0% acharam este documento útil (0 voto)
325 visualizações131 páginas

Prova de Biologia e Geologia 2019

[I] O documento descreve uma prova de Biologia e Geologia do 11o ano de escolaridade no Haiti. [II] A prova contém questões sobre a tectónica de placas na região do Haiti e sobre sismos históricos, incluindo o sismo de 2010 que causou cerca de 230.000 mortes. [III] As questões abordam também a polinização animal e os impactos das alterações climáticas.

Enviado por

Luísa Pinto
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
325 visualizações131 páginas

Prova de Biologia e Geologia 2019

[I] O documento descreve uma prova de Biologia e Geologia do 11o ano de escolaridade no Haiti. [II] A prova contém questões sobre a tectónica de placas na região do Haiti e sobre sismos históricos, incluindo o sismo de 2010 que causou cerca de 230.000 mortes. [III] As questões abordam também a polinização animal e os impactos das alterações climáticas.

Enviado por

Luísa Pinto
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Exame Final Nacional de Biologia e Geologia

Prova 702 | 1.ª Fase | Ensino Secundário | 2019


11.º Ano de Escolaridade
Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho | Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho

Duração da Prova: 120 minutos. | Tolerância: 30 minutos. 16 Páginas

VERSÃO 1

Indique de forma legível a versão da prova.

Para cada resposta, identifique o grupo e o item.

Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta azul ou preta.

Não é permitido o uso de corretor. Risque aquilo que pretende que não seja classificado.

Apresente apenas uma resposta para cada item.

As cotações dos itens encontram-se no final do enunciado da prova.

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta. Escreva, na folha de respostas, o
grupo, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 1/ 16


GRUPO I

O Haiti localiza-se na ilha La Española, na zona nordeste (NE) do mar das Caraíbas. Esta ilha,
próxima do limite em que a placa Norte-Americana é sujeita a subdução relativamente à placa das
Caraíbas, é atravessada por numerosas falhas ativas, algumas com grande extensão, como a falha
de Enriquillo-Plantain Garden (EPG). O enquadramento tectónico desta zona está representado,
esquematicamente, na Figura 1.
Em 1751, na zona de falha de Enriquillo-Plantain Garden, foi registado um sismo com magnitude
estimada de 7,5, que foi seguido, em 1770, por outro grande sismo. Ao longo de mais de dois
séculos, na zona sul do Haiti, apenas ocorreram sismos de menor magnitude, destacando-se os de
1784, 1860, 1864 e 1953.
Todavia, a 12 de janeiro de 2010, o Haiti foi atingido por um sismo de magnitude 7, que causou
cerca de 230 000 mortes. O sismo teve origem a uma profundidade de 10 km a 13 km, e o seu
epicentro localizou-se 15 km a sudoeste (SO) de Porto Príncipe, a capital do Haiti. Nos meses
seguintes, ocorreram mais de 50 réplicas de magnitude superior a 4,5.
De início, os Serviços Geológicos dos Estados Unidos referiram que a falha de EPG poderia ter
sido responsável pelo sismo ocorrido no Haiti, em 2010. No entanto, estudos mais recentes indicam
que, na origem do sismo, estiveram falhas inversas associadas a essa falha.
Baseado em: J. Bruña et al., «El Terramoto de Haiti», Enseñanza de las Ciencias de la Terra, 2011
e em: [Link] (consultado em setembro de 2018).

72,5º O 70º O

Oceano Atlântico
Placa Norte-Americana

Cuba
N
20º N
Setentrional
Zona de falha
Haiti
La Española
República
Dominicana
Porto Príncipe

PG
a de E
de falh
Zona

Mar das Caraíbas 17,5º N

Placa das Caraíbas


0 100 km

Zona de subdução

Falha

Epicentro do terramoto de
12 janeiro de 2010, no Haiti

Sentido do movimento
da placa

Figura 1 – Enquadramento tectónico da ilha La Española

Baseado em: [Link] (consultado em setembro de 2018).

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 2/ 16


1.  A placa das Caraíbas move-se, aproximadamente, para

 (A) noroeste, num contexto tectónico divergente.

 (B) nordeste, num contexto tectónico divergente.

 (C) nordeste, num contexto tectónico convergente.

 (D) noroeste, num contexto tectónico convergente.

2.  De acordo com os estudos mais recentes, o sismo ocorrido no Haiti, em 2010, resultou de um campo de
tensões

 (A) distensivo, associado a uma deformação descontínua.

 (B) compressivo, associado a uma deformação dúctil.

 (C) distensivo, associado a uma deformação contínua.

 (D) compressivo, associado a uma deformação frágil.

3.  Considere as afirmações seguintes, referentes ao enquadramento tectónico da ilha La Española,


representado na Figura 1.

I. Ao longo da falha Setentrional, ocorre, predominantemente, deslizamento lateral e manutenção da


espessura crustal.
II. No movimento entre a placa das Caraíbas e a placa Norte-Americana, há afundamento de litosfera
oceânica da placa Norte-Americana.
Os sismos que ocorrem na zona de subdução apresentam, tendencialmente, hipocentros mais
III. 
profundos de sul para norte.

 (A) I é verdadeira; II e III são falsas.

 (B) II e III são verdadeiras; I é falsa.

 (C) I e II são verdadeiras; III é falsa.

 (D) III é verdadeira; I e II são falsas.

4.  Os contextos tectónicos semelhantes ao da zona do limite entre a placa Norte-Americana e a placa das
Caraíbas são ambientes aos quais está tipicamente associada a formação de magmas

 (A) andesíticos, que, ao consolidarem em profundidade, dão origem a andesito.

 (B) andesíticos, que, ao consolidarem em profundidade, dão origem a diorito.

 (C) riolíticos, que, ao consolidarem em profundidade, dão origem a riólito.

 (D) riolíticos, que, ao consolidarem em profundidade, dão origem a granito.

5.  Para um determinado sismo, à medida que a distância ao epicentro aumenta, verifica-se um aumento

 (A) da diferença de tempo de chegada das ondas S e das ondas P.

 (B) da magnitude calculada para esse sismo.

 (C) da amplitude das ondas sísmicas registadas nos sismogramas.

 (D) da energia recebida nos diferentes locais.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 3/ 16


6.  Ordene as expressões identificadas pelas letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência de algumas
das etapas necessárias para determinar a localização do epicentro de um sismo.

A.  Identificação de ondas P e de ondas S no sismograma.

B.  Registo da chegada de ondas P à estação sismográfica.

C.  Cruzamento de distâncias epicentrais calculadas em outras estações sismográficas.

D.  Determinação da diferença entre o tempo de chegada de ondas S e de ondas P.

E.   Cálculo da distância entre a estação sismográfica e o epicentro.

7.  Faça corresponder cada uma das características relativas a zonas da estrutura interna da geosfera,
expressas na coluna A, à designação que as identifica, expressa na coluna B.

COLUNA A COLUNA B

(1) Astenosfera
(a) 
Zona atravessada pelas ondas sísmicas internas, onde se
verifica uma redução da sua velocidade. (2) Crosta

(b) 
Zona delimitada na sua base pela descontinuidade de (3) Litosfera
Gutenberg.
(4) Mesosfera
(c) Zona segmentada em placas tectónicas.
(5) Núcleo interno

8.  Com base em outros estudos realizados, nomeadamente entre 2003 e 2008, os cientistas concluíram que
a zona de falha de Enriquillo-Plantain Garden, no Haiti, poderia dar origem a um sismo de magnitude de
cerca de 7,2. Os resultados desses estudos foram apresentados em conferências geológicas e publicados
em 2008.

Explique por que razão seria expectável, para os cientistas, a ocorrência de um sismo de elevada magnitude
na zona de falha de Enriquillo-Plantain Garden, considerando o contexto tectónico da região e os dados
da sismicidade histórica.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 4/ 16


–––—––––––––––—–—–—–——— Página em branco ––––––––––—–—–—–————–-––

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 5/ 16


GRUPO II

A polinização animal é importante para a produção agrícola, em particular para a produção de


frutos e para uma parte significativa das culturas hortícolas. No entanto, a monocultura intensiva
pode ser prejudicial aos insetos, por falta de recursos florais e de locais de refúgio.
Devido à perda de habitats, ao uso de pesticidas, às alterações climáticas e às doenças, tem-se
verificado o declínio das populações de abelhas, importantes agentes polinizadores.
Realizou-se um estudo em campos de cultura intensiva de abóbora para avaliar os efeitos dos
fatores seguintes na polinização:
−− disponibilidade de habitats seminaturais (plantas herbáceas não cultivadas e floresta);
−− visitas de abelhas das espécies Apis mellifera e Bombus terrestris.

Foram testadas algumas hipóteses, de entre as quais se destacam as seguintes:


Hipótese 1 – o número de grãos de pólen depositados nas flores de abóbora está diretamente
relacionado com o número de visitas de Apis mellifera e de Bombus terrestris;
Hipótese 2 – o número de visitas de insetos polinizadores é mais elevado em campos adjacentes
a habitats seminaturais do que em campos adjacentes a outros campos de cultura.

Métodos e condições experimentais

1 – O estudo realizou-se em 18 campos de cultura de abóbora, Cucurbita maxima, cada um com


uma área de cerca de 3 ha.
2 – Os campos de abóbora estavam rodeados de paisagens que diferiam na quantidade relativa
de habitats seminaturais e de campos de cultivo (milho, trigo ou batata), num raio de 1 km.
3 – A temperatura média anual da região é de cerca de 11 ºC, e a precipitação média anual é de
700 mm.
4 – Foram feitas observações das visitas de insetos polinizadores e foram recolhidas amostras
de pólen ao longo de 4 trajetos em cada campo.
5 – As visitas dos polinizadores foram gravadas em vídeo, ao longo de períodos de 15 minutos,
em 3 dias de julho, durante a floração, nas horas em que os estigmas1 estão recetivos e os
grãos de pólen estão disponíveis e são viáveis.
6 – As amostras de pólen depositado foram recolhidas nos estigmas das flores visitadas.

Resultados
Foram observadas 2100 abelhas, das quais 79% pertenciam à espécie Apis mellifera, 14%
pertenciam à espécie Bombus terrestris e 7% pertenciam a outras espécies.
Na Figura 2, constam outros resultados deste estudo.

Nota:
1  Estigmas – locais das estruturas reprodutoras femininas onde os grãos de pólen são depositados.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 6/ 16


A B

Número de grãos de pólen por flor feminina

Número de grãos de pólen por flor feminina


20 000 20 000

16 000 16 000

12 000 12 000

8000 8000

4000 4000

0 0
0 20 40 60 0 40 80 120
Número de visitas de Bombus terrestris Número de visitas de Apis mellifera

C D

Número de grãos de pólen por flor feminina


Número de visitas de Bombus terrestris

20 000

60
16 000

40 12 000

8000
por flor feminina

20
4000

0 0
30 50 70 90 30 50 70 90
Percentagem de campo de cultivo Percentagem de campo de cultivo
num raio de 1 km num raio de 1 km

Figura 2 – Relação entre as visitas dos polinizadores e a deposição de pólen (A e B); Relação entre a proporção
de campo de cultivo num raio de 1 km e as visitas de Bombus terrestris (C); Relação entre a proporção
de campo de cultivo num raio de 1 km e a deposição de pólen pelos diferentes polinizadores (D)

Baseado em: S. C. Pfister et al., «Dominance of cropland reduces the pollen


deposition from bumble bees», Scientific Reports, 2018.

1.  As afirmações seguintes dizem respeito à interpretação dos dados apresentados na Figura 2.

I. O número de grãos de pólen depositados diminui com o aumento da percentagem de campo de cultivo
num raio de 1 km.
II. Um aumento de 10% de campo de cultivo num raio de 1 km aumenta o número de visitas de Bombus
terrestris.
III. Se houver 10% de habitats seminaturais, o número de grãos de pólen depositados é maior do que se
essa percentagem for de 50%.

 (A) I é verdadeira; II e III são falsas.

 (B) I e III são verdadeiras; II é falsa.

 (C) II é verdadeira; I e III são falsas.

 (D) II e III são verdadeiras; I é falsa.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 7/ 16


2.  No estudo descrito, uma das variáveis dependentes foi

 (A) o tipo de cultura dos diferentes campos.

 (B) a percentagem de campo cultivado.

 (C) a área de habitat seminatural.

 (D) o número de grãos de pólen depositados.

3.  O aumento da variabilidade genética e a conquista do ambiente terrestre pelos seres eucariontes
autotróficos estão associados ao predomínio da fase

 (A) haploide e à união de gâmetas de plantas diferentes, da mesma espécie.

 (B) diploide e à união de gâmetas de plantas diferentes, da mesma espécie.

 (C) haploide e à união de gâmetas da mesma planta.

 (D) diploide e à união de gâmetas da mesma planta.

4.  As abelhas apresentam um sistema circulatório

 (A) fechado, havendo distinção entre fluido circulante e fluido intersticial.

 (B) fechado, não havendo distinção entre fluido circulante e fluido intersticial.

 (C) aberto, não havendo distinção entre fluido circulante e fluido intersticial.

 (D) aberto, havendo distinção entre fluido circulante e fluido intersticial.

5.  Relativamente ao ciclo de vida de Cucurbita maxima, pode afirmar-se que

 (A) os esporos são células com núcleo diploide.

 (B) a fecundação é dependente da polinização.

 (C) a meiose é pós-zigótica.

 (D) o esporófito é haploide.

6.  O movimento ascendente da seiva elaborada ocorre quando

 (A) as reservas são armazenadas ao nível da raiz.

 (B) há formação de frutos acima dos órgãos fotossintéticos.

 (C) se verifica uma taxa de transpiração muito elevada.

 (D) a taxa de absorção radicular supera a da transpiração foliar.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 8/ 16


7.  Explique de que modo os resultados expressos nos gráficos A e B da Figura 2 validam a Hipótese 1,
apenas para uma das espécies.

8.  Explique de que modo, em Apis mellifera, a quantidade de nutrientes e a quantidade de oxigénio que
chegam aos tecidos podem, ou não, ser afetadas por uma alteração na distribuição do fluido circulante.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 9/ 16


GRUPO III

O rio Guadiana nasce em Espanha e desagua no oceano Atlântico, junto a Vila Real de Santo
António. No seu percurso, entre Serpa e Mértola, atravessa o antiforma do Pulo do Lobo e a Faixa
Piritosa Ibérica, onde existem várias explorações mineiras.
No mapa da Figura 3, estão representadas as formações geológicas da Bacia Hidrográfica
do Guadiana (área drenada pelo rio Guadiana e seus afluentes). Os pontos A e B correspondem
a locais onde se recolheram amostras de sedimentos para realizar estudos sedimentológicos e
mineralógicos, visando a caracterização dos processos sedimentares que ocorreram na área e a
determinação das principais fontes dos sedimentos.
O tratamento laboratorial das amostras envolveu, entre outros procedimentos, a passagem dos
sedimentos através de um crivo com rede de 2,000 mm (diâmetro máximo dos grãos de areia) e de
um crivo com rede de 0,063 mm (diâmetro máximo das partículas de silte, cujo diâmetro é superior
ao das argilas). A fração de sedimento retida entre os dois crivos foi sujeita a novo tratamento
para separar os minerais pesados (com densidade superior a 2,9) dos minerais mais leves, como
o quartzo e os feldspatos. Numa etapa subsequente, procedeu-se à identificação, à descrição e à
contagem dos minerais pesados transparentes com o auxílio do microscópio petrográfico, tendo‑se
verificado que os grãos de piroxenas e de anfíbolas possuíam, em geral, formas angulosas ou
subangulosas, enquanto os grãos de turmalina, de andaluzite e de estaurolite tendiam a apresentar
formas roladas ou subroladas. As abundâncias relativas das diferentes espécies de minerais
pesados transparentes, que apresentam uma percentagem superior a 5% do número total de grãos
contados, estão registadas no Quadro I.

Espanha
l
Portuga

+ ++ +
++ +
+
+ ++ ++ a
+ ++ + ++ ++ +
+
ian
++ Badajoz + ++ + + + u ad
+ + +
+ RioG
++ + ++ +
Mérida +
+ + + +++
+
+ + ++ + +
++ +++ + + ++
++ + + + ++ ++
++ ++ + ++ ++ + + + +
+ ++ + +++ + + + +
+ +++ + ++ + + + +++ ++ + + + + +
+ ++ + + + + ++ + + +
+ ++ + + ++
+
+++ ++++

+
++
+
+ ++ + ++ + + Rochas sedimentares do Meso-Cenozoico
++
Serpa
Rochas do Paleozoico Superior
Mértola (baixo grau de metamorfismo)
A
Rochas do pré-Câmbrico e do Paleozoico
(metamorfismo de grau variável)
Vila Real de + +
+ +
+ +
Rochas plutónicas (ácidas e básicas)
Santo António B
Gabros do maciço de Beja

1
0 100 km
Ofiolitos do Paleozoico

Limite da bacia do rio Guadiana


Nota:
1
Ofiolitos – rochas originalmente constituintes da crosta oceânica.

Figura 3 – Geologia da Bacia Hidrográfica do Rio Guadiana

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 10/ 16


Quadro I

A B
Local de recolha
Leito do rio Guadiana Foz do rio Guadiana
N.º de amostras 8 11

Anfíbolas 60,2% Anfíbolas 52,4%


Frequência relativa dos minerais Andaluzite 14,6% Andaluzite 13,1%
pesados transparentes mais
comuns Piroxenas 12,6% Piroxenas 5,9%

Granadas 5,4% Turmalina 20,4%

Baseado em: J. Cascalho e J. Reis, Os minerais pesados e a proveniência sedimentar: estudo de casos do sudoeste
da Península Ibérica, Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa;
e em: [Link] (consultado em outubro de 2018).

1.  O estudo de sedimentologia apresentado teve como finalidade

 (A) separar os minerais leves dos minerais pesados.

 (B) separar os sedimentos de acordo com a sua granulometria.

 (C) conhecer a origem dos sedimentos depositados no leito do rio.

 (D) conhecer as rochas que afloram nas margens do rio.

2.  A utilização dos dois crivos permitiu separar

 (A) as areias dos sedimentos mais finos.

 (B) as argilas dos restantes sedimentos estudados.

 (C) os siltes dos sedimentos mais finos.

 (D) os sedimentos em dois grupos granulométricos.

3.  Considere as afirmações seguintes, referentes aos sedimentos estudados e à interpretação dos dados
fornecidos.

I.  As piroxenas apresentam maior resistência à ação do transporte do que a andaluzite.


II. Os grãos de turmalina apresentam uma forma compatível com a sua mobilização em mais do que um
ciclo sedimentar.
III.  A forma dos grãos de estaurolite indicia uma origem distante do local de recolha da amostra.

 (A) I e II são verdadeiras; III é falsa.

 (B) II e III são verdadeiras; I é falsa.

 (C) III é verdadeira; I e II são falsas.

 (D) I é verdadeira; II e III são falsas.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 11/ 16


4.  A presença de mineralizações com valor económico na Faixa Piritosa Ibérica tem levado à realização de
trabalhos de prospeção através de métodos diretos e indiretos, respetivamente

 (A) amostragem das rochas aflorantes e sondagens.

 (B) geomagnetismo e reflexão sísmica.

 (C) reflexão sísmica e amostragem das rochas aflorantes.

 (D) sondagens e geomagnetismo.

5.  As rochas magmáticas que afloram na região de Serpa são constituídas predominantemente por minerais
máficos e

 (A) feldspato potássico.

 (B) plagióclase cálcica.

 (C) quartzo.

 (D) moscovite.

6.  O mineral pesado mais abundante nos sedimentos estudados apresenta clivagem. Corresponde a um
mineral

 (A) ferromagnesiano, que se parte ao longo de superfícies definidas.

 (B) calcossódico, que se parte de uma forma aleatória.

 (C) ferromagnesiano, que se parte de uma forma aleatória.

 (D) calcossódico, que se parte ao longo de superfícies definidas.

7.  A andaluzite é um mineral estável em condições de baixa pressão e num intervalo relativamente amplo
de temperaturas, cuja formação está tipicamente associada a processos de metamorfismo. Deste modo,
poderá admitir-se que os cristais de andaluzite presentes nos sedimentos estudados se formaram como
resultado de um processo de

 (A) metamorfismo regional de baixo grau, que afetou as rochas sedimentares do Meso-Cenozoico.

 (B) metamorfismo regional de alto grau, que afetou as rochas do Paleozoico Superior.

 (C) metamorfismo causado por intrusões magmáticas em rochas do Pré-Câmbrico e do Paleozoico.

 (D) metamorfismo que ocorreu em rochas dos fundos oceânicos, durante o Cenozoico.

8.  As rochas micaxisto e quartzito apresentam

 (A) ambas textura foliada.

 (B) ambas textura não foliada.

 (C) textura não foliada e textura foliada, respetivamente.

 (D) textura foliada e textura não foliada, respetivamente.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 12/ 16


9.  De acordo com os dados do texto, na região do Pulo do Lobo existe uma estrutura geológica que
corresponde a uma dobra

 (A) cuja concavidade está voltada para baixo.

 (B) cuja concavidade está voltada para cima.

 (C) cujo núcleo é ocupado pelas rochas mais antigas.

 (D) cujo núcleo é ocupado pelas rochas mais recentes.

10.  E
 xplique a possível proveniência das piroxenas que constituem as amostras de sedimentos recolhidas
no local A.

Na sua resposta, refira a possível fonte principal daquele mineral, considerando os minerais predominantes
nas rochas atravessadas pelo rio Guadiana e as características morfológicas dos grãos de piroxenas.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 13/ 16


GRUPO IV

As plantas carnívoras constituem um grupo de plantas que vive, frequentemente, em solos


pobres em nitrogénio. As plantas capturam presas com as suas folhas, digerindo‑as através da
atuação de enzimas, segregadas para o exterior, o que lhes permite suprir a carência de nitrogénio.
Recentemente, uma equipa de investigadores descobriu que a evolução para o carnivorismo,
que ocorreu independentemente em três espécies de plantas, uma asiática, uma americana e uma
australiana, dependeu de alterações nos mesmos conjuntos de genes.
Num primeiro momento, foi sequenciado o genoma de Cephalotus follicularis, uma planta da
Austrália que, como resultado da expressão diferencial de genes, tem folhas carnívoras, em forma
de jarro, e folhas planas, não carnívoras, especializadas na atividade fotossintética. A comparação
entre os genes que são transcritos nos dois tipos de folhas permitiu compreender as alterações
associadas ao carnivorismo. Percebeu-se, por exemplo, que temperaturas mais elevadas promoviam
o desenvolvimento de folhas carnívoras.
Num segundo momento, os investigadores compararam a constituição das proteínas digestivas
presentes nos fluidos digestivos de C. follicularis com a constituição das proteínas presentes em
outras duas plantas carnívoras (Nepenthes alata, asiática, e Sarracenia purpurea, americana). Os
investigadores verificaram que a substituição de alguns aminoácidos durante a evolução destas
proteínas originou, de forma independente, enzimas digestivas semelhantes.
Diversas proteínas vegetais que, nas plantas não carnívoras, constituem, por exemplo, defesas
contra fungos ou outras pragas evoluíram para proteínas digestivas, como uma quitinase capaz de
catalisar a destruição do polissacarídeo que constitui o exoesqueleto dos insetos.
Baseado em: K. Fukushima et al., «Genome of the pitcher plant Cephalotus reveals genetic
changes associated with carnivory», Nature Ecology & Evolution, Vol. 1, n.º 59, 2017.

1.  De acordo com o texto, o nutriente obtido pelas plantas, através do carnivorismo, entra na constituição

 (A) da celulose.

 (B) dos ácidos nucleicos.

 (C) do amido.

 (D) dos ácidos gordos.

2.  Nas plantas carnívoras, a digestão é

 (A) intracorporal e extracelular.

 (B) semelhante à digestão que ocorre na hidra.

 (C) extracorporal e extracelular.

 (D) semelhante à digestão que ocorre na planária.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 14/ 16


3.  As folhas carnívoras e as folhas não carnívoras de Cephalotus follicularis constituem

 (A) estruturas homólogas, em que foram transcritos diferentes genes.

 (B) estruturas análogas, em que foram transcritos os mesmos genes.

 (C) estruturas análogas, em que foram transcritos diferentes genes.

 (D) estruturas homólogas, em que foram transcritos os mesmos genes.

4.  Em relação às folhas de Cephalotus follicularis, podemos afirmar que

 (A) o desenvolvimento dos dois tipos de folhas é independente de fatores externos.

 (B) a formação de folhas carnívoras implica a utilização de um código genético diferente.

 (C) as folhas planas têm menor quantidade de clorofila do que as folhas em forma de jarro.

 (D) nas folhas carnívoras, os processos digestivos exigem uma intensa síntese proteica.

5.  A quitinase atua facilitando a quebra de

 (A) ligações peptídicas entre monossacarídeos.

 (B) ligações peptídicas entre aminoácidos.

 (C) ligações glucosídicas entre monossacarídeos.

 (D) ligações glucosídicas entre aminoácidos.

6.  De acordo com os dados do texto, a evolução das proteínas digestivas nas plantas carnívoras dos vários
continentes constitui um caso de evolução

 (A) convergente, provocada por distintas pressões seletivas.

 (B) condicionada pela existência de insetos ricos em nitrogénio.


 (C) divergente, relacionada com a ocorrência de mutações.

 (D) condicionada pela ocorrência de solos pobres em nutrientes.

7.  Ordene as expressões identificadas pelas letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência correta dos
acontecimentos relacionados com o carnivorismo em Cephalotus follicularis. Considere as relações de
causa e efeito entre os acontecimentos.

A.  Fusão de vesículas exocíticas com a membrana celular.

B.  Maturação de proteínas no complexo de Golgi.

C.  Absorção de nutrientes.

D.  Degradação de substâncias complexas.

E.   Transcrição do DNA associado à síntese de enzimas digestivas.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 15/ 16


8.  Faça corresponder cada uma das descrições relativas à síntese de proteínas digestivas, expressas na
coluna A, à respetiva molécula, que consta na coluna B.

COLUNA A COLUNA B

(1) Aminoácido
(a) Enzima que participa na transcrição da informação genética.
(2) DNA polimerase
(b) 
Polímero de ribonucleótidos contendo informação para a
(3) Gene
síntese de um péptido.
(4) RNA mensageiro
(c) Monómero que entra na constituição de péptidos.
(5) RNA polimerase

9.  Explique, segundo a perspetiva neodarwinista, a evolução das proteínas digestivas presentes nas plantas
carnívoras a partir de proteínas vegetais existentes em plantas não carnívoras.

FIM

COTAÇÕES

Item
Grupo
Cotação (em pontos)
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8.
I
5 5 5 5 5 5 5 10 45
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8.
II
5 5 5 5 5 5 10 10 50
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10.
III
5 5 5 5 5 5 5 5 5 10 55
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9.
IV
5 5 5 5 5 5 5 5 10 50
TOTAL 200

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 16/ 16


Propostas de resolução

Exame Final Nacional de Biologia e Geologia | Prova 702 | 1.ª Fase | Versão 1 |2019

GRUPO I

1. (C). A região situa-se próxima de uma zona de subducção, que implica um contexto
tectónico convergente (exclui A e B), levando à movimentação da placa das Caraíbas para
nordeste, como indicado na figura 1 pela seta representativa do sentido do movimento (exclui
A e D; confirma C).

2. (D). O sismo ocorrido no Haiti em 2010 resultou da existência, na região, de numerosas


falhas ativas que ocorrem associadas a uma deformação frágil (confirma D e exclui B). A ilha
localiza-se na proximidade de um limite convergente de placas, resultando um campo de
tensões compressivo (exclui A e C).

3. (C). Tendo em conta a informação fornecida nos suportes referentes ao enquadramento


tectónico: I é verdadeira, pois a falha Setentrional é transformante, correspondendo a um
limite conservativo, com deslizamento lateral dos blocos da falha; II é verdadeira, dado que a
indicação da zona de subducção da figura 1 corresponde ao afundamento da litosfera oceânica
da placa Norte-Americana; III é falsa, pois a situação é oposta: na subducção referida, os
sismos mais profundos correspondem à zona sul, pela subducção da litosfera oceânica da placa
Norte-Americana, sendo mais superficiais na zona norte, zona mais próxima do contacto entre
as duas placas.

4. (B). Nas zonas de subducção semelhantes há formação de magmas intermédios, andesíticos


(exclui C e D), que ao consolidarem em profundidade dão origem ao diorito (confirma B e
exclui as restantes opções).

5. (A). Quanto maior a diferença de tempo entre a chegada das ondas S e das ondas P, maior é
a distância ao epicentro (confirma A). A magnitude de um sismo corresponde à energia
libertada no foco sísmico e não varia com a distância ao epicentro (exclui B e D). À medida que
a distância ao epicentro aumenta, menor é a amplitude das ondas sísmicas registadas nos
sismogramas (exclui C).

