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Ação Científica na Antártica 2013-2022

Este documento propõe a criação de cinco programas de pesquisa antártica no Brasil para o período de 2013-2022. Os programas exploram as conexões entre o ambiente antártico e sul-americano, com foco nos processos que afetam o Brasil. O objetivo é aumentar o protagonismo brasileiro no Sistema do Tratado Antártico, especialmente no SCAR. Os programas abordam tópicos como o papel da criosfera antártica no clima global e sul-americano, os efeitos

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Natan Sanglard
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Ação Científica na Antártica 2013-2022

Este documento propõe a criação de cinco programas de pesquisa antártica no Brasil para o período de 2013-2022. Os programas exploram as conexões entre o ambiente antártico e sul-americano, com foco nos processos que afetam o Brasil. O objetivo é aumentar o protagonismo brasileiro no Sistema do Tratado Antártico, especialmente no SCAR. Os programas abordam tópicos como o papel da criosfera antártica no clima global e sul-americano, os efeitos

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CIÊNCIA ANTÁRTICA

PARA O BRASIL
Plano de Ação 2013-2022

Comitê Nacional de Pesquisas Antárticas


Coordenação para Mar e Antártica
Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Brasília, 2013
República Federativa do Brasil
Presidente: Dilma Vana Rousseff
Vice-Presidente: Michel Temer

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)


Ministro: Clelio Campolina Diniz
Secretário-Executivo: João Alberto De Negri

Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (SEPED)


Secretário: Carlos Afonso Nobre
Coordenação para Mar e Antártica: Janice Romaguera Trotte-Duhá

Capa: Pinguins papua (Pygoscelis papua iceberg :


Verso da Capa ,
Ciência Antártica para o Brasil
Um plano de ação para o período 2013 – 2022

Grupo de trabalho
Jefferson C. Simões (UFRGS) - relator

Adriano R. Viana (CENPES)


Eduardo Resende Secchi (FURG)
Emília Correia (INPE/UPM)
Heitor Evangelista da Silva (UERJ)
Ilana E. K. C. Wainer (USP)
Lúcia de Siqueira Campos (UFRJ)
Maurício Magalhães Mata (FURG)
Vivian Helena Pelizzari (USP)
Yocie Yoneshigue Valentin (UFRJ)

Apresentação
Resumo
Introdução
Visão
Missão
Relevância da ciência realizada na Antártica
Liderança política na Antártica no início do século XXI
Programas temáticos de pesquisa
Novas áreas de investigação
Conexões com o Ártico
Formação e absorção de especialistas antárticos no sistema nacional de C&T
Divulgação e inserção do conhecimento
Lista de siglas

03
APRESENTAÇÃO
“Ciência Antártica no Brasil - Um plano de ação para o do ponto de vista estratégico e da sustentabilidade, ao
período 2013 – 2022”: passo que propicia melhores condições de direcionamento
do apoio financeiro aos projetos de pesquisa, notada-
O ano de 2013 foi marcado, na história do Programa Antár-
mente aos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia
tico Brasileiro - PROANTAR, como um momento de renova-
(INCT) dedicados à pesquisa Antártica, que constituem
do entusiasmo e de concretas realizações, após os seus 30
elementos fundamentais para a integração das propostas
anos de execução, que foram completados em 2012.
do Plano de Ação.

O objetivo maior do PROANTAR é a produção de conhe-


Se o processo da presença dos Estados Membros na
cimento científico sobre a Antártica e suas relações com
Antártica começou lento, e totalmente voltado para uma
o Sistema Terrestre, envolvendo a criosfera, os oceanos,
dimensão econômico-territorialista, hoje, o processo de
a atmosfera e a biosfera. É nesse contexto que um dos
ocupação ganha uma intensificação voltada para uma
objetivos da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia
dimensão ambiental e científica, que predomina nas ne-
e Inovação/2012-2015 (ENCTI) explicita o fomento e a
gociações afetas ao Sistema do Tratado da Antártica, e de
ampliação de pesquisas de excelência internacional sobre
todos os órgãos que o compõem. O segmento científico
a região Antártica e sua área adjacente, enfatizando suas
é, portanto, parte essencial para o processo mundial de
implicações para o Atlântico Sul.
tomada de decisões sobre a Antártica, reforçando o papel
estratégico do MCTI, no âmbito do PROANTAR.
A geração de novos conhecimentos científicos garante
papel ativo do País nas decisões sobre a preservação
Finalizo, parabenizando o Comitê Nacional de Pesquisas
ambiental e o futuro do continente Antártico e do Oceano
Antárticas (CONAPA) pelo excelente trabalho realizado na
Austral, em conformidade com o artigo IX do Tratado da
elaboração deste Plano de Ação 2013-2022.
Antártica, o qual estabelece que os países que se tornaram
membros por adesão devem manter um substancial
programa científico, para terem direito a participar de
Carlos A. Nobre
reuniões que decidam o futuro da região.
Secretário de Políticas e Programas
de Pesquisa e Desenvolvimento
A implementação dos elementos contidos no documento
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
“Ciência Antártica no Brasil - Um plano de ação para o
período 2013 – 2022” contribuirá de forma expressiva para
que o País se torne uma nação reconhecida internacional-
mente, pelo seu elevado desempenho científico na região
Antártica e Oceano Austral, executando cinco programas
temáticos de forma sustentável, e que investigarão os pro-
cessos ambientais e as relações atuais, pretéritas e futuras,
entre o continente sul-americano e as regiões polares. Tais
programas também ensejam um aumento do protagonismo
brasileiro no Sistema do Tratado Antártico, em particular,
no “Scientific Committee on Antarctic Research (SCAR)”,
ademais das cooperações internacionais existentes entre
países sul-americanos.

A definição da agenda Científica do PROANTAR revelada


pelo Plano de Ação para a próxima década permite ao
País maior clareza do que se busca na pesquisa Antártica,
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

RESUMO
A Antártica é uma das regiões mais sensíveis às variações
climáticas na escala global e os processos atmosféricos,
biológicos, criosféricos e oceânicos que ocorrem naquela desde a fragmentação do continente Gondwana, seu
região afetam diretamente o território brasileiro. Este isolamento, bem como as consequências ambientais
documento propõe a criação de “cinco programas
” que exploram climáticas, ocorridas ao longo do tempo geológico.
conexões entre o ambiente antártico e sul-americano, com
ênfase nos processos que afetam particularmente o Brasil. Finalmente, o Programa 5 “Dinâmica da alta atmosfera
Tais programas buscam também aumentar o protagonismo na Antártica, interações com o geoespaço e conexões
brasileiro no Sistema do Tratado Antártico, em particular com a América do Sul” investigará a dinâmica e a
no *(SCAR). O química da alta atmosfera e o impacto da depleção do
Programa 1 “O papel da criosfera no sistema terrestre ozônio estratosférico no clima antártico e os ecossistemas
e as interações com a América do Sul” investiga o papel associados. Serão considerados os efeitos da interação
da relação entre aquele continente e o clima do Hemisfério Sol–Terra e os impactos de fenômenos astrofísicos de alta
Sul com ênfase no continente sul-americano e na evolução energia.
dos processos biogeoquímicos ao longo dos últimos
12 mil anos. O Programa 2 “Efeitos das Mudanças O presente Plano de Ação tece ainda comentários sobre
Climáticas na Biocomplexidade dos Ecossistemas quatro pontos para garantir a qualidade das ações de C&T
Antárticos e suas Conexões com a América do Sul” dá no âmbito do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR)
atenção a origem e evolução da biodiversidade Antártica; ao longo dos próximos dez anos: (1) recomenda
sua distribuição (atual e pretérita) e as relações entre atenção a outras áreas de investigação, incluindo temas
os organismos e o ambiente, contribuindo, dessa forma, emergentes, não contemplados nos cinco programas
para a compreensão das conexões biológicas entre a propostos; (2) estudos sobre conexões com o Ártico; (3)
Antártica e América do Sul. Por último, observará quais a necessidade de formação de especialistas antárticos e
as consequências das mudanças climáticas regionais e posterior absorção no sistema de ensino e pesquisa do
globais e o impacto antrópico nesses ecossistemas. País; (4) a divulgação e inserção social do conhecimento

gerado pela pesquisa antártica brasileira.


