0 notas0% acharam este documento útil (0 voto) 90 visualizações117 páginas1) Inquérito Policial
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CONCURSOS
Aula 01
Dror ei Ma er Ge eed un rt)
Professor: Renan AraujoAULA 01: INQUERITO POLICIAL. CONTROLE EXTERNO DA
ATIVIDADE POLICIAL. LEI 12.830/13.
SUMARIO
1 INQUERITO POLICIAL.
1.4 Natureza e caracteristica:
1.2 Inicio do IP (instauracao do IP)..
124 Formas de instauracao do IP nos crimes de aco penal ptiblica incondicionada
1244 De oficio
121.2 Requisi¢o do Juiz ou do MP..
121.3 Requerimento da vitima ou de seu representante legal .
1214 Auto de Priséo em Flagrante
1.2.2 Formas de instauracéo do IP nos crimes de Ac&o Penal Publica Condicionada &
Representacao .
12.2.1 Representacio do Ofendido ou de seu representante legal...
1.2.2.2 Requisic#o de autoridade Judiciéria ou do MP
1.2.2.3 Auto de Priséo em Flagrante
1.2.2.4 Requisic#o do Ministro da JUstica vissseseeessnessssseeeesee
1.2.3 Formas de Instauracao do IP nos crimes de Aco Penal Privada.
12.3.1 Requerimento da vitima ou de quem legalmente a represente
1.2.3.2 Requisi¢o do Juiz ou do Mi
1.2.3.3 Auto de Priséo em Flagrante
1.2.4 Fluxograma,
1.3 Tramitacao do IP
134 Diligéncias Investigatérias.
13.44 Requerimento de diligéncias pelo indiciado e pelo ofendido
13.1.2 Identificacdo criminal
13.1.3 Nomeago de curador ao
1.4 Forma de tramitacao..
144 Incomunicabilidade do preso ..
14.2 Indiciamento .
1.5 Conclusao do inquérito policial
1.6 Poder de investigacao do MP.
2 LET 12.830/13
3 CONTROLE EXTERNO DA ATIVIDADE POLICIAL ..
4 DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES.
5 SUMULAS PERTINENTES
5.1 Stimulas vinculantes...
5.2 Siimulas do STF.
5.3. Siimulas do ST3..
6 JURISPRUDENCIA CORRELATA
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br dde dt7 RESUMO.
8 EXERCICIOS PARA PARATICAR.
9 EXERCICIOS COMENTADOS.
10 GABARITO
Ola, meus amigos!
Na aula de hoje vamos estudar a principal forma pela qual se desenvolve a
investigagéo criminal, o Inquérito Policial. Vamos analisar seu inicio,
desenvolvimento, conclusdo, arquivamento, etc.
Temos muitas questées interessantes, algumas bem recentes! Ateng&o!
Nossa aula ja estd atualizada de acordo com as recentes Leis 13.245/16,
13.257/16 e 13.344/16.
Bons estudo:
Prof. Renan Araujo
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 2de at1 INQUERITO POLICIAL
1.1 Natureza e caracteristicas
Antes de tudo, precisamos definir o que seria o Inquérito Policial, para, @
partir dai, estudarmos os demais pontos. Podemos defini-lo como:
“Inquérito policial é, pois, 0 conjunto de diligéncias realizadas pela Policia Judiciaria para a
apuracao de uma infracao penal e sua autoria, a fim de que o titular da acao penal possa
ingressar em juizo”?
Assim, por Policia Judiciéria podemos entender a Policia responsdvel por
Sbliar fatOs cFiminosos « coligir (reunir) elementos que apontem se, de fato,
houve o crime e quem o praticou (materialidade e autoria). A Policia Judiciaria
é representada, no Brasil, pela Policia Civil e pela Policia Federal.
A Policia Militar, por sua vez, nado tem funcdo investigatéria, mas apenas
fung&o administrativa (Policia administrativa), de carater ostensivo, ou seja, sua
funcao é agir na prevencao de crimes, nao na sua apuracdo! Cuidado com
isso!
Nos termos do art. 4° do CPI
Art, 4° A policia judicidria seré exercida pelas autoridades policiais no territorio de suas
respectivas circunscricées e tera por fim a apuracdo das infracdes penais e da sua autoria.
ei Muito cuidado com isso!
© inquérito policial possui algumas caracteristicas, atreladas a sua
natureza. Sao elas:
* © IP é administrativo - O Inquérito Policial, por ser instaurado e
conduzido por uma autoridade policial, possui nitido carater administrativo.
O Inquérito Policial nao é fase do processo! Cuidado! O IP é pré-
processual! Dai porque eventual irregularidade ocorrida durante a
investigagao nao gera nulidade do processo. ”
* O IP @ inqui idade) - A inquisitorialidade do
Inquérito decorre de sua natureza pré-processual’. No Processo temos autor
1 Tourinho Filho, Fernando da Costa, 1928 - Processo penal, volume 1 / Fernando da Costa Tourinho Filho,
- 28, ed, ver. ¢ atual. - So Paulo : Saraiva, 2006,
* Este € o entendimento do ST, no sentido de que eventuais nulidades ocorridas durante a investigacéo néo.
contaminam a ago penal, notadamente quando néo hé prejuizo algum para a defesa (STJ - AJRg no HC
235840/SP).
> Para entendermos, devemos fazer a distingSo entre sistema acusatério e sistema inqui
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(MP ou vitima), acusado e Juiz. No Inquérito no ha acusag¢ao, logo, nao
hd nem autor, nem acusado. O Juiz existe, mas ele no conduz o IP, quem
conduz o IP é a autoridade police {Delegade). fo Inqueito Poca por
Como dissemos, no IP nao ha acusac&o alguma. Ha apenas um procedimento
administrativo destinado a reunir informacées para subsidiar um ato
(oferecimento de dentncia ou queixa). Néo ha, portanto, acusado, mas
investigado ou indiciado (conforme o andamento do IP).° Em razdo desta
auséncia de contraditério, o valor probatério das provas obtidas no
IP € muito pequeno, servindo apenas para angariar elementos de
conviccéio ao titular da a¢éio penal (o MP ou o ofendido, a depender do tipo
de crime) para que este ofereca a dentincia ou queixa.
§ Prisicao
CUIDADO! 0 Juiz pode usar as provas obtidas no Inquérito
ra fundamentar sua decisdo.
. Nos termos do art.
155 do CPP:
Art, 155. O juiz formar sua conviccao pela livre apreciaco da prova produzida em contraditério
Judicial, no podendo fundamentar sua deciséo exclusivamente nos elementos informativos
colhidos na investigacao, ressalvadas as provas cautelares, nao repetiveis e antecipadas.
Vejam que mesmo nesse caso, existem excegdes, que séo aquelas provas
colhidas durante a fase pré-processual em razdo da impossibilidade de se
esperar a época correta, por receio de ndo se poder mais obté-las (ex.: Exame
de corpo de delito).
+ Oficiosidade - Em se tratando de crime de ac&o penal ptiblica
incondicionada, a autoridade policial deve instaurar o Inquérito
Policial sempre que tiver noticia da pratica de um delito desta
natureza. Quando o crime for de ag&o penal ptiblica incondicionada (regra),
© sistema acusatério 6 aquele no qual hé dialética, ou seja, uma parte defende uma tese, a outra parte
rebate as teses da primeira e um Juiz, impercial, julga a damanda. Ou seja, o sistama acusatorio é
multilateral.
34 0 sistema inquisitive é unilateral. N3o ha acusador e acusado, nem a figura do Juiz Imparcial. No
sistema Inquisitive nao ha acusagao propriamente dita.
* NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 124. Iss0 no significa que o Indiciado n&o possua direitos, como
© de ser acompanhado por advogado, etc. Inclusive, o indiciado, embora néo possua o
Con: nal a0 Contraditorio e a ampla defesa’nesse caso, pode requerer sejam real
algumas diligéncias. Entretanto, a realizagao destes nao é obrigatéria pela autoridade policial.
5 Entretanto, CUIDADO:
© ST) possui decisées concedendo Habeas Corpus para determinar a autoridade poli
atenda a determinados pedidos de diligéncias;
© exame de corpo de delito nao pode ser negado, nos termos do art. 184 do CPP:
Art, 184, Salvo 0 caso de exame de corpo de delito, 0 juiz ou a autoridade policial negard a pericia requerida
elas partes, quando ndo for necessaria ao esclarecimento da verdade.
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portanto, a instauracdo do IP poderd ser realizada pela autoridade policial
independentemente de provocagao de quem quer seja. E claro que, se o MP
jé dispuser dos elementos necessdrios ao ajuizamento da aco penal, o IP
nao precisa ser iniciado. O que o inciso I do art. 5° quer dizer é que a
autoridade policial tem 0 poder-dever de instauré-lo, de oficio, no caso de
crimes desta natureza (O que determinara a instauracao, ou nao, sera a
existéncia de indicios minimos da infracdo penal e a eventual utilidade do
IP).
* Oficialidade - 0 IP é conduzido por um érgao oficial do Estado.
* Procedimento escrito - Todos os atos produzidos no bojo do IP
deverao ser escritos, e reduzidos a termo aqueles que forem orais (como
depoimento de testemunhas, interrogatorio do indiciado, etc.). Essa regra
encerra outra caracteristica do IP, citada por alguns autores, que é a da
jade - Uma vez instaurado 0 IP, nao pode a
| arquiva-lo°, pois esta atribuiggo exclusiva do
Judicidrio, quando o titular da ag&o penal assim o requerer.
dade - O Inquérito Policial é dispensavel, ou seja,
néo € obrigatério. Dado seu cardter informativo (busca reunir
informagées), caso o titular da acdo penal jé possua todos os elementos
necessérios ao oferecimento da acao penal, o Inquérito sera dispensavel.
Um dos artigos que fundamenta isto € 0 art. 39, § 5° do CPP’.
dade na sua condugdo - A autoridade policial
pode conduzir a investigagio da maneira que entender mais
frutifera, sem necessidade de seguir um padrao pré-estabelecido. Essa
discricionariedade n&o se confunde com arbitrariedade, ndo podendo o
Delegado (que é quem preside o IP) determinar diligéncias meramente com
a finalidade de perseguir o investigado, ou para prejudicé-lo. A finalidade da
diligéncia deve ser sempre o interesse publico, materializado no objetivo do
Inquérito, que é reunir elementos de autoria e materialidade do delito.
+ Sigiloso - o IP é sempre sigiloso em relagao as pessoas do povo em
geral, por se tratar de mero procedimento investigatério, néo havendo
nenhum interesse que justifique 0 acesso liberado a qualquer do povo.*
Todavia, o IP nao é, em regra, sigiloso em relagao aos envolvidos (ofendido,
indiciado e seus advogados), podendo, entretanto, ser decretado sigilo em
relagao a determinadas pecas do Inquérito quando necessario para o sucesso
da investigac&o (por exemplo: Pode ser vedado 0 acesso do advogado a
partes do IP que tratam de requerimento de interceptacao telefénica
formulado pelo Delegado ao Juiz).
© art. 17 do CPP.
7 § 50 0 érgio do Ministério Publico dispensaré o inquérito, se com a representacdo forem oferecidos
elementos que o habilitem a promover a acao penal, e, neste caso, ofereceré a dentincia no prazo de quinze
dias.
® NUCCT, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 124
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1.2 Inicio do IP (instauracao do IP)
As formas pelas quais 0 Inquérito Policial pode ser instaurado variam
de acordo com a natureza da Acao Penal para a qual ele pretende angariar
informacées. A ac’o penal pode ser ptiblica incondicionada, condicionada ou acao
penal privada.
1.2.1 Formas _de_instauragéo_do IP nos crimes de ac&o penal_publica
incondicionada
1.2.1.1 De oficio
Tomando a autoridade policial conhecimento da pratica de fato definido como
crime cuja acéo penal seja publica incondicionada, poderé proceder (sem que
haja necessidade de requerimento de quem quer que seja) a instauracdo do IP,
mediante Portaria.
Quando a autoridade policial toma conhecimento de um fato criminoso,
independentemente do meio (pela midia, por boatos que correm na boca do povo,
ou por qualquer outro meio), ocorre o que se chama de notitia criminis. Diante
da notitia criminis relativa a um crime cuja agdo penal é publica
incondicionada, a instauracSo do IP passa a ser admitida, ex officio, nos
termos do ja citado art. 5°, I do CPP.
Quando esta noticia de crime surge através de uma delaco formalizada por
qualquer pessoa do povo, estaremos diante da delatio criminis simples. Nos
termos do art. 5°, § 3° do CPP:
§ 30 Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existéncia de infragdo penal em que
caiba acao publica podera, verbalmente ou por escrito, comunicé-la a autoridade policial, e esta,
verificada a procedéncia das informacées, mandaré instaurar inquérito.
A Doutrina classifica a notitia crimi da seguinte forma:
= Notitia criminis de cognicio imediata - Ocorre quando a
autoridade policial toma conhecimento do fato em razdo de suas
atividades rotineiras.
> Notitia criminis de cognicéio mediata - Ocorre quando a autoridade
policial toma conhecimento do fato criminoso por meio de um
expediente formal (ex.: requisic#o do MP, com vistas a instauracaio do
IP).
= Notitia criminis de cognigéo coercitiva - Ocorre quando a
autoridade policial toma conhecimento do fato em razéo da priséo em
flagrante do suspeito.
A delatio criminis, que é uma forma de notitia criminis, pode ser:
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 6 deat—> Delatio criminis simples - Comunicacio feita a autoridade policial
por qualquer do povo (art. 5°, §3° do CPP).
> Delatio criminis postulatéria - E a comunicago feita pelo ofendido
nos crimes de ago penal piblica condicionada ou acao penal privada,
mediante a qual o ofendido ja pleiteia a instauracéo do IP.
= Delatio cri inqualificada - E a chamada “dentincia anénima”,
ou seja, a comunicacao do fato feita a autoridade policial por qualquer
do povo, mas sem a identificag3o do comunicante.
Mas, e no caso de se tratar de uma dentincia andénima. Como deve
proceder 0 Delegado, ja que a Constituicdo permite a manifestacdo do
pensamento, mas veda o anonimato? Nesse caso, estamos diante da delatio
criminis inqualificada, que abrange, inclusive, a chamada “disque-dentincia”,
muito utilizada nos dias de hoje. A solugéo encontrada pela Doutrina e pela
Jurisprudéncia para conciliar o interesse publico na investigagéo com a proibigaio
de manifestacdes apocrifas (anénimas) foi determinar que o Delegado, quando
tomar ciéncia de fato definido como crime, através de denUncia anénima, n&o
devera instaurar o IP de imediato, mas determinar que seja verificada a
e, caso realmente se tenha noticia do crime, instaurar
ol
1.2.1.2 Requisig&o do Juiz ou do MP
O IP podera ser instaurado, ainda, mediante requisicéo do Juiz ou do MP.
Nos termos do art. 5°, II do CPI
Art. So Nos crimes de ago publica o inquérito policial serd iniciado:
Ge)
IL- mediante requisicao da autoridade judiciéria ou do Ministério Publico, ou a requerimento do
ofendido ou de quem tiver qualidade para represent-lo.
Essa requisicao deve ser obrigatoriamente cumprida pelo Delegado,
no podendo ele se recusar a cumpri-la, pois requisitar € sinénimo de exigir com
°C. -se_a dentincia anénima como instrumento de deflagracdo de diligéncias, pela
autoridade policial, para apurar a veracidade das informagées nela veiculadas, conforme
jurisprudéncias do STF e do STD. (...) (AGRg no RMS 28.054/PE, Rel. MIN. ADILSON VIEIRA MACABU
(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO 13/23), QUINTA TURMA, julgado em'27/03/2012, Die 19/04/2012)
remo Tribunal Federal, nada impede
anénima’,
(86.082, rel. min. Ellen
Gracie, De de 22.08.2008; 90.178, rel. min. Cezar Peluso, DJe de 26.03.2010; e HC 95.244, rel. min. Dias
Toffol, DJe de 30.04.2010 ~ Hriformative 755 do STF).
‘A denuncia anénima s6 pode ensejar a instauracéo do IP, excepcionalmente, quando se constitulr como
© préprio corpo de delito (ex.: carta na qual hé materializagio do crime de ameaca, etc.).
© STF corrobora esse entendimento:
a deflagrac3o da persecucso
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br Jadedbase na Lei. Contudo, 0 Delegado pode se recusar" a instaurar o IP quando a
requisicéo:
+ For manifestamente ilegal
+ Nao contiver os elementos faticos minimos para subsidiar a
investigagéo (n&o contiver os dados suficientes acerca do fato
criminoso)'*
1.2.1.3 Requerimento da vitima ou de seu representante legal
Nos termos do art. 5°, II do CPP:
Art. 50 Nos ci
()
IL- mediante requisicao da autoridade judicidria ou do Ministério Publico, ou a requerimento do
ofendido ou de quem tiver qualidade para representa-lo.
1es de aco publica o inquérito policial seré iniciado:
Vejam que aqui o CPP fala em requerimento, nao requisicao. Por isso,
a Doutrina entende que nessa hipétese o Delegado nao esta obrigado a
instaurar o IP, podendo, de acordo com a anilise dos fatos, entender que nao
existem indicios de que fora praticada uma infraco penal e, portanto, deixar de
instaurar o IP.
O requerimento feito pela vitima ou por seu representante deve preencher
alguns requisitos. Entretanto, caso nao for possivel, podem ser dispensados. Nos
termos do art. 5°, § 1° do CPF
§ 10 O requerimento a que se refere o no II conteré sempre que possivel:
a) a narragéo do fato, com todas as circunsténcias;
presuncdo de ser ele o autor da infracao, ou os motivos de impossibilidade de o fazer;
‘c) a nomeagio das testemunhas, com indicacdo de sua profissao e residé
Caso seja indeferido o requerimento, cabera recurso para o Chefe de
Policia. Vejamos:
‘Art. 50 (...) § 20 Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberd
recurso para o chefe de Policia.
#9 NUCCI, Guilherme de Souza. Op. Cit., p. 111/112
1 Neste ultimo caso o Delegado deve oficiar a autoridade que requisitou a instauragéo solicitando que sejam
fornecidos os elementos minimos para a instauracao do IP.
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1.2.1.4 Auto de Priséo em Flagrante
Embora essa hipétese nao conste no rol do art. 5° do CPP, trata-se de
hipétese classica de fato que enseja a instauracao de IP. Parte da Doutrina, no
entanto, a equipara a notitia criminis e, portanto, estariamos diante de
uma instauracdo ex officio.
1.2.2 Formas de instauragao do IP nos crimes de Ac&o Penal Publica Condicionada
& Representacao
A aco penal publica condicionada é aquela que, embora deva ser ajuizada
pelo MP, depende da representacéo da vitima, ou seja, a vitima tem que querer
que o autor do crime seja denunciado.
Nestes crimes, o IP pode se iniciar:
1.2.2.1 Representagao do Ofendido ou de seu representante legal
Trata-se da chamada delatio criminis postulatéria, que é o ato mediante
© qual o ofendido autoriza formalmente o Estado (através do MP) a
prosseguir na persecucaéo penal e a proceder a responsabilizacéo do
autor do fato, se for o caso. Trata-se de formalidade necessdria nesse tipo de
crime, nos termos do art. 5°, § 4° do CPP:
Art. 5° (...) § 40 O inquérito, nos crimes em que a ago ptiblica depender de representagdo,
no poderd sem ela ser iniciado.
