Tema 4: Raízes da equação não linear
I. INTRODUÇÃO
Considerando a equação ( ) (1), sendo ( ) uma função contínua no intervalo
aberto (a,b). Chamaremos raízes da equação ao número tal que ( ) .
O problema de determinação de raízes da equação (1) é aberto, isto é, não existe
ainda um método geral para resolvê-lo.
Caso ( ) for polinómio com grau 4, existem métodos exactos para calcular todas
as raízes da equação, mas para os polinómios com grau 5 é impossível obter as
raízes pelos tais métodos.
Os métodos que vamos estudar neste capitulo são todos iterativos.
Método iterativo geral
Método bissecção (dicotomia)
Método das secantes
Método das tangentes
Vamos supor que a função f(x) tem as suas derivadas ( ) ( ) e são contínuas
nos intervalos relativos ao nosso estudo.
II. LOCALIZAÇÃO DAS RAÍZES
1. Para aplicar os métodos iterativos devemos saber um intervalo que contem
exactamente uma raiz da equação (1). Este problema é também aberto.
Na prática podemos utilizar o seguinte teorema de BOLZANO.
Teorema de Bolzano: se ( ) for uma função contínua num intervalo
fechado [a,b] e troca de sinais nos extremos desse intervalo então existe pelo
menos uma raiz real da equação (1) no intervalo aberto (a,b).
O facto que a função troca de sinais nos extremos do intervalo [a,b] tem uma
equivalência matemática:
( ) ( )
Assim o teorema é simplesmente enunciado como o seguinte:
Se ( ) ( ) raízes.
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Exemplo:
1. Considere a equação a função ( ) é determinado
, sendo assim faremos a tabela de valores da função só com .
1 3 4
( ) -3.2 -0.5 0.1 2.4
Troca de sinais
Apanhamos o intervalo [ ,3] onde ( ) troca de sinal, pelo teorema, existe pelo menos
uma raiz da equação. Para saber o número exacto de raízes neste intervalo, é preciso usar
a primeira derivada.
( ) ( )
A derivada é positiva no intervalo [ ], isto é, a função ( ) é monotonamente
crescente, e a raiz é única.
No intervalo em que a função não troca de sinais, a equação pode não ter raízes, mas
também pode ter várias raízes.
2. Interpretação geométrica do sinal do produto ( ) ( ).
Se ( ) ( ) , ou ( ) ( ) são de sinais opostos; a equação ( ) , tem um
número ímpar de raízes
0 a b a 0 b
( ) ( )
( ) ( )
1 raiz 1 raiz
a b a b
3 raízes 3 raízes
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Se ( ) ( ) ou ( ) ( ) são de mesmos sinais, o número de raízes pode ser zero
ou par.
a b a b a
0 raízes 2 raízes 4 raízes
Raiz dupla: é raiz da função ( ) , e também da ( ) ;caso por exemplo da função
( )
( )
|
( )
Raiz dupla é considerada 2 vezes.
III. MÉTODOS ITERATIVOS.
Vamos supor que no intervalo [a,b], existe exactamente uma raiz da equação (1).
1. Método de bissecção (ou dicotomia)
Critério.
a c b
Como hipótese, a raiz é única no intervalo [a,b], isto é ( ) ( ) . Divide-se o
intervalo [a,b] em duas partes iguais.
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[ ] [ ],
[ ] [ ]
A raiz é única, então só pode ficar ou no , ou no . Para reconhecer o intervalo
que contém a raiz, testamos a condição:
( ) ( )
CASO SIM: contém a raiz
CASO NÃO: contém a raiz
Repetir esse processo com o sub-intervalo que contém a raiz, ate que o
comprimento desse intervalo seja inferior à precisão pedida.
Exemplo:
Resolva a equação no intervalo [2,3] com precisão
A tabela dos cálculos tem a seguinte forma. As colunas indicam os sub-
intervalos que contém a raiz.
Sinal Comprimento
( ) ( )
0 2 3 2.5 - 0.5
1 2 2.5 2.25 - 0.25
2 2 2.25 2.125 + 0.125
3 2.125 2.25 2.1875 + 0.0625
4 2.1875 2.25 2.2188 + 0.0313
5 2.2188 2.25 2.2344 + 0.0156
6 2.2344 2.25 2.2422 - 0.0078<0.01
Raiz =2.24
2. Método iterativo geral
Considera-se a equação ( ) (1). Se de uma certa maneira pode ser
transformada para forma ( ) (2), onde ( ) é uma função
contínua. Escolhe-se o como valor inicial, e calcula-se
sucessivamente.
