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Diferenças Angola SNC

Este documento compara o Plano Geral de Contabilidade de Angola (PGCA) com o Sistema de Normalização Contabilística de Portugal (SNC). Identifica as principais diferenças entre os dois sistemas em termos de terminologia, classes de contas e modelos de demonstrações financeiras. Também discute a importância da harmonização contabilística para Angola à medida que o país expande suas relações econômicas internacionais.

Enviado por

Joaquim Sousa
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Diferenças Angola SNC

Este documento compara o Plano Geral de Contabilidade de Angola (PGCA) com o Sistema de Normalização Contabilística de Portugal (SNC). Identifica as principais diferenças entre os dois sistemas em termos de terminologia, classes de contas e modelos de demonstrações financeiras. Também discute a importância da harmonização contabilística para Angola à medida que o país expande suas relações econômicas internacionais.

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Mestrado em Contabilidade,

Fiscalidade e Finanças Empresariais

PRINCPAIS DIFERENÇAS ENTRE O PLANO GERAL DE


CONTABILIDADE DE ANGOLA E O SISTEMA DE NORMALIZAÇÃO
CONTABILÍSTICA DE PORTUGAL

Trabalho Realizado Por:


Carmem Marialva Pinto da Cruz

Sob Orientação:
Professora Doutora Cristina Gaio Silva

Júri:

Presidente: Mestre António Carlos de Oliveira Samagaio

Vogais: Professora Doutora Cristina Belmira Gaio Martins da Silva

Mestre Inês Maria Galvão Teles Ferreira da Fonseca Pinto

Junho/2011

i
Agradecimentos

Quero agradecer essencialmente a Deus, aos meus familiares e a todos aqueles que de
forma directa ou indirecta contribuíram para que a realização deste trabalho fosse
possível.

Agradeço ao Joaquim, meu companheiro para quem encaminho o meu carinho e eterno
sentimento de gratidão, pela confiança depositada em mim e pelo encorajamento, apoio
e sobretudo por ter acreditado no sucesso desta etapa tão importante da minha vida.

Quero expressar também o meu agradecimento à minha orientadora, pela dedicação e


disponibilidade e também pelas críticas e sugestões que contribuíram muito para o
enriquecimento do trabalho.

i
Índice
Agradecimentos ..................................................................................................... i
Índice ................................................................................................................... ii
Lista das tabelas .................................................................................................... iii
Resumo ............................................................................................................... iv
Abstract ............................................................................................................... v
1. Introdução ........................................................................................................ 1
2. Caracterização dos Sistemas Contabilísticos e Harmonização Contabilística
Internacional ........................................................................................................ 3
2.1 Caracterização dos Sistemas Contabilísticos ....................................................... 3
2.2 Harmonização Contabilística Internacional......................................................... 5
3. Normalização Contabilística em Angola e Portugal ............................................... 6
3.1. Normalização Contabilística em Angola............................................................ 6
3.2. O Plano Geral de Contabilidade de Angola (PGCA) ........................................... 8
3.3. Normalização Contabilística em Portugal ........................................................ 10
4. Comparação do PGCA com o SNC ................................................................... 13
4.1. Critérios de Valorimetria ............................................................................... 14
4.2. Classe de Contas........................................................................................... 18
4.3. As Demonstrações Financeiras ....................................................................... 28
4.3.1. O Balanço .............................................................................................. 28
4.3.2. Demonstração de Resultados.................................................................... 29
4.3.3 Demonstrações de Fluxos de Caixa ........................................................... 30
4.3.4 Demonstração das alterações no Capital Próprio ......................................... 30
4.4. Demonstrações financeiras consolidadas ......................................................... 31
5. A Bolsa de Valores e Derivados, a Auditoria e a Ordem dos Contabilistas e dos
Peritos Contabilísticas em Angola ........................................................................ 31
5.1. A Bolsa de Valores e Derivados de Angola ..................................................... 31
5.2. A Auditoria em Angola ................................................................................. 34
5.3. A Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola ............................ 35
6. Sugestões ....................................................................................................... 35
7. Conclusões ..................................................................................................... 39
8. Bibliografia .................................................................................................... 42
9. Anexos ........................................................................................................... 44

ii
Lista das tabelas

Tabela 1 Diferenças entre os sistemas contabilísticos ....................................... 4


Tabela 2 Classificação das classes de acordo ao PGCA ................................... 9
Tabela 3 Estrutura conceptual do SNC ............................................................ 13
Tabela 4 Diferenças na terminologia entre o SNC, POC e PGCA ................... 14
Tabela 5 Comparação das classes de contas .................................................. 18
Tabela 6 Comparação da classe 1 (PGCA) com a classe 4 (SNC) .................. 19
Tabela 7 Comparação da classe 2 (PGCA) com a classe 3 (SNC) .................. 21
Tabela 8 Comparação da classe 3 (PGCA) com a classe 2 (SNC) .................. 23
Tabela 9 Comparação da classe 4 (PGCA) com a Classe 1 (SNC) ................. 23
Tabela 10 Comparação da classe 5 (PGCA) com a classe 5 (SNC)................ 24
Tabela 11 Comparação da classe 6 (PGCA) com a classe 7 (SNC)................ 25
Tabela 12 Comparação da classe 7 (PGCA) com a classe 6 (SNC)................ 26
Tabela 13 Comparação da classe 8 (PGCA) com a classe 8 (SNC)................ 27
Tabela 14 Comparação das demonstrações financeiras ................................. 28

iii
Resumo
A normalização contabilística internacional representa uma forte atracção para as
grandes empresas ou grupos empresariais com acções cotadas no mercado internacional
ou que pretendam apostar na internacionalização e captar capital para os seus países.
No caso de Angola, um país que neste momento está em franca expansão no que
respeita à definição de relações económicas e comerciais, sendo por isso importante que
o seu Plano Geral de Contabilidade seja submetido a alterações que lhe permitam
aproximar-se das normas internacionais.
O presente trabalho, tem como objectivo identificar as diferenças de maior relevância
entre o Plano Geral de Contabilidade de Angola e o Sistema de Normalização
Contabilística (SNC) de Portugal. Neste contexto foram identificadas as principais
diferenças, no que respeita à terminologia, às classes de contas e aos modelos das
Demonstrações Financeiras.
Saliente-se que no caso de Portugal, a adopção do SNC, representa um marco muito
importante na história da contabilidade portuguesa, permitindo um alinhamento às
directivas e regulamentos em matéria contabilística da EU. O SNC garante
transparência, comparabilidade e padronização da informação, o que irá promover a
tomada de decisão dos investidores em diferentes mercados.
Numa etapa conclusiva, o presente trabalho visa destacar a importância da normalização
contabilística face aos desafios da globalização, evidenciando a necessidade de
actualização do Plano Geral de Contabilidade de Angola de modo a acompanhar os
padrões contabilísticos internacionais. Com a abertura da Bolsa de Valores e derivados
de Angola, no mercado secundário em funcionamento sentir-se-á a verificação de contas
das empresas cotadas através da intervenção de auditores independentes, por outro lado,
o sistema fiscal angolano necessita de uma reforma, uma vez que Angola evidencia
características latinas devido ao processo de colonização, reflectindo-se também grande
influência da fiscalidade sobre a contabilidade.

PALAVRAS-CHAVE: Harmonização e normalização contabilística, SNC, PGCA,


Angola, Portugal.

iv
Abstract
The international accounting normalization represents a strong attraction for the great
companies or business groups with shares quoted in the international market or those
that intend to internationalize themselves and to collect capitals for their countries.
In case of Angola, it is a country that at this moment is growing in terms of economical
and commercial relations, being therefore important that its General Accounting Plan
may be submitted to the alterations that may allow it greater approach to the interna-
tional norms.
One intends with this work, to identify the main differences between the General Ac-
counting Plan of Angola and Accounting Normalization System of Portugal. In the cir-
cumstances, we identify the main differences relatively the terminology, classes of ac-
counts and also in the financial demonstrations models.
It is to enhance that in case of Portugal, the adoption of the SNC represents a very im-
portant landmark in the history of the Portuguese accounting. Once it is aligned with the
directives and regulations on the accounting subject of EU, the SNC guarantees trans-
parency and comparability of the information influencing thus the investors‟ decisions
in different markets.
As conclusion this work enhances the importance of the accounting normalization faced
with the challenges of the globalization, evidencing the necessity of the General Ac-
counting Plan of Angola in order to follow international accounting standards. With the
opening of the stock exchange and derivative of Angola, the secondary market in opera-
tion will imply the necessity of verification of the companies accounts quoted by inde-
pendent auditors, on the other hand, the Angolan tax system needs a tax reform, because
Angola has characteristics due to the colonization process, great influence of the tax
affects the accountancy.

KEYWORDS: Harmonization and accounting normalization, SNC, PGCA, Angola e


Portugal

v
1. Introdução
Cada vez mais a informação assume um papel fundamental na tomada de decisões,
neste sentido é importante que a divulgação dessa informação seja feita de forma rápida,
transparente e objectiva, sob pena de perder relevância.
As diferenças económicas, culturais e políticas existentes entre os países originaram
divergências no que respeita à contabilidade e aos relatórios financeiros. Neste contexto,
as empresas podem ter que apresentar a informação financeira segundo diversas normas,
nomeadamente se pretenderem cotar os seus valores mobiliários noutros países, o que
irá resultar em custos adicionais para as empresas, provocando paralelamente alterações
na divulgação da informação.
A harmonização contabilística internacional tem assumido um papel relevante nas
últimas décadas, devido à globalização dos mercados e consequente internacionalização
dos negócios. Neste contexto, a economia a nível mundial é exigente, surgindo a
necessidade de harmonização das normas contabilísticas, com vista a facilitar o
desenvolvimento de uma linguagem contabilística única.
Angola viveu um longo período de guerra que afectou significativamente o seu tecido
económico e concomitantemente os seus níveis de crescimento. Ultrapassada essa fase,
encontra-se em franco crescimento e desenvolvimento nos mais diferentes níveis, pelo
que impõe-se agora a necessidade de acompanhar o ritmo cada vez mais acelerado das
evoluções que se vão registando a nível mundial, no âmbito da contabilidade.
O Plano Geral de Contabilidade de Angola (PGCA) aprovado pelo Decreto Nº82/01 de
16 de Novembro (2001, p.19) refere que, “embora as normas internacionais assumam
um carácter de prática geralmente aceite, resultante de uma escolha colectiva com vista
a solucionar problemas de carácter repetitivo, em Angola as normas contabilísticas têm
até agora assumido um carácter legal que nesta fase, face às inúmeras alterações a
introduzir, se optou por manter”. À medida que a implementação destas alterações se
torna efectiva, com vista a facilitar a sua actualização em função das alterações que
tendem a ser introduzidas nas normas internacionais torna-se conveniente substituir a
legislação actual por práticas geralmente aceites o que se prevê venha acontecer de
forma progressiva.
Com o PGCA, não só os professores e estudantes das áreas de Contabilidade, Gestão e
Economia, mas também os gestores, empresários e demais interessados, têm uma
ferramenta de trabalho indispensável para enfrentar os desafios que o extraordinário

1
crescimento da economia angolana regista num mundo envolvido num processo de
Globalização.
Este trabalho tem como objectivo analisar as principais diferenças entre os normativos
contabilísticos de Angola e Portugal e propor sugestões para melhorar a organização e
aplicação do normativo Angolano.
A escolha de Portugal para a realização deste estudo comparativo, a par dos laços
históricos, culturais e linguísticos existentes entre os dois países e povos, é também
justificada na actualidade pela forte presença de empresas portuguesas a operarem em
Angola e a existência de investimentos de empresas angolanas na economia portuguesa.
Por isso,
este estudo visa alertar a necessidade de se ajustar o PGCA à actual realidade vivida
pelo país, realçando a importância e o impacto da implementação do Sistema de
Normalização Contabilística (SNC) em Portugal.
O SNC entrou em vigor em 2010, em substituição do Plano Oficial de Contabilidade
(POC), permitindo um alinhamento com as directivas e regulamentos comunitários.
Estando o país numa fase de crescente desenvolvimento, e com a perspectiva da
abertura da bolsa de valores e derivados de Angola, é importante que o PGCA seja
reformulado adaptando-o as normas internacionais de contabilidade. Com base nesse
pressuposto, o papel da auditoria afigura-se relevante, uma vez que o seu exercício
prático proporcionará uma melhor organização das contas das empresas.
Com efeito, este trabalho está organizado em sete capítulos. O primeiro diz respeito a
introdução; o segundo faz uma abordagem acerca dos sistemas contabilísticos e
harmonização contabilística internacional, o capítulo terceiro faz referência a
normalização contabilística dos países em estudo, bem como, uma breve análise dos
seus referenciais contabilísticos, o quarto desenvolve a comparação entre o PGCA e o
SNC, debruçando-se sobre as diferenças mais significativas entre os dois normativos, o
quinto capítulo aborda questões sobre a bolsa de valores e a ordem dos contabilistas e
peritos contabilistas de Angola; no sexto capítulo pode encontrar-se um conjunto de
sugestões para melhorar o sistema contabilístico angolano e o sétimo capítulo apresenta
as conclusões do estudo.