6. B – A – D – E – C. Após a ocorrência de um sismo, as ondas P são as primeiras a serem


identificadas na estação sismográfica (B), seguindo-se o registo das ondas S no sismograma (A).
A diferença entre o tempo de chegada das ondas S e P (D) permite identificar a distância
epicentral (E). Para a localização do epicentro do sismo, terá de se triangular dados relativos às
distâncias epicentrais de pelo menos 3 estações sismográficas (C).

7. (a) – (1); (b) – (4); (c) – (3). É na astenosfera que se verifica a redução de velocidade das
ondas sísmicas internas (a – 1). A descontinuidade de Gutenberg separa o manto (que inclui a
mesosfera) do núcleo externo (b – 4). A litosfera encontra-se segmentada em diversas placas
tectónicas (c – 3).

8. A ilha está próxima de um limite convergente de placas, apresentando também várias falhas
ativas, como é o caso da falha de Enriquillo-Plantain-Garden. Este contexto geotectónico é
propício à acumulação de grandes quantidades de energia, podendo conduzir à ocorrência de
grandes sismos na região, como o que ocorreu a 12 de janeiro de 2010. No entanto, desde
1770, apenas ocorreram sismos de reduzida magnitude associados à falha de Enriquillo-
-Plantain Garden, estando o sismo de 2010 associado a falhas inversas.
GRUPO II

1. (A). I é verdadeira, pois da análise do gráfico D constata-se que há uma redução do número
de grãos de pólen depositados (nos estigmas das flores de aboboreira visitadas) à medida que
aumenta a percentagem de campos de cultivo nas proximidades (num raio de 1 km). II é falsa
porque, da leitura do gráfico C verifica-se que o número de visitas de Bombus terrestris diminui
com o aumento de campos de cultivo adjacentes. III é falsa na medida em que 10% de habitats
seminaturais correspondem a 90% de campos de cultivo, e o gráfico D revela que o número de
grãos de pólen depositados é inversamente proporcional à percentagem de campos de cultivo
nas proximidades, logo quando há 90% de campos de cultivo (e portanto 10% de habitats
seminaturais) num raio de 1 km há menos grãos de pólen depositados nas flores de
aboboreiras do que quando há 50% de campos de cultivo (e portanto 50% de habitats
seminaturais) num raio de 1 km.

2. (D). No estudo descrito, as variáveis dependentes estudadas foram o número de grãos de


pólen depositados por flor feminina (gráficos A, B e D – confirma D) e o número de visitas de
Bombus terrestris por flor feminina (gráfico C). O tipo de cultura (abóbora) e a área de cultivo
de cada campo (3 ha) foram mantidos constantes (exclui A). A percentagem de campo
cultivado (e de habitats seminaturais, por exclusão de partes) nas proximidades de cada
campo de abóboras (num raio de 1 km) foi uma das variáveis independentes deste estudo
(exclui B e C).

3. (B). Os seres eucariontes autotróficos terrestres (plantas) têm ciclos de vida haplodiplontes,
em que a fase diploide predomina (exclui A e C). Para o aumento da variabilidade genética
contribuem uma maior possibilidade de combinações de cromossomas e de genes, logo a
diploidia – dois conjuntos de cromossomas homólogos entre si – e a fecundação cruzada –
união de gâmetas entre plantas diferentes da mesma espécie (exclui C e D) – contribuem para
um maior número de combinações cromossómicas e genéticas possíveis, o que que se traduz
num aumento da variabilidade genética (confirma B).

4. (C). As abelhas, à semelhança dos restantes insetos (e artrópodes, em geral), apresentam


sistema circulatório aberto (exclui A e B), em que o fluido circulante sai dos vasos para as
lacunas, preenchendo o hemocélio, não havendo por isso distinção entre os fluidos circulante
e intersticial (exclui A e D; confirma C); este fluido designa-se de hemolinfa.

5. (B). Cucurbita maxima é o nome científico da aboboreira, que, à semelhança das restantes
plantas, tem um ciclo de vida haplodiplonte; ou seja, tem alternância de gerações e a meiose é
pré-espórica (exclui C), tendo os esporos, portanto, núcleo haploide (exclui A). A planta adulta,
representada pelo esporófito, é diploide (exclui D). Nas plantas com flor, como é o caso desta,
os grãos de pólen (que vão originar os gâmetas masculinos) têm de ser depositados nos
estigmas das flores (polinização) para que possa ocorrer a fecundação nos ovários (confirma
B).

6. (B). A seiva elaborada desloca-se no sentido do gradiente de concentração de sacarose e de


pressão, isto é, do local de produção (onde ocorre a fotossíntese, como as folhas) para os
locais de consumo e de reserva (como os frutos). Assim, se a planta tiver frutos em formação e
se eles estiverem localizados acima dos órgãos onde ocorre a fotossíntese, o movimento da
seiva elaborada é ascendente (confirma B), para que os açúcares produzidos possam ser
encaminhados para os frutos, onde vão ser armazenados. Caso as plantas tenham reservas
armazenadas ao nível da raiz (em órgãos como os tubérculos e os bolbos, por exemplo), o
sentido de translocação da seiva elaborada é sobretudo descendente (exclui A). As taxas de
absorção radicular e de transpiração foliar não condicionam a translocação unidirecional no
floema (exclui C e D), mas sim a ascensão da seiva bruta no xilema e, consequentemente, a
taxa fotossintética e a produção de açúcares.
7. De acordo com os gráficos da figura 2, no que se refere à espécie Bombus terrestris (gráfico
A) verifica-se que existe uma correlação linear positiva entre o número de visitas do inseto e a
deposição de grãos de pólen no estigma das flores de aboboreira, traduzida pela linha traçada
entre os pontos do gráfico; isto não acontece no gráfico B, com a espécie Apis mellifera, em
que não existe essa linha, o que significa que não existe correlação linear entre os dois eixos do
gráfico. Ou seja, os resultados expressos nos gráficos A e B da figura 2 permitem validar a
hipótese 1 apenas para a espécie Bombus terrestris: o número de grãos de pólen depositados
por flor feminina de aboboreira está diretamente relacionado com o número de visitas dessa
espécie (pode mesmo dizer-se que aumenta com o aumento do número de visitas).

8. Uma eventual alteração na distribuição do fluido circulante em Apis mellifera poderia afetar
a quantidade de nutrientes que chega aos tecidos mas não afetaria a quantidade de oxigénio
distribuído, na medida em que o sistema circulatório dos insetos, com é o caso desta abelha,
apenas é responsável pelo transporte e pela distribuição dos nutrientes aos tecidos, sendo o
oxigénio fornecido diretamente às células/tecidos pelas superfícies respiratórias (traqueias,
onde ocorre difusão direta, sem intervenção de um fluido circulante, portanto).

GRUPO III

1. (C). O estudo pretendeu analisar os sedimentos e conhecer a sua origem, pelo que se
recolheram amostras de sedimentos em dois locais, para caracterizar os processos
sedimentológicos (confirma C e exclui os restantes opções).

2. (A). A utilização do crivo de rede de 2 mm permite separar os clastos de dimensões


grosseiras dos sedimentos como as areias, siltes e argilas. O recurso ao segundo crivo de rede
de 0,063 mm permite a separação das areias dos sedimentos mais finos (siltes e argilas)
(confirma A e exclui as restantes opções).

3. (B). I é falsa, pois quando se faz a análise do quadro I, a percentagem de piroxenas reduz de
12,6% para 5,9% quando se passa do leito para a foz do rio. Quanto à andaluzite, passou de
14,6% para 13,1% nos mesmos locais de recolha da piroxena, o que significa que a andaluzite é
mais resistente do que a piroxena. II é verdadeira, pois o texto refere que os grãos de
turmalina apresentam formas roladas ou subroladas, compatíveis com a possibilidade de ter
sofrido mais do que um ciclo sedimentar. III é verdadeira, pois, de acordo com o texto, os
grãos de turmalina apresentam formas roladas ou subroladas, compatíveis com um grande
transporte.

4. (D). A amostragem das rochas aflorantes e as sondagens são exemplos de métodos diretos
(exclui B e C). O geomagnetismo e a reflexão sísmica são exemplos de métodos indiretos
(exclui A e C).

5. (B). As rochas magmáticas da região de Serpa correspondem aos gabros e aos ofiolitos,
provenientes de magma basáltico, constituído por minerais máficos e plagióclase cálcica
(confirma B). O feldspato potássico, a moscovite e o quartzo são minerais félsicos (exclui as
restantes opções).

6. (A). As anfíbolas são minerais ferromagnesianos (exclui B e D) e apresentam clivagem,


propriedade que está relacionada com a estrutura cristalográfica e com os planos
correspondentes às ligações atómicas mais fracas, permitindo que o mineral parta ao longo de
superfícies bem definidas (exclui B e C).

7. (C). Pela informação do item, a andaluzite é um mineral estável a baixas pressões e a


temperaturas variáveis, compatíveis com metamorfismo de contacto (exclui A e B) causado
por intrusões magmáticas (confirma C); a alternativa D não tem relação com os dados
fornecidos.

8. (D). As rochas referenciadas são ambas metamórficas, apresentando o micaxisto textura


foliada (exclui B e C) e o quartzito textura não foliada (exclui A e C).
9. (A). No texto é referido que se trata de uma antiforma, cuja concavidade está voltada para
baixo (exclui B e confirma A); as alternativas C e D correspondem, respetivamente, a um
anticlinal e um sinclinal, cuja informação não é fornecida.

10. A forma angulosa ou subangulosa apresentada pelos clastos de piroxenas indiciam que o
local de colheita está próximo do local da sua origem que são os gabros. Antes de atingir o
local de colheita, o rio atravessa gabros, rochas que apresentam piroxenas na sua composição,
daí a origem deste mineral nos sedimentos transportados pelo rio, tendo a sedimentação dos
clastos ocorrido próximo da fonte, evidenciando que os clastos foram sujeitos a um curto
transporte.

GRUPO IV

1. (B). O nutriente obtido pelas plantas através do carnivorismo é o nitrogénio. Todos os


compostos orgânicos referidos nas diferentes opções possuem carbono, hidrogénio e oxigénio
na sua composição química, mas os ácidos nucleicos são os únicos desta lista que incluem
nitrogénio (nas suas bases azotadas: adenina, timina, citosina e guanina) (confirma B; exclui A,
C e D). (Além dos ácidos nucleicos, as proteínas e outros prótidos também possuem nitrogénio
na sua composição química, mas esses não constam da lista de opções.)

2. (C). Nas plantas carnívoras, as proteínas digestivas são segregadas em fluidos lançados para
o exterior, para folhas em forma de jarro, por exemplo; logo, a digestão das presas é feita fora
do corpo – extracorporal (exclui A) – e fora das células – extracelular (confirma C). Na hidra e
na planária, a digestão, que ocorre na cavidade gastrovascular (intracorporal), é extracelular e
intracelular (exclui B e D).

3. (A). As folhas carnívoras e as não carnívoras de Cephalotus follicularis apresentam a mesma


origem embrionária e contêm os mesmos genes, pois pertencem à mesma planta; no entanto,
com a ativação/inativação de genes diferentes existe transcrição e expressão diferencial dos
genes durante a formação dos dois tipos de folhas (exclui B e D), o que permite que se formem
folhas com formas e funções distintas. Isto caracteriza o processo de evolução divergente,
podendo por isso considerar-se que estes dois tipos de folhas são estruturas homólogas (exclui
B e C; confirma A).

4. (D). A digestão dos cadáveres das presas capturadas nas folhas carnívoras é feita por
enzimas digestivas (segregadas pelas plantas para fluidos dessas folhas), que são proteínas,
logo resultam de uma intensa síntese proteica (confirma D). O desenvolvimento de folhas
carnívoras está relacionado com a carência de nitrogénio no solo onde estas plantas vivem e
sabe-se também que temperaturas mais elevadas promovem o desenvolvimento de folhas
carnívoras, logo o desenvolvimento dos dois tipos de folhas depende de fatores externos
(exclui A). No desenvolvimento de folhas com formas e funções diferentes intervêm
fenómenos de regulação da expressão génica, a partir do mesmo genoma, sendo este
descodificado de acordo com o código genético, que é universal (exclui B). Nada é referido no
texto sobre isto, mas como as folhas planas de Cephalotus follicularis são especializadas na
fotossíntese, a quantidade de clorofila nelas presente não deve ser inferior à das folhas em
forma de jarro (carnívoras), uma vez que a clorofila intervém diretamente no processo
fotossintético (exclui C).

5. (C). A quitinase é a enzima digestiva que catalisa a degradação da quitina, o polissacarídeo


que constitui o exoesqueleto dos insetos. Assim, com a hidrólise dos polissacarídeos ocorre a
rutura das ligações glicosídicas (ou glucosídicas) (exclui A e B) entre as suas unidades
constituintes – os monossacarídeos (exclui B e D; confirma C). (As ligações peptídicas são a
ligações que unem os aminoácidos de um peptídeo.)
6. (D). A evolução de proteínas digestivas em plantas carnívoras de diferentes continentes
(Oceânia, Ásia e América) constitui uma evidência de evolução convergente (exclui C), em que
a ocorrência de solos pobres em nutrientes (nomeadamente, nitrogénio) exerce as mesmas
pressões seletivas (exclui A) e determina o sentido desta evolução nas diferentes populações
de plantas. Todos os insetos são ricos em nitrogénio, pelo que esse fator não é uma condição
para a evolução (exclui B).

7. E – B – A – D – C. Para a síntese de enzimas digestivas, é necessária a transcrição do DNA


que as codifica (E). Depois de sintetizadas (por tradução, no RER), as enzimas (proteínas)
sofrem maturação no complexo de Golgi (B) e de seguida são armazenadas em vesículas
exocíticas que se vão fundir com a membrana celular (A), libertando as enzimas na superfície
das folhas carnívoras. Aí, degradam as substâncias complexas dos insetos aprisionados (D),
sendo os nutrientes resultantes desta digestão, incluindo os que possuem nitrogénio,
posteriormente absorvidos pela planta (C).

8. (a) – (5); (b) – (4); (c) – (1). A enzima responsável pela transcrição do DNA em RNA
mensageiro é a RNA polimerase (a – 5); o RNA mensageiro é um ácido ribonucleico (polímero
de nucleótidos com ribose) cuja função é veicular a informação para a síntese de um dado
peptídeo (ou péptido) ou proteína (b – 4); os peptídeos são polímeros de aminoácidos (c – 1).

9. Algumas plantas ancestrais, por mutação no DNA (codificante de proteínas que conferiam
defesas contra fungos e outras pragas) e por recombinação genética (devida à meiose e à
fecundação), começaram a produzir proteínas com capacidades digestivas. Por pressão
seletiva do ambiente, em solos pobres em nitrogénio, as plantas portadoras dessa nova
característica ganharam vantagens adaptativas (pois obtinham o nitrogénio a partir da
digestão dos insetos que aprisionavam) e, por seleção natural, sobreviviam mais e
reproduziam-se mais do que as plantas que não possuíam essa característica (sobrevivência e
reprodução diferenciais), o que levou a um aumento do número de plantas com essa
característica na população (alteração do fundo genético da população).
Exame Final Nacional de Biologia e Geologia
Prova 702 | 2.ª Fase | Ensino Secundário | 2019
11.º Ano de Escolaridade
Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho | Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho

Duração da Prova: 120 minutos. | Tolerância: 30 minutos. 16 Páginas

VERSÃO 1

Indique de forma legível a versão da prova.

Para cada resposta, identifique o grupo e o item.

Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta azul ou preta.

Não é permitido o uso de corretor. Risque aquilo que pretende que não seja classificado.

Apresente apenas uma resposta para cada item.

As cotações dos itens encontram-se no final do enunciado da prova.

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta. Escreva, na folha de respostas, o
grupo, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 1/ 16


GRUPO I

A ilha de S. Miguel, nos Açores, é constituída por diferentes regiões vulcânicas. O complexo
vulcânico das Sete Cidades, situado no extremo oeste da ilha, inclui um vulcão central constituído
por depósitos piroclásticos e por escoadas lávicas. Neste complexo, é possível reconhecer várias
outras estruturas, como é o caso do Pico das Camarinhas, do delta lávico1 basáltico da Ponta da
Ferraria e de um domo traquítico. O domo, composto por uma rocha com um teor em sílica de
aproximadamente 66% (traquito), foi coberto por escórias basálticas durante a formação do Pico
das Camarinhas. As estruturas referidas estão representadas esquematicamente na Figura 1.
No seio das formações que constituem o delta lávico, surge uma nascente de água mineralizada,
cloretada sódica, que emerge ao nível do mar, a uma temperatura de cerca de 62 ºC. O estudo das
águas minerais do arquipélago dos Açores tem revelado que a sua composição química é muito
estável, o que permitiu estabelecer um conjunto de valores de referência que podem ser usados na
monitorização da atividade dos vulcões.
Nota:
1  Delta lávico – fluxo de lava subaérea que entra em contacto com a água.

Baseado em: A. Lima, J. Nunes e J. Brilha, «Monitoring of the Visitors Impact at Ponta da Ferraria e Pico das
Camarinhas Geosite (São Miguel Island, Azores UNESCO Global Geopark, Portugal)», Geoheritage, 2017.

25º53’ O 25º17’ O
37º53’ N

Complexo vulcânico das Sete Cidades


N

Ilha de São Miguel


37º41’ N

0 8 km

Altitude
O Pico das Camarinhas E (metros)

Escórias 200
Domo
Boca lávica

Paleocosta
Delta lávico da Traquito
Ponta da Ferraria Xenólitos 2 100

Materiais do vulcão
Lava «aa» central das Sete
Cidades

0
Oceano

Basaltos

0 200 m Materiais do vulcão central das Sete Cidades

Nota:
2
Xenólitos – fragmentos de rocha estranha ao seu encaixante.

Figura 1 – Corte geológico na região da Ponta da Ferraria

Baseado em: V. Forjaz et al., Vulcão das Sete Cidades. História Natural. Um guia. Açores,
Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores, Ponta Delgada, 2016.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 2/ 16


1.  A formação do Pico das Camarinhas está relacionada com um vulcanismo

 (A) primário, associado a uma região de baixo fluxo geotérmico.

 (B) residual, associado a falhas do cone central do vulcão das Sete Cidades.

 (C) primário, associado a um magma com características básicas.

 (D) residual, associado a uma região com elevado gradiente geotérmico.

2.  As escoadas de lava que deram origem ao delta lávico da Ponta da Ferraria

 (A) resultaram da erupção que originou o Pico das Camarinhas e contribuíram para o recuo da linha de
costa.

 (B) foram emitidas pelo vulcão do Pico das Camarinhas e contribuíram para o avanço da linha de costa.

 (C) formaram-se antes do vulcão central das Sete Cidades e contribuíram para o avanço da linha de costa.

 (D) preservaram materiais do vulcão central das Sete Cidades e contribuíram para o recuo da linha de
costa.

3.  O magma que originou a rocha que constitui o Pico das Camarinhas, comparado com o que originou a
rocha que constitui o domo traquítico,

 (A) apresentava uma maior viscosidade.

 (B) iniciou a solidificação a temperaturas mais elevadas.

 (C) possuía menor percentagem de ferro e de magnésio.

 (D) tinha uma maior percentagem de sílica.

4.  Considere as afirmações seguintes, referentes ao complexo vulcânico das Sete Cidades.

I. A atividade vulcânica que originou este complexo teve fases alternadamente efusivas e explosivas.
II.  A rocha que constitui os xenólitos da Ponta da Ferraria é mais antiga do que a rocha encaixante.
III.  As rochas que formam o delta lávico da Ponta da Ferraria apresentam uma superfície lisa.

 (A) III é verdadeira; I e II são falsas.

 (B) I é verdadeira; II e III são falsas.

 (C) II e III são verdadeiras; I é falsa.

 (D) I e II são verdadeiras; III é falsa.

5.  Ordene as expressões identificadas pelas letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência cronológica
dos acontecimentos geológicos relacionados com a formação e a evolução do complexo das Sete Cidades.

A.  Formação do Pico das Camarinhas.

B.  Formação do delta lávico da Ponta da Ferraria.

C.  Formação da superfície de erosão mais antiga da região.

D.  Formação do vulcão central das Sete Cidades.

E.   Formação de um domo de natureza traquítica.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 3/ 16


6.  As características da água da nascente termal da Ponta da Ferraria referidas no texto estão relacionadas
com

 (A) a proximidade do mar e o baixo grau geotérmico do local.

 (B) o seu percurso através do basalto e o baixo grau geotérmico do local.

 (C) a proximidade do mar e o alto grau geotérmico do local.

 (D) o seu percurso através do basalto e o alto grau geotérmico do local.

7.  Os xenólitos incorporados nas lavas da Ponta da Ferraria são provenientes do manto e correspondem a

 (A) rochas melanocráticas, ricas em minerais máficos.

 (B) rochas leucocráticas, ricas em minerais máficos.

 (C) rochas melanocráticas, ricas em minerais félsicos.

 (D) rochas leucocráticas, ricas em minerais félsicos.

8.  Considerando que o Pico das Camarinhas e o domo traquítico foram alimentados pela mesma câmara
magmática, pode admitir-se que, durante o período de tempo que decorreu entre a formação destas duas
estruturas,

 (A) ocorreram processos de cristalização fracionada, que originaram magmas progressivamente mais


pobres em sílica.

 (B) ocorreram processos de assimilação de materiais encaixantes, que originaram magmas


progressivamente mais ácidos.

 (C) na câmara magmática foram injetados magmas basálticos, que ascenderam através de fraturas.

 (D) na câmara magmática foram injetados magmas ricos em sílica, que ascenderam através de fraturas.

9.  Faça corresponder cada uma das manifestações de vulcanismo, expressas na coluna A, à respetiva
designação, que consta na coluna B.

COLUNA A COLUNA B

(1) Caldeira
(a) 
Estrutura resultante da consolidação de lavas viscosas na
cratera.
(2) Cone adventício
(b) 
Estrutura de colapso, que se desenvolve no topo do cone
(3) Domo
vulcânico.
(4) Escoada
(c) 
Mistura de material piroclástico e de gases, com elevada
temperatura e grande mobilidade.
(5) Nuvem ardente

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 4/ 16


10.  E
 xplique de que modo os valores obtidos nos parâmetros analisados na monitorização periódica da
composição química das águas minerais dos Açores podem ser usados na vigilância da atividade
vulcânica no arquipélago.

Fundamente a sua resposta com um exemplo de um parâmetro químico analisado.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 5/ 16


GRUPO II

A acumulação de plásticos nos oceanos constitui um problema ambiental que se tem vindo
a agravar. As tartarugas marinhas, nas várias etapas do seu ciclo de vida, correm um risco
significativo de ingestão de detritos de plástico. A ingestão destes materiais pode ter consequências
letais, em especial nos primeiros anos de vida, em que as tartarugas flutuam e se deslocam ao
sabor das correntes marinhas em direção a mar aberto. O problema é agravado pelo facto de os
animais confundirem os plásticos com os seus alimentos naturais (por exemplo, medusas – animais
que, tal como a hidra, pertencem ao filo dos Cnidários), por não conseguirem regurgitar e pelo facto
de a comida permanecer 5 a 23 dias no tubo digestivo de algumas espécies de tartarugas, o que
aumenta o risco de obstrução ou de perfuração do tubo digestivo.
Um grupo de investigadores levou a cabo um estudo que pretendeu estabelecer a relação entre
a quantidade de plástico ingerido e a probabilidade de morte, por comparação com o número de
animais cuja morte ocorreu por causas não relacionadas com a ingestão de plástico (por exemplo,
choques com embarcações ou prisão em redes de pesca).
Através da análise dos dados resultantes de 224 necropsias (exame médico para determinar a
causa da morte) e da análise dos dados de outros 706 registos de tartarugas mortas que deram à
costa, os investigadores descobriram que há 22% de risco de morte para as tartarugas que ingerem
1 detrito de plástico, enquanto a ingestão de 14 detritos aumenta esse risco para 50%.
Os dados do Quadro I indicam a percentagem de tartarugas necropsiadas em cujo tubo digestivo
havia detritos de plástico.

Quadro I

Tartarugas com plástico


N.º de
no tubo digestivo
tartarugas
necropsiadas Número Percentagem (%)

Crias 24 13 54,2

Juvenis 175 41 23,4

Subadultas 13 2 15,4

Adultas 12 2 16,7

Total 224 58 25,9

Baseado em: C. Wilcox et al., «A quantitative analysis linking sea turtle mortality
and plastic debris ingestion», Scientific Reports, 8, 2018.

1.  Um dos objetivos do estudo foi

 (A) estudar o regime alimentar das tartarugas marinhas.

 (B) avaliar a influência da ingestão de alguns tipos de resíduos na mortalidade das tartarugas.

 (C) investigar a relação entre a decomposição do plástico e a distribuição das tartarugas marinhas.

 (D) determinar o número de tartarugas mortas que deram à costa.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 6/ 16


2.  Considere as afirmações seguintes, relativas às características do grupo de referência utilizado no estudo.

De acordo com os dados apresentados,

I.  o grupo de referência inclui tartarugas escolhidas aleatoriamente.


II.  o grupo de referência inclui tartarugas que morreram devido ao choque com embarcações.
III.  o grupo de referência inclui tartarugas de diversas idades.

 (A) III é verdadeira; I e II são falsas.

 (B) I é verdadeira; II e III são falsas.

 (C) II e III são verdadeiras; I é falsa.

 (D) I e II são verdadeiras; III é falsa.

3.  Os resultados do estudo permitem concluir que

 (A) a apetência para a ingestão de plásticos é maior nas tartarugas do que em outras espécies.

 (B) a deglutição de catorze detritos de plástico é fatal para todas as tartarugas marinhas.

 (C) a quantidade de plástico ingerido pelas tartarugas aumenta a toxicidade a nível celular.

 (D) a ingestão de plástico diminui a probabilidade de as tartarugas atingirem a fase reprodutora.

4.  Ao contrário do que ocorre nas tartarugas, na medusa, a digestão ocorre

 (A) parcialmente no interior das células.

 (B) sem intervenção de enzimas.

 (C) ao longo de um tubo digestivo.

 (D) no interior do organismo do animal.

5.  Observando-se, ao microscópio, um lote de células extraídas das tartarugas alvo do estudo, em meio de
montagem com água retirada do local onde habitam, será de esperar que

 (A) a água entre nas células, pois estas são hipotónicas.

 (B) a água saia das células, pois estas são hipertónicas.

 (C) as células fiquem plasmolisadas, devido à saída de água.

 (D) as células fiquem túrgidas, devido à entrada de água.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 7/ 16


6.  Ordene as expressões identificadas pelas letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência correta de
acontecimentos relacionados com o ciclo de vida das tartarugas marinhas. Inicie a sequência pela etapa
que corresponde à produção de gâmetas.

A.  Postura de ovos na praia.

B.  Migração para mar aberto.

C.  Formação de células haploides.

D.  Acasalamento em zonas de reprodução.

E.   União de células sexuais.

7.  Justifique as diferenças registadas no Quadro I, relativamente à presença de plástico no tubo digestivo dos
diversos grupos de tartarugas, tendo em conta os dados fornecidos no texto.

8.  As tartarugas têm um sistema circulatório semelhante ao dos anfíbios e diferente do sistema circulatório
dos mamíferos.

Compare as características morfofisiológicas do sistema circulatório das tartarugas e do sistema


circulatório dos mamíferos quanto à eficácia na obtenção de energia.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 8/ 16


–––—––––––––––—–—–—–——— Página em branco ––––––––––—–—–—–————–-––

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 9/ 16


GRUPO III

O termo anglo-saxónico shale é usado para designar as rochas sedimentares com granularidade
muito fina, dominantemente argilíticas, que apresentam fissibilidade, isto é, que se separam em
folhas delgadas paralelas à superfície de estratificação. Estas rochas têm, em muitos casos, cor
escura e podem conter gás metano (CH4), também conhecido como gás de shale1.
A formação do gás de shale está relacionada com a atividade bacteriana. Trata-se de um processo
complexo que envolve várias espécies de organismos unicelulares, como a espécie Methanosaeta
pelagica, um organismo anaeróbio pertencente ao domínio Archaea, presente nos sedimentos
marinhos.
A extração de gás metano a partir de shale só se tornou possível no final do século XX, com
o desenvolvimento do método de fracking (fraturação hidráulica), representado na Figura 2. O
método consiste em injetar, a alta pressão, grandes volumes de água misturada com areia e aditivos
químicos.
Apesar da importância que a exploração do gás de shale pode vir a assumir em termos energéticos,
económicos e políticos, várias agências norte-americanas têm advertido para os perigos ambientais
que podem resultar da utilização do método de fracking.
Em Portugal, a formação geológica de Brenha é uma das formações com potencial para a
exploração do gás de shale. Esta formação geológica resultou da deposição de sedimentos em
ambiente marinho profundo, na Bacia Lusitaniana – zona oeste da Península Ibérica.
Nota:
1  Gás de shale – muitas vezes designado como gás de xisto.

