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História da Indústria do Vidro em Portugal

Este documento fornece um resumo da história da indústria do vidro em Portugal, descrevendo os principais marcos, como a fundação da Fábrica do Covo em 1484, a Real Fábrica de Vidros Cristalinos da Coina fundada por D. João V em 1719, e seu encerramento e transferência para a Marinha Grande em 1747. O documento também discute a evolução dos processos de produção do vidro ao longo da história.

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Madalena Ribeiro
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História da Indústria do Vidro em Portugal

Este documento fornece um resumo da história da indústria do vidro em Portugal, descrevendo os principais marcos, como a fundação da Fábrica do Covo em 1484, a Real Fábrica de Vidros Cristalinos da Coina fundada por D. João V em 1719, e seu encerramento e transferência para a Marinha Grande em 1747. O documento também discute a evolução dos processos de produção do vidro ao longo da história.

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SERVIÇO DE EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL DO PORTO

Indústria do Vidro – Terminologia e


Enquadramento Histórico
25 HORAS

FORMADORA: Madalena Ribeiro

Objetivos
 Identificar os principais setores e processos de produção e
transformação do vidro.

 Identificar os principais marcos de evolução histórica da indústria


vidreira.

Conteúdos
 Evolução histórica dos processos de produção, transformação e
aplicações do vidro

 Diversas fases e marcos da evolução histórica dos processos de


produção e transformação do vidro

 Evolução das principais aplicações do vidro ao longo dos tempos

 Processos e técnicas de produção e transformação do vidro

 Vertentes sectoriais

1
O vidro - sua origem e evolução histórica

O vidro, que serve para confeccionar adornos, também se enquadra


perfeitamente na construção civil como elemento representativo de beleza,
segurança e transparência, sendo também matéria prima para os hábeis
arquitetos que o moldam de acordo com sua inspiração.

Ninguém fica indiferente à versatilidade deste material que embeleza não só as


nossas casas e espaços de lazer como se afirma na indústria dos mais
variados ramos.

A data exacta da descoberta do vidro ainda não foi definida, pois prevalecem
diversas opiniões, mas há consenso relativamente à antiguidade deste
material. Sem dúvida, a existência deste material é bastante remota.

Também não há certezas nem dados específicos sobre a sua origem. Alguns
historiadores afirmam que a sua descoberta remonta a 3000 anos a.C. (5000
a.C.) e os primeiros objectos de vidro foram encontrados nas necrópoles
egípcias.

Tudo teria começado com os navegadores fenícios, que, ao improvisarem


fogueiras com salitre e soda nas praias da Síria, notaram que delas escorria
uma substância brilhante e líquida que se solidificava rapidamente ao esfriar.

Para a ciência, essa origem não passa de uma lenda. A dúvida dos cientistas
reside no fato de que uma simples fogueira dificilmente seria capaz de provocar
uma reação que só ocorre em altíssimas temperaturas. Além disso, existem
notícias de descobertas de objetos de vidro nas necrópoles egípcias, levando a
crer que o vidro já era um material conhecido há pelo menos 4 mil anos antes
da Era Cristã.

2
Durante o Império Romano, a produção de vidro teve seu apogeu em Veneza,
mas, com os sucessivos incêndios provocados pelos fornos, a atividade foi
transferida para Murano, uma pequena ilha, próxima de Veneza, de onde os
artesãos não saíam para que não fossem descobertos os segredos do
processo de fabricação.

Mas voltemos um pouco atrás. Os romanos aprenderam esta arte com os


egípcios mas desenvolveram processos de lapidação, pintura, colorido, gravura
e a moldagem do vidro assoprado A partir do momento em que esta indústria
se estabeleceu em Roma, o seu desenvolvimento e aperfeiçoamento foram
dignos de registo.

O vidro nesta época tinha um grande valor. Os romanos, quando invadiram


o Egipto, estabeleceram como imposto de guerra o fornecimento de artefactos
de vidraria, tal era a importância que atribuíam a esta matéria-prima.

Com a queda do império romano do ocidente, Constantino, ao mudar a capital


para Bizâncio, levou consigo excelentes trabalhadores do vidro. Foi nesta
época que o Oriente passou a ter o monopólio deste comércio. O fabrico de
artigos de vidro foi incentivado por Teodósio II que isentou os seus
trabalhadores de diferentes tipos de impostos e dava-lhes outros benefícios,
quer sociais quer comerciais.

Retomemos o exemplo de Murano, para mencionar as várias tentativas de


manter a arte de trabalhar o vidro em sigilo. O monopólio das fábricas e
oficinas de Murano, para onde em 1289 haviam sido transferidas todas as
oficinas, é exemplo da tentativa de controlar os trabalhadores, pese embora a
justificação dada pela necessidade de preservar a cidade do perigo dos
incêndios.

3
Apesar de todos os esforços, alguns trabalhadores conseguiram emigrar para a
Alemanha e aí desenvolver esta indústria que, a pouco e pouco, se foi
espalhando pelo mundo.

Até 1500 a.C., o vidro tinha pouca utilidade prática e era utilizado
principalmente como adorno.

A partir do vidro fundido, faziam-se finas tiras que eram enroladas em forma de
espiral em moldes de argila. Quando o vidro arrefecia, tirava-se a argila do
interior, obtendo-se um frasco que, pela dificuldade do processo, era somente
acessível aos ricos.