O Programa 3 “Mudanças Climáticas e o Oceano
Austral” é voltado às investigações dos processos físicos
e biogeoquímicos associados às mudanças na circulação
do Oceano Austral e sua interação com o gelo marinho e
as plataformas de gelo que possam ter impacto nos climas
do Brasil e do Atlântico Sul. A “Geodinâmica e história
geológica da Antártica e suas relações com a América
do Sul” são temas do Programa 4, integrando estudos

* SCAR é o comitê interdisciplinar do Conselho Internacional para a Ciência (ICSU) responsável pela implementação, desenvolvimento e
coordenação de investigação científica internacioal na região Antártica, e seu papel no sistema Terra. As ações do SCAR são conduzidas
por cientistas indicados pelos respectivos comitês nacionais de pesquisa antártica.

Além de cumprir seu papel científico, o SCAR também fornece pareceres científicos objetivos e independentes para as Reuniões Consultivas
do Tratado da Antártida e outras organizações sobre questões de ciência e conservação que afetem a gestão da Antártida e do Oceano
Austral.

02
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

INTRODUÇÃO
Ao comemorar trinta anos de existência, faz-se oportuno

Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR). Ao longo VISÃO


desse período, a atuação dos pesquisadores brasileiros na
região Antártica garantiu o direito do País de participar das Tornar-se uma nação
decisões sobre o futuro político de quase 7% da superfície reconhecida internacionalmente,
a importância da região para o ambiente sul-americano, no pelo seu elevado desempenho
entanto, ainda existem muitas lacunas de conhecimento
sobre os processos polares que afetam o cotidiano
brasileiro. Oceano Austral, implementando
programas temáticos de forma
Este documento, elaborado conforme determinação
da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e sustentável, e que investiguem
Desenvolvimento (SEPED), do Ministério da Ciência, os processos ambientais e as
Tecnologia e Inovação (MCTI), ao Comitê Nacional de
relações atuais, pretéritas e
de investigação pela apresentação de cinco programas futuras, entre o continente
temáticos de pesquisa, os quais deverão ser revisados
cinco anos após a sua implementação. Em comum, esses sul-americano e as regiões
programas priorizam a exploração de conexões entre os polares.
ambientes antártico e sul-americano, com ênfase nos
processos que afetam o território brasileiro, interagindo
entre si. Portanto, este documento não tem o propósito
MISSÃO
próximos passos da ciência antártica brasileira.
Desenvolver programa de pesquisa de excelência
O grupo de trabalho responsável por esta proposta parte sobre a região Antártica e suas conexões com o
Oceano Atlântico e a América do Sul, contribuindo
vanguarda, com inserção internacional, reforçará o papel para assegurar a permanência do Brasil como
do Brasil no Sistema do Tratado da Antártica. membro consultivo do Tratado da Antártica.

03
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

RELEVÂNCIA DA CIÊNCIA REALIZADA


NA ANTÁRTICA
“Os polos ou os trópicos? Quem lidera a dança do clima?”

Fred Pearce, 2007.


With Speed and Violence,
why scientists fear tipping points in climate change

As regiões polares são tão importantes quanto os trópicos (cerca de 3°C); (4) simultaneamente a esse aquecimento,
no sistema ambiental global. A região Antártica, devido à as áreas de distribuição de diversas espécies de animais,
presença de 90% do volume da massa de gelo do planeta, que ocorrem na costa ocidental da Península Antártica,
é o principal sorvedouro de energia da Terra, tendo avançam mais para o Sul; e (5) o manto de gelo antártico
papel essencial na circulação atmosférica e oceânica apresenta balanço de massa global negativo, contribuindo
e, consequentemente, no sistema climático terrestre. É para o aumento do nível do mar.
uma das regiões mais sensíveis às variações climáticas,
estando interligada com processos que ocorrem em A Antártica ainda é local para experimentos inéditos,
latitudes menores, em especial com a atmosfera sul- somente possíveis graças às suas características
americana e os oceanos circundantes. A ligação trópicos– ambientais únicas: (i) manto de gelo, que atinge quase
altas latitudes está vinculada à gênese e dinâmica das 5.000 metros de espessura; (ii) continente alto, com
massas de ar frias geradas sobre o Oceano Austral e que, uma atmosfera seca; (iii) fundo oceânico e processos
na escala sinóptica, avançam sobre a América do Sul
subtropical, produzindo eventos de baixa temperatura e
geadas nos estados do sul do Brasil (as friagens ou frentes de 400 lagos subglaciais que caracterizam um novo
frias que podem chegar até o sul da Amazônia). Cabe ambiente. Tais condições permitem a obtenção dos
registros mais detalhados existentes a respeito das
mais próximo do continente antártico. variações climáticas e da química atmosférica dos últimos
800.000 anos (por estudos de testemunhos de gelo); pela
A sensibilidade da região às mudanças ambientais é busca e o registro de novas espécies animais no fundo do
enfatizada por constatações tais como: (1) a carência
planetária de ozônio estratosférico (o “buraco de ozônio”) de gelo e da região permanentemente coberta por gelo
ainda atinge recordes sobre a Antártica; (2) a superfície
e as camadas intermediárias do Oceano Austral estão de gelo antártico; pelos estudos de bioinvasão, com a
aquecendo mais rapidamente do que nos outros oceanos
e já existem indícios da transferência desses sinais para detalhada dos impactos do geoespaço na dinâmica da
as células profundas da circulação oceânica mundial; (3) atmosfera terrestre; pela instalação de um dos mais
o norte da Península Antártica (o setor mais ameno do
continente) registra os maiores aumentos de temperatura investigação de partículas subatômicas de difícil detecção
(por exemplo, neutrinos).

04
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

Na perspectiva ao lado, centrada

proximidade entre a região Antártica e o Brasil.

brasileiras com instituições que realizam


pesquisas antárticas. A localização da

Estação Antártica Comandante Ferraz


(EACF; 62°05’S, 58°24’W) é marcada

por ponto amarelo, na ilha Rei George,


ao norte da Península Antártica. O ponto

azul no continente marca a localização

79°30’W). Fonte: Centro Polar e Climático

(UFRGS).

Antártica

para o avanço do conhecimento das relações ambientais Antártica–Brasil, destacando-se as questões climáticas e a
biodiversidade.

LIDERANÇA POLÍTICA NA ANTÁRTICA


NO INÍCIO DO SÉCULO XXI
A ciência antártica tem um forte componente político decorrente das peculiaridades do Tratado da Antártica, que no

mantenham o direito de voto nas reuniões que decidem o futuro da região. Como decorrência, o caso, toda a região ao sul
do paralelo 60°S, aproximadamente 34 milhões de quilômetros quadrados*. Ao longo das últimas décadas, o novo quadro
-

internas do Sistema do Tratado da Antártica (STA), como a criação do Protocolo ao Tratado Antártico sobre Proteção

* Esta é a área na qual se aplica o Tratado da Antártida e representa 7% da superfície terrestre. Para a comunidade científica, a Região Polar
Antártida descreve toda a área ao sul da Zona da Frente Polar Antártida (posição média ao redor dos 58o S), cobrindo 45,6 milhões de
quilômetros quadrados (quase 9% da superfície do planeta).