Tanques de
O gás natural flui para o exterior armazenamento
Injeção de uma mistura do furo
de areia, água e O gás natural é
Camiões A água recuperada é levada levado através de
com água produtos químicos
para estações de tratamento condutas

0 metros
Furo
A areia mantém Shale
300 as fissuras
abertas Fissura

600 Mistura de
água, areia
Furo e produtos
900 químicos

1200

1500

1800

Fissuras
2100

O furo torna-se
horizontal

Fraturação do shale devido à pressão


no interior do furo

Figura 2 – Fraturação hidráulica

Baseado em: P. Barrett, «The underground solution», in Bloomberg, Businessweek, 7 de novembro de 2011
e em: [Link] (consultado em setembro de 2018).

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 10/ 16


1.  A existência de gás de shale na Formação de Brenha resulta da atividade de seres que se desenvolveram

 (A) na ausência de oxigénio, em ambiente de elevado hidrodinamismo.

 (B) na presença de oxigénio, em ambiente de baixo hidrodinamismo.

 (C) na ausência de oxigénio, em ambiente de baixo hidrodinamismo.

 (D) na presença de oxigénio, em ambiente de elevado hidrodinamismo.

2.  Methanosaeta pelagica é um ser

 (A) procarionte, que se desenvolve em ambientes ricos em NaCl.

 (B) procarionte, que se desenvolve em ambientes pobres em NaCl.

 (C) eucarionte, que se desenvolve em ambientes ricos em NaCl.

 (D) eucarionte, que se desenvolve em ambientes pobres em NaCl.

3.  De acordo com o sistema de classificação em três domínios, os organismos incluídos no domínio Archaea
distinguem-se dos organismos dos outros domínios por apresentarem

 (A) diferenças ao nível molecular.


 (B) diferenças no nível de organização celular.

 (C) diferenças no modo de nutrição.

 (D) diferenças nas interações nos ecossistemas.

4.  O gás de shale está armazenado em rochas sedimentares

 (A) detríticas e permeáveis.

 (B) quimiogénicas e permeáveis.

 (C) quimiogénicas e impermeáveis.

 (D) detríticas e impermeáveis.

5.  Na Formação de Brenha, a presença de fósseis de amonites, seres contemporâneos dos dinossauros,
permite inferir,

 (A) por datação relativa, que os sedimentos se depositaram no Paleozoico.

 (B) por datação absoluta, que os sedimentos se depositaram no Paleozoico.

 (C) por datação absoluta, que os sedimentos se depositaram no Mesozoico.

 (D) por datação relativa, que os sedimentos se depositaram no Mesozoico.

6.  A Bacia Lusitaniana formou-se, durante a fraturação da Pangeia, como consequência da formação de
falhas

 (A) inversas, num contexto tectónico compressivo.

 (B) normais, num contexto tectónico distensivo.

 (C) normais, num contexto tectónico compressivo.

 (D) inversas, num contexto tectónico distensivo.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 11/ 16


7.  No processo de fracking, para criar uma zona de alta permeabilidade nas fissuras, os grãos de areia
devem ser

 (A) rolados e bem calibrados.

 (B) angulosos e bem calibrados.

 (C) rolados e mal calibrados.

 (D) angulosos e mal calibrados.

8.  Ordene as expressões identificadas com as letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência correta de
acontecimentos relacionados com a exploração de gás de shale num determinado local.

A.  Perfuração horizontal ao longo da camada com interesse económico.

B.  Avaliação da presença de gás de shale em formações geológicas com potencial interesse.

C.  Perfuração vertical das camadas rochosas até atingir a camada de shale.

D.  Fraturação hidráulica das rochas a grandes profundidades.

E.   Injeção, a elevada pressão, de uma mistura de água, areia e aditivos químicos.

9.  A fraturação hidráulica pode aumentar a atividade sísmica na região onde é levada a cabo.

Faça corresponder cada uma das expressões relacionadas com a atividade sísmica, registadas na
coluna A, à respetiva designação, que consta na coluna B.

COLUNA A COLUNA B

(1) Epicentro

(a) Local, em profundidade, onde ocorre libertação de energia. (2) Hipocentro

(b) Registo das vibrações do terreno provocadas por um sismo. (3) Intensidade

(c) Parâmetro que traduz os efeitos de um sismo. (4) Magnitude

(5) Sismograma

10.  A exploração intensiva de gás a partir de shale é uma solução energética que apresenta vantagens e
desvantagens.

Explique de que modo a exploração de gás de shale em larga escala poderá contribuir, a médio prazo,
para problemas ambientais relacionados com os recursos hídricos e com o aquecimento global.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 12/ 16


–––—––––––––––—–—–—–——— Página em branco ––––––––––—–—–—–————–-––

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 13/ 16


GRUPO IV

A insulina é uma hormona, codificada por um gene, que controla os níveis de glucose no sangue,
mantendo-os numa concentração adequada ao bom funcionamento do organismo.
Quando uma mãe não produz insulina em quantidade suficiente entre duas gravidezes, desenvolve
diabetes tipo 2, e o segundo filho irá crescer num ambiente gestacional onde a concentração
de glucose no plasma ‒ glicemia ‒ é muito elevada. Segundo Guillaume Charpentier, este filho,
relativamente ao irmão mais velho, corre um risco quatro vezes maior de se tornar diabético. Aquele
autor constata ainda que, em células de crianças nascidas de mães diabéticas, se observa a adição
de um grupo químico a alguns nucleótidos dos genes implicados na regulação da produção de
insulina, o que compromete essa regulação.
Estudos recentes têm demonstrado como os fatores ambientais ‒ alimentação, consumo de
drogas, stress, poluição atmosférica e condições climáticas ‒ influenciam a expressão dos genes,
gerando mudanças nos caracteres sem que, no entanto, ocorram mutações do DNA. Essa influência
relaciona-se com o grau de ligação de certos grupos químicos ao DNA ou às histonas (proteínas
à volta das quais o DNA se enrola para formar a cromatina), podendo conduzir à inativação ou à
ativação da transcrição dos genes. Estes mecanismos de alteração da expressão do DNA podem
ser hereditários.
Atualmente, um dos objetivos dos cientistas é identificar todos os locais do DNA em que ocorrem
modificações químicas semelhantes às descritas.
Baseado em: C. Bruyère, «Épigenétique: quand notre environnement influence nos gènes»,
Science & Univers, N.º 29, agosto de 2018.

1.  Os mecanismos de alteração da expressão do DNA referidos no texto consideram-se hereditários quando
resultam de

 (A) ligações de certos grupos químicos aos nucleótidos do DNA de células somáticas.

 (B) modificações da sequência de aminoácidos nas histonas de células que originam gâmetas.

 (C) ligações de certos grupos químicos aos nucleótidos do DNA de células que originam gâmetas.

 (D) modificações da sequência de aminoácidos nas histonas de células somáticas.

2.  De acordo com o texto, as mudanças nos caracteres dos indivíduos

 (A) surgem devido à influência de fatores ambientais.

 (B) são selecionadas por influência de fatores ambientais.

 (C) ocorrem na população devido a mutações génicas.

 (D) resultam de alterações no processo de tradução.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 14/ 16


3.  A síntese de uma proteína a partir da informação de um gene resulta da

 (A) replicação conservativa da informação genética.

 (B) transcrição do gene para moléculas de RNA de transferência.

 (C) leitura aleatória do RNA mensageiro no citoplasma.

 (D) tradução da sequência de codões do RNA mensageiro processado.

4.  Na utilização da glucose nas células animais, verifica-se que

 (A) a glucose em excesso no organismo é transformada em amido.

 (B) a glucose é degradada em reações que ocorrem em vias anabólicas.

 (C) a oxidação completa da glucose ocorre em condições aeróbias.

 (D) a oxidação completa da glucose implica a produção de ácido láctico.

5.  A insulina, quimicamente, é um

 (A) polissacarídeo.

 (B) polipéptido.

 (C) fosfolípido.

 (D) ribonucleótido.

6.  As mutações que ocorrem numa sequência de nucleótidos que codifica uma proteína

 (A) podem causar modificações na estrutura dos aminoácidos.

 (B) causam alterações nos mecanismos de tradução.

 (C) causam alterações nos mecanismos de transcrição.

 (D) podem levar à formação de diferentes proteínas.

7.  A adição de um grupo químico a alguns nucleótidos pode conduzir ao aparecimento de doenças.
Explique de que modo o aparecimento da diabetes, nas condições descritas no texto, pode ser interpretado
à luz de uma nova abordagem lamarckista da evolução.

FIM

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 15/ 16


COTAÇÕES

Item
Grupo
Cotação (em pontos)
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10.
I
5 5 5 5 5 5 5 5 5 10 55
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8.
II
5 5 5 5 5 5 10 10 50
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10.
III
5 5 5 5 5 5 5 5 5 10 55
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7.
IV
5 5 5 5 5 5 10 40
TOTAL 200

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 16/ 16


Propostas de resolução

Exame Final Nacional de Biologia e Geologia | Prova 702 | 2.ª Fase | Versão 1 |2019

GRUPO I

1. (C). O Pico das Camarinhas formou-se por atividade vulcânica devido ao fluxo de lava que
constituiu o delta lávico basáltico, correspondendo a vulcanismo primário (exclui B e D;
confirma C), com origem no magma basáltico de características básicas, isto é, que apresenta
baixos teores de sílica e com elevado fluxo geotérmico (exclui A).

2. (B). As escoadas lávicas de natureza basáltica resultaram da erupção que originou o Pico das
Camarinhas e contribuíram para o avanço da linha de Costa bem evidenciada na figura 1
(exclui A e D; confirma B); a Ponta da Ferraria pertence ao mesmo complexo vulcânico que
constitui o vulcão central das Sete Cidades, tendo-se formado após o vulcão das Sete Cidades,
cujos materiais se localizam abaixo do Pico das Camarinhas, confirmando o princípio da
sobreposição dos estratos (exclui C).

3. (B). O magma que originou as rochas do Pico das Camarinhas corresponde a um magma
basáltico de características básicas, que inicia a solidificação a temperaturas mais elevadas
(confirma B), apresenta menor percentagem de sílica (exclui D), maior percentagem de ferro e
magnésio (exclui C) e menor viscosidade (exclui A) do que o magma que originou o domo
traquítico.

4. (D). I é verdadeira porque o complexo vulcânico das Sete Cidades teve fases efusivas
caracterizadas por escoadas lávicas e fases explosivas comprovadas pelo depósito piroclástico
descrito no texto. II é verdadeira, pois, segundo o princípio da inclusão, os fragmentos
envolvidos são mais velhos do que a rocha que os contém. III é falsa, já que as rochas que
constituem o Pico das Ferrarias são escoriáceas, do tipo aa, de superfície muito irregular.

5. D – C – E – A – B. A formação do complexo vulcânico da Sete Cidades iniciou-se com a


erupção do vulcão central (D), seguida da ocorrência de fenómenos erosivos, os quais
originaram uma superfície de erosão, evidenciada pela área aplanada representada na figura 1
(C). Nessa superfície ocorreu a instalação do domo traquítico (E), com posterior deposição das
escórias que levaram à formação do Pico das Camarinhas (A). Finalmente, depositou-se o delta
lávico da Ponta da Ferraria que se instalou por cima dos restantes materiais (B).

6. (A). As características da Ponta da Ferraria estão associadas a um baixo grau geotérmico


(exclui C e D). O percurso da água através do basalto não confere as características cloretadas
sódicas, uma vez que este não apresenta essa composição mineralógica (exclui B). A
proximidade da água do mar confere a contaminação da nascente mineral com cloreto de
sódio (confirma A).

7. (A). As rochas do manto são constituídas por minerais máficos (exclui C e D), que conferem
uma tonalidade melanocrata às rochas (exclui B e D) que os contêm.

8. (C). No processo de cristalização fracionada, verifica-se, no magma remanescente, um


enriquecimento progressivo em sílica, face ao magma parental (exclui A); O magma que
originou o Pico das Camarinhas era básico, pobre em sílica (exclui B e D), o que origina basalto.

9. (a) – (3); (b) – (1); (c) – (5). A consolidação de lavas viscosas na cratera dá origem à
constituição do domo pela estrutura arredondada (a – 3); a estrutura de colapso vulcânico
pode dar origem a caldeiras, que podem reter água e originar lagoas, como acontece nas Sete
Cidades (b – 1); a mistura de fluxos piroclásticos com gases, constituem as nuvens ardentes,
com grande capacidade de mobilidade (c – 5).
10. A monitorização permite vigiar e prever a possível ocorrência de uma atividade vulcânica,
por comparação entre os valores registados, os valores de referência, e as inferências que se
poderão fazer (A) a partir de alterações na composição das águas analisadas, indiciando
possíveis alterações no sistema vulcânico, nomeadamente o aumento da sua acidez (B). O
aumento do teor de CO2 ou de compostos de enxofre indicia também um aumento da
atividade vulcânica (C).

GRUPO II

1. (B). De acordo com o texto, este estudo pretendeu «estabelecer a relação entre a
quantidade de plástico ingerido e a probabilidade de morte», por comparação com o número
de animais mortos por causas não relacionadas com a ingestão de plástico (confirma B). O
regime alimentar, a decomposição do plástico e a distribuição das tartarugas não são alvos de
estudo nesta investigação (exclui A e C). Quantificar o número de tartarugas marinhas mortas
que deram à costa também não foi um objetivo deste estudo (exclui D), mas sim determinar se
a ingestão de detritos de plástico estará relacionada com mortes de tartarugas marinhas que
não possam ser atribuídas diretamente a outras causas (choques com embarcações ou prisão
em redes de pesca, por exemplo).

2. (C). I é falsa e II é verdadeira, uma vez que não houve uma escolha aleatória (ao acaso) das
tartarugas nas populações naturais. Foram alvo de estudo, apenas, tartarugas mortas e alvo de
necropsia para determinação da causa de morte (por exemplo, por choque com embarcações
ou presas em rede de pesca), com diferentes idades, incluindo crias, juvenis e tartarugas
subadultas e adultas, logo III é verdadeira.

3. (D). Pelos dados do quadro I, verifica-se que as tartarugas mortas que continham plástico no
tubo digestivo e que eram crias e juvenis eram em muito maior percentagem do que as adultas
e subadultas. Como o estudo indica que a ingestão de plástico está relacionada com mortes
precoces, então pode concluir-se que também afeta negativamente a reprodução, pois essas
tartarugas não chegam a atingir a idade de procriar (confirma D). O estudo foi feito apenas
com tartarugas, não havendo dados para comparar com outras espécies (exclui A). A ingestão
de 14 detritos aumenta o risco de morte das tartarugas para 50% e não para 100% (exclui B).
Não há, no texto, qualquer informação sobre os efeitos citotóxicos dos plásticos (exclui C).

4. (A). Sendo as medusas organismos pertencentes ao filo dos Cnidários, tal como as hidras,
apresentam um tubo digestivo incompleto com digestão intracelular e extracelular, devido, em
parte, à presença de enzimas digestivas (hidrolíticas) (exclui B). Tartarugas e medusas têm
digestão intracorporal (exclui D), pelo que ocorre em ambos os casos dentro de um tubo
digestivo (exclui C). No entanto, nas medusas, o alimento entra na cavidade gastrovascular
onde se realiza a digestão extracelular dos alimentos, e os detritos alimentares que daí
resultam são depois endocitados, concluindo-se a digestão no interior das células (digestão
intracelular), em vacúolos digestivos (confirma A). As tartarugas apenas têm digestão
extracelular.

5. (C). Sendo estas tartarugas animais marinhos, o meio extracelular é hipertónico


relativamente ao meio intracelular, ou seja, as células são hipotónicas (exclui B); partindo do
pressuposto que as células extraídas das tartarugas alvo do estudo mantêm as suas
membranas intactas, haverá tendência para a saída de água das células (exclui A e D) por
osmose (difusão da água do meio hipotónico para o hipertónico), ficando o conteúdo celular
plasmolisado (confirma C).

6. C – D – E – A – B. Nestes animais, que têm um ciclo de vida diplonte, a meiose é pré-


gamética, pelo que os gâmetas formados são células haploides (C). O acasalamento entre
macho e fêmea (D) permite que ocorra a união das células sexuais masculinas e femininas (E),
a fecundação, que origina os ovos depositados na praia (A). Depois do nascimento (eclosão dos
ovos na praia), as tartarugas bebés migram para mar aberto (B).
7. De acordo com os dados do quadro I, verifica-se que a percentagem de tartarugas mortas
que continham detritos de plástico no tubo digestivo é maior nas crias (e também nos juvenis)
do que nos adultos e subadultos. Como é referido no texto, os plásticos flutuam à superfície do
oceano e deslocam-se ao sabor das correntes, tal como as tartarugas jovens que migram em
direção a mar aberto e que os podem ingerir inadvertidamente ou por os confundirem com
alimento, acabando por morrer.

8. As tartarugas, à semelhança dos anfíbios, têm sistema circulatório cujo coração apresenta
três cavidades (2 aurículas e 1 ventrículo) e no ventrículo o sangue venoso mistura-se
parcialmente com o arterial, visto que apresentam circulação dupla e incompleta,
contrariamente aos mamíferos, cujo coração possui quatro cavidades (2 aurículas e 2
ventrículos), não havendo por isso mistura de sangue arterial e venoso. A mistura de sangue
que ocorre no coração das tartarugas conduz a uma menor taxa de oxigenação do sangue e,
consequentemente, dos tecidos e células, o que implica uma menor capacidade de obtenção
de energia através do processo de respiração celular (o que não acontece nos mamíferos, em
que não há mistura de sangue venoso e arterial e o elevado teor de oxigénio fornecido aos
tecidos permite uma maior eficácia metabólica).

GRUPO III

1. (C). O gás de shale é produzido por microrganismos anaeróbios – que vivem na ausência de
oxigénio (exclui B e D), instalados em rochas sedimentares de granularidade muito fina –, o
que permite inferir que para a sua deposição tenha contribuído um ambiente estável e,
portanto, de baixo hidrodinamismo (exclui A e D; confirma C).

2. (A). O organismo Methanosaeta pelagica pertence ao Domínio Archaea, sendo, por isso,
procarionte (exclui C e D), e vive em ambientes marinhos profundos, isto é, em ambientes com
elevado teor em sal – NaCl (exclui B e D; confirma A).

3. (A). O sistema de classificação em três domínios de Woese, de 1990, assenta em diferenças


no RNA ribossómico das diferentes espécies, isto é, diferenças moleculares (confirma A).
Critérios como a organização celular, o modo de nutrição e as interações nos ecossistemas
foram usados por Whittaker no seu sistema de classificação em cinco reinos, de 1979 (exclui as
restantes opções).

4. (D). As rochas referidas no texto, que armazenam o shale, são essencialmente argilíticas,
que corresponde a rochas sedimentares detríticas (exclui B e C) e impermeáveis já que de
outra forma não seria possível o armazenamento do shale (exclui A e confirma D).

5. (D). Baseando-se no princípio da identidade paleontológica, que corresponde a uma datação


relativa (exclui B e C), as amonites e os dinossauros viveram no Mesozoico (exclui A e B;
confirma D).

6. (B). O processo de fraturação da Pangeia está associado a um contexto tectónico distensivo


(exclui A e C), que origina falhas normais (exclui A e D; confirma B), devido à atuação de forças
distensivas.

7. (A). Os grãos de areia devem ser rolados (exclui B e D) e bem calibrados (exclui C e D;
confirma A) para aumentar a permeabilidade, facilitando a circulação da água e a extração de
gás de shale.

8. B – C – A – E – D. Para se proceder à exploração de gás de shale num determinado local, terá


de se avaliar a presença desse gás em formações geológicas com potencial interesse (B) para
depois se proceder à perfuração vertical das camadas rochosas até atingir a camada de shale
(C); atingindo a profundidade certa e encontrada a camada com interesse económico, é
necessário passar-se à perfuração horizontal (A); resta a extração do gás, começando agora a
injeção, a elevada pressão, de uma mistura de água, areia e aditivos químicos (E) e a
fraturação hidráulica das rochas a grandes profundidades (D) pelo método de fracking.
9. (a) – (2); (b) – (5); (c) – (3). O hipocentro ou foco sísmico corresponde ao local, em
profundidade, onde ocorre libertação de energia (a – 2); o sismograma traduz o registo das
vibrações do terreno, provocadas por um sismo (b – 5); a intensidade de um sismo é o
parâmetro que traduz os efeitos de um sismo que são variáveis em função da distância ao
epicentro (c – 3).

10. A exploração do gás de shale pode contribuir para problemas ambientais, pois implica a
utilização de grandes volumes de água misturados com aditivos químicos, com impactes
significativos nos recursos hídricos, contribuindo para a diminuição desses mesmos recursos,
ou provocar a contaminação de reservas de água, em caso de acidentes, como pode ser o caso
de fugas de metano, ou fugas de aditivos químicos decorrentes da exploração. A exploração
pode implicar a libertação de gases com efeito de estufa, que contribuem para o aquecimento
global, como é o caso do gás metano.

GRUPO IV

1. (C). Os mecanismos de transmissão de caracteres consideram-se hereditários quando são


veiculados pelas células sexuais, isto é, os gâmetas (exclui A e D). Neste caso, não resultam de
mutações no DNA, que se traduziriam em modificações nas sequências de aminoácidos (exclui
B e D), mas resultam da ligação de certos grupos químicos aos nucleótidos do DNA (confirma
C) ou às histonas, comprometendo o mecanismo de regulação da expressão dos genes.

2. (A). Fatores ambientais como a alimentação, o consumo de drogas, o stress, a poluição


atmosférica e as condições climáticas influenciam a expressão dos genes, gerando mudanças
nos caracteres (confirma A) sem que, no entanto, ocorram mutações do DNA (exclui C) e,
consequentemente, sem que ocorram alterações na sequência de aminoácidos obtida durante
a tradução (exclui D). Essas mudanças ocorrem ocasionalmente por exposição prolongada aos
fatores ambientais e não por seleção que possa ser influenciada por estes fatores (exclui B).

3. (D). A síntese de uma proteína resulta da transcrição do gene para uma molécula de RNA
mensageiro (exclui B), que depois de sofrer processamento se desloca para o citoplasma, onde
se liga aos ribossomas e onde é feita a tradução do código genético para a síntese de um
peptídeo (confirma D). Neste processo, ocorre uma leitura sequencial (e não aleatória) dos
codões do mRNA, a partir do codão de iniciação, na direção 5´ 3´, até ao codão de
terminação (exclui C). A replicação do DNA, que é um processo semiconservativo (exclui A) e
não intervém na síntese proteica.

4. (C). As células animais utilizam a glicose (ou glucose) com oxidação completa na respiração
celular aeróbia, que é um processo catabólico (exclui B) de obtenção de energia que exige a
presença de oxigénio (confirma C); nas células musculares em contração, se os níveis de
oxigénio forem baixos, pode haver fermentação lática, mas nesse caso a oxidação da glicose
não é completa (exclui D); nos animais, a glicose em excesso nunca é transformada em amido,
que é o polissacarídeo de reserva das plantas (nos animais é o glicogénio, que é armazenado
no fígado e nos músculos) (exclui A).

5. (B). Sendo formada por aminoácidos – unidades estruturais dos prótidos –, a insulina é um
polipeptídeo (confirma B). Os polissacarídeos são os polímeros dos hidratos de carbono (exclui
A). O fosfolípido é, como o nome indica, um lípido (exclui C). Os ribonucleótidos são as
unidades estruturais do ácido ribonucleico (RNA) (exclui D).

6. (D). As mutações que ocorrem numa sequência de nucleótidos que codifica uma proteína
podem causar alterações na sequência de aminácidos codificados, levando à produção de
diferentes proteínas (confirma D) (nem sempre isso acontece, porque há mutações silenciosas,
pois o código genético é redundante). Uma mutação nunca causa modificações na estrutura
dos aminoácidos (exclui A); se causar modificações na sequência de aminoácidos, pode
originar alterações na estrutura da proteína. Mesmo que ocorram mutações, os mecanismos
de transcrição e tradução podem decorrer normalmente, podendo levar à síntese de uma
proteína modificada (exclui B e C).

7. O ambiente gestacional de um feto cuja mãe desenvolve diabetes tipo 2 apresenta uma
concentração de glicose no plasma – glicemia – muito elevada. Esta alteração de um fator do
meio induz no feto a necessidade de adaptação, podendo ocorrer, deste modo, a ligação de
grupos químicos ao DNA, nomeadamente a alguns nucleótidos dos genes implicados na
regulação da produção de insulina, comprometendo o mecanismo de controlo da glicemia, o
que pode culminar na diabetes – aparecimento de uma nova característica. Esta nova
característica adquirida «défice de regulação da produção de insulina», que se traduz em
hiperglicemia, pode ser assim transmitida à descendência. Deste modo, o aparecimento de
diabetes em fetos cujas mães apresentam hiperglicemia resultante de diabetes gestacional
pode ser explicado numa perspetiva lamarkista em que o meio gestacional com glicemia
elevada é o responsável pelas modificações no processo de regulação da síntese da insulina no
feto e que levam a que o feto acabe por adquirir a diabetes e depois a transmita à
descendência.
Exame Final Nacional de Biologia e Geologia
Prova 702 | Época Especial | Ensino Secundário | 2019
11.º Ano de Escolaridade
Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho | Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho

Duração da Prova: 120 minutos. | Tolerância: 30 minutos. 16 Páginas

Para cada resposta, identifique o grupo e o item.

Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta azul ou preta.

Não é permitido o uso de corretor. Risque aquilo que pretende que não seja classificado.

Apresente apenas uma resposta para cada item.

As cotações dos itens encontram-se no final do enunciado da prova.

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta. Escreva, na folha de respostas, o
grupo, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

Prova 702/E. Especial • Página 1/ 16


GRUPO I

No final do Mesozoico, devido à convergência entre a placa continental Adriática e o bordo


oceânico da placa Euroasiática, formou-se uma zona de subdução. Deste processo resultaram
o encerramento gradual de um mar – o mar de Tétis – e a colisão das duas placas continentais
envolvidas, o que conduziu à formação dos Alpes, uma cadeia montanhosa situada na Europa. Devido
à subdução, rochas da crosta oceânica do mar de Tétis e do manto superior foram‑se deslocando
para norte, sobrepondo-se a materiais continentais da placa Euroasiática, e passando a designar-se
ofiolitos. Nos Alpes, é possível, assim, observar rochas continentais da placa Euroasiática, a que se
sobrepõem, sequencialmente, (1) ofiolitos, (2) rochas da cobertura sedimentar oceânica do fundo
do mar de Tétis e, ainda, (3) rochas da placa Adriática.
Na zona sul desta cadeia montanhosa, observa-se uma intrusão granítica – os granitos de Bergell
– que se instalou ao longo de uma falha preexistente – a falha Insubre.
Estudos geofísicos recentes mostram que os Alpes continuam a sofrer deformação, o que
contribui para a sismicidade registada na região.
A Figura 1 representa um corte geológico muito simplificado da região e a sua localização
geográfica.

Placa Euroasiática Falha Insubre N

Placa Adriática
+ +
+ + ++ Granitos de Bergell
Itália
Falha
Movimento da placa
Foco sísmico
0 300 Km
X Epicentro de
um sismo
Descontinuidade

Alpes
N Falha S
Insubre X
+++
++
++
0 km
++
++

Litosfera 50 km

100 km

Astenosfera

0 100 km

Figura 1 – Corte N-S, simplificado, na região dos Alpes e respetiva localização geográfica

Baseado em: J. Debelmas e G. Mascle, As Grandes Estruturas Geológicas,


Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2002;
e em: [Link] (consultado em outubro de 2017).

Prova 702/E. Especial • Página 2/ 16


1.  O encerramento do mar de Tétis e a formação dos Alpes resultaram, respetivamente, de processos de

 (A) subdução de litosfera oceânica e de convergência de litosfera continental.

 (B) subdução de litosfera oceânica e de convergência de litosfera oceânica.

 (C) subdução de litosfera continental e de convergência de litosfera continental.

 (D) subdução de litosfera continental e de convergência de litosfera oceânica.

2.  O mineral máfico com maior probabilidade de ocorrer na rocha que se instalou ao longo da falha Insubre é

 (A) a anfíbola.

 (B) o feldspato.

 (C) o quartzo.

 (D) a biotite.

3.  Os ofiolitos existentes nos Alpes apresentam

 (A) densidade inferior à dos sedimentos do mar de Tétis.

 (B) densidade superior à das rochas graníticas.

 (C) quantidades elevadas de minerais félsicos.

 (D) quantidades reduzidas de minerais ferromagnesianos.

4.  As afirmações seguintes dizem respeito aos Alpes.

I.  Existem nesta cordilheira rochas provenientes da placa Adriática.


II.  As rochas da cobertura sedimentar oceânica podem apresentar fósseis de seres marinhos.
III.  O magma que se instalou ao longo da falha Insubre arrefeceu rapidamente.

 (A) II e III são verdadeiras; I é falsa.

 (B) I e II são verdadeiras; III é falsa.

 (C) III é verdadeira; I e II são falsas.