Nao se trata de ato que exija formalidade, podendo ser dirigido ao Juiz, ao
Delegado e ao membro do MP. Caso no seja dirigida ao Delegado, seré recebida
pelo Juiz ou Promotor e aquele encaminhada. Nos termos do art. 39 do CPP:
Art, 39. O direito de representacao poder ser exercido, pessoalmente ou por procurador com
poderes especiais, mediante declaracio, escrita ou oral, feita ao juiz, a0 6rga0 do Ministério
Publico, ou & autoridade policial.
Caso a vitima nao exerca seu direito de representacéio no prazo de seis
meses, a contar da data em que tomou conhecimento da autoria do fato,
estar extinta a punibilidade (decai do direito de representar), nos termos do
art. 38 do CPP:
Art. 38, Salvo disposicao em contrério, o ofendido, ou seu representante legal, decaird no direito
de queixa ou de representacao, se ndo 0 exercer dentro do prazo de seis meses, contado do
dia em que vier a saber quem é 0 autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que se
esgotar 0 prazo para 0 oferecimento da deniincia.
Caso se trate de vitima menor de 18 anos, quem deve representar é 0
seu representante legal. Caso nao 0 faca, entretanto, o prazo decadencial
6 comega a correr quando a vitima completa 18 anos, para que esta nao
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seja prejudicada por eventual inércia de seu representante. Inclusive, o verbete
sumular n° 594 do STF se coaduna com este entendimento.
E se 0 autor do fato for o proprio representante legal (como no caso
de estupro e violéncia doméstica)? Nesse caso, aplica-se 0 art. 33 do CPP”,
por analogia, nomeando-se curador especial para que exercite o direito de
representacao
1.2.2.2 RequisigSo de autoridade Judicidria ou do MP
Como nos crimes de ac&o penal publica incondicionada, o IP pode ser
instaurado mediante miei do Juiz do membro do MP, entretanto, neste caso,
1.2.2.3 Auto de Priséo em Flagrante
Também é possivel a instauraco de IP com fundamento no auto de priséo
em flagrante, dependendo, também, da existéncia de representacao do ofendido.
Caso 0 ofendido nao exerca esse direito dentro do prazo de 24h contados do
momento da pris&o, é obrigatéria a soltura do preso, mas permanece o direito
de 0 ofendido representar depois, mas dentro do prazo de 06 meses.
1.2.2.4 Requisig&o do Ministro da Justiga
Esta hipotese so se aplica a alguns crimes, como nos crimes cometidos por
estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil (art. 7°, § 3°, b do CP), crimes contra
a honra cometidos contra o Presidente da Republica ou contra qualquer chefe de
governo estrangeiro (art. 141, c, c/c art. 145, § Unico do CP) e alguns outros.
Trata-se de requisicao nao dirigida ao Delegado, mas ao membro do
MP! Entretanto, apesar do nome requisicéo, se o membro do MP achar que néo
se trata de hipétese de ajuizamento da ac&o penal, nao estaré obrigado a
promové-la.
Diferentemente da representacéo, a requisicao do Ministro da Justia
nao esta sujeita a prazo decadencial, podendo ser exercitada enquanto
© crime ainda nao estiver prescrito.
1.2.3 Formas de Instaurag&o do IP nos crimes de Acdo Penal Privada
art. 33. Se o ofendido for menor de 18 anos, ou mentalmente enfermo, ou retardado mental, ¢ néo tiver
representante legal, ou colidirem os interesses deste com os daquele, o direito de queixa podera ser exercido
por curador especial, nomeado, de oficio ou a requerimento do Ministério Piblico, pelo juiz competente para
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 10 de 11Aula 01 - Prof.
1.2.3.1 Requerimento da vitima ou de quem legalmente a represente
Nos termos do art. 5°, § 5° do CPP:
Art, 50 (...) § 50 Nos crimes de aco privada, a autoridade policial somente podera proceder a
inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intenta-la.
Caso a vitima tenha falecido, algumas pessoas podem apresentar o
requerimento para a instauragao do IP, nos termos do art. 31 do CPP:
Art, 31. No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisdo judicial, 0
direito de oferecer queixa ou prosseguir na ago passard ao cénjuge, ascendente, descendente
‘ou irmao.
Este requerimento também esta sujeito ao prazo decadencial de seis
meses, previsto no art. 38 do CPP, bem como deve atender aos requisitos
previstos no art. 5°, § 1° do CPP, sempre que possivel.
1.2.3.2 Requisig&o do Juiz ou do MP
Neste caso, seg mesma regra dos crimes de acéo penal publica
condicionada: A sal ii do MP ou do Juiz deve ir acompanhads do
1.2.3.3 Auto de Priséo em Flagrante
Também segue a mesma regra dos crimes de aco penal publica
condicionada, devendo o ofendido manifestar seu interesse na instauracéo do IP
dentro do prazo de 24h contados a partir da prisdo, findo o qual, sem que haja
manifestaco da vitima nesse sentido, ser o autor do fato liberado.
1.2.4 Fluxograma
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br Aide itFORMAS DE
INSTAURACAO DO IP
CRIMES DE ACKO PENAL
PUBLICA
INCONDICIONADA
‘CRIMES DE ACKO PENAL PUBLICA CONDICIONADA
[A REPRESENTACAO DA VITIMA,
(OEPENDE SEMPRE DE MANIFESTACAO DA
VLTIMA)
REPRESENTACAO RequisicAo po |_| auto bE prisho
DAVITIMA ‘3UIz OU DO MP EM FLAGRANTE
‘CRIMES DE ACAO PENAL PRIVADA
(DEPENDE SEMPRE DE
MANIFESTACAO DA ViTIMA)
REQUERIMENTO | | REQUISIcAo DO
DA ViTIMA, JUIZ OU DO MI
ATENGAO! Se o inquérito policial visa a investigar pessoa que possui foro por
prerrogativa de funcéio (“foro privilegiado”), a autoridade policial dependerd de
autorizagao do Tribunal para instaurar o IP.
Qual Tribunal? 0 Tribunal que tem competéncia para processar e julgar o crime
supostamente praticado pela pessoa detentora do foro por prerrogativa de funcao
(Ex.: STF, relativamente aos crimes comuns praticados por deputados federais).
Este é 0 entendimento adotado pelo STF.
1.3 Tramitacao do IP
Ja vimos as formas pelas quais o IP pode ser instaurado. Vamos estudar
agora como se desenvolve (ou deveria se desenvolver o IP).
1.3.1 Diligéncias Investigatorias
Apés a instauracéo di
autoridade polic
IP algumas diligéncias devem ser adotadas pela
|. Estas diligéncias est&o previstas no art. 6° do CPP:
© STF - Ing. 2.411
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 42de 11‘Art. 60 Logo que tiver conhecimento da pratica da infracio penal, a autoridade policial deveré:
I - dirigir-se ao local, providenciando para que néo se alterem o estado e conservacio das
coisas, até a chegada dos peritos criminais; (Redacao dada pela Lei n° 8.862, de 28.3.1994)
(Vide Lei n° 5.970, de 1973)
II - apreender os objetos que tiverem relacéo com o fato, apés liberados pelos peritos criminals;
(Redacao dada pela Lei n® 8,862, de 28.3.1994)
III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunsténcias;
IV - ouvir 0 ofendido;
V - ouvir indiciado, com observancia, no que for aplicavel, do disposto no Capitulo III do Titulo
Vil, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que Ihe tenham
ouvide a leitura;
VI - proceder a reconhecimento de pessoas € coisas e a acareacies;
VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito a quaisquer outras
pericias;
VIII - ordenar a identificagéo do indiciado pelo processo datiloscépico, se possivel, e fazer juntar
aos autos sua folha de antecedentes;
IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social,
sua condigéo econémica, sua atitude e estado de animo antes e depois do crime e durante ele,
e quaisquer outros elementos que contribuirem para a aprecia¢o do seu temperamento €
carter.
X - colher informagées sobre a existéncia de filhos, respectivas idades e se possuem alguma
deficiéncia e 0 nome e o contato de eventual responsdvel pelos cuidados dos filhos, indicado
pela pessoa presa. (Incluido pela Lei n° 13.257, de 2016)
Art. 70 Para verificar a possibilidade de haver a infracdo sido praticada de determinado modo,
a autoridade policial poderé proceder & reprodugao simulada dos fatos, desde que esta nao
contrarie a moralidade ou a ordem publica.
Alguns cuidados devem ser tomados quando da realizag3o destas diligéncias,
como a observancia das regras processuais de apreensdo de coisas, bem como
&s regras constitucionais sobre inviolabilidade do domicilio (art. 5°, XI da CF),
direito ao silencio do investigado (art. 5°, LXIII da CF), aplicando-se no que tange
ao interrogatorio do investigado, as normas referentes ao interrogatério judicial
(arts. 185 a 196 do CPP), no que for cabivel.
Percebam que o art. 7° prevé a famosa “reconstituig0”, tecnicamente
chamada de reproducao simulada. ESTA REPRODUCAO E VEDADA QUANDO
FOR CONTRARIA A MORALIDADE OU A ORDEM PUBLICA (no caso de um
estupro, por exemplo). O investigado n&o esta obrigado a participar desta
diligéncia, pois néo é obrigado a produzir prova contra
Em se tratando de determinados crimes, a autoridade policial ou o MP
poderao requisitar dados ou informacées cadastrais da vitima ou de
suspeitos™, So eles:
¥ art. 13-4, Nos crimes previstos nos arts. 148, 149 € 149-4, no § 39 do art. 158 e no art. 159 do Decreto-
Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Cédigo Penal), e no art. 239 da Lei no 8.069, de 13 de julho de
1990 (Estatuto de Crianga e do Adolescente), 0 membro do Ministério Publico ou 0 delegado de policia poderé
requisitar, de quaisquer érgaos do poder publico ou de empresas da iniciativa privada, dados e informagoes
cadastrais da vitima ou de suspeitos. (Incluido pela Lei n° 13.344, de 2016) (Vigéncia)
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 413 de 11Aula 01 - Prof.
Sequestro ou carcere privado
Reducdio @ condig&o andloga de escravo
Trafico de pessoas
Extorsdo mediante restric&o da liberdade ("sequestro relémpago”)
Extorsao mediante sequestro
Facilitacdio de envio de crianga ou adolescente ao exterior (art. 239 do
ECA)
Ou seja, em se tratando de um desses crimes 0 CPP expressamente autoriza
a requisigéo direta pela autoridade policial (ou pelo MP) dessas informacées,
podendo a requisic&o ser dirigida a érgdos publicos ou privados (empresas de
telefonia, etc.).
Além disso, em se tratando de crimes relacionados ao trafico de
’essoas, o membro do MP ou a autoridade policial poderao requisitar, mediante
Butorizacdo Judicial! as empresas prestadoras, de senigo ce
telecomunicagdes e/ou telematica que disponibilizem imediatamente os dados
(meios técnicos) que permitam a localizagao da vitima ou dos suspeitos do delito
em curso (como sinais, informag@es e outros).
Contudo, 0 acesso a esse sinal:
Pardgrafo Unico. A requisico, que seré atendida no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, conterd:
(Incluldo pela Lei n° 13.344, de 2016) (igéncia)
T- 0 nome da autoridade requisitante; (incluido pela Lei n© 13.344, de 2016) (vigéncia)
IL-0 ntimero do inquérito policial; © (include pela Lei n° 13.344, de 2016) (Vigéncia)
III - @ identificagao da unidade de policia judicidria responsavel pela investigacao. (ncluide pela Lei
n° 13,344, de 2016) (Vigéncia)
Art, 13-B, Se necessério & prevencso ¢ & repressso dos crimes relacionados 20 tréfico de pessoas, o membro
do Ministério Publico ou 0 delegado de policia poderéo requisitar, mediante autorizacio judicial, as empresas
prestadoras de servico de telecomunicacées e/ou telematica que disponibilizem imediatamente os meios
técnicos adequados - como sinais, informacées e outros - que permitam a localizagao da vitima ou dos
suspeitos do delito em curso. (incluido pela Lei n0 13.344, de 2016) (Vigéncia)
§ 10 Para os efeitos deste artigo, sinal significa posicionamento da estagao de cobertura, setorizagao
intensidade de radiofrequéncia. (Incluido pela Lei n® 13.344, de 2016) (Vigéncia)
§ 20 Na hipstese de que trata o caput, 0 sinal: (incluido pela Lei no 13.344, de 2016) (Vigéncia)
T= ndo permitira acesso ao conteudo da comunicacao de qualquer natureza, que dependerd de autorizacéo
judicial, conforme disposto em lei; (Incluido pela Lei n® 13.344, de 2016) _(Vigéncia)
I - deveré ser fornecido pela prestadora de telefonia mével celular por periodo no superior a 30 (trinta)
dias, renovével por uma Unica vez, por igual periodo; (incluide pela Lei n? 13.344, de 2016)
(Vigencia)
IIL ~ para periodos superiores aquele de que trata o inciso Il, seré necessaria a apresentagéo de ordem
judicial. (Incluido pela Lei n° 13.344, de 2016) (Vigéncia)
'§ 30 Na hipétese prevista neste artigo, o inquérito policial deverd ser instaurado no prazo maximo de 72
(setenta e duas) horas, contado do registro da respectiva ocorréncia policial. (ncluido pela Lei n®
13,344, de 2016)" (Vigéncia)
§ 40 Nao havendo manifestacdo judicial no prazo de 12 (doze) horas, 2 autoridade competente requisitaré
4s empresas prestadoras de servico de telecomunicagées ¢/ou telemética que disponibilizem imediatamente
‘os meios técnicos adequados - como sinais, informacoes @ outros - que permitam a localizacao da vitima
ou dos suspeitos do delito em curso, com imediata comunicacéo ao juiz. (Incluido pela Lei no 13.344,
de 2016) (Vigéncia)
15 Embora seja necesséria a prévia autorizacSo judicial, caso o Juiz no se manifeste em até 12h, 2
autoridade (MP ou autoridade policial) podera requisitar diretamente, sem a autorizacao judicial.
Nesse caso, devera comunicar tal fato ao Juiz, imediatamente.
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 14 de 11Aula 01 - Prof.
= Néo permitira acesso ao contetido da comunicacgao, que
dependera de autorizagdo judicial (apenas dados como local
aproximado em que foi feita a ligagSo, destinatario, etc.).
= Deverd ser fornecido pela prestadora de telefonia mével celular por
periodo néo superior a 30 dias (renovavel uma vez por mais 30
dias). Para periodos superiores sera necessaria ordem judicial
Nesses crimes (relacionados ao tréfico de pessoas) o IP deverdé ser
instaurado em até 72h, a contar do registro de ocorréncia policial (informacao da
ocorréncia do crime a autoridade, o chamado “B.0.”).
1.3.1.1 Requerimento de diligéncias pelo indiciado e pelo ofendido
ofendido ou seu representante legal podem requerer a realizacgao de
quaisquer diligéncias (inclusive o indiciado também pode), mas ficara a
critério da Autoridade Policial deferi-las ou nado. Vejamos a redacao do art.
14 do CPP:
Art. 14. © ofendido, ou seu representante legal, € 0 ii
diligéncia, que sera realizada, ou nao, a juizo da autoridade.
do poderdo requerer qualquer
Contudo, com relacéio ao exame de corpo de delito, este é obrigatério quando
estivermos diante de crimes que deixam vestigios (homicidio, estupro, etc.), no
podendo o Delegado deixar de determinar esta diligéncia. Nos termos do art. 158
do CPP:
Art. 158. Quando a infracao deixar vestigios, serd indispensavel 0 exame de corpo de delito,
direto ou indireto, no podendo supri-lo a confissao do acusado.
1.3.1.2 Identificagao criminal
Com relac&o & identificacao do investigado (colheita de impressdes de
digitais), esta identificacao criminal sé sera necesséria e permitida quando o
investigado no for civilmente identificado, pois a Constituicéo proibe a
submiss&o daquele que € civilmente identificado ao procedimento constrangedor
da coleta de digitais (identificacao criminal), nos termos do seu art. 5°, LVIIT:
Art, 5° (...)
VIII - 0 civilmente identificado nao seré submetido a identificagao criminal, salvo nas
previstas em lei;
Primeiramente, quem se considera civilmente identificado? A
resposta esta no art. 2° da Lei 12.037/90:
Art, 20 A identificagao ci
I~ carteira de identidade;
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€ atestada por qualquer dos seguintes documentos:II - carteira de trabalho;
III - carteira profi
IV - passaporte;
\V ~ carteira de identificacao funcional;
VI - outro documento ptiblico que permita a identificagio do in
Paragrafo Unico. Para as finalidades desta Lei, equiparam-se aos documentos de identificacao
civis os documentos de identificagao militares.
nal;
iado.
Contudo, percebam que a CF/88 veda a identificagao criminal do civilmente
identificado “salvo nas hipsteses previstas em lei”. Quais so estas excegées?
ALLei que regulamenta a matéria, atualmente, é a Lei 12.037/09. Vejamos o
que diz seu art. 3°:
Art. 3° Embora apresentado documento de identificagéo, poderé ocorrer identificacao criminal
quando:
I 0 documento apresentar rasura ou tiver indicio de falsificacéo;
II - 0 documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado;
IIT - 0 indiclado portar documentos de identidade distintos, com informacées conflitantes entre
V-a al for essencial as investigagées policiais, segundo despacho da
autoridade judicidria competente, que decidir de oficio ou mediante representacéo da
autoridade policial, do Ministério Publico ou da defesa;
V - constar de registros policiais 0 uso de outros nomes ou diferentes qualificacdes;
VI - 0 estado de conservacdo ou a distancia temporal ou da localidade da expedicdo do
documento apresentado impossibilite a completa identificacdo dos caracteres essenciais.
Paragrafo Unico. As cépias dos documentos apresentados deverdo ser juntadas aos autos do
\quétito, ou outra forma de investigaggo, ainda que consideradas insuficientes para identificar
9 indiciado.
Assim, em qualquer destes casos, poderé ser realizada a identificac&o
criminal. Contudo, ainda que haja necessidade de se proceder a este tipo
vexatério de identificacao, ndo se pode proceder de forma a deixar constrangida
a pessoa, devendo a autoridade (Em regra, o Delegado) tomar as precauées
necessdrias a evitar qualquer tipo de constrangimento ao investigado.
Por fim, mas ndo menos importante, A Lei 12.654/12 acrescentou alguns
dispositivos & Lei 12.037/09, passando a permitir a coleta de MATERIAL
GENETICO como forma de identificagao criminal. Vejamos:
Art, 5° (...)
Pardgrafo Unico. Na hipétese do inciso IV do art. 30, a identificagio criminal podera incluir a
coleta de material biolégico para a obtengao do perfil genético. (Incluido pela Lei n°
12.654, de 2012)
Art, 50-A. Os dados relacionados 8 coleta do perfil genético deverso ser armazenados em
banco de dados de perfis genéticos, gerenciado por unidade oficial de pericia criminal.
(Incluido pela Lei n° 12.654, de 2012)
§ 10 As informagées genéticas contidas nos bancos de dados de perfis genéticos no poderéo
revelar tragos somaticos ou comportamentais das pessoas, exceto determinacio genética de
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 16 de 11Genero, consoante as normas constitucionais e internacionais sobre direitos humanos, genoma
humano e dados genéticos. (Incluido pela Lei n° 12.654, de 2012)
§ 20 Os dados constantes dos bancos de dados de perfis genéticos teréo cardter sigiloso,
respondendo civil, penal e administrativamente aquele que permitir ou promover sua
a isdo judicial. (Incluido pela Lei
n® 12.654, de 2012)
§ 30 As informacées obtidas a partir da coincidéncia de perfis genéticos deverao ser
consignadas em laudo pericial firmado por perito oficial devidamente habilitado. (Incluido pela
Lei n? 12.654, de 2012)
Percebam que o § unico do art. 5° apenas possibilita a coleta de material
genético na hipétese do inciso IV do art. 3°, ou seja, somente quando a
identificacao criminal for indispensavel as investigacées.