05
Plano
Planoação ciência
de ação antártica
ciência 2013-2022
antártica 2013-2022

aoaoMeio
MeioAmbiente
Ambiente(ou
(ouProtocolo
ProtocolodedeMadrid)
Madri),deram
deramààciência
ciênciaantártica
antárticaum
umpapel
papelproeminente
proeminentenas
nasdecisões
decisõespolíticas
políticassobre
sobre

uma
umaforte
forteatuação
atuaçãododopaís
paísjunto
no ao (SCAR),
(SCAR), órgão
órgão interdisciplinar
interdisciplinar do ICSU
do Conselho
(Conselho Internacional
Internacional para para a(ICSU),
a Ciência Ciência), que tem a responsabilidade de promover, desenvolver e coordenar a investigação
Plano ação ciência antártica 2013-2022 que tem a responsabilidade de promover, desenvolver e coordenar a investigação

ao Meio Ambiente (ou Protocolo de Madrid) deram à ciência antártica um papel proeminente nas decisões políticas sobre
EmEmsuma,
suma,o oBrasil
Brasilalcançará
alcançaráum
umprotagonismo
protagonismoantártico
antárticoproporcional
proporcionalà àsua
suarelevância
relevâncianonocenário
cenáriointernacional
internacionalsomente
somente

uma forte atuação do país junto ao (SCAR), órgão interdisciplinar do ICSU


(Conselho Internacional para a Ciência), que tem a responsabilidade de promover, desenvolver e coordenar a investigação

PROGRAMAS
PROGRAMASTEMÁTICOS
TEMÁTICOSDE
DEPESQUISA
PESQUISA
Em suma, o Brasil alcançará um protagonismo antártico proporcional à sua relevância no cenário internacional somente
Cinco
Cincoprogramas
programastemáticos
temáticosdedepesquisa
pesquisainter-relacionados
inter-relacionadossãosãopropostos
propostosparapararesponder
responderquestões
questõesque
queaprofundem
aprofundemo o
conhecimento
conhecimentosobre
sobreasasconexões
conexõesentre
entreo oambiente
ambienteantártico
antárticoe eo obrasileiro.
brasileiro.Os
Osprogramas
programaspropõem
propõeminvestigar
investigarquestões
questões

PROGRAMAS TEMÁTICOS DE PESQUISA


si.si.
AA consecução
consecuçãodos
dosobjetivos
objetivosdesses
dessesprogramas
programaslevará
levará
aoaoaprimoramento da qualidade da produção intelectual antártica nacional, adquirindo no processo um maior protagonismo
aprimoramento da qualidade da produção intelectual antártica nacional, adquirindo no processo um maior protagonismo
nos
nosfóruns
fórunsantárticos
antárticosinternacionais,
internacionais,em
emespecial
especialnonoSCAR.
SCAR.

Cinco programas temáticos de pesquisa inter-relacionados são propostos para responder questões que aprofundem o
PROANTAR
conhecimento sobre as conexões entre o ambiente antártico e o brasileiro. Os programas propõem investigar
Presidência Programa questões
da Antártico Brasileiro
si.
República A consecução dos objetivos desses programas levará
ao aprimoramento da qualidade da produção intelectual antártica nacional, adquirindo no processo um maior protagonismo
nos fóruns antárticos internacionais, em especial no SCAR.
CONAPA CIRM CONANTAR
(MCTI) (PROANTAR) (POLANTAR)

Subcomissão
(PROANTAR)

Programas Científicos
AnT-ERA
AntClim21
AntEco
PAIS
SERCE
MMA CNPq
SECIRM Grupo de Grupo de
Grupo de Avaliação neste documento,
neste documento, explorando
Assessoramento conexões
explorando com
conexões a América
com dodo
a América
Operação Ambiental
Sul,
Sul,e suas interações
e suas com
interações o Programa
com Antártico
o Programa Brasileiro
Antártico Brasileiro
(PROANTAR). Note
(PROANTAR). que
Note esses
que programas
esses também
programas interagem
também interagem
PROANTAR
Programas Científicos

neste documento, explorando conexões com a América do


Programa 1
Gelo e Clima
Sul, e suas interações com o Programa Antártico Brasileiro
Programa 5
Alta Atmosfera (PROANTAR). Note que esses programas também interagem
Programa 2
Ambiente
Ecossistemas
sul-americano

Programa 4
Geologia e
Geofísica
Programa 3

06
06
Oceano Austral
1
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

PROGRAMA
O papel da criosfera no sistema terrestre e as interações
com a América do Sul
Objetivo Geral

Investigar o papel da criosfera antártica no clima do Hemisfério Sul, com ênfase no continente sul-americano, no presente,
no passado próximo e suas tendências para o futuro, assim como a evolução da química atmosférica.

Marcos

• Investigar as conexões entre o sistema acoplado • Implantar um sistema nacional de monitoramento e


atmosfera-criosfera-oceano antártico com os processos avaliação do estado das massas de gelo e do permafrost
meteorológicos e climáticos na América do Sul (com em um transect latitudinal abrangendo os Andes e a
ênfase no Brasil) e no Atlântico Sul; Antártica;
• Explorar os efeitos das atividades antrópicas e a sua • Manter e ampliar as pesquisas glaciológicas e da
química atmosférica no interior da Antártica;
Hemisfério Sul; • Montar uma rede de monitoramento atmosférico e
• Investigar os efeitos da variabilidade climática na região meteorológico do Brasil, entre 85°S e o norte da Península
Austral sobre o Hemisfério Sul e sua relação com eventos Antártica, interligada com a rede sul-americana;
extremos; • Implantar o Laboratório Nacional de Testemunhos de
• Investigar as relações entre a variabilidade na extensão Gelo;
do gelo marinho antártico com a evolução climática do
Hemisfério Sul nos últimos 12.000 anos;
• Modelar e elaborar cenários de resposta da criosfera às
variações climáticas ao longo dos próximos 100 anos e as
consequências para o ambiente brasileiro, principalmente
sobre a dinâmica de frentes frias e consequências para o
nível médio dos mares; e
• Integrar dados de testemunhos de gelo, sedimentos
glaciais de superfície e subaquosos, dinâmica glacial
e observações geomorfológicas para ampliar o
conhecimento sobre avanço e recuo das geleiras antárticas
ao longo do Quaternário.

Acampamento brasileiro no manto de gelo antártico para coleta


de testemunhos de gelo (o melhor arquivo natural sobre as
.

07
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

• Manter e consolidar uma rede nacional de monitoramento do permafrost na Antártica e nos Andes, avaliando
respostas às mudanças do clima;
• Promover levantamento e recuperação do acervo de dados meteorológicos, climáticos e paleoclimáticos antárticos
produzidos pelo Brasil e a criação de base de dados.

A Antártica é dominada por enorme manto de gelo de são controladas pela expansão e contração da cobertura
13,8 milhões de quilômetros quadrados, o principal de gelo marinho do Oceano Austral. Portanto, promover
sorvedouro de energia do clima da Terra, controlador a investigação e o monitoramento sobre as variações
do nível médio dos mares e formador da maioria da do manto e na extensão de gelo marinho antártico são
água de fundo dos oceanos (junto com o cinturão de essenciais para a compreensão da evolução, das variações
gelo marinho que o circunda). Essa massa de gelo e para a elaboração de cenários de mudanças climáticas no
fornece também melhor técnica de reconstrução da Hemisfério Sul, com ênfase para o Brasil.
história do clima e da composição química da atmosfera,
os estudos de testemunhos de gelo. Ainda, para a
correta interpretação do registro de testemunhos de
gelo, é essencial o estudo de aerossóis atmosféricos
no continente antártico. A monitoração em estações
remotas tem papel fundamental na determinação mais
precisa dos períodos de residência atmosférica, diluição
e transporte de aerossóis e gases em escala global e,
em particular entre a América do Sul e Antártica. No atual
cenário de mudanças e variabilidade climática do planeta,
destaca-se o Hemisfério Sul, que possui importante
controle sobre a circulação atmosférica nas médias e
altas latitudes, em resposta à marcante presença do
vórtice circumpolar-antártico que, por sua vez, decorre da
presença da maior massa de gelo existente na atualidade
(a Antártica). Esse vórtice circumpolar condiciona uma
circulação média atmosférica vinda de oeste, que se
estende da superfície até a estratosfera no Hemisfério
Sul. Conexões climáticas entre os trópicos e as altas
latitudes podem promover mudanças ou variabilidade Amostragem simultânea de ar e da neve em condições

climática na região Antártica, assim como mudanças no


transporte de poluentes da América do Sul para a Antártica.