 (D) I é verdadeira; II e III são falsas.

5.  Na Figura 1, está representada a descontinuidade de _______, e os focos sísmicos assinalados são
considerados _______.

 (A) Mohorovicic … superficiais

 (B) Mohorovicic … profundos

 (C) Gutenberg … superficiais

 (D) Gutenberg … profundos

Prova 702/E. Especial • Página 3/ 16


6.  Considerando a ocorrência de um sismo com epicentro no local X e com foco a 10 km de profundidade,

 (A) as primeiras ondas registadas são as que provocam uma vibração das partículas perpendicularmente
à direção de propagação da onda.

 (B) as segundas ondas registadas são as que provocam uma vibração das partículas na direção de
propagação da onda.

 (C) será de esperar que, à profundidade de 30 km, as ondas sísmicas P aumentem de velocidade.

 (D) será de esperar que, à profundidade de 100 km, as ondas sísmicas S deixem de se propagar.

7.  O estudo dos ofiolitos e o estudo do comportamento das ondas sísmicas contribuem para o conhecimento
das zonas mais profundas da região alpina. Os métodos utilizados nestes estudos são

 (A) direto e indireto, respetivamente.

 (B) ambos diretos.

 (C) ambos indiretos.

 (D) indireto e direto, respetivamente.

8.  Ordene as expressões identificadas pelas letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência correta
dos acontecimentos relacionados com a evolução da cadeia montanhosa dos Alpes, tendo em conta uma
relação de causa e efeito.

A.  Colisão de margens continentais.

B.  Desaparecimento gradual do mar de Tétis.

C.  Instalação do plutonito de Bergell.

D.  Subdução da litosfera oceânica.

E.   Formação da falha Insubre.

9.  Em alguns dos locais mais elevados da cadeia montanhosa dos Alpes, podem ser observados ofiolitos.

Explique, tendo em conta a sua origem, o afloramento de ofiolitos na cadeia montanhosa dos Alpes.

Prova 702/E. Especial • Página 4/ 16


–––—––––––––––—–—–—–——— Página em branco ––––––––––—–—–—–————–-––

Prova 702/E. Especial • Página 5/ 16


GRUPO II

A salinidade é um dos problemas ambientais conducentes à deterioração dos solos agrícolas,


podendo condicionar a produtividade das colheitas.
Para testar o efeito de diferentes níveis de salinidade na germinação de sementes de três
variedades da espécie de pimentos Capsicum annuum, «Beldi», «Baklouti» e «Anaheim Chili», foi
realizado o estudo seguinte.

Métodos e resultados
1 – Esterilizaram-se superficialmente sementes das três variedades, durante 20 minutos, numa
solução de hipoclorito de sódio a 5%.
2 – Lavaram-se as sementes 3 vezes, com água destilada, durante 2 minutos.
3– Transferiram-se 20 sementes de cada variedade para 4 caixas de Petri esterilizadas,
numeradas de 1 a 4. Acondicionaram-se as sementes entre duas folhas de papel de filtro.
4 – Regaram-se as sementes da caixa 1 com 10 mL de água destilada, e as sementes de
cada uma das 3 caixas restantes foram regadas com 10 mL de soluções de NaCl com três
concentrações diferentes: 4, 8 e 12 g/L.
5 – Colocaram-se as sementes a germinar em estufa a 25 ºC, com disposição aleatória das
caixas.
6 – Realizaram-se 3 repetições dos procedimentos.
7 – Observaram-se diariamente as sementes durante 14 dias.
8 – Considerou-se que as sementes germinaram quando surgiram extremidades radiculares com
2 mm.
9 – Contou-se diariamente o número de sementes germinadas e calculou-se a percentagem de
germinação.

Os resultados estão expressos nos gráficos das Figuras 2A, 2B e 2C.

Beldi
100
90
80
Germinação (%)

70
60
50
40
30 [NaCl] = 0 g/L
20 [NaCl] = 4 g/L
10 [NaCl] = 8 g/L
0 [NaCl] = 12 g/L
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14

Tempo (dias)

Figura 2A – Efeito do stress salino (g/L de NaCl) na germinação da variedade «Beldi»

Prova 702/E. Especial • Página 6/ 16


Baklouti
100
90
80

Germinação (%)
70
60
50
40
30 [NaCl] = 0 g/L
20 [NaCl] = 4 g/L
10 [NaCl] = 8 g/L
0 [NaCl] = 12 g/L
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14
Tempo (dias)

Figura 2B – Efeito do stress salino (g/L de NaCl) na germinação da variedade «Baklouti»

Anaheim Chili
100
90
80
Germinação (%)

70
60
50
40
30 [NaCl] = 0 g/L
20 [NaCl] = 4 g/L
10 [NaCl] = 8 g/L
0 [NaCl] = 12 g/L
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14

Tempo (dias)

Figura 2C – Efeito do stress salino (g/L de NaCl) na germinação da variedade «Anaheim Chili»

Baseado em: A. Hassen et al., «Effect of salt stress (NaCl) on germination and early seedling parameters of three
pepper cultivars (Capsicum annuum L.)», Journal of Stress Physiology & Biochemistry, Vol. 10, n.º 1, 2014.

1.  Uma das variáveis dependentes em estudo é

 (A) o tempo de esterilização.

 (B) a concentração de NaCl.

 (C) a percentagem de germinação.

 (D) o tipo de sementes.

2.  De acordo com os resultados, a variedade

 (A) «Beldi» é a que apresenta maior sensibilidade ao valor mais elevado de salinidade.

 (B) «Baklouti» é a que atinge valores mais elevados de germinação numa concentração de 4 g/L.

 (C) «Baklouti» é a que apresenta um menor intervalo de variação nas percentagens de germinação, nas
várias concentrações.

 (D) «Anaheim Chili» é a que atinge mais rapidamente 50% de germinação das sementes numa
concentração de 0 g/L.

Prova 702/E. Especial • Página 7/ 16


3.  O controlo desta investigação implicou

 (A) a utilização de quatro concentrações salinas.

 (B) três réplicas de cada ensaio.

 (C) a rega com água destilada.

 (D) três lavagens das sementes utilizadas.

4.  As afirmações seguintes dizem respeito aos resultados experimentais.

I.  A germinação tem início ao 4.º dia, para as três variedades da espécie Capsicum annuum em estudo.
II. No último dia do estudo, verifica-se que quanto maior é a concentração salina menor é a percentagem
de germinação.
III.  As sementes reagem do mesmo modo às variações da concentração salina.

 (A) I e III são verdadeiras; II é falsa.

 (B) III é verdadeira; I e II são falsas.

 (C) I e II são verdadeiras; III é falsa.

 (D) II é verdadeira; I e III são falsas.

5.  Classifique o ciclo de vida da espécie Capsicum annuum.

6.  Ordene as letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência de acontecimentos referentes ao transporte


da água e dos sais ao longo dos vasos xilémicos, segundo a teoria da tensão-coesão-adesão.

A.  Criação de um défice de água no xilema da raiz.

B.  Aumento da pressão osmótica ao nível dos vasos xilémicos foliares.

C.  Saída de vapor de água pelos ostíolos das células-guarda.

D.  Absorção de moléculas de água do solo pelas células da raiz.

E.   Ascensão de uma coluna contínua de moléculas de água desde a raiz até à folha.

7.  Identifique qual das variedades de Capsicum annuum apresenta vantagem competitiva na ocupação de
um ambiente sujeito a grandes variações de salinidade.

Fundamente a sua resposta, tendo em consideração os resultados experimentais.

8.  Colocaram-se células de uma planta, com concentração intracelular de 1 g/L de NaCl, num meio com
concentração de 4 g/L de NaCl.

Explique o movimento transmembranar de água nesta situação.

Prova 702/E. Especial • Página 8/ 16


–––—––––––––––—–—–—–——— Página em branco ––––––––––—–—–—–————–-––

Prova 702/E. Especial • Página 9/ 16


GRUPO III

A ilha da Madeira resultou de magmatismo oceânico intraplaca, atualmente extinto, sendo


constituída essencialmente por rochas vulcânicas, na sua maioria com baixa percentagem de sílica.
As rochas sedimentares são escassas, ocorrendo, por exemplo, em dunas fósseis e em depósitos
de vertente e de enxurrada, cujos detritos sofreram um curto transporte.
As águas subterrâneas são a única fonte de abastecimento de água no verão, sendo que, no
inverno, também é aproveitada a água que resulta do escoamento superficial de algumas ribeiras.
Além disso, parte dos recursos hídricos subterrâneos destina-se à produção de energia elétrica,
representando 20 a 25% da produção total de energia da ilha.
De acordo com o modelo hidrogeológico definido para a Madeira, considera-se a existência de
aquíferos suspensos – situados em altitude e associados a rochas como tufos e basaltos alterados,
com águas pouco mineralizadas – e de um aquífero de base – formado essencialmente por materiais
vulcânicos, mais ou menos alterados, e que possui águas mais mineralizadas.
As principais zonas de recarga dos aquíferos localizam-se nas regiões mais altas da ilha, com
precipitação elevada e formações vulcânicas mais recentes e, em geral, mais permeáveis.
Recentemente, na ilha, foram encontradas águas termais com teores elevados de CO2 livre,
associadas a manifestações secundárias de vulcanismo.

Paul da Serra Maciço Central

VR

CVP
CVP
CB
CB
Nível médio da
água do mar
CVA CVP
CVP

f f f f f f CVA 1 km
CVA
Ch
0

0 20 km Limites geológicos
Aquíferos suspensos
VR – Vulcanismo recente
Limite da zona de saturação
CVP – Complexo vulcânico principal
Aquífero de base
CB – Depósito conglomerático brechoide
CVA – Complexo vulcânico antigo f Filões
Ch Chaminé vulcânica

Figura 3 – Modelo hidrogeológico definido para a ilha da Madeira

Baseado em: S. Prada et al., «Recursos Hídricos da ilha da Madeira»,


Comunicações do Instituto Geológico e Mineiro, Vol. 90, 2003.

Prova 702/E. Especial • Página 10/ 16


1.  As rochas vulcânicas existentes na ilha da Madeira são essencialmente

 (A) melanocráticas, ricas em minerais como as piroxenas.

 (B) melanocráticas, ricas em minerais como os feldspatos potássicos.

 (C) leucocráticas, ricas em minerais como as piroxenas.

 (D) leucocráticas, ricas em minerais como os feldspatos potássicos.

2.  Os depósitos de vertente e de enxurrada existentes na ilha da Madeira são constituídos por detritos
predominantemente

 (A) arredondados e bem calibrados.

 (B) angulosos e bem calibrados.

 (C) angulosos e mal calibrados.

 (D) arredondados e mal calibrados.

3.  De acordo com o texto, os recursos hídricos explorados na ilha da Madeira, ao longo de todo o ano, são

 (A) renováveis, associados a reservatórios de água superficial.

 (B) renováveis, associados a reservatórios de água subterrânea.

 (C) não renováveis, associados a reservatórios de água superficial.

 (D) não renováveis, associados a reservatórios de água subterrânea.

4.  Na ilha da Madeira, o aquífero de base

 (A) tem nível hidrostático mais superficial nos períodos de elevada precipitação.

 (B) tem uma zona de aeração menos espessa durante o verão.

 (C) é limitado por rochas impermeáveis, na base e no topo.

 (D) é constituído por materiais de origem vulcânica alterados e pouco porosos.

5.  Os diferentes feldspatos calcossódicos

 (A) cristalizam à mesma temperatura.

 (B) constituem a série descontínua de Bowen.

 (C) têm a mesma estrutura cristalina.

 (D) são minerais polimórficos.

Prova 702/E. Especial • Página 11/ 16


6.  Considere as afirmações seguintes, referentes ao modelo hidrogeológico definido para a Madeira e
representado na Figura 3.

I.  Os aquíferos suspensos localizam-se acima da zona de saturação do aquífero de base.


II.  O aquífero de base abrange rochas do complexo vulcânico antigo.
III.  Os filões que intersectam os aquíferos são mais antigos do que o complexo vulcânico principal.

 (A) III é verdadeira; I e II são falsas.

 (B) I é verdadeira; II e III são falsas.

 (C) II e III são verdadeiras; I é falsa.

 (D) I e II são verdadeiras; III é falsa.

7.  Refira duas manifestações de vulcanismo secundário.

8.  Faça corresponder cada uma das descrições relativas a diferentes tipos de rochas, expressas na
coluna A, à designação correspondente, que consta na coluna B.

COLUNA A COLUNA B

(1) Andesito

(a) Rocha detrítica de grão grosseiro. (2) Argilito

(b) Rocha formada a partir de um magma de composição intermédia. (3) Basalto

(c) Rocha vulcânica com elevada percentagem de sílica. (4) Conglomerado

(5) Riólito

9.  Com base na Figura 3, apresente duas justificações para a existência de águas mais mineralizadas no
aquífero de base do que nos aquíferos suspensos.

Prova 702/E. Especial • Página 12/ 16


–––—––––––––––—–—–—–——— Página em branco ––––––––––—–—–—–————–-––

Prova 702/E. Especial • Página 13/ 16


GRUPO IV

Alguns antibióticos atuam ativando a respiração celular, o que leva à produção de radicais livres
(substâncias tóxicas oxidantes). Estes radicais podem causar a morte das bactérias através da
destruição de proteínas, de lípidos e de DNA.
Em quatro espécies bacterianas não relacionadas, Bacillus anthracis, Pseudomonas aeruginosa,
Staphylococcus aureus e Escherichia coli, foram inativadas, quer por via química quer por mutação
dos seus genes, as enzimas da via de síntese do sulfureto de hidrogénio (H2S). Nas bactérias que
sofreram estes procedimentos, deu-se a inibição da produção de H2S. Estas bactérias sobreviveram
com muita dificuldade na presença de antibióticos.
Posteriormente, sujeitaram-se a estirpe mutada de [Link] (inibida da produção de H2S) e a
estirpe selvagem de [Link] (não mutada e produtora de H2S) à ação de três antibióticos diferentes.
Verificou‑se que, nas bactérias incapazes de produzir sulfureto de hidrogénio, o DNA se encontrava
cortado em fragmentos.
A sequenciação recente de numerosos genomas bacterianos veio alterar a ideia de que o H2S
seria um produto de excreção, uma vez que esta substância pode bloquear a formação de radicais
livres e também pode estimular a atividade de enzimas antioxidantes.
Baseado em: P. Belenky and J. Collins, «Antioxidant Strategies to Tolerate Antibiotics», Science, 2011.

1.  A hipótese que se quis testar com estas experiências foi a de que

 (A) os radicais livres produzidos provocam a morte das bactérias.

 (B) o sulfureto de hidrogénio compromete a eficácia dos antibióticos.

 (C) as enzimas são necessárias à produção de sulfureto de hidrogénio.

 (D) os antibióticos evitam a produção de sulfureto de hidrogénio.

2.  De acordo com os dados, o sulfureto de hidrogénio pode atuar

 (A) aumentando a produção de ATP.

 (B) inibindo enzimas antioxidantes, que ativam a respiração celular.

 (C) inibindo a multiplicação celular.

 (D) ativando enzimas que facilitam a destruição de radicais livres.

3.  Os antibióticos atuam sobre o DNA, cuja molécula apresenta uma relação

 (A) (A + T) / (C + G) = 1, cortando-o em fragmentos por um processo de oxidação.

 (B) (A + T) / (C + G) = 1, cortando-o em fragmentos por um processo de redução.

 (C) (A + C) / (T + G) = 1, cortando-o em fragmentos por um processo de oxidação.

 (D) (A + C) / (T + G) = 1, cortando-o em fragmentos por um processo de redução.

Prova 702/E. Especial • Página 14/ 16


4.  As bactérias produtoras de sulfureto de hidrogénio apresentam, relativamente às que não produzem este
gás,

 (A) menor atividade respiratória.

 (B) maior resistência aos antibióticos.

 (C) maior atividade respiratória.

 (D) menor resistência aos antibióticos.

5.  Alguns antibióticos atuam nas proteínas membranares responsáveis pelo transporte ativo de iões Na+ e
K+, interferindo diretamente

 (A) na difusão destes iões através da bicamada fosfolipídica.

 (B) na difusão de iões através de proteínas como as permeases.

 (C) na manutenção da diferença de concentração entre os meios intra e extracelular.

 (D) na manutenção da isotonia que se verifica entre os meios intra e extracelular.

6.  A expressão do gene para a síntese das enzimas antioxidantes referidas no texto implica

 (A) tradução do mRNA no retículo endoplasmático rugoso.

 (B) transcrição do DNA para moléculas de RNA pré-mensageiro.

 (C) transcrição do DNA para moléculas de desoxirribonucleótidos.

 (D) tradução da sequência de codões do RNA por ribossomas.

7.  Numa perspetiva darwinista, o aumento da taxa de reprodução bacteriana é vantajoso, pois aumenta a
probabilidade de surgirem indivíduos

 (A) com diferentes características.

 (B) que desenvolvem a capacidade de se adaptar ao ambiente.

 (C) com maior número de mutações.

 (D) que possuem conjuntos génicos favoráveis em determinado meio.

Prova 702/E. Especial • Página 15/ 16


8.  Faça corresponder cada uma das descrições relativas à síntese de enzimas, expressas na coluna A, à
designação correspondente, que consta na coluna B.

COLUNA A COLUNA B

(1) DNApolimerase
(a) 
Molécula que possui uma sequência de ribonucleótidos
complementar de um codão.
(2) Gene
(b) Polirribonucleótido que contém informação para a síntese de
(3) mRNA
um polipeptídeo.
(4) tRNA
(c) Sequência de desoxirribonucleótidos que contém informação
para a síntese de uma enzima.
(5) rRNA

9.  Explique em que medida o conhecimento do modo de atuação do sulfureto de hidrogénio em algumas
bactérias pode contribuir para a produção de novos antibióticos.

FIM

COTAÇÕES

Item
Grupo
Cotação (em pontos)
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9.
I
5 5 5 5 5 5 5 5 10 50
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8.
II
5 5 5 5 5 5 10 10 50
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9.
III
5 5 5 5 5 5 5 5 10 50
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9.
IV
5 5 5 5 5 5 5 5 10 50
TOTAL 200

Prova 702/E. Especial • Página 16/ 16


Exame Final Nacional de Biologia e Geologia
Prova 702 | Época Especial | Ensino Secundário | 2019
11.º Ano de Escolaridade
Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho | Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho

Critérios de Classificação 6 Páginas

critérios gerais de classificação

A classificação a atribuir a cada resposta resulta da aplicação dos critérios gerais e dos critérios específicos
apresentados para cada item e é expressa por um número inteiro.

As respostas ilegíveis ou que não possam ser claramente identificadas são classificadas com zero pontos.

Em caso de omissão ou de engano na identificação de uma resposta, esta pode ser classificada se for
possível identificar inequivocamente o item a que diz respeito.

Se for apresentada mais do que uma resposta ao mesmo item, só é classificada a resposta que surgir em
primeiro lugar.

Itens de seleção

Nos itens de seleção, a cotação do item só é atribuída às respostas integralmente corretas e completas. Todas
as outras respostas são classificadas com zero pontos.

Nas respostas aos itens de seleção, a transcrição do texto da opção escolhida é considerada equivalente à
indicação da letra ou do número correspondente.

Itens de construção

Nos itens de resposta curta, são atribuídas cotações às respostas total ou parcialmente corretas, de acordo
com os critérios específicos.

Nos itens de resposta restrita, os critérios de classificação estão organizados por níveis de desempenho. A
cada nível de desempenho corresponde uma dada pontuação. Se permanecerem dúvidas quanto ao nível a
atribuir, deve optar-se pelo nível mais elevado de entre os dois tidos em consideração. Qualquer resposta que
não atinja o nível 1 de desempenho é classificada com zero pontos.

Os itens de resposta restrita são classificados tendo em conta o conteúdo e o rigor científico.

São consideradas falhas no rigor científico a utilização inadequada ou imprecisa de termos, de conceitos ou
de processos, assim como o incumprimento das normas de nomenclatura binominal.

As respostas que não apresentem exatamente os termos ou expressões constantes nos critérios específicos
de classificação são classificadas em igualdade de circunstâncias com aquelas que os apresentem, desde
que o seu conteúdo seja cientificamente válido, adequado ao solicitado e enquadrado pelos documentos
curriculares de referência.

Prova 702/E. Especial | CC • Página 1/ 6


critérios específicos de classificação

GRUPO I

1. a 7.  ................................................................ (7 × 5 pontos)........................................................ 35 pontos

Itens 1 2 3 4 5 6 7

Chave A D B B A C A

8. .................................................................................................................................................... 5 pontos
Chave – D, B, A, E, C

9. .................................................................................................................................................... 10 pontos

Explica o afloramento de ofiolitos nos Alpes, referindo a sua origem (A) e relacionando a sua posição atual
com forças tectónicas (B) e com a erosão das rochas que os cobriam (C).

(A) 
Os ofiolitos são rochas procedentes da crosta oceânica e do manto superior (OU que constituíam o
fundo oceânico).

(B) 
As forças compressivas permitiram a sobreposição da litosfera oceânica (OU dos ofiolitos) sobre
rochas continentais.

(C)  A erosão das rochas que cobriam os ofiolitos deixou-os a descoberto.

Níveis Descritores de desempenho do conteúdo e do rigor científico Pontuação

Explica, com rigor científico, o afloramento de ofiolitos nos Alpes, apresentando os três
5 10
elementos (A, B, C).
Explica, com falhas no rigor científico, o afloramento de ofiolitos nos Alpes, apresentando
4 8
os três elementos (A, B, C).
Explica, com rigor científico, o afloramento de ofiolitos nos Alpes, apresentando apenas
3 6
dois dos elementos.
Explica, com falhas no rigor científico, o afloramento de ofiolitos nos Alpes, apresentando
2 4
apenas dois dos elementos.

1 Apresenta, com rigor científico, apenas um dos elementos. 2

Prova 702/E. Especial | CC • Página 2/ 6


GRUPO II

1. a 4.  ................................................................ (4 × 5 pontos)........................................................ 20 pontos

Itens 1 2 3 4

Chave C D C D

5. .................................................................................................................................................... 5 pontos
Haplodiplonte

6. .................................................................................................................................................... 5 pontos
Chave – C, B, E, A, D

7. .................................................................................................................................................... 10 pontos
Identifica a variedade que apresenta vantagem competitiva num ambiente sujeito a grandes variações
de salinidade (A), fundamentando com a relação entre a maior percentagem de germinação e a maior
capacidade adaptativa (B).

(A) 
A variedade «Anaheim Chili» apresenta maior vantagem competitiva.

(B) 
A maior percentagem de germinação em todas as condições de salinidade indica uma maior capacidade
de adaptação a um ambiente (OU de ocupação de um ambiente) sujeito a grande variações de
salinidade.

Níveis Descritores de desempenho do conteúdo e do rigor científico Pontuação

Identifica e fundamenta, com rigor científico, qual das variedades apresenta vantagem
4 competitiva num ambiente sujeito a grandes variações de salinidade, apresentando os 10
dois elementos (A, B).
Identifica e fundamenta, com falhas no rigor científico, qual das variedades apresenta
3 vantagem competitiva num ambiente sujeito a grandes variações de salinidade, 8
apresentando os dois elementos (A, B).
Não identifica a variedade, mas relaciona, com rigor científico, uma maior percentagem de
2 5
germinação com uma maior capacidade adaptativa (B).

Identifica a variedade, com ou sem falhas no rigor científico, apresentando apenas o


elemento A.
1 OU 3
Não identifica a variedade, mas relaciona, com falhas no rigor científico, uma maior
percentagem de germinação com uma maior capacidade adaptativa (B).

Prova 702/E. Especial | CC • Página 3/ 6


8. .................................................................................................................................................... 10 pontos

Explica o movimento transmembranar de água, distinguindo a tonicidade dos meios (A) e apresentando de
forma contextualizada o conceito de osmose (B).

(A)  O meio externo é hipertónico (OU apresenta maior concentração) em relação ao meio interno.

(B)  A água movimenta-se passivamente (OU por osmose) do meio intracelular para o meio extracelular.

Níveis Descritores de desempenho do conteúdo e do rigor científico Pontuação

Explica, com rigor científico, o movimento transmembranar de água, apresentando os


4 10
dois elementos (A, B).
Explica, com falhas no rigor científico, o movimento transmembranar de água,
3 8
apresentando os dois elementos (A, B).
Explica, com rigor científico, o movimento transmembranar de água, apresentando
2 5
apenas um dos elementos.

Explica, com falhas no rigor científico, o movimento transmembranar de água,


1 3
apresentando apenas um dos elementos.

GRUPO III

1. a 6.  ................................................................ (6 × 5 pontos)........................................................ 30 pontos

Itens 1 2 3 4 5 6

Chave A C B A C D

7. .................................................................................................................................................... 5 pontos
Refere duas das seguintes manifestações de vulcanismo secundário: fumarola; géiser;
nascente termal; mofeta; sulfatara.

Nota – A referência a «fumarola» invalida a referência a «mofeta» e a «sulfatara».

8. .................................................................................................................................................... 5 pontos
Chave – (a) – (4); (b) – (1); (c) – (5)

Prova 702/E. Especial | CC • Página 4/ 6


9. .................................................................................................................................................... 10 pontos

Apresenta duas justificações, de entre as seguintes, para a existência de águas mais mineralizadas no
aquífero de base:

(A) 
Como as zonas de recarga se localizam nas regiões mais altas da ilha, o percurso da água até ao
aquífero de base é maior, possibilitando uma maior dissolução.

(B) 
No aquífero de base, a água permanece mais tempo em contacto com a rocha, o que conduz a uma
maior dissolução.

(C) 
No aquífero de base, a área de contacto entre a rocha e a água é maior, o que conduz a uma maior
dissolução.

(D)  A proximidade do mar contribui para a contaminação da água com sais minerais de origem marinha.

(E)  Os teores elevados de CO2 contribuem para a mineralização da água.

(F) 
A maior profundidade do aquífero de base implica temperaturas mais elevadas, que contribuem para
uma maior dissolução.

Níveis Descritores de desempenho do conteúdo e do rigor científico Pontuação

Apresenta, com rigor científico, duas das justificações para a existência de águas mais
4 10
mineralizadas no aquífero de base.
Apresenta, com falhas no rigor científico, duas das justificações para a existência de
3 8
águas mais mineralizadas no aquífero de base.
Apresenta, com rigor científico, uma das justificações para a existência de águas mais
2 5
mineralizadas no aquífero de base.

Apresenta, com falhas no rigor científico, uma das justificações para a existência de águas
1 3
mais mineralizadas no aquífero de base.

GRUPO IV

1. a 7.  ................................................................ (7 × 5 pontos)........................................................ 35 pontos

Itens 1 2 3 4 5 6 7

Chave B D C B C D A

8. .................................................................................................................................................... 5 pontos
Chave – (a) – (4); (b) – (3); (c) – (2)

Prova 702/E. Especial | CC • Página 5/ 6


9. .................................................................................................................................................... 10 pontos

Explica em que medida o conhecimento do modo de atuação do H2S pode contribuir para a produção
de novos antibióticos, referindo a forma de atuação de alguns antibióticos (A), a relação entre o H2S e a
inativação do efeito do antibiótico (B) e a forma de atuação dos novos antibióticos (C).

(A)  Os antibióticos levam à produção de substâncias tóxicas oxidantes (OU de radicais livres).

(B) 
O H2S produzido por algumas bactérias impede a formação de radicais livres e estimula a atividade
de enzimas antioxidantes.

(C)  Os novos antibióticos produzidos deverão atuar no sentido de impedir a produção de H2S.

Níveis Descritores de desempenho do conteúdo e do rigor científico Pontuação

Explica, com rigor científico, em que medida o conhecimento do modo de atuação


5 do H2S pode contribuir para a produção de novos antibióticos, apresentando os três 10
elementos (A, B, C).

Explica, com falhas no rigor científico, em que medida o conhecimento do modo de


4 atuação do H2S pode contribuir para a produção de novos antibióticos, apresentando os 8
três elementos (A, B, C).

Explica, com rigor científico, em que medida o conhecimento do modo de atuação do H2S
3 pode contribuir para a produção de novos antibióticos, apresentando apenas dois dos 6
elementos.

Explica, com falhas no rigor científico, em que medida o conhecimento do modo de


2 atuação do H2S pode contribuir para a produção de novos antibióticos, apresentando 4
apenas dois dos elementos.