2
2. Caracterização dos Sistemas Contabilísticos e Harmonização
Contabilística Internacional
2.1 Caracterização dos Sistemas Contabilísticos
Nobes (1996) classifica os sistemas contabilísticos em dois blocos distintos: anglo-
saxónico e continental, com base nos antecedentes e características contabilísticas dos
sistemas, tal como ilustrado na tabela 1.
Os Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), como Angola, Brasil, Cabo Verde,
Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, apresentam regulamentos
contabilísticos de carácter público, tendo originado uma linha de orientação jurídico-
fiscal, ou seja, os documentos que regem a contabilidade provêm de órgãos do governo,
deixando transparecer uma forte influência da fiscalidade; a contabilidade sustenta a sua
afirmação através de diplomas legais que funcionam como instrumento de política
económica (Santos, 2006).
O sistema contabilístico angolano possui características latinas derivadas do processo de
colonização, onde a fiscalidade exerce uma forte influência sobre a contabilidade,
enquadrando-se assim no bloco continental.

3
Tabela 1 Diferenças entre os sistemas contabilísticos

ANGLO-SAXÓNICO CONTINENTAL
Antecedentes
Direito inglês Direito romano
Profissão antiga, de grande dimensão e forte Profissão ainda recente, de pequena
dimensão e fraca
Grandes mercados de capitais Pequenos mercados de capitais
Características Contabilísticas Genéricas
Orientada para a imagem verdadeira e Orientada para a forma legal
apropriada
Orientada para o investidor Orientada para o credor
Muita divulgação Pouca divulgação
Separação entre as regras A fiscalidade domina as regras contabilísticas
Contabilísticas e as fiscais Predominam as disposições governamentais
e a forma sob a substância
Predominam os standards profissionais e a
substância sob a forma
Características Contabilísticas Especificas
Método da percentagem de acabamento Método do contrato acabado
Cálculo das amortizações de acordo com Cálculo das amortizações de acordo com
períodos de vida útil regras fiscais
Não existência de reservas legais Existência de reservas legais
Não existência de provisões para impostos Existência de provisões para impostos
Reconhecimento como custos das despesas Capitalização das despesas do primeiro
do primeiro estabelecimento estabelecimento
Países Exemplo
Austrália Alemanha
Canadá Bélgica
Dinamarca França
Estados Unidos da América Grécia
Holanda Itália
Nova Zelândia Japão
Reino Unido Portugal
Fonte: Adaptado de Nobes (1996)

4
2.2 Harmonização Contabilística Internacional
De acordo com Pires (2010, p. 41),”os instrumentos da contabilidade impõem que se
adoptem critérios e práticas uniformes e se fixem princípios válidos, conhecidos e
aceites por todos os profissionais. Contudo, as alterações conjunturais ou estruturais, as
novas exigências e ainda os novos conhecimentos, têm conduzido à reestruturação de
conceitos. A evolução dos fenómenos económico-financeiros ao longo das últimas
décadas, fundamentalmente no que respeita à progressiva abertura internacional e à
queda de todo o tipo de barreiras, fez com que a informação financeira, utilizada como
ponto de partida nas decisões de natureza comercial, de investimento ou de
financiamento, tenha ultrapassado as fronteiras nacionais, colocando a necessidade de
comunicação entre empresas e utilizadores de diferentes países e, consequentemente, a
necessidade de analisar demonstrações financeiras num quadro global”.
De facto, o fenómeno da globalização leva a que os países afunilem cada vez mais os
seus laços económicos, no sentido de aumentarem o volume de transacções, as
actividades económicas e o crescimento do investimento estrangeiro. Neste contexto, os
agentes económicos deparam-se cada vez mais com dificuldades relacionadas com o
processo de compreensão de relatórios financeiros, dada a diversificação contabilística
internacional, condicionando a credibilidade da informação financeira.
Segundo Soares, (2010, p. 14), „‟ O processo de harmonização contabilística visa
harmonizar as práticas contabilísticas de diferentes países de forma a alcançar alguma
comparabilidade entre as demonstrações financeiras. Com a harmonização dos
diferentes sistemas contabilísticos pretendem alcançar a uniformidade e a normalização.
A harmonização visa alcançar a convergência, a nível internacional, das diferentes
normalizações de âmbito nacional”.
O processo de harmonização contabilística pretende assim eliminar ou pelo menos
atenuar a diversidade contabilística, minimizando as dificuldades decorrentes desta
para os utilizadores da informação financeira. Podemos dizer que a harmonização
contabilística pretende eliminar as lacunas ligadas à comparabilidade da informação
financeira numa escala global. Ou seja, a harmonização contabilística permite:
Aumentar a aproximação das práticas contabilísticas dos países;
Melhorar interpretação da informação financeira, diminuindo a ambiguidade na
comunicação empresarial;
Facilitar a comparabilidade das Demonstrações Financeiras;
Facilitar as transacções internacionais e diminuir o custo do capital.
5
Nas últimas décadas duas entidades têm desempenhado um papel fundamental e
decisivo no processo de harmonização contabilística: o Internacional Accounting
Standards Committee of Board (IASB) e a União Europeia (EU).
De facto, em 2002, com o objectivo de assegurar um melhor funcionamento do mercado
de capitais da comunidade e do mercado interno, a UE estipulou a obrigatoriedade de
aplicação das normas internacionais de contabilidade do IASB (IAS/IFRS) na
elaboração de contas consolidadas, a todas as empresas dos Estados-Membros com
títulos negociados no espaço europeu, garantindo assim a harmonização das
informações financeiras apresentadas pelas sociedades cotadas de forma a proporcionar
maior transparência e comparabilidade das Demonstrações Financeiras.
Embora a harmonização contabilística seja uma realidade em crescimento e as suas
vantagens reconhecidas internacionalmente, muitos são também os autores que
destacam as suas desvantagens e limitações.
Segundo Magro e Magro (2008, p.44) existem defensores e detractores ao processo de
harmonização contabilística, “os primeiros, alegam a vantagem das demonstrações
financeiras obedecerem a mesma estrutura conceptual, facilitando a sua compreensão, o
que vai ajudar a melhor tomada de decisões por parte dos investidores que pretendam
investir em países diferentes. Os segundos alegam que muitos conceitos contabilísticos
estão a ser perdidos com a harmonização encetada pelo IASB, dando com exemplo: as
designações como “Proveito” e “Custo” desaparecem para dar lugar a “Rendimento” e
“Gasto” e, acrescentam ainda, que o problema da contabilidade a nível internacional,
com esta tentativa de modificação, vai criar um efeito nefasto sobre a qualidade da
mensagem transmitida”.
De acordo com Ball (2006), a adopção das IAS/IFRS é inevitável e desejável, no
entanto o autor sugere que seja feita com precaução, uma vez que não existem dados
históricos ou estudos académicos significativos que suportem o seu sucesso,
nomeadamente no que diz respeito à contabilização do valor justo em detrimento do
custo histórico.

3. Normalização Contabilística em Angola e Portugal


3.1. Normalização Contabilística em Angola
Angola enfrentou duas grandes fases na sua evolução histórica com impacto em termos
de normalização contabilística: a fase colonial e a fase pós colonial.

6
Angola, enquanto província de Portugal, o que provocou uma evolução na contabilidade
do país colonizador (Portugal) através da criação da Direcção dos Serviços de Fazenda
Nacional, realizando a contabilidade dependente de Portugal até Março de 1976, a partir
dessa altura passou a designar-se Ministério das Finanças até a presente data.
Na fase colonial eram aplicadas as normas e princípios contabilísticos que vigoravam
em território português, uma vez que Angola se apresentara como uma colónia
portuguesa. Os Bancos e os Seguros eram obrigados a utilizar o quadro de contas,
registando-se uma anarquia no resto dos sectores económicos.
A segunda fase, denominada de fase pós colonial, ficou marcada pela reforma fiscal,
mais precisamente no que respeita ao Código da Contribuição Industrial, assim como a
legislação criada sobre fiscalização de Sociedade Anónimas.
De entre a legislação de referência, destaca-se o Decreto-lei nº49381, o que
consequentemente faz com que se verifiquem grandes progressos no que respeita à
determinação de Custos e Proveitos de cada exercício e a elaboração da publicação
obrigatória. Esta fase prolongou-se até Fevereiro de 1977 com o POC.
A nível contabilístico, destacam-se a publicação do Decreto nº 250/79 de 19 de Outubro
do conselho de ministros, que aprovou um Plano de Contas Nacional.
Actualmente Angola encontra-se em fase de reestruturação e de reconstrução, após um
longo período de guerra. Paralelamente tem revelado um crescente desenvolvimento, o
que torna imperativo a criação da Comissão de Normalização Contabilística de Angola
com o objectivo de acompanhar e adaptar o actual PGCA à nova realidade contabilística
mundial.
Angola não possui uma comissão de normalização contabilística, devido à instabilidade
política que se faz sentir no entanto existe o Banco Nacional, o Instituto de Supervisão
de Seguros de Angola, a Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas e a Comissão
de Mercados de Capitais.
Dada a não designação de uma entidade competente, compete ao Ministério das
Finanças alterar os elementos do PGCA através de um correcto decreto executivo, o
qual deverá sugerir a alteração de diversos elementos, como a nomenclatura do código e
do conteúdo das contas bem como, a introdução de novas contas e/ou eliminação das
existentes.

7
3.2. O Plano Geral de Contabilidade de Angola (PGCA)
Em 1978 foi criado o Plano de Contas pelo Ministério do Comércio Interno e em 1979
surge o Plano de Contas Nacional aprovado pelo Decreto nº 250/79 de 19/10, sendo este
aplicado em todas as unidades económicas estatais, mistas e privadas. Em 1995 surge o
PGCA, aprovado pelo Decreto-Lei nº 82/01 de 16/11, actualmente em vigor, sendo um
plano que obedece a uma normalização sectorial, exceptuando a Banca e as
Seguradoras, aplicando-se essencialmente às Sociedades Comerciais.

De acordo com o nº 2 do Decreto nº 82/01, o PGCA será obrigatoriamente aplicado a


Sociedades Comerciais e Empresas Públicas que exerçam actividade em Angola ou que
exerçam actividades noutros países, mas que tenham a respectiva sede em Angola.
O PGCA, teve como base as normas do IASB, sendo de destacar o que se encontra
descrito no seu ponto 1:
Justificação:” …conveniência em substituir o carácter legal actual por práticas
geralmente aceites o que se prevê venha a acontecer de forma progressiva”.
De acordo com Rebelo, Brito (2008), o PGCA estabelece os critérios de preparação e
apresentação das Demonstrações Financeiras para os utilizadores externos, tendo por
objectivo ajudar os técnicos contabilistas e outros preparadores na aplicação de normas
em tudo idênticas às internacionais, na sua interpretação, e no suporte aos auditores
quanto aos princípios geralmente aceites, sem ferir os princípios básicos internacionais.
Em 2007 surgiu o Plano de Contas das Instituições Financeiras (CONTIF), criado pelo
instrutivo nº 9/07, do Banco Nacional de Angola, já sendo padronizado com as
directrizes das Normas Internacionais de Contabilidade (IAS) e com as Normas
Internacionais de Relato Financeiro (IFRS).
Magro et al (2008, p. 48), defende que „‟O Plano de Contas é um conjunto de normas e
procedimentos, que servem de guia e modelo para registar e também para a
demonstração dos factos patrimoniais, cuja constituição é a seguinte:
1. Princípios e politicas contabilísticas;
2. Elenco de contas;
3. Forma (balanço, demonstração de resultados e demonstração dos fluxos de caixa) e
âmbito das contas;
4. Reconhecimento das massas patrimoniais e valorimetria;
5. Notas”.
O elenco das contas encontra-se dividida em classes, conforme apresentado na tabela 2

8
Tabela 2 Classificação das classes de acordo ao PGCA

Classes de 1 a 8 Classes que respeitam à Contabilidade Geral


Estas classes são de uso obrigatório ou seja, sempre que
Classes da Contabilidade Geral existam factos ou acontecimentos que pela sua
1. Meios Fixos e Investimentos natureza, devam nelas ser registados.

2. Existências Como regra geral, não devem ser efectuadas alterações

3. Terceiros na disposição, nomenclatura e códigos de contas das

4. Meios Monetários rubricas constantes de cada uma destas classes, pois


poderá originar uma discordância nos objectivos com
5. Capital e Reservas
que foram criadas.
6. Proveitos e Ganhos por natureza
Contudo, a título excepcional, são permitidas alterações
7. Custos e perdas por natureza
desde que daí não venham resultar quaisquer prejuízos
8. Resultados
para a elaboração das Demonstrações nos termos
definidos no Plano Geral de Contabilidade de Angola.
Podem ser efectuados desenvolvimentos de subornarias
de acordo com o que se considerar mais apropriado
face a realidade da entidade.
As linhas em branco constantes destas classes podem
ser substituídas pela nomenclatura considerada
apropriada nas circunstâncias.