Sul, contribuindo na variabilidade climática na América do : .

Sul. As massas de ar frio que afetam o território brasileiro

08
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

, instalado no interior do manto de gelo antártico (84°00’S, 79°30’W) no verão de 2011/2012. Este módulo

é totalmente automatizado e serve para o monitoramento da química atmosférica e análise meteorológica. Ao fundo, o acampamento dos

Essa proposta está concatenada aos objetivos do novo programa do SCAR “Mudanças Climáticas Antárticas no Século
XXI” (AntClim21). Será também uma contribuição brasileira ao “Parceria Internacional para Ciência de Testemunhos
de Gelo” (IPICS) do Past Global Changes (PAGES) do Programa Internacional Geosfera-Biosfera (IGBP), em especial
na montagem da rede de testemunhos de gelo para os últimos 2.000 anos. A componente de investigação de solos
congelados contribui para o programa “Permafrost Antártico e Subantártico, Solos e Ambientes Periglaciais” (ANTPAS).

Interações com Programas e Ações no País

Esse programa fortalece mutuamente os seguintes Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs): da Criosfera,
Antártico de Pesquisas Ambientais e de Mudanças Climáticas, contribuindo também para as ações da Rede Clima e para o
Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas.

Produtos Esperados

• Integração da variabilidade da extensão do gelo marinho particular dos subprodutos de queimadas;


antártico nos modelos climáticos para a América do Sul, • Explicação das mudanças na circulação atmosférica,
aperfeiçoando a previsão meteorológica e climática sobre temperatura do ar e extensão do gelo marinho antártico
massas de ar e frentes frias antárticas que atuam sobre o ao longo dos últimos 50 anos no Hemisfério Sul,
Brasil; delimitando fatores naturais e antrópicos;
• Obtenção de um transect de testemunhos de gelo rasos, • Montagem de cenários sobre o impacto do
que represente os últimos 2.000 anos de história climática derretimento parcial da criosfera na costa brasileira;
e química atmosférica antártica, interligado a estudos • Determinação e monitoramento de mudanças na
similares ao longo da cadeia dos Andes, explorando extensão e volume em áreas críticas do manto de gelo e
teleconexões com a América do Sul; geleiras antárticas, com ênfase na Península Antártica, e
• Determinação da dispersão e trajetória de poluentes as consequências para o nível do mar na costa brasileira.
entre a América do Sul e o interior da Antártica, em

09
2
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

PROGRAMA
Biocomplexidade dos ecossistemas antárticos, suas conexões com a
América do Sul e as mudanças climáticas
Objetivo Geral

Investigar a origem e evolução da biodiversidade Antártica, sua distribuição e as relações entre os organismos e o
ambiente, por meio de pesquisa interdisciplinar de longa duração nos ambientes terrestre e marinho, contribuindo tanto
para a compreensão das conexões biológicas entre a Antártica e a América do Sul, como para as consequências perante
ntrópica recente.

• cadeia alimentar e no ciclo biogeoquímico na região antár-


de organismos, utilizando séries temporais longas para tica e subantártica;
compreensão da estrutura e função dos ecossistemas • Investigar efeitos do aumento das radiações solares
terrestres e marinhos antárticos; sobre organismos antárticos;
• Investigar a biodiversidade, sua evolução, padrões •
atuais de distribuição, abundância, adaptações ao meio biogeoquímicos, incluindo o balanço de carbono, nas
ambiente polar e conexões com a América do Sul; regiões antárticas e subantárticas;

endêmicas, espécies crípticas, espécies invasoras,
espécies-chaves e indicadoras de alterações ambientais;
• Caracterizar e elaborar modelos de habitats
para entender e prever respostas de populações e
comunidades às mudanças e variações climáticas,
servindo como instrumento de gestão ambiental nas
regiões antárticas e subantárticas;
• Avaliar a presença de espécies invasoras e os seus
possíveis efeitos sobre as comunidades antárticas;
• Avaliar bioquimicamente componentes moleculares de
organismos da base da cadeia alimentar para se entender
a dinâmica de componentes precursores e essenciais para
a vida marinha na região Antártica;
• Investigar os processos e efeitos do aumento

Lançamento de veículo submarino operado

remotamente - ROV (Remotely operate

underwater vehicle) na área rasa da baía do

Almirantado, ilha Rei George.

: .

10
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

• Determinar a produção primária e avaliar as

elaborar modelos numéricos para avaliar transferência de


nutrientes e prever efeitos de mudanças ambientais;

com a América do Sul em diversas escalas de tempo;


• Avaliar a plasticidade de processos moleculares,

• Investigar o potencial biotecnológico de matrizes


ambientais e de organismos da região Antártica, levando
em consideração a conservação dos recursos naturais;
• Desenvolver e aplicar novas tecnologias para
observação remota nos ambientes terrestre e marinho,
mapeando a população subaquática para compreender
os processos de migração de diferentes animais para a
região Antártica;

Amostragem de alga vermelha na zona de entremarés

estudando mecanismos de dispersão e sobrevivência em :

zonas remotas do continente; Botânica, SP).

• Avaliar as características estruturais de componentes


bioquímicos com alto desempenho, a baixas temperaturas
polares;

e estabelecer suas relações proteicas e lipídicas;e
• Monitorar e avaliar as ocorrências diretas e indiretas do
lixo marinho (especialmente os plásticos) no ecossistema
antártico.

Estudos sobre populações de aves marinhas na ilha Rei George.

11
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

Marcos

• Consolidação do conhecimento da biologia e ecologia das espécies polares de forma a subsidiar as avaliações de risco
de espécies invasoras na Antártica perante as mudanças ambientais;
• Estruturação e fortalecimento de centros de referência na concentração de informações e coleções biológicas de
organismos antárticos (atuais e fósseis);
• Compreensão do papel das mudanças ambientais no funcionamento e serviços dos ecossistemas antárticos.

A Antártica e o Oceano Austral são centros de divergência evolutiva e de adaptação a ambientes extremos. No entanto,
as mudanças nas condições ambientais (aquecimento da atmosfera regional, depleção de ozônio, introdução de espécies
não nativas, transporte global de contaminantes, crescente visitação pública e extração de recursos naturais vivos), sem
precedente, tanto em magnitude e taxa, particularmente na Antártica Ocidental e Península Antártica, potencialmente
conduzirão a alterações massivas de longo prazo nas comunidades biológicas e no funcionamento, serviços e integridades
dos ecossistemas. As consequências dessas alterações somente poderão ser compreendidas elucidando como as
mudanças históricas afetaram as comunidades no passado geológico e recente e obtendo dados referenciais presentes.

Dessa forma, a região torna-se um laboratório natural no qual pesquisas direcionadas ao entendimento dos efeitos
de mudanças ambientais passadas, presentes e projetadas sobre a biodiversidade, adaptações dos organismos e
populações, bem como sobre a função e estrutura do ecossistema devam ser priorizadas.