Por volta de 300 a.C., uma grande descoberta revolucionou o vidro: o sopro,
que consiste em colher uma pequena porção de vidro com a ponta de um tubo
(o vidro fundido é viscoso como o mel) e soprar pela outra extremidade de
maneira a produzir uma bolha no interior da massa, que passa a ser a parte
interna da embalagem. A partir daí, ficou mais fácil a obtenção de frascos e
recipientes em geral. Para termos noção da importância desta descoberta,
basta dizer que, ainda hoje, mais de 2000 anos depois, utiliza-se o princípio do
sopro para moldar embalagens, mesmo nas mais modernas máquinas.

Também a partir de gotas, colhidas na ponta de tubos e canas de sopro,


passou-se a produzir vidro plano. Depois da bolha estar grande, cortava-se o
fundo, deixando a parte que estava presa no tubo e, com a rotação deste,
produzia-se um disco de vidro plano, que era utilizado para fazer vidraças e
vitrais.

No século I a.C., os melhores vidros vinham de Alexandria e já eram obtidos


por sopro. Graças à contribuição dos romanos, iniciou-se a produção de vidro
por sopro dentro de moldes, aumentando em muito a possibilidade de
fabricação em série das manufacturas. Foram eles, também, os primeiros a
inventar e usar o vidro para janelas.

4
Como já foi referido, após a queda de Roma, a produção do vidro diminuiu
drasticamente na Europa, mas desenvolveu-se em grande escala na Síria e no
Egipto, com a produção de vitrais, lâmpadas e outros objectos de fino
acabamento

5
História da indústria vidreira em Portugal
O início da história vidreira em Portugal, não tem uma data precisa. Consta que
os primeiros vidreiros estrangeiros se fixaram em Portugal no século XVI. Com
precisão pode-se mencionar a Fábrica do Covo, que se fundou em 1484, talvez
uma das mais antigas e importantes.

Porém, foram encontrados em Portugal vestígios históricos de vidros que


datam da época da romanização (Séc. IIIAC), mas, claro, com as sucessivas
conquistas e reconquistas do território que levaram ao abandono e à
estagnação do mesmo durante séculos, é natural que esta arte não tenha
singrado. Datam do séc. XV, as cartas régias que referem a existência de 11
vidreiros estrangeiros em Portugal, todos localizados a sul de Lisboa.

Porém, desengane-se quem pense que a Fábrica do Còvo se situa a sul. Na


verdade, situa-se em Oliveira de Azeméis e constitui-se como um verdadeiro
tesouro histórico.

Num jornal do século XIX pode ler-se: “A industria do vidro, em Portugal, foi
introduzida no século XV, com a fundação de uma pequena fabrica na
freguesia de S. Pedro de Villa-Chã, concelho de Oliveira de Azemeis,
denominada fabrica do Côvo, pelos annos de 1484. Foi esta fabrica protegida
por el-rei D. João II, que lhe deu uma provisão garantindo que não se podesse
estabelecer outra fabrica, sem consentimento do dono da primeira, um tal
Diogo Fernandes ao que parece. Apesar d´este previlegio, em 1498
estabeleceu-se outra pequena fabrica de vidros em Coina, não se sabe se com
consentimento do proprietario da fabrica do Côvo. Esta nova fabrica que a
principio pouca produção teve, foi desenvolvendo-se com o andar dos tempos,
de modo que em 1580 os seus productos faziam grande concorrencia á fabrica
do Côvo, o que obrigou esta a fazer-se valer dos seus antigos previlegios
perante D. Affonso.” (http://educa.fc.up.pt).

6
Mais tarde, em 1719, D. João V também mostrou interesse por esta indústria,
fundando uma fábrica, Real Fábrica de Vidros Cristalinos da Coina, na região
sul de Lisboa com bastante importância, que esteve sobre administração régia
até 1731. A partir desta data até ao seu encerramento em 1747, passou por
várias administrações da qual se destaca a do irlandês John Beare, por ter sido
no seu tempo que a manufactura foi encerrada e deslocada para a Marinha
Grande, dando origem à tradição vidreira pela qual ficou conhecida essa
localidade. Apesar de ter atravessado diversas dificuldades, os seus produtos
eram de boa qualidade, pois trabalhavam lá bons mestres estrangeiros.

Desta fábrica de vidros de Coina não encontrámos mais referências. No


entanto, sabemos que, na década de 80 do séc. XX, foram realizadas
escavações arqueológicas, no local, tendo sido encontrados vários fornos e
um conjunto de vestígios materiais que permitiram reconstituir a produção do
vidro nesta localidade. Crê-se tratar-se da Real Fábrica de Vidros Cristalinos
fundada por D. João V, em 1719 e que ficou sob administração régia até 1731.

A sua instalação em Coina (Barreiro) deveu-se em parte às excelentes


condições que o local oferecia: abundância de lenha da Mata da Machada para
combustível dos fornos e a pureza das suas areias cauliníferas.