Classe 9 Classe que respeita à Contabilidade Analítica


9. Contabilidade Analítica Esta classe é de uso facultativo o qual dependerá da
necessidade sentida pela empresa, ponderando o
binómio custo/benefício.
Contudo, é recomendado o seu uso para empresas
industriais onde o apuramento dos custos de produção
se mostre moroso e de difícil execução.
Fonte: Plano Geral de Contabilidade

Segundo o PGCA (2001), as características qualitativas são atributos que tornam a


informação, prestada pelas demonstrações financeiras, útil aos utentes. As
características contabilísticas qualitativas da informação financeira dizem respeito: À
Relevância e à fiabilidade.
Os princípios contabilísticos são: Consistência, materialidade, não compensação de
saldos e comparabilidade.

9
O PGCA contempla o Princípio da “Não compensação de saldos”. Este Princípio
defende que não devem ser efectuadas compensações de saldos entre Activos e
Passivos. A apresentação de rubricas deve ser feita no Balanço pelo seu valor líquido de
amortizações e provisões, não sendo considerada uma compensação de saldos”.
Por outro lado, o PGCA, não contempla o “ Princípio da Prudência”, A característica da
prudência é definida na estrutura conceptual do IASB da seguinte forma: ”os indivíduos
que preparam as Demonstrações Financeiras deparam-se com incertezas que rodeiam
muitos acontecimentos e circunstâncias. É neste sentido que é possível integrar nas
Demonstrações Financeiras um grau de precaução, ao fazer-se as estimativas exigidas
em condições de incerteza, evitando a criação de reservas ocultas, provisões excessivas
ou que sejam quantificados propositadamente activos e proveitos por defeito ou
passivos e custos por excesso”.
O princípio da prudência, é um dos mais antigos da História da Contabilidade.

3.3. Normalização Contabilística em Portugal


Segundo Rodrigues (2009, p. 23), „‟Em Portugal, a normalização contabilística
encontra-se repartida por 5 entidades:
Banco de Portugal, que regula as instituições financeiras;
Instituto de Seguros de Portugal – que regula as empresas seguradoras;
Comissão de Normalização Contabilística – visa regular as empresas comerciais e
industriais e outras entidades;
Comissão de Normalização Contabilística da Administração Pública – terá como
objectivo a regulação das entidades do sector público administrativo.
Comissão do Mercado de Valores Mobiliários – pode estabelecer normas contabilísticas
específicas para as entidades com valores negociados em bolsa, embora esteja sujeita a
audição prévia das demais “entidades normalizadoras”.

Neste momento Portugal está a viver um período muito importante em termos de


normalização contabilística com a entrada em vigor do um novo sistema contabilístico,
em Janeiro de 2010.
O SNC, aprovado pelo Decreto-Lei nº 158/2009, de 13 de Julho, é um modelo baseado
nas normas do IASB, adoptadas pela União Europeia. Paralelamente, foi aprovado um
documento autónomo, designado por Estrutura Conceptual, que contém os conceitos

10
base subjacentes à preparação e apresentação das Demonstrações Financeiras, com vista
a facilitar a aplicação das normas que integram o SNC.
Para Roberto e Araújo, (2010, p.8), „‟O SNC assenta num modelo baseado em
princípios mas mantendo uma forte ligação aos hábitos do POC e garantindo a
comparabilidade com as Directivas Contabilísticas Comunitárias. Em termos
legislativos, o modelo garante flexibilidade de adaptação às alterações das Normas
Internacionais do IASB a adoptar pela União Europeia uma vez que é formado por um
Decreto-Lei, Portaria (si) e Avisos”.
Os autores Rodrigues e Ferreira, (2009) desenvolvem um conjunto de perguntas e
respostas relacionadas com o SNC quanto ao seu enquadramento teórico, conceitos
aspectos importantes registados na transição do POC para o SNC, ao reconhecimento e
mensurarão dos activos e passivos da entidade/organização e à análise comparativa das
questões relacionadas com a nova terminologia adoptada no SNC.
De acordo Borges, Rodrigues, Rodrigues e Rodrigues (2007, p. 14), „‟quanto ao
impacto para as empresas e profissionais, a transição do POC para o SNC exigirá a
forçosa actualização do software nos subsistemas de informação em exploração, os
profissionais têm que se compenetrar que este novo modelo quebra – para o bem e para
o mal – a ligação com o paradigma do custo histórico e se inicia uma nova etapa no
referencial contabilístico norteada pelo conceito de valor justo com as profundas
alterações dele advenientes, devendo por isso ser preparada a mudança com a
antecedência de acordo com o que as circunstâncias aconselham”.
O SNC é um conjunto de documentos organizados e sistematizados:
Estrutura conceptual (EC)
Conjunto de conceitos necessários para a preparação e apresentação das demonstrações
financeiras, baseado na Estrutura Conceptual do IASB
Bases para a apresentação de Demonstrações Financeiras (MADF)
Nas quais serão enunciadas as regras acerca do que constituem as Demonstrações
Financeiras e a que princípios essenciais, aos quais devem obedecer um conjunto
completo de Demonstrações Financeiras.
Modelos de Demonstrações Financeiras (DF)
Sente-se a necessidade de existir modelos padronizados, mais flexíveis, para o Balanço,
para as Demonstrações de Resultados, para as alterações no capital próprio e fluxos de
caixa, assim como um modelo orientador para o (s) anexo (s).

11
Código de Contas (CC)
Estrutura codificada e uniforme de contas, para salvaguardar as necessidades dos
diversos utilizadores.
Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro (NCRF)
Apresenta-se como sendo o ponto central (o núcleo) do SNC, as normas são moldadas a
partir das Normas Internacionais de Contabilidade, adoptadas pela União Europeia.
Norma Contabilística e de Relato Financeiro para Pequenas Entidades (NCRF-
PE)
Destina-se a pequenas empresas com menor necessidade de divulgação da informação
financeira, não devendo exceder os limites estipulados1 e cujas contas não sejam, legal
ou estatutariamente, sujeitas a certificação legal de contas.
Norma Contabilística para Microempresas (NCM)
Tem como objectivo estabelecer os aspectos de reconhecimento, mensuração e
divulgação tidos como os requisitos contabilísticos aplicáveis às micro entidades tão
como são definidas pela Lei nº. 35/2010 de 2 de Setembro.
Normas Interpretativas (NI)
As normas Interpretativas, são esclarecimentos e/ou orientações sobre o conteúdo dos
restantes instrumentos que integram o SNC.
O SNC, apresenta um conjunto de conceitos fundamentais que facilita a preparação das
DF, designado por Estrutura Conceptual, que acolhe os objectivos das DF, tornando a
informação das Demonstrações Financeiras comparável e útil.

1
Total do Balanço: 500 000 euros, Total de vendas Líquidas e outros rendimentos: 1 000 000 e
Nº médio de trabalhadores: 20

12
Tabela 3 Estrutura conceptual do SNC

Objectivos das Demonstrações Financeiras


Balanço Posição financeira da empresa numa
determinada data
Demonstração de Resultados Desempenho da empresa num determinado
período
Demonstração dos Fluxos de Caixa Variação ocorrida, num determinado período,
na caixa e seus equivalentes
Demonstração das Alterações no Capital Acontecimentos que suportam a composição do
Próprio capital próprio e sua variação, num
determinado período
Notas Referência cruzada dos itens apresentados nas
outras demonstrações financeiras
Pressupostos Subjacentes
Regime de acréscimo Reconhecimento dos acontecimentos quando
ocorrem, independente do
recebimento/pagamento
Continuidade A empresa continuar a operar num futuro
previsível
Características Qualitativas das Demonstrações Financeiras
Compreensibilidade Rapidamente apreendida pelos utilizadores
Comparabilidade Comparável no tempo e no espaço
Relevância Influencia as decisões dos utilizadores, depende
da sua natureza e materialidade
Fiabilidade Digna de confiança, isenta de erros e
preconceitos
Representação fidedigna, substância sob a forma, neutralidade, prudência e plenitude
Fonte: Elaboração Própria

4. Comparação do PGCA com o SNC

A terminologia utilizada no SNC aproxima-se da terminologia utilizada nas normas


internacionais de Contabilidade, representando uma vantagem competitiva, uma vez que
permite uma melhor compreensão dos conceitos utilizados, uma vez que estes se
encontram padronizados, evitando diversas interpretações.
No que respeita ao PGCA, este ainda se apresenta semelhante com o anterior plano de
contabilidade usado em Portugal, o POC conforme se pode verificar na tabela 4:

13
Tabela 4 Diferenças na terminologia entre o SNC, POC e PGCA

SNC PGCA POC

Activos Biológicos N/A N/A


Activos Intangíveis Imobilizados Incorpóreos Imobilizados Incorpóreos
Activos Fixos Tangíveis Imobilizados Corpóreos Imobilizados Corpóreos
Ajustamentos Provisões Provisões
Depreciação e amortização Amortização Reintegração
Reconhecimento Registo Registo
Gastos Custos e Perdas Custos e Perdas
Imparidade N/A N/A
Inventários Existências Existências
Rendimento Proveito e Ganho Proveitos e Ganhos
Reversões de Ajustamentos Reposição de provisões Reposições de provisões
Valor de mercado Valor Actual Valor Actual
Goodwill Trespasse Trespasse
Resultado líquido do período Resultado líquido do exercício Resultado líquido do
exercício
Fonte: Elaboração própria

4.1. Critérios de Valorimetria


Os critérios de valorimetria, em Angola, são abordados no PGCA no seu ponto 7, no
qual é definido como sendo o processo de determinação da quantia pela qual as
operações e outros acontecimentos devem ser reconhecidos, registados e apresentados
nas demonstrações financeiras. A valorimetria é apresentada em bases globais e
específicas.
As bases da valorimetria globais, utilizadas em diferentes graus e em várias
combinações de modo a permitir a concretização das valorimetrias específicas,
consideram o custo histórico como sendo o valor original de entrada no património de
uma operação/ acontecimento, o custo corrente, como sendo o valor actualizado de
aquisição de activos e de liquidação de passivos, o valor realizável (de liquidação),
como sendo o valor de realização de activos e de liquidação de passivos, e o valor
presente (actual), como sendo o valor descontado dos futuros fluxos de caixa. Portanto,
o custo histórico é a base de valorimetria global genericamente adoptada no PGCA, não

14
sendo consideradas as variações no nível geral de preços e nos preços específicos dos
activos.
No SNC os critérios de mensuração são apresentados na estrutura conceptual e depois
cada NCRF indica o critério ou combinação de critérios que podem ser utilizados para
mensurar o tipo de activos ou passivo em questão. Os critérios previstos pelo SNC são:
custo histórico, custo corrente, valor realizável (de liquidação), valor presente e justo
valor.
O PGCA estabelece bases de valorimetria específicas para os seguintes elementos
patrimoniais: transacções em moeda estrangeira, investimentos e existências e dividas a
pagar/receber.
As transacções em moeda estrangeira, devem ser valorizadas na moeda de relato com
base nas taxas de câmbio à data da operação. No momento do reconhecimento inicial,
as transacções em moeda estrangeira são valorizadas na moeda de relato, determinada
pela aplicação da taxa de câmbio à quantia de moeda estrangeira.
No caso do SNC as transacções em moeda estrangeira são tratadas pela NCRF 23, de
acordo com o SNC esta norma defende que a taxa de câmbio a utilizar para converter
inicialmente uma transacção que não está em euros é a taxa em vigor na data da
transacção que se designa por taxa histórica. Subsequentemente na data de cada
balanço, deve ser utilizado as taxas de câmbio em vigor nessa data que se designa por
taxa corrente.
As imobilizações corpóreas no PGCA devem ser valorizadas pelo custo de
reconhecimento inicial ou ao custo revalorizado, líquido das correspondentes
amortizações. O custo de reconhecimento engloba o preço de compra e os gastos
suportados directa ou indirectamente para colocarem o bem em condições de utilização.
Os bens de produção própria devem ser valorizados ao custo de produção e os bens
recebidos por doação ao custo corrente.
Durante o período em que o imobilizado se encontrar em curso, poderão ainda ser
acrescidos ao custo de aquisição os seguintes custos: diferenças de câmbio provenientes
dos custos relacionados com a aquisição do bem e os encargos financeiros provenientes
de financiamentos relacionados com a aquisição do bem, e se tal for considerado será
necessário mostrar consistente.
O PGCA explica a forma como devem ser feitas as alterações subsequentes na
valorimetria dos investimentos, sem referir denominação para essas alterações. O custo

