Fundamentos de
Eletromagnetismo
Histórico do Magnetismo
Prof. Velington de Aquino Neumann
• As primeiras manifestações do magnetismo foram observadas na Grécia
Antiga, na região chamada Magnésia, antes do nascimento de Cristo.
• Foram encontradas pedras especiais que atraíam pedaços de ferro e se
atraiam e repeliam mutuamente.
• Tal pedra foi chamada de magnetita e hoje se sabe que é uma espécie
de óxido de ferro ( Fe2O3 ).
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• A magnetita é o ímã natural que, no princípio, era apenas
um objeto de curiosidade, deu origem a este importante
ramo da Física: o eletromagnetismo.
• O funcionamento das máquinas elétricas,
transformadores e outros aparelhos está baseado
totalmente no conhecimento das leis do
eletromagnetismo. Daí surge a grande importância deste
assunto.
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Ímãs
Naturais Artificiais
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Ímãs naturais
• O único ímã natural é a magnetita.
• Sua utilidade é, no entanto, apenas histórica.
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Ímãs artificiais
• Os ímãs usados para qualquer utilidade prática são
artificiais.
• Estes são baseados na magnetização através da
corrente elétrica.
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Ímãs artificiais
Temporários Permanentes
(eletroímãs)
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Ímãs artificiais Temporários (eletroímãs)
• Só produzem efeitos magnéticos enquanto for mantido o
campo indutor que os magnetiza, ou seja, enquanto houver
corrente elétrica na bobina magnetizadora.
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Ímãs artificiais Permanentes
• Retêm sua magnetização por tempo praticamente
ilimitado depois de cessado o campo magnetizante que
os imantou.
• Os materiais usados na fabricação dos mesmos são
basicamente: Aço, Ferrite, Alnico e Terras Raras.
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Pólos de um ímã
• Nota-se que os pedacinhos de ferro são atraídos para
determinadas regiões do ímã como se ali estivessem
concentradas todas as propriedades dos mesmos.
• Por este motivo estas regiões são chamadas de pólos do
ímã.
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Forças de atração e repulsão
• Cada região destas possui propriedades diferentes
(inversas) da outra.
• Verifica-se que, ao serem aproximadas regiões diferentes,
há atração entre as mesmas e se as regiões forem de
mesma natureza há repulsão
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Forças de atração e repulsão
Pólos magnéticos iguais se repelem
e pólos contrários se atraem.
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Magnetismo Terrestre
• Desde remotos tempos, navegadores se orientavam pelo uso da
bússola que é uma agulha imantada suspensa pelo centro de
gravidade com o mínimo de atrito.
• Uma das pontas sempre apontava para o polo norte geográfico
da Terra e por isto convencionou-se chamar aquela ponta da
bússola de polo norte e a outra de polo sul.
• Daí surgiram as denominações norte e sul para o magnetismo.
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Magnetismo Terrestre
• Com o avanço do conhecimento percebeu-se, então, que o pólo Norte
geográfico da Terra se comportava como um poderoso pólo Sul
magnético e o pólo Sul geográfico como um pólo Norte magnético.
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Representação do campo magnético
• O campo magnético é a região do espaço onde se observam os efeitos
magnéticos, isto é, a atração e repulsão de ímãs e pedaços de ferro.
• O campo magnético é invisível assim como também são o campo gravitacional
e o campo elétrico.
• Para facilidade de estudo adotou-se o conceito de linhas de indução ou linhas
de força magnéticas.
• Tais linhas são coincidentes com as linhas formadas pela orientação das
limalhas de ferro quando espargidas sobre uma folha de papel dentro de um
campo magnético.
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Representação do campo magnético
• Conforme a distribuição do campo magnético no espaço obtém-se um
espectro magnético característico.
• Foi convencionado que o sentido das linhas de indução é tal que elas saem
do pólo Norte e dirigem-se para o pólo Sul por fora do ímã.
• Bússolas colocadas dentro do campo magnético apontam no sentido das
linhas de força.
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Teoria molecular do magnetismo
Inseparabilidade dos pólos de um ímã
• Os polos de um ímã
são inseparáveis
porque as linhas de
indução são fechadas,
portanto, para cada
pedaço, o ponto de
saída das linhas de
força será norte e o
ponto de entrada será
Fracionamento de um ímã sul.
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Teoria molecular do magnetismo
Teoria de Weber-Ewing
• A constatação da inseparabilidade dos polos de um ímã levou os
cientistas a concluírem que um material magnetizável é composto
por ímãs elementares ou ímãs moleculares.
• Cada átomo contém elétrons circulando em órbitas elípticas em
torno do núcleo.
• A circulação dos elétrons nada mais é do que microcorrentes
elétricas.
• É sabido que os fenômenos magnéticos são originados das
correntes elétricas.
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Teoria molecular do magnetismo
Teoria de Weber-Ewing
• O fato de que este movimento de elétrons produz efeitos
magnéticos não implica em que todos os materiais tenham
propriedades magnéticas pois o efeito causado por um elétron
girando na sua órbita, é totalmente cancelado pelos outros
elétrons devido às suas órbitas serem mais ou menos aleatórias .
