvimento Sustentável, transversal a
biodiversidade, o ritmo da sua destruição não deixou de aumentar. Continuam todo o Programa Eco-Escolas.
a fazer-se sentir os factores que mais directamente contribuem para a sua Pretende-se que a informação disponível neste Guia possa vir a inspirar nas
deplecção: alterações e sobrexploração dos ecossistemas, introdução de Eco-Escolas crescentes práticas quotidianas em prol da preservação da
espécies exóticas invasoras, carga excessiva de nutrientes e alterações biodiversidade.
climáticas.
Se não podemos alterar tudo, poderemos certamente através de uma acção Este documento cuja escrita e compliação final estiveram a cargo da ABAE, é
(in)formada contribuir para contrariar esta tendência da perda continua da também o resultado de um trabalho de parceria com os elementos da Comissão
diversidade genética, de espécies, de ecossitemas… Nacional Eco-escolas que se disponibilizaram a colaborar e a quem deixamos
Todos os esforços são válidos para ajudar a preservar as riquezas que aqui os nossos agradecimentos.

Margarida Gomes
ÍNDICE

1. O que é a biodiversidade?

1.1 – Porquê conservar a biodiversidade? 02


1.2 - “Hotspots” mundiais 03

2. Alguns factores que ameaçam


a biodiversidade mundial

2.1 - Destruição de habitats 06


2.1.1 - Incêndios 06
2.1.2- Espécies exóticas e invasoras 06 4. Actividades Experimentais
2.2 – Exploração não sustentável dos recursos 06
2.2.1- Caça furtiva/ excessiva 07 4.1- Aves 16
2.2.2 – Sobrepesca 07 4.1.1- Observação de aves 16
2.2.3 – Intensificação das práticas agrícolas 08 4.1.2- Coleccionar penas e descobrir a sua estrutura 17
2.3 – Alterações climáticas 08 4.1.3- Construção de ninhos 18
2.4- Extermínio por medo/superstição 09 4.2- Mamíferos 19
4.2.1- Identificar mamíferos através de pegadas 19
3. Alguns ecossistemas portugueses 4.3- Insectos 20
4.3.1- Colecção fotográfica de insectos 20
3.1- Ecossistemas dunares 11 4.4- Líquenes – indicadores biológicos de poluição, verifica tu mesmo! 20
3.2- Estuários 12 4.5- Atreve-te! 21
3.3- Floresta laurissilva 13 4.5.1- Espiral de aromáticas – torna a tua horta biológica especial! 21
3.4- Montado 14 4.5.2- Construção de um lago 24

5. Conhecendo as Áreas Protegidas de Portugal

5.1 – Portugal continental 28


5.2 – Região Autónoma dos Açores 29
5.3 - Região Autónoma da Madeira 30
1. O que é a biodiversidade?
1. O que é a biodiversidade?
A biodiversidade consiste na variedade de vida existente no Planeta - os diferentes tipos
de plantas, animais, fungos e todos os microrganismos. Toda a variedade genética existente
dentro de cada uma das espécies e a diversidade de ecossistemas onde estas habitam são
também importantes componentes da biodiversidade.

1.1 Porquê conservar a biodiversidade?


A biodiversidade é essencial ao equilíbrio e funcionamento dos ecossistemas e até mesmo
dos ciclos biogeoquímicos da água e de outros elementos.
Numa floresta, as plantas que a compõem além de desempenharem importantes funções
no armazenamento de carbono, na produção de oxigénio e até na filtração de partículas
nocivas que se encontram no ar como resultado das actividades industriais, são também
aliadas essenciais contra a erosão, degradação dos solos e perda de nutrientes. Os solos
das áreas desflorestadas ao longo do tempo vão-se tornando áridos, desnutridos e perdem a
capacidade de reter água, levando a que, no caso de uma cheia, os seus efeitos sejam ainda
Vanessa Santos
mais devastadores.
Fig. 1 Esteva (Cistus ladanifer).

Os mangais, nos ecossitemas tropicais, assim como os sapais, são essenciais na filtragem da água tornando-a mais pura e
Sabias que...?
rentendo também substâncias que podem ser nocivas para os humanos. Além disso, e tal como os ecossistemas dunares, evitam
a erosão costeira. Os sapais, que estão presentes nos estuários, actuam como “esponjas” e evitam que as águas dos rios no • Existem mais de 25 mil espécies
Inverno ultrapassem as margens e cheguem às comunidades ribeirinhas. de peixes diferentes em todo o
mundo.
• Existem mais de 3 mil espécies
A preservação da biodiversidade é fundamental para o desenvolvimento da indústria farmacêutica dado que cerca de 70% dos
de anfíbios.
medicamentos prescritos são elaborados com substâncias químicas extraídas de seres vivos. A título de exemplo, o percursor do
• A Classe dos répteis possui 6
ácido acetilsalicílico da aspirina foi extraído do Salgueiro (Salix Sp.), uma espécie que pode ser encontrada no território nacional.
mil espécies.
Apesar da importância das plantas para a indústria farmacêutica, apenas se conhece a composição química de 2% das 250 mil
• A classe dos mamíferos possui
espécies de plantas vasculares. A desflorestação leva à perda de espécies que nem sequer chegaram a ser identificadas pelos 4 mil espécies.
taxonomistas, ou estudadas pelos botânicos.
• Existem mais de 8 mil e 500
espécies diferentes de aves e que
Outro motivo que podemos utilizar para convencer os mais cépticos da necessidade de conservar a biodiversidade é demonstrá- destas 5 mil são passeriformes.
lo a nível económico. A biodiversidade é uma das maiores riquezas do mundo apesar de ser pouco reconhecida como tal. O • E que existem cerca de 250 mil
ecoturismo sustentável pode ser uma enorme fonte de rendimento para países com grande biodiversidade, como é o caso do espécies de plantas.
Quénia, que em 1986 recebeu mais de 400 milhões de dólares graças às visitas aos Parques Naturais.