De qualquer forma, esse perfil genético coletado deverd ser armazenado
em banco de dados sigiloso, de forma a preservar 0 indiciado de qualquer
constrangimento, nos termos do art. 70-B da Lei.
1.3.1.3 Nomeacao de curador ao indiciado
O art. 15 prevé a figura do curador para o menor de 21 anos quando de seu
interrogatério:
Art. 15. Se 0 indiciado for menor, ser-Ihe-4 nomeado curador pela autoridade policial.
Entretanto, a Doutrina e a Jurisprudéncia séo pacificas no que tange a
alteragéo desta idade para 18 anos, pois
Assim, atualmente este artigo esta sem utilidade, pois ndo hé
possibilidade de termos um indiciado que € civilmente menor (eis que a
maioridade civil e a maioridade penal ocorrem no mesmo momento, aos 18 anos),
diferentemente do que ocorria quando da edic&o do CPP, jé que naquela época a
maioridade penal ocorria aos 18 anos e a maioridade civil ocorria apenas aos 21
anos. Assim, era possivel haver um indiciado que era penalmente maior, mas
civilmente menor de idade.
1.4 Forma de tramitagao
0 sigilo no IP é 0 moderado, seguindo a regra do art. 20 do CPP:
Art. 20. A autoridade assegurard no inquérito 0 si
pelo interesse da sociedade.
ilo necessdrio & elucidagao do fato ou exigido
A corrente doutrindria que prevalece é a de que o IP é sempre sigiloso em
relacéo as pessoas do povo em geral, por se tratar de mero procedimento
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 47 de 14investigatério, nao havendo nenhum interesse que justifique 0 acesso liberado a
qualquer do povo.'®
Entretanto, o IP n&o é, em regra, sigiloso em relagéio aos envolvidos
(ofendido, indiciado e seus advogados), podendo, entretanto, ser decretado sigilo
em relacdo a determinadas pecas do Inquérito quando necessario para o sucesso
da investigac3o (por exemplo: Pode ser vedado o acesso do advogado a partes
do IP que tratam de requerimento do Delegado pedindo a prisSo do indiciado,
para evitar que este fuja).
Com relacao ao acesso por parte do advogado, ha previsdo no art. 7°, XIV
do Estatuto da OAB. Vejamos 0 que diz esse dispositivo:
Art. 70 So direitos do advogado:
(...) XIV - examinar, em qualquer instituigao responsavel por conduzir investigacao,
mesmo sem procuracao, autos de flagrante e de investigacées de qualquer natureza, findos
ou em andamento, ainda que conclusos a autoridade, podendo copiar pecas e tomar
apontamentos, em meio fisico ou digital; (Redagao dada pela Lei n° 13.245, de 2016)
Durante muito tempo houve uma divergéncia feroz na Doutrina e na
Jurisprudéncia acerca do direito do advogado de acesso aos autos do IP,
principalmente porque o acesso aos autos do IP, em muitos casos, acabaria por
retirar completamente a eficdcia de alguma medida preventiva a ser tomada pela
autoridade.
mal que possui a seguinte redacao:
Simula vinculante n° 14
“é ro do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova
que, ja documentados em procedimento investigatério realizado por érgao com competéncia de
policia judiciaria, digam respeito ao exercicio do direito de defesa”.
Percebam, portanto, que 0 STF colocou uma “pé-de-cal” na discusséo,
consolidando o entendimento de que:
+ Sim, 0 IP é sigiloso
> Nao, o IP nao é sigiloso em relacao ao advogado do indiciado,
jue deve ter livre acesso aos autos do IP, no que se refere aos
Glementos que ja tenham sido juntados a ele. v
E ébvio, portanto, que se ha um pedido de priséo temporéria, por exemplo,
esse mandado de prisdo, que seré cumprido em breve, nao deverd ser juntado
aos autos, sob pena de o advogado ter acesso a ele antes de efetivada a medida,
© que poderd levar a frustracéo da mesma.
*© NUCCT, Gullherme de Souza, Op. Cit, p. 124
7 Nao as diligéncias que ainda estejam em curso.
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 18 de 11Aula 01 - Prof.
Outro tema que pode ser cobrado, se refere a necessidade (ou no) da
presenca do defensor (Advogado ou Defensor Publico) no Interrogatério Policial.
E pacifico que a presenca do advogado no interrogatério JUDICIAL €
INDISPENSAVEL, até por forca do que dispée o art. 185, §1° do CPP®.
Entretanto, néo ha norma que disponha o mesmo no que se refere ao
interrogatorio em sede policial. Vejamos 0 que diz o art. 6° do CPP:
Art. 68 Logo que tiver conhecimento da pratica da infracdo penal, a autoridade policial devera:
.) V - ouvir 0 indiciado, com observancia, no que for aplicavel, do disposto no Capitulo III
do Titulo VIl, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que
Ihe tenham ouvido a leitura;
Vejam que o inciso que trata do interrogatério em sede policial determina a
aplicagao das regras do inquérito judicial, NO QUE FOR APLICAVEL. A questo é:
Exige-se, ou no, a presenca do advogado?
Ver prevalecendo o entendimento de que o indiciado deve ser
alertado sobre seu direito a presenga de advogado, mas, caso queira ser
ouvido mesmo sem a presenga do advogado, o interrogatério policial é
valido. Assim, a regra é: deve ser possibilitado ao indiciado, ter seu advogado
presente no ato de seu interrogatério policial. Caso isso n&o ocorra (a
POSSIBILIDADE de ter o advogado presente), haverd nulidade neste
interrogatério em sede policial
Contudo, mais uma polémica surgiu. A Lei 13.245/16, que alterou
alguns dispositivos do Estatuto da OAB, passou a prever, ainda, que ¢ direito
do defensor “assistir a seus clientes investigados durante a apuragdo de
infragdes, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatério ou
depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatérios €
probatérios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente”.
Art. 7° (...) XXI - assistir a seus clientes investigados durante a apuragao de infragées,
sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatério ou depoimento e,
subsequentemente, de todos os elementos investigatérios e probatérios dele decorrentes ou
derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva
apuraco: (Incluido pela Lei n° 13.245, de 2016)
A pergunta que fica é: a presenca do advogado passou a ser
considerada INDISPENSAVEL também no interrogatério policial? Ainda
nao temos posicionamento dos Tribunais sobre isso, pois é muito recente. Mas
ha duas correntes:
+» 1° CORRENTE - O advogado, agora, é indispensavel durante o IP.
3 art, 185(...)
§ 10 0 interrogatério do réu preso seré realizado, em sala prépria, no estabelecimento em que estiver
recolhido, desde que estejam garantidas 2 seguranca do juiz, do membro do Ministério Publico e dos
2uxiliares bem como a presenca do defensor e a publicidade do ato. (Redagao dada pela Lei n0 11.900, de
2009)
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 19 de 11% 2° CORRENTE - A Lei ndo criou essa obrigatoriedade. O que a Lei criou
foi, na verdade, um DEVER para o advogado que tenha sido
devidamente constituido pelo indiciado (dever de assisti-lo, sob pena
de nulidade). Caso o indiciado deseje n&o constituir advogado, nao haveria
obrigatoriedade.
Assim, é necessdrio que os Tribunais Superiores se manifestem sobre o tema
para que possamos ter um posicionamento mais seguro.
1.4.1 Incomunicabilidade do preso
O art. 21 do CPP assim dispde:
Art, 21, A incomunicabilidade do indiciado dependera sempre de despacho nos autos e
somente sera permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniéncia da investigacao 0
exigi
Paragrafo Unico. A incomunicabilidade, que ndo excederd de trés dias, seré decretada por
despacho fundamentado do Juiz, a requerimento da autoridade policial, ou do érgao do
Ministério Publico, respeitado, em qualquer hipdtese, o disposto no artigo 89, inciso III, do
Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (Lei n. 4.215, de 27 de abril de 1963)
(Redagao dada pela Lei n° 5.010, de 30.5.1966)
A incomunicabilidade consiste em deixar 0 preso sem contato algum com o
mundo exterior, seja com a familia, seja com seu advogado.
A despeito de o art. 21 do CPP ainda estar formalmente em vigor, a Doutrina
é undnime ao entender que tal previsdo NAO foi recepcionada pela CF/88,
por duas razes:
> A CF/88 prevé que € direito do preso 0 contato com a familia e com
seu advogado
+ A CF/88, em seu art. 136, §3°, IV, estabelece ser vedada a
incomunicabilidade do preso durante o estado de defesa. Ora, se nem
mesmo durante o estado de defesa (situacéo na qual ha a flexibilizagao
das garantias individuais) é possivel decretar a incomunicabilidade do
preso, com muito mais razdo isso nao é possivel em situac&o normal.
1.4.2 Indiciamento
0 indiciamento é 0 ato por meio do qual a autoridade policial, de forma
fundamentada, “direciona” a investigacao, ou seja, a autoridade policial centraliza
as investigagées em apenas um ou alguns dos suspeitos. Assim:
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 20 de 11Ea
a
Eira}
-
SUSPEITO
Vejam, portanto, que a autoridade policial comega investigando algumas
pessoas (suspeitas), mas no decorrer das investigacées vai descartando algumas,
até indiciar uma ou alguma delas. E claro que nem sempre isso vai acontecer, ou
seja, 6 possivel que so haja um suspeito e ele seja indiciado, ou, é possivel ainda
que haja varios suspeitos e todos sem indiciados, etc.
© indiciamento nao desconstitui o carater sigiloso do Inquérito
Policial, sendo apenas um ato mediante o qual a autoridade policial passa a
direcionar as investigagdes sobre determinada ou determinadas pessoas.
O ato de indiciamento é PRIVATIVO da autoridade policial’®, nos
termos do art. 2°, §6° da Lei 12.830/13:
Art, 20 (...)
§ 60 O indiciamento, privativo do delegado de policia, dar-se-4 por ato fundamentado,
mediante andlise técnico-juridica do fato, que devera indicar a autoria, materialidade e suas
circunstancias.
Ainda que tal previséo legal nao existisse, tal conclusdo poderia ser extraida
da prépria ldgica do IP: ora, se 6 a autoridade policial quem instaura, preside e
conduz o IP, naturalmente é a autoridade policial quem tem atribuicdo para o ato
de indiciamento.
9 Se a pessoa a ser indiciada possui foro por prerrogativa de funcéo (“foro privilegiado”), a autoridade
policial dependera do Tribunal que tem competéncia para processar e julgar o crime supostamente praticado
Pela pessoa detentora do foro por prerrogativa de funcao (Ex.: STF, relativamente aos crimes comuns
praticados por deputados federais) (STF ~ Ing. 2.411).
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 2a de it1.5 Conclusao do inquérito policial
Esgotado o prazo previsto, ou antes disso, se concluidas as investigacdes, o
IP sera encerrado e encaminhado ao Juiz. Nos termos do art. 10 do CPP:
Art. 10. O inquérito deveré terminar no prazo de 10 dias, se 0 indiciado tiver sido preso em
flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipétese, a partir do dia
em que se executar a ordem de prisdo, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante
fianca ou sem ela.
§ 10 A autoridade faré minucioso relatério do que tiver sido apurado e enviard autos ao juiz
competente.
Caso 0 Delegado nao consiga elucidar o fato no prazo previsto, deveré assim
mesmo encaminhar os autos do IP ao Juiz, solicitando prorrogagao do prazo. Caso
9 indiciado esteja solto, o Juiz pode deferir a prorrogacao do
, ensejando, inclusive, a
impetrag&o de Habeas Corpus.
Estes prazos (10 dias e 30 dias) séo a reara prevista no CPP. Entretanto,
existem excecées previstas em outras le
+ Crimes de competéncia da Justiga Federal — 15 dias para indiciado
preso (prorrogavel por mais 15 dias) e 30 dias para indiciado solto.
+ Crimes da lei de Drogas - 30 dias para indiciado preso e 90 dias para
indiciado solto. Podem ser duplicados em ambos os casos.
+ Crimes contra a economia popular - 10 dias tanto para indiciado
preso quanto para indiciado solto.
O STJ firmou entendimento no sentido de que, estando o indiciado solto,
embora exista um limite previsto no CPP, a violac&o a este limite nao teria
qualquer repercussdo, pois nao traria prejuizos ao indiciado, sendo considerado
como prazo impréprio. Vejamos:
(...) 1, Esta Corte Superior de Justiga firmou 0 entendimento de que, salvo quando o
vestigado se encontrar preso cautelarmente, a inobservancia dos lapsos temporais
estabelecidos para a conclusdo de inquéritos pol ‘ou investigacées deflagradas
no Ambito do Ministério Puiblico ndo possui repercussao pratica, j4 que se cuidam de
prazos impréprios. Precedentes do ST) e do STF.
2. Na hipétese, o atraso na conclusdo das investigagdes foi justificado em razéo da
complexidade dos fatos e da quantidade de envolvidos, 0 que revela a possibilidade de
prorrogacao do prazo previsto no artigo 12 da Resoluggo 13/2006 do Conselho Nacional do
Ministério Publico - CNMP.
3. Habeas corpus nao conhecido.
is 304.274/RJ, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 04/11/2014, BIS
)
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 22 de 11Aula 01 - Prof. R
A maioria da Doutrina e da Jurisprudéncia entende que se trata de
prazo de natureza processual. Assim, a forma de contagem obedece ao
disposto no art. 798, § 1° do CPP:
Art, 798, Todos os prazos correréo em cartério e serao continuos e peremptérios, nao se
interrompendo por férias, domingo ou dia feriado.
§ 10 Nao se computaré no prazo o dia do comeco,
\cluindo-se, porém, o do vencimento.
Contudo, estando o indiciado PRESO, Doutrina e Jurisprudéncia
entendem, majoritariamente, que o prazo € considerado MATERIAL, ou
seja, inclui o dia do comeco, nos termos do art. 10 do CP.
Ha divergéncia na Doutrina quanto ao destino do IP, face a promulgacéio da
Constituigéo de 1988 (O CPP é de 1941), posto que a CRFB/88 estabelece que o
MP é 0 titular da ac&o penal publica. Entretanto, a maioria da doutrina
entende que a previsdo de remessa do IP ao Juiz permanece em vigor,
devendo 0 Juiz abrir vista ao MP para que tenha ciéncia da conclusdo do
IP, nos casos de crimes de ago penal publica, ou ainda, disponibilizar os autos
em cartorio para que a parte ofendida possa se manifestar, no caso de crimes de
acéio penal privada.
Ainda com relagaéo ao destinatario do IP, a Doutrina se divide. Parte da
Doutrina, acolhendo uma interpretacdo mais gramatical do CPP, entende que o
destinatario IMEDIATO do IP € 0 Juiz, pois o IP deve ser remetido a este. Desta
forma, o titular da acéio penal seria o destinatario MEDIATO do IP (porque, ao fim
e ao cabo, o IP tem a finalidade de angariar elementos de convicgao para o titular
da aco penal).
Outra parcela da Doutrina, que parece vem se tornando majoritaria, entende
que o destinatario IMEDIATO seria o titular da acao penal, jd que a ele se
destina o IP (do ponto de vista de sua finalidade). Para esta corrente o Juiz seria
o destinatario MEDIATO, pois as provas colhidas no IP seriam utilizadas, ao
fim e ao cabo, para formar o convencimento do Juiz.
Caso o MP entenda que nao é 0 caso de oferecer dentincia (por néo
ter ocorrido 0 fato criminoso, por néo haver indicios a autoria, etc.), 0 membro
do MP requererd o arquivamento do IP, em petig&o fundamentada, incluindo
todos os fatos e investigados. Caso o Juiz discorde, remetera os autos do IP
ao PG) (Procurador-Geral de Justica), que decidira se mantém ou nao a
posicdo de arquivamento. O Juiz esta obrigado a acatar a decisdo do PGJ
(Chefe do MP).
Mas, em se tratando de crime de aco penal privada, o que se faz?
Depois de concluido o IP, nesta hipdtese, os autos sao remetidos ao Juiz,
onde permaneceréo até o fim do prazo decadencial (para oferecimento da
queixa), aguardando manifestac3o do ofendido. Essa é a previs&o do art. 19 do
CPP:
Art, 19. Nos crimes em que nao couber aco publica, os autos do inquérito sero remetidos
ao juizo competente, onde aguardardo a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal,
ou serao entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado.
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TProme nota DOtA}, Doutrina criow a figura do arquivamento implicito.
Embora nao tenha previsao legal, o arquivamento implicito, como o nome diz,
é deduzido pelas circunstancias. Ocorrerd em duas hipéteses:
=> Quando o membro do MP ajuizar a denuncia apenas em relaciio a alguns
fatos investigados, silenciando quanto a outros
> Quando o membro do MP ajuizar a dentincia apenas em relacéio a alguns
investigados, silenciando quanto a outros
Nesses casos, como o MP teria sido omisso em relagdo a determinados fatos
ou a determinados indiciados, parte da Doutrina sustenta ter havido um
pedido implicito de arquivamento em relacao a estes.
No entanto, 0 STF vem rechacgando a sua aplicagéo em decisées
recentes, afirmando que néo existe “arquivamento impli ito”: “(...)
sistema processual pen brasileiro no ase a Sire do arquivamento
Outros pontos merecem destaque:
+ ARQUIVAMENTO INDIRETO - E um termo utilizado por PARTE da
Doutrina para designar o fenémeno que ocorre quando o membro do
MP deixa de oferecer a dentincia por entender que 0 Juizo (que estd
atuando durante a fase investigatoria) é incompetente para processar
e julgar a aco penal. Todavia, o Juiz entende que é competente, entao
recebe o pedido de declinio de competéncia como uma espécie
de pedido indireto de arquivamento. Grande parte da Doutrina
entende este fenémeno como inadmissivel, j4 que se o Promotor
entende que o Juizo nao é competente deveria requerer a remessa dos
autos do IP ao Juizo competente para, entéo, prosseguir nas
investigaces ou, se jé houver fundamentos, oferecer a denuncia.
+ TRANCAMENTO DO INQUERITO POLICIAL - O trancamento
(encerramento anémalo do inquérito) consiste na cessacdo da
atividade investigatoria por deciséo judicial quando hé ABUSO na
instaurago do IP ou na condugao das investigacées (Ex.: E instaurado
IP para investigar fato nitidamente atipico, ou para apurar fato em que
jé ocorreu a prescricéo, ou quando o Delegado dirige as investigagdes
contra uma determinada pessoa sem qualquer base probatéria). Neste
caso, aquele que se sente constrangido ilegalmente pela investigacao
(0 investigado ou indiciado) poderé manejar HABEAS CORPUS
°° apenas para corroborar: (...) No se admite o arquivamento de inquérito policial de oficio, sem a citiva
do Ministério Publico, sob pena de ofensa 2o principio acusatério. (STF, Pleno, AgRg no Inq 2913 julg.
01/03/2012)
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(chamado de HC “trancativo”) para obter, judicialmente, o
trancamento do IP, em raz&o do manifesto abuso.
A decisdéo de arquivamento do IP faz coisa julgada? Em regra, NAO,
pois o CPP admite que a autoridade proceda a novas diligéncias investigatorias,
se de OUTRAS PROVAS tiver noticia.
Isso significa que, uma vez arquivado o IP, teremos uma espécie de “coisa
julgada secundum eventum probationis”, ou seja, a decisdo faré “coisa julgada”
em relagéo aquelas provas. Assim, nao podera o MP ajuizar a ac&o penal
posteriormente com base NOS MESMOS ELEMENTOS DE PROVA, nem se admite
a reativag3o da investigagao.
