UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
INSTITUTO DE ARTES
DEPARTAMENTO DE MÚSICA
CURSO DE LICENCIATURA EM MÚSICA – UAB/EAD
INTEGRANTES:
. Paulo de Oliveira Chaves Filho
. Pedro Mareco Santiago
. Silvestre Viana da Silva Júnior
POLO: Alexânia/ GO
UNIDADE 1
Cultura da Região Sul (Ritmos e Danças)
INTRODUÇÃO:
O presente trabalho busca apresentar três manifestações artísticas da Região
Sul do Brasil, resgatar o patrimônio histórico cultural e explorar as
interdisciplinaridades relevantes para o desenvolvimento de material didático para
abordagem em ambiente acadêmico por meio de minicurso de 10h para crianças e
adolescentes de 11 a 15 anos. Demonstrar a importância de estudar a cultura, sua
história e focar, principalmente, nos seus aspectos musicais, de modo a descobrir
suas influências, seus ritmos, suas vertentes, instrumentos, danças, bem como o
contexto social no qual essas manifestações artísticas emergiram.
CONTEXTUALIZAÇÃO:
O processo de povoamento da Região Sul foi marcado pela intensa imigração
europeia do séc. XIX, principalmente alemã e italiana, sendo esse um fator
determinante na formação dos costumes locais. No Rio Grande do Sul, berço das
manifestações culturais que iremos explorar, esses imigrantes misturaram-se a
outros dois perfis populacionais já instalados na região. Os matutos, lavradores
açorianos trazidos pela coroa portuguesa no séc. XVIII para ocupar a região de
fronteira com o império espanhol, e os sul-rio-grandenses, população semi-nômade
que criava gado solto nos pastos, originários da miscigenação de homens
espanhóis e lusitanos com mulheres guaranis (LUVIZOTTO, 2010). Desse choque
cultural surge a figura do gaúcho, termo utilizado hoje em dia como gentílico de
quem nasce no Rio Grande do Sul, mas que teve diferentes conotações ao longo da
história. Originalmente, era uma maneira pejorativa de designar aventureiros e
ladrões de gado. Num segundo momento, entretanto, é ressignificado como o ideal
de homem livre, valente e honrado dos pampas. (LUVIZOTTO, 2010).
A cultura gaúcha é marcadamente de fronteira, uma vez que compartilha
muitos de seus elementos com países vizinhos. A raiz da música gauchesca, por
exemplo, é a payada, uma estrutura de improviso semelhante à trova, praticada por
criadores de gado semi-nômades que transitavam entre Uruguai, Argentina e sul do
Brasil no final do século XIX (COUGO JÚNIOR, 2012). Para que se tenha uma ideia
do impacto dessas interseções culturais, de todos os ritmos tidos como
tradicionalmente gaúchos, apenas o bugio foi de fato criado no estado - os demais
foram adaptados de vizinhos sul-americanos ou vieram da Europa.
Devido ao histórico de conflitos bélicos na região, a identidade cultural gaúcha
esteve sempre pressionada. Fosse por disputas territoriais com países vizinhos,
como a Guerra do Prata (1851-1852), que ameaçava redesenhar as fronteiras do
estado, fosse por embates separatistas internos, como Revolução Farroupilha
(1835-1845). Da necessidade de autoafirmação identitária frente a esses desafios,
surgem os movimentos de retomada e valorização das tradições gaúchas
(BAPTISTA, 2017). São eles: Farroupilhismo (1860), Gauchismo Cívico (1899),
Regionalismo Literário (final do séc. XIX e início do séc. XX), Movimento
Tradicionalista (década de 1950), Movimento Nativista (década de 1970) e, mais
recentemente, Tchê Music (anos 2000). Desses, o que mais nos interessa é o
Movimento Tradicionalista, o qual, encabeçado por Luiz Carlos Barbosa Lessa e
João Carlos Paixão Cortes, foi o responsável pela criação dos Centros de Tradição
Gaúchas (BAPTISTA, 2017).