15
revalorizado tem por objectivo actualizar o valor de reconhecimento do bem para o seu
justo valor (custo corrente ou custo de realização) na data da revalorização.
Estão previstos dois tipos de amortizações: sistemáticas e extraordinárias. As
amortizações sistemáticas visam reflectir a perda dos benefícios económicos
decorrentes do uso, da inactividade ou da passagem do tempo. Estas amortizações são
calculadas apenas para bens susceptíveis de desvalorização e tendo em atenção: a
quantia desvalorizada do bem, a vida útil esperada do bem e o método mais adequado
para reflectir o modelo pelo qual os benefícios económicos deste bem sejam
consumidos.
As amortizações extraordinárias destinam – se a reduzirem o valor dos bens para o seu
valor recuperável, quando se verifica uma diminuição do valor da quantia pela qual os
bens se encontram registados. Estas amortizações devem ser revertidas se os motivos
que a originaram, se extinguirem.
No caso do SNC os activos fixos tangíveis são tratados pela NCRF 7. Estes activos
devem ser inicialmente valorizados pelo seu custo. O custo deve incluir:
O preço de compra, incluindo direitos de importação, o valor dos impostos não
reembolsáveis, excluindo os descontos comerciais e abatimentos;
Custos necessários para colocar o bem na localização e em condições de
funcionamento;
Estimativa de custo de desmantelamento e remoção do bem e de restauração do
local do qual foi removido.
Após a mensurarão inicial pode-se optar por duas formas de medir os activos fixos
tangíveis: Modelo de Custo e Modelo de Revalorização.
Os investimentos em imóveis são tratados no PGCA como investimentos financeiros.
Devem ser valorizados aos custos de reconhecimento inicial e subsequentemente podem
ser efectuadas alterações aos custos. Segundo a NCRF 11, as propriedades de
investimento podem ser mensuradas subsequentemente pelo Método do Custo ou pelo
Método do Justo Valor.
Os investimentos financeiros devem ser valorizados, de acordo com o PGCA, através
dos custos iniciais e através do valor líquido das correspondentes provisões ou
amortizações destinadas a garantir que o custo não exceda o valor de realização.
No que respeita ao SNC, este reserva uma norma específica para cada tipo de
investimento, uma vez que existem vários tipos de investimentos, como por exemplo: a

16
NCRF 15 trata dos investimentos em subsidiárias, já a NCRF 13 trata dos investimentos
em associadas e dos investimentos em entidades conjuntamente controladas.
A título de exemplo, no caso dos investimentos em subsidiárias a sua valorização deve
ser efectuada de acordo com o Método da Equivalência Patrimonial, excepto se houver
restrições severas e duradouras ao exercício de controlo, em que deve ser adoptado o
Método do Custo.
Nas actividades plurianuais (contratos de construção plurianuais) o PGCA prevê dois
métodos para reconhecer os proveitos e custos associados ao contrato: O método da
percentagem de acabamento e o método do contrato completo. No entanto, a NCRF 19
não aceita o método do contrato completo como método de mensurarão.
No PGCA as existências devem ser valorizadas pelo seu custo ou valor realizável
líquido, optando pelo valor mais baixo dos dois. O custo das existências deve incluir:
custo de aquisição (engloba o preço de compra, os direitos de importação e outros
impostos que não sejam posteriormente recuperáveis), custo de transporte, custo de
manuseamento e outros custos directamente atribuíveis à compra dos bens. Todos estes
custos devem ser considerados líquidos de descontos comerciais, abatimentos e outros
de natureza semelhante.
Os custos de conversão abarcam os custos com o pessoal directamente afecto ao
processo produtivo, custos industriais fixos e custos industriais variáveis e outros custos
ocorridos para disponibilizar os produtos nos seus locais de utilização ou venda.
Para a determinação do custo podem ser usadas as seguintes técnicas de medição:
Método do custo Padrão;
Método do retalho e a título excepcional poderá ser utilizado o Método do Valor
Realizável Líquido.
Para valorizar as saídas de inventários serão utilizados os seguintes Métodos de Custeio:
Método do Custo de Identificação Específica dos Custos Individuais e o Método do
FIFO (First in, First Out) e o LIFO (Last In First Out). Quando não for possível utilizar
estes métodos deve ser usado o Método do Custo Médio como método preferencial.
Relativamente as existências não existem grandes diferenças entre os dois normativos,
salientando-se apenas a diferença sentida nos métodos de custeio das saídas dos
produtos em que segundo a NCRF 2 o LIFO não é aceite.
As contas a receber no PGCA são valorizadas ao custo histórico/ valor de realização,
optando-se pelo mais baixo dos dois. As contas a pagar serão, regra geral, valorizadas

17
ao custo histórico. Em condições excepcionais as contas a pagar são valorizadas ao
valor de liquidação.
No SNC existem várias normas que dizem respeito às contas a receber e apagar, como
por exemplo: a NCRF 10 aplicada aos empréstimos obtidos, a NCRF 21 regula as
provisões, passivos contingentes e activos contingentes, e NCRF 25 acolhe os impostos
sobre o rendimento e a NCRF 28 trata dos benefícios aos empregados.

4.2. Classe de Contas


O PGCA apresenta uma organização diferente das contas, relativamente ao SNC,
pretendendo reflectir nas contas um aspecto prático na ordem em que as contas estão
dispostas. Assim, aloca o imobilizado/investimento na classe 1, ao contrário do SNC
que está na classe 4 (tabela 4).
No que respeita às outras classes verificam-se também diferenças na terminologia e na
organização, com excepção das contas 5 e 8 que são iguais nos dois normativos.
Tabela 5 Comparação das classes de contas

Classe PGCA SNC

Classe 1 Meios Fixos e Investimentos Meios Financeiros Líquidos

Classe 2 Existências Contas a Receber e a Pagar

Classe 3 Terceiros Inventários e Activos biológicos

Classe 4 Meios Monetários Investimento

Capital, Reservas e Resultados


Classe 5 Capital e Reservas Transitados

Classe 6 Proveitos e Ganhos por Natureza Gastos

Classe 7 Custos e Perdas por Natureza Rendimento

Classe 8 Resultados Resultados

Fonte: Elaboração Própria

Segundo o Diário da República I Série – Nº. 52 – de 16 de Novembro de 2001, „‟ A


título excepcional, são permitidas alterações desde que daí não venha resultar qualquer

18
prejuízo para a elaboração das demonstrações financeiras nos termos definidos no
PGCA.
Podem ser efectuados desenvolvimentos de subrubricas de acordo com o que se
considerar mais apropriado face a realidade da entidade.
As linhas em branco constantes podem ser substituídas pela nomenclatura considerada
apropriada nas circunstâncias.
Para auxiliar a interpretação e aplicação das classes referentes à contabilidade geral,
existem as notas explicativas que no SNC correspondem às notas de enquadramento.
Tabela 6 Comparação da classe 1 (PGCA) com a classe 4 (SNC)

Classe 1 (PGCA) Classe 4 (SNC)


Meios Fixos de Investimento Investimentos
11. Imobilizações corpóreas 41. Investimentos financeiros
12. Imobilizações incorpóreas 42. Propriedades de investimentos
13. Investimentos financeiros 43. Activos fixos tangíveis
14. Imobilizações em Curso 44. Activos intangíveis
15………………………. 45. Investimentos em curso
16………………………. 46. Activos não correntes detidos para venda
17………………………….
18. Amortizações acumuladas
19. Provisões para Investimentos Financeiros
Fonte: PGCA e SNC

Como se pode observar pela tabela 6, o PGCA apresenta diferentes terminologias para
as contas „‟11 Imobilizações Corpóreas” e “12 Imobilizações Incorpóreas” que no SNC
correspondem as contas “43 Activos Fixos Tangíveis” e “44 Activos Intangíveis” no
entanto o seu conteúdo é igual.
O PGCA exibe a conta “18 Amortizações acumuladas” utilizada para contabilizar as
Amortizações do Imobilizado. O SNC não evidencia esta conta, o seu reconhecimento é
desenvolvido nas subcontas de cada um dos tipos de activos:
“438 Depreciações acumuladas” nesta conta são registadas as depreciações
acumuladas referentes aos activos fixos tangíveis e a conta “448 Amortizações
Acumuladas” referentes aos activos intangíveis de vida útil finita.
No PGCA, fiscalmente, o termo “Amortização” utiliza-se para a desvalorização do
imobilizado incorpóreo e o termo “reintegração” traduz a desvalorização do imobilizado

19
corpóreo. No SNC, amortização refere-se aos activos intangíveis e depreciação aos
activos fixos tangíveis
Uma grande diferença entre o PGCA e o SNC é a não contemplação por parte do
primeiro da situação de imparidade. O conceito mais próximo é o de amortização
extraordinária
De acordo com a NCRF 12 do SNC, qualquer activo pode estar sujeito a imparidade.
Diz-se que um activo está em imparidade quando ele deixa de proporcionar benefícios
económicos futuros para a empresa. Dito por outras palavras um activo está em
imparidade quando estiver registado por mais do que a sua quantia recuperável ou seja
se o seu valor exceder a quantia a ser recuperada através do seu uso ou da sua venda.
O conceito de provisão está tratado na NCRF 21 do SNC. De acordo com a mesma, a
provisão é um passivo de montante incerto ou de ocorrência temporal incerta.
Relativamente ao PGCA são previstas várias provisões: As provisões das contas
19,29,38 e 49, que são usadas sempre que o respectivo valor escriturado for inferior ao
valor de mercado, temos assim a proximidade com o conceito de imparidade. No
entanto a conta 39 é usada quando se pretende registar perdas previsíveis associadas a
riscos de natureza específica e provável (contingências) estando assim próximo do
conceito de provisão do SNC.
Relativamente as amortizações, tendo em conta a natureza dos bens do imobilizado
(investimento no caso do SNC) este bens são sujeitas a amortização sistemática
(depreciação no caso do SNC).
De acordo com o PGCA o cálculo das quotas de amortização faz-se em geral pelo
método das quotas constantes, havendo possibilidade de optar pelo método das quotas
degressivas caso tal se justifique.
De acordo com o SNC, os métodos de depreciação previstos são os seguintes: Método
da linha recta, método do saldo decrescente e método das unidades de produção
O PGCA apresenta conta “19 Provisões para investimentos financeiros” que segundo
Magro, et al (2008, p. 437) „‟Devem as mesmas ser registadas no momento em que:
“existam razões fundamentais que levem a crer que o custo excede o seu provável valor
de realização”.
A conta “46 Activos não correntes detidos para venda”, do SNC destina-se a reconhecer
activos não correntes que a empresa já não utiliza e que está planeada a sua venda.
Relativamente ao PGCA o seu reconhecimento pode ser feito nas contas 11
Imobilizações corpóreas, 12 Imobilizações corpóreas e 13 Investimentos financeiros.

20
De acordo com a tabela 7, podemos observar que as duas classes não apresentam
diferenças significativas, destacando somente que o SNC contempla uma conta
específica para activos biológicos
A conta “37 Activos biológicos” do SNC2 não tem correspondência directa no PGCA,
sendo a sua equivalência feita nas contas 21 a 27.

Tabela 7 Comparação da classe 2 (PGCA) com a classe 3 (SNC)

Classe 2 (PGCA) Classe 3 (SNC)


Existências Inventários e Activos Biológicos
21. Compras 31. Compras
22.Matérias-primas, subsidiárias e de 32. Mercadorias
consumo 33. Matérias-primas, subsidiárias e de
23. Produtos e trabalhos em curso consumo
24. Produtos acabados e intermédios 34. Produtos acabados e intermédios
25. Subprodutos, desperdícios, resíduos e 35. Subprodutos, desperdícios, resíduos e
refugos refugos
26. Mercadorias 36. Produtos e trabalhos em curso
27. Matérias-primas, mercadorias e outros 37. Activos biológicos
materiais em trânsito 38. Reclassificação e regularização de
28. Adiantamentos por conta de compras inventários e activos biológicos
29. Provisão para depreciação de existências 39. Adiantamentos por conta de compras
Fonte: PGCA e SNC

O PGCA evidencia a conta “29 Provisões para depreciação de existências” com as suas
subcontas, que segundo Magro et al (2008 p. 437) “os ajustamentos para o valor
realizável líquido, devem ser reconhecidos através da criação de uma provisão, excepto
nos casos em que o custo tenha sido medido e reconhecido pelos seguintes critérios de
reconhecimento: Método do retalho, método realizável líquido e valor realizável líquido
deduzido de uma margem normal de lucro”.
A tabela 8 apresenta a estrutura das contas de dívidas a pagar e a receber. A conta “34
Estado” do PGCA, corresponde á conta “24 Estado e outros entes públicos”, no SNC, o
imposto de produção e consumo é equivalente ao imposto do valor acrescentado (IVA)
do SNC. Porém o PGCA não apresenta mecanismos de dedução do IVA, uma vez que,

2
Activos biológicos são animais e plantas vivas, usadas como existências ou bens de
investimento necessário para produzir culturas agrícolas.