1 Apresenta, com rigor científico, apenas um dos elementos. 2

COTAÇÕES

Item
Grupo
Cotação (em pontos)
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9.
I
5 5 5 5 5 5 5 5 10 50
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8.
II
5 5 5 5 5 5 10 10 50
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9.
III
5 5 5 5 5 5 5 5 10 50
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9.
IV
5 5 5 5 5 5 5 5 10 50
TOTAL 200

Prova 702/E. Especial | CC • Página 6/ 6


Exame Final Nacional de Biologia e Geologia
Prova 702 | 1.ª Fase | Ensino Secundário | 2020
11.º Ano de Escolaridade
Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho

Duração da Prova: 120 minutos. | Tolerância: 30 minutos. 15 Páginas

VERSÃO 1

A prova inclui 10 itens, devidamente identificados no enunciado, cujas respostas contribuem


obrigatoriamente para a classificação final (itens I ‒ 1., I ‒ 2., I ‒ 7., I ‒ 15.1., I ‒ 15.4., I ‒ 15.6., I ‒ 17.,
II ‒ 2., III ‒ 2. e III ‒ 7.). Dos restantes 23 itens da prova, apenas contribuem para a classificação final
os 15 itens cujas respostas obtenham melhor pontuação.

Indique de forma legível a versão da prova.

Para cada resposta, identifique o grupo e o item.

Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta azul ou preta.

Não é permitido o uso de corretor. Risque aquilo que pretende que não seja classificado.

Apresente apenas uma resposta para cada item.

As cotações dos itens encontram-se no final do enunciado da prova.

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta. Escreva, na folha de respostas, o
grupo, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 1/ 15


GRUPO I
Texto 1
O Parque Natural da Arrábida (PNA), situado na zona sul da península de Setúbal, é constituído
por uma área terrestre e por uma área marinha, que se encontram representadas esquematicamente
na Figura 1A. O parque visa a proteção de valores como as grutas calcárias e o monumento natural
da Pedra da Mua. Este monumento é uma jazida de icnofósseis, constituída por pegadas de
dinossáurios, que se encontram em camadas não horizontais do Jurássico superior, depositadas
na Bacia Lusitaniana. A formação desta bacia, na margem oeste da Península Ibérica, iniciou-se no
Mesozoico e esteve associada à instalação de um rifte intracontinental, que causou a fragmentação
progressiva da Pangeia e a abertura do oceano Atlântico Norte.
No Cenozoico ocorreu o levantamento da serra da Arrábida, que resultou da deformação de
rochas do Mesozoico e do Cenozoico, devido à colisão entre as placas Eurasiática e Africana.
Durante o Oligocénico, na península de Setúbal, depositaram-se conglomerados, geralmente
mal calibrados, a que se associaram, entre outras rochas, calcários lacustres. Durante o Miocénico,
formou-se uma barreira de corais com orientação N-S, desde a zona do Seixal até à zona de Lisboa,
e a serra da Arrábida constituiu uma ilha. Há cerca de 5 milhões de anos (Ma), formou-se uma vasta
planície entre a zona de Lisboa e a serra da Arrábida, onde se instalou o sistema fluvial precursor
do rio Tejo.
A baía do Portinho da Arrábida, representada na Figura 1B, resultou de erosão diferencial que
originou duas zonas rochosas salientes, entre as quais se formou uma praia por acumulação de
sedimentos fluvio-marinhos. A exposição de rochas argilosas, na base da falésia, liberta sedimentos
de cor castanha, que turvam a água do mar.
A Figura 1C representa o corte geológico AA' (Figura 1A) que atravessa a serra da Arrábida.

A'

A A'

Figura 1
Baseado em: L. Rebêlo e S. Nave, «Evolução recente da baía do Portinho da Arrábida: contributos da geologia para uma
correta gestão ambiental», in Revista da Gestão Costeira Integrada, 2018, e em R. Dias e J. Pais, «Homogeneização
da Cartografia Geológica do Cenozoico da Área Metropolitana de Lisboa», in Comunicações Geológicas, 2009.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 2/ 15


1.  A serra da Arrábida formou-se na sequência de um regime tectónico

 (A) compressivo e constituiu uma ilha durante uma fase regressiva.

 (B) distensivo e constituiu uma ilha durante uma fase transgressiva.

 (C) compressivo e constituiu uma ilha durante uma fase transgressiva.

 (D) distensivo e constituiu uma ilha durante uma fase regressiva.

2.  O levantamento da serra da Arrábida ocorreu devido

 (A) à instalação de um rifte intracontinental durante o Jurássico.

 (B) ao desenvolvimento de uma bacia sedimentar durante o Cretácico.

 (C) à fragmentação progressiva da Pangeia durante o Oligocénico.

 (D) a uma inversão do regime tectónico durante o Miocénico.

3.  A rocha em que se encontram as pegadas de dinossáurios da Pedra da Mua ter-se-á formado durante o

 (A) Mesozoico, num ambiente marinho profundo.

 (B) Cenozoico, num ambiente próximo do litoral.

 (C) Cenozoico e, posteriormente, sofreu diagénese.

 (D) Mesozoico e, posteriormente, sofreu deformação.

4.  A falha representada na Figura 1C, com a letra X, é

 (A) inversa, com um plano de falha inclinado para noroeste.

 (B) inversa, em que o muro sobe relativamente ao teto.

 (C) normal, em que o teto desce relativamente ao muro.

 (D) normal, com um plano de falha inclinado para sudeste.

5.  De acordo com os dados, a serra da Arrábida corresponde a um

 (A) antiforma, uma vez que as rochas do núcleo da dobra são do Mesozoico.

 (B) anticlinal, uma vez que a concavidade da dobra está voltada para baixo.

 (C) anticlinal, uma vez que as rochas do núcleo da dobra são do Mesozoico.

 (D) antiforma, uma vez que a concavidade da dobra está voltada para cima.

6.  A turvação da água do mar, em algumas zonas da baía do Portinho da Arrábida, deve-se à

 (A) erosão da falésia, de que resulta a dispersão de detritos muito finos.

 (B) meteorização das rochas que ficam expostas na base da falésia.

 (C) erosão de argilitos, de que resulta a dispersão de detritos grosseiros.

 (D) meteorização de argilitos que ficam expostos à abrasão marinha.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 3/ 15


7.  Ordene as expressões identificadas pelas letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência correta
dos acontecimentos relacionados com a evolução da península de Setúbal.

A.  Instalação da bacia fluvial precursora do rio Tejo atual.

B.  Desenvolvimento de uma barreira de corais.

C.  Precipitação de carbonatos em meio continental.

D.  Constituição do supercontinente Pangeia.

E.   Formação da Bacia Lusitaniana.

8.  Associe a cada grupo de rochas apresentado na Coluna I as afirmações da Coluna II que lhe podem
corresponder. Cada um dos números deve ser associado apenas a uma letra e todos os números devem
ser utilizados.

Escreva na folha de respostas cada letra da Coluna I seguida do número ou dos números (de 1 a 9)
correspondente(s).

COLUNA I COLUNA II

(1) Resulta da recristalização de minerais a elevadas pressões.

(2) Forma-se como resultado de tensões dirigidas.

(3) Forma-se por processos de cimentação.

(a) Rocha sedimentar (4) Forma-se por contacto com uma intrusão magmática.

(b) Rocha magmática (5) Resulta da solidificação de material silicatado.

(c) Rocha metamórfica (6) Apresenta uma textura foliada.

(7) Resulta de detritos de rochas pré-existentes.

(8) Cristaliza em profundidade ou à superfície.

(9) Resulta da precipitação de sais dissolvidos na água.

9.  Explique o processo de formação das grutas calcárias existentes no interior do maciço da serra da Arrábida.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 4/ 15


–––—––––––––––—–—–—–——— Página em branco ––––––––––—–—–—–————–-––

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 5/ 15


Texto 2
O Parque Marinho Professor Luiz Saldanha (PMPLS) – área marinha do Parque Natural da
Arrábida (PNA) – possui uma enorme biodiversidade, embora ao longo do tempo se tenha registado a
regressão de algumas espécies de algas castanhas (Kelp) e de plantas (ervas marinhas), resultante
da pressão humana na área. O Kelp fixa-se a substratos rochosos e cresce em direção à superfície,
formando florestas, enquanto as ervas marinhas formam pradarias, fixando-se aos fundos arenosos
com as suas raízes. As florestas de Kelp e as pradarias de ervas marinhas favorecem a dissipação
da energia das ondas e das correntes e constituem importantes zonas de proteção, de reprodução
e de alimentação para uma grande diversidade de espécies animais, como peixes e invertebrados.
Na baía do Portinho da Arrábida (Figura 1B da página 2), devido ao declínio das pradarias, foi
implementado um projeto – BIOMARES – de transplante de plantas e de libertação de sementes,
nomeadamente da espécie Zostera marina. Atualmente, verifica-se já a recuperação da pradaria,
registando-se também elevada densidade de larvas de peixes junto à costa.
Baseado em: [Link] (consultado em setembro de 2019).

10.  Ao longo do século XX, ocorreu uma alteração da extensão da praia do Portinho da Arrábida, como se
observa na Figura 1B (página 2).

Explique de que modo o declínio das pradarias de ervas marinhas pode ter conduzido à alteração da
extensão da praia.

Na sua resposta, deve identificar a referida alteração e o processo geológico envolvido.

11.  Em relação à posição de Zostera marina na cadeia alimentar, podemos afirmar que se encontra

 (A) na base, porque liberta oxigénio durante a fotossíntese.

 (B) na base, porque produz matéria orgânica na fotossíntese.

 (C) no topo, porque constitui a população mais numerosa.

 (D) no topo, porque produz grande quantidade de biomassa.

12.  Comparativamente com a reprodução sexuada, a fragmentação das algas Kelp

 (A) aumenta a variabilidade genética da espécie.

 (B) permite o crescimento rápido das populações.

 (C) confere vantagens evolutivas às populações.

 (D) possibilita melhor adaptação a novos ambientes.

13.  As ervas das pradarias marinhas e os seres que formam o Kelp, de acordo com o sistema de classificação
de Whittaker modificado (1979), pertencem a reinos diferentes, porque as primeiras

 (A) são organismos multicelulares.

 (B) possuem células com parede celular.

 (C) são organismos eucariontes.

 (D) possuem maior grau de diferenciação.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 6/ 15


14.  A recente sequenciação do genoma de Zostera marina revelou algumas das alterações evolutivas que
ocorreram durante a migração dos ancestrais destas plantas do ambiente terrestre para o marinho e a
sua adaptação a este novo ambiente, nomeadamente o desaparecimento de determinados genes e o
aparecimento de outros.

14.1.  Na transcrição de um gene,

 (A) a DNA polimerase liga-se a uma sequência específica da molécula de DNA.

 (B) a cadeia molde de DNA que vai ser transcrita é lida na direção 5' para 3'.

 (C) o mRNA transcrito apresenta adenina, por complementaridade com o uracilo.

 (D) o mRNA transcrito possui uma cadeia antiparalela à cadeia molde de DNA.

14.2.  Relativamente aos seus ancestrais, a sequenciação do genoma de Zostera marina revelou

 (A) perda de genes responsáveis pela produção de esporos.

 (B) perda de genes responsáveis pela formação de estomas.

 (C) aquisição de genes responsáveis pela proteção contra a radiação UV.

 (D) aquisição de genes responsáveis pela absorção de sais minerais.

14.3.  Zostera marina e os seus ancestrais terrestres apresentam estruturas

 (A) homólogas, coerentes com uma evolução divergente.

 (B) homólogas, resultantes da mesma pressão seletiva.

 (C) análogas, resultantes de diferentes pressões seletivas.

 (D) análogas, coerentes com uma evolução convergente.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 7/ 15


15.  Com o objetivo de investigar os efeitos da acidificação do oceano, decorrente da exposição a níveis
elevados de pressão parcial de CO2 (pCO2), na capacidade reprodutiva de um peixe, Gobiusculus
flavescens, que habita o PMPLS, foi realizado o estudo que a seguir se descreve.
•• Em março, foi feita a recolha dos peixes, que foram imediatamente transportados para o laboratório e
transferidos para um tanque de 100 L, com circulação contínua de água do mar, permanecendo nestas
condições durante uma semana para recuperarem da captura.
•• Posteriormente, os peixes foram transferidos para tanques de 35 L de capacidade, colocando-se um
casal reprodutor em cada tanque. Todos os indivíduos tinham peso e comprimento padrão.
•• Todos os casais foram mantidos em condições de temperatura e de salinidade semelhantes às do
campo de recolha (≈ 16 °C e 35 PSU1), com ciclo de luz de 14 horas, e foram alimentados, duas vezes
por dia, com um pequeno crustáceo, Artemia nauplii.
•• Em nove tanques, os peixes foram submetidos a pCO2 na água de ≈ 600 μatm e pH ≈ 8,05 – tratamento
controlo.
•• Em outros nove tanques, os peixes foram sujeitos a pCO2 na água de ≈ 2300 μatm e pH ≈ 7,60 –
tratamento com pCO2 elevada.
•• Os dezoito tanques foram cobertos com tampas de vidro. Os níveis de oxigénio foram mantidos acima
de 90% de saturação, por agitação através de uma bomba de difusão nos tanques.
•• Em cada tanque instalou-se um tubo, para servir de abrigo e de local de postura, e uma maternidade
para o desenvolvimento das larvas.
•• Os peixes foram mantidos nas referidas condições até à época de reprodução, que decorre de abril a
julho.

Os resultados são apresentados nos Gráficos I, II, III e IV.


Nota:
1  PSU – A Unidade de Salinidade Prática, usada em oceanografia, é determinada com base na relação entre a
condutividade elétrica da água e a sua salinidade.
Média de posturas por casal

Número de ovos por postura

Pressão parcial de CO2 (pCO2) Pressão parcial de CO2 (pCO2)


Área dos ovos (mm2)

Comprimento padrão
das larvas (mm)

Pressão parcial de CO2 (pCO2) Pressão parcial de CO2 (pCO2)

Baseado em: A.M. Faria et al., «Reproductive trade-offs in a temperate reef fish under
high pCO2 levels», in Marine Environmental Research, Elsevier, 2018.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 8/ 15


15.1.  Os tanques foram cobertos com tampas de vidro, de modo a

 (A) manter estável a temperatura da água.

 (B) impedir a libertação de O2 da água para a atmosfera.

 (C) limitar as trocas de CO2 da água com a atmosfera.


 (D) evitar a diminuição de salinidade da água.

15.2.  Habitualmente, na primavera, os peixes do PMPLS estão sujeitos às condições abióticas seguintes:

 (A) pCO2 ≈ 2300 μatm e 10 horas sem luz.


 (B) salinidade de 35 PSU e pH ≈ 7,60.

 (C) temperatura de 16 °C e pH ≈ 8,05.

 (D) 14 horas sem luz e pCO2 ≈ 600 μatm.

15.3.  Apresente uma razão para o facto de os peixes terem sido recolhidos com a antecipação de um
mês relativamente ao início do estudo.

15.4.  Compare os resultados do estudo relativamente aos seguintes aspetos:


–  média de posturas por casal;
–  comprimento das larvas.

15.5.  A investigação sugere que, para a espécie estudada,

 (A) a exposição a pCO2 elevada diminui a capacidade reprodutiva.


 (B) as larvas que eclodem a pH mais alto sobrevivem mais tempo.

 (C) a sobrevivência larvar está dependente da pCO2 e do pH.


 (D) a acidificação do meio aumenta a atividade reprodutiva.

15.6.  Os peixes em cativeiro não apresentaram, durante o período reprodutivo, perda de reservas
energéticas, contrariamente ao que aconteceria no estado selvagem.

Apresente um aspeto que possa ter contribuído para tal facto.

16.  Relativamente ao ciclo de vida de Gobiusculus flavescens, podemos afirmar que

 (A) a meiose é pós-zigótica.

 (B) os ovos são haploides.

 (C) o ciclo de vida é diplonte.

 (D) os gâmetas se formam por mitose.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 9/ 15


17.  Complete o texto seguinte com a opção adequada a cada espaço.

Transcreva para a folha de respostas cada uma das letras, seguida do número que corresponde à
opção selecionada. A cada letra corresponde um só número.

a)____  e um coração com  ______


Os peixes possuem circulação  ______ b)____  cavidades. Realizam

c)____ e possuem ______
as trocas gasosas através  ______ d)____, com digestão ______
e)____.

a) b) c)

1. dupla e completa 1. duas 1. das brânquias

2. dupla e incompleta 2. três 2. da superfície corporal

3. simples 3. quatro 3. das traqueias

d) e)

1. tubo digestivo incompleto 1. extracorporal

2. cavidade gastrovascular 2. extracelular

3. tubo digestivo completo 3. intracelular

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 10/ 15


GRUPO II

Numa aula de Biologia e Geologia, realizou-se uma atividade com o objetivo de investigar a
influência da luz na absorção de CO2 pelas plantas aquáticas.
Em 4 tubos de ensaio (tubos 1, 2, 3 e 4), colocou-se a mesma quantidade de água gasocarbónica
e acrescentaram-se 4 gotas de solução de azul de bromotimol1 em cada tubo.
Observou-se uma coloração amarela em todos os tubos.
No tubo 1 e no tubo 4, colocou-se um fragmento de uma planta aquática – Elodea densa.
Em todos os tubos foi posta uma tampa.
Os tubos 1 e 2 foram colocados à luz, e os tubos 3 e 4 na obscuridade.
Ao fim de 48 horas registaram-se os resultados.

Nota:
1  Azul de bromotimol – indicador de pH que apresenta cor azul em meio alcalino e cor amarela em meio ácido.

1.  Refira todos os tubos de controlo utilizados na atividade.

2.  Preveja, justificando, os resultados obtidos ao fim de 48 horas em cada um dos tubos, relativamente
à coloração da solução de azul de bromotimol.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 11/ 15


GRUPO III
A ilha de Krakatau faz parte do arco vulcânico da Indonésia, cujo enquadramento tectónico está
esquematicamente representado na Figura 2A. Em 1883 ocorreram diversas erupções do vulcão
Krakatau. No mês de agosto, uma dessas erupções provocou a morte de 36 000 pessoas, em
muitos casos devido ao tsunami gerado pelo colapso do edifício vulcânico na caldeira, situada
abaixo do nível do mar. A atividade vulcânica continuou após as erupções de 1883 e originou um
novo edifício vulcânico que ali emergiu – o Anak Krakatau («filho de Krakatau»).
Durante o ano de 2018, a monitorização por satélite e as observações no terreno mostraram
que o Anak Krakatau apresentou um elevado estado de atividade, e que os flancos sudoeste e
sul do vulcão estavam a mover-se lentamente para oeste. A 30 de junho, registou-se um aumento
da atividade eruptiva que se manteve até 22 de dezembro, quando o colapso repentino dos
referidos flancos originou um tsunami que atingiu as vulneráveis costas de Sumatra e de Java, ilhas
densamente povoadas. As estações sismográficas das principais regiões de alerta de tsunamis
registaram um evento de alta frequência, apenas 115 segundos antes de os flancos colapsarem e
decapitarem o cone vulcânico.
As amostras de cinzas e de rochas recolhidas ao longo da sequência estratigráfica, resultantes
de várias erupções, permitiram estabelecer a relação entre o total de compostos alcalinos (óxidos
de sódio e de potássio) e o total de sílica, como se representa no diagrama da Figura 2B.

2A

2B
Percentagem de Na2O + K2O

Percentagem de SiO2

Figura 2
Baseado em: T. R. Walter, et al., «Complex hazard cascade culminating in the Anak Krakatau sector collapse», in Nature
Comunications, 2019, e em: [Link]/[Link] (consultado em setembro de 2019).

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 12/ 15


1.  O vulcão Anak Krakatau situa-se num limite interplacas onde ocorre

 (A) destruição de litosfera oceânica.

 (B) mergulho da placa Eurasiática sob a placa Indo-Australiana.

 (C) manutenção da espessura crustal.

 (D) predominantemente movimento lateral entre as placas.

2.  De entre os seguintes acontecimentos relacionados com o sistema vulcânico de Krakatau, selecione
os que ocorreram no ano de 2018, transcrevendo para a sua folha de respostas os números romanos
correspondentes:

I.  Colapso do edifício vulcânico na caldeira, situada abaixo do nível do mar.


II. Entrada no mar de uma nuvem piroclástica resultante da atividade vulcânica.
III. Movimento brusco para oeste dos flancos sudoeste e sul do vulcão.
IV. Ocorrência de um sismo associado ao colapso parcial do cone do vulcão.
V. Aumento da temperatura registada durante a monitorização, no mês de junho.

3.  A análise do diagrama da Figura 2B permite inferir que

 (A) o magma das erupções de 1883 era menos viscoso do que o das erupções de 2018.

 (B) não existe diferença significativa na composição do magma entre 1982 e 2018.

 (C) o magma anterior às erupções de 1883 era o que tinha uma temperatura mais baixa.

 (D) não existem alterações na composição do magma desde as erupções de 1883.

4.  De acordo com as amostras de cinzas e de rochas recolhidas, verifica-se

 (A) o enriquecimento progressivo do magma em sílica.

 (B) a diminuição da percentagem de compostos alcalinos ao longo do tempo.

 (C) a manutenção de um padrão litológico com características basálticas.

 (D) o predomínio de litologias andesíticas a riolíticas.

5.  O conhecimento do interior da geosfera tem resultado da utilização de vários métodos. Consideram-se
métodos indiretos e diretos, respetivamente,

 (A) a geotermia e o estudo de fragmentos do manto transportados pelos magmas.

 (B) as sondagens e a análise da variação da velocidade das ondas sísmicas.

 (C) a análise da variação da velocidade das ondas sísmicas e a geotermia.

 (D) o estudo de fragmentos do manto transportados pelos magmas e as sondagens.

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 13/ 15


6.  As primeiras ondas sísmicas a serem registadas numa estação sismográfica

 (A) são longitudinais superficiais.

 (B) não se propagam em meio líquido.

 (C) propagam-se em todos os meios.

 (D) são transversais profundas.

7.  As ilhas de Java e de Sumatra encontram-se junto a uma zona de subdução, pelo que possuem
vulcões ativos e apresentam elevado risco sísmico.

Explique, tendo em conta a localização geográfica e o historial do sistema vulcânico de Krakatau,


por que razão o Anak Krakatau é um vulcão que potencia o risco geológico nas ilhas de Java e de
Sumatra.

FIM

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 14/ 15


COTAÇÕES

As pontuações obtidas Grupo


nas respostas a estes
10 itens da prova contribuem I I I I I I I II III III Subtotal
obrigatoriamente para
a classificação final. 1. 2. 7. 15.1. 15.4. 15.6. 17. 2. 2. 7.

Cotação (em pontos) 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 80

Grupo I
Destes 23 itens, contribuem 3. 4. 5. 6. 8. 9. 10. 11. 12. 13.
para a classificação final da
14.1. 14.2. 14.3. 15.2. 15.3. 15.5. 16. Subtotal
prova os 15 itens cujas respostas
obtenham melhor pontuação. Grupo II Grupo III
1. 1. 3. 4. 5. 6.
Cotação (em pontos) 15 x 8 pontos 120
TOTAL 200

Prova 702.V1/1.ª F. • Página 15/ 15


Prova 702
1.ª Fase
VERSÃO 1
Propostas de Resolução

Exame Final Nacional de Biologia e Geologia | Prova 702 | 1.a Fase | 2020 | Versão 1

GRUPO I

1. (C). A serra da Arrábida formou-se num regime tectónico compressivo (exclui B e D),
explícito no segundo parágrafo do texto: “...devido à colisão entre as placas Euro-asiática e
Africana”; em fase transgressiva (exclui D e confirma C), porque se verifica o avanço do mar no
Cenozoico, uma vez que durante o Oligocénico na península de Setúbal depositaram-se
conglomerados, geralmente mal calibrados, a que se associaram, entre outras rochas, calcários
lacustres – domínio continental, e durante o Miocénico, formou-se uma barreira de corais –
domínio marinho.

2. (D). O levantamento da serra da Arrábida ocorre em regime compressivo (exclui A e C) no


Cenozoico (exclui A e B), tendo ocorrido a alteração do regime distensivo (durante a instalação
do rifte intracontinental) para regime compressivo (quando se dá a colisão entre as placas)
durante o Miocénico.

3. (D). De acordo com o princípio da identidade paleontológica, a rocha é da mesma idade do


fóssil que contém. O texto refere que os fósseis se encontram em camadas do Jurássico
Superior e a legenda da figura indica a Era Mesozoica (exclui B e C). As camadas foram
soerguidas – referidas no texto como “não horizontais” –, o que contraria o princípio da
horizontalidade inicial dos estratos, logo, sofreram deformação (confirma D). Os dinossáurios
eram animais terrestres, pelo que o ambiente de formação não poderia ser marinho profundo
(exclui A).

4. (A). A falha representada é inversa (exclui C e D), na qual o teto sobe em relação ao muro
(exclui B), apresentando um plano de falha inclinado para noroeste (confirma A).

5. (C). As dobras podem ser classificadas segundo o seu aspeto geométrico como antiforma
(exclui A), cuja concavidade é voltada para baixo (exclui D), ou segundo a idade das rochas que
as constituem (exclui B), sendo um anticlinal constituído por um núcleo de rochas mais antigas,
neste caso do Mesozoico (confirma C).

6. (A). A turvação, de cor castanha, ocorre devido à libertação de sedimentos por erosão
(exclui B e D); esses sedimentos são argilosos, de granulometria fina (confirma A e exclui C).

7. D – E – C – B – A. Pela análise dos suportes do grupo I, os processos descritos iniciam-se com


a formação da Pangeia (D), cuja fragmentação levou à abertura do oceano Atlântico Norte e à
formação da Bacia Lusitaniana que se iniciou no Mesozoico (E), associada à instalação do rifte
intracontinental. É no Oligocénico que se depositam os calcários lacustres, associados a meio
continental (C). Durante o Miocénico formou-se uma barreira de corais (B), e posteriormente
instalou-se o sistema fluvial precursor do rio Tejo (A).

Propostas de Resolução do Exame Final de Biologia e Geologia – 1.ª Fase – Versão 1 | 2020
8. (a) – (3), (7), (9); (b) – (5), (8); (c) – (1), (2), (4), (6).
As rochas sedimentares (a) detríticas resultam de detritos de rochas preexistentes (7), que
podem ser agregadas através do processo de cimentação (3); as rochas sedimentares
quimiogénicas podem resultar da precipitação de sais dissolvidos na água (9).
As rochas magmáticas (b) resultam da solidificação do magma, que pode ocorrer em
profundidade, dando origem a rochas intrusivas, ou à superfície, originando as extrusivas (8);
resultam da solidificação de material silicatado (5), cuja percentagem de sílica classifica os
magmas como ácidos, intermédios, básicos e ultrabásicos.
As rochas metamórficas (c) resultam da atuação dos fatores de metamorfismo sobre rochas
preexistentes, podendo resultar a recristalização de minerais a elevadas pressões (1) que
podem ser dirigidas (2), dando origem a rochas com textura foliada (6).

9. (A). A água da chuva reage com o CO2 atmosférico, originando ácido carbónico, que torna a
água ácida. Se esta água se infiltrar nas fraturas existentes no maciço, vai meteorizar
quimicamente a rocha (B), dissolvendo o carbonato de cálcio. A remoção dos iões em solução
(C) do carbonato de cálcio que foi dissolvido, que circula na água no interior do maciço, conduz
à abertura de cavidades, podendo dar origem a grutas.

10. As ervas marinhas fixam-se ao fundo arenoso com as suas raízes, formando pradarias que
contribuem para a fixação das areias nesses locais (B) e para a dissipação da energia das ondas
e das correntes marinhas (C). Deste modo, com o declínio dessa vegetação verifica-se uma
redução da estabilidade do substrato arenoso (por perda da capacidade de fixação das areias e
aumento do hidrodinamismo das águas), e a intensificação da erosão nessa zona, o que terá
contribuído para a diminuição da extensão da praia (A), como se constata na imagem 1B da
figura 1.

11. (B). Sendo Zostera marina uma planta, é um organismo autotrófico e, portanto, é um
produtor, ou seja, está na base das cadeias alimentares (exclui C e D); através da fotossíntese
produz matéria orgânica (confirma B). Embora a libertação de oxigénio seja um acontecimento
associado aos produtores que realizam a fotossíntese, não é por essa razão que eles estão na
base das cadeias alimentares (exclui A).

12. (B). A fragmentação é um processo de reprodução assexuada que permite, entre outros
aspetos, o crescimento rápido da população (confirma B), quando as condições do meio são
favoráveis. Como este processo reprodutivo, ao contrário do que acontece na reprodução
sexuada, os descendentes são idênticos aos progenitores, não contribui para o aumento da
variabilidade genética das populações que se reproduzem deste modo (exclui A) e, portanto,
da espécie a que pertence o Kelp, não constituindo, por isso, uma vantagem evolutiva para a
população (exclui C), o que poderá levar, em casos extremos de alteração ambiental, ao
desaparecimento da população ou mesmo à extinção da espécie, por falta de capacidade de
adaptação a novos ambientes (exclui D). O aumento da variabilidade genética, as vantagens
evolutivas e a possibilidade de melhor adaptação a novos ambientes constituem vantagens da
reprodução sexuada.

Propostas de Resolução do Exame Final de Biologia e Geologia – 1.ª Fase – Versão 1 | 2020
13. (D). Estes organismos foram colocados por Whittaker (1979) em reinos diferentes: as ervas
das pradarias no Reino das Plantae, e o Kelp, sendo uma alga castanha, no Reino Protista,
apesar de serem ambos eucariontes (exclui C), fotossintéticos e multicelulares (exclui A) e de
terem células com parede celular (exclui B) . Foram colocados em reinos diferentes porque as
plantas têm um grau de diferenciação superior (confirma D).