02
1.2 “Hotspots” Mundiais
A diversidade biológica não se encontra distribuída uniformemente por todo o planeta. Certas áreas apresentam valores excepcionalmente altos de
biodiversidade em espécies endémicas (são aquelas em que a distribuição geográfica se limita apenas num lugar do Mundo), sendo conhecidas como “hotspots”
(zonas quentes) de biodiversidade.
Países como o Brasil, Equador e Madagáscar concentram grande parte da biodiversidade mundial mas também Portugal se encontra num zona privilegiada em
termos biológicos, uma vez que cerca de 75% do território nacional se encontra incluído no “hotspot” mediterrânico.
A maioria destes “hotspots” encontra-se nos trópicos. Neste momento estão 34 regiões classificadas pela “Conservation Internacional” como “hotspots”:

[Link]

Fig. 2 Mapa dos 34 “hotspots” mundiais. Legenda: [Link]íncia Florística da Califórnia; 2. Polinésia – Micronésia; 3. Floresta de Pinho-Encino de Sierra Madre (México, EUA); 4. Mesoamérica (Costa Rica,
Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, Belize, México); 5. Ilhas das Caraíbas; 6. - Tumbes-Chocó-Magdalena (Panamá, Colômbia, Equador, Peru); 7. Andes Tropicais; 8. Chile Central - Florestas Valdivias; 9. Cer-
rado (Brasil); 10. Mata Atlântica; 11. Karoo das Plantas Suculentas (África do Sul, Namíbia); 12. Província Florística do Cabo (África do Sul); 13. Maputaland-Pondoland-Albany (África do Sul, Suazilândia, Moçambique); 14.
Madagáscar e Ilhas do Oceano Índico; 15. Montanhas do Arco Oriental; [Link] de montanha da África Oriental; 17. Corno de África (Somália); 18. Florestas da Guiné, África Ocidental; 19. Bacia do Mediterrâneo; 20.
Região Irano-Anatólica; 21. Cáucaso; 22. Montanhas da Ásia Central 23. Himalaias; 24. Gates Ocidentais (índia e Sri Lanka); 25. Montanhas do Centro-Sul da China; 26. Regiões da Indo-Birmânia 27. Ilhas da Melanésia
Oriental 28. Filipinas; 29. Wallacea (Indonésia); 30. Sudoeste da Austrália; 31. Japão; 32. Ilhas da Polinésia e Micronésia (incluindo Havai); 33. Nova Caledónia; 34. Nova Zelândia.

03
Estes locais encontram-se seriamente ameaçados por diversos factores, entre
os quais se destacam:

- Sobreexploração das espécies para consumo alimentar;


- Produção de medicamentos;
- Tráfico de espécies;
- Alterações climáticas;
- Sobreexploração das florestas;
- Agricultura intensa e monoculturas.

Vanessa Santos

Fig. 3 Caye Cualker, Belize.

Vanessa Santos

Fig. 4 Mata Atlântica, Brasil.

04
2. Alguns factores que ameaçam
a biodiversidade mundial
2. Alguns factores que ameaçam a biodiversidade mundial

2.1 Destruição de habitats


As actuais taxas de crescimento populacional têm conduzido a um rápido desaparecimento de habitats naturais. A expansão urbana e a conversão de áreas
naturais em campos agrícolas (sobretudo monoculturas), os incêndios florestais, e as alterações climáticas, têm contribuído de forma decisiva para a perda
contínua destes habitats.

2.1.1 Incêndios
Nos últimos anos temos assistido a grandes incêndios florestais, que vão diminuindo de forma assustadora a área florestal do nosso país. O fogo, é responsável
pelo desaparecimento imediato das espécies e por mudanças bruscas na paisagem. As áreas protegidas não saem ilesas deste fenómeno, sofrendo danos
irreparáveis ou levando vários anos a recuperar.

Segundo o Sistema Europeu de Informação sobre os Incêndios Florestais, os países europeus mais assolados pelos incêndios são: Espanha, Itália, França,
Portugal e Grécia, dadas as condições climatéricas que se fazem sentir sobretudo no Verão. Em Portugal, no ano de 2009 arderam cerca de 35 mil hectares de
floresta, o dobro da área afectada em 2008.

2.1.2 Espécies exóticas ou invasoras


Uma espécie exótica (a maioria das vezes utilizada para fins comerciais e ornamentais) torna-se invasora, quando começa a competir, ocupar o espaço
e substituir as espécies nativas de uma região, ameaçando-as de extinção. As espécies invasoras são consideradas a segunda maior causa de perda de
biodiversidade a nível mundial, provocando enormes alterações na paisagem natural e no funcionamento dos ecossistemas.

Estas “invasões biológicas” desencadeiam a substituição de comunidades biodiversas por comunidades monoespecíficas dominadas pelas espécies invasoras. É
o que se passa com a Acácia- -de-espigas (Acacia longifolia) que, nos ecossistemas dunares portugueses, está a substituir as comunidades vegetais nativas.

2.2 Exploração não sustentável dos recursos


O grande crescimento populacional humano tem despoletado o consumo excessivo dos recursos naturais. Os recursos marinhos são explorados por grandes
frotas pesqueiras até ao seu limite. As florestas estão a dar lugar a monoculturas ou áreas de pastagens de gado de grandes dimensões e, por isso, é cada vez
mais frequente ver os habitats naturais transformarem-se em ilhas isoladas, pequenas reservas ou parques naturais (alguns sofrendo grande pressão exercida
pela caça ilegal) que se encontram rodeados de monoculturas ou pastagens até às cidades.

06
2.2.1 Caça furtiva/ excessiva
Em Portugal, o problema da caça ilegal também se faz sentir. O Coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), uma espécie Sabias que...?
originária da Península Ibérica, tem vindo a desaparecer nas últimas décadas devido à febre hemorrágica e mixomatose, e
• A caça ilegal reduziu o número
também como resultado da caça excessiva sobre este animal. Este declínio tem um efeito negativo sobre os ecossistemas, de Elefantes-africanos (Loxodonta
uma vez que o coelho é presa de cerca de 40 espécies de predadores, incluindo o Lince-ibérico (Lynx pardinus), a Águia- africana), de 1,2 milhões em 1979
imperial-ibérica (Aquila adalberti) e o Lobo ibérico (Canis lupus signatus). Os predadores de topo, por sua vez, têm para 600 mil em 1989.
elevada importância ecológica, uma vez que regulam o bom funcionamento dos ecossistemas.

Os efeitos do declínio das populações de Coelho-bravo não se fazem sentir apenas sobre os predadores de topo. Fazem-
se sentir também ao nível das comunidades vegetais, pois os mamíferos herbívoros controlam estas comunidades têm
um papel determinante para aves e insectos. Além disso, o hábito de construção de tocas deste animal, proporciona o
arejamento do solo criando condições propícias de habitat para um vasto conjunto de invertebrados.