21
a tributação das transmissões de bens/ serviços é feita por si só, não se verificando a
tributação do valor acrescentado, sendo este verificado apenas de forma cumulativa, no
sentido de todos os intervenientes na cadeia de consumo do bem/ serviço pagarem
efectivamente o imposto devido.
A conta “35 Entidades participantes e participadas” do PGCA corresponde á conta „‟26
Accionistas/sócios” do SNC. O PGCA apresenta o desdobramento das contas, ao
contrário do SNC que não apresenta subcontas.

22
Tabela 8 Comparação da classe 3 (PGCA) com a classe 2 (SNC)

Classe 3 (PGCA) Classe 2 (SNC)


Terceiros Contas a Receber e a Pagar
31. Clientes 21. Clientes
32. Fornecedores 22. Fornecedores
33. Empréstimos 23. Pessoal
34. Estado 24. Estado e outros entes públicos
35. Entidades participantes e participadas 25. Financiamentos obtidos
36. Pessoal 26. Accionistas/sócios
37. Outros valores a receber e a pagar 27. Outras contas a receber e a pagar
38. Provisões para cobranças duvidosas 28. Diferimentos
39. Provisões para outros riscos e encargos 29. Provisões
Fonte: PGCA e SNC

A conta „‟38 Provisões para cobranças duvidosas” do PGCA destina-se essencialmente


a registar as perdas associadas a riscos de cobrança das dívidas de Terceiros, para que
estas sejam apresentadas pelo seu Valor Realizável Líquido, se este for inferior ao seu
Valor de Registo Inicial (corrigido, eventualmente, para efeitos das diferenças de
câmbio). No SNC, esta perda de valor é reconhecida numa subconta clientes ou outro
devedores
A conta “39 Provisões para outros riscos e encargos”, tem como finalidade registar as
perdas previsíveis associadas a riscos de natureza específica e provável e corresponde a
conta 29 do SNC.
Tabela 9 Comparação da classe 4 (PGCA) com a Classe 1 (SNC)

Classe 4 (PGCA) Classe 1 (SNC)


Meios Monetários Meios Financeiros Líquidos
41. Títulos negociáveis 11. Caixa
42. Depósitos a prazo 12. Depósitos a ordem
43. Depósitos a ordem 13. Outros depósitos bancários
44. Outros depósitos 14. Outros instrumentos financeiros
45. Caixa
46. ……………………….
47. …………………….
48. Conta transitória
49. Provisões para aplicações de tesouraria
Fonte: PGCA e SNC

23
Com base na tabela 9 podemos observar que o PGCA apresenta a conta “41 Títulos
negociáveis” que no SNC corresponde á conta “14 Outros instrumentos financeiros”
(tabela 8).
A conta “42 Depósitos a prazo” no PGCA encontra-se desdobrada em subcontas,
destinando-se estas para a moeda estrangeira e para a moeda nacional, atendendo aos
diferentes bancos. Esta conta não tem correspondência directa no SNC, no entanto, no
caso de necessidade será reconhecida na conta “13 Outros depósitos bancários”.
No SNC a conta “11 Caixa” não apresenta subcontas, ao contrário do PGCA.
A conta “48 Conta transitória” do PGCA destina-se a registar os meios monetários que
já não se encontram em Depósitos à Ordem, uma vez que foi solicitada à sua
transferência para uma entidade, a qual ainda não obteve confirmação da efectivação da
operação.
A conta “49 Provisões para aplicações de tesouraria”, segundo Magro et al (2008, p.
458) “destina-se a registar a diferença entre o custo de aquisição e o preço de mercado,
das aplicações de tesouraria, quando este for inferior àquele”.
Relativamente à Classe 5, não existem diferenças significativas entre os dois normativos
(tabela 10).
A conta “54 Prestações suplementares” do PGCA, utiliza-se para registar as prestações
de capital. Esta conta não se encontra evidenciada no SNC, assim será utilizada a conta,
“53 Outros instrumentos de capital próprio” do SNC.
Tabela 10 Comparação da classe 5 (PGCA) com a classe 5 (SNC)

Classe 5 (PGCA) Classe 5 (SNC)


Capital e Reservas Capita, Reservas e Resultados Transitados
51. Capital 51. Capital
52. Acções/quotas próprias 52. Acções (quotas) próprias
53. Prémios de emissão 53. Outros instrumentos de capital próprio
54. Prestações suplementares 54. Prémios de emissão
55. Reservas legais 55. Reservas
56. Reservas de reavaliação 56. Resultados transitados
57. Reservas com fins especiais 57. Ajustamentos em activos financeiros
58. Reservas livres 58. Excedentes de revalorização de activos
59. ………………………. fixos tangíveis e intangíveis
59. Outras variações no capital próprio
Fonte: PGCA e SNC

24
A conta “55 Reservas legais” do PGCA, destina-se a registar as reservas que são
constituídas por imposição legal, devendo ser subdividida, consoante as necessidades,
tendo em vista a legislação que lhes é aplicável.
O PGCA também contempla a conta “56 Reservas de reavaliação” que no SNC
corresponde à conta “58 Excedentes de revalorização de activos fixos tangíveis e
intangíveis”.
A conta “57 Reservas com fins especiais” terá como finalidade o registo de reservas
afectas a um determinado fim específico e a conta “58 Reservas livres” regista as
reservas que não estão vinculadas a nenhum objectivo específico.
A conta “ 57 Ajustamentos em activos financeiros” do SNC evidencia os ajustamentos
decorrentes da utilização do método da equivalência patrimonial em subsidiárias,
associadas e entidades conjuntamente controladas e a conta “59 Outras variações no
capital próprio” é uma conta utilizada para reconhecer as quantias provenientes de
outras variações no capital próprio que não tenham enquadramento nas outras contas da
classe 5. Estas contas não estão previstas no PGCA.
Relativamente à classe 6 (tabela 11), as principais diferenças registam-se ao nível da
terminologia e a inexistência de ganhos extraordinários no SNC.
O PGCA apresenta a subconta “ 64.9 Transferência para resultados operacionais” que
não consta no SNC.

Tabela 11 Comparação da classe 6 (PGCA) com a classe 7 (SNC)

Classe 6 (PGCA) Classe 7 (SNC)


Proveitos e ganhos por Natureza Rendimentos
61. Vendas 71. Vendas
62. Prestações de serviço 72. Prestações de serviços
63. Outros proveitos operacionais 73. Variações nos inventários da produção
64. Variação nos inventários de produtos 74. Trabalhos para a própria entidade
acabados e de produção em curso 75. Subsídios à exploração
65. Trabalhos para a própria empresa 76. Reversões
66. Proveitos e ganhos financeiros gerais 77. Ganhos por aumentos de justo valor
67. Proveitos e ganhos financeiros em filiais e 78. Outros rendimentos e ganhos
associadas 79. Juros, dividendos e outros rendimentos
68. Outros proveitos não operacionais similares
69. Proveitos e ganhos extraordinários
Fonte: PGCA e SNC

25
Segue-se a tabela 12 com a seguinte comparação:
Tabela 12 Comparação da classe 7 (PGCA) com a classe 6 (SNC)

Classe 7 (PGCA) Classe 6 (SNC)


Custos e Perdas por Natureza Gastos
71. Custo das mercadorias vendidas e das 61. Custo das mercadorias vendidas e das
matérias consumidas matérias consumidas
72. Custos com o pessoal 62. Fornecimentos e serviços externos
73. Amortizações do exercício 63. Gastos com o pessoal
74. ………………………….. 64. Gastos de depreciação e de amortização
75. Outros custos e perdas operacionais 65. Perdas por imparidade
76. Custos e perdas financeiros em filiais e 66. Perdas por reduções de justo valor
associadas 67. Provisões do período
77. Custos e perdas financeiros em filiais e 68. Outros gastos e perdas
associadas 69. Gastos e perdas de financiamento
78. Outros custos e perdas não operacionais
79 Custos e perdas extraordinárias
Fonte: PGCA e SNC

Pela tabela 12, podemos constatar que, a conta “62 Fornecimentos e serviços externos
“do SNC corresponde no PGCA á conta “75.2 Fornecimentos e serviços de terceiros”
sendo esta uma subconta da conta “75 Outros custos e perdas operacionais”.
A conta “73 Amortizações” do PGCA, destina-se a registar as amortizações do
imobilizado corpóreo e incorpóreo atribuível ao exercício. Corresponde a conta “64
Gastos de depreciação e de amortização”. A diferença está na terminologia, e no facto
do PGCA apresentar subcontas para o imobilizado corpóreo e incorpóreo
respectivamente.

A conta “76 Custos e Perdas Financeiros gerais” do PGCA trata dos movimentos que
dizem respeito a toda actividade de financiamento, bem como às perdas que a entidade
suporta com a actividade operacional e de investimento. Esta conta no SNC corresponde
á conta “69 Gastos e perdas de financiamento” abarcando somente as operações de
financiamento.
A semelhança dos ganhos, também não está prevista uma conta para perdas
extraordinárias no SNC.
As contas “ 65 perdas por imparidade” e a conta “66 Perdas por redução de justo valor”
não se encontram previstas no PGCA.

26
Relativamente a classe 8, verificou-se o seguinte:

Tabela 13 Comparação da classe 8 (PGCA) com a classe 8 (SNC)

Classe 8 (PGCA) Classe 8 (SNC)


Resultados Resultados
81. Resultados transitados 81. Resultado líquido do período
82. Resultados operacionais 89. Dividendos antecipados
83. Resultados financeiros
84. Resultados em filiais e associadas
85. Resultados não operacionais
86. Resultados extraordinários
87. Impostos sobre os lucros
88. Resultado líquido do exercício
89. Dividendos antecipados
Fonte: PGCA e SNC

Relativamente à classe 8 (tabela 13), o PGCA apresenta um maior número de contas


que no SNC, uma vez que descrimina o resultado da empresa por natureza e áreas de
actividade: área operacional, financeira, etc.
O SNC não tem previsto esta distinção limitando-se a observar o resultado como um
todo.
Para empresas industriais uma variável de interesse é a variável nos inventários de
produção. No SNC foi criada uma conta para o registo desse valor: a conta “73
variações nos inventários de produção”. O PGCA não prevê essa conta e o valor da
variação da produção é registado directamente como um resultado operacional sem
passar pela classe de proveitos, mas concretamente na conta “82 Resultados
operacionais”
A conta “83 Resultados financeiros” e a conta “86 Resultados extraordinários” do
PGCA não têm correspondência no SNC, uma vez que o conceito de “financeiro” e
“extraordinário” não existe no SNC, sendo assim estas contas perderam o conteúdo e
significado.
O SNC não faz o apuramento dos Resultados Operacionais, Resultados Financeiros,
Resultados Correntes e Resultados Extraordinários. O Resultado Líquido é apurado na
conta “81 Resultado líquida do período”.

27
4.3. As Demonstrações Financeiras
As Demonstrações Financeiras têm como objectivo proporcionar informação pertinente
que traduza a posição financeira, o desempenho financeiro e dos fluxos de caixa de uma
entidade que seja útil a uma vasta gama de utentes na tomada de decisões económicas.
As Demonstrações Financeiras evidenciam os comportamentos financeiros das
transacções e de outros acontecimentos ao agrupá-los em grandes classes de acordo com
as suas características económicas. Estas grandes classes são constituídas pelos
elementos das Demonstrações Financeiras (Rodrigues, 2009).
Quer o referencial contabilístico Português como o Angolano devem apresentar nos
modelos das Demonstrações Financeiras a moeda em vigor, que em Portugal é o Euro e
Angola o Kwanza. A tabela 14 apresenta as Demonstrações Financeiras de ambos os
países.

O SNC apresenta uma diferença estrutural no que respeita às Demonstrações


Financeiras. A Portaria Nº. 986/2009 de 7 de Setembro prevê a criação de
Demonstrações Financeiras para dois tipos de empresas: Grandes Empresas e Pequenas
Empresas, no entanto esta distinção não se encontram previstas no PGCA, que
apresenta um modelo único para todo o tipo de entidade.
Tabela 14 Comparação das demonstrações financeiras

PGCA SNC
Balanço Balanço
Demonstração de Resultados por funções e Demonstração de Resultados, sendo
por natureza obrigatório a elaboração da DR por natureza e
facultativo a elaboração da DR por funções
N/A Demonstração das Alterações no Capital
Próprio
Demonstração de fluxos de caixa (método Demonstração de Fluxos de Caixa, sendo
directo e indirecto) necessário a aplicação apenas do método
directo
Notas às contas Anexo
Fonte: Elaboração Própria

4.3.1. O Balanço
Nabais e Nabais (2010, p. 64), cita que o Balanço “É um quadro que contém informação
referente a determinada data, acerca dos recursos (Activo) que a empresa utiliza e da

28
forma como estão a ser financiados pelos titulares da empresa (Capital próprio) e por
terceiros (Passivo). O Balanço deve evidenciar as contas que são movimentadas na
razão e nos diários de caixa, clientes, fornecedores e outros”.
A elaboração do balanço é obrigatória para Angola e para Portugal.

