Controle de insetos-praga: qual método é mais
apropriado?
Brasil é um país de grande potencial na produção de grãos, hortaliças e frutas,
pois, as diferentes espécies se adaptam aos mais variados ecossistemas, em
virtude dos aspectos fisiológicos das plantas se estabelecerem bem com o
clima tropical.
Apesar dos fatores climáticos favorecerem um bom estabelecimento das
diversas culturas, a produção brasileira, de algumas delas, não se encontra
dentro de níveis desejados. Vários fatores contribuem para que essa produção
não alcance patamares mais satisfatórios, destacando-se a utilização de pouca
ou nenhuma tecnologia, devido ao baixo nível de capitalização dos pequenos
produtores que respondem por aproximadamente 60% da produção nacional.
Um outro fator é o ataque de insetos-pragas, que causam danos variáveis de
acordo com as condições ambientais e culturais a qual estiverem submetidos,
como por exemplo, o estabelecimento de monoculturas, a ocorrência de longos
períodos de estiagem, cultivo safrinha, etc.
Dentre os métodos de controle utilizados destacam-se: controle cultural,
controle químico e controle biológico.
Controle Cultural
Caracteriza-se pela utilização de medidas capazes de afetar a disponibilidade
de alimento ao inseto e que pode reduzir a incidência da praga. Tais medidas,
como técnicas de preparo do solo, rotação de culturas, aração e gradagem,
época de semeadura, manejo de plantas daninhas, adubação verde, uso de
cultivares resistentes, destruição de restos culturais, etc., contribuem de
maneira marcante no combate as pragas de diversas culturas.
Controle Químico
Na agricultura, o controle químico é atualmente o método mais utilizado tanto
por pequenos, médios e grandes produtores, e consiste no uso de produtos
químicos (inseticidas, fungicidas, bactericidas, herbicidas, etc) para se controlar
pragas e doenças.
Apesar de sua ação rápida e eficácia, o uso de produtos químicos vem sendo
reduzido, pois, na maioria das vezes, ocasionam o desenvolvimento de
populações resistentes do inseto, o aparecimento de novas pragas ou a
ressurgência de outras, ocorrência de desequilíbrio biológico, efeitos
prejudiciais ao homem e outros animais, além do seu alto custo, fazendo-se,
portanto, necessário à busca de alternativas que minimizem os efeitos
adversos dos inseticidas sintéticos sobre o meio ambiente.
O controle químico só deve ser utilizado quando a praga atingir níveis
populacionais críticos ou atingir dano que justifique o custo do tratamento e os
riscos ao homem e ao ambiente. Portanto, nessas condições, pode-se
recomendá-lo sempre que existir possibilidade de retomo econômico.
Controle Biológico
O Controle Biológico é um processo natural que se constitui no controle de
populações com o uso de inimigos naturais. Atualmente, o controle biológico é
abordado com uma visão intra e inter-específica, onde seu uso contribui com o
aumento da sustentabilidade dos agroecossistemas e com a preservação dos
recursos naturais.
O controle biológico é um dos principais suportes do Manejo Integrado de
Pragas (MIP), e caracteriza-se pela manutenção dos inimigos naturais
existentes, ou pela criação e liberação de predadores, patógenos e
parasitóides, sendo, a manutenção dos inimigos naturais feita,
preferencialmente, pela aplicação de produtos seletivos, visando sua
preservação a fim de se evitar possíveis desequilíbrios, com o aumento no
surto dos insetos-praga.
O Controle Biológico destaca-se por ser um método seguro, permanente e
econômico. Seguro, uma vez que muitos inimigos naturais são específicos,
evitando-se assim o ataque de espécies que não sejam alvos. Permanente,
desde que não sofra qualquer interferência, pois os inimigos naturais
continuam a atuarem com eficiência por vários anos, sem que seja preciso a
interferência humana. É um método relativamente econômico, pois, quando
implementado, os inimigos naturais estarão presentes e pouco precisará ser
feito, a não ser evitar práticas que o afetem.
Dentre as desvantagens, é que o controle biológico pode levar muito tempo
para ser colocado em prática, em decorrência das pesquisas e de outros
processos envolvidos na sua implementação, além de que, os resultados do
uso de práticas de Controle Biológico não são tão rápidos como aqueles do uso
de pesticidas, e a maioria dos inimigos naturais atacam somente tipos
específicos de animais, ao contrário dos inseticidas de grande espectro.
O ideal seria a utilização do controle biológico em associação com inseticidas
seletivos sem trazer danos ao meio ambiente, a saúde humana e a fauna
benéfica. Fazendo-se essa associação, une-se o útil ao agradável, e dessa
forma teremos resultados promissores!
Aldeni Barbosa da Silva
Biólogo Doutorando em Agronomia, CCA/UFPB, Areia, PB.
Contatos:
[email protected]Jacinto de Luna Batista
Professor Adjunto do Departamento de Fitotecnia, CCA/UFPB, Areia, PB.
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[email protected]