2.2.2 Sobrepesca
Uma das principais ameaças à vida nos oceanos é a sobrepesca. Regularmente, as frotas pesqueiras excedem a Sabias que...?
capacidade produtiva do oceano, provocando um impacto devastador sobre os ecossistemas marinhos. Comprometem,
• Na Alemanha em 1999 foram
assim, a biodiversidade marinha, dado que algumas populações acabam por ser capturadas por vezes até à extinção. As capturadas 106 mil toneladas
embarcações pesqueiras utilizam as últimas tecnologias para localizar os cardumes e para conseguir pescá-los quase até de espécies marinhas. Em
à exaustão, sendo capazes de arrastar redes enormes de pescado. 2001 esse valor caiu para 70 mil
toneladas. Esta diminuição está
Além disso, os efeitos da sobrepesca não terminam nas espécies com valor comercial, dado que muitas outras espécies relacionada com o declínio de
populações
acabam por ficar retidas acidentalmente nas redes, como é o caso das tartarugas, cetáceos, algumas espécies de
tubarões e aves marinhas. Segundo uma divulgação da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), tendo por
base valores da BirdLife International, em cada ano morrem acidentalmente nas redes de pesca cerca de 200 mil aves
marinhas na Europa.

Muitas vezes também os hábitos culturais/gastronómicos de um povo colocam espécies em risco. É o que sucede com o
bacalhau, que se encontra presente em muitos pratos típicos de vários países europeus, incluindo Portugal – onde se diz
existir uma receita de bacalhau para cada dia do ano.

07
2.2.3 Intensificação das práticas agrícolas
Nos últimos anos, em Portugal, tem vindo a aumentar o plantio intensivo
de oliveiras no sul do país. Estas plantações intensivas são um exemplo
de desenvolvimento insustentável que põe em risco a fauna e flora
alentejana.

Um outro exemplo é o do cultivo intensivo de soja. Segundo um estudo da


WWF Brasil, a intensificação do cultivo desta leguminosa ameaça destruir
cerca de 22 milhões de hectares (ou 220 mil quilómetros quadrados) de
florestas e de cerrados na América do Sul até 2020.

O cultivo intensivo de soja já provocou o quase total desaparecimento da


Mata Atlântica no sul do Brasil, durante as décadas de setenta e oitenta
do séc. XX e a destruição de milhões de hectares do Chaco argentino e
do Cerrado brasileiro – as savanas de maior diversidade do mundo e que
servem de habitat a diversas espécies.
Fig. 5 Campo desflorestado para posterior cultivo

2.3 Alterações Climáticas


Também as alterações climáticas têm um efeito nefasto sobre a biodiversidade, principalmente ao nível da fenologia das espécies. A fenologia é a reacção anatómica
e fisiológica das espécies em relação à variação cíclica de condições ambientais, entre elas a variação anual da temperatura, humidade etc. A queda das folhas no
Outono, a floração das plantas na Primavera ou a frutificação no Verão, assim como a migração de algumas espécies de animais está directamente relacionada com
o clima. Devido às alterações climáticas, os processos fenológicos dos animais e plantas estão a alterar-se. A maioria das espécies tem dificuldade em adaptar-se
rapidamente às drásticas alterações climáticas e estas mudanças acabarão por provocar sérias consequências ao nível da biodiversidade, alterações nas interacções
bióticas e até mesmo na agricultura.

As espécies aquáticas acabam por ser mais susceptíveis ao rápido aumento da temperatura. Os anfíbios, por exemplo, são um dos grupos mais ameaçados. Os
cientistas prevêem que mais de 70 espécies de anfíbios da América tropical serão dizimados por um fungo parasita (Batrachochytrium dendrobatidis) que se propaga
rapidamente face ao aumento da temperatura. Com este exemplo é possível prever o modo como as alterações climáticas poderão levar à extinção de várias
espécies.

Também o fitoplâncton, o primeiro elo na cadeia alimentar marinha e responsável pela absorção de dióxido de carbono na atmosfera (ao realizar a fotossíntese), será
fortemente afectado pelo aquecimento climático. Portanto, distúrbios ao nível do fitoplâncto irão acelerar o processo de alteração climática.

08
2.4 Extermínio por medo ou superstição
Muitas espécies têm sido dizimadas apenas por medo ou superstição.
As pessoas demonstram uma aversão ou medo infundado, perseguindo
e matando algumas espécies inofensivas, mas que têm um importante
papel nos ecossistemas. Tal é o caso dos anfíbios e répteis, extremamente
úteis no controlo de insectos e roedores que poderão ser potencialmente
nefastos para a agricultura.

As osgas, tão temidas desde tempos remotos, têm sobre si uma lenda que
diz que a sua pele é venenosa porque contém “peçonha”. Sendo um réptil,
a sua pele é seca e composta de escamas, e não possui nenhuma glândula
que produza veneno. É uma crença errada que tem levado ao extermínio
deste animal inofensivo.

O uso de venenos também tem sido uma arma bastante utilizada para
exterminar animais supostamente prejudiciais ao Homem, e tem sido
responsável pela extinção de algumas espécies e da diminuição drástica de
muitas outras. O veneno é utilizado pelas populações locais para manter
os rebanhos a salvo de cães abandonados e animais selvagens (lobos e
Renata Gonçalves
mamíferos carnívoros de pequeno e médio porte). As principais vítimas são
Fig. 6 Sapo-comum (Bufo bufo).

animais de topo de cadeia alimentar (aves de rapina, raposas, lobos, entre muitos outros). Os venenos são também (mal)
Sabias que...?
utilizados para controlar roedores. Como estes se encontram na base da cadeia alimentar de muitas outras espécies, acabam
• O “Programa Antídoto – por envenenar os seus predadores (fenómeno designado de bioacumulação).
Portugal” visa combater as
diversas formas de utilização
indevida de substâncias
tóxicas e contribuir para um
melhor conhecimento sobre
as consequências que essas
práticas representam para a
fauna silvestre.

09
3. Alguns ecossistemas portugueses
3. Alguns ecossistemas portugueses
3.1 Ecossistemas dunares
A costa portuguesa tem 900 quilómetros, sendo que cerca de metade dessa extensão arenosa e pontuada
frequentemente por ecossistemas dunares.
As dunas são resultado da interacção do vento, da areia e da vegetação. O vento arrasta a areia até
encontrar um determinado obstáculo (uma pedra ou planta por exemplo), a areia acumula-se formando
um pequeno monte que lentamente vai sendo povoado por plantas da orla costeira, designadas como
plantas pioneiras que fixam a areia com as suas raízes. As plantas associadas a este ecossistema têm
uma incrível resistência à salinidade, às grandes amplitudes térmicas, ao excesso de luminosidade e à
falta de água doce.
As dunas mais pequenas, que se encontram mais próximas do mar, são chamadas de dunas embrionárias.
Por sua vez, as dunas maiores e mais distantes do mar, são designadas de dunas primárias, secundárias
e terciárias.
Nas dunas primárias podem ser encontradas as seguintes espécies: Cordeiro-da-praia (Otanthus
maritimus), Feno-das-areias (Elymus farctus), Estorno (Ammophila arenaria), Morganheira-das-praias
(Euphorbia paralias) e o Cardo-marítimo (Eryngium maritimum).
Nas dunas secundárias que já são enriquecidas por matéria orgânica podemos encontrar espécies como o
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum) ou a Madorneira (Artemisia campestris maritima) e nas dunas
Vanessa Santos terciárias podemos encontrar a conhecida Camarinha (Corema alba) e o Pinheiro-manso (Pinus pineas).
Fig. 7 Cardo-marítimo (Eryngium maritimum).
Entre os vários factores responsáveis pela degradação deste ecossistema costeiro destacam-se os
molhes, os pontões, a falta de passadiços que encaminhem as pessoas até ao areal e a utilização de
veículos motorizados nas dunas.