O Balanço no PGCA apresenta as rubricas do activo organizadas pelo grau decrescente


de disponibilidade e do passivo pelo grau crescente de exigibilidade.
No SNC o activo apresenta-se pela ordem crescente de liquidez e o passivo por ordem
crescente de exigibilidade.
O SNC apresenta vários modelos de balanço: um mais desenvolvido e destinado a
empresas de maior dimensão e consolidadas (Grandes Empresas), onde as rubricas do
património apresentam maior descriminação, e no outro menos desenvolvido destinado
a empresas de menor dimensão (Pequenas e Médias Empresas) onde as mesmas rubricas
apresentam uma descriminação mais reduzida.
O capital próprio no PGCA apresenta 4 itens apenas, contrariamente ao SNC que
apresenta uma gama de informação mais vasta. O mesmo acontece com o Passivo não
corrente.

4.3.2. Demonstração de Resultados


A Demonstração dos resultados visa proporcionar informação que reflicta o
desempenho de uma entidade, permitindo conhecer os rendimentos e gastos da entidade,
para um determinado período.

4.3.2.1. Demonstração de Resultados por Natureza


De acordo com Nabais et al, (2010, p. 70), “A Demonstração de Resultados por
natureza é um quadro que contém informação reportada a um determinado período que
medeia entre dois balanços”.
Aquando a realização deste trabalho, constatei que a Demonstração de Resultados por
natureza do PGCA segue basicamente a mesma estrutura que o modelo do SNC. No
entanto na Demonstração por natureza do PGCA verifica-se ainda o conceito de
Resultados Extraordinários (Resultados não Operacionais), não existindo esses
conceitos no SNC.
A Demonstração de Resultados por natureza em Angola é obrigatória e na
impossibilidade de ser apresentada, é possível elaborar a Demonstração de Resultados

29
por funções (em sua substituição), no entanto em Portugal as empresas podem optar por
uma delas.

4.3.2.2 Demonstração de Resultados por Funções


Atendendo a Soares (2010, p. 48), “A apresentação dos resultados é feita como o
método da função do gasto, classificando os gastos de acordo com a sua função como
parte do custo das vendas, de distribuição ou de administração. É uma fonte de
informações mais pormenorizada do que a demonstração de resultados por natureza”.
Os dois mapas não apresentam diferenças significativas entre si. A única diferença
passa pela não contemplação dos resultados extraordinários no modelo do SNC à
semelhança do que já acontecia na demonstração de resultados por natureza.
A sua elaboração tanto em Angola como em Portugal tem natureza facultativa.

4.3.3 Demonstrações de Fluxos de Caixa


A Demonstração dos Fluxos de Caixa deve servir para controlar os fluxos (entradas e
saídas) de caixa durante o período, classificados por actividades operacionais, de
investimento e de financiamento.
Os dois normativos propõem a mesma estrutura das demonstrações de fluxos de caixa,
bem como o método para a sua elaboração, no caso do SNC é utilizado apenas o método
directo, o PGCA utiliza os dois métodos. De acordo com a NCRF 1 do SNC as
Demonstrações de Fluxos de Caixa um mapa obrigatório que deve ser apresentado no
conjunto das demonstrações financeiras, ao passo que em Angola, o PGCA estipula que
se trata de um mapa facultativo, recomendando-se a sua preparação sempre que a
entidade disponha de meios necessários. No entanto, em Portugal, as pequenas
entidades estão dispensadas de apresentar as Demonstrações de Fluxos de Caixa.

4.3.4 Demonstração das alterações no Capital Próprio


Este modelo encontra-se previsto apenas no SNC, o PGCA não contempla este modelo.
As entidades, que legalmente se vêm obrigadas a apresentar a Demonstração das
alterações devem utilizar o método directo. As pequenas entidades estão dispensadas de
apresentar este modelo.
Este modelo explica todas as alterações ocorridas na composição do capital próprio e
das suas rubricas, em cada período, ou seja, divulga as alterações do capital próprio de
uma entidade entre duas datas do balanço.

30
De acordo a NCRF1, esta demonstração introduz o conceito de resultado integral, que
consiste na soma do resultado líquido do período com todas as alterações que ocorreram
no capital próprio e que não estão relacionados directamente com os detentores de
capital da empresa. Dá assim outro tipo de noção de resultado. O resultado integral é
mais abrangente que o resultado liquido, pois também tem em conta a contribuição de
outros factores (mudanças de políticas contabilísticas, realização de excedentes de
revalorização, etc.) para a formação de resultados.

4.4. Demonstrações financeiras consolidadas


No que respeita à consolidação de contas que faz parte da alínea d) do ponto 1.4.2
Exclusões temporárias, do PGCA, esta é opcional, no entanto deveria ser obrigatória,
com regras próprias tendo presente a nova Lei de Bases do Investimento Privado (Lei
nº. 11/03, de 13 de Maio aprovada na Assembleia Nacional). A Lei anteriormente
enunciada, visa criar igualdade de oportunidades para todos os operadores económicos,
quer nacionais, quer estrangeiros. Simultaneamente foi aprovada a Lei 17/03 de 25 de
Julho denominada, Lei sobre os Incentivos Fiscais e Aduaneiros ao Investimento
Privado.
A Lei do Investimento Privado define o estatuto do investimento privado, prevendo que
todas as sociedades e empresas constituídas em Angola com a finalidade de obter
incentivos para a realização de investimento privado, ainda com capitais provenientes
do exterior, têm, para todos os efeitos legais, o estatuto de sociedade e empresas de
direito Angolano, sendo-lhes aplicável a lei comum Angolana

5. A Bolsa de Valores e Derivados, a Auditoria e a Ordem dos


Contabilistas e dos Peritos Contabilísticas em Angola
5.1. A Bolsa de Valores e Derivados de Angola
O mercado de capitais é um sistema de distribuição de valores mobiliários que permite
liquidez aos títulos de emissão de empresas que facilita liquidez aos títulos de emissão
de empresas e possibilita o processo de capitalização. É constituído pelas bolsas de
valores, sociedades correctoras e outras instituições financeiras autorizadas.
De acordo Borges, Rodrigues e Rodrigues, (2007, p.8), “Os mercados financeiros em
geral, e o mercado de capitais em particular, têm tido um papel essencial no
desenvolvimento económico e na evolução da actividade empresarial. A globalização da
economia é um dado adquirido, e neste contexto, a harmonização contabilística
31
internacional é crucial para ajudar a vencer os enormes obstáculos decorrentes da
necessidade de interpretar os diferentes formatos e critérios adoptados nos vários países;
desde logo, pela simples dificuldade em comparar a performance das alternativas de
aplicação dos fundos que possam estar disponíveis num determinado momento”.
No que respeita à importância de um mercado de capitais em Angola, a revista Valor
Acrescentado (2006), refere que, África é um continente sem tradição bolsista, apesar
de já existirem vários mercados, sendo o principal, o de Joanesburgo, a história da bolsa
mostra-nos que os países anglo-saxónicos, têm mais propensão para este tipo de
mercado e são os que têm maior peso a nível de volume bolsista e valor de mercado. No
caso de Angola é necessário que as empresas, que muitos dizem descapitalizadas,
tenham dirigentes capazes, no sentido de se financiarem no Mercado de Capitais que vai
ser criado. É bom quer para as empresas quer para os investidores estrangeiros que
muitas vezes têm receio e dificuldade em encontrar parceiro certo em Angola.
O funcionamento da bolsa de valores em Angola permitirá promover uma melhor
cultura financeira, representando um avanço significativo no desenvolvimento e
modernização da estrutura empresarial e da economia.
A Bolsa de Valores e Derivados de Angola (BDVA) foi criada a 16 de Março, a sua
forma jurídica é de uma sociedade anónima de responsabilidade limitada, e está
constituída pelos seguintes subscritores: Sonangol, Empresa Nacional de Seguros de
Angola (ENSA), Porto de Luanda, Fundo de Desenvolvimento do Estado, Banco
Africano de Investimento (BAI), Banco BIC, Banco de Fomento de Angola (BFA),
Millennium BCP, Banco Espírito Santo de Angola (BESA), SISTEC, Grupo António
Mosquito, Chicoil.
Actualmente e apesar de o país se encontrar num clima de estabilidade política e
económica, a abertura da Bolsa de Valores, está condicionada a um conjunto de factores
tais como a situação comercial, empresarial e jurídica do país. Pretende-se começar por
explorar o Mercado Secundário de Títulos, que facilitará as empresas públicas mais
robustas.
A Comissão de Mercado de Capitais (CMC) é uma entidade de Direito Público, criada
pelo Decreto 9/05 de 18 de Março de 2005 tendo como objectivo, entre outra, a
promoção do mercado de capitais e a regulação, supervisão e fiscalização do mercado e
todos os seus agentes.
A CMC está sob tutela do Ministério das Finanças, é um órgão de supervisão de
capitais, dotado de personalidade jurídica e autonomia administrativa, financeira e

32
patrimonial, que se rege pela lei dos valores mobiliários e por estatuto interno. O
objectivo da criação desta estrutura consiste na modernização do sistema financeiro,
tendo em linha de conta a actualização da legislação económica.
A CMC no desempenho das suas funções tem a responsabilidade de autorizar o
funcionamento da Bolsa de Valores e aprovar os regulamentos internos dos centros de
transacção de valores imobiliários e de outras entidades intervenientes nessa actividade
financeira. O CMC, permitirá ainda supervisionar alguns fundos de algumas instituições
financeiras não bancárias como Fundos de Investimentos Imobiliário que têm estado a
actuar no mercado sem qualquer supervisão ou sujeição a regulação
Com o funcionamento da Bolsa de Valores num futuro breve, torna-se imperativo que
as empresas organizem a sua contabilidade atendendo a necessidade de terem as suas
contas publicadas e também auditadas por auditores independentes, dando deste modo,
credibilidade as demonstrações financeiras das empresas.
Os seus subscritores deverão cumprir com o que está instituído pela Lei das Sociedades
Comerciais e pelos seus estatutos.
O Decreto nº 38/00 de 06 de Outubro do ano 2000, determina a obrigatoriedade de
apresentação de Demonstrações Financeiras anuais, auditadas por um perito
contabilista, inscrito na entidade que representa os Contabilistas e Peritos de
Contabilidade. A obrigatoriedade, abrange as seguintes entidades:
Empresas públicas ou mistas constituídas sob qualquer forma jurídica;
Constituídas sob a forma jurídica de sociedade anónimas;
Constituídas sob a forma jurídica de sociedades por quotas que tenham Conselho
Fiscal
Constituídas sob forma de sociedade por quotas que não tenham Conselho Fiscal
e que à data do encerramento das contas, a soma do activo bruto e dos proveitos
totais seja igual ou superior a 6.000.000.00 Kz
Constituída no âmbito de projectos de investimento estrangeiro;
Que se encontrarem a operar no território nacional ao abrigo do regime tributário
ou cambial especial;
Sujeitas à elaboração de demonstrações financeiras nos termos definidos nos
planos de contabilidade sectoriais e específicos.

33
Existe também como suporte, a Lei da Contabilidade e Auditoria (LCA), Plano de
Contas Empresarial (PCE), o Dossier das Normas de Contabilidade, a Lei das
Sociedades Comerciais (LSC), e a Lei dos Valores Mobiliários (LVM).
Os gestores de empresas angolanas devem optar por uma gestão transparente e fiável
proporcionando informação que reflicta o bom funcionamento das empresas, de acordo
Makumbani, (2009), „‟é comum ouvir falar sobre a auditoria, como resultado do
crescimento económico que Angola tem registado. As empresas vêem-se obrigadas a
justificar a forma como gerem os seus bens, direitos e obrigações. A grande
preocupação prende-se com as empresas angolanas, que ao contrário das estrangeiras
não se preocupam em contratar estes serviços. As empresas estrangeiras não
reconhecem o papel crucial que os Auditores podem exercer na gestão dos seus
patrimónios. Com a exigência legal actual do estado, muitas empresas vêem-se
obrigadas a procurar estes serviços, mas como mero cumprimento da presente
exigência”.