A criação da manufactura vidreira de Coina representava uma tentativa de


inovação no contexto da economia do reino, não só porque foi um importante
empreendimento, quanto à sua área de implantação (cerca de 4000m2), como
pela sua capacidade produtiva, natureza e originalidade dos seus produtos e,
ainda, pela mão-de-obra e técnicos estrangeiros especializados na produção
do vidro, (italianos, finlandeses, irlandeses, venezianos e alemães) que
chegaram a Portugal, recursos que o país não possuía. Estes técnicos
formaram uma importante colónia na freguesia e antigo Concelho de Coina.

7
Fabricou, em três fornos de fusão, vidro branco, vidro verde e chapa de vidro
para vidraça e espelho. A frascaria diversa quer comum, quer de laboratório, a
garrafaria (entre a qual se encontraram garrafas de tipo inglês para o Vinho do
Porto) e o vidro plano pelo processo francês de moldagem em mesa permitem
testemunhar o real significado desta manufactura à qual se prende o
desenvolvimento moderno do vidro português. Os seus produtos chegaram ao
Brasil, à Espanha, à China, concorriam, inclusive, com os vidros ingleses
contemporâneos, quando a sua gestão esteve entregue a uma companhia de
mercadores britânicos.

As razões do seu encerramento prenderam-se com questões ligadas a um dos


combustíveis que alimentava os fornos do vidro, a madeira, abundante em toda
a margem sul e utilizada nas manufacturas da região, desde o abastecimento a
Lisboa, à construção naval, aos fornos do biscoito de Vale de Zebro, aos
inúmeros fornos de cal existentes que, por si só, eram grandes depredadores
dos recursos naturais

Deve-se, no entanto, ao Marquês de Pombal o maior impulso na indústria


vidreira nacional, ao estabelecer a Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande,
passando o alvará a Guilherme Stephens. Passados cerca de 15 anos, a
fábrica estava apta a funcionar nas suas melhores condições, à frente da qual
Stephens colocou 4 dos melhores mestres que havia na Inglaterra e ainda 5 de
Génova. Na verdade, a iniciativa do Marquês de Pombal veio contribuir para a
industrialização da região que se viria a tornar na primeira metade do séc. XX o
centro vidreiro do país.

A Marinha Grande foi o núcleo geográfico original da indústria vidreira como


também foi, dois séculos depois, da indústria de moldes para plásticos.

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A Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande foi dotada de privilégios de
utilização das matérias primas e dos combustíveis (lenha do Pinhal do Rei),
bem como de um empréstimo real, livre de imposto (32 contos de reis a serem
pagos em 15 anos), o que para a época representava um incentivo sem
precedentes.
A matéria prima era o silício proveniente da areia e a soda utilizada como
fundente; o cristal, vidro à base de chumbo, requeria a junção do silicato de
chumbo a um silicato alcalino. A areia provinha de localidades próximas e a
soda era importada de Inglaterra. A fonte de energia era, obviamente, a lenha
para os fomos obtida no pinhal de Leiria.

Dadas as demandas da indústria do vidro, só foi possível o desenvolvimento


do sector em grandes oficinas como a Fábrica Escola Irmãos Stephens porque
assegurava equipamentos importantes como os fomos para derreter a matéria
prima.

A organização do trabalho baseava-se no grupo ou equipa ("a obragem") no


centro do qual estava o mestre que recrutava e treinava os aprendizes e
determinava as condições da sua promoção. Na maior parte dos casos, os
aprendizes eram filhos ou familiares dos mestres, reforçando-se assim as
relações sociais numa comunidade fabril.

Havia três sectores na indústria do vidro: a vidraça, a garrafaria, a cristalaria.

Durante muitos anos, foi o vidreiro a deter o controlo da produção e a


concepção da peça a fabricar. Atuava perto do fomo soprando num tubo de
ferro de um metro e meio de comprido (a "cana") para dilatar e dar forma ao
vidro que era constantemente aquecido e soprado segundo um movimento
pendular.

9
Os vidros, depois de transportados para a estufa, mantinham-se aquecidos e
maleáveis e o vidreiro pela boca da estufa estendia-os e aperfeiçoava-lhes a
forma. À volta do vidreiro, os ajudantes asseguravam diferentes tarefas,
entregando-lhe as ferramentas necessárias - ferros, pinças, e palmatórias -
sendo o ritmo de trabalho determinado pelo oficial.

Depois de escolhidos, os cristais passavam para a mão de outro grupo de


auxiliares que completavam as peças. Este grupo era constituído pelos
lapidários, os fosquistas, os pintores, os gravadores.

Na garrafaria, os ajudantes colaboravam nas operações de sopro contínuo


perto do forno e as fases finais cabiam ao oficial - o fundo e o gargalo da
garrafa.

O trabalho dos vidreiros tinha uma cadência rápida com atenção às exigências
do vidro e requerendo experiência e talento. A hierarquia nas relações de
trabalho era forte cabendo aos oficiais a disciplina sobre muitos ajudantes e
aprendizes jovens que frequentemente eram simultaneamente seus familiares -
filhos ou irmãos.

As equipas eram compostas por elementos diferentes - oficiais, ajudantes e


aprendizes - em número variável conforme a obra. A promoção ocorria
consoante os anos de experiência e a arte passada de pais para filhos.

As condições de trabalho eram más uma vez que eram necessariamente


realizadas junto ao forno, onde a alta temperatura e as poeiras resultantes da
queima conferiam ao local grande insalubridade. Para piorar as condições de
vida, os vidreiros ganhavam consoante a produção, o que lhes dava grande
instabilidade.