Também as espécies invasoras são problemáticas. O Chorão-das-praias (Carpobrotus edulis) que


encontramos em tantas praias, contribui intensivamente para a redução das espécies autóctones
que protegem as dunas. É de salientar que qualquer factor que afecte a vegetação dunar, atinge
todo o sistema dunar.

Vanessa Santos

Fig. 8 Narciso das areias (Pancratium maritimum).

11
3.2 Estuários
Os estuários são zonas de transição entre água doce proveniente de um rio e água salgada proveniente
do mar. A mistura dos dois tipos de águas confere particularidades a este tipo de habitat que, por
possuir características físicas e químicas muito próprias, é um dos habitats mais produtivos do
planeta.
O estuário tem assim um papel muito importante enquanto zona de berçário e desenvolvimento de
várias espécies de peixes, moluscos e crustáceos, algumas delas de grande interesse económico.

Os estuários não são habitats uniformes. Por exemplo, o estuário do Tejo é composto por habitats de
praias rochosas, pelos bancos de vasa, ostreiras, sapais e salinas. Cada um destes habitats possui
fauna e flora adaptada às condições específicas de cada um deles, por exemplo:
• Os sapais são zonas húmidas salobras (mistura entre a água doce dos rios a montante e a água
salgada do mar a juzante), que filtram poluentes e melhoram a qualidade da água. A sua capacidade
de reter as águas de escorrência é ainda fundamental no controlo de inundações. Possuem um tipo de
vegetação característica, adaptada a suportar as mudanças de salinidade.
• As salinas são um habitat artificial resultante da acção do Homem (para extrair sal), mas que permite
Fig. 9 Pernilongo (Himantopus himantopus).
a existência de uma fauna diversificada, inclusive em macroinvertebrados resistentes a altos níveis de salinidade.
Pela abundância de alimento, estes habitats são excelentes áreas de descanso e, são por isso, visitados por inúmeras aves limícolas de importância
internacional. As aves aquáticas utilizam as salinas de diferentes modos e em diferentes períodos, havendo uma rotação nas espécies que as procuram nas
diferentes épocas do ano.

O abandono das salinas ainda activas provocará uma alteração radical das suas características ecológicas, ou mesmo a sua destruição. A transformação das
salinas em tanques de aquacultura está a reduzir drasticamente a área disponível para as aves limícolas, pondo em risco uma parte importante das suas
populações nidificantes, invernantes, estivais ou apenas migradoras.

12
3.3 Floresta Laurissilva
A Laurissilva (designação que provém do
latim, Laurus (Loureiro, lauráceas) e Silva
(floresta, bosque)) é considerada uma floresta
relíquia, cuja origem remonta há 20 milhões
de anos, época em que chegou a ocupar
vastas extensões da bacia do Mediterrâneo.
As glaciações que ocorreram no início do
Quaternário levaram à sua quase extinção
na Europa Continental. No entanto, o clima
mais ameno conferido pelo Oceano Atlântico
permitiu a sobrevivência deste tipo florestal
na Macaronésia (do grego makáron = feliz,
afortunado e nesoi = ilhas), zona biogeográfica
constituída pelos arquipélagos dos Açores,
Madeira, Canárias e Cabo Verde.

Esta floresta de características sub-tropicais


húmidas representa um ecossistema de
extrema importância botânica e científica. É
caracterizada por árvores de grande porte,
maioritariamente pertencentes à família
das Lauráceas (Til, Loureiro, Vinhático,
Barbusano), para além de outras, dando
igualmente abrigo a numerosos endemismos
nos estratos arbustivos e herbáceos. Salienta-
se ainda a sua riqueza em fetos, musgos,
líquenes e hepáticas e outras plantas de
pequeno porte.
A floresta Laurissilva foi classificada como
Reserva Biogenética do Conselho da Europa,
DRAamb-Madeira em 1992 e foi incluída na Lista do Património
Natural Mundial da UNESCO, em 1999.
Fig. 10 Floresta Laurissilva, ilha da Madeira.

13
3.4 Montado
O Montado é uma paisagem típica da Península Ibérica, presente em
Portugal sobretudo, a Sul do rio Tejo. Entre outras espécies, nos montados
podemos encontrar a Azinheira (Quercus rotundifolia) que ocupa uma
área de cerca de 413.000 ha ou pequenas áreas de Carvalho-negral
(Quercus pyrenaica). Contudo a espécie mais comum e emblemática
deste ecossistema é o Sobreiro (Quercus suber), árvore que no território
nacional ocupa uma área de cerca de 716.000 ha. Na sua totalidade os
montados ocupam uma área de cerca de 1.129.000 ha, representando
cerca de 33% da área florestal.

Preservando este ecossistema, mantém-se viva a extracção de cortiça,


utilizada sobretudo para a fabricação de rolhas. Esta actividade é uma
fonte de riqueza nacional, sendo que Portugal é o maior produtor e
exportador de cortiça a nível mundial, rendendo a exportação desta
matéria-prima cerca de 900 milhões de euros ao país.
Além de ser economicamente rentável, este ecossistema mediterrânico é
composto por uma enorme diversidade de espécies. Podemos contar cerca
de 120 espécies de aves como por exemplo: Águia-de-Bonelli (Hieraaetus
fasciatus), Águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) e a Cegonha-negra
Vanessa Santos (Cicconia nigra).
Fig. 11 Montado, Alentejo.

Também existem inúmeras espécies de mamíferos: Lontras (Lutra lutra), Sacarrabos (Herpestes ichneumon), Texugos (Meles meles), Doninhas (Mustela nivalis),
Raposas (Vulpes vulpes), Javalis (Sus scrofa) e o tão mediático como ameaçado Lince-ibérico (Lynx pardinus).