5.2. A Auditoria em Angola


Os gestores de empresas angolanas devem optar por uma gestão transparente e fiável
proporcionando informação que reflicta o bom funcionamento das empresas, de acordo
Makumbani, (2009, p. 10), „‟é comum ouvir falar sobre a auditoria, como resultado do
crescimento económico que Angola tem registado. As empresas vêem-se obrigadas a
justificar a forma como gerem os seus bens, direitos e obrigações. A grande
preocupação prende-se com as empresas angolanas, que ao contrário das estrangeiras
não se preocupam em contratar estes serviços. As empresas estrangeiras não
reconhecem o papel crucial que os Auditores podem exercer na gestão dos seus
patrimónios. Com a exigência legal actual do estado, muitas empresas vêem-se
obrigadas a procurar estes serviços, mas como mero cumprimento da presente
exigência”.
A auditoria em Angola tem a sua história ligada a Portugal, devido ao longo período de
colonização, e enquanto colónia portuguesa se viu submetida a uma administração
directa, as decisões tomadas em Portugal eram vinculativas para Angola.
Em 1991 implementou-se a Democracia, verificando-se mudanças ao nível económico
como a privatização de empresas públicas, ficando muitas delas com capital misto. O
estado assumiu o papel de regulador das actividades económicas, surgiram novas

34
perspectivas, como a abertura para o investimento estrangeiro. Esta fase foi muito
importante para a certificação de contas.
Ainda em 1991, o FMI (Fundo Monetário Internacional) exigiu que as contas das
empresas públicas fossem auditadas, devido ao empréstimo bancário que concedeu ao
país, o que ajudou a impulsionar a auditoria externa do país. A partir dessa data a
Sonangol e o BNA começaram a ter as suas contas auditadas por empresas como a Price
Waterhouse & Coopers e a Ernest & Young.
Em 2002, a paz foi alcançada verificando-se estabilidade económica. Com o
crescimento da economia várias empresas de auditoria têm se instalado em Angola,
atraídas pelas oportunidades de negócios que o país oferece. Existe um conjunto de
empresas a operar tais como: KPMG; Auditores e Consultores, SA; Price Waterhouse &
Coopers (Angola), Lda; Ernest & Young Angola, Lda; Delloite Angola; BDO -
Auditangol Auditoria; Impostos e Consultoria, Lda; Siaron; Diepard; Auren Angola-
Auditores, Acessores e Consultores; Planiconta, Lda; Audiconta, Auditores e
Consultores, Lda e a Gaconta.

5.3. A Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola


Também a Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola, deve assumir um
papel muito relevante para o funcionamento da bolsa de valores e de um sistema
contabilístico com padrões internacionais.
Segundo o Estatuto da Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas, capítulo 1 art. 1,
“A Ordem dos Contabilistas e dos Peritos de Angola, é uma pessoa colectiva de Direito
Público, de âmbito nacional dotada de personalidade jurídica e autonomia
administrativa, financeira e patrimonial, à qual compete representar e defender os
interesses profissionais dos seus membros e a dignidade e prestígio da função, bem
como, superintender em todos os aspectos relacionados com o exercício da profissão”.
O pleno de funcionamento da Ordem dos Contabilistas e Peritos de Angola, assim
como, a atitude ética por parte dos profissionais de contabilidade, com mecanismos
adequados de regulação e supervisão os quais visam garantirem o profissionalismo e a
competência, são fundamentais para um sistema contabilístico angolano coeso.

6. Sugestões
Os organismos internacionais têm dinamizado várias iniciativas com o intuito de
promover a Harmonização Internacional. Nesse contexto, é de salientar a importância
35
de uma entidade competente, cuja tarefa consiste na criação de uma estrutura conceptual
bem como a emissão de normas à semelhança daquilo que já existe em Portugal e nos
países europeus. Sendo assim julgo ser necessário a criação de uma entidade
centralizadora que tenha como tarefa a harmonização contabilística de Angola, bem
como, toda uma estrutura de base para os conceitos que sirvam de apoio a prática
contabilística angolana.
Segundo Magro na revista Valor Acrescentado (2006, p.17), “muita coisa tem que ser
feita em Angola, a nível de formação e ensino e afins, como é importante a criação de
um organismo competente, que poder-se-á chamar-se Comissão de Normalização
Contabilística (CNC), para acompanhar e/ou adaptar o PGCA à nova realidade
contabilística mundial. A dita Comissão de Normalização Contabilística, para além da
reestruturação/criação de um plano de contabilidade, que entendemos ser urgente, pelas
razões já referidas, deve também, criar Directrizes Contabilísticas que sirvam de suporte
ao referido plano”.
A criação de sites é muito importante, permitindo conhecer todos os trabalhos que se
efectuem no domínio da contabilidade assim como a divulgação de matérias
relacionadas com contabilidade e auditoria bem como a respectiva legislação.
A estrutura empresarial Angolana encontra-se debilitada. No entanto tendo em conta o
crescimento da economia, registado nos últimos anos e a crescente concorrência
internacional, torna-se necessário modernizar as práticas de gestão, para fazer face as
exigências do mercado. O funcionamento da BVDA permitirá que se crie melhor
cultura financeira por parte dos gestores e investidores. Do mesmo modo, deverá sofrer
transformações, aperfeiçoando os seus métodos e ferramentas de gestão, como é o caso
da função de auditoria interna que actua como um instrumento para diagnosticar
anomalias nas entidades, nomeadamente detecção de erros, fraudes, actos ilegais,
desempenho das actividades, ameaças a eficácia e eficiência das entidades.
Os gestores devem optar pela contabilidade organizada e uma gestão transparente e
fiável, para que a informação proporcionada reflicta o funcionamento das empresas e a
sua situação económica e financeira.
À semelhança do que se fez em Portugal com a implementação do SNC é conveniente
que sejam feitos diversos estudos em Angola para avaliar as vantagens e desvantagens
da criação de uma estrutura conceptual, adaptada à realidade angolana, uma vez que se
trata de uma realidade diferente de Portugal.

36
É contudo, visível a forma como o país está crescer, e é com base nessa evolução
progressiva que se deve pensar efectivamente na aplicação correcta das normas
internacionais, tendo em consideração, a forma adequada de como adapta-las a
realidade contabilística e empresarial do país, atendendo ao facto de que cada pais difere
dos demais, quanto a situação política, económica, cultural, etc.
A implementação de procedimentos administrativos, financeiros e contabilísticos,
evitará a ocorrência de fraudes, proporcionando melhor gestão das empresas.
É importante que os grupos empresariais angolanos se desenvolvam visando conquistar
posições de relevo nas diversas áreas da economia. A concentração de actividades
empresariais e/ou consolidação de contas, deveria ser obrigatório, uma vez que a Lei do
Investimento Privado em Angola permite a criação de filiais.
O PGCA está desfasado face a evolução económica que o país tem registado nos
últimos anos, mostrando-se insuficiente face necessidade de maiores exigências de
análise/ informação financeira, nessa perspectiva é necessário que se faça revisão
técnica. Angola deve também acompanhar a evolução contabilística. Passado alguns
anos, é necessário que se façam actualizações, pois ainda hoje existem situações
temporárias no PGCA.
De facto o PGCA apresenta suspensões e exclusões temporárias. No âmbito das
suspensões temporárias temos:
A Demonstração de Fluxos de caixa não tem carácter obrigatório, a menos que
empresa disponha de meios necessários para a sua elaboração;
Os impostos diferidos estão também suspensos de obrigatoriedade;
No âmbito das exclusões temporárias a Revista Valor Acrescentado (2006, p. 16) faz a
seguinte análise:
“A contabilização das locações é opcional, é perfeitamente compreensível esta exclusão,
pois a locação financeira e operacional ainda não se faz sentir na sua plenitude em
Angola, todavia, é de realçar a importância de que o mesmo se reveste face ao
desenvolvimento se tivermos em consideração a concorrência daí resultante com a
banca em termos de condições de financiamento”.
A terminologia utilizada no PGCA não se encontra em conformidade com as normas
internacionais, sendo necessário efectuar a respectiva adaptação, o que permitirá uma
melhor interpretação.
A criação de um conceito de imparidade facilitará a distinção entre várias situações que
no PGCA não se encontram muito bem definidas.
37
É conveniente tal como no SNC que se crie no PGCA dois tipos de modelos para as
Demonstrações Financeiras: Uma para as grandes empresas e outro para as pequenas e
médias empresas.
Relativamente aos objectivos das Demonstrações Financeiras em Angola, o PGCA no
seu ponto 2, determina que as mesmas proporcionam aos seus utilizadores informação
de apoio à tomada de decisões, acerca da posição financeira, do desempenho e
alterações na posição financeira de uma entidade, nessa óptica as demonstrações
financeiras relatam a informação financeira apenas, excluindo a informação não
financeira acerca de acontecimentos passados.
O PGCA deveria contemplar o princípio da prudência, que de acordo com Magro da
revista Valor acrescentado, (2006, p. 14), “Tal princípio devia estar inserto no PGCA,
devido ao risco que as operações de crédito e outras de natureza exógena estão sujeitas
em geral, e, em particular, em Angola que ainda é considerado um País de risco devido
à falta de infra-estruturas, meios de comunicação nomeadamente terrestres tudo isto
fruto da paz estar radicada num passado muito recente”.
Torna-se cada vez mais importante que se comece a pensar em organizar e actualizar a
estrutura do sistema contabilístico Angolano tornando-o, mais eficaz, capaz de
responder as exigências de uma economia cada vez mais competitiva e exigente.
No âmbito do processo de reestruturação e implementação do PGCA adaptado as
práticas internacionais é necessário que se tenha em linha de conta, os custos a ele
inerentes, tais como:
Formação de profissionais de elevada qualidade na área de contabilidade e a
realização de programas e actividades direccionadas a complementar e aplicar os
conhecimentos académicos.
Custos de natureza informática e tecnológica.
Custos com a criação de infra-estruturas.
O funcionamento da bolsa de valores em Angola proporcionará uma grande dinâmica na
perspectiva empresarial. Contudo, a sua abertura está condicionada a um conjunto de
factores endógenos e exógenos, sendo de considerar em relação aos primeiros, a
situação comercial, empresarial e jurídica como acima foi referido, portanto, as
empresas devem reunir um conjunto de requisitos capazes de responder a complexidade
dos negócios e a necessidade de que a informação financeira garanta a comparabilidade,
compreensibilidade, relevância e fiabilidade, assegurando por sua vez a transparência
dos mercados, e em relação aos segundos, a importância da normalização contabilística
38
internacional e a crise financeira. È de referir que numa primeira fase, Angola pensa
apenas funcionar com o mercado de capitais, trabalhando no sentido de se criar
condições para que o funcionamento da bolsa de valores seja um facto nos próximos
anos.
O funcionamento da bolsa de valores proporcionará financiamento e a possibilidade de
fonte de capital, vendas de acções para obter dinheiro, (dá maior dinâmica as empresa
dando oportunidade de negócios através do acesso directo a fundos públicos). Por outro
lado também permitirá a diversificação de produtos financeiros oferecendo
oportunidades de aplicação de poupanças, sendo também um meio de acesso ao
investimento directo.
O papel da auditoria representa uma peça fundamental na gestão das empresas evitando
a ocorrência de riscos que possam afectar o funcionamento das actividades, e
transmitindo para o exterior a imagem da empresa, oferecendo confiança aos utentes da
informação financeira. Por exemplo, o parecer de uma auditoria permite viabilizar
empréstimos bancários. No caso das empresas que pagam impostos o parecer de
auditoria é uma exigência da administração fiscal, quando se faz a publicação de contas
o parecer da auditoria é um dos requisitos exigidos pela lei.
A importância da Auditoria deve ser mais divulgada para que a camada empresarial
angolana tenha consciência das vantagens que se pode obter dela, desenvolvendo-se a
cultura da contratação deste tipo de serviço e por outro lado adoptar o sistema de
publicar as suas demonstrações financeiras, encarando esta prática como um
instrumento fundamental para a gestão da empresa e ao mesmo tempo passando uma
imagem de confiança da empresa para os utilizadores da informação financeira.
Os responsáveis pela criação da Ordem de Contabilistas e Peritos Contabilistas devem
ter em consideração o rigor nos critérios de admissão e selecção dos profissionais, que
devem ser devidamente habilitados tendo em conta, o grau de responsabilidade que
abarca a preparação das contas. Por outro lado é necessário que a Auditoria comece a
marcar presença, criando as suas raízes para ganhar a consistência que se impõe.

7. Conclusões
Apesar de Angola e Portugal serem dois países culturalmente muito próximos, ligados
pela mesma língua, existem diferenças significativas quanto a realidade política,
económica, social, sistema legal e cultural.

39
Relativamente a Portugal, o SNC apresenta-se como sendo um referencial que exige um
grau de conhecimento da actividade acerca da entidade muito elevado, dado o carácter
exigente de que se reveste, exigindo também informação mais detalhada em termos
quantitativos e qualitativos das empresas para que a elaboração das Demonstrações
Financeiras de acordo as normas internacionais, garanta maior transparência e
credibilidade sobre a informação financeira, proporcionando melhor comparabilidade
das empresas, permitindo ainda satisfazer a demanda por parte dos investidores e as
exigências do mercado internacional.
Portugal dispõe de um sistema contabilístico com uma estrutura sólida, caracterizado
pelo seu aspecto teórico facilmente explicado pela sua Estrutura Conceptual.
Relativamente a Angola, apesar de ter vivido um período de guerra civil que destruiu o
país, o povo angolano encontra-se de mangas arregaçadas empenhado em recuperar o
atraso e em atingir os patamares mais altos do desenvolvimento económico, enfrentando
os desafios de um mundo globalizado e cada vez mais exigente. É nesse contexto que a
normalização contabilística em Angola acabará por se tornar um facto num futuro
próximo, uma vez que com o funcionamento da bolsa de valores essa necessidade se
tornará mais urgente assim como a existência de auditores credíveis para garantir a
veracidade da informação financeira.
Existe uma forte correlação entre a normalização contabilística, a auditoria e a bolsa de
valores. Assim, é necessário que se faça uma reformulação no PGCA através da criação
de uma comissão de normalização contabilística constituída por profissionais de
contabilidade cujo objectivo consistirá em adaptar o PGCA às normas internacionais de
contabilidade, não descurando que essa adaptação esteja adequada as características do
tecido empresarial angolano e a realidade económica e financeira do país. Devem ser
realizados estudos para que se construa um sistema contabilístico Angolano com uma
estrutura eficaz e congruente.
A função da auditoria assume um papel preponderante no seio das
organizações/empresas e da sociedade no geral, contribuindo para uma gestão eficaz,
uma vez que será cada vez maior a necessidade de informações atempadas e credíveis
para facilitar a tomada de decisões, num mundo em que as exigências de um mercado
competitivo são cada vez maiores.
Relativamente à bolsa de valores, com a sua abertura na economia Angolana, essa
ganhará uma nova dinâmica na “canalização” diversificada de poupanças, atracção do
investimento estrangeiro e fortalecimento do sector privado Angolano.