Os Centros de Tradição Gaúchas (CTGs) são atualmente os maiores pólos
difusores da cultura gaúcha. Seus galpões, espalhados Brasil afora, não apenas
sediam festividades típicas, como também fazem as vezes de verdadeiras escolas
culturais. Lá, as gerações mais novas aprendem tudo sobre a dança, a música, a
poesia, a culinária e a indumentária típica de sua região. É nos CTGs, muito mais do
que em salas de aula formais, que essa “pedagogia do gauchismo” encontra seu
local de expressão (ARENHARDT, 2014).
CHULA – Mais que uma dança, um desafio
A chula possui menção desde o século XVII e se trata de uma dança oriunda
de Portugal. No Brasil, foi introduzida pelos Tropeiros. O estilo parece com o Lundu
Sapateado e existem basicamente duas conotações práticas da chula sobre a forma
de dançar: a singular e a coletiva. Neste tipo de manifestação cultural encontramos
elementos como sapateado, palmas e por vezes a umbigada.
A chula enquanto dança é expressiva no Rio Grande do Sul, seja em eventos,
rodeios e em outras festividades, e não se trata de uma performance simples, pelo
contrário, é algo agitado, um desafio um tanto complexo e praticado
majoritariamente por homens que dançam uma mesma prenda a fim de descobrir
quem faz o melhor passo. (CTG Rancho da saudade no ENART, 2021)
O estilo também possui sua manifestação em outras regiões do Brasil como
por exemplo em São Paulo onde, na prática, os pares não mantêm contato físico
durante a dança. O homem faz movimentos diante da dama a qual se requebra
durante a performance do homem. (CHULA, Danças Folclóricas, 2011)
Quanto a questão técnica, basicamente temos o seguinte: uma lança de
madeira é posta sobre o chão e em cada extremidade um dançarino se posiciona. A
gaita gaúcha inicia o som e os dançarinos começam a atuar com seus sapateados,
cruzando de um lado para outro da haste de madeira, assim demonstrando suas
habilidades coreográficas. Mais especificamente sobre o ritmo, se destacam as
síncopes afro-brasileiras, normalmente usam-se semicolcheias. Dentre os
instrumentos típicos da chula estão o violão, pandeiros, viola dentre outros como por
exemplo a castanhola. Outras características técnicas do estilo no que tange a
região Sul é a agilidade do sapateio, transmitindo a questão da masculinidade, a
coragem e a luta a cada movimento.
Autor: TV Tradição
Título: Quarteto – 2º FEGACHULA
Disponível em: https://youtu.be/SJLBFjeoLGw
Acesso em: 01/03/2021
Duração: 10:33
MILONGA – um ritmo rio-platense
Descende da Habanera Cubana e do Lundu Africano. No vocabulário africano
milonga quer dizer “palavra”. Tem passagem pela Europa de onde adquiriu fortes
traços da influência negro e hispânica. Sua pátria, contudo, é o pampa
Riograndense, Uruguaio e Argentino (Milonga, Grupo Escolar, 2006).
A Milonga, também conhecida por ritmo rioplatense, foi introduzida no Brasil
pela fronteira com a Argentina. Era uma música principalmente cantada pelos
payadores acompanhados pelo violão, depois foram incorporados outros
instrumentos, sendo o principal deles o acordeom (A história da milonga, Repórter
Riograndense, 2020).
A milonga foi influenciada por outros ritmos como o candombe, a mazurca ,a
valsa, e o tango, ritmo que se tornou famoso mundialmente e foi evoluindo
paralelamente à milonga. O termo milonga depois ficou conhecido por ser uma
dança, similar ao tango. Porém, o jeito de dançar milonga muda conforme a região
(Milonga, Música Gaúcha 123, 2021).
No Rio Grande do Sul recebeu conotações riograndenses: lá, a proximidade
com a vaneira originou a milonga dançada nos fandangos gaúchos, que difere da
milonga Argentina. A milonga gaúcha é uma dança calma que, por ter muitas
influências do tango, possui giros lentos entre outros cortantes, lembrando os
ganchos e sacadas do tango (Milonga, Grupo Escolar, 2006).