As plantas aromáticas prosperam neste ecossistema, sendo fácil de encontrar: Lavanda (Lavandula angustifolia), Tomilho
Sabias que...?
(Thymus vulgaris), Rosmaninho (Lavandula luiseri) ou Alecrim (Rosmarinus officinalis), plantas muitos utilizadas na gastronomia
alentejana. É possível ainda encontrar diversas espécies de cogumelos como é o caso dos Míscaros (Tricholoma flavovirens) • Portugal é o maior produtor
mundial de cortiça.
ou Boletos (Boletus impolitus), que estabelem uma interessante relação simbiótica com os sobreiros.

14
4. Actividades
4.1 Aves
4.1.1 Observação de aves
No nosso país existem 400 espécies de aves distribuídas pelo continente e ilhas (segundo
dados da SPEA) e excelentes locais para observar estes animais.

Devemos escolher o local de observação consoante o tipo de aves que queremos estudar,
ouvir, ou simplesmente observar. Observar e identificar estes animais não é uma tarefa tão
complicada quanto possa parecer. Ao fim de alguns dias e com alguma prática já não vai ser difícil
identificares uma ave em voo ou até pelo seu canto. Para este tipo de actividade, a utilização de
um esconderijo ou refúgio pode ser de extrema importância, uma vez que podem proporcionar
observações que, de outra forma, seriam impossíveis, visto que, as aves são animais que se
assustam com muita facilidade. Podes construir o teu abrigo utilizando ramos partidos e um
pano verde e castanho.

Também é importante que utilizes roupas com cores discretas nestes passeios, que caminhes
silenciosamente e é preferível saíres para o campo acompanhado por alguém que conheça
bem a avifauna da região que pretendes visitar. Um ornitólogo (biólogo especialista no
estudo das aves) é a pessoa indicada.

Materiais úteis à observação de aves:


• Binóculos
• Máquina fotográfica
• Guia de identificação de aves
• Caderno de campo
• Lápis
Vanessa Santos

Fig. 12 Cegonha-branca (Ciconia ciconia). Um caderno de campo e um lápis são indispensáveis para registar a hora das observações
e para descrever o comportamento da ave que observas, por exemplo, se se estiver a
alimentar, em repouso, a nidificar, etc. Nota que nunca deves aproximar-te demasiado
de uma ave, principalmente se ela estiver no ninho. Elabora desenhos representativos e
Nota Importante: Nunca perturbes as aves, principalmente
esquemas das aves observadas (pormenores relativos ao bico, às patas e plumagem) assim
na altura do acasalamento e nidificação, pois os progenitores podem
como uma estimativa do tamanho do animal, podem ser de extrema importância para que
abandonar os ovos e as crias.
mais tarde consigas identificar a ave com a ajuda de bibliografia adequada.

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4.1.2 Coleccionar penas e descobrir a sua estrutura

Durante o percurso pedestre descrito na actividade anterior, podes


aproveitar para recolher as penas que fores encontrando pelo caminho
e fazer uma colecção para a tua escola. Para isso basta limpar as penas
cuidadosamente com uma escova de dentes macia, colar a pena com
cuidado pela sua nervura central numa cartolina e tentar descobrir a que
espécie de ave pertence.
Se na tua escola houver uma lupa binocular ou um microscópio podes
cortar um pedacinho de uma pena e observar a sua estrutura. Desenha o
Fig. 13 Esquema elucidativo de uma pena (ilustração de Carlo Ballis). que vês e tenta legendar o teu desenho com a ajuda de um livro.

4.1.3 Construção de ninhos


Podes atrair as aves para a tua escola construindo caixas-ninho. O processo é simples e divertido e além disso, estes ninhos artificiais são cada vez mais
necessários para proporcionar condições para a nidificação de algumas espécies que têm vindo a perder os seus locais de nidificação naturais devido ao
desaparecimento de árvores antigas, com cavidades naturais que propiciam o local ideal para um ninho.

Se na tua escola tens o problema da Processionária-dos-pinheiros (Thaumetopoea pityocampa), um insecto desfolhador de pinheiros que pode provocar graves
problemas de saúde pública, a colocação de ninhos pode resultar numa preciosa ajuda para resolver essa situção, dado que esta praga pode ser controlada
por aves insectívoras como os Chapins.

Materiais necessários:
• Tábuas de madeira com cerca de 1 cm de espessura
• Dobradiça (com cerca de 5 ou 6 cm)
• Serra
• Pregos
• Martelo
• Régua
• Lápis

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Como fazer uma caixa-ninho?
Depois de teres a madeira cortada como mostra a Fig.13 e de pregares as paredes laterais ao chão, prega a parede dianteira e prende o tecto com uma
dobradiça. O tecto deve ser mais largo que o chão para fazer sombra e proteger o ninho da chuva. Nunca utilizes tectos de metal, porque deixa passar o frio
ou, nos dias quentes, aumenta muito a temperatura do ninho.
Obviamente que podes alterar as dimensões que são propostas aqui, no entanto não elabores ninhos demasiado grandes, porque se o fizeres as aves terão
que recolher muito mais materiais para fazer o seu ninho.

Depois da ave e das crias abandonarem o ninho, é importante que o limpes, para que não se acumulem parasitas que são prejudiciais às aves.

Fig. 14 Esquema elucidativo da construção de um ninho (ilustração de Carlo Ballis).

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4.2 Mamíferos
4.2.1 Identificar mamíferos através de pegadas
Não precisas de ver animais para saber que estes estão presentes numa determinada região,
podes procurar vestígios indirectos (marcas deixadas pelos animais), por exemplo, pegadas.

Como recolher uma pegada?

Precisas de alguns materiais muito fáceis de adquirir:

• Gesso em pó
• Uma garrafa de água
• Um copo grande de plástico
• Um pauzinho de gelado (por exemplo)
• Pincel e folhas de jornal
• Folhas de acetato
Vanessa Santos
• Clipes
Fig. 15 Pegada de lontra (Lutra lutra).

PROCEDIMENTOS
1 - Depois de encontrares uma pegada bem nítida e profunda deves remover pequenas impurezas
que possam estar sobre elas, como folhas, removendo-as com cuidado para não danificares a
pegada que encontraste.
2 - Coloca a folha de acetato à volta da pegada em forma de círculo e prende as extremidades
com clipes, tentando enterrá-la cerca de 2 cm.
3- Coloca água dentro do copo de plástico e vai juntando gesso aos poucos, sem parar de mexer.
Quando tiveres uma mistura com uma textura cremosa, mas não demasiado sólida, verte-a para
a forma que fizeste com o papel de acetato de forma a cobrires a totalidade da pegada. Coloca
gesso até perfazer uma altura de cerca de 2 cm.
4- Deixa secar durante cerca de 15 a 20 minutos.
5- Quando o gesso estiver completamente seco, remove a folha de acetato que te serviu de
molde e podes virar o gesso para ver como ficou marcada a pegada.
Margarida Gomes 6- Limpa o teu molde com um pincel e embrulha-o numa folha de jornal para absorver a humidade.
Quando chegares à escola tenta descobrir a que animal pertence com a ajuda da tua professora
Fig. 16 Recolha de pegadas no campo. e de guias de campo.