As linhas temáticas do Programa “Biodiversidade e Ecossistemas Antárticos” estão em sinergia com as principais questões
Vida do SCAR, o “Limiares Antárticos – Resiliência
e Adaptações dos Ecossistemas” (AnT-ERA) e o “Estado do Ecossistema Antártico“ (AntEco), bem como preveem
interações com atividades contempladas no Programa “Mudanças Climáticas Antárticas no Século XXI ” (AntClim21), nos
Grupos de Especialistas e Grupos de Ação, como por exemplo, o “Grupo de Especialistas de Mamíferos e Aves Marinhas”
(EGBAMM), “Registro Contínuo de Plâncton” (CPR) e “ ”.

Interações com Programas e Ações no País

Esse programa interage fortemente com os INCTs Antárticos (Antártico de Pesquisas Ambientais, da Criosfera) e outros,

12
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

Produtos Esperados

• Plano de manejo e conservação da biodiversidade • Produção de conhecimento aplicado à gestão


; governamental para subsidiar decisões políticas sobre a
• Revisão e síntese sobre a biodiversidade antártica que diversidade biológica e o uso sustentável dos recursos
vivos marinhos, inclusive para o posicionamento do Brasil
prioridades de pesquisas futuras; em convenções internacionais;
• Elaboração de volumes de síntese de conhecimento • Banco de dados do programa de biodiversidade
de biodiversidade antártica e dos impactos ambientais do PROANTAR, através de uma colaboração com o
decorrentes das mudanças climáticas pretéritas e futuras;
• Integração de conhecimentos sobre o bioma marinho e interagindo com o “Banco de Dados Internacional de
o ambiente antártico para a compreensão dos mecanismos Biodiversidade Antártica” (ANTABIF);
• Desenvolvimento de modelos ecológicos para gestão
biodiversidade dos oceanos ao largo da costa oriental da ambiental das regiões antárticas e subantárticas para
América do Sul; posterior comparação com outras regiões da América do
Sul.

Baleia-jubarte (Megaptera

novaeangliae) com transmissor satelital

:
Dalla Rosa (FURG).

Implantação de um transmissor

satelital para investigar padrões de

uso do habitat da baleia-jubarte na

:
Rosa (FURG).

13
3
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

PROGRAMA
Mudanças Climáticas e o Oceano
Austral

Objetivo Geral

Investigar processos físicos e biogeoquímicos associados


às mudanças na circulação do Oceano Austral e sua
interação com a cobertura de gelo marinho que possam ter
impacto no clima continental e no oceano adjacente do Brasil.

• Determinar o papel do Oceano Austral nos balanços de


calor e de água do planeta;
• Monitorar a variabilidade da componente do Oceano
Austral na Célula de Revolvimento Meridional (CRM) da
circulação oceânica mundial;
• Investigar o papel do Oceano Austral na estabilidade
do manto de gelo antártico e as consequências para o
aumento do nível do mar;
• Investigar a variabilidade da cobertura do gelo marinho
no Oceano Austral;
• Modelar e monitorar as alterações no ecossistema
marinho devido ao aumento da absorção do CO2
atmosférico no Oceano Austral e as consequências para
os processos climáticos globais, incluindo, por exemplo, o

Colocação de sensores para monitoramento de icebergs com o

apoio de helicóptero da Marinha do Brasil embarcado no Navio

14
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

• Produzir projeções da magnitude e padrões de mudanças no ambiente físico antártico para os próximos 100 anos como
resultado de mudanças nas forçantes, tais como aumento na concentração de gases de efeito estufa e a recuperação do
buraco na camada de ozônio.

Marcos

do Brasil e que estejam alinhadas com o plano de


observações do Southern Ocean Observing System
(SOOS) e do Programa CLIVAR (Southern Ocean Panel);
• Instalação de registradores autônomos para monitorar
a exportação de águas densas do mar de Weddell;
• Consolidação de grupo(s) de estudo observacional,
sensoriamento remoto e de modelagem de gelo marinho,
plataformas de gelo e interações gelo-oceano;
• Modelagem numérica da variabilidade e evolução do
Oceano Austral e das interações com o Atlântico Sul ao
longo do últimos ciclos glaciais-interglaciais;
• Incentivar o desenvolvimento e inovação de novas
ferramentas tecnológicas para estudo e monitoramento
de propriedades ambientais do Oceano Austral. Por
exemplo, AUVs (veículos submarinos autômatos), sea
gliders
comunicações submarinas, dentre outras).

a bordo do Navio Polar Almirante Maximiano,

a qual também já registra aquecimento acelerado. No


biogeoquímicos do Oceano Austral já estão em curso. As
entanto, grandes incertezas ainda pairam sobre
camadas superiores e intermediárias desse oceano (até
a quantificação dessas afirmações devido à falta de
2000 m) estão aquecendo a taxas maiores do que aquelas
observações e exercícios de modelagem computacional
observadas nos outros oceanos. Ao mesmo tempo, as
dedicados. Medidas de sensoriamento remoto orbital
camadas superficiais dos mares regionais no entorno do
mostram importantes alterações na dinâmica do Oceano
continente antártico apresentam redução significativa de
Austral, como aumento generalizado no nível do mar e
salinidade - um resultado de alterações nos regimes de
alterações latitudinais nas posições das principais frentes
precipitação e do maior derretimento basal e desintegração
(e portanto do próprio eixo) da Corrente Circumpolar
de plataformas de gelo. Parte dessas modificações já se
Antártica (CCA) e ainda fortes alterações regionais na
propagaram para profundidades abissais, especialmente
extensão do gelo marinho Antártico.
por alterações na massa de Água de Fundo Antártica,

15
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

O aumento da absorção de CO2 pelos oceanos está


, ,
Internacionais
disponibilidade de carbonato de cálcio utilizado por grande
parte dos organismos. As reais quantidades de CO2
Esse programa está alinhado com a mais recente iniciativa
absorvidas pelo Oceano Austral ainda são desconhecidas.
internacional para estudo, observação e monitoramento
Há evidências de que os ecossistemas da região Antártica
do Oceano Austral, o Southern Ocean Observing System
estarão entre os primeiros a sofrer com essas alterações.
(SOOS), criado em 2011 sob a égide do SCAR e do
Ressalta-se que o Oceano Austral é aquele que mais
(SCOR).
armazena os excessos antropogênicos de calor e de
Ressalta-se que a comunidade científica ligada ao
CO2 (cerca de 40% do inventário de dióxido de carbono
SCOR enfatiza a necessidade de observações e estudos
nos oceanos são encontrados ao sul de 30°S). Estima-
coordenados para acelerar o entendimento sobre a
se que a exportação de nutrientes das altas latitudes
dinâmica do Oceano Austral e suas relações com outras
partes do Sistema Terrestre. Portanto, as pesquisas desse
Meridional (Meridional Overturning Circulation), sustente
programa envolvem ações coordenadas com o SCAR e o
cerca de 75% da produção primária oceânica ao norte de
SCOR.
30oS.

Austral, é consenso que alterações no sistema regional


acoplado atmosfera-criosfera-oceano alterarão os
ecossistemas regionais e mesmo o sistema climático
planetário.

Ary Rongel, da Marinha do Brasil,

navegando em área coberta

por gelo marinho (banquisa)

fechado. Investigar a variabi-

lidade sazonal desse gelo é

essencial para melhorar a pre-

visão climática para o Brasil.

16
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

Pinguins papua (Pygoscelis papua) em cima de um grunhão (pedaço de iceberg). Fotografia: Adriana Dalto (UFRJ).