• Os materiais magnéticos têm átomos cujas órbitas dos
elétrons são mais ou menos coincidentes e produzem efeitos
magnéticos não-nulos.
• O ferro, níquel e cobalto e suas ligas apresentam estas
características.
• Grupos destes átomos formam pequenos domínios (regiões) que
são os chamados ímãs elementares. Prof. Velington de Aquino Neumann
Teoria molecular do magnetismo
Enunciado da Teoria de Weber-Ewing
• Os materiais magnéticos são compostos por ímãs ou domínios
elementares.
• Quando o material está desmagnetizado estes ímãs estão
orientados ao acaso e o seu efeito magnético externo é
nulo.
Material magnético desmagnetizado
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Teoria molecular do magnetismo
Enunciado da Teoria de Weber-Ewing
• Submetendo-se este material a um campo magnético indutor
externo há um processo de orientação dos ímãs elementares.
• Desta forma o material passa a apresentar seu próprio campo
magnético (campo induzido) e reforça o campo naquela região.
Material magnético magnetizado
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Teoria molecular do magnetismo
Enunciado da Teoria de Weber-Ewing
• Quando é aproximado um pedaço
de ferro de um ímã, seus ímãs
elementares se orientam e este
pedaço de ferro se transforma num
ímã temporário com polaridades
tais que sempre há atração.
• Se for aproximado um outro pedaço
Atração de pregos de ferro deste primeiro, este último
também será imantado a haver
atração.
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Teoria molecular do magnetismo
Comprovação da Teoria de Weber-Ewing
Figuras de Akulov
• Polindo-se um material magnético a ponto de espelhamento e espargindo-
se micro-limalhas de ferro na sua superfície formam-se micro-regiões
visíveis a microscópio.
• Estas regiões formam as chamadas figuras de Akulov. Cada uma tem uma
dimensão de 10 a 100 micra que corresponde à dimensão dos domínios
magnéticos.
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Processos de magnetização e
desmagnetização
• Para magnetizar uma material magnetizável é suficiente
submetê-lo a um campo magnético externo suficientemente
forte, geralmente criado à base de corrente elétrica ou por um ímã
pré-existente.
• Quando o campo magnético indutor for muito forte ele é capaz de
orientar todos os domínios magnéticos (ímãs elementares).
• Quando isto acontece não há mais possibilidade do campo
induzido crescer mais por mais que o campo magnetizante seja
aumentado.
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Processos de magnetização e
desmagnetização
• Nesta situação diz-se que o material está saturado.
Material totalmente magnetizado (saturado)
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Processos de magnetização e
desmagnetização
Para desmagnetizar pode-se submeter o material a:
a) um campo contrário à sua magnetização. Este campo deve ter
intensidade controlada para não magnetizar o material em sentido
contrário;
b) um campo magnético alternado e decrescente;
c) uma temperatura elevada, superior à temperatura de Curie. Nesta
temperatura o material perde todas as suas propriedades magnéticas
devido à agitação molecular.
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Processos de magnetização e
desmagnetização
Para desmagnetizar pode-se submeter o material a:
d ) vibrações ou choques mecânicos intensos. Neste caso também a
agitação molecular é a responsável pela desorganização dos ímãs
elementares.
Material sendo desmagnetizado
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Histórico do eletromagnetismo
• Até 1820, a eletricidade e o
magnetismo eram
considerados e estudados
como se fossem fenômenos
completamente
independentes.
• Neste ano o físico
dinamarquês Hanz Christian
Oersted notou que uma
bússola deflexionava quando
havia corrente em Hanz Christian Oersted (1777-1851)
condutores próximos.
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Histórico do eletromagnetismo
• Havia descoberto, então, a
primeira relação entre a
eletricidade e o magnetismo, ou
seja, que a corrente elétrica é
capaz de criar campo magnético.
• A partir daquele momento, o
magnetismo passou a ser
considerado como um dos efeitos
da corrente elétrica.
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Dispositivos clássicos de criação de campos
magnéticos
Fio retilíneo
• Um fio retilíneo, que é atravessado por corrente
elétrica, produz no seu redor um campo magnético com
linhas de força circulares e concêntricas com o
condutor.
• Isto pode ser observado com uma bússola ou com a
experiência das limalhas de ferro. O sentido das linhas
de força depende do sentido da corrente no condutor.
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Dispositivos clássicos de criação de campos
magnéticos
Regra da mão direita para condutores
Regra da mão direita para condutor retilíneo com corrente elétrica
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Dispositivos clássicos de criação de campos
magnéticos
Espira única com corrente
Espira com corrente
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Dispositivos clássicos de criação de campos
magnéticos
Solenóide
Campo magnético criado por solenóide
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Dispositivos clássicos de criação de campos
magnéticos
Regra da mão direita para bobinas
• Agarra-se a bobina com a mão direita com os quatro
dedos indicando o sentido da corrente na mesma, com isto
o polegar dará o sentido das linhas de força no interior da
bobina.