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4.3 insectos
4.3.1 Colecção fotográfica de insectos
Os insectos são animais invertebrados, pertencentes ao Filo dos Artrópodes e à Classe Insecta.São
o grupo mais diversificado do planeta e os entomólogos (especialistas no estudo dos insectos), já
identificaram cerca de 800 mil espécies. Assim, 60% das espécies de animais conhecidas do planeta
são insectos.
Capturar insectos de uma forma indiscriminada não é uma atitude correcta, pois pode pôr em perigo
algumas espécies muito importantes para o ecossistema. Por este motivo, elabora uma colecção de
insectos com base em fotografias.
Fotografa diferentes tipos de insectos e tenta separar pelas 32 ordens existentes dentro da Classe
Insecta. Utiliza um livro de entomologia (ciência que estuda os insectos) e a ajuda do teu professor.
Toma atenção a detalhes nas asas, patas, antenas e número de segmentos do tórax e do abdómen.
Depois de recolheres as fotografias, faz uma pesquisa para conseguires elaborar uma ficha de registo
com informação relativa à biologia do insecto (hábitos alimentares, habitat onde a espécie pode
ocorrer, características do seu ciclo de vida, etc.) e claro, relativas ao local onde recolheste as tuas
Vanessa Santos
fotografias.
Fig. 17 Abelha a polinizar um cardo.

4.4 Líquenes - Os líquenes como indicadores de poluição, verifica tu mesmo!


Os líquenes são organismos que resultam da associação simbiótica de um fungo com uma alga ou
cianobactéria. Nesta relação os fungos beneficiam porque a alga ou cianobactéria realiza fotossíntese
e produz hidratos de carbono necessários à obtenção de energia. A alga ou cianobactéria, por sua
vez, beneficia da protecção e hidratação por parte do fungo. Podemos encontrar estes organismos
nos troncos, em rochas e até mesmo nas paredes de casas, em zonas húmidas ou expostas ao sol,
pois existem diversos tipos de fungos adaptados às diferentes condições do meio. Os diferentes
líquenes não se adaptam da mesma forma a ambientes onde a poluição atmosférica se faça sentir de
forma intensa. Por isso, os mais sensíveis são considerados bioindicadores da qualidade do ar.
Observa três árvores da mesma espécie em três ambientes distintos: no centro de uma grande
cidade; nos arredores de uma cidade e no campo. No tronco da árvore, marca um quadrado de 10x10
cm a um metro do chão e verifica a percentagem de líquenes dentro de cada quadrado em cada uma
das situações.
Vanessa Santos
Que conclusão podes tirar em cada um dos casos?
Fig. 18 Líquene incrustante numa rocha.

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4.5 Atreve-te!
4.5.1 Espiral de aromáticas – torna a tua horta biológica especial!
Sugere-se aqui a construção de um “micro-jardim biológico” com a forma de espiral. Esta pequena horta terá plantas aromáticas úteis para cozinhar, para fazer
chás e tisanas, e plantas para uso medicinal.

O objectivo desta actividade é sensibilizar os jovens para as questões ambientais, explicar a importância da flora e a sua forte relação com o Homem,
demonstrando que através de trabalho divertido é possível criar uma obra artística e ao mesmo tempo útil para a escola.

A espiral, inteiramente construída com materiais naturais (pedras, terra, areia, saibro, folhas secas, palha e água), serve-se de uma técnica usada na permacultura
que consiste na subdivisão de espaços permitindo cultivar plantas tanto de habitats secos como húmidos, proporcionando uma grande produtividade num
espaço pequeno. Permite ainda, recolher plantas durante todo o ano e cria mesmo o habitat ideal para animais de jardim como anfíbios, ouriços, aves e várias
espécies de insectos.

A espiral, geralmente de um metro de altura e dois de largura, possibilita um jogo de sombras e luz que permite que plantas com diferentes características
cresçam em sintonia. A gravidade, juntamente com a disposição dos vários tipos de terra (mais arenosa no topo e com mais matéria orgânica na base),
possibilita o escoamento da água, acumulando-se nas zonas mais baixas onde estão as plantas que mais necessitam de humidade.

Materiais necessários:
• 1.5 m3 de pedras • 0.3 m3 de composto • 20 a 30 plantas aromáticas mediterrânicas (Alecrim,
• Tintas • 130 kg saibro (aproximadamente) Salva, Orégão, Manjerona, Tomilho, Camomila,
• Verniz orgânico • 100 Kg de areia de rio (aproximadamente) Hortelã, Menta, Cebolinho, Coentro, Rosmaninho,
• 2 vasos de barro • 0.7 m3 terra, palha e folhas secas Manjericão, Salsa e outras) ou sementes.

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Procedimentos preliminares:
1 - Antes de começar a construção, as crianças podem desenhar e decorar as pedras. Depois, estas têm que ser revestidas com um verniz orgânico para evitar
que a água elimine as cores.

2 - Deve-se preparar três tipos de terra:


Terra 1 (na parte mais baixa da espiral): 70% terra, 30% composto.
Terra 2 (parte central): 60% terra, 20% composto, 10% saibro, 10% areia.
Terra 3 (parte de cima): 50% terra, 10% composto, 20% saibro, 20% areia.

Construção:

É importante construí-la num lugar bastante ensolarado para permitir o crescimento das plantas aromáticas e/ou medicinais.

1 - Uma vez escolhido o local enterra-se uma estaca de cerca de 1m de altura, no meio daquela que será a futura espiral. Prende-se à estaca uma corda de pouco
mais de 1m e na sua extremidade uma faca ou algum objecto afiado que possa marcar o terreno; marca-se um círculo no chão que será a base da espiral.
A abertura da espiral deve ficar virada a Norte para que se possam criar os desejados “micro-climas”.

Fig. 19 Secção horizontal da espiral Fig. 20 Secção vertical da espiral (ilustração de Carlo Ballis).
(ilustração de Carlo Ballis).

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2 - Depois escava ligeiramente a base da espiral (5 ou 10cm) e põe um estrato de saibro para
proporcionares uma melhor drenagem da água.

3 - Começa por construir um muro de pedras que irá proteger a base da espiral, escolhe as
maiores e mais resistentes. Uma ou duas pedras podem ser substituídas por vasos invertidos,
para criar refúgios para animais (por exemplo Ouriços-cacheiros), os vasos têm que ser
cortados para permitir a sua entrada.