Produtos Esperados
no País
• Desenvolvimento e implementação de modelos
regionais de alta resolução que abordam os processos
Esse programa servirá de balizamento das ações, em
de interação e retroalimentação no sistema oceano-
termos de oceanos, das duas grandes redes de pesquisa
atmosfera-criosfera e interações com o Atlântico Sul;
nacional que atuam no Oceano Austral: o INCT da

Criosfera e o INCT APA. Além disso, o alinhamento desse
programa com a comunidade internacional, sobretudo
;
pelo viés do SOOS, apoiará outras ações e fóruns

nacionais envolvidos com as questões de mudanças
marinho antártico, o oceano e atmosfera adjacentes e
climáticas (tais como o Painel Brasileiro de Mudanças do
suas implicações climáticas regionais e globais. Esse
Clima - PBMC, o INCT de Mudanças Climáticas, INCT
produto pode apresentar-se na forma das parametrizações
necessárias para medir as relações entre esses processos
em escalas regionais ou hemisféricas;
ao Talude), principalmente sobre o papel da Antártica
• Validação de modelos climáticos acoplados para a
região Antártica no século XX;
Austral devido ao aumento de CO2 antrópico e o manejo
• Análise de projeções climáticas e impactos da
sustentável dos recursos vivos marinhos.
Antártica na região do Atlântico Sul.

17
4
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

PROGRAMA
Geodinâmica e história geológica da Antártica e suas relações
com a América do Sul

Objetivo Geral

• Investigar a desagregação do supercontinente


Gondwana e a compartimentação geológica da Antártica
da Antártica desde a formação e posterior fragmentação no processo de abertura do Atlântico Sul;
do supercontinente Gondwana, seu isolamento atual, bem • Investigar o registro fossilífero antártico Cenozoico, sua
como as consequências ambientais para a América do Sul, evolução e adaptação às mudanças ambientais;
• Analisar a evolução paleoclimática da Antártica a partir
e climáticas ocorridas ao longo do tempo geológico, em da abertura das passagens de Drake e da Tasmânia e
suas consequências evolutivas para a biota marinha do
Atlântico Sul;
• Investigar a história glacial antártica e seu papel no
controle das sucessões sedimentares do Cenozoico;

Marcos
sedimentológica da Antártica na evolução do Atlântico Sul,
• Avanço no entendimento do papel da Antártica (tanto
de sua crosta como o seu manto de gelo) na evolução e a de conexões entre o Oceano Austral e o Oceano Atlântico;
sucessão paleoclimática e sedimentar da América do Sul e • Integrar o conhecimento paleoclimático antártico
do Atlântico Sul; derivado de estudos paleontológicos, testemunhos de
• sedimentos e estudos geomorfológicos para calibrar
antárticos brasileiros, incluindo dados petrológicos,
litogeoquímicos, paleontológicos e geocronológicos; mudanças do clima;
• • Investigar a correlação das sucessões sedimentares
coetâneas fanerozoicas da Antártica e da América do Sul;
Antártica Ocidental. •
Gondwana Ocidental.

18
Plano de
ação
ação
ciência
ciência
antártica
antártica
2013-2022
2013-2022

A
Antártica
Antártica
foifoi
a parte
a parte
central
central
dodo
supercontinente
supercontinente teleconexões estabelecidas entre a Antártica e as regiões
de Gondwana e compartilhou história geológica e tropicais do Atlântico, fatores igualmente controladores
paleoclimática comum as dos continentes do Hemisfério do clima moderno, são pouco entendidas.
entendidos. A natureza
Sul. Posteriormente à fragmentação do supercontinente, dessa evolução pode ser obtida por meio da integração
a Antártica e o fundo marinho circundante permaneceram de trabalhos de campo que obtenham informações

à presente conformação física. A compreensão deposicionais das áreas paleozoicas


paleozóicas e mesocenozoicas
mesocenozóicas
desses processos é relevante para o entendimento da Antártica Ocidental. O impacto desses eventos
do comportamento geológico e climático do passado, nos oceanos, em particular no Atlântico Sul, pode ser
ajudando a montagem de cenários para o futuro. avaliado pelo estudo do registro geológico e geofísico. Em
particular, a evolução tectônica das passagens marítimas
(seaways) e das margens da Antártica no mar de Scotia,
do Sul, há cerca de 35 milhões de anos, permitiu suas ilhas periféricas e do mar de Weddell são importantes
o estabelecimento de uma circulação circumpolar para entendermos as ligações pretéritas com a América do
Sul.
Cenozoico.
Cenozóico. As características dessa circulação e as

~180 milhões de anos atrás ~90 milhões de anos atrás ~30 milhões de anos atrás

Investigar os processos de ruptura do continente de Gondwana é essencial para o entendimento da abertura do Atlântico Sul e de suas
bacias sedimentares. Ainda, trata-se de conhecimento crítico para entendermos como o atual clima global chegou ao presente estado.
Fonte: SCAR.
SCAR

19
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

de quando, como e onde tais mudanças ocorreram e as


estratégias de sobrevivência dos organismos durante os períodos mais quentes e mais frios do que o presente. A interação
interdisciplinar entre as comunidades geológica, glaciológica, climatológica e biológica será essencial para o avanço do
conhecimento nessa área.

O interesse na evolução geológica do Atlântico Sul ganhou relevância nos últimos anos, face à descoberta de campos
gigantes de petróleo em ambas as margens desse oceano, com sistemas petrolíferos formados desde o período
imediatamente precedente à fragmentação do Gondwana e à separação entre América do Sul e África (Cretáceo Inferior)
até períodos mais recentes da fase francamente marinha (Cenozoico). Assim, entender o papel da Antártica na evolução
desses depósitos sedimentares na costa brasileira tem também im

Essas investigações contribuirão para o novo programa do SCAR: “Evolução da Criosfera e Resposta da Terra Sólida”
(SERCE) e poderão estar associadas ao Programa Internacional ANDRILL (ANtarctic Geological DRILLing) que realizará
várias perfurações geológicas na plataforma continental antártica para investigar a variabilidade climática dos últimos 56
milhões de anos (início do Eoceno). É esperada a ampliação dos trabalhos de campo conjuntos com geólogos do Instituto
Antártico Argentino (IAA) e o Instituto Antártico Chileno (INACh), o British Antarctic Survey (BAS) e com novas instituições
(por exemplo, o Institut Polaire Français Paul Emile Victor – IPEV, França).

no País

Esse programa prevê interações com o INCT de Tectônica


e os dois INCTs do Mar (por exemplo, com o projeto
Gondwana – UFRJ/Petrobras), e a CPRM - Serviço
Geológico do Brasil.

Low Head

(Formação Polonez Cove), ilha

Rei George. As rochas registram a

evolução climática da Antártica

Ocidental durante o Cenozoico


Médio. Fotografia: USP.

20
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

Produtos Esperados

• Avanço no conhecimento sobre o papel dos processos


geológicos, glaciológicos e climatológicos na evolução da
;

análise das águas profundas do Atlântico Sul com
origem na Antártica, seu papel na escultura da margem
continental da América do Sul e sua evolução climática ao
longo do tempo geológico;
• Análise da interação paleoclima-paleocirculação
oceânica;
• Esclarecimento de evolução geotectônica da porção
austral do Gondwana;
• Análise cinemática da separação da Antártica da
América do Sul;
• Integração das investigações geofísicas, geológicas
e paleontológicas em estudos sobre o Oceano Austral,

sobre a margem continental e sobre recursos minerais


fora da região Antártica, mais especificamente na costa da
América do Sul e África;
• Elaboração de um banco de dados geológicos
georreferenciados do continente antártico.

Scotia, na ilha Coronation, arquipélago das Orcadas do Sul. A

idade do metamorfismo e da deformação está relacionada com


os eventos de pré-quebra do Gondwana e soerguimento Andino.

da ilha Coronation, arquipélago das

:
Simões (USP).

21
5
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

PROGRAMA
Dinâmica da alta atmosfera na Antártica, interações com o
geoespaço e conexões com a América do Sul

Objetivo Geral

Investigar a dinâmica e a química da alta atmosfera e o impacto da depleção do ozônio estratosférico no clima antártico,

importância desses processos nas alterações climáticas de longo período na Antártica e suas conexões com a América do
Sul.