Há também, outras formas de dançar como: a Milonga Tangueada –
acredita-se que seja uma variante do Tango. É realizada através de passos e/ou
marcações de Marcha. Aproveitando a melodia são ora largos e lentos, ora curtos e
rápidos, em um desenvolver criativo dos dançarinos; e a Milonga Vaneirada –
popularmente denominada “Dois e Dois”, os dançarinos, enlaçados como na Valsa,
realizam passos de polca, livremente, ao som de Milonga (6 curiosidades que tu não
sabias sobre a Milonga, Estância Virtual, 2017).
Suas características musicais são múltiplas, com traços marcantes de acordo
com a variação do estilo: a milonga pampeana ou milonga tradicional, conhecida por
ter, geralmente, andamento lento, em compasso 4/4 ou 2/4, em tonalidade menor, ou
usando escalas menores quando tem tonalidade maior, o que dá a sensação de
melancolia (Milonga, Música Gaúcha 123, 2021).
Já, a milonga arrabaleira ou milongão, geralmente é rápida, com compasso
2/4, as tonalidades similares à milonga tradicional. Na batida do violão do milongão
se usam os chasquidos que são vigorosos e acentuam os dois tempos e tem um
contratempo particular deste tipo de milonga. A milonga corraleira também tem
andamento rápido e em compasso de 2/4, é mais comum a tonalidade menor. Mas,
a característica que une todos os tipos de milonga são os instrumentos usados:
sempre presente o violão e na maioria das vezes a sanfona (Milonga, Música
Gaúcha 123, 2021).
Autora: Monique Martins
Título: Dança de Salão Milonga (FEPART 2018)
Disponível em https://youtu.be/kJSw1xVZXFk
Acesso em: 01/03/2021
Duração: 2:13.
VANEIRA/VANEIRÃO – Clássico Gaúcho
A Vaneira é um gênero musical cuja origem, conforme o nome sugere, é a
Habanera. A Habanera é uma adaptação cubana da Contredance europeia, levada
para Espanha na metade do séc XIX e de lá espalhada para o resto do mundo. O
estilo encontrou grande popularidade na canção La Paloma, de Sebastian Iradier, e
na ária L'amour est un oiseau rebelle, da ópera Carmen, de Georges Bizet.
Originalmente um ritmo lento, por volta de 1866 a Habanera chegou ao Brasil
e, ao incorporar elementos da polca, tornou-se mais rápida, mais dançante e passou
a ser conhecida como Vaneira (WOLFFENBÜTTEL, 2020). Conforme Wolffenbüttel
(2020, p.244), as principais características musicais da Vaneira são: compasso 2/4,
métrica A-A-B-B, utilização de modos maiores e acompanhamento rítmico com as
seguintes estruturas básicas:
A partir da Vaneira, surgem algumas variações, como Vaneirinha e o
Vaneirão. Enquanto na primeira o andamento é mais lento, na última é mais
acelerado. Devido a seu ritmo mais festivo, o Vaneirão é também conhecido como
limpa-banco, em alusão ao fato de que todo mundo levanta para dançar quando
esse tipo de música toca (WOLFFENBÜTTEL, 2020). Quanto à instrumentação, a
princípio utilizava-se apenas o violão e o acordeom, conhecido regionalmente como
gaita. Os grupos contemporâneos, entretanto, executam a Vaneira com todo tipo de
instrumento, como guitarra, contrabaixo elétrico, bateria e pandeiro.
A Vaneira, enquanto dança, assemelha-se ao forró nordestino: os pares ficam
enlaçados e executam passos no padrão “dois pra lá, dois pra cá”, com eventuais
giros. Já a lírica, como na maioria das músicas tradicionais gaúchas, alude aos
costumes e ao modo de vida nos pampas, empregando sempre expressões
regionais características. Como exemplo de Vaneira, podemos citar a canção “Nossa
Vanera”, do grupo Os Serranos.