10
Apesar das dificuldades, o crescimento foi rápido na então vila da Marinha
Grande durante o século XIX, principalmente devido ao afluxo da população
dos concelhos vizinhos.

A concentração operária não se traduziu, no entanto, numa estrutura urbana


com bairros de ambiente degradado, antes pelo contrário. Foram criados vários
espaços sociorecreativos que ajudavam a manter o espirito de identidade
e que, ao mesmo tempo, convidava as pessoas a fixarem-se na região.
A situação de quase monopólio da fábrica da Marinha Grande perdurou por
muito tempo, pois, no início do século XIX, existiam apenas, além daquela
fábrica de vidro, uma na Vila da Feira e duas na região de Lisboa.

A organização tradicional do trabalho manteve-se enquanto a Fábrica de Vidros


da Marinha Grande foi controlada pelos irmãos Stephens. Depois da doação da
Fábrica Escola Irmãos Stephens (F.E.I.S.) ao Estado em 1827, houve
problemas de gestão que se reflectiram em instabilidade e dificuldades em
manter o sistema de organização do trabalho e da produção.

No final do século XIX, já havia várias fábricas privadas na Marinha Grande,


criadas por iniciativa de antigos vidreiros e seus familiares, o que marca uma
viragem para uma organização moderna muito diferente da tradicional
fomentada pelos Stephens.

Até ao fim da Primeira Grande Guerra, com o nascimento de novas fábricas, a


concentração da indústria do vidro aumentou na Marinha Grande que em 1917
se tomou sede de concelho. Foi então que nasceram as primeiras associações
de classe que tinham como objectivo a manutenção da arte.

O final da Primeira Grande Guerra marca outra fase da indústria: a


mecanização e a dispersão para o Norte onde a mão de obra era mais barata,
sinais de uma mudança na estratégia de produção que iria afectar o seu núcleo
geográfico original.

11
A organização hierárquica do trabalho esbateu-se e mesmo na cristalaria, em
que se manteve a actividade artesanal, simplificou-se.

Na década de 20 a Marinha Grande era ainda o local onde se pagavam os


mais altos salários mas as condições viriam a alterar-se na década seguinte
quando a indústria do vidro se começou a dispersar com a criação de fábricas
em Leiria, Porto, Aveiro, Coimbra, Setúbal e Lisboa.
No final dos anos 20 evidencia-se o declínio da indústria do vidro na Marinha
Grande, marcado pelo encerramento de muitas fábricas e reduções salariais
generalizadas. Como a especialização mono-sectorial era muito vincada o
desemprego revelou-se como uma questão fundamental para a Marinha
Grande. Agudiza-se na década de 30 suscitando fortes movimentos de
afirmação operária, como o de 18 de janeiro de 1934, de forte impacto a nível
nacional.

No pós 25 de Abril, muitas fábricas encerraram, por saneamento dos


proprietários pelos trabalhadores ou por falência.

Perante os salários declinantes, oscilantes e instáveis, os trabalhadores das


fábricas ocupam-se também em pequenas oficinas artesanais de vidro que, por
encomenda ou subcontratação às unidades fabris ou ao comércio, realizam
operações de acabamento da peça - cinzelagem e pintura.

Apesar das crises sucessivas, o distrito de Leiria é ainda hoje o principal pólo
de trabalhadores da indústria vidreira em Portugal, 75% dos quais no concelho
da Marinha Grande.
.
A modemização da indústria do vidro incidiu apenas na produção de garrafaria
e vidraça recorrendo à automatização. A cristalaria manteve-se em grande
parte artesanal.

12
Produção do vidro
A produção do vidro faz-se através da moagem da matéria-prima: a sílica
(proveniente da areia siliciosa), o óxido de cálcio (fornecido pelo carbonato de
cálcio) e óxido de sódio (fornecido pelo sulfato de sódio ou pelo carbonato de
sódio).

Em seguida, a mistura moída é homogeneizada e cozida num forno. Após ter


perdido toda a água, junta-se a esta massa o fundente, que é, em geral,
constituído por bocados de vidro finamente moídos.

A temperatura é elevada até 1200 a 1400º C de acordo com a composição de


matéria prima. Nesta fase juntam-se-lhe os aditivos (dióxido de manganês,
borato de sódio e óxido de arsénio) e os corantes (óxidos metálicos), se for o
caso de se querer obter vidro colorido.

A partir daí a temperatura do forno desce até aos 800 a 400º C, sobre a qual
fica pastoso, pronto a ser moldado.

Muitas vezes é necessário proceder ao recozimento do vidro para melhorar as


suas características, com vista à eliminação das tensões residuais que
condicionam a sua resistência ao choque.

Características gerais e propriedades do vidro


O vidro é um material tão comum nas nossas vidas que, muitas vezes, nem
nos apercebemos o quanto ele está presente. Porém, basta olharmos à nossa
volta com um pouco de atenção e vamos encontrá-lo nas janelas, nas
lâmpadas, na mesa de refeições, em garrafas, copos, pratos, travessas… Além
disso, muitos de nós só conseguimos apreciar a beleza do vidro através do
vidro dos nossos óculos.

13
Mas, o que é o vidro? E o que faz com que este material tenha tantas
aplicações e continue a ser usado em tão larga escala ao longo de todos estes
milhares de anos?