( ) (m=0,1,2,3,4…..) (3)
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Se a série converge, o método iterativo diz-se convergente e com k
suficientemente grande pode-se tomar como a raiz.
O seguinte teorema garante a convergência da série .
Teorema:
Se 1a | ( )| e
2 a
( )
Então
1a A série converge para uma raiz da (1)
a
2 Esta raiz é única.
Este teorema dá um sinal de convergência do método iterativo geral.
Exemplo:
Resolva a equação no intervalo [1,2] com
precisão
NOTA: podemos rescrever a função da seguinte forma:
( ) ( )
Desenhamos os gráficos das funções ( ) ( ) no mesmo sisetema de
coordernadas.
E vemos que a equação tem uma raiz no intervalo de 1 a 2.
Passo 1. Transformação para obter ( ).
( )
Passo 2. Convergência
( ) | ( )| | | converge no [1,2].
Então | ( )| isto é | ( )|
FÓRMULA DE ITERAÇÕES
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( ) , com e pela
monotonia, vimos [ ], as condições do teorema estão verificadas.
Passo 3. Os cálculos:
Os processos iterativos podem ser representados na seguinte tabela:
Passo corrente novo
| |
0 1 2 1
1 2 1.9099 0.0901
2 1.9099 1.9159 0.0060
3 1.9159 1.9155 0.0004
4 1.9155 1.9155 0.0000…<0.0001
Raiz = 1.9155
NOTA: como encontrar uma transformação ( ) convergente?
Em caso geral, é dificil encontrar uma transformação convergente.
Exemplo:
Seja a equação no [9,10] propomos as seguintes
transformações:
1a
2a Escrevendo a equação da forma:
3a √
PERGUNTA: Quais transformações são convergentes?
Na 1a forma, ( ) ( ) ,
| ( )| ( ) [ ]
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Na 2a forma, ( ) ( )
( )
√
⁄
Na 3a forma, ( ) ( )
( )
√( )
| ( )|
√( )
1. Hipótese.
Os métodos que a seguir estudaremos necessitam de algumas hipóteses sobre a
função ( ) e suas derivadas ( ) ( ).
Hipóteses:
1a No intervalo aberto (a,b) ( ), ( )e ( ) são continuas.
2a ( )e ( ) sao diferentes de zero e não mudam de sinais.
Interpretação geométrica das hipóteses:
Com estas hipóteses o gráfico de ( ) no intervalo (a,b) é um arco:
Simples,
Liso,
Sempre crescente ou decrescente
Sempre côncavo ou convexo
Tudo isto leva-nos a dizer que o gráfico da função ( ) no intervalo (a,b) só pode
ter uma das seguintes formas:
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( ) convexo ( ) convexo
( ) decrescente ( ) crescente
( ) côncavo ( ) côncavo
( ) decrescente ( ) crescente
PONTO DE FOURIER:
Diz-se que é um ponto de fourier se ( ) tem o mesmo sinal que ( ) no
intervalo (a,b), isto é: ( ) ( ) ( )
3. Método da secantes (cordas)
Conteúdo.
Supondo que para a função ( ) as hipóteses são satisfeitas. Escolhe-se o ponto
de fourier e um ponto tal que:
( ) ( )
Assim no intervalo [ , ] ou de [ , ] contém a raiz dependendo de que
valor de ou é maior.
( ( ))
( ( ))
Determina-se os pontos ( ( )) e ( ( )) a secante corta o eixo
no ponto , donde se determina o ponto no gráfico da função.
Novamente a secante corta o eixo no donde se determina o ponto
no gráfico da função.
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Repetindo esse processo até que se obtenha o ponto suficiente próximo da raiz
.
Fórmula do método das secantes:
( ) ( )
( ) ( )
( )
( )
pode se demonstrar que o método das secantes com as hipóteses satisfatórias e
sempre convergente, e além disso a convergência é de um único sentido.
Exemplo:
Resolva a equação no intervalo [1,3] com precisão
1. Verificar as hipóteses:
( )
( ) são todas contínuas no [1,3], ( ) e ( ) não se anulam
( ) e não mudam de sinais. As hipóteses estão OK.