Autor: evertonveber
Título: Os Serranos – Nossa Venera
Disponível em: https://youtu.be/Z0WpeqlDPEI
Acesso em: 01/03/2021
Duração: 4:18
JUSTIFICATIVA:
A principal razão para a escolha dessas três manifestações é a riqueza de
elementos a serem explorados do ponto de vista pedagógico. Todas as três
envolvem dança, música, aspectos cênicos e até mesmo lúdicos, como no caso da
Chula, que pode ser facilmente assimilada pelos alunos como uma "brincadeira de
adultos". As três são também manifestações de denso valor histórico e simbólico;
verdadeiros expoentes de resiliência e luta do povo gaúcho pela manutenção de
suas tradições frente aos desafios impostos pela geografia, pelo clima e pelos
recorrentes conflitos armados dos séculos passados. Muito além do contexto da
educação musical, o estudo da Milonga, da Chula e do Vaneirão demanda uma
abordagem transversal e interdisciplinar, que transborda para áreas como a história,
a geografia e a educação física.
Outro aspecto que justifica a escolha é o fato de ainda haver, não apenas em
relação a essas três manifestações, mas a toda produção musical tradicional
gaúcha, pouco material bibliográfico disponível. Conforme apontado por Cougo
Júnior, trata-se de uma lacuna na historiografia musical brasileira, cujo olhar tende a
ser concentrado na região Sudeste - especialmente no eixo Rio-São Paulo (COUGO
JÚNIOR, 2012). Nos propomos portanto, enquanto acadêmicos, a contribuir para a
ampliação e difusão do estudo de manifestações culturais descentralizadas desse
eixo.
MILONGA
Uma manifestação cultural multinacional
Contextualização e Curiosidades:
A Milonga é uma manifestação cultural muito forte do Rio Grande do Sul,
Argentina e Uruguai.
Segundo Nunes e Jesus, (2019, p.03), o termo Milonga possui vários
significados, como gênero musical, tipo de dança, espaço utilizado para prática de
dança e, também, para denominar alguns tipos de eventos sociais.
Sua origem é bastante controversa e há quem diga que sua origem é
rio-grandense, outros afirmar que nasceu na Argentina e outros no Uruguai (RAMIL,
2009, p. 21 apud NUNES E JESUS 2019, p.3).
Há registros da presença da Milonga, no folclore uruguaio, por volta de 1870,
(AYESTARÁN, 1967, p. 67 apud NUNES E JESUS 2019, p.3). Vega (2016, p. 67
apud NUNES E JESUS 2019, p.3) no entanto não se encontra registros do
aparecimento da Milonga, tanto como canto quanto como dança, na Argentina antes
de 1880.
A entrada da Milonga no território brasileiro, pelo Rio Grande do Sul,
aconteceu pelas regiões fronteiriças entre Itaqui (divisa com Argentina) até Jaguarão
(divisa com o Uruguai) (ALVARES, 2007, p. 13). O que reforça o papel da cultura,
em especial da cultura milonguera, como unificador de “povos apartados por
montanhas, desertos, rios ou linhas imaginárias” (CARRARO; MACHADO, 2018, p.
78).
De acordo com Ayestarán (1967, p. 67 apud NUNES E JESUS 2019, p.4) no
final do século XIX a Milonga apresentava três características: 1) canção criolla que
se molda com estrofes de quatro, seis, oito e dez versos; 2) usada para “Payada de
Contrapunto”; e, 3) utilizada com acompanhamento de baile, ainda em estágio
embrionário, de pares que dançavam entrelaçados. Vega (2016, p. 70 apud NUNES
E JESUS 2019, p.3) reforça que até 1880, na província e subúrbios de Buenos
Aires, havia três variedades de Milonga: 1) acompanhamento arpejado que segue
determinado padrão rítmico; 2) melodia vocal ou instrumental com frases de quatro,
oito ou dez versos em geral e 3) Milonga enquanto dança.
Milonga como dança:
No final do século XIX, a Milonga aparece como uma dança popular das
cercanias de Buenos Aires e Montevidéu influenciada pela Habanera cubana e pelo
Tango espanhol (VEGA 2016, p. 73 apud NUNES E JESUS 2019, p.3) e que é
assimilada pelo tango argentino (HOUAISS; VILLAR, 2001, p. 1924). Por serem
parecidos e serem influências um do outro, a Habanera cubana, o Tango espanhol e
a Milonga se confundiram mutuamente e era comum chamar um desses gêneros
com o nome de outro (GOBELLO, 1999, p. 19 apud NUNES E JESUS 2019, p.3).