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Dispositivos clássicos de criação de campos
magnéticos
Toróide
Toróides
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Comparação entre ímãs permanentes e
eletroímãs
• Um campo magnético produz o mesmo efeito, não
importando se sua origem é um eletroímã ou um ímã
permanente.
Ímãs Permanentes eletroímã
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Comparação entre ímãs permanentes e
eletroímãs
• No entanto, existem certas vantagens de usar um ou outro
em determinadas aplicações.
Eletroímãs Ímã Permanente
1. Possibilidade de variação 1. Nenhum consumo de energia
da intensidade do campo elétrica;
magnético; 2. Facilidade de construção de
2. Possibilidade de inversão peças pequenas e detalhadas.
da polaridade;
3. Facilidade de obtenção
de campo muito intenso;
4. Possibilidade de anulação
do campo magnético.
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Fluxo magnético e indução magnética
• Fluxo magnético e indução magnética são duas
grandezas importantes e de interesse imediato no
estudo do eletromagnetismo portanto as suas
interpretações devem ficar bem claras.
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Fluxo magnético (Ø)
• É a quantidade de linhas de força (ou de indução)
que atravessa uma certa superfície.
• O fluxo é, portanto, uma grandeza associada a uma certa área.
Definição de fluxo magnético
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Fluxo magnético (Ø)
• O fluxo é, portanto, uma grandeza associada a uma certa
área.
• Sua unidade, no Sistema CGS, é a uma linha ou um
Maxwell, porém, no Sistema Internacional de Unidades (SI
ou MKS), é um Weber (Wb).
• Um Weber é uma unidade bastante grande e representa
uma quantidade de 108 linhas de força por isto
geralmente são usadas subunidades. ( 1 mWb = 10-3 Wb;
1 Wb = 10-6 Wb )
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Fluxo magnético (Ø)
A relação entre existente entre as unidades de
fluxo é:
1 Weber = 108 Maxwell = 108 linhas
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Indução magnética ou densidade de fluxo magnético (B)
Indução magnética (B) é o vetor cujo módulo é a razão entre o fluxo
magnético que passa numa área, colocada perpendicularmente às
linhas de força, e o valor desta área e cujo sentido é o mesmo da reta
tangente à linha de força no ponto considerado.
B
Sn
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Indução magnética ou densidade de fluxo magnético (B)
B
Sn
u ( ) 1 Wb
u ( B) u ( B) SI 2
1 Tesla
u(S ) 1m
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Indução magnética ou densidade de fluxo magnético (B)
• A indução pode ser medida diretamente por
gaussímetro (ou teslímetro).
• O fluxo, quando a secção for perpendicular à indução,
pode ser calculado pelo produto da indução pela área
da seção.
= B. Sn
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Indução magnética ou densidade de fluxo magnético (B)
Exemplo resolvido 11.1: Um transformador de distribuição trabalha com um
campo magnético variável senoidalmente no tempo cuja indução máxima
vale 1,6 T. A figura correspondente à seção transversal do seu núcleo é um
retângulo de 12cm x 10 cm. Calcule a indução máxima em Gauss e o seu
fluxo magnético máximo em Maxwell e em Weber.
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Indução magnética ou densidade de fluxo magnético (B)
Exemplo resolvido 11.1: Um transformador de distribuição trabalha com um
campo magnético variável senoidalmente no tempo cuja indução máxima
vale 1,6 T. A figura correspondente à seção transversal do seu núcleo é um
retângulo de 12cm x 10 cm. Calcule a indução máxima em Gauss e o seu
fluxo magnético máximo em Maxwell e em Weber.
Solução:
Sn = 12cm x10cm = 120 cm2; 1cm2 = 1x10-4m2 Sn = 120 x10-4 m2 = 0,0120 m2
Bmax = 1,6 T; 1T = 10000 Gauss Bmax = 1,6 T = 16000 Gauss
max = Bmax.Sn = 1,6 T x 120 x10-4 m2 = 0,0192 Wb = 19,2 mWb
1 Wb = 1x108 Maxwell max =19,2 mWb = 19,2x10-3x108 Maxwell = 1,920x106 Maxwell
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Indução magnética ou densidade de fluxo magnético (B)
• Quando a indução não é perpendicular à seção pode-se
decompô-la em duas componentes ortogonais: Componente
normal e a componente tangencial
• A componente 𝐵𝑛 é normal
( perpendicular ) ao plano da
superfície enquanto que 𝐵𝑡 é
tangencial a este plano.
• Evidentemente, é a
componente normal que
determina o fluxo que
Posição relativa entre seção e o vetor indução
atravessa a superfície
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Indução magnética ou densidade de fluxo magnético (B)
onde:
𝜙 = 𝐵𝑛 . 𝑆 mas 𝐵𝑛 = 𝐵 . cos 𝛾 = ângulo entre a
normal à superfície e a
indução
𝝓 = 𝑩 . 𝑺. 𝐜𝐨𝐬 𝜸
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