2. Calcular a raiz:
: como ( ) , positiva em todo intervalo, e
( ) .
( )
Pela defenição ( ) ( ) , logo (pela condição
( ) ( ) .
A fórmula correcta:
( ) ( ) ( )
( ) ( ) ( )
( )
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3. Tabela dos calculos:
| |
0 1 1.750 0.750
1 1.750 1.9474 0.1979
2 1.9474 1.9894 0.0420
3 1.9894 1.9979 0.0075
4 1.9979 1.9996 0.0017
5 1.9996 1.9999 0.0003<0.001
Raiz =2.000 0.001
4. Método das Tangentes (Método de NEWTON)
Conteúdo
Supondo que a função ( ) as hipóteses são satisfeitas.
No método das tangentes usa-se os pontos intersecantes e o eixo :
e tem-se a fórmula:
( )
( )
( ), é processo iterativo geral.
Escolha de :
No método das tangentes, a escolha do ponto é muito importante (igual a
escolha do no método das secantes).
deve ser um ponto de fourier no intervalo considerado, isto é,
( ) ( )
Exemplo:
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Resolva a equação no intervalo [0, ] com precisão
1. Verificar as hipóteses:
( )
√
( ) 0
√
( ) ( )
São contínuas, ( ) e ( ) diferem de zero e não mudam de sinais no intervalo
considerado [0, ]. As hipóteses estão OK.
2. Escolha do :
( ) ( )
3. Fórmula correcta para as repetições:
4. Tabela dos cálculos:
| |
0 0.785 0.46632 0.31868
1 0.46632 0.45023 0.01609
2 0.45023 0.45018 0.00005
3 0.45018 0.45018 0.00000<0.00001
Raiz: 0.45018 0.00001
Capítulo 4: Raízes da Equação não Linear F(X) = 0
1. Seja a equação da forma f(x) = 0, sendo ( )
Determinar o sinal da Expressão f(a)f(b) para os intervalos [a, b] =
a) [-3, -2.5]
b) [0.4, 1.2]
c) [3, 5]
d) [0, 2]
Quais são os intervalos que podem conter pelo menos uma raiz da equação?
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2. Encontrar um intervalo [a, b] de modo que seja f(a)f(b) < 0 para as funções
a) ( )
b) ( )
c) ( )
⁄
3. Esboçar gráficos das funções, diga quantas raízes tem a seguinte equação
4. Seja a equação
Determine o número de raízes que essa tem usando
a) Tabelas de valores de função
b) A primeira derivada f’(x)
5. Demonstra que a equação tenha uma raiz apenas.
6. Determinar um intervalo contendo uma raiz da equação
7. Encontrar uma transformação convergente x ( ) para a equação
no intervalo [ 9, 10]
8. Seja a equação f(x)=
a) Verificar que essa equação tem uma raiz no intervalo [0, 1]
b) Verificar que essa pode ser rescrita da forma x ( )
√
c) Encontrar a raiz com e com precisão eps
9. Resolva a equação no intervalo [ ] pelo método de
Bissecção com precisão eps = 0.01.
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10. Resolva a equação no intervalo [ ] pelo método de Bissecção
com precisão eps .
11. Resolva a equação pelo método de Bissecção com precisão eps (usando
o resultado de localização de raízes do exercício 2)
12. Determina o ponto de Fourier para a equação – no intervalo [1, 3]
13. Seja a equação no intervalo [0.48, 2.64]. Supondo que se utiliza o método das
secantes
a) Verificar se é possível aplicar esse método?
b) Calcular o ponto de Fourier e o ponto
c) Escrever a fórmula concreta do método das secantes para a equação
d) Calcular na raiz com precisão eps = 0.0001
14. A mesma pergunta como no exercício dado acima para a equação no
intervalo [1.12, 1.75]
15. Para cada uma das seguintes equações é aplicado o método das tangentes. Faça os seguintes
trabalhos:
Verificar se é possível aplicar esse método?
Calcular o ponto
Escrever a fórmula concreta do método das tangentes para a equação
Calcular a raiz com precisão eps = 0.00001
a) No intervalo [1.63 , 5.00]
b) No intervalo [0.07 , 1.85]
16. Encontrar todas raízes com precisão eps = 0.001 da equação
a)
b) ( )
c)
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