Interessante notar que a dança surgiu antes da música, uma vez que, a
Milonga aparece primeiramente como uma forma de dançar um repertório musical já
estabelecido nos bailes (CHASTEEN 2004, p. 19 apud NUNES E JESUS 2019, p.3).
Além dessa relação íntima com o Tango, é importante salientar que a Milonga
possui diferentes formas de se dançar, a depender da região em que é praticada. No
Uruguai, as Milongas nativas eram chamadas de “criollas” enquanto as argentinas
se intitulavam “porteñas” (SÁNCHEZ apud VEGA, 2016, p. 68). Essas últimas se
caracterizariam por ser bailadas com mais torções de corpo do que aquelas
primeiras. Já no Rio Grande do Sul, a Milonga para dançar é “alegre, em tom maior,
apropriada ao som forte do acordeom” (RAMIL, 2009, p. 22 apud NUNES E JESUS
2019, p.3).
A Milonga tem papel de destaque no cenário gaúcho e atualmente podemos
observar três estilos principais de dançá-la: Milonga tangueada dançada com passos
de marcha, Milonga vaneirada executada com passos de vaneira e Milonga
riograndense que é bailada no popular 2 e 1 (DANÇAS..., 2010).
Espaço de Dança:
Quando nos referimos à Milonga como espaço de dança, ela significar o
espaço físico em que o baile é realizado. Eles servem de encontro para praticantes
do Tango, assim como da própria Milonga (CAROZZI apud MONDINI BUENO,
2015).
Para um espaço ser identificado como Milonga “tem que acontecer uma
reunião de dançadores de Tango de alguma espécie” (SAVIGLIANO, 2000, p. 92).
Nesses espaços são executados o que se chamam de tandas (uma
sequência de três a quatro canções do mesmo estilo) e entre as tandas é executada
uma música chamada de “cortina” que indica que os bailarinos podem voltar aos
seus lugares e convidar outras pessoas para bailar (HATCHUEL, 2012, p. 69 apud
NUNES E JESUS 2019, p.3).
Aspectos Musicais:
Ayestarán comenta a evolução da Milonga ao longo do tempo, que
inicialmente surgiu com apenas duas frases (quatro compassos) e depois surgira a
Milonga de quatro frases (oito compassos) (1967, p. 71 apud NUNES E JESUS
2019, p.3). Nos dias de hoje podemos ver variadas estruturas para a Milonga como
as coplas, sextilhas, oitavas e décimas (SCHWARTZ, 2017, p. s/p.).
As Milongas servem de base musical para realização das payadas que podem
ser individuais ou como forma de disputa entre dois payadores. (AYESTARÁN, 1967,
p. 68 apud NUNES E JESUS 2019, p.3).
Ela possui outras variantes, como por exemplo: a Milonga pampeana (de
andamento lento e, geralmente em tonalidade menor), a Milonga arrabaleira (de
andamento mais rápido e, também, em sua maioria executada em tonalidade menor)
e a Milonga corraleira (de andamento rápido e raramente executada em tonalidade
maior). O primeiro estilo também pode ser chamado de milonga-canção.
(MEDEIROS; SILVA 2014, p. 149-154)
Suas características musicais são múltiplas, com traços marcantes de acordo
com a variação do estilo: a milonga pampeana ou milonga tradicional, conhecida por
ter, geralmente, andamento lento, em compasso 4/4 ou 2/4, em tonalidade menor, ou
usando escalas menores quando tem tonalidade maior, o que dá a sensação de
melancolia (Milonga, Música Gaúcha 123, 2021).
Já, a milonga arrabaleira ou milongão, geralmente é rápida, com compasso
2/4, as tonalidades similares à milonga tradicional. Na batida do violão do milongão
se usam os chasquidos que são vigorosos e acentuam os dois tempos e tem um
contratempo particular deste tipo de milonga. A milonga corraleira também tem
andamento rápido e em compasso de 2/4, é mais comum a tonalidade menor. Mas,
a característica que une todos os tipos de milonga são os instrumentos usados:
sempre presente o violão e na maioria das vezes a sanfona (Milonga, Música
Gaúcha 123, 2021).