Marcos

• Investigar a dinâmica e a química da alta atmosfera da • Manter rede de monitoramento da depleção da


Antártica e o conteúdo de vapor d’água para subsidiar camada de ozônio desde a região da Antártica até o Sul
modelos de previsão climática e suas conexões com a do Brasil;
América do Sul; • Manter as pesquisas das relações Sol–Terra e
• Investigar o papel da depleção na camada de ozônio seus efeitos na dinâmica e química da alta atmosfera
no clima da região Antártica e da América do Sul; na Península Antártica, e ampliá-las para o interior do
• Investigar o acoplamento vertical e troca de energia continente antártico, com especial interesse na região do
entre as diferentes camadas atmosféricas para avaliar oval auroral onde os efeitos dos fenômenos do geoespaço
seu papel na formação da área de depleção (“buraco”) na na atmosfera terrestre são mais pronunciados;
camada de ozônio; • Caracterizar e modelar os efeitos de longo período
• das interações Sol–Terra na dinâmica da alta atmosfera e
atmosfera antártica e seu papel nas variações climáticas na depleção da camada de ozônio.
de longo período;
• Realizar observações astronômicas de solo na faixa
do espectro eletromagnético entre o ultravioleta próximo e
micro-ondas para investigar a matéria escura, exoplanetas
e ruído cósmico de fundo;
• Realizar observações na faixa Terahertz a partir de
observatórios estratosféricos instalados em balões com Conjunto de antenas e laboratório para estudos
voos de circum-navegação; ionosféricos realizados na península Keller, que
• operam nas cercanias da Estação Antártica
:

Correia (INPE/UPM).

22
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

A Antártica é um lugar privilegiado para se estudar localmente e globalmente a atmosfera terrestre. Por outro
o geoespaço vizinho, dado ser esta a região onde a lado, observações coordenadas das diferentes camadas
atmosfera terrestre interage mais diretamente com o vento da atmosfera são necessárias para se entender como se
solar, que consiste de feixes de partículas carregadas processa o acoplamento vertical e a troca de energia entre
(elétrons e íons). As partículas provenientes do Sol, ao elas, cujo conhecimento dará subsídios para o melhor
interagir com a atmosfera terrestre, emitem luz (auroras) entendimento da dinâmica da camada de ozônio bem
e geram calor e, ao interagirem com o campo magnético, como para modelos de previsão de tempo e de clima com
provocam tempestades magnéticas, que podem provocar maior acurácia.
cortes nas transmissões de rádio em ondas curtas e
As condições de céu na Antártica, especialmente na
nas redes de transmissão de energia elétrica longas. região do platô do manto de gelo, permitem observações
Para melhor se caracterizar a interação Sol–Terra são a partir do solo com excepcional transparência na faixa
necessárias redes de instrumentação de grande extensão do espectro eletromagnético do ultravioleta próximo até a
espacial, demandando colaborações internacionais faixa de micro-ondas, portanto é um lugar excelente para
envolvendo projetos multi e interdisciplinares. O completo se estudar matéria escura e exoplanetas. Além disso, é o
entendimento da física do geoespaço requer também lugar mais favorável para a detecção de raios cósmicos,
observações coordenadas no Ártico e na Antártica, bem devido à proximidade do polo magnético. Nessa região,
como na América do Sul (onde está localizada a Anomalia mesmo os raios de menor energia penetram até o solo
Magnética do Atlântico do Sul, hoje sobre o sul do Brasil). mais facilmente do que nas baixas latitudes. Muitos
Essas observações coordenadas são importantes para dos projetos astronômicos de vanguarda estão sendo
se entender os efeitos dos fenômenos que perturbam transferidos para o interior da Antártica devido a esses
fatores.

Os temas de pesquisa referentes a esse programa estão (GRAPE, ICESTAR e programa “Evolução da Criosfera e
em sintonia com as seguintes atividades do SCAR: (1) Resposta da Terra Sólida” - SERCE/SCAR).
Atmosfera Antártica: estudo da camada de ozônio e
ondas atmosféricas (Grupo de Especialistas do SCAR Nas áreas de Astronomia e Astrofísica poderão ser
Interhemispheric Conjugacy Effects in Solar-Terrestrial and estimuladas as observações feitas com alta sensibilidade,
Aeronomy Research - ICESTAR), estudos do conteúdo de permitindo o estudo de matéria escura, ruído cósmico de
vapor d’água (Grupo GNSS Research and Application for fundo, a procura de exoplanetas, e detecção de neutrinos
Polar Environment - GRAPE/SCAR). Cobertura de nuvens e raios cósmicos seguindo as propostas do programa
e radiação longa (Grupo de Especialistas do SCAR - “Astronomia e Astrofísica a partir da Antártica” (AAA) do
Clouds and Aerosols). (2) As pesquisas sobre a interação SCAR, além de estudos da radiação solar com telescópios
na faixa do Terahertz instalados em balões de
fenômenos solares na ionosfera/magnetosfera terrestre circum-navegação.

23
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

Interações com Programas e Ações no País

Esse programa interage significativamente com os INCTs Antárticos (INCT-Cristofera e INCT-Antártico de Pesquisas
Ambientais).

Produtos Esperados

• Monitoramento e modelagem dos efeitos dos


fenômenos do geoespaço na atmosfera terrestre
com o objetivo de previsão a curto e médio prazo
de perturbações atmosféricas que possam afetar as
telecomunicações, medidas de posicionamento com alta
precisão (GNSS), e cortes nas redes de transmissão de
energia elétrica;
• Monitoramento preventivo da radiação solar e do
“buraco de ozônio” antártico decorrentes de mudanças
químicas na atmosfera, com vistas à produção de
modelagens preventivas sobre impactos socioeconômicos,
na saúde pública, na agricultura e no meio ambiente;
• Monitoramento do conteúdo do vapor d’água, um dos
gases importantes do efeito estufa na atmosfera terrestre,
dando subsídios para avaliar seu papel nas alterações
climáticas de longo período.

Ionossonda instalada na península Keller, ilha Rei George, nas

cercanias da Estação Antártica Comandante Ferraz.

NOVAS ÁREAS DE INVESTIGAÇÃO


Nos próximos dez anos a ciência antártica avançará possibilidades de pesquisa nas disciplinas das Ciências
rapidamente pelo uso intensivo de novas tecnologias. Sociais, tais como Arqueologia, Sociologia da Ciência,
Geografia Política e Relações Internacionais, que tornaram-
dos mais de 400 lagos subglaciais; a procura por se de interesse a partir do Ano Polar Internacional
(2007–2009). Investigações sobre vetores de doenças
isoladas do continente; a implantação de uma rede de transmissíveis, microbiota antártica patogênica, psicologia
equipamentos astronômicos no platô antártico e de de grupos sob condições extremas enfatizam a relevância
equipamentos para monitorar a atmosfera em todo o das investigações na área de Biologia Humana e Medicina
continente antártico. Deve-se atentar também para as Polar.

24
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

Assim, recomenda-se que uma parte dos recursos para C&T do PROANTAR seja dedicada a essas novas áreas de
conhecimento e a projetos inovadores, eventualmente não previstos neste Plano de Ação.

CONEXÕES COM O ÁRTICO


Ártico Internacional” (IASC), uma organização não
aprofundar sua cooperação com os investigadores governamental.
da região do Ártico, considerando que evidências das
conexões entre as duas regiões polares se acumulam,
tais como na circulação oceânica de fundo; nos processos também a economia mundial, principalmente ao se
de variabilidade climática e nos efeitos das interações considerar a abertura de novas rotas marinhas (passagem
Sol–Terra na atmosfera. Nos últimos anos, esse interesse do nordeste) e o acirramento pela exploração de recursos
minerais da região.
incluindo a abrupta redução da cobertura de gelo marinho.

disponibilidade de modelos para processos similares decorrentes mudanças políticas terão impacto global,
que podem ocorrer na Antártica. Assim, o SCAR tem recomenda-se que o Brasil atue como observador no
aumentado a colaboração com o “ IASC, principalmente nas questões do clima e da
exploração geológica.