14.1. (D). Na transcrição de um gene, a enzima RNA polimerase (exclui A) liga-se a uma
sequência específica da molécula de DNA – cadeia molde, que é lida no sentido 3´- 5´ (exclui
B) – e vai transcrever o gene para RNA adicionando ribonucleótidos no sentido 5´- 3´, por
complementaridade de bases. As bases adenina, uracilo, citosina e guanina do RNA são
complementares às bases timina, adenina, guanina e citosina do DNA, respetivamente (exclui
D). Diz-se que as cadeias são antiparalelas porque o DNA é lido no sentido 3´- 5´, que é o
oposto do sentido da adição de ribonucleótidos durante a síntese de RNA (5’- 3’).

14.2. (B). Os estomas das plantas têm como função permitir a troca de gases com o meio e
controlar a transpiração (e as perdas de água associadas). Sendo Zostera marina uma planta
adaptada ao ambiente marinho e que, portanto, vive dentro de água (fixa ao substrato
arenoso), ao longo do tempo pode perder os genes responsáveis pela formação de estomas,
uma vez que no ambiente aquático a água não é um fator limitante (confirma B); os seus
ancestrais terão sido plantas terrestres com estomas. Como as plantas possuem ciclos de vida
haplodiplontes, com uma geração produtora de esporos, a produção de esporos mantém-se
em toda a linhagem evolutiva (exclui A). A proteção contra a radiação UV e a capacidade de
absorção de sais minerais são características primitivas, partilhadas com as demais plantas,
não tendo resultado da aquisição de genes para a regulação desses processos (exclui C e D),
pois estes já existiam nos seus ancestrais terrestres.

14.3. (A). Zostera marina evoluiu a partir de ancestrais terrestres para o meio aquático, o que
significa que houve uma evolução divergente (exclui D e confirma A); Zostera marina resultou
de pressões seletivas diferentes (exclui B) por estar em ambientes diferentes dos ambientes
dos seus ancestrais terrestres. A evolução divergente está associada ao desenvolvimento de
estruturas homólogas (exclui C), revelando que os seres vivos que as apresentam tiveram uma
origem comum a partir do mesmo grupo ancestral que ocupou diferentes ambientes e que,
por isso, foi sendo sujeito a pressões seletivas distintas.

15.1. (C). Uma vez que o teor de CO2 foi a variável em estudo, era fundamental controlar a sua
quantidade (confirma C), mantendo o sistema fechado à troca de gases com o exterior; sendo
CO2 um gás, num sistema aberto haveria trocas entre a água e a atmosfera. O teor de O2, a
temperatura e a salinidade da água (e também o fotoperíodo) foram mantidos constantes ao
longo do ensaio, mas isso não foi conseguido apenas fechando o sistema com tampas de vidro,
mas recorrendo a outras soluções (exclui A, B e D).

15.2. (C). O texto refere que os peixes foram transferidos para o tanque de aclimatação em
março, tendo o estudo começado em plena primavera. Por outro lado, é referido que os peixes
foram mantidos em condições semelhantes às condições naturais: temperatura da água 16 oC
e pH 8,05 (confirma C); salinidade da água 35 PSU; fotoperíodo de 14 horas luz/dia. Também é

Propostas de Resolução do Exame Final de Biologia e Geologia – 1.ª Fase – Versão 1 | 2020
referido que os peixes do ensaio controlo foram sujeitos a uma pressão parcial de CO2 de 600
μatm e a pH 8,05. Estas condições corresponderão às que existem habitualmente na água do
PMPLS durante a primavera (e que são consideradas normais ou ótimas para a espécie em
qualquer momento do ano). Assim, a pCO2 de 2300 μatm não corresponde à quantidade de
CO2 disponível normalmente na água do mar no PMPLS (exclui A), nem o pH 7,3 (exclui B), nem
as 14 horas sem luz (ou 10 horas luz/dia) (exclui D).

15.3. Os peixes foram recolhidos com alguma antecedência relativamente ao início do estudo
para poder ser feita a aclimatação, isto é, para permitir que os peixes se adaptem às novas
condições nos tanques, recuperando da captura. Deste modo, assegura-se que os resultados
do ensaio não refletem eventuais efeitos da captura, podendo ser relacionados apenas com a
variável em estudo.

15.4. Os peixes expostos a pCO2 elevada (isto é, expostos a água com um pH mais baixo)
reproduzem-se mais, gerando mais ovos, mas de menores dimensões, comparativamente aos
peixes expostos a pCO2 normal (controlo). Constata-se assim que, os peixes sujeitos a uma
pCO2 elevada têm uma média de posturas por casal superior relativamente aos sujeitos a pCO2
normal (o número de ovos por postura também é maior). No entanto, o comprimento das
larvas (e a área dos ovos) é menor nessas condições de pCO2 elevada, relativamente ao que
acontece a pCO2 normal.

15.5. (D). Os resultados mostram que a acidificação do meio aumenta a capacidade


reprodutiva dos peixes pois verifica-se a postura de mais ovos (exclui A), apesar de estes
apresentarem menores dimensões. Os dados apenas evidenciam a média de posturas por
casal, o número de ovos por postura, a área dos ovos e o comprimento das larvas, pelo que
não são apresentados resultados sobre a sobrevivência larvar (exclui B e C).

15.6. O facto de os peixes em cativeiro não apresentarem, durante o período reprodutivo,


perda de reservas energéticas, contrariamente ao que aconteceria no estado selvagem, pode
dever-se, em parte, ao fornecimento regular de alimento, o que possibilitou que fosse sempre
assegurada a manutenção de reservas nutritivas, acrescido do facto de os peixes não terem de
despender energia na procura de alimento. Por outro lado, pode também dever-se ao facto de
os casais de peixes estarem isolados, não havendo necessidade de procurar parceiro
reprodutor, nem disputa pelas fêmeas (ausência de competição) nem necessidade de
fuga/defesa contra predadores, ações que obrigariam a gastar reservas energéticas. O
confinamento no espaço do tanque também poderá ter contribuído para um menor gasto
energético, uma vez que a movimentação dos peixes era muito limitada.

16. (C). Sendo Gobiusculus flavescens um peixe, pertence ao reino Animal e apresenta um ciclo
de vida diplonte (confirma C). Os seus gâmetas são células haploides que se formam por
meiose pré-gamética (exclui A e D). O ovo é sempre diploide, pois resulta da fecundação –
união de gâmetas (exclui B).

17. (a) – (3); (b) – (1); (c) – (1); (d) – (3); (e) – (2). Nos peixes, a circulação é simples (a-3) pois o
sangue completa uma volta total ao corpo passando uma única vez pelo coração, pelo facto de

Propostas de Resolução do Exame Final de Biologia e Geologia – 1.ª Fase – Versão 1 | 2020
este apresentar apenas duas cavidades (b-1) – uma aurícula e um ventrículo. Por viverem em
ambiente aquático, têm superfícies respiratórias – as brânquias –, adaptadas ao meio para
efetuar as trocas gasosas (c-1). Nos peixes, tal como nos restantes vertebrados, o sistema
digestivo é completo (d-3), com duas aberturas – boca e ânus –, o que permite que os
alimentos percorram o tubo digestivo num único sentido, passando por zonas diferenciadas,
onde são sujeitos à ação do pH, de enzimas e de sucos digestivos, num processo de digestão
intracorporal e extracelular (e-2).

GRUPO II

1. 2, 3 e 4 são os tubos de controlo, pois servem de referência e comparação de todas as


variáveis em análise. Assim, o tubo 1 corresponde ao ensaio propriamente dito: tem o
fragmento de Elodea em água gaseificada, exposta à luz.
Para garantir que a alteração da cor do indicador se deve ao processo de fotossíntese realizado
pela planta na presença de luz, é necessário comprová-lo. Assim, os tubos 2 e 3 permitem
comprovar que a luz (sem planta) por si só não é responsável pela mudança de cor do
indicador. O tubo 4 permite certificar que a planta por si só (sem luz) também não é
responsável pela alteração da cor do indicador. Só na presença das duas variáveis (planta e luz)
estão reunidas as condições para que ocorra fotossíntese com gasto de CO2 do meio
(provocando a alteração de cor do indicador).

2. Espera-se que, ao fim de 48 horas, o tubo 1 tenha adquirido coloração azul, enquanto os
restantes (2, 3 e 4) se mantêm amarelos. No tubo 1, na presença de luz, a Elodea realiza a
fotossíntese, ou seja, fixa CO2, removendo-o da água, o que faz subir o pH da água e, por isso,
o indicador azul de bromotimol passa de amarelo a azul (A). Nos tubos 2 e 3 não há planta,
pelo que não ocorre fotossíntese, logo o teor de CO2 mantém-se constante, o pH não se altera
e o indicador não muda de cor, permanecendo amarelo (B). No tubo 4, embora a planta esteja
presente, ela não consegue realizar a fotossíntese, uma vez que está na obscuridade, sendo
que não há alteração do teor de CO2, mantendo-se a cor amarela.

GRUPO III

1. (A). O vulcão Anak Krakatau faz parte do arco vulcânico da Indonésia, num contexto de
limite convergente (exclui D), com subducção da placa Indo-Australiana sob a placa Euro-
asiática (exclui B), com destruição de litosfera oceânica (confirma A e exclui C).

2. III, IV e V.
I. é falsa porque o colapso do edifício vulcânico na caldeira situada abaixo do nível do mar
ocorreu em 1883.
II. é falsa, uma vez que a erupção de 2018 corresponde a vulcanismo efusivo com lava básica,
sem originar nuvens piroclásticas.
III. é verdadeira, uma vez que a 22 de dezembro de 2018 ocorreu o colapso repentino dos
flancos sudoeste e sul do vulcão, que originou um tsunami.

Propostas de Resolução do Exame Final de Biologia e Geologia – 1.ª Fase – Versão 1 | 2020
IV. é verdadeira, pois o texto refere que este colapso originou um sismo que foi registado nas
estações sismográficas.
V. é verdadeira, uma vez que se a movimentação do magma, que culminou com atividade
eruptiva a 30 de junho e que se manteve até 22 de dezembro de 2018, deve ser acompanhada
de um aumento de temperatura, o qual é registado durante a monitorização.

3. (B). A análise do diagrama da figura 2B permite verificar que o magma das erupções
anteriores a 1883 era o mais básico (exclui D), logo com temperatura mais elevada face às
restantes erupções representadas (exclui C); seguindo-se um aumento no teor de acidez das
erupções ocorridas em 1960-2018, com sensivelmente o mesmo teor de sílica da erupção de
junho de 2018 (confirma B). As erupções entre 1961-63 e 1981 apresentam maior teor de
sílica. Por último, as erupções que apresentaram valor máximo, em termos de acidez, foram as
que ocorreram em 1883 (exclui A).

4. (D). As erupções ocorridas no período anterior a 1883 eram predominantemente básicas,


tendo as erupções de 1883 apresentado um caráter ácido (exclui C). A partir dessa data
registou-se um empobrecimento do magma em sílica (exclui A). Apesar de se ter verificado
uma redução de compostos alcalinos desde a erupção de 1883 até 2018, a análise do diagrama
da figura 2B permite constatar que as erupções que apresentam teores mais baixos ocorreram
no período pré 1883, com um considerável aumento no teor destes compostos na erupção de
1883 (exclui B). A erupção de 1883 corresponde às características de litologias riolíticas
(ácidas); desde essa erupção até 2018 verificaram-se características de litologias
predominantemente andesíticas (intermédias) (confirma D).

5. (A). São exemplos de métodos indiretos a geotermia e a sismologia (exclui B, C e D); o


estudo dos fragmentos do manto transportados pelos magmas e as sondagens são exemplos
de métodos diretos (confirma A).

6. (C). As primeiras ondas sísmicas a serem registadas numa estação sismográfica são as ondas
P, que são ondas longitudinais de profundidade (exclui A e D) e propagam-se em todos os
meios (confirma C e exclui B).

7. O vulcão Anak Krakatau faz parte do arco vulcânico da Indonésia e situa-se próximo das ilhas
de Java e de Sumatra (A). Este vulcão tem registado uma atividade geradora de tsunamis
recorrentes, devido ao colapso do edifício vulcânico na caldeira, situada abaixo do nível do mar
(B), pelo que, constitui um potencial risco geológico (nomeadamente de tsunami) para as
referidas ilhas.

Propostas de Resolução do Exame Final de Biologia e Geologia – 1.ª Fase – Versão 1 | 2020
Exame Final Nacional de Biologia e Geologia
Prova 702 | 2.ª Fase | Ensino Secundário | 2020
11.º Ano de Escolaridade
Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho

Duração da Prova: 120 minutos. | Tolerância: 30 minutos. 16 Páginas

VERSÃO 1

A prova inclui 10 itens, devidamente identificados no enunciado, cujas respostas contribuem


obrigatoriamente para a classificação final (itens I ‒ 16.1., I ‒ 16.2., I ‒ 16.3., II ‒ 1., II ‒ 4., III ‒ 1.,
III ‒ 2., III ‒ 3., III ‒ 4. e III ‒ 9.). Dos restantes 23 itens da prova, apenas contribuem para a
classificação final os 15 itens cujas respostas obtenham melhor pontuação.

Indique de forma legível a versão da prova.

Para cada resposta, identifique o grupo e o item.

Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta azul ou preta.

Não é permitido o uso de corretor. Risque aquilo que pretende que não seja classificado.

Apresente apenas uma resposta para cada item.

As cotações dos itens encontram-se no final do enunciado da prova.

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta. Escreva, na folha de respostas, o
grupo, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 1/ 16


GRUPO I

Texto 1
Em setembro de 2019, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (UNESCO) aprovou a candidatura da serra da Estrela a Geoparque Mundial.
A serra situa-se no centro-este de Portugal continental e tem orientação NE-SO. A sua formação
deverá ter ocorrido durante o Cenozoico, quando, devido ao movimento convergente das placas
Africana e Eurasiática, foram reativadas as falhas antigas da região.
Em termos litológicos, a serra é constituída por extensos afloramentos de granitos, com idade
entre 340 e 280 milhões de anos (Ma), formados no final do Paleozoico, durante a orogenia
Varisca. Estas rochas estão implantadas em xistos e metagrauvaques que derivam de uma
sequência detrítica de granularidade variável, de fácies marinha profunda, depositada há cerca de
650-500 Ma.
Durante o máximo da última glaciação (Würm), 20 000 a 18 000 anos, a serra esteve coberta
por glaciares cujos vestígios incluem vales glaciários, moreias1 e grandes blocos rochosos isolados
(blocos erráticos).
A Figura 1 representa um bloco diagrama da serra da Estrela, com a sua litologia e as falhas que
estiveram na origem da formação da serra.

Nota:
1  Moreias – acumulações de sedimentos transportados pelos glaciares.

Figura 1

Baseado em: [Link] e em: N. Ferreira e G.T. Vieira, Guia Geológico e


Geomorfológico do Parque Natural da Serra da Estrela, ICN e IGM, Lisboa, 1999.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 2/ 16


1.  A formação da serra da Estrela ocorreu devido a um regime

 (A) distensivo, que reativou falhas anteriores ao Cenozoico.

 (B) distensivo, associado a falhas normais.

 (C) compressivo, que reativou falhas anteriores ao Cenozoico.

 (D) compressivo, associado a falhas normais.

2.  Na serra da Estrela, as evidências geológicas da orogenia Varisca incluem a presença de

 (A) rochas intrusivas e rochas metamórficas que afloram na região.

 (B) xistos e metagrauvaques formados há cerca de 650 Ma.

 (C) sedimentos marinhos depositados há cerca de 300 Ma.

 (D) depósitos sedimentares recentes que afloram na zona de Seia.

3.  Complete o texto seguinte com a opção adequada a cada espaço.

Transcreva para a folha de respostas cada uma das letras, seguida do número que corresponde à opção
selecionada. A cada letra corresponde um só número.

a)____,  o nível médio da água do mar era  ______


Durante a glaciação Würm, ocorrida no  ______ b)____ ao

c)____, em cuja
atual. Na serra da Estrela, o gelo dos glaciares erodiu os granitos, rochas ______
d)____,  e transportou sedimentos  ______
constituição se identificam cristais de  ______ e)____,  que, após o

degelo, deixaram como vestígio as moreias que hoje se observam na serra.

a) b) c) d) e)

1. Cenozoico 1. superior 1. melanocráticas 1. olivina 1. mal calibrados

2. Mesozoico 2. inferior 2. mesocráticas 2. quartzo 2. compactados

3. Paleozoico 3. semelhante 3. leucocráticas 3. piroxena 3. rolados

4.  Na serra da Estrela ocorrem filões de quartzo que se formaram a partir de um magma _______ e
que são mais _______ do que as rochas encaixantes.

 (A) rico em cálcio ... recentes

 (B) pobre em gases … antigos

 (C) com elevada percentagem de sílica ... recentes

 (D) com elevada percentagem de ferro … antigos

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 3/ 16


5.  Os xistos são rochas

 (A) resultantes de metamorfismo de contacto de argilitos.

 (B) resultantes de metamorfismo regional de arenitos.

 (C) sem foliação, resultantes de metamorfismo de contacto.

 (D) com foliação, resultantes de metamorfismo regional.

6.  Ordene as expressões identificadas pelas letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência correta dos
acontecimentos relacionados com a história geológica da serra da Estrela.

A.  Erosão das rochas durante o Mesozoico.

B.  Ocorrência de processos de metamorfismo e de plutonismo.

C.  Levantamento crustal devido à reativação de falhas antigas.

D.  Deposição de sedimentos em meio marinho profundo.

E.   Formação de vales glaciários e de moreias.

7.  Explique a existência de afloramentos graníticos nos pontos mais elevados da serra da Estrela,
considerando a génese destas rochas e a evolução tectónica da região durante o Cenozoico.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 4/ 16


–––—––––––––––—–—–—–——— Página em branco ––––––––––—–—–—–————–-––

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 5/ 16


Texto 2
A serra da Estrela caracteriza-se por ter uma grande variedade de habitats, o que propicia uma
elevada biodiversidade, incluindo algumas espécies que aí ocorrem exclusivamente (espécies
endémicas). Salienta-se a planta Silene foetida foetida, que se desenvolve em fissuras e em
pequenas depressões das rochas, com uma distribuição restrita a esta serra, a altitudes superiores
a 1400 metros. Referem-se, também, a truta-de-rio (Salmo trutta fario) e, pela vulnerabilidade das
suas populações, a salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica), um anfíbio.
Outra planta existente na serra, o cardo selvagem (Cynara cardunculus), assume uma grande
importância na economia da região, uma vez que é utilizada no fabrico de queijo da serra. Esta
planta, característica de regiões mediterrânicas, desenvolve-se até 600 m de altitude, possui um
sistema radicular profundo e revela uma boa adaptação a ambientes caracterizados por elevado
stress abiótico. A flor desta planta possui diversos tipos de proteases (enzimas hidrolíticas), como
as cardosinas, que se acumulam em vacúolos, na parede celular e no espaço extracelular dos
órgãos femininos da flor.
Baseado em: [Link]/pt/[Link]/serra-da-estrela (consultado em setembro de 2019) e em:
M. C. Coelho, «Avaliação de populações espontâneas de cardo-do-coalho (Cynara cardunculus)
numa perspetiva de valorização da espécie», Escola Superior Agrária de Elvas, 2018.

8.  Na planta Silene foetida foetida, os iões resultantes da

 (A) erosão das rochas são transportados nos vasos floémicos.

 (B) meteorização das rochas são transportados nos vasos xilémicos.

 (C) meteorização das rochas são transportados nos vasos crivosos.

 (D) erosão das rochas são transportados nos vasos lenhosos.

9.  A planta Silene foetida foetida possui um ciclo de vida semelhante ao representado no esquema da Figura 2.

Figura 2

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 6/ 16


9.1.  No esquema da Figura 2, a planta adulta é representada pela letra

 (A) X, e as suas células têm a mesma ploidia das células do tipo II.

 (B) Z, e as suas células têm a mesma ploidia da célula do tipo I.

 (C) X e resulta do desenvolvimento de um zigoto.

 (D) Z e resulta da germinação de um esporo.

9.2.  As células do tipo III formam-se por um processo de

 (A) mitose, em que ocorre a separação de cromossomas homólogos.

 (B) mitose, em que ocorre a divisão do centrómero dos cromossomas.

 (C) meiose, em que ocorre a formação de duas células haploides.

 (D) meiose, em que ocorre a formação de pontos de quiasma.

10.  Associe aos processos de reprodução apresentados na Coluna I as características da Coluna II que lhes
podem corresponder. Cada uma das características deve ser associada apenas a uma letra e todas as
características devem ser utilizadas.

Escreva na folha de respostas cada letra da Coluna I seguida do número ou dos números (de 1 a 9)
correspondente(s).

COLUNA I COLUNA II

(1) Desenvolvimento do indivíduo adulto por mitoses sucessivas.

(2) Produção de células reprodutoras por meiose.

(3) Formação de duas células semelhantes entre si, a partir de um


organismo unicelular.

(a) Reprodução assexuada (4) Ocorrência de fenómenos de recombinação génica.

(b) Reprodução sexuada (5) 


Formação de novos organismos por desenvolvimento de
óvulos sem ter ocorrido fecundação.
(c) Reprodução por ambos
os processos (6) Favorecimento do rápido crescimento de uma população.

(7) Ocorrência de mutações como fonte de variabilidade.

(8) Formação de seres geneticamente iguais ao progenitor.

(9) 
Restauração do número de cromossomas característico da
espécie.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 7/ 16


11.  O
 rdene as expressões identificadas pelas letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência de
acontecimentos que conduzem à síntese e à incorporação de cardosinas na parede e no espaço
extracelular de órgãos femininos da flor de Cynara cardunculus.

A.  Síntese de proteínas por ribossomas associados ao retículo endoplasmático.

B.  Fusão de vesículas golgianas com a membrana citoplasmática.

C.  Síntese de uma molécula de RNA pré-mensageiro.

D.  Modificações pós-traducionais a nível do complexo de Golgi.

E.   Migração de uma molécula de RNA mensageiro para o citoplasma.

12.  S
 egundo uma perspetiva darwinista, a sobrevivência de Cynara cardunculus, em estado selvagem, na
serra da Estrela deve-se à

 (A) necessidade de sobrevivência em regiões com elevada precipitação.

 (B) reprodução diferencial de plantas resistentes a stress hídrico.

 (C) ocorrência de mutações que permitiram a adaptação a solos graníticos.

 (D) seleção natural de plantas adaptadas a solos pouco profundos.

13.  O peixe Salmo trutta fario e o anfíbio Chioglossa lusitanica possuem tubo digestivo

 (A) completo e circulação simples.

 (B) incompleto e circulação dupla.

 (C) completo e sistema circulatório fechado.

 (D) incompleto e sistema circulatório aberto.

14.  A truta-de-rio, Salmo trutta fario, e a truta-arco-íris, Onchorhynchus mykiss, esta última introduzida nas
barragens e em algumas lagoas da serra da Estrela,

 (A) pertencem ao mesmo género.

 (B) podem cruzar-se entre si e originar descendentes férteis.

 (C) fazem parte da mesma população.

 (D) têm restritivo específico trutta e mykiss, respetivamente.

15.  A subespécie Silene foetida foetida é considerada em perigo de extinção na natureza, de acordo com a
União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Relacione o endemismo de Silene foetida foetida com a categoria de conservação atribuída pela UICN.
Na sua resposta, deve fazer referência à variabilidade genética desta planta.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 8/ 16


–––—––––––––––—–—–—–——— Página em branco ––––––––––—–—–—–————–-––

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 9/ 16


16.  R
 ealizou-se um estudo sobre a ação das cardosinas de Cynara cardunculus no fabrico do queijo. O
fabrico do queijo é um processo complexo, uma vez que envolve muitas etapas e várias modificações
bioquímicas interdependentes, exigindo um controlo minucioso de cada etapa, nomeadamente no que
diz respeito às condições de temperatura e de humidade relativa.
A coagulação, que visa concentrar proteínas do leite (caseínas), retendo também a gordura, é uma etapa
essencial. As cardosinas intervêm na coagulação, assim como no processo bioquímico de proteólise –
degradação das caseínas – que ocorre durante a etapa de maturação ou cura, fase de acabamento em
que as transformações são intensas e em que as características finais do queijo se desenvolvem.
O estudo analisou a influência de três ecótipos1 de Cynara cardunculus (Cynara 1, Cynara 2 e
Cynara 3) na degradação da as -caseína, utilizando as proteases das respetivas flores ao longo de
63 dias de maturação. Foi utilizado, também, um agente coagulante e proteolítico animal, designado por
«Animal».
A Tabela 1 apresenta a percentagem de degradação da as -caseína ao longo de vários dias durante a
fase de maturação.

Nota:
1  Ecótipos – populações que apresentam diferenças nos seus genótipos, o que lhes permite uma melhor adaptação
aos diferentes habitats.

Tabela 1

Dia 14 Dia 21 Dia 35 Dia 49 Dia 63

Cynara 1 24,03 40,95 50,89 51,70 55,76

Cynara 2 23,65 38,08 50,19 53,31 54,99

Cynara 3 24,95 41,94 49,65 49,51 53,95

«Animal» 21,30 27,00 43,87 38,21 41,86

Baseado em: A. L. Garrido, «Efeito de três ecótipos de Cynara cardunculus L. na proteólise


do queijo de Évora ao longo da maturação», Universidade de Évora, Escola de
Ciências e Tecnologias, Departamento de Zootecnia, Évora, 2017.

16.1.  A experiência pretendeu analisar se a

 (A) maturação do queijo ocorre com intervenção externa.

 (B) composição do leite influencia o fabrico do queijo.

 (C) proteólise ocorre com qualquer tipo de coagulante.

 (D) origem do coagulante influencia a maturação do queijo.

16.2.  De acordo com o objetivo da experiência, uma das variáveis dependentes em estudo é

 (A) a concentração de agentes coagulantes.

 (B) a percentagem de degradação proteica.

 (C) a humidade das câmaras.

 (D) a duração da maturação.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 10/ 16


16.3.  De entre as seguintes afirmações relacionadas com os resultados experimentais, selecione
as que estão corretas, transcrevendo para a sua folha de respostas os números romanos
correspondentes:

I. A degradação da as -caseína, usando coagulantes vegetais, é acentuada até aos 35 dias,
sendo mais reduzida até ao final da maturação.
II. 
Dos coagulantes vegetais, Cynara 3 apresenta a menor variação de percentagem de
degradação entre os 35 e os 49 dias de maturação.
III. No final da maturação, a quantidade de as -caseína é maior quando se utiliza coagulante
vegetal do que quando se utiliza um coagulante animal.
IV. A percentagem de degradação obtida com o coagulante animal aumenta progressivamente
até ao final da maturação.
V. 
Cynara 1 é o agente coagulante que possibilita uma maior maturação do queijo no período
considerado.

17.  Considere o fragmento da caseína constituído pelos resíduos de aminoácidos lisina – arginina, codificados
pelos codões AAG e CGC, respetivamente. Na síntese da caseína verifica-se

 (A) a transcrição de 3´ para 5´ da sequência TTCGCG.

 (B) que o tRNA para a lisina possui o anticodão TTC.

 (C) a migração para o citoplasma da sequência UUCGCG.

 (D) que a arginina se liga a um tRNA com o anticodão CGC.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 11/ 16


GRUPO II

A fermentação é um dos processos metabólicos utilizados pelas leveduras, que são fungos unicelulares,
para obtenção de energia a partir de um substrato.

Para conhecer o processo fermentativo, realizou-se a seguinte experiência.

Procedimento:

1.  Marcaram-se 3 garrafas térmicas com os números romanos I, II e III.


2.  Prepararam-se 200 mL de suspensão de leveduras a 10% (m/V).
3. Encheram-se as garrafas I e II até ¾ da sua capacidade com uma solução de glucose a 30% (m/V), e
encheu-se a garrafa III com igual volume de água destilada.
4. Adicionaram-se às garrafas I e III 100 mL de suspensão de leveduras a 10% (m/V) e à garrafa II
100 mL de água.
5.  Introduziu-se água de cal1 em 3 gobelés.
6. Montou-se um dispositivo experimental, semelhante ao representado na Figura 3, para cada uma das
garrafas, I, II e III, e registou-se a temperatura em cada garrafa.
7.  Ao fim de 48 horas, registou-se:
–  a temperatura do conteúdo das garrafas;
–  o aspeto da água de cal.
8. Destaparam-se as garrafas, mexeu-se o respetivo conteúdo com uma vareta e registaram-se os odores
libertados.
9. Retirou-se uma gota de cada uma das suspensões das garrafas I e III, observaram-se estas gotas ao
microscópio ótico composto, com ampliação 10 × 40, e registou-se o número de células de levedura
em cada caso.