O STF, inclusive, possui um verbete de stimula neste sentido:
SUMULA 524
Arquivado 0 Inquérito Policial, por despacho do Juiz, a requerimento do Promotor de Justica,
ngo pode a acao penal ser iniciada, sem novas provas.
Entretanto, existem EXCECGES, ou seja, situagdes em que o arquivamento
do IP iré produzir “coisa julgada material” (ndo sera possivel recomesar a
investigagao). Vejamos:
+ ARQUIVAMENTO POR ATIPICIDADE DO FATO - Neste caso, hd
entendimento PAC{FICO no sentido de que nao é mais possivel
reativar, futuramente, as investigagdes. Isso é absolutamente légico,
jé que néo faz o menor sentido permitir a retomada das investigacées
quando jé houve manifestagao do MP e chancela do Juiz atestando a
ATIPICIDADE da conduta (irrelevancia penal do fato)*.
+ ARQUIVAMENTO EM RAZAO DO RECONHECIMENTO DE
EXCLUDENTE DE ILICITUDE OU DE CULPABILIDADE - A Doutrina
e a jurisprudéncia MAJORITARIAS entendem que também nao é
possivel reabrir futuramente a investigagao. Embora haja divergéncia
jurisprudencial a respeito, o STJ pacificou seu entendimento neste
sentido”.
°° STF - Inq 3114/PR
® 0 ST) possul deciséo recente no sentido de que faz coisa julgada MATERIAL:
(...) A par da atipicidade da conduta e da presenca de causa extintiva da punibilidade, 0
arquivamento de inquérito policial lastreado em circunstancia excludente de ilicitude também
produz coisa julgada material.
2. Levando-se em consideracdo que o arquivamento com base na atipicidade do fato faz colsa julgada formal
material, 2 decisdo que arquiva o inquérito por considerar a conduta licita também o faz, isso porque nas
duas situagées ndo existe crime e ha manifestacio a respeito da materia de mérito.
3. A mera qualificacao diversa do crime, que permanece essencialmente 0 mesmo, nao constitui fato
ensejador da deniincia apés o primeiro arquivamento.
4, Recurso provido para determinar o trancamento da acéo penal.
(RHC_46.666/MS, istro SEBASTIAO REIS JUNIOR, SEXTA TURMA, julgado em
05/02/2015,
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 25 de 11+ ARQUIVAMENTO PELO RECONHECIMENTO DA EXTINCAO DA
PUNIBILIDADE ~ Tanto Doutrina quanto Jurisprudéncia entendem
que se trata de decisdo que faz coisa julgada material, ou seja, ndo
admite a reabertura do IP. Com relac&o a este ponto, entende-se que
se 0 reconhecimento da extinc&o da punibilidade se deu pela morte do
agente (art. 107, I do CP) mediante apresentacao de certidao de dbito
falsa (o agente ndo estava morto) é possivel reabrir as investigagées.
Resumidamente, o STJ entende atualmente que toda decisdo de
arquivamento que enfrente o mérito fara coisa julgada material, ou seja,
somente podera ser reaberta a investigacéo no caso de arquivamento por
auséncia de provas para a dentincia.2
1.6 Poder de investigagao do MP
Durante muito tempo se discutiu na Doutrina e na Jurisprudéncia”* acerca
dos poderes de investigacdo do MP, j4 que embora estas atribuicdes tenham
sido delegadas a Policia, certo 6 que o MP é 0 destinatario da investigagao, na
qualidade de titular da a¢&o penal (publica).
No entanto, essa cussdo ja nao existe mais. Atualmente o
entendimento pacificado é no sentido de que o MP tem, sim, poderes
investigatorios, j4 que a Policia Judicidria nado detém o monopdlio constitucional
dessa tarefa.
Resumidament
+ MP pode investigar (por meio de procedimentos préprios de investigaco)
+ MP néo pode instaurar e presidir inquérito policial
% (...) 1, A permisséo legal contida no art, 18 do CPP, e pertinente Sumula 524/STF, de desarquivamento
do inquérito pelo surgimento de provas novas, somente tem incidéncia quando o fundamento daquele
arquivamento foi a insuficiéncia probatéria - indicios de autoria e prova do crime.
2. A decisdo que faz juizo de mérito do caso penal, reconhecendo atipia, extingdo da puni
(por morte do agente, prescricéo...), ou excludentes da ilicitude, exige certeza juridica - sem
‘esta, a prova de crime com autor indicado geraria a continuidade da persecucao criminal - que,
por tal, possui efeitos de coisa julgada material, ainda que contida em acolhimento a pleito
ministerial de arquivamento das pecas investigatérias.
3, Promovido 0 arquivamento do Inquérito policial pelo reconhecimento de legitima defesa, a coisa julgada
material impede rediscuss8o do caso penal em qualquer novo feito criminal, descabendo perquirir a
existéncie de noves provas. Precedentes.
4, Recurso especial improvido.
espgZBLETN el. wins WEFT CORDEIRO, SEXTA TURN, Jugedo em 25/1/2018, Bi
° REsp 998.249/RS, Rel. MIN. LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 22/05/2012, DJe 30/05/2012
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 26 de 11Pease PE eye}
A Lei 12.830/13 teve por finalidade regulamentar a atividade de
investigacao criminal conduzida pelo Delegado de Policia.
Vejamos a redaggo do art. 1° da Lei:
Art. 1o Esta Lei dispée sobre a investigacéo criminal conduzida pelo delegado de
policia.
Algumas de suas disposicdes ja poderiam tranquilamente ser extraidas,
ainda que de forma implicita, do préprio regramento do CPP.
Temos que entender, ainda, o contexto em que a Lei fora editada (No meio
da discuss&o a respeito dos poderes de investigacéo do MP), de forma que
poderemos entender melhor, ainda, o nitido viés “corporativista” da Lei (ndo que
haja algum tom pejorativo nisso!). Vejamos, por exemplo, a redagao do art. 2!
Art. 20 As funcées de policia judiciéria e a apuracdo de infragdes penais exercidas
pelo delegado de policia séo de natureza juridica, essenciais e exclusivas de Estado.
Tala afirmacéio j4 poderia ser extraida do sistema juridico-processual penal
brasileiro. Contudo, percebe-se o carter “afirmativo” da Lei, ou seja, buscou
deixar imune a dividas a natureza da atividade desenvolvida pelo
Delegado de Policia.
O §1° do art. 2° é outro que traz disposig&o que, na pratica, ndo alterou em
nada o mundo juridico:
Art. 29 (...)
§ 10 Ao delegado de policia, na qualidade de autoridade policial, cabe a conducéo da
investigacdo criminal por meio de inquérito policial ou outro procedimento previsto em
lei, que tem como objetivo a apuracao das circunstdncias, da materialidade e da
autoria das infrages penais.
O §2° do art. 2° trata do poder de requisicdo do Delegado de Policia,
cuja finalidade é permitir a melhor instrugo possivel do procedimento
investigatério, que em regra sera o Inquérito Policial. Vejamos:
Art. 22 (...)
§ 20 Durante a investigagao criminal, cabe ao delegado de policia a requisicio de
pericia, informacées, documentos e dados que interessem a apuracao dos fatos.
Se até agora a Lei nao trouxe grandes “novidades” juridicas, 0 §4° do art.
20 traz um regramento que parece estabelecer uma espécie de “Delegado
Natural”. Vejamos:
Art. 29 (...)
§ 40 O inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso somente
poders ser avocado ou redistribuido por superior hierérquico, mediante despacho
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 27 deifundamentado, por motivo de interesse puiblico ou nas hipdteses de inobservancia dos
procedimentos previstos em regulamento da corporacdo que prejudique a eficacia da
investigacao.
Percebam que esta regulamentagao tem a nitida inteng3o de evitar “mandos
e desmandos” no seio da Policia, ou seja, evitar que o Chefe da Policia altere
© Delegado responsavel por determinado caso de acordo com a
necessidade de uma investigacao “mais rigida” ou “mais branda”.
Isso nao significa que a substituicdo do Delegado responsavel nado podera
ocorrer. Contudo, ela somente pode ocorrer:
+ Por motivo de interesse publico
+ No caso de inobservancia dos procedimentos previstos em
regulamento da corporacdo que prejudique a eficacia da
investigag3o
Em ces caso, deveré se dar por déspachol fundamentadolda
Da mesma forma que a alteraco do Delegado responsavel por determinado
caso no poderé ser feita “ao bel prazer” do Superior, o que evidencia uma
espécie, ainda que rudimentar, do principio do “Delegado Natural”, o Delegado
também ndo podera ser removido livremente de seu 6rgdo de atuacdo.
Vejamos a redacéio do art. 2°, §5° da Lei:
Art. 20 (.0.)
§ 50 A remogio do delegado de policia dar-se-4 somente por ato fundamentado.
Percebam que nao
Contudo, é inegavel que a Lei, ao
exigir que tal remocéio se dé por ato fundamentado, busca dar mais transparéncia
em tal procedimento, de forma a salvaguardar os direitos do préprio Delegado e
a moralidade no bojo da Administragao Publica.
Por fim, 0 §6° do art. 2° estabelece ser o um ato privativo
do)Delegado, e deverd ser |. Vejamos:
Art. 29(...)
§ 60 O indiciamento, privativo do delegado de policia, dar-se-8 por ato fundamentado,
mediante anélise técnico-juridica do fato, que deverd indicar a autoria, materialidade
e suas circunstancias.
Como encerramento, a Lei estabelece em seu art. 3° que o cargo de
Delegado de Policia é privativo de Bacharel em Direito, devendo ser dispensado
ao Delegado o mesmo tratamento protocolar que recebem Magistrados, membros
do MP e da Defensoria Publica, e os advogados. Vejamos:
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 28 de 11eee
“Art. 30 O cargo de delegado de policia é privativo de bachare! em Direito, devendo~
Ihe ser dispensado 0 mesmo tratamento protocolar que recebem os magistrados, os
membros da Defensoria Publica e do Ministério Publico e os advogados.
Temos aqui mais uma previsdo referente a “carreira” de Delegado que
propriamente ao sistema juridico-processual penal brasileiro. De toda forma, a
Lei traz importante previso com a finalidade de contribuir para a equalizagao de
tratamento das carreiras juridicas do pais.
ce] iy
LE EXTERNO DA ATIVIDADE POLICIA
Outra das fungées do MP (além de poder investigar, como vimos), € exercer
© controle externo da atividade policial.
O MP no faz parte da organizagao policial. Entretanto, como o desempenho
das fungées da policia contribui negativa ou positivamente para o desempenho
das funcdes do MP (Um crime mal investigado dificilmente gera uma
condenagao), ao MP foi conferido o controle externo da atividade policial.
Isso estd previsto no art. 129, VII da CF/88:
Art. 129. Sao fungées institucionais do Ministério Publico:
()
VII - exercer 0 controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar
imencionada no artigo anterior;
No art. 3° da LC 75/93 nds temos uma definigéo melhor das razées que
fundamentam esse controle. Este artigo regulamenta o art. 129, VII da
Constituigéo, tragando os objetivos que se pretende alcancar com o
exercicio deste controle externo pelo MPU. Vejamos a redacao do art. 3°:
Art. 3° 0 Ministério Pblico da Unido exercerd o controle externo da atividade policial
tendo em vista:
@) 0 respeito eos fundamentos do Estado Democratico de Direito, aos objetivos
fundamentais da Republica Federativa do Brasil, aos principios informadores das
relacées internacionais, bem como aos direitos assegurados na Constituicao Federal e
na lei;
b) a preservacéo da ordem publica, da incolumidade das pessoas e do patriménio
publico;
¢) a prevengao e a corregao de ilegalidade ou de abuso de poder;
d) a indisponibilidade da persecucao penal;
e) a competéncia dos érgaos incumbidos da seguranca publica.
£ bom que se deixe clara uma coisa: O MP NAO E O CHEFE DA
POLICIA! O MP apenas tem a atribuigéo para FISCALIZAR o exercicio da
atividade policial. Através desta fiscalizag&o, caso seja constatada alguma
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 29de 11irregularidade, o MP pode adotar as medidas judiciais ou extrajudiciais cabiveis
para resolver 0 problema (seja ajuizando agao penal contra os infratores, seja
requisitando a abertura de inquérito para apurar os fatos, etc.).
Mal comparando, o MP atua mais ou menos como o Congresso Nacional, que
fiscaliza os atos do Poder Executivo, sem ser, contudo, seu chefe.
Um dos objetivos mais evidentes deste controle externo realizado pelo MPU
6 a preservacao da indisponibilidade da persecug&o penal. O que é isso? A
persecucdo penal nada mais é que o exercicio do poder-dever conferido ao Estado
para que investigue os fatos a fim de que, ld na frente, se possa punir eventuais
culpados. A este procedimento de busca pelos fatos preliminares (investigagao)
e proceso e condenagao dos culpados (processo penal) se da o nome de
persecucao penal.
Mas © que significa a “indisponibilidade da persecucéo penal”?
Significa @ auséncia de discricionariedade na persecucao penal. A persecucéo
penal ndo é disponivel, ou seja, ndo pode o responsavel por ela simplesmente
“abrir m&o”, deixar de realiza-la, seja qual for o motivo. Assim, quando se busca
garantir a indisponibilidade da ado penal, ao fim e ao cabo o que se
pretende é evitar que fatores externos (principalmente $$$) influenciem
negativamente na condugiio da persecugao penal, que numa fase preliminar
6 conduzida pela Policia, através da investigagao criminal, e é nesta fase que a
persecucdo € mais vulneravel.
Nés acabamos de ver quais sdo os objetivos do controle externo da atividade
policial. 0 art. 9°, todavia, nos traz alguns (sim, pois este rol NAO E TAXATIVO)
mecanismos de que dispde o MPU para exercer este controle externo.
Vejamos:
Art. 9° O Ministério Publico da Unido exerceré o controle externo da atividade policial
por meio de medidas judiciais e extrajudiciais podendo:
I - ter livre ingresso em estabelecimentos policiais ou prisionais;
II - ter acesso a quaisquer documentos relativos 4 atividade-fim policial;
III - representar 4 autoridade competente pela adocéo de providéncias para sanar a
omissio indevida, ou para prevenir ou corrigir ilegalidade ou abuso de poder;
IV - requisitar & autoridade competente para instauracao de inquérito policial sobre 2
omissao ou fato ilicito ocorrido no exercicio da atividade policial;
V - promover a aco penal por abuso de poder.
Vejam que estas s&o ferramentas que contribuem para o bom exercicio
dessa funcéo de fiscalizagéo que é atribuida ao MPU.
E importante notar que o inciso II fala em “acesso a documentos relativos &
atividade-fim policial’, Isso significa que 0 MPU tem acesso livre a quaisquer
documentos relativos a atividade de investigacéio da policia (no caso da Policia
Civil, Federal, etc., que séo as chamadas “policias judicidrias”, pois Ihes incumbe
obter elementos de conviccdo para apresentacdo perante o Poder Judiciério) ou
a sua atividade de prevengio ostensiva (No caso da Policia Militar, Rodovigria
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 30 de 11Federal, etc., que so as chamadas “policias administrativas”, cuja fungao é
basicamente preservar a ordem publica, prevenindo a ocorréncia de infracées).
Assim, 0 MPU nao teré acesso, por exemplo, ao documento referente a um
pedido de férias de um Delegado, pois isso néo guarda qualquer relagdo com a
atividade-fim da policia (A menos que haja indicios de que esse pedido de férias,
por exemplo, tenha se dado com a finalidade de furtar-se a uma investigacao, no
que estar se relacionando com a atividade-fim).
Um dos objetivos principais, além de garantir a indisponibilidade da
persecugao penal, é garantir o respeito aos direitos da pessoa, zelando pela
no ocorréncia de abuso de poder e promovendo medidas contra aqueles que
eventualmente o pratiquem. Para tanto, o art. 10 nos traz a necessidade de
comunicacao ao MP competente (MPF, MPT, MPDFT ou MPM) quando da
realizacgao de priséo de qualquer pessoa por parte de autoridade federal
ou do DF, devendo se indicar o local onde se encontra o preso e copia dos
documentos acerca da legalidade da prisdo. Vejamos:
Art. 10, A priséo de qualquer pessoa, por parte de autoridade federal ou do Distrito
Federal e Territérios, deveré ser comunicada imediatamente ao Ministério Publico
competente, com indicacdo do lugar onde se encontra o preso e cépla dos documentos
comprobatérios da legalidade da prisdo.
CUIDADO! O MPU exerce o controle EXTERNO da atividade policial, pois o MPU
NAO INTEGRA a mesma estrutura da policia. Quem exerce o controle
INTERNO da atividade policial é a CORREGEDORIA da policia respectiva.
ISPOSITIV LEGAIS IMPORTANTES
CODIGO DE PROCESSSO PENAL
% Art. 4° a 23 do CPP - Disposig&o legal do CPP acerca do Inquérito Policial:
Art. 49 A policia judiciaria seré exercida pelas autoridades policiais no territério de
suas respectivas circunscrig6es e teré por fim a apuragao das infracdes penais e da
sua autoria, (Redacdo dada pela Lei n° 9,043, de 9,5.1995)
Pardgrafo Unico. A competéncia definida neste artigo no excluird a de autoridades
administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma funcao.
Art. 50. Nos crimes de aco publica o inquérito policial seré iniciado:
I= de oficio;
II - mediante requisico da autoridade judiciéria ou do Ministério Publico, ou a
requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representé-lo.
§ 10 O requerimento a que se refere o no II conteré sempre que possive
2) 2 narracdo do fato, com todas as circunsténcias;
b) a individualizagdo do indiciado ow seus sinais caracteristicos e as razées de
conviccéo ou de presunc3o de ser ele o autor da infracdo, ou os motives de
impossibilidade de 0 fazer;
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¢) 2 nomeacao das testemunhas, com indicacao de sua profissao e residencia.
§ 20 Do despacho que indeferir 0 requerimento de abertura de inquérito caberé
recurso para o chefe de Policia.
§ 30 Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existéncia de infracdo penal
em que caiba acéo publica poder, verbalmente ou por escrito, comunica-la 4
autoridade policial, e esta, verificada a procedéncia das informacdes, mandaré
instaurar inquérito.
§ 40 O inquérito, nos crimes em que a acdo publica depender de representacao, néo
poderd sem ela ser iniciado.
§ 50_ Nos crimes de aco privada, a autoridade policial somente poderé proceder a
inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intents-la.
Art. 60 Logo que tiver conhecimento da pratica da infracao penal, a autoridade policial
devera:
1 - dirigir-se a0 local, providenciando para que nao se alterem o estado e conservacdo
das coisas, até a chegada dos peritos criminais; (Redacao dada pela Lei n° 8.862, de
28.3.1994) (Vide Lei n® 5.970, de 1973)
IT - aprender os objetos que tiverem relacao com o fato, apés liberados pelos peritos
criminais; (Redacao dada pela Lei n° 8.862, de 28.3.1994)
II - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas
circunstancias;
IV- ouvir 0 ofendido;
V - ouvir 0 indiciado, com observancia, no que for aplicavel, do disposto no Capitulo
II do Titulo Vil, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas
testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura;
VI - proceder a reconhecimento de pessoas ¢ coisas e a acareacées;
VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer
outras pericias;
VIII - ordenar a identificac&o do indiciado pelo processo datiloscépico, se possivel, e
fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes;
IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob 0 ponto de vista individual, familiar
e social, sua condicao econémica, sua atitude e estado de 4nimo antes e depois do
crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuirem para a apreciacdo
do seu temperamento e carater.