4 - À medida que o muro se vai erguendo (deve ter 1metro), inicia o enchimento da base da
espiral com a terra, para evitar o colapso do muro. É aconselhável alternar camadas de terra
com estratos de palha e folhas secas pois amaciam o terreno e rapidamente se transformam
num bom fertilizante natural.
Entre as pedras do muro é aconselhável utilizar um pouco de terra para fazer o ligamento.
Usa a terra mais fertilizada e macia na base da espiral (terra 1); à medida que a estrutura se vai
Carlo Ballis elevando põe a terra com saibro (terra 2) e no topo da espiral, a terra mais arenosa (terra 3).
Fig. 21 Espiral finalizada.

5 - Terminada a construção podes fechar a entrada da espiral com pedras ou se preferires, podes construir uma pequena poça ao nível do chão. Se o
efectuares, não te esqueças de colocar uma pedra para que as aves possam beber água e também para permitir a entrada e saída de anfíbios.

6 - Quando a obra estiver concluída, rega bem e espera algumas horas para que a terra assente.

7 - Chegou agora o momento de plantar. É importante pôr as plantas que mais necessitam de Sol e drenagem na parte superior e aquelas que mais precisam
de humidade e sombra na parte inferior ou até fora da espiral.

As plantas que se tornam mais altas e largas têm que ser posicionadas exteriormente para que não façam sombra às mais pequenas.

8 - Um último conselho: põe algumas pequenas plantas, como por exemplo o Tomilho, na terra entre as pedras para decorar e colorir a tua espiral.
Com paciência, espera que as plantas cresçam e depois é só usufruíres delas!

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4.5.2 Constrói um lago!
Uma zona húmida é normalmente um local com uma elevada biodiversidade, para além do seu inquestionável interesse paisagístico. Então, porque não
aproveitares aquela zona desocupada do jardim da tua escola, valorizando-a com a construção de um lago?

Porquê construir um lago?

Um lago é um óptimo habitat para muitas espécies. Construir um lago não só aumentará a beleza e diversidade do habitat na sua área, como proporcionará
um interesse contínuo na observação das alterações de flora e fauna.

Planear

A localização de um lago é importante, devendo ser cuidadosamente planeada. Apresentam-se de seguida alguns aspectos que têm de ser tidos em
consideração:

1 – É vital localizar o lago longe das instalações de gás, electricidade e esgotos; tenha em atenção a presença de cabos e tubos subterrâneos e evita-os.
2 - Escolhe, dentro da área disponível, um local onde um lago pareça natural, isto é, nunca no topo de uma colina.
3 - Um lago precisa da luz do sol para encorajar o crescimento das plantas aquáticas, mas o calor em excesso também pode ser um problema. Isto pode ser
resolvido colocando plantas com folhas flutuantes ou plantas altas nas margens ao longo do lado soalheiro.
4 - Árvores com troncos sobranceiros ou pendentes sobre o lago podem ser prejudiciais, pois tendem a encher o lençol de água com folhas e outros detritos.
5 - Tem de se ter em conta a distância de um lago a uma fonte de água limpa, que permita um fácil enchimento e limpeza.

Revestimento do lago

Existem vários produtos que podem ser utilizados como revestimento de um lago. Para uma maior duração é condição fundamental que o material utilizado
seja de boa qualidade, caso contrário enfraquece e greta, deixando escoar progressivamente a água do lago.

Profundidade

A profundidade máxima do lago não deve ultrapassar um metro, não devendo as margens ser excessivamente abruptas. A área mais profunda deve ser
protegida das crianças pequenas, por exemplo, com plantas que sirvam de barreira. As zonas menos profundas proporcionam maior diversidade de ambientes
e são as mais fáceis de construir e colonizar.

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Ferramentas

Pás, enxadas, estacas, cordéis e pregos.

Construção

1 - Delimita a área a ocupar com estacas e cordéis.


2 - Cava um buraco de acordo com o plano estabelecido. À profundidade desejada deves adicionar mais 3 cm para acomodar as camadas protectoras. A terra
que retiraste do buraco pode ser utilizada num canteiro. Para uma maior riqueza e beleza, o lago deverá ter diferentes profundidades.
3 - Assegura-te que os lados estão nivelados. Podes deixar alguns bordos em rampa, que são mais fáceis de plantar que os bordos em degrau e são melhores
para a vida silvestre.
4 - Remove do fundo e das margens do buraco escavado todas as pedras e objectos cortantes ou pontiagudos que possam danificar o revestimento.
5 - Forra o buraco completamente com uma espessa camada de jornais, ou mesmo com uma camada de 15 cm de areia.
6 - Coloca em seguida o material de revestimento, de modo a que sobrem cerca de 30 cm de material em todo o redor. Esta “sobra” será mais tarde enterrada,
para garantir a fixação do material de revestimento ao terreno.
7- Espalha uma nova camada de areia ou solo peneirado (com cerca de 15 cm de espessura) sobre o revestimento, para lhe conferir protecção e ainda para
funcionar como substrato para várias plantas.
8 - Inicia o enchimento do lago com água, verificando sempre a tensão a que estão sujeitos os materiais adjacentes. Este processo deve ser efectuado de um
modo lento. O peso da água ajudará a um completo ajustamento do revestimento e, por esta razão, a sua fixação definitiva junto às margens só deverá ser
feita após o enchimento do lago.
9 - Endireita e enterra completamente os bordos do forro de um modo correcto. Coloca lajes de pedra nas margens do revestimento. As lajes devem ser
niveladas e estáveis.

Tipo de plantas que se podem plantar num lago

Quando o lago artificial estiver devidamente instalado e cheio, deve acrescentar-se um balde de água de um lago natural para providenciar alguma vida
microscópica. O lago deve repousar durante uma ou duas semanas e só depois se pode plantar nas margens.

Existem três tipos principais de plantas que podes plantar no lago: plantas emergentes ou marginais, plantas flutuantes e plantas submersas.
As plantas que utilizares no lago não devem ser colhidas do habitat natural, sempre que possível procura-as em viveiros comerciais, tendo sempre muita
atenção para não comprares espécies invasoras!
Podes também trocar plantas com outras pessoas ou escolas que tenham lagos!
Antes de introduzires alguma vida no lago deve deixá-lo estabilizar durante cerca de uma semana. Muitos animais, principalmente insectos, encontram o lago
pelos seus próprios meios ou são mesmo transportados através da introdução das plantas que se colocaram nesta zona húmida recém criada.

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Os peixes não são recomendados nos lagos de pequenas dimensões porque, sendo muito vorazes, podem desequilibrar o meio.
O lago deve ser cheio com água da chuva, furo ou poço. Caso isso não seja possível, deixa a água que vais utilizar num recipiente durante 24 horas, para que
o cloro seja eliminado.