Nota:
1  Água de cal – solução de aspeto límpido, que turva na presença de CO2.

Figura 3

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 12/ 16


1.  Preveja os resultados obtidos nas garrafas I e III, comparando-os quanto a:
–  quantidade relativa de leveduras;
–  aspeto da água de cal;
–  odor do conteúdo.

2.  Na garrafa I, relativamente ao início da experiência, pode inferir-se que ocorreu

 (A) descida da temperatura, resultante de reações endotérmicas.

 (B) libertação de energia, resultante de reações exotérmicas.

 (C) produção de oxigénio durante o processo de fosforilação oxidativa.

 (D) aumento da concentração da glucose por evaporação da água.

3.  Escreva a equação geral da fermentação alcoólica, utilizando as seguintes moléculas:

2 CO2
2 CH3CH2OH

C6H12O6

2 ATP

2 ADP

2 Pi

4.  As leveduras podem utilizar dois processos de obtenção de energia a partir de glucose – a fermentação
e a respiração celular aeróbia.

Explique a diferença de rendimento energético entre os dois processos.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 13/ 16


GRUPO III
O sistema de arco vulcânico de Izu-Bonin-Mariana (IBM), no oceano Pacífico, forma-se a partir
da fusão de rochas do manto superior e da consequente subida do material fundido. No entanto,
sabe-se muito pouco acerca do processo de migração desse material e acerca do tempo necessário
para que essa migração ocorra. O enquadramento tectónico deste sistema está representado na
Figura 4.
Vários estudos efetuados, nomeadamente a análise de registos sismográficos, evidenciaram a
existência de enxames sísmicos (conjuntos de focos sísmicos) localizados em duas zonas tubulares,
praticamente verticais, no manto superior, sob o sistema de arco vulcânico de Izu-Bonin-Mariana.
Estes sismos ocorreram em períodos de um dia a um mês, durante dois anos. Os investigadores
inferiram que estes raros enxames sísmicos indiciavam a ascensão rápida de materiais fundidos e
de fluidos provenientes da desidratação da placa em subdução, que originavam ruturas no manto
superior acima desta placa. Esta ideia difere da normalmente aceite, uma vez que, nestas regiões,
a maioria dos sismos está associada a tensões mecânicas.
Na Figura 4A estão assinaladas as duas secções estudadas (AA' – secção Izu-Bonin –
e BB' – secção Mariana).
As Figuras 4B e 4C representam, em corte, a localização dos focos dos sismos sob cada uma
das secções.

4B
4A

4C

Figura 4
Baseado em: L. White et al., «Earth’s deepest earthquake swarms track fluid ascent beneath nascent arc volcanoes», in
Earth and Planetary Science Letters, Elsevier, 2019 e em: [Link] (consultado em outubro de 2019).

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 14/ 16


1.  Os sismos que ocorreram na secção Izu-Bonin entre 1985 e 1986 resultaram de

 (A) tensões criadas pela ascensão de fluidos e pelo movimento da placa em subdução.

 (B) alterações químicas provocadas pela introdução de materiais hidratados na astenosfera.

 (C) alterações físicas das rochas do manto superior que assumem um comportamento dúctil.

 (D) tensões de natureza mecânica acumuladas ao longo de fraturas da crosta continental.

2.  De acordo com os dados, nas duas secções do sistema de arco vulcânico de Izu-Bonin-Mariana, os
investigadores verificaram que

 (A) a atividade sísmica que resultou diretamente da subdução de litosfera oceânica foi residual.

 (B) a ascensão de materiais hidratados na secção BB' teve início a cerca de 250 km de profundidade.

 (C) a zona de rutura das rochas do manto por ascensão de fluidos apresenta um diâmetro de
200 km.

 (D) a curta duração dos enxames sísmicos reflete a baixa velocidade a que os fluidos são
transportados.

3.  Refira, considerando os cortes AA' e BB', a secção onde se registaram sismos com focos mais
profundos.

4.  O sistema de arco vulcânico de Izu-Bonin-Mariana está associado a

 (A) um limite convergente, resultante do movimento da placa do Pacífico para oeste.

 (B) um limite divergente, resultante do movimento da placa do Pacífico para oeste.

 (C) atividade vulcânica explosiva, resultante do movimento da placa do Pacífico para este.

 (D) atividade vulcânica efusiva, resultante do movimento da placa do Pacífico para este.

5.  Numa zona de subdução, comparativamente com uma zona de rifte,

 (A) a litosfera oceânica apresenta menor densidade.

 (B) o fluxo térmico é maior.

 (C) o grau geotérmico é maior.

 (D) a idade das rochas da litosfera oceânica é menor.

6.  Estudos geofísicos mostram que a velocidade das ondas sísmicas

 (A) aumenta quando estas atravessam a descontinuidade de Moho.

 (B) aumenta quando estas passam da litosfera para a astenosfera.

 (C) diminui quando estas atravessam a descontinuidade de Lehmann.

 (D) diminui quando estas passam da astenosfera para a mesosfera.

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 15/ 16


7.  Uma das condições que contribui para a formação de magma é

 (A) a desidratação dos minerais, que aumenta o ponto de fusão das rochas.

 (B) o aumento da temperatura, que aumenta o ponto de fusão das rochas.

 (C) o aumento da pressão, que diminui o ponto de fusão das rochas.

 (D) a existência de água, que diminui o ponto de fusão das rochas.

8.  Na zona em estudo, foram recolhidas amostras de andesito, formado a partir de um magma que, em
profundidade, poderá originar

 (A) diorito.

 (B) granito.

 (C) gabro.

 (D) riólito.

9.  Justifique a elevada atividade sísmica no arquipélago do Japão.

FIM

COTAÇÕES

As pontuações obtidas Grupo


nas respostas a estes
10 itens da prova contribuem I I I II II III III III III III Subtotal
obrigatoriamente para
a classificação final. 16.1. 16.2. 16.3. 1. 4. 1. 2. 3. 4. 9.

Cotação (em pontos) 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 80

Grupo I
Destes 23 itens, contribuem 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9.1. 9.2.
para a classificação final da
10. 11. 12. 13. 14. 15. 17. Subtotal
prova os 15 itens cujas respostas
obtenham melhor pontuação. Grupo II Grupo III
2. 3. 5. 6. 7. 8.
Cotação (em pontos) 15 x 8 pontos 120
TOTAL 200

Prova 702.V1/2.ª F. • Página 16/ 16


Exame Final Nacional de Biologia e Geologia
Prova 702 | 2.ª Fase | Ensino Secundário | 2020
11.º Ano de Escolaridade
Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho

Critérios de Classificação 8 Páginas

critérios gerais de classificação

A classificação a atribuir a cada resposta resulta da aplicação dos critérios gerais e dos critérios específicos
apresentados para cada item e é expressa por um número inteiro.
A ausência de indicação inequívoca da versão da prova implica a classificação com zero pontos das respostas
aos itens de seleção.
As respostas ilegíveis ou que não possam ser claramente identificadas são classificadas com zero pontos.
Em caso de omissão ou de engano na identificação de uma resposta, esta pode ser classificada se for
possível identificar inequivocamente o item a que diz respeito.
Se for apresentada mais do que uma resposta ao mesmo item, só é classificada a resposta que surgir em
primeiro lugar.

Itens de seleção
As respostas aos itens de seleção podem ser classificadas de forma dicotómica ou por níveis de desempenho,
de acordo com os critérios específicos. No primeiro caso, a cotação do item só é atribuída às respostas
integralmente corretas e completas, sendo todas as outras respostas classificadas com zero pontos. No caso
da classificação por níveis de desempenho, a cada nível corresponde uma dada pontuação, de acordo com
os critérios específicos.
Nas respostas aos itens de seleção, a transcrição do texto da opção escolhida é considerada equivalente à
indicação da letra ou do número correspondente.

Itens de construção
Nos itens de resposta curta, são atribuídas cotações às respostas total ou parcialmente corretas, de acordo
com os critérios específicos.
As respostas que contenham elementos contraditórios são classificadas com zero pontos.
Nos itens de resposta restrita, os critérios de classificação estão organizados por níveis de desempenho. A
cada nível de desempenho corresponde uma dada pontuação. Se permanecerem dúvidas quanto ao nível a
atribuir, deve optar-se pelo nível mais elevado de entre os dois tidos em consideração. Qualquer resposta que
não atinja o nível 1 de desempenho é classificada com zero pontos.
Os itens de resposta restrita são classificados tendo em conta o conteúdo e o rigor científico.
São consideradas falhas no rigor científico a utilização inadequada ou imprecisa de termos, de conceitos ou
de processos, assim como o incumprimento das normas de nomenclatura binominal.
As respostas que não apresentem exatamente os termos ou expressões constantes nos critérios específicos
de classificação são classificadas em igualdade de circunstâncias com aquelas que os apresentem, desde
que o seu conteúdo seja cientificamente válido, adequado ao solicitado e enquadrado pelos documentos
curriculares de referência.

Prova 702/2.ª F. | CC • Página 1/ 8


critérios específicos de classificação

GRUPO I

1. a 2.  ................................................................ (2 × 8 pontos)........................................................ 16 pontos

Itens 1. 2.

Versão 1 C A

Versão 2 A D

3. .................................................................................................................................................... 8 pontos
Chave – a) – 1; b) – 2; c) – 3; d) – 2; e) – 1

Níveis Descritores de desempenho Pontuação

3 Completa o texto com 5 opções corretas. 8

2 Completa o texto com 3 ou 4 opções corretas. 5

1 Completa o texto com 2 opções corretas. 2

4. a 5.  ................................................................ (2 × 8 pontos)........................................................ 16 pontos

Itens 4. 5.

Versão 1 C D

Versão 2 B C

6. .................................................................................................................................................... 8 pontos
Versão 1 – D, B, A, C, E
Versão 2 – C, A, E, D, B

Prova 702/2.ª F. | CC • Página 2/ 8


7. .................................................................................................................................................... 8 pontos

Explica a existência de afloramentos graníticos nos pontos mais elevados da serra da Estrela, referindo as
suas condições de génese (A), a erosão ocorrida na região (B) e o levantamento daquelas rochas durante
o Cenozoico (C).

(A)  O granito forma-se em profundidade.


OU
O granito é uma rocha plutónica (OU intrusiva).

(B)  A erosão das rochas sobrejacentes ao granito permitiu o seu afloramento.

(C)  N
 o Cenozoico ocorreu a reativação de falhas antigas, que levou ao levantamento dos granitos (OU à
formação da serra).
OU
No Cenozoico, a convergência entre as placas Africana e Eurasiática levou ao levantamento dos
granitos (OU à formação da serra).

Níveis Descritores de desempenho do conteúdo e do rigor científico Pontuação

Explica, com rigor científico, a existência de afloramentos graníticos na serra da Estrela,


5 8
apresentando os três elementos (A, B, C).
Explica, com falhas no rigor científico, a existência de afloramentos graníticos na serra da
4 7
Estrela, apresentando os três elementos (A, B, C).
Explica, com rigor científico, a existência de afloramentos graníticos na serra da Estrela,
3 5
apresentando apenas dois dos elementos.
Explica, com falhas no rigor científico, a existência de afloramentos graníticos na serra da
2 4
Estrela, apresentando apenas dois dos elementos.

1 Apresenta, com rigor científico, apenas um dos elementos. 2

8. a 9.2.  ............................................................. (3 × 8 pontos)........................................................ 24 pontos

Itens 8. 9.1. 9.2.

Versão 1 B C B

Versão 2 D B C

10. .................................................................................................................................................. 8 pontos


Chave – (a) – (3), (5), (6), (8); (b) – (2), (4), (9); (c) – (1), (7)

Níveis Descritores de desempenho Pontuação

3 Associa corretamente 8 ou 9 características aos respetivos processos. 8

2 Associa corretamente 5, 6 ou 7 características aos respetivos processos. 5

1 Associa corretamente 2, 3 ou 4 características aos respetivos processos. 2

11. ................................................................................................................................................... 8 pontos


Versão 1 – C, E, A, D, B
Versão 2 – A, B, D, C, E

Prova 702/2.ª F. | CC • Página 3/ 8


12. a 14.  ............................................................ (3 × 8 pontos)........................................................ 24 pontos

Itens 12. 13. 14.

Versão 1 B C D

Versão 2 D B A

15. .................................................................................................................................................. 8 pontos

Relaciona a restrita distribuição geográfica (endemismo) de Silene foetida foetida com o reduzido número
de indivíduos que se cruzam (A) e relaciona a reduzida variabilidade genética com a baixa capacidade de
adaptação, o que poderá condicionar a sobrevivência da planta (perigo de extinção) (B).

Silene foetida foetida tem uma distribuição restrita à serra da Estrela, pelo que os cruzamentos se
(A) 
estabelecem entre um número reduzido de indivíduos.

(B)  A reduzida variabilidade genética conduz a uma baixa capacidade de adaptação a alterações
ambientais, colocando a planta em perigo de extinção.

Níveis Descritores de desempenho do conteúdo e do rigor científico Pontuação

Relaciona, com rigor científico, a distribuição de Silene foetida foetida com a sua categoria
4 8
de conservação, apresentando os dois elementos (A, B).
Relaciona, com falhas no rigor científico, a distribuição de Silene foetida foetida com a sua
3 6
categoria de conservação, apresentando os dois elementos (A, B).
Relaciona, com rigor científico, a distribuição de Silene foetida foetida com o reduzido
número de indivíduos que se cruzam (A).
2 OU 4
Relaciona, com rigor científico, a reduzida variabilidade genética com a baixa capacidade
de adaptação ao ambiente, referindo o consequente perigo de extinção (B).

Relaciona, com falhas no rigor científico, a distribuição de Silene foetida foetida com o
reduzido número de indivíduos que se cruzam (A).
1 OU 2
Relaciona, com falhas no rigor científico, a reduzida variabilidade genética com a baixa
capacidade de adaptação ao ambiente, referindo o consequente perigo de extinção (B).

16.1. a 16.2.  ...................................................... (2 × 8 pontos)........................................................ 16 pontos

Itens 16.1. 16.2.

Versão 1 D B

Versão 2 C C

Prova 702/2.ª F. | CC • Página 4/ 8


16.3. ............................................................................................................................................... 8 pontos
Afirmações corretas: I, II e V

Níveis Descritores de desempenho Pontuação

2 Seleciona apenas as 3 afirmações corretas. 8

1 Seleciona apenas 2 das afirmações corretas e nenhuma das outras. 4

17.  ..................................................................... (1 × 8 pontos)........................................................ 8 pontos

Item 17.

Versão 1 A

Versão 2 D

GRUPO II

1. .................................................................................................................................................... 8 pontos

Prevê os resultados obtidos nas garrafas I e III e compara-os quanto à quantidade relativa de leveduras
(A), quanto ao aspeto da água de cal (B) e quanto ao odor do conteúdo (C).

(A)  A quantidade de leveduras deverá ser superior na garrafa I.

(B)  A
 água de cal deverá estar turva no gobelé associado à garrafa I e deverá estar límpida no gobelé
associado à garrafa III.

(C)  O
 conteúdo da garrafa I deverá cheirar a álcool e o conteúdo da garrafa III não deverá apresentar
cheiro a álcool.

Níveis Descritores de desempenho do conteúdo e do rigor científico Pontuação

Prevê e compara, com rigor científico, os resultados obtidos nas garrafas I e III,
5 8
apresentando os três elementos (A, B, C).
Prevê e compara, com falhas no rigor científico, os resultados obtidos nas garrafas I e III,
4 7
apresentando os três elementos (A, B, C).
Prevê e compara, com rigor científico, os resultados obtidos nas garrafas I e III,
3 5
apresentando apenas dois dos elementos.
Prevê e compara, com falhas no rigor científico, os resultados obtidos nas garrafas I e III,
2 4
apresentando apenas dois dos elementos.
Prevê e compara, com rigor científico, os resultados obtidos nas garrafas I e III,
1 2
apresentando apenas um dos elementos.

Prova 702/2.ª F. | CC • Página 5/ 8


2.  ....................................................................... (1 × 8 pontos)........................................................ 8 pontos

Item 2.

Versão 1 B

Versão 2 D

3. .................................................................................................................................................... 8 pontos

C6H12O6 + 2 ADP + 2 Pi → 2 CH3CH2OH + 2 CO2 + 2 ATP

NOTA – Se, na resposta, a transcrição de algum dos elementos não corresponder exatamente à formulação
apresentada no enunciado, não deverá ser atribuída qualquer penalização, desde que se perceba qual o
elemento a que se refere.

4. .................................................................................................................................................... 8 pontos

Explica a diferença entre a oxidação da glucose, na ausência e na presença de oxigénio (A) enquanto
causa do diferente rendimento energético nos dois processos (B).

(A)  N
 a ausência de oxigénio, a oxidação da glucose é incompleta, e na presença de oxigénio, é completa.

(B)  O rendimento energético é menor na fermentação do que na respiração celular aeróbia.

Níveis Descritores de desempenho do conteúdo e do rigor científico Pontuação

Explica, com rigor científico, a diferença de rendimento energético entre a fermentação e


4 8
a respiração celular aeróbia, apresentando os dois elementos (A, B).

Explica, com falhas no rigor científico, a diferença de rendimento energético entre a


3 6
fermentação e a respiração celular aeróbia, apresentando os dois elementos (A, B).

2 Apresenta, com rigor científico, apenas um dos elementos. 4

1 Apresenta, com falhas no rigor científico, apenas um dos elementos. 2

Prova 702/2.ª F. | CC • Página 6/ 8


GRUPO III

1. a 2.  ................................................................ (2 × 8 pontos)........................................................ 16 pontos

Itens 1. 2.

Versão 1 A B
Versão 2 D C

3. .................................................................................................................................................... 8 pontos

Secção Izu-Bonin ou corte AA’

4. a 8.  ................................................................ (5 × 8 pontos)........................................................ 40 pontos

Itens 4. 5. 6. 7. 8.

Versão 1 A C A D A
Versão 2 B A C B B

9. .................................................................................................................................................... 8 pontos

Justifica a elevada atividade sísmica no arquipélago do Japão, relacionando o contexto tectónico da


região (A) com a acumulação de energia (B) e com o limite de resistência das rochas (C).

(A)  O Japão está próximo de uma zona de subdução (OU de um limite convergente de placas).

(B)  Na região entre as duas placas acumulam-se elevadas tensões.


OU
Na região entre as duas placas acumulam-se elevadas quantidades de energia.

(C)  A
 energia liberta-se quando o limite de resistência/elasticidade das rochas é ultrapassado, originando
sismos.

Níveis Descritores de desempenho do conteúdo e do rigor científico Pontuação

Justifica, com rigor científico, a elevada atividade sísmica, apresentando os três elementos
5 8
(A, B, C).
Justifica, com falhas no rigor científico, a elevada atividade sísmica, apresentando os três
4 7
elementos (A, B, C).
Justifica, com rigor científico a elevada atividade sísmica, apresentando apenas dois dos
3 5
elementos.
Justifica, com falhas no rigor científico, a elevada atividade sísmica, apresentando apenas
2 4
dois dos elementos.

1 Apresenta, com rigor científico, apenas um dos elementos. 2

Prova 702/2.ª F. | CC • Página 7/ 8


COTAÇÕES

As pontuações obtidas Grupo


nas respostas a estes
10 itens da prova contribuem I I I II II III III III III III Subtotal
obrigatoriamente para
a classificação final. 16.1. 16.2. 16.3. 1. 4. 1. 2. 3. 4. 9.

Cotação (em pontos) 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 80

Grupo I
Destes 23 itens, contribuem 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9.1. 9.2.
para a classificação final da
10. 11. 12. 13. 14. 15. 17. Subtotal
prova os 15 itens cujas respostas
obtenham melhor pontuação. Grupo II Grupo III
2. 3. 5. 6. 7. 8.
Cotação (em pontos) 15 x 8 pontos 120
TOTAL 200

Prova 702/2.ª F. | CC • Página 8/ 8


Exame Final Nacional de Biologia e Geologia
Prova 702 | Época Especial | Ensino Secundário | 2020
11.º Ano de Escolaridade
Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho

Duração da Prova: 120 minutos. | Tolerância: 30 minutos. 14 Páginas

A prova inclui 10 itens, devidamente identificados no enunciado, cujas respostas contribuem


obrigatoriamente para a classificação final (itens I ‒ 6.1., I ‒ 6.3., I ‒ 7., I ‒ 8., I ‒ 9., I ‒ 19., II ‒ 2., II ‒ 4.,
III ‒ 2. e III ‒ 7.). Dos restantes 23 itens da prova, apenas contribuem para a classificação final os 15
itens cujas respostas obtenham melhor pontuação.

Para cada resposta, identifique o grupo e o item.

Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta azul ou preta.

Não é permitido o uso de corretor. Risque aquilo que pretende que não seja classificado.

Apresente apenas uma resposta para cada item.

As cotações dos itens encontram-se no final do enunciado da prova.

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta. Escreva, na folha de respostas, o
grupo, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

Prova 702/E. Especial • Página 1/ 14


GRUPO I
Texto 1
A Bacia Lusitaniana, localizada na orla ocidental ibérica, formou-se, durante o Mesozoico, num
contexto tectónico distensivo associado às primeiras fases de abertura do Atlântico Norte.
As unidades sedimentares mais antigas da Bacia Lusitaniana depositaram-se em ambiente fluvial
continental. Numa etapa posterior, a bacia sofreu invasões marinhas episódicas, tendo-se formado
uma sequência, conhecida por Margas de Dagorda, composta essencialmente por argilitos, por
sal‑gema (principalmente NaCl) e por gesso (CaSO4 hidratado). Seguiu-se uma etapa em que a
instalação de condições marinhas mais francas propiciou a formação de rochas predominantemente
carbonatadas (incluindo calcários). À sedimentação carbonatada sucedeu-se a deposição de
unidades predominantemente detríticas, constituídas por arenitos e argilitos.
O sal-gema e o gesso, cujas densidades são inferiores às das rochas que estão por cima,
migraram para a superfície através de falhas formando anticlinais diapíricos como o das Caldas
da Rainha, o maior diapiro salino1 aflorante na orla ocidental portuguesa. A erosão dos evaporitos
deu origem ao vale das Caldas da Rainha, uma depressão onde se individualizam, atualmente,
diversas colinas de rochas carbonatadas e alguns relevos formados por rochas ígneas intrusivas
melanocráticas.
A região das Caldas da Rainha é conhecida pelas suas águas termais. Estas águas, com origem
na precipitação atmosférica, infiltram-se através de falhas na Serra dos Candeeiros podendo atingir
1600 m de profundidade. Subterraneamente, circulam ao longo do sinclinal Alcobaça‑Bombarral,
emergindo no bordo oeste desta estrutura, junto a uma falha.
Na Figura 1 está representado um corte do sinclinal Alcobaça-Bombarral, em cujos bordos se
localizam os anticlinais das Caldas da Rainha e da Fonte da Bica (Rio Maior).
Nota:
1 
Diapiro
salino – estrutura geológica que tem no seu núcleo rochas muito viscosas, que ascendem na crusta por serem
menos densas do que as rochas que estão por cima.

A Anticlinal diapírico das B


Caldas da Rainha
Serra dos
Anticlinal diapírico
Nascentes termais das Candeeiros
da Fonte da Bica
Caldas da Rainha (Rio Maior)

Rochas detríticas com fósseis de


plantas e de dinossáurios
Calcários e margas

Margas Rochas Rochas do Rochas do


carbonatadas Paleozoico Paleozoico
Calcários
Sinclinal
Margas de Dagorda Alcobaça-Bombarral

Direção do movimento das margas e dos depósitos evaporíticos

Figura 1

Baseado em: J. Kullberg, Evolução tectónica Mesozóica da Bacia Lusitaniana, Lisboa, 2000,
e em: J. Marques et al., «Contribuição de traçadores geoquímicos e isotópicos para a
avaliação das águas termais das Caldas da Rainha», LNEG, 2012.

Prova 702/E. Especial • Página 2/ 14


1.  No sinclinal Alcobaça-Bombarral, a transição da unidade das Margas de Dagorda para a unidade que lhe
está por cima reflete

 (A) uma transgressão e a deposição de sedimentos em meio marinho.

 (B) uma transgressão e a deposição de sedimentos em meio continental.

 (C) uma regressão e a deposição de sedimentos em meio marinho.

 (D) uma regressão e a deposição de sedimentos em meio continental.

2.  Relativamente às características geológicas do vale das Caldas da Rainha, pode referir-se que

 (A) as Margas de Dagorda se formaram num contexto tectónico compressivo.

 (B) este está instalado em formações, essencialmente, de origem magmática.

 (C) os relevos constituídos por gabro são o resultado de erosão diferencial.

 (D) este resulta de uma estrutura cujo núcleo é formado por rochas mais recentes.

3.  A formação do anticlinal das Caldas da Rainha está associada

 (A) ao comportamento frágil das rochas evaporíticas e a movimentos de subsidência.

 (B) à ascensão das rochas evaporíticas, que apresentam baixa densidade.

 (C) à génese das rochas evaporíticas, num contexto climático frio e húmido.

 (D) ao afundimento das rochas evaporíticas devido à pressão litostática.

4.  A estrutura Alcobaça-Bombarral é

 (A) um antiforma, em que os sedimentos da formação mais recente se depositaram no Mesozoico.

 (B) um antiforma, em que os sedimentos da formação mais recente se depositaram no Cenozoico.

 (C) um sinforma, em que os sedimentos da formação mais recente se depositaram no Cenozoico.


 (D) um sinforma, em que os sedimentos da formação mais recente se depositaram no Mesozoico.

5.  As águas mineralizadas das Termas das Caldas da Rainha são classificadas quimicamente como sulfurosas
cloretadas sódicas e emergem, na nascente, a uma temperatura aproximada de 33 ºC.

Justifique as características das águas das Termas das Caldas da Rainha.

Prova 702/E. Especial • Página 3/ 14


6.  Numa aula de Biologia e Geologia, os alunos realizaram a atividade experimental que a seguir se descreve.

Procedimento
•  numeraram-se quatro tubos de ensaio;
•  no tubo 1 colocou-se água destilada;
•  no tubo 2 colocaram-se água destilada e calcite reduzida a pó;
•  nos tubos 3 e 4 colocaram-se água gasocarbónica e calcite reduzida a pó;
•  agitaram-se os tubos com uma vareta;
•  ao fim de 60 minutos, aqueceu-se o tubo 4;
•  as quantidades de água destilada e de água gasocarbónica usadas foram iguais em todos os tubos. A
quantidade de calcite utilizada foi igual em todos os tubos.

Os resultados obtidos apresentam-se, simplificadamente, na Tabela 1.

Tabela 1

TUBOS 1 2 3 4

Aspeto inicial
após agitação Límpido Turvo (+++) Turvo (+++) Turvo (+++)
com a vareta

Resultados Límpido Turvo (++) Turvo (+) Turvo (+)


ao fim de 60 formação de formação de formação de formação de
minutos um depósito um depósito um depósito um depósito

Turvo (++)
Resultados após
aquecimento formação de
um precipitado

(+)  Nível de turvação (calcite/carbonato de cálcio em suspensão)

6.1.  A partir desta experiência, pode inferir-se que

 (A) a solubilidade da calcite é maior quando o pH é maior.

 (B) o depósito formado no tubo 2 apresenta uma cor escura.

 (C) a calcite, em água destilada, apresenta elevada solubilidade.

 (D) a turvação, no tubo 3, diminui devido à dissolução da calcite.

6.2.  Identifique, tendo em conta os resultados finais, o tubo que permite simular a ação da água da chuva
sobre os calcários.

6.3.  Em zonas onde a água de abastecimento é de natureza calcária, existe elevada probabilidade de
entupimento dos tubos de circulação da água quente nas máquinas de lavar.

Explique a situação referida, tendo em conta os resultados experimentais.

Prova 702/E. Especial • Página 4/ 14


Texto 2
As serras de Aire e Candeeiros constituem o mais importante maciço calcário existente em
Portugal.
Nas zonas calcárias, onde frequentemente não existe solo, o coberto vegetal é, na maioria
das vezes, muito pouco evoluído. A flora das serras de Aire e Candeeiros é constituída por
dezenas de plantas aromáticas, medicinais e melíferas e pela presença de pequenas manchas de
carvalho‑cerquinho, Quercus faginea, cujos grãos de pólen, estruturas reprodutoras masculinas,
são disseminados pelo vento. Os seus frutos são fonte de alimento para os esquilos, que, por vezes,
os transportam e os enterram no solo sem os consumir.
Nas numerosas grutas das serras abriga-se uma infinidade de seres vivos, de que se destacam
cerca de dez espécies de morcegos e um anfíbio endémico1 das águas subterrâneas de grutas
calcárias, Proteus anguinus.
Ao contrário da maior parte dos anfíbios, Proteus anguinus é aquático, mantendo durante a
fase adulta características larvares, como brânquias externas, embora possua também pulmões
rudimentares que se mantêm funcionais. O seu corpo é coberto por uma fina camada de pele, que
contém uma reduzida quantidade do pigmento riboflavina, importante para o desenvolvimento e
manutenção da pele, que lhe dá uma cor amarelo-esbranquiçada ou rosada. No entanto, mantém
a capacidade de produzir um pigmento proteico, a melanina, quando exposto à luz. É um animal
predador, que se alimenta de pequenos caranguejos, de caracóis e de insetos. Consome elevadas
quantidades de alimento de uma só vez, podendo estar um ano sem se alimentar. Em situações
críticas, pode reduzir a sua atividade, reabsorvendo tecidos e produzindo ovos com grande
quantidade de reservas alimentares.
No interior das grutas, onde a luz não chega, a produção primária está associada a algumas
bactérias. No entanto, a grande fonte de carbono orgânico provém do exterior, arrastada pela água
que se infiltra, ou resulta de dejetos dos morcegos ou das aves que nidificam à entrada das grutas.