X - colher informagées sobre a existéncia de filhos, respectivas idades e se possuem
alguma deficiéncia e 0 nome e o contato de eventual responsdvel pelos cuidados dos
filhos, indicado pela pessoa presa. (ncluido pela Lei n° 13.257, de 2016)
Art. 7o Para verificar a possibilidade de haver a infracao sido praticada de determinado
modo, a autoridade policial poderé proceder 4 reproducao simulada dos fatos, desde
que esta nao contrarie a moralidade ou a ordem publica.
Art. 80 Havendo priséo em flagrante, seré observado 0 disposto no Capitulo II do
Titulo IX deste Livro.
Art. 90 Todas as pecas do inquérito policial seréo, num sé processado, reduzidas
escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.
Art. 10. O inquérito devera terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido
preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado 0 prazo, nesta
hipétese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisio, ou no prazo de 30
dias, quando estiver solto, mediante fianca ou sem ela.
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 32de 11§ 10 A autoridade fard minucioso relatdrio do que tiver sido apurado e enviara autos
20 juiz competente,
§ 20 No relatério poderé a autoridade indicar testemunhas que néo tiverem sido
inquiridas, mencionando o lugar onde possam ser encontradas.
§ 30 Quando o fato for de dificil elucidacéo, e 0 indiciado estiver solto, a autoridade
poderd requerer ao juiz a devolucao dos autos, para ulteriores diligéncias, que seréo
realizadas no prazo marcado pelo juiz.
Art. 11. Os instrumentos do cri
acompanhardo os autos do inqu
z, bem como os objetos que interessarem a prova,
ito.
Art. 12. O inquérito policial acompanharé a dentincia ou queixa, sempre que servir de
base a uma ou outra.
Art. 13. Incumbiré ainda & autoridade policie
I - fornecer as autoridades judiciérias as informagées necessérias 4 instrucéo e
julgamento dos processos;
IT- realizar as diligéncias requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Publico;
III - cumprir os mandados de prisio expedidos pelas autoridades judiciérias;
IV - representar acerca da prisdo preventiva.
Art. 13-A. Nos crimes previstos nos arts. 148, 149 e 149-A, no § 3° do art. 158 eno
art. 159 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Cédigo Penal), e no art.
239 da Lei no 8,069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Crianca e do Adolescente),
© membro do Ministério Publico ou 0 delegado de policia poderd requisitar, de
quaisquer érgaos do poder publico ou de empresas da iniciativa privada, dados e
informacées cadastrais da vitima ou de suspeitos. (Incluido pela Lei n° 13.344,
de 2016) (Vigéncia)
Parégrafo Unico. A requisicio, que ser atendida no prazo de 24 (vinte e quatro) horas,
contera: (Incluido pela Lei n° 13,344, de 2016) (Vigéncia)
1-0 nome da autoridade requisitante; (Incluido pela Lei n® 13.344, de 2016)
(Vigéncia)
II - 9 ntimero do inquérito policial; e (Incluido pela Lei n° 13.344, de 2016)
(Vigéncia)
III - a identificacdo da unidade de policia judiciéria responsével pela investigacdo.
(Incluido pela Lei n° 13.344, de 2016) (Vigéncia)
Art. 13-B. Se necessario 4 prevencdo e 3 repressdo dos crimes relacionados ao trafico
de pessoas, 0 membro do Ministério Publico ou 0 delegado de policia poderéo
requisitar, mediante autorizacao judicial, 4s empresas prestadoras de servico de
telecomunicacées e/ou telematica que disponibilizem imediatamente os meios
técnicos adequados ~ como sinais, informaces e outros - que permitam a localizacéo
da vitima ou dos suspeitos do delito em curso. (incluido pela Lei n® 13.344,
de 2016) (Vigéncia)
§ 10 Para os efeitos deste artigo, sinal significa posicionamento da estagéo de
cobertura, setorizacdo e intensidade de radiofrequéncia. (Incluido pela Lei n°
13.344, de 2016) (Vigéncia)
§ 20 Na hipdtese de que trata o caput, o sinal: (Incluido pela Lei n° 13.344,
de 2016) (Vigéncia)
I - néo permitiré acesso ao contetido da comunicacao de qualquer natureza, que
dependeré de autorizacao judicial, conforme disposto em lel; (Incluido pela
Lei n® 13.344, de 2016) (Vigéncia)
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 33de 11IT - devera ser fornecido pela prestadora de telefonia movel celular por periodo nao
superior 2 30 (trinta) dias, renovavel por uma Unica vez, por igual periodo;
(Incluido pela Lei n° 13.344, de 2016) (Vigéncia)
III - para periodos superiores aquele de que trata o inciso II, seré necessaria a
apresentacao de ordem judicial. (Incluido pela Lei n° 13.344, de 2016)
(Vigéncia)
§ 30 Na hipétese prevista neste artigo, o inquérito policial deverd ser instaurado no
prazo maximo de 72 (setenta e duas) horas, contado do registro da respectiva
ecorréncia policial. (Incluido pela Lei n° 13.344, de 2016) (Vigéncia)
§ 40 Nao havendo manifestacae judicial no prazo de 12 (doze) horas, a autoridade
competente requisitara as empresas prestadoras de servico de telecomunicacées e/ou
telematica que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados ~ como
sinais, informagdes e outros - que permitam a localizacao da vitima ou dos suspeitos
do delito em curso, com imediata comunicagao ao juiz. (Incluido pela Lei n°
13.344, de 2016) (Vigéncia)
Art. 14. 0 ofendido, ou seu representante legal, e 0 indiciado poderéo requerer
qualquer diligéncia, que serd realizada, ou nio, a julzo da autoridade.
Art. 15. Se o indiciado for menor, ser-Ihe-4 nomeado curador pela autoridade policial.
Art. 16. O Ministério Publico néo poderé requerer a devolucéo do inquérito 4
autoridade policial, sen3o para novas diligéncias, imprescindiveis ao oferecimento da
deniincia.
Art. 17. A autoridade policial néo poderd mandar arquivar autos de inquérito.
Art. 18. Depois de ordenado 0 arquivamento do inquérito pela autoridade judiciéria,
por falta de base para a dentincia, a autoridade policial poderd proceder a novas
pesquisas, se de outras provas tiver noticia.
Art. 19. Nos crimes em que no couber aco publica, os autos do inquérito serso
remetidos a0 juizo competente, onde aguardaréo a iniciativa do ofendido ou de seu
representante legal, ou serao entregues ao requerente, se o pedir, mediante trasiado.
Art. 20. A autoridade asseguraré no inquérito o sigilo necessario 4 elucidacao do fato
ou exigido pelo interesse da sociedade.
Paragrafo Unico. Nos atestados de antecedentes que Ihe forem solicitados, a
autoridade policial ndo poderé mencionar quaisquer anotacdes referentes 2
instauracao de inquérito contra os requerentes. (Redacao dada pela Lei n° 12.681, de
2012)
Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado dependeré sempre de despacho nos autos
@ somente serd permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniéncia da
investigacao o exigir.
Paragrafo Unico. A incomunicabilidade, que nao excederd de trés dias, seré decretada
por despacho fundamentado do Juiz, a requerimento da autoridade policial, ou do
6rgao do Ministério Publico, respeitado, em qualquer hipétese, 0 disposto no artigo
89, inciso III, do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (Lei n. 4.215, de 27 de
abril de 1963) (Redacao dada pela Lei n° 5.010, de 30.5.1966)
Art, 22. No Distrito Federal e nas comarcas em que houver mais de uma circunscricéo
policial, a autoridade com exercicio em uma delas poder, nos inquéritos a que esteja
procedendo, ordenar diligéncias em circunscricgo de outra, independentemente de
Precatérias ou requisigoes, e bem assim providenciara, até que compareca a
autoridade competente, sobre qualquer fato que ocorra em sua presenca, noutra
circunscricao.
Art. 23. Ao fazer a remessa dos autos do inquérito ao juiz competente, a autoridade
policial oficiaré ao Instituto de Identificagso e Estatistica, ou reparticéo congénere,
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 34de 11‘mencionando 0 juizo a que tiverem sido distribuidos, e os dados relativos a infracao
penal e & pessoa do indiciado.
LEI N° 12.037/09 - LEI DE IDENTIFICAGAO CRIMINAL
% Art, 3° da Lei 12.037/09 - Regulamentacéo do art. 5°, VIII da CRFB/88,
acerca das hipéteses de admissibilidade da identificag&o criminal:
Art. 3° Embora apresentado documento de identificacdo, poderd ocorrer identificacso
criminal quando:
I~ 0 documento apresentar rasura ou tiver indicio de falsificacao;
II ~ 0 documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado;
Il ~ 0 indiciado portar documentos de identidade distintos, com informacées
conflitantes entre si;
IV ~ a identificacao criminal for essencial as investigacées policiais, segundo despacho
da autoridade judiciéria competente, que decidird de oficio ou mediante representacdo
da autoridade policial, do Ministério Publico ou da defesa;
V ~ constar de registros policiais 0 uso de outros nomes ou diferentes qualificagdes;
VI ~ 0 estado de conservagao ou a disténcia temporal ou da localidade da expedicso
do documento apresentado impossibilite a completa identificagio dos caracteres
essenciais.
Paragrafo Unico. As cépias dos documentos apresentados deverao ser juntadas aos
autos do inguérite, ou outra forma de investigacao, ainda que consideradas
insuficientes para identificar 0 indiciado.
% Art. 5° e 5°-A da Lei 12.037/09 - Permitem a coleta de MATERIAL
GENETICO como forma de identificago cri
jal. Vejamos:
Art. 59 (...)
Paragrafo Unico. Na hipétese do inciso IV do art. 30, a identificagao criminal poder
incluir a coleta de material biolégico para a obtengao do perfil genético.
(Incluido pela Lei n° 12.654, de 2012)
Art. 50-A. Os dados relacionados coleta do perfil genético devergo ser armazenados
em banco de dados de perfis genéticos, gerenciado por unidade oficial de pericia
criminal. (Incluido pela Lei n° 12.654, de 2012)
§ 10 As informacées genéticas contidas nos bancos de dados de perfis genéticos no
podergo revelar tracos sométicos ou comportamentais das pessoas, exceto
determinacéo genética de género, consoante as mormas constitucionais e
internacionais sobre direitos humanos, genoma humano e dados genéticos. (Incluido
pela Lei n° 12.654, de 2012)
§ 20 Os dados constantes dos bancos de dados de perfis genéticos teréo caréter
sigiloso, respondendo civil, penal e administrativamente aquele que permitir ou
promover sua utilizagdo para fins diversos dos previstos nesta Lei ou em decisso
Judicial. (Incluido pela Lei n° 12.654, de 2012)
§ 30 As informacées obtidas a partir da coincidéncia de perfis genéticos devergo ser
consignadas em laudo pericial firmado por perito oficial devidamente habilitado.
(Incluido pela Lei n° 12.654, de 2012)
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 35 de 11ESTATUTO DA OAB
% Art. 7°, XIV do Estatuto da OAB - Trata-se de positivagao do entendimento
consolidado do STF por meio da Sumula Vinculante 14. O referido inciso tem
redacéo dada pela Lei 13.245/16:
Art. 7° So direitos do advogado:
(..) XIV = examinar, em qualquer instituicgo responsdvel por conduzir investigacao,
mesmo sem procuracao, autos de flagrante e de investigagées de qualquer natureza,
findes ou em andamento, ainda que conclusos 4 autoridade, podendo copiar pecas e
tomar apontamentos, em meio fisico ou digital; (Redacao dada pela Lei n® 13.245, de
2016)
& Art. 7°, XXI do Estatuto da OAB - Trata do direito conferide aos advogados
de acompanharem seus clientes quando do interrogatério em sede policial. Ainda
ndo € possivel afirmar que a presenga do advogado no interrogatério policial sera
indispensavel em qualquer caso (mesmo que o indiciado dispense), mas parece
ser essa a intengdo da norma:
Art. 7° (...) XXI - assistir a seus clientes investigados durante a apuracao de infracées,
sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatério ou depoimento e,
subsequentemente, de todos os elementos investigatorios e probatérios dele
decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da
respectiva apuragao; (Incluido pela Lei n° 13.245, de 2016)
Re Se
5.1 Sumulas vinculantes
% SGmula Vinculante 11: Restringe a utilizacio de algemas a casos
excepcionais, notadamente quando risco de fugo ou perigo a integridade fisica do
preso ou de terceiros, devendo a utilizago se dar de maneira fundamentada:
Sumula vinculante 11 -"Sé é licito 0 uso de algemas em casos de resisténcia e de
fundado receio de fuga ou de perigo a integridade fisica prépria ou alheia, por parte
do preso ou de terceiros, justificada @ excepcionalidade por escrito, sob pena de
responsabilidade di € penal do agente ou da autoridade e de nulidade da
prisdo ou do ato processual a que se refere, sem prejuizo da responsabilidade civil do
Estado.”
% Stmula Vinculante 14: Garante ao defensor do indiciado, na defesa dos
interesses deste, 0 acesso aos elementos de prova jé documentos nos autos do
IP, e que digam respeito ao direito de defesa:
Sumula Vinculante 14 - “E direito do defensor, no interesse do representado, ter
acesso amplo aos elementos de prova que, ja documentados em procedimento
investigatério realizado por érgdo com competéncia de policia judiciaria, digam
respeito ao exercicio do direito de defesa.”
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 36 de 115.2 Sumulas do STF
% Stimula 524 do STF: Estabelece a impossibilidade de ajuizamento da agao
penal quando houve arquivamento por falta de provas, salvo se surgirem novas
provas, em consonancia com o art. 18 do CPP.
Stimula 524 do STF - “Arquivado o inquérito policiel, por despacho do juiz, 2
requerimento do Promotor de Justica, nao pode a agao penal ser iniciada, sem novas
provas.”
5.3 Samulas do STJ
%Sdmula n° 444 do STJ - Em homenagem ao principio da presuncéio de
inocéncia (ou presung&o de no culpabilidade), o ST] sumulou entendimento no
sentido de que inquéritos policiais e agées penais em curso nao podem ser
utilizados para agravar a pena base (circunstancias judiciais desfavoraveis), jé
que ainda nao ha transito em julgado de sentenga penal condenatéria. Este
entendimento fica prejudicado pelo novo entendimento adotado pelo STF no
julgamento do HC 126.292 (no qual se entendeu que a presungdo de inocéncia
fica afastada a partir de condenacdo em segunda instancia).
Stmula n° 444 do STJ - E VEDADA A UTILIZACAO DE INQUERITOS POLICIAIS E
AGOES PENAIS EM CURSO PARA AGRAVAR A PENA-BASE.
BTS oe Mae) ewe
‘$STJ - HC 304.274/RJ - O STI firmou entendimento no sentido de que,
estando 0 indiciado solto, é possivel a prorrogac&o do prazo para concluséo
do IP, por se tratar de prazo impréprio:
1. Esta Corte Superior de Justica firmou o entendimento de que, salvo quando
© investigado se encontrar preso cautelarmente, a inobservancia dos lapsos
temporais_estabelecidos para a concluséo de inquéritos policiais ou
investigacdes deflagradas no ambito do Ministério PUblico nao possui
repercussao pratica, j4 que se cuidam de prazos impréprios. Precedentes do
STJ edo STF.
2. Na hipétese, o atraso na conclusdo das investigagées foi justificado em razdo da
complexidade dos fatos e da quantidade de envolvidos, o que revela a possibilidade
de prorrogacao do prazo previsto no artigo 12 da Resolucdo 13/2006 do Conselho
Nacional do Ministério Publico - CNMP.
3. Habeas corpus no conhecido.
(HC 304.274/RJ, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em
04/11/2014, DJe 12/11/2014)
STF - HC 104356/RJ — O STF firmou entendimento no sentido de que é
incabivel a figura do arquivamento implicito:
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 37 de 14(...) Alegacao de ocorréncia de arquivamento implicito do inquérito policial, pois 0
Ministério Publico estadual, apesar de jé possuir elementos suficientes para a
acusagao, deixou de incluir 0 paciente na primeira dentincia, oferecida contra outros
sete policiais civis. IT - Independentemente de a identificacgo do paciente ter ocorrido
antes ou depois da primeira dentincia, o fato é que nao existe, em nosso
ordenamento juridico processual, qualquer dispositive legal que preveja a
figura do arquivamento implicito, devendo ser o pedido formulado
expressamente, a teor do disposto no art. 28 do Cédigo Processual Penal. III
= Incid&ncia do postulado da indisponibilidade da acao penal publica que decorre do
elevado valor dos bens juridicos que ela tutela. IV — Nao aplicacao do principio da
indivisibilidade 4 aco penal publica. Precedentes, V - Habeas corpus denegado.
(HC 104356, Relator(a): Min, RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em
19/10/2010, DJe-233 DIVULG 01-12-2010 PUBLIC 02-12-2010 EMENT VOL-02443-01
PP-00201 RT v. 100, n. 906, 2011, p. 480-488)
‘SSTF - INQ 3114/PR - O STF firmou entendimento no sentido de que o
arquivamento do IP em razio do reconhecimento da atipicidade da conduta faz
coisa julgada material:
EMENTA Penal. Inquérito. Parlamentar. Deputado federal. Pedido de arquivamento
fundado na atipicidade do fato. Necessidade de decisao jurisdicional a respeito:
Precedentes. Inquérito no qual se apura a eventual pratica do crime previsto no art.
349 do Cédigo Eleitoral. Atipicidade do fato. Arquivamento determinado. 1. Firmou-
se a jurisprudéncia deste Supremo Tribunal no sentido de que, quando
fundado - como na espécie vertente - na atipicidade do fato, o pedido de
arquivamento do inquérito exige "decisao jurisdicional a respeito, dada a
eficdcia de coisa julgada material que, nessa hipétese, cobre a deciséo de
arquivamento” (v.g., Inquéritos n° 2,004-Q0, DJ de 28/10/04, n® 1.538-Q0, DJ
de 14/9/01, Rel. Min. SepUlveda Pertence; n° 2.591, Rel. Min. Menezes Direito, DJ de
13/6/08; n° 2.341-Q0, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJ de 17/8/07). 2. Comprovada a
no ocorréncia de qualquer falsidade, n&o se configura o crime previsto no art. 349
do Cédigo Eleitoral. 3. Arquivamento do inquérito, por atipicidade da conduta,
ordenado,
(Ing 3114, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 26/05/2011,
DJe-163 DIVULG 24-08-2011 PUBLIC 25-08-2011 EMENT VOL-02573-01 PP-00013)
%STJ - RHC 46.666/MS — 0 STJ, no julgamento do referido RHC, decidiu que
© arquivamento do IP em razdo do reconhecimento de excludente de
itude ou excludente de culpabilidade também gera a impossibilidade de
reabertura das investigagdes, ou seja, faz “coisa julgada material”:
(...) A par da atipicidade da conduta e da pr 1a de causa extintiva da
punibilidade, o arquivamento de inquérito poli jastreado em circunstancia
excludente de ilicitude também produz coisa julgada material.
2. Levando-se em consideracéio que o arquivamento com base na atipicidade do fato
faz coisa julgada formal e material, a deciséo que arquiva o inquérito por
considerar a conduta licita também 0 faz, isso porque nas duas situagées nao
existe crime e ha manifestac3o a respeito da matéria de mérito.
3. A mera qualificagio diversa do crime, que permanece essencialmente o mesmo,
no constitui fato ensejador da dentincia apés o primeiro arquivamento.