40
Na elaboração do trabalho, confrontei-me com algumas dificuldades, uma vez que
Angola como já fiz referência viveu um longo período de guerra que afectou
significativamente o funcionamento das suas instituições e, concomitantemente, seu
crescimento. Pelo facto, regista-se uma insuficiência de informação, existem estudos
relacionados com o tema, nem sites com informação relevante para que os resultados
deste trabalho fossem mais completos.
Não existem referências bibliográficas em quantidade para fazer face a necessidade da
informação do trabalho. Por outro lado, o não funcionamento da bolsa de valores
também dificultou que se fizesse uma análise acerca do desempenho e rendimento de
uma empresa que deveria estar cotada na bolsa de valores de Angola.

41
8. Bibliografia
Ball, Ray (2006), International Financial Reporting Standards (IFRS): Pros and
Cons For Investors, Accounting and Business Research, International Account-
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43
9. Anexos

Anexo 1 – Estrutura de Balanço de Acordo com o PGCA


Empresa ____________________________________________

Balanço em _________________________________________

Valores expressos em _________________________________

Designação Notas Exercícios


2XXX 2XXX-1
ACTIVO
Activos não correntes:
Imobilizações corpóreas 4
Imobilizações incorpóreas 5
Investimentos em subsidiárias e associadas 6
Outros activos financeiros 7
Outros activos não correntes 9
Activos Correntes
Existências 8
Contas a receber 9
Disponibilidades 10
Outros activos correntes 11
Total do activo
CAPITAL PRÓPRIO E PASSIVO
Capital próprio:
Capital 12
Reservas 13
Resultados 14
Resultados do exercício
Passivo não corrente:
Empréstimos de médio e longo prazo 15
Impostos diferidos 16
Provisões para pensões 17
Provisões para outros riscos e encargos 18
Outros passivos não correntes 19
Passivo corrente:
Contas a pagar 19
Empréstimos de curto 20
Parte cor. dos empréstimos a médio e longo prazo 15
Outros passivos correntes 21
Total do capital próprio e passivo

44
Anexo 2 – Estrutura da Demonstração de Resultados (Por Natueza) de
Acordo com o PGCA
Empresa ____________________________________________

Balanço em _________________________________________

Valores expressos em _________________________________

Designação Notas Exercícios


2XXX 2XXX-1
Vendas 22
Prestações de serviço 23
Outros proveitos operacionais 24
Variações nos produtos acabados e produtos em vias de fabrico 25
Trabalhos para a própria empresa 26
Custo das mercadorias vendidas e das matérias-primas e 27
subsidiárias consumidas
Custos com o pessoal 28
Amortizações 29
Outros custos e perdas operacionais 30
Resultados operacionais:
Resultados financeiros 31
Resultados de filiais e associadas 32
Resultados não operacionais 33
Resultados antes de impostos:
Imposto sobre o rendimento 35
Resultados líquidos das actividades correntes:
Resultados extraordinários 34
Imposto sobre o rendimento 35
Resultados líquidos do exercício

45
Anexo 3 – Estrutura da Demonstração de Resultados (Por Funções) de
Acordo com o PGCA
Empresa ____________________________________________

Balanço em _________________________________________

Valores expressos em _______________________________

Designação Notas Exercícios

2XXX 2XXX-1

Vendas 22

Prestações de serviço 23

Custo das vendas

Margem Bruta

Outros proveitos operacionais

Custos de distribuição

Custos administrativos

Outros custos e perdas operacionais

Resultados operacionais:

Resultados financeiros 31

Resultados de filiais e associadas 32

Resultados não operacionais 33

Resultados antes de impostos:

Imposto sobre o rendimento 35

Resultados líquidos das actividades correntes:

Resultados de operações em descontinuação ou


descontinuadas

Efeitos das alterações de políticas contabilísticas

Resultados extraordinários 34

Imposto sobre o rendimento 35

Resultados líquidos do exercício

46
Anexo 4 – Estrutura da Demonstração de Fluxos de Caixa (Método
Directo) de Acordo com o PGCA
Empresa ____________________________________________

Demonstração de Fluxos de Caixa para o Exercício findo em _________

Valores expressos em _______________________________

Designação Notas Exercícios


2XXX 2XXX-1
Fluxo de caixa das actividades operacionais:
Recebimentos (de caixa) de clientes
Pagamentos (de caixa) a fornecedores e empregados
Caixa gerada pelas operações:
Juros pagos:
Impostos s/os lucros pagos

Fluxos de caixa antes da rubrica extraordinária:


Caixa líquida proveniente das actividades operacionais
Fluxo de caixa das actividades de investimento:
Recebimentos provenientes de:
Imobilizações corpóreas
Imobilizações incorpóreas
Investimentos financeiros 45
Subsídios a investimento
Juros e proveitos similares
Dividendos ou lucros recebidos
Pagamentos respeitantes a:

Imobilizações corpóreas
Imobilizações incorpóreas
Investimentos financeiros 46
Fluxos de caixa antes da rubrica extraordinária:
Caixa líquida usada nas actividades de investimento
Fluxo de caixa das actividades de financiamento:
Recebimentos provenientes de:
Aumentos de capital, prestações suplementares e vendas de acções ou
quotas próprias
Cobertura de prejuízos
Empréstimos obtidos
Subsídios à exploração e doações

47
Anexo 4 – Estrutura da Demonstração de Fluxos de Caixa (Método
Directo) de Acordo com o PGCA

Pagamentos respeitantes a:
Reduções de capital e prestações Suplementares
Compras de acções ou quotas próprias
Dividendos ou lucros pagos
Empréstimos obtidos
Amortizações de contratos de locação financeira
Juros e custos similares pagos
Fluxos de caixa antes da rubrica extraordinária:
Caixa líquida usada nas actividades de financiamento
Aumento líquido de caixa e seus equivalentes
Caixa e seus equivalentes no início do período 43,47
Caixa e seus equivalentes no fim do período 43,47

48
Anexo 5 – Estrutura da Demonstração de Fluxos de Caixa (Método
Indirecto) de Acordo com o PGCA

Empresa ____________________________________________

Demonstração de Fluxos de Caixa para o Exercício findo em _________

Valores expressos em _______________________________

Designação Notas Exercícios


2XXX 2XXX-1

Fluxo de caixa das actividades operacionais:


Resultado líquido antes dos impostos e das rubricas
extraordinárias
Ajustamentos:
Depreciações
Amortizações
Ganhos na alienação de imobilizações
Perdas na alienação de imobilizações
Resultados financeiros
Resultados extraordinários
Resultados operacionais antes das alterações do capital circulante:
Aumento das existências
Diminuição das existências
Aument. das dívid. de terc. operac.
Dimin. das dívid. de terc. operac.
Aument. de outros activ. operac.
Dimin. de outros activos. operac.
Aumento das dívid. a terc. operac.
Dimin. das dívidas a terc. operac.
Aument. de outros passi. operac.
Dimin. de outros passiv. operac.
Caixa gerada proveniente das operações:
Juros pagos
Impostos s/os lucros pagos
Fluxo de caixa antes de resultados extraordinários:
Caixa líquida proveniente das actividades operacionais
Fluxo de caixa das actividades de investimento:
Recebimentos provenientes de:
Imobilizações corpóreas

49
Anexo 5 – Estrutura da Demonstração de Fluxos de Caixa (Método
Indirecto) de Acordo com o PGCA

Imobilizações incorpóreas
Investimentos financeiros
Subsídios a investimento
Juros e proveitos similares
Dividendos ou lucros recebidos
Pagamentos respeitantes a:
Imobilizações corpóreas
Imobilizações incorpóreas
Investimentos financeiros 46
Fluxos de caixa antes da rubrica extraordinária:
Caixa liquida usada nas actividades de investimento
Fluxo de caixa das actividades de financiamento:
Recebimentos provenientes de:
Aumentos de capital, prestações suplementares e prémios de
emissão
Vendas de acções ou quotas próprias
Cobertura de prejuízos
Empréstimos obtidos
Subsídios à exploração e doações 45
Pagamentos respeitantes a:
Reduções de capital e prest. suplement.
Compras de acções ou quotas próprias
Dividendos ou lucros pagos
Empréstimos obtidos
Amortiz. de contratos de locação finan.
Juros e custos similares pagos
Fluxos de caixa antes da rubrica extraordinária:
Caixa líquida usada nas actividades de financiamento

Aumento líquido de caixa e seus equivalentes


Caixa e seus equivalentes no inicio do período
Caixa e seus equivalentes no fim do período

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Common questions

Com tecnologia de IA

A principal vantagem da normalização contabilística em Angola é a maior comparabilidade, compreensibilidade e fiabilidade da informação financeira, que são fundamentais para atrair investidores e modernizar práticas empresariais . Os desafios incluem a necessidade de adaptar o PGCA às práticas internacionais, formar profissionais qualificados em contabilidade, e o alto custo associado a infraestruturas e tecnologia necessárias para essa transição .

Apesar das diferenças culturais, adotar uma normalização contabilística similar à de Portugal ajudaria Angola a assegurar maior transparência e credibilidade das informações financeiras. Isso atenderia aos padrões internacionais, atraindo investimentos estrangeiros e modernizando o mercado financeiro angolano .

No PGCA, a categoria 'Meios Monetários' é detalhada em contas como '41 Títulos negociáveis' e '42 Depósitos a prazo', com subcontas para diferentes moedas. Em contrapartida, o SNC possui uma estrutura menos granular, utilizando '13 Outros depósitos bancários' para o que seriam 'Depósitos a prazo' no PGCA. A conta '48 Conta transitória' no PGCA não tem uma contrapartida direta no SNC .

O funcionamento da bolsa de valores em Angola pode criar uma cultura financeira mais desenvolvida entre gestores e investidores, ao oferecer maior dinâmica ao mercado. Ele promove a transparência das empresas por meio de contabilidade organizada e auditoria rigorosa, e fornece acesso a capital público, diversificação de produtos financeiros, e oportunidades de investimento direto .

O SNC contempla uma conta específica para ativos biológicos, denominada '37 Ativos biológicos', enquanto no PGCA não existe uma conta diretamente correspondente. Os ativos biológicos são tratados na PGCA dentro das contas 21 a 27, que abrangem várias formas de existências. Portanto, embora ambos os sistemas reconheçam ativos biológicos, o SNC o faz de forma mais direta e especializada .

A modernização das práticas de gestão e contabilidade em Angola é motivada por fatores como o crescimento econômico recente, a necessidade de enfrentar a concorrência internacional, adaptar-se às exigências de um mercado globalizado, e assegurar a comparabilidade e transparência das demonstrações financeiras .

No PGCA, as provisões para riscos e encargos futuros são registradas na conta '39 Provisões para outros riscos e encargos', que destina-se a registrar as perdas previsíveis associadas a riscos de natureza específica e provável . Esta conta corresponde à conta 29 no SNC, que também é usada para registrar provisões relacionadas a riscos similares .

O princípio da prudência deveria ser incorporado no PGCA para mitigar o risco inerente às operações de crédito e outras atividades em Angola, dado seu contexto econômico instável. O princípio ajudaria a reconhecer, de forma conservadora, perdas potenciais e garantir que balanços apresentam um quadro financeiro seguro .

A Ordem dos Contabilistas e Peritos de Angola é responsável por representar e defender os interesses da profissão contábil, assegurando o profissionalismo e a competência através da regulação e supervisão . Sua atuação é crucial para a dignidade e prestígio da função contábil, bem como para a implementação de um sistema contabilístico angolano coeso que pode sustentar o funcionamento da bolsa de valores .

A auditoria em empresas angolanas desempenha um papel vital ao evitar riscos que possam comprometer operações, transmitir confiança aos usuários da informação financeira, e facilitar o acesso a empréstimos bancários. Auditores também verificam a conformidade fiscal, necessária para publicação de contas .

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