Adaptado de: Ribeiro, S. (2001). Como construir um lago artificial? Portal [Link].

Nota Importante:
• Nunca tragas animais selvagens para a escola. É proíbido
por lei ter estes animais em cativeiro sem licença.

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5. Conhecendo as áreas protegidas de Portugal
5.1 Portugal Continental
A actual legislação portuguesa respeitante a áreas protegidas consagra cinco figuras classificatórias: Parque Nacional; Parque Natural; Reserva Natural;
Monumento Natural; e Paisagem Protegida.
Parque NACIONAL

Área com ecossistemas pouco alterados pelo Homem, amostras de regiões naturais características, de
paisagens naturais ou humanizadas, de locais geomorfológicos ou habitats de espécies com interesse
ecológico, científico e educacional.
No território português a única área protegida que beneficia deste estatuto é o Parque Nacional da
Peneda-Gerês criado em 1971.

Parque Natural

Área que se caracteriza por conter paisagens naturais, seminaturais e humanizadas, de interesse nacional,
sendo exemplo de integração harmoniosa da actividade humana e da natureza e que apresenta amostras
de um bioma ou região natural.
Em Portugal existem actualmente treze Parques Naturais:
Montesinho, Douro Internacional, Litoral Norte, Alvão, Serra da Estrela, Tejo Internacional, Serras d’Aire
e Candeeiros, São Mamede, Sintra-Cascais, Arrábida, Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, Vale do
Vanessa Santos Guadiana e Ria Formosa. Os Parques Naturais da Serra da Estrela e Arrábida foram criados em 1976,
enquanto o do Litoral Norte data de 2005.
Fig. 22 Parque Nacional da Peneda–Gerês.
Reserva Natural

Área destinada à protecção de habitats da flora e fauna.


Estão classificadas como reservas naturais as Dunas de São Jacinto, a Serra da Malcata, o Paul de Arzila,
as Berlengas, o Paul do Boquilobo, o Estuário do Tejo, o Estuário do Sado, as Lagoas da Sancha e de Santo
André e o Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António.

Paisagem Protegida

Carlo Ballis Área com paisagens naturais, seminaturais e humanizadas, de interesse regional ou local, resultantes da
interacção harmoniosa do Homem e da Natureza que evidencia grande valor estético ou natural.
Fig. 23 Parque Natural Sudoeste Alentejano As paisagens protegidas: Serra do Açor e da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, Corno do Bico, Serra de
e Costa Vicentina Montejunto, Lagoas de Bertiandos e São Pedro de Arcos e da Albufeira do Azibo.

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Monumento Natural

Um Monumento Natural é “uma ocorrência natural contendo um ou mais aspectos que, pela sua singularidade, raridade ou representatividade em termos ecológicos,
estéticos, científicos e culturais, exigem a sua conservação e a manutenção da sua integridade”.

Os Monumentos Naturais actualmente classificados são:

Ourém / Torres Novas (integrado no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros); Carenque; Pedreira do Avelino; Pedra da Mua; e Lagosteiros (os dois últimos
integrados no Parque Natural da Arrábida).

Informação disponibilizada pelo ICNB. Para mais informações: [Link]

5.2 Região Autónoma dos Açores Pico


Paisagem Protegida de Interesse Regional da Cultura da Vinha da Ilha do Pico
Santa Maria RFNP da Lagoa do Caiado
Reserva Natural da Baía dos Anjos RFNP do Caveiro
Reserva Natural da Baía de São Lourenço
Reserva Natural da Baía da Baía da Maia Terceira
Reserva Natural da Baía da Praia RFNP da Serra de Santa Bárbara e Mistério Negro
RFNP do Biscoito e da Ferraria
São Miguel Reserva Natural Geológica do Algar do Carvão
Paisagem Protegida das Sete Cidade Paisagem Protegida do Monte Brasil
Reserva Natural da Lagoa do Fogo
RFNP da Atalhada
RFNP Graminhais
RFNP Pico da Vara

Faial
RFNP do Vulcão dos Capelinhos
RFNP do Cabeço do Fogo
Reserva Natural da Caldeira do Faial
Paisagem Protegida do Monte da Guia
Margarida Gomes

Fig. 24 Reserva Natural da Lagoa do Fogo.

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São Jorge Flores
RFNP do Pico das das Caldeirinhas RFNP do Morro Alto e Pico das Sé
RFNP dos Picos do Carvão e da Esperança RFNP das Caldeiras Fundas e Rasa
RFNP do Pico do Arieiro
Área Ecológica da Lagoa da Caldeira de Santo Cristo Formigas
Reserva Natural do Ilhéu do Topo Recife Rochoso. Percurso natural de grande impacto ecológico, por ser local de
reprodução e alimento de muitas espécies marinhas.
Graciosa
RFNP da Caldeira da Graciosa

Para mais informações: [Link]

5.3 Região Autónoma da Madeira


• Parque Natural da Madeira
• Reserva Natural Parcial do Garajau
• Reserva Natural do Sítio da Rocha do Navio
• Reserva Natural das Ilhas Selvagens
• Rede de Áreas Marinhas Protegidas de Porto Santo

DRAmb-Madeira

Fig. 25 Reserva Natural das Ilhas Selvagens.

Para mais informações: [Link]

30
Websites de interesse
ONGAs nacionais de cariz ambiental:

AAMDA - Associação dos Amigos do Mindelo para a Defesa do Ambiente


[Link]

ABAE – Associação Bandeira Azul da Europa


[Link]

AGROBIO - Associação Portuguesa de Agricultura Biológica


[Link]

ALDEIA
[Link]

Amigos dos Açores - Associação Ecológica


[Link]

ASPEA - Associação Portuguesa de Educação Ambiental


[Link]

CARNIVORA - Núcleo de Estudos de Carnívoros e seus Ecossistemas


[Link]

CEAI - Centro de Estudos da Avifauna Ibérica


[Link]

FAPAS - Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens


[Link]

GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento de Território e Ambiente


[Link]
Grupo Lobo - Associação para Conservação do Lobo e do seu Ecosistema
[Link]

LPN – Liga para a Protecção da Natureza


[Link]

OIKOS - Associação de Defesa do Ambiente e do Património da Região de Leiria


[Link]

Ordem dos Biólogos


[Link]

PATO - Associação de Defesa do Paúl de Tornada


[Link]

Quercus – Associação Portuguesa de Conservação do Ambiente


[Link]

SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves


[Link]

Outros:

ICNB – Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade


[Link]

Greenpeace Portugal
[Link]

Naturlink
[Link]

World wildlife foundation


[Link]
NOTAS
NOTAS
NOTAS
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