4, Recurso provido para determinar o trancamento da aco penal.
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 38 de 11Aula 01 - Prof.
(RHC 46.666/MS, Rel. Ministro SEBASTIAO REIS JUNIOR, SEXTA TURMA, Julgado em
05/02/2015, DJe 28/04/2015)
‘%SSTJ - RESP 998.249/RS — O STJ, seguindo o entendimento do STF, decidiu
que o MP tem legitimidade para investigar:
¢ ..) 5. Além disso, cumpre colocar que a legitimidade do Ministério Public
‘a a colheita de elementos probatori is a formacao de sua o}
Gelicti decorre de expressa previ oportunamente
regulamentada pela Lei Complementar n.° 75/1993 (art. 129, incisos VI e VIII,
da Constituicao da Republica, e art. 8.°, incisos V e VII, da LC n.° 75/1993).
Precedentes.
investigatorias. Inteligéncia da Lei conplemestae 1.0 75/93 e do art. 4.°, paragrafo
Unico, do Cédigo de Processo Penal. Precedentes.
()
9. Recurso parcialmente conhecido e, nessa extensdo, desprovido.
Prejudicada a arguicao de nulidade, por se tratar de reiteracdo de pedido.
(REsp 998.249/RS, Rel. MIN. LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 22/05/2012,
DJe 30/05/2012)
7 RESUMO
INQUERITO POLICIAL
Conceito - Conjunto de diligéncias realizadas pela Policia Judiciaria, cuja
finalidade é angariar elementos de prova (prova da materialidade e indicios de
autoria), para que o legitimado (ofendido ou MP) possa ajuizar a acao penal.
Natureza - Procedimento administrativo pré-processual. NAO é processo
judicial.
Caracteristicas
+ Administrativo - O Inquérito Policial, por ser instaurado e conduzido
por uma autoridade policial, possui nitido carater administrativo.
+ Inquisitivo (inquisitorialidade) - A inquisitorialidade do Inquérito
decorre de sua natureza pré-processual. No Processo temos autor (MP ou
vitima), acusado e Juiz. No Inquérito nao ha acusacio, logo, néo ha
nem autor, nem acusado. No ue ito Po a ser inquisitivo,
* Oficioso (Oficiosidade) - Possibilidade (poder-dever) de
instaurag30 de oficio quando se tratar de crime de ac&o penal ptiblica
incondicionada.
+ Escrito (formalidade) - Todos os atos produzidos no bojo do IP.
deverdo ser escritos, e reduzidos a termo aqueles que forem orais.
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 39de 11+ Indisponibilidade — A autoridade policial néo pode dispor do IP, ou
seja, ndo pode mandar arquiva-lo.
+ Dispensabilidade - Nao é indispensdvel a propositura da acéo
penal.
+ Discricionariedade na conducdo - A autoridade policial pode
conduzir a investigagéo da maneira que entender mais frutifera, sem
necessidade de seguir um padrao pré-estabelecido.
INSTAURAGAO DO IP
FORMAS DE INSTAURAGAO DO INQUERITO POLICIAL
FORMA CABIMENTO OBSERVAGOES
DE OFicIO + Ac&o penal publica OBSH
incondicionada Requisiga0 do
+ Agao. penal publica MP ou do Juiz
condicionada (depende de deve ser
representacdo ou requisigéo do cumprida _ pela
M3) autoridade
+ Ac&o penal privada (depende policial.
de manifestag3o da vitima)
REQUISICAO DO + Acdo penal publica Requerimento
MP OU DO JUIZ incondicionada do ofendido nao
+ Acéio penal ui obriga a
condicionada (requisiggo @utoridade
deve estar instruida com a Policial.
representacdo ou requisicao do Sela
MJ) indeferimento o
+ Ac&o penal privada (requisicfo "equerimento,
deve estar instruida com a cabe recurso
Caso
manifestagéo da vitima nesse 2° chefe de
sentido)
REQUERIMENTO + Acido penal ptiblica
DO OFENDIDO incondicionada
+ Acéo penal publica
condicionada
+ Acdo penal privada
AUTO DE PRISAO + Acéo penal ptiblica
EM FLAGRANTE incondicionada
+ Acao penal ptiblica
condicionada (depende de
representagaio ou requisigéo do
M)
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 40 deatAula 01 - Prof.
+ Aco penal privada (depende
de manifestac&o da vitima)
OBS# Dendncia anénima (delatio criminis inqualificada) - Delegado,
quando tomar ciéncia de fato definido como crime, através de dentincia anénima,
nao devera instaurar o IP de imediato, mas determinar que seja verificada a
procedéncia da dentincia e, caso realmente se tenha noticia do crime, instaurar
olP.
TRAMITACAO DO IP
Diligéncias
Logo apés tomar conhecimento da pratica de infracao penal, a autoridade deve:
* Dirigir-se ao local, providenciando para que no se alterem o estado e
conservaciio das coisas, até a chegada dos peritos criminais.
* Apreender os objetos que tiverem relacéo com o fato, apés liberados pelos
peritos criminais
* Colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas
circunstancias
Ouvir 0 ofendido
Ouvir 0 indiciado (interrogatério em sede policial)
Proceder a reconhecimento de pessoas e coisas ¢ a acareacées
Determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a
quaisquer outras pericias - O exame de corpo de delito é indispensavel
nos crimes que deixam vestigios.
* Ordenar a identificagéo do indiciado pelo processo datiloscépico, se
possivel, fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes
* Averiguar a vida pregressa do indiciado, sob 0 ponto de vista individual,
familiar e social, sua condig&o econémica, sua atitude e estado de animo
antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que
contribuirem para a apreciagéio do seu temperamento e cardter.
= colher informagées sobre a existéncia de filhos, respectivas idades e se
possuem alguma deficiéncia e o nome e o contato de eventual responsavel
pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa.
« Possibilidade de se proceder 4 reproducéo simulada dos fatos
(reconstituig&io) - Desde que esta ndo contrarie a moralidade ou a
ordem publica.
(BSH 0 procedimento de identificagdo criminal sé é admitido para aquele que
nao for civilmente identificado. Excegdo: mesmo o civilmente identificado
podera ser submetido 4 identificagao criminal, nos seguintes casos:
+ Se o documento apresentado contiver rasuras ou indicios de
falsificag3o.
* © documento nao puder comprovar cabalmente a identidade da
pessoa.
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 4i deatAula 01 - Prof.
+ Apessoa portar documentos de identidade distintos, com informagoes
conflitantes;
+ A identificac&o criminal for indispensavel as investigacées policiais
(Necessdrio despacho do Juiz determinando isso).
+ Constar nos registros policiais que a pessoa ja se apresentou com
outros nomes.
+ Oestado de conservacio, a data de expedic&io do documento ou 0 local
de sua expedic&o impossibilitem a perfeita identificacéio da pessoa.
OBSH E permitida a colheita de material biolégico para determinagéo do perfil
genético, exclusivamente quando isso for indispensavel as investigacdes -
depende’ de eutorizacéo judicial. Deve ser armezenade em bendo de dados
sigiloso.
Requerimento de diligéncias pelo ofendido e pelo indiciado - Ambos
podem requerer a realizacdo de diligéncias, mas ficard a critério da Autoridade
Policial deferi-las ou nao.
FORMA DE TRAMITACAO DO IP
Sigiloso - A autoridade policial deve assegurar o sigilo necessdrio a elucidagao
do fato ou 0 exigido pelo interesse da sociedade. Prevalece o entendimento de
que o IP é sempre sigiloso em relac&o as pessoas do povo em geral, por se tratar
de mero procedimento investigatério.
Acesso do advogado aos autos do IP
O advogado do indiciado deve ter franqueado 0 acesso amplo aos elementos de
prova jé documentados nos autos do IP, e que digam respeito ao exercicio do
direito de defesa. Nao se aplica as diligéncias em curso (Ex.: interceptacdo
telefénica ainda em curso) - SUMULA VINCULANTE n° 14.
OBS: A Lei 13.24/16 alterou o Estatuto da OAB para estender tal previsdo a
qualquer procedimento investigatério criminal (inclusive aqueles instaurados
internamente no 4mbito do MP).
Interrogatério em sede policial
Necessidade de presenca do advogado? Posic&o cldssica da Doutrina e da
Jurisprudéncia: NAO.
Alteragao legislativa (Lei 13.245/16) - passou-se a exigir a presenga do
advogado no interrogatério policial? Ainda no ha posigdo do STF ou STJ.
Duas correntes:
* Alguns vao entender que o advogado, agora, é indispensavel durante o
IP.
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 42 deat= Outros vao entender que a Lei nao criou essa obrigatoriedade. O que a
Lei criou foi, na verdade, um DEVER para 0 advogado que tenha sido
devidamente constituido pelo indiciado (dever de assisti-lo, sob
pena de nulidade). Caso o indiciado deseje nao constituir advogado, no
haveria obrigatoriedade.
CONCLUSAO DO IP
Prazo
PRAZO PARA A CONCLUSAO DO IP
NATUREZA PRAZO OBSERVAGOES
DA
INFRAGAO
REGRA * Indiciado preso: 10 dias GBSi: Em se tratando de
GERAL + Indiciado solto: 30 dias indiciado solto, o prazo é
_ ove aise Processual, Em ‘se tratando de
CRIMES + Indiciado preso: 15 dias indiciado preso o prazo é
FEDERAIS (prorrogavel por mais ‘terial (conta-se_o" dia do
15 dias) _< comeso).
+ Indiciado solto: 30 dias -
ici 5 QBS No caso de indiciado
LEIDE —+_Indiciado preso: 30 dias preso, 0 prazo se inicia da data
DROGAS * Indiciado solto: 90 dias da priséo. Em se tratando de
Ambos podem ser indiciado solto, o prazo se inicia
duplicados. com a Portaria de instauragao.
CRIMES — = _Indiciado preso ou solto:
CONTRA A 10 dias
ECONOMIA
POPULAR
OBS.: Em caso de indiciado solto o STJ entende tratar-se de prazo impréprio
(descumprimento do prazo n&o gera repercusséo prética).
Indiciamento - Ato fundamentado por meio do qual a autoridade policial
“direciona” a investigag3o, ou seja, a autoridade policial centraliza as
investigagées em apenas um ou alguns dos suspeitos. Ato privativo da autoridade
policial, mas depende de autorizagéo do Tribunal se o indiciado for pessoa
detentora de foro por prerrogativa de fungdo (STF - Inq. 2.411).
Destinatdrio do IP - Prevalece que:
+ Destinatario imediato - titular da acdo penal
+ Destinatario mediato - Juiz
ARQUIVAMENTO DO IP
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 43 deatAula 01 - Prof.
Regra - MP requer o arquivamento, mas quem determina € o Juiz. Se o Juiz
discordar, remete ao Chefe do MP (em regra, 0 PGJ). O Chefe do MP decide se
concorda com o membro do MP ou com o Juiz. Se concordar com o membro do
MP, o Juiz deve arquivar. Se concordar com o Juiz, ele proprio ajuiza a ag&o penal
ou designa outro membro para ajuizar.
Acdo penal privada - Os autos do IP serao remetidos ao Juizo competente,
onde aguardardo a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal (ou serao
entregues ao requerente, caso assim requeira, mediante traslado).
Arquivamento implicito - Criacdo doutrindria. Duas hipéteses:
= Quando o membro do MP deixar requerer o arquivamento em relacio a
alguns fatos investigados, silenciando quanto a outros.
« Requerer o arquivamento em relac&o a alguns investigados, silenciando
quanto a outros.
Arquivamento indireto - Quando o membro do MP deixa de oferecer a denuincia
por entender que o Juizo (que esta atuando durante a fase investigatéria) é
incompetente para processar e julgar a ac&o penal. Nao é unanime.
Trancamento do IP - Consiste na cessac3o da atividade investigatoria por
decisao judicial quando hé ABUSO na instauracao do IP ou na conduco das
investigagées, geralmente quando nao hé elementos minimos de prova.
Decisdo de arquivamento de IP faz coisa julgada? Em regra, nao, podendo
ser reaberta a investigac&o se de outras provas (provas novas) a autoridade
policial tiver noticia. Excegées:
* Arquivamento por atipicidade do fato
= Arquivamento em razdo do reconhecimento de manifesta causa de
exclusao da ilicitude ou da culpabilidade - Aceito pela Doutrina e
jurisprudéncia MAJORITARIAS.
* Arquivamento por extingéo da punibilidade
Se 0 reconhecimento da exting&o da punibilidade se deu pela morte
do agente, mediante apresentacao de certidao de dbito falsa (0 agente nao
estava morto) é possivel reabrir as investigacgdes.
ATENCA
policial.
! A autoridade policial NAO PODE mandar arquivar autos de inquérito
PODER DE INVESTIGACAO DO MP.
Entendimento pacifico no sentido de que o MP pode investigar, mediante
procedimentos préprios, mas ndo pode presidir nem instaurar inquérito policial.
Bons estudos!
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raticar!
01. (VUNESP - 2015 - PC-CE - DELEGADO DE POLICIA)
© inquérito policial, nos crimes em que a ac&o publica depender de
representacdo,. i Nos crimes de acdo Privada, a autoridade policial
somente podera proceder a inquérito
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas.
a) depende de queixa crime para sua instauraciio ... apés colher 0 consentimento
da vitima ou de terceiro patrimonialmente interessado na investigac3o do fato
b) pode ser instaurado independentemente dela, mas sé pode embasar acSo
penal apés manifestacao positiva da vitima ... apos oferecimento de queixa crime
¢) 86 pode ser iniciado se ndo houver transcorrido o prazo decadencial de seis
meses .. quando acompanharem a representacéo do ofendido o nome e
qualificag&io de ao menos trés testemunhas
d) no poderé sem ela ser iniciado .. a requerimento de quem tenha qualidade
para intenté-la
) depende de queixa crime para sua instauragio ... apds oferecimento de queixa
crime
02. (VUNESP - 2015 - PC-CE - INSPETOR DE POL{CIA)
A respeito do inquérito policial, procedimento disciplinado pelo Cédigo de
Processo Penal, é correto afirmar que
a) os instrumentos do crime néo acompanharéo os autos do inquérito.
b) 0 inquérito no acompanhara a dentincia ou queixa, ainda que sirva de base a
uma ou outra.
c) ao término do inquérito, a autoridade policial faré minucioso relatério do que
tiver sido apurado e enviara os autos ao membro do ministério publico, nos
termos do § 10 do artigo 10.
d) nos crimes de aco privada, a autoridade policial poderé proceder a inquérito,
independentemente de requerimento de quem tenha qualidade para intenté-la
€) 0 inquérito, nos crimes em que a aco publica depender de representac&o, nao
poderé sem ela ser iniciado.
03, (VUNESP - 2015 - PC-CE - INSPETOR DE POL{cIA)
Sobre os prazos para a conclusdo do inquérito policial, é correto afirmar que
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a) se for decretada priséo temporaria em crime hediondo, 0 indiciado pode
permanecer preso por até noventa dias, sem que seja necesséria a concluso do
inquérito.
b) nos crimes de competéncia da Justica Federal, 0 prazo é de quinze dias,
prorrogaveis por mais quinze, em regra.
c) para os crimes de trafico de drogas o prazo € de dez dias improrrogaveis.
d) se 0 indiciado estava solto ao ser decretada sua prisdo preventiva, o prazo de
dez dias conta-se da data da decretacdo da prisdo.
e) a autoridade policial possui o prazo de trinta dias improrrogaveis para todos
os casos previstos na legislagao processual penal.
04. (VUNESP - 2015 - PC-CE - ESCRIVAO DE POLiCIA)
Com relac&o as previsdes relativas ao Inquérito Policial no Cédigo de Proceso
Penal, é correto afirmar que
a) © inquérito, nos crimes em que a ac&o publica depender de representacéo,
poderd, sem ela, ser iniciado, mas seu encerramento dependera da juntada
desta.
b) durante a instruciio do Inquérito Policial, so vedados os requerimentos de
diligéncias pelo ofendido, ou seu representante legal; e pelo indiciado, em virtude
da sua natureza inquisitorial.
¢) nos crimes em que nao couber aco piblica, os autos do inquérito
permanecerdo em poder da autoridade policial até a formalizacio da iniciativa do
ofendido ou de seu representante legal, condic&o esta obrigatéria para a remessa
dos autos ao juizo competente.
d) todas as pecas do inquérito policial seréo, num sé processado, reduzidas a
escrito ou datilografadas e, nesse caso, rubricadas pela autoridade.
e) qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existéncia de infracéo
penal em que caiba aco publica poder, por escrito, comunicé-la a autoridade
policial, sendo vedada a comunicac&o verbal.
05. (VUNESP - 2015 - PC-CE - ESCRIVAO DE POLICIA)
Assinale a alternativa correta no que tange ao arquivamento do Inquérito Policial,
segundo 0 disposto no Codigo de Processo Penal.
a) Depois de ordenado 0 arquivamento do inquérito pela autoridade judicidria,
por falta de base para a dentincia, a autoridade policial somente podera proceder
@ novas pesquisas com autorizacdo da autoridade judiciaria que determinou o
arquivamento.
b) A autoridade policial poderé mandar arquivar autos de inquérito.
c) Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judicidria,
por falta de base para a dentincia, a autoridade policial néo podera proceder a
novas pesquisas se de outras provas tiver noticia.
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d) Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciaria,
por falta de base para a dentincia, a autoridade policial podera proceder a novas
pesquisas se de outras provas tiver noticia.
e) A autoridade policial poderd mandar arquivar autos de inquérito somente nos
casos em que for constatada atipicidade da conduta.
06. (VUNESP - 2014 - PREFEITURA DE SAO JOSE DO RIO PRETO -—
PROCURADOR MUNICIPAL)
Do despacho que indeferir 0 requerimento de abertura de
inquérito ; 0 inquérito, nos crimes em que a aco publica depender
de representacao,
Preenchem as lacunas, completa, correta e respectivamente, as seguintes
expressées:
a) cabera recurso para 0 Juiz Corregedor ... néo poderé sem ela ser iniciado
b) cabera recurso para o Juiz Corregedor ... s6 pode ser instaurado mediante
requisic&o ministerial
c) caberd recurso para o chefe de Policia ... no poderd sem ela ser iniciado
d) caberd recurso para o chefe de Policia ... s6 podera ser instaurado mediante
apresentag&o de prova do fato
e) n&o caberd recurso ... sé podera ser instaurado mediante apresentacéo de
prova do fato
07. (VUNESP - 2014 - TJ-PA - ANALISTA JUDICIARIO)
Nos termos do quanto determina o § 4 do art. 5.9 do CPP, o inquérito que apura
crime de ago publica condicionada
a) depende, para instauracéo, da respectiva representacéo.
b) deve ser instaurado de oficio pela autoridade policial.
c) deve ser instaurado apés minucioso relatério da auto- ridade.
d) depende, para instaurac&o, da indicag&o de testemunhas idéneas do fato a ser
apurado.
e) deve ser instaurado no prazo de 6 (seis) meses contados da data do fato.
08. (VUNESP - 2014 - PC-SP - DELEGADO DE POL{cIA)
Nos termos do paragrafo terceiro do art. 5.0 do CPP: “Qualquer pessoa do povo
que tiver conhecimento da existéncia de infracéio penal em que caiba ac&o publica
poderd, verbalmente ou por escrito, comunicd-la a autoridade policial, e esta,
verificada @ procedéncia das informagées, mandara instaurar inquérito policial”.
Assim, é correto afirmar que
a) sempre que tomar conhecimento da ocorréncia de um crime, a autoridade
policial devera, por portaria, instaurar inquérito policial.