FORMAÇÃO E ABSORÇÃO
DE ESPECIALISTAS ANTÁRTICOS
NO SISTEMA NACIONAL DE C&T
No momento, a primeira geração dos pesquisadores conjunta do CNPq e CAPES para lançamento de edital
brasileiros, especialmente treinados para a ciência de bolsas de formação dedicado aos temas polares, ou a
antártica, atinge a maturidade e nos próximos dez anos inclusão de tais temas em programas já existentes, como
estarão perto da idade de aposentadoria. Algumas o “Ciência Sem Fronteiras”, garantindo a continuidade de
das áreas emergentes da ciência polar ainda contam diversos grupos de pesquisa associados ao PROANTAR e
com poucos ou nenhum pesquisador no Brasil (por incrementando sua inserção internacional.
exemplo, especialistas no modelamento da variação
do gelo marinho e seu acoplamento aos modelos do Revela-se preocupante a falta de oportunidade para
especialistas antárticos nas instituições de ensino e
outras áreas da Biologia Polar). É necessária uma ação pesquisa no Brasil. Raros são os recém-doutores em

25
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

temas antárticos que puderam dar continuidade plena às suas pesquisas. Portanto, é também importante uma ação
no Ministério da Educação (MEC) para incentivar as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) a realizarem
concursos para professores em temas antárticos.

Os proponentes deste Plano ressaltam que o investimento nessas duas ações, que contemplam a formação de pessoal e
abertura de concursos, é baixo. A alocação de bolsas de formação e de vagas em concursos para professores doutores
específicas para o tema antártico, dentro do período deste plano de ação, já se revelaria de expressivo valor para a
continuidade das pesquisas do PROANTAR.

EDUCAÇÃO, DIVULGAÇÃO E INSERÇÃO


SOCIAL DO CONHECIMENTO
para o envolvimento de novos pesquisadores e grupos
PROANTAR na sociedade brasileira como na comunidade de pesquisa. Esses novos projetos deverão ter ações
de educação e popularização da ciência associados,
presença e relevância dos temas antárticos nos incluindo, por exemplo, divulgação na mídia eletrônica,
órgãos governamentais que fomentam a pesquisa, redes sociais e projetos de educação a distância para o
ensino de nível médio e superior.
anos, o programa ainda carece de ações de divulgação
Todas as ações listadas serão mais efetivas se vinculadas
elaboração de um plano integrado de comunicação social Academia
(empregando as diversas plataformas, mídias e redes Brasileira de Ciências (ABC), Sociedade Brasileira para
sociais), dirigido tanto para o público interno como para o o Progresso da Ciência (SBPC) e com a Associação de
público externo, é essencial para consolidar a visibilidade Pesquisadores e Educadores em Início de Carreira sobre
o Mar e os Polos - APECS - Brasil.

Evidentemente, para o aumento da visibilidade perante a

o aumento das publicações de resultados das pesquisas


antárticas em periódicos internacionais, com índices de
alto impacto. Sobre esse ponto, as agências de fomento

de alto impacto dos proponentes de novos projetos. Os


editais para novos projetos do PROANTAR devem ter a

nacionais, garantindo maior transparência e oportunidade

O continente antártico e o Brasil na

Polar e Climático (UFRGS).

26
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

LISTA DE SIGLAS
AAA Astronomia e Astrofísica a partir da Antártica (Astronomy and Astrophysics from Antarctic/SCAR)

AnT-ERA Limiares Antárticos – Resiliência e Adaptações dos Ecossistemas (Antarctic Thresholds – Ecosystem Resilience and
Adaptation)/SCAR
ANTABIF Banco de Dados Internacional de Biodiversidade Antártica (Antarctic Biodiversity Information Facility)

AntClim21 Mudanças Climáticas Antárticas no Século XXI (Antarctic Climate Change in the 21st Century)/SCAR

AntEco Estado do Ecossistema Antártico (State of the Antarctic Ecosystem)/SCAR

ANTPAS Permafrost Antártico e Subantártico, Solos e Ambientes Periglaciais (Antarctic and Sub-Antarctic Permafrost, Soils and
Periglacial Environments)/SCAR
APECS - Brasil Associação de Pesquisadores e Educadores em Início de Carreira sobre o Mar e os Polos - APECS - Brasil (Association
of Polar Early Career Scientists - comitê nacional)
CENPES Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello, Petrobras

CLIVAR Variabilidade e Previsibilidade do Clima/ Programa de Investigação do Clima Mundial (Climate Variability and
Predictability/World Climate Research Programme )
CPR Registro Contínuo de Plâncton (Southern Ocean Continuous Plankton Record)/SCAR

EGBAMM Grupo de Especialistas de Mamíferos e Aves Marinhas (Expert Group on Birds and Marine Mammals)/SCAR

FURG Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, RS

GNSS Sistema Global de Navegação por Satélite (Global Navigation Satellite System)

GRAPE Pesquisa sobre o Sistema Global de Navegação por Satélite e Aplicações para o Ambiente Polar (Global Navigation
Satellite Systems Research and Application for Polar Environment)/SCAR
IASC International Arctic Science Committee)

ICESTAR Efeitos Conjugados Inter-hemisféricos em Pesquisas Sol-Terra e Aeronomia (Interemispheric Conjugacy Effects in
Solar-Terrestrial and Aeronomy Research)/SCAR
IFES Instituições Federais de Ensino Superior

INCTs Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia

INPE Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

IPICS Parceria Internacional para a Ciência de Testemunhos de Gelo (International Paternship on Ice Core Sciences
do PAGES-IGBP)
PAIS Dinâmica do Manto de Gelo Antártico no Passado (Past Antarctic Ice Sheet Dynamics)/SCAR

SCADM Comitê Permanente de Gestão de Dados Antárticos (Standing Committee on Antarctic Data Management)/SCAR

SCAGI Standing Committee on Antarctic Geographic Information)/


SCAR
SCAR ) do Conselho Internacional para
Ciências (ICSU)
SCOR /ICSU)

SERCE Evolução da Criosfera e Resposta da Terra Sólida (Solid Earth Response and Cryosphere Evolution)/SCAR

SOOS Sistema de Observação do Oceano Austral (Southern Ocean Observing System)

STA Sistema do Tratado da Antártica

UERJ Universidade do Estado do Rio de Janeiro

UFRGS Universidade Federal do Rio Grande do Sul

UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro

UPM Universidade Presbiteriana Mackenzie

USP Universidade de São Paulo


27
Plano de ação ciência antártica 2013-2022

MAPA DA ÁREA GEOGRÁFICA


DE ATUAÇÃO DO PROGRAMA ANTÁRTICO
BRASILEIRO
Mapa da Antártica:

Área de atuação do Programa

Antártico Brasileiro (PROANTAR)

na Antártica Marítima (em amarelo).

O local da Estação Antártica

Comandante Ferraz (62°05’S,

bandeira sobre a ilha Rei George.

Esta proposta inclui também

a manutenção das pesquisas

no interior do manto de gelo

antártico (área marcada em verde)

a partir de pista de pouso na geleira

Union (marcada com ponto preto) e

incluindo apoio ao módulo

Criosfera 1 (Crio 1, ponto azul;

84°00’S, 79’30°W). Fonte: Centro

Polar e Climático (UFRGS).

Módulos Antárticos Emergenciais (MAEs) da Estação Antártica Comandante Ferraz, baía do Almirantado, ilha Rei George, instalados no

verão de 2012/2013. Fonte: SECIRM.

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Contracapa : .

Verso da Contracapa: Visão em 3D da nova Estação Antártica Comandante Ferraz a ser construída na baía do Almirantado,

ilha Rei George. Fonte: Estúdio 41 Arquitetura.

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