Segundo a definição aceite internacionalmente, "o vidro é um produto


inorgânico, de fusão, que foi resfriado até atingir a rigidez, sem formar cristais".

Ou de outro modo: “o vidro é uma substância inorgânica, amorfa e fisicamente


homogénea, obtida por resfriamento de uma massa em fusão que endurece
pelo aumento contínuo de viscosidade até atingir a condição de rigidez, mas
sem sofrer cristalização “.

14
Composição do vidro/Tipos de Vidro
Na construção, são utilizados os vidros silíco-sodo-cálcicos são compostos
por:

 um vitrificante, a sílica, introduzida sob a forma de areia ( 70 a 72


%);
 um fundente, a soda, sob a forma de carbonato e sulfato ( cerca
de 14%);
 um estabilizante, o óxido de cálcio, sob a forma de calcário (cerca
de 10%);
 vários outros óxidos, tais como o alumínio e o magnésio,
melhoram as propriedades físicas do vidro, especialmente a
resistência à acção dos agentes atmosféricos;

Para determinados tipos de vidro, a incorporação de diversos óxidos metálicos


permitem a coloração na massa.

15
Propriedades do vidro
Densidade
As densidades são muito variáveis, assim temos:
• Cristal ordinário…………… 3.33
• Vidro para óculos…………. 2 .46
• Vidro ordinário ………........ 2.56
• Vidro para garrafas ………. 2.64

Normalmente aceita-se o valor 2.5, o que dá uma massa de 2,5 kg por m2 e


por mm de espessura para os vidros planos.

Dureza
Para determinar a dureza superficial, isto é, a resistência a ser riscado por
outro material, utiliza-se a escala de MOHS. O vidro tem a dureza 6.5 entre a
ORTOSE (6) e o quartzo (7).

Resistência à abrasão
É 16 vezes mais resistente que o granito.

Propriedades mecânicas

Elasticidade
O vidro é um material perfeitamente elástico: nunca apresenta deformação
permanente. No entanto é frágil, ou seja, submetido a uma flexão crescente,
parte sem apresentar sinais precursores.

Resistência à tracção
A resistência à tracção varia de 300 a 700 daN/cm2

Resistência à compressão

16
A resistência do vidro à compressão é muito elevada, cerca de 1000 N/mm2
(1000 MPa) e não limita praticamente o campo das suas aplicações. Em
termos práticos significa que para quebrar um cubo de 1cm de lado, a carga
necessária será na ordem das 10 toneladas.

Resistência à flexão
Um vidro submetido à flexão tem uma face a trabalhar à compressão e a outra
à tracção. A resistência à rotura por flexão é da ordem de:
 40 MPa (N/mm2) para um vidro recozido polido;
 120-200 MPa (N/mm2) para um vidro temperado (conforme a espessura,
manufactura dos bordos e fabrico.

Propriedades térmicas
Condutividade térmica
A condutividade térmica é o fluxo de calor que passa, por hora, através de um
metro quadrado de uma parede, com um metro de espessura, para a diferença
de 1ºC de temperatura, entre as suas duas faces.

Material Condutividade Térmica

Cobre 401
Ferro 53
Água 0,57
Ar (seco) 0,026
Cimento 1,4
Betão 1,28
Vidro 0,72 a 0,86
Tijolo 0,4 a 0,8
Madeira 0,11 a 0,14
Esferovite 0,033

17
Dilatação linear

O coeficiente de dilatação linear de um sólido é a variação sofrida por uma


unidade de comprimento, ao alterar de 1ºC a sua temperatura.
No intervalo de 20ºC a 220ºC, o coeficiente de dilatação linear do vidro é de
9x10 - 6.

Exemplo: Um vidro com 2m de comprimento, ao ser aquecido 30ºC, sofrerá um


aumento de comprimento de …….
=2000 x 9 x 10-6 x 30 = 0,54 mm.

• O vidro dilata 2 vezes mais do que o pinho, o calcário e o tijolo;


• 2/3 do que o aço e o cimento;
• 40% do que o alumínio.

Transmissão térmica
As transferências de calor entre a superfície de uma parede e o meio
envolvente são feitas por convecção e por radiação.

Pelo contrário, o fluxo de calor no interior da parede será feito por condução. A
condutibilidade térmica é muito pequena, resultante vidros mais condutores,
quanto maior fôr a sua proporção de alcalis.

Resistência ao choque térmico


Depende do módulo de elasticidade, da resistência à tracção e do coeficiente
de dilatação. Para o vidro recozido considera-se para o seu valor 60º, para o
vidro temperado este valor é da ordem de 240º C. a 300º C.

Resistência ao desgaste
Próxima da do basalto

18
Tipos de vidros e derivados

Diferenças entre vidro estirado, float e cristal

Poucas são as diferenças entre o vidro estirado, o cristal e o vidro float, tanto
no que diz respeito à sua composição química quer à sua resistência
mecânica. As maiores diferenças residem na aparência e nas propriedades
ópticas.

O vidro estirado e o vidro float, principalmente em espessuras maiores,


apresentam ondulações que são visíveis e que produzem distorções de
imagens.

No cristal não são visíveis ondulações superficiais, porque têm menor


percentagem de defeitos e, por sua vez, também não produzem distorção de
imagens devido ao paralelismo das suas faces.