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 47 de itb) por delatio criminis entende-se a autorizacéio formal da vitima para que seja
instaurado inquérito policial.
c) © inquérito policial sera instaurado pela autoridade policial apenas nas
hipdteses de acéo penal publica.
d) a noticia de um crime, ainda que anénima, pode, por si sé, suscitar a
instaurago de inquérito policial.
e) é inadmissivel 0 anonimato como causa suficiente para a instauracéo de
inquérito policial na modalidade da delatio criminis, entretanto, a autoridade
policial poder investigar os fatos de oficio.
09. (VUNESP - 2014 - PC-SP - INVESTIGADOR DE POL{CIA)
O inquérito policial
a) somente seré instaurado por determinagio do juiz competente.
b) pode ser arquivado por determinagdo da Autoridade Policial.
c) estando 0 indiciado solto, deveré ser concluido no maximo em 10 dias.
d) nos crimes de aco publica poderd ser iniciado de of
e) nao podera ser iniciado por requisicio do Ministério Publico.
10. (VUNESP — 2014 - SAAE-SP -PROCURADOR JURIDICO)
A autoridade policial mandar arquivar autos de inquérito.
Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciaria, por
falta de base para a dentincia, a autoridade policial proceder a novas
pesquisas, de outras provas tiver noticia.
Completam, adequada e respectivamente, as lacunas as expressées:
a) poderd ... poderd .. se
b) nao poderé ... podera ... se
c) n&o poders ... no poderé ... a menos que
d) excepcionalmente poderé ... podera ... desde que
e) deve, quando no constatar crime, ... ndo poderé ... a menos que
11. (VUNESP - 2013 - TJ-SP - JUIZ)
Da decis&o judicial que determina o arquivamento de autos de inquérito policial,
a pedido do Ministério Publico,
a) cabe carta testemunhdvel.
b) cabe recurso de apelacdo.
c) cabe recurso em sentido estrito.
d) nao cabe recurso.
12. (VUNESP - 2013 - MPE-ES - PROMOTOR DE JUSTICA)
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Considerando 0 teor da Sumula vinculante n.° 14 do Supremo Tribunal Federal,
no que diz respeito ao sigilo do inquérito policial, € correto afirmar que a
autoridade policial.
a) n&o poderd, em hipétese alguma, negar vista ao advogado, com procuracéo
com poderes especificos, dos dados probatérios formalmente anexados nos
autos.
b) nao poderd negar vista dos autos de inquérito policial ao advogado, entretanto
a extracdo de cépias reprogréficas fica vedada.
c) podera negar vista dos autos ao advogado caso os ele- mentos de prova do
procedimento investigatério sejam sigilosos para a defesa
d) poderé negar vista dos autos ao advogado caso haja no procedimento
investigatério quebra de sigilo bancério ou degravacao de conversas decorrentes
de interceptacao telefénica
e) podera negar vista dos autos ao advogado sempre que entender pertinente
para o bom andamento das investigagées.
13. (VUNESP - 2009 - TJ/MT - JUIZ)
Considerando-se o art. 28 do Cédigo de Processo Penal, se o érgéio do Ministério
Publico, ao invés de apresentar a dentincia, requerer o arquivamento do inquérito
policial ou de quaisquer peas de informagao, 0 juiz, no caso de considerar
improcedentes as razdes invocadas, faré remessa do inquérito ou das pecas de
informagao ao procurador-geral, e este
a) ofereceré a requisicéo para o oferecimento da denincia, designando outro
érg&o do Ministério Publico para oferecé-la, ou insistiré no pedido de
arquivamento, ao qual s6 ent&o estaré o juiz obrigado a atender.
b) determinara ao érg&o do Ministério Puiblico 0 oferecimento da dentincia e, se
este se recusar, designaré outro érg&o do Ministério Publico para declaré-la, ou
insistiré no pedido de desisténcia, ao qual sO ent&o estaré o Ministério Publico
obrigado a atender.
c) solicitara reviséo da posic&o ao érgaio do Ministério Publico e, se este se
recusar, designaré outro érgao do Ministério Publico para declaré-la, podendo
este insistir no pedido de arquivamento, ao qual 6 entdo estar o juiz obrigado
a atender.
d) determinaré ao érgdo do Ministério Publico a reviso da denincia e, se este se
recusar, designaré outro érg&o do Ministério Publico para declaré-la, ou insistiré
no pedido de desisténcia, ao qual sé entao estard o Ministério PUblico obrigado a
atender.
e) oferecera a deniincia, designard outro érgéo do Ministério Publico para oferecé-
la, ou insistira no pedido de arquivamento, ao qual sé entao estard o juiz obrigado
a atender.
14. (VUNESP - 2013 - PC-SP - INVESTIGADOR)
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Assinale a alternativa correta no que diz respeito as disposigdes relativas a0
Inquérito Policial previstas no Cédigo de Processo Penal.
a) Incumbira & autoridade policial no curso do Inquérito Policial representar
acerca da prisdo preventiva.
b) Caso vislumbre notéria atipicidade da conduta investigada, a autoridade
policial poder determinar o arquivamento dos autos do Inquérito Policial.
c) Os instrumentos do crime, bem como os objetos que interessarem a prova,
permanecerdo com a autoridade policial apés o encaminhamento dos autos do
inquérito policial para andlise do Ministério Publico e Poder Judicidrio, e serao
encaminhados, posteriormente, se o Juiz ou membro do Ministério Publico assim
requisitarem.
d) O ofendido, ou seu representante legal, e 0 indiciado nao podero requerer
qualquer diligéncia durante 0 curso do Inquérito Policial em virtude da natureza
inquisitéria deste procedimento.
e) Nas comarcas em que houver mais de uma circunscric&o policial, a autoridade
com exercicio em uma delas nao poder, nos inquéritos a que esteja procedendo,
ordenar diligéncias em circunscrig&o de outra, sendo obrigatéria, para tanto, a
existéncia de precatérias ou requisigdes & autoridade competente daquela
circunscrigo.
15. (VUNESP - 2012 - TJ-RJ - JUIZ)
Assinale a alternativa correta no que concerne ao regramento que o CPP dé ao
inquérito policial.
a) Depois de ordenado 0 arquivamento do inquérito pela autoridade judiciaria,
por falta de base para a dentincia, a autoridade policial no poderd proceder &
novas pesquisas, ainda que tenha noticia de outras provas.
b) Nos crimes de ago privada, a autoridade policial somente poder proceder a
inquérito @ requerimento de quem tenha qualidade para intenta-la.
c) Em qualquer crime de aco publica ndo é necesséria a representagao da vitima
para que o inquérito seja iniciado.
d) E irrecorrivel 0 despacho da autoridade policial que indefere o requerimento
de abertura de inquérito.
16. (VUNESP - 2014 - DESENVOLVESP - ADVOGADO)
De acordo com a regra do art. 10 do CPP, “o inquérito deverd terminar no prazo
de dias, se 0 indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso
preventivamente, contado o prazo, nesta hipétese, a partir do dia em que se
executar a ordem de priséio, ou no prazo de. dias, quando estiver solto,
mediante fianca ou sem ela.”
Assinale a alternativa que preenche, adequada e respectiva- mente, as lacunas
do texto.
a) 5...15
b) 5... 30
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¢) 10... 30
d) 10. 90
e) 30... 90
17. (FGV - 2015 - DPE-RO - TECNICO: OFICIAL DE DILIGENCIA)
Jorge praticou crime de estupro em face de Julia, jovem de 24 anos e herdeira
do proprietario de um grande estabelecimento comercial localizado em So Paulo.
O crime, de acordo com 0 Cédigo Penal e com as suas circunstncias, é de aco
penal pliblica condicionada a representacéio. Nao houve priséo em flagrante,
sendo os fatos descobertos por outras pessoas diferentes da vitima apenas uma
semana apés a ocorréncia. Até o momento, nao foi decretada a prisdo preventiva
de Jorge. Diante dessa situac&o, sobre o inquérito policial, é correto afirmar que:
a) a representacéo € indispensdvel para a propositura da ac&o penal
condicionada, mas a instauracéo do inquérito policial dela independe;
b) a auséncia de contraditério no inquérito impede que o advogado do agente
tenha acesso a qualquer elemento informativo produzido, ainda que jé
documentado;
c) caso seja instaurado inquérito, concluindo pela auséncia de justa causa, poderé
a autoridade policial determinar 0 arquivamento do procedimento diretamente;
d) estando o indiciado solto, © inquérito policial deveré ser concluido
impreterivelmente no prazo de 15 dias, prorrogaveis apenas uma vez por igual
periodo;
e) 0 arquivamento do inquérito por auséncia de justa causa permite um posterior
desarquivamento pela autoridade competente, caso surjam novas provas.
18. (FGV - 2015 - OAB - XVII EXAME DA OAB)
No dia 01/04/2014, Natdlia recebeu cinco facadas em seu abdémen, golpes estes
que foram a causa eficiente de sua morte. Para investigar a autoria do delito, foi
instaurado inquérito policial e foram realizadas diversas diligéncias, dentre as
quais se destacam a oitiva dos familiares e amigos da vitima e exame pericial no
local. Mesmo apés todas essas medidas, nao foi possivel obter indicios suficientes
de autoria, razéo pela qual o inquérito policial foi arquivado pela autoridade
judicidria por falta de justa causa, em 06/10/2014, apés manifestacéo nesse
sentido da autoridade policial e do Ministério Publico. Ocorre que, em
05/01/2015, a mae de Natdlia encontrou, entre os bens da filha que ainda
guardava, uma carta escrita por Bruno, ex namorado de Natélia, em 30/03/2014,
em que ele afirmava que ela teria 24 horas para retomar o relacionamento
amoroso ou deveria arcar com as consequéncias. A referida carta foi
encaminhada para a autoridade policial.
Nesse caso,
A) nada poderé ser feito, pois 0 arquivamento do inquérito p
julgada material.
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B) a carta escrita por Bruno pode ser considerada prova nova e justificar o
desarquivamento do inquérito pela autoridade competente.
C) nada poderé ser feito, pois a carta escrita antes do arquivamento nao pode
ser considerada prova nova.
D) pela falta de justa causa, o arquivamento poderia ter sido determinado
diretamente pela autoridade policial, independentemente de manifestagdo do
Ministério Publico ou do juiz.
19. (FGV - 2015 - OAB - XVI EXAME DA OAB)
© inquérito policial pode ser definido como um procedimento investigatério
prévio, cuja principal finalidade € a obtencdo de indicios para que o titular da
aco penal possa propé-la contra o suposto autor da infracdo penal.
Sobre o tema, assinale a afirmativa correta.
A) A exigéncia de indicios de autoria e materialidade para oferecimento de
dentincia torna o inquérito policial um procedimento indispensavel.
B) O despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito policial é
irrecorrivel.
C) O inquérito policial é inquisitive, logo o defensor nao podera ter acesso aos
elementos informativos que nele constem, ainda que jé documentados.
D) A autoridade policial, ainda que convencida da inexisténcia do crime, nao
poderé mandar arquivar os autos do inquérito ja instaurado.
20. (FGV - 2015 - PGE-RO - TECNICO)
Foi instaurado inquérito policial para apurar a conduta de Ronaldo, indiciado como
autor do crime de homicidio praticado em face de Jorge. Ao longo das
investigages, a autoridade policial ouviu diversas testemunhas, juntando os
termos de oitiva nos autos do procedimento. Concluidas as investigacdes, os
autos foram encaminhados para a autoridade policial. Sobre o inquérito policial,
& correto afirmar qui
a) ndo é permitido @ autoridade policial, em regra, solicitar a realizacéo de
pericias e exame de corpo de delito, dependendo para tanto de autorizacao da
autoridade judicial;
b) como instrumento de obtencaio de justa causa, é absolutamente indispensavel
& propositura da ago penal;
c) € direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso aos elementos
de prova que, jé documentados em procedimento investigatério, digam respeito
ao exercicio do direito de defesa;
d) constatado, apés a instauragéo do inquérito e concluséo das investigacées,
que a conduta do indiciado foi amparada pela legitima defesa, poderé a
autoridade policial determinar diretamente o arquivamento do procedimento;
e) uma vez determinado seu arquivamento pela autoridade competente,
independente do fundamento, nao podera ser desarquivado, ainda que surjam
novas provas.
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21. (FGV - 2015 - TJ-RO - TECNICO JUDICIARIO)
Gléria foi vitima de um crime de estupro praticado no interior de sua residéncia.
Sendo a natureza da acdo publica condicionada a representaco, compareceu,
entdo, 4 Delegacia, narrou 0 ocorrido e manifestou o interesse na apuracaio do
fato, razo pela qual foi instaurado inquérito. Considerando a hipdtese narrada e
as caracteristicas do inquérito policial, é correto afirmar que:
a) caso houvesse indicios da autoria e prova da materialidade delitiva, a
instauragao de inquérito policial seria prescindivel para propositura da aco
penal;
b) o inquérito policial tem como algumas de suas principais caracteristicas a
oralidade, a oficialidade e oficiosidade;
c) uma das caracteristicas do inquérito policial € 0 sigilo, razéo pela qual nao
poderd o defensor do indiciado ter acesso aos autos, ainda que em relagao aquilo
34 documentado;
d) o inquérito policial é disponivel, de modo que a autoridade policial poderé
determinar seu arquivamento diretamente;
e) a natureza de ago publica condicionada & representagdio do crime de estupro
exige que a representagdo seja ofertada para fins de propositura da acdo penal,
mas néo para instauracdo de inquérito.
22. (FGV - 2015 - TJ-RO - OFICIAL DE JUSTICA)
No dia 30 de marco de 2014, Marta foi vitima de um crime de homicidio, razéo
pela qual foi instaurado inquérito policial para identificagéo do autor do delito.
Apés diversas diligéncias, nao foi possivel identificar a autoria, raz&o pela qual foi
realizado 0 arquivamento do procedimento, pela falta de justa causa, de acordo
com as exigéncias legais. Ocorre que, em abril de 2015, a filha de Marta localizou
0 aparelho celular de Marta e descobriu que seu irmao, Lucio, havia enviado uma
mensagem de texto para sua mae, no dia 29 de marco de 2014, afirmando para
a vitima “se voc néo me emprestar dinheiro novamente, arcaré com as
consequéncias”. Diante disso, a filha de Marta apresentou o celular de sua mae
para a autoridade policial.
Considerando a situacéo narrada, é correto afirmar que 0 arquivamento do
inquérito policial:
a) fez coisa julgada material, de modo que nao mais é possivel seu
desarquivamento;
b) ndo fez coisa julgada, mas ndo é possivel o desarquivamento porque a
mensagem de texto ndo pode ser considerada prova nova, jé que existia antes
mesmo da instaurac&o do inquérito policial;
c) foi realizado diretamente pela autoridade policial, de modo que néo faz coisa
julgada material;
d) no fez coisa julgada material, podendo o inquérito ser desarquivado, tendo
em vista que a mensagem de texto pode ser considerada prova nova;
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€) nao fez coisa julgada material, mas no mais caberé desarquivamento, pois
passados mais de 06 meses desde a decis&o.
23. (FGV - 2012 - OAB - VIII EXAME DE ORDEM UNIFICADO)
Um Delegado de Policia determina a instaurago de inquérito policial para apurar
a pratica do crime de receptac&o, supostamente praticado por José. Com relacéo
ao Inquérito Policial, assinale a afirmativa que ndo constitui sua caracteristica.
A) Escrito.
B) Inquisitério.
C) Indispensavel.
D) Formal.
24. (FGV ~ 2014 - TJ-RJ - TECNICO JUDICIARIO)
Tradicionalmente, o inquérito policial é conceituado como um procedimento
investigatério, cuja principal finalidade 6 a obtenc&o de justa causa para a
propositura da aco penal. Sobre o inquérito policial é correto afirmar que:
(A) € procedimento prévio imprescindivel;
(B) poderd ser arquivado diretamente pela autoridade policial;
(C) sigiloso, razdo pela qual o defensor do indiciado ndo poderd ter acesso a
elemento de prova algum, ainda que documentado no procedimento
investigatério;
(D) dependera de representagio, caso a investigacao trate de crime em que a
ago penal seja publica condicionada;
(E) € prescindivel, logo é uma faculdade da autoridade policial instauré-lo ou
no, ainda que haja requisic&o do Ministério Publico.
25. (FGV - 2015 - DPE-RO - TECNICO ADMINISTRATIVO)
O inquérito policial €é tradicionalmente conceituado como procedimento
administrativo prévio que visa a apuracéio de uma infraco penal e sua autoria, a
fim de que o titular da ac&o penal possa ingressar em juizo. Sobre suas principais
caracteristicas, 6 correto afirmar que:
a) a prova da materialidade e indicios de autoria so necessdrios para propositura
de aco penal, logo uma das caracteristicas do inquérito é sua indispensabilidade;
b) 0 inquérito policial é instrumento sigiloso, logo nao podera ser acessado em
momento algum pelo advogado do indiciado;
c) 0 contraditério pleno e a ampla defesa so indispensaveis no inquérito policial;
d) 0 inquérito policial 6 um procedimento significativamente marcado pela
oralidade;
e) 0 inquérito pode ser considerado indisponivel para a autoridade p.
uma vez instaurado, n&o poder ser por ela diretamente arquivado.
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26. (FGV - 2013 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - XII -
PRIMEIRA FASE)
Quanto ao inquérito policial, assinale a afirmativa INCORRETA.
a) O inquérito policial poderé ser instaurado de oficio pela Autoridade Policial nos
crimes persequiveis por ac&o penal publica incondicionada.
b) O inquérito, nos crimes em que a ac&o publica depender de representacéo,
ndo poderé ser iniciado sem ela.
c) Nos crimes de acéio penal privada, ndo caberd instauracéio de inquérito policial,
mas sim a lavratura de termo circunstanciado.
d) O inquérito policial, mesmo nos crimes hediondos, poderé ser dispensavel para
0 oferecimento de denuncia.
27. (FGV - 2011 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - IV - PRIMEIRA
FASE)
Acerca das disposiges contidas na Lei Processual sobre o Inquérito Policial,
assinale a alternativa correta.
a) Nos crimes de ago privada, a autoridade policial poderé proceder a inquérito
a requerimento de qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existéncia
de infrag&o penal.
b) Do despacho que indeferir 0 requerimento de abertura de inquérito caberé
recurso para o tribunal competente.
c) Para verificar a possibilidade de haver a infracdo sido praticada de determinado
modo, a autoridade policial podera proceder & reprodugfo simulada dos fatos,
desde que esta no contrarie a moralidade ou a ordem publica.
d) A autoridade policial poderé mandar arquivar autos de inquérito.
28. (FGV - 2008 - PC-RJ - OFICIAL DE CARTORIO)
A respeito do inquérito policial, analise as afirmativas a seguir:
I. Nos crimes de ago publica, © inquérito policial sera iniciado de oficio ou
mediante requisigéo da autoridade judicidria ou do Ministério Publico, ou a
requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representé-lo.
II. Nos crimes de aco privada, a autoridade policial somente podera proceder a
inquérito de oficio ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade
para representé-lo.
IIL. O inquérito, nos crimes em que a ago publica depender de representac&o,
n&o poder sem ela ser iniciado.
Assinale:
a) se nenhuma afirmativa estiver correta.
b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
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€) se todas as afirmativas estiverem corretas.