Aspectos Sociais:
As Milongas, enquanto eventos sociais, não têm calendário e nem lugar
pré-definido: podem ser anuais, diárias ou esporádicas como também em um salão
de danças, em uma casa particular ou até mesmo nas ruas (SAVIGLIANO, 2000, p.
92).
Segundo Nunes e Jesus (2019, p.08), a Milonga quando analisada sob o
aspecto de espaço de dança, pode ser comparada às gafieiras de Samba, no caso
da Milonga enquanto evento social, pode ser comparada com as reuniões de samba
realizadas para o pessoal tocar, dançar, comer, beber e praticar todos rituais
presentes nesse tipo de evento
Dança: Milonga
Autor: CTG Tropeiros da Fé - Ibiaçá RS
Título: Que milonga – CTG Tiarayú
Disponível em: https://youtu.be/jMlUBwqlzXw
Acesso em: 01/03/2021
Duração: 3:32
Espaço de dança: Milonga
Crédito: <https://estanciavirtual.com.br/>
Principais instrumentos utilizados na Milonga:
Crédito: (CARRARO; MACHADO, 2018, p. 84).
Trecho melódico característico da milonga arrabalera. Transcrito por
Ghadyego Carraro.
Crédito: (CARRARO; MACHADO, 2018, p. 84).
Trecho de condução rítmica característica da milonga arrabalera. Transcrito
por Alvares (2007)
Crédito: (CARRARO; MACHADO, 2018, p. 84).
Trecho característico da milonga pampeada. Arranjo para contrabaixo e violão.
Transcrito por Ghadyego Carraro (2010).
Crédito: (CARRARO; MACHADO, 2018, p. 85)
Partitura da Milonga instrumental mais conhecida:
Crédito: https://musescore.com/user/567546/scores/1062971
Primeira Milonga gravada no Rio Grande do Sul
MILONGA DO BEM QUERER
Compositor: Cláudio Pinto
É lei que Deus deu ao mundo
desde que o mundo tem nome
o homem gostar da mulher
e a mulher gostar do homem
Nos lugares chamam de amor
as coisas do coração
no Rio Grande é bem querer
ou começo da paixão
no Rio Grande é bem querer
bem querer é querer bem
ter carinho ter doçura
aquecer alma de alguém
No compasso da milonga
vou explicar pra quem quiser
como é que ama o gaúcho
quando quer bem a mulher
O gaúcho entre os homens
é rude homem também
mas de todo se transforma
pra mulher a quem quer bem
e quantas palavras ternas
ele diz a gauchinha
minha jóia, meu tesouro
se traduz por: Prenda Minha
Pra guardar esse tesouro
nem o cedro nem o pinho
nem o aço é mais seguro
do que o barro de um ranchinho
cofre da felicidade
que não se abre com o luxo
pois a chave é o bem querer
é assim que ama o gaúcho
Nos lugares chamam de amor
as coisas do coração
no Rio Grande é bem querer
ou começo da paixão
pra guardar esse tesouro
nem o cedro nem o pinho
nem o aço é mais seguro
do que o barro de um ranchino
cofre da felicidade
que não se abre com o luxo
pois a chave é o bem querer
é assim que ama o gaúcho
Milonga Do Bem Querer
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
A HISTÓRIA da milonga, Repórter Riograndense, 2020. Disponível em:
<https://www.reporterriograndense.com.br/2019/04/a-historia-da-milonga.html>.Aces
so em 01/03/2021.
ALVARES, Felipe Batistella. Milonga, chamamé, chimarrita e vaneira: origens,
inserção no Rio Grande do Sul e os princípios de execução ao contrabaixo.
2007. 35p. Monografia (Licenciatura em Música), Faculdade de Música,
Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2007. Disponível em:
<http://docplayer.com.br/26568264-Milonga-chamame-chimarrita-e-vaneira-origens-i
nsercao-no-rio-grande-do-sul-e-os-principios-de-execucao-ao-contrabaixo.html>.