O verdadeiro cristal é empregue no fabrico de artigos de decoração e não na


indústria da construção civil devido às suas características. É um vidro com
excelentes características de brilho e transparência. Este brilho é consequência
do chumbo que aumenta grandemente o índice de refracção do vidro.

Contudo, a tecnologia actual de fabrico limita a níveis quase imperceptíveis os


inconvenientes dos vidros estirados e float.

19
Vidro Impresso

Este tipo de vidro surgiu quando se desenvolveu o processo pelo qual o vidro
emerge do forno e passa através de dois rolos, um dos quais possui um
desenho gravado na superfície.

Esse desenho transmite-se ao vidro e dá-se o recozimento, o arrefecimento e,


de seguida, é cortado.

Este tipo de vidro tem uma similar composição química, é translúcido, com
figuras ou desenhos, numa só ou em ambas as faces.

A resistência mecânica deste vidro é aumentada se também for temperado.

A utilização deste tipo de vidro é destinado a locais ou situações que


necessitem de privacidade sem comprometer a quantidade de luz no local que
o vidro deixa passar.

A facilidade de manutenção e limpeza são pontos a ter em conta, aquando da


escolha do vidro. Este vidro é muitas vezes utilizado em portas, janelas,
divisórias, fachadas, casas de banho, entre outros.

Vidro plano polido

É um vidro transparente cujas faces são polidas e sem distorção de visão, ou


seja, é possível ver os objectos através dele, ou reflectidos pela sua superfície
em qualquer ângulo.

Diferencia-se do vidro plano liso pela perfeição das suas superfícies polidas
isentas de ondulações, permitindo uma visão indeformada dos objectos através
dele.

20
Classificam-se, segundo a qualidade, em três grupos:

 Vidraça: envidraçamento fino, vitrinas, mostruários;


 Seleccionado: espelhos, pára-brisas, vidraças especiais;
 Espelhamento: espelhos de luxo e decoração.

O polimento é aplicado após a laminação e após ainda a eliminação de


ondulações e defeitos superficiais através de um processo rotatório com
aplicação de discos de desbaste.

Produção do vidro plano

No início do século XX, a fabricação do vidro foi sujeita a um aperfeiçoamento


do antigo sistema do vidro soprado e as vidraças passam a ser feitas pelo
processo do cilindro.

Este sistema baseava-se no efeito do ar comprimido que formava um cilindro


de mais ou menos 13 mm de comprimento e 1 mm de diâmetro, tirado do
banho do vidro fundido, que era resfriado, cortado e esticado. Mas, o produto
daqui resultante era de baixa qualidade e era apenas utilizado em janelas.

Mais tarde, no ano 1914, foi inventado o processo Fourcault, que consistia no
estiramento vertical da lâmina de vidro através de uma barra de refractário com
uma ranhura, cujo nome era debiteuse, por onde o vidro sobe até 10/15m de
altura. A tracção na parte superior produz estiramento e os rolettes laterais de
amianto auxiliam a ascensão.

Existem quatro factores que podem afectar a espessura da lâmina de vidro:

 a temperatura do vidro na câmara: quanto maior a temperatura


menor a espessura;

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 o nível de debiteuse: quanto mais submersa, mais espessa a
lâmina;
 resfriadores: quanto mais próximos do vidro, e menor a
temperatura da água de circulação, mais espessa a lâmina;
 velocidade do estiramento: quanto mais rápido o estiramento,
mais fina a lâmina de vidro.

Vidros coloridos ou termo-absorventes

Além do aspecto estético, podem reduzir o consumo energético de uma


construção. Estes vidros reduzem a energia radiante transmitida pelo sol, quer
reflectindo a radiação solar antes de entrar na habitação, quer absorvendo-a no
corpo do vidro.

Os vidros termo absorventes são produzidos pela introdução de óxidos


metálicos na massa do vidro, que produzem cores variadas e reduzem a
transmissão solar, aumentando a absorção do vidro.

O espectro solar é composto de três partes distintas: ultravioleta, luz/espectro


visível e infravermelho:

o A energia ultravioleta representa apenas 2 % da energia solar e


causa descoloração de tapetes, cortinas, móveis, queimaduras
solares, entre outros, sendo invisível.

Por outro lado, a luz que representa 45 % da energia solar é a porção de


energia à qual a retina é sensível. Por último, a energia infravermelha que
compreende comprimentos de onda elevados em relação às outras energias,
corresponde a 53 % da energia solar e também é invisível. Todas elas são
convertidas em calor.

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Espelhos

Em tempos antigos, os espelhos consistiam em metais polidos, geralmente o


bronze. Alguns espelhos de vidro revestidos de estanho e prata também foram
encontrados.

Na Idade Média, embora o processo de revestimento do vidro com finas


camadas metálicas fosse conhecido, predominavam, quase que
exclusivamente, os espelhos de metais polidos como o aço, a prata ou ouro.

A fabricação de espelhos como conhecemos hoje teve início em Veneza. Em


1507, dois cidadãos de Murano obtiveram o privilégio exclusivo de produzir
espelhos por um período de 20 anos, e em 1564, os fabricantes de espelhos de
Veneza uniram-se formando uma associação e, pouco tempo depois, os
espelhos de vidro passaram a substituir os espelhos metálicos.