29. (FGV - 2015 - TJ-BA - TECNICO JUDICIARIO: ESCREVENTE)
As formas de instauracao do inquérito policial variam de acordo com a natureza
do delito. Nos casos de ag&o penal publica incondicionada, a instauracéo do
inquérito policial pode se dar:
(A) de oficio pela autoridade policial; mediante requisic&o do Ministério Publico;
mediante requerimento do ofendido; e por auto de prisdo em flagrante;
(B) de oficio pelo Ministério Publico; mediante requisig&o da autoridade policial;
mediante requerimento do ofendido; e por auto de prisdo em flagrante;
(C) de oficio pela autoridade policial; mediante requerimento do Ministério
Publico; mediante requisicéio do ofendido; e por auto de resisténcia;
(D) de oficio pelo Ministério Publico; mediante requisico da autoridade policial;
mediante requerimento do ofendido; e por auto de resisténcia;
(E) de oficio pela autoridade policial; mediante requerimento do Ministro da
Justica; mediante requisig&o do ofendido; e por auto de resisténcia.
30. (FGV - 2015 - OAB - XVIII EXAME DE ORDEM)
No dia 10 de maio de 2015, Maria, 25 anos, foi vitima de um crime de estupro
simples, mas, traumatizada, no mostrou interesse em dar inicio a qualquer
investigacdo penal ou aco penal em relagdo aos fatos. Os pais de Maria, porém,
requerem a instauracio de inquérito policial para apurar autoria, entendendo
que, apés identificar o agente, Maria poderé decidir melhor sobre o interesse na
persecucao penal. Foi proferide despacho indeferindo o requerimento de abertura
de inquerito.
Considerando a situac&o narrada, assinale a afirmativa correta.
A) Do despacho que indefere o requerimento de abertura de inquérito policial nao
cabe qualquer recurso, administrativo ou judicial.
B) Em que pese o interesse de Maria ser relevante para 0 inicio da aco penal, a
instauragao de inquérito policial independe de sua representacdo.
C) Caso Maria manifeste interesse na instauracéo de inquérito policial apés o
indeferimento, ainda dentro do prazo decadencial, o procedimento podera ter
inicio, independentemente do surgimento de novas provas.
D) Apesar de os pais de Maria néo poderem requerer a instauracdo de inquérito
policial, o Ministério Publico pode requisitar o inicio do procedimento na hipétese,
tendo em vista a natureza publica da acdo.
31. (FGV - 2012 - PC-MA - DELEGADO DE POL{cIA)
Aury Lopes Junior leciona que " o inquérito € 0 ato ou efeito de inquirir, isto é,
procurar informagdes sobre algo, colher informagdes acerca de um fato,
perquirir”. J4 0 Art. 4°, do CPP destaca que seré realizado pela Policia Judiciaria
e tera por fim a apuraco das infracées penais e sua autoria.
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Aesse respeito, assinale a afirmativa incorreta.
a) Entendendo a autoridade policial que o fato apurado no configura crime,
deverd realizar 0 arquivamento do inquérito, evitando o prosseguimento de um
constrangimento ilegal sobre 0 indiciado.
b) O réu nao é obrigado a participar da reconstituicéo do crime, pois ninguém é
obrigado a produzir prova contra si.
c) O sigilo e a dispensabilidade so algumas das caracteristicas do inquérito
policial, repetidamente citadas pela doutrina brasileira.
d) Nao deve a autoridade policial proibir 0 acesso do defensor do indiciado aos
elementos de prova jé documentados no mbito do procedimento investigatério
e que digam respeito ao exercicio do direito de defesa.
€) Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberé
recurso para o chefe de Policia.
32. (FGV - 2011 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - V - PRIMEIRA
FASE)
Tendo em vista o enunciado da stimula vinculante n. 14 do Supremo Tribunal
Federal, quanto ao sigilo do inquérito policial, é correto afirmar que a autoridade
policial poderé negar ao advogado
a) a vista dos autos, sempre que entender pertinente.
b) a vista dos autos, somente quando o suspeito tiver sido indiciado formalmente.
¢) do indiciado que esteja atuando com procuragao 0 acesso aos depoimentos
prestados pelas vitimas, se entender pertinente.
d) 0 acesso aos elementos de prova que ainda n&o tenham sido documentados
no procedimento investigatério.
33. (FGV - 2008 - TJ-MS - JUIZ)
Relativamente ao inquérito policial, é correto afirmar que:
a) a autoridade assegurara no inquérito o sigilo necessario a elucidac&o do fato,
aplicando, porém, em todas as suas manifestagGes, os principios do contraditério
e da ampla defesa.
b) a autoridade policial poderé mandar arquivar autos de inquérito por falta de
base para a denuncia.
c) 0 inquérito devera terminar no prazo de 30 dias, se 0 indiciado estiver preso,
ou no prazo de 60 dias, quando estiver solto.
d) 0 inquérito policial néo acompanharé a dentincia ou queixa quando servir de
base a uma ou outra.
@) 0 indiciado poderé requerer a autoridade policial a realizagdo de qualquer
diligéncia.
34. (FGV - 2013 - X EXAME UNIFICADO DA OAB)
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Na cidade “A”, o Delegado de Policia instaurou inquérito policial para averiguar a
possivel ocorréncia do delito de estelionato praticado por Marcio, tudo conforme
minuciosamente narrado na requisicéo do Ministério Publico Estadual. Ao final da
apurag&o, 0 Delegado de Policia enviou o inquérito devidamente relatado ao
Promotor de Justica. No entendimento do parquet, a conduta praticada por
Marcio, embora tipica, estaria prescrita. Nessa situacao, o Promotor devera
A) arquivar os autos.
B) oferecer denincia.
C) determinar a baixa dos autos.
D) requerer 0 arquivamento.
35. (FGV - 2012 - PC-MA - DELEGADO DE POL{cIA)
Com relag&o ao prazo para a conclus&o do inquérito policial instaurado para
apurar a pratica do crime de trafico de entorpecentes, de acordo com a Lei n.
11.343, de 23 de agosto de 2006, assinale a afirmativa correta.
a) Sera de 10 (dez) dias, se 0 indiciado estiver preso, e de 30, na hipstese de o
indiciado estar solto.
b) Nao podera ultrapassar 30 dias, se o indiciado estiver preso.
c) Seré de 30 dias, se 0 indiciado estiver preso, e de 90 dias, quando estiver
solto, podendo 0 juiz, ouvido o Ministério Publico, mediante pedido justificado da
autoridade de policia judiciria, triplicar tal prazo.
nte, quando requerido de forma fundamentada pela autoridade
‘ouvido o Ministerio Publico, podera ser de 180 dias, se o
indiciado estiver solto.
e) Serd de 30 dias, se 0 indiciado estiver preso, e de 60 dias, quando estiver
solto, podendo 0 juiz, ouvido o Ministério Publico, mediante pedido justificado da
autoridade de policia judiciéria, duplicar tal prazo.
36. (FGV - 2010 - PC-AP - DELEGADO DE POLiCIA)
Maria tem seu veiculo furtado e comparece a Delegacia de Policia mais préxima
para registrar a ocorréncia. O Delegado de Policia instaura inquérito policial para
apuracao do fato. Esgotadas todas as diligéncias que estavam a seu alcance, a
Autoridade Policial no consegue identificar o autor do fato ou recuperar a res
furtiva.
Assinale a alternativa que indique a providéncia que o Delegado devera tomar.
a) Relatar o inquérito policial e encaminhar os autos ao Ministério Publico para
que este promova o arquivamento.
b) Promover 0 arquivamento do inquérito policial, podendo a vitima recorrer ao
Secretério de Seguranca Publica.
c) Relatar o inquérito policial e encaminhar os autos ao Secretario de Seguranca
Publica para que este promova o arquivamento.
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d) Manter os autos do inquérito policial com a rotina suspenso, até que surja uma
nova prova.
e) Prosseguir na investigacéo, pois o arquivamento sé € possivel quando
transcorrer o prazo prescricional.
37. (FGV - 2014 - TJ/RJ - ANALISTA - EXECUGAO, DE MANDADOS)
Brenda, empregada doméstica, foi presa em flagrante pela pratica de um crime
de furto qualificado contra Joana, sua empregadora. O magistrado, apés
requerimento do Ministério Publico, converteu a priséo em flagrante em
preventiva. Nessa hipétese, de acordo com o Cédigo de Processo Penal, o prazo
para conclusdo do inquérito policial sera de:
(A) 05 (cinco) dias;
(B) 10 (dez) dias;
(C) 15 (quinze) dias, improrrogaveis;
(D) 15 (quinze) dias, prorrogaveis por decis&o judicial;
(E) 30 (trinta) dias.
38. (FGV - 2014 - TJ/RJ - ANALISTA - EXECUGAO DE MANDADOS)
Foi instaurado inquérito policial para investigar a pratica de um crime de
homicidio que teve como vitima Ana. Apesar de Wagner, seu marido, ter sido
indiciado, ndo foi reunida justa causa suficiente para oferecimento da dentincia,
raz&o pela qual foi o procedimento arquivado na forma prevista em lei. Trés
meses apés 0 arquivamento, a mae de Ana descobriu que a filha havia Ihe deixado
uma mensagem de voz no celular uma hora antes do crime, afirmando que temia
por sua integridade fisica, pois estava sozinha com seu marido em casa e prestes
a contar que teria uma relacdo extraconjugal. Diante desses fatos, de acordo com
a jurisprudéncia majoritéria dos Tribunais Superiores, é correto afirmar que:
(A) nada poderé ser feito, tendo em vista que o arquivamento do inquérito
policial fez coisa julgada material;
(B) poderd ser oferecida dentncia, apesar de o inquérito néo poder ser
desarquivado em virtude da coisa julgada material que fez seu arquivamento;
(C) caberé desarquivamento do inquérito policial pela autoridade competente
diante do surgimento de provas novas;
(D) nada poderd ser feito, pois a gravagao de voz existia antes do arquivamento
do inquérito, logo no pode ser incluida no conceito de prova nova;
(E) poderé a autoridade policial realizar o desarquivamento a qualquer momento,
assim como pode por ato proprio determinar o arquivamento do inquérito.
39. (FCC - 2016 - DPE-BA - DEFENSOR PUBLICO - ADAPTADA)
Tendo em vista 0 cardter administrativo do inquérito policial, o indiciado n&o
poderé requerer pericias complexas durante a tramitacio do expediente
investigatério.
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40. (FCC - 2015 - MPE-PB - TECNICO)
0 Delegado de Policia de um determinado Distrito da cidade de Campina Grande,
apés receber a noticia de um crime de roubo cometido na cidade, no qual a vitima
Silvio teve o carro subtraido por um meliante no centro da cidade no dia 10 de
maio de 2015, determina a instauracéo de Inquérito Policial. No curso das
investigacdes, especificamente no dia 4 de maio de 2015, 0 veiculo roubado é
recuperado em poder de Manoel, o qual é conduzido ao Distrito Policial. A vitima
chamada e reconhece Manoel como sendo o autor do crime de roubo. A
autoridade policial representa, entéo, a0 juiz competente o qual, apdés
manifestac&o do Ministério Publico, decreta a prisdo preventiva de Manoel, que é
efetivada no mesmo dia 4 de maio. Neste caso, o Inquérito Policial deveria estar
encerrado e relatado pelo Delegado de Policia no prazo de
a) 15 dias apés iniciado 0 Inquérito Policial.
b) 10 dias apés iniciado o Inquérito Policial.
c) 5 dias apés iniciado o Inquérito Policial.
d) 15 dias, contado o prazo a partir da efetivacdo da priséo de Manoel.
€) 10 dias, contado o prazo a partir da efetivacdo da prisdo de Manoel
41. (FCC - 2015 - MPE-PB - TECNICO)
O Delegado de Policia de um determinado Distrito Policial da cidade de Joao
Pessoa instaura um Inquérito Policial para apuracdo de crime de estelionato
ocorrido no final do ano de 2014. Encerrada as investigagdes Rodolfo é indiciado
pelo referido crime. O inquérito é relatado e remetido ao Forum local. O
representante do Ministério PUblico, apés receber os autos, requereu o
arquivamento do Inquérito Policial entendendo que n&o haveria provas para
instaurag3o de acSo penal contra Rodolfo, O Magistrado competente, ao receber
os autos, discordando do parecer do Ministério Publico, determina a remessa dos
autos ao Procurador-Geral de Justiga do Estado da Paraiba, requerendo a
designac&o de outro Promotor para oferecimento da dentincia. O Procurador-
Geral de Justiga, apés analisar o caso, insiste no pedido de arquivamento e
determina a devolugao dos autos ao juizo de origem. Neste caso, o Magistrado
a) discordando da deciséo do Procurador-Geral de Justiga determinara a
instaurag&o da ac3o penal com base no Relatério da Autoridade Policial.
b) encaminhard os autos ao Conselho Nacional do Ministério Publico, em Brasilia,
para que um Promotor de Justica seja designado para atuar no feito e oferecer
dentincia.
c) sera obrigado a atender 0 pedido de arquivamento veiculado pelo Ministério
Publico.
d) encaminhard os autos ao Presidente do Tribunal de Justia da Paraiba para
que este determine a instaura- cdo da acao penal, intimando-se 0 Procurador-
Geral de Justica para oferecimento imediato da dentincia.
Prof. Renan Araujo www.estrategiaconcursos.com.br 60 de ite) determinaré a intimacéo da vitima para, querendo, oferecer aco penal
subsididria da publica.
42. (FCC - 2015 - MPE-PB - TECNICO)
Considere as seguintes situagdes hipotéticas:
I. A Promotora de Justica de uma comarca do Estado da Paraiba requereu &
autoridade policial a instauraco de Inquérito Policial para apurag&o de crime de
injuria, de ag&o penal privada, figurando como vitima Luis e como autor do crime
Edson. A autoridade policial atende ao pedido veiculado e instaura o Inquérito
Policial.
II. Durante o tramite de um Inquérito Policial instaurado para apuracao de crime
de homicidio tentado a vitima apresenta requerimento ao Delegado de Policia
para realizacdo de uma diligéncia que entende ser util para apuracao da verdade
O Delegado de Policia, entendendo ser impertinente o requerimento e a
jéncia solicitada, deixa de realizar a diligénci
IIL, O Delegado de Policia de uma determinada cidade no Estado da Paraiba, apés
instaurar um Inquérito Policial para apuracéio de crime de furto que teria sido
cometido por Theo, n&o conseguindo apurar provas da autoria delitiva determina
0 imediato arquivamento dos autos.
IV. Encerrado Inquérito Policial para apuragao de crime de ago penal privada a
autoridade policial, apés pedido do requerente, entrega os autos de inquérito ao
requerente, mediante traslado.
O Delegado de Policia agiu dentro da legalidade APENAS nas situacées indicadas
em
a) I, We lv.
b) Ile lv.
c) I, Wel.
d) Ielv.
e) lel.
43. (FCC - 2015 - TJ-AL - JUIZ)
A investigagio de uma infragao penal
a) poderé ser conduzida pelo Ministério Publico, conforme recente decisdo do STF,
mas apenas nos casos relacionados ao foro por prerrogativa de funcao.
b) poderd ser realizada por meio de inquérito policial, presidido por delegado de
policia de carreira ou promotor de justia, conforme recente decisdo do STF.
c) poderd ser realizada por meio de inquérito policial que ser presidido por
delegado de policia de carreira, sob o comando e a fiscalizacao direta e imediata
do promotor de justica, conforme recente deciséo do STJ.
d) poderé ser conduzida pelo Ministério Publico, conforme recente decis&o do STF.
e) deveré ser sempre promovida em autos de inquérito policial, presidido por um
delegado de policia de carreira, salvo em casos de infrac&o cometida por
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vereadores, cuja investigagdo seré presidida pelo Presidente da Camara
Municipal.
44. (FCC - 2014 - TJ-AP - JUIZ)
Em relacéio ao exercicio do direito de defesa no inquérito policial, a autoridade
policial podera negar ao defensor, no interesse do representado, ter acesso aos
a) elementos de prova cobertos pelo sigilo.
b) termos de depoimentos prestados pela vitimas, se entender pertinente.
c) elementos de prova que entender impertinentes.
d) elementos de prova, caso o investigado jé tenha sido formalmente indiciado.
e) elementos de provas ainda nao documentados em procedimento
investigatério.
45. (FCC - 2014 - TRF4 - TECNICO JUDICIARIO)
José foi indiciado em inquérito policial que apura a pratica do delito de estelionato
contra seu ex-empregador. Diante disso,
a) ante a constatac&o de que se trata, em verdade, de ilicito civil, a autoridade
policial podera mandar arquivar os autos de inquérito.
b) sem inquérito policial, nao poderé, posteriormente, haver propositura de ado
penal.
c) a vitima poderé requerer qualquer diligéncia, que sera realizada, ou nao, a
juizo da autoridade.
d) este inquérito somente pode ser instaurado porque houve representagao da
vitima.
e) José no poderd requerer diligéncia a autoridade policial.
46. (FCC - 2014 - TRF3 - ANALISTA JUDICIARIO)
Considere persecugdo penal baseada na prisdo em flagrante dos acusados em
situagéo de participagdo em narcotraficancia transnacional, obstada pela Policia
Federal, que os encontrou tendo em depésito 46.700 gramas de cocaina gragas
a informacao oriunda de noticia anénima. Neste caso, segundo entendimento
jurisprudencial consolidado,
a) € nulo o processo ab initio, ante a vedago constitucional do anonimato.
b) a noticia andnima sobre eventual pratica criminosa é, por si, idénea para
instaurag&o de inquérito policial.
c) a noticia anénima sobre eventual pratica criminosa presta-se a embasar
procedimentos investigatérios preliminares que corroborem as informagées da
fonte anénima, os quais tornam legitima a persecugéo criminal.
d) a autoridade policial no pode tomar qualquer providéncia investigatéria a
partir da noticia anénima.
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€) a persecucao criminal s6 poderia ser iniciada se a denuncia anénima estivesse
corroborada por interceptaciio telefénica autorizada judicialmente.
47. (FCC - 2014 - DPE-RS - DEFENSOR PUBLICO)
Jeremias foi preso em flagrante delito pelo cometimento do fato previsto no art.
157, § 2° , le II, do Cédigo Penal, e no mesmo dia decretada a prisdo preventiva
com a legitima finalidade de garantir a ordem publica. Com base nestes dados,
sob pena de caracterizado 0 constrangimento ilegal (CPP, art. 648, II), imp3e-se
que 0 inquérito policial esteja concluido no prazo maximo de
a) 60 dias.
b) 10 dias.
c) 05 dias.
d) 15 dias.
e) 30 dias.
48. (FCC - 2014 - METRO-SP - ADVOGADO)
A respeito do inquérito policial, considere:
I. O requerimento do ofendido ou de quem tenha qualidade para representé-lo
sé sera apto para a instauracéo de inquérito policial se dele constar a
individualizag&o do autor da infragéo.
II. A requisic&o do Ministério Publico torna obrigatéria a instauracao do inquérito
pela autoridade policial.
III. Se 0 Delegado de Policia verificar, no curso das investigacées, que o indiciado
& inocente, deverd determinar o arquivamento do inquérito.
Esta correto que se afirma APENAS em
a) Ie II.
b) le Il.
c)le ll.
d) UL.
e) IM.
49. (FCC -2011 - TRE/AP - ANALISTA JUDICIARIO - AREA
JUDICIARIA)
No que concerne ao Inquérito Policial, de acordo com o Cédigo de Processo Penal,
& correto afirmar que:
A) Do despacho que indeferir 0 requerimento do ofendido de abertura de inquérito
caberé recurso administrativo ao Juiz Corregedor da Comarca.
B) Para verificar a possibilidade de haver a infrag&o sido praticada de determinado
modo, a autoridade policial poderé proceder a reprodugo simulada dos fatos,
ainda que esta contrarie a moralidade ou a ordem publica.
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