Nota:
1  Endémico – exclusivo de determinada região.

Baseado em: A. Reboleira et al., «Bioespeleologia: Estudos de Biologia subterrânea em zonas


cársicas portuguesas», in Revista do núcleo de Espeleologia, março, 2010.

7.  A litologia do maciço condiciona o coberto vegetal, uma vez que

 (A) a variedade de sais minerais é reduzida, devido à resistência do calcário à meteorização.

 (B) a disponibilidade de água é reduzida, devido à elevada permeabilidade do maciço.

 (C) a água escoa superficialmente, devido à reduzida porosidade do calcário.

 (D) a formação de solos é incipiente, devido à reduzida infiltração de água na rocha.

8.  A diversidade biológica no interior das grutas calcárias resulta essencialmente

 (A) do elevado teor de carbonato de cálcio dissolvido na água circulante.

 (B) da intensa taxa fotossintética apresentada por procariontes.

 (C) da matéria inorgânica dos dejetos das aves que aí nidificam.

 (D) do transporte de matéria orgânica pela água que circula nas diáclases.

Prova 702/E. Especial • Página 5/ 14


9.  Complete o texto seguinte com a opção adequada a cada espaço.

Transcreva para a folha de respostas cada uma das letras, seguida do número que corresponde à
opção selecionada. A cada letra corresponde um só número.

a)____.
Proteus anguinus é um anfíbio que, ao longo da evolução, foi reduzindo a capacidade  ______
b)____  e, ao contrário dos insetos de que se alimenta,
Apresenta superfícies respiratórias  ______
c)____, pertencendo ______
possui ______ d)____. 
No ecossistema, desempenha o papel
e)____.
de ______

a) b) c)

1. visual 1. externas com difusão direta 1. tubo digestivo completo

2. auditiva 2. internas com difusão direta 2. digestão extracelular

3. olfativa 3. externas com difusão indireta 3. sistema circulatório fechado

d) e)

1. ao mesmo nível trófico 1. produtor

2. a um nível trófico superior 2. macroconsumidor

3. a um nível trófico inferior 3. microconsumidor

10.  Em situações de stress ambiental, Proteus anguinus

 (A) utiliza as reservas nutritivas de que dispõe, mantendo uma intensa atividade.

 (B) alimenta-se das suas presas várias vezes ao dia.


 (C) reduz o metabolismo celular e produz ovos de maior riqueza alimentar.

 (D) aumenta a população, reproduzindo-se com frequência.

11.  Em condições de redução da concentração de oxigénio na água das grutas calcárias, verifica-se

 (A) a redução da taxa respiratória em insetos cavernícolas.

 (B) a utilização dos pulmões em Proteus anguinus.

 (C) o aumento da atividade de bactérias heterotróficas.

 (D) o bloqueio do transporte ativo em bactérias fotoautotróficas.

Prova 702/E. Especial • Página 6/ 14


12.  Quando um anfíbio da espécie Proteus anguinus é exposto à luz, verifica-se

 (A) uma diminuição da síntese de moléculas de riboflavina.

 (B) uma alteração no mecanismo de transcrição.

 (C) um aumento na expressão de genes geralmente inativos.

 (D) uma mudança no genoma das células da pele.

13.  O
 rdene as expressões identificadas pelas letras de A a E, de modo a sequenciar os acontecimentos que
ocorrem na formação de gâmetas em Proteus anguinus.

A.  Disjunção aleatória de cromossomas homólogos.

B.  Formação de tétradas cromatídicas.

C.  Disposição de bivalentes na placa equatorial.

D.  Separação dos cromatídeos.

E.   Formação de dois núcleos haploides.

14.  As asas dos morcegos e as asas das aves são órgãos

 (A) análogos e resultam de uma evolução divergente.

 (B) homólogos e resultam de uma evolução convergente.

 (C) análogos e apresentam uma estrutura interna diferente.

 (D) homólogos e apresentam uma estrutura interna idêntica.

15.  Relativamente à obtenção de matéria pelos seres vivos do ecossistema, podemos afirmar que

 (A) as aves digerem intracelularmente os alimentos ingeridos.

 (B) os morcegos absorvem os nutrientes ao longo do tubo digestivo.


 (C) as plantas fixam o oxigénio atmosférico para a produção de compostos orgânicos.

 (D) os procariontes autotróficos utilizam carbono orgânico como fonte de carbono.

16.  O carvalho-cerquinho, em situação de seca, apresenta

 (A) elevada turgescência das células estomáticas.

 (B) aumento da absorção de CO2 pelas folhas.


 (C) diminuição do transporte de sacarose no floema.

 (D) reduzido transporte ativo para os vasos xilémicos.

Prova 702/E. Especial • Página 7/ 14


17.  Na fotossíntese, durante a fase diretamente dependente da luz ocorre

 (A) redução de moléculas de CO2.

 (B) síntese de moléculas de NADPH.

 (C) libertação de O2 a partir de CO2.


 (D) hidrólise de moléculas de ATP.

18.  A
 ssocie às teorias apresentadas na Coluna I as afirmações da Coluna II que lhe podem corresponder.
Cada um dos números deve ser associado apenas a uma letra e todos os números devem ser utilizados.

Escreva na folha de respostas cada letra da Coluna I, seguida do número ou dos números (de 1 a 9)
correspondente(s).

COLUNA I COLUNA II

(1) As espécies evoluíram por adaptação ao meio ambiente.

(2) As mutações são fonte de variabilidade genética.

(3) A população de carvalho-cerquinho adaptou-se ao ambiente


do maciço calcário.

(4) O morcego, por viver em grutas, desenvolveu a capacidade


auditiva ao longo do seu tempo de vida.
(a) Lamarquismo
(5) O movimento ondulatório do anfíbio pode levar à atrofia dos
seus membros.
(b) Neodarwinismo
(6) Em maciços calcários, as plantas sujeitas a idênticas pressões
(c) Ambas as teorias
seletivas apresentam analogias estruturais.

(7) As características de adaptação ao ambiente são transmitidas


à descendência.

(8) 
Os seres mais bem adaptados apresentam sobrevivência
diferencial.

(9) A ausência de melanina em Proteus anguinus constitui uma


adaptação individual.

19.  Explique, de acordo com os dados, de que forma as condições ambientais, bióticas e abióticas,
nas serras de Aire e Candeeiros potenciam a dispersão e o aumento da variabilidade genética do
carvalho‑cerquinho.

Prova 702/E. Especial • Página 8/ 14


GRUPO II

Os aligatores da Flórida (Estados Unidos da América) passam grande parte das suas vidas
submersos nos lagos da região, estando, por isso, expostos a poluentes drenados para as águas
desses lagos.
O desenvolvimento sexual dos aligatores machos está dependente de androgénios (hormonas
sexuais). Este desenvolvimento constitui um bom indicador de poluição ambiental, pois alguns
poluentes inibem o amadurecimento sexual dos machos, diminuindo os níveis de androgénios ou
atuando como estrogénios (hormonas que, nas fêmeas, são responsáveis pelo desenvolvimento
sexual). O desenvolvimento sexual dos aligatores pode também ser influenciado por outros fatores,
como a nutrição, a temperatura e o fotoperíodo.
Uma equipa de investigadores capturou aligatores, ao longo de dezassete dias, em sete lagos
da Flórida. Os animais foram medidos, de modo a determinar as idades, tendo sido selecionados os
que já se encontravam na fase da puberdade. Foram também recolhidas amostras de sangue para
determinar os níveis plasmáticos de estrogénios e de androgénios.
Na Figura 2 estão representados os resultados relativos à razão estrogénios/androgénios (E/A)
determinada para os aligatores capturados.

2,0 Machos
Fêmeas
1,5
Razão E/A

1,0

0,5

0,0
up
fin

ka

ee
f

ro

ng
uf
rif

op
ss

ob
on
dr

ra
G

Je

Ap

ch
oo

e
W

ke
O

Lagos

Figura 2

Baseado em: P. Raven e G. Johnson, Biology, Nova Iorque, McGraw-Hill Companies, 2002.

1.  O objetivo do estudo descrito foi o de

 (A) conhecer a constituição sanguínea dos animais.

 (B) identificar as substâncias que contaminam os sete lagos da região.

 (C) avaliar o impacto da poluição no desenvolvimento sexual dos aligatores.

 (D) estudar o amadurecimento sexual dos aligatores.

Prova 702/E. Especial • Página 9/ 14


2.  Para a validade do estudo, foi determinante o facto de

 (A) os animais capturados terem pesos aproximados.

 (B) os animais capturados serem fêmeas e machos em proporções equivalentes.

 (C) os animais terem sido capturados na mesma época do ano.

 (D) os animais capturados terem sido submetidos à colheita da mesma porção de sangue.

3.  Uma das variáveis dependentes do estudo apresentado é

 (A) a idade de cada um dos animais capturados.

 (B) o teor de androgénios no sangue.

 (C) a quantidade de poluentes encontrados.

 (D) o lago de proveniência do aligator.

4.  Interprete os resultados obtidos neste estudo, prevendo quais os dois lagos que apresentam maior
degradação ambiental.

Prova 702/E. Especial • Página 10/ 14


GRUPO III

A maior erupção vulcânica do século XX, em termos de volume de materiais expelidos, ocorreu,
de 6 a 8 de junho de 1912, no vulcão Novarupta, situado numa região remota e pouco povoada
do Alaska (Estados Unidos da América). Admite-se que a câmara magmática que alimentou a
erupção do Novarupta estaria localizada 10 km a leste deste centro eruptivo, sob o vulcão Katmai. A
Figura 3 representa o contexto tectónico da região e um pormenor da zona Novarupta-Katmai.
Durante a erupção, que durou 60 horas, formaram-se 13,5 km3 de pedra-pomes, cinzas e rochas
cujo teor em sílica varia entre 51% e 78% ‒ andesito, dacito1 e riólito. No final da erupção, formou‑se
um domo riolítico no Novarupta e, no chamado Valley of Ten Thousand Smokes (VTTS), surgiram
numerosas fumarolas.
Cerca de 11 horas depois do início da erupção do Novarupta e após a emissão de 8,5 km3 de
magma, formou-se no vulcão Katmai uma caldeira, cuja subsidência intermitente foi acompanhada
por mais de 50 sismos, dos quais dez tiveram magnitudes de 6,0 a 7,0. Após o término da erupção,
a caldeira deu origem a um lago.

Nota:
1 
Dacito – equivalente lávico do granodiorito (rocha com composição intermédia entre o diorito e o granito – 63% a 69%
de SiO2).

N
Monte Griggs 160º O 140º O 120º O

Caldeira
Vulcão Katmai
E.U.A. (Alaska)
Canadá

Novarupta Placa Norte-Americana


.
. . . . . . . . . . . . . . . .
65º N . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Vulcão Trident . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
0 5 km . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Monte Mageik . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Novarupta
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
utas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
VTTS 55º N Ale . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
tas . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Aleu
Rios das . . . . . . . . . . . . . .
ssa . . . . . . . . . . . .
Fo
Placa do Pacífico . . . . . . . . .
Zona de subdução . . . . . .
0 500 km . . . .
... .. .
... .. Área de dispersão das cinzas
do Novarupta (1912)

Figura 3

Baseado em: [Link] (consultado em janeiro de 2019).

Prova 702/E. Especial • Página 11/ 14


1.  De acordo com os dados da Figura 3, o sistema Novarupta-Katmai

 (A) está associado a um vulcanismo intraplaca.

 (B) localiza-se num limite divergente de placas.

 (C) faz parte do arco vulcânico das ilhas Aleutas.

 (D) resulta do movimento lateral das placas litosféricas.

2.  D
 e entre os acontecimentos seguintes, selecione os que estão relacionados com a erupção de 1912
no sistema vulcânico Novarupta‑Katmai, transcrevendo para a sua folha de respostas os números
romanos correspondentes.

I.  As cinzas atingiram 500 km a oeste do cone do Novarupta.


II.  Os sismos que ocorreram na região tiveram elevada intensidade.
III.  Formou-se um grande volume de piroclastos.
IV.  Ocorreu atividade explosiva e formou-se uma caldeira.
V.  As lavas deram origem a rochas predominantemente melanocráticas.

3.  As fumarolas do Valley of Ten Thousand Smokes constituíram manifestações de vulcanismo

 (A) secundário, relacionado com o baixo grau geotérmico no local.

 (B) primário, relacionado com o elevado fluxo térmico no local.

 (C) primário, relacionado com o alto grau geotérmico no local.

 (D) secundário, relacionado com o baixo fluxo térmico no local.

4.  As rochas formadas durante a erupção de 1912 apresentam percentagens variáveis de sílica. De acordo
com os dados, podemos inferir que as rochas que apresentam percentagens mais elevadas de sílica são

 (A) andesitos, equivalentes lávicos dos granodioritos.

 (B) andesitos, equivalentes lávicos dos dioritos.

 (C) riólitos, equivalentes lávicos dos gabros.

 (D) riólitos, equivalentes lávicos dos granitos.

5.  A deteção de câmaras magmáticas é possível, uma vez que, quando as ondas sísmicas S as atingem são

 (A) refletidas, aumentando a sua velocidade de propagação.

 (B) refratadas, diminuindo a sua velocidade de propagação.

 (C) refletidas, por atingirem um meio menos viscoso.

 (D) refratadas, por atingirem um meio mais denso.

Prova 702/E. Especial • Página 12/ 14


6.  Ordene as expressões identificadas pelas letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência de
acontecimentos relacionados com a evolução do sistema Novarupta-Katmai.

A.  Fluxo de magma do Katmai para a câmara magmática do Novarupta.

B.  Abatimento da parte central do cone do vulcão Katmai.

C.  Formação de um domo riolítico no Novarupta.

D.  Rápido esvaziamento da câmara magmática do Katmai.

E.   Meteorização das rochas do VTTS devido à atividade das fumarolas.

7.  F
 aça corresponder cada uma das manifestações de vulcanismo, expressas na Coluna I, à respetiva
designação, que consta na Coluna II.

Escreva na folha de respostas cada letra da Coluna I, seguida do número (de 1 a 5) correspondente.

COLUNA I COLUNA II

(1) Agulha
(a) Estrutura típica que resulta da consolidação de lavas básicas
em meio subaéreo.
(2) Cone adventício
(b) 
Mistura de material piroclástico e de gases, com elevada
(3) Domo
temperatura e grande mobilidade.
(4) Escoada
(c) 
Relevo resultante da acumulação de materiais vulcânicos
expelidos através de uma conduta secundária.
(5) Nuvem ardente

8.  Explique o processo de formação de magmas no contexto tectónico do Alaska.

FIM

Prova 702/E. Especial • Página 13/ 14


COTAÇÕES

As pontuações obtidas Grupo


nas respostas a estes
10 itens da prova contribuem I I I I I I II II III III Subtotal
obrigatoriamente para
a classificação final. 6.1. 6.3. 7. 8. 9. 19. 2. 4. 2. 7.

Cotação (em pontos) 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 80

Grupo I
Destes 23 itens, contribuem 1. 2. 3. 4. 5. 6.2. 10. 11. 12. 13.
para a classificação final da
14. 15. 16. 17. 18. Subtotal
prova os 15 itens cujas respostas
obtenham melhor pontuação. Grupo II Grupo III
1. 3. 1. 3. 4. 5. 6. 8.
Cotação (em pontos) 15 x 8 pontos 120
TOTAL 200

Prova 702/E. Especial • Página 14/ 14


Exame Final Nacional de Biologia e Geologia
Prova 702 | Época Especial | Ensino Secundário | 2020
11.º Ano de Escolaridade
Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho

Critérios de Classificação 7 Páginas

critérios gerais de classificação

A classificação a atribuir a cada resposta resulta da aplicação dos critérios gerais e dos critérios específicos
apresentados para cada item e é expressa por um número inteiro.
As respostas ilegíveis ou que não possam ser claramente identificadas são classificadas com zero pontos.
Em caso de omissão ou de engano na identificação de uma resposta, esta pode ser classificada se for
possível identificar inequivocamente o item a que diz respeito.
Se for apresentada mais do que uma resposta ao mesmo item, só é classificada a resposta que surgir em
primeiro lugar.

Itens de seleção
As respostas aos itens de seleção podem ser classificadas de forma dicotómica ou por níveis de desempenho,
de acordo com os critérios específicos. No primeiro caso, a cotação do item só é atribuída às respostas
integralmente corretas e completas, sendo todas as outras respostas classificadas com zero pontos. No caso
da classificação por níveis de desempenho, a cada nível corresponde uma dada pontuação, de acordo com
os critérios específicos.
Nas respostas aos itens de seleção, a transcrição do texto da opção escolhida é considerada equivalente à
indicação da letra ou do número correspondente.

Itens de construção
Nos itens de resposta curta, são atribuídas cotações às respostas total ou parcialmente corretas, de acordo
com os critérios específicos.
As respostas que contenham elementos contraditórios são classificadas com zero pontos.
Nos itens de resposta restrita, os critérios de classificação estão organizados por níveis de desempenho. A
cada nível de desempenho corresponde uma dada pontuação. Se permanecerem dúvidas quanto ao nível a
atribuir, deve optar-se pelo nível mais elevado de entre os dois tidos em consideração. Qualquer resposta que
não atinja o nível 1 de desempenho é classificada com zero pontos.
Os itens de resposta restrita são classificados tendo em conta o conteúdo e o rigor científico.
São consideradas falhas no rigor científico a utilização inadequada ou imprecisa de termos, de conceitos ou
de processos, assim como o incumprimento das normas de nomenclatura binominal.
As respostas que não apresentem exatamente os termos ou expressões constantes nos critérios específicos
de classificação são classificadas em igualdade de circunstâncias com aquelas que os apresentem, desde
que o seu conteúdo seja cientificamente válido, adequado ao solicitado e enquadrado pelos documentos
curriculares de referência.

Prova 702/E. Especial | CC • Página 1/ 7


critérios específicos de classificação

GRUPO I

1. a 4.  ................................................................ (4 × 8 pontos)........................................................ 32 pontos

Itens 1. 2. 3. 4.

Chave A C B D

5. .................................................................................................................................................... 8 pontos

Justifica as características das águas das Termas das Caldas da Rainha, relacionando a temperatura com
a profundidade atingida durante o seu percurso subterrâneo (A), referindo o aumento da capacidade de
dissolução da água (B) e relacionando a composição química da água com a litologia atravessada (C).

(A) 
A água infiltra-se até cerca de 1600 m de profundidade (OU até grandes profundidades), aquecendo
durante o seu percurso.

(B) 
A capacidade de dissolução da água aumenta (devido ao aumento da temperatura).

(C) 
A água é sulfurosa cloretada sódica, porque, durante o seu percurso, a água dissolve o gesso e o
sal‑gema.

NOTA – A referência à temperatura da água no elemento (B) só é obrigatória se o elemento (A) não estiver presente.

Níveis Descritores de desempenho do conteúdo e do rigor científico Pontuação

Justifica, com rigor científico, as características das águas das Termas das Caldas da
5 8
Rainha, integrando os três elementos (A, B, C).
Justifica, com falhas no rigor científico, as características das águas das Termas das
4 7
Caldas da Rainha, integrando os três elementos (A, B, C).
Justifica, com rigor científico, as características das águas das Termas das Caldas da
3 5
Rainha, integrando apenas dois dos elementos.

Justifica, com falhas no rigor científico, as características das águas das Termas das
2 4
Caldas da Rainha, integrando apenas dois dos elementos.

1 Apresenta, com rigor científico, apenas um dos elementos. 2

6.1.  .................................................................... (1 × 8 pontos)........................................................ 8 pontos

Item 6.1.

Chave D

6.2. ................................................................................................................................................. 8 pontos


Tubo 3

Prova 702/E. Especial | CC • Página 2/ 7


6.3. ................................................................................................................................................. 8 pontos

Explica que a probabilidade de entupimento dos tubos de circulação da água nas máquinas de lavar
é elevada, porque na água quente a solubilidade do CaCO3 diminui (A), formando-se CaCO3, que se
deposita no interior dos tubos (B).

(A) 
Na água quente, a solubilidade do CaCO3 (OU da calcite OU do calcário) diminui.

(B) 
Forma-se CaCO3, que se deposita (OU que precipita) no interior dos tubos das máquinas.

Níveis Descritores de desempenho do conteúdo e do rigor científico Pontuação

Explica, com rigor científico, a elevada probabilidade de entupimento dos tubos,


4 8
apresentando os dois elementos (A, B).
Explica, com falhas no rigor científico, a elevada probabilidade de entupimento dos tubos,
3 6
apresentando os dois elementos (A, B).

Refere, com rigor científico, que, na água quente, a solubilidade do CaCO3 diminui (A).
OU
2 4
Refere, com rigor científico, que a deposição de CaCO3 nos tubos contribui para o seu
entupimento (B).

1 Refere, com falhas no rigor científico, apenas um dos elementos. 2

7. e 8.  ................................................................ (2 × 8 pontos)........................................................ 16 pontos

Itens 7. 8.

Chave B D

9. .................................................................................................................................................... 8 pontos
Chave – a) – 1; b) – 3; c) – 3; d) – 2; e) – 2.

Níveis Descritores de desempenho Pontuação

3 Completa o texto com 5 opções corretas. 8

2 Completa o texto com 3 ou 4 opções corretas. 5

1 Completa o texto com 2 opções corretas. 2

10. a 12.  ............................................................ (3 × 8 pontos)........................................................ 24 pontos

Itens 10. 11. 12.

Chave C B C

13. .................................................................................................................................................. 8 pontos


Chave – B, C, A, E, D

Prova 702/E. Especial | CC • Página 3/ 7


14. a 17.  ............................................................ (4 × 8 pontos)........................................................ 32 pontos

Itens 14. 15. 16. 17.

Chave D B C B

18. .................................................................................................................................................. 8 pontos


Chave – (a) – (4), (5), (9); (b) – (2), (3), (6), (8); (c) – (1), (7).

Níveis Descritores de desempenho Pontuação

3 Associa corretamente 8 ou 9 afirmações às respetivas teorias. 8

2 Associa corretamente 5, 6 ou 7 afirmações às respetivas teorias. 5

1 Associa corretamente 2, 3 ou 4 afirmações às respetivas teorias. 2

19. .................................................................................................................................................. 8 pontos

Explica que a atividade dos esquilos potencia a dispersão das plantas (A) e que o vento favorece o
cruzamento entre plantas diferentes de carvalho-cerquinho, permitindo o aumento da sua variabilidade
genética (B).

(A)  O
 s esquilos, ao transportarem e enterrarem os frutos, potenciam a germinação das sementes em
outros locais, favorecendo a dispersão das plantas.

(B) 
O vento, ao disseminar os grãos de pólen, favorece a fecundação entre plantas diferentes (OU a
reprodução sexuada), aumentando a variabilidade genética.

Níveis Descritores de desempenho do conteúdo e do rigor científico Pontuação

Explica, com rigor científico, de que forma as condições ambientais contribuem para a
4 dispersão e para a variabilidade genética do carvalho-cerquinho, apresentando os dois 8
elementos (A, B).
Explica, com falhas no rigor científico, de que forma as condições ambientais contribuem
3 para a dispersão e para a variabilidade genética do carvalho-cerquinho, apresentando os 6
dois elementos (A, B).
Explica, com rigor científico, de que forma as condições ambientais contribuem para a
dispersão do carvalho-cerquinho, apresentando apenas o elemento A.
2 OU 4
Explica, com rigor científico, de que forma as condições ambientais contribuem para a
variabilidade genética do carvalho-cerquinho, apresentando apenas o elemento B.
Explica, com falhas no rigor científico, de que forma as condições ambientais contribuem
para a dispersão do carvalho-cerquinho, apresentando apenas o elemento A.
1 OU 2
Explica, com falhas no rigor científico, de que forma as condições ambientais contribuem
para a variabilidade genética do carvalho-cerquinho, apresentando apenas o elemento B.

Prova 702/E. Especial | CC • Página 4/ 7


GRUPO II

1. a 3.  ................................................................ (3 × 8 pontos)........................................................ 24 pontos

Itens 1. 2. 3.

Chave C C B

4. .................................................................................................................................................... 8 pontos

Interpreta os resultados do estudo, referindo que alguns poluentes diminuem a quantidade de androgénios
(OU atuam como estrogénios), aumentando a razão E/A nos machos (A) e prevendo que o lago Apopka e
o lago Griffin são os que apresentam maior degradação ambiental (B).

(A) 
Alguns poluentes diminuem a quantidade de androgénios (OU atuam como estrogénios), aumentando
a razão E/A nos machos.

(B) 
Os resultados permitem prever que o lago Apopka e o lago Griffin apresentam maior degradação
ambiental (OU elevadas quantidades de poluentes).

Níveis Descritores de desempenho do conteúdo e do rigor científico Pontuação

Interpreta, com rigor científico, os resultados experimentais, apresentando os dois


4 8
elementos (A, B).

Interpreta, com falhas no rigor científico, os resultados experimentais, apresentando os


3 6
dois elementos (A, B).

Interpreta, com rigor científico, os resultados experimentais, apresentando apenas um


2 4
dos elementos.

Interpreta, com falhas no rigor científico, os resultados experimentais, apresentando


1 2
apenas um dos elementos.

Prova 702/E. Especial | CC • Página 5/ 7


GRUPO III

1.  ....................................................................... (1 × 8 pontos)........................................................ 8 pontos

Item 1.

Chave C

2. .................................................................................................................................................... 8 pontos
Afirmações corretas: III e IV.

Níveis Descritores de desempenho Pontuação

2 Seleciona apenas as 2 afirmações corretas. 8

1 Seleciona apenas 1 das afirmações corretas e nenhuma das outras. 4

3. a 5.  ................................................................ (3 × 8 pontos)........................................................ 24 pontos

Itens 3. 4. 5.

Chave A D B

6. .................................................................................................................................................... 8 pontos
Chave – A, D, B, C, E

7. .................................................................................................................................................... 8 pontos
Chave – (a) – (4); (b) – (5); (c) – (2).

Prova 702/E. Especial | CC • Página 6/ 7


8. .................................................................................................................................................... 8 pontos

Explica a fomação dos magmas no Alaska, relacionando o contexto tectónico da região com o aumento
da temperatura (A), e relaciona a presença de água com a diminuição do ponto de fusão das rochas (B).

(A) 
O Alaska situa-se numa zona de subdução onde ocorre afundamento da placa do Pacífico sob a
placa Norte-Americana (OU afundamento de uma placa oceânica sob uma placa continental de bordo
oceânico), ficando a placa subdutada (OU a placa do Pacífico) sujeita a temperaturas mais elevadas,
o que favorece a fusão das rochas.

(B) 
A presença de água libertada por alguns minerais (OU a água libertada pelos sedimentos) provoca a
diminuição do ponto de fusão das rochas, levando à formação de magmas.

Níveis Descritores de desempenho do conteúdo e do rigor científico Pontuação

Explica, com rigor científico, a formação dos magmas no Alaska, apresentando os dois
4 8
elementos (A, B).

Explica, com falhas no rigor científico, a formação dos magmas no Alaska, apresentando
3 6
os dois elementos (A, B).

Refere, com rigor científico, um dos aspetos que contribui para a formação dos magmas
2 4
no Alaska.

Refere, com falhas no rigor científico, um dos aspetos que contribui para a formação dos
1 2
magmas no Alaska.

COTAÇÕES

As pontuações obtidas Grupo


nas respostas a estes
10 itens da prova contribuem I I I I I I II II III III Subtotal
obrigatoriamente para
a classificação final. 6.1. 6.3. 7. 8. 9. 19. 2. 4. 2. 7.

Cotação (em pontos) 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 80

Grupo I
Destes 23 itens, contribuem 1. 2. 3. 4. 5. 6.2. 10. 11. 12. 13.
para a classificação final da
14. 15. 16. 17. 18. Subtotal
prova os 15 itens cujas respostas
obtenham melhor pontuação. Grupo II Grupo III
1. 3. 1. 3. 4. 5. 6. 8.
Cotação (em pontos) 15 x 8 pontos 120
TOTAL 200

Prova 702/E. Especial | CC • Página 7/ 7

Você também pode gostar