A invenção e a fabricação do vidro polido, cristal, em 1691, na França, marcou


um outro avanço na produção de espelhos. Todos os espelhos eram fabricados
utilizando o processo “veneziano”, até que Liebig, em 1835, descobriu o
processo químico de revestimento de vidros com prata.

Atualmente, o espelhamento é um processo pelo qual os compostos prata-


amónia são quimicamente reduzidos a prata metálica. A maioria dos espelhos
é fabricada desse modo. Outro processo consiste em fazer passar o vidro limpo
por entre uma esteira, no interior de uma câmara, onde soluções,
convenientemente preparadas, encontram-se em forma de spray, depositando-
se prata directamente sobre o vidro.

Muitos vidros, entretanto, são, ainda hoje, espelhados quimicamente por


processos manuais. A película de prata pode ser protegida por uma camada de
verniz, laca ou tinta. Para uma proteção quase permanente, uma camada de
cobre electro-depositado pode ser aplicada.

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Vidro aramado

As pesquisas de materiais resistentes ao fogo levaram ao desenvolvimento do


vidro de segurança aramado que, em 1899, foi testado e aprovado nos Estados
Unidos para esta finalidade.

O processo de fabricação consiste em fazer passar o vidro em fusão,


juntamente com uma malha metálica, através de um par de rolos, de tal modo
que a malha fique posicionada aproximadamente no centro do vidro. Neste
processo, um mecanismo alimenta a malha metálica a uma velocidade e
tensão pré determinadas, compatíveis com a velocidade de alimentação da
massa de vidro fundente, proveniente do forno.

A sua principal característica é a resistência ao fogo, sendo considerado um


material anti-chama. O vidro aramado como material resistente ao fogo pode
ser utilizado em portas corta-fogo, janelas, condutas de ventilação vertical e
passagens para saídas de incêndio.

O vidro aramado reduz também o risco de acidentes, pois, caso quebre, não
estilhaça, e os fragmentos mantêm-se presos à tela metálica. É resistente à
corrosão, não se decompõe, nem enferruja, por isso é recomendado, também,
em locais sujeitos a impacto e abusos, bem como onde a queda de lascas de
vidros represente um risco para os usuários da instalação. Como exemplo,
podemos citar: peitoris, sacadas, divisórias e coberturas.

Podemos encontrar vidros aramados transparentes, coloridos, com diversos


tipos de acabamento superficial e malhas metálicas hexagonais e em forma de
losango.

Vidro espião

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O chamado vidro espião (opaco por uma face e transparente por outra) é
produzido em câmaras onde o vácuo parcial é criado (um décimo de ar
permanece). Ligas de cromo em partículas são aplicadas num filamento e,
quando uma corrente eléctrica atravessa esse filamento, o metal evapora e as
partículas metálicas depositam-se sobre o vidro, formando um filme metálico
resistente e aderente.

Vidro temperado
O vidro temperado tem esse nome por analogia ao aço temperado. Ambos têm
a sua resistência aumentada pela têmpera, um processo que consiste em
aquecer o material até uma temperatura crítica e depois resfriá-lo rapidamente.
Aqui termina a analogia, porque os efeitos desse tratamento são muito
diferentes para os dois materiais.

A têmpera no vidro produz um sistema de tensões que aumenta a resistência,


induzindo tensões de compressão na sua superfície. Isto acontece porque o
vidro, como a maior parte dos materiais frágeis, tem grande resistência à
compressão, porém pouca resistência à tracção.

A resistência do vidro recozido pode ser tomada como 400kgf/cm2. A tensão


de compressão de um vidro temperado é tipicamente de 1.000 kgf/cm2 (100
MPa).

Devido às tensões induzidas no vidro temperado, quando este rompe em


qualquer ponto, toda a chapa se quebra em pequenos fragmentos sem arestas
cortantes e lascas pontiagudas, menos susceptíveis de causar ferimentos.

Deste modo o vidro temperado pode ser designado como um vidro com
características de segurança.

Vidro Laminado

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O vidro de segurança laminado consiste em duas ou mais lâminas de vidro
fortemente interligadas, sob calor e pressão, por uma ou mais camadas de
polivinil butiral (PVB), resina muito resistente e flexível, ou outra resina plástica
aprovada.

A produção do vidro laminado é feita do seguinte modo:

1. As chapas de vidro preparadas (isto é, cortadas, lavadas e secas) são


montadas na sala especial, juntamente com o butiral;
2. Transportadas para uma estufa que proporciona uma primeira aderência
entre vidro e butiral;
3. Submetidas a uma pré-remoção de ar feita por uma calandra que
comprime o laminado, expulsando parte do ar que ficou entre as duas chapas
de vidro;
4. Posteriormente, o conjunto vidro-butiral é enviado para a autoclave,
onde é submetido a um ciclo que atinge 10 a 15 atmosferas de pressão, a mais
de 100º C de temperatura;
5. Após o ciclo de autoclave, as lâminas de vidro e butiral estão firmemente
unidas, constituindo o laminado.

O laminado mais usado consiste em duas lâminas de float de 3 mm e uma


película de PVB 0,015 (0,38 mm) ou 0,030 (0,76 mm).