Acesso em: 01/03/2021
ARENHARDT, Ramon Luiz. O movimento tradicionalista gaúcho na perspectiva
de crianças e adultos: o que ensinam e aprendem em centros de tradições
gaúchas de Mato-Grosso. Rondonópolis: Programa de Pós-Graduação em
Educação do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da UFMT, 2014.
BAPTISTA, Íria Catarina Q. Um lugar chamado gaúcho: invenções da identidade
sul-rio-grandense por meio da música. Palhoça: Programa de Pós-Graduação em
Ciências da Linguagem da UNISUL, 2017.
CARRARO, Ghadyego; MACHADO, Jeremias. Entre acordes e versos: da
identidade fronteiriça aos aspectos históricos e estruturais da milonga.
RIHGRGS, Porto Alegre, n.154, p.77-88, jul. 2018. Disponível em:
<https://seer.ufrgs.br/revistaihgrgs/article/view/79588/49035>. Acesso em:
01/03/2021
CHULA, Danças Folclóricas, 2011. Disponível em:
<https://dancasfolcloricas.blogspot.com/2011/04/chula.html>. Acesso em:
01/03/2021.
COUGO JÚNIOR, Francisco. A historiografia da música gauchesca: apontamentos
para uma história. Contemporâneos - revista de artes e atualidades, Santo André,
n.10, mai/out 2012.
CTG Rancho da Saudade no ENART: “Que venha a Chula”, Eco da Tradição.
Disponível em:
<https://www.ecodatradicao.com.br/ctg-rancho-da-saudade-no-enart-que-venha-chul
a-2/>. Acesso em: 01/03/2021
LUVIZOTTO, Caroline Kraus. As tradições gaúchas e sua racionalização na
modernidade tardia. São Paulo: Editora UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica,
2010. 140p.
MEDEIROS, Daniel Ribeiro; SILVA, Danilo Kuhn da. Ares de milonga:
apontamentos sobre elementos característicos como bases para performance.
DAPesquisa, Florianópolis, v.9, n.11, p. 144-168, 2014. Disponível em:
<http://www.revistas.udesc.br/index.php/dapesquisa/article/view/8174>. Acesso em:
01/03/2021
MILONGA, Grupo Escolar, 2006. Disponível em:
<http://www.grupoescolar.com/pesquisa/milonga.html>. Acesso em 01/03/2021
MILONGA, Música Gaúcha 123, 2021. Disponível em:
<http://musicagaucha123.blogspot.com/p/milonga.html>. Acesso em: 01/03/2021
MONDINI BUENO, Rafael. Comme il faut: os códigos nas milongas relajadas em
Buenos Aires. 2014. 165p. Monografia (Graduação em Ciências Sociais),
Faculdade de Ciências Sociais, Universidade Federal de Santa Catarina,
Florianópolis, 2015. Disponível em:
<https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/128345>. Acesso em: 01/03/2021.
NUNES, Bruno Blois; JESUS, Thiago Silva de Amorim. A Milonga e o Pampa:
atravessamentos culturais entre Brasil, Argentina e Uruguai. Revista
Latino-Americana de Estudos em cultura e Sociedade, Brasil, V.05, ed. Especial,
abr., 2019
SAVIGLIANO, Marta E. Corpos noturnos, identidades embaçadas, projetos
anômalos: seguindo os passos de Cortázar nas milongas de Buenos Aires.
Cadernos Pagu, Campinas, n.14, p.87-127, 2000. Disponível em:
<https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8635343/3142
>. Acesso em: 01/03/2021.
SEIS curiosidades que tu não sabias sobre a milonga, Estância Virtual, 2017.
Disponível em:
<https://estanciavirtual.com.br/inicial/2017-03-04-6-curiosidades-que-tu-n-c3-83o-sab
ias-sobre-a-milonga/>. Acesso em: 01/03/2021
WOLFFENBÜTTEL, Cristina Rolim. Música no Rio Grande do Sul: conhecendo as
origens e alguns gêneros musicais. Revista da FUNDARTE. Montenegro,
p.254-277, ano 20, n.40, janeiro/março 2020. Disponível em:
http://.seer.fundarte.rs.gov.br/index.php/RevistadaFundarte/index> 31 de março de
2020.