Em caso de quebra do vidro laminado, os fragmentos ficarão presos ao butiral,


minimizando o risco de lacerações ou queda de vidros. Mesmo após quebrado,
o vidro resiste ao atravessamento do PVB, que pode ser distendido mais de
cinco
vezes da sua medida inicial sem se romper.
Além do aspecto segurança, o vidro laminado apresenta propriedades que o
diferenciam dos vidros recozidos ou temperados. Os vidros de segurança
laminados são excelentes filtros de raios ultravioleta, reduzindo em 99,6% ou
mais a transmissão desses raios.

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Existem dois tipos de vidros de segurança laminados, os simples, com duas
lâminas de vidro e uma película de PVB, e os laminados múltiplos,
compostos por três ou mais lâminas de vidro e duas ou mais lâminas de PVB.
Estes tipos de vidros estão disponíveis em várias cores e espessuras, bem
como disponíveis em termo- reflectores.

Os laminados simples são adequados para locais onde se queira diminuir o


risco de quedas de objectos, ou fissurações. Encontramos este tipo de vidro
em automóveis, fachadas de edifícios, caixas de escadas, vitrinas, entre
outros.

Por outro lado, os laminados múltiplos são adequados para locais de


exigência maior, como por exemplo os pára-brisas, nos carros blindados,
torres de segurança, como especificidade de vidros anti-bala, instalações
hidráulicas, aeroportos.

Vidro curvo laminado


Visando oferecer segurança, os vidros curvo-laminados proporcionam também
beleza e modernidade. Depois de recozidos são laminados, sendo unidos por
intercalcário plástico, que os torna seguros. Podem ser utilizados nas portas de
segurança de bancos, estações de autocarros, coberturas. As cores
disponíveis são várias.

Lã de Vidro

É produzida fazendo passar o vidro fundido através de pequenos furos ou


orifícios, à medida que os filetes de vidro fundido escorrem através dos
orifícios, eles são atingidos por jactos de ar ou vapor a alta pressão fazendo
com que o produto seja produzido. A temperatura do vidro, a dimensão dos
orifícios e a pressão dos jactos condicionam o tipo de fibra fabricada. Elas
podem ser longas, curtas, finas ou grossas.

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As fibras são controladas em relação às dimensões e espessuras. A lã de vidro
é, então transformada em chapas ou placas rígidas através de outro processo.
A fibra de vidro é um material incombustível, não absorvente, quimicamente
estável, resiste ao ataque de insectos, roedores e fungos.

As fibras de vidro são utilizadas para reforçar plásticos, fitas, tendo variadas
aplicações. Destacam-se como isolante térmico e acústico e são
produzidas a partir de vidros de baixa alcalinidade.

Tijolo ou Bloco de Vidro


São fabricados por um processo complexo. Primeiro, duas peças de vidro
rectangulares ou quadradas são fabricadas. Essas metades são unidas por
fusão a altas temperaturas, sendo o ar no espaço entre os vidros evacuado, de
modo a criar-se um vácuo. Por fim, as bordas são revestidas por plástico, para
melhor vedação.

Em obra, o assentamento do tijolo de vidro faz-se com argamassa à base de


quatro partes de cal hidratada, três partes de areia e uma parte de cimento
comum. Ao iniciar a aplicação deve-se conferir o nível e o prumo da primeira
peça. Os tijolos são assentes com 1cm de distância entre eles, e às paredes
laterais.

O limite de altura de paredes é de 2,50m, a partir deste valor será necessário


estruturar o painel. Os blocos de vidros não podem estar sujeitos a cargas de
construção, apenas o seu peso próprio, nem devem ser aplicados em locais
sujeitos a impactos.

Vidros duplos

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Os vidros duplos são envidraçados termo-acústicos compostos por duas ou
mais chapas de vidros laminados, temperados, impressos, reflectivos ou float.
Os vidros e o perfil são unidos por dupla selagem. A primeira, feita com butil
polisobutileno injectado na lateral do perfil. A segunda, que é externa, pode ser
feita com poli-sulfuro ou silicone estrutural. Os dois vidros são, normalmente,
espaçados de 6, 8, 10, 12 e 20 milímetros. O vidro duplo pode ser instalado em
janelas, fachadas, portas, coberturas, entre outros, sejam eles de madeira,
alumínio, aço ou PVC.

Bloqueio térmico

O vidro duplo tem a característica de oferecer mais conforto ao ambiente e tem


como objectivo resolver todos os problemas térmicos. O vidro duplo dificulta as
trocas térmicas entre os dois ambientes (exterior e interior), criando uma
barreira ao frio e ao calor. Por exemplo, comparando com um vidro simples, o
coeficiente de calor é reduzido a metade.

Bloqueio acústico

O controle acústico, além de tornar o ambiente mais harmonioso, proporciona


melhor qualidade de vida aos utentes, protegendo-os da possível poluição
sonora. Na sua composição são utilizados vidros laminados com resina
acústica. Proporciona uma redução de 30 a 50 decibéis. Este é um dos fatores
pelos quais este tipo de vidro é procurado para projectos de escolas, hospitais
e hotéis.

Deve-se, contudo, realçar que é recomendado um espaçamento, entre as duas


vidraças do vidro duplo, o máximo possível. Na verdade, é mais eficaz, para
efeitos de isolamento acústico duas chapas de vidro simples afastadas de 7 cm
(caixilharia dupla) do que um vidro